28 janeiro 2015

Lição 5 - Não Tomarás o Nome Do Senhor Em Vão 2 parte

 Lição 5 - 2 parte

Uma variação non-sense do nome Yahweh. Outra variação é Javé. Ver o artigo geral sobre DEUS, Nomes Bíblicos de, onde estão incluídas muitas informações sobre esse nome particular.
Yahweh era o nome pessoal do DEUS de Israel. Que a forma Yahweh é a forma correta, pode-se provar mediante transcrições para o grego. Quando, pela primeira vez, foram inseridos sinais representando fonemas vogais, na Bíblia hebraica, já no século VII d.C., as letras vogais da palavra hebraica ADONAY, «Senhor», foram escritas intercaladas com as consoantes YHWH, produzindo assim o nome artificial Jeová. Esse não era, realmente, um nome divino; mas muitos, temendo pronunciar Yahweh, como apelativo por demais sagrado, passaram a usar Jeová como um substituto aceitável. Portanto, Jeová é um híbrido sem base bíblica nenhuma, que começou a ser usado de modo geral, como um dos nomes de DEUS, no século XIV d.C. Isso ocorreu porque os eruditos cristãos da época não reconheceram a natureza híbrida da forma Jeová.
Esse nome hebraico de DEUS também aparece com as formas abreviadas de Yah (Êxo. 15:2, etc; em português, «Já») e Yahu ou Yeho. Estas duas últimas formas aparecem em inscrições hebraicas e assírias, e também nos papiros escritos em aramaico. Mas o nome abreviado original parece ter sido Yaw, que tem sido identificado com um dos nomes divinos pagãos encontrados nos documentos de Eras Shamra (vide), provenientes do norte da Fenícia, do século XV a.C. Alguns especialistas supõem que o nome Yahweh não foi cunhado por Moisés, e nem por qualquer dos demais autores bíblicos; antes, seria um nome pré-mosaico, como um antigo nome de DEUS que Moisés usou, tal como a moderna palavra portuguesa «DEUS» é apenas o aportuguesamento do termo latino DEUS, que como é óbvio, antecede ao uso português por muitos e muitos séculos. Os trechos de Êxo. 3:13-15 e 6:4 parecem indicar que esse nome começou a ser usado no Antigo Testamento como se tivesse havido uma revelação especial do nome. Gên. 4:26, por sua vez, parece dar a entender uma origem não hebreia, ou seja, quando esse nome começou a ser usado pelos hebreus, teria sido tomado por empréstimo de alguma fonte extrabíblica. Seja como for, a raiz do nome, sem dúvida, é antiquíssima, sendo provável que aparecesse entre os nomes de divindades mesopotâmicas. Alguns supõem que Moisés chegou a adorar Yahweh, mediante seu casamento com a filha de um queneu, em Midiã (Êxo. 3:1 ss; 18:12-24). A isso se chama de teoria quenita, o que, como é óbvio, é uma teoria rejeitada por muitos intérpretes conservadores, pois não querem aceitar a idéia de que os nomes de DEUS, na Bíblia, possam ter tido origem pagã. Seja como for, a forma mais longa, YHWH, é confirmada desde o século IX a.C., como na pedra Moabita. De acordo com uma etimologia popular, essa palavra estaria ligada ao verbo hebraico ser (ver Êxo. 3:14), pelo que se referiria ao ser eterno de DEUS, que é a fonte originária de todos os seres, não dependendo de qualquer outro ser para a sua vida e continuação em existência. Em termos teológicos isso aponta para a vida independente e necessária. DEUS não deriva de outrem a sua forma de vida, e a sua forma de vida não pode deixar de existir. Todas as demais formas de vida dependem de sua vida, e todas as outras formas de vida, se excluirmos o fator da graça divina, são vidas não-necessárias. Em outras palavras, as demais vidas podem deixar de existir. A verdadeira imortalidade, para a alma humana, ocorre mediante a transformação segundo a imagem do Filho, que compartilha da forma de vida do Pai, que é independente e necessária, conforme já dissemos. Um grande mistério! Ver Rom. 8:29; Col. 2:10;
II Cor. 3:18 e o artigo intitulado Transformação Segundo a Imagem de CRISTO.
O General Abraham Ramiro Bentes, historiador brasileiro, de origem judaica, de cultura judaica bem reconhecida, autor de vários livros, diz o seguinte acerca do nome Yahweh: «...tendo o tempo inacabado, no semítico, o valor do futuro e do presente, assim traduzimos (o mesmo): «Eu Serei Sempre Quem Era». Os velhos comentários tinham uma compreensão neste sentido». (Das Ruínas de Jerusalém à Verdejante Amazônia, Edições Bloch, pág. 3). De conformidade com esse abalizado parecer, o nome Yahweh, pois, apontaria para a eternidade e a imutabilidade da pessoa de DEUS.
Objeções dos Eruditos Conservadores. Alguns eruditos, relutando em admitir qualquer origem pagã para os nomes divinos na Bíblia, supõem que o trecho de Êxo. 6:3, que diz: «...mas pelo meu nome, O Senhor (no hebraico, Yahweh), não lhes fui conhecido», não subentende que os hebreus não conhecessem e nem usassem esse nome, até que foi adotado para ser usado, nos dias de Moisés e, sim, que os judeus, então, começaram a ter um conhecimento experimental desse nome , em suas vidas espirituais. Esse conhecimento experimental lhes foi dado mediante o livramento da servidão ao Egito. Antes disso, como pastores na Palestina, Abraão, Isaque e Jacó conheciam DEUS com o nome de El Shaddai, «o Todo Poderoso». Naturalmente, sabemos que El (com várias combinações) era um antigo nome mesopotâmico para DEUS, que certamente já era usado antes do tempo de Abraão. Assim, no caso desse nome, também temos um uso pré-hebreu. Seja como for, o argumento, na realidade, não faz sentido. O que importa é a nossa experiência com o Ser Divino, e não as palavras e suas origens, que usamos como nomes de DEUS.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4521.
 
Uma nova ênfase e significado foram dados através de Moisés (Êx 3.15,16; 6.3,6; cp. Gn 12.8) além do que foi compreendido por Abraão quando ele construiu seu altar entre Betel e Ai (Gn 12.8). Yahweh foi revelado como um nome intensamente pessoal. Foi indicado, ortograficamente, pelo tetragrama YHWH e as transliterações correntes fornecem vogais variadas.
Se for corretamente compreendido que o nome era conhecido antes do nascimento de Enos (Gn 4.26) e que Abraão tinha conhecimento disto, segue-se então que a revelação a Moisés, em Êxodo, representava um uso mais profundo e personalizado do nome. É possível que revelações mais antigas do nome tenham sido em grande parte obscurecidas ou até mesmo perdidas.
O uso mosaico do termo (incluindo o novo significado adicionado a ele) estabeleceu o modelo para o pensamento hebraico subsequente. Com Moisés, o nome parece ter ganho uma circulação geral e uma aceitação específica; mas mais importante ainda é que ele tomou-se intimamente associado à vida de Israel como um povo. Isto é, ele tomou-se o símbolo de uma auto-revelação especial e crucial de DEUS a um povo especial — uma revelação que uniu os atos poderosos envolvidos no Êxodo com a consciência de Israel de si mesmo como uma nação. Por sua vez, esses atos prepararam o caminho para o envolvimento íntimo de Israel com Yahweh no Sinai.
Assim, o nome Yahweh estava inseparavelmente ligado à consciência de Israel e estava inevitavelmente envolvido no relacionamento único da aliança de Israel com a Deidade. Vital para isso foi o fato de que Yahweh havia tomado a iniciativa, e havia entrado visível e inconfundivelmente nos afazeres da nação de Israel.
É significativo que o uso deste nome para DEUS era único com os israelitas. Os outros povos semitas parecem não tê-lo conhecido ou ao menos não o usavam em referência à Deidade, exceto quando o contato com o povo hebreu que o trazia à sua atenção. Era a propriedade especial do povo da aliança.
Também é importante observar que o nome veio a ter tanta importância que os escribas evitavam pronunciá-lo. O uso escriba envolvia circunlóquios e também o uso de nomes alternativos. Isto testemunha não apenas da importância do nome como base para o sentimento de nacionalidade, mas também do respeito que as pessoas sentiam pela fonte sobrenatural de sua história.
Esta é uma outra maneira de dizer que o nome Yahweh era, na consciência israelita, colocado sobre tudo que era meramente naturalista. Isto não implica necessariamente que os hebreus viram um significado metafísico (como, por exemplo, a fórmula de Aristóteles de “essência igual a existência”) no nome “EU SOU O QUE SOU” de Êxodo 3.13, mas antes, que eles entenderam Yahweh como sendo existente e ativo aqui e agora. Em relação a isto, Eichrodt sugere que o nome Yahweh vai muito além dos nomes divinos atualmente usados em sua ênfase sobre a proximidade concreta e realidade irruptiva de DEUS, e contrasta vivamente, por esta razão, com as afirmações generalizadas (nomes antigos) sobre o governo e orientação, no engrandecimento e na eternidade do divino. (Op. Cit.,p. 191)
Parece claro que a revelação e a compreensão do nome Yahweh pelo povo israelita estabeleceu um marco na consciência espiritual e na experiência religiosa nacional. Com o Êxodo, a Deidade assumiu, na mentalidade de Israel, um papel específico de redenção. Seus “atos poderosos” eram atos especificamente salvadores, e entendidos assim. Na libertação no Mar Vermelho, Yahweh dirigiu as forças naturais para servirem aos objetivos da graça, e fez seu poder manifestar-se sobre a nação em tempos de emergência e crise histórica.
É compreensível, à luz disso, que os acontecimentos do Êxodo formaram a essência do kerigma hebraico: “Eu sou o Senhor teu DEUS que te tirou da terra do Egito da casa da servidão” (Êx 20.2). Aqui está enfatizada a qualidade especializada da auto-revelação de DEUS ao povo hebreu. Sem contar que objeções têm sido levantadas à especificidade que é sugerida aqui. Pensadores como Douglas Clyde Macintosh sustentam que para DEUS ter se revelado a si mesmo especial e exclusivamente ao povo hebreu teria sido um pensamento indigno dele, e extremamente imoral. É neste ponto que uma nítida antítese entre o ato meramente humano e o discernimento bíblico aparecem.
O discernimento do AT é que DEUS tomou a iniciativa de restaurar o vínculo do conhecimento que existia entre DEUS e o homem caído, um vínculo que foi quebrado na queda. E foi através da sua revelação a Israel sob o nome de Yahweh ou Jeová que a história da salvação se desdobrou e tomou-se visível. O desvendamento da natureza de DEUS pela entrega deste nome a Israel foi de um significado supremo para todo o sistema bíblico.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 2. pag. 124-125.
 
3. O SIGNIFICADO.
EU SOU. O nome que DEUS deu a si mesmo quando encarregou Moisés de libertar os israelitas do Egito (Êx 3.14). DEUS é o único Ser independente, inteiramente auto-subsistente no Universo. Tudo o que existe depende dele (Gn 1.1; cf. Cl 1.17; Hb 1.3,10). Ele não precisa de ninguém ou de nada, visto que Ele possui em si mesmo todos os relacionamentos possíveis - o Eu-ele ou o sujeito-objeto, o Eu-vocês ou o encontro pessoal, e o nós-você ou o relacionamento social. Tudo o que existe foi criado por Ele para sua própria glória. CRISTO declarou ser Ele mesmo o grande "EU SOU". Em João 8 Ele afirma que diz a verdade, e apoia isto declarando que está dizendo o que ouviu (v. 26), viu (v. 38), e foi ensinado pelo Pai (v. 28), e pode corroborar com Ele em qualquer momento (v. 29). Ele conclui seu argumento usando a expressão "Eu Sou" (v. 58). Quando Ele disse: "Antes que Abraão existisse, Eu Sou", os judeus perceberam que isto era uma reivindicação de divindade, particularmente porque Ele estava retornando ao "Eu Sou" do v. 24. "Se não crerdes que eu sou [a palavra 'Ele' não consta no texto grego], morrereis nos vossos pecados". Foi por isso que eles pegaram em pedras para o matar. Eles perceberam que Ele estava identificando-se com o "EU SOU O QUE SOU" de Êxodo 3.14. Theodor Zahn encontrou expressões similares de "Eu Sou" em João 4.26; 9.9; 18.5; Mateus 14.27; Marcos 13.6; 14.62; Lucas 22.70; 24.39. Greijdanus objetou que nestas outras passagens um atributo é dado ou sugerido. No entanto, ao menos em Mateus 14.27, quando CRISTO veio até os discípulos andando sobre as águas agitadas pela tempestade, Ele se anunciou dizendo: "Sou eu" (Gr. ego eimi). E novamente em Marcos 13.6 Ele usa o termo sem qualquer atributo, dizendo, "Muitos virão em meu nome, dizendo. Eu sou o CRISTO [o texto gr. omite a palavra CRISTO]; e enganarão a muitos". Por outro lado, Lucas 22.70 tem um atributo sugerido e, embora em Lucas 24.39, CRISTO diga novamente "Sou Eu", Ele deixa claro que está simplesmente se identificando aos discípulos ao acrescentar a palavra autos, que significa "o mesmo", "Eu mesmo".
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 708-709.
 
Êxo 3.14 Eu sou o que sou. O Targum de Jonathan interpreta aqui: “Eu sou Aquele que é e que será”. O que é indiscutível é que esse nome está alicerçado sobre o verbo ser (no hebraico, hayah). Mas o texto hebraico comporta mais de uma interpretação. Alguns dizem: “Eu sou porque sou”, dando a entender a vida independente ou necessária de DEUS, em contraste com a vida de todos os seres criados, que é derivada e dependente. Ou então DEUS é exatamente o que Ele é, o Poder Supremo, Imutável. Naturalmente, o tetragrama dos hebreus, YHWH (Yahweh), vem da mesma raiz. Assim, o nome deste versículo seria uma espécie de manipulação dessa raiz. Esse nome indicaria o Ser eterno e pessoal de DEUS, além de Sua atuação e presença no mundo. Talvez a manipulação daquela raiz tivesse tido o propósito de ficar ambígua, visto que o nome Yahweh, por si mesmo, inspira admiração e espanto. Cf. Apo. 1.4,8; 4.8; 11.17.
Atributos ou condições de DEUS, implícitos nesse nome: auto-existência; eternidade; imutabilidade; constância; fidelidade. No templo de Apoio, em Delfos, foi encontrada uma inscrição que dizia: eimi (no grego, “eu sou”). O trecho de João 8.58 alude ao presente texto, e isso refere-se à eternidade do Logo e à Sua união com DEUS Pai. “Eu sou... e além de mim não há DEUS” (Isa. 44.6). Temos aí uma declaração contrária ao politeísmo, o que provavelmente também está entendido no Eu Sou do presente texto. Seja como for, o Novo Nome de DEUS indicava uma nova revelação. O projeto de DEUS estava por trás dessa nova revelação.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 315.
 
DEUS prontamente lhe dá instruções completas a esse respeito. DEUS agora seria conhecido por dois nomes:
Um nome que denota o que Ele é em si mesmo (v. 14): Eu sou o que sou. Isto explica o seu nome Jeová, e significa:
(1) Que DEUS é autoexistente; Ele tem a sua existência em si mesmo, e não depende de ninguém. O maior e melhor homem do mundo deve dizer: “Pela graça de DEUS, sou o que sou”. Mas DEUS diz de uma forma absoluta - pois Ele é mais do que qualquer criatura, homem ou anjo, e só Ele pode dizer - “Eu sou o que sou”. Sendo autoexistente, só Ele pode ser autossuficiente, e, portanto, todo-suficiente, a fonte inesgotável de vida e alegria.
(2) Que DEUS é eterno e imutável, e sempre o mesmo, ontem, hoje, e eternamente; Ele pode ser aquilo que quiser ser. Ele é, Ele era, e Ele há de vir. Veja Apocalipse 1.8.
(3) Que não podemos, investigando, descobri-lo. Este é um nome que censura todas as indagações ousadas e curiosas a respeito de DEUS, e na verdade diz: Não pergunte o meu nome, visto que é segredo, Juízes 13.18; Provérbios 30.4. Perguntamos o que DEUS é? E suficiente para nós sabermos que Ele é o que é, o que Ele sempre foi, e sempre será. Quão pouco é o que temos ouvido dele! Jó 26.14.
(4) Que Ele é fiel e verdadeiro em todas as suas promessas, imutável em sua palavra assim como em sua natureza, e não um homem que mente. Que Israel saiba disso: EU SOU me enviou a vós.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 235.
 
 
III. TOMAR O NOME DE DEUS EM VÃO
1. O TERCEIRO MANDAMENTO.
Abusos contra o nome de DEUS. Vários desses abusos eram e continuam sendo possíveis:
1. O trivial. Até mesmo crentes exclamam, descuidadamente: “Ó meu DEUS!” E até mesmo crentes piedosos falam de modo frívolo acerca do Senhor, como se Ele fosse apenas um bichinho de estimação. Combato essa forma ridícula de teísmo de acordo com a qual qualquer pensamento ou ato trivial é lançado na conta do Senhor. Trata-se de uma forma de auto-exaltação. Pois se o grande DEUS está conosco em questões tão pequenas, então quão importantes nós somos. Em contraste com isso, os israelitas piedosos nem ao menos pronunciavam o nome divino Yahweh, mas corrompiam-no de alguma forma, para não se tornarem culpados de estarem tomando o nome de DEUS em vão.
2. Nas artes mágicas e nos juramentos. Como nas conjurações e nos ritos pagãos. Ver Gên. 32.27,29. O nome de Yahweh não podia ser usado em tais atividades.
3. O nome de Yahweh não podia ser misturado com os nomes de divindades pagãs, como se fizesse parte de algum panteão gentílico.
4. A proibição do uso do nome divino incluía a idéia de empregar o nome de DEUS para invocar os mortos. O nome de Yahweh não podia ser misturado à bruxaria.
5. O nome de Yahweh não podia ser usado nos juramentos falsos, como se a veracidade de uma pessoa pudesse ser apoiada pelo grande DEUS (Lev. 19.12).
6. Embora o texto sagrado não o diga especificamente, temos aqui um mandamento contra toda espécie de profanação por meio de palavras, incluindo ou não os nomes divinos. O texto por certo subentende o uso devido da língua, em questões tanto sagradas quanto seculares.
“Maldições e juramentos devem-se ao desejo de impressionar os outros. A maneira mais fácil de chocar outra pessoa e chamar sua atenção é o uso de alguma coisa sagrada ou nome santo. Mas o efeito desgasta-se quase imediatamente, e a blasfêmia passa a ser apenas um hábito inconveniente, expressando impotência e fraqueza de caráter” (J. Coert Rylaarsdam, in loc.).
Ameaças. Nenhuma punição é imposta aqui aos faltosos, mas fica entendido que o homem que usasse indevidamente o nome de Yahweh não escaparia do devido castigo.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.
 
O terceiro mandamento (Êx 20.7), embora não transgrida o segundo em seu conceito e intento, revela a importante idéia ideológica do Antigo Testamento de que DEUS pode se manifestar e se manifesta ou apresenta-se por meios que preservam sua temível e altiva transcendência ao mesmo tempo em que possibilita que a humanidade o encontre de formas relevantes. Nesse caso, o nome do Senhor quase se torna o alter ego dele, outra forma de falar dele e de sua proximidade.
O texto literal do mandamento é: “Não tomarás em vão o nome do Senhor”. Ou seja, o nome do Senhor, bem como ele mesmo, não pode ser usado para garantir ganho pessoal nem vantagem para si mesmo. Isso degrada o nome do Senhor a ponto de se tornar um xibolete ou um: “Abre-te Sésamo”, que transforma quem o pronuncia em mestre sobre a coisa, subvertendo, assim, o papel de soberano e de servo que suporta o relacionamento da aliança.
Já observamos que, no Oriente Próximo da Antiguidade e no Antigo Testamento, os nomes indicavam as circunstâncias de nascimento do indivíduo, algum traço de caráter que se manifestara depois ou alguma mudança radical na circunstância de vida que justificava a mudança de nome. Por isso, o nome do indivíduo era precioso e cheio de sentido, e não devia ser revogado nem alterado sem reflexão. O que era verdade no plano humano era infinitamente mais na esfera divina. Os vários nomes e epítetos de DEUS revelavam sua natureza e indicavam o que ele fizera ou faria no futuro. Eles eram poderosos, e seus nomes, quando invocados com temor e reverência por quem o conhecia, podiam fornecer conforto, alegria, libertação, redenção e qualquer outra coisa que fosse necessária para satisfazer a necessidade do homem. Contudo, entender o nome de DEUS como um mero mecanismo, um meio ex opere operato (por força do ato) e o usar estupidamente para promover um programa pessoal representava violar a aliança e revelar culpa diante do Senhor.
O texto, por sua vez, tem o cuidado de não dizer que o nome do Senhor nunca poderia ser usado de forma alguma por qualquer razão. Já em Gênesis 4, “começou-se a invocar o nome do Senhor” (v. 26). No sentido real, já havia a consciência de que o nome era um substituto para a pessoa mesma do Senhor. Mais tarde, Abraão chamou-o pelo nome (Gn 12.8; 13.4; 21.33), como também o fizeram Isaque (26.25) e Jacó (31.53). Em um interessante encontro noturno entre Jacó e um estranho anônimo, o último pediu a Jacó que revelasse seu nome, e quando este o fez, o estranho nomeou-o de Israel porque, conforme disse, “você lutou com DEUS e com homens e venceu” (Gn 32.28). A seguir, Jacó perguntou o nome do estranho, mas este se recusou a revelá-lo e, em vez de fazer isso, pronunciou uma bênção sobre Jacó. Mas Jacó entendeu, por meio do poder do estranho e sua autoridade para abençoar, que ele não era outro se não uma manifestação de DEUS (cf. Os 12.3,4). Por isso, Jacó chamou o lugar de Peniel (“face de DEUS”), dizendo: “Vi a DEUS face a face e, todavia, minha vida foi poupada” (Gn 32.30). Na verdade, é claro que ele não viu a DEUS, mas chegou a reconhecer seu antagonista como uma manifestação de DEUS, apesar da relutância deste em revelar seu nome.
Antes de anunciar o terceiro mandamento, examinemos o envolvimento de Moisés com o Senhor na sarça ardente e, depois, no Egito, pois esse fato fornece o dado mais útil para a reflexão teológica sobre os nomes de DEUS. Vendo a sarça arder, mas não ser consumida pelo fogo e, depois, ouvindo a ordem de que devia guiar seu povo para fora do Egito, Moisés sentiu um impulso esmagador de saber o nome daquele que podia executar tal fenômeno e despertar tal autoridade. O povo quereria conhecer esse nome, disse Moisés, e o que diria a eles? O epíteto DEUS não era suficiente, pois era muito carregado do ponto de vista ontológico e, ao mesmo tempo, muito genérico para transmitir o que ele estava para fazer. Apenas um nome com conteúdo teológico preciso forneceria discernimento e segurança para o povo em seu momento e circunstância específicos. Esse nome era Iavé (Senhor), o mesmo nome do Criador da humanidade (Gn 2) e o mesmo nome pelo qual clamavam os patriarcas. Eles o conheciam, em especial, pelo nome de El-Shaddai (Ex 6.3), mas Iavé, de acordo com o testemunho bíblico, também era familiar a eles (cf. Gn 9.26; 14.22; 15.2,8; 16.2; 21.33; 22.14; 24.12; etc.).22 Contudo, eles nunca precisaram dele para o que ele estava para fazer por Israel, a saber, para a redenção e a libertação. Assim, era importante que Moisés soubesse e usasse o nome apropriado para a situação histórica.
Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 330-331.
 
Tomar o nome do SENHOR, teu DEUS, em vão é “recorrer ao irrealismo, ou seja servir-se do nome de DEUS para apelar ao que não é expressão do caráter divino”. Tal uso profano do nome de DEUS ocorre no perjúrio, na prática da magia e na invocação dos mortos. A proibição é contra o falso juramento e também inclui juramentos levianos e a blasfêmia tão comum em nossos dias. “Este mandamento não obsta o uso do nome de DEUS em juramentos verdadeiros e solenes.”
DEUS odeia a desonestidade, e é pecado sério alguém usar o nome divino para encobrir um coração mau, ou para se fazer melhor do que se é. A pessoa que procura disfarçar uma vida pecaminosa, ao mesmo tempo em que professa o nome de CRISTO, quebra este terceiro mandamento. Tais indivíduos são culpados diante de DEUS (7) e só recebem misericórdia depois de se arrependerem. Os justos veneram o nome de DEUS por ser santo e sagrado.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Êxodo. Editora CPAD. pag. 190.
 
2. JURAMENTO E PERJÚRIO.
I. Definição e Sentidos
Um juramento é uma solene confirmação em apoio a alguma declaração, ou então, uma promessa, reforçada por um apelo a DEUS, a alguma coisa sagrada, a alguma elevada autoridade, a alguma testemunha, que garanta a sinceridade e a intenção de quem jurou que cumprirá a sua declaração. Nos tribunais, tal confirmação da veracidade de uma declaração torna a pessoa passível de punição por perjúrio, se ficar provado que uma declaração importante sua é falsa. Um juramento também pode ser uma imprecação que, presumivelmente, tenha o poder de prejudicar àquele contra quem a imprecação é proferida. Utiliza-se um juramento para afirmar a veracidade de uma declaração qualquer, quando não há evidências presentes com esse propósito. A credibilidade de uma assertiva é fomentada por um juramento (ver Êxo. 22:10,11, Núm. 5:16 ssj). Um juramento submete aquele que jura ao escrutínio de DEUS. Presume-se que ninguém juraria e mentiria, ao mesmo tempo. A Bíblia ensina-nos que DEUS sempre tem consciência de nossos atos e de nossas palavras, e um juramento torna-nos responsáveis diante de DEUS, ainda com mais força.
Não jurarás falso (Lev. 19:12 e Êxo. 20:7) «...não tardarás em cumpri-lo...» (Deu. 23:22; ver Núm. 30:1-16). O costume de jurar era mais antigo que a lei. Foi adotado pela lei civil como algo necessário (Êxo. 22:11). O que JESUS condena não é a simples idéia da lei, e, sim, como nos casos do sexto e do sétimo mandamentos, os abusos ao princípio. Os judeus classificavam os juramentos, e alguns eram reputados mais importantes, de acordo com o objeto sobre o qual o juramento era feito. Juravam pelo céu, pela terra, por cidades como Jerusalém, por partes do corpo humano, como a cabeça, pela sinagoga, pelo templo, e muitas vezes pelo nome de DEUS (ou por respeito ao nome de DEUS), modificando o som, às vezes fazendo o nome de DEUS significar outra coisa, pelo modo de sua pronúncia. As vezes usavam os nomes dos deuses dos gentios em seus juramentos. Até hoje, em questão de profanação e juramentos, não há povo como os orientais. As formas de juramento e profanação são infinitas. Os judeus consideravam que só o juramento feito em nome de DEUS era importante e exigia cumprimento. Maimônides disse: «Se quis jurat per coelum, per terra, per solem, non est juramentum». (Se alguém jura pelo céu, pela terra, pelo sol, não é juramento). Filo também mostra a atitude dos judeus quando afirma que os juramentos pela terra, pelo céu, e outros tantos juramentos, não eram obrigatórios. O desenvolvimento do costume de juramentos debilitou a moral da honestidade e da sinceridade entre o povo. A multiplicação de juramentos criou um espírito superficial, inclinado à mentira. Foi principalmente isso que JESUS censurou.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4598-4599.
 
A manter uma consideração muito reverente ao santo nome de DEUS (v. 12), e não conclamá-lo como testemunha, seja: 1. De uma mentira: “[Não] jurareis falso pelo meu nome”. Já é ruim dizer uma mentira, porém jurar é muito pior. Ou: 2. De uma brincadeira, e impertinências: “Pois profanaríeis o nome do vosso DEUS” - usando-o com qualquer outro propósito diferente daquele para o qual deve ser religiosamente usado.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 410.
 
Na verdade, jurar pelo Seu nome (e não pelo de qualquer outro deus) era um sinal de que tal pessoa era um adorador de YHWH (Jr 4:2), e por isso era algo digno de louvor.
Uma razão mais profunda para tal proibição pode ser vista no fato de que DEUS era a única realidade viva para a mentalidade israelita. É por isso que Seu nome era sempre envolvido nos votos e juramentos, normalmente na fórmula “ tão certo como vive o Senhor” (2 Sm 2:27).
Usar tal frase e depois deixar de cumprir o voto era questionar a realidade da própria existência de DEUS.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 151.
 
3. MODALIDADES DE JURAMENTOS.
«De modo algum jureis». Provavelmente Tia. 5:12 foi diretamente copiado desse texto. Quatro são as interpretações dessa expressão. 1. Não jurar, se o juramento não estiver de acordo com a reverência devida a DEUS. 2. Não jurar de maneira superficial, como os judeus. 3. Não jurar de maneira superficial, como os judeus, ficando excluídos, entretanto, os juramentos civis, neste ensino. 4. Trata-se de uma proibição absoluta para qualquer tipo de juramento, sob qualquer circunstância.
COMO IDEAL mais elevado, provavelmente Seria melhor não jurar, especialmente na comunidade cristã. O homem honesto, aprovado por DEUS e que vive no espírito da lei, jamais teria necessidade de jurar, bastando o simples sim ou não. JESUS interpreta o espírito da lei, o ideal da humanidade. Lembrando-nos disso, pode-se afirmar que a simples interpretação das palavras de JESUS, seria exatamente esta: «De modo algum jureis, nem pelo céu...» etc. Contudo, infelizmente a sociedade não-regenerada não pode atingir tal ideal perfeito, porque há grande número de indivíduos indignos de confiança, e não seriam suficientes as simples palavras «sim» ou «não» para inspirar ,e garantir confiança nos tribunais de justiça. Assim, posto que a sociedade humana é imperfeita, tornam-se necessários os juramentos. JESUS não insistiria, por exemplo, para que o indivíduo que se irasse contra outrem fosse morto (vs. 22) e nem que o homem que cobiçasse outra mulher que não a sua arrancasse (literamente) o seu olho direito. Assim sendo, JESUS também não proibiria juramentos exigidos pela lei, que fazem parte do costume legal em muitos lugares. CRISTO proíbe o espírito imprudente e orgulhoso com que faziam grandiosas mas falsas declarações em nome de DEUS, em nome do lugar onde DEUS habita (os céus), ou em nome de algum lugar associado ao seu nome, como o templo de Jerusalém. DEUS não é obrigado a apoiar esses juramentos imprudentes, e o homem santo não pode esperar que DEUS o faça. O emprego do nome de DEUS, nessas condições, não passa de uma forma de profanação. Como ideal perfeito, a proibição absoluta contra qualquer forma de juramento deve ser a interpretação correta; mas esse ideal não impediria o fato de ser esse o costume dos tribunais, que trata com homens malfeitos e desonestos. Provavelmente CRISTO expunha o ideal para o indivíduo, não incluindo os costumes próprios dos tribunais, isto é, não estava legislando.
Alguns comentaristas mostram que o próprio JESUS respondeu sob juramento (ver Mat. 26:63,64). E os apóstolos usaram juramentos nas Escrituras (Gál. 1:20; II Cor. 1:23; Rom. 1:9; FU. 1:8; I Cor. 15:31). O Anjo do Senhor também jurou (Apo. 10:6). Essas referências mostram que a lei dos juramentos não é norma absoluta para todas as circunstâncias.
«Nem pelo céu». Não podemos jurar pelo céu, porque está associado ao nome e à pessoa de DEUS. O juramento pelo céu; portanto, é uma maneira de jurar pelo nome de DEUS. Tal juramento foi e ainda pode ser uma forma de profanação. DEUS não está obrigado a cumprir os desejos só porque usam o seu nome, especialmente quando profanam o seu nome.
«Nem pela terra». Porque a terra também está diretamente ligada a DEUS, por ser o «estrado de seus pés». (Ver Is. 66:1).
>>Pela cidade de Jerusalém>> Jerusalém é a cidade do grande Rei, isto é, DEUS. (Ver Sal. 48:2). Jurar por Jerusalém, pois, é uma maneira indireta de jurar pelo nome de DEUS. JESUS diria que o cumprimento de todos esses juramentos seriam obrigatórios porque estão vinculados ao nome de DEUS; mas também diria que, especificamente, o homem não tem o direito de usar o nome de DEUS para garantir a validade de qualquer juramento. Outrossim, o homem honesto não tem necessidade de confirmar o juramento com qualquer outro nome além do seu.
•Nem jures pela tua cabeça». Esse juramento provavelmente não era reputado como vinculado a DEUS; por isso era usado como meio de jurar sem cometer profanação. Mas mesmo assim alguns opinam que tal juramento inclui profanação do nome de DEUS, por ser o homem uma criatura feita por DEUS à sua própria imagem. Essa é uma verdade, mas o restante do versículo mostra que não foi por essa razão que JESUS destacou esse juramento como exemplo. CRISTO ilustra que o juramento feito pela própria cabeça constitui uma forma de profanação, apesar de não usar o nome de DEUS, pois em realidade ninguém exerce controle sobre a própria vida e não pode mudar, pela sua vontade, nem mesmo a cor de seus cabelos. Se o homem não pode nem ao menos mudar a cor de seus cabelos, como seria possível a ele confirmar ou garantir qualquer juramento feito por sua cabeça? Portanto, isso é uma tolice. Não podemos tratar de coisas sérias, como os juramentos, de maneira superficial (e a despeito do fato que alguém pode pensar não tratar-se de questão séria). Além disso, a simples palavra do homem honesto deve ser suficiente. A cor de seus cabelos está fora do controle do homem, e por isso não pode servir de base para juramento algum.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 1. pag. 314.
 
Juramentos (5.33-37). A lei mosaica dizia: Não perjurarás (33; Lv 19.12; Nm 30.2; Dt 23.21), isto é, “jurar falsamente” - no Novo Testamento, este verbo só é encontrado aqui. Mas JESUS disse: De maneira nenhuma jureis (34). Ele proibiu especificamente jurar pelo céu, pela terra, por Jerusalém, ou pela nossa própria cabeça (34- 36). Os judeus defendiam que jurar pelo nome de DEUS vinculava aquele que fazia o juramento, mas jurar pelo céu não trazia nenhum vínculo. Assim, os itens acima eram substituídos como uma forma de subterfúgio, para não se dizer a verdade. Bengel cita o ditado rabínico: “Como o céu e a terra passarão, assim também o juramento passará, pois os conclamou como testemunhas”. JESUS defendeu que DEUS está sempre presente quando os homens falam; por esta razão, todos devem falar honestamente.
O mandamento de CRISTO foi: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não (37)
- ou, como Beck apresenta: “Simplesmente diga: ‘Sim, sim; não, não’ ’’.Apropria prática de jurar é um triste reflexo do caráter humano. JESUS exige honestidade o tempo todo, esteja um homem sob juramento ou não. Não há um padrão duplo para o cristão.
Ralph Earle. Comentário Bíblico Beacon. Mateus. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 60-61.
 
Mt 23.16-19 JESUS destacou a hipocrisia dos líderes com relação ao poder e à obrigatoriedade gerada pelos juramentos feitos a DEUS, tanto para a consagração ao serviço, como para as contribuições ligadas às posses. Os líderes deveriam ter sido guias para os cegos, mas em lugar disto eles mesmos eram cegos. São dados dois exemplos dos limites ridículos até onde o sistema excessivamente legalista tinha ido: jurar pelo Templo ou pelo ouro, e jurar pelo altar ou pela oferta. Em um caso o juramento não poderia ser quebrado, no outro sim.
JESUS exemplificou as minuciosas (e ridículas) diferenças.
Mt 23.20-22 JESUS tinha explicado que os seus seguidores não precisavam fazer nenhum juramento, pois fazer isto implicaria que não se poderia confiar na sua palavra (5.33-37). Os líderes, tentando criar diferenças nos juramentos, tinham perdido de vista o fato de que todos os juramentos são feitos diante de DEUS e deveriam ser igualmente obrigatórios. Em outras palavras, nenhum juramento deveria ser feito com uma brecha.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 137.
 
IV. O SENHOR JESUS PROIBIU O JURAMENTO?
1. OBJETIVO DO TERCEIRO MANDAMENTO.
O Ideal. Como ideal mais elevado, provavelmente seria melhor não jurar, especialmente na comunidade cristã. O homem honesto, aprovado por DEUS e que vive no espírito da lei, jamais teria necessidade de jurar, bastando o simples sim ou não. JESUS interpreta o espírito da lei, o ideal da humanidade. Lembrando-nos disso, podemos afirmar que a simples interpretação das palavras de JESUS seria exatamente esta: «De modo algum jureis, nem pelo céu...» etc. Contudo, infelizmente a sociedade não-regenerada não pode atingir tal ideal perfeito, porque há grande número de indivíduos indignos de confiança, e não seriam suficientes as simples palavras «sim» ou «não» para inspirar e garantir confiança nos tribunais de justiça. Assim, posto que a sociedade humana é imperfeita, tornam-se necessários os juramentos. JESUS não insistiria, por exemplo, para que o indivíduo que se irasse contra outrem fosse morto (vs. 22) e nem que o homem que cobiçasse outra mulher que não a sua arrancasse (literalmente) o seu olho direito. Assim sendo, JESUS também não proibiria juramentos exigidos pela lei, que fazem parte do costume legal em muitos lugares. CRISTO proíbe o espírito imprudente e orgulhoso com que faziam grandiosas mas falsas declarações em nome de DEUS, em nome do lugar onde DEUS habita (os céus), ou em nome de algum lugar associado ao seu nome, como o templo de Jerusalém. DEUS não é obrigado a apoiar esses juramentos imprudentes, e o homem santo não pode esperar que DEUS o faça. O emprego do nome de DEUS, nessas condições, não passa de uma forma de profanação. Como ideal perfeito, a proibição absoluta contra qualquer forma de juramento deve ser a interpretação correta; mas esse ideal não impediria o fato de ser esse o costume dos tribunais, que trata com homens imperfeitos e desonestos. Provavelmente CRISTO expunha o ideal para o indivíduo, não incluindo os costumes próprios dos tribunais, isto é, não estava legislando.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4599-4600.
 
Sim, sim... não, não». A repetição da palavra é a confirmação ou não da verdade. A garantia da honestidade do indivíduo deve ser a confiança na sua simples palavra. Provavelmente JESUS insistiria que tal honestidade deve ser inspirada pela consciência da presença de DEUS e a relação do homem para com o Senhor. O homem cônscio da presença de DEUS e que sente responsabilidade para com DEUS, não mente. Tal honestidade não requer a confirmação de qualquer juramento. É o juramento feito—pelo homem desonesto—que não tem valor. A desonestidade de nossa natureza se expressa não apenas na tendência em nos desviarmos da verdade pura, mas também na esperança de que nossos semelhantes façam a mesma coisa. A prática dos juramentos apenas agrava essa situação, porque o próprio juramento é usado para enganar, confirmando de maneira séria uma desonestidade.
«Vem do maligno:». Alguns interpretam *do diabo», que é o ser maligno (Eut., Zig., Cris., Teof., Beza, Zwinglio, Fritzche, Meyer e outros). Ninguém negaria que, segundo as idéias básicas do N.T., todo mal tem origem na pessoa do diabo, direta ou indiretamente; mas a referência aqui é à perversidade dos homens que empregam o juramento com o fito de enganar e cumprir propósitos desonestos, profanando o nome de DEUS nesse processo. Dificilmente tais homens usam de juramentos sem algum tipo de maldade. O próprio juramento tende a provocar a maldade. Não jures. Aquele que jura, mente. Aquele que mente, rouba. Que mais não faria o homem?
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 1. pag. 316.
 
De acordo com JESUS, na vida diária não há necessidade nenhuma de juramento para asseverar e confirmar a verdade. Somente a sinceridade total, sem um juramento de garantia, assegura a verdadeira fraternidade. É que os escribas também recorriam, a toda hora, aos juramentos, inclusive para assuntos da vida cotidiana (p. ex., juro que almocei).
JESUS afirma: Vocês sequer devem jurar, i. é, vocês não devem fazer uso de todos esses juramentos de corroboração e juramentos compromissivos e não compromissivos. Vocês se enganam se pensam que, com essas artimanhas, podem escapar da maldição divina.
Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Mateus. Editora Evangélica Esperança.
 
