Escrita Lição 7, CPAD, A OBRA DO FILHO, 1Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV
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ESBOÇO DA LIÇÃO
I – A HUMILHAÇÃO VOLUNTÁRIA DO FILHO
1. A submissão de CRISTO
2. O esvaziamento de sua glória
3. Obediência sacrificial até à cruz
II – A OBRA REDENTORA DO FILHO
1. A ineficácia do sacerdócio levítico
2. O Sacrifício único e suficiente
3. A substituição vicária
III – A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO
1. Recebido à destra do PAI
2. Um nome acima de todo nome
3. Soberania universal e retorno triunfal
TEXTO ÁUREO
“Pelo que também DEUS o exaltou
soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.” (Fp 2.9)
VERDADE PRÁTICA
A humilhação voluntária de CRISTO, sua
obra redentora e sua exaltação gloriosa revelam que somente Ele é digno de toda
adoração e obediência.
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Rm 12.2 O cristão precisa viver na
vontade de DEUS
Terça - Jo 17.5 JESUS renunciou sua glória celestial
Quarta - Hb 12.2 CRISTO está glorificado à
direita do PAI
Quinta - Jo 19.30 JESUS completou a obra que o PAI
lhe confiou
Sexta - Hb 1.3 CRISTO é Rei e Sacerdote
Sábado - Hb 9.28 CRISTO voltará glorioso para
buscar sua Igreja
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Filipenses
2.5-11; Hebreus 9.24-28
Filipenses 2.5 -
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em CRISTO JESUS,
6 - que, sendo em forma de DEUS, não teve por usurpação ser igual a DEUS. 7 -
Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante
aos homens; 8 - e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo
obediente até à morte e morte de cruz. 9 - Pelo que também DEUS o exaltou
soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, 10 - para que ao nome
de JESUS se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da
terra,
11 - e toda língua confesse que JESUS CRISTO
é o Senhor, para glória de DEUS PAI.
Hebreus 9.24 -
Porque CRISTO não entrou num santuário feito por mãos, figura do
verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face
de DEUS; 25 - nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo
sacerdote cada ano entra no Santuário com sangue alheio. 26 - Doutra maneira,
necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora,
na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo
sacrifício de si mesmo. 27 - E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez,
vindo, depois disso, o juízo, 28 - assim também CRISTO, oferecendo-se uma vez,
para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o
esperam para a salvação.
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I – A HUMILHAÇÃO VOLUNTÁRIA DO FILHO
A humilhação
voluntária do FILHO de DEUS, frequentemente descrita na teologia
como kenosis (do grego kenoō, "esvaziar-se"),
refere-se ao ato livre e consciente de JESUS CRISTO de abrir mão da glória
divina, assumindo a forma humana e de servo para realizar a obra de redenção.
Este conceito, central na teologia cristã, é descrito em Filipenses 2:5-8, onde
o apóstolo Paulo exorta os fiéis a terem a mesma atitude de CRISTO, que, sendo DEUS,
não se apegou a isso, mas se humilhou.
Aqui estão os
pontos-chave sobre a humilhação voluntária de JESUS:
- A Natureza
do Esvaziamento (Kenosis): Não
significa que JESUS deixou de ser DEUS, mas que Ele abriu mão da
manifestação gloriosa de Sua divindade e de seus privilégios divinos para
viver como homem.
- O
Movimento da Humilhação: Começou
com a encarnação (DEUS se tornando homem) e continuou até a morte na cruz,
passando por um nascimento humilde em uma manjedoura.
- A Forma de
Servo: JESUS não apenas se
tornou humano, mas assumiu a posição de servo (ou escravo), servindo
voluntariamente por amor, em vez de exigir servidão.
- Obediência
até a Morte: A
maior expressão dessa humilhação foi a obediência extrema, sujeitando-se à
morte mais vergonhosa da época: a morte de cruz.
- Humilhação
como Caminho para a Glória: Esta
descida voluntária não foi o fim. A teologia cristã ensina que, após a
humilhação profunda, DEUS o exaltou soberanamente, demonstrando que a
humilhação é o caminho para a exaltação bíblica.
Essa ação é
vista como a maior demonstração de amor sacrificial e submissão à vontade do PAI
para a salvação da humanidade.
1. A submissão de CRISTO
A submissão de JESUS
CRISTO a DEUS PAI é um pilar teológico que demonstra obediência amorosa,
humildade e alinhamento voluntário de vontade, exemplar até a morte na cruz.
Ela destaca a autoridade do PAI e a missão redentora do FILHO, sendo
considerada um modelo de serviço, confiança e reversão de valores.
Pontos Chave
sobre a Submissão de CRISTO:
- Atitude
Voluntária e Amorosa: JESUS,
sendo FILHO de DEUS, submeteu-se voluntariamente, movido por amor e
obediência, não por inferioridade de essência.
- Exemplo na
Cruz: A submissão suprema
ocorreu com sua morte na cruz (Filipenses 2:8), servindo como o maior
exemplo de obediência a DEUS.
- Unidade de
Vontade: Embora distintos, JESUS
afirmou: "Eu e o PAI somos um" (João 10:30), indicando que sua
submissão era um alinhamento perfeito com a vontade do PAI.
- Conceito
de "Abba": A
relação de JESUS com o PAI é de profunda intimidade e confiança, muitas
vezes expressa na oração e na obediência filial.
- Finalidade
Redentora: A
submissão de CRISTO foi essencial para a obra de salvação, demonstrando
que a verdadeira autoridade no Reino de DEUS vem da rendição e do serviço.
- Distinção
de Autoridade: Passagens
como 1 Coríntios 15:27-28 indicam uma submissão funcional, onde o FILHO se
sujeita ao PAI para que "DEUS seja tudo em todos".
A submissão de CRISTO
também é apresentada como o fundamento para a relação do crente com DEUS e com
o próximo, ensinando que a obediência e o amor superam a autoafirmação.
2. O esvaziamento de sua glória
O esvaziamento
de JESUS, ou kenosis (Filipenses 2:7), refere-se ao ato
voluntário de renunciar ao uso independente de seus atributos divinos e glória
celestial para assumir a forma humana e de servo. Ele não deixou de ser DEUS,
mas velou sua majestade, vivendo com humildade e obediência, culminando na
morte de cruz para salvar a humanidade.
Principais
Aspectos do Esvaziamento (Kenosis):
- Voluntariedade: JESUS se esvaziou de si mesmo,
abrindo mão de sua posição de glória sem ser forçado.
- Encarnação: Assumiu a fragilidade humana e
tornou-se um servo, deixando de lado riquezas e honras celestiais.
- Propósito: O objetivo foi a humilhação total,
obedecendo ao PAI até a morte, resultando na posterior exaltação.
- Exemplificação: Este ato de humildade é um chamado
para que os cristãos abandonem orgulho e egoísmo, servindo aos
outros.
O
termo kenosis destaca que o FILHO de DEUS se despiu de sua glória
para se tornar humano, ensinando a necessidade de humildade e serviço. No
Getsêmani e na cruz, essa humilhação atingiu seu ponto mais alto.
3. Obediência sacrificial até à cruz
A
"obediência sacrificial até à cruz" é um dos pilares centrais da
teologia cristã, representando o exemplo supremo de submissão, amor e humildade
demonstrado por JESUS CRISTO ao PAI, culminando na sua morte na cruz para a
redenção da humanidade. Essa expressão descreve não apenas um ato final, mas um
estilo de vida de entrega total.
O Exemplo
Máximo: JESUS CRISTO
- Humildade
e Submissão: Filipenses
2:8 destaca que JESUS, sendo DEUS, humilhou-se e tornou-se obediente até a
morte, "e morte de cruz", o método mais vergonhoso e doloroso da
época.
- Vontade do
PAI: A obediência de JESUS não
foi passiva, mas uma escolha consciente de cumprir o propósito redentor,
expressa na oração: "contudo, não seja feita a minha vontade, mas a
tua".
- Obediência
Ativa: JESUS obedeceu ativamente
à lei de DEUS e à missão de sofrer pelos pecados da humanidade, agindo
como substituto.
- O
"Cálice": A
agonia no Getsêmani ilustra o alto custo dessa obediência, onde Ele
escolheu a vontade divina em detrimento de seu próprio conforto
físico.
Significado e
Aplicações
- Obediência
> Sacrifício: A
obediência sacrificial é superior aos rituais externos ou sacrifícios
superficiais, pois reflete uma submissão interna e sincera do coração. O
animal não escolhe morrer em sacrifício pelo pecador, JESUS escolheu ser
sacrificado por nós pecadores.
- Tomar a
Cruz: Para os seguidores de CRISTO,
a obediência sacrificial significa renunciar ao próprio ego, assumir os
custos de seguir a JESUS diariamente e submeter a vontade pessoal à de DEUS.
- Amor e
Serviço: Esse tipo de obediência
manifesta-se através de uma vida de serviço, amor ao próximo e desapego de
si mesmo, muitas vezes exigindo sacrifício de interesses pessoais.
O Resultado da
Obediência na Cruz
- Redenção e
Vitória: A obediência de JESUS
reverteu a desobediência de Adão, trazendo justiça e salvação.
- Exaltação: Devido à sua obediência sacrificial,
DEUS exaltou JESUS soberanamente, dando-lhe o nome que está acima de todo
nome.
- Acesso à
Graça: Essa obediência perfeita
permite que os crentes se aproximem de DEUS com confiança, encontrando
misericórdia.
Em resumo, a
obediência sacrificial até à cruz é o clímax da vida de JESUS, transformando a
cruz de um símbolo de morte em um símbolo de vida, amor e vitória através da
submissão total a DEUS.
II – A OBRA REDENTORA DO FILHO
A obra
redentora do FILHO de DEUS é a ação completa, sacrificial e voluntária de JESUS
CRISTO, que, por meio de sua vida, morte na cruz e ressurreição, pagou o
resgate pelo pecado da humanidade, reconciliando-a com DEUS e libertando-a da
condenação. Esta missão, planejada desde a eternidade, oferece perdão,
justificação, adoção como filhos de DEUS e vida eterna, sendo um dom gratuito
da graça divina.
Principais
Aspectos da Obra Redentora:
- Sacrifício
Vicário: JESUS, o "Cordeiro
sem defeito", tomou o lugar da humanidade, sofrendo a ira divina que
era devida aos pecadores, satisfazendo a justiça de DEUS.
- A Cruz e a
Ressurreição: A
morte de CRISTO é o centro da redenção, perdoando pecados, enquanto a
ressurreição triunfa sobre a morte e garante a justificação dos crentes.
- Libertação
(Redenção): Redenção
significa "libertar mediante um resgate", tirando o homem da
escravidão do pecado e do diabo para torná-lo um cidadão livre do Reino de
DEUS. Fomos comprados pelo sangue de JESUS.
- Reconciliação: A obra de CRISTO quebrou a barreira
entre DEUS e os homens, restaurando a comunhão e permitindo o acesso
direto ao PAI.
- Natureza
Trinitária: A
redenção envolve a Trindade: o PAI envia, o FILHO obedece e o ESPÍRITO SANTO
aplica a obra no coração dos fiéis.
Resultados para
o Crente:
- Perdão
Total: Remoção da culpa e
iniquidade (Ef 1:7).
- Justificação: Declaração de justo diante de DEUS
(Rm 5:9).
- Nova
Criatura: Transformação interior e
reconciliação (2Co 5:17).
- Herança
Eterna: Garantia da vida eterna e
filiação divina.
A obra de CRISTO
é descrita como perfeita e suficiente, não necessitando de acréscimos por obras
humanas, convidando o homem a viver pela fé.
1. A ineficácia do sacerdócio levítico
A ineficácia do
sacerdócio levítico como meio definitivo de salvação é um tema central no Novo
Testamento, particularmente na Epístola aos Hebreus. Embora estabelecido por DEUS
para o Antigo Pacto, o sistema levítico era cerimonial e temporário, servindo
como "sombra" ou tipo do sacerdócio perfeito de JESUS CRISTO.
A ineficácia do
sacerdócio levítico em salvar o ser humano baseia-se nos seguintes pontos
bíblicos:
- Pecaminosidade
dos Sacerdotes: Os
sacerdotes levíticos eram humanos falhos e pecadores. Antes de oferecerem
sacrifícios pelo povo, precisavam oferecer sacrifícios pelos seus próprios
pecados (Hebreus 4:15, 7:27).
- Limitação
pela Morte: A
mortalidade impedia os sacerdotes de continuarem no cargo. A necessidade
de sucessão constante (passar o ofício de PAI para FILHO) demonstrava que
o sistema não era eterno.
- Repetição
dos Sacrifícios: Os
sacrifícios de animais não podiam remover pecados de forma definitiva.
Eles precisavam ser repetidos diariamente e anualmente (no Dia da
Expiação), o que evidenciava a ineficácia em purificar a consciência de
forma permanente.
- Incapacidade
de Dar Perfeição: Hebreus
7:11 e 7:19 afirmam que "a lei nada aperfeiçoou". O sistema
levítico era "fraco e inútil" para trazer a salvação final ou a
perfeição espiritual.
O Sacerdócio
Superior de JESUS (Melquisedeque)
Enquanto o sacerdócio levítico era passageiro e limitado, o de JESUS, segundo a
ordem de Melquisedeque, é eficaz porque é eterno.
- Impecabilidade: JESUS é o Sumo Sacerdote santo,
inculpável e sem mancha, que não precisa oferecer sacrifícios por si
mesmo.
- Único
Sacrifício: JESUS
ofereceu a si mesmo uma única vez, sacrifício que foi perfeito e suficiente
para todos os pecados, para sempre (Hebreus 10:10-14).
- Vida
Indestrutível: Diferente
dos levitas, JESUS vive para sempre, intercedendo continuamente pelos
fiéis e salvando "perfeitamente" (ou "totalmente") os
que se aproximam de DEUS por meio dele.
Em suma, a
ineficácia levítica destacou a necessidade da graça e a superioridade da Nova
Aliança, onde JESUS é tanto o sacrifício quanto o mediador perfeito.
2. O Sacrifício único e suficiente
O sacrifício de
JESUS na cruz é considerado único e suficiente, pois ocorreu "uma vez por
todas" (Hebreus 10:10-14), anulando a necessidade de repetições e
sacrifícios rituais do Antigo Testamento. Essa oblação definitiva de CRISTO
resgatou a humanidade, oferecendo perdão completo e santificação eterna.
Aqui estão os
pontos fundamentais sobre essa doutrina:
- Único e
Definitivo: JESUS
não precisa ser sacrificado novamente. Sua morte resolveu a questão do
pecado de forma absoluta e eterna.
- Suficiente
para a Salvação: Seu
sacrifício é o único meio para a reconciliação com DEUS e salvação, não
dependendo de obras humanas.
- Cumprimento
das Escrituras: Ele
agiu como o verdadeiro "Cordeiro de DEUS", cumprindo as
profecias e o sistema de alianças.
- Acesso
Direto: Através do sangue de JESUS,
os fiéis ganham livre acesso a DEUS.
A aceitação
desse sacrifício traz a vida eterna, transformando a relação entre a humanidade
e o Criador.
3. A substituição vicária
A substituição
vicária de JESUS CRISTO é o conceito teológico central do cristianismo, no
qual JESUS, sem pecado, assumiu o lugar da humanidade pecadora na cruz,
sofrendo a punição divina (morte) pelos pecados humanos, oferecendo expiação e
reconciliação com DEUS. A "vicária" refere-se a JESUS como
substituto, pagando a pena no lugar dos pecadores.
- Fundamento
Bíblico: Isaías 53:5 descreve o
Messias carregando as dores (doenças) e feridas (enfermidades) da
humanidade, também pecados e maldições (Gálatas 3.13), enquanto 2
Coríntios 5:21 afirma que DEUS fez de JESUS um sacrifício pelo pecado em
favor do homem.
- Significado
Penal: A expiação vicária está
ligada à expiação penal, que afirma que CRISTO foi punido em nosso lugar,
satisfazendo a justiça divina contra o pecado.
- Substituição: A essência é uma "troca"
na cruz: nosso pecado foi transferido para JESUS, e sua justiça é imputada
a nós. JESUS levou o juízo de DEUS sobre Ele.
- Vitória: Além da penalidade, a morte de JESUS
representa sua vitória sobre o pecado, a morte e o diabo, restaurando o
relacionamento humano com DEUS.
Esta doutrina é
fundamental para a salvação no cristianismo, enfatizando o sacrifício de amor
incondicional.
III – A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO
A exaltação
gloriosa do FILHO de DEUS refere-se à exaltação de JESUS CRISTO após sua
ressurreição e ascensão, quando foi elevado à posição mais alta, à direita de DEUS
PAI, recebendo o nome que está acima de todo nome. Este evento celebra sua
vitória sobre o pecado e a morte, unindo a natureza humana à glória
divina.
Pontos
Principais sobre a Exaltação de JESUS:
- Ascensão e
Posicionamento: Após
40 dias da ressurreição, JESUS ascendeu ao céu e sentou-se à direita de DEUS,
simbolizando a entrada na glória divina e o exercício de sua autoridade
suprema.
- Autoridade
Suprema: DEUS exaltou
soberanamente a JESUS, dando-lhe um nome superior a qualquer outro, de
modo que todo joelho se dobre nos céus, na terra e debaixo da terra.
- Significado
para a Humanidade: A
exaltação de CRISTO também exalta a natureza humana, representando a
vitória humana e a esperança da glória futura para os crentes.
- Adoração e
Louvor: É um chamado à adoração,
reconhecendo JESUS como Senhor para a glória de DEUS PAI. Ele é
frequentemente exaltado como o FILHO de DEUS que deixou sua glória para
morrer, mas foi glorificado.
- Contexto
Bíblico: A exaltação é
frequentemente associada a textos como Filipenses 2:9-11 e Hebreus 1:1-13,
destacando sua divindade e o seu papel como o resplendor da glória de DEUS.
1. Recebido à destra do PAI
A ascensão de JESUS
e seu assento à direita do PAI, relatados em Marcos 16:19 e Atos
2:33-36, simbolizam a glorificação de CRISTO, Sua autoridade divina como
Rei e Juiz, e a conclusão de Sua missão terrena. Esse lugar de honra significa
que Ele compartilha o poder do PAI, retornando à glória celestial.
- Significado
Teológico: A
"destra do PAI" não é um lugar físico, mas sim um símbolo de
suprema dignidade, glória e autoridade divina, onde JESUS CRISTO, em corpo
e alma, foi exaltado.
- Fundamento
Bíblico: Além de Marcos 16:19,
textos como Atos 2:33-36, Efésios 1:20, e Colossenses 3:1 confirmam
que JESUS foi elevado e sentado à direita de DEUS.
- Ascensão e
Realeza: A ascensão de CRISTO à
direita do PAI celebra sua vitória sobre a morte, sua natureza humana
glorificada e seu papel como intercessor.
- Cumprimento
de Profecia: Este
evento cumpre as escrituras, incluindo o Salmo 110:1 ("O Senhor disse
ao meu Senhor: Assente-se à minha direita..."), conforme mencionado
em Marcos 12.36; Atos 2:34.
Essa doutrina é
um pilar da fé cristã, comemorada na solenidade da Ascensão, marcando o início
do reinado eterno de JESUS.
2. Um nome acima de todo nome
Baseado em
Filipenses 2:9-11, JESUS recebeu de DEUS o nome supremo, exaltado acima de
qualquer autoridade no céu, na terra e debaixo da terra. Esse nome representa
poder para salvação, cura e libertação, exigindo que todo joelho se dobre e
toda língua confesse que JESUS CRISTO é Senhor, para a glória de DEUS PAI.
Significado e
Autoridade do Nome de JESUS:
- Nome acima
de tudo: JESUS recebeu a mais alta
honra e autoridade, superior a qualquer principado, potestade ou nome
pronunciável.
- Autoridade
Universal: O
nome de JESUS é reconhecido no céu, na terra e no mundo dos mortos,
perante o qual toda a criação reconhecerá Sua soberania.
- Salvação e
Poder: O nome traz salvação,
reconciliação com DEUS e poder na oração.
- Significado
Literal: "JESUS"
(Yeshua) significa "O Senhor salva" ou "DEUS é
Salvação", enquanto "CRISTO" (Messias) significa "o
Ungido" ou "o Rei prometido".
O
Reconhecimento da Soberania:
- Adoração: A exaltação do nome de JESUS leva à
adoração e submissão de todas as criaturas.
- Confissão: Toda língua confessará que JESUS CRISTO
é o Senhor, glória de DEUS PAI. (Fl 2.11)
- Rei dos
Reis: JESUS é Senhor sobre os
vivos e os mortos, ocupando o lugar de honra à direita de DEUS. (Mc
14.62, 16.19; Lc 22.69; At 7.56; Rm 8.34; Ap 19.16, 17.14; 1Tm 6.15)
3. Soberania universal e retorno triunfal
A soberania
universal de JESUS CRISTO e o seu retorno triunfal são pilares centrais da
escatologia e teologia cristãs, representando a crença de que JESUS é o Rei
supremo sobre toda a criação (visível e invisível) e que ele voltará
visivelmente para estabelecer o seu reino de justiça.
Soberania
Universal de JESUS CRISTO
- Autoridade
Total: A soberania de CRISTO
significa que Ele governa todas as coisas, sustentando o universo com a
sua palavra. Tudo foi criado por ele e para ele (Colossenses 1:16-17;
Mateus 28.18).
- Rei do
Universo: Ele é reconhecido não
apenas como Salvador, mas como o "Rei dos Reis e Senhor dos
Senhores", cuja autoridade transcende o tempo, reis terrenos e
autoridades.
- Soberania
Atual: Embora o seu reino final
seja futuro, a Bíblia ensina que a soberania de CRISTO já é uma realidade
após a sua ascensão à direita do PAI. Ele governa sobre a igreja (Efésios
5.23) e exerce controle providencial sobre a história.
- Humildade
e Poder: A soberania de JESUS é
paradoxal, manifestada tanto na sua "entrada triunfal" montado
em um jumentinho — sinal de realeza e paz (Zacarias 9:9-10) — quanto no
seu sacrifício, que o tornou vitorioso sobre o pecado e a morte.
O Retorno
Triunfal de JESUS
- Visível e
Glorioso: Diferente da sua primeira
vinda, o retorno de JESUS será um evento físico, glorioso e visível a toda
a humanidade ("todo olho o verá", Apocalipse 1:7). Isso ocorrerá
após a Grande Tribulação. Nós, a Igreja seremos arrebatados bem antes
disso, antes da Grande Tribulação.
- Finalidade
do Retorno: JESUS
voltará para julgar o mundo (juízo dos bodes e ovelhas – Mt 25.33),
derrotar definitivamente o mal (o anticristo e o falso profeta), salvar o
seu povo e consumar o Reino de DEUS, onde ele reinará para todo o sempre
(Milênio).
- Esperança
Cristã: O retorno de JESUS na
primeira fase é o arrebatamento. Ele virá sobre as nuvens (Mc 14.62; e nos
levará para a Nova Jerusalém (Jo 14.1-5), onde acontecerá o Tribunal de
CRISTO (Rm 14.10; 2 Co 5.10) e as Bodas do Cordeiro (Ap 19.7). Depois nós,
os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens,
a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. 1
Tessalonicenses 4:17
- A
"Solenidade de CRISTO Rei": Estes dois acontecimentos celebram
justamente JESUS como Senhor do tempo e da história, guiando a humanidade
em direção ao encontro final no Reino dos Céus.
Diferenciação
Escatológica
Nós, teólogos pentecostais, distinguimos o retorno de CRISTO em duas fases ou
aspectos principais: o Arrebatamento da Igreja (invisível ao mundo) e o Retorno
Triunfal de CRISTO à Terra (visível e glorioso).
. O
Arrebatamento (A Vinda para a Igreja)
Esta primeira
fase é descrita como um evento súbito, focado no resgate dos fiéis antes do
período da Grande Tribulação.
- Visibilidade: É "invisível" ao mundo no
sentido de que Cristo não pisa na terra; Ele aparece nas nuvens e apenas
os salvos o encontram nos ares.
- Propósito: Galardoar os salvos e buscá-los como
sua "Noiva".
- Tempo: Pode ocorrer a qualquer momento
(iminente), sem necessidade de sinais prévios específicos para este exato
instante.
- Participantes: Somente os cristãos (vivos
transformados e mortos ressuscitados).
- 2. O
Retorno Triunfal (A Vinda com a Igreja)
- Também chamada de Vinda em
Glória, ocorre ao final dos sete anos de tribulação.
- Visibilidade: Totalmente visível e gloriosa.
"Todo olho o verá" (Ap 1:7). Jesus pisa efetivamente no Monte
das Oliveiras.
- Propósito: Julgar as nações, derrotar o
Anticristo e estabelecer o Reino Milenar na Terra.
- Tempo: Acontece após o cumprimento de
sinais específicos e o período da Tribulação.
- Participantes: Jesus desce acompanhado dos seus
santos (a Igreja que já foi arrebatada anteriormente) e de seus anjos.
·
Qual é a diferença entre o Arrebatamento e a Segunda Vinda de Cristo?
·
Resposta: O Arrebatamento e a Segunda Vinda de Cristo são frequentemente
confundidos. É difícil determinar quando a Bíblia está se referindo ao
Arrebatamento ou à Segunda Vinda. No entanto, ao estudar as profecias bíblicas
do fim dos tempos, é muito importante poder diferenciar entre os dois.
·
O Arrebatamento é quando Jesus Cristo retorna para remover a igreja
(todos os seguidores de Cristo) da terra. O Arrebatamento é descrito em 1
Tessalonicenses 4:13-18 e 1 Coríntios 15:50-54. Os crentes que já morreram
serão ressuscitados e, juntamente com os crentes que ainda vivem, vão se
encontrar com o Senhor nos ares. Isso acontecerá em um momento, em um piscar do
olho. A Segunda Vinda é quando Jesus retorna para derrotar o anticristo,
destruir o mal e estabelecer o seu Reino Milenar. A Segunda Vinda é descrita em
Apocalipse 19:11-16.
·
As diferenças importantes entre o Arrebatamento e a Segunda Vinda de
Cristo são:
·
(1) No Arrebatamento, os crentes vão se encontrar com o Senhor nos ares
(1 Tessalonicenses 4:17). Na Segunda Vinda, os crentes vão retornar com o
Senhor à terra (Apocalipse 19:14).
·
(2) A Segunda Vinda ocorre depois do grande e horrível período da
Tribulação (Apocalipse capítulos 6-19). O arrebatamento ocorre antes da
Tribulação (1 Tessalonicenses 5:9; Apocalipse 3:10).
·
(3) O Arrebatamento é a remoção dos crentes da terra como um ato de
libertação (1 Tessalonicenses 4:13-17; 5:9). A Segunda Vinda inclui a remoção
dos incrédulos como um ato de julgamento (Mateus 24:40-41).
·
(4) O Arrebatamento vai ser “secreto” e instantâneo (1 Coríntios
15:50-54). A Segunda Vinda vai ser visível a todos (Apocalipse 1:7; Mateus
24:29-30).
·
(5) A Segunda Vinda de Cristo não vai ocorrer até depois de certos
eventos dos fins dos tempos acontecerem (2 Tessalonicenses 2:4; Mateus
24:15-30; Apocalipse capítulos 6-18). O Arrebatamento é iminente, pode
acontecer a qualquer momento (Tito 2:13; 1 Tessalonicenses 4:13-18; 1 Coríntios
15:50-54).
·
Por que é importante manter o Arrebatamento e a Segunda Vinda distintos?
·
(1) Se o Arrebatamento e a Segunda Vinda são o mesmo evento, os crentes
teriam que passar pela Tribulação (1 Tessalonicenses 5:9; Apocalipse 3:10).
·
(2) Se o Arrebatamento e a Segunda Vinda são o mesmo evento, o retorno de
Cristo não é iminente... há várias coisas que precisam acontecer antes do Seu
retorno (Mateus 24:4-30).
·
(3) Ao descrever o período da Tribulação, Apocalipse capítulos 6-19 em
nenhum lugar menciona a igreja. Durante a Tribulação — também chamada de “tempo
de angústia para Jacó” (Jeremias 30:7) — Deus vai voltar a sua atenção
principal à nação de Israel (Romanos 11:17-31).
·
O Arrebatamento e a Segunda Vinda são semelhantes mas eventos separados.
Os dois envolvem Jesus retornando. Os dois são eventos do fim dos tempos. No
entanto, é crucialmente importante reconhecer as diferenças. Em resumo, o
Arrebatamento é o retorno de Cristo nas nuvens para remover os crentes da terra
antes do tempo da ira de Deus. A Segunda Vinda é o retorno de Cristo à terra
para dar um fim ao período da Tribulação, derrotar o anticristo e seu império
mundial diabólico e iniciar o milênio, cumprindo assim a aliança com Davi que
dizia que um descendente seu reinaria eternamente.
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Lição antiga que nos ajuda muito nesta
lição:
Lição 5, A Obra
Salvífica de JESUS CRISTO
4º Trimestre de
2017 - Título: A Obra da Salvação -
JESUS CRISTO é o Caminho, e a Verdade e a Vida
Comentarista:
Pr. Claiton Ivan Pommerening, Assembleia de DEUS de Joinville, SC
Complementos
Extras, Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva -
99-99152-0454
LEITURA BÍBLICA
EM CLASSE - João 19.23-30
23 - Tendo, pois, os soldados crucificado a
JESUS, tomaram as suas vestes e fizeram quatro partes, para cada soldado uma
parte, e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não
tinha costura. 24 - Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas
lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será. Isso foi assim para que se
cumprisse a Escritura, que diz: Dividiram entre si as minhas vestes e sobre a
minha túnica lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram essas coisas. 25 - E
junto cruz de JESUS estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria, mulher de
Clopas, e Maria Madalena. 26 - Ora, JESUS, vendo ali sua mãe e que o discípulo
a quem ele amava estava presente, disse à sua mãe: Mulher, eis aí o teu FILHO.
27 - Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o
discípulo a recebeu em sua casa. 28 - Depois, sabendo JESUS que já todas as
coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho
sede. 29 - Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre
uma esponja e, pondo-a num hissopo, lha chegaram à boca. 30 - E, quando JESUS
tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o
espírito.
PONTO CENTRAL -
A obra salvífica de JESUS CRISTO foi única e perfeita.
Resumo da Lição
5 (4º Trimestre de 2017), A Obra Salvífica de JESUS CRISTO
I - O
SACRIFÍCIO DE JESUS
1. O sacrifício completo.
2. O sacrifício
meritório.
3. O sacrifício
remidor.
II - A NOSSA
RECONCILIAÇÃO COM DEUS PAI
1. O fim da
inimizade.
2. A eliminação
da causa da inimizade.
3. A
vivificação.
III - A
REDENÇÃO ETERNA
1. O estado
perdido do pecador.
2. A redenção
do pecador.
3. Uma redenção
plena.
Como podemos afirmar que o sacrifício de JESUS foi completo?
