quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Lição 10, O Líder Diante da Chegada da Morte, 1 parte

Lição 10, O Líder Diante da Chegada da Morte, 1 parte

3º trimestre de 2015 - A Igreja E O Seu Testemunho - As Ordenanças De CRISTO Nas Cartas Pastorais
Comentarista da CPAD: Pr. Elinaldo Renovato de Lima
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário     Figuras Ilustrativas em: http://ebdnatv.blogspot.com/
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
 
 
TEXTO ÁUREO"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé." (2 Tm 4.7)
 

VERDADE PRÁTICAA morte do crente não é o fim, mas a passagem para a glória eterna, na presença de DEUS.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - At 9.15,16 Paulo, um vaso escolhido por DEUS para pregar aos gentios
Terça - Jd 3 Batalhando pela fé que uma vez nos foi dada
Quarta - Cl 1.29 Combatendo com eficácia o bom combate
Quinta - Fp 3.13,14 Esquecendo as coisas que já passaram
Sexta - Ap 3.11 Guardando o que DEUS concede para que ninguém tome
Sábado - Êx 33.14 A presença de DEUS traz tranquilidade
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - 2 Timóteo 4.6-17
6 - Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. 7 - Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. 8 - Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. 9 - Procura vir ter comigo depressa. 10 - Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica; Crescente, para a Galácia, Tito, para a Dalmácia. 11 - Só Lucas está comigo. Toma Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério. 12 - Também enviei Tíquico a Éfeso. 13 - Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. 14 - Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras. 15 - Tu, guarda-te também dele, porque resistiu muito às nossas palavras. 16 - Ninguém me assistiu na minha primeira defesa; antes, todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado. 17 - Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que, por mim, fosse cumprida a pregação e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão.
 
OBJETIVO GERALDesenvolver uma consciência bíblica a respeito da chegada da morte.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Mostrar que, para o crente, a chegada da morte não traz desespero.
Explicar o sentimento de abandono do apóstolo Paulo.
Conscientizar o aluno da certeza da presença de CRISTO nas aflições.
 
INTERAGINDO COM O PROFESSORSegundo as Escrituras, a morte se manifesta numa consciência de vitória na hora de uma aparente derrota: "Alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de CRISTO, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis" (1 Pe 4.13). Para o crente, a morte não é o fim, mas o início de uma vida nova, onde a certeza de que "o aguilhão" da morte já foi retirado e que agora é um passaporte oficial para a vida eterna com JESUS CRISTO (1 Co 15.55). Claro que a experiência da separação traz dor, angústia e tristeza a qualquer ser humano. O luto chega de forma inesperada na vida de qualquer pessoa que sofre a perda de um ente querido. Mas devemos viver as promessas do Mestre na área da perda humana, conforme Ele nos ensinou: "Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (Jo 11.25). Um dia nosso corpo será completamente arrebatado do poder da morte (Rm 8.11; 1 Ts 4.16,17).
 
PONTO CENTRALEmbora a morte traga abatimento para os crentes, os discípulos de JESUS não se desesperam diante dela, pois tem uma certeza em CRISTO: de que para sempre estaremos com o Senhor.
 
Resumo da Lição 10, O Líder Diante da Chegada da Morte
COMENTÁRIO/INTRODUÇÃOPaulo tem consciência de que seu ministério está chegando ao fim. A segunda Epístola a Timóteo, na verdade é uma forma, comovente, de dizer adeus ao seu "amado filho" e à Igreja do Senhor. Paulo exorta Timóteo a respeito da responsabilidade que é estar na liderança de uma igreja e faz uma revisão do caminho que havia percorrido em sua jornada com o Salvador: "Combati o bom combate" (2 Tm 4.7). Paulo não estava pesaroso com a partida, pois suas dores e sofrimentos, com certeza, foram esquecidos, diante da certeza de que fez um bom trabalho e que cumpriu a missão para qual fora designado pelo Senhor.
A morte é inevitável. Um dia líderes e liderados terão que enfrentá-la, porém, o que faz a diferença é a maneira como a encaramos.
I. A CONSCIÊNCIA DA MORTE NÃO TRAZ DESESPERO AO CRENTE FIEL1. Seriedade diante da morte.
2. A certeza da missão cumprida (vv. 7,8).
a) "Combati o bom combate". b) "Acabei a carreira".  c) "Guardei a fé".
II. O SENTIMENTO DE ABANDONO
1. O clamor de Paulo na solidão.
a) Demas o desamparou.
b) Só o médico amado ficou com Paulo.
2. A serenidade dos últimos dias. "
3. Preocupações finais com o discípulo.
III. A CERTEZA DA PRESENÇA DE CRISTO
1. Sozinho perante o tribunal dos homens (v. 16).
2. Sentindo a presença de CRISTO (v. 17).
3. Palavras e saudações finais.
 
