09 outubro 2026

Escrita Lição 4, CPAD, O Chamado à Obediência, 4Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

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ESBOÇO DA LIÇÃO

LIÇÃO 4, CPAD, O CHAMADO À OBEDIÊNCIA

I - O CONCERTO REITERADO EM HOREBE

1. O chamado para ouvir e obedecer  

2. A pessoalidade da Aliança  

3. Uma revelação direta de DEUS  

II - A EXPRESSÃO DA VONTADE DE DEUS NOS MANDAMENTOS

1. Os quatro primeiros mandamentos: amor a DEUS  

2. Os seis mandamentos: amor ao próximo  

3. Qual a utilidade da Lei para os cristãos hoje?

III - OBEDECENDO À VOZ DE DEUS

1. A Palavra de DEUS revelada à congregação  

2. Bênção e preservação aos obedientes  

3. Palavras exortativas de Moisés  

 

TEXTO ÁUREO

“Andareis em todo o caminho que vos manda o SENHOR, vosso DEUS, para que vivais, e bem vos suceda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir.” (Dt 5.33)

 

VERDADE PRÁTICA

Ouvir, aprender e praticar a Palavra revelam um relacionamento verdadeiro com o Senhor DEUS.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Dt 5.1; Rm 10.17 Ouvindo a Palavra de DEUS para viver com fé

Terça - Sl 119.73; Mt 11.29 Aprendendo para transformar o coração e viver a fé

Quarta - Dt 5.6-11; Mt 22.37 Amando a DEUS acima de tudo em plena obediência

Quinta - 1 Jo 3.18; Rm 13.9 Amando o próximo com verdade, justiça e atitudes

Sexta - Dt 5.22; 1 Tm 2.5 DEUS revela-se ao seu povo e chama-o à obediência

Sábado -  Dt 5.33; Sl 119.105 Obedecer a DEUS é andar no caminho da vida

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Deuteronômio 5.1-10, 16-21, 29

Dt 5.1 - E chamou Moisés a todo o Israel e disse- -lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis e guardá-los-eis, para os cumprir. 2 - O SENHOR, nosso DEUS, fez conosco concerto, em Horebe. 3 - Não foi com nossos pais que fez o SENHOR este concerto, senão conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos. 4 - Face a face o SENHOR falou conosco, no monte, do meio do fogo 5 - (Naquele tempo, eu estava em pé entre o SENHOR e vós, para vos notificar a palavra do SENHOR, porque temestes o fogo e não subistes ao monte.), dizendo: 6 - Eu sou o SENHOR, teu DEUS, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. 7 - Não terás outros deuses diante de mim. 8 - Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra; 9 - não te encurvarás a elas, nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu DEUS, sou DEUS zeloso, que visito a maldade dos pais sobre os filhos, até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, 10 - e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos.

Dt 5.16 - Honra a teu pai e a tua mãe, como o SENHOR, teu DEUS, te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que te dá o SENHOR, teu DEUS. 17 - Não matarás. 18 - E não adulterarás. 19 - E não furtarás. 20 - E não dirás falso testemunho contra o teu próximo. 21 - E não cobiçarás a mulher do teu próximo; e não desejarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

Dt 5.29 - Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem e guardassem todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre!

 

5.2 CONCERTO. A salvação de Israel era uma dádiva de DEUS, concedida consoante o compromisso de DEUS segundo o concerto feito, de que Ele adotaria Israel como seus filhos e filhas a fim de cuidar deles e abençoá-los, para que tivessem vida longa na terra que DEUS lhes dera (4.40). Em grato reconhecimento, Israel devia aceitar DEUS como seu Senhor, para adorá-lo, amá-lo, honrá-lo e obedecer-lhe com fé viva. Para uma exposição do concerto de DEUS com Israel, ver Lc 22.20.

5.7-21 OS DEZ MANDAMENTOS. Esta seção repete os dez mandamentos, como aparecem em Êx 20.

5.29 QUEM DERA QUE ELES TIVESSEM TAL CORAÇÃO. A história bíblica da salvação consiste precisamente no empenho incansável de DEUS em livrar os homens e as mulheres dos seus pecados e suas consequências destruidoras, e atraí-los a si mesmo.

 

Hinos Sugeridos: 103, 210 e 508 da Harpa Cristã

 

PALAVRA-CHAVE – OBEDIÊNCIA

 

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SUBSÍDIOS EXTRAS – BÍBLIAS, LIVROS, REVISTAS, CHATGPT, COPILOT, GEMINI

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# O PACTO DE HOREBE E A ÉTICA DO REINO: UMA ANÁLISE TEOLÓGICO-EXEGÉTICA DE DEUTERONÔMIO 5

 

## INTRODUÇÃO REFORMULADA

 

A releitura teológica do pacto formulado em Horebe revela a soberana iniciativa da graça de YHWH (*Yahweh*) ao estabelecer uma aliança alicerçada na redenção histórica e na santidade ética. Ao redigir e proclamar o segundo discurso no livro de Deuteronômio, Moisés não apresenta um código estático ou meramente normativo, mas um imperativo relacional e dinâmico, desenhado para forjar a identidade pactual da comunidade da aliança no limiar da Terra Prometida. Sob a perspectiva da teologia bíblica e da hermenêutica paulina, a instrução mosaica (*Torah*) transcende a moldura tipológica e sobressai como um espelho da justiça divinamente revelada, encontrando seu cumprimento definitivo na pessoa e na obra de JESUS CRISTO. Portanto, o imperativo para o povo de DEUS na Nova Aliança não reside no cumprimento exterior ou meritório da letra legal, mas na vivência transformadora pelo ESPÍRITO SANTO, que escreve os preceitos divinos nas tábuas de carne do coração e capacita o remido a andar em novidade de vida.

 

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## I - O CONCERTO REITERADO EM HOREBE

 

### 1. O CHAMADO PARA OUVIR E OBEDECER

 

**Comentário Teológico Expositivo:**

A pedagogia divina revelada no exórdio de Deuteronômio estabelece a audição atenta como o fundamento soteriológico e epistemológico da verdadeira piedade israelita e cristã. A proclamação do imperativo divino exige do ouvinte uma disposição existencial na qual a percepção auditiva se traduz imediatamente em submissão voluntária e ação ética coerente. No vocabulário teológico do Antigo Testamento, a assimilação da verdade revelada envolve uma transição orgânica do intelecto para o afeto e do afeto para o volitivo, eliminando a dicotomia entre a ortodoxia e a ortopraxia. A antítese entre a geração rebelde do deserto e o remanescente obediente sublinha que o verdadeiro discípulo não é aquele que se limita a acumular conhecimento formal, mas o que permite que a revelação molde seu caráter interior. Sob a economia da Nova Aliança, a fé salvífica é gerada no espírito humano pela pregação da Palavra, demandando uma prática fervorosa e perseguidora do bem, como reflexo indissociável da união mística com o Senhor JESUS CRISTO.

 

**Palavras Gregas Centrais:**

1. **Ἀκούω (*Akouō*)** – Ouvir, prestar atenção, entender com obediência reflexiva e prontidão para agir.

2. **Μανθάνω (*Manthanō*)** – Aprender, assimilar por instrução constante, absorver conhecimento pela prática do discipulado.

3. **Phylassō / Terēo (Tηρέω / Φυλάσσω)** – Guardar, preservar com vigilância estrita, praticar fielmente os mandamentos.

 

**Referências Bíblicas por Extenso:**

* **Deuteronômio 5:1** – "E chamou Moisés a todo o Israel e disse-lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis e guardareis para os cumprir."

* **Deuteronômio 6:4** – "Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso DEUS, é o único Senhor."

* **Salmos 119:73** – "As tuas mãos me fizeram e me afeiçoaram; dá-me inteligência para que aprenda os teus mandamentos."

* **Mateus 11:29** – "Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma."

* **Romanos 10:17** – "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de DEUS."

* **2 Timóteo 3:14-15** – "Tu, porém, permanece nas coisas que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem as tens aprendido. E que, desde a tua infância, sabes as sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em CRISTO JESUS."

* **Tiago 1:22-25** – "E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de que tal era. Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito."

* **Apocalipse 2:7** – "Quem tem ouvidos ouça o que o ESPÍRITO diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de DEUS."

 

#### Resumo Exegético-Teológico (I.1)

| Conceito Teológico | Termos Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências Bíblicas Chave |

| **Audição Obediente** | *Shama* (שָׁמַע) / *Akouō* (ἀκούω) | Escutar a voz de DEUS com a firme intenção de obedecer e submeter a vontade ao Senhor. | Dt 5:1; Rm 10:17 |

| **Internalização do Ensino** | *Lamad* (לָמַד) / *Manthanō* (μανθάνω) | Assimilação profunda e racional das Escrituras para transformação contínua do caráter. | Sl 119:73; Mt 11:29 |

| **Prática com Zelo** | *Shamar* (שָׁמַר) / *Tērēō* (τηρέω) | Guardar, vigiar e executar os preceitos divinos no cotidiano como verdadeiro discípulo. | Dt 6:4; Tg 1:22-25 |

 

 

### 1.2. A PESSOALIDADE DA ALIANÇA

AS LEIS FORAM DADAS COMO NORMAS DA ALIANÇA – TODA ALIANÇA TEM BÊNÇÃOS PARA QUEM CUMPRE SUAS EXIGÊNCIAS E MADIÇÃO PARA QUEM NÃO CUMPRE SUAS EXIGÊNCIAS, OU NORMAS, OU LEIS.

 

**Comentário Teológico Expositivo:**

A teologia do concerto divino rejeita rigorosamente qualquer noção de piedade vicária ou apropriação hereditária automática das promessas e responsabilidades registradas nas Escrituras. A geração presente diante de Moisés não podia se respaldar na aliança firmada formalmente com os patriarcas para justificativa de indolência espiritual ou presunção religiosa. O pacto requer uma ratificação individual, existencial e contínua, na qual cada ser humano é confrontado com a exigência de render sua vida pessoal ao senhorio do Criador. Josué, Calebe e Timóteo personificam essa apropriação consciente e firme da fé em meio a tempos de apostasia generalizada e frouxidão moral. No paradigma da Nova Aliança, a salvação exige a convicção do coração combinada com a confissão pública da boca, evidenciando que o verdadeiro relacionamento com DEUS demanda uma renúncia total do ego e a tomada diária da cruz.

 

**Palavras Gregas Centrais:**

1. **Pistis (Πίστις)** – Fé, confiança existencial, fidelidade firme, compromisso pessoal e incondicional com DEUS.

2. **Homologeō (Ὁμολογέω)** – Confessar, declarar abertamente, concordar plenamente com a verdade revelada.

3. **Aparneomai (Ἀπαρνέομαι)** – Renunciar a si mesmo, abnegar a soberania do 'eu', sujeitar-se inteiramente a CRISTO.

 

**Referências Bíblicas por Extenso:**

* **Deuteronômio 1:36** – "Salvo Calebe, filho de Jefoné, ele a verá; e a terra que pisou darei a ele e a seus filhos, porquanto perseverou em seguir ao Senhor."

* **Deuteronômio 5:3** – "Não com nossos pais fez o Senhor este concerto, mas conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos."

* **Josué 24:15** – "Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam da outra banda do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor."

* **Mateus 16:24** – "Então, disse JESUS aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me."

* **Romanos 10:9-10** – "A saber: Se, com a tua boca, confessares ao Senhor JESUS e, em teu coração, creres que DEUS o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação."

* **2 Timóteo 1:5** – "Trazendo à memória a fé não fingida que há em ti, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que habita em ti também."

 

#### Resumo Exegetico-Teológico (I.2)

| Conceito Teológico | Termos Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências Bíblicas Chave |

| **Apropriação Pessoal** | *Karat Berit* (כָּרַת בְּרִית) / *Homologeō* | A aliança exige adesão consciente e individual, superando tradições familiares passivas. | Dt 5:3; Rm 10:9-10 |

| **Perseverança e Renúncia** | *Achar Yhwh* / *Aparneomai* (ἀπαρνέομαι) | Escolha de seguir a DEUS de todo o coração com negação do egocentrismo terreno. | Js 24:15; Mt 16:24 |

| **Fé Intransferível** | *Emunah* (אֱמוּנָה) / *Pistis* (πίστις) | Resposta pessoal de confiança viva em CRISTO, preservada e renovada diariamente. | Dt 1:36; 2 Tm 1:5 |

 

 

### 1.3. UMA REVELAÇÃO DIRETA DE DEUS

 

**Comentário Teológico Expositivo:**

A teofania (aparição de JESUS CRISTO) no Sinai/Horebe sublinha a transcendência absoluta de YHWH, expressa no fogo consumidor, na escuridão e na voz majestosa que proclamou os preceitos da aliança. Todavia, essa terrível e gloriosa santidade não se contrapõe à imanência divina, pois o propósito final da autorrevelação é o estabelecimento de uma comunhão íntima e transformadora com a comunidade eleita. A Lei dada no monte Sinai não representa um código legal abstrato ou opressor, mas a manifestação graciosa da vontade do DEUS vivo que redime seu povo da escravidão para viver em liberdade santa. Essa teofania veterotestamentária aponta tipologicamente para a perfeita e cabal revelação em CRISTO JESUS, na qual a distância causada pelo pecado é superada pelo derramamento do seu sangue. Assim, o crente na Nova Aliança não se aproxima de um monte de terror e julgamento, mas ingressa no santo dos santos com ousadia pelo ESPÍRITO.

 

A lei foi acrescentada por causa das transgressões

Essa é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés! Em Gálatas 3:19, ele escreve:

"Qual é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita..."

O sentido dessa afirmação no texto bíblico:

1.     Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.

2.     Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um "tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).

3.     Contraste com a Promessa: A promessa feita a Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.

 

**Palavras Gregas Centrais:**

1. **Prosagōgē (Προσαγωγή)** – Acesso direto, introdução graciosa, aproximação confiante à presença divina.

2. **Apokalypsis (Ἀποκάλυψις)** – Revelação, desvelamento da verdade e do caráter divino anteriormente ocultos.

3. **Koinōnia (Κοινωνία)** – Comunhão, participação íntima e compartilhada na vida de DEUS.

 

**Referências Bíblicas por Extenso:**

* **Deuteronômio 5:4** – "Face a face falou o Senhor conosco, no monte, do meio do fogo."

* **Jeremias 29:23** – "Porquanto fizeram insensatez em Israel, e cometeram adultério com as mulheres dos seus vizinhos, e anunciaram falsamente em meu nome palavras que não lhes ordenei; e eu o sei e sou testemunha disso, diz o Senhor."

* **Efésios 2:18** – "Porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um mesmo ESPÍRITO."

* **Hebreus 12:18-24** – "Porque não chegastes ao monte palpável, aceso em fogo, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade, e ao som da trombeta, e à voz das palavras, a qual os que a ouviram pediram que se lhes não falasse mais; [...] mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do DEUS vivo, à Jerusalém celestial, e aos milhares de anjos, à universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a DEUS, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; e a JESUS, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel."

 

#### Resumo Exegetico-Teológico (I.3)

| Conceito Teológico | Termos Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências Bíblicas Chave |

| **Teofania e Santidade** | *Panim el-Panim* / *Apokalypsis* | Revelação gloriosa do caráter santo de DEUS que desperta temor reverente no homem. | Dt 5:4; Jr 29:23 |

| **Pacto Relacional** | *Berit* (בְּרִית) / *Koinōnia* (κοινωνία) | A lei como instrumento de comunhão viva com o DEUS Criador e Redentor. | Ef 2:18; Hb 12:18-24 |

| **Acesso Mediado em CRISTO** | *Prosagōgē* (προσαγωγή) | Liberdade graciosa para entrar na presença do Pai por meio da obra efetuada na cruz. | Ef 2:18 |

 

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## II - A EXPRESSÃO DA VONTADE DE DEUS NOS MANDAMENTOS

 

### 2.1. OS QUATRO PRIMEIROS MANDAMENTOS: AMOR A DEUS

 

A lei foi acrescentada por causa das transgressões

Essa é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés! Em Gálatas 3:19, ele escreve:

"Qual é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita..."

O sentido dessa afirmação no texto bíblico:

1.     Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.

2.     Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um "tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).

3.     Contraste com a Promessa: A promessa feita a Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.

4.      

Me livrou da lei do pecado

Essa declaração resume a mensagem central de libertação em Romanos 8:2:

"Porque a lei do ESPÍRITO da vida, em CRISTO JESUS, te livrou da lei do pecado e da morte."

O Contraste em Romanos 8:2

5.     A "Lei do Pecado e da Morte": Refere-se à força espiritual e ao princípio moral que escraviza a natureza humana. Ela expõe a falha do ser humano em cumprir a Lei de Moisés por forças próprias, resultando na condenação e na morte espiritual.

6.     A "Lei do ESPÍRITO da Vida": É o novo princípio de vida concedido mediante a união com CRISTO JESUS. O ESPÍRITO SANTO habita no crente, concedendo capacitação e liberdade que a lei exterior não podia produzir.

7.     A Libertação Efetuada: O verbo no passado ("livrou" / "libertou") indica que a libertação já foi consumada por meio da obra de CRISTO na cruz e na ressurreição.

8.      

 

**Comentário Teológico Expositivo:**

A primeira tábua do Decálogo estabelece a verticalidade absoluta da fé biblicamente fundamentada, prescrevendo a devoção exclusiva que o Criador exige da sua criação redimida. O combate à idolatria não se restringe à destruição de estátuas ou representações físicas de falsas divindades, mas exige o desarraigamento de qualquer ídolo sutil instalado no centro do coração humano. O uso respeitoso do nome divino reflete a reverência interior devida à Majestade celestial, proibindo terminantemente a manipulação do SAGRADO para fins egoístas, levianos ou mercantilistas. Amar a DEUS acima de todas as coisas envolve a entrega total das faculdades intelectuais, volitivas e emocionais à direção soberana de YHWH. Na teologia do Novo Testamento, esse compromisso incondicional se traduz na rejeição dos ídolos contemporâneos e na transmissão zelosa de um legado espiritual genuíno às gerações vindouras.

 

**Palavras Gregas Centrais:**

1. **Agapē (Ἀγάπη)** – Amor sacrificial, incondicional, supremo e direcionado pelo compromisso da vontade.

2. **Latreia (Λατρεία)** – Serviço sagrado, adoração exclusiva, se render unicamente ao Criador.

3. **Eidōlolatria (Εἰδωrolατρία)** – Idolatria, culto a falsas divindades ou elevação de coisas criadas ao lugar de DEUS.

 

**Referências Bíblicas por Extenso:**

* **Deuteronômio 5:6-11** – "Eu sou o Senhor, teu DEUS, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra; não te encurvarás a elas, nem as servirás; porque eu, o Senhor, teu DEUS, sou DEUS zeloso, que meço a iniquidade dos pais nos filhos, até à terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos. Não tomarás o nome do Senhor, teu DEUS, em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão."

* **Mateus 22:37** – "E JESUS disse-lhe: Amarás o Senhor, teu DEUS, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento."

* **1 João 5:21** – "Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!"

 

#### Resumo Exegetico-Teológico (II.1)

| Conceito Teológico | Termos Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências Bíblicas Chave |

| :--- | :--- | :--- | :--- |

| **Exclusividade Monoteísta** | *Elohim Acherim* / *Latreia* | Adoração dirigida única e exclusivamente ao Senhor DEUS, rejeitando ídolos. | Dt 5:6-7; 1 Jo 5:21 |

| **Reverência ao Nome Divino** | *Shem Yhwh* / *Kuriotes* | Respeito absoluto à santidade e à reputação do nome de DEUS em palavras e ações. | Dt 5:11 |

| **Amor Integral** | *Ahavah* (אַהֲבָה) / *Agapē* (ἀγάπη) | Devoção total que envolve intelecto, emoções e decisões de submissão diária. | Dt 5:10; Mt 22:37 |

 

 

### 2.2. OS SEIS MANDAMENTOS: AMOR AO PRÓXIMO

 

A lei foi acrescentada por causa das transgressões

Essa é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés! Em Gálatas 3:19, ele escreve:

"Qual é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita..."

O sentido dessa afirmação no texto bíblico:

1.     Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.

2.     Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um "tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).

3.     Contraste com a Promessa: A promessa feita a Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.

4.      

Me livrou da lei do pecado

Essa declaração resume a mensagem central de libertação em Romanos 8:2:

"Porque a lei do ESPÍRITO da vida, em CRISTO JESUS, te livrou da lei do pecado e da morte."

O Contraste em Romanos 8:2

·        A "Lei do Pecado e da Morte": Refere-se à força espiritual e ao princípio moral que escraviza a natureza humana. Ela expõe a falha do ser humano em cumprir a Lei de Moisés por forças próprias, resultando na condenação e na morte espiritual.

·        A "Lei do ESPÍRITO da Vida": É o novo princípio de vida concedido mediante a união com CRISTO JESUS. O ESPÍRITO SANTO habita no crente, concedendo capacitação e liberdade que a lei exterior não podia produzir.

·        A Libertação Efetuada: O verbo no passado ("livrou" / "libertou") indica que a libertação já foi consumada por meio da obra de CRISTO na cruz e na ressurreição.

 

**Comentário Teológico Expositivo:**

A segunda tábua do Decálogo desdobra a ética do Reino de DEUS nas relações interpessoais, demonstrando que a genuína espiritualidade vertical produz inevitavelmente frutos de justiça horizontal. Os preceitos morais sobre honrar pai e mãe, preservar a sacralidade da vida humana, guardar a pureza do matrimônio, respeitar a propriedade e promover a verdade constituem as colunas da convivência social harmoniosa. O pecado social não se origina meramente em estruturas externas falhas, mas brota da depravação do coração dominado pela cobiça e pelo egoísmo desenfreado. O descanso sabático, sob esta ótica, ressalta o valor da vida em detrimento da exploração utilitarista do trabalho, prevendo a restauração física e espiritual de toda a comunidade. O discípulo de CRISTO é exortado a ir além do cumprimento negativo das proibições, promovendo ativamente o bem, a dignidade, a verdade e a compaixão em todas as dimensões da sociedade.

 

**Palavras Gregas Centrais:**

1. **Dikaiosynē (Δικαιοσύνη)** – Justiça, retidão nas relações humanas, conformidade com o padrão moral divino.

2. **Aletheia (Ἀλήθεια)** – Verdade, integridade verbal, ausência de falsidade ou engano.

3. **Epithumia (Ἐπιθυμία)** – Cobiça, desejo desordenado e egoísta pelo que pertence ao próximo.

 

**Referências Bíblicas por Extenso:**

* **Deuteronômio 5:16-21** – "Honra a teu pai e a tua mãe, como o Senhor, teu DEUS, te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que te dá o Senhor, teu DEUS. Não matarás. E não adulterarás. E não furtarás. E não dirás falso testemunho contra o teu próximo. E não cobiçarás a mulher do teu próximo; e não desejarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo."

* **1 João 3:18** – "Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade."

* **Romanos 13:8-10** – "A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor."

 

#### Resumo Exegetico-Teológico (II.2)

| Conceito Teológico | Termos Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências Bíblicas Chave |

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| **Santidade nas Relações** | *Kabad* (כָּבַד) / *Dikaiosynē* (δικαιοσύνη) | Respeito às autoridades, à vida, à família e à propriedade do próximo. | Dt 5:16-20; Rm 13:8-10 |

| **Integridade da Palavra** | *Emet* (אֱמֶת) / *Alētheia* (ἀλήθεια) | Rejeição do falso testemunho, promovendo a verdade em todas as palavras. | Dt 5:20; 1 Jo 3:18 |

| **Guarda do Coração** | *Chamad* (חָמַד) / *Epithumia* (ἐπιθυμία) | Mortificação da cobiça interior, contentamento em DEUS e zelo pelo bem alheio. | Dt 5:21 |

 

 

### 2.3. QUAL A UTILIDADE DA LEI PARA OS CRISTÃOS HOJE?

 

A lei foi acrescentada por causa das transgresões

Essa é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés! Em Gálatas 3:19, ele escreve:

"Qual é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido feita..."

O sentido dessa afirmação no texto bíblico:

1.     Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.

2.     Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um "tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).

3.     Contraste com a Promessa: A promessa feita a Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.

 

Me livrou da lei do pecado

Essa declaração resume a mensagem central de libertação em Romanos 8:2:

"Porque a lei do ESPÍRITO da vida, em CRISTO JESUS, te livrou da lei do pecado e da morte."

O Contraste em Romanos 8:2

·        A "Lei do Pecado e da Morte": Refere-se à força espiritual e ao princípio moral que escraviza a natureza humana. Ela expõe a falha do ser humano em cumprir a Lei de Moisés por forças próprias, resultando na condenação e na morte espiritual.

·        A "Lei do ESPÍRITO da Vida": É o novo princípio de vida concedido mediante a união com CRISTO JESUS. O ESPÍRITO SANTO habita no crente, concedendo capacitação e liberdade que a lei exterior não podia produzir.

·        A Libertação Efetuada: O verbo no passado ("livrou" / "libertou") indica que a libertação já foi consumada por meio da obra de CRISTO na cruz e na ressurreição.

 

**Comentário Teológico Expositivo:**

A teologia cristã compreende a instrução divina não como um instrumento legalista de autojustificação meritória, mas como o espelho perfeito que revela a glória inatingível da santidade de DEUS e a profunda depravação do pecado humano. Ao demonstrar a incapacidade radical do ser humano caído para cumprir perfeitamente as demandas do Criador, a Lei atua pedagogicamente, conduzindo o transgressor ao arrependimento e à graça redentora oferecida no sacrifício vicário de CRISTO. Sob o império da Nova Aliança, o ESPÍRITO SANTO habita no remido e inscreve os princípios morais eternos da Palavra na sua mente e no seu coração, transformando a obediência de um fardo exterior para uma resposta de gratidão e amor. Portanto, a ordem moral revelada no Decálogo permanece plenamente válida como regra de vida e conduta para os crentes, norteando o discernimento ético do remido no processo de santificação progressiva.

 

**Palavras Gregas Centrais:**

1. **Paidagōgos (Παιδαγωγός)** – Guia pedagógico, tutor temporário que conduz a CRISTO.

2. **Anomia (Ἀνομία)** – Ilegalidade, insubordinação à lei divina, estado de licenciosidade moral.

3. **Pneuma (Πνεῦμα)** – ESPÍRITO SANTO, Agente divino que vivifica, transforma e capacita para a obediência.

 

**Referências Bíblicas por Extenso:**

* **Romanos 3:20** – "Por isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado."

* **Romanos 7:12** – "E, assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom."

* **Romanos 8:4** – "Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o ESPÍRITO."

* **Gálatas 3:24** – "De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a CRISTO, para que, pela fé, fôssemos justificados."

* **1 Timóteo 1:8** – "Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usar legitimamente."

* **Hebreus 10:16** – "Este é o concerto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em seu entendimento."

