sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Lição 11, A Organização de uma Igreja Local 1 parte

Lição 11, A Organização de uma Igreja Local 1 parte
3º trimestre de 2015 - A Igreja E O Seu Testemunho - As Ordenanças De CRISTO Nas Cartas Pastorais
Comentarista da CPAD: Pr. Elinaldo Renovato de Lima
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
 
 
TEXTO ÁUREO"Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei."(Tt 1.5)
 

VERDADE PRÁTICAA igreja local deve subordinar-se à orientação de DEUS, através de sua Palavra, que é o "Manual de Administração Eclesiástica" por excelência.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - At 18.11 Um ano e meio ensinando a poderosa Palavra de DEUS
Terça - At 18.23 Indo de um lugar para o outro animando os irmãos
Quarta - Ef 5.19 Animando os irmãos com salmos, hinos e canções espirituais
Quinta - Mt 28.19,20 A ordenança do Senhor JESUS para que a Igreja ensine a todos
Sexta - 1 Co 4.1,2 A fidelidade dos servidores de CRISTO JESUS
Sábado - Rm 16.5; 1 Co 16.19 Saudação aos crentes que se reuniam nas casas dos irmãos

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - 
Tito 1.4-14
4 - a Tito, meu verdadeiro filho, segundo a fé comum: graça, misericórdia e paz, da parte de DEUS Pai e da do Senhor JESUS CRISTO, nosso Salvador. 5 - Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam e, de cidade em cidade, estabelecesses presbíteros, como já te mandei: 6 - aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes. 7 - Porque convém que o bispo seja irrepreensível como despenseiro da casa de DEUS, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; 8 - mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante, 9 - retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes. 10 - Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, 11 - aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras, ensinando o que não convém, por torpe ganância. 12 - Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos. 13 - Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé, 14 - não dando ouvidos às fábulas judaicas, nem aos mandamentos de homens que se desviam da verdade.
 
OBJETIVO GERALApresentar os requisitos bíblicos para formar um ministro do Evangelho.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Explicar o panorama da epístola a Tito.
Conscientizar sobre as qualificações dos pastores segundo a epístola.
Destacar a percepção de pureza que a epístola apresenta
 
INTERAGINDO COM O PROFESSORCaro professor, é importante que você compreenda e ressalte para os alunos o objetivo da epístola de Tito: Aconselhar o jovem pastor sobre a tarefa de "pôr em ordem" o que Paulo havia deixado inacabado nas igrejas de Creta. Outro ponto importante é saber que essa epístola tem algumas características especiais: (1) Ela possui dois resumos sobre a natureza da salvação em JESUS CRISTO (2.11-14; 3.4-7); (2) A igreja e o ministério de Tito deveriam estar edificados sobre firmes alicerces espirituais e éticos (2.11-15); (3) Contém uma das duas listas do Novo Testamento sobre as qualificações necessárias ao ministério de uma igreja (1.5-9; cf. 1 Tm 3.1-13).

PONTO CENTRALA epístola de Paulo a Tito demonstra com vigor as qualificações honestas para quem pretende ser pastor.
 
Resumo da Lição 11, A Organização de uma Igreja Local
I. A EPÍSTOLA ENVIADA A TITO
1. O intento da Epístola.
2. Data em que foi escrita.
3. Um viver correto.
II. O PASTOR PRECISA PROTEGER O REBANHO DE DEUS
1. Qualificação dos pastores.
2. Crentes, porém problemáticos.
3. Não dar ouvidos a ensinos falsos.
III. A PERCEPÇÃO DA PUREZA PARA OS PUROS E PARA OS IMPUROS
1. Tudo é puro para os puros (v. 15).
2. Nada é puro para os impuros (v. 15).
3. Conhecem a DEUS, mas o negam com as atitudes (v. 16).

SÍNTESE DO TÓPICO I - A epístola objetivava dar instruções ao jovem pastor Tito a respeito da responsabilidade que ele havia recebido de Paulo. A carta foi escrita aproximadamente em 64 d. C..
SÍNTESE DO TÓPICO II - A qualificação dos pastores, segundo a epístola, é fundamental ser observada para que sejam competentes no relacionamento com os crentes problemáticos.
SÍNTESE DO TÓPICO III - O apóstolo admoesta que para os puros, tudo é puro; para os impuros, nada é puro. Há quem diga que conhece a DEUS, mas o nega com suas atitudes: isso é perfeitamente possível.
 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO top1"Tito, como 1 e 2 Timóteo, é uma carta pessoal de Paulo a um dos seus auxiliares mais jovens. É chamada de 'epístola pastoral' porque trata de assuntos relacionados com ordem e o ministério na igreja. Tito, um gentio convertido (Gl 2.3), tornou-se íntimo companheiro de Paulo no ministério apostólico. Embora não mencionado nominalmente em Atos (por ser, talvez, irmão de Lucas), o grande relacionamento entre Tito e o apóstolo Paulo vê-se (1) nas treze referências a Tito nas epístolas de Paulo, (2) no fato de ele ser um dos convertidos e fruto do ministério de Paulo (1.4; como Timóteo), e um cooperador de confiança (2 Co 8.23), (3) pela sua missão de representante de Paulo em pelo menos uma missão importante a Corinto durante a terceira viagem missionária do apóstolo (2 Co 2.12,13; 7.6-15; 8.6,16-24), e (4) pelo seu trabalho como cooperador de Paulo em Creta (1.5)" (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, 1995, p.1886-87).
 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO top2
"As qualificações dos presbíteros (1.6-9)
As qualificações no verso 6, de acordo com o idioma original, são condições ou questões indiretas relativas aos candidatos que estão sendo considerados para o ministério. O grego traduz literalmente: 'Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução [desperdício de dinheiro] nem são desobedientes' - este pode ser considerado como um candidato ao presbitério.
Paulo parece estar usando as palavras 'ancião/presbítero' (presbyteros, v.5) e 'líder/bispo' (episkopos, v.7) de modo intercambiável. Neste primeiro período da história da Igreja, os ofícios ministeriais eram variáveis e indistintos.
Paulo chama os bispos de 'despenseiros da casa de DEUS'. Os despenseiros (pessoas encarregadas de administrar os negócios de uma casa) eram bem conhecidos daqueles que viveram no primeiro século. Uma vez que tais pessoas tinham perante o dono da casa a responsabilidade de cuidar desta, era necessário que fossem irrepreensíveis. Note também que os bispos não são simplesmente responsáveis perante DEUS como seus servos, cuidando das coisas de DEUS" (Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 1.ed.Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.1509).

PARA REFLETIR - A respeito das Cartas Pastorais:
Qual era o propósito da Epístola de Tito?
Dar conselhos ao jovem pastor Tito a respeