sábado, 7 de novembro de 2015

Lição 6, O Impiedoso Mundo de Lameque, 2 parte

Lição 6, O Impiedoso Mundo de Lameque, 2 parte
Gênesis a Deuteronômio - Comentário Bíblico Beacon - CPAD - O Livro de Gênesis - George Herbert Livingston, B.D., Ph.D.
Depois do relato introdutório da criação, o livro se concentra fundamentalmente em homens importantes e seus descendentes. Estes homens são Adão, Noé, Abraão, Isaque, Jacó e José. Personagens de menor importância relacionados a estes indivíduos notáveis são tratados pelo simples alistamento de suas genealogias.
Em Gênesis, há um movimento sequencial que passa do universal para o específico. A história da criação do universo concentra a atenção em Adão e sua esposa Eva; depois se estende para traçar de modo incompleto o aumento dos seus descendentes pelas linhagens de Caim e de Sete. Tendo descrito vigorosamente a corrupção destes povos em 6.1-4, o relato anuncia a decisão do Todo-poderoso em puni-los por meio de um grandioso dilúvio, mas, ao mesmo tempo, salvar um remanescente dando proteção a Noé e sua família numa arca. Os descendentes de Noé também são apresentados no aumento numérico e na expansão via migração através de uma lista genealógica. Abraão vem em primeiro plano.
Geograficamente, os primeiros onze capítulos são direcionados ao vale mesopotâmico.
 
Uma comparação das genealogias em ambos os Testamentos logo deixa claro várias características. São genealogias altamente seletivas e não alistam necessariamente toda geração. Um estudo de “pai” e “filho”, que só pode ser feito adequadamente em hebraico, revela que estes termos podem ser aplicados, respectivamente, a qualquer antepassado ou a qualquer descendente. O papel das genealogias na Bíblia nem sempre é fornecer uma cronologia histórica; sua função varia de lugar para lugar.
É interessante observar um ponto de comparação entre a linhagem de Caim e a linhagem de Sete. O sétimo depois de Caim foi Lameque, que era o epítome da hostilidade furiosa, embora seus três filhos fossem gênios criativos. O sétimo na linhagem de Sete foi o piedoso Enoque, que DEUS para si... tomou. Noé, o décimo na linhagem de Sete, e seus três filhos começaram uma nova população depois do dilúvio.
Não há modo fácil de explicar a longa extensão de vida atribuída aos patriarcas relacionados no capítulo 5. A vida mais longa é de Matusalém, 969 anos. Estudiosos conservadores tomam uma de duas possíveis interpretações. Alguns (notavelmente John Davis, na sua obra muito consultada Dicionário da Bíblia, e mais recentemente Bernard Ramm) sugerem que os nomes representam o homem individual e o seu clã. Um paralelo bíblico é encontrado em Atos 7.16, onde o nome “Abraão” se refere à sua família ou clã, visto que o procedimento informado ocorreu depois da morte do patriarca. Outros destacam que nos primórdios da raça, antes que o pecado prolongado e persistente reduzisse a vitalidade humana e as doenças se desenvolvessem ao ponto em que estão hoje, idade avançada e vigor longo eram bem possíveis.
A Grande Apostasia (6.1-8)
As genealogias de Caim e de Sete são coroadas por uma história, que é veemente em sua acusação. Extensa controvérsia ainda gira em torno desta passagem.
Um aspecto do problema centraliza-se no significado da frase "os filhos de DEUS". Pela razão de esta frase aparecer em Jó 1.6; 2.1; 38.7 e Daniel 3.25 como designação a seres divinos ou anjos, argumenta-se que os anjos caídos vieram à terra e se casaram com mulheres (cf. SI 29.1; 89.6, onde “poderosos” e “filhos dos poderosos” aludem a DEUS). Contudo, em nenhuma parte das Escrituras há a descrição de seres divinos corrompendo o gênero humano. Eles sempre são benéficos em suas relações com o homem. JESUS foi claro em declarar que os que serão ressuscitados “nem casam, nem são dados em casamento; mas serão como os anjos no céu” (Mt 22.30). Por conseguinte, esta visão é contrária ao teor geral da Bíblia.
A presença muito difundida de histórias mitológicas entre os antigos pagãos, remontando aos hurritas (1500-1400 a. C) e descrevendo deuses e deusas da natureza engajados em relações ilícitas entre si, levam alguns a advogar que esta passagem é um conto mitológico. Contudo, admite-se prontamente que mitologia erótica não aparece em outros lugares na Bíblia. Por isso, os estudiosos concluíram que o escritor de Gênesis alterou um conto mitológico e, com um jeito envergonhado, o apresentou como justificação para o julgamento de DEUS que logo viria.
Outro ponto de vista popular é que os filhos de DEUS eram descendentes de Sete. De importância aqui é a palavra DEUS (ha’elohim), que em outros lugares no Antigo Testamento significa “o único DEUS verdadeiro” e, assim, o distingue das deidades pagãs. Este ponto de vista parece tornar impossível a teoria mitológica.
Na verdade, não se pode discutir que o conceito de uma relação filial entre DEUS e seus adoradores seja estranho ao Antigo Testamento. Esta questão não se apoia em uma frase precisa; apoia-se em um conceito. Em referência ao verdadeiro DEUS há uma declaração em Deuteronômio 32.5, que diz: “Seus filhos eles não são, e a sua mancha é deles” (hb., banaw, “filhos dele”). Também em referência a DEUS, o salmista (SI 73.15) disse: “Também falarei assim; eis que ofenderia a geração de teus filhos” (hb., banayka, “teus filhos”). E certo que nestes contextos “seus filhos” e “teus filhos” são equivalentes a filhos de DEUS. E de forma mais clara, Oséias (Os 1.10) disse acerca de Israel: “Se lhes dirá: Vós sois filhos do DEUS [’el hay] vivo”. No pensamento do Antigo Testamento, he’elohim e ’el hay quase não poderiam ter sido dois deuses distintos. Repare também em Oséias 11.1 a frase “meu filho”, que se remonta ao Senhor.
No Novo Testamento, a expressão “filhos de DEUS” ocorre em referência a seres humanos em João 1.12; Romanos 8.14; Filipenses 2.15; 1 João 3.1 e Apocalipse 21.7. Estas passagens do Novo Testamento não são extraídas do paganismo, mas estão solidamente baseadas no conceito do Antigo Testamento mencionado acima.
A conclusão de que os adoradores do Senhor (4.26) da linhagem de Sete também eram os filhos de DEUS preenche de maneira natural a lacuna entre as genealogias e o dilúvio. Estes homens não escolheram suas esposas com base na fé, mas por impulso, sem consideração pela formação religiosa. Seguiu-se corrupção após esta vida devassa e DEUS reagiu com ira divina.
A palavra hebraica traduzida por contenderá (3, yadon) tem vários significados. A formação verbal pode aludir a raízes que significam “permanecer, ser humilhado” ou, remetendo-se ao acádio, “proteger, servir de proteção”. Contender, trabalhar, esforçar-se ou proteger se ajustam bem ao contexto. O homem não devia sentir-se mimado, porque ele também é carne. Ele foi posto em provação por cento e vinte anos.
