quinta-feira, 10 de abril de 2014

Lição 2 - O Propósito dos Dons Espirituais, 2pte

Lição 2- 2 parte
Ouvem os sons de sua voz, mas não têm qualquer idéia sobre o significado de sua elocução, visto que no espírito fala ministérios, os segredos de DEUS continuam encobertos, ocultos aos ouvintes, e provavelmente também a quem fala. Doutro lado, aquele que profetiza, a pessoa que tem o dom da profecia, de fato fala às pessoas. Sua fala, sendo por eles entendida, serve como meio de comunicação; Comunica-lhes ideias, edificação e exortação e consolo. A fala daquele que profetiza serve para fazer os cristãos crescer em conhecimento, promovendo assim o progresso da igreja. Ela os admoesta, os estimula para se aplicarem mais sinceramente ao seu dever cristão. Dá-lhes força e consolo espiritual quando estão em perigo de serem dominados pelo medo. Esse, pois, é o propósito principal do culto público, que a Palavra de DEUS seja pregada e aplicada, que as pessoas possam entender o que é dito e sejam edificadas, admoestadas e confortadas. Este objetivo não é alcançado no caso daquele que fala em língua. Na melhor das hipóteses ele edifica a si mesmo, enquanto que aquele que profetiza edifica a assembleia da igreja.
Paulo, fazendo esta afirmação, não quer se entendido erradamente como se subestimasse o valor do dom de línguas: Não obstante desejar que todos vós falásseis em línguas, desejo muito antes que profetizásseis. Desta forma ele não faz quaisquer medíocres concessões aos coríntios, mas está bem consciente do fato que o dom de línguas poderia ter uma profunda impressão sobre um ímpio que chegasse à reunião deles e que poderia abrir caminho para sua conversão. Mas sabe, devido ao uso efetivo e prático, que o dom da profecia deve ser preferido. Além disso, aquele que profetiza é maior do que aquele que fala em línguas. Ocupa uma posição de maior utilidade e por isso também de maior dignidade, a não ser que, aquele que fala em línguas tem também, ao mesmo tempo, o dom e a capacidade de interpretar suas extáticas elocuções, de forma que todas as pessoas possam entendê-lo e a congregação receba, desta forma, edificação. Se Paulo tivesse sido só um orador em línguas, e incapaz para interpretar os mistérios que o ESPÍRITO SANTO exprimia através de sua boca, então o seu trabalho evidentemente não teria tido qualquer valor, a não ser que ele, de fato, se pudesse fazer entender por meio duma fala inteligível, em revelação e profecia, pelo ensino dos grandes mistérios que compreendeu, trazendo juntos tanto o conhecimento como a doutrina. Este apelo ao senso comum dos coríntios não podia deixar de convencê-los da verdade do argumento de Paulo, visto que sabiam que ele sempre buscou o bem-estar espiritual deles, e não sua própria satisfação e edificação espiritual.
KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento. Editora Concordia Publishing House.
2. Edificando os outros.
Através de dons dessa ordem a igreja é verdadeiramente edificada, mediante uma atuação verdadeira de DEUS. Se fizessem o que era devido se distinguiriam deveras; mas, se, em seu orgulho, abusassem do dom de línguas, embora pensassem nisso residiria a sua glória, não passariam de crentes carnais e insensíveis para com as necessidades da comunidade cristã. Eles se tinham degradado. Para reverter isso, precisavam buscar exceder-se na edificação da igreja local.
«...a força desta passagem é aquela dada acima —cumpria-lhes buscarem os dons espirituais visando ao benefício alheio, e para se beneficiarem pessoalmente deveriam orar em línguas baixinho. Assim serviriam a seus irmãos na fé, no que deveriam abundar mais e mais (ver I Cor. 8:7 e I Tes. 4:1)». (Shore, in loc.).
Edificação
1. Esse é o objetivo mesmo do ofício ministerial (ver Efé. 4:11,12).
2. Com esse propósito é que os dons espirituais nos foram concedidos (ver I Cor. 14:3-5,12).
3. A perfeição e a união com CRISTO são seus alvos (ver Efé. 4:16).
4. A autonegação é necessária para seu pleno desenvolvimento (ver I Cor. 10:23,33).
5. Espera-se que os crentes se edifiquem mutuamente (ver Rom. 14:19). 6. Todas as ações efetuadas no seio da igreja precisam ter esse alvo em mira (ver Efé. 4:29).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 219.
I Cor 14.12. “procurai com zelo” (AV: “ desejai” e “cobiçai ardentemente”, respectivamente). Paulo não censura o desejo deles, mas o toma como base para concitá-los a procurarem progredir, para a edificação da igreja. Precisamente mediante esta passagem, ele retorna a este pensamento. A coisa de valor para o cristão é que possa edificar outros. Embora seja seu direito desejar progredir no exercício de dons espirituais, deve procurar os dons úteis para a edificação.
Leon Monis. I Corintos Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag.
No versículo 12, Paulo volta incansavelmente ao seu ponto de maior ênfase: Assim, também vós, como desejais dons espirituais, procurai sobejar neles, para a edificação da igreja. O primeiro objetivo do cristão deve ser a edificação da igreja e o fortalecimento dos seus membros. Se o crente quiser promover o bem-estar da igreja, ele analisará os seus dons de acordo com este critério.
Donald S. Metz. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 8. pag. 351.
 
Observação minha - Ev. Luiz Henrique - A melhor maneira do crente se tornar forte espiritualmente é orar em línguas, principalmente para expulsão de demônios. A solução para o crente é orar em casa em línguas na altura que lhe for necessária, mas quando estiver na igreja, deve orar baixinho para não atrapalhar os que estão ouvindo a pregação ou alguma manifestação do ESPÍRITO SANTO traga em profecias, pois esta profecia é na língua inelegível a todos e trará edificão a todos, enquanto o falar em línguas só trará crescimento ao que fala, pois estará se edificando somente a si próprio. P
É bom separarmos "Falar em línguas" de "Dom de Línguas".
"Falar em línguas" - Significa falar na língua de seu batismo no ESPÍRITO SANTO - o crente pode falar nessa língua a vida toda - essa é uma linguagem de oração - para edificação própria.
"Dom de Línguas" - o crente pode falar em vários tipos de línguas quando recebe esse dom - Línguas para se falar com o estrangeiro como em Atos 2, Língua para ser interpretada, Língua para oração intercessória como em Romanos 8.
aulo aconselha que o crente que possui dom de línguas (fala em diversas línguas) ore para que possa interpretá-las, assim poderá falar em voz alta na igreja e trará a interpretação a todos e todos serão edificados.
 
3. Edificando até o não crente.
Paulo teve coragem de dizer que era um “sábio arquiteto”, na edificação da igreja. Nem todo obreiro pode dizer isso, nos dias presentes. Os terrenos em que a igreja está sendo edificada são tão instáveis, que desafiam a capacidade de todos os engenheiros ou arquitetos. Os ventos fortes de falsas doutrinas e movimentos heréticos, disfarçados de genuínos movimentos cristãos conspiram contra a estabilidade e a unidade da Igreja de CRISTO. Os edificadores de hoje têm tantos ou maiores desafios do que os do tempo de Paulo, mesmo que tenham mais recursos humanos e técnicos que o apóstolo dos gentios.
Mas a missão dos obreiros do Senhor é cuidar da evangelização, buscando as almas que se integram à igreja, e o cuidado delas, através do discipulado autêntico, que se fundamenta na sã doutrina, esposada por JESUS CRISTO, e interpretada e aplicada pelos seus apóstolos e discípulos, ao longo da História. Os cristãos devem ser edificados para serem templos do ESPÍRITO SANTO (1 Co 6.19,20). E os dons são indispensáveis nessa edificação espiritual.
Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a DEUS e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pag. 30-31.
I Cor 14.9. Os crentes devem ser capazes de transmitir benefícios espirituais a seus ouvintes. Porém, se algum idioma não for compreendido pelos seus ouvintes, perde-se o desígnio inteiro da comunicação de ideias, e a voz humana se torna muito menos significativa do que o instrumento musical visto não haver transmitido pensamento ou sentimento nenhum.
«...como se falásseis ao ar...» Isso seria um ditado antigo, equivalente ao nosso moderno «falar a uma porta». Está em foco um falar inútil para os ouvinte, útil só para o falante, ao qual ninguém dá qualquer atenção, visto não transmitir qualquer entendimento.
Aquele que falava «ao ar» não tinha nenhum ouvinte ao alcance de sua voz; portanto, não podia transmitir ele qualquer mensagem. Assim também sucede ao dom de línguas, sem o dom da interpretação de línguas.
«...língua...» Essa palavra, que aparece aqui no singular, se refere à linguagem ou ao membro literal e físico da língua, que há no interior da boca; mas o contexto deixa claro que essa «língua» é o «falar em línguas», ou seja, mediante aquele dom do ESPÍRITO que recebe esse nome. A «língua» é o instrumento da comunicação verbal, tal como a trombeta, a harpa, a flauta, etc., são instrumentos de comunicação musical.
«Essa frase denota a inutilidade de um discurso ininteligível. Tal discurso morre na própria atmosfera, jamais atingindo a mente de um ouvinte».
(Kling, in loc.).
Tem utilidade particular, para o próprio crente que as fala; mas não tem uma utilidade coletiva, altruísta. Portanto, as línguas, caso não acompanhadas do dom paralelo da interpretação de línguas, devem ser praticadas em particular, e não publicamente.
I Cor 14.23. Os versículos vigésimo terceiro a vigésimo quinto fornecem-nos a sexta razão pela qual Paulo dizia que as «línguas» devem ser consideradas um dom espiritual inferior à profecia. Os «indoutos» e os «incrédulos», que estivessem presentes ao culto público, se ouvissem línguas sem a sua interpretação, tenderiam por sentir-se ofendidos, e poderiam até pensar que os que assim falassem estariam mentalmente desequilibrados. No entanto, a profecia serve de força poderosa, tanto na conversão dos incrédulos como na edificação dos crentes.
«...toda a igreja se reunir...» Paulo se referia ao culto público, à ordem eclesiástica, ao referir-se ao valor comparativo dos dons espirituais, cujo grande alvo é a edificação da comunidade; não aludia ao uso particular desses dons espirituais.
Os lares eram os lugares ordinários de reunião dos crentes, talvez por conveniência ou talvez por razões econômicas; pois os crentes primitivos tradicionalmente provinham das classes menos abastadas. (Ver I Cor. 1:26-28).
Nem todas as assembleias locais, quando se reuniam especificamente com o propósito de adorar, permitiam que «estranhos» (incrédulos) estivessem presentes. Mas isso dependia muito dos costumes locais. Os amigos (ou parentes) dos crentes, quase sem dúvida, eram admitidos em quase todas essas reuniões. Tais pessoas, entretanto, poderiam pensar que o exercício descontrolado do dom de línguas, em que um crente após outro exercia esse dom, visto que nada se entendia do que diziam, seria apenas um sinal de descontrole emocional, ou mesmo de insanidade mental.
