Para nos ajudar PIX 33195781620 (CPF) Luiz Henrique de Almeida Silva
ESBOÇO DA LIÇÃO
I - QUANDO A
GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
1. O Concílio
de Jerusalém.
2. O relatório
de Pedro (vv.7–11).
3. O relatório
de Paulo e Barnabé (v.12).
4. O discurso
de Tiago (vv.13–21).
II - UM
PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS
1. O que é a
graça de DEUS?
2. JESUS CRISTO
como a manifestação da graça.
3. A graça é
para todos os povos — sem exceção.
III - CRESCENDO
NA GRAÇA
1. Como nos
aproximar do trono da graça (Hb 4.16).
2. Quando
devemos nos achegar ao trono da graça?
3. O que
recebemos ao nos achegarmos ao trono da graça?
TEXTO ÁUREO
“Porque pela
graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS.”(Ef
2.8)
VERDADE PRÁTICA
É pela graça
que somos alcançados, perdoados e reconciliados com DEUS.
LEITURA DIÁRIA
Segunda
- At 15.11 A salvação é afirmada como obra exclusiva da graça do Senhor
JESUS
Terça - At
10.44-48 DEUS não faz distinção entre pessoas
Quarta
- Ef 2.8,9 A salvação é um dom gratuito de DEUS
Quinta
- Tt 2.11,12 A graça de DEUS se manifestou trazendo salvação a todos
Sexta - Hb
4.16 O trono da graça está aberto para o crente
Sábado - 2
Pe 3.18 Crescendo em graça e conhecimento de JESUS CRISTO
LEITURA BÍBLICA
EM CLASSE - Atos 15.1-5, 28,29, 36-39
1 - Então,
alguns que tinham descido da Judeia ensinavam assim os irmãos: Se vos não
circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos.
2 - Tendo tido
Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que
Paulo, Barnabé e alguns dentre eles subissem a Jerusalém aos apóstolos e aos
anciãos sobre aquela questão.
3 - E eles,
sendo acompanhados pela igreja, passaram pela Fenícia e por Samaria, contando a
conversão dos gentios, e davam grande alegria a todos os irmãos.
4 - Quando
chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos e
lhes anunciaram quão grandes coisas DEUS tinha feito com eles.
5 - Alguns,
porém, da seita dos fariseus que tinham crido se levantaram, dizendo que era
mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés.
28 - Na
verdade, pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós não vos impor mais encargo
algum, senão estas coisas necessárias:
29 - Que vos
abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne
sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Bem vos
vá.
36 - Alguns
dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas
as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão.
37 - E Barnabé
aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos.
38 - Mas a
Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se
tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra.
39 - E tal
contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando
consigo a Marcos, navegou para Chipre.
HINOS SUGERIDOS
: 394, 409, 433 da Harpa Cristã
PALAVRA-CHAVE -
GRAÇA
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
SUBSÍDIOS
EXTRAS – BÍBLIAS, GOOGLE, LIVROS E REVISTAS ANTIGAS
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Comentários Pr.
Henrique
LIÇÃO 3 – A
GRAÇA QUE ALCANÇA TODAS AS NAÇÕES
Texto Base:
Atos 15.1-35
COMENTÁRIO
BÍBLICO E TEOLÓGICO
INTRODUÇÃO
O capítulo
quinze de Atos dos Apóstolos constitui um dos acontecimentos mais relevantes da
história da Igreja Primitiva. Até esse momento, a expansão missionária havia
produzido uma extraordinária colheita espiritual entre os gentios,
especialmente por intermédio do ministério apostólico de Paulo e Barnabé. Entretanto,
o extraordinário crescimento da Igreja trouxe consigo uma questão que
ultrapassava os limites culturais e alcançava o próprio âmago da doutrina da
salvação.
A questão era
profundamente teológica: a fé em CRISTO seria suficiente para salvar,
ou seria necessário acrescentar a observância da Lei de Moisés como condição
indispensável para a justificação?
Não se tratava
apenas de uma divergência litúrgica ou disciplinar. A controvérsia atingia
diretamente a doutrina da Soteriologia (doutrina da salvação),
da Eclesiologia (natureza da Igreja) e da Cristologia (a
suficiência da obra redentora de CRISTO).
Os judaizantes
afirmavam que os gentios deveriam tornar-se judeus antes de serem cristãos. Em
outras palavras, defendiam que a Nova Aliança somente poderia ser recebida
mediante a submissão completa à Antiga Aliança.
Esse pensamento
anulava a suficiência da cruz.
Paulo
compreendeu imediatamente a gravidade da situação. Em sua Epístola aos Gálatas,
escrita provavelmente pouco antes ou pouco depois do Concílio, ele afirma:
"Não anulo
a graça de DEUS; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que CRISTO morreu
debalde." (Gl 2.21).
A discussão não
era sobre circuncisão apenas.
Era sobre o
Evangelho. Era sobre a Graça. Era sobre CRISTO.
O Concílio de
Jerusalém tornou-se, assim, o primeiro grande concílio doutrinário da Igreja
Cristã, estabelecendo definitivamente que a salvação é resultado exclusivo da
graça divina recebida mediante a fé, e não mediante obras meritórias.
Esse
acontecimento preservou a unidade da Igreja, confirmou a missão entre os
gentios e abriu definitivamente as portas para a evangelização universal.
A IMPORTÂNCIA
TEOLÓGICA DO CONCÍLIO
|
Aspecto |
Antes
do Concílio |
Depois
do Concílio |
|
Circuncisão |
Alguns a
consideravam obrigatória |
Não é
requisito para salvação |
|
Lei de Moisés |
Alguns
exigiam sua observância |
Não salva o
pecador |
|
Gentios |
Considerados
"estrangeiros" |
Recebidos
como povo de DEUS |
|
Evangelho |
Corria risco
de ser adulterado |
Preservado em
sua pureza |
|
Missões |
Poderiam ser
interrompidas |
Foram
fortalecidas |
PALAVRAS
IMPORTANTES NO GREGO
χάρις (Cháris)
Significado:
Favor
imerecido.
Mais do que
simples bondade, descreve a disposição soberana de DEUS em conceder aquilo que
o homem jamais poderia conquistar.
A palavra
aparece aproximadamente 156 vezes no Novo Testamento.
Em Paulo
torna-se praticamente um resumo de todo o Evangelho.
πίστις (Pístis)
Significado:
Fé. Não
significa apenas acreditar intelectualmente.
É confiança
absoluta. Entrega. Dependência. Fidelidade.
A salvação
ocorre:
pela graça
(χάρις), mediante a fé (πίστις).
Efésios 2.8 une
essas duas palavras de forma inseparável.
δικαιόω
(Dikaióō)
Significado:
Declarar justo.
Não significa
tornar alguém moralmente perfeito. É um termo jurídico.
No tribunal
divino, DEUS declara justo aquele que crê em CRISTO.
νόμος (Nómos)
Lei.
Pode indicar:
· Lei
de Moisés; Pentateuco; Sistema legal judaico
Paulo demonstra
que a Lei possui função pedagógica, mas jamais salvadora.
περιτομή
(Peritomḗ)
Circuncisão.
Era o sinal da
Aliança Abraâmica.
Os judaizantes
confundiam o sinal da aliança com o meio da salvação.
TABELA
A LEI E A GRAÇA
|
A
Lei |
A
Graça |
|
Revela o
pecado |
Remove o
pecado |
|
Condena |
Justifica |
|
Exige obediência
perfeita |
Concede poder
para obedecer |
|
Aponta para
CRISTO |
Revela CRISTO |
|
Não salva |
Salva
completamente |
|
É sombra |
CRISTO é a
realidade |
I – QUANDO A
GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
A unidade
produzida pela verdade
A verdadeira unidade
da Igreja jamais pode ser construída sobre concessões doutrinárias. Ela nasce
da fidelidade à revelação divina. O Concílio de Jerusalém demonstra que a
comunhão eclesiástica deve estar fundamentada na verdade do Evangelho e não em
acordos meramente humanos.
A palavra
"concílio" deriva do latim concilium, indicando uma assembleia
convocada para deliberar sobre assuntos relevantes. No contexto de Atos 15,
porém, o elemento distintivo não foi simplesmente o debate, mas a submissão
coletiva à direção do ESPÍRITO SANTO, expressa na célebre declaração:
"Pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós" (At 15.28). Essa frase revela
que a autoridade da decisão não repousava apenas no consenso humano, mas na
convicção de que a Igreja discernira a vontade de DEUS.
A crise
provocada pelos judaizantes evidencia como erros aparentemente pequenos podem
comprometer toda a estrutura doutrinária do Evangelho. Acrescentar qualquer
requisito humano à obra redentora de CRISTO equivale a diminuir a suficiência
da cruz. Paulo posteriormente expressará essa preocupação ao afirmar que
"um pouco de fermento leveda toda a massa" (Gl 5.9), mostrando que o
legalismo possui efeito corrosivo sobre a fé cristã.
Do ponto de
vista eclesiológico, o Concílio preservou a identidade da Igreja como
comunidade formada por judeus e gentios reconciliados em um só corpo (Ef
2.14-16). A unidade não seria obtida pela uniformização cultural, mas pela
comunhão em CRISTO. Essa compreensão antecipou a universalidade da missão
cristã e estabeleceu o princípio de que o Evangelho transcende barreiras
étnicas, culturais e cerimoniais.
Além disso, o
episódio demonstra um importante modelo de resolução de conflitos. Em vez de
permitir que a controvérsia produzisse divisões irreparáveis, a Igreja reuniu
apóstolos, presbíteros e irmãos para ouvir testemunhos, examinar as Escrituras
e buscar o discernimento do ESPÍRITO SANTO. Esse método revela que questões
doutrinárias devem ser tratadas com humildade, diálogo e submissão à Palavra de
DEUS, jamais com autoritarismo ou mera tradição.
Quadro
Teológico – O que estava em jogo no Concílio?
|
Questão |
Resposta
Bíblica |
|
A circuncisão
salva? |
Não. A
salvação é pela graça mediante a fé (Ef 2.8-9). |
|
A Lei foi
anulada? |
Não. Ela
cumpriu sua função pedagógica e apontou para CRISTO (Gl 3.24). |
|
Os gentios
precisam tornar-se judeus? |
Não. Em
CRISTO formam um só povo de DEUS (Ef 2.15). |
|
A Igreja pode
acrescentar requisitos ao Evangelho? |
Não. O
Evangelho é completo em CRISTO (Gl 1.6-9). |
Aplicação
Doutrinária: A Igreja contemporânea também
enfrenta o desafio de preservar a pureza do Evangelho diante de legalismos,
tradicionalismos e acréscimos humanos. A graça continua sendo o fundamento da
unidade cristã, pois todos os salvos entram na família de DEUS pelo mesmo
caminho: a fé no Senhor JESUS CRISTO.
I – QUANDO A
GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
1. O Concílio
de Jerusalém (At 15.1-6)
O Concílio de
Jerusalém representa o primeiro grande encontro doutrinário da Igreja Cristã.
Sua importância ultrapassa o aspecto histórico, pois estabelece princípios
permanentes para a interpretação das Escrituras, para a preservação da unidade
da Igreja e para a correta compreensão da doutrina da salvação.
A controvérsia
surgiu quando alguns homens provenientes da Judeia chegaram a Antioquia
ensinando:
"Se não
vos circuncidardes conforme o costume de Moisés, não podeis salvar-vos." (At 15.1)
Observe que
eles não estavam negando JESUS. Também não negavam sua morte.
Nem sua
ressurreição. O erro era muito mais sutil.
Eles
acrescentavam uma condição humana ao plano divino da salvação.
Esse é o perigo
do legalismo.
Sempre
acrescenta algo à obra perfeita de CRISTO.
Paulo percebe
imediatamente que aquele ensino destruía a essência do Evangelho.
Por isso Lucas
registra:
"Paulo e
Barnabé tiveram com eles não pequena discussão."
A expressão
grega utilizada por Lucas é extremamente forte.
Palavra Grega
στάσις (stásis)
Significa:
· Revolta;
intenso debate; conflito; oposição firme
Lucas demonstra
que Paulo não tratou aquela falsa doutrina com tolerância.
O Evangelho não
admite negociações.
Por essa razão,
posteriormente Paulo escreverá:
"Ainda que
um anjo vindo do céu pregue outro evangelho, seja anátema." (Gálatas 1.8)
A doutrina da
justificação pela fé era inegociável.
perigo do Legalismo
Legalismo não
significa obediência. Significa tentar obter o favor de DEUS através do
cumprimento de regras. A obediência é consequência da salvação.
O legalismo
tenta produzir salvação. Existe enorme diferença entre ambas.
|
Obediência
Cristã |
Legalismo |
|
Nasce da
Graça |
Nasce do medo |
|
É fruto do
ESPÍRITO |
É esforço
humano |
|
Produz
liberdade |
Produz
escravidão |
|
Exalta CRISTO |
Exalta o
homem |
|
Conduz à
santidade |
Produz
orgulho espiritual |
Paulo resume
esse contraste em Gálatas:
"Para a liberdade
CRISTO nos libertou."
A composição do
Concílio
Lucas informa
que participaram:
· os
Apóstolos; os Presbíteros; a Igreja. (At 15.6,22)
Esse detalhe
revela uma importante característica da liderança da Igreja Primitiva.
Não havia autoritarismo.
Havia comunhão.
A liderança
exercia autoridade espiritual sem desprezar a participação da comunidade.
O ESPÍRITO
SANTO dirigindo a Igreja
O grande
personagem invisível do Concílio é o ESPÍRITO SANTO.
Embora Lucas
não descreva manifestações sobrenaturais naquele momento, toda a narrativa
evidencia sua condução.
Isso fica
evidente na declaração final:
"Pareceu
bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós..."
(At 15.28)
Esta talvez
seja uma das frases mais belas de todo o livro de Atos.
Ela revela que
a Igreja não decidiu apenas segundo critérios humanos.
Ela discerniu a
vontade divina.
Quadro
Histórico
Antioquia da
Síria
Foi em
Antioquia que ocorreu a crise.
Ali havia uma
igreja composta de:
· judeus;
gregos; romanos; sírios; africanos.
Era uma igreja
multicultural.
A imposição da
circuncisão ameaçava destruir aquela comunhão construída pelo Evangelho.
Palavra Grega -
ἐκκλησία (Ekklesía)
Traduzida por:
"Igreja"
Literalmente
significa: "Os chamados para fora."
Na cultura
grega era utilizada para indicar uma assembleia convocada.
No Novo
Testamento recebe significado muito mais profundo.
A Igreja é a
comunidade daqueles que DEUS chamou das trevas para sua maravilhosa luz. (1Pe
2.9)
Aplicação
Teológica
A Igreja
contemporânea continua enfrentando problemas semelhantes.
Hoje poucos
exigem circuncisão.
Mas muitos
acrescentam exigências humanas ao Evangelho.
Alguns afirmam
que a salvação depende de:
· usos
e costumes; posição social; tradição denominacional; mérito espiritual;
desempenho religioso.
Todos esses
acréscimos possuem a mesma raiz do judaísmo legalista.
Sempre que
alguma obra humana é colocada como condição para a salvação, a suficiência da
cruz é diminuída.
A Graça
preserva a unidade
Existe uma
importante diferença entre:
Uniformidade e Unidade.
Uniformidade
significa que todos são iguais. Unidade significa que todos pertencem ao mesmo
Corpo. A Igreja nunca foi chamada para produzir uniformidade cultural.
Ela foi chamada
para preservar a unidade espiritual.
Paulo
escreveria anos depois: "Há um só corpo e um só ESPÍRITO." (Ef 4.4)
Quadro
Comparativo
Judaizantes ×
Apóstolos
|
Judaizantes |
Apóstolos |
|
Circuncisão
salva |
CRISTO salva |
|
Lei como
requisito |
Graça
suficiente |
|
Obras
justificam |
Fé justifica |
|
Antiga
Aliança como condição |
Nova Aliança
suficiente |
|
Separação
entre judeus e gentios |
Um só povo em
CRISTO |
|
Ênfase nos
ritos |
Ênfase na
cruz |
Reflexão
Exegética
Observe que
Lucas jamais afirma que os judaizantes eram incrédulos.
Provavelmente
eram judeus convertidos.
O problema não
estava na sinceridade.
Estava na
compreensão da doutrina.
Isso ensina um
princípio importante:
Boas intenções
nunca substituem a verdade bíblica.
A Igreja deve
ser acolhedora com pessoas, mas inflexível quanto ao Evangelho.
Curiosidade
Histórica
A circuncisão
era realizada no oitavo dia de vida (Gn 17.12).
Para os judeus
do primeiro século, deixar de circuncidar um homem significava romper com a
identidade nacional de Israel.
Por isso o
debate foi tão intenso.
Não era apenas
uma questão religiosa.
Era também
cultural.
CRISTO, porém,
inaugurava uma nova humanidade (Ef 2.15), na qual a identidade do povo de DEUS
não seria definida por um sinal na carne, mas pela regeneração operada pelo
ESPÍRITO SANTO.
Aplicação
Espiritual
A unidade
verdadeira não nasce da ausência de diferenças, mas da centralidade de CRISTO.
Quando a Igreja mantém a graça como fundamento de sua comunhão, evita tanto o
exclusivismo religioso quanto o relativismo doutrinário. A cruz derruba as
barreiras entre os homens e estabelece um único caminho de acesso ao Pai (Ef
2.18). Toda tentativa de acrescentar exigências humanas ao Evangelho compromete
a liberdade cristã e obscurece a glória da graça divina.
2. O RELATÓRIO
DE PEDRO (At 15.7–11)
Após intensa
discussão entre os presentes, Pedro toma a palavra e apresenta um dos discursos
mais importantes registrados no livro de Atos. Seu pronunciamento não é
fundamentado em opinião pessoal nem em tradição rabínica, mas na própria
experiência da ação soberana de DEUS entre os gentios. A narrativa demonstra
que o ESPÍRITO SANTO já havia resolvido a questão antes mesmo de o Concílio
deliberar sobre ela.
Pedro recorda o
episódio ocorrido na casa de Cornélio (At 10), o primeiro gentio incircunciso a
receber o Evangelho e o batismo no ESPÍRITO SANTO. Esse acontecimento tornou-se
um precedente teológico incontestável: DEUS concedera aos gentios os mesmos dons
espirituais que aos judeus, sem exigir previamente a observância da Lei
mosaica.
Sua
argumentação revela um importante princípio hermenêutico: a experiência
cristã somente possui valor doutrinário quando está em perfeita harmonia com a
revelação das Escrituras. Pedro não baseia sua defesa apenas na
experiência; posteriormente Tiago confirma essa mesma verdade mediante a
profecia de Amós. Assim, experiência e Escritura convergem para revelar o
propósito eterno de DEUS.
A Estrutura do
Discurso de Pedro
O discurso pode
ser dividido em quatro argumentos principais.
|
Argumento |
Texto |
Ênfase |
|
DEUS escolheu
Pedro para evangelizar os gentios |
At 15.7 |
A iniciativa
pertence a DEUS. |
|
DEUS concedeu
o ESPÍRITO SANTO aos gentios |
At 15.8 |
O ESPÍRITO
confirma a aceitação divina. |
|
DEUS
purificou seus corações pela fé |
At 15.9 |
A fé, e não a
Lei, é o meio da purificação. |
|
A salvação é
exclusivamente pela graça |
At 15.11 |
Judeus e
gentios são salvos da mesma maneira. |
Essa progressão
demonstra que toda a argumentação gira em torno da soberania da graça divina.
A Escolha
Divina
Pedro declara:
"DEUS me escolheu dentre vós..." (At 15.7)
A palavra
"escolheu" traduz o verbo grego:
ἐκλέγομαι
(eklégomai)
Significa:
· escolher;
selecionar; designar para uma missão específica.
Nesse contexto,
o verbo não enfatiza uma escolha arbitrária para salvação individual, mas a
eleição ministerial de Pedro para inaugurar oficialmente a missão aos gentios
na casa de Cornélio.
Foi DEUS quem
abriu essa porta. A missão não nasceu da iniciativa apostólica.
Nasceu do
propósito eterno do Senhor.
DEUS conhece os
corações
Pedro continua:
"E DEUS,
que conhece os corações..." At 15.8
A palavra
utilizada por Lucas é extraordinária.
