quinta-feira, 9 de julho de 2015

Lição 2 - O Evangelho da Graça 1 Parte

Lição 2 - O Evangelho da Graça 1 Parte

3º trimestre de 2015 - A Igreja E O Seu Testemunho - As Ordenanças De CRISTO Nas Cartas Pastorais
Comentarista da CPAD: Pr. Elinaldo Renovato de Lima
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
Veja -http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao12-ada-1tr11-asviagensmissionariasdepaulo.htm
 
 
TEXTO ÁUREO"[...] contanto que cumpra com alegria a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor JESUS, para dar testemunho do evangelho da graça de DEUS." (At 20.24).
 

VERDADE PRÁTICAO evangelho da graça de DEUS é por excelência o evangelho da libertação do homem através do sacrifício salvífico de JESUS CRISTO.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - 1 Tm 1.7 - Falsos doutores da lei que não compreendiam o que ensinavam
Terça - 1 Tm 1.9,10 - A Lei não foi feita para os justos, mas para os injustos
Quarta - 1 Tm 1.17 - A DEUS honra e glória para sempre
Quinta - 1 Tm 1.20 - Entregues a Satanás para que aprendam a não blasfemar
Sexta - 2 Tm 4.7 - Combatendo o bom combate da fé cristã
Sábado - Gl 1.15 - Paulo foi chamado pela graça de DEUS
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - 1 Timóteo 1.3-10
3 - Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns que não ensinem outra doutrina, 4 - nem se deem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de DEUS, que consiste na fé; assim o faço agora. 5 - Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida. 6 - Do que desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas, 7 - querendo ser doutores da lei e não entendendo nem o que dizem nem o que afirmam. 8 - Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usa legitimamente, 9 - sabendo isto: que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas, 10 - para os fornicadores, para os sodomitas, para os roubadores de homens, para os mentirosos, para os perjuros e para o que for contrário à sã doutrina.
 
OBJETIVO GERAL
Explicar o que é o evangelho da graça de DEUS
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico.
Mostrar porque as falsas doutrinas corrompem o evangelho da graça.
Conscientizar-se de que a graça superabundou com a fé e o amor.
Compreender o significado do bom combate.
 
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Paulo foi escolhido e enviado pelo Senhor para anunciar e ensinar o verdadeiro significado da graça. No Antigo Testamento apenas Israel era o povo eleito de DEUS. Porém, como prova do seu amor altruísta, DEUS enviou seu filho JESUS CRISTO para morrer na cruz por toda a humanidade. JESUS veio trazer salvação a todos. Em CRISTO não há judeu, gentio, servo, livre, homem ou mulher (Gl 3.28). O evangelho da graça, diferente do judaísmo, não exclui ninguém. Todos são alvos do favor de DEUS. Somos salvos não pelas obras da Lei, nem pelas obras que realizamos, mas recebemos o presente da salvação unicamente pela graça. Que você, juntamente com seus alunos, louvem a DEUS por sua infinita e abundante graça.
 
PONTO CENTRALOs falsos ensinos corrompem o Evangelho da graça de DEUS.
 
Resumo da Lição 2 - O Evangelho da Graça
I - AS FALSAS DOUTRINAS CORROMPEM O EVANGELHO DA GRAÇA
1. O evangelho da graça.
2. As falsas doutrinas (v.3).
3. O "fim do mandamento" e a finalidade da Lei.
II - A GRAÇA SUPERABUNDOU COM A FÉ E O AMOR
1. Gratidão a DEUS.
2. Humildade.
III - UM CONVITE A COMBATER O BOM COMBATE (vv. 18-20)
1. A boa milícia.
2. A rejeição da fé e suas consequências (1 Tm 1.5).
 
SÍNTESE DO TÓPICO I - Paulo alerta a respeito das falsas doutrinas, pois elas acabam corrompendo o evangelho da graça.
SÍNTESE DO TÓPICO II - Paulo reconhece que a graça de JESUS superabundou com a fé e o amor que há em JESUS CRISTO.
SÍNTESE DO TÓPICO III - Paulo convida Timóteo a combater o bom combate, mesmo diante das dificuldades.
 
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO top 1"Sete anos antes de Paulo escrever esta epístola, advertira os presbíteros de Éfeso de que os falsos mestres procurariam distorcer a verdadeira mensagem de CRISTO. Agora que isso já estava acontecendo, Paulo exorta Timóteo a confrontá-los com coragem. Este jovem pastor não devia transigir com esses falsos ensinos que corrompiam tanto a lei quanto o evangelho. Ele deveria travar contra eles o bom combate mediante a proclamação da fé original, conforme o ensino de CRISTO e dos apóstolos (2 Tm 1.13,14). A expressão 'outra doutrina' vem do grego heteros e significa 'estranha', 'falsificada', ' diferente'" (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p. 1864).

