08 abril 2026

Escrita Lição 3, CPAD, A Impaciência na Espera do Cumprimento da Promessa, 2Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

Escrita Lição 3, CPAD, A Impaciência na Espera do Cumprimento da Promessa, 2Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

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ESBOÇO DA LIÇÃO

I – O PAI DA FÉ E A TENTATIVA DE AJUDAR A DEUS

1. O plano para “ajudar” a DEUS  

2. Abrão aceita o plano de Sarai

3. Agar zomba de Sarai

II – AS CONSEQUÊNCIAS DE AGIR POR CONTA PRÓPRIA

1. Conflito familiar  

2. A fuga de Agar

3. DEUS entra em ação  

III – O DEUS QUE CONDUZ A HISTÓRIA

1. O DEUS que ouve e vê 

2. Tudo conforme a sua soberana vontade  

3. O cuidado de DEUS em todo o tempo   

 

TEXTO ÁUREO

 “E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.” (Gn 16.2)

 

VERDADE PRÁTICA

 A impaciência é antagônica a fé, por isso não devemos ser dominados por ela. DEUS é fiel e cumpre com suas promessas no tempo certo.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Gn 16.2 Sarai dá lugar à impaciência

Terça - 1 Pe 5.7 Lançar a ansiedade sobre DEUS

Quarta - Sl 40.1 Esperar com paciência no Senhor

Quinta - Rm 12.12 Pacientes na tribulação

Sexta - 2 Pe 3.9 DEUS é longânimo

Sábado – 1 Ts 5.14 Devemos ser pacientes para com todos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Gênesis 16.1-16

1 - Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.

2 - E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

3 - Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã.

4 - E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

5 - Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O SENHOR julgue entre mim e ti.

6 - E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face.

7 - E o Anjo do SENHOR a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur.

8 - E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora.

9 - Então, lhe disse o Anjo do SENHOR: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos.

10 - Disse-lhe mais o Anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será contada, por numerosa que será.

11 - Disse-lhe também o Anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição.

12 - E ele será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.

13 - E ela chamou o nome do SENHOR, que com ela falava: Tu és DEUS da vista, porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê?

14 - Por isso, se chama aquele poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e Berede.

15 - E Agar deu um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que tivera Agar, Ismael. 

16 - E era Abrão da idade de oitenta e seis anos, quando Agar deu Ismael a Abrão.

 

HINOS SUGERIDOS : 8, 188, 302 da Harpa Cristã

 

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SUBSÍDIOS EXTRAS – LIVROS, REVISTAS ANTIGAS E GOOGLE

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RESUMO RÁPIDO Pr. Henrique

 

INTRODUÇÃO

Esta Lição reflete sobre o contraste entre confiar no tempo de DEUS e a tendência humana de tentar “dar um jeito” para que as promessas se cumpram mais rápido. A partir do relato de Gênesis 16 e 21, acompanhamos como a pressa de Abraão e Sara ao recorrerem a Agar gerou tensões, feridas e consequências duradouras, e, ao mesmo tempo, como DEUS permaneceu soberano, vendo, ouvindo e cuidando mesmo no deserto. Ao longo do texto, veremos (I) a fé de Abraão e a tentativa de “ajudar” a DEUS, (II) os efeitos de agir por conta própria e (III) o DEUS que conduz a história e sustenta Seus propósitos.

 

I – O PAI DA FÉ E A TENTATIVA DE AJUDAR A DEUS

A história de Abraão, conhecido como o "pai da fé", é marcada por uma profunda confiança em DEUS, mas também por momentos de fraqueza humana, onde tentou "ajudar" a DEUS a cumprir Suas promessas. Esse episódio, envolvendo Agar e Ismael, destaca a diferença entre a fé paciente e a pressa humana. 

A Promessa e a Impaciência
DEUS prometeu a Abraão uma grande nação e um descendente, promessa feita quando ele já era idoso. No entanto, o tempo passou e Sara, sua esposa, continuou estéril. A falta de visão dos meios que DEUS usaria levou Abraão e Sara a tentarem facilitar as coisas. 

A "Ajuda" Humana: Agar e Ismael

·        O Plano: Sara sugeriu que Abraão tivesse um filho com sua serva egípcia, Agar, para que a promessa se cumprisse através dela.

·        O Ato: Abraão aceitou a sugestão, gerando Ismael aos 86 anos.

·        A Consequência: Essa tentativa de contornar o tempo de DEUS gerou conflitos familiares imediatos entre Sara e Agar, e problemas geracionais. Abraão chegou a acreditar que Ismael era o herdeiro da promessa, mas DEUS revelou que o filho da promessa viria de Sara. 

Lições da Tentativa de Ajudar a DEUS

1.    DEUS não precisa de ajuda: A tentativa de Abraão mostrou que acreditar que DEUS fará as coisas "do nosso jeito" ou no nosso tempo não é a fé que Ele pede.

2.    A Fiel Espera: A verdadeira fé consiste em esperar no Senhor, mesmo quando a situação parece impossível, pois Ele cumpre sua palavra à Sua própria maneira.

3.    Consequências da Desconfiança: A pressa de Abraão gerou um "Ismael" (esforço humano), enquanto a promessa de DEUS era "Isaque" (milagre divino), resultando em consequências duradouras, mas DEUS manteve Sua aliança com o filho da promessa. 

Para gerar Ismael Abrão esperou 11 anos

Para gerar Isaque Abrão esperou 25 anos

 

1. O plano para “ajudar” a DEUS  

O plano de Abrão e Sarai para “ajudar” a DEUS foi uma tentativa humana de acelerar a promessa do herdeiro. Diante da esterilidade de Sarai e da idade avançada, ela sugeriu que Abrão tivesse um filho com Agar, sua serva egípcia — e assim nasceu Ismael.

Detalhes do Plano e Consequências (Gênesis 16):

·        A Motivação: Após dez anos vivendo em Canaã sem filhos, a impaciência e as circunstâncias desfavoráveis levaram o casal a buscar um "atalho" para a promessa divina.

·        O Plano: Sarai entregou sua serva Agar para ser concubina de Abrão.

·        A Execução: Abrão concordou com a sugestão de sua esposa e teve relações com Agar.

·        O Resultado: Agar engravidou, o que gerou desprezo por parte da serva e conflitos familiares intensos, resultando no maltrato de Agar por Sarai e sua fuga inicial. 

Esse episódio evidencia a dificuldade do casal em esperar pelo tempo de DEUS, escolhendo métodos humanos para “apressar” a promessa.

 

2. Abrão aceita o plano de Sarai

Em Gênesis 16, o texto resume a decisão de Abrão com simplicidade: ele concorda com Sarai e se une a Agar. A gravidez de Agar acirra o conflito dentro da casa e expõe o preço da pressa.

Detalhes do Plano de Sarai e a Reação de Abrão:

·        A Proposta: Sarai justifica a ação dizendo que o Senhor a impediu de dar à luz e sugere que, ao deitar-se com sua serva, ela possa "construir uma família" através dela.

·        A Aceitação: O texto bíblico afirma que "Abrão concordou com o plano de Sarai".

·        As Consequências: Quando Agar engravida, passa a olhar com desprezo para Sarai. Sarai reclama com Abrão, que responde: "Está bem. Agar é sua escrava, você manda nela. Faça com ela o que quiser".

·        O Resultado: Sarai passa a maltratar Agar, que foge para o deserto, mas depois é instruída pelo Anjo do Senhor a voltar. 

Este episódio reflete uma tentativa humana de acelerar a promessa de DEUS, resultando em tensões familiares que se estenderam no tempo. 

 

3. Agar zomba de Sarai

Em Gênesis 16, Agar, serva egípcia de Sarai, passa a desprezar sua senhora após engravidar de Abrão, gerando tensões familiares. Com o aval de Abrão, Sarai oprime Agar, que foge para o deserto, onde é instruída pelo Anjo do Senhor a retornar e se submeter. Mais tarde, Ismael, filho de Agar, zomba de Isaque, resultando na expulsão definitiva de ambos.

Pontos-chave do conflito em Gênesis 16 e 21:

·        A causa do desprezo: Ao engravidar de Abrão, Agar sente-se superior à sua senhora, Sarai, que permanecia estéril.

·        O desprezo (Zombaria): Agar passa a tratar Sarai com desdém e insolência, quebrando a hierarquia.

·        Reação de Sarai: Sarai sente-se ofendida, perde a paciência e humilha Agar, levando-a a fugir para o deserto.

·        Intervenção Divina: O Anjo do Senhor encontra Agar no deserto e ordena que ela volte e se submeta a Sarai.

·        Zombaria Posterior (Gn 21): Anos mais tarde, na festa de desmame de Isaque, Sara vê Ismael, filho de Agar, zombando de seu filho, o que motiva a expulsão A história destaca o conflito entre a promessa divina e as tentativas humanas de resolvê-la, resultando em profunda rivalidade.

 

II – AS CONSEQUÊNCIAS DE AGIR POR CONTA PRÓPRIA

1. Conflito familiar  

O conflito familiar envolvendo Abraão (originalmente Abrão), Sarai (mais tarde Sara) e Agar é um dos relatos mais tensos e complexos do livro de Gênesis (capítulos 16 e 21), destacando as consequências da tentativa humana de cumprir uma promessa divina através de métodos culturais da época. 

Aqui estão os pontos centrais desse conflito:

·        A Origem do Conflito (Ação de Sarai): Sendo estéril e avançada em idade, Sarai propôs que Abraão tivesse um filho com sua serva egípcia, Agar, seguindo um costume da época para garantir descendência.

·        O Desprezo e a Inveja: Após engravidar, Agar passou a desprezar Sarai, o que gerou ciúmes e raiva em sua senhora. Sarai sentiu-se afrontada e, por conta própria, permitiu que Abraão assumisse a responsabilidade pela serva, o que resultou em maus-tratos por parte de Sarai quando esta se sentiu desrespeitada.

·        Fuga de Agar: Devido aos maus-tratos de Sarai, Agar fugiu para o deserto, onde foi encontrada pelo "Anjo do Senhor", sendo a primeira mulher a receber uma aparição divina na Bíblia. DEUS a ordenou retornar e prometer que sua descendência seria numerosa, chamando seu filho de Ismael ("DEUS ouve").

·        A Tensão entre os Filhos (Ismael e Isaque): Após o nascimento de Isaque, filho da promessa de Abraão e Sara, a tensão aumentou. Agar, ao ver Isaque, teria debochado, o que levou Sara a exigir a expulsão de Agar e Ismael para que não dividissem a herança.

