quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Lição 13 - José, a Realidade de Um Sonho 2 parte

Lição 13 - José, a Realidade de Um Sonho 2 parte

Estudo no livro de Genesis - Antônio Neves de Mesquita - Editora: JUERP
Imposição de DEUS para Salvar Jacó - 35:1-14
A nova situação criada pelo pecado de Simeão e Levi pôs a vida e os destinos do patriarca em perigo. DEUS, portanto, ordena a partida dali para Betel, com ordem de levantar lá um altar a DEUS que o tinha livrado de Esaú. DEUS está trazendo à memória do seu servo a falta de cumprimento de seus deveres. Jacó se havia esquecido de pagar o voto feito em Betel quando ia fugindo de Esaú, como se tinha descuidado de limpar dos ídolos sua casa. O verso 2 diz que ordenou que fossem postos fora todos os deuses estranhos que tinham sido roubados de Labão. Não somente os ídolos, mas todos os ornatos gentílicos, como brincos de orelhas e de nariz. A casa de Jacó era uma casa religiosa com ritos idólatras; e ele, tão amoroso e descuidado, permitiu que se passassem oito e mais anos sem fazer uma limpeza nessas profanações. Bom foi que tivesse acontecido o desastre com seus
filhos, trazendo uma hora de incerteza e agonia ao espírito, para que se lembrasse de ser fiel a DEUS.
É assim conosco ainda hoje. Para nos corrigirmos de alguns defeitos, é mister que surjam reveses na vida; aí recorremos a DEUS, e ele tem sua oportunidade de ser obedecido. Portanto, todos os ídolos foram atirados às urtigas e Jeová ficou sendo adorado naquela casa, como havia muito devia ter sido. O resultado foi que o temor de DEUS caiu sobre todos os habitantes em redor e não perseguiram os destruidores dos siquenitas. Esta foi a conversão da casa de Jacó. É preciso que não somente sejamos crentes, mas que nossa casa seja convertida a DEUS.
Jacó chegou à Luz, antigo nome da cidade, que ele mesmo tinha mudado para Betel quando ali dormiu e o Senhor lhe apareceu em sonho na ocasião em que fugia de Esaú. O novo nome, porém, não era conhecido e nem o foi até os israelitas a tomarem e lhe mudarem o nome antigo. Aqui, construiu o altar e chamou o lugar BETEL, que significa o "DEUS da casa de DEUS". Que recordações este lugar não evocaria! Esta linguagem implica em que cumpriu aqui o seu voto, dando ao Senhor o dízimo de tudo. Podemos imaginar quantas vítimas foram imoladas em sacrifício para pagar o dízimo de tanta riqueza.
Nos versos 9 a 15 temos a menção de nova revelação de DEUS a Jacó, reafirmando a mudança do nome e a certeza de herdar as bênçãos prometidas. Como testemunho desta aparição, Jacó levantou um altar e derramou sobre ele ofertas de libação. Novamente chamou este lugar Betel. Como já foi referido, o lugar do aparecimento de DEUS indicava, à vaga compreensão dos antigos sobre a espiritualidade de DEUS, que ele morava ali. A idéia de que DEUS tem sua casa e seu lugar para ser adorado durou até que o Messias disse que "nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai". A religião cristã pôde desfazer o materialismo que rodeava todo o culto de Jeová.

A Morte de Raquel (MÃE DE JOSÉ E BENJAMIM) - vv. 15-20Depois de morar em Betel - não sabemos a razão - Jacó levantou acampamento e dirigiu-se para o sul. Por quê ele viajou numa ocasião tão crítica, não se sabe; o certo é que esta viagem bem pode ter contribuído para que a "délivrance" de Raquel fosse trabalhosa, e ela não resistisse. No lugar Efrata ou Belém-Efrata (Miq. 5:2), ela deu à luz Benôni,."filho de minha tristeza" (nome que Jacó mudou para Benjamim - "filho de minha mão direita"), talvez por Benôni lhe trazer amargas recordações. Jacó levantou ali um mausoléu à sua amada Raquel. Foi-se o encanto dos seus dias e da sua vida. Parece que com ela se foi de verdade todo o conforto da vida de Jacó, porque daí em diante toda ela é um conjunto de dissabores. Nesta vida de Jacó temos uma consoladora lição: nossas aflições não estão esquecidas diante de DEUS. Jacó era o eleito do Senhor, por quem velava com terno carinho. Não obstante isto teve uma das vidas mais atribuladas que a Bíblia conhece. Razão teve ele para dizer: "Poucos e maus têm sido os dias dos anos de minha vida" (Gên. 47:9).
O capítulo termina com a lista dos filhos de Jacó e com o encontro de Jacó com seu velho pai Isaque em Hebrom. Conforme a cronologia mais aceitável, já dez anos tinham passado desde a volta de Padã-Arã. Quando Jacó foi para Padã-Arã, deixou os pais em Berseba, mas agora encontramos o velho Isaque em Hebrom e nada mais sabemos de sua mulher, Rebeca. 

Genealogia de Jacó - 37:1-4Isaque é morto e Esaú está morando em Seir. Jacó continua na terra das peregrinações de seus pais. Esta parte do livro abre uma nova seção nas dez em que o livro está dividida - as gerações de Jacó. O livro de Genesis termina com a genealogia deste patriarca. Não esqueçamos que Jacó já está morando na terra que DEUS prometeu a Abraão, mas ainda é incapaz de possuí-la. Assim, viveu como estrangeiro na sua própria terra até que seus descendentes estivessem capacitados para possuí-la, o que só se realizou depois da volta do Egito. Daí em diante, José torna-se o personagem por excelência. Sua pouca experiência, junto à manifesta parcialidade de seu pai, fez que se criasse ódio entre os irmãos e a casa fosse dividida. Há manifesto perigo em pai ou mãe demonstrar mais simpatia por um filho ou uma filha, que pelos outros. Ninguém gosta de ser repudiado. Para culminar na obra de odiosidade, Jacó fez a túnica de muitas cores para José, o que ainda mais contribuiu para o tornar odioso aos irmãos.
Não se sabe bem que túnica era esta, mas os melhores hebraístas interpretam a palavra como sendo um vestido comprido com mangas à moda oriental, mas diferente, quer na cor, quer no feitio. Era a insígnia de preferência que Jacó tinha por ele.

O Sonho de José - 37:5-11A cumplicidade de Jacó e a inexperiência de José foram, na providência de DEUS, os meios para levar José ao Egito, a fim de preparar o lugar para a ida da família. Quão insondáveis são os caminhos do Senhor! José tinha agora 17 anos, idade suficiente para se conduzir com prudência diante de seus irmãos, mas parece que era simples de coração e sem malícia. O sonho, depois de relatado, não deixou dúvida nos irmãos quanto às inocentes pretensões do rapaz. Foi assim que lhe perguntaram: "Tu, pois, deverás reinar sobre nós?" O sonho seguinte foi ainda mais impressivo, porque colocava pai e mãe debaixo de sua autoridade. Por isso Jacó o repreendeu. Mas a insensatez de José foi ao ponto de revelar ainda este sonho a seus irmãos.

