quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Lição 8- Aprovados por Deus em Cristo Jesus, 1 parte

Lição 8- Aprovados por Deus em Cristo Jesus, 1 parte

3º trimestre de 2015 - A Igreja E O Seu Testemunho - As Ordenanças De CRISTO Nas Cartas Pastorais
Comentarista da CPAD: Pr. Elinaldo Renovato de Lima
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
 
 
TEXTO ÁUREO
"Procura apresentar-te a DEUS aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2 Tm 2.15).
 

VERDADE PRÁTICAO obreiro aprovado por DEUS tem as marcas do Senhor JESUS CRISTO.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Tt 3.9-11 Paulo ensina como tratar o homem herege
Terça - Mt 5.13 O discípulo de JESUS é "sal da terra" e "luz do mundo"
Quarta - 1 Tm 3.2 O obreiro deve ter uma conduta irrepreensível
Quinta - Sl 119.63 Companheiro dos que guardam os preceitos de DEUS
Sexta - 1 Tm 6.11 De que o obreiro do Senhor deve fugir
Sábado - Mt 13.36-43 A explicação da parábola do "trigo" e "joio"
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - 2 Timóteo 2.1-18
1 - Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em CRISTO JESUS. 2 - E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros. 3 - Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de JESUS CRISTO. 4 - Ninguém que milita se embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. 5 - E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente. 6 - O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos. 7 - Considera o que digo, porque o Senhor te dará entendimento em tudo. 8 - Lembra-te de que JESUS CRISTO, que é da descendência de Davi, ressuscitou dos mortos, segundo o meu evangelho; 9 - pelo que sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a palavra de DEUS não está presa. 10 - Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em CRISTO JESUS com glória eterna. 11 - Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; 12 - se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; 13 - se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo. 14 - Traze estas coisas à memória, ordenando-lhes diante do Senhor que não tenham contendas de palavras, que para nada aproveitam e são para perversão dos ouvintes. 15 - Procura apresentar-te a DEUS aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. 16 - Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. 17 - E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; 18 - os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns.
 
OBJETIVO GERAL
Contrastar o obreiro aprovado e o "vaso de honra" com os falsos mestres.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Apresentar a pureza e a humildade do obreiro aprovado por DEUS.
Explicar as expressões “vaso de honra” e “vaso de desonra”.
Propor uma postura ministerial equilibrada.
 
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Caro professor, nesta lição estudaremos o capítulo 2 da segunda Epístola de Timóteo.
É importante que você faça uma apresentação panorâmica do capítulo dois à luz de todo o conteúdo da epístola de Timóteo. Lembre-se de que o objetivo desse trimestre é expor o texto bíblico das cartas pastorais. De modo que o conteúdo geral das três epístolas deve ser estudado com o auxílio de uma boa Introdução ao Novo Testamento e um bom Comentário Bíblico do Novo Testamento.
Uma informação importante para preparação do seu plano de aula é a informação de que no capítulo 2, dos versículos 1 a 18, o apóstolo Paulo faz dois contrastes: obreiro aprovado x falsos mestres; vaso de honra x vaso de desonra. Estes dois encontros de personalidade, na igreja local, permeariam o relacionamento dos crentes, de modo que o objetivo do apóstolo é orientá-los em como se portarem diante de tal realidade.
 
PONTO CENTRALO obreiro aprovado por DEUS é equilibrado, vivendo em pureza e humildade diante do Senhor e diante dos homens.
 
Resumo da Lição 8 - Aprovados por DEUS em CRISTO JESUS
I - OBREIROS APROVADOS POR DEUS
1. Pregam e ensinam sem engano.
2. Pregam com pureza.
3. Não buscam a glória de homens.
II -DOIS TIPOS DE VASOS (2.20,21)
1. Vasos de honra (2.20).
2. Vaso de desonra.
III - REJEITANDO AS DISSENSÕES E QUESTÕES LOUCAS
1. Rejeitando "questões loucas".
2. Não entrando em contenda.
 
SÍNTESE DO TÓPICO I - O obreiro aprovado por DEUS prega e ensina sem engano, com pureza e humildemente, buscando sempre a glória de DEUS.
SÍNTESE DO TÓPICO II - Na igreja local, há dois tipos de vaso, de honra e desonra.
SÍNTESE DO TÓPICO III - A natureza dos demônios declara que eles são seres criados, limitados, espirituais, malignos e imundos.
O obreiro aprovado pelo Senhor busca apontar tão somente o Senhor, e não ele mesmo.
 
O crente deve ter uma vida irrepreensível. Isso só é possível na vida do crente através do poder redentor, libertador e purificador do sangue de JESUS mediante a fé
 
