domingo, 4 de outubro de 2015

Lição 1, Gênesis, o Livro da Criação Divina 1 Parte

Lição 1, Gênesis, o Livro da Criação Divina 1 Parte
4º trimestre de 2015 - O Começo de Todas as Coisas - Estudos Sobre O Livro de Gênesis
Comentarista da CPAD: Pr. Claudionor Correa de Andrade
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
 
 
Lição 1, Gênesis, o Livro da Criação Divina (pronto só na Quinta-Feira a noite)
 
 
Lições do Trimestre
 
 
TEXTO ÁUREO"No princípio, criou DEUS os céus e a terra." (Gn 1.1)
 
VERDADE PRÁTICASem o livro de Gênesis, as grandes perguntas da vida ainda estariam sem resposta.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Gn 1.1 - DEUS cria, no princípio, os céus e a terra
Terça - Gn 2.7 - A criação do ser humano, obra prima da criação
Quarta - Gn 3.1-7 - A Queda do homem e a entrada do pecado no mundo
Quinta - Gn 7.1-12 - A maldade humana se multiplica e DEUS ordena o dilúvio
Sexta - Gn 12.1-3 - DEUS chama Abraão e dá início à nação de Israel
Sábado - Gn 45.5 - José, o governo da providência divina
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Gênesis 1.1-10,14,261 - No princípio, criou DEUS os céus e a terra. 2 - E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o ESPÍRITO de DEUS se movia sobre a face das águas. 3 - E disse DEUS: Haja luz. E houve luz. 4 - E viu DEUS que era boa a luz; e fez DEUS separação entre a luz e as trevas. 5 - E DEUS chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã: o dia primeiro. 6 - E disse DEUS: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. 7 - E fez DEUS a expansão e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão. E assim foi. 8 - E chamou DEUS à expansão Céus; e foi a tarde e a manhã: o dia segundo. 9 - E disse DEUS: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca. E assim foi. 10 - E chamou DEUS à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares. E viu DEUS que era bom. 14 - E disse DEUS: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos.  26 - E disse DEUS: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.
 
OBJETIVO GERAL
Apresentar um panorama geral do livro de Gênesis.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Apresentar o tema, data, autoria e local do livro de Gênesis;
Conhecer os objetivos do livro de Gênesis;
Explicar o conteúdo do livro de Gênesis.
 
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado professor, neste último trimestre do ano estudaremos a respeito do livro de Gênesis. O autor deste primeiro livro do Pentateuco é Moisés. Mediante o estudo desse livro respondemos a duas grandes perguntas da humanidade: "Quem criou o universo?" e "De onde viemos?" Os principais temas do livro de Gênesis, que serão estudados ao longo das lições são: A criação, a Queda, o dilúvio, o recomeço da civilização e a origem da nação de Israel.
O comentarista é o pastor Claudionor de Andrade - autor de diversos livros e Consultor Doutrinário e Teológico da CPAD.
Que o DEUS que tudo criou o abençoe, e que você tenha experiências marcantes mediante o estudo do livro de Gênesis.

PONTO CENTRAL
O livro de Gênesis responde as grandes pergunta da vida: "Quem criou o universo?" e "De onde viemos?".

Resumo da 
Lição 1, Gênesis, o Livro da Criação Divina (pronto só na Quinta-Feira a noite)
I - TEMA, DATA, AUTORIA E LOCAL
1. Tema.
2. Data.
3. Autoria.
4. Local.
II - OBJETIVOS DO GÊNESIS
1. Fortalecer a fé da geração do êxodo.
2. Responder às grandes perguntas da vida.
III - O CONTEÚDO DO GÊNESIS
1. Criação.
2. A Queda e a degradação humana.
3. O dilúvio.
4. O recomeço da civilização.
5. A origem da nação de Israel.
 
SÍNTESE DO TÓPICO I - O tema central do livro de Gênesis se encontra no primeiro capítulo e versículo: "No princípio, criou DEUS os céus e a terra" (Gn 1.1).
SÍNTESE DO TÓPICO II - Um dos objetivos de Moisés ao escrever o livro de Gênesis, era fortalecer a fé da geração do êxodo mostrando que DEUS é o grande criador dos céus, da Terra e do homem. Apesar do luto que encerra o Gênesis, todos, judeus e gentios, somos chamados a herdar a vida eterna..
SÍNTESE DO TÓPICO III - Podemos encontrar no livro de Gênesis temas como a Criação; Queda e a degradação humana; o dilúvio; o recomeço da civilização e a origem da nação de Israel .
 
Para conhecer mais leia Manual do Pentateuco, CPAD, p.19.
 
SUBSÍDIO DIDÁTICO - top 1Professor, reproduza o esquema abaixo. Para introduzir a aula faça as seguintes indagações: "Quem é o autor do livro de Gênesis?" "Qual o objetivo do livro?" "Quais são os principais temas abordados pelo autor?" Explique que fazer e responder estas perguntas é fundamental para a compreensão de qualquer livro da Bíblia.
 
AUTOR
MOISÉS
OBJETIVO DO LIVRO
FORTALECER A FÉ DA GERAÇÃO DO ÊXODO
E RESPONDER AS GRANDES PERGUNTAS DA VIDA
PRINCIPAIS TEMAS
A CRIAÇÃO, A QUEDA E A DEGRADAÇÃO DA RAÇA HUMANA, O DILÚVIO, O RECOMEÇO DA CIVILIZAÇÃO, A ORIGEM DA NAÇÃO DE ISRAEL.
DATA
CERCA DE 1445-1405 a. C.
 
CONHEÇA MAIS - A história da criação"A primeira coisa que chama a atenção do leitor da Bíblia é o laconismo (apenas dois capítulos) com que a história da Criação do mundo e da humanidade é contada. A aritmética de Gênesis é impressionante. Somente dois capítulos são dedicados à história da Criação e um à entrada do pecado na raça humana. Por outro lado, treze capítulos são dedicados a Abraão, dez a Jacó e doze a José (que nem era um patriarca, nem um filho por meio do qual as promessas da aliança seriam perpetuadas). Ora, presenciamos o fenômeno de doze capítulos para José e apenas dois para a Criação. Seria impossível alguém ser, por assim dizer, seis vezes mais importante que o mundo?"
 
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO top2"Gênesis leva-nos a retroceder além da história oficial. Pela revelação, desvenda a origem tanto do universo quanto do ser humano. A introdução da mensagem do livro da criação é a seguinte: para entender quem somos de onde viemos, precisamos começar a partir de DEUS.
Existem realmente apenas duas maneiras de entender a origem de todas as coisas. Uma pessoa pode ver tudo como resultado de um acaso fortuito operando num universo impessoal ou como obra artesanal de uma pessoa talentosa. Gênesis contundentemente corrobora com a segunda posição. O livro da Bíblia associa a criação do universo a um DEUS pessoal. Retrata os seres humanos como incomparáveis, criações especiais desse DEUS. Gênesis explica ainda a origem do pecado e do mal, afirma a responsabilidade moral do homem e lança a base para a doutrina da redenção.
O livro de Gênesis registra a história dos hebreus, um povo escolhido por DEUS para servir como um canal de bênçãos a todo o mundo. Promessas especiais dadas a Abraão, o grande patriarca, são evidências que DEUS tem um propósito permanente para o homem.
Este livro dá subsídios que favorecem o entendimento das Escrituras. A Bíblia inteira fala do contexto definido em Gênesis. DEUS é DEUS e preocupa-se unicamente com os seres humanos. Ele julgará o pecado. No entanto, coloca em ação um processo capaz de trazer os pecadores de volta ao santo caminho. Em um grande plano para benefício da humanidade, revelado no chamado de Abraão, o Senhor demonstra a maravilha do seu infinito e redentor amor" (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 22).
 
