01 janeiro 2026

Escrita Lição 2, CPAD, O DEUS PAI, 1Tr26, Com. Extras Pr.Henrique, EBD NA TV

 PROVISÓRIO - PRONTO SÓ NO DOMINGO
Escrita Lição 2, CPAD, O DEUS PAI, 1Tr26, Com. Extras Pr.Henrique, EBD NA TV
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ESBOÇO DA LIÇÃO

I – A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI

1. O PAI é o único DEUS verdadeiro

2. O PAI é a fonte da divindade

3. O PAI age por meio do FILHO e do ESPÍRITO

II – O PAI REVELADO EM CRISTO

1. O PAI se revela aos humildes

2. O PAI se faz conhecer pelo FILHO

3. Quem vê o FILHO vê o PAI

III – A PESSOA DE DEUS PAI

1. Atributos incomunicáveis do PAI

2. Atributos comunicáveis do PAI

3. Os nomes que revelam o PAI

 

TEXTO ÁUREO

“Ninguém conhece o PAI, senão o FILHO e aquele a quem o FILHO o quiser revelar.”

(Mt 11.27c)

 

VERDADE PRÁTICA

Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do DEUS PAI por meio da revelação de CRISTO e da ação do ESPÍRITO SANTO.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Mt 6.9 O PAI é o nosso PAI celestial

Terça - Dt 6.4 O Senhor é o único DEUS verdadeiro

Quarta - Jo 5.26 O PAI tem a vida em si mesmo

Quinta - 1 Tm 2.5 O FILHO é mediador entre o PAI e os homens

Sexta - Gn 17.1 DEUS, o PAI, é Todo-Poderoso

Sábado - Êx 3.14 DEUS é o "Eu Sou"

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Mateus 11.25-27; João 14.6-11

Mateus 11.25 - Naquele tempo, respondendo JESUS, disse: Graças te dou, ó PAI, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. 26 - Sim, ó PAI, porque assim te aprouve. 27 - Todas as coisas me foram entregues por meu PAI; e ninguém conhece o FILHO, senão o PAI; e ninguém conhece o PAI, senão o FILHO e aquele a quem o FILHO o quiser revelar.

João 14.6 - Disse-lhe JESUS: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao PAI senão por mim. 7 - Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu PAI; e já desde agora o conheceis e o tendes visto. 8 - Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o PAI, o que nos basta. 9 - Disse-lhe JESUS: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o PAI; e como dizes tu: Mostra-nos o PAI? 10 - Não crês tu que eu estou no PAI e que o PAI está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o PAI, que está em mim, é quem faz as obras. 11 Crede-me que estou no PAI, e o PAI, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.

 

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PALAVRA-CHAVE – PAI

 

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SUBSÍDIOS EXTRAS PARA A LIÇÃO – LIVROS, REVISTAS ANTIGAS E GOOGLE

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DEUS PAI

Nas Escrituras o nome "PAI" nem sempre designa DEUS num mesmo sentido. Por exemplo, a Bíblia o apre­senta como:

a) PAI de toda a Criação (1 Co 8.6; Ef 3.14,15; Hb 12.9).

b) PAI de Israel(Dt 32.6; Is 63.16; Jr 3.4; Ml 1.6).

c) PAI dos crentes (Mt 5.45; 6.6; 1 Jo 3.1).

d) PAI de JESUS CRISTO (Mt 3.17; Jo 1.14; 8.54).

Do Universo DEUS é PAI por criação; de Israel Ele é PAI por eleição; do crente Ele é PAI por adoção; e de JESUS CRISTO Ele é PAI por geração.

 

A TRINDADE DIVINA

A doutrina da Trindade consiste num dos grandes mistérios da fé cristã. Em suas confissões indaga Agosti­nho: "Quem compreende a Trindade Onipotente? E quem não fala dela ainda que não a compreenda? É rara a pessoa que ao falar da Santíssima Trindade saiba o que diz. Con­tendem e discutem. E contudo ninguém contempla esta visão sem ter paz interior". As Escrituras ensinam que DEUS é um, e que além dele não existe outro DEUS (Is 37.16). Contudo, a unidade divina é uma unidade composta de três pessoas distintas e divinas, que são: DEUS PAI, DEUS FILHO, e DEUS ESPÍRITO SANTO. Não se trata de três deuses independentemente. São três pessoas, mas um só DEUS. Os três cooperam unidos e num mesmo propósito, de maneira que no pleno sentido da palavra, são um. O PAI cria, o FILHO redime, e o ESPÍRITO santifica; e, no entanto, em cada uma dessas operações os três estão pre­sentes.

 

 A Trindade na Bíblia

Tanto no Antigo como no Novo Testamento, título divinos são atribuídos, distintamente, às três pessoas da Trindade. Deste modo a Bíblia diz que o PAI é DEUS (Êx 20.2), que o FILHO é DEUS (Jo 20.28), e que o ESPÍRITO também é DEUS (At 5.3,4). Cada pessoa da Trindade é descrita na Bíblia, como sendo:

 

A Trindade

O PAI

O FILHO

O ESPÍRITO SANTO

Onipresente

Jr 23.24

Ef 1.20-23

Sl 139.9

Onipotente

Gn 17.1

Ap 1.8

Rm 15.19

Onisciente

At 15.18

Jo 21.17

1 Co 2.10

Criador

Gn 1.1

Jo 1.3

Jó 33.4

Eterno

Rm 16.16

Ap 22.13

Hb 9.14

SANTO

Ap 4.8

At 3.16

1 Jo 2.20

Salvador

2 Ts 2.13

Tt 3.4-6

1 Pd 1.2

 

As Grandes Doutrinas da Bíblia - Raimundo de Oliveira - CPAD

 

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DEUS – O PAI - Dicionário Bíblico Wycliffe - CPAD

Em quatro sentidos DEUS é PAI: como Criador, como PAI de Israel, como PAI de CRISTO, e como PAI dos crentes.

DEUS é o PAI da humanidade pela criação (Act 17.28,29; Lc 3.38; cf. Gn 1.27; Tg 3.9). A paternidade de DEUS neste sentido não é um assunto frequente na Bíblia. Os anjos são chamados de “filhos de DEUS” (Jó 1.6; 2.1; 38.7; cf. Gn 6.2) por terem sido criados por DEUS e/ou por causa de seus laços espirituais com DEUS.

No AT, DEUS é especialmente o PAI da nação de Israel (Is 63.16; 64.8; Os 11.1). Ele sustém este relacionamento porque a nação foi criada por Ele (Dt 32.6; Mí 2.10). Israel, como o primogênito de DEUS, possui uma posição privilegiada (Êx 4.22; Jr 31.9), e como tal possui grandes promessas (Jr 3.19). Como seu filho, Israel deve honrar e servir a DEUS (Êx 4.23; Ml 1.6). Assim como um pai natural educa seus filhos, assim DEUS deseja sustentar Israel e fazer com que ele cresça (Jr 3.19; cf. Salmos 103.13; Pv 3.12).

Em um sentido muito especial, DEUS é o PAI de JESUS CRISTO. Vários conceitos são revelados neste relacionamento. A divindade de CRISTO é especialmente evidenciada (Jo 5.18). Em Mateus 3.17 sua condição de Messias está em vista (cf. 17.5; Mc 9.7; Lc 9.35). A igualdade do FILHO com o PAI pode ser vista em seu nome Trino (Mt 28.19). O Senhor JESUS é cuidadoso ao manter uma estrita distinção entre DEUS como seu PAI, e DEUS como o PAI dos crentes (cf. Jo 20.17). CRISTO como o FILHO de DEUS, é a revelação do PAI e o caminho de acesso a DEUS (Mt 11.27; Jo 10.30; 14.6,7).

Na forma de semente, DEUS é retratado como o PAI dos santos, individualmente, no AT (2 Sm 7.14; Salmos 103.13; Ml 3.17), mas este conceito encontra sua maturidade no NT com a vinda de CRISTO (cf. Mt 6.4,6,8,9,32). Pela criação, DEUS é o PAI de todos; pela sua graça Ele é o PAI espiritual dos crentes. A filiação no NT é retratada em três aspectos - na regeneração (Jo 1.12,13; 3.6), na adoção (Rm 8.15,23; Gl 4.5; Ef 1.5) e na transferência para o reino do FILHO (Cl 1.13).

O relacionamento íntimo dos cristãos com DEUS pode ser particularmente visto na fórmula *Aba, PAI”, que literalmente significa, “Papai, Papai” (Mc 14.36; Rm 8.15; Gl 4.6). O primeiro é uma palavra em aramaico que se tomou coloquial em hebraico, expressando a ligação mais íntima do FILHO com o PAI. Ela nunca é usada com relação a DEUS no AT, e a literatura rabínica raramente refere-se a DEUS por este nome; então ele só é usado em uma fórmula específica. No entanto, CRISTO ousadamente disse “Aba”. A segunda palavra é a palavra grega normal para pai. A persistência da fórmula no NT pode se dever à profunda impressão causada sobre os discípulos pelo fato do próprio Senhor tê-la empregado. Ele evidentemente empregou tanto o aramaico como o grego. S.   D. T.

 

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Subsídios das lições CPAD

Lição 2 – O DEUS PAI - por Thiago Santos: evangelista, pedagogo, especialista
em Docência e Gestão Escolar, editor do setor de Educação Cristã, comentarista do Novo Currículo de Escola Dominical da CPAD.

 

Nesta lição, conheceremos com maiores detalhes a identidade do PAI, Seus atributos e Sua revelação ao homem. As Escrituras comprovam a coexistência das três Pessoas da santíssima Trindade, bem como a forma como cada Pessoa se manifesta no decorrer da história (Mt 28.19; Rm 1.20). A maior revelação da PAI e que nos aproxima de Sua natureza é a Pessoa de JESUS CRISTO. Enquanto esteve neste mundo, Ele revelou quem é o PAI, a saber, um DEUS amoroso, compassivo, cheio de misericórdia e disposto a perdoar os pecadores e trazê-los para perto de si (Jo 3.16). O PAI se fez conhecer ao mundo por intermédio do FILHO e desfaz, por meio dEle, as inimizades que separam a humanidade do seu Criador (Ef 2.15-17).

Conhecer a unidade e a inseparabilidade entre o PAI e o FILHO é essencial para o nosso relacionamento com DEUS (Jo 10.30). Para compreendermos com clareza a natureza do PAI, precisamos conhecer algumas de Suas qualidades mais inerentes, também chamadas pelos estudiosos de atributos. Os atributos são as qualidades que DEUS manifesta em Seu caráter e O tornam conhecido. Esses atributos são classificados como incomunicáveis, que são aqueles que pertencem exclusivamente a Ele; e comunicáveis, que são os que compartilha com as Suas criaturas. Dentre os atributos naturais de DEUS, há um que nos garante conhecer a Sua Pessoa, mesmo de forma limitada. Estamos falando da cognoscibilidade. A respeito de DEUS, esse termo significa que Ele pode ser conhecido e compreendido intelectualmente pelo ser humano.

Nessa perspectiva, de acordo com a obra “Teologia Sistemática: uma Perspectiva Pentecostal” (CPAD), editada pelo teólogo Stanley Horton, “DEUS não se oculta para encobrir seus atributos, mas para deixar-nos bem patentes nossos limites diante do seu ilimitado poder. Pelo fato de DEUS ter decidido agir através de seu FILHO (Hb 1.2) e ter a sua plenitude habitando nEle (Cl 1.19), podemos estar confiantes de que encontraremos em JESUS as grandiosas manifestações do caráter divino. JESUS não somente torna conhecido o PAI, como também revela o significado e a importância do PAI Celestial. […] Se temos algum conhecimento de DEUS é porque Ele optou por se nos revelar. Mas este conhecimento que agora temos, embora confessadamente limitado, é mui glorioso e constitui-se na base suficiente de nossa fé” (2021, pp. 129-130). Partindo desse princípio, esclareça aos alunos que conhecer a DEUS significa conhecer Suas qualidades e submeter-se à Sua vontade, revelada nas Escrituras. DEUS quer ter um relacionamento pleno e verdadeiro com Sua criação, principalmente, com o ser humano, a maior obra de Suas mãos.

 

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UM ENTENDIMENTO SOBRE A TRINDADE

Todos sabemos que esse tema é um dos mais complexos da teologia cristã. Se por um lado, criticamos os UNICISTAS por outro lado, não fazemos uma autocrítica sobre nosso jeito TRITEÍSTA de pensar. Se não, veja a seguir.

Certo dia, conversando com um professor de teologia sobre o assunto da trindade, fiz-lhe uma pergunta retórica que o assunto pedia naquele momento:


- QUANTOS TRONOS ENCONTRAREMOS NO CÉU?
Ele respondeu prontamente dizendo que era - TRÊS. Um para cada pessoa da trindade. Disse-lhe que isso é TRITEÍSMO, a crença em três deuses, o que é diferente da TRINDADE. Creio que o problema passa por esse entendimento do que significa a palavra PESSOA. A origem mais remota da palavra "pessoa" é o grego ‘prósopon’ (aspecto exterior). Apartir dessa palavra, os latinos denominaram ‘persona’ as máscaras usadas no teatro pelos atores, e também chamaram assim aos próprios personagens teatrais representados. Portanto, pessoa significa um representação de alguém.

PESSOA
A questão é que cada pessoa é um INDIVÍDUO com os três atributos da personalidade:


INTELECTO - VOLIÇÃO - SENSIBILIDADE
Então, quando dizemos que cada uma das PESSOAS tem sua própria PERSONALIDADE (Intelecto, Volição, Sensibilidade) corremos o risco de SEPARARMOS completamente as pessoas da trindade, INDIVIDUALIZANDO-AS e cairmos no chamado TRITEÍSMO.
Fica a dúvida do POR QUE nossas liderança não explicarem dentro da doutrina o conceito de PESSOA. É o mesmo conceito natural que achamos nos dicionários? Ora, se for o que se vê nos dicionários, então é TRITEÍSMO PURO!

Wayne grudem tem um comentário interessante quando chama essa interação das pessoas da trindade de ECONOMIA DA TRINDADE. Ou seja, uma espécie de ORDENAMENTO das ATIVIDADE pois pare ele, cada pessoa da trindade tem FUNÇÕES PRIMORDIAIS DIFERENTES em relação ao mundo. Isso é MODALISMO? Claro que não. Pois o modalismo crê apenas em UMA (01) pessoa da trindade.

Devemos entender que os membros fazem parte da MESMA ESSÊNCIA e que nenhum pode agir INDIVIDUALMENTE sem o consenso dos demais. É uma TRIUNIDADE que AGE coletivamente e não ISOLADAMENTE. Se fosse isoladamente, sem concordância dos demais, a este erro doutrinário denominamos PERICORESE.
É um termo que expressa a intimidade e reciprocidade entre as Pessoas da Trindade. É como se elas estivessem em uma espécie de Círculo eterno onde todas se "revezam" de acordo o que cada momento exige. Estudemos pois com muito afinco, dedicação, meditação e oração. DEUS usará seu ESPÍRITO para nos ensinar o que devemos e precisamos aprender. Bom estudo. #EBDVIEWSteologiavisual

 

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Escrita, Lição 6, CPAD, O FILHO É Igual Com O PAI, 1Tr25, Comentários Extras Pr Henrique, EBD NA TV

 

https://youtu.be/M94tPadu5Vg?si=-Fc6wMWY_HSAvs0O Vídeo

Escrita https://ebdnatv.blogspot.com/2025/01/escrita-licao-6-o-filho-e-igual-com-o.html

Slides https://ebdnatv.blogspot.com/2025/01/slides-licao-6-cpad-o-filho-e-igual-com.html

PowerPoint https://pt.slideshare.net/slideshow/slides-licao-6-cpad-o-filho-e-igual-com-o-pai-1tr25-pptx/275101354  

 

ESBOÇO DA LIÇÃO

I – A DOUTRINA BÍBLICA DA RELAÇÃO DO FILHO COM O PAI

1. Ideia de filho

2. Significado teológico

3. O FILHO é DEUS

II – A HERESIA DO SUBORDINACIONISMO

1. Orígenes

2. No período pré-niceno

3. Métodos usados pelos subordinacionistas

III – COMO O SUBORDINACIONISMO SE APRESENTA HOJE

1. No contexto islâmico

2. O movimento das Testemunhas de Jeová

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE -  João 10.30-38

30 - Eu e o PAI somos um. 31 - Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem. 32 - Respondeu-lhes JESUS: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu PAI; por qual dessas obras me apedrejais? 33 - Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque, sendo tu homem, te fazes DEUS a ti mesmo. 34 - Respondeu-lhes JESUS: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses? 35 - Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de DEUS foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), 36 - àquele a quem o PAI santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou FILHO de DEUS? 37 - Se não faço as obras de meu PAI, não me acrediteis. 38 - Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras, para que conheçais e acrediteis que o PAI está em mim, e eu, nele.

 

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SUBSÍDIOS EXTRAS PARA A LIÇÃO 6, CPAD, 1TR25

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JESUS igual a DEUS

A afirmação "JESUS é igual a DEUS" é uma crença fundamental no Cristianismo, especialmente dentro das tradições católica, ortodoxa e protestante (ou evangélica). Segundo a doutrina da Trindade, DEUS é uno em essência, mas existe em três pessoas distintas: DEUS PAI, DEUS FILHO (JESUS CRISTO) e DEUS ESPÍRITO SANTO. Esta doutrina afirma que JESUS é completamente divino, compartilha da mesma essência de DEUS PAI e é igualmente eterno e todo-poderoso.

No entanto, outras religiões e denominações podem ter diferentes interpretações sobre a relação entre JESUS e DEUS. O Islã, por exemplo, respeita JESUS como um grande profeta, mas não o iguala a DEUS. Os Testemunhas de Jeová o identificam como um deus.

 

Para o Islã, JESUS (Isa) é um dos profetas mais importantes e amados, o Messias (al-Masih), nascido milagrosamente de Maria, que pregou a submissão a DEUS (Alá), mas não é divino nem filho de DEUS, sendo um mensageiro humano, embora especial. Os muçulmanos creem que ele fez milagres com a permissão de DEUS, não foi crucificado (foi elevado aos céus) e retornará antes do Dia do Juízo Final, seguindo a lei de DEUS revelada no Alcorão. 

Pontos-chave sobre JESUS no Islã:

·        Profeta e Mensageiro: Considerado um dos maiores profetas, enviado por DEUS para guiar os Filhos de Israel com o Evangelho (Injil).

·        Nascimento Milagroso: Nasceu da Virgem Maria (Maryam) por um ato divino, sem pai humano, como um sinal do poder de DEUS.

·        Messias (Al-Masih): Assim como no Cristianismo, é chamado de Messias, mas sem conotação de divindade.