SUBSÍDIO DIDÁTICO - top1
Professor, após fazer uma ou duas leituras desse primeiro tópico (refiro-me a leitura pessoal de estudo da lição, não em classe), medite na seguinte reflexão acerca da pregação, a fim de internalizar mais a ideia do que representa um arauto do Rei, o pregador do Evangelho: "São inúmeros os requisitos exigidos de um bom mensageiro de JESUS CRISTO, uma vez que desempenha o papel de arauto do Rei. Por outro lado, para que lhe demos tão alto qualificativo (de bom pregador), precisa ele preencher certas exigências indispensáveis. Entre outras, que possua grande piedade, e seja homem de oração, portador de dons naturais, cultura - geral e específica - e habilidades, especialmente na Palavra de DEUS; que ame ao Senhor e às almas; que tenha vida espiritual plena, pois o batismo no ESPÍRITO SANTO é ponto de partida e imprescindível.
Íntima comunhão com DEUS. Um ardente amor ao Pai, ao Filho e ao ESPÍRITO SANTO manterá o pregador ligado com o Céu e 'as coisas que são de cima' (Cl 3.1). Só assim conseguirá levar uma vida de oração, consagração e fé, procedimentos indispensáveis a um homem de DEUS. Haja em seu interior a chama divinal, grande amor pelas almas e profundo desejo de conhecer cada vez melhor a Palavra de DEUS, que é a mensagem a ser pregada para alimentar tanto a sua alma quanto a de seus ouvintes (1 Tm 4.16). Se o desejo de DEUS é a salvação das almas também deve ser esta a vontade do pregador, seu mensageiro. Como depositário do conhecimento da Palavra e intérprete do divino querer, deve esforçar-se para desincumbir-se fielmente de tão sublime missão. Para isto, naturalmente, precisa ser cheio do ESPÍRITO SANTO. Com dom inefável, sua palavra será cheia de graça e poder, capaz de apontar a todo viajor o caminho da vida - JESUS CRISTO" (DANTAS, Anísio Batista. Como Preparar Sermões: Dominando a arte de expor a Palavra de DEUS. 22.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.23).
 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO - top2
"A próxima analogia de Paulo diz respeito à variedade de artigos em uma próspera casa antiga. Existem artigos caros, como os vasos 'de ouro e de prata'; mas existem também aqueles que são baratos, como os vasos 'de madeira e de barro'. Alguns servem 'para honra', para propósitos nobres, como por exemplo, para serem admirados pelos convidados durante os banquetes; alguns servem 'para desonra', a propósitos humildes, comuns, como conter o lixo que será eliminado. A metáfora era comum na antiguidade, tanto no Antigo (Jr 18.1-11) como no Novo Testamento (Rm 9.19-24), mas a aplicação do apóstolo neste contexto é nova.
A expressão 'De sorte que', no início do verso 21, liga a aplicação desta analogia ao verso 19, que diz que 'qualquer que profere o nome de CRISTO aparte-se da iniquidade', 'Se alguém se purificar destas coisas' - do reino do ignóbil, ou seja, do falso ensino - essa pessoa 'será [um] vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor e preparado para toda boa obra'. Somente o vaso 'santificado e idôneo', nobre e honorável é que possui o mais elevado valor. O que importa não é o valor dos vasos ou do material de que são feitos, mas o conteúdo de cada um. Então, a fim de se enquadrar nesse perfil, cada um deve ser 'santificado', isto é, separado para os propósitos sagrados, afastando-se dos ensinos e da prática do mal" (Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.1495).
 
SUBSÍDIO DIDÁTICO - top3
Caro professor, o princípio destacado neste tópico é importante para fazermos uma autocrítica em nossa jornada no magistério cristão. Quantas vezes perdemos tempo com temas sem importância, por exemplo, coisas como "o tamanho da arca de Noé", "o cumprimento da roupa do sacerdote" etc.? E muitas vezes não nos apropriamos do princípio da Palavra. Um exemplo clássico são as parábolas de JESUS. Quando deveríamos, por exemplo, na parábola do filho pródigo, focar o princípio do reconhecimento da miséria humana e de seu pecado e de um verdadeiro arrependimento, gastamos tempo no comportamento do irmão mais velho, da postura do pai etc. Por isso, é importante estudarmos bem qualquer passagem bíblica a fim de termos o pleno domínio sobre o que é essencial ensinarmos e o que são informações secundárias.
 
PARA REFLETIR - A respeito das Cartas Pastorais:
Segundo a lição, quais as duas características do obreiro aprovado?Obreiros que ensinam sem engano e com pureza.
O que motivava Paulo a pregar o Evangelho?A motivação do apóstolo Paulo era pregar o Evangelho por amor dos santos (2 Tm 2.9).
Qual era o alvo de Paulo?
JESUS CRISTO (Fp 3.13-14).
De acordo com a lição, o que visam os falsos obreiros?
Enganar os incautos com argumentos falsos e logro.
Quais os dois tipos de vasos citados por Paulo?
Vaso para honra e para desonra.
 
CONSULTE a Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 63, p. 42, Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.
 
SUGESTÃO DE LEITURA
Preparar Sermões, Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento e O Que Todo Professor de Escola Dominical Deve Saber
 
COMENTÁRIOS DE VÁRIOS AUTORES COM ALGUMAS MODIFICAÇÕES DO Ev. HENRIQUE
APROVADO -- DOIS TIPOS DE APROVAÇÃO.
1- Milagres, prodígios e sinais
2- Fidelidade à Palavra de DEUS - a bíblia.
Percebe-se por ai que poucos são aprovados.
Aprovado por DEUS? Como DEUS demonstra sua aprovação?
Atos dos Apóstolos: 2. 22. Varões israelitas, escutai estas palavras: A JESUS, o nazareno, varão aprovado por DEUS entre vós com milagres, prodígios e sinais, que DEUS por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis.
2 Coríntios: 10:18. Porque não é aprovado aquele que se recomenda a si mesmo, mas sim aquele a quem o Senhor recomenda
2 Timóteo: 2. 15. Procura apresentar-te diante de DEUS aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.
Paulo diz: "Eu sei em quem tenho crido". Essa deve ser a avaliação. Intimidade com DEUS, falar com e ouvir a voz de DEUS, ser instrumento de DEUS para abençoar as pessoas.
 