A Viagem Funesta de José - 12-29Jacó está morando em Manre ou Hebrom (verso 14) porém as exigências de pastagem para o gado demandavam a retirada dos pastores para lugares distantes. Como já sabemos, toda a riqueza de Jacó consistia em formidáveis rebanhos de animais, e não era fácil achar pastagem para tanto gado dentro dos limites de uma aldeia. Os pastores iam de lugar em lugar, fazendo um circuito de algumas léguas, até que voltavam ao lugar de partida, dando tempo para que o pasto crescesse.
Outras vezes, tomavam na ida uma direção e na volta outra, indo e voltando por lugares diferentes. Só depois de meses é que voltavam a casa. Os moradores eram poucos, em comparação, e havia muito espaço para pastagem. Mais tarde, tornou-se esta maneira de vida mais difícil, com o povoamento da terra, deixando apenas as montanhas e os lugares imprestáveis para a agricultura. Numa destas viagens, os filhos de Jacó demoraram mais do que era esperado, e ele ficou apreensivo e mandou José saber como iam.
José era como Jacó seu pai, de natureza caseira. Ficou em casa fazendo companhia ao velho.
Os pastores tinham já viajado algumas léguas e não estavam mais no vale de Hebrom, mas estavam em Siquém, talvez a oito ou nove léguas de Hebrom. Foi neste lugar que se deu o triste caso entre os siquenitas e os filhos mais velhos de Jacó. É estranho que tivessem vindo para este lugar. Possivelmente, tudo tinha mudado entrementes e não havia mais perigo de uma represália. Mesmo DEUS fez cair tal temor diante do povo da terra para com Jacó, que ele e sua família ficaram acobertados por esse respeito invisível. Andando de lugar em lugar, perguntou José a um homem onde estavam seus irmãos. Este lhe respondeu que em Dotã, lugar mais tarde célebre com Eliseu. Apenas o moço foi visto pelos irmãos, planejaram o modo por que se veriam livres dele, visto estarem longe de casa e ser fácil encobrir o crime. Havia muitas cisternas ou poços por toda parte, para coletar as águas pluviais, a fim de abeberar os rebanhos no tempo da seca. O primeiro ímpeto foi matá-lo e esconder o corpo numa destas cisternas. Assim, não só ficava escondido, mas no caso de ser descoberto, havia possibilidade de se dizer que tinha caído nela e tinha morrido de fome. Rúben, o que tinha pecado contra o próprio pai, deitando-se com sua concubina, deu conselho que, em lugar de matá-lo, o botassem dentro da cisterna vivo, talvez para que logo fosse possível retirá-lo e restituí-lo ao seu pai. Esta é uma nota agradável do caráter de um homem que aparece na história bíblica com um feito tão triste. Rúben era, talvez, um desses homens de bom coração, mas de paixões indomáveis, incapaz de dominar-se na hora do perigo. Este conselho foi aceito e logo que José se abeirou deles, nada faltava para que fosse eliminado o sonhador e acabados os seus sonhos. Pobre do homem que se levanta para destruir os planos de DEUS. Eles, porém, ignoravam a origem daqueles sonhos. Tiraram-lhe a túnica e lançaram-no na cisterna. Entre estas cisternas, havia algumas que não sustinham a água e talvez esta fosse uma delas. Feito isto, sentaram-se para comer pão ou, como nós diríamos, para almoçar ou jantar.
Passado algum tempo, não sabemos quanto, viram que se aproximava uma caravana de mercadores, que descia ao Egito para vender as especiarias de que o Oriente era tão rico. Gileade era célebre nestas especiarias. Judá alvitrou que em lugar de matar o rapaz o vendessem a esses ismaelitas. Havia duas vantagens neste conselho: a de evitar a morte de uma pessoa e a do lucro da venda. Todos concordaram e, chamando os mercadores, venderam José por vinte siclos de prata, o preço de um escravo. Rúben não estava presente quando esta transação foi feita. Teria ido juntar algumas cabeças de gado que se estavam tresmalhando. Quando voltou e não encontrou o irmão, ficou desolado. Não se diz que ele foi notificado da transação, e sim que após sua volta tingiram a túnica com o sangue de um animal, para enganar o pobre pai. Entretanto, este negócio não teria ficado encoberto a Rúben, mas nada ele poderia fazer, em benefício do irmão. Tinha o consolo de que pelo menos estava vivo, e, talvez, de uma ou de outra forma, mais tarde, se pudesse libertar. Nos versos 25 e 28, estes mercadores aparecem com dois nomes diferentes, como se fossem duas diferentes caravanas. A explicação é fácil. Tanto ismaelitas quanto midianitas, todos descendiam de Abraão. Os ismaelitas eram filhos de Ismael. Os midianitas descendiam do quarto filho de Abraão e da concubina Quetura. Ambos estes povos ocupavam mais ou menos o mesmo território, e mais tarde os midianitas eram todos os que moravam em Midiã, quer descendessem de Quetura, quer de Ismael.
 
A Mensagem a Jacó - 31-36
Estes versos terminam a triste história do pecado daqueles homens desumanos e sua desfaçatez em trazer uma mensagem mentirosa ao aflito Jacó. Um pecado chama outro pecado. Vendido José, era preciso inventar uma mentira, para encobrir o pecado. Não foi difícil. A túnica estava tinta de sangue. Por que não crer que um animal feroz o tinha devorado? Havia tantos naqueles lugares! Não podemos ler este trecho sem sentir viva simpatia por aquele coração quebrantado, Jacó. Rasgou seus vestidos e cobriu-se de saco, em sinal de profundo desgosto, recusando até ser consolado. Por todo o resto de sua vida ia Jacó lamentar a perda do seu amado filho. Vieram seus filhos e filhas (Diná e as noras, mulheres de seus filhos), mas não o puderam consolar. Que consolo hipócrita teriam aqueles homens sem coração para dar? Parece até que tão frio era este consolo que Jacó chegou a desconfiar. Anos depois acusou os filhos de o terem desfilhado (43:39). Em sua agonia, declarou que desceria à sepultura sem consolação.
A palavra sepultura é traduzida na versão Brasileira por "Sheol", que é a palavra hebraica. Sobre o significado deste termo, na terminologia hebraica, há uma imensidade de literatura que vale a pena ser consultada. Há, em geral, duas opiniões. Primeira, que o termo descreve o estado dos mortos depois desta vida. Segunda, que descreve o lugar destes mortos. No N.T. a palavra correspondente é "Hades", que se aplica tanto ao lugar dos salvos quanto ao dos perdidos. Os judeus usaram este termo indistintamente, para descrever o lugar dos mortos sem se preocuparem com a condição destes mortos. No N .T. prevalece o mesmo sentimento. Sheol ou Hades é o lugar para onde vão os mortos, tanto salvos como perdidos. Os teólogos têm-se encarregado de investigar se estes termos descrevem um lugar ou um estado. Entretanto, não parece ser fácil uma solução aceitável para todos. se os  termos designam o estado das almas depois desta vida é impossível verificar, porque, onde quer que ocorram, não há a menor explicação. (Ver I Sm. 28:19; II Sm. 12:23 e conf. Lc. 23:42, 43; II Cor. 5:6-8; 12:2-4; Ap. 6:8; 20:14.). Estas últimas citações referem-se ao Paraíso e, comparadas com as outras, verifica-se que o Paraíso e o Céu são uma e a mesma coisa. Somando-se todos os resultados desta investigação, a conclusão natural é que Sheol e Hades são o estado e não o lugar das almas depois de desencarnadas. Todas as almas vão para a eternidade, isto é, para o Sheol ou Hades. Quanto aos lugares de gozo ou sofrimento, não é uma questão que estes termos tenham de resolver. As palavras de Jacó são que morreria, iria para a eternidade, sem ser consolado. O último verso dá-nos a notícia de que José foi vendido a Potifar, capitão da guarda de Faraó, no Egito, onde o encontraremos no capítulo 39.
 
Separação de Judá - Um Capítulo de Sua História - cap. 38
A história de José aqui é interrompida, para se introduzir a história do irmão de cujo clã sairia o Leão da Tribo de Judá; este torna-se, na história futura, a principal figura. É difícil determinar quando se deram estes acontecimentos. Mas parece ter sido pouco depois da vinda de Padã-Arã. Este capítulo foi aqui introduzido fora da conexão cronológica e histórica. É um dos capítulos mais tristes de toda a história bíblica, e uma nódoa na vida de Judá. Devia agora o terceiro filho de Judá cumprir a lei de manter a linhagem de seu irmão, mas este era ainda novo e Judá pediu a Tamar, a viúva, que esperasse.  Os versos 27-30 dão-nos o nascimento dos dois filhos de Tamar e Judá. Um deles era Farez ou Perez, de quem descendeu Davi, e por fim nosso Senhor. Deste e de Zera, seu irmão, descendeu a tribo. Só a certeza de que DEUS age por sua imensa sabedoria nos consola diante do fato de JESUS CRISTO, segundo a carne, vir de uma família originada de um ato de incesto e adultério. "E Judá gerou Perez e Zera de Tamar e Perez gerou Esrom... " (Mat. 1:3). Por que assim o fez o nosso DEUS? Alguém pensa
que foi para não dar lugar a que a pessoa escolhida para trazer ao mundo o Filho encarnado de DEUS fosse adorada, visto proceder de uma família com a mais triste origem. Se este foi o propósito divino, não se sabe. Sabemos, no entanto, que foi assim, que aprouve ao Todo-Poderoso. Com Davi, anos depois, começou a linha direta até JESUS; e que homem aparece na Bíblia com nódoa mais feia que ele? A Escritura que diz: DEUS mandou o seu filho em semelhança de pecado na carne é real e literal diante deste fato, narrado no capítulo 38 do primeiro livro da Bíblia.
 
JOSÉ NO EGITO E A PROVIDÊNCIA DE DEUS COM ELE (Caps. 39-46)O capítulo 38 interrompeu a história de José por um momento. Encontramo-lo agora, de novo, em casa de Potifar, a quem tinha sido vendido como escravo. Estes capítulos (39-46) podem ser classificados como a história da Providência na vida de um homem. Os que não compreendem o porquê de muitas coisas, em suas vidas e os que não crêem que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a DEUS devem ler esta história.
Não somente é inspiradora mas é consoladora também. Quem poderia ver no ato iníquo e desumano dos irmãos de José o dedo da Providência? Quão insondáveis são os caminhos do Senhor!
Tinha de preparar seu povo para os grandes deveres da vida nacional na terra prometida, e não havia na terra nação onde melhor este povo pudesse ser educado. O Egito era, naquele tempo, o centro da civilização e das artes, e nenhum povo ficaria mais apto para estes grandes privilégios do que aquele que mantivesse com os egípcios longos anos de contato. José foi o escolhido para preparar o caminho. Para executar o plano, ele, certamente, teve de sofrer provações, que alguém chamaria de calamidades, mas o DEUS que prova nunca deixa de dar o conforto e a graça precisos para o triunfo. Potifar conheceu em José um personagem de dotes e qualidades raros, doutra maneira não o poria à frente dos negócios de sua casa. José prosperou e a casa de seu senhor também, a ponto de este reconhecer que Jeová estava com ele (José). Não esqueceu José sua religião, nem a ocultou, como
muitos de nós fazemos. Jeová tornou-se conhecido àquele incrédulo e este foi o primeiro resultado da ida de José para o Egito. Tal foi a prosperidade e a confiança por ele conquistadas, que toda a casa foi posta em suas mãos. Acompanhado da graça de DEUS em sua vida, tinha ainda a vantagem de ser "formoso de parecer, e formoso à vista". Esta qualidade é rara, sobretudo quando se ajunta com esta outra, a honestidade. Todo este conjunto fez do herói o homem de DEUS para uma grande obra. Todos nós podemos saber quando DEUS está realizando sua obra por nosso intermédio. Infelizmente, as condições mudaram e José, o servo de DEUS, viu-se de repente a braços com um problema sério.