SÍNTESE DO TÓPICO I - A vida do apóstolo Paulo é um exemplo de seriedade cristã diante da morte e uma certeza da missão cumprida.
SÍNTESE DO TÓPICO II - No final do seu ministério, estando preso, o apóstolo Paulo sentiu-se sozinho, abandonado pelos seus pares.
SÍNTESE DO TÓPICO III - Sozinho, Paulo se dirigiu ao tribunal para ser julgado, mas com a plena convicção de que a presença de CRISTO estava com Ele.
 
SUBSÍDIO DIDÁTICO top1
Professor, em muitas das suas cartas, o apóstolo Paulo afirmava que estava morto para o mundo e vivo no serviço de CRISTO (Fp 1.21-23; 2 Co 5.2). Entretanto, o tom presente nesta segunda carta a Timóteo parece mais grave e mais sério. Neste trecho da epístola, há algumas formas literárias que ajuda-nos a descrever a gravidade desse tom na epístola, bem como em outras semelhantes: 1) o reconhecimento de que a morte está próxima; 2) advertências sobre a vinda dos falsos doutores; 3) a designação de sucessores para continuar a tradição apostólica; 4) a correta interpretação de pontos controversos. Assim, é possível perceber a típica forma de Paulo se comunicar neste momento de sofrimento: "oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé" (Fp 2.17); "Combati o bom combate e terminei a carreira" (2 Tm 4.7). Então, a sua última realização foi: "guardei a fé". O apóstolo sabia que restava pouco tempo de vida.
Sugerimos que você repasse essa explicação aos alunos, logo depois de expor o primeiro tópico da lição.
 
CONHEÇA MAIS - top1 - *Coroa da justiça
"A coroa, como símbolo de um prêmio, deriva das culturas gregas e judaicas. Como uma recompensa, a coroa simboliza a honra que DEUS quer abençoar seus servos fiéis. A Bíblia menciona três tipos de coroas; a coroa da vida (1 Co 9.25; 2 Tm 2.5); a coroa da justiça; a coroa de glória (1 Pe 5.4). Além disso, Paulo também conclama os tessalonicenses a que se convertam em coroas (1 Ts 2.19). Cada uma dessas coroas será conferida após a volta de CRISTO".
Leia mais em Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p. 844.
 
SUBSÍDIO DIDÁTICO top 2"Bem sabes isto: que os que estão na Ásia todos se apartaram de mim; entre os quais foram Fígelo e Hermógenes. O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes me recreou e não se envergonhou das minhas cadeias; antes, vindo ele a Roma, com muito cuidado me procurou e me achou. O Senhor lhe conceda que, naquele Dia, ache misericórdia diante do Senhor. E, quanto me ajudou em Éfeso, melhor o sabes tu" (2 Tm 1.15-18). Este texto, mostra com clareza, que o apóstolo Paulo já havia se queixado da solidão. Esta é uma informação importante que você, prezado professor, deve repassar à classe. O texto de Paulo expresso no capítulo 4 de 2 Timóteo é de caráter bem pessoal, demonstrando o sentimento, a pessoalidade e a dor do apóstolo em ser abandonado por quem deveria apoiá-lo em seu árduo ministério. Enfatize que 2 Timóteo 4 narra os últimos momentos da vida do apóstolo. Podemos afirmar que temos o privilégio de conhecer os últimos momentos da vida de um grande homem de DEUS, apóstolo Paulo.
 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO top 3"A graça seja convosco. Estas são as últimas palavras de Paulo nas Escrituras registradas enquanto ele aguardava o martírio num cárcere romano. Do ponto de vista do mundo, a vida do apóstolo estava para terminar num trágico fracasso.
Durante trinta anos, largara tudo por amor a CRISTO; pouca coisa ganhara com isso, a não ser perseguição e inimizade dos seus próprios patrícios. Sua missão e sua pregação aos gentios resultaram no estabelecimento de um bom número de igrejas, mas muitas dessas igrejas estavam decaindo em lealdade a ele e à fé apostólica (2 Tm 1.15). E agora, no cárcere, depois de todos os seus leais amigos o deixarem, a não ser Lucas (vv.11,16), ele aguarda a morte" (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, 1995, p.1885).
 
PARA REFLETIR - A respeito das Cartas Pastorais:
Qual era o caráter da oferta de libação?
De caráter voluntário.
O que era a oferta de libação?Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal, "libação era uma oferta líquida e consistia em derramar vinho sobre o altar como um sacrifício a DEUS". Não era uma oferta pelos pecados, mas uma oferta de gratidão ao Senhor.
O que Paulo queria dizer com a expressão "guardei a fé"?Que ele manteve-se fiel a CRISTO e a seus ensinamentos.
Segundo a lição, o que significa "guardar a fé"?Manter-se firme em CRISTO e em seus ensinamentos.
Quem era Demas?Demas era um dos cooperadores de Paulo (Cl 4.14; Fm 24).
 
CONSULTE - Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 63, p. 41.
 
