quinta-feira, 3 de julho de 2014

Lição 1 - Tiago - Fé que se mostra pelas obras 1 parte

Lição 1 - Tiago - Fé que se mostra pelas obras
LIÇÕES BÍBLICAS - 3º Trimestre de 2014 - CPAD - Para jovens e adultos
Tema: FÉ E OBRAS - Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica
Comentário: Pr. Eliezer de Lira e Silva
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
 
 
TEXTO ÁUREO
"Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2.17).
 
 
VERDADE PRATICA
A nossa fé tem de produzir frutos verdadeiros de amor, do contrário, ela se apresenta falsa.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Hb 10.24 As boas obras devem ser estimuladas
Terça - 1 Tm 6.1 7-19 As boas obras e as riquezas do mundo
Quarta - Tg 2.14-17 É possível haver fé sem as obras?
Quinta - Ef 2.8,9 Não somos salvos pelas boas obras
Sexta - Ef 2.10 Salvos praticam boas obras
Sábado - Rm 12.9,10 Amor cordial e fraterno
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Tiago 2.14-26
14 - Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo? 15 - E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano,
16 - e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentar-vos e fartai- -vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? 17 - Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. 18 - Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra- -me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. 19 -Tu crês que há um só DEUS? Fazes bem; também os demônios o creem e estremecem. 20 - Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? 21 - Porventura Abraão, o nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? 22 - Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada, 23- e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em DEUS, e foi-Ihe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de DEUS. 24 - Vedes, então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé. 25 - E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras, quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho? 26 - Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.
 
INTERAÇÃO
“Fé e obras: Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica” é o tema deste trimestre! Portanto, estudaremos a Epístola de Tiago. O comentarista é o pastor Eliezer de Lira e Silva, conferencista de Escolas Bíblicas e diretor do projeto missionário Ide Ensinai em Moçambique, África.
Ao ler a Epístola Universal de Tiago chegamos à conclusão de que
o Evangelho não admite uma vida cristã acompanhada de um discurso desassociado da prática. A nossa fé deve ser confirmada através das obras. Caro professor, de maneira profunda, estude esta epístola, pois, temos um grande desafio: convencer os nossos alunos de que vale a pena levar estes ensinamentos até as últimas consequências.
 
OBJETIVOS - Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
Descrever as questões de autoria, local, data e destinatário da epístola.
Entender o propósito da epístola.
Destacar a atualidade da epístola.
 
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Prezado professor, para iniciar o estudo da Carta de Tiago sugerimos que reproduza o esquema da página seguinte na lousa, ou em cópias, conforme as suas possibilidades. O esquema é um esboço da epístola a ser estudada. Ele vai auxiliar na análise panorâmica da carta. Neste esquema ainda constam informações como: a estrutura da epístola, autoria, tema, data e uma consideração preliminar. Tenha uma boa aula!
 
 
PALAVRA-CHAVE
Fé: Confiança absoluta em alguém. A primeira das três virtudes teologais: fé, esperança e amor.
 
Resumo da Lição 1 - Tiago - Fé que se mostra pelas obras
I - AUTORIA, LOCAL, DATA E DESTINATÁRIOS (Tg 1.1)
1. Autoria.
2. Local e data.
3. Destinatário.
II - O PROPÓSITO DA EPÍSTOLA DE TIAGO
1. Orientar.
2. Consolar.
3. Fortalecer.
III - ATUALIDADE DA EPÍSTOLA
1. Num tempo de superficialidade espiritual.
2. Num tempo de confusão entre “salvação pela fé” ou “salvação pelas obras”.
3. Uma fé posta em prática.
 
SINOPSE DO TÓPICO (1) - O autor da epístola é Tiago, o meio-irmão de JESUS. A carta foi escrita provavelmente em Jerusalém, entre os anos 45 e 49 d.C. e dirigida aos cristãos dispersos da Palestina bem como as igrejas de outras regiões.
SINOPSE DO TÓPICO (2) - O propósito geral da epístola de Tiago era orientar, consolar e fortalecer a Igreja de CRISTO que estava sendo perseguida.
SINOPSE DO TÓPICO (3) - Num tempo de superficialidade espiritual e de confusão entre “salvação pela fé” e '‘salvação pelas obras”, a epístola de Tiago é uma mensagem atual sobre a fé posta em prática.
 
VOCABULÁRIO
Compatriota: Que se origina da mesma terra.
Dispersa: Espalhada, separada.
Imaculada: Pura, sem qualquer mancha.
Pseudodiscípulos: Falsos discípulos.
 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1 .ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
STAMPS, Donald C (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
STRONSTAD, Roger; ARRINGTON, French L. (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
 
Comentários do Ev. Luiz Henrique
Qual Tiago foi morto por Herodes e quando?
E por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar; E matou à espada Tiago, irmão de João. Atos 12:1-2 - - TIAGO - O IRMÃO DE JOÃO - - Mateus 4:21, 22; 10:2; 17:1; Atos 12:1, 2 - - Tiago, irmão de João, está entre os mais conhecidos dos Apóstolos. Uma vez que existem dois homens chamados Tiago entre os Apóstolos, sempre há alguma confusão. Há duas coisas que as Escrituras usam para distinguir esses dois homens, ou para identificar especificamente aquele sobre o qual estamos estudando. Refere-se a ele como o irmão de João e como o filho de Zebedeu. - - Tiago era um pescador por profissão, assim como Simão Pedro e seu irmão André. Tiago e João estavam em um barco com seu pai Zebedeu, consertando suas redes, quando o Senhor JESUS passou por eles e chamou-os para serem discípulos. Deixaram imediatamente seu pai e sua ocupação para se tornarem seguidores de JESUS. Mais tarde ambos foram feitos Apóstolos. - - Tiago parece ter feito parte do círculo dos seguidores mais honrados do Senhor. Freqüentemente você lê sobre JESUS indo para um lugar aparte para orar e levando apenas Pedro, Tiago e João. Tiago era um homem de ousadia e, às vezes, ações prematuras, assim como Simão Pedro. Isso fez com que sofresse algumas repreensões vindas do Senhor. Leia Lucas 9:51-56. Outro lugar onde se manifesta o orgulho deles é em Mateus 20:2-22 e Marcos 10:35-45. (Leia essas importantes passagens!) Aqui Tiago e seu irmão estão procurando serem exaltados, mas esse não é o plano do Senhor para eles. - Pouco se registra sobre Tiago depois da ascensão de JESUS até chegar a sua morte. Encontramos em Atos 12:2 que ele foi o primeiro dos Apóstolos a ser martirizado. Foi morto por Herodes por razões meramente políticas. Herodes fez isso por causa do seu ódio por CRISTO e Sua igreja. Muitas das vezes, DEUS escolhe usar Seus filhos na morte, assim como na vida. Os desenvolvimentos políticos de nossos dias poderiam muito bem levar alguns de nós a esse mesmo fim terrestre. Tiago foi martirizado aproximadamente nove anos depois da morte de CRISTO.
Era Tiago irmão de JESUS?
Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?
E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto?

Mateus 13:55-56
"Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto?" (Mt 13.55, 56).
Certa vez Tiago foi, junto com sua família, prender JESUS, pensando que ELE estava louco. Agora esse mesmo Tiago (meio irmão de JESUS, pois era filho de Maria, mas não de José) era um dos mais proeminentes líderes da Igreja de JESUS.
"E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si". Marcos 3:21 ---"Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar. E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora. E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos". Marcos 3:31-34.
Tiago, além de irmão de JESUS, se tornou um dos apóstolos: "Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor". (Gálatas 1:18-19).
A quem Tiago escreveu?
Os destinatários são apresentados como já possuindo a fé em JESUS CRISTO (2.1) e, sendo assim, a linguagem a respeito das “doze tribos” é geralmente aceita como simbolizando a crença de que cristãos são agora o povo de DEUS, e formam o novo Israel ou Israel espiritual.
Partindo dessa orientação, podemos entender que os destinatários não eram apenas judeus, mas igualmente gentios que se tinham chegado à fé em JESUS CRISTO e agora fariam parte da igreja cristã.
 
COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO
A carta de Tiago difere das outras cartas do Novo Testamento pelo seu estilo, conteúdo e apresentação. A carta demorou a ser incluída no cânon do Novo Testamento.
Quanto ao seu estilo, Tiago omite, quase por completo, uma discussão teológica. Suas pressuposições são ortodoxas. Seu estilo é direto e objetivo. Combate pecados e atitudes que prejudicam a vida e o testemunho dos cristãos. Apresenta o imenso valor de se viver segundo a sabedoria do alto, isto é, de acordo com a revelação de DEUS.
O livro foi escrito aproximadamente entre 10 e 15 anos após a morte de JESUS. O discipulado que JESUS ordenou na Grande Comissão a seus seguidores para ensinar foi obediência a tudo que ele mesmo tinha passado para eles. Não nos surpreende descobrir que há doze nítidos paralelos entre o Sermão do Monte e Tiago (cf. Bíblia Almeida Século 21, p. 1238). Por isso, muito daquilo que vemos aqui podemos sentir as palavras de JESUS, como pano de fundo, temperando as palavras de Tiago. Mas além de ter JESUS como sua fonte, Tiago é um dos livros que mais tem referências diretas ou indiretas aos livros do Antigo Testamento. E dos 39 livros que completam o Antigo Testamento, ele faz algum tipo de referência a pelo menos 22 livros.
E quem era Tiago? Esse nome pertencia a vários personagens do Novo Testamento. O primeiro mártir da igreja foi Tiago, o irmão de João, filho de Zebedeu. Tiago, filho de Alfeu se encontra na lista dos discípulos de JESUS, mas o Tiago que se destaca era coluna da igreja de Jerusalém (G12.9). Esse último Tiago está incluído na lista dos irmãos de JESUS (Mc 6.3; Mt 13.55). Foi chamado por Paulo como “apóstolo” em Gálatas 1.19. O CRISTO ressurreto apareceu a Tiago (1 Co 15.7). No concilio de Jerusalém (49 d.C), ele teve papel importante como bispo dessa igreja (At 15.13-21), sugerindo o envio da carta recomendando quatro abstenções que os crentes gentios deveriam observar (v. 20).
Os destinatários dessa carta foram as doze tribos dispersas entre as nações. Havia colônias de judeus em muitas cidades do império, e em algumas delas havia cristãos judeus, como sabemos que era o caso em Roma. Foram os distúrbios provocados por um “ Chrestos’ (muito provavelmente, CRISTO), segundo o historiador Suetônio, que levaram o imperador, Cláudio, a expulsar os judeus da capital no ano 48 d.C. (At 18.2).
Os destinatários eram evidentemente judeus convertidos a CRISTO e prosélitos  que, naquela época, viviam dispersos por todo o mundo conhecido. A descrição deles como “as doze tribos dispersas entre as nações” reflete a maneira pela qual os escritores judeus falavam do Israel escatológico, uma vez que deixaram de existir as tribos do norte quando foram misturadas com o mundo gentio.
Como vemos em Atos, no episódio do Pentecostes da descida do ESPÍRITO SANTO, vários judeus estavam vindo de diversas partes para Jerusalém, e esses judeus eram conhecidos como o povo da dispersão. provável também que Tiago esteja fazendo uma referência espiritual a essas pessoas. Ou seja, ele está escrevendo para o Israel de DEUS que hoje é a igreja de JESUS.
Segundo Josefo, Tiago foi martirizado no ano 62 d.C. Nesse caso, a data de origem dessa carta teria que ser anterior. Pelas condições refletidas na carta, podemos identificar as regiões costeiras da Palestina e Síria, (em 5.7, há uma referência às chuvas do outono e da primavera, características daquela região) e dos que viviam luxuosamente da terra (5.5), latifundiários, frequentemente ausentes. Por isso, não devemos estar longe da verdade se atribuirmos essa carta a Tiago, irmão de JESUS e líder da igreja de Jerusalém.
Como Tiago não toca na controvérsia que os judaizantes provocaram e que desembocou no Concilio de Jerusalém (49 d.C), podemos sugerir a data de 45-47 d.C. (cf. Douglas Moo, Tiago, Edições Vida Nova, 1990; pp. 33,34).
Russell P. Shedd,. Edmilson F. Bizerra. Uma Exposição De Tiago A Sabedoria De DEUS. Editora Shedd Publicações.
 
A carta de Tiago se parece com um memorando de segunda-feira de manhã em uma organização. Desde o início, ele espera que os seus leitores coloquem a sua fé em ação. Os seus desafios não têm data.
Tiago trata de questões práticas que são tão comuns como o jornal desta manhã. A fé que os cristãos afirmam ter deve ser demonstrada em todas as situações e circunstâncias da vida — no trabalho, em casa, no bairro, na igreja. As provações e dificuldades não devem ser encaradas como obstáculos à fé, mas como oportunidades para colocar em prática uma fé saudável. Não basta conhecer a Palavra de DEUS. Este conhecimento deve ser aplicado às nossas vidas diariamente. A fé verdadeira é a aplicação da verdade de DEUS a nós mesmos.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 649.
 
A carta de Tiago é um livro prático.
Esse livro é considerado o livro de Provérbios do Novo Testamento. Tiago é mais pregador que escritor. É como se ele nos agarrasse pela lapela, fitasse-nos os olhos e falasse conosco algo urgente. Um dos grandes problemas que a igreja estava enfrentando era colocar em prática aquilo que eles professavam. A vida estava divorciada da teologia. Esse também é o problema da igreja contemporânea. Daí, a pertinência e a urgência de estudarmos Tiago.
O tema central de Tiago é: o nascimento (1.13-19a), o crescimento (1.19b-25) e a maturidade do cristão(1.26 - 5.6). Através das provas, pela paciência, recebemos a coroa.
A primeira ênfase de Tiago é sobre o novo nascimento (1.13-19a). Embora a velha natureza permaneça ativa (1.13-16), o Pai nos trouxe ao novo nascimento pela Sua Palavra (1.17-19a). A segunda ênfase é sobre o crescimento espiritual (1.19b-25). Nós crescemos pelo ouvir (1.19), receber (1.21) e obedecer (1.22-25) a Palavra. A terceira ênfase é sobre a maturidade espiritual (1.26 - 5.6).
Há três notáveis desenvolvimentos que são característicos da verdadeira maturidade cristã:
1) O controle da língua (1.26); 2) O cuidado dos necessitados (1.27a); 3) A pureza pessoal (1.27b).
Por que Tiago escreveu esta carta? Para resolver alguns problemas:
1) Eles estavam passando por duras provações;
2) Eles estavam sendo tentados a pecar;
3) Alguns crentes estavam sendo humilhados pelos ricos, enquanto outros estavam sendo roubados pelos ricos;
4) Alguns membros da igreja estavam buscando posições de liderança;
5) Alguns crentes estavam falhando em viver o que pregavam;
6) Outros crentes estavam vivendo de forma mundana;
7) Outros não conseguiam dominar a língua;
8) Outros estavam se afastando do Senhor;
9) Havia crentes que estavam vivendo em guerra uns contra os outros.
Esses são os mesmos problemas que enfrentamos hoje.
Para Tiago, a raiz de todos esses problemas era a imaturidade cristã.
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 11-13.
 
I – AUTORIA, LOCAL, DATA E DESTINATÁRIOS
1. Autoria.
Comecemos nosso breve estudo pela questão da autoria desta Carta. O nome Tiago não era incomum nos dias de JESUS, e no Novo Testamento ocorrem ao menos quatro citações a pessoas que tinham esse nome:
1- Tiago, pai de Judas (Lc 6.16);
2- Tiago, filho de Zebedeu e irmão de João;
3- Tiago, filho de Alfeu. Há estudiosos que o identificam como Tiago, o pequeno, filho de Maria (Mc 15.40).
4- Tiago, irmão do Senhor. Esta tem sido a teoria mais corrente em relação à autoria desta Carta. Paulo o destaca como apóstolo (G1 1.19), um homem que era considerado um dos pilares da igreja.
A Igreja Cristã tem tido em Tiago, o irmão de JESUS e bispo em Jerusalém, o autor dessa carta que atravessou os séculos e até hoje fala com toda a igreja.
Data
A carta de Tiago já recebeu diversas propostas de datação. Esta tem sido determinada por alguns especialistas como tendo sido escrita em 45 ou 62 d.C. Os argumentos orbitam da seguinte forma para se deduzir que foi escrita em um desses períodos. Conforme Josefo, o martírio de Tiago ocorreu em 62 d.C, portanto, ele teve de escrever antes desse período sua carta. A epistola não faz menção sobre a controvérsia de judeus e cristãos entre os anos 50 e 60. Como relata o livro de Atos, Tiago foi o chamado “moderador” do Concílio de Jerusalém, evento que provavelmente teria sido realizado o ano 50 d.C. e que discutiu a chegada de gentios no seio da igreja cristã. E há estudiosos que entendem que como a Carta de Tiago não cita o apóstolo Paulo, é provável que Tiago escreveu sua Carta antes de Paulo ter sido considerado um obreiro de destaque.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 13-15.
 