·        Milagres: Realizou curas e ressuscitou os mortos com a permissão de DEUS, como um sinal de seu poder.

·        Unicidade de DEUS (Tawhid): Rejeita a ideia de que JESUS é DEUS ou parte da Trindade, pois isso violaria a unicidade absoluta de Alá.

·        Não Crucificado: O Alcorão nega sua crucificação, afirmando que ele foi elevado aos céus por DEUS e não morreu na cruz.

·        Retorno: Acredita-se que ele retornará à Terra no fim dos tempos para lutar contra o Anticristo (Dajjal) e estabelecer a justiça. 

Em resumo: JESUS é profundamente honrado no Islã como um grande profeta, o Messias, e um exemplo de fé e submissão a DEUS, mas sua natureza é estritamente humana e não divina, diferentemente da crença cristã. 

 

²² Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que JESUS é o CRISTO? É o anticristo esse mesmo que nega o PAI e o FILHO. ²³ Qualquer que nega o FILHO, também não tem o PAI; mas aquele que confessa o FILHO, tem também o PAI. ²⁴ Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no FILHO e no PAI. 1 João 2:22-24

 

 

Para as Testemunhas de Jeová, JESUS CRISTO é o FILHO de DEUS, o Messias, o Rei do Reino Celestial e o mediador, mas não é o DEUS Todo-Poderoso; eles o veem como uma criação de Jeová (o PAI), sendo inferior a Ele, e acreditam que ele foi sacrificado para redimir a humanidade, abrindo o caminho para a vida eterna, mas não fazem parte da Trindade, pois JESUS é visto como um ser espiritual poderoso, mas subordinado a DEUS. 

Pontos Chave sobre a visão das Testemunhas de Jeová sobre JESUS:

·        FILHO de DEUS: JESUS é o FILHO unigênito e primogênito de DEUS, criado por Jeová antes de todas as coisas.

·        Não é DEUS: Eles rejeitam a doutrina da Trindade e acreditam que JESUS não é DEUS, referindo-se a ele como "um deus" menor ou poderoso, não "o DEUS" Todo-Poderoso, baseando-se em interpretações de João 1:1.

·        Arcanjo Miguel: Em sua visão, JESUS, antes de vir à Terra, era o arcanjo Miguel, um ser espiritual poderoso.

·        Redentor e Mediador: Sua vida perfeita foi sacrificada para resgatar a humanidade, e ele serve como mediador entre DEUS e os homens.

·        Rei Celestial: JESUS já governa como Rei do Reino de DEUS, que trará paz à Terra.

·        Esperança de Vida: Sua morte e ressurreição oferecem esperança de vida eterna para aqueles que têm fé nele, tanto no céu (para os 144.000 ungidos) quanto num paraíso na Terra.

·        Subordinado ao PAI: Acreditam que JESUS é subordinado a Jeová, como ele mesmo afirmou em João 14:28 ("O PAI é maior do que eu"). 

Em resumo, JESUS é central em sua fé como o caminho para DEUS, mas é distinto e subordinado a Jeová, não parte de uma divindade triúna.

 

²² Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que JESUS é o CRISTO? É o anticristo esse mesmo que nega o PAI e o FILHO. ²³ Qualquer que nega o FILHO, também não tem o PAI; mas aquele que confessa o FILHO, tem também o PAI. ²⁴ Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no FILHO e no PAI. 1 João 2:22-24

 

A doutrina bíblica da relação entre JESUS CRISTO, o FILHO, e DEUS, o PAI, é um tema central no Cristianismo. Esta doutrina é frequentemente explorada para entender a natureza de JESUS e sua relação com DEUS PAI.

1. Ideia de FILHO: No pensamento judaico, o conceito de filho implica igualdade com o pai. Na Bíblia, a ideia de "filho" muitas vezes indica "a mesma espécie" ou "a mesma índole". Por exemplo, JESUS referiu-se a si mesmo como FILHO de DEUS, indicando sua divindade e igualdade com DEUS PAI.

2. Significado Teológico: Teologicamente, ser chamado de FILHO de DEUS significa que JESUS compartilha da mesma essência e natureza de DEUS PAI. JESUS afirmou: "Eu saí e vim de DEUS" (Jo 8.42) e "Saí do PAI e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o PAI" (Jo 16.28). Essas declarações sublinham que JESUS é de mesma substância que DEUS PAI.

3. O FILHO é DEUS: A expressão "FILHO de DEUS" revela a divindade de CRISTO. A Bíblia afirma claramente que JESUS é DEUS. Por exemplo, Hebreus 1.8 cita Salmos 45.6-7, onde DEUS é referido como ungindo a si mesmo como DEUS, o que é explicado como uma referência a JESUS. Isso mostra a unidade e a pluralidade de DEUS.

4. A Heresia do Subordinacionismo: O Subordinacionismo é uma doutrina que afirma que o FILHO é subordinado ao PAI, sendo um deus secundário. Essa visão foi defendida por Orígenes e outros, mas é considerada herética porque nega a igualdade absoluta de JESUS com DEUS PAI. A Bíblia, no entanto, revela a igualdade das três pessoas da Trindade (PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO).

5. Unidade na Trindade: A doutrina da Trindade afirma que DEUS é uno em essência, mas existe em três pessoas distintas: DEUS PAI, DEUS FILHO (JESUS CRISTO) e DEUS ESPÍRITO SANTO. Essa doutrina enfatiza a plena harmonia e igualdade de essência e autoridade entre as pessoas da Trindade.

 

O subordinacionismo é uma doutrina teológica herética que sugere que JESUS CRISTO é subordinado a DEUS PAI, ou seja, que Ele não é igual a DEUS PAI em natureza e essência. Hoje, essa heresia ainda é combatida por muitas denominações cristãs, especialmente aquelas que defendem a doutrina da Trindade, que afirma que o PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO são três pessoas distintas, mas de mesma essência e substância divina.

O subordinacionismo pode se apresentar de várias formas, como em algumas interpretações de passagens bíblicas ou em certas práticas e crenças dentro de algumas denominações ou movimentos religiosos. É importante que os cristãos estejam cientes dessas interpretações para manter a integridade da doutrina da Trindade.

 

Jo 22-30. Comentários Adicionais sobre a Identidade de JESUS.

Provavelmente um intervalo de cerca de dois meses separavam esta ocasião da precedente. A Festa dos Tabernáculos pertencia à estação do Outono, e a Festa da Dedicação vinha no inverno. Esta celebração era em recordação da purificação e rededicação do Templo feita por Judas Macabeus depois do sacrilégio cometido por Antíoco Epifânio. O ano foi de 165 a.C. JESUS foi assediado por alguns judeus quando andava pelo alpendre de Salomão, que ficava na parte oriental do Pátio dos Gentios, o pátio maior na área do Templo, que rodeava os pátios interiores e o templo propriamente dito. Sua pergunta foi muito direta. Até quando nos deixará a mente (alma) em suspenso? Literalmente. Em outras palavras, eles queriam uma resposta direta. Era ou não era o CRISTO?

Nosso Senhor colocou seu dedo na dificuldade. Não era falta de informação, mas falta de vontade de crer. Seu próprio testemunho teria sido suficiente; se não fosse, como no caso deles, então Suas obras testificavam dEle (cons. Jo 14:11). Não havia falta de clareza neste caso; o problema permanecia com eles. Evidentemente não lhe pertenciam, uma vez que não tinham vontade de segui-lo. Eles percebiam que o ensinamento do Seu pastor tinha um novo sentido, e não estavam preparados a deixar o Judaísmo que conheciam e ao qual se apegavam. Mas a nova ordem oferecia bênçãos e segurança que não poderiam chegar a conhecer no seu farisaísmo.

 

⁶⁶ E logo que foi dia ajuntaram-se os anciãos do povo, e os principais sacerdotes e os escribas, e o conduziram ao seu concílio, e lhe perguntaram: ⁶⁷ És tu o CRISTO? Dize-nos. E replicou-lhes: Se vo-lo disser, não o crereis; ⁶⁸ E também, se vos perguntar, não me respondereis, nem me soltareis. ⁶⁹ Desde agora o FILHO do homem se assentará à direita do poder de DEUS. ⁷⁰ E disseram todos: Logo, és tu o FILHO de DEUS? E ele lhes disse: Vós dizeis que eu sou. ⁷¹ Então disseram: De que mais testemunho necessitamos? Pois nós mesmos o ouvimos da sua boca. Lucas 22:66-71

 

²⁵ Respondeu-lhes JESUS: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu PAI, essas testificam de mim. João 10:25

¹¹ Crede-me que estou no PAI, e o PAI em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. João 14:11

 

CRISTO oferecia a vida eterna como um presente (Jo 10:28; cons. v. 10). Ao dizer que jamais perecerão se pertencessem ao seu rebanho, JESUS usou a mais forte expressão conhecida na língua. Essa certeza era possível porque a vida oferecida fundamentava-se no Seu dom (Rm. 11:29) e não em consecuções humanas. Suas ovelhas também estavam a salvo de influências estranhas – ninguém as arrebatará da minha mão. As ovelhas pertenciam a CRISTO porque eram presentes do PAI para Ele (Jo 10:29). Naturalmente o PAI tinha interesse na sua preservação. Considerando que Ele é supremo – maior do que tudo – não se pode imaginar que algum poder seja capaz de arrancá-las de Sua protetora mão (cons. Rm. 8:38, 39). A conclusão do assunto é que nenhuma separação pode ser feita entre o PAI e o FILHO. Eles são mais do que colaboradores; são um na essência (a palavra um não está no masculino – um indivíduo – mas no neutro, um ser).

 

Jo 31-33. Pela segunda vez JESUS foi ameaçado com apedrejamento da parte dos seus oponentes (cons. 8:59).

A provocação aqui foi a sua declaração de ser um com o PAI, uma blasfêmia aos olhos dos judeus, que negavam a origem celeste de JESUS. Para enfrentar sua posição o Senhor não dependia da repetição de Suas declarações ou da ampliação das mesmas, mas voltava-se de Suas palavras para as Suas obras. Eram mais fáceis de serem compreendidas e apreciadas.

Muitas obras boas. A atenção foi focalizada principalmente sobre algumas, mas essas representavam as outras que não foram contadas (Jo 20:30). Eram boas obras, as quais eram de se esperar emanarem do PAI. Pensariam os judeus seriamente em apedrejar um homem por causa de boas obras? Em resposta, os judeus puseram de lado toda e qualquer referência às obras; as quais não podiam negar, e retornaram à questão das palavras de JESUS, as quais eles se sentiam obrigados a negar alegando blasfêmia. Para eles JESUS era um homem que se atrevia a passar por DEUS. Com base nisso quiseram matá-lo imediatamente e o procurariam fazer mais tarde (Jo 19:7).

 

Jo 34-38. Neste impasse a única esperança de encontrar base para discussão adicional consistia em apelar para a lei (há forte testemunho documentário favorável à omissão da palavra vossa), uma vez que os judeus a aceitavam.

Lei, aqui, foi usada no amplo sentido referindo-se às Escrituras do V.T. As palavras em questão, Sois deuses, ocorre em Salmo 82:6, com referência aos juízes hebreus. A palavra de DEUS concedeu-lhes um certo "status" de divindade na qualidade de seus representantes. Uma vez que a Escritura (com especial referência à passagem em questão) não pode falhar, com o fim de permitir que os homens rejeitassem seus ensinamentos, como se podia levantar objeções contra Ele a quem o PAI especialmente separara e enviara ao mundo? Pois se CRISTO dissesse menos do que afirmar que era o FILHO de DEUS estaria dizendo uma mentira. Afirmar sua filiação não era blasfêmia (Jo. 10:36). Se os judeus não podiam testar suas declarações verbais, pelo menos podiam julgá-lo com base nas obras (vs. Jo 10.37, 38; cons. vs. 25, 32). Seria possível progredir através das obras até a fé na pessoa. Essa é também a verdade contida em 20:30, 31.

 

²⁵ Respondeu-lhes JESUS: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu PAI, essas testificam de mim. João 10:25

³² Respondeu-lhes JESUS: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu PAI; por qual destas obras me apedrejais? João 10:32

 

³⁷ Se não faço as obras de meu PAI, não me acrediteis. ³⁸ Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras; para que conheçais e acrediteis que o PAI está em mim e eu nele. João 10:37,38

 

39-42. A repetida afirmativa de unidade com o PAI causou uma ameaça de violência uma vez mais.

Era tempo do Senhor ausentar-se da cidade. Encontrou refúgio em Betânia, além do Jordão, onde João estivera antes batizando (Betabara (ou Bethabara) é um local bíblico mencionado no Evangelho de João como o lugar onde João Batista batizava, situado "além do Jordão" - João 1:28)) (v. Jo 10.40) 22-30.

 

Comentário Bíblico Moody - Charles F. Pfeiffer | Everett F. Harrison

 

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Propósito Teológico

No que se refere a teologia, João assegura que os milagres registrados atestam que JESUS é o FILHO de DEUS: “Na verdade, fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o FILHO de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo.20.31).

A designação FILHO de DEUS atesta a divindade de CRISTO: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito FILHO de DEUS” (Jo.3.18). O uso da expressão unigênito FILHO de DEUS (gr. tou monogenous uiou tou theou) é uma das formas pelas quais João apresenta CRISTO como divino, e essa definição é uma exigência para salvação. Ou seja, ainda que as opiniões sobre CRISTO fossem divergentes já nessa ocasião, é certo para João que JESUS é DEUS. Aliás, a linguagem de João aqui parece trazer a tona uma referência ao gnosticismo incipiente e sua desconexão da pessoa de CRISTO e DEUS PAI (1Tm.1.4).

A designação de FILHO assumida por CRISTO expressa uma relação familiar com o DEUS PAI. Tal ênfase é explicitamente majoritária em João, pois enquanto os sinóticos atestam esse fato em aproximadamente 24 ocasiões, em João encontramos cento e seis vezes. Esse fato é visto desde o prólogo do evangelho: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do PAI” (Jo.1.14). João Batista também atesta o mesmo fato: “Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o FILHO de DEUS” (Jo.1.34).

 

 

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João 10.30- Eu e o PAI somos um.

 

 

CRISTO tinha sentido pessoalmente o poder do seu PAI, sustentando-o e fortalecendo-o, e por isto coloca também todos os seus seguidores na mão do seu PAI. Aquele que assegurou a glória do Redentor irá assegurar a glória dos redimidos. Para garantir ainda mais a segurança, para que as ovelhas de CRISTO possam ter um consolo ainda mais forte, Ele declara sua união com DEUS, o PAI: “‘Eu e o PAI somos um’, e nos encarregamos, juntamente e separadamente, da proteção dos santos e da sua perfeição”. Isto indica que havia mais do que harmonia, consentimento e bom entendimento entre o PAI e o FILHO na obra da redenção do homem. Todo homem bom é tão unido a DEUS, a ponto de estar de acordo com Ele. Portanto, o fato de serem um só em essência, e iguais em poder e glória, deve ser o significado da unicidade da natureza do PAI e do FILHO. Os patriarcas da igreja enfatizaram isto, tanto contra os sabelianos, para provar a distinção e a pluralidade das pessoas, que o PAI e o FILHO são duas pessoas, como contra os arianos, para provar a unidade da natureza, que o PAI e o FILHO são um só. Se nós nos calássemos a respeito do profundo significado destas palavras, até mesmo as pedras que os judeus pegaram para o apedrejar iriam falar abertamente, pois os judeus consideravam que Ele se fazia DEUS (v. 33), e Ele não negou isto. Ele prova que ninguém poderia arrancá-las das suas mãos, porque não poderia arrancá-las da mão do PAI, o que não teria sido um argumento conclusivo, se o FILHO não tivesse o mesmo poder todo-poderoso com o PAI, e, consequentemente, não fosse um só com Ele, em essência e operação.

 

A ira, a fúria, dos judeus contra Ele, devido a estas palavras: “Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem”, v. 31. Estas não são as palavras que foram usadas anteriormente (Jo 8.59), mas ebastasan lithous – eles pegaram pedras, grandes pedras, pedras que eram pesadas, como as que usavam no apedrejamento de malfeitores. Eles as tinham trazido de algum lugar distante, como se estivessem preparando as coisas para a execução de JESUS, sem qualquer processo judicial; como se Ele fosse condenado de blasfêmia com a notória evidência do fato, sem a necessidade de um julgamento.

O absurdo deste insulto que os judeus fizeram a CRISTO ficará evidente, se considerarmos:

1. Que eles, imperiosamente, para não dizer insolentemente, o tinham desafiado para que lhes dissesse claramente se era o CRISTO ou não, e mesmo agora, que Ele não somente dizia que era o CRISTO, mas provava ser, eles o condenavam como a um malfeitor. Se os pregadores da verdade a propõem modestamente, são tachados como covardes; se a propõem ousadamente, como insolentes. Mas “a sabedoria é justificada por seus filhos”.

2. Que, quando eles tinham, anteriormente, feito uma tentativa similar, tinha sido inútil. Ele “ocultou-se… passando pelo meio deles” (Jo 8.59). Mas, ainda assim, eles repetiram sua tentativa frustrada. Os pecadores atrevidos atirarão pedras ao céu, ainda que elas retornem sobre suas próprias cabeças. Estes iníquos procurarão se fortalecer contra o Todo-Poderoso, embora nenhum daqueles que tentaram se fortalecer contra Ele tenha prosperado.

 

A terna censura que CRISTO lhes faz, por ocasião da demonstração desta fúria (v. 32): JESUS respondeu ao que eles fizeram, pois não vemos que eles tivessem dito nada, a menos, talvez, que tivessem incitado a multidão que havia se reunido ao redor dele, para que se unissem a eles, gritando: “Apedreja-o, apedreja-o”, da mesma maneira como fizeram posteriormente: “Crucifica-o, crucifica-o”. Quando Ele poderia ter respondido a eles com o fogo do céu, mansamente replicou: “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu PAI; por qual dessas obras me apedrejais?” Palavras tão ternas, que se poderia pensar que teriam derretido um coração de pedra. Ao lidar com seus inimigos, Ele ainda argumentava com base nas suas obras (os homens mostram o que são com o que fazem), suas boas obras – kala erga, obras excelentes e eminentes. Opera eximia vel praeclara. A expressão quer dizer grandes obras, como também boas obras.

1. O poder divino das suas obras os condenava da infidelidade mais absoluta. Estas eram obras do seu PAI, tão acima do alcance e do curso da natureza, a ponto de provar que quem as fazia era enviado de DEUS, e que agia comissionado por Ele. Ele lhes mostrou estas obras. Ele fez isto abertamente, diante do povo, e não às escondidas, em um canto. Suas obras suportariam o teste, e se submeteriam ao testemunho dos espectadores mais investigativos e imparciais. Ele não mostrou suas obras à luz de velas, como aqueles que se preocupam somente com as aparências, mas as mostrou à luz do meio-dia, diante do mundo, Jo 18.20. Veja Salmos 111.6. Suas obras demonstravam, de maneira inegável, que eram uma demonstração incontestável da validade da sua comissão.