SUGESTÃO DE LEITURA
Reflexões para um Ministério Eficaz
Como Tornar-se uma Pessoa de Influência
A Excelência do Ministério
 
Comentários de vários autores com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique
Resumo da vida cristã de Paulo:
-Combati o bom combate,
-acabei a carreira,
-guardei a fé.
 
Combates na vida de Paulo:
-contra Satanás;
-contra os principados e potestades, os dominadores do mundo das trevas nas regiões celestes;
-contra os vícios e violências de judeus e pagãos;
-contra o judaísmo entre os gálatas;
-contra o fanatismo entre os tessalonicenses;
-contra as contendas, a fornicação e os litígios entre os coríntios;
-contra o gnosticismo incipiente entre os efésios e os Colossenses;
contra os de fora, os conflitos; contra os de dentro, os temores;
-contra a lei do pecado e da morte que operava em seu próprio coração.
 
Equipe de Paulo:
-Demas me abandonou, porque se deixou levar pelo amor do presente mundo, e foi para Tessalônica;
-Crescente [foi] para Galácia,
-Tito, para Dalmácia.
-Somente Lucas ficou comigo.
 
Em Três Tempos, Paulo, o Prisioneiro do Senhor, Isto é assim dividido: Expressa Triunfantemente Sua Fé
1- Versículo 6: A Ratificação de Sua Fé Quanto ao Presente.
2- Versículo 7: O Resumo de Sua Fé Quanto ao Passado.
3- Versículo 8: A Exultação de Sua Fé Quanto ao Futuro.
 
Resumo do final da 2 carta de Paulo a Timóteo:
a- versículos 9-13: Paulo dá vazão à saudade que sente e à necessidade de mais obreiros para o reino, solicita sua capa, os livros e pergaminhos e a célere chegada de Timóteo.
b- versículos 14, 15: Adverte Timóteo contra Alexandre, o latoeiro.
c- versículos 16-18: À luz da maneira como o Senhor o fortalecera durante sua “primeira defesa”, Paulo deriva conforto para o presente e para o futuro.
d- Versículos 19-21: Saudações a certos crentes individuais e de outros crentes, informações acerca de outros, reiteração do pedido a Timóteo de sua vinda imediata.
e- versículo 22: Bênção.
 