A. Autoria
O autor identifica-se somente como “Tiago, servo de DEUS e do Senhor JESUS CRISTO” (1.1). Havia vários homens importantes no Novo Testamento que se chamavam Tiago. No entanto, há uma forte evidência, defendida por muitos estudiosos da Bíblia, de que o autor era o líder da igreja em Jerusalém (At 15.13). Paulo se refere a ele como “Tiago, irmão do Senhor” e o inclui entre os “apóstolos”1 (G11.19). Em Gálatas 2.9, ele caracteriza Tiago como um dos “pilares” da Igreja.
Este Tiago é mencionado duas vezes nos evangelhos (Mt 13.55; Mc 6.3). Nas duas passagens ele é identificado como um dos irmãos de JESUS. Ele somente se tornou um seguidor do nosso Senhor após a Ressurreição. Ele estava entre os discípulos primitivos que, no cenáculo, esperavam pela descida do ESPÍRITO SANTO e “perseveravam unanimemente em oração e súplica” (At 1.14).
A habilidade e fé de Tiago logo o colocaram num lugar de proeminência entre os cristãos primitivos. Quando Pedro deixou a Palestina (At 12.17), tudo indica que Tiago assumiu a liderança da igreja de Jerusalém. Três anos após a conversão de Paulo, ele visitou os líderes de Jerusalém e lá viu “Tiago, irmão do Senhor” (G11.19). Em Atos 15, na assembleia que discutia a admissão dos gentios na Igreja, Tiago era o ministro que presidia a reunião. Na mesma visita a Jerusalém, “Tiago, Cefas e João” estenderam a destra da comunhão a Paulo e Barnabé (G1 2.9). Na sua última visita a Jerusalém, quando Paulo apresentou seu relatório, “Tiago, e todos os anciãos vieram ali” (At 21.18).
De um homem nessa posição de responsabilidade e autoridade haveríamos de esperar uma carta pastoral de conselhos práticos concernentes a questões que afetavam a vida espiritual da Igreja. E isso que encontramos nesta epístola.
A. O Autor, 1.1
As cartas no primeiro século geralmente iniciavam com o nome do autor, seguido pelo nome do receptor e uma fórmula de saudação na mesma ordem que aparecem nesta carta. O autor identificou-se simplesmente como Tiago. Provavelmente, nenhuma outra explicação era necessária para os cristãos daquela época. Eles logo compreendiam tratar-se de Tiago de Jerusalém, o reconhecido líder da Igreja. (Veja Int., “Autoria”).
B. As Credenciais do Autor, 1.1
Com um verdadeiro espírito cristão, Tiago apresentou-se aos seus leitores, não como o líder da Igreja, mas como servo de DEUS e do Senhor JESUS CRISTO. O termo servo (doulos) é literalmente um servo cativo ou escravo. O termo escravo era entendido quando usado em relação ao homem. No entanto, quando esse termo era usado em relação a DEUS, os leitores judeus compreendiam tratar-se de um adorador.
Às vezes trata-se de maneira negativa o fato de CRISTO ter sido mencionado somente três vezes nesta epístola (1.1; 2.1; 5.8). Pode-se supor que a razão não era um desinteresse por parte de Tiago, mas sim que os leitores cristãos conheciam o fundamento da sua mensagem. Em todo caso, há uma evidente declaração da suprema lealdade cristã na frase de abertura do apóstolo. Servo de DEUS era uma frase comum do Antigo Testamento. Tiago acrescenta a ela a dimensão distintamente neotestamentária — um adorador do Senhor JESUS CRISTO. O autor desta carta é um homem que serve a DEUS e aceita a divindade de JESUS.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 147, 152-153.
 