A Tentação de José - 39:7-1 8.Não sabemos quantos anos de paz e prosperidade José gozou na casa de seu senhor. Sabemos que tinha 17 anos quando foi vendido, e pelo menos 5 anos tinha passado no Egito, pois que realizações tão grandes como as que se deram com ele naturalmente tomaram tempo. DEUS nunca age milagrosamente, quando os meios naturais, são possíveis.Imaginemos que ele tenha agora 23 anos. É jovem, belo, cuidadoso e de grande influência em toda a casa de seu amo. A mulher de seu senhor pôs nele os olhos e cobiçou-o. Corajosamente, repudia a oferta e declara que cometer tal crime seria não só um pecado, mas abuso de confiança. Longe estava ele de pensar nos perigos decorrentes de se recusar às fascinantes e insidiosas palavras da mulher de Potifar. O "amor não correspondido gera o ódio", e foi o que aconteceu. Munida com o próprio vestido de José, prova tremenda do seu suposto crime, ela o denuncia a seu esposo, como um sedutor. José não se pode defender da acusação. Estrangeiro na terra, ele teria perecido nesta situação difícil, se DEUS não fora com ele. Todo jovem deve ler esta passagem e, inspirar-se na recompensa de DEUS para com os que lhe ficam fiéis. José preferiu arrostar (
Olhar de frente; encarar sem medo)com todas as conseqüências e ficar com a consciência limpa, a gozar uma vida fácil, com todos os favores.
 
José na Prisão - 39:19-23O crime suposto de José merecia a morte, mas, ou porque Potifar amasse o rapaz, ou porque mantivesse alguma dúvida sobre a veracidade da acusação, em lugar de matá-lo, mandou-o para a prisão. Não era a prisão comum, mas aquela para onde iam somente os prisioneiros da casa real. Entretanto, não se julgue que fosse um lugar delicioso. A prisão ficava mesmo na casa de Potifar, num subterrâneo, possivelmente, como indica o texto hebraico. Neste lugar, Jeová não abandonou o fiel jovem, que pôde resistir contra o pecado até o sangue (Hb. 12:4). DEUS deu-lhe graça diante do próprio carcereiro, como tinha dado perante Potifar. Aquele o pôs como seu ajudante, e tudo que fazia estava benfeito. Em toda parte Jeová estava com José e em todas as contingências lhe dava graça para achar favor diante dos que tinha de servir. Este incidente na vida de José não teve, diante do seu próprio senhor, tanta gravidade como geralmente se supõe, pela razão acima mencionada, de que Potifar talvez não acreditasse na denúncia da esposa. Quando o copeiro e o padeiro de Faraó pecaram e foram parar na mesma prisão, o carcereiro entregou-os, com pleno conhecimento de Potifar, aos cuidados de José (40:4). É, pois, claro que o que se tinha passado com sua mulher não tinha trazido demérito à confiança de que José gozava.
O fato é que Potifar não podia deixar de punir uma denúncia contra um homem que tinha sido apontado diante de todos os demais servos da casa como perturbador da honra doméstica. Mas é difícil derrubar um homem que anda com DEUS e que nele deposita sua confiança. É bem certa a palavra de Salomão, quando diz: "Há um homem que perece por causa da sua justiça, e um perverso que prolonga sua vida fazendo mal" (Ec. 7:15).

O Copeiro e o Padeiro de Faraó na Prisão com José - cap. 40 Embora na prisão, José teve sua sorte amenizada pelos contínuos favores de que gozava ali mesmo. Chefe de todos os prisioneiros, com a estima do carcereiro e a aprovação de Potifar, ia dia a dia mostrando que seu coração era reto e puro, e DEUS tomava a si o encargo de o tornar cada dia mais aceitável a todos. Os dois eunucos de Faraó, o padeiro e o copeiro, foram parar na prisão também, na prisão real, que, como ficou dito, era na mesma casa de Potifar, sendo este o capitão da guarda.
Os eunucos nas cortes orientais ocupam importantes papéis, sobretudo nos haréns dos monarcas. Às vezes, desempenham funções de alta responsabilidade, e, não raro, são as pessoas de mais confiança do rei. O próprio Vaticano ainda conserva alguns destes eunucos, que são usados na música da Capela Sixtina. São, aliás, os únicos encontrados num país cristão. Contra tal mutilação em vida se levanta a própria Bíblia (Dt. 23:1; Lev. 21:20), classificando-a de ímpia e desumana.
Não sabemos o que estes servos de Faraó fizeram para irem para a cadeia, mas sabemos que a mais insignificante falta era punida com o maior rigor. Talvez mesmo trivialidades ou, quem sabe, falta de fidelidade. Esta gente de ordinário era intrigante, mexeriqueira, disputada e pronta para qualquer obra menos escrupulosa. Na prisão, teve cada um seu sonho. Muito mais que hoje, os sonhos, naquele tempo, tinham grande significação, e toda sorte de interpretações se procurava para explicar os sonhos. Isto era verdade, tanto entre os povos pagãos quanto entre os hebreus, sendo que estes tinham seus profetas, que eram os oráculos divinos.
Os sonhos eram de tal caráter que os dois prisioneiros ficaram aterrados. José veio a eles e perguntou-lhes por que estavam assim tristes. Responderam que não havia intérprete para seus sonhos. José afirma que as interpretações pertencem a DEUS. imediatamente, lhe contaram os sonhos, e ele os interpretou. José tinha tido os seus sonhos e não sabemos se tivera ou não a chave dos significados; todavia, agora o vemos com o discernimento da interpretação. Ou ele possuía o dom de interpretação, ou DEUS lhe deu essa graça na ocasião, o fato é que revelou o que cada sonho significava. Parece que esta revelação foi-lhe dada na ocasião.
No terceiro dia, os sonhos se cumpriram. No aniversário do rei, este restaurou o copeiro-mor e enforcou o padeiro. O costume de fazer festa de aniversário é bem antigo. O copeiro não mencionou o bom amigo da prisão, ou por esquecimento ou por conveniência, mas DEUS conservava a lembrança para uma ocasião mais oportuna. Aqueles dias deviam ser, para José, de apreensão e dúvidas, mas o bom DEUS lhe deu graça para esperar a sua hora. Talvez depois de dois anos tenha chegado a ocasião de o copeiro-mor se lembrar de José e em circunstâncias muito mais favoráveis para ele. É coisa difícil esperar, mas é melhor esperar, que agir antes do tempo.

Os Sonhos de Faraó - 41:1-13Chegou a vez de José entrar em cena. Faraó teve dois terríveis sonhos, que muito o perturbaram e que ninguém podia interpretar. Os sonhos de Faraó nos são bem familiares e dispensam menção aqui. Entretanto, duas palavras sobre sua importância não farão mal. O Egito seria um eterno deserto, se não fora o Nilo que lhe empresta sua fertilidade. Somente ao longo do rio ou até onde suas águas podem chegar há possibilidade de agricultura. Para isto, os antigos Faraós empregaram milhares de homens na construção de canais, a fim de levarem as águas do Nilo às partes mais distantes do deserto. As mais célebres obras da engenharia antiga tiveram sua origem no Egito. O Nilo é como o Amazonas, que cresce cada seis meses e baixa nos outros seis. Durante o período de enchente, a terra é inundada e na vazante deixa o limo que as águas trazem das partes altas.
Nisto consistia a grande fertilidade do Egito. O sonho de Faraó incluía espigas e vacas. Isto devia ter despertado o seu espírito supersticioso, uma vez que os sonhos se relacionavam com a vida do país. Os animais eram sagrados, sendo o boi divindade muito adorada. Não somente isto, mas o fato de que as 7 espigas e as 7 vacas devoravam umas as outras era singular. Todas estas coisas contribuíram para tornar o sonho mais terrível.
Foram chamados todos os sábios, do que o Egito era fértil, mas nenhum deu volta aos sonhos. Estabeleceu-se o alarma no palácio. Nesta altura, o copeiro lembrou-se do prisioneiro que tinha interpretado seu sonho, e falou ao rei sobre ele. Incontinente foi chamado o jovem hebreu à presença do rei. Para quê? perguntaria José. "Para aumentar minha aflição ou para libertar-me?" Neste caso, só uma grande confiança em DEUS poderia dar um sopro de alívio.