Em 6.3, há o pensamento interessante “Não para Sempre”. 1) O ESPÍRITO de DEUS contende com o homem; 2) O ESPÍRITO nem sempre contenderá; 3) O homem pode achar graça aos olhos do Senhor, 8 (G. B. Williamson).
A tradução gigantes (4, nefilim) remonta à Septuaginta. O contexto do outro exemplo onde a palavra aparece (Nm 13.33) sugere estatura incomum. Literalmente, o termo nefilim significa “os caídos ou aqueles que caem sobre [atacam] os outros”. Em todo caso, eram indivíduos malévolos. Eles precederam e coexistiram com o ajuntamento dos filhos de DEUS e das filhas dos homens. Nada no texto apoia a idéia de que eles eram descendentes deste ajuntamento que os rivalizavam como varões de fama, ou seja, homens de notoriedade e renome.
A reação de DEUS aos assuntos da sociedade humana aumentava de intensidade à medida que a corrupção pecaminosa se tornava dominante em escala universal. A degradação do homem estava interiormente completa, era só má continuamente (5).
A frase arrependeu-se o SENHOR (6), e outras semelhantes (ver Ex 32.14; 1 Sm 15.11; Jr 18.7,8; 26.3,13,19; Jn 3.10), incomoda muitos estudiosos da Bíblia. O conceito comum de arrependimento está relacionado com afastar-se de atos imorais. Assim, uma mudança de direção, de caráter e de propósito é inerente no ato. Duas passagens no Antigo Testamento asseveram definitivamente que DEUS não mente e se arrepende como o homem (Nm 23.19; 1 Sm 15.29). Um estudo das passagens relacionadas acima mostra que arrependimento divino não brota da tristeza por más ações feitas. As mudanças na relação do homem com DEUS resultam em mudanças nos procedimentos de DEUS com o homem. Quando o homem se afasta de DEUS para o pecado, DEUS muda a relação de comunhão para uma relação de repreensão julgadora. Quando o homem se afasta do pecado para DEUS, este estabelece uma nova relação de comunhão. Este é o arrependimento divino. Em nosso texto (6), DEUS muda de comunhão para julgamento.
As mudanças de relacionamento que DEUS executa nunca são descritas no Antigo Testamento como algo impessoal ou passivo. DEUS sempre está profundamente envolvido. Visto que a mudança de relação é pessoal, que melhores termos humanos se usariam do que expressões profundamente emocionais? Assim, pesou a DEUS em seu coração. Quando o homem peca, DEUS julga; mas Ele também sofre intensamente.
DEUS não se gloriou no ato de julgamento implementado a seguir. Toda palavra do pronunciamento está imbuída de agonia. Que criei (7) sugere “Todos os produtos da minha criatividade amorosa devem ser destruídos, exceto um”. Só um homem era adorador de DEUS: Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR (8).
De 6.5-8, G. B. Williamson analisa “O Dilúvio”. 1) O julgamento pelo pecado é inevitável, 5-7; 2) A justiça é indestrutível, 8; 3) A fidelidade de DEUS aos homens que confiam e obedecem é inalterável, 8.
A Corrupção Universal e Seu Resultado, 6.9—11.26
Um indivíduo se destaca novamente como objeto principal da preocupação de DEUS. Depois de livrar Noé e sua família do “dia da destruição”, DEUS estabeleceu uma relação de concerto com eles. Mas as promessas de guardar o concerto ainda estavam soando quando entrou a profanação para turvar o relacionamento, e as coisas não melhoraram com o aumento e difusão da posteridade por toda a terra. Parece ser triste repetição de uma velha história.
As Façanhas do Justo Noé (6.9—9.17)
Embora esta história seja popularmente conhecida como “A História do Dilúvio”, há poucos detalhes sobre o dilúvio em si. O foco principal está nas relações de DEUS com o gênero humano, sobretudo com aqueles com quem Ele escolhe tratar diretamente, e nas respostas que dão às afirmações que Ele faz acerca deles. Noé é o personagem proeminente da história e sua obediência é de importância para o ato de salvação de DEUS e não apenas para julgamento.
A seqüência da história é composta de cenário (6.9-12), uma série de ordens (6.13— 7.5), a execução do julgamento (7.6-24), a dilatação da misericórdia (8.1-22) e um concerto (9.1-17).
a) Um Justo em um Mundo Corrupto (6.9-12). Imediatamente, Noé (9) é definido como indivíduo incomum, embora as características associadas a ele não sejam incomuns entre os homens de DEUS no Antigo e Novo Testamento. Ele era justo (tsadik), ou seja, vivia de acordo com um padrão, marcando a vida com obediência a DEUS e interesse pelo gênero humano. Ele era reto (tamim), isto é, era indiviso em sua lealdade, orientada em direção a uma meta definida e motivado por paixão controladora. Como Enoque (5.24), Noé andava com DEUS, ou seja, desfrutava de comunhão ininterrupta e íntima com DEUS. Este andar infundia as características anteriormente mencionadas com uma ternura e profundidade de relação interpessoal com DEUS que transcende a religião formal.
A condição moral da geração de Noé não só se contrasta com a vida de Noé, mas elucida os termos que a descrevem. A corrupção do povo se destacava como o oposto da justiça de Noé. Noé exibia fidelidade e conformidade à vontade de DEUS; o povo não. A autenticidade de Noé, sua qualidade de vida sadia (tamim) era radicalmente diferente da violência (11, chamas) que permeava a sociedade dos seus dias. Uma comparação dos versículos 11 e 12 com o versículo 5 indica que esta violência era interior, severamente contaminada com imaginações imorais e tendências corruptas.
A declaração "viu DEUS" (12), não significa que Ele precisou de informação, mas que a situação na terra era de sua grande preocupação e exigia sério exame. Note significados semelhantes desta frase em 30.1,9 e 50.15. Em cada caso, uma avaliação da situação resultou em decisão e, depois, em ação.
b) O Julgamento de DEUS sobre a Raça Humana (6.13—7.5). Apalavra divina: O fim de toda carne é vindo perante a minha face (13), ressoou como toque de morte pela consciência de Noé. O fato de a terra estar cheia de violência não podia continuar sem controle. DEUS tomou a decisão e estava pronto para passar à ação. A falta de lei do povo estava desenfreada, assim a punição tinha de ser drástica. O gênero humano e sua casa, a terra, seriam destruídos. Aterra foi destruída no sentido de deixar de sustentar vida no decorrer da duração do dilúvio.
