terça-feira, 26 de agosto de 2014

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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Lição 9 – A Verdadeira Sabedoria Se Manifesta Na Prática, 5ptes, 3Tr14, ...

Lição 9 – A Verdadeira Sabedoria Se Manifesta Na Prática 1 parte



Lição 9 – A Verdadeira Sabedoria Se Manifesta Na Prática  1 parte
LIÇÕES BÍBLICAS - 3º Trimestre de 2014 - CPAD - Para jovens e adultos
Tema: FÉ E OBRAS - Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica
Comentário: Pr. Eliezer de Lira e Silva
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
 
 
TEXTO ÁUREO
"Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria"  (Tg 3.13).
 
 
VERDADE PRÁTICA
A verdadeira sabedoria não se manifesta na vida do crente através do discurso, mas das obras.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - 2 Cr 9.22 O rei mais sábio do mundo
Terça - Jó 28.28 Sabedoria e inteligência
Quarta - Sl 111.10; Pv 9.10 O princípio da sabedoria
Quinta - Dn 2.20,21 DEUS é o dono da sabedoria
Sexta - Lc 2.52 JESUS cresceu em sabedoria
Sábado - Cl 4.5 Sabedoria para com "os de fora"
 
 
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Tiago 3.13-18
13 Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria. 14 Mas, se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. 15 Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. 16 Porque, onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa. 17 Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada,  tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia. 18 Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.
 
INTERAÇÃO
Na lição de hoje estudaremos a respeito das duas sabedorias apresentadas por Tiago - a que vem do alto e a terrena. O meio-irmão do Senhor dá início a este tema com a seguinte indagação: "Quem dentre vós é sábio e inteligente?" Atualmente vivemos na sociedade da informação, do conhecimento, mas seria este tipo de conhecimento a que Tiago se refere? Certamente que não. Tiago estava querendo mostrar que o verdadeiro sábio é reconhecido por suas obras, ações. Parece que os leitores do meio-irmão do Senhor estavam contaminados pelo orgulho do conhecimento. A altivez destes deu lugar à inveja amargurada, a ambição egoísta e a sentimentos facciosos. Que venhamos buscar a verdadeira sabedoria que nos ajuda a produzir frutos de justiça para DEUS e que promove a unidade da Igreja.
 
OBJETIVOS - Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
Conscientizar-se de que a nossa conduta pessoal demonstra se a nossa sabedoria é humilde ou demoníaca.
Mostrar que onde prevalecem a inveja e sentimento faccioso, prevalece também o mal.
Analisar as qualidades da verdadeira sabedoria.
 
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
 
A VERDADEIRA SABEDORIA X A SABEDORIA TERRENA E DIABÓLICA
A pessoa que tem sabedoria do alto
Benefícios da sabedoria do alto
É amorosa
É fiel
Coloca DEUS em primeiro lugar
Sabe discernir o certo e o errado
Ouve e aprende
Faz o que é certo
Vida longa e próspera
Tem o favor de DEUS e das pessoas
Boa reputação
Bom julgamento
Sucesso
Riqueza, honra, prazer e paz
Resultados da sabedoria terrena, animal e diabólica
Orgulho • Inveja • ESPÍRITO faccioso • Perturbação • Ciúme • Obras perversas
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Adaptado da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD, p. 838.
 
Resumo da Lição 9 – A Verdadeira Sabedoria Se Manifesta Na Prática
I- A CONDUTA PESSOAL DEMONSTRA SE A NOSSA SABEDORIA É DIVINA OU DEMONÍACA (Tg 3.13-15)
1. Sabedoria não se mostra com discurso (v. 13).
2. Inveja e facção(v. 14).
3. Sabedoria do alto e sabedoria diabólica (v. 1 5).
II- ONDE PREVALECEM A INVEJA E SENTIMENTO FACCIOSO, PREVALECE TAMBÉM O MAL (Tg 3.16)
1. A maldade do coração humano.
2. A inveja e a facção instauram a desordem.
3. Obras perversas.
III- AS QUALIDADES DA VERDADEIRA SABEDORIA (Tg 3.17,18)
1. Características da verdadeira sabedoria.
2. Mais sete características.
3. O fruto da justiça (v.18).
 
SINOPSE DO TÓPICO (1) A sabedoria do alto, divina, é evidenciada por nossas ações.
SINOPSE DO TÓPICO (2) Onde a sabedoria terrena e diabólica impera, há inveja, espírito faccioso, perturbação e toda obra maligna.
SINOPSE DO TÓPICO (3) A sabedoria que vem do alto é pura, moderada, misericordiosa, imparcial e repleta de  bons frutos e obras de justiça.
 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1 ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2007.
ARRINGTON, French L; STRONSTD (Eds.).  Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Vol. 2. 4. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009.
 
Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 59, p.40.
Aonde há inveja, espírito faccioso e o mal, não se pode dizer que há ali uma sabedoria do alto. Tiago responde que ela "é terrena, animal e diabólica". Onde existe esta sabedoria reina a inveja, o espírito faccioso, a perturbação e toda espécie de perversidade. É incrível o poder que os sentimentos ora citados têm em produzir danos terríveis à saúde psíquica das pessoas por eles atingidos. Imagine conviver num lugar durante anos, onde se presencie apenas a inveja, a disputa, a perturbação e a perversidade? E se este lugar for o ambiente que pensamos ser o mais perfeito do mundo, a igreja?
Sabemos que a igreja local não é um lugar perfeito. Basta que eu ou você esteja presente e logo perceberemos que realmente ela não é perfeita. Entretanto, há um abismo entre os defeitos naturais de uma igreja local e o ambiente eclesiástico que mina a saúde psíquica e espiritual de uma pessoa. Quando a igreja, que antes de tudo é a comunhão dos santos, não é mais um lugar de saúde espiritual, paz, harmonia, alegria e de comunhão com o outro, alguma coisa está errada. Pode ser com a pessoa ou pode ser com a própria instituição.
Esta aula é uma rica oportunidade de refletirmos sobre a saúde do nosso relacionamento pessoal com os nossos irmãos. Geralmente, passamos vários anos em uma única igreja local. É comum que em sua igreja, se ela é antiga, haja irmãos de 20,30 ou até mais de 40 anos de congregados. Ao longo desses anos, pessoas encontraram ali aconchego espiritual para as suas vidas. Mas por outro lado, você encontrará pessoas há muito tempo em uma igreja local, se perguntadas, dizendo que não estão satisfeitas com a forma como aquela instituição lida com os segredos das pessoas, as suas privacidades, etc. Uma grande decepção está instaurada!
O nosso desafio, prezado professor, é expor a Palavra de DEUS ensinando que este tipo de comportamento não pode ser normal entre nós, nem em nossa família e jamais em nossa comunidade cristã. Ainda que haja discordância, o que é normal, mas nunca pode haver dissimulação e desejo de fazer o mal entre um povo que diz amar a DEUS e ao próximo. Quem faz estas coisas nada tem haver com o Evangelho, senão com a sabedoria animal, terrena e diabólica. Que o Senhor nosso DEUS nos dê o privilégio e a alegria de viver a autêntica comunhão do Corpo de CRISTO até Ele voltar!
 
