sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Lição 1 - Daniel, Nosso Contemporâneo 1 parte

Lição 1 - Daniel, Nosso Contemporâneo
Lições Bíblicas - 4º Trimestre de 2014 - CPAD - Para jovens e adultos
Tema: A Integridade Moral e Espiritual - O Legado Do Livro De Daniel Para A Igreja Hoje.
Comentários: Pr. Elienai Cabral
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
 
 
TEXTO ÁUREO
"Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo (quem lê que entenda)" (Mt 24.15).
 
 
VERDADE PRÁTICA
Daniel é um exemplo de perseverança na fidelidade a DEUS e de integridade moral, estimulando-nos a confiar no projeto divino.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Gn 3.15 A primeira profecia escatológica
Terça - Gn 22.18; 26.4; 28.14; 49.10 A promessa para Abraão
Quarta - Is 7.14; 9.6; 42.1-4; 52.13-15 A predição da vinda do Rei e Redentor
Quinta - Dn 2.44,45; 7.13,14 A predição do reino vindouro
Sexta - Jr 23.3; Is 11.11; Ez 37.1-11 A promessa de restauração de Israel
Sábado - Mt 24.15 JESUS cita Daniel
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Daniel 1.1,2; 7.1; 12.4
1 No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, veio Nabucodonosor, rei da Babilônia, a Jerusalém e a sitiou. 2 E o Senhor entregou nas suas mãos a Jeoaquim, rei de Judá, e uma parte dos utensílios da Casa de DEUS, e ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu DEUS, e pôs os utensílios na casa do tesouro do seu DEUS.
7.1 No primeiro ano de Belsazar, rei de Babilônia, teve Daniel, na sua cama, um sonho e visões da sua cabeça; escreveu logo o sonho e relatou a suma das coisas.
12.4 E tu, Daniel, fecha estas palavras e sela este livro, até ao fim do tempo; muitos correrão de uma parte para outra, e a ciência se multiplicará.
 
 
 
INTERAÇÃO
Prezado professor, neste trimestre estudaremos o livro do profeta Daniel. Este livro é um dos preferidos das pessoas que gostam de estudar a escatologia bíblica. Aprendemos com Daniel não somente acerca de assuntos escatológicos, pois o seu testemunho é um exemplo de fidelidade a DEUS e de integridade moral. Daniel viveu grande parte dos seus anos como exilado em uma sociedade idólatra, servindo a reis ímpios, todavia não se contaminou. O comentarista do trimestre é o pastor Elienai Cabral - conferencista e autor de várias obras publicadas pela CPAD, membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e também da Casa de Letras Emílio Conde. Que DEUS abençoe a sua vida e a de seus alunos. Bons estudos!
 
OBJETIVOS - Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conhecer panoramicamente o livro de Daniel.
Explicar a autoria e a história por trás do livro de Daniel.
Compreender os fatos que propiciaram o exílio na Babilônia.
 
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, a fim de introduzir a primeira lição do trimestre, reproduza o esquema abaixo para os alunos. Utilizando o quadro, faça uma exposição panorâmica do livro de Daniel, explicando o propósito e suas principais divisões. Enfatize os personagens centrais, os acontecimentos mais importantes e as principais profecias. Que você possa extrair importantes lições deste grande livro do Antigo Testamento.
 
LIVRO DE DANIEL
Autor:
Daniel
Tema:     
A soberania de DEUS na história.
Data: .
Cerca de 536 - 530 a.C
Propósitos: 
(1) Dar ao povo do concerto do AT a certeza de que o juízo de seu cativeiro entre as nações gentias não seria permanente;
(2) Legar ao povo de DEUS, no decurso da sua história, as visões proféticas da soberania de DEUS sobre as nações.
Personagens centrais:   
Daniel e Nabucodonosor.
Principais acontecimentos:
Daniel interpreta o sonho de Nabucodonosor (Dn 2); A fornalha de fogo ardente (Dn 3); A loucura de Nabucodonosor (Dn 4); Daniel na cova dos leões (Dn 6).
Principais profecias:     
As visões dos anos vindouros (Dn 7-8); A revelação das setenta semanas (Dn 9); Imagens da história do fim (Dn 11-12).
Extraído de "Guia do Leitor da Bíblia", CPAD.
 
Resumo da Lição 1 - Daniel, Nosso Contemporâneo
I. - A HISTÓRIA POR TRÁS DO LIVRO DE DANIEL
1. A formação histórica de Israel.
2. O governo teocrático.
3. O governo monárquico.
II. OS FATOS QUE PROPICIARAM O EXÍLIO NA BABILÔNIA  
1. O contexto político do reino de Judá.
2. Israel no exílio babilônico.
III. DANIEL, O AUTOR E O LIVRO
1. O homem Daniel.
2. A importância do livro.
3. A autoria e as características do livro.
 
SINOPSE DO TÓPICO (1) - DEUS chamou Abraão e a partir dele deu início à história do povo judeu.
SINOPSE DO TÓPICO (2) - O povo de DEUS se rebelou contra o Senhor e como não se arrependeu, sofreu com o exílio na Babilônia
SINOPSE DO TÓPICO (3) - Umas das razões da importância do livro de Daniel está no fato de que, em sua maioria, as predições escatológicas ainda não se cumpriram.
 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
ZUCK, Roy (Ed). Teologia do Antigo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
LAHAYE, Tim. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 5 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013
 
Revista Ensinador Cristão CPAD - nº 60, p.38.
O livro de Daniel foi (e talvez ainda seja) objeto de algumas controvérsias entre os teólogos. Não por acaso, um crente batista, Willian Miller (ou Guilherme Miller), no ano de 1831, através de uma série de cálculos, popularizou a interpretação de Daniel 8.14 cujo resultado previa a volta de JESUS em 22 de Outubro de 1844. Miller errou na interpretação e até hoje o nosso Senhor não veio!
 
Anteriores a Willian Miller, outros intérpretes chegaram às conclusões semelhantes: o Jesuíta Manuel Lacunza (1731-1801); o jurista mexicano, Gutierry de Rozas (1835); Adam Burwell, missionário canadense da sociedade para propagação do Evangelho (1835); R. Scott, padre anglicano e, em seguida, pastor Batista (1834); o missionário inglês, Joseph Wolff (1829). Por que um livro bíblico, a Palavra de DEUS, traria tantas discrepâncias?
O problema não está na Bíblia, mas em quem a interpreta. Por isso, devemos considerar algumas informações ao iniciar o nosso estudo em Daniel:
Um relato histórico. O conceito conversador e tradicional de que o livro de Daniel é histórico e remonta os próprios dias do profeta era unânime até aparecer a crítica moderna da Bíblia. Ainda assim, não temos razões para mudar este conceito hoje.
O livro.
O texto foi escrito em hebraico, entretanto, os capítulos da seção 2.4 a 7.28 foram redigidos em aramaico. Derivado da Caldeia, o aramaico era um idioma popular das relações internacionais do período imperial babilônico.
O Esboço. Este nos ajuda a compreender a unidade literária do livro de Daniel. A estrutura da obra bíblica consta assim: (I) História [1—6] e (II) Profecia [7—12],
(I) História: Daniel na Babilônia [1]; as duas imagens
— o sonho e a estátua de Nabucodonosor [2 e 3]; Dois reis sob disciplina — o orgulho de Nabudonosor e a profanação de Belsazar [4 e 5]; O decreto de Dario [6].
(II) Profecia: As duas visões dos animais-impérios
— os quatro animais / o bode e o carneiro [7 e 8]; A explicação das duas profecias — os 70 anos de Jeremias e os acontecimentos dos últimos tempos [9—12],
Propósito: Revelar o escape de DEUS para o Seu povo, apesar das injustiças promovidas pelos impérios pagãos. O profeta Daniel mostra que o Senhor julgará os poderes políticos do mundo que institucionalizam a injustiça. Quando entendemos a unidade literária de Daniel os símbolos e as figuras apresentadas no livro tornam-se complementos do assunto central: a Soberania de DEUS.
Revista Ensinador. Editora CPAD. pag. 36.
 
