quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Lição 10, O Líder Diante da Chegada da Morte, 2 parte

Lição 10, O Líder Diante da Chegada da Morte, 2 parte

A segunda prisão de Paulo em Roma e seu martírio (2Tm 4.6-22)
2 Timóteo - O testamento de Paulo à igreja - Hernandes Dias Lopes - Comentários Expositivos Hagnos
A primeira prisão de Paulo foi por motivação religiosa; a segunda, por motivos políticos. A primeira prisão estava ligada à perseguição judaica; a segunda, vinculada ao decreto do imperador. Da primeira prisão, Paulo saiu para dar continuidade à obra missionária; da segunda, Paulo saiu para o martírio.
Em 49 d. C., o imperador Cláudio expulsou de Roma todos os judeus (At 18.2). Muitos deles, a essa altura, já eram cristãos. Mas, em 64 d. C., houve um terrível incêndio em Roma, e o imperador Nero lançou a culpa dessa tragédia sobre os judeus e os cristãos.
Nero chegou ao poder em outubro de 54 d. C. Insano, pervertido e mau, era filho de Agripina, mulher promíscua e perversa. Na noite de 17 de julho de 64 d. C., um catastrófico incêndio estourou em Roma. O fogo durou seis dias e sete noites. Dez dos quatorze bairros da cidade foram destruídos pelas chamas vorazes.
Segundo alguns historiadores, o incêndio foi provocado pelo próprio Nero, que assistiu ao horrendo espetáculo do topo da torre Mecenas, no cume do Paladino, vestido como um ator de teatro, tocando sua lira e cantando versos acerca da destruição de Troia. Pelo fato de dois bairros em que havia grande concentração de judeus e cristãos não terem sido atingidos pelo incêndio, Nero encontrou uma boa razão para culpar os cristãos pela tragédia.
A partir daí, a perseguição contra os cristãos tornou-se insana e sangrenta. Faltou madeira na época para fazer cruz, tamanha a quantidade de cristãos crucificados. Os crentes eram amarrados em postes e incendiados vivos para iluminar as praças e os jardins de Roma. Outros, segundo o historiador Tácito, foram jogados nas arenas enrolados em peles de animais, para que cães famintos os matassem a dentadas. Outros ainda foram lançados no picadeiro para que touros enfurecidos os pisoteassem e esmagassem. A loucura de Nero só não foi mais longe porque, em 68 d. C., boa parte do império se rebelou contra ele, e o senado romano o depôs. Desesperado, sem ter para onde ir, Nero se suicidou.
No tempo em que explodiu essa brutal perseguição, Paulo estava fora de Roma, visitando as igrejas. Por ser o líder maior do cristianismo, tornou-se alvo dessa ensandecida cruzada de morte. Possivelmente quando estava em Trôade, na casa de Carpo, foi preso pelos agentes de Nero e levado a Roma para ser jogado numa masmorra úmida, fria e insalubre. Foi dessa prisão que Paulo escreveu essa carta a Timóteo. É digno de destaque que nessa carta Paulo não pede oração para sair da prisão nem expressa expectativa de prosseguir em seu trabalho missionário. O idoso apóstolo está convencido de que a hora de seu martírio havia chegado.
Como Paulo encerra a sua carreira? Que avaliação faz de sua vida? Se esse veterano apóstolo fosse examinado pelas lentes da teologia da prosperidade, seria um fracasso. O maior pregador, missionário, teólogo e plantador de igrejas da história do cristianismo está velho, jogado numa masmorra, pobre, cheio de cicatrizes, abandonado no corredor da morte. O grande apóstolo dos gentios está sozinho num calabouço romano, sem dinheiro, sem amigos, sem roupas para enfrentar o inverno, sofrendo as mais amargas privações. Como esse homem se sente? Como ele avalia seu passado, seu presente e seu futuro?
Destacamos a seguir alguns pontos fundamentais acerca da atitude desse bandeirante da fé no momento em que se viu no corredor da morte.
A vida não é simplesmente viver; a morte não é simplesmente morrer (4.6-8).
Em 2 Timóteo 4.6-8, Paulo faz uma profunda análise do seu ministério e, antes de fechar as cortinas da sua vida, abre-nos uma luminosa clareira com respeito a seu passado, presente e futuro. Acompanhemos sua análise.
Em primeiro lugar, Paulo olhou para o passado com gratidão. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé (4.7). O que fora um propósito, ou seja, completar a carreira (At 20.24), era agora um retrospecto. Paulo parece estar passando o bastão para o seu filho Timóteo, mas, antes de enfrentar o martírio, relembra, como havia sido sua vida: um duro combate. A vida para Paulo não foi uma feira de vaidades nem um parque de diversões, mas um combate renhido. Hans Burki diz que Paulo lutou contra poderes sombrios da maldade; contra Satanás; contra vícios judaicos, cristãos e gentílicos; contra hipocrisia, violência, conflitos e imoralidades em Corinto; contra fanáticos e desleixados em Tessalônica; contra gnósticos e judaizantes em Éfeso e Colossos; e, não por último - no poder do ESPÍRITO SANTO -, contra o velho ser humano dentro de si mesmo, tribulações externas e temores internos. Acima de tudo e em todas as coisas, porém, lutou em prol do evangelho, a grande luta de sua vida, seu bom combate. O apóstolo poderia morrer tranquilo porque havia concluído sua carreira, e isso era tudo o que lhe importava (At 20.24). Mas ele também deixa claro que nessa peleja jamais abandonou a verdade nem negou a fé. Não morre bem quem não vive bem. A vida é mais do que viver, e a morte é mais do que morrer.
Em segundo lugar, Paulo olhou para o presente com serenidade. Quanto a mim, estou sendo oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. O veterano apóstolo sabe que vai morrer. Mas não é Roma que tirará a vida; é ele quem vai oferecê-la. E ele não vai oferecê-la a Roma, mas a DEUS. Stott diz que Paulo compara sua vida com um sacrifício e uma oferta para DEUS. John N. D. Kelly explica que essa metáfora vivida é tirada do costume litúrgico judaico de derramar, como o ritual preliminar da oferenda diária no templo e de certos sacrifícios, uma libação (oferta de bebida) de vinho ao pé do altar (Ex 29.40; Nm 28.7). Hans Burki acrescenta que a libação, feita de vinho forte, não era o sacrifício propriamente dito. Pelo contrário, era derramada sobre o animal a ser sacrificado (Nm 15.1-10). Paulo, portanto, entendia sua morte como oferenda derramada sobre o sacrifício da igreja (Fp 2.17) e derramada no mais verdadeiro sentido sobre o holocausto [sacrifício total] do Messias JESUS (Rm 8.32).
Paulo se refere à sua morte como uma partida. John N. D. Kelly diz corretamente que Paulo usa a palavra partida como um eufemismo para a morte, evocando o quadro de um navio levantando âncora ou de um soldado ou viajante levantando acampamento. Para Calvino, a palavra partida contém um testemunho da imortalidade da alma, pois a morte é apenas uma separação da alma do corpo. Assim, a morte não é outra coisa senão a partida da alma quando se separa do corpo. Para o apóstolo Paulo, a morte dos crentes equivale a partir para estar com CRISTO, o que é incomparavelmente melhor (Fp 1.23); é deixar o corpo e habitar com o Senhor (2Co 5.8); é lucro (Fp 1.21). A Bíblia diz que a morte dos santos é preciosa aos olhos do Senhor (SI 116.15); é bem-aventurança (Ap 14.13), pois é ser levado para o seio de Abraão (Lc 16.22), ir ao paraíso (Lc 23.43) e ir para a casa do Pai (Jo 14.2).
A palavra grega analysis, partida, era usada em quatro circunstâncias. O primeiro significado se relaciona a aliviar alguém de uma carga. A morte é descansar das fadigas (Ap 14.13). O segundo refere-se a soltar um prisioneiro. Paulo vislumbrava sua libertação, não sua execução. Matthew Henry diz que a morte para um homem justo é sua libertação da prisão deste mundo e sua partida para o gozo do outro mundo: ele não deixa de existir, mas é apenas removido de um mundo para outro. O terceiro significado é levantar acampamento e deixar a tenda temporária para voltar para o lar. A morte para Paulo significava mudar de endereço. Era deixar este mundo e ir para a casa do Pai. Era deixar o corpo e habitar com o Senhor (2Co 5.8). Era partir e estar com CRISTO, o que é incomparavelmente melhor (Fp 1.23). E o quarto significado é desatar o barco e singrar as águas do rio e atravessar para o outro lado. A morte para Paulo significava fazer a última viagem da vida, rumo à Pátria celestial. A morte não o intimidava. Ele sabia em quem havia crido e para onde estava indo. Ele mesmo chegou a afirmar: Para mim o viver é CRISTO e o morrer é lucro (Fp 1.21).
Em terceiro lugar, Paulo olhou para o futuro com esperança. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda (4.8). A gratidão do dever cumprido, associada à serenidade de saber que estava indo para a presença de JESUS, dava a Paulo uma agradável expectativa do futuro. Mesmo que o imperador o condenasse à morte e o tribunal de Roma o considerasse culpado, o reto e justo Juiz revogaria o veredito de Nero, considerando-o sem culpa e dando-lhe a coroa da justiça. Como num brado de triunfo diante do martírio, Paulo proclama: Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz me dará naquele Dia! Carl Spain destaca que a coroa de Paulo não era um símbolo de sua justiça, nem uma recompensa por ele merecida. CRISTO era a sua recompensa (Fp3. 8,13,l4). Concordo com Stott quando ele escreve:
Nosso DEUS é o DEUS da história. DEUS está executando o seu propósito ano após ano. Um obreiro pode cair, mas a obra de DEUS continua. A tocha do evangelho é transmitida de geração em geração. Ao morrerem líderes da geração anterior, é da maior urgência que se levantem aqueles da geração seguinte e com coragem tomem os seus lugares. O coração de Timóteo deve ter sido profundamente tocado por essa exortação do velho guerreiro Paulo, que o levara a CRISTO.
 