O AUTOR
Não se tem notícia de que na igreja antiga também tenha sido citada outra pessoa além de Tiago, irmão do Senhor.
Dentre os portadores do nome Tiago no NT dificilmente outra pessoa além do irmão do Senhor poderia ser cogitada como autor da carta. “Tiago, servo de DEUS e do Senhor JESUS CRISTO”. Somente o irmão do Senhor pode ser considerado como possível autor dentre todos os portadores do nome Tiago citados no NT.
1 – Pedro escreveu sua primeira carta “por meio de Silvano, o fiel irmão” (1Pe 5.12). Portanto é possível que também Tiago, líder da primeira igreja em Jerusalém, tenha mandado escrever sua carta dirigindo-se a igrejas de outros países, que devem ter sido constituídas principalmente por cristãos judeus estrangeiros de fala grega, valendo-se dos préstimos de um cristão judeu de fala grega em Jerusalém (posição de Wilhelm Michaelis: Einleitung in das NT, 1946, BEG-Verlag, Berna), o qual conhecia com exatidão a forma de pensar dos destinatários. Não era pequeno o grupo desses cristãos judeus em Jerusalém (At 6.1). A maioria dos chamados “diáconos”, liderados por Estêvão, podem ter sido escolhidos do seio desse grupo. Todos os diáconos tinham nomes gregos. Na verdade a carta de Tiago foi escrita em grego fluente no tocante ao idioma, mas traz um modo de pensar hebraico em seu conteúdo e se compara com coletâneas de sabedoria do AT e do judaísmo. – A carta, que comunica às igrejas a decisão do “concílio dos apóstolos” (At 15.23ss) , contém a mesma saudação helenista que não ocorre em mais nenhum lugar do NT e que no grego também consta em Tg 1.1. Essa carta possivelmente foi concebida por Tiago, que conforme At 15, apresentou a correspondente sugestão de acordo. Talvez nesse caso também tenha trabalhado o mesmo intérprete e escrevente que colaborou com a redação da carta de Tiago. Alguns pesquisadores também opinam que seus primeiros destinatários (cf. também a comunicação em At 15.23) tenham sido igrejas na Síria e Cilícia.
No tocante ao conteúdo e à forma, a carta de Tiago possui fortes semelhanças com o Sermão do Monte e outras pregações de JESUS (cf., p. ex., Tg 1.22 com Mt 7.21,26; Tg 2.10 com Mt 5.19; Tg 2.13 com Mt 5.7; Tg 3.18 com Mt 5.9; Tg 4.5 com Mt 6.24; Tg 4.12 com Mt 7.1; Tg 5.2 com Mt 6.19; Tg 5.12 com Mt 5.34,37. – Cf. também a posição semelhante de JESUS e Tiago em relação a pobres e ricos, Lc 6.24s; 16.19-25; Tg 5.1-6). Como aquelas, a carta se assemelha à forma de exposição da sabedoria proverbial do AT. Isso permite supor que a carta também surgiu em um momento cronologicamente próximo à proclamação de JESUS. Vários exegetas, como Adolf Schlatter, Gerhard Kittel e Wilhelm Michaelis, suspeitam que a carta de Tiago seja um dos escritos mais antigos do NT.
Como será demonstrado no comentário sobre Tg 2.14ss, esse trecho da carta contém uma controvérsia apenas aparente com a teologia do apóstolo Paulo. O conceito decisivo “obras” possui significados diferentes em Tiago e em Paulo. As palavras da carta de Tiago também podem estar discutindo com um orgulho generalizado pela posse da verdade, um orgulho não disposto a obedecer a essa verdade. E podem combater o equívoco de transformar a graça que nos foi propiciada e anunciada por JESUS, como também é expressa nos evangelhos (Lc 15.22-24; 18.14; 23.43; Jo 8.11), em motivo de acomodação. A graça e o ESPÍRITO de DEUS, bem como a obra redentora de JESUS CRISTO, não visam gerar filhos desobedientes, mas obedientes a DEUS.
Possivelmente Tiago, o irmão de JESUS, já tenha escrito a carta antes que a controvérsia em torno da lei cultual e ritual tenha ficado bem evidente. Consequentemente, Tiago poderia ter anunciado, como seu Senhor e Mestre JESUS CRISTO, sobretudo a vontade de DEUS que nos compromete eticamente, assim como também já fizeram os profetas do AT. Também JESUS só falou detalhadamente a respeito das leis cultuais e rituais depois que isso se tornou imperioso devido ao conflito com os fariseus e escribas. Se Tiago era “servo de JESUS CRISTO” (Tg 1.1), deve-se supor que também para Tiago, assim como para seu Senhor, importava acima de tudo a vontade de DEUS que compromete eticamente toda a nossa vida.
Até mesmo se Tiago tivesse escrito somente depois da reunião dos apóstolos relatada em At 15, em que ele mesmo sugeriu o acordo, a questão deve ter ficado clara tanto para ele como para as igrejas às quais a decisão foi comunicada, e que possivelmente também foram as primeiras destinatárias desta carta. Logo, não havia mais necessidade de abordar a questão.
Talvez várias pessoas considerassem a carta de Tiago como sendo um escrito das igrejas cristãs judaicas que se isolaram fortemente em relação às demais, sobretudo da igreja cristã gentílica, e cujos escritos não constavam da tradição geral do primeiro cristianismo.
Consideramos muito provável que a presente carta seja de autoria do Tiago irmão do Senhor (posições de Adolf Schlatter, Gerhard Kittel, Wilhelm Michaelis, Kurt Hennig, Walter Warth). O único líder cristão conhecido no primeiro cristianismo que se chamava Tiago era Tiago, o irmão do Senhor. O autor da carta cita somente seu nome. Ele sabe que é conhecido. Com singeleza e naturalidade a carta advoga para si a necessária autoridade. Se, p.ex., outra pessoa, de época posterior, tivesse pretendido escrever sob o nome do irmão do Senhor – como supõem vários – ele com certeza teria se intitulado expressamente de “irmão do Senhor”. Precisamente essa singela indicação de autoria depõe de forma decisiva em favor do conceito de que de fato não se trata de outra pessoa que não Tiago, o irmão do Senhor.
Contudo, a questão da autoria por parte do irmão do Senhor com certeza não é determinante, ainda mais porque nem a própria carta levanta tal reivindicação. Afinal, cremos no Senhor testemunhado e em sua palavra, não nas testemunhas.
A vida de Tiago, irmão do Senhor
Uma vez que consideramos plausível a autoria de Tiago, o irmão do Senhor, apresentemos aqui algumas coisas sobre sua vida:
1 – Tiago, meio-irmão de JESUS tinha mais três irmãos mais novos: José, Simão e Judas (Mt 13.55) e no mínimo mais duas irmãs (em Mt 13.56 a palavra ocorre no plural).
No início Tiago não creu em JESUS. Depois que eclodiu o conflito entre JESUS e o poderoso partido dos fariseus, bem como com os influentes escribas, sua família quis trazê-lo para casa: “Saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si!” (Mc 3.21). Os irmãos tentavam proteger JESUS e toda a família da vergonha do apedrejamento ou da cruz. Também tinham convencido Maria, a mãe, a ir com eles (Mc 3.31ss). – Contudo, os irmãos certamente também tinham esperança de que junto de seu irmão mais velho, que flagrantemente era uma pessoa especial, também poderiam ser pessoalmente engrandecidos. Por isso o desafiaram a não apenas mostrar seu poder milagreiro no recôndito da Galiléia, mas no grande “palco” de Jerusalém e da festa dos tabernáculos. Talvez tivessem esperança de que agora ele finalmente se manifestasse como o Messias (Jo 7.3s). Nessas duas iniciativas, que Tiago, o mais velho depois de JESUS, deve ter liderado, percebe-se que os irmãos de JESUS pensavam de forma tipicamente humana, “porque também seus irmãos não criam nele” (Jo 7.5).
2 – Após a Páscoa, porém, aconteceu a grande mudança na vida de Tiago. O Senhor ressuscitado lhe aparecera (1Co 15.7). Não existe nenhum relato detalhado acerca deste encontro no NT, assim como tampouco sobre o primeiro encontro de Pedro com o Senhor ressuscitado (1Co 15.5; Lc 24.34).
Agora Tiago, sua mãe e os irmãos se associam ao grupo dos apóstolos (At 1.14). Em breve ele teria uma posição de liderança na primeira igreja, a congregação cristã judaica de Jerusalém. Isso se nota pela menção expressa de Tiago em At 12.17, onde Pedro se despede da igreja de Jerusalém. Também Gl 1.19 cita Tiago como um dos homens decisivos em Jerusalém.
A importância de Tiago evidenciou-se especialmente pela forma como cooperou no “concílio dos apóstolos” (At 15). Propôs o acordo decisivo a ser celebrado entre os cristãos judeus e gentílicos (At 15.13-21). Esse acordo não excluía tensões ocasionais. Elas não se manifestaram entre Paulo e Tiago, mas entre Paulo e os adeptos de Tiago (Gl 2.9,12). No relevante esforço de encontrar o caminho certo para o novel cristianismo, que se desenvolvera a partir de um grupo no seio do judaísmo até tornar-se uma entidade independente, Tiago defendia, no convívio entre cristãos judeus e gentílicos, particularmente os interesses dos grupos judaicos. Seu coração batia intensamente em favor da obediência séria à santa e salutar vontade de DEUS já revelada no AT. Isso se torna visível também na presente carta, o que depõe em favor da autoria do irmão do Senhor.
3 – No contexto externo à Bíblia há informações de que Tiago viveu ainda até a década de sessenta do primeiro século em Jerusalém, sendo chamado pelos judeus de “justo”: também como cristão ele teria cumprido com grande fidelidade a lei do AT, orando e jejuando intensamente. Isso lhe teria rendido entre o povo um respeito tão grande que, ao contrário de outros líderes cristãos, conseguiu se manter em Jerusalém durante toda uma geração.
A respeito da morte de Tiago, irmão do Senhor, há dois relatos extrabíblicos que concordam no fato de que ele sofreu o martírio: o historiador judaico Josefo informa que Tiago teria sido entregue ao apedrejamento pelo sumo sacerdote Anás II depois do falecimento do governador Festo e antes da chegada de um novo governador romano (ou seja, durante um interregno, que lhe propiciou certa liberdade de manobra) no ano de 62 (Josefo descreveu a guerra judaico-romana – 66-70 d.C. – e faleceu por volta de 100 d.C.). O escritor cristão Eusébio (séc. IV), porém, reproduz um informe de Hegésipo, do séc. II, segundo o qual Tiago, pouco antes de eclodir a guerra judaico-romana no ano de 66, foi lançado do pináculo do templo por uma multidão furiosa, instigada pelos fariseus e escribas, e trucidado com uma clava. Estava eliminado o homem cujo serviço sacerdotal de intercessão por Israel havia detido a desgraça. Esta seguiu seu curso.
Fritz Grünzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
 
2. Local e Data.
Tiago escreveu esta carta aproximadamente entre 47 e 49 d.C.
Há diversas razões para crer que a carta de Tiago tenha sido escrita no início da vida da igreja.
• Tendo Tiago, o irmão de CRISTO, como seu autor, a carta teria que ter sido escrito antes de 62 d.C., ano do martírio de Tiago, de acordo com Josefo.
• A carta não menciona a controvérsia sobre judeus e gentios dos anos 50 e 60. Lembre-se de que Tiago foi o moderador do Concilio de Jerusalém, reunido para debater esta questão (At 15). Supõe-se que este concilio tenha sido realizado aproximadamente no ano 50 d.C. Paulo passou muito tempo comentando o problema dos judaizantes nas suas cartas.
• Esta carta não faz menção ao apóstolo Paulo ou alusões aos seus escritos. Portanto, é provável que ela tenha sido escrita antes que Paulo atingisse grande proeminência na igreja.
• Tiago não fala a respeito dos falsos ensinos, outra questão posterior na igreja e um tema importante nos escritos de Paulo, Pedro, Judas e João. A carta de Tiago foi escrita após a morte de Estêvão (35 d.C.), a perseguição que fez com que muitos crentes de Jerusalém fugissem para salvar suas vidas, a conversão de Paulo (35 d.C.), e a morte de Tiago, o apóstolo (44 d.C.).
Ela foi escrito antes do Concílio de Jerusalém (50 d.C.), da segunda e terceira viagens missionárias de Paulo (50-52 d.C. e 53-57 d.C.), do aprisionamento final e do martírio de Paulo (aproximadamente 67 d.C.), e da destruição de Jerusalém, por Tito (70 d.C.).
Alguns defendem uma data posterior e outro autor, devido à excelente qualidade do idioma grego usado no livro. A língua-mãe de Tiago seria o aramaico, e ele provavelmente não teria sido fluente em um bom grego helênico. É possível, no entanto, que Tiago, como Paulo (veja Cl 4.18), usasse um “secretário” para traduzir as suas palavras para o grego, a língua do mundo comercial e a escolha apropriada para alcançar os que estavam espalhados pelo mundo inteiro.
Tiago escreveu a cristãos judeus do século I. Ele também escreveu a nós, hoje, que também estamos “dispersos entre as nações”. Embora separados por aproximadamente vinte séculos, as necessidades são praticamente as mesmas, e a mensagem de Tiago ainda precisa ser ouvida e aplicada.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 651-652.
 