 
COMENTÁRIOS DE VÁRIOS AUTORES - INTRODUÇÃO
Daniel é um personagem do Antigo Testamento que os estudiosos o identificam, antes de tudo, como um estadista na corte de impérios pagãos da Babilônia e da Pérsia. Na sua história de judeu criado e formado no palácio do reino de Judá, Daniel não exercia nenhuma atividade religiosa, pois não era da família sacerdotal, nem era um profeta. Entretanto, sua fidelidade a DEUS e o seu temor demonstrado, deu-lhe o privilégio de ser alguém que DEUS revelaria coisas profundas acerca do futuro do seu povo exilado na Babilônia.
Quando os livros do Antigo Testamento foram organizados, o livro de Daniel não constava na lista dos livros canonizados na primeira reunião de livros sagrados. O livro de Daniel só veio aparecer na terceira reunião de livros (o kethubhim), quando foram reunidos os livros proféticos denominados “os Escritos”. Uma das razões estava no fato de o livro de Daniel ter sido escrito muito tempo depois da maioria dos livros proféticos. O reconhecimento de que seu livro tinha um caráter profético tem o testemunho de CRISTO que confirmou a historicidade de Daniel, o qual se referiu a ele como um profeta (Mt 24.15). Os biblicistas e teólogos reconhecem, ao longo da história, que Daniel foi um dos mais importantes profetas de Israel à semelhança de Isaías, Jeremias e Ezequiel. Suas profecias falam de um tempo específico do tratamento de DEUS com o seu povo. São profecias relativas ao “fim do tempo”, um período especial no mundo, em que DEUS trataria especialmente com Israel e com todas as nações que se levantariam contra o povo de DEUS naquele tempo. Suas profecias não são isoladas do restante das profecias bíblicas quanto ao futuro. Fatos e personagens, mesmo que demonstrados numa linguagem figurada, são identificados com outras profecias no Antigo e no Novo Testamento.
A vida e o ministério de Daniel, o profeta e estadista, desenvolveram-se em meio a grandes mudanças e transformações sociais, religiosas e políticas do mundo de então. Com o desaparecimento do Império Assírio em 606 a.C., entra no cenário o poderoso Nabucodonosor que se tornou um dos mais famosos reis de todo o “Fértil Crescente”, cujo reinado durou 43 anos. Nesse período, Nabucodonosor foi um imperador tenaz e conquistador, além de ter restaurado cidades e templos em ruínas, ele construiu canais, represas e portos, contribuindo com a civilização daquela época. Foi ele que conquistou nações e, entre as quais, o reino de Judá e seus príncipes e sábios.
Daniel, Ananias, Misael e Azarias foram os jovens levados cativos, dos filhos de Judá, para o Palácio da Babilônia. A estes quatro jovens, DEUS deu o conhecimento e a inteligência em todas as letras, e, a Daniel, deu entendimento em toda a visão e sonhos (Dn 1.17). A contemporaneidade de Daniel diz respeito ao fato de que as visões e revelações concedidas por DEUS a ele têm uma abrangência profética aos nossos tempos.
Desde o período do cativeiro babilônico, passaram-se aproximadamente 2.500 anos (550 a.C. — 2.014 d.C.) e o profeta Daniel é, indiscutivelmente, um profeta que não ficou restrito ao passado. Daniel é um profeta para nossos tempos; é um profeta contemporâneo. O nome, a vida e a obra do profeta Daniel são um exemplo de um homem que, mesmo estando em circunstâncias adversas, em meio a uma cultura pagã, não perdeu o vínculo com o seu povo e com a sua fé em DEUS. No Evangelho de Mateus temos um dos mais importantes discursos proféticos de JESUS no qual Ele cita o profeta Daniel (Mt 24.15). As profecias de JESUS tinham um caráter especial porque se referiam essencialmente ao povo de Israel. Entretanto, podemos perceber que as evidências proféticas não se restringiam apenas a Israel, mas tinham e têm um alcance e abrangência à toda a humanidade. A preocupação de JESUS era responder a algumas questões que os judeus faziam quanto à vinda do Messias para estabelecer o seu Reino na terra.
Alguns biblicistas e pesquisadores da história bíblica, ao analisarem o livro de Daniel do ponto de vista histórica-crítica, criaram dificuldades para aceitar o conteúdo profético e teológico do livro de Daniel. Porém, o cumprimento de algumas das profecias na história de Israel, não só deram credibilidade ao livro, como serve de base para o cumprimento do restante da profecia para o “fim do tempo” (Dn 8.17). Portanto, o livro de Daniel não pode ser relegado a um papel secundário no cânon das Escrituras. A igreja de CRISTO reconhece o valor da história e da profecia desse livro e proclama a Fé no DEUS Todo-Poderoso que controla e domina a história.
Para entendermos o livro de Daniel em termos de história e profecia, precisamos conhecer alguns elementos que dão consistência ao seu estudo.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 17-19.
 
Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, entenda;

Mateus 24:15
Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, entenda; Mateus 24:15
 
Mt 24.15,16 JESUS advertiu contra a procura de sinais, mas como uma parte final da sua resposta à segunda pergunta dos discípulos (24.3) Ele lhes falou do evento definitivo que iria significar a destruição vindoura.
A abominação da desolação se refere à profanação do Templo pelos inimigos de DEUS. Mateus insiste para que os seus leitores entendam as palavras de JESUS à luz da profecia do profeta Daniel, no Antigo Testamento (veja Dn 9.27; 11.31; 12.11).
O primeiro cumprimento da profecia de Daniel aconteceu em 168 a.C., com Antíoco Epifânio, quando ele sacrificou a Zeus um porco no altar do Templo sagrado e fez do judaísmo uma religião ilegal, punível com a morte. Isto incitou a guerra dos macabeus.
O segundo cumprimento aconteceu quando se concretizou a predição de JESUS sobre a destruição do Templo (24.2). Dentro de poucos anos (70 d.C.), o exército romano iria destruir Jerusalém e profanar o Templo.
Com base em 24.21, o terceiro cumprimento ainda está por acontecer. As palavras de JESUS se referem ao final dos tempos e ao anticristo.
No final dos tempos, o anticristo irá cometer o sacrilégio final, colocando uma imagem de si mesmo no Templo e ordenando a todos que a adorem (2Ts 2.4; Ap 13.14,15).
Muitos dos seguidores de JESUS estariam vivos durante a época da destruição de Jerusalém e do Templo, em 70 d.C. JESUS advertiu os seus seguidores para que saíssem de Jerusalém e da Judéia e fugissem para os montes, cruzando o rio Jordão, quando vissem o Templo sendo profanado. Isto provaria ser para a sua proteção, pois quando o exército romano invadisse, a nação e a sua cidade principal seriam destruídas.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 142.
 
Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, entenda; Mateus 24:15
 
Mt 24.15-21 Ainda que alguns intérpretes tomem esta passagem como se referindo exclusivamente à segunda vinda, há nela referências inconfundíveis à destruição de Jerusalém, no ano 70 d.C.. como é claro no relato paralelo de Lc 21.20-24.
A destruição de Jerusalém era o prenúncio do Juízo Final e, assim, era o sinal da ira vindoura Ele permanece como a declaração incomparável do fim da era antiga e, por isso, é um sinal específico e singularmente importante.
Mt 24.15 o abominável da desolação. A frase é de Dn 9.27; 11.31, onde se refere à profanação do templo por Antíoco Epifânio, em 168 a.C. Antíoco erigiu um altar pagão no templo. Segundo Josefa, ele também sacrificou porcos ali.
Pouco antes do ano 70 d.C., os Zelotes estiveram no recinto do templo, durante a guerra com Roma, e sua presença ali pode ter sido considerada uma profanação. No ano 70 d.C., os romanos entraram no templo com seus estandartes militares, suas insígnias cerimoniais que eram elementos de sua religião. Carregaram os vasos sagrados, inclusive o candelabro, e incendiaram o templo. Esculturas das tropas romanas carregando os vasos são vistas no Arco de Tito, em Roma.
Bíblia de Estudo de Genebra. Editoras Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 1135.
 
I – A HISTÓRIA POR TRÁS DO LIVRO DE DANIEL
1. A formação histórica de Israel.
Ao estudar o livro de Daniel e para entendê-lo precisamos saber que esse livro não é ficção, mas está intimamente relacionado com todos os acontecimentos deste mundo em relação ao tempo, à geografia e à história. E um livro que tem data e foi escrito em determinada ocasião. Por isso, as profecias, mediante as visões e revelações de DEUS dadas ao seu servo Daniel tem respaldo histórico. Os eventos proféticos nos levam a entender o plano divino para Israel e o resto do mundo.
A revelação do projeto de DEUS com Israel
Existem fatos na história da humanidade que os historiadores e pesquisadores não conseguem explicar. São os fatos que envolvem a presciência divina. DEUS, em sua presciência escolheu um homem do meio da humanidade existente para ser o protótipo de um projeto que o colocaria na história.
Esse projeto começou com um dos personagens mais extraordinários da Bíblia Sagrada chamado Abraão. Ele e sua mulher Sara (Gn 12.1-3) seriam o ponto de partida para o cumprimento desse projeto. De Abraão sairia uma família, uma raça, uma etnia especial que representaria os interesses de DEUS na terra. Abraão e Sara, na sua velhice, geraram um filho especial chamado Isaque, o filho da promessa (Gn 15.4; 17.18; 21.1-3). Isaque se casa com Rebeca e gera dois filhos, os gêmeos Esaú e Jacó. Do segundo filho Jacó, com uma prole de 12 filhos foi formada uma nação, a nação projetada por DEUS. A família de 12 filhos cresceu e, por esse modo, os desígnios de DEUS para a semente de Abraão se cumpriam historicamente. Obedecendo ao propósito divino, esta família mudou-se, posteriormente, para o Egito. Naquela terra, a família aumentou em número tornando-se um povo gigantesco. Com a morte do antigo Faraó e morto, também, José, a família proliferou-se na terra do Egito, mas perdeu as benesses do tempo de José e passaram a viver como escravos por quatrocentos anos, até que DEUS os tirou do Egito com mão forte e poderosa. Os filhos de Jacó tornaram- se conhecidos como os filhos de Israel. Saíram do Egito, por uma intervenção divina e viveram no deserto por quarenta anos sob a liderança de Moisés. A partir de então, esse povo viveu sob a égide de um governo diretamente de DEUS, um governo teocrático, através de homens chamados para esse mister.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 19-20.
 