2. A graça divina das suas obras os condenava da mais vil ingratidão. As obras que Ele realizava entre eles não eram apenas milagres, mas misericórdias. Não somente prodígios, para maravilhá-los, mas obras de amor e gentileza, para fazer o bem a eles, e, desta maneira, torná-los bons, e tornar-se querido por eles. Ele curava os enfermos, purificava os leprosos, expulsava demônios, coisas que eram favores, não somente para as pessoas envolvidas, mas para o público. Estas obras, Ele tinha repetido e multiplicado: “‘Por qual dessas obras me apedrejais?’ Vós não podeis dizer que Eu vos tenha feito nenhum mal, nem vos feito qualquer provocação justa. Se, portanto, iniciais uma discussão comigo, deve ser por causa de alguma boa obra, alguma boa obra feita a vós. Dizei-me qual é”. Observe que:

(1) A horrível ingratidão que existe nos nossos pecados contra DEUS e JESUS CRISTO é um grande agravamento dos nossos próprios pecados, e os exibe terrivelmente pecaminosos. Veja como DEUS argumenta a este respeito, Deuteronômio 32.6; Jeremias 2.5; Miquéias 6.3.

(2) Não devemos julgar estranho se nos encontramos com aqueles que não somente nos odeiam sem causa, mas que são nossos adversários pelo nosso amor, Salmos 35.12; 41.9. Quando Ele pergunta: “Por qual dessas obras me apedrejais?”, assim como evidencia a abundante satisfação que Ele tem na sua própria inocência, que dá coragem a um homem em um dia de sofrimento, também faz com que seus perseguidores considerem qual era a verdadeira razão da sua inimizade, e se perguntem, como deveriam fazer todos aqueles que criam problemas para seus vizinhos: “Por que o perseguimos?” Como Jó aconselha que seus amigos façam, Jó 19.28.

 

 A defesa que tentaram fazer de si mesmos, quando acusaram o Senhor JESUS CRISTO, e a causa sobre a qual fundamentam sua acusação, v. 33. Que pecadores optarão por folhas de figueira para se cobrir, quando até mesmo os sanguinários perseguidores do FILHO de DEUS podiam encontrar algum argumento para se defender?

1. Eles não seriam considerados tão terríveis inimigos da sua nação por perseguirem a JESUS devido a uma boa obra: “Não te apedrejamos por alguma obra boa”. Pois, na verdade, eles dificilmente admitiram que alguma das suas obras fosse boa. A cura do homem paralítico (Jo 5) e do cego (Jo 9) estavam tão longe de serem reconhecidas como bons serviços à cidade, e beneméritos, que se somavam à quantidade dos seus crimes, porque tinham sido realizadas no sábado. Mas, se Ele tinha feito alguma obra boa, eles não reconheceriam que o apedrejavam por causa dela, embora estas fossem realmente as coisas que mais os exasperavam, Jo 11.47. Assim, por mais absurdo que parecesse, eles não podiam ser levados a reconhecer seus próprios absurdos.

2. Eles seriam considerados amigos de DEUS e da sua glória ao acusar JESUS de blasfêmia: “Porque, sendo tu homem, te fazes DEUS a ti mesmo”. Aqui temos:

(1) Um falso zelo pela lei. Eles pareciam extremamente preocupados com a honra da majestade divina, e dominados por um horror religioso com aquilo que eles imaginavam ser uma censura a ela. “Aquele que blasfemar… certamente morrerá”, Levítico 24.16. Esta lei, pensavam eles, não somente justificava, mas santificava o que eles tentavam fazer, como em Atos 26.9. Observe que os costumes mais vis são frequentemente encobertos por pretextos plausíveis. Assim como nada é mais corajoso do que uma consciência bem informada, também nada é mais ultrajante do que uma equivocada. Veja Isaías 66.5; Jo 16.2.

(2) Uma verdadeira inimizade pelo Evangelho, ao qual eles não podiam fazer afronta maior do que representar a CRISTO como um blasfemo. Não é novidade que as piores características sejam atribuídas aos melhores homens, por aqueles que decidem dar a eles o pior tratamento. [1] O crime do qual Ele é acusado é blasfêmia, ou seja, falar de maneira reprovável e maldosa sobre DEUS. O próprio DEUS está fora do alcance do pecador, e não é suscetível de receber nenhuma ofensa real, e, portanto, a inimizade com DEUS lança seu veneno sobre seu nome, e assim mostra sua má intenção.

A prova do crime: “Sendo tu homem, te fazes DEUS a ti mesmo”. Assim como é glória de DEUS o fato de que Ele é DEUS, e nós a roubamos dele quando o fazemos como um de nós, também é sua glória o fato de que, além dele, não existe outro, e nós a roubamos dele quando nos equiparamos, ou a qualquer criatura, a Ele. Agora, em primeiro lugar, até aqui, eles tinham razão, pois o que CRISTO tinha dito a seu respeito era isto, que Ele era DEUS, pois Ele tinha dito que era um só com o PAI, e que daria a vida eterna. E CRISTO não nega isto, o que poderia ter feito se tivesse havido uma conclusão indevida das suas palavras. Mas, em segundo lugar, eles estavam muito enganados quando o consideravam como um mero homem, e julgavam que a divindade que Ele reivindicava era uma usurpação, e da sua própria invenção. Eles julgavam absurdo e ímpio que alguém como Ele, que surgia com a aparência de um homem pobre, humilde e desprezível, ousasse professar ser o Messias, e afirmasse ter o direito às honras confessadamente devidas ao FILHO de DEUS.

Observe que:

1. Aqueles que dizem que JESUS é um mero homem, e somente um DEUS fabricado, como dizem os socinianos, na verdade o acusam de blasfêmia, mas provam que os blasfemos são eles mesmos.

2. Aquele que, sendo um homem, um homem pecador, se faz um deus, como o Papa, que afirma ter poderes e prerrogativas divinas, é inquestionavelmente um blasfemo e anticristo.

 

A resposta de CRISTO à acusação feita a Ele (pois a defesa dos judeus era uma acusação a CRISTO), e a confirmação daquelas reivindicações que eles diziam que eram blasfemas (v. 34ss.), onde Ele prova não ser blasfemo, com dois argumentos:

1. Com um argumento extraído da Palavra de DEUS. Ele recorre ao que estava escrito na lei dos judeus, isto é, no Antigo Testamento. Quem quer que se oponha a CRISTO, saiba que seguramente Ele terá as Escrituras do seu lado. Está escrito (Sl 82.6): “Eu disse: sois deuses”. É um argumento a minore ad majus – do menor para o maior. “Se eles eram deuses, quanto mais Eu o sou”. Observe:

(1) Como Ele explica o texto (v. 35): Ele “chamou deuses àqueles a quem a palavra de DEUS foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada)”. A palavra da comissão de DEUS tinha vindo sobre eles, indicando-os para serem seus oficiais, como juízes, e, por essa razão, são chamados de deuses, Êxodo 22.28. A alguns, a palavra de DEUS foi dirigida imediatamente, como a Moisés; a outros, sob a forma de uma ordenança instituída. A magistratura é uma instituição divina, e os magistrados são representantes de DEUS, e, portanto, as Escrituras os chamam de deuses, e nós temos certeza de que as Escrituras não podem ser anuladas, nem se pode introduzir nada a elas, nem se pode encontrar falhas nelas. Toda palavra de DEUS está correta. O estilo e a linguagem das Escrituras são irrepreensíveis, e não devem ser corrigidos, Mateus 5.18.

(2) Como Ele o aplica. De modo geral, é fácil concluir que aqueles que condenavam a CRISTO como blasfemo, somente por dizer que era o FILHO de DEUS, eram muito imprudentes e irracionais, quando eles mesmos chamavam assim seus príncipes, e isto as Escrituras lhes permitiam. Mas o argumento vai mais além (v. 36): Se os magistrados eram chamados deuses, porque eram comissionados para administrar justiça à nação, “àquele a quem o PAI santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas”? Aqui temos duas questões a respeito do Senhor JESUS:

[1] A honra que seu PAI lhe concedeu, na qual, com razão, Ele se glorifica: o PAI o santificou e enviou ao mundo. Os magistrados eram chamados de filhos de DEUS, embora a palavra de DEUS fosse apenas dirigida a eles, e o espírito de governo tenha vindo a eles por medida, como sobre Saul. Mas nosso Senhor JESUS era, Ele mesmo, a Palavra, e tinha o ESPÍRITO sem medida. Eles eram constituídos para uma região, cidade ou nação em particular, mas Ele era enviado ao mundo, revestido de uma autoridade universal, como Senhor de tudo. Eles eram mandados, como pessoas distantes. Ele era enviado, como tendo estado com DEUS desde a eternidade. O PAI o santificou, isto é, o designou e consagrou para o ofício de Mediador, e o qualificou e capacitou para este ofício. Santificá-lo significa a mesma coisa que selá-lo, Jo 6.27. Observe que o PAI santifica a quem envia. Aquele que Ele designa para propósitos santos, Ele prepara com santos princípios e disposições. O DEUS santo só irá empregar e recompensar aqueles que Ele julgar santos, ou aqueles que Ele santificar. O ato de o PAI santificar e enviar o Senhor JESUS CRISTO é aqui certificado como a permissão suficiente para que Ele se declarasse FILHO de DEUS, pois, por Ele ser santo, foi chamado de FILHO de DEUS, Lucas 1.35. Veja Romanos 1.4.

[2] A desonra que os judeus lhe fizeram, da qual Ele reclama com razão – que eles tinham dito de maneira ímpia sobre Ele, a quem o PAI tinha dignificado desta forma, que Ele era um blasfemo, porque tinha dito ser FILHO de DEUS: “Vocês dizem isto dele? Vocês ousam dizer isto? Vocês ousam direcionar suas bocas contra os céus? Vocês têm coragem suficiente para dizer ao DEUS da verdade que Ele está mentindo, ou condenar aquele que é justo e poderoso? Olhem-me nos olhos, e digam se podem fazer isto. O que! Vocês dizem, do FILHO de DEUS, que Ele é um blasfemo?” Se os demônios, que Ele veio para condenar, tivessem dito isto a seu respeito, não teria sido tão estranho. Mas o fato de estes homens, aos quais Ele tinha vindo ensinar e salvar, dizerem isto dele, era algo pelo que os céus poderiam pasmar. Veja qual é a linguagem de uma incredulidade obstinada. Na verdade, ela chama o santo JESUS de blasfemo. É difícil dizer com que devemos nos espantar mais, com o fato de que homens que respiram o ar de DEUS ousassem dizer estas coisas, ou com o fato de que homens que dissessem tais coisas ainda tivessem permissão para respirar o ar de DEUS. A maldade do homem e a paciência de DEUS disputam entre si qual será a mais surpreendente.

2. Com um argumento que Ele extrai das suas próprias obras, vv. 37,38. Anteriormente, Ele apenas respondeu à acusação de blasfêmia com um argumento ad hominem – voltando o argumento de um homem contra si mesmo. Mas aqui Ele apresenta suas próprias reivindicações, e prova que Ele e o PAI são um só (vv. 37,38): “Se não faço as obras de meu PAI, não me acrediteis”. Embora o Senhor pudesse, com razão, ter abandonado estes blasfemos infelizes, como casos incuráveis, Ele ainda concorda em argumentar com eles. Observe:

(1) A partir de que Ele argumenta – de suas obras, que Ele sempre apresentava como suas credenciais, e provas da sua missão. Assim como Ele provava ser enviado de DEUS pela divindade das suas obras, também nós devemos nos provar aliados de CRISTO pelo cristianismo das nossas. [1] O argumento é muito convincente, pois as obras que Ele realizava eram as obras do seu PAI, que somente o PAI poderia fazer, e que não poderiam ser feitas no curso ordinário da natureza, mas somente pelo poder soberano e predominante do DEUS da natureza. Opera Deo propria – Obras peculiares de DEUS, e Opera Deo Digna – Obras dignas de DEUS, as obras de um poder divino. Aquele que pode prescindir das leis da natureza, repeli-las, alterá-las e anulá-las da maneira como desejar, pelo seu próprio poder, certamente é o príncipe soberano que primeiro instituiu e promulgou tais leis. Os milagres que os apóstolos realizassem em seu nome, pelo seu poder, e para a confirmação da sua doutrina, corroborariam este argumento, e continuariam sendo sua evidência, quando Ele tivesse partido.

[2] Este argumento é proposto de modo tão correto quanto se poderia desejar, e utilizado em prol de um resultado breve. Em primeiro lugar: “Se não faço as obras de meu PAI, não me acrediteis”. Ele não exige uma fé cega e implícita, nem uma concordância com sua missão divina além das provas que Ele oferece. Ele não desejou ganhar o afeto do povo, nem os adulou com insinuações dissimuladas, nem se aproveitou da sua credulidade com afirmações ousadas, mas, com a mais imaginável correção, eliminou todas as exigências da sua fé, além de oferecer justificativas para estas exigências. CRISTO não é um mestre difícil, que espera colher concordâncias onde não plantou argumentos. Ninguém perecerá por não crer naquilo que não lhe foi proposto com motivos suficientes para credibilidade, e a própria Sabedoria Infinita será o juiz. Em segundo lugar: “Mas se faço ‘as obras de meu PAI’, se realizo milagres inegáveis para a confirmação de uma doutrina sagrada, e vocês não crêem em mim, embora sejam tão escrupulosos a ponto de não aceitar minha palavra, creiam nas obras. Creiam nos seus próprios olhos, na sua própria razão. As coisas falam por si mesmas, de maneira suficientemente clara”. Assim como as coisas invisíveis do Criador são claramente vistas pelas suas obras de criação e providência comum (Rm 1.20), também as coisas invisíveis do Redentor eram vistas pelos seus milagres, e por todas as suas obras, tanto de poder quanto de misericórdia, de modo que todos aqueles que não se convenceram por estas obras não tinham justificativa.

(2) Para que Ele argumenta – “que conheçais e acrediteis”, inteligentemente, e com total satisfação, “que o PAI está em mim, e eu, nele”, que é o mesmo que Ele tinha dito (v. 30): “Eu e o PAI somos um”. O PAI estava tanto no FILHO, que nele residia toda a plenitude da Divindade, e era por um poder divino que Ele realizava seus milagres. O FILHO estava tanto no PAI, que estava perfeitamente familiarizado com a plenitude da sua vontade, não por comunicação, mas por consciência, tendo estado no seu seio. Isto nós devemos saber, não saber e explicar (pois não podemos, investigando, descobrir com perfeição), mas conhecer e crer, reconhecer e adorar a profundidade, quando não pudermos encontrar o fundo.

Com. Bíblico - Matthew Henry (Exaustivo) AT e NT

 

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Ensinamentos falsos sobre a dupla natureza de CRISTO

O mistério das duas naturezas de CRISTO tornou-se motivo de controvérsia entre certos grupos cristãos a partir do primeiro século. Apareceram no seio do cristianismo certos ensinamentos que foram posteriormente condenados e rejeitados tanto pelos apóstolos como pelos pais da igreja.

Cnóstícos. E provável que o gnosticismo tenha surgido como um segmento cristão, no Egito, entre o fim do século I e o início do século II. Muitos escritos do gnosticismo do segundo século foram encontrados, incluindo o chamado Evangelho Segundo Tomé.

Os gnósticos formularam três conceitos diferentes:

1)    Negavam a realidade do “corpo humano” de CRISTO. Ensinavam que CRISTO apareceu na pessoa de JESUS, mas que este nunca foi realmente um ser hu­mano. Tal “Cristologia” é conhecida por docetismo (gr. dokeo, “aparecer” ou “parecer”). Para eles, JESUS apenas se parecia com o homem. Toda a sua existência na terra teria sido uma farsa; Ele teria fingido ser carne e sangue, visando ao bem dos discípulos.

2)    Afirmavam que CRISTO tinha um “corpo real”, mas negavam que fosse material.

3)    Ensinavam uma “Cristologia” dualista, pela qual “CRISTO” teria entrado em “JESUS” no batismo e o abandonado pouco antes de sua morte. “CRISTO” teria, por exemplo, usado as cordas vocais de “JESUS” para ensinar os dis­cípulos, porém nunca foi realmente um ser humano. Afirmava, portanto, que “JESUS” e “CRISTO” eram duas pessoas distintas.

Há menções indiretas ao gnosticismo nas epístolas de João: “Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que JESUS CRISTO veio em carne [como homem]. Este tal é o enganador e o anticristo” (2 Jo v.7). Como e por que essa falácia surgiu entre os cristãos são perguntas sem respostas concretas.

Alguns estudiosos acreditam que Pedro também teria feito menção dos gnósticos ao falar dos falsos mestres, que introduziriam, de modo sutil, heresias de perdição no meio do povo de DEUS. Tais enganadores (gnósticos?), naqueles dias, após convence­rem cristãos a seguirem às suas dissoluções, exigiam deles que fizessem uma confissão pública, a fim de negarem “o Senhor que os resgatou” (2 Pe 2.1,2).

Os gnósticos acreditavam na existência de DEUS, mas, ao mesmo tempo, afirmavam não ser possível conhecer a existência e a natureza divinas. Aceitavam a idéia da emanação — ou platomsmo —, doutrina pela qual diziam que tudo quanto existe derivou-se do “Ser Supremo”, representado pelo Sol, cuja emanação mais forte é o FILHO. Um pouco mais distantes estão os seres angelicais; depois, os homens... Enfim, DEUS é mabordável. Por isso, não existia um mediador que pudesse conduzir o homem a Ele.

Eles eram também liberais; não aceitavam a autoridade de CRISTO. Estudavam a Bíblia como um livro qualquer. Até certo ponto aceitavam o sobrenatural, mas de acordo com a sua maneira de pensar. Eram, ainda, triteístas: viam JESUS como “DEUS”, porém, de modo paradoxal, rejeitavam a sua deidade.

As Escrituras mostram que eles estavam enganados (Jo 1.1; Fp 2.6; Ap 1.8; Hb 1.8). E o Credo Atanasiano deixa claro que o PAI é DEUS, o FILHO é DEUS e o ESPÍRITO SANTO é DEUS: “NestaTrindade nada é antes ou depois, nenhum é maior ou menor: mas as três pessoas são co-eternas, unidas e iguais. As pessoas não são separadas, mas distintas. A Trindade é composta de três Pessoas unidas sem existência separada, tão completamente unidas, que formam um só DEUS”.