·        A Posição de Abraão: Abraão ficou muito angustiado com o conflito, mas DEUS lhe ordenou que atendesse ao pedido de Sara, garantindo, no entanto, que faria também de Ismael uma grande nação. 

Consequências:
O conflito resultou na separação permanente da família. Agar e seu filho Ismael tornaram-se nômades no deserto, e Sara garantiu que Isaque fosse o único herdeiro direto de Abraão. Historicamente, essa narrativa é interpretada como um conflito entre o tempo de DEUS e a precipitação humana, além de gerar duas linhagens distintas.

 

2. A fuga de Agar

A fuga de Agar, narrada em Gênesis 16, ocorreu quando ela, serva egípcia de Sara e grávida de Abraão, foi maltratada por Sara devido a conflitos de superioridade e desprezo após a concepção. Grávida e fugindo pelo deserto, Agar foi encontrada por um Anjo do Senhor perto de uma fonte, que a ordenou retornar e se submeter, prometendo uma grande descendência para seu filho, Ismael. 

Pontos Chave sobre a Fuga de Agar:

·        A Causa: Sara, impaciente por não ter filhos, entregou Agar a Abraão como mãe substituta. Após engravidar, Agar passou a desprezar Sara, gerando conflitos familiares e a ira de Sara, que a maltratou.

·        O Deserto: Agar foge em direção ao deserto de Sur, tentando escapar da opressão, rumo a uma provável morte.

·        O Encontro com DEUS: Um Anjo do Senhor a encontra junto a um poço no caminho de Sur. DEUS a chama à responsabilidade, pedindo que ela retorne e seja submissa a Sara.

·        A Promessa: O anjo promete a Agar que seu filho, Ismael, será o pai de uma grande nação.

·        O DEUS que Vê: Agar chama o Senhor de "O DEUS que me vê" (Beer-Lahai-Roi), pois se sentiu vista e cuidada no momento de aflição.

·        Significado: A história reflete sobre as consequências da impaciência na busca pelo cumprimento das promessas divinas. 

A história de Agar enfatiza que, mesmo em meio a desertos e conflitos familiares, DEUS está ciente da aflição humana e mantém o controle da situação, oferecendo consolo e direção.

 

3. DEUS entra em ação  

A intervenção de DEUS na fuga de Agar (Gênesis 16 e 21) é um dos relatos bíblicos mais marcantes sobre a compaixão divina por estrangeiros, desamparados e escravizados.

Quando Agar, serva de Sarai, foge para o deserto para escapar dos maus-tratos de sua senhora, DEUS entra em ação de várias formas: 

·        DEUS vê e encontra (Gn 16:7): O "Anjo do Senhor" encontra Agar junto a uma fonte no deserto. Isso demonstra que DEUS a viu em sua dor e humilhação, mesmo quando ela parecia insignificante para os outros.

·        DEUS a chama pelo nome (Gn 16:8): DEUS não a trata como uma "escrava fugitiva", mas a chama pelo nome ("Agar, serva de Sarai"), mostrando reconhecimento pessoal.

·        DEUS a questiona e acolhe (Gn 16:8-9): O Senhor pergunta de onde ela vem e para onde vai, ouvindo sua dor e, em seguida, dá a ordem de voltar e se submeter, prometendo cuidado.

·        DEUS promete descendência (Gn 16:10): DEUS faz uma promessa de que a descendência de Agar seria multiplicada, semelhante à promessa feita a Abraão.

·        DEUS ouve o grito (Gn 21:17): Na sua segunda fuga, quando Agar estava com Ismael no deserto e prestes a morrer de sede, DEUS ouve o choro do menino.

·        DEUS providencia o poço (Gn 21:19): DEUS abre os olhos de Agar para ver um poço de água, salvando a vida dela e de seu filho. 

O DEUS que me Vê (El Roi):
O resultado dessa intervenção é que Agar chama o Senhor de "El Roi" (Gênesis 16:13), que significa "Tu és o DEUS que me vê", reconhecendo que Ele a observou e cuidou dela no deserto. Ela é uma das poucas pessoas na Bíblia que deu um nome a DEUS. 

Resumo da Ação:
DEUS entrou em ação para mostrar que, no deserto, onde Agar se sentia sozinha e rejeitada, Ele estava presente, cuidando e prometendo um futuro

 

III – O DEUS QUE CONDUZ A HISTÓRIA

1. O DEUS que ouve e vê 

A história de Agar em Gênesis 16 revela DEUS como El-Roi ("O DEUS que me vê"), que escuta e socorre os marginalizados no deserto. Fugindo de maus-tratos, Agar, uma serva egípcia, foi encontrada por DEUS, mostrando que Ele enxerga e cuida daqueles que são invisíveis ou rejeitados pelo mundo. 

Pontos principais sobre Agar e o DEUS que Vê/Ouve:

·        O DEUS que Vê (El-Roi): Agar foi a única pessoa na Bíblia a dar um nome a DEUS, chamando-o de El-Roi após Ele encontrá-la no deserto. Ela reconheceu que Ele enxerga além das aparências, percebendo sua dor e situação.

·        O DEUS que Ouve: DEUS ouviu o clamor de Agar (e mais tarde o de seu filho Ismael), indicando que Ele escuta orações sinceras de desespero, mesmo de quem se sente sem esperança.

·        Acolhimento no Deserto: Quando Agar estava sozinha e com medo, DEUS a encontrou. Isso demonstra que Ele se manifesta em nossos momentos de solidão, provação e “desertos” da vida.

·        DEUS que Chama pelo Nome: Enquanto todos a viam apenas como uma serva ou propriedade, DEUS chamou Agar pelo nome.

·        Relevância Atual: A história ensina que ninguém é invisível para DEUS. A experiência de Agar é um lembrete de que DEUS se importa com os esquecidos e age em favor dos necessitados. 

O episódio reforça que DEUS age de forma pessoal: Ele vê, ouve e cuida.

 

2. Tudo conforme a sua soberana vontade  

A história de Agar, narrada em Gênesis (capítulos 16 e 21), é um exemplo claro de como a soberania de DEUS atua no meio das falhas humanas, da dor e dos desertos da vida. Mesmo sendo uma serva estrangeira e em uma posição vulnerável, Agar foi alcançada pelo propósito divino. 

Aqui estão pontos que demonstram a soberana vontade de DEUS nessa história:

·        DEUS Vê e Conhece (El-Roi): Quando Agar foge de Sarai para o deserto, ninguém a busca, mas DEUS a vê. Ela chama o Senhor de El-Roi, "O DEUS que me vê", reconhecendo que Ele cuida dela em sua dor, rejeição e deserto.

·        DEUS Intervém nos Planos Humanos: Mesmo quando Abraão e Sarai tentam "dar um jeitinho" para cumprir a promessa de um herdeiro, resultando na gravidez de Agar, DEUS toma as rédeas da situação. Ele envia o Anjo do Senhor para encontrá-la, mostrando que Ele está mais interessado em nós do que imaginamos.

·        Provisão e Direção no Deserto: DEUS não abandona Agar e Ismael no deserto. Ele cumpre Sua promessa de que Ismael também se tornaria uma grande nação, pois era descendente de Abraão, provando que Sua soberania abrange também as circunstâncias difíceis.

·        Soberania sobre a Dor e o Sofrimento: A história de Agar ensina que, mesmo diante da dureza do coração humano e do pecado, a graça e a misericórdia de DEUS agem para proteger e guiar, conforme a Sua vontade soberana.

·        O Tempo de DEUS: A narrativa incentiva a confiar e esperar no tempo de DEUS, em vez de tomar decisões precipitadas que geram sofrimento. 

A história de Agar demonstra que DEUS é soberano para transformar um momento de fuga e desespero em um encontro com Ele, garantindo que Seu propósito se cumpra na vida de cada um. 

 

3. O cuidado de DEUS em todo o tempo   

A história de Abrão (mais tarde Abraão), Sarai (Sara) e Agar - Gênesis 16 e 21, é um testemunho profundo de que o cuidado de DEUS opera "em todo o tempo" — mesmo diante de erros humanos, desespero e conflitos familiares. DEUS é retratado não apenas como o cumpridor de promessas, mas também como El Roi ("o DEUS que me vê"), Aquele que cuida dos oprimidos e dos "invisíveis". 

Aqui estão os principais aspectos do cuidado divino nesta história:

A. O Cuidado de DEUS na Espera e na Falha (Abrão e Sarai)

·        Fidelidade na Demora: DEUS chamou Abrão e prometeu uma descendência numerosa, mas a concretização demorou. O cuidado de DEUS se mostrou na constância da promessa, apesar da dúvida e das tentativas humanas de apressar as coisas (como o plano de usar Agar).

·        Proteção nas Mentiras: Quando Abrão mentiu sobre Sarai ser sua irmã no Egito, colocando-a em perigo, DEUS interveio para proteger Sarai e o propósito da aliança, mesmo diante da fraqueza de fé de Abrão.

·        Cumprimento Apesar de Nós: O cuidado de DEUS é soberano. Mesmo quando o casal agiu "na carne", buscando soluções próprias, DEUS não desistiu deles e manteve Seu plano original, provando que Sua graça é maior que os erros humanos. 

B. O Cuidado de DEUS com os Invisíveis (Agar no Deserto)

·        O DEUS que Vê (El Roi): Agar, uma serva egípcia, grávida e fugindo da dureza de Sarai, foi encontrada por DEUS no deserto. Ela nomeou DEUS como El Roi, reconhecendo que Ele vê a dor dos oprimidos.

·        Encontro Pessoal e Direção: O Anjo do Senhor chamou Agar pelo nome, perguntando de onde vinha e para onde ia, mostrando cuidado individualizado. DEUS não a ignorou, mesmo ela sendo uma estrangeira em uma situação de conflito.

·        Provisão na Escassez: Quando Agar e Ismael foram expulsos e ficaram sem água no deserto (Gênesis 21), DEUS ouviu o choro do menino, abriu os olhos de Agar para ver uma fonte de água e prometeu fazer de Ismael uma grande nação, cuidando deles mesmo fora da aliança principal. 

C. Lições sobre o Cuidado Divino "Em Todo o Tempo"

·        O Deserto é Lugar de Encontro: O cuidado de DEUS frequentemente se manifesta nos momentos de solidão, "deserto" e desespero, mostrando que Ele está presente onde o ser humano se sente abandonado.

·        DEUS cuida, mesmo quando falhamos: A narrativa mostra Agar sofrendo as consequências dos erros de Abraão e Sara, mas DEUS cuidou dela e de seu filho, demonstrando compaixão que ignora as fronteiras sociais.