A vitória não é ausência de lutas, mas triunfo a despeito das adversidades (4.9-16).
O céu não é aqui. Aqui não pisamos tapetes aveludados nem caminhamos em ruas de ouro, mas cruzamos vales de lágrimas. Aqui não recebemos o galardão, mas bebemos o cálice da dor. Paulo certamente foi a maior expressão do cristianismo. Viveu de forma superlativa e maiúscula. Pregador incomum, teólogo incomparável, missionário sem precedentes, evangelista sem igual. Viveu perto do Trono, mas ao mesmo tempo foi açoitado, preso, algemado e degolado. Tombou como mártir na terra, mas foi recebido como príncipe no céu. Não foi poupado dos problemas, mas triunfou no meio deles. Stott tem razão em dizer que, mesmo concluída a sua carreira e aguardando a coroa da justiça, ele é ainda um frágil ser humano, com necessidades humanas comuns. Que tipo de luta Paulo enfrentou na antessala do seu martírio?
Em primeiro lugar, Paulo enfrentou a solidão. Procura vir ter comigo depressa [...] Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério [...] Apressa-te a vir antes do inverno... (4.9,11,21). Essa carta começou com a expressão de anseio ardente: Quero rever-te e chega ao fim com este apelo: Procura vir ter comigo depressa. Paulo estava numa cela fria, necessitado de um ombro amigo. Sua espiritualidade não anula sua humanidade. Ele roga para que Timóteo vá depressa ao seu encontro. Pede para seu filho na fé vir antes do inverno, pois nesse tempo era impossível navegar e o frio chegaria ali na masmorra em que Paulo estava sem agasalho. Roga a Timóteo que leve também Marcos. O gigante do cristianismo está precisando de gente amada a seu lado, antes de caminhar para o patíbulo. Sua comunhão com DEUS não o tornava um super-homem. Dentro do seu peito, batia um coração sedento por relacionamento.
Marcos morava em Jerusalém, com sua mãe, em cuja casa muitos se reuniam para orar (At 12.12). Era primo de Barnabé (Cl 4.10). Barnabé e Saulo o levaram de Jerusalém para Antioquia (At 12.25), e, mais tarde, esse jovem foi auxiliar dos dois missionários na primeira viagem missionária (At 13.5). Em Perge da Panfília, Marcos abandonou os dois obreiros e voltou a Jerusalém (At 13.13). Quando Marcos desejou retornar com Paulo e Barnabé na segunda viagem missionária, Paulo se recusou a levá-lo (At 15.37-41). Posteriormente, Marcos foi restaurado e reintegrado ao trabalho missionário (Cl 4.10; Fm 24; lPe 5-13). Agora, Paulo ordena que Timóteo o leve a Roma, porque este lhe era útil. Nunca é tarde para restaurar relacionamentos quebrados, para construir pontes onde um dia a intolerância cavou abismos. Marcos torna-se um instrumento valoroso nas mãos de DEUS. Escreve o evangelho que leva o seu nome, o evangelho de Marcos.
Em segundo lugar, Paulo enfrentou o abandono. Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia. Somente Lucas está comigo [...] Quanto a Tíquico, mandei-o até Éfeso (4.10,11 a, 12). Paulo passou a vida investindo na vida das pessoas e, na hora em que mais precisou de ajuda, foi abandonado e esquecido na prisão. Caminhou sozinho para o Getsêmani do seu martírio, assistido apenas pela graça de DEUS. Demas é mencionado apenas três vezes no Novo Testamento (Cl 4.14; Fm 24; 2Tm 4.10). Na primeira vez, era um cooperador. Na segunda vez, seu nome é apenas mencionado. E, na última vez, ele é apresentado como um desertor. Começou bem a carreira, mas a encerrou mal. Moule é da opinião que Demas foi atacado pela covardia naquele tempo de terror. John Bunyan, em sua obra O peregrino, mostra Demas guardando a mina de prata na Colina do Lucro. Nessa mesma linha de pensamento, Warren Wiersbe é da opinião que Demas foi seduzido de volta ao mundo pelo amor ao dinheiro. Hendriksen é oportuno quando diz que o verbo usado por Paulo implica que Demas não apenas deixou o apóstolo, mas o deixou numa situação difícil, ou seja, o desamparou. A separação não foi somente geográfica, mas, sobretudo, espiritual.
A ausência dos outros irmãos (Crescente, Tito e Tíquico) não foi propriamente um abandono. É legitimada pelos interesses do Senhor. A presença de Lucas com Paulo na sua segunda prisão é um tocante testemunho da lealdade do médico amado (Cl 4.14), como defende Stott. Lucas já havia acompanhado Paulo em sua viagem a Roma e em sua primeira prisão (At 27). Paulo o chamara de médico amado (Cl 4.14) e colaborador (Fm 24). Lucas escreveu tanto o Evangelho que leva seu nome como o livro de Atos. Tíquico foi companheiro de Paulo em sua última visita a Jerusalém (At 20.4) e portador das cartas de Paulo às igrejas de Colossos (Cl 4.7,8) e Éfeso (Ef 6.21,22). Possivelmente, foi também o portador da segunda carta a Timóteo, talvez ainda com o propósito de substituir Timóteo em Éfeso para tornar possível a almejada visita deste a Paulo na prisão.
Em terceiro lugar, Paulo enfrentou privações. Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos (4.13). Paulo precisava de amigos para a alma, livros para a mente e cobertura para o corpo. Ele tinha necessidades físicas, mentais e emocionais. As prisões romanas eram frias, insalubres e escuras. Os prisioneiros morriam de lepra e de outras doenças contagiosas. O inverno se aproximava, e Paulo precisava de uma capa quente para enfrentá-lo. Essa capa, do grego phailones, era uma roupa externa grande, sem mangas, feita de uma única peça de tecido pesado, com um buraco ao meio por onde se passava a cabeça. Servia de proteção contra o frio e a chuva. Paulo também precisava de livros (feitos de papiro) e pergaminhos (feitos de peles). Estava no corredor da morte, mas queria aprender mais. Paulo precisava de amigos, de roupas e de livros. Precisava de provisão para a alma, a mente e o corpo. Concordo com as palavras Stott: Sem dúvida Paulo desfrutou da companhia e força do Senhor JESUS, em seu calabouço. Todavia, o auxílio que recebeu do seu Senhor foi tanto de modo direto como indireto. Quando nosso espírito está solitário, precisamos de amigos. Quando nosso corpo está sentindo frio, precisamos de roupas. Quando nossa mente está aborrecida, precisamos de livros. Não é falta de espiritualidade admitir isso; é humano. Para sermos cristãos, não precisamos negar nossa humanidade nem nossa fragilidade.
Nessa mesma linha de pensamento, Moule assevera: “O ser humano nunca é desnaturalizado pela graça, nem um momento sequer”. 
Quem era Carpo e por que Paulo deixou seus pertences em sua casa? Só nos resta conjecturar. Moule é da opinião que foi na casa de Carpo que Paulo celebrou a ceia na qual o jovem Êutico caiu da janela, morreu e foi milagrosamente ressuscitado pela oração do apóstolo (At 20.1-12) e que lá mesmo, anos mais tarde, Paulo foi levado preso, sem ter tido a oportunidade de carregar seus pertences.
Em quarto lugar, Paulo enfrentou a traição. Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. Tu guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras (4.14,15). Paulo não dá nenhuma descrição de Alexandre, senão sua profissão. Ele trabalhava com cobre. O apóstolo também não descreve quais foram esses muitos males. William Barclay lança luz sobre o assunto justificando que a expressão causou-me muitos males é a tradução do verbo grego endeiknumi, que significa literalmente “dar informação contra uma pessoa”. Os informantes eram uma das grandes maldições de Roma naquela época. Buscavam obter favores e receber recompensas em troca de informações. Isso levou alguns historiadores a afirmar que foi Alexandre, o latoeiro, quem traiçoeiramente delatou Paulo, resultando em sua segunda prisão e consequente martírio. Alexandre se tornou inimigo do mensageiro e também da mensagem. Perseguiu o pregador e resistiu à pregação. Possivelmente, esse Alexandre morava em Trôade, onde Paulo fora preso, e, por isso, o apóstolo exorta a Timóteo que, ao passar por Trôade para pegar seus pertences, se guardasse desse malfeitor.
Quando Paulo diz: O Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras, não está expressando um espírito vingativo, mas apenas entregando seu julgamento nas mãos de DEUS, a quem pertence esse direito.
Em quinto lugar, Paulo enfrentou a ingratidão. Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram. Que isto não lhes seja posto em conta (4.16). Os amigos de Paulo o abandonaram e ele orou para que DEUS os perdoasse (4.16). Os seus inimigos o julgaram, e ele procurou oportunidades de lhes mostrar como poderiam ser salvos (4.17).
A maioria dos comentaristas entende sua primeira defesa como o primeiro interrogatório, “a investigação preliminar, precedendo o julgamento definitivo”. Plummer chega a dizer que “entre todos os cristãos de Roma, ninguém queria estar a seu lado na corte, nem para falar uma palavra a seu favor, nem para aconselhá-lo quanto à conduta em seu caso, ou para apoiá-lo com uma demonstração de simpatia”.
Que tipo de acusação pesava contra Paulo nesse julgamento? Ele diz que estava preso como um malfeitor (2.9), provavelmente por algum crime ligado ao incêndio de Roma.
Paulo se arriscou pelos outros; mas ninguém compareceu em sua primeira defesa para estar a seu lado ou falar a seu favor. Mais perturbador que o frio gelado que se avizinhava pela chegada do inverno, era a geleira da ingratidão que Paulo tinha de suportar no apagar das luzes de sua jornada na terra. John Stott argumenta que, se Alexandre, o latoeiro, falou com deliberada malícia contra Paulo e o evangelho, os amigos de Paulo, em Roma, deixaram completamente de falar, e seu silêncio não se devia à malícia, mas ao medo. O verdadeiro amigo é aquele que chega quando todos já se foram. E aquele que está ao nosso lado, pelo menos para confortar-nos com o bálsamo do silêncio. O verdadeiro amigo não nos abandona na hora da aflição. Jó fez uma dramática descrição desse abandono na hora de necessidade:
Pôs longe de mim a meus irmãos, e os que me conhecem, como estranhos, se apartaram de mim. Os meus parentes me desampararam, e os meus conhecidos se esqueceram de mim. Os que se abrigam na minha casa e as minhas servas me têm por estranho, e vim a ser estrangeiro aos seus olhos. Chamo o meu criado, e ele não me responde; tenho de suplicar-lhe, eu mesmo (Jó 19.13-16).
Essa queixa de Paulo, de ter sido abandonado em sua primeira defesa, não entra em contradição com as saudações enviadas a Timóteo por alguns irmãos da igreja de Roma. É que provavelmente nenhum daqueles aqui mencionados ocupava posição suficiente na ocasião para comparecer ao tribunal e defender o apóstolo.
Abandonado pelos homens, mas assistido por DEUS (4.17,18) Paulo não encerra sua carreira frustrado. Não está com sua alma amargurada. As agruras da terra não empalidecem as glórias do céu. A ingratidão dos homens não enfraquece a assistência abundante de DEUS. As algemas não amordaçam a Palavra.
A graça de DEUS assistiu Paulo na hora da morte para que ele pregasse o evangelho até seu último fôlego de vida. Quatro verdades devem ser aqui destacadas.
Em primeiro lugar, Paulo foi abandonado pelos homens, mas assistido por DEUS. Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças, para que, por meu intermédio, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem... (4.17a). Paulo foi vítima do abandono dos homens, mas foi acolhido e assistido por DEUS. Assim como JESUS foi assistido pelos anjos no Getsêmani enquanto seus discípulos dormiam, Paulo também foi assistido por DEUS na hora de sua dor mais profunda. DEUS não nos livra do vale, mas caminha conosco no vale. DEUS não nos livra da fornalha, mas anda conosco na fornalha. DEUS não nos livra da cova dos leões, mas nos livra da boca dos leões. Às vezes, DEUS nos livra da morte; outras vezes, DEUS nos livra através da morte. Em toda e qualquer situação, DEUS é o nosso refúgio. Warren Wiersbe escreve oportunamente: Quando Paulo ficou desanimado com os coríntios, o Senhor foi até ele e o encorajou (At 18.9-11). Depois de ser preso em Jerusalém, Paulo voltou a receber a visita e o estímulo do Senhor (At 23.11). Durante a terrível tempestade em que Paulo estava a bordo de um navio, mais uma vez o Senhor lhe deu forças e coragem (At 27.22-26). Agora, naquela horrível prisão romana, Paulo voltou a experimentar a presença fortalecedora do Senhor, que havia prometido: De maneira alguma te deixarei, nunca te abandonarei (Hb 13.5).
Em segundo lugar, Paulo não foi poupado das provas, mas recebeu poder para suportá-las. (4.17b) ... e me revestiu de forças... DEUS revestiu Paulo de forças para que continuasse pregando até o fim. Paulo foi preso, mas a Palavra estava livre e espalhou-se para todos os gentios. Paulo foi levado ao patíbulo e degolado, mas sua voz ainda ecoa nos ouvidos da história. Suas cartas são luzeiros no mundo.
Em terceiro lugar, DEUS não livrou Paulo da morte, mas na morte. O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial... (At 18a). Paulo não foi poupado da morte, mas foi libertado através da morte. A morte para ele não foi castigo, perda ou derrota, mas vitória. O aguilhão da morte foi tirado. Morrer é lucro, é bem-aventurança, é ir para a casa do Pai, é entrar no céu e estar com CRISTO. Concordo com as palavras de Barclay: “Sempre é melhor correr perigo por um momento e estar salvo para a eternidade, que estar salvo por um momento e exposto a uma eternidade de condenação”. Hendriksen reforça esse pensamento: A expressão O Senhor [...] me levará salvo para o seu reino celestial implica que Paulo esperava ir ao céu imediatamente depois de sua morte. Esta é a doutrina através das Escrituras. Assim o salmista espera ser recebido no reino de glória quando a morte chegar (SI 73.24,25). Lázaro é levado de imediato pelos anjos ao seio de Abraão (Lc 16.22). O ladrão penitente entra no paraíso de imediato, junto com o Senhor (Lc 23.43). Para o apóstolo Paulo, quando este tabernáculo terrestre (o corpo) se desfizer, temos da parte de DEUS um edifício, feito não por mãos, mas eterno nos céus (2Co 5.1). Para o salvo, a morte é lucro (Fp 1.21). E partir para estar com DEUS, o que é incomparavelmente melhor (Fp 1.23). E bem-aventurança (Ap 14.13). O livro de Apocalipse descreve a alma dos mártires como havendo sido trasladada imediatamente para o céu, e estando mui feliz e bem ocupada na bem-aventurança eterna (Ap 7.13-17).
Em quarto lugar, Paulo não termina a vida com palavras de decepção, mas com um tributo de glória ao Salvador. ...A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém (4.18b). Paulo foi perseguido, rejeitado, esquecido, apedrejado, fustigado com varas, preso, abandonado, condenado à morte, degolado, mas, em vez de fechar as cortinas da vida com pessimismo, amargura e ressentimento, termina erguendo ao céu um tributo de louvor ao Senhor.
2 Timóteo - O testamento de Paulo à igreja - Hernandes Dias Lopes - Comentários Expositivos Hagnos
 