Agnósticos. O termo “agnóstico” provém de duas palavras gregas: a, “não”, tgnosís, “conhecimento”. Empregado pela primeira vez porT. H. Huxley (1825-1895), indicava literalmente “não-conhecimento”, numa oposição ao gnosticismo.

Os agnósticos procuravam negar a DEUS e a sua existência, dizendo que não se pode conhecê-lo. Ensinavam que a mente humana não podia conhecer a realidade; negavam, pois, a DEUS e o sacrifício redentor de JESUS CRISTO pela humanidade perdida.

Muitos cristãos dos primeiros séculos deram ouvidos às doutrinas agnós­ticas — e também às gnósticas —, apesar de o ESPÍRITO SANTO tê-los advertido por meio dos escritores do Novo Testamento. Alguns estudiosos sugerem que as religiões da Índia conseguiram iludir alguns cristãos egípcios, ou que estes teriam sido influenciados pelas idéias sincréticas vigentes à época.

Nitidamente, o objetivo do agnosticismo e do gnosticismo era diminuir o FILHO de DEUS, negando, aberta ou encobertamente, a sua deidade. Gnósticos e agnósticos, certamente, faziam parte dos “muitos an ti cristos” (I Jo 2.18), uma vez que a sua filosofia e os seus ensinamentos continham algo daquilo que os falsos cristos procuravam ensinar.

Ebionitas. Os ebionitas — “pobres” ou “indigentes” — surgiram no começo do século II. Eram judeu-cristãos que não abriram mão das cerimônias mosaicas. Segundo Justino e Orígenes, havia dos tipos de ebionitas, os brandos e rígidos.

Os brandos, chamados de nazarenos, não denunciavam os crentes gentios que rejeitavam a circuncisão e os sábados judaicos. Já os rígidos (sucessores dos judaizantes dos tempos de Paulo) afirmavam que JESUS havia promulgado a Lei de uma forma rígida; ensinavam que, quando ao ser batizado no Jor­dão, Ele foi agraciado com poderes sobrenaturais. Mas todos eles negavam a realidade da natureza divina de CRISTO, considerando-o como mero homem sobrenaturalmente encarnado.

Para os ebionitas, a crença na deidade de CRISTO lhes parecia incompatível com o monoteísmo. Um outro ponto discordante entre eles eram as epístolas de Paulo, porque, nelas, este apóstolo reconhecia os gentios convertidos como cristãos e, portanto, integrantes do corpo de CRISTO.

Maniqueus. De origem persa, foram assim chamados em razão de seu fundador, Mani, morto no ano de 276 por ordem do governo da Pérsia. O ensino deles dava ênfase ao fato de o Universo compor-se dos reinos das trevas e da luz, bem como ambos lutarem pelo domínio da natureza e do próprio homem. Recusavam JESUS; criam num “CRISTO Celestial”.

Severos quanto à obediência e ao ascetismo, renunciavam ao casamento. O apóstolo Paulo profetizou acerca do surgimento dos maniqueus em I Timóteo 4.3: “Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos manjares que DEUS criou para os fiéis...” Eles foram perseguidos tanto por imperadores pagãos, como pelos primitivos cristãos. Agostinho, em princípio, era maniqueu. Entretanto, depois de sua conversão, escreveu contra o maniqueísmo.

Arianos. Ario foi presbítero de Alexandria, nascido por volta de 280, na Africa do Norte, onde está atualmente a Líbia — não muitos detalhes de sua vida na História. Os seus seguidores diziam que CRISTO é o primeiro dos seres criados, através de quem todas as outras coisas são feitas. Por antecipação, devido à glória que haveria de ter no final, Ele é chamado de Logos, o FILHO, o Unigênito.

Segundo os arianos, JESUS pode ser chamado de DEUS, apesar de não possuir a deidade no sentido pleno. Ele estaria limitado ao tempo da criação, ao contrário do que diz a Palavra de DEUS: “... ele [JESUS] é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17).

As heresias de Ario foram rejeitadas pelos cristãos de seu tempo. E um bispo de Alexandria chamado Alexandre convocou um sínodo, em 321, depondo-o do presbitério e o excluindo da comunhão da igreja. Em 325, no Concilio de Nicéia, o arianismo foi condenado, e o ex-presbítero Ario, juntamente com dois de seus amigos, banidos para a Ilína.

Apolinarianos. Apolinário, bispo de Laodicéia a partir de 361, ensinou que a pessoa única de CRISTO possuía um corpo humano, mas não uma mente ou es­pírito humanos. Além disso, para ele, a mente e o espírito de CRISTO provinham da sua natureza divina.

As idéias de Apolinário foram rejeitadas pelos líderes da igreja. Eles per­ceberam que não somente o corpo humano necessitava de redenção; a mente e o espírito (espírito+alma) humanos também. Nesse caso, CRISTO tinha de ser plena e verdadeiramente homem a fim de nos salvar de modo igualmente pleno (Hb 2.17). Por isso, o apolinarianismo foi rejeitado pelos concílios, desde o de Alexandria, em 362, ao de Constantinopla, em 381.

Nestorianos. Ê a doutrina que ensinava a existência de duas pessoas separadas no mesmo CRISTO, uma humana e uma divina, em vez de duas naturezas em uma só Pessoa. Nestor — ou Nestório, como aparece em outras versões — nasceu em Antioquia. Ali, tornou-se um pregador popular em sua cidade natal. Em 428, tornou-se bispo de Constantinopla.

Embora ele mesmo nunca tenha ensinado essa posição herética que leva o seu nome, em razão de uma combinação de diversos conflitos pessoais e de uma boa dose de política eclesiástica, Nestor foi deposto do seu ofício de bispo, e seus ensinos, condenados.

Não há nas Escrituras a indicação de que a natureza humana de CRISTO seja outra pessoa, capaz de fazer algo contrário à sua natureza divina. Não existe uma indicação sequer de que as naturezas humana e divina conversavam uma com a outra, ou travavam uma luta dentro de CRISTO.

Ao contrário, vemos uma única Pessoa agindo em sua totalidade e unidade, e em harmonia com o PAI (Jo 10.30; 14.23). A Bíblia não diz que Ele “por meio da natureza humana fez isto” ou “por meio de sua natureza divina fez aquilo”, mas sempre fala a respeito do que a Pessoa de CRISTO realizou.

Eutiquistas. A idéia do eutiquismo acerca de CRISTO é chamada de monofisis- mo — idéia de que CRISTO possuía uma só natureza (gr. monos, “uma”, e physis, “natureza”). O primeiro defensor dessa idéia foi Êutico (378-454), líder de um mosteiro em Constantinopla. Ele opunha-se ao nestorianismo, negando que as naturezas humana e divina em CRISTO tivessem permanecido plenamente humana e plenamente divina.

Êutico asseverava que a natureza humana de CRISTO foi tomada e absorvida pela divina, de modo que ambas foram mudadas em algum grau, resultando em uma “terceira natureza”. Uma analogia ao eutiquismo pode ser vista quando pingamos uma gota de tinta em um copo de água. A mistura resultante não é nem pura tinta nem pura água, mas uma terceira substância.

Para Êutico, JESUS era uma “mistura dos elementos divinos e humanos”, na qual ambas as naturezas teriam sido, em algum sentido, modificadas para formar uma nova natureza. Assim, CRISTO não era nem verdadeiramente DEUS nem verdadeiramente homem; não poderia, pois, representar-nos como Homem nem como DEUS.

O que a Bíblia diz. O ensino bíblico a respeito da plena divindade e plena huma­nidade de CRISTO é claro, mediante as muitas referências bíblicas. O entendimento exato de como a plena divindade e a plena humanidade se combinavam em uma só Pessoa tem sido ensinado desde o início pela igreja, mas só alcançou a forma final na Definição de Calcedônia, em 451.

Antes desse período, diversas posições doutrinárias inadequadas quanto às naturezas de CRISTO foram propostas e rejeitadas. Primeiro, pelos apóstolos. Depois, pelos chamados pais da igreja. No caso do gnosticismo — que surgiu ainda quando o Novo Testamento estava sendo escrito —, alguns livros o refutaram, de alguma forma: João, Efésios, Colossenses, I e 2 Timóteo, Tito,

2                 Pedro, I, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse.

Com a finalidade de resolver os problemas levantados pelas tais controvérsias, um grande concilio eclesiástico foi convocado em Calcedônia, em 451, chamado de a Definição de Calcedônia. Ela foi considerada a definição padrão da ortodo­xia sobre a Pessoa de CRISTO pelos grandes ramos do cristianismo: catolicismo, protestantismo e ortodoxia oriental.

Diz a Definição de Calcedônia:

Fiéis aos santos pais, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo FILHO, nosso Senhor JESUS CRISTO, perfeito quanto à divindade e perfeito quanto à humanidade, verdadeiramente DEUS e verdadeiramente homem, constando de alma racional e de corpo; consubstanciai (“homoousios”) ao PAI, segundo a divindade, e consubstanciai a nós, segundo a humanidade; “em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado”, gerado, segundo a divindade, antes dos séculos pelo PAI e, segundo a humanidade; por nós e para nossa salvação, gerado da Virgem Maria, por parte de DEUS (“theotókos).

Um só e mesmo CRISTO, FILHO, Senhor; Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, conseparáveis e indivisíveis. A distinção de naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e substância Ç‘hypostasis não dividido ou separado em duas pessoas, mas um só e mesmo FILHO Unigênito, DEUS Verbo, JESUS CRISTO Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o mesmo JESUS CRISTO nos ensinou e o credo que país da igreja nos transmitiu.2

Alguns estudiosos encontram dificuldades para entenderem a combinação da divindade e da humanidade de JESUS CRISTO. A maturidade cristã, o andar com DEUS e a livre ação do ESPÍRITO SANTO são vitais aqui. Este assunto, evidentemente, é mais ligado ao campo da revelação do que mesmo o da explicação. Contudo, quando bem analisado do ponto de vista investigativo e teológico, existe uma certa facilidade de ser entendido pela mente natural. Examinando o Novo Testa­mento e observando a cada detalhe, veremos como a humanidade e a divindade de CRISTO se harmonizam.

O Homem-DEUS e os seus atributos

A questão maior entre os pensadores liga-se aos atributos naturais da divin­dade e as limitações de JESUS:

Onipotência. Nas Escrituras é apresentado o supremo poder pessoal do FILHO de DEUS, evidenciando-se os seus atributos naturais e morais, próprios de DEUS PAI. Em várias passagens, menciona-se a onipotência do Senhor JESUS. Em Isaías são citados cinco nomes de CRISTO em uma mesma passagem; um deles (DEUS forte) refere-se à onipotência de CRISTO: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, DEUS forte, PAI da eternidade, Príncipe da paz” (Is 9.6).

Onipresença. “Como JESUS continuou onipresente se, ainda na Terra, estava limitado pelo tempo e o espaço, ocupando apenas um só lugar ao mesmo tempo?” Como FILHO do homem (sua humanidade), Ele estava limitado às dimensões geográficas: quando estava na Galiléia, não se encontrava, é claro, na Judeia. No entanto, como FILHO de DEUS (sua divindade), sempre esteve presente em todo o lugar (Mt 28.20).

O próprio Senhor JESUS disse aos seus discípulos: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18.20).

E ainda: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu PAI o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14.23). Como FILHO do homem, estava no mundo (Jo 1.10); como FILHO de DEUS, disse: “Eu já não estou no mundo” (Jo 17. II).

Como Homem, o Senhor estava na Terra; como DEUS, podia estar no Céu, ao mesmo tempo: “Ora ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o FILHO do homem, que está no céu” (Jo 3.13). Depois de sua ressur­reição, Ele declarou: “... estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20).

Onisciência. “Se JESUS é onisciente, por que confessou, em certa ocasião, não saber o dia nem a hora de sua Segunda Vinda?” Como coexistiam DEUS e Homem numa mesma Pessoa, sabemos que “toda a plenitude” da divindade encontrava-se em JESUS CRISTO. Daí o profeta Isaías ter afirmado profeticamente que Ele seria possuidor da septiforme sabedoria divina: “E repousará sobre ele o espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Is 11.2).

CRISTO é uma das Pessoas da Santíssima Trindade. Sendo igual a DEUS em seus atributos, pôde administrar sem nenhum empecilho as naturezas divina e humana. As expressões ditas por Ele que mostram certas limitações estão ligadas à sua humanidade. Mas, quando preciso, Ele fez valer os seus atributos divinos.

Quando JESUS disse: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o FILHO, senão o PAI” (Mac 13.32), fê-lo como Homem, não se valendo do seu atributo divino da onisciência. Ao dizer “nem o FILHO”, expressou a sua humilhação e o seu esvaziamento decorrentes de sua encarnação (Fp 2.6-8).

A despeito disso, a Ele foi dado todo o poder no Céu e na Terra; neste “todo” está incluído o atributo da onisciência (Mt 28.18; Jo 16.30; 21.17), que Ele nunca perdeu, em potencial (cf. Jo 6.61), mas dele abriu mão parcialmente e em alguns momentos em que agiu como Homem.

Outros atributos naturais. Além dos atributos acima existem outros em CRISTO: unicidade (Jo 3.16; At 4.12); verdade (Jo 14.6); infinidade (Mq 5.2; Hb 1.12); imensidade (At 10.36); ubiqüidade (Mt 18.20; 28.20); eternidade (Is 9.6); inte­ligência (Lc 2.47); sabedoria (Mt 23.34; Lc 11.49; I Co 1.24); amor (Ef 3.19); justiça (Jr 23.6); retidão (2Tm 4.8); presciência (Jo 2.24-25; 6.64); providência (Mc 16.20); vontade (Mt 8.3); misericórdia (Hb 4.15-16).

Atributos morais de CRISTO. Ele era e é: santo (Lc 1.35); justo (Ato 3.14); manso (Mt 11.29); humilde (Mt 11.29); inocente (Hb 7.26); obediente (Fp 2.8); imaculado (Hb 7.26); amoroso (Jo 13.1). Em tudo foi tentado, mas sem pecado (Hb 4.15).

A ENCARNAÇÃO DE CRISTO

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós...” (Jo I.14). Devemos observar aqui vários aspectos da vida de CRISTO, envolvendo tanto o contexto divino como o humano:

Sua concepção virginal A concepção de JESUS foi um ato miraculoso de DEUS. A promessa divina de que isso aconteceria foi feita pelo próprio DEUS: “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14b). Paulo disse que a encarnação de CRISTO foi um milagre e a chamou de “mistério da piedade” (I Tm 3.16).

Existem os que sustentam a “virgindade perpétua de Maria”, dizendo que permaneceu ela virgem antes, durante e depois do parto. Mas essa doutrina não tem apoio nas Escrituras nem se coaduna com a história do nascimento de JESUS, que se processou de forma natural. Quanto à sua concepção pelo Espirito SANTO no ventre da virgem, essa, sim, foi miraculosa e sobrenatural.

A preservação da “virgindade perpétua de Maria” procura isentá-la de ter sido mãe de outros filhos. Essa doutrina forma a base dos argumentos que explicam erroneamente a negação dos “irmãos de JESUS”, que aparecem em vários lugares das Escrituras. Através do tal ensino falso afirma-se que os irmãos de JESUS eram, na verdade, primos.

Parece razoável que uma doutrina dessa natureza, caso tivesse tanta importân­cia como alguns afirmam, pelo menos fosse apoiada por uma pequena afirmação bíblica nesse sentido. Pelo contrário, o Novo Testamento afirma que JESUS tinha uma família do ponto de vista humano, a princípio pequena, formada por José, Maria e JESUS. Depois, mencionam-se os seus irmãos, Tiago, José, Judas e Simão, bem como suas irmãs (Mc 6.3). Há inúmeras referências à família biológica de JESUS nas Escrituras (Sm 69.8; Mt 12.46-50; Mac 3.21,31-35; Lc 8.19-21; Jo 7; Ato 1.13,14; I Co 9.5; Gl 1.19;Tg 1.1; Jd v.1; etc.).

JESUS nasceu na plenitude dos tempos

A Era Cristã. E um período que marca sistemas, computa intervalos de tempo determinados, com base em princípios astronômicos. Os calendários são base­ados em unidades de tempo heterogêneas: as resoluções da Lua ou a translação aparente do Sol, conforme são apresentados pela ciência moderna. A escolha das unidades de tempo para periodizar a História é lógica em alguns casos e resultado do hábito em outros. A utilização da Era Cristã (E.C.) é um hábito entre escritores do Ocidente.

Definições de tempos e períodos. A fim de que entendamos o que significa a expressão “plenitude dos tempos”(Gl 4.4), faremos algumas definições.

Na Antigüidade, a datação dos anos partia do início de certos reinados. Os romanos contavam os anos a partir da fundação de Roma. Os gregos usavam como referência os Jogos Olímpicos. A cronologia cristã firmou-se, definitivamente, no fim da Idade Média. Mas não é a única que existe. Os árabes contam os anos a partir da Hégira, fuga de Muhamad (vulgarmente, Maomé) para Medina, em 16 de julho de 622 da E.C.

A aceitação universal da cronologia cristã fez com que os anos anteriores ao nascimento de CRISTO passassem a ser contados de trás para frente (e.g. 10 a.C.).

1)      Geração. Um período de 25 a trinta anos corresponde a uma geração, tempo em que os indivíduos passam a constituir família e gerar filhos. Um século engloba quatro gerações. Entre os teólogos, existem opiniões de que uma geração cobre um período de quarenta anos; para os judeus, a palavra “geração” podia mdicar a sucessão do pai por um filho (cf. Mt 1.1-17; Lc 3.23-38).

2)      Idade e época. Idade é um espaço de tempo durante o qual ocorreram fatos notáveis (Idade Média, Idade do Bronze, Idade do Ferro, etc.). Êpoca é um período miciado por fato importante (Êpoca do Dilúvio, Epoca do Renascimento).

3)      Período e etapa. Período é o espaço de tempo entre dois acontecimentos ou duas datas; certo número de anos que mede o tempo de modo diverso para cada nação (o período tinita, o período ático). Etapa é parte de um processo que se realiza de uma só vez.

4)      Fase e tempo. Fase é um estado transitório, menor que a etapa ou o período. Tempo divide-se em três partes: passado, presente e futuro. O tempo sem o movi­mento não seria tempo. Seria eternidade. O tempo é, pois, uma espécie de números. Mas não é um número descontínuo; é um número contínuo e fluente.

5)      Dispensação. É um período de tempo em que o homem é experimentado em relação à sua obediência a alguma revelação especial da vontade divina. A frase vem do latim dispensatio e significa “dispensar”, “distribuir”.