·        A Promessa é Garantida: No final, DEUS cumpre a promessa de Isaque com Sara, demonstrando que Seu plano de redenção não é anulado por falhas humanas, mas realizado pela Sua soberania. 

A história de Abrão, Sarai e Agar destaca um DEUS que é, simultaneamente, o DEUS da aliança (com Abraão) e o DEUS que cuida do indivíduo (com Agar), provando Seu cuidado amoroso em todas as circunstâncias.

 

CONCLUSÃO

A jornada de Abraão, Sara e Agar mostra que a pressa humana pode produzir “atalhos” que trazem dor e divisão, mas não muda o propósito de DEUS. Ismael nasceu do esforço; Isaque, do cumprimento fiel da promessa. Ainda assim, o Senhor não abandonou ninguém: Ele viu Agar no deserto, ouviu o choro de Ismael e sustentou a história até que Sua palavra se cumprisse. Por isso, a lição que permanece é clara: não tente antecipar os planos de DEUS; escolha a obediência, a oração e a espera confiante. Quando o tempo parecer longo e o coração vacilar, lembre-se de que o DEUS da aliança é também o DEUS que vê — e Ele continua cuidando “em todo o tempo”.

 

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Abrão, Sarai e Agar

Gênesis 16. 1-3

 

Aqui temos o casamento de Abrão com Agar, que seria sua segunda esposa. Nisto, embora possa haver alguma desculpa para ele, ele não pode ser justificado, pois não foi assim desde o princípio. E, quando o fato aconteceu, parece ter nascido de um desejo irregular de constituir famílias para povoar mais rapidamente o mundo e a igreja. Certamente não dever ser assim agora. CRISTO reduziu esta questão à primeira instituição, e definiu a união do casamento somente entre um homem e uma mulher. Bem:

 

I

 Quem celebrou esta união (Alguém saberia dizer?) – foi a própria Sarai: disse Sarai a Abrão: Entra, pois, à minha serva, v. 2. Observe: 1. Uma artimanha de Satanás é nos tentar por meio dos nossos parentes mais próximos e queridos, ou por aqueles amigos que consideramos, e pelos quais temos afeto. A tentação é mais perigosa quando é enviada por uma mão que é menos suspeita: é nossa prudência, portanto, considerar, não tanto quem fala, quanto o que é dito. 2. Os mandamentos de DEUS levam em conta o nosso consolo e a nossa honra muito melhor do que os nossos próprios planos o fazem. Teria sido muito mais favorável ao interesse de Sarai se Abrão tivesse seguido a lei de DEUS, em vez de deixar-se guiar pelos seus projetos tolos. Mas nós frequentemente fazemos mal a nós mesmos.

 

II

 O que motivou isto: a esterilidade de Sarai.

1. Sarai não gerou filhos a Abrão. Ela era muito formosa (Gn 12.14), era uma esposa muito agradável e obediente, e compartilhava com ele as suas grandes posses. Mas ainda assim, era estéril. Observe: (1) DEUS dispensa os seus dons de maneira variada, carregando-nos, mas não sobrecarregando-nos, de benefícios: uma ou outra cruz está indicada para acompanhar as grandes alegrias. (2) A graça de ter filhos frequentemente é dada aos pobres e negada aos ricos, dada aos ímpios e negada às pessoas boas, embora os ricos tenham mais para deixar para os filhos, e as pessoas boas possam cuidar melhor da sua educação. DEUS faz tudo como lhe apraz.

2. Ela reconheceu a providência de DEUS nesta aflição: o Senhor me tem impedido de gerar. Observe: (1) Assim como, quando há filhos, é DEUS quem os dá (Gn 33.5), também quando eles faltam, é Ele quem os impede, Gn  30.2. Esta decisão pertence ao Senhor. (2) Convém que reconheçamos isto, para que possamos usá-lo e aproveitá-lo, como uma aflição que Ele permite com propósitos santos e sábios.

3. Ela usou isto como um argumento junto a Abrão, para que se casasse com a sua serva. E ele foi persuadido, por este argumento, a fazer isto. Observe: (1) Quando os nossos corações estão muito preocupados por qualquer consolo mundano, nós somos facilmente convencidos a usar métodos indiretos para obtê-lo. Os desejos desordenados normalmente produzem esforços ilícitos. Se os nossos desejos não forem mantidos submissos à providência de DEUS, os nossos esforços dificilmente serão mantidos sob os limites dos seus preceitos. (2) É pela falta de uma firme confiança na promessa de DEUS, e de uma paciente espera pelo tempo de DEUS, que nós saímos do caminho do nosso dever para agarrar uma misericórdia esperada. Aquele que crê não se precipita.

4. Temos razões para pensar que a aquiescência de Abrão à proposta de Sarai tenha nascido de um fervoroso desejo da semente prometida, a quem o concerto deveria ser transferido. DEUS tinha dito a ele que o seu herdeiro deveria ser um filho da sua carne, mas ainda não lhe tinha dito que deveria ser um filho gerado por Sarai. Por isto, Abrão pensou: “Por que não, com Agar, uma vez que a própria Sarai o propôs”. Observe: (1) As tentações tolas podem ter pretextos aparentemente muito justos, e se apresentar disfarçadas de algo que é muito plausível. (2) A sabedoria da carne, da mesma maneira como antecipa o tempo da misericórdia de DEUS, também nos tira do caminho de DEUS. (3) Isto pode ser evitado alegremente se pedirmos o conselho de DEUS, pela Palavra e pela oração, antes de nos empenharmos naquilo que é importante e suspeito. Isto faltou a Abrão. Ele se casou sem o consentimento de DEUS. Esta persuasão não veio Daquele que o chamou.

 

Gênesis 16. 4-6

 

Aqui temos as más consequências imediatas do infeliz casamento de Abrão com Agar. Um grande mal se produz rapidamente. Quando nós não agimos bem, o pecado e os problemas estão à porta. E podemos agradecer a nós mesmos pela culpa e pela tristeza que nos acompanham quando saímos do caminho do nosso dever. Veja isto nesta história.

 

I

 Sarai é desprezada, e, desta maneira, sente-se provocada e se irrita, v. 4. Tão logo Agar percebe estar grávida de um filho do seu senhor, passa a considerar a sua senhora com desprezo, talvez criticando-a pela sua esterilidade, insultando-a, para irritá-la (como em 1 Sm 1.6). Ela estava se gabando das perspectivas que tinha de trazer um herdeiro a Abrão, para aquela boa terra, e para o cumprimento da promessa. Agora ela se julga uma mulher melhor do que Sarai, mais favorecida pelo Céu, e com probabilidades de ser mais amada por Abrão. E por isto já não é mais submissa, como costumava ser. Observe: 1. Os espíritos inferiores e servis, quando favorecidos e promovidos, seja por DEUS ou pelo homem, podem se tornar arrogantes e insolentes, e esquecer seu lugar e origem. Veja Provérbios 29.21; 30.21-23. É difícil atribuir a honra àqueles que realmente devem ser honrados. 2. Nós sofremos, com razão, por causa daqueles a quem agradamos de maneira pecaminosa. E é justo que DEUS converta em instrumentos de nossa aflição aqueles aos quais tornamos instrumentos do nosso pecado, e que nos aprisione nos nossos próprios maus conselhos: o que revolve a pedra, esta sobre ele rolará.

 

II

 Sarai reclama com Abrão, que não consegue ficar tranquilo enquanto Sarai está de mau humor. Ela o repreende veementemente, e, de maneira muito injusta, culpa-o pela ofensa (v. 5): Meu agravo seja sobre ti, com uma suspeita ciumenta e irracional de que ele permitia a insolência de Agar. E, como se não desejasse ouvir o que Abrão tinha a dizer, para retificar o engano e absolver-se, irrefletidamente apela a DEUS, no caso: O Senhor julgue entre mim e ti. Como se Abrão tivesse se recusado a lhe dar a razão. Assim Sarai, na sua paixão, fala como falaria uma das mulheres tolas. Observe: 1. Há um absurdo do qual as pessoas passionais frequentemente são culpadas: de discutir com os outros por algo de que elas mesmas são culpadas. Sarai não podia deixar de reconhecer que ela tinha dado a sua serva a Abrão, e ainda assim grita: Meu agravo seja sobre ti, quando deveria ter dito, Que tola eu fui ao fazer isto! Nunca é dito com prudência aquilo que é composto pelo orgulho e pela raiva. Quando a paixão está no trono, a razão está do lado de fora, e não é ouvida nem dita. 2. Não estão sempre certos aqueles que se apressam a apelar a DEUS em altos brados. As imprecações impensadas e ousadas normalmente são evidências de culpa e de maus motivos.

 

III

 Agar fica aflita e foge da casa, v. 6. Observe: 1. A mansidão de Abrão entrega a questão da serva a Sarai, cuja ocupação apropriada seria governar esta parte da família: Eis que tua serva está na tua mão. Embora ela fosse sua esposa, ele não poderia tolerá-la, nem protegê-la, em nada que fosse desrespeitoso a Sarai, por quem ele ainda tinha o mesmo afeto que sempre teve. Observe que aqueles que desejam manter a paz e o amor devem dar respostas suaves até mesmo às acusações mais duras. Maridos e esposas, particularmente, devem estar de acordo, empenhando-se para não se zangarem mutuamente. Ceder é uma atitude que pacifica grandes ofensas. Veja Provérbios 15.1. 2. A paixão de Sarai se vinga em Agar: Sarai lidou duramente com ela, não somente confinando-a ao seu lugar e trabalho comum de serva, mas provavelmente fazendo-a servi-la com rigor. Note que DEUS observa e sente um profundo desagrado devido às aflições que os senhores rudes impõem irracionalmente aos seus servos. Eles deveriam conter as ameaças, tendo o mesmo pensamento de Jó: Aquele que me formou não o fez também a ele?, Jó 31.15. 3. O orgulho de Agar não pôde suportar isto, e o seu espírito ficou impaciente pelas críticas: ela fugiu de sua face. Ela não só evitou a ira imediata de Sarai – como Davi evitou a de Saul – mas abandonou totalmente o seu serviço, e fugiu da casa, esquecendo-se: (1) Do mal que tinha feito à sua senhora, cuja serva ela era, e ao seu senhor, cuja esposa ela era. Observe que o orgulho dificilmente será contido por alguns laços do dever. Não, nem por muitos. (2) De que ela mesma tinha feito a provocação em primeiro lugar, ao desprezar a sua senhora. Observe que aqueles que sofrem por suas próprias faltas devem suportar pacientemente os seus sofrimentos, 1 Pedro 2.20.