Uma retrospectiva histórica
DEUS chamou a Abraão. Ele constituiu uma família.
A família tornou-se uma nação. Esta desceu ao Egito, onde permaneceu quatrocentos anos. DEUS tirou Israel do cativeiro com mão forte e poderosa. Dez pragas vieram sobre o Egito, desbancando as divindades do maior império do mundo. Israel perambulou no deserto quarenta anos sob a liderança de Moisés. Durante sete anos conquistou a terra, sob a liderança de Josué. Surge a Teocracia no período dos juízes. Esse tempo durou cerca de trezentos anos, quando Israel oscilou entre pecado, juízo, arrependimento e restauração.
Depois da Teocracia veio a Monarquia. Cento e vinte anos de Reino Unido sob Saul, Davi e Salomão. Com a morte de Salomão em 931 a.C., sob o governo de seu filho Roboão, o reino se dividiu em: reino do Norte e Reino do Sul.
O Reino do Norte, formado por dez tribos teve dezenove reis, com 8 dinastias (uma sequência de governantes considerados como membros da mesma família). Por causa de sua obstinação e desobediência foram levados cativos em 722 a.C., pela Assíria, e jamais foram restaurados. O Reino do Sul, formado pelas tribos de Judá e Benjamim, procedia da dinastia davídica. Esse reino teve vinte reis e experimentou altos e baixos, momentos de glória e tempos de calamidade, reis piedosos no trono e reis perversos e maus. Esse reino alternou momentos de volta para DEUS e momentos de rebeldia.
Porque o povo abandonou a DEUS e não quis ouvir sua Palavra, DEUS enviou seu juízo sobre a nação. Os caldeus vieram contra eles, e DEUS os entregou nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 18-19.
 