William Hendriksen, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 191-6 (Comentário do Novo Testamento) 
6- 8. Timóteo, pois, deve “pregar a palavra”, etc., não só porque virá a apostasia (vv. 1-4), mas também em vista do fato de que Paulo está prestes a velejar para as praias da eternidade. Quando o homem mais idoso é convocado às esferas mais elevadas, o jovem terá que preencher a brecha. Deve empunhar a tocha e conduzi-la avante. Este segundo pensamento explica o “porquê” no início do versículo 6.
Numa das passagens mais sublimes e comoventes, que com respeito à magnificência de pensamento e dignidade do ritmo provavelmente seja insuperável nas epístolas de Paulo, o apóstolo conduz esta carta - e sua carreira apostólica - ao seu maravilhoso final:
Porque já estou sendo derramado como libação sobre o sacrifício, e o tempo de minha partida já chegou.
A grande batalha combati, a carreira terminei, a fé guardei.
Para o futuro, há seguramente guardada para mim a coroa da justiça, a qual o Senhor, o justo Juiz, guardará para mim naquele dia, e não somente para mim, mas para todos quantos têm amado seu aparecimento. Um tema possível para esta passagem seria:
Em Três Tempos, Paulo, o Prisioneiro do Senhor, Isto é assim dividido: Expressa Triunfantemente Sua Fé
1- Versículo 6: A Ratificação de Sua Fé Quanto ao Presente.
2- Versículo 7: O Resumo de Sua Fé Quanto ao Passado.
3- Versículo 8: A Exultação de Sua Fé Quanto ao Futuro.
 
