quinta-feira, 17 de julho de 2014

Lição 3 - A Importância da Sabedoria Humilde 2 parte - 3 parte e questionário

 
II - A DEMONSTRAÇÃO PRÁTICA DA SABEDORIA HUMILDE (Tg 3.13)
1. A sabedoria colocada em prática.
Um talento não utilizado pode se perder com o tempo. Da mesma forma, se recebemos um presente de DEUS, devemos utilizá-lo para a glória dEle, e isso inclui a sabedoria. Quando o texto de Tiago fala que o sábio e inteligente deve demonstrar sua sabedoria, ele está dizendo que essa demonstração deve ser realizada entre as pessoas, publicamente.
Tiago espera que a sabedoria seja pedida por meio da oração, recebida como um presente de DEUS e manifesta na comunidade dos santos. A sabedoria não é um presente que recebemos para ficar guardada, mas para ser disponibilizada por meio de ações inteligentes.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 39.
 
Sabedoria É o que a Sabedoria Faz, 3.13
Essa seção tem somente uma conexão vaga com os versículos precedentes. Talvez o sábio (v. 13) pode ser comparado à fonte de água doce, não misturada com a amarga (v. 11), ou à árvore cuja natureza é tal que produz “bons frutos” (vv. 12, 17). Mas fundamentalmente, o pensamento do autor tem conexão com os versículos 1- 2a em que apresenta conselhos aos mestres cristãos — ou pretendentes a mestres
— na Igreja. O sempre prático Tiago aplica o teste da bondade aos líderes cristãos e mais amplamente a todos que se chamam cristãos. Sêneca disse: “A sabedoria nos ensina a fazer, bem como a falar”. The New English Bible reflete de forma correta o significado do versículo 13: “Quem entre vós é sábio ou inteligente? Que o demonstre por sua conduta correta, mediante obras práticas, com modéstia que provém da sabedoria”.
O verdadeiramente sábio e inteligente (epistemon) é aquele que conhece a DEUS.
O sábio do Antigo Testamento escreveu: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e a ciência do SANTO, a prudência” (Pv 9.10). Este é o significado que Tiago emprega aqui (cf. 1.5). O bom trato é “seu bom procedimento” (NVI). Suas obras seriam os resultados específicos ou ações que brotam da sua vida reta. Todas essas ações devem ser realizadas em mansidão de sabedoria, i.e., com a humildade que é decorrente de ser semelhante a CRISTO.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 178.
 
«...mediante condigno proceder, as suas obras...» A sabedoria nada será a menos que se manifeste na forma de boas obras e de uma vida moral e espiritual correta. Também precisa ser frutífera e poderosa, tal como se espera que seja a fé cristã (ver Tia. 2:14 e ss.), porquanto, de outro modo, será algo morto e inútil. Mediante sua vida boa e pacífica, o homem demonstrará a origem piedosa e divina de sua sabedoria. Portanto, o sábio é convidado a demonstrar a validade de sua sabedoria pelas suas obras de mansidão. A sabedoria que não é comprovada desse modo é uma sabedoria falsa: e mostra-se ainda mais falsa quando se torna motivo de orgulho e de contenda.
«Tiago compartilha do conceito bíblico geral que a sabedoria não  consiste apenas no conhecimento, na astúcia e na habilidade, mas antes, em uma profunda compreensão sobre o que é e deve ser a vida piedosa. Tal sabedoria produz concórdia e harmonia entre as pessoas e os grupos. Faz agudo contraste com o egoísmo calculista que é a causa de ‘desordem social e de todas as ‘práticas vis’... O astuto, o esperto, o manipulador habilidoso, está convencido que sua sagacidade superior é o que os sofisticados denominam de ‘egoísmo iluminado‘, o ‘conhecimento’, a manipulação de homens e de circunstâncias, para a satisfação de sua ganância. Para obter a sua finalidade, o homem astuto não mostra escrúpulos em mentir, desunir, enganar ou subornar, se pensa que poderá evitar ser apanhado. Uma boa parte da astúcia de que ele se orgulha e a sua habilidade de ‘encobrir‘ de ‘passar despercebido‘. Se a sua ambição só puder ser satisfeita mediante a deslealdade para com seus amigos, ou mediante a crueldade para com suas vítimas, isso é lamentável, mas é o preço que o ‘realista paga para ganhar o único sucesso que vale a pena ter neste mundo‘*. (Easton, in loc.).
«...proceder...» No grego é usado o termo *anastrophe·, «conduta», «comportamento», o caráter geral de uma vida, algo que é indicado, nas páginas do N.T.. pela metáfora do «andar», que é de uso mui frequente. O «sábio» crente deve ser pessoa de uma conduta repleta de boas obras, efetuadas em mansidão. Somente a sabedoria divina, uma qualidade divinamente transmitida, pode tornar bem-sucedida a vida do crente. É algo por demais exigente para a personalidade humana sem ajuda.
«Ações, ações, ações, é o clamor de Tiago. ‘Isto deveríeis ter feito, sem deixardes de fazer aquelas outras'. Sem a prática cristã, todas as outras coisas que alguém professe possuir é sal que já perdeu o sabor». (Plummer, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 39.
 
Tg 3.13. A pergunta que abre esta divisão — Quem entre vós é sábio e entendido? — é de fato um desafio: se você diz ser sábio, demonstre sua sabedoria pelas obras que a verdadeira sabedoria produz. Muitos comentaristas acham que a pergunta de Tiago dirige-se especialmente aos mestres mencionados no versículo 1. Mas nem sophos (sábio, “pessoa sábia”) nem epistêmõn (“instruído”, “cheio de entendimento”) são aplicados como títulos ao mestre. Eles aparecem juntos várias vezes na Septuaginta, uma vez em referência às qualidades que os líderes devem possuir (Dt 1.13,15), mas também é aplicado a todo o Israel (Dt 4.6; Dn 5.12 aplica-os ao profeta). Está claro que Tiago considera a “sabedoria” uma virtude à disposição de todos (1.5), e mesmo 3.1 realmente não se dirige a mestres, mas àqueles que queriam se tomar mestres. Portanto, a exortação de Tiago é melhor compreendida como se fosse dirigida a todos os crentes em geral, mas especialmente àqueles que se orgulhavam de seu conhecimento superior.
Conforme Dibelius destaca, a exortação de Tiago à “pessoa sábia” parece desajeitada, pelo fato de ele combinar duas ideias nela: a sabedoria deve produzir obras e a sabedoria deve ser caracterizada pela humildade. A primeira ideia dá-nos uma forte lembrança da exigência anterior de Tiago, no sentido de que a fé se manifesta em obras. A verdadeira sabedoria, assim como a fé real, é uma qualidade prática e vital que tem a ver tanto (ou mais) com o modo pelo qual vivemos como com aquilo que pensamos ou dizemos. Neste sentido, Tiago é fiel ao conceito veterotestamentário da sabedoria como um modo de vida, a atitude e conduta típicas de uma pessoa piedosa. Mas Tiago está muito mais interessado na segunda ideia mencionada acima, as qualidades que devem ser manifestadas pela sabedoria. Em mansidão de sabedoria deve ser entendido como um qualificativo de obras e estas devem ser praticadas “em mansidão” que caracteriza a “sabedoria” ou nasce dela (vendo o genitivo como descritivo ou indicador de origem). Mansidão (praütês), na mente da maioria dos gregos, dificilmente era uma virtude a ser buscada: ela sugeria um rebaixamento servil e ignóbil. Mas JESUS, que pessoalmente foi “manso” (Mt 11.29), pronunciou uma bênção sobre aqueles que fossem mansos (Mt 5.5). Tal mansidão cristã envolve uma compreensão sadia acerca de nossa falta de méritos diante de DEUS e uma respectiva humildade e falta de orgulho no trato com nossos semelhantes.
Douglas J. Moo. Tiago. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 130-131.
 
2. A humildade como prática cristã.
Na concepção de Tiago, sabedoria e humildade devem andar juntas. O sábio tem atitudes humildes, não arrogantes. Da mesma forma que a sabedoria de que precisamos encontra sua fonte em DEUS, a humildade nos faz ser sempre mais dependentes de DEUS. Curiosamente falando, a obediência a DEUS é uma demonstração de humildade, e não de arrogância. A desobediência a DEUS e aos seus preceitos mostra o quanto podemos ser arrogantes, mas a dependência de DEUS e a humildade demonstram o quanto somos obedientes a Ele.
A humildade tem um alto preço? Com certeza. Um exemplo que vale a pena ser lembrado é o caso de Naamã, o general do exército da Síria, que foi curado por Eliseu em 2 Reis 5. Naamã era um herói nacional, e por seus feitos era sempre honrado. A Bíblia descreve Naamã como um homem poderoso diante do rei e respeitado, pois através de Naamã DEUS dera livramento aos sírios. Ele ainda é descrito como um homem valoroso, mas também possuidor de um mal: a lepra.
Mesmo com essa doença, Naamã era muito bem quisto em sua nação. Quando ele soube que havia um profeta em Israel que poderia curá-lo, Naamã foi atrás do homem de DEUS, Eliseu, que aparentemente, fez pouco caso do general, quando ordenou que o militar fosse tomar banho nas águas do Jordão. Naamã não gostou da ordem e pegou o caminho de volta para sua terra, mas convencido pelos seus servos, voltou, banhou-se no rio e foi curado. Sua humildade e obediência, mesmo em sua posição, garantiram-lhe a cura daquela doença mortal.
Naamã não era um cristão, mas seu exemplo de humildade serve de inspiração a todos nós. Se ele pôde ouvir seus servos, humilhou-se e banhou-se em um rio que aos seus olhos era inferior, e por isso foi curado, porque não podemos nós buscar essa característica em nossas vidas?
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 39-40.
 
