quinta-feira, 9 de abril de 2015

Lição 2, O Nascimento de JESUS, 1 parte

Lição 2, O Nascimento de JESUS, 1 parte

2º trimestre de 2015 - JESUS, o Homem Perfeito: O Evangelho de Lucas, o Médico Amado.
Comentarista da CPAD: Pastor: José Gonçalves
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
Veja - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/Licao3-jc-1tr08-jesusverdadeirohomemverdadeirodeus.htm
 
 
 
TEXTO ÁUREO"E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem." (Lc 2.7)
 
 
VERDADE PRÁTICADEUS revelou seu amor à humanidade ao enviar a este mundo o seu filho JESUS.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Lc 1.55 - DEUS é fiel e cumpre as suas promessas
Terça - Lc 1.41 - DEUS revitaliza as profecias a respeito do Messias
Quarta - Lc 4.18; 6.20 - DEUS revela-se aos carentes e necessitados
Quinta - Lc 2.11 - DEUS revela a realeza do Messias para toda a humanidade
Sexta - Lc 2.25,26 - DEUS revela-se aos piedosos e às minorias
Sábado - Lc 2.36-38 - DEUS revela-se aos humildes e contritos de coração
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Lucas 2.1-7
1 E aconteceu, naqueles dias, que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse. 2 (Este primeiro alistamento foi feito sendo Cirênio governador da Síria.) 3 E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. 4 E subiu da Galiléia também José, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), 5 a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida.
6 E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. 7 E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.
 
OBJETIVO GERALMostrar que a vinda de JESUS CRISTO ao mundo é uma prova do amor de DEUS.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.
Apresentar o nascimento de JESUS no contexto profético.
Conhecer como se deu o anúncio do nascimento de JESUS segundo Lucas.
Explicar o porquê de o nascimento de JESUS ter ocorrido entre os pobres.
Mostrar o nascimento de JESUS dentro do judaísmo.
 
INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Na lição de hoje estudaremos a respeito do nascimento do Filho de DEUS.
É importante lembrar que quando JESUS veio ao mundo, a Palestina estava debaixo do jugo do Império Romano. César Augusto era o imperador. Os imperadores romanos eram vistos por todos como um deus. Porém, o Rei dos reis em breve nasceria. JESUS nasceu em um lugar simples, em um estábulo. Seu berço não foi de ouro, foi uma simples manjedoura. Ele abriu mão de toda a sua glória para vir ao mundo salvar todos os perdidos. JESUS veio revelar-se aos piedosos e às minorias.
O decreto de César Augusto de que todos teriam que se alistar a princípio parece algo ruim para José e Maria, mas na verdade é uma prova de que DEUS controla a história. Tudo contribuiu para que as profecias se cumprissem e o Filho de DEUS nascesse em Belém (Mq 5.2).
 
PONTO CENTRAL
JESUS veio ao mundo como um de nós para salvar os perdidos.
 
COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO 
Lucas narra o nascimento de JESUS, situando-o no contexto das profecias bíblicas e do judaísmo dos seus dias. O "silêncio profético", que já durava quatrocentos anos, foi rompido pelas manifestações divinas na Judeia. A plenitude dos tempos havia chegado e o Messias agora seria revelado!
O nascimento de JESUS significava boas novas de alegria para todo o povo.  Os pobres e os piedosos seriam os primeiros a receberem a notícia. Dessa forma, DEUS mostrava que a salvação, por Ele provida, alcançaria a todos os homens.
  
I - O NASCIMENTO DE JESUS NO CONTEXTO PROFÉTICO
1. Poesia e profecia.
2. A restauração do ESPÍRITO profético.
II - O ANÚNCIO DO NASCIMENTO DE JESUS 
1. Zacarias e Izabel.
2. José e Maria.
III – O NASCIMENTO DE JESUS E OS CAMPONESES
1. A nobreza dos pobres. 
2. A realeza do Messias. 
IV - O NASCIMENTO DE JESUS E O JUDAÍSMO
1. Judeus piedosos.
2. Rituais sagrados
 
SÍNTESE DO TÓPICO I - O nascimento de JESUS se deu na plenitude dos tempos, cumprindo todas as profecias bíblicas.
SÍNTESE DO TÓPICO II - O anjo Gabriel anunciou a Maria o nascimento do Filho de DEUS.
SÍNTESE DO TÓPICO III - Os pastores que estavam no campo foram os primeiros a saber que o Filho de DEUS havia nascido.
SÍNTESE DO TÓPICO IV - José e Maria, como pais piedosos, seguiram todos os rituais do judaísmo no nascimento de JESUS.
 
CONHEÇA MAIS
*O  local de nascimento do Salvador
"JESUS nasceu em Belém, ao sul de Jerusalém, mas passou a infância e juventude em Nazaré, cidade próxima ao mar da Galileia, no norte. Belém, o lugar onde JESUS nasceu, é hoje uma região em conflito." Para conhecer mais leia Guia Cristão de Leitura da Bíblia, CPAD, p. 21.
 
PONTO CENTRAL
JESUS veio ao mundo como um de nós para salvar os perdidos.
 