 

Gênesis 16. 7-9

 

Aqui está a primeira menção que temos, nas Escrituras, da aparição de um anjo. Agar era um tipo da lei, que foi dada pela disposição dos anjos. Mas o mundo vindouro não se sujeita a eles, Hebreus 2.5. Observe:

 

I

 Como o anjo a prendeu na sua fuga, v. 7. Aparentemente, ela se dirigia à sua própria nação. Pois estava no caminho de Sur, que fica na direção do Egito. É bom que as nossas aflições nos façam pensar na nossa casa, que é o melhor lugar. Mas Agar estava fora do seu lugar, e fora do caminho do seu dever, e desviando-se cada vez mais, quando o anjo a encontrou. Observe: 1. É uma grande graça ser interceptado em um caminho de pecado, seja pela consciência ou pela Providência. 2. DEUS permite que aqueles que saem do caminho vagueiem durante algum tempo, para que quando virem a sua tolice, e a confusão em que se meteram, possam estar mais dispostos a retornar. Agar não foi interceptada até chegar do deserto, e assentar-se, bastante cansada, junto a uma fonte de água limpa com que poderia se refrescar. DEUS nos leva para o deserto, e ali nos encontra, Oséias 2.14.

 

II

 Como ele a examinou, v. 8. Observe:

1. Ele a chamou de Agar, serva de Sarai: (1) Como uma repreensão pelo seu orgulho. Embora fosse esposa de Abrão, e, como tal, estivesse obrigada a retornar, ainda assim ele a chama de serva de Sarai, para humilhá-la. Observe que embora a educação nos ensine a tratar os outros pelos seus títulos mais elevados, ainda assim a humildade e a sabedoria ensinam que devemos nos chamar pelos nossos nomes ou títulos mais humildes. (2) Como uma repreensão pela sua fuga. A serva de Sarai deveria estar na tenda de Sarai, e não perambulando pelo deserto e passeando ao lado de uma fonte de água. Observe que é bom que nós frequentemente tenhamos em mente qual é o nosso lugar e o nosso relacionamento. Veja Eclesiastes 10.4.

2. As perguntas que o anjo fez a Agar foram muito adequadas e muito pertinentes. (1) De onde vens? Considere que você está fugindo, tanto do dever ao qual está obrigada, quanto dos privilégios com os quais foi abençoada na tenda de Abrão. Observe que é uma grande vantagem viver em uma família religiosa, e isto devem levar em consideração aqueles que têm esta vantagem. Mas, ainda assim, a cada leve estímulo, parece que estão prontos a se esquecer disto. (2) Para onde vais? Agar está correndo para o pecado, no Egito (se ela voltar àquele povo, estará voltando aos seus deuses), e ao perigo, no deserto, pelo qual ela deveria viajar, Deuteronômio 8.15. Note que aqueles que estão abandonando a DEUS e ao seu dever fariam bem em se lembrar não somente de onde caíram, mas da direção à qual estão caindo. Veja Jeremias 2.18: Que te importa a ti (como a Agar) o caminho do Egito? João 6.68.

3. A resposta dela foi honesta, e uma confissão justa: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora. Nesta resposta: (1) Ela reconhece o seu erro em fugir da sua senhora, mas: (2) Tenta desculpar este erro, porque fugiu da face, do desprazer, da sua senhora. Observe que os filhos e servos devem ser tratados com brandura e gentileza, para que não os levemos a tomar algum caminho ilícito, tornando-nos, desta maneira, cúmplices dos seus pecados, o que nos condenará, embora não os justifique.

4. Como o anjo a enviou de volta, com um conselho adequado e misericordioso: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos, v. 9. Vá para casa, e humilhe-se por aquilo que você fez de errado, e peça perdão, e decida-se, para o futuro, a comportar-se melhor. Ele não deixa dúvidas de que ela seria bem-vinda, embora não pareça que Abrão a tivesse procurado. Observe que aqueles que deixaram o seu lugar e o seu dever, quando são convencidos do seu erro, devem apressar a sua volta e correção, por mais mortificante que isto possa ser.

 

A Promessa a respeito de Ismael

Gênesis 16. 10-14

 

Podemos supor que depois que o anjo deu a Agar este bom conselho (v. 9), de voltar à sua senhora, ela imediatamente prometeu fazê-lo, e colocou-se no caminho de casa. E então o anjo prosseguiu incentivando-a, com uma garantia daquilo que o DEUS misericordioso tinha reservado para ela e para a sua semente: pois DEUS encontrará com misericórdia aqueles que estiverem retornando ao seu dever. Dizia eu: Confessarei, e Tu perdoaste, Salmos 32.5. Aqui temos:

 

I

 Uma predição a respeito dos seus descendentes, que lhe é dada para consolá-la na sua aflição atual. A sua condição é percebida: Eis que concebeste. E por isto a sua presença não é adequada neste lugar. Observe que é um grande consolo para as mulheres grávidas pensarem que estão sob o conhecimento e cuidado particular da Providência divina. DEUS graciosamente leva em consideração o seu caso, e lhe proporciona a ajuda necessária. Bem: 1. O anjo lhe garante que terá um parto seguro, e que será um menino, que era o que Abrão desejava. Esta fuga poderia ter destruído a esperança dela de um descendente. Mas DEUS não lidou com ela segundo a sua tolice. Terás um filho. Ela foi salva na gravidez, não somente pela providência, mas pela promessa. 2. Ele dá o nome ao filho dela, o que era uma honra, tanto para ela quanto para ele: chamarás o seu nome Ismael – DEUS ouve. E a razão para isto é que o Senhor ouviu a sua aflição. Ele ouviu, e, portanto, também ouvirá em outros momentos de necessidade. Observe que a experiência que temos da bondade oportuna de DEUS para nós, na nossa aflição, deve nos incentivar a esperar um auxílio semelhante em situações similares, Salmos 10.17. Ele ouviu a tua aflição, v. 11. Observe que mesmo onde há pouco clamor e devoção, o DEUS piedoso às vezes ouve graciosamente o clamor dos aflitos. As lágrimas falam tão bem quanto as orações. Isto traz consolo aos aflitos, o fato de que DEUS não somente vê quais são as suas aflições, mas ouve o que eles dizem. Observe, além disto, que os auxílios oportunos, em um dia de aflição, devem ser sempre lembrados com gratidão a DEUS. Em tal ocasião, em tal dificuldade, o Senhor ouviu a voz da minha aflição, e me ajudou. Veja Deuteronômio 26.7; Salmos 31.22. 3. Ele promete a ela uma descendência numerosa (v. 10): Multiplicarei sobremaneira a tua semente – multiplicarei, do hebraico – isto é, multiplicarei em todas as gerações, de modo a perpetuá-la. Supõe-se que os turcos da atualidade descendam de Ismael. E eles são, de fato, um povo bastante numeroso. Isto foi uma continuação da promessa feita a Abrão: farei a tua semente como o pó da terra, Gn 13.16. Observe que muitos que são filhos de pais fiéis ao Senhor têm, por causa destes, uma grande cota de bênçãos externas comuns, embora, como Ismael, não sejam levados a um concerto: muitos são multiplicados sem ser santificados. 4. Ele indica uma característica do filho que ela iria ter, que, ainda que possa nos parecer desagradável, talvez não fosse desagradável a ela (v. 12): Ele será um homem bravo. Um homem como um jumento selvagem (este é o significado da palavra), rude, e valente, e não temente aos homens – indomável, intratável, sem limites, e impaciente com o serviço e as restrições. Observe que os filhos da escrava, que estão fora do concerto com DEUS, são, quando nascem, como o jumentinho selvagem; é a graça que reivindica os homens, educa-os e torna-os prudentes e bons para alguma coisa. Está predito: (1) Que ele viverá lutando, e em estado de guerra: A sua mão será contra todos – este é o seu pecado. E a mão de todos será contra ele – esta é a sua punição. Observe que aqueles que têm espíritos turbulentos normalmente têm vidas problemáticas. Aqueles que são provocadores, irritantes e ofensivos a outros, devem esperar ser recompensados com a mesma moeda. Aquele que tem a sua mão e a sua língua contra todos os homens terá a mão e a língua de todos os homens contra si, e não terá razão de se queixar disto. E, ainda assim: (2) Que ele viverá em segurança, e manterá os seus contra todo o mundo: habitará diante da face de todos os seus irmãos. Embora seja ameaçado e insultado por todos os seus vizinhos, ainda assim ele conservará o seu terreno, e por causa de Abrão, mais do que por sua própria causa, será capaz de viver bem com eles. De maneira similar, lemos (Gênesis. 25.18) que ele morreu, como viveu, na presença de todos os seus irmãos. Observe que muitos que são bastante expostos pela sua própria imprudência ainda assim são estranhamente preservados pela divina Providência, pois DEUS é muito melhor para eles do que merecem, quando não somente perdem a vida pelo pecado, mas a arriscam por causa deste.

II

 A reflexão piedosa de Agar sobre esta graciosa aparição de DEUS a ela, vv. 13,14. Observe, nas suas palavras:

1. A sua respeitosa adoração à onisciência e providência de DEUS, aplicando-as a si mesma: ela invocou o nome do Senhor que com ela falava, isto é, desta maneira ela fez uma confissão do seu glorioso nome. Isto ela disse em seu louvor: Tu és o DEUS que me vê. Este seria, na vida dela, o nome do DEUS maravilhoso para sempre. E este seria o seu memorial, pelo qual ela o conheceria e dele se lembraria enquanto vivesse: o DEUS que me vê. Observe: (1) O DEUS com quem nos relacionamos é o DEUS que vê, e o DEUS que vê tudo. Os antigos o expressam da seguinte forma: “DEUS é só olhos”. (2) Nós devemos reconhecer isto e aplicá-lo a nós mesmos. Aquele que tudo vê, me vê (Sl 139.1), Senhor, Tu me sondaste e me conheces. (3) Uma consideração a DEUS repleta de fé, como ao DEUS que nos vê, será muito útil para nós quando nos dirigirmos a Ele. Há uma palavra bastante adequada para um penitente: [1] “Tu vês o meu pecado e a minha tolice”. Eu pequei perante ti, diz o filho pródigo. Diante dos teus olhos, diz Davi. [2] “Tu vês a minha tristeza e aflição”. A isto Agar se refere, especialmente. Mesmo quando somos levados à aflição pela nossa própria tolice, DEUS não nos abandona. [3] “Tu vês a sinceridade e a seriedade do meu retorno e do meu arrependimento. Tu vês os meus lamentos secretos pelo pecado, e os meus movimentos secretos em direção à tua presença”. [4] “Tu me vês, se eu, em qualquer instante, me afastar de ti”, Salmos 44.20,21. Este pensamento deve sempre nos afastar do pecado, e nos entusiasmar em relação ao dever. Tu, ó DEUS, me vês.

2. A humilde admiração de Agar pelo favor que DEUS lhe concedeu: “Não olhei eu também para aquele que me vê?” Aqui eu vi pelas costas aquele que me vê – assim pode ser interpretado, pois a palavra é muito parecida com a de Êxodo 33.23. Ela não o viu face a face, mas como por espelho, 1 Coríntios 13.12. Agar provavelmente não soube quem estava falando com ela, até que Ele estivesse partindo (como em Jz 6.21,22; 13.21), e então o procurou, com uma reflexão semelhante à dos dois discípulos, Lucas 24.31,32. Ou: Não vi aqui aquele que me vê? Observe: (1) A comunhão que as almas santas têm com DEUS consiste em que o contemplem com fé, como um DEUS que as contempla com favor. Este relacionamento é mantido através do olhar. (2) O privilégio da nossa comunhão com DEUS deve ser considerado como algo prodigioso e digno de admiração: [1] Ao considerarmos quem somos, e que, mesmo assim, fomos aceitos para este favor. “Eu? Eu que sou tão mesquinho, eu que sou tão vil”?, 2 Samuel 7.18. [2] Ao considerarmos o lugar em que somos assim favorecidos – aqui também? Não somente na tenda de Abrão, e no seu altar, mas também aqui, neste deserto? Aqui, onde eu não esperava por isto, onde eu estava fora do caminho do meu dever? Senhor, como pode ser?, João 14.22. Alguns entendem a resposta a esta pergunta como uma negativa, interpretando-a, deste modo, como uma reflexão penitente: “Não olhei eu também para DEUS – mesmo na minha aflição e no meu sofrimento? Não, mas eu fui, como sempre, descuidada e despreocupada em relação a Ele. Porém ainda assim Ele me visitou e demonstrou tamanha consideração para com a minha pessoa”, pois DEUS frequentemente nos antecipa os seus favores, e é achado por aqueles que não o buscavam, Isaías 65.1.

 

III

 O nome que assim foi dado a este lugar: Beer-Laai-Roi (versão RA), O poço daquele que vive e me vê (versão NTLH), v 14. É provável que Agar tenha dado este nome ao lugar. E ele foi conservado por muito tempo, in perpetuam rei memoriam – como um memorial perpétuo deste evento. Este foi um lugar onde o DEUS da glória manifestou o seu conhecimento especial, e cuidou de uma pobre mulher em aflição. Observe: 1. Aquele que vê tudo e todos, sempre esteve vivo, e viverá para sempre. Ele vive e nos vê. 2. Aqueles que são graciosamente aceitos à comunhão com DEUS, e recebem consolos oportunos dele, devem contar aos outros o que Ele fez pelas suas almas, para que os outros também possam ser incentivados a buscá-lo e a confiar nele. 3. Devemos nos lembrar eternamente das graciosas manifestações de DEUS a nós. Jamais devemos esquecê-las.

 

O Nascimento de Ismael

Gênesis 16. 15,16

 

Aqui se supõe, embora não esteja expressamente registrado, que Agar fez o que o anjo lhe ordenou, retornando à sua senhora e submetendo-se: e então, na plenitude do tempo, ela deu à luz o seu filho. Observe que aqueles que obedecem aos preceitos divinos terão os consolos das promessas divinas. Este era o filho da escrava, que nasceu segundo a carne (Gl 4.23), representando os judeus incrédulos, Gálatas 4.25. Observe: 1. Há muitos que, apesar de chamarem Abraão de pai, são nascidos segundo a carne, Mateus 3.9. 2. A semente carnal, na igreja, nasce antes da espiritual. É mais fácil persuadir os homens a assumir uma aparência de santidade, do que persuadi-los a se sujeitar ao poder da santidade.

 

Gênesis 21

 

Neste capítulo, temos: I. Isaque, o filho da promessa, nascido na família de Abraão, vv. 1-8. II. Ismael, o filho da serva, é expulso da família, vv. 9-21. III. A aliança de Abraão com seu vizinho Abimeleque, vv. 22-32. IV. A devoção de Abraão ao seu DEUS, v. 33.

 

O Nascimento de Isaque

Gênesis 21. 1-8

 

Finalmente chega aquele que tanto foi esperado. A visão a respeito da semente prometida era para um tempo determinado, e agora, no final, ela fala e não mente. Poucos, na época do Antigo Testamento, foram trazidos ao mundo com tanta expectativa como foi Isaque, não por causa de nenhuma grande eminência à qual ele devesse chegar, mas porque ele deveria ser, neste mesmo aspecto, um tipo de CRISTO, aquela semente que o santo DEUS tinha prometido por tanto tempo, e os homens santos tinham esperado por tanto tempo. Nesta narrativa dos primeiros dias de existência de Isaque, podemos observar:

 

I

 O cumprimento da promessa de DEUS na concepção e no nascimento de Isaque, vv. 1,2. Observe que as providências de DEUS parecem melhores e mais brilhantes quando são comparadas com a sua palavra, e quando observamos como DEUS, em todas elas, age como tinha dito, como tinha falado. 1. Isaque nasceu de acordo com a promessa. O Senhor visitou Sara em misericórdia, como havia dito. Observe que nenhuma palavra de DEUS cairá por terra. Pois Ele é fiel ao que prometeu, e a fidelidade de DEUS é o sustento e o suporte da fé do seu povo. Ele nasceu no tempo determinado, que DEUS tinha dito, v. 2. Observe que DEUS sempre é pontual ao seu tempo. Embora as Suas misericórdias e graças prometidas não venham no tempo que nós determinamos, certamente virão no tempo que Ele determinar, e que sem dúvida será o melhor tempo. 2. Isaque nasceu em virtude da promessa: “Sara recebeu a virtude de conceber”, Hebreus 11.11. Portanto, DEUS, pela promessa, deu-lhe esta virtude. Isaque não nasceu pelo poder da providência comum, mas pelo poder de uma promessa especial. Uma sentença de morte, de certa forma, era proferida pelas causas secundárias: Abraão era idoso, e Sara idosa, e ambos estavam praticamente mortos. E então se cumpriu a Palavra de DEUS. Observe que os verdadeiros crentes, em virtude das promessas de DEUS, podem fazer aquilo que está acima da capacidade da natureza humana, pois por elas, eles participam de uma natureza divina, 2 Pedro 1.4.

 

II

 A obediência de Abraão ao preceito de DEUS, no que se referia a Isaque.

1. Ele lhe deu o nome que DEUS havia ordenado, v. 3. DEUS lhe recomendou um nome, como memorial, Isaque, Riso. E Abraão, a quem competia esta tarefa, deu-lhe este nome, embora pudesse ter desejado para ele algum outro nome com algum significado mais pomposo. Observe que é conveniente que a exuberância da invenção humana sempre se renda à soberania e simplicidade das instituições divinas. Mas havia uma boa razão para o nome, pois: (1) Quando Abraão recebeu a promessa sobre Isaque, riu de alegria, Gn 17.17. Observe que quando o sol do consolo se levanta sobre a alma, é bom recordar o quão bem-vindo foi o amanhecer do dia, e com que alegria nós recebemos a promessa. (2) Quando Sara recebeu a promessa, ela riu, com desconfiança e modéstia. Observe que quando DEUS nos dá as misericórdias e as graças pelas quais começamos a nos desesperar, devemos nos lembrar, com tristeza e vergonha, da nossa vergonhosa falta de confiança no poder e nas promessas de DEUS, quando as estávamos buscando. (3) O próprio Isaque foi motivo de riso para Ismael (v. 9), e talvez o seu nome lhe indicasse que deveria esperar isto. Observe que os favoritos de DEUS frequentemente são os motivos das gargalhadas do mundo. (4) A promessa da qual ele não somente era o filho mas o herdeiro, seria a alegria de todos os santos, em todas as gerações, e encheria as suas bocas de riso.

2. Ele o circuncidou, v. 4. Uma vez que o concerto havia sido estabelecido com ele, o selo do concerto lhe foi administrado. E embora esta fosse uma ordenança de sangue, e ele fosse um favorito, ainda assim ela não deveria ser omitida, nem adiada além do oitavo dia. DEUS tinha observado o tempo para cumprir a promessa, e por isso Abraão também deveria observar o tempo, para obedecer ao preceito.

 

III

 As impressões desta graça sobre Sara.

1. Ela se encheu de alegria (v. 6): “DEUS me tem feito riso”. Ele me deu motivos para alegrar-me, e um coração para alegrar-me. Sara deve ter se sentido como a mãe do nosso Senhor, Lucas 1.46,47. Observe: (1) DEUS concede graças ao seu povo, para incentivar a sua alegria, na sua obra e serviço. E, qualquer que seja o motivo da alegria, DEUS deve ser reconhecido como o seu autor, a menos que seja o riso do tolo. (2) Quando as graças tardam por muito tempo, elas são ainda mais bem vindas quando chegam. (3) Nosso consolo por qualquer misericórdia será maior se tivermos amigos que exultem conosco nela: “todo aquele que o ouvir se rirá comigo”. Pois o riso é contagiante. Veja Lucas 1.58. Outros se alegrariam neste exemplo de poder e bondade de DEUS, e seriam incentivados a confiar nele. Veja Salmos 119.74.

2. Ela se encheu de assombro, v. 7. Observe aqui: (1) O que Sara julgou tão maravilhoso: Que ela desse de mamar a filhos, que pudesse, não somente dar à luz um filho, mas ser tão forte e saudável, nesta idade avançada, a ponto de dar de mamar. Observe que as mães, se puderem, devem dar de mamar aos seus próprios filhos. Sara era uma pessoa digna, e era idosa. A amamentação poderia ser julgada prejudicial a ela, ou à criança, ou a ambas. Ela poderia escolher amas de leite, sem dúvida, na sua própria família. Mas ela desejava cumprir o seu dever neste assunto. E as suas filhas serão boas esposas desde que também cumpram as suas obrigações com amor e dedicação, 1 Pedro 3.5,6. Veja Lamentações 4.3. (2) Como ela expressou o seu assombro: “Quem diria?” O fato era tão altamente improvável, tão próximo do impossível, que se alguém, que não fosse DEUS, tivesse dito isto, nós não teríamos crido. Observe que os favores de DEUS ao povo do seu concerto são tais que superam os pensamentos e expectativas, tanto os deles mesmos, quanto os dos outros. Quem poderia imaginar que DEUS fizesse tanto por aqueles que mereceriam tão pouco, ou melhor, por aqueles que mereceriam o mal? Veja Efésios 3.20; 2 Samuel 7.18,19. Quem teria dito que DEUS enviaria o seu Filho para morrer por nós, o seu ESPÍRITO para nos santificar, os seus anjos para nos ajudar? Quem teria dito que os grandes pecados seriam perdoados, que os maus serviços seriam aceitos, e que estes vermes indignos seriam aceitos ao concerto e comunhão com o grandioso e santo DEUS?

