terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Lição 8, Nossa Luta não É contra Carne e Sangue, 4 Partes, 1Tr19, Pr. He...

Escrita Lição 8, Nossa Luta não É contra Carne e Sangue, 4 Partes, 1Tr19, Pr. Henrique, EBD NA TV

Lição 8, Nossa Luta não É contra Carne e Sangue
1º Trimestre de 2019 - Batalha Espiritual: O povo de DEUS e a guerra contra as potestades do mal. - Comentário: Esequias Soares
Complementos, Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva - 99-99152-0454. - henriquelhas@hotmail.com
Slides - https://ebdnatv.blogspot.com/2019/02/slides-licao-8-nossa-luta-nao-e-contra.html
Vídeo - https://www.youtube.com/playlist?list=PL9TsOz8buX1-CDSXQBTR75zfuwtbKecad
Veja escrita ajuda em: http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/livroefesios.htm
 
 
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TEXTO ÁUREO
“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em DEUS, para destruição das fortalezas.” (2 Co 10.4)
 
 
 

VERDADE PRÁTICA
Por trás das aparências, há uma batalha espiritual invisível contra a Igreja
 
 
 
 
LEITURA DIÁRIASegunda – Mt 12.25-28 Uma luta na esfera espiritual 
Terça – Lc 10.19 A nossa autoridade sobre a força do mal vem de JESUS
Quarta – 1 Co 15.24 O Senhor JESUS reduzirá a cinzas o poder das trevas antes de entregar o Reino ao Pai
Quinta – Gl 5.16-18 Existe um conflito interno na vida do crente entre a carne e o espírito
Sexta – Ef 2.2 O poder invisível das trevas opera no mundo
Sábado – Cl 2.15 Foi no Calvário que o Senhor JESUS venceu o reino das trevas
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Efésios 6.10-1210 - No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. 11 - Revesti-vos de toda a armadura de DEUS, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo; 12 - porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.
 
 
OBJETIVO GERAL - Explicitar que a nossa luta é espiritual, e não física ou material.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOSDestacar a inclusão do tema, “Nossa Luta não é Contra Carne e Sangue”, no final da epístola;
Salientar que o crente depende exclusivamente de DEUS;
Mostrar que a nossa luta é contra os poderes das trevas.
 
INTERAGINDO COM O PROFESSORUma das coisas que o Inimigo tem feito nestes últimos dias, por meio de uma perspectiva materialista de vida, é tirar de alguns crentes a perspectiva espiritual. Não podemos perder o senso espiritual esposado pelo apóstolo Paulo em uma de suas cartas em que ele afirma que a nossa luta não é contra o ser humano, mas contra principados e potestades. Há sim um mundo espiritual por trás do material. Isso não é uma concepção platônica; mas bíblica, ensinada pelo nosso Senhor, proclamada pelos apóstolos e confirmada pelo ESPÍRITO SANTO. Aproveite essa oportunidade para, por meio da presente lição, deixar claro à classe sobre a importância de conhecermos as astutas ciladas do nosso Inimigo. Este ainda continua a fazer estragos na vida de pessoas.
 
Resumo da Lição 8, Nossa Luta não É contra Carne e Sangue
INTRODUÇÃO
I – A INCLUSÃO DO TEMA NO FINAL DA EPÍSTOLA
1. “No demais... (v.10a)”.
2. “Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” (v.10b).
3. O emprego da figura de linguagem.
II – A DEPENDÊNCIA DE DEUS
1. Somente pelo poder de DEUS.
2. O revestimento da completa armadura de DEUS (v.11a).
3. Os métodos do Diabo (v.11b).
III – CONTRA OS PODERES DAS TREVAS
1. Carne e sangue.
2. Os principados e potestades.
3. “Os dominadores deste mundo tenebroso” (v.12b, ARA).
4. Os lugares celestiais.
 
Observações
 "A armadura completa indica armas de defesa e armas de ataque, uma figura bem conhecida na época".
O apóstolo começa apresentando a luta interna do cristão: “porque não temos que lutar contra carne e sangue” (v.12a)
SÍNTESE DO TÓPICO I - Ao final da epístola aos Efésios, Paulo exorta aos crentes “fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder”.
SÍNTESE DO TÓPICO II - Somos dependentes do poder de DEUS e de sua armadura espiritual para debelar a estratégia do Diabo.
SÍNTESE DO TÓPICO III - Não pelejamos contra “Carne e Sangue”, mas contra os principados e potestades, os dominadores deste mundo tenebroso.
 
 
REFLETIR - A respeito de “Nossa Luta não É contra Carne e Sangue”, responda:
O que as palavras “força do seu poder” reforçam?
A expressão “força do seu poder” é um enérgico pleonasmo usado para reforçar a magnitude do poder de JESUS.
Qual o significado da metáfora “toda a armadura de DEUS”?
Significa que devemos usar todos os recursos espirituais que DEUS nos dá.
A que se refere a combinação “carne e sangue”?
Parece indicar um significado físico. 
A que se refere a expressão “principados e potestades”?
A expressão refere-se a governos e autoridades tanto na esfera terrestre como na espiritual.
Qual o significado de kosmocrátor (Ef 6.12)?
Significa “Senhor do mundo”.
 resistir ao inimigo e ‘estar firme’ em sua posição. 
Paulo, por três vezes, exorta os crentes a ‘estarem firmes’ (6.11,13,14). Com isso, quer dizer que os crentes e a Igreja devem permanecer constantes e inabaláveis, ‘estando firmes’ quando a batalha espiritual for intensa, sustentando sua posição quando o conflito estiver se aproximando de seu final, sem serem ‘deslocados ou abatidos, porém mantendo-se firmes e vitoriosos em seus postos’ (Salmond, 3.385). Observe que diferentes aspectos de ‘estar firmes’ são enfatizados durante a passagem (6.10-20). Devemos ‘estar firmes’ (6.14a), na força do poder de CRISTO (6.10), contra as ciladas do Diabo (6.11), com nossa armadura firmemente colocada (6.11a, 13a) e em oração (6.18-20)” (STRONSTAD, Roger; ARRINGTON, French L. (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.1266).
 
 
SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO Top 1Para introduzir a aula desta semana, faça um resumo panorâmico da Carta aos Efésios com o auxílio do esquema abaixo:
 
 
SUBSÍDIO BÍBLICO Top 2“No Verso 6.13, Paulo repete a exortação previamente enunciada em 6.11 (‘Portanto, tomai toda a armadura de DEUS’) – desta vez, em vista de 6.12, isto é, das hostes de Satanás que estão envolvidas na guerra espiritual. Uma palavra diferente para ‘vestir’ (analabete) foi usada aqui, embora em 6.11 tenha sido utilizado o termo endysasthe (significando ‘estar vestido com’). Analabete significa ‘tomar’ de modo resoluto para que, mesmo debaixo do ataque mais rigoroso, o crente possaPARA
 
 
SUBSÍDIO DE VIDA CRISTÃ Top 3“JESUS disse que era odiado sem motivo. Os verdadeiros filhos de DEUS são revestidos de luz, de poder e do ESPÍRITO SANTO, enviado lá do trono eterno de DEUS. O mundo não nos conhece porque não conheceu a Ele, de modo que o Diabo reúne todas as suas forças para batalhar contra JESUS e os seus santos. Porém é maior aquEle que está em nós que tudo o que está contra nós. O Senhor batalhará por nós, ainda que para isso Ele precise enviar todos os exércitos do céu. Quando o profeta Eliseu estava cercado pelos inimigos do Senhor, o servo dele foi tomado de pavor, porque tinha certeza de que eles seriam aniquilados. Ele levantou os olhos a DEUS e disse: ‘Peço-te que lhe abras os olhos, para que veja’. Os olhos dele foram abertos, e ele olhou em volta e viu os exércitos do Senhor com cavalos e carros de fogo. DEUS enviara toda a artilharia do céu para proteger apenas um profeta e o servo deste. DEUS fará o mesmo por nós, se clamarmos a Ele” (ETTER, Maria Woodworth. Devocional. Série: Clássicos do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, pp.142-43).
CONSULTE - Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 77, p40. 
SUGESTÃO DE LEITURA - Heresias e Modismos, Manual de Apologética Cristã e A Santidade que Liberta

COMENTÁRIOS DIVERSOS
10 - No demais,
Paulo passa da teoria para a prática a apartir da segunda metadade de sua epístola aos Efésios, pois não adinta ter teoria se não houver a prática. Nada seria realizado pela igreja nestes milênios se a igreja verdadeira não fosse militamnte, praticante da Palavra de DEUS. Precisamos combatrer o inimigo no campo de batralha.
.... Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo. 1 João 3:8b
Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne. 2 Coríntios 10:3
Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Romanos 8:52 Coríntios 10:3
Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne. Filipenses 1:24  - Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo. 2 Coríntios 5:16 - CARNE COM SIGNIFICADO DE CORPO HUMANO. NÓS NA TERRA.
 
Nosso inimigo é espírito, portanto devemos usar armas espirituais para combatê-lo, dentre as quais estão a Palavra de DEUS, oração, jejum, sangue de JESUS, Nome de JESUS, dons espirituais.
Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas;2 Coríntios 10:4
Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia; 1 Timóteo 1:18
Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas.1 Timóteo 6:12
Na palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas da justiça, à direita e à esquerda, 2 Coríntios 6:7
A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz. Romanos 13:12
 
irmãos meus,
Paulo trata os Efésios da igreja como irmãos de fé e de combate. Como soldados de um exército forte, bem armado, bem provido, bem montado estrategicamente e com um mesmo objetivo (ganhar almas). O general é CRISTO, Paulo seu comendante escolhido e comissionado e os Efésios seu exército bem treinado.
E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Colossenses 2:19
 
fortalecei-vos
Nosso inimigo não brinca, ele é homicida e mentiroso.
Um exército verdadeiro e vencedor sempre está em treinamento, sempre em crescimento, sempre em busca de melhores estratégias de guerra, sempre estudando o inimigo e suas artimanhas.
O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. João 10:10
Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira. João 8:44.
 
no Senhor
Aqui Paulo nos mostra em quem confiamos para vencer. JESUS. E
O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra. Salmos 121:2
O Senhor é a força do seu povo; também é a força salvadora do seu ungido. Salmos 28:8
Buscai ao Senhor e a sua força; buscai a sua face continuamente. Salmos 105:4
Sairei na força do Senhor DEUS, farei menção da tua justiça, e só dela. Salmos 71:16
Estamos em CRISTO, por isso vencemos.  Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Efésios 1:3
 
e na força do seu poder.
Vamos em seu nome, por isso sempre venceremos. Em nome de JESUS. No poder de JESUS que está em nós pelo ESPÍRITO SANTO.
Aqui Paulo nos mostra a fonte do poder.
Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo,
Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece. Filipenses 4:13
E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda. Atos 3:6
Enquanto estendes a tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome de teu santo Filho Jesus. Atos 4:30
E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
Colossenses 3:17
É TUDO EM NOME DE JESUS
E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão. Marcos 16:17,18.

 Efésios - Bíblia BEP - CPAD
Autor: Paulo
Tema: Cristo e Sua Igreja
Data: Cerca de 62 d.C.

Considerações Preliminares
Efésios é um dos picos elevados da revelação bíblica, ocupando lugar único entre as Epístolas de Paulo. Ela não foi elaborada no árduo trabalho da bigorna da controvérsia doutrinária ou dos problemas pastorais (como muitas outras epístolas de Paulo). Ao contrário, Efésios transmite a impressão de um rico transbordar de revelação divina, brotando da vida de oração de Paulo. Ele escreveu a carta quando estava prisioneiro por amor a Cristo (3.1; 4.1; 6.20), provavelmente em Roma. Efésios tem muita afinidade com Colossenses, e talvez tenha sido escrita logo após esta. As duas cartas podem ter sido levadas simultaneamente ao seu destino por um cooperador de Paulo chamado Tíquico (6.21; cf. Cl 4.7).
É crença geral que Paulo escreveu Efésios também para outras igrejas da região, e não apenas a Éfeso. Possivelmente ele a escreveu como carta circular às igrejas de toda a província da Ásia. Muitos crêem que Efésios é a mesma carta aos Laodicenses, mencionada por Paulo em Cl 4.16.

Propósito
O propósito imediato de Paulo ao escrever Efésios está implícito em Ef 1.15-17. Em oração, ele anseia que seus leitores cresçam na fé, no amor, na sabedoria e na revelação do Pai da glória. Almeja profundamente que vivam uma vida digna do Senhor Jesus Cristo (e.g., Ef 4.1-3; 5.1,2). Paulo, portanto, procura fortalecer-lhes a fé e os alicerces espirituais ao revelar a plenitude do propósito eterno de Deus na redenção “em Cristo” (Ef 1.3-14; 3.10-12) à igreja (Ef 1.22,23; 2.11-22; 3.21; 4.11-16; 5.25-27) e a cada crente (Ef 1.15-21; 2.1-10; 3.16-20; 4.1-3,17-32; 5.1—6.20).

Visão Panorâmica
Há dois temas fundamentais no NT: (1) como somos redimidos por Deus, e (2) como nós, os redimidos, devemos viver. Os capítulos 1—3 de Efésios tratam principalmente do primeiro desses temas, ao passo que os capítulos 4—6 focalizam o segundo.
(1) Os capítulos 1—3 começam por um parágrafo de abertura que é um dos trechos mais profundos da Bíblia (1.3-14). Esse grandioso hino sobre redenção tributa louvores ao Pai pela eleição, predestinação e adoção que Ele nos propiciou (1.3-6), por nossa redenção mediante o sangue do Filho (1.7-12) e pelo Espírito, como selo e garantia da nossa herança (1.13,14). Nesses capítulos, Paulo ressalta que na redenção pela graça mediante a fé, Deus nos reconcilia consigo mesmo (2.1-10) e com outros que estão sendo salvos (2.11-15), e, em Cristo, nos une em um só corpo, a igreja (2.16-22). O alvo da redenção é “tornar a congregar em Cristo todas as coisas... tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” (1.10). (2) Os capítulos 4—6 consistem mais de instruções práticas para a igreja no tocante aos requisitos que a redenção em Cristo demanda de nossa vida individual e coletiva. Entre as 35 diretrizes dadas em Éfesios, sobre como os redimidos devem viver, destacam-se três categorias gerais. (1) Os crentes são chamados a uma nova vida de pureza e separação do mundo. São chamados a serem “santos e irrepreensíveis diante dele” (1.4), a crescer “para templo santo no Senhor” (2.21), a andar “como é digno da vocação com que fostes chamados” (4.1), a “varão perfeito” (4.13), a viver “em verdadeira justiça e santidade” (4.24), a andar “em amor” (5.2; cf. 3.17-19) e a serem santos “pela palavra” (5.26), a fim de que Cristo tenha uma “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga... santa e irrepreensível” (5.27). (2) O crente é chamado a um novo modo de viver nos relacionamentos familiares e vocacionais (5.22—6.9). Esses relacionamentos devem ser regidos por princípios de conduta que distingam o crente da sociedade descrente à sua volta. (3) Finalmente, o crente é chamado a manter-se firme contra as astutas ciladas do diabo e as terríveis “hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (6.10-20).

Características Especiais
Há quatro características que predominam nesta epístola. (1) A revelação da grande verdade teológica dos capítulos 1—3 é interrompida por duas grandiosas orações apostólicas. Na primeira, o apóstolo pede para os crentes sabedoria e revelação no conhecimento de Deus (1.15-23); na segunda, roga que possam conhecer o amor, o poder e a glória de Deus (Ef 3.14-21). (2) “Em Cristo”, uma expressão paulina de peso (106 vezes nas epístolas de Paulo), sobressai grandemente em Efésios (cerca de 36 vezes). “Toda bênção espiritual” e todo assunto prático da vida relaciona-se com o estar “em Cristo”. (3) Efésios salienta o propósito e alvo eterno de Deus para a igreja. (4) Há um realce multifacetado do papel do Espírito Santo na vida cristã (Ef 1.13,14,17; 2.18; 3.5,16,20; 4.3,4,30; 5.18; 6.17,18). (5) Efésios é tida, às vezes, como epístola gêmea de Colossenses, pelo fato de apresentarem definidas semelhanças em seus conteúdos e terem sido escritas quase ao mesmo tempo (ver o esboço das duas).