Na plenitude dos tempos, JESUS veio ao mundo. Ele é o Messias
No anúncio do nascimento de JESUS, um anjo do Senhor é enviado especialmente aos camponeses pobres que pastoreavam os seus rebanhos no campo.
Lucas lembra o fato de que CRISTO nasceu em Belém, cidade de Davi, cumprindo dessa forma a profecia bíblica.
 
SUBSÍDIO HISTÓRICO 
"O censo consistia no alistamento obrigatório dos cidadãos no recenseamento, o que servia de base de cálculo para os impostos. Quirino era governador do Império legado pela Síria, em d.C., mas este pode ter sido seu segundo mandato. Além disso, Lucas fala do censo que trouxe José e Maria a Belém como um prote (que provavelmente signifique, aqui, 'o anterior' e não o 'primeiro'). Assim, o ano de nascimento de CRISTO continua a ser objeto de debate" (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 653).
SUBSÍDIO DIDÁTICO I
Professor, converse com os alunos explicando que jamais devemos adorar a Maria, todavia, não podemos deixar de reconhecer seu valor. Afinal, ela foi escolhida para ser mãe do Filho de DEUS. Esta escolha está certamente baseada num caráter de especial dignidade. Sua pureza, humildade e ternura são um exemplo para todos os crentes que desejam agradar a DEUS (Adaptado de: PEARLMAN, Myer. Lucas: O Evangelho do Homem Perfeito. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 27).
SUBSÍDIO DIDÁTICO II
Professor, antes de iniciar a explicação do tópico, faça a seguinte indagação: “Por que os pastores foram os primeiros a saber do nascimento do Messias?” “Por que os sacerdotes e escribas não foram os primeiros a  saber?” Ouça os alunos e incentive a participação de todos. Explique que os pastores faziam parte de uma classe social bem simples. Eles eram pobres. As Boas-Novas de salvação não foram anunciadas primeiro aos poderosos e nobres, mas aos humildes, pobres, a pessoas comuns do povo, mostrando que CRISTO veio ao mundo para todos.
SUBSÍDIO TEOLÓGICO
"A legislação sobre o parto" (2.21-24). O texto em Levítico 12.1-5 registra o compromisso materno de oferecer um sacrifício para o ritual de purificação após o nascimento da criança. Foi para dar cumprimento a esse dispositivo legal do Antigo Testamento que a família se dirigiu ao Templo (veja também Lv 12.6-8)" (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 653).
"Lucas descreveu como o Filho de DEUS entrou na História. JESUS viveu de forma exemplar, foi o Homem Perfeito. Depois de um ministério perfeito, Ele se entregou como sacrifício perfeito pelos nossos pecados, para que pudéssemos ser salvos.
JESUS é o nosso Líder e Salvador perfeito. Ele oferece perdão a todos aqueles que o aceitam como Senhor de suas vidas e creem que aquilo que Ele diz é a verdade" (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p. 1337).
 
PARA REFLETIR 
Sobre os ensinos do Evangelho de Lucas, responda:
 
De que forma devem ser entendidos os cânticos de Zacarias e Maria?
Eles devem ser entendidos como sendo de natureza profética. Esses cânticos contextualizam o nascimento de CRISTO dentro das promessas de DEUS ao seu povo.
Como era o relacionamento de José e Maria antes da anunciação angélica?
Eles eram noivos.
De que forma a lição conceitua os pobres?
Os pobres são os carentes tanto de bens materiais como espirituais.
De acordo com a lição, qual o propósito de Lucas mostrar JESUS cumprindo rituais judaicos?
Lucas deseja mostrar que JESUS, como Homem Perfeito, se submeteu e cumpriu os rituais judaicos, tendo, com isso, cumprido a Lei.
Dentro de que contexto Lucas procura situar o nascimento de JESUS?
Lucas procura situar o nascimento de JESUS dentro do contexto histórico.
 
CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 62, p. 38.
Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição.
 
SUGESTÃO DE LEITURA
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento - CPAD
Um Mestre Fora da Lei - CPAD
Pequena Enciclopédia Bíblica - CPAD
 