καρδιογνώστης
(kardiognōstēs)
Significado: Conhecedor
dos corações.
É uma palavra
composta. καρδία (kardía) = coração.
γινώσκω (ginṓskō) = conhecer profundamente.
Essa expressão
aparece apenas duas vezes em todo o Novo Testamento.
(At 1.24 e At
15.8)
Ela descreve um
atributo exclusivamente divino.
Somente DEUS
conhece perfeitamente:
· intenções;
pensamentos; motivações; desejos; fé verdadeira.
Enquanto os
homens observavam a circuncisão exterior, DEUS contemplava o coração
regenerado.
Essa distinção
é fundamental. A religião olha para o exterior. A graça transforma o interior.
Quadro
Comparativo
Exterior ×
Interior
|
Religião
Legalista |
Evangelho |
|
Circuncisão
da carne |
Circuncisão
do coração |
|
Aparência |
Transformação
interior |
|
Mérito humano |
Graça divina |
|
Ritos |
Novo
nascimento |
|
Esforço
humano |
Ação do
ESPÍRITO SANTO |
O ESPÍRITO
SANTO como selo da aceitação divina
Pedro afirma:
"Concedeu-lhes
o ESPÍRITO SANTO."
Esse argumento
encerra praticamente toda a discussão.
Se DEUS já
havia derramado o ESPÍRITO SANTO sobre os gentios, quem poderia exigir
condições adicionais?
O ESPÍRITO
SANTO tornou-se a maior evidência de que DEUS aceitara os gentios.
Observe a ordem
dos acontecimentos em Atos 10:
1. ouviram a Palavra;
2. creram;
3. receberam o ESPÍRITO SANTO;
4. foram batizados nas águas.
Em nenhum
momento aparece a circuncisão.
Palavra Grega
Πνεῦμα Ἅγιον
(Pneuma Hagion)
Significa:
ESPÍRITO SANTO.
Pneuma significa:
· vento;
sopro; espírito.
O termo
descreve Aquele que comunica vida, poder e santificação.
No livro de
Atos, o ESPÍRITO SANTO aparece como o grande protagonista da expansão
missionária.
É Ele quem:
· envia
missionários; dirige viagens; confirma milagres; distribui dons; convence
pecadores; estabelece igrejas.
"Purificando-lhes
o coração pela fé"
Pedro continua:
"Purificando-lhes o coração pela fé." (At 15.9)
O verbo
empregado é:
καθαρίζω
(katharízō)
Significado:
· limpar;
purificar; tornar limpo.
No Antigo
Testamento, a purificação ocorria mediante:
· sacrifícios;
lavagens cerimoniais; rituais levíticos.
Agora, a
purificação acontece mediante a fé em CRISTO.
A mudança é
radical. O sangue de animais apontava para CRISTO.
O sangue de
CRISTO realiza definitivamente aquilo que os sacrifícios apenas simbolizavam.
Tabela
Purificação no
Antigo e no Novo Testamento
|
Antiga
Aliança |
Nova
Aliança |
|
Água cerimonial |
Sangue de
CRISTO |
|
Sacerdote
terreno |
CRISTO, Sumo
Sacerdote |
|
Sacrifícios
repetidos |
Sacrifício
único |
|
Purificação
externa |
Purificação
da consciência |
|
Temporária |
Definitiva |
(Hb 9–10)
"Por que
tentais a DEUS?"
Pedro então faz
uma pergunta contundente:
"Agora,
pois, por que tentais a DEUS?" (At 15.10)
O verbo grego
é:
πειράζω
(peirázō)
Pode
significar:
· provar;
testar; desafiar; colocar à prova.
Pedro inverte
completamente a acusação.
Os judaizantes
imaginavam defender DEUS.
Na realidade
estavam desafiando Sua própria decisão.
Sempre que o
homem acrescenta algo à graça, coloca-se contra aquilo que DEUS já estabeleceu.
O Jugo da Lei
Pedro afirma:
"...pondo sobre o pescoço dos discípulos um jugo..." A palavra
"jugo" é:
ζυγός (zygós)
Era a peça de
madeira colocada sobre bois para puxarem cargas.
Na literatura
judaica, tornou-se símbolo da submissão à Lei.
Pedro reconhece
algo extraordinário.
Nem os próprios
judeus conseguiram cumprir perfeitamente toda a Lei.
Então pergunta:
"Nem
nossos pais puderam suportá-lo."
Que argumento
poderoso! Se Israel inteiro fracassou em guardar perfeitamente a Lei, por que
exigir isso dos gentios?
Quadro
Comparativo
O Jugo da Lei ×
O Jugo de CRISTO
|
Lei |
CRISTO |
|
Condena |
Liberta |
|
Exige
perfeição |
Concede
perdão |
|
Produz culpa |
Produz paz |
|
Revela pecado |
Remove pecado |
|
Escraviza o
pecador |
Liberta o
pecador |
Compare Atos 15
com Mateus 11.28-30.
O Clímax do
Discurso
Pedro encerra
declarando:
"Mas
cremos que seremos salvos pela graça do Senhor JESUS CRISTO." (At 15.11)
Observe um
detalhe extraordinário.
Ele não diz:
"Eles serão salvos como nós."
Ele afirma:
"Nós somos salvos como eles."
A ordem é
intencional.
Até mesmo os
judeus dependem da mesma graça concedida aos gentios.
Não existem
dois caminhos de salvação.
Existe apenas
um. CRISTO.
Palavra Grega
σωτηρία
(sōtēría)
Significa:
· salvação;
libertação; redenção; livramento.
No Novo
Testamento, a salvação possui três dimensões:
|
Tempo |
Aspecto |
Referência |
|
Passado |
Fomos justificados |
Ef 2.8 |
|
Presente |
Estamos sendo
santificados |
Fp 2.12-13 |
|
Futuro |
Seremos
glorificados |
Rm 8.30 |
A salvação é um
ato consumado em CRISTO, que se desdobra na vida do crente até sua glorificação
final.
Perspectiva
Pentecostal
A experiência
de Cornélio possui grande relevância para a teologia pentecostal. O mesmo
ESPÍRITO SANTO derramado sobre os judeus no Dia de Pentecostes foi concedido
aos gentios, demonstrando que DEUS não faz acepção de pessoas (At 10.34). O
batismo no ESPÍRITO SANTO torna-se, assim, um testemunho da universalidade da
promessa divina, destinada a todos os que creem em CRISTO.
Contudo, é
importante distinguir teologicamente a regeneração, que ocorre no momento da
conversão, do batismo no ESPÍRITO SANTO como revestimento de poder para o
serviço (At 1.8). O episódio de Cornélio mostra que a graça de DEUS precede
qualquer mérito humano e que o ESPÍRITO SANTO é concedido soberanamente àqueles
que recebem o Evangelho com fé.
Aplicação
Doutrinária
O discurso de
Pedro permanece atual. Em todas as épocas surgem tentativas de substituir a
simplicidade do Evangelho por sistemas de méritos, tradições ou exigências
humanas. A resposta apostólica continua a mesma: a salvação é exclusivamente
pela graça do Senhor JESUS CRISTO, recebida mediante a fé. Essa verdade
preserva a liberdade cristã, exalta a suficiência da cruz e mantém a Igreja
unida em torno do único Salvador.
3. O RELATÓRIO
DE PAULO E BARNABÉ (At 15.12)
Depois da
vigorosa exposição de Pedro, Lucas registra uma cena de profundo significado:
"Então
toda a multidão se calou..." (At
15.12)
O silêncio da
assembleia não representa apenas respeito pelos apóstolos, mas demonstra que os
argumentos apresentados eram irrefutáveis. A experiência de Pedro havia
demonstrado que DEUS aceitara os gentios pela fé; agora, Paulo e Barnabé
apresentam as evidências objetivas da confirmação divina através dos milagres
realizados durante a Primeira Viagem Missionária (At 13–14).
A narrativa
evidencia que DEUS não apenas chamou os gentios para fazerem parte da Igreja,
mas também autenticou essa missão mediante sinais extraordinários. Dessa forma,
a obra missionária não estava fundamentada em projetos humanos, mas na ação
soberana do ESPÍRITO SANTO.
A importância
do silêncio da assembleia
Lucas escreve:
"Toda a
multidão se calou."
O verbo
empregado é:
σιγάω (sigáō)
Significa:
guardar silêncio; permanecer em reverente atenção; cessar toda discussão.
Esse silêncio
possui enorme significado teológico.
Enquanto
anteriormente havia intenso debate (στάσις), agora existe disposição para ouvir
aquilo que DEUS realizou.
A verdadeira
Igreja sempre coloca a revelação divina acima das opiniões humanas.
Paulo e Barnabé
não falam de si mesmos
Observe
cuidadosamente o texto.
Lucas
afirma: "...ouvindo contar quantos sinais e prodígios DEUS fizera
por meio deles entre os gentios."
O destaque não
está nos missionários. O destaque está em DEUS.
A
expressão: "DEUS fizera..."
mostra que
Paulo jamais atribuiu os milagres ao seu próprio poder.
Todo milagre
pertence exclusivamente ao Senhor.
Este princípio
aparece diversas vezes em Atos.
Pedro declarou:
"Por que olhais para nós como se por nossa própria virtude tivéssemos
feito andar este homem?" (At 3.12)
A verdadeira
espiritualidade sempre glorifica DEUS. Nunca o instrumento.
Palavra Grega
σημεῖον
(Sēmeion)
Significa: Sinal.
No Evangelho de
João e em Atos, um sinal é muito mais do que um milagre.
É um
acontecimento sobrenatural que aponta para uma realidade espiritual maior.
O milagre nunca
é o fim. É uma seta indicando CRISTO.
Palavra Grega
τέρας (Téras)
Significa:
Prodígio.
Descreve
acontecimentos extraordinários que despertam admiração.
Enquanto σημεῖον destaca
o significado espiritual,
τέρας destaca o impacto causado nas pessoas.
No Novo
Testamento essas duas palavras frequentemente aparecem juntas.
Diferença entre
"Sinal" e "Prodígio"
|
Palavra |
Significado |
Ênfase |
|
σημεῖον
(Sēmeion) |
Sinal |
Revela uma
verdade espiritual |
|
τέρας (Téras) |
Prodígio |
Produz
admiração diante do sobrenatural |
Os milagres
apostólicos possuíam ambas as características.
Eram
extraordinários.
Mas
principalmente apontavam para CRISTO.
Os milagres da
Primeira Viagem Missionária
Paulo e Barnabé
provavelmente relataram diversos acontecimentos registrados anteriormente por
Lucas.
Entre eles
destacam-se:
1. A conversão
do procônsul Sérgio Paulo
(Atos 13)
Em Chipre,
Paulo confronta o mágico Elimas.
Quando o falso
profeta é atingido por cegueira temporária, o governador romano crê no
Evangelho.
O interessante
é que Lucas afirma:
"Maravilhou-se
da doutrina do Senhor."
Observe.
Ele não ficou
impressionado apenas pelo milagre.
O milagre
confirmou a doutrina.
Jamais
substituiu a doutrina.
2. A cura do
paralítico em Listra
(Atos 14)
Um homem
paralítico desde o nascimento é completamente curado.
A população
pensa que Paulo e Barnabé são deuses gregos.
Paulo
imediatamente rejeita toda veneração.
Mais uma vez
vemos um princípio importante.
Milagres
verdadeiros conduzem as pessoas para CRISTO.
Nunca para os
homens.
3. O
apedrejamento de Paulo
Em Listra,
Paulo quase morre. É arrastado para fora da cidade. Os discípulos cercam seu
corpo.
Lucas
simplesmente afirma:
"Levantou-se."
Muitos estudiosos entendem que ocorreu um milagre.
Outros
acreditam numa recuperação extraordinária.
Independentemente
da interpretação, o texto demonstra que DEUS preservava Seu servo para
continuar anunciando o Evangelho.
Tabela
Os Milagres e
Seus Objetivos
|
Milagre |
Objetivo |
|
Cura |
Manifestar a
compaixão de DEUS |
|
Libertação |
Demonstrar o
Reino de DEUS |
|
Ressurreição |
Revelar o
poder sobre a morte |
|
Julgamento
(Elimas) |
Confirmar a
autoridade apostólica |
|
Dons
espirituais |
Edificar a
Igreja |
Os milagres não
produzem salvação (são atração para a pregação e salvação)
Esse princípio
merece destaque.
Os milagres
impressionam. O Evangelho transforma.
JESUS realizou
centenas de milagres. Mesmo assim muitos permaneceram incrédulos.
O milagre
prepara o terreno. Quem salva é CRISTO.
Paulo escreve:
"O Evangelho é o poder de DEUS para salvação." (Romanos 1.16)
Nunca diz que
os milagres são o poder para salvar. O poder salvador está na mensagem da cruz.
A Teologia dos
Milagres
Os milagres
ocupam lugar importante na teologia pentecostal.
Todavia, eles
jamais devem ser compreendidos como espetáculo religioso.
Os milagres
possuem pelo menos cinco funções bíblicas.
|
Função |
Referência |
|
Confirmar a
Palavra |
Mc 16.20 |
|
Glorificar
DEUS |
Mt 15.31 |
|
Demonstrar
misericórdia |
Mt 14.14 |
|
Edificar a
Igreja |
1Co 12 |
|
Confirmar a
missão |
At 14.3 |
|
Confirmar um
Ministério |
2Co 12.12 |
Observe que
nenhuma dessas funções visa promover um pregador.
Todo verdadeiro
milagre aponta para CRISTO.
Palavra Grega
δύναμις
(Dýnamis)
Significa:
Poder. Daí deriva nossa palavra "dinamite".
No Novo
Testamento, descreve o poder sobrenatural de DEUS atuando no mundo.
JESUS prometeu:
"Recebereis
poder..." Atos 1.8
Esse poder não
é para exaltação pessoal. É para testemunho.
O Papel
Missionário dos Milagres
Os milagres
sempre acompanharam os avanços missionários.
Observe a
sequência no livro de Atos.
Jerusalém...Samaria...Cesareia...Antioquia...Chipre...Listra...Derbe...
Sempre que o
Evangelho alcança novos povos, DEUS autentica Sua mensagem mediante sinais.
Isso demonstra
que o Reino de DEUS invade territórios antes dominados pela incredulidade.
Quadro
Comparativo
Milagres
Verdadeiros × Sensacionalismo Religioso
|
Milagres
Bíblicos |
Sensacionalismo |
|
Exaltam
CRISTO |
Exaltam o
homem |
|
Confirmam a
Palavra |
Substituem a
Palavra |
|
Produzem
arrependimento |
Produzem
curiosidade |
|
Levam à fé |
Levam ao
emocionalismo |
|
Promovem
santidade |
Promovem
celebridades |
Perspectiva
Pentecostal
A tradição
pentecostal compreende corretamente que os dons espirituais permanecem atuais e
operantes na Igreja. O livro de Atos não apresenta os milagres como fenômenos
isolados do período apostólico, mas como manifestações do Reino de DEUS na
expansão missionária.
Entretanto, a
própria narrativa de Atos ensina que os sinais nunca ocupam o centro da mensagem.
O centro é sempre CRISTO crucificado e ressurreto. O poder do ESPÍRITO SANTO
não substitui a pregação; ele a confirma. Como afirmou o comentarista
pentecostal Stanley M. Horton, "os milagres são servos do Evangelho, nunca
seus senhores". A Igreja deve buscar os dons espirituais (1Co 12–14), mas
sempre subordinados ao amor, à edificação do Corpo e à fidelidade às
Escrituras.
Aplicação
Doutrinária
Paulo e Barnabé
demonstram que uma obra verdadeiramente missionária é acompanhada por três
elementos inseparáveis:
1. Pregação fiel da Palavra –
a mensagem de CRISTO permanece o fundamento da missão.
2. Operação do ESPÍRITO SANTO –
DEUS confirma Sua Palavra conforme Sua soberana vontade.
3. Frutos permanentes –
vidas transformadas e igrejas estabelecidas entre os povos.
O relatório dos
missionários reforça que a expansão da Igreja não depende de estratégias
meramente humanas, mas da ação conjunta da Palavra e do ESPÍRITO. Quando esses
dois elementos caminham unidos, a graça de DEUS alcança povos, culturas e
nações, cumprindo o propósito redentor anunciado desde o Antigo Testamento.
4. O DISCURSO
DE TIAGO (At 15.13–21)
Depois dos
testemunhos de Pedro, Paulo e Barnabé, Tiago levanta-se para pronunciar a
palavra final do Concílio. Seu discurso possui enorme importância exegética e
eclesiológica, pois une a experiência da Igreja com a autoridade das
Escrituras. Se Pedro demonstrou o que DEUS fizera, e Paulo e Barnabé relataram
como DEUS confirmara Sua obra entre os gentios, Tiago demonstra que tudo isso
já estava previsto na revelação profética.
Esse
procedimento estabelece um princípio hermenêutico fundamental: a
experiência cristã deve ser interpretada à luz da Palavra de DEUS, e não a
Palavra subordinada às experiências humanas.
Quem era Tiago?
O Tiago
mencionado em Atos 15 não é Tiago, filho de Zebedeu, pois este já havia sido
morto por Herodes Agripa I (At 12.2). Trata-se de Tiago, irmão do
Senhor JESUS (Gl 1.19), reconhecido como uma das principais colunas da
Igreja em Jerusalém (Gl 2.9).
Antes da
ressurreição, Tiago não cria plenamente no ministério de JESUS (Jo 7.5).
Entretanto, após a ressurreição, CRISTO lhe apareceu particularmente (1Co
15.7), transformando-o em um dos mais respeitados líderes da Igreja Primitiva.
Sua vida de piedade lhe rendeu o título de "Tiago, o Justo",
segundo a tradição cristã antiga.
Sua autoridade
não derivava apenas de sua relação familiar com JESUS, mas de seu caráter,
sabedoria e fidelidade às Escrituras.
Palavra Grega
ἀποκρίνομαι
(apokrínomai)
Lucas escreve:
"Respondeu
Tiago..."
O verbo grego
significa: responder; pronunciar uma decisão; oferecer uma conclusão.
No contexto
jurídico do Concílio, o verbo indica que Tiago apresenta uma conclusão baseada
nas evidências anteriormente expostas.
O Método
Teológico de Tiago
O discurso de
Tiago segue uma estrutura admirável:
|
Etapa |
Conteúdo |
|
1 |
Recorda o
testemunho de Pedro |
|
2 |
Confirma com
as Escrituras |
|
3 |
Apresenta uma
decisão prática |
|
4 |
Preserva a
unidade da Igreja |
Esse método
continua sendo modelo para a Igreja de todas as épocas.
Primeiro
observa-se a ação de DEUS.
Depois
examinam-se as Escrituras.
Por fim,
toma-se uma decisão.
Nunca o
contrário.
"Simão
relatou..."
Tiago inicia
dizendo:
"Simão
relatou..." É interessante que ele utiliza o nome hebraico Simão,
e não Pedro.
Isso demonstra
o ambiente judaico da assembleia.
Ao mencionar
Pedro dessa maneira, Tiago aproxima sua argumentação da tradição judaica
presente entre os irmãos de Jerusalém.
DEUS visitou os
gentios
Tiago afirma:
"...DEUS
visitou os gentios para tomar dentre eles um povo para o seu nome." (At
15.14)
O verbo
"visitar" traduz uma palavra muito rica.
Palavra Grega -
ἐπισκέπτομαι (episképtomai)
Significa:
· visitar
cuidadosamente; intervir; cuidar; manifestar misericórdia.
No Antigo
Testamento, DEUS visita Seu povo tanto para juízo quanto para salvação.
Aqui, a
visitação possui caráter redentor. DEUS visita os gentios para incorporá-los ao
Seu povo.
Um povo para o
Seu Nome
A expressão
possui enorme significado na teologia bíblica.
No Antigo
Testamento, Israel era chamado:
"Povo do
Senhor."
Agora Tiago
declara que DEUS está formando um povo dentre todas as nações.
Observe.
Ele não diz que
DEUS abandonou Israel. Nem afirma que os gentios substituíram Israel. Ele
ensina que DEUS amplia Seu povo mediante CRISTO.
Essa verdade
harmoniza-se perfeitamente com Efésios 2.11-22.
Em CRISTO há:
um só Corpo; um só rebanho; um só Pastor.