«...indoutos...» (cap 16). Concluiu-se ali que esses «indoutos» seriam crentes, embora destituídos de «dons espirituais», ou, pelo menos, não possuidores do dom de línguas; e esses não simpatizariam com o exagero no exercício da «glossolalia», talvez até mesmo por motivo de inveja. Dificilmente poderíamos pensar que os mesmos seriam incrédulos (ainda que o vocábulo grego aqui empregado possa significar exatamente isso), porquanto dificilmente os tais diriam «Amém», ao que os crentes dissessem em suas reuniões (conforme Paulo declarou que tais pessoas naturalmente diriam, se porventura compreendessem o que ali fosse dito); e aqui, além disso, esses «indoutos» são contrastados com os «incrédulos». E o vocábulo grego usado para os tais indica exatamente isso; por conseguinte, não pode restar dúvida alguma quanto ao sentido dessa expressão. Ambos esses grupos, os «indoutos» e os «incrédulos», poderiam suspeitar de que aqueles que falavam em línguas eram indivíduos psicóticos, em maior ou menor grau, ou, pelo menos, que fossem pessoas mentalmente desequilibradas.
Pode-se comparar isso com as atitudes dos incrédulos, na narrativa de Atos 2:13, os quais pensavam que os crentes que falavam em línguas estivessem bêbedos. As passagens de Atos 12:15 e 26:24 são outros exemplos, existentes nas páginas do N.T., acerca dessas atitudes dos incrédulos para com os cristãos, o que se vem manifestando desde os longínquos tempos apostólicos até aos nossos próprios dias.
«...e todos se puserem a falar em outras línguas...» Isso indica o abuso a que haviam sujeitado as línguas. Mui provavelmente também falavam todos ao mesmo tempo, tal como os seus profetas, que não esperavam uns pelos outros. Assim sendo, mostravam-se descorteses e extremamente fanáticos no uso que faziam de seus dons espirituais. (Ver os versículos vigésimo nono em diante).
As observações contrárias de Paulo, por todo este capítulo, visam as línguas desacompanhadas de interpretação. Portanto, ele não contradiz, no presente versículo, a ideia de que as línguas são um sinal para os incrédulos.
Imaturidade Espiritual
1. A imaturidade espiritual se evidencia no egoísmo (ver Rom. 15:1), pois o amor é a verdadeira medida de nossa maturidade. Estás servindo a ti mesmo mais diligentemente do que ao próximo? Nesse caso, és um crente espiritualmente imaturo. A tua maturidade pode ser aquilatada pelo quanto serves aos outros.
2. Os crentes de Corinto demonstravam sua imaturidade ao transformarem a igreja em um teatro, onde os dons espirituais entraram em competição uns com os outros. Isso era destrutivo para a unidade e a paz, e, por conseguinte, para o desenvolvimento espiritual.
3. Os crentes coríntios, em surpreendente ausência de santificação, demonstravam a sua imaturidade quando, o tempo todo, se vangloriavam de seu grande avanço.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 218; 224-225.
Falar em línguas pode não ajudar os incrédulos (14.23-25). Agora Paulo apresenta um caso hipotético para os coríntios. O que acontecerá se toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem línguas estranhas (23). Como esse dom era desejável, conforme indicavam os coríntios, toda a igreja tinha o direito, e até a obrigação, de buscá-lo. Mas o que aconteceria se os incrédulos viessem a essa igreja, onde todos estivessem falando em línguas de forma desordenada? Não dirão, porventura, que estais loucos? Paulo não estava preocupado com as pesquisas de popularidade eclesiástica. Nem estava ajustando a mensagem do evangelho para conformá-la ao molde da opinião pública. O apóstolo entendia que a tarefa da igreja era atrair os incrédulos e conquistá-los para CRISTO. Ele estava alarmado com o fato de que, ao invés de ajudar a converter os pecadores, o ato de falar em línguas de forma desordenada poderia despertar somente o escárnio e o desprezo dos descrentes.
Donald S. Metz. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 8. pag. 352.