Comentários de vários livros com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique
O evangelista, doutor Lucas, o médico amado, escreveu a história do nascimento de JESUS CRISTO, paralelamente, a de João Batista. Podemos chamar de histórias dos nascimentos dos dois meninos, pois, em primeiro lugar,Lucas apresenta os anúncios do nascimento de João Batista e de JESUS CRISTO (Lc 1.5-25, cf. w.26-38); depois, a visita de Maria a Isabel (Lc 1.39-45); o cântico de Maria e a informação de que ela passará três meses na casa de sua prima Isabel (Lc 1.46-56); em seguida, a narrativa do nascimento de João Batista (Lc 1.57-66); o cântico de Zacarias, seu pai (Lc 1.67-80); depois, a narrativa do nascimento de JESUS CRISTO (Lc 2.1-7); logo mais, a chegada dos pastores de Belém (Lc 2.8-20); em seguida, a circuncisão e a apresentação de JESUS no Templo (Lc 2.21-24); a alegria de Simeão e da profetisa Ana com o nascimento do Salvador (Lc 2.25-38); e o encontro de JESUS com os doutores da Lei, no Templo, aos doze anos de idade (Lc 2.39-52).
Nas seções narrativas dos anúncios natalícios sobre JESUS CRISTO e João Batista, e de seus respectivos nascimentos, os grandes hinos presentes na narrativa lucana tomou um vulto grandioso na História da Igreja: o Magnificat, cântico de Maria exaltando a DEUS pelas suas obras (1.46-55); o Benedictus, o cântico de Zacarias quando bendiz o DEUS de Israel e profetiza sobre o ministério de João Batista (1.68-79).
As narrativas dos nascimentos de JESUS e de João têm o objetivo de deixar claro, desde o início da obra evangélica, a importância suprema da pessoa JESUS CRISTO. Enquanto João tinha pai e mãe, e fora fruto do relacionamento entre Zacarias e Isabel, a narrativa igualmente deixa claro que a mãe de JESUS, Maria, não conheceu homem algum. E que o Filho de DEUS fora concebido no ventre de Maria pela obra do ESPÍRITO SANTO.
No Benedictus, o cântico de Zacarias, João Batista foi profetizado como o precursor do Messias, JESUS, o Salvador do Mundo. O grande profeta foi reconhecido pelo povo e por Herodes. João Batista descortinou o caminho do Filho de DEUS para o arrependimento do povo, após apresentá-lo a fim de que esse povo reconhecesse o Filho de DEUS, o desejado entre as nações.
É importante que o estudante da Bíblia compreenda a forma como as narrativas do Evangelho de Lucas estão estruturadas, pois ela apresenta uma estrutura que faz sentido na forma como JESUS CRISTO é apresentado a partir do capítulo 3 do Evangelho.
Revista Ensinador Cristão - CPAD, n° 62, p. 38.
 
COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO
Após uma rápida introdução (1.1-4), Lucas relata o anúncio dos anjos com respeito aos nascimentos vindouros de João Batista (w 5-25) e de JESUS (w. 26-38), narra a alegria das duas parentas, Isabel e Maria (vv. 39-45) e inclui uma cópia do magnífico cântico de louvor, em forma de poema, “o cântico de Maria”, comumente conhecido como “o Magnificat” (w. 46-56). Lucas descreve as circunstâncias extraordinárias do nascimento de João e o sentimento pela expectativa criada na região (vv. 57-66). Finalmente, Lucas inclui uma declaração profética de Zacarias, o pai de João, ao identificar a missão de seu filho como o precursor do Messias {w. 67-80). Ao juntar todo esse material, muitos dos quais exclusivos de seu Evangelho, Lucas chama a atenção para o clima de expectativa que DEUS começava a criar entre seu povo como preparativo para o aparecimento do Salvador. Todavia, o autor também chama nossa atenção para as magníficas características de Maria e Isabel, mulheres de fé e compromisso.
RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo.Editora CPAD. pag. 652.
 
Neste capítulo, temos um relato do nascimento e da infância do nosso Senhor JESUS, pois a sua concepção, e o nascimento e a infância do seu precursor já tinham sido assunto do capítulo anterior. Aqui, o Primogênito vem ao mundo; vamos encontrá-lo com nossas hosanas, Bendito o que vem. Aqui temos:
I. O lugar do seu nascimento, e outras circunstâncias, que provavam que Ele era o verdadeiro Messias, e alguém como nós necessitávamos, mas não alguém como os judeus esperavam, vv. 1-7.
II. O aviso do seu nascimento aos pastores daquela região, levado por um anjo; o cântico de louvor que os anjos entoaram naquela ocasião, e a propagação da notícia do seu nascimento pelos pastores, w. 8-20.
III. A circuncisão de CRISTO, e o nome que lhe foi dado, v. 21.
IV. A apresentação do menino JESUS no templo, vv.22-24.
V. Os testemunhos de Simeão, e Ana, a profetisa, a respeito dele, w . 25-39.
VI. O crescimento e a capacitação de CRISTO, w. 40-52.
VII. Seu comparecimento à Páscoa, aos doze anos de idade, e a sua conversa com os doutores no templo, vv. 41-51.
É isto, juntamente com o que já encontramos (capítulos 1 e 2 do Evangelho de Mateus), é tudo o que sabemos a respeito do nosso Senhor JESUS, até que Ele iniciou a sua obra pública, aos trinta anos de idade.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa.Editora CPAD. pag. 526.
 
 
1 - O NASCIMENTO DE JESUS NO CONTEXTO PROFÉTICO
1. POESIA E PROFECIA.
O Magnificat (1.46-56). Alguns questionam se uma jovem e inculta criatura poderia compor esse magnífico poema profético. Não obstante, Maria estava bem familiarizada com as passagens do Antigo Testamento, pois as ouvia nos momentos de louvor na sinagoga e em sua casa. Maria, sem dúvida alguma, sabia tudo sobre a visita do anjo e pode ter escrito seu salmo durante semanas, orientada pelo ESPÍRITO que falava através dela. Seu poema em formato de louvor é dividido em quatro partes distintas. 1) louvor e agradecimento pessoal (w. 46-48); 2) celebração aos atributos de DEUS (w. 49,50); 3) proclamação da correção da injustiça (w. 51-53); e 4) louvor pela misericórdia demonstrada a Israel (vv. 54,56).
O Benedictus (1.67-80). O poema profético de louvor de Zacarias a DEUS, pelo Messias (vv. 68-75) e o papel de seu filho, João (w. 76-79).
RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo.Editora CPAD. pag. 652.
 