 
Vaso é feito de barro, no caso que estudamos (nós). Vaso é frágil. Este vaso vai guardar como depósito o maior tesouro que existe. O ESPÍRITO SANTO.
É preciso que o vaso esteja limpo para conter esse azeite de unção. Onde esse vaso for colocado deverá ser visto como vaso que conduz as pessoas a honrar o santo nome de DEUS. Os vasos de honra ensinam a bíblia inspirados e dirigidos pelo ESPÍRITO SANTO.
Vasos para desonra são principalmente os vasos que não contêm o azeite por estarem sujos ou por conterem heresias que serão destiladas aos tardos de conhecimento. Só servem para que o nome de DEUS seja blasfemado. Pinico seria um bom nome para esse vaso. Só se torna vaso para honra depois que ouve o evangelho e nele crê.
Alguns Calvinistas usam esse assunto de vasos para dizer que alguns foram escolhidos antes para serem para honra e outros para desonra (exemplo - Judas). DEUS não faz nada que não presta. O próprio vaso é que escolhe de que quer ser cheio.
Só este versículo coloca por terra todo esse assunto de predestinação antes de se converter. Efésios: 1. 13. no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa. PRIMEIRO OUVIR, DEPOIS ACREDITAR, DEPOIS RECEBER O ESPÍRITO SANTO.
Nascemos vasos naturais, depois aceitamos a CRISTO e nos tornamos vasos espirituais, mas se não perseverarmos na sã doutrina e em santificação podemos noz tornar vasos carnais.
Nenhum vaso nasce perfeito. Perfeito vai ser o que estará dentro dele se vier a aceitar a CRISTO. Elias era homem levado as mesmas paixões que nós, no entanto...Pedro era homem iletrado e bravo, no entanto... Paulo perseguia os cristãos, no entanto...O que muda o vaso é o que entra nele. Deixemos o ESPÍRITO SANTO nos encher e não sejamos cheios da coisas do mundo.
"Muito espirituais" hoje em nossa igreja não são os muito usados por DEUS, pois esses são espirituais mesmo. Na verdade muito espirituais são os pregadores e ensinadores da teologia da prosperidade, são os teólogos e pregadores que só falam bonito, usando palavras difíceis ou nos originais, mas as suas pregações e ensinos estão recheados de heresias. Ninguém é curado, batizado ou liberto quando pregam ou ensinam, as decisões são falsas. Procura-se os que decidiram e não se encontra na semana seguinte. Foi tudo só emoção, nada espiritual.
O vaso não é muito importante mesmo. Convém que o vaso desapareça e seu oleiro apareça, Também seu conteúdo faça bem às pessoas. O conteúdo do vaso, Esse sim é importantíssimo. No caso desses vasos aqui o oleiro é JESUS e seu conteúdo o ESPÍRITO SANTO.
Tem vaso lindo, mas com esterco de pombos por dentro (sepulcro caiado)
No caso da lição os vasos eram lindos (chamados espirituais), mas ensinavam e pregavam heresias, seu conteúdo era mortal. Por isso a aparência pouco importa, pois DEUS usa dos remidos o menor e dos vasos os mais simples.
O problema é quando o oleiro acha defeito no vaso. tem que quebrar para consertar. Dói muito!
A linha construtiva para Timóteo seguir é dar provas das suas próprias qualidades como transmissor eficiente e totalmente fidedigno da sã doutrina e e despertar o dom do ESPÍRITO SANTO que lhe concedia autoridade de DEUS em seu ministério e poder para ajudar aos outros,m mantendo assim os falsos mestres abaixo de sua posição eclesiástica.
sem despertar o dom do Espírito Santo Timóteo estaria de igual modo com os falsos profetas ou Mestres.
Então a diferença é o dom do Espírito Santo
Pois na Igreja de Éfeso havia bons oradores que eram falsos Mestres ou seja eram bons de lábios
Isso mesmo, a diferença estaria no espiritual, pois no intelectual Timóteo perderia. Eram mestres mais velhos e experientes.
Paulo não é nada bobo. Sabendo disto apela para Timóteo que sua única saída era a espiritual, se desejasse a obediência e o respeito de todos. Veja o testemunho de Paulo aos Coríntios sobre isto: E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.
E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. 1 Coríntios 2:1-5
Paulo sabia que falsos mestres não têm poder de DEUS. DEUS não autentica falsos ensinos.
Veja hoje os anti-pentecostais como os tradicionais e igrejas históricas. São exímios mestres, mas sem nenhum poder. É um lindo evangelho falso. Sem confirmação ou autenticação de DEUS. Já começaram errados, pois JESUS disse: Ficai em Jerusalém até ... Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra. Atos 1:8. Eles saíram abrindo Igrejas antes de receberem a promessa, a permissão de DEUS, o poder de DEUS.
DEUS sempre mostrou quem fala o que ELE mandou assim: Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade? Hebreus 2:4
 