O julgamento não devia ser privado da oportunidade de salvação. Noé recebeu orientações específicas. Ele tinha de tomar madeira de gofer (14) e construir uma estrutura grande e semelhante a uma caixa. Não se sabe como era realmente a madeira de gofer, mas o betume era material asfáltico razoavelmente comum no vale mesopotâmico. Aceitando-se o côvado de aproximadamente 45 centímetros de comprimento, a arca teria cerca de 137 metros de comprimento, 22 metros de largura e 13 metros de altura. A ventilação era fornecida por uma janela (16) ou abertura de luz, que pode ter sido espaçada ao redor da extremidade do topo. Quanto à questão dos detalhes construtivos, o texto diz pouco. Uma porta estava do lado da arca, mas não há indicação de qual era a relação da porta com os três níveis da arca.
Um dilúvio de águas (17) foi o expediente do julgamento, mas um pacto (18) seria estabelecido com Noé (ver 9.9-17). Esta é a primeira vez que a palavra pacto (ou concerto) aparece no Antigo Testamento. Em passagens posteriores é o modo preferido de descrever a relação pessoal entre DEUS e as pessoas com quem Ele escolheu ter uma relação especial. Neste caso, Noé e sua família imediata, inclusive noras, foram os poucos escolhidos. Neste ponto, a relação de concerto era apenas uma promessa.
Em seguida, o Senhor informou a Noé que ele tinha de colocar casais de pássaros e animais na arca. A frase conforme a sua espécie (20), também encontrada em 1.21,24,25 em referência aos animais, é vaga no que tange às pretensas classificações de animais. Só os grupos gerais são especificamente mencionados: aves (20, of), animais (behemah) e réptil {remes). Atualmente, as “espécies” de animais são de aproximadamente um milhão. Seria erro presumir que o povo de antigamente pensasse em espécies de animais no mesmo sentido. O conceito pode estar mais próximo aos termos “classes, ordens, famílias ou gêneros”, mas hoje não há meio de determinar a questão. A arca também foi abastecida com comida (21).
Ainda que a palavra de DEUS fosse incomum, Noé seguiu obedientemente as instruções. Em Hebreus 11.7, há a observação de que Noé “temeu” quando obedeceu a DEUS. Pedro o chamou “pregoeiro da justiça” (2 Pe 2.5).
De 6.9-22, Alexander Maclaren pregou sobre “O SANTO entre Pecadores”. 1) O SANTO solitário, 9-11; 2) A apostasia universal, 11,12; 3) A dura sentença, 13; 4) A obediência exata de Noé, 22; 5) A defesa da fé, 7.21-23.
Depois que a arca estava pronta, o SENHOR (7.1) apareceu a Noé outra vez. Ele foi elogiado por sua obediência identificada pela palavra justo. O que Noé fez contou com a aprovação de DEUS.
A lista dos animais que entram na arca faz distinção entre animal limpo (2) e animais que não são limpos. Os animais limpos, em sentido ritualista, foram privilegiados para entrar sete e sete. Se o significado é sete pares ou três pares mais um indivíduo extra não está claro. Dos animais não limpos só um par de cada um foi permitido. Não é feita classificação entre aves (3) imundas e limpas, mas também tinham de entrar sete e sete. Noé teve sete dias (4) para carregar a arca antes do início do julgamento. Este viria na forma de um dilúvio que destruiria o homem e os animais. Noé obedeceu prontamente à mensagem de DEUS em todos os detalhes.
c) O Dilúvio (7.6-24). Na época desta catástrofe, era Noé da idade de seiscentos anos (6). A descrição da entrada na arca é de um evento tranquilo e ordeiro, que se deu do modo como DEUS ordenou que fosse feito. De acordo com o tempo estabelecido, vieram as águas do dilúvio (10).
A segunda anotação cronológica menciona o mês e o dia quando irrompeu o dilúvio.
A fonte das águas era dupla: jorraram de baixo, do grande abismo (11), e se derramaram de cima, pelas janelas do céu. Esta brevidade de descrição ocasiona uma avalanche de conjecturas relativas ao significado destes termos. A Bíblia se contenta em apenas dizer que esta turbulência continuou por quarenta dias e quarenta noites (12). Antes do início do dilúvio, Noé e sua família, com os animais, já estavam na arca conforme a ordem divina. DEUS, então, fechou a porta de forma que a arca flutuou com segurança sobre as águas em formação que cresceram grandemente (18) até cobrirem todos os altos montes que havia debaixo de todo o céu (19).
As águas subiram quinze côvados (20), distância de cerca de 6,75 metros, mas não informa se esta medida era do cume da montanha mais alta até à superfície das águas ou de algum outro ponto de partida.
As águas cumpriram seu propósito mortal, destruindo as criaturas que estão mais à vontade no seco (22) do que em cima ou dentro d’água. A destruição é acentuada duas vezes (21,23), pois o julgamento era assunto apavorante. Somente os que estavam na arca escaparam da fúria da tempestade, cujas conseqüências perduraram por um total de cento e cinquenta dias (24)
d) Mas DEUS se Lembrou (8.1-19). A declaração lembrou-se DEUS (1) é como um raio de luz em uma cena escura. Violência e corrupção trazem uma colheita de destruição, mas a obediência fiel de uns poucos evoca expressões de bondade do Juiz celestial. O dilúvio não ia durar para sempre, nem aqueles que estavam na arca iam ficar nela como se estivessem numa prisão. Uma vez mais, DEUS agiu, fazendo soprar um vento seco por sobre as águas, que continuamente retrocederam do cume das montanhas. Logo, a arca (4) encalhou nos montes de Ararate, uma cadeia de montanhas na Turquia oriental. Lentamente, os cumes dos montes (5) mais baixos foram aparecendo. Quando abriu Noé a janela da arca (6) e enviou a pomba (8), ainda não havia terra seca para ela pousar, por isso voltou... para a arca (9). Uma semana depois, ele enviou novamente a pomba (10), que voltou com uma folha de oliveira no seu bico (11).
Depois de outros sete dias (12), libertou a pomba pela terceira vez. Desta feita, não voltou, instigando Noé a tirar a cobertura da arca (13). Ele não permitiu que ninguém saísse até que a terra estivesse completamente seca, 57 dias depois. Note que no versículo 13, as águas se secaram (harevu), mas no versículo seguinte a terra estava seca (yavesah). A mudança do verbo hebraico indica uma seca mais completa que o esgotamento das águas de sobre a terra (13). Em resposta à ordem de DEUS, Noé (18) abriu a arca e tudo que havia nela veio para fora da arca (19).
e) Sacrifício e Promessa (8.20-22). Saindo da arca, Noé dirigiu seus pensamentos e ações primeiramente a DEUS. Sacrificou no altar (20) animais e pássaros limpos, dos quais havia número em excesso (7.2,8,9), e DEUS respondeu. Aqui, a frase cheirou o suave cheiro (21) não indica que DEUS estava sofregamente faminto, mas que estava ciente do ato de Noé e o aprovava. DEUS toma a resolução interior de não usar um dilúvio outra vez como meio de punição. As razões para tal punição ainda permaneciam, porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice (21), mas a misericórdia de DEUS impediria um dilúvio como punição. Isto não significa que não haveria mais punições. Enquanto o pecado persistir entre os homens, a punição virá, embora por outros meios. Como sinal da sua decisão, DEUS estabeleceu uma regularidade de sequencias naturais que encorajariam o homem a ter esperança no futuro.
f) O Concerto de DEUS com Noé (9.1-17). Rememorativo de 1.28,29, abençoou DEUS a Noé e a seus filhos (1), os quais receberam uma ordem igual de povoar a terra. Eles tinham de dominar sobre todas as outras criaturas da terra. Além de vegetais para comer, agora recebem a permissão de comer carne, com certa limitação. Eles não têm permissão de participar de carne na qual fique sangue (4). O sangue era símbolo da vida, e no homem particularmente não tinha de ser tratado de modo leviano. DEUS fez o homem conforme a sua imagem (6) e, por isso, tinha uma condição especial.