O Cântico de Maria: Magnificat, 1:46-55.
Foi dado o nome do Magnificat , termo latino equivalente à primeira palavra do texto grego, megalúno 3170 (amplia ou "maravilhoso").
Magnificat 1:46-55
Magnificat é o nome que tem sido chamado o cântico de Maria. O termo Magnificat é latim e significa "amplia" ou "magnífico", que é a primeira palavra que Maria usou neste cântico de louvor a DEUS.
O Magnificat é um cântico de louvor à grandeza de DEUS. Exaltar acima de todas as manifestações de Seu amor e poder em favor dos pobres e desprezados. Minimiza o poder do "potente". Seu vocabulário é radical e claro. Contém um fundo baseado no AT (como as canções de Zacarias e Simeão), constituindo um mosaico de textos do AT (Salmos dos pobres de Javé, Sofonias, entre outros), que se destaca como ponto de partida para a música de Ana (1 Sam. 2: 1-10).
A vida poderosa e arrogante em suas próprias forças de segurança e os bens serão destronados (vv. 51, 52a). Mas o humilde, acostumado a se curvar diante do rico, e cujos direitos são espezinhados e permanentemente manchados, será exaltado (v. 52b). Os famintos e necessitados recebem a abundância, enquanto os ricos serão despojados de sua riqueza (v. 53).
Os chamados orgulhosos, poderosos e ricos são a classe alta da nação judaica, representada pelos fariseus, saduceus, dos principais sacerdotes e os ricos da oligarquia sacerdotal. Os humildes e famintos são pessoas como Zacarias, Simeão, Ana, Lázaro e suas irmãs, e todos os que em Lucas são os verdadeiros protagonistas da história: os marginalizados. Tudo só aconteceu após o anúncio de João e JESUS.
O Magnificat é intervalo entre o tempo de espera (AT) e tempo de realização (NT). Testemunhar a alegria e a gratidão dos pobres, que esperam e confiam na ação de DEUS.  É evidente o sinal constante por trás do julgamento e redenção. Nesta canção, Maria louva a DEUS por sua graça para com ela, os pobres (ênfase principalmente de Lucas) e ao seu povo Israel. Esta é a estrutura da Magnificat.
a. Atividade divina em favor de Maria, 1: 46-50. Contém uma série de elementos que proporcionam uma unidade inegável. Primeiro de tudo, é a única parte do hino que se conecta à situação concreta de Maria (Anunciação e visitação), e manifesta a sua dimensão pessoal, por exemplo: a minha alma (v 46), meu espírito e meu Salvador (v 47), seu servo, referindo-se a Maria, e de hoje em diante todas as nações me chamarão bem-aventurada (v 48): o Todo-Poderoso fez grandes coisas por mim (v 49). Nesta parte da música são acumulados  explicitamente vários títulos divinos, como Senhor (v 46), Salvador (v 47); Poderoso ys anto (v 49). Há um alto senso de propriedade e pertencimento interpessoal. Finalmente certos atributos de DEUS são destacados: (Vv 47, 48) graça, bondade e fidelidade; santidade e onipotência (v49); misericórdia (v 50).
Maria reconheceu a sua necessidade de um Salvador; ela louvou a DEUS por seus maravilhosos prodígios; e reconheceu a perfeita fidelidade de DEUS às suas promessas. Neste contexto de louvor, Maria revela suas convicções espirituais mais íntimos. 
b. Atividade Divina em favor dos pobres, 1: 51-53 . Esta parte é aparentemente menos conceitual do que a anterior, com um forte sentido sociológico. O assunto dos seis verbos é DEUS (se espalhou, fora, para cima, satisfez, demitido). O beneficiário em todos os casos, o homem é carente e marginalizado (Apoc. 13:18). Para a construção gramatical de verbos (aoristo sentencioso, indicando um procedimento usual), eles têm de traduzir o presente. Ou seja, aqui indicam uma constante na atividade divina através da história da salvação. Em uma palavra, DEUS exalta os pobres e abate os os poderosos. O v. 51, contém o juízo divino histórico em seu aspecto negativo, DEUS com seu poder frustra os planos do arrogante. Esta constante na história da salvação é especificado como autêntico julgamento divino em duas categorias antitéticas: os ricos e poderosos, de um lado, e os humildes e com fome do outro.
c. Atividade de DEUS em favor de Israel, 1:54, 55 . Maria Aqui, novamente mudou a perspectiva. Centra agora a atividade salvadora de DEUS em Israel, com um claro senso de história, passando, assim, a salvação para coletiva. A razão para esse favor divino por seu servo (Pais 3816) Israel é a misericórdia (eleos 1656). DEUS (v 54b), e a fidelidade de suas promessas (v. 55).
O tema dos três verbos (ajudo, lembre-se, ele falou), mais uma vez é DEUS. E o personagem de salvação gratuita é suficientemente especificado tanto em misericórdia como pela fidelidade de DEUS às suas promessas.
Nessa aliança (cf. Gn 12, 1-3, 15, 17, 22:18; 26: 4; 28:14), DEUS havia prometido a Abraão uma bênção pessoal ("eu te abençoarei e farei o seu nome grande, e tú serás uma bênção"),  ("Farei de ti uma grande nação") é universal ("E em você todas as famílias da terra"). Isso significa que Maria estava ciente de que o nascimento de JESUS foi o cumprimento das promessas feitas a Abraão e ao seu povo, e através deles, a toda a humanidade (cf. Gal 3:16; Atos 3:25, 26).
No Magnificat - Maria não diz absolutamente nada para si mesma. Limitou-se a glorificar e exaltar o seu Senhor, Salvador e DEUS: "Fazei o que Ele vos disser" (Jo 2, 5). Este é o único registro bíblico onde Maria dá um comando (nas bodas de Caná), e isso é pedir à humanidade para obedecer a JESUS porque Ele é o Senhor.
O Cântico de Zacarias: Benedictus, 1:67-79. Ele é conhecido sob o nome de Bento, a primeira palavra na versão latina (o mesmo que o Magnificai). É uma canção cheia de citações e alusões ao AT. Na teologia de Lucas, o enchimento do ESPÍRITO SANTO está associado com a habilidade sobrenatural para proclamar a palavra de DEUS com poder (1:67). O ESPÍRITO de DEUS estava associado à profecia do Antigo Testamento, e essa perspectiva permaneceu em vigor até a vinda de JESUS. O tema central da canção é a salvação de DEUS. E o tom é solene, condizente com um estilo sacerdotal e profético.
Benedictus 1: 67-79
Essa música expressa por Zacarias veio a ser conhecido como o Benedictus , porque da primeira expressão em latim, no versículo 68 traduzida como "bendito seja." Acredita-se ter sido usado pela primeira vez este nome no ano de 253 d. C., por um monge chamado San Benito.
(A) Louve a DEUS pela salvação profetizou, 1: 67-72. Zacarias começa com a frase habitual da bênção judaica: Bendito seja o Senhor, DEUS de Israel (v 68). Zacarias associou profeticamente a "visitação" de DEUS com a "redenção" e consumação da salvação. É uma clara alusão ao envio do Messias, o Filho de Davi. A razão para a alegria de Zacarias é que agora é chegada a salvação do Senhor, conforme anunciado e aguardado por séculos. Literalmente, "Chifre" ou "uma salvação" (v. 69) é, sem dúvida, uma referência direta ao Messias, que em poucos meses haveria de nascer. Chifre é um conceito bíblico profético e apocalíptico significa "poder" ou "força" como o chifre de um animal poderia dar a vitória na batalha. Ele tem um significado paralelo ao de "força" Salmo 18: 2. E é uma linguagem belicosa para indicar a vitória do Salvador (Sal 132 .: 17). O v. 70 reflete o plano soberano de DEUS cuidadosamente projetado e socializado através dos profetas do Antigo Testamento; fato de que Zacarias era conhecedor por ser um sacerdote. Nos versos. 71, 72 Zacarias está descrevendo boa notícia da visitação para o povo de Israel, o libertador.  É um ato de libertação dos inimigos diretos de Israel, e os que os desprezam. É um ato de misericórdia da parte de DEUS às promessas feitas a Abraão e Davi, e para honrar sua santa aliança . Assim, DEUS está cumprindo a sua aliança.
(B) O louvor a DEUS pela salvação prometida, 1: 73-75 . Zacharias recorda e reenfatiza o coração da aliança abraâmica (v. 73). Transcende dois fatos de sua perspectiva: Qual é a razão do pacto ou aliança? e, qual é o propósito da aliança?, ou o do pacto? A razão do pacto se encontra nas palavras: (V 74a) redenção, salvação ou libertação. E o propósito é servir ao Senhor, no contexto das três virtudes: sem medo (afóbos 870); em santidade (osiótes 3742) e justiça (dikaiosune 1343).
Além disso, Zacarias explica que o serviço está sendo feito, todos os dias (1: 74b, 75). Aparentemente relembra seus muitos anos à espera de "a" oportunidade de uma vida toda para servir no templo. Agora, ele pode perceber que todos podem servir a DEUS de forma permanente (não ocasional). A promessa da aliança com Abraão tinha a intenção de criar uma nova identidade e propósito no povo de Israel que foi redimido pelo poder de DEUS, para servir ao Senhor.
(C) Louve a DEUS pela salvação oferecida, 1: 76-79. Nesta parte da música, Zacarias centra-se no presente e aponta para a missão tanto de João como JESUS. O v. 76 e 77 definem a identidade e do ministério do precursor. Ele será o profeta do Altíssimo (1:76), que vai se destacar no palco da história, com dois objetivos específicos:
1) Para preparar os seus caminhos (1: 76b). Para gerar um novo êxodo para o povo de Israel (cf. Is 40, 3; Luc 3: 4 ss). João aparece, nesse sentido, como uma espécie de novo Moisés. A este respeito, deve-se notar que todas as festas judaicas apontam para o Messias. Prevendo que o refrigério chegara.
2) Para instruir as pessoas que a salvação consiste no perdão dos seus pecados (1:77) e, portanto, requer arrependimento pessoal e não se gabar ou confiar a sua identidade nacional e religiosa (comp. 3 : 8, 05:32, 13: 3, com Marcos 1: 4, 14, 15, Atos 2:38, 03:19, 26, 05:31).
Tesouro Bíblico
Bendito seja o Senhor, DEUS de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo (1:68). O vv. 78, 79, se referem a JESUS, o Messias. A causa ou razão essencial, ele deixa para o final de sua canção. A salvação é o resultado da misericórdia do nosso DEUS (v. 78). E será concretizado na história (porque a salvação é intrahistorical), por meio da luz da aurora ; outras maneiras de dizer o que pode ser "a aurora do alto"; "Rising Sun" ou "Sol da justiça" (cf. Ml. 4 :. 2, Sl 84:11.). É uma forma poética e profética para descrever JESUS, o Messias, o Filho de DEUS, que "nasceu" " visitados", um aoristo para fazer este paralelo, mais. tarde, com v. 68). Parece ser um jogo muito inteligente de palavras em grego que procura descrever o Messias como "reparação" ou "estrela" do Antigo Testamento (cf. Is 4: 2; 53: 2; Jeremias 23: 5; 33:15, Zacarias.3: 8; 6:12). O Senhor JESUS foi glorificado e fechou o cânon bíblico, assumiu o cumprimento dessa profecia em si mesmo: "Eu sou a raiz e a geração de Davi, a estrela brilhante da manhã" (Ap 22:16b). Zacarias tem dois bebês em sua mente, um já nascido, João, e o outro JESUS que vai nascer. Finalmente (v. 79), Zacarias requer dois aspectos da missão do Messias. O contexto dessa passagem é completamente messiânico (cf. Is 9: 1, 2, 6, 7, Luc. 4: 14-21.). Assim: (1) esclarecer os que jazem nas trevas e na sombra da morte (cf. Is 9, 2; Salmo 23: .. 4 em João 10: 7-18, 1: 7-9, 8:12; 1 Jo 1. 5-7). Pecado distorce a vida humana e social, e cria injustiça e conseqüente morte. CRISTO vai iluminar a situação em que as pessoas vivem; condições de pobreza, marginalização e alienação. (2) dirigir os nossos pés no caminho da paz (Eirene 1515). Paz na Bíblia significa reconciliação, harmonia, integridade e vida plena em todos os sentidos possíveis. Esta parte etá prevista por Isaías 9: 6, o Messias será chamado de Príncipe da Paz.
Daniel Carro; José Tomás Poe; Ruben O. Zorzoli. Comentário bíblico mundo hispano. Editora Mundo Hispanico. Casa Batista de Pulblicaiones.
 