A PRIMEIRA EPÍSTOLA A TIMÓTEO - J. N. D. Kelly - Novo Testamento - Vida Nova - Série Cultura Cristã.
6. Enfim, deve cumprir cabalmente o seu ministério. A admoestação tem urgência especial porque está para tomar-se o sucessor do Apóstolo. Este fato vem a lume no versículo seguinte, cujas primeiras palavras: Quanto a mim (Gr. Egõ gar), são extremamente enfáticas, e contrabalançam Tu, porém, no v. 5. O próprio Paulo nada mais pode fazer, pois está sendo já oferecido por libação. Como em Fp 2:17, quando, então, a possibilidade da morte se apresentava a ele, embora de fato esperasse sua soltura, emprega o verbo grego spendein (= “derramar como libação”). Sua metáfora vívida provavelmente é tirada do costume litúrgico judaico de derramar, como o ritual preliminar da oferenda diária no Templo e de certos outros sacrifícios, uma libação (oferta de bebida) de vinho ao pé do altar (Êx 29:40; Nm 28:7 — na LXX são empregados o mesmo verbo e o mesmo subs. correlato spondè). Paulo prevê que terá de morrer, e pensa na sua morte como um sacrifício; por detrás da sua linguagem há a crença judaica (cf. 4 Mac. 6:28-29; 17:21-22) no valor da morte do mártir. Está consciente de que está morrendo no serviço de DEUS, e que a ação sacrificial agora está começando; seu sangue, que ainda não foi derramado, mas que dentro em breve o será, é, por assim dizer, uma libação oferecida a DEUS. Há uma nota de orgulho e confiança na linguagem solene e quase hierática que emprega, e esta é continuada na cláusula seguinte, e o tempo da minha partida está perto (não, conforme muitos traduzem de forma enganosa, é chegado). A metáfora altera-se, pois partida (Gr. analusis) evoca o quadro de um navio levantando âncora ou de um soldado ou viajante levantando acampamento. O verbo é usado no Grego posterior como eufemismo para a morte, sendo que a sugestão é que o falecido está indo para casa. Para o verbo cognato analusai, cf. Fp 1:23. O fato de que o mesmo par de metáforas é achado em contextos semelhantes em dois capítulos consecutivos de Filipenses tem levado alguns críticos a inferir que estes últimos devem ser a “pedreira” da qual a presente passagem foi derivada. Nada há de realmente notável na coincidência, no entanto, especialmente porque (a) “partir” era uma metáfora bastante comum para “morrer”, e (b) Paulo não teria probabilidade de abandonar a esplêndida linguagem figurada acerca de ser derramado como uma libação, uma vez que a tinha inventado.
7. Enquanto olha em retrospecto, o Apóstolo relembra com gratidão: Combati o bom combate (“Lutei na competição nobre”). Como em 1 Tm 6, a figura não é da guerra, mas, sim, de uma competição atlética, provavelmente uma disputa de luta romana. Não há nenhuma nota de arrogância, como se tivesse se distinguido pessoalmente. É o jogo ou o esporte, viz, sua vocação e seu ministério apostólicos, que é “nobre.” A ênfase recai sobre o verbo, que está no tempo perfeito: “Lutei na competição bem até ao fim.” A mesma linguagem figurada atlética é continuada na cláusula seguinte: completei a carreira, embora o esporte seja outro. Finalmente, resume sua realização: “Fui leal ao que me foi confiado.” Estas palavras freqüentemente são traduzidas: Guardei a fé, i.é, o evangelho apostólico. Estas palavras se encaixam bem com a ênfase nestas cartas dada à conservação da fé apostólica intata (cf. 1 Tm 6:20; 2 Tm 1:12, 14), e talvez sejam corretas. O presente contexto, no entanto, é geral mais do que particular, e uma referência a um só aspecto específico do dever de Paulo (por mais importante que seja) como líder cristão, se coloca de modo desajeitado entre cláusulas pesadamente carregadas com metáforas. A fórmula empregada (Gr. tèn pistin têreiri) é uma expressão normal que significa “conservar a lealdade,” “ser leal ao juramento,” etc. Parece, portanto, preferível entender que Paulo está protestando sua lealdade consistente, no decurso do seu ministério, ao seu mandado divino. Há, possivelmente, uma alusão passageira aos compromissos com os quais os atletas que competiam em jogos públicos se obrigavam a observar as regras (ver 2:5).
8. Esta possibilidade é reforçada pela declaração confiante do Apóstolo: Já agora (lit. “do resto;” depois de três verbos no tempo perfeito poderíamos parafrasear: “tudo quanto resta é receber minha recompensa”) a coroa da justiça me está guardada. Sua mente ainda está repleta da linguagem figurada do esporte, e a coroa relembra a cobiçada grinalda de lauréis do campeão atlético (cf. 1 Co 9:25). Paulo está assegurado que ela já está preparada para ele no céu. O verbo está guardada (Gr. apoiceitai), conforme comprovam numerosas inscrições, era um termo técnico empregado por soberanos orientais quando decretavam recompensas por serviços leais. É mais difícil decidir exatamente o que a coroa da justiça conota. Na analogia da “coroa da vida” em Tg 1:12 e Ap 2:10, alguns entendem que o genitivo é aposicional, e parafraseiam: “a coroa que consiste na justiça.” Se tiverem razão, Paulo está tratando a perfeita justiça como a bem-aventurança suprema dos que lutaram fielmente. Cf. G. 5:5, onde a justiça é considerada uma dádiva futura na qual se espera. Isto é possível, mas está aberto às objeções (a) de que o ensino normal de Paulo é que o crente já está justificado, e (b) de que não é fácil ver como a justiça já pode estar preparada no céu. Há, portanto, mais evidência em prol da alternativa, mais geralmente aceita, de que a coroa da justiça representa a coroa, presumivelmente a vida eterna, que é a recompensa apropriada para uma vida de retidão. Para este sentido da justiça, ver 3:16. Paulo receberá sua coroa naquele dia, i.