A Autoridade
das Escrituras
Depois do
testemunho apostólico, Tiago afirma:
"Com isto
concordam as palavras dos profetas."
(At 15.15)
Esta pequena
frase possui enorme importância.
Ela estabelece
um dos maiores princípios da interpretação bíblica.
Princípio
Hermenêutico
A experiência
nunca cria doutrina.
A experiência
confirma aquilo que a Escritura já revelou.
Essa verdade
protege a Igreja contra o subjetivismo religioso.
A Profecia de
Amós
Tiago cita Amós
9.11-12.
"Levantarei
o tabernáculo caído de Davi..."
Essa profecia
foi escrita aproximadamente oitocentos anos antes de CRISTO.
À primeira
vista parece tratar apenas da restauração nacional de Israel.
Entretanto, sob
inspiração do ESPÍRITO SANTO, Tiago revela sua dimensão messiânica.
O Tabernáculo
de Davi
O que significa
essa expressão?
Existem
diversas interpretações.
A mais aceita
entre os estudiosos pentecostais é que o "Tabernáculo de Davi"
representa:
A restauração
da dinastia davídica através do Messias.
CRISTO é o
verdadeiro Filho de Davi.
Em CRISTO, DEUS
restaura o Reino prometido.
Tabela
O Tabernáculo
de Davi
|
Interpretação |
Significado |
|
Política |
Restauração
do reino de Israel |
|
Messiânica |
O Reino
inaugurado por CRISTO |
|
Escatológica |
Consumação
futura do Reino |
As três
perspectivas não são excludentes.
CRISTO inaugura
hoje aquilo que será plenamente consumado em Sua Segunda Vinda.
Palavra Grega
σκηνή (Skēnē)
Significa:
Tenda.
Habitação. Tabernáculo.
A palavra
lembra imediatamente a presença de DEUS entre Seu povo.
João utiliza a
mesma raiz quando afirma:
"O Verbo
se fez carne e habitou entre nós." (João 1.14)
Literalmente:
"Tabernaculou entre nós." CRISTO é o verdadeiro Tabernáculo.
O Remanescente
Tiago continua:
"...para que o restante dos homens busque o Senhor."
A palavra
"remanescente" possui enorme importância na teologia do Antigo
Testamento.
Palavra Grega
κατάλειμμα
(katáleimma)
Significa:
O que
permanece. Os sobreviventes. Os preservados por DEUS.
Desde Isaías,
DEUS promete preservar um remanescente fiel.
Agora esse
remanescente é ampliado. Inclui judeus e gentios unidos em CRISTO.
A
Universalidade da Graça
Observe a
progressão do plano divino.
|
Antigo
Testamento |
Novo
Testamento |
|
Israel como
instrumento |
Igreja como
instrumento |
|
Promessa |
Cumprimento |
|
Sombras |
Realidade |
|
Expectativa |
Realização |
A graça rompe
as barreiras nacionais.
Ela alcança:
· judeus;
gregos; romanos; bárbaros; homens; mulheres; escravos; livres.
Como afirma
Paulo: "Todos vós sois um em CRISTO." (Gálatas 3.28)
A Decisão de
Tiago
Depois da
exposição bíblica, Tiago apresenta sua conclusão.
"Pelo que
julgo..." Essa expressão não significa opinião pessoal.
O verbo indica
uma decisão cuidadosamente fundamentada.
A proposta foi:
Não impor a Lei de Moisés aos gentios.
Entretanto,
recomenda quatro abstenções.
As Quatro Recomendações
Apostólicas
|
Recomendação |
Motivo |
|
Idolatria |
Preservar a
pureza do culto cristão |
|
Imoralidade
sexual |
Manter a
santidade moral |
|
Carne
sufocada |
Favorecer a
comunhão entre judeus e gentios |
|
Sangue |
Respeitar a
sensibilidade judaica e o princípio da vida |
Essas
recomendações não constituíam um novo sistema de salvação.
Também não eram
requisitos para justificação.
Tratavam-se de
orientações pastorais destinadas a preservar a comunhão entre cristãos de
diferentes contextos culturais.
A idolatria e a
imoralidade sexual eram incompatíveis com o Evangelho em qualquer tempo. Já as
orientações sobre carne sufocada e sangue tinham um caráter eminentemente
prático, evitando escândalo aos cristãos judeus e favorecendo a convivência nas
igrejas mistas.
Quadro
Comparativo
O Que o
Concílio Não Decidiu
|
Falsa
ideia |
Ensino
do Concílio |
|
A Lei salva |
Não |
|
Circuncisão
salva |
Não |
|
Os gentios
precisam tornar-se judeus |
Não |
|
A graça
elimina a santidade |
Não |
|
A liberdade
cristã permite qualquer comportamento |
Não |
O Concílio
preservou simultaneamente a pureza doutrinária e a responsabilidade
moral da vida cristã.
"Pareceu
bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós"
Mais adiante,
na carta enviada às igrejas (At 15.28), encontramos uma das declarações mais
notáveis da história da Igreja:
"Pareceu
bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós..."
Essa frase
revela a perfeita cooperação entre a ação divina e a responsabilidade humana.
Os apóstolos não reivindicam infalibilidade pessoal; reconhecem que discerniram
a vontade de DEUS sob a direção do ESPÍRITO SANTO.
Esse princípio
continua válido para a Igreja contemporânea. Decisões eclesiásticas
verdadeiramente bíblicas devem nascer da submissão à Palavra, da oração, do
discernimento espiritual e da comunhão entre os irmãos.
Perspectiva
Pentecostal
Sob a ótica
pentecostal, Atos 15 demonstra que o ESPÍRITO SANTO não apenas concede dons e
poder para testemunhar, mas também conduz a Igreja em questões doutrinárias e
administrativas. O mesmo ESPÍRITO que foi derramado no Pentecostes é quem
orienta a liderança na preservação da verdade e da unidade. Assim, a
espiritualidade autêntica nunca está dissociada da fidelidade às Escrituras.
Aplicação
Doutrinária
O discurso de
Tiago ensina que a Igreja deve enfrentar novos desafios sem abandonar os
fundamentos da fé. A verdadeira unidade não exige uniformidade cultural, mas
fidelidade ao Evangelho. A graça acolhe pessoas de todas as nações, porém
também transforma seu modo de viver. O Evangelho não impõe os ritos da Antiga
Aliança, mas exige uma vida santa, separada da idolatria, da imoralidade e de
tudo aquilo que compromete o testemunho cristão.
Síntese do
Primeiro Grande Bloco da Lição
O Concílio de
Jerusalém tornou-se um marco definitivo na história da redenção. Pedro
demonstrou que DEUS concedeu o ESPÍRITO SANTO aos gentios pela fé; Paulo e
Barnabé apresentaram os sinais que confirmavam essa obra; Tiago mostrou que
tudo estava de acordo com as Escrituras. Dessa maneira, a Igreja reconheceu
oficialmente que a salvação é exclusivamente pela graça de DEUS,
mediante a fé em JESUS CRISTO, preservando a pureza do Evangelho e abrindo
definitivamente as portas da missão para todas as nações.
II – UM
PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS
A decisão do
Concílio de Jerusalém conduziu naturalmente a Igreja à compreensão de uma das
mais sublimes verdades das Escrituras: a salvação é um dom da graça de
DEUS oferecido indistintamente a toda a humanidade. O Evangelho rompe
definitivamente com qualquer sistema religioso baseado em méritos humanos,
obras legais ou privilégios étnicos. Em CRISTO, DEUS oferece gratuitamente
aquilo que nenhum homem poderia conquistar por seus próprios esforços.
A doutrina da
graça constitui o eixo central da teologia paulina. Sem ela, não existe
justificação, regeneração, adoção, santificação nem glorificação. Toda a
economia da salvação está fundamentada na iniciativa soberana de DEUS, que,
movido por Seu infinito amor, decidiu reconciliar consigo o mundo por meio da
obra redentora de JESUS CRISTO (2Co 5.18-19).
O Novo
Testamento apresenta a graça não apenas como um atributo divino, mas como o
ambiente espiritual no qual vive o cristão. O crente é salvo pela graça,
permanece na graça, cresce na graça e será finalmente glorificado pela graça.
A DOUTRINA DA
GRAÇA NA HISTÓRIA DA REDENÇÃO
|
Período
Bíblico |
Manifestação
da Graça |
|
Éden |
DEUS promete
o Redentor (Gn 3.15) |
|
Noé |
Graça
preserva a humanidade (Gn 6.8) |
|
Abraão |
Graça
estabelece a aliança (Gn 12.1-3) |
|
Moisés |
Graça
acompanha a Lei (Êx 33.19) |
|
Profetas |
Graça anuncia
o Messias |
|
CRISTO |
Graça
torna-se plenamente manifesta |
|
Igreja |
Graça é
proclamada às nações |
|
Eternidade |
Graça culmina
na glorificação |
A Bíblia
inteira pode ser compreendida como a história da graça divina buscando reconciliar
pecadores consigo mesma.
A GRAÇA NO
ANTIGO TESTAMENTO
Embora o termo
"graça" seja amplamente desenvolvido no Novo Testamento, sua
realidade já está presente desde Gênesis.
No Antigo
Testamento encontramos principalmente duas palavras hebraicas.
חֵן (ḥēn)
Significa:
· favor;
benevolência; aceitação imerecida.
É utilizada
quando alguém encontra favor diante de DEUS ou de outra pessoa.
Exemplo:
"Noé,
porém, achou graça diante do Senhor." (Gênesis 6.8)
Noé não era
perfeito. Foi salvo porque DEUS lhe concedeu favor.
חֶסֶד (ḥésed)
Uma das
palavras mais profundas do Antigo Testamento.
Traduz-se por:
· misericórdia;
bondade; amor leal; fidelidade da aliança.
Refere-se ao
amor constante de DEUS por Seu povo.
Enquanto ḥēn enfatiza
o favor, ḥésed enfatiza a fidelidade de DEUS ao pacto.
Tabela
Graça no Antigo
e no Novo Testamento
|
Antigo
Testamento |
Novo
Testamento |
|
Prometida |
Manifestada |
|
Simbolizada |
Consumada |
|
Esperada |
Revelada |
|
Vista
parcialmente |
Revelada plenamente
em CRISTO |
1. O QUE É A
GRAÇA DE DEUS?
A palavra
utilizada por Paulo em Efésios 2.8 é:
χάρις (Cháris)
É uma das
palavras mais belas do Novo Testamento.
Sua riqueza
ultrapassa qualquer tradução simples.
Ela envolve:
· favor
imerecido; benevolência; generosidade; dom gratuito; bondade divina.
Todavia, na
teologia paulina, χάρις possui um significado ainda mais
profundo.
É a iniciativa
soberana de DEUS em salvar pecadores completamente incapazes de salvar-se.
Definição
Teológica
A graça pode
ser definida como:
"O favor
soberano, livre e imerecido mediante o qual DEUS concede ao pecador culpado
tudo aquilo que CRISTO conquistou na cruz."
Essa definição
envolve quatro elementos.
A graça é
soberana
Nasce em DEUS.
Não no homem.
A graça é livre
- Não pode ser comprada.
A graça é
imerecida - Nenhum pecador possui méritos.
A graça é
eficaz - Produz transformação verdadeira.
Palavra Grega
δωρεά (Dōreá)
Significa: Dom
gratuito. Presente. Dádiva.
É utilizada por
Paulo para enfatizar que a salvação jamais pode ser conquistada.
Romanos 5.15.
O Homem e sua
incapacidade espiritual
A necessidade
da graça somente pode ser compreendida quando entendemos a condição espiritual
do homem.
Paulo descreve
essa condição.
"Todos
pecaram." (Romanos 3.23)
O verbo
utilizado é:
ἁμαρτάνω
(Hamartanō)
Literalmente:
Errar o alvo.
Era utilizado por arqueiros. Quando a flecha não atingia o centro do alvo
dizia-se: "Hamartia."
Pecar é não
alcançar o padrão perfeito da santidade divina.
Palavra Grega
ἁμαρτία
(Hamartía)
Significa:
Pecado.
Não é apenas um
ato. É uma condição espiritual.
Toda humanidade
encontra-se debaixo dessa realidade.
A
Universalidade do Pecado
|
Judeus |
Gentios |
|
Pecadores |
Pecadores |
|
Precisam da
Graça |
Precisam da
Graça |
|
Não podem
salvar-se |
Não podem
salvar-se |
Paulo destrói
qualquer privilégio humano.
Todos
necessitam do mesmo Salvador.
A Lei não salva
Aqui
encontramos um dos maiores contrastes das Escrituras.
A Lei possui
diversas funções. Mas nunca foi dada para salvar.
As funções da
Lei
|
Função |
Referência |
|
Revelar o
pecado |
Rm 3.20 |
|
Conduzir a
CRISTO |
Gl 3.24 |
|
Mostrar a
santidade divina |
Rm 7.12 |
|
Condenar o
pecado |
Rm 7.13 |
A Lei é
perfeita. O problema nunca foi a Lei. O problema sempre foi o homem pecador.
Ilustração
Teológica
Um espelho
mostra que o rosto está sujo. Mas o espelho não consegue limpá-lo.
Assim é a Lei.
Ela revela o
pecado. Mas não possui poder para removê-lo.
Somente CRISTO
pode fazê-lo.
A Graça supera
o pecado
Paulo escreve:
"Onde abundou o pecado, superabundou a graça." (Romanos 5.20)
Aqui
encontramos uma palavra extraordinária.
Palavra Grega
ὑπερπερισσεύω
(Hyperperisseúō)
Significa:
Superabundar. Transbordar. Ultrapassar infinitamente.
Paulo cria uma
palavra composta para mostrar que a graça não apenas vence o pecado. Ela o
supera infinitamente.
Comparação
|
Pecado |
Graça |
|
Condena |
Justifica |
|
Mata |
Vivifica |
|
Escraviza |
Liberta |
|
Afasta de
DEUS |
Aproxima de
DEUS |
|
Produz morte |
Produz vida
eterna |
O Alcance da
Graça
A graça alcança
pessoas de todas as condições.
Ela alcançou:
· Abraão,
idólatra em Ur. Raabe, prostituta em Jericó. Davi, após seu pecado. Manassés,
rei perverso. Zaqueu, publicano. Maria Madalena. O ladrão na cruz.
· Saulo
de Tarso.
· Todos
foram transformados. Não por méritos. Mas pela graça.
A Graça não
incentiva o pecado
Um dos maiores
equívocos da história da Igreja é imaginar que a graça produz libertinagem.
Paulo responde.
"Permaneceremos no pecado para que a graça aumente?" (Romanos 6.1)
Resposta:
"De modo nenhum."
Palavra Grega
μὴ γένοιτο (Mē
Génoito)
Uma das
expressões mais fortes de Paulo.
Pode ser
traduzida: "Jamais!" "De forma alguma!" "Isso é
impensável!"
A graça nunca
incentiva o pecado. Ela destrói seu domínio.
Graça Barata ×
Graça Transformadora
O teólogo
alemão Dietrich Bonhoeffer distinguiu entre a "graça barata", que
oferece perdão sem transformação, e a "graça preciosa", que conduz à
obediência. Em termos bíblicos, a graça salvadora jamais é uma licença para
viver em pecado; ela é o poder de DEUS que muda o coração e capacita o crente a
viver para Sua glória.
|
Graça
Barata |
Graça
Bíblica |
|
Perdão sem
arrependimento |
Perdão com
novo nascimento |
|
Fé sem
transformação |
Fé que produz
santidade |
|
Cristianismo
nominal |
Discipulado
verdadeiro |
|
Vida sem
compromisso |
Vida dedicada
a CRISTO |
Perspectiva
Pentecostal
A teologia
pentecostal sempre enfatizou que a graça salvadora é inseparável da obra
regeneradora do ESPÍRITO SANTO. O ESPÍRITO convence do pecado (Jo 16.8), opera
o novo nascimento (Jo 3.5-8), testemunha com o nosso espírito que somos filhos
de DEUS (Rm 8.16) e inicia o processo contínuo de santificação. Assim, a graça
não é apenas um decreto jurídico de absolvição, mas uma realidade dinâmica que
transforma a vida do crente e o conduz ao crescimento espiritual.
Aplicação
Espiritual
Compreender a
graça elimina tanto o orgulho quanto o desespero. O orgulho desaparece porque
ninguém pode gloriar-se diante de DEUS (Ef 2.9). O desespero também cede lugar
à esperança, pois nenhum pecado é grande demais para impedir a ação da graça de
CRISTO quando há arrependimento genuíno. O cristão vive diariamente consciente
de que tudo o que possui espiritualmente — perdão, paz, adoção, comunhão com
DEUS e esperança da glória — é resultado exclusivo da infinita graça do Senhor.
2. JESUS CRISTO
COMO A MANIFESTAÇÃO PLENA DA GRAÇA
O Concílio de
Jerusalém proclamou que a salvação é oferecida gratuitamente a judeus e
gentios. Entretanto, essa graça não é um conceito abstrato nem um simples
atributo divino. Ela possui um rosto, um nome e uma obra histórica. A graça
manifesta-se plenamente na pessoa de JESUS CRISTO.
João declara:
"Porque a
Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por JESUS CRISTO." (Jo 1.17)
Essa afirmação
não estabelece oposição entre Moisés e CRISTO, como se a Lei fosse má e a graça
boa. Antes, ensina que a Lei possuía caráter preparatório, enquanto CRISTO
representa a plenitude da revelação divina. A Lei apontava para a necessidade
da redenção; CRISTO realizou definitivamente essa redenção.
A graça,
portanto, não é apenas aquilo que DEUS concede; é aquilo que DEUS
revelou em Seu Filho.
A GRAÇA É UMA
PESSOA
No Novo
Testamento, a graça deixa de ser apenas um favor concedido por DEUS para
tornar-se plenamente revelada na encarnação do Verbo.
João escreve:
"O Verbo se fez carne e habitou entre nós..." (João 1.14)
CRISTO é a
expressão visível da graça invisível. Tudo aquilo que DEUS desejava revelar ao
homem acerca do Seu amor manifesta-se na pessoa de JESUS.
Palavra Grega
λόγος (Lógos)
Significa:
· Palavra;
Verbo; Expressão perfeita; Revelação
João utiliza
esse termo para ensinar que CRISTO é a perfeita revelação do Pai.
Hebreus
complementa:
"Havendo
DEUS antigamente falado muitas vezes..." (Hb 1.1-3)
Agora DEUS
falou definitivamente em Seu Filho.
Graça e Verdade
João afirma:
"...cheio de graça e de verdade." (Jo 1.14)
Observe que
João nunca separa essas duas virtudes.
A verdadeira
graça nunca abandona a verdade.
A verdadeira
verdade sempre é acompanhada da graça.
Tabela - Graça
e Verdade
|
Graça
sem Verdade |
Verdade
sem Graça |
Graça
com Verdade |
|
Tolerância ao
pecado |
Legalismo |
Santidade com
misericórdia |
|
Emocionalismo |
Rigidez
religiosa |
Equilíbrio
bíblico |
|
Permissividade |
Condenação |
Transformação |
CRISTO reuniu
perfeitamente ambas.
A ENCARNAÇÃO
COMO EXPRESSÃO DA GRAÇA
O maior ato da
graça foi a encarnação.
O DEUS eterno
assumiu natureza humana.
Paulo descreve
esse acontecimento em Filipenses.
Palavra Grega
κένωσις
(Kénōsis)
Derivada do
verbo κενόω (kenóō)
Significa:
Esvaziar.
Filipenses 2.7
afirma que CRISTO: "Esvaziou-se a si mesmo."
Esse
esvaziamento não significa que CRISTO deixou de ser DEUS.
Seria
impossível.
Significa que
Ele abriu mão voluntariamente dos privilégios da glória celestial para assumir
plenamente a condição humana.
O Movimento
Descendente da Graça
|
Etapa |
Referência |
|
Glória eterna |
Jo 17.5 |
|
Encarnação |
Jo 1.14 |
|
Humilhação |
Fp 2.8 |
|
Cruz |
Mt 27 |
|
Ressurreição |
Mt 28 |
|
Exaltação |
Fp 2.9-11 |
Toda essa
trajetória revela a profundidade da graça divina.
CRISTO
tornou-se pobre
Paulo escreve:
"Sendo rico, por amor de vós se fez pobre..." (2Co 8.9)
Não se trata
apenas de pobreza material.