 
2. A RESTAURAÇÃO DO ESPÍRITO PROFÉTICO.
O contexto profético
Já foi dito neste livro que Lucas demonstra um interesse ímpar na pessoa do ESPÍRITO SANTO e como Ele se relaciona com o ministério de JESUS. Lucas faz um desenho detalhado do contexto profético a fim de mostrar que o Espírito profético havia sido revivificado.
Os expositores bíblicos David W. Pao e Echard J. Schnabel denominam esse aspecto da teologia carismática de Lucas de “o alvorecer da era escatológica”, e escrevem:
“O surgimento de João Batista significa o retorno da profecia e dos atos salvíficos de DEUS na história, essa sessão destaca o despertar da era escatológica. A intensidade da presença do ESPÍRITO SANTO enfatiza essa afirmação: Isabel “ficou cheia do ESPÍRITO SANTO” (1.41), e assim também Zacarias (1.67). O ministério de João Batista é caracterizado como um ministério do ESPÍRITO (1.15). Simeão, que aguarda com expectativa a consolação de Israel (cf. Is 40.1), recebe o ESPÍRITO (2.25) e a revelação do ESPÍRITO SANTO de que “ele não morreria antes de ver o CRISTO da parte do Senhor” (2.26). Embora a presença do ESPÍRITO possa ser encontrada nos relatos de personagens do AT (e.g., Josué [Nm 27.18], Sansão [Jz 13.25], Davi (1 Sm 16.13], essa intensidade só encontra correspondência no acontecimento do Pentecostes, relatado no segundo volume de Lucas (At 2), no qual as promessas proferidas por João (Lc 3.16) e por JESUS (Lc 11.13; 12.12; At 1.8) são cumpridas. Esses acontecimentos apontam para o cumprimento de antigas promessas que falam do papel do ESPÍRITO no tempo do fim (v. esp. Is 32.14-17 [cf. Lc 24.49; At 1.8]; J1 2.28-32 [cf. At 2.17-21]), quando DEUS restaurará seu povo para sua glória (At 3.19-20)”.
A teologia de Lucas, portanto, tanto no terceiro evangelho como nos Atos dos Apóstolos é uma teologia da Salvação de DEUS. Durante seu ministério terreno, capacitado pelo ESPÍRITO SANTO, conforme o testemunho do terceiro evangelho, JESUS a proclamou (Lc 4.18; At 10.38). Glorificado à direita do Pai nos céus, e através do mesmo ESPÍRITO que outorgou aos que lhe obedecem, conforme o testemunho de Atos dos Apóstolos (At 2.33; 5.32), o Senhor está dando-lhes continuidade.
O ESPÍRITO SANTO sempre esteve presente na história do povo de DEUS. Ele esteve presente na história do antigo Israel, esteve presente no ministério de JESUS e dos apóstolos e agora está presente na igreja hodierna!
José Gonçalves. Lucas, O Evangelho de JESUS, o Homem Perfeito. Editora CPAD. pag. 32-33.
 