é, não ao completar sua grande carreira, quando sua vida é finalmente sacrificada, mas, sim, no dia glorioso da vinda de CRISTO. E será entregue a ele pelo Senhor, reto juiz. A qualificação (cf. Rm 2:5-6) talvez expresse sua confiança na justiça do tribunal de CRISTO, em contraste com aquela do seu julgamento na corte do imperador, quando a verdadeira retidão das suas realizações será desconsiderada. Na realidade, Paulo não está ocupado exclusivamente consigo mesmo, pois se apressa a acrescentar que CRISTO dará a coroa não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda. Paulo parece ser ansioso para evitar a impressão de que está reivindicando qualquer privilégio especial para ele mesmo. Seu objetivo principal é encorajar Timóteo com a lembrança de que qualquer pessoa que sinceramente anseia por (amar- tem este significado aqui) a vinda de CRISTO será elegível para o mesmo prêmio. Os cristãos são pessoas cuja pátria verdadeira está no céu, e cuja marca distintiva é que sempre estão antegozando a volta do Senhor em glória (Fp 3:20; cf. Tt 2:13, é a fórmula “Maranatha” em 1 Co 16:22). Vinda (ou “manifestação,” Gr. epiphaneia) com o significado da Parousia de CRISTO..
PEDIDOS PESSOAIS E UMA ADVERTÊNCIA 4:9-18
9. A carta, excetuando-se algumas menções pessoais, virtualmente chegou ao fim. Paulo chega agora, numa seção que muitos daqueles que questionam as cartas como um todo se sentem forçados a reconhecer que foi composta de seções genuínas de Paulo, daquele que muito bem pode ter sido um dos seus motivos principais ao escrever, viz, seu desejo ansioso para Timóteo lhe fazer uma visita no seu perigoso isolamento. Procura, pleitear, vir ter comigo depressa. A linguagem sugere que a viagem já fora combinada em princípio; a ênfase recai sobre depressa, e a mesma insistência na rapidez se ressalta em antes do inverno em 21 abaixo. Alguns comentaristas acham este apêndice cheio de inconsistências com o restante da carta. Nele, segundo eles, Paulo tem dado um “adeus” elaborado, na previsão da sua execução iminente, e tem entregado a ele a responsabilidade pela igreja de Éfeso na sua crise violenta. Aqui, vemo-lo incitando-o a deixar Éfeso, infestada com heresias, e ficar com ele. Embora até este ponto sua morte parecesse evidente, agora faz um pedido que, com todos os atrasos dos correios e das viagens, levará vários meses para cumprir. Este quadro, porém, desconsidera certos fatos e distorce a situação. Nas primeiras linhas da sua carta (1:4) Paulo deu indícios das suas esperanças de ver Timóteo, e a descrição comum dela como sendo uma mensagem de despedida não é corroborada por seu conteúdo. Embora tenha os prenúncios mais sombrios do seu destino provável, seu julgamento formal, ainda não foi realizado, e w. 6-8 não devem ser entendidos no sentido de que está esperando a sua execução imediatamente. Pode muito possivelmente ser adiada além dos três ou quatro meses necessários para a carta chegar a Timóteo e para este último chegar a Roma. Além disto, as instruções do Apóstolo a Timóteo, embora sejam coloridas pela presente situação são endereçadas a ele pessoalmente e visam equipá-lo para um longo ministério. Nada há nelas para indicar que a crise em Éfeso era tal que exigisse sua presença ininterrupta ali.
10. O anseio de Paulo para ver Timóteo é aumentado pelo seu presente isolamento. Por exemplo,
Demas. . . o abandonou. Sabemos que Demas (seu nome é grego, possivelmente uma forma abreviada de Demétrio) estava com o Apóstolo como “cooperador” durante sua primeira prisão em Roma (Fm 24; Cl 4:14). O motivo da deserção dele não era, aparentemente, a apostasia no sentido rígido, mas, sim, porque amou o presente século. Trata-se, segundo supõe, de um desejo pela vida mansa e pelo conforto, juntamente com uma declinação de compartilhar das privações de Paulo. O contraste entre ele e os cristãos verdadeiros mencionados no v. 8, cujos nomes não são dados, é ressaltado dramaticamente pelo emprego do mesmo verbo “amar” (Gr. agapãri) nos dois versículos, bem como pela antítese entre o presente século e a “manifestação” (vinda) gloriosa de CRISTO. A presença do contraste toma provável, em contraste com algumas versões da “hipótese dos fragmentos,” que quem escreveu este versículo também escreveu o parágrafo anterior. Outro pequeno indicador a favor da autenticidade é o fato de que Demas é apresentado numa luz diferente, mais desfavorável, do que em Filemom e Colossenses.
Demas se foi para Tessalônica: somente podemos fazer conjecturas quanto ao seu objetivo, mas possivelmente era para levar a efeito trabalhos cristãos numa região onde se poderia esperar uma recepção mais amistosa. De modo semelhante, Crescente foi para a Galácia, Tito para a Dalmácia.