1- Versículo 6: A Ratificação de Sua Fé Quanto ao Presente.
Quando Paulo escreve: “Porque já estou sendo derramado como libação sobre o sacrifício”, ele está fazendo uma profissão de fé. Ele não denomina sua horrível prisão atual, com seu resultado que já não aparenta dúvidas, de morte, mas de libação sobre o sacrifício, comparável à libação de vinho que se derramava junto ao altar. Conforme a lei (Nm 15.1-10), quando se sacrificava um cordeiro, a libação consistia de um quarto de um hin de vinho (1 hin = 3.7 litros); quando a oferenda era um carneiro, a libação prescrita era um terço de um hin; e por um bezerro era meio hin. Como esse vinho era derramado gradualmente, era uma oferenda e era o culto final de toda a cerimônia sacrificial, representava de forma muito adequada a decadência gradual da vida de Paulo, o fato de que estava apresentando sua vida a DEUS como oferenda, e a ideia de que, enquanto olhava toda sua carreira de fé como “um sacrifício vivo” (Rm 12.1; cf. 15.16), considerava a etapa atual de sua vida como o ato sacrificial final.
Semelhantemente, quando o apóstolo acrescenta: “E o tempo de minha partida já chegou”, ele uma vez mais está fazendo um a profissão de fé. A palavra tempo (Kcapóç) é inteiramente apropriada neste contexto, porque:
a. o apóstolo está pensando não só no momento da execução, mas nessa prisão inteira e final que estava para terminar com a execução; e
b. ele vê este período final sob o simbolismo da saída de um navio, que em sua vinda e ida está sujeito às estações (cf. At 27.12).
Para, esse tempo ou estação apropriada é aqui chamada “o tempo de minha partida”. O significado primário da frase usada no original é "de minha soltura” ou “de minha liberação Pense no desamarrar das cordas ou cabos de um navio ao levantar a âncora”. Daí, a palavra soltura adquiriu o sentido secundário de partida (cf. M.M., p. 36). Consequentemente, Paulo diz que o tempo de sua partida chegara (tempo perfeito do verbo que é usado no v. 2, onde é traduzido “estar preparado”). Precisamente agora o tempo já se acha presente. O levantar âncoras e a soltura das amarras já começou. Logo o vento terá seu impacto nas velas, e então, quase imediatamente, ele alcançará o porto da eterna bem-aventurança.
É somente pela fé que as circunstâncias presentes podem ser apreciadas. Semelhantemente, em outras passagens, o apóstolo fala da morte do crente como uma partida com o fim de estar com CRISTO (Fp 1.23), bem como estar no lar com o Senhor (2Co 5.8); lucro (Fp 1,21); supremamente melhor (Fp 1.23); dormir em JESUS (ITs 4.14).
Em outros lugares das Escrituras ela é chamada preciosa aos olhos de Jeová (Sl 116.15); ser levado pelos anjos para o seio de Abraão (Lc 16.22); ir para o paraíso (Lc 23.43); ir para a casa com muitas mansões (Jo 14.2).
 
2- Versículo 7: O Resumo de Sua Fé Quanto ao Passado.
Quando o apóstolo prossegue: “O grande combate combati”, ele está uma vez mais usando a linguagem da fé; porque é evidente que um incrédulo, ao historiar a vida de Paulo depois de sua conversão, a teria denominado como uma “estultícia” ou mesmo “insanidade”, completa loucura (cf. At 26.24), certamente não “o grande combate”. Paulo, porém, por meio da própria ordem das palavras que ele selecionou (pondo cada um dos três objetos antes de seu verbo; ver minha tradução), enfatiza que foi realmente “maravilhoso”, grandioso, ou nobre, combate aquele que ele combateu; que a vereda que ele percorreu não foi empreendida ao léu, mas a carreira programada; que a vida, considerada agora como concluída, fora governada não pela fantasia ou capricho do momento, mas por aquela fé pessoal que pela graça de DEUS ele guardara até precisamente o final.
Quando Paulo resume assim seu passado, sua glória não estava em si mesmo, mas “no Senhor”. Ele está relatando o que a graça havia feito no coração do “principal dos pecadores”. Daí, sua ênfase não está posta no pronome “eu” - como alguém poderia equivocadamente inferir da tradução usual, a qual faz com que cada uma das três breves cláusulas comece com “Eu” -, mas em “o grande combate”, “a carreira”, “a fé”.
Quando o apóstolo resume sua vida como cristão sob o simbolismo de “o grande combate”, a figura subjacente provavelmente seja uma luta, uma peleja no ringue de boxe, ou uma competição ( l Tm 4 .7b , 8; 6.12). Ele faz essa comparação para indicar um prodigioso esforço de energia contra um inimigo muito poderoso.
Houve um combate contra Satanás; contra os principados e potestades, os dominadores do mundo das trevas nas regiões celestes; contra os vícios e violências de judeus e pagãos; contra o judaísmo entre os gálatas; contra o fanatismo entre os tessalonicenses; contra as contendas, a fornicação e os litígios entre os coríntios; contra o gnosticismo incipiente entre os efésios e os Colossenses; de fora, os conflitos; de dentro, os temores; e, finalmente, porém não menos importante, contra a lei do pecado e da morte que operava em seu próprio coração.
Paulo, porém, é capaz de dizer triunfantemente: “o grande combate eu combati.” E inútil dizer que isto não é estritamente verídico porque Paulo não tinha realmente ainda chegado ao patíbulo. Quando a morte está bem perto e bem certa, é fácil para a mente projetar-se rumo ao futuro próximo, de onde então ele volta seus olhos para o passado e se regozija não só nesse passado, mas na bênção presente que o passado produziu. Nosso Senhor usa uma linguagem semelhante que deve ser explicada de forma também semelhante (ver C.N.T. sobre João 17.4).
Quando o apóstolo acrescenta: “a carreira eu terminei” - na verdade, uma corrida de obstáculos ele enfatiza o fato de que em sua vida como crente cumpriu plenamente este ministério para o qual o Senhor o chamara (a passagem que lança luz sobre esse fato é At  20.24); seu olho, como o de um corredor habilidoso, esteve todo o tempo posto no ponto final da corrida: a glória de DEUS por meio da salvação de pecadores (Gl 2.2; 5.7; Fp 2.16; cf. At 12.1, 2).
Paulo era certamente um homem com esta única e santa paixão, com este único objetivo em mente, de modo que a figura da corrida é muito apropriada, é evidente à luz de palavras tais como as seguintes:
“Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns. Faço tudo isto por causa do evangelho, para ser coparticipante dele... Portanto, quer comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de DEUS. Também eu procuro agradar a todos de todas as formas. Porque não estou procurando meu próprio bem, mas o bem de muitos, para que sejam salvos” (1 Co 9.22-24; 10.31 - 33). E cf. 3.7-14.
Ao inventariar o passado, Paulo finalmente deixa de lado a própria metáfora, e escreve: “A fé eu guardei.” Aqui, como em 1 Timóteo 6.12, o significado provavelmente não seja: “mantive o acordo” (ou “fidelidade”), nem “mantive a doutrina genuína” (“fé” no sentido objetivo), mas, em harmonia com o presente contexto, “retive minha confiança pessoal em DEUS, minha confiança em todas suas promessas centradas em CRISTO. Na arena espiritual da vida, não só combati arduamente e corri bem, mas também fui sustentado até o fim pela convicção profundamente arraigada de que receberei o prêmio, o glorioso galardão” (ver o próximo versículo).
 
3-  A Exultação de Sua Fé em Relação ao Futuro
Havendo considerado o presente e o passado, Paulo volta seus olhos para o futuro. Isso, como já se tornou evidente, é plenamente natural; porque a nobre batalha, deflagrada com sucesso, a carreira corrida satisfatoriamente, clamam por uma recompensa de graça. Consequentemente, o apóstolo escreve: “Para o futuro”, e em seguida nos diz o que ele confiantemente espera. Diz ele: “Há seguramente depositado para mim (note a força do verbo composto grego ánrneim), de modo que o inimigo não pode jamais privar-me dela, a coroa - a coroa do vencedor (ver  2Tm 2.5) - da justiça”, ou seja, a coroa que me é de direito como um galardão pela vida que em princípio tem estado em conformidade com a lei de DEUS (ver 2Tm 2.22; 3.16; Tt 3.5). É evidente que essa coroa é de Paulo por direito, direito esse fundamentado na graça; porque:
a- Para aqueles que enfrentam a grande luta, correm a corrida e guardam a fé (em outros termos: para Paulo e outros como ele), DEUS prometeu conferir a coroa (I Tm 6.12; Tg 1.12; I Pe 5.4; Ap 2.10).
b- CRISTO a mereceu para eles (ver sobre Tt 3.5, 6). Ora, esta passagem simplesmente declara que a coroa ou recompensa é justa, porém não indica sua natureza. A luz de outras passagens sabemos que ela significa vida eterna (ITm 6.12; cf. Tg 1.12; I Pe 5.4; Ap 2.10), aqui (em 2Tm 4.8), que é como algo que se possui e se experimenta no novo céu e na nova terra.
O apóstolo continua: “a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia.” Este Senhor e Juiz é CRISTO JESUS (ver o v. 1). E este Juiz ou Arbitro respeita as normas do jogo que ele mesmo estabeleceu. Ele é o justo Juiz, que naquele dia notável, o dia de sua segunda vinda (ver sobre 2 Tm 1.12, 18; cf. 2 Ts 1.10) entregará o que é devido (note o verbo usado no original, sobre o qual passagens tais como Mt 20.8, 13 e Rm 2.6 derramam sobeja luz). Para todas as pessoas que, como Paulo, são condenadas injustamente, a ideia de um juízo vindouro, quando serão vindicados por um Juiz justo, está saturada de conforto.
Este Juiz justo, diz Paulo, me conferirá a coroa de justiça. Todavia, não a mim exclusivamente, mas a todos quantos amam seu aparecimento, sua radiante segunda vinda (como no v. 1). Note a palavra cunam, não temem, porque o amor perfeito lança fora o medo (1 Jo 4.18). Quando o ESPÍRITO e a noiva disserem: “Vem”, cada pessoa que realmente ama o Senhor também dirá: “Vem.” E quando o Senhor responder: “Eis que depressa venho”, a resposta imediata será: “Amém. Vem, Senhor JESUS.” De todos os indícios de que alguém ama o Senhor, um dos melhores é este fervoroso anelo de que ele regresse, porque tal pessoa está pensando não só em si e em sua glória pessoal, mas também em seu Senhor e na vindicação pública dele. A coroa aguarda tais pessoas. E essa coroa, distinta das terrenas, é imarcescível (I Co 9.25).
 