Não há evidência na epístola ou de fontes externas que ajudem a determinar exatamente a data em que foi escrita esta carta. Alguns estudiosos conservadores argumentam que esta carta pode ter sido escrita em 45 d.C., outros já acreditam que ela foi escrita em 62 d.C. As datas mais precoces se baseiam no fato de que na epístola o autor não faz nenhuma menção do problema da admissão de gentios na Igreja. Sabemos que Tiago estava profundamente preocupado com esta questão numa época posterior. Aqueles que propõem uma data posterior ressaltam a condição relativamente estabelecida da Igreja refletida na epístola. Tiago não parece estar muito preocupado em colocar os fundamentos e ressaltar doutrinas evangélicas para uma Igreja que está dando seus primeiros passos na fé. Isto favorece a ideia de a epístola ter sido escrita numa data posterior. Assim, o conteúdo sugere que esta carta foi escrita numa data posterior às cartas aos Gálatas e aos Romanos, nas quais Paulo tratou de assuntos doutrinários fundamentais. O aspecto-chave não é o ano exato, mas o período. Se, como tudo indica, Tiago foi martirizado em 63 d.C., a epístola obviamente foi escrita antes dessa data.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 148.
 
Tiago, o Justo, foi a fonte dos sermões contidos na carta, o que significa que o material pertence à época da vida de Tiago, a saber, antes de 62 d.C. Além disso, Tiago 2:14-26 com toda a probabilidade teria sido composto como uma unidade antes de Tiago ter tido a oportunidade de conversar com Paulo sobre as doutrinas características do apóstolo. Isso faz que a data desta parte da carta recue para antes de 49 d.C., pelo menos. Todavia, essa data é satisfatória para qualquer parte da carta, visto que a igreja por essa época tinha mais de quinze anos de existência, isto é, ela teria idade suficiente para apresentar quaisquer dos problemas descritos por Tiago. Na verdade, a década de quarenta foi uma época de escassez econômica em Jerusalém, circunstância que se encaixa na insegurança financeira e na vulnerabilidade que a igreja de Tiago está experimentando. Assim, é provável que grande parte do material da carta se tenha originado em meados da década de quarenta, tendo circulado oralmente, ou em tradução grega tosca, durante uma década mais ou menos, antes de chegar à sua forma final.
A segunda etapa do trabalho, a versão final para publicação, é mais difícil de datar. Seria com toda a probabilidade anterior a 66 d.C., visto que a fuga da igreja para a Europa teria posto um fim na continuidade de contatos com Jerusalém, e Tiago, o Justo, precisava coligir as tradições. É difícil saber quantos anos antes isso ocorreu.
É muito provável que a morte de Tiago tenha motivado fortemente a redação da carta, visto que, tendo silenciado aquela voz poderosa, é certo que teria surgido o desejo, no seio da igreja entristecida, de preservar seus ensinos para o verdadeiro Israel — “às doze tribos da Dispersão” — a todo o povo de DEUS espalhado pelo mundo. Isso explicaria também outros dois fatos: (1) o de Hermas ter obtido uma cópia em Roma, por volta de 96 d.C., visto ter decorrido bastante tempo entre 66 e 96 d.C., para que uma cópia chegasse aos judeus cristãos de Roma, e (2) o fato de Tiago não ser mencionado senão por Orígenes, cerca de 256 d.C., porque uma obra judaico-cristã que não fosse útil numa controvérsia doutrinária logo estaria um tanto esquecida pela igreja de Jerusalém em exílio e, a seguir, em luta pela sua existência distintiva, visto que a missão judaica entrou em colapso com a queda de Jerusalém em 70 d.C.
Russell P. Shedd,. Edmilson F. Bizerra. Uma Exposição De Tiago A Sabedoria De DEUS. Editora Shedd Publicações. pag. 24-25.
 
3. Destinatários.
O local da composição
As conclusões que tiramos sobre a autoria e a data da carta praticamente determinam o local da composição. Tiago viveu em Jerusalém durante este período e seus leitores, provavelmente, se encontrariam em regiões imediatamente fora da Palestina, junto à linha costeira para o norte, na Síria e, talvez, no sul da Ásia Menor. Várias alusões na carta, principalmente a referência às “primeiras e últimas chuvas” (5.7), parecem confirmar esta localização; pois apenas ao longo da costa oriental do Mar Mediterrâneo é que as chuvas ocorrem nesta seqüência.
As condições sociais generalizadas no Oriente Próximo, na metade do primeiro século, também correspondem à situação pressuposta em Tiago. Os comerciantes que andavam de um lado para o outro em busca de lucro (4.13-17) e os senhores de terras, freqüentemente absenteístas, que exploravam uma força de trabalho cada vez maior e mais pobre (5.1-6), eram figuras bem conhecidas. Igualmente familiares eram os sempre violentos e odiosos debates religiosos que parecem ter infectado as igrejas que estavam sob os cuidados de Tiago (veja 3.13-4.3). O movimento zelote, que procurava alcançar a liberdade para Israel usando meios violentos, estava se tornando cada vez mais influente. De fato, alguns eruditos pensam que Tiago 4.2 — “cobiçais e nada tendes; matais” — pode ser uma referência aos partidários do movimento zelote, os quais haviam trazido para dentro da igreja sua ideologia violenta. Seja isto verdade ou não, as condições sociais da Palestina e da Síria do primeiro século certamente fornecem uma tela de fundo apropriada para a carta de Tiago.
Douglas J. Moo. Tiago. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 35-36.
 
Destinatários
O autor da carta indica que seus destinatários são as 12 tribos que estão dispersas. Como os judeus foram os primeiros convertidos à fé cristã, principalmente porque o evangelho de JESUS foi primeiramente pregado a eles, e a Igreja Primitiva teve sua origem em Jerusalém, não é difícil entender que esse escrito teria sido inicialmente para eles, mas isso não exclui a possibilidade de os gentios estarem sendo posteriormente incluídos nos sermões dessa epístola.
Essa referência é claramente simbólica, se considerarmos que a estrutura tribal de Israel havia cessado de ser um conjunto literal de doze tribos desde pelo menos a conquista da Assíria do Reino do Norte em 722 a.C. A questão que se apresenta, então, é: até que ponto Tiago estende aos seus leitores os elementos metafóricos de sua designação? A interpretação mais “literal” da saudação é que cópias dessa carta foram enviadas aos judeus (às “doze tribos”) que estavam vivendo fora da Palestina (“dispersos entre os gregos”; cf Jo 7.35). No entanto, levando em conta que a carta obviamente não representa um tratado evangelístico destinado a converter os judeus ao cristianismo, esse entendimento pode ser rapidamente excluído.
Os destinatários são apresentados como já possuindo a fé em JESUS CRISTO (2.1) e, sendo assim, a linguagem a respeito das “doze tribos” é geralmente aceita como simbolizando a crença de que cristãos são agora o povo de DEUS, e formam o novo Israel ou Israel espiritual.
Partindo dessa orientação, podemos entender que os destinatários não eram apenas judeus, mas igualmente gentios que se tinham chegado à fé em JESUS CRISTO e agora fariam parte da igreja cristã.
 
Local
Jerusalém tem sido considerada o local da confecção desta carta, apesar de ela mesma não trazer qualquer indicação de que tenha sido escrita lá. A base para essa teoria está mais vinculada à tradição da igreja. Pelo fato de essa carta ter circulado primeiramente na Palestina, como registram alguns pais da igreja como Orígenes, acredita-se que Jerusalém foi de fato a localidade de origem dessa epístola.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 15-16.
 