Nada sabemos do primeiro, senão que uma tradição posterior faz dele um dos fundadores da igreja de Vienne, perto de Lião. A maioria dos MSS dizem Galatian, mas uns poucos bons, Gallian. Até o século II, o nome grego correto para a Gália era Galatia, sendo que a Galácia na Ásia era denotada por uma perífrase (e.g. “a Galácia na Ásia”). Galatian é sem dúvida o texto verídico aqui, mas a presença de Gallian nalguns MSS indica que a região referida era geralmente considerada como sendo a Gália; e tal, na realidade, era a exegese de vários dos pais (Eusébio, Epifânio, Teodorete, Teodoro). De modo geral, se cremos que a carta foi escrita de Roma, parece mais sensato segui-los, especialmente tendo em vista o nome latino de Crescente, e a tradição antiga acerca da sua obra na Gália. O versículo, portanto, fica sendo uma testemunha importante à expansão da igreja em direção ao ocidente. Paulo parece entristecido pela partida de Crescente, mas não se queixa. É até mesmo possível que ele mesmo o tenha enviado nalguma tarefa missionária. O mesmo, provavelmente, se aplica a Tito, que, segundo parece, já deixara Creta. Dalmácia é a porção sulina da província imperial de Ilírico, no litoral ocidental do Adriático (a atual Iugoslávia). Ficamos sabendo de Rm 15:19 que a atividade missionária de Paulo se estendera para lá. Esta notícia, também, apoia a autenticidade das Pastorais, pois um imitador não teria tido a probabilidade de representar Tito ativo em dois campos tão distantes entre si. Do outro lado, se Paulo invernou em Nicópolis e Tito foi reunir-se com ele ali (cf. Tt 3:12), é bem possível que este tivesse avançado para o norte, na obra missionária.
11. Segundo parece, o único que sobra ao lado de Paulo é Lucas. Isto não subentende, conforme é freqüentemente suposto, que o Apóstolo está literalmente só, mas, sim, que Lucas é o único membro do seu círculo íntimo que está com ele. Também tinha estado com Paulo durante sua prisão anterior, e ganhou o título de “o médico amado” (Cl 4:14; Fm 24). O motivo da sua permanência, afeição à parte, pode somente ser assunto de conjeturas; pode ter sido porque Paulo precisava de atendimento médico, ou assistência dalgum tipo especial. Sua menção de Lucas, por alguma razão, lembra-lhe Marcos, e assim pede a Timóteo: Toma contigo a Marcos e traze-o. . . Havia muito tempo, quando estava começando sua segunda viagem missionária, recusara-se a levar Marcos consigo; perdera confiança nele por causa da sua relutância de compartilhar das dificuldades da sua viagem anterior (At 15:38). Esta desconfiança, no entanto, agora era coisa do passado, pois achamos Marcos com Paulo durante sua primeira prisão em Roma, sendo até mesmo recomendado por este para a igreja em Colossos (Cl 4:10). Devemos supor que, no momento em que a carta foi escrita, Marcos está nalgum Lugar ao Longo do itinerário proposto para Timóteo. Paulo explica porque deseja a presença dele: “Acho-o um assistente útil.” Uma tradução literal seria: pois me é útil para o ministério (Gr. diakonian), onde a última palavra significa ou o serviço pessoal a Paulo, ou o ministrar público. Qualquer das duas interpretações é possível, mas o tom da passagem favorece a primeira.
12. A referência quase parentética a Marcos interrompeu seu relato de como lhe falta pessoal. Termina sua história ao registrar: Quanto a Tíquico, mandei-o até Éfeso. Este é o discípulo de confiança, de nascimento asiático, que o acompanhara na sua visita final a Jerusalém (Atos 20:4), e que transportara suas cartas aos Colossenses e aos efésios (Cl 4:7-9; Ef 6:21-22). Na base da fraseologia até Éfeso, alguns exegetas têm deduzido que Timóteo pessoalmente não poderia ter estado em Éfeso na ocasião, mas isto é totalmente injustificado. Tomando por certo que Timóteo estava ali, de que outra forma Paulo poderia ter-se expressado? Muito mais plausíveis são as conjecturas ou de que Tíquico haveria de ser o transportador da carta (neste caso mandei — Gr. apesteila — deve ser entendido como um aoristo epistolar), ou que Paulo pretendia que agisse como representante de Timóteo durante a visita deste último à capital. Se esta segunda sugestão for correta, é talvez surpreendente que Paulo não tenha sido mais explícito acerca dela, mas é possível que a questão tenha sido decidida de antemão entre Timóteo e ele.
13. A esta altura Paulo inclui uma comissão pessoal — Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos. Seu realismo e sua naturalidade simples são tão marcantes que até mesmo os críticos que duvidam da autenticidade da carta como um todo frequentemente estão dispostos a conceder que deve vir do próprio Apóstolo. É extremamente improvável que um imitador no mundo antigo tivesse pensando em inventar detalhes banais como estes. Trôade era uma cidade que Paulo visitara em várias ocasiões (At 16:8; 20:6; 2 Co 2:12), e através da qual pode ter passado recentemente enquanto estava sendo escoltado como prisioneiro para Roma. Aparentemente prevê que Timóteo viajará via Trôade através da Macedônia e assim, cruzaria o Adriático para Brindísio. Nada sabemos de Carpo, a não ser que o Apóstolo parece ter ficado alojado na casa dele. Uma capa (Gr. phailonés: do Latim paenula) era uma roupa externa grande, sem mangas, feita de uma única peça de tecido pesado, com um buraco no meio por onde era passada a cabeça, como uma casula sacerdotal, ou uma capa de chuva para andar de bicicleta. Era usada para a proteção contra o frio e a chuva. Os comentaristas sugeriram que Paulo sentia a necessidade dela porque o inverno estava para chegar (cf. v. 21), e sua masmorra era fria. Com os livros (Gr. bíblia) Paulo