Nenhum outro sacrifício, tanto o de animais no AT quanto o de seres humanos
na história das nações pagãs, com vistas a alcançar a salvação do homem, teve o
êxito de apagar os pecados do passado, do presente e do futuro. Somente o
sacrifício de CRISTO foi completo nesse sentido, a ponto de anular uma aliança
antiga para inaugurar um novo tempo de relacionamento com DEUS, estabelecendo
uma aliança nova, superior e perfeita.
Que ideia foi desenvolvida na sociedade judaica do AT?
Na sociedade judaica do AT, desenvolveu-se uma ideia de mérito por
intermédio do sistema de sacrifícios de animais. Bastava apresentar uma vítima
inocente no Templo e a pessoa satisfazia a sua própria consciência.
Por que foi necessária a nossa reconciliação com DEUS?
Essa reconciliação foi necessária porque o nosso relacionamento com o
Altíssimo estava rompido, visto que o homem pecador não pode ter comunhão com o
DEUS santo.
Quando fomos vivificados por DEUS?
Uma vez reconciliados com DEUS, fomos vivificados por Ele quando estávamos
mortos em ofensas e pecados, um estado espiritual de quem se encontra longe de
DEUS. Assim, o ESPÍRITO SANTO operou em nós, produzindo vida espiritual como
fonte transbordante, injetando em nós sede pela presença de DEUS, fazendo-nos
uma fonte de água viva, nos enviando para produzir muitos frutos no Reino de
DEUS e capacitando-nos para que todos conheçam a salvação em CRISTO JESUS.
O que é redenção?
A redenção é o ato de remir, isto é, libertar, reabilitar, reparar e salvar
algo ou alguém.
CONSULTE - Revista
Ensinador Cristão - CPAD, nº 72,
p38.
Resumo
da Lição 5 (4º Trimestre de 2017), A
Obra Salvífica de JESUS CRISTO
I -
O SACRIFÍCIO DE JESUS
Todos pecaram e
todos estavam predestinados a irem para o lago de fogo e enxofre e viverem
eternamente sem DEUS, sem paz e sem salvação. (Rm 3.23).
E a morte e o
inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. Apocalipse
20:14
E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de
fogo. Apocalipse 20:15
Com o
sacrifício perfeito, único, definitivo e eterno de CRISTO um novo destino foi
dado para cada ser humano, foi tornado possível pela graça de DEUS mediante a
fé neste sacrifício de JESUS, esse destino é a Nova Jerusalém, na Nova Terra.
Vida eterna com DEUS.
A quem vencer,
eu o farei coluna no templo do meu DEUS, e dele nunca sairá; e escreverei sobre
ele o nome do meu DEUS, e o nome da cidade do meu DEUS, a nova Jerusalém, que
desce do céu, do meu DEUS, e também o meu novo nome. Apocalipse 3:12.
E vi um novo
céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e
o mar já não existe. Apocalipse 21:1
1. O sacrifício completo.
- O sacrifício
de JESUS foi único, eterno, perfeito e suficiente.
Nem por sangue
de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário,
havendo efetuado uma eterna redenção. Hebreus 9:12
Mas este,
havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado
à destra de DEUS, Hebreus 10:12
Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia
sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo;
porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. Hebreus 7:27
De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do
mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para
aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. Hebreus 9:26
O povo
israelita aprenderam a pecar e oferecer sacrifícios para depois pecarem de novo
e oferecerem sacrifícios novamente para serem purificados. Por isso o
sacrifício de animais se tornou obsoleto, sem efeito, sem eficácia.
Isso é
semelhante aos católicos romanos que pulam carnaval e depois colocam cinza na
testa, já pensando no Sábado de Aleluia onde vão pular carnaval de novo e se
atolarem no pecado de novo.
Por isso foi
necessário uma Nova Aliança no sangue de JESUS para, de uma vez por todas,
haver purificação de pecados. Agora não podemos mais viver em pecado. Em muitas
igrejas ditas evangélicas, o povo anda pecando e se reconciliando toda semana
ou em toda ceia e depois voltam a pecar as mesmas coisas. É o mesmo que os
israelitas faziam. No arrebatamento não sobe quem vive na prática do pecado.
Porque é
impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados. Hebreus 10:4
Já o sangue de
JESUS nos purifica de todo pecado e nos proporciona o recebimento do ESPÍRITO
SANTO para nos ajudar a vencer o pecado e não cairmos mais nas armadilhas desse
mesmo pecado.
Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu
próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna
redenção. Hebreus 9:12
Que não
necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios,
primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto
fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo. Hebreus 7:27
De outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do
mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para
aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. Hebreus 9:26 - O sacrifício
de JESUS foi único, eterno, perfeito e suficiente.
A lei não
conseguiu levar o homem a salvação, não foi eficaz. Antes, a lei revelou a
perversidade do coração humano e condenou-o, ao invés de salvá-lo. Assim, o
pecador vendo-se perdido sentiu a necessidade de um salvador. A lei condena,
mas a graça mostra o caminho para a salvação - JESUS.
A lei é boa, o
problema é o homem que não consegue cumpri-la. (E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom. Romanos
7:12).
De maneira que
a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a CRISTO, para que pela fé fôssemos
justificados. Gálatas 3:24
Separados estais de CRISTO, vós os que vos justificais pela lei; da graça
tendes caído. Gálatas 5:4
Veio, porém, a
lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a
graça; Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse
pela justiça para a vida eterna, por JESUS CRISTO nosso Senhor. Romanos 5:20,21
2. O
sacrifício meritório.
Os judeus acreditavam que o cumprimento da lei
lhes traria salvação, mas, pelo contrário, a lei revelaria que ninguém
conseguiria cumpri-la integralmente. Sendo que na própria lei dizia que quem desobedecesse
a um só dos mandamentos estaria condenado, nenhum ser humano poderia ser salvo
(Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se
culpado de todos. Tiago 2:10).
A salvação não é por obras, mas pela graça (JESUS morreu em nossos lugar,
levando nossos pecados e ressuscitou Isaias 53) - A nossa fé nisso nos torna
salvos. Não fizemos nada para sermos salvos. Só acreditamos no que JESUS já fez
(Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de
DEUS. Não vem das obras, para que ninguém se glorie Efésios 2:8,9).
Esse é o problema de judeus e religiosos de todas as religiões (inclusive
evangélicos sem noção) - Não merecemos nada de DEUS. Essa doutrina do
merecimento tem atrapalhado a muitos. Por isso muitos crentes não recebem batismo
no ESPÍRITO SANTO e nem dons - querem merecer - Isso é absurdo diante de DEUS.
As seitas e religiões falsas todas têm isso em comum. Doutrina do merecimento.
Sejam os judeus e Adventistas pela guarda da lei e seus preceitos, ou os
espíritas pelas boas obras (incluindo aqui os católicos romanos que também são
espíritas - consultam mortos e acreditam que uma morta possa lhes perdoar e
interceder por eles), sejam os islâmicos ou muçulmanos pelas esmolas, jejuns,
ou seja, cumprimento do alcorão, sejam os hindus, budistas etc. todos estão
tentando merecer a salvação. Não sabem que é isso mesmo que os impede de a
receber.
Só pode ser salvo quem se deixa convencer pelo ESPÍRITO SANTO do pecado, da
justiça e do juízo. O homem precisa se reconhecer pecador para ser salvo.
Precisa saber que não merece ser salvo e que existe um juízo para quem vive na
prática do pecado.
Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da
imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um
vento nos arrebatam. Isaías 64:6
Os judeus queriam merecer a salvação por oferecerem sacrifícios de animais,
mas só JESUS tem mérito na salvação dos homens.
3. O sacrifício remidor.
O pecado é ofensa a DEUS. (Pois assim como por uma só ofensa veio o
juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de
justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Romanos
5:18).
O pecado separa o homem de DEUS - é uma barreira que impede a comunicação do
homem com DEUS. (Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o
vosso DEUS; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos
ouça. Isaías 59:2).
Existem dois tipos de tristezas espirituais - Uma gera a morte outra gera a
vida. Porque a tristeza segundo DEUS opera arrependimento para a salvação, da
qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte. 2 Coríntios
7:10.
DEUS quer que todos sejam salvos e apresenta o salvador a todos os que O
invocarem - Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento
da verdade. Porque há um só DEUS, e um só Mediador entre DEUS e os homens,
JESUS CRISTO homem. 1 Timóteo 2:4,5.
DEUS proveu a nossa reconciliação com Ele através de JESUS. Nossos pecados
foram levados sobre JESUS, nosso juízo Ele sofreu em nossos lugar - Isto é,
DEUS estava em CRISTO reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus
pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. 2 Coríntios 5:19
Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores
levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de DEUS, e oprimido.
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das
nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas
pisaduras fomos sarados. Isaías 53:4,5
O sacrifício de
JESUS é remidor porque por sua morte (vale para todos, mas só recebe cada um de
nós que o aceitamos como Salvador e Senhor) fomos libertados do poder do pecado
ou perdoados por todos eles. O sacrifício de JESUS é remidor também porque através
desse sacrifício fomos desobrigados do compromisso de ir à cruz pagar por nosso
pecado; nossa dívida foi quitada. Havendo riscado a cédula que era contra nós
nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do
meio de nós, cravando-a na cruz. Colossenses 2:14.
II -
A NOSSA RECONCILIAÇÃO COM DEUS PAI
1. O
fim da inimizade.
Nossa situação
passada era terrível. guiados pela carne - Nossos pensamentos nos dominavam -
Inimigos dos homens e de DEUS - Filhos da Ira - Sem Intercessor Junto a DEUS.
Entre os quais
todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade
da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros
também. Efésios 2:3
Porque também nós éramos noutro tempo insensatos, desobedientes, extraviados,
servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja,
odiosos, odiando-nos uns aos outros. Tito 3:3
Vivíamos em
inimizade contra DEUS. ELE não nos ouvia. Estávamos separados de DEUS pela
barreira do pecado. Não tínhamos intercessor junto ao PAI para nos reconciliar
com Ele.
Ora, nós
sabemos que DEUS não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a DEUS, e faz a
sua vontade, a esse ouve. João 9:31
Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso DEUS; e os vossos
pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça. Isaías 59:2
Pecando homem contra homem, os juízes o julgarão; pecando, porém, o homem
contra o Senhor, quem rogará por ele? Mas não ouviram a voz de seu PAI, porque
o Senhor os queria matar. 1 Samuel 2:25
Não há entre
nós árbitro que ponha a mão sobre nós ambos. Jó 9:33 (figura do advogado de
defesa que punha a mão no ombro do acusado e no ombro do acusador para os levar
a paz - Jó não tinha, pois JESUS ainda não havia morrido por nós na cruz).
No
Passado, O Que Éramos:
Antes De
Aceitarmos A CRISTO, Como Éramos? Esse É O Nosso Passado. Tanto Para Quem
Nasceu Num Lar Evangélico, Como Para Quem Nunca Ouviu Falar Do Evangelho, Não
Importa, Todos Pecaram E Destituídos Estávamos Da Glória - Rm 3.23.
Estávamos Mortos Em Ofensas E Em Pecados (V.1)
Morte=Separação
De DEUS
Início Da Morte
Na Terra = Adão (Ver Gn 3 = O Pecado E Gn 5 FILHO De Adão = Imagem De Adão.)
Daí Em Diante
As Mortes Se Manifestam = Morte Espiritual (ESPÍRITO Separado De DEUS = Morto
Para DEUS), Moral (Alma = Só Quer Aprender E Fazer O Que É Contrário A DEUS) E
Física (Corpo = Só Quer Fazer O Que Lhe Dá Prazer = Comer, Beber, Dormir E
Sexo).
Os Pecados São
Frutos Do Pecado Que Herdamos De Adão, São Ofensas A DEUS, São Delitos Que
Merecem Castigo, Merecem Punição.
Andávamos Segundo O Curso Do Mundo (V.2)
É Seguir
Conforme O Pensamento Humano, É O Viver Segundo A Moda, Moda Esta Que É
Direcionada E Planejada Por Satanás, Através De Seus Súditos, Principalmente
Lésbicas E Gays (Costureiros E Marchands).
Fazíamos A Vontade Da Carne (V.3)
É A Natureza
Inclinada Ao Pecado, Que Atende Aos Desejos (Concupiscência) Degradantes Do
Pecado. É A Vontade Subjugada Ao Pecado. A Carne Cobiça Contra O ESPÍRITO.
Éramos Filhos Da Ira (V.3)
A Ira De DEUS É
Uma Reação Natural E Automática De Sua Santidade Contra O Pecado. É Uma
Barreira Espiritual Que Sua Natureza Santa E Eterna Mantém Contra O Pecado.
Assim Como DEUS Ama, Ele Castiga E Repreende A Quem Ele Ama E Aborrece Aquele
Que O Aborrece E Lhe É Infiel.
O que causava
nossa separação e inimizade com DEUS? O Pecado (uma árvore interna que produz
frutos ruins, pecados - semente maligna herdada de Adão que a conseguiu
desobedecendo a DEUS).
Assim, quando
JESUS leva sobre Ele nossos pecados e tudo o que nos separava de DEUS, a
amizade com DEUS é reatada, o amor é reaceso, a intimidade é renovada, nossas
petições passam a ser ouvidas, Nosso advogado está ao lado do PAI intercedendo
por nós. Agora não temos só um intercessor, mas dois, um no céu e outro na
Terra. Glória a DEUS!
O ESPÍRITO
SANTO nos ajuda a conhecer esta salvação por sua intervenção sobrenatural -
Convence-nos do pecado, da justiça e do juízo. Assim somos impulsionados a nos
arrependermos e nos convertemos (isso é voluntário e somente possível pela fé).
E é o que
alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas
haveis sido justificados em nome do Senhor JESUS, e pelo ESPÍRITO do nosso
DEUS. 1 Coríntios 6:11
Cheguemo-nos
com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados
da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, Hebreus 10:22
Quem é que
condena? Pois é CRISTO quem morreu, ou antes quem ressuscitou dentre os mortos,
o qual está à direita de DEUS, e também intercede por nós. Romanos 8:34
Portanto, pode
também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a DEUS, vivendo sempre
para interceder por eles. Hebreus 7:25
E da mesma maneira também o ESPÍRITO ajuda as nossas fraquezas; porque não
sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo ESPÍRITO intercede por
nós com gemidos inexprimíveis. Romanos 8:26
Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o
evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o
ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios 1:13
Não podemos nos
desviar dessa dádiva para não voltarmos para a inimizade passada.
Se, na verdade,
permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do
evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo
do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro. Colossenses 1:23
Portanto,
convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para
que em tempo algum nos desviemos delas. Hebreus 2:1
Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e
perverteram a fé de alguns. 2 Timóteo 2:18
Porque já algumas se desviaram, indo após Satanás. 1 Timóteo 5:15
Vede que não
rejeiteis ao que fala; porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram o que na
terra os advertia, muito menos nós, se nos desviarmos daquele que é dos céus;
Hebreus 12:25
2. A
eliminação da causa da inimizade.
Como o pecado
(que é a causa da inimizade com DEUS) foi eliminado? (evidente, da vida dos que
se arrependem e aceitam a JESUS como único salvador e Senhor).
O preço foi
pago por CRISTO, no Calvário. O sangue de JESUS foi derramado por nós. Sangue
da Nova e Eterna Aliança. Fomos purificados. DEUS mesmo providenciou isso.
Porque fostes
comprados por bom preço; glorificai, pois, a DEUS no vosso corpo, e no vosso
espírito, os quais pertencem a DEUS. 1 Coríntios 6:20
Fostes
comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens. 1 Coríntios 7:23
Mas agora em
CRISTO JESUS, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de CRISTO chegastes
perto. Efésios 2:13
Mas, se
andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o
sangue de JESUS CRISTO, seu FILHO, nos purifica de todo o pecado. 1 João 1:7
Ao qual DEUS
propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça
pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de DEUS; Romanos
3:25
Sabendo que não
foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa
vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, Mas com o
precioso sangue de CRISTO, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, 1
Pedro 1:18,19
O pecado não
pode mais ter domínio sobre nós. Mas se pecarmos (por descuido, por falta de
vigilância - não quem vive no pecado), então temos um advogado junto ao PAI
para interceder por nós e DEUS nos perdoará certamente. Se andarmos no
ESPÍRITO, sendo dominados por Ele, dirigidos por Ele, orientados por Ele, então
o pecado não nos dominará, não nos vencerá. Assim permaneceremos em amizade com
DEUS. Temos que sermos inimigos do mundo (sistema pecaminoso) e suas
concupiscências (desejos, ambições).
Não reine,
portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para lhe obedecerdes em suas
concupiscências; Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por
instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a DEUS, como vivos dentre
mortos, e os vossos membros a DEUS, como instrumentos de justiça. Porque o
pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo
da graça. Romanos 6:12-14
Se confessarmos
os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos
purificar de toda a injustiça.1 João 1:9
Digo, porém:
Andai em ESPÍRITO, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne
cobiça contra o ESPÍRITO, e o ESPÍRITO contra a carne; e estes opõem-se um ao
outro, para que não façais o que quereis. Mas, se sois guiados pelo ESPÍRITO,
não estais debaixo da lei. Gálatas 5:16-18
Adúlteros e
adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra DEUS?
Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de DEUS.
Tiago 4:4
3. A
vivificação.
Para o crente e
a igreja, a doutrina do ESPÍRITO SANTO é altamente prioritária e indispensável,
uma vez que o próprio título “ESPÍRITO SANTO” denota regeneração, recriação,
vivificação, dinamismo, espiritualidade (Jo 6.63; 3.6b; Tt 3.5). O mesmo título
denota santidade, santificação (“SANTO”).
Somos salvos
não somente pela "lavagem da regeneração", nas também pela
"renovação do ESPÍRITO SANTO" (Tito 3:5. Vide também Col. 3:10; Rom.
12:2; Efés. 4:23; Sal. 51:10). A essência da regeneração é uma nova vida
concedida por DEUS PAI, mediante JESUS CRISTO e pela operação do ESPÍRITO
SANTO.
O segundo Homem
é do céu (1 Cor. 15:47). Sua vida era de cima (João 8:23); sua passagem pelo
mundo representa a vitória sobre o pecado, e os resultados de sua
vida foram a vivificação da raça (1 Cor. 15:45). Aquele que
nenhum pecado cometera e que salva o seu povo dos seus
pecados, necessariamente teria que ser gerado pelo ESPÍRITO SANTO.
JESUS NOS
TRANSPORTA DA SITUAÇÃO DE MORTE ETERNA PARA A SITUAÇÃO DE VIDA ETERNA.
Na verdade, na
verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou,
tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a
vida. João 5:24
Para que, assim
como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida
eterna, por JESUS CRISTO nosso Senhor. Romanos 5:21
Vivificação, ou
viver para a justiça; e o que é isso?
(1) É andar
“...em novidade de vida” (v. 4). Novidade de vida supõe novidade de coração,
pois do coração procedem as saídas da vida, e não há nenhuma maneira de fazer
com que o rio seja de água doce a não ser fazendo com que a fonte seja. Na
Escritura, andar é colocado como o curso e padrão da conduta, que deve ser
novo. Andar segundo novas regras, em direção a novos fins, a partir de novos
princípios. Fazer uma nova escolha do caminho. Escolher novas trilhas nas quais
caminhar. As velhas coisas devem passar e tudo se tornar novo. O homem é o que
ele não era e faz o que não fazia.
(2) É estar
vivo “...para DEUS, em CRISTO JESUS, nosso Senhor” (v. 11). Conviver com DEUS,
ter consideração por Ele, deleite nele, preocupação pelo nome dele; em todas as
ocasiões, ter a alma voltada em direção a Ele como em direção a algo agradável,
no qual ela obtém satisfação: isto é estar vivo para DEUS. A vida da alma para
com DEUS é o amor dele reinando no coração. Anima est ubi amat, non ubi animat
– A alma está mais onde ela ama do que onde ela vive. É ter as afeições e os
desejos vivos para com DEUS. Ou, vivendo (nossa vida na carne) para DEUS, tendo
a sua honra e glória como nossa finalidade e a sua palavra e vontade como nossa
regra – reconhecê-lo em todos os nossos caminhos e sempre ter os nossos olhos
voltados para Ele; isso é viver para DEUS. “...em CRISTO JESUS, nosso Senhor”.
CRISTO é a nossa vida espiritual; não há nenhum viver para DEUS a não ser
através dele. Ele é o Mediador; não se pode receber nada confortador de DEUS,
nem existe respeito aceitável para com DEUS, a não ser em e através de JESUS
CRISTO; nenhuma comunicação entre almas pecadoras e um DEUS SANTO, a não ser
mediante o Senhor JESUS. Através de CRISTO como o autor e o mantenedor dessa
vida; através de CRISTO como a cabeça de quem recebemos influência vital;
através de CRISTO como a raiz pela qual recebemos seiva e nutrição, e assim
vivemos. No viver para DEUS, CRISTO é tudo em todos.
(3) É o
“...apresentai-vos a DEUS, como vivos dentre mortos” (v. 13). A própria vida e
essência da santidade repousam em nossa própria dedicação ao Senhor,
entregando-lhe nosso próprio ser (2 Co 8.5). “Entregai-vos a Ele, não apenas
como o vencido entrega-se ao vencedor, porque não pode resistir por mais tempo;
mas como a esposa se apresenta ao marido, para quem é seu desejo, como um aluno
se apresenta diante do professor, o aprendiz diante de seu mestre, para ser
ensinado e guiado por ele. Não entregueis os vossos bens a Ele, mas vós mesmos;
nada menos que todo o vosso ser”; parastesate heautous, accommodate vos ipsos
Deo – acomodai-vos a DEUS; assim Tremellius, a partir do Siríaco. “Não apenas
submetei-vos a Ele, mas sujeitai-vos a Ele; não somente apresentai-vos a vós
mesmos a Ele definitivamente, mas estai sempre prontos a servi-lo.
Apresentai-vos a Ele como a cera para o selo, para assumir qualquer impressão,
para serdes, terdes e fazerdes o que lhe agrada”. Quando Paulo disse: “Senhor,
que queres que faça?” (At 9.6), foi quando ele se entregou a DEUS. Como vivos
dentre mortos. Apresentar uma carcaça morta para um DEUS vivo não é agradá-lo,
mas escarnecer dele: “Apresentai-vos como aqueles que estão vivos e úteis para
alguma coisa, um “...sacrifício vivo” (Rm 12.1). 1. A evidência mais certa de
nossa vida espiritual é a nossa própria dedicação a DEUS. Convém àqueles que
vivem dentre os mortos (pode-se entender de uma morte na lei), que são
justificados e libertos da morte, entregarem-se a si mesmos àquele que os tem
redimido.
(4) É
apresentar os nossos “...membros a DEUS como instrumentos de justiça”. Os
membros de nosso corpo, quando afastados do serviço do pecado, não devem ficar
inativos, mas devem ser usados no serviço de DEUS. Quando o homem forte e
armado é despojado, deixe aquele que tem direito dividir os despojos. Embora os
poderes e faculdades da alma sejam os objetos imediatos da santidade e da
justiça, os membros do corpo devem ser instrumentos; o corpo deve estar sempre
pronto para servir a alma no serviço de DEUS. Assim (v. 19), “...apresentai
agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação”. Deixa-os
estar sob a direção e o comando da justa lei de DEUS, e daquele princípio da
própria justiça que o ESPÍRITO, como santificador, planta na alma. “...justiça
para a santificação”, a qual implica crescimento, progresso, e o fundamento
obtido. Como todo ato pecaminoso confirma o hábito pecaminoso e faz a natureza
cada vez mais inclinada ao pecado (por isso é dito aqui que os membros de um
homem natural servem “...à maldade para a maldade” – um pecado torna o coração
mais disposto para outro), também cada ato gracioso confirma o hábito gracioso;
um dever nos prepara para outro; e quanto mais fizermos, mais poderemos fazer
por DEUS. Nossa justiça prestimosa é eis hagiasmon – como uma evidência da
santificação.
VIVIFICAÇÃO -
Tem a ver com a natureza da santificação, o que ela é e em que consiste. Em
geral, ela compreende duas coisas: mortificação e vivificação – morrer para o
pecado e viver para a justiça, expresso alhures por despir-se do homem velho e
vestir-se do novo, deixar de praticar o mal e aprender a fazer o bem.
III
- A REDENÇÃO ETERNA
1. O
estado perdido do pecador.
A REALIDADE DO
PECADO
É uma chocante
realidade, muitas vezes escondida: O crente também peca. Embora nascido de novo
e sem direito a pecar, pois a semente do pecado não mais mora em si, mesmo
assim o crente descuidado peca por não vigiar e nem manter íntima comunhão com
o ESPÍRITO SANTO que nele habita. Temos a natureza divina (ou seja, somos
filhos de DEUS, habitação do ESPÍRITO SANTO), mas se não tomarmos cuidado,
acabamos de novo nas garras de Satanás.
Consequências
do pecado
O pecado é
tanto um ato como um estado. Como rebelião contra a lei de DEUS, é um ato
da vontade do homem; como separação de DEUS, vem a ser um estado
pecaminoso. Segue-se uma dupla consequência: o pecador traz o mal sobre si
mesmo por suas más ações, e incorre em culpa aos olhos de DEUS. Duas
coisas, portanto, devem distinguir-se; as más consequências que seguem os atos
do pecado, e o castigo que virá no juízo. Isto pode ser ilustrado da
seguinte maneira: Um PAI proíbe ao FILHO pequeno o fumar cigarros, e fá-lo ver
uma dupla consequência: primeira, o fumar fá-lo-á sentir-se doente;
segunda, ser castigado pela sua desobediência. O menino desobedece e fuma
pela primeira vez. As náuseas que lhe sobrevêm representam as más consequências
do seu pecado, e o castigo corporal subsequente representa o castigo
positivo pela culpa. Da mesma maneira as Escrituras descrevem dois efeitos do
pecado sobre o culpado: primeiro, é seguido por consequências desastrosas para
sua alma; segundo, trará da parte de DEUS o positivo decreto de
condenação.
A). Fraqueza
espiritual.
(a)
Desfiguração da imagem divina. O homem não perdeu completamente a imagem
divina, porque ainda em sua posição decaída é considerado uma criatura à imagem
de DEUS (Gên. 9:6; Tia. 3:9) — uma verdade expressa no provérbio popular:
"Há algo de bom no pior dos homens." Maudesley, o grande
psiquiatra inglês, sustenta que a majestade inerente da mente humana se
evidencia até mesmo na ruína causada pela loucura. Apesar de não estar
inteiramente perdida, a imagem divina no homem encontra-se muito
desfigurada. JESUS CRISTO veio ao mundo tornar possível ao homem a recuperação
completa da semelhança divina por ser recriado à imagem de DEUS. (Gál. 3:10.)
(b) Pecado
inerente, ou "pecado original". O efeito da queda arraigou-se tão
profundamente na natureza humana que Adão, como PAI da raça, transmitiu a
seus descendentes a tendência ou inclinação para pecar. (Sal. 51:5.) Esse
impedimento espiritual e moral, sob o qual os homens nascem, é conhecido
como pecado original. Os atos pecaminosos que se seguem durante a idade de
plena responsabilidade do homem são conhecidos como "pecado atual".
CRISTO, o segundo Adão, veio ao mundo resgatar-nos de todos os efeitos da
queda. (Rom. 5:12-21.) Esta condição moral da alma é descrita de muitas
maneiras: todos pecaram (Rom. 3:9); todos estão debaixo da maldição (Gál.
3:10); o homem natural é estranho às coisas de DEUS (1 Cor. 2:14); o
coração natural é enganoso e perverso (Jer. 17:9); a natureza mental e
moral é corrupta (Gên. 6:5, 12; 8:21; Rom. 1:19-31); a mente carnal é inimizade
contra DEUS (Rom. 8:7, 8); o pecador é escravo do pecado (Rom. 6:17; 7:5);
é controlado pelo príncipe das potestades do ar (Efés. 2:2); está morto em
ofensas e pecados (Efés. 2:1); e é FILHO da ira (Efés. 2:3).
(c) Discórdia
interna. No princípio DEUS fez o corpo do homem do pó, dotando-o, desse
modo, de uma natureza física ou inferior; depois soprou em seu nariz o fôlego
da vida, comunicando-lhe assim uma natureza mais elevada, unindo-o a DEUS. Era
o propósito de DEUS a harmonia do ser humano, ter o corpo subordinado à alma.
Mas o pecado interrompeu a relação de tal maneira que o homem se encontrou
dividido em si mesmo; o "eu" oposto ao "eu" em uma
guerra entre a natureza superior e a inferior. Sua natureza inferior,
frágil em si mesma, rebelou-se contra a superior e abriu as portas de seu
ser ao inimigo. Na intensidade do conflito, o homem exclama: "Miserável
homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" (Rom. 7:24.)
O "DEUS de paz" (1 Tess. 5:23) subjuga os elementos beligerantes
da natureza do homem e santifica-o no espírito, alma e corpo. O resultado
é a bem-aventurança interna — "justiça, e paz, e alegria no ESPÍRITO
SANTO" (Rom. 14:17).
B). Castigo
positivo.
"No dia em
que dela comeres certamente morrerás" (Gên. 2:17) "O salário do
pecado é a morte" (Rom. 6:23). O homem foi criado capaz de viver
eternamente; isto é, não morreria se obedecesse à lei de DEUS. Para que pudesse
"lançar mão" da imortalidade e da vida eterna, foi colocado sob um
pacto de obras, figurado pelas duas árvores — a árvore da ciência
do bem e do mal e a árvore da vida. Desse modo, a vida estava condicionada
à obediência; enquanto Adão observasse a lei da vida teria direito à árvore da
vida. Mas desobedeceu; quebrou o pacto de vida, e ficou separado de DEUS,
a Fonte da vida. Desde esse momento, teve a morte o seu início e foi
consumada na morte física com a separação da alma e do corpo. Mas notamos
que o castigo incluía mais do que uma morte física; a
dissolução física era uma indicação do desagrado de DEUS, do fato que o
homem estava sem contato com a Fonte da vida. Ainda que Adão
se tivesse reconciliado mais tarde com o seu Criador, a morte física
continuaria de acordo com o decreto divino: "No dia em que dela
comeres certamente morrerás." Somente por um ato de redenção e de
recriação o homem teria outra vez direito à árvore da vida que está no
meio do paraíso de DEUS. Por meio de CRISTO a justiça é restaurada à alma,
a qual, na ressurreição, é reunida a um corpo glorificado.
Vemos, então,
que a morte física veio ao mundo como castigo, e, nas Escrituras, sempre
que o homem é ameaçado com a morte como castigo pelo pecado, significa
primeiramente a perda do favor de DEUS. Assim, o pecador já está
"morto em ofensas e pecados" e no momento da morte física ele
entra no mundo invisível na mesma condição. Então no grande Julgamento o
Juiz pronunciará a sentença da segunda morte, que envolve "indignação
e ira, tribulação e angústia" (Rom. 2:7-12). De maneira que "a
morte", como castigo, não é a extinção da personalidade, e, sim, o
meio de separação de DEUS. Há três fases desta morte: morte espiritual,
enquanto o homem vive (Efés. 2:1; l Tim. 5:6); morte física (Heb. 9:27); e a
segunda ou morte eterna (Apoc. 21:8; João 5:28, 29; 2 Tess. 1:9; Mat.