O Caráter de Simeão (Lc 2.25-27)
1. Justo. “Homem justo e piedoso”. Simeão era “justo” com respeito aos mandamentos de DEUS - vivia corretamente - e “piedoso” em seu relacionamento com seus semelhantes - amava ao Senhor e era espiritual. Chamariam-no os vizinhos “homem bom”, “generoso”, “misericordioso” e “benevolente”.
2. Esperançoso. “Esperava a consolação de Israel”, ou seja, a vinda do Messias. Havia entre os judeus piedosos da época a convicção de que a vinda do Messias não seria adiada por muito tempo (cf. Mc 15.43). Era comum a oração: “DEUS conceda que eu possa ver a consolação de Israel!”
3. Ungido pelo ESPÍRITO. “E o ESPÍRITO SANTO estava sobre ele”. Havia muito tempo, o ESPÍRITO SANTO deixara os líderes de Israel, e eles jaziam em meio à palha seca da formalidade. DEUS estava procurando almas humildes e consagradas, sedentas de retidão. Por vezes a morte de igrejas estabelecidas leva-o a despertar novos movimentos espirituais entre as pessoas humildes e simples. O reavivamento wesleyano é um exemplo.
4. Ensinado pelo ESPÍRITO. “Revelara-lhe o ESPÍRITO SANTO que não passaria pela morte antes de ver o CRISTO do Senhor”. Pessoas virtuosas e sinceras têm confundido o intenso anseio pela volta do Senhor como sinal de que o verão acontecer. No caso de Simeão, porém, houve genuína revelação de que o desejo do seu coração seria satisfeito.
5. Orientado pelo ESPÍRITO. “Movido pelo ESPÍRITO foi ao templo”. Um impulso secreto o fez dirigir-se ao santuário. Era um momento crítico, quando tudo dependia da sua obediência à voz de DEUS.
Myer Pearlman. Lucas, ó Evangelho do Homem Perfeito. Editora CPAD. pag. 51-52.
 