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO top2"Sete características principais assinalam Gênesis. (1) Foi o primeiro livro da Bíblia a ser escrito (com possível exceção de Jó) e registra o começo da humanidade, do pecado, do povo hebreu e da redenção. (2) A história contida em Gênesis abrange um período de tempo, maior que o restante da Bíblia, e começa com o primeiro casal humano; dilata-se, abrangendo o mundo antediluviano, e a seguir limita-se à história do povo hebreu, o qual semelhante a uma torrente, conduz à redenção até o final do AT. (3) Gênesis revela que o universo material e a vida na terra são categoricamente obra de DEUS, e não um processo independente da natureza. Cinquenta vezes nos capítulos 1-2, DEUS é o sujeito de verbos que demonstram o que Ele fez como Criador. (4) Gênesis é o livro das primeiras coisas -a primeira família, o primeiro nascimento, o primeiro pecado, o primeiro homicídio, o primeiro polígamo, os primeiros instrumentos musicais, a primeira promessa de redenção, e assim por diante. (5) O concerto de DEUS com Abraão, que começou com a chamada deste (12.1-3), foi formalizado no capítulo 15, e ratificado no capítulo 17, e é da máxima importância em toda a Bíblia. (6) Somente Gênesis explica a origem das doze tribos de Israel. (7) Revela como os descendentes de Abraão, por fim, se fixam no Egito (durante 430 anos) e assim preparam o caminho para o êxodo, o evento central do Antigo Testamento" (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro:CPAD, 1991, p. 29).
" livro de Gênesis pode ser dividido em duas grandes seções. Do capítulo um ao 11, temos a História Primitiva, que vai da criação ao recomeço da civilização através de Noé.."

PARA REFLETIR - A respeito do livro de Gênesis:
Quem escreveu o Gênesis?

As evidências da própria Bíblia indicam que o livro de Gênesis foi escrito por Moisés (Lc 24.44).
Quais foram os leitores imediatos do Gênesis?Os leitores ou ouvintes imediatos do Gênesis foram a geração dos filhos de Israel.
Discorra sobre os dois principais objetivos do Gênesis.Os dois principais objetivos do livro de Gênesis são: Fortalecer a fé da geração do êxodo e responder as grandes perguntas da vida.
Qual o conteúdo do livro de Gênesis?O livro de Gênesis pode ser dividido em duas grandes seções. Do capítulo um ao 11, temos a História Primitiva, que vai da criação ao recomeço da civilização através de Noé. E, do capítulo 12 ao 50, entramos em contato com a História de Israel. Todavia, para efeitos didáticos nossa lição dividiu o conteúdo do livro da seguinte forma: Criação; a Queda e a degradação humana; o dilúvio; o recomeço da civilização.
Por que Gênesis nos é tão importante? Porque este livro nos mostra que o universo e a humanidade não são obra do acaso; trata-se de criação divina.
 
CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 64, p. 37.
Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição.
 
SUGESTÃO DE LEITURA
Criacionismo: Verdade ou Mito?, Pequena Enciclopédia Bíblica e As Novas Fronteiras da Ética
 
Comentários de Vários Autores, com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique
Devem os estudiosos aproveitarem o que for salutar ao seu estudo e desprezar o que não for aproveitável.
Na minha opnião quem escreveu o livro de Gênesis foi Moisés, por volta de 1445 a. C., quando DEUS o chamou para ficar 40 dias e 40 noites em sua presença; podendo algumas coisas terem sido escritas antes disso. Para mim a ideia de trindade sempre esteve na bíblia, mesmo em Gênesis, porém não era entendida pelos judeus em sua maioria, mas somente pelos seus intimos. Para mim DEUS criou todas de sua Palavra, como registrado em Hebreus.
Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente. Hebreus 11:3
 
I – O LIVRO DE GÊNESIS
1.   O livro de Gênesis na primeira versão da Bíblia, a chamada Septuaginta, foi assim chamado pela revelação divina do princípio de todas as coisas, do começo de tudo o que há. 
2.   O significado de “Gênesis” em grego é “origem”, sendo certo que os israelitas chamam este livro de “Bereshit”, que são as primeiras palavras do texto, ou seja, “No princípio”. 
3.   Não foi o primeiro livro a ser escrito. O primeiro livro da Bíblia a ser escrito foi o livro de Jó, escrito ou por Jó, ou por Moisés. 
4.   O livro de Gênesis foi escrito por Moisés durante a peregrinação de Israel para a Terra Prometida. 
5.   Vamos estudar o livro de Gênesis, o primeiro livro do Pentateuco, o conjunto dos cinco livros escritos por Moisés e que são chamados de “os livros da lei”, a Torá. 
6.   “Septuaginta”, versão da bíblia encomendada pelo rei do Egito, Ptolomeu II Filadelfo, que, então, governava sobre os judeus, no século III a.C.. 
7.   “Gênesis” significa “origem” e o tema do livro de Gênesis. 
8.   Os israelitas denominam este livro de “Bereshit” (בראשית), que são as primeiras palavras do texto de Gênesis. 
9.   O autor do livro de Gênesis é Moisés que entregou e mandou que ficasse junto a arca pouco antes de sua morte (Dt.31:9). 
10Jesus disse que a lei foi escrita por Moisés. 
16 provas de que Moisés escreveu o Pentateuco
1. Deus ordenou a Moisés que escrevesse um livro (Ex.17:14: 34:27)
2. Moisés escreveu um livro (Ex.24:5,7; Nm.33:2; Dt.31:9)
3. Ele chamou seu livro de o livro da aliança (Ex.24:7), o livro desta lei (Dt.28:58,61) e este livro da lei (Dt.29:20-27; 30:10; 31:24-26). É o Pentateuco.
4. Cópias do livro de Moisés eram feitas para os reis (Dt.17:18-20).
5. Deus reconhece o livro da lei como escrito por Moisés e ordenou que ele fosse a regra de conduta para Josué (Js.1:8; 8:30-35).
6. Josué aceitou o livro da lei como sendo escrito por Moisés e o copiou em 2 montes (Dt.11:26-32; Js.8:30-35). Ele contribuiu com o livro, escrevendo talvez o último capítulo (dt.34) sobre a morte de Moisés (Js.24:26).
7. Josué ordenou a todo Israel que obedecessem ao livro da lei de Moisés (Js.23:6).
8. Durante o período dos reis:
(1) Davi o reconheceu (I Cr.16:40).
(2) Salomão foi encarregado por Davi de mantê-lo (I Rs.2:3)
(3) Ele foi achado e obedecido por Josias e Israel (II Rs.22:8-23:25; II Cr. 34:14-35:18)
(4) Josafá o ensinou a todo o Israel (II Cr.17:1-9)
(5) Joiada obedeceu a ele (II Rs.12:2; II Cr.23:11,18)
(6) Amazias obedeceu a ele (II Rs.14:3-6; II Cr.25:4)
(7) Ezequias obedeceu a ele (II Cr.30:1-18).
9. Os profetas referem-se a ele como a lei de Deus escrita por Moisés (Dn.9:11. Ml.4:4).
10. Tanto Esdras como Neemias atribuem o livro da lei a Moisés (Ed.3:2; 6:18; 7:6; Ne.1:7-9; 8:1,14,18;9:14; 10:28,29; 13:1).
11. Cristo atribui toda a lei — todos os 5 livros do Pentateuco — a Moisés (confira Lc.24:27,44 com Gn.3:15; 12:1-3; Mc.12:26 com Ex.3 e Mc.7:10 com Ex.20:12; 21:17. Veja também Jo.1:17; 5:46; 7:19,23).
12. Os apóstolos atribuíram a lei a Moisés (At.13:39; 15:1,5,21; 28:23).
13. Por mais de 3.500 anos, era consenso entre estudiosos judeus e o povo comum que Moisés escreveu o Pentateuco. Os judeus nunca questionaram isso.
14. Escritores pagãos — Ticitus, Juvenal, Strabo, Longinus, Porfírio, Juliano e outros — concordam sem questionamento que Moisés escreveu o Pentateuco.
15. Líderes religiosos entre os pagãos o atribuem a Moisés.
16. Evidências no próprio livro provam um autor:
(1) Hebreu que falava a língua hebraica e apreciava os sentimentos dessa nação.
(2) Hebreu familiarizado com o Egito e a Arábia, seus costumes e cultura. Desde que os ensinos egípcios foram cuidadosamente ocultados para os estrangeiros e eram somente para os sacerdotes e a família real, Moisés era o único hebreu conhecido que poderia cumprir esse requisito (At.7:22; Hb.11:23-29).
(3) Há uma exata correspondência entre as narrativas e as instituições, mostrando que ambos são do mesmo autor.
(4) A concordância no estilo dos 5 livros prova um único autor.
(5) O próprio Moisés declarou claramente ser ele o escritor desta lei. Veja Ex.24:4; Nm.33:2; Dt.31:9,22.
 