CRISTO assumiu:
· limitações
humanas; sofrimento; rejeição; dor; morte.
Tudo isso para
enriquecer espiritualmente os pecadores.
A Graça na Cruz
A cruz
representa o ponto máximo da manifestação da graça.
Ali
encontram-se perfeitamente:
A justiça de
DEUS. O amor de DEUS. A santidade de DEUS. A misericórdia de DEUS.
Na cruz, DEUS
não ignorou o pecado. Ele o julgou em Seu próprio Filho.
Palavra Grega
σταυρός
(Staurós)
Significa:
Cruz. Instrumento romano de execução.
No Novo
Testamento tornou-se símbolo da reconciliação entre DEUS e o homem.
A Doutrina da
Expiação
Expiação
significa: A remoção da culpa mediante um sacrifício substitutivo.
CRISTO morreu:
Não apenas por nós. Mas em nosso lugar. Essa é a essência da substituição
penal.
Isaías
profetizou: "O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele." (Is
53.5)
Palavra Grega
ἀντί (Antí)
Significa: Em
lugar de. Substituição.
JESUS afirmou:
"...dar a sua vida em resgate por muitos." (Mc 10.45)
A preposição
utilizada reforça o caráter substitutivo da obra de CRISTO.
A PROPICIAÇÃO
Uma das palavras
mais profundas do Novo Testamento.
Palavra Grega
ἱλαστήριον
(Hilastērion)
Romanos 3.25
Significa:
Propiciação. Lugar onde a ira é satisfeita.
No Antigo
Testamento era utilizada para o propiciatório da Arca da Aliança.
Agora CRISTO
torna-se o verdadeiro propiciatório. Nele a justiça divina é plenamente
satisfeita.
Tabela
O Propiciatório
|
Antigo
Testamento |
Novo
Testamento |
|
Sangue de
animais |
Sangue de
CRISTO |
|
Sacerdote
humano |
CRISTO |
|
Repetido
anualmente |
Sacrifício
único |
|
Cobria
pecados |
Remove pecados |
JUSTIFICAÇÃO
A graça não
apenas perdoa.
Ela justifica.
Palavra Grega
δικαίωσις
(Dikaíōsis)
Significa:
Justificação. Declaração jurídica.
É o ato pelo
qual DEUS declara justo o pecador que crê.
Não porque ele
seja perfeito.
Mas porque CRISTO
satisfez plenamente a justiça divina.
Diferença
Perdão - Remove a culpa.
Justificação
- Declara o pecador justo diante de
DEUS.
Tabela
Regeneração ×
Justificação
|
Justificação |
Regeneração |
|
Ato jurídico |
Transformação
espiritual |
|
Muda posição |
Muda natureza |
|
Instantânea |
Inicia um
processo de crescimento |
|
Obra do Juiz |
Obra do
ESPÍRITO |
Ambas acontecem
na conversão. Jamais devem ser separadas.
A RECONCILIAÇÃO
Outra palavra
importante.
καταλλαγή
(Katallagē)
Significa:
Reconciliação.
Restabelecimento da amizade.
Antes da cruz
havia separação. Agora existe paz.
Paulo escreve:
"Reconciliai-vos com DEUS." (2Co 5.20)
A REDENÇÃO
Palavra Grega
ἀπολύτρωσις
(Apolýtrōsis)
Significa:
Libertação mediante pagamento.
Era utilizada
para escravos comprados para serem libertos.
CRISTO pagou o
preço. Não com ouro. Nem prata. Mas com Seu precioso sangue.
(1Pe 1.18-19)
As Bênçãos da
Graça em CRISTO
|
Bênção |
Referência |
|
Perdão |
Ef 1.7 |
|
Justificação |
Rm 5.1 |
|
Reconciliação |
2Co 5.18 |
|
Redenção |
Ef 1.7 |
|
Adoção |
Rm 8.15 |
|
Regeneração |
Tt 3.5 |
|
Santificação |
1Co 6.11 |
|
Glorificação |
Rm 8.30 |
Todas são fruto
da graça. Nenhuma delas pode ser comprada.
A GRAÇA E A
VERDADE NA VIDA DE JESUS
Observe os
encontros de JESUS.
|
Pessoa |
Graça |
Verdade |
|
Mulher
Samaritana |
Recebida |
Confrontada
com seu pecado |
|
Zaqueu |
Aceito |
Chamado ao
arrependimento |
|
Mulher
Adúltera |
Perdoada |
"Vai e
não peques mais." |
|
Pedro |
Restaurado |
Exortado a
apascentar o rebanho |
CRISTO nunca
relativizou o pecado. Mas também nunca negou graça ao arrependido.
Perspectiva
Pentecostal
Na teologia
pentecostal, JESUS CRISTO permanece o centro absoluto da experiência cristã. A
graça não é um poder impessoal, mas flui da comunhão viva com CRISTO
ressuscitado. O ESPÍRITO SANTO glorifica continuamente o Filho (Jo 16.14),
aplicando aos crentes os benefícios da obra redentora. Assim, toda manifestação
espiritual autêntica deve conduzir à exaltação de CRISTO, jamais substituí-Lo
ou ofuscar Sua suficiência.
Reflexão Cristológica
A graça não
custou pouco. Custou tudo.
Custou:
· a
humilhação do Filho; Sua obediência perfeita; Seu sofrimento; Seu sangue; Sua
morte; Sua separação judicial na cruz; Seu sepultamento.
A salvação é
gratuita para nós.
Mas
infinitamente preciosa para DEUS.
Por isso Paulo
afirma: "Fostes comprados por bom preço." (1Co 6.20)
A graça é
gratuita para o pecador, porém jamais foi barata para o Salvador.
Aplicação
Espiritual
Conhecer a
CRISTO é conhecer a graça em sua expressão mais elevada. O cristão não deve
reduzir a graça a uma simples doutrina, mas contemplá-la diariamente na pessoa
do Senhor JESUS. Cada aspecto da vida de CRISTO — Sua encarnação, Seu
ministério, Sua morte substitutiva, Sua ressurreição e Sua intercessão à
direita do Pai — proclama que DEUS continua oferecendo salvação plena a todos
os que creem. A resposta adequada a tão grande graça é uma vida de adoração,
santidade, serviço e gratidão.
3. A GRAÇA É
PARA TODOS OS POVOS — SEM EXCEÇÃO
O Concílio de
Jerusalém representou muito mais que a solução de uma controvérsia doutrinária;
ele confirmou publicamente aquilo que DEUS já havia revelado desde o princípio
das Escrituras: o plano da redenção sempre foi universal. Desde a
promessa feita a Abraão — "em ti serão benditas todas as famílias da
terra" (Gn 12.3) — até a visão da grande multidão diante do trono (Ap
7.9), a Bíblia apresenta um DEUS missionário que deseja alcançar todas as
nações com Seu amor redentor.
A inclusão dos
gentios, portanto, não foi um plano alternativo diante da rejeição de Israel.
Ela fazia parte do decreto eterno de DEUS (Ef 1.4-10). A missão da Igreja
consiste em anunciar essa graça universal, convidando todos os homens ao
arrependimento e à fé em JESUS CRISTO.
A
UNIVERSALIDADE DO EVANGELHO
A
universalidade da graça não significa universalismo.
Há uma
diferença fundamental entre esses dois conceitos.
Universalidade
CRISTO morreu
por todos. A salvação é oferecida a todos.
Universalismo
Todos serão
salvos, independentemente da fé. A Bíblia jamais ensina essa segunda ideia. A
graça é universal em sua oferta.
Mas sua
eficácia é aplicada àqueles que respondem pela fé ao Evangelho.
Palavra Grega
πᾶς (Pás)
Significa:
todo; qualquer; todos; cada um.
Romanos 10.13
afirma: "Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo."
A palavra πᾶς elimina
qualquer distinção:
· racial;
cultural; econômica; nacional; social.
A porta da
salvação está aberta para todos.
Tabela
A Graça
alcança...
|
Categoria |
Referência |
|
Judeus |
At 2 |
|
Samaritanos |
At 8 |
|
Gentios |
At 10 |
|
Gregos |
At 11 |
|
Romanos |
At 16 |
|
Bárbaros |
At 28 |
Lucas organiza
o livro de Atos mostrando a expansão progressiva do Evangelho.
Jerusalém...
Judéia...
Samaria... Até aos confins da terra. (At 1.8)
Palavra Grega
ἔθνη (Éthnē)
Significa:
Nações. Gentios. Povos.
É dessa palavra
que deriva "etnia".
JESUS ordenou:
"Ide e
fazei discípulos de todas as nações." (Mt 28.19)
O Evangelho não
pertence a uma cultura. Nem a uma nacionalidade. Pertence ao Reino de DEUS.
A PROMESSA FEITA
A ABRAÃO
Muito antes da
Lei de Moisés, DEUS declarou a Abraão:
"Em ti
serão benditas todas as famílias da terra."
(Gn 12.3)
Paulo
interpreta essa promessa em Gálatas 3.8, afirmando que DEUS anunciou
previamente o Evangelho a Abraão.
Isso demonstra
que a missão aos gentios não surgiu em Atos.
Ela foi
planejada na eternidade e anunciada desde o início da história da redenção.
Tabela
A Promessa
Abraâmica
|
Promessa |
Cumprimento |
|
Grande nação |
Israel |
|
Grande nome |
Abraão
torna-se pai da fé |
|
Terra |
Canaã |
|
Todas as
famílias benditas |
CRISTO e o
Evangelho |
NÃO HÁ ACEPÇÃO
DE PESSOAS
Pedro afirmou
na casa de Cornélio:
"Reconheço
que DEUS não faz acepção de pessoas." (At 10.34)
Palavra Grega
προσωπολημψία
(Prosōpolēmpsía)
Significa:
Favoritismo. Parcialidade. Julgar pela aparência.
No contexto
bíblico, DEUS não favorece uma pessoa por causa de:
· nacionalidade;
riqueza; posição social; raça; influência.
Todos
comparecem diante dEle nas mesmas condições.
Todos são
pecadores. Todos necessitam da mesma graça.
JUDEUS E
GENTIOS FORMAM UM SÓ POVO
Paulo
desenvolve essa verdade em Efésios 2.
CRISTO
derrubou: "A parede de separação."
Palavra Grega
μεσότοιχον
(Mesótoichon)
Significa:
Parede divisória.
Provavelmente
faz referência ao muro existente no Templo que impedia os gentios de avançarem
para o interior dos átrios sob pena de morte.
CRISTO destruiu
essa barreira. Agora existe livre acesso ao Pai.
Quadro
Comparativo
Antes de CRISTO
|
Judeus |
Gentios |
|
Circuncidados |
Incircuncisos |
|
Alianças |
Sem alianças |
|
Promessas |
Estranhos às
promessas |
|
Próximos |
Distantes |
Depois de
CRISTO
|
Todos
os Crentes |
|
Um só Corpo |
|
Uma só Fé |
|
Um só
ESPÍRITO |
|
Um só Senhor |
|
Um só Batismo |
|
Um só DEUS e
Pai |
(Efésios 4)
A GRAÇA E A
ELEIÇÃO
A eleição
divina deve ser compreendida à luz da missão universal do Evangelho. DEUS, em
Sua soberania, tomou a iniciativa da salvação e escolheu, em CRISTO, um povo
para o Seu nome (Ef 1.4-5). Contudo, essa eleição não elimina a
responsabilidade humana de responder ao chamado do Evangelho.
As Escrituras
mantêm em equilíbrio duas verdades:
· DEUS
chama soberanamente.
· O
homem é convocado a arrepender-se e crer.
JESUS declarou:
"Quem vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora." (Jo 6.37)
Ao mesmo tempo
afirmou:
"Arrependei-vos
e crede no Evangelho." (Mc 1.15)
A graça é
preveniente, isto é, antecede a resposta humana, despertando o pecador para
DEUS. Contudo, ela não violenta a vontade; convida, convence e capacita,
aguardando uma resposta de fé.
A
RESPONSABILIDADE HUMANA
Embora a
salvação seja inteiramente fruto da graça, DEUS trata o homem como um ser
moralmente responsável.
A Bíblia
apresenta diversos convites universais:
"Vinde a
mim..." (Mt 11.28)
"Quem
quiser, tome de graça da água da vida." (Ap 22.17)
"Todo
aquele que invocar..." (Rm 10.13)
Esses textos
demonstram que o chamado do Evangelho é genuíno e dirigido a todos.
Palavra Grega
καλέω (Kaléō)
Significa:
Chamar. Convidar. Convocar.
É DEUS quem
chama. Mas o homem deve responder.
A MISSÃO DA
IGREJA
A
universalidade da graça fundamenta a obra missionária.
Se CRISTO
morreu por todos, a Igreja deve anunciar a todos.
Missões não são
um departamento da Igreja. São a própria razão de sua existência.
Tabela
A Missão da
Igreja
|
A
Igreja deve... |
Referência |
|
Evangelizar |
Mc 16.15 |
|
Fazer
discípulos |
Mt 28.19 |
|
Ensinar |
Mt 28.20 |
|
Batizar |
Mt 28.19 |
|
Testemunhar |
At 1.8 |
A GRANDE
MULTIDÃO DO APOCALIPSE
João contempla
a consumação da graça.
"Depois
destas coisas olhei, e eis grande multidão... de todas as nações, tribos, povos
e línguas..."(Ap 7.9)
A missão
iniciada em Jerusalém termina diante do trono. A Igreja Militante torna-se
Igreja Triunfante. O Evangelho alcança seu objetivo final.
Quadro
Teológico
O Alcance da Graça
|
Verdade |
Ensino
Bíblico |
|
CRISTO morreu
por todos |
1Tm 2.4-6;
1Jo 2.2 |
|
O Evangelho
deve ser pregado a todos |
Mc 16.15 |
|
Nem todos
aceitarão |
Mt 7.13-14 |
|
Todo aquele
que crer será salvo |
Jo 3.16 |
|
Quem rejeitar
permanecerá condenado |
Jo 3.18 |
Perspectiva
Pentecostal
A tradição
pentecostal sempre compreendeu que a universalidade da graça está intimamente
ligada ao derramamento do ESPÍRITO SANTO. O Pentecostes (At 2) já antecipava
esse propósito, pois judeus provenientes de diversas nações ouviram o Evangelho
em suas próprias línguas. O dom de línguas tornou-se um sinal profético de que
DEUS estava rompendo as barreiras linguísticas e culturais para anunciar CRISTO
ao mundo inteiro. Assim, a Igreja é chamada a permanecer cheia do ESPÍRITO para
cumprir sua vocação missionária "até aos confins da terra" (At 1.8).
Aplicação
Espiritual
A
universalidade da graça desafia a Igreja a abandonar todo tipo de exclusivismo,
preconceito ou barreira cultural que impeça a proclamação do Evangelho. Não existe
povo inalcançável, cultura irredimível ou pecador irrecuperável para a graça de
DEUS. O mesmo CRISTO que salvou o centurião Cornélio, o perseguidor Saulo, o
carcereiro de Filipos e milhares de gentios continua chamando homens e mulheres
de todas as nações para fazerem parte do Seu povo.
SÍNTESE DO
CAPÍTULO II
O segundo
grande bloco desta lição revela que a graça é o fundamento de toda a obra da
salvação. Ela nasce no coração do Pai, manifesta-se plenamente em JESUS CRISTO
e é aplicada pelo ESPÍRITO SANTO à vida daqueles que creem. Essa graça é
gratuita, suficiente, transformadora e universal em sua oferta. Em CRISTO, DEUS
removeu as barreiras que separavam judeus e gentios, formando um único povo
para a glória do Seu nome. Por isso, a Igreja deve proclamar esse Evangelho a
todas as pessoas, confiando que "todo aquele que invocar o nome do Senhor
será salvo" (Rm 10.13).
III – CRESCENDO
NA GRAÇA
A vida cristã
não termina na conversão. Na realidade, a conversão representa apenas o início
de uma jornada contínua de transformação, na qual o ESPÍRITO SANTO conduz o
crente ao amadurecimento espiritual. A mesma graça que justifica é a graça que
santifica; a mesma mão que nos tira das trevas nos conduz diariamente à
estatura da plenitude de CRISTO (Ef 4.13).
Pedro encerra
sua segunda epístola com uma exortação que resume toda a caminhada cristã:
"Antes,
crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador JESUS
CRISTO." (2 Pe 3.18)
O verbo
"crescer" indica um desenvolvimento progressivo. Assim como uma
criança necessita de alimento para atingir a maturidade, o cristão necessita
permanecer continuamente debaixo da influência da graça de DEUS.
O crescimento
espiritual não ocorre automaticamente. Ele exige comunhão com CRISTO, submissão
ao ESPÍRITO SANTO e perseverança nos meios da graça instituídos pelo próprio
DEUS.
A SANTIFICAÇÃO
COMO PROCESSO
É importante
distinguir três momentos da obra salvadora de DEUS:
|
Etapa |
O
que DEUS faz |
Resultado |
|
Justificação |
Declara o
pecador justo |
Nova posição diante
de DEUS |
|
Santificação |
Transforma o
caráter |
Nova maneira
de viver |
|
Glorificação |
Aperfeiçoa
definitivamente o salvo |
Sem pecado
para sempre |
A justificação
acontece instantaneamente.
A santificação
acontece continuamente.
A glorificação acontecerá
na volta de CRISTO.
Palavra Grega
ἁγιασμός
(Hagiasmós)
Significa:
· santificação;
separação; consagração.
Não significa
isolamento do mundo. Significa pertencer completamente a DEUS.
A GRAÇA NÃO É
ESTÁTICA
Existe um erro
comum em muitos ambientes cristãos.
Pensar que a
graça serve apenas para salvar.
A Bíblia ensina
exatamente o contrário.
A graça:
· salva;
fortalece; consola; disciplina; amadurece; capacita; preserva.
Toda a vida
cristã acontece dentro da esfera da graça.
Tabela
A Graça Atua em
Toda a Vida Cristã
|
Antes
da Conversão |
Depois
da Conversão |
|
Convence do
pecado |
Santifica |
|
Atrai para
CRISTO |
Consola |
|
Produz
arrependimento |
Fortalece |
|
Concede fé |
Capacita para
servir |
|
Justifica |
Preserva até
a glorificação |
1. COMO NOS
APROXIMAR DO TRONO DA GRAÇA? (Hb 4.16)
O autor de
Hebreus escreve:
"Cheguemo-nos,
pois, com confiança ao trono da graça..."
Essa talvez
seja uma das expressões mais extraordinárias de toda a Epístola aos Hebreus.
Ela reúne três
grandes doutrinas:
· a
mediação de CRISTO;
· o
sacerdócio celestial;
· o
livre acesso do crente à presença de DEUS.
No Antigo
Testamento, apenas o sumo sacerdote entrava no SANTO dos Santos, e somente uma
vez por ano, levando sangue de animais (Lv 16). Agora, porém, todos os que
estão em CRISTO possuem livre acesso ao Pai por meio do sangue do Cordeiro.
Palavra Grega
θρόνος τῆς
χάριτος (Thrónos tēs Cháritos)
Significa
literalmente:
"O Trono
da Graça."
É uma expressão
exclusiva de Hebreus.
O que
representa esse Trono?
No Antigo
Testamento, o trono era símbolo de:
· autoridade;
governo; julgamento.
Em Hebreus,
surpreendentemente,
o trono
torna-se:
o lugar da
graça.
O DEUS que
reina é o mesmo DEUS que acolhe.
O Juiz é também
o Salvador.
Tabela
Dois Tronos na
Bíblia
|
Trono
do Juízo |
Trono
da Graça |
|
Ap 20 |
Hb 4 |
|
Condenação do
ímpio |
Misericórdia
ao crente |
|
Após a
rejeição de CRISTO |
Durante o
tempo da graça |
|
Justiça
retributiva |
Misericórdia
restauradora |
"Cheguemo-nos"
A palavra utilizada
é:
προσερχώμεθα
(Proserchṓmetha)
Significa:
aproximar-se; entrar na presença; aproximar-se continuamente.
O verbo
encontra-se no presente contínuo.
Isso indica
ação constante. Não é um acesso ocasional. É um privilégio permanente.
COM CONFIANÇA
Outra palavra
importante.