NOVOS ENCORAJAMENTOS AO SERVIÇO E AO SOFRIMENTO - 2:1-13
1. Paulo agora aplica a moral da exortação anterior a Timóteo.
Tu, pois. . . traduz literalmente o Grego, com seu tom enfático. O jovem discípulo foi lembrado da sua ordenação, da devoção do próprio Apóstolo ao evangelho, e do brilhante exemplo de Onesíforo. Agora é a vez de Timóteo demonstrar seu valor e fortificar-se na graça que está em CRISTO JESUS. O verbo é tipicamente paulino: cf. Rm 4:20; Ef 6:10; Fp 4:13. A força de na com graça é provavelmente instrumental: “por meio da,” ou “no poder da.” O acréscimo de que está em CRISTO JESUS sugere que, embora Paulo sem dúvida tenha em mente o dom especial outorgado na ocasião da ordenação (cf. 1:6-7), seu pensamento real diz respeito à graça no sentido cristão mais amplo. A expressão inteira (ver as notas sobre 1:1, 13) pode ser parafraseada como “a graça da qual somos recebedores mediante a comunhão com JESUS CRISTO.” Timóteo deve demonstrar hombridade- na sua resolução, mas a força verdadeira dos seus esforços virá da graça que CRISTO dá livremente.
2. Além disto, deve tomar medidas para transmitir o que ouviu da parte de Paulo a outros mestres fidedignos.
O verbo (Gr. paratithes- thai) tem relacionamento com o substantivo (Gr. parathèké) usado em 1:12 e 14 (também 1 Tm 6:20) para a mensagem cristã ortodoxa que é entregue a Paulo e Timóteo como um depósito sagrado. Logo,o que de minha parte ouviste não denota instrução geral na fé cristã, mas, sim, o próprio evangelho apostólico. Se o sentido geral daquilo que Paulo está dizendo fica claro, não fica tão fácil determinar exatamente o que quer dizer com através de (Gr. dia) muitas testemunhas. A maioria dos autores entende que através de é o equivalente de “na presença de.” Paulo está ressaltando, portanto, que quando pregou a Timóteo ou (o que parece mais provável) entregou a ele a mensagem do evangelho, estava na presença de muitos circunstantes. Desta forma, a solenidade da incumbência foi destacada ou, alternativamente, as pessoas presentes serviam para corroborar que sua doutrina era sã. Se tal idéia for aceita, seria natural interpretar o versículo como uma referência a alguma ocasião específica, tal como o batismo de Timóteo ou (melhor ainda) sua ordenação, quando se pode supor que o Apóstolo publicamente impressionou sobre ele um esboço da fé. Esta é provavelmente a melhor explicação do texto; também concorda bem, se a referência diz respeito ao comissionamento formal de Timóteo, com a ênfase sobre sua ordenação em 1:6 e 14. Outros autores, no entanto, argumentam que assim o papel das testemunhas não está tratado à altura, e preferem dar a através de o significado de “com a atestação de.” Segundo esta exegese, duas alternativas estão abertas. (a) Paulo está lembrando Timóteo do seu hábito de citar autoridades para seu ensino (e.g. os profetas, os discípulos do Senhor: cf. 1 Co 15: 3-11), especialmente quando se tratava de assuntos dos quais não tivera experiência direta. Mas se este fosse o significado dele, o que de minha parte ouviste não seria a maneira natural de expressá-lo; teríamos esperado algo como “O que transmiti a ti.” A lição de Paulo, portanto, deve ser, pelo contrário (bj que Timóteo teve a oportunidade de averiguar a versão do evangelho que recebeu do seu mestre, mediante testemunho independente, e, portanto, pode ter dupla certeza da sua autenticidade. As muitas testemunhas devem incluir Barnabé, sua própria avó e mãe, e numerosas outras pessoas de peso e autoridade. Todas estas dificuldades, tem sido alegado (B. S. Easton), desaparecem se reconhecermos que se trata realmente de um Pastor no século II que, à guisa de Paulo, está dirigindo-se a um neófito no ministério que nunca viu nem conheceu o Apóstolo pessoalmente. Podemos, então dar a dia seu significado original; é “através de” muitos intermediários, inclusive o próprio Pastor, que o neófito recebe a tradição paulina.
Embora seja altamente engenhosa, duvida-se se esta proposta é admissível mesmo se a teoria geral da qual faz parte pudesse ser aceita. Se este tivesse sido seu significado, podemos ter a certeza que o escritor não teria ditode minha parte ouviste, que, mesmo admitindo a ficção, somente pode dar a entender que o endereçado tinha sido pessoalmente um aluno de Paulo; nem testemunhas é uma descrição natural, na linguagem idiomática do século II, de uma sucessão de (ensinadores acreditados. £ possível notar que em 1 Tm 6:12 tem seu significado original de circunstantes que, dalguma maneira, testemunham ou atestam. Nenhum crédito especial pode ser conseguido “pelo significado original” de dia, pois o uso técnico “na presença da” é bem apoiado. Finalmente, parece incrível que, depois de construir com tanta perícia sua fachada de verossimilhança, o autor pseudonímico tivesse repentinamente resolvido esmiuçá-la. O conselho de Paulo a Timóteo no sentido de passar o evangelho apostólico a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros é de interesse imenso por conter, em forma embriônica, as idéias germinadas, estreitamente relacionadas entre si, da tradição da revelação original e de uma sucessão de pessoas autorizadas, encarregadas com a responsabilidade de transmiti-la intata. Essencialmente as mesmas idéias, embora expostas de modo menos explícito, aparecem nas cartas anteriores de Paulo, e.g., 1 Co 11:23; 15:1 ss. Desde o começo, o conceito da tradição, ou da transmissão da revelação original, era integrante do cristianismo. Nesta passagem, onde se ressalta o evangelho transmitido, estamos claramente numa etapa primitiva; em contraste, por exemplo, com 1 Qem. xlii. 2-4; xliv.2 (freqüentemente citado como paralelo), não se expõe nenhuma teoria de sucessão apostólica. Não há qualquer sugestão de apóstolos como tais transmitindo a fé para bispos e diáconos, mas simplesmente temos o próprio Paulo dando instruções a Timóteo, e seu interesse é mais na fidelidade do que na posição dos homens que Timóteo selecionará.