a.C. 3000 (+ ou -) – Nasce Noé, que acha graça diante de DEUS e foi escolhido para construir a arca que subsistiria ao dilúvio. Filho de Matusalém, o homem que mais viveu, segundo a Bíblia, que viveu cerca de 969 anos. Noé viveu 600 anos e então veio o dilúvio que durou 375 dias. De Noé saíram Sem, Cão e Jafé. Os judeus são descendência de Sem.
a.C. 2160 – Nasce Abrão em Ur dos Caldeus, na Mesopotâmia, que viria a ser o patriarca do povo judeu, possuídos da promessa feita por DEUS. O Senhor o chamou e disse para que seguisse no deserto a caminho de uma terra desconhecida. Levando seu sobrinho Ló consigo chegou a Canaã prometida passando mais tarde para o Egito por causa da fome. Separaram-se Abraão e Ló e DEUS lhe promete um Filho, apesar de sua idade avançada.
a.C. 2060 – Isaque nasce (Gn 21.1-7). Como havia prometido DEUS a Abraão, seria ele o primogênito de toda uma nação sendo um tipo de CRISTO. Isaque casa-se com Rebeca e continua a genealogia de JESUS (Gn 24).
a.C. 2000 – Nascem Jacó e Esaú, Jacó usurpa a bênção da primogenitura de Esaú (Gn 27.1-45). Esaú ira-se contra Jacó e este foge em direção a Betel onde teve o sonho da escada com anjos. Jacó casa-se com Raquel, depois de ter sido enganado por Labão. Jacó e Esaú se reencontra. Jacó luta com DEUS no Jaboque e tem o nome mudado para Israel Jacó teve doze Filhos que vieram a ser os doze patriarcas da tribo de Israel, e uma Filha, Diná.
a.C. 1889 – Nasce José, o filho preferido de Jacó que foi vendido ao Egito por seus irmãos. No Egito prosperou pela mão do Senhor e se tornou ministro. Nesse tempo os Hicsos tinham o poder sobre o Egito por ocasião da queda da XIII dinastia egípcia.
a.C. 1870 – Jacó e seus filhos descem para o Egito por causa da fome, José apesar de humilhado recebeu-os e cuidou deles (Gn 46). Os hebreus permanecem no Egito por 430 anos.
a.C. 1580 – Nesse período os Hicsos são expulsos. A Síria e a Palestina tornaram-se tributárias de Egito. A terra é devolvida à coroa e os hebreus são escravizados.
a.C. 1520 - Nasce Moisés. Totmés I governa o Egito. Moisés é colocado nas águas e encontrado pela Filha de faraó (Êx 2).
a.C. 1497 – Totmés I morre e é substituído por Totmés II que reina só quatro anos.
a.C. 1493 – HATSHEPSUT, que resgatou Moisés das águas torna-se rainha do Egito.
a.C. 1480 – Moisés comete um homicídio e foge para Midiã, onde se casa com Zípora, filha de Jetro.
a.C. 1448 – Moisés é chamado por DEUS e volta ao Egito para livrar o povo (Êx 3.1 – 4.31). Depois de contatar com Faraó e prevalecer através de sinais e prodígios, entre eles as dez pragas (Êx 5.1 – 11.10) e celebrar a páscoa (Êx 12.1-13.19) o Senhor livra o povo através de Moisés depois de 430 anos assim como havia prometido a Abraão Isaque e Jacó (Êx 2.24).
a.C. 1440 – O povo sai do Egito e vai em direção a terra prometida depois de verem os inimigos se afogarem no mar vermelho (Êx 14). No deserto as águas do mar se tornam doces (Êx 15) há provisão de cordonizes, maná (Êx 16.1-36) e água da rocha (Êx 17.1-7), depois disso surgem os problemas domésticos e externos, como a visita de Jetro e a batalha contra os amalequitas (Êx 17.8-16) e (Êx 18.1-27). DEUS faz chamada ao pacto (Êx 19.1-25) e dá o decálogo (Êx 20.1-21) e as leis litúrgicas (Êx 20.21-26), também as leis civis e criminais (Êx 21.1-22.17) e as leis morais e religiosas (Êx 22.18–23.19), DEUS dá ordenanças a respeito do tabernáculo (Êx 24.15-31.18), que é cumprida mais adiante (Êx 35.1-40.38). É feito um recenseamento (Nm 1.1-46) e Moisés envia espias à terra prometida (Nm 33.50-34.29).
a.C. 1400 – Morre Moisés ao avistar a terra prometida do cume de Pisga, no monte Nebo, nas campinas de Moabe (Dt 34.1-12).
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HISTORIA DE ISRAEL
Esboço:
I. Definições e Usos do Termo
II. Caracterização Geral
I. Definições e Usos do Termo
Os intérpretes têm dado diferentes traduções para a palavra Israel. Basicamente, significa «DEUS esforça-se », pois compõe-se de duas palavras hebraicas, yisra e el (esta última um dos termos comuns para DEUS, e que significa «íorte»). O verbo hebraico sara significa «esforçar-se». No contexto da primeira vez em que essa palavra é usada no Antigo Testamento (Gen. 32:28), onde Jacó lutou com O anjo e prevaleceu, quando seu nome foi alterado de Jacó para Israel, temos a palavra hebraica sarita, «tendo-se esforçado».
A declaração bíblica inteira diz: «Já não te chamarás Jacó e, sim, Israel: pois como príncipe lutaste com DEUS e com os homens, e prevaleceste». O trecho de Gên. 35:10 reafirma a mudança do nome de Jacó. Ali o Senhor diz a Jacó: «O teu nome é Jacó. Já não te chamarás Jacó, porém Israel será o teu nome. E lhe chamou Israel». Dali por diante, o nome Israel aparece por todo o Antigo Testamento, em alternância com Jacó. Visto que a nação hebreia multiplicou-se a partir da linhagem de Jacó, o nome Israel veio a designar a nação inteira. Além disso, os patriarcas que dele descenderam são chamados de «filhos de Israel».
O termo Israel também tem sido interpretado como se significasse «que tem poder diante de DEUS», ou então «lutador de DEUS». Mas outros interpretam o nome como se fosse «príncipe com DEUS». Winder, Em seu léxico hebraico, dá o sentido pugnator Dei. Talvez a melhor tradução de todas seja «Contendor com DEUS», porque Jacó, ao lutar com o anjo, tomou isso como uma espécie de confrontação pessoal com o próprio DEUS. E chamou o lugar onde a luta ocorreu de Peniel, dizendo: «Vi a DEUS face a face, e a minha vida foi salva» (Gên. 32:30). Ora, Peniel significa «face de DEUS». A idéia mais ousada de todo o incidente é que Jacó lutara com o próprio DEUS, e prevalecera; e, por isso mesmo, foi abençoado de modo todo especial, por motivo de sua diligência e vitória. Por sua vez, a nação de Israel recebeu bênçãos especiais de DEUS, como representante dele entre as nações, como agente do desígnio messiânico. Uso do Termo Israel:
1. Um nome alternativo do homem Jacó. Conforme foi explicado acima.
2. Nome da nação hebreia, descendente de Jacó, com base em Gên 24:7. Os israelitas eram as doze tribos de Israel, também chamados de «filhos de Israel» (Jos 3:17; 7:25; 8:27; Jer 3:21), «casa de Israel» (Êxo 16:31; 40:38). A nação inteira foi personificada como se fosse uma pessoa, chamada filho de DEUS: «Israel é meu filho, meu primogênito» (Exo. 4:22; Núm. 20:14; Isa. 41:8; 42:24). O primeiro uso extrabíblico, estrangeiro, desse termo, em alusão aos hebreus, aparece em uma inscrição de Meremptâ, Faraó do Egito, em cerca de 1230 a.C. Várias outras ocorrências do nome Israel, em inscrições de inimigos dessa nação, têm sido encontradas.