25:41).
Por outro lado,
quando as Escrituras falam da vida como recompensa pela justiça, isso
significa mais do que existência, pois os ímpios existem no inferno. Vida
significa viver em comunhão com DEUS e no seu favor — comunhão que a morte
não pode interromper ou destruir. (João 11:25, 26.) é uma vida que
proporciona união consciente com DEUS, a Fonte da vida. "E a vida
eterna é esta: que te conheçam a ti só (em experiência e comunhão)
por único DEUS verdadeiro, e a JESUS CRISTO, a quem enviaste"
(João 17:3). A vida eterna é uma existência perfeita; a morte eterna
é uma existência má, miserável e degradada.
Notemos que a
palavra "destruição", usada quanto à sorte dos ímpios (Mat.
7:13; João 17:12; 2 Tess. 2:3), não significa extinção. De acordo com o
grego, perecer ou ser destruído, não significa extinção e sim ruína. Por
exemplo: que os odres "estragam-se" (Mat. 9:17) significa que já
não servem como odres, e não que tenham deixado de existir. Da mesma
maneira, o pecador que perece, ou que é destruído, não é reduzido ao
nada, mas experimenta a ruína no que concerne a desfrutar comunhão
com DEUS e a vida eterna. O mesmo uso ainda existe hoje;
quando dizemos: "sua vida está arrumada", não queremos dizer que
o homem está morto, e, sim, que perdeu o verdadeiro alvo ou objetivo
da vida.
2. A
redenção do pecador.
No AT, DEUS, o
REDENTOR, liberta o povo de situações de cativeiro (Is 43.14), sofrimentos (Jr
14.8), morte (Jó 19.25), pecado (Is 44.22; 59.20). 2)
No NT, DEUS,
por meio do pagamento de um preço, isto é, da morte de CRISTO na cruz, compra
para uma vida de nova liberdade a pessoa que era escrava do pecado e da LEI.
A REDENÇÃO
A Bíblia também emprega a metáfora do resgate ou da redenção para descrever a
obra salvífica de CRISTO. O tema aparece muito mais frequentemente no Antigo
Testamento que no Novo. O tema aparece muitas vezes no Antigo Testamento,
referindo-se aos ritos da "redenção" no tocante às pessoas ou aos
bens (cf. Lv 25; Rt 3 e 4, que empregam a palavra hebraica ga'al). O
"parente redentor" funciona como um go'el. O próprio Javé é o
Redentor (heb. go'el) do seu povo (Is 41.14; 43.14), e eles são redimidos (heb.
ge'ulim, Is 35.9; 62.12). O Senhor tomou medidas para redimir (heb. padhah) os
primogênitos (Êx 13.13~15). Ele redimiu Israel do Egito (Êx 6.6; Dt 7.8;13.5) e
também os remirá do exílio (Jr 31.11). As vezes DEUS redime um indivíduo (SI
49.15; 71.23); ou um indivíduo ora, pedindo a redenção divina (SI 26.11; 69.1
8), Mas a obra divina na redenção é primariamente moral no seu escopo. Em
alguns textos bíblicos, a redenção claramente diz respeito aos assuntos morais.
Salmos 130.8 diz: "Ele remirá Israel de todos as suas iniquidades".
Isaías diz que somente os "remidos", os "resgatados",
andarão pelo chamado "O caminho SANTO" (Is 35.8,10). Diz ainda que a
"filha de Sião" será chamada "povo santo, os remidos do
Senhor" (62.11,12).
No Novo Testamento, JESUS é tanto o "Resgatador" quanto o
"resgate"; os pecadores perdidos são os "resgatados". Ele
declara que veio "para dar a sua vida em resgate [gr. lutron] de
muitos" (Mt 20.28; Mc 10.45). Era um "livramento [gr. apolutrõsis]
efetivado mediante a morte de CRISTO, que libertou da ira retributiva de DEUS e
da penalidade merecida do pecado". Paulo liga nossa justificação e o
perdão dos pecados à redenção que há em CRISTO (Rm 3.24; Cl1.14, apolutrõsis
nestes dois textos). Diz que CRISTO "para nós foi feito por DEUS
sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" (1 Co 1.30). Diz também
que CRISTO "se deu a si mesmo em preço de redenção [gr. antilutron] por
todos" (1 Tm 2.6). O Novo Testamento demonstra claramente que Ele
proporcionou a redenção mediante o seu sangue (Ef 1.7; Hb 9.12; 1 Pe 1.18,19;
Ap 5.9), pois era impossível que o sangue dos touros e dos bodes tirasse os
pecados (Hb 10.4). CRISTO nos comprou (1 Co 6.20; 7.23, gr. agorazõ) de volta
para DEUS, e o preço foi o seu sangue (Ap 5.9).
Sendo que as palavras subentendem o livramento de um estado de escravidão
mediante o pagamento de um preço, então, de que fomos libertos? A contemplação
dessas coisas é motivo de grande alegria! CRISTO nos livrou do justo juízo de
DEUS que realmente merecíamos, por causa dos nossos pecados (Rm 3.24,25). Ele
nos livrou das consequências inevitáveis de se quebrar a lei de DEUS, que nos
sujeitava à ira divina. Embora não façamos tudo quanto a Lei requer, já não
estamos debaixo de uma maldição. CRISTO tomou sobre si essa maldição (Gl
3.10,13). A sua redenção conseguiu para nós o perdão dos pecados (Ef 1.7) e nos
libertou deles (Hb 9.15). Ele, ao entregar, se por nós, remiu-nos "de toda
iniqüidade [gr. anomia]" (Tt 2.14), mas não para usar a "liberdade
para dar ocasião à carne" (Gl 5.13) ou como "cobertura da
malícia" (1 Pe 2.16). (Anomin é a mesma palavra que Paulo usa em 2 Tessalonicenses
2.3, ao referir-se ao "homem do pecado"). O propósito de CRISTO ao
redimir-nos é "purificar para si um povo se especial, zeloso de boas
obras" (Tt 2.14).
Pedro diz que "fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por
tradição, recebestes dos vossos pais" (1 Pe 1.18). Não podemos ter certeza
de quem são os "pais". Seriam pagãos, judeus, ou ambos? Ambos,
provavelmente, pois o Novo Testamento considera fúteis os modos pagãos (At
14.15; Rm 1.21; Ef 4.17) e também vê certa futilidade nas práticas externas da
religião judaica (At 15.10; 12.16; 5.1; Hb 9.10,25,26; 10.3,4). Haverá, também,
uma redenção final dos gemidos e dores da era presente quando acontecer a
ressurreição, e veremos o resultado de termos sido adotados como filhos de DEUS
mediante a obra de CRISTO na nossa redenção (Rm 8.22,23).
Os evangélicos crêem que o Novo Testamento ensina haver CRISTO pago o preço
pleno do resgate para nos libertar. Sua é a obra objetiva da expiação, cujos
benefícios, quando aplicados a nós, não deixam nada a ser completado por nós. É
uma obra definitiva, não poderá ser repetida. Uma obra incomparável, que jamais
será imitada ou compartilhada por outros. (Teologia Sistemática - Stanley M.
Horton - CPAD pags. 356-358).
SANGUE DE JESUS
-
1. Ele purifica
de todo pecado (1 Jo 1.7).
2. Ele redime do poder do pecado (Ef 1.7).
3. Ele nos resgata do fútil procedimento diabólico legado por nossos pais (1 Pe
1.18-19).
4. Ele produz paz com DEUS (Cl 1.20).
5. Ele dá justificação diante de DEUS (Rm 5.9).
6. Ele nos aproxima de DEUS, a nós que "antes estávamos longe" (Ef
2.13).
7. Ele nos santifica (Hb 9.13-14).
8. Ele nos dá acesso livre à presença direta de DEUS (Hb 10.19).
REDENÇÃO -
Comprar por preço algo. JESUS realizou nossa redenção. O preço pago foi seu
sangue. Levítico 25 fala sobre o parente próximo que comprava seu parente que
estava escravizado. O preço era calculado de acordo com os anos que faltavam
para o dia do Jubileu, quando então estaria livre. Também a bíblia nos revela
que o empregado que amava o dono muitas vezes não queria sair livre e
permanecia escravo. = Assim JESUS nos comprou com seu sangue, mas tem escravo
do pecado que ama tanto seu senhor que não quer ser livre e permanecerá preso,
mesmo tendo sido comprado.
Redenção
é o ato ou efeito de redimir ou remir, que significa libertação, reabilitação,
reparo, salvação. É o ato de adquirir de novo, de resgatar, de tirar do poder
alheio, do cativeiro.
A palavra redenção vem de: Lutron (grego), preço de soltura, resgate,
preço de ... O significado de redenção é libertar pagando um preço
Grego: λυτρωσις [lutrôsis] (Substantivo feminino). De: λυτροω [lutroô].
Redenção, livramento, resgate, libertação mediante o pagamento de uma soma.
λυτρωσις
REDENÇÃO
(Wycliffe)
Livramento de
alguma forma de escravidão com base no pagamento de um preço por um redentor
(q.v.). Redenção é um conceito básico para a visão bíblica da salvação. No AT,
a redenção está integralmente associada à vida familiar, social e nacional de
Israel. Um indivíduo israelita poderia agir como um redentor, pagando um
resgate para a libertação de um escravo (Lv 25.48ss.), para recuperar um campo
(Lv 25.23ss.), ao invés de sacrificar um macho primogênito (Êx 13.12ss.), e em
favor de alguém que de outra forma seria condenado à morte (Êx 21.28 ss.).
Logo no início
do AT, o Senhor DEUS revelou a si mesmo como agindo de forma redentora em favor
do homem. Jacó invocou a DEUS como aquele “que me livrou de todo o mal” (Gn
48.15,16). DEUS declarou sua intenção de livrar Israel da servidão no Egito,
dizendo: *Vos resgatarei com braço estendido” (Êx 6.6). Na maioria dos casos no
AT onde é feita referência à atividade redentora de DEUS, a libertação efetuada
é de natureza física e não espiritual (por exemplo, a libertação de Israel do
Egito e da Babilônia). Mesmo estas libertações, porém, trazem em si um
significado espiritual em que a libertação indicava que DEUS havia perdoado o
pecado ou os pecados que diretamente ou indiretamente ocasionaram a calamidade.
Em pelo menos um caso (Sl 130.8) a redenção referida é claramente de natureza
espiritual, isto é, trata-se de uma redenção do pecado.
No NT, a
redenção é estritamente uma atividade divina que é realizada por JESUS CRISTO e
através dele (Ef 1.7; Gl 3.13; 4,5). Embora a atividade redentora de CRISTO
tenha as suas manifestações físicas (por exemplo, a cura das enfermidades), seu
principal significado é o resgate espiritual dos pecadores que estão
escravizados no pecado (Mc 10.45). A libertação do pecador é assegurada com
base no preço de resgate pago a DEUS PAI por JESUS CRISTO em sua morte na cruz
(Tt 2.14; Hb 9.12; 1 Pe 1,18,19). A perfeição da obra redentora de CRISTO é
claramente declarada no NT (Hb 9.25-28). No entanto, a experiência de redenção
do indivíduo redimido só estará completa na segunda vinda de CRISTO (Lc 21.28;
Rm 8.23; Ef 1.14).
3.
Uma redenção plena.
O PERDÃO AO
NOSSO ALCANCE
O crente não
pode e nem deve pecar, pois não pertence ao reino das trevas e sim da luz, não
é FILHO da ira, mas de DEUS. O crente deve ir até ao sangue para não pecar, mas
se pecar, deve imediatamente pedir perdão a DEUS (se o pecado for oculto) e
pedir perdão à igreja (se o pecado for Publico). Deve o crente acreditar no
perdão de DEUS por causa da intercessão de nosso advogado que é JESUS. Assim
procedendo o pecado não terá domínio sobre nós. A bíblia diz: "Não deis
lugar ao Diabo" e também: "Resisti ao Diabo ele fugirá de vós".
A santidade de DEUS não comunga com o pecado, pelo contrário, o castiga e
exerce juízo sobre ele, decretando a morte ao pecador e morte de cruz.
Quando JESUS
morreu na cruz, estava morrendo nossa morte, em nosso lugar, era uma
substituição, um castigo em nosso lugar.
A ira de DEUS
foi aplacada por esse sacrifício de JESUS, por isso temos paz com DEUS e somos
aceitos por ELE.
A SATISFAÇÃO DA
JUSTIÇA DIVINA
O advogado
defende seu cliente e o livra do juízo, ou do castigo, mesmo que este seja
realmente merecedor desse castigo. Quando o nosso justo Juiz, que é DEUS, nos
julgou, decretou a pena de morte, mas, nosso advogado, mesmo sabendo que
merecíamos esse juízo, decidiu morrer em nosso lugar, levou a nossa pena sobre
ele. Por isso somos declarados justos, santos.
Sendo assim,
JESUS foi a propiciação nossa junto a DEUS, ou seja, nosso substituto na pena
de morte e morte de cruz que DEUS nos condenou devido a nosso pecado.
JESUS não
morreu por alguns poucos privilegiados da predestinação tão discutida e tão
confundida, mas fez um único sacrifício, de uma vez por todas, por todos os
pecados, de todos os seres humanos que já nasceram nessa terra.
LIVRES DO
PECADO
Como temos um dono, que é DEUS, devemos viver para agradar-lhe e não para
agradar-nos a nós mesmos. Agradamos a DEUS vivendo sua Palavra e não apenas a
ensinando ou pregando-a como fazem os hipócritas que não vivem o que pregam,
mas, ao contrário: quando pregam ou ensinam, pregam e ensinam para si mesmos,
pois, vivem em transgressões, em pecados diversos. Guardemos os mandamentos de
DEUS em nosso coração e os coloquemos em prática em nossa vida quotidiana e não
em tábuas ou livros, com a desculpa de que não sabíamos ou com a desculpa de
que somos fracos. Esforça-te e tem bom ânimo, pois o dia do arrebatamento está
mais perto do que imaginamos.
Temos um Advogado, perante o PAI e a sua santa lei. Nosso propósito amoroso
deve ser o de viver para agradá-lo.
Demonstremos a
DEUS o nosso amor, sejamos filhos dignos de elogios do PAI e não de seu juízo.
Porque
verdadeiramente contra o teu santo FILHO JESUS, que tu ungiste, se ajuntaram,
não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; At
4:27
ISSO NOS MOSTRA QUE NÃO SÓ OS JUDEUS CONDENARAM JESUS. GENTIOS TAMBÉM.
Quem condenou JESUS foram os mesmos que o condenariam hoje, ou seja, todos os
povos. ---- Nós todos.
Por isso ELE morreu por todos.
Rm 3.23. Todos pecaram.
2 Co 5.15 ---- E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam
mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.
CONCLUSÃO
O SACRIFÍCIO DE
JESUS - O sacrifício foi completo, único, eterno, suficiente, perfeito. Nas
diversas religiões vemos um outro tipo de sacrifício chamado “meritório”.
Neste, as pessoas procuram se auto justificarem por suas obras ou por
sacrifícios de animais ou de pessoas.
O sacrifício
remidor de JESUS nos purificou por seu sangue vertido na Cruz.
A NOSSA
RECONCILIAÇÃO COM DEUS PAI - O fim da inimizade aconteceu quando JESUS removeu
a barreira, levando sobre Ele mesmo o juízo que nos estava proposto.
A eliminação da
causa da inimizade se deu quando JESUS pegou sobre ele nossos pecados (a causa
da inimizade), ou seja, fez um sacrifício vicário (substituto).
A vivificação é
um processo de vida em abundância que nos é concedida por CRISTO mediante o
ESPÍRITO SANTO que daí para frente nos guiará em santidade.
A REDENÇÃO
ETERNA - O estado perdido do pecador é deplorável. FILHO da ira. Condenado ao
lago de fogo e enxofre. Sem promessas de liberdade.
A redenção do
pecador se deu quando CRISTO nos comprou com seu sangue.
Uma redenção
plena deu início quando JESUS nos comprou, mas só terá seu ápice quando formos
arrebatados para estarmos para sempre com Ele na glória, na Nova Jerusalém, em
corpos transformados.
Soteriologia
a Doutrina da Salvação (Teologia Sistemática Pentecostal)
Soteriologia
— A Doutrina da Salvação - Antonio Gilberto
Em Tito 3.5,
está escrito: “segundo a sua misericórdia nos salvou”. O verbo está no
pretérito: “nos salvou”. Isso nos leva a refletir sobre a certeza dessa
gloriosa salvação em CRISTO JESUS. Somos salvos mesmo? Temos visto casos de
crentes antigos que descobrem, para a surpresa de muitos, que ainda não eram
salvos segundo o evangelho!
Por que as
igrejas de Éfeso e Corinto eram tão diferentes? Aos coríntios disse Paulo,
inspirado pelo ESPÍRITO SANTO: “Vigiai justamente e não pequeis; porque alguns
ainda não têm o conhecimento de DEUS; digo-o para vergonha vossa” (1 Co 15.34).
Apenas fazer parte de uma congregação formada por salvos não significa ser
salvo!
A salvação não
é coletiva, e sim individual. Vemos que, no passado, entre o povo de DEUS viveu
um povo denominado o “vulgo” (Nm 11.4; Ex 12.38). Esse “vulgo” não era
convertido e tornou-se em Israel uma perturbação, uma fonte de fraquezas, de
desobediência, de rebeldia e de pecado. Em Lucas 15.8 JESUS contou uma parábola
acerca de uma moeda perdida dentro de casa. E no livro de Ezequiel menciona-se
uma ovelha “perdida” dentro do rebanho (34.4b). O leitor tem plena convicção da
parte de DEUS de que está salvo mesmo} Por CRISTO, segundo “o evangelho da
vossa salvação”? (Ef 1.3; Rm 1.16,17; Tt 3.5).
Em Lucas 9.23,
JESUS disse: “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si
mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me”. Observe a parte final do
versículo: “e siga-me”. O que significa isso? É perseverar em seguir ao Senhor
JESUS; é persistir em seguir os passos dEle. Enfim, implica ser um dos seus
discípulos. Na aludida referência, JESUS não falou primeiramente de “vir a
mim”, mas “vir após mim”.
O que é ser um
discípulo dEle segundo o evangelho? Consideremos o texto de Lucas 14.26,27,33:
Se alguém vier
a mim e não aborrecer a seu PAI, e mãe, e mulher; e filhos, e irmãos, e irmãs,
e ainda também a sua própria vida, não pode ser meu discípulo.
E qualquer que
não levar a sua cruz e não vier após mim não pode ser meu discípulo. Assim,
pois, qualquer de vós que não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu
discípulo.
Como vemos no
texto acima, o Senhor JESUS aplica um tríplice teste pelo qual se confirma um
verdadeiro discípulo. Por três vezes, o Mestre disse: “não pode ser meu
discípulo”. Somos — eu e o leitor — de fato discípulos de JESUS, ou apenas
pensamos que o somos?
O QUE É
SALVAÇÃO
O que é a
salvação em CRISTO? A palavra “salvação” é de profundo significado e de
infinito alcance. Muitos têm uma concepção muito pobre da inefável salvação
consumada por JESUS, o que às vezes reflete numa vida espiritual descuidada e
negligente, em que falta aquele amor ardente e total por JESUS e a busca
constante de sua comunhão.
Salvação é uma
milagrosa transformação espiritual, operada na alma e na vida — no caráter — de
toda a pessoa que, pela fé, recebe JESUS CRISTO como seu único Salvador pessoal
(Ef 2.8,9; 2 Co 5.17; Jo 1.12; 3.5). Observe as afirmações bíblicas “é nova criatura”
(conversão) e “tudo se fez novo” (nova vida, novo e íntegro caráter).
Não se trata
apenas de livramento da condenação do inferno; a salvação abarca todos os atos
e processos redentores, bem como transformadores da parte de DEUS para com o
ser humano e o mundo (isto é, a criação), através de JESUS CRISTO, nesta vida e
na outra (Rm 13.11 I; Hb 7.25; 2 Co 3.18; Ef 3.19).
Pessoalmente —
isto é, em relação à pessoa —, a salvação que CRISTO realiza abrange: a
regeneração espiritual do crente, aqui e agora (Tt 3.5; 2 Co 3.18); a redenção
do corpo do crente, no futuro (Rm 8.23; 1 Co 15.44); e a glorificação integral
do crente, também no futuro (Cl 3.4; Ef 5.27).
Como receber a
salvação. Há três passos necessários para um pecador receber a gloriosa
salvação em CRISTO. Primeiro, reconhecer mediante o evangelho que é pecador (Rm
3.23). Segundo, confiar em JESUS como o seu Salvador (Ato 16.31). Terceiro,
confessar que o Senhor JESUS é o seu Salvador pessoal, “Visto que... com a boca
se faz confissão para a salvação” (Rm 10.10).
A obediência
honesta do pecador movido por DEUS a esses três passos resultará na sua
salvação, operando o ESPÍRITO SANTO e a Palavra. Isso não falha; não se trata
de uma mera teoria; é a verdade de DEUS sobre a salvação do pecador, revelada
aos homens segundo a infalível Palavra de DEUS e o testemunho da infinitude de
salvos em CRISTO por toda parte.
Pleno conceito
e convicção de salvação. Vemos em Hebreus 2.3 uma cristalina verdade sobre a
salvação: “... uma tão grande salvação”. O que denota esta expressão? Ela diz
respeito às riquezas imensuráveis da salvação; às bênçãos subseqüentes a ela; à
eternidade infinita dela; ao seu alcance imensurável; e à sua sublimidade.
Se todos os
crentes tivessem uma plena visão da salvação; se pudessem ver plenamente ao
longe a tão grande salvação que receberam, com certeza teriam atitudes
diferentes no seu dia a dia. Teríamos tanto regozijo, tanta motivação, tanto
entusiasmo, tanta convicção, tanto anseio e enlevo pelo céu, que não haveria na
Terra um só salvo descontente, descuidado, negligente e embaraçado com as
coisas desta vida e deste mundo!
Ademais,
teríamos uma tão profunda compreensão do que é o céu — e, por isso, teríamos
tanto desejo de ir para lá—, que o Diabo não teria na igreja um só fã, um só
admirador de suas coisas, um só aliado. Mas, há crentes que admiram e gostam
das coisas do Maligno e se aliam a ele. Por mais que não admitam, pelo fato de
não atentarem para a “tão grande salvação”, tornam-se vulneráveis às investidas
do Tentador.
Visão atrofiada
da salvação. Inúmeros crentes, por terem uma visão atrofiada da salvação em
CRISTO, levam uma vida comprometida com o mundo, descuidada, negligente, sem
amor, sem dedicação, sem ideal, sem uma busca constante da face do Senhor.
Quais devem ser os passos normais de uma vida salva:
Regeneração
espiritual;
Plenitude do
ESPÍRITO SANTO;
Maturidade
espiritual;
Dedicação ao
Senhor no seu trabalho.
Necessidade e
importância do estudo da Soteriologia. A experiência da salvação deve ser
seguida de um maior conhecimento da salvação (1 Tm 2.4b). Isso constitui o
alicerce da vida cristã. A Palavra de DEUS, em Hebreus 5.12-14, enfatiza a
importância de buscarmos esse maior conhecimento da salvação:
Porque, devendo
já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar
quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de DEUS; e vos haveis feito
tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento. Porque qualquer que
ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque
é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do
costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.
Bênçãos
gloriosas decorrem da salvação, e fazem parte dela. E primeiramente porque
somos salvos que experimentamos o batismo com o ESPÍRITO SANTO, os dons
espirituais, o amadurecimento na fé, a chamada para o ministério evangélico
etc.
Muitos crentes
— e até obreiros! —, em vez de sempre priorizaram o estudo da Escatologia (uma
doutrina importante, é verdade, inclusive parte integrante deste tratado
teológico), deveriam primeiro estudar Soteriologia, isto é, as doutrinas da
nossa gloriosa salvação em CRISTO.
Há várias
passagens das Santas Escrituras que mostram o quanto é importante na vida
cristã e na obra do Senhor em geral, inclusive na evangelização, o conhecimento
genuinamente bíblico da salvação. Em Efésios 6.17 mencionam-se de início o
capacete da salvação e a espada do ESPÍRITO.
Quando o
apóstolo discorreu sobre a armadura do cristão, e mencionou o capacete — o qual
cobria totalmente a cabeça, protegendo-a — enfatizou a plenitude do
conhecimento e da experiência da salvação. Assim como o capacete protegia (e
protege) a cabeça, o conhecimento bíblico da salvação em nossa mente é qual
capacete espiritual, como forma de proteção da nossa salvação, das investidas
mentais de Satanás, dos seus emissários, dos falsos mestres, da mídia
corrompida, da literatura nociva etc.
Em Lucas 1.77
está escrito: “para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos
seus pecados”. Observe que, aqui, a ênfase recaí primeiramente no “conhecimento
da salvação”, e não no “sentimento da salvação”. É, pois, uma necessidade
conhecer e prosseguir em conhecer a salvação.
A Epístola de
João trata desse assunto — a sua mensagem aos salvos é: “sabemos”,
“conhecemos”. Em Salmos 46.10 e 100.3, está escrito: “Sabei”, e não “Senti”. E
Jó, em meio a muitas lutas, bradou: “Eu sei que o meu Redentor vive” (Jó
19.25). Quando compararmos Hebreus 8.10 com 10.16, vemos que essas passagens
mostram que a lei divina deve estar primeiro na mente do crente e depois no seu
coração:
Porque este é o
concerto que, depois daqueles dias, farei com a casa de Israel, diz o Senhor:
porei as minhas leis no seu entendimento e em seu coração as escreverei; e eu
lhes serei por DEUS, e eles me serão por povo. Este é o concerto que farei com
eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seu coração e
as escreverei em seus entendimentos...
Em Apocalipse
12.3, o Diabo é simbolizado no dragão com sete cabeças — o que indica plenitude
de astúcia, engano, cilada, maquinações. Isso denota que o príncipe das trevas
sempre investirá contra a nossa mente, como mencionamos acima, procurando
incutir nela dúvidas quanto à gloriosa salvação.
Ao tentar JESUS
no deserto, o Diabo procurou lançar dúvidas na sua mente: “Se tu és o FILHO de
DEUS” (Mt 4.3,6). Por que o Inimigo não logrou êxito? Porque o FILHO de DEUS
tinha as leis de DEUS na mente e no coração, o que ficou evidente em suas três
citações das Escrituras, todas antecedidas da expressão “Está escrito”
(vv.4,7,I0).
O valor da sã
doutrina. Neste estudo sobre a Soteriologia devemos ter em mente que estamos
tomando como base a sã doutrina (Tt 2.1). É da palavra “sã” (gr. hygiaino) que
vem o tão empregado termo “higiene”, o qual denota higidez, saúde. A doutrina
(ou a soma das doutrinas) quanto à salvação deve ser, portanto, isenta de
falsificação e contaminação.
Nesses últimos
dias, seitas e doutrinas falsas vêm contaminando as doutrinas bíblicas da
salvação em CRISTO. Falsos mestres, falsificadores da Palavra de DEUS, têm
ingressado nas igrejas, inclusive doutores (2Tm 4.3; 3.1-5; 2 Pe 2.1), torcendo
as Escrituras. E, quanto à Soteriologia, isso ocorre principalmente quanto à
eleição do povo de DEUS, a predestinação e o livre-arbítrio, como veremos mais
adiante.
Em que consiste
a salvação. É importante, antes de avançarmos, respondermos a algumas
perguntas. Em que consiste a salvação para o caro leitor? No seu passado na fé?
Ou seja, apenas livramento da condenação do pecado? No seu presente na fé? Quer
dizer, apenas livramento do poder do pecado? Ou no seu futuro na fé? Isto é,
apenas livramento da presença do pecado?
Na verdade, a
salvação consiste na resposta afirmativa a todas as três perguntas mencionadas.
A nossa “grande salvação” em CRISTO nos livra: da condenação, que outrora era
uma realidade; do poder do pecado, pois hoje ele não tem domínio sobre nós, se
é que não “andamos segundo a carne, mas segundo o espírito” (Rm 8.1b); e da
presença do pecado, haja vista a nossa glorificação futura.
O que não é
salvação. É importante, ainda nessa introdução à Soteriologia, apresentar
algumas definições do que não é a salvação em CRISTO:
Apenas ter uma
religião com o nome de cristã. O que dizer dos seguidores do mormonismo, cujo
nome da igreja é JESUS CRISTO dos Santos dos Últimos Dias. São eles salvos por
seguirem a uma religião “cristã”?
Apenas frequentar
ou tornar-se membro de uma igreja local. Uma coisa é pertencer a uma igreja, e
outra é pertencer à Igreja.
Apenas ter e
ler a Bíblia. Isso os católicos romanos fazem!
Apenas
professar um credo religioso. Ser salvo é muito mais que adotar, seguir,
abraçar dogmas.
Apenas praticar
a “regra áurea” de Mateus 7.12. Boas obras não salvam ninguém (Ef 2.8,9).
Apenas aspergir
um infante com “água benta”. Afinal, dependendo da idade da criança, sequer tem
a capacidade de crer para a salvação (Mc 16.16a;
Rm 10.9).
Apenas batizar
um adulto ou uma criança. Batismo não salva, mas destina- se a quem já é salvo
(Mc 16.16b).
Apenas
“confirmar” um adepto da sua confissão religiosa.
Apenas
participar da Ceia do Senhor, ou da Eucaristia.
Apenas ter um
irrepreensível código de conduta, bom testemunho, porte.
Apenas praticar
sempre boas obras.
O que é
salvação. E tudo o que JESUS realizou e ensinou para levar uma raça pecadora à
comunhão com um DEUS santo. Trata-se da redenção do ser humano do poder do
pecado (1 Pe 1.18,19). Ê, ainda, a libertação do cativeiro espiritual (Rm 8.2).
E a saída do pecador dentre o poder das trevas do pecado (Cl 1.13). E,
finalmente, é o retorno do exílio espiritual do pecador para DEUS (Ef 2.13).
Isso é salvação em resumo.
Como se vê, o
homem não pode efetuar a sua salvação, nem ao menos ajudar nisso (Ef 2.8,9; Tt
2.11; Jn 2.9b). Daí ter dito o salmista: “A salvação vem do Senhor; sobre
o teu povo seja a tua bênção” (SI 3.8). A salvação é pela graça de DEUS, e não
por nosso esforço próprio, conquanto os salvos sejam chamados para a prática
das boas obras (Ef 2.10).
A salvação é
chamada de novo nascimento (Jo 3.5) e de ressurreição (Cl 3.1), Não obstante o
pecador venha a desejar a “tão grande salvação”, é JESUS CRISTO quem o
ressuscita dentre os mortos no pecado e o faz nascer de novo.
Afinal, um bebê
nada pode fazer para nascer, assim como um morto nada pode fazer para
ressuscitar — toda ajuda tem de vir de fora.