 

IV

 Um curto relato da infância de Isaque: “E cresceu o menino”, v. 8. Isto é mencionado de maneira especial, embora fosse o curso normal, para indicar que os filhos da promessa são filhos que crescem. Veja Lucas 1.80; 2.40. Aqueles que nascem de DEUS crescerão através do poder e da graça de DEUS, Colossenses 2.19. Ele cresceu de modo a não precisar de leite sempre, mas foi capaz de suportar comida mais forte, e então foi desmamado. Veja Hebreus 5.13,14. E foi então que Abraão fez um grande banquete, para seus amigos e vizinhos, dando graças a DEUS pela sua misericórdia para com ele. Ele fez este banquete, não no dia em que Isaque nasceu, pois teria sido um incômodo muito grande para Sara. Nem no dia em que ele foi circuncidado, pois teria sido uma distração muito grande da ordenança. Mas no dia em que ele foi desmamado, porque a bênção de DEUS sobre a amamentação de crianças, e a sua preservação dos perigos da primeira infância, são exemplos do cuidado e da ternura da providência divina, que devem ser reconhecidos com louvor. Veja Salmos 22.9,10; Oséias 11.1.

 

Agar e Ismael São Expulsos

Gênesis 21. 9-13

 

A expulsão de Ismael é aqui considerada, e decidida.

 

I

 O próprio Ismael motivou isto, por causa de algumas afrontas que fez a Isaque, seu irmão menor – alguns opinam que foi no dia em que Abraão fez o banquete de alegria porque Isaque tinha sido desmamado, o que, segundo os judeus, não aconteceu antes que ele tivesse três anos, embora outros digam cinco anos. A própria Sara foi testemunha ocular da ofensa: ela viu que o filho da egípcia zombava (v. 9), zombava de Isaque, sem dúvida, porque está escrito, com referência a isto (Gl 4.29), que “aquele que era gerado segundo a carne perseguia o que o era segundo o ESPÍRITO”. Ismael aqui é chamado de filho da egípcia, porque, como pensam alguns, os 400 anos de sofrimento da semente de Abraão pelas mãos dos egípcios podem ter começado agora, e assim poderiam ser datados a partir daqui, Gn 15.13. Ela o viu brincando com Isaque, segundo a Septuaginta, e, na brincadeira, zombando dele. Ismael era catorze anos mais velho que Isaque. E, quando os filhos estão juntos, os mais velhos devem cuidar dos mais jovens – mas o fato de Ismael maltratar uma criança pequena que não era, de maneira nenhuma, páreo para ele, revelou um temperamento muito vil e sórdido. Observe que: 1. DEUS observa o que as crianças dizem e fazem nas suas brincadeiras, e irá acertar as contas com elas se disserem ou fizerem algo errado, ainda que seus pais não o façam. 2. Zombar é um grande pecado, e muito provocativo a DEUS. 3. Existe uma inimizade enraizada remanescente na semente da serpente contra a semente da mulher. Os filhos da promessa devem esperar ser alvo de zombaria. Isto é perseguição, e aqueles que vivem de maneira devota devem contar com ela. 4. Ninguém é rejeitado e expulso da preciosa presença de DEUS, exceto aqueles que merecem tal castigo. Ismael permanece na família de Abraão até que se torna uma perturbação, um pesar e um escândalo a ela.

 

II

 Sara fez a sugestão: “Deita fora esta serva”, v. 10. Isto parece ser dito de uma forma acalorada, mas é citado (Gl 4.30) como se tivesse sido dito através do ESPÍRITO de profecia. E esta é a sentença que recebem todas as pessoas hipócritas e carnais, ainda que tenham um lugar e um nome na igreja visível. Todos os que são nascidos segundo a carne, e não nascem de novo, que permanecem na lei e rejeitam a promessa do Evangelho, certamente serão expulsos. Isto se refere, em particular, à rejeição dos judeus incrédulos, que, embora fossem a semente de Abraão, ainda assim, porque não se submeteram ao concerto do Evangelho, foram banidos da igreja e privados dos seus direitos – e aquilo que, acima de qualquer outra coisa, levou DEUS a expulsá-los, foi o fato de que zombassem e perseguissem a igreja do Evangelho, o Isaque de DEUS, na sua infância, 1 Tes 2.16. Observe que há muitos que convivem familiarmente com os filhos de DEUS neste mundo, e ainda assim não compartilham com eles a herança dos filhos. Ismael podia ser o companheiro de brincadeiras, e colega de escola, de Isaque, mas não seu coerdeiro.

 

III

 Abraão foi avesso a isto: Na sua opinião, isto era muito penoso, v. 11. 1. Entristecia-o o fato de Ismael ter feito tal provocação. Observe que as crianças devem considerar que quanto mais seus pais as amam, mais se entristecem com o seu mau comportamento, e particularmente com as suas brigas entre si. 2. Entristecia-o o fato de Sara insistir em tal punição. Não bastaria castigá-lo? Nada serviria, exceto expulsá-lo. Observe que até mesmo as medidas extremas e necessárias que devem ser usadas com crianças maldosas e incorrigíveis são muito lamentáveis para os seus ternos pais, que muitas vezes não são capazes de ministrá-las com determinação.

 

IV

 DEUS assim o determinou, vv. 12,13. Podemos imaginar que Abraão ficasse extremamente agitado com esta questão, não querendo desagradar a Sara, e não querendo expulsar a Ismael. Nesta dificuldade, DEUS lhe diz qual é a sua vontade, e então ele fica satisfeito. Observe que um bom homem não deseja, em situações difíceis, nada mais que conhecer o seu dever, o que DEUS deseja que ele faça. E, quando ele tem a questão esclarecida, ele fica, ou deveria ficar, tranquilo. Para tranquilizar a Abraão, DEUS coloca esta questão diante dele, sob uma luz verdadeira, e lhe mostra: 1. Que a expulsão de Ismael era necessária para o estabelecimento de Isaque nos direitos e privilégios do concerto: “Em Isaque será chamada a tua semente”. Tanto CRISTO quanto a igreja devem descender de Abraão, pelos lombos de Isaque. Esta é a transmissão da promessa por Isaque, e é citada pelo apóstolo (Rm 9.7), para mostrar que nem todos os que vêm dos lombos de Abraão são herdeiros do concerto de Abraão. Isaque, o filho prometido, deve ser o pai da semente prometida. Portanto: “Fora com Ismael, envie-o para muito longe, para que ele não corrompa os modos de Isaque, nem tente invadir os seus direitos”. Será a sua segurança ter o seu rival expulso. A semente do concerto de Abraão deve ser um povo peculiar, um povo, desde o início, distinto, não mesclado com aqueles que não pertencem ao concerto. Por esta razão Ismael deve ser separado. Abraão foi chamado sozinho, e também assim deve ser Isaque. Veja Isaías 51.2. É provável que Sara não estivesse pensando nisto (Jo 11.51), mas DEUS tomou aquilo que ela disse, e converteu-o em um oráculo, posteriormente, Gn 27.10. 2. Que a expulsão de Ismael não seria a sua ruína, v. 13. Ele será “uma nação, porquanto é tua semente”. Não sabemos se esta foi a sua ruína eterna. É presunção dizer que todos aqueles que são excluídos das dispensações eternas, são também excluídos de todas as misericórdias divinas: aqueles que não são honrados em alguma ocasião também podem ser salvos. No entanto, nós temos a certeza de que esta não foi a sua ruína temporal. Embora ele tenha sido expulso da comunhão que tinham, ele não foi expulso do mundo. Dele farei uma nação. Observe que: (1) As nações são criação de DEUS: Ele as funda, Ele as forma, Ele as estabelece. (2) Muitos estão cheios das bênçãos da providência de DEUS, sendo estranhos às bênçãos do seu concerto. (3) Os filhos deste mundo frequentemente têm benefícios, quanto a coisas exteriores, pela sua relação com os filhos de DEUS.

 

A Misericórdia de DEUS para

com Agar e Ismael

Gênesis 21. 14-21

 

Aqui temos:

 

I

 A expulsão da serva, e do seu filho, da família de Abraão, v. 14. A obediência de Abraão ao mandamento divino, nesta questão, foi rápida: “Pela manhã, de madrugada”. Podemos imaginar que Abraão os expulsou imediatamente depois de ter, nas visões da noite, recebido ordens para fazer isto. Também foi submissa. Era contrário ao seu julgamento, pelo menos à sua própria inclinação, fazer isto. Mas tão logo ele percebe que era a vontade de DEUS, ele não faz objeções, mas silenciosamente faz como lhe foi ordenado, como alguém treinado a uma obediência implícita. Ao mandá-los embora, sem nenhuma ajuda, a pé, e com víveres escassos, é provável que estivesse obedecendo as instruções lhe que foram dadas. Se Agar e Ismael tivessem se comportado bem na família de Abraão, poderiam ter continuado ali. Mas eles mesmos se expulsaram, pelo seu próprio orgulho e insolência, e por isto foram devidamente punidos. Observe que ao usar mal os nossos privilégios, nós os perdemos. Aqueles que não sabem reconhecer quando estão bem, em um lugar desejável como a família de Abraão, merecem ser afastados e conhecer o valor das misericórdias, ao sentirem a falta delas.

 

II

 A sua peregrinação pelo deserto, perdendo o caminho para o lugar que Abraão lhes havia designado.

1. Ali eles passaram por grande aflição. Suas provisões se acabaram, e Ismael ficou fragilizado. Aquele que costumava ser abundantemente alimentado na casa de Abraão, onde engordava, agora desmaiava e desfalecia, pois os mantimentos lhe foram drasticamente reduzidos. Agar está em lágrimas, e profundamente mortificada. Agora ela anseia pelas migalhas que desperdiçou e desprezou na mesa no seu senhor. Como alguém sob o poder do espírito da escravidão, ela perde a esperança de alívio, sem esperar nada além da morte da criança (vv. 15,16), embora DEUS lhe tivesse dito, quando o filho nasceu, que ele viveria para ser um grande homem. Nós somos capazes de esquecer promessas anteriores, quando as providências da atualidade parecem contradizê-las, pois nós vivemos pelos sentidos.