O efeito do dom da profecia é totalmente diferente: Mas se todos profetizam, e entra alguma pessoa descrente ou ignorante, esta por todos será persuadida, por todos julgada. O dom da profecia incluía ser examinado pelas palavras de saber onisciente, sendo reveladas as coisas secretas, ou os pecados ocultos, de seu coração. E o resultado, evidentemente, podia ser que uma pessoa assim iria prostrar-se sobre seu rosto e adorar a DEUS, admitindo publicamente que DEUS estava em meio á congregação cristã. Nada é mais poderoso do que a viva Palavra de DEUS, pela qual Ele examina os corações e as mentes, Hb. 4. 12, e discerne os pensamentos e as intenções do coração. Desta forma o dom da profecia resultaria não só no ganho de almas para CRISTO, mas também no dar glória ao Senhor.
KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento. Editora Concordia Publishing House.
 
IIl - EDIFICAR TODO O CORPO DE CRISTO
1. Os dons na igreja.
«...de quem...» Paulo emprega aqui uma metáfora fisiológica, tal como o faz em Col. 2:19. Na epístola aos Colossenses a metáfora por ele empregada salienta o fato que a criação inteira depende de CRISTO como cabeça, unificador, restaurador e governador de tudo. Aqui, embora idêntica linguagem seja usada, a porção enfatizada é CRISTO, como cabeça da igreja, a qual é o seu corpo. 6 do Cabeça que o corpo recebe suas energias e poderes vitais, como também a sua coesão. Entretanto, no corpo há também aquela coesão mútua e aquela participação nas energias vitais de uma união perfeita, a despeito do que essa participação vital de energias mútuas depende do Cabeça, já que ele é a origem da mesma e o seu unificador. Por conseguinte, há uma certa «interdependência»' no corpo, nenhum membro fica isolado, e nenhum membro possui a vida espiritual vital que se encontra no próprio corpo. E também há uma dependência mútua do corpo inteiro ao Cabeça, para que receba essa mesma energia de vida divina.
«...bem ajustado e consolidado...» Um corpo se caracteriza pela maravilhosa cooperação de muitos elementos, que são perfeitamente unidos um ao outro. É a essa admirável unidade de muitas porções que Paulo se refere, fazendo disso uma ilustração de como tal condição deveria prevalecer na igreja. São usados verbos no particípio presente a fim de salientar como essa unidade, tão intricada e perfeita em sua natureza e atuação, deve existir na forma de uma operação contínua. As ideias de «harmonia», de «adaptação», de< «solidariedade» e de «unidade na diversidade», são assim expressas. (Comparar com Col. 2:2,19).
Nomes, seitas e partidos caem:
Tu, ó CRISTO, és tudo em todos!
Esses dois verbos têm sido variegadamente compreendidos, a saber:
«...toda junta...» Quanto a estas palavras também têm havido diferenças de opinião, ou seja:
As juntas realmente não suprem e nem propagam a vitalidade do corpo. É bem possível que ele tivesse feito alusão às «juntas». Existe uma vida, uma energia vital, que vem primeiramente do Cabeça, e que então se difunde por todo o corpo. Por essa razão, o corpo ê vivificado pela vida divina; pois a participação na mesma vida, que vem da mesma fonte originária, é motivo de uma união perfeita. Cada porção, pois, tanto é beneficiada como serve de canal mediante o qual a vida é passada para outras porções.
• «... segundo a justa cooperação de cada parte...» De acordo com a tradução inglesa RSV (aqui vertida para o português), isso quer dizer «...quando cada porção está operando apropriadamente...» Neste caso, «apropriadamente» é tradução do original grego «en metro», literalmente, «por medida»; e é bem provável que isso aluda às palavras «...segundo a proporção do dom de CRISTO...», do sétimo versículo deste capítulo. Por conseguinte, cada «...parte...» (ou membro) tem um dom, ou seja, serve de entidade que dispersa a vida de CRISTO no corpo, como agente de desenvolvimento espiritual. Portanto, cada crente, «de acordo com sua medida e capacidade» no corpo, torna-se um «contato» mediante o que a vitalidade do ESPÍRITO de DEUS é dispersa por todo o corpo.