José na Presença do Rei - 41:14-46José apressadamente barbeou-se, mudou de roupa e foi à presença do rei. O costume de fazer a barba não é hebraico, mas egípcio. Os orientais aparecem nos monumentos de barbas compridas, enquanto que os egípcios são representados de barba rapada. Estes detalhes históricos são uma evidência irrefragável da historicidade da narrativa. O rei informou José acerca dos sonhos e disse-lhe que nenhum dos sábios da terra os poderia interpretar. Respondeu José que a faculdade de interpretá-los não reside nos homens, mas em DEUS. Jeová foi pela primeira vez anunciado diante de Faraó. Havia um DEUS fora do panteão egípcio, que reservava para si o poder de fazer o que nenhum outro deus podia. Como obteve absoluta certeza de que DEUS ia revelar-lhe o segredo dos sonhos não nos é dito, mas podemos supor que José estivesse investido das funções de profeta, e disto tivesse certeza,
tanto porque tinha já revelado o sonho dos outros, quanto ainda porque durante este tempo DEUS lhe teria dado outras demonstrações nesse sentido. A confiança com que fala, não deixa dúvida sobre sua consciência de profeta. Os sonhos vieram de DEUS e só Ele podia dar a interpretação. Estes sonhos eram mais que sonhos, em sentido vulgar, eram verdadeiras revelações. DEUS revelou o futuro a Faraó, mas reservou para seu servo a interpretação do que revelara.
Nos versos 25-36, José não só interpreta os sonhos, mas sugere a solução do problema. Em dois sentidos, o escravo hebreu se mostra como um personagem além do vulgar. Ele, seu pai Jacó, seus irmãos, a família eleita, enfim, estavam movendo o mundo em seu benefício. Para que foi levado ao Egito? Ele mesmo o disse mais tarde, que para a salvação da família tinha sido vendido para o Egito. Não somente a família de Jacó tinha de passar por estes transes, mas o Egito tinha de ser tocado. Esta, neste tempo, era a nação culta do mundo, o centro das artes e das letras, e ali, melhor que em qualquer outra parte, podia a nova raça ser treinada para os grandes misteres da redenção.
Depois que José interpretou os sonhos, deu instruções como preservar o povo da morte pela fome durante os anos da seca, e com tal certeza explanou o assunto, que não deixou a menor dúvida, nem em Faraó nem em seus príncipes. Onde ir buscar um homem melhor do que ele para tomar conta da árdua tarefa de aproveitar os anos de fartura para os anos da fome?

José É Escolhido para Príncipe sobre a Terra do Egito - vv. 37-57Não teríamos a presunção de supor que sem DEUS esta maravilhosa transformação se tivesse operado. Por mais sábio que José se tivesse mostrado, não seria mais que um sábio célebre entre muitos outros sábios, mas DEUS teve oportunidade de mudar o coração do rei e seus príncipes, e todos a uma concordaram que José era o melhor homem para tomar conta da situação. A corte estava reunida para ouvir o que o prisioneiro tinha a dizer, e a maneira como se houve revelou duas coisas: era mais sábio que os outros sábios, e seu DEUS era mais poderoso do que os outros deuses do Egito. Esta foi a hora de DEUS para fazer José o único capaz aos olhos de seus príncipes para a grande obra de preservação. Alguns críticos querem rejeitar esta história, por acharem- na milagrosa, mas não há nada de milagres aqui. O que temos é um fenômeno entre milhares de outros que DEUS opera por sua divina providência no governo do mundo. Quem nega a Providência tem de aceitar o acaso cego e inconsciente, que deixa o mundo e os homens entregues aos seus caprichos. A mão misteriosa da Providência na vida dos homens e das nações é mais consoladora do que o acaso, o fatalismo ou qualquer outra idéia pessimista e irreverente.
Nomeado príncipe sobre toda a terra do Egito, Faraó pôs-lhe no dedo o anel, símbolo de autoridade real, o vestido de linho branco sinal de dignidade, e pôs- lhe um colar de ouro no pescoço; depois, passando triunfalmente na segunda carruagem real, com os arautos na frente, proclamando sua grandeza e dignidade, estava indigitado a todas as honrarias principescas da terra do Egito. À sua passagem, todos tinham de se ajoelhar, em sinal de obediência e mesmo de reverência, porque o rei era pessoa sagrada no Egito. Como se um morto saísse dá sepultura, assim José saiu da masmorra para ser elevado às culminância da honra e dignidade. Mardoqueu foi elevado ao poder em circunstâncias diferentes, mas quase pelos mesmos transes providenciais. Para assegurar a obediência popular e garantir o sucesso do ex-escravo e prisioneiro, o rei casou José com a filha do sacerdote de Om, um dos mais reverenciados deuses do Egito, de modo a fazê-lo uma pessoa da terra e sagrada.
Há muitas possibilidades de que o Faraó que reinava no Egito fosse de origem estrangeira, o que, em caso afirmativo, simplifica muito este estupendo transe na vida de José. Sabe-se que o Egito foi invadido por pastores vindos do Oriente, os quais deslocaram os monarcas nativos para o sul e se apossaram da terra e a governaram por mais de 600 anos. A cronologia egípcia é ainda difícil e confusa em muitos lugares, mas as melhores investigações e conclusões colocam esta invasão poucos anos antes de Jacó descer ao Egito com sua família. Outra coisa ainda não verificada com certeza é se esses pastores eram semitas ou não, mas tudo favorece a idéia de sua origem semítica, a julgar pelos traços de civilização que deixaram na terra do Egito. Este fato por si só reduz à metade a admiração que muitos críticos sentem, pelo fato de um monarca poderoso colocar à frente dos negócios de seu reino um escravo estrangeiro. O mesmo Faraó seria estrangeiro, e possivelmente semita, ou seja, da mesma raça de José. A expressão em Êx. 1:8, que se levantou um rei que não conhecia José, é tomada como indicação de que a dinastia dos hicsos ou reis pastores já tivesse sido expulsa, tendo a expulsão como primeiro reflexo a vingança sobre os estrangeiros.
Tal foi o rancor que estes usurpadores criaram no Egito, que, ao serem expulsos, tudo que desse sinais de seu governo foi raspado dos edifícios públicos. Após ser investido das honras reais, José pôs-se de viagem por toda a terra, fazendo preparativos e tomando as providências que o caso exigia. O sonho cumpriu-se à risca, e eis que sete anos de abundância foram sucedidos por outros sete, de fome. Durante os anos de abundância, José recolheu
em armazéns, para os anos de fome, tudo que sobrava, e, como veremos mais tarde, o Egito tornou-se o celeiro do mundo. Alguns comentadores pensam que a fome veio corno conseqüência da não inundação do Nilo. Se isto é verdade, houve outras causas, porque por toda a Palestina houve fome. No Egito a falta de chuva não tinha realmente muita importância, uma vez que o Nilo inundasse as terras, o que não acontecia na Palestina e noutros lugares. Possivelmente, nem o Nilo subiu mais na época própria, nem choveu por alguns anos. Aliás, as secas periódicas no Oriente não nos admiram, porque são conhecidas de todos, e em Genesis mesmo notamos que Abraão e Isaque tiveram de emigrar por causa da fome causada pela seca. O nosso Nordeste oferece muitos pontos de contato com o Oriente, neste sentido.

Os Irmãos de José Descem ao Egito. O Dia da Vingança - 42:1-4Os efeitos da fome tinham-se feito sentir por toda aquela região, inclusive na Palestina, a terra de nossos heróis. Portanto, a seca não atingiu somente o Egito. Esgotados todos os recursos locais, correu a notícia de que no
Egito havia trigo em abundância. O Egito foi por muitos séculos o celeiro do mundo, graças à sua fertilidade, causada pelas inundações periódicas do Nilo. Jacó soube dessa boa-nova, e perguntou aos filhos por que ficavam indecisos e não iam logo comprar trigo, antes que morressem de fome. A linguagem é bem significativa. Ir ao Egito, o lugar para onde nós vendemos nosso irmão? "Quem nos diz que ele não nos encontrará ali e nos reconhecerá?" A consciência é coisa temível! Com razão, relutavam em descer ao Egito. Finalmente, os filhos mais velhos resolveram ir, deixando em casa Benjamim, porque Jacó não consentiria que a última amostra do amor de sua Raquel se expusesse, desconfiando que o outro filho tivesse sido destruído pelos próprios irmãos mais velhos.