11.Pode ser verdade que o livro de Gênesis tenha sido escrito no monte Sinai em 1440 a.C. (Ex.24:18). 
12.O livro de Jó, pode ter sido escrito pelo próprio Jó ou por Moisés, na terra de Midiã.
 
II – A ESTRUTURA DO LIVRO DE GÊNESIS – AS DUAS PRIMEIRAS DISPENSAÇÕES
1.   O livro de Gênesis fala-nos do princípio de todas as coisas. 
2.   Podemos dividir o livro do Gênesis da seguinte forma:
      Narrativa da criação – Gn.1:1-2:25.
      Narrativa de fatos da dispensação da consciência – da queda do homem até o dilúvio – Gn.3:1-8:21
      Narrativa de fatos da dispensação do governo humano – do dilúvio até a confusão das línguas em Babel – Gn.9:1-11:32.
      Narrativa da vida de Abraão ou “ciclo de Abraão” – Gn.12:1-25:18
      Narrativa da vida de Isaque ou “ciclo de Isaque” – Gn.25:19-27:46
      Narrativa da vida de Jacó ou “ciclo de Jacó” – Gn.28:10-36:43
      Narrativa da vida de José ou “ciclo de José” – Gn.37:1-50:26
 
3.   A primeira parte do livro de Gênesis, que abarca os dois primeiros capítulos, trata da criação de todas as coisas.  
4.   No primeiro capítulo, temos a descrição da criação de todas as coisas, criação esta que é dividida em seis períodos, os denominados “seis dias”. 
5.   No segundo capítulo, temos a criação do homem e da mulher e do jardim que Deus formou no Éden para ali colocar o primeiro casal. Criação da família. 
6.   A segunda parte do livro de Gênesis, capítulos 3 até 8, narra os principais fatos ocorridos durante a chamada “dispensação da consciência - “voz de Deus”. 
7.   No terceiro capítulo, é narrada a queda do homem e a entrada do pecado no mundo. Promessa da vinda de um Salvador (Gn.3:15), o “começo do evangelho”, “protoevangelho”, ou seja, o “primeiro evangelho”. 
8.   Primeira promessa, “primeiro evangelho”, “primeiros juízos” - “primeira manifestação de longanimidade”, vestimentas ao primeiro casal. 
9.   No quarto capítulo, é contada a história de Caim e de Abel, “primeiro culto, por inveja Caim, matou Abel “primeiro crime” - homicídio. 
      Duas primeiras civilizações, a civilização dos descendentes de Caim, e dos crentes descendentes de Sete “primeira invocação do nome do Senhor” (Gn.4:26) “primeiro povo de Deus” (Filhos de Deus).
      No quinto capítulo, genealogia dos descendentes de Sete, Enoque (Símbolo da Igreja em comunhão), o “primeiro profeta” (Cf. Jd.14), até Noé.
      No sexto capítulo, corrupção da “geração de Noé”, dilúvio anunciado a Noé, que começou, então, a construir a arca consoante o mandado do Senhor (para salvação de sua família).
      Nos sétimo e oitavo capítulos, temos a narrativa do dilúvio, que foi o juízo divino com que se encerrou a segunda dispensação.
    