6)      Eternidade. E um atributo que decorre da imutabilidade. O termo deno­ta, com efeito, aquilo que não muda e não pode mudar de maneira alguma. A eternidade é diferente do tempo. O tempo corresponde ao que muda, ao que comporta a sucessão e o vir-a-ser. A eternidade é uma duração, quer dizer, uma permanência de ser, sem nenhuma sucessão; sem começo nem fim.

JESUS nasceu em Belém. A profecia de Miquéias dizia que o Messias pro­metido aos filhos de Israel, nasceria em Belém, que, mesmo pequena em dimensões, tornou-se notória pelo nascimento e pela infância de Davi, que

nela nasceu e cresceu. Contudo, o que mais imortalizou o seu nome foi sem dúvida o nascimento de CRISTO.

A palavra “belém” significa “casa de pão” (hb.) e “casa de carne” (ar.). A cidade de Belém está localizada cerca de nove quilômetros ao sul de Jerusalém, sobre uma colina rochosa, com uma população de aproximadamente quarenta mil habitantes. Seu nome primitivo era Efrata (Gn 35.19).

Belém aparece pela primeira vez ligada a morte e sepultamento de Raquel, esposa de Jacó (Gn 35.19). Posteriormente, tornou-se famosa pela história de Rute, bisavó de Davi, nascida ali. Foi essa cidade escolhida por DEUS para que nela Maria desse à luz ao seu primogênito: o Senhor JESUS (Mq 5.2; Mt 2.1-6). Por isso, José, que era da casa e família de Davi, veio a Belém para se alistar com Maria, sua mulher (Lc 2.4-5). Desde esse acontecimento, que marcou a transição entre o Antigo e o Novo Testamentos, essa cidade se fez imortal.

Atualmente, há em Belém duas pequenas entradas que conduzem a uma gruta, a da Natividade, que tem forma retangular e é iluminada por candelabros. Uma estrela de ouro, com a inscrição em latim Hic de Mana Virgine JESUS Chrístus natus este (“Aqui nasceu JESUS da Virgem Maria”), assinala o lugar do nascimento de CRISTO. Uma manjedoura está situada à direita.3

 

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REVISTA NA ÍNTEGRA

 

Escrita, Lição 6, O FILHO É Igual Com O PAI, 1Tr25, Comentários Extras Pr Henrique, EBD NA TV

Para nos ajudar PIX 33195781620 Luiz Henrique de Almeida Silva

 

ESBOÇO DA LIÇÃO

I – A DOUTRINA BÍBLICA DA RELAÇÃO DO FILHO COM O PAI

1. Ideia de filho

2. Significado teológico

3. O FILHO é DEUS

II – A HERESIA DO SUBORDINACIONISMO

1. Orígenes

2. No período pré-niceno

3. Métodos usados pelos subordinacionistas

III – COMO O SUBORDINACIONISMO SE APRESENTA HOJE

1. No contexto islâmico

2. O movimento das Testemunhas de Jeová

 

 

TEXTO ÁUREO

“Mas, do FILHO, diz: Ó DEUS, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino.” (Hb 1.8)

 

VERDADE PRÁTICA

O termo teológico “FILHO de DEUS” é título, sendo assim, a existência de JESUS é desde a eternidade junto ao PAI.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Sl 8.4 O termo "filho" na Bíblia indica, muitas vezes, "a mesma espécie"

Terça - Am 7.14 A expressão bíblica "os filhos dos profetas" equivale a expressão "os profetas"

Quarta - Mt 23.30, 31 A palavra "filho" indica também "a mesma índole"

Quinta - Jo 5.18 JESUS falava da sua divindade quando se disse FILHO de DEUS

Sexta - Jo 16.28 JESUS como FILHO refere-se à sua origem divina, à mesma essência e natureza do PAI

Sábado - 1 Jo 4.15 Quem confessa que JESUS é o FILHO de DEUS, DEUS está nele

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE -  João 10.30-38

30 - Eu e o PAI somos um.

31 - Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem.

32 - Respondeu-lhes JESUS: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu PAI; por qual dessas obras me apedrejais?

33 - Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque, sendo tu homem, te fazes DEUS a ti mesmo.

34 - Respondeu-lhes JESUS: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?

35 - Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de DEUS foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada),

36 - àquele a quem o PAI santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou FILHO de DEUS?

37 - Se não faço as obras de meu PAI, não me acrediteis.

38 - Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras, para que conheçais e acrediteis que o PAI está em mim, e eu, nele.

 

HINOS SUGERIDOS:  : 154, 277, 400 da Harpa Cristã

 

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

Aproveite a oportunidade desta aula para esclarecer alguns termos teológicos que surgem em face do tema estudado, como por exemplo: Subordinacionismo, Trindade, Consubstancialidade etc. Para isso, recomendamos que você tenha e, se possível, sempre leve para a classe um bom Dicionário Bíblico. Por meio de atividades de pesquisa, seus alunos têm a sede de conhecimento aguçada, além de aprenderem a como utilizar ferramentas de busca confiáveis para melhor estudar e compreender a Palavra de DEUS.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Mostrar a doutrina bíblica da relação entre DEUS PAI e o FILHO Unigênito; II) Refutar biblicamente a heresia do Subordinacionismo; III) Exemplificar como o Subordinacionismo está presente na atualidade.   

B) Motivação: Desde os tempos mais remotos, conhecer o Criador é um anseio do coração humano. Há inúmeros registros históricos, por diversas civilizações, ao longo dos séculos, atestando isso. JESUS disse que aprouve ao PAI ocultar dos sábios e instruídos sua grandeza e revelá-la aos pequeninos. Pois que, "ninguém conhece o FILHO, se não o PAI; e ninguém conhece o PAI, senão o FILHO e aquele a quem o FILHO quiser revelar" (Mt 11.27). Aprofundemo-nos, portanto, nessa infinita graça e riqueza de conhecer o DEUS Todo-Poderoso, por meio do FILHO, nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO.  

C) Sugestão de Método: Previamente, providencie pelo menos três dicionários, de preferência bíblicos, ou mesmo comuns da Língua Portuguesa. Dada a profundidade e complexidade do tema, sugerimos a leitura do significado de alguns termos a fim de clarificar e aprofundar o entendimento; tais como: Autoridade, Essência, FILHO, Subordinacionismo, Trindade, Unigênito etc. Deixe tais palavras destacadas e peça que alguns voluntários as leiam em momentos-chave da lição.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: Em toda a Sagrada Escritura observamos a perfeita unidade na pluralidade de DEUS PAI, DEUS FILHO e DEUS ESPÍRITO SANTO. Essa plena harmonia, igualdade de essência e autoridade entre as pessoas da Trindade, é enfatizada no Novo Testamento, funcionando, inclusive, como modelo de comunhão para a Igreja de CRISTO, na qual cada membro está ligado uns aos outros.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 100, p.39, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "Filiação de CRISTO", logo após o primeiro tópico, dá um panorama das interpretações teológicas acerca da natureza do FILHO de DEUS; 2) O texto "A Palavra na Eternidade", ao final do segundo tópico, aprofunda a natureza eterna de JESUS CRISTO, o FILHO de DEUS.

 

PALAVRA-CHAVE - UNIDADE

 

COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO

Essa porção bíblica do Evangelho de João é uma das mais contundentes em mostrar que o FILHO é igual ao PAI. Afirmar que JESUS é o FILHO de DEUS, mas não o próprio DEUS, é uma contradição em si mesma. O embate de JESUS com os religiosos do templo de Jerusalém revela essa verdade. É isso que a presente lição pretende mostrar e explicar com sólidos fundamentos escriturísticos.

  

I – A DOUTRINA BÍBLICA DA RELAÇÃO DO FILHO COM O PAI

1. Ideia de filho

O conceito de filho no pensamento judaico implica a igualdade com o pai (Mt 23.29-31). Uma das ideias de filho na Bíblia é a identidade de natureza, isso pode ser visto no paralelismo poético do salmista: “que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?” (Sl 8.4). Esse paralelismo é sinonímico em que o poeta diz algo e em seguida repete esse pensamento em outras palavras. A ideia de “homem mortal” é repetida em “filho do homem”. Outro exemplo encontramos nas palavras de JESUS: “Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas” (Mt 23.31). Isso porque os escribas e fariseus consideravam os matadores dos profetas como seus pais (Mt 23.29,30).

 

2. Significado teológico

Indica igualdade de natureza, ou seja, mesma substância. É o que acontece com JESUS, Ele é chamado FILHO de DEUS no Novo Testamento porque Ele é DEUS e veio de DEUS. JESUS mesmo disse: “eu saí e vim de DEUS” (Jo 8.42); “Saí do PAI e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o PAI” (Jo 16.28). Quando JESUS declarou: “Meu PAI trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo 5.17), estava declarando que DEUS é seu PAI; no entanto, os seus interlocutores entenderam com clareza meridiana que JESUS estava reafirmando a sua deidade, pois: “dizia que DEUS era seu próprio PAI, fazendo-se igual a DEUS” (Jo 5.18).

 

3. O FILHO é DEUS

 FILHO de DEUS é uma expressão bíblica para referir-se à relação única do FILHO Unigênito com o PAI. A expressão “FILHO de DEUS” revela a divindade de CRISTO. Essa verdade está mais clara na Bíblia que o sol do meio-dia. Por isso, é estranho como pode haver tantos debates sobre o tema. O texto sagrado: “Mas, do FILHO, diz: Ó DEUS, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino” (Hb 1.8) é o mais crucial, pois é uma citação direta de Salmos 45.6,7. É importante prestar melhor atenção naquelas passagens conhecidas dos crentes: “O teu trono, ó DEUS, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade. Tu amas a justiça e aborreces a impiedade; por isso, DEUS, o teu DEUS, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros” (Sl 45.6,7). Que história é essa de o DEUS do versículo 7 estar ungindo o DEUS do versículo 6? Isso tem intrigado alguns rabinos desde a antiguidade. Mas, a Epístola aos Hebreus traz a explicação e revela que DEUS nessa passagem é uma referência a JESUS. A explicação está em Hebreus 1.8, trata-se do relacionamento entre o PAI e o FILHO e que a unidade de DEUS é plural.

 

SINÓPSE I - A doutrina bíblica mostra a relação de unidade entre DEUS PAI e seu FILHO Unigênito.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO - “FILIAÇÃO DE CRISTO

Três principais pontos de vista são apresentados quanto à filiação de CRISTO:

1. Criação em uma época passada

Esse foi o ponto de vista de Ário ao argumentar que JESUS CRISTO foi criado em uma época passada, à semelhança de DEUS PAI, e é homoioitsios com Ele (isto é, de substância similar) [...].

2. Geração eterna

Orígenes e outros que sustentaram essa opinião consideravam a palavra grega monogenes como derivada de gennao, ‘gerar’ (vários tradutores seguiram os seus passos), e traduziram o termo como “Unigénito” (Jo 1.14,18; 3.16,18; Hb 11.17; 1 Jo 4.9). No entanto, trata-se na verdade de um derivado de genos e, portanto, significa ‘único’ ou ‘único do seu género’. Por causa disso, a Bíblia Francesa o traduz como ‘Son Fils Unique’, o que significa ‘o seu único FILHO’ (veja NASB marg. em João 3.16,18). Em Hebreus 11.17, com referência a Isaque, monogenes deve significar “único”, porque Abraão teve outros filhos (Ismael e os filhos de Quetura).

3. O FILHO Único de DEUS

Esta opinião tem o apoio dos argumentos acima. Exemplos de tal uso podem ser encontrados na expressão hebraica do Antigo Testamento: ‘filhos de...’, que significa ‘da ordem de...’ em frases como ‘filhos dos profetas’ (1 Rs 20.35; 2 Rs 2.3,5,7,15; 4.38; 5.22 etc.); ‘filho de um dos boticários’ (Ne 3.8); ‘filhos dos cantores’ (Ne 12.28). A partir daí pode-se compreender como os contemporâneos do Senhor JESUS CRISTO no Novo Testamento entenderam a sua declaração de que Ele era o FILHO de DEUS, significando que Ele afirmava ser igual a DEUS, ou o próprio DEUS. O Evangelho de João mostra que este é o caso” (Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.802).

 

II – A HERESIA DO SUBORDINACIONISMO

1. Orígenes

O Subordinacionismo é toda doutrina que declara ser o FILHO subordinado ao PAI ou um deus secundário ou menos divino que o PAI. Os monarquianistas dinâmicos, ou adocionistas, e os arianistas são os principais representantes dessa heresia. Mas Orígenes (185-254), foi o seu principal mentor. Há, na vastíssima e complexa produção literária de Orígenes, ideias de acordo e contrárias à ortodoxia da igreja, como também ideias neoplatônicas e obscuras de modo que, desde a antiguidade, os estudiosos do assunto estão divididos. Ele exerceu grande influência no Oriente por mais de 100 anos. Nas controvérsias em Niceia, havia os que apoiavam Ário usando Orígenes como base; como também os que apoiavam Alexandre, opositor de Ário, também se baseando no mesmo Orígenes. Segundo seus críticos, parece que a Trindade defendida por ele era subordinacionista: o FILHO subordinado ao PAI e o ESPÍRITO SANTO subordinado ao FILHO. No entanto, a Bíblia revela a igualdade das três pessoas da Trindade (Mt 28.19; 2 Co 13.13).

 

2. No período pré-niceno

O Subordinacionismo foi, nos Séculos II e III, uma tentativa, ainda que equivocada, de preservar o monoteísmo, mas que negou a divindade absoluta de JESUS. Seus expoentes consideravam CRISTO como FILHO de DEUS, inferior ao PAI. Eles afirmavam que o próprio CRISTO declarava a sua inferioridade, e isso eles o faziam com base numa exegese ruim e numa interpretação fora do contexto de algumas passagens dos Evangelhos.

 

3. Métodos usados pelos subordinacionistas

Já estudamos, até agora, o ensino bíblico sobre JESUS como o verdadeiro homem e ao mesmo tempo o verdadeiro DEUS. Somente Ele é assim, e ninguém mais no céu e na terra possui essa característica (Rm 1.1-4; 9.5). No entanto, os subordinacionistas pinçam as Escrituras aqui e ali se utilizando das passagens do Novo Testamento que apresentam o Senhor JESUS como homem e descartam e desconsideram as que afirmam ser JESUS o DEUS igual ao PAI.

 

SINÓPSE II - O Subordinacionismo afirma ser o FILHO subordinado ao PAI,  sendo, portanto, um deus secundário.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO - “A PALAVRA NA ETERNIDADE (1.1-5)

Os versículos 1 a 4 narram o estado preexistente de JESUS e como Ele agia no plano eterno de DEUS. ‘No princípio’ (v.1a) fala da existência eterna da Palavra (o Verbo). As duas frases seguintes expressam a divindade de JESUS e sua relação com DEUS PAI. Esta relação é uma dinâmica na qual constantemente são trocadas comunicação e comunhão dentro da deidade. O versículo 2 resume o versículo 1 e prepara para a atividade divina fora da relação da deidade no versículo 3. No versículo 4 Ele é o Criador mediado. O uso da preposição ‘por’ informa o leitor com precisão que o Criador original era DEUS PAI que criou todas as coisas pela Palavra. Os verbos que João usa nestes versículos fazem distinção entre o Criador não-criado, a Palavra (o Verbo) e a ordem criada. Numa boa tradução, a ARC observa esta distinção: a Palavra (o Verbo) ‘era’ mas ‘todas as coisas foram feitas. O versículo 4 conta várias coisas para o leitor: 1) A Palavra divina, como DEUS PAI, tem vida em si mesma, vida inchada (ou seja, é a fonte da vida eterna). 2) Esta vida revelou a pessoa e natureza de DEUS para todas as pessoas. 3) ‘Luz’ neste ponto pertence à revelação autorizada e autêntica de DEUS […]’” (ARRINGTON, F. L; STRONSTAD, R. (eds.) Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2.ed., RJ: CPAD, 2004, p.496).

 

III – COMO O SUBORDINACIONISMO SE APRESENTA HOJE

1. No contexto islâmico

O Islamismo não considera JESUS como o FILHO de DEUS, mas como messias e profeta, e coloca Maomé acima dele. Nenhum cristão tem dificuldade em detectar o erro de doutrina (Ef 1.21; Fp 2.8-11). O Alcorão afirma que é blasfêmia dizer que JESUS é o FILHO de DEUS, isso com base numa péssima interpretação, pois significaria uma relação íntima conjugal entre DEUS e Maria. O mais grave é que seus líderes afirmam que os cristãos pregam esse absurdo (Jd 10). Lamentamos dizer que até mesmo Satanás e os seus demônios reconhecem que JESUS é o FILHO do DEUS Altíssimo (Mc 5.7). A expressão “FILHO de DEUS” no Novo Testamento significa a sua origem e a sua identidade (Jo 8.42) e não segue o mesmo padrão de reprodução humana. JESUS foi concebido pelo ESPÍRITO SANTO (Mt 1.18, 20; Lc 1.35).

 

2. O movimento das Testemunhas de Jeová

Este confessa publicamente que crê na existência de vários deuses: o DEUS Todo-poderoso, Jeová; depois o deus poderoso, JESUS; e em seguida outros deuses menores, incluindo bons e maus. Mas a fé cristã não admite a existência de outros deuses. É verdade que a Bíblia faz menção de deuses falsos. Se são falsos, não podem ser DEUS (Gl 4.8). Declara o apóstolo Paulo: “todavia, para nós há um só DEUS, o PAI, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, JESUS CRISTO, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele” (1 Co 8.6). Eis uma boa pergunta que incomoda as Testemunhas de Jeová: “JESUS CRISTO é uma divindade falsa ou verdadeira?” Se a resposta for positiva, elas são obrigadas a reconhecer a divindade de JESUS e a Trindade; mas, se a reposta delas for negativa, elas estão admitindo que são seguidoras de um deus falso.

 

SINÓPSE III - O Subordinacionismo se apresenta no contexto islâmico e das Testemunhas de Jeová.

 

CONCLUSÃO

O termo “filho” em relação a JESUS tem sido assunto de debate teológico desde o período dos Pais da Igreja. A interpretação bíblica que se faz é: JESUS é FILHO Unigênito não porque foi gerado, mas sim porque é da mesma substância do PAI.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Por que JESUS é chamado “FILHO de DEUS” no Novo Testamento?

JESUS é chamado FILHO de DEUS no Novo Testamento porque Ele é DEUS e veio de DEUS.

2.  O que revela a expressão “FILHO de DEUS” em relação a JESUS?

A expressão “FILHO de DEUS” revela a divindade de CRISTO.

3. O que é Subordinacionismo?

O Subordinacionismo é toda doutrina que declara ser o FILHO subordinado ao PAI ou um deus secundário ou menos divino que o PAI.