José Encontra Seus Irmãos e os Reconhece - vv. 5-20O trigo estava depositado nas cidades do Egito, onde os nativos o podiam comprar, mas os estrangeiros tinham primeiro de falar com o governador, antes de fazer qualquer transação. Digamos que tinham de apresentar documentos comprobatórios de que não eram espiões. Os irmãos de José tinham fatalmente de encontrá-lo. Provavelmente, ele sabia que eles mesmos teriam de vir, e por isto estava de sobreaviso. A este tempo, José já sabia do desígnio da Providência em ter dirigido todos os negócios e ter consentido na sua venda para aquela terra. Assim, era-lhe muito fácil conhecer seus irmãos, porque os esperava, enquanto que a estes era difícil, porque mal sabiam se ainda viveria ou onde estaria, visto que como escravo deveria ter tido uma vida penosa e de pouca duração. Os pobres escravos usualmente morriam debaixo do azorrague do capataz. Ao mesmo tempo que
assim raciocinavam, nada lhe podia assegurar que estavam livres de se encontrar com o irmão, e daí sua irresolução em descer ao Egito.
Quando estes homens violentos chegaram junto de José e se curvaram até à terra, lembrou-se dos sonhos, em que via todos os seus irmãos se curvarem diante dele. Reconheceu-os e falou-lhes asperamente, acusando-os de espias. Para se defenderem, tiveram de contar toda a sua história e de como, sendo todos filhos do mesmo pai, um dos irmãos tinha desaparecido. José descreu de todas as histórias e exigiu como prova de que não eram espias que o irmão mais moço viesse, e pôs a todos na prisão por 3 dias. Depois, lembrou-se de que seu pai e irmãos estariam passando fome, e soltou-os, vendendo-lhes o trigo, mas exigindo que um deles ficasse como refém, até que fossem e trouxessem o outro irmão. O motivo alegado por José, para não cumprir a sentença, foi que temia a DEUS. Estas palavras deviam ter consolado muito os pobres homens.

O Despertar da Consciência dos Irmãos de José - vv. 21-24Para que aqueles homens se tivessem podido entender, houve necessidade de intérprete (verso 23), para desta forma não haver a menor suspeita; entretanto, José entendia tudo que seus irmãos diziam. Despedido o intérprete, podiam falar à vontade, porque o governador nada entendia. Abriram o coração e começaram a falar da infame transação que tinham feito com o irmão mais moço. Rúben acrescentou e disse: não vos falei eu, dizendo:
"Não pequeis contra o rapaz? E vós não me ouvistes... " José estava ouvindo e entendendo tudo isto! Como devia estar seu coração! Retirou-se deles e chorou. Alguns críticos negam a historicidade desta narrativa, incluindo-a entre as histórias fantásticas do Oriente, mas esta não admite possibilidade de negação. É uma história viva, detalhada, cheia de transes atuais, sem o cunho das histórias fabricadas ou inventadas.

José Vende o Trigo aos Irmãos e Eles Partem - vv. 25-38Na ordem de encher os sacos, estava a de pôr dentro deles o dinheiro do preço do trigo. O fim, por parte de José, era tornar a situação mais precária, em seu benefício e no de seus irmãos mesmo. Estavam em suas mãos para tudo, visto que a continuação da vida estava nos celeiros do Egito e, com todas estas peripécias, tinha por fim provar-lhes sua sincera amizade e perdão. No caminho, um deles abriu o saco e encontrou o dinheiro, o que foi tomado por mau augúrio, mas parece que não teve peso demasiado, e atribuíram o fato a um engano por parte do encarregado da venda do trigo.
Em chegando a casa, contaram o ocorrido a seu pai, e Jacó viu que todo o mal que temia lhe batia à porta. Benjamim era forçado a descer ao Egito, ou Simeão não seria libertado. Abriram os sacos e encontraram o dinheiro do preço. Ficaram assustados, mas, como pretendiam voltar, levariam o dinheiro e provariam que eram sérios e não o tinham feito dolosamente. Jacó, porém, não se conformava com a idéia da saída de Benjamim. Acusou os filhos de terem deixado Simeão preso e queixou-se amargamente da perda de José, como querendo dizer que eles eram culpados. Rúben intervém e oferece seus dois filhos como garantia de que Benjamim voltaria e, no caso negativo, poderia matá-los. Aliás, esta não foi a primeira vez que manifestou bons sentimentos, ainda que inconstante em outras coisas. O velho patriarca não se deixou convencer. De que lhe serviria receber a vida de dois netos, se o que queria era o filho Benjamim?

CAP. XXVI - JOSÉ NO EGITO E A PROVIDÊNCIA DE DEUS COM ELE (Caps. 39-46)Forçado pelas Circunstâncias, Jacó Consente na Ida de Benjamim, Garantido pela Vida de Judá - 43:1-14
A fome se tornava cada vez mais terrível na terra e, depois de esgotado o suprimento trazido da primeira vez, Jacó pediu que voltassem para trazer mais. Podemos imaginar o formidável suprimento que tinham trazido, porque Jacó e sua família faziam o número de 70 pessoas, afora os muitos servos, e todos tinham comido, talvez, por dois meses. Ao mesmo tempo era rico. Senão, como poderia comprar mantimento para tanta gente e ainda prometer pagar dobrado, quando o dinheiro foi encontrado nos sacos? Judá disse que absolutamente eles não poderiam ver o rosto do homem da terra sem que levassem o filho mais novo. Assim, tinha dito o governador. Jacó maldiz-se e acusa os filhos de terem contado que tinham outro irmão. Mas o momento não admitia indecisões, eles tinham de ir ou então perecer, e isto José bem sabia. Judá oferece-se como garantia da vida de Benjamim, dizendo que, se não tivesse sido a demora, já podiam estar de volta a segunda vez.
Jacó resolve consentir na ida do filho amado e pede que levem alguns frutos da terra e algumas especiarias e quantidade dobrada de dinheiro, para pagar o trigo da primeira viagem. Embora não tivessem colheitas, não estava a terra de todo desolada. Encomendou-os à graça de DEUS e conformou-se com o que pudesse acontecer quanto a Benjamim. De Hebrom, onde moravam, a Zoã, onde José habitava, era viagem de pelo menos duas semanas, pelo que inferimos que devia haver ainda em casa algum resto da primeira compra.

Outra Triste Surpresa para os Filhos de Jacó - vv. 15-25Munidos dos presentes para José, retornaram ao Egito os filhos de Jacó, para de lá trazerem nova remessa de trigo. À vista da presença de Benjamim, deu José ordem ao seu copeiro-mor, que preparasse o banquete, para jantar com seus irmãos. Contra os costumes egípcios, mandou matar reses, dando-nos, assim, uma pálida idéia do que foi o banquete. Os egípcios consideravam sagrados os animais e até lhes prestavam culto. Aos irmãos, mandou levá-los para casa.Não sabendo do que se tratava, começaram a apresentar desculpas sobre o dinheiro que tinham encontrado nos sacos, pensando que iam ser chamados a contas por aquele fato. O criado procurou
consolá-los o melhor que pode, afirmando que o DEUS deles e de seus pais lhes tinha dado tesouros escondidos. Para um gentio era coisa natural falar deste modo, ironicamente, porque DEUS não era por ele conhecido, nem nada significava para ele. Foi, sem dúvida, uma hora de perplexidade para aqueles homens. Com um grande número de coisas na consciência, umas acusando, outras absolvendo, mas todas elas apontando para o crime da venda do irmão, o que já se tinha constituído um espantalho em suas vidas, pensavam que todos estes transes eram lógicas conseqüências do seu feito. O consolo do despenseiro de pouco lhes serviria diante de tantas apreensões.

O Jantar de José e Seus Irmãos - vv. 26-34A esperança dos homens estava no presente que iam fazer ao homem da terra. Esses presentes tinham maiores proporções do que somos capazes de crer. Talvez alguns camelos carregados de especiarias e
frutos. Logo que José apareceu, perguntou-lhes pelo pai, e pondo os olhos no seu irmão Benjamim teve de retirar-se para não chorar diante dos outros. Entrou no seu apartamento e chorou. Recompondo-se ou dissimulando a emoção, mandou pôr o jantar à parte para os irmãos, por não ser permitido a um egípcio comer com outra gente, e mandou assentá-los à mesa na ordem de suas idades, dobrando o prato de Benjamim cinco vezes mais do que o dos outros. Todos estes detalhes deveriam ter produzido séria impressão e estupefação. Ele mesmo serviu de copeiro, repartindo a porção de cada um, no que se maravilharam, mas nada compreendendo.
Foram momentos de relativa consolação para aqueles homens acossados pela consciência, mas que duraram pouco. Acabado o jantar, deu José ordem ao despenseiro para encher os sacos para os filhos de Jacó e despedi-los, ordenando que botasse no saco de cada um o dinheiro, e no de Benjamim o seu copo de prata. Tudo isto foi feito sem os irmãos saberem. O copo era parte importante da etiqueta egípcia: servia tanto para uso da mesa, como para fins de magia: punham dentro dele pedras preciosas, ouro, prata e depois o enchiam d'água e, conforme as figuras que se desenhassem dentro do copo, tirava-se a conclusão acerca dos acontecimentos futuros.
Há ainda hoje um costume no Brasil que bem se parece com ele: o de, na noite de São João, botar a clara de um ovo num copo d'água e descobrir as figuras que se formam e daí pressagiar o futuro do ano.
Logo que amanheceu, puseram-se os homens a caminho para Hebrom, radiantes de alegria por tudo ter saído tão admiravelmente. Mas, mal tinham saído das portas da cidade, quando foram alcançados pelo servo de José e acusados de roubo. Surpresos e ao mesmo tempo confiantes de que a acusação fosse improcedente, não trepidaram em dar a vida do que fosse encontrado criminoso, ficando os outros mesmos como escravos. O despenseiro aceitou a proposta, e, sem detença, abriu cada um seu saco, até que foi aberto o de Benjamim, e eis que lá estava a taça de prata. Seu pecado os tinha afinal apanhado, pensaram, e, rasgando seus vestidos, tristes até a morte, por tão grande fatalidade, voltaram à cidade.
José os estava esperando. Logo que o viram jogaram-se a seus pés, em desesperada aflição. Repreendeu-os. Em resposta disseram que sua iniquidade tinha sido descoberta e ofereceram-se para ficar por servos. Judá tomou a palavra e disse que nada podiam dizer. De que serviria apresentar desculpas, quando a falta estava à vista? Terrível situação! De um lado, a consciência da inocência, do outro, a lembrança do velho pai, que esperava ansioso pela volta tão problemática do filho querido. Hora aflitiva! No meio de tudo isto, só uma coisa era real em suas consciências: a iniquidade que tinham praticado havia 23 anos passados. E isto bastava para atormentá-los. José rejeitou a oferta de todos ficarem como escravos e pediu que ficasse apenas aquele em cujo saco foi encontrado o roubo. Se todos ficassem como escravos, seria mais fácil. Como poderiam eles aparecer diante do pai sem o filho cuja partida tanta relutância causou a Jacó? Judá tomou a palavra e explicou tudo a José, pedindo que o aceitasse em lugar de Benjamim. O propósito de José parece ser averiguar se seus irmãos mantinham para com Benjamim a mesma atitude que tiveram para com ele e, sem dúvida, logo se convenceu de que as experiências dos últimos anos tinham mudado o coração de seus irmãos.
O discurso de Judá não comporta comentos. Sublime e admirável, cheio de lances emocionais e amorosos, revelando uma alma sincera e tocante, permanecerá por toda a eternidade como uma gema da literatura bíblica, sem superior no gênero. José não pode mais: rendeu-se, convencido de que diante dele não estavam mais aqueles irmãos desumanos, indiferentes às suas súplicas, mas um grupo de penitentes, prontos a remediar a falta, se porventura fosse possível. Deu-se a conhecer, pois, aos irmãos, como recompensa pela transformação que se tinha operado neles.