Introdução à
Soteriologia
Soteriologia é
em suma o conjunto de doutrinas da salvação. Há pelo menos umas vinte doutrinas
relacionadas com a nossa gloriosa salvação em CRISTO. Discorremos de modo
resumido sobre as doutrinas da salvação, a saber:
A doutrina do
pecado (Rm 3.23; 5.12,20), pois o pecado é a causa da perdição da humanidade.
A doutrina da
graça de DEUS (Tt 2.11; 3.4), haja vista ser a graça a salvação quanto ao seu
alcance.
A doutrina da
expiação pelo sangue (Lv I7.I I), uma vez que a expiação implica a salvação
quanto ao pecado.
A doutrina da
redenção (Ef 1.7), que trata da salvação quanto a libertação e resgate do
pecador.
A doutrina da
propiciação (Ex 32.30), que enfatiza a salvação como um ato benevolente de
DEUS.
A doutrina da
fé salvífica (Ef 2.8), que trata do meio requerido por DEUS, da parte do
pecador para a sua salvação.
A doutrina do
arrependimento (Mc 1.14,15), que está intimamente ligada à doutrina da fé
salvífica.
A doutrina da
confissão dos pecados (Rm 10.9,10).
A doutrina do
perdão dos pecados (Cl 3.13).
A doutrina da
regeneração espiritual (1 Pe 1.3;Tt 3.5), que trata do que ocorre no íntimo do
pecador ao receber de DEUS a salvação.
A doutrina da
imputação da justiça de DEUS ao crente (Gn 15.6; Rm 4.2-11; 5.13; 2 Co 5.19; Fm
v.I8;Tg 2.23).
A doutrina da
adoção de filhos (Gl 4.5,6).
A doutrina da
santificação do crente (1 Co 6.11; 2 Co 7.1), isto é, a santificação
posicionai, “em CRISTO”, e também a progressiva, no tempo presente.
A doutrina da
presciência de DEUS (1 Pe 1.2).
A doutrina da
eleição divina (1 Pe 1.2).
A doutrina da
predestinação dos salvos (Rm 8.29).
A doutrina da
chamada para a salvação (Rm 8.30).
A doutrina da
justificação somente pela fé em CRISTO (Rm 8.30), haja vista ser a justificação
a nossa salvação ante a presença de DEUS.
A doutrina do
julgamento do crente (2 Co 5.10; Rm 14.10). E uma doutrina relacionada à
Escatologia.
As doutrinas da
glorificação dos salvos (Rm 8.30) e da salvação, nas eras divinas futuras (Ef
2.7; 1 Tm 1.17; Jo 1.29).
A SALVAÇÃO NO
SENTIDO FACTUAL OBJETIVO
A salvação é um
fato em si, isto é, no sentido objetivo. Ela tem um lado objetivo (o lado
divino), e um, subjetivo (o humano). O primeiro refere-se a DEUS como o Doador
da salvação; e o segundo refere-se ao homem como o recebedor.
No sentido
objetivo, a salvação tem três aspectos, todos simultâneos: a justificação, que
nos declara justos (esse aspecto tem a ver com a nossa posição diante de DEUS:
“em CRISTO”); a regeneração, que nos declara filhos (tem a ver com a nossa
condição espiritual, interior); a santificação, que nos declara santos,
mediante a nossa fé no sangue derramado de JESUS.
A salvação no
seu sentido objetivo, diante de DEUS, não tem tempos, mas aspectos ou lados. Ao
mesmo tempo em que uma pessoa é pela fé em CRISTO justificada, é também
regenerada e santificada.
Justificação. E a mudança de posição externa e legal do pecador diante de DEUS:
de condenado para justificado. Pela justificação passamos a pertencer aos
justos. Justificação é o tempo passado da nossa salvação, mas sempre presente
em nossa vida espiritual (1 Co 6.11; Rm 8.30,33b; 5.1; 3.24; Gl 2.16).
Regeneração. E
a mudança de condição do pecador: de servo do pecado para FILHO de DEUS. A
regeneração é tão séria diante de DEUS, que a Bíblia a chama de “batismo em
JESUS” (1 Co 12.13; Gl 3.27; Rm 6.3). Trata-se de um ato interior, dentro do
indivíduo, abrangendo também todo o seu ser. E um termo ligado a família,
filhos: “gerar”; é o novo nascimento (Jo 3.5). Mediante a regeneração somos
chamados “filhos de DEUS” (cf. Gn 2.7; Jo 20.22; 15.5).
Santificação. E
a mudança de caráter (mudança subjetiva); e a mudança de serviço (mudança
objetiva), “em CRISTO” (posicionai), como lemos em João 15.4 ;17.26.
A SALVAÇÃO NO
SENTIDO EXPERIMENTAL SUBJETIVO
Na experiência
humana, a salvação é subjetiva. A salvação experimental tem três tempos (não
aspectos): passado, presente e futuro.
No passado.
Justificação; é o que DEUS fez por nós. E a salvação da pena do pecado. Ela é
referida na Bíblia como ocorrida no passado da vida cristã.
... haveis sido
justificados em nome do Senhor JESUS e pelo ESPÍRITO do nosso DEUS (1 Co 6. Z
l).
E aos que
predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também
justificou... Quem intentará acusação contra os escolhidos de DEUS, quem os
justifica é DEUS(Rm 8.30,33).
Sendo, pois,
justificados pela fé, temos paz com DEUS por nosso Senhor JESUS CRISTO (Rm
5.1).
Porque todos
pecaram e destituídos estão da glória de DEUS, sendo justificados gratuitamente
pela sua graça, pela redenção que há em CRISTO JESUS (Rm 3.23,24).
Sabendo que o
homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em JESUS CRISTO, temos
também crido em JESUS CRISTO, para sermos justificados pela fé de CRISTO e não
pelas obras da lei, porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada
(Gl 2.16).
No presente.
Santificação em conduta, diante do mundo. Ê a salvação do poder do pecado. E
aquilo que DEUS faz em nós agora. Uma frutinha pode ser perfeita, e não ser
madura.
Ora, amados,
pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda imundícia da carne e do
espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de DEUS (2 Co 7.1).
E o mesmo DEUS
de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam
plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor JESUS
CRISTO (l Es 5.23).
Aquele que diz
que está nele também deve andar como ele andou (l Jo 2.6).
.. . operai a
vossa salvação com temor e tremor (Fp 2.12).
No futuro.
Glorificação; é o que DEUS fará conosco na glória celestial (1 Pe 1.5). Será a
salvação da presença do pecado. Trata-se da nossa inteira “conformação” com
JESUS CRISTO.
Amados, agora
somos filhos de DEUS, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos
que, quando ele se manifestar; seremos semelhantes a ele; porque assim como é o
veremos (1 Jo 3.2).
... nós mesmos,
que temos as primícias do ESPÍRITO, também gememos em nós mesmos, esperando a
adoção, a saber; a redenção do nosso corpo (Rm 8.23).
E isto digo,
conhecendo o tempo, que é já hora de despertarmos do sono; porque a nossa
salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé (Rm
13.11).
E, como aos
homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo,
assim também
CRISTO, oferecendo-se uma vez; para tirar os pecados de muitos, aparecerá
segunda vez; sem pecado•, aos que o esperam para a salvação (Hb 9.27,28).
Evidências da
salvação experimental. São os testemunhos do ESPÍRITO em nosso interior (Rm
8.16); da Palavra de DEUS (Ato 16.31); da nossa consciência (I Jo 3.19); da
transformação da nossa vida (2 Co 5.17); dos frutos produzidos (Mt 5.8;
7.16-20); da aversão ao pecado (I Jo 3.9); do cumprimento da doutrina (2 Jo
v.9); do amor (e comunhão) fraternal (Jo 13.35); e da vitória sobre o mundo (I
Jo 4.5).
A DOUTRINA DO
PECADO
Embora haja
nesta obra — no capítulo anterior — um estudo específico sobre a doutrina do
pecado, realçaremos aqui alguns aspectos dessa doutrina, com o objetivo de
estabelecer um elo entre Hamartiologia e Soteriologia, haja vista ser
incoerente estudar esta sem aquela.
O estudo do
pecado deve preceder ao da graça salvadora de DEUS (cf. I Jo 8; 2.2). A
Epístola aos Romanos enfatiza que uma das principais finalidades da Lei é expor
a hediondez do pecado (7.8,13b), porque é depois de tomarmos conhecimento disso
que passamos a valorizar a graça de DEUS em toda a sua extensão: “Veio, porém,
a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a
graça” (5.20).
Introdução à
doutrina do pecado. O veredicto divino é claro: “Todos pecaram” (Rm 3.23). A
Palavra de DEUS diz: “Não há um justo, nem um sequer” (Rm 3:10; “... não há
homem que não peque” (I Rs 8.46).
Todos os seres
humanos foram nivelados à condição de pecadores, segundo a reta justiça do
Senhor: “A Escritura encerrou tudo debaixo do pecado” (GI 3.22). E ainda: “DEUS
encerrou a todos debaixo da desobediência” (Rm 11.32). Mas, antes de atingir a
todos os homens, mediante a desobediência de Adão, o pecado teve origem no
mundo espiritual, na corte angelical (Is 14.12-17; Ez 28.15).
No ser humano,
o pecado, sediado na alma, domina a sua vontade e tem como instrumento orgânico
o corpo humano. O homem não é pecador primeiramente porque peca, mas peca
porque é pecador. Ou seja, cada indivíduo é um pecador por natureza. Por isso,
em Israel, quando uma mulher dava à luz, tinha de apresentar a DEUS uma oferta
pelo pecado (Lv 12.6; Lc 2.24).
Pelo que, como
por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a
morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram (Rm 5.12).
Definição do
pecado. Pecado é a causa da perdição do homem. Uma das palavras que significa
“pecado” (gr. hamartia) denota tudo aquilo que não se conforma com a lei
divina; não se alinha com ela (Rm 5.20; I Jo 3.4a; 5.17b).
As Escrituras
citam 372 formas de pecado, e há centenas de outras não mencionadas na Bíblia.
Na relação das obras da carne, lemos, no fim dela: “e coisas semelhantes a
estas, acerca das quais eu vos declaro (...) que os que cometem tais coisas não
herdarão o Reino de DEUS” (Gl 5.21).
Nas diversas
admoestações bíblicas preventivas quanto ao pecado, existem várias outras
modalidades implícitas de pecado, caso essas advertências forem descumpridas. Ê
importante, aqui, termos em mente a definição de alguns dos termos originais
para pecado, haja vista cada qual descrever um tenebroso aspecto da sua
malignidade.
A palavra
“transgressão” (hb. pesha' e gr. bamartema) denota quebra das leis divinas;
significa transpor a fronteira da lei, do bem, da ordem, da decência: “O que
encobre as suas transgressões nunca prosperará...” (Pv 28.13).
Outro termo
para pecado é “iniqüidade”, isto é, fora do prumo; fora de nível; do lado de
fora; erro; afastar-se do certo; errar o alvo — hb. hatta’t (Ez 18.20). O termo
iniqüidade refere-se principalmente ao pecado do crente. No Novo Testamento, a
palavra correspondente é hamartano (Rm 3.23). Neste versículo, “pecaram” é
literalmente “erraram o alvo”. E este erro pode ser moral (2 Pe 2.18) ou na
doutrina (I Jo 4.6b). Doutrina e moral devem andar juntas!
Já o vocábulo
“pecado”, conforme se registra em Romanos 5.12 ("por um homem entrou o
pecado [errar o alvo] no mundo”), diz respeito ao desvio do alvo por DEUS
traçado, previsto, determinado, que é a glorificação dEle. O pecado, pois, é um
alvo que o ser humano acerta ao desviar-se do propósito verdadeiro, que é a
glória de DEUS (Rm 3.23).
O homem foi
criado por DEUS para viver na esfera divina, porém, ao pecar, sua natureza foi
mudada, e a sua inclinação natural é somente para pecar, mesmo que não pareça
assim. Pecar, por conseguinte, é o ser humano desviar-se de sua finalidade
moral, que é exaltar a DEUS, e somente a Ele.
Outros quatro
termos, quanto aos principais significados de “pecado”, na Bíblia, são:
“desobediência”, rebeldia, má vontade para com DEUS e a sua lei;
“incredulidade”, falta de confiança em DEUS e de dependência dEle;
“ilegalidade”, subversão, oposição à lei e à ordem divinas; e “erro”,
afastamento das normas divinas estabelecidas.
A lei divina da
reprodução segundo a sua espécie. Em Gênesis, vemos essa lei em evidência nos
vegetais (1.11,12), nos animais (1.24,25) e no ser humano, após
o pecado (5.3).
O homem fora criado segundo a imagem de DEUS (1.26), e não segundo a sua
própria espécie!
Portanto, já
nascemos espiritualmente contaminados (Rm 5.12), como disse o salmista: “Eis
que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu a minha mãe” (Sm 51.5).
O homem tem dentro de si uma natureza pecaminosa. Por isso, todos nós
precisamos ser participantes da natureza divina, mediante a conversão (2 Pe
1.4).
Porque aqueles
[nossos pais segundo a carne], na verdade, por um pouco tempo, nos corrigiam
como bem lhes parecia; mas este [DEUS PAI], para nosso proveito, para sermos
participantes da sua santidade (Hb 12.10).
O “homem natural
“e o pecado. A Palavra de DEUS usa a expressão “homem natural” (1 Co 2.14),
numa referência clara ao estado do homem ainda não alcançado pela graça de
DEUS. Ele está sob o pecado, espiritualmente morto, sob condenação e perdido.
Não há um
justo. Como vimos, o veredicto de DEUS é claro: “Não há um justo; nem um
sequer”. E importante que o estudioso do assunto leia todo o capítulo de
Romanos 9, principalmente os versículos 9-26, que tratam especificamente dessa
verdade, de que não há um justo sequer. Todos os homens já nascem pecadores.
Para que o
homem fosse justo — por conta própria — diante de DEUS, seria preciso que nunca
praticasse o mal e jamais quebrasse a lei divina. Além disso, seria preciso que
sempre fizesse o bem, como está escrito em Eclesiastes 7.20: “Que faça bem, e
nunca peque”. Há pessoas que relativamente não pecam tanto, porém não estão
sempre praticando o bem.
A principal
definição divina para o pecado. E a que está contida em passagens como João 3.4
e 5.17. O termo hamartema denota errar o alvo, desviar-se do caminho, perder-se
(I Jo 3.4a; 5.17b). Já a palavra anomia, contida em 3.4b, implica transgressão,
desordem, rebeldia, subversão. Outro termo que aparece nessas passagens é
adikia (5.17a), cuja significação é injustiça.
Em Salmos 41.4,
o pecado é definido como uma doença espiritual que faz enfermar a alma: “...
sara a minha alma, porque pequei contra ti”. Em 1 Pedro 2.24, na expressão
“fostes sarados”, o sentido é o mesmo, à luz do contexto. Essa denotação também
pode ser encontrada em outros textos:
E morador
nenhum dirá: Enfermo estou; porque o povo que habitar nela será absolvido da
sua iniqüidade (Is 33.24).
Porque serieis
ainda castigados, se vos rebelaríeis? E toda a cabeça está enferma, e todo o
coração, fraco. Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão
feridas, e inchaços, e chagas podres, não espremidas, nem ligadas, nem nenhuma
delas amolecida com óleo (Is 1.5,6).
Porque males
sem número me têm rodeado; as minhas iniquidades me prenderam, de modo que não
posso olhar para cima; são mais numerosos do que os cabelos da minha cabeça,
pelo que desfalece o meu coração (Sl 40.12).
E JESUS lhe
disse: Vê; a tua fé te salvou (Lc 18.42).
A tradução
literal da passagem acima é: “Vê; a tua fé te curou”. O termo grego aqui é
sozo, “curar”, “salvar”, “livrar” (cf. Lc 7.50; Mt 9.22).
A origem do
pecado. A Palavra de DEUS apresenta, em Ezequiel28.I5,I6, a origem do pecado:
“Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se
achou iniqüidade em ti. Na multiplicação do teu comércio, se encheu o teu
interior de violência, e pecaste; pelo que te lançarei, profanado, fora do
monte de DEUS e te farei perecer, ó querubim protetor, entre pedras
afogueadas”. Esta descrição, ainda que de modo conotativo, relaciona-se a
Satanás e sua rebelião contra DEUS.
O pecado é
universal. Em Romanos 3.23, vemos outro aspecto do pecado, a sua
universalidade: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de DEUS”.
Aqui e em outras passagens correlatas fica evidente que toda a humanidade, sem
exceção, foi atingida pelo pecado.
A realidade do
pecado. Ainda que muitos procurem ignorar a existência do pecado, temos de
considerar os esmagadores testemunhos da realidade do pecado> na Bíblia (Hb
12.1; Sl 51.5), na História, na consciência, no dia a dia. Perguntemos a Adão
após a sua queda, a Davi, a JESUS. Todos confirmarão que o pecado é uma
realidade.
Evidências da
realidade do pecado. Elas são tão contundentes que é um absurdo negá-lo; é
idiotice; é insanidade. Algumas dessas evidências são: cada hospital; cada casa
funerária; cada cemitério; cada fechadura de porta; cada caixa forte de banco;
cada alarme contra ladrão; cada policial, guarda, soldado; cada tribunal; cada
prisão; cada dor, doença, deficiência, morte, tristeza, pranto, guerra.
O pecado e sua
raiz. A Palavra de DEUS menciona a raiz da incredulidade como a geratriz do
pecado (Jo 16.9; Hb 3.12) e também a do egoísmo, isto é, do culto ao “eu”, da
personalidade (Ez 28.7; Is 14.13,14; Rm 1.25). O egoísmo é uma forma de
rebeldia à vontade e à lei de DEUS; existe também o egotismo, endeusamento do
homem por ele mesmo.
O pecado como
ato. Olhemos, agora, à luz da Palavra de DEUS, para o interior do pecado, a fim
de conhecermos detalhadamente os seus aspectos. E importante, aqui,
distinguirmos entre ato e estado pecaminosos. A Bíblia apresenta o pecado como
um ato nosso, perpetrado por natureza e escolha deliberada:
Mas cada um é
tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.
Depois, havendo
a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado,
gera a morte (Tg 1.14,15).
Segundo a
Bíblia, o pecador não sabe escolher o bem; ele sempre opta pelo mal. O FILHO
pródigo não soube escolher o bem; preferiu o pior (Lc 15.11-18). O pecado como
um ato praticado é, pois, um efeito, e não uma causa; a causa é o pecado
congênito em nossa natureza decaída.
O crente carnal
também não sabe escolher o bem. Ló, por si mesmo, optou pelo pior, para ele e
sua família (Gn 13.11,12). Esaú, de igual modo, vendeu a sua primogenitura por
um simples prato de lentilhas (Gn 25.29-34). E Marta não soube escolher o
melhor, como sua irmã, que representa um crente consagrado (Lc 10.41,42).
O pecado como
estado. Em Romanos 6.6, está escrito: “... o nosso velho homem foi com ele
[CRISTO] crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que
não sirvamos mais ao pecado” — a expressão “corpo do pecado” é uma referência
ao corpo como instrumento do pecado; não é a Bíblia querendo dizer que o pecado
possui corpo tangível.
O pecado como
um estado indica que todos os homens estão propensos a pecar. É caracterizado
pelo princípio da rebelião contra DEUS; trata-se de um poder maléfico; é um
princípio gerador do mal. Ou seja, é primeiramente uma causa, e consequentemente
um efeito.
Como causa, o
pecado é parte integrante da nossa natureza herdada de Adão. Em resumo, o homem
não é culpado apenas pelos pecados cometidos; ele tem dentro de si uma natureza
pecaminosa que em si já é pecado.
A natureza do
pecado. Há o pecado praticado, isto é, cometido, que aparece na Bíblia no
plural (I Jo 1.9). Para este tipo de pecado há perdão de DEUS, como vemos no
“sacrifício pela culpa” (Lv 5.14-19). Mas há também o pecado congênito,
mencionado no singular (I Jo 1.7; SI 51.5; Rm 7.18,23). No caso deste tipo de
pecado, só há purificação no sangue de JESUS. Vemos isso tipificado no
“sacrifício pelo pecado” (Lv 4.1-12).
O pecado e sua
prática. Quanto à prática, há o pecado de comissão, que é fazer ou praticar a
coisa errada (Tg I.I5); e o de omissão, que significa deixar de fazer a coisa
certa, justa. Assim, pecado não é somente praticar o mal; deixar de fazer o que
é certo é também pecado.
Aquele, pois,
que sabe jazer o bem e não o faz comete pecado (Tg 4.11).
E, quanto a
mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós;
antes, vos ensinarei o caminho bom e direito (l Sm 12.23).
Mas, ainda
quanto ao pecado por omissão, a Palavra de DEUS menciona vários exemplos, como
o caso do servo inútil, condenado porque não fez nada, apesar de ter recebido
bens de seu senhor para cuidar (Mt 25.24-30). Outro exemplo de omissão vemos na
parábola das dez virgens. As loucas não se prepararam (Mt 25.3). Temos outro
exemplo no julgamento das nações: as omissas para com Israel serão punidas (Mt
25.42-45).
Em Números
32.23a, está escrito: “e, se não fizerdes assim, eis que pecastes contra o Senhor”.
Deixar de cumprir a lei de DEUS é tanto pecado quanto transgredi-la (cf. Jz
5.23). A Palavra de DEUS diz que os ímpios serão lançados no inferno por
omissão: “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as nações que se esquecem
de DEUS” (Sm 9.17).
Outrossim, todo
pecado, seja ele qual for, é praticado primeiramente contra DEUS. Davi, além de
pecar contra Bateseba, Urias e si mesmo, pecou primeiramente contra DEUS, o
Legislador: “Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que a teus olhos é
mal...” (Sm 51.4). O pródigo pecou contra si mesmo e contra a sua família, mas
primeiramente contra o seu PAI, que na parábola aponta para DEUS (Lc 15.21).
A origem do
pecado dentro do homem. Na Palavra de DEUS mencionam-se o pecado da carne (2 Co
7.1) e o do espírito (2 Co 7.1; Sm 66.18). Muitos acham que pecado mesmo é o do
assassino, do bandido, do ladrão, do viciado, do imoral, do fornicário, do
adúltero, da prostituta; pensam que é o engano, o calote, o furto, o mundanismo
e outros pecados predominantemente da carne.
Entretanto, os
pecados do espírito são às vezes piores que os pecados da carne acima
mencionados. Davi cometeu pecados da carne terríveis, a ponto de dizer, ao ser
repreendido pelo Senhor: “Pequei contra o Senhor” (2 Sm 12.13; Sm 51).
Mas o pecado do espírito que ele cometeu foi pior, levando-o a confessar:
“Gravemente pequei” (I Cr 21.8). “Toda iniqüidade é pecado” (I Jo 5.17).
Os fariseus do
tempo em que JESUS andou na Terra acusavam pessoas que cometiam pecados da
carne, como a mulher adúltera que JESUS perdoou, dizendo-lhe: “vai-te e não
peques mais” (Jo 8.I-I I). Contudo, os mesmos fariseus cometiam grandes pecados
do espírito (Mt 23).
Vejamos alguns
exemplos de pecados do espírito: orgulho, soberba, vangloria, arrogância,
inveja, ganância, cobiça, ira, amargura, mau humor, ciúme doentio, hipocrisia,
leviandade, irreverência com o que é sagrado, mentira, egoísmo, roubar a DEUS,
quebra do Dia do Senhor, mau testemunho, desonestidade, negligência na oração e
quanto à Bíblia, relaxamento com a obra de DEUS etc.
As consequências
do pecado. Na Bíblia são mencionados o pecado para morte e o que não é para
morte: “Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não é para morte, orará, e
DEUS dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e
por esse não digo que ore” (I Jo 5.16).
O pecado para
morte — dependendo de sua gradação — traz como consequências: sofrimentos,
morte espiritual, morte física e até perdição eterna. São pecados que levam o
seu praticante à morte física prematura: desobediência deliberada (I Rs 13.26);
incesto (1 Co 5.5); murmuração (1 Co 10.5); profanação (1 Co 11.29-32); desvio
(Jr 16.5,6); tentar a DEUS (Nm 14.29,32,35; 18.22; 27.12-14); falsidade (Ato
5.10); rebeldia — não momentânea, mas como estado (Ef 6.3) —, etc.
Entretanto, há
pecado que não é para morte. Todo pecado é transgressão diante de DEUS, mas nem
todo pecado é igual aos olhos de DEUS. O pecado tem gradação, como se vê nas
seguintes expressões bíblicas: “grande pecado” (Êx 32.30,31; I Sm 2.17; Sl
25.11; Am 5.12); “maior pecado” (Jo 19.11); “muito grande pecado” (I Sm 2.17; 2
Sm 24.10 com I Cr 21.8,17); “muitos pecados” (Lc 7.47); “multidão de pecados” e
“multiplicar pecados” (Ez 16.51; Os 13.2; Tg 5.20).
Qualquer
pecado, mesmo perdoado, não nos exime dos seus maus efeitos, das suas consequências;
do seu castigo aqui (Sl 99.8; Nm 14.19-23). O perdão de DEUS nos exime da
condenação como filhos de DEUS, porém o castigo aqui tem a ver com o nosso
aprendizado espiritual aqui] há crentes que só aprendem “apanhando”. E mais: o
tempo não apaga, não desfaz o pecado:
Então, falou o
copeiro-mor a Faraó, dizendo: Dos meus pecados me lembro hoje (Gn 41.9).
... quando for
outra vez, o meu DEUS me humilhe para convosco, e eu chore por muitos daqueles
que dantes pecaram e não se arrependeram da imundícia, e prostituição, e
desonestidade que cometeram 2 Co 2.21.
O pecado e seu
perdão. Quanto ao perdão, a Bíblia menciona o pecado perdoável e o imperdoável
em Mateus 12.31,32:
Portanto, eu
vos digo: todo pecado e blasfêmia se perdoará aos homens, mas a blasfêmia
contra o ESPÍRITO não será perdoada aos homens. E, se qualquer disser alguma
palavra contra o FILHO do Homem ser-lhe-á perdoado, mas, se alguém falar contra
o ESPÍRITO SANTO, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro.
O pecado
imperdoável não diz respeito a um ato isolado. Trata-se de um pecado contínuo,
não cometido por ignorância (cf. 1 Tm 1. 13). A má interpretação disso tem
causado aflição em muitas pessoas, que pensam ter cometido o tal pecado.
No Capítulo 4
desta obra, há uma explicação sobre o pecado imperdoável do ponto de vista da
Pneumatologia. Quanto à Soteriologia, tal pecado leva quem o pratica à
condenação porque o tal peca contra a única Pessoa da Trindade cuja obra no que
concerne á nossa salvação não está concluída. A obra do PAI foi consumada; a do
FILHO está concluída, mas a do ESPÍRITO continua (cf. Jo 16.8).
A consumação do
pecado. No que concerne à sua consumação, há o pecado voluntário, consciente,
deliberado (Mt 25.25; Lc 19.20-23; Js 7.21); e o involuntário, inconsciente,
não deliberado (SM 19.12; 90.8; Jr 17.9; Lv 4.I3-2I; 5.15,17; Nm 15.22-31).
Este, ainda que cometido de modo involuntário, por imprudência ou
inconsciência, terá a sua devida condenação.
Aqui no mundo,
se alguém, por ignorância, violar as leis da Física, sofrerá as consequências
disso. Por exemplo, se alguém saltar de um prédio de dez andares, mesmo não
tendo consciência de que a força da gravidade fará com que o seu corpo se
estatele no chão, a sua ignorância não impedirá a sua morte.
Quanto ao corpo
humano, de acordo com 1 Coríntios 6.18 — que diz: “Fugi da prostituição. Todo
pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o
seu próprio corpo” —, há dois tipos de pecado: contra o corpo, que destrói
primeiro o próprio pecador que o comete; e fora do corpo, que arruína primeiro
os outros, além de quem o comete.
O pecado
relacionado ao crente. O pecado conhecido e tolerado na vida do crente gera consequências
terríveis, como: perda das bênçãos de DEUS, disciplina divina e da igreja,
interrupção da comunhão com DEUS, cessação de operação divina por meio do
crente e perda de galardão no futuro.
O julgamento do
pecado. DEUS nem sempre julga logo o pecado. Se Ele julgasse de imediato, nem
este escritor estaria mais aqui. A Palavra do Senhor diz: “Não nos tratou
segundo os nossos pecados, nem nos retribuiu segundo as nossas iniquidades” (SI
103.10).
DEUS dá tempo
para que o pecador se corrija, se arrependa, mude. Em certas pessoas, o pecado
é logo manifesto e julgado; noutras, isso ocorre depois: “Os pecados de alguns
homens são manifestos, precedendo o juízo; e em alguns manifestam-se depois” (1
Tm 5.24). Por quê?
O justo Juiz
sabe de tudo isso. E, como nos ensina a Palavra de DEUS, nada julguemos antes
de tempo, até que o Senhor traga à luz as coisas ocultas e manifeste os
desígnios dos corações, em sua gloriosa vinda (1 Co 4.5).
... nada há
encoberto que não haja de revelar-se; nem oculto que não haja de saber-
se (Mt 10.26).
... eis que
pecastes contra o SEKHOR; porém sentireis o vosso pecado, quando vos achar Nm
32.23).
Como triunfar
sobre o pecado. Os passos para vencer o pecado, triunfando sobre ele, são os
seguintes:
Amar a Palavra
de DEUS, a ponto de escondê-la no coração; isso faz com que o crente vença o
pecado (Sm 119.11).
Crer no poder
do sangue de JESUS, isto é, no sacrifício expiatório que Ele realizou, a fim de
que o pecado não tenha domínio sobre nós (I Jo 1.9).
Confiar no
poder do ESPÍRITO SANTO, o qual habita em nós e, se Ele exercer pleno
predomínio em nosso viver, faz-nos triunfar sobre o pecado (Rm 8.2).
O ministério
sacerdotal de CRISTO. Ele venceu todas as coisas, e, se estivermos nEle, também
venceremos o pecado (Hb 4.15,16).
A nossa fé
depositada em JESUS CRISTO também nos faz triunfar sobre o pecado (Fp 3.9).
Finalmente, a
nossa total submissão e entrega a CRISTO (Rm 6.14). E submissão implica ser
obediente à sua vontade e também agradar-lhe por amor.
Conclusão. A
nossa recomendação final, ao concluir este tópico sobre a doutrina do pecado é,
como diz o escritor sacro: “Evita o pecado!” A Palavra de DEUS admoesta: “Meus
filhinhos (...) não pequeis” (1 Jo 2.1). Lembre-se de que “Obedecer é melhor do
que sacrificar” (I Sm 15.22). E “sacrificar”, aqui, também pode significar
“remediar”.
Evitemos, pois,
os pecados vindos de dentro; e, de fora: “A ninguém imponhas precipitadamente
as mãos, nem participes dos pecados alheios; conserva-te a ti mesmo puro” (1 Tm
5.22).
A DOUTRINA DA
EXPIAÇÃO PELO SANGUE
Em Isaías
53.10, está escrito acerca da obra expiatória de CRISTO: Todavia; ao
Senhor agradou o moê-lo; fazendo-o enfermar; quando a sua alma se
puser por expiação do pecado} verá a sua posteridade; prolongará os
dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão.