provavelmente quer dizer rolos de papiro. Não temos, naturalmente, meio de saber o que eles continham. A frase especialmente os pergaminhos tem causado problemas desnecessários. O substantivo, uma transliteração grega do Latim membrana, denota no singular um pedaço de pele ou velo preparado para os propósitos da escrita. O pergaminho deste tipo, embora fosse mais caro do que o papiro tinha várias vantagens sobre este, tais como a capacidade de ser usado de novo. Muitos entendem que os pergaminhos são uma referência aos documentos pessoais de Paulo, e.g. sua certidão de cidadania. Mas (a) não temos evidência alguma que a palavra era usada assim, nem sequer que tais certidões tomavam esta forma na antiguidade; e (b) mesmo se tivessem esta forma, é improvável que Paulo os tivesse deixado fora da sua custódia numa juntura tão crítica. Ainda mais improvável é a conjetura de que a expressão signifique “meu estoque de pergaminho.” A fraseologia, especialmente a ausência de “e” com especialmente, indica que o Apóstolo está falando de um tipo específico de livro, o que é ressaltado na tradução. Na realidade, há evidência abundante que o Latim membrana era um termo técnico, desde o século I a. C., para um códice, ou livro com folhas, feito de pergaminho. Tais códices eram de uso geral como livros de anotações, livros contábeis, lembretes, primeiros esboços de obras literárias, e outros escritos que não eram para os olhos do público; é também provável que estivessem sendo usados para propósitos literários no século I d. C. Devemos, portanto, inferir que a referência de Paulo diz respeito a livros paginados de anotações, feitos de pergaminho, aos quais, por alguma razão, dava valor especial. Mais uma vez, ficamos às escuras quanto ao seu conteúdo, embora a conjectura que consistiam de textos-provas do A. T. é uma dentre outras possibilidades.
14,15. A menção de Trôade, ou alguma associação de idéias que não podemos perscrutar agora, lembra Paulo de Alexandre, o latoeiro. Relembra que me causou muitos males, e acrescenta: o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. Estas palavras ecoam o pensamento de SI 28:4; 62:12, e devemos notar que, visto que o verbo está no futuro, não no optativo, expressam uma predição e não uma imprecação. Conforme ele mesmo aconselhou a igreja de Roma (Rm 12:19), Paulo está disposto a deixar o castigo daqueles que o lesam nas mãos de DEUS. Mesmo assim, visto que Timóteo (conforme podemos razoavelmente inferir) tem a probabilidade de dar de encontro com Alexandre no futuro próximo, pensa que seja prudente adverti-lo de antemão: Tu guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras. Estamos tão ignorantes de quem era este Alexandre quanto estamos da natureza exata da sua oposição a Paulo. É artificial identificá-lo com o Alexandre que foi empurrado para frente e que fez um discurso de defesa na ocasião do motim atiçado pelos ourives de Éfeso durante a permanência anterior de Paulo na cidade (At 19:33). Seja qual a teoria que se sustenta da origem destas cartas, aquilo aconteceu muitos anos antes e Alexandre era um dos nomes mais comuns. É mais provável, embora ainda longe da certeza, que ele era o Alexandre mencionado em 1 Tm 1:20 como tendo sido colocado sob a interdição, porque parece estranho que Paulo tivesse entrado em conflito com dois portadores do mesmo nome vinculados com Éfeso dentro de um período relativamente curto de tempo. Aceitando isto, alguns têm argumentado que comprova que a presente carta é anterior a 1 Timóteo, visto não haver indício de uma excomungação formal aqui. A inferência, no entanto, não é necessária de modo algum. 1 Tm 1:21 deixa claro que a “entrega a Satanás” de Alexandre era uma medida temporária, visando seu arrependimento e sua reabilitação, e, de qualquer maneira, a referência aqui diz respeito a um ato específico de hostilidade ao invés da irregularidade doutrinária. Seja qual for a sua identidade, Alexandre era um latoeiro, embora a palavra assim traduzida (Gr. chalkeus) nem sempre tinha este sentido especializado no Grego posterior, e talvez não queira dizer mais do que um metalúrgico de modo geral. Não é fácil decidir se seu delito consistiu em contradizer o ensino do Apóstolo ou nalguma forma mais pessoal de oposição. O uso que Paulo fez do aoristo sugere que tem em mente uma ocasião específica, e muitos têm inferido do contexto que fora em Roma, durante a prisão de Paulo, que Alexandre demonstrou sua má-vontade contra ele. Alguns têm suspeitado que ele possa até mesmo ter comparecido como testemunha da acusação contra Paulo, em seu julgamento.