Tendo esclarecido o papel inigualável do homem sobre a terra, DEUS passa a dar mais destaque à sua relação especial com o homem estabelecendo um concerto (9) com Noé e seus descendentes. A ênfase deste concerto estava na misericórdia e não na punição — misericórdia estendida a todas as criaturas. O fato de um arco... na nuvem (13) ser o sinal peculiar deste concerto não significa que antes não houvesse arco-íris. Sua estreita associação com a chuva parece ter sido seu valor primário como sinal do concerto de DEUS de que um dilúvio universal não aconteceria novamente. A questão é tão importante que é reiterada seis vezes nos versículos 11 a 17.
As nuanças teológicas das experiências de Noé relacionadas ao dilúvio estão implícitas, mas são claras. A origem da dificuldade acha-se na rebelião do homem contra DEUS, sua imaginação e propensão ao mal. DEUS não tolera o pecado além de certa medida. Há um ponto terminal que resulta em julgamento para o homem, mas não sem dor para DEUS (6.6). DEUS deu o primeiro passo na preparação do julgamento provendo a subsistência dos que vivem obedientemente na sua presença. Os outros foram julgados porque excluíram DEUS de suas vidas. As experiências de Noé descrevem DEUS como Senhor completo de todas as forças naturais, algumas das quais Ele usa como ferramentas para julgamento ou salvação. A preocupação de DEUS no meio do julgamento é salientada na declaração de que Ele se lembrou daqueles que estavam na arca. Por mais perigosa que lhes fosse a situação, eles nunca estavam ausentes dos pensamentos de DEUS. Quando o perigo passou, o Senhor comprovou sua preocupação entrando em relação de concerto pessoal com o homem e criatura, fazendo livremente promessas de misericórdias futuras. A relação de DEUS com o homem não estava na natureza de um complexo de forças naturais chamado deuses e deusas caracterizados por capricho e pirraça. Ele é o DEUS- Criador que exige retidão e pune a corrupção. Seus procedimentos com o homem são profundamente pessoais.
Gênesis a Deuteronômio - Comentário Bíblico Beacon - CPAD - O Livro de Gênesis - George Herbert Livingston, B.D., Ph.D.
 
GÊNESIS - Introdução e Comentário - REV. DEREK KIDNER, M. A. - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova ,Caixa Postal 21486, São Paulo - SP, 04602-970
6:1-8. A crise iminente.
1-4. Filhos de DEUS e filhas dos homens. O ponto em questão nesta passagem crítica, seja qual for o modo como a abordemos, é que se alcançou novo estágio no progresso do mal, com os limites impostos por DEUS ultrapassados em mais outra esfera.
2. Os filhos de DEUS são identificados por alguns como sendo os filhos de Sete, em oposição aos de Caim. Outros, inclusos os primitivos escritores judeus, entendem que se trata de anjos. (Obs. Ev. Henrique -Melhor a primeira).
3. Neste versículo muito controvertido, sigamos a RSV: Meu ESPÍRITO não permanecerá para sempre no homem, pois ele é carne, mas...”. A palavra permanecer (yadôn), usada pela Tradução Brasileira, recebe apoio das principais versões antigas, embora sua etimologia seja incerta. A tradução de AV, RV (“ lutar por” ; Almeida, Edição Revista e Corrigida, “ contender” ) parece exigir a forma yãdin ou possivelmente yãdün. Mesmo a palavra “ pois” (Ifsaggam, “ porquanto, como também” ) não fica livre de objeção (ver RVmg), mas os melhores MSS a apoiam.
Os cento e vinte anos poderiam ser o período de espera antes do dilúvio (c/. 1 Pe 3:20), ou a média menor da duração da vida humana, que doravante se deveria esperar. Qualquer destes significados harmoniza-se com o que se segue em Gênesis Parece, então, que nesta altura DEUS está preocupado, não com a depravação, que o versículo 5 introduzirá, mas com a presunção. Este foi o tema de 3:5 (“ como DEUS” ; ou “ como deuses” ) e de 3:22 (“ e viva eternamente”); reaparece em 11:4 (“ chegue até aos céus”), e o presente episódio bem poderia pertencer à série como uma tentativa, desta vez de iniciativa angélica, de trazer para a terra, ilicitamente, um poder sobrenatural, ou mesmo a imortalidade. Daí o contraste entre ESPÍRITO e carne, no comentário que DEUS fez. O homem é ainda um simples mortal, sustentado pelo ESPÍRITO alentador de DEUS (como no SI 104:29,30), unicamente segundo o Seu beneplácito.
4. A famosa frase de AV, AA, havia gigantes deriva da LXX mediante a Vulgata, mas RV, RSV confessam a obscuridade da palavra chave transliterando-a, “the Nephilim” (os nefilins). Contudo, a expressão homens poderosos, juntamente com Nm 13:33, tende a fortalecer o uso da tradução costumeira. Vale a pena observar que não se diz que os gigantes provieram exclusivamente dessa origem. Se alguns surgiram desse modo (e também depois), outros já existiam (naquele tempo) .
5-8. O pecado plenamente desenvolvido. No v. 5, a expressão “Viu o Senhor” convida a amarga comparação com a narrativa da criação, 1:31. Nas duas metades do versículo a maldade do homem é apresentada extensiva e intensivamente, a última com força devastadora nas palavras“ continuamente... todo” (AV: toda... somente... continuamente).
“Dificilmente se pode conceber mais enfática declaração da impiedade do coração humano.
O termo imaginação (AV), hebr. yêser, está mais perto da ação do que o inglês sugere (como também o português). Deriva do verbo do oleiro, “ formar” (c/. 2:7), e inclui a ideia de desígnio (ver AA) ou propósito. O judaísmo mais recente fez dele um termo técnico para cada um dos impulsos gêmeos, para o bem e para o mal, que considera coexistentes no homem. Mas o Novo Testamento é o fiel expositor da passagem, não encontrando “ bem nenhum” em nossa natureza decaída (Rm 7:18).
6. Esta descrição deveras humana transmite a força intensa da situação, deixando a palavra se arrependeu (RSV, lamentou) salvaguardada noutra ocasião contra a implicação de capricho (1 Sm 15:29,35).