COMENTÁRIO DE VÁRIOS COMENTARISTAS - INTRODUÇÃO
Tiago fala sobre a sabedoria para lidar com as circunstâncias e com as pessoas. Assim como o rei Salomão pediu sabedoria para DEUS, nós também podemos pedir. O que é sabedoria? Sabedoria é o uso correto do conhecimento. Uma pessoa pode ser culta e tola. Hoje se dá mais valor à inteligência emocional do que à inteligência intelectual. Uma pessoa pode ter muito conhecimento e não saber se relacionar com as pessoas. Ela pode ter muito conhecimento e não saber viver consigo e com os outros.
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 71.
 
É comum pensar em sabedoria como uma forma avançada de conhecimento ou aprendizado, ou como um senso de compreensão e visão extraordinário e profundo. Esta visão da sabedoria possui um toque de misticismo, como se aqueles que a possuíssem houvessem, de alguma forma, aprendido verdades profundas e enigmáticas de eras passadas.
No entanto, não há mistério a respeito da sabedoria sobre a qual Provérbios discorre, nem necessariamente ela está restrita a uns poucos privilegiados. A palavra traduzida como sabedoria aparece em Provérbios mais de 50 vezes e em Eclesiastes 29 vezes e vem do termo hebraico chokmah, que significa habilidades para a vida. Esta sabedoria é prática, e não teórica. Implica a pessoa viver de forma responsável, produtiva e próspera.
Desse ponto de vista, a sabedoria retratada em Provérbios ajuda-nos a compreender a forma como o mundo funciona. A questão não é tanto como a pessoa é dotada intelectualmente, mas o que ela faz na prática. É a verdade aplicada.
É por isso que Provérbios trata de tantas questões da vida cotidiana, especialmente as que envolvem escolhas morais e outras decisões que afetam o futuro. O sábio (hb. chakam) evita o mal e promove o bem observando as ações das outras pessoas e seus resultados, tomando então a decisão sobre sua vida. Assim, os Provérbios não são exatamente promessas de DEUS, e sim observações e princípios sobre a vida.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 950.
 
I - A CONDUTA PESSOAL DEMONSTRA SE A NOSSA SABEDORIA É DIVINA OU DEMONÍACA
(Tg 3.13-15)
1. Sabedoria não se mostra com discurso (v. 13).
Um cristão desejoso de crescer na vida cristã certamente privilegia a palavra falada e escrita. Lemos a Bíblia e ouvimos as pregações em nossas igrejas, e cremos que os discursos são elementos de comunicação que atingem sua finalidade: convencer pessoas e motivá-las a que tenham atitudes que agradem a DEUS.
Entretanto, devemos nos lembrar de que a sabedoria não é demonstrada apenas em nossos discursos, mas também em nossas atitudes. Palavras, como diz a sabedoria popular, o vento leva. Entretanto, atitudes falam mais alto do que nossas próprias palavras, e ficam marcadas em nossas vidas.
A Carta de Tiago é um conjunto de sermões que tratam de modo muito prático a forma como um servo de DEUS deve viver, e isso inclui agir com sabedoria em todos os momentos. Na vida cristã não vale a máxima Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Na visão do apóstolo, mais que palavras sendo apresentadas de forma correta e com sentido, valem as atitudes corretas. Essas sim, tem mais sentido do que palavras vazias e sem exemplo de vida.
Discursos, por mais elaborados que sejam, tornam-se inócuos se desprovidos de atitudes que os espelhem. Se uma organização anuncia como parte de seus valores o respeito por seus clientes, e na prática trata de forma desleixada essas mesmas pessoas, cairá no descrédito e ainda poderá ter dificuldades judiciais por danos causados, gerando um comprometimento sério à sua imagem. Da mesma forma ocorre com um discurso cristão que acaba sendo visto como vazio por estar distante da prática. DEUS espera ver em nós atitudes condizentes com o que ensinamos e pregamos, para que a mensagem do evangelho seja não apenas um conjunto de palavras bem apresentadas, mas acima de tudo, o poder de DEUS manifesto em nossas vidas, moldando-nos de acordo com a sua vontade e mostrando ao mundo a diferença que DEUS faz.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 105-106.
 
Tg 3.13 A pessoa verdadeiramente sábia demonstra a compreensão que tem de CRISTO pela maneira como vive. As nossas obras mostram em que investimos os nossos corações (Mt 6.19-21,33). As nossas atitudes e motivações estão de acordo com os nossos atos? Embora não possamos afirmar que sejamos sábios, podemos almejar viver de maneira sábia — uma vida de constante bondade. A orientação que nos é dada pela Palavra de DEUS é uma sabedoria confiável.
Mas, se nós quisermos realizar boas obras, devemos tomar cuidado com o orgulho. Orgulho é ter uma atitude de valorização própria superior aos talentos e capacidades que DEUS nos deu e usar estes dons para se colocar como alguém superior, ou provocar discórdias nos nossos relacionamentos com os outros. A sabedoria, portanto, envolve tanto as ações quanto as atitudes da vida. Uma vida sábia exibirá não apenas bondade, mas também humildade.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 680.
 
Tg 3.13 Essa seção tem somente uma conexão vaga com os versículos precedentes. Talvez o sábio (v.13) pode ser comparado à fonte de água doce, não misturada com a amarga (v. 11), ou à árvore cuja natureza é tal que produz “bons frutos” (vv. 12, 17). Mas fundamentalmente, o pensamento do autor tem conexão com os versículos 1-2a em que apresenta conselhos aos mestres cristãos — ou pretendentes a mestres — na Igreja. O sempre prático Tiago aplica o teste da bondade aos líderes cristãos e mais amplamente a todos que se chamam cristãos. Sêneca disse: “A sabedoria nos ensina a fazer, bem como a falar”. The New English Bible reflete de forma correta o significado do versículo 13: “Quem entre vós é sábio ou inteligente? Que o demonstre por sua conduta correta, mediante obras práticas, com modéstia que provém da sabedoria”.
O verdadeiramente sábio e inteligente (epistemon) é aquele que conhece a DEUS.
O sábio do Antigo Testamento escreveu: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e a ciência do SANTO, a prudência” (Pv 9.10). Este é o significado que Tiago emprega aqui (cf. 1.5). O bom trato é “seu bom procedimento” (NVI). Suas obras seriam os resultados específicos ou ações que brotam da sua vida reta. Todas essas ações devem ser realizadas em mansidão de sabedoria, i.e., com a humildade que é decorrente de ser semelhante a CRISTO.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 178.
 
Tg 3.13 Sabedoria é também olhar para a vida com os olhos de DEUS. A pergunta do sábio é; em meus passos, o que faria JESUS? Como ele falaria, como agiria, como reagiria? CRISTO não foi um mestre da escola clássica. Ele ensinou os seus discípulos na escola da vida. Ensinar a sabedoria é mais importante do que apenas transmitir conhecimento. Tiago está contrastando dois diferentes tipos de sabedoria: a sabedoria da terra e a sabedoria do céu. Qual sabedoria governa a sua vida? Por qual caminho você está trilhando? Que tipo de vida você está vivendo? Que frutos esse estilo de vida está produzindo? A sua fonte é doce ou salgada (3.12)? Tiago mostra, também, que essa sabedoria se reflete nos relacionamentos (3.13.14). Sábio é aquele que é santo em caráter, profundo em discernimento e útil nos conselhos. Você conhece o sábio e o inteligente pela mansidão da sua sabedoria e pelas suas obras, ou seja, imitando a JESUS, que foi manso e humilde de coração (Mt 11.29). Warren Wiersbe, comparando a sabedoria de DEUS com a sabedoria do mundo, faz três contrastes: quanto à sua origem, quanto às suas características e quanto aos resultados.
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag.
 