3. Alguns intérpretes pensam que, em Isaias 49:3, temos um uso messiânico desse termo, referindo-se a CRISTO como o Servo de DEUS: «Tu és o meu servo, és Israel por quem hei de ser glorificado».
4. Os trechos de Esd. 6:16; 9:1 e Nee. 11:3 parecem aplicar o termo Israel aos sacerdotes e levitas, destacando-os do restante da nação.
5. O nome Israel foi conferido a dez das tribos, após a divisão dessa nação nos reinos do norte (dez tribos) e do sul (duas tribos). Ver 11 Sam. 2:9,10,17,28; 3:10; 10:40-43; I Reis 12:1. Em contraste com isso, as duas tribos do sul (Judá e Benjamim) foram chamadas de reino de Judá, Finalmente, o termo judeu derivou-se de Judá, tendo chegado a designar todo o povo de Israel. Os reis das dez tribos eram chamados «reis de Israel»; e os reis de Judá e Benjamim eram chamados de «reis de Judá, Isso posto, os profetas falaram sobre Israel e Judá como nações distintas (Osé. 4:15; 5:3; 6:10; 7:1; 8:2,3,6,8; 9:1,7; Amós 1:1; 2:6; 3:14; Mq. 1:5; Isa. 5:7). Porém, em Isaías 8:14 os dois reinos são chamados de «duas casas de Israel».
6. Terminado o cativeiro babilônico, o termo Israel novamente veio a designar a nação inteira, apesar do fato de que a maioria daqueles que voltaram a residir em Jerusalém pertencia à tribo de Judá, mas, por essa altura, o termo «judeu» também se tomou comum, o que é exemplificado nos livros apócrifos e no Novo Testamento.
7. O Uso Espiritual. Algumas vezes há alguma referência ao verdadeiro Israel, ou seja, os fiéis, aqueles que se distinguiam por sua sinceridade e piedade, em contraste com outros membros dessa nação, que não eram tais. Ver Sal. 73:1; Isa. 45:17; João 1:47; Rom. 9:6; 11:26; Gál. 6:16.
8. O Uso Cristão. A Igreja cristã veio a ser chamada de Novo Israel, o Israel espiritual.
II. Caracterização Geral
Sumário da história de Israel:
1. O Pacto Abraãmico- Esse pacto armou palco para o desenvolvimento e o caráter da nação de Israel; e Abraão foi o pai em quem foram investidas as bênçãos e os desígnios de DEUS.
2. A linhagem escolhida passava por Jacó, que recebeu o novo nome de Israel, conforme foi descrito longamente nos parágrafos acima.
3. A nação de Israel desenvolveu-se numericamente no Egito, mas mesmo ali, naquele tempo, conforme mostra a inscrição de Meremptá, cerca de 1230 a.C.), o termo Israel já era aplicado à nação. É provável que esse desenvolvimento se tivesse dado na forma de doze tribos, e que esse arranjo foi confirmado e teve continuação (e não que foi iniciado) após o êxodo. Os filhos de Jacó foram denominados filhos de Israel, por serem tribos que descendiam dele (Êxo 1:1). Os filhos de Jacó foram chamados filhos de Israel, tal como as tribos que deles descendiam (Êxo1:1). Além disso, encontramos as alternativas «tribos de Israel" (Gên. 49:16,28), «congregação de Israel» (Exo. 24:4) e «casa de Israel» (Êxo, 5:1).
4. O êxodo fez que a nação que se multiplicara no Egito fosse enviada ao deserto, onde ficou vagueando por quarenta anos. Foi então que a lei foi dada a Israel. A lei, acima de qualquer outro fator, distinguiu Israel de todas as demais nações do mundo. Nesse tempo, a nação tornou-se uma teocracia. Isso ocorreu por volta de 1200 a.C..
5. A Conquista da Terra. Diversas datas têm sido sugeridas para essa conquista. A cronologia do Antigo Testamento não é um assunto fácil de deslindar. Uma data padrão para a conquista é cerca de 1200 a.C., mas outros têm sugerido uma data tão remota quanto 1400 a.C.. O livro de Josué narra as vicissitudes da conquista.
6. Os Juízes, O livro com esse título conta a história desse período. Israel continuou sendo uma nação teocrática, mas os juízes atuavam como se fossem reis sacerdotes, embora lhes faltasse uma completa organização, com o apoio de um exército, conforme sucedia no caso dos reis. A ausência de organização centralizada tendia para o individualismo e o caos (ver Jz. 21:25). O livro de Juízes narra um total de sete apostasias, com sete períodos de servidão e sete nações pagãs opressoras, com sete livramentos correspondentes. O período coberto foi de cerca de trezentos anos, que alguns estudiosos pensam ter começado tão cedo quanto 1400 a.C.
7. Os Reis. Samuel, o maior dos juízes de Israel, que foi um líder carismático, talvez o líder hebreu mais significativo entre Moisés e Davi, objetou (junto com DEUS - Obs. Minha - Ev. Henrique) ao estabelecimento da monarquia em Israel; porém, os israelitas queriam um rei que os protegesse (Obs. Minha - Ev. Henrique - e fosse como os reis dos povos em sua volta), pois isso lhes parecia o melhor método. As guerras e as matanças jamais cessaram; e, para viver dessa maneira era mister contar com forças armadas, o que resultou em um exército permanente, sob o comando do rei Saul que tornou-se o primeiro rei de Israel. Imediatamente começaram guerras contra os amonitas e os filisteus. Enquanto Saul deu ouvidos aos conselhos de Samuel, as coisas correrem regularmente bem. Porém, quando as hostilidades entre os dois aumentaram, houve uma brecha entre eles, e Saul declinou rápida e perigosamente. Foi morto em batalha contra os filisteus, no monte Gilboa. A ameaça dos filisteus, que sempre fora grande, agora estava mais perigosa do que nunca. A morte de Saul ocorreu por volta de 1010 a.C. Os livros de I e II Samuel nos fornecem os detalhes de sua história.
8. Davi. Ele era membro da tribo de Judá, e foi através dele, um guerreiro decidido e violento, que o jugo filisteu foi quebrado, afinal, Davi havia sido um comandante militar nos dias de Saul, e sua habilidade em combate despertara a inveja do idoso monarca.
Assim, Davi teve de fugir para o exílio, até que as circunstâncias permitiram que ele se tornasse rei. Quando Saul foi morto, imediatamente Davi foi aclamado rei de Judá, Dois anos mais tarde, as tribos de Israel estavam unidas debaixo de seu governo. Davi capturou a cidade de Jerusalém (que então se tornou sua capital), no sétimo ano de seu governo. E os filisteus tornaram-se seus vassalos, através de uma série de brilhantes vitórias. Ele desenvolveu a vida religiosa do seu pais, especialmente organizando a classe dos músicos que serviam no templo. O próprio Davi era um habilidoso músico.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 391.
 