Mt 11.29 Manso e humilde de coração. Evidentemente se refere às ideias de Zac. 9:9, que fala da humildade do Messias. Primeiramente o Messias humilhou-se na encarnação—«...a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens» (Fil. 2:7). No seu ministério, JESUS sempre apresentou provas de sua simpatia pelo estado e sofrimento da humanidade. Operou curas não para provar seu próprio poder e grandeza, mas porque anelava aliviar o sofrimento dos homens. Ressuscitou aos mortos porque simpatizou com a tristeza dos que estavam em luto. Pregou o evangelho, especialmente aos pobres, porque sentiu a desesperadora condição produzida pelo pecado. JESUS não assumiu posição de autoridade e grandeza, como o faziam alguns líderes dos judeus, nem procurou qualquer privilegio pessoal ante o governo. Viveu como homem pobre, no meio dos pobres, como homem humilde no meio dos humildes. Finalmente, submeteu-se à morte na cruz, uma morte vergonhosa e horrível, conforme se lê, ...humilhou-se, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz (Fil. 2:8).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 1. pag. 382.
 
Mt 11.29 JESUS convida a aprender dele, isto é, tornar-se seu seguidor. Ele é manso e humilde de coração. Ambas as qualidades precisam ser encontradas também na vida de seus discípulos, tanto a mansidão, que é igual para com cada pessoa, seja ela pobre ou rica, amiga ou inimiga, como também a humildade. Exatamente isso foi o que acompanhou o Senhor JESUS como uma clara luz brilhante durante todos os seus dias. Essa humildade dele não foi uma máscara exterior, um gesto adquirido de cortesia, não, ela brotava de seu coração, do mais íntimo de seu ser. Não uma coação externa o impelia para essa atitude, e sim a necessidade mais interior.
Em outras palavras: A mansidão é a característica exterior de uma ação, enquanto “ser humilde de coração” refere-se mais à disposição interior que está por trás de toda ação.
Quando o discípulo é obediente a esse imperativo, isso por sua vez lhe trará novo “descanso”. Na verdade, às vezes o descanso não é imediatamente visível de fora, pois também o discípulo está plenamente inserido em seu tempo, no mundo com toda a sua pressa e atividade, e nem sempre pode afastar-se dele. Porém o discípulo sempre de novo pode receber de presente o descanso da alma, uma segurança e firmeza interior diante de todo o exterior. Esse “descanso interior” brota da proximidade daquele que anda junto, debaixo do jugo, e que é o “Senhor do universo”.
Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Mateus. Editora Evangélica Esperança.
 
3. Obras em mansidão de sabedoria.
Tiago destaca a pessoa sábia e inteligente como uma pessoa que sabe tratar pessoas próximas (e pessoas distantes também). Isso nos leva a crer que a sabedoria não é uma qualidade que deve ser trancafiada em um escritório, distante das pessoas. O sábio não se mostra, na perspectiva de Tiago, como aquela pessoa que tem títulos e conhecimento (Tiago não menciona esses elementos titulares como sendo inúteis nem desprezíveis, como se estudar ou buscar o conhecimento acadêmico fosse algo em que o crente não deveria se empenhar. Eles apenas não são relacionados nessa linha de raciocínio.), mas como a pessoa que sabe lidar com outras pessoas de forma afável. Como o texto não designa que tipo de pessoa deve ser tratado dessa forma, nem designa também a situação em que esse tratamento afável deve ser ministrado, podemos entender que é uma regra que deve ser aplicada em todas as situações e para qualquer pessoa, sem distinção.
Essa é definitivamente uma grande prova de sabedoria. E fácil tratar bem pessoas que nos tratam bem. Mas como deveríamos lidar com pessoas que aos nossos olhos são difíceis de serem suportadas? Como lidar com pessoas grossas e mal educadas? Com bom trato em mansidão e sabedoria.
A mansidão não é sinal de fraqueza, mas sim de capacidade de dominar a si mesmo. Mansidão é sinônimo de cortesia, e essa característica sem dúvida é oriunda de uma relação vívida com DEUS e com seus preceitos.
Como diz Champlin, Tiago compartilha do conceito bíblico geral que a sabedoria não consiste apenas em no conhecimento, na astúcia e na habilidade, mas antes em uma profunda compreensão sobre o que é e deve ser a vida piedosa. Tal sabedoria produz concórdia e harmonia entre as pessoas e os grupos.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 40-41.
 
Tg 3.13 A pessoa verdadeiramente sábia demonstra a compreensão que tem de CRISTO pela maneira como vive. As nossas obras mostram em que investimos os nossos corações (Mt 6.19-21,33). As nossas atitudes e motivações estão de acordo com os nossos atos? Embora não possamos afirmar que sejamos sábios, podemos almejar viver de maneira sábia — uma vida de constante bondade. A orientação que nos é dada pela Palavra de DEUS é uma sabedoria confiável.
Mas, se nós quisermos realizar boas obras, devemos tomar cuidado com o orgulho. Orgulho é ter uma atitude de valorização própria superior aos talentos e capacidades que DEUS nos deu e usar estes dons para se colocar como alguém superior, ou provocar discórdias nos nossos relacionamentos com os outros. A sabedoria, portanto, envolve tanto as ações quanto as atitudes da vida. Uma vida sábia exibirá não apenas bondade, mas também humildade.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 680.
 
Sabedoria em Tiago tem mais que ver com uma conduta que reflete a natureza e a vontade de DEUS do que com um intelecto aguçado. Tiago lança um desafio: “Quem é sábio e tem entendimento entre vocês?” Tanto sabedoria como entendimento andam bem juntos. Sabedoria direciona os passos, e entendimento informa o destino das decisões. Segundo Tiago, ela é demonstrada pelo bom procedimento. A questão não é o quanto sabemos na nossa mente, mas quanto esse conhecimento é refletido no nosso procedimento.
Por exemplo, quem não acharia um tanto estranho ver um médico que orienta pacientes na disciplina de uma vida regrada, mas que não passa de uma chaminé ambulante de tanto que fuma?
O cristão deve demonstrar pelas suas boas obras a mansidão que a sabedoria genuína requer. Como em 2.18, as obras comprovam a fé genuína. A humildade mostra a verdadeira sabedoria que o cristão tem. Thomas Manton diz: “Um cristão é mais bem conhecido pela sua vida do que pelo seu discurso”. O Senhor JESUS convidou os cansados e sobrecarregados a tomar sobre eles o jugo dele para aprender com ele que é manso e humilde de coração. Quando tratamos pessoas com paciência e amor, mesmo aqueles que não têm posição de destaque na sociedade, imita-se a sabedoria e a humildade de CRISTO. JESUS incluiu mansidão nas bem-aventuranças. A felicidade dos mansos inclui herdar a terra (Mt 5.5). Em Tiago, mansidão deve certificar a origem da sabedoria que se professa.
Na antiguidade, sabedoria e humildade eram praticamente inimigas. A visão grega da sabedoria pressupunha o orgulho. Uma pessoa “sábia” tinha que se orgulhar de sua posição. Para Tiago, porém, afirmar que se prova ser uma pessoa sábia executando obras com humildade era algo totalmente contra aquela cultura. Algo que é também contra nossa cultura hoje. A tendência que temos é de exaltar-nos e orgulhar-nos de nossos próprios feitos.
O oposto se mostra na sabedoria dos homens que não conhecem a DEUS. É o caso dos que “dizendo-se sábios, tornaram se loucos e trocaram a glória do DEUS imortal por imagens” (Rm 1.22,23). A  sabedoria que não tem respaldo na Bíblia é carente de mansidão. Sem entendimento, os intelectuais do nosso tempo carecem, na maioria dos casos, da sabedoria que o temor do Senhor produz (SI 111.10). Especular sobre as origens do universo, sobre as origens das espécies, carecem de humildade e sabedoria. Excluir o Criador de todos as explicações das maravilhas da natureza parece loucura do mais alto grau. Certamente, Manton está certo ao afirmar: “O mais evidente da sabedoria verdadeira é que seu possuidor é manso” (op. cit. p. 300).
Russell P. Shedd,. Edmilson F. Bizerra. Uma Exposição De Tiago A Sabedoria De DEUS. Editora Shedd Publicações.
 