16. A mente do Apóstolo agora volta à sua primeira defesa (Gr. prótè. . . apologia), quando, segundo ele relembra, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram. O problema principal, na suposição de a carta ser de autoria paulina, é determinar a situação em mira. Os Pais e a maioria dos comentaristas antes do século XIX identificaram-no com aquele processo anterior (primeira em contraste com o presente processo legal) em que culminou a prisão de Paulo em Roma registrada em At 28, cujo resultado deve ter sido sua absolvição, V. 17 se encaixaria muito bem com esta exegese, sendo que a pregação ali referida seria, segundo esta hipótese, a vigorosa campanha missionária que empreendeu entre sua soltura e seu segundo cativeiro em Roma. Mas é difícil acreditar que o Apóstolo fosse deixado inteiramente abandonado naquele processo anterior, nem que Timóteo precisaria de informações acerca de eventos que tinham acontecido havia tanto tempo. De qualquer maneira, a impressão deixada pela passagem é que a primeira defesa é um incidente na experiência recente de Paulo. Uma explicação proposta pelos apoiadores da “hipótese dos fragmentos” é que a referência diz respeito ao comparecimento de Paulo em Cesaréia diante de Félix (At 24:1-23), ou possivelmente diante do Sinédrio (At 23:1-10); o fato de que teve uma visão do Senhor encorajando-o (At 23:11) é citado como confirmação deste último ponto de vista. Mais uma vez, porém, além das dificuldades inerentes na teoria, a narrativa em Atos não dá sugestão alguma de Paulo ter sido abandonado pelos seus amigos, e indica que, neste último julgamento, os peritos jurídicos farisaicos falaram em seu favor, ao passo que a atmosfera do primeiro destes julgamentos era notavelmente menos severa do que a linguagem aqui dá a entender. Tendo em vista tais fatos, é preferível, juntamente com a maioria dos apoiadores atuais da autenticidade, localizar a primeira defesa de Paulo no seu presente cativeiro, i.é, no segundo, em Roma, e entender por ela, não o julgamento propriamente dito (que, é claro, haveria de resultar na sua condenação), mas, sim, o que na linguagem jurídica romana foi chamado a prima actio, i.é, a investigação preliminar. Esta, aparentemente, tinha sido favorável ao acusado, pelo menos ao ponto de o juiz não poder resolver suas dúvidas, e, assim, pronunciar o veredito “Non liquet,” ou “Amplius.” Quando isto acontecia, a praxe jurídica romana exigia que uma investigação adicional, ou secunda actio, devesse ser realizada, e uma demora considerável poderia ser envolvida. É bem possível que Timóteo ignorasse a direção que os eventos tomaram, e precisasse ser atualizado sobre o assunto. Permanece sendo um mistério por que nenhum membro da igreja romana, com a qual seus relacionamentos tinham sido tão estreitos, foi a seu favor (Gr. paregeneto: o verbo é técnico para uma testemunha ou um advogado apresentando-se no tribunal para falar em prol do prisioneiro). Talvez nada mais do que o medo ou a fraqueza de caráter fosse a causa da deserção por eles; mas alguns têm detectado uma sugestão aqui de tensões pessoais profundamente arraigadas, ou até mesmo de divisões, dentro da comunidade.
17. Seja qual for a razão, não há amargura no coração de Paulo, e acrescenta a oração: Que isto não lhes seja posto em conta (para a ideia, cf. 1 Co 13:5; 2 Co 5:19). A deserção por eles, no entanto, serviu somente para ressaltar o socorro divino, pois o Senhor me assistiu e me revestiu de forças. Recebeu, assim, um acesso de coragem e intrepidez, e o propósito providencial disto, conforme ele vê a questão, era que, por meu intermédio, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem. À primeira vista, quem lê acha que Paulo fosse aludir-se a uma missão renovada e mais extensiva de pregação empreendida depois da sua absolvição, e assim parece apoiada a teoria de que sua primeira defesa era seu julgamento anterior no fim do seu primeiro cativeiro em Roma. Mas sua absolvição ainda não foi mencionada, e quando o é, parece ser o resultado deste esforço supremo de pregação. Devemos, portanto, interpretar a cláusula como sendo uma descrição, em termos algo hiperbólicos, de como Paulo explorou a investigação preliminar a fim de explorar o evangelho. Sempre tinha usado seus julgamentos anteriores para este propósito, e agora considera que seu comparecimento diante do augusto tribunal da capital como sendo o coroamento da sua carreira como pregador. As palavras por seu intermédio são enfáticas, e o verbo utilizado (Gr. plèrophorein: cf. 5 supra) significa cumprir plenamente, “completar.” Sua ideia parece ser que a proclamação do evangelho atingiu um clímax especialmente glorioso quando foi feito na capital, e exulta por ter sido selecionado para ser o instrumento deste ato. Sua menção de todos os gentios continua e desenvolve o mesmo pensamento. É possível que seu significado seja que, tendo pregado o evangelho publicamente em Roma, já se desincumbiu, num sentido muito real, de sua comissão de proclamá-lo “entre todos os gentios” (Rm 1:5). É muito mais provável, no entanto, que esteja se referindo ao auditório cosmopolita reunido no tribunal imperial, diante do qual proclamou sua mensagem. O resultado foi um sucesso inesperado, ainda que temporário, pois foi libertado da boca do leão. Estas últimas três palavras são uma expressão proverbial para o perigo extremo (cf. SI 7:2; 22:21; 35:17; Dn 6:20 ss.; etc.). Não há, portanto, necessidade alguma de ver nelas uma referência ao anfiteatro, pois não havia questão de Paulo ser ameaçado com ele,, nem a Nero, com quem os Pais gregos gostavam de identificar o leão; nem a Satanás. O que Paulo quer dizer é simplesmente que, através da intervenção maravilhosa de DEUS e como resultado da força que lhe foi dada para proclamar o evangelho, o juiz ou juízes deixaram de chegar a uma decisão no seu exame inicial, e, portanto, foi salvo da morte iminente.

A PRIMEIRA EPÍSTOLA A TIMÓTEO - J. N. D. Kelly - Novo Testamento - Vida Nova - Série Cultura Cristã.

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