 

#### Resumo Exegetico-Teológico (II.3)

| Conceito Teológico | Termos Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências Bíblicas Chave |

| **Revelação da Culpa** | *Torah* (תּוֹרָה) / *Paidagōgos* (παιδαγωγός) | A lei expõe o pecado e aponta para a necessidade premente da salvação em CRISTO. | Rm 3:20; Gl 3:24 |

| **Sombra e Cumprimento** | *Nomos* (Νόμος) / *Pneuma* (Πνεῦμα) | Cumprimento da justiça da lei pelo ESPÍRITO habitando no coração do crente. | Rm 8:4; Hb 10:16 |

| **Guia Moral da Graça** | *Hagios* (Ἅγιος) / *Dikaios* (Δίκαιος) | Padrão justo que direciona o remido em santidade, sem cair em legalismo meritório. | Rm 7:12; 1 Tm 1:8 |

 

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## III - OBEDECENDO À VOZ DE DEUS

 

### 3.1. A PALAVRA DE DEUS REVELADA À CONGREGAÇÃO

 

**Comentário Teológico Expositivo:**

A promulgação da Lei ao povo de Israel manifestou a glória inefável e o caráter terrível da santidade divina, gerando nos espectadores uma aguda consciência da sua própria fragilidade e contaminação moral. Diante das labaredas de fogo, das nuvens densas e da voz trovejante, a congregação reconheceu a impossibilidade de manter um acesso direto ao DEUS Altíssimo sem a provisão de uma mediação autorizada. O pedido do povo para que Moisés servisse como intermediário prefigura tipologicamente a imperiosa necessidade do Sumo Sacerdote perfeito e definitivo, JESUS CRISTO, o único Mediador entre DEUS e os homens. A verdadeira revelação da palavra de DEUS não visa produzir desespero estéril, mas sim um temor reverente que conduz ao abandono da autoconfiança e à busca da graça transformadora do ESPÍRITO SANTO, que substitui o coração de pedra por um coração flexível e obediente.

 

**Palavras Gregas Centrais:**

1. **Mesitēs (Μεσίτης)** – Mediador, intermediário que estabelece paz e reconciliação entre duas partes.

2. **Phobos (Φόβος)** – Temor reverente, respeito profundo diante da majestade e santidade de DEUS.

3. **Kardia (Καρδία)** – Coração, o centro integrador da vida espiritual, intelectual e moral do ser humano.

 

**Referências Bíblicas por Extenso:**

* **Êxodo 20:18-21** – "E todo o povo viu os trovões, e as labaredas, e o som da trombeta, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso, retirou-se e pôs-se de longe. E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos; e não fale DEUS conosco, para que não morramos. E disse Moisés ao povo: Não temais, que DEUS veio para vos provar e para que o seu temor esteja diante de vós, para que não pequeis. O povo, pois, estava de longe; mas Moisés se chegou à escuridão, onde DEUS estava."

* **Deuteronômio 5:22,27** – "Estas palavras falou o Senhor a toda a vossa congregação no monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridão, com grande voz, e nada acrescentou; e as escreveu em duas tábuas de pedra e a mim me as deu. [...] Chega-te tu e ouve tudo o que disser o Senhor, nosso DEUS; e tu nos dirás tudo o que te disser o Senhor, nosso DEUS, e o ouviremos e o faremos."

* **Ezequiel 36:27** – "E porei dentro de vós o meu ESPÍRITO e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os cumprais."

* **1 Timóteo 2:5** – "Porque há um só DEUS e um só Mediador entre DEUS e os homens, JESUS CRISTO, homem."

 

#### Resumo Exegetico-Teológico (III.1)

| Conceito Teológico | Termos Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências Bíblicas Chave |

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| **Majestade Revelada** | *Yir'ah* (יִרְאָה) / *Phobos* (φόβος) | Manifestação da santidade de DEUS que gera temor profundo e consciência do pecado. | Êx 20:18-21; Dt 5:22 |

| **Mediação Tipológica** | *Melits* / *Mesitēs* (μεσίτης) | A função de Moisés apontando para o sacerdócio perfeito de JESUS CRISTO. | Dt 5:27; 1 Tm 2:5 |

| **Regeneração do Coração** | *Lev Chadash* / *Kardia* (карδία) | Transformação espiritual operada pelo ESPÍRITO para capacitar à obediência genuína. | Ez 36:27 |

 

 

### 3.2. BÊNÇÃO E PRESERVAÇÃO AOS OBEDIENTES

 

**Comentário Teológico Expositivo:**

Na ordem pactual estabelecida no livro de Deuteronômio, a obediência atenta e amorosa aos preceitos divinos é apresentada como o meio ordenado por YHWH para a preservação e o desfrute da vida abundante sob a bênção celestial. A centralidade do coração na teologia bíblica enfatiza que o Senhor não se agrada de ritos formais ou externalismos vazios, exigindo que a vontade humana seja inteiramente submetida ao seu senhorio. A fidelidade do crente gera também um impacto pedagógico e intergeracional duradouro, estabelecendo uma herança de piedade que fortalece a família e edifica a comunidade da aliança. No contexto do Novo Testamento, essa promessa de preservação se realiza na bem-aventurança daqueles que não apenas escutam a pregação da Palavra, mas a guardam perseverantemente no dia a dia, experimentando a paz, a alegria e o amparo providencial de DEUS em todas as circunstâncias da vida.

 

**Palavras Gregas Centrais:**

1. **Makarios (Μακάριος)** – Bem-aventurado, plenamente feliz, favorecido com a graça divina.

2. **Eulogia (Εὐλογίa)** – Bênção, favor imerecido concedido por DEUS ao seu povo.

3. **Diaterēo (Διατηρέω)** – Guardar cuidadosamente, preservar com firmeza no coração e na vida.

 

**Referências Bíblicas por Extenso:**

* **Deuteronômio 5:33** – "Andareis em todo o caminho que vos ordenou o Senhor, vosso DEUS, para que vivais, e vos vá bem, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir."

* **Lucas 11:28** – "Mas ele disse: Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de DEUS e a guardam."

* **Tiago 1:25** – "Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito."

 

#### Resumo Exegetico-Teológico (III.2)

| Conceito Teológico | Termos Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências Bíblicas Chave |

| **Caminho da Bênção** | *Barak* (בָּרַךְ) / *Eulogia* (εὐλογία) | A submissão à vontade de DEUS conduz à plena preservação e ao favor do Senhor. | Dt 5:33; Lc 11:28 |

| **Devoção Integral** | *Lebab* (לֵבָב) / *Kardia* (карδία) | Entrega voluntária e completa dos pensamentos, afetos e escolhas ao Senhor. | Dt 5:33 |

| **Legado Intergeracional** | *Dor l'Dor* / *Diaterēo* | Transmissão consistente da fé e da conduta santa às próximas gerações. | Lc 11:28; Tg 1:25 |

 

 

### 3.3. PALAVRAS EXORTATIVAS DE MOISÉS

 

**Comentário Teológico Expositivo:**

O encerramento do solene discurso mosaico convoca a comunidade da aliança a uma perseverança inabalável no caminho traçado pela autorrevelação de DEUS, proibindo terminantemente qualquer desvio para a direita ou para a esquerda. A atitude de Moisés, ao permanecer no monte diante do Senhor para receber novas instruções enquanto o povo retornava às tendas, exemplifica a gravidade da responsabilidade ministerial e pastoral de interceder e ensinar com fidelidade exegética. A nova geração, prestes a enfrentar as batalhas para a conquista de Canaã, precisava ancorar a sua coragem e conduta na Palavra escrita e proclamada. Da mesma forma, o crente sob a Nova Aliança é exortado a andar continuamente na luz da Revelação divina, sendo guiado pela iluminação do ESPÍRITO SANTO que habita nele e pela sufficiência absoluta das Santas Escrituras, que lâmpada são para os pés e luz para o caminho.

 

**Palavras Gregas Centrais:**

1. **Peripateō (Περιπατέω)** – Andar, viver, conduzir a existência diária sob determinado padrão moral.

2. **Phōs (Φῶς)** – Luz, verdade moral e divina que ilumina a mente e dissipa as trevas do pecado.

3. **Hypomonē (Ὑπομονή)** – Perseverança, firmeza paciente sob provação, constância na fé.

 

**Referências Bíblicas por Extenso:**

* **Deuteronômio 5:32-33** – "Olhai, pois, que façais como vos ordenou o Senhor, vosso DEUS; não vos desviareis, nem para a direita, nem para a esquerda. Andareis em todo o caminho que vos ordenou o Senhor, vosso DEUS, para que vivais, e vos vá bem, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir."

* **Salmos 119:105** – "Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho."

* **1 João 1:7** – "Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de JESUS CRISTO, seu Filho, nos purifica de todo o pecado."

 

#### Resumo Exegetico-Teológico (III.3)

| Conceito Teológico | Termos Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências Bíblicas Chave |

| **Caminhada sem Desvios** | *Derek* (דֶּרֶךְ) / *Peripateō* (περιπατέω) | Constância moral e doutrinária, sem desviar para o legalismo ou licenciosidade. | Dt 5:32; 1 Jo 1:7 |

| **Responsabilidade Pastoral** | *Rō'eh* / *Episkopos* | Liderança comprometida em buscar a revelação divina e instruir o povo com zelo. | Dt 5:31 |

| **Suficiência da Palavra** | *Or* (אוֹר) / *Phōs* (φῶς) | As Escrituras como guia infalível e suficiente para a vida e a conduta do remido. | Sl 119:105 |

 

 

## CONCLUSÃO REFORMULADA

A profunda reflexão teológica sobre o pacto reiterado em Horebe e a proclamação do Decálogo reafirma que a obediência aos preceitos soberanos de YHWH nunca representou um fim em si mesmo ou um meio meritório de alcançar a salvação, mas sobressaiu sempre como a resposta graciosa de um povo resgatado e vocacionado para a santidade. A transição da antiga dispensação para a Nova Aliança em CRISTO não anula a relevância moral dos preceitos divinos; ao contrário, intensifica sua aplicação no íntimo do ser humano por meio da obra regeneradora e santificadora do ESPÍRITO SANTO. O chamado para ouvir, aprender, guardar e andar na luz da Palavra permanece como o imperativo supremo para a Igreja contemporânea no seu percurso glorioso rumo à pátria celestial. Ao submeter voluntariamente os pensamentos, afetos e conduta ao senhorio de JESUS CRISTO, o crente glorifica o Pai, experimenta a preservação providencial e vivencia antecipadamente a justiça, a paz e a alegria que caracterizam o Reino eterno de DEUS.

 

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QUESTIONÁRIOS:

 

Abaixo estão os 4 modelos de questionários elaborados estritamente com base no texto.


Com certeza! Aqui estão os quatro modelos de questionários apresentados em texto contínuo, sem parágrafos ou quebras de linha:



Parte 1: Questionário com 20 Perguntas e Respostas para professores

1. Qual é o tema principal do segundo discurso de Moisés em Deuteronômio 5? Resposta: A ênfase na obediência à Lei de DEUS nos Dez Mandamentos, como expressão de relacionamento com Ele e não como mero rito.

2. O que significa o verbo "aprender" (lamad) na sequência do caminho da comunhão com DEUS? Resposta: Significa internalizar o ensino divino com a mente e o coração.

3. Segundo o texto, o que significa o verbo "cumprir" (shamar)? Resposta: Significa guardar e praticar a Palavra de DEUS com zelo.

4. Qual é o contraste apresentado entre a nova geração e a geração anterior no deserto? Resposta: A geração anterior não obedeceu e falhou, enquanto a nova geração é exortada a viver o cumprimento da promessa mediante a obediência.

5. Por que se diz que a aliança de DEUS exige uma resposta pessoal? Resposta: Porque a fé não é uma herança automática, mas sim uma decisão individual de compromisso com o Senhor.

6. Quais exemplos do Antigo Testamento são citados para demonstrar perseverança consciente na aliança? Resposta: Josué e Calebe.

7. Como DEUS se manifestou no monte Horebe ao revelar a Sua Palavra ao povo? Resposta: Manifestou-se com poder e santidade em meio ao fogo, mostrando que Sua Palavra é viva, purificadora e autoritativa.

8. Qual é o propósito principal dos quatro primeiros mandamentos (Dt 5.6-11)? Resposta: Enfatizar a relação exclusiva e de amor pleno e reverente do povo para com DEUS, rejeitando a idolatria e o uso leviano do Seu nome.

9. Quais são alguns dos "ídolos modernos" citados no texto que podem dividir o amor a DEUS? Resposta: Poder, riqueza e prazeres.

10. O que orientam os seis últimos mandamentos dos Dez Mandamentos? Resposta: Orientam o relacionamento com o próximo, estabelecendo uma ética baseada no amor verdadeiro e em ações concretas.

11. De onde nasce o chamado "pecado social", segundo a lição? Resposta: Nasce do egoísmo e da apropriação indevida do que pertence ao outro.

12. Qual é a utilidade da Lei para os cristãos hoje, segundo Paulo em Romanos 7.12 e 1 Timóteo 1.8? Resposta: A Lei serve como guia moral para a vida cristã e expressão do caráter de DEUS, não como meio de salvação.

13. Onde a Lei é escrita/internalizada na nova aliança em CRISTO (Hb 10.16)? Resposta: Ela é internalizada no coração do crente.

14. A obediência cristã é legalista? Justifique com base no texto. Resposta: Não. A obediência cristã é fruto da ação do ESPÍRITO SANTO, sendo praticada por amor e não por imposição.

15. Quais elementos marcaram a revelação de DEUS à congregação no Sinai (Dt 5.22)? Resposta: Fogo, nuvem, escuridão e a voz divina.

16. Para quem aponta o pedido do povo para que Moisés atuasse como mediador no Sinai? Resposta: Aponta para CRISTO, o único mediador entre DEUS e os homens (1 Tm 2.5).

17. O que representa o "coração" no contexto do estudo da Palavra? Resposta: É entendido como o centro da vontade, do intelecto e das emoções do ser humano.

18. Qual é o impacto da atitude de pais fiéis para o futuro da família? Resposta: Eles influenciam positivamente as gerações futuras e estabelecem um legado espiritual duradouro.

19. O que Moisés fez enquanto o povo retornava às suas tendas após o discurso? Resposta: Permaneceu diante do Senhor para receber mais instruções, evidenciando a responsabilidade espiritual da liderança.

20. Qual é a promessa contida em Lucas 11.28 citada no estudo? Resposta: Que são bem-aventurados aqueles que ouvem e guardam a Palavra de DEUS.

 

 

Parte 2: Questionário com 20 Perguntas (Sem Respostas para alunos)

1. Qual é o tema principal do segundo discurso de Moisés em Deuteronômio 5?

 

2. O que significa o verbo "aprender" (lamad) na sequência do caminho da comunhão com DEUS?

 

3. Segundo o texto, o que significa o verbo "cumprir" (shamar)?

 

4. Qual é o contraste apresentado entre a nova geração e a geração anterior no deserto?

 

5. Por que se diz que a aliança de DEUS exige uma resposta pessoal?

 

6. Quais exemplos do Antigo Testamento são citados para demonstrar perseverança consciente na aliança?

 

7. Como DEUS se manifestou no monte Horebe ao revelar a Sua Palavra ao povo?

 

8. Qual é o propósito principal dos quatro primeiros mandamentos (Dt 5.6-11)?

 

9. Quais são alguns dos "ídolos modernos" citados no texto que podem dividir o amor a DEUS?

 

10. O que orientam os seis últimos mandamentos dos Dez Mandamentos?

 

11. De onde nasce o chamado "pecado social", segundo a lição?

 

12. Qual é a utilidade da Lei para os cristãos hoje, segundo Paulo em Romanos 7.12 e 1 Timóteo 1.8?

 

13. Onde a Lei é escrita/internalizada na nova aliança em CRISTO (Hb 10.16)?

 

14. A obediência cristã é legalista? Justifique com base no texto.

 

15. Quais elementos marcaram a revelação de DEUS à congregação no Sinai (Dt 5.22)?

 

16. Para quem aponta o pedido do povo para que Moisés atuasse como mediador no Sinai?

 

17. O que representa o "coração" no contexto do estudo da Palavra?

 

18. Qual é o impacto da atitude de pais fiéis para o futuro da família?

 

19. O que Moisés fez enquanto o povo retornava às suas tendas após o discurso?

 

20. Qual é a promessa contida em Lucas 11.28 citada no estudo?

 

 

Parte 3: Questionário de Múltipla Escolha (Com Gabarito Marcado com "x" para professores)

1. Qual é a sequência correta do caminho da comunhão apresentada em Deuteronômio 5.1? a) Cumprir, aprender e ensinar [x] b) Ouvir, aprender e cumprir c) Ensinar, ouvir e guardar d) Aprender, meditar e pregar

2. O termo hebraico lamad refere-se a: a) Praticar com zelo e guardar a palavra [x] b) Internalizar o ensino com mente e coração c) Ouvir com atenção a voz de DEUS d) Ensinar publicamente às nações

3. O termo hebraico shamar tem como significado: a) Abrir-se para ouvir a Palavra b) Refletir sobre as promessas [x] c) Guardar e praticar com zelo d) Traduzir as escrituras

4. De acordo com o texto, a aliança com DEUS: [x] a) Exige uma resposta pessoal e decisão individual b) É transmitida automaticamente como herança de pais para filhos c) Não exige renúncia ou compromisso d) Depende exclusivamente dos líderes religiosos

5. A qual geração o discurso de Moisés em Deuteronômio 5 é dirigido diretamente? a) À geração de Abraão b) À geração que morreu no Egito [x] c) À nova geração às vésperas de entrar na Terra Prometida d) Exclusivamente aos sacerdotes levitas

6. DEUS revelou Sua vontade no monte Sinai/Horebe por meio de: a) Um sonho profético a Moisés [x] b) Manifestação com poder e santidade no meio do fogo c) Uma visão silenciosa a todo o povo d) Cartas enviadas através de anjos

7. Os quatro primeiros mandamentos tratam prioritariamente sobre: [x] a) O amor e a relação exclusiva do homem com DEUS b) As regras de convivência comunitária c) O respeito à propriedade alheia e autoridade dos pais d) O sistema de sacrifícios no Tabernáculo

8. Segundo o estudo, o amor a DEUS não pode ser dividido com "ídolos modernos", tais como: a) Religião, tradição e ritos [x] b) Poder, riqueza e prazeres c) Trabalho, estudo e família d) Ciência, filosofia e arte

9. Os seis últimos mandamentos tratam diretamente sobre: a) O culto e as ofertas no templo b) As leis de purificação alimentar [x] c) O relacionamento e o amor ao próximo d) As diretrizes de guerra de Israel

10. O pecado social, conforme exposto na lição, origina-se: a) Da falta de conhecimento acadêmico [x] b) Do egoísmo e da apropriação indevida do que é do outro c) Das estruturas políticas imperfeitas d) Da ausência de rituais religiosos no templo

11. Para os cristãos atuais, a Lei de DEUS serve como: a) Meio único e exclusivo de salvação b) Um conjunto de regras ultrapassadas sem utilidade [x] c) Guia moral e expressão do caráter santíssimo de DEUS d) Um instrumento para julgar e condenar os não crentes

12. A obediência cristã aos ensinamentos divinos é caracterizada por: [x] a) Fruto da ação do ESPÍRITO SANTO que transforma o coração b) Um ato legalista feito para merecer a salvação c) Imposição externa sem necessidade de amor d) Mero cumprimento de ritos tradicionais

13. Em Romanos 8.4, o cristão é chamado a viver: a) Segundo a letra fria da lei [x] b) Segundo o ESPÍRITO c) Conforme o costume de seus antepassados d) Sob o jugo de ordenanças humanas

14. Quais elementos visíveis e audíveis marcaram a teofania no Sinai segundo Deuteronômio 5.22? a) Terremoto, vento suave e chuva [x] b) Fogo, nuvem, escuridão e voz divina c) Anjos cantando, trombetas e luz branca d) Coluna de incenso e águas divididas

15. A necessidade do povo de ter Moisés como mediador no Sinai aponta para: a) A fraqueza do ministério sacerdotal [x] b) CRISTO, o único mediador entre DEUS e os homens c) A supremacia dos profetas do Antigo Testamento d) A necessidade de vários intermediários espirituais

16. No estudo bíblico, o "coração" é conceituado como: a) Um órgão puramente biológico e sem impacto espiritual [x] b) O centro da vontade, do intelecto e das emoções c) O local onde residem os sentimentos passageiros d) A capacidade intelectual de memorizar leis

17. O versículo de Lucas 11.28 afirma que são bem-aventurados aqueles que: a) Conhecem a lei, mas não a praticam [x] b) Ouvem a Palavra de DEUS e a guardam c) Oferecem os maiores sacrifícios d) Ocupam posições de liderança

18. O que fez Moisés quando a congregação retornou para as suas tendas (Dt 5.33)? [x] a) Permaneceu diante do Senhor para receber mais instruções b) Retornou imediatamente para sua família c) Descansou do trabalho do dia d) Escreveu o livro de Gênesis

19. Em Tiago 1.22-25, o crente é exortado a ser: a) Somente ouvinte atento das Escrituras [x] b) Praticante da Palavra e não apenas ouvinte c) Um Mestre da lei para julgar os outros d) Um guardador estrito de rituais antigos

20. Em qual passagem bíblica a Lei é descrita como "santa, justa e boa"? a) Gálatas 3.24 b) Hebreus 10.16 [x] c) Romanos 7.12 d) Tiago 1.22

 

Parte 4: Questionário de Múltipla Escolha (Sem Marcação de Respostas para alunos)

1. Qual é a sequência correta do caminho da comunhão apresentada em Deuteronômio 5.1?

a) Cumprir, aprender e ensinar b) Ouvir, aprender e cumprir c) Ensinar, ouvir e guardar d) Aprender, meditar e pregar

2. O termo hebraico lamad refere-se a:

a) Praticar com zelo e guardar a palavra b) Internalizar o ensino com mente e coração c) Ouvir com atenção a voz de DEUS d) Ensinar publicamente às nações

3. O termo hebraico shamar tem como significado:

a) Abrir-se para ouvir a Palavra b) Refletir sobre as promessas c) Guardar e praticar com zelo d) Traduzir as escrituras

4. De acordo com o texto, a aliança com DEUS:

a) Exige uma resposta pessoal e decisão individual b) É transmitida automaticamente como herança de pais para filhos c) Não exige renúncia ou compromisso d) Depende exclusivamente dos líderes religiosos

5. A qual geração o discurso de Moisés em Deuteronômio 5 é dirigido diretamente?

a) À geração de Abraão b) À geração que morreu no Egito c) À nova geração às vésperas de entrar na Terra Prometida d) Exclusivamente aos sacerdotes levitas

6. DEUS revelou Sua vontade no monte Sinai/Horebe por meio de:

a) Um sonho profético a Moisés b) Manifestação com poder e santidade no meio do fogo c) Uma visão silenciosa a todo o povo d) Cartas enviadas através de anjos

7. Os quatro primeiros mandamentos tratam prioritariamente sobre:

a) O amor e a relação exclusiva do homem com DEUS b) As regras de convivência comunitária c) O respeito à propriedade alheia e autoridade dos pais d) O sistema de sacrifícios no Tabernáculo

8. Segundo o estudo, o amor a DEUS não pode ser dividido com "ídolos modernos", tais como:

a) Religião, tradição e ritos b) Poder, riqueza e prazeres c) Trabalho, estudo e família d) Ciência, filosofia e arte

9. Os seis últimos mandamentos tratam diretamente sobre:

a) O culto e as ofertas no templo b) As leis de purificação alimentar c) O relacionamento e o amor ao próximo d) As diretrizes de guerra de Israel

10. O pecado social, conforme exposto na lição, origina-se:

a) Da falta de conhecimento acadêmico b) Do egoísmo e da apropriação indevida do que é do outro c) Das estruturas políticas imperfeitas d) Da ausência de rituais religiosos no templo

11. Para os cristãos atuais, a Lei de DEUS serve como:

a) Meio único e exclusivo de salvação b) Um conjunto de regras ultrapassadas sem utilidade c) Guia moral e expressão do caráter santíssimo de DEUS d) Um instrumento para julgar e condenar os não crentes

12. A obediência cristã aos ensinamentos divinos é caracterizada por:

a) Fruto da ação do ESPÍRITO SANTO que transforma o coração b) Um ato legalista feito para merecer a salvação c) Imposição externa sem necessidade de amor d) Mero cumprimento de ritos tradicionais

13. Em Romanos 8.4, o cristão é chamado a viver:

a) Segundo a letra fria da lei b) Segundo o ESPÍRITO c) Conforme o costume de seus antepassados d) Sob o jugo de ordenanças humanas

14. Quais elementos visíveis e audíveis marcaram a teofania no Sinai segundo Deuteronômio 5.22?

a) Terremoto, vento suave e chuva b) Fogo, nuvem, escuridão e voz divina c) Anjos cantando, trombetas e luz branca d) Coluna de incenso e águas divididas

15. A necessidade do povo de ter Moisés como mediador no Sinai aponta para:

a) A fraqueza do ministério sacerdotal b) CRISTO, o único mediador entre DEUS e os homens c) A supremacia dos profetas do Antigo Testamento d) A necessidade de vários intermediários espirituais

16. No estudo bíblico, o "coração" é conceituado como:

a) Um órgão puramente biológico e sem impacto espiritual b) O centro da vontade, do intelecto e das emoções c) O local onde residem os sentimentos passageiros d) A capacidade intelectual de memorizar leis

17. O versículo de Lucas 11.28 afirma que são bem-aventurados aqueles que:

a) Conhecem a lei, mas não a praticam b) Ouvem a Palavra de DEUS e a guardam c) Oferecem os maiores sacrifícios d) Ocupam posições de liderança

18. O que fez Moisés quando a congregação retornou para as suas tendas (Dt 5.33)? a) Permaneceu diante do Senhor para receber mais instruções b) Retornou imediatamente para sua família c) Descansou do trabalho do dia d) Escreveu o livro de Gênesis

19. Em Tiago 1.22-25, o crente é exortado a ser:

a) Somente ouvinte atento das Escrituras b) Praticante da Palavra e não apenas ouvinte c) Um Mestre da lei para julgar os outros d) Um guardador estrito de rituais antigos

20. Em qual passagem bíblica a Lei é descrita como "santa, justa e boa"?

a) Gálatas 3.24 b) Hebreus 10.16 c) Romanos 7.12 d) Tiago 1.22

 

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—         Série Notas Sobre o Pentateuco - C.H. MACKINTOSH - CAPÍTULO 5

OS DEZ MANDAMENTOS (O segundo discurso de Moisés — capítulos 5 a 26)

 

Ouvir e Aprender, Guardar e Praticar

"E chamou Moisés a todo o Israel e disse-lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis, e guardá-los-eis, para os cumprir."

Notemos atentamente estas quatro palavras especialmente características do livro de Deuteronômio, e tão próprias para o povo do Senhor, em todos os tempos e em todo o lugar — "Ouvir", "Aprender", "Guardar", "Fazer". São palavras de inestimável valor para toda a alma verdadeiramente piedosa — para todo o que honestamente deseja andar por aquele caminho estreito de justiça prática tão agradável a DEUS e tão seguro e feliz para nós.

A primeira destas palavras coloca a alma na mais bem-aventurada atitude em que alguém pode encontrar-se, isto é, na atitude de ouvir. "A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de DEUS" (Rm 10:17). "Escutarei o que DEUS, o SENHOR, disser" (SI 85:8). "Ouvi, e a vossa alma viverá" (Is 55:3). O ouvido atento está no próprio princípio de toda a verdadeira e prática vida cristã. Coloca a alma na única atitude verdadeira e própria da criatura. E o verdadeiro segredo de toda a paz e bem-aventurança.