III - O VALOR DA VERDADEIRA SABEDORIA E A ARROGÂNCIA DO SABER CONTENCIOSO (Tg 3.14-18)
1. Administrando a sabedoria.
Se há atitudes que devemos evitar no trato com as pessoas que nos cercam, há características que devemos cultivar tomando como base as características da Sabedoria Divina. Neste capítulo, destaco pelo menos 3 aspectos:
Ela é pura. DEUS não se deixa contaminar pelo mal, e a sabedoria que devemos ter não pode ser influenciada pelo mundo, perdendo sua pureza. DEUS espera que sua sabedoria mantenha-se íntegra em nossas vidas. Pureza fala de integridade, da capacidade de não se diluir, de não perder suas propriedades.
Ela é pacífica. Tiago reforça essa característica da sabedoria como um instrumento de paz. Ela não busca brigas. Lembremo-nos de que um pouco acima, Tiago nos diz que a sabedoria é demonstrada na forma com que nos tratamos uns aos outros. Se sou uma pessoa sábia, certamente isso será visto na forma mansa com que trato as pessoas que me cercam, mas se me julgo inteligente e perspicaz, e sou grosseiro no trato com meu próximo, não posso ser chamado de sábio, mesmo que tenha vários títulos ao meu favor.
Pessoas sábias não arrumam confusão, ou vivem de briga em briga, esperando a próxima oportunidade de demonstrar o quão são inteligentes e que possuem uma grande disposição em não levar desaforos para casa. DEUS dá a sabedoria para que tenhamos paz em nossa relação com Ele e com os nossos próximos.
Ela é tratável. Essa característica parece estar ligada à capacidade de uma pessoa sábia ser convencida de forma tranquila, diferente do caráter das pessoas obstinadas. Se um sábio é corrigido, conforme nos diz Provérbios 9.8,9, “Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça; repreende o sábio, e amar-te-á. Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio; ensina ao justo, e ele crescerá em entendimento.” De forma diferente, os que mesmo ouvindo tudo o que a sabedoria tem a oferecer, preferem manter-se em seus caminhos inflexíveis, sendo conduzidos, portanto, à ruína.
Assim concluímos este capítulo. Que possamos conjugar mentes sábias e corações humildes para a glória de DEUS.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 44-45.
 
A sabedoria é dotada de seus frutos, sendo produzida por uma atmosfera de paz; envolve rica colheita para o sábio, e para aqueles a quem ele ensina; a colheita é da santidade crescente: a colheita é perene, resultando na vida eterna. (Ver João 3:15).
«Quão formosos sobre os montes são os pés dos que trazem boas novas, que anunciam a paz (Isa. 52:7). (Rom. 10:15). Ali temos o evangelho da paz, porquanto o evangelho tende por trazer a paz aos corações dos homens (ver Rom. 5:1). estabelecendo a paz entre DEUS e o homem (ver Col. 1:20). No estado de paz existe uma harmonia saudável, em contraste com os efeitos mortíferos das contendas e das divisões. Nessa atmosfera é possível o cultivo do fruto da justiça.
Portanto, os crentes devem viver na atmosfera da paz. (Ver João 14:27 E 16:33). A paz é um dos aspectos do fruto do ESPÍRITO, isto é, do desenvolvimento espiritual, mediante o que assumimos a natureza moral de CRISTO, através da transformação segundo a sua pessoa. (Ver Gál. 5:22).
A conduta reta produz muitas recompensas, que resultam na vida eterna.
O cultivo dos galardões é realizado na atmosfera da paz. E o homem justo, que é verdadeiramente sábio, sabe disso, evitando os interesses pessoais e o espírito contencioso, que não contribuem para essa finalidade.
...promovem a paz ... * (Comparar com Mat. 5:9). Os pacificadores serão chamados >>filhos de DEUS». JESUS, em sua cruz e missão, «estabeleceu a paz. Os homens deveriam seguir ativamente o exemplo por ele deixado. Os pacificadores não são meramente aqueles que conciliam oponentes, para evitarem as brigas. Mas são aqueles que promovem ativamente a paz, mediante esforços planejados, procurando solucionar pendências com os inimigos e antagonistas. São exatamente o contrário daqueles que despertam contendas, e que agem devido à sua excessiva ambição (conforme é descrito no décimo quarto versículo deste capitulo). O alicerce lançado pela retidão para nele ser apoiada a vida eterna, só pode ser lançada em paz, e por aqueles que praticam a paz. Isso equivale a dizer que a retidão inclui o espírito pacificador. (Ropes, in loc.).
Alguns estudiosos tomam o termo fruto de justiça· como se significasse: fruto que consiste de justiça. Porém, apesar disso expressar certa verdade, a verdade é que a justiça deve também produzir muitas boas obras, ações gentis, uma vida caracterizada pelo altruísmo, etc. A retidão é produtora tanto de fruto, como o fruto colhido permite-nos entrar na presença de DEUS. O homem verdadeiramente sábio colherá a retidão de DEUS, que lhe é necessária, incluindo a transformação moral da imagem de CRISTO, que serve para a vida eterna e que é a colheita dos justos. «Se um agricultor não empregasse mais cuidados, tempo e esforços por obter a colheita, do que fazem muitos membros da igreja de CRISTO, no tocante ao estabelecimento da justiça social, conseguiria ele, porventura, obter uma boa colheita?» (Easton, in loc.).
A nota chave do presente versículo é a paz. em contraste com a inveja, com o espírito faccioso e com a confusão, acima mencionados; a paz e a retidão são inseparáveis, porquanto são resultantes da sabedoria, da sabedoria que vem do alto; por outro lado as contendas e as ações vis do dia a dia pertencem umas às outras, pois resultam da sabedoria que é 'terrena' e 'demoníaca'·. (Ocsterlcy, in loc.).·Aqueles que são sábios para com DEUS, se por um lado são pacificadores e se mostram tolerantes para com o próximo, por outro lado têm por principal preocupação a sementeira da justiça, não frigidamente, mas reprovando os pecados com tal moderação que serão amigos, e não executores dos pecadores. (Faucett, in loc.).
Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes· (Sal. 126:6).
A paz virá, por fim, embora a vida seja repleta de dor: Tranquilo na fé em CRISTO, eu me deito: A dor por causa de CRISTO é a paz, e a perda é lucro: todos quantos carregam a cruz usam a coroa. Aquele que espalha a paz pacificamente, semeando a sabedoria cristã genuína, cresce na colheita da justiça. Isso se aplica não somente aos mestres, mas também a todos quantos recebem, da parte de DEUS, a sabedoria e o dom de influenciar a outros. (Von Gcrlach, no comentário de Lange). Evidente que a sabedoria celestial é a sabedoria em inertemente prática. Não é algo pura e principalmente intelectual: não é especulativa; não se perde em mera contemplação. Seu objetivo é o de aumentar a santidade, ao invés de apenas prestar informação. Sua atmosfera não é a da controvérsia e do debate, mas a da gentileza e da paz. É plena, não de sublimes teorias ou hipóteses arrojadas, mas de misericórdia e de bons frutos. Pode mostrar-se confiante sem ser briguenta, pode mostrar-se reservada sem hipocrisia. É a irmã gêmea daquele amor celestial que não inveja, que não se ufana, que não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal. (Plummer, in loc.).
A sabedoria não é finalmente testada nas escolas.
A sabedoria não pode passar de quem a tem, para quem não a tem,
A sabedoria é da alma, não é susceptível de provas: é sua própria prova. (Walt Whitmanj)
«O temor do Senhor é o princípio da sabedoria». (Sal. 111:10).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 61.
 
Contraste sobre os resultados (Tg 3.16,18)
A origem determina os resultados. A sabedoria do mundo produz resultados mundanos; a sabedoria espiritual, resultados espirituais.
A sabedoria do mundo produz problemas (3.16b). Inveja, confusão, e todo tipo de coisas ruins são o resultado da sabedoria do mundo. Muitas vezes, esses sintomas da sabedoria do mundo estão dentro da própria igreja (3.12; 4.1-3; 2Co 12.20). Pensamentos errados produzem atitudes erradas. Uma das causas do por que deste mundo estar tão bagunçado é que os homens têm rejeitado a sabedoria de DEUS. A palavra “confusão” significa desordem que vem da instabilidade. Essas pessoas são instáveis como a onda (1.8) e indomáveis como a língua (3.8). Essa palavra é usada por CRISTO para revelar a confusão dos últimos dias (Lc 21.9).
A sabedoria de DEUS produz bênçãos (3.18). Tiago lista três coisas: primeira vida reta (3.13). Uma pessoa sábia é conhecida pela sua vida irrepreensível, conduta santa. Segundo, obras dignas de DEUS (3.13). Uma pessoa sábia não apenas fala, mas faz. Terceiro, fruto de justiça (3.18). A vida cristã é uma semeadura e uma colheita. Nós colhemos o que semeamos. O sábio semeia justiça e não pecado. Ele semeia paz e não guerra. O que nós somos, nós vivemos e o que nós vivemos, nós semeamos. O que nós semeamos determina o que nós colhemos. Temos que semear a paz e não problemas no meio da família de DEUS. Como poderemos conhecer uma pessoa sábia? Uma pessoa sábia é sempre uma pessoa humilde. Aquele que proclama as suas próprias virtudes carece de sabedoria.
Como poderemos identificar uma pessoa que não tem sabedoria? Suas palavras e atitudes provocarão inveja, rivalidades, divisão, guerras.
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 79-80.
 