ISRAEL - O nome Israel aparece pela primeira vez em Genesis 32.28, dado pelo Anjo do Senhor a Jacó (q.v.) durante seu encontro com ele em Peniel. Jacó havia se recusado a deixá-lo partir até que ele tivesse lhe dado uma bênção, e assim DEUS lhe deu o novo título de Yisra'el, declarando que ele havia persistentemente lutado (sarita de sarah, "esforçar-se, persistir") com DEUS ('Hohim, cuja forma mais curta é 'El) e prevalecido (isto é, em sua oração sincera). Portanto, parece que o nome significa: "O que luta [persiste] com DEUS"; o mais óbvio, "DEUS persiste", não se encaixaria muito bem nas circunstâncias desse episódio. De qualquer forma, este se tornou o nome específico para Jacó na aliança, da mesma forma que Abraão havia sido para Abrão (Gn 17.5). A designação nacional do povo hebreu passou a ser "os filhos de Israel" (b*ne Yisrael), ao invés de "os filhos de Jacó", na época em que os membros da família de José multiplicaram-se (Êx 1.9,12) e estavam prontos a deixar o Egito e ir para a terra prometida sob a liderança de Moisés (Êx 2.23,25; 3.9 etc...). A expressão "filhos de Jacó", nunca aparece no Pentateuco depois do livro de Genesis (onde ela só aparece ligada aos filhos imediatos de Jacó). Por amor à brevidade, a expressão "os filhos de" foi ocasionalmente omitida, e "Israel" por si só poderia referir-se aos hebreus como uma raça. Assim os perseguidores egípcios no mar Vermelho foram citados dizendo: "Fujamos da face de Israel", quando eles viram-se atolados e ameaçados de destruição (Êx 14.25). Em registros sobreviventes egípcios, os israelitas são citados pela designação geral de Apiru (que parece ter incluído outros grupos cananeus e semitas, e não apenas os hebreus). Há uma referência, porém, ao nome de Israel na famosa "Estela de Israel" do rei Merneptah, da 19a Dinastia. Depois de falar de seu êxito militar ao saquear Canaã, Asquelom, Gezer e Lanoã, o hino triunfal declara: "Israel está devastado, mas sua semente não" (ANET, p. 378). O modo egípcio de escrever este nome é "Y-s-r-'-r" (o idioma egípcio não fazia distinção entre o l e o r até a conquista grega), e é seguido pelo determinativo homem-muIher-plural, indicando que Israel era uma tribo ou nação, e não uma cidade-estado local. Esta inscrição data de aproximadamente 1230 a.C, e assim ela pode referir-se a uma incursão egípcia que deve ter ocorrido durante o período dos juízes.
De forma similar, há apenas uma referência ao nome Israel nas inscrições cuneiformes assírias descobertas até aqui, ou seja, na inscrição Balawat de Salmaneser III (ANET, p. 279), que registra a batalha de Qarqar (853 a.C), travada contra Hadadezer de Damasco e Acabe de Israel (A-ha-ab-bu Sir-'i-la-ai).
Os registros assírios existentes referem-se a Israel (especialmente ao Reino do Norte) como "a terra de Onri" (mat Humri), aparentemente porque foi durante o reinado dessa dinastia que os assírios entraram pela primeira vez em contato com a monarquia hebreia (cf. ANET, pp. 281,283-285). Mas na adjacente Moabe, o nome "Israel" era a designação usual, se pudermos julgar a partir das quatro ou cinco referências na inscrição do rei Mesa (aprox. 840 a.C.; ANET, p. 320). Na coleção comparativamente pequena das inscrições fenícias que sobreviveram até os nossos dias, nenhuma referência a Israel foi encontrada; o mesmo é verdadeiro quanto às antigas inscrições aramaicas. No uso bíblico, como já foi mencionado, o nome Israel tem uma conotação de aliança ou teológica, mesmo nos lábios do próprio Jacó. Em Genesis 49.2, ele reúne seus filhos em torno de si para uma bênção final: "Ajuntai-vos e ouvi, filhos de Jacó; e ouvi a Israel, vosso pai". Então se segue uma caracterização específica de cada um dos 12 filhos, acompanhada de uma profecia de seu papel na vida da futura nação. No versículo 28 lemos: "Todas estas são as doze tribos de Israel; e isto é o que lhes falou seu pai quando os abençoou". Nos dias de Moisés, Yahweh ("Jeová") declara ser o Pai de Israel: "Israel é meu filho, meu primogênito" (Êx 4.22). Em 5.1 lemos: "Assim diz o Senhor, DEUS de Israel. Deixa ir o meu povo..." Como "Israel", a nação hebreia deveria representar um papel especial como uma teocracia governada pela lei de DEUS especialmente revelada, e Ele deveria ser seu único Rei. O poderoso líder Gideão reafirmou este princípio ao rejeitar a proposta de torná-lo rei sobre Israel, dizendo: "Sobre vós eu não dominarei, nem tampouco meu filho sobre vós dominará; o Senhor sobre vós dominará" (Jz 8.23). Mesmo quando um rei humano foi finalmente ungido pelo profeta Samuel, deixou-se claro que ele fora escolhido e eleito pelo Senhor, e estava sob a obrigação de obedecer à sua Lei (1 Sm 10.25; 12.13-15,24,25).
Em sua carreira subsequente, porém, como o primeiro rei de Israel, Saul provou ser infiel à confiança nele depositada, substituindo a vontade revelada de DEUS pela sua própria vontade e juízo. Em primeiro lugar ofereceu um sacrifício em Gilgal (1 Sm 13.9,10) como se ele fosse um sacerdote ordenado; e, em segundo lugar, ao poupar o rei dos amalequitas e seu gado, apesar da ordem do Senhor de destruí-los completamente (15.17-26). O resultado foi que o Senhor revogou sua designação como rei teocrático (1 Sm 13.13,14; 15.23), e enviou Samuel a Belém para ungir Davi, o filho mais novo de Jessé, embora sob uma condição sigilosa (16.13). Por fim, Saul começou a suspeitar que seu valente jovem harpista, o vencedor do gigante Golias, era seu sucessor escolhido por DEUS, e o substituto de sua dinastia (18.29), tornando-se a partir daí obcecado pelo desejo de vê-lo morto (20.31). Uma grande parte do restante de seu reinado foi usada em uma tentativa fracassada de capturar e matar Davi. Finalmente Saul e seus filhos envolveram-se em uma campanha desastrosa contra os filisteus invasores, que o feriram de modo fatal na batalha do monte Gilboa. Após sete anos e meio de uma guerra civil intermitente, o filho mais novo de Saul, Isbosete, foi assassinado, e as dez tribos do norte reconheceram a Davi como seu rei, depois de ele ter reinado sobre Judá e Simeão a partir da época da morte de Saul. Toda essa situação confirmou o princípio de que o rei de Israel tinha que ser escolhido pelo próprio DEUS, pois o Senhor seria o responsável por manter sua lei e seu agente sobre a terra.
Como um governante piedoso e dedicado sob o mandato divino, Davi reinou sobre a monarquia unida de Israel. Ele subjugou não só os filisteus, mas também as outras nações vizinhas (edomitas, moabitas, amonitas e sírios de Damasco e Hamate) em uma longa série de campanhas vitoriosas. Davi nunca experimentou uma derrota no campo de batalha. O Senhor o usou para dar a Israel "descanso" de todos os seus inimigos que o cercavam, e para tomar posse de todo o território originalmente prometido à semente de Abraão (Gn 15.18), por todo o caminho a partir do "rio do Egito" (o Uádi el-'Arish) até o Eufrates, em Tifsa (cf. 1 Rs 4.24). De certo modo, a conquista de Canaã não foi concluída até que o Senhor achasse em Davi um homem segundo seu próprio coração (1 Sm 13.14). Foi ele que, como um governante teocrático zeloso, subjugou todos os inimigos de Israel e tomou a cidade de Jerusalém de seus proprietários pagãos, os jebuseus, e assegurou um lugar de descanso adequado e permanente para o santuário do Senhor (de acordo com a promessa de Dt 12.10,11). Contudo, por causa de seu envolvimento nas guerras sangrentas (que ele às vezes conduzia com severidade cruel, cf. 2 Sm 8.2; 12.31), foi negado a Davi o privilégio de construir o Templo (1 Cr 22.8). Entretanto, ele reuniu a maioria dos materiais caros necessários para sua construção, e arquitetou os planos da edificação para que seu filho Salomão executasse a obra (1 Cr 28.11-19). Foi-lhe prometido pelo profeta Natã, falando em nome do Senhor, que Salomão viveria para executar seu projeto e erigir uma linda estrutura para guardar a arca da aliança e servir como um ponto central para a adoração de todo o Israel (2 Sm 7.12,13; 1 Cr 28.5,6). Ainda mais importante do que o Templo em si, era a promessa divina de que Salomão seria uma tipificação do Rei Messiânico que um dia viria para estabelecer o Reino de DEUS na terra (2 Sm 7.13; 1 Cr 28.7). Esta promessa fazia parte do anúncio do anjo a Maria: "O Senhor DEUS lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e seu Reino não terá fim" (Lc 1.32,33).
Davi, então, agiu de acordo com o padrão de um rei teocrático responsável para com DEUS, sob as condições da aliança. Mas embora tenha recebido cedo a aprovação de DEUS em seu reinado, mais tarde ele caiu em um lamentável pecado pessoal na questão de Bate-Seba (com quem cometeu adultério) e no homicídio que tramou contra o marido dela, Urias (2 Sm 11). Depois que o profeta Natã o denunciou em particular por estes pecados, Davi sucumbiu em tristeza e arrependimento e, portanto, foi perdoado e restaurado à comunhão com DEUS.
No entanto, ele havia violado tão gravemente seu papel como rei de Israel, que a consequência nociva foi pronunciada: "Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua casa, porquanto me desprezaste... Eis que suscitarei da tua mesma casa o mal sobre ti" (2 Sm 12.10,11). Isto significava que a violência, a crueldade e a traição iriam infestar a dinastia de Davi por todas as gerações seguintes. Durante a própria vida de Davi, ele sofreu a perda do primeiro filho concebido por Bate-Seba fora do matrimônio; a tristeza do sórdido episódio de seu filho primogênito, Amom, que estuprou sua própria meia-irmã Tamar; e a subsequente vingança de Absalão, que mais tarde matou Amom como um convidado em sua mesa (13.28,29). Ainda mais séria foi a rebelião levantada contra Davi por Absalão, que o expulsou de Jerusalém, o que o levou a refugiar-se em Maanaim, do outro lado do Jordão (17.24). Embora o general de Davi, Joabe, tenha conseguido derrotar as forças perseguidoras de Absalão e matá-lo, os últimos dias de Davi foram vividos sob a nuvem desse pesar. Davi também colocou Israel em dificuldades ao empreender um censo completo das 12 tribos, sem qualquer ordem divina para isso (como Moisés havia recebido nos dias do Êxodo). Na praga resultante que afligiu a nação, nenhum remédio pôde ser encontrado até que Davi comprou a eira de Araúna, o jebuseu (onde o anjo destruidor parou seu curso) e ofereceu sacrifícios ao Senhor no mesmo local que posteriormente serviu para o Templo de Salomão (2 Sm 24). O filho de Davi com Bate-Seba, o sábio Salomão, assumiu a responsabilidade como rei teocrático de Israel sob a direção de DEUS. Sua riqueza, sabedoria e prosperidade tornaram-se proverbiais, e seu prestígio era tal que ele deteve o controle das fronteiras ampliadas do império de Davi sem ter de usar suas grandes e tremendas forças de cavalaria em alguma guerra com os seus inimigos. Mas sua realização mais notável foi a edificação de um lindo Templo, duas vezes maior que as dimensões do Tabernáculo de Moisés (isto é, 60 x 20 côvados, ou aproximadamente 30 x 10 metros), e possuindo dez vezes mais castiçais e mesas da proposição (pois o Tabernáculo havia recebido apenas um de cada). Um enorme altar de bronze para o sacrifício substituiu o altar mosaico menor, e da mesma forma uma imensa pia (5 metros de diâmetro) tomou o lugar da antiga bacia em frente à porta do Templo. Esta estrutura de beleza e suntuosidade inigualáveis foi solenemente dedicada ao Senhor como o lugar de encontro entre o Senhor e seu povo da aliança, Israel. Assim, a shekinah (a glória) de DEUS desceu sobre o santuário interior mais uma vez, como nos dias de Moisés (1 Rs 8.10,11). Sob o governo de Salomão, então, a monarquia unida de Israel desfrutou de seu mais alto grau de prosperidade e glória. Infelizmente, porém, as limitações constitucionais de Salomão, sob a lei (Dt 17.14-20), não poderiam ser forçadas por nenhuma autoridade humana, tão absoluto era o seu poder. Assim, ele pôde violar com impunidade os mandamentos contra multiplicar cavalos e esposas; e foi a política de permitir que a filha do Faraó adorasse os deuses egípcios em Jerusalém que primeiro levou à introdução da idolatria em seu reinado. Este precedente levou a uma tolerância religiosa em relação a todas as suas outras esposas de formação pagã, e o testemunho do Senhor por parte de Israel foi grandemente prejudicado. Extravagantes programas de construção e dispendiosas despesas do palácio resultaram em uma excessiva cobrança de impostos e no emprego de trabalho forçado, o que fez surgir um antagonismo geral por todo o reino. Dessa forma, preparou-se o caminho para a divisão de Israel nos Reinos do Norte e do Sul assim que Salomão faleceu, e a sucessão caiu nas mãos de seu filho arrogante e violento, Roboão, que prometeu aos seus súditos um governo ainda mais opressivo do que o de seu pai. Isso marcou o fim da monarquia unida e o início do reino das dez tribos, conhecido depois como o Reino de Israel (em contraposição ao Reino de Judá).
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 993-995.
 