3. Paulo agora conclama Timóteo: Participa dos meus sofrimentos.
O destino de um evangelista e líder cristão é estar cheio de dificuldades, sendo que uma boa amostra está sendo providenciada pela presente situação difícil de Paulo. O mesmo verbo é usado como em 1:8. Como ilustrações, o Apóstolo passa a apontar a experiência do soldado, do esportista, e do lavrador. Todos os três — o primeiro com seu desvinculamento doutras coisas, o segundo com seu treinamento rigoroso, o terceiro com sua labuta infatigável — refletem aspectos diferentes na vida de qualquer pessoa que se dedica ao serviço de CRISTO. Estes eram exemplos clássicos na diatribe popular daqueles tempos; o próprio Paulo anteriormente empregara todos os três no espaço de um único capítulo (1 Co 9:7,24).
4. Destarte, Timóteo é exortado a portar-se, a despeito do seu acanhamento e timidez naturais, como bom soldado de CRISTO JESUS.
Além de ser resistente sob as condições das piores provações, há duas características especialmente relevantes que pertencem a um homem em serviço ativo. Primeiramente, não se envolve em negócios desta vida (de civil); e, em segundo lugar, é dominado pelo desejo único de satisfazer àquele que o arregimentou. Não somente o soldado é aliviado, por sua profissão, da necessidade, e até mesmo da possibilidade de ganhar sua vida da maneira normal, como também as exigências do serviço militar necessitam sua atenção total dada à realização dos planos do seu oficial comandante.
A segunda cláusula, o seu objetivo é satisfazer. . ., faz uma conexão um pouco desajeitada com a cláusula principal, mas o significado está claro. Às vezes tem sido tirada a conclusão que os ministros ordenados não devem ocupar-se em negócios ou no comércio, ou até mesmo no matrimônio, e que no ponto de vista do escritor há alguma coisa errada, ou de qualquer maneira de segunda categoria, nas atividades da vida comum. Esta é, no entanto, uma maneira pedante de aplicar erroneamente sua intenção, que é simplesmente insistir que Timóteo, e, presumivelmente, líderes cristãos numa posição análoga, devam cortar fora da sua vida qualquer coisa, por melhor que seja em si mesma, que tende a desviá-lo do serviço total a JESUS CRISTO. Indica em 1 Tm 3:2, 12; Tt 1: 6 sua aceitação do fato de que os superintendentes e diáconos seriam casados.
5. Paulo tira sua segunda ilustração do atleta profissional que participava, dos jogos que eram um aspecto tão destacado do cenário greco-romano.
Para seu emprego de metáforas do esporte, ver as notas sobre 1 Tm 4:7; 6:12. O atleta não é coroado, indica ele, ou seja: não pode ganhar o prêmio no evento específico, se não lutar segundo as normas. Tem havido muito argumento sobre se estas normas (o Grego tem o advérbio nominós, i.é, “licitamente:” cf. 1 Tm 1:8) são (a) as regras específicas do jogo em epígrafe, ou (b) os regulamentos impostos sobre os atletas que participam dos jogos públicos, os quais, a fim de manter padrões altos, incluíam preceitos acerca do treinamento. Como exemplo destes últimos, os competidores nos Jogos Olímpicos tinham de diante de uma estátua de Zeus, jurar que tinham ficado em treinamento rigoro- so durante 10 meses (Pausânias, Graec. descr. v. 24. 9). Existem as duas possibilidades, mas visto que trapacear não é relevante ao tema de Paulo, ao passo que a árdua auto-disciplina o é, (b) parece ser muito mais plausível do que (a).
6. O pensamento de Paulo já começou a avançar das privações envolvidas no serviço cristão dedicado para o galardão que o coroará.
Esta idéia fica sendo mais destacada na sua terceira ilustração,, tirada do lavrador que trabalha. A ênfase recai sobre o verbo, sendo que a lição de Paulo é que o lavrador que realmente se esforçou no campo deve ser o primeiro a participar dos frutos, i.é, tem prioridade sobre os que ou não fizeram nada ou ficaram totalmente desocupados. A analogia não é, conforme sugerem alguns autores, forçada, encaixada ali porque o escritor notou sua ocorrência em 1 Co 9:10-11. A mente de Paulo foi naturalmente dirigida aos galardões mediante sua menção da coroa do atleta.
Por alguma razão, considera apropriado lembrar Timóteo acerca da bênção especial que DEUS derramará sobre o ministério de um evangelista trabalhador e fiel. Mas também tem em mente, não menos do que em 1 Co 9:10- 1, o sustento material que o líder apostólico tem direito de esperar da parte da comunidade onde tem labutado (cf. 1 Tm 5:17-18). Deve ser notado que o verbo traduzido trabalha (Gr. kopiãn) é especialmente apropriado, sendo quase um termo técnico no vocabulário de Paulo para a obra ministerial (ver 1 Tm 5:17).
7. No versículo seguinte, Pondera o que acabo de dizer, pode ser interpretado “Calcula ou que estou querendo transmitir” (Gr. noei holegó).