José Dá-se a Conhecer a Seus Irmãos - 45:1-15A cena tinha chegado ao ponto culminante. José tinha agido como bom ator, mas o papel chegou a tal ponto que não pode prosseguir mais. Fez sair todos os servos de sua presença e declarou aos irmãos quem era, com a voz cortada por soluços. Seus irmãos não se podiam ter diante dele, estarrecidos pela declaração de que aquele homem era o irmão que tinham vendido para o Egito. Tal foi o alarde, que na casa de Faraó foi ouvido o choro.
Passado o momento da emoção mais forte, José perguntou por seu pai, para se certificar de que tudo que tinha ouvido não era sonho. Depois procurou amenizar a impressão de remorso que a revelação tinha produzido naqueles homens, dizendo que por determinação divina foram eles levados a vendê-lo, para que por esta forma escapassem da terrível fome que estava assolando toda a terra. Isto devia cair como um bálsamo no coração dos irmãos de
José. O pecado deles ficaria indelevelmente gravado em seus corações, mas a idéia de que esta falta tinha resultado tão grande bem devia dar-lhes certo consolo. José procurou mostrar-lhes que não mantinha para com eles qualquer ressentimento, e que era tempo de pensar mais no futuro que no passado. Apressa-se, pois, a perguntar por seu pai e ordena que partam imediatamente e o tragam, para que, por todos os anos de miséria que ainda faltavam, pudesse ser cuidado com o carinho que um bom filho deve dispensar a um pai idoso. José tinha sido amplamente galardoado por DEUS, por toda a sua fidelidade. Pôde ver finalmente como sua obediência tinha recebido recompensa. Daí o não querer agravar a culpa dos irmãos. Pede que subam e tragam, sem perda de tempo, o velho pai e lhe deem a boa-nova de que José ainda vive e é grande na terra do Egito. Que Jacó viesse, pois, a Gósen a melhor e mais fértil parte da terra, que teria lugar para seus rebanhos.
Na despedida, José se lançou ao pescoço de Benjamim e chorou. Faraó Sabe da Vinda dos Irmãos de José - vv. 16-28. Alguém que vira a cena fora contar a Faraó que os irmãos do governador tinham chegado. Faraó mandou
chamar o seu ministro e ordenou-lhe que dissesse aos irmãos que carregassem as bestas e rumassem sem demora a Canaã, para buscar o velho pai, e disse que do melhor da terra ele comeria. Duas coisas são claras aqui. Primeira, o modo por que DEUS dispõe os acontecimentos e os corações dos homens para servir seus eternos desígnios. Segunda, o fato de que, a não ser que esses Faraós sejam os chamados hicsos ou reis pastores (que governaram o Egito por 600 anos e, portanto, eram estrangeiros ali também e, possivelmente, da mesma raça de José), é difícil admitir tanta liberalidade e complacência para com um povo estranho. Os egípcios não costumavam dispensar honrarias e favores a outros povos da maneira que notamos aqui. Para eles, todos os demais povos eram bárbaros, corno para os judeus, anos depois, todos que não eram judeus eram gentios, povos que nada mereciam, e como para os gregos, quem não era grego, era bárbaro. É admirável como o Senhor do mundo toma a História em suas mãos para servir aos seus desígnios. Desalojou a dinastia nativa e colocou no trono uma
estrangeira, para melhor poder hospedar aqueles que iam ali receber luzes, a fim de serem mais tarde os mestres da religião e da moral em todo o mundo.
Os versos 25-28 nos dão a nova de como Jacó recebeu noticias do filho perdido. Por mais de uma vez temos notado que duvidava da veracidade da história contada pelos filhos em relação a José. Os incidentes do Egito deviam ter despertado em sua mente certos pressentimentos. Quando lhe foi dito que José ainda vivia, não suportou a nova, não acreditou nos filhos. Tantas tinham sido as trapaças deles, que pouco crédito restava para as suas afirmações, sobretudo, no tocante a José. Como, porém, lhe contassem tudo e de como deviam descer ao Egito, logo seu coração reviveu. E disse: "Vive ainda meu filho José! ... "

CAP. XXVII - IMIGRAÇÃO E RESIDÊNCIA DE JACÓ E SUA FAMÍLIA NO EGITO (Caps. 46-50)Nos versos 1-7 deste capítulo temos detalhes da descida de Jacó ao Egito, depois de ter oferecido sacrifícios ao DEUS de seu pai. DEUS lhe aparece em sonhos e diz-lhe que não tema descer, porque ali lhe faria uma grande nação. Jacó ainda estava morando em Hebrom, mas velo a Berseba oferecer os sacrifícios no velho altar da família. O passo que ia dar era da maior importância, e por isso escolheu o antigo santuário para este sacrifício, e para certificar-se de que esta era a vontade de DEUS. Certamente, devia ter receios justos de descer a uma terra estranha já nos últimos dias de sua velhice; não viesse ele a sacrificar todo o futuro da raça. DEUS manda que vá, porque fará dele uma grande nação e o fará voltar, e que José fecharia os seus olhos, ajuntando que Ele mesmo desceria a Jacó, para garantir a viagem. Conforme esta promessa, Jacó seria multiplicado por muitos
milhares, DEUS o guardaria ali e, depois de findo o tempo, faria subir sua semente da terra do Egito, como aconteceu anos depois no tempo de Moisés. A promessa de que José fecharia seus olhos indica que não seria abandonado e morreria debaixo de todo carinho e cuidado.

A Linhagem de Jacó Que Foi ao Egito - 46:8-34Nesta lista temos os nomes dos filhos de Jacó, no total de 70 pessoas (v. 27), incluindo José, seus dois filhos e o próprio Jacó. Entretanto, devemos compreender que era muito maior o número de pessoas que acompanharam
Jacó na sua ida da terra de Canaã. O verso 26 exclui as mulheres dos filhos de Jacó, como não pertencendo à sua geração. Estêvão, em Atos dos Apóstolos (7:14), dá o número de 75 pessoas que desceram ao Egito com Jacó, mas baseou suas palavras no texto da LXX, que, por qualquer razão a nós desconhecida, acrescenta certos filhos a Manassés e Efraim, fazendo o total de 75. O número exato é de 70 pessoas, mas precisamos saber que Jacó tinha numerosa criadagem e que toda ela foi com ele, mas não foi contada, por não fazer parte do povo escolhido. Os hebreus ficaram no Egito 430 anos, segundo Êx. 12:40, e quando voltaram dali, somavam, talvez, dois e meio
ou três milhões, o que dá uma idéia do crescimento descomunal, ainda que se multiplicassem milagrosamente. Quatro gerações não é tão pouco para tal crescimento. Podemos conceber que além da família de Jacó foi muito mais gente que, por ter sido circuncidada, fazia parte da família, manda que não fosse contada como sendo descendente, e que na saída do Egito muitos escravos e mesmo egípcios, que tinham visto a salvação de DEUS e se tinham interessado neste povo, saíram com eles, fazendo, assim, uma multidão maior do que era de esperar. As muitas queixas e murmurações dos israelitas, pelo deserto, devem ter sido causadas por este elemento estranho, que tinha aproveitado essa boa oportunidade para sair daquela terra de escravidão.
Judá foi mandado adiante para avisar José de que o seu pai tinha chegado. O encontro foi o que se podia prever. Linguagem humana, por mais dramática que seja, não descreve fielmente aqueles transportes de alegria e emoção. Por isso, deixo o leitor apreciar esta cena tocante descrita pela linguagem singela da Bíblia. Depois que choraram, o pai sobre o pescoço do filho, e o filho sobre o do pai, disse este: "Morra eu agora, pois tenho visto o teu rosto, que ainda vives."
Tudo estava em boa ordem quanto ao estabelecimento do povo em Gósen; só faltava avisar Faraó de que tinham chegado. Ainda que ele mesmo tinha mandado que viessem, convinha que fosse notificado e, se, como se crê, a dinastia reinante fosse estrangeira, convinha tomar todas as precauções para que a vinda de um grupo tão grande não suscitasse qualquer levante. Por outro lado, os egípcios odiavam a vida pastoril, por causa do culto que prestavam aos animais, de modo que era bom que Jacó tomasse um lugar separado da vida egípcia. Tomadas estas providências, José ensina como se deviam portar diante de Faraó, a quem seriam apresentados, para que recebessem permissão de permanecer no país e negociar. Ao dizerem o que eram e de que viviam, deviam pedir a terra de Gósen, por ficar separada do centro populoso, para que assim não houvesse motivo de contenda entre eles e os egípcios. A terra de Gósen era uma das partes mais férteis de todo o Egito e em tal situação topográfica que os hebreus podiam manter seu culto e vida social sem contato com os egípcios. Não é possível dizer com segurança que parte do território compreende Gósen, mas é certo que esta região ficava ao Norte, perto do Delta, e era de fácil acesso a Canaã.