Desnecessário é lembrar ao leitor que, quando falamos da alma na atitude de ouvir, se trata simplesmente de ouvir a Palavra de DEUS. Israel tinha de ouvir "os estatutos e juízos" do Senhor, e nada mais. Não eram os mandamentos, tradições e doutrinas de homens que deviam atender; mas às próprias palavras do DEUS vivo que os havia remido e libertado da terra do Egito, o lugar de escravidão, trevas e morte.

E conveniente lembrarmo-nos disto. Pois isto guardará a alma de muitas ciladas, muitas dificuldades. Ouvimos falar muito, em certos meios, de obediência; e da conveniência moral de renunciarmos à nossa própria vontade, e nos submetermos à autoridade. Tudo isto soa muito bem; e tem grande peso com um grande número de pessoas muito religiosas e moralmente excelentes. Mas quando os homens nos falam de obediência, devemos fazer a pergunta: "Obediência a quê?" Quando nos falam de ceder à nossa própria vontade, devemos perguntar-lhes: "A quem devemos rendê-la?-" Quando nos falam de nos submetermos à autoridade devemos insistir em que nos digam qual a origem ou fundamento da autoridade.

Isto é da maior importância para todos os membros da família da fé. Há muitas pessoas verdadeiramente sinceras e muito honestas que acham bastante cómodo não ter de pensar por si mesmas e terem a sua esfera de ação e linha de serviço confiadas a mentes mais competentes do que as suas próprias. Parece uma coisa muito desafogada e agradável ter a obra de cada dia designada por alguma mão hábil. Alivia o coração de um grande peso de responsabilidade, e tem certo aspecto de humildade e falta de confiança em nós próprios submetermo-nos voluntariamente à autoridade de outrem.

Mas estamos obrigados perante DEUS a ver bem qual o fundamento de autoridade a que nos submetemos, de contrário podemo-nos encontrar numa posição completamente falsa. Tome-se por exemplo um monge, ou uma freira ou um membro de uma irmandade. O monge obedece ao seu abade; uma freira à sua madre-abadessa; uma "irmã" obedece à sua "madre superiora". Mas a posição e o parentesco de cada um são absolutamente falsos. Não há no Novo Testamento nem sombra de autoridade a favor de mosteiros, conventos ou irmandades! Pelo contrário, o ensino da Sagrada Escritura, bem como a voz da natureza, são absolutamente contrários a todos eles, visto que tiram homens e mulheres do lugar e das relações em que DEUS os tem colocado, e nos quais eles estão destinados a mover-se, e os constituem em sociedades que são completamente destruidoras dos afetos naturais e subversivas de toda a verdadeira obediência cristã.

Julgamos conveniente chamar a atenção do leitor crente para este assunto de atualidade, visto que o inimigo está fazendo um esforço vigoroso para reviver o sistema monástico, entre nós, sob várias formas. Com efeito, alguns têm tido a temeridade de nos dizer que a vida monástica é a única forma verdadeira de cristianismo. Certamente, quando se fazem tão monstruosas afirmações e estas são escutadas, compete-nos estudar este assunto à luz da Escritura e convidar os defensores e adeptos do monasticismo para nos mostrarem os fundamentos do sistema na Palavra de DEUS. Onde se encontra, nas páginas do Novo Testamento, alguma coisa que se pareça, ainda que de longe, com um mosteiro, um convento ou uma irmandade?- Onde podemos encontrar uma autoridade para qualquer coisa parecida com os cargos de abade, ou abadessa, ou madre superiora?- Não se encontra absolutamente nada de tais coisas, nem sombra delas; e por isso, não hesitamos em declarar todo o sistema, desde os seus fundamentos à pedra cimeira, uma estrutura de superstição, igualmente contrária à voz da natureza e à voz de DEUS; nem podemos compreender como alguém, em suas faculdades sensatas, nos possa dizer que um monge ou uma freira é a única verdadeira expressão de vida cristã. Todavia, há os que assim falam, e há os que os escutam, e isso nestes dias em que a plena e clara luz do nosso glorioso cristianismo brilha sobre nós desde as páginas do Novo Testamento (1).

(1) Devemos compreender claramente a diferença que existe entre "natureza" e "a carne". A natureza é reconhecida na Escritura: a came é condenada e posta de lado. "Ou não vos ensina a mesma natureza?", diz o apóstolo. "JESUS olhando para o mancebo rico o amou", embora nele nada houvesse senão a natureza. Não ter afeto natural é um dos sinais da apostasia. A Escritura ensina-nos que estamos mortos para o pecado; não para a natureza, de outro modo que seria das nossas relações naturais?

Obediência e Serviço

Mas, bendito seja DEUS, nós somos chamados à obediência. Somos chamados para "ouvir" — chamados a inclinarmo-nos, em santa e reverente submissão à autoridade. E aqui concordamos com a infidelidade e suas altas pretensões. A senda do cristão piedoso e humilde está igualmente separada da superstição, por um lado e da infidelidade por outro lado. A nobre resposta de Pedro ante o Concílio, em Atos 5, inclui, no seu limitado resumo, uma completa resposta a ambas. "Mais importa obedecer a DEUS do que aos homens." Fazemos face à infidelidade, em todos os seus aspectos, em todas as suas fases, e em suas mais profundas raízes, com esta única e grave expressão: "Importa obedecer." E fazemos face à superstição, seja qual for o traje com que se revista, com a importantíssima frase: "Importa obedecer a DEUS."

Aqui temos exposto, da forma mais simples, o dever de todo o verdadeiro crente. Deve obedecer a DEUS. O incrédulo pode rir desdenhosamente de um monge ou de uma freira, e admirar-se de que um ser racional possa render completamente a sua razão e o seu entendimento à autoridade de um mortal como ele, ou submeter-se a regras e práticas tão absurdas, tão degradantes e tão contrárias à natureza. Mas ele, incrédulo, gloria-se na sua suposta liberdade intelectual, e imagina que a sua própria razão é uma guia suficiente para si. Não vê que está mais longe de DEUS do que o pobre monge ou freira que tanto despreza. Não sabe que, enquanto ele se vangloria na sua vontade própria, está realmente sendo levado como cativo por

Satanás, o príncipe deste mundo e deus deste século. O homem foi criado para obedecer — criado para olhar para alguém superior a si. O crente é santificado para a obediência de JESUS CRISTO — isto é, para o mesmo caráter de obediência que foi manifestada por nosso adorável Senhor e Salvador.

Isto é de grande importância para todo aquele que deseja saber o que é a verdadeira obediência cristã. Entender isto é o verdadeiro segredo de libertação da obstinação do incrédulo e da falsa obediência da superstição. Jamais poderá ser reto fazer a nossa própria vontade. Pode ser inteiramente erróneo fazer a vontade do nosso semelhante. Tem de ser sempre reto fazer a vontade de DEUS. Foi isto que JESUS veio fazer; e o que sempre fez. "Eis aqui venho para fazer, ó DEUS, a tua vontade" (Hb 10:9). "Deleito-me em fazer a tua vontade, ó DEUS meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração" (SI 40:8).

Ora nós somos chamados para mostrar este bendito caráter de obediência assim como somos ensinados pelo apóstolo inspirado — Pedro —, no começo da sua epístola, em que ele fala dos crentes como "eleitos segundo a presciência de DEUS o Pai, em santificação do ESPÍRITO, para obediência e aspersão de sangue de JESUS CRISTO."

Isto é um grande privilégio e, ao mesmo tempo, uma solene e santa responsabilidade. Não devemos esquecer nunca, nem por um momento, que DEUS nos elegeu, e que o ESPÍRITO SANTO nos separou, não só para a aspersão do sangue de JESUS CRISTO, mas também para a Sua obediência. Tal é o significado claro e a força moral das palavras que acabamos de citar — palavras de inefável preciosidade para todo aquele que ama a santidade —, palavras que eficientemente nos libertam da vontade própria, do legalismo e da superstição. Bendita libertação!

Mas pode ser que o leitor esteja disposto a chamar a nossa atenção para a exortação em Hebreus 13: "Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil."

Palavras duplamente importantes, certamente, com as quais devemos também ligar a passagem de 1 Tessalonicenses 5:12-13: "E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra." Bem como 1 Coríntios 16:15-16: "Agora vos rogo, irmãos (sabeis que a família de Estéfanas é as primícias da Acaia, e que se tem dedicado ao ministério [ou serviço] dos santos), que também vos sujeitei aos tais e a todo aquele que auxilia na obra e trabalha."

A tudo isto devemos acrescentar outra formosa passagem da 1 Epístola de Pedro: "Aos presbíteros que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de CRISTO, e participante da glória que se há de revelar; Apascentai o rebanho de DEUS que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de DEUS, mas servindo de exemplo ao rebanho. E quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória" (capítulo 5:1 a 4).

Pode perguntar-se: "As passagens citadas não estabelecem o princípio de obediência a certos homens? E, se é assim, por que fazer objeções à autoridade humana? A resposta é simples. Onde quer que CRISTO conceda um dom espiritual, quer seja o dom de ensinar, o dom de governar, ou o dom de pastorear, é o dever e privilégio dos crentes reconhecer e apreciar tais dons. Não o fazer, seria renunciar às nossas próprias mercês. Mas devemos ter em vista o fato que, em todos esses casos, o dom deve ser uma realidade — uma coisa evidente, palpável bona fide, divinamente dada. Não é um homem assumir determinado cargo ou posição, ou ser nomeado pelo seu semelhante para qualquer ministério assim chamado. Tudo isto é perfeitamente inútil e pior do que inútil; é uma atrevida intromissão de um sagrado domínio que há de, mais cedo ou mais tarde, atrair o juízo de DEUS.

Todo o verdadeiro ministério é de DEUS, e é baseado na possessão de um dom positivo procedente do Cabeça da Igreja; de modo que podemos verdadeiramente dizer: se não houver dom, não haverá ministério. Em todas as passagens acima citadas vemos que é possuído um dom e em verdade uma obra feita. Além disso, vemos um verdadeiro coração para os cordeiros e ovelhas do rebanho de CRISTO; vemos graça e poder divinos. A expressão em Hebreus 13 é: "Obedecei aos que vos guiam." Ora, é essencial que um verdadeiro guia siga adiante de nós. Seria o cúmulo da loucura que alguém tomasse o título de guia se desconhecesse o caminho, e não tivesse nem a competência nem a vontade de seguir nele.

Quem pensaria em obedecer a uma tal pessoal

Assim também quando o apóstolo exorta os Tessalonicenses a "reconhecer" e "estimar" certas pessoas, em que baseia a sua exortação?- E sobre a mera pretensão de um título, um cargo ou uma posição«? Nada disso. Ele baseia a sua petição sobre a fato bem conhecido de que estas pessoas "presidiam sobre eles no Senhor", e que os admoestavam. E por que os deviam eles ter "em grande estima e amor"?- Era devido ao seu cargo ou título? Não; mas "por causa da sua obra". E por que foram os Coríntios exortados a que se sujeitassem à família de Estéfanas? Foi por causa de um título vazio ou pretensão de um cargo? De modo nenhum; mas porque se "tinham dedicado ao ministério dos santos". Estavam de fato ocupados na obra. Tinham recebido um dom e graça de CRISTO, e amavam o Seu povo. Não se vangloriavam do cargo nem se agarravam ao seu título, mas entregavam-se a si mesmos piedosamente ao serviço de CRISTO, nas pessoas do Seu amado povo.

Ora este é precisamente o verdadeiro princípio de ministério. Não é, de modo algum, autoridade humana, mas dom divino e poder espiritual comunicados por

CRISTO aos Seus servos exercidos por eles em responsabilidade para com Ele; e fielmente reconhecidos pelos Seus santos. Um homem pode intitular-se ensinador ou pastor, ou pode ser nomeado pelos seus companheiros para o cargo ou título de pastor; porém, a menos que possua um dom positivo do Cabeça da Igreja, é tudo uma mera impostura, uma falsa pretensão, um vazio conceito; e a sua voz será a voz de um estranho que as verdadeiras ovelhas de CRISTO não reconhecem e não devem reconhecer (1).

(1) O leitor fará bem em ponderar o fato de que não existe tal coisa no Novo Testamento como a nomeação para pregar o evangelho, ensinar na assembleia de DEUS, ou alimentar o rebanho de CRISTO. Os anciãos e os diáconos eram ordenados pelos apóstolos, ou pelos seus delegados, Timóteo e Tito; mas os evangelistas, os pastores e doutores nunca eram ordenados. Devemos compreender a distinção entre o dom e cargo local. Os anciãos e os diáconos podiam ou não possuir um dom especial; mas isso nada tinha que ver com o seu cargo local. Se o leitor quer compreender o assunto do ministério, deve estudar 1 Coríntios 12 a 14 e Efésios 4:8 a 13. Naqueles capítulos temos a base de todo o verdadeiro ministério na igreja de DEUS, isto é, nomeação divina: "DEUS colocou os membros", etc., segundo, o motivo predominante, "amor"; terceiro, o objetivo, "para edificação da igreja". Em Efésios 4 temos a origem de todo o ministério, o Senhor ressuscitado e elevado ao céu. O fim, "para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério". A sua duração: "Até que todos cheguemos a varão perfeito, à medida da estatura completa de CRISTO."

Em suma, o ministério, em todos os seus cargos, é inteiramente uma instituição divina. Não é do homem ou pelo homem, mas de DEUS. O Mestre deve, em todos os casos, preparar, habilitar e nomear o vaso. Não existe autoridade na Escritura para a ideia de que todo o homem tem o direito de ministrar na igreja de DEUS. A liberdade para os homens agirem é radicalismo e não segundo a Escritura. Liberdade para o ESPÍRITO ministrar por quem quiser é o que nos é ensinado no Novo Testamento. Possamos nós aprender a lição!

Mas em contrapartida, onde se encontra o ensinador divinamente dotado, o verdadeiro, amorável, prudente, fiel, laborioso pastor, que vela pelas almas, chora por elas, como uma dócil, terna ama, capaz de lhes dizer: "Porque, agora, vivemos, se estais firmes no Senhor!" (1 Ts 3:8). Onde quer que estas coisas são encontradas, aí não haverá grande dificuldade de as reconhecer e apreciar. Como sabemos se um dentista é bom? E por vermos o seu nome numa placai Não; mas pelo seu trabalho. Um homem pode intitular-se a si próprio dentista à boca cheia, mas se for apenas um operador inábil quem pensará em recorrer aos seus serviços?

Assim é um todos os assuntos humanos, e assim é no assunto do ministério. Se um homem tem um dom, é um ministro; se não o tem, toda nomeação, autoridade e ordenação no mundo não podem fazer dele um ministro de CRISTO. Podem fazer dele um ministro da religião; mas um ministro da religião e um ministro de CRISTO

um ministro na Cristandade e um ministro na igreja de DEUS — são duas coisas totalmente diferentes. Todo o verdadeiro ministério tem a sua origem em DEUS; descansa sobre autoridade divina, e o seu objetivo é levar a alma à Sua presença e uni-la com Ele. O falso ministério, pelo contrário, tem a sua origem no homem; descansa na autoridade humana, e o seu objetivo é ligar a alma consigo mesmo. Isto marca a imensa diferença entre os dois. O primeiro conduz a DEUS; o último afasta d'Ele; aquele alimenta, nutre e fortalece a nova vida; este impede o seu progresso, em todos os sentidos, e submerge-a em dúvida e trevas. Em suma, podemos dizer, o verdadeiro ministério é de DEUS, por Ele e para Ele. O falso ministério é do homem, por ele e para ele. O primeiro apreciamo-lo mais do que podemos dizer; o último rejeitamo-lo com toda a energia do nosso ser mortal. Julgamos ter dito o suficiente para satisfazer o leitor com respeito ao tema de obediência àqueles que o Senhor possa ter considerado aptos para serem chamados para a obra do ministério. Somo obrigados, em todos os casos, a julgar pela Palavra de DEUS, e de que é uma realidade divina e não uma impostura humana — um dom positivo do Cabeça da Igreja, e não um título vazio conferido pelo homem. Em todos os casos em que há realmente um dom e graça, é um doce privilégio obedecer e submetermo-nos, porquanto discernimos CRISTO na pessoa e ministério dos Seus amados servos.

O Discernimento de Crente

Não existe dificuldade para a mente espiritual em reconhecer verdadeira graça e poder. Podemos facilmente discernir se um homem procura, em verdadeiro amor, alimentar as nossas almas com o pão da vida, e guiar-nos nos caminhos de DEUS, ou se ele busca exaltar-se a si mesmo e favorecer os seus próprios interesses. Aqueles que vivem perto do Senhor podem prontamente discernir entre o verdadeiro poder e a falsa pretensão. Além disso, nunca encontramos os verdadeiros ministros de CRISTO fazendo ostentação da sua autoridade ou vangloriando-se do seu cargo; fazem a obra e deixam que ela fale por si mesma. No caso do bendito apóstolo Paulo, vemo-lo, repetidas vezes, recorrer às provas evidentes do seu ministério — à incontestável evidência produzida na conversão e bênção de almas. Podia dizer aos coríntios, quando, mal guiados pela influência de algum pretendente à auto exaltação, punham em dúvida o seu apostolado: "Visto que buscais uma prova de CRISTO que fala em mim [...] examinai-vos a vós mesmos" (2 Co 13:3-5).

Isto era decisivo, terminava a questão. Eles próprios eram as provas vivas do seu ministério. Se o seu ministério não era de DEUS, o que eram eles e onde estavam?-

Mas era de DEUS e isto era o seu gozo, seu conforto e sua força. Ele era "apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por JESUS CRISTO, e por DEUS Pai, que o ressuscitou dos mortos)" (Gl 1:1). Gloriava-se na origem do seu ministério; e, quanto ao seu caráter, tinha apenas que apelar para um corpo de evidência suficiente para levar convicção a toda a mente sã. No seu caso, podia verdadeiramente dizer-se que não era o discurso, mas o poder (1 Co 4:19).

Assim deve ser, em proporção, em todos os casos. Devemos procurar o poder. Devemos ter a realidade. Os simples títulos nada são. Os homens podem dedicar-se a outorgar títulos e nomear cargos; mas não têm mais autoridade para assim fazer do que têm para nomear almirantes para a marinha ou generais para o exército. Se víssemos um homem tomar o estilo e título de almirante ou general sem a devida nomeação havíamos de considerá-lo idiota ou demente. Isto é apenas uma fraca ilustração para mostrar a loucura de certos homens que se arrogam o título de ministros de CRISTO sem um átomo de dom espiritual ou autoridade divina. Dir-nos-ão que não devemos julgará Somos obrigados a julgar: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas" (Mt 7:15). Como nos poderemos acautelar se não podermos julgará Mas como havemos de julgará "Por seus frutos os conhecereis." Não pode o povo do Senhor discernir a diferença entre um homem que vem para eles, no poder do ESPÍRITO, dotado pelo Cabeça da Igreja, cheio de amor pelas suas almas, que deseja ardentemente a sua verdadeira bênção, buscando não o que é seu mas deles, um servo de CRISTO, santo, humilde e cheio de graça, que não tem pretensões a honras pessoais; e outro homem que vem com um título por ele próprio tomado ou humanamente conferido, sem um simples vestígio de coisa alguma divina ou celestial no seu ministério ou na sua vida<? Claro que pode; ninguém em seu perfeito juízo pensará pôr em dúvida um fato tão claro.

Mas, além disso, podemos perguntar, o que significam essas palavras do venerando apóstolo João? "Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de DEUS, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" (1 Jo 4:1). Como vamos provar os espíritos ou como vamos discernir entre os verdadeiros e os falsos se não devemos julgará O mesmo apóstolo escrevendo "à senhora eleita" faz-lhe esta solene advertência: "Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras." Não era ela responsável por atuar segundo esta admoestação?- Certamente que assim. Mas como podia fazê-lo, se nós, não devemos julgará E o que devia ela julgará Era se os que vinham a sua casa eram ordenados, autorizados, ou diplomados por qualquer homem ou corporação humana? Nada disso. A grande e importante questão para ela era quanto à doutrina. Se traziam a verdadeira, a doutrina divina de CRISTO — a doutrina de que JESUS CRISTO veio em came, ela devia recebê-los em sua casa; se não, devia fechar-lhes a porta com mão firme, não importava quem fossem ou de onde viessem. Ainda que tivessem todas as credenciais que o homem pode outorgar, se não traziam a verdade, ela devia recusar recebê-los em sua casa com firme decisão. Isto poderia parecer muito severo, muito tacanho, muito fanático, mas com isto ela nada tinha que ver. Tinha de ser tão tolerante e tão escrupulosa como a verdade. A sua porta e o seu coração deviam ser bastante amplos para admitir todos os que traziam CRISTO, mas não mais. Havia de dar cumprimentos em prejuízo do seu Senhor? Devia procurar fama de grandeza de coração ou tolerância de espírito recebendo em sua casa e admitindo à sua mesa os ensinadores de um falso CRISTO?

0      simples pensamento é horrível.

Mas, por fim, no segundo capítulo de Apocalipse, vemos que ele recomenda a igreja de Éfeso por haver posto à prova os que diziam ser apóstolos e o não eram. Como poder ser isto se não devemos julgar? Não é evidente para o leitor que se tem tomado em um sentido absolutamente falso as palavras do Senhor em Mateus 7:1: "Não julgueis, para que não sejais julgados"«? E também as palavras do apóstolo em

1      Coríntios 4:5: "Portanto nada julgueis antes de templo?-" É impossível a Escritura contra- dizer-se; e, por isso, qualquer que seja o verdadeiro significado das palavras do Senhor: "Não julgueis", ou da expressão do apóstolo: "Nada julgueis", é perfeitamente certo que não interferem, de modo algum, com a solene responsabilidade de todos os crentes julgarem o dom, a doutrina e a vida de todos os que tomam o lugar de pregadores, ensinadores e pastores na Igreja de DEUS.

E, por outro lado, se nos perguntarem qual o significado das palavras "não julgueis" e "nada julgueis", cremos que essas palavras nos proíbem simplesmente julgar os motivos ou origens ocultas de ação. Com estes nada temos absolutamente que ver. Não podemos penetrar abaixo da superfície; e, graças a DEUS, não somos chamados tampouco a fazê-lo; sim, somos positivamente proibidos disso. Não podemos ler os desígnios do coração; é cargo e prerrogativa somente de DEUS fazer isto. Mas dizer que não devemos julgar a doutrina, o dom ou modo de vida daqueles que tomam o lugar de pregadores e pastores na igreja de DEUS é simplesmente opor-se à Sagrada Escritura e desconhecer os próprios instintos da natureza divina implantados em nós pelo ESPÍRITO SANTO.

Por isso, podemos voltar com maior clareza e decisão à nossa tese de obediência cristã. Parece perfeitamente claro que o mais completo reconhecimento de todo o verdadeiro ministério na Igreja, e a completa submissão de nós próprios a todos os que CRISTO possa julgar aptos para levantar como pastores, ensinadores e guias, entre nós, não podem nunca, de modo nenhum, interferir com o princípio fundamental estabelecido na magnificente resposta ao concílio: "Mais importa obedecer a DEUS do que aos homens."

O fim e o objetivo de todo o verdadeiro ministro de CRISTO será sempre guiar aqueles a quem ministram na verdadeira senda de obediência à Palavra de DEUS. O capítulo que temos aberto perante nós, como, de fato, todo o livro de

Deuteronômio, mostra-nos claramente como Moisés, esse eminente servo de DEUS, procurava sempre e trabalhava diligentemente para incutir na congregação de Israel a urgente necessidade da mais implícita obediência a todos os estatutos e juízos de DEUS. Não buscava nenhum lugar de autoridade para si mesmo. Nunca exerceu senhorio sobre a herança de DEUS. O seu grande tema, desde o princípio ao fim, era a obediência — o ponto principal de todos os seus discursos — obediência não a si, mas ao Senhor deles e seu. Julgava acertadamente que isto era o verdadeiro segredo da sua felicidade, da sua segurança moral, da sua dignidade e força. Sabia que um povo obediente deve também ser, necessariamente, um povo invencível e invulnerável. Nenhuma arma usada contra eles podia ser eficaz, desde que fossem governados pela Palavra de DEUS. Numa palavra, sabia e cria que o dever de Israel era obedecer ao Senhor; assim como pertencia ao Senhor abençoar Israel. A sua única ocupação consistia em "ouvir", "aprender", "guardar" e "fazer" a vontade revelada de DEUS; e, fazendo-o, podiam contar com Ele, na mais completa confiança de que seria seu escudo, sua força, sua salvaguarda, seu refúgio, seu recurso, seu tudo em tudo. O único verdadeiro e próprio caminho para o Israel de DEUS é o caminho estreito da obediência sobre o qual a luz do semblante de DEUS brilha sempre em sinal de aprovação; e todos os que, pela graça, trilham esse caminho encontrarão n'Ele "um guia, glória, uma defesa para os salvar de todo o temor."

Isto é, certamente, suficiente. Nada temos a ver com as consequências. Podemos deixá-las, em simples confiança, com Aquele de quem somos e a quem temos a responsabilidade de servir. "Torre forte é o nome do SENHOR; para ela correrá o justo, e estará em alto retiro" (Pv 18:10). Se estivermos fazendo a Sua vontade, acharemos sempre no Seu nome uma torre forte. Mas, em contrapartida, se não andarmos no caminho da justiça prática, se estivermos fazendo a nossa própria vontade, se vivermos no descuido habitual da clara Palavra de DEUS, então será absolutamente inútil pensarmos que o nome do Senhor seja uma forte torre para nós; antes, pelo contrário, o Seu nome será uma repreensão para nós, e levar-nos-á a julgarmo-nos a nós próprios e a regressarmos ao caminho da justiça do qual nos havemos afastado.

Bendito seja o Seu nome, a Sua graça nunca nos faltará, em toda a sua preciosidade, plenitude e liberalidade, no lugar de autojuízo e confissão, por muito que tenhamos falhado ou nos tenhamos desviado. Mas isto é uma coisa muito diferente. Podemos ter de dizer como o salmista: "Das profundezas a ti clamo, ó SENHOR! Senhor, escuta a minha voz! Sejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas. Se tu, SENHOR, observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirás Mas contigo está o perdão, para que sejas temido" (SI 130:1 a 4). Mas, uma alma clamando a DEUS desde as profundezas e obtendo perdão é uma coisa; e uma alma que olha para Ele na senda da justiça prática é outra. Devemos distinguir atentamente entre ambas as coisas. Confessar os nossos pecados e obter o perdão não deve confundir-se nunca com o andar com DEUS. Ambos os casos são, felizmente, verdadeiros; mas não são a mesma coisa.

Dois Pactos

Prosseguiremos agora com o nosso capítulo. Em versículo 2, Moisés lembra ao povo a relação que têm com Javé por um pacto. Diz-lhes: "O SENHOR, nosso DEUS, fez conosco concerto, em Horebe. Não com nossos pais que fez o SENHOR este concerto, senão conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos. Face a face o SENHOR falou conosco, no monte, no meio do fogo (naquele tempo, eu estava em pé entre o SENHOR e vós, para vos notificar a palavra do SENHOR: porque temestes o fogo e não subistes ao monte), dizendo", etc.

O leitor deve distinguir e compreender perfeitamente a diferença entre o concerto feito em Horebe e o concerto feito com Abraão, Isaque e Jacó. São dois concertos essencialmente diferentes. O primeiro era um concerto de obras, pelo qual o povo se comprometia a fazer tudo quanto o Senhor havia dito. O último era um concerto puramente de graça, pelo qual DEUS garantia com juramento fazer tudo quanto havia prometido.

A linguagem humana é insuficiente para mostrarmos a imensa diferença, a todos os respeitos, entre estes dois concertos. Em seus fundamentos, em seu caráter, em seus acessórios, e em seu resultado prático, são tão diferentes quanto o podem ser duas coisas. O concerto de Horebe dependia da competência humana para o cumprimento dos seus termos; e este fato só por si é mais que suficiente para explicar o fracasso total de todo o pacto. O concerto com Abraão baseava-se na competência divina para o cumprimento dos seus termos, e daí a absoluta impossibilidade de sua quebra em um simples jota ou til.

A Lei

Havendo tratado em nossos "Estudos sobre o Livro de Êxodo" pormenorizadamente do assunto da lei, e procurado mostrar o objetivo divino na promulgação da mesma, e, além disso, feito constar a absoluta impossibilidade de alguém alcançar vida ou justificação guardando-a, devemos recomendar ao leitor o que ali temos escrito sobre este assunto profundamente interessante.

Parece estranho para quem é instruído exclusivamente pela Escritura que exista tanta confusão de pensamento entre os cristãos professos sobre uma questão tão clara e definitivamente estabelecida pelo ESPÍRITO SANTO. Fosse apenas uma questão de autoridade divina de Êxodo 20 ou Deuteronômio 5 como porções inspiradas da Bíblia, e nós não teríamos uma palavra a dizer. Cremos plenamente que estes capítulos são tão inspirados como o décimo sétimo de João ou o oitavo de Romanos.

Mas o ponto não é este. Todo o verdadeiro cristão aceita, com fervorosa gratidão, o precioso relato que toda a Escritura é dada por inspiração de DEUS. E, demais, regozija-se com a certeza de que "... tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança" (Rm 15:4). E, finalmente, crê que a moralidade da lei é de permanente e universal aplicação. O assassínio, o adultério, roubo, falso testemunho, avareza, são ofensa — sempre ofensa — em toda a parte. Honrar os nossos pais é bom — sempre bom em toda a parte. Lemos no capítulo 4 de Efésios: "Aquele que furtava não furte mais." E também no capítulo 6, lemos: "Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra."

Tudo isto é divinamente tão claro e fixo que não há lugar para discussão. Mas quando pensamos na lei como base de relação com DEUS, entramos numa região de pensamento inteiramente diferente. A Escritura, em múltiplas passagens, ensina-nos, da maneira mais clara, que, como cristãos, como filhos de DEUS, não estamos sobre esse terreno. Os judeus estavam sobre esse terreno, mas não podiam estar ali com DEUS. Era morte e condenação. "Porque não podiam suportar o que se lhes mandava: Se até um animal tocar o monte, será apedrejado. E tão terrível era a visão que Moisés disse: "Estou todo assombrado e tremendo" (Hb 12:20-21). O Judeu descobriu que a lei era uma cama tão curta que não podia estender-se nela, e um cobertor tão estreito que não se podia cobrir com ele.

Quanto aos gentios, nunca foram, por qualquer ramo da economia divina, postos debaixo da lei. A sua condição está expressamente declarada no princípio da epístola aos Romanos, como sendo "sem lei" — "porque, quando os gentios, que não têm lei", etc. E, "Porque todos os que sem lei pecaram também sem lei perecerão; e todos os que sob a lei pecaram pela lei serão julgados" (Rm 2:14 e 12). Aqui as duas classes são postas em agudo e vivo contraste, quanto à questão da sua posição dispensacional. O judeu, sob a lei; o gentio, sem a lei. Nada pode ser mais claro. O gentio fora colocado sob o governo, na pessoa de Noé; mas nunca debaixo da lei. Se alguém está disposto a duvidar disto, que produza uma simples linha da Escritura para provar que DEUS alguma vez colocou os gentios debaixo da lei. Examine e veja. De nada vale argumentar, raciocinar e objetar. E absolutamente inútil dizer "nós pensamos" isto ou aquilo. A questão é; "O que diz a Escriturai" Se ela diz que os gentios foram postos debaixo da lei, cite-se a passagem. Nós declaramos solenemente que ela não diz nada disso, mas precisamente o contrário. Descreve a condição e o estado dos gentios como "sem lei" — "não tendo a lei".

Em Atos 10 vemos DEUS abrir o reino dos céus aos gentios. Em Atos 14:27 vêmo-Lo abrir "a porta da fé" aos gentios. Em Atos 28:28 vêmo-Lo enviar a Sua salvação aos gentios. Mas buscamos em vão, em todas as páginas do bendito Livro, uma passagem em que conste ter colocado os gentios debaixo da lei.

Rogamos sinceramente ao leitor crente que preste toda a sua atenção a esta interessante e importante questão. Procure pôr de lado os seus pensamentos preconcebidos e examine o assunto simplesmente à luz da Sagrada Escritura. Sabemos bem que as nossas afirmações sobre este assunto serão consideradas por muitíssimos como uma novela, senão como heresia formal; mas isto não nos incomoda de forma alguma. E nosso desejo sermos ensinados absoluta e exclusivamente pela Escritura. As opiniões, mandamentos e doutrinas dos homens não pesam absolutamente nada em nosso ânimo. Os dogmas das diversas escolas de teologia devem estimar-se pelo que valem. Exigimos a Escritura. Uma simples linha de inspiração é amplamente bastante para resolver esta questão, e terminar com a discussão para sempre. Mostrem- nos pela Palavra de DEUS que os gentios foram alguma vez postos debaixo da lei e nós nos curvaremos imediatamente; mas, visto que não podemos encontrar isso nela mencionado, rejeitamos inteiramente a ideia, e esperamos que o leitor faça a mesma coisa. A linguagem invariável da Escritura, descrevendo a posição do judeu, é "debaixo da lei" -, e, descrevendo a posição do gentio, é "sem lei". É claro que não podemos compreender como é que qualquer leitor possa deixar de ver isto (1).

(1) O leitor pode talvez sentir-se disposto a perguntar sobre que princípio será um gentio julgado, se não está debaixo da lei. Romanos 1:20 ensina-nos claramente que o testemunho da criação o deixa sem desculpa. Depois, em capítulo 2:15 é posto sobre o fundamento da consciência. "Porque quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei, os quais mostram a obra da lei escrita no seu corações". Finalmente, quanto a essas nações que se tomaram por profissão cristãs, serão julgadas sobre o fundamento da sua profissão.

Se o leitor voltar a sua atenção, por um momento, para o capítulo 15 de Atos dos Apóstolos, verá como a primeira tentativa para pôr os gentios convertidos debaixo da lei foi tratada pelos apóstolos e toda a igreja em Jerusalém. A questão foi levantada em Antioquia; e DEUS, em Sua infinita bondade e sabedoria, ordenou as coisas de modo a que ela não fosse ali resolvida, mas que Paulo e Barnabé fossem a Jerusalém e discutissem plena e livremente o assunto de modo a que ele fosse definitiva e unanimemente arrumado pela voz dos doze apóstolos e toda a igreja. Como devemos bendizer a DEUS por isto! Podemos, imediatamente, ver como a decisão de uma assembleia local como a de Antioquia, até mesmo embora aprovada por Paulo e Barnabé, não comportaria o mesmo peso como os doze apóstolo reunidos em concílio em Jerusalém. Mas o Senhor, bendito seja o Seu nome, tomou cuidado a fim de que o inimigo fosse completamente confundido; e que os mestres da lei desses dias, e de todos os tempos sucessivos, fossem de um modo claro e autorizado informados que não era segundo a Sua vontade que os cristãos fossem postos debaixo da lei, sob pretexto algum.

O assunto é tão importante que nós não podemos deixar de citar algumas passagens para o leitor. Cremos que animarão tanto o leitor como o autor destas linhas e que eles se sentirão grandemente encorajados com o tocante discurso feito no concílio mais notável e interessante que jamais esteve reunido.

"Então, alguns que tinham descido da Judéia ensinavam assim os irmãos: Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos." Como isto era terrível! Era de causar arrepios! Que fúnebre sonido para ecoar aos ouvidos dos que haviam sido convertidos pelo esplêndido discurso de Paulo na sinagoga de Antioquia! "Seja-vos, pois, notório, varões irmãos, que por este" — sem a circuncisão ou as obras da lei de qualquer espécie — "se vos anuncia a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser justificados, por ele é justificado todo aquele que crê" "...e, saídos os judeus da sinagoga, os gentios rogaram que no sábado seguinte lhes fossem ditas as mesmas coisas" (At 13:38 a 42).

Tal foi a gloriosa mensagem enviada aos gentios pelos lábios do apóstolo Paulo — uma mensagem de livre, plena, imediata e perfeita salvação — completa remissão dos pecados e perfeita justificação pela fé em nosso Senhor JESUS CRISTO. Mas, segundo o ensino de "alguns que tinham descido da Judéia", tudo era insuficiente. CRISTO não era suficiente sem a circuncisão e a lei de Moisés. Os pobres gentios, que nunca haviam ouvido falar da circuncisão ou da lei de Moisés, tinham de acrescentar a CRISTO e à Sua gloriosa salvação o guardar toda a lei!

Como o coração de Paulo deve ter ardido ao ver os amados gentios convertidos postos debaixo de tão monstruoso ensino! Não viu nisso nada menos do que a completa derrota do Cristianismo. Se a circuncisão tinha de ser acrescentada à Cruz de CRISTO — se a lei Moisés devia ser o complemento da graça de DEUS, então tudo ficava desfeito.

Mas, bendito seja o DEUS de toda a graça, Ele permitiu que fosse levantada uma nobre oposição a esse mortal ensino. Quando o inimigo se apresentou como um aluvião, o ESPÍRITO SANTO levantou um padrão contra ele. "Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo, Barnabé, e alguns dentre eles subissem a Jerusalém aos apóstolos e aos anciãos sobre aquela questão. E eles, sendo acompanhados pela igreja, passaram pela Fenícia e por Samaria, contando" — não a circuncisão mas — "a conversão dos gentios, e davam grande alegria a todos os irmãos."

Os irmãos estavam na corrente do pensamento de CRISTO e na doce comunhão com o coração de DEUS; e por isso alegravam-se por ouvir da conversão e salvação dos gentios. Podemos ficar certos de que não lhes teria dado gozo algum ouvir que se havia posto ao pescoço daqueles amados discípulos, que haviam sido trazidos para a gloriosa liberdade do evangelho, o pesado jugo de circuncisão e a lei de Moisés. Mas ouvir da Sua conversão a DEUS, da sua salvação em CRISTO, de haverem sido selados com o ESPÍRITO SANTO, enchia os seus corações de um gozo que estava em encantadora harmonia com a mente do céu.

"Quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos e lhes anunciaram quão grandes coisas DEUS tinha feito por eles. Alguns, porém, da seita dos fariseus que tinham crido se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés."

Quem havia dito que era "mister" i Não era DEUS certamente, porquanto, em Sua infinita graça, lhes havia aberto a porta da fé, sem a circuncisão nem mandamento algum de Moisés. Não; eram "alguns" que presumiam falar de tais cosias como necessárias — homens que têm perturbado a Igreja de DEUS desde esses tempos até aos nossos dias —, homens que queriam ser "doutores da lei; e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam" (1 Tm 1:7). Os doutores da lei nunca sabem o que está envolvido no seu escuro e triste ensino. Não têm a mínima ideia de quão detestável é o seu ensino para o DEUS de toda a graça, o Pai das misericórdias.

A Lei: um Jugo Impossível de Levar

Mas graças a DEUS, o capítulo que estamos citando proporciona-nos a mais clara e poderosa evidência que podia ser dada quanto à mente divina sobre o assunto. Prova, sem sombra de dúvidas, que não era intenção de DEUS por os crentes Gentios debaixo da lei.

"Congregaram-se, pois, os apóstolos e os anciãos para considerar este assunto. E, havendo grande contenda"—ah, quão cedo ela começou! — "levantou-se Pedro e disse-lhes: Varões irmãos, bem sabeis que já há muito tempo DEUS me elegeu dentre vós para que os gentios ouvissem da minha boca" — não a lei de Moisés ou a circuncisão, mas — "a palavra do evangelho e cressem. E DEUS, que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o ESPÍRITO SANTO, assim como também a nós; e não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando o seu coração pela fé. Agora, pois, por que tentais a DEUS, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportará"

Nota bem isto, prezado leitor. A lei havia concedido um jugo insuportável para aqueles que estavam debaixo dela, isto é, os judeus; e, além disso, pôr um jugo sobre a cerviz dos crentes gentios era nada menos que tentar a DEUS. Oxalá que todos os ensinadores da lei em todos os âmbitos da cristandade abrissem os seus olhos a este grande fato! E não apenas isto, mas que a todo o amado povo do Senhor em toda a parte fosse dado ver que é uma positiva oposição à vontade de DEUS querer pô-los debaixo da lei, seja por que razão for. "Mas", acrescenta o bem-aventurado apóstolo da circuncisão, "cremos que seremos salvos"— não pela lei em qualquer forma — "pela graça do Senhor JESUS CRISTO, como eles também." Isto é invulgarmente belo, vindo dos lábios do apóstolo da circuncisão. Ele não diz: "Eles serão salvos, como nós somos"; mas "Seremos salvos, como eles também". O judeu contenta-se em descer da sua elevada posição dispensacional e ser salvo da mesma maneira que o pobre incircunciso gentio.

Sem dúvida, essas nobres expressões devem ter caído com força aturdidora nos ouvidos dos partidários da lei. Não lhes deixou nem um apoio para se susterem. "Então, toda a multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo, que contavam quão grandes coisas e prodígios DEUS havia feito por meio deles entre os gentios." O ESPÍRITO inspirador achou conveniente não nos dizer o que Paulo e Barnabé disseram nesta memorável ocasião; e nós podemos ver a Sua sabedoria sobre este assunto. E evidentemente Seu objetivo dar a proeminência a Pedro e Tiago como homens cujas palavras haviam necessariamente de pesar mais no ânimo dos ensinadores da lei do que as que pronunciavam o apóstolo dos gentios e o seu companheiro.

"E, havendo-se eles calado, tomou Tiago a palavra, dizendo: Varões irmãos, ouvi-me. Simão relatou como, primeiramente, DEUS visitou os gentios" — não para os converter a todos, mas — "para tomar deles um povo para o seu nome. E com isto concordam as palavras dos profetas"— aqui ele apresenta uma esmagadora prova de evidência do Velho Testamento para esmagar os judaizantes —, "como está escrito: Depois disto, voltarei e reedificarei o tabernáculo de Davi, que está caído; levantá-lo-ei das suas ruínas e tomarei a edificá-lo. Para que o resto dos homens busque ao Senhor, e também todos os gentios" — sem a mais ínfima referência à lei de Moisés, mas — "sobre os quais o meu nome é invocado, diz o Senhor, que faz todas estas cosias que são conhecidas desde toda a eternidade. Pelo que julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a DEUS."

Aqui, pois, temos esta grande questão definitivamente resolvida pelo ESPÍRITO SANTO, os doze apóstolos e toda a Igreja; e nós não podemos deixar de ficar surpreendidos com o fato de que neste importante concílio, ninguém falou mais energicamente e de uma maneira mais clara e decidida que Pedro e Tiago — o primeiro, o apóstolo da circuncisão, e o último, o que falou especialmente às doze tribos e cuja posição e ministério estavam calculados para dar mais peso às suas palavras, no parecer de todos os que estavam, mais ou menos, sobre o terreno judaico ou legal. Mas estes eminentes apóstolos expressaram clara e decididamente o seu critério de que os gentios convertidos não deviam ser "perturbados" ou incomodados com a lei. Demonstraram, nos seus poderosos discursos, que era diretamente contrário à Palavra, à vontade e aos caminhos de DEUS, colocar os crentes gentios debaixo da lei.

Quem pode deixar de ver a sabedoria de DEUS nisto? As palavras de Paulo e Barnabé não são relatadas. Diz-se apenas que eles relataram as coisas que DEUS havia feito entre os gentios. Que se mostrariam inteiramente opostos a que se colocassem os gentios debaixo da lei, era de esperar. Mas ver Pedro e Tiago tão decididos, devia produzir grande efeito em todos.

Mas se o leitor quer uma visão mais clara dos pensamentos de Paulo sobre a questão da lei, deve estudar a epístola aos Gálatas. Nela, este bem-aventurado apóstolo, sob a direta inspiração do ESPÍRITO SANTO, abre o seu coração aos gentios convertidos em palavras de ardente sinceridade e dominante energia. E verdadeiramente espantoso que alguém possa ler esta maravilhosa epístola e ainda manter que os crentes estejam debaixo da lei, de qualquer modo ou com qualquer fim determinado. Mal o apóstolo acaba a breve introdução da sua epístola, quando entra com a sua característica energia no assunto de que o seu amoroso coração, embora dolorido e contristado, trasborda. "Maravilho-me" diz ele — e bem maravilhado podia estar— "de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou" — a quê?- A lei de Moisés«? Não, mas —"à graça de CRISTO para outro evangelho, o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de CRISTO. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema."

Que os ensinadores da lei meditem estas severas palavras. Parecem fortes e severas? Lembremos que são as próprias palavras de DEUS e do ESPÍRITO SANTO. Sim, leitor, DEUS, o ESPÍRITO SANTO, lança o Seu terrível anátema a todo aquele que intenta juntar a lei de Moisés ao evangelho de CRISTO—a todo aquele que tenta colocar os crentes debaixo da lei. Como é que os homens não temem, em vista de tais palavras, contender pela lei? Não têm receio de ficar debaixo da solene maldição de DEUS, o ESPÍRITO SANTO?

Alguns, porém, tratam de resolver a questão dizendo que não aceitam a lei como meio de justificação, mas como uma regra de vida. Mas isto não é nem razoável nem inteligente, visto que nós podemos justamente interrogar quem nos deu autoridade para decidir quanto ao uso que devemos fazer da lei? Ou estamos debaixo da lei ou não. Se estamos debaixo dela, não é uma questão de saber como a tomamos, mas de como ela nos toma.

Isto estabelece toda a diferença. A lei não conhece essas distinções pelas quais contendem alguns teólogos. Se estamos debaixo dela, seja por que motivo for, estamos sob a maldição, porque está escrito: "Maldito seja todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei para as fazer." Dizer que sou nascido de novo, que sou cristão, não resolve de modo nenhum a questão; pois o que tem que ver a lei com a questão do novo nascimento, ou do cristianismo?- A lei é endereçada ao homem na sua condição de ser responsável. Exige perfeita obediência, e pronuncia a sua maldição sobre todo o que deixa de lhe obedecer.

Além disso de nada serve dizer que, por muito que tenhamos falhado em guardar a lei, CRISTO a guardou em nosso lugar e a nosso favor. A lei nada conhece de obediência por procuração. A sua linguagem é: "O homem que fizer estas coisas viverá por elas."

E não é apenas sobre o homem que falha em guardar a lei que a maldição é pronunciada; mas, como se fosse para pôr o princípio da maneira mais clara diante de nós, lemos: "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei, estão debaixo da maldição" (Gl 3:10). Isto é, todos quantos tomam a sua posição sobre um terreno legal — todos quantos estão sobre esse princípio — numa palavra, todos quantos têm alguma coisa que ver com as obras da lei, estão, necessariamente, sob a maldição. Por isso, podemos ver, imediatamente, a terrível contradição em que incorre um crente que mantém a ideia de estar debaixo da lei como uma regra de vida, e, contudo, não estar debaixo da maldição. E simplesmente opor-se às mais simples afirmações da Sagrada Escritura. Bendito seja o DEUS de toda a graça, o cristão não está debaixo da maldição. Mas por quê?- E porque a lei perdeu o seu poder, a sua majestade, a sua dignidade, o seu santo rigor?- De modo nenhum. Dizer tal coisa seria blasfemar da lei. Dizer que qualquer "homem" — chamem- lhe o que quiserem, cristão, judeu ou gentio — pode estar debaixo da lei, que pode encontrar-se nesse terreno, e todavia não estar sob a maldição, é dizer que cumpre perfeitamente a lei ou que a lei está abolida: é tomá-la nula e sem efeito. Quem ousará dizer isto«?- Ai de quem assim fizer!

Mas que sucedeu para que o cristão não esteja debaixo da maldição?- Porque não está debaixo da lei. E como saiu de debaixo da lei<? Foi porque outrem a cumpriu em seu lugar? Não; repetimos, não se encontra tal ideia em toda a economia legal, como obediência por procuração. Então<? Aqui está como foi, em toda a sua força moral, plenitude e beleza: "Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para DEUS" (Gl 2:19) (1).

(1) A omissão do artigo no original aumenta imensamente a força e clareza da passagem. Oxalá isto fosse melhor compreendido! Destrói uma grande parte da teologia humana. Deixa a lei na sua própria esfera; mas liberta o crente completamente do seu poder e do alcance pela morte. "Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de CRISTO, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para DEUS"—o qual nunca poderíamos dar se estivéssemos debaixo da lei—"Porque, quando estávamos na came", — um termo correlativo com o estado sob a lei — "as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte". Note-se esta triste combinação! "Debaixo da lei", "Na carne", 'As paixões dos pecados", "Fruto para morte"! Pode haver alguma coisa mais clara? Mas existe o outro lado, graças a DEUS, desta questão; o lado brilhante e bendito de DEUS. Ei-lo. "Mas agora estamos livres da lei" Como? E porque outrem a cumpriu por nós? Não; mas, "pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra". Quão perfeita e formosa é a harmonia de Romanos 7 com Gálatas 2! "Porque eu pela lei estou morto para a lei, para viver para DEUS".

Ora, se é verdade, e o apóstolo diz que sim, que nós estamos mortos para a lei, que possibilidade tem a lei de ser uma regra de vida para nós?- Demonstrou que era unicamente uma regra de morte, maldição e condenação para aqueles que estavam debaixo dela — aqueles que a tinham recebido por disposição dos anjos. Pode demonstrar-nos ser alguma coisa mais para nós? Produziu a lei alguma vez frutos vivos ou de justiça na história da algum filho ou filha de Adão"? Escutemos a resposta do apóstolo: "Porque, quando estávamos na came" — isto é, quando éramos vistos como homens na nossa natureza pecaminosa —, "as paixões dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a morte" (Rm 7:5).

"E vivo, não mais eu, mas CRISTO vive em mim"

E muito importante para o leitor compreender a força real da expressão "na carne". Não significa, nesta passagem, "no corpo". Mostra simplesmente o estado do homem ou da mulher inconvertidos obrigados a cumprir a lei. Pois bem, nesse estado, tudo que era ou jamais pôde ser produzido era "fruto para morte" - "paixões dos pecados". Não era vida, santidade, justiça, nada para DEUS, nada absolutamente justo (1).

(1)E conveniente lembrar que embora os gentios nunca fossem nos atos de DEUS postos debaixo da lei, é um fato que todos os que são batizados tomam essa posição. Por isso existe uma grande diferença entre a cristandade e o paganismo a respeito da questão da lei. Milhares de inconvertidos pedem, todas as semanas, a DEUS para inclinar os seus corações para guardarem a lei. Seguramente, tais pessoas encontram-se num terreno muito diferente daquele que os pagãos ocupam, os quais nunca ouviram a lei e nunca tiveram conhecimento da Bíblia.

Porém, em que situação estamos agora, como cristãos? Escutemos a resposta. "Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para DEUS. Já estou crucificado com CRISTO; e vivo não mais eu, mas CRISTO vive em mim; e a vida que agora vivo na came — aqui quer dizer no corpo —, "vivo-a" — como? Pela lei, como regra de vida? Não há nem uma alusão a tal coisa, mas

"na fé do Filho de DEUS, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por

mim."

Isto, e nada mais, é Cristianismo. Compreendemo-lo? Compenetramo-nos disso? Estamos de posse do seu poder? Existem dois males dos quais somos libertados completamente pela preciosa morte de CRISTO, a saber: legalidade, por um lado, e, por outro lado, devassidão. Em vez desses terríveis males, ela introduz-nos na santa liberdade da graça — liberdade para servir a DEUS, liberdade para "mortificar os nossos membros que estão sobre a terra", liberdade para renunciar à "impiedade e às concupiscências mundanas", liberdade para "viver sóbria, e justa, e piamente" (Tito 2:12), liberdade para subjugar o corpo e o reduzir à servidão (I Cor. 9:27). Sim, prezado leitor crente, lembremos isto. Consideremos profundamente as palavras. "Já estou crucificado com CRISTO; e vivo, não mais eu, mas CRISTO vive em mim." O velho "eu" está morto, crucificado, sepultado. O novo "eu" está vivo em CRISTO. Não confundamos isto. Não conhecemos nada mais terrível, nada mais perigoso do que o velho "eu" pretender ocupar o novo terreno; ou, por outras palavras, as gloriosas doutrinas do cristianismo serem adotadas na came por pessoas inconvertidas que falam de ser libertados da lei e convertem em dissolução a graça de DEUS. Confessamos que preferiríamos milhentas vezes mais a legalidade do que a dissolução. E contra esta que nós temos de estar em guarda com toda a sinceridade possível. Está aumentando em redor de nós com aterradora rapidez e calcetando o caminho para a onda tenebrosa e desoladora da infidelidade que, em breve, se estenderá sobre toda a extensão de cristandade.

Falar de se estar libertado da lei de qualquer outro modo que não seja por se estar morto para ela e vivo para DEUS, não é cristianismo, mas dissolução, da qual a alma piedosa deve afastar-se com santo horror. Se estamos mortos para a lei, estamos também mortos para o pecado; e por isso não devemos fazer a nossa vontade, que não é mais que outro nome para designar o pecado, mas a vontade de DEUS, que é verdadeira santidade prática.

Demais, recordemos que se estamos mortos para a lei, estamos mortos também para este presente século mau, e relacionados com um CRISTO ressuscitado, que subiu ao céu e foi glorificado. Por isso, não somos do mundo, assim como CRISTO não é do mundo. Procurar uma posição no mundo é negar que estamos mortos para a lei; porque não podemos estar vivos para um e mortos para outra. A morte de CRISTO libertou-nos da lei, do poder do pecado, deste presente século mau, e do temor da morte. Mas todas estas coisas estão juntas, e nós não podemos ser libertados de uma sem sermos libertados de todas. Afirmar a nossa libertação da lei, e seguir uma vida carnal, de condescendência com o mundo e de mundanismo, e um dos mais sombrios e mortais males dos últimos dias.