Com um tato fino, Paulo deixa Timóteo descobrir por si mesmo as implicações mais profundas das suas três parábolas, especialmente, talvez, a alusão a seus honorários da parte da comunidade. Esta exegese é confirmada pelo encorajamento que ele acrescenta, porque o Senhor te dará compreensão em todas as coisas, i.é, em matérias como estas não menos do que em questões mais pesadas. Para a iluminação que DEUS dá ao homem espiritual, cf. 1 Co 2:10,15.
8. O v. 7 foi quase um parêntese; Paulo agora resume seu tema, e representa CRISTO como a inspiração suprema do serviço cristão.
O discípulo deve “ter em mente” (Lembra-te) o próprio Messias, que, embora agora, reine em glória, foi ressuscitado dentre os mortos. A sugestão provavelmente é que até mesmo Ele teve de palmilhar o caminho da cruz e provar da morte antes de seu exaltado. O Apóstolo faz sua lembrança tanto mais impressionante ao revesti-la de um fragmento de matéria tipo credo, semi-esteriotipada, que Timóteo provavelmente sabia de cor. A ordem JESUS CRISTO, sem precedentes em 2 Timóteo, e o acrés cimo de descendente de Davi, que é irrelevante no contexto, bem como a estrutura, confirmam que o refrão é uma citação. A fórmula é primitiva, provavelmente de origem cristã judaica, e se assemelha àquela citada por Paulo em Rm 1:3-4. Estes são os dois únicos refrões tipo credo, desta natureza no N.T., que ressaltam a descendência davídica do Salvador; para exemplos posteriores, cf. Inácio, Eph. xviii.2; Trall. ix. 1; Rom. vii. 3; Smym. i. 1.
9. “Este é o meu evangelho, ” declara Paulo; a frase parafraseia a expressão tipicamente paulina (cf. Rm 2:16; 16:25; 1 Tm 1:11): segundo o meu evangelho.
Noutras palavras, a verdade entesourada no fragmento de credo que acaba de ser citado é o coração da mensagem que foi confiada a Paulo, e “ao pregar o qual” (lit. no qual, que indica o evangelho como a esfera dos seus sofrimentos) estou sofrendo até algemas, como malfeitor. Paulo volta, como faz tão freqüentemente nesta carta, a sua própria pessoa como exemplo para Timóteo. A palavra malfeitor (Gr. kakourgos) é enfática, e no N.T. é só usada fora deste trecho para os bandidos que foram crucificados juntamente com JESUS (Lc 23:32, 33, 39). Na linguagem técnica jurídica era reservada para assaltantes, assassinos, traidores, e pessoas assim. O emprego dela aqui sugere as condições da prisão nerônica mais do que o aprisionamento relativamente brando de At 28. Esta passagem contém ainda outra indicação da vergonha e do ressentimento que Paulo sentia por causa do seu confinamento. Tanto mais exultante, portanto, soa sua interjeição triunfante: contudo, a palavra de DEUS não está algemada. Como em lT s2:13; 2 T s3 :l. A palavra de DEUS, que aqui é equivalente a meu evangelho supra, é quase personificada. A despeito das restrições impostas sobre seu pregador, continua a espalhar-se, conquistando homens para DEUS. Ficamos lembrando Fp 1:12-18, onde nota que sua prisão (a primeira), longe de impedir o evangelho, deu aos seus colegas cristãos a confiança de pregar a palavra de DEUS com excepcional destemor.
10. Mas não está pensando primariamente, nesta passagem, da pregação feita por outros.
A idéia que quer transmitir a Timóteo é que os próprios sofrimentos que está deplorando têm uma relevância positiva, evangelística. Declara, portanto: Por esta razão, (as palavras referem-se às expressões que hão de seguir: por causa dos. . . e para que. . . ) tudo suporto por causa dos eleitos, para que também eles obtenham a salvação em CRISTO JESUS. Aqui os eleitos de DEUS denota aqueles que a eterna predestinação de DEUS escolheu para receberem a salvação (Rm 8:33; Cl 3:12; Tt 1:1), mas que ainda não corresponderam à Sua chamada. O que Paulo está dizendo não é simplesmente que o exemplo da sua perseverança será uma inspiração para outros, mas, sim, que o motivo mais profundo da sua aceitação paciente das adversidades é a convicção de que, desta maneira, realmente está fazendo com que seja mais fácil para eles chegarem à salvação. Sua pressuposição aqui, como em Cl 1:24 (passagem esta que deve ser cuidadosamente comparada com a presente passagem), é que há um montante predeterminado de sofrimento que a comunidade messiânica, o corpo de CRISTO, deve padecer antes do Fim poder vir. Para as tribulações que, conforme o pensamento cristão primitivo, devem anteceder o fim, cf. Mt 24:6 ss.; Mc 13:7 ss.; Lc 21:9 ss. (esp. 24); 2 Ts 2:1-12. Quanto mais o próprio Paulo, portanto, sofre agora, tanto menos seus irmãos que também estão “em CRISTO” terão de sofrer pessoalmente, de modo que ele apressará a vinda do Fim. Desta maneira, sua angústia e seu martírio realmente preparam o caminho para outros, para que também eles obtenham a salvação que está em CRISTO JESUS. A certeza que o Apóstolo tem da sua própria salvação é ressaltada notavelmente pela palavra também. As palavras a salvação que está em CRISTO JESUStransmitem muito mais do que o fato de que a salvação do cristão lhe advém de CRISTO. Como em 1:1 ; 9,13; 2:1 (ver as notas ali), contêm a essência do evangelho de Paulo, que é que o crente é nova criatura como resultado de ser unido com CRISTO (cf. 2 Co 5:17).
E o resultado concomitante desta salvação será a eterna glória. Este fato é ilustrado por Rm 5:2, onde Paulo descreve como os cristãos exultam na glória divina que há de ser deles. Quer dizer aquela glória refletida de DEUS com que Adão era. revestido no Jardim do Éden, mas da qual os homens depois foram privados como resultado da Queda (Rm 3:23). É esta glória que será revelada em nós e para nós no Fim (Rm 8: 18), e que em 2 Co 4:17 o Apóstolo representa como sendo “eterno peso de glória, acima de toda comparação,” que deixará na sombra quaisquer aflições que porventura soframos no presente momento.