José Apresenta Cinco de Seus Irmãos a Faraó - 47:1-6Depois das primeiras demonstrações de afeto a seu pai e irmãos, José seguiu para o palácio a avisar Faraó da chegada da sua família, que se encontrava na terra de Gósen, onde desejava que ficasse. Conforme o que fora combinado, apresentou cinco irmãos ao rei, que ficou satisfeito com a escolha que tinham feito de Gósen, para nela morarem. Ficou entendido que vinham apenas passar algum tempo, enquanto durava a fome, e isto era o que eles mesmos esperavam, mas DEUS tinha outro plano. Esta parte do país é chamada "terra de Ramessés". Ramessés foi um dos monarcas mais poderosos do Egito, que alguns pensam ser o Faraó da opressão. Como este nome é mencionado aqui antes de a pessoa existir (ainda que o nome podia ser conhecido entre os egípcios), não sabemos. Noutro local foi feita a observação de que Ramessés era um nome nacional, que depois veio a ser de alguns monarcas.
Quando os irmãos de José foram apresentados ao rei, este mandou que fossem administradores do seu próprio gado. Os egípcios não eram pastores e detestavam a vida pastoril, mas parece que no caso atual o próprio rei tinha rebanhos. Se este Faraó era da dinastia usurpadora e que é conhecida na História pelo nome de reis pastores, que tinham vindo da Ásia, explica-se a existência de rebanhos do rei e também fica explicada a facilidade com que uma tribo estrangeira foi recebida no Egito com todas as honras. Conforme isto, tanto Jacó quanto o próprio Faraó, eram estrangeiros e, provavelmente, da mesma raça semita; logo, deviam proteger-se mutuamente.

Jacó é Apresentado a FaraóAo ser apresentado a Faraó, Jacó abençoou o rei e, ao sair, o abençoou outra vez. Jacó não presumia ser o que realmente era e não se julgou superior ao rei em sentido algum, mas, pelo fato de que era homem religioso e que cria no poder de DEUS, abençoou-o, ou antes, desejou-lhe todas as felicidades pelos favores que lhe estava prestando. Como faríamos hoje, esta bênção era uma prova de gratidão e uma expressão de desejo de prosperidade e felicidade. Faraó perguntou a Jacó quantos anos tinha, e este respondeu que poucos e maus eram os anos de sua peregrinação. Cento e trinta anos era a idade do servo de DEUS, o que julgava insignificante, à vista dos anos de seus ancestrais. A vida destes patriarcas era de peregrinações. Consideravam-se como estrangeiros em terra estranha, esperando ser recebidos em sua própria terra. A vida neste mundo era para eles passageira e incerta. A
verdadeira vida estas,a muito além da própria Canaã. Realmente, Jacó tinha tido uma vida bastante acidentada. Desde moço foi obrigado a fugir de casa. Em Harã passou pelos maiores dissabores e desapontamentos. Na volta, quando parecia ter melhores dias, teve o encontro com o irmão, o que lhe custou serias apreensões.
Houve a infelicidade da filha única e o terrível desfecho em Siquém. Depois a suposta morte do filho querido, a fome e seus tristes resultados e, finalmente, já no último quartel da vida, forçado a ir a uma terra estranha, valer-se da influência de um filho, que bem poderia cair de um momento para outro. Poucos e maus tinham sido seus dias, repetimos nós. A não ser depois de estabelecido na terra, quando teve relativa paz, podemos dizer que toda a sua vida foi agitada. Pensando em Jacó, podemos ganhar confiança para nossas atribulações. Muitas vidas cristãs parecem-se com a de Jacó. Mas no fim terminam com a mesma bonança dos que passam muitos e bons
dias. Se não fosse a confiança de Jacó no seu DEUS, teria sucumbido.

O Quinto para Faraó - 47:13-26A história secular informa-nos que os egípcios pagavam o quinto ao rei, bem como toda a terra do Egito pertencia a Faraó, e que os egípcios tinham o direito de cultivá-la, pagando dos rendimentos a quinta parte. Este costume perde-se na noite dos tempos, mas a Bíblia nos diz onde e como se originou. Não havendo mais pão na terra e somente nos celeiros reais, que pela previsão de José estavam repletos, o povo veio a José por causa do pão. Pediu os animais que os egípcios tinham para fins de agricultura. Depois vieram para comprar mais e como nada mais tivessem para dar, entregaram as terras, de modo que no fim desse período todo o Egito era propriedade do rei. Somente as terras dos sacerdotes ficaram fora desta solução, pois eram consideradas propriedades sagradas. Esta foi a condição do Egito, quando os gregos, séculos mais tarde, chegaram ali, e que nos tem sido transmitida em suas memórias.
Não devemos imaginar que todos os egípcios possuíram terras, porque o Egito era essencialmente um país de escravos.Na construção de uma das pirâmides do antigo império trabalharam 200.000 operários por espaço de 20 anos, e este número era revezado cada 3 anos, por não resistirem os escravos mais do que este tempo em trabalhos forçados. Só nessa obra monumental, calcula-se que um milhão e quatrocentos mil escravos foram usados. Tudo que se possa dizer desses infelizes ainda será pouco. O calor é exaustivo e o tratamento cruel, de maneira que a vida dos escravos era a mais penosa e miserável que se poderia imaginar.
Quando passaram os anos de fome, todo o povo e toda a terra eram propriedade real. José deu-lhes semente e distribuiu-os por todo o país, para que a cultivassem, dando para o tesouro um quinto. O costume de dar uma parte das colheitas para o rei é muito antigo. Entre os semitas perde-se na História. Quando Melquisedeque foi ao encontro de Abraão, este lhe deu os dízimos ou a décima parte. Já este costume estava em voga nesse tempo. O dizimo foi depois incorporado à Lei como uma necessidade pública na manutenção do sacerdócio e como uma ensinança religiosa de que a terra pertence a Jeová e que o povo é seu, foi comprado, tanto quanto José comprou os egípcios. Não é demais que ainda hoje se pratique este costume, porque o que temos é dado por DEUS, e nossas vidas e propriedades pertencem-lhe por natureza.

Jacó Mora 17 Anos no Egito, Dá Ordens Quanto à Sua Sepultura e Faz Declarações Quanto ao Futuro do Seu Povo - 47:27-31Dezessete anos de vida pacífica tinha Jacó vivido no Egito, durante os quais tinha visto a prosperidade de seus filhos e a alegria do seu amado José. Foram talvez os melhores anos de sua vida. Feliz o homem que pelo menos passa os últimos anos de sua vida em paz. O Dr. Carroll contrasta Jacó com Salomão e diz que este começou gloriosamente, e aquele, pobremente, mas as vidas dos dois foram verdadeiramente opostas no seu término. Jacó morreu gloriosamente na companhia de toda a sua parentela, que a esse tempo seria bastante numerosa. Sentindo aproximar-se a hora de juntar-se a seus pais, mandou chamar José e pediu-lhe que não o sepultasse no Egito, mas levasse seu corpo para Macpela, onde jaziam os restos de seus antepassados.
José prometeu, com juramento, que assim faria. O motivo de Jacó não desejar ficar no Egito foi o de saber que seu povo sairia dali um dia. Ao mesmo tempo fazia uma profecia desta saída. A maneira por que exigiu de José a certeza de que seu pedido seria cumprido é singular. Pediu que o filho pusesse a mão debaixo de sua coxa e jurasse. Abraão fez com Eliezer o mesmo quando o mandou a Padã-Arã, buscar mulher para Isaque. Este costume implicava na seriedade do negócio, e nada em nossos dias poderá imitá-lo. O juramento era uma espécie de concerto. Não era a jura vulgar, tão usada em terras católicas, feita por qualquer coisa, simplesmente para dar valor à palavra. Não foi desta natureza o juramento de José.
Os egípcios praticavam com maior perfeição o embalsamamento de seus mortos, de modo que os Faraós sepultados há cinco mil anos estão ainda hoje em perfeito estado de conservação. Isto revela o grau de cultura a que aquele povo tinha chegado. Conhecedor disto foi que Jacó pediu que seu corpo fosse levado para a Palestina. Para fazer a viagem, eram necessárias umas duas semanas e só embalsamado poderia o corpo ser levado para a terra da promissão.