III – A ESTRUTURA DO LIVRO DE GÊNESIS – A TERCEIRA E QUARTA DISPENSAÇÕES
1.  No nono capítulo, “pacto noaico”, aliança Noética, firmada entre Deus e Noé, repovoamento da terra, “dispensação do governo humano”, consciência com o próprio domínio da terra pelo homem - governança do planeta e a própria administração da justiça.
2.  Descendentes de Noé, Noé se embriaga, maldição sobre Canaã por parte de seu avô.
3.  Genealogia Noé, origem das nações que hoje temos em nosso planeta, confusão das línguas em Babel, que põe fim à dispensação do governo humano.
4. Final do capítulo 11 é dedicado à genealogia de um dos filhos de Noé, Sem, de onde descenderia Abraão, que passa a ser o protagonista do livro a partir de então.
5.   A partir do capítulo 12 até o capítulo 25 - “ciclo de Abraão”, aos setenta anos de idade, foi chamado por Deus para deixar a sua cidade, Ur dos caldeus, para ser o pai de uma grande nação.
6. Tem início, assim, a dispensação patriarcal ou dispensação da promessa, período em que Deus tratou com a humanidade por meio dos “patriarcas”, aqueles que o Senhor escolheu para serem os pais de Israel, a nação que seria formada para dela vir o Messias, Aquele que restauraria a amizade entre Deus e os homens (Jo.4:22).
7. Nestes quatorze capítulos, Moisés relata a vida do patriarca Abraão, chamada, peregrinação em Canaã, vinte e cinco anos para o cumprimento da promessa de que teria um filho, uma sequência de fatos que demonstram porque Abraão é conhecido como o “pai da fé”.
8. Neste ciclo, temos a passagem de Gn.25:12-18 em que há a genealogia de Ismael, o filho que Abraão teve com a sua escrava Agar, dando-nos, portanto, a origem da nação árabe.
9. Depois o chamado “ciclo de Isaque”, Gn.25:19, nascimento dos filhos gêmeos de Isaque, até o final do capítulo 27, “filho da promessa”.
10.Capítulo 28 até o final do capítulo 36, Jacó, nome mudado para Israel (Gn.32:28), herdou as promessas feitas a Abraão, pelo desprezo que Esaú teve em relação à primogenitura (Gn.25:33,34).
11.Jacó em Padã-Arã, sua família, tio e sogro Labão, retorno a Canaã, depois de vinte anos passa a peregrinar naquela terra. No capítulo 36, genealogia de Esaú - nação dos edomitas, históricos adversários do povo de Israel.
12.Capítulo 37, “ciclo de José”, oitavo filho de Jacó (o sétimo filho homem) e primeiro filho de Raquel, vendido vai ao Egito e lá se tornou governador do Egito, levou os seus familiares para lá morar.
13.Capítulo 38, Judá e de Tamar, “começo da tribo de Judá”, que é a tribo em que nasceria o Salvador.
14.O livro do Gênesis termina com a morte de José e o povo de Israel no Egito, onde iria se formar como uma nação, de modo que temos aqui a história do “começo do povo de Israel”.
15.O livro termina com a promessa feita pelos irmãos de José de que o corpo do governador do Egito não seria sepultado no Egito, mas que seria levado para Canaã quando o Senhor levasse Israel para lá, de modo que o livro termina com a reafirmação da promessa feita por Deus a Abraão, que era, assim, o “começo do cumprimento da promessa da redenção da humanidade”.
16.Gênesis é “livro dos começos”, o “livro das origens.
17.Gênesis é “…a criação, a queda e a redenção da raça humana através de Jesus Cristo. O Gênesis é a fundação sobre a qual toda divina revelação se baseia e é construída. Propósito é “…revelar ao homem a origem do céu e da terra e de todas as demais coisas. Declarar Deus como um Criador pessoal e mostrar que nada evoluiu através de bilhões de anos. Registrar a história da queda do homem e a presença do pecado na terra como uma introdução para a Sua lei.
http://www.portalebd.org.br/index.php/adultos/14-adultos-liccoes/430-licao-1-genesis-o-livro-da-criacao-divina-i
Revista CPAD - Lições Bíblicas - 1995 - 4º Trimestre - Gênesis, O Princípio de Todas as Coisas - Comentarista pastor Elienai Cabral
A DOUTRINA DA CRIAÇÃO
Gênesis 1:1,2 No princípio criou DEUS o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o ESPÍRITO de DEUS se movia sobre a face das águas.
Gênesis 1:26-31
E disse DEUS: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou DEUS o homem à sua imagem; à imagem de DEUS o criou; homem e mulher os criou. E DEUS os abençoou, e DEUS lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. E disse DEUS: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi. E viu DEUS tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto.
OBJETIVOS:
1. Informe aos alunos que DEUS é o Onipotente, desde a eternidade. Por isso, Ele não dependeu de alguém, para a criação do mundo, senão da integração das três pessoas da Trindade, na realização deste subli­me projeto. Elas não tiveram princípio, pois são eternas.
2. Diga-lhes que é natural do ser humano, tentar descobrir as coisas, as vezes, até por tentativas vãs, como no caso das teorias da criação do mundo. Entretanto, descobrimos que elas não passam de especulações, pois a mente humana não é capaz de desvendar este ministério da origem de todas as coisas.
3. Explique-lhes que a Doutrina da Criação não se submete aos diversos pensamentos filosóficos e científicos, pois deve ser aceita pela fé. Por isso, não nos importa saber qual a idade da Terra, pois DEUS existe antes dela e é eterno. Estamos escudados no que Genesis 1.1 nos declara: "No princípio, criou DEUS os céus e a terra".
INTRODUÇÃO 
Genesis, o primeiro livro da Bíblia, no original hebraico, é "Bereshith", que se traduz por "No princípio" e, no grego, a palavra "Genesis" é "Geneseos", que significa"nascimento, começo, princípio". Foi escrito por Moisés em 1443 a. C.,aproximadamente, e redi­gido nos primeiros anos da peregrinação de Israel no deserto,quando este patriarca procurava ensinar ao povo os fundamentos da Palavra de DEUS.
I - DEUS, O CRIADOR 
1- Identificando o Criador. Antes de falar dos atos criativos do Senhor, é preciso conhecê-lo do modo como a Bíblia o apresenta. Genesis não começa com urna teoria, mas com o vocábulo DEUS: "No princípio criou DEUS" (Gn 1.1). Através da história da humanidade, os homens têm inventado muitos deuses, e Satanás, arqui-inimigo do Criador, deseja tornar-se o o governador ou "deus" do Universo, a qualquer custo.
2. O Criador e a cria,;ao. A declaração de que há um Criador, o qual deu vida a todos os seres vivos existentes na Terra, e também os ele­mentos animados e inanimados, desfaz completamente as teorias anticriacionistas da evolução. No hebraico, o termo "BARAH" indica, de forma direta, que DEUS é o Criador.
3. O Criador é o Senhor Onipotente. Entre os atributos de sua Onipotência, revela-se "o poder de criar". A Abraão, o Senhor manifestou-se como "o DEUS Todo- poderoso" (Gn 17.1). Vários textos na Bíblia declaram que "DEUS fez a terra pelo seu próprio poder" ( Is 40.21-28; 42.5; 45.12- 18; Jr 10.12; 27.5; 51.15).
II - TEORIAS DA ORIGEM DA CRIAÇÃO l. A Teoria da Grande Explosão. A partir do estudo de Einstein, sobre a Teoria da Relatividade, outros cientistas acreditam que o Universo era urna bola imensa de hidrogênio que se expandira indefinidamente e alcançaria distâncias quase infinitas. Eles imaginam que, em algum tempo indecifrável, houve urna grande explosão desta imensa bola de hidrogênio. Dai surgiram os mundos, as galáxias. Na tentativa de definir as origens do Universo, procuram determinar a sua idade, sugerindo a cifra de 12 bilhões de anos. De fato, esta teoria acredita na eternidade da matéria, mas a Bíblia a refuta, quando declara que tudo em algum tempo começou a existir. "No principio, criou DEUS os céus e a terra" (Gn 1.1).
2. A Teoria da Nebulosa Original. A idéia básica desta teoria é que a matéria foi criada por DEUS e está espalhada pelo Universo, em vários sistemas planetários desconhecidos e, inclusive, o nosso, no qual se inclui a Terra. Os cientistas, seus defensores, ensinam que o nosso planeta teria surgido em estado gasoso de hidrogênio, e, como os gases ocupam muito mais espaço que os sólidos, esta matéria original tomaria todo o espaço conhecido e desconhecido.
3. A Teoria da Substância Original. Os adeptos desta teoria ensinam que havia, no princípio de tudo, urna substância original indefinida e desconhecida, e dela surgiram os quatro elementos básicos: a terra, o ar, o fogo e a água. Afirmam ainda que, de um destes componentes deve ter originado a vida, ou então, de todos eles.
4. A Teoria do Panteísmo. O Panteísmo declara que DEUS e a Natureza são a mesma coisa e estão inseparavelmente ligados. A idéia básica desta teoria é que o Senhor não cria nada, mas tudo emana e faz parte dele. Entretanto, a revelação bíblica não aceita, de modo algum, este ensinamento, pois o Criador não é parte do Universo, e, sim, este foi criado por Ele (SI 8).
5. A Teoria Evolucionista. Esta teoria ensina que a matéria é eterna, preexistente. A partir daí, mediante processos naturais e por transformação gradual, os seres passaram a existir. Entretanto, a Bíblia declara que DEUS criou todas as coisas, isto é, tudo teve um começo. As provas diretas da criação, além da Ciência, estão expostas na Bíblia em Genesis 1.1.
6. A Teoria da Criação, a partir do nada. Esta é, talvez, a mais difundida, ensinada e pregada, no meio evangélico. Ela é conhecida pela expressão latina "ex nihilo", pois declara que DEUS criou tudo "do nada", mediante o poder de sua palavra. Utiliza-se como base, para a afirmação desta idéia, o texto de Hebreus 11.3, o qual diz que "os mundos foram criados pela palavra de DEUS, de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente". Ora, entendemos que aquilo o qual não é aparente, não quer dizer "do nada", mas pode referir-se a coisas imateriais. A expressão "No princípio", de Genesis 1.1, não se refere a ''eternidade passada", mas significa o ponto inicial do tempo como o conhecemos.
OBSERVAÇÃO MINHA - Ev. HENRIQUE - OS MUNDOS FORAM CRIADOS PELA PALAVRA DE DEUS, PORTANTO, NÃO FORAM CRIADOS DO NADA.
III - O MODO DIVINO DA CRIAÇÃO 
1. A criação foi um ato livre da parte de DEUS. Existe um falso ensino de que a criação do mundo foi por urna necessidade de DEUS, urna autogênese divina, para fazer valer o seu Ser, como se Ele precisasse auto-afirmar-se. Urna vez que se admite ter sido a criação feita do nada, entende-se que nada preexiste a ação criadora do Senhor. A idéia de que o mundo aparece como algo necessário para Ele, acaba no panteísmo, o qual ensina que tudo é DEUS e o mundo não pode conceber-se sem o Criador, nem Ele sem o Universo.
Mas DEUS não criou o mundo por acaso, ou por necessidade. O Universo existe porque o Criador quer. Ele é para si mesmo sua própria riqueza e,portanto, a criação partiu dele como urna graça especial. O Senhor é imune de coação externa, pois não depende de nada, absolutamente, e, por isso, pode criar livremente o que deseja, quando.e como quer. Os salmos 115.3 e 135.6 dizem respectivamente: "Mas o nosso DEUS está nos céus; fez tudo o que lhe agradou"; "Tudo o que o Senhor quis, fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos".
2.A criação foi um ato temporal de DEUS. A expressão inicial de Genesis 1.1: "No princípio", indica, dentro da eternidade, a questão do "tempo". O termo hebraico "bereshith" mostra, em seu sentido literal, que a palavra "princípio" refere-se ao início da criação. "O tempo é apenas urna das formas de toda a existência criada", como afirmou certo teólogo. A declaração de que a criação foi um ato temporal, não significa restringir ou confinar DEUS ao tempo, porque Ele está fora de qualquer confinamento, restrição física ou mesmo espiritual. Na verdade, a lição que aprendemos na Bíblia é que o mundo teve começo ( Mt 19.4,5; Me 10.6; Jo 1.1,2; Hb 1.10).
3. A criação foi um ato especial do DEUS Triúno. A forma plural do nome "ELOHIM" revela­nos, não só a transcendência do Criador, no sentido de ir além, mas, acima de tudo, o sufixo "him" indica a pluralidade composta da divindade, ou seja, as três pessoas da Trindade. Urna vez revelado o trino DEUS na declaração inicial de Genesis, entende-se que Ele é o autor da criação (Gn 1.1; Is 40.12; 44.24; 45.12). Nenhuma das pessoas da Trindade age com poderes independentes, mas, sim, o Pai, o Filho e o ESPÍRITO são autores independentes.
CONCLUSÃO 
Estudamos esta primeira lição, para compreendermos, não só a Teologia da Criação, mas também a sua história, conforme o relato de Genesis. Precisamos compreender este assunto com convicção, para podermos refutar as teorias humanas que negam o relato bíblico.
1. A salvação é pela fé, e jamais conseguiremos agradar a DEUS, se não confiarmos, plenamente, nele. O Criador revelou a Moisés o essencial sobre a criação do mundo, para jamais sermos enganados pelo Diabo. Por isso, acreditemos somente no que a Bíblia nos diz a respeito deste assunto.
2. Todas estas teorias, hoje, são ensinadas nas escalas seculares, nos seus três níveis: primário, secundário e superior, com o único propósito de divulgar o Evolucionismo. Portanto, precisamos estar bem preparados, a fim de que a Palavra de DEUS suplante esta mentira, semeada pelo Inimigo de nossas almas.
3. Sabemos que dentro do projeto divino, de criar o mundo, estava o sublime propósito de formar um ser a imagem e semelhança de DEUS. Satanás, por inveja, investiu contra Adão e Eva, para destruí-los. Porém, o Senhor nos salvou, através da morte vicária de seu Filho Unigênito.
Revista CPAD - Lições Bíblicas - 1995 - 4º Trimestre - Gênesis, O Princípio de Todas as Coisas - Comentarista pastor Elienai Cabral
 