«...edificação de si mesmo em amor...» (Efé. 4:12). Cumpre-nos observar que todo esse processo de crescimento e nutrição, que produz a maturidade espiritual, se alicerça sobre o «amor», pois Paulo reiterava a ideia que mencionara no versículo anterior. («importância do amor cristão»). Isso concorda com o que se lê em I Cor. 12-14. Os dons espirituais devem ser buscados, pois são necessários; mas só são úteis esses dons quando são administrados em «amor» (ver o décimo terceiro capítulo da primeira epístola aos Coríntios), pois essa virtude ê maior que todos os dons espirituais. Assim é que um dom espiritual administrado na igreja sem o concurso do amor, não será de grande utilidade na igreja. Boas obras, feitas sem o condimento do amor, não valem coisa alguma aos olhos de DEUS. O amor é o elemento onde funcionam a unidade verdadeira e o benefício mútuo no corpo de CRISTO. Sem amor, essa realização é simplesmente impossível. «...O amor edifica...» (I Cor. 8:1). O amor «...é o vínculo da perfeição...» (Col. 3:14). Isso mostra-nos a suprema importância do amor, porque é mediante o amor que CRISTO «habita em nossos corações»; e é nesse amor que chegamos a conhecer a pessoa de CRISTO, mediante a iluminação do ESPÍRITO SANTO. (Ver Efé. 3:17-19). O próprio vocábulo «amor» fala sobre «mutualidade», fala sobre «harmonia», «participação», «cuidado pelo próximo», sendo contrário às ideias do «egoísmo», da «cobiça», da «facção» e do «ódio».
Ao mencionar a harmonia e a participação na vida mútua que o amor cristão propicia, Paulo chega ao final da presente secção, reiterando a ideia de unidade, que inspirou esta passagem, a começar por Efé. 4:1, como é necessário nos suportarmos uns aos outros em amor, tendo em vista a preservação da unidade do ESPÍRITO no vínculo da paz. (Ver Efé. 4:3).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 605.
Ef 4.16. É somente de CRISTO, como Cabeça, que o corpo recebe toda sua capacidade para crescer e para desenvolver sua atividade, recebendo assim uma direção única para funcionar como entidade coordenada. Colossenses 2:19 é um texto paralelo bem próximo deste versículo, e ambos deveriam ser estudados em conjunto. A palavra traduzida junta (haphê) - O uso da palavra tanto no contexto quanto no âmbito restrito da medicina justifica a sua tradução por “junta”, e assim, afirma que é pelo auxilio de toda junta, com que o corpo é equipado, é que o crescimento e funcionamento verdadeiros se tornam possíveis. Em outras palavras, o corpo depende para seu crescimento e atividade: da direção do Senhor, de Sua provisão para tudo o que necessita (compare versículos 11, 12), e também do bom relacionamento entre os membros.
E agora estamos de volta com uma palavra que se tornou familiar nesta epístola (1,19 e 3:7), pois o apóstolo deixa de considerar os membros e a conexão entre eles para tratar da justa cooperação de todo o corpo. A “energização” de DEUS no corpo todo torna possível este funcionamento de cada parte, em sua medida e de acordo com sua necessidade. Então menciona-se mais uma vez o propósito do crescimento, e está claro que cada membro não procura o seu próprio crescimento, mas o do corpo como um todo: não sua própria edificação, mas a edificação do todo. Basicamente, a edificação não é o aumento numérico da Igreja, mas o crescimento espiritual. E este crescimento é acima de tudo em amor. Esta pequena frase aparece novamente (1:4; 3:17; 4:2; 5:2), pois o amor determina que cada membro procurará a edificação de todos. Então, sem dúvida, se houver a comunhão da convivência em amor e a demonstração da verdade em amor, o aumento numérico virá como consequência natural.
Francis Foulkes. Efésios Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 103-104.