Os últimos Dias de Jacó - vv. 48-49Depois do juramento ou concerto entre José e Jacó, aquele partiu para tomar conta de seus negócios. Pouco tempo depois soube que seu pai estava doente, e veio vê-lo. José era um homem muito ocupado, visto que todos os negócios da terra do Egito estavam em sua mão, mas apenas soube da doença do pai, deixou tudo e veio. Jacó soube de sua vinda e, tomando alento, assentou-se na cama. Frente a frente com José, Jacó reafirmou sua confiança nas promessas de Jeová e referiu-se à visão que teve em Luz e de como toda a terra lhe tinha sido prometida. Queria que os dois filhos de José fossem seus e tivessem iguais privilégios na herança. O fim desta declaração foi mostrar ao filho que as promessas de DEUS valiam mais que todas as glórias do Egito e, portanto, queria que os dois netos não se entregassem à vida do Egito, mas jogassem sua sorte com seus próprios filhos.
Destarte, José mesmo ficaria preso às tradições e esperanças da casa paterna e não se deixaria envaidecer com as grandezas e glórias que desfrutava na terra. Alguns comentadores crêem que a princesa egípcia, Asenate, mulher de José, não tinha outros filhos e, temendo que estes fossem chamados a tomar o lugar do pai, nas futuras empresas da nação, é que Jacó dispõe deles como se seus filhos fossem. Nada mais natural que aquela mulher desejasse que seus filhos seguissem a carreira brilhante do pai, mas, pelo desejo de Jacó, os filhos, como o pai, ficavam presos às antigas promessas feitas por DEUS.
Portanto, tinha Jacó treze filhos. Onze filhos seus e dois de José, que valeriam por dois no seu lugar. A tribo de Levi não recebeu herança, ficou espalhada por toda a terra, para preservá-la da corrupção, sendo a tribo encarregada do culto e da preservação da religião. Doze tribos somente são mencionadas como tendo parte na herança, não se esquecendo que eram treze os herdeiros de Jacó. Em sua última vontade, mencionou o lugar onde repousava sua amada Raquel. Sublime amor, que mesmo depois de tantos anos de morta, a companheira ainda é relembrada no momento mais sério do sobrevivente!
Jacó Abençoa José na Pessoa de Seus Dois Filhos - 48:8-16
José, vindo visitar seu pai nos últimos dias de sua vida, achou de trazer seus dois filhos, provavelmente, com o desejo de que participassem das bênçãos patriarcais. Durante algum tempo Jacó  não viu os dois netos, mas, sabendo que estavam ali, pediu que se acercassem dele, visto não poder ver bem, por causa da idade. Chegados os dois juntos, beijou-os e exclamou que não pensava mais ver José, mas pôde vê-lo e aos seus filhos também. Beijou-os e abraçou-os. José trouxe pela mão direita e à esquerda de Jacó a Efraim, e pela esquerda e à direita de Jacó, a Manassés, para que a bênção recaísse sobre a cabeça do mais velho. Mas o patriarca estendeu a mão e abençoou o mais moço, Efraim. Era o desejo de Jacó abençoar José com os direitos da primogenitura que Rúben tinha perdido por causa do horrendo pecado praticado contra o próprio pai (49:3-4), mas a preeminência
ficou com Judá, ficando José com dobrada porção, apenas na pessoa de seus dois filhos. Efraim obteve a preeminência sobre Manassés.
Ao transmitir a bênção, Jacó invocou a DEUS, perante quem seus pais tinham andado, o Anjo Jeová, o Anjo que lhe aparecera quando vinha de Padã-Arã e o livrara das mãos de Esaú, seu irmão. Este capítulo da vida de Jacó é mencionado no Novo Testamento como um dos atos de fé viva (Heb. 11:21).

O Desgosto de José - 48:17-22José não ficou satisfeito porque seu pai tinha dado o direito de primogenitura ao mais novo de seus filhos. Pegou nas mãos do velhinho e pôs a direita sobre a cabeça do mais velho e a esquerda sobre a cabeça do mais moço. Jacó, porém, insistiu em que o mais moço fosse o maior, ainda que o mais velho seria também grande na sua geração. Jacó sabia o que estava fazendo e sabia que esse ato tinha alcance além da observação de José. O espírito de profecia estava guiando todos esses atos, de modo que não era a mera vontade de Jacó, mas a de DEUS que estava sendo feita. Por muitas outras vezes, DEUS transferiu os direitos de primogenitura do mais velho para o mais moço. José conformou- se com a vontade explícita de seu pai, por entender que esta seria a vontade de DEUS. Jacó, com toda a resignação e calma, anuncia que DEUS faria que eles voltassem à terra das promessas. Esta é a fé que vence. Quanto mais perto da sepultura, mais certo estava de que DEUS cumpriria a palavra dita tantas vezes.

As Bênçãos de Jacó sobre Seus Filhos - cap. 49Depois que abençoou os filhos de José e desta forma recompensou a fidelidade e o amor do filho querido, Jacó dispõe da sua última vontade em forma profética, declarando que todas estas coisas aconteceriam nos dias vindouros. Reunidos todos os filhos em torno do leito, o velho homem de DEUS começa a ler a sentença de cada um de acordo com as suas tendências e os feitos dos dias passados. A sentença foi proferida em forma poética, de modo que convém ao estudante descontar da linguagem o que faz parte simplesmente da poesia, a fim de melhor poder interpretar este admirável capítulo. Todo poeta tem licença de dizer mais do que é necessário, e o poeta hebraico, pelo próprio estilo, exagerava mais ainda do que os ocidentais.Não se pense, entretanto, que nesta liberdade está incluída a liberdade de dizer o que não é, mas sim a de falar redundantemente e hiperbolicamente. Este é um dos mais belos espécimes da poesia oriental. A ocasião não podia ser mais oportuna. A família esperada estava em vias de formação e Jacó já antevia o dia da saída do Egito, em demanda da terra da promissão. Portanto, era agora o tempo de dispor do futuro papel que cada filho representaria no desdobramento do plano de Jeová. Isto Jacó fez por inspiração divina, como se pode verificar no futuro cumprimento literal que estas palavras tiveram. Ao estudar este capítulo, convém ainda notar o significado dos nomes de cada filho, visto que cada nome foi dado de acordo com a ocasião em que nasceu. Note-se o que o mesmo filho faria no futuro e o significado final no eterno propósito de DEUS, confirme o Novo Testamento, especialmente no Apocalipse,capítulo 7.
Estudo no livro de Genesis - Antônio Neves de Mesquita - Editora: JUERP

 
Referências Bibliográficas (outras estão acima)
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.
Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA: CPAD, 1999.
BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.
CPAD - http://www.cpad.com.br/ - Bíblias, CD'S, DVD'S, Livros e Revistas. BEP - Bíblia de Estudos Pentecostal.
VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
www.ebdweb.com.br - www.escoladominical.net - www.gospelbook.net - www.portalebd.org.br/
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm
Dicionário Vine antigo e novo testamentos - CPAD
Dicionário Bíblico Wycliffe - Charles F. Pfeiffer, Howard F. Vos, John Rea - CPAD
GÊNESIS - Introdução e Comentário - REV. DEREK KIDNER, M. A. - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova ,Caixa Postal 21486, São Paulo - SP, 04602-970
Genesis a Deuteronômio - Comentário Bíblico Beacon - CPAD - O Livro de Genesis - George Herbert Livingston, B.D., Ph.D.
Revista CPAD - Lições Bíblicas - 1995 - 4º Trimestre - Genesis, O Princípio de Todas as Coisas - Comentarista pastor Elienai Cabral
Genesis - Comentário Adam Clarke
Revista CPAD - Lições Bíblicas - 1995 - 4º Trimestre - Genesis, O Princípio de Todas as Coisas - Comentarista pastor Elienai Cabral
Revista CPAD - Lições Bíblicas 1942 - 1º trimestre de 1942 - A Mensagem do Livro de Genesis - LIÇÃO 2 - 11/01/1942 – A CRIAÇÃO DO HOMEM - Adalberto Arraes 
Estudo no livro de Genesis - Antônio Neves de Mesquita - Editora: JUERP
ABRAÃO - ÊXITOS E FRACASSOS DO AMIGO DE DEUS - 4º TRIMESTRE DE 2002 - COMENTÁRIOS DE Pr. ELIENAI CABRAL

Lições Bíblicas CPAD -  1º Trimestre de 1991 - A VIDA DE ABRAÃO - Comentários: EURICO BERGSTEN

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