Esta é a maneira de falar do Velho Testamento, em que emprega as expressões mais ousadas, contrabalançadas em outros lugares, se necessário, mas não enfraquecidas. A palavra pesou tem afinidade com as palavras aflição (“ dor”, RSV) e fadiga (AA: sofrimentos, dores, fadigas) de 3:16,17. Agora DEUS sofre por causa do homem. Acrescente-se que U. Cassuto expõe que os três verbos aqui empregados, “ se arrependeu...ter feito... lhe pesou”, reproduzem as três raízes hebraicas de “ consolará... trabalhos... fadigas”, em 5:29, ampliando imensuravelmente o escopo das palavras de Lameque. O homem anseia por alívio temporal; DEUS tem de fazer direito as coisas. “ As esperanças depositadas por Lameque em seu filho vieram a realizar-se de maneira muito diversa da que ele imaginara 7,8. A singela brevidade do v. 8 é extremamente eloquente depois dos demolidores termos do v. 7. Juntos, os dois versículos mostram a maneira característica como DEUS trata o mal: enfrenta-o não com meias medidas, mas com os extremos simultâneos de juízo de salvação.
A graça (8) é ainda simples bondade, quer seu beneficiário seja um Noé ou (c/. 19:19) um Ló. O fato adicional de que toda a vida é interligada fica igualmente claro, com as criaturas companheiras do homem compartilhando a sua ruína e, conforme se desenrola a narrativa, partilhando também da sua libertação — tema retomado ulteriormente em Rm 8:19-21.
GÊNESIS - Introdução e Comentário - REV. DEREK KIDNER, M. A. - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova ,Caixa Postal 21486, São Paulo - SP, 04602-970
 
Estudo no livro de Gênesis - Antônio Neves de Mesquita - Editora: JUERP
O DILÚVIO - (Gênesis 6-8) - Noé
O capítulo 5 termina com o nascimento dos três filhos de Noé. Noé significa "descanso". As agruras da vida tinham trazido amargas experiências a todos estes homens, e o nascimento de Noé foi para Lameque como que uma nova estrela no horizonte da vida. Daqui em diante começa um novo capítulo na história da humanidade.
Causa do Dilúvio: Casamentos Mistos (6:1-8)
Este capítulo começa descrevendo as terríveis condições a que tinha chegado a raça e dá, ao mesmo tempo, estas condições como a causa do Dilúvio. A iniquidade vinha se multiplicando na terra desde a morte de Abel. A despeito de todos os esforços divinos para conservar sua criação nos moldes do programa original, a corrupção cada vez mais se acentuava. DEUS tinha posto o homem na terra para dominar sobre ela, para ser o seu rei, mas estes foros e direitos estavam se perdendo pouco a pouco, e de tal modo se corrompeu, que perdeu totalmente todos os direitos de senhor e dominador da criação divina. Uma das causas mencionadas nestes primeiros versos, e talvez a maior delas, foi o casamento de crentes piedosos, da semente de Sete, com a descendência corrupta de Caim. A terra estava começando a ser povoada. Não era mais uma família, ou duas, mas uma numerosa prole, dividindo-se e subdividindo-se em diferentes tipos, com diferentes inclinações. Era problema complexo e difícil. Os primórdios da religião da família estavam sendo descartados, o culto abandonado, a união de um homem com uma mulher tomou caráter profano e, conforme as condições, cada homem tomava para si tantas mulheres quantas sua cobiça pudesse desejar. O bígamo Lameque tinha incubado o germe da corrupção da família, e no seu próprio tempo apareceram os frutos patentes, numa poligamia desbragada. A família é a base e estrutura da sociedade. O padrão familiar de qualquer povo decidirá o seu futuro como povo civilizado e honesto. A decadência de qualquer nação começa no lar. A ruína dos primitivos habitantes começou com a não observância dos estatutos divinos de multiplicar-se pelos processos lícitos e consentâneos com a natureza da raça mesma. Neste ponto, o programa divino ficou frustrado e só restava um recurso: destruir a raça apóstata e começar de novo. DEUS não pode ser acusado de injustiça, porquanto o homem tinha perdido todos os direitos a senhor da terra.
Muitos anos se passaram desde a morte de Abel, e durante esse tempo os homens se multiplicaram na terra (v. 1) e nasceram-lhes filhas, que iam sendo tomadas por outros homens, sem reserva de espécie alguma: "Viram os filhos de DEUS que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas que escolheram." Neste verso temos uma das escrituras mais debatidas e sobre que mais se tem escrito. O verso é, geralmente, interpretado de três modos, e pode dizer-se que todas as escolas teológicas têm dado sua palavra sobre o assunto. Reconhecemos que é difícil a interpretação, mas, à luz dos precedentes capítulos e da história da raça, não parece haver lugar para as extravagâncias racionalistas a respeito da diversidade de raças sobre a terra.
Dou aqui as três interpretações e a que penso ser verdadeira:
1. A causa da multiplicação do pecado no mundo e conseqüente punição pela vinda do Dilúvio sobre a terra teria sido o casamento dos filhos de DEUS, a descendência de Adão, com as filhas dos homens, mulheres meio brutas, descendentes de animais inferiores, que pelo processo da evolução tinham chegado a ter forma humana, andavam eretas, mas, além dessas aparências humanas, eram ainda seres brutos e irracionais. Esta teoria nega que as outras raças, além da branca, sejam descendentes de Adão. Haveria, portanto, no mundo, duas raças fundamentalmente diferentes: uma, criação direta de DEUS, a outra, produto da evolução, desde o protoplasma até ao macaco e depois ao homem.
Os que advogam esta teoria crêem que estas mulheres foram os seres intermediários entre o homem e o macaco, ou o elo de que tanto falam e que há dezenas de anos procuram, em achar. Reconhecem que, a despeito de o macaco oferecer certas imagináveis aparências, não deixa, entretanto, de haver um abismo entre ele e o homem, e que, portanto, não é possível que a descendência do quadrumano seja o homem. Daí a necessidade que têm os aderentes desta doutrina de recorrerem a outros seres intermediários, de que estas mulheres teriam sido parte.
Esta escola pode ainda dividir-se em duas: a que admite a criação da matéria por DEUS, e a que nega, tanto a existência de DEUS, quanto a conseqüente criação. A primeira chama-se teísta, e a segunda, ateísta.
Conforme a doutrina da primeira, DEUS criou o mundo e talvez algumas espécies elementares de vida animal, que, pela lei da evolução, foram se desenvolvendo até chegar ao homem. Outros vão mais longe e dizem que DEUS criou apenas a matéria e deu-lhe certas leis, a que chamam forças residentes, mediante as quais a dita matéria se desenvolveu por si mesma, até produzir o primeiro elemento vivo, que geralmente é chamado protoplasma, o qual, nela mesma lei da evolução, produziu todos os seres que se encontram na face da terra. Em qualquer dos casos, esta teoria requer centenas de milhares de anos, para poder produzir todas as espécies que se encontram espalhadas pelas cinco partes do mundo. Alguns teólogos, meio críticos, admitem que DEUS criou o primeiro par conforme ficou dito, donde vem a raça branca; e que as outras raças são produto da evolução, pertencendo as mulheres que são aqui chamadas "filhas dos homens" a esta raça não criada por DEUS. Em resumo, as "filhas dos homens" são o produto da evolução, e os "filhos de DEUS" são os descendentes de Adão e Eva.
Convém notar que entre a teoria teísta, que aceita DEUS como o criador da matéria e talvez de algumas espécies originais, e a teoria ateísta, que nega em absoluto, tanto DEUS como a criação, não há muita diferença, porque em ambas é admitida a evolução como causa necessária da criação. Mesmo no ramo mais conservador, que admite a criação de um par original, Adão e Eva, aceitando que as outras raças sejam o resultado da evolução, não há muita diferença, porque no final todas elas se confundem na célebre evolução.
2. A segunda escola de interpretação diz que as "filhas dos homens" eram realmente a descendência de Adão e Eva e que os "filhos de DEUS" eram os anjos que entraram em conúbio com a raça humana. Os adeptos desta teoria baseiam-se, primeiro, no teor geral das Escrituras, que chama aos anjos "filhos de DEUS"; segundo, que alguns manuscritos da Septuaginta têm "anjos" em lugar de "filhos de DEUS"; terceiro, que os versos 6 e 7 de Judas mostram que a falta dos anjos foi darem-se ao pecado de miscigenação, entrando em contacto com a carne; quarto, que os gigantes de Gênesis 6:4 eram anjos, e que, finalmente, a descendência deste conúbio deu uma raça de gigantes, de que fala Gênesis em diversos lugares, cuja descendência habitava Canaã, quando os doze espias foram revistar a terra.
Examinando, ligeiramente, esta teoria, responde-se:
(1) que em algumas passagens das Escrituras os anjos são chamados filhos de DEUS, mas nunca em Gênesis, (2) a Septuaginta, traduzindo "anjos" em lugar de "filhos de DEUS", violenta o texto hebraico para se conformar à teologia alexandrina;
(3) o argumento de Judas 6 e 7 desfaz-se à primeira análise. O verso 6 refere-se aos anjos que não guardaram sua própria habitação, isto é, que não ficaram fiéis à sua missão, ficando por isso reservados para o dia do Juízo. O verso 7 é uma analogia ou aplicação do verso 6. Assim como os sodomitas tinham fornicado, desviando-se das normas naturais, semelhantemente, os anjos se tinham desviado de sua posição. DEUS entregou os sodomitas ao juízo, sofrendo eles a pena do fogo eterno. A expressão "ido após outra carne", no verso 7, refere-se à relação sexual dos sodomitas e gomorritas que, conforme Romanos 1:27, se tinham desviado da ordem da natureza, para se corromperem entre si mesmos. Não há nenhuma confusão neste sentido, e simplesmente comparação entre o ato dos anjos e o ato dos sodomitas.
Demais, o caso em Judas é diferente de Gênesis 6:2. Aqui é casamento legal, enquanto em Judas é pecado de sodomia. A natureza dos anjos exclui em si mesmo tal união. Os anjos são incorpóreos (Sal. 104:4.; Hb. 1:14; Ef. 4:12); não têm sexo (Mat. 22:30); são imortais (Lc. 20:36); são super humanos e ao mesmo tempo finitos, com sabedoria e poder diferentes dos do homem (II Sm. 14:20; II Pedro 2:11; Mat. 24:36; I Pedro 1:2; Ef. 3:10); eles não têm descendência nem ascendência, não têm família. Não foram criados na mesma ordem que o homem. Cada um permanece fiel ou cai por si mesmo; não fazem parte da economia humana, sendo sua redenção, em caso de pecado, possível, mediante processo diferente do que redime o homem (Hb. 2:16). Os anjos são, sim, criados, e, portanto, finitos, mas por origem são chamados filhos de DEUS; por natureza, espíritos; pelo caráter, santos (Jó 5:1; Sal. 98:5-7; Daniel 18:13; Judas 14). Todos estes predicados os excluem de, por sua natureza, entrarem em relação com a humanidade.
(4) Os Nefelins (Gênesis 6:4 e Números 13:33) não são anjos, mas homens de grande estatura, célebres por seu caráter violento. A palavra "nefelim" será examinada ligeiramente, e o leitor verá que ela significa, conforme a raiz de onde se deriva, "caidores". O verbo "nafel" significa cair, não sabendo os teólogos se "nefelim" significa "caidores" sobre os outros homens mais fracos, dando-Ihes, desta forma, a ascendência sobre eles, ou se significa "caídos" moral e espiritualmente. Seja qual for a mais correta significação de nefelim, o termo nada oferece que se possa aceitar como indicativo de ser diferente da raça humana.
(5) A origem desta raça de gigantes é coisa explicável, sem necessidade de admitir miscigenação de seres humanos e espirituais. Ainda hoje há homens que junto de outros são verdadeiras gigantes. Os irlandeses são de estatura muito maior que os brasileiros. Nem por isso se diria que os irlandeses são gigantes para os brasileiros.
3. A terceira interpretação diz que "os filhos de DEUS" são descendentes de Sete, ou seja, a linhagem piedosa e obediente a DEUS, e as filhas dos homens, as mulheres da descendência de Caim, ou seja, a linhagem da desobediência e rebelião. Com isto, está de acordo Gênesis 4:26: "então começaram os homens a invocar o nome do Senhor", ou como seria melhor traduzido: "Então começaram os homens a ser chamados pelo nome do Senhor." Estas duas correntes humanas são claras através de toda a história da humanidade. Hoje mesmo, os homens se dividem em duas correntes, uma, seguindo a CRISTO e a sua lei, outra, seguindo as inclinações de seu coração corrompido. Em favor desta interpretação, pode mencionar-se a lei da reprodução "segundo sua espécie". Os homens se reproduzem segundo a união de naturezas iguais, bem como os outros animais.
A natureza dos anjos, sendo espirituais e sem sexo, os inibe de entrar em relações sexuais com qualquer espécie. O fato de Moisés mencionar estes casamentos e dá-los mesmo como causa da corrupção que se seguiu, não nos deve surpreender, porque o Novo e o Velho Testamento proíbem casamento de pessoas de condições espirituais diferentes (Ed. 10; Nm. 13; Êx. 34:15, 16; Deut. 7:3, bem como, no N.T., II Cor. 4:14-17).
Em muitos outros casos no V. T., o casamento de crentes com descrentes foi causa de sérios embaraços, como se deu com Salomão. O pecado dos filhos de DEUS consistiu em entrarem em relações matrimoniais com mulheres de sentimentos e educação diferentes, somente porque eram bonitas. Dentre as teorias mencionadas, o autor aceita esta última.
A expressão "de todas que escolheram", parece indicar que cada um tomou mais de uma mulher, continuando a poligamia que Lameque tinha introduzido no mundo. O grande comentador Conant sumaria assim a passagem: "Os descendentes de Caim eram uma raça irreligiosa, e alguns se distinguiram por proezas e opressões. Os descendentes de Sete entraram em relações matrimoniais com as mulheres dessa raça, e desta união saíram homens distinguidos por igual caráter e conduta. Assim, toda a raça se corrompeu." (Conant, Comentário ao Livro de Gênesis).
Seja qual for o verdadeiro significado da palavra que denomina os descendentes destes casamentos ilícitos, é certo que eles foram o resultado imediato da falta de obediência a DEUS. A terra encheu-se de violência, e DEUS, como que se fatigou de lutar com a raça, deliberou destruí-la. O ESPÍRITO de DEUS, o doador e preservador da vida, foi retirado do homem, e o fim chegou em breve: Meu ESPÍRITO não contenderá para sempre com o homem... O ESPÍRITO divino no homem é a única esperança para sua conduta, mas sua persistência no erro terminará afugentando-o, e o homem, uma vez entregue a si mesmo, breve se afoga na corrupção. Notemos, porém, que DEUS, por meio do seu ESPÍRITO, tenta guiar o homem e encaminhá-lo na trilha do bem e da virtude, e só depois que vê baldado seu esforço é que deixa o homem a sós, é o pecado contra o ESPÍRITO SANTO, de resistir profanamente contra sua presença visível, tanto na vida pessoal como coletiva. Não há remédio para o homem nestas condições.
"Porque ele também é carne." Em outras palavras, "porque ele... é carne", e nesta carnalidade continuará em seu erro.
A palavra não pode ser, pois, entendida aqui em seu sentido ordinário, como que comparando fisicamente o homem a DEUS. Em seu pecado e na continuidade do erro, o homem é sempre carnal.
Por causa desta carnalidade, DEUS mareou um limite à vida humana, não um limite para a idade do homem, mas para a idade da raça. "Seus dias serão 120 anos". A raça sobre a terra duraria mais 120 anos e então seria destruída pelo Dilúvio.
"E arrependeu-se Jeová de ter feito o homem sobre a terra". Aparentemente, temos aqui duas dificuldades a vencer: a primeira, que DEUS, sendo impassível, imutável, conforme nosso credo, não se pode arrepender (I Sm. 15:29). A segunda, que DEUS se pode arrepender. Ponhamos à margem nosso credo e examinemos as Escrituras. O texto diz: "Pesou-lhe em seu coração". O Dr. Conant expressa-se assim: "Não podemos penetrar no profundo significado da linguagem, quando tratamos com o DEUS Infinito e Perfeito. Como DEUS é afetado pelo pecado não pode ser conhecido por nós; esta linguagem tem por fim exprimir o pensamento divino, tanto quanto possível, para a nossa concepção e imperfeita natureza. O escritor de Gênesis está pondo pensamentos divinos em termos humanos, e o abismo que medeia entre as duas coisas não tentaremos abordar. Em JESUS temos um vivo exemplo desta resolução de DEUS. Como JESUS pôde ser tocado pelos problemas, tristezas e angústias humanas dificilmente compreenderemos; sabemos que foi. É assim também com DEUS."
Conforme isto, DEUS não se arrependeu no sentido em que o homem se arrepende, mas sim, pesou-lhe em seu coração, ficou triste por ver sua obra destruída. É tudo que podemos dizer sobre o assunto. É o limite do nosso pensamento. Há uma grande verdade através das Escrituras: nós determinamos o curso do trabalho providencial de DEUS, o condicionamos à diretriz de nossa vida.
Façamos ligeira pausa e inquiramos a razão de ser da catástrofe que ameaça o mundo, o Dilúvio. Até que ponto era a raça responsável pelo que ia acontecer? Teria ela se afastado de DEUS por voluntária e impenitente disposição, ou ter-se-ia afastado naturalmente, por falta de luz e meios preservativos? Tê-la-ia DEUS deixado entregue a si mesma, para seguir seu curso natural, ou teria sido encaminhada divinamente, de modo que pudesse perpetuar a boa disposição de Sete, Enoque e tantos outros santos? Do peso destas considerações dependem em grande medida o valor do juízo e a dignidade do "veredictum" humano, se "veredictum" se pode chamar a destruição da humanidade.
Em outras palavras, destruiu DEUS a sua criação, sem lhe dar uma oportunidade de se corrigir e melhorar? A narrativa é de tal modo breve, que o estudante precisa de capacidade, de perspicácia, para conseguir documentar a justiça do ato divino. Não que ao homem reste direito, em qualquer tempo, de apelo, diante da sentença divina, pois, que é o barro para que se volte contra o oleiro? Não obstante isto, convém certificar-nos da rigorosa justiça com que DEUS sempre faz acompanhar seus atos. Veremos que não foi a falta de luz e conhecimento divinos que levou esta geração à ruína, mas o desprezo votado por ela à revelação. Os antediluvianos tinham os mesmos conhecimentos que nós temos hoje, com a diferença de grau apenas. Tinham a revelação da natureza a respeito do poder e bondade de DEUS (Sal. 19:6; Rm. 1:18-20; Atos 14:17). Tinham a revelação de DEUS internamente, em suas próprias consciências (Rm. 2:15). Tinham a noção e o conhecimento da natureza divina e de suas próprias ordens, pelo intercurso de DEUS mesmo com o homem, desde o tempo de Adão. Tudo isto reunido, não era tanto quanto ao que a natureza caída da raça podia recorrer, mas era suficiente para que perecesse sem culpa. Eles recusaram esta revelação no mesmo grau que os homens rejeitam a luz do evangelho. Os motivos são os mesmos, qualquer que seja o grau de revelação que possuam. Ainda se pode dizer, em favor da justiça divina, que DEUS lhes tinha oferecido oportunidades e meios convenientes, de modo a poderem manter a primitiva comunhão que Adão gozou mesmo depois de pecar.
Examinemos alguns casos que deixam sem desculpa a raça e exaltam a divina justiça do castigo:
1. A promessa de um Redentor feita no Éden (Gên. 3:15). Esta promessa tinha sido perfeitamente entendida por Adão e Eva, como se pode ver no próprio nome que Adão deu à mulher - Eva, que significa, mãe dos viventes e no nascimento do primeiro filho (Gên. 4:1) Caim, que significa "Aquisição", exprimindo a esperança de Adão e Eva de que este seria o redentor do pecado.
2. O estabelecimento do lugar de culto ao oriente do Éden, onde o homem,
por meio do sacrifício, podia ver seus pecados expiados e continuar a gozar as delícias da
comunhão com DEUS (Gên. 3:24). À entrada do jardim, entre os querubins, DEUS podia ser propiciado. Foi ali que Abel ofereceu o seu holocausto e foi declarado justo pela fé.
3. DEUS mesmo instituiu sacrifícios expiatórios, como meio para o pecador poder se aproximar dele (Gên. 3:21; 4:3,4). Adão e seus filhos praticavam este culto ao Altíssimo.
4. O sábado, como dia de culto (Gên. 2:3; 4:3).
5. A facilidade de perpetuar as primitivas tradições, devido à longevidade dos antediluvianos.
6. A existência de profetas como Enoque, que não cessariam de admoestar o povo.
7. A pregação de Noé, que 120 anos anunciou a vinda do juízo.
8. Ministério do ESPÍRITO SANTO (Gên. 6:3) no coração dos homens, admoestando-os de seus pecados.
Estas e outras oportunidades DEUS deu ao povo, para que se desviasse de seus pecados. O castigo veio em tempo e justamente. Diante do estado pecaminoso a que chegou a raça humana, DEUS deliberou destruí-la e começar de novo com a família de Noé. Talvez o exemplo aproveitasse e o novo começo satisfizesse às exigências divinas.
O Dilúvio foi a terceira experiência de DEUS para ver se era possível manter a sua criação dentro dos moldes a que tinha sido destinada. Lembremo-nos de que DEUS não está experimentando achar o caminho que suas criaturas devem trilhar para se convencer a si mesmo da completa ruína espiritual do homem, mas para nos mostrar seu caminho e complacência e ao mesmo tempo convencer-nos de que só há um meio para podermos servi-lo e que este meio deve ser crido e aprendido pela experiência. O último recurso de que o Criador usou foi severo e jamais será esquecido enquanto durar o mundo. "E Jeová disse: destruirei, de sobre a face da terra, o homem que criei." Não somente o homem, mas os próprios irracionais. Estes eram irresponsáveis, porém, como auxiliares do homem, só tinham razão de existir se vivesse o homem. A criação principal no mundo somos nós.
Tudo mais existe para nosso proveito e conforto, daí sua aniquilação juntamente com a humanidade, que se tinha tornado indigna.
No meio de toda a geração ímpia viu DEUS um homem justo: Noé; e o justo não perece com o ímpio. Com ele o Criador se comunica e lhe anuncia o fim de toda a carne, dá instruções sobre os meios de preservar a si e a seus filhos, bem como um par de cada espécie. A lei de repovoamento da terra tinha de continuar como desde o princípio: " ... cada um segundo sua espécie".
Ainda que tudo estava irremediavelmente perdido, DEUS deu 120 anos para que o castigo não surpreendesse a raça rebelde. "Seus dias serão 120 anos". Desde o divino decreto, de destruir a terra, até a sua execução, medíou o período de 120 anos. Noé foi o pregoeiro da justiça durante esse tempo e, se houvesse arrependimento, a sentença divina podia ser derrogada. Nínive seria destruída depois de 40 dias, mas a pregação de Jonas e o consequente arrependimento do povo evitaram a catástrofe. Se os antediluvianos se houvessem arrependido como os ninivitas, não teria vindo o Dilúvio. DEUS é misericordioso e longânimo.
A Construção da Arca Salvadora
DEUS vem a Noé e lhe ordena que construa uma arca de madeira de gofer. Não se sabe que madeira era esta, mas certamente não se refere a uma qualidade qualquer, mas a madeira incorruptível. Gofer talvez signifique "madeira incorruptível" ante a ação da água, tal como o cedro ou cipreste, conforme edição atualizada. Este enorme navio tinha 300 côvados de comprido por 50 de largo. Não era um navio com toda a estética naval de nossos dias, mas obedecia ao mesmo princípio. Cada côvado tinha cerca de 22 polegadas; portanto, a arca tinha 450 pés de comprimento, 75 de largo e 45 de altura, em números redondos. Com os três andares, oferecia espaço suficiente para alojar todos os espécimes de animais da terra, bem como Noé e sua família.
A Bíblia menciona três filhos de Noé ao tempo do Dilúvio, mas é provável, senão certo, que tinha outros, porém talvez do tipo do resto da raça e que, portanto, não são mencionados ou então teriam morrido. Durante os 120 anos, Noé ocupou-se da construção da Arca e da pregação do arrependimento. A Bíblia nada diz de como DEUS proveu Noé do necessário às despesas de tão grande empreendimento. É possível que fosse homem de meios e os gastasse na construção. Pelo menos os 120 anos ele deu a este trabalho.
É admirável a fé que este homem tinha, entregando-se a uma obra tão grande, no meio de um povo que o cercaria de contínuo da pecha de tresloucado. Sua fé e pregação nada conseguiram, porque apenas ele e sua família, mencionada na ocasião do decreto fatal, tiveram o privilégio de salvar-se.
DEUS promete fazer com Noé um concerto que serviria de base ao novo princípio. É a primeira vez que a palavra "concerto" ocorre na Bíblia, embora houvesse outro concerto anterior entre Adão, Eva e DEUS. Mas aquele concerto era tão diferente em si mesmo, que não oferecia os termos de concerto, propriamente. Parece que a ocasião em que DEUS promete entrar em concerto com Noé foi posterior àquela em que ordena a construção da arca e anuncia o Dilúvio. Houve, não há dúvida, diversas manifestações divinas durante os 120 anos. Os filhos dos filhos de Noé aqui mencionados podem ser os filhos que nasceram depois do Dilúvio ou a geração futura. O concerto foi feito com Noé e com toda a humanidade depois dele. Houve diversos concertos feitos em ocasiões diferentes, mas todos baseados no molde original - a promessa de um Salvador. Tudo mais é secundário depois deste plano. A salvação e restauração da raça perdida em Adão é a chave da Bíblia. Meu concerto estabelecerei contigo mostra que não fez um novo concerto, mas o restabelecimento do antigo, em novos moldes. Nada mais alto podia premiar Noé, pela sua fé e obediência, do que ser usado para restabelecer o concerto de DEUS com a criação.
Estudo no livro de Gênesis - Antônio Neves de Mesquita - Editora: JUERP
 
Referências Bibliográficas (outras estão acima)
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.
Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA: CPAD, 1999.
BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.
CPAD - http://www.cpad.com.br/ - Bíblias, CD'S, DVD'S, Livros e Revistas. BEP - Bíblia de Estudos Pentecostal.
VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
www.ebdweb.com.br - www.escoladominical.net - www.gospelbook.net - www.portalebd.org.br/
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm
Dicionário Vine antigo e novo testamentos - CPAD
GÊNESIS - Introdução e Comentário - REV. DEREK KIDNER, M. A. - Sociedade Religiosa Edições Vida Nova ,Caixa Postal 21486, São Paulo - SP, 04602-970
Gênesis a Deuteronômio - Comentário Bíblico Beacon - CPAD - O Livro de Gênesis - George Herbert Livingston, B.D., Ph.D.
Revista CPAD - Lições Bíblicas - 1995 - 4º Trimestre - Gênesis, O Princípio de Todas as Coisas - Comentarista pastor Elienai Cabral
Gênesis - Comentário Adam Clarke
Revista CPAD - Lições Bíblicas - 1995 - 4º Trimestre - Gênesis, O Princípio de Todas as Coisas - Comentarista pastor Elienai Cabral
Revista CPAD - Lições Bíblicas 1942 - 1º trimestre de 1942 - A Mensagem do Livro de Gênesis - LIÇÃO 2 - 11/01/1942 – A CRIAÇÃO DO HOMEM - Adalberto Arraes 

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