O cristão é chamado para demonstrar e provar na sua vida diária que a graça pode produzir resultados que a lei nunca poderia alcançar. E uma das glórias morais do cristianismo habilitar um homem a abandonar o ego e a viver para os outros. A lei nunca poderia fazer isto. Ocupava o homem consigo mesmo. Se procurava amar o próximo, era apenas para operar justiça para si. Sob a graça tudo está invertido de um modo bendito e glorioso. O ego é posto de lado como crucificado, morto e sepultado. O velho "eu" desaparece, e o novo "eu" está perante DEUS em toda a aceitação e valor de CRISTO. Ele é a nossa vida, a nossa justiça, a nossa santidade, o nosso objetivo, nosso modelo, tudo. Está em nós e nós estamos n'Ele; e a nossa vida diária, prática, tem de ser simplesmente CRISTO reproduzido em nós, pelo poder do ESPÍRITO SANTO. Por isso, nós somos chamados não apenas para amar o nosso semelhante, mas o nosso inimigo; e isto, não para operar a justiça porque temos sido feitos justiça de DEUS em CRISTO; é simplesmente o fluxo da vida que possuímos, que está em nós; e esta vida é CRISTO. O viver do cristão deve ser CRISTO. Não é nem judeu, "debaixo da lei", nem "gentio sem lei"; mas "um homem em CRISTO", permanecendo na graça, chamado ao mesmo caráter de obediência que foi manifestado pelo Senhor JESUS mesmo.

Não vamos prosseguir este assunto, mas rogamos sinceramente ao leitor crente que estude atentamente o capítulo 15 de Atos e a epístola aos Gálatas. Deixe-se absorver pelo bendito ensino destas Escrituras; e chegará certamente a uma compreensão clara da grande questão da lei. Verá que o cristão não está de modo algum debaixo da lei; que a sua vida, a sua justiça, a sua santidade, estão sobre uma base ou princípio inteiramente distinto; que colocar o cristão sob a lei, de qualquer modo que seja, é negar os próprios fundamentos do cristianismo, e contradizer as mais claras expressões da Palavra de DEUS. Aprenderá, no capítulo 3 de Gálatas, que colocarmo-nos debaixo da lei é renunciar a CRISTO; renunciar ao ESPÍRITO SANTO; deixar a fé; negar as promessas.

Que tremendas consequências! Mas ali estão claramente expostas ante os nossos olhos; e certamente quando contemplamos o estado da igreja professante, não podemos senão ver quão terrivelmente se estão realizando essas consequências. Que DEUS o ESPÍRITO SANTO abra os olhos de todos os cristãos para a verdade destas coisas! Que Ele os leve a estudarem as Escrituras e a submeterem-se à sua santa autoridade, em todas as coisas. Esta é a necessidade particular dos nossos dias. Não estudamos suficientemente a Escritura. Não somos governados por ela. Não compreendemos a absoluta necessidade de comprovar todas as coisas à luz da Escritura e de rejeitarmos tudo que não resista a essa prova. Concordamos com muitas coisas que não têm base alguma na Palavra de DEUS; sim, que se opõem completamente a ela.

Qual será o fim de tudo isto?- Trememos ao pensar nisso. Sabemos, bendito seja DEUS, que nosso Senhor JESUS CRISTO em breve virá e levará o Seu povo amado, comprado com Seu precioso sangue, à casa do Pai, ao lugar que lhes foi preparar, para estarem com Ele, na inefável bem-aventurança dessa gloriosa morada. Mas que será dos que forem deixados?- Que será dessa imensa massa de professos mundanos batizados? São graves interrogações, que devem ser ponderadas na própria presença de DEUS, a fim de se ter a verdadeira, divina resposta. Que o leitor as considere ali, com toda a ternura de coração e com espírito disposto a aprender, e o ESPÍRITO o guiará na verdadeira resposta.

Os Dez Mandamentos

Havendo procurado mostrar, por meio de várias porções da Sagrada Escritura, a gloriosa verdade de que os crentes não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça, podemos agora prosseguir o nosso estudo deste capítulo 5 de Deuteronômio. Nele temos os dez mandamentos; mas não exatamente como temos no capítulo 20 de Êxodo. Existem alguns pequenos retoques característicos que exigem a atenção do leitor.

Em Êxodo 20 temos história; em Deuteronômio 5 temos não só história mas comentário. Neste último, o legislador apresenta motivos morais e faz apelos que estariam inteiramente fora de lugar no primeiro. Não temos simplesmente fatos; no outro, fatos e comentários — os fatos e a sua aplicação prática. Numa palavra, não há o menor fundamento para imaginar que Deuteronômio 5 esteja destinado a ser uma repetição literal de Êxodo 20; e é por isso que os miseráveis argumentos em que os infiéis se baseiam sobre essa aparente diferença se reduzem a pó debaixo dos nossos pés. São simplesmente infundados e inteiramente desprezíveis. Comparemos, por exemplo, as duas Escrituras a respeito do assunto do sábado. Em Êxodo 20, lemos: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu DEUS; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem atua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR OS céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o SENHOR O dia de sábado e o santificou."

Em Deuteronômio 5, lemos: "Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o SENHOR, teu DEUS. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu DEUS; não farás nenhuma obra nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu; porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu DEUS, te tirou dali com mão forte e braço estendido; pelo que o SENHOR, teu DEUS, te ordenou que guardasses o dia de sábado" (versículos 12 a 15).

Ora, o leitor poderá ver imediatamente a diferença entre as duas passagens. Em Êxodo 20 o mandamento para guardar o sábado é baseado na criação. Em Deuteronômio 5 é baseado na redenção, sem nenhuma alusão à criação. Em suma, os pontos de diferença surgem do caráter distinto de cada livro, e são perfeitamente claros para toda a mente espiritual.

Com respeito à instituição do sábado devemos recordar que se baseia inteiramente sobre a autoridade direta da Palavra de DEUS. Outros mandamentos mostram claramente deveres morais. Toda a gente sabe que é moralmente mau matar ou roubar; mas, quanto à observância do sábado ninguém podia possivelmente reconhecê-la como um dever se não tivesse sido claramente indicada por autoridade divina. Daí a sua imensa importância e interesse. Tanto no nosso capítulo como em Êxodo 20 está lado a lado com todos esses grandes deveres morais que são universalmente reconhecidos pela consciência humana.

E não somente isto; mas vemos em outras diversas passagens das Escrituras que o sábado é designado e apresentado, com especial proeminência, como um precioso vínculo entre Javé e Israel; um selo do Seu pacto com eles; e um poderoso elemento de prova do seu afeto por Ele. Toda a gente podia reconhecer o mal moral do roubo e do assassinato; só aqueles que amavam a Javé e a Sua Palavra podiam amar e honrar o Seu sábado.

O Dia de Repouso (o Sábado)

Assim, em capítulo 16 de Êxodo, em ligação com a dádiva do maná, lemos: "E aconteceu que, ao sexto dia, colheram pão em dobro, dois gômeres para cada um; e todos os príncipes da congregação vieram e contaram-no a Moisés. E ele disse-lhes: Isto é o que o SENHOR tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR; O que quiserdes cozer no forno, cozei-o; e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar ponde em guarda para vós até amanhã... então disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do SENHOR; hoje não o achareis no campo. Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá. E aconteceu, ao sétimo dia" — tampouco podiam apreciar o alto e santo privilégio de guardar o sábado do Senhor — "que alguns do povo saíram para colher, mas não o acharam. Então, disse o SENHOR a Moisés: Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis?" (versículos 22 a 28). A sua negligência do sábado mostrava que a sua condição moral era completamente má — mostrava que andavam desviados de todos os mandamentos e leis de DEUS. O sábado era a grande pedra de toque, a medida e sonda do verdadeiro estado de seus corações para com o Senhor. "Vede, visto que o SENHOR vos deu o sábado, por isso ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique no seu lugar, que ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. Assim, repousou o povo no sétimo dia." Encontraram descanso e alimento no santo sábado.

E no final do capítulo 31 temos uma passagem notável em prova da importância e interesse ligados com o sábado na mente do Senhor. Uma completa descrição do tabernáculo e seus pertences havia sido dada a Moisés, e ele estava prestes a receber as duas tábuas do testemunho das mãos do Senhor; mas, como se quisesse dar a entender o lugar proeminente que o sábado ocupava na mente divina, lemos: "Falou mais o SENHOR a Moisés, dizendo: Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis meus sábados, porquanto isso é um sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica. Portanto, guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será extirpada do meio do seu povo. Seis dias se fará obra, porém, o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao SENHOR; qualquer que no dia de sábado fizer obra, certamente morrerá. Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo. Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o SENHOR OS céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou e restaurou-se" (Ex 31:12 a 17).

Ora, esta passagem é muito importante. Mostra claramente o caráter permanente do sábado. Os termos em que se fala dele são suficientes para mostrar que não era meramente uma instituição temporária. "Um sinal entre mim e vós, nas vossas gerações" — "um concerto perpétuo" — "um sinal para sempre".

Que o leitor note bem estas palavras. Elas provam, sem sombra de dúvida, primeiro, que o sábado era para Israel;

segundo, que o sábado é, na mente de DEUS, uma instituição permanente. E necessário ter estas coisas em vista, a fim de evitar toda a incerteza de pensamentos e liberdade de expressão sobre este interessante assunto.

O sábado era clara e exclusivamente para a nação judaica. Fala-se dele enfaticamente como um sinal entre o Senhor e o Seu povo Israel. Não existe a mais remota sugestão de que fosse designado para os gentios. Veremos mais adiante que é um formoso tipo dos tempos da restauração de todas as coisas de que DEUS falou pela boca de todos os santos profetas desde a fundação do mundo; mas isto não afeta, de modo nenhum, o fato de ser exclusivamente uma instituição judaica. Não existe tanto como UMA simples expressão nas Escrituras para mostrar que o sábado tinha qualquer referência aos gentios.

Alguns dizem-nos que visto se falar do sábado no segundo capítulo de Génesis deve ter forçosamente um alcance mais amplo do que a nação judaica. Mas vejamos o que diz a passagem. "E, havendo DEUS acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou DEUS o dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que DEUS criara e fizera."

Isto é muito simples. Não se faz aqui nenhuma alusão ao homem. Não é dito que o homem descansou no sétimo dia. Os homens podem inferir, concluir ou imaginar que foi assim; mas o segundo capítulo de Génesis nada diz a respeito disso. E não somente isto, senão que é inútil procurar qualquer alusão ao sábado em todo o livro do Génesis.

A primeira comunicação que temos sobre o sábado em relação com o homem encontra-se no capítulo 16 do Êxodo, uma passagem que já foi citada; e ali vemos claramente que o sábado foi dado a Israel, como povo em relação com o pacto com o Senhor. Que eles não o compreenderam nem apreciaram é perfeitamente claro; que nunca penetraram nele, é igualmente claro, segundo o Salmo 95. Mas por agora falamos do que era o sábado segundo a mente de DEUS; e DEUS diz-nos que era um sinal entre Ele e o Seu povo Israel; e uma poderosa prova do seu estado moral e do estado de seus corações a respeito d'Ele. Não era apenas uma parte integral da lei dada por Moisés à congregação de Israel, mas é especialmente mencionado e assinalado, repetidas vezes, como uma instituição que ocupa um lugar especial na mente de DEUS.

Assim no livro do profeta Isaías, lemos: "Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disso, que se guarda de profanar o sábado, e guarda a sua mão de perpetrar algum mal. E não fale o filho do estrangeiro que se houver chegado ao SENHOR, dizendo: De todo me apartará o SENHOR do seu povo; nem tampouco diga o eunuco: Eis que sou uma árvore seca. Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos que guardam os meus sábados, e escolhem aquilo que me agrada, e abraçam o meu concerto: Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles que nunca se apagará. E aos filhos dos estrangeiros" — aqui, evidentemente, vistos em relação com Israel, assim como em Números 15 e outras passagens das Escrituras — "que se chegarem ao SENHOR, para o servirem, e para amarem o nome do SENHOR, sendo deste modo servos seus, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu concerto, também os levarei ao meu santo monte e os festejarei na minha Casa de Oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha Casa será chamada casa de Oração para todos os povos" (Is 56:2 a 7).

"Se desviares o teu pé do sábado, de fazer a tua vontade no meu santo dia, e se chamares ao sábado deleitoso e santo dia do SENHOR digno de honra, e se o honrares, não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falar as tuas próprias palavras, então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai; porque a boca do SENHOR o disse" (Is 58:13-14).

As passagens precedentes são amplamente suficientes para mostrar o lugar que o sábado ocupa na mente de DEUS. E desnecessário multiplicar passagens; mas há apenas mais uma que queremos referir para o leitor, em relação com o nosso assunto, isto é, Levítico 23.

"Depois, falou o SENHOR a Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As solenidades do SENHOR, que convocareis, serão santas convocações; estas são as minhas solenidades. Seis dias obra se fará, mas o sétimo dia será o sábado do descanso, santa convocação; nenhuma obra fareis; sábado do SENHOR é em todas as vossas habitações" (versículos 1 a 3).

Aqui aparece à cabeça de todas as festas dadas neste maravilhoso capítulo em que temos simbolizada toda a história dos atos de DEUS com o Seu povo Israel. O sábado é a expressão do descanso eterno de DEUS no qual é ainda Seu propósito introduzir o Seu povo, quando todos os seus trabalhos e dores, experiências e tribulações tiverem passado — esse bendito sábado ou o "repouso que resta para o povo de DEUS". De diversas maneiras Ele procurou manter este glorioso repouso perante os corações do Seu povo; o sétimo dia, o sétimo ano, o ano do jubileu — todas estas encantadoras estações estavam destinadas a revelar esse bendito tempo em que Israel será restaurado à sua amada terra, quando o sábado será guardado em toda a sua profunda, divina bem-aventurança, como nunca ainda o foi.

E isto leva-nos naturalmente ao segundo ponto em relação com o sábado, a saber, a sua permanência. Isto é claramente comprovado por expressões como "perpétuo", "um sinal para sempre" "em todas as vossas gerações". Tais palavras jamais poderiam ser aplicadas meramente a qualquer instituição temporária. É verdade que Israel nunca, infelizmente, guardou o sábado segundo o pensamento de DEUS; nunca entendeu o seu significado, nunca penetrou na sua bem-aventurança, nunca penetrou no seu espírito. Fez dele uma divisa da sua própria justiça; vangloriava-se dele como instituição nacional, e empregavam-no para sua própria exaltação; mas nunca o celebraram em comunhão com DEUS.

Falamos da nação como um todo. Não duvidamos que havia almas preciosas que, em segredo, gozavam o sábado, e penetravam nos pensamentos de DEUS a respeito dele. Mas, como nação, Israel nunca guardou o sábado segundo os propósitos de DEUS. Ouçamos o que Isaías diz: "Não tragais mais ofertas debalde; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar iniquidade nem mesmo o ajuntamento solene" (capítulo 1:13). Aqui vemos que a preciosa e encantadora instituição do sábado que DEUS havia dado como um sinal do Seu concerto com o Seu povo, tinha-se tomado, nas mãos deles, uma verdadeira abominação, inteiramente intolerável para Ele. E quando abrimos as páginas do Novo Testamento vemos os líderes e chefes do povo judaico continuamente em oposição com o Senhor JESUS CRISTO a respeito do sábado. Veja-se por exemplo os primeiros versículos de Lucas 6. "E aconteceu que, num sábado passou pelas searas, e os seus discípulos iam arrancando espigas, e, esfregando-as com as mãos, as comiam. E alguns dos fariseus lhes disseram: Por que fazeis o que não é lícito fazer nos sábados? E JESUS, respondendo-lhes, disse: Nunca lestes o que fez Davi quando teve fome, ele e os que com ele estavam? - Como entrou na Casa de DEUS, e tomou os pães da proposição, e os comeu, e deu também aos que estavam com ele, os quais não é lícito comer, lhes senão aos sacerdotes? E dizia-lhes: O Filho do Homem é senhor até do sábado."

De novo lemos: "E aconteceu também, em outro sábado, que entrou na sinagoga e estava ensinando; e havia ali um homem que tinha a mão direita mirrada. E os escribas e fariseus atentavam nele, se o curaria no sábado, para acharem de que o acusar"

imagine-se uma acusação por curar um pobre, aflito mortal!

"Mas ele, conhecendo bem os seus pensamentos, disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te e fica em pé no meio. E, levantando-se ele, ficou em pé. Então, JESUS lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: E lícito nos sábados fazer bem ou fazer mal? Salvar a vida ou matará E, olhando para todos ao redor, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele assim o fez, e a mão lhe foi restituída sã como a outra. E ficaram cheios de furor, e uns com os outros conferenciavam sobre o que fariam a JESUS."

Que conhecimento profundo temos aqui da falsidade e inutilidade da guarda do sábado do homem! Esses guias religiosos preferiam deixar perecer de fome os discípulos a que fosse profanado o seu sábado. Preferiam que o homem levasse a sua mão mirrada para a sepultura a vê-lo curado no seu sábado! Ah, era na verdade o seu sábado, e não o de DEUS! DEUS não podia descansar em presença de famintos e enfermos. Eles nunca haviam lido corretamente a descrição do ato de Davi, em comer o pão da proposição. Não compreendiam que as instituições legais têm que ceder em presença da graça divina satisfazendo a necessidade humana. A graça eleva-se, em sua magnificência, acima das barreiras legais, e a fé regozija-se no seu esplendor; mas a mera religiosidade se ofende ante as atividades de graça e ousadia de fé. Os fariseus não viam que esse homem com uma mão mirrada era um notável comentário do estado moral da nação, uma prova viva do fato de que eles estavam longe de DEUS. Se fossem como deviam ser, não teria havido mãos mirradas para curar; mas não eram; e por isso o seu sábado era uma vazia formalidade, uma condenação ineficaz e desprezível, uma horrenda anormalidade, detestável para DEUS e de todo inconsistente com o estado do homem.

Tomemos outro exemplo em Lucas 13:10-13. "E ensinava no sábado, numa das sinagogas"—certamente, o sábado não era dia de repouso para Ele. — "E eis que estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade havia já dezoito anos; e andava curvada e não podia de modo algum endireitar-se. E, vendo-a JESUS, chamou-a a si, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade. E impôs as mãos sobre ela, e logo se endireitou, e glorificava a DEUS." Encantadora ilustração da obra da graça na alma, e do resultado prático, em todos os casos. Todos aqueles a quem CRISTO impõe as Suas benditas mãos logo se endireitam e ficam aptos a glorificar a DEUS.

Mas o sábado do homem foi afetado. "E, tomando a palavra o príncipe da sinagoga, indignado porque JESUS curava no sábado" — ficou indignado por causa da obra misericordiosa de cura, embora fosse indiferente quanto ao caso humilhante de enfermidade — "disse à multidão: Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados e não no dia de sábado." — Quão pouco conhecia esse pobre religioso que estava na própria presença do Senhor do verdadeiro sábado! Quão insensível ele era à moral inconsistente de tentar guardar o sábado enquanto o estado do homem clamava bem alto pela obra divina! — "Respondeu-lhe, porém, o Senhor e disse: Hipócrita, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a beber água? E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás mantinha presa?

Que fulminante repreensão! Que modo de descobrir a falsidade e completa vileza de todo o sistema do judaísmo! Pense-se na incoerência ofuscante de um sábado e uma filha de Abraão presa de Satanás durante dezoito anos! Nada há em todo o mundo que tanto cegue o entendimento, que endureça tanto o coração, que tanto obscureça a consciência e desmoralize todo o ser, como uma religião sem CRISTO. O seu enganoso e degradante poder só pode ser inteiramente julgado à luz da presença divina. A atender o cuidado do príncipe da sinagoga, essa pobre mulher podia continuar até aos seus últimos dias curvada e incapaz de se endireitar. Esse homem teria ficado muito contente de a deixar continuar como um triste testemunho do poder de Satanás, desde que ele pudesse guardar o sábado. A sua indignação religiosa foi excitada não pelo poder de Satanás manifestado na condição da mulher, mas pelo poder de CRISTO visto na sua completa libertação. Mas o Senhor deu-lhe aquela resposta. "E, dizendo ele isso, todos os seus adversários ficaram envergonhados" — e com razão — "e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele." Que notável contraste! Por um lado, os defensores de uma religião desprezível, ineficaz, desapiedada, desmascarada e coberta de vergonha e confusão, e, por outro lado, todo o povo regozijando-se com os gloriosos atos do Filho de DEUS que havia vindo ao seu meio para os libertar do poder esmagador de Satanás, e encher os seus corações com o gozo da salvação de DEUS e as suas bocas dos Seus louvores!

Devemos chamar a atenção do leitor para o evangelho de João onde encontrará mais ilustrações do nosso assunto. Desejamos sinceramente que esta perturbadora questão do sábado seja completamente examinada à luz da Escritura. Estamos convencidos de que existe muito mais envolvido nela do que muitos crentes professos julgam.

No princípio de João 5 somos introduzidos numa cena notavelmente indicativa do estado de Israel. Não é nosso intento entrar a fundo nesta passagem; referimo-nos a ela apenas em relação com o nosso assunto.

O tanque de Betesda ou "casa de misericórdia" — ao passo que era sem dúvida a expressão da misericórdia de DEUS para com o Seu povo — proporcionava abundante evidência do estado miserável do homem, em geral, e de Israel, em particular. Nos seus cinco alpendres estava aglomerada "uma grande multidão de enfermos: cegos, coxos, e paralíticos, esperando o movimento das águas." Que quadro de toda a família humana, e da nação de Israel! Que ilustração do seu estado moral e espiritual, do ponto de vista divino! "Cegos, coxos, paralíticos"; tal é o verdadeiro estado do homem. Se ao menos ele o soubesse!

Mas estava ali um homem, no meio desta impotente multidão, cuja enfermidade estava tão adiantada, tão fraco e desamparado que o tanque de Betesda não podia servir para o Seu caso. "Estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo. E JESUS, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? — Que graça e poder vemos nesta pergunta! Ia muito mais além do que os seus pensamentos lhe consentiam. Só pensava na ajuda humana ou na sua própria habilidade para entrar no tanque. Não sabia que Aquele que falava consigo estava acima e além do tanque com o seu ocasional movimento das águas; além de ministério angélico, além de todo o auxílio ou esforço humano, o Possuidor de todo o poder no céu e na terra. "O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim." Que quadro verdadeiro de todos os que buscam a salvação por meio de ordenanças! Cada qual fazendo por si o melhor que pode; sem ter cuidado dos outros; sem pensar ajudá-los. "JESUS disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda. Logo, aquele homem ficou são, e tomou a sua cama e partiu. E aquele dia era sábado."

Aqui temos outra vez o sábado do homem. Não certamente o sábado de DEUS. A infeliz multidão reunida ao redor do tanque demonstrava que o pleno repouso de DEUS não havia ainda chegado — que o seu glorioso antítipo do sábado ainda não havia começado a ser compreendido neste mundo ferido de pecado. Quando esse dia refulgente chegar não haverá cegos, mancos e ressicados em redor dos alpendres de Betesda. O sábado de DEUS e a miséria humana são inteiramente incompatíveis.

Mas era o sábado do homem. Já não era o selo do concerto do Senhor com a semente de Abraão — como o fora uma vez e o será outra vez—, mas a divisa da justiça do homem. "Então, os judeus disseram àquele que tinha sido curado: E sábado, não te é lícito levar a cama." Não era, sem dúvida, lícito para ele jazer naquela cama, semana após semana, mês após mês, ano após ano, enquanto que eles seguiam o seu intento vago, inútil de guardar o sábado. Se tivessem tido um só raio de luz espiritual, teriam visto a flagrante inconsistência de tentarem manter as suas ideias tradicionais a respeito do sábado na presença da miséria humana, enfermidade e degradação. Mas eles estavam completamente cegos; e, por isso, enquanto os gloriosos frutos do ministério de CRISTO eram expostos, eles tinham a temeridade de os pronunciar ilícitos.

Mas há mais que isto: "E, por essa causa, os judeus perseguiram JESUS e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisas no sábado." Que espetáculo! Os religiosos, sim, os chefes e mestres da religião — os guias do povo professo de DEUS, procuravam matar o Senhor do sábado porque Ele tinha tomado um homem completamente são no dia de sábado!

Mas note-se a resposta do Senhor: "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também." Esta breve mas compreensiva declaração leva-nos ao fundo do assunto. Mostra-nos a verdadeira condição da humanidade em geral e de Israel em particular; e, da maneira mais tocante, apresenta-nos o grande segredo da vida e do ministério de nosso Senhor. Bendito seja o Seu nome, Ele não havia vindo ao mundo para repousar. Como podia Ele repousar — como poderia guardar o sábado no meio da miséria e necessidade humanas? A multidão de cegos, mancos e ressicados que se aglomerava nos alpendres do tanque de Betesda não devia ter ensinado nada "aos judeus" da loucura das suas ideias sobre o sábado? Pois o que era aquela multidão senão um exemplo do estado da nação de Israel e de toda a família humana? E como podia o amor divino repousar no meio de um tal estado de coisas? Era de todo impossível. O amor só pode operar numa cena de pecado e dor. Desde o momento da queda do homem, o Pai havia estado trabalhando. Então apareceu o Filho para continuar a obra. E, agora, o ESPÍRITO SANTO está trabalhando. Trabalho, não descanso, é a ordem divina, num mundo como este. "Resta ainda um repouso para o povo de DEUS."

O bendito Senhor JESUS andou fazendo bem, no sábado assim como em qualquer outro dia; e, finalmente, havendo cumprido a gloriosa obra da redenção, passou o sábado no sepulcro, e ressuscitou no primeiro dia da semana, como o Primogénito de entre os mortos, e Cabeça da nova criação, na qual todas as coisas são de DEUS, e para as quais, podemos certamente acrescentar, a questão de "dias e meses, tempos e anos" não tem, de modo nenhum, aplicação. Ninguém que compreenda perfeitamente o significado da ressurreição pode aprovar, nem por um momento, a guarda de dias. A morte de CRISTO pôs um fim a toda a ordem de coisas; e a Sua ressurreição introduz-nos numa outra esfera completamente distinta em que é nosso elevado privilégio andar na luz e poder dessas eternas realidades que são nossas em CRISTO, e que estão em vivo contraste com a superstição de observâncias de uma camal e mundana religiosidade.

O Primeiro Dia da Semana

Porém, aqui aproximamo-nos de um ponto muito interessante do nosso assunto, a saber, a diferença entre o sábado e o dia do Senhor, ou o primeiro dia da semana. Estes dois dias são muitas vezes confundidos. Ouvimos frequentemente, de pessoas verdadeiramente piedosas a expressão de "sábado cristão", uma expressão que não se encontra em parte alguma do Novo Testamento. Pode ser que alguns dos que a empregam tenham uma ideia correta; mas nós não devemos apenas ter a noção exata, mas procurar também expressar-nos, segundo o ensino da Sagrada Escritura. Estamos persuadidos de que o inimigo de DEUS e de CRISTO tem muito mais que ver com o convencionalismo da cristandade do que muitos de nós pensamos; e é isto que toma o assunto tão grave. O leitor pode talvez sentir-se disposto a considerar como uma perda de tempo procurar encontrar qualquer falta no termo "sábado cristão". Mas pode estar certo de que não se trata de nada disso; pelo contrário, se examinar com toda a atenção o assunto à luz do Novo Testamento descobrirá que ele envolve pormenores não apenas interessantes mas também muito importantes. E uma locução vulgar, que "nada há no nome"; mas, no caso que temos perante nós, o nome quer dizer muito.