9 Faça o máximo possível para vir ter comigo depressa; 10 pois Demas me abandonou, porque se deixou levar pelo amor do presente mundo, e foi para Tessalônica; Crescente foi para Galácia. Tito, para Dalmácia. 11 Somente Lucas ficou comigo. Tome a Marcos e traga-o com você, porque ele me é muito útil para o ministério. 12 Agora estou comissionando Tíquico para Éfeso. 13 Quando vier, traga com você a capa que deixei em Trôade com Carpo; também os livros, especialmente os pergaminhos. 14 Alexandre, o latoeiro, me causou muito dano. O Senhor lhe restituirá de acordo com seus feitos. 15 Você também, esteja em guarda contra ele, porque vigorosamente se opôs às nossas palavras. 16 Em minha primeira defesa, ninguém esteve ao meu lado, mas todos me abandonaram; que isso não lhes seja levado em conta! 17 O Senhor, porém, esteve ao meu lado, e me deu força, a fim de que, por meu intermédio, a mensagem pudesse ser plenamente proclamada, e todos os gentios pudessem ouvi-la, e eu fui resgatado da boca do leão.
 
Este parágrafo consiste, em geral, de itens de informação pessoal, solicitações e saudações. Pode ser dividido em cinco parágrafos secundários, da seguinte maneira;
a- versículos 9-13: Paulo dá vazão à saudade que sente e à necessidade de mais obreiros para o reino, solicita sua capa, os livros e pergaminhos e a célere chegada de Timóteo.
b- versículos 14, 15: Adverte Timóteo contra Alexandre, o latoeiro.
c- versículos 16-18: À luz da maneira como o Senhor o fortalecera durante sua “primeira defesa”, Paulo deriva conforto para o presente e para o futuro.
d- Versículos 19-21: Saudações a certos crentes individuais e de outros crentes, informações acerca de outros, reiteração do pedido a Timóteo de sua vinda imediata.
e- versículo 22: Bênção.
 
9, 10, 11a. Faça o máximo possível para vir ter comigo depressa.
Paulo, escrevendo de uma masmorra fria e úmida em Roma, e encarando a morte, anseia ter a presença de seu “amado filho”, Timóteo. Ele quer que o mesmo venha logo, ou seja, “antes do inverno” (ver sobre o v. 21). A razão para o sentimento de saudade, do apóstolo, é a seguinte: Pois Demas me abandonou, porque se deixou levar pelo amor do presente mundo, e foi para Tessalônica; Crescente [foi] para Galácia, Tito, para Dalmácia. Somente Lucas ficou comigo.
Durante algum tempo, Demas fora assistente de Paulo no ministério do evangelho (Fm 24). Durante a primeira prisão em Roma, Demas também estivera em Roma. Duas vezes o apóstolo faz menção dele juntamente com Lucas, o médico amado (Cl 4.14; Fm 25). Parece ser uma inferência segura dessa passagem que, durante a segunda prisão em Roma, Demas novamente estivera em Roma e estivera servindo ao reino. Daí serem muito patéticas estas dolorosas palavras: “Faça o máximo possível em vir ter comigo depressa, pois Demas me abandonou.” O verbo usado no original implica que Demas não havia meramente deixado Paulo (no cumprimento desta ou daquela missão), mas que o havia deixado numa situação difícil, o havia abandonado, desamparado. A separação não era apenas local, mas também espiritual. Paulo se sente profundamente defraudado por Demas. Este se foi porque se deixou levar pelo amor da presente era, o “mundo” deste lado do muro, a era transitória que, a despeito de todos seus prazeres e tesouros, depressa passará (ver sobre ITm 6.17). Note o contraste agudo e provavelmente intencional entre aquele que amou este mundo (v. 9) e aqueles que amam a Epifania (v. 8). Além do mais, em nenhuma outra parte aparece sequer uma palavra sobre a restauração de Demas. Provavelmente não deva ele ser posto na mesma categoria com Marcos. Não se sabe por que Demas se foi para Tessalônica e não para outro lugar. Talvez pensasse que os desejos mais profundos de sua alma pudessem ser satisfeitos ali mais que em qualquer outro lugar. Teria ele deixado Roma por ser aquela capital, nesse tempo, o lugar mais perigoso em que um cristão pudesse viver? Porventura tinha negócios, amigos ou parentes em Tessalônica? Não sabemos.
Paulo acrescenta: “Crescente [foi] para Galácia”. Em vez de Galácia, outra redação tem Gália. Esta, pois, seria a região que hoje se chama França mais alguns territórios adjacentes. É impossível determinar qual dessas duas redações está certa. Daí, não sabemos para onde Crescente foi. Tampouco temos informação confiável sobre Crescente além daquela que esta presente passagem fornece.
“Tito [foi] para Dalmácia”, continua Paulo. Parece que depois da visita de Tito a Jerusalém à guisa de teste (Gl 2.21), todas suas missões se voltaram para as províncias europeias. Sempre que, longe de Paulo, ele estivesse numa missão, nunca ficava longe demais da costa oriental do Mar Adriático, ou de sua extensão sul, o Mar Jônico. Por sua capacidade, coragem e consagração, ele sabia manejar os rixosos coríntios, os mentirosos cretenses e os famosamente belicosos dálmatas. Cf. Romanos 15.19. Em contraste com Demas, que abandonara Paulo, devemos crer que ambos, Crescente e Tito, iam aonde o dever os chamasse. Ver também sobre Tito 3.12.
“Somente Lucas está comigo.” O autor do terceiro Evangelho era uma pessoa notável. Era “o médico amado” (Cl 4.14), sempre leal a Paulo, ao evangelho, ao Senhor. “Havia sido amiúde companheiro de viagens de Paulo, como indica a seção em que ele usa o pronome ‘nós” em Atos (16.10-17; 20.6-16; 21; 27; 28). Estivera com Paulo na segunda viagem missionária, em Trôade e em Filipos. Evidentemente, fora deixado para trás, no último lugar (At 16.17-19). Para o final da terceira viagem parece ter-se reunido com Paulo em Filipos (At 20.60), e o acompanhou a Jerusalém. Por um tempo o perdemos de vista. Mas, de repente, reaparece, porquanto está acompanhando Paulo na longa e perigosa viagem da Palestina a Roma (At 27). Está com o apóstolo durante a primeira e segunda prisão em Roma (Cl 4.14; Fm 24; 2Tm 4 . 1I). Paulo necessitava de um médico e um amigo. Lucas era ambas as coisas; e direta ou indiretamente também servia a Paulo como secretário.
Lucas e Paulo tinham muito em comum. Ambos eram homens educados. homens cultos. Ambos eram de um coração grande, compreensivos, compassivos. Acima de tudo, ambos eram crentes e missionários.
Se Lucas, porém, era um amigo tão maravilhoso, por que diz Paulo: “Somente Lucas está comigo”? É possível pressupor a seguinte resposta:
a. A própria presença, de vez em quando, de ninguém mais, além de Lucas, tornou a ausência dos demais mais notável, especialmente em contraste com as circunstâncias de Paulo durante sua primeira prisão, quando lhe era permitido receber a todos os que viessem vê-lo (At 28.30). Além disso,
b. Aqui poderia haver mais que uma expressão de solidão. É inteiramente possível que o apóstolo também quisesse enfatizar o fato de que ele estava carente de auxílio, que não havia ceifeiros em número suficiente; talvez nem mesmo um número suficiente para suprir adequadamente as necessidades espirituais daqueles crentes que estavam ainda em Roma.
Deve-se enfatizar que, tudo quanto é dito nos versículos 10 e 11, em relação a Demas, Crescente e Lucas, tem o propósito de insistir com Timóteo que envide todo esforço possível para vir depressa.
11b, 12,13. Olhando para essa vinda de Timóteo, o apóstolo continua: Tome Marcos e traga-o com você, porque ele será de muita utilidade para [o] ministério. A residência de Marcos ficava em Jerusalém (At 12.12). Ele havia abandonado Paulo e Barnabé na primeira viagem missionária, portanto, Paulo se negou levá-lo na segunda viagem. Então Barnabé tomou Marcos e embarcou para Chifre (At 15.36-41). Não obstante, posteriormente encontramos novamente Marcos na companhia de Paulo em Roma durante a primeira prisão do apóstolo (Cl 4.10; Fm 24). Depois do martírio de Pedro, parece que Marcos novamente chegou a ser auxiliar de Paulo. A pedido de Paulo, e em cooperação com Timóteo, poderia ter percorrido as igrejas da Ásia Menor no tempo em que Paulo estava escrevendo 2 Timóteo. Ele solicita a Timóteo que, ao sair para Roma, “tome-o”, porque Paulo sabe que Marcos agora lhe é de muita utilidade “para o ministério”. A implicação provavelmente seja esta: uma vez que Marcos experimentou uma mudança para melhor, havendo levado a sério a lição que seu fracasso anterior lhe ensinara, e uma vez que ele conhece bem Roma e a situação da igreja nessa cidade, aqui em Roma será o homem idôneo para este lugar. O contexto indica que quando Paulo usa a expressão ministério ou serviço, ele está pensando na obra do reino, serviço no interesse do evangelho, e não significa meramente “Ele pode cumprir certos deveres para tornar a vida mais fácil para mim pessoalmente”.
Continuando, pois, nesta mesma linha, o homem que mesmo na masmorra é o grande superintendente de missões, diz: Agora estou comissionando Tíquico (provavelmente um aoristo epistolar) para Éfeso. Tíquico (nome próprio grego, que significa “fortuito”) era um irmão amado, ministro fiel e colaborador no evangelho, homem digno de toda confiança. Era um dos vários amigos íntimos de Paulo que acompanharam o apóstolo, quando no final da terceira viagem estava regressando da Grécia para a Ásia através da Macedônia, com o propósito de ir a Jerusalém numa missão caritativa (At 20.4). Também mais tarde, durante a primeira prisão romana, Tíquico estivera com Paulo.
Fora-lhe comissionado pelo apóstolo para levar à sua destinação a carta aos Efésios, a carta aos Colossenses e, provavelmente, também aquela a Filemom. Além do mais, ele era a pessoa certa para proporcionar a “atmosfera” necessária - informação mais detalhada sobre as circunstâncias de Paulo - , a fim de que as cartas pudessem ser assimiladas com maior prontidão (Ef 6.21; Cl 4.7). Durante o intervalo entre a primeira e a segunda prisões romanas, Tíquico está novamente (ou ainda) trabalhando em estreita cooperação com Paulo (ver sobre Tt 3.12). E agora, durante a segunda prisão romana, Paulo entende que Tíquico é a pessoa lógica para enviar a Éfeso com essa carta (2 Timóteo). Além disso, ele é também o homem certo para servir provisoriamente como diretor das atividades nas igrejas da Ásia Menor, como substituto de Timóteo durante a ausência deste, a qual seria de mais extensa duração, visto que Timóteo não poderia regressar a Éfeso até pelo menos abril (ver sobre o v. 21).
Timóteo, pois, não deve hesitar em deixar Éfeso. A obra continuaria sob a direção de outro líder digno de confiança, a saber, Tíquico. Ai a sua obra não seria prejudicada. Quando Timóteo sair para Roma, ele deve, além do mais, levar com ele umas poucas coisas de que Paulo necessitava: Quando vier, traga a capa que deixei em Trôade com Carpo; também os livros, especialmente os pergaminhos.
A palavra traduzida “capa” (por metátese, transliteração do latim pcenula) indica um tipo de manta de lã rústica que era usada como túnica externa para proteger contra o frio e a chuva. Tinha uma abertura no meio para passar a cabeça. Não tinha mangas. Em latim esse é o sentido mais usual da palavra. Em grego é o sentido que conta com maior endosso dos papiros. A conotação pasta para documentos, protetor de livros ou saco/a, um receptáculo para documentos importantes e/ou livros, às vezes é encontrada e sempre há quem atribua esse sentido à palavra nessa passagem.
O apóstolo, porém, não parece estar solicitando sua pasta de documentos, mas dois tipos diferentes de objetos:
a. “a pcenula” capa e
b. “os livros, especialmente os pergaminhos.” É possível que a. e b. tivessem em comum unicamente isto: que eram incômodos para ser conduzidos durante todo o tempo, por exemplo, em tempo quente. Assim Paulo poderia tê-los deixado com Carpo (se não fosse por essa menção, nada saberíamos dele), com a intenção de voltar logo e levar essas coisas consigo. Seja qual for a razão por que isso não fora feito, o apóstolo sente falta de sua capa naquela masmorra fria e úmida, e com o inverno a dar ares de sua chegada, e solicita a Timóteo que a traga consigo, quando vier. Trôade não ficava longe da sede de Timóteo em Éfeso.
E Timóteo deve ainda trazer “os livros, especialmente os pergaminhos”. Os “livros” eram, com toda probabilidade, rolos de papiro; os “pergaminhos” ou “membranas” eram peles de ovelhas, cordeiros, cabras ou bezerros, especialmente preparadas para escrita. Paulo quer os livros, mas sobretudo os pergaminhos. Qual era o conteúdo desses livros e pergaminhos? Não é natural presumir que o prisioneiro do Senhor desejasse, acima de tudo, passar suas poucas semanas ou meses em meditação na Palavra de DEUS? De resto, simplesmente não sabemos seu conteúdo exato, e é inútil acrescentar algo às conjeturas já feitas.
É evidente que o crente, em seu anseio de prover para sua necessidade intelectual e espiritual (livros, pergaminhos) não se vê obrigado a ignorar as necessidades do corpo (“a capa”). Isto nos lembra o caso bem familiar em que, sob circunstâncias análogas, outro guerreiro da cruz escreveu um recado semelhante muitos séculos depois. Foi William Tyndale, o bem conhecido tradutor da Bíblia para o inglês, que de sua fria cela carcerária em Vilvoorde solicitou que, em vista da proximidade do inverno (semelhante a Paulo!), levassem-lhe uma capa, uma camisa de lã, um gorro e, sobretudo, sua Bíblia em hebraico, a gramática e o vocabulário.
14, 15. Chegamos ao segundo parágrafo (ver p. 390), uma advertência contra um aguerrido inimigo da fé: Alexandre, o latoeiro, me fez muito dano.
Não é fácil reconstruir as circunstâncias sob as quais Alexandre se opôs a Paulo e à boa causa que este representava. Não obstante, pode-se afirmar quase com toda certeza que houve um julgamento (isso, à luz do contexto sobre o julgamento; ver v. 16, embora o julgamento em referência provavelmente não seja o mesmo em que Alexandre participou; ver comentário sobre esse versículo). Nesse julgamento, Alexandre fora um acusador ou testemunha de acusação. Quem era esse Alexandre? Seu nome era tão comum então, como Antônio, José, Joaquim (Mc 15.21; At 4.6; 19.33, 34; ITm 1.19, 20; 2Tm 4.14, provavelmente cinco Alexandres distintos). A luz do contexto, parece que esse Alexandre estava vivendo em Roma; pois é racional imaginar que foi especialmente em Roma que ele pôde opor-se a Paulo, que estava nessa cidade. Ora, se essa inferência é correta, provavelmente o mesmo não deva ser identificado com o Alexandre mencionado em 1 Timóteo 1.20, nem com o Alexandre de Atos 19.33, 34, porque esses Alexandres viviam na região de Éfeso.
 Então o presente Alexandre provavelmente seria uma pessoa diferente. Ele é o latoeiro (o significado primário é candeeiro, então trabalhador em metal em geral; cf. Gn 4.22 LXX). Ora, em conexão com o tribunal, Alexandre, por meio de atos (v. 14) e palavras (v. 15) conseguira prejudicar Paulo. Sem dúvida, colaborara na produção de uma decisão adversa para o apóstolo, embora não saibamos se a sentença “condenado à morte” já havia sido pronunciada ou fora comunicada ao apóstolo. Não obstante, sabemos que tal sentença era definida, e que Paulo já sabia. Ele sabia que estava para morrer (ver sobre 4.6, 7, 8; também o v. 18). Mas em vez de vingar-se de Alexandre, ele deixa inteiramente com o Senhor a questão da retribuição (Dt 32.34; cf. Rm 12.17-19; I Pe 2.23). Daí, acrescenta imediatamente: O Senhor lhe restituirá [melhor redação] de acordo com seus feitos. Quando CRISTO regressar para julgar (ver sobre vv. 1 e 8), ele não esquecerá o que fez Alexandre, mas dará o que lhe é devido (mesmo verbo que no v. 8, onde é usado num sentido favorável). Ver Salmo 62.12; Provérbios 24.12; Mateus 25.31-46; João 5.28, 29; Rm 2.6; 2 Coríntios 11.15; Apocalipse 2.23; 20.13.
Paulo prossegue: Que você também se ponha em guarda contra ele, porque vigorosamente se opôs às nossas palavras. “Ser advertido de antemão é armar-se em tempo.” Que Timóteo, ao vir para Roma, se ponha constantemente de guarda contra esse Alexandre perverso, o qual fará tudo para prejudicar o discípulo ainda antes que o mesmo tenha visto seu mestre. Que ele tome as precauções necessárias para que saiba o que dizer e o que fazer se e quando se vir diante de Alexandre. E, sendo a oração em todos os tempos o melhor profilático, que ele ore sobre essa questão, a fim de que lhe sejam dadas palavras apropriadas quando tiver necessidade das mesmas, e lhe sejam sugeridas ações apropriadas.
Esse Alexandre era um perseguidor implacável, alguém que vigorosamente (a ênfase está posta nessa palavra) se põe contra — daí, resistiu, opôs-se (M t 5.39; Lc 21.15; At 6.10; 13.8; Rm 9.19; Gl 2.11; Ef 6.13; 2Tm 3.8; 4.15; Tg 4.7; I Pe 5.9) - “às nossas palavras”, ou seja, os argumentos da defesa, defesa esta na qual o apóstolo fora assistido por outros (Onesíforo, Lucas?, ver sobre 2 Tm 1.15, 16; 4.11), como o modificador nossas o indica.
16-18. Essa palavra nossas (“nossas palavras”), em vez de minhas, traz à mente o passado. Teria havido outro julgamento. Nessa primeira defesa, ninguém tomou o partido de Paulo. Entende-se prontamente por que Paulo fala do julgamento como uma defesa (literalmente, “apologia”, no sentido de discurso que vindica de uma acusação), porque essa fora feliz parte nele. Então, nesse primeiro julgamento, Paulo ficara sozinho. Inteiramente sozinho? Não, porque o Senhor fizera sentir sua presença de um a forma notável. Da forma como o Senhor então o fortaleceu, Paulo extrai fortaleza para o presente e para o futuro. Timóteo também deve cobrar ânimo. Em geral, este é o sentido do terceiro subparágrafo que se segue.
Primeiro, analisá-lo-ei positivamente, dando uma interpretação que por muitos é considerada “a mais natural”, mesmo que ainda hoje ela não seja muito amplamente aceita; então negativamente, mostrando as dificuldades que cercam a interpretação oposta.
Em minha primeira defesa, ninguém esteve ao meu lado, mas todos me abandonaram.
Paulo, entregue agora às reminiscências, disposição que alguém adquire quando chega ao final da vida terrena, e tem a oportunidade de olhar para o passado, lembra vividamente esse outro julgamento, o qual, se tais intérpretes têm razão, ocorrera alguns anos antes. Naquele tempo, ninguém viera para pôr-se a seu lado em sua defesa. Isso foi durante o tempo de sua primeira prisão em Roma. Que diferença entre então e agora, no que se refere ao atual julgamento. Agora, durante esta segunda prisão romana, Demas o abandonou (ver sobre v. 10), e “todos os da Ásia” se apartaram dele (ver sobre 2Tm 1.15). Onesíforo, porém, veio da Ásia, e Lucas permaneceu fiel. Mas, durante essa prisão prévia, nem uma única pessoa se apresentara como testemunha em defesa de Paulo. Todos desertaram. Por quê? Dominados pelo medo? Ou, possivelmente, o sentimento: o apóstolo não carece de nós, porque os romanos se sentem favoravelmente inclinados para ele, e não se apresentou nenhum acusador para impor sua acusação? Ver pp. 38-39.
Não obstante, seja como for, até certa medida, Paulo se sentira frustrado. Porém sabe perdoar. Por isso, ele prossegue: Que isso não lhes seja levado em conta. Este desejo em forma de oração está inteiramente em harmonia com o espírito de CRISTO (Lc 23.34), de Estêvão (Al 7.60) e... do próprio Paulo (I Co 13.5).
O Senhor, porém, esteve ao meu lado e me deu força. Sabemos com certeza de Filipenses 4.13 que, durante sua primeira prisão, esta foi de fato a bendita experiência de Paulo. O Senhor (JESUS CRISTO) esteve ao lado dele e o fortaleceu (cf. ITm 1.12; a mesma palavra de Ef 4.13; e cf. At 9.22; Rm 4.20; Ef 6.10), e isto não só durante aquela prisão, mas ainda em seu caminho para ela (At 23.11; 27.23). E o propósito fora este: a fim de que, por meu intermédio, a mensagem fosse plenamente proclamada (literalmente, “para que por meu intermédio a mensagem proclamada - ou “pregação”, “kerugma”, ver sobre v. 2 - pudesse ser cumprida ou consumada”), e todos os gentios a ouvissem.
A seguinte interpretação é natural: Fui posto em liberdade para que, depois de minha absolvição, pudesse completar minha tarefa de proclamar o evangelho de salvação, a fim de que não só os gentios ao oriente de Roma, mas também os do ocidente pudessem ouvi-lo. A mensagem do evangelho de Paulo, a palavra pregada por ele, deve chegar aos limites do Ocidente. A Espanha não podia ser omitida (Rm 15.24, 28). E eu fui resgatado de [a] boca de [o] leão. Provavelmente esta seja simplesmente uma forma idiomática de dizer: “Eu fui libertado das garras da morte” (exfciucibus mortis, Calvino), e não uma referência específica a Satanás, Nero, ou um leão literal do anfiteatro. Com toda probabilidade isso, como é evidente à luz de Salmo 22.21, 22 (passagem sobre a qual está baseada a expressão figurada de Paulo). significa livramento completo. Paulo recebeu capacitação para declarar o nome do Senhor por toda parte. Sua primeira prisão romana terminou em plena absolvição e em mais viagens missionárias. A luz desta experiência do passado o apóstolo extrai ânimo: E o Senhor me livrará de toda obra maligna e me salvará [conduzindo-me | para seu reino celestial]. Note o paralelo: Em minha primeira defesa, todos me abandonaram (v. 16). Agora, Demas me abandonou (v. 10). O mesmo verbo em ambos os casos. Em minha primeira defesa, eu fui resgatado (v. 17). Agora, “o Senhor me resgatará” (v. 18). Novamente, o mesmo verbo em ambas as vezes. A ênfase recai sobre essa atividade divina de resgate. No passado houve perigo. Agora, também havia o que os homens consideram perigoso. No passado, porém, o Senhor interviera; agora, novamente ele intervirá decisivamente para livrar (que é o sentido de resgate, como em I Ts 1.10). No passado, Paulo fora resgatado da morte. Agora, ele será resgatado por meio da morte. Em nenhum dos dois casos sua alma perecerá. Ele nunca estará separado do amor de DEUS em CRISTO.
Destruir Paulo, espiritualmente, e aniquilar o reino de CRISTO é, não obstante, em todo tempo, exatamente o desígnio de Satanás. Todos os esforços que ele empreende para concretizar este sinistro propósito constituem sua obra maligna. Paulo, porém, está convencido de que, no passado e também agora, “o Senhor me livrará de toda obra maligna”, ainda que não de todo dano físico. O homem que escreveu 2 Coríntios 11.22-33 não espera imunidade contra os maus-tratos corporais! Mas o Senhor (JESUS CRISTO) me salvará (esta é uma expressão abreviada que significa “ele me salvará, levando-me a”, ou simplesmente significa “me salvará para”, ambas as interpretações produzindo o mesmo sentido resultante) seu reino celestial. O Senhor está para conduzir Paulo ao céu, ou seja, àquele reino que, embora visto na terra em sombras, tem sua sede no céu, e pertence ao céu quanto a sua essência e plenitude (ver sobre v. 1).
A expressão “o Senhor... me salvará a (ou para) seu reino celestial” implica que Paulo esperava ir para o céu imediatamente após a morte. Esta é a doutrina bíblica por toda parte. Assim, o salmista espera ser bem-vindo no reino da glória quando morrer (Sl 73.24, 25). “Lázaro” é imediatamente levado pelos anjos para o seio de Abraão (Lc 16, ver especialmente v. 22). O ladrão penitente entra no Paraíso imediatamente, junto com seu Senhor (Lc 23.43). Paulo está convencido de que, quando a tenda terrena se desfizer, o edifício de DEUS, “eterno nos céus”, estará pronto para receber o crente (2Co 5.1); que a morte é “lucro” (Fp 1.21), o que não seria verdadeiro se ela significasse extinção da existência ou a passagem para o esquecimento; e que partir desta terra significa estar com CRISTO, condição esta “muitíssimo melhor que o prosseguimento da vida aqui em baixo (Fp 1.23)”. E o livro de Apocalipse retrata as almas dos mártires como tendo sido trasladadas imediatamente para o céu, e como estando muito felizes e ocupadíssimas naquela região de bem-aventurança (Ap 7.13-17).
Paulo não se enche de espanto quando pensa em sua iminente partida desta terra. Ao contrário disto, visto que esta partida é muitíssimo melhor que permanecer na terra, sua alma se enche de êxtase. Daí, não surpreende que surja esta doxologia: A ele, a glória para todo o sempre. Amém. Cf. Gálatas 1.5; aqui, porém, em 2 Timóteo 4.18, a glória que nunca cessa é atribuída a CRISTO, o Senhor. C f. Romanos 9.5; 16.27.  E vai acrescentar a palavra solene de afirmação ou confirmação, “Amém". Sobre a qual, ver C.N.T. sobre João, Vol. I, p. 111,), o apóstolo mostra que de todo o coração deseja (se o verbo omitido for “seja”) ou definitivamente declara (se deve entender “é” , como em I Pe 4.11 e naqueles textos de Mt 6.13 que contêm a doxologia da oração do Senhor) que a glória de CRISTO - o radiante esplendor de todos seus maravilhosos atributos - seja (ou “é”) sua possessão do mundo sem-fim.
A interpretação que tem sido apresentada, segundo a qual a expressão “minha primeira defesa” se refere à primeira prisão romana, particularmente ao julgamento que então transcorreu e o qual resultou na absolvição de Paulo e nas muitas viagens, é endossada pelo testemunho da tradição. Que Eusébio assim interpreta a passagem é evidente à luz da citação que já foi apresentada (ver p. 40). Cf. também com Crisóstomo. X I).
William Hendriksen, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 191-6 (Comentário do Novo Testamento) 
 
Questionário da Lição 10, O Líder Diante da Chegada da Morte
3º trimestre de 2015 - A Igreja E O Seu Testemunho - As Ordenanças De CRISTO Nas Cartas Pastorais
Comentarista da CPAD: Pr. Elinaldo Renovato de Lima
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Complete os espaços vazios e marque com"V" as respostas Verdadeiras e com"F" as Falsas, conforme a revista da CPAD.
 
TEXTO ÁUREO
1- Complete:
"Combati o bom ___________________________, acabei a __________________________, guardei a _________________." (2 Tm 4.7)

VERDADE PRÁTICA
2- Complete:
_______________________ do crente não é o fim, mas a __________________________ para a glória eterna, na _________________________ de DEUS.
 
I. A CONSCIÊNCIA DA MORTE NÃO TRAZ DESESPERO AO CRENTE FIEL
3- Como Paulo demonstrou seriedade diante da morte?
(    ) Esta era uma oferta de caráter obrigatório, "de cheiro suave ao Senhor"
(    ) Enquanto Timóteo ainda era um jovem obreiro, Paulo já estava idoso, e tinha consciência de que estava no fim de sua longa, sacrificada e honrosa missão.
(    ) Paulo assegura que seu sangue seria derramado como uma oferta de libação.
(    ) Esta era uma oferta de caráter voluntário, "de cheiro suave ao Senhor"
(    ) Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal, "libação era uma oferta líquida e consistia em derramar vinho sobre o altar como um sacrifício a DEUS".
(    ) Não era uma oferta pelos pecados, mas uma oferta de gratidão ao Senhor.

4- Cite três indicativos da consciência da proximidade de sua partida para a eternidade, indicadas por Paulo:
(    ) Combati o bom combate,  Acabei a carreira, agora me despeço definitivamente.
(    ) Combati o bom combate,  Terminei uma obra e Estou com fé de que morrerei em breve.
(    ) Combati o bom combate,  Acabei a carreira e Guardei a fé.

5- O que significa "Combati o bom combate"?
(    ) Somente dois apóstolos de JESUS eram homens que combatiam "pela fé que uma vez foi dada aos santos". Mas somente Paulo sofreu pelo evangelho, mais do que todos.
(    ) Todos os apóstolos de JESUS eram homens que combatiam "pela fé que uma vez foi dada aos santos". Mas nenhum teve tantas oposições e ameaças quanto Paulo.
(    ) Foi um obreiro muito perseguido, mas nunca desistiu da luta espiritual em prol do evangelho. Que você também não desista diante das dificuldades e oposições.

6- O que significa "Acabei a carreira"?
(    ) Em sua carreira ou "corrida", Paulo olha para trás, vê o perigo e ora ao Senhor que o livre desta hora.
(    ) O texto indica que Paulo se referia à "pista de corrida", das competições em Atenas e em Roma.
(    ) Em sua carreira ou "corrida", ele diz que não olhava para trás, mas para as coisas que estavam diante dele, prosseguindo "para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de DEUS em CRISTO JESUS".
(    ) Muitos começam a carreira da vida cristã bem, mas desistem ou recuam ante os obstáculos e os problemas que surgem.
(    ) O pastor de uma igreja não pode se acovardar diante das dificuldades, mas firmado em CRISTO precisa prosseguir até o final.

7- O que significa "Guardei a fé"?
(    ) Isso quer dizer que Paulo foi fiel a DEUS, em todas as circunstâncias de sua vida cristã.
(    ) Ele não se embaraçou "com os negócios dessa vida" e militou legitimamente.
(    ) Guardar a fé significa guardar a fidelidade a CRISTO e a seus ensinamentos.
(    ) Guardar a fé significa guardar a fé somente em CRISTO e só depender de seus companheiros de jornada.
(    ) O crente precisa guardar a fé até o seu último momento de vida. Paulo ensinou a Timóteo e à Igreja do Senhor a respeito desse cuidado.
(    ) O crente é consolado pela fé; a justiça de DEUS é pela fé; o homem é justificado pela fé; o justo vive pela fé; a salvação é pela graça mediante a fé em JESUS.
(    ) Paulo sabia o que era lutar e guardar a "fé que uma vez foi dada aos santos".
 
II. O SENTIMENTO DE ABANDONO
8- Como foi o clamor de Paulo na solidão?
(    ) No início da Segunda Carta, Paulo já havia demonstrado que sentia muito a falta de Timóteo: "[...] desejando muito ver-te [...]".
(    ) No final da epístola, vemos a súplica de Paulo ao seu filho na fé: "Procura vir ter comigo depressa".
(    ) Ele também revela o porquê de sua pressa em rever seu filho na fé.
(    ) Paulo tinha pressa em rever seu filho na fé, Timóteo, pois seus livros estavam com ele.
 
9- Por que a pressa de Paulo em rever seu filho na fé, Timóteo? Complete:
a) Demas o ____________________________. "Porque Demas me _________________________, amando o presente _________________________, e foi para Tessalônica" (2Tm 4. 10). Demas era um dos cooperadores de Paulo (Cl 4.14; Fm 24). Porém, será que ele havia se desviado? Não sabemos ao certo. O texto bíblico mostra que ele abandonou Paulo quando este precisava muito de sua ajuda. O versículo também afirma que no momento, Demas __________________________ mais o "presente século" do que o amigo e irmão em CRISTO. Os momentos de adversidade revelam aqueles que são realmente amigos e que nos amam.
b) Só o __________________________ amado ficou com Paulo. __________________________ foi mandado para Éfeso (4.12) e só Lucas ficou junto de Paulo (4.11). Lucas, "o médico amado" (Cl 4.14), escritor do livro de Atos dos Apóstolos e cooperador do apóstolo (Fm 24), fez-se presente, dando toda assistência a Paulo. Sem dúvida alguma, fora providência de DEUS. Em idade _________________________ (Fm 9), Paulo precisava de cuidados médicos, físicos e emocionais. E ali estava o _________________________ Lucas, seu amigo, que não o desamparou.
 
10- "Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos" (v. 13).  Como foi a serenidade dos últimos dias de Paulo?
(    ) Paulo sentia a necessidade da capa de chuva que deixou na casa de Carpo,em Trôade, pois estava próximo o verão e seus temporais.
(    ) A prisão de Paulo se deu tão de repente que ele não teve tempo para reunir suas coisas.
(    ) Agora, aproximava-se o inverno (v. 21), e Paulo sentia a necessidade da capa que deixou na casa de Carpo e também dos livros.
(    ) Sabemos quão rigoroso é o inverno europeu. O texto também nos mostra que até o fim de sua vida, Paulo se preocupou em ler e estudar. Tem você dedicado tempo ao estudo da Palavra de DEUS?
(    ) O seu julgamento, perante a justiça de Roma, poderia demorar alguns dias ou meses.
(    ) De qualquer forma, é um eloquente testemunho de que o homem de DEUS, quando está seguro com o Senhor, não teme a morte ou qualquer outra adversidade.
 
11- Como foram as preocupações finais de Paulo para com o discípulo Timóteo?
(    ) Paulo alerta Timóteo a respeito de "Alexandre, o latoeiro", que foi inimigo do apóstolo. "Tu, guarda-te dele."
(    ) Paulo alerta Timóteo a respeito de "Alexandre, o ferreiro", que foi inimigo do apóstolo. "Tu, guarda-te dele."
(    ) Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal, Alexandre pode ter sido uma testemunha contra Paulo em seu julgamento.
(    ) O crente fiel sempre vai encontrar pessoas difíceis em sua caminhada, por isso, precisa estar preparados para lidar com toda a sorte de gente, boas e más.
 
III. A CERTEZA DA PRESENÇA DE CRISTO
12- Como foi a situação de Paulo sozinho perante o tribunal dos homens (v. 16)?
(    ) Somente Lucas, o "médico amado" se encontrava na cidade, quando Paulo compareceu a audiência. Mas ele não era murmurador, nem guardou mágoa dos amigos ausentes.
(    ) Nem Lucas, o "médico amado" se encontrava na cidade, quando Paulo compareceu a audiência. Mas ele não era murmurador, nem guardou mágoa dos amigos ausentes.
(    ) Pelo contrário, demonstrou que os perdoara, pedindo a DEUS "que isto lhes não seja imputado".
(    ) A atitude de Paulo nos faz recordar a postura de JESUS na cruz, quando Ele exclamou: "[...] Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".
(    ) Podem os amigos e companheiros nos abandonar nos momentos difíceis, mas DEUS é fiel e jamais nos deixa sozinho.
 
13- Como foi para Paulo sentir  a presença de CRISTO (v. 17)?
(    ) Paulo não tinha a companhia dos amigos e irmãos em CRISTO, mas pôde sentir, de perto, a gloriosa presença de DEUS.
(    ) O Senhor se fez presente e fortaleceu a alma e o espírito do seu servo.
(    ) Mesmo estando preso, ele se sentia "livre da boca do leão", o que só pode referir-se a Nero, o sanguinário imperador.
(    ) Mesmo estando preso, ele se sentia "livre da boca do leão", o que pode referir-se ao sentimento de libertação espiritual em relação a Satanás, ou de Nero, o sanguinário imperador.
(    ) Ele não foi liberto da prisão e da morte, pois suas palavras eram de despedida: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé".
 
14- Como foram as palavras e saudações finais de Paulo?
(    ) "E o Senhor me livrará de toda má obra e guardar-me-á para o seu Reino celestial [...]".
(    ) Paulo estava se referindo ao livramento físico da morte. Ele já sabia que iria logo ser decapitado.
(    ) Paulo não estava se referindo ao livramento físico da morte. Ele já havia se despedido de forma muito comovente nos versículos 6 a 8.
(    ) Esse texto nos mostra o quanto ele estava tranquilo, aguardando a vontade de DEUS sobre sua vida e o fim do seu ministério.
(    ) E conclui, saudando seu amigo e filho na fé, dizendo: "O Senhor JESUS CRISTO seja com o teu espírito. A graça seja convosco. Amém!".
 
CONCLUSÃO
15- Complete:
Os últimos trechos da Segunda Carta de Paulo a Timóteo nos ensinam que o servo de DEUS que tem certeza da sua _________________________, mediante a obra redentora de CRISTO, não teme a_______________________. Paulo sabia que a morte ________________________ aniquilaria apenas o seu corpo, mas seu espírito e sua alma (o homem interior - 2 Co 4.16) estavam __________________________ em CRISTO JESUS.
 
RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO EM http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
 
Referências Bibliográficas (outras estão acima) Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.
Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA: CPAD, 1999.
BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.
CPAD - http://www.cpad.com.br/ - Bíblias, CD'S, DVD'S, Livros e Revistas. BEP - Bíblia de Estudos Pentecostal.
VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
www.ebdweb.com.br
www.escoladominical.net
www.gospelbook.net
www.portalebd.org.br/
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm
A PRIMEIRA EPÍSTOLA A TIMÓTEO - J. N. D. Kelly - Novo Testamento - Vida Nova - Série Cultura Cristã.
William Hendriksen, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 191-6 (Comentário do Novo Testamento) 

 

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