Ef 4.16 - Este versículo sintetiza de fato todo o trecho precedente: partindo da unidade de DEUS e de seu agir no corpo de CRISTO, o olhar se estende para a multiplicidade dos dons distribuídos aos crentes. Na sequência, Paulo destaca as tarefas específicas dos apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres no preparo dos santos, para que a igreja de CRISTO possa alcançar a idade adulta e resistir a doutrinas ardilosas e enganosas. Por fim o apóstolo enfoca novamente a cooperação de todos na edificação do corpo. A característica marcante de toda a incumbência é que a edificação acontece “no amor” (v. 13). Isso sucede quando o conhecimento do amor de CRISTO (Ef 3.19) cresce mais e mais e por isso também se fala a verdade em amor (Ef 4.15).
Eberhard Hahn. Comentário Esperança Efésios. Editora Evangélica Esperança.
 
2. Os sábios arquitetos do Corpo de CRISTO.
I Cor 13.9. Nosso conhecimento é parcial, até mesmo com a ajuda dos mais elevados dons da sabedoria e do conhecimento. Essa admissão é declaração, feitas pelo apóstolo, deveria ensinar-nos a sermos cautelosos quando cercamos a DEUS com os nossos dogmas, como se, já sabendo tudo quanto tem importância, não precisássemos mais de fazer qualquer pesquisa honesta pela verdade. A tendência da religião «ortodoxa» é olvidar-se desse grande fato, apodando de heterodoxa qualquer opinião que não se adapte facilmente dentro dos limites dos dogmas já aceitos.
Da covardia que teme novas verdades,
Da preguiça que aceita meias-verdades,
Da arrogância que conhece toda a verdade,
Oh, Senhor, livra-nos. (Arthur Ford).
Os intelectuais de Corinto faziam uma ideia exagerada da grandiosidade de seu conhecimento. Foi mister que Paulo lhes lembrasse que, quando muito, o que sabiam era parcial; e ele nem ao menos aborda aqui o problema dos «erros» incorporados no sistema deles.  Para nós o conhecimento se acha em estado de constante expansão, nunca chegando a um ponto final. Todos os campos do conhecimento, das ciências à teologia, estão sempre franqueados à modificação e revisão, à medida que nossos conceitos são expandidos e aprofundados.
O conhecimento e a profecia, pois, conforme os conhecemos e podemos conhecer, serão sempre indiretos, parciais e fragmentários; e disso participam os tipos exatos de descrição que a moderna epistemologia atribui a todo o conhecimento, incluindo o conhecimento científico.
«Conhecimento e pregação são ambos incompletos; portanto, quando esta dispensação terminar, e a dispensação completa for inaugurada, então esses dons imperfeitos cessarão. Os dons espirituais são apenas os implementos da lavoura divina; as graças são as próprias sementes.
O argumento usado por Paulo é que aquilo que é «parcial» e «imperfeito», em face dessas mesmas características, não pode ser permanente. O amor, por outro lado, sendo perfeito, é permanente. Um conhecimento mais elevado, um conhecimento perfeito, é possível; mas isso somente quando da inauguração do estado eterno.
E isso é um poderoso argumento em favor da possibilidade da continuação dos dons miraculosos (e não miraculosos), continuação essa que prosseguirá até à «parousia» ou segunda vinda de JESUS CRISTO. Isso vai de encontro aos argumentos distorcidos de alguns, que pretendem eliminar os dons miraculosos, como se os mesmos houvessem desaparecido quase imediatamente depois da era apostólica, os quais supõem encontrar base bíblica para essa opinião no fato que o oitavo versículo deste capít. diz que esses dons eventualmente «cessarão». Ê verdade que os dons espirituais cessarão; mas o tempo é definidamente determinado no presente versículo, isto é, no fim da presente era da graça, quando da segunda vinda de CRISTO. Porém, enquanto não vier o que é perfeito, teremos necessidade dos dons espirituais «imperfeitos» visto que eles são muito, muito superiores a qualquer coisa meramente humana.