Já fizemos notar o fato de que nosso Senhor passou o sábado no sepulcro. Não é um fato eloquente e profundamente significativo? Não podemos duvidar disso. Vemos nele, pelo menos, a maneira como o antigo estado de coisas foi posto de lado, e a absoluta impossibilidade de guardar o sábado em um mundo de pecado. O amor não podia repousar num mundo como este; apenas podia laborar e morrer. Esta é a inscrição que lemos no túmulo onde o Senhor do sábado foi sepultado.

Mas o que é o primeiro dia da semanal Não é o sábado sobre um novo fundamento

o sábado cristão? Nunca é assim chamado no Novo Testamento. Não existe a mais leve alusão dessa espécie. Se examinarmos os Atos dos Apóstolos, veremos que se fala dos dois dias de um modo distinto. No sábado encontramos os judeus reunidos na sua sinagoga para leitura da lei e dos profetas. No primeiro dia da semana encontramos os cristãos reunidos para o partir do pão. Os dois dias eram tão distintos quanto o judaísmo e a cristandade; nem tampouco existe tanto como uma sombra de base na Sagrada Escritura para a ideia de que o sábado foi absorvido pelo primeiro dia da semana. Onde se encontra a mais simples prova da Escritura para a afirmação de que o sábado foi mudado do sétimo dia para o oitavo, ou o primeiro dia da semana? Claro, se existe alguma, nada mais simples do que apresentá-la. Mas não existe absolutamente nenhuma.

E recorde-se que o sábado não é meramente um sétimo dia, mas o sétimo dia. E bom notar-se isto, visto que alguns acalentam a ideia de que, contanto que seja dedicada a sétima parte do tempo ao repouso e às ordenanças públicas de religião, é suficiente, não importa o nome que se lhe dê; e é desta forma que diferentes nações e diferentes sistemas religiosos têm o seu dia de descanso que se chama sábado. Mas nunca poderá satisfazer os que desejam ser ensinados exclusivamente pela Escritura. O sábado do Éden era o sétimo dia. O sábado de Israel era o sétimo dia. Mas o oitavo dia dirige os nossos pensamentos para a eternidade: e no Novo Testamento é chamado "o primeiro dia da semana", indicando o princípio de uma nova ordem de coisas da qual a cruz é o imperecível fundamento e CRISTO ressuscitado o glorioso Cabeça e Centro. Chamar a esse dia "o sábado cristão" é simplesmente confundir as coisas terrestres com as celestiais. E baixar o cristão da sua elevada posição como associado com o Cabeça ressuscitado e glorificado no céu, e ocupá-lo com a supersticiosa observância de dias — a própria coisa que havia deixado o bendito apóstolo em dúvida a respeito das assembleias da Galácia. Em suma, quanto mais profundamente ponderamos a expressão "o sábado cristão", mais convencidos estamos de que a sua tendência é, como muitas outras fórmulas da cristandade, defraudar o cristão de todas essas grandes verdades distintas do Novo Testamento que distinguem a Igreja de DEUS de tudo quanto foi antes dela e tudo que deve seguir depois. A igreja, embora na terra, não é deste mundo, assim como CRISTO não é deste mundo. É celestial na sua origem, celestial no seu caráter, celestial em seus princípios, conduta e esperança. Encontra-se entre a cruz e a glória. Os limites da sua existência na terra são o dia de Pentecostes, quando o ESPÍRITO SANTO desceu para a formar, e a vinda de CRISTO para a levar para Si Mesmo. Nada pode ser mais claro do que isto; e, por isso, tentar impor à Igreja de DEUS a observância legal ou supersticiosa de "dias e meses, e tempos e anos", é falsificar toda a posição cristã, manchar a integridade da divina revelação e roubar ao crente o lugar e a porção que lhe pertencem, pela infinita graça de DEUS e o sacrifício expiatório consumado por CRISTO.

Julga o leitor esta declaração demasiado severa? Se assim é, pondere a seguinte passagem esplêndida da epístola de Paulo aos Colossenses — uma passagem que deveria ser escrita em letras de ouro.

"Como, pois, recebestes o Senhor JESUS CRISTO, assim também andai nele, arraigados e edificados nele e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, crescendo em ações de graças. Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs subtilezas" — note-se a combinação, não muito elogiosa para a filosofia! — "segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo CRISTO; porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade. E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade"; — Que podemos nós desejará — "no qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de CRISTO. Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de DEUS, que o ressuscitou dos mortos. E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na circuncisão da vossa came, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós, nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo" (Cl 2:6 a 15).

Magnífica vitória! Uma vitória ganha sem ajuda de ninguém — ganha para nós! Eterna e universal homenagem seja dada ao Seu nome incomparável! Que restai "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de CRISTO."

Que tem que ver aquele que está perfeito e aceito em um CRISTO ressuscitado e glorificado com o comer, beber e dias santos? Que podem fazer para ele a filosofia, a tradição ou a religiosidade humana? O que podem acrescentar as sombras que passam a quem tem alcançado pela fé a eterna subsistência? Nada, certamente; e por isso o bem-aventurado apóstolo prossegue: "Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, metendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo; provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de DEUS. Se, pois, estais mortos com CRISTO quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum, senão para satisfação da came" (Cl 2:6 a 23). Quer dizer, não dão aquela medida de honra ao corpo que lhe é devida como vaso de DEUS, mas incham a came com orgulho religioso, alimentando-a com uma oca e inútil aparência de santimônia.

CRISTO — o Fim das Ordenanças da Lei.

Não nos atrevemos a fazer uma apologia por esta longa citação. Uma apologia por citar a Escritura! Longe de nós tal pensamento! Não é possível que alguém compreenda esta maravilhosa passagem e não esteja completamente esclarecido não apenas quanto à questão do sábado, mas também de todo o sistema de coisas com que esta questão está relacionada. O cristão que compreende a sua posição acaba para sempre com todas as questões sobre comidas e bebidas, dias e meses e tempos e anos. Nada sabe de tempos santos nem de lugares santos. Está morto com CRISTO para os rudimentos do mundo, e, como tal, está livre de todas as ordenanças de uma religião tradicional. Pertence ao céu, onde não têm lugar as luas novas, dias santos e sábados. Está na nova criação, onde todas as coisas são de DEUS; e por isso não pode haver força moral em palavras tais como: "não toques", não proves", "não manuseies". Não lhe podem ser, de modo algum, aplicadas. Vive numa região onde as nuvens, os vapores e neblinas do monasticismo e asceticismo nunca são vistos. Desprezou todas as folhas inúteis de mera devoção carnal e tomou, em troca, as sólidas realidades da vida cristã. Os seus ouvidos foram abertos para ouvir e o seu coração para compreender a poderosa exortação do apóstolo inspirado: "Portanto, se já ressuscitastes com CRISTO, buscai as coisas que são de cima, onde CRISTO está assentado à destra de DEUS. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com CRISTO em DEUS. Quando CRISTO, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória. Mortificai, pois, os vossos membros que estão sobre a terra."

Aqui são desenroladas perante os nossos olhos algumas das glórias do verdadeiro, prático cristianismo vital, em contraste notável com todas as formas estéreis e secas de carnal e mundana religiosidade. A vida cristã não consiste em observância de certas regras, mandamentos ou tradições dos homens. E uma divina realidade. E CRISTO no coração, e CRISTO reproduzido na vida diária pelo poder do ESPÍRITO SANTO. E o novo homem, formado sobre o modelo de CRISTO mesmo, e manifestando-se em todos os mais minuciosos pormenores da nossa vida diária, na família, nos negócios, em todas as nossas relações com os nossos semelhantes; no nosso temperamento, espírito, estilo, comportamento, em tudo. Não é um assunto de mera profissão ou de dogma, ou de opinião de sentimentos; é uma realidade viva e inconfundível. E o reino de DEUS estabelecido no coração, exercendo o seu bendito domínio sobre todo o ser moral, e derramando a sua genial influência, sobre toda a esfera em que somos chamados a nos movermos dia a dia. E a trajetória cristã nos benditos passos d'Aquele que andou fazendo bem; fazendo todo o possível por satisfazer todas as formas de necessidade humana; vivendo não para si mesmo mas para os outros; achando gozo em servir e dar; pronto a contentar e simpatizar com qualquer espírito deprimido ou triste e desolado coração.

Isto é cristianismo. E, quão diferente isto é de todas as formas com que se reveste o legalismo e a superstição! Quão diferente da observância rotineira e sem significado de dias, meses, e tempos e anos, a abstenção de carnes, proibição de casamento, e coisas que tais! Quão diferente das fanfarronadas do místico, da melancolia do ascético e da austeridade do monge! Quão totalmente distinto de tudo isto! Sim, prezado leitor; e nós podemos acrescentar, quão diferente da união disforme da elevada profissão e da baixa prática; entre as verdades elevadas retidas no intelecto, professadas, ensinadas e discutidas, o mundanismo e a própria indulgência e um espírito indomável! O cristianismo do Novo Testamento difere igualmente de todas estas coisas. E a manifestação divina, celestial e espiritual no meio do humano, terrestre e natural. Oxalá seja o santo propósito do autor e do leitor destas páginas não se darem por satisfeitos com nada menos do que o cristianismo moralmente glorioso revelado nas páginas do Novo Testamento!

Cremos que é desnecessário acrescentar alguma coisa mais à questão do sábado. Se o leitor tiver, de algum modo, compreendido a importância das Escrituras que têm passado ante os nossos olhos terá pouca dificuldade em ver o lugar que o sábado ocupa nos caminhos dispensacionais de DEUS. Verá que se refere diretamente a Israel na terra, que é um sinal do concerto entre o Senhor e o Seu povo terrestre e uma poderosa prova do seu estado moral.

Além disso, verá que Israel nunca guardou realmente o sábado, que nunca compreendeu a sua importância, nem nunca apreciou o seu valor. Isto foi manifestado na vida, ministério e morte de nosso Senhor JESUS CRISTO, que realizou muitas das Suas obras miraculosas no sábado, e, por fim, passou o sábado no sepulcro.

Finalmente, compreenderá claramente a diferença entre o sábado judaico e o primeiro dia da semana, ou o dia do Senhor; que este nunca é chamado o sábado no Novo Testamento; mas, pelo contrário, que é constantemente apresentado na sua própria distinção; não é o sábado mudado ou transferido, mas um dia inteiramente novo, que tem a sua própria base especial e o seu próprio curso de pensamento deixando o sábado inteiramente intacto como instituição suspensa, para ser retomada, mais tarde, quando a semente de Abraão for restaurada à sua própria terra (veja-se Ezequiel 46:1, 12).

O Primeiro Dia da Semana (Domingo) — o Dia do Senhor.

Mas não podemos, felizmente, deixar este interessante assunto sem dizer algumas palavras sobre o lugar assinalado no Novo Testamento ao dia do Senhor, ou o primeiro dia da semana. Embora não seja o sábado, e apesar de não ter nada a ver com dias santos ou luas novas, ou "dias e meses, e tempos e anos", tem o seu próprio e único lugar no cristianismo, como é evidente pelas múltiplas passagens nas Escrituras do Novo Testamento.

Nosso Senhor ressuscitou dos mortos nesse dia. Apareceu aos Seus discípulos, repetidas vezes, nesse dia. O apóstolo e os irmãos em Trôade reuniram-se para partir o pão nesse dia (At 20:7). O apóstolo dá instruções aos coríntios e todos os que em todo o lugar invocam o nome do Senhor JESUS CRISTO, a porem de parte as suas ofertas nesse dia; ensinando-nos assim claramente que o primeiro dia da semana era o dia especial para o povo do Senhor se reunir para a Ceia do Senhor, e para o culto, comunhão e ministério relacionado com essa preciosíssima instituição. O bem-aventurado apóstolo João diz-nos expressamente que estava em ESPÍRITO, nesse dia, e recebeu essa maravilhosa revelação que encerra o Volume divino (1).

(1) Alguns são de opinião que a expressão, "no dia do Senhor" deveria ser vertida em "do dia do Senhor", como querendo dizer que o apóstolo estava no espírito do dia em que o Senhor JESUS CRISTO há de tomar o Seu grande poder para reinar. Porém, há duas objeções a esta opinião. Em primeiro lugar, as palavras em Apocalipse 1:10 "O dia do Senhor", são completamente distintas das palavras em 1 Tessalonicenses 5:2; 2 Tessalonicenses 2:2; e 2 Pedro 3:10, propriamente traduzidas "O dia do Senhor".

Consideramos isto como uma objeção poderosa, suficiente para arrumar o assunto. Mas podemos acrescentar a isto também o argumento baseado no fato que a maior parte do livro de Apocalipse está ocupada não com "o dia do Senhor", mas com acontecimentos que o antecedem.

Por isso estamos persuadidos que "o dia do Senhor" e "o primeiro dia da semana" são idênticos; e considerarmos isto um fato muito importante provando que esse dia tem um lugar muito especial na Palavra de DEUS — um lugar que todo o cristão inteligente reconhecerá com gratidão.

Desta forma temos perante nós um conjunto de evidências amplamente suficiente para demonstrar a todo o espírito piedoso que o dia do Senhor não deve ser reduzido ao nível dos dias ordinários. Para o verdadeiro cristão não é nem o sábado judaico nem o domingo gentílico, mas o dia do Senhor, em que o Seu povo com alegria e agradecimento se reúne em redor da Sua Mesa para celebrar essa preciosa festa mediante a qual anuncia a Sua morte até que venha.

Mas é desnecessário dizer que não há uma simples sombra de escravidão legal ou de superstição em relação com o primeiro dia da semana. Dizer ou pensar isso é negar toda a série de verdades com a qual esse dia está relacionado. Não temos nenhum mandamento direto a respeito da observância do dia; mas as passagens já referidas são amplamente suficientes, amplamente bastantes para toda a mente espiritual; e, além disso, podemos dizer que os instintos da natureza divina guiam o verdadeiro crente a honrar e amar o dia do Senhor, e a pô-lo de parte, do modo mais reverente, para o culto e serviço de DEUS. A própria ideia de alguém que professa amar a CRISTO se ocupar de negócios ou de trabalho desnecessário no dia do Senhor é, no nosso parecer, revoltante para todo o sentimento piedoso. Cremos ser um sagrado privilégio retirarmo-nos, o mais possível, de todas as distrações das coisas naturais e consagrarmos as horas do dia do Senhor a Ele mesmo e ao Seu serviço.

Dir-se-á talvez que o crente deveria dedicar todos os dias ao Senhor. Certamente; nós somos de Senhor, no sentido mais completo e elevado. Tudo quanto temos e tudo quanto somos Lhe pertence. Reconhecemos isto plena e alegremente. Somos chamados para fazer tudo em Seu Nome e para Sua glória. E nosso elevado privilégio comprar e vender, comer e beber, sim, fazer tudo sob o Seu olhar e no temor e amor do Seu santo nome. Não devemos pôr a nossa mão em coisa alguma, em qualquer dia da semana, em que não poderíamos, com plena confiança, pedir a bênção do Senhor.

Tudo isto é claramente admitido. Todo o verdadeiro crente o reconhece alegremente. Mas, ao mesmo tempo, parece-nos impossível ler o Novo Testamento e não ver que o dia do Senhor ocupa um lugar único, que é assinalado para nós do modo mais claro, que tem um significado e uma importância que não podem, com justiça, ser requeridos para qualquer outro dia da semana. Na realidade, tão convencidos estamos da verdade de tudo isto, que, ainda mesmo que não fosse lei em Inglaterra guardar o dia do Senhor, nós acharíamos que era nosso sagrado dever e santo privilégio abstermo-nos de qualquer trabalho que não fosse absolutamente indispensável.

Graças a DEUS, é lei da Inglaterra que o dia do Senhor seja observado. Isto é um sinal de misericórdia para todos os que amam esse dia por amor do Senhor. Não podemos deixar de reconhecer a Sua imensa bondade de haver arrebatado este dia da garra do mundo para o outorgar ao Seu povo e aos Seus servos a fim de ser dedicado ao Seu culto e à Sua obra.

Que mercê é o dia do Senhor com o seu profundo retiro das coisas mundanas! Que faríamos nós sem ele? Que bendita suspensão dos afazeres semanais! Quão precioso para a assembleia reunida em redor da Mesa do Senhor se lembrar d'Ele e anunciar a Sua morte e celebrar os Seus louvores! Quão deliciosos são os diversos serviços do dia do Senhor, quer sejam os de evangelista, de pastor, ensinador, obreiro da escola dominical ou distribuidor de tratados! Que linguagem humana poderá descrever adequadamente o valor e interesse de todas estas coisas? É verdade que o dia do Senhor é tudo menos um dia de descanso corpóreo para os Seus servos; com efeito sentem-se muitas vezes mais fatigados nesse dia do que em qualquer outro dia da semana. Mas, oh, é um cansaço bendito; uma fadiga que encontrará o seu brilhante galardão no repouso que resta ainda para o povo de DEUS!

Uma vez mais, prezado leitor crente, levantemos os nossos corações num cântico de louvor ao nosso DEUS por essa mercê bendita do dia do Senhor. Que Ele a mantenha para a Sua Igreja até que venha! Que Ele desfaça, pelo Seu poder onipotente, todos os esforços dos infiéis e ateus para removerem as barreiras que a lei inglesa erigiu em volta do dia do Senhor! Será verdadeiramente um dia triste quando essas barreiras forem destruídas.

Alguns poderão dizer talvez que o sábado judaico desapareceu e que não é portanto obrigatório. Um grande número de cristãos professos tem tomado esta atitude e advogado a abertura de parques e lugares de recreio público ao domingo. Ah, compreende-se facilmente o que tais pessoas pretendem e o que procuram! Querem pôr de lado a lei a fim de obterem um privilégio para a indulgência carnal. Não compreendem que o único meio de alguém se libertar da lei consiste em estar morto para ela; e se estamos mortos para a lei, estamos também necessariamente mortos para o pecado, e mortos para o mundo.

Isto toma o assunto de todo diferente. O cristão está, graças a DEUS, livre da lei; mas, se o está, não é para que se possa divertir no dia do Senhor, ou qualquer outro dia, mas para que possa viver para DEUS. "Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para DEUS." Isto é terreno cristão; e só pode ser ocupado por aqueles que são verdadeiramente nascidos de DEUS. O mundo não pode compreender isso; nem tampouco pode compreender os sagrados privilégios e exercícios espirituais do dia do Senhor.

Tudo isto é verdadeiro; ao mesmo tempo, estamos absolutamente convencidos que se a Inglaterra tirasse as barreiras que rodeiam o dia do Senhor, daria uma prova muito triste do seu abandono da profissão religiosa que a tem, por tanto tempo, caracterizado, como nação, e de se haver precipitado na direção da infidelidade e do ateísmo. Não devemos perder de vista o fato importante de que a Inglaterra tomou o partido de ser uma nação cristã — uma nação que professa ser governada pela Palavra de DEUS. E portanto mais responsável do que aquelas nações que estão envoltas nas densas trevas do paganismo. Nós cremos que as nações, assim como os indivíduos, serão responsáveis pela profissão que fazem; e, por isso, aquelas nações que professam ser cristãs e a si mesmas assim se chamam, serão julgadas, não apenas pela luz da criação, nem pela lei de Moisés, mas pela plena luz do orbe do cristianismo que professam — por toda a verdade encerrada nas capas desse bendito livro que possuem, e do qual se vangloriam. Os pagãos serão julgados com fundamento na criação; os judeus, com base na lei; o cristão nominal, com base na verdade do cristianismo.

Ora este fato importante agrava seriamente a posição da Inglaterra e de todas as outras nações que professam ser cristãs. DEUS tratará com elas certamente com base na sua profissão. De nada serve dizer que não entendem o que professam; pois por que professar o que não entendem e creem? O fato é que professam compreender e crer; e por este fato serão julgadas. Vangloriam-se da expressão popular de que "a Bíblia e só a Bíblia é a religião dos protestantes".

Se é assim, quão solene é o pensamento da Inglaterra julgado pelo padrão de uma Bíblia aberta! Qual será o seu juízo? Qual o seu fim? Deixamos a aterradora resposta à consideração de todos a quem compete dá-la.

Que Lugar Ocupa a Escritura em Nossos Corações?

Devemos agora deixar o tema profundamente interessante do sábado e do dia do Senhor e dar por terminada esta parte com a citação para o leitor do notável parágrafo com que termina o nosso capítulo. Não exige um extenso comentário, mas parece- nos proveitoso nestes "Estudos sobre o Deuteronômio", proporcionar ao leitor passagens completas do próprio livro, a fim de que ele possa ter diante de si as próprias palavras do ESPÍRITO SANTO, sem mesmo ter de dar-se ao incómodo de pôr de parte o volume que tem em suas mãos.

Havendo exposto ao povo os dez mandamentos, o legislador prossegue recordando-lhes as solenes circunstâncias que acompanharam a entrega da lei, juntamente com os seus próprios sentimentos e expressões naquela ocasião.

"Estas palavras falou o SENHOR a toda a vossa congregação no monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridade, com grande voz, e nada acrescentou; e as escreveu em duas tábuas de pedra, e a mim mas deu. E sucedeu que, ouvindo a voz do meio das trevas e vendo o monte ardente em fogo, vos achegastes a mim, todos os cabeças das vossas tribos e vossos anciãos, e dissestes: Eis aqui o SENHOR, nosso DEUS, nos fez ver a sua glória e a sua grandeza, e ouvimos a sua voz do meio do fogo; hoje, vimos que DEUS fala com o homem e que o homem fica vivo. Agora, pois, por que morreríamos?- Pois este grande fogo nos consumiria: se ainda mais ouvíssemos a voz do SENHOR, nosso DEUS, morreríamos. Porque, quem há, de toda a came, que ouviu a voz do DEUS vivente falando do meio do fogo, como nós, e ficou vivo? Chega-te tu e ouve tudo o que disser o SENHOR, nosso DEUS; e tu nos dirás tudo o que te disser o SENHOR, nosso DEUS, e o ouviremos e o faremos. Ouvindo, pois, o SENHOR a voz das vossas palavras, quando me faláveis a mim, o SENHOR me disse: Eu ouvi a voz das palavras deste povo, que te disseram; em tudo falaram eles bem. Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem e guardassem todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre! Vai, dize-lhes: Tomai-vos às vossas tendas. Porém tu estás aqui comigo, para que eu a ti te diga todos os mandamentos, e estatutos, e juízos que tu lhes hás de ensinar que cumpram na terra que eu lhes darei para possuí-la. Olhai, pois, que façais como vos mandou o SENHOR, VOSSO DEUS; não declinareis nem para a direita, nem para a esquerda. Andareis em todo o caminho que vos manda o SENHOR, VOSSO DEUS, para que vivais, e bem vos suceda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir" (versículos 22 a 33).

Aqui o grande princípio do livro de Deuteronômio brilha com fulgor pouco comum. Está incorporado nessas comovedoras e poderosas palavras que formam o verdadeiro núcleo da esplêndida passagem que acabamos de citar. "Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem e guardassem todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre!"

Preciosas palavras! Põem diante de nós, do modo mais feliz, a origem secreta daquela vida que nós, como cristãos, somos chamados para viver, dia a dia — a vida de simples, implícita e completa obediência, isto é, um coração que teme o Senhor—que O teme não com espírito servil, mas com aquele amor profundo, verdadeiro, adorável, que o ESPÍRITO SANTO derrama em nossos corações. E isto que compraz o coração de nosso amantíssimo Pai celestial. A Sua Palavra diz-nos: "Dá-me, filho meu, o teu coração." Quando o coração é dado, tudo se segue em encantadora ordem moral. Um coração amorável encontra o seu mais profundo gozo em obedecer a todos os mandamentos de DEUS; e nada é de valor algum para DEUS senão o que emana de um coração amoroso. O coração é a origem de todas as saídas da vida; e, por isso, quando é governado pelo amor de DEUS há uma resposta amorosa a todos os Seus mandamentos. Nós amamos os Seus mandamentos, porque o amamos a Ele. Cada palavra Sua é preciosa para o coração que O ama. Cada preceito, cada estatuto, cada juízo, numa palavra, toda a Sua lei é amada, reverenciada e obedecida porque o Seu nome e a Sua autoridade estão com ela ligados.

O leitor encontrará no Salmo 119 uma ilustração rara e bela do ponto especial que temos perante nós — um exemplo notável de alguém que responde admiravelmente às palavras acima citadas — "Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem e guardassem todos os meus mandamentos... para sempre"! E o formoso alento de uma alma que encontrou o seu profundo e constante deleite na lei de DEUS. Existem nada menos de cento e setenta e seis alusões a essa preciosa lei, sob um título ou outro. Vemos espalhadas por todo este maravilhoso salmo, em rica profusão, joias tais como as seguintes:

"Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti. Folgo mais com o caminho dos teus testemunhos do que com todas as riquezas. Em teus preceitos meditarei, e olharei para os teus caminhos. Alegrar-me-ei nos teus estatutos: não me esquecerei da tua palavra." "A minha alma está quebrantada de desejar os teus juízos, em todo o tempo." "Também os teus testemunhos são o meu prazer e os meus conselheiros." "Apego-me aos teus testemunhos." "Eis que tenho desejado os teus preceitos." "Confio na tua palavra... pois me atenho aos teus juízos." "E alegrar-me-ei em teus mandamentos, que eu amo." "Lembrei-me dos teus juízos." "Os teus estatutos têm sido os meus cânticos no lugar das minhas peregrinações." "Voltei os meus pés para os teus testemunhos." "Cri nos teus mandamentos." "Melhor é para mim a lei da tua boca do que inúmeras riquezas em ouro ou prata." "Tenho esperado na tua palavra." "A tua lei é a minha delícia." "Os meus olhos desfaleceram, esperando por sua promessa." "Todos os teus mandamentos são verdade." "Para sempre, ó SENHOR, a tua palavra permanece no céu." "Nunca me esquecerei dos teus preceitos." "Pois tenho buscado os teus preceitos." "Mas eu atentarei para os teus testemunhos." "O teu mandamento é amplíssimo." "Oh, quanto amo atua lei! E a minha meditação em todo o dia." "Oh, quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais doces do que o mel à minha boca." "Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança para sempre, pois são o gozo do meu coração." "De contínuo me recrearei nos teus estatutos." "Pelo que amo os teus mandamentos mais do que o ouro." "Tenho em tudo como retos todos os teus preceitos." "Maravilhosos são os teus testemunhos." "Abri a minha boca e respirei, pois que desejei os teus mandamentos." "... retos são os teus juízos". "Os teus testemunhos... são retos e muito fiéis." "A tua palavra é muito pura." "A tua lei é a verdade." "A justiça dos teus testemunhos é eterna." "Todos os teus mandamentos são a verdade." "A tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre." "O meu coração temeu a tua palavra." "Folgo com a tua palavra, como aquele que acha um grande despojo." "Muita paz têm os que amam a tua lei." "Aminha alma tem observado os teus testemunhos; amo-os extremamente." "Tenho observado os teus preceitos." "A tua lei é todo o meu prazer."

Certamente fortalece o coração e anima o espírito transcrever frases tais como as precedentes, muitas das quais podem ser usadas para descrever a vida de nosso Senhor nos dias da Sua carne. Viveu sempre da Palavra. Era o alimento da Sua alma; a autoridade do Seu caminho, o material do Seu ministério. Por ela venceu Satanás; por ela tapou a boca aos saduceus, fariseus e herodianos. Por ela ensinou os Seus discípulos. A ela encomendou os Seus discípulos, quando estava prestes a subir aos céus.