παρρησία
(Parrēsía)
Significa:
liberdade; ousadia; plena confiança.
Não significa
irreverência.
Também não
significa intimidade superficial.
É a segurança
de quem sabe que foi aceito em CRISTO.
A BASE DESSA
CONFIANÇA
Nossa confiança
não está:
· em
nossa santidade; em nossa fidelidade; em nossas obras; em nossos méritos.
Nossa confiança
repousa exclusivamente: na obra perfeita de CRISTO.
O SUMO
SACERDOTE PERFEITO
Todo o contexto
de Hebreus 4 aponta para JESUS.
Ele é:
· nosso
Mediador; nosso Advogado; nosso Intercessor; nosso Sumo Sacerdote.
Palavra Grega
ἀρχιερεύς
(Archiereús)
Significa: Sumo
Sacerdote.
No Antigo
Testamento havia muitos. No Novo existe apenas Um. JESUS.
Comparação
Sacerdócio Levítico
× Sacerdócio de CRISTO
|
Levítico |
CRISTO |
|
Muitos
sacerdotes |
Um único Sumo
Sacerdote |
|
Pecadores |
SANTO |
|
Sacrifícios
repetidos |
Sacrifício
único |
|
Temporário |
Eterno |
|
Entrava uma
vez por ano |
Intercede
continuamente |
CRISTO
COMPREENDE NOSSAS FRAQUEZAS
Hebreus afirma:
"Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se..."
(Hb 4.15)
Palavra Grega
συμπαθέω
(Sympathéō)
Origem da
palavra: Simpatia.
Significa:
Sofrer
juntamente. Compreender profundamente. CRISTO conhece:
· nossas
tentações; nossas dores; nossas limitações; nossas lágrimas.
Mas permaneceu
sem pecado.
Tabela
As Tentações de
CRISTO
|
Área |
Referência |
|
Necessidades
físicas |
Mt 4 |
|
Poder |
Mt 4 |
|
Glória |
Mt 4 |
|
Sofrimento |
Getsêmani |
|
Rejeição |
Cruz |
CRISTO venceu
todas.
Por isso pode
fortalecer os Seus.
O QUE
ENCONTRAMOS NO TRONO?
Hebreus
responde.
Recebemos:
· misericórdia;
graça; socorro oportuno.
Palavra Grega
ἔλεος (Éleos)
Significa:
Misericórdia. É DEUS não nos dando aquilo que merecemos.
χάρις (Cháris)
Graça. É DEUS
nos dando aquilo que jamais mereceríamos.
Quadro
Comparativo
|
Misericórdia |
Graça |
|
Não receber o
castigo |
Receber o
favor |
|
Remove a
culpa |
Concede
bênçãos |
|
Trata o
passado |
Constrói o
futuro |
SOCORRO EM OCASIÃO
OPORTUNA
A expressão
grega é belíssima.
εὔκαιρος
βοήθεια (Eúkairos Boḗtheia)
Significa:
Ajuda no
momento exato. Auxílio perfeitamente oportuno. DEUS nunca chega atrasado. Ele
sempre chega na hora certa.
Aplicação
Pastoral
O cristão não
deve fugir da presença de DEUS quando peca. Deve correr para ela. Adão
escondeu-se. Davi arrependeu-se. Pedro chorou. O filho pródigo voltou.
Todos
encontraram graça.
A pior atitude
do crente é imaginar que precisa primeiro tornar-se digno para depois
aproximar-se de DEUS.
É justamente
porque somos indignos que necessitamos do Trono da Graça.
Reflexão
Teológica
O acesso ao
trono da graça constitui um dos maiores privilégios da Nova Aliança. Na Antiga
Aliança, o véu separava o pecador da presença divina. Com a morte de CRISTO, o
véu do templo foi rasgado de alto a baixo (Mt 27.51), simbolizando que o
caminho para DEUS foi definitivamente aberto. O crente não depende mais de um
sacerdócio humano para aproximar-se do Pai; sua entrada é garantida pelo sangue
de JESUS e pela Sua intercessão contínua.
Como afirma
Hebreus 10.19-22, temos "ousadia para entrar no SANTO dos Santos".
Essa ousadia não nasce da autoconfiança, mas da confiança no Salvador que vive
para interceder por nós (Hb 7.25). Assim, o trono da graça permanece aberto
diariamente, oferecendo perdão ao arrependido, força ao cansado, sabedoria ao
confuso e esperança ao aflito.
III.3 – O QUE
RECEBEMOS AO NOS ACHEGARMOS AO TRONO DA GRAÇA?
O escritor da
Epístola aos Hebreus conclui sua exortação afirmando que aqueles que se
aproximam do trono da graça recebem misericórdia, graça e socorro
em ocasião oportuna (Hb 4.16). Essas três bênçãos resumem toda a
provisão espiritual que DEUS oferece aos Seus filhos durante a peregrinação
cristã.
É importante
observar que o texto não diz que DEUS apenas concede dons materiais ou remove
imediatamente todas as dificuldades. O maior presente do trono da graça é o
próprio DEUS, que comunica Sua presença, Seu favor e Seu poder ao crente.
A vida cristã
não é sustentada pelo esforço humano, mas pela graça continuamente derramada
sobre aqueles que permanecem em CRISTO.
O PRIMEIRO
PRESENTE: MISERICÓRDIA
O texto
afirma: "...para que alcancemos misericórdia..." (Hb
4.16)
A palavra
utilizada é:
Palavra Grega -
ἔλεος (Éleos)
Significa:
misericórdia; compaixão; piedade para com o necessitado.
No Antigo
Testamento, a misericórdia aparece associada à fidelidade da aliança (חֶסֶד – ḥésed). No Novo Testamento, ela manifesta
o coração compassivo de DEUS diante da miséria humana.
A misericórdia
consiste em DEUS não aplicar ao pecador arrependido a condenação que justamente
merecia.
Como afirmou
Jeremias: "As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos
consumidos." (Lm 3.22)
Misericórdia e
Justiça
Há quem imagine
que a misericórdia anula a justiça divina.
As Escrituras
ensinam exatamente o contrário.
Na cruz, a
justiça foi satisfeita para que a misericórdia pudesse ser oferecida.
A misericórdia
nunca ignora o pecado.
Ela triunfa
porque CRISTO suportou a penalidade do pecado.
Tabela
Justiça,
Misericórdia e Graça
|
Atributo |
O
que significa |
|
Justiça |
DEUS dá
aquilo que merecemos |
|
Misericórdia |
DEUS não nos
dá o castigo merecido |
|
Graça |
DEUS nos
concede aquilo que jamais poderíamos merecer |
O SEGUNDO
PRESENTE: GRAÇA CONTÍNUA
O autor
continua: "...e achemos graça..."
Observe que o
texto dirige-se a pessoas já convertidas.
Isso demonstra
que a graça não atua apenas na conversão.
Ela acompanha
toda a caminhada cristã.
Infelizmente
muitos pensam:
"Fui salvo
pela graça." Mas agora preciso viver pelas minhas forças.
A Bíblia ensina
exatamente o oposto.
Paulo escreve:
"Assim como recebestes CRISTO JESUS, o Senhor, assim também andai
nele." (Cl 2.6)
Da mesma
maneira que fomos salvos pela graça, continuamos vivendo pela graça.
Palavra Grega
εὑρίσκω
(Heurískō)
Traduzida por:
"Achar."
Significa: encontrar; descobrir; experimentar.
O crente
descobre diariamente novas manifestações da graça de DEUS.
As Diversas
Manifestações da Graça
A Escritura
apresenta a graça sob diversos aspectos.
Graça Salvadora
Efésios 2.8 -
Salva o pecador.
Graça
Santificadora
Tito 2.11-12 -
Ensina a viver piedosamente.
Graça
Sustentadora
2 Coríntios
12.9 - Fortalece nas fraquezas.
Graça
Capacitadora
Romanos 12.6 -
Concede dons para servir.
Graça
Glorificadora
1 Pedro 5.10 -
Conduzirá o crente à perfeição eterna.
Tabela
A Graça ao
Longo da Vida Cristã
|
Momento |
Ação
da Graça |
|
Conversão |
Justifica |
|
Vida diária |
Santifica |
|
Ministério |
Capacita |
|
Sofrimento |
Consola |
|
Tentação |
Fortalece |
|
Morte |
Sustenta |
|
Eternidade |
Glorifica |
O TERCEIRO
PRESENTE: SOCORRO DIVINO
Hebreus
conclui:
"...para
sermos ajudados em ocasião oportuna."
Palavra Grega
βοήθεια (Boḗtheia)
Significa:
Auxílio.
Socorro. Ajuda
eficaz.
É interessante observar
sua origem.
Vem do verbo:
βοηθέω
(boēthéō)
Literalmente:
"Correr ao grito de alguém."
Que figura
maravilhosa! Quando o filho de DEUS clama, o Pai responde.
DEUS conhece
nossas necessidades
JESUS declarou:
"Vosso Pai sabe o de que tendes necessidade." (Mt 6.8)
Ele conhece:
· nossas
lágrimas; nossas enfermidades; nossas crises; nossas dúvidas; nossas tentações.
Nada escapa ao Seu olhar.
O SOCORRO
DIVINO NÃO É APENAS LIVRAMENTO
Muitas vezes
imaginamos que DEUS nos ajuda retirando imediatamente a dificuldade.
Nem sempre. Às
vezes, Ele remove o problema. Outras vezes, Ele fortalece o crente para
atravessar o problema. Foi exatamente isso que ocorreu com Paulo.
O ESPINHO NA
CARNE
Paulo orou três
vezes. A resposta foi: "A minha graça te basta."
Observe. DEUS
não removeu imediatamente a dificuldade. Mas concedeu graça suficiente.
Palavra Grega
δύναμις
(Dýnamis) Poder.
A continuação
do texto afirma: "Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza."
A graça
comunica poder espiritual.
A GRAÇA PRODUZ
MATURIDADE
Existe uma
diferença entre: receber graça e crescer na graça.
Pedro afirma:
"Crescei na graça..." (2Pe 3.18)
Palavra Grega
αὐξάνω (Auxánō)
Significa:
crescer; desenvolver-se; amadurecer.
O crescimento
espiritual é contínuo. Nenhum cristão amadurece instantaneamente.
Características
do Crente Maduro
|
Crente
Imaturo |
Crente
Maduro |
|
Instável |
Perseverante |
|
Facilmente
ofendido |
Misericordioso |
|
Busca apenas
bênçãos |
Busca
conhecer a DEUS |
|
Oscila
facilmente |
Permanece
firme |
|
Vive pelas emoções |
Vive pela
Palavra |
A GRAÇA E OS
MEIOS DE SANTIFICAÇÃO
Embora a
santificação seja obra do ESPÍRITO SANTO, DEUS estabeleceu instrumentos pelos
quais fortalece Seu povo. Esses meios não produzem mérito. São canais pelos
quais DEUS comunica Sua graça.
A Palavra
A Palavra
ilumina. "Santifica-os na verdade." (Jo 17.17)
A Oração
A oração
fortalece. "Perseverai em oração." (Cl 4.2)
A Comunhão
A comunhão
protege. "Consideremo-nos uns aos outros." (Hb 10.24-25)
A Ceia do
Senhor
A Ceia alimenta
nossa esperança. Ela aponta:
para trás,
lembrando a cruz.
Para o
presente, fortalecendo a comunhão.
Para o futuro,
anunciando a volta de CRISTO.
A Plenitude do
ESPÍRITO SANTO
O ESPÍRITO
SANTO continua produzindo:
· santidade;
poder; consolo; direção; discernimento.
Sem Sua
atuação, o crescimento espiritual torna-se impossível.
Quadro
Comparativo
Os Meios da
Graça
|
Meio |
Resultado
Espiritual |
|
Palavra |
Sabedoria |
|
Oração |
Comunhão |
|
Jejum |
Dependência |
|
Adoração |
Alegria
espiritual |
|
Comunhão |
Encorajamento |
|
Ceia |
Memória da
redenção |
|
ESPÍRITO
SANTO |
Capacitação |
Reflexão
Teológica
A tradição
reformada costuma chamar esses instrumentos de "meios da
graça", expressão também útil na teologia pentecostal, desde que
corretamente compreendida. Não são meios automáticos de transmissão de bênçãos,
nem possuem eficácia por si mesmos. Sua eficácia depende da ação do ESPÍRITO
SANTO e da resposta de fé do crente.
Assim, a
leitura da Palavra sem fé torna-se mero exercício intelectual; a oração sem
sinceridade converte-se em formalismo; a Ceia sem discernimento perde seu
propósito espiritual (1Co 11.27-29). A graça de DEUS opera nesses meios quando
o coração se aproxima dEle com humildade e confiança.
A GRAÇA CONDUZ
À GLORIFICAÇÃO
O crescimento
espiritual não termina nesta vida.
Paulo afirma:
"Aos que
justificou, a esses também glorificou."
(Rm 8.30)
A glorificação
representa a consumação da graça.
Nesse dia:
· não
haverá pecado; não haverá morte; não haverá lágrimas; não haverá
tentações.
A graça
alcançará sua expressão perfeita na presença eterna de CRISTO.
Como escreveu
João: "Seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele
é." (1Jo 3.2)
APLICAÇÃO
ESPIRITUAL
O cristão não
deve medir sua vida espiritual apenas pelas circunstâncias favoráveis. Crescer
na graça significa aprender a depender de DEUS tanto nos dias de abundância
quanto nos dias de provação. O trono da graça permanece aberto em todas as
estações da vida. Nele encontramos perdão quando falhamos, força quando
enfraquecemos, direção quando estamos confusos e esperança quando tudo parece
perdido.
A maturidade
cristã não consiste em precisar menos da graça, mas em reconhecer cada vez mais
nossa total dependência dela. Quanto mais conhecemos a DEUS, mais compreendemos
que "dele, por ele e para ele são todas as coisas" (Rm 11.36).
SÍNTESE DO
CAPÍTULO III
O terceiro
capítulo desta lição ensina que a graça de DEUS não apenas inicia a vida
cristã, mas a sustenta até sua consumação. O acesso ao Trono da Graça,
garantido pela mediação perfeita de CRISTO, oferece ao crente misericórdia,
favor contínuo e auxílio oportuno. Alimentado pelos meios da graça — Palavra,
oração, comunhão, Ceia e plenitude do ESPÍRITO SANTO — o cristão cresce em
santidade e perseverança, aguardando o dia em que a graça será plenamente
revelada na glorificação.
CONCLUSÃO GERAL
O Concílio de
Jerusalém (Atos 15) representa um dos acontecimentos mais relevantes da
história da Igreja Primitiva. Mais do que solucionar uma controvérsia
doutrinária, ele preservou a pureza do Evangelho e definiu, de maneira
inequívoca, que a salvação é concedida exclusivamente pela graça de DEUS,
mediante a fé em JESUS CRISTO, e não pela observância da Lei mosaica ou por
méritos humanos. A decisão conciliar não criou uma nova doutrina; apenas
reconheceu oficialmente aquilo que DEUS já havia demonstrado por meio da
conversão de Cornélio, da obra missionária de Paulo e Barnabé e do testemunho
das Escrituras.
A graça divina,
portanto, é o fundamento da salvação, da vida cristã e da missão da Igreja. Ela
precede a resposta humana, desperta o pecador para DEUS, justifica o crente,
promove sua regeneração, conduz sua santificação e culminará na glorificação
eterna. Toda a economia da redenção está alicerçada na iniciativa soberana de
DEUS, que, em CRISTO, reconciliou consigo o mundo.
Ao mesmo tempo,
esta lição demonstra que a graça jamais deve ser confundida com permissividade
moral. A mesma graça que perdoa é a graça que transforma; a mesma graça que
justifica é a graça que santifica. O Evangelho não apenas livra da condenação
do pecado, mas também concede poder para vencer o domínio do pecado. A
verdadeira experiência da graça produz obediência, humildade, amor e
perseverança.
Finalmente, o
acesso ao Trono da Graça permanece aberto a todos aqueles que foram
reconciliados com DEUS por meio de JESUS CRISTO. Nele encontramos misericórdia
para o passado, graça para o presente e esperança para o futuro. Enquanto
aguardamos a gloriosa manifestação de nosso Senhor, somos chamados a crescer
continuamente na graça e no conhecimento de CRISTO, vivendo para Sua glória e
anunciando este Evangelho a todas as nações.
Como sintetiza
o apóstolo Pedro:
"Antes,
crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO. A
Ele seja dada a glória, assim agora como no dia da eternidade. Amém." (2Pe 3.18)
QUADRO
TEOLÓGICO 1
A Ordem da
Salvação (Ordo Salutis)
|
Etapa |
Obra
de DEUS |
Referência |
|
Chamado |
DEUS chama o
pecador |
Rm 8.30 |
|
Arrependimento |
Resposta à
graça |
At 3.19 |
|
Fé |
Confiança em
CRISTO |
Ef 2.8 |
|
Justificação |
Declaração de
justiça |
Rm 5.1 |
|
Regeneração |
Novo
nascimento |
Jo 3.3 |
|
Adoção |
Filiação
divina |
Rm 8.15 |
|
Santificação |
Crescimento
espiritual |
1Ts 4.3 |
|
Perseverança |
Preservação
divina |
Fp 1.6 |
|
Glorificação |
Consumação da
salvação |
Rm 8.30 |
QUADRO
TEOLÓGICO 2
A Graça em Toda
a Bíblia
|
Livro |
Manifestação
da Graça |
|
Gênesis |
Promessa do
Redentor |
|
Êxodo |
Libertação do
Egito |
|
Levítico |
Sacrifícios
expiatórios |
|
Salmos |
Misericórdia
permanente |
|
Isaías |
Servo Sofredor |
|
Evangelhos |
CRISTO
encarnado |
|
Atos |
Evangelho às
nações |
|
Epístolas |
Doutrina da
graça |
|
Apocalipse |
Glorificação
eterna |
QUADRO
TEOLÓGICO 3
Lei e Graça
|
Lei |
Graça |
|
Revela o
pecado |
Remove o
pecado |
|
Condena |
Justifica |
|
Exige
perfeição |
Concede perdão |
|
Mostra o
caminho |
Conduz ao
Salvador |
|
Não salva |
Salva
plenamente |
QUADRO
TEOLÓGICO 4
A Obra de
CRISTO
|
Aspecto |
Resultado |
|
Encarnação |
DEUS conosco |
|
Vida perfeita |
Obediência
completa |
|
Cruz |
Expiação |
|
Ressurreição |
Vitória sobre
a morte |
|
Ascensão |
Exaltação |
|
Intercessão |
Sustento da
Igreja |
|
Segunda Vinda |
Consumação do
Reino |
QUADRO
TEOLÓGICO 5
O Que a Graça
Produz
|
Antes |
Depois |
|
Culpa |
Perdão |
|
Condenação |
Justificação |
|
Escravidão |
Liberdade |
|
Morte |
Vida |
|
Separação |
Reconciliação |
|
Medo |
Paz |
|
Desespero |
Esperança |
QUADRO
TEOLÓGICO 6
Os Benefícios
da Salvação
|
Benefício |
Referência |
|
Perdão |
Ef 1.7 |
|
Paz com DEUS |
Rm 5.1 |
|
Vida Eterna |
Jo 3.16 |
|
Adoção |
Gl 4.5 |
|
ESPÍRITO
SANTO |
Ef 1.13 |
|
Herança
Celestial |
1Pe 1.4 |
QUADRO
TEOLÓGICO 7
Os Meios da
Graça
|
Meio |
Finalidade |
|
Palavra |
Alimentar a
fé |
|
Oração |
Comunhão |
|
Jejum |
Dependência |
|
Adoração |
Exaltação |
|
Comunhão |
Edificação |
|
Ceia |
Memória da
cruz |
|
ESPÍRITO
SANTO |
Capacitação |
QUADRO
TEOLÓGICO 8
O Crescimento
Cristão
|
Início |
Processo |
Consumação |
|
Conversão |
Santificação |
Glorificação |
QUADRO
TEOLÓGICO 9
O Trono da
Graça
|
Recebemos |
Resultado |
|
Misericórdia |
Perdão |
|
Graça |
Fortalecimento |
|
Socorro |
Perseverança |
QUADRO
TEOLÓGICO 10
As Cinco
Grandes Verdades da Lição
1. A salvação é exclusivamente pela graça.
2. CRISTO é a perfeita manifestação da
graça.
3. A graça é oferecida a todos os povos.
4. O cristão deve crescer continuamente na
graça.
5. A Igreja deve proclamar esse Evangelho
ao mundo inteiro.
RESUMO
EXECUTIVO DA LIÇÃO
|
Tema |
Síntese |
|
Concílio de
Jerusalém |
Preservou a
doutrina da salvação pela graça |
|
Pedro |
DEUS purifica
pela fé |
|
Paulo e
Barnabé |
DEUS confirma
a missão gentílica |
|
Tiago |
As Escrituras
confirmam a inclusão dos gentios |
|
Graça |
Favor
imerecido de DEUS |
|
CRISTO |
Manifestação
perfeita da graça |
|
Igreja |
Vive e
anuncia essa graça |
|
Crente |
Cresce
continuamente na graça |
FRASES
TEOLÓGICAS PARA DESTACAR NA AULA
· A
Lei revela o pecado; a graça remove o pecado.
· A
graça não recompensa méritos; cria uma nova vida.
· A
cruz é o encontro perfeito entre a justiça e a misericórdia de DEUS.
· A
Igreja cresce quando permanece fiel ao Evangelho da graça.
· A
verdadeira graça nunca conduz ao pecado, mas à santidade.
· O
Trono da Graça permanece aberto porque CRISTO permanece intercedendo.
· O
cristão nunca deixa de depender da graça; quanto mais amadurece, mais reconhece
essa dependência.
· A
missão da Igreja existe porque a graça de DEUS alcança todas as nações.
· A
graça salva gratuitamente, mas custou infinitamente caro ao Salvador.
· Onde
a religião exige méritos, o Evangelho oferece CRISTO.
QUESTIONÁRIO –
20 PERGUNTAS E RESPOSTAS COMENTADAS
Lição: A Graça
de DEUS – Um Presente de Salvação para Todos
Texto Base: Atos 15
1. Qual foi a
principal controvérsia que levou à realização do Concílio de Jerusalém?
Resposta:
A controvérsia
consistia na afirmação dos judaizantes de que os gentios convertidos deveriam
ser circuncidados e guardar a Lei de Moisés para serem salvos (At 15.1,5).
Comentário
Essa discussão
não era apenas sobre a circuncisão, mas sobre o próprio fundamento da salvação.
Caso a posição dos judaizantes prevalecesse, a cruz de CRISTO seria
insuficiente, pois a salvação dependeria da obra de CRISTO acrescida das obras
da Lei. O Concílio preservou a essência do Evangelho ao afirmar que a
justificação ocorre exclusivamente pela graça mediante a fé.
2. Quem eram os
judaizantes?
Resposta:
Eram cristãos
provenientes do judaísmo, especialmente do partido dos fariseus, que defendiam
a obrigatoriedade da circuncisão e da observância da Lei mosaica para os
gentios convertidos.
Comentário
Eles aceitavam
JESUS como Messias, porém acreditavam que a Nova Aliança deveria permanecer
subordinada às exigências cerimoniais da Antiga Aliança.
3. Qual foi o
principal argumento apresentado por Pedro?
Resposta:
Pedro lembrou a
conversão de Cornélio e afirmou que DEUS concedeu o ESPÍRITO SANTO aos gentios
sem exigir circuncisão, purificando seus corações pela fé (At 15.7-11).
Comentário
Pedro
demonstrou que DEUS já havia decidido a questão antes mesmo do Concílio.
A experiência
de Atos 10 tornou-se uma poderosa evidência da aceitação divina dos gentios.
4. Qual foi a
contribuição de Paulo e Barnabé para o Concílio?
Resposta:
Relataram os
sinais, milagres e conversões ocorridos entre os gentios durante a primeira
viagem missionária (At 15.12).
Comentário
Os milagres
confirmavam que DEUS aprovava a evangelização dos gentios sem submetê-los à Lei
mosaica.
5. Qual profeta
foi citado por Tiago?
Resposta:
Amós.
(Amós 9.11-12)
Comentário
Tiago mostrou
que a inclusão dos gentios não era novidade.
Ela já havia
sido anunciada pelos profetas.
Assim,
experiência e Escritura caminhavam juntas.
6. O que
significa a palavra grega "χάρις" (cháris)?
Resposta:
Favor
imerecido.
Bondade
gratuita.
Dom concedido
por DEUS.
Comentário
A graça não
recompensa méritos.
Ela concede
gratuitamente aquilo que CRISTO conquistou na cruz.
7. Qual é a
diferença entre Lei e Graça?
|
Lei |
Graça |
|
Revela o
pecado |
Remove o
pecado |
|
Condena |
Justifica |
|
Exige
obediência perfeita |
Oferece
perdão em CRISTO |
Comentário
A Lei jamais
foi instrumento de salvação.
Sua função era
conduzir o pecador até CRISTO (Gl 3.24).
8. O que
significa "justificação"?
Resposta
É o ato
jurídico pelo qual DEUS declara justo o pecador que crê em CRISTO.
Palavra Grega
δικαίωσις
(Dikaíōsis)
9. A graça
incentiva o pecado?
Resposta
Não.
Pelo contrário.
Ela produz santificação.
Comentário
Paulo responde
claramente:
"Permaneceremos
no pecado para que a graça aumente?"
Resposta:
"De modo
nenhum."
(Romanos 6.1-2)
10. O que
significa crescer na graça?
Resposta
É amadurecer
espiritualmente, tornando-se cada vez mais semelhante a CRISTO.
Comentário
O crescimento
envolve:
· conhecimento
bíblico; comunhão; santificação;
obediência; perseverança.
11. O que
representa o Trono da Graça?
Resposta
Representa o
livre acesso do crente à presença de DEUS por meio da mediação de CRISTO.
(Hb 4.16)
Comentário
O antigo SANTO
dos Santos era inacessível.
Agora, por
causa da cruz,
todo salvo pode
aproximar-se confiadamente do Pai.
12. O que
recebemos ao nos aproximarmos do Trono da Graça?
Resposta
· misericórdia;
· graça;
· socorro
oportuno.
(Hb 4.16)
13. Quais são
os principais meios da graça?
Resposta
· Palavra
de DEUS;
· oração;
· jejum;
· adoração;
· comunhão;
· Ceia
do Senhor;
· plenitude
do ESPÍRITO SANTO.
Comentário
Esses meios não
salvam.
São
instrumentos utilizados por DEUS para fortalecer a vida espiritual do crente.
14. O que
significa "socorro em ocasião oportuna"?
Palavra Grega
εὔκαιρος
βοήθεια
(eúkairos boḗtheia)
Resposta
É a ajuda de
DEUS no momento exato da necessidade.
Comentário
DEUS nunca
chega atrasado.
Sua providência
é perfeita.
15. Por que
CRISTO é chamado de Sumo Sacerdote?
Resposta
Porque Ele
representa eternamente Seu povo diante do Pai e intercede continuamente pelos
salvos.
(Hb 7.25)
16. A quem a
graça é oferecida?
Resposta
A todos.
Judeus.
Gentios.
Homens.
Mulheres.
Todas as
nações.
Comentário
A oferta da
salvação é universal.
Sua aplicação é
recebida mediante arrependimento e fé em JESUS CRISTO.
17. Qual foi a
importância histórica do Concílio de Jerusalém?
Resposta
Preservou a
pureza do Evangelho e garantiu a expansão missionária da Igreja entre os
gentios.
Comentário
Sem essa
decisão,
o Cristianismo
poderia ter permanecido como uma seita judaica.
18. Qual a
relação entre graça e santificação?
Resposta
A mesma graça
que salva é a graça que santifica.
Comentário
Tito 2.11-12
ensina que a graça nos educa a renunciar à impiedade e a viver de maneira justa,
piedosa e sóbria.
19. Qual a
missão da Igreja diante dessa doutrina?
Resposta
Anunciar o
Evangelho da graça a todas as nações.
Comentário
A Igreja existe
para glorificar a DEUS proclamando CRISTO ao mundo inteiro.
20. Qual é a
principal lição de Atos 15 para a Igreja atual?
Resposta
A Igreja deve
preservar a pureza doutrinária, resolver suas controvérsias à luz das
Escrituras, depender da direção do ESPÍRITO SANTO e proclamar que a salvação é
exclusivamente pela graça mediante a fé em JESUS CRISTO.
Comentário
O Concílio de
Jerusalém continua sendo um modelo para a Igreja contemporânea. Ele demonstra
que questões doutrinárias não podem ser resolvidas apenas por tradição,
experiência ou opinião humana. A decisão deve sempre harmonizar a ação do
ESPÍRITO SANTO com o testemunho das Escrituras, preservando a centralidade de
CRISTO e a suficiência de Sua obra redentora.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS PARA O PROFESSOR DA EBD
Objetivos da
Aula
Ao concluir
esta lição, o professor deve levar os alunos a compreender que:
· A
salvação é um dom gratuito da graça de DEUS, recebido exclusivamente mediante a
fé em JESUS CRISTO.
· O
Concílio de Jerusalém preservou a pureza do Evangelho ao rejeitar qualquer
forma de salvação baseada em obras da Lei.
· A
graça não apenas justifica, mas também santifica e fortalece o crente ao longo
de toda a vida cristã.
· CRISTO
é a manifestação perfeita da graça divina e o único Mediador entre DEUS e os
homens.
· A
Igreja possui a responsabilidade permanente de anunciar esse Evangelho a todas
as pessoas, sem distinção de etnia, cultura ou condição social.
Aplicações
Práticas
1. Valorize a suficiência da obra de
CRISTO, evitando qualquer confiança em méritos pessoais ou práticas
religiosas como meio de salvação.
2. Cultive uma vida de dependência da
graça, aproximando-se diariamente do Trono da Graça por meio da
oração e da Palavra.
3. Cresça espiritualmente,
utilizando os meios da graça que DEUS concedeu à Igreja.
4. Defenda a sã doutrina com
humildade, amor e fidelidade às Escrituras.
5. Comprometa-se com a missão,
proclamando que "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo"
(Rm 10.13).
Citação
Teológica
Como sintetizou
de maneira memorável John Stott:
"O
cristianismo é, acima de tudo, uma religião da graça. Não somos salvos porque
merecemos, mas porque DEUS, em CRISTO, fez por nós aquilo que jamais poderíamos
fazer por nós mesmos."
Essa afirmação
resume o ensino de Atos 15: a Igreja permanece unida quando mantém
CRISTO e Sua graça no centro da fé, da comunhão e da missão.
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LIÇÃO ANTIGA
SOBRE O MESMO ASSUNTO
Lição 2, CPAD,
A Sutileza Da Banalização Da Graça
PIX -
33195781620 meu CPF - Luiz Henrique de Almeida Silva
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Efésios 2.4-10
4 - Mas DEUS, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos
amou, 5 - estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente
com CRISTO (pela graça sois salvos), 6 e nos ressuscitou juntamente com ele, e
nos fez assentar nos lugares celestiais, em CRISTO JESUS; 7 - para mostrar nos
séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade
para conosco em CRISTO JESUS. 8 - Porque pela graça sois salvos, por meio da
fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS. 9 - Não vem das obras, para que
ninguém se glorie. 10 - Porque somos feitura sua, criados em CRISTO JESUS para
as boas obras, as quais DEUS preparou para que andássemos nelas.
O tema central da lição é a graça de DEUS.
A graça é apresentada como divina e
imerecida.
O texto destaca que somos salvos pela graça,
não por obras.
Efésios 2.4-10 é a base bíblica da reflexão.
A graça é dom gratuito de DEUS.
A fé é o instrumento humano para receber a
graça.
A graça se manifesta em JESUS CRISTO e sua
obra salvífica.
A ressurreição faz parte dessa obra.
A graça é necessária porque todos pecaram.
Sua extensão alcança todos os homens.
No contexto da Reforma, houve corrupção da
doutrina da graça.
Mas também houve restauração dessa doutrina.
No contexto contemporâneo, fala-se em “graça
barateada”.
O texto alerta contra a banalização da graça.
A graça exige renúncia e vida santa.
O evangelho da graça chama à sobriedade e
justiça.
Misericórdia é não receber o que merecemos.
Graça é receber o que não merecemos:
salvação.
O salário do pecado é a morte.
O dom gratuito de DEUS é a vida eterna.
O texto defende o livre-arbítrio humano.
Critica o calvinismo por negar a escolha do
homem.
Critica também a ideia de que JESUS morreu
apenas por alguns.
Refuta a doutrina da perseverança dos santos.
Apresenta advertências bíblicas sobre
perseverar na fé.
Mostra exemplos de apostasia na Bíblia.
Judas Iscariotes é citado como exemplo.
Simão, o mago, também é lembrado.
Demas é outro caso de abandono da fé.
O texto afirma que crentes podem perder a
salvação.
Exorta a vigilância e perseverança.
Paulo reconhece não ter atingido a perfeição.
Ananias e Safira são citados como exemplos de
perda da salvação.
O nome pode ser riscado do Livro da Vida.
A presciência de DEUS não anula a liberdade
humana.
O texto critica a segurança carnal pregada
pelo calvinismo.
Afirma que a graça pode ser resistida.
Pode ser recebida em vão.
Pode ser apagada.
Pode ser anulada.
Pode ser abandonada pelo crente.
A Bíblia mostra que alguns se desviaram da
fé.
A graça exige responsabilidade e
perseverança.
O texto alerta contra falsos irmãos
infiltrados na igreja.
O calvinismo é chamado de seita herética.
A graça é resistível, diferente do que pregam
reformados.
A salvação pode ser perdida por apostasia.
A fé é individual e necessária para receber a
graça.
A graça é dom de DEUS, mas requer resposta
humana.
Conclusão: a graça é preciosa, não deve ser
banalizada.
ENSINOS
PERIGOSOS DE CALVINO
O texto analisa a quarta Instituta de João
Calvino.
São abordados temas como ceia do Senhor,
sacramentos, vida cristã e governo civil.
Calvino defendia a prática semanal da ceia.
Ele via a ceia como alimento espiritual.
O autor aponta contradições em seus escritos.
Calvino ora atribui cegueira espiritual a
Satanás.
Ora afirma que é DEUS quem cega e endurece.
Isso gera incoerência teológica.
O autor considera tais ideias blasfêmia.
Critica a lógica de DEUS ordenar o mal.
Questiona como DEUS cobraria obediência se
ordena todos os fatos.
Calvino defendia batismo por aspersão.
Mas também dizia que a forma não importa.
Reconhecia que originalmente se praticava
imersão.
Sobre dons espirituais, há contradições.
Em alguns escritos, Calvino afirma sua
continuidade.
Em outros, nega milagres e curas.
O autor considera isso antibíblico.
DEUS e o ESPÍRITO não mudam.
Calvino permitia vinho e música secular.
Depois volta a defender dons espirituais.
O autor nota incoerência constante.
Calvino defendia pena de morte.
Cita o caso de Miguel Servet queimado na
fogueira.
Houve prisões e execuções em Genebra.
Calvino também defendia guerras justas.
Considerava legítima a vingança em certos
casos.
Mas logo depois pregava paciência e não
resistir ao mal.
Isso gera contradição com o ensino de CRISTO.
Em outro trecho, afirma que devemos aceitar
ser governados por DEUS.
Essa visão se aproxima do arminianismo.
Porém, em outros escritos, insiste na
predestinação absoluta.
Contradição entre perseverança decretada e
exortação à perseverança.
O autor vê falácias e incoerências.
Alerta os pentecostais contra tais ensinos.
Afirma que igrejas se dividem por influência
calvinista.
Critica calvinistas que entram em igrejas
pentecostais.
Considera isso desrespeito à tradição
teológica.
Cita frases de teólogos calvinistas radicais.
Alguns afirmam que DEUS ordena o pecado.
Outros dizem que DEUS move línguas para
blasfemar.
Há quem diga que DEUS decretou a queda de
Adão.
Também que pobreza é decretada por DEUS.
O autor vê nisso heresia grave.
Conclui que no calvinismo DEUS seria o único
pecador.
Considera Satanás mero fantoche nessa lógica.
Rejeita a ideia de DEUS ordenar o mal.
Defende que igrejas pentecostais devem se
preparar contra tais ensinos.
Ora para que o calvinismo não se espalhe no
Brasil.
Finaliza pedindo misericórdia de DEUS sobre
os que apoiam o calvinismo.
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LIÇÃO ANTIGA
SOBRE O MESMO ASSUNTO
Lição
02, Central Gospel, ano 3-nº9, Walter Brunelli, A Graça Salvadora e seus
Efeitos
TABELA
EXPOSITIVA
|
Texto |
Expressão-chave |
Palavra/ideia
grega |
Sentido
bíblico |
Ensino
teológico |
Aplicação
prática |
|
Ef 2.1 |
“mortos em
ofensas e pecados” |
nekrous |
morte espiritual
real |
o homem não
salva a si mesmo |
reconheça sua
total dependência de DEUS |
|
Ef 2.4 |
“riquíssimo
em misericórdia” |
misericórdia
abundante |
DEUS age por
compaixão |
a salvação
nasce no coração de DEUS |
adore a DEUS
por sua misericórdia |
|
Ef 2.5 |
“nos
vivificou juntamente com CRISTO” |
co-vivificação |
nova vida em
união com CRISTO |
regeneração é
obra divina |
viva como
nova criatura |
|
Ef 2.8 |
“pela graça
sois salvos” |
chariti |
favor
imerecido |
salvação é
dom, não mérito |
abandone toda
autoglória |
|
Ef 2.8 |
“por meio da fé” |
fé como meio |
recebe-se,
não conquista-se |
fé não
substitui a graça, serve à graça |
confie
inteiramente em CRISTO |
|
Ef 2.13 |
“pelo sangue
de CRISTO chegastes perto” |
aproximação
sacrificial |
o sangue
remove a distância |
a
reconciliação vem pela cruz |
aproxime-se
de DEUS com confiança |
|
Ef 2.15 |
“um novo
homem” |
nova
humanidade |
CRISTO cria
um novo povo |
a Igreja é
nova criação comunitária |
busque
unidade em CRISTO |
|
Ef 2.16 |
“reconciliar
ambos com DEUS” |
reconciliação
plena |
paz vertical
e horizontal |
a cruz mata a
inimizade |
rejeite
divisões carnais |
|
Ef 3.1 |
“prisioneiro
de CRISTO” |
sofrimento
sob providência |
Paulo
interpreta sua prisão cristologicamente |
DEUS governa
até o sofrimento |
sirva a
CRISTO mesmo em aflição |
|
Ef 3.8 |
“riquezas
incompreensíveis de CRISTO” |
insondáveis
riquezas |
CRISTO é
inesgotável |
o evangelho é
tesouro infinito |
alimente-se
continuamente de CRISTO |
|
Ef 3.10 |
“multiforme
sabedoria de DEUS” |
sabedoria
multifacetada |
DEUS se
revela pela Igreja |
a Igreja tem
papel cósmico no plano de DEUS |
valorize a
vida da igreja |
|
Ef 3.20–21 |
“muito mais
abundantemente” |
superabundância |
DEUS excede
nossas medidas |
o poder
divino opera no seu povo |
ore com fé e
termine adorando |
ESCOLA
DOMINICAL CENTRAL GOSPEL / JOVENS E ADULTOS - Lição 2 / ANO 3 - N° 9
A Graça
Salvadora e seus Efeitos — Efésios 2-3
- Efésios 2 e 3 contrastam
passado e presente dos cristãos.
- Antes mortos em pecados, agora
vivificados pela graça.
- Antes distantes, agora próximos
pelo sangue de CRISTO.
- Antes sem direção, agora
guiados por apóstolos.
- Antes sem intercessor, agora
cobertos por oração.
- Essa mudança é fruto da
misericórdia de DEUS.
- Em CRISTO, o que estava morto
reviveu.
- O que estava dividido foi
reconciliado.
- O que era estranho tornou-se
familiar.
- A graça chama os salvos a boas
obras.
- Essas obras não são mérito, mas
fruto da nova vida.
- A graça também une judeus e
gentios.
- Forma um só corpo: a Igreja.
- Paulo lembra que antes todos
estavam mortos em ofensas.
- Viviam guiados pelos desejos da
carne.
- Eram dominados por forças
espirituais contrárias.
- Viviam como filhos da
desobediência.
- Eram filhos da ira.