Gênesis a Deuteronômio - Comentário Bíblico Beacon - CPAD - O Livro de Gênesis - George Herbert Livingston, B.D., Ph.D.
Título
No Antigo Testamento hebraico, a primeira palavra do texto, bereshit, “no princípio”, serve de título para o livro de Gênesis. Tomar a primeira frase ou palavra de uma obra literária para denominá-la era prática comum no antigo Oriente Próximo. A tradução grega chamada Septuaginta (LXX) toscamente igualou este termo de abertura com a palavra gênesis, que significa “origem ou fonte”. A palavra grega permaneceu em nossas versões bíblicas, porque descreve notavelmente bem o conteúdo do livro. E o livro dos começos: o começo do universo, do homem, do pecado, da salvação, da nação hebraica, da aliança com os homens. Martinho Lutero foi o primeiro a anexar ao título antigo a frase: “O Primeiro Livro de Moisés”, mantida na maioria das versões bíblicas. Lutero a considerou apropriada visto que o Livro de Gênesis é o primeiro dos livros do Pentateuco e Moisés fora tradicionalmente considerado o autor de todos os cinco livros.
 
Considerado o autor de todos os cinco livros.
Uma breve discussão da autoria não faz justiça à massa de literatura sobre o assunto nem à complexidade dos problemas. A controvérsia gira em torno da questão se o Livro de Gênesis, como o conhecemos em todos os manuscritos existentes, foi produto de Moisés e seu tempo ou de escritores desconhecidos em uma época muito posterior. Ao longo dos últimos dois séculos, os estudiosos se dividem entre os que aceitam a autoria ou autoridade mosaica e os que consideram que o material do Livro de Gênesis é trabalho de muitos “autores” desconhecidos (ver análise em “O Pentateuco”).
O texto do livro não menciona o nome de Moisés e, como dito anteriormente, foi Lutero (1483-1546) quem juntou ao título a anotação sobre Moisés. Levando em conta que o derradeiro acontecimento narrado em Gênesis ocorre muito tempo antes dos dias de Moisés, os estudiosos ortodoxos defendem que ele modelou o material antigo em sua forma atual. Esta opinião se baseia principalmente nas seguintes evidências internas: a) nos outros quatro livros do Pentateuco, no sentido de que vieram de Moisés ou pelo menos do seu tempo de vida e sob sua direção; b) no restante do Antigo Testamento, o qual liga a Moisés o conteúdo de todo o Pentateuco; e c) no Novo Testamento, que afirma serem os livros do Pentateuco (principalmente Deuteronômio) da autoria de Moisés.
 
C. Data e Composição
Estes itens estão estreitamente relacionados com a discussão da autoria, portanto, todos os três devem, de certo modo, ser tratados juntos. Atribui-se a Johann Eichhorn, professor na Universidade de Jena, Alemanha, em fins do século XVIII, a rejeição da amplamente aceita autoria mosaica do Pentateuco. Ele fundamentou seus argumentos em duas supostas fontes para o Livro de Gênesis rotuladas de J, para aludir a Jeová, e E, para Elohim, as quais, segundo ele, vieram a existir depois do tempo de Moisés. Na verdade, esta análise de fonte foi feita pela primei­ ra vez por uma médica francesa, Jean Astruc, várias décadas antes de Eichhorn. Nos primeiros três quartos do século XIX, os professores alemães discutiam se havia muitas fontes, duas fontes ou apenas uma fonte para o Livro de Gênesis. Eles dataram estas fontes ao longo de todo o tempo entre Salomão e Esdras. Usando como indícios a ocorrência de diversos nomes divinos, as diferenças de vocabulário e a suposta divergência de pontos de vista teológicos, a controvérsia predominou entre uma história de composição fragmentada e uma unidade básica em construção.
Julius Wellhausen1foi o primeiro a popularizar com êxito a idéia de três fontes principais em Gênesis: J (fonte jeovista), E (fonte eloísta) e P (fonte sacerdotal [“p” de Priestercodex}). A fonte J era datada do século IX a. C.; a E era datada do século VIII a. C.; e a P era datada do século V a. C. Esta visão se tornou padrão entre seus seguidores e altamente popular nos círculos protestantes e judaicos em todo o mundo ocidental. A Igreja Católica Romana reagiu negativamente à teoria.
Hermann Gunkel2procurou estender-se sobre a posição de Wellhausen examinando as formas literárias da antiga maneira de contar histórias conforme ilustrada em Gênesis. Ele concluiu que, antes de 1000 a. C., houve um longo período de transmissão oral de grande parte do conteúdo do Livro de Gênesis antes de ser solidificado nos denominados documentos J ,E e P.
Em anos mais recentes, os estudiosos que rejeitam a autoria mosaica são mais favoráveis à ideia de um longo período de desenvolvimento da tradição oral em torno dos centros tribal e cultual, em vez da existência de fontes escritas. Otto Eissfeldt3 foi o proponente principal desta abordagem. Houve também a tendência a considerar que o livro foi concluído nos tempos do exílio e que possui um caráter substancialmente mosaico. W. F. Albright defendeu esta posição.
Os estudiosos conservadores consistentemente defendem que a teoria descrita acima é inaceitável, sendo incentivados pelo volume de evidências contrárias fornecidas pelos estudos no antigo Oriente Próximo. Com vigor renovado, insistem que evidências descobertas mais recentemente tornam possível e altamente provável a composição de Gênesis na época de Moisés. Vários manuscritos, inclusive o tipo alfabético, estavam em uso séculos antes dos dias de Moisés, produzindo-se uma grande quantidade de literatura, grande parte dela significativa para os estudos em Gênesis. Sabe-se hoje que a transmissão oral de recordações importantes, sobretudo as pertinentes à santidade, tem um grau de precisão não menos que espantosa.
Cada vez mais os estudiosos defendem que o conteúdo de Gênesis 1 a 11 deve ter entrado na coletânea de fatos e tradições hebraicas antes do tempo de Abraão. Atualmente, aceita-se que a orientação social, econômica e política das histórias dos patriarcas está solidamente arraigada no período de 2000 a 1500 a. C. A única barreira tem a ver com a teologia. Há um reconhecimento crescente de que crenças monoteístas predominavam entre os hebreus nos dias de Moisés, mas só os estudiosos conservadores ousam asseverar que o monoteísmo era desde o início a fé dos patriarcas.
A questão se resolve em uma pergunta básica: Gênesis era mosaico ou uma miscelânea de composição e origem? Este comentário sustenta a posição conservadora de que Gênesis é mosaico em sua composição e data.
 