Mt 5.16 “Assim” como a luz brilha a partir de um pedestal, os discípulos de CRISTO devem deixar sua luz brilhar perante os outros... “para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus”. JESUS deixou bem claro que não haveria nenhum erro quanto à fonte das boas obras de um crente. A luz do crente não brilha para ele mesmo; essa luz deve ser refletida em direção ao Pai, levando as pessoas a Ele.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 1. pag. 38.
 
A luz do crente são suas boas obras. Essas boas obras redundam em glória a DEUS. Remover a luz e, portanto, a glória de DEUS, é algo seríssimo.
«Vosso Pai». Esta é a primeira vez que, nas palavras de JESUS, vemos o ensino de que DEUS é Pai. Essa ideia era bem comum entre os judeus, e assim sendo, JESUS não estava introduzindo alguma doutrina nova, mas utilizava-se da compreensão que o povo já tinha para dar ênfase à necessidade de deixar a luz de DEUS brilhar cm suas personalidades. DEUS Pai tem prazer nas boas obras de seus filhos, porque tais obras provam que os discípulos são filhos de DEUS, e também revelam algo sobre a natureza de DEUS. JESUS foi o exemplo mais desenvolvido e elevado da natureza de DEUS que já houve sobre a terra. Os rabinos usavam com frequência a frase: «Nosso e vosso Pai, que está nos céus».
Nos escritos judaicos (Bammidbar Rabba, s. 15).. lemos estas palavras: «Os israelitas disseram ao santo e bendito DEUS: Tu mandas que acendamos lâmpadas para Ti; mas Tu és a Luz do Mundo e contigo mora a luz. O SANTO DEUS replicou: Não ordeno isso porque precise de luz, mas para que vós reflitais luz sobre mim, como eu vos tenho iluminado. Assim o povo poderá dizer: Eis como os israelitas O ilustram, isto é, Aquele que os ilumina à vista de toda a terra».
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 1. pag. 310.
 
Mt 5.16 Se os discípulos devem ser a luz do mundo, está subentendido que o mundo é um único grande espaço escuro. Nessa escuridão as pessoas se batem, ferem-se no corpo e na alma. Quem traz luz para dentro dessas trevas, que significam noite e desesperança totais, é unicamente JESUS e sua turma de seguidores “iluminados” por ele!
Assim como o sal se dissolve no serviço, também a luz se desgasta ao brilhar! Novamente enfatiza-se aqui a grande ideia de compromisso e sacrifício do serviço de discípulo. Singularmente a palavra de “não colocar debaixo do cesto” é dedicada a essa ideia de compromisso. Por isso JESUS não diz: Mostrem suas obras, exibam-nas a todos!, mas declara: Assim como a tarefa da luz é brilhar, assim o dever mais sagrado de vocês é praticar o amor e a correta conduta cristã. A palavra de JESUS está tão distante do exibicionismo com a obra de amor quanto do não-testemunho temeroso, do não querer testemunhar! Há uma sutil diferença entre mostrar-se com sua “fé” e suas “experiências com DEUS”, e testemunhar a fé! A primeira é ação do “eu” religioso, a segunda é o agir de DEUS! Somente por essa última o Pai no céu será glorificado. Nisso está o maravilhoso do testemunho, mas nisso reside também o perigo de se dar um relato de fé sobre suas experiências com o Senhor!
No texto grego, com muito mais evidência do que na tradução, a frase brilhe a vossa luz diante dos homens faz cair a ênfase sobre “luz” e não, p. ex., no “vossa”. Do texto original evidencia-se, portanto, que é a luz que tem de brilhar. O discípulo tem somente a incumbência de permitir a livre circulação aos raios da luz, de não interpor-se no caminho da luz!
Esse pensamento aprofunda, a partir do original, o que já afirmamos acima em relação ao testemunho correto!
É significativo constatar onde JESUS diz que reside a força dos seus discípulos para brilhar: eles iluminam o mundo com o seu agir. Em outras passagens da Escritura, o peso é colocado sobre a palavra dos discípulos. Aqui vigora, não a palavra que eles proclamam, mas a obra que realizam. JESUS está dizendo: Se vocês discípulos realmente fizerem aquilo para o que eu os chamei neste mundo, então vocês, assim como a luz brilha, realizarão ações diante das quais também um não-cristão sentirá que esses feitos são presentes do mundo invisível, sendo dessa maneira direcionado para o Pai no alto, e o louvará!
A partir do texto original grego podemos fazer mais uma descoberta importante. No v. 16b, para que vejam as vossas boas obras, encontra-se uma especificidade linguística. Pois vossas vem antes do substantivo (com artigo definido). Esse tipo de formulação encontramos mais uma vez em 23.8s, onde se lê com ênfase: “Um só é o vosso mestre, um só é o vosso pai”. Ao se enfatizar o “vosso”, visa-se conscientemente destacar o contraste. Isso significa, no nosso caso, em v. 16b, que as obras dos outros não são obras boas, ao passo que as dos discípulos são boas.
Não há como vocês, discípulos, possam ficar escondidos neste mundo. As pessoas vêem vocês! Reparam em vocês. Assim como não se pode passar ao largo de Jerusalém sem ter notado essa cidade sobre o monte, assim também não pode ser simplesmente ignorada a comunidade de JESUS na terra. Ela, enfim, está aí. Quer o mundo goste, quer não, precisa confrontar-se com ela.
A palavra do sal e da luz e da cidade sobre o monte mostra, como já expusemos, que o chamado dos discípulos transcende muito além de Israel, que ele abrange todos os povos e nações, a humanidade como tal.
Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Mateus. Editora Evangélica Esperança.
 
2. Sabedoria verdadeira e a arrogância do saber.
É possível que o saber nos torne pessoas arrogantes? Sim. É aceitável aos olhos de DEUS que uma pessoa instruída seja arrogante no trato com as pessoas que a cercam? Não. O acúmulo de conhecimento não pode obstruir nossa vida espiritual de tal forma que nos tornemos arrogantes. Tiago aqui não está condenando pessoas que estudaram e que se valem de seus conhecimentos ao longo de suas vidas, mas está colocando em cheque o hábito de algumas pessoas acharem-se superiores a outras porque possuem conhecimento. Estudar é muito bom, e nos torna pessoas mais capacitadas para servir a DEUS e ao próximo com muitos talentos, mas não pode nos tornar pessoas altivas. A soberba é tão duramente condenada por DEUS que Ele resiste ao soberbo, mas dá graça ao humilde. Portanto, usufruamos do conhecimento que DEUS nos permite ter, mas busquemos acima de tudo aproveitar esse conhecimento de forma sábia e com humildade.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 41.
 
(1) O nosso único consolo, em meio às dificuldades, será o fato de termos cumprido o nosso dever. Aqueles que se recusaram a conhecer a DEUS (v. 6) se vangloriarão, em vão, de sua sabedoria e riqueza. Mas aqueles que conhecem a DEUS de um modo inteligente, que compreendem corretamente que Ele é o Senhor, que não somente compreendem corretamente a sua natureza, os seus atributos, e o seu relacionamento com o homem, mas que recebem e retêm as impressões de todas essas coisas, podem se gloriar no precioso Senhor. Esse conhecimento será a sua alegria no dia da calamidade.
(2) A nossa única confiança, nas dificuldades, será o fato de que, tendo, pela graça, de alguma maneira cumprido o nosso dever, veremos que DEUS é um DEUS auto-suficiente para nós. Nós podemos nos gloriar no fato de que, onde quer que estejamos, temos uma familiaridade e um interesse no DEUS que faz “beneficência, juízo e justiça na terra”. Ele não é somente justo para com todas as suas criaturas, e não fará mal algum a qualquer uma delas, mas é bondoso para todos os seus filhos, os protegerá, e proverá para eles. “O que se gloriar glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra. Porque destas coisas me agrado” (v. 24). DEUS se agrada em mostrar bondade e em realizar o juízo, e se agrada com aqueles que são seus seguidores, como filhos queridos. Aqueles que têm tal conhecimento da glória de DEUS a ponto de serem transformados à mesma imagem, e de participarem da sua santidade, percebem que esse conhecimento é a sua perfeição e glória. Em meio às suas maiores dificuldades eles podem confiar alegremente no DEUS com o qual fielmente se colocam em conformidade. Mas o profeta sugere que a maioria dessas pessoas não se preocupou com isso. A sua sabedoria, e o seu poder, e as suas riquezas, eram sua alegria e esperança, que terminariam em tristeza e desespero. Mas aqueles poucos entre eles que conheciam a DEUS podiam se alegrar com isso, e se vangloriar disso. Esse conhecimento valioso lhes serviria muito mais “do que inúmeras riquezas em ouro ou prata”.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 393.
 