A doutrina em
apreço é chamada de kilasmologia. Expiação, para nós do Novo Testamento, é a
morte de JESUS em nosso lugar para poder nos remir do pecado; salvar-nos do
pecado — expiar é tirar o pecado: “Eis o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do
mundo” (Jo 1.29). Expiação tem a ver com o pecado (Lv 4; 16; 23).
Quatro palavras
para a salvação. Há quatro grandes palavras doutrinárias empregadas na Bíblia
para nos revelar a extensão do valor da morte de JESUS, isto é, do seu sangue
remidor, para tirar os nossos pecados. Tão vasto e infinito é o alcance da obra
efetuada por JESUS que um só vocábulo das Escrituras não pode resumi-la.
A palavra
“expiação” aplica-se em relação ao pecado em se tratando da salvação quanto ao
seu alcance, que é infinito (Sm 103.12; Is 53.10). Já “redenção” diz respeito à
salvação em relação ao pecador e seu pecado. Outro termo, “propiciação”,
aplica-se à salvação quanto à transgressão; isto é, a salvação considerando o
ser humano como o transgressor. E a quarta palavra é “imputação”, que se
relaciona com a salvação quanto ao seu “creditamento”. Ou seja, a justiça de
DEUS “lançada em nossa conta”, pela fé no próprio DEUS (cf. Fp 4.17; Mt 6.12;
Fm v.I8; Rm 4.3).
Portanto, a
salvação é tão grande e tão rica que uma só palavra não abarca o seu
significado! Glória a DEUS!
Tecnicamente, a
palavra “expiar” — hb. kapar— significa “encobrir”, “cobrir”, “ocultar”, “tirar
da vista”. A primeira menção dessa palavra nas Escrituras está em Gênesis 6.14
(hb. kapar, “betumarás”, ARC; “calafetarás”, ARA) e ilustra muito bem o seu emprego
através da própria Bíblia, como a Palavra de DEUS.
Biblicamente,
expiar é pagar, quitar, tirar os pecados de alguém, perdoar, mediante um
sacrifício reparador exigido, mas também propiciador. Expiar, pois, é tirar o
pecado mediante a morte de alguém como substituto do culpado e condenado. No
nosso caso, foi JESUS que morreu por nós, pecadores perdidos (Is 53.10; Jo
1.29; Ap 13.8; 2 Co 5.21). Sem expiação pelo sangue não há perdão do pecado (Lv
4.35).
A expiação
aplaca o Legislador, por satisfazer a sua Lei, violada que foi, pela culpa do
pecado como ato praticado (Lv 5), bem como manchada e ultrajada pelo pecado
como estado, na natureza do pecador (Lv 4). Neste capítulo, vemos quatro
categorias universais de pecadores e a expiação de seus pecados mediante o
sangue expiador.
Mas a expiação
vai além. Ela também torna o Legislador benevolente para com o transgressor
perdoado. Essa decorrência da expiação é chamada de propiciação.
A necessidade
da expiação. A expiação pelo sangue foi necessária para dar satisfação à Lei
divina — caso contrário, essa Lei seria vã — e seu Legislador escarnecido.
A pecaminosidade
da natureza e dos atos do homem também tornou necessária a expiação divina.
JESUS, para
expiar nossos pecados, bastava morrer por nós na cruz; mas, para nos justificar
diante de DEUS e sua Lei violada, era preciso que Ele ressuscitasse (Rm 4.25; 1
Co 15:20).
Desse modo, a
nossa ressurreição espiritual (isto é, a nossa regeneração) dependia da
ressurreição dEle (1 Pe 1.3; Cl 3.1). Glória a DEUS porque JESUS ressuscitou!
Há diferença
entre a expiação, a redenção e a propiciação, todas realizadas por JESUS
CRISTO. A expiação é do pecado do pecador; a redenção é da pessoa do pecador; e
a propiciação tem a ver com DEUS em relação ao pecador já perdoado (cf Lc
18.13; I Jo 2.2). A salvação de criancinhas inocentes — apesar de pecadores por
natureza — decorre da expiação efetuada por CRISTO, e não primeiramente da
redenção.
A obra
expiatória de CRISTO. No Antigo Testamento, a expiação dos pecados na nação
“durava” um ano apenas! O que ocorria anualmente no solene Dia da Expiação,
mencionado em Levítico 16, era que a sentença de morte que pairava sobre todos,
por causa do condenável e criminoso pecado, praticado pelo povo diariamente,
era prorrogado por mais doze meses. Ora, isso apenas aumentava a dívida
espiritual desse povo para com DEUS, cada ano que passava (Hb 9.25; 10.1-3).
CRISTO na cruz,
pelo seu sangue expiou os nossos pecados uma vez para sempre — “... porque isso
fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo” (Hb 7.27); “Doutra maneira,
necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora,
na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo
sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26) —, mas a salvação só se realiza na vida de
cada pecador quando este aceita o Redentor, JESUS CRISTO.
A DOUTRINA DA
REDENÇÃO
Como já vimos,
redenção tem a ver com a pessoa do pecador. Ela é realizada por JESUS CRISTO:
“Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as
riquezas da sua graça” (Ef 1.7). Pois “... por seu próprio sangue, entrou uma
vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hb 9.12).
Definição de
redenção. Nos dias bíblicos, redenção é a libertação de um escravo, mediante um
resgate — gr. lytron (este termo aparece em Mateus 20.28) —, além de retirar
esse escravo do mercado de escravos, para não mais ficar exposto à venda.
Redenção sempre requer o preço a ser pago para garantir a liberdade do escravo.
Há sete
principais palavras originais no Novo Testamento para redenção: Agorazo,
“compraste” (Ap 5.9). Comprar na praça. O pecador estava na praça do mercado de
escravos, vendido ao pecado e servindo a Satanás: “Assim,
meus irmãos,
também vós estais mortos para a lei pelo corpo de CRISTO, para que sejais
doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto
para DEUS” (Rm 7.4).
Exagorazo,
“resgatou” (Gl 3.13). Comprar o escravo na praça e retirá-lo de lá, para que
não fosse mais exposto à venda: “Ele nos tirou da potestade das trevas e nos
transportou para o Reino do FILHO do seu amor” Cl 1.13.
Lytroo,
“resgatados” (1 Pe 1.18,19). Pagar o preço exigido pelo resgate de um escravo e
libertá-lo.
Lytrosis,
“redenção” (Hb 9.12). Libertar mediante o pagamento de resgate. É um termo mais
vigoroso do que lytroo,
Apolytrosis,
“redenção” (Ef 1.7). É empregado em Lucas 21.28 para significar soltura,
libertação, livramento, desprendimento do povo de DEUS, ao sair deste mundo
opressor e escravizador, para ficar eternamente com o Senhor. Este termo é uma
forma mais vigorosa que lytrosis.
Antilyron (1 Tm
2.6). A troca de uma pessoa por outra; ou seja, a redenção de vida por vida, no
caso de um cativo, escravo ou prisioneiro.
Lytron (Êx
21.30; Mt 20.28; Mac 10.45). O resgate pago pela redenção de um cativo, escravo
ou prisioneiro de guerra.
A redenção do
pecador. A nossa redenção espiritual foi planejada e decidida por DEUS antes da
fundação do mundo (1 Pe 1.18,19; Ap 13.8). Essa redenção, em CRISTO, é formosa
e claramente ilustrada em Levítico 25 — principalmente nos versículos 25, 48 e
49 — e Rute 2.20; 3.9-13; 4.1-9. Nessas passagens, o termo go’el significa
“parente remidor”, o qual tinha de ser consanguíneo do escravo. Vemos
claramente no papel desse parente remidor um tipo de nosso Redentor, o Senhor
JESUS (Tt 2.14).
O tríplice
resultado da redenção. A nossa redenção efetuada por JESUS resulta na conversão
da alma, pois esta foi perdida pelo homem, na sua Queda (Gn 2.17; Ez 18.20).
Outro resultado
da redenção é a nossa ressurreição, isto é, a redenção do corpo. O homem perdeu
o seu corpo ao perder o direito a comer da árvore da vida, no Éden, devido à
Queda: “Então, disse o Senhor DEUS: Eis que o homem é como um de
nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome
também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente” (Gn 3.22).
A redenção
resulta também em domínio da terra. O ser humano perdeu a terra ao pecar (Gn
1.28). Em João 1.29, vemos que JESUS é o Cordeiro de DEUS que tira o pecado do
mundo (cf. Ap 5.1-5,9). Na Segunda Vinda de CRISTO, começará a redenção da
terra, que fora amaldiçoada depois da Queda: “maldita é a terra” (Gn 3.17).
A DOUTRINA DA
FÉ SALVÍFICA
Fé não é crer
sem provas — ela é baseada na maior de todas as provas: a Palavra de DEUS. A fé
é um fato, mas também um ato (Tg 2.17,26; Mt 17.20); manifesta-se por ações,
por obras — “como um grão de mostarda”. Há dois aspectos da fé: ativo e
passivo. A fé ativa diz respeito a nosso viver, nosso agir, nosso trabalhar
para DEUS. Já a passiva se relaciona com a fidelidade do crente ao Senhor e sua
firme perseverança.
Como a fé salvífica
se manifesta. A fé salvífica tem a ver com o pecador em relação a DEUS (Ef
2.8,9; Ato 16.31), pois “... sem fé é impossível agradar-lhe, porque é
necessário que aquele que se aproxima de DEUS creia que ele existe e que é
galar- doador dos que o buscam” (Hb 11.6).
A pergunta que
o jovem rico devia ter feito, em Mateus 19.16, seria: “Em quem devo crer para
ser salvo?”, e não “Que devo fazer para me salvar?” Salvação não é o que eu
devo fazer, mas em quem devo crer para me salvar (Ato 16.31).
Em Romanos
10.9,10 está escrito: “Se, com a tua boca, confessares ao Senhor JESUS
e, em teu coração, creres que DEUS o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto
que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a
salvação”. De acordo com a passagem acima, o pecador confessa a CRISTO e crê
nEle como Senhor e Salvador — rende-se a Ele (Jo 9.38; Rm 4.3).
A fé natural. E
a fé “da cabeça”, natural, que não resulta em salvação. A Palavra de DEUS diz
que até os demônios crêem que há um só DEUS e estremecem diante de tal fato (Tg
2.19). A fé que Tomé teve, inicialmente, foi meramente “da cabeça”. Daí JESUS
lhe ter dito: “Porque me viste, Tomé, creste” (Jo 20.29a). Isso também
aconteceu com Marta:
Disse-lhe
Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último Dia. Disse-lhe
JESUS: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de DEUS? (Jo 11.24,40).
Uma pessoa
pode, por conseguinte, crer só com a mente, e não com o coração. A fé natural —
também chamada de “pensamento positivo” — é de grande utilidade nas relações
humanas, mas inoperante e sem valor para a salvação.
A defesa da fé.
Textos como 2
Timóteo 4.7 e Filipenses I.16 mostram que o crente deve defender a sua fé nesse
mundo de tanta confusão e antagonismo quanto à fé. O apóstolo Paulo disse:
“Combati o bom combate (...) guardei a fé”. Isso significa que devemos viver
pela fé cada dia, sem esmorecer, defendendo o evangelho de nosso Senhor JESUS
CRISTO. A fé deve ser conservada, pois é essencial à vida cristã (Rm 1.17; Gl
2.20; 2 Pe 1.5; Hb 11.6).
Outras
expressões da fé. A significação do termo “fé” varia, no Novo Testamento. Em
Gálatas 5.22, ela é uma das virtudes do fruto do ESPÍRITO, expressando
fidelidade. Há ainda outras expressões da fé: um dom do ESPÍRITO (1 Co 12.9), o
evangelho completo (2Tm 4.7), a confiança absoluta em DEUS, como proteção ou
“escudo” (Ef 6.17), além de uma fé que santifica (Fp 3.9).
A DOUTRINA DO
ARREPENDIMENTO
A fé se
relaciona com DEUS; o arrependimento, com o pecado. O arrependimento, pois, é
uma doutrina básica quanto à salvação (Mt 3.2; 4.17; Lc 13.3; Mc 6.12). Foi por
isso que JESUS ordenou que “em seu nome, se pregasse o arrependimento e a
remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém” (Lc 24.47).
O verdadeiro
arrependimento é o que produz convicção do pecado; contrição do pecado;
confissão do pecado; abandono do pecado; e conversão do pecado. Se essas cinco
reações por parte do homem não ocorrerem, não se trata de arrependimento
verdadeiro, completo, mas apenas tristeza e remorso: “Porque a tristeza segundo
DEUS opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a
tristeza do mundo opera a morte” (2 Co 7.10).
Para que o
homem não se glorie, o verdadeiro arrependimento é obra de DEUS (Ato 5.31;
11.18; 2 Tm 2.25; Rm 2.4). Até o abrir do coração do pecador para o evangelho
vem de DEUS: “E certa mulher, chamada Lídia (...) nos ouvia, e o Senhor lhe
abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia” (Ato 16.14). Isso
ocorre pela exposição da Palavra de
DEUS, que
conduz a pessoa ao arrependimento, sendo ela crente ou não (Ato 2.37,38,41; Jn
3).
Uma das
características sempre presente nos verdadeiros avivamentos, bem como entre um
povo que se mantém avivado espiritualmente, é o arrependimento profundo.
O
arrependimento deve sempre acompanhar o crente durante toda a sua vida. Isso
demonstra sua humildade e fá-lo zeloso de DEUS e de suas coisas. Davi, por
exemplo, era um crente que sabia se arrepender e chorar diante de DEUS; e por
isso venceu. O FILHO Pródigo iniciou o caminho de subida, de volta ao PAI, a
partir do momento em que começou a se arrepender (Lc 15. 11-24).
A DOUTRINA DA
CONFISSÃO
No original, o
verbo homologeo (gr.) e o substantivo homologia são os termos para confissão.
Confessar é dizer de coração o que DEUS diz sobre nós na sua Palavra (Rm
10.9,10; Lv 5.5; Sm 38.18; I Jo 1.9). No sentido bíblico, confissão não se
refere primeiramente a confessar pecados. Significa concordar com o que DEUS
diz sobre nós — e dEle — na sua Palavra, bem como reconhecer os nossos pecados
e faltas como sendo nossos e admitir os nossos erros, falhas, pecados e
declará-los (Ato 19.18).
Vemos em
Hebreus 3.1 que JESUS CRISTO é o Sacerdote da nossa confissão, isto é, a quem
confessamos quanto à nossa salvação e tudo o mais pertinente à fé. Em I João
1.9, está escrito: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para
nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça”.
Elementos da
confissão. De acordo com o I João 1.9, a confissão deve ser contrita e
definida: “nossos pecados”. Observe que são “pecados” (plural). Outro elemento
é a renúncia ao pecado (Pv 28.13). E, quanto for o caso, a confissão deve ser
com restituição.
Confissão
secreta. E a confissão feita somente a DEUS. Confissão de pecados cometidos
pelo crente e conhecidos somente por ele e DEUS. Tais pecados devem ser
confessados secretamente ao Senhor, dependendo isso da base bíblica desse
crente e da confiança plena e firme no que DEUS declara na sua Palavra.
Confissão
pessoal. E a confissão feita a pessoas contra quem pecamos. Nesse caso, antes
de irmos a DEUS contritamente, temos de tratar com o ofendido ou o cúmplice,
pois a comunhão espiritual é tanto vertical (comunhão com DEUS) como
horizontal— comunhão com o próximo (I Jo I.7a).
Confissão
pública. E a confissão feita à igreja, à congregação. São pecados conhecidos,
cometidos contra a coletividade cristã.
A DOUTRINA DO
PERDÃO DE PECADOS
É importante
distinguir perdão divino (I Jo 1.9) de perdão humano (Cl 1:14). Do lado divino,
perdão é a cessação da ira moral e santa de DEUS contra o pecado, e o seu
cancelamento ou anulação. Visto do lado humano, o perdão é o alívio ou remissão
da culpa do pecado, que oprime a consciência culpada.
Perdão é a
remissão da punição do pecado, o qual leva à perdição eterna (Nm 23.21; Rm
8.33,34). Para nós, seres humanos, que, pela Queda, herdamos uma natureza
pecaminosa e pecadora, parece fácil o perdão, e parece fácil DEUS nos perdoar;
isso por sermos todos uma raça de pecadores. Porém, com um DEUS santíssimo em
quem não há pecado, o caso é diferente!
Ora, até o
homem acha difícil perdoar quando é injustiçado. Quanto mais DEUS! DEUS nos
perdoa porque Ele é amor; mas saibamos que o seu perdão é baseado na mais
perfeita justiça (I Jo 1.9).
Perdão
judicial. E para o descrente. A condição exigida por DEUS para esse perdão é a
conversão do pecador: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam
apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela
presença do Senhor” (At 3.19). O meio exigido, portanto, é a fé em DEUS.
Perdão
doméstico. E para o FILHO de DEUS; da casa de DEUS. A condição exigida é a
confissão dos pecados com arrependimento e o abandono desses pecados.
Se confessarmos
os nossos pecados} ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e
nos purificar de toda injustiça 1 Jo 1.9
O que encobre
as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará
misericórdia (Pv 28.13).
O meio exigido
é também a fé em DEUS, e segundo a Palavra. Se a condição exigida por DEUS para
perdoar o crente faltoso fosse uma nova conversão, seria necessário nos
convertermos constantemente...
As consequências
de o crente não querer perdoar. O crente se recusar a perdoar, não querer
perdoar de forma alguma, é uma atitude que afeta comunhão com DEUS, individual
e coletivamente. Afeta, ainda, a nossa comunhão com os irmãos — com a igreja —,
bem como o nosso caráter cristão e a nossa saúde em geral (cf. Mt 18.34,35).
JESUS, no seu
ensino, no “PAI Nosso”, o único assunto que Ele repetiu três vezes foi o
perdão; isto é, perdoarmos aos outros (Mt 6.12,14,15). O momento ideal para o
crente perdoar o seu ofensor é durante a oração (Mt 11.25). Até nisso a oração
é uma bênção! Crente que ora pouco, também perdoa pouco (ou nunca).
Além do perdão
entre os irmãos, deve haver reparação, quando for o caso (cf. Ef 5.28; Ato
16.33; Lv 4—6).
Falou mais o
Senhor a Moisés; dizendo: Dize aos filhos de Israel: Quando homem ou mulher fizer
algum de todos os pecados humanos transgredindo contra o Senhor; tal alma
culpada ê. E confessará o pecado que fez; então, restituirá pela sua culpa
segundo a soma total, e lhe acrescentará o seu quinto, e o dará àquele contra
quem se fez culpado (Nm 5.5-1).
A DOUTRINA DA
REGENERAÇÃO ESPIRITUAL
O termo
regeneração tem a ver com a nossa inclusão na família de DEUS (1 Pe 1.3,23; Tt
3.5). Em Gênesis 1.27, temos a criação natural do homem; em Efésios 2.10, temos
a sua criação espiritual.
Regeneração é o
ato interior da conversão, efetuada na alma pelo ESPÍRITO SANTO. Conversão é
mais o lado exterior e visível da regeneração. Uma pessoa verdadeiramente
regenerada pelo ESPÍRITO SANTO é também convertida (cf. Lc 22.32).
Sendo
regenerado pelo ESPÍRITO SANTO, o crente é declarado FILHO de DEUS (Jo 1:12). O
que ocasiona a regeneração espiritual não é primeiramente a justificação pela
fé, mas a comunicação da vida de CRISTO — da “vida eterna” ao pecador
arrependido. Justificação tem a ver com o pecado do pecador; regeneração tem a
ver com a natureza do pecador. Justificação é imputada por DEUS; regeneração é
comunicada por DEUS.
Bem vês que a
fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada, e
cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em DEUS, e foi-lhe isso imputado
como justiça, e foi chamado o amigo de DEUS (Tg 2.22,23).
A DOUTRINA DA
IMPUTAÇÃO DA JUSTIÇA DE DEUS
Imputação é o
lançamento ou creditamento da justiça de CRISTO a nosso favor, mediante a nossa
fé em CRISTO (Rm 4.3ss; Gl 2.16ss; 3.6-8; Gn 15.6;Tg 2.23). “O Senhor Justiça
Nossa” (Jr 23.6). “Mas vós sois dele em JESUS CRISTO, o qual para nós foi feito
por DEUS (...) justiça” (1 Co 1.30).
O princípio da
doutrina da imputação da justiça de DEUS é visto em passagens como Gênesis
3.21; 6.14 (hb.); e 15.6. Em Filemom v. 18 e Filipenses 4.17 vemos a imputação
ilustrada na prática natural:
E, se te fez
algum dano ou te deve alguma coisa, põe isso na minha conta.
Não que procure
dádivas, mas procuro o fruto que aumente a vossa conta.
Assim como a
justiça divina é imputada ao que nEle crê, ao ímpio impenitente são imputados
os seus pecados contra DEUS (Sm 32.2). E também, da mesma forma, à nossa conta
podem ser imputados males que cometemos contra o próximo (2Tm 4.16; Ato 7.60; 1
Ts 4.6; Mt 6.12 — “as nossas dívidas”).
Somos feitos
justos diante de DEUS, não primeiramente pela influência da moral cristã sobre
nós, mas primacialmente pela imputação da justiça (retidão) de DEUS sobre nós,
pela fé em JESUS CRISTO. Aleluia ao DEUS Trino!
Respondida
está, por DEUS, a pergunta de Jó, de antanho: “Como seria justo o homem perante
DEUS, e como seria puro aquele que nasce da mulher?” (Jó 25.4).
A DOUTRINA DA
SANTIFICAÇÃO DO CRENTE
A justificação
efetuada por DEUS para nos salvar põe-nos em correto relacionamento com Ele. Já
a santificação comprova a realidade da justificação em nossa vida, manifestando
seus frutos em nós; em nossa vida.
SANTO é aquele
crente que vive separado do pecado, do mal, do mundo (mundanismo), e dedicado a
DEUS e ao seu serviço. Observe as palavras de Paulo em Atos 27.23: “Porque,
esta mesma noite, o anjo de DEUS, de quem eu sou e a quem sirvo, esteve
comigo”.
O cristão tem
duas naturezas: uma humana, herdada de Adão, pela geração natural; e outra,
divina, através da geração espiritual (1 Pe 1.23). Daí a santificação do crente
ter dois aspectos: um diante de DEUS, e outro, diante de si mesmo e do mundo (I
Jo 3.3; 2 Co 7.1; Hb 12.14; Mt 5.16). Essas duas naturezas do crente são vistas
em Gálatas 5.17 e Romanos 6—8.
Em Levítico
20.8 — “Eu sou o Senhor que vos santifica” — vemos a santificação do crente
diante de DEUS, mas, no versículo 7, menciona-se a santificação crente diante
de si mesmo e do mundo: “Santificai-vos e sede santos” (cf. 1 Pe LI5).
Santificação de
objetos, eventos, datas, pessoas, animais. Esse aspecto da santificação é muito
comum em relação Ao Tabernáculo e seus objetos, e seus oficiantes, os quais
pertenciam somente a DEUS, como vemos nos livros de Êxodo e Deuteronômio. Esse
aspecto da santificação implica um só sentido, que é a posse de DEUS, e a
dedicação e separação desses elementos para o serviço de DEUS.
Alguns exemplos
desses elementos santos:
Eventos e datas
(Êx 20.8; Dt 5.12; Lv 25.10; 23.2).
O Templo (I Rs
9.3).
O altar dos
holocaustos (Ex 29.37).
As vestes
sacerdotais (Êx 28.2; 29.29; 40.13).
Pessoas (Êx
13.12; 28.41; 29.1,44; I Sm 16.5; I Cr 15.14; 2 Cr 29.5).
Animais (Nm
18.17; Êx 13.2b).
Nesse sentido,
os templos atuais da igreja são santificados a DEUS, bem como os objetos
dedicados ao serviço dEle.
Santificação de
pessoas. Há dois principais sentidos de santificação do crente em relação a
DEUS. O primeiro diz respeito à separação do mal para pertencer a DEUS
“Ser-me-eis
santos, porque eu, o Senhor, sou santo” (Lv 20.26). E o sentido negativo da
santificação, pois se ocupa do “não farás isso; não farás aquilo”, etc; é
separar-se para DEUS.
O segundo
sentido de santificação do crente é o positivo. O crente, já separado do mal,
dedica-se a DEUS para o seu serviço, ocupa-se em fazer algo para Ele: “De sorte
que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e
idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra” (2Tm 2.21). Paulo, ao
falar de DEUS, disse: “de quem eu sou e a quem eu sirvo” (Ato 27.23).
A santificação
é dúplice. Ser santo não é somente evitar o pecado, mas também servir ao
Senhor, com a vida; com os talentos; com os dons; com os bens; com a casa; com
o tempo; com as finanças; com os serviços, inclusive mão de obra. Por isso,
muitos crentes não conseguem viver uma vida santa; eles não vivem pecando
continuadamente, mas não querem nada com as coisas do Senhor, nem com a sua
obra, nem com a igreja para zelar por ela e promovê-la.
Os tempos da
santificação. A santificação de pessoas quanto à vida cristã abrange três
tempos:
Santificação
passada e instantânea (1 Co 6.II;Hb 10.10,14; Fp 1.1; 1 Co 1.2; Jo 15.4). E
aspectual e posicionai, isto é, o crente estando “em CRISTO” (Cl 1.20; Fp I.I).
O crente posicionalmente “em CRISTO” não pode ser mais santo do que o é no
momento da sua conversão, pois a santidade de CRISTO é a sua santidade (c£ I Jo
4.17). Na Igreja Romana, alguns são “canonizados” (feitos santos) depois de
mortos, mas no Remo de DEUS é diferente: os salvos são santos aqui, enquanto
estão vivos!
Santificação
presente e progressiva (2 Co 7.1). E temporal, vivencial. Ê a santificação
experimental, ou seja, na experiência humana, no dia a dia do crente (1 Ts
5.23; Hb 13.12 — “para santificar o seu povo”). A santificação posicionai e a
experimental (progressiva) são vistas juntas nestas passagens: Hebreus 12.10
com 12.14; Filipenses 3.15 com 3.12; João 15.4 com 15.5; 1 Coríntios 1.2;
Filipenses I.I; e Levítico 20.7 com 20.8.
Santificação
futura e completa (Ef 5.27; 1 Ts 3.13). É plena; trata-se da santificação final
do crente (I Jo 3.2). Ela ocorrerá à Segunda Vinda de JESUS, para levar os seus
(I Jo 3.2; Ef 5.26,27). Seremos então mudados: “num momento, num abrir e fechar
de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos
ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados” (1 Co 15.52).
Os meios
divinos de santificação:
DEUS, o PAI (1
Ts 5.23). DEUS, o FILHO (Hb 10.10; 13.12; Mt 1.21). DEUS,
ESPÍRITO SANTO
(1 Pe 1.2), cujo título principal — ESPÍRITO SANTO — já indica a sua missão
principal: santificar.
A correção
divina. E um meio de santificação (Hb 12.10,11).
A Palavra de
DEUS. Lida, crida, estudada, ouvida, amada, meditada, pregada, ensinada,
obedecida, vivida, memorizada (SI 119.II; Jo 15.3; 17.17; SI 119.9; Ef 5.26).
A paz de DEUS
em nós. Seu cultivo, sua busca, sua promoção (Hb 12.14; 1Ts 5.23a). Nestas duas
passagens, a paz está ligada à santificação do crente.
A fé em DEUS.
Esta, baseada na sua Palavra, é um meio divino de santificação (Rm 4; Hb 11.33;
2Ts 2.13b; Ato 26.18; 15.9).
Alerta divino.
A Palavra de DEUS tem um alerta para a igreja quanto à santificação: “Segui a
paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). E
ainda: “Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a
tua cabeça” (Ec 9.8). Tenhamos cuidado com a falsa santidade, enganosa,
sectarista, farisaica e exclusivista (2 Tm 3.5); sigamos a verdadeira santidade
(Ef 4.24).
A DOUTRINA DA
PRESCIÊNCIA DE DEUS
A presciência
de DEUS é o seu pré-conhecimento de todas as coisas (1 Pe 1.2; Rm 8.29). Ela é
parte do seu atributo de onisciência. Ele pré-conhece todas as coisas sobre o
homem, mas não as evita, por ser o homem livre e responsável por seus atos. No
caso do pecado de Adão, o Senhor sabia disso na sua presciência; porém, não o
evitou, por ter Adão livre-arbítrio.
No caso de
Judas Iscariotes, vemos que ele, que foi escolhido por JESUS como um dos doze
(Jo 6.70; Lc 6.13), “tirava” — e não apenas “tirou” — da bolsa o que ali se
lançava, o que indica um ato voluntário, preconcebido e continuado (Jo 12:6). E
mais: a Palavra de DEUS diz que Judas “se desviou”, o que denota ato
voluntário, consciente e gradual (At 1.25). E importante enfatizar que ele não
nasceu marcado para trair JESUS; apenas enquadrou-se nas condições da profecia
sobre aquele que seria o traidor.
O rei Saul —
que fora enviado por DEUS (I Sm 9.15-17); ungido por Ele (I Sm 10.1); mudado (I
Sm 10.9); possuído pelo ESPÍRITO (I Sm 10.10); que profetizara pelo ESPÍRITO (I
Sm 10.10-13); edificara um altar ao Senhor (I Sm 14.35) — também se desviou, ao
edificar “uma coluna para si” (I Sm 15.12) e envolver-se, em seguida, em
práticas espíritas. Por fim, morreu como suicida; distanciado de DEUS.
Demas foi um
obreiro que trabalhou com o apóstolo Paulo, porém se desviou, como lemos em 2
Timóteo 4.10: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século...” Outros
que também “naufragaram na fé”, desviando-se do caminho da verdade, foram
Himeneu e Alexandre (1 Tm 1.19,26). Basta ler a biografia desses obreiros para
chegar à conclusão de que eles escolheram o seu próprio caminho, haja vista a
presciência de DEUS não forçar a livre-vontade do homem.
O
Todo-Poderoso, como onisciente, conquanto conheça de antemão os que o
rejeitarão, não interfere, por ter Ele criado o homem dotado de livre-
arbítrio. DEUS não viola esse princípio. Sim, o Senhor não criou o homem como
um autômato, um robô, mas como ser moral, responsável por seus atos, com a
faculdade de decisão e livre-escolha — se bem que essas faculdades estão
grandemente prejudicadas pelo efeito deletério do pecado, principalmente os de
incredulidade e rebeldia.
A DOUTRINA DA
PREDESTINAÇÃO
Como muitos não
compreendem que para DEUS não existe passado, presente e futuro, tudo é
presente, não percebem que DEUS vê o futuro como se fosse presente, então saber
de antemão quem ouviu o evangelho e creu e permaneceu nele é normal que seja
predestinado por DEUS para a salvação e vida eterna com Ele.
A predestinação
“olha” para o aspecto futuro de nossa salvação (Rm 9.29; Ef 1.5,11). Segundo as
Escrituras, ela é o nosso pré-destino. A salvação não é um decreto divino, pois
isso seria um fatalismo cego e impróprio atribuído a DEUS.