D. Estrutura
O Livro de Gênesis tem uma introdução (1.1—2.3) e dez divisões, cada uma das quais introduzida pela palavra hebraica toledot (“gerações, origens”), que os estudiosos admitem ter o significado de “história, conto ou relato” em vez de simplesmente genealogia. Estas divisões ocorrem em 2.4; 5.1; 6.9; 10.1; 11.10; 11.27; 25.12; 25.19; 36.1; 37.2.  0 livro também pode ser dividido em duas seções principais: a primeira de 1.1 a 11.26 e a segunda de 11.27 até o fim. A primeira destas divisões lida basicamente com as origens primevas, e a segunda, com o estabelecimento da relação de concerto de Deus com os antepassados do povo hebraico. Ou conforme G. C. Morgan,8as divisões podem ser vistas em três par­ tes. A primeira divisão seria de 1.1 a 2.25, que se ocupa da geração; a segunda seria de
3.1 a 11.32, que lida com a degeneração; e a terceira seria de 12.1 a 50.26, que se centraliza na regeneração.
Depois do relato introdutório da criação, o livro se concentra fundamentalmente em homens importantes e seus descendentes. Estes homens são Adão, Noé, Abraão, Isaque, Jacó e José. Personagens de menor importância relacionados a estes indivíduos notáveis são tratados pelo simples alistamento de suas genealogias.
Em Gênesis, há um movimento sequencial que passa do universal para o específico. A história da criação do universo concentra a atenção em Adão e sua esposa, Eva; depois se estende para traçar de modo incompleto o aumento dos seus descendentes pelas linhagens de Caim e de Sete. Tendo descrito vigorosamente a corrupção destes povos em 6.1-4, o relato anuncia a decisão do Todo-poderoso em puni-los por meio de um grandioso dilúvio, mas, ao mesmo tempo, salvar um remanescente dando proteção a Noé e sua família numa arca. Os descendentes de Noé também são apresentados no aumento numérico e na expansão via migração através de uma lista genealógica. Abraão vem em primeiro plano.
Geograficamente, os primeiros onze capítulos são direcionados ao vale mesopotâmico
O Livro de Gênesis tem uma introdução (1.1—2.3) e dez divisões, cada uma das quais introduzida pela palavra hebraica toledot (“gerações, origens”), que os estudiosos admitem ter o significado de “história, conto ou relato” em vez de simplesmente genealogia. Estas divisões ocorrem em 2.4; 5.1; 6.9; 10.1; 11.10; 11.27; 25.12; 25.19; 36.1; 37.2.  0 livro também pode ser dividido em duas seções principais: a primeira de 1.1 a 11.26 e a segunda de 11.27 até o fim. A primeira destas divisões lida basicamente com as origens primevas, e a segunda, com o estabelecimento da relação de concerto de Deus com os antepassados do povo hebraico. Ou conforme G. C. Morgan,8as divisões podem ser vistas em três par­ tes. A primeira divisão seria de 1.1 a 2.25, que se ocupa da geração; a segunda seria de
3.1 a 11.32, que lida com a degeneração; e a terceira seria de 12.1 a 50.26, que se centraliza na regeneração.
Depois do relato introdutório da criação, o livro se concentra fundamentalmente em homens importantes e seus descendentes. Estes homens são Adão, Noé, Abraão, Isaque, Jacó e José. Personagens de menor importância relacionados a estes indivíduos notáveis são tratados pelo simples alistamento de suas genealogias.
Em Gênesis, há um movimento sequencial que passa do universal para o específico. A história da criação do universo concentra a atenção em Adão e sua esposa, Eva; depois se estende para traçar de modo incompleto o aumento dos seus descendentes pelas linhagens de Caim e de Sete. Tendo descrito vigorosamente a corrupção destes povos em 6.1-4, o relato anuncia a decisão do Todo-poderoso em puni-los por meio de um grandioso dilúvio, mas, ao mesmo tempo, salvar um remanescente dando proteção a Noé e sua família numa arca. Os descendentes de Noé também são apresentados no aumento numérico e na expansão via migração através de uma lista genealógica. Abraão vem em primeiro plano.
Geograficamente, os primeiros onze capítulos são direcionados ao vale mesopotâmico Depois da resposta de Abraão ao chamado de Deus para se mudar, as histórias relacionadas a ele estão centralizadas principalmente em Canaã, com apenas algumas histórias ligadas ao Egito ou a sua antiga casa em Harã. Com exceção de ter uma esposa de Harã, Isaque é completamente limitado à vida em Canaã, mas Jacó passou vinte anos em Harã e os últimos anos de vida no Egito, embora na juventude e meia-idade estivesse em Canaã. Exceto por sua juventude, José passou seus anos de maturidade no Egito, parte numa prisão e parte como poderoso funcionário do governo.
E. Propósito e Mensagem
O propósito principal do Livro de Gênesis é mostrar como Deus escolheu o povo de Israel para ter uma relação de concerto com Ele. Essa escolha se revela na forma em que Ele lidou com os progenitores dos israelitas. Ainda que haja semelhanças notáveis entre outros escritos antigos e as histórias bíblicas da criação, da queda do homem e do dilúvio, o interesse bíblico na origem do universo é basicamente teológico. Seu empenho é declarar que todas as coisas procedem e são sustentadas por um Deus Criador. O politeísmo e suas nuanças são deliberadamente ignorados.
No Livro de Gênesis, o interesse na origem do homem e na origem do pecado diz respeito fundamentalmente à natureza do relacionamento entre o homem e Deus, tanto em sua comunhão original quanto em sua posterior oposição negativa e desobediente à vontade de Deus. O relacionamento original sempre é considerado como o ideal e a meta de todos os procedimentos futuros de Deus com o homem. As misericórdias de Deus são estendidas aos homens para que o relacionamento positivo seja restabelecido pela atividade salvadora de Deus, a qual é determinada num sistema de concerto. Os vislumbres da realização futura dos propósitos redentores de Deus são orientados para um grande cumprimento de uma reconciliação não só individual, mas também nacional, internacional e universal entre Deus e o homem. Por conseguinte, os temas messiânicos na parte final do Antigo Testamento e no Novo Testamento são encontrados em Gênesis. Do ponto de vista teológico, o teor de Gênesis é inflexivelmente monoteísta. O paganismo não é abertamente questionado ou rejeitado; é amplamente ignorado. Gênesis descreve somente exemplos limitados da prática idólatra, os quais são repudiados indiretamente (como em Gênesis 22) ou diretamente (como em Gênesis 23). A análise racional e o ímpeto religioso do paganismo na Mesopotâmia, em Canaã e no Egito estão quase que totalmente ausentes.
O número limitado de temas religiosos e locuções literárias, que são encontrados tanto na antiga literatura mesopotâmica quanto no material em Gênesis, é incidental para os principais destaques das histórias de Gênesis. Eles tiveram sua importância largamente sobre-estimada por alguns estudiosos do Antigo Testamento.
O Livro de Gênesis desafia a validade do politeísmo, do dualismo, do deísmo e do panteísmo, não pela análise negativa de suas fraquezas, mas pela afirmação positiva da unidade, soberania e realidade pessoal divina. Em Gênesis, há a apresentação das qualidades pessoais e dinâmicas da relação divino-humana dentro do concerto , sobretudo na forma narrativa e, secundariamente, por meio de resumos genealógicos.
 
Esboço
1- Crises Individuais e Decadência Coletiva ,  1.1— 11.26
O Criador em Ação, 1.1—2.3
0  Criador em Relação à Criação, 2.4—3.24
O Assassinato e Seu Resultado, 4.1-24
A Expansão de um Novo Começo, 4.25—6.8
A Corrupção Universal e Seu Resultado, 6.9—11.26
 
2- Abraão, o Homem que Deus Escolheu ,  11.27— 25.11
As Relações da Família de Terá, 11.27-32
Estrangeiro em Nova Terra, 12.1—14.24
O Concerto de Deus com Abraão, 15.1—17.27
A Espera pelo Verdadeiro Filho, 18.1—20.18
Antigas Lealdades Testadas, 21.1—22.19
Assumindo Responsabilidades por Outros, 22.20—25.11
 
3- Ismael, o Homem que Deus Separou , 25.12-18
 
4- Isaque , o Homem cuja Vida Deus Poupou , 25.19—28.9
Um Guisado em troca do Direito de Primogenitura,  25.19-34
O Procedimento de Isaque com seus Vizinhos, 26.1-33
Isaque e sua Família, 26.34—28.9
 
5- Jacó , o Homem que Deus Refez , 28.10— 35.29
Confrontado por Deus, 28.10-22
Amor Frustrado não Morre, 29.1-30
Dolorosa Competição, 29.31—30.24
Pastores Inteligentes, 30.25—31.55
Profunda Crise Espiritual, 32.1-32
Irmãos Conciliados, 33.1-17
Tragédia em Siquém,  33.18—34.31
O Concerto Renovado em Betel, 35.1-15
Viagem Toldada pela Tristeza, 35.16-29
 