Quão importante é tudo isto para nós! Quão interessante! Quão profundamente prático! Que lugar tão elevado dá à Sagrada Escritura! Porque lembremos que é, na verdade, o bendito Volume de inspiração que é posto diante de nós em todas essas áureas passagens citadas do Salmo 119. Quanto nos anima, fortalece e encoraja observar a maneira como nosso Senhor empregou as Sagradas Escrituras em todas as ocasiões, o lugar que lhes dá e a dignidade que lhes confere! Recorre a elas em todas as ocasiões como autoridade divina contra a qual não pode haver apelo. Embora DEUS sobre todas as coisas, o Autor do Sagrado Volume, tendo tomado o Seu lugar na terra como Homem, mostra, com a possível clareza, o que é o dever obrigatório e elevado privilégio do homem, a saber, viver da Palavra de DEUS — inclinar-se em reverente sujeição à sua autoridade divina.

E não temos nós aqui uma satisfatória resposta para a pergunta tantas vezes repetida da infidelidade: "Como sabemos que a Bíblia é a Palavra de DEUS?" Se na verdade cremos em CRISTO; se reconhecemos que Ele é o Filho de DEUS, DEUS manifestado em came, verdadeiro DEUS e verdadeiro homem, não podemos deixar de ver a força moral do fato que esta Pessoa divina apelou constantemente para as Escrituras — para Moisés, para os Profetas e os Salmos, como padrão divino. Não sabia que eram a Palavra de DEUS? Indubitavelmente. Como DEUS, Ele as havia dado; como Homem recebeu-as, aceitou-as, viveu de acordo com elas, e reconheceu a sua suprema autoridade em todas as coisas.

Que fato de peso há aqui para a igreja professante! Que áspera repreensão para todos os chamados doutores e escritores cristãos que têm ousado intrometer-se com a grande verdade fundamental de inspiração plenária das Sagradas Escrituras em geral, e dos cinco livros de Moisés em particular! Quão terrível é pensar que muitos que professam ser mestres da igreja de DEUS se atrevem a apontar como apócrifos escritos que nosso Senhor e Mestre aceitou e reconheceu como divinos! E, contudo, diz-se e espera-se que creiamos que as coisas vão melhorar! Ah, é uma miserável ilusão! Os absurdos degradantes do ritualismo, e os argumentos blasfemos da infidelidade estão aumentando rapidamente em redor de nós; e onde essas influências não estão presentemente dominando observa-se, na maioria dos casos, uma fria indiferença, comodidade carnal, complacência, e apego ás coisas mundanas — tudo e qualquer coisa, enfim, menos a evidência de melhoria. Se as pessoas não são arrastadas pela infidelidade, por um lado, ou pelo ritualismo, por outro lado, é, principalmente, devido ao fato de que estão muito ocupadas com os prazeres e os negócios para pensarem em qualquer outra coisa. E quanto à religião dos nossos dias, se se lhes tirar o dinheiro e a música, ter-se-á um saldo lamentavelmente insignificante.

Por isso, é impossível desembaraçarmo-nos da convicção que o testemunho combinado da observação e da experiência está diretamente oposto à ideia de que as coisas estão melhorando. Com efeito, todo aquele que, em face de uma tal linha de evidência em contrário, persiste em inclinar-se para uma tal teoria só pode ser considerado como fruto da mais inconcebível credulidade.

Mas talvez alguém se sinta disposto a dizer que não devemos julgar segundo o que vemos; que devemos ter esperança. Certamente, contanto que tenhamos uma garantia divina para a nossa esperança. Se é possível apresentar uma simples linha da Escritura para provar que o atual estado de coisas vai ser caracterizado por progresso gradual, religioso, político, moral ou social, então, sem dúvida, sejamos esperançosos. Sim; esperança contra a esperança. Uma simples cláusula de inspiração é suficiente para formar a base de uma esperança que elevará o coração acima das mais negras e deprimentes circunstâncias que nos cercam.

Mas onde se há de encontrar essa cláusula? Em parte nenhuma. O testemunho da Bíblia, desde o princípio ao fim; o ensino claro da Escritura, desde uma à outra extremidade; as vozes dos profetas e apóstolos, em ininterrupta harmonia, sem uma única nota divergente, provam com uma força e clareza perfeitamente incontestáveis que o estado presente de coisas, longe de melhorar gradualmente, piorará rapidamente; que, antes que os brilhantes raios da glória do milénio possam alegrar este mundo dolorido, a espada do juízo tem de fazer a sua obra aterradora. Citar as passagens em prova da nossa afirmação encheria literalmente um volume; seria transcrever simplesmente uma grande parte das Escrituras proféticas do Velho Testamento e do Novo.

Não vamos, evidentemente, tentar fazer isto. Não há necessidade. O leitor tem a sua Bíblia. Examine-a diligentemente. Ponha de parte as suas ideias preconcebidas, todo o convencionalismo da cristandade, toda a fraseologia vulgar do mundo religioso, todos os dogmas das escolas de divindade, e venha, com a simplicidade de uma criancinha, à pura fonte da Sagrada Escritura, e beba da sua celestial doutrina. Se fizer isto, levantar-se-á do estudo com a clara e firme convicção de que o mundo não será, com toda a certeza, convertido pelos meios atualmente postos em prática — que não é o evangelho da paz mas o espanador da destruição que preparará a terra para a glória.

Quer então dizer que negamos o bem que está sendo feito?- Somos insensíveis a seu respeito«? Longe de nós tal pensamento! Bendizemos a DEUS de todo o coração por todo bem. Regozijamo-nos em todos os esforços que se fazem para espalhar o precioso evangelho da graça de DEUS; rendemos graças a DEUS por cada alma que ingressa no bendito círculo da salvação de DEUS. Deleitamo-nos em pensar dos oitenta e cinco milhões de Bíblias espalhadas sobre toda a terra. Que mente humana poderá calcular os resultados de todos estes exemplares, sim, os resultados até mesmo de um só exemplará Desejamos sinceramente que DEUS ajude a todo o missionário de coração fiel que leva as boas novas de salvação quer seja às travessas e pátios de Londres ou às mais distantes partes da terra.

O Evangelho não é Anunciado para a Conversão do Mundo, mas para tomar dele um Povo para o Seu Nome

Mas, admitindo tudo isto, como sinceramente admitimos, nós, todavia, não acreditamos na conversão do mundo pelos meios postos em prática. A Escritura diz-nos que é quando os juízos divinos vierem sobre a terra que os habitantes do mundo aprenderão a justiça. Esta simples cláusula da inspiração deveria ser suficiente para provar que não é por meio do evangelho que o mundo será convertido, e há centenas de cláusulas que empregam a mesma linguagem e ensinam a mesma verdade. Não é pela graça, mas pelo juízo que os habitantes de todo o mundo aprenderão a justiça.

Qual é pois o objetivo do evangelho"? Se não é para converter o mundo, com que propósito é pregado? O apóstolo Tiago, no seu discurso no memorável concílio de Jerusalém, dá a resposta direta e conclusiva a esta pergunta. Diz ele: "Simão relatou como, primeiramente, DEUS visitou os gentios." Para quê? Para os converter todos? Antes pelo contrário: "Para tomar deles um povo para o seu nome." Nada pode ser mais claro do que isto. Põe diante de nós o que deveria ser o grande objetivo de todo o esforço missionário—aquilo que todo o missionário divinamente enviado e divinamente ensinado terá presente em todos os seus benditos trabalhos. E para tomar um povo para o Seu nome.

Quão importante é recordar isto! Quão necessário nos é ter diante de nós um verdadeiro objetivo em todo o nosso trabalho! De que serve trabalhar com um falso objetivo? Não é muito melhor trabalhar com o fim imediato do que DEUS está fazendo? Enfraquecerá as energias do missionário ou impedirá os seus movimentos ter sempre presente o propósito divino do seu trabalho? Claro que não. Vejamos o caso de dois missionários partindo para um campo missionário longínquo; um tem por seu objetivo a conversão do mundo; o outro, tomar dele um povo. O último, por razão do seu propósito, será menos enérgico, menos ativo, menos entusiasta do que o primeiro? Não podemos crer; pelo contrário, o próprio fato de estar dentro da corrente dos propósitos divinos comunicará à sua obra estabilidade e consistência ao seu trabalho; e, ao mesmo tempo, encorajará o seu coração em face das dificuldades e impedimentos que o rodeiam.

Porém, é perfeitamente claro que os apóstolos de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO não tinham tal objetivo, ao sair para o seu trabalho, como a conversão do mundo. "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado."

Isto foi dito aos doze. O mundo devia ser a sua esfera de trabalho. A sua mensagem era para toda a criatura; a aplicação, àquele que crer. Era por excelência uma coisa individual. A conversão de todo o mundo não devia ser o seu objetivo; isso será efetuado por uma operação totalmente distinta, quando a presente ação de DEUS por meio do evangelho tiver produzido a separação de um povo para os céus (1). O ESPÍRITO SANTO desceu no dia de Pentecostes não para converter o mundo, mas para o "convencer" do pecado ou demonstrar a sua culpa em rejeitar o Filho de DEUS (2). O efeito da Sua presença devia ser provar o mundo culpado; e quanto ao grande objetivo da Sua missão, era o de formar um corpo composto de crentes tanto de judeus como de gentios. Com isto Ele tem estado ocupado durante os últimos mil e oitocentos anos. Este é "o mistério" de que o apóstolo Paulo foi feito ministro, e o qual ele desenrola tão completa e de modo tão bendito na sua epístola aos Efésios. E impossível alguém compreender a verdade neste maravilhoso documento e não ver que a conversão do mundo e a formação do corpo de CRISTO são coisas tão diferentes que não podem de modo algum andar juntas.

(1)    Queremos chamar a atenção do leitor para o Salmo 67. E uma das muitas passagens que provam que a bênção das nações se segue à restauração de Israel. "DEUS tenha misericórdia de nós" [Israel] "e nos abençoe, e faça resplandecer o seu rosto sobre nós. Para que se conheça na terra o teu caminho e em todas as nações [...] DEUS nos abençoará, e todas as extremidades da terra o temerão." Não poderia haver uma prova mais bela ou poderosa do fato que é Israel, e não a igreja, que será usada para bênção das nações.

(2)    A aplicação de João 16:8 a 11 à obra do ESPÍRITO no indivíduo é, no nosso parecer, um grave erro. Essa passagem refere-se ao efeito da Sua presença na terra e a respeito do mundo no seu conjunto.

A sua obra na alma é uma obra preciosa, escusado será dizê-lo; mas não é a verdade ensinada nesta passagem.

Considere o leitor a seguinte passagem: "Por esta causa, eu, Paulo, sou o prisioneiro de JESUS CRISTO por vós, os gentios, se é que tendes ouvido a dispensação da graça de DEUS, que para convosco me foi dada; como me foi este mistério manifestado pela revelação como acima, em pouco, vos escrevi, pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de CRISTO, o qual, noutros séculos, não foi manifestado aos filhos dos homens" — não foi manifestado nas Escrituras do Velho Testamento; nem revelado aos santos ou profetas do Velho Testamento — "como, agora, tem sido revelado pelo ESPÍRITO aos seus santos apóstolos e profetas"

quer dizer, aos profetas do Novo Testamento — "a saber, que os gentios são coerdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em CRISTO pelo evangelho; do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de DEUS, que me foi dado, segundo a operação do seu poder. A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de CRISTO e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que, desde os séculos esteve oculto em DEUS, que tudo criou; para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de DEUS seja conhecida dos principados e potestades nos céus" (Ef 3:1 a 10).

Vejamos outra passagem da epístola aos Colossenses: "Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro. Regozijo-me, agora, no que padeço por vós e na minha carne cumpro o resto das aflições de CRISTO, pelo seu corpo, que é a igreja; da qual eu estou feito ministro, segundo a dispensação de DEUS, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de DEUS: o mistério que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus santos; aos quais DEUS quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é CRISTO em vós, esperança da glória; a quem anunciamos, admoestando a todo homem e ensinando a todo homem; em toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em JESUS CRISTO; e para isto também trabalho, combatendo segundo a eficácia, que opera em mim poderosamente" (Cl 1:23 a 29).

De estas e outras numerosas passagens o leitor poderá ver o objetivo especial do ministério de Paulo. Certamente a ideia da conversão do mundo não entrava na sua mente. Decerto, pregava o evangelho, em toda a sua profundidade, plenitude e poder — pregava-o "desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico" — "anunciava entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de CRISTO"; mas não com a ideia de converter o mundo. Estava mais bem informado. Sabia e ensinava que o mundo se estava preparando para o juízo; sim, amadurecendo rapidamente; que "os homens maus e enganadores irão de mal para pior"; que "nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demónios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência, proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que DEUS criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças" (1 Tm 4:1 a 4).

E, mais ainda, esta testemunha fiel e divinamente inspirada ensinou que "nos últimos dias" — muito antes dos "últimos tempos" — "sobrevirão tempos trabalhosos" [ou difíceis]; "porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de DEUS, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela" (2 Tm 3:1 a 5).

O Que Diz a Escritura

Que quadro! Faz-nos retroceder ao final do capítulo 1 de Romanos, onde a mesma pena inspirada nos descreve as sinistras formas de paganismo; mas com esta diferença terrível que em 2 Timóteo não se trata de paganismo mas de cristianismo nominal — "uma forma de piedade".

E há de ser este o fim do atual estado de coisas? E este o mundo convertido do qual tanto ouvimos falará Ah, os falsos profetas abundam por toda a parte! Há muitos que clamam, paz, paz, não havendo paz. Há os que pretendem rebocar a parece esburacada da cristandade com cal não adubada (Ez 13:10).

Mas isto não prosperará. O juízo está perto. A igreja professante tem fracassado completa e vergonhosamente; tem- se apartado lamentavelmente da Palavra de DEUS, e revoltado contra a autoridade do seu Senhor. Não há um só raio de esperança para a cristandade. E a mancha moral mais negra em todo o vasto universo de DEUS, ou na página da história. O mesmo bendito apóstolo de cujos escritos temos feito uma extensa citação diz-nos que "já o mistério da injustiça opera"; de onde se segue que tem estado a operar através de dezoito séculos. "Somente há um que, agora, resiste até que do meio seja tirado; e, então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E, por isso, DEUS lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira, para que sejam julgados todos os que não creram a verdade; antes, tiveram prazer na iniquidade" (2 Ts 2:7 a 12).

Quão terrível é a sentença da cristandade! Operação do erro! Negra condenação! E tudo isto na cara desses falsos profetas que falam do "lado brilhante das coisas".

Graças a DEUS, existe um lado brilhante para todos os que pertencem a CRISTO. A esses o apóstolo pode falar com esplendorosos e alegres acentos. "Mas devemos sempre dar graças a DEUS, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter DEUS elegido desde o princípio para a salvação em santificação do ESPÍRITO e fé da verdade, para o que, pelo nosso evangelho, vos chamou para alcançardes a glória de nosso Senhor JESUS CRISTO" (2 Ts 2:13-14).

Aqui temos, indubitavelmente, o lado glorioso das coisas — a gloriosa e bendita esperança da Igreja de DEUS — a esperança de ver "a resplandecente estrela da manhã". Todos os crentes corretamente instruídos estão à espera, não de um mundo melhorado ou convertido, mas da vinda do seu Senhor e Salvador que foi preparar-lhes um lugar na casa do Pai e virá outra vez para os levar para Si mesmo, para que onde Ele estiver, eles estejam também. Esta é a Sua doce promessa, a qual pode realizar-se de um momento para o outro. O Senhor espera apenas, como Pedro nos diz, em longanimidade, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se. Mas quando o último membro for incorporado pelo ESPÍRITO SANTO no bendito corpo de CRISTO, então a voz do arcanjo e a trombeta de DEUS convocarão todos os remidos, desde o princípio, para irem ao encontro do seu Senhor nos ares, para estarem sempre com Ele.

Esta é a verdadeira e própria esperança da Igreja de DEUS — uma esperança que Ele quer que resplandeça sempre nos corações de todo o Seu amado povo, em todo o seu poder purificador e de exaltação. Desta bendita esperança o inimigo tem conseguido roubar um grande número do povo do Senhor. Com efeito durante séculos foi quase apagada do horizonte da Igreja; e foi apenas parcialmente recuperada durante os últimos cinquenta anos. E, oh, quão parcialmente! Onde ouvimos nós falar dela em todos os âmbitos da Igreja professante? Ecoa nos púlpitos da cristandade o grito alegre: "Aí vem o esposo?" Longe disso. Até mesmo os poucos servos amados de CRISTO que esperam a Sua vinda dificilmente se atrevem a pregá-la porque receiam que seria completamente rejeitada. Como certamente seria. Estamos perfeitamente convencidos de que, na maioria dos casos, os que se aventurassem a pregar a gloriosa verdade da vinda do Senhor para a Sua Igreja, teriam rapidamente que abandonar os púlpitos.

Que solene e notável prova do poder enganador de Satanás! Defraudou a Igreja da esperança que divinamente lhe foi dada; e, em vez dela, deu-lhe uma ilusão — a mentira. Em vez de esperar pela "resplandecente Estrela da manhã", pô-la à espera da conversão do mundo — de um milénio sem CRISTO. Tem conseguido lançar sobre o futuro uma tal ofuscação mental que a Igreja perdeu completamente a sua orientação. Não sabe onde está. E como um barco sacudido pelo mar tormentoso sem ter leme nem bússola, sem ver sol nem estrelas. Tudo são trevas e confusão.

E por que é isto assim?- Simplesmente porque a Igreja tem perdido de vista a pura e preciosa Palavra do seu Senhor; e aceitado, em lugar dela, esses credos e confissões confusos dos homens, que mancham e mutilam de tal maneira a verdade de DEUS que os cristãos parecem estar completamente desorientados quanto à sua própria posição e esperança.

E, todavia, têm a Bíblia em suas mãos. Decerto, mas também os judeus a tinham, e, todavia, rejeitaram Aquele bendito Senhor que é o grande tema da Bíblia, desde o princípio ao fim. Esta era a inconsistência moral que nosso Senhor lhes lançou em cara, em João 5. "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam. E não quereis vir a mim para terdes vida" (1).

(1) Tinham as Escrituras, liam-na nas sinagogas todos os sábados; professavam crer que tinham nelas a vida eterna; elas testificavam d'EIe; e todavia, não queriam vir a Si. Daí a flagrante inconsistência. Se for tomada como uma ordem, toda a força da passagem é perdida.

Será preciso recordar ao leitor que há inúmeros argumentos e conclusões que nos levam a examinar as Escrituras sem apelar para o que cremos ser uma incorreta interpretação de João 5:39?

E por que era isto? Simplesmente porque as suas mentes estavam cegas por preconceitos religiosos. Estavam sob a influência de doutrinas e mandamentos dos homens. Por isso, embora tivessem as Escrituras, e se vangloriassem de as possuir, eram tão ignorantes acerca delas e governavam-se tampouco por elas como os pobres pagãos ignorantes que os rodeavam. Uma coisa é termos a Bíblia em nossas mãos, em nossas casas, nas nossas igrejas, e outra muito diferente ter as verdades da Bíblia atuando em nossos corações e consciências e brilhando nas nossas vidas. Tome-se por exemplo o magno assunto de que estamos tratando e que nos tem conduzido a esta larga digressão. Pode alguma coisa ser mais claramente ensinada no Novo Testamento do que isto, ou seja, que o fim do presente estado de coisas será uma terrível apostaria da verdade, e rebelião declarada contra DEUS e o Cordeiro?- Os Evangelhos, as Epístolas e o Apocalipse todos concordam em expor esta verdade solene com tal clareza e simplicidade que até um menino em CRISTO pode vê-la.

E, contudo, quão poucos, comparativamente, creem isto! A grande maioria crê precisamente o contrário. Creem que por meio das diversas atividades atualmente em operação todas as nações serão convertidas. Em vão chamados a atenção para as parábolas do Senhor em Mateus 13: o joio, o fermento e a semente de mostarda. Como concordam elas com a ideia da conversão do mundo? Se o mundo inteiro vai ser convertido pela pregação do evangelho, como é então que se encontra joio no campo no fim do mundo? Como é que há tantas virgens loucas como sábias quando o Esposo vem? Se todo o mundo há de ser convertido pelo evangelho, então para quem é que "o dia do Senhor virá como ladrão de noite?" Ou o que significam estas palavras terríveis: "Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então, lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão" (1 Ts 5:3). A vista de um mundo convertido, qual seria a justa aplicação, a força moral dessas solenes palavras em capítulo primeiro de Apocalipse: "Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele?" Onde se encontrarão essas tribos em pranto se todo o mundo há de ser convertido?

Leitor, não é claro como a luz do sol que as duas coisas não podem, nem por um momento, subsistir juntas? Não é perfeitamente claro que a teoria da conversão do mundo por meio do evangelho está diametralmente oposta ao ensino de todo o Novo Testamento? Como é então que a grande maioria dos crentes professos persiste em a afirmará Só pode haver uma resposta e esta é que não se submetem à autoridade da Escritura. E muito doloroso e solene ter de o dizer; mas é infelizmente verdade! A Bíblia é lida na cristandade; mas as verdades da Bíblia não são acreditadas — antes pelo contrário, são persistentemente rejeitadas. E tudo isto ante a expressão de alarde tantas vezes repetida: A Bíblia, e somente a Bíblia é a religião dos protestantes."

Mas não prosseguiremos este assunto, apesar de sentirmos o seu valor e importância. Confiamos em que o leitor seja levado pelo ESPÍRITO SANTO a sentir a sua profunda solenidade. Cremos que o povo de DEUS em toda a parte necessita de ser despertado para conhecer como a igreja professante se apartou completamente da autoridade da Escritura. Podemos estar certos de que está aqui a verdadeira causa de toda a confusão, de todo o erro, de todo o mal entre nós. Temos nos afastado da Palavra do Senhor, e d'Ele mesmo. Enquanto isto não for compreendido, sentido e admitido, as coisas não podem mudar. O Senhor busca verdadeiro arrependimento, um espírito realmente quebrantado, na Sua presença: "... eis para quem olharei: para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra" (Is 66:2).

Isto é sempre verdadeiro. Não há limite para a bênção, quando a alma se encontra nesta bendita atitude. Mas tem de ser uma realidade. De nada servirá falar de se estar "pobre e abatido"; devemos estar realmente nesse estado. E um assunto individual — "para quem olharei".

Oh, que o Senhor, em Sua infinita misericórdia, nos guie, a cada um de nós, a um verdadeiro autojuízo sob a ação da Sua Palavra! Que os nossos ouvidos sejam abertos para ouvir a Sua voz! Que os nossos corações sejam realmente volvidos para Ele e a Sua Palavra! Voltemos as costas, com santa decisão, de uma vez para sempre, a tudo que não estiver de acordo com a Sagrada Escritura! Isto, estamos convencidos, é o que o Senhor JESUS CRISTO espera de todos os que Lhe pertencem, entre os terríveis e irremediáveis escombros da cristandade.

 

RESUMO DESTE TEXTO:

1.     O segundo discurso de Moisés em Deuteronômio enfatiza a obediência prática do povo de Deus à Sua lei.

2.     Quatro verbos fundamentam essa caminhada espiritual: ouvir, aprender, guardar e praticar a Palavra divina.

3.     Ouvir coloca o crente na atitude correta diante do Criador, abrindo caminho para a fé e o discernimento espiritual.

4.     A obediência cristã deve se submeter estritamente à autoridade de Deus, e não às tradições ou imposições humanas.

5.     O texto alerta contra a falsa obediência do monasticismo e a obstinada autossuficiência do pensamento racionalista.

6.     A submissão aos líderes e mestres deve basear-se no dom divino e no fruto do trabalho, não em meros cargos.

7.     O verdadeiro ministério espiritual provém de Deus, busca glorificá-Lo e edifica o corpo mediante a verdade bíblica.

8.     Os crentes têm o dever e a responsabilidade de julgar doutrinas, frutos e ministérios pela Palavra de Deus.

9.     Moisés não buscava domínio pessoal, mas conduzia a congregação a um relacionamento vivo de temor e fidelidade.

10. O pacto de Horebe (uma aliança de obras) contrasta com o concerto abraâmico, fundamentado na graça incondicional.

11. A lei expõe a incapacidade humana de alcançar a justiça por seus próprios esforços e revela a santidade de Deus.

12. Embora a moralidade da lei seja permanente, os crentes foram libertados de sua maldição e de sua condenação.

13. Os gentios nunca foram postos debaixo da economia legal dada exclusivamente a Israel no monte Sinai/Horebe.

14. O Concílio de Jerusalém (Atos 15) confirmou que os crentes gentios não devem ser submetidos ao jugo da lei.

15. Tentar impor a lei como meio de justificação ou perfeição equivale a anular a suficiência da cruz de Cristo.

16. A liberdade cristã não significa licenciosidade, mas a capacidade dada pelo Espírito para viver em santidade.

17. Estando crucificado com Cristo, o crente é morto para a lei, para o pecado e para o sistema moral do mundo.

18. Em Deuteronômio 5, a repetição dos Dez Mandamentos traz aplicações práticas e motivações fundamentadas na redenção.

19. O sábado foi instituído diretamente por Deus como sinal perpétuo do concerto exclusivo com a nação de Israel.

20. A guarda do sábado fundamentava-se na criação (Êxodo 20) e na libertação da escravidão egípcia (Deuteronômio 5).

21. Para Israel, o sábado servia como um teste moral relevante e uma sombra do descanso futuro prometido por Deus.

22. Ao transformar o sábado em um rito formal sem amor, Israel perverteu a instituição, tornando-a abominável a Deus.

23. Nos Evangelhos, Jesus confrontou o legalismo dos fariseus ao realizar milagres e obras de misericórdia no sábado.

24. Cristo demonstrou que as necessidades humanas e a ação da graça divina sobressaiam-se às regras do rigorismo farisaico.

25. Com Sua morte e sepultamento no sábado, Cristo encerrou a antiga ordem de coisas e completou a obra de redenção.

26. O primeiro dia da semana, o Dia do Senhor, celebra a ressurreição de Cristo e o início da nova criação espiritual.

27. A expressão "sábado cristão" não tem respaldo nas Escrituras do Novo Testamento e confunde a lei com a graça.

28. No primeiro dia da semana, a Igreja primitiva se reunia com alegria para partir o pão, adorar e ofertar.

29. O crente celestial deve viver acima da observância rígida de dias, festas, luas novas ou regras ascéticas humanas.

30. A verdadeira vida cristã consiste em ter Cristo formado no coração e manifestado no relacionamento diário com o próximo.

31. Enquanto nação, a observância do Dia do Senhor traz benefícios morais e espirituais, afastando males e abusos do mundo.

32. O desejo expresso de Deus em Deuteronômio é ter um povo cujo coração O tema e guarde os Seus mandamentos por amor.

33. O Salmo 119 ilustra a atitude da alma regenerada, que encontra o seu mais profundo deleite na Palavra de Deus.

34. Jesus utilizou constantemente as Escrituras como a autoridade máxima e inquestionável contra as tentações e erros.

35. O testemunho das Escrituras revela que o estado atual do mundo caminhará para a apostasia e o juízo divino.

36. O propósito do evangelho nesta era não é a conversão total do mundo, mas a chamada de um povo para o nome de Deus.

37. A bênção plena e a conversão de todas as nações ocorrerão quando Israel for restaurado e os juízos se cumprirem.

38. A verdadeira esperança da Igreja é o regresso iminente de Cristo para arrebatar os Seus e levá-los à casa do Pai.

39. O crente é chamado a permanecer firme na Palavra, rejeitando dogmas humanos, o ritualismo e o mundanismo generalizado.