Jer 9.23 Sabedoria — a Falsa e a Verdadeira.
Esses versículos certamente traçam um contraste entre a segurança falsa e a genuína. Eles também contrastam a sabedoria dos homens com a sabedoria de DEUS. Os homens dos dias de Jeremias, como os homens de qualquer época, se vangloriavam “da sabedoria humana (cultura), do poder militar (habilidade técnica) e da prosperidade material (abundância econômica)”.
Na verdade, esse é o grau mais elevado de loucura, porque essas coisas são passageiras e não oferecem nenhuma base sólida de segurança. Portanto, não se glorie o sábio na sua sabedoria (23).
Por outro lado, a única base real de sabedoria e felicidade consiste em conhecer a DEUS. Entende-se melhor o caráter de DEUS ao observar o que Ele ama, e como lida com os homens. Ele tem prazer em fazer beneficência (favor gracioso, amor imutável), juízo (equidade, integridade, imparcialidade) e justiça (retidão; 24) na terra. Essas coisas formam a base da verdadeira sabedoria, Justiça (tzedek), juízo (mishpat), e beneficência (hesed) são o grande triunvirato do Antigo Testamento. Sobre essa base o indivíduo ou nação pode construir com segurança. Sem esses aspectos o maior e mais forte é desesperadamente fraco.
C. Paul Gray. Comentário Bíblico Beacon. Jeremias. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 290.
 
A Única Verdadeira Razão para a Jactância (9.23-24)
Jr 9.23-24 Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria. Os pseudo-sábios, dos quais Jerusalém este tão repleto (ver o vs. 12), e os verdadeiramente sábios, dos quais havia tão poucos, não podiam jactar-se em sua falsa sabedoria ou em sua sabedoria autêntica; nem os fortes podiam gloriar-se em sua força; nem os ricos podiam jactar-se em suas riquezas e no poder que esta trazia. Todos os homens, sem importar a sua classe, tinham apenas uma razão válida para gloriar-se: conhecer e obedecer a Yahweh (vs. 24), a fonte de toda a verdadeira sabedoria, de toda a força e de autênticas riquezas, Aquele que poderia ter impedido a matança provocada pelos babilônios, contanto que os judeus se aproximassem Dele em humildade e arrependimento. Muitos convites de Yahweh tinham exortado Judá a arrepender-se, mas foram todos inúteis. Em DEUS há amor, gentileza, justiça e retidão, e nessas coisas Yahweh se deleitava. Judá, entretanto, preferiu a horrenda combinação de idolatria-adultério-apostasia, o que significa que foram cortadas todas as graças divinas.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3017.
 
3. Atitudes a serem evitadas.
Tiago lista duas características próprias de pessoas arrogantes: amarga inveja e sentimento faccioso.
A inveja é descrita por Tiago com o adjetivo “amarga”, e não é sem razão. Pessoas invejosas costumam ser amarguradas, por terem uma dor moral dentro de si, e vivem aflitas. Não é incomum que haja inveja entre as pessoas, mas pior ainda é quando esse sentimento encontra abrigo no coração dos servos de DEUS. E justamente aqui encontra-se o desafio de Tiago.
A inveja é um sentimento inconveniente para o servo do Senhor. E uma raiva existente contra pessoas que conseguiram realizar algum feito digno de louvor, por mais simples que sejam. Líderes invejam outros líderes, estudantes invejam outros estudantes, e por aí vai. A inveja é, sem dúvida, um mal da proximidade, onde o coração invejoso se irrita com as realizações de pessoas que lhe estão próximas.
O sentimento faccioso é outra característica de quem alega ter a sabedoria e não consegue demonstrá-la na prática.
Tiago propõe à igreja um desafio àqueles que afirmavam ter a verdadeira sabedoria: eles precisavam observar a verdadeira sabedoria que vem do céu. A igreja à qual Tiago estava escrevendo era uma igreja que estava sob pressão. Sob pressão, uma igreja pode se dividir em facções. Não havia um clero formal, ou um processo de ordenação, de modo que pretensos professores poderiam surgir, afirmando ter sabedoria. Como cada professor promovia seu ramo de sabedoria e ganhava seguidores, a comunidade de crentes ficou dividida. A igreja do Novo testamento tinha muitos problemas com facções ou com um espírito partidário...
JESUS ensinou que nós saberíamos diferençar os verdadeiros professores dos falsos pela maneira como vivem (Mt 7.15-23). Os bons professores exemplificam a boa disciplina na vida. As suas atividades, ações e realizações revelarão o verdadeiro núcleo de sua fé cristã. Nesta seção, as boas obras estão em contraste com a amargura, e a humildade está em contraste com a ambição egoísta.
Dois conselhos Tiago oferece a pessoas que se descobrem possuidoras desses dois sentimentos: não se glorie disso e não minta. Não há motivo para que uma pessoa se sinta alegre por ser invejosa, e nem pode manter oculto seu sentimento por muito tempo. A amarga inveja e o sentimento faccioso produzem dois frutos equivalentes aos seus genitores: o gloriar-se de maneira indevida e a mentira. Quem abriga e cultiva a inveja em seu coração e com ela torna-se arrogante, tem a oportunidade de voltar-se para o caminho certo com a advertência de Tiago: Não se glorie e não minta. É um caminho longo e duro de volta à verdadeira sabedoria. Não é fácil tratar com um invejoso sobre seu hábito e mostrar para ele que não pode haver motivos para que ele se glorie se ele nutre em seu coração um sentimento reprovado por DEUS. Não é fácil também lidar com pessoas na igreja que insistem em mentir, em esconder seus sentimentos ruins em relação a outras pessoas. O caminho de resgate desse tipo de pessoa já foi apresentado pelo apóstolo, mas precisa ser trilhado por quem é alvo dessa advertência. Quem vive nesse caminho terá uma sabedoria, mas essa é descrita por Tiago como “terrena, animal e diabólica”. Resumindo, a sabedoria pode ser encontrada tanto por aqueles que andam no caminho do Senhor como por aqueles que preferem desobedecê-lo. O que teme ao Senhor acha a sabedoria divina, e o que despreza ao Senhor achará uma outra forma de sabedoria nada recomendável.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 42.-44.
 
Tiago, no versículo 14, fornece uma lista das “obras” características da ausência da mansidão.
1) Inveja {zelos, e no v. 16) amarga é o contrário da mansidão.
E verdade que “zelo” pode ser um termo positivo (Rm 10.2; 2Co 7.7,11; 9.2), mas, em outros textos, claramente se refere à inveja (Rm 13.13; 2Co 12.20 e G1 5.2). Como um dos pecados capitais, Richard Gordon observou: “Os ressentidos, aqueles homens com câncer na psique, tornam-se os grandes assassinos”. “Não há muitas pessoas capazes de reprimir o segredo da satisfação com o infortúnio de seus amigos” (La Rochefoucauld, citado por Os Guiness, op. cit., p. 76). Lucas explica que a raiva do sumo sacerdote e dos saduceus no Sinédrio, que provocara a prisão dos apóstolos, brotou da inveja (At 5.17; cf. 13.45). Foram a inveja e as contendas que levaram a igreja de Corinto a rachar em quatro partidos (I Co 3.3).
Foi esse pecado que corroeu o coração de Saul. Após Davi vencer Golias, as mulheres cantavam e dançavam, dizendo: “Saul matou milhares, e Davi, dezenas de milhares”. Saul ficou muito irritado e aborrecido. Daí em diante, Saul olhava com inveja para Davi (I Sm 18.7). Tiago descreve a inveja como amarga (pikria, “amarga”, “áspera”), no sentido de zelo fanático na promoção de uma causa. Não dá abertura para outro irmão apresentar seu ponto de vista, mas discute com veemência que a posição dele é a única que deve ser considerada.
2) Ambição egoísta (erithian), junto com a inveja amarga, é incluída por Tiago. Essa ambição carrega o sentido de utilizar meios indignos e divisores para promover interesses próprios. Paulo usa essa palavra em Romanos 2.8 para descrever o egoísmo daqueles que “rejeitam a verdade e seguem a injustiça”. Paulo temia que chegando em Corinto encontraria “brigas, invejas, manifestações de ira, divisões [eritheiai], calúnias, intrigas, arrogância e desordem” (2Co 2.20). Se tais atitudes e hostilidade mútua podiam aparecer na igreja de Corinto, também poderiam surgir nas igrejas para as quais Tiago destinou essa carta. Poderão despontar na nossa igreja! Daí a advertência contra o perigo de se tornar um canal para ação demoníaca (v. 15).
3) “Não se gloriem disso” (v. 14). Jactar-se e orgulhar-se por causa das divisões na igreja, parece completamente incoerente. Possivelmente, alguém concordava com Paulo: “Pois é necessário que haja divergências entre vocês, para que sejam conhecidos quais dentre vocês são aprovados” (ICo 11.19). Mas a jactância que Tiago tem em mente, sem sombra de dúvidas, não tem nada de positivo.
Nesse contexto, gloriar-se da ambição egoísta nega a verdade que se prega. Somente amando-se uns aos outros como CRISTO os amou é que todos saberão que vocês são discípulos dele (Jo 13.34,35). Além disso, sabedoria que não tem sua origem na revelação bíblica, que se expressa em inveja amarga e ambição egoísta, que tem sua origem na natureza caída humana, combate a verdade do evangelho. Na oferta da salvação a todos que creem, DEUS oferece dignidade e aceitação. As atitudes egoístas separam e excluem. Endurecem as opiniões que podem ser falsas e nocivas. Por isso, Tiago, “o justo”, exorta seus leitores para que demonstrem sabedoria com mansidão.
“Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males” (v. 16). Confusão (gr. Akatastasia) significa desordem e transtorno.
Russell P. Shedd,. Edmilson F. Bizerra. Uma Exposição De Tiago A Sabedoria De DEUS. Editora Shedd Publicações.
 