Efésios - Fonte: Bíblia Plenitude 
Autor: Paulo
Data: Cerca de 60—61 dC
Antecedentes
Éfeso era um importante porto da Ásia Menor, localizado perto da atual Izmir. Tratava-se de uma das sete igrejas a quem Jesus endereçou suas cartas em Ap 2-3, um fato relevante para estudar esta epístola, uma vez que ela circulou originalmente para quase o mesmo grupo de igrejas.
Embora Paulo já tivesse estado em Éfeso antes (At 18.21), ele foi ministrar lá pela primeira vez no inverno de 55 dC. Lá ele ministrou por dois anos inteiros (At 19.8-10), desenvolvendo um relacionamento tão profundo com os efésios que sua mensagem de despedida a eles é uma das passagens mais emocionantes da Bíblia (At 20.17-38).
Ocasião e Data
Enquanto estava preso em Roma, Paulo escreveu Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Confinado e aguardando julgamento (3.1; 4.1; 6.20), o apóstolo escreve esta carta encíclica— para se lida por várias congregações. Efésios e, provavelmente, a mesma carta mencionada em Cl 4.16 como estando presente em Laodicéia ao mesmo tempo em que circulava.
Conteúdo
A mensagem pulsante de Efésios é “para louvor de sua (Cristo) glória” (1.6,12,14). A palavra glória ocorre oito vezes e refere-se à grande excelência de Deus, sua sabedoria e seu poder. O objetivo magnífico está na publicação do compromisso de Jesus de construir uma igreja gloriosa, madura e de um ministério “sem mácula, nem ruga” (5.27).
Efésios revela o processo pelo qual Deus está trazendo a igreja para seu objetivo destinado em Cristo. Os passos básicos de amadurecimento são dados na direção do compromisso da igreja de lutar conta os poderes do mal: 1) antes da igreja ir para a guerra, ela deve andar; e 2) antes de andar, a igreja aprende onde ela está.
a carta divide-se em duas seções: 1) a oposição do crente, caps 1-3 e 2) a prática do crente caps. 4-6.
Cristo Revelado
Ef foi chamado de “Os Alpes do NT”, “O grande Cânon da Escritura” e “O ápice real das Epístolas”, não somente por seu grande tema, mas devido à majestade do Cristo revelado aqui. Cap. 1: Ele é o redentor (1.7), aquele em quem e por quem a história será definitivamente consumida (1.10); e ele é o Senhor ressuscitado que não apenas ressuscitou dos mortos e do inferno, mas que reina como Rei, derramando sua vida através de seu corpo, a igreja— a expressão atual dele mesmo na Terra (1.15-23). Cap. 2: Ele é o pacificador que reconciliou o homem com Deus e que também torna possível a reconciliação entre os homens (2.11-18); e ele é a “principal pedra da esquina” do novo templo, que consiste de seu próprio povo sendo habitado pelo próprio Deus (2.19-22). Cap. 3: Ele é o tesouro em que são encontradas as riquezas inescrutáveis da vida (3.8); e ele é o que habita nos corações humanos, garantindo-nos o amor de Deus (3.17-19); e ele é o vencedor que acabou com a capacidade do inferno de manter a humanidade cativa (4.8-19). Cap. 5: Ele é o marido modelo, dando-se sem egoísmo para realçar sua noiva— sua igreja (5.25-27, 32). Cap.6: Ele é o Senhor, poderoso na batalha, o recurso de força para seu povo enquanto eles se armam para a batalha espiritual (6.10).
O Espírito Santo em Ação
Como com Cristo, o ES é revelado em um ministério bastante amplo e através do crente. Em 1.13, ele é o selador, autorizando o crente a representar Cristo; em 1.17 e 3.5, ele é o revelador, iluminando o coração para aprender o propósito de Deus; em 3.16, ele é o doador, a quem Cristo dá força; em 4.3, ele é o Espírito da unidade, desejando sustentar a ligação de paz no corpo de Cristo; em 4.30, ele é o Espírito de santidade, que pode se entristecer por insistência de ocupações carnais; em 5.18, ele é a fonte através da qual todos deve ser continuamente cheios; em 6.17-18. Ele é que dá a Palavra como espada para uma batalha e o assistente celeste que nos foi concedido para nos ajudar a orar e a intervir até que obtenhamos a vitória.
Esboço de Efésios
Saudação de abertura 1.1-2
I. A posição do crente em Cristo 1.3-14
Bênçãos de total redenção 1.3-8
Parceria no propósito de Deus 1.9-14
II. A oração do apóstolo por discernimento 1.15-23
Para corações que vêem com esperança 1.15-23
Para a experiência que compartilha da vitória de Cristo 1.19-21
A igreja: o copo de Cristo 1.22-23
III. O passado, presente e futuro do crente 2.1-22
A ordem passada dos mortos que vivem 2.1-3
A nova ordem da vida amorosa de Deus 2.4-10
A antiga separação e falta de esperança 2.11-12
A nova união e paz atual 2.13-18
A Igreja: Edifício de Cristo 2.19-22
IV. O ministério e mensagem do apóstolo 3.1-13
O ministério concedido a Paulo 3.1-7
O ministério que é dado a cada crente 3.8-13
V. A oração de poder do Apóstolo 3.14-21
Por força através do ES 3.14-16
Por fé e amor através da habitação de Cristo 3.17-19
A igreja e glória de Deus 3.20-21
VI. A responsabilidade do crente 4.1-16
Para alcançar a unidade com diligência 4.1-6
Para aceitar a graça e dons com humildade 4.7-11
Para crescer no ministério como parte do corpo 4.12-16
VII. O chamado do crente para a pureza 4.17-5.14
Ao recusar a falta de inclinação mundana 4.17-19
Ao tirar o velho e colocar o novo 4.20-32
Ao Brilhar como filhos da luz 5.8-14
VIII. A vocação do crente para a vida cheia do Espírito 5.15-6.9
Buscar a vontade e sabedoria de Deus 5.15-17
Manter a plenitude do Espírito através de louvor e humildade 5.18-21
Conduzir todos os relacionamentos de acordo com a ordem de Deus 5.22-6.9
IX. A vocação do crente para a batalha espiritual 6.10-20
A realidade da batalha invisível 6.10-12
Armadura para o guerreiro 6.13-17
A Ação envolvida na batalha 6.18-20
Observações finais 6.21-24
Fonte: Bíblia Plenitude

Efésios - Biblia de Estudo Aplicação Pessoal NOSSAS igrejas podem se apresentar de várias formas e estilos — reuniões particulares nos lares, grandes assembleias públicas em anfiteatros, cultos religiosos que reúnem milhares de pessoas cm um templo, multidões que assistem aos cultos pela televisão ou um sem-número de fieis de joelhos numa praça pública. As construções podem variar, porém a Igreja não se encontra confinada entre quatro paredes. A Igreja de Jesus Cristo é formada por pessoas provenientes de todas as raças e nações, que amam a Cristo e se comprometeram a servi-lo.
A “era da igreja” teve início no Pentecostes (At 2). Tendo nascido em Jerusalém, ela espalhou-se rapidamente por intermédio do ministério dos apóstolos e dos primeiros crentes. Estimulada pela perseguição, a chama do evangelho atingiu outras cidades e nações. Em três corajosas viagens, Paulo e seus companheiros fundaram assembleias locais cm inúmeras cidades gentílicas. Uma das igrejas mais proeminentes foi a de Éfeso, fundada no ano 53 d.C., na viagem de retorno de Paulo a Jerusalém. Mas o apóstolo visitou essa igreja um ano mais tarde, em sua terceira viagem missionária. E lá permaneceu durante três anos pregando e ensinando com grande eficiência (At 19.1-20). Em uma dessas ocasiões. Paulo se encontrou com os anciãos de Éfeso c escolheu Timóteo para servir como líder (1 Tm 1,3). Poucos anos depois, Paulo foi enviado como prisioneiro a Roma, onde recebeu a visita de mensageiros de várias igrejas, inclusive de Tiquico, de Éfeso, Paulo escreveu esta carta à Igreja em Éfeso c enviou-a por Tiquico. Ela não foi escrita para combater heresias ou enfrentar qualquer problema específico. Ao contrário, trata-se de uma carta de encorajamento na qual Paulo descreve a natureza e a estrutura da igreja, c desafia os crentes a agirem como representantes do corpo de Cristo na terra.
Após uma calorosa saudação (Ef 1.1 -2). Paulo afirma a natureza da igreja — o fato glorioso de os crentes em Cristo terem sido cobertos pela bondade de Deus (Ef 1.3-8), escolhidos para a grandeza divina (Ef 1.9-12), cheios do Espírito (Ef 1.13,14) e do seu poder (Ef 1.15-23), libertos da maldição c da escravidão do pecado (Ef 2.1-10), e se aproximado de Deus (Ef 2.1 1-18). Como somos parte da “familia” de Deus, estamos ao lado de profetas, apóstolos, judeus, gentios c do próprio Cristo. Como se estivesse transbordando de emoção ao lembrar tudo aquilo que Deus já fez, Paulo desafia os efésios a viverem próximos a Cristo c, cm seguida, faz uma oração espontânea (Ef 3.14-21).
Mais tarde, Paulo volta sua atenção às implicações de pertencer ao corpo de Cristo, isto é, à igreja. Os crentes devem conservar a unidade no seu compromisso com Cristo c nos seus dons espirituais (Ef 4.1-16), e manter os mais elevados padrões morais (Ef 4.17—6.9). Individualmente, isso significa rejeitar as práticas pagãs (Ef 4.17—5.20); c, para a familia, amor mútuo e submissão (Ef 5.21—6.9). Em seguida, o apóstolo lembra aos efésios que a igreja enfrenta uma batalha constante contra as forças das trevas c que eles devem usar toda armadura espiritual à sua disposição (Ef 6.10-17). Paulo conclui pedindo orações, dando uma incumbência a Tiquico c a sua benção (Ef 6.18-24),
Ao ler essa majestosa descrição da Igreja, agradeça a Deus pela diversidade e unidade de sua família, ore por seus irmãos cm todo o mundo e se aproxime daqueles que são seus companheiros na igreja local.

INFORMAÇOES ESSENCIAIS
PROPÓSITO:
Fortalecer a fé cristã dos crentes de Éfeso c explicar a natureza e o propósito da igreja, o corpo de Cristo.
AUTOR: Paulo.
DESTINATÁRIOS: A igreja de Éfeso e aos crentes de ioda a parte.
DATA: Aproximadamente no ano 60 d.C., durante o período cm que Paulo estava preso cm Roma.

PANORAMA:
Esta carta não foi escrita para enfrentar qualquer heresia ou problema nas igrejas. Foi enviada por Tiquico para fortalecer e encorajar as igrejas daquela região. Paulo havia passado três anos na igreja de Éfeso; rianio, era muito amigo de seus membros. Paulo encontrou-se com os anciãos da Igreja em Éfeso em Mileto (At 20.17-38) —um encontro permeado de grande insieza. líque Paulo acreditava estar visitando seus companheiros laIvez pela última vez. Como não existem referencias c.spccíficas a pessoas ou problemas nessa igreja c pelo falo de as palavras “cm Éfc.so" (1.1) não estarem presentes nos manuscritos mais antigos, c possível que Paulo tivesse a intenção de enviar uma carta circular para ser lida cm uxias as igrejas daquela região.
VERSÍCULOS-CHAVE:
“Má um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados cm uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo: um só Deus e Pai de Iodos, o qual é sobre todos, c por todos, c cm lodos” (Ef 4.4-6).
PESSOAS-CHAVE:
Paulo e Tiquico.

CARACTERÍSTICAS PARTICULARES:
Várias imagens da igreja são apresentadas: corpo, templo, mistério, novo homem, noiva e soldado. Provavelmente essa carta foi distribuída a várias congregações da Igreja Primitiva.


ESBOÇO
1.    Unidade cm Cristo (Ef 1.1—3.21)
2.    Unidade no corpo de Cristo (Ef 4.1 — 6.24)


Nesta carta, Paulo explica as bênçãos maravilhosas que recebemos por intermédio de Cristo e faz referência á Igreja como uni coir^o, um templo, uma noiva e um soldado. Tudo isso para ilustrar a unidade de propósitos c mostrar como cada membro, individualmente, õ parte de um todo que deve trabalhar em conjunto com as outras partes. Devemos, cm nossa vida, trabalhar para erradicar toda calúnia, mexericos, críticas, ciúme, ira e mágoas porque representam barreiras à unidade da Igreja.
Conduta Cristã

De acordo com o afetuoso e plamo plano de Deus, EIe dirige, executa e mantém a nossa salvação.
Cristo c exaltado como o centro do universo é o foco da história. Ele e a cabeça do corpo, isto é, da igreja, Ele é o Criador c o mantenedor de toda criação.
Paulo descreve a natureza da Igreja. Sob o controle de Cristo, ela é um corpo atuante, uma família, um lar. Pelo Espírito Santo. Deus concede aos crentes a capacidade especial de edificar a sua Igreja.
Como Deus, por meio de Cristo, redimiu nossa culpa pelo pecado e nos perdoou, fomos reconciliados com Ele isto é, fomos trazidos para perto dEle. Formamos uma nova sociedade, uma nova família. O fato de estarmos unidos a Cristo significa que devemos tratar uns aos outros como membros da mesma família.
Paulo encoraja todos os cristãos a ter uma criteriosa e dinâmica vida cristã, pois, ao lado dos privilégios, está a responsabilidade com a família. Como pertencemos a uma nova comunidade, devemos viver de acordo com os novos padrões de Cristo.

IMPORTÂNCIA
Quando respondemos ao amor de Cristo com confiança, seu propósito se torna nossa missão. Será que você já se comprometeu com a realização do propósito de Deus?
Como Cristo está no centro de tudo, seu poder também deve estar em nosso interior. Comece colocando todas as suas pnoridades sob seu controle.
Somos parte do corpo de Cristo c devemos viver cm uma unidade vital com EIe, Nossa conduta deve ser condizente com esse relacionamento. Use a capacidade que você recebeu de Deus para preparar os crentes para a obra do Senhor. Cumpra o seu papel na Igreja viva.
Formamos uma única familia em Cristo, portanto não devem existir barreiras, separações ou quaisquer motivos para discriminação, Todos nós pertencemos a EIe. Assim sendo, devemos viver em harmonia uns com os outros.
Deus nos concede o Espírito Santo para que possamos viver conforme a sua vontade. Para utilizar o poder do Espirito, devemos abandonar nossos desejos iníquos e prosseguir em nossa nova vida. Submeta sua vontade a Cristo e procure amar ao próximo.

COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO
Efésios e Filipenses
COMENTÁRIO DO NOVO TESTAMENTO
Exposição de Efésios e Exposição de Filipenses
William Hendriksen
© 1999, Editora Cultura Cristã. Publicado originalmente em inglês com o título New Testament Commentary, Exposition of Ephesians and Exposition of Philipians por Baker Books, uma divisão da Baker Book Elouse Company, P.O. Box 6287, Grand Rapids, MI 49516-6287. © 1968, William Elendriksen. Todos os direitos são reservados.
2a edição em português - 2004 3.000 exemplares
Tradução:
Valter Graciano Martins Revisão:
Gecy Soares de Macedo Valter Graciano Martins
Editoração:
Eline Alves Martins
Capa:
Expressão Exata
Publicação autorizada pelo Conselho Editorial: Cláudio Marra (Presidente), Alex Barbosa Vieira, André Luís Ramos, Mauro Fernando Meister, Otávio Elenrique de Souza, Ricardo Agreste, Sebastião Bueno Olinto, Valdeci Santos Silva.
EDITORA CULTURA CRISTA
Rua Miguel Teles Júnior, 394 Cambuci 01540-040 São Paulo, SP Brasil C.Postal 15.136/01599-970 São Paulo, SP Fone: 11 3207-7099 / Fax: 11 3209-1255 www.cep.org.br / cep@cep.org.br
Superintendente: Haveraldo Ferreira Vargas Editor. Cláudio Antônio Batista Marra
Introdução À Epístola aos Efésios
I. Ocasião Propícia
O mundo nos dias de Paulo era caracterizado por repulsiva perversidade (Ef 2.2; cf. Rm 1.18-32). Despenderam-se frustrados esforços para melhorar essa condição. A humanidade vivia “sem esperança” (Ef 2.12). O que prevalece em nossos dias é a mesma perversidade, de mãos dadas com o pessimismo. Na época atual, também se multiplicam os esforços para erradicar o crime e melhorar o meio-ambiente do homem. Entre os meios usados para esse fim, apresentam-se os seguintes: eliminação das favelas, melhores moradias, implantação de parques e áreas de lazer, escala de salário mínimo mais justa, reeducação de operários, reabilitação do pessoal pedagógico e ajuda psiquiátrica para os que têm “problemas de auto-aceitação”. Há quem reivindique leis mais justas. Outros enfatizam a necessidade de medidas mais enérgicas para que as leis sejam cumpridas, ou se estabeleçam normas que não favoreçam mais os criminosos a expensas da sociedade. Não se devem subestimar o mérito e a importância de todos esses esforços. Mas tampouco deveriam ser superestimados. Totalitarismo estatal, a tendência de se esperar que o Estado supra todas as necessidades “desde o berço até o túmulo”, com a conseqüente perda do sentido de responsabilidade e iniciativa individuais, resulta num grande perigo. Outro perigo é a má compreensão da necessidade básica do homem. Tal necessidade nada menos é que a remoção do peso da culpa pelo qual ele, sendo por natureza um filho da ira (Ef 2.3), se vê oprimido. O de que realmente ele necessita é de algo mais que uma simples reabilitação trabalhista. Ele necessita é de reconciliação com Deus. Efésios proclama que esta grande bênção já foi providenciada para todos os verdadeiros crentes, por meio da morte vicária e expiatória do próprio Filho de Deus (Ef 2.13). A motivação para esse supremo sacrifício foi “seu grande amor” (Ef 2.4).
Outra falácia que está implícita na maneira de encarar hoje o problema de como aliviar a miséria do homem é a noção de que a felicidade da humanidade pode ser alcançada por meios que operam de fora para dentro. Parece que o slogan é o seguinte: “Melhore-se o meio-ambiente e a condição interior do homem será melhorada”. Contudo, a condição interior do homem é tal que não oferece muita esperança para o sucesso desse método. Ele está “morto em delitos e pecados.” Fora de Cristo, ele está “vivendo nas concupiscências de sua came e de seus pensamentos” (Ef 2.1,3). Para que seja salvo, se faz necessário um ato de Deus. A remoção da culpa de seu pecado não é suficiente. O próprio pecado - o impulso de fazer o que é contrário à lei de Deus -deve ser removido. E preciso realizar dentro do coração do homem uma poderosa obra, para que, como resultado, o mesmo, tendo sido basicamente renovado e paulatinamente transformado pelo Espírito Santo, possa agora, em conseqüência, começar a reagir de dentro para fora sobre seu meio-ambiente, exigindo que tudo funcione Pro Rege (“para o Rei”). Esta obra regeneradora e transformadora do Espírito Santo, obtida pela morte de Cristo (Jo 16.7), se encontra maravilhosamente descrita em Efésios 3.14-19. Aqueles que, por natureza, se acham mortos precisam ser vivificados (Ef 2.1).
Ora, nada disso de modo algum anula a responsabilidade humana. Ao contrário, antes, aumenta no homem o senso de obrigação, em dedicar sua vida a seu Benfeitor. O crente, objeto do soberano amor de Deus, se sente endividado para com seu Salvador e Senhor. Ele ama em resposta ao amor recebido (Ef 5.1,2; cf. lJo 4.19). Além disso, é natural que, sendo atraído para Deus, o recipiente da graça divina é por esse mesmo processo também atraído para seus irmãos e irmãs no Senhor. Assim, tanto judeus como gentios, reconciliados com Deus, são também reconciliados uns com os outros. A parede existente entre os dois grupos étnicos é removida pela mesma cruz que fez a paz entre o Deus ofendido e o pecado ofensor (Ef2.11-22; cf. Jo 12.32; 15.12; lJo 4.21); sim, por meio daquela mesma cruz que foi um dia tropeço para judeus não-convertidos e loucura para gentios não-convertidos (ICo 1.23). E assim, o divino mistério se manifesta ante a visão humana e a igreja universal nasce.
Visto que surgiu um novo dia sobre aqueles que se rendem a Cristo e à influência de seu Espírito, segue-se que esses filhos da luz exibem em sua nova vida os frutos da luz; bondade, justiça e verdade (Ef 5.9). A virtude nascida do Espírito repele toda espécie de vícios, como claramente se indica na extensa seção de Efésios 4.17-5.21. Aqui, pois, está a real solução para a “repulsiva perversidade” que caracterizou os dias de Paulo, bem como caracteriza nossos dias. Deus mesmo é quem providenciou, “em Cristo”, esse caminho de escape das trevas e do pessimismo. A tarefa da igreja é “fazer com que todos os homens vejam” que esta é a única solução. A igreja deve entoar seu poderoso cântico de salvação pela fé em Jesus Cristo, a fim de, assim, abafar totalmente o utópico hino do ateísmo. Este último também canta, sem a menor dúvida, porém seu cântico tem um som vazio. Ele canta a mentira em (o espírito de) ódio. A igreja canta “a verdade em amor” (Ef 4.15). Sua vida diária é, de fato, um caminhar em amor, porquanto ela imita o Deus de amor (Ef 5.1). E assim, fortemente unida, ela conclama um desafio a Satanás e a todas as armas que Deus mesmo lhe providenciou (Ef 6.10-20).
O labor da igreja nunca é fútil, porque ela é produto não da mente humana, e sim da soberana graça de Deus. O apóstolo, em espírito exuberante, descreve esta igreja, detendo-se em alguns detalhes sobre seu fimdamento eterno, seu propósito universal, seu sublime ideal, sua unidade orgânica (unidade na diversidade), seu desenvolvimento dinâmico, sua gloriosa renovação e sua armadura eficaz. E uma igreja que existe para o propósito de servir como um agente na salvação dos homens para a glória do Deus Triúno, unindo-se no louvor “principados e autoridades nas regiões celestiais” enquanto observam, num caleidoscópio de cambiantes cores, a sabedoria de Deus refletida em sua obra mestra - a igreja (Ef 3.10).
II. Comparação com Colossenses
A. Introdução
Julgando ser necessário dar resposta aos que negam a autoria paulina de Efésios e sustentam ser esta epístola “nada mais que uma verbosa amplificação de Colossenses”, faz-se necessário compararas duas. Essa comparação servirá também a um outro propósito, pois uma vez estabelecido que foi Paulo, sem sombra de dúvida, o autor de ambas as cartas, teremos todo o direito de, ao fazer uma exegese de Efésios, permitir que passagens paralelas em Colossenses iluminem a interpretação. A guisa de antecipação, seja-nos permitido afirmar desde já que, como o entendemos, é correto o ponto de vista tradicional que atribui ambas as epístolas ao grande apóstolo dos gentios. Por essa razão, o presente capítulo se constituirá numa preciosa ferramenta exegética.
Observe, contudo, o seguinte:
(1) Nem todos os paralelos são igualmente notáveis, e nem todos eles são do mesmo caráter. Ainda que haja uma boa quantidade de semelhanças quanto a palavras, há também muitas similaridades no tocante ao pensamento em vez de só no emprego de palavras.
(2)    Em poucos exemplos, as semelhanças que existem nas palavras são ainda mais estreitas no original do que na tradução. Não obstante, as traduções que têm tentado eliminar esta discrepância (p.ex., entre o grego e o inglês) em cada caso, suprindo com um equivalente ao assim chamado “padrão” (ou “idêntico”) para cada palavra grega em qualquer contexto que esta ocorra, o resultado não tem sido muito satisfatório. Razões: a. mesma palavra grega nem sempre tem a mesma significação, por isso, nem sempre pode ser fielmente traduzida pelo mesmo equivalente em nosso idioma; b. o uso idiomático no grego nem sempre é paralelo ao uso idiomático em nosso idioma.1
(3)    Como este é um comentário de Efésios - e não de Colossenses -, é próprio que a base para a comparação seja antes de tudo o texto de Efésios, traduzido novamente do original. Esse texto, conseqüentemen-te, pode ser encontrado na coluna principal à esquerda, com passagens de Colossenses comparáveis, impressas na coluna à direita. Nem sempre foi possível colocar todas as passagens paralelas exatamente opostas umas às outras. Contudo, solicitamos do leitor que observe bem não só a passagem de Efésios diretamente oposta, mas também um pouco acima ou um pouco abaixo da coluna.
(4)    E impossível apresentar uma lista de paralelos que venha satisfazer a todos. A pergunta: “Existe nesta ou naquela passagem de Colossenses uma semelhança tal que nos leve a considerá-la paralela a uma passagem de Efésios?” não tem recebido resposta unânime. Alguns, por exemplo, desejariam acrescentar aos que dão abaixo tal “paralelo” como Efésios 4.10 = Colossenses 1.19; e talvez paralelos ainda mais remotos. Preferimos não fazer isso. Aqui, porém, há lugar para diferença de opinião.
Para que se possa chegar a uma conclusão objetiva, concernente à relação existente entre Efésios e Colossenses, é também necessário que agora nos reportemos ao texto de Colossenses como base da comparação. (Acerca do texto em si, em sua nova tradução, ver C.N.T. sobre Colossenses e Filemom, últimas páginas do comentário a Colossenses.)
No quadro que vem em seguida, os números impressos em tipo corrente (1,2,3,4, etc.) indicam aqueles versículos do capitulo de Colossenses que têm paralelos em Efésios. Aqueles que estão em itálico (6,7,8,15., etc.) indicam os versículos que não têm paralelos de importância na epístola maior. Aqueles que estão impressos em negrito (1.1; 1.6; 1.15; 1.13,18; etc.), imediatamente abaixo da referência correspondente em Colossenses, indicam seus paralelos em Efésios.2
C. Conclusões
As conclusões apresentadas supra deixam claro que sem dúvida há um grau substancial de semelhança entre Colossenses e Efésios. Iniciando com Colossenses, de seus 95 versículos, cerca de dois terços são claramente, ou quase claramente, duplicados em Efésios, inteiramente ou (mais amiúde) em parte, seja em pensamento verbal ou materialmente em essência. Não obstante, isso de forma alguma nos obriga a aceitar a conclusão de que Efésios é, portanto, o resultado de uma hábil incorporação e ampliação de frases, quer lembradas de Colossenses ou então copiadas daquela carta mais breve de Paulo. Algum escritor pós-paulino teria expresso de uma forma, ou de memória ou com base em algum manuscrito, as frases de Colossenses 1.12 nas de Efésios 1.11; as de Colossenses 1.13 nas de Efésios 1.6; as de Colossenses 2.11 nas de Efésios 2.11; as de Colossenses 2.4 nas de Efésios 5.6; e as de Colossenses 2.22 nas de Efésios 4.14, só para mencionar uns poucos exemplos? Um imitador não teria aderido com muito mais rigidez àquele texto lembrado ou copiado? Seguramente, a observação feita por E.F. Scott vem bem a calhar: “Quando um escritor tira de si mesmo, ele faz o que quer de seu próprio material. Ele não pode deixar de fazer revisões e modificações em cada frase. Somente o imitador desonesto é que percebe que precisa atentar bem ao seu original se não quiser trair a si mesmo.”
E verdade que ainda assim a lista dada acima, na qual os quatro capítulos de Colossenses formam a base de comparação, mostra uma notável semelhança. Não obstante, essa semelhança não é de forma alguma uniforme. Similaridade satura especialmente os capítulos 1 e 3. Não obstante, é preciso também observar bem as diferenças existentes. Em Colossenses 2 e 4 (com exceção de 4.7,8; cf. a passagem quase idêntica em Ef 6.21,22), o contraste é tão patente quanto a semelhança, ou talvez até mais. Vemos, pois, claramente, que não concorda com os fatos aquela teoria, segundo a qual, quem quer que a tenha escrito, Efésios é simplesmente uma cópia de Colossenses, acrescentando um parágrafo aqui e uma frase ali. Há diferença substancial definida entre as duas cartas. Com certeza, nenhuma contradição, mas apenas diferença. Ao lado de tudo o que é semelhante existe uma linha de pensamento que se desenvolve em Colossenses e que não reaparece com igual ênfase em Efésios. Como o segundo capítulo de Colossenses especialmente indica, e é confirmado nos demais capítulos, a epístola menor põe forte ênfase em Cristo, o Preeminente, o Único e Todo-suficiente Salvador. No entanto, seu estilo é polêmico. E uma defesa da verdade contra a heresia. O tema de Efésios é diferente, como se verá na seção V da presente Introdução. E seu estilo é doxológico. A epístola maior é uma explosão de humilde louvor e adoração.
Voltando agora a Efésios, as passagens comparadas com Colossenses ficam claras ao observarem-se as colunas paralelas, nas quais a base de comparação é o texto da epístola maior, impressa consecutivamente na primeira coluna. Conseqüentemente, não é necessário dar aqui uma tábua de referências para Efésios como fizemos para Colossenses. Efésios contém 155 versículos, dos quais, mais da metade é paralela, ou parcialmente paralela, a Colossenses. As vezes, mais de
uma passagem de Efésios é paralela a uma passagem de Colossenses. Assim, Efésios 4.2-4 e 4.32-5.2 são semelhantes a Colossenses 3.12,15. E para ambos os versículos de Efésios 5.22 e 5.33b, ver Colossenses 3.18; para Efésios 5.25ae 5.33a, ver Colossenses 3.19, etc. (O inverso é também verdadeiro: para Cl 1.11 e 1.29, ver Ef 1.19; para Cl 1.22 e 1.28, ver Ef 5.27, etc.)
Entretanto, também com respeito a Efésios é necessário assinalar não só as passagens que correspondem às de Colossenses, mas também as que não correspondem. Embora as duas epístolas sejam qualificadas de gêmeas, não significa que sejam realmente idênticas.
Assim, à guisa de comparação, tomando como ponto de partida o primeiro capítulo de Efésios, notamos que o parágrafo referente à igreja com seu eterno fundamento em Cristo, e o louvor por toda a bênção espiritual que se rende ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo (vs. 3-6,712,13,14), não tem paralelo em Colossenses. As referências à terceira Pessoa da Trindade Santa (1.13,17; ver também 2.18,22; 5.16; 4.3; 4.30; 5.9,18; 6.17,18) não são repetidas com a mesma freqüência na epistola menor, a qual menciona o Espírito Santo apenas um vez (Cl 1.8).3 E as muitas referências a “a igreja”, em seu sentido mais amplo, referências que começam já no capítulo 1 e prosseguem nos capítulos seguintes (1.22; 3.10,21; 5.23-25,27,29,32), distinguem Efésios de Colossenses.
Quando nos volvemos ao segundo capitulo de Efésios, outra vez recordamos que esta carta de maneira alguma é uma cópia de Colossenses. Seguramente, ainda que Colossenses, tanto quanto Efésios, enaltece a graça de Deus (1.6), todavia, em parte alguma na epistola menor encontramos algo que se iguale a Efésios 2.7-10, no sentido de afirmar e enfatizar nitidamente o caráter soberano dessa graça e sua relação com a fé e com as obras. Além disso, éposta em relevância somente em Efésios a verdade concernente ao propósito universal da salvação que provém da graça, de modo que, através do sangue de Cristo, os homens que outrora foram inimigos implacáveis, são não só reconciliados com o Pai, mas também, em virtude desse mesmo fato, são reconciliados uns com os outros (Ef 2.11-18), embora isso esteja implícito também em Colossenses.
Pouco há em Colossenses que sirva de paralelo aos últimos parágrafos do terceiro capítulo de Efésios, seção que contém a comovente oração (3.14-19) e a doxologia (3.20,21). Com certeza, o pouco que ali há é suficiente para provar o quanto é razoável crer que quem escreveu Colossenses 1.9b-14(e Fp 1.9-11) foi o escritor de Efésios 3.14-21 (cf. também Ef 1.17-23). Todavia, é singular o alvo elevado descrito nas palavras: “... a fim de que vocês ... possam ser capazes, juntamente com todos os santos, de compreender qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede a todo conhecimento; para que sejam cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3.17-19).
Como as colunas paralelas também o indicam claramente, há muito em Efésios 4.1-16 para o qual não existe paralelo em Colossenses. A unidade orgânica {na diversidade) e o crescimento da igreja são descritos num parágrafo que é único em tudo que se vê na epístola gêmea, ainda que, com certeza, a idéia não esteja de todo ausente em Colossenses (cf. Cl 3.15).
A gloriosa renovação, a qual Efésios 4.17-6.9 enfatiza (note especialmente 4.23,24; 5.14), e que se faz evidente não só na relação dos crentes para com os de fora, mas também nas atitudes recíprocas entre os membros da mesma família (esposa, marido; filhos, pais; escravos, senhores), ainda que repetida consideravelmente em Colossenses, é descrita em Efésios como obra do Espírito Santo (4.30), através de quem os homens se voltam das “trevas” para a “luz” (5.6-14). A metáfora das trevas para a luz aparece num tocante parágrafo que, uma vez mais, não tem paralelo real em Colossenses, embora a idéia germinal esteja também presente ali (Cl 1.13). E aquele pensamento tão notável em que a relação entre um esposo crente e sua esposa está radicada em e modelada segundo a relação de Cristo e a igreja (Ef 5.23-32) por si só se destaca.
Em Efésios 6.10-24, o que distingue as duas epístolas é especialmente a seção que descreve a armadura eficaz dos crentes (Ef 6.1020). Excetuando os versículos 18-20, Colossenses não tem muito que lhe corresponda.
Ficou evidente que aqueles parágrafos - alguns deles extensos - e aquelas muitas passagens individuais, nas quais Efésios difere de Colossenses, são numerosos e significativos demais para que sejam considerados meras ampliações. Ao contrário, eles formam um padrão e dão a Efésios um caráter distinto. Isso se fará ainda mais evidente na seção V desta Introdução, onde se discute o tema de Efésios e se considera a distribuição do material sob este tema.
III Autoria
A. Resposta aos Argumentos Contra a Autoria Paulina
A Epístola aos Efésios tem sido denominada “a mais divina composição do ser humano”, “a essência destilada da religião cristã”, “o compêndio de maior autoridade e mais consumado da fé cristã”, “transbordante de pensamentos e doutrinas sublimes e transcendentais”, etc. Tal é a impressão deixada em estudantes, profissionais e leigos, e em crentes através da história da igreja em todas as nacionalidades. Por conseguinte, negar o testemunho universal da igreja primitiva, isto é, que foi o apóstolo Paulo quem a escreveu, sendo um homem tão ricamente dotado pelo Senhor com talentos de coração e mente, nos leva a pensar que se requer o que alguns chamariam “ousadia”, e outros, “temeridade”. Esta qualificação seria ainda mais adequada se à negação se acrescentasse a insinuação de que o escritor era um personagem muito mais obscuro que o apóstolo. Não obstante, tais negações têm sido lançadas e tais insinuações têm sido propostas.4
Os principais argumentos que têm enfatizado contra a autoria paulina, ao menos até certo ponto, se auto-eliminam.
1. A semelhança é por demais estreita
a. Efésios lembra Colossenses
Afirma-se que a semelhança é tão grande que, se Paulo escreveu Colossenses, então não pode ter escrito Efésios.
Resposta: Este argumento já foi plenamente respondido no capítulo anterior. A teoria tradicional segundo a qual o mesmo escritor, mais ou menos no mesmo tempo, foi quem escreveu cartas a pessoas que viviam na mesma província romana, porém desenvolveu temas que, embora estritamente relacionados, são, contudo, essencialmente distintos, se encaixa com todos os detalhes. Entretanto, vários dos paralelos existentes entre Colossenses e Efésios se acham também em outras epístolas de Paulo. Portanto, em tais casos, concordando que Colossenses foi escrita antes que Efésios,5 pode-se dizer que, quem quer que tenha escrito as passagens de Efésios, estava usando somente Colos-senses como base para sua composição? Talvez tivesse também em mente Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, ou alguma das outras epístolas paulinas? Isso nos leva à próxima proposição:
b. Efésios se assemelha muitíssimo às demais epístolas de Paulo
Afirma-se que as palavras e frase das demais epístolas paulinas (excluindo no momento não só Colossenses, mas também as Pastorais) reaparecem com maior freqüência em Efésios do que em qualquer outra epístola genuína escrita pelo grande apóstolo. Disto se deduz que algum imitador hábil, tendo sido discípulo do renomado mestre e muito familiarizado com suas epístolas genuínas, e portanto capacitado a reproduzir de memória suas palavras e frases, teria sido o verdadeiro escritor de Efésios.
Resposta:
(1) Há ampla divergência de opinião entre os estudiosos no tocante à extensão real desta semelhança. E.J. Goodspeed assevera que, de 618 frases breves em que Efésios pode ser dividida, há não menos de 550 que têm inconfundíveis paralelos em Paulo, seja em palavra, seja em essência. Por outro lado, A. S. Peake e T.K. Abbott não vêem em Efésios nenhuma evidência, ou talvez muito pouca, de haver extraído elementos de qualquer das epístolas de Paulo, exceto Colossenses. C.L. Mitton, embora convencido de que a porcentagem dada por Goodspeed equivale a um exagero, concorda com ele em sua conclusão geral de que as similitudes são tão numerosas e de tal caráter que alguém, que não era Paulo, teria escrito Efésios. Não obstante, um exame detalhado dos extratos que Mitton considera mais convincentes têm sido insufi-de Efésios ser das duas epístolas a mais extensa, ampliando-se em certos termos que são tocados apenas de leve em Colossenses, pode também ser interpretado de forma tal que conduza a esta conclusão. Colossenses 4.16b (“Providenciem para que ela seja também lida na igreja dos laodi-censes”) é uma refutação a esta teoria. Não indica que Efésios necessariamente teria precedido a Colossenses. Mesmo que a epístola “aos Laodicenses” se refira a Efésios, suposição que não pode ser aprovada (ver C.N.T. sobre Colossenses e Filemom, Cl 4.16), isso deixaria espaço ainda para ao menos duas possibilidades das quais nenhuma excluiria a prioridade de Colossenses: a. o apóstolo escreveu (isto é, ditou) Colossenses em sua totalidade, incluindo 4.16, tendo já planejado escrever Efésios logo, as duas cartas (mais a carta de Filemom) deviam ser levadas a seus respectivos destinos pelo mesmo portador, Tíquico, na mesma viagem (cf. Cl 4.7-9; Ef 6.21,22); ou b. tendo escrito Colossenses, com exceção de 4.16 (ao menos ), e tendo depois composto também Efésios, Paulo então revisou a primeira, acrescentado-lhe 4.16. Sobre a tão complicada teoria de H.J.Holtzaman relativa à composição das duas cartas, ver C.N.T. sobre Colossenses e Filemom, onde se discute a paternidade das duas cartas. Para a defesa da prioridade de Colossenses, conferir E.P Sanders: “Literaty Dependence in Colossians”, JBL (março de 1966), p. 29.
cientes para convencer a muitos. Teria algum discípulo reproduzido de memória, ou mesmo de próprio manuscrito, as palavras de Romanos 3.24: “justificados gratuitamente pela redenção que está em Cristo Jesus”, tendo expresso isso nos termos seguintes: “ ainda quando estávamos mortos em nosso delitos, (ele) nos vivificou juntamente com Cristo - pela graça vocês foram salvos” (Ef 2.5)? Certamente existe aqui conformidade de doutrina, e a frase “pela graça” é usada em ambas as passagens. No entanto, não é mais razoável atribuir a importante alteração da fraseologia geral a um autor original que tenha assimilado profündamente este fato central da redenção e se sinta confuso em seu próprio pensamento? O mesmo vale também no tocante a outros paralelos, tais como Romanos 8.28, conferir Efésios 1.11; 1 Coríntios 3.6, conferir Efésios 2.21; Gálatas 1.15, conferir Efésios 3.8; Filemom 13, conferir Efésios 6.20, etc. Em todos esses casos existe, seguramente, certo grau de similaridade, porém de modo algum similaridade tão estreita a ponto de refutar a autoria paulina! Em cada caso, se é que o mesmo escritor é o autor de ambas as passagens em questão, nem sua semelhança nem sua diveigência são estranhas, nem nos fazem sentir a necessidade de mais explicação.
(2)    Posto que o autor de Efésios está desenvolvendo o tema A Igreja Gloriosa, uma igreja enriquecida por todas as bênçãos da salvação que Deus, unicamente pela graça, derrama sobre os judeus e gentios, “para louvor de sua glória”, não é de maneira alguma estranho que, ao menos quanto ao conteúdo, muitas das passagens desta epístola da prisão lembram as de outra epístola onde se desenvolve o mesmo tema, ou um muito parecido. O tema Salvação (“justificação”) Unicamente pela Graça é também central em Romanos e Gálatas, e constitui a base das exortações em todas as demais epístolas.
(3)    Efésios oferece material bem escasso de tipo polêmico, e há poucas - segundo alguns não há - referências locais. Isso deixa mais espaço para semelhanças a ensinos positivos.
(4)    Efésios foi escrita após a maioria da demais epístolas. Seu conteúdo é, por assim dizer, um sumário doutrinal. E também por essa razão que, ao lê-la, alguém esperaria perceber mais ecos provenientes de outras epístolas do que se poderia esperar detectar em qualquer outro lugar.
Ora, ao comparar Efésios com as demais epístolas, não há nenhuma razão plausível para omitir as Pastorais (1 e 2Tm e Tt), como se fosse um fato já estabelecido que elas não foram escritas por Paulo. Ao contrário, a tentativa de refutar sua autoria paulina deve se considerar um fracasso. Ver C.N.T. sobre 1 e 2 Timóteo e Tito, sobre quem escreveu as Pastorais, e anota 193. E a explicação mais razoável para a extensão das semelhantes, em essência e pensamentos, porém às vezes, mesmo em fraseologia exata, entre Efésios e as Pastorais, é que essas quatro cartas brotaram da mesma mente e do mesmo coração. Note bem o seguinte:
Efesios    1 e 2 Timoteo e Tito
Irrompem-se doxologias subitamente
“Ora, àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou imaginamos ... seja a glória ... para todo o sempre” (3.20, 21).
“Assim, ao Rei dos séculos, ao Deus imperecível, invisível e único (seja) a honra e a glória para todo o sempre” (lTm 1.17). Conferir 1 Timóteo 6.15,16; 2 Timóteo 4.18.
Os crentes são eleitos de Deus
“... assim como nos elegeu nele antes “Por isso suporto todas as coisas por da fundação do mundo” (1.4).    causa dos eleitos” (2Tm 2.10).
O propósito principal do homem é a glória de Deus “Para o louvor da glória de sua gra-    “A ele (seja ou é) a glória para todo o
ça” 1.6; “... para o louvor de sua glória - sempre. Amém” (2Tm4.18). ria” (1.12,14).
O evangelho é “a palavra ou mensagem (logos) da verdade”
“...a mensagem da verdade, o evan- “... manejando corretamente a pala-gelho de sua salvação (1.13).    vra da verdade” (2Tm 2.15).
Foi por causa do amor de Deus que os pecadores foram salvos
... entre os quais nós também vivíamos nas concupiscências de nossa carne ... Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, ainda quando estávamos mortos por causa de nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo” (2.3-6).
Porque em certo tempo também estivemos ... escravizados a várias paixões e prazeres ... Mas quando apareceu a bondade de Deus nosso Salvador, e seu amor para com o homem, ele nos salvou” (Tt 3.3-5).
É a graça - e não as obras - que nos salvou “Porque pela graça vocês foram sal-    “(Deus) que nos salvou e nos chamou
vos por meio da fé; e isto não vem de vocês mesmos, (é) o dom de Deus; não (vem) de obras, para que ninguém se glorie” (2.8,9).
Não obstante, as boas obras
“Porque somos feitura de suas mãos, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (2.10).