4. Por que o Alcorão afirma que é blasfêmia dizer que JESUS é o FILHO de DEUS?

O Alcorão afirma que é blasfêmia dizer que JESUS é o FILHO de DEUS, isso com base numa péssima interpretação,

pois significaria uma relação íntima conjugal entre DEUS e Maria.

5. Qual a pergunta que incomoda as Testemunhas de Jeová?

Eis uma boa pergunta que incomoda as Testemunhas de Jeová: “JESUS CRISTO é uma divindade falsa ou verdadeira?”

  

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OS ATRIBUTOS COMUNICÁVEIS DE DEUS

Santidade. DEUS é absolutamente santo; sua santidade é infinita e inigualável; Ele é santo em si mesmo, em sua essência e em sua natureza. No entanto, está escrito: “Santos sereis, porque eu, o Senhor, vosso DEUS, sou santo” (Lv 19.2). Esta passagem, citada no Novo Testamento (I Pe 1.6), enfatiza que o Senhor exige santidade de seu povo porque Ele é santo.

Vemos, pois, que a santidade está em DEUS e deve estar em seus seguidores. Isso explica uma dúbia classificação, apesar de haver uma abissal e incomparável diferença entre a santidade de DEUS e a do ser humano.

O termo “santo” — hb. qadosh e gr. hagios — significa “separação” ou “brilho”, “brilhante”;36 é especificamente divino. A etimologia de qadosh é ainda incerta; parece ser uma combinação que indica “queimar no fogo”, numa referência à oferta queimada, porém a idéia básica é de “separar, retirar do uso comum”.3' Esse é o pensamento do Antigo Testamento: “para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo” (Lv 10.10).

Santidade significa afastar-se de tudo o que é pecaminoso. Os antigos hebreus levavam-na com seriedade. A Palavra de DEUS chama de santas as duas partes do Tabernáculo. O Senhor ordenou essa construção com o objetivo habitar no meio dos filhos de Israel:

E me farão um santuário, e habitarei no meio deles Ex 25.8).

Pendurarás o véu debaixo dos colchetes e meterás a arca do Testemunho ali dentro do véu; e este véu vos fará separação entre o santuário e o lugar santíssimo Ex 26.33).

A santidade de DEUS é singular por causa de sua majestade infinita e também em virtude de Ele ser totalmente distinto e separado, em pureza, de suas criaturas. Essa santidade é a plenitude gloriosa da excelência moral do Todo-Poderoso, que nEle existe e que nEle originou-se; não deriva de ninguém: “Não há santo como é o Senhor” (I Sm 2.2). Toda a adoração deve ser nesse espírito de santidade. Nenhum atributo divino é tão solenizado nas Escrituras como esse.

O SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em louvores (Êx 15.11).

E clamavam uns para os outros, dizendo: SANTO, SANTO, SANTO é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória ls 6.3).

E os quatro animais tinham, cada um, respectivamente, seis asas e, ao redor e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo:

SANTO, SANTO, SANTO é o Senhor DEUS, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que há de vir Ap 4.8).

Quem te não temerá, ó Senhor; e não magicará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso, todas as nações virão e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos Ap 15.4).

A santidade de DEUS é o princípio da sua própria atividade: “Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal” (Hc 1.13), bem como a norma para as suas criaturas: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Verdade e fdelidade. Verdade é um atributo relacionado com a fidelidade de DEUS. Ela diz respeito à sua veracidade e é algo próprio da natureza divina. Já a fidelidade, do latim fdelitas, é a garantia do cumprimento das promessas dEle:

“DEUS é consistente e constante em suas promessas e em sua graça”.38 E, pois, um atributo relacionado com a imutabilidade de DEUS.

O termo “verdade” (hb. ’emeth) “tem o sentido enfático de certeza, confiança”.39 Daí derivam as palavras ’emuna, “fé”, “fidelidade”, “firmeza” (Hc 2.4) e ’amen, “amém”, “verdadeiramente”, “de fato”, “assim seja”. Esse vocábulo aplica-se duas vezes a DEUS, em Isaías 65.16, onde foi traduzido por “verdade” (gr. aktheia, na Sep- tuagínta, “sinceridade” ou “franqueza”), cuja idéia é “não oculto”, “não escondido”; veritas, em latim, que denota, ainda, “precisão”, “rigor”, “exatidão de um relato”. Todas essas qualificações reúnem-se em DEUS, em grau absoluto e infinito.

A “veritas Dei”t ou verdade de DEUS, é em última análise a correspondência, de fato, a identidade do intelecto... e a vontade... de DEUS com a... essência de DEUS.

DEUS é a verdade em si mesmo, num senso absoluto.'10

Verdade e fidelidade não são diferentes nomes de um mesmo atributo, embora inseparáveis; são distintos, pois não pode haver fidelidade sem ver­dade. A verdade mostra que DEUS é real; é tudo aquilo que em sua Palavra Ele afirma ser; e nEle podemos confiar. Tal confiança envolve tanto a verdade como a fidelidade.

Ele í a Rocha cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos juízo são; DEUS é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto ê (Dt 32.4).

Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me remiste, Senhor, DEUS da verdade (Sl 31.5).

De sorte que aquele que se bendisser na terra será bendito no DEUS da verdade; e aquele que jurar na terra jurará pelo DEUS da verdade; porque já estão esquecidas as angústias passadas e estão encobertas diante dos meus olhos (Is 65.16).

Eu sou o caminho, e a verdade e a vida... (Jo 14.6).

JESUS, pois, é fiel e justo para nos perdoar: “Se confessarmos os nossos pe­cados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça” (I Jo 1.9).

Amor. Este atributo é o tema central das Escrituras, demonstrado de forma suprema em JESUS CRISTO. A Palavra de DEUS afirma expressamente “DEUS é amor” (I Jo 4.8,16, ARA). Esta declaração significa que o amor de DEUS não precisa de um objeto para existir; é independente; constitui-se parte da natureza divina; pode ser definido como a inclinação natural da essência divina para a bondade.

O amor de DEUS é desde a eternidade; foi revelado no relacionamento entre as Pessoas da Trindade, haja vista JESUS ter dito: “porque tu me hás amado antes da fundação do mundo” (Jo 17.24). E também depois da criação esse amor perma­neceu: “O PAI ama o FILHO” (Jo 3.35). Tal amor é eterno, infinito e incomparável, manifesto a Israel, a todos os homens e a todas as criaturas no Céu e na Terra.

E faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos (Êx 20.6).

Há muito que o SENHOR me apareceu, dizendo: Com amor eterno te amei; também com amável benignidade te atraí JR 3 1.3).

Porque DEUS amou o mundo de tal maneira que deu o seu FILHO unigênito; para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna JO 3.16).

Mas DEUS prova o seu amor para conosco em que CRISTO morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8).

DEUS comunicou aos seres humanos alguma ressonância desse amor. DEUS criou o homem com capacidade para amar; e, hoje, “nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (I Jo 4.19). E, pois, sua vontade que nos amemos uns aos outros; é o segundo grande mandamento que JESUS declarou e que vem desde a Lei de Moisés:

... amarás ao teu próximo como a ti mesmo (Lv 19.18; Mt 22.39; Marcos 12.31).

O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei... bto vo5 mando: que vos ameis uns aos outros jo 15.12,1 7).

Bondade. A bondade de DEUS é um dos seus atributos morais. DEUS é bom em si mesmo e para as suas criaturas. Ê a perfeição dEle que o leva a tratá-las com benevolência. Essa bondade é para com todos: “O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias são sobre todas as suas obras” (Sm 145.9).

DEUS é a fonte de todo o bem. JESUS disse: “Não há bom, senão um, que é DEUS” (Mt 19.17). Nessa bondade estão envolvidos também o amor e a graça. São três conceitos distintos, mas o amor é a bondade divina exercida em favor de suas criaturas morais, em grau incomparável e perfeito:

Porque DEUS amor o mundo de tal maneira que deu seu o FILHO unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna Jo 3.16).

Mas DEUS prova o seu amor para conosco em que CRISTO morreu por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8).

Misericórdia, graça e longanimidade. Estes três atributos são correlatos, porém distintos entre si; manifestam a bondade de DEUS. Misericórdia é o termo teológico para compaixão; trata-se da disposição de DEUS para so­correr os oprimidos e perdoar os culpados. A graça é o favor imerecido de DEUS para com o pecador; é a bondade para quem apenas merece o castigo. Já a longanimidade é a demonstração de paciência; é ser lento para irar-se; retardar a ira.

Passando, pois, o Senhor perante a sua face, clamou: JEOVA, o SENHOR, DEUS misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade; que guarda a beneficência em milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão, e o pecado; que ao culpado não tem por inocente; que visita a iniqüidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos até à terceira e quarta geração (Ex 34.6,1). Misericordioso e piedoso é o SENHOR; longânimo e grande em benignidade (Sl 103.8).

Mas, quando apareceu a benignidade e caridade de DEUS, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espirito SANTO, que abundantemente ele derramou sobre nós por JESUS CRISTO, nosso Salvador (Et 3.4-6).

Por meio desses atributos, DEUS não concede ao homem aquilo que ele merece, mas o que ele precisa, pois merecíamos o castigo (cf. Rm 6.23). Ele se apiedou de nós e enviou o seu FILHO para nos salvar: “o Unigênito do PAI, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Justiça. A justiça (ou a retidão), como atributo divino, pode ser definida como a conformidade de DEUS com a sua lei moral e espiritual; a harmonia da natureza divina com a sua santidade; é essa santidade exercida sobre as suas criaturas.

A justiça de DEUS pode ser, segundo os escolásticos, interna ou externa. A justiça interna é a excelência moral, e a justiça externa é a retidão de conduta. O Senhor é o autor da moral, como Juiz soberano do Universo e Criador de todas as coisas; tem o direito de decretar a sua Lei e exigir de suas criaturas inteligentes obediência e santidade. A natureza perfeita dEle é manifesta em seus atributos, e a sua santidade é o parâmetro para a raça humana.

DEUS revelou a sua vontade na sua Palavra. Quando a lei — a expressão máxima da santidade de DEUS — é violada, essa santidade do Senhor exige a manifestação de sua ira: “Porque do céu se manifesta a ira de DEUS sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça” (Rm 1. 18).

Esse atributo é manifesto no castigo do pecado e na premiação do justo: “o qual recompensará cada um segundo as suas obras” (Rm 2.6).

A Bíblia declara, com todas as letras, que somente DEUS é justo, considerando justiça como atributo, no sentido absoluto de perfeição:

DEUS é um juiz justo (Sl 7.1l).

Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti seja. Nâo faria justiça o Juiz de toda a terra? (Gn 18.25).

Justiça e juízo são a base do teu trono; misericórdia e verdade vão adiante do teu rosto (Sm 89. 14).

Ante a face do Senhor, porque vem, porque vem a julgar a terra; julgará o mundo com justiça c os povos, com a sua verdade (Sl 96.13).

Anunciai', e chegai-vos, e tomai conselho todos juntos; quem fez ouvir isso desde a antiguidade? Quem, desde então, o anunciou? Porventura, não sou eu, o SENHOR? E não há outro DEUS senão eu; DEUS justo e Salvador, não há fora de mim (Is 45.21).

Sabedoria. A sabedoria é mais que o conhecimento ou a inteligência; trata-se da capacidade mental para entender todas as coisas, um aspecto particular da onisciência de DEUS. Esse atributo é conhecido como sapientia Dei, “sabedoria de DEUS”, ou omnisapientia, “toda-sabedoria”.

E a correspondência do pensamento divino com o summum bonum, “sumo bem” de todas as coisas; é “a sabedoria do conselho divino pela virtude a qual DEUS sabe todas as causas e efeitos e as ordena aos seus próprios fins e pela qual ele essencialmente cumpre seu próprio fim para e por meio de todas as coisas criadas”.41

Com sabedoria Ele arquitetou, planejou e criou tudo o que existe: “Todas as coisas fizeste com sabedoria”. (Sm104.24); “Com ele está a sabedoria e a força; conselho entendimento ele tem” (Jó 12.13). Em JESUS CRISTO “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2.3), e “para nós foi feito por DEUS sabedoria, e justiça, e santificação e redenção” (I Co 1.30).

Há ressonância desse atributo nas criaturas inteligentes. DEUS é a fonte de sabedoria; é nEle que devemos buscá-la, pois a sua Palavra “dá sabedoria aos símplices” (SI 19.7; II9.130).

E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a DEUS, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á dada (Tg 1.5).

Com quem tomou conselho, para que lhe desse entendimento, c lhe mostrasse as veredas do juízo, e lhe ensinasse sabedoria, e lhe fizesse notório o caminho da ciência? (Is 40.14).

O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de DEUS! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? (Rm 1.1,33,34).

Os nomes de DEUS

Os nomes de DEUS não são apenas um apelativo nem simplesmente uma identificação pessoal. Inerentes à sua natureza, eles revelam as suas obras e os seus atributos. Não aparecem nas Escrituras para meramente fazer uma distinção dos deuses das nações pagas. Quando elas mencionam os nomes divinos, revelam o poder, a grandeza e a glória do Todo-Poderoso, além de enfatizarem os seus atributos.

Nos tempos do Antigo Testamento, um nome era empregado não simples­mente para distinguir uma pessoa das outras, mas para mostrar o caráter e a índole de um indivíduo. Houve até casos de mudanças de nomes como consequência de uma experiência com DEUS (Gn 17.5,15; 32.28). Com referência a DEUS, o nome representa Ele próprio.

O nome do Senhor está ligado ao conceito de sua soberania e glória: “Então haverá um lugar que escolherá o Senhor vosso DEUS para ali fazer habitar o seu nome” (Dt 12.11). Esta passagem ensina que, nesse lugar escolhido por DEUS, o santuário, Ele estaria presente. Sua presença nos cultos seria constante e habitaria nesse santuário.

DEUS falou a Davi, pelo profeta Natã, que o seu descendente construiria uma Casa ao seu nome (2 Sm 7.12,13). Em outras palavras, o filho de Davi haveria de edificar uma Casa para o Senhor DEUS de Israel. Na bênção sacerdotal, Moisés conclui a mensagem com essas palavras: “Assim porão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei” (Nm 6.27).

Que significam as menções das passagens acima? Que DEUS habitaria no meio dos filhos de Israel, segundo a bênção do sumo sacerdote. No “PAI Nosso” JESUS ensinou-nos a abrir a oração santificando o nome de DEUS: “Santificado seja o teu nome” (Mt 6.9). Este texto ensina que o próprio DEUS deve ser honrado, venerado, adorado e temido por todas as suas criaturas. E um reconhecimento da suas bondade e santidade.

Até hoje, em Israel, os judeus chamam DEUS de hashem, palavras hebraicas que significam “o nome”. Isso é bíblico: “a arca de DEUS, sobre a qual se invoca

O Nome, o nome do Senhor dos Exércitos” (2 Sm 6.2).

Elohim. A transcrição do termo hebraico é ’elohim e 'eloah. O nome Elohím não aparece em nenhuma outra língua, exceto na língua hebraica. Além disso, não se encontra em outras literaturas antigas extrabíblicas, nem mesmo no Talmude dos judeus. “Isto é posteriormente apoiado pelo fato de que a forma 'elohim ocorre apenas no hebraico e em nenhuma outra língua semítica, nem mesmo no aramaico bíblico”.42

O nome Elohim é o plural de Eloah, No singular, aparece apenas 57 vezes no Antigo Testamento hebraico, sendo 41 só no livro de Jó. No plural, encontramos 2.570 vezes.43 Eloah é o nome El acrescido da letra hebraica he.u Esse substan­tivo vem do verbo hebraico ’ala e significa “ser adorado”, “ser excelente”, “ser temido” e “ser reverenciado”. O substantivo, como nome, revela a plenitude das excelências divinas, daquEle que é supremo.

DEUS é apresentado pela primeira vez na Bíblia com esse nome: “No princípio, criou DEUS os céus e a terra” (Gn 1.1). È usado para expressar o conceito universal da deidade. Essa passagem apresenta os primeiros vislumbres da Trindade, pois o verbo bara, “criou”, no singular, e o sujeito ’elohim, “DEUS”, no plural, revelam a unidade de DEUS na Trindade.

A Trindade é vista no nome Elohim à luz do contexto bíblico. A declaração, “façamos o homem” revela a existência de mais de uma Pessoa na divindade, e não mais de um DEUS. Somente o DEUS FILHO e o DEUS ESPÍRITO SANTO tiveram parti­cipação na criação juntamente com o DEUS PAI (João 1.3; Cl 1.16; Jó 33.4).

Os rabinos reconheceram a pluralidade nesse nome; porém, como o judaísmo é uma religião que defende o monoteísmo absoluto, não admite JESUS CRISTO como

0                  Messias de Israel — é difícil para eles entenderem essa pluralidade.

Para explicá-la, eles argumentam que Elohim é um plural de majestade ou de excelência, mas isso é uma determinação rabíníca posterior. Segundo o rabino Shlomo ibn Yitschaki, “O plural de majestade não significa haver mais de uma pessoa na divindade”.43 Gesenius afirma que esse nome divino denota plural, expressando uma idéia abstrata ou de intensidade.46

Elohim é poucas vezes empregado com outro propósito que não seja o DEUS revelado na Bíblia. O Antigo Testamento faz menção dos deuses do Egito: “... e sobre todos os deuses do Egito” (Ex 12.12) e de outras nações: “Dentre os deuses dos povos que estão em redor de vós, perto ou longe de ti, desde uma extremidade da terra até à outra extremidade” (Dt 13.7; cf. Jz 6.10).

O termo é usado, ainda, com relação às imagens dos cultos pagãos: “Não fareis outros deuses comigo; deuses de prata ou deuses de ouro não fareis para vós” (Ex 20.23). As Escrituras mencionam usos irregulares desse nome para seres sobrenaturais (I Sm 28.13) e para juizes (Sm 82.6). Aparece também com relação às divindades pagãs individuais cerca de vinte vezes, como Baal (Jz 6.31;

IRs 18.24,25,27) e outros.4.

Para os pagãos, o(s) seu(s) deus(es) significava(m) “a plenitude das excelências divinas”. O que o DEUS de Israel representava para o povo hebreu essas divindades representavam para os pagãos. Daí o emprego de ’elohim (plural) atinente a uma divindade pagã individual.

Quando 'elohím se refere às divindades, traz o verbo, os pronomes e o adjetivo no plural, o que representa multiplicidade. Quando é aplicado ao DEUS de Israel, os pronomes, o verbo e o adjetivo vêm geralmente no singular; salvo exceções.

El. A transcrição do termo hebraico é ’el. O nome El parece ser a raiz de Eloah e de seu plural Elohim, mas ainda há discussão sobre o assunto.48 É um “termo semítico muito antigo para deidade”.49 E usado para identificar o DEUS de Israel (Nm 23.8). A palavra vem da forma acádica ’illu, um dos nomes mais antigos de DEUS.50 Não se sabe com certeza se a palavra ’el vem do verbo ’ul, “ser forte”, ou do verbo “ser preeminente”, de idêntica raiz.