6- Esaú , o Homem que Aceitou de Volta  seu Irmão, 36.1-43
As Esposas de Esaú e seus Filhos,  36.1-8
Os Filhos e Netos de Esaú,  36.9-14
A Proeminência dos Descendentes de Esaú, 36.15-19
Os Filhos dos Moradores das Cavernas,  36.20-30
Os Reis de Edom, 36.31-39
As Regiões onde os Edomitas Habitavam, 36.40-43
 
7- José, o Homem que Deus Protegeu , 37.1— 50.26
Vendido como Escravo, 37.1-36
A Frouxidão Moral de Judá, 38.1-30
As Provações de José no Egito, 39.1—40.23
A Dramática Ascensão de José ao Poder, 41.1-57
Problemas Misteriosos no Egito, 42.1—45.28
O Novo Lar no Egito, 46.1—47.31
Visões do Futuro, 48.1—50.26
 
Seção 1 - CRISES INDIVIDUAIS E DECADÊNCIA COLETIVA
Gênesis 1.1—11.26 
Em uma série de histórias e genealogias altamente condensada, esta seção do livro trata da origem do universo, da origem da ordem nesta terra, da origem da vida, da origem do homem, da origem do pecado, da violência e desordem, e da origem das diferenças nacionais e linguísticas.
 
O Criador  em  Ação , 1 .1— 2 .3 
Pela brevidade e beleza da composição e do estilo, esta vinheta sobre a criação é inigualável. O Deus-Criador domina a cena. Ele fala e imediatamente se forma a ordem, proporcionando um belo lugar de habitação e de abundantes suprimentos para a criação mais sublime de todas: o homem. Majestade e poder marcam cada sentença.
 
1. O Ato Inicial (1.1,2)
Em resposta à pergunta “Quem fez todas as coisas?”, a Bíblia declara ousadamente: Deus... criou (1). Em resposta à pergunta “Quem é anterior e maior que todas as coisas?”, com igual ousadia a Bíblia anuncia: No princípio... Deus.1O céu e a terra não são Deus nem deuses; nem é Deus igual à natureza. Deus é o Criador e a natureza é seu trabalho manual.
Embora feita por Deus, a terra não estava pronta para o homem. Ainda estava em desordem, sem forma e vazia (2), e não havia luz. Contudo, havia atividade. O Espírito de Deus se movia continuamente sobre a face das águas.
 
2. O  Dia da Luz e das Trevas (1.3-5)
Energia é necessidade vital para o hábitat do homem, e luz é energia. Por conseguinte, a primeira ordem de Deus foi: Haja luz (3). A ênfase na palavra falada de Deus é tão grande que cada dia criativo começa com uma ordem ou expressão da vontade divina.2Em seguida, ocorre a execução da ordem e a declaração culminante: Era bom ou equivalente (e.g., 4,10,18).
 
3. O Dia das Águas Divididas (1.6-8)
As águas foram separadas, e acima da terra havia uma expansão (6). A palavra expansão ou firmamento transmite a idéia de solidez.3 Contudo, a ênfase na palavra hebraica original raqia não está no material em si, mas no ato de expandir-se ou na condição de estar expandido. Por isso, a palavra “expansão” é muito apropriada.
Em diversos lugares do Antigo Testamento, o ato de estender os céus é proeminente (ver Jó 9.8; 26.7; SI 104:2; Is 45.12; 51.13; Jr 51.15; Zc 12.1). A evidência de que Deus é o Criador acha-se no ato de estender e não no caráter do que foi formado.4Ao longo do Antigo Testamento, o interesse se centraliza nas relações de Deus com a natureza e o homem. Deus é o Criador, e a partir desta declaração o Antigo Testamento passa a mostrar que a natureza é uma criatura e uma ferramenta. Do mesmo modo, Deus julga, livra e cuida do homem.
 
4. O Dia da Terra e do Mar (1.9-13)
O terceiro ato de Deus dizia respeito à formação de um futuro hábitat para o homem, que é criatura da terra. O alimento para o homem, a vegetação, cresce na terra. Sob a ordem de Deus, terra e mar se separaram, e forma, vida e beleza enfeitaram a terra. O texto não descreve como estas separações ocorreram, nem há uma lista das forças dinâmicas e naturais envolvidas. Ao invés disso, a relação de um Criador pode­ roso com uma criatura obediente e flexível é o tempo todo, e claramente, mantida diante do leitor.
Dramaticamente, Deus se voltou para a terra agora visível e deu-lhe ordens. Apareça a porção seca (11) não era admissão de que as substâncias inorgânicas possuíam o poder inerente de produzir vida.5Muito pelo contrário, a vida em si acha-se, no final das contas, na palavra criativa de Deus e imediatamente surge em resposta à sua ordem.
Seguindo um padrão de pares — luz e trevas, águas que estavam sobre e águas que estavam debaixo, terra e mares —, agora ocorre uma série de grupos de três. Erva, erva dando semente... e árvore frutífera (12) são agrupamentos muito generalizados e não devem ser considerados classificações botânicas no sentido moderno.
A frase conforme a sua espécie6indica limites aos poderes de reprodução. Mas não fornece um projeto que esboça linhas limítrofes. O destaque está na segurança observável da natureza: trevo produz trevo, trigo produz trigo, etc. E assim foi (11) — e ainda é.
 
5. O Dia dos Dois Luminares (1.14-19)
Os pagãos adoravam o sol, a lua e as estrelas como deuses e deusas de poder formidável. Na narrativa deste dia da criação, o luminar maior (16) e o luminar menor nem mesmo são nomeados. Em poucas sentenças hábeis, o autor descreve a criação destes corpos celestes, os quais, depois, são incumbidos de executar certas tarefas nos céus.7 Eles possuem uma dignidade de governo e nada mais. As estrelas também recebem não mais que uma menção honrosa. Que golpe contra o paganismo!
 
6. O Dia dos Pássaros e dos Peixes (1.20-23)
Pelo motivo de a luz e as trevas serem comuns a ambos os dias, o primeiro dia (3-5) e o quarto dia (14-19) estão relacionados. Também o segundo (6-8) e o quinto (20-23) estão relacionados no ponto em que lidam com a expansão, em cima, e as águas, embaixo. No quinto dia, Deus falou uma palavra para as águas (20), as quais produziram criaturas e pássaros encheram o ar. No versículo 21, vemos outra tríade: as grandes baleias... todo réptil de alma vivente... e toda ave de asas.
O texto não nos conta como as águas colaboraram com o Criador, mas para enfatizar a estreita ligação entre Deus e estas criaturas é empregado o verbo criou.As diferenças surpreendentes entre a vida botânica e a biológica são atribuídas a um ato divino. Deus os abençoou (22). No Antigo Testamento, a bênção divina é um ato criativo e uma capacitação para que aquele que a recebe cumpra seu destino segundo a vontade de Deus. Neste caso, a vontade de Deus é que as criaturas se reproduzam abundantemente... conforme as suas espécies (21). Este ato serviu para anular a condição anterior “vazia” (2).
 