2. Nesta aflição, DEUS graciosamente apareceu, para seu alívio: Ele “ouviu... a voz do menino”, v. 17. Nós não lemos que ele tenha dito nem uma palavra. Mas os seus suspiros e gemidos, e o seu estado calamitoso, clamavam aos ouvidos da misericórdia. Um anjo foi enviado para consolar Agar, e esta não foi a primeira vez que ela se encontrou com os consolos de DEUS, em um deserto. Ela tinha agradecidamente reconhecido a visita anterior que DEUS lhe fez em uma situação parecida (Gn 16.13), e por isto DEUS agora a visitava novamente, com ajuda oportuna. (1) O anjo assegura a ela de que DEUS tomou conhecimento do seu sofrimento: “DEUS ouviu a voz do rapaz desde o lugar onde está”, embora ele esteja em um deserto (pois, onde quer que estejamos, o caminho para o céu está aberto). Portanto, “levanta o moço e pega-lhe pela mão”, v. 18. Observe que a prontidão de DEUS em nos ajudar quando estamos em dificuldades não deve relaxar, mas incentivar, os nossos empenhos para ajudar a nós mesmos. (2) Ele repete a promessa a respeito do seu filho, de que ele seria uma grande nação, como uma razão pela qual ela deveria apressar-se para ajudá-lo. Observe que a consideração de que não sabemos o que DEUS designou para as crianças e jovens, nem qual é o grande uso que a Providência pode fazer deles, deve motivar o nosso cuidado e os nossos esforços por eles. (3) Ele a conduz a uma provisão próxima (v. 19): “Abriu-lhe DEUS os olhos” (que estavam inchados e quase cegos devido ao choro), e ela “viu um poço de água”. Observe que muitos que têm motivos suficientes para serem consolados continuam chorando dia após dia, porque não vêem os motivos que têm para consolar-se. Há um poço de graça ao seu lado, no concerto da graça, mas eles não se dão conta disto. Eles não têm o benefício do poço, até que o mesmo DEUS que abriu os seus olhos para que vissem a sua ferida, os abra para que vejam o remédio, João 16.6,7. O apóstolo nos diz que estas coisas a respeito de Agar e Ismael são allegoroumena (Gl 4.24), devem ser entendidas como alegoria. Isto, então, serve para ilustrar a tolice: [1] Daqueles que, como os judeus incrédulos, procuram a justiça segundo a lei e as suas ordenanças carnais, e não pela promessa feita em CRISTO, consequentemente precipitando-se a um deserto de necessidades e desespero. Seus consolos logo se acabam, e se DEUS não os salvar, pela sua prerrogativa especial, e não abrir os seus olhos, indicando o seu erro, por um milagre de fé, eles estarão destruídos. [2] Daqueles que procuram a satisfação e a felicidade no mundo e nas coisas que há nele. Aqueles que abandonam os consolos do concerto e a comunhão com DEUS, e escolhem a sua parte nesta terra, se satisfazem com um odre de água, uma provisão insuficiente e escassa, e que logo se acaba. Eles vagam incessantemente procurando satisfação, e, no final, não a alcançam.

 

III

 O estabelecimento de Ismael, por fim, no deserto de Parã (vv. 20,21), um lugar selvagem, adequado para um homem selvagem. E assim era ele (Gn 16.12, versão RA). Aqueles que nascem segundo a carne se contentam com o deserto deste mundo, ao passo que os filhos da promessa desejam a Canaã celestial, e não conseguem descansar até que estejam lá. Observe que: 1. Ele tinha alguns sinais da presença de DEUS: “Era DEUS com o moço”. A sua prosperidade exterior se devia a isto. 2. Por profissão, ele tornou-se flecheiro, o que indica que a sua destreza era excelente e que o seu trabalho era um esporte: o rejeitado Esaú era um hábil caçador. 3. Ele casou-se com alguém entre os parentes da sua mãe. Sua mãe tomou-lhe uma mulher da terra do Egito. Por maior flecheiro que fosse, ele não pensou que conseguiria acertar bem o alvo, em termos de casamento, se procedesse sem o conselho e consentimento da sua mãe.

 

Comentário Bíblico Exaustivo - Antigo Testamento e Novo Testamento - Matthew Henry - Obra Completa

 

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NA ÍNTEGRA COMO NA REVISTA 2ºTRIMESTRE DE 2026

 

Escrita Lição 3, CPAD, A Impaciência na Espera do Cumprimento da Promessa, 2Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

Para nos ajudar PIX 33195781620 (CPF) Luiz Henrique de Almeida Silva

 

ESBOÇO DA LIÇÃO

I – O PAI DA FÉ E A TENTATIVA DE AJUDAR A DEUS

1. O plano para “ajudar” a DEUS  

2. Abrão aceita o plano de Sarai

3. Agar zomba de Sarai

II – AS CONSEQUÊNCIAS DE AGIR POR CONTA PRÓPRIA

1. Conflito familiar  

2. A fuga de Agar

3. DEUS entra em ação  

III – O DEUS QUE CONDUZ A HISTÓRIA

1. O DEUS que ouve e vê 

2. Tudo conforme a sua soberana vontade  

3. O cuidado de DEUS em todo o tempo   

 

TEXTO ÁUREO

“E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.” (Gn 16.2)

 

VERDADE PRÁTICA

A impaciência é antagônica a fé, por isso não devemos ser dominados por ela. DEUS é fiel e cumpre com suas promessas no tempo certo.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Gn 16.2 Sarai dá lugar à impaciência

Terça - 1 Pe 5.7 Lançar a ansiedade sobre DEUS

Quarta - Sl 40.1 Esperar com paciência no Senhor

Quinta - Rm 12.12 Pacientes na tribulação

Sexta - 2 Pe 3.9 DEUS é longânimo

Sábado – 1 Ts 5.14 Devemos ser pacientes para com todos

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Gênesis 16.1-16

1 - Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.

2 - E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

3 - Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã.

4 - E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

5 - Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O SENHOR julgue entre mim e ti.

6 - E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face.

7 - E o Anjo do SENHOR a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur.

8 - E disse: Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora.

9 - Então, lhe disse o Anjo do SENHOR: Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos.

10 - Disse-lhe mais o Anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremaneira a tua semente, que não será contada, por numerosa que será.

11 - Disse-lhe também o Anjo do SENHOR: Eis que concebeste, e terás um filho, e chamarás o seu nome Ismael, porquanto o SENHOR ouviu a tua aflição.

12 - E ele será homem bravo; e a sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos.

13 - E ela chamou o nome do SENHOR, que com ela falava: Tu és DEUS da vista, porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê?

14 - Por isso, se chama aquele poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e Berede.

15 - E Agar deu um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que tivera Agar, Ismael. 

16 - E era Abrão da idade de oitenta e seis anos, quando Agar deu Ismael a Abrão.

 

HINOS SUGERIDOS : 8, 188, 302 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

Abrão é chamado de "pai da fé" e "amigo de DEUS" porque deixou sua terra rumo ao desconhecido, tornando-se figura central para judeus e gentios. Contudo, o Senhor usou o tempo para moldar seu caráter. A promessa divina parecia distante, as circunstâncias não se alinhavam e Sarai, vencida pela impaciência, decidiu agir por conta própria ao entregar sua serva a Abrão. Ele, por sua vez, não a lembrou das promessas recebidas. Ambos tinham fé, mas precisavam guardar na memória o que DEUS lhes dissera. Esse é o segredo para não sucumbirmos na espera e não agirmos por impulso, como fizeram Abrão e Sarai.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Apresentar a tentativa de Abrão em ajudar a DEUS; II) Explicar as consequências de agir por conta própria; III) Encorajar os alunos a permanecerem firmes no DEUS que conduz a história.

B) Motivação: "Você tem a virtude da paciência?" Em um mundo imediatista e ansioso, muitos agem como Sarai, tentando resolver tudo sem DEUS. Mas as consequências chegam. No Reino de DEUS, não há espaço para o imediatismo: o Senhor governa o tempo. Por isso, devemos esperar nEle e rejeitar toda ansiedade, confiando que seus planos são perfeitos e se cumprem no momento certo. A paciência preserva o coração e fortalece a fé em meio às demoras da vida.

C) Sugestão de Método: Para introduzir o tópico, escreva "ansiedade" no quadro e pergunte aos alunos o que essa palavra desperta neles. Explique que ansiedade é uma preocupação excessiva que afeta corpo, alma e espírito, trazendo irritação, aceleração do pensamento e desejo de controlar tudo. Sarai, diante da longa espera, deixou-se dominar pela ansiedade e elaborou seu próprio plano, gerando consequências para ela e para Abrão. A Bíblia nos orienta a entregar nossas inquietações ao Senhor. Conclua lendo Filipenses 4.6,7 e 1 Pedro 5.7.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO 

A) Aplicação: Depois de expor todos os tópicos da lição, aplique as verdades estudadas mostrando que não devemos andar ansiosos nem tentar "ajudar" a DEUS criando atalhos, como fez Sarai. É essencial aprender a esperar o tempo do Senhor, confiando que Ele trabalha mesmo quando não vemos. Devemos manter viva a esperança, lembrando que aquEle que prometeu é fiel e cumpre sua Palavra no momento certo, conduzindo-nos com sabedoria e graça. 

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 105, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "Reconhecendo as Promessas de DEUS", localizado depois do primeiro tópico, vai nos mostrar o que é uma promessa divina para nós; 2) No final do segundo tópico, o texto "Eis que o Senhor me tem impedido de gerar" vai nos ajudar a compreender o que significava para a mulher ser estéril dentro da cultura judaica do AT.

 

PALAVRA-CHAVE - Impaciência

 

COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO

DEUS fez uma promessa a Abrão, mas o tempo passou, e parecia que ela jamais seria cumprida. Abrão já estava com 85 anos, e sua esposa também já era bem idosa. Então, Sarai foi dominada pela impaciência e desejou agir por conta própria. Ela decidiu entregar sua serva a Abrão para que tivesse filhos com ela. Ao que tudo indica, o pai da fé e amigo de DEUS não consultou ao Senhor, mas deixou-se levar pela impaciência de sua esposa. Todos que são dominados pela impaciência sofrem consequências ruins, e com Abrão e Sarai não foi diferente. Nesta lição, meditaremos sobre a sabedoria divina de aguardar com perseverança o cumprimento da promessa de DEUS dirigida ao seu povo.