Tg 3.13 Para cada época e geração se apresenta a pergunta pelo caminho certo. A terra incógnita do futuro se estende diante do indivíduo, particularmente diante de pessoas jovens e de toda a geração sucessora como um campo coberto de neve na cordilheira, jamais tocado, belo, interessante e também cheio de perigos e abismos escondidos. Era assim também nos dias de Tiago com o jovem cristianismo, que se dirigia ao mundo. Havia perguntas como a da convivência com o contexto gentílico e judaico, a do relacionamento com o judaísmo e o Estado romano, a pergunta a respeito da organização das igrejas e do convívio entre os próprios cristãos.
Da mesma forma apresentam-se também para nós hoje, em um mundo de estonteantes e aceleradas mudanças, as perguntas a respeito da atitude correta no fazer e deixar de fazer, seja para nós como pessoas, seja como congregação e igreja.
 
COMO ENCONTRAR O CAMINHO? – Tg 3.13
1 – Há necessidade de mestres – Tiago já falou deles em Tg 3.1 – e além disso, de modo geral, cristãos que sejam sábios e sensatos e consequentemente não encontram o rumo apenas para si mesmos, mas também sejam capazes de dar orientação a outros.
2 – Como equipamento para sua tarefa carecem de sabedoria, em grego sophía (Tg 1.5-8). Ter sabedoria significa encontrar, no pensar e agir, o caminho correto, com objetivos lúcidos e apontados por DEUS. Ao lado da sabedoria Tiago coloca a “sensatez”. Essa palavra refere-se à compreensão clara e sóbria da situação em que alguém se encontra. Portanto, diante da “sensatez” e da “sabedoria” precisamos ter em mente a apreciação da situação e o “programa de ação”, o diagnóstico e a terapia.
Tg 3.13 Tiago indaga: “Quem é sábio e sensato entre vós?” Isso significa: quem de vocês é capaz de mostrar o caminho, inicialmente para a igreja, mas também para todos os que buscam entre os cristãos o caminho certo? Evidentemente havia nas igrejas às quais Tiago escrevia, um bom número de pessoas que precipitadamente e seguras de si levantavam a mão, dizendo: “Eu!” (Tg 3.1).
3 – A pergunta a respeito dos critérios da verdadeira sabedoria, do espírito correto.
Tiago diz: Por favor, devagar! (cf. Tg 3.1). Se vocês pretendem mostrar o caminho a outros, vocês precisam admitir primeiramente algumas perguntas. Como cristãos vocês precisam perguntar algumas coisas àqueles a cuja liderança vocês se entregam. Nessa passagem da Escritura está em jogo a pergunta, tão relevante também para nós, pelo discernimento dos espíritos, pela verdadeira sabedoria, pelo ESPÍRITO do alto, ao qual podemos confiar nossa vida. Afinal, a liderança poderia se tornar sedução, e a direção, desencaminhamento. Qual é a pergunta de Tiago? “Mostre em mansidão de sabedoria, mediante conduta correta, as suas obras.” Não busca erudição, exames, acuidade de idéias, desenvoltura de palavras, força de convencimento, ainda que também tudo isso sejam boas dádivas que igualmente devem ser colocadas a serviço. Mas elas não bastam de forma isolada. Por trás de tudo isso é possível que ainda se oculte um espírito falso, que pretexta sabedoria, que confunde e que, ao invés de levar ao alvo, leva à perdição (Tg 2.19). O que Tiago cita como critério para a verdadeira sabedoria e o espírito genuíno?
a) “Conduta”: trata-se do caminho trilhado pela própria pessoa que ensina. Não pode ser como uma placa de trânsito, que nunca seguiu de fato o rumo para o qual aponta incessantemente. JESUS é o verdadeiro mestre. Ele fez o caminho e o abriu para nós. Chama também a nós para essa trajetória: “Vem e segue-me!”
b) “Obras”: são os frutos da fé e da sabedoria (Tg 2.14-26). Haveria algo de errado com a fé e a sabedoria se não trouxessem frutos. Esboços teológicos inteligentes ou “profundidade” de reflexão devota que deixa de atingir o cotidiano não bastam como demonstração de autenticidade para um cristão líder na igreja e sua sabedoria. A totalidade da existência tem de ser determinada pela fé em JESUS.
c) Tiago ainda acrescenta que conduta e obra do cristão em geral e do mestre em particular devem ser determinadas pela “mansidão”, em grego praýtes. “Mansidão” não é uma palavra popular (Tg 1.21). Ela contraria a natureza do ser humano. O mundo usa os cotovelos, tanto na vida profissional como econômica e política. Cada um justifica isso alegando que essa, afinal, é a lei do mundo de hoje. A luta é dura. De outro modo não seria possível ter sucesso. É assim que as pessoas constroem sua vida, seus empreendimentos, seus poderes e suas constelações de poder. Enquanto isso também JESUS constrói, silenciosamente e sem alarde, a sua igreja, o reino de DEUS. Estranho é que, enquanto aquilo que os outros constroem constantemente cai por terra, a causa dele persiste por séculos. Verdade é que ele constrói de forma bem diferente. Não pressiona nem violenta. Tem fôlego perseverante. Age com diligência. Requesta os seres humanos. Calmamente contorna a aldeia samaritana que o rejeitou (Lc 9.51-57). Mais tarde os samaritanos aceitaram o evangelho até mesmo de impotentes fugitivos cristãos (o mesmo Lucas informa a esse respeito em At 8.3-8). Paulo assevera: “A fraqueza de DEUS é mais forte que os seres humanos” (1Co 1.25). Esse modo de agir de JESUS é chamado pela Bíblia de “mansidão”. É assim que a profecia do AT já o anuncia (Zc 9.9, comparado com Mt 21.5). Ele próprio a assume (Mt 11.29). E também espera mansidão de seus seguidores, concedendo-lhe uma grande promessa (Mt 5.5). Mesmo agora, como Senhor exaltado, ele a vivencia. Declara: “Eis que estou à porta e bato” (Ap 3,20). É assim que oferece sua paz: está diante da porta, bate e espera. Não que não tivesse poder, mas ele (ainda) não o utiliza. Essa atitude existe somente em JESUS e naqueles que se encontram sob a sua influência, sob a condução de seu ESPÍRITO. O princípio humano da não-violência não se refere à mesma coisa. Porque também através dela pessoas tentam se impor, apenas de outra maneira. Não conseguimos viver por força própria a mansidão de JESUS. Ele é quem precisa ter ingressado em nossa vida com sua palavra e seu ESPÍRITO, ter ocupado a posição de “comando” e conduzir o “leme”.
Na sequência Tiago apresenta outras características da sabedoria falsa e verdadeira, do espírito enganador e verdadeiro, para que não nos confiemos a uma liderança falsa. Também para nossa época confusa tudo isso propicia importantes ajudas para o discernimento de espíritos.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
 
2. Inveja e facção (v. 14).
Inveja e facção são dois sentimentos que andam muito próximos de nós. Tida como um dos sete pecados capitais, a inveja é caracterizada pelo desgosto que uma pessoa tem em relação a outra pessoa e contra o que essa outra pessoa possui. Diferente da arrogância, que faz com que o arrogante veja outras pessoas como se ele estivesse em uma posição superior, o invejoso vê a si próprio como uma pessoa que está em posição inferior. Ele imagina que a pessoa alvo de seu sentimento não é digna de ter o que tem, e se imagina como merecedora daqueles talentos, dons ou bens que a pessoa tem.
A facção é o desejo de divisão. E aquele sentimento que não se contenta em presenciar a unidade de um grupo. Pessoas unidas tendem a ser mais exitosas em seus intentos, mas grupos divididos não costumam ter força suficiente para alcançar desafios. Por isso o sentimento faccioso é tão importante para Satanás. Ele sabe que quando há unidade na igreja local, as pessoas oram mais umas pelas outras, são mais misericordiosas, ajudam-se e buscam sempre a solução de possíveis conflitos, de forma que a igreja fica fortalecida. Mas se uma igreja é dominada pelo espírito faccioso, não poderá crescer, mesmo que seja rica em dons e manifestações espirituais.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 106-107.
 