40. Diante do quadro de ruína na cristandade nominal, a única atitude aceitável a Deus é o contrito tremor perante a Sua Palavra.

 

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Os DEZ MANDAMENTOS, 5.1-11.32 1. Cenário, Conteúdo e Comunicação (5.1-33) - Comentário Bíblico  Beacon Antigo e Novo Testamentos.

a) Cenário (5.1-5). Este capítulo começa com uma exposição dos Dez Mandamen­tos. São tratados como a base do concerto (2) entre Deus e Israel. O concerto é feito não só com as pessoas da geração passada, que infelizmente não cumpriram seus deve­res, mas também com as pessoas a quem Moises discursa. Muitas destas, como as crianças e os adolescentes, estavam presentes em Horebe (2,3).

O padrão literário do Decálogo tem afinidade com o padrão em que se faziam os tratados internacionais daqueles dias, sobretudo os tratados entre um poder superior e estados vassalos.'

b) Conteúdo (5.6-21). Devemos comparar esta exposição dos Dez Mandamentos com a que aparece em Êxodo 20.1-17. Há poucas diferenças, mas as duas narrativas são substancialmente as mesmas. Há quem pense que as palavras originais escritas nas tábuas de pedra continham apenas os mandamentos em sua forma concisa e que Moisés, mais tarde, acrescentou interpretações inspiradas.' As interpretações em Deuteronômio são particularmente adequadas para a vida em Canaã.

O primeiro mandamento começa com a menção do nome divino (6; cf. Êx 3.13,14). Nenhum outro deus deve se intrometer entre o Senhor e o seu povo redimido.

O segundo mandamento proíbe a idolatria (8,9), sendo sequência natural do pri­meiro. Esta proibição inclui a fabricação de imagens de outros deuses e a representa­ção do Senhor na forma de criaturas celestiais, terrenas ou marinhas, como provavel­mente foi o motivo de o povo ter feito o bezerro de ouro. Os versículos 8 e 9 devem ser considerados juntos. Não se trata de proibição de esculpir estátuas ou pintar telas, mas de fazê-las com o objetivo de adoração.

É um fato da vida os filhos sofrerem pelos pecados dos pais. Por outro lado, também se beneficiam da fidelidade dos pais. Esta é a vida como Deus a fez, parte do seu vínculo social. Como é séria a responsabilidade dos pais em deixar um bom lega­do aos filhos a quem amam! Ezequiel deixa claro que Deus prontamente recebe os filhos arrependidos de pais maus (Ez 18.14-17). E considerando que a maldade dos pais é visitada na terceira e quarta geração (9), a misericórdia ("amor firme", RSV) do Senhor se estende a milhares de gerações de quem o ama e guarda seus mandamentos (10).

O terceiro mandamento (11) está especificamente relacionado a juramentos: to­mar o nome do SENHOR, teu Deus, levianamente nos lábios ou em falsidade. Uma das marcas de fidelidade a uma deidade era usar seu nome em juramentos (cf. 6.13). Usar o nome sagrado para apoiar uma falsa declaração é o máximo da incredulidade cínica. O SENHOR não terá por inocente o indivíduo que assim proceder. O tercei­ro mandamento tem o desígnio de apregoar reverência e verdade.

O quarto mandamento (12-15) se relaciona a guardar (Êx 20.8, "lembra-te") o dia de sábado. As duas ideias principais são descanso (shabbath, "sentar-se, cessar") e santidade (12). A ordenação de Deus é o trabalho de seis dias e o des­canso de um dia. Haveria menor necessidade de tranquilizantes e menos colapsos nervosos se observássemos esta lei de higiene espiritual e física. Êxodo 20.11 cita o exemplo do Senhor e relaciona o mandamento ao seu trabalho criativo. Aqui a ênfase é dada no descanso para toda a casa (14). O mandamento é imposto pela lembrança da servidão severa na terra do Egito (15) e pela libertação graciosa dada pelo Senhor. Quase que ouvimos Jesus dizer: "De graça recebestes, de graça dai" (Mt 10.8).

 

Paulo cita o quinto mandamento (16) dizendo que é "o primeiro mandamento com promessa". Ele aplica a promessa de vida longa e bem-estar aos cristãos que o observa­rem (Ef 6.2,3). Este mandamento acha-se na fundação da verdadeira religião e bem-estar nacional. Está associado aos primeiros quatro mandamentos que tratam da devo­ção a Deus, porque, no que diz respeito aos filhos, os pais ficam no lugar de Deus.

Os outros cinco mandamentos têm a ver com a justiça social; estão unidos pela con­junção hebraica traduzida por "e". O Senhor é um Deus justo e exige procedimentos justos nas relações humanas. Os primeiros cinco mandamentos contêm cláusulas explicativas, advertências ou promessas. Os últimos cinco são curtos e autoexplicativos. A consciência e nossa experiência suprem a análise racional.

Não matarás (17) é mais bem traduzido por: "Não cometerás assassinato". O termo hebraico ratsach sempre é usado com este sentido no Antigo Testamento.

Não adulterarás (18). Este é o pecado contra o cônjuge no casamento, e se há filhos, contra eles também. É desumano e cruel.

Não furtarás (19). Estes três últimos mandamentos têm relação entre si. Assassi­nar é, tornar a vida de um homem; adulterar é tomar a esposa de um homem (ou o marido de uma mulher) e roubar é tomar a propriedade de um homem. Em cada caso, o transgressor exalta desejos e exigências próprias acima dos direitos dos outros, julgan­do-se de mais valor que o irmão. Agir assim é pecar contra Deus.

O nono mandamento trata do pecado dos lábios: O falso testemunho contra o teu próximo (20). Abrange não só o perjúrio, mas toda a mentira prejudicial a nosso seme­lhante. O ideal de Deus é uma sociedade na qual todo homem fale a verdade com o próximo (Ef 4.25).

O décimo mandamento lida com o pecado do coração (21). Foi este mandamento que fez Paulo ver sua necessidade de uma salvação que lhe mudasse o coração (Rm 7.7). Em Êxodo 20.17, a casa é mencionada antes da mulher, ao passo que aqui a ordem está invertida. Talvez, no primeiro texto, a palavra "casa" seja usada no sentido de "os indiví­duos pertencentes a casa ou família", ao passo que no texto deuteronômico esteja em mente a residência ou o bem imóvel. Por isso, a esposa é mencionada em primeiro lugar em ordem de importância.

Os Dez Mandamentos detêm uma categoria própria: E nada acrescentou (22). São fundamentais para a vida correta e o pensamento correto. A nação que almeja ser grande não os ignora. O cristão não quer quebrá-los. Não obstante, todos transgredi­mos em motivo e espírito. Precisamos de um Salvador que nos resgate da maldição da lei e nos dê a promessa do Espírito pela fé (Gl 3.13,14). Assim, teremos a lei escrita em nosso coração (Hb 10.16) e nos alegraremos no fato de que o amor é o cumprimento da lei (Rm 13.9,10).

c) Comunicação (5.22-33). Esta passagem ressalta a ocasião histórica em que Israel recebeu a lei com todos os acompanhamentos impressivos de sua comunicação. Acentua o monte, o fogo, a nuvem, a escuridade, a grande voz e as duas tábuas de pedra escritas pela mão divina (22).

A majestade imponente de toda essa cena era esmagadora. Os líderes de Israel, inteiramente convencidos da autenticidade da revelação, pediram que Moisés agisse como intermediário entre eles e Deus, para que não morressem (23-27). Neste aspecto, Moisés é tipo do único "mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo" (1 Tm 2.5). Há inumerá­veis referências bíblicas ao efeito dominante do sobrenatural sobre o natural (e.g., Dn 10.5-19; Mt 28.2-4; At 9.3-9; Ap 1.17). Esta é uma das razões por que Deus se comunica com o espírito do homem e não pelos cinco sentidos. No caso de Moisés, havia tamanha relação espiritual profunda entre ele e Deus, que ele pôde se aproximar da glória de Deus de certo modo impossível para os outros. Mesmo assim, houve limites a esta apro­ximação (cf. Êx 33.20).

O Senhor atendeu ao pedido dos líderes, sobretudo tendo em vista a promessa que fizeram de ouvir e fazer tudo o que o SENHOR (27) dissesse a Moisés. A exclamação divina (29) é característica do teor do livro: reverência de coração, que é consequência de guardar todos os mandamentos para sempre, resultando no bem-estar deles e de seus filhos.

As pessoas tiveram permissão de voltar às suas tendas (30), mas o homem de Deus não foi dispensado; teve de esperar em Deus para receber a revelação completa (31). Todo cristão nesta dispensação tem acesso direto a Deus. Mas, na prática, quem é orde­nado ao ministério tem a obrigação especial de esperar em Deus para receber a palavra para o rebanho. Não há quantidade de atividade que substitua esse dever.

No encerramento do parágrafo, Moisés faz um lembrete (32,33) sobre a obrigação das pessoas manterem a promessa feita pela nação na ocasião da comunicação histórica da lei divina.

Nesta "segunda vez em que a lei é dada" não houve nenhum dos fenômenos sobrena­turais anteriores. A essência desta ocasião era a comunicação da vontade de Deus aos israelitas. A verdade divina perdurou e foi apresentada a eles por Moisés. Não havia necessidade de mais outra autenticação. Exigia apenas obediência, e a bênção de Deus automaticamente se seguiria. Semelhantemente, erramos se necessitamos de fenôme­nos externos. O dom interior do Espírito está acessível a todos que pedem, creem e obe­decem (Lc 11.13; Atos 5.32; 15.8,9). Sua plenitude habitadora é a essência do cristianismo do Novo Testamento.

 

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Escrita Lição 4, CPAD, O Chamado à Obediência, 4Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

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ESBOÇO DA LIÇÃO

I - O CONCERTO REITERADO EM HOREBE

1. O chamado para ouvir e obedecer  

2. A pessoalidade da Aliança  

3. Uma revelação direta de DEUS  

II - A EXPRESSÃO DA VONTADE DE DEUS NOS MANDAMENTOS

1. Os quatro primeiros mandamentos: amor a DEUS  

2. Os seis mandamentos: amor ao próximo  

3. Qual a utilidade da Lei para os cristãos hoje?

III - OBEDECENDO À VOZ DE DEUS

1. A Palavra de DEUS revelada à congregação  

2. Bênção e preservação aos obedientes  

3. Palavras exortativas de Moisés  

 

TEXTO ÁUREO

“Andareis em todo o caminho que vos manda o SENHOR, vosso DEUS, para que vivais, e bem vos suceda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir.” (Dt 5.33)

 

VERDADE PRÁTICA

Ouvir, aprender e praticar a Palavra revelam um relacionamento verdadeiro com o Senhor DEUS.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Dt 5.1; Rm 10.17 Ouvindo a Palavra de DEUS para viver com fé

Terça - Sl 119.73; Mt 11.29 Aprendendo para transformar o coração e viver a fé

Quarta - Dt 5.6-11; Mt 22.37 Amando a DEUS acima de tudo em plena obediência

Quinta - 1 Jo 3.18; Rm 13.9 Amando o próximo com verdade, justiça e atitudes

Sexta - Dt 5.22; 1 Tm 2.5 DEUS revela-se ao seu povo e chama-o à obediência

Sábado -  Dt 5.33; Sl 119.105 Obedecer a DEUS é andar no caminho da vida

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Deuteronômio 5.1-10, 16-21, 29

Dt 5.1 - E chamou Moisés a todo o Israel e disse- -lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis e guardá-los-eis, para os cumprir. 2 - O SENHOR, nosso DEUS, fez conosco concerto, em Horebe. 3 - Não foi com nossos pais que fez o SENHOR este concerto, senão conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos. 4 - Face a face o SENHOR falou conosco, no monte, do meio do fogo 5 - (Naquele tempo, eu estava em pé entre o SENHOR e vós, para vos notificar a palavra do SENHOR, porque temestes o fogo e não subistes ao monte.), dizendo: 6 - Eu sou o SENHOR, teu DEUS, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. 7 - Não terás outros deuses diante de mim. 8 - Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra; 9 - não te encurvarás a elas, nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu DEUS, sou DEUS zeloso, que visito a maldade dos pais sobre os filhos, até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem, 10 - e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos.

Dt 5.16 - Honra a teu pai e a tua mãe, como o SENHOR, teu DEUS, te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que te dá o SENHOR, teu DEUS. 17 - Não matarás. 18 - E não adulterarás. 19 - E não furtarás. 20 - E não dirás falso testemunho contra o teu próximo. 21 - E não cobiçarás a mulher do teu próximo; e não desejarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.

Dt 5.29 - Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem e guardassem todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre!

 

Hinos Sugeridos: 103, 210 e 508 da Harpa Cristã

 

PALAVRA-CHAVE – OBEDIÊNCIA

 

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

Ao iniciar o segundo discurso de Moisés, registrado em Deuteronômio 5, somos conduzidos ao coração da Aliança estabelecida entre DEUS e Israel. Às vésperas da entrada na Terra Prometida, Moisés relembra os Dez Mandamentos não como um simples código de normas, mas como a expressão da vontade divina para um povo chamado a viver em comunhão com o Senhor. Nesta lição, veremos que o chamado para ouvir, aprender e obedecer à Palavra revela que a verdadeira fé manifesta-se em uma vida de amor a DEUS e ao próximo marcada pela fidelidade, reverência e compromisso com a vontade do Senhor.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição:

I) Apresentar o concerto em Horebe e o chamado à obediência; II) Justificar os mandamentos como expressão da vontade divina; III) Conscientizar sobre as bênçãos de ouvir e obedecer à voz de DEUS.

B) Motivação:

A obediência a DEUS vai além de regras: ela expressa amor, fé e compromisso com o Senhor. Desse modo, incentive os alunos a perceberem que ouvir, aprender e praticar a Palavra continua sendo o caminho seguro para uma vida abençoada e cheia da presença de DEUS.

C) Sugestão de Método:

Inicie a aula desenhando na lousa dois caminhos. Em um deles escreva: “Ouvir, Aprender e Obedecer”; no outro: “Ignorar, Esquecer e Desobedecer”. Em seguida, apresente situações práticas do cotidiano (família, trabalho, igreja, vida espiritual) e peça que os alunos indiquem qual caminho produz melhores resultados. Após as respostas, leia Deuteronômio 5.33 e destaque que Moisés apresentou ao povo uma decisão semelhante: seguir os caminhos do Senhor ou se afastar deles. Explique que os Dez Mandamentos não foram dados apenas como regras, mas como orientações para uma vida de comunhão, proteção e bênção.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

Aplicação:

A obediência ensinada em Deuteronômio 5 começa ao ouvir a Palavra. Em seguida, cresce no aprendizado e manifesta-se na prática diária. Desafie os alunos a escolherem, nesta semana, uma orientação bíblica para colocar em prática e demonstrar que amar a DEUS é viver segundo a sua vontade.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão:

Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio às Lições Bíblicas Adultos. Na edição 107, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais:

Ao fim do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Relembrando a Aliança”, localizado após o primeiro tópico, aprofunda o tema da recordação da Aliança e sua importância para a fidelidade ao Senhor; 2) O texto “O que os Mandamentos Revelam”, localizado ao fim do segundo tópico, auxilia na compreensão do significado dos mandamentos divinos e da sua aplicação prática à vida do crente.

 

COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO

Destacamos nesta lição o segundo discurso principal de Moisés, que enfatiza a obediência à Lei de DEUS nos Dez Mandamentos. Às vésperas da entrada na Terra Prometida, ele relembra a Lei não como rito, e sim como expressão do relacionamento com DEUS. O seu propósito é conduzir o povo à fidelidade e à reverência ao concerto do Sinai. Para os salvos em CRISTO, a lição é preciosa, pois nos chama a viver em obediência não à letra, “mas segundo o ESPÍRITO” (Rm 8.4).

 

I - O CONCERTO REITERADO EM HOREBE

1. O chamado para ouvir e obedecer   

Moisés inicia o capítulo convocando o povo a ouvir, aprender e cumprir a Lei: “Ouve, ó Israel [...]” (Dt 5.1). Essa sequência revela o caminho da comunhão com DEUS. Ouvir é abrir-se à Palavra; aprender, lamad, é internalizar o ensino com mente e coração; cumprir, shamar, é guardar e praticar com zelo. Assim, a fé torna-se viva e operante (Dt 6.4; Rm 10.17; Ap 2.7). A Palavra molda pensamentos e atitudes e forma verdadeiros discípulos (Sl 119.73; Mt 11.29; 2 Tm 3.14,15). O contraste com a geração anterior, que não obedeceu, reforça o chamado atual. Somos exortados em CRISTO a viver, conforme ensina Tiago 1.22-25, como praticantes da Palavra, e não somente ouvintes.

 

2. A pessoalidade da Aliança   

Moisés ensina que a aliança com DEUS exige resposta pessoal (Dt 5.3). A fé não é herança automática, mas decisão individual de compromisso com o Senhor. Exemplos como Josué e Calebe demonstram perseverança consciente (Js 24.15; Dt 1.36). Da mesma forma, JESUS afirma que o ato de segui-lo requer renúncia pessoal (Mt 16.24), e Paulo reconhece em Timóteo uma fé assumida por ele mesmo (2 Tm 1.5). Nesse sentido, cada crente é chamado a crer com o coração e confessar com a boca (Rm 10.9,10). Por isso, a exortação de Moisés aponta para a responsabilidade de cada israelita em aprender e cumprir os mandamentos, bem como em renovar a aliança com a nova geração. Diferentemente da anterior, que falhou, esta é chamada a viver o cumprimento da promessa. A fidelidade dos patriarcas contrasta com a infidelidade passada e reforça o chamado presente à obediência.

 

3. Uma revelação direta de DEUS   

DEUS revelou ao seu povo o seu desejo de relacionar-se com ele (Dt 5.4). No monte, em meio ao fogo, Ele manifestou-se com poder e santidade e mostrou que a sua Palavra é viva, purificadora e autoritativa (Jr 29.23). A Lei, portanto, não é só uma simples regra, e sim uma expressão de um pacto relacional com YHWH. Embora temível, a sua presença visa guiar e habitar com o povo. Temos acesso direto ao Pai por meio de CRISTO (Ef 2.18). Assim como Israel foi chamado à fidelidade, o cristão também deve viver em obediência à nova aliança firmada no sangue de JESUS como resposta consciente ao relacionamento com o Pai.

 

SINOPSE I - Moisés relembra a Aliança e chama o povo a ouvir e a obedecer.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO - RELEMBRANDO A ALIANÇA

 “Moisés relembrou os poderosos atos pelos quais DEUS libertou Israel da escravidão no Egito, destacando tanto o auxílio divino concedido à nação quanto os episódios de desobediência do povo ao Senhor. [...] Ao recordar as promessas de DEUS e seus grandes feitos na história, aprendemos mais sobre o seu caráter e desenvolvemos uma compreensão mais profunda de quem Ele é. Conhecemos o Senhor de maneira mais íntima quando observamos como Ele agiu no passado em favor do seu povo. Além disso, a história de Israel serve como importante advertência, ajudando-nos a evitar erros e enganos, enquanto fortalece nossa confiança na fidelidade e no cuidado de DEUS” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.237).

 

II - A EXPRESSÃO DA VONTADE DE DEUS NOS MANDAMENTOS

1. Os quatro primeiros mandamentos: amor a DEUS   

Em Deuteronômio 5.6-11, Moisés reafirma os quatro primeiros mandamentos e enfatiza a relação exclusiva do povo com DEUS. Não se trata apenas de proibições, mas também de um chamado ao amor pleno e reverente ao Senhor. Israel deveria rejeitar toda forma de idolatria, evitar o uso leviano do nome divino e reconhecer que pertence a um DEUS que o redimiu. Amar a DEUS de todo o coração implica submeter a vontade, as decisões e os afetos à sua Palavra (Mt 22.37). Esse amor não pode ser dividido com ídolos modernos, como poder, riqueza ou prazeres. Ademais, a fidelidade a DEUS deve alcançar as gerações por meio de um legado espiritual consciente. O amor ao Senhor, portanto, não é só sentimento, mas também um compromisso contínuo que transforma a vida e reflete a presença de CRISTO.

 

2. Os seis mandamentos: amor ao próximo   

Nos versículos 16-21, encontramos a segunda parte da Lei, agora voltada para o relacionamento com o próximo. Esses mandamentos estabelecem uma ética baseada no amor verdadeiro, que se expressa em ações concretas (1 Jo 3.18). Honrar os pais, preservar a vida, manter a fidelidade conjugal, respeitar os bens alheios, falar a verdade e guardar o coração contra a cobiça são princípios que sustentam uma convivência justa. O sábado, ainda que mencionado anteriormente, reforça o cuidado com a vida integral e inclui descanso e santificação. Esses mandamentos revelam que o pecado social nasce do egoísmo e da apropriação indevida do que pertence ao outro. DEUS, em contraste, chama o seu povo a viver com justiça, verdade e integridade - inclusive no uso das palavras -, a evitar falsos testemunhos e a preservar a dignidade do próximo.

 

3. Qual a utilidade da Lei para os cristãos hoje?

A Lei continua sendo relevante para o cristão, mas não como meio de salvação, e sim como expressão do caráter de DEUS. O apóstolo Paulo afirma que ela é santa, justa e boa (Rm 7.12) e serve como guia moral para a vida cristã (1 Tm 1.8). Em CRISTO, a Lei é internalizada no coração (Hb 10.16) e orienta pensamentos e atitudes. Ela revela o pecado, conduz à graça e aponta para uma vida de santidade (Rm 3.20; Gl 3.24; Rm 8.4). Além disso, ela evidencia as consequências do pecado e inspira temor e amor a DEUS. A obediência cristã, portanto, não é legalista, mas fruto da ação do ESPÍRITO SANTO, que transforma a natureza humana. O crente obedece não por imposição, mas por amor, e reflete na sua vida a justiça e a graça que recebeu em CRISTO.

 

SINOPSE II - Os mandamentos revelam a vontade de DEUS para amar e servir.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO - O QUE OS MANDAMENTOS REVELAM

“Os israelitas haviam feito uma aliança com DEUS, por isso Moisés mandou que eles ouvissem, aprendessem e cumprissem os mandamentos divinos. Os cristãos também fizeram uma aliança com o Eterno por intermédio de JESUS CRISTO e devem agir da forma esperada. A tríplice recomendação de Moisés aos israelitas é um excelente conselho para todos os cristãos. Ouvir é absorver e aceitar a informação sobre DEUS. Aprender é compreender o significado e as implicações de ser aliançado com Ele. Obedecer é colocar em ação tudo o que sabemos. As três ações são essenciais para um crescente relacionamento com DEUS. [...] Os Dez Mandamentos representam os padrões de DEUS para uma vida correta. Obedecê-los é obedecer a DEUS. Ainda assim, em todos os livros do Antigo Testamento, podemos constatar que cada mandamento foi infringido. Ao ler as histórias, note as trágicas consequências resultantes

da violação da Lei de DEUS” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.239,41).

 

III - OBEDECENDO À VOZ DE DEUS

1. A Palavra de DEUS revelada à congregação   

A partir de Deuteronômio 5.22, Moisés destaca o privilégio singular de Israel: receber a revelação direta de DEUS, registrada por Ele mesmo. O povo testemunhou uma manifestação poderosa no Sinai fogo, nuvem, escuridão e voz divina que evidenciou a santidade do Senhor e despertou temor reverente (Êx 20.18-21). Diante disso, pediram que Moisés atuasse como mediador (Dt 5.27). Isso aponta para CRISTO, o único mediador entre DEUS e os homens (1 Tm 2.5). Essa revelação produziu consciência do pecado e compromisso com a obediência, além de mostrar que DEUS deseja relacionamento sincero; não mera formalidade religiosa, mas, sim, vida transformada pelo ESPÍRITO (Ez 36.27).

 

2. Bênção e preservação aos obedientes   

DEUS promete bênçãos aos que o obedecem e evidencia o seu desejo de um relacionamento profundo com o seu povo (Dt 5.33). O coração, entendido como centro da vontade, do intelecto e das emoções, deve estar plenamente voltado ao Senhor. Assim, a obediência não é externa, mas integral, e reflete um compromisso verdadeiro com DEUS. Pais fiéis influenciam positivamente as gerações futuras e estabelecem um legado espiritual duradouro. Essa verdade permanece no Novo Testamento: são bem-aventurados os que ouvem e guardam a Palavra (Lc 11.28). A obediência, portanto, continua sendo o caminho seguro para uma vida abençoada e preservada.

 

3. Palavras exortativas de Moisés   

Moisés encerra o discurso reforçando a necessidade de perseverar na obediência: “Andareis em todo o caminho [...]” (Dt 5.33). Enquanto o povo retorna às suas tendas, Moisés permanece diante do Senhor para receber mais instruções e, assim, evidencia a responsabilidade espiritual da liderança. A nova geração é exortada a cumprir o compromisso assumido e a viver segundo a vontade divina. Diferentemente do primeiro momento no Sinai, a ênfase está na Palavra já revelada. O crente hoje, portanto, também deve viver guiado pela Escritura, mediante a ação e suficiência do ESPÍRITO SANTO, e confiar e andar continuamente na luz do Senhor (Sl 119.105).

 

SINOPSE III - Ouvir e obedecer a DEUS conduz à bênção e à preservação.

 

CONCLUSÃO

Viver em obediência a DEUS não foi um chamado restrito ao passado, mas permanece plenamente atual. No Antigo Testamento, especialmente nos Dez Mandamentos, a vontade divina foi claramente revelada ao seu povo. A sua prática, por meio da obediência, conduzia à vida e à proteção. DEUS ainda continua chamando cada cristão a submeter-se à sua Palavra e a viver de modo digno do Evangelho a fim de que o cristão experimente, desde já, a realidade da vida eterna.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Como Moisés inicia o capítulo 5?

Moisés inicia o capítulo convocando o povo a ouvir, aprender e cumprir a Lei: “Ouve, ó Israel [...]” (Dt 5.1).

2. De acordo com a lição, para que aponta a exortação de Moisés?

A exortação de Moisés aponta para a responsabilidade de cada israelita em aprender e cumprir os mandamentos, renovando a aliança com a nova geração.

3. Do que tratam os quatro primeiros mandamentos?

Em Deuteronômio 5.6-11, Moisés reafirma os quatro primeiros mandamentos e enfatiza a relação exclusiva do povo com DEUS, isto é, do amor a DEUS.

4. Do que tratam os seis últimos mandamentos?

Nos versículos 16-21, encontramos a segunda parte da Lei, voltada para o relacionamento com o próximo, isto é, a ética relacional, do amor ao próximo.

5. Como Moisés encerra o seu discurso no capítulo 5?

Moisés encerra o discurso reforçando a necessidade de perseverar na obediência: “Andareis em todo o caminho [...]” (Dt 5.33).

 

 

 

 


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