2. O governo teocrático.
Durante o período que Israel caminhou pelo deserto, o povo aprendeu a depender de DEUS sob uma liderança teocrática através de Moisés. Quando Moisés morreu, DEUS levantou Josué para substituí-lo e, sob o seu comando, Israel conquista a terra de Canaã. O período seguinte corresponde o dos juízes que dura aproximadamente trezentos anos, quando o governo teocrático continua. O período dos Juízes foi um período difícil porque Israel afastou-se da direção divina preferindo a Monarquia.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 20.
 
TEOCRACIA - Palavra que vem de dois termos gregos, theós, "DEUS" e kratéo, "governar". Isso chega ao sentido de "governo de DEUS".
Devemos fazer distinção com outro vocábulo, democracia, cuja primeira porção, demos, significa "povo", e que indica o governo entregue às mãos do povo. E também devemos distinguir teocracia de hierocracia, o governo dos sacerdotes. E, finalmente, de monarquia, o governo de um único homem ou rei. Embora a idéia de teocracia apareça nas Escrituras, com bastante freqüência, o próprio vocábulo, teocracia, nunca figura ali. Essa palavra parece ter sido cunhada por Josefo, que se utilizou do termo a fim de referir-se ao caráter ímpar do governo dos hebreus, revelado a Moisés, em contraste com o tipo de governo de outras nações ao derredor. Escreveu Josefo: "Nosso legislador... ordenou aquilo que, forçando a linguagem, poderia ser chamado de teocracia, ao atribuir a autoridade e o poder a DEUS". (Contra Apion.lI, 165).
Não obstante, a idéia de teocracia é muito mais antiga do que a palavra que corresponde a ela, conforme o próprio Josefo sugeriu em sua declaração, citada acima. Essa idéia retrocede ao Antigo Testamento, desde a época de Moisés e, portanto, à iniciação mesma das Sagradas Escrituras (ver Êx 19:4-9; Dt 33:4,5). No âmago dessa idéia fica a relação ímpar entre DEUS e Israel, como seu povo peculiar. Essa relação é constituída pela aliança que vinculou o povo de Israel a DEUS (ver Êx 19 e 20), e que constituiu aquele povo em " ... reino de sacerdotes e nação santa..." (Êx 19:6).
DEUS reclamou o povo de Israel como sua propriedade, por havê-lo remido da servidão aos egípcios. Os grandes atos libertadores, da época da saída de Israel do Egito, e durante os quarenta anos de vagueação pelo deserto, declararam o Senhor como o eterno Governante de Israel (ver Êx 15:18). Moisés foi, tão-somente, o homem por intermédio de quem DEUS transmitiu a sua vontade ao seu povo terreno.
Gideão, várias gerações depois de Moisés, não aceitou a coroa porquanto acreditava que somente DEUS poderia governar sobre Israel (Juí. 8:22,23). No período que antecedeu ao surgimento da monarquia em Israel, profetas, sacerdotes e juízes foram os intermediários na expressão da teocracia. Vale dizer, DEUS governava o seu povo através daqueles representantes. Assim, na guerra de Israel contra Sísera, a profetisa e juíza Débora e o general Baraque aparecem como os agentes do livramento de DEUS (Juí. 4:4-7). Os sacerdotes levitas também aparecem, com freqüência, como os mensageiros da vontade divina (Juí. 20:28; 1 Sam. 14:41). Mas, por ocasião da teocracia institucionalizada, quando surgiu a monarquia em Israel, a teocracia passou a se manifestar de forma muito menos direta, e o governo de Israel passou a assemelhar-se mais ao governo das nações gentílicas. "Disse o Senhor a Samuel: Atende à voz do povo em tudo quanto te dizem, pois não te rejeitaram a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre eles ... Porém, o povo não atendeu à voz de Samuel, e disseram: Não, mas teremos um rei sobre nós. Para que sejamos também como todas as nações; o nosso rei poderá governar-nos, sair adiante de nós, e fazer as nossas guerras" (I Sam. 8:7,19,20). Apesar disso, depois que a monarquia se estabeleceu em Israel, principalmente de Davi em diante, o rei passou a ser considerado símbolo do reinado teocrático. Os reis de Israel não eram apenas reis, no sentido comum do termo, mas também eram ungidos do Senhor, em sentido puramente teológico (Sal. 2:2; 20:6): um príncipe do Senhor (I Sam. 10: 1; 11 Sam. 5:2). Mesmo durante o período monárquico, concebia-se que o Senhor DEUS seguia adiante do rei (11 Sam. 5:24). O rei estaria sentado no trono de DEUS (I Crô. 29:23; cf. 28:5). O Governante real era DEUS, e a autoridade do trono de Davi derivava-se do Senhor. A natureza teocrática da monarquia de Israel é conformada, por exemplo, pela prerrogativa dos profetas de destronarem os reis, além do fato de que foi o profeta Samuel quem estabeleceu o reinado em Israel, a mandado do Senhor (I Sam. 15:26; 16:1,2; cf. I Reis 11:29-31; 14: 10; 16:1,2,21:21). Nesse contexto, nota-se que não havia critérios estereotipados para reconhecimento ou confirmação de um profeta, em Israel. Somente a presença do indefinível ESPÍRITO de DEUS revelava a diferença entre um profeta verdadeiro e um profeta falso.
A monarquia, em Israel, foi a organização do reino teocrático sob um governante humano. A teocracia talvez encontre sua mais excelente expressão nas predições dos profetas (ver ler. 1:1,2; cf. Isa. 7:7). As visões messiânicas dadas aos profetas foram organicamente entretecidas no curso da história dos reis de Judá, bem como na restauração final da dinastia davídica. Em sua essência e em seu intuito, o reino é um instrumento de redenção, inseparavelmente vinculado às expectações messiânicas. De fato, em seu sentido messiânico, o trono de Davi aparece no centro da teologia bíblica, com seu reconhecimento de DEUS como o Governante final sobre a Terra inteira. Dentro da revelação progressiva da escatologia bíblica, o conceito teocrático do reino davídico suprimiu o padrão das idéias concernentes à vinda palpável do reino de DEUS, quando da era milenar. Através da restauração do trono de Davi, DEUS haverá de realizar a redenção final de Israel. Mas, esse futuro acontecimento, que fará parte da História, haverá de introduzir a era da justiça e da paz eternas, sob o reinado universal do Filho maior de Davi, JESUS CRISTO. Não há espaço para o secularismo, dentro da teocracia de Israel. Descendo até aos mais minúsculos detalhes, todos os regulamentos políticos, legais e sociais são essencialmente teológicos. Esses regulamentos eram a expressão suprema e direta da vontade de DEUS. Até mesmo a detenção de criminosos e a punição dos mesmos fazem parte do interesse imediato de DEUS (ver Lev. 20,3,5,6,20; 24:12; Núm.5:12,13; Jos. 4:16).
Várias religiões, "desde os tempos mais remotos" (hebreus, babilônios e egípcios), têm tomado a posição de que seus estados eram teocratas, visto que DEUS ou os deuses, mediante revelações e profetas, lhes teriam dado suas leis e instituições. A teocracia é um estado no qual os princípios religiosos (usualmente com apoio de um monarca e de um sacerdócio alegadamente nomeados por DEUS) são as principais leis e o poder controlador. Já nos tempos modernos, as cidades de Florença, na Itália, sob Savonarola, e Genebra, na Suíça, sob Calvino, durante algum tempo tornaram-se, alegadamente, teocracias. Além disso, as colônias da Nova Inglaterra, na América do Norte, sob o puritanismo, tornaram-se teocracias. O aparecimento de governos democráticos tem tendido a separar Igreja e Estado, de tal modo que as teocracias são evitadas. Naturalmente, o Irã atual é um exemplo de teocracia; mas, como tantas outras teocracias distorcidas, entristecemo-nos diante das perseguições e matanças, praticadas em nome de DEUS.
No Novo Testamento não parece haver definição quanto ao tipo de "governo eclesiástico". Porém, com base nas condições vigentes em Israel, até Samuel (ver 1 Sam. 8:7), bem como durante o governo milenar de CRISTO, o que ainda está no futuro, o governo eclesiástico ideal seria o teocrático. Segundo penso, esse tipo de governo existiu na Igreja, durante todo o período apostólico. DEUS (na pessoa de CRISTO), dirigia sua Igreja mediante ministros por Ele escolhidos (ver Efé, 4:11 ss). Pode-se dizer que "a Igreja entrou em decadência espiritual quando o ministério passou a ser tido como ofícios burocráticos, a partir do século lI d.C., não mais ocupado por indivíduos misticamente designados e preparados. Parece-me evidente que o ESPÍRITO do Senhor restaurará esse tipo de governo eclesiástico, antes do segundo advento de CRISTO. Doutra sorte, no dizer do quarto capítulo de Efésios, os crentes não atingirão a maturidade que deverá caracterizar a Igreja nos dias finais do cristianismo. Seja como for, o Milênio será a mais pura teocracia, sem os abusos que têm havido no passado, e que têm feito muitos proscreverem-na até mesmo de suas cogitações. E o estado eterno, passado o Milênio, dará continuidade à teocracia, para sempre. A teocracia é a essência do reino de DEUS.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 353-354.
 
TEOCRACIA -
Um dos principais elementos da aliança entre DEUS e Israel é a soberania de DEUS. Este fato tem sido explicado e enfatizado nos últimos anos pela descoberta de algumas semelhanças entre a escravidão hitita, ou tratados de suserania, e a aliança de Israel com DEUS (veja Meredith Kline, Treaty ofthe Great King, Eerdmans, 1963). No NT, a ideia do governo de DEUS é tirada da esfera política, e se torna um sinônimo do reino de DEUS, que é constituído pelo governo de DEUS entre os cristãos (e dentro de cada cristão), mas que só poderá ser visto literalmente no final, quando JESUS CRISTO retornar para inaugurar o reino milenial.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1909
 
3. O governo monárquico.
Por cento e vinte anos o Reino de Israel esteve sob a liderança dos reis Saul, Davi e Salomão. Em 931 a.C., Salomão morre e inicia-se um período de decadência política, moral e religiosa. Seu filho Roboão assume a coroa, mas o reino acabou dividido em dois, o do Norte e o do Sul. O Reino do Norte, com dez tribos e o Reino do Sul com duas tribos. Em 722 a.C., a Assíria entrou nas terras de Israel e subjugou o Reino do Norte com todos os seus príncipes e líderes do povo, inclusive o rei. O Reino do Sul não foi por menos. O reino teve momentos de glória e de calamidade. Seus reis, alguns piedosos e outros ímpios deixaram o temor do Senhor e seus líderes religiosos perderam o respeito do povo e se corromperam. A Babilônia, através de Nabucodonosor entre 587 e 606 a.C, invadiu as terras do reino do Sul, quando reinava em Jerusalém o rei Jeoaquim, o qual estava sob o domínio do faraó do Egito chamado Neco (2 Rs 23.34). Nabucodonosor dominou Jerusalém e levou cativo os príncipes de Israel, entre os quais, Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Toda essa história propiciou a intervenção divina na vida de Israel para preservação do projeto original.
A divisão política do Reino de Israel
Em 605 a.C., Nabucodonosor fez mais que dominar a terra de israel. No ano 605 a.C.,esse rei invadiu Jerusalém e levou cativos os nobres e todos os utensílios de valor, de ouro, prata e pedras preciosas. O rei Jeoaquim, rei de Judá não resistiu e tornou-se tributário da Babilônia, perdendo o domínio do seu reino e perdendo, também, os homens de confiança. Entre os cativos estava o profeta Ezequiel (2 Rs 24.8). O exército de Nabucodonosor destruiu o templo e saqueou a cidade de Jerusalém. Judá ficou arrasada política, moral e espiritualmente. A Babilônia se impôs com seu império por mais de quatro décadas. O povo de Israel foi humilhado, saqueado de seus pertences e tornou-se tributário da Babilônia.
O exílio inevitável na Babilônia
Quando uma liderança má perde sua relação com DEUS como aconteceu com os últimos reis de Israel e de Judá, a tragédia espiritual, moral e material torna-se inevitável. O cativeiro profetizado por Jeremias de 70 anos na Babilônia teve o seu cumprimento ( 2 Cr 36.21). Por outro lado, DEUS nos ensina a conhecer o traçado de seu caminho para que cumpramos seus desígnios, porque foi no exílio babilônico que Israel aprendeu a conhecer que DEUS não aceita outro DEUS no seu lugar, como fez o rei Manassés adotando a idolatria no seu reino (2 Rs 21.11). A dispersão favoreceu a volta do seu povo à renovação da comunhão com o DEUS de israel.Toda esta situação política propiciou a revelação de um projeto especial de DEUS para com Israel. Para entendermos esta história precisamos conhecer aspectos gerais da importância do livro e da pessoa do profeta Daniel.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 21-22.
 