O decreto de
DEUS. A expressão em apreço, conforme mencionada em Romanos 8.28 (gr.
prothesis) aparece em outras passagens como “decreto”, “propósito” (Rm 9.11; Ef
1.11; 3.11; 2 Tm 1.9). Trata-se do eterno propósito de DEUS, segundo o desígnio
de sua própria vontade, pelo qual Ele preordenou, para a sua glória, tudo o que
acontece. Esta definição é geral e não abrange especificamente a salvação da
humanidade, como a que se segue.
DEUS decretar é
uma coisa; a execução por Ele desse decreto, outra, como lemos em 2 Timóteo
1.9: “[DEUS,] que nos salvou e chamou com uma santa vocação; não segundo as
nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em
CRISTO JESUS, antes dos tempos dos séculos”.
Alguns fatores
implícitos na execução do decreto de DEUS são:
O tempo
determinado por DEUS, isto é, o “quando” do Senhor.
A
condicionalidade ou a incondicionalidade do seu decreto (2Tm 1.9).
O decreto da
criação do mundo, que teve lugar na eternidade passada, só foi executado por
DEUS “no princípio” (Gn 1.1). Apesar de o decreto do advento de JESUS vir da
eternidade (Ap 13.8; 1 Pe 1.20), o seu cumprimento só ocorreu em Belém. O Remo,
preparado desde a fundação do mundo, só será desfrutado no futuro (Mt 25.34).
Da mesma forma,
o decreto da nossa eleição para a salvação é eterno, mas só começou a se
cumprir quando CRISTO veio (2Tm 1.9; Rm 8.28; 9.11,23,24; 16.25; Ef 1.9; 3.11).
... [DEUS, o PAI]
nos elegeu nele [CRISTO] antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e
irrepreensíveis diante dele em caridade (Ef 1.4,1l).
E os gentios,
ouvindo isto, alegraram-se e glorificaram a palavra do Senhor; e creram todos
quantos estavam ordenados para a vida eterna (At 13.48).
Predestinação
divina e livre-escolha humana. Na Bíblia temos tanto a predestinação divina
como a livre-escolha humana, em relação à salvação; mas não uma predestinação
em que uns são destinados à vida eterna, e outros, à perdição eterna. Mas a
Palavra de DEUS não apresenta uma livre-escolha humana como se a salvação
dependesse de obras, esforços e méritos humanos.
Os extremos
nesse assunto (e noutros) é que são maléficos, propalando ensinos que a Bíblia
não contém. A ênfase inconsequente à soberania de DEUS no tocante à salvação
leva a pessoa a crer que a sua conduta e procedimento nada têm com a sua
salvação. Por outro lado, a ênfase inconsequente à livre-vontade
(livre-arbítrio) do homem conduz ao engano de uma salvação dependente de obras,
conduta e obediência humanas.
Ora, somos
salvos, não por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer para DEUS, mas pelo que
JESUS já fez por nós, uma vez para sempre. Há muitos por aí tendo a salvação
dependente de suas obras, obediência, conduta, santidade etc. Não é de admirar
que os tais caiam e não se levantem, e que quando pequem duvidem da sua
salvação.
Na realidade,
parece incoerente e irreconciliável que algo predestinado por DEUS admita
livre-escolha ou livre-vontade. Mas, só porque não entendemos algo, ou
entendemo-lo apenas em parte, deixa ele de existir? A conversão, por exemplo,
tem muito de misterioso:
Não te
maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. O vento assopra
onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim
é todo aquele que é nascido do ESPÍRITO. Nicodemos respondeu e disse-lhe: Como
pode ser isso? JESUS respondeu e disse-lhe: Tu és mestre de Israel e não sabes
isso? (Jo 3.1-10).
Há muitas
coisas com as quais convivemos em nosso dia a dia, e que não as entendemos bem,
ou quase nada, e, contudo, não queremos passar sem elas: o sono
(semi-hibernação), os sonhos (o mundo onírico), o metabolismo basal, a teoria
eletrônica, a eletricidade, o vento, a água suspensa no espaço (infinitas
toneladas!), etc.
Há quem afirme
que uma pessoa verdadeiramente salva não poderá jamais perder-se. Mas, quanto a
isso, precisamos ver o que realmente a Bíblia diz, não esquecendo os são
princípios da exegese bíblica, e o que essas pessoas deduzem do que a Bíblia
diz.
A qual,
professando-a alguns, se desviaram da fé 1 Timóteo 6:21ª
Porque o amor
ao dinheiro é a raiz de todos os males; e nessa cobiça alguns se desviaram
da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. 1 Timóteo 6:10
Os quais se desviaram
da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de
alguns. 2 Timóteo 2:18
Do que, desviando-se
alguns, se entregaram a vãs contendas 1 Timóteo 1:6
Porque já
algumas se desviaram, indo após Satanás 1 Timóteo 5:15
Porque é
impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial,
e se tornaram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de
Deus, e os poderes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados
para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho
de Deus, e o expõem ao vitupério. Hebreus 6:4-6
Calvinismo
e Arminianismo. Muitos têm seguido cegamente a João Calvino
teólogo
francês, radicado na Suíça, falecido em 1564 —, o qual pregava a predestinação
como uma eleição arbitrária de indivíduos; como graça irresistível e
impossibilidade de perda da salvação.
Só um
versículo da Bíblia já desmonta todo ensino sobre a palavra Todos do calvinismo
- 1Jo 2.2 E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos
nossos, mas também pelos de todo o mundo. AQUI A PALAVRA TODOS É TODOS OS SERES
HUMANOS MESMO E MUNDO SIGNIFICA TODAS AS CRIATAURAS HUMANAS.
Outros têm
seguido as idéias de Jacobus Arminius, teólogo holandês falecido em 1609, o
qual pregava doutrinas conflitantes quanto à salvação e a sua segurança. Um
perigo fatal a que pode levar o arminianismo é o crente depender de suas obras,
de sua conduta, de seu porte, de sua obediência pessoal, para a sua salvação
(Hb 9.12). Nesse extremo campeia a falsa santidade, sendo o homem enganado pelo
seu próprio coração (Jr 17.9).
O HOMEM É SALVO
PELA GRAÇA (JESUS E SUA OBRA SALVÍFICA), MEDIANTE A FÉ – A FÉ NÃO É MÉRITO, NÃO
É OBRA – SE CRÊ NAQUILO QUE OUTREM FEZ – JESUS.
No caso da
predestinação e da livre-escolha, no tocante à salvação, a tendência humana é
rejeitar uma ou outra. Os arminianistas extremistas rejeitam a predestinação, e
os calvinistas extremistas rejeitam o livre-arbítrio.
Entretanto, um
exame atento e livre de preconceito da Palavra de DEUS mostra que, através da
obra redentora de JESUS, DEUS destinou de antemão (predestinou) todos os homens
à salvação: “quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap 22.17; Is 45.22;
55.1; Mt 11.28,29; 2 Co 6.2; 1 Tm 2.4). De acordo com João 12.32, todos podem
ser atraídos a CRISTO. Mas nem todos querem seguir a CRISTO.
A graça, ou
seja, JESUS e sua obra salvífica, pode ser resistida:
Jerusalém,
Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas
vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha os seus pintos debaixo das
asas, e não quiseste? Lucas 13:34.
O
livre-arbítrio é real:
E a condenação
é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a
luz, porque as suas obras eram más. João 3:19 (fizeram a escolha).
Os céus e a
terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a
morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua
descendência, Deuteronômio 30:19.
A predestinação
segundo os predestinalistas. Estes dizem que o homem, decaído como está, no seu
estado de depravação total, é incapaz de fazer livre-escolha concernente a sua
salvação, pois está incapacitado espiritualmente para isso. Então DEUS elege o homem
para a salvação. Segundo essa teoria, DEUS elege uns para a salvação,
comunicando-lhes também a fé. Os demais, não-escolhidos, estão perdidos. Isso equivale
a dizer que CRISTO morreu apenas pelos “escolhidos”.
Só um
versículo da Bíblia já desmonta todo ensino sobre a palavra Todos do calvinismo
- 1Jo 2.2 E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos
nossos, mas também pelos de todo o mundo. AQUI A PALAVRA TODOS É TODOS OS SERES
HUMANOS MESMO E MUNDO SIGNIFICA TODAS AS CRIATAURAS HUMANAS.
O homem sabe,
sim, a diferença entre o bem e o mal.
Mas da árvore
do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que
dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:17
Então disse o
Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal;
ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e
viva eternamente, Gênesis 3:22
Do raciocínio
acima decorre outro: que a graça de DEUS é irresistível, isto é, a graça de
DEUS não pode ser recusada por aqueles a quem DEUS escolhe salvar. Segundo o
predestinalismo, a salvação é um decreto divino, e a conversão é simplesmente o
início da execução desse decreto. O termo “decreto” é extraído de textos como
Romanos 8.28: “E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem
daqueles que amam a DEUS, daqueles que são chamados por seu decreto”.
Na verdade ,
esse é o decreto - Proclamarei o decreto: O Senhor me disse: Tu és meu Filho,
eu hoje te gerei. Salmos 2:7 – todo o que ouve o evangelho e crê passa a ser
filho de DEUS.
Afirmam também
os predestinalistas que a vida eterna em CRISTO é um dom de DEUS, e que uma vez
recebida não pode ser jamais perdida em consequência de qualquer ato ou
determinação da vontade humana. E que se, de fato, o crente nasceu de novo,
está eternamente salvo.
Na frase “Porque
pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de DEUS” Efésios
2:8
– o sujeito da
frase é graça, não fé. O que não vem de nós é a graça (JESUS e sua obra
salvífica) – isso vem de DEUS.
Caso venha a
desviar-se, comprometerá, sim, o seu galardão, mas jamais perderá a sua
salvação, nem cairá em apostasia. Ê como alguém que, estando a bordo de um
navio, escorrega e cai, porém continua a bordo.
Cair do navio é
sair dele.
Do que, desviando-se
alguns, se entregaram a vãs contendas 1 Timóteo 1:6
Porque já
algumas se desviaram, indo após Satanás 1 Timóteo 5:15
Porque é
impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial,
e se tornaram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de
Deus, e os poderes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados
para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho
de Deus, e o expõem ao vitupério. Hebreus 6:4-6
Finalmente,
dizem que o crente salvo “está escondido com CRISTO em DEUS” (Cl 3.3), e que o
Inimigo jamais o achará, nem jamais o arrebatará dessa posição. Em abono dessa
predestinação fatalista, os predestinalistas citam textos como João 6.37;
10.28,29; Romanos 8.28-30; Efésios 1.4,5; 2 Ts 2.13; Eclesiastes 3.14;
Filipenses 1.6; 1 Pedro 1.2; e Apocalipse 17.8 — mas sem interpretá-los à luz
de seus respectivos contextos imediato e remoto.
Do que, desviando-se
alguns, se entregaram a vãs contendas 1 Timóteo 1:6
Porque já
algumas se desviaram, indo após Satanás 1 Timóteo 5:15
Porque é
impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial,
e se tornaram participantes do Espírito Santo, E provaram a boa palavra de
Deus, e os poderes do século futuro, E recaíram, sejam outra vez renovados
para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho
de Deus, e o expõem ao vitupério. Hebreus 6:4-6
Ora, proceder
como acima exposto é adaptar a Bíblia ao raciocínio humano; ou seja, ao modo
humano de pensar, como se a Palavra de DEUS dependesse de argumentos humanos.
A Bíblia é
contrária ao predestinalismo. A Palavra de DEUS não afirma que CRISTO morreu
apenas pelos eleitos. CRISTO morreu por todos, e não somente pelos eleitos (1
Tm 2.4,6; I Jo 2.2; 2 Pe 3.9; Ato 2.21; 10.43;Tt 2.11; Hb 2.9; Jo 3.15,16; 2 Co
5.14; Ap 22.17). Ora, aqui não se trata somente de “eleitos”, mas de “todos”
que quiserem ser salvos. O falso ensino de que CRISTO teria morrido apenas
pelos eleitos pode conduzir a um desinteresse pela evangelização, haja vista
DEUS já ter separados os perdidos que vão para o inferno.
Só um versículo
da Bíblia já desmonta todo ensino sobre a palavra Todos do calvinismo - 1Jo 2.2
E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas
também pelos de todo o mundo. AQUI A PALAVRA TODOS É TODOS OS SERES HUMANOS
MESMO E MUNDO SIGNIFICA TODAS AS CRIATAURAS HUMANAS.
JESUS morreu
por todos os seres humanos, para que sejam salvos. Depende de cada um crer ou
não no evangelho para ser salvo.
Em quem também
vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa
salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da
promessa; Efésios 1:13 – ouviu, creu – está salvo.
Qualquer pessoa
que crê em JESUS torna-se um dos escolhidos de DEUS, pois somos eleitos em
CRISTO (Ef 1.4). Em Mateus 22.1-14, vemos que todos os convidados foram
“chamados”; porém “escolhidos” foram os que aceitaram o convite do rei. No
versículo 14, a expressão “muitos são chamados, mas poucos escolhidos” revela,
portanto, que das multidões que ouvem o evangelho apenas uma pequena parte crê
em CRISTO e o segue.
DEUS elegeu
para si um povo chamado Igreja, e não indivíduos, isoladamente. Somos
predestinados porque somos parte da Igreja de DEUS; não somos parte da Igreja
porque fomos antes, individualmente, predestinados. Se, na Igreja, como Corpo
de CRISTO, alguém individualmente se desvia, e não volta, a eleição da Igreja
não se altera.
De igual modo
foi a eleição de Israel. O Senhor elegeu aquele povo para si; não indivíduos de
per si. E tanto que milhares de israelitas se desviaram, porém a eleição de
Israel, como povo, prosseguiu.
Ora, irmãos,
não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e
todos passaram pelo mar. E todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar, E
todos comeram de uma mesma comida espiritual, E beberam todos de uma mesma
bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra
era Cristo. Mas Deus não se agradou da maior parte deles, por isso foram
prostrados no deserto. 1 Coríntios 10:1-5
A livre-escolha
do homem é uma realidade inconteste. A Bíblia acentua a cada passo a
responsabilidade do homem no tocante à sua salvação. DEUS oferece a salvação a
todos pela pregação do evangelho (aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura
da pregação 1 Coríntios 1:21b) e, após ouvir e crer, vem o arrependimento mediante
o seu ESPÍRITO, convence o pecador do seu pecado, da justiça e do juízo O homem
aceita a salvação ou rejeita-a (Is 1.19,20; Js 24.15; Dt 30.19; Jo 1.11,12;
3.15,16,19; Ap 22.17; Lc 13.34; Ato 7.51; I Rs 18.21; 1 Tm 4.1; 2 Cr 15.2; Mac
16.16; Hb 2.3; 3.12; 12.25).
Não existe
graça irresistível. O homem através dos tempos tem resistido a DEUS, por sua
incredulidade e rebeldia (At 7.51; 1 Ts 5.19; Pv 1.23-30; Mt 23.37; 2 Pe 2.21;
Hb 6.6,7; Tg 5.19). Ora, a ação do ESPÍRITO SANTO no pecador, para que se
salve, é persuasiva, e não compulsória: “Assim que, sabendo o temor que se deve
ao Senhor, persuadimos os homens à fé, mas somos manifestos a DEUS; e espero
que, na vossa consciência, sejamos também manifestos” (2 Co 5.11).
O ESPÍRITO
SANTO CONVIDA – NÃO OBRIGA.
Um cristão
salvo pode vir a se perder; pode, sim, desviar-se, cair em pecado e perecer,
caso não se arrependa ante a insistência do ESPÍRITO SANTO (Ez 18.24,26; 33.18;
Hb 3.12-14; 5.9; 1 Tm 4.1; 5.15; 12.25; 2 Pe 3.17; 2.20-22; Rm 11.21,22; ITs
5.15; Dt 30.19; I Cr 28.9; 2 Cr 15.2; 1 Co 10.12; Jo 15.6). Essa verdade fica ainda
mais evidente quando consideramos o “se” condicional quanto à salvação (Hb 2.3;
3.6,14; Cl 1.22,23), bem como a condição: “ao que vencer”, que aparece sete
vezes em Apocalipse 2 e 3.
As palavras de
JESUS em João 6.37 — “Todo o que o PAI me dá, esse virá a mim, e o que vem a
mim de maneira nenhuma o lançarei fora” — significam que DEUS destinou à
salvação, não somente este ou aquele indivíduo, mas sim todo aquele que nEle
crê (Jo 3.16). Ou seja, tal passagem refere-se ao fato de DEUS aceitar o
pecador quando este vem a Ele.
Outro texto
empregado pelos predestinalistas é João 10.27,28: “As minhas ovelhas ouvem a
minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca
hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos”. Note
que o versículo
27 mostra as condições da ovelha, para que ela nunca venha a perecer, nem sair
das mãos de JESUS e do PAI (cf. Jo 6.67).
Se não há
perigo de queda definitiva para o crente, por que a Bíblia adverte com tanta
ênfase para que ninguém caia (1 Co 10.12; Hb 3.12; Jo 15.6; 1 Tm 4.1
[“apostatarão”]; 2Ts 2.3 [“apostasia”]; Pv 16.18; 28.14; Ap 2.4,5)?
Porque; se
viverdes segundo a carne, morrereis... (Rm 8.13).
Portanto,
irmãos, procurai Fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque,
fazendo isto, nunca jamais tropeçareis (2 Pe 1.10).
Antes, subjugo
o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não
venha de alguma maneira a ficar reprovado (1 Co 9.27).
... porquanto
vos desviastes do Senhor, o Senhor não estará convosco (Nm 14.43).
O verdadeiro significado
da predestinação. Em 1 Timóteo 2.4, está escrito: “DEUS quer que todos os homens se salvem”. Nisto
está incluído o mundo inteiro que queira.
1Jo 2.2 E ele é
a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também
pelos de todo o mundo. AQUI A PALAVRA TODOS É TODOS OS SERES HUMANOS MESMO E
MUNDO SIGNIFICA TODAS AS CRIATAURAS HUMANAS.
De fato, todos os que verdadeiramente crêem,
se salvam; somos testemunhas disso. O Senhor predestinou à salvação todo aquele
que aceitar a JESUS. A própria aceitação VEM PELA FÉ NA GRAÇA DE DEUS (JESUS
REALIZOU A OBRA DE SALVAÇÃO, não nós), para que ninguém se glorie julgando que
assim contribuiu para a sua salvação. Cada ser humano recebeu de DEUS uma
medida de fé e deve desenvolver esta fé para DEUS e não para o diabo. A fé para
ser salvo vem assim:
De sorte que a
fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. Romanos 10:17
A predestinação
fatalista da alma, como ensinada pelos calvinistas, bem como a dependente de
obras humanas, propalada pelos arminianistas, não têm apoio na Palavra de DEUS.
O termo original de onde provém a nossa palavra “predestinação” (gr. proorizo)
significa “destinar de antemão”, “predeterminar”, “preestabelecer”, “prefixar”,
“preeleger” etc.
Esse vocábulo
aparece seis vezes no Novo Testamento, variavelmente traduzido, dependendo da
versão utilizada. Na versão Revista e Corrigida (ARC), a palavra aparece nas
seguintes passagens:
Atos 4.28 —
“anteriormente determinado”.
Romanos 8.29 —
“predestinou”.
Romanos 8.30 —
“predestinou”.
1 Coríntios 2.7
— “ordenou antes”.
Efésios
1.5—“predestinou”.
Efésios 1.11 —
“predestinados”.
A predestinação
que a Bíblia realmente ensina não é a de uns para a vida eterna e a de outros
para a perdição eterna. A predestinação é para os que quiserem ser salvos,
conforme lemos em 2 Tessalonicenses 2.13 e 2 Timóteo 2.10: “DEUS nos escolheu
desde o princípio para a salvação”; “Escolhidos para que também alcancem a
salvação”.
Eleição é o ato
divino pelo qual DEUS escolhe ou elege um povo para si, para salvá-lo (2Ts
2.13). Predestinação é o ato de DEUS determinar o futuro desse povo. No Novo
Testamento, esse povo é a Igreja, o Corpo de CRISTO, o povo salvo (Ef 1.22,23).
Na
predestinação de DEUS para a Igreja está a sua conformação à imagem do FILHO de
DEUS (Rm 8.29), a sua chamada para a salvação (Rm 8.30), a sua justificação (Rm
8.30) e a sua glorificação (Rm 8.30). Essa conformação depende de chamada,
justificação e glorificação do crente. E depende, ainda, da santidade de DEUS
(Ef 1.4) e da adoção de filhos (Ef 1.5).
Outrossim, a
eleição divina não consiste somente na soberania de DEUS, mas também na sua
graça (Rm 11.5).
A real
segurança da salvação. O crente está seguro quanto à sua salvação enquanto
permanecer em CRISTO (Jo 15.1-6). Não há segurança fora de JESUS e do seu
aprisco. Não há segurança espiritual para ninguém, estando em pecado (cf. Rm
8.13; Hb 3.6; 5.9). JESUS guarda o crente do pecado; e não no pecado.
Somos mantidos
em CRISTO pelo seu poder, mediante a nossa fé nEle (1 Pe 1.5; Jd v.20; 2 Co
I.24b). A salvação é eterna para os que obedecem ao Senhor (Hb 5.9; 1 Co
15.1,2). Estamos em pé pela fé em CRISTO, e não pela predestinação: “tu estás
em pé pela fé” (Rm 11.20); “se é que permaneceis firmes e fundados na fé” (Cl
1.22,23); “DEUS é salvador de todos, mas principalmente dos fiéis [lit. “dos
que crêem”]” (1 Tm 4.10).
Há vários
outros textos que também mostram a segurança do crente somente enquanto este
está em CRISTO:
Pois que tão
encarecidamente me amou, também eu o livrarei; pô-lo-ei num alto retiro, porque
conheceu o meu nome (Sl 91.14).
Tenho posto o
Senhor continuamente diante de mim; por isso que ele está à minha mão direita,
nunca vacilarei (Sl 16.8).
Porque nos
tornamos participantes de CRISTO, se retivermos firmemente o princípio da nossa
confiança até ao fim (Hb 3.14).
...eu sei em
quem tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito
até àquele Dia (2 Tm 1.12).
[Senhor JESUS
CRISTO, o qual vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no
Dia de nosso Senhor JESUS CRISTO (1 Co 1.8).
O crente deve
obedecer a DEUS; não para que a sua obediência o salve ou o mantenha salvo, mas
como uma expressão da sua salvação, do seu amor e da sua gratidão para com
aquEle que o salvou. Não nos tornamos salvos por aquilo que fazemos ou deixamos
de fazer, mas pela fé em JESUS CRISTO (At 16.31). A conservação da salvação
também vem pela fé em CRISTO, pois está escrito: “O justo viverá da fé” (Rm
I.17).
Conclusão. A
doutrina da predestinação como ensinada pelo calvinismo só leva em conta a
soberania de DEUS, e não a sua graça (Rm 11.5; Tt 2.11) e a sua justiça (SI
145.17; Rm 3.21; 1.17; 10.3). Em Ezequiel 18.23 ;33.11 vemos que DEUS quer que
o ímpio se converta, e não apenas os eleitos e predestinados. DEUS jamais
predestinaria alguém ao inferno sem lhe dar oportunidade de salvação. Isso
aviltaria a natureza dEle.
Até a natureza
prega o evangelho – mostra um ser que criou tudo isto e assim o homem deve
procurar por este criador – ouvir e crer no evangelho – “Porque as suas coisas
invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua
divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas,
para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o
glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se
desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu”. Romanos 1:20,21.
Se todos já
estão predestinados quanto ao seu destino eterno, então não há lugar para
escolha, decisão ou livre-arbítrio por parte do homem. Entretanto, temos essa
escolha mencionada e exposta em vários textos bíblicos, como vimos.
Que DEUS nos
conceda cada dia uma visão espiritual cada vez mais ampla e profunda, a fim de
compreendermos a sublimidade da gloriosa salvação que JESUS CRISTO consumou; da
qual, pelo sacrifício de JESUS CRISTO, já somos participantes. Glória, pois, a
Ele!
A doutrina da
predestinação situando o crente na presciência de DEUS não está na Bíblia para
motivar choques de idéias, especulações ou coisas semelhantes; mas para, de
modo carinhoso, DEUS encorajar o crente. Através dela, o Senhor está mostrando
que antes que o mundo existisse, e o homem nascesse, Ele antecedeu- se e
antecipou-se a tudo, prevendo problemas e dificuldades em nosso caminho e nos
mostrando que é poderoso para nos levar a salvo para o seu Remo celestial (2Tm
4.18, ARA).
Tendo por certo
isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia
de JESUS CRISTO (Fp 1.6).
Ora, àquele que
é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis, com
alegria, perante a sua glória (..) seja glória e majestade; domínio e poder,
antes de todos os séculos, agora e para todo o sempre. Amém! (Jd vv.24,25).
A DOUTRINA DA
CHAMADA DIVINA PARA A SALVAÇÃO
Essa chamada
não se refere apenas à salvação, mas também ao plano de DEUS para a vida do
crente, como lemos em Efésios 4.1-15, especialmente nos versículos11 a 15:
E ele [CRISTO]
mesmo deu uns apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e
outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a
obra do ministério, para edificação do corpo de CRISTO, até que todos cheguemos
à unidade da fé e ao conhecimento do FILHO de DEUS, a varão perfeito, à medida
da estatura completa de CRISTO, para que não sejamos mais meninos
inconstantes... Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo
naquele que é a cabeça, CRISTO.
Em Efésios I.18
vemos também nessa chamada a esperança divina para a qual DEUS nos chamou:
“tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a
esperança da sua vocação e quais as riquezas da glória da sua herança nos
santos”. Na nossa chamada para a salvação temos o cumprimento da nossa eleição:
“Assim, os derradeiros serão primeiros, e os primeiros, derradeiros, porque
muitos são chamados, mas poucos, escolhidos” (Mt 20.16). Leia também Mateus
22.14.
A
Obra Salvífica de CRISTO - Daniel B. Pecota (TEOLOGIA SISTEMÁTICA STANLEY M.
HORTON)
CAPÍTULO DEZ
- A Obra Salvífica de CRISTO (Daniel B. Pecota)
A obra
salvífica de CRISTO é a coluna central no templo da redenção divina. É o
sustentáculo que carrega a maior parte do peso, sem o qual a estrutura jamais
poderia ter sido completada. Podemos compará-la também ao eixo em torno do qual
gira toda a atividade de DEUS na revelação. E a obra que fornece uma cabeça ao
corpo, um antítipo ao tipo, uma substância às sombras e prefigurações. Tais
afirmações em nada diminuem a importância do que DEUS fez em favor do seu povo,
segundo a aliança do Antigo Testamento, e às nações em redor. Para os
estudiosos das Escrituras, permanece sua incalculável relevância, refletindo o
pensamento de hebreus 1.1: "Havendo DEUS, antigamente, falado, muitas
vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes
últimos dias, pelo FILHO". DEUS falou de modo infalível e relevante no
passado, mas não pela última vez. Sua derradeira palavra só chegou com a vinda
de seu FILHO, e o registro dessa vinda aparece de forma infalível e definitiva
nos 27 livros do cânon do Novo Testamento.
O Significado
de Salvação
O estudo da
obra salvífica de CRISTO deve começar pelo Antigo Testamento, onde descobrimos,
nas ações e palavras divinas, a natureza redentora de DEUS. Descobrimos tipos e
predições específicos daquEle que estava para vir e do que Ele estava para
fazer. Parte de nossas descobertas provém da terminologia empregada no Antigo
Testamento para descrever a salvação, tanto a natural quanto a espiritual.
Qualquer um que
tenha estudado o Antigo Testamento, hebraico sabe quão rico é o seu
vocabulário. Os escritores sagrados empregam várias palavras que fazem
referência ao conceito geral de "livramento" ou "salvação",
seja no sentido natural, jurídico ou espiritual. O enfoque recai em dois
verbos: natsal e yasha'. O primeiro ocorre 212 vezes, mais frequentemente com o
significado de "livrar" ou "libertar". DEUS revelou a
Moisés ter descido para "livrar" Israel das mãos dos egípcios (Ex
3.8). Senaqueribe escreveu ao rei em Jerusalém: "O DEUS de Ezequias não
livrará o seu povo das minhas mãos" (2 Cr 32.17). Frequentemente, o
salmista implorava o salvamento divino (SI 22.21; 35.17; 69.14; 71.2; 140.1). O
emprego do verbo indica haver em vista uma "salvação" física, pessoal
ou nacional.
O termo assume
ainda conotação espiritual: a salvação mediante o perdão dos pecados. Davi
apela a DEUS para salvá-lo de todas as suas transgressões (SI 39.8). Em Salmos
51.14, é provável que Davi tenha em mente a restauração e salvação espirituais
pessoais, quando ora: "Livra-me dos crimes de sangue, ó DEUS, DEUS da
minha salvação, e a minha língua louvará altamente a tua justiça".
Embora o Salmo
79 seja uma lamentação por causa da invasão de Israel e da profanação do Templo
pelos inimigos, o salmista reconhece que um livramento só seria possível com o
perdão dos seus pecados (v. 9).
A raiz yasha
'ocorre 354 vezes, sendo a maior concentração nos Salmos (136 vezes) e nos
livros proféticos (cem vezes). Significa "salvar",
"livrar", "conceder vitória" ou "ajudar".
Ocasionalmente, a palavra ocorre sem matizes teológicas, por exemplo, quando
Moisés defende as filhas de Reuel e as livra da ação opressiva dos pastores (Ex
2.17). Mais frequentemente, porém, tem DEUS como o sujeito e o povo de DEUS
como o objeto. Ele livrou os seus de todos os tipos de aflição, inclusive de
inimigos nacionais e pessoais (Ex 14.30; Dt 20.4; Jz 3.9; Jr 17.14-18) e de
calamidades (2 Cr 20.9). Por isso, Yahweh é "Salvador" (Is 43.11,12),
"meu Salvador" (SI 18.14) e "minha salvação" (2 Sm 22.3; SI
27.1).
DEUS, mais
frequentemente, escolhia representantes para trazer a salvação. No entanto,
"os obstáculos a serem vencidos eram tão espetaculares que, sem a mínima
dúvida, era necessária a ajuda especial da parte do próprio DEUS". Em
Ezequiel, o termo assume qualidades morais. DEUS promete: "E vos livrarei
de todas as vossas imundícias" (36.29); "E os livrarei de todos os
lugares de sua residência em que pecaram e os purificarei" (37.23).
Lendo o Antigo
Testamento e considerando séria e literalmente a sua mensagem, facilmente
concluiremos que a salvação é um dos temas dominantes, e DEUS, o protagonista.
O tema da salvação já aparece em Gênesis 3.15, na promessa de que o Descendente
- ou "semente" - da mulher esmagará a cabeça da serpente. "Este
é o protoevangelium, o primeiro vislumbre da salvação que virá através daquEle
que restaurará o homem à vida". Javé salvava o seu povo através de juízes
(Jz 2.16,18) e outros líderes, como Samuel (1 Sm 7.8) e Davi (1 Sm 19.5). Javé
livrou até mesmo a Síria, inimiga de Israel, por meio de Naamã (2 Rs 5.1). Não
há salvador à parte do Senhor (Is 43.11; 45.21; Os 13.4).