El é o nome mais usado na Bíblia para mencionar as divindades pagãs. È empregado com frequência em ugarítico, porém aparece também com relação ao DEUS de Israel. Não é mencionado em nossas Bíblias, em português — exceto em algumas variantes no rodapé. O que encontramos é o vocábulo “DEUS” em seu lugar, ou “deus”, em caso de divindades pagãs. Só é possível encontrá-lo na Bíblia Hebraica.

Os nomes ’el, ’el ‘elyon e ’eloah — no plural, Jelohim —, registrados nas Escrituras Hebraicas, foram traduzidos na Septuaginta por theos, o mesmo usado, no Novo Testamento Grego, para “DEUS”.

El Elyon. A transcrição do termo hebraico é ’el‘elyon. O nome Elyon é traduzido em nossas versões por “Altíssimo”, e El Elyon, por “DEUS Altíssimo”. Este nome (ou título) é um adjetivo que se deriva do verbo hebraico ‘ala’ e significa “subir”, “ser elevado”;52 designa DEUS como o Alto e Excelente, o DEUS Glorioso.Trata-se de um nome genérico, porque também é aplicado a governantes — mas nunca vem acompanhado de artigo quando se refere ao DEUS de Israel.

E abençoou-o e disse: Bendito seja Abrão do DEUS Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; e bendito seja o DEUS Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E deu-lhe o dízimo de tudo (Gn 14.19,20).

No texto acima, o nome de DEUS vem acompanhado de El, mas, às ve­zes, vem sozinho: “Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14.14). Elyon pode ser encontrado sozinho nas Escrituras ou combinado com outros nomes de DEUS (cf. Nm 24.16; Dt 32.8; Sl 7.17; 9.2; 57.2; Dn 7.18, 22,27).

El Shaddai. Abraão adorava o DEUS El Shaddai, “DEUS Todo-poderoso” (Gn 17.1), e Melquisedeque, rei e sacerdote de Salem, era adorador do El Elyon, Quando ambos se encontraram, descobriram que adoravam o mesmo DEUS, conhecido por eles por nomes diferentes (Ex 6.2).

Shadday, ’adona(y) e YHWH são nomes específicos, pois nas Escrituras Sagradas só aparecem aplicados ao DEUS verdadeiro. A transcrição do termo hebraico é shadday, o “nome de uma deidade”;33 “nome de deidade identificada comYaweh”;34 “mais poderoso, Todo-Poderoso, um epíteto de Jeová”.55 “Esse é um dos nomes de DEUS no Antigo Testamento, sendo que algumas versões o deixam sem traduzir (e.g., BJ), e outras traduzem por Todo-poderoso’”.36

Há ainda muita discussão sobre o étimo desse nome, que aparece 48 vezes na Escrituras Hebraicas, sendo sete delas antecedidas do nome El. Desde a anti­guidade os rabinos diziam que ele vem de she, pronome relativo hebraico “que”, “quem”, forma reduzida de ’asher, combinado com day, “suficiência”, “provisão necessária”, “suficiente”.57 Isso dá a idéia de “ser poderoso”, “ser forte” e “ser potente”.

A Septuaginta traduziu dezesseis vezes shadday por pantokrator,5S “Todo-Poderoso, Soberano universal”, que aparece dez vezes no Novo Testamento.59 Pantokrator é mencionado, às vezes, sem tradução na versão em apreço, e outras vezes é subs­tituído por theos. Jerônimo empregou Omnipotens na Vulgata Latina. Isso indica que desde o período pré-cristão já se usava o termo “Todo-Poderoso” para shadday, o que justifica a explicação rabínica acima.

Outros afirmam que a palavra vem do acádico sadu, “montanha, cadeia de montanha”.60 Assim, Shaddai seria “DEUS da montanha” ou a “morada de DEUS”.61 Há ainda os que acreditam que o termo vem do verbo hebraico shadad, “devastar, destruir”.62 Nesse caso, o nome significaria “meu destruidor”.63

Shaddai, “Todo-Poderoso”, era um nome apropriado para o período patriar­cal, durante o qual os patriarcas viviam numa terra estranha e estavam rodeados pelas nações hostis. Eles precisavam saber que o seu DEUS era o Onipotente: “Eu sou o DEUS Todo-poderoso \_’el shadday]; anda em minha presença e sê perfeito” (Gn 17.1).

O termo shadday aparece com freqüência na era patriarcal. Só no livro de Jó esse nome ocorre 31 vezes. DEUS declarou a Moisés: “E eu apareci a Abraão, e a Isaque, e a Jacó, como o DEUS Todo-poderoso; mas pelo meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido” (Ex 6.3).

No texto hebraico aparece o termo ’el shadday para “DEUS Todo-poderoso”, e o tetragrama YHWH, para “Senhor”. Isso significa que DEUS era conhecido pelos patriarcas por El Shaddai. Ele se revelou primeiro aos patriarcas do Gênesis com esse nome; depois do Sinai, os hebreus identificaram o seu libertador Jeová com o El Shaiiai dos seus antepassados.

Adonai. A transcrição do termo hebraico é ’adona(y). O nome Adonai é mencionado no Antigo Testamento 449 vezes, sendo que, em 134 vezes, aparece sozinho; e, em conexão com YHWH, 3I5.64 E um nome de DEUS, e não meramente um pronome de tratamento — nele se expressa a soberania de DEUS no Universo.

Segundo Gesenius, Adonai é “usado somente para DEUS”.65 O nome aplica-se somente ao DEUS verdadeiro e significa “meu Senhor”; também nunca é usado como pronome de tratamento. Para este caso, o hebraico usa ’adoni ou ’adon, “se­nhor”. Ana dirigiu-se a Eli usando o pronome ’adoni, “não, senhor meu, eu sou uma mulher atribulada de espírito” (I Sm I.I5); “Ah! Meu senhor, viva a tua alma, meu senhor” (1.26). Isso funciona ainda hoje em Israel.

Quando antecedido do artigo definido, o termo em apreço refere-se, exclusi­vamente, ao DEUS verdadeiro — ele aparece precedido pelo artigo definido nove vezes nas Escrituras Hebraicas (Êx 23.17; 34.23; Is 1.24; 3.1; 10.16,33; 19.4; Mq 4.13; Ml 3.1).

Os nomes Adonai e Jeová são tão sagrados para os judeus que eles evitam pronunciá-los na rua, no seu quotidiano. O segundo nem sequer nas sinagogas é pronunciado. No dia-a-dia chamam DEUS de ha-shem, “O Nome”.

Dizer “César é senhor” seria reconhecer a divindade dele. Era por isso que os cristãos primitivos recusavam-se a chamar César de senhor. O apóstolo Paulo disse: “Ninguém pode dizer que JESUS é o Senhor, senão pelo ESPÍRITO SANTO” (I Co 12.3). Essa declaração reivindica a divindade de CRISTO — só é possível reconhecer o senhorio de CRISTO pela revelação do ESPÍRITO SANTO.

Se CRISTO fosse um mero senhor, não haveria necessidade de o ESPÍRITO SANTO revelá-lo. Ê claro que o termo grego kyrios corresponde aos nomes hebraicos Adonai e YHWH, sendo usado tanto para o PAI como para o FILHO.

Nomes compostos de YHWH ou Jeová. A Palavra de DEUS mostra-nos com clareza que DEUS se deu a conhecer, nos tempos do Antigo Testamento, por vários no­mes inerentes à sua natureza e à circunstância de sua revelação. Para Abraão, Ele apareceu como a provisão para o sacrifício em lugar de Isaque, seu filho, com o nome YHWH (Jeová) Yireh, que significa: “o Senhor proverá” (Gn 22.14).

Prometendo livrar os filhos de Israel daquelas pragas e enfermidades que sobre­vieram aos egípcios, Ele se manifestou como YHWH Rapa’, isto é, “o Senhor que sara” (Êx 15.26). Numa época de angústia, nos dias difíceis dos juizes de Israel, Ele apareceu a Gideão como YHWH Shalom, isto é, “o Senhor é paz” (Jz 6.24).

A todos que peregrinam na terra Ele apresenta-se como YHWHRa‘a, que signi­fica “o Senhor é meu Pastor” (SI 23.1). Na justificação do pecador, Ele aparece como YHWH Tsideqenu, que quer dizer “o Senhor, justiça nossa” (Jr 23. 6). Na batalha contra o mal e o vil pecado, mostra-se como YHWH Nissi, “o Senhor é a minha bandeira” (Ex 17.15). E, no Milênio, será chamado de YHWH Shamma, isto é, “o Senhor está ali” (Ez 48.35).

 

O TETRAGRAMA YHWH

YHWH, tetragrama hebraico grafado geralmente como Yahveh ou Yahweh, é o nome pessoal do DEUS de Israel, que em nossas versões aparece como Jeová, Javé ou Senhor. As quatro consoantes hebraicas do nome divino se tornaram impronunciáveis pelos judeus desde o período Inter bíblico. Isso para evitar a vulgarização do nome: “Não tomarás o nome do Senhor, teu DEUS, em vão” (Ex 20.7), pois é assim que eles interpretam o terceiro mandamento do Decálogo.

Os judeus pronunciam ’adona(y) toda vez que encontram o nome sagrado nas Escrituras durante a leitura da sinagoga. Isso é observado ainda hoje. Na Idade Média, os rabinos inseriram no tetragrama YHWH as vogais de Adonai. Isso resultou na forma YeHoWaH. Só a partir de 1520 — depois de tomarem conhecimento desse fato — os reformadores difundiram o nome Jeová.

Yahweh vem do verbo hebraico haya, que significa “ser”, “estar”, “existir’, “tornar-se”, “acontecer”. Esse verbo aparece ligado a esse nome em Exodo 3.14: “EU SOU O QUE SOU”. Na poesia hebraica, usa-se com frequência a forma reduzida Yah: “JÁ é o seu nome; exultai diante dele” (Sm 68.4, Tradução Brasileira). Talvez isso justifique a presença da letra “a” no nome Yahweh. Pela gramática hebraica, “y” denota “quem sempre existiu’.

O significado desse verbo, na passagem de Exodo 3.14, é que DEUS é o que tem existência própria; existe por si mesmo. Ê o imutável, o que causa todas as coisas; é auto-existente, aquele que é, que era e que há de vir; o Eterno (Gn 21.33; Sm 90.1,2; Ml 3.6, Ap 1.8). Até hoje os judeus religiosos preferem chamá-Lo de “O Eterno”. E assim que a Bíblia na Linguagem de Hoje emprega esse nome no lugar YHWH— em Exodo 3.13, DEUS deu a Moisés o significado desse tetragrama.

Em virtude de os judeus não pronunciarem o tetragrama YHWH, a pronúncia original perdeu-se ao longo dos séculos. Mas existe uma tradição de que os samantanos pronunciavam o nome como labe. Como a letra “b”, já no grego daqueles dias, tinha o som de “v”, como ainda hoje na Grécia, então Yahweh (Iavé) parece ser a pronúncia mais apropriada. Clemente de Alexandria escreveu o tetragrama como Jeoue.

Há, portanto, evidências históricas de que Yahweh (ou Iavé) era a pronúncia primitiva. Exodo 3.14 é a única fonte bíblica que parece lançar luz sobre a pronúncia correta de YHWH. Já o texto de Exodo 6.3 mostra que os patriarcas do Gênesis conheciam esse nome, mas não sabiam a forma e o significado dele: “E eu apareci a Abraão, e a Isaque, e a Jacó, como o DEUS Todo-poderoso; mas pelo meu nome, o Senhor, não lhes fui perfeitamente conhecido”.

Yahweh é o nome do pacto com Israel: “E DEUS disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor, o DEUS de vossos pais, o DEUS de Abraão, o DEUS de Isaque e o DEUS de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração” (Êx 3.15). A partir dessa teofania, durante a história dos filhos de Israel, foi-lhes dado o nome especial e peculiar de DEUS.

O Novo Testamento grego substituiu as quatro consoantes Y, H, W e H por kyrios, que quer dizer “Senhor”. Por essa razão, as nossas versões traduziram YHWH por Senhor. O texto da versão Almeida Revista e Corrigida (ARC), edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, grafa o nome com todas as letras mai­úsculas: “Senhor”, seguindo instruções das Sociedades Bíblicas Unidas.

YHWH não aparece uma vez sequer no Novo Testamento grego; em seu lugar aparece o nome Senhor Çkyrios~). O apóstolo Paulo citou Isaías 1.9, onde aparece o nome Yahweh Tseha’ot. Em Romanos 9.29, porém, ele empregou Kyrios Sahaoth, como as demais citações do Antigo Testamento (cf. Jr 2.32; Rm 10.13).

Existem atualmente mais de cinco mil manuscritos gregos do Novo Testa­mento — incluindo papiros e lecionários — espalhados em museus e mosteiros de toda a Europa. Datados desde o século II d.C. até ao advento da imprensa, no século XV, nenhum deles traz o tetragrama YHWH. Isso porque JESUS é, no Novo Testamento, o mesmo que Jeová no Antigo.

Sendo JESUS o próprio Jeová, não pode YHWH configurar nos manuscritos gregos do Novo Testamento. Ser o mesmo DEUS não significa ser a mesma Pessoa. Esse assunto será discutido mais adiante, quando discorrermos sobre a Santíssima Trindade.

OS    DIAS DA CRIAÇÃO DE DEUS

Há uma parte da teontologia que trata da obra da criação, dos decretos divinos e da providência. O que a Bíblia ensina sobre o planejamento, a origem e a manutenção de todas as coisas no Céu e na Terra? E desse assunto que nos ocuparemos a partir de agora, o qual envolve governo e preservação de todas as criaturas de DEUS.

DEUS criou o Universo do nada, ex nihilo,66 È o que ensina a Bíblia. A narrativa do primeiro capítulo de Gênesis deve ser entendida à luz do contexto bíblico. E o ponto de partida da criação é: “No princípio, criou DEUS os céus e a terra” (Gn I.I). O verbo hebraico hara’, “criou”, “denota o conceito de ‘iniciar alguma coisa nova’ em um certo número de passagens”.67Trata-se, pois, de um termo essencialmente teológico.

Tal verbo é empregado somente com referência à atividade de DEUS, exceto em outras construções ou graus do verbo hebraico — estrutura peculiar às línguas semíticas, que altera o seu significado. Essa idéia do fat divino é apoiada em toda a Bíblia. DEUS trouxe o Universo à existência do nada e de maneira instantânea, pela sua soberana e livre vontade.

Porque falou, e tudo st fez; mandou, e logo tudo apareceu (Sl 33.9).

Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de DEUS, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que ê aparente (Hb 11.3).

Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder, porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas (Ap 4.11).

A creatio ex nihilo, da teologia judaico-cristã, invalida todo o sistema panteísta; e de igual modo, no período da Grécia antiga, o pensamento grego, pelo qual se defendia a idéia da eternidade da matéria — a qual é antibíblica e, portanto, inaceitável aos judeus e cristãos.

Desde o surgimento do darwinismo a narrativa da criação tem sido reavaliada e reinterpretada por muitos teólogos. Hoje, a origem do mundo, conforme o relato de Gênesis, é interpretada e reinterpretada por diversos sistemas teológicos e filosóficos tendenciosos.

O primeiro versículo da Bíblia revela a origem do Universo, sem explicar detalhadamente como e quando isso aconteceu. Trata-se da criação original. O relato dos dias da criação é interpretado por alguns como períodos de mil anos cada; outros procuram associá-los às supostas eras geológicas; ainda outros os definem como dias literais de restauração, haja vista o Universo ter vindo à existência “no princípio” (Gn I.I).

Muitos tentam adaptar o darwinismo à Bíblia; defendem a creatio ex nihilo seguida da evolução, nas longas eras geológicas, ajustando-as aos dias mencio­nados em Gênesis 1.5;2.3. O termo hebraicoyom, “dia”, e seu correspondente grego hemera às vezes indicam certo período: “eis aqui agora o dia da salvação” (2 Co 6.2); nem sempre denotam, na Bíblia, dia literal, de 24 horas.

A palavra “dia” é “cercada de muitos temas teológicos relacionados à sobe­rania de DEUS”,68 como lemos em Salmos 90.4 e 2 Pedro 3.8: “Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite”; “Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia”.

Para alguns teólogos, haveria uma certa correspondência entre os supostos seis períodos geológicos e a narrativa do livro de Gênesis, seguindo, em linhas gerais, aos mesmos estágios. Os chamados dias da criação seriam, nesse caso, “dias da recriação” ou “restauração”. Isso é a chamada teoria do intervalo.

Entretanto, o contexto bíblico mostra que o Universo apareceu perfeito, o que chamamos de “Terra original”. Onde localizar o antigo habitat do querubim ungido, mencionado em Ezequiel 28.12-16? O que dizer da queda de Lúcifer, citada em Isaías 14.12-14? Em que momento não havia chuva na Terra (Gn

2.5,6)        ? DEUS teria criado a Terra caótica?

Segundo a teoria em apreço, as passagens bíblicas acima falam da Terra em seu estado original, quando DEUS a criou “no princípio” (I-I), pois, em seguida, o texto sagrado registra: “E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o ESPÍRITO de DEUS se movia sobre a face das águas” (Gn 1.2).

A Palavra de DEUS afirma que DEUS não criou a Terra vazia: “o DEUS que formou a terra e a fez; ele a estabeleceu, não a criou vazia” (Is 45.18). No he­braico, “sem forma e vazia” é tohu wabohu. O profeta Isaías empregou o termo tohu que significa “confusão, espaço vazio, sem forma, nada, nulidade, vacuidade, vaidade, deserto, caos”.69 E o profeta Jeremias usou a mesma expressão de Gênesis

1.                2: “Observei a terra, e eis que estava assolada e vazia; e os céus, e não tinham a sua luz” (Jr 4.23).

Ainda segundo a teoria em análise, a Terra “tornou-se” ou “veio a ser” sem forma e vazia, o que nos levaria a admitir — se tal interpretação estiver correta

                        que “não pode, portanto, haver qualquer objeção gramatical contra traduzir Gênesis 1:2: ‘E a terra veio a ser vazia e deserta...”'0

Teria, pois, havido — conquanto a Bíblia não assevere isso de maneira clara — uma catástrofe universal que transformou a Terra original num caos. Teria, ainda, havido um período de tempo que não se pode calcular entre Gênesis 1.1;1.2.