O testemunho que Simeão lhe dá é muito honorável, e este testemunho foi tanto uma reputação para o menino quanto um incentivo para os seus pais, e poderia ter sido uma feliz iniciação dos sacerdotes para uma intimidade com o Salvador, se estes sentinelas não estivessem cegos para as coisas de DEUS. Observe aqui:
1. A informação que nos é fornecida a respeito deste Simeão: Ele vivia em Jerusalém, e era conhecido por ser “justo e temente a DEUS” . Alguns homens instruídos, que têm profundo conhecimento dos autores judeus, dizem que houve, nesta época, um Simeão, um homem muito conhecido em Jerusalém, o filho de Hillel, e o primeiro a quem foi dado o título de Rabban, o maior título que era dado aos seus doutores, e que foi dado somente a sete deles. Ele sucedeu ao seu pai Hillel, como presidente do conselho que o seu pai tinha fundado, e do grande Sinédrio. Os judeus dizem que ele era dotado de um espírito profético, e que tinha sido expulso do Sinédrio por ter testemunhado contra a opinião corrente dos judeus a respeito de reino temporal do Messias; e, da mesma maneira, observam que não há menção dele na sua Mishna, ou livro de tradições, o que dá a entender que ele não foi adepto daquelas tolices. Uma objeção contrária a esta conjetura é o fato de que, nesta época, o seu pai, Hilel, ainda estava vivo, e ele mesmo viveu por muitos anos depois disto, como fica evidente pelas histórias dos judeus; mas, quanto a isto, aqui não está dito que ele fosse velho; e as suas palavras: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo”, indicam que ele estava preparado para morrer agora, mas não se pode concluir que, por isto, ele realmente morreu dentro de pouco tempo. O apóstolo Paulo viveu muitos anos depois de ter dito que a sua morte estava próxima, Atos 20.25. Outra objeção se refere ao fato de que o filho de Simeão era Gamaliel, um fariseu e inimigo do cristianismo; mas, quanto a isto, não é novidade que um amigo fiel de CRISTO tivesse como filho um fariseu fanático.
As informações que temos aqui sobre Simeão dizem que:
1) Ele era justo e devoto, “justo” com relação aos homens, e “temente a DEUS” ; estas duas qualidades sempre devem andar juntas, e cada uma delas deve auxiliar a outra, mas nenhuma poderá compensar a deficiência da outra.
2) Ele esperava “a consolação de Israel”, isto é, a vinda do Messias, pois somente nele a nação de Israel, que agora estava miseravelmente subjugada e oprimida, encontraria consolação. CRISTO não somente é o autor do consolo do seu povo, mas também a essência e a base dele, o consolo de Israel. Ele era esperado há muito tempo, e aqueles que acreditavam que Ele viria, continuavam aguardando-o, desejando a sua vinda, e esperando com paciência; e eu quase disse, com algum grau de impaciência, que estavam esperando que Ele viesse logo. Simeão sabia, pelos livros, como Daniel, que era chegado o tempo, e, portanto, agora havia uma expectativa maior do que nunca. Os judeus incrédulos, que ainda estão esperando aquele que já veio, usam como um juramento, ou uma declaração solene, as palavras: Isto e aquilo acontecerão, assim como eu espero ver a consolação de Israel. Observe que “a consolação de Israel” deve ser esperada, e vale a pena esperar por ela, e será muito bem-vinda àqueles que esperaram por ela, e continuam esperando.
3) “O ESPÍRITO SANTO estava sobre ele”, não somente como um ESPÍRITO de santidade, mas como um ESPÍRITO de profecia; ele estava cheio do ESPÍRITO SANTO, e por isto tinha a capacidade de falar das coisas que estavam acima de si mesmo.
4) Uma graciosa promessa tinha sido feita a ele, de que “não morreria antes de ter visto o CRISTO do Senhor”, o Messias, v. 26. Ele se perguntava a que tipo de tempo o ESPÍRITO de CRISTO, os profetas do Antigo Testamento se referiam, e se ele seria chegado agora; e ele recebeu este oráculo (pois é isto o que a palavra quer dizer) que “não morreria antes de ter visto” o Messias, “o Ungido do Senhor”. Observe que aqueles que tiveram, por fé, uma visão de CRISTO, e somente aqueles, podem encarar a morte com coragem, e olhá-la nos olhos, sem terror.
2. A oportuna vinda de Simeão ao templo, na ocasião em que CRISTO foi apresentado ali, v. 27. Justamente nesta ocasião, quando José e Maria trouxeram a criança, para registrá-la, como se fosse, no livro da igreja, entre os recém-nascidos, Simeão entrou no templo, por orientação do ESPÍRITO. O mesmo ESPÍRITO que tinha lhe possibilitado esta esperança, agora possibilitava o êxtase desta alegria. Ele ouviu um sussurro junto ao seu ouvido “Vá agora ao templo, e verá o que tanto deseja ver” . Observe que aqueles que desejam ver a CRISTO devem ir ao seu templo; pois “de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais”, Ele virá nos encontrar, e ali devemos estar preparados para encontrá-lo.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa.Editora CPAD. pag. 532.
 