Tg 3.14 Sentir amarga inveja é o resultado de um zelo mal orientado que traz a agressividade. É sentir raiva pelas realizações de outras pessoas. Sempre que nós encontrarmos algum defeito em um líder, devemos nos perguntar o que está nos motivando a este sentimento tão forte a respeito do defeito desta pessoa. Será que nós não compartilhamos esta mesma fraqueza? Nós nos imaginamos melhores naquela função?
Ou, na verdade, estamos simplesmente com inveja das capacidades ou do talento que DEUS lhe permitiu ter? Uma resposta afirmativa a qualquer destas perguntas deve nos fazer tomar muito cuidado na maneira como expressamos as nossas críticas.
Aqui, como em Filipenses 2.3, o egoísmo (versão NTLH) refere-se aos líderes da igreja que estão desenvolvendo um “espírito partidário”. Isto produz facções que são favoráveis ou contrárias ao pastor ou a determinados programas, que apoiam ou não questões não necessariamente essenciais à fé cristã. O egoísmo é o desejo de viver para si mesmo e para nada ou ninguém mais, somente para aquilo que se pode aproveitar. Em um esforço para persuadir a outros, esta pessoa pode perder a razão e se tornar fanática. Tendo confiança somente no seu conhecimento, ela comporta-se de maneira arrogante e com superioridade em relação aos outros. Pessoas assim não devem se gabar como se fossem sábias, pois este é o pior tipo de mentira.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 680
 
Tg 3.14 Aqueles que têm amarga inveja e sentimento faccioso no coração (v. 14) não são humildes. Essa falha indica que eles não têm a sabedoria de DEUS da qual brota a mansidão. Essa “inveja amarga e ambição egoísta” (NVI) está em vosso coração — o âmago da pessoa, de onde se originam as ações (cf. Mt 15.19). Tiago diz: Se você encontrar esse tipo de espírito, “não se glorie disso e dessa forma esteja em rebeldia e contrário à Verdade” (NT AmpL). O apóstolo pode estar usando a verdade no seu sentido costumeiro. No entanto, em vista do significado específico que ele dá a esse termo em 1.18 e 5.19, ele pode ser entendido como sendo sinônimo da palavra evangelho. Assim “as pessoas são advertidas contra expressões e ações que contradizem ‘a fé do nosso Senhor JESUS CRISTO’” (2.1).
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 179.
 
Tg 3.14 a) “Inveja amargurada”: Tiago fala a cristãos. Quantas ciumeiras existem também em nossas igrejas e congregações! Basta que se dê um pouco de preferência a um em detrimento de outro para que de imediato se manifeste o que está dentro do ser humano. Alguém enunciou belas e devotas palavras, e basta que seja um pouco criticado sem (ou também com) motivos para que se irrite e se exalte como se o outro tivesse cometido um delito de lesa-majestade. Revela-se o que no fundo foi o importante para ele: ele mesmo e sua honra pessoal.
b) “Discórdia”: uma igreja ou congregação pode ouvir impecáveis sermões e estudos bíblicos, receber profundos conhecimentos das Escrituras, executar consideráveis tarefas diacônicas e levantar substanciais ofertas. Mas tensões e discórdias entre pessoas privam o trabalho como um todo da bênção de DEUS. Cada qual busca sua afirmação pessoal. No espírito errado, o ser humano busca a si mesmo. Nessa situação é forçoso que surjam colisões e dissensões (1Co 3.1-4).
 
Nenhuma ilusão própria e nenhuma ilusão do próximo! (v. 14)
“Portanto não vos glorieis”. Tiago diz: não se posicionem com tanta autoconfiança diante dos demais. Realmente não existe motivo para isso. – “Nem mintais…”, existe aí um espírito falso. Não enganem aos outros nem a si mesmos! “… contra a verdade”: a palavra “verdade” não apenas significa oposição à mentira no sentido de uma declaração isolada inverídica, mas algo muito mais abrangente: JESUS é “o caminho e a verdade e a vida” (Jo 14.6). Segui-lo em todas as situações: somente isso é verdadeira vida cristã. “Seguem o Cordeiro para onde quer que vá” (Ap 14.4). Qualquer outra suposta vida cristã não passa de uma grande mentira. Somente possui verdadeira sabedoria, somente pode ser verdadeiro mestre e dirigente da igreja aquele que se converteu a JESUS no sentido bíblico, que está voltado para ele e vive no discipulado dele. É assim que será dirigido pela trajetória de JESUS, o caminho de baixo, o caminho da mansidão. É assim que estará em CRISTO e CRISTO estará nele. Tudo o mais é “mentira contra a verdade” manifesta em JESUS. Por mais que alguém seja controlado e por melhor que desempenhe seu papel, não poderá impedir que aqui e acolá o “calcanhar de Aquiles” de sua velha natureza ainda se manifeste.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
 