7. O Dia dos Animais e do Homem (1.24-31)
Dando mais uma ordem: Produza a terra alma vivente (24), Deus encheu a terra de criaturas: as bestas-feras da terra (os animais selvagens, 25), gado e... todo réptil que se move sobre a terra (26).
Mas este dia teria a coroação do ato criativo. A deidade, em deliberação, disse: Façamos o homem (26).9Esta criatura tinha de ser diferente. Deus disse que o homem tinha de ser feito à nossa imagem, tendo certa semelhança com a realidade, mas carecendo de plenitude. O homem devia ser conforme a nossa semelhança, tendo similitude geral com Deus, mas não sendo uma duplicata exata. Não era para ele ser um pequeno Deus, mas definitivamente tinha de estar relacionado com Deus e ser o portador das características distintivas espirituais que o marcam exclusivamente como ser superior aos animais.10
Em 1.26-30, encontramos “O Homem Feito à Imagem de Deus”. 1) Um ser espiritual apto para a imortalidade, 26ab; 2) Um ser moral que tem a semelhança de Deus, 27; 3) Um ser intelectual com a capacidade da razão e de governo, 26c,28-30 (G. B. Williamson).
Uma das marcas da imagem de Deus foi Ele ter dado ao homem o status e o poder de governante. O direito de o homem dominar (28) ressalta o fato de que Deus o equipou para agir como governante. A aptidão para governar implica em capacidade intelectual adequada para argumentar, organizar, planejar e avaliar. A aptidão para governar implica em capacidade emocional adequada para desejar o mais alto bem-estar dos súditos, apreciar e honrar o que é bom, verdadeiro e bonito, repugnar e repudiar o que é cruel, falso e feio, ter profunda preocupação pelo bem-estar de toda a natureza e amar a Deus que o criou. A aptidão para governar implica em capacidade volitiva adequada para escolher fazer a toda hora o que é certo, obedecer ao mandamento de Deus indiscutivelmente e sem demora, entregar alegremente todos os poderes a Deus em adoração jovial e participar em uma comunhão saudável com a natureza e Deus.
Deus criou o homem para ser uma pessoa que tivesse autoconsciência, autodeterminação e santidade interior (Ec 7.29; Ef 4.24; Cl 3.10). A imagem foi distribuída sem distinção de macho e fêmea, tornando-os iguais diante de Deus.
Como Deus abençoou (22) o que previamente havia criado (21), assim Deus outra vez abençoou (28) esta fase da sua obra. Incumbiu o homem com a responsabilidade de reproduzir-se e sujeitar à sua superintendência a terra e tudo que nela havia.
O ato de abençoar o gênero humano é de significado mais amplo que o de abençoar os animais (22). O homem é capaz de ter consciência dessa bênção e pode responder a ela. “Abençoar” em relação a um ser racional é ato de transmitir um senso da vontade de Deus para o abençoado. Isto é especialmente significativo para o homem, pois a ordem de procriar coloca a aprovação de Deus no ato de reprodução. Essencialmente, a relação homem-mulher na procriação é boa, está dentro da vontade de Deus e é básica para o bem-estar deles.
No Antigo Testamento, há dois aspectos para o ato de conceder bênçãos. Da parte de Deus, há o ato de um Ser superior concedendo favor a quem é dependente dele. Da parte do homem, há o retorno da gratidão ao Doador de dons (Gn 24.48; Dt 8.10).
Aspecto importante da bênção de Deus era a concessão de poder e habilidade para sujeitar e dominar (28) os outros seres criados que habitam a terra. Mas era uma autoridade delegada, um governo subordinado, pelo qual o homem prestava contas a Deus. Presumimos que a responsabilidade de controlar a vida animal não acarreta o direito de abusar dela, caso contrário não teria sido bom.
Deus concedeu ao homem o direito de usar os frutos da vida vegetal para comida (29). Isto não lhe deu o privilégio de explorar a natureza, deixando para trás estrago e desolação. O cuidado apropriado dos frutos da vida vegetal tem necessariamente de acarretar o cultivo (2.15) e a conservação dos recursos naturais.
O fato de os animais, sujeitos ao controle do homem, também se alimentarem de plantas, toda a erva verde (30), destaca ainda mais a responsabilidade que pesa sobre o homem. Ele é responsável por controlar a natureza de modo que a natureza supra as necessidades de todas as criaturas vivas e não só as necessidades do homem (ver 9.3 sobre a permissão de comer carne).
A morte de animais não é mencionada, embora não haja razão para presumir a ausência de morte animal antes da queda. O foco está na vida, na harmonia, na ordem e na aptidão de forma e função para o domicílio terrestre do homem.
Em 1.1-5, 26-31, vemos a “Criação pela Vontade Onipotente”, com a ideia central no versículo 1.
1) Causa adequada, 1,2;
2) Desígnio evidente, 2-5;
3) Homem semelhante a Deus, 26-30;
4) Concepção onisciente, 31 (G. B. Williamson).
Gênesis a Deuteronômio - Comentário Bíblico Beacon - CPAD - O Livro de Gênesis - George Herbert Livingston, B.D., Ph.D.
 
GÊNESIS - Introdução e Comentário - REV. DEREK KIDNER, M. A. - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, Caixa Postal 21486, São Paulo - SP, 04602-970
I. Matriz e Berço de Gênesis 
Das obras procedentes do antigo Oriente Próximo que conhecemos, nenhuma é, nem de longe, comparável, em escopo, ao livro de Gênesis, para não mencionar qualidades menos mensuráveis. Certos poemas épicos oriundos da Babilônia falam da criação; outros falam de um dilúvio. A versão mais completa que existe do Épico de Atrahasis, de mais de 1200 versos, liga os dois acontecimentos numa só história continua1que nos dá uma espécie de paralelo de 1-8. Mas, ao terminarem esses poemas, Gênesis mal está começando. A narrativa deste começa num ponto bem anterior ao daqueles (visto que, neles, as águas, personificadas, são o princípio, e os deuses que as dominam são apenas seus produtos) e só termina quando a igreja do Velho Testamento já está firmemente alicerçada e quatro gerações de patriarcas tinham tido vida momentosa no cenário de duas civilizações diferentes.
O livro se desenrola em duas partes desiguais, a segunda das quais começa com o aparecimento de Abraão na junção dos capítulos 11 e 12. Os capítulos 1 a 11 descrevem duas progressões antagônicas: primeiro, a ordenada criação realizada por Deus, até o seu clímax no homem como ser responsável e abençoado; e depois a obra desintegradora do pecado, até o seu primeiro grande anticlímax no mundo corrupto do dilúvio, e seu segundo anticlímax na loucura de Babel.
Com isto, no capítulo 12 a história geral do homem dá lugar à história germinal de “ Abraão e sua semente” , em que a aliança já não é um compromisso geral com a humanidade inteira, como no capítulo 9,
mas se reduz a uma só família mediante a qual “ serão benditas todas as famílias da terra” (12:3). Abraão, sem terras e sem filhos, é levado a aprender que a grande promessa, a estrela polar da sua vida, haverá de cumprir-se divina e miraculosamente, ou não se cumprirá de forma nenhuma. Neste contexto, a obstinada escolha que o seu sobrinho fez das cidades da planície, e suas próprias tentativas desesperadas para conseguir proteção e para ter família, contrastam com o frutífero procedi­ mento da fé. A narrativa deixa claro que em Sodoma ou no Egito ou em Ismael não há futuro como na promessa de Canaã e de Isaque. Estas lições permanecem no restante do livro, quando os homens aceitam ou combatem a vontade de Deus pela escolha de Jacó em vez de Esaú na segunda geração, de José colocado acima de seus irmãos na terceira, e de Efraim acima de Manassés na quarta. Na parte final de Gênesis o povo escolhido começa a tomar forma, enquanto que seus primos e vi­ zinhos estão estabelecidos em seus territórios e já têm seus padrões de vida. Mas nesse meio tempo ele imigra da terra prometida, e a história não pode acabar nesse ponto.
Portanto, o livro não perde no seu término nada do seu ímpeto. Os seus 50 capítulos são o ponto de partida para as coisas mais grandiosas do Livro de Êxodo — coisas essas que os acontecimentos finais de Gênesis exigem e que suas palavras de conclusão antecipam. É somente o primeiro dos “ cinco quintos da lei” , como a lei mesma é a semente de uma colheita ainda maior. Um dos fatos impressionantes relacionados com o Velho Testamento, e, com Gênesis como parte deste, é esta arre­ metida rumo a uma consumação predita, mas, imprevisível em seus pormenores; que a cumpre sem destruí-la.
Na verdade, Gênesis está de várias maneiras quase que mais perto do Novo Testamento do que do Velho, e de alguns dos seus tópicos mal se ouve falar de novo até suas implicações surgirem plenamente nos evangelhos. A instituição do casamento, a queda do homem, a inveja de Caim, o juízo do dilúvio, a justiça imputada ao que crê, a rivalidade entre os filhos da promessa e da carne, a profanidade de Esaú, o povo de Deus em sua condição de peregrino, são todos eles temas predominantes no Novo Testamento. Finalmente, há a simetria com que algumas das cenas e figuras dos primeiros capítulos reaparecem no livro do Apocalipse, onde Babel (Babilônia) e “ a antiga serpente... o sedutor de todo o mundo” são levados à ruína, e os remidos, conquanto sejam veteranos e não inocentes ainda não tentados, voltam a passear

pelo paraíso, nas cercanias do rio e da árvore da vida

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