REI - Este termo é usado na Bíblia para um governante do povo, dos israelitas ou dos gentios (Gn 36.31; 14.1; Mt 1.6). Também é usado em relação a DEUS como governante de seu povo (1 Sm 12.12). O significado é "aquele que aconselha (bem)", mostrando que o ofício surgiu da habilidade intelectual e não da perícia física do indivíduo; aquele cujo conselho era consistentemente melhor, tornava-se rei.
Três conceitos principais de monarquia ocorriam nos tempos bíblicos. O grau mais baixo era o do rei sem muita importância, o governante de uma cidade e de seus arredores, tais como os cinco reis de Midiã (Nm 31.8) e os reis de Jerusalém, Hebrom, Jarmute etc. (Js 10.3). O grau seguinte era representado pelos reis da Mesopotâmia, Assíria e Babilônia, que se intitulavam os representantes ou vice-regentes da divindade, ordenados pelos deuses para o bem político e econômico do povo. Não importava se eles chegavam ao poder através de uma revolução; eles possuíam o exército para assegurar a imposição de sua vontade sobre o povo e o território. O terceiro grau era representado pelos reis do Egito, que professavam ser, e eram representados, como divindades. Alexandre o Grande parece não ter reivindicado ser um DEUS, embora um oráculo no templo do deserto no Egito dissesse ser ele o filho de Zeus-Amom. Mas durante o período helenístico, alguns dos reis selêucidas da Síria professaram ser divindades reinantes e assumiram títulos apropriados, como Teo e Epifânio.
A monarquia se desenvolveu lentamente em Israel, chegando ao pleno desenvolvimento apenas quando o povo começou a perder a fé em DEUS e a imitar as maneiras e costumes de seus vizinhos. Embora Moisés tenha exercido os poderes de um rei, apresentando as leis de DEUS e dando conselhos (Ex 20.1ss.; 18.16ss.), ele não assumiu o título. Ele apenas previu que este tempo viria mais tarde, e que quando o povo escolhesse um rei (Dt 17.14 ss.), eles deveriam ter o cuidado de receber o homem a quem DEUS havia escolhido (cf. 1 Sm 8.7; 9.16; 16.1ss.). Ao buscar como rei um homem segundo o coração de DEUS (por exemplo, Davi), ali está sugerido o caráter santo do Messias-CRISTO, Redentor dos eleitos de DEUS, que um dia reinará como o Rei escolhido de toda a criação de DEUS. Esta ênfase na vontade de DEUS contida na seleção foi reivindicada como a base para a autoridade exercida pelos reis mesopotâmios e pelos governantes israelitas (Dt 17.15).
Reis ocasionais de menor importância surgiram em Israel antes de Saul, como Jefté (Jz 11.9) e Abimeleque (Jz 9.6). Nos dias de Samuel, a ameaça dos filisteus causou uma apreensão em Israel, levando-os a pedir um rei. Saul foi dado ao povo, mas foi um exemplo daquilo que um rei não deveria ser. Davi foi o exemplo notável do rei do Senhor, que buscou a vontade de DEUS e governou o povo com sabedoria e graça do Senhor (2 Sm 23.1-5). DEUS prometeu a Davi uma dinastia eterna (2 Sm 7.16). Em seus dias, os tratados de servidão heteus forneciam este benefício de perpetuidade quando o servo era um parente do governante soberano. No caso de Davi, o relacionamento não era físico, mas espiritual. Seu pleno significado e importância cumpriu-se em CRISTO e tem benefícios para toda a humanidade pelo fato de CRISTO ser o DEUS-Homem (Is 9.6,7). Por sua encarnação, morte e ressurreição, ele conduz todo aquele que crê nele como o Filho ressurreto de DEUS a um relacionamento eterno de filho, que viverá e reinará com ele para sempre.
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1659-1660.
 
FOI A VONTADE DE DEUS QUE ISRAEL TIVESSE UM REI?
Embora o rei para eles não fosse uma escolha errada em si, os israelitas estavam exigindo isso de maneira equivocada. O povo claramente expôs seus motivos para querer um rei. Primeiro, os hebreus queriam seguir as práticas das nações vizinhas (1 Sm 8.5). Segundo, eles queriam um rei para liderá-los nas batalhas (1 Sm 8.20). Ambas as razões apontavam para a rejeição a DEUS como seu Rei (1 Sm 8.7).
O Senhor demonstrou em inúmeras ocasiões que Ele pelejaria as batalhas de Israel. Desde a miraculosa queda das muralhas de Jericó (Js 6.20) até a fuga do exército dos midianitas de Gideão (Jz 7.19-22), DEUS livrou o Seu povo inúmeras vezes dos seus inimigos. Por que os israelitas precisariam de um rei agora para liderá-los nas batalhas?
Além disso, DEUS deu ao povo a Sua Palavra, os profetas e os juízes para guiá-lo. Mas a trágica história dos juízes demonstra que o povo de DEUS ignorou a Sua orientação e aderiu às práticas de seus vizinhos (Jz 3,7). Mais uma vez, os hebreus estavam seguindo seus vizinhos, em vez de seguir o DEUS vivo e a Palavra que Ele tinha dado a eles. Embora Samuel tenha claramente lhes falado sobre o alerta de DEUS, eles teimaram e preferiram a sua própria vontade em detrimento da vontade o Senhor.
Por fim, DEUS permitiu que os israelitas tivessem o que queriam. O Senhor lhes deu um rei como aqueles vistos nas outras nações. O alto e belo Saul teria sido a escolha perfeita para um rei. Mas, mediante o reinado trágico de Saul, DEUS ensinou aos israelitas que eles precisavam de um rei que não fosse igual aos reis das outras nações.
Eles precisavam de um rei que obedecesse à Palavra de DEUS, em vez de seguir a sua própria vontade; um rei que confiasse no Senhor, e não em si mesmo. À sombra dos erros de Saul, DEUS treinou o jovem Davi para andar nos Seus caminhos de maneira que ele pudesse finalmente liderar a nação em retidão.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 468.
 
O REINO DIVIDIDO. Tensões entre as tribos do norte e do sul já existiam desde o tempo dos juízes, especialmente entre Judá e o sul de Efraim, a tribo mais influente no norte. Muitos dos líderes israelitas, como Josué e Samuel, vieram da tribo de Efraim. Mas Davi foi da tribo sulista de Judá. Estes fatores, somados à mudança da capital e do centro de adoração para a cidade sulista de Jerusalém, prejudicaram ainda mais o seu relacionamento. Sem contar a cobrança de impostos de Salomão para financiar a construção do templo e do palácio na cidade sulista de Jerusalém, que deixou as tribos do norte ainda mais perplexas.
Após a morte de Salomão, o povo de Israel se aproximou de seu filho Roboão para que os impostos que pesavam sobre eles durante as obras governamentais fossem diminuídos. Roboão rejeitou o conselho dos seus anciãos para ser mais flexível e insultou o povo, ameaçando fazer o seu fardo ficar ainda mais pesado (1 Rs 12.14). Esta foi a “gota d’água” que dividiu a nação em dois reinos. Roboão permaneceu rei no Reino do Sul, e Jeroboão se tornou o rei do Norte.
Seguindo o exemplo de Arão, dos bezerros das redondezas do monte Sinai, Jeroboão ergueu estátuas de dois bezerros de ouro para que o povo adorasse ali mesmo, e não precisasse viajar para a distante Jerusalém. Com esses ídolos, Jeroboão afastou o seu povo da adoração do único e verdadeiro DEUS, combinando a verdadeira adoração com a falsa adoração dos seus vizinhos.
O Reino do Norte, conhecido como Israel, e o do sul, denominado Judá, permaneceram assim, divididos, por mais de 200 anos.
Às vezes, entravam em conflito, às vezes, formavam uma aliança amigável contra ameaças vizinhas. Porém, esse período se tornou mais conhecido por seus grandes profetas — os quais tiveram fundamental importância em tempos de instabilidade espiritual — do que pelo sucesso político de ambas as partes.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 576.

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