“As doze tribos que andam dispersas” (1.1).
O cristianismo é judeu. Isto pode parecer uma contradição, mas é verdade.
Maria, a mãe do nosso Senhor, era judia, como também José era judeu. Sendo assim, JESUS foi criado em um lar judeu. E no seu ministério público, JESUS dirigia-se primeiro aos judeus, o povo escolhido de DEUS, chamando-os ao arrependimento e à fé. Todos os doze discípulos originais eram judeus. O cristianismo iniciou-se no Templo e na sinagoga, quando os judeus que procuravam encontravam o Messias.
Portanto, é bastante natural que Jerusalém fosse o berço da igreja. Este é o lugar onde JESUS foi crucificado e onde Ele ressuscitou e posteriormente ascendeu ao céu.
Em Jerusalém, o ESPÍRITO SANTO encheu o primeiro grupo de crentes. E ali foi onde os apóstolos ministraram. A igreja de Jerusalém teve um crescimento explosivo, com milhares de pessoas respondendo positivamente ao Evangelho (At 2.41; 4.4; 5.14; 6.1,7). Os crentes encontravam-se nos pátios do Templo e nas suas casas (At 5.42), adorando, comendo, aprendendo, e servindo juntos.
JESUS disse aos seus seguidores que transmitissem a fé além de Jerusalém, “em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). No sermão do monte das Oliveiras, JESUS predisse uma perseguição terrível e a destruição final de Jerusalém (Lc 21.5-24) - JESUS sabia que os seus seguidores se espalhariam. A perseguição começou pouco tempo depois da ascensão de JESUS. Quer estes primeiros cristãos estivessem prontos ou não, muitos deles foram forçados a se espalhar pelo império romano (At 8.1). Eles foram a Samaria e a lugares tão distantes quanto Fenícia, Chipre, e Antioquia da Síria (At 11.19).
Os crentes espalhados “iam por toda parte anunciando a palavra” (At 8.4) e, desta forma, acrescentavam muitos novos convertidos à fé. Isto gerou uma necessidade de acompanhamento, de instrução espiritual e de incentivo para os novos crentes. Por exemplo, os apóstolos em Jerusalém enviaram Pedro e João a Samaria, para avaliar o ministério de Filipe (At 8.14), e enviaram Barnabé a Antioquia, por terem ouvido falar que os gregos estavam se convertendo ali (At 11.19-22).
Naturalmente, os seguidores de JESUS, o Messias, já estavam vivendo em muitas terras estrangeiras, tendo vindo à fé no Pentecostes. Realizada cinquenta dias depois da Páscoa, Pentecostes (também chamada Festa das Semanas) era uma festa de ação de graças pela colheita. Todos os anos, judeus de muitas nações reuniam-se em Jerusalém para esta celebração. De acordo com Atos 2.9-11, “partos e medos, elamitas e os que habitavam na Mesopotâmia, e Judéia, e Capadócia, e Ponto, e Ásia, e Frigia, e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos (tanto judeus como prosélitos), e cretenses, e árabes” ouviram, em suas línguas nativas, a mensagem que era cheia do ESPÍRITO. Eles também ouviram o poderoso sermão de Pedro (At 2.14-41), e muitos vieram à fé em CRISTO. Ao voltar às suas casas, estes novos convertidos tornaram-se uma equipe evangelizadora internacional.
Na verdade, é provável que a igreja em Roma tenha sido fundada por aqueles que ouviram falar sobre JESUS e creram nele em Jerusalém, por ocasião do Pentecostes.
Tiago, sendo o líder da comunidade cristã de Jerusalém e o pastor de um rebanho disperso, escreveu a este grande grupo de crentes judeus em CRISTO que estavam vivendo muito longe dos muros de Jerusalém. Assim ele endereçou a sua carta; “Às doze tribos que andam dispersas” (1.1). Pelo fato de esta carta ter sido escrita no início da vida da igreja (antes das viagens missionárias de Paulo), praticamente todos os crentes teriam sido judeus, mas esta é uma carta para todos os cristãos, tanto judeus quanto gentios.
Tiago sabia o que estes jovens crentes estariam enfrentando ao tentarem viver para CRISTO, longe dos apóstolos e anciãos. Haveria provações e perseguições, similares àquelas que tinham tirado muitos deles de suas casas. Haveria sofrimento.
Haveria tentações. Haveria pressões. Tiago estava preocupado com que seus irmãos e irmãs cristãos conseguissem perseverar.
Tiago também sabia que é fácil voltar a velhos hábitos ou à neutralidade espiritual quando se é afastado e cercado por aqueles que creem em outras coisas.
Assim, ele desafiou os seus leitores a irem além de meras palavras e chegarem à ação — viver segundo a sua fé.
Tiago também estava preocupado com o corpo, a comunhão, e a igreja. Assim, ele advertiu a respeito de discriminações e divisões e incentivou os crentes a tomarem cuidado com as suas palavras, procurarem a sabedoria divina, serem humildes, e orarem uns pelos outros.
Os leitores desta carta do século teriam apreciado a abordagem direta e prática de Tiago. Ele foi direto ao ponto, com respostas orientadas pelo ESPÍRITO, que eles tanto necessitavam.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 654-655.
 
Os destinatários da carta
Tg 1.1 diz que “as doze tribos na dispersão” (em grego diáspora) são os destinatários (cf. 1Pe 1.1).
A carta de Tiago é uma carta cristã, ainda que o nome de JESUS seja mencionado expressamente apenas em duas ocasiões (Tg 1.1 e 2.1). Toda a carta está nitidamente impregnada do espírito e da terminologia do Sermão do Monte (cf., p. ex., Tg 1.22 com Mt 7.21,26; Tg 2.10 com Mt 5.19; Tg 2.13 com Mt 5.7; Tg 3.18 com Mt 5.9; Tg 4.5 com Mt 6.24; Tg 4.12 com Mt 7.1; Tg 5.2 com Mt 6.19; Tg 5.12 com Mt 5.34,37). Igualmente se fala da vinda do Senhor (Tg 5.8), sendo que Tg 2.1 diz quem é o Senhor aguardado. Em Tg 5.14 a comunidade em questão é necessariamente cristã. No grego consta ekklesia. Era assim que se chamavam as igrejas cristãs, mas não as sinagogas judaicas. Logo, não pode tratar-se de um escrito judaico. Mostra-se aqui a vida do grupo trazido ao lar divino por JESUS, seu relacionamento entre si e perante o contexto em que vivia.
À semelhança de Pedro e Paulo, também Tiago deve ter considerado a igreja de JESUS reunida dentre Israel e as nações como o Israel da nova aliança, agora transposto para a diáspora. Em decorrência, também nós cristãos dentre os gentios somos, ao lado dos cristãos de Israel, os destinatários diretos da carta de Tiago.
Fritz Grünzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
 
II – O PROPÓSITO DA EPISTOLA DE TIAGO.
1. Orientar Tg 1.27.
O que faz parte do culto a DEUS. “Um culto puro e imaculado perante DEUS, o Pai, consiste em visitar órfãos e viúvas em sua aflição e manter a si próprio incontaminado do mundo”: DEUS nos presenteou com seu grande amor, dando-nos seu Filho unigênito como irmão e tornando-se assim pessoalmente nosso Pai e a nós, seus filhos (Rm 5.8; 1Jo 3.1). Agora tudo depende de que nós lhe agrademos, como o Filho primogênito de DEUS (Mt 3.17). Duas coisas são citadas aqui como partes integrantes do verdadeiro culto a DEUS: dirigir-se para dentro do mundo e preservar-se diante do mundo.
“Visitar órfãos e viúvas em sua aflição”: Tiago cita pessoas que naquele tempo eram especialmente carentes de ajuda, bem como de proteção jurídica. Literalmente consta: “olhar por eles”. Isso inclui o cuidado assistencial. Primeiramente ele tinha em mente os co-cristãos na igreja, mas de forma alguma somente a eles (Gl 6.10). É condizente com a intenção de nosso Senhor e vale como dirigido a ele, quando nos dedicamos com toda energia, amor e fantasia às pessoas em torno de nós, perto e longe, em vista de suas mais diversas carências (Mt 25.45; 18.5).
Uwe Holmer. Comentário Esperança Cartas aos I Pedro. Editora Evangélica Esperança.
 