Simeão é descrito como justo. Também o era José, o esposo de Maria (Mt 1.29); e o era a própria Maria, bem como Zacarias e Isabel (Lc 1.6). E não nos esqueçamos de José de Arimatéia (23.50).
Simeão “era justo e devoto”. Veja outros exemplos de pessoas devotas em Atos 2.5; 8.2; 22.12. Com a máxima prudência, essas pessoas se encarregaram dos deveres que DEUS lhes designara. São conscientes em seus planos, tendo sempre como objetivo melhorar o bem-estar delas mesmas e de seu próximo, para a glória de DEUS. A combinação “justo e devoto” bem que poderia indicar que Simeão se conduzia de tal modo que sua conduta com respeito aos homens (era justo) e para com DEUS (era piedoso) era alvo da aprovação divina.
Este homem “estava esperando a consolação de Israel”. Realmente, as condições em Israel eram bem precárias, precaríssimas no tempo em que JESUS nasceu em Belém. Pense na perda da independência política, no cruel rei Herodes, na degeneração da religião que passara a ser algo completamente externo, no legalismo de escribas e fariseus e de seus muitos seguidores, no mundanismo dos saduceus, no silêncio da voz profética etc. Mas em meio a toda essa obscuridade, degradação e desespero havia homens que olhavam com esperança, com sinceridade, “para a consolação de Israel”. Havia homens ... e também mulheres! Já foram mencionadas Maria e Isabel. Um pouco mais adiante Lucas porá Ana na lista. A frase “todos os que estavam esperando a redenção de Jerusalém” (2.38) indica que esse grupo de homens e mulheres piedosos era considerável.
Que esses homens e mulheres eram deveras justificados nessa esperança é evidente à luz da profecia. Por exemplo, estude as muitas profecias de Isaías nas quais se prometem bênçãos tais como consolo, paz e alegria, associando-as com a era messiânica (Is 7.14; 9.1-7; 11.1- 10; 40.1-11; 49.8-13; 51.1-6, 12-16; 52.13-55.13; 60.1-3; cap. 61; 66.13).
Simeão fora dotado com uma bênção muito rara e especial. De alguma forma, mesmo antes do Pentecostes, o ESPÍRITO SANTO já estava habitando nele. Ele estava constantemente sob a influência do ESPÍRITO.
Esse mesmo Consolador lhe revelara que não morreria sem antes ver o CRISTO de DEUS. Para ter mais luz sobre a expressão, o CRISTO de DEUS, ou do Senhor, veja Salmo 2.2; 45.7; 110.1; Isaías 61.1; Lucas 4.18.

HENDRIKSENWilliam. Comentário do Novo Testamento. Lucas I. Editora Cultura Cristã. pag. 230-231.

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