Cristo é o único e “... porque por meio dele ambos temos nosso acesso ao Pai num Espírito” (2.18).
com santa vocação, não segundo nossas obras, mas segundo seu próprio propósito e graça (2Tm 1.9). Conferir Tito 3.5.
indispensáveis como fruto da graça “... (nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo) que a si mesmo se deu por nós para purificar para si um povo, propriamente seu, zeloso de obras nobres” (Tt 2.13,14).
Conferir 1 Timóteo 2.10; 6.18; 2 Timóteo 3.17; Tito 3.8.
Suficiente Mediador
“Porque (não há senão) um Deus, e (não há senão) um Mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus” (lTm 2.5).
Paulo se considera indigno
Esta graça me foi dada a mim, o menor de todos os santos” (3.8).
'Confiável (é) a declaração, e digna de plena aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo salvar pecadores, dos quais o principal sou eu” (lTm 1.15).
O mistério da salvação, outrora oculto, é agora revelado
'... o mistério que pelos séculos tem estado oculto em Deus ... a fim de que agora ... seja dado a conhecer por meio da igreja a insondável sabedoria de Deus, segundo o eterno propósito que formou em Cristo Jesus nosso Senhor” (3.9-11).
... seu próprio propósito e graça que nos foram dados em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, porém agora se manifestaram pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo” (2Tm 1.9,10).

O Cristo que subiu instituiu os ofícios para o aperfeiçoamento dos crentes ' E foi ele quem concedeu alguns (para serem) apóstolos ... para equipar plenamente os santos para a obra do ministério, com vistas à edificação do corpo de Cristo” (4.11,12).

... que o homem de Deus possa ser equipado, plenamente equipado para toda boa obra” (2Tm 3.17).
As esposas devem ser submissas a seus próprios maridos
As esposas (sejam submissas) a seus próprios maridos como ao Senhor” (5.22).
... de modo que possam treinar as mulheres jovens a serem... submissas a seus próprios maridos” (Tt 2.4,5).
Somos salvos mediante a lavagem espiritual, da regeneração, simbolizada pelo batismo
“... purificando-a pela lavagem de “... através da lavagem da regeneração - água” (5.26). (Tt 3.5).
O mistério que se centra em Cristo é grande
“Grande é este mistério ...” (5.32).
E reconhecidamente grande é este mistério de (nossa) devoção (1Tm 3.16).
A graça e o poder do Senhor são a fonte de força dos crentes
Finalmente procurem sua (fonte de) poder no Senhor e na força de sua energia” (6.10).
Você, pois, meu filho, seja fortalecido na graça (que está) em Cristo Jesus” (2Tm 2.1).
Quando a graça, o amor e a fé se associam, o resultado é a verdadeira paz
'A paz (seja) com os irmãos, e amor com fé de Deus o Pai e do Senhor Jesus Cristo. A graça (seja) com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com (um amor) imperecível” (6.23,24).
E transbordou (a saber) a graça de nosso Senhor, com fé e amor em Cristo Jesus” (1Tm 1.14).
Ora, em tudo isso, a harmonia completa com as idéias mestras encontradas nas epístolas que são atribuídas a Paulo por quase todos, além do mais acrescida da rica variedade de expressões, nos leva a pensar numa autoria única e não em alguma das duas suposições, a saber: a. que um discípulo de Paulo retocou passagens de Efésios, produzindo assim material ora encontrado nas pastorais, ou b. que aquele que compôs Efésios emprestou das Pastorais,
c. Efésios se assemelha a 1 Pedro
Não se deve passar por alto que um pouco do material em Efésios se assemelha ao contido na literatura não-paulina do NT. Há, por exemplo, significativa semelhança entre Efésios e 1 Pedro. Observe o seguinte:
1 Pedro

Efésios
'Bendito (seja) o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo”
1.3
antes da fundação do mundo”
1.4
'a fim de saberem qual é a esperança ... qual a herança... e qual o ... poder ... que ele exerceu em Cristo quando o ressuscitou dos mortos”
1.18-20
'Ele (Deus) o ressuscitou (Cristo) dentre os mortos, e o fez assentar à sua mão direita ... muito acima de todo principado e autoridade e poder”
1.20,21
os filhos da desobediência” filhos da
2.2,3
ira”