A sabedoria pervertida, pois, corrompe o próprio homem, não sendo um lapso acidental e ocasional de má conduta.
·...inveja amargurada ...· Um mestre inveja a outro, ou um líder eclesiástico se enche de ciúmes por causa de outro, porque lhe parece «melhor» ou ·potencialmente melhor» do que ele mesmo, ameaçando assim atrair mais discípulos e louvor do que ele. Sua alma está doente, e ele começa a agir como servo do diabo, e não como um líder da igreja de CRISTO.
A inveja é uma das obras da carne, uma espécie de ódio, o contrário do amor, que é o fator orientador na família divina (ver João 14:21 e 15:10). O termo grego aqui usado é «zelos·, que significa ardor, ansiedade, zelo, mas que, em mau sentido, significa ambição desmedida, emulação, inveja. Portanto, ao deixar-se arrastar por tal defeito de caráter o indivíduo se esquece de que está servindo a CRISTO, e começa a servir a si mesmo, sem quaisquer reservas. Essa atitude propaga a enfermidade, e, logo a igreja se vê despedaçada por facções que defendem seus respectivos heróis. Seu zelo é amargo com interesses próprios. A fonte expede água salobra e abominável. Ao invés de alguém ser consumido de zelo pelo Senhor, o zelo carnal corrói a igreja. Assim, pois, supostos líderes carnais se tornam "asnos carregados de livros", conforme a literatura rabínica descreve os mestres orgulhosos e egocêntricos. Disse Vincent {in loc.): A emulação é a melhor tradução aqui, o que não envolve, necessariamente, a inveja; mas pode ser repleta do espírito de auto devoção.
·...sentimento faccioso...» As rivalidades entre os mestres logo criam rivalidades na igreja. Os homens esforçam-se por ser, cada qual, o líder mais poderoso: e aqueles que os apoiam adicionam combustível ao fogo, até que tudo é consumido pelas chamas devoradoras da carnalidade. Todos são zelotes, mas não em favor de CRISTO; são todos ambiciosos, mas somente em proveito próprio; todos estão consumidos de ardor, mas não do fogo celestial, e, sim, do fogo do inferno. As dissensões eclesiásticas sempre foram caracterizadas por situações assim, e quanto mais homens carnais são exaltados e transformados em heróis, ou se apresentam a outros como tais, maior é o desastre, embora tais homens se apresentem como quem salvará o investimento divino sobre a terra.
O termo grego aqui usado erithia, subentende a inclinação por usar meios indignos e divisórios para promover os próprios interesses.
Realmente indica o vício de um líder ou de um partido, criado pelo orgulho próprio: é a ambição partidária, a rivalidade partidária». (Hort).
Essa palavra veio a ser aplicada àqueles que servem em posições oficiais por causa de seus interesses egoístas, os quais, com essa finalidade, promovem o espírito partidário e faccioso. Por isso é que Rom. 2:8 diz. Que eles são contenciosos, ou literalmente, de facções. (Vinccnt, in loc.).
...nem vos glorieis disso...· Nada existe nisso de que um homem se possa orgulhar, e ninguém deveria sentir orgulho por esse tipo de realização da carne. (Ver I Cor. 1:29,30 - jactância humana). Essa forma de jactância, no próprio espirito faccioso, e naquilo que alguém ganha com isso, é uma afronta para a verdade, porquanto é exibição de uma vida falsa. A mente carnal, secretamente, quando não abertamente, se gloria em suas realizações, em sua forma de sabedoria pervertida. O autor sagrado repreende essa forma de atitude, como algo indigno em um mestre ou líder na igreja. Jacta-se ele: O triunfo malicioso, o mínimo ponto de vantagem obtido por um partido, era exatamente aquilo que foi calculado para amargurar o outro lado; isso é realmente o mentir contra a verdade, porquanto tão tolos triunfos são frequentemente obtidos às expensas da verdade. (Ocsterley, in loc.). Tais indivíduos se gloriam em seu conhecimento falso e em seus efeitos prejudiciais, ao invés de se gloriarem da verdade do evangelho.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 59.
 
“Confusão”, “desordem” e “tumultos” surgirão inevitavelmente na igreja onde cristãos, em especial os líderes, estiverem mais interessados em satisfazer suas ambições e causas partidárias, em lugar da edificação do corpo como um todo. Isto acaba em “toda espécie de coisas más” (BLH). Onde o coração dos indivíduos é errado, também será achada uma variedade de pecados sem fim.
Douglas J. Moo. Tiago. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 133.
 
Gl 5.19-21 Paulo comparou as obras da carne com as obras da vida cheia do ESPÍRITO, em 5.19-21 e 5.22,23. Os pecados da lista de Paulo classificam-se em quatro categorias. Estes pecados em particular eram especialmente habituais no mundo pagão, e os gálatas os teriam compreendido prontamente. Com poucas exceções, nós podemos também reconhecer estes pecados como presentes na nossa época atual.
Na primeira categoria, são mencionados três pecados sexuais;
• Prostituição - qualquer forma de relação sexual ilícita. A palavra serve para destacar o comportamento sexual proibido entre as pessoas ou a participação indireta como um espectador.
• Impureza - a impureza moral. Talvez nenhum ato sexual tenha ocorrido, mas a pessoa exibe uma grosseria e uma insensibilidade em questões sexuais que ofende aos demais. Um exemplo hoje seria o uso excessivo de humor sexual (ou o que se supõe que seja humor), em que as pessoas fazem declaração com um duplo sentido sexual.
• Lascívia — uma indulgência franca e excessiva quanto a pecados sexuais. A pessoa não tem sentimento de vergonha nem moderação. Este é o resultado da imoralidade e da impureza sexual.
Os dois pecados a seguir são pecados religiosos característicos da cultura pagã.
• Idolatria - adoração de ídolos pagãos. A pessoa cria substitutos para DEUS e então os trata como se fossem DEUS. Esta pessoa está se entregando a desejos humanos pecaminosos.
•Feitiçarias (ou participação em atividades demoníacas) — envolvimento com os poderes malignos, usando, às vezes, poções e venenos. Na idolatria, o indivíduo age submissamente com relação ao mal; na atividade demoníaca, o indivíduo é um agente ativo que serve aos poderes malignos.
Os oito pecados seguintes dizem respeito ao comportamento com relação às pessoas (relações interpessoais) que é motivado por desejos pecaminosos. E triste notar, mas muitos destes pecados são frequentemente vistos nas nossas igrejas hoje.
• Inimizades - uma situação de inimizade constante entre grupos. Isto pode ser um conflito real e não solucionado, cuja causa já foi esquecida, mas que resultou em muita amargura.
• Porfias - competição, rivalidade, conflitos amargos — as sementes e o fruto natural do ódio.
• Emulações (ou ciúmes) — o sentimento de ressentimento de que alguém tenha o que outro acha que merece.
• Iras - raiva egoísta. A forma plural transmite o significado de um comportamento contínuo e descontrolado.
• Pelejas (ou ambição egoísta) – a abordagem à vida e ao trabalho que tenta progredir à custa dos demais. Não somente pode se referir ao que chamamos de “vício de trabalho”, como também pode implicar em uma atitude mercenária, agressiva em relação aos demais, na busca dos próprios objetivos.
• Dissensões - fortes desentendimentos ou discussões. A situação que pode se instalar rapidamente entre as pessoas quando prevalece uma atitude desagradável.
• Heresias (ou o sentimento de que todos estão errados, exceto os do seu pequeno grupo) - a dissensão criada entre as pessoas por causa de divisões. Isto descreve a tendência de procurar aliados no meio do conflito. A geração quase espontânea de facções demonstra esta característica dos desejos humanos pecaminosos.
• Invejas — o desejo de possuir alguma coisa dada a outro ou conseguida por ele; ou até mesmo a lógica corrompida que grita: “Injusto!”, com respeito às circunstâncias de outra pessoa, e expressa o seguinte desejo; “Se eu não posso ter isto, eles não deveriam poder também!”
Finalmente, Paulo relaciona dois pecados, comuns às culturas pagãs, que estão frequentemente conectados com os rituais de adoração de ídolos;
• Bebedices - o uso excessivo de vinho e bebidas fortes.
• Glutonarias (ou “farras”) - “festas” com muita bebida, frequentemente cheias de promiscuidade sexual, eram associadas com as festividades para alguns deuses pagãos. Os banquetes em honra a Baco eram particularmente infames pela sua imoralidade.
• E coisas semelhantes a estas – Paulo acrescentou um “etc.”, para mostrar que a lista não estava, de maneira nenhuma, completa.
“Os que cometem tais coisas” refere-se ao modo de vida das pessoas que habitualmente exibem estas características.
As pessoas que habilmente exibem estas características se revelam escravizadas à natureza humana pecaminosa. Elas não são filhos de DEUS; consequentemente, não podem participar da herança do reino de DEUS. As pessoas que aceitaram CRISTO e que têm o ESPÍRITO SANTO dentro de si mesmas manifestarão esta nova vida, rompendo claramente com os pecados que foram listados acima, bem como com outros que sejam semelhantes.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 295-296.
 