O texto
clássico do emprego teológico de yasha', entre os narrativos, é Êxodo 14, onde
Javé "salvou Israel da mão dos egípcios" (v. 30). O evento veio a ser
o protótipo do que o Senhor faria no futuro para salvar o seu povo. Tudo
indicando o tempo em que DEUS traria a salvação, mediante o Servo sofredor - a
todos, não somente a Israel. Em Isaías 49.6, Ele diz ao Servo: "Também te
dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da
terra". Os "atos salvíficos no Antigo Testamento vão preparando o
palco para o derradeiro ato salvífico, que incluirá todas as pessoas sob suas
bênçãos". No que diz respeito ao conceito de "salvar",
"livrar" ou "libertar", a evidente riqueza lexical do
Antigo Testamento não ocorre no Novo. Este emprega primariamente a palavra
sõzõ, que significa "salvar", "preservar" ou "tirar do
perigo", e suas formas derivadas. Na Septuaginta, sõzõ traduz yasha' em
sessenta por cento das ocorrências, e sõtêria é empregada principalmente para
os derivados de yasha'. O termo hebraico sustenta o nome que o anjo anunciou a
José: "... e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos
seus pecados" (Mt 1.21). "O exegeta e filósofo judeu da Alexandria,
Filo, atesta que o significado do nome era muitíssimo bem conhecido, ao
interpretar assim o nome de Josué: Iêsous sõtêria kyriou - JESUS significa
salvação mediante o Senhor". Por isso, a palavra empregada no Novo
Testamento para a obra salvífica de CRISTO reflete ideias veterotestamentárias.
Sõzõ pode
referir-se a salvar a pessoa da morte (Mt 8.25; At 27.20,31), da enfermidade
física (Mt 9.22; Mc 10.52; Lc 17.19; Tg 5.15), da possessão demoníaca (Lc 8.36)
ou da morte que já sobreveio (Lc 8.50). Mas , na grande maioria das
ocorrências, refere-se à salvação espiritual que DEUS providenciou por meio de
CRISTO (1 Co 1.21; 1 Tm 1.15) e que as pessoas experimentam pela fé (Ef 2.8).
Embora o título
"salvador" (gr. sõtêr) fosse atribuído pelos gregos aos seus deuses,
líderes políticos e outros que trouxessem honra ou benefícios ao seu povo, na
literatura cristã era aplicado somente a DEUS (1 Tm 1.1) e a CRISTO (At 13.23;
Fp 3.20). O substantivo "salvação" (gr. sõtêria) aparece 45 vezes e
se refere quase exclusivamente à salvação espiritual, que é a possessão
presente e futura de todos os crentes verdadeiros. Todavia, embora as palavras
gregas traduzidas por "salvar" e "salvação" não sejam muito
frequentes, o próprio JESUS proclama o tema do Novo Testamento quando diz:
"O FILHO do Homem veio buscar e salvar [sõsai] o que se havia
perdido" (Lc 19.10).
As Naturezas de
DEUS e da Humanidade
A Bíblia,
portanto, revela um DEUS que salva, um DEUS que redime. Por que é necessária a
salvação espiritual? O que torna possível a salvação espiritual? São perguntas
que surgem, e as respostas que oferecemos relacionam-se ao nosso modo de ver a
natureza de DEUS e a da humanidade. O que aconteceria se DEUS não fosse como a
Bíblia nos revela, e não tivéssemos sido criados à sua imagem e
subsequentemente caído? A salvação, conforme a Bíblia a descreve, não teria
sido possível nem necessária. Logo, o drama da redenção tem como pano de fundo
o caráter de DEUS e a natureza da criação humana.
A Bíblia deixa
claro que todas as pessoas precisam de um Salvador e que elas não podem salvar
a si mesmas. Desde a tentativa feita pelo primeiro casal de cobrir - se e de
esconder-se de DEUS (Gn 3) e a primeira rebeldia que culminou com um
assassinato (Gn 4) até a última tentativa rebelde de desfazer os propósitos de
DEUS (Ap 20), a Bíblia é uma longa cantilena de atitudes degradadas e pecados
deliberados da raça humana. O pensamento do iluminismo moderno, que mais
comumente reflete ideias pelagianas, tem-se comprometido com a bondade
essencial da humanidade. A despeito de tudo que tinha visto e experimentado,
Anne Frank chega à conclusão, no seu diário: "Continuo crendo que as
pessoas realmente têm bom coração". Boa parte do pensamento moderno parece
acreditar que necessitamos de educação, e não de salvação; de um campus, e não
de uma cruz; de um planejador social, e não da propiciação de um Salvador.
Todos esses pensamentos otimistas colocam-se em contradição direta contra o
ensino das Escrituras.
Na coluna de
nuvem e de fogo, nos trovões e nas trevas do Sinai e no estabelecimento do
sistema sacrificial, com todos os seus preceitos e proibições, DEUS procurava
mostrar ao povo o abismo existente entre Ele e as pessoas, que somente Eterno
poderia ligar. Talvez achemos cansativo ler os pormenores sobre quem, quando,
como e o que DEUS exigia e aceitava. Que significado têm para nós, que vivemos
sob a nova aliança? Possivelmente, que DEUS diz a todos nós: "Se você quer
se aproximar de mim, seja segundo as minhas condições. Você não tem o direito
de inventar o seu próprio caminho". Nadabe e Abiú aprenderam isso de modo
fulminante (Lv 10.1,2; Nm 3.4), e todo o Israel com eles. Seria a experiência
de Ananias e Safira (At 5.1-11) um exemplo paralelo? DEUS não permitirá a
ninguém brincar com o que é exigido por sua santidade.
O Amor de DEUS
Sem menosprezar
a paciência, misericórdia e graça de DEUS, a Bíblia associa mais frequentemente
o desejo de DEUS em nos salvar ao seu amor. No Antigo Testamento, o enfoque
primário recai sobre o amor segundo a aliança, como se vê em Deuteronômio 7:
O Senhor não
tomou prazer [heb. chashaq] em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão
era mais do que a de todos os outros povos... mas porque o Senhor vos amava
[heb. 'ahev]; e, para guardar o juramento que jurara a vossos pais... vos
resgatou da casa da servidão... Será, pois, que, se, ouvindo estes juízos, os
guardardes e fizerdes, o Senhor, teu DEUS, te guardará o concerto e a
beneficência [heb. chesedh] que jurou a teus pais; e amar-te-á [heb. 'ahev] e
abençoar-te-á (vv. 7,8,12,13).
Num capítulo a
respeito da redenção segundo a aliança, diz o Senhor: "Com amor [heb.
'ahavahj eterno te amei [heb. 'ahev]; também com amável benignidade [heb.
chesedh] te atraí" (Jr 31.3). A despeito da apostasia e
idolatria de Israel, DEUS amava com amor eterno.
O Novo
Testamento emprega agapaõ ou agapê para referir-se ao amor salvífico de DEUS.
No grego pré-bíblico, essas' palavras tinham pouca relevância. No Novo
Testamento, porém, são óbvios o seu poder e calor. "DEUS é agapê" (1
Jo 3.16). Por isso, "ele deu seu FILHO unigénito" (Jo 3.16) para
salvar a humanidade. DEUS tem demonstrado seu amor imerecido para conosco
"em que CRISTO morreu por nós, sendo nós ainda pecadores" (Rm 5.8). O
Novo Testamento dá amplo testemunho do fato de que o amor de DEUS o impeliu a
salvar a humanidade perdida. Por isso, estes quatro atributos de DEUS - a
paciência, a misericórdia, a graça e o amor - demonstram a sua bondade ao
prover a nossa redenção.
Se a Bíblia
ensina que a bondade de DEUS o levou a salvar a humanidade perdida, ensina
também que nada fora dEle mesmo o compeliu a fazer assim. A redenção tem a sua
origem no amor e na vontade de DEUS. E espontânea, Ele não se vê obrigado a
isso. Em Deuteronômio 7.7,8, Moisés ressalta esse fato, afirmando que o
Senhor não escolheu Israel pelo que eram os israelitas, mas porque Ele os amava
e era fiel à sua promessa. O caráter do próprio DEUS, isto é, o seu amor e
fidelidade, consignou-se quando Ele os escolheu e redimiu, embora fossem
teimosos (Dt 9.6; 10.16).
Em Gálatas 1.4,
Paulo proclama que CRISTO "se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos
livrar do presente século mau, segundo a vontade de DEUS, nosso PAI". No
dia de Pentecostes, Pedro declarou que JESUS fora entregue à morte "pelo
determinado conselho e presciência de DEUS" (At 2.23). Embora não devamos
comprometer o poder infinitamente impulsor do amor divino, não podemos, por
outro lado, comprometer sua soberania.
O Novo
Testamento preserva tanto o amor quanto a soberania de DEUS, por não oferecer
nenhuma teoria da expiação, embora dê "vários indícios do princípio
segundo o que a expiação é levada a efeito". A despeito da abordagem
não-teorética do Novo Testamento, no decurso dos anos os teólogos da Igreja têm
proposto várias teorias. Como sempre acontece quando várias teorias tentam
explicar uma verdade bíblica, cada uma delas pode conter um núcleo de verdade.
Aspectos da
Obra Salvífica de CRISTO
O Sacrifício
Embora algumas
ideias já tenham sido estudadas, faz-se necessário examinar mais de perto
alguns aspectos da obra redentora de CRISTO. Várias palavras bíblicas a
caracterizam. Ninguém que leia as Escrituras de modo perceptivo pode fugir à
realidade de que o sacrifício está no âmago da redenção, tanto no Antigo quanto
no Novo Testamento. A figura de um cordeiro ou cabrito sacrificado como parte
do drama da salvação e da redenção remonta à Páscoa (Ex 12.1-13). DEUS veria o
sangue aspergido e "passaria por cima" daqueles que eram protegidos
por sua marca. Quando o crente do Antigo Testamento colocava as suas mãos no
sacrifício, o significado era muito mais que identificação (isto é: "Meu
sacrifício"). Era um substituto sacrificial (isto é: "Sacrifico isto
em meu lugar").
Embora não se
deva forçar demais as comparações, a figura é claramente transferida a CRISTO
no Novo Testamento. João Batista apresentou-o, anunciando: "Eis o Cordeiro
de DEUS, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29). Em Atos 8, Filipe
aplica às boas novas a respeito de JESUS a profecia de Isaías que diz que o
Servo seria levado como um cordeiro ao matadouro (Is 53.7). Paulo se refere a
CRISTO como "nossa Páscoa” (1 Co 5.7). Pedro afirma que fomos redimidos
"com o precioso sangue de CRISTO, como de um cordeiro imaculado e
incontaminado" (1 Pe 1.19). Até mesmo nas regiões celestiais, o Leão da
tribo de Judá era louvado e adorado como o Cordeiro que fora morto (Ap 5).
Embora alguns possam achar "sanguinário" o conceito do sacrifício,
removê-lo arranca da Bíblia o seu próprio âmago.
Os termos
"propiciação" e "expiação" relacionam-se estreitamente com
o conceito de sacrifício e procuram informar o efeito do sacrifício de CRISTO.
No Antigo Testamento, refletem kippere seus derivados; no Novo, hilaskomai e
seus derivados. Os dois grupos de palavras significam "aplacar",
"pacificar" ou "conciliar" (isto é, propiciar) e
"encobrir com um preço" ou "fazer expiação por" (a fim de
remover pecado ou ofensa da presença de alguém: expiar). As vezes a decisão de
escolher um significado em preferência a outro tem mais a ver com a posição
teológica que com o significado básico da palavra. Por exemplo, podemos tomar
uma decisão teológica a respeito do que a Bíblia quer dizer com ira de DEUS.
Precisa ela ser aplacada?
Colin Brown
refere-se a um "amplo segmento de estudiosos bíblicos que sustentam que o
sacrifício na Bíblia tem mais a ver com a expiação que com a propiciação".
G. C. Berkouwer refere-se à declaração de Adolph Harnack, no sentido de a
ortodoxia conferir em DEUS o "horrível privilégio" de não ter
"condições de perdoar por amor". Leon Morris assim expressa o
consenso geral dos evangélicos: "O ensino bíblico consistente é que o
pecado do homem tem incorrido na ira de DEUS... evitada pela oferta expiadora
de CRISTO. Deste ponto de vista, sua obra salvífica é corretamente chamada
propiciação". Nem a Septuaginta nem o Novo Testamento esvaziaram o pleno
significado de hilaskomai como "propiciação".
A Bíblia
abandona a crueza frequentemente associada à propiciação nos rituais pagãos. O
Senhor não é uma divindade malévola e caprichosa, cuja natureza permanece tão
inescrutável que nunca se sabe como Ele agirá. Mas sua ira não deixa de ser uma
realidade. A Bíblia, no entanto, ensina que DEUS, em seu amor, misericórdia e
fidelidade às suas promessas, forneceu os meios pelos quais a sua ira seria
aplacada. No caso do ensino neotestamentário, DEUS não somente forneceu os
meios como também veio a sê-los. 1 João 4.10 diz: "Nisto está a caridade:
não em que nós tenhamos amado a DEUS, mas em quem ele nos amou e enviou seu FILHO
para propiciação [gr. hilasmos] pelos nossos pecados".
Todos os
léxicos demonstram que kipper e hilaskomai significam "propiciar" e
"expiar". A diferença está na interpretação de seu significado nas
matérias bíblicas que tratam da expiação. Se aceitarmos o que a Bíblia diz a
respeito da ira de DEUS, uma solução possível se apresenta. As palavras têm uma
referência vertical e uma horizontal. Quando o contexto focaliza a expiação em
relação a DEUS, falam da propiciação. Mas significam expiação quando o enfoque
recai em nós e em nosso pecado. Não escolhemos "ou/ou", mas
"tanto/ quanto". O contexto histórico e literário determina o
significado apropriado.
Uma pergunta
pode surgir. Se JESUS suportou a penalidade da nossa culpa ao tomar sobre si a
ira de DEUS e cobrir o nosso pecado, teria sofrido exatamente as mesmas
consequências e o mesmo tipo e grau de castigo que aqueles em favor dos quais
morreu sofreriam cumulativamente? Afinal de contas, Ele era um só, e nós somos
muitos. Assim como a muitíssimas interrogações desse tipo, não há uma resposta
definitiva. A Bíblia não faz nenhuma tentativa nesse sentido. Lembremo-nos, no
entanto, que não temos na cruz um evento mecânico ou uma transação comercial. A
obra da salvação atua no plano espiritual, e não há analogias para explicar
tudo isso.
Primeiramente,
o sofrimento, pela sua própria natureza, não está sujeito a cálculo matemático
nem a ser pesado na balança. Em certo sentido, sofrer o pior caso de braço
quebrado é sofrer todos os casos. Morrer uma só morte excruciante e agonizante
é morrer todas elas. Em segundo lugar, é preciso relembrar o caráter e a
natureza do sofrimento pessoal. CRISTO era perfeito em santidade e, portanto,
não possuía nenhum senso de culpa ou remorso pessoal, que teríamos ao saber que
estávamos sofrendo o justo castigo pelos nossos pecados. Há algo de heroico na
incisiva repreensão do ladrão da cruz ao seu companheiro de crimes: "Tu
nem ainda temes a DEUS, estando na mesma condenação? E nós, na verdade, com
justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal
fez" (Lc 23.40,41). A perfeição de CRISTO não lhe diminuiu o sofrimento, e
até pode tê-lo intensificado, por saber Ele que era imerecido. Sua oração,
pedindo que não lhe fosse necessário "beber o cálice" não era um
gesto teatral. Ele bem sabia o sofrimento que o esperava. O fato de Ele ter
sofrido como DEUS certamente lança luz sobre a questão.
A Reconciliação
Diferente de
outros termos bíblicos e teológicos, "reconciliação" aparece em nosso
vocabulário comum. E um termo tirado do âmbito social. Todo relacionamento
interrompido clama por reconciliação. O Novo Testamento ensina com clareza que
a obra salvífica de CRISTO é um trabalho de reconciliação. Pela sua morte, Ele
removeu todas as barreiras entre DEUS e nós. O grupo de palavras empregado no
Novo Testamento (gr. allassõ) ocorre raramente na Septuaginta e é incomum no
Novo Testamento, até mesmo no sentido religioso. O verbo básico significa
"mudar", "fazer uma coisa cessar e outra tomar o seu
lugar". O Novo Testamento emprega-o seis vezes, sem referência à doutrina
da reconciliação (por exemplo, At 6.14; 1 Co 15.51,52). Somente Paulo dá conotação
religiosa a esse grupo de palavras. O verbo katallassõ e o substantivo
katallagê transmitem com exatidão a ideia de "trocar" ou
"reconciliar", da maneira como se conciliam os livros contábeis. No
Novo Testamento, o assunto em pauta é primariamente o relacionamento entre DEUS
e a humanidade. A obra reconciliadora de CRISTO restaura-nos ao favor de DEUS
porque "foi tirada a diferença entre os livros contábeis".
Os textos mais
relevantes são Romanos 5.9-11 e 2 Coríntios 5.16-21. Em Romanos, Paulo coloca a
ênfase na certeza de salvação. Usando duas vezes a expressão "quanto
mais", ele assevera que a obra de CRISTO nos salvará da ira de DEUS (Rm
5.9) e que quando ainda éramos inimigos (Cl 1.21-22) a sua morte nos
reconciliou com DEUS. Logo, o fato de Ele estar vivo garante a nossa salvação
(Rm 5.10). Podemos regozijar-nos em nossa reconciliação com DEUS por meio de
CRISTO (5.11). Se em Romanos a ênfase recai sobre o que DEUS fez "por
nós" em CRISTO, em 2 Coríntios incide sobre DEUS como agente principal da
reconciliação (cf. Cl 1.19,20) . O sermos novas criaturas provém de
DEUS "que nos reconciliou consigo mesmo por JESUS CRISTO" (2 Co 5.18)
e que "estava em CRISTO reconciliando consigo o mundo" (5.19). Estes
versículos enfatizam o que pode ser chamado reconciliação ativa: isto é, para
que a reconciliação aconteça, a parte lesada desempenha papel primário. Se a
pessoa lesada não demonstrar a disposição de acolher quem a lesou, não poderá
haver reconciliação.
Observe como
acontece a reconciliação nos relacionamentos humanos, entre marido e mulher,
por exemplo. Se eu pecasse contra minha esposa e assim provocasse um rompimento
em nossa relação, mesmo que eu tomasse a iniciativa e pedisse com sinceridade a
reconciliação - com presentes, flores ou rogando de joelhos - seria necessário
ela me perdoar de coração para que a restauração pudesse acontecer. Ela teria
de tomar a iniciativa, pois sua atitude é fator crucial. Em CRISTO, DEUS nos
garante que já tomou a iniciativa. Ele já nos perdoou. Agora, devemos
corresponder, reconhecendo que já rasgou de cima a baixo o véu que nos separava
dEle, e entrar com ousadia na sua presença perdoadora. Essa é a parte que
devemos cumprir, aceitando o que DEUS tem feito através de CRISTO. Se não
ocorrerem as duas ações, a reconciliação jamais acontecerá.
A Redenção
A Bíblia também
emprega a metáfora do resgate ou da redenção para descrever a obra salvífica de
CRISTO. O tema aparece muito mais frequentemente no Antigo Testamento que no
Novo. O tema aparece muitas vezes no Antigo Testamento, referindo-se aos ritos
da "redenção" no tocante às pessoas ou aos bens (cf. Lv 25; Rt 3 e 4,
que empregam a palavra hebraica ga'al). O "parente redentor" funciona
como um go'el. O próprio Javé é o Redentor (heb. go'el) do seu povo (Is 41.14;
43.14), e eles são os redimidos (heb. ge'ulim, Is 35.9; 62.12). O Senhor tomou
medidas para redimir (heb. padhah) os primogênitos (Êx 13.13-15). Ele redimiu
Israel do Egito (Êx 6.6; Dt 7.8; 13.5) e também os remirá do exílio (Jr 31.11).
Às vezes DEUS redime um indivíduo (SI 49.15; 71.23); ou um indivíduo ora,
pedindo a redenção divina (SI 26.11; 69.18). Mas a obra divina na redenção é
primariamente moral no seu escopo. Em alguns textos bíblicos, a redenção
claramente diz respeito aos assuntos morais. Salmos 130.8 diz: "Ele remirá
a Israel de todas as suas iniquidades". Isaías diz que somente os
"remidos", os "resgatados", andarão pelo chamado "O
Caminho SANTO" (Is 35.8-10). Diz ainda que a "filha de Sião"
será chamada "povo santo, os remidos do Senhor" (62.11,12).
No Novo
Testamento, JESUS é tanto o "Resgatador" quanto o
"resgate"; os pecadores perdidos são os "resgatados". Ele
declara que veio "para dar a sua vida em resgate [gr. lutron] de
muitos" (Mt 20.28; Mc 10.45). Era um "livramento [gr. apolutrõsis]
efetivado mediante a morte de CRISTO, que libertou da ira retributiva de DEUS e
da penalidade merecida do pecado". Paulo liga nossa justificação e o
perdão dos pecados à redenção que há em CRISTO (Rm 3.24; Cl 1.14, apolutrõsis
nestes dois textos). Diz que CRISTO "para nós foi feito por DEUS
sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção" (1 Co 1.30). Diz, também
que CRISTO "se deu a si mesmo em preço de redenção [gr. antilutron] por
todos" (1 Tm 2.6). O Novo Testamento demonstra claramente que Ele
proporcionou a redenção mediante o seu sangue (Ef 1.7; Hb 9.12; 1 Pe 1.18-19;
Ap 5.9), pois era impossível que o sangue dos touros e dos bodes tirasse os
pecados (Hb 10.4). CRISTO nos comprou (1 Co 6.20; 7.23, gr. agorazõ) de volta
para DEUS, e o preço foi o seu sangue (Ap 5.9).
Sendo que as
palavras subentendem o livramento de um estado de escravidão mediante o
pagamento de um preço, então, de que fomos libertos? A contemplação dessas
coisas é motivo de grande alegria! CRISTO nos livrou do justo juízo de DEUS que
realmente merecíamos, por causa dos nossos pecados (Rm 3.24,25). Ele nos livrou
das consequências inevitáveis de se quebrar a lei de DEUS, que nos sujeitava à
ira divina. Embora não façamos tudo quanto a Lei requer, já não estamos debaixo
de uma maldição. CRISTO tomou sobre si essa maldição (Gl 3.10-13). A sua
redenção conseguiu para nós o perdão dos pecados (Ef 1.7) e nos libertou deles
(Hb 9.15). Ele, ao entregar-se por nós, remiu-nos "de toda iniquidade [gr.
anomia]" (Tt 2.14), mas não para usar a "liberdade para dar ocasião à
carne" (Gl 5.13) ou como "cobertura da malícia" (1 Pe 2.16).
(Anomia é a mesma palavra que Paulo usa em 2,Tessalonicenses 2.3, ao referir-se
ao "homem do pecado".) O propósito de CRISTO ao redimir-nos é "purificar
para si um povo seu especial, zeloso de boas obras" (Tt 2.14).
Pedro diz que
"fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição,
recebestes dos vossos pais" (1 Pe 1.18). Não podemos ter certeza de quem
são os "pais". Seriam pagãos, judeus, ou ambos? Ambos, provavelmente,
pois o Novo Testamento considera fúteis os modos pagãos (At 14.15; Rm 1.21; Ef
4.17) e também vê certa futilidade nas práticas externas da religião judaica
(At 15.10; Gl 2.16; 5.1; Hb 9.10,25,26; 10.3,4). Haverá, também, uma redenção
final dos gemidos e dores da era presente quando acontecer a ressurreição, e
veremos o resultado de termos sido adotados como filhos de DEUS mediante a obra
de CRISTO na nossa redenção (Rm 8.22,23).
Os evangélicos
crêem que o Novo Testamento ensina haver CRISTO pago o preço pleno do resgate
para nos libertar. Sua é a obra objetiva da expiação, cujos benefícios, quando
aplicados a nós, não deixam nada a ser completado por nós. E uma obra
definitiva, não poderá ser repetida. Uma obra incomparável, que jamais será
imitada ou compartilhada por outros.
O Alcance da
Obra Salvífica de CRISTO
Há entre os
cristãos uma diferença significativa de opiniões quanto à extensão da obra
salvífica de CRISTO. Por quem Ele morreu? Os evangélicos, de modo global,
rejeitam a doutrina do universalismo absoluto (isto é, o amor divino não
permitirá que nenhum ser humano ou mesmo o diabo e os anjos caídos permaneçam
eternamente separados dEle). O universalismo postula que a obra salvífica de
CRISTO abrange todas as pessoas, sem exceção. Além dos textos bíblicos que
demonstram ser a natureza de DEUS de amor e de misericórdia, o versículo chave
do universalismo é Atos 3.21, onde Pedro diz que JESUS deve permanecer no Céu
"até aos tempos da restauração de tudo". Alguns entendem que a
expressão grega apokastaseõs pantõn ("restauração de todas as coisas")
tem significado absoluto, ao invés de simplesmente "todas as coisas, das
quais DEUS falou pela boca de todos os seus santos profetas". Embora as
Escrituras realmente se refiram a uma restauração futura (Rm 8.18-25; 1 Co
15.24-26; 2 Pe 3.13), não podemos, à luz dos ensinos bíblicos sobre o destino
eterno dos seres humanos e dos anjos, usar esse versículo para apoiar o
universalismo. Fazer assim seria uma violência exegética contra o que a Bíblia
tem a dizer deste assunto.
Entre os
evangélicos, a diferença acha-se na escolha entre o particularismo, ou expiação
limitada (CRISTO morreu somente pelas pessoas soberanamente eleitas por DEUS),
e o universalismo qualificado (CRISTO morreu por todos, mas sua obra salvífica
é levada a efeito somente naqueles que se arrependem e creem). O fato de
existir uma nítida diferença de opinião entre crentes bíblicos igualmente
devotos aconselha-nos a evitar a dogmatização extrema que temos visto no
passado e ainda hoje. Os dois pontos de vista, cada um pertencente a uma
doutrina específica da eleição, têm sua base na Bíblia e na lógica. Os dois
concordam que a questão não é de aplicação. Nem todos serão salvos. Os dois
concordam que, direta ou indiretamente, todas as pessoas receberão benefícios
da obra salvífica de CRISTO. O ponto de discórdia está na intenção divina:
tornar a salvação possível a todos ou somente para os eleitos?
Os
particularistas olham para os textos bíblicos que dizem que CRISTO morreu pelas
ovelhas (Jo 10.11, 15), pela Igreja (Ef 5.25; At 20.28) ou por
"muitos" (Mc 10.45). Citam também numerosas passagens que, em seus
respectivos contextos, claramente associam os que crêem à obra expiadora de
CRISTO (Jo 17.9; Gl 1.4; 3.13; 2 Tm 1.9; Tt 2.3; 1 Pe 2.24). Os particularistas
argumentam: (1) Se CRISTO morreu por todos, DEUS estaria sendo injusto se
alguém perecesse pelos seus próprios pecados, pois CRISTO tomou sobre si a
penalidade total, pelos pecados de todos. DEUS não cobraria duas vezes a mesma
dívida. (2) A doutrina da expiação ilimitada leva logicamente ao universalismo,
pois pensar de outra maneira lançaria dúvidas sobre a eficácia da obra de
CRISTO, que era para "todos". (3) A exegese e a hermenêutica sadias
deixam claro que a linguagem universal nem sempre é absoluta (cf. Lc 2.1; Jo
12.32; Rm 5.18; Cl 3.11).
Os defensores
do universalismo qualificado argumentam: (1) Somente este dá sentido à oferta
sincera do Evangelho a todas as pessoas. Os oponentes respondem que a ordem no
sentido de pregar o Evangelho a todos acha-se na Grande Comissão. Uma vez que a
Bíblia ensina a eleição e não sabemos quais são os eleitos (cf. At 18.10:
"Tenho muito povo nesta cidade [Corinto]"), devemos pregar a todos.
Mas seria esta uma oferta genuína da parte de DEUS, que diz: "Todo aquele
que desejar", quando Ele sabe que isso não é realmente possível? (2) Antes
da ascensão do calvinismo, o universalismo qualificado havia sido a opinião
majoritária desde o início da Igreja. "Entre os reformadores, a doutrina
encontra-se em Lutero, Melanchthon, Bullinger, Latimer, Cranner, Coverdale e
até mesmo Calvino, em alguns de seus comentários. Por exemplo, Calvino diz... a
respeito de Marcos 14.24, 'que por muitos é derramado: Com a palavra muitos,
Marcos quer dizer, não uma mera parte do mundo, mas a raça humana
inteira'". (3) As acusações de que, se fosse verdade uma expiação
ilimitada DEUS seria injusto e que o universalismo seria a conclusão lógica,
não podem ser sustentadas. Até mesmo os eleitos precisam crer para ser salvos.
A aplicação da obra de CRISTO não é automática. Se alguém optar por não crer,
não significa que CRISTO não tenha morrido por ele ou que se pode lançar
suspeitas sobre o caráter de DEUS.
O ponto crucial
da defesa, no entanto, é não se poder facilmente desconsiderar o significado
óbvio dos textos universalistas. Diz Millard Erickson: "A hipótese da
expiação universal consegue levar em conta um segmento maior do testemunho
bíblico com menos distorção que a hipótese da expiação limitada". Por
exemplo, Hebreus 2.9 diz que JESUS, pela graça de DEUS, provou a morte para
"todos". Fica bastante fácil argumentar que o contexto (2.10-13) não
significa todos de modo absoluto, mas os "muitos filhos" que JESUS
traz à glória. Semelhante conclusão, no entanto, vai além da credibilidade
exegética. Além disso, há um sentido universal no contexto (2.5-8,15). Quando a
Bíblia diz que "DEUS amou o mundo de tal maneira" (Jo 3.16) ou que
CRISTO é "o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29)
ou que Ele é "o Salvador do mundo" (1 Jo 4.14), significa isso mesmo.
Certamente a
Bíblia emprega a palavra "mundo" num sentido qualitativo,
referindo-se ao sistema maligno que Satanás domina. Mas CRISTO não morreu em
favor de um sistema. Entregou sua vida em favor das pessoas que dele fazem
parte. Em texto algum do Novo Testamento, "mundo" se refere à Igreja
ou aos eleitos. Paulo diz que JESUS "Se deu a si mesmo em preço de
redenção por todos" (1 Tm 2.6) e que DEUS "quer que todos os homens
se salvem" (1 Tm 2.4). Em 1 João 2.1,2, temos uma separação explícita
entre os crentes e o mundo e uma afirmação de que JESUS CRISTO, o Justo,
"é a propiciação" (v. 2) para ambos. H. C. Thiessen reflete o
pensamento do Sínodo de Dort (1618-19): "Concluímos que a expiação é
ilimitada no sentido de estar à disposição de todos; é limitada no sentido de
ser eficaz somente para aqueles que crêem. Está à disposição de todos, mas é
eficiente apenas para os eleitos".