sendo Jesus Cristo mesmo a principal pedra angular”
2.20
'em outras gerações não se fez conhecido ... agora possa ser conhecido”
3.5,10
humildade ... mansidão ... longanimidade ... amof’, etc.
4.2,3
pondo de lado a falsidade ... amargura e cólera e ira e gritaria e maledicência, juntamente com toda malícia”
4.25,31
'compassivos”
4.32
princípios de deveres domésticos    5.22-6.9
“Vistam a armadura completa de    6.11
Deus para que possam estar preparados e permanecer firmes contra os métodos astutos do diabo”
d. Efésios se assemelha a Lucas e Atos
Existem, igualmente, semelhanças entre Efésios e os escritos de Lucas. Nas três, o amor e a graça, a misericórdia e o perdão divinos aparecem de forma proeminente (Ef 1.4,6-8; 2.5-8; Lc 1.48; 5.20; 7.47,48; At 5.31; 11.23; 13.38,43; 14.3,26; 15.11,40; 26.18). Há ênfase sobre a oração, com freqüência intercessória em seu conteúdo (Ef 1.15,16; 3.14; 6.18; Lc 1.9,10,13; 2.37; 3.21; 5.16; 6.12,28; At 1.14; 2.42; 4.24-31; 10.4; 12.5; etc.). Há ações de graça, louvor e cântico (Ef 1.6,12,14,16; 5.19,20; Lc 1.46; 2.13,14,20,29-32,47; 3.8,9; 5.6779; 24.52,53; At 2.47; 15.31; 16.25,34).
Isso não surpreende, pois o evangelho está sendo proclamado, o qual abre seus braços ao mundo inteiro (Ef 2.18; Lc 1.78,79; 2.32; 13.29; At 2.17-21; 13.46,47; 15.7-9; 22.21). É o evangelho de salvação plena e gratuita através do derramamento do sangue de Cristo (Ef 1.7; 2.13; Lc 22.20,44; At 20.28). Portanto, na análise final, toda bênção que procede de Deus estava inclusa, desde antes da fundação do mundo, em seu decreto todo-abrangente, e emana de seu soberano “beneplácito” (Ef. 1.4,5; Lc 2.14; 17.26-28). Nada, seja bom ou ruim, jamais acontece fora de seu decreto eterno e todo-abrangente (Ef 1.11; Lc 22.22; At 2.23; 13.29). As bênçãos recebidas na terra descem do céu, provenientes do Mediador que subiu e foi exaltado (Ef 1.3,20-22; 4.8-10; Lc 24.50,51; At 1.6-11; 2.32-36; 7.55,56). E foi daquele lar celestial que Jesus enviou o Consolador, para que os seus pudessem receber a “plenitude do Espírito Santo” (Ef5.18;Lc 1.15,41,53,67; At 2.4,33; 4.8,31; etc.). Ao receberem essas bênçãos maravilhosas, os homens não ficam inativos. Ao contrário, pelo poder do Espírito Santo, “com seus lombos cingidos” (Ef 6.14; Lc 12.35), e caminhando na luz, eles denunciam as obras das trevas (Ef 5.8-14; Lc 1.79; 11.33-36; 12.3; 16.8).
e. Efésios se assemelha aos escritos joaninos
O último contraste mencionado - luz contra trevas - encontra-se, não obstante, não só em Efésios e Lucas, mas também em outros escritos inspirados, notavelmente nos escritos de João (Jo 1.4-9; 3.19-21; 8.12; lJo 1.5,7; 2.8-10; etc.; cf. também Ap 21.22-26). Tem-se dito com freqüência que Efésios exala a fragrância joanina. Observe, pois, não só o contraste luz-trevas, como também a oposição bem semelhante entre vida e morte (Ef 2.1,5; 4.18; Jo 1.4; 5.24; lJo 3.14; Ap 3.1). Outro contraste - neste caso não adverso, mas complementar - acerca do qual Efésios nos lembra a terminologia de João, aquela entre a descida e a ascensão de Cristo (Ef 4.9,10; Jo 3.13; 6.38,41,50,51,58,62; 16.28). Muitas são as bênçãos que descem sobre a igreja provindas do Cristo que subiu. Ora, foi em Cristo que os crentes foram escolhidos mesmo “antes da fimdação do mundo” (Ef 1.4; Jo 17.24; cf. 17.5; Ap 13.8; 17.8). Eles foram predestinados para a adoção de filhos (Ef 1.5; Jo 1.12; lJo 3.1). Além disso, tendo sido todos eles eleitos “em Cristo”, desde toda a eternidade (Ef 1.3,4,6,7, etc.; Jo 15.5), tendo Cristo habitado neles (Ef 3.17; Jo 14.20; cf. Ap 1.13), formam uma unidade e devem fazer o máximo para promover essa unidade espiritual (Ef 4.116; Jo 15.12; 17.21-23). O propósito da permanência ativa e energética de Cristo no crente é para que ele possa apresentar a igreja a si mesmo resplandescente em pureza, livre de mancha ou ruga, perfeitamente santificada (Ef 5.27; cf. 3.14-19; 4.17-24; Jo 15.2; 17.17-19), purificada pela palavra falada (Ef 5.26; Jo 15.3). Esta igreja é o objeto de seu amor. Esta palavra amor ocorre com muita freqüência tanto em Efésios como na literatura joanina, seja como substantivo, seja como verbo (substantivo: Ef 1.4,15; 2.4; 3.14-19; verbo: 2.4; 5.2; substantivo: Jo 5.42; 13.35; 15.9; lJo 2.5; 2 Jo 3,6; 3Jo 6; Ap 2.14,19; verbo: Jo3.16; Uo2.10; 2Jo 1,5; 3Jo 1, para mencionar apenas umas poucas referências). E não é verdade que, de acordo com Efésios e João, Cristo é “o Amado” do Pai?(Ef 1.6; Jo 3.35; 10.17; 15.9; 17.23,24,26). Os crentes são “selados” em razão de seu infinito e temo amor, em seu Espírito (Ef 1.13; 4.30; Jo 6.27; Ap 5.1-9; 6.1; 7.3-8). Eles recebem o tranqüilizador testemunho do Espírito Santo. Em qualquer circunstância da vida em que tenham necessidade de perdão e graça sustentado-ra, seu Salvador lhes concede, dentro do limite (“conforme a medida”, Ef 4.7), a porção correspondente, visto ter ele recebido o Espírito em grau ilimitado (“sem medida”, Jo 3.34). Ele “conheceu” suas ovelhas desde toda a eternidade, e elas almejaram “conhecer o amor de Cristo que vai além de todo o conhecimento” (Ef 3.19). Observe bem a combinação destas duas entidades que se harmonizam perfeitamente: a. conhecimento experimental e b. amor que é experienciado. Como já se indicou, os escritos de João também se reportam a este amor com muita freqüência. Eles também se reportam extensamente a este conhecimento (Jo 8.32; 10.15; 17.3,25; lJo 2.3-5,13,14; 4.7,8,16; 5.2,20; 2Jo 1 Ap 3.9).
f. Efésios se assemelha a Hebreus Ambos ensinam a redenção através do sangue (Ef 1.7; Hb 9.12,22); a exaltação de Cristo à destra de Deus (Ef 1.20; JJb 1.3; 8.1; 10.12); e o acesso ao Pai pela mediação de Cristo (Ef2.18; 3.12; Hb 4.16; 7.25). Também descrevem, em termos semelhantes, os que são imaturos (Ef 4.14; Hb 5.13); advertem a que se evite deixar-se arrastar ao redor ou ser levado pelos ventos de doutrina, ou seja, pelos ensinamentos estranhos e enganadores (Ef 4.14; Hb 13.9); reconhecem a única e suficiente oferta de Cristo, que se ofereceu pelo pecado de seu povo (Ef 5.2; Hb 10.10); pronunciam o juízo de Deus sobre toda forma de imoralidade (Ef 5.5; Hb 13.4); nos informam que Cristo se ofereceu pela Igreja afim de santificá-la (Ef 5.26; Hb 10.22; 13.12); e comparam a Palavra de Deus a uma espada (Ef 6.17; Hb 4.12).
g. Efésios se assemelha à Epístola de Tiago
A mesma figura de linguagem é utilizada para descrever a pessoa instável. Diz-se que ela é “arrastada” ou “levada de um lado para outro” pelo vento (Ef 4.14; cf. Tg 1.6). Efésios 5.8 chama os crentes “filhos da luz”. Tiago 1.17 descreve Deus como “o Pai das luzes”. “Irem-se, porém não pequem” (Ef 4.26). Tiago 1.19 nos lembra que “todo homem seja tardio para irar-se”. Para outras semelhanças, compare Efésios 4.2,3 com Tiago 3.17; 5.8; Efésios 4.29 com Tiago 3.10; Efésios 4.31 com Tiago 3.14; Efésios 5.19 com Tiago 5.13; Efésios 6.18,19 com Tiago 5.16. Apresentar Tiago como oponente de Paulo, concernente à doutrina das boas obras, é injusto. Ao contrário, Tiago defendeu a causa de Paulo (At 15.13-29). Ele permaneceu amigo de Cristo até o fim (At 21.18-25; 5.5). Paulo e Tiago não se puseram em conflito, mas simplesmente encararam assuntos diferentes. Tiago encareceu de maneira elevada a fé genuína (1.3,6; 2.1,5,22-24; 5.15). A “fé” que Tiago condena é aquela da ortodoxia morta e dos demônios (2.19). Paulo também a condenaria de maneira igualmente veemente. Por outro lado, Paulo foi um crente firme na necessidade de boas obras como fruto da fé (Ef2.10; cf. Rm 2.6-10; 2Co 9.8; lTs 1.3; 2T2.17; Tt 3.8,14).
Quanto a qualquer conclusão concernente à autoria, que se pode tirar dessas semelhanças entre Efésios e outros escritos do Novo Testamento, ver abaixo, item 3).
2. A diferença é por demais grande
a. Palavras diferentes
Afirma-se que a carta contém um número excessivamente grande de palavras excepcionais ou novas, ou seja, palavras não encontradas em nenhum outro lugar do Novo Testamento (quarenta e duas delas), isto é, palavras que ainda não ocorreram em outras partes do Novo Testamento, não se encontram em nenhuma epístola genuína de Paulo.
Resposta:
(1)    O mesmo argumento, se aplicado a Romanos, Gálatas, Fili-penses, ou a 1 e 2 Coríntios, as excluiriam da lista de cartas paulinas. O número de novas palavras em Efésios não é desproporcionalmente grande.
(2)    Temas diferentes também requerem palavras diferentes. Em Efésios, mais que em qualquer outro lugar, o apóstolo discute “a unidade de todos os crentes em Cristo”. Daí, não surpreende que aqui ele use novas palavras (aquelas que a seguir estão em itálico), como unidade (4.3,13), que é resultado do fato de Cristo ter “feito de ambos um e ter derrubado a barreira formada pelo muro divisório" (2.14). Em conexão com essa mesma ênfase sobre viver espiritualmente junto, esta carta contém muitos compostos com o prefixo “sun-”, que significa “junto” ou “colega”. Paulo usa as expressões: harmoniosamente ajustado (2.21), edificados juntos (2.22); concidadãos (2.19), membros do mesmo corpo; co-participantes da promessa (3.6). As duas últimas são precedidas por co-participantes na herança (co-herdeiros), porém esta não é uma palavra nova, porquanto ela está presente em Romanos (8.17).
Paulo também enfatiza o fato de que esta igreja solidamente unida deve desafiar as forças do mal, e para fazê-lo precisa vestir-se de toda a armadura espiritual que Deus provê (6.1 lss). Naquele notável e breve parágrafo, essa batalha e essa panóplia da fé são descritas com uma abundância de detalhes que não se encontram em outro lugar das epístolas de Paulo. Esperamos, pois, encontrar novos argumentos contra a autoria paulina. O apóstolo fala a respeito dos métodos astutos “do diabo” (fio diábolos, palavra encontrada, não obstante, também nas Pastorais; ver item [4] abaixo). Ele nos lembra o fato de que nossa luta é contra ... governantes mundiais dessas trevas; contras as forças espirituais do mal nas regiões celestiais (ver item [3] abaixo). Ele insta conosco para afivelarmos o cinturão da verdade em tomo de nossa cintura; a calçarmos (lit., “amarrar”, abaixo) o calçado que simboliza a prontidão derivada do evangelho da paz; e a empunharmos o escudo da fé por meio do qual estaremos aptos a apagar os dardos do maligno. Em tudo isso, e pela razão já apresentada, não há nada que argúi contra a autoria paulina de Efésios.
(3)    Não é de todo convincente afirmar que Paulo pudesse escrever “Deus”, porém não sem Deus (Ef 2.12); “vergonhoso” (ICo 11.6; 14.35), porém não vergonha, ou, como aqui, obscenidade (Ef 5.4): que pudesse usar o verbo “abrir” (ICo 16.9; 2Co 6.11), porém não o substantivo abertura (Ef 6.19); pudesse chamar um homem “sábio” (ICo 1.26), porém não néscio (Ef 5.15), pudesse escrever “equipar”, tomar completo (ICo 1.10), porém não equipamento (Ef 4.12); “perseverar” (Cl 4.2), porém não perseverança (Ef 6.18); “santamente” (lTs 2.10), porém não santidade (Ef 4.24); “celestial” (ICo 15.40 - duas vezes -, 48,49), também “os seres celestiais” (Fp 2.10, ou “dos que estão no céu”), porém não os lugares celestiais, não menos que cinco vezes (Ef 1.3,20; 2.6; 3.10; 6.12).
(4)    A declaração, feita tão amiúde, de que muitas palavras se encontram em Efésios, “porém não em qualquer outro escrito paulino autêntico”, geralmente procede da suposição de que as Pastorais (às vezes também Colossenses) não são “escritos genuínos de Paulo”. No entanto, como se tem indicado (C.N.T. sobre 1 e 2Tm e Tt, sobre quem escreveu as Pastorais; também nota 193), não há base sólida para tal suposição. Foi Paulo quem escreveu as Pastorais. Daí que, da lista de palavras excepcionais que possuem algum valor como argumento contra a autoria paulina de Efésios, devem ser também subtraídas aquelas que esta carta tem em comum com as Pastorais, embora não ocorram em nenhuma outra epístola paulina: cadeia (Ef 6.20: 2Tm 1.16); engano (Ef 5.6; lTm 2.14); conduta dissoluta ou vida licenciosa (Ef 5.18; Tt 1.6); diabo (Ef 4.27; 6.11; lTm 3.6,7,11; 2Tm 2.26; 3.3; Tt 2.3; também usada por Mateus, Lucas, João, Pedro e o autor de Hebreus, com freqüência intercalando com Satanás)', evangelista (Ef 4.11; 2Tm 4.5); disciplina ou educação (Ef 6.4; 2Tm 3.16) e o verbo honrar (Ef 6.2; lTm 5.3).
(5)    Quanto às palavras “excepcionais” que ainda restam depois que todas estas foram subtraídas por carência de valor para apoiar a declaração de que Paulo não poderia ter escrito Efésios, bem que poderíamos formular a pergunta se Paulo, hábil escritor, dotado de originalidade e mentalidade fecunda, não seria capaz de ser considerado um homem com suficiente domínio da linguagem, capaz de usar sinônimos em palavras e frases. Ou seria o caso de, logo no início de sua carreira como escritor, lhe ser entregue uma lista de palavras com esta exigência: quaisquer que fossem as circunstâncias, dele ou dos leitores, e qualquer que fosse o propósito ou o tema da epístola, estava obrigado a usar invariavelmente estas, e tão-somente estas palavras, e ainda deveria substituí-las em igual proporção através de todas as suas cartas, como os quadros de xadrez? O vocabulário nada prova contra a autoria paulina de Efésios!6
b. Significados diferentes
Mantém-se ainda que em Efésios as palavras paulinas são usadas com um novo sentido. Por exemplo, a palavrapleroma (plenitude), em Colossenses 1.19; 2.9, indica a plenitude da Deidade habitando em Cristo; porém, em Efésios 1.23, é usada numa conexão diferente. Em Colossenses 1.26,27, o termo mistério indica glória escatológica, enquanto que em Efésios ele se refere à aceitação dos gentios (1.9; 3,3ss). Assim também em Colossenses 1.22, a palavra soma (corpo) se refere ao corpo físico de Jesus Cristo oferecido como sacrifício pelo pecado; e em Colossenses 2.19, seu equivalente é cosmos ou universo, enquanto que em Efésios o corpo é a Igreja. Finalmente, a palavra oikonomia (de onde vem a palavra “economia”), que em Colossenses e em todos os demais casos tem referência à tarefa ou designação especial que foi confiada por Deus a Paulo; já em Efésios tem o sentido abstrato de “o sóbrio desígnio de Deus ou sua administração superior”.
Resposta: A palavra plenitude, tanto em grego como em nosso idioma, pode ser usada em muitas e diferentes conexões. Ver C.N.T. sobre Colossenses e Filemom, nota 56. Sua referência exata em Efésios 1.23 é discutível. Certamente que nenhum argumento de valor pode ter por base uma passagem tão controvertida. Ver também explanação de Efésios 1.10,23; 3.19; 4.13. Quanto à palavra mistério, fica claro à luz do contexto que mesmo em Colossenses 1.26,27, ainda que seu cenário seja escatológico, a referência é à “glória do mistério entre os gentios ... Cristo em vocês, a esperança da glória”. Quanto à palavra soma (corpo), é justo exigir que ela tenha exatamente a mesma referência tanto em Efésios quanto em Colossenses 1.22, quando somente no último caso o autor fala de “seu corpo de carne”? Não é verdade que em
Colossenses 2.19 a palavra corpo se refere ao cosmos ou universo (ver C.N.T. sobre esta passagem). A verdade é que (em Efésios) a referência quase consistente desta palavra à igreja, com o corpo humano como fundo (1.22,23; 2.16; 3.6; 4.4ss; 5.23,30; excetuando 5.28), está também bem representada em Colossenses (1.18; 2.19; 3.15). Portanto, não existe aqui um problema real. E, fmalmente, quanto a oikonomia, esta palavra, onde quer que ocorra no Novo Testamento, tem por base a idéia de mordomia. Ela tem esse significado não só em Lucas 16.2-4; 1 Coríntios 9.17; Colossenses 1.25; e 1 Timóteo 1.4, mas também em Efésios 3.2. Todavia, mediante uma mudança semântica quase imperceptível, surge o significado “administração da mordomia de alguém”, indicando assim, em geral, administração, execução, realização, o levar a bom termo um plano ou propósito (Ef 1.10; 3.9). A um e ao mesmo autor, sem dúvida, se deve permitir fazer uso da mesma palavra, tanto em seu sentido básico como também, em contexto diferente, num sentido um tanto modificado. E não é verdade que numa mesma frase breve, ao usar duas vezes a mesma palavra, pode esta ter conotações distintas? (ver Lc 9.60; Rm 9.6). E evidente, pois, que o argumento com base em “significados diferentes” perde sua validade.
Em Efésios, uma frase completa é às vezes usada numa conexão que não se encontra nem em Colossenses e nem ainda em qualquer outro escrito de Paulo. Isto também tem sido usado como argumento contra a autoria paulina. O mais notável exemplo desta exceção à regra diz-se ser Efésios 5.20, comparado com Colossenses 3.17. Assim temos a última passagem: “E tudo quanto fizerem, seja em palavras ou atos, (façam) tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus o Pai por intermédio delé\ Mas a primeira diz: “... dando graças ... em nome de nosso Senhor Jesus Cristo a (nosso) Deus e Pai”. Mitton nos diz que na passagem de Efésios a frase “em nome de Jesus” está artificialmente associada com dar graças. Segundo seu modo de ver, esta frase foi adicionada “inutilmente”. Para ele, essa articulação da frase de seu próprio contexto colossense fala, talvez mais que qualquer outro ponto, contra a autoria paulina. Não deveríamos, porém, antes dizer que esse tipo de raciocínio depõe, talvez mais que qualquer outra coisa, contra a força de persuasão do argumento de Mitton? Que poderia haver de errôneo no fato de que na mente de Paulo a ação de graças estivesse associada com o nome de Jesus? Porventura a mesma passagem de Colossenses não declara que tudo - portanto, também dar graças - deve ser feito “em nome do Senhor Jesus”? Não é um fato que a frase, “dando graças a Deus o Pai por intermédio delé\ é sinônima de dar graças a Deus o Pai em nome do Filho? Se é verdade que ao nome de Cristo os joelhos se dobrarão (Fp 2.10), mandamentos são ordenados (2Ts 3.6), e de fato todas as coisas devem ser feitas (Cl 3.17), é então “inútil” dizer que em seu nome se deva também oferecer ações de graças? Não é antes verdade que, já que o Pai nos abençoa por intermédio do Filho, também se deve apresentar ação de graças ao Pai por intermédio do Filho, ou seja, “em seu nome”?
c. Um estilo diferente
Afirma-se que o estilo empregado pelo autor de Efésios é por demais difuso, diferente, meigo para pertencer ao verdadeiro Paulo. Primeiro, diz-se ser difuso. É uma epístola abundante em palavras, e as palavras se estendem com profusão, pelo uso de frases quase intermináveis. A carta se move lenta e majestosamente à semelhança de uma geleira que busca seu caminho para o vale, deslizando-se centímetro após centímetro. Ver 1.3-14; 1.15-23; 2.1-10; 2.14-18; 2.19-22; 3.112; 3.14-19; 4.11-16; e 6.13-20. Dentro dessas frases longas há com freqüência uma verbosidade descritiva que é completamente estranha à característica do verdadeiro Paulo. Títulos completos são escritos, seguidos de frases modificativas; exemplo: “Bendito (seja) o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que tem ...” etc. Com freqüência um substantivo é seguido por seu sinônimo, estando o último no genitivo ou precedido por uma preposição: “o muro divisório da barreira”, provavelmente significando “a barreira formada pelo muro divisório”, ao qual, como se isso não fosse bastante, acrescenta-se outro sinônimo: “a hostilidade” (2.14); “a lei de mandamentos em forma de ordenanças”, indicando “a lei de mandamentos com suas exigências” (2.15); e “a medida de(a) estatura da plenitude de Cristo” (4.13). Ver também 1.5,11,19. Ora, tudo isso está em vivo contraste com o estilo conciso, abrupto, vívido, impetuoso, que caracteriza o verdadeiro Paulo.
Resposta: Boa parte de Efésios está na forma de uma oração oferecida por um apóstolo profundamente agradecido, e que está testemunhando a realização do sonho de sua vida, ou seja, a vinda à existência de uma nova e gloriosa entidade espiritual, a igreja, unidade formada de judeu e gentio, o produto da graça maravilhosa de Deus. Ora, a linguagem em tom elevado, com seus sinônimos em profúsão é característica da adoração. Ver C.N.T. sobre Colossenses e Filemom, Introdução, VI: Paternidade Literária. Ainda mais, a grande maioria dessas sentenças extensas ocorre na primeira parte das duas divisões principais da carta, ou seja, na parte que é caracterizada como adorativa, em contraste com a segunda parte, que é caracterizada como hortativa. Não é justo contrastar o estilo desta seção adorativa de Efésios com a seção hortativa das demais epístolas, e então dizer que Paulo, portanto, não poderia ter escrito Efésios. E verdade que Efésios contém orações gramaticais mais longas e mais sublimes do que Paulo costumava fazer. Existe, contudo, uma boa razão para isso. E que em nenhum outro lugar há tanta expansão do coração, tanto insofreável louvor como existe nesta carta. O autor se expande desde o mais profundo de seu próprio ser a. pela contemplação do amor soberano, eterno e redentivo de Deus pelos pecadores Judeus e gentios, b. pela mais íntima convicção de que ele, o próprio escritor, é o recipiente desta graça; e c. pela reflexão de que ele, Paulo, sim, ele mesmo, noutro tempo ardente perseguidor da igreja, fora predestinado por Deus para exercer um papel imensamente grande na proclamação e realização do maravilhoso plano de Deus para as eras.