De acordo com a mesma interpretação, é possível que o referido caos tenha resultado da queda de Lúcifer. Essa era a teoria propagada por pioneiros da Assembleia de DEUS, como Lars Ene (Eurico) Bergstén e N. Lawrence Olson/1 que se baseavam em passagens como Isaías 14.12-14:

Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de DEUS, exaltarei o meu trono, e, no monte da congregação, me assentarei, da banda dos lados do Norte. Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.

A Vulgata Latina usa o termo Lúcifer, “portador de luz”, em lugar de “estrela da manhã”. Daí Lúcifer ter se tornado um dos nomes de Satanás. O Senhor JESUS falou de sua queda: “Eu via Satanás, como raio, cair do céu” (Lc 10.18). De acordo com a teoria defendida pelos teólogos pentecostais Olson e Bergstén, o relato seguinte trata de restauração, pelo mesmo poder da Palavra que “criou os céus e a terra”.

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REVISTA NA ÍNTEGRA - LIÇÃO 2, CPAD, O DEUS PAI, 1º TRIMESTRE DE 2026

 

Escrita Lição 2, CPAD, O DEUS PAI, 1Tr26, Com. Extras Pr.Henrique, EBD NA TV

Para nos ajudar PIX 33195781620 (CPF) Luiz Henrique de Almeida Silva

 

ESBOÇO DA LIÇÃO

I – A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI

1. O PAI é o único DEUS verdadeiro

2. O PAI é a fonte da divindade

3. O PAI age por meio do FILHO e do ESPÍRITO

II – O PAI REVELADO EM CRISTO

1. O PAI se revela aos humildes

2. O PAI se faz conhecer pelo FILHO

3. Quem vê o FILHO vê o PAI

III – A PESSOA DE DEUS PAI

1. Atributos incomunicáveis do PAI

2. Atributos comunicáveis do PAI

3. Os nomes que revelam o PAI

 

TEXTO ÁUREO

“Ninguém conhece o PAI, senão o FILHO e aquele a quem o FILHO o quiser revelar.”

(Mt 11.27c)

 

VERDADE PRÁTICA

Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do DEUS PAI por meio da revelação de CRISTO e da ação do ESPÍRITO SANTO.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Mt 6.9 O PAI é o nosso PAI celestial

Terça - Dt 6.4 O Senhor é o único DEUS verdadeiro

Quarta - Jo 5.26 O PAI tem a vida em si mesmo

Quinta - 1 Tm 2.5 O FILHO é mediador entre o PAI e os homens

Sexta - Gn 17.1 DEUS, o PAI, é Todo-Poderoso

Sábado - Êx 3.14 DEUS é o "Eu Sou"

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Mateus 11.25-27; João 14.6-11

Mateus 11.25 - Naquele tempo, respondendo JESUS, disse: Graças te dou, ó PAI, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. 26 - Sim, ó PAI, porque assim te aprouve. 27 - Todas as coisas me foram entregues por meu PAI; e ninguém conhece o FILHO, senão o PAI; e ninguém conhece o PAI, senão o FILHO e aquele a quem o FILHO o quiser revelar.

João 14.6 - Disse-lhe JESUS: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao PAI senão por mim. 7 - Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu PAI; e já desde agora o conheceis e o tendes visto. 8 - Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o PAI, o que nos basta. 9 - Disse-lhe JESUS: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o PAI; e como dizes tu: Mostra-nos o PAI? 10 - Não crês tu que eu estou no PAI e que o PAI está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o PAI, que está em mim, é quem faz as obras. 11 Crede-me que estou no PAI, e o PAI, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.

 

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HINOS SUGERIDOS: 27, 141, 581 da Harpa Cristã

 

PALAVRA-CHAVE – PAI

 

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

A doutrina da Trindade nos apresenta o PAI como a Primeira Pessoa divina, de quem procedem o FILHO e o ESPÍRITO SANTO. Nesta lição, estudaremos a identidade, a revelação e a pessoa de DEUS PAI. Veremos que Ele é o único DEUS verdadeiro, a fonte da divindade, e que age por meio do FILHO e do ESPÍRITO. Também compreenderemos que o PAI se revela plenamente em CRISTO e que seus atributos e nomes expressam sua natureza e glória. Nosso propósito é aprofundar o conhecimento bíblico sobre quem é o PAI e fortalecer nosso relacionamento com Ele.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Reconhecer, biblicamente, a identidade de DEUS PAI; II) Entender que o PAI se revela plenamente em CRISTO; III) Identificar atributos e nomes que expressam a natureza de DEUS PAI.

B) Motivação: Muitos têm ideias distorcidas sobre quem é DEUS, influenciados por tradições humanas ou experiências pessoais com figuras paternas. A Bíblia, porém, nos revela o PAI verdadeiro: santo, amoroso, fiel e presente. Ao conhecer o PAI revelado por JESUS, nossa fé se firma na verdade e nosso coração se enche de confiança e adoração.

C) Sugestão de Método: Comece pedindo aos alunos que descrevam com uma palavra como imaginam DEUS PAI. Anote as respostas no quadro. Em seguida, leia Mateus 11.25-27 e João 14.6-11. Peça que a turma identifique no texto como JESUS apresenta o PAI. Use as respostas para introduzir o estudo da lição. Você pode dividir a turma em pequenos grupos e dar a cada um uma passagem bíblica sobre atributos ou nomes de DEUS PAI, pedindo que leiam e expliquem o que o texto revela sobre Ele.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: Conhecer o PAI é o núcleo da vida eterna (Jo 17.3). Isso implica não apenas saber sobre Ele, mas experimentar seu amor, obedecer à sua vontade e refletir seus atributos comunicáveis em nossa conduta diária. A revelação de DEUS PAI em CRISTO é convite à intimidade, à adoração sincera e ao compromisso com sua obra.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "Abba, PAI", localizado depois do primeiro tópico, explica a identidade de DEUS como PAI; 2) O texto "O Privilégio de ser filho de DEUS", ao final do segundo tópico, aprofunda a realidade do nosso relacionamento com DEUS PAI por meio de JESUS, o seu FILHO.

 

COMENTÁRIO – INTRODUÇÃO

A doutrina da Trindade é um mistério revelado e central à fé cristã: um só DEUS em três Pessoas coeternas, consubstanciais e distintas — o PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO. Dentre essas três Pessoas, estudaremos nesta lição a Identidade, a Revelação e a Pessoa de DEUS, o PAI. Aquele de quem procedem o FILHO e o ESPÍRITO. Ele é a fonte eterna da divindade: Criador, Redentor e Revelador. Por meio da fé, somos convidados a conhecer e nos relacionar com o PAI Celestial.

 

I – A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI

1. O PAI é o único DEUS verdadeiro

O Pentateuco declara “Ouve, Israel, o Senhor nosso DEUS é o único Senhor” (Dt 6.4). DEUS, no Antigo Testamento, é um só DEUS, que se revela pelos seus nomes, pelos seus atributos e pelos seus atos (Horton, 1997, p. 159). O Novo Testamento apresenta o PAI como DEUS por excelência, identificado seis vezes com o título de “DEUS PAI” (Jo 6.27; 1 Co 15.24; Gl 1.1,3; Ef 6.23; 1 Pe 1.2). Além dessas ocorrências explícitas, a Bíblia frequentemente se refere a DEUS como “PAI”, destacando seu papel como Criador e Sustentador do Universo (Is 63.16; Mt 6.9; Ef 4.6). O próprio JESUS se refere a DEUS como “PAI”, e ensina os discípulos a orarem “PAI nosso, que estás nos céus” (Mt 6.9), reforçando a necessidade de um relacionamento pessoal com DEUS.

 

2. O PAI é a fonte da divindade

Nossa Declaração de Fé professa que DEUS é o Supremo Ser, é Eterno, nunca teve começo, princípio e nunca terá fim (Dt 33.27), pois Ele existe por si mesmo: “como o PAI tem a vida em si mesmo, assim deu também ao FILHO ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Ele é o DEUS imutável, desde a eternidade, desde antes da fundação do mundo (Sl 90.2; Ml 3.6; Tg 1.17). Ele é o Criador do céu e da terra, e de tudo que neles existe (Is 45.18; At 17.24). Ele é o DEUS PAI de nosso Senhor JESUS CRISTO (Jo 20.31); Ele é ESPÍRITO doador e mantenedor de toda a vida (Jó 33.4). O PAI é a Primeira Pessoa divina da Santíssima Trindade, portanto, Ele é a origem e fonte eterna da divindade, de quem o FILHO é gerado e de quem o ESPÍRITO procede (Jo 15.26; Hb 1.1-3).

 

3. O PAI age por meio do FILHO e do ESPÍRITO

A paternidade é o papel da primeira pessoa da Trindade. Assim, o PAI opera por meio do FILHO e por meio do ESPÍRITO SANTO (1 Co 12.4-6; Ef 4.4-6). Isso não implica inferioridade, mas expressa a maneira como as três Pessoas operam inseparavelmente, cada uma conforme sua distinção pessoal. O PAI proclamou as palavras criadoras (Sl 33.9), e o FILHO as executou (Jo 1.3). O PAI planejou a redenção (Tt 1.2), e o FILHO as realizou (Jo 17.4). Quando o FILHO retornou ao céu, o ESPÍRITO SANTO foi enviado pelo PAI e pelo FILHO para ser o Consolador e Ensinador (Jo 14.26). Conforme o Credo de Atanásio (Séc. V): “nenhuma das três pessoas é antes ou depois da outra; nenhuma é maior ou menor do que outra. Mas as três pessoas são coeternas e coiguais”.

 

SINÓPSE I - DEUS PAI é o único DEUS verdadeiro, eterno e soberano, a fonte da divindade, que age por meio do FILHO e do ESPÍRITO SANTO.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO - ABBA, PAI

“Paulo designou DEUS como ’abba em duas ocasiões: ‘Porque sois filhos, DEUS enviou aos nossos corações o ESPÍRITO de seu FILHO, que clama: Aba, PAI [gr. ho pater]’ (Gl 4.6). ‘Não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, PAI [gr. ho pater]. O mesmo ESPÍRITO testifica com o nosso espírito que somos filhos de DEUS’ (Rm 8.15,16). Isto é: na Igreja Primitiva, os cristãos judaicos estariam invocando DEUS, dizendo: ’Abba, ‘Ó PAI!’ e os cristãos gentios estariam exclamando: Ho Pater, ‘Ó PAI!’ Ao mesmo tempo, o ESPÍRITO SANTO estaria tornando real para eles que DEUS é, de fato, o PAI de todos. A qualidade incomparável do termo acha-se no fato de que JESUS lhe atribuiu uma ternura incomum. Além do mais, caracterizava muito bem o seu próprio relacionamento com DEUS, e também o tipo de relacionamento que Ele queria, em última análise, que os seus discípulos tivessem com o PAI” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, p.151).

 

II – O PAI REVELADO EM CRISTO

1. O PAI se revela aos humildes

JESUS exalta ao PAI acerca de uma profunda verdade espiritual: “...ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25). Os primeiros, intitulados sábios (gr. sophós) são aqueles que detêm “inteligência e educação acima da média”. Os outros, os instruídos (gr. synetós), são as pessoas com “cultura e instrução”. Esses vocábulos caracterizam os fariseus e os escribas, que se vangloriavam de sua formação privilegiada, mas que padeciam de cegueira espiritual. Significa que os mistérios do Reino de DEUS não são revelados aos soberbos, aos que se consideram sábios aos próprios olhos (Pv 3.7). O PAI se dá a conhecer aos “pequeninos” (gr. népios), àqueles que possuem a humildade das crianças (Mt 18.2-4).

 

2. O PAI se faz conhecer pelo FILHO

CRISTO afirma que o conhecimento do PAI é mediado exclusivamente por Ele. A intimidade entre o PAI e o FILHO é absoluta e perfeita: “ninguém conhece o PAI, senão o FILHO e aquele a quem o FILHO o quiser revelar” (Mt 11.27). Essa declaração revela dois princípios importantes: (1) o PAI é um ser pessoal e relacional (Sl 46.10; Is 46.9); e, (2) só é possível conhecer a DEUS por meio do FILHO, o único mediador entre DEUS e os homens (Jo 14.6; 1 Tm 2.5). O FILHO é o intérprete supremo do PAI, o único capaz de revelar sua natureza, vontade e amor (Jo 1.18; Hb 1.1). Sem CRISTO, qualquer tentativa de conhecer o PAI será incompleta ou distorcida, e fadada ao erro e a idolatria (Jo 10.30; Cl 1.15; 2.8,9).

 

3. Quem vê o FILHO vê o PAI

No diálogo com Filipe, JESUS revela outra verdade sublime: “quem me vê a mim vê o PAI” (Jo 14.9). Essa declaração ratifica à doutrina da unidade da Trindade. JESUS é a perfeita expressão do PAI: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1.3). A unidade entre PAI e FILHO é essencial e inseparável: “Eu e o PAI somos um” (Jo 10.30). Não significa que são a mesma Pessoa, mas que compartilham a mesma natureza divina. A obra, as palavras e o caráter de JESUS são expressão direta da ação do PAI (Jo 14.10,11), que opera por meio do FILHO, e o FILHO age em total comunhão com o PAI (Jo 4.34; 5.30; 6.38-40; 8.28,29). Conhecer JESUS é desfrutar da presença do PAI (Jo 14.21,23).

 

SINÓPSE II - O PAI é plenamente revelado em CRISTO, sendo conhecido apenas por meio do FILHO, que é a expressão exata do seu Ser

 

AUXILIO BIBLIOLÓGICO - O PRIVILÉGIO DE SER FILHO DE DEUS

“Paulo usou a adoção para ilustrar o novo relacionamento do cristão com DEUS. Na cultura romana, o filho adotado perdia todos os direitos que possuía em relação à família anterior, e recebia todos os direitos de filho legítimo em sua nova família. Ele se tornava herdeiro dos bens de seu novo pai. [...] Da mesma forma, quando alguém se torna um cristão, recebe todos os privilégios e responsabilidades de filho na família de DEUS. [...] Não somos mais escravos atemorizados; ao contrário, somos filhos de DEUS. Que privilégio!” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.1565).

 

III – A PESSOA DE DEUS PAI

1. Atributos incomunicáveis do PAI

São qualidades exclusivas da divindade. Elas pertencem apenas ao DEUS PAI (bem como ao FILHO e ao ESPÍRITO), e não podem ser compartilhadas pelo ser humano. Os principais atributos são: Auto existência, DEUS existe por si mesmo, não depende de nada para existir (Êx 3.14; Jo 5.26); Eternidade, DEUS não tem começo nem fim, não está limitado pelo tempo (Sl 90.2; Is 57.15); Imutabilidade, DEUS não muda, Ele é sempre o mesmo (Ml 3.6; Tg 1.17); Onipotência, DEUS é todo-poderoso e nada pode frustrar seus desígnios (Jó 42.2; Lc 1.37); Onisciência, DEUS conhece perfeitamente o passado, o presente e o futuro (Sl 139.1-6; Hb 4.13); Onipresença, DEUS está, ao mesmo tempo, presente em todos os lugares (Sl 139.7-10; Jr 23.24). Estes atributos, portanto, revelam que nosso DEUS é absoluto e sem limitação alguma.

 

2. Atributos comunicáveis do PAI

São qualidades divinas que, de alguma forma, DEUS compartilha com suas criaturas, ainda que de maneira limitada. Refletem os aspectos do caráter e da moral de DEUS que podem ser vistos, em grau menor, no ser humano criado à sua imagem e semelhança (Gn 1.26,27). Dentre eles, destacam-se: Santidade, DEUS é SANTO, e chama seus filhos a serem santos em toda maneira de viver (Lv 19.2; 1 Pe 1.15-16); Amor, DEUS é amor em essência, e podemos amar a DEUS e ao próximo como reflexo desse amor (Mt 22.37-39; 1 Jo 4.8); Fidelidade, DEUS é sempre fiel, e também somos desafiados a ser fiéis (2 Tm 2.13; Ap 2.10); Bondade, DEUS é bom em todo o tempo, e somos exortados a agir com bondade em nossa conduta diária  (Sl 100.5; Gl 5.22).

 

3. Os nomes que revelam o PAI

Os nomes de DEUS não tratam apenas de sua identificação, mas revelam sua natureza, obras e virtudes (Sl 9.10). O nome Elohim (Gn 1.1), apesar do plural, reafirma o monoteísmo (Dt 6.4) e alude à pluralidade da Trindade (Gn 1.26); El Shadday (Gn 17.1) revela DEUS como o Todo-Poderoso (Gn 28.3; 35.11); Adonai (Sl 8.1) e o grego Kyrios (At 2.36) manifestam sua autoridade como Senhor (Is 6.1; Fp 2.11); o tetragrama pessoal YHWH, revelado como “Eu Sou o Que Sou” (Êx 3.14; 6.13), enfatiza a eternidade e a imutabilidade de DEUS (Sl 68.4; Ml 3.6). Esses nomes divinos identificam a primeira Pessoa da Trindade, sua soberania, poder e eternidade, aspectos fundamentais da doutrina cristã sobre a grandeza e a majestade de DEUS.

 

SINÓPSE III - Os atributos e nomes de DEUS PAI expressam sua natureza, santidade, amor e autoridade, revelando quem Ele é e como se relaciona com sua criação.

 

CONCLUSÃO

A doutrina Bíblica da Santíssima  Trindade é a revelação concreta da vida divina compartilhada entre o PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO. Nesta lição, vimos que DEUS, o PAI, é o DEUS verdadeiro, eterno e soberano, revelado plenamente em CRISTO. Ele é o autor da criação, o planejador da redenção e o sustentador da vida. Conhecer o PAI por meio do FILHO é a essência da vida eterna (Jo 17.3). Que essa verdade desperte em nós o desejo sincero de conhecer, amar e obedecer ao PAI que, em CRISTO, nos adotou como filhos (Jo 1.12; Rm 8.15).

 

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Como DEUS se identifica no Antigo Testamento?

DEUS, no Antigo Testamento, é um só DEUS, que se revela pelos seus nomes, atributos e atos.

2. O que afirma o Credo de Atanásio (séc. V) a respeito das três pessoas da Trindade?

“Nenhuma das três pessoas é antes ou depois da outra; nenhuma é maior ou menor do que outra. Mas as três pessoas são coeternas e coiguais.” (Credo de Atanásio, séc. V).

3. O que significa a expressão dita por JESUS: “Eu e o PAI somos um” (Jo 10.30)?

Significa que o PAI e o FILHO compartilham a mesma natureza divina, embora sejam Pessoas distintas.

4. O que são os atributos incomunicáveis do PAI?

Qualidades exclusivas da divindade: autoexistência, eternidade, imutabilidade, onipotência, onisciência e onipresença.

5. O que são os atributos comunicáveis do PAI?

Virtudes divinas que DEUS compartilha de forma limitada com suas criaturas, como santidade, amor, fidelidade e bondade.

 

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