Tg 1.27. Precisamos ter em mente que Tiago não está tentando aqui resumir tudo o que envolve a verdadeira adoração a DEUS. Segundo Calvino, “ele não dá uma definição geral de religião, mas nos lembra de que a religião sem as coisas que ele menciona é nada...”. ritual religioso, se praticado com um coração reverente e num espírito de adoração, não é errado — e a Palavra de DEUS não pode ser “praticada” se primeiro não for “ouvida”. Mas Tiago está preocupado com uma super-ênfase no “ouvir”, em detrimento da “prática”. Neste versículo são apresentadas duas outras áreas da vida que devem revelar evidências de nosso “ouvir” reverente da Palavra: preocupação social e pureza moral. O cuidado pelos órfãos e as viúvas é uma ordem do Antigo Testamento como uma forma de imitar o cuidado do próprio DEUS com estas pessoas — ele é o “pai dos órfãos e defensor das viúvas” (SI 68.5; PIB). Num texto que apresenta muitas semelhanças com esta passagem de Tiago, Isaías anuncia que DEUS não mais irá aceitar a adoração que seu povo lhe oferece (a “religião” deles); eles precisam “se lavar... aprender a fazer o bem; atender à justiça, repreender o opressor; defender o direito do órfão, pleitear a causa das viúvas” (Is 1.10-17). O órfão e a viúva tornam-se tipos daqueles que se encontram desamparados neste mundo. Os cristãos que professam uma religião pura irão imitar seu Pai, intervindo para ajudar os desamparados. Aqueles que passam necessidade no Terceiro Mundo, nas cidades; aqueles que estão desempregados e sem dinheiro; aqueles que são precariamente representados no governo ou na justiça — estas são as pessoas que deveriam ver abundantes evidências da “religião pura” dos cristãos.
A pureza moral é outra marca da religião pura. O guardar-se incontaminado do mundo significa evitar que pensemos e ajamos de acordo com o sistema de valores da sociedade que nos cerca. Tal sociedade reflete amplamente crenças e práticas não-cristãs ou, quem sabe, ativamente anticristãs. O cristão que vive “no mundo” corre o constante perigo de ter sobre si a mácula do sistema. É importante e instrutivo o fato de Tiago incluir esta última área, pois ela penetra além da ação, chegando às atitudes e crenças das quais a ação brota. A “religião pura” do “cristão perfeito” (v. 4) associa a pureza de coração à pureza de ação.
Douglas J. Moo. Tiago. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 86.
 
Tg 1:27 - Em contraste com o crente piedoso, cuja língua é todavia afiada, a religião que nosso DEUS e Pai considera pura e imaculada não é primordialmente ritualística, feita de hábitos piedosos, mas a que procura visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se incontaminado do mundo. A primeira característica, a da caridade e do interesse ativo pelos indefesos e fracos, com freqüência é mencionada no Antigo Testamento (Deuteronômio 14:29; 24:17-22), bem como no Novo (Atos 6:1-6; 1 Timóteo 5:3-16). Os órfãos e as viúvas, ao lado dos estrangeiros e dos levitas, constituíam os pobres dentre o antigo Israel. A verdadeira piedade, portanto, vai ajudar os fracos e os pobres, porque DEUS é quem sustenta os oprimidos e indefesos (Deuteronômio 10:16-17).
A segunda característica centraliza-se no mundo, designação comum em Paulo e em João para a cultura, os costumes e as instituições humanas (1 Coríntios 1- 3; 5:19; Efésios 2:2; João 12:31; 15:18-17; 16; 1 João 2:15-17). A verdadeira piedade não é conformação à cultura humana, mas a transformação à imagem de CRISTO (Romanos 12:1-2). Para Tiago, isso significa especificamente a rejeição dos motivos da concorrência, da ambição pessoal e do acúmulo de riquezas, paixões que jazem na raiz da falta de caridade e da multiplicação de conflitos na comunidade (e.g., 4:1-4). Ao declarar que essa, e nada mais, é a verdadeira religião aos olhos de DEUS, declara Tiago que a conversão é coisa vã se não conduzir a uma vida transformada.
Russell P. Shedd,. Edmilson F. Bizerra. Uma Exposição De Tiago A Sabedoria De DEUS. Editora Shedd Publicações. pag. 61.
 
2. Consolar.
DEUS Dá somente Coisas Boas (1.16-17)
O versículo 16 é com frequência tratado como uma transição do pensamento dos versículos 13-14 para os versículos 17-18. A mudança é brusca: Não erreis. Não vagueiam tanto no seu pensamento a ponto de acreditar que qualquer provação ou tentação, com um propósito mal, vem de DEUS. DEUS somente dá o que é bom — e Ele é a Fonte de todas as coisas boas. DEUS nos fez o tipo de pessoas que somos e quando a criação estava completa Ele viu que tudo "era muito bom” (Gn 1.31). Moffatt traduz a primeira parte do versículo Tg 1.17 da seguinte maneira: “Tudo que recebemos é bom e todos os nossos dons são perfeitos”.
Pai das luzes (v. 17) indubitavelmente tem um duplo sentido. Este termo se refere a DEUS como o Criador das luzes do universo físico — sol, lua e estrelas. Mas Ele também é o Pai de toda nossa iluminação espiritual e de todas as bênçãos. Tiago contrasta aqui as mudanças de hora em hora no sol e lua com o caráter imutável de DEUS. As luzes nos céus podem mudar de hora em hora e lançar sombras onde previamente haviam lançado luz. Mas no caráter de DEUS “não há variação, nem sombra de mudança” (ASV). Ele é imutável. Segue-se como consequência certa do caráter imutável de DEUS de que em seu tratar conosco “não há a menor variação ou sombra de inconsistência” (Phillips).
A Glória do Plano de DEUS (1.18)
“O Novo Nascimento”. DEUS, que é nosso Pai por meio da criação, é também nosso Pai por meio da redenção. Homens redimidos do pecado são a glória coroada dos propósitos de DEUS para a vida humana — “os primeiros espécimes da sua nova criação” (Phillips). A palavra da verdade é a verdade do evangelho. Knowling vai mais adiante e afirma: “Não podemos esquecer que o nosso Senhor (Jo 17.17-19) fala da ‘palavra’ que é verdade, por meio da qual os discípulos devem ser santificados”. O propósito final de DEUS é conduzir-nos à vitória por meio dos nossos testes para tornar-nos semelhante a Ele em santidade e amor.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 160-161.
 
Tg 1.17 Sendo assim, como podemos evitar cair em tentação? O caminho está em um relacionamento íntimo com DEUS e na aplicação da sua Palavra à nossa vida diária. Este padrão nos levará a ver claramente que toda dádiva boa e perfeita vem do alto. Em comparação com a visão de que DEUS envia o mal, Tiago ressalta o fato de que toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, de DEUS. Podemos ter certeza de que DEUS sempre deseja o melhor para nós - não boas coisas hoje e coisas más amanhã. O caráter de DEUS é sempre confiável e leal - em DEUS, não há mudança, nem sombra de variação (Ml 3.6). Nada pode impedir que a bondade de DEUS nos alcance. Ele não se intimida pelas nossas incoerências e infidelidades.
1.18 Um exemplo maravilhoso das boas coisas que DEUS nos dá (“toda boa dádiva e todo dom perfeito”) é o nascimento espiritual! Nós somos salvos porque DEUS decidiu nos tornar primícias das suas criaturas (seus próprios filhos). O nosso nascimento espiritual não se dá por acidente, nem porque DEUS tinha que fazê-lo. O novo nascimento é um presente para todos os crentes (veja Jo 3.3-8; Rm 12.2; Ef 1.5; Tt 3.5; 1 Pe 1.3,23; 1 Jo 3.9). A palavra da verdade é o Evangelho, as Boas Novas da salvação (Ef 1.13; Cl 1.5; 2 Tm 2.15). Nós somos informados sobre o novo nascimento por meio da leitura da Palavra de DEUS e da pregação do Evangelho, e respondemos positivamente a ele.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 667.
 