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO top 2"Não obtemos por boas obras (a essência da religião legalista) o direito à libertação do pecado e da morte. Jamais! Graça significa que tudo começa e termina com DEUS. A salvação é, então, um presente de nosso Criador. Nós criamos a nossa própria ruína, mas nele reside nosso socorro. O Criador restaura com as próprias mãos sua obra-prima arruinada. Enquanto a graça é a origem ou fonte da nossa salvação, a fé é o seu meio ou instrumento. A fé não faz reivindicações, para que não seja dito que foi por 'mérito' ou 'obra'"(Comentário Bíblico Beacon. 1. ed. Vol. 9. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 136).
"Como salvos em JESUS CRISTO, não temos mais prazer no pecado. Aquele que ainda tem prazer no pecado, não experimentou o novo nascimento".
 
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO top 3"Conforme Timóteo 1.18, houve profecias concernentes à vontade de DEUS para o ministério de Timóteo na igreja (1 Co 14.29). Paulo exorta a Timóteo a permanecer fiel àquela vontade revelada para sua vida. Como pastor e dirigente da igreja, Timóteo devia permanecer leal à verdadeira fé apostólica e combater as falsas doutrinas que estavam penetrando insidiosamente na igreja.
Paulo adverte Timóteo várias vezes a respeito da terrível possibilidade da apostasia e abandono da fé" (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p. 1865).
 
CONHEÇA MAIS
*A graça divina
"O apóstolo Paulo foi o principal instrumento humano para transmitir o pleno significado da graça em CRISTO. O Novo Testamento oferece a graça a todos, ao contrário do Antigo Testamento, que geralmente restringe a oferta de graça ao povo eleito de DEUS, Israel. A graça em sua mais completa definição é o favor imerecido de DEUS ao nos dar seu Filho, que oferece a salvação a todos, e dá àqueles que o recebem como Salvador pessoal uma graça acrescentada para esta vida e uma esperança para o futuro."
Leia mais em Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p. 876.
 
PARA REFLETIR
A respeito das Cartas Pastorais:

Segundo a lição, o que é o evangelho da graça?
É o evangelho libertador de CRISTO.
Como eram apresentadas as falsas doutrinas?
Eram apresentadas como fábulas ou genealogias.
De acordo com a lição, cite uma característica marcante do caráter de Paulo?
Sua gratidão a CRISTO.
O ministério de Timóteo havia sido confirmado mediante o quê?
Havia sido confirmado por profecia.
Segundo a lição, qual o resultado da rejeição à fé?
O resultado é o naufrágio na fé.
 
CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 64, p. 38.
SUGESTÃO DE LEITURA
Comentário Bíblico - Efésios, Boas Ideias para Professores de Educação Cristã e Dicionário Bíblico Wycliffe
 