Relações humanas não-cristãs (5.20c,21). Essas oito “obras da carne” estão no centro da lista de maus hábitos. Todas estas oito obras têm a ver com relações interpessoais, condição que destaca o fato de ser de grande preocupação para Paulo.
Inimizades (20, excelente tradução de echthrai) era atitude de vida aceita e aprovada nos dias do apóstolo. Com inimizade franca entre grupos raciais e culturais (e.g., gregos versus bárbaros, judeus versus gentios), não é de admirar que estas atitudes caracterizassem as relações entre as pessoas. Tudo isto é contrário à moral cristã, e Paulo determina sua verdadeira origem. “A mente da carne é inimizade contra DEUS” (Rm 8.7, lit.), e naturalmente resulta em inimizade contra os homens.
Zelos encontrada no Novo Testamento. Significa “ciúme” com conotação má. O significado nesta passagem é, obviamente, “ciúme.”
Uma das “obras da carne” mais complexa é ira (20, thymoi). Na Septuaginta, tem “extensa gama de significados: ira humana e ira divina, ira diabólica e ira bestial, ira nobre e ira destrutiva”. Paulo e outros escritores do Novo Testamento usam o termo primariamente com referência a homens. Na realidade, thymos é “raiva” que é verdadeira “loucura temporária”, refletindo hostilidade pecaminosa que é nitidamente um mecanismo de defesa da carne.
As próximas três “obras da carne” descrevem com mais detalhes as porfias (20, eris) analisadas acima, e são mais bem compreendidas em relação umas com as outras. A palavra pelejas (20, eritheiai) é traduzida de muitas maneiras, fato que espelha a incerteza sobre seu significado. Barclay conclui: “Nos escritos de Paulo, a palavra denota claramente espírito de ambição pessoal [cf. NTLH] e a rivalidade que resulta em partidarismo, o qual coloca o partido acima da igreja”. A ambição pessoal egoísta é deplorável em posições de confiança e responsabilidade pública, mas não é menos que trágico na igreja.
De estreita relação estão às dissensões (20, dichostasiai), cuja tradução melhor é “divisões”. A rivalidade, motivada por egoísmo, só pode resultar em divisões que destroem a unidade da igreja. Aqui, Paulo não está falando de diferenças fundamentadas em crenças sinceras; ele está preocupado com divisões ocasionadas por motivos errados, cuja procedência é determinada à carne pecaminosa. Diferenças honestas não são incompatíveis com comunhão harmoniosa, porque parte vital da liberdade e do amor é o respeito pelas opiniões dos outros, mesmo quando estas conflitam com a nossa.
Diferenças teológicas e eclesiásticas, fundamentadas em crenças, devem ser distinguidas de divisões motivadas por interesse congregacional.
Outro passo no caminho destrutivo da divisão é a heresia (haireseis). A transliteração heresia transmite mais da idéia de algo não ortodoxo do que o termo grego. A palavra original descreve basicamente um grupo que está unido pelas mesmas crenças ou conduta. Paulo usa o termo com referência aos elementos divisores na igreja que se formaram em grupos ou seitas. Tais grupos exclusivos (ou panelinhas) fragmentaram a igreja e “uma igreja fragmentada não é igreja!”
Inveja (phthonos, 21) é conceito totalmente ruim. Diferente de emulações (20, zelos), não há possibilidade de ser bom. A inveja produz ressentimento amargo e, na maioria das vezes, o esforço de privar os outros de sua felicidade e sucesso (cf. Rm 1.29; Fp 1.15).
O maior mal proveniente da raiva, inimizade, ciúme, inveja e rivalidade é o que eles fazem à igreja. Estas atitudes carnais pessoais produzem pelejas, divisões e grupos exclusivos.
As pessoas que “vivem na carne” não podem “viver em unidade”. Há “um caminho ainda mais excelente”, para o qual Paulo volta a atenção momentaneamente.
Paulo encerra a lista das “obras da carne” com dois termos cujos significados são totalmente óbvios: bebedices (methai) e glutonarias (komai). As Escrituras, e surpreendentemente o mundo dos dias de Paulo, reconheciam que a “embriaguez” (NVI) era vergonhosa e degradante. Embora o termo glutonarias fosse usado no grego secular com o significado simples de comemoração, no Novo Testamento descreve excessos que são mais bem descritos por devassidão e libertinagem. Tais ações contradiziam o testemunho cristão.
Esta lista, de modo algum, é conclusiva. A frase e coisas semelhantes (21) mostra que o escritor visava uma lista que fosse, em princípio, representativa dos males resultantes da vida segundo a carne.  Sempre são possíveis armadilhas até para o homem de fé. Satanás é inimigo esperto e o pecado é enganoso. O cristão precisa examinar o coração e a vida sob a luz dos ensinos bíblicos e sob a orientação do ESPÍRITO.
É óbvio que Paulo exortara os gálatas em ocasião anterior (cf. 1.9; 4.13) sobre as consequências de tal vida. Ele os lembra desse fato e declara que esta carta é repetição da exortação — antes que o mal aconteça. Acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem“ tais coisas não herdarão o Reino de DEUS (21). O Reino de DEUS, do qual o homem que vive pela carne será excluído, é a esperança cristã da vida eterna com CRISTO aqui e no outro mundo. DEUS não tem padrão duplo, nem vê o crente por ângulo parcial, ignorando-lhe a conduta, mas aceita no lugar do crente a obra perfeita de CRISTO. Todo homem que vive pela carne e, assim, produz suas obras é excluído do Reino de DEUS.
R. E. Howard. Comentário Bíblico Beacon. Galatas Editora CPAD. Vol. 9. pag. 69-73.
 
ELABORADO: Pb Alessandro Silva com modificações do Ev. Luiz Henrique.
 
Questionário da Lição 3 - A Importância da Sabedoria Humilde
Responda conforme a revista da CPAD do 3º Trimestre de 2014 - Para jovens e adultos
Tema: FÉ E OBRAS - Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica
Complete os espaços vazios e marque com "V" as respostas verdadeiras e com "F" as falsas.
 
TEXTO ÁUREO
1-Complete:
"Não ____________________________ a sabedoria, e ela te ____________________________; ama-a e ela  te ____________________________" (Pv 4.6).
 
VERDADE PRÁTICA
2- Complete:
A ____________________________ que procede de DEUS é ____________________________, por isso, ____________________________ o crente em todas as circunstâncias da vida.
 
COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO
3- Por que Tiago enfatiza a necessidade da sabedoria divina na vida do crente?
(    ) O crente precisa fugir das tribulações, não pode aceitar passar por problemas.
(    ) Porque a sabedoria é condição básica de levar a igreja a viver a Palavra de DEUS com alegria, coerência, segurança e responsabilidade.
(    ) O crente não precisa fugir das tribulações ou negar que passa por problemas.
(    ) O crente não foge da realidade da vida, mas enfrenta-a com sabedoria do alto e na força do ESPÍRITO SANTO.  
 