A Ordem da
Salvação
DEUS, por sua
infinita bondade e justiça, enviou seu FILHO unigénito à cruz a fim de suportar
a penalidade total do pecado e poder perdoar livremente e com justiça todos
quantos comparecerem diante dEle. Como isso acontece na vida de uma pessoa?
Pensar a respeito da aplicação da obra de CRISTO a nós leva a considerar a
chamada ordo salutis ("ordem da salvação"), expressão que remonta a
1737, atribuída ao teólogo luterano Jakob Karpov, embora a ideia propriamente
dita seja mais antiga. Qual a ordem lógica (não a cronológica) na qual
experimentamos o processo de passar de um estado pecaminoso para o da plena
salvação? A Bíblia não oferece uma ordem específica, embora se ache
embrionariamente em Efésios 1.11-14 e em Romanos 8.28-30, onde Paulo alista a
presciência, a predestinação, o chamamento, a justificação e a glorificação,
sendo cada conceito edificado na ideia anterior.
O catolicismo
romano direciona essa ordem aos sacramentos, isto é: ao batismo, no qual a
pessoa experimenta a regeneração; à confirmação, na qual a pessoa recebe o
ESPÍRITO SANTO; à eucaristia, a participação da presença física de CRISTO; à
penitência, o perdão dos pecados não-mortais; e à extrema-unção, quando a
pessoa recebe a certeza da entrada no Reino de DEUS.
Entre os
protestantes, a diferença está primariamente entre a abordagem reformada e (de
modo geral) a wesleyana. A opinião que seguimos depende da nossa doutrina da
depravação. Subentenderia esta uma incapacidade total, onde a pessoa necessita
da obra regeneradora do ESPÍRITO SANTO para tornar-se capaz de se arrepender e
crer - a posição reformada? Neste caso, a ordem seria eleição, predestinação,
presciência, chamamento, regeneração, arrependimento, fé, justificação, adoção,
santificação e glorificação. Ou subentende que, por continuarmos a levar em nós
a imagem de DEUS, mesmo no estado caído, temos a capacidade de corresponder com
arrependimento e fé quando DEUS nos atrai a si? Neste caso, a ordem seria
presciência, eleição, predestinação, chamamento, arrependimento, fé,
regeneração e os demais. A diferença encontra-se na ordem dos três primeiros,
que se referem à atividade de DEUS na eternidade, e no posicionamento da
regeneração nessa ordem. A segunda das duas ordens é o ponto de vista adotado
nesse capítulo.
O
Arrependimento e a Fé
O
arrependimento e a fé são os dois elementos essenciais da conversão. Envolvem
uma "virada contra" (o arrependimento) e uma "virada para"
(a fé). As palavras primárias, no Antigo Testamento, para expressar a ideia de
arrependimento são shuv ("virar para trás", "voltar") e
nicham ("arrepender-se", "consolar"). Shuv ocorre mais de
cem vezes no sentido teológico, seja quanto ao desviar-se de DEUS (1 Sm 15.11;
Jr 3.19), seja no sentido de voltar para DEUS (Jr 3.7; Os 6.1). A pessoa também
pode desviar-se do bem (Ez 18.24, 26) ou desviar-se do mal (Is 59.20; Ez 3.19),
isto é, arrepender-se. O verbo nicham tem um aspecto emocional que não fica
evidente em shuv; mas ambas as palavras transmitem a ideia do arrependimento.
O Novo
Testamento emprega epistrephõ no sentido de "voltar-se" para DEUS (At
15.19; 2 Co 3.16) e metanoeõ/ metanoia para a idéia de
"arrependimento" (At 2.38; 17.30; 20.21; Rm 2.4). Utiliza-se de
metanoeõ para expressar o significado de shuv, que indica uma ênfase à mente e
à vontade. Mas também é certo que metanoia, no Novo Testamento, é mais que uma
mudança intelectual. Ressalta o fato de uma reviravolta da pessoa inteira, que
passa a operar uma mudança fundamental de atitudes básicas.
Embora o
arrependimento por si só não possa nos salvar, é impossível ler o Novo
Testamento sem tomar consciência da ênfase deste sobre aquele. DEUS
"anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam"
(At 17.30). A mensagem inicial de João Batista (Mt 3.2), de JESUS (Mt 4.17) e
dos apóstolos (At 2.38) era "Arrependei-vos!"85 Todos
devem arrepender-se, porque todos pecaram e destituídos estão da glória de DEUS
(Rm 3.23).
Embora o
arrependimento envolva as emoções e o intelecto, é a vontade que está mais
profundamente envolvida. Quanto a isso, basta citarmos como exemplos os dois
Herodes. O evangelho de Marcos apresenta o enigma de Herodes Antipas, um
déspota imoral que encarcerou João Batista por ter este denunciado o casamento
com a esposa de seu irmão Filipe, mas ao mesmo tempo "Herodes temia a
João, sabendo que era varão justo e santo" (Mc 6.20). Segundo parece,
Herodes acreditava em algum tipo de ressurreição (6.16). Portanto, possuía
algum entendimento teológico. Dificilmente poderíamos imaginar que João Batista
não lhe tenha proporcionado uma oportunidade de se arrepender.
Paulo
confrontou Herodes Agripa II com a própria crença do rei nas declarações
proféticas a respeito do Messias, mas o rei não quis ser persuadido a tornar-se
cristão (At 26.28). Não quis arrepender-se, embora não negasse a veracidade do
que Paulo lhe dizia a respeito de CRISTO. Todos nós precisamos dizer, assim
como o FILHO pródigo: "Levantar-me-ei, e irei ter com meu PAI" (Lc
15.18). A conversão subentende "voltar-se contra" o pecado, mas
igualmente "voltar-se para" DEUS. Embora não devamos sugerir uma dicotomia
absoluta entre as duas ações (pois só quem confia em DEUS dá o passo do
arrependimento), não está fora de propósito uma distinção. Quando cremos em
DEUS e confiamos totalmente nEle, voltamo-nos para Ele.
Entre as
declarações bíblicas sobre o assunto, esta é a fundamental: "Abraão creu
[heb. 'aman] no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça" (Gn 15.6).86
Moisés ligou a rebelião e desobediência dos israelitas à sua falta de confiança
no Senhor (Dt 9.23,24). A infidelidade de Israel (Jr 3.6-14) forma um nítido
contraste com a fidelidade de DEUS (Dt 7.9; SI 89.1-8; Os 2.2,5; cf Os 2.20). A
fé abrange a confiança. Podemos "depender" do Senhor ou nEle
"fiar-nos" (heb. batach) com confiança. Quem assim fizer será
bem-aventurado (Jr 17.7). Alegramo-nos porque podemos confiar no seu nome (SI
33.21) e no seu amor inabalável (SI 13.5). Podemos também
"refugiar-nos" (heb. chasah) nEle, conceito este que afirma a fé (SI
18.30; ver também Is 57.13).
No Novo
Testamento, o verbo pisteuõ ("creio, confio") e o substantivo pistis
("fé") ocorrem cerca de 480 vezes.87 Poucas vezes o
substantivo reflete a ideia da fidelidade como no Antigo Testamento (por
exemplo, Mt 23.23; Rm 3.3; Gl 5.22; Tt 2.10; Ap 13.10). Pelo contrário,
normalmente funciona como um termo técnico, usado quase exclusivamente para se
referir à confiança ilimitada (com obediência e total dependência) em DEUS (Rm
4.24), em CRISTO (At 16.31), no Evangelho (Mc 1.15) ou no nome de CRISTO (Jo
1.12). Tudo isso deixa claro que, na Bíblia, a fé não é "um salto no
escuro".
Somos salvos
pela graça mediante a fé (Ef 2.8). Crer no FILHO de DEUS leva à vida eterna (Jo
3.16). Sem fé, não poderemos agradar a DEUS (Hb 11.6). A fé, portanto, é a
atitude da nossa dependência confiante e obediente em DEUS e na sua fidelidade.
Essa fé caracteriza todo FILHO de DEUS fiel. E o nosso sangue espiritual (Gl
2.20).
Pode-se
argumentar que a fé salvífica é um dom de DEUS, até mesmo dizer que a presença
de anseios religiosos, inclusive entre os pagãos, nada tem a ver com a presença
ou exercício da fé. A maioria dos evangélicos, no entanto, afirma que
semelhantes anseios, universalmente presentes, constituem-se evidências
favoráveis à existência de um DEUS, a quem se dirigem. Seriam tais anseios
inválidos em si mesmos, à parte da atividade divina direta?
Não podemos,
obviamente, exercer a fé salvífica à parte da capacitação divina. Mas ensina a
Bíblia que, quando cremos, estamos simplesmente devolvendo o dom de DEUS? Seria
necessário, para protegermos o ensino bíblico da salvação pela graça mediante a
fé somente, insistir que a fé não é realmente nossa, mas de DEUS? Alguns citam
determinados versículos como evidências em favor de semelhante opinião. J. I.
Packer diz: "DEUS, portanto, é o autor de toda a fé salvífica (Ef 2.8; Fp
1.29)". H. C. Thiessen afirma que há "um lado divino da fé, e um lado
humano", e então declara: "A fé é um dom de DEUS (Rm 12.3; 2 Pe 1.1)
outorgado soberanamente pelo ESPÍRITO de DEUS (1 Co 12.9; cf. Gl 5.22). Paulo
diz que todos os aspectos da salvação são um dom de DEUS (Ef 2.8), e por certo
a fé está incluída aí".
E necessário
perguntar, no entanto: Indicam todas as referências citadas inequivocamente a
fé "salvífica"? Parece que Romanos 12.3 e 1 Coríntios 12.9 não se
referem a ela, e Gálatas 5.22 certamente não. A fé considerada nesses
versículos é a fé (ou fidelidade) demonstrada pelos crentes na contínua
experiência cristã. O versículo em Efésios desperta dúvidas, porque
"fé" é feminino e "isso" é neutro (em grego). Normalmente,
o pronome concorda com o antecedente quanto ao seu gênero. Paulo quer dizer que
a questão inteira de sermos salvos é dádiva de DEUS, ao invés de conquistarmos
a salvação pelas nossas boas obras. Louis Berkhof diz: "A verdadeira fé
salvífica é a que tem seu centro no coração e está arraigada na vida
regenerada". Poderíamos olhar para aqueles versículos de modo diferente?
Por exemplo: "A fé... é a resposta do homem. E DEUS quem possibilita a fé,
mas a fé (o ato de crer) não é de DEUS, mas do homem". A fé não é obra,
mas sim a mão estendida que se abre para aceitar a dádiva divina da salvação.
A Regeneração
Quando
correspondemos ao chamado divino e ao convite do ESPÍRITO e da Palavra, DEUS
realiza atos soberanos que nos introduzem na família do seu Reino: regenera os
que estão mortos nos seus delitos e pecados; justifica os que estão condenados
diante de um DEUS santo; e adota os filhos do inimigo. Embora estes atos
ocorram simultaneamente naquele que crê, é possível examiná-los separadamente.
A regeneração é
a ação decisiva e instantânea do ESPÍRITO SANTO, mediante a qual Ele cria de
novo a natureza interior. O substantivo grego (palingenesia) traduzido por
"regeneração" aparece apenas duas vezes no Novo Testamento. Mateus
19.28 emprega-o com referência aos tempos do fim. Somente em Tito 3.5 se refere
à renovação espiritual do indivíduo. Embora o Antigo Testamento tenha em vista
a nação de Israel, a Bíblia emprega várias figuras de linguagem para descrever
o que acontece. O Senhor "tirará da sua carne o coração de pedra e lhes
dará um coração de carne" (Ez 11.19). DEUS diz: "Espalharei água pura
sobre vós, e ficareis purificados... E vos darei um coração novo e porei dentro
de vós um espírito novo... E porei dentro de vós o meu espírito e farei que
andeis nos meus estatutos" (Ez 36.25-27). DEUS colocará a sua lei "no
seu interior e a escreverá no seu coração" (Jr 31.33). Ele
"circuncidará o teu coração... para amares ao Senhor" (Dt 30.6).
O Novo
Testamento apresenta a figura do ser criado de novo (2 Co 5.17) e a da
renovação (Tt 3.5), porém a mais comum é a de "nascer" (gr. gennaõ,
"gerar" ou "dar à luz"). JESUS disse: "Na verdade,
na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de
DEUS" (Jo 3.3). Pedro declara que DEUS, em sua grande misericórdia;
"nos gerou de novo para uma viva esperança" (1 Pe 1.3). E uma obra
que somente DEUS realiza. Nascer de novo diz respeito a uma transformação
radical. Mas ainda se faz mister um processo de amadurecimento. A regeneração é
o início do nosso crescimento no conhecimento de DEUS, na nossa experiência de
CRISTO e do ESPÍRITO e no nosso caráter moral.
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
REVISTA NA ÍNTEGRA LIÇÃO 7, CPAD, A OBRA
DO FILHO, 1º TRIMESTRE DE 2026
Escrita Lição 7, CPAD, A OBRA DO FILHO,
1Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV
Para nos ajudar PIX 33195781620 (CPF) Luiz
Henrique de Almeida Silva
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – A HUMILHAÇÃO VOLUNTÁRIA DO FILHO
1. A submissão de CRISTO
2. O esvaziamento de sua glória
3. Obediência sacrificial até à cruz
II – A OBRA REDENTORA DO FILHO
1. A ineficácia do sacerdócio levítico
2. O Sacrifício único e suficiente
3. A substituição vicária
III – A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO
1. Recebido à destra do PAI
2. Um nome acima de todo nome
3. Soberania universal e retorno triunfal
TEXTO ÁUREO
“Pelo que também DEUS o exaltou
soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.” (Fp 2.9)
VERDADE PRÁTICA
A humilhação voluntária de CRISTO, sua
obra redentora e sua exaltação gloriosa revelam que somente Ele é digno de toda
adoração e obediência.
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Rm 12.2 O cristão precisa viver na
vontade de DEUS
Terça - Jo 17.5
JESUS renunciou sua glória celestial
Quarta - Hb 12.2 CRISTO está glorificado à
direita do PAI
Quinta - Jo 19.30 JESUS completou a obra que o
PAI lhe confiou
Sexta - Hb 1.3 CRISTO é Rei e Sacerdote
Sábado - Hb 9.28 CRISTO voltará glorioso para
buscar sua Igreja
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Filipenses
2.5-11; Hebreus 9.24-28
Filipenses 2.5 -
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em CRISTO
JESUS, 6 - que, sendo em forma de DEUS, não teve por usurpação ser igual a
DEUS. 7 - Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se
semelhante aos homens; 8 - e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo,
sendo obediente até à morte e morte de cruz. 9 - Pelo que também DEUS o exaltou
soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, 10 - para que ao nome
de JESUS se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da
terra,
11 - e toda língua confesse que JESUS
CRISTO é o Senhor, para glória de DEUS PAI.
Hebreus 9.24 -
Porque CRISTO não entrou num santuário feito por mãos, figura do
verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face
de DEUS; 25 - nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo
sacerdote cada ano entra no Santuário com sangue alheio. 26 - Doutra maneira,
necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora,
na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo
sacrifício de si mesmo. 27 - E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez,
vindo, depois disso, o juízo, 28 - assim também CRISTO, oferecendo-se uma vez,
para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o
esperam para a salvação.
https://www.cpad.com.br/harpa-crista-popular-grande-vinho-365638/p
HINOS SUGERIDOS: 39, 277, 491 da Harpa
Cristã
PALAVRA-CHAVE - Obra
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
A obra do FILHO de DEUS se revela em três
dimensões: sua humilhação voluntária, sua obra redentora e sua exaltação
gloriosa. Nesta
lição, veremos que Filipenses 2 e Hebreus 9 revelam que JESUS esvaziou-se de
sua glória, ofereceu-se em sacrifício vicário e foi exaltado pelo PAI.
Confirmaremos que essa obra é completa, suficiente e eterna, revelando que
somente Ele é digno de toda adoração e obediência.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Explicar a
humilhação voluntária de CRISTO e sua obediência até a cruz; II) Mostrar que a
obra redentora do FILHO é única, suficiente e vicária; III) Ressaltar a
exaltação gloriosa de CRISTO e sua soberania universal.
B) Motivação: Ao contemplarmos a
trajetória de CRISTO - da humilhação à exaltação -, entendemos que a salvação
não vem de nossos méritos, mas da obediência perfeita do FILHO. Sua cruz nos
redime e sua exaltação garante nossa esperança. Essa verdade deve nos inspirar
a viver em santidade, submissão e expectativa do seu retorno.
C) Sugestão de Método: Antes de iniciar a
aula, escreva no quadro três palavras: Humilhação - Redenção - Exaltação.
Divida a classe em três grupos e entregue a cada grupo um conjunto de
versículos correspondentes (Fp 2.5-8; Hb 9.24-28; Fp 2.9-11). Peça que cada
grupo leia e prepare uma explicação simples sobre como o texto se relaciona com
sua palavra. Em seguida, cada grupo compartilha com a classe. Finalize
mostrando que essas três dimensões formam a obra completa de CRISTO.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: A obra do FILHO é perfeita e
suficiente. Ele se humilhou para nos salvar, ofereceu-se como sacrifício
vicário para nos redimir e foi exaltado à destra do PAI, onde reina soberano.
Diante disso, devemos viver em obediência, gratidão e esperança, aguardando com
fidelidade o retorno triunfal de CRISTO.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena
conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de
apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.39, você encontrará um
subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico,
você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O
texto "A Glória Eterna e o Esvaziamento de CRISTO", localizado depois
do primeiro tópico, aprofunda o tema da humilhação voluntária do FILHO de DEUS;
2) O texto "O Sangue de JESUS CRISTO", ao final do segundo tópico,
aprofunda o tema da Obra Redentora do FILHO, tendo no derramamento de sangue
sua expressão máxima de salvação.
COMENTÁRIO – INTRODUÇÃO
JESUS CRISTO é o FILHO eterno de DEUS, que
assumiu a forma humana, viveu uma vida sem pecado, morreu em nosso lugar e
ressuscitou vitoriosamente. Sua missão abrange não apenas o perdão dos pecados,
mas a revelação do caráter do PAI e a restauração de toda a criação. Esta lição
visa apresentar a profundidade da obra do FILHO em três dimensões: sua
humilhação, sua redenção e sua exaltação.
I – A HUMILHAÇÃO VOLUNTÁRIA DO FILHO
1. A submissão de CRISTO
Paulo exorta a igreja de Filipos à unidade
e à humildade (Fp 2.1-4). O apóstolo adverte aqueles irmãos a terem a mente de CRISTO:
“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em CRISTO JESUS”
(Fp 2.5). O termo grego traduzido como “sentimento” é phroneō, que também pode
significar “modo de pensar” e “disposição mental”. Dessa forma, os crentes
devem assumir o mesmo modo de pensar e viver que foi demonstrado por CRISTO (1
Jo 2.6). Refere-se a uma consciência moldada pela humildade, amor e obediência
(Jo 13.15). Imitar a mente de CRISTO significa renunciar ao egoísmo, buscar o
bem do próximo e viver para a glória de DEUS (Rm 12.2). Como cristãos, somos
chamados não apenas a crer em CRISTO, mas a pensar e agir como Ele (Mt 11.29).
2. O esvaziamento de sua glória
O apóstolo recorda que JESUS, “sendo em
forma de DEUS, não teve por usurpação ser igual a DEUS” (Fp 2.6). Sendo Ele
igualmente DEUS, compartilhando da mesma natureza do PAI (Jo 1.1) — preferiu
privar-se de seus direitos — não da sua divindade. Trata-se de um contraste com
o primeiro Adão, que almejou ser “como DEUS” (Gn 3.5), enquanto CRISTO, o
segundo Adão, sendo DEUS, preocupou-se com o bem-estar dos outros (Fp 2.4b).
Essa realidade é confirmada quando JESUS “aniquilou-se a si mesmo, tomando a
forma de servo” (Fp 2.7a), isto é, esvaziou-se voluntariamente (gr. kénosis),
assumindo a natureza humana na forma de servo (Fp 2.7b; Hb 4.15). Isso não
significa a perda de sua divindade, mas a renúncia da glória que Ele possuía na
eternidade com o PAI (Jo 17.5).
3. Obediência sacrificial até à cruz
A obediência de CRISTO foi plena, desde a
encarnação até o Calvário: “na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo
obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.8). Ele desceu à condição mais
humilde e morreu como servo (2 Co 8.9). Em obediência ao PAI e em favor dos
pecadores, submeteu-se à humilhação da cruz (Hb 12.2). Revela a Escritura que o
primeiro Adão trouxe condenação pelo pecado; e, CRISTO, o segundo Adão, trouxe
justiça por meio de sua perfeita obediência (Rm 5.19). Essa verdade ratifica
que a Obra Redentora do FILHO está fundamentada na obediência completa de CRISTO
ao PAI (Jo 6.38). A nossa salvação é resultado dessa obediência, e não de
nossos méritos (Ef 2.8,9). Assim como CRISTO, devemos obedecer à vontade do PAI
(Rm 12.1).
SINÓPSE I - A humilhação do FILHO revela sua
submissão, esvaziamento e obediência até a cruz.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO - A GLÓRIA ETERNA E O ESVAZIAMENTO DE CRISTO
“JESUS CRISTO é o FILHO de DEUS, possuindo
em sua própria essência a natureza divina, sendo, portanto, igual ao PAI antes,
durante e depois de seu tempo na terra (cf. Jo 1.1; 8.58; 17.24; 20.28; Cl
1.15,17; Mc 1.11; veja o artigo Os Atributos de DEUS, p. 1025). Em outras
palavras, JESUS é, foi e sempre será DEUS. O fato de CRISTO não ter considerado
‘usurpação ser igual a DEUS’ significa que Ele, voluntariamente, abriu mão de
seus privilégios e de sua glória celestial para viver na terra como homem e,
por fim, entregar a sua vida a fim de que pudéssemos ser salvos. A expressão
grega utilizada é ekenōsen (do verbo kenoō, derivado de kenos, ‘vazio, vão’),
que literalmente significa ‘ele esvaziou-se’. Isso não quer dizer que JESUS
tenha renunciado à sua divindade (isto é, à sua plena natureza como DEUS), mas
que voluntariamente deixou de lado suas prerrogativas divinas, incluindo sua
glória celestial (Jo 17.4), posição (Jo 5.30; Hb 5.8), riqueza (2Co 8.9),
direitos (Lc 22.27; Mt 20.28) e o uso de seus atributos como DEUS (Jo 5.19;
8.28; 14.10). Esse esvaziamento implicou não apenas a suspensão voluntária de
seus privilégios divinos, mas também a aceitação do sofrimento humano, de
maus-tratos, do ódio e, em última instância, da maldição da morte na cruz”
(Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022,
p.2199).
II – A OBRA REDENTORA DO FILHO
1. A ineficácia do sacerdócio levítico
O sumo sacerdote entrava no SANTO dos
Santos uma vez por ano, no Dia da Expiação (Yom Kippur), levando sangue alheio
— o sangue de animais — para fazer propiciação por seus próprios pecados e
pelos do povo (Lv 16.11-15). Esse sacrifício era repetido anualmente porque não
era suficiente para remover o pecado (Hb 9.25). O sumo sacerdote terreno era
uma figura (tipo) de CRISTO, que é o real e eterno Sumo Sacerdote (Hb 2.17). O
santuário terreno era uma sombra (Hb 8.5), mas CRISTO entrou no céu mesmo, para
interceder por nós diante do PAI (Hb 8.1,2). A entrada única de CRISTO no
santuário com seu próprio sangue nos assegura uma eterna redenção (Hb 9.12).
Por ser imperfeito, o sacerdócio levítico foi substituído por um superior, o
sacerdócio de CRISTO (Hb 7.23,24).
2. O Sacrifício único e suficiente
Na Antiga Aliança, ofereciam-se
sacrifícios continuamente pelo pecado por causa da ineficácia dessas ofertas
(Hb 9.25; 10.1-4). Diferente do sistema levítico, a morte de JESUS foi
definitiva, completa e eficaz: “assim também CRISTO, oferecendo-se uma vez,
para tirar os pecados de muitos” (Hb 9.28a). A expressão “uma vez” (gr. hápax)
indica que não há necessidade de repetição: o que Ele fez é perfeito e eterno
(Hb 10.10). A salvação não é por causa dos méritos ou rituais, mas ela é plena
e gratuita, alcançada pela fé na obra consumada de JESUS (Jo 19.30). CRISTO, ao
morrer, rasgou o véu que separava o homem da presença de DEUS (Mt 27.51). Não
há outro meio de salvação, nenhuma outra oferta, nenhum outro nome (At 4.12). O
Calvário é suficiente. JESUS é tudo!
3. A substituição vicária
A expressão “vicária” vem do latim
vicarius, que significa “em lugar de outro”. A substituição vicária é
inseparável da justiça divina (Rm 3.26). O pecado não pode ser ignorado, e
precisa ser punido (Rm 5.21). Em virtude disso, DEUS não poupou seu próprio FILHO,
mas o entregou para morrer em nosso lugar, assumindo sobre si a penalidade que
nos era destinada (Rm 8.32). No sistema sacrificial da Lei, os animais
oferecidos tipificavam essa substituição, mas não removiam o pecado (Hb 10.4).
Em CRISTO, o Cordeiro de DEUS, a substituição é perfeita e definitiva: “na
consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo
sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26b). Assim, em adoração devemos viver para CRISTO
que por nós morreu (2 Co 5.15).
SINÓPSE II - A obra redentora de CRISTO é única,
suficiente e vicária, garantindo nossa salvação.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO - “O SANGUE DE JESUS
CRISTO.
O sangue de JESUS CRISTO, que representa o
seu sacrifício pelos nossos pecados, está intimamente ligado ao conceito de
redenção no Novo Testamento, isto é, à salvação espiritual [...]. Ao morrer na
cruz, JESUS derramou o seu sangue inocente para remover os nossos pecados e
restaurar a possibilidade de desfrutarmos de um relacionamento correto com DEUS
(Rm 5.8,19; Fp 2.8; cf. Lv 16).
Por meio de seu sangue, JESUS realizou uma
grande obra:
(1) Seu sangue fornece o perdão para os
pecados de todos aqueles que se convertem de suas próprias maneiras e depositam
sua fé em CRISTO (Mt 26.28).
(2) Seu sangue resgata (isto é, restaura)
todos os verdadeiros crentes do controle de Satanás e dos poderes malignos (At
20.28; Ef 1.7; 1 Pe 1.18-19; Ap 5.9; 12.11).
(3) Seu sangue justifica (isto é, torna
correto com DEUS) todos os que confiam a vida a Ele (Rm 3.24-25)” (Bíblia de
Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.2315).
III – A EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO
1. Recebido à destra do PAI
Após sua humilhação voluntária, o FILHO
foi entronizado nos céus com glória eterna: “pelo que também DEUS o exaltou
soberanamente” (Fp 2.9a). A exaltação de CRISTO está ligada à sua obediência
perfeita (Fp 2.8). O verbo “exaltou” (gr. hyperypsōsen) denota uma elevação
acima de toda medida. CRISTO não apenas venceu a morte, mas foi exaltado à
posição suprema no Universo. Ocupou o lugar de honra à destra do PAI — símbolo
de autoridade, glória e soberania (Hb 1.3). Estar assentado ali expressa o
reconhecimento divino da obra completa do FILHO (Jo 17.4,5). CRISTO não apenas
voltou para o céu, Ele assentou-se no trono (Ap 3.21). Sua exaltação garante
nosso acesso à presença de DEUS. Ele intercede por nós (Rm 8.34), e reina como
Rei dos reis (Ap 19.16).
2. Um nome acima de todo nome
CRISTO recebeu de DEUS PAI “um nome que é
sobre todo o nome” (Fp 2.9b). Na Bíblia, o nome carrega o sentido de caráter e
autoridade. Dessa forma, dizer que CRISTO recebeu um nome sobre-excelente, a
Escritura afirma que nenhuma autoridade, seja visível ou invisível, se compara
ao seu poder e posição (Ef 1.21a). Isso significa que CRISTO foi exaltado acima
de toda eminência do bem e do mal, e de todo título que se possa conferir nessa
era e também no porvir (Ef 1.21b). Não existe poder algum que seja maior e nem
mesmo igual ao poder de CRISTO (1 Pe 3.22). Portanto, o nome de JESUS não é
apenas um símbolo de fé, mas uma fonte real de autoridade espiritual. O Senhor
delegou à Igreja o uso de seu nome, para curar, libertar, pregar e vencer as
forças do mal (Mc 16.17,18).
3. Soberania universal e retorno triunfal
A Escritura revela que todas as criaturas
se curvarão diante do nome de JESUS (Fp 2.10). Essa verdade aponta para a plena
soberania de CRISTO (At 2.36). A confissão universal de que “JESUS CRISTO é o
Senhor” se dará de duas maneiras: voluntária, por aqueles que creem e servem a JESUS
como Salvador (Rm 10.9,10), e, compulsória, por aqueles que o rejeitaram, mas
que o reconhecerão em juízo (Rm 14.11; Fp 2.11). Hebreus completa a visão
escatológica da soberania de CRISTO, afirmando que Ele voltará para levar para
si os que o esperam (Hb 9.28). Essa vinda será em glória, poder e juízo (Mt
24.30). Sua glória será reconhecida por todos — para salvação ou para
condenação. Ele voltará, triunfante, para buscar a sua Igreja e reinar
eternamente (Jo 14.2,3; Ap 11.15).
SINÓPSE III - A exaltação gloriosa de CRISTO manifesta
sua soberania universal e assegura o triunfo final da Igreja.
CONCLUSÃO
A obra do FILHO é completa, suficiente e
gloriosa — da humilhação à exaltação. Ele se humilhou para nos salvar,
ofereceu-se em sacrifício vicário para nos redimir e foi exaltado para governar
eternamente. Como Igreja, somos chamados a viver em comunhão com essa verdade,
aguardando o retorno do nosso Senhor e Salvador. Vivamos como servos daquEle
que nos serviu com sua vida e nos salvou com seu sangue.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. De acordo com a lição, o que significa
imitar a mente de CRISTO?
Imitar a mente de CRISTO significa
renunciar ao egoísmo e viver em humildade, amor e obediência.
2. A Obra Redentora do FILHO está
fundamentada em quê e qual é o resultado dela?
Está fundamentada na obediência completa
de CRISTO ao PAI; o resultado é a nossa salvação.
3. Por que o sacerdócio levítico foi
substituído pelo sacerdócio de CRISTO?
Porque o sacerdócio levítico era
imperfeito e não removia os pecados; CRISTO é o Sumo Sacerdote perfeito.
4. O que a exaltação de CRISTO ao voltar
para o Céu e assentar-se no trono garante para nós?
Garante-nos acesso à presença de DEUS e
intercessão contínua de CRISTO.
5. O nome de JESUS é um símbolo de fé, mas
também uma fonte real de autoridade espiritual. O próprio Senhor delegou à
Igreja o uso de seu nome com que finalidade?
Para curar, libertar, pregar e vencer as
forças do mal.