Tg 3.14 Há uma sabedoria que vem do alto e outra que vem da terra. Há uma sabedoria que vem de DEUS e outra engendrada pelo próprio homem.
A Bíblia traz alguns exemplos da tolice da sabedoria do homem: primeiro, a torre de Babel parecia ser um projeto sábio, mas terminou em fracasso e confusão (Gn 11.9).
Segundo, pareceu sábio a Abraão descer ao Egito em tempo de fome em Canaã, mas os resultados provaram o contrário (Gn 12.10-20).
Terceiro, o rei Saul pensou que estava sendo sábio quando colocou a sua armadura em Davi (I Sm 17.38,39).
Quarto, os discípulos pensaram que estavam sendo sábios pedindo a JESUS para despedir a multidão no deserto, mas o plano de CRISTO era alimentá-la por meio deles (Mt 14.15,16).
Quinto, os especialistas em viagens marítimas pensaram que era sábio viajar para Roma e por isso não ouviram os conselhos de Paulo e fracassaram (At 27.9-11).
A sabedoria da terra tem três características; terrena, animal (não espiritual) e demoníaca.
Em primeiro lugar, ela é terrena (3.15). É a sabedoria deste mundo (I Co 1.20,21). A sabedoria de DEUS é tolice para o mundo e a sabedoria do mundo é tolice para DEUS.
A sabedoria do homem vem da razão, enquanto a sabedoria de DEUS vem da revelação. A sabedoria do homem desemboca no fracasso, a sabedoria de DEUS dura para sempre.
Augusto Comte é o pai do Positivismo. O Positivismo prega que o problema básico da humanidade é a educação.
As pessoas são más, dizem, porque são ignorantes. Desde o Iluminismo francês do século 18, o homem começou a sentir orgulho de seu conhecimento, da sua razão, de suas conquistas. Embalado pelo otimismo do humanismo idolátrico, o homem pensou em construir um paraíso na terra com as suas próprias mãos. Mas esse sonho dourado transformou-se em pesadelo. No auge do otimismo humanista, o século 20 foi sacudido por duas sangrentas guerras mundiais. A sabedoria terrena não conseguiu resolver o problema da humanidade. O homem tem conhecimento, dinheiro, poder, ciência, mas é um ser corrompido e mau, mais amante dos prazeres que de DEUS. Entregue a si mesmo, o homem é apenas um monstro, ainda que bafejado de requintado conhecimento.
Em segundo lugar, ela é animal ou não-espiritual (3.15).
A palavra grega é psykikos. Essa palavra é traduzida por natural, (ICo 2.14; 15.44,46) como oposto de espiritual.
Em Judas 19, essa palavra é traduzida como sensual. Essa sabedoria está em oposição à nova natureza que temos em CRISTO. É uma sabedoria totalmente à parte do ESPÍRITO de DEUS. Essa sabedoria escarnece das coisas espirituais. O mundo está cada vez mais secularizado. As coisas de DEUS não importam. A Palavra de DEUS não governa a vida familiar, econômica, profissional, sentimental das pessoas.
Empurramos DEUS para dentro dos templos.
Em terceiro lugar, ela é demoníaca (3.15). Essa foi a sabedoria usada pela serpente para enganar Eva, induzindo-a a querer ser igual a DEUS e fazendo-a descrer de DEUS para crer nas mentiras do diabo. As pessoas hoje continuam crendo nas mentiras do diabo (Rm 1.18-25). O diabo se transfigura em anjo de luz para enganar as pessoas. Pedro revelou essa sabedoria quando tentou induzir CRISTO a fugir da cruz (Mc 8.32,33). Norman Champlin sintetiza esses três tipos trágicos de sabedoria da seguinte maneira: Essa sabedoria é “terrena” porque busca distinções terrenas e pertence a categorias terrenas. Além disso, ela é sensual, isto é, natural, porque é o resultado de princípios que atuam sobre os homens naturais, como a inveja, a ambição, o orgulho, etc.
Finalmente, ela é demoníaca, porque, primeiramente, veio do diabo, constituindo a imagem mesma de seu orgulho, de sua ambição, de sua malignidade e de sua falsidade.
Agora, Tiago fala sobre a sabedoria do alto. A verdadeira sabedoria vem de DEUS, do alto, visto que ela é fruto de oração (1.5), ela é dom de DEUS (1.17). Essa sabedoria está em CRISTO: Ele é a nossa sabedoria (I Co 1.30). Em JESUS nós temos todos os tesouros da sabedoria (Cl 2.3). Essa sabedoria está na Palavra, visto que ela nos torna sábios para a salvação (2Tm 3.15). Ela nos é dada como resposta de oração (Ef 1.17; Tg 1.5).
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 72-75.
 
3. Sabedoria do alto e sabedoria diabólica (v. 15).
Tg 3.15 A origem e os padrões deste tipo de sabedoria são do mundo, e não de DEUS. Os seus professores são egocêntricos e superficiais. Esta sabedoria não vem com a fé - ela é terrena e animal. “Animal” pode se referir ao homem natural. A palavra para “animal” é usada no Novo Testamento a respeito da pessoa que não tem o ESPÍRITO de DEUS (3.15), ou que não aceita a orientação que vem do ESPÍRITO de DEUS (I Co 2.14). Este tipo de pessoa ensina somente a sabedoria desta vida, baseada unicamente nos sentimentos humanos e no raciocínio humano. A verdadeira origem destes pensamentos é o diabo, cujos objetivos são sempre destrutivos e podem produzir na igreja, no lar e no trabalho uma atmosfera que prejudica os relacionamentos. Pense na rapidez com que as palavras, a linguagem e o tom de voz podem criar uma atmosfera destrutiva.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 680
 
Tg 3.15 Essa [...] sabedoria (v. 15) — o espírito errado que Tiago descreve no versículo 14 — não vem do alto. Inveja e ambição egoísta não são os frutos de uma vida cheia de DEUS. Há uma progressão decrescente na descrição do apóstolo acerca da origem dessas atitudes. Essa sabedoria é terrena em contraste com a celestial. Ela reflete uma preocupação com os valores passageiros em vez da preocupação com as coisas de DEUS (cf. Jo 8.23; Fp 3.19). Esse espírito é animal. A KJV traz “sensual” e a ASV traz “natural” na margem.
“O grego é psychikos, que descreve o homem como ele é em Adão (i.e., ‘natural’) em contraste com pneumatikos (‘espiritual’)”. O termo é, às vezes, entendido como quase equivalente a “carnal” ou “mundano”.
Tiago alcança o grau máximo na descrição das atitudes más de egoísmo e discórdia quando as chama de diabólica[s] (daimoniodes), i.e., procedendo de Satanás e assemelhando-se ao espírito de demônios.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 179.
 
Tg 3.15 “Essa sabedoria não vem do alto”: DEUS está “em cima”, não no sentido de que isso seja um lugar diferente, longe de nós (“nele vivemos, existimos e somos” – At 17.28), mas no sentido da suprema importância (cf. o comentário a Tg 1.17). Onde existe ciúme e discórdia e onde as pessoas buscam a si mesmas não há o ESPÍRITO de DEUS, por mais belo e devoto que seja o palavreado.
Esse espírito e essa sabedoria são:
a) “terrenos”, ou seja, são espírito e sabedoria da terra, entendida como moradia da humanidade pecaminosa. “Terra” ocorre aqui no sentido de “mundo” (Tg 1.27). O mundo tem esse estranho semblante duplo: a nobreza como criação de DEUS e a mácula do pecado. Está inundado de outro espírito. “O mundo jaz no maligno” (1Jo 5.19). JESUS fala do diabo como o “príncipe deste mundo” (Jo 12.31; 14.30; 16.11). O ser humano acompanha a correnteza da mentalidade e da natureza do mundo.
b) “Da alma”, em grego psychikós. A palavra se refere ao ser humano natural e seu modo de ser. Tiago emprega o mesmo termo que Paulo em 1Co 2.14. Lá ele afirma que o ser humano “psíquico”, “natural”, “carnal” não percebe nada do ESPÍRITO de DEUS. O ser humano carnal não está apenas no mundo, o mundo é que está nele. Sua natureza é totalmente determinada pelo modo de ser do mundo.
c) “Diabólicos”, literalmente “demoníacos”: “terrena” é a sabedoria do mundo que cerca o ser humano. “Psíquica” é a sabedoria vinda do próprio coração. “Diabólicos” são espírito e sabedoria vindos “de baixo”, que contaminam o ser humano com o orgulho, a autocracia e o amor próprio do inimigo (de Gn 3.5 a Ap 13.6).
Quando nos esquivamos do ESPÍRITO do alto, de sua disciplina e orientação, abrimo-nos para o espírito de baixo. Quando nos fechamos para DEUS, abrimo-nos para o inimigo. Quando, porém, buscamos estar abertos para DEUS, fechamo-nos para o inimigo. Ambas as coisas estão praticamente “aliadas” uma à outra. Em outro local Tiago afirma: “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós; chegai-vos a DEUS, e ele se chegará a vós” (Tg 4.7s).
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
 