 

I – O PAI DA FÉ E A TENTATIVA DE AJUDAR A DEUS

1. O plano para “ajudar” a DEUS   

Quando Abrão questionou ao Senhor, dizendo que seu herdeiro provavelmente seria o damasceno Eliézer, seu mordomo, o Senhor lhe assegurou que tal não aconteceria. O herdeiro seria um filho seu, de suas “entranhas”, ou seja, um filho natural, nascido do ventre de Sarai (Gn 15.2-4). Mas o tempo passava, os anos seguiam-se, e a promessa não se cumpria. Então, sua esposa, observando as circunstâncias desfavoráveis — a idade avançada do esposo e dela e a sua esterilidade — pensou em uma solução humana na verdade um atalho para ver a promessa de DEUS sendo cumprida. Assim, Sarai sugeriu que Abrão se unisse a Agar, sua serva egípcia, para que dela viesse um filho (Gn 16.1,2). A impaciência tornou-se maior que a fé de Abrão e Sarai. O que eles não perceberam é que muitas vezes o Senhor usa o tempo, a espera, para forjar o nosso caráter. 

 

2. Abrão aceita o plano de Sarai

Abrão estava sendo pressionado. Era a coação da esposa e do tempo, e acabou aceitando a tentativa de Sarai em querer “ajudar” ao Senhor. Quando deixamos que a ansiedade e a impaciência tomem o primeiro lugar em nosso coração a nossa fé sucumbe, e acabamos cometendo muitos erros. Temos de seguir o conselho do salmista, que afirma que esperou com paciência no Senhor (Sl 40.1).

 

3. Agar zomba de Sarai

Agar também aceitou prontamente a proposta de Sarai e certamente se sentiu muito honrada. Então, Abrão tomou sua serva, e ela engravidou. Parecia, naquele momento, que o plano era perfeito e tudo ficaria bem. Porém, não demorou muito para Agar se levantar contra sua senhora, zombando dela e menosprezando-a (Gn 16.4,5). O erro de Sarai trouxe para o seu lar o desprezo, a zombaria e, certamente, a tristeza e a dor.

 

SINÓPSE I - Abrão e Sarai tentaram ajudar a DEUS, pois se deixaram vencer pela ansiedade.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

“RECONHECENDO AS PROMESSAS DE DEUS

Para podermos depositar nossa fé nas promessas de DEUS é necessário, primeiramente, sabermos o que é e o que não é uma promessa de DEUS na Bíblia. Obviamente, se aplicarmos como promessa um versículo que, de fato, não é nenhuma promessa, então nossa fé estará deslocada e ficaremos desiludidos quando não virmos os resultados que esperamos. Entretanto, não ficaremos desapontados com a Palavra de DEUS se a interpretarmos corretamente (2 Tm 2.15) e aplicarmos apenas os versículos que se constituem em promessa para nós hoje.

Promessas feitas a indivíduos específicos não foram formuladas com a intenção de ser válidas para todos os crentes. Um exemplo disso é Gênesis 12.2. Essa promessa foi feita apenas a Abraão, e não aos crentes em geral. Portanto, os crentes de hoje não devem considerá-la como uma promessa bíblica dirigida a eles [...]” (RHODES, R. Livro Completo das Promessas Bíblicas. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.19,20).

 

 

II – AS CONSEQUÊNCIAS DE AGIR POR CONTA PRÓPRIA

1. Conflito familiar 

Não tardou para as consequências do ato precipitado de Sarai se manifestarem. As primeiras foram a competição e a soberba. Agar, a serva egípcia, comportou-se como uma competidora fria e ingrata. Em sua altivez, ela passou a desprezar sua senhora, causando-lhe mal-estar e trazendo confusão para o clã (Gn 16.4-6).

 

2. A fuga de Agar

Agar não se considerava mais serva de Sarai, mas tornou-se sua adversária. Diante da confusão, Sarai cobra de Abrão uma resposta imediata. Então, o patriarca responde: “E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face” ( Gn  16.6 ). Agar e Sarai agiram erradamente e sem nenhum sentimento uma pela outra. Podemos imaginar a triste situação de Agar, grávida pela primeira vez, sem experiência, sem comida, sem água, solitária e errante pelo deserto.

 

3. DEUS entra em ação 

DEUS é justo, fiel e amoroso. Ele ouve, vê e responde ao aflito. O Senhor ama a justiça e aborrece a iniquidade (Sl 45.7). Depois que Sarai afligiu Agar, esta fugiu e foi encontrada pelo Anjo do Senhor no deserto, junto a uma fonte. Em seguida, Ele lhe perguntou: “Agar, serva de Sarai, de onde vens e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai, minha senhora” (Gn 16.7,8). Então, o anjo lhe falou: “Torna-te para tua senhora e humilha-te debaixo de suas mãos” (v.9). Às vezes, é preciso retornar ao lugar de onde saímos, nos humilhar, pedir perdão e esperar que DEUS venha agir em nosso favor. O Senhor tinha uma promessa para Abrão, mas Ele não desamparou a serva, que estava em uma situação de vulnerabilidade. O Eterno e justo não age como os homens. Havia também uma promessa para Agar, mas ela precisaria retornar e humilhar-se perante sua senhora (Gn 16.10-12).

 

SINÓPSE II - O agir por conta própria tem consequências ruins; por isso, espere em DEUS.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“EIS QUE O SENHOR ME TEM IMPEDIDO DE GERAR

Era costume entre os povos da Mesopotâmia que a esposa incapaz de conceber filhos obrigasse sua serva a gerar filhos por ela. Os filhos pertenceriam à esposa.

(1) Não obstante ao costume, não era dessa maneira que DEUS pretendia dar a Abrão e Sarai uma família (cf. 2.24).

(2) O Novo Testamento equipara o filho de Agar a fruto de esforço humano – “segundo a carne”, e não “segundo o ESPÍRITO” (Gl 4.29). Em outras palavras, somente podemos cumprir os propósitos de DEUS se fizermos as coisas à maneira dele – pelo poder do seu ESPÍRITO e pela oração” (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, p. 20).

 

III – O DEUS QUE CONDUZ A HISTÓRIA

1. O DEUS que ouve e vê 

Na solene promessa a Agar, o anjo declarou que o menino deveria ter o nome de Ismael, nome dado por DEUS. Que privilégio!  O significado do nome Ismael é “DEUS ouviu”. Agar parecia abandonada e perdida (Gn 16.7-11). Mas DEUS se fez presente no deserto, viu e ouviu a sua dor. O Eterno agiu em seu favor, e não só em favor de Sarai e Abrão, seu servo. O Todo-Poderoso honrou aquele filho, que não era o “da promessa”, mas era filho do amigo de DEUS e pai da fé.

 

2. Tudo conforme a sua soberana vontade 

Nos tempos de Abrão, era comum os homens serem pai mesmo em idade avançada. Ele teve o seu primeiro filho com Agar quando já tinha 86 anos de idade (Gn 16.16). Para ele deve ter sido uma experiência muito impactante. E, em obediência ao que lhe dissera o anjo, deu-lhe o nome de Ismael. Mas aquele não era o filho que DEUS lhe prometera. Ismael era o resultado de um plano traçado entre Sarai e Abrão e que envolvia sua serva egípcia, Agar. No entanto, nada foge aos cuidados de DEUS.

Conforme o anjo falou para Agar, DEUS fez de Ismael uma grande nação. Aprendemos por intermédio da vida do patriarca Abrão que DEUS governa a história, pois Ele é soberano, e os eventos acontecem da maneira como Ele permite. Contudo, Ele intervém diretamente para realizar os seus propósitos, como fez com Agar. O Senhor já havia determinado o momento em que o filho da promessa, Isaque, viria ao mundo. Abrão e Sarai não poderiam fazer nada em relação a isso, mas somente aguardar o momento certo de DEUS em suas vidas.

 

3. O cuidado de DEUS em todo o tempo  

Quando Sarai tratou severamente Agar, esta fugiu pelo deserto (Gn 16.6). A cena desperta compaixão: quem ajudaria uma serva estrangeira e sozinha? Contudo, DEUS se revelou a Agar, mostrando que nenhum coração aflito passa despercebido aos seus olhos e que o Senhor vela pelos que sofrem. Ele responde e cuida de nós em tempos difíceis e nas aflições quando ninguém mais vê o que nos aflige.

Nos momentos difíceis que Abrão, Sarai e Agar estavam enfrentando e que em nossa jornada nós também passamos, precisamos orar e confiar em DEUS, experimentando da sua paz (Fp 4.6,7), obtendo da sua força (Ef 3.16; Fp 4.13) e recebendo a sua misericórdia, graça e ajuda. O DEUS soberano, em seu infinito amor, há de nos acolher!

 

SINÓPSE III - DEUS é soberano e Ele conduz a história.

 

CONCLUSÃO

Os anos passavam, e Abrão e sua esposa ficaram impacientes pela demora no cumprimento das promessas de DEUS. Sarai, olhando para sua esterilidade, acreditou que poderia “ajudar” a DEUS e sugeriu que seu esposo tomasse sua serva, Agar, uma egípcia, a fim de ter filho com ela. Mesmo sendo um homem de fé, Abrão aceitou participar do plano de sua esposa. E o “plano” humano deu certo. Abrão uniu-se a Agar e tiveram um filho, Ismael.

Vimos que as consequências não tardaram e não foram boas. Essa parte da história de Abrão é marcada por erros. O patriarca, sua esposa e sua serva erram, pois DEUS não precisa de atalho ou da ajuda humana para que seus planos se cumpram. Ele é o Senhor que governa a história e como afirmou o profeta Isaías: “Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13).

 

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Segundo a lição, o que DEUS usa para forjar o nosso caráter?

O Senhor usa o tempo, a espera, para forjar o nosso caráter.

2. O que acontece quando deixamos a impaciência tomar o nosso coração?

Quando deixamos que a ansiedade e a impaciência tomem o primeiro lugar em nosso coração, a nossa fé sucumbe e acabamos cometendo muitos erros.

3. Segundo o Salmo 40.1, como devemos esperar?

Devemos esperar com paciência no Senhor.

4. Quais foram as primeiras consequências do erro de Sarai?

As primeiras consequências foram a competição e a soberba.

5. Como deveria se chamar o filho de Abrão com Agar? Qual o significado do seu nome?

Ismael. O significado do nome Ismael é “DEUS ouviu”.

 

 

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