- A intervenção da graça mudou
essa realidade.
- DEUS, rico em misericórdia,
vivificou os crentes.
- Em CRISTO, há vida nova.
- Há ressurreição espiritual.
- Há exaltação às regiões
celestiais.
- Há revelação contínua das
riquezas da graça.
- A salvação é dom de DEUS, não
por obras.
- A fé é o meio de recebê-la.
- As boas obras não salvam.
- Mas são estilo de vida do
salvo.
- São expressão concreta da
transformação.
- Paulo destaca a unidade do povo
de DEUS.
- Judeus e gentios antes estavam
separados.
- Gentios viviam sem esperança e
sem DEUS.
- Judeus tinham exclusivismo
religioso.
- Em CRISTO, ambos foram
reconciliados.
- Ele derrubou o muro de
separação.
- Formou um só corpo no ESPÍRITO.
- A Igreja é edifício espiritual.
- CRISTO é o fundamento e pedra
angular.
- Os apóstolos e profetas são
colunas da fé.
- A Igreja cresce como templo
santo no Senhor.
- Os crentes são morada do ESPÍRITO
SANTO.
- Paulo apresenta o mistério
revelado em CRISTO.
- Esse mistério é a união de
judeus e gentios.
- A Igreja é canal da sabedoria
divina.
- Paulo se vê como prisioneiro
por anunciar o evangelho.
- Reconhece ser o menor dos
santos.
- Atribui tudo à graça de DEUS.
- Ora para que os crentes
compreendam o amor de CRISTO.
- Exalta DEUS como poderoso para
fazer além do que pedimos.
- Conclui dando glória a DEUS na
Igreja, em CRISTO, para sempre.
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APÊNDICE
Perguntas:
Os
sinais, prodígios e maravilhas comprovam o ministério?
Os
sinais, prodígios e maravilhas Comprovam o ministro?
Os
sinais, prodígios e maravilhas Comprovam a pregação?
Ser
batizado com o ESPÍRITO SANTO e falar em línguas comprova a salvação?
🔥 1. Os sinais,
prodígios e maravilhas comprovam o ministério
Em Atos, os
sinais confirmam o envio e a autoridade divina.
- Atos 2:43 — “Em cada alma havia temor, e muitos
prodígios e sinais eram feitos pelos apóstolos.”
- Atos 5:12 — “Pelas mãos dos apóstolos eram feitos
muitos sinais e prodígios entre o povo.” Esses sinais não eram
opcionais, mas parte da manifestação do poder de DEUS que autenticava
o ministério apostólico.
✨ 2. Comprovam o ministro
Sim. Em Atos, o
ministro é reconhecido pelo poder do ESPÍRITO SANTO operando nele.
- Atos 3:6–8 — Pedro cura o coxo à porta do templo, e
o povo reconhece que DEUS está com ele.
- Atos 9:36–42 — Pedro ressuscita Tabita, e “muitos
creram no Senhor”. Esses atos confirmam o ministro como instrumento
de DEUS.
📖 3. Comprovam a
pregação
Sim. Os sinais validam
a mensagem.
- Atos 14:3 — “O Senhor dava testemunho à palavra da
sua graça, concedendo que por suas mãos se fizessem sinais e prodígios.”
Ou seja, DEUS mesmo confirma a pregação com sinais visíveis.
💧 4. Ser
batizado com o ESPÍRITO SANTO e falar em línguas comprova a salvação
Em Atos
10:44–48, Pedro declara que os gentios receberam o ESPÍRITO SANTO e,
por isso, foram batizados nas águas.
- Eles falaram em línguas e
exaltaram a DEUS, e Pedro conclui: “Pode alguém recusar a água, para
que não sejam batizados estes que também receberam o ESPÍRITO SANTO como
nós?” Nesse contexto, o batismo com o ESPÍRITO SANTO e o falar em
línguas foram a evidência da salvação — não apenas um dom, mas a
confirmação de que DEUS os havia aceitado.
Portanto, em
Atos, a resposta é sim para todas as perguntas:
- Os sinais comprovam o
ministério.
- Os sinais comprovam o ministro.
- Os sinais comprovam a pregação.
- E o batismo com o ESPÍRITO SANTO,
acompanhado de línguas, comprovou a salvação dos gentios naquele
momento histórico.
Completamos:
JESUS foi aprovado através de que, segundo
Pedro em Atos no dia de pentecostes?
Paulo diz que
seu apostolado foi aprovado através de que?
Vamos direto ao
texto bíblico:
✨ JESUS aprovado segundo Pedro em
Atos
No dia de
Pentecostes, Pedro declara claramente:
- Atos 2:22 — “Varões israelitas, escutai estas
palavras: A JESUS Nazareno, varão aprovado por DEUS entre vós com
milagres, prodígios e sinais, que DEUS por ele fez no meio de vós, como
vós mesmos bem sabeis...” ➡️ Ou seja, JESUS foi aprovado por DEUS
através de milagres, prodígios e sinais.
🔥 Paulo e seu
apostolado
Paulo também
afirma que seu apostolado foi confirmado pelo mesmo princípio:
- 2 Coríntios 12:12 — “Os sinais do meu apostolado foram
manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e
maravilhas.” ➡️ Portanto, Paulo diz que seu
apostolado foi aprovado através de sinais, prodígios e maravilhas.
Assim, tanto JESUS
quanto Paulo são apresentados em Atos e nas cartas como aprovados por
DEUS através de sinais visíveis e poderosos, que confirmavam sua missão e
mensagem.
Aqui está o
quadro comparativo mostrando como JESUS, Pedro e Paulo foram aprovados e
confirmados através de sinais, prodígios e maravilhas, conforme Atos e outras
passagens:
|
Personagem |
Texto
Bíblico |
Evidência de
Aprovação |
|
JESUS |
Atos 2:22 — “JESUS
Nazareno, varão aprovado por DEUS entre vós com milagres, prodígios e sinais,
que DEUS por ele fez...” |
Milagres,
prodígios e sinais confirmaram que Ele era enviado por DEUS. |
|
Pedro |
Atos 5:12 —
“Pelas mãos dos apóstolos eram feitos muitos sinais e prodígios entre o
povo.” Atos 9:40–42 — Ressurreição de Tabita levou muitos a crerem. |
Sinais e
prodígios confirmaram seu ministério e sua pregação. |
|
Paulo |
2 Coríntios
12:12 — “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós... por
sinais, prodígios e maravilhas.” Atos 14:3 — DEUS confirmava sua palavra com
sinais. |
Seu
apostolado foi aprovado por sinais, prodígios e maravilhas. |
Resumo:
- JESUS foi aprovado por DEUS através de
milagres, prodígios e sinais.
- Pedro foi confirmado como ministro e pregador
por sinais e prodígios.
- Paulo declarou que seu apostolado foi
autenticado por sinais, prodígios e maravilhas.
Assim, em Atos
e nas cartas, o padrão é claro: os sinais são a evidência visível da
aprovação divina sobre o ministério, o ministro e a mensagem. A salvação é
comprovada por batismo com o ESPÍRITO SANTO e o falar em línguas.
|
Personagem /
Grupo |
Texto
Bíblico |
Evidência de
Aprovação |
|
JESUS |
Atos 2:22 — “JESUS
Nazareno, varão aprovado por DEUS entre vós com milagres, prodígios e
sinais...” |
Aprovado por DEUS
através de milagres, prodígios e sinais. |
|
Pedro |
Atos 5:12 —
“Pelas mãos dos apóstolos eram feitos muitos sinais e prodígios entre o
povo.” Atos 9:40–42 — Ressurreição de Tabita levou muitos a crerem. |
Ministério e
pregação confirmados por sinais e prodígios. |
|
Paulo |
2 Coríntios
12:12 — “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós... por
sinais, prodígios e maravilhas.” Atos 14:3 — DEUS confirmava sua palavra com
sinais. |
Apostolado
aprovado por sinais, prodígios e maravilhas. |
|
Gentios em
Cesareia |
Atos 10:44–47
— O ESPÍRITO SANTO caiu sobre eles, falaram em línguas e exaltaram a DEUS.
Pedro então ordenou que fossem batizados nas águas. |
A salvação
foi comprovada pelo batismo com o ESPÍRITO SANTO e pelo falar em línguas. |
|
Samaritanos |
Atos 8:14–17
— Pedro e João foram enviados a Samaria, oraram por eles e impuseram as mãos;
então receberam o ESPÍRITO SANTO. |
A presença do
ESPÍRITO SANTO foi confirmada pela imposição de mãos dos apóstolos. |
|
Discípulos em
Éfeso |
Atos 19:1–6 —
Paulo encontrou cerca de doze discípulos, ensinou sobre JESUS, batizou-os
novamente nas águas em nome do Senhor JESUS, impôs as mãos sobre eles, e
o ESPÍRITO SANTO veio sobre eles; começaram a falar em línguas e profetizar. |
Recebimento
do ESPÍRITO SANTO comprovado pelo falar em línguas e profecia, acompanhado do
batismo nas águas. |
Conclusão
- Em Cesareia, Pedro
reconheceu a salvação dos gentios pelo ESPÍRITO SANTO e línguas, e os
batizou nas águas.
- Em Samaria, os apóstolos
confirmaram a fé dos samaritanos pela imposição de mãos e recebimento do ESPÍRITO
SANTO.
- Em Éfeso, Paulo ensinou,
batizou novamente nas águas e, impondo as mãos, viu os discípulos
receberem o ESPÍRITO SANTO com línguas e profecia.
👉 O padrão em Atos é claro: sinais,
línguas, profecia e batismo nas águas são a comprovação visível da salvação
e da aprovação divina.
Resumo da
Progressão:
- Jerusalém (Pentecostes) — início da Igreja, confirmação pelo
falar em línguas.
- Samaria — confirmação da fé dos samaritanos pela
imposição de mãos e recebimento do ESPÍRITO SANTO.
- Cesareia — salvação dos gentios comprovada pelo ESPÍRITO
SANTO e línguas, seguida do batismo nas águas.
- Éfeso — Paulo ensina, batiza novamente nas
águas e confirma com línguas e profecia.
👉 Em cada etapa, o ESPÍRITO SANTO é visivelmente
confirmado por sinais, línguas, profecia e batismo, mostrando que a
salvação e a aprovação divina eram reconhecidas de forma clara e pública.
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NA
ÍNTEGRA COMO NA REVISTA
Escrita, Lição
3, CPAD, A Graça que alcança todas as Nações, 3Tr26, Com. Extras Pr.
Henrique, EBD NA TV
ESBOÇO DA LIÇÃO
I - QUANDO A
GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
1. O Concílio
de Jerusalém.
2. O relatório
de Pedro (vv.7–11).
3. O relatório
de Paulo e Barnabé (v.12).
4. O discurso
de Tiago (vv.13–21).
II - UM
PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS
1. O que é a
graça de DEUS?
2. JESUS CRISTO
como a manifestação da graça.
3. A graça é
para todos os povos — sem exceção.
III - CRESCENDO
NA GRAÇA
1. Como nos
aproximar do trono da graça (Hb 4.16).
2. Quando
devemos nos achegar ao trono da graça?
3. O que
recebemos ao nos achegarmos ao trono da graça?
TEXTO ÁUREO
“Porque pela
graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS.”(Ef
2.8)
VERDADE PRÁTICA
É pela graça
que somos alcançados, perdoados e reconciliados com DEUS.
LEITURA DIÁRIA
Segunda
- At 15.11 A salvação é afirmada como obra exclusiva da graça do
Senhor JESUS
Terça - At
10.44-48 DEUS não faz distinção entre pessoas
Quarta
- Ef 2.8,9 A salvação é um dom gratuito de DEUS
Quinta
- Tt 2.11,12 A graça de DEUS se manifestou trazendo salvação a todos
Sexta - Hb
4.16 O trono da graça está aberto para o crente
Sábado - 2
Pe 3.18 Crescendo em graça e conhecimento de JESUS CRISTO
LEITURA BÍBLICA
EM CLASSE - Atos 15.1-5, 28,29, 36-39
1 - Então,
alguns que tinham descido da Judeia ensinavam assim os irmãos: Se vos não
circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos.
2 - Tendo tido
Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que
Paulo, Barnabé e alguns dentre eles subissem a Jerusalém aos apóstolos e aos
anciãos sobre aquela questão.
3 - E eles,
sendo acompanhados pela igreja, passaram pela Fenícia e por Samaria, contando a
conversão dos gentios, e davam grande alegria a todos os irmãos.
4 - Quando
chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos e
lhes anunciaram quão grandes coisas DEUS tinha feito com eles.
5 - Alguns,
porém, da seita dos fariseus que tinham crido se levantaram, dizendo que era
mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés.
28 - Na
verdade, pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós não vos impor mais encargo
algum, senão estas coisas necessárias:
29 - Que vos
abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne
sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Bem vos
vá.
36 - Alguns
dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas
as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão.
37 - E Barnabé
aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos.
38 - Mas a
Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se
tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra.
39 - E tal
contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando
consigo a Marcos, navegou para Chipre.
HINOS SUGERIDOS
: 394, 409, 433 da Harpa Cristã
PALAVRA-CHAVE -
GRAÇA
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
Esta lição nos
convida a uma reflexão madura e bíblica sobre a graça de DEUS como fundamento
da salvação e da unidade da Igreja. A partir do Concílio de Jerusalém, o estudo
evidencia que a fé cristã não se apoia em méritos humanos, mas na ação soberana
de DEUS em CRISTO. Ao ensinar, valorize o diálogo, a experiência de vida dos
alunos e a aplicação prática, ajudando-os a compreender, viver e crescer na
graça que alcança todas as nações.
2. APRESENTAÇÃO
DA LIÇÃO
A) Objetivos da
Lição: I) Analisar com a classe como a graça sustenta a unidade da Igreja em
Atos 15; II) Examinar biblicamente a salvação pela graça como oferta universal
em CRISTO; III) Incentivar a busca
constante do
trono da graça.
B) Motivação: A
graça que alcança todas as nações é essencial porque revela o coração do
Evangelho e preserva a fé de legalismos e distorções liberais. Ao compreender a
salvação como dom divino, o aluno fortalece sua convicção bíblica, cresce em
unidade cristã e aprende a viver a fé com humildade, gratidão e compromisso
diário com DEUS.
C) Sugestão de
Método: Para reforçar a perspectiva bíblica do oferecimento universal da
salvação, no segundo tópico, sugerimos que adote o método do contraste
doutrinário guiado pelas Escrituras. Inicie apresentando textos centrais que
afirmam a universalidade da graça (Rm 10.13; Tt 2.11; 1 Tm 2.3-6) e,
em seguida, proponha a comparação respeitosa com correntes que restringem a
salvação a um grupo previamente determinado. Estimule a classe a examinar o
contexto bíblico, a coerência do caráter amoroso de DEUS e a responsabilidade
humana na resposta da fé. O objetivo é capacitar o aluno a defender, com
mansidão e clareza, que a graça é suficiente e oferecida a todos.
3. CONCLUSÃO DA
LIÇÃO
A) Aplicação: À
luz do ensino bíblico, o cristão é chamado a viver sob o governo da graça,
rejeitando todo legalismo e toda indiferença espiritual. Quem foi alcançado
pela graça de DEUS responde com fé obediente, compromisso com a santidade e
disposição para anunciar que a salvação em CRISTO está disponível a todos.
4. SUBSÍDIO AO
PROFESSOR
A) Revista
Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens,
artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição
106, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios
Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na
preparação de sua aula: 1) O texto "A Importância da Circuncisão",
localizado depois do primeiro tópico, traz o contexto cultural da discussão
de Atos 15; 2) O texto "A Graça que Respeita", localizado
ao final do segundo tópico, aprofunda a reflexão da operação da Graça de DEUS
diante da cultura alheia.
COMENTÁRIO -
INTRODUÇÃO
A expansão do
Evangelho entre os gentios trouxe grande alegria à Igreja, mas também revelou
um dos primeiros desafios doutrinários do Cristianismo. Com o retorno de Paulo
e Barnabé a Antioquia da Síria, após a evangelização da Ásia Menor, surgiu uma
controvérsia que ameaçava a unidade da fé: a salvação estaria condicionada à
observância da Lei de Moisés? Cristãos oriundos do farisaísmo passaram a exigir
a circuncisão dos gentios convertidos, provocando um debate decisivo sobre a
natureza da graça. Diante dessa crise, a Igreja buscou discernimento espiritual
e fidelidade às Escrituras, culminando numa decisão importante, no Concílio de
Jerusalém, que mostrou que a Graça de DEUS alcança todas as nações.
I - QUANDO A
GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
1. O Concílio
de Jerusalém.
Realizado entre
48 e 50 d.C., o Concílio reuniu apóstolos, presbíteros e a igreja para tratar
da controvérsia levantada pelos judaizantes, que defendiam a circuncisão como
requisito para a salvação (At 15.1,5). Contudo, tal exigência contrariava o
ensino bíblico, pois a circuncisão nunca foi meio de justificação (Rm 2.25–29).
Sob a liderança de Tiago e a direção do ESPÍRITO SANTO, a Igreja reconheceu que
a salvação alcança todas as nações pela graça.
2. O relatório
de Pedro (vv.7–11).
Pedro relembra
de sua experiência na casa de Cornélio, mostrando que DEUS concedeu o ESPÍRITO
SANTO aos gentios mediante a fé, e não por obras da Lei (At 10.44–46; Gl
3.2). Sem fazer distinção entre judeus e gentios, DEUS purificou seus corações
pela fé (At 10.34–48). Assim, Pedro questiona a imposição do jugo da Lei e
afirma que todos são salvos pela graça do Senhor JESUS CRISTO (At 15.11).
3. O relatório
de Paulo e Barnabé (v.12).
Em seguida,
Paulo e Barnabé relatam como DEUS confirmou a missão gentílica por meio de
sinais e prodígios (At 4.30). Milagres como a cegueira do mágico cipriota, a
cura em Listra e o livramento de Paulo testemunham a aprovação divina (At
13.8–11; 14.8–10; 14.19,20). Além disso, destacam que os gentios
foram salvos pela graça, sem a exigência da Lei (At 13.12,44,48).
4. O discurso
de Tiago (vv.13–21).
Tiago, o Justo,
irmão do Senhor e líder respeitado da igreja, preside o Concílio com
discernimento espiritual (Gl 2.9). Após ouvir os testemunhos, reconhece que
DEUS visitou os gentios para formar dentre eles um povo para o seu nome.
Fundamenta sua proposta nas Escrituras, citando Amós (Am 9.11,12), mostrando
que a inclusão dos gentios já fazia parte do plano redentor. Assim, afirma que
a missão gentílica não contradiz a revelação, mas a cumpre. O Concílio decide
não impor a Lei mosaica aos gentios, recomendando apenas a abstinência de
práticas que comprometeriam a comunhão: idolatria, imoralidade sexual, carne
sufocada e sangue. A decisão é comunicada por carta às igrejas gentílicas,
enviada com Paulo, Barnabé, Judas e Silas, reafirmando a direção do ESPÍRITO
SANTO (At 15.28) e trazendo consolo e unidade. Após isso, surge a divergência
entre Paulo e Barnabé quanto a João Marcos, resultando na separação dos dois
líderes. Ainda assim, a obra missionária prossegue, e Marcos é posteriormente
restaurado (Cl 4.10; 2 Tm 4.11).
A decisão do
Concílio revelou que a graça que preserva a unidade da Igreja é a mesma que
DEUS oferece como dom de salvação a todos, sem distinção.
AMPLIANDO O
CONHECIMENTO - A GRAÇA DO SENHOR JESUS
“A questão
crucial no concílio de Jerusalém era se a circuncisão (isto é, a remoção do
prepúcio como um sinal do Antigo Testamento da aceitação do concerto de DEUS) e
a obediência à lei que DEUS deu através de Moisés eram necessárias para a
salvação. Aqueles que receberam esta delegação concluíram que os gentios (isto
é, aqueles que não eram judeus) estariam sendo espiritualmente salvos pela
graça do Senhor JESUS.” Amplie mais o seu conhecimento lendo a Bíblia de
Estudo Pentecostal: Edição Global, editada pela CPAD, p.1972.
SINÓPSE I - O
Concílio de Jerusalém confirma a graça como base da unidade cristã.