Pv 9.10 - O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, A parte inicial deste versículo reitera um tema e uma declaração central do livro de Provérbios. Ver Pro. 1.7 quanto ao temor do Senhor, Quanto a essa mesma declaração no livro de Salmos, ver 119,38. No Antigo Testamento, essa expressão era um sinônimo para a espiritualidade.
Neste caso, a palavra para “princípio” é tehiiiah, que é o primeiro princípio da sabedoria, ou seja, o preceito ou princípio com o qual se inicia toda a sabedoria — a reverência pelo Senhor. A declaração paralela faz o conhecimento do SANTO ser o princípio da sabedoria, A sabedoria consiste no entendimento, na aplicação da sabedoria à vida do indivíduo. Ver Pv.1.2 sobre o entendimento. Quanto ao SANTO de Israel, ver Sl 30.4 e 33,21.
O SANTO (chamado exatamente assim, forma encontrada somente aqui e em Pv 30.3) é Aquele que nos dá discernimento espiritual sobre o que é exatamente a vida espiritual. E o Seu nome, SANTO, significa que o temor do Senhor resultará em um andar santo, por parte de Seu povo. Ter conhecimento do SANTO é andar na santidade, de acordo com as instruções da lei mosaica. É esse andar correto que é o temor do Senhor. Cf. Is. 11.2, “o espírito do conhecimento".
Este versículo tem sido cristianizado para falar sobre CRISTO, que é a nossa sabedoria (ver I Cor. 1.30), e o crente anda segundo os ensinamentos de CRISTO.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2582.
 
II - ONDE PREVALECEM A INVEJA E SENTIMENTO FACCIOSO, PREVALECE TAMBÉM O MAL (Tg 3.16)
1. A maldade do coração humano.
Uma das questões mais difíceis com que temos de lidar é a capacidade de o coração humano ser mal. Há muitos gestos de bondade, generosidade e altruísmo ao longo da história em todas as culturas, mas há muito mais registros da capacidade má do homem agindo tanto em grupo quanto individualmente.
A maldade humana se desenvolve na mais tenra idade, e não são poucos os atos maldosos cometidos por crianças e adolescentes. Gênesis 8.21 fala: “E o SENHOR cheirou o suave cheiro e disse o SENHOR em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como fiz”. É importante que saibamos desse detalhe para que invistamos na apresentação do evangelho também para as crianças, a fim de que ainda pequenas tenham a oportunidade de conhecer a JESUS CRISTO e receberem a salvação.
A maldade do coração humano é vista não apenas entre as pessoas que não conheciam ao Senhor, mas igualmente entre o povo de Israel. Jeremias, usado por DEUS, reclamou com os habitantes de Jerusalém sobre suas atitudes: “Lava o teu coração da malícia, ó Jerusalém, para que sejas salva; até quando permanecerão no meio de ti os teus maus pensamentos?” (Jr 4.14). Até entre o povo de DEUS houve manifestação de maldades e de pensamentos ruins. Jeremias ainda reitera a capacidade má que o coração humano possui: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” (Jr 17.9). Mas o mesmo Jeremias, depois de advertir da existência da perversidade do coração humano, declara também o resultado dela: “Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isso para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações” (Jr 17.10).
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 107-108.
 
CORAÇÃO
Uso Geral
Coração. Nas páginas da Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamentos, é o vocábulo mais completo para indicar todas as faculdades humanas, como os sentimentos (ver Rom. 9:2), a vontade (ver I Cor. 4:5) e o intelecto (ver Rom. 10:6). e assim apontado o homem interior, o homem essencial, aquela porção da personalidade humana que possui os meios naturais através dos quais todo o homem deveria elevar seu conhecimento de DEUS a níveis mais altos, em gratidão. Todavia, é justamente o coração que se torna obscurecido. O «coração» pode ser o lar do ESPÍRITO SANTO (ver Rom, 5:5), ou a maldade pode dominar ali (ver Rom, 1:24). A passagem de Mar. 7:21 e ss , alista os vicias que podem proceder do homem interior, ali também chamado de -"coração".
A Perversão de Rom. 1:21 descreve de forma abreviada como as faculdades naturais do homem, que lhe permitem vir a conhecer a DEUS e a ter comunhão natural com ele, foram pervertidas, através de uma degeneração progressiva, mediante a rejeição proposital do conhecimento de DEUS e da distorção da verdade, tudo o que faz parte do misterioso e primeiro deslocamento do homem para fora da harmonia original que ele desfrutava com DEUS.
O homem só tem razão quando pensa corretamente, e só pensa corretamente se está em harmonia com o Criador.
Antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, Rom, 1:21.
A palavra nulos, neste caso, significa «inúteis» «vãos", «vazios». «A compreensão humana foi reduzida a trabalhar em um 'vácuo'. De certo modo se tomou fútil. (Godet em Rom, 1:21).
Ou, conforme diz Vincent. «Suas ideias perderam o valor intrínseco, correspondente à verdade».
O vocábulo e vaidade, nos contextos judaicos (o que também deve ser verdade nos escritos de Paulo), diz respeito às práticas e tendências idólatras dos homens, os quais loucamente, em lugar do DEUS vivo, colocam alguma outra coisa, usualmente uma imagem de escultura, feita por seus próprios dedos, ainda que isso também possa ser expresso na forma da adoração aos corpos celestes, em lugar de adoração ao próprio criador dos corpos celestes, (Ver ler. 2:5; 11 Reis 17:15 e Atos 14:15).
Raciocínios. Alguns intérpretes preferem a tradução alternativa - imaginações, o que se referia à intranquilidade da mente depravada, que começa por inventar ideias, por especular, por raciocinar, mas tudo com resultados negativos, pervertendo tão somente qualquer luz à verdade que porventura já possua a «verdade humana» que os homens substituem pela «verdade de DEUS». A verdade dos homens leva os homens à perversão moral, conforme se vê tão patentemente no nosso mundo atual. Os males, portanto, exercem um efeito cumulativo, e isso concorda com a experiência humana.
Tudo isso esclarece por quais razões e como os homens são inescusáveis. Os próprios homens fizeram descer o dilúvio sobre eles, e isso deu inicio a um espírito de ingratidão.
«A injustiça deles consiste nisso – imediatamente afogaram, por sua própria depravação, a semente. Do correto conhecimento, antes que esta pudesse amadurecer. (Calvino).
Quanto a essa verdade bíblica podemos examinar um trecho paralelo no livro apócrifo de Enoque 99:8,9, onde também se reflete a ideia e a mentalidade judaica sobre essa questão: «E eles 'os homens' tornar-se-ão ímpios em razão da insensatez de seus corações e seus olhos serão cegos pelo temor que haverá em seus corações, bem como através das visões de seus sonhos. Mediante essas coisas se tomarão ímpios e temerosos, porquanto fazem todas as suas obras na mentira, e adoram uma pedra.
A Variedade de uso da palavra
1. Como paralelo de «inteligência» (ver Rom. 1:21: II Cor. 3:15; 4:6 e Efé. 1:18).
2. Como equivalente a escolha moral (ver I Cor. 7:37 e n Cor. 9:7).
3. Como algo que dá impulso e caráter às ações (ver Rom. 6:17; Efé. 6:6: I Cor. 3:3; I Tim. 1:5 e 11 Tito. 2:22). A obra da lei está escrita no coração do homem (ver Rom. 2:15). A igreja em Corinto foi inscrita como epístola de CRISTO, em corações de carne (ver 11 Cor. 2:23).
4. Especificamente, o coração é a sede do ESPÍRITO divino (ver Gal. 4:6; Rom. 5:5; 11 Cor. 1:22). Essa é a esfera das diversas operações, orientações, consolos e confirmações do ESPÍRITO SANTO (ver Fil. 4:7;: Cal. 3:15: I Tes. 3:13; 11Tes. 2:17 e 3:5). O coração igualmente é a sede da fé e o órgão do louvor espiritual (adoração)'. (ver Rom. 10:9; Efé. 5:19; Col. 3:16).
5. O coração equivale ao homem interior (ver Efé. 3:16,17).
Assim, pois, podemos falar sobre o homem essencial, o homem real, que é a alma humana, em contraste com o mero homem físico, o homem animal.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 899.
 