Comentários de diversos autores com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique
A PRIMEIRA EPISTOLA A TIMÓTEO - J. N. D. Kelly - Novo Testamento - Vida Nova - Série Cultura Cristã.
1. ENDEREÇO E SAUDAÇÃO. 1:1-2
As cartas gregas antigas tinham fórmulas padronizadas de abertura que consistiam no nome do remetente, o nome do endereçado, e uma breve saudação — usualmente apenas “Saudações.” Paulo, embora se conformasse' com este padrão, introduz modificações relevantes dele próprio. Escreve, por exemplo, na primeira pessoa, tende a passar algum tempo falando da posição dele mesmo e dos seus correspondentes como sendo cristãos, e dá aos bons desejos, usualmente sem colorido, um conteúdo especificamente cristão. Sua fórmula revisada desenvolveu-se no decurso dos anos; conforme aparece nas Pastorais, ainda está passando por desenvolvimento, mas ao mesmo tempo reflete fielmente as etapas que atingira na sua correspondência anterior.
1. Seguindo sua praxe regular desde Gálatas (excetuando em Filipenses e Filemom, onde não tinha preocupação em apelar para a sua autoridade) Paulo começa com a lembrança de que é apóstolo de CRISTO JESUS. Com isso quer dizer que não é mero representante de uma igreja local (para “apóstolo” usado neste sentido, cf. 2 Co 8:23; Fp 2:25), mas, sim, o embaixador do Senhor, pessoalmente escolhido por Ele, encarregado de testificar da Sua ressurreição e proclamar o Seu evangelho. Esta insistência é importante aos seus olhos por acrescentar peso à sua mensagem. Tem sido questionado se um colega leal tal qual Timóteo precisaria de tais lembranças, mas têm razão de ser se a carta foi escrita tendo em vista sua leitura pública diante da congregação em Éfeso, onde havia muitas pessoas que não o queriam bem. O direito de Paulo ao título tem sido frequentemente contestado, mas aqui, como noutros lugares (e.g. Rm 1:1 e 5; Gl 1:1) declara que lhe foi dado divinamente; fora pelo mandato de DEUS, nosso Salvador, e de CRISTO JESUS, nossa esperança. Usualmente, refere sua posição apostólica à “vontade” de DEUS (1 Co 1:1; 2 Co 1:1; Ef 1:1; Cl 1:1; 2 Tm 1:1), mas sua linguagem aqui é mais enfática. “Mandato” (Gr. epitagê) conota uma ordem, e é freqüentemente usada de mandamentos reais que devem ser obedecidos. Transmite vividamente a consciência de Paulo de que, longe de ser apenas um privilégio, o apostolado envolve responsabilidade; o apóstolo é um homem sujeito às ordens de DEUS. A comissão viera a ele, presumivelmente na ocasião da sua conversão, da parte de DEUS e CRISTO, entre cujas ações não faz distinção. A descrição de DEUS como Salvador é característica das Pastorais (1 Tm 2:3; 4:10; Tt 1:3; 2:10; 3:4) e fora delas é achada no N.T. somente em Lc 1:47 e Jd 25. Nas raras ocasiões em que Paulo emprega o termo alhures (Fp 3:20; Ef 5:23; 2 Tm 1:10; Tt 3:16), aplica-o a CRISTO (ver 2 Tm 1:10). O A. T. forneceu precedentes abundantes para chamar DEUS de “nosso Salvador” ou “meu Salvador” (e.g. SI 25:5; 27:1, 9; Hc 3:18; Is 12:2; Ec 5:1), e o uso feito por Paulo aqui está claramente baseado na prática devocional judaica. A expressão inteira, conforme CRISTO JESUS, nossa esperança confirma, tem uma orientação escatológica. DEUS é nosso Salvador porque, na vinda de JESUS, inaugurou um processo de redenção que consumará para Seus escolhidos no último dia. CRISTO é nossa esperança
(a) de um modo geral, porque nEle colocamos nossas esperanças (cf. Cl 1:27: “CRISTO em vós, a esperança da glória”), e
(b) mais precisamente, porque ansiosamente antegozamos Sua “manifestação” (1 Tm 6:14), quando a salvação da qual desfrutamos um antegozo será outorgada em plena medida.
2. Ao chamar Timóteo de verdadeiro filho (o substantivo grego é íntimo: teknori) na fé Paulo está ressaltando seu relacionamento de confiança e afeição, e também, provavelmente, está relembrando que ele mesmo convertera e ordenara (2 Tm 1:6) seu jovem colega.  A implicação de verdadeiro (lit. “legítimo,” “nascido de um casamento lícito”) é que nada há de espúrio no cristianismo deste último. Por "na fé" Paulo não quer dizer “dentro da fé”, que daria um sentido demasiadamente concreto. A força da expressão pode ser instrumental, “pela fé,” enfatizando que é como resultado da sua fé que Timóteo é o filho espiritual de Paulo: cf. 1 Co 4:15. Ou pode denotar a esfera do seu relacionamento, e neste caso 1 Co 4:17 (“meu filho amado e fiel no Senhor”) fornece um paralelo. Fora das Pastorais, a saudação regular de Paulo é “graça a vós e paz. . .” Aqui e em 2 Tm 1:2 encaixa misericórdia e, provavelmente por causa do ritmo, exclui “a ti.” “Graça” (Gr. charis) é uma versão cristianizada da palavra pagã “Saudações” (Gr. chairein). “Paz,” do outro lado, era a saudação judaica usual, e há evidência (Tob. 7:12 no texto S; 2 Bar. lxxviii. 2) de uma bênção judaica “misericórdia e paz,” que o próprio Paulo adapta em Gl.6:16. Seu emprego, aqui e em 2 Tm l:2 (em nenhum outro lugar) de uma saudação judaica, revisada num sentido cristão, é provavelmente deliberado, e indica o pano de fundo mútuo de pensamento e linguagem que, como judeus, ele e Timóteo tinham em comum. Paulo escreve da parte de DEUS Pai e de CRISTO JESUS, nosso Senhor em lugar da sua expressão costumeira “de DEUS nosso Pai e do Senhor JESUS CRISTO.”  É um erro considerar que esta mudança e as demais mencionadas supra denunciam que o parágrafo não é da parte dele. A inferência contrária é mais plausível, pois um imitador teria tomado o cuidado de modelar suas saudações exatamente segundo a fórmula nas cartas que tinha diante dele.
2. UMA ADVERTÊNCIA CONTRA FALSOS MESTRES. 1:3-11.
Esta passagem imediatamente levanta a questão dos movimentos recentes de Paulo. Conforme a interpretação usual, ele mesmo estava trabalhando lado a lado com Timóteo em Éfeso, e tendo deixado a cidade, agora está repetindo, de modo formal e oficial, a essência das instruções que anteriormente lhe dera verbalmente. Para muitos, tem parecido incrível que ele tivesse feito assim, especialmente porque sua comunicação verbal deve ter sido mais pormenorizada e impressionante. Indicaram, portanto, que a linguagem do Apóstolo não requer, rigorosamente falando, que Éfeso tenha sido seu ponto de partida, mas, sim, é consistente com sua viagem para a Macedônia a partir de, e.g., o ocidente, sendo que suas instruções originais tomaram a forma de notas resumidas às quais agora está acrescentando pormenores. Semelhante viagem, argumentam eles, está mais de conformidade; com 3:14 e 4:13, onde o Apóstolo fala em ir (não voltar) a Éfeso. Embora não seja de modo algum impossível, esta reconstrução dos eventos é, no cômputo geral, menos provável do que aquela que geralmente se aceita. Não há menção de instruções escritas em 3, e a interpretação mais natural deste versículo é que Paulo as dera pessoalmente a Timóteo. Obtemos também« a impressão de que Paulo tem conhecimento em primeira mão da situação e das personalidades em Éfeso. De qualquer maneira, os que apoiam esta segunda reconstrução exageram as dificuldades do ponto de vista comum, olvidando não somente o caráter oficial da carta como também os motivos de Paulo em escrevê-la. Espera que seja lida publicamente em Éfeso, e provavelmente noutras localidades do distrito em derredor também, e depois, que seja preservada nos arquivos da igreja. Seleciona para a repetição, portanto, aspectos da sua instrução original que considera úteis para o aproveitamento geral. Ao mesmo tempo, visto que está ansioso por fortalecer a autoridade de Timóteo, adapta o tom inteiro da carta com este fim em mira.
3. No original, a primeira frase começa: “Como te roguei. . .”  seu pensamento corre na frente de modo tão precipitado que passa para uma segunda frase antes de completar devidamente a primeira. Nada sabemos acerca da viagem referida em Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia (i.é, a província romana com este nome, que abrangia a parte setentrional da Grécia, e que incluía Filipos, Tessalônica, e Beréia entre suas cidades principais), a não ser que não pode ser encaixada na carreira de Paulo conforme a conhecemos com base em Atos e nas cartas anteriores. Como os demais eventos imediatamente contemplados nas Pastorais, deve pertencer ao período obscuro subsequente à sua soltura da primeira prisão em Roma. Éfeso era a cidade principal da Ásia Menor, a sede do governador da província e um centro religioso de grande importância. Podia jactar-se do famoso templo de Ártemis ou Diana (At 19:23ss.), e o novo culto estava fortemente estabelecido ali. A fundação da sua comunidade cristã pode ser atribuída a Áquila e Priscila, aos quais Paulo deixou em Éfeso quando passava apressadamente por ali no seu caminho para Cesaréia (At 18:19), mas ele mesmo trabalhou ali por bem mais de dois anos (At 20:31). Não menos por causa do sistema de comunicações, que irradiava dali, a cidade era um ponto-chave na estratégia da igreja, e facilmente entendemos o afã de Paulo no sentido de ter um homem da sua confiança colocado ali como líder. Há uma sugestão no verbo permanecer (Gr. prosmeimí) que Timóteo tivesse desejado uma mudança; daí a insistência do Apóstolo de que sua continuada presença é indispensável. A comissão de Timóteo é imediatamente definida; é para admoestares a certas pessoas a fim de que não ensinem outra doutrina. Noutras palavras, deve tomar posição firme contra a disseminação de ensinos errôneos. O verbo traduzido admoestar (Gr. paraggelleiri) é um termo militar que significa “dar ordens rigorosas”. A posição de Timóteo, notamos, é de autoridade; é nada menos do que um delegado apostólico, e, como tal, pode se dar o luxo de assumir uma linha dura. Visto que a carta é semi-pública, a identidade dos principais mestres do erro não é revelada. Como em 1:6, 19;6:10, 21 (cf. 1 Co 4:18; 2 Co 10:2;G11:7; Fp 1:15), são referidos, de modo vago porém com mau presságio, como certas pessoas, mas podemos ter certeza de que havia pouca dúvida na mente de Timóteo ou da congregação em geral, quanto à identidade deles.
4. O falso ensino é descrito primeiramente em termos gerais como sendo “novidades”: o verbo (Gr. heterodidaskalein), cunhado pelo Apóstolo (ou pelo seu secretário), literalmente significa “ensinar uma doutrina diferente,” i.é, diferente daquela de Paulo, e sugere que há uma norma aceita para o ensino apostólico. Passa, depois, a ser definido mais especificamente como fábulas e genealogias sem fim. Estas palavras chegam quase a revelar o conteúdo da heresia, mas a interpretação delas está longe de ser clara. Muitos comentaristas modernos, seguindo Irineu e Tertuliano (que supunham que o Apóstolo estava refutando Valentino de antemão), explicam-nas como sendo uma referência ao gnosticismo do tipo plenamente desenvolvido que florescia em meados do século II. Por fábulas entendem os mitos elaborados através dos quais os pensadores gnósticos procuravam solucionar o problema do mal, e por genealogias as famílias de emanações, ou eons, em ordem descendente, mediante as quais ligavam o abismo entre o DEUS supremo, que não pode ser conhecido, e a ordem material. Contra isto devemos notar:
(a) que os sistemas gnósticos de eons nunca, pelo que saibamos, foram chamados de genealogias;
(b) que se o escritor os tivesse em mente, teríamos esperado que tivesse entrado mais plenamente no conteúdo deles ao invés de satisfazer- se com uma alusão passageira com pouca precisão;
(c) que também deveríamos ter esperado uma crítica muito mais contundente e de maior alcance do que aquela que diz que encorajam especulações ociosas e contendas; e
(d) que as fábulas são expressamente rotuladas de judaicas” em Tt 1: 14, ao passo que em Tt 3:9 as “genealogias” são mencionadas juntamente com os “debates sobre a lei.” A implicação clara desta última alusão é que o pano de fundo do falso ensino era judaico. Tem sido sugerido, portanto, que as fábulas e genealogias devem ter tido algo a ver com as interpretações alegóricas ou lendárias do A.T., centralizando-se nas árvores genealógicas dos patriarcas. Boa parte da Hagadá rabínica consistia exatamente neste tipo de reescrever as Escrituras de modo imaginativo; o Livro dos Jubileus e o Liber antiquitatum biblicarum do Pseudo-Filo, com sua mania de árvores genealógicas, são exemplos aplicáveis. Tem sido demonstrado, também, que no judaísmo pós-exílico havia um interesse intenso pelas árvores genealógicas, e que estas desempenhavam um papel nas controvérsias entre os judeus e os cristãos judaicos. Visto nesta luz, os mestres do erro são judaizantes que se concentram em minúcias forçadas da exegese rabínica, em detrimento ao evangelho. Nenhuma interpretação, no entanto, pode ser inteiramente satisfatória se deixar de reconhecer que a heresia não era exclusivamente judaica ou gnóstica, mas, sim, uma mistura das duas. A própria fórmula fábulas e genealogias, que tinha sido um chavão grego desde os tempos de Platão, confirma seu caráter sincretista. No presente contexto provavelmente denota as especulações gnósticas baseadas no A.T., e Jeremias pode ter razão em vinculá-las, no que diz respeito às fábulas, com a história da criação. Do outro lado, parece provável que as duas palavras devam ser tomadas em estreita conexão entre si, sendo que a última define a primeira, e que por genealogias Paulo queira dizer “árvores genealógicas” no sentido rigoroso. Na sua descrição da seita gnóstica conhecida como os ofitas (fizer. i. 30, 9), Irineu dá um exemplo interessante de como as árvores genealógicas em Gênesis podiam ser trabalhadas até formarem mitos, e é possível que Paulo tivesse em mente algo deste tipo. Parece infrutífero, no entanto, tendo em vista a completa falta de evidência, procurar definir sua referência com mais precisão. Tudo quanto podemos inferir do seu tom geral é que estes esforços judaicos gnósticos de fazer exegese não tinham o alcance cosmológico ou implicações cristológicas de, por exemplo, a heresia colossense; as idéias por detrás deles eram provavelmente mais simples e mais elementares. Mesmo assim, Paulo não está satisfeito com o modo dos mestres do erro tratarem o A.T., que, no conceito dele, somente leva a especulações vãs. A palavra tem um som pejorativo, mas ao usá-la, não está negando, conforme os críticos às vezes supõem, o direito do cristão, e seu dever, de refletir a respeito da sua fé. Pelo contrário, está condenando a massa de pseudo-problemas que a exegese dos heréticos engendra. A finalidade real do estudo bíblico deve ser uma apreensão do “plano salvífico de DEUS” (tradução do autor). O substantivo grego assim traduzido (oikonomian: melhor atestado do que oikodomén, i.é, “edificação”) originalmente conota a gerência (“serviço,” ARA) de um lar ou de uma casa, mas com Paulo refere-se ou ao propósito redentor realizado na história (Ef 1:10; 3:9), ou à responsabilidade, ou mordomia, que DEUS confia aos Seus delegados escolhidos para zelar pela sua realização (1 Co 9:17; Cl 1:25; Ef 3:2). Se este último sentido se aplica aqui, Paulo está querendo dizer que a exegese dos mestres do erra deixa de promover o desempenho fiel do serviço de DEUS. O primeiro sentido, no entanto, parece preferível, visto que faz um contraste mais eficaz com as fantasias puramente imaginárias das quais as cabeças dos falsos mestres estão repletas. Se isto for correto, o plano divino “opera pela fé” no sentido de que é apreendido, e assim se toma eficaz, mediante a fé da parte daqueles que aceitam a CRISTO.
5. O intuito último da admoestação de Paulo, assim como ocorre em toda a pregação moral cristã, não é meramente negativo. Se seu propósito inicial é frear o erro, tem o alvo adicional, mais positivo, de estabelecer o amor na congregação de Éfeso em lugar do espírito da contenda que os mestres do erro semearam ali. Esta mútua caridade somente pode brotar de coração puro e de consciência boa e de fé sem hipocrisia. A menção que Paulo fez de um coração puro relembra a sexta Bem-aventurança, bem como numerosas passagens do A.T. (e.g. Gn 20; 5-6; Jó 11:13; SI 24:4; 51:10) em que a pureza de coração é aplaudida. Na Escritura, o coração é o centro e a fonte da totalidade da atividade mental e moral do homem; se ali faltar pureza, obviamente não pode irradiar o amor cristão. Nem pode assim fazer a não ser que sua consciência seja boa, i.é, não somente livre de auto-repreensão como também orientada pelo ESPÍRITO SANTO. Precisa, também, de uma fé em CRISTO que não envolve fingimento mas, sim, expressa-se em aceitação positiva da Sua maneira de viver (cf. G1 5:6 “a fé que atua pelo amor”). Tem sido objetado que Paulo nunca poderia ter qualificado a fé como sendo sem hipocrisia, pois não pode haver questão de insinceridade no relacionamento direto entre a alma e DEUS. Isto, porém, é tirar uma distinção delicada demais; Paulo pode falar (Rm 12:9; 2 Co 6:6) de “amor sincero,” a despeito do fato de que amor que é insincero não é mais amor do que a fé insincera seja o artigo genuíno. A ideia é que, embora a própria fé em si não possa ser insincera, é possível que alguém engane a si mesmo ou aos outros no sentido de possuí-la. “Consciência” (Gr. suneidêsis) ocorre duas, ou talvez três vezes na LXX; no N.T., à parte de Jo 8:9 (assim na maioria dos MSS), Hebreus, e 1 Pedro, é achada somente nas cartas paulinas e em discursos atribuídos a Paulo (At 23:1; 24:16). O termo, e a ideia por detrás dele, eram populares entre os estoicos, e também com Filo; parece que Paulo o tomou emprestado do seu meio-ambiente gentio. Seu significado básico é a percepção interior que o homem tem da qualidade moral das suas próprias ações (e.g. Rm 2:15; 9:1; 2 Co 1:12), mas a consciência também pode fazer pronunciamentos sobre as ações doutras pessoas (1 Co 10:28-29; 2 Co 4:2; 5:11). Passagens tais como Rm 13:5 e 1 Co 8:10 sugerem que Paulo pensava nela como sendo um guia para a vida, e fica claro em 1 Co 8:7-12 que reconhecia que podia ser imperfeitamente informada. Nas Pastorais, aprofunda a noção. Ao falar da consciência de hereges rebeldes como sendo “cauterizada” ou “ferreteada” (1 Tm 4:2) ou “corrompida” (Tt 1:15), descreve a dos cristãos fiéis como sendo “boa” (1 Tm 1:15, 19) ou “pura” (l Tm3:9;2Tm 1:3). Nas passagens em Atos registra-se que refere à sua própria consciência como sendo “boa” ou “pura”; cf. também Hb 9:14; 10: 22; 13:18; 1 Pe 3:16, 21. Há pouca evidência para este uso na literatura grega do século I, embora Filo (De spec. leg. i. 203) tem a expressão “de uma consciência pura.” A ocorrência do equivalente em Latim (bom, al mala, conscientia) era muito mais frequente em escritores tais como Cícero e Sêneca, e alguns detectaram aqui a influência crescente de idéias e expressões idiomáticas ocidentais sobre o Apóstolo nos seus anos posteriores. Primariamente, uma consciência boa ou pura é uma que está livre de sentimentos de culpa. Nos escritores cristãos, no entanto, contém também implicações de maior alcance. A consciência está estreitamente vinculada com a fé, visto que pelo batismo o cristão recebeu perdão pelos seus pecados, e pelo influxo do ESPÍRITO SANTO passa por aquela “renovação da mente” que o capacita a “experimentar qual seja a . . . vontade de DEUS” (Rm 12:2), além de colocá-la em prática. Destarte, em Rm 9:1, Paulo protesta que sua consciência lhe dá testemunho “no ESPÍRITO SANTO”, i.é, o ESPÍRITO é o princípio que a informa e inspira. Seu uso de “uma boa consciência” nas Pastorais, com a sugestão de que faz parte da dotação do homem de fé e que não pode ser possuída por alguém que não tem fé verdadeira, é apenas a extensão lógica deste conceito subjacente.
6. É por desviar-se destas coisas, destas qualidades indispensáveis, que os falsos mestres, na opinião de Paulo, perderam-se do caminho certo, e acabaram chegando àquilo que nada mais é do que uma massa de loquacidade frívola. O primeiro destes verbos (Gr. astochein: cf. 6:21; 2 Tm 2:18) pode ter o sentido mais positivo de “deixar de visar,” conforme é sugerido pela descrição do caráter dos mestres do erro em 6:3-5; cf. Eclo. 8:9. É característico de Paulo nas Pastorais (6:20; 2 Tm 2:16; Tt 1:10) considerar os ensinos deles como loquacidade frívola (Gr. mataiologia aqui). Estas duas palavras ocorrem somente nas Pastorais (embora para esta última cf. Rm 1:21), ao passo que “perder-se” (Gr. ektrepesthai) ocorre somente nelas (5:15; 6:20; 2 Tm 4:4) e em Hb 12:13, Todas as três pertencem ao koirtê superior, e ilustram sua influência sobre estas cartas.
7. O caráter judaico do falso ensino, e também provavelmente sua preocupação com a exegese das Escrituras, ressaltam-se na declaração de que seus expoentes desejam ser mestres da lei. Este é um título honroso no N.T., e em At 5:34 é aplicado a Gamaliel. Paulo o joga de volta contra eles com ironia, pois no seu modo de ver, o uso que fizeram dos seus métodos exegéticos mal-orientados comprova que não compreendem, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações. Não é que sejam judaizantes do tipo, por exemplo, atacado em Gálatas, que desejam impor sobre os cristãos a plena lei cerimonial. O que fazem é extrair da lei, i.é, a porção legal do A.T., mitos fantásticos e preceitos ascéticos (cf. 4:3) que serve para demonstrar que não perceberam a lição do próprio A.T. nem do evangelho. 8-10. Isto leva o Apóstolo a uma digressão característica acerca do lugar e da função da lei. O tom de desprezo da sua referência aos mestres da lei pode dar a impressão de refletir desfavoravelmente contra a própria lei. Destarte, apressa-se a assegurar Timóteo, e aqueles diante dos quais a carta deve ser lida, que naturalmente “Nós”, i.é, os cristãos bem informados, sabemos que a lei é boa (para a fórmula concessiva “estamos bem conscientes. . .” cf. Rm 2:2; 3:19; 8:28; 1 Co 8:1, 4; 2 Co 5:1), se alguém dela se utiliza de modo legitimo. Seu argumento é que os cristãos que aceitaram o evangelho e vivem pelo ESPÍRITO plenamente estimam o lugar da lei e dos seus preceitos na elaboração do propósito de DEUS; conforme observa em Rm 7:12 e 14, é “santa” e “espiritual” (cf. também 2 Tm 3:15-17). Ao mesmo tempo, suas limitações também devem ser reconhecidas; ainda que seja a lei dada a Moisés por DEUS, não é o evangelho, mas permanece sendo uma espécie de lei. E devemos reconhecer que a lei, i.é, lei de qualquer tipo, não se promulga para quem é justo, mas para pessoas que ainda estão debaixo do domínio do pecado. Embora a abordagem seja diferente, a atitude para com a lei exposta aqui está em plena harmonia com aquela que é exposta em Rm 7:7-25 e G1 5:13-26. Nesta última passagem, por exemplo, está claramente subentendido que os que estão sob a influência e que seguem os ímpetos dela na sua vida têm a lei aplicada a eles. Muitos pensam que Paulo, com sua reverência para com a lei, nunca poderia ter sido responsável pela declaração de que ela não é para os justos. A rudeza da declaração, no entanto, é grandemente reduzida se observarmos
(a) que é à lei em geral (inclusive, naturalmente, a lei mosaica) à qual se refere, e
(b) que justo não significa, simplesmente, “de caráter honesto e respeitável,” mas, sim, conota o cristão que vive pela fé (Rm 1:17; 5:19; G1 3:11; Hb 12:23). Tais transições de um sentido de lei para outra são bastante comuns em Paulo (e.g. Rm 2:14; 7:23; G1 5:14, 23). A aspereza da sua linguagem aqui é, até certo ponto, condicionada pela posição dos mestres do erro que, segundo parece, estão selecionando e torcendo preceitos do A.T. de acordo com suas idéias arbitrárias. Paulo procede a elaborar seu argumento por meio de enumerar tipos de pessoas para as quais, em contraste com os cristãos, a lei em geral e a lei de Moisés em particular, tem relevância muito direta. Se ele nos dá a impressão de escolher exemplos desnecessariamente chocantes, devemos lembra-nos de que é uma característica dele empregar cores lúridas, sombrias quando está retratando a conduta humana à parte do evangelho (e.g. Rm 1:24-32; G1 5:19-21). Sua lista toma a forma de um catálogo de vícios de um tipo que ocorre freqüentemente (às vezes com um catálogo paralelo de virtudes) no N.T.: e.g. Rm l:28ss.; 1 Co 5:10-11; 2 Co 12:20-21; G1 5:19-23.
Catálogos semelhantes eram usados pela seita de Cunrã e também por círculos contemporâneos helenísticos e judaico-helenísticos. As listas cristãs provavelmente seguiam o modelo destes, e isto explica os termos gerais em que usualmente se expressam. Exibem considerável grau de coincidência parcial, e é evidente que a igreja primitiva logo amontoou uma coletânea substancial de matéria exortativa que podia ser colocada em jogo na ocasião apropriada. O que é especialmente interessante na presente lista é que se baseia, em grande medida, no Decálogo. Destarte, começa com seis epítetos um pouco gerais, dispostos em pares — transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos — que abrangem os delitos contra DEUS, e podem talvez ser entendidos como uma representação da primeira tábua do Decálogo. Depois fustiga separadamente os violadores dos cinco primeiros mandamentos da segunda tábua. Parricidas e matricidas representam exemplos flagrantes da quebra do Quinto Mandamento, homicidas, do Sexto. Impuros e sodomitas são transgressores do Sétimo, que era interpretado como abrangendo o vício sexual em todas as suas formas, e raptores de homens, do Oitavo, visto que na exegese rabínica entendia-se que o furto incluía o tráfico de seres humanos (cf. Êx 21: 16; Dt 24:7). Mentirosos e perjuros claramente transgridem o Nono. Paulo completa seu catálogo, de modo semelhante a Rm 13:9 e G1 5:21, com a expressão que a tudo abrange: e para tudo quanto se opõe à sã doutrina. Vindo no fim de um inventário dos delitos mais grosseiros, alguns acharam este clímax grosseiro, mas na realidade reflete vividamente o contraste entre as obras da carne e o fruto do ESPÍRITO. Este é o primeiro aparecimento da expressão sã doutrina (Gr. hugiainousa didaskalia) que é característica das Pastorais (2 Tm 4:3; Tt 1:9; 2:1; para a mesma ideia, cf. 1 Tm 6:3; 2 Tm 1:13; Tt 1:13; 2:2, 8), mas não é achada em qualquer outra parte do N.T. Para muitos, é um sinal convincente do cristianismo “burguês” das cartas, e revela uma abordagem racional à ética que é estranha ao espírito de Paulo. Do outro lado, um imitador não tem probabilidade de ter tão repetidamente atribuído a ele uma expressão idiomática que não é achada em nenhuma das suas cartas reconhecidas, ao passo que nada é mais comum para um homem, numa certa etapa na sua vida, repentinamente adotar uma fraseologia que lhe parece apta, e depois usá-la até esgotá-la. O Apóstolo tira a presente metáfora do jargão filosófico em voga, em que “são” tinha a conotação de “sadio” ou “razoável,” e aplica-a aqui para designar a mensagem cristã autêntica conforme é aplicada à conduta. Expressa sua convicção de que uma vida moralmente desregrada é, por assim dizer, doentia, e necessita de tratamento pela lei, ao passo que uma vida baseada no ensino do evangelho é limpa e sadia. Este é o tipo de convicção que decerto avultava-se na sua mente durante seus últimos anos.
 
3 Em meu caminho para Macedônia, insisti com você para que permanecesse em Éfeso, a fim de ordenar a certos indivíduos a não ensinarem diferentemente, 4 nem a dedicar-se a mitos e genealogias intermináveis, os quais antes suscitam disputas, em vez de promover a administração centrada na fé requerida por DEUS; 5 enquanto o propósito da responsabilidade é o amor [que emana] de um coração puro e uma consciência sã, bem como uma fé sem hipocrisia; 6 objetivos dos quais alguns indivíduos, havendo se desviado, volveram-se a conversação fútil, 7 pretendendo ser doutores da lei, embora não entendam nem as palavras que eles mesmos falam, nem os temas sobre os quais discutem com tanta confiança. 8 Ora, nós sabemos que a lei é excelente se alguém faz dela uso legítimo, 9 tendo isto em mente, que a lei não foi promulgada para o justo, e, sim, para os transgressores e insubordinados, para os ímpios e pecadores, para os homens irreverentes e profanos, para os parricidas e matricidas, para os que matam seus semelhantes, 10 para os homens imorais, os sodomitas, os sequestradores, os mentirosos, os perjuros e para todos quantos se opõem à sã doutrina. 11 [a qual está] em harmonia com o glorioso evangelho do bendito DEUS, [o evangelho] que me foi confiado.

J. N. D. Kelly - Novo Testamento - Vida Nova - Série Cultura Cristã.

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