Paulo está antecipando a perfeição que a segunda vinda de CRISTO trará. Os dons existem.
Haverá uma grande transição de uma dispensação para outra, da era presente para o estado eterno, em razão do segundo advento de CRISTO. Essa transição é pintada pelo apóstolo Paulo mediante aquilo que tem lugar entre a meninice e a idade adulta. A «meninice», neste caso, representa a era inteira da imperfeição, a nossa era presente. Não importa quão grandemente os dons sejam desenvolvidos, não importa quão elevada se torne a nossa sabedoria e o nosso conhecimento, e não importa quão eloquentes se tornem a profecia e as línguas—em comparação com o que haverá eventualmente, tudo quanto obtivermos agora é apenas brinquedo de crianças, sentimentos infantis, pensamentos infantis, coisas próprias de meninos. Isso serve de poderosa ilustração instrutiva, sobre a estatura de nosso presente conhecimento.
Esta vida, portanto, consiste em uma «infância espiritual», e a era vindoura, ou melhor, a eternidade, será a «idade adulta espiritual». Isso é muito encorajador, pelo progresso dos séculos, o que, para nós, indica um progresso de natureza espiritual, o abandono de todas as imperfeições, o aprendizado da perfeição.
«Quantos pontos de vista estreitos, quantas noções indistintas das coisas, têm as crianças, em comparação com os adultos! E quão naturalmente os homens, quando a razão se lhes amadurece, desprezam e dispensam os seus pensamentos infantis, pondo-os de lado, rejeitando-os, considerando-os como nada! Assim é que pensaremos sobre nossos dons mais valiosos e aquisições neste mundo, quando chegarmos ao céu». (Matthew Henry, in loc.).
1) O amor torna os dons da vida aproveitáveis, 1-3;
2) O amor transforma os relacionamentos da vida em algo maravilhoso, 4-7;
3) O amor faz com que as contribuições da vida se tornem eternas, 8-13 (da obra Sermon Outlines on Favorite Bible Chapters).
Donald S. Metz. Comentário Bíblico Beacon. Editora CPAD. Vol. 8. pag. 347-348.
Visto que a asserção que os dons de conhecimento e de profecia cessarão podia parecer estranho, Paulo explica sua afirmação: Pois em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o imperfeito será abolido. Nosso conhecimento é imperfeito neste mundo, inadequado para um entendimento completo de DEUS, de Sua essência, de Sua vontade. Entendemos somente partes pequenas da verdade eterna e celeste, mesmo tendo nós uma razão cristã iluminada. Não temos uma visão compreensiva do total, da ligação dos pensamentos e conselhos divinos. A plenitude da magnitude e majestade de DEUS ainda nos é desconhecida.
Fé, esperança e amor permanecem na eternidade, porque o que o cristão crê, espera e ama permanece para sempre, visto que DEUS é eterno, com quem estamos unidos na fé, na esperança e no amor. Esta conclusão é praticamente exigida pela afirmação que todas as coisas imperfeitas serão abolidas. Pois o apóstolo não diz destes três que são imperfeitos, ou seja, que cremos em parte, que esperamos em parte, que amamos em parte. A fé, mesmo a fé fraca, ainda que conhece a DEUS só em parte, aceita, porém, como fé salvadora, o DEUS inteiro, o CRISTO inteiro, a redenção inteira em CRISTO, e o pleno perdão dos pecados. Também a esperança, mesmo vendo e conhecendo somente alguns raios da glória vindoura, tem, ainda assim, o futuro total como seu alvo. E o amor se concentra sobre o inteiro DEUS trino de nossa salvação, e não sobre algum restinho miserável.
Resumo: O apóstolo louva o alto valor do amor, dá uma descrição de seus aspectos essenciais, e descreve sua duração eterna.
KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento. Editora Concordia Publishing House.
 

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