I. A NECESSIDADE DE PEDIRMOS SABEDORIA A DEUS (Tg 1.5)
4- Como é a sabedoria que vem de DEUS?
(    ) Tiago fala da sabedoria que vem do alto para distingui-la da humana, de origem má.
(    ) Tiago fala da sabedoria que vem do alto para distingui-la da diabólica, de origem humana.
(    )  Irrefutavelmente, a sabedoria que vem de DEUS é o meio pelo qual o homem alcança o discernimento da boa, agradável e perfeita vontade divina.
(    ) Sem esta sabedoria, o ser humano vive à mercê de suas próprias iniciativas, dominado por suas emoções, sujeitando-se aos mais drásticos efeitos das suas reações.
(    ) A Palavra de DEUS nos orienta a vivermos com prudência.
(    ) Quando nos achamos em meio às aflições é possível que nos falte sabedoria.
(    ) O texto de Tiago revela ainda a necessidade de o crente desenvolver-se, adquirindo maturidade espiritual.
 
5- DEUS é o doador da sabedoria?
(    ) O texto bíblico não detalha a maneira pela qual DEUS concede sabedoria.
(    ) O texto bíblico diz que DEUS concede sabedoria na hora da conversão do crente.
(    ) Tiago apenas afirma que o Altíssimo a dá.
 
6- Juntamente com a súplica pela sabedoria que fazemos ao Pai em oração, a epístola fornece riquíssimos ensinamentos sobre a sabedoria (v.5, complete:
a) O Senhor é que dá ____________________________. O Pai atende às orações daqueles que o pedirem.
b) O Senhor dá todas as ____________________________. "Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com Ele todas as coisas?".
c) O Senhor dá a todos os ____________________________. Ele não faz acepção de pessoas.
d) O Senhor dá ____________________________. É de graça!
e) O Senhor dá sem lançar em rosto. "____________________ na cara". O Pai Celeste não age dessa forma.
 
7- Falta-nos sabedoria espiritual? Sentimental? Emocional? Nos relacionamentos? Por que devemos pedir a DEUS sabedoria?
(    ) Caso ache em si falta de sabedoria em alguma área, não desanime!
(    ) Busque-a lendo a bíblia e fazendo bons cursos teológicos.
(    ) Peça-a a DEUS, pois é Ele quem dá liberalmente.
(    ) E mais: não lança em rosto!
(    ) Ouça as Escrituras e ponha em prática este ensinamento.
(    ) Fazendo assim, terás sabedoria do alto.
 
II. A DEMONSTRAÇÃO PRÁTICA DA SABEDORIA HUMILDE (Tg 3.13)
8- Como é a sabedoria colocada em prática?
(    ) A Bíblia determina uma atuação cristã que promova as boas obras no relacionamento divino.
(    ) Tiago conclama os servos de DEUS, mais notadamente aqueles que exercem alguma liderança na igreja local, a demonstrarem sabedoria divina através de ações concretas.
(    ) A sabedoria é a virtude que devemos buscar e cultivar em nossos relacionamentos neste mundo.
(    ) O tempo do verbo "mostrar", utilizado por Tiago em 3.13, indica uma ação contínua em torno da  finalidade ou do resultado de uma obra.
(    ) Desta maneira, a Bíblia está determinando uma atuação cristã que promova as boas obras no relacionamento humano.
 
9- Como é a humildade como prática cristã?
(    ) O que nasceu de novo e, portanto, "ressuscitou com CRISTO", busca ajuda dos irmãos para viver em plena comunhão e humildade com DEUS.
(    ) Instruída pela Palavra de DEUS, a humildade cristã promove as boas obras na vida do crente.
(    ) Quem é portador dessa humildade revela a verdadeira sabedoria, produzindo para si alegria e edificação.
(    ) A fim de redundar em honra e glória ao nome do Senhor JESUS, a humildade deve ser uma virtude contínua.
(    ) Isso a torna igualmente uma porta fechada para o crente não retornar às velhas práticas.
(    ) O homem natural, dominado pelo pecado, não tem o temor de DEUS nem o compromisso de viver para a honra e glória dEle.
(    ) O que nasceu de novo e, portanto, "ressuscitou com CRISTO", busca ajuda do alto para viver em plena comunhão e humildade com o seu semelhante.
 
10- Como devemos mostrar sabedoria pelas obras em mansidão de sabedoria?
(    ) Tiago é relevante: "Mostre, pelo seu bom trato as suas obras em exibição de sabedoria".
(    ) Vivemos em um tempo onde as pessoas se aborrecem por pouca coisa, onde tudo é motivo para desejar o mal ao outro.
(    ) Vemos descontrole no trânsito, o destempero na fila, a pouca cordialidade com o colega de trabalho e coisas afins.
(    ) Parece que as pessoas não convivem espontaneamente com as outras.
(    ) Apenas se toleram! Nesse contexto, o ensino de Tiago é de sobremodo relevante: "Mostre, pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria".
(    ) Amor, cordialidade e solidariedade são valores éticos absolutos reclamados no Evangelho. Ouçamos a sua voz!
 
III. - O VALOR DA VERDADEIRA SABEDORIA E A ARROGÂNCIA DO SABER CONTENCIOSO (Tg 3.14-18)
11- Como é o viver administrando a sabedoria?
(    ) Uma vez dada por DEUS, a sabedoria poderá vir a fazer parte da natureza do crente, pelo menos de vez em quando.
(    ) A sabedoria mencionada por Tiago assinala a vontade de DEUS para a vida do crente.
(    ) Uma vez dada por DEUS, tal sabedoria constitui-se parte da natureza do crente.
(    ) Tal sabedoria é resultado do novo caráter lapidado pelo ESPÍRITO SANTO.
(    ) É um novo pensar, um novo sentir, um novo agir.
(    ) DEUS dá ao homem essa sabedoria para que ele administre as bênçãos, os dons e todas as esferas de relacionamentos da vida humana.
(    ) Quando JESUS de Nazaré expressou "assim brilhe a vossa luz diante dos homens", Ele estava refletindo sobre o propósito divino de o crente viver a inteireza do Reino de DEUS diante dos homens. 
 
12- Como é a sabedoria verdadeira e a arrogância do saber?
(    ) O rei Salomão orou a DEUS pedindo-lhe sabedoria para escrever provérbios para o povo judeu.
(    ) Há pessoas orgulhosas que, por se julgarem sábias, não admitem serem aconselhadas ou advertidas.
(    ) Entre os filhos de DEUS não há uma pessoa que seja tão sábia que possa abrir mão da necessidade de aconselhar-se com alguém.
(    ) O livro de Provérbios descreve que há sabedoria e segurança na multidão de conselheiros, pois do contrário: o povo perece.
(    ) O rei Salomão orou a DEUS pedindo-lhe sabedoria para entrar e sair perante o povo judeu.
(    ) Podemos concluir que lidar com o povo sem depender dos sábios conselhos de DEUS é um pedantismo trágico para a saúde espiritual da igreja.
(    ) Portanto, leve em conta a sabedoria divina! É um bem indispensável para os filhos de DEUS.
(    ) Para quem sente falta de sabedoria, Tiago continua a aconselhar: "peça-a a DEUS".
 
13- Quais atitudes devem ser evitadas, quando se tem sabedoria?
(    ) "Onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa" (v.16).
(    ) O autor da epístola descreve o resultado de uma "sabedoria" humilde, porém, diabólica.
(    ) O autor da epístola descreve o resultado de uma "sabedoria" soberba e terrena.
(    ) Classificando tal sabedoria, Tiago utiliza dois termos fortíssimos, afirmando que ela é "animal" e "diabólica".
(    ) Animal, porque é acompanhada por emoções oriundas de um instinto natural, primitivo, irracional e carnal, sendo por isso destituída de qualquer preocupação espiritual.
(    ) Diabólica, porque o nosso adversário inspira pessoas a transbordarem desejos que em nada se assemelham aos que são oriundos do fruto do ESPÍRITO, antes, são sentimentos egoísticos, que se identificam com as obras da carne.
(    ) Atitudes que trazem contenda, facções, divisão, gritarias e irritabilidade devem ser evitadas em nossa família, em nossa igreja ou em quaisquer lugares onde nos relacionarmos com o outro.
(    ) O Senhor nos chamou para paz e não para confusão. Vivamos, pois uma vida cristã sábia e em paz com DEUS!
 
CONCLUSÃO
14- Complete:
Após estudarmos o tema "____________________________ humilde" é impossível ao crente admitir a possibilidade de vivermos a vida cristã em qualquer esfera humana sem depender da ____________________________ do alto. A ____________________________ divina não só garante a saúde espiritual entre os irmãos, mas da mesma maneira, a emocional e psíquica. Ela estabelece parâmetros para o convívio social sadio ao mesmo tempo em que nos previne para que não caiamos nos ____________________________ e pecados que entristecem o ESPÍRITO SANTO. Ouçamos o conselho de DEUS. Que possamos viver de forma sóbria, justa e ____________________________ (Tt 2.12).
 
RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO EM http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm 
 
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VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
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