11, 12. Paulo completa esta seção com outra “palavra fiel.
Para esta expressão, um chavão nas Pastorais, cf. 1 Tm 1:15; 3:1; 4:9; Tt 3: 8. Alguns comentaristas, seguindo Joio Crisóstomo, identificam a palavra com aquilo que antecede, ou de qualquer maneira com alguma parte dele (e.g. v. 8); apoiam este argumento dizendo que os versículos que se seguem não podem estar em mira, pois começam com a partícula (no original) “Pois.” Estão, porém, claramente enganados. O v 8 é separado por um espaço de dois versículos, e nada há de aforístico ou de qualquer maneira semelhante a uma citação no restante das observações de Paulo, ao passo que as linhas seguintes (llb-13) têm precisamente este caráter. A explicação óbvia de “Pois” e' que o extrato citado é incompleto; Paulo o começa numa altura relevante ao seu assunto, sem levar em conta a abertura abrupta. Parece certo, portanto, que Fiel é a palavra se refere a w. llb-13. Sua estrutura paralela e seu caráter rítmico tomam provável que é um extrato de um hino litúrgico, provavelmente familiar a Timóteo e à comunidade (cf. 1 Tm 3:16 para o uso semelhante de um hino); a última linha (pois de maneira nenhuma pode. . .)que quebra o padrão, pode ser uma glosa acrescentada pelo próprio Paulo. O hino parece ser de proveniência cristã judaica, sendo que sua primeira estrofe relembra Rm 6:8 e sua terceira estrofe, o dito do Senhor relatado em Mt 10:33. Tem sido descrito como um encorajamento aos cristãos enfrentando a perseguição, mas o rito do batismo (ver notas abaixo) tem uma reivindicação muito mais forte para ser a origem deste hino. É, no entanto, inútil agora esperar que possamos identificar seu âmbito original com perfeita precisão. Tudo quanto podemos saber com certeza é que o motivo de Paulo em citá-lo era inculcar a conexão entre a comunhão do cristão com CRISTO no sofrimento e na glória.
Um contexto batismal certamente é sugerido por se já morremos com ele, também viveremos com ele. Este morrer com CRISTO não é primariamente, conforme muitas vezes tem sido proposto, a morte por meio de sofrer o martírio por Ele, mas, sim, a morte ao pecado e ao próprio-eu que todo cristão prova no batismo. Paulo expõe sua doutrina mística disto em Rm 6:2-23, onde desenvolve o pensamento (ver esp. v. 8, ao qual esta linha é quase idêntica) de que ser reunido com CRISTO na Sua morte acarreta ser reunido com Ele na Sua ressurreição e participar da Sua vida glorificada. Cf. também Cl 3:3. Mas a morte do cristão com CRISTO no batismo é apenas uma primeira prestação. É sua vocação, estando misticamente unido com o Crucificado, abraçar uma vida de provações e adversidades. Mesmo assim, recebe sua recompensa, pois se perseveramos, também com ele reinaremos. A linha cristaliza a esperança cristã primitiva de que, quando CRISTO voltar em glória para reinar (1 Co 15:24-25), os santos que perseveraram se assentarão em tronos como reis lado a lado com Ele (Ap 1:6; 3:21; 5:10; 20:4). A chamada à perseverança, subentendida, também se encaixa com a situação batismal. O Evangelho segundo Marcos, escrito apenas uns poucos anos mais tarde, demonstra quão profunda era a convicção da igreja que a adversidade era da essência do discipulado. Mas o que acontece se o negamos na realidade? A resposta severa, baseada na própria advertência (Mt 10:33), é que ele por sua vez nos negará. A referência, outra vez, é ao Juízo Final, quando o Senhor Se recusará a reconhecer os que O negaram.
13. O hino passa, então, a considerar uma possibilidade original se somos infiéis.
Alguns interpretam isto (Gr. apistoumen) como sendo equivalente a “se abandonarmos a fé nEle,” i.é, apostarmos. Mas assim teríamos uma repetição do pensamento da frase anterior; desconsidera, também, o fato de que o verbo está no presente (de ação contínua?), e não no futuro, como negará. Daí, a paráfrase “se deixarmos de viver à altura da nossa profissão,” ou “se pecarmos e nos revelarmos instáveis nas provas e tentações,” parece ressaltar melhor o significado. A resposta que esperamos segundo a lógica rígida é: “Ele também será infiel,” mas o paradoxo do amor divino não permite tal coisa. A verdade é proclamada de modo triunfante: Ele permanece fiel.Isto não significa: “DEUS cumpre Sua palavra tanto para a recompensa quanto para o castigo” (W. Lock), i.é, inexoravelmente exige a penalidade devida à nossa apostasia. A grande afirmação do hino é que, por mais inconstantes e infiéis que os homens sejam, o amor de DEUS continua inalterável, e Ele permanece fiel às Suas promessas. Conforme a expressão de Paulo em Rm 3:3-4, a infidelidade dos homens serve apenas para destacar a fidelidade de DEUS; afinal das contas, Ele nos salvou, “não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça” (1:9 supra). E a explicação, é lógico, é que de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo. Ser fiel no meio de tudo, a despeito do pior que os homens podem fazer, é a essência da Sua natureza. Conforme foi sugerido supra, a cláusula final pode ser um comentário explicativo do próprio Apóstolo, mas muitos sustentam que está plenamente dentro do espírito do hino e é necessária para completar o pensamento. Seja qual for a certa entre estas duas interpretações, o alvo desta quarta estrofe não é, naturalmente, abrir a porta para ao desvio e à apostasia, mas, sim, fornecer um bálsamo para consciências perturbadas.
 
UMA CONCLAMAÇÃO PARA EVITAR O FALSO ENSINO - 2:14-21
14. Tendo feito o melhor que podia para inspirar em Timóteo coragem para enfrentar o sofrimento no espírito de CRISTO, Paulo passa a instruções específicas acerca da sua pregação, prestando atenção especial à ameaça crescente da heresia.
Já ressaltara a importância do ensino sadio modelado no dele mesmo (1:12-14; 2:1-2), e agora manda-o: Recomenda estas coisas (“Continua lembrando as pessoas destas coisas”), i.é, na primeira instância, da verdade profunda do evangelho resumida nos w. 11-13, mas também, mais geralmente, da mensagem cristã conforme a aprendera do Apóstolo (2:2). O verbo (Gr. hupomimnêske: lit. “lembrar”) está no presente do imperativo, o que indica que esta deva ser a prática regular dele; daí a tradução “Continua...” É especialmente importante, ressalta Paulo, advertir as pessoas solenemente (para Dá testemunho solene a todos perante DEUS, cr. 1 Tm 5:21) para que evitem contendas de palavras. Esta tradução parece preferível à de Moffatt, “que não troquem argumentos”, que dá a entender que o Apóstolo está desencorajando debates públicos com os hereges.
Esta interpretação não produz um quadro plausível em si mesmo; e de qualquer maneira o substantivo relacionado, “disputa acerca de palavras” (Gr. logomachia) se acha em 1 Tm 6:4, onde indubitavelmente tem o significado de fazer sofismas acerca de palavras. O que Paulo está sublinhando aqui é o perigo de ficar envolvido naquele tipo de discussão teológica que, no fim, é puramente verbal, não tendo nada a ver com as realidades da religião cristã. Embora suas críticas severas tenham uma aplicação geral, visam, primariamente, indivíduos específicos em Éfeso. Seja qual for o conteúdo dos seus ensinos (infelizmente, Paulo apenas nos dá uns indícios muito fragmentários quanto a eles), está certo de que a discussão à qual dão origem é um perder-se em minúcias sem proveito acerca de palavras, o tipo de argumentação que para nada aproveita, e que é só para a subversão dos ouvintes.
15. A linha construtiva para Timóteo seguir é dar provas das suas próprias qualidades como transmissor eficiente e totalmente fidedigno da sã doutrina. Paulo o exorta, portanto: Procura apresentar-te a DEUS, aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar. Apresentar- te a DEUS (para o verbo, Gr. parastèsai, cf. Rm 6:13; 1 Co 8:8) aprovado (o adjetivo grego dokimos tem a idéia de “testado” e “aprovado”). A figura emobreiro é a de um trabalhador agrícola (cf. Mt 20:1, 8). O adjetivo que o acompanha (Gr. anepaischuntos) pode significar “que não tem vergonha da sua profissão,” retomando e repetindo, assim, o pensamento de 1:8 (cf. Rm 1:16; Hb 2:11; 11:16). Mas este sentido é estranho ao contexto, que pinta o quadro do trabalhador que fez bem o seu serviço e que pode, portanto, submetê-lo ao seu empregador sem dúvidas ou embaraço. A cláusula seguinte contém o peso da incumbência dada por Paulo. Timóteo cumprirá sua tarefa de modo eficiente, e assim se capacitará a enfrentar DEUS sem sentir vergonha, ao manejar bem a palavra da verdade. Por palavra da verdade alguns têm entendido a Escritura, mas tanto o contexto como o uso por Paulo da mesma expressão noutros lugares (Ef 1:13; Cl 1:5) confirmam que representa o evangelho, a mensagem cristã como um todo. As demais palavras são uma tentativa de traduzir o verbo grego raro orthotomein (lit. “cortar retamente”), achado somente aqui e em Pv 3:6; 11:5. Alguns argumentam, com base no seu significado literal, que a figura de Paulo deve ser a de um pedreiro cortando uma pedra (aqui a palavra da verdade) conforme o padrão correto (i.é, o padrão do evangelho). Outros notando que o obreiro é um lavrador agrícola, seguem João Crisóstomo em supor que é a figura de um arado cortando um sulco reto. Do outro lado, nas duas passagens em Provérbios o verbo é usado com hodous (= “estradas”) e claramente significa “cortar uma estrada reta,” ou “fazer uma estrada numa direção reta;” há também muitos exemplos do verbo “cortar” sendo usado para fazer estradas. Uma interpretação possível, portanto, é que Paulo está admoestando Timóteo, quando prega o evangelho, a seguir um caminho estreito, sem ser desviado por disputas acerca de meras palavras ou por conversa ímpia. 0 debate, no entanto, é provavelmente infrutífero (um exemplo da logomachia que Paulo deplora!), pois o sentido geral parece bastante claro, e a imagem subjacente, seja qual for, perdeu seu frescor e seu impacto.
16. Se positivamente a tarefa de Timóteo é pregar o evangelho em toda a sua pureza, negativamente ele deve Evitar igualmente os falatórios inúteis e profanos.
Paulo outra vez está atacando o ensino dos sectários, em linguagem idêntica àquela que usou em 1 Tm 6:20. O substantivo sublinha sua futilidade, ao passo que o adjetivo sugere que é materialista na sua tendência, e que substitui a revelação divina pela especulação humana. Não admira que os que deles usam estejam condenados a passar a impiedade ainda maior. A construção é desajeitada no original, porque não há nenhum sujeito para a terceira pessoa no plural, passarão. O contexto, no entanto, especialmente deles no v. 17, estabelece que a referência é aos mestres do erro. Evidentemente, alegavam ser “avançados,” i.é, progressistas e intelectualmente vivos como cristãos (para o verbo prokoptein= “avançar” no sentido de fazer progresso, cf. Rm 13:12; G1 1:14; também 1 Tm 4:15 para o substantivo correlato prokopê). Daí a ironia deliberada no comentário de Paulo de que o único progresso que têm probabilidade de fazer está na direção da impiedade.
17. Igualmente desastrosa será sua influência sobre outros membros da igreja, porque a linguagem deles corrói (lit. “terá sua pastagem”) como câncer.
Embora a tradução câncer às vezes tenha sido preferida, gangrena se adapta melhor tanto ao Grego (gaggraina) quanto ao sentido da passagem. Não são apenas os perigos do falso ensino aos aderentes deste que preocupam Paulo, como também sua tendência insidiosa de espalhar-se e infeccionar outras pessoas, assim como a gangrena se espalha e devora os tecidos próximos. Dois dos falsos mestres agora são mencionados pelo nome. Não se ouve falar noutro lugar de Fileto, mas Himeneu é referido em 1 Tm 1:20, onde somos informados que Paulo o excomungara. A despeito disto, parece ter continuado suas atividades com êxito, visto que aparece aqui como um dos líderes dos mestres do erro. Alguns têm achado surpreendente este fato, e tiraram a conclusão de que 2 Timóteo deva ter sido escrita antes de 1 Timóteo. A inferência, no entanto, é totalmente desnecessária; não podemos tomar por certo que a interdição de Paulo fosse instantaneamente eficaz em silenciar um herege, e, de fato, só porque Himeneu aparentemente podia desconsiderá-la é uma ilustração da situação difícil na igreja em Éfeso.
18. Paulo declara que estes dois se desviaram da verdade. Para o verbo (Gr. astochein: lit. “errar o alvo”), cf. 1 Tm 1:6; 6:21. O erro deles, continua ele, consiste em asseverar que a ressurreição já se realizou. Esta é uma indicação muito valiosa, a única que é realmente precisa e concreta nestas cartas, às crenças teológicas propriamente ditas dos separatistas. Embora muita coisa fique obscura, a interpretação mais provável é que escolheram identificar a ressurreição, não com o levantamento do corpo no último dia, mas, sim, com o morrer e ressurgir místicos que o cristão experimenta a sua iniciação batismal. Que esta é a explicação correta do ensino deles, que assim, com efeito, negava a ressurreição do corpo, é corroborado pelo relato de Irineu (Haer. 1. 23. 5) do que o gnóstico samaritano Menandro, que era discípúlo de Simão Mago (At 8:9 ss.), ensinava seus seguidores que, como resultado de terem sido batizados por ele mesmo, já haviam passado pela ressurreição e nunca envelheceriam nem morreriam. Cf. A tos de Paulo e Tecla xiv. A crença de que o corpo físico ressuscitará do túmulo era, naturalmente, integrante do cristianismo desde o início. Lado a lado com ela havia a crença, que não temos motivo para supor ter sido confinada a Paulo (para sua versão dela, cf. Rm 6:1-11; Ef 2:6; 5:14; Cl 2:13; 3:1-4), que o cristão passa por uma morte e ressurreição mística com CRISTO no batismo. A mentalidade grega, no entanto, com seu conceito da alma como sendo imortal, e da soltura do corpo, que é a prisão dela, como sendo sua verdadeira felicidade, sentia uma repugnância instintiva pela idéia da ressurreição física. Destarte, nos círculos helenísticos, Paulo desde cedo achou necessário (cf. 1 Co 15; At 17:32) combater o ceticismo completo acerca dela. É compreensível que pessoas com esta maneira de pensar achassem a idéia da ressurreição sacramental no batismo muito mais apropriada, e que confinassem a ela o seu ensino acerca da ressurreição. Tendências como estas tinham um atrativo especial sempre que o gnosticismo se estabelecia, e a presente passagem é evidência das tendênciias gnósticas dos sectários. Paulo declara que, ao ensinarem tais distorções, estão pervertendo a fé a alguns. É inevitável esse resultado, visto que a crença na ressurreição do corpo é a pedra angular do cristianismo; sem ela, conforme já asseverara aos coríntios (1 Co 15:17), “É vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.” O perigo era tanto maior onde (conforme quase certamente ocorria no presente caso) a negação tinha sua origem numa depreciação do corpo, que abria a porta, de um lado, para a idéia da salvação-própria por meio de práticas ascéticas (cf. 1 Tm 4:3), e, do outro lado, para a indiferença moral (cf. 1 Co 6:12 ss.).

A PRIMEIRA EPÍSTOLA A TIMÓTEO - J. N. D. Kelly - Novo Testamento - Vida Nova - Série Cultura Cristã.

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