2. A PROIBIÇÃO ABSOLUTA.
Esta passagem conclui com o mandamento de que quando alguém deve dizer sim, tem que dizer sim, e nada mais; e quando deve dizer não, tem que dizer não, e somente não.
O ideal é que ninguém precise de juramentos para garantir a verdade ou dar prova de sua vontade de cumprir uma promessa. O caráter da pessoa deveria fazer com que os juramentos fossem totalmente desnecessários. Sua garantia e suas testemunhas deveriam ser sua própria integridade. Sócrates, o grande orador e mestre grego, disse: "Deveríamos viver de tal maneira que nossas ações inspirassem mais confiança em nós que qualquer juramento." Clemente de Alexandria sustentava que os cristãos deveriam viver de tal modo e ser de tal caráter que ninguém jamais sonhasse sequer em pedir-lhes um juramento. A sociedade ideal seria aquela em que a palavra de qualquer indivíduo não necessitasse de juramento algum para garantir sua verdade, e as promessas não precisassem de juramentos para garantir seu cumprimento.
Proíbem estas palavras de JESUS que os cristãos jurem em situações tais como quando vai dar testemunho em um processo legal, ou no juramento à bandeira? Tem havido dois grupos que se negaram categoricamente a toda forma de juramento. Os primeiros foram os essênios, uma antiga seita judia. Josefo escreve a respeito deles: "São eminentes por sua fidelidade e são ministros de paz. Algo que digam é tão firme como um juramento. Evitam todo juramento, e o têm em mais baixa estima ainda que o perjúrio. Porque afirmam que quem não pode ser de confiança se não jurarem, já estão condenados."
E também estão, ainda em nossos dias, os quackers. Os quackers se negam rotundamente, qualquer que seja a situação em que se encontrem, a pronunciar juramentos. George Fox, um dos fundadores desta seita, o máximo que chegava era aceitar o uso da palavra "verdadeiramente". Escreveu: "Nunca enganei a ninguém durante toda aquela época (a que passou ocupado em negócios). Em todas as minhas transações importantes usava a palavra ‘verdadeiramente’." E muitos diziam: "Quando George Fox diz ‘verdadeiramente’ não há maneira de que mude." Na antiguidade os essênios não tinham pronunciado nenhum juramento, e até nossos dias, os tais estão na mesma postura.
Têm estes razão ao assumir esta atitude? Houve ocasiões nas quais o apóstolo Paulo jurou, como quando afirma: "Eu, porém, por minha vida, tomo a DEUS por testemunha de que, para vos poupar, não tornei ainda a Corinto" (2 Cor. 1:23). "Ora, acerca do que vos escrevo", diz na epístola aos Gálatas, "eis que diante de DEUS testifico que não minto" (Gál. 1:20). Nestes casos Paulo se está colocando sob juramento. O próprio JESUS não protestou quando o sumo sacerdote o pôs sob juramento: "Conjuro-te pelo DEUS vivo" – ponho-te sob juramento em nome de DEUS – "que nos digas se és o CRISTO, o Filho de DEUS" (Mateus 26:63).
Qual é então a situação?
Voltemos para a última parte do versículo 37. As versões correntes dizem: "O que disto passar vem do maligno." O que significam estas palavras? Somente podem significar duas coisas.
(a) Se for necessário pedir a alguém que jure, a necessidade surge do mal que se aninha no coração do homem. Se não houvesse mal no homem os juramentos seriam desnecessários. Em outras palavras, o fato de que seja necessário às vezes tomar juramento é uma demonstração da persistência do mal na natureza humana.
(b) O fato de que às vezes seja necessário pôr as pessoas sob juramento obedece a que o mundo em que vivemos é mau. Em um mundo perfeito, no Reino de DEUS, jamais seria necessário prestar juramento de nenhuma espécie. Faz-se necessário somente a causa do mal que há no mundo.
O que JESUS afirma é: o homem verdadeiramente bom não precisará jurar para que outros confiem nele; a veracidade de suas palavras e a firmeza de suas intenções não necessitam de tal garantia. Mas o fato de que ainda seja necessário às vezes tomar juramento das pessoas se deve ao fato de que os homens não são bons e este mundo tampouco o é.
Interpretado deste modo, a afirmação de JESUS nos obriga de duas maneiras. Obriga-nos a viver de tal maneira que, vendo nossa transparente bondade, ninguém creia necessário exigir que juremos para poder confiar em nossa palavra; e nos põe na obrigação de fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para que o mundo seja um lugar tal que não haja capacidade nele para a falsidade e a infidelidade, ao ponto de que possa abolir-se toda forma de juramento.
BARCLAY. William. Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag. 173-175.
 
Mt 5.33-37. Quarta ilustração: juramentos. O alicerce do V.T, é Lv. 19:12 e Dt. 23:21 (confira com Êx. 20:7). Jurarás falso. Jurar em falso. O abuso que os judeus faziam dos juramentos, levou JESUS a dizer, de modo nenhum jureis. É difícil achar uma brecha nesta diretiva (veja também Tiago 5:12). Assim, o crente não deveria jurar para autenticar suas declarações. Até mesmo o Estado deveria geralmente permitir uma afirmação em lugar do juramento exigido. Pelo céu. Os judeus usavam a sua engenhosidade para classificar os diversos juramentos, e geralmente perdoavam aqueles que não mencionassem DEUS especificamente. JESUS mostrou que tal raciocínio enganosamente sutil era falso, pois DEUS continua implicado quando os homens invocam os céus, a terra, ou Jerusalém; e até quando se jura pela própria cabeça está implicado Aquele que tem poder sobre a mesma. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim. Uma solene afirmação ou negação é o suficiente para o crente. O que passa disto. Acrescentando juramentos às nossas declarações, ou admitimos que não se pode confiar em nossas palavras costumeiras, ou nos rebaixamos ao nível de um mundo mentiroso, que vem do maligno. Confira com Jo. 8:44.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular. Mateus. pag. 25-26.
 
De maneira nenhuma jureis (34). É a proibição contra qualquer juramento. A lei mosaica introduziu o juramento, sob condições bem definidas, como proteção contra a desonestidade do coração humano. Mas o Senhor veio transformar o coração do homem, de sorte que o juramento não é mais necessário. Ele pode restaurar o quinhão primitivo e, assim, proíbe por completo o juramento e cumpre plenamente o propósito da lei.
DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Mateus. pag. 25.
 
3. A PROIBIÇÃO RELATIVA.
Mt 5.34. De maneira nenhuma, jureis é a tradução correta (ordem indireta e infinitivo aoristo). Claro que JESUS não proíbe juramentos em tribunais, porque ele mesmo respondeu a Caifás sob juramento (Mt 26.63,64). Paulo fez apelos solenes a DEUS (1 Co 15.31; 1 Ts 5.27). JESUS proíbe todas as formas de profanação. Os judeus eram mestres na arte de perder-se em minúcias sobre juramentos permissíveis ou formas de profanação, exatamente como fazem os cristãos de hoje sob o pretexto de uma grande variedade de “palavras de baixo calão”.
A. T. ROBERTSON. Comentário Mateus & Marcos. À Luz do Novo Testamento Grego. Editora CPAD. pag. 74.
 
A determinação de CRISTO sobre este assunto é:
1. Que não devemos jurar, de.maneira nenhuma, exceto quando estivermos devidamente obrigados a isto, e quando a justiça ou a caridade para com o nosso irmão, ou o respeito pela comunidade tornarem necessário o juramento para o fim da contenda (Hb 6.16). O magistrado civil deve ser, normalmente, o juiz desta necessidade.
Nós podemos ser jurados, mas não devemos jurar; podemos ser intimados, e desta maneira estar obrigados ao juramento, mas não devemos nos atirar a ele em busca de alguma vantagem terrena.
2. Que não devemos jurar superficial e irreverentemente, nas conversas comuns. E um pecado muito grande fazer um apelo absurdo à gloriosa Majestade do céu, que, sendo sagrada, sempre deve ser muito séria. E uma grande profanação do santo nome de DEUS, e uma das coisas sagradas que os filhos de Israel santificam ao Senhor. Este é um pecado que não tem disfarce; não há desculpa para ele, e, portanto, é um sinal de um coração desprovido da graça do Senhor, onde reina a inimizade contra DEUS: “Os teus inimigos tomam o teu nome. em vão” .
3. Que devemos, de uma maneira especial, evitar juramentos ao fazer alguma promessa, dos quais CRISTO particularmente fala aqui, pois estes juramentos devem ser cumpridos. A influência de um juramento afirmativo cessa imediatamente quando descobrimos fielmente a verdade e toda a verdade; mas um juramento de promessa compromete por tanto tempo, e pode ser rompido de tantas maneiras, pela surpresa e pela força de uma tentação, que não deve ser usado, exceto em algum caso de grande necessidade. O uso frequente de juramentos se reflete sobre os cristãos, que deveriam ter uma fidelidade reconhecida a ponto das suas palavras sóbrias serem tão sagradas quanto os seus juramentos solenes.
4. Que não devemos jurar por nenhuma outra criatura.
Parece que havia alguns que, como cortesia (pensavam eles) ao nome de DEUS, não fariam uso dele nos juramentos, mas juravam pelo céu, ou pela terra etc. Isto CRISTO proíbe aqui (v. 34), e mostra que não há nada por que possamos jurar, mas que isto está de uma maneira ou de outra relacionada com DEUS, que é a origem de todos os seres, e, portanto, é igualmente perigoso jurar por eles, quanto jurar pelo próprio DEUS. E a veracidade da criatura que é posta em jogo: isto não pode ser um instrumento de testemunho, mas tem relação com DEUS que é a Verdade principal.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 56-57.
 
De maneira nenhuma jureis (v. 34). A própria existência de um voto introduz um padrão de duplicidade. Fica implícito que a palavra da pessoa poderia nada valer, a menos que se fizesse acompanhar de algum tipo de garantia verbal.
Segundo a tradição judaica, os juramentos sob o nome de DEUS eram válidos, tinham força, mas os que excluíssem o nome de DEUS nada valiam.
JESUS agora nos ensina que os dois preceitos são enganosos, visto que necessariamente DEUS se envolve em cada transação — o céu é o seu trono, a terra é o estrado de seus pés, a cidade de Jerusalém é a cidade do grande Rei, e nós não conseguimos controlar nem mesmo a cor de nossos cabelos. (Barclay, vol. 1, pp. 159-60). Os que os seguidores de JESUS devem fazer é simplesmente dizer sim ou não, e honrar a palavra empenhada. Schweizer escreve: “Quando a palavra humana se deteriora de tal modo que sob certas circunstâncias sim pode significar não, e não sim, a comunidade está destruída” (p. 128). Estar sob o governo de DEUS (isto é, em seu reino) é ser digno de confiança absoluta e honesto de modo transparente. Afastar-se desse princípio é cair sob a influência do maligno.
Por toda a história da igreja tem havido crentes que acham que é errado fazer juramentos, sejam eles de que natureza forem. Entretanto, JESUS permitiu ao sumo-sacerdote que o colocasse sob juramento (Mateus 26:62-64), e Paulo invocou a DEUS, para que lhe servisse de testemunha (2 Coríntios 1:23; cp. Gaiatas 1:20). O assunto sob consideração em Mateus não é tanto a questão de se fazer um juramento, mas a necessidade de se falar a verdade em todas as ocasiões. E inevitável que JESUS penetre a fundo na legislação, para chegar aos princípios essenciais que ela pretende ensinar. Codificar o ensino de CRISTO é o mesmo que destruí-lo. As “regras” do Senhor vão muito mais longe do que toda nossa habilidade para regulamentar o exterior de modo satisfatório. Os princípios de JESUS nada exigem senão a entrega interior, total, aos propósitos e à natureza de DEUS.
Peter H. Davids. Comentário Bíblico Contemporâneo. Mateus. Editora Vida. pag. 58-59.
 
ELABORADO: Pb Alessandro Silva (http://estudaalicaoebd.blogspot.com.br/) com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique.
 
Veja http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm
 
Questionário da Lição 5 - Não Tomarás o Nome Do Senhor Em Vão
Lições Bíblicas - 1º Trimestre de 2015 - CPAD - Para adultos
Tema: OS DEZ MANDAMENTOS - Valores Imutáveis Para Uma Sociedade Em Constante Mudança
Comentários: Pr. Esequias Soares
Complete os espaços vazios e marque com "V" as respostas Verdadeiras e com "F" as Falsas
 
TEXTO ÁUREO
1- Complete:
"Nem jurareis _________________________ pelo meu nome, pois _________________________ o nome do vosso _________________________. Eu sou o SENHOR." (Lv 19.12).
 
VERDADE PRÁTICA
2- Complete:
O terceiro mandamento proíbe o _________________________ indiscriminado e leviano, pois o _________________________ é um tipo de compromisso que deve ser reservado para uma solenidade _________________________ e incomum.
 
 I. O NOME DIVINO
3- Nos tempos do Antigo Testamento, qual o significado do nome?
(    ) O nome era empregado também para mostrar a condição financeira de uma pessoa..
(    ) O nome era empregado não simplesmente para distinguir uma pessoa das outras, mas também para mostrar o caráter e a índole do indivíduo.
(    ) Houve caso de mudança de nomes em consequência de uma experiência com DEUS como Abraão, Sara e Jacó.
(    ) O nome de DEUS representa o próprio DEUS, é inerente à sua natureza e revela suas obras e atributos.
(    ) Não é um apelativo, nem simplesmente uma identificação pessoal ou uma distinção dos deuses das nações pagãs.
 
4- A Bíblia revela vários nomes divinos que podemos classificar em dois grupos: genéricos e específicos. Complete segundo os nomes Genéricos:
São três os nomes genéricos que o Antigo Testamento aplica além do "DEUS de _________________________". Na sua tradução do hebraico para a nossa língua só aparecem dois nomes, "__________________________ " e "Altíssimo". O nome "DEUS" em nossas bíblias é tradução do hebraico El (Nm 23.8) ou Eloah (Dt 32.15), ou seu plural, Elohim (Gn 1.1). O outro nome genérico é Elyon, "___________________________" (Dt 32.8), às vezes acompanhado de "El", como em El-Elyon, "DEUS _________________________" (Gn 14.19,20).

5- Quais são os nomes divinos específicos de DEUS que a Bíblia revela? Complete:
São três os nomes específicos que o Antigo Testamento aplica somente para o DEUS verdadeiro: Shadday, Adonay e YHWH. El-Shadday, "DEUS _________________________", é o nome que DEUS usou ao revelar-se a Abraão (Gn 17.1; Êx 6.3). Adonay, "_________________________", é um nome próprio e não um pronome de tratamento (Is 6.1). O outro nome é o tetragrama (as quatro consoantes do nome divino, YHWH, Yahweh, Javé ou Jeová). A versão Almeida Corrigida, nas edições de 1995 e 2009, emprega "__________________________", com todas as letras maiúsculas, onde consta o tetragrama no Antigo Testamento hebraico para distinguir de Adonay (Jz 6.22).
 
II. O NOME QUE SE TORNOU INEFÁVEL
6- Qual a pronúncia do nome divino?
(    ) O tetragrama é inefável no judaísmo desde o período interbíblico e permanece impronunciável pelos judeus ainda hoje. Isso para evitar a vulgarização do nome e assim não violar o terceiro mandamento.
(    ) A escrita hebraica é consonantal; as vogais são sinais diacríticos que os judeus criaram somente a partir do ano 500 d. C.
(    ) A escrita hebraica é consonantal; as vogais são sinais diacríticos que os judeus criaram somente a partir do ano 1000 d. C.
(    ) Assim, a pronúncia exata das consoantes YHWH se perdeu no tempo.
(    ) Os judeus religiosos pronunciam por reverência Adonay cada vez que encontram o tetragrama no texto sagrado na leitura da sinagoga.

7- Qual a correta pronúncia do nome divino,  Jeová ou Javé?
(    ) O correto é Jeová.
(    ) Na Idade Média, especificamente no século XIV, foram inseridas no tetragrama as vogais de Adonay (o "y" é semiconsoante no alfabeto hebraico).
(    ) O resultado é a pronúncia "YeHoWaH". Isso para lembrar, na leitura, que esse nome é inefável e, dessa forma, pronunciar "Adonai".
(    ) Esse enxerto no tetragrama resultou na forma "Jeová", que não aparece no Antigo Testamento hebraico.
(    ) Estudos acadêmicos confirmam o que a maioria dos expositores do Antigo Testamento vinham ensinando, que a pronúncia antiga do nome é Yahweh, e na forma aportuguesada é Iavé ou Javé.

8- Qual o significado do nome hebraico hayah?
(    ) "Dono, poderoso".
(    ) "ser, estar".
(    ) O significado desse verbo em Êxodo 3.14, "EU SOU O QUE SOU", indica que DEUS é imutável e existe por si mesmo; é autoexistente, autossuficiente e que causa todas as coisas.
(    ) DEUS se revela pelo seu nome.
(    ) O terceiro mandamento é um resumo e ao mesmo tempo uma recapitulação daquilo que DEUS havia dito antes a Moisés.
 
III. TOMAR O NOME DE DEUS EM VÃO
9- Qual o significado do terceiro mandamento (Êx 20.7; Dt 5.11)?
(    ) O termo hebraico tsarich, "em vão, inutilmente, à toa", indica algo sem valor, irreal no aspecto material e moral.
(    ) O termo hebraico lashaw, "em vão, inutilmente, à toa", indica algo sem valor, irreal no aspecto material e moral.
(    ) A Septuaginta emprega a expressão grega epimataio, "impensadamente".
(    ) O substantivo shaw (pronuncia-se "chav") significa "vaidade, vacuidade".
(    ) Corresponde a usar o nome de DEUS de forma superficial, em conversas triviais, e faltar com a verdade em seu nome, como ao pronunciar um juramento falso ou fazer um voto e não o cumprir.

10- O que é Juramento e perjúrio?
(    ) As palavras seguintes, "Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor", só aparecem no Antigo Testamento.
(    ) O juramento é o ato de fazer uma afirmação ou promessa solene tomando por testemunha algum objeto tido por sagrado; o perjúrio é o falso juramento.
(    ) As palavras do Senhor JESUS, "ouvistes que foi dito aos antigos", não se referem ao Antigo Testamento, mas aos antigos ensinos dos rabinos, às suas interpretações peculiares das passagens da lei que falam sobre o tema.
(    ) Isso fica claro, pois as palavras seguintes, "Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor", não aparecem em nenhum lugar no Antigo Testamento.

11- Quais eram as modalidades de juramentos na época de JESUS?
(    ) O principal e mais realizado era o juramento sincero em nome de DEUS.
(   ) As autoridades israelitas escalonavam o juramento em diversas modalidades: pelo céu, pela terra, por Jerusalém, pelo Templo e pelo ouro do Templo; pelo altar e pela oferta que está sobre o altar e assim por diante.
(    ) Segundo essa linha de pensamento, os juramentos se classificavam em obrigatórios e não obrigatórios.
(    ) Jurar pelo Templo não seria válido; mas, se alguém jurasse pelo ouro do Templo, estava obrigado a cumpri-lo.
(   ) Tais crenças e práticas eram condenadas nas Escrituras Sagradas. Tudo isso era uma forma de ocultar o pecado.
 
IV. O SENHOR JESUS PROIBIU O JURAMENTO?
12- Qual o objetivo do terceiro mandamento?
(    ) O Senhor JESUS condenou e proibiu todo e qualquer juramento.
(    ) A finalidade é pôr um freio na mentira, restringir os juramentos e assim evitar a profanação do nome divino.
(    ) O Senhor JESUS nos ensinou na oração do Pai Nosso a santificar o nome divino.
(    ) Ninguém deve usar o nome de DEUS nas conversas triviais do dia a dia, pois isso é misturar o sagrado com o comum.
(    ) O Senhor JESUS condenou duramente essas perversões farisaicas, práticas que precisavam ser corrigidas ou mesmo substituídas.
(    ) Este mandamento foi restaurado sob a graça e adaptado a ela na nova dispensação, manifesto na linguagem do cristão: "sim, sim; não, não".

13- Por que alguns acreditam na proibição absoluta e quem são eles?
(    ) Há os que entendem que a expressão "de maneira nenhuma" é uma proibição de toda e qualquer forma de juramento.
(    ) Entre os que defendem essa interpretação estão os batistas do sul e os quakers, que nos Estados Unidos se recusam a jurar nos tribunais de justiça.
(    ) Entre os que defendem essa interpretação estão os amish e os quakers, que nos Estados Unidos se recusam a jurar nos tribunais de justiça.
(    ) Eles acreditam que o Senhor JESUS não fez declaração sob juramento diante do Sinédrio.
(    ) De igual modo, o apóstolo Paulo evitava fazer juramentos em afirmações solenes.

14- O que significa a proibição relativa?
(    ) Consideram o juramento de JESUS, de João, de Pedro e de Paulo.
(    ) Outros afirmam que a proibição de JESUS se restringe aos juramentos triviais, e por essa razão o Senhor JESUS foi específico: "de maneira nenhuma, jureis nem pelo céu, [...] nem pela terra, [...] nem por Jerusalém, [...] nem jurarás pela tua cabeça.
(    ) Outro argumento é que homens de DEUS no Antigo Testamento faziam juramentos em situação solene e o próprio DEUS jurou por si mesmo.
(    ) Consideram, ainda, como juramento a resposta de JESUS e as declarações solenes de Paulo.
(    ) Essas últimas passagens bíblicas não parecem conclusivas em si mesmas; entretanto, a proibição relativa nos parece mais coerente.
(    ) Mesmo assim, devemos evitar o juramento e substituir o termo por voto solene em cerimônias de casamento.

CONCLUSÃO
15- Complete:
A linguagem do _________________________ deve ser sim, sim ou não, não. Não há necessidade de _________________________, pois o testemunho, como crente em JESUS, fala por si mesmo. Se alguém precisa _________________________ para que se acredite em suas palavras, tal pessoa precisa fazer uma revisão de sua vida __________________________. Por essa razão, devemos _____________________ o que pregamos e pregar o que _________________________.
 
RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO EM http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm 
 
Referências Bibliográficas (outras estão acima)
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.
Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA: CPAD, 1999.
BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.
CPAD - http://www.cpad.com.br/ - Bíblias, CD'S, DVD'S, Livros e Revistas. BEP - Bíblia de Estudos Pentecostal.
VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
www.ebdweb.com.br
www.escoladominical.net
www.gospelbook.net
www.portalebd.org.br/
http://estudaalicaoebd.blogspot.com.br/ - Pb Alessandro Silva
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm
 

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Lição 4 - Não Farás Imagens de Esculturas - 1 Parte

 
Lição 4 - Não Farás Imagens de Esculturas - 1 Parte
Lições Bíblicas - 1º Trimestre de 2015 - CPAD - Para adultos
Tema: OS DEZ MANDAMENTOS - Valores Imutáveis Para Uma Sociedade Em Constante Mudança
Comentários: Pr. Esequias Soares
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
NÃO DEIXE DE LER O ESTUDO SOBRE ALIANÇA - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm



TEXTO ÁUREO
"Portanto, meus amados,  fugi da idolatria." (1 Co 10.14)



VERDADE PRÁTICA
O segundo mandamento proíbe a idolatria, adoração de ídolo, imagem de um deus ou de qualquer objeto de culto



LEITURA DIÁRIA
Segunda - Lv 19.4 DEUS proíbe a fabricação de ídolos e deuses de fundição
Terça - Dt 4.12 A adoração a DEUS deve ser sem imagens e sem figuras
Quarta - Mt 4.10 Somente DEUS deve ser adorado e a Ele devemos servir
Quinta - Jo 4.24 DEUS é ESPÍRITO e deve ser adorado em espírito e em verdade
Sexta - At 17.24,25 DEUS não habita em templo feito por mãos humanas
Sábado - 1 Jo 5.21 O combate à idolatria é mantido pelo apóstolo João

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Êxodo 20.4-6; Deuteronômio 4.15-19
Êxodo 20.4-6
4 Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem  em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. 5 Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu DEUS, sou DEUS zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem  6 e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos.
Deuteronômio 4.15-19
15 Guardai, pois, com diligência a vossa alma, pois semelhança nenhuma vistes no dia em que o SENHOR, vosso DEUS, em Horebe, falou convosco, do meio do fogo; 16 para que não vos corrompais e vos façais alguma escultura, semelhança de imagem, figura de macho ou de fêmea; 17 figura de algum animal que haja na terra, figura de alguma ave alígera que voa pelos céus; 18 figura de algum animal que anda de rastos sobre a terra, figura de algum peixe que esteja nas águas debaixo da terra; 19 e não levantes os teus olhos aos céus e vejas o sol, e a lua, e as estrelas, todo o exército dos céus, e sejas impelido a que te inclines perante eles, e sirvas àqueles que o SENHOR, teu DEUS, repartiu a todos os povos debaixo de todos os céus.

OBJETIVO GERAL
Mostrar que DEUS se revela ao homem sem a necessidade de meras reproduções (figuras, estátuas, imagens, esculturas, desenhos).

OBJETIVOS ESPECÍFICOS - Os objetivos específicos referem-se aos que o professor deve atingir em cada tópico.
Explicar a proibição bíblica quanto à idolatria - (Tudo o que é artificial não penetra no reino espiritual - Tudo o que se coloca como objeto de adoração, sendo material, é idolatria).
Apresentar a característica zelosa de DEUS (Juízo sobre o pecado e bênção sobre a obediência).
Conscientizar sobre o verdadeiro culto a DEUS (em ESPÍRITO e em Verdade - Em comunhão com o ESPÍRITO SANTO e dentro do que ensina a Palavra).
Esclarecer quanto à idolatria da teologia romana (A adoração a uma mulher no céu sempre atraiu as pessoas - é pecado terrível quando se coloca alguém no mesmo nível ou superior a JESUS no plano de salvação).

Resumo da Lição 4 - Não Farás Imagens de Esculturas 

I. PROIBIÇÃO À IDOLATRIA
1. Ídolo e imagem.
2. Idolatria.
3. Semelhança ou figura.
II. AMEAÇAS E PROMESSAS
1. O DEUS zeloso.
2. As ameaças.
3. As promessas.
III. O CULTO VERDADEIRO
1. Adoração.
2. DEUS é espírito.
3. DEUS é imanente e transcendente.
IV. AS IMAGENS E O CATOLICISMO ROMANO
1. O que dizem os teólogos católicos romanos?
2. Uma interpretação forçada.
3. O uso de figuras como símbolo de adoração.
4. Mariolatria.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
Professor, a devoção às imagens e esculturas, no Brasil, é um fenômeno religioso. Milhares de pessoas, ano a ano, pagam as suas promessas, subindo às mais altas escadarias das catedrais para cultuar a imagens. Mas é importante que expliquemos aos alunos que, por trás da idolatria, há interesses econômicos poderosos. O teólogo Lawrence Richards, comentando o capítulo 19 do livro de Atos, explica com clareza a razão econômica da idolatria praticada em Éfeso: "[...] Em Éfeso, Paulo arruína o negócio daqueles que fabricam e vendem imagens da deusa Ártemis. Demétrio, presidente de um dos sindicatos locais, inicia uma revolta entre os negociantes preocupados. 'Precisamos parar este movimento', clama Demétrio, 'ou todos ficaremos sem emprego'.
A preocupação expressa pelas vítimas desse missionário cristão [ ou seja, Paulo] é verdadeira. Diariamente, os cidadãos americanos gastam mais de 80 milhões de dólares com o ocultismo. Eles visitam cartomantes, com encantos e amuletos, contratam mágicos para curar doenças ou amaldiçoar inimigos. Ora, toda indústria turística americana está baseada nas pessoas visitando cidades como Éfeso, onde há famosos templos e santuários.
Simplesmente falando, o império não pode dar-se ao luxo de tolerar pessoas como Paulo, que pregam contra a feitiçaria e a idolatria. Toda a nossa economia desmoronará se estes fanáticos forem tolerados.
Alguns podem argumentar que a mensagem de Paulo é verdadeira, e que o poder de seu 'ESPÍRITO SANTO' e de 'JESUS' é maior do que o poder dos espíritos dos quais eles dependem. Isso pode ser verdade. Mas, definitivamente, não ousamos nos converter, tornando-nos cristãos. Há muita gente que ganha a vida com o ocultismo. É uma indústria que o império simplesmente precisa apoiar" (RICHARD. Lawrence. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de  Janeiro: CPAD, p.275).

PARA REFLETIR
A respeito da Idolatria:
É correto afirmar que a idolatria se caracteriza apenas por imagens de esculturas?
Não. A idolatria se caracteriza por tudo aquilo que toma o lugar de DEUS no coração da pessoa.
Com a máxima semítica "terceira e quarta geração", o autor bíblico quer se referir ao número exato de vezes que DEUS castigará a geração? 
Não. O objetivo é contrastar o castigo para "terceira e quarta geração" com o propósito de DEUS de abençoar a milhares de gerações.
Por que não podemos ter uma atitude de adoração ou devoção a Maria?
Em primeiro lugar, Maria, apesar de ser a mãe de JESUS, era uma mulher igual às outras, mas achada graciosa pelo Senhor. E ela jamais aceitaria ser cultuada, pois a glória deve ser dada somente a DEUS.
Ter objetos decorativos em casa é idolatria?
Não. Não há nada na Bíblia que condene ter objetos decorativos em casa.
A Bíblia proíbe as artes?
Não. Temos de ter discernimento para não proibirmos o que a Bíblia não proíbe. Temos de distinguir os ídolos dos objetos meramente decorativos e das artes e esculturas artísticas. DEUS mesmo inspirou artistas entre os israelitas no deserto (Êx 35.30-35).

VOCABULÁRIO
Imagética: Que revela imaginação. Ocultismo: Crença na ação ou influência dos poderes sobrenaturais.

SUGESTÃO DE LEITURA
Manual do Pentateuco
Neste livro, o autor faz um exame preciso e aprofundado dos cinco primeiros livros da Palavra de DEUS, relacionando suas informações com o contexto sociocultural da época. Excelente para pesquisas, cada capítulo possui bibliografia para enriquecer ainda mais seus estudos.
CRISTO entre outros Deuses
Todas as religiões são iguais? DEUS é o mesmo em todos os cultos? Como JESUS é visto em outras religiões? Todos os caminhos levam a DEUS? Essas e outras questões são abordadas neste livro. Com argumentos irrefutáveis, o autor leva-nos a refletir acerca dos principais temas religiosos.


Comentários de vários autores com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique
INTRODUÇÃO
No preâmbulo do primeiro mandamento DEUS se identifica. O segundo mandamento é muito próximo do primeiro, ambos são de ordem espiritual e afirmam a existência de um DEUS vivo, o único que deve ser adorado. Aqui Javé proíbe a adoração aos ídolos e o culto a qualquer imagem de escultura ou de pintura como objeto de adoração. É nesta forma de idolatria que o presente capítulo pretende focar.
Os patriarcas do Gênesis e os israelitas do deserto sabiam muito pouco sobre os atributos de DEUS. A revelação divina aconteceu de forma gradual ao longo dos séculos, até a manifestação do Filho de DEUS (Hb 1.1). Os dois primeiros mandamentos do Decálogo são os que maior impacto causaram em Israel. DEUS é espírito e invisível (Jo 4.24; Cl 1.15; 1 Tm 1.17) e hoje qualquer cristão sabe disso. Essa verdade é declarada na Confissão de Westminster. No entanto, foi o próprio DEUS que se revelou a si mesmo sobre o seu ser e a sua natureza e nesses mandamentos temos o esboço dessa doutrina.
No primeiro mandamento, Javé se identifica ao seu povo como o DEUS soberano que remiu a Israel da escravidão do Egito. Aqui e no segundo mandamento, DEUS revela a sua espiritualidade e ordena que somente ele deve ser adorado. Javé proíbe o uso de imagem e de qualquer representação, semelhança ou figura do próprio DEUS na adoração. Essa proibição se estende também a toda e qualquer divindade falsa dos pagãos.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 39-40.

O segundo mandamento diz respeito às ordenanças da adoração, ou à maneira segundo a qual DEUS deverá ser adorado, o que é adequado que Ele mesmo indique. Aqui temos:
A proibição. Aqui somos proibidos de adorar até mesmo o DEUS verdadeiro, em imagens, w. 4,5. [1] Os judeus (pelo menos, depois do cativeiro) se julgaram proibidos, por este mandamento, de fazer qualquer imagem ou pintura. Consequentemente as imagens que os exércitos romanos tinham em suas insígnias são chamadas de abominações para eles (Mt 24.15), especialmente quando são colocadas no lugar santo.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 292.

É lógico que o segundo mandamento (Êx 20.4-6) segue o primeiro, desde que era difícil, se não impossível, para a mente pagã apreender a noção de invisibilidade dos deuses que impossibilitava a representação deles em algum material ou forma física. Contudo, é provável que seja um erro supor que os adoradores desses deuses — ou, pelo menos, que os pensadores mais densos entre eles — não vissem, de fato, diferença entre as deidades per se e as formas plásticas que assumiam com o auxílio dos adoradores. Em outras palavras, os ídolos e as imagens, com certeza, eram apenas representações de seres invisíveis, cuja realidade só seria plenamente avaliada por meio de seu ser visível.  Ao mesmo tempo, para muitos dos devotos comuns desses deuses, talvez para a maioria deles, não havia distinção prática entre o visível e o invisível a ponto de considerarem que os objetos de madeira, pedra ou metal possuíam o nome divino e eram adorados como tal.
Mesmo que essa seja uma interpretação acurada da concepção de imagens por Israel, permanece o fato de que essas representações visíveis de poderes invisíveis percebidos eram estritamente proibidas. E se esse era o caso com os falsos deuses, quão mais odioso seria tentar captar o DEUS eterno do céu e da terra em algum objeto feito por mãos humanas! Primeiro, fazer isso era adorar um produto de criação humana ou, pelo menos, um objeto adequado para captar a essência do ser representado. Quão pequeno deve ser um deus para poder ser retratado em alguma forma concebida pela mente humana. Além disso, a tentativa de iconizar o DEUS invisível sugere que ele pode ser localizado, reduzido ao escopo de algo que pode ser manipulado. Na verdade, DEUS torna-se prisioneiro da habilidade do artista, da substância e qualidades da matéria-prima que ele usa e da incapacidade do adorador de imaginá-lo além do que pode ver com os próprios olhos e tocar com as próprias mãos.
Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 326-327.

I. PROIBIÇÃO À IDOLATRIA
1. ÍDOLO E IMAGEM.
O grande desafio de Israel era vencer a idolatria e manter a fidelidade a Javé, cumprindo o concerto do Sinai. O povo estava saindo de um contexto sociocultural completamente politeísta. Seus ancestrais lhes haviam falado sobre o DEUS de Abraão, de Isaque e de Jacó, mas agora eles mesmos precisavam saber o que significava o compromisso de servir e adorar exclusivamente o DEUS que os libertara da escravidão do Egito. A adoração a Javé devia ser algo completamente diferente dos rituais idólatras. O segundo mandamento declara: Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu DEUS, sou DEUS zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos (Êx 20.4-6; Dt 5.8-10).
Os dois termos hebraicos pessel e temunãh dizem respeito à falsa adoração. Da palavra pessel, "imagem", deriva o verbo pãssal, "esculpir, entalhar, lavrar" pedra ou madeira para construir (1 Rs 5.18 [32]), escrever (Êx 34.1, 4; Dt 10.1, 3) e esculpir imagem de divindades (Hc 2.18).
A Septuaginta traduziu o termo por eidõlon, "ídolo". O termo temunãh, "forma, aparência, figura, representação, semelhança", só aparece dez vezes no Antigo Testamento (Êx20.4; Dt4.12,15,16,23,25; 5.8; Nm 12.8; Jó 4.16; Sl 17.15). Cinco vezes aparece em conexão ou paralelamente a pessel e diz respeito à proibição do uso de imagens (Êx 20.4; Dt 4.16, 23, 25; 5.8). Duas vezes é usada para esclarecer que os israelitas ouviram a voz de Javé que falava do meio do fogo no monte Sinai, mas eles só ouviram as palavras por ocasião da revelação do Sinai (Dt 4.12, 15). Três vezes é empregada de maneira independente: Moisés era o único que via a temunat YHWH, a "semelhança de Javé" (Nm 12.8). DEUS falava com ele como alguém fala a um amigo, face a face (Êx 33.11); Elifaz usa o termo para descrever uma revelação noturna (Jó 4.16) e, num paralelismo poético, a palavra é empregada de forma metafórica numa visão de Davi (Sl 17.15).
O segundo mandamento diz que não se deve fazer imagem ou figura de tudo o "que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êx 20.4; Dt 5.8). Isso envolve todas as espécies de animais, aves, répteis, peixes, aves, corpos celestes, e inclui a imagem do próprio DEUS (Dt 4.12-19). A menção das estátuas de macho e fêmea, "alguma escultura, semelhança de imagem, figura de macho ou de fêmea" (Dt 4.16), diz respeito às divindades masculinas e femininas. (Jr 2.27). A madeira era o símbolo da fertilidade feminina; a deusa Aserá era a mãe dos deuses; e a pedra simbolizava a fertilidade masculina na religião dos cananeus (Dt 4.28; Jr 3.9).
As espécies de animais mencionadas aqui (Dt 4.17-19) representavam os deuses na antiguidade (Ez 8.10). Dagom era o deus dos filisteus (Jz 16.23; 1 Sm 5.7), e sua imagem consistia em metade forma de homem e metade forma de peixe. Rá era o deus-sol, dos egípcios, e Sin, o deus-sol dos babilônios. O touro, por exemplo, era um símbolo do Egito: "Por que o deus Ápis fugiu? O seu touro não resistiu" (Jr 46.13, NVI); "Por que foi derribado o teu Touro?" (ARA). Ápis era o boi sagrado do Egito, representação de Ptah, deus da fertilidade de Mênfis. O culto do bezerro no deserto mostra que essa forma de adoração dos egípcios ainda estava no coração do povo (Êx 32.4-6; Sl 106.19, 20). As estátuas de Baal eram colocadas sobre touros. Esse animal era ideal para esses deuses, pois simbolizava força e fertilidade. O touro representava também outros deuses, como Baal. E, durante muito tempo, o povo judeu também se deixou influenciar pelo culto do bezerro (1 Rs 12.28-30; Os 8.5). Esses são alguns dos exemplos de divinização pagã de animais e corpos celestes.
O segundo mandamento divide opiniões ainda hoje, e as interpretações são diversificadas. Os templos católicos romanos estão cheios de imagens de escultura, com fins cúlticos; por outro lado, a comunidade Amish não permite o uso de fotografia nem se deixa fotografar, pois seus membros a interpretam como produção de imagem, o que violaria o segundo mandamento. Contudo, o mandamento aqui não se refere à arte como tal. Essa proibição é específica; refere-se imagem de madeira, pedra ou metal ou forma de algum deus ou deuses das nações com fins de adoração: "Não te encurvarás a elas nem as servirás" (Êx 20.5; Dt 5.9).
Essa maneira de entender o segundo mandamento é confirmada ao longo do Antigo Testamento (2 Rs 21.7; Is 40.19, 20; Jr 10.14). Aqui, é uma referência à adoração (Êx 34.13, 17; Dt 27.15). O primeiro verbo tem o sentido de adorar tishthaheweh, ou tishthahãweh, "prostrar-se, encurvar, adorar". A Septuaginta traduz por proskyneo "adorar”, e o termo aparece 60 vezes no Novo Testamento. O segundo verbo é ‘ãvad, "trabalhar, servir". A Septuaginta traduziu por latreuõ, "prestar serviço sagrado, servir, adorar", e é o termo que aparece em Mateus 4.10.
O contexto é religioso e remete à proibição de fazer imagens de escultura ou quaisquer figuras e se prostrar diante delas para as adorar. Este mandamento causou profundo impacto em Israel, de modo que a escultura é uma arte que não se desenvolveu entre os israelitas, mesmo para fins meramente culturais. Os grandes museus, como Louvre em Paris, o museu Britânico em Londres, o Neues em Berlim o Metropolitan em Nova Iorque; o museu do Cairo, entre outros, estão repletos de artes de escultura artística e religiosa, bustos de artistas, pensadores e estadistas do Egito, Mesopotâmia, Pérsia, Grécia, Fenícia e Roma, além de estátuas e estatuetas de deuses. No entanto, não existe praticamente nada nos acervos judaicos dessa natureza nesses museus.
As galerias de arte estão completamente fora deste contexto. Trata-se de coleções de manifestações artísticas, e não é a respeito disso que fala o segundo mandamento. Os expositores da Bíblia são praticamente unânimes quanto a esta questão. Há no Antigo Testamento diversos indícios que confirmam esta interpretação. DEUS mesmo inspirou artistas entre os israelitas no deserto (Êx 35.30-35) e mandou Moisés levantar uma serpente de metal no deserto (Nm 21.8). O rei Salomão não encontrava artistas em Israel para a decoração do templo e do seu palácio, de modo que contratou escultores e pintores dentre os fenícios (2 Cr 2.13, 14). Ele mandou esculpir querubins na parede e touros e leões para decorar o templo (1 Rs 6.29; 7.29) e o palácio real (1 Rs 10.19, 20). E, quando a serpente de metal que Moisés levantou no deserto veio a ser objeto de culto com o passar do tempo, o rei Ezequias mandou destruí-la (2 Rs 18.4).
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 42-46.

Não farás para ti imagem. O primeiro mandamento proíbe o politeísmo, e a idolatria e o uso de imagens promoviam cultos politeístas. Portanto, o primeiro mandamento também combate o uso de ídolos. Por motivos assim é que muitos intérpretes pensam que os vss. 4-6 deste capítulo fazem parte do primeiro mandamento.
Os vss. 4-6, para a maioria dos grupos protestantes (com a exceção dos luteranos), constituem o segundo mandamento. É proibido o fabrico de qualquer imagem de escultura para fins de adoração. As imagens tendem ou mesmo promovem formas várias de politeísmo, e isso fora estritamente proibido no primeiro mandamento. Além disso, as imagens de escultura, tal como o próprio politeísmo, destroem a natureza ímpar de Yahweh, além de injetarem elementos estranhos no pensamento e na adoração religiosos. Grandes segmentos da cristandade têm uma espécie de subpolíteísmo no uso de imagens e na veneração dos “santos”. Digo aqui “sub-politeísmo” porque, acima do mesmo, reservam uma adoração especial a DEUS. O que temos, nesses casos, é uma forma de sincretismo onde o antigo politeísmo alia-se ao monoteismo, A cristandade, ao entrar em contacto com culturas pagãs, inventou várias formas de sincretismo, pelo que desobedecem de forma crassa o primeiro e o segundo mandamentos.
O primeiro e o segundo mandamentos proibiam qualquer forma de representação idólatra, e a adoração a essas formas.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 388.

“Como o primeiro mandamento afirma a unidade de DEUS e é um protesto contra o politeísmo, assim o segundo afirma sua espiritualidade e é um protesto contra a idolatria e o materialismo.” Embora certas formas de idolatria não sejam materiais — por exemplo, a avareza (Cl 3.5) ou a sensualidade (Fp 3.19) —, o segundo mandamento condena primariamente a fabricação de imagens (4) na função de objetos de adoração. Este tipo de idolatria sempre existiu entre os povos pagãos mais simplórios do mundo. A história de Israel comprova que esta tentação é traiçoeira.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Êxodo. Editora CPAD. pag. 189.

Os profetas posteriores expõem o mal e a insensatez de adorar a ídolos de formas muitíssimo sarcásticas e até mesmo jocosas. Isaías perguntou: “Com quem vocês compararão DEUS? Como poderão representá-lo?” (Is 40.18). A seguir, esse profeta menciona que as imagens são feitas pelo homem. Elas são feitas em moldes e vestidas com ornamentos de ouro e prata. Se a pessoa fosse muito pobre para fazer um ídolo tão elaborado, ela fazia um de madeira, usando um carpinteiro que modelaria o ídolo de forma a não cair (w. 19,20)! Isso traz à memória a imagem de Dagom, o deus dos filisteus, que caiu do pedestal na presença da arca da aliança e perdeu a cabeça e as mãos (ISm 5.1-5). Dessa forma, ele provou não ter conhecimento nem poder. Isaías, prosseguindo com a idéia da impotência dos ídolos, diz a respeito do artesão que estava temeroso por causa da humilhação do deus que fizera: “[Ele] fixa o ídolo com prego para que não tombe” (Is 41.7). A insensatez da idolatria reflete a insensatez dos que a praticam. Isaías comentou a respeito destes que “todos os que fazem imagens nada são, e as coisas que estimam são sem valor. As suas testemunhas nada vêem e nada sabem, para que sejam envergonhados. Quem é que modela um deus e funde uma imagem, que de nada lhe serve? Todos os seus companheiros serão envergonhados; pois os artesãos não passam de homens” (Is 44.9-11). A seguir, o profeta, com indisfarçável zombaria, refere-se ao processo de confecção do ídolo. Os vários artesãos habilidosos exauriam-se em seu trabalho para produzir um deus diante do qual eles pudessem se prostrar. Eles, ao longo do processo, tinham de preparar suas refeições sobre o fogo alimentado pela mesma madeira com a qual esculpiam as imagens, sem entender que o bloco diante do qual se curvavam era tão frágil e tão passível de ser queimado quanto os pedaços desse bloco de madeira usados como combustível para o fogo. O profeta resume o ridículo em uma nota mordaz: “Ele [o idólatra] se alimenta de cinzas, um coração iludido o desvia; ele é incapaz de salvar a si mesmo ou de dizer: ‘Esta coisa na minha mão direita não é uma mentira?’” (Is 44.20).
Jeremias acrescenta à descrição de Isaías da idolatria e, se nada mais, em termos ainda mais cáusticos. Ele, como Isaías, descreve o fútil processo de manufatura de ídolo (Jr 10.3-9), mas, depois, apresenta a importante conclusão do ponto de vista teológico de que esses “deuses, que não fizeram nem os céus nem a terra, desaparecerão da terra e de debaixo dos céus” (Jr 10.11). Os produtores deles, continua ele, são “estúpidos e ignorantes; cada ourives é envergonhado pela imagem que esculpiu” (v. 14a). Quanto aos ídolos, eles “são uma fraude, el[es] não têm fôlego de vida. São inúteis, são objetos de zombaria.Quando vier o julgamento delas, perecerão” (w. 14b, 15). Em contrapartida, Jeremias declara: “Aquele que é a porção de Jacó nem se compara a essas imagens, pois ele é quem forma todas as coisas, e Israel é a tribo de sua propriedade” (v. 16). Esse é exatamente o ponto dos dois primeiros mandamentos. Não havia nenhum DEUS além do Senhor de Israel, e os ídolos e as imagens que representavam outras deidades eram criações do homem e, portanto, não representavam nada. Para Israel, adorá-las representava cometer um sacrilégio abominável.
Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 327-328.

2. IDOLATRIA.
A revelação do Sinai aconteceu três meses após a saída dos israelitas do Egito. Aquela geração havia nascido e vivido na terra do Nilo até aquele momento. O Egito era um dos maiores centros de idolatria do mundo. Suas imagens de escultura e seus obeliscos impressionam o espírito humano até hoje. Esse país foi o berço da civilização de Israel, e os hebreus conviveram com a cultura dos egípcios durante muito tempo, razão pela qual deviam estar bem familiarizados com suas práticas religiosas.
O profeta Jeremias menciona os obeliscos e as casas dos deuses do Egito em Heliópolis muitos séculos após a promulgação da lei: "E quebrará as estátuas de Bete-Semes, que está na terra do Egito; e as casas dos deuses do Egito queimará" (Jr 43.13). O principal templo de Heliópolis era o de Rá, deus representado por um homem com cabeça de falcão, cuja supremacia no Egito durou mais de mil anos. Segundo os egípcios, Rá era o pai de uma família de nove deuses. Implícita estava a zoolatria - adoração aos animais pois os egípcios viam neles mais que símbolos ou emblemas; eles os consideravam receptáculos das formas do poder divino.
Bete-Semes aqui é Heliópolis, uma antiga cidade egípcia de Om, seu nome hebraico, e Heliópolis, seu nome grego (Gn 41.45, 50, LXX). Situa-se atualmente 16 km a noroeste do Cairo, onde se localiza o aeroporto internacional. O nome hebraico bêth shemesh significa "casa do sol", e a Septuaginta emprega hêliou póleõs, "cidade do sol" [50.13]. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje traduz como "Heliópolis". Jeremias emprega o termo hebraico matstsêbãh para designar "estátua", que significa "alguma coisa colocada verticalmente, coluna, pilar, estátua". O profeta se refere aos obeliscos, que são próprios do Egito (KOEHLER & BAUMGAR- TNER, vol. 1,2001, p. 621). Trata-se de um bloco de pedra postado para fins memoriais (2 Sm 18.18) ou religiosos (2 Rs 3.2; 10.26; 18.4; 23.14; Os 10.1; Mq 5.13 [12]). Os obeliscos egípcios eram ídolos e também memoriais. Essa prática era proibida em Israel (Dt 16.22).
Hoje, apenas oito desses obeliscos continuam de pé no Egito: três no templo de Carnaque (originalmente, eram dez); um no templo de Luxor (mas havia dois, o outro está na praça da Concórdia); um no Aeroporto Internacional do Cairo, trazido de Ramessés, sua localidade original; um posto em um jardim ao lado da Torre do Cairo, trazido também de Ramessés; um na praça Matariya, no centro do Cairo, trazido das ruínas do templo do sol de Heliópolis; e o último, da 12ª dinastia, está em Fayum, local em que, segundo se diz, Jacó viveu com toda a família, durante a administração de José do Egito. Existem ainda mais de dez obeliscos egípcios espalhados por locais variados na Europa, Vaticano, Istambul, Londres, Paris e em Nova Iorque, nos Estados Unidos, resgatados desde os romanos a partir do ano 31 a.C.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 40-42.

I. Definição e Característica Geral
1. Essa palavra vem do grego, eldolon. «idolo», e latreaeln, «adorar». Esse termo refere-se à adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar a veneração ou adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição, etc., que tome o lugar de DEUS, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos. Nesse sentido mais amplo, todos os homens, com bastante freqüência, se não mesmo continuamente, são idólatras. Naturalmente, essa condição surge em muitos graus; e um dos principais propósitos da fé religiosa e do desenvolvimento espiritual é livrar-nos totalmente de todas as formas de idolatria.
Paulo, em Colossenses 3:5, ensina-nos que a cobiça é uma forma de idolatria. Isso posto, qualquer desejo ardente, que faça sombra ao amor a DEUS, envolve alguma idolatria.
2. A idolatria consiste na adoração a algum falso deus, ou a prestação de honras divinas ao mesmo. Esse deus falso pode ser representado por algum objeto ou imagem. Esse termo usualmente inclui a idéia da dendrolatria, da litolatria, da necrolatria, da pirolatria e da zoolatria... O estado mental dos idólatras é radicalmente incompatível com a fé monoteísta. A idolatria é má porque seus devotos, em vez de depositarem sua confiança em DEUS, depositam-na em algum objeto, de onde não pode provir o bem desejado; e, em vez de se submeterem a DEUS, em algum sentido submetem-se às perversões de valor representadas por aquela imagem».
3. Na idolatria há certos elementos da criação que usurpam a posição que cabe somente a DEUS. Podemos fazer da autoglorificação um ídolo, como também das honrarias, do dinheiro, das altas posições sociais. Praticamente, tudo quanto se torne excessivamente importante em nossa vida pode tornar-se um ídolo para nós. A idolatria não requer a existência de qualquer objeto físico. Se alguém adora a um deus falso, sem transformar em deus a alguma imagem, ainda assim é culpado de idolatria, porquanto fez de um conceito uma falsa divindade.
4. Uma Rua de Mão Dupla de Trânsito. A antropologia tem mostrado amplamente que as religiões dos povos geralmente começam na idolatria, e então progridem para uma forma de fé mais pura, que finalmente, rejeita os tipos primitivos de conceitos que requeiram a presença de algum ídolo. Quando a fé de um povo vai-se tornando mais intelectual e espiritual, menor se vai tornando a necessidade de crassas representações materiais. Por outro lado, algumas vezes a idolatria resulta da degeneração de uma fé anteriormente superior. Vemos isso no Novo Testamento, em vários lugares, no tocante a Israel, a certas alturas de sua história. É admirável como a crueza domina essa questão. Em muitos lugares do mundo, da Índia à Sibéria, da Melanésia às Américas, simples toras de madeira têm sido erigidas em memória de pessoas amadas ou de heróis já falecidos; e, então, essa tora de madeira ou pedra torna-se um objeto de adoração, porquanto muitos supõem que o espírito da pessoa retoma para residir ali. Um culto religioso então desenvolve-se, quando tal imagem é alvo de preces e oferendas, a fim de aplacar aquele suposto espírito. Na Escandinávia e nos países germânicos, os arqueólogos têm encontrado pedras e toras de madeira escavadas, com propósitos religiosos.
A tendência de atribuir uma residência material a alguma divindade, ou, geralmente, de prestar culto ao espírito, em termos tangíveis é algo tão comum que quase se torna um sinal universal da cultura humana. A idolatria está presente na grande maioria das religiões do mundo, incluindo o hinduísmo e o budismo. Aparentemente, não é proibida pelo zoroastrismo. Mas é proibida pelo islamismo. O relato bíblico do povo de Israel, que adorou o bezerro de ouro, ao pé do monte Sinai, é uma prova de idolatria no judaísmo primitivo. Os mandamentos contra a adoração a outros deuses e contra o fabrico de imagens são injunções especificas contra a idolatria» (AM). Esse autor, que acabamos de citar, deveria ter incluído o fato de que o cristianismo é uma das grandes religiões que, em alguns de seus segmentos, pratica a idolatria. Por que motivo urna imagem de uso cristão seria prova menor de idolatria do que uma imagem venerada no hinduísmo ou no budismo?
5. A Vasta Extensão da Idolatria. O panteão mesopotâmico compunha-se de mais de mil e quinhentos deuses. Os mais conhecidos dentre eles eram Samás, Marduque, Sin e Istar, a qual era a deusa do amor carnal. Nabu era o patrono da ciência e da erudição. Nergal era o deus da guerra e da caça. Quase todas as atividades e aspirações dos homens têm sido representadas por alguma prática idólatra.
6. Natureza Corrompida da Idolatria. Toda idolatria é corrupta. Paulo supunha que os ídolos representam forças demoníacas. Ver I Cor. 10:20. A religião dos cananeus era repleta de corrupções morais, que ameaçavam continuamente a Israel. Havia todos os tipos de abusos sexuais, corno a prostituição sagrada, associados aos cultos de fertilidade, nos quais Baal e Astarte eram adorados, sem falarmos em cultos onde havia orgias de bebidas alcoólicas. Também havia o sacrifício de infantes na fogueira. A radicalidade dessa forma de idolatria foi a razão por detrás do mandamento da eliminação de toda forma de idolatria, com a destruição das imagens, colunas e estátuas, e com a destruição dos lugares altos, onde esses ritos eram efetuados. (Ver Deu. 7:1-5; 12:2,3).
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 206-207

Definição
Esta é uma transliteração da palavra gr. eidololatria, cujo significado entendemos ser "a adoração a ídolos; a adoração a imagens como divinas e sagradas". Esse vocábulo gr. é uma composição de dois termos: O primeiro é eido (cf. o latim video), significando "ver" e "saber"; assim ele traz em si o conceito básico de "saber por ver". Com base nesse termo foi formada a palavra eidolon, "imagem", que veio a significar especificamente uma imagem de um deus como um objeto de adoração, ou um símbolo material do sobrenatural como tal objeto. O segundo termo é latreia, significando "culto" ou, mais especificamente, "culto ou adoração aos deuses". Idolatria, então, é prestar honras divinas a qualquer produto de fabricação humana, ou atribuir poderes divinos a operações puramente naturais.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 944.

3. SEMELHANÇA OU FIGURA.
Os egípcios adoravam toda espécie de objetos, como aves, répteis e figuras celestes imaginárias. E não hesitavam em representar tais supostas divindades por meio de imagens. Esse tipo de atividade foi proibida aos filhos de Israel. A tripla designação, “em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra”, para os antigos, apontavam para a criação inteira.
A Idolatria de Todos Nós. Para todos nós há certas coisas às quais damos grande atenção, ao ponto de transformá-las em ídolos. Existem ídolos da mente, e não apenas de madeira, de pedra ou de metal. ídolos comuns incluem possessões, dinheiro, sexo, fama, posição social e poder.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.

Esta condenação de imagens claramente inclui imagens do DEUS verdadeiro, pois é bem certo que algum tipo de imagem estivera em uso entre os ancestrais de Israel (até mesmo a tradição judaica ortodoxa admite que Tera, pai de Abraão, era um fabricante de imagens, sem prova bíblica, porém). Os ídolos domésticos (terafim) de Labão poderiam, é verdade, ter mais valor legal do que significado religioso, mas os que Jacó escondeu debaixo do carvalho no “ santuário” em Siquém eram com toda certeza objetos religiosos (Gn 35:2-4). Isto aconteceu antes da doação da lei: mesmo depois disso, imagens não eram algo estranho em Israel (ver Jz 8:27, Gideão; Jz 17:4, Mica; 1 Sm 19:13, Davi). Todavia, a existência de imagens mais tarde em Israel não prova a inexistência de leis contra seu uso.
A arqueologia mostra claramente que a horda que destruiu a maior parte da cultura cananita no século treze A.C. era basicamente “ anicônica” , isto é, não usava imagens em seu culto. Se a fabricação dos querubins (mesmo que o povo não tivesse acesso a eles) fora permitida, então a proibição de imagens se refere apenas à fabricação direta de objetos de culto, não à representação de um objeto ou ser vivo qualquer, conforme se entendeu mais tarde. O judaísmo mais estrito e o islamismo se limitaram exclusivamente a desenhos e padrões abstratos em todas as formas de arte. Além disso, pelo uso de parataxe (a colocação de duas idéias lado a lado, ao invés do uso de uma ligação lógica entre as duas, como em sintaxe) em hebraico, este mandamento deve ser intimamente relacionado ao que o precede imediatamente, de modo que a tradução do sentido da passagem seria “ Não terás outros deuses na minha presença; jamais farás tais imagens” (isto é, de tais deuses). Além dos querubins, a lei ordena o bordado de lírios, romãs e outros objetos naturais nas cortinas do tabernáculo, de modo que não pode ter havido uma proibição completa da representação de objetos naturais em dias primitivos.
Este fato levanta a questão de por que tais imagens-representações do DEUS verdadeiro (mesmo em forma humana) eram proibidas. A provável razão talvez seja o fato de que nenhuma semelhança seria adequada, e que cada tipo de imagem provocaria um novo tipo de falsa compreensão de DEUS. Por exemplo, touro era um símbolo de força, mas também de virilidade e poder sexual: tal associação seria blasfema para o israelita. As nações que retratavam seus deuses em forma humana atribuíam com excessiva rapidez suas próprias fraquezas humanas aos protótipos divinos. Para o israelita, o homem fora criado à imagem de DEUS, à Sua semelhança (Gn 1:26), mas isso não significava enfaticamente que DEUS fosse igual ao homem (Is 55:9). A localização e materialização de DEUS também era outro perigo inerente à idolatria. Mesmo Israel, em dias futuros, viria a crer que a presença de DEUS estava localizada e contida na arca ou no templo; quanto mais o teriam feito se tivesse existido uma imagem? Finalmente, teria havido o perigo das tentativas semi-mágicas de aplacar ou controlar DEUS através da posse de uma certa localização de Sua presença, como podemos ver em relação à arca em 1 Samuel 4:3.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 149-150.

II. AMEAÇAS E PROMESSAS
1. O DEUS ZELOSO.
"Porque eu, o SENHOR, teu DEUS, sou DEUS zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos" (Êx 20.5b-6; Dt 5.9b-10). O adjetivo hebraico qannã’, "zeloso", aparece apenas cinco vezes no Antigo Testamento (Êx 20.5; 34.14; Dt 4.24; 5.9; 6.15), associado ao nome divino e/, "DEUS". As formulações nas cinco passagens diferem em detalhes. Nos dois textos do Decálogo e em Êxodo 34.14, as palavras ’êl qannã ’ são atributos de Javé. A menção dos deuses não acontece em Deuteronômio 4.24; 6.15.
O zelo de Javé consiste no fato de ser ele o único para Israel e não compartilhar o amor e a adoração com nenhuma divindade das nações. Esse direito de exclusividade era algo inusitado na época e único na história das religiões, pois os cultos pagãos antigos eram tolerantes em relação a outros deuses. O termo "zeloso" contém noções de paixão e intolerância; exprime a disposição de Javé abençoar Israel e fazê-lo prosperar, não aceitando um coração dividido. Essa linguagem é representada no relacionamento entre marido e esposa no casamento, na fidelidade (Ct 8.6) e na infidelidade (Os 1.2).
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 46.

A adoração às imagens de escultura é proibida no segundo mandamento. Adoração somente ao zeloso Yahweh (Êxo. 34.14; Deu. 5.9; 6.15; 32.16,21; Jos. 24.19). O povo de DEUS pertence exclusivamente a Ele, e só deviam prestar-Lhe lealdade, não imitando os povos circunvizinhos, que contavam com extensos panteões. A idolatria e o uso de imagens eram considerados uma tão grave iniquidade que foram ameaçados poderosos juízos de DEUS contra os idólatras, envolvendo até a quarta geração dos mesmos. Os descendentes dos idólatras não podiam escapar ao desprazer de Yahweh, para quem mil anos é como se fosse um dia (II Ped. 3.8; Sal. 90.4). Podemos ter certeza de que os juízos de DEUS são justos, e envolvem os filhos dos idólatras porque geralmente participam dos pecados de seus pais. Mas em casos de inocência, esses juízos eram suspensos. Todavia, persistiam circunstâncias adversas, criadas anteriormente. Ademais, existe aquela genética espiritual que transmite atitudes e costumes de pais para filhos, etc., provocando assim a ira divina.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.

As razões para impor esta proibição (w. 5,6), são:
O zelo de DEUS, no que diz respeito à sua adoração: “Eu, o Senhor, teu DEUS, sou DEUS zeloso” - especialmente em questões desta natureza. Isto indica o cuidado que DEUS tem com as suas próprias instituições, o seu ódio à idolatria e a toda falsa adoração, o seu desprazer com os idólatras e o fato de que Ele se ressente com tudo, na sua adoração, que se pareça com idolatria, ou que conduza a ela, O zelo é perspicaz. Sendo a idolatria um adultério espiritual, como é freqüentemente retratada nas Escrituras, o desprazer de DEUS com ela é, adequadamente, chamado de zelo. Se DEUS é zeloso, nós também devemos ser, temerosos de oferecer qualquer adoração a DEUS de maneira diferente daquela que Ele indicou na sua Palavra.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 293.

O decálogo afirma em termos claros por que Israel deve rejeitar a idolatria. O Senhor é um “DEUS zeloso” (Êx 20.5). Claro que isso não tem nada que ver com a inveja trivial que os seres humanos vivenciam em relação a outros homens que os excedem de uma maneira ou outra. Antes, o termo hebraico (qannã ') transmite a idéia, quando descreve os “sentimentos” ou “emoção” do Senhor, de que ele insiste em estabelecer e em manter sua singularidade em face de todas as outras declarações conflitantes. Para o Senhor, ser zeloso no sentido estrito do termo seria uma tácita admissão de que existiam outros deuses, algo, conforme observamos, já totalmente refutado. Mas se existissem outros deuses, mesmo que na percepção dos que os adoravam, uma falsa suposição dessas, por si mesma, seria um desafio à soberania e à existência exclusiva do Senhor. Por essa razão, não deviam ser feitas imagens, pois elas simbolizavam uma declaração conflitante com a revelação do Senhor para seu povo Israel de que ele, e só ele, era o DEUS deles.
Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 328.

2. AS AMEAÇAS.
As ameaças sobre as gerações daqueles que aborrecem Javé são para os descendentes que continuam envolvidos no pecado dos pais, as sucessivas gerações que aprenderam os pecados dos seus ancestrais e vivem ainda neles. Este princípio aparece outras vezes no Antigo Testamento além das duas passagens do Decálogo (ÊX34.7; Nm 14.18; Jr 32.18). DEUS não permite que filhos inocentes sejam responsabilizados pela maldade dos pais (Dt 24.16; 2 Rs 14.6; Ez 18.2, 3, 20). O verbo "visitar",pãqad,4i em hebraico, indica uma visita, no sentido de cuidar e também de castigar. O profeta Jeremias emprega esse verbo em ambos os sentidos (Jr 23.2).
A expressão "terceira e quarta geração" indica qualquer número ou plenitude e não se refere necessariamente à numeração matemática, pois se trata de máxima comum na literatura semítica (Am 1.3, 6, 11, 13; 2.1, 4, 6; Pv 30.15., 18, 21, 29). O objetivo aqui é contrastar o castigo para a "terceira e quarta geração" com o propósito de DEUS de abençoar a milhares de gerações. Outras máximas aparecem no Antigo Testamento com números diferentes: "dois e três” (Jó 33.29); "seis e sete" (Jó 5.19; Pv 6.16); "sete e oito" (Ec 11.2; Mq 6.5), para expressar que a medida da iniquidade está cheia e não há como suspender a ira divina ou a plenitude de algo positivo.
Os expositores da doutrina conhecida como maldição hereditária costumam usar de maneira isolada uma parte deste mandamento, "visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem", para fundamentar a sua teoria. Afirmam que, se alguém tem problemas com adultério, pornografia, divórcio, alcoolismo ou tendências suicidas é porque alguém de sua família, no passado, não importa se avós, bisavós ou tataravós, teve esse problema. Nesse caso, a pessoa afetada pela maldição hereditária deve, em primeiro lugar, descobrir em que geração seus ancestrais deram lugar ao diabo. Uma vez descoberta tal geração, pede-se perdão por ela, e, dessa forma, a maldição de família é desfeita. Uma espécie de perdão por procuração, muito parecido com o batismo pelos mortos, praticado pelos mórmons.
Tal pensamento não se sustenta biblicamente; é um erro crasso. A maldição está sobre quem continuar no pecado dos pais, sobre "aqueles que me aborrecem", pontua com clareza o mandamento. Não é o que acontece com o cristão que ama a DEUS. Se fomos alvejados pela graça de DEUS ainda no tempo da nossa ignorância, quanto mais agora que somos reconciliados com ele? (Rm 5.8-10). Quando alguém se converte a CRISTO, torna-se nova criatura: "as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co 5.17).
Para finalizar, convém ressaltar que, no discurso de Moisés em Deuteronômio, na revelação do Sinai nenhuma imagem, figura, forma ou representação foi vista pelos israelitas; eles ouviram a voz da Javé vindo do meio do fogo, mas nenhuma representação de figura foi manifestada, unicamente a Palavra (Dt 4.16,23,25). Os ídolos de madeira e de pedra dos cananeus são divindades falsas cuja adoração é terminantemente proibida (Êx 34.13; Dt 12.3; 16.21-22); Javé, entretanto, é real, mesmo que invisível (Cl 1.15; 1 Tm 1.17). "DEUS é espírito" (Jo 4.24). Cultuá-lo com a mediação de imagens é colocá-lo no mesmo nível das falsas divindades, uma afronta ao verdadeiro DEUS.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 46-48.

3. AS PROMESSAS.
Êxo 20.6 Faço misericórdia. Misericórdia para com os obedientes. Ezequiel 18.20 mostra o princípio da justiça. Os justos recebem misericórdia e bênção da parte de DEUS. Mas a misericórdia estende-se a mil gerações, o que mostra que a misericórdia é um princípio muito mais poderoso do que o da aplicação da justiça. Seja como for, não há qualquer contradição, visto que a ira de DEUS é uma medida de disciplina que promove a causa do amor.
Julgamento Temporal. No Pentateuco não há qualquer ensino sobre um juízo divino pós-túmulo, um inferno para os ímpios e um céu para os piedosos. A noção da existência da alma não entrou claramente no pensamento dos hebreus senão já nos Salmos e nos Profetas. Assim sendo, a lei de Moisés nunca ameaça os homens com o julgamento da alma, e nem jamais promete a bem-aventurança celestial para os obedientes. A teologia dos hebreus mostrava-se deficiente quanto a esse particular, deficiência essa que foi corrigida pela doutrina cristã.
Para os antigos hebreus, observar os mandamentos era uma medida doadora de vida. Ver Deu. 5.33. Mas não é prometida qualquer vida além-túmulo. Contudo, mais tarde, o judaísmo acrescentou essa idéia. O cristianismo mostrou a falência total da lei como medida salvatícia. Ver Gál. 3.21. É precisamente aí que temos a grande e fundamental diferença entre o judaísmo e o cristianismo. Qual era o intuito da lei, afinal?
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.

Êxo 20.6 — A misericórdia do Senhor (hb. hesed, amor leal) se estenderia a um número muito maior de gerações das pessoas íntegras. O contraste dos termos terceira e quarta (v. 5) com milhares demonstra que a misericórdia de DEUS é maior do que Sua ira. Os efeitos da idoneidade se prolongariam mais do que as consequências da perversidade. O par de palavras amam e obedecem é também encontrado nos ensinamentos de JESUS (Jo 14.15).
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 165.

Êxo 20.6. E faço misericórdia. No hebraico, fyesed, uma palavra característica da aliança (cuja tradução mais exata seria, “amor leal” ). Pelos padrões semitas de linguagem, a ênfase da frase está na segunda parte. É verdade que DEUS punirá os que não se conformam à Sua vontade, mas o aspecto negativo é apenas a moldura para o aspecto positivo. Mais uma vez, o teste do amor é “ guardar os meus mandamentos” , demonstrando ainda mais claramente a Israel que amor/ódio é mais atitude e atividade do que simples emoção. A palavra milhares é usada vagamente, como “miríades” em português, para indicar a extensão ilimitada da misericórdia demonstrada por DEUS.
R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 150-151.

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