Tg 1.17 Tiago afirmou: “Ninguém que é tentado diga: Sou tentado por DEUS”. Contudo, será que DEUS não está agindo em tudo, até mesmo no mal, razão pela qual nossa decisão entre bem e mal possui apenas importância relativa? Diante disso a carta de Tiago (e toda a Bíblia) pronuncia um categórico não: “Somente a boa dádiva e o dom perfeito são lá do alto, do Pai das luzes.” A palavra de DEUS nos diz claramente o que vem de DEUS e o que não vem dele.
a) O que vem de DEUS. Ele afirma: “Eu sou o Senhor, e não há outro; Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas essas coisas” (Is 45.6s). “Sucederá algum mal à cidade, sem que o Senhor o tenha feito?” (Am 3.6). A essas palavras de profetas corresponde a palavra em Sir 11.14: “Os bens e os males, a vida e a morte, a pobreza e a riqueza vêm do Senhor” [TEB]. Tudo isso é “boa dádiva e presente perfeito”, enviado pela sabedoria, amor e santidade de DEUS. Por um lado não podemos perscrutar o agir DEUS (Rm 11. 33), por outro certamente vemos: em Jó desgraça e enfermidade foram provas (Jó 1s). Israel foi duramente disciplinado por DEUS por meio de Nabucodonosor na época da destruição de Jerusalém e do cativeiro babilônico. Do contrário provavelmente teria sido assimilado e submerso pelos povos que o cercavam. Acontece, porém, que DEUS incluiu Israel de tal forma em sua educação que foi capaz de dar continuidade à sua história de salvação com ele (cf. Is 40ss; Dn 9). DEUS também pode ordenar experiências difíceis e aflitivas para nós, com a finalidade de nos separar do mal, proteger contra a maldade e consolidar o bem. Suas dádivas não são sempre encantadoras e aprazíveis, mas são sempre “boa dádiva e presente perfeito”. Paulo diz: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a DEUS” (Rm 8.28). Para que encontremos o caminho certo e permaneçamos nele, DEUS nos envia felicidade e bem-estar, mas para a nossa educação e aprovação, também sofrimento e pesar.
b) Tudo vem de DEUS, exceto o pecado, o mal, a natureza impura e oposta a DEUS.
“Do alto” vêm apenas coisas boas e todo o bem. A isso se costuma dizer: Novamente se trata da visão de mundo antiga com sua concepção de “três andares”. Mas DEUS não está “no alto” no sentido do lugar mais elevado. Está “no alto” e “em baixo”: “Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito” (Is 57.15). “Nele vivemos, nos movemos, e existimos” (At 17.28). DEUS está “no alto” no sentido da elevada importância, da posição decisiva.
c) DEUS é a mais pura e imutável luz. Ele é o “Pai das luzes”.
c.1 - Lutero traduz: “Pai da luz.” DEUS é luz. Ele é “a fonte da vida, e em sua luz vemos a luz” (Sl 36.9). DEUS é a fonte de todas as luzes, a “não-esgotada luz”. Assim como a natureza e tudo o que é vivo depende do sol, assim nós, como humanos, dependemos do sol de todos os sóis. Essa é nossa dignidade especial como pessoas. Mas fazíamos sombra a nós mesmos: “Teu pecado faz separação entre ti e teu DEUS” (Is 59.2). Aconteceu o “eclipse de DEUS” (Martim Buber). Contudo, em sua misericórdia DEUS enviou a nós aquele que trouxe e traz sua luz ao mundo. “A luz brilha nas trevas” (Jo 1.5). JESUS é “a luz do mundo” (Jo 8.12). Seguindo-o encontramos o caminho por esse mundo. “Quem me segue não andará nas trevas.” Esse é o conteúdo do evangelho: “A verdadeira luz resplandece agora” (1Jo 2.8). Nossa condição cristã é termos sido “chamados das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9). O alvo dos caminhos de DEUS é que, depois que a escuridão cobriu o orbe terrestre e trevas, os povos (Is 60.2), “as nações se encaminham para a tua luz” (Is 60.3; Ap 21.24). Então já não dependeremos da luz criada, porque temos a ele próprio de forma revelada (Ap 21.23). – Mas se DEUS for a fonte da mais pura luz, da mais límpida santidade, então o pecado, o mal, não podem vir dele. A fonte não consegue dar o que não se encontra nela.
c.2 - “O Pai das luzes.” Muitos entendem a passagem imaginando DEUS como Pai dos astros personificados. Mas a Bíblia constantemente fala de poderes angelicais usando a imagem das estrelas, como provavelmente Jz 5.20; Sl 148.3; Is 14.12s; Dn 12.3; Ap 8.10; 9.1; 12.4. E também os poderes angelicais excepcionalmente são chamados “filhos de DEUS” (Jó 1.6; 2.1).
DEUS é somente luz, somente pureza, somente santidade. Não é comparável à terra com sua alternância entre dia e noite, quando a claridade é seguida pela escuridão. Em DEUS não existem as duas coisas: “Nele não existe mudança nem escurecimento em decorrência da guinada” (os antigos pensavam que na alternância entre dia e noite se tratava de uma guinada na trajetória do sol. Hoje, porém, sabemos que a terra se “vira”, i. é, que sua rotação constante produz esta alternância).
A mais preciosa das dádivas de DEUS (v. 18).
Somos “irmãos amados” (v. 16), porque somos filhos amados de DEUS, “filhos da luz” (Ef 5.8).
a) Como nos tornamos isso? Certamente não através de nossa louvável decisão.
Tg 1.18 Tiago diz: “Ele nos gerou segundo seu querer.” Sem dúvida, nosso Senhor nos chama e em seguida espera de nós a decisão de segui-Lo. Contudo quando prestarmos contas a nós mesmos em retrospectiva, não restará nenhuma honra para nós: tudo foi feito por ele segundo sua vontade de tornar nova nossa vida (cf. Jo 15.16; Rm 8.28-30).
b) Através de que isso aconteceu? Qual é seu instrumento? “Pela palavra da verdade.” Essa é a dádiva de todas as dádivas. É a palavra que ilumina nossa situação, que constitui a verdade sobre nós. É a palavra que “lavra algo novo”, que representa a semente para os sulcos e que orvalha, nutre e limpa a plantação. Ela traz a vida verdadeira, a vida a partir de DEUS. Leva-nos à verdadeira existência humana, assim como DEUS nos concebeu (Mt 13.3ss; Lc 8.11). É a palavra que está sendo proclamada aqui, a palavra que em última análise se chama JESUS CRISTO (Jo 1.1ss; Ap 19.13). Sua palavra é ESPÍRITO e vida (Jo 6.63). Traz não somente conhecimento, mas possui força e é ação. Assim como a palavra criadora de DEUS foi ação, assim também é ação a palavra de nossa nova criação, a palavra do evangelho. Neste caso também vale: “Pois ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir” (Sl 33.9). Em tudo isso DEUS se mostra como o único fiel na grande apostasia da humanidade, como o único verdadeiro, também no cumprimento de sua promessa, quando todo o resto tiver se tornado refém da mentira (cf. Ap 19.11).
c) Que efeito e finalidade tem essa palavra? “Para que fôssemos como que oferta de primícias das suas criaturas.” Vimos acima que o objetivo de DEUS é voltar a clarear o mundo obscurecido pela grande rebelião. “As nações hão de andar na luz dele e os reis no fulgor de DEUS” (Is 60.3), “até que DEUS seja tudo em todos” (1Co 15.28). JESUS é o resplendor da glória de DEUS (Hb 1.3), é “luz, que veio ao mundo”. Nele a luz vinda de DEUS novamente nos alcançou. Ele é a luz do mundo (Jo 8.12). Sob seu reflexo também nós somos “luz do mundo” (Mt 5.14). Mais do que isso: a luz está em nós por meio do ESPÍRITO dele, tornando-se transparente em nós. “DEUS, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de DEUS, na face de CRISTO” (2Co 4.6). O mundo zomba, dizendo que nós cristãos seríamos no máximo a “luz traseira” do mundo. Mas quando permanecemos singelamente voltados para nosso Senhor e abertos à influência de sua palavra e seu ESPÍRITO, ele cuida para que apesar disso sejamos e continuemos sendo “luz do mundo”.
Na metáfora da “oferta de primícias” cumpre lembrar os primeiros frutos da colheita ofertados a DEUS. A humanidade, lavoura de DEUS (Mt 13.38), produziu cardos e abrolhos. Por isso DEUS permite que também a lavoura do ser humano produza cardos e abrolhos (Gn 3.17-19). Contudo agora caiu no solo o único grão de trigo bom, “importado” por DEUS para dentro desse mundo, o eterno Filho de DEUS (Jo 12.24). Consequentemente, a igreja de JESUS agora pode ser começo da maravilhosa colheita de DEUS (Mt 13.30,37-43; Ap 14.15). A safra aponta para além dela mesma. Ela é apenas começo, “fruto de primícias”. A igreja de JESUS constitui um sinal de esperança para toda a criação (Rm 8.19ss).
Por realizar tudo isso, a palavra de DEUS é a dádiva de todas as boas dádivas de DEUS.
Fritz Grünzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.