Mt 20.24,25 Os outros dez discípulos indignaram-se com o fato de que Tiago e João tivessem tentado usar o seu relacionamento com JESUS para obter as posições mais altas. Por que tanta ira? Provavelmente porque todos os discípulos desejassem honra no reino. Talvez Pedro, dominado pelo seu gênio, estivesse liderando os dez discípulos indignados, pois ele era o terceiro, juntamente com Tiago e João no grupo mais próximo a JESUS. Isto provavelmente parecia como um verdadeiro desprezo a ele. As atitudes dos discípulos degeneraram em pura inveja e rivalidade. JESUS imediatamente corrigiu suas atitudes, pois eles nunca realizariam a missão para a qual tinham sido chamados se não amassem e servissem uns aos outros, trabalhando juntos para o bem do reino. Assim, JESUS pacientemente reuniu os seus discípulos e explicou-lhes a diferença entre os reinos que eles viam no mundo e o reino de DEUS, que eles ainda não tinham experimentado.
Os reinos dos gentios (um exemplo óbvio era o império romano) têm líderes que dominam o povo, exercendo autoridade e exigindo submissão (veja 1 Pedro 5.1-3). Nos reinos gentios, a grandeza das pessoas depende da sua posição social ou do nome da família. Mas JESUS explicou que o seu reino seria completamente diferente.
Mt 20.26-28 Em uma frase, JESUS ensinou a essência da verdadeira grandeza: Todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal. A grandeza é determinada pelo serviço. O verdadeiro líder coloca as suas necessidades em último lugar, como JESUS exemplificou na sua vida e na sua morte. Ser um “servo” não significa ocupar uma posição servil, mas sim ter uma atitude na vida que atende livremente às necessidades dos outros sem esperar nem exigir nada em troca. Os líderes que são servos apreciam o valor dos outros e percebem que não são superiores a ninguém; eles também entendem que o seu trabalho não é superior a nenhum outro trabalho. Procurar honra, respeito e atenção dos outros vai em direção contrária às exigências de JESUS para os seus servos. JESUS descreveu a liderança a partir de uma nova perspectiva. Ao invés de usar as pessoas, nós devemos servi-las. A missão de JESUS era servir aos outros e dar a sua vida por eles. Um verdadeiro líder tem o coração de um servo. Os discípulos devem estar dispostos a servir porque o seu Mestre deu o exemplo. JESUS explicou que Ele não veio para ser servido, mas para servir a outros. A missão de JESUS era servir — em última análise, dando a sua vida para salvar a humanidade pecadora. A sua vida não foi “tomada”, Ele a “deu”, oferecendo-a como sacrifício pelos pecados do povo. Um resgate era o preço pago para libertar um escravo da escravidão. JESUS pagou um resgate por nós, e o preço exigido foi a sua vida. JESUS tomou o nosso lugar, Ele morreu a morte que nós mereceríamos.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 123-124.
 
Aqui estão a repreensão e a instrução que CRISTO deu aos outros dez discípulos, diante do desprazer que demonstraram pelo pedido de Tiago e João. O Senhor teve de suportar muitas fraquezas por parte de todos eles, que eram muito fracos no conhecimento e na graça; no entanto, Ele os suportou com amor.
1. A irritação causada aos dez discípulos (v. 24):
“Indignaram-se contra os dois irmãos”; não porque desejassem ser preferidos antes deles que foi o pecado de Tiago e João, pelo qual CRISTO se entristeceu, mas porque queriam ter a honra para si mesmos, o que revelava descrédito em relação aos dois irmãos. Muitos parecem ter uma indignação pelo pecado; porém, não a sentem pelo pecado em si, mas porque tal pecado os toca. Eles se indignarão contra um homem que amaldiçoa; mas somente o farão se ele lhes amaldiçoar, e lhes afrontar, não porque tal homem esteja desonrando a DEUS. Esses discípulos estavam com raiva da ambição de seus irmãos, embora eles mesmos fossem igualmente ambiciosos. É comum que as pessoas se enfureçam com os pecados dos outros, os quais elas permitem e toleram em si mesmas. Aqueles que são orgulhosos e cobiçosos não gostam de ver outros assim. Nada causa mais dano entre irmãos, ou é a causa de mais indignação e contenda, do que a ambição e o desejo de grandeza. Nós nunca encontramos os discípulos de CRISTO discutindo; mas eles enfrentaram uma situação de contenda nessa ocasião.
2. A correção que CRISTO lhes fez foi muito suave, por meio da instrução sobre o que eles deveriam ser, e não por meio da repreensão pelo que eles eram. Ele havia reprovado esse mesmo pecado antes (cap. 18.3), e lhes dissera que deveriam ser humildes como crianças pequenas; no entanto, eles reincidiram nesse pecado, mas CRISTO os repreendeu de forma moderada. “Então, JESUS, chamou-os para junto de si”, o que sugere um grande carinho e familiaridade. Ele não lhes ordenou, com raiva, que saíssem de sua presença, mas os chamou, com amor, para virem à sua presença. Ele está sempre pronto a ensinar, e nós somos convidados a aprender dele, porque ele é “manso e humilde de coração”.
O que Ele tinha a ensinar dizia respeito tanto aos dois discípulos como aos outros dez; portanto, ele reúne todos. E lhes diz que enquanto estavam perguntando qual deles deveria ter o domínio em um reino temporal, não havia realmente tal domínio reservado para nenhum deles. Porque:
(1) Eles não deveriam ser como os “príncipes dos gentios”. Os discípulos de CRISTO não deveriam ser como os gentios, nem como os príncipes dos gentios. O principado não torna ninguém ministro, da mesma forma que o “gentilismo” não torna ninguém cristão.
Observe: [1] Qual é a maneira dos príncipes dos gentios (v. 25): exercer domínio e autoridade sobre aqueles que lhes são sujeitos (mesmo que só possam alcançar o domínio com mão forte), e uns sobre os outros também. O que os sustenta nessa posição é que eles são grandes, e os homens grandes acham que podem fazer qualquer coisa. Domínio e autoridade são as grandes coisas que os príncipes dos gentios procuram, e de que se orgulham; eles deteriam o poder, venceriam todas as dificuldades, teriam todos sujeitos a si, e todo feixe inclinado ao deles.
Eles queriam ter a seguinte proclamação diante de si: “Inclinai-vos”; como Nabucodonosor, que matava, e deixava viver, ao seu bel-prazer. [2] Qual é a vontade de CRISTO com relação aos seus apóstolos e ministros, nesta questão. Em primeiro lugar: ‘“Não será assim entre vós’. A constituição do reino espiritual é bem diferente dessa. Deveis ensinar os súditos desse reino, instruí-los e exortá-los, aconselhá-los e consolá-los, esforçarem-se com eles, e sofrer com eles, não exercer domínio e autoridade sobre eles; não ter ‘domínio sobre a herança de DEUS’ (1 Pe 5.3), mas trabalhar em benefício dela” . Isto proíbe não só a tirania e o abuso de poder, mas a reivindicação ou o uso de qualquer autoridade secular, como os príncipes dos gentios legitimamente exercem. E tão difícil para os homens vaidosos, mesmo para os homens bons, terem tal autoridade, e não ficarem envaidecidos com ela, e fazerem mais mal do que bem com ela, que nosso Senhor JESUS considerou necessário bani-la totalmente da igreja. Até mesmo o apóstolo Paulo rejeita o domínio sobre a fé de qualquer pessoa (2 Co 1.24). A pompa e a grandeza dos príncipes dos gentios não convém aos discípulos de CRISTO. Então, se o poder e a honra não foram planejados para estar na igreja, era uma insensatez deles estarem disputando quem deveria tê-los. Eles não sabiam o que pediam.
Em segundo lugar, então qual será o relacionamento entre os discípulos de CRISTO? O próprio CRISTO havia sugerido uma grandeza entre eles, e aqui Ele explica: “Todo aquele que quiser, entre vós, fazer-se grande, que seja vosso serviçal; e qualquer que, entre vós, quiser ser o primeiro, que seja vosso servo” (w. 26,27). Observe aqui:
1. Que é dever dos discípulos de CRISTO servirem uns aos outros, para a edificação mútua. Isto inclui tanto a humildade como a utilidade. Os seguidores de CRISTO devem estar prontos a se submeter aos ofícios de amor mais inferiores para o bem mútuo; devem ser sujeitos uns aos outros (1 Pe 5.5; Ef 5.21), para a edificação de uns para com os outros (Rm 14.19), agradar ao seu próximo para o bem (Rm 15.2). O grande apóstolo se comportou como servo de todos (veja 1 Co 9.19).
2. A dignidade dos servos de CRISTO está relacionada ao fiel cumprimento dessa obrigação. O modo de ser grande, e o primeiro, é ser humilde e servil. Esses serão mais considerados e mais respeitados na igreja, e será assim para todos aqueles que entenderem as coisas de forma correta. Os mais honrados não são aqueles que são dignificados com nomes elevados e poderosos, como os nomes dos grandes na terra, que aparecem em pompa, e assumem para si mesmos um poder proporcional; os mais honrados serão aqueles que forem mais humildes e que mais renunciarem a si mesmos, aqueles que mais planejarem fazer o bem, embora diminuam a si mesmos.
Esses honram mais a DEUS, e a esses Ele honrará. Assim como o que quer ser sábio deve se fazer de tolo, quem quiser ser o primeiro deverá se comportar como servo. O apóstolo Paulo foi um grande exemplo disso; ele trabalhou mais abundantemente do que todos tornou-se (como diriam alguns) um escravo do seu trabalho.
E ele não é o primeiro? Não o chamamos por unanimidade de “o grande apóstolo”, embora ele se autodenomine o menor entre os menores? E talvez o nosso Senhor JESUS estivesse pensando em Paulo quando disse: “Haverá derradeiros que serão primeiros”; porque Paulo nasceu fora do tempo devido, como um abortivo (1 Co 15.8); ele não foi apenas o filho mais novo da família dos apóstolos, mas, póstumo, tornou-se o maior dentre eles.
E talvez fosse para ele que o primeiro posto de honra no reino de CRISTO estivesse reservado e preparado por DEUS Pai, e não para Tiago e João, que o buscaram. Portanto, antes de Paulo começar a ser famoso como um apóstolo, a Providência o ordenou, de forma que Tiago foi excluído (At 12.2).
(2) Eles devem ser como o próprio Mestre; e é muito apropriado que eles o fossem, pois, enquanto estivessem no mundo, deveriam ser como Ele foi quando estava no mundo. Porque para ambos o estado atual é um estado de humilhação; a coroa e a glória estavam reservadas para ambos no estado futuro. Eles precisavam considerar que “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos” (v. 28). O nosso Senhor JESUS aqui se coloca diante dos seus discípulos como um padrão de duas qualidades anteriormente recomendadas: a humildade e a utilidade.
[1] Nunca houve um exemplo de humildade e condescendência como houve na vida de CRISTO, que não veio para “ser servido, mas para servir”. Quando o Filho de DEUS entrou no mundo - o Embaixador de DEUS para os filhos dos homens alguém poderia pensar que Ele deveria ser servido, que deveria ter se apresentado em um aparato que estivesse de acordo com a sua pessoa e caráter; mas Ele não fez isso; Ele não agiu como uma celebridade, Ele não teve nenhum séquito pomposo de servos de Estado para servi-lo, nem se vestiu em túnicas de honra, porque tomou sobre si a “forma de servo”. Ele, na verdade, viveu como um homem pobre, e isto fez parte da sua humilhação. Houve pessoas que o serviram com as “suas fazendas” (Lc 8.2,3); mas Ele nunca foi servido como um grande homem. Ele nunca tomou a pompa sobre si, não foi servido em mesas, como um dos grandes deste mundo. JESUS, certa vez, lavou os pés dos seus discípulos, mas nunca lemos que eles tenham lavado os pés dele. Ele veio para ajudar a todos quantos estivessem em aflição. Ele se fez servo para os doentes e debilitados; estava pronto para atender aos seus pedidos como qualquer servo estaria pronto para atender à ordem do seu senhor, e se esforçou muito para servi-los. O Senhor JESUS serviu continuamente visando este fim, negando a si até mesmo o alimento e o descanso para cumprir essa tarefa.
[2] Nunca houve um exemplo de beneficência e utilidade como houve na morte de CRISTO, que “deu a sua vida em resgate de muitos”. Ele viveu como um servo, e fez o bem; mas morreu como um sacrifício, e com isso Ele fez o maior bem de todos. Ele entrou no mundo com o propósito de dar a sua vida em resgate; isto estava primeiro em sua intenção. Os aspirantes a príncipes dos gentios fizeram da vida de muitos um resgate para a sua própria honra, e talvez um sacrifício para a sua própria diversão. CRISTO não age assim; o sangue daqueles que lhe são sujeitos é precioso para Ele, e Ele não é pródigo nisso (SI 72.14); mas, ao contrário, Ele dá a sua honra e a sua vida como resgate pelos seus súditos. Note, em primeiro lugar, que JESUS CRISTO sacrificou a sua vida como um resgate. A nossa vida perdeu o direito nas mãos da justiça divina por causa do pecado. CRISTO, entregando a sua vida, fez a expiação pelo pecado, e assim nos resgatou. Ele foi feito “pecado” e uma “maldição” por nós, e morreu, não só para o nosso bem, mas “em nosso lugar” (At 20.28; 1 Pe 1.18,19). Em segundo lugar, foi um resgate por muitos.
Esses muitos eram a sua semente, pela qual a sua alma sofreu (Is 53.10,11). “De muitos”, assim eles serão quando forem reunidos, embora parecessem então um pequeno rebanho.
Então esse é um bom motivo para não disputarmos a precedência, porque a cruz é a nossa bandeira, e a morte do nosso Senhor é a nossa vida. Esse é um bom motivo para pensarmos em fazer o bem, e, em consideração ao amor de CRISTO ao morrer por nós, não hesitarmos em “sacrificar as nossas vidas pelos irmãos” (1 Jo 3.16). Os ministros devem estar mais ansiosos do que os outros para servir e sofrer pelo bem das almas, como o bendito apóstolo Paulo estava (At 20.24; Fp 2.17). Quanto mais interessados, favorecidos e próximos estivermos da humildade e da humilhação de CRISTO, mais prontos e cuidadosos estaremos para imitá-las.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 260-262.