Todavia, como já indicamos, a diferença estilística descrita sob este aspecto, entre Efésios e as demais epístolas, é apenas uma diferença de grau. Em conseqüência, ela não pode ser apropriadamente usada como argumento contra a autoria paulina. As frases extensas são encontradas também em outras epístolas tradicionalmente atribuídas a Paulo. No original, Romanos 1.1-7 contém 93 palavras; 2.5-10 contém 87; Filipenses 2.9-11 contém 78; e Colossenses 1.9-20 contém não menos que 218. E quanto ao acúmulo de sinônimos estreitamente relacionados entre si, é um aspecto que de nenhum modo está confinado só a Efésios. Ao contrário, esses e outros pleonasmos são encontrados também em Romanos 11.33; Filipenses 3.8; Colossenses 1.5,11,27; 1 Tessalonicenses 1.3, para mencionar apenas uns poucos exemplos.
Em segundo lugar, o estilo de Efésios tem sido apontado como sendo diferente. Afirma-se que quem está aqui falando é um admirador do grande mestre. Paulo mesmo, segundo essa maneira de argumentar, jamais poderia ter escrito uma frase tão jactanciosa como esta: “... pelo qual, quando lerem, poderão compreender meu discernimento no mistério de Cristo ...” (3.4). Indubitavelmente, o homem que escreveu: “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado apóstolo ...” (ICo 15.9), era demasiadamente humilde para escrever Efésios 3.4 (ou 3.4-9).
Resposta: É precisamente característica de Paulo fazer enormes declarações sobre sua pessoa. Declara ter pregado plenamente o evangelho em meio a grandes sinais e maravilhas (Rm 15.19), chama a si mesmo “sábio construtor” (ICo 3.10), e “despenseiro dos mistérios de Deus” (ICo 4.1; cf. 9.17). Ele ainda ousa fazer comparações entre si e os outros. Classifica-se superior a milhares de tutores (ICo 4.15). É capaz de falar em línguas “mais que todos vocês” (ICo 14.18). Como apóstolo, ele “trabalhou muito mais” que qualquer dos outros (ICo 15.10). Ver também 2 Coríntios 11.22-33; Gálatas 1.1,14; Filipenses 3.4-6. Portanto, a declaração feita pelo autor de Efésios 3.4 está em plena sintonia com aqueles feitos em qualquer outro lugar nas epístolas de Paulo, e não pode ser usada como argumento válido contra a atribuição tradicional de Efésios ao grande apóstolo dos gentios.
Deve-se notar, todavia, que as declarações de Paulo (sobre sua pessoa) são inteiramente válidas, porquanto são feitas a fim de, pela confiança em sua mensagem, os homens pudessem beneficiar-se espiritualmente e ser conquistados para Cristo (ICo 9.19-21), e que toda glória pudesse ser dada, não ao recipiente das inumeráveis distinções, mas a Deus somente (ICo 9.16; 10.31; G1 6.14). O apóstolo jamais atribui mérito pessoal por qualquer virtude ou talento (Rm 7.24,25; ICo 4.7; G16.3). Aqui em Efésios ele é tão humilde como em 1 Coríntios, talvez ainda mais (cf. Ef 3.8 com ICo 15.9). No entanto, não se pode negar que ele, apesar de tudo, faz essas grandes afirmações. A luz de toda evidência, é claro que nem mesmo nesse aspecto existe diferença essencial entre Efésios e as demais epístolas paulinas.
Finalmente, tem-se também atribuído ao estilo de Efésios um caráter meigo. Os que negam a autoria paulina, tanto de Colossenses quanto de Efésios, afirmam que, além do desejo de suavizar as expressões doutrinais extremas da primeira, o autor da última, quem quer que tenha sido ele, tratou de aplacar as exortações existentes na epístola menor. Daí, a insistência a que os filhos obedeçam a seus pais e que os servos obedeçam a seus senhores, “em tudo” (Cl 3.20,22), é reproduzido em Efésios de forma mais suavizada, omitindo o modificativo de fundo ofensivo (6.1,5).
Resposta: Não é difícil pressupor possíveis razões para a mudança, razões que de modo algum implicarão uma rejeição da autoria paulina para ambas as epístolas. No caso da exortação dirigida aos filhos, o autor aqui nesta epístola mais longa deseja enfatizar outro aspecto do assunto, ou seja, que tal submissão é legítima e será recompensada. E em conexão com a admoestação dirigida aos servos, bem que poderíamos perguntar se o mandamento (6.5) já não tem um número suficiente de predicados modificativos (vs. 5b, 6,7,8), para poder prescindir de um “em tudo” adicional. Além disso, não é a fuga de Onésimo de seu senhor colossense uma razão suficiente para que precisamente em Colossenses se enfatizasse o mandamento aos servos de obedecerem a seus senhores com a adição de um modificativo? No entanto, poderia ter havido outras razões. Contudo, o que fecha especialmente a porta a todo tipo de argumentação contra a autoria paulina de Efésios é o fato de que, em conexão com o mandamento de que as esposas obedeçam a seus maridos, é precisamente Efésios, e não Colossenses, que adiciona: “em tudo” (cf. 5.24 com Cl 3.18).
Portanto, fique claro que nada existe no estilo de Efésios que a impeça de ser uma genuína carta da lavra de Paulo,
d. Doutrinas diferentes
(1)    A doutrina de Deus
Objeção: De acordo com Efésios, a fonte de salvação, para os eleitos, é o decreto eterno de Deus (Ef 1.4,5,11).
Resposta: Efésios também se gloria na cruz (2.16; cf. 1.7); e as outras epístolas paulinas conectam a salvação à sua fonte, que é o desígnio eterno e soberano de Deus (Rm 8.29,30; 11.2,28,36; Cl 3.12).
(2)    A doutrina do homem
Objeção: Efésios descreve a condição do homem fora da graça em termos mais moderados que os que Paulo emprega em Colossenses e em outros lugares. Contraste a linguagem forte de Colossenses 3.5-9 com as meras negativas de Efésios 2.12.
Resposta: Nenhuma linguagem, usada para descrever o pecador em seu estado natural, é mais forte que a usada em Efésios 2.1-3. Além disso, há dinamite naquelas negativas de Efésios 2.12. Ver o comentário sobre essa passagem.
(3)    A doutrina de Cristo
(a) Objeção: Efésios chama Cristo “a cabeça” da igreja (1.21,22; 4.15,16; 5.23). De acordo com Paulo, a cabeça é simplesmente um dos membros do corpo (ICo 12.21).
Resposta: Temas diferentes requerem metáforas também diferentes. A passagem de 1 Coríntios descreve as obrigações mútuas dos membros da igreja. Efésios trata da unidade de todos os crentes, em Cristo, sua cabeça. Não há contradição aqui. Mesmo em 1 Coríntios se ensina claramente o fato de que “a cabeça de todo homem é Cristo” (ICo 11.3). Colossenses também reconhece a autoridade de Cristo como cabeça de sua igreja (Cl 1.18; 2.19).
(b)    Objeção: De acordo com Efésios 2.16, é Cristo quem realiza a reconciliação; de acordo com Colossenses 1.20; 2.13,14, é ZJeus quem faz isso. Semelhantemente, Efésios 4.11 ensina que é Cristo quem designa apóstolos, profetas, evangelistas, etc. Isso está em contradição com 1 Coríntios 12.28 que indica que é ZJeosquem exerce essa função.
Resposta: A luz de 2 Coríntios 5.18 e Efésios 4.32, é sempre Deus em Cm/oquem está em ação. Portanto, as ações dessa natureza podem ser atribuídas tanto a Deus como a Cristo. E como observa o Professor L. Berkhof, de saudosa memória, em sua obra Systematic Theology, grand Rapids, Mich., 1949, p. 89, “opera ad extra, ou aquelas atividades e efeitos pelos quais a Trindade se manifesta exteriormente. Essas obras nunca devem ser atribuídas exclusivamente a uma das pessoas, mas são sempre obras do Ser Divino pleno”. Ao mesmo tempo, é verdade que, na ordem econômica das obras de Deus, algumas das obras ad extra são atribuídas mais particularmente a uma pessoa, algumas mais especialmente a outra, e assim com cada uma das três pessoas divinas. Assim também, de acordo com João 14.16,26, a ação de “dar” ou “enviar” o Espírito Santo é atribuída ao Par, porém, em 15.26, esse ato de “enviar” é atribuído ao Filho. Não há contradição: é “em nome do Filho” que o Pai envia o Espírito; é “da parte” do Pai que o Filho o envia.
(c)    Objeção: Em Efésios, a morte de Cristo não é mais fundamental. Toda atenção se concentra em sua exaltação (1,20ss; 2.6; 4.8).
Resposta: Ainda que, devido ao tema de Efésios, a ênfase sofra acentuada mudança, todavia a morte de Cristo é fundamental, mesmo para o autor de Efésios (1.7; 2.13,16).
(d)    Objeção: De acordo com Paulo, os pecadores são reconciliados com Deus através da cruz (2Co 5.20,21; Cl 1.21,22), mas, de acordo com Efésios, a cruz é que efetua uma reconciliação entre judeus e gentios (2.14-18; cf. 2.19-22; 3.5ss; 4.7-16).
Resposta: Não há contradição. Por meio da cruz, judeus e gentios são reconciliados com Deus; conseqüentemente, também entre si. Que basicamente a reconciliação é “com Deus” está claramente ensinado em Efésios 2.16; conferir também o versículo 18. Mas, em consonância com o tema central de Efésios - a unidade de todos os crentes em Cristo, daí a igreja universal -, a ênfase recai, neste caso, na reconciliação entre judeus e gentios.
(e)    Objeção: Efésios enfatiza a ascensão de Cristo (4.8ss); Paulo não tem a doutrina da ascensão.
Resposta: A ascensão de Cristo está claramente implícita nas seguintes passagens: Romanos 8.34; Filipenses 2.6-11; 3.20; 1 Tessalo-nicenses 1.10; 4.16; e 1 Timóteo 3.16.
(f)    Objeção: Efésios ensina a descida de Cristo ao Hades (4.19), e portanto sem dúvida ela é pós-paulina. O verdadeiro Paulo não ensina em parte alguma esta doutrina.
Resposta: Ver a explanação de Efésios 4.8-11, na seção de comentário.
(4) A doutrina da salvação
(a)    Objeção: Efésios ensina a doutrina da salvação - “pela graça fostes salvos, por meio da fé”. Paulo, a da justificação (Rm 3.24; 5.1).
Resposta: E verdade que em oposição ao legalismo judaico e ju-daizante algumas das epístolas de Paulo enfatizam o aspecto forense do livramento do pecador, especialmente em Romanos e Gálatas, fazendo necessário o uso dos termos “justificação” e “nenhuma condenação”, enquanto que, em consonância com o tema de Efésios - a unidade de todos os crentes “em Cristo” -, aqui a experiência mística e a comunhão com Cristo recebem um tratamento mais amplo. Entretanto, tal coisa não implica qualquer contradição. A essência da doutrina da justificação, a doutrina de “não por obras, senão somente pela graça”, está claramente expressa em Efésios 2.8,9. Ver também o comentário sobre 4.24; 6.14. Paulo nunca se desvia disto, e ainda após escrever Efésios o comprova eloqüentemente (Tt 3.4-7). Quanto à ênfase de Paulo em ser salvo e ser usado como agente de Deus em salvar outros, ver Romanos 10.9,13; 11.14; 1 Coríntios 9.22; 15.2.
(b)    Objeção: A maneira como Efésios trata a lei não é paulina. Em Efésios a lei é vista como algo benéfico ao homem, senão como um instrumento de divisão entre um homem e outro (2.15). Paulo, todavia, estabelece uma relação definida entre a lei e o processo de salvação: ele descreve a lei como nosso guia (= “tutor”) que nos conduz a Cristo (G1 3.24). Segundo ele, “a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Rm 7.12).
Resposta: Em Romanos e Gálatas, Paulo vê a lei sob vários aspectos distintos. Contemplada de um aspecto é boa, como já foi indicado; vista de outro, é inadequada (Rm 8.3); e vista ainda de outro, até mesmo pronuncia maldição sobre uma pessoa (G1 3.10,13). Portanto, também aqui não existe contradição. Certamente que não era necessário ao autor de Efésios discutir todas as várias fases da lei. O que ele diz sobre ela aqui está em consonância com o que ele diz noutros lugares.
(5) A doutrina da igreja
(a)    Objeção: Em Efésios o termo igreja sempre se refere à igreja universal (1.22; 3.10,21; 5.23,24,25,27,29,32). Nas epístolas genuínas de Paulo não (ou: nem sempre) tem essa significação.
Resposta: Temos os seguintes exemplos do emprego da palavra igreja sem referência local: 1 Coríntios 12.28; 15.9; Gálatas 1.13; Fili-penses 3.8 (cf. At 20.28). Em Colossenses 1.18,24 a referência é à igreja universal; já em Colossenses 4.15,16, a indicação é a uma congregação local. Em conseqüência, o uso deste termo, em Efésios, não pode ser uma boa razão para se negar a autoria paulina. Já que, ao escrever Efésios, não foi o propósito de Paulo sair fora das condições locais, senão, antes, o de glorificar a Deus pela obra de sua graça na igreja em geral, o apóstolo naturalmente usou a palavra aqui neste sentido amplo.
(b)    Objeção: A ênfase do autor sobre a unidade da igreja revela que esta epístola teria sido escrita depois da morte de Paulo, numa época em que surgiram várias seitas, e quando se tomara necessário enfatizar a necessidade de um governo eclesiástico centralizado.
Resposta: A unidade descrita e enfatizada em Efésios é de caráter espiritual (cf. Jo 17.12). Não é a unidade organizacional como a que, mais tarde, Inácio defendeu.
(c)    Objeção: A extrema importância atribuída “aos apóstolos e profetas” (2.20-22; 3.5), como sendo eles “santos” e “o fundamento” da igreja, está mais em consonância com gerações posteriores a Paulo. O apóstolo mesmo jamais teria escrito isso. Para ele, Jesus Cristo é o único fundamento (1 Co 3.11).
Resposta: E precisamente porque esses homens deram um verdadeiro e entusiástico testemunho com respeito a Cristo é que, num sentido secundário, puderam ser chamados o fundamento da igreja. Não foi absolutamente por si sós ou devido a algum mérito intrínseco que os fizesse credores de tal distinção, senão como embaixadores e testemunhas divinamente designados. Quanto a eles mesmos, estiveram o tempo todo negando o mérito pessoal e atribuindo-o a Cristo. Esta maneira de falar sobre os plenipotenciários de Cristo se originou em Cristo mesmo (Mt 16.18). João, o discípulo a quem Jesus amava, fez uso do mesmo simbolismo ao descrever a Jerusalém de ouro. Diz ele: “os muros da cidade tinham doze fundamentos, e neles (estavam) os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (Ap 21.14). O fato de o escritor de Efésios chamar a esses homens de “santos” não constitui objeção alguma. Eles eram deveras santos, ou seja, foram separados e qualificados por Deus para o desempenho de um ofício singular. Nada disso depõe contra Paulo na qualidade de autor de Efésios, senão que o confirma. Isso está em plena consonância com tudo quanto ele já dissera sobre si e sobre os demais apóstolos e profetas. Ver as seguintes passagens: Romanos 1.1; 1 Coríntios 3.10; 5.3,4; 9.1; 12.28; 2 Corín-tios 10.13,14; 12.12; Gálatas 1.1,11-17; 2.6-9.
(d) Objeção: Paulo não poderia ter escrito Efésios 2.11. Nenhum verdadeiro judeu poderia ter considerado o sacramento da circuncisão com um desprezo tão extremo.
Resposta: Leia o que Paulo diz a esse respeito em Gálatas 5.1-12; Filipenses 3.2,3.
(6) A doutrina das últimas coisas
Objeção: Paulo não poderia ter escrito Efésios, porquanto nesta epístola não existe nenhuma indicação de haver alguma segunda vinda ou qualquer evento relacionado com ela.
Resposta: As seguintes passagens de Efésios não poderiam ser entendidas se não forem consideradas pelo prisma da doutrina da consumação: 1.14; 2.7; 4.13,30; 5.5; 6.27.
3. Conclusão
a. quanto à semelhança demasiadamente estreita
(1) A notável semelhança entre Colossenses e Efésios se deve principalmente a que foram escritas pelo mesmo escritor, no mesmo tempo e no mesmo lugar, e que a situação geral das pessoas a quem foram dirigidas era também semelhante. A identidade de autoria também ex-plica as inúmeras variações de expressões e frases. Um imitador ou foijador teria se prendido mais ao original. Outra razão para a divergência entre as duas cartas é que seu propósito era diferente, como já foi explicado.
(2)    Posto que as outras cartas (menos Colossenses), que são tradicionalmente atribuídas a Paulo, foram escritas sob diferentes circunstâncias no tocante ao escritor e aos destinatários (com exceção de File-mom), as semelhanças que existem entre elas e Efésios não são tão notáveis. Não obstante, também aqui existem muitos e claros paralelos. E aqui também a um novo pensamento é dado com freqüência um novo giro. Além da identidade do autor e, portanto, também da doutrina, há um segundo fator que deve ser considerado, ou seja, o surgimento, através da igreja cristã primitiva, de certas formas comuns de expressão, tais como as que começam normalmente quando os homens estão unidos pelos laços de profundas convicções, as quais têm que sustentar por meio de um testemunho unânime em meio a um ambiente geralmente hostil. O crescente predomínio de tais formas é também um fator que explica os paralelos existentes entre Efésios, etc., e a literatura não paulina do Novo Testamento. Entre essas formas há do-xologiasde dois tipos: a. “bendito seja ...” (Ef 1.3; cf. Rm 1.25; 9.5; 2Co 1.3; 11.31; IPe 1.3), e b. “Ora, a ele seja ...” (Ef 3.20,21; cf. Rm 11.36; Jd 24,25); hinos ou fragmentos de hinos (Ef 5.14; cf. o relato da natividade em Lc; Cl 1.15-19; lTm 3.16; o livro do Apocalipse): relação de deveres dos respectivos membros da família (Ef 5.22-6.9; cf. Cl 3.18-41; lTm 2.8-15; 6.1,2; Tt 2.1-10; IPe 2.12-3.7); lista de virtudes(Ef 4.1-3,22; Cl 3.12-15; Tg 3.17; 5.8), e várias outras.7 Algumas dessas formas têm sua origem no Antigo Testamento. Para tanto, ver o item (5), abaixo.
(3)    A necessidade de ministrar instrução catequética uniforme aos que a solicitavam e aos neo-convertidos poderia também ter promovido uma unanimidade na expressão do pensamento.
(4)    A medida que se encontra semelhança entre os escritores do Novo Testamento, seja na forma seja no conteúdo, deve-se também buscar sua origem mais recuadamente, ou seja, em Cristo, isto é, na reflexão endereçada pelo Espírito à sua pessoa, obra e ensino. Desta forma, alguém dificilmente se enganará vendo as palavras registradas em Mateus 6.12 e termos equivalentes além da ação, em Lucas 23.34 (perdão), refletidos em Efésios 4.32; 1 Pedro 2.21-23; 3.8,9; etc.; o título de Cristo, “o Filho amado” de Deus (Mt 3.17), ressoando em Efésios 1.6; 2 Pedro 1.17; a referência ao Filho como a pedra (Mt 21.42) utilizada em Efésios 2.20 e em 1 Pedro 2.4,8; e a menção de sua gloriosa exaltação à destra do Pai (implícita em Mt 26.64) reafirmada em Efésios 1.20; Atos 7.55; Hebreus 1.3; 10.12; 12.2; 1 Pedro 3.22; Apocalipse 12.5. Paulo e os demais autores do Novo Testamento tiraram água do mesmo Poço - Cristo.
(5)    O apóstolo e demais escritores sacros eram versados na mesma “tela de fundo” do Antigo Testamento. Portanto, extraiamos apenas dois exemplos dos mencionados no item (4), supra, ou seja, o conceito de Cristo como a pedra, que pode ser extraído do Salmo 118.22; e o da exaltação de Cristo à destra do Pai, extraído do Salmo 110.1.
(6)    A combinação de todos esses fatores constitui a mais satisfatória explicação para a lista de similitudes que a suposição de que a atribuição tradicional da autoria de Efésios a Paulo deve ser considerada um erro, e que o imitador é o verdadeiro autor da obra.
b. Quanto à diferença demasiadamente grande
Ao aplicar este argumento a assuntos tais como vocabulário e estilo, lembramos que já foi mostrado em detalhe que tudo quanto resta dele, depois das devidas concessões feitas no tocante a exageros, se deve à irresistível emoção e gratidão que levou Paulo a escrever a epístola e o propósito que tinha em mente. Quanto às afirmações acerca das diferenças de doutrina, chegou-se à seguinte conclusão: Embora seja verdade que em Efésios várias doutrinas recebem não apenas uma grande ênfase, mas também um desenvolvimento mais amplo que em outros lugares com apresentação de novas facetas das já bem conhecidas formas da verdade, não achamos aqui nenhum vestígio de contradição às doutrinas existentes noutras epístolas paulinas.
B. Argumentos em favor da autoria paulina
1. O escritor se chama “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus” (1.1); e “Eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus por amor de vocês, gentios” (3.10; cf. 4.1). Justamente antes de pronunciar a bênção final, ele declara: “Mas para que possam também saber meus assuntos, e como estou indo, Tíquico, amado irmão e fiel ministro no Senhor, lhes fará
saber tudo, a quem lhes envio com este mesmo propósito para que possam conhecer nossas circunstâncias e para que ele console seus corações” (6.21,22). Poderia um discípulo de Paulo, um colecionador de suas cartas, cuja mente estivesse saturada com o ensino Paulino, ousar identificar-se como Paulo, de maneira tão impudente? O dever de provar isso descansa, indubitavelmente, sobre aqueles que afirmam que o escritor, embora se chame Paulo, e havia encarregado alguém para informar aos destinatários da epístola de como ele, Paulo, estava passando, não era realmente Paulo, mas sim Onésimo, Tíquico, ou algum outro.
2. Efésios possui todas as características das epístolas paulinas reconhecidas quase universalmente, como Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas e Filipenses. Ela se assemelha a Colossenses de várias maneiras, segundo já ficou demonstrado. Para comprovar tão notável afinidade entre Efésios e as demais epístolas paulinas, é só comprovar a lista dada abaixo com a encontrada em C.N.T. sobre Colossenses e Filemom, Introdução, Seção VI. Limitando-nos, por ora, a Efésios, note o seguinte:
a. O autor está profundamente interessado naqueles a quem escreve
b. Ele se deleita em encorajá-los e elogiá-los
c. Relaciona com Deus cada virtude daqueles a quem ele escreve, atribuindo tão-somente a ele toda a glória
d. Escreve de um modo tocante sobre a supremacia do amor
e. Está dominado pela gratidão a Deus que o tomou, ainda que indigno, e fez dele um ministro do evangelho
f.    Enumera virtudes e vícios
g.    Jamais teme asseverar sua autoridade
h. Quando as condições são favoráveis, ele agradece a Deus a existência de seus destinatários, e ao mesmo tempo lhes garante suas constantes orações por eles
i. Adverte-os com veemência contra aqueles que procuram desviar a outros

j. Ama “o evangelho”

3.    É difícil acreditar que existisse em algum lugar da igreja primitiva um gênio falsificador que refundisse os escritos genuínos de Paulo numa obra com um estilo tão excelente, tão lógico em seu desenvolvimento, e tão elevado em seu conteúdo, que teria estado pelo menos a par da habilidade intelectual e discernimento espiritual do apóstolo, e capaz inclusive de prover a igreja com pensamentos paulinos em avançado desenvolvimento, e então não deixar para trás nenhum rastro de sua identidade.
4.    O testemunho da igreja primitiva está em consonância com a conclusão que estabelecemos supra. Assim, Eusébio, depois de fazer um estudo exaustivo das fontes a seu alcance, declara: “São, porém, claramente evidentes e naturais as quatorze (cartas) de Paulo; contudo, não é correto ignorar o fato de que alguns polemizam acerca da (carta) aos Hebreus (EcclesiasticalHistory Ill.iii. 4, 5). É claro, pois, que este grande historiador eclesiástico, escrevendo no início do quarto século, estava bem ciente do fato de que toda a igreja fiel de seus dias e época reconhecia Efésios como epístola autêntica de Paulo.
De Eusébio recuamos a Orígenes (ca. de 210-250), que em sua obra On Principies (De Principiis) cita várias passagens de Efésios, designando-as a “o apóstolo” ou a “Paulo mesmo” (II.iii.5; IExi.5; IIEv. 4). Em sua principal apologia Against Celsus (Contra Celsum), ele diz (capítulo 72): “O apóstolo Paulo declara”, e então cita Efésios 2.3.
De Orígenes recuamos a tempos anteriores, até a seu mestre, Clemente de Alexandria (ca. de 190-200). Em sua obra The Instructor (Paedogogus 1.5) ele cita Efésios 4.13-15, atribuindo-a a “o apóstolo” (de acordo com o contexto anterior).
Por esse mesmo tempo, Tertuliano (ca. de 193-216), em sua obra AgainstMarcion (Adversus Marcionem V. 17), declara: “Temos na verdadeira tradição da igreja que esta epístola foi enviada aos efésios, e não aos laudicenses. Marcião, contudo, nutria profundo desejo de dar-lhe um novo título, como se ele fosse extremamente preciso na investigação de tal ponto. Que importância têm os títulos, porém, se ao escrever a certa igreja o apóstolo de fato escreveu a todas elas?” Novamente (v. 11): “Aqui passo por alto a discussão concernente à outra epístola, que mantemos ter sido escrita aos efésios, enquanto que os hereges dizem ter sido aos laudicenses.”
Uns poucos anos antes, Irineu, que foi por muito tempo contemporâneo de Clemente de Alexandria e de Tertuliano, afirma em sua obra
Against Heresies (Adversus Haereses, I.viii.5): “Isto também declara Paulo com estas palavras” - e então cita Efésios 5.13. Igualmente (V.ii.3): “... assim como o bendito Paulo declara em sua epístola aos Efésios: “Somos membros de seu corpo, de sua came e de seus ossos.” Conferir Efésios 5.30. Este testemunho de Irineu, no qual ele claramente menciona Paulo como o autor de Efésios, é muito significativo, pois Irineu viajou extensamente, tendo um conhecimento pleno de toda a igreja de seu dia e época, um período da história antiga durante o qual as tradições dos apóstolos ainda se mantinham vivas.
O Fragmento Muratoriano (ca. de 180-200), uma visão panorâmica dos livros do Novo Testamento, menciona de forma definitiva Paulo como o autor de Efésios.
No entanto podemos recuar ainda mais, para antes do final do segundo século d.C. Passemos por alto as disputas alusivas a Efésios em O Pastor de Hermas, O Ensino dos Apóstolos (Didaquê), a assim chamada Epístola de Barnabé entre outros, visto que tais passagens polêmicas têm pouco se não nenhum valor decisivo. Prestemos atenção a certos autores que não só floresceram em um ou em outro tempo ao longo do período de 100-170, mas também forneceram claras evidências da existência e reconhecimento da epístola em seus dias. Em um tempo tão próximo ao dos apóstolos, não era necessário mencionar seus nomes. Citando seus escritos, o que implicava bom conhecimento de sua existência e que foram considerados autoritativos para a igreja, é tudo o que podemos esperar dessas testemunhas antigas. Estou certo de que aqueles que rejeitam a autoria paulina de Efésios negarão, sem dúvida, a relevância das passagens que vamos citar. Mas, ao fazê-lo, enfrentarão dificuldades que são bastante evidentes. Notemos, pois, as seguintes:
Policarpo declara: “... sabendo que pela graça foram salvos, não por obras” (Letter to the Philippians 1.3, citação de Efésios 2.8,9). Novamente: “Somente como é dito nessas Escrituras: Trem-se, mas não pequem’, e ‘Não se ponha o sol sobre sua ira”’ (Xii. 1, latim, citando Ef. 4.26). Com relação a esta epístola de Policarpo, ver também C.N.T. sobre Filipenses, Introdução, final da Seção V.
Chegamos então a Inácio e à sua carta Aos Efésios,8 A referência mais clara a Efésios, como sendo de Paulo, se encontra no parágrafo
inicial (1.1):    sendo imitadores de Deus.” Estas palavras nos fazem
lembrar de imediato uma exortação de Paulo: “Sejam, pois, imitadores de Deus” (Ef 5.1). E quando Inácio compara os crentes a “pedras do santuário do Pai, preparadas para o edifício de Deus nosso Pai” (IX. 1), porventura não é uma referência óbvia à declaração de Paulo em Efé-sios 2.20-22?
Clemente de Roma (como representante da igreja de Roma) escreve: “Através dele os olhos de nossos corações foram abertos” (The First Epistle ofClement to the CorinthiansXXXVl.2). Não é esta uma citação aproximada de Efésios 1.18: “... para que os olhos de seus corações sejam iluminados”? Compare também: “Ou não temos nós um Pai e um Cristo e um Espírito de graça derramado sobre nós, e uma vocação em Cristo?” (XLVI.6) com esta expressão de Paulo: “Há ... um só Espírito, assim como também vocês foram chamados numa só esperança que seu chamamento lhes trouxe (Lit. ‘de seu chamamento’), um só Senhor ..., um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.4-6).
Segundo Hipólito, os basilides, os ofitas e os valentinianos fizeram uso da carta de Paulo aos Efésios; ora, essas três se achavam entre as primeiras seitas gnósticas. A epístola aos Efésios, pois, também estava inclusa no Cânon de Marcião (ainda que, como já se indicou, sob um título diferente), na versão latina antiga e na versão siríaca antiga. Finalmente, existe a possibilidade de Colossenses 4.16 estar se referindo a esta epístola. Ver C.N.T. sobre esta passagem.
Já se demonstrou, pois, que tão logo a igreja começou a atribuir os escritos do Novo Testamento a autores definidos, “em consonância” apontaram Paulo como o autor de Efésios. Não houve dúvida nem dissidência. A designação definitiva começou mais ou menos em fins do segundo século. No entanto, mesmo mais cedo se reconheceu por toda parte sua existência e o alto apreço que a igreja lhe concedeu como escrito inspirado. Não há razão para afastar-se dessas convicções tradicionais.
IV. Destino e Propósito
A. Destino
1. Os fatos e o problema oriundos deles
Defrontamo-nos com uma dificuldade real, porquanto Efésios 1.1, que na maioria das versões menciona aqueles a quem a carta foi destinada, não tem esse mesmo conteúdo em todos os manuscritos gregos.
As palavras iniciais - “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos e crentes em Cristo Jesus que estão em” - não constituem problema textual sério. A dificuldade emana da frase adicional -“em Éfeso” (èv ’Eijjéocp). Esta frase não se encontra nos manuscritos mais antigos em existência: está ausente em p46, que data do segundo século, no Sinaíticus não revisado e no Vaticanus do quarto século.9 Segundo vê a maioria dos eruditos, há um comentário de Orígenes (do início do terceiro século) que dá a entender que ela não estava no texto que ele usou. Uma observação de Basílio (ca. de 370 d.C.) leva à mesma conclusão com respeito ao texto sobre o qual ele comentou.
Por outro lado, desde os meados do segundo século, com uma única exceção, o título que encabeça a epístola tem sido sempre "aos Efé-5io5”. A única exceção foi a cópia de Marcião, na qual o título exibido na epístola era “aos Laudicenses”. Comumente se mantém, com boa razão, que esta exceção à regra foi devido à má interpretação de Colos-senses 4.16. A maneira como Tertuliano criticou Marcião por aceitar (ou originar?) este erro já ficou registrada (ver IIIB 4 supra). Também, de forma quase unânime, os manuscritos subseqüentes incluem “em Éfeso” no texto de 1.1. As versões também, de comum acordo, sustentam esta redação.
O problema, portanto, é o seguinte: Como podemos explicar a ausência da frase - “em Éfeso” - nos manuscritos mais antigos em existência, à luz do testemunho quase unânime em favor de sua inclusão? E qual é a luz que estes fatos lançam sobre o destino real de Efésios?
2. Propõem-se várias soluções
a. A carta não foi destinada a qualquer localidade específica, fosse grande ou pequena, porém, antes, aos crentes de todos os lugares e de qualquer tempo.
De acordo com esse ponto de vista, o que fosse que o título pudesse dizer, jamais foi a intenção de Paulo que as palavras “em Éfeso” fossem inseridas. Esta teoria tem duas formas principais. Segundo a primeira, Paulo dirige sua mensagem aos santos “que são”, ou seja, os únicos que possuem verdadeira existência, já que Cristo, em quem eles vivem, é o único que verdadeiramente É. Não é ele o grande EU SOU? (cf. Êx 3.14; Jo 6.35,48; 8.12; 10.7,9,11,14; Ap 1.8; 22,13). Esta interpretação foi sugerida por Orígenes. Basílio também a adotou. De acordo com a segunda, Paulo está simplesmente escrevendo “aos santos, que são também fiéis em Cristo Jesus”. Isto, omitidas as palavras “em Éfeso”, se encontra não só no texto da R.S.V., mas é também favorecido, com certas variações de palavras, por muitos outros, tanto tradutores quanto expositores: Beare, Findlay, Goodspeed, Mackay, Williams e outros.
Avaliação: Em toda parte nas epístolas de Paulo, onde aparecem as palavras “que estão” ou (a igreja) “que está”, quando presentes no original, são invariavelmente seguidas do nome de um lugar (Rm 1.7; ICo 1.2; 2Co 1.1; Fp 1.1). Em conseqüência, não há razão plausível para se admitir que a ocorrência das palavras “que estão”, em Efésios, é uma exceção à regra. Não há nada nas outras epístolas de Paulo que forneça a explicação metafísica apresentada por Orígenes e Basílio. E quanto à versão semelhante “aos que também são fiéis”, sem nenhuma designação de lugar, além de estar exposta à objeção supramencionada, só teria sentido razoável se não fosse interpretado para significar que havia alguns santos que eram fiéis e outros que não o eram.
Ainda que por razão já mencionada (o uso paulino nas demais epístolas), não posso aceitar a teoria endossada pela R.V.S., entre outras, não obstante sou de opinião que a mesma contém um elemento de valor que não deve ser negligenciado. O que Tertuliano já indicou é procedente, ou seja, que “ao escrever a certa igreja, o apóstolo de fato estava escrevendo a todas” (ver supra IIIB 5). Em Efésios, bem como em todas as demais epístolas, o Espírito está se dirigindo a todas as igrejas, as daquele tempo e as de agora. De fato, o tema ecumênico de Efésios acresce ênfase a este aspecto. E possível dar demasiada ênfase à questão local. Entretanto, isso não significa que a questão, se as palavras “em Éfeso” devam ou não ser mantidas, pode ser descartada como destituída de valor.
b. A carta, ainda que enviada a crentes que viviam numa região definida e limitada, de modo algum pretendia ser para Efeso.
Esta teoria tem como defensores, entre outros, T.K. Abbott, em sua obra The Epistles to the Ephesians and to the Colossians (International Criticai Commentary), Nova York, 1916, p. viii; e E.F. Scott, em sua breve exposição The Epistles of Paul to the Colossians, to Philemon and to the Ephesians (MoffattNew Testament Commentary), Nova York, 1930, pp. 121, 122. Segundo Abbott, Efésios foi escrita para os gentios convertidos de Laodicéia, Hierápolis, Colossos, entre outras.
Scott escreve:    nada é definido, exceto que a carta não foi escrita
aos efésios.” Motivos: “em Éfeso” está ausente nos melhores manuscritos; não há detalhes pessoais; a implicação de 1.15; 3.2; 4.21,22 elimina totalmente Éfeso.
Resposta: Dificilmente se pode conceber que Paulo, que gastara tanto tempo e energia em Éfeso, tivesse escrito uma carta às igrejas da Ásia Proconsular, e excluísse a própria Éfeso.
As duas teorias seguintes devem ser consideradas em conjunto. Ambas estão basicamente de acordo, posto que procedem do pressuposto de que, em um sentido ou em outro, a epístola foi enviada a Éfeso. Elas diferem em que c. interpreta “em Éfeso” regionalmente; e d., localmente.
c.    A carta foi dirigida aos crentes que residiam na província da qual Efeso era a principal cidade. Era uma carta circular, destinada não só à igreja local, mas também às congregações da Asia Proconsular
Este é um ponto de vista amplamente aceito hoje.
d.    A carta foi enviada a uma igreja local e específica, ou seja, a de Efeso, assim como Filipenses foi enviada à igreja de Filipos, e 1 e 2 Coríntios foram enviadas à igreja de Corinto.
Para as defesas deste ponto de vista e a refutação da idéia de carta-circular, apresentam-se as seguintes respostas:
(1)    Em todos os manuscritos antigos (exceto o de Marcião) a carta traz o titulo: aos Efésios. Todas as versões antigas têm “em Éfeso”, no versículo 1. Que explicação daríamos a tal título e a tais versões se a carta não tivesse sido originalmente endereçada à congregação de Éfeso? Quanto à ausência da frase “em Éfeso”, em 1.1, nos manuscritos mais antigos, não é possível que alguém tenha alterado o texto? Quase todos os manuscritos gregos mais recentes contêm esta frase tão discutida. Que explicação fornecem aqueles que rejeitam seu caráter genuíno?
(2)    Quanto a 1.15; 3.2 e 4.21,22, esta é uma questão de interpretação. Ver adiante o comentário sobre essas passagens.
(3)    Não é correto dizer que não há nenhuma relação entre o relato da obra de Paulo que se encontra em Atos e o conteúdo desta epístola. Ao contrário, de que outra carta se pode dizer com mais propriedade que está proclamando “todo o conselho de Deus” (cf. 1.3-14)? Ora, de acordo com Atos 20.27, esta é exatamente a caracterização da pregação de Paulo em Éfeso. Ver também o comentário sobre Efésios 2.2022. A ausência de grandes problemas locais que perturbassem a congregação pode explicar por que Paulo não menciona, nessa epístola, a maneira como foi recebido quando fundou a igreja. Além do mais, no que se refere às expressões de intimidade e às matérias a respeito de si mesmo, pode-se encontrar a explicação em 6.21,22: Tíquico estava preparado para fornecer maiores informações.
(4) 2 Coríntios, Gálatas, 1 e 2 Tessalonicenses também não trazem saudação, ainda que escritas a igreja fundadas por Paulo. Por outro lado, Romanos, embora endereçada a uma igreja não fundada pelo apóstolo, contém uma grande quantidade de saudações.
Avaliação: é obvio que nem todas as razões apresentadas em favor da teoria da carta-circular são válidas. O item (4) é particularmente fraco, e tem sido abandonado por muitos dos partidários do conceito encíclico. É duvidoso, contudo, que a refutação do item (3) seja inteiramente satisfatória. A falta, ou, melhor, a pouca consideração para com os toques de caráter regional e de expressões pessoais, bem como a questão da sublimidade e amplitude do tema (a igreja universal) pareceriam harmonizar-se melhor com a teoria encíclica do que com a de caráter meramente local. Há, além disso, um outro fator que pareceria prestar ainda maior apoio ao ponto de vista da carta-circular. Teria sido quase impossível a Paulo dirigir uma carta aos crentes de Éfeso sem incluir também aquelas igrejas adjacentes. Éfeso era o coração e centro da comunidade cristã, como é muito claro de Atos 19.10, do que implica que, quando Paulo trabalhava nesta cidade, as pessoas dos arredores afluíam para ouvi-lo. Como resultado, “todos os que viviam na Ásia ouviram a palavra do Senhor, tanto judeus quanto gregos”. No livro do Apocalipse, também a primeira do grupo de sete cartas está endereçada à igreja em Éfeso (Ap 2.1-7). Conseqüentemente, favoreço a teoria da alínea c. No entanto, com base em ambos os pontos de vista (c ou d), podem-se conservar as palavras “em Éfeso”, sem riscos, em nossa tradução de Efésios 1.1.
Ora, desenvolvendo a teoria sobre a carta-circular, há um ponto de vista popular (proposto por Beza e endossado pelo arcebispo Ussher), ou seja, que originalmente foi deixado espaço em branco depois das palavras “que estão”, e que a Tíquico ou a algum outro solicitou-se que fizesse várias cópias, uma para esta igreja outra para aquela, etc., a fim de que em cada caso particular fosse preenchido o espaço em branco, escrevendo nele o nome da igreja para qual se destinava a cópia. Além disso, de acordo com essa teoria, no decorrer do tempo prevaleceu a frase “em Éfeso”, porquanto a igreja nessa cidade veio a ser a mais importante.
Esta teoria dá lugar a possíveis objeções; por exemplo: primeiro, porventura não estamos atribuindo a Efésios um método para distribuição de cartas “com mais sabor de formas modernas que antigas” (Abbott)? Em segundo lugar, como explicaremos o fato de que em método totalmente diferente de circulação postal está obviamente indicado em Colossenses 4.16? Em terceiro lugar, se tal série de nomes colocados nos espaços em branco é o que realmente acontece, como é que não existe nenhum exemplar das cópias em que 1.1 tenham outro nome que seja senão Éfeso?
Temos que admitir que de fato não sabemos como, quando e por que ocorre a mudança, desde a omissão de “em Éfeso” à sua inserção (ou vice-versa). Lenski, partindo da idéia de que as palavras “em Éfeso” estavam no texto desde o início, conjetura que Marcião teria, em seus dias, alterado o texto. Entretanto, esta não é a única e nem talvez a maneira mais benévola de solucionar o problema. Outra sugestão -novamente uma mera possibilidade\ - seria que em plena harmonia com os desejos expressos do apóstolo e com inteira sinceridade para com todos os interessados, o que aconteceu foi o seguinte:
Vamos admitir que na carta original, o próprio autógrafo, foi deixado um espaço em branco depois das palavras “que estão”. Ao ser esta carta lida a alguma das congregações reunidas para o culto, o espaço em branco foi preenchido oralmente, em cada caso de maneira adequada ao local onde a carta era lida. Depois de ser lida em Éfeso, a carta começou sua jornada circular, chegando em seguida a Laodicéia. Aqui, antes de ser enviada à próxima igreja, em Colossos (Cl 4.16?), foi feita uma cópia, propiciando aos membros da igreja laodicense, bem como aos irmãos e irmãs do outro lado do rio (em Hierápolis), de lê-la uma vez após outra e de recordar a beleza de seu conteúdo inspirado. Esta cópia era fiel ao original escrito em todos os sentidos, mesmo a ponto de conservar o espaço em branco. Esta condição da carta está refletida nos manuscritos mais antigos em existência. Finalmente, tendo cada igreja feito sua cópia, o autógrafo, e tendo completado seu circuito pelas diversas congregações para as quais fora originalmente destinada, ela voltou a Éfeso para repousar nos arquivos daquela igreja. Todavia, em atendimento às prévias instruções de Paulo, as palavras “em Éfeso” são agora inseridas, visto que agora os crentes de todos os lugares poderiam entender que a designação de lugar tinha referência à grande Éfeso, ou seja, àprópria Efeso e adjacências. Não sabemos exatamente qual foi a extensão desse percurso. Entretanto, embora descansasse nos arquivos de Éfeso, a carta não ficou improdutiva. Deste grande centro, cópias eram expedidas à medida que se fazia necessário. Essas cópias continham a frase “em Éfeso”, exatamente como refletida em quase todos 05 manuscritos posteriores. Repito: Tudo isso não passa de uma das tantas possibilidades. O que realmente aconteceu poderia ter sido algo inteiramente diferente. Não obstante, sobre a possibilidade sugerida não cai o peso das três objeções mencionadas anteriormente, onde se acha exposta a teoria dos espaços em branco, os quais foram preenchidos imediatamente, completando assim uma série. Nem tampouco acumula desonra sobre o nome de Marcião. Quanto a isso, não o fez Tertuliano de maneira assombrosa e completa (Against Marcion 1.1)?
3. Conclusão
O destino da carta era “Éfeso”, no sentido já explicado: as igrejas de Éfeso e adjacências. Lugar e tempo em que foi escrita: Roma, nos meados do período 61-63 d.C. Ver C.N.T. sobre Colossenses e File-mom, Introdução, Seção V: sobre Filipenses, Introdução, Seção V.
B. Propósito
1.    Paulo escreveu essa carta com o fim de expressar aos destinatários sua íntima satisfação por sua fé, que estava centrada em Cristo, e por seu amor para com todos os santos (1.15). A partida de Tíquico e Onésimo para Colossos ( 6.21,22; cf. Cl 4.7-9) propiciou ao apóstolo enviar suas calorosas saudações, entre outras coisas, aos crentes residentes em Éfeso, cidade pela qual os emissários deviam passar. A mesma mensagem devia ser comunicada às igrejas adjacentes.
2.    Outro propósito estreitamente relacionado foi o de descrever a gloriosa graça redentora de Deus para com a igreja, derramada sobre ela a fim de que pudessem ser uma bênção para o mundo, e pudesse permanecer unida contra todas as forças do mal, e assim glorificar seu Redentor.
Todos os pensamentos que Paulo desenvolve a respeito dos aspectos distintos desta gloriosa igreja são levados às ultimas conseqüên-cias. Dessa forma, ele deixa bem claro que nem boas obras, nem mesmo a fé, senão unicamente o gracioso plano de Deus, “em Cristo”, desde toda a eternidade, ou seja, Cristo mesmo, é o verdadeiro fundamento da igreja (1.3ss). Cristo controla nada menos que o universo inteiro no interesse da igreja (1.20-22). Tanto judeus quanto gentios estão incluídos no propósito da redenção (2.14-18), em conexão com a qual todas as coisas são postas sob o governo de Cristo, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra (1.10). O processo salvífico não pára quando os homens “se convertem”. Ao contrário, o alvo dos crentes é alcançar “a medida da estatura da plenitude de Cristo” (4.13). E, para alcançar esse alvo, todos devem manifestar sua unidade em Cristo, e devem crescer em todas as coisas, nele (4.1 -16). Paulo ora para que os crentes possam ser capazes de conhecer o amor de Cristo, o qual excede a todo conhecimento, para que possam ficar cheios de toda a plenitude de Deus (3.19). A sabedoria de Deus, em toda sua infinita variedade, deve ser conhecida não só pelo mundo, mas também pelos principados e pelas autoridades nos lugares celestiais (3.10). Todo membro da família de Deus tem o dever de manifestar sua renovação (5.226.9). A igreja, em sua luta contra o mal, atuando como um só corpo, deve fazer uso eficaz de toda a panóplia provida por Deus (6.1 lss).
Não é de todo impossível que a exuberante doxologia de Paulo, no início dessa carta, tenha tido sua origem, em parte, no fato de ter ele visto, nos corações e vidas de seus destinatários, segundo lhe fora informado, um parcial, porém significativo, grau de progresso na realização do plano de Deus por sua igreja. Esta, porém, não foi a única razão de sua alegria e louvor. Ver sobre 1.3.
3. E possível que, ao escrever essa carta, o apóstolo também intentasse estabelecer um contraste entre o império romano, do qual era prisioneiro, e a igreja. Por meio de outra carta, escrita durante essa mesma prisão, entendemos que essa possibilidade não deve ser inteiramente descartada (Fp 3.20). Se é assim, então o esplendor de Roma bem que poderia ter-lhe sugerido a glória da igreja. O severo ditador romano que governava sobre um vasto, porém limitado domínio, pressupõe o gracioso Senhor da igreja, soberano sobre tudo. Sua consolidação política pela força física pressupõe a unidade orgânica da igreja no vínculo da paz. Seu poder militar pressupõe a armadura espiritual da igreja; e seu fundamento temporal sujeito a “mudanças e quedas” pressupõe o eterno fundamento da igreja e sua duração infindável.
V Tema e Esboço
Se é verdade que em Colossenses a preocupação de Paulo é “Cristo, o Preeminente, o único e Todo-suficiente Salvador”, então em Efésios ele discute seu corolário, ou seja, “A Unidade de Todos os Crentes em Cristo”. Podemos substituir “Todos os Crentes” por “A Igreja Gloriosa”. As idéias de “unidade” e “em Cristo” podem ter seu lugar adequado no Esboço. O estudo cuidadoso de Efésios tem conduzido um número sempre crescente de exegetas a concluir que o conceito igreja recebe nestas epístolas tal ênfase, que todo seu conteúdo pode ser agrupado em tomo dele sem sobrepor nossas próprias opiniões subjetivas sobre o pensamento do apóstolo.10
O termo igreja, como usado aqui, indica o corpo (Ef 1.22,23; 4.4,16; 5.23,30), o edifício (2.19-22) e a esposa (5.25-27,32) de Cristo; atota-lidade daqueles, sejam judeus ou gentios, que foram salvos por meio do sangue de Cristo. E através dele têm seu acesso ao Pai em um Espírito (2.13,18).
Como sucede em Romanos e Colossenses, também aqui em Efésios há uma divisão bem delineada entre Exposição e Exortação. Entre verdade declarada e verdade aplicada; os capítulos 1-3 pertencem à primeira parte; os capítulos 4-6, à segunda. O estilo, especialmente o da primeira divisão, é, não obstante, tão sublime que Culto expressa o conteúdo mais precisamente que Exposição. A alma do apóstolo transborda de humilde gratidão a Deus, o Autor da Igreja gloriosa. Ele derrama seu coração em sincero, espontâneo e profúso louvor. Para Paulo, doutrina significa doxologial
E uma questão não só da mente, mas também do coração e da experiência cristã sob a direção da inspiração.
Depois da saudação inicial de abertura (1.1,2), o corpo da carta começou, no original, com a palavra Eulogêtós (bendito!). O apóstolo eulogizes (rende o mais elevado louvor) a Deus por suas maravilhosas bênçãos à igreja. Como auxílio à memória, pode-se formar um acróstico das primeiras seis letras desta palavra inicial, lidas verticalmente.
Breve Sumário de Efésios Tema:
A Igreja gloriosa
I.    Adoração por seu
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4.1
Eterno Fundamento “em Cristo”
Após a saudação (vs. 1,2), a doxologia começa assim: “Bendito (seja) o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda bênção nos lugares celestiais em Cristo, assim como nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele” (1.3,4).
Universal Propósito (abrangendo tanto judeus quanto gentios)
“Porque por meio dele temos nosso acesso ao Pai em um Espírito” (2.18).
Luminosa Finalidade
“A fim de que agora aos principados e às autoridades, nos lugares celestiais, seja dado a conhecer, através da igreja, a magnificente sabedoria de Deus ... (e) conhecer o amor de Cristo que excede a todo conhecimento; a fim de que vocês possam transbordar de toda a plenitude de Deus” (3.10,19).
II.    Exortação descrevendo e instando
16 Orgânica Unidade (em meio à adversidade) e Crescimento em Cristo:
“Eu, portanto, o prisioneiro no Senhor, solicito-lhes a ... fazerem todo esforço para preservar a unidade comunicada pelo Espírito por meio do vínculo (que consiste na) paz... para que nós... aderindo à verdade em amor, cresçamos em todas as coisas, nele que é a cabeça, Cristo” (4.1,3,14,15).
Capítulo 4.17-6.9
Gloriosa Renovação
“ ... com respeito à sua maneira anterior de vida, vocês devem despojar-se do velho homem ... e devem ser renovados no espírito de suas mentes, e se revistam do novo homem” (4.22-24).
Capítulo 6.10-24
Eficaz Armadura
“Vistam-se de toda a armadura de Deus a fim de que possam estar aptos a permanecerem firmes contra os métodos astutos do diabo” (6.11). Conclusão (vs. 21-
24).
Em seguida, um mais completo
Esboço de Efésios
Capítulo 1
Tema: A Igreja gloriosa
I. Adoração por seu
Eterno Fundamento “em Cristo”
Após a saudação inicial (vs. 1,2), Paulo “bendiz” a Deus pelo fato de este ser um fundamento:
1.    resultando em “toda Bênção espiritual” para os crentes, no louvor da glória de Deus o Pai e o Filho e o Espírito Santo (1.3-14); e
2.    conduzindo às ações de graça e à oração, a fim de que os olhos dos leitores possam ser iluminados, para que vejam o poder salvífico de Deus, demonstrado na ressurreição e na coroação de Cristo (1.1523).
Capítulo 2
Universal Propósito (abrangendo judeus e gentios)
1.    Assegurado pelas grandes bênçãos redentoras, para ambos, cujo centro está “em Cristo”, e cuja analogia é sua ressurreição e sua vida triunfante (2.1-10)
2.    evidenciado pela reconciliação de judeus e gentios, por meio da cruz (2.11-18);
3.    e porque a igreja de judeus e gentios está crescendo para ser um edifício, um santuário santo no Senhor. Do qual Cristo mesmo é a principal pedra de esquina (2.19-22).
Capítulo 3
Luminosa Finalidade
1. Para dara conhecer aos principados e aos poderes
nos lugares celestiais a magnificente sabedoria de Deus, refletida no mistério revelado especialmente (ainda que não exclusivamente) a Paulo, ou seja, que os gentios são ... membros do corpo de Cristo (3.1-13); e
2. Conhecer o amor de Cristo que excede o conhecimento, a fim de transbordar em toda a plenitude de Deus (3.14-19). Doxologia (3.20,21).
II. Exortação descrevendo e instando com todos
Capítulo 4.1-16 Capítulo 4.17-6.9
Capítulo 6.10-24
Orgânica Unidade (em meio à diversidade) e Crescimento em Cristo
instando
Gloriosa Renovação
1.    A todos (4.17-5.21)
a.    “Despojem-se do velho homem. Renovem-se.
Revistam-se do novo homem.”
b.    “Não dêem ao diabo um ponto de apoio. Sejam imitadores de Deus.”
c.    “Vocês, anteriormente, eram trevas, mas agora sãov uz no Senhor, andem sempre como filhos da luz.”
d.    “Não se embriaguem com vinho, mas transbordem-se do Espírito.”
2.    A grupos particulares (5.22-6.9)
a.    “Esposas, sejam submissas a seus próprios esposos. Esposos, amem suas esposas.”
b.    “Filhos, obedeçam a seus pais. Pais, eduquem-nos com ternura.”
c.    “Servos, obedeçam a seus senhores. Senhores, parem com as ameaças.”
Instando com todos a vestir-se com o que Deus deu à igreja, ou seja, a Eficaz Armadura.
Conclusão
1.    “Vistam-se de toda a armadura de Deus” (6.10-20);
2.    Conclusão (6.21-24).


AJUDA BIBLIOGRÁFICA
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Livro Batalha Espiritual - Livro de Apoio Adulto 1º Trimestre -  2019 - Pr. EsequiasSoares
Angelogia — a Doutrina dos anjos - Wagner Caby - Teologia Sistemática Pentecostal - CPAD
Primeira tradução do Antigo Testamento do hebraico para o grego, em Alexandria, no Egito, feita em cerca de 285 a.C., conhecida como a tradução dos setenta — LXX.
MARTENSEN, Christian Dogmatics, 133.
Questão 50, artigo 3°, da Suma Teológica (Volume II Lovola, São Paulo,
2002), a qual trata da natureza dos anjos de modo absoluto. Tomás de Aquino aqui cita as palavras de Dionísio, o areopagita, acerca do número de anjos existentes.
Nota do Editor — apesar de alguns teólogos acreditarem que haja uma categoria de anjos formada por arcanjos, só há menção explícita a um arcanjo nas Escrituras (Jd v.9; I Ts 4.16, ARA).
O Novo Testamento Versículo por Versículo, Candeia. Champlm comenta sobre Efésios 1.21.
O Novo Testamento Versículo por Versículo, Candeia. Champlin comenta sobre Colossenses I.16.
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