AUXÍLIO
BÍBLICO-EXEGÉTICO - “A IMPORTÂNCIA DA CIRCUNCISÃO
A circuncisão
era uma das práticas mais importantes do judaísmo, era central para a
identidade judaica.¹²⁷ Outras alianças tinham sinais diferentes (por exemplo, o
arco no céu, Gn 9.12–13,17), mas a circuncisão colocava a marca da aliança
na própria carne da pessoa (17.11,13).¹²⁸ A centralidade da circuncisão na vida
judaica regular antes de Adriano pode ser exemplificada na reunião de
convidados nas noites entre o nascimento de um menino e sua circuncisão no
oitavo dia de vida.¹²⁹ Uma obra pré-cristã opinava que a falha de alguns judeus
— ‘filhos de Belial’ — em circuncidar seus filhos traria a ira sobre toda
Israel por apostasia (Jub. 15.33–34). [...] O preço pago por Israel para manter
a circuncisão poderia tornar o povo judeu muito mais leal a ela. Israel
enfrentou o ridículo por causa dessa marca,¹³⁴ razão pela qual alguns judeus
tentavam apagá-la.¹³⁵ Algumas mulheres tiveram de enfrentar a morte para
circuncidar seus filhos; um opressor atirou-as do muro da cidade.¹³⁶ Como a
circuncisão era o sinal da aliança de Abraão, podia, pela justaposição
com Êx 4.22,23 e com 4.24–26, ser relacionada com a redenção.
Por isso, mais tarde, os rabinos falavam do mérito envolvido na
circuncisão.¹³⁷” (KEENER, Craig S. Comentário Exegético Atos: Capítulos 15.1 a
23.35. Rio de Janeiro: CPAD, 2024, p.2623).
[...] Pedro
questiona a imposição do jugo da Lei e afirma que todos são salvos pela graça
do Senhor JESUS CRISTO .”
II - UM
PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS
1. O que é a
graça de DEUS?
A palavra grega
cháris significa favor, bondade e dom imerecido. No Novo Testamento, a graça
descreve a iniciativa soberana de DEUS em salvar o ser humano, não por obras ou
méritos, mas por amor e misericórdia (Ef 2.8,9). Diante do drama universal do
pecado, que separou toda a humanidade de DEUS (Rm 3.23), a graça se apresenta
como o único meio de reconciliação. A Lei revela o pecado, mas não salva;
somente a graça concede vida, pois onde abundou o pecado, superabundou a graça
(Rm 5.20).
2. JESUS CRISTO
como a manifestação da graça.
A graça alcança
sua plena expressão na pessoa e na obra de JESUS CRISTO. Por amor, Ele se fez
pobre para nos enriquecer espiritualmente (2 Co 8.9). Em CRISTO, a graça não
apenas perdoa, mas justifica e transforma, conduzindo o crente a uma vida santa
e piedosa (Rm 3.24; Tt 2.11–12). Sua morte substitutiva e ressurreição
garantem redenção, perdão e nova vida àqueles que creem (Jo 1.17).
3. A graça é
para todos os povos — sem exceção.
O Concílio de
Jerusalém confirmou que a salvação não exige a observância da Lei mosaica,
sendo oferecida igualmente a judeus e gentios pela graça, mediante a fé (At
15.11). Em CRISTO, não há barreiras étnicas, culturais ou religiosas. Todo
aquele que invoca o nome do Senhor será salvo (Rm 10.13). Essa graça universal
deve ser recebida pela fé em JESUS CRISTO, o único Salvador (Ef 2.8; Tt
3.4–7).
Diante dessa
graça tão ampla e suficiente, somos chamados não apenas a recebê-la, mas a
viver sob o seu governo. A graça que salva também ensina, corrige e fortalece.
Quem foi alcançado por ela responde com gratidão, fé perseverante e uma vida
que glorifica a DEUS em obediência e amor.
SINÓPSE II - A
graça de DEUS oferece a salvação a todos por meio de JESUS CRISTO.
AUXÍLIO
BÍBLICO-TEOLÓGICO - A GRAÇA QUE RESPEITA
“Em seguida,
vem o âmago da mensagem. Pareceu bem — edoxe, cf. 22, 25 — ao ESPÍRITO SANTO e
a nós (28). Dessa forma, os apóstolos e os anciãos estavam expressando sua
convicção da presença da divina autoridade na decisão que haviam tomado. Pedro
e João lembraram a promessa de JESUS aos discípulos: “Mas, quando vier aquele
ESPÍRITO da verdade, ele vos guiará em toda a verdade” (Jo 16.13). Eles haviam
recebido o ESPÍRITO SANTO no Pentecostes e agora podiam afirmar ter recebido a
orientação divina. A decisão era não vos impor mais encargo algum, senão estas
coisas necessárias — as coisas necessárias para evitar ofender seus irmãos
judeus em CRISTO. Lumby entende dessa maneira: “Enquanto eles (em Jerusalém),
seguindo a sugestão do ESPÍRITO, estavam deixando de lado seus arraigados
preconceitos contra qualquer relação com os gentios, afirmavam que os gentios,
por sua vez, deveriam considerar carinhosamente os escrúpulos dos judeus”.
(Comentário Bíblico Beacon: João a Atos. Rio de Janeiro: CPAD, 2014,
pp.324-25).
III - CRESCENDO
NA GRAÇA
1. Como nos
aproximar do trono da graça (Hb 4.16).
Crescer na
graça e no conhecimento de CRISTO pressupõe amadurecimento espiritual contínuo
(2 Pe 3.18). Assim, o acesso ao trono da graça ocorre com confiança, não
fundamentada em méritos humanos, mas na obra redentora de CRISTO, que removeu a
barreira do pecado (Hb 10.19–22; Ef 3.12). Além disso, aproximamo-nos com
fé viva e reverência, pois sem fé é impossível agradar a DEUS (Hb 11.6). Do
mesmo modo, essa aproximação exige humildade e coração quebrantado, que o
Senhor jamais despreza (Sl 51.17). Por isso, o trono é chamado de Trono da
graça: dele procedem misericórdia, perdão, socorro e poder espiritual.
A Lei revela o
pecado, mas não salva; somente a graça concede vida, pois onde abundou o
pecado, superabundou a graça.”
2. Quando
devemos nos achegar ao trono da graça?
As Escrituras
orientam que busquemos a graça “em tempo oportuno” (Hb 4.16). Isso significa
que o auxílio divino está sempre disponível no momento exato da necessidade.
Com efeito, DEUS é socorro bem presente na angústia (Sl 46.1) e jamais se
atrasa. Portanto, o trono da graça não é inacessível nem reservado a poucos,
mas permanece aberto a todos os crentes, que podem se achegar com confiança,
hoje e sempre, pela fé em JESUS CRISTO.
3. O que
recebemos ao nos achegarmos ao trono da graça?
Ao nos aproximarmos de DEUS, recebemos misericórdia, perdão, fortalecimento espiritual e capacitação para viver segundo a sua vontade (Rm 3.24; Fp 2.13). Assim, toda a vida cristã depende dessa graça, desde a salvação até o crescimento contínuo em CRISTO (Tt 2.11,12; 2 Pe 3.18). Além disso, DEUS comunica sua graça por meios espirituais ordenados: a Palavra (2 Tm 3.15), a pregação do Evangelho (Rm 1.16), a oração (Hb 4.16), o jejum (Mt 6.16–18), a adoração (Cl 3.16), a plenitude do ESPÍRITO SANTO (Ef 5.18) e a comunhão à mesa do Senhor (At 2.42).
SINÓPSE III -
Crescer na graça é viver dependente de DEUS por fé e comunhão.
CONCLUSÃO
Resumindo, o
Concílio de Jerusalém reafirmou que a salvação é exclusivamente pela graça,
abrindo caminho para a expansão universal do Evangelho (Ef 2.8,9). Desse modo,
esse marco histórico ensina que a Igreja deve enfrentar desafios doutrinários
com fidelidade bíblica, humildade pastoral e plena dependência do ESPÍRITO
SANTO, cumprindo sua missão entre todas as nações (Mt 28.19,20).
REVISANDO O
CONTEÚDO
1. Qual foi a
principal controvérsia doutrinária tratada no Concílio de Jerusalém?
A defesa da
circuncisão como requisito para a salvação (At 15.1,5). Mas sob a liderança de
Tiago e a direção do ESPÍRITO SANTO, a Igreja reconheceu que a salvação alcança
todas as nações pela graça.
2. No subtópico
sobre o “discurso de Tiago”, qual é a decisão do Concílio e o que ele
recomenda?
O Concílio
decide não impor a Lei mosaica aos gentios, recomendando apenas a abstinência
de práticas que comprometeriam a comunhão: idolatria, imoralidade sexual, carne
sufocada e sangue.
3. Por que a
graça de DEUS é o único meio de salvação para todos os povos e como ela se
apresenta?
Diante do drama
universal do pecado, que separou toda a humanidade de DEUS (Rm 3.23), a graça
se apresenta como o único meio de reconciliação.
4. De acordo
com Hebreus 4.16, com quais atitudes espirituais o crente deve se
aproximar do trono da graça?
Com fé viva,
reverência, humildade e coração quebrantando.
5. Segundo a
lição, quais bênçãos o crente recebe ao se achegar ao trono da graça de DEUS?
Ao nos
aproximarmos de DEUS, recebemos misericórdia, perdão, fortalecimento espiritual
e capacitação para viver segundo a sua vontade (Rm 3.24; Fp 2.13).
QUESTIONÁRIOS
Lição 3,
CPAD, A Graça que alcança todas as Nações, 3Tr26
Questionário com 20 Perguntas e Respostas para
professores
- Quando ocorreu o Concílio de
Jerusalém? Entre os anos 48 e 50 d.C.
- Qual foi a principal
controvérsia discutida no Concílio? A
exigência da circuncisão dos gentios como condição para a salvação.
- Quem liderou o Concílio de
Jerusalém? Tiago, o Justo, irmão do
Senhor.
- Qual foi o testemunho de Pedro
no Concílio? Que DEUS concedeu o ESPÍRITO SANTO
aos gentios mediante a fé, sem obras da Lei.
- Qual experiência Pedro
relembrou para apoiar sua posição? A
conversão de Cornélio e sua casa.
- O que Paulo e Barnabé relataram
no Concílio? Os sinais e prodígios que
confirmaram a missão entre os gentios.
- Qual profeta Tiago citou em seu
discurso? Amós (Am 9.11–12).
- Quais práticas foram
recomendadas aos gentios pelo Concílio a não praticarem?
Abster-se da idolatria, imoralidade sexual, carne sufocada e sangue.
- Qual foi o resultado da decisão
do Concílio? Consolou e preservou a unidade
da Igreja.
- O que significa a palavra grega
“cháris”? Favor, bondade e dom
imerecido.
- Segundo Efésios 2.8–9, como o
ser humano é salvo? Pela
graça, mediante a fé, e não por obras.
- Quem é a plena manifestação da
graça de DEUS? JESUS CRISTO.
- O que a graça faz além de
perdoar? Justifica, transforma e conduz
à santidade.
- O que o Concílio de Jerusalém
confirmou sobre a salvação? Que não
depende da Lei mosaica, mas da graça.
- Em CRISTO, quais barreiras são
eliminadas? Étnicas, culturais e
religiosas.
- Como nos aproximamos do trono
da graça? Com confiança, fé e humildade,
por meio de CRISTO.
- Quando devemos buscar a graça? Sempre, em tempo oportuno.
- O que recebemos ao nos
achegarmos ao trono da graça?
Misericórdia, perdão, fortalecimento espiritual e capacitação.
- Quais meios espirituais
comunicam a graça de DEUS? Palavra,
oração, jejum, adoração, ESPÍRITO SANTO e comunhão.
- Qual foi a principal lição do
Concílio de Jerusalém? Que a
salvação é exclusivamente pela graça, mediante a fé e para todas as nações.
Lição 3,
CPAD, A Graça que alcança todas as Nações, 3Tr26
Questionário
Somente com as Perguntas para alunos
- Quando ocorreu o Concílio de
Jerusalém?
- Qual foi a principal controvérsia
discutida no Concílio?
- Quem liderou o Concílio de
Jerusalém?
- Qual foi o testemunho de Pedro
no Concílio?
- Qual experiência Pedro
relembrou para apoiar sua posição?
- O que Paulo e Barnabé relataram
no Concílio?
- Qual profeta Tiago citou em seu
discurso?
- Quais práticas foram
recomendadas aos gentios pelo Concílio?
- Qual foi o resultado da decisão
do Concílio?
- O que significa a palavra grega
“cháris”?
- Segundo Efésios 2.8–9, como o
ser humano é salvo?
- Quem é a plena manifestação da
graça de DEUS?
- O que a graça faz além de
perdoar?
- O que o Concílio de Jerusalém
confirmou sobre a salvação?
- Em CRISTO, quais barreiras são
eliminadas?
- Como nos aproximamos do trono
da graça?
- Quando devemos buscar a graça?
- O que recebemos ao nos
achegarmos ao trono da graça?
- Quais meios espirituais
comunicam a graça de DEUS?
- Qual foi a principal lição do
Concílio de Jerusalém?
Lição
3, CPAD, A Graça que alcança todas as Nações, 3Tr26
O mesmo Questionário,
agora, em Múltipla Escolha (com
respostas destacadas) para professores
- Quando ocorreu o Concílio de
Jerusalém?
a) 30–33
d.C. b) 48–50 d.C. ✅ c) 60–65 d.C. d) 70–72 d.C.
- Qual foi a principal
controvérsia discutida no Concílio?
a) O batismo dos gentios b) A circuncisão dos
gentios ✅ c) O dízimo
dos gentios d) O sábado judaico
- Quem liderou o Concílio de
Jerusalém?
a) Pedro b) Paulo c) Tiago, irmão de JESUS ✅ d) Barnabé
- Qual foi o testemunho de Pedro
no Concílio?
a) Que os gentios deveriam guardar a Lei b) Que
DEUS deu o ESPÍRITO SANTO pela fé aos gentios ✅ c) Que a circuncisão era necessária
d) Que apenas judeus seriam salvos
- Qual experiência Pedro
relembrou para apoiar sua posição?
a) O batismo de João b) A casa de Cornélio ✅ c) A cura em
Listra d) O sermão em Pentecostes
- O que Paulo e Barnabé relataram
no Concílio?
a) A necessidade da Lei b) Os sinais e
prodígios entre os gentios ✅ c) A importância da circuncisão d) O ensino dos fariseus
- Qual profeta Tiago citou em seu
discurso?
a)
Isaías b) Jeremias c) Amós ✅ d) Ezequiel
- Quais práticas foram
recomendadas aos gentios pelo Concílio a não terem?
a) Jejum e oração b) Idolatria, imoralidade,
carne sufocada e sangue ✅ c) Circuncisão e sábado d) Dízimo e ofertas
- Qual foi o resultado da decisão
do Concílio?
a) Divisão da Igreja b) Consolou e preservou a
unidade ✅ c) Expulsão
dos gentios d) Retorno à Lei
- O que significa a palavra grega
“cháris”?
a) Justiça b) Favor imerecido ✅ c) Obediência
d) Santidade
- Segundo Efésios 2.8–9, como o
ser humano é salvo?
a) Por obras b) Pela graça, mediante a fé ✅ c) Pela Lei d)
Pelo sacrifício animal
- Quem é a plena manifestação da
graça de DEUS?
a) Moisés b) Abraão c) JESUS CRISTO ✅ d) Davi
- O que a graça faz além de
perdoar?
a) Apenas consola b) Justifica e transforma ✅ c) Apenas
ensina d) Apenas corrige
- O que o Concílio de Jerusalém
confirmou sobre a salvação?
a) Que depende da Lei b) Que é pela graça, mediante a fé e para todos ✅ c) Que é só
para judeus d) Que exige circuncisão
- Em CRISTO, quais barreiras são
eliminadas?
a) Étnicas, culturais e religiosas ✅ b) Políticas
c) Econômicas d) Geográficas
- Como nos aproximamos do trono
da graça?
a) Por méritos próprios b) Com confiança e fé
em CRISTO ✅ c) Pela Lei d) Pelo sacrifício animal
- Quando devemos buscar a graça?
a) Apenas no domingo b) Sempre, em tempo
oportuno ✅ c) Somente na angústia d) Apenas na juventude
- O que recebemos ao nos
achegarmos ao trono da graça?
a) Riquezas materiais b) Misericórdia, perdão e
fortalecimento ✅ c) Circuncisão d) Conhecimento humano
- Quais meios espirituais
comunicam a graça de DEUS?
a) Filosofia e ciência b) Palavra, oração,
jejum, adoração ✅ c) Tradições judaicas d) Sacrifícios animais
- Qual foi a principal lição do
Concílio de Jerusalém?
a) Que a Lei salva b) Que a salvação é pela
graça, mediante a fé ✅ c) Que só
judeus são salvos d) Que a circuncisão é obrigatória
Lição 3, CPAD, A Graça que
alcança todas as Nações, 3Tr26
Questionário em Múltipla Escolha
(sem respostas destacadas) – para alunos
- Quando ocorreu o Concílio de
Jerusalém? a) 30–33 d.C. b) 48–50 d.C. c) 60–65 d.C. d) 70–72 d.C.
- Qual foi a principal
controvérsia discutida no Concílio? a) O batismo dos gentios b) A
circuncisão dos gentios c) O dízimo dos gentios d) O sábado judaico
- Quem liderou o Concílio de
Jerusalém? a) Pedro b) Paulo c) Tiago, o Justo d) Barnabé
- Qual foi o testemunho de Pedro
no Concílio? a) Que os gentios deveriam guardar a Lei b) Que DEUS deu o ESPÍRITO
SANTO pela fé c) Que a circuncisão era necessária d) Que apenas judeus
seriam salvos
- Qual experiência Pedro
relembrou para apoiar sua posição? a) O batismo de João b) A casa de
Cornélio c) A cura em Listra d) O sermão em Pentecostes
- O que Paulo e Barnabé relataram
no Concílio? a) A necessidade da Lei b) Os sinais e prodígios entre os
gentios c) A importância da circuncisão d) O ensino dos fariseus
- Qual profeta Tiago citou em seu
discurso? a) Isaías b) Jeremias c) Amós d) Ezequiel
- Quais práticas foram
recomendadas aos gentios pelo Concílio? a) Jejum e oração b) Idolatria,
imoralidade, carne sufocada e sangue c) Circuncisão e sábado d) Dízimo e
ofertas
- Qual foi o resultado da decisão
do Concílio? a) Divisão da Igreja b) Consolou e preservou a unidade c)
Expulsão dos gentios d) Retorno à Lei
- O que significa a palavra grega
“cháris”? a) Justiça b) Favor imerecido c) Obediência d) Santidade
- Segundo Efésios 2.8–9, como o
ser humano é salvo? a) Por obras b) Pela fé e graça c) Pela Lei d) Pelo
sacrifício animal
- Quem é a plena manifestação da
graça de DEUS? a) Moisés b) Abraão c) JESUS CRISTO d) Davi
- O que a graça faz além de
perdoar? a) Apenas consola b) Justifica e transforma c) Apenas ensina d)
Apenas corrige
- O que o Concílio de Jerusalém
confirmou sobre a salvação? a) Que depende da Lei b) Que é pela graça c)
Que é só para judeus d) Que exige circuncisão
- Em CRISTO, quais barreiras são
eliminadas? a) Étnicas, culturais e religiosas b) Políticas c) Econômicas
d) Geográficas
- Como nos aproximamos do trono
da graça? a) Por méritos próprios b) Com confiança e fé em CRISTO c) Pela
Lei d) Pelo sacrifício animal
- Quando devemos buscar a graça?
a) Apenas no domingo b) Sempre, em tempo oportuno c) Somente na angústia
d) Apenas na juventude
- O que recebemos ao nos
achegarmos ao trono da graça? a) Riquezas materiais b) Misericórdia,
perdão e fortalecimento c) Circuncisão d) Conhecimento humano
- Quais meios espirituais
comunicam a graça de DEUS? a) Filosofia e ciência b) Palavra, oração,
jejum, adoração c) Tradições judaicas d) Sacrifícios animais
- Qual foi a principal lição do
Concílio de Jerusalém? a) Que a Lei salva b) Que a salvação é pela graça
c) Que só judeus são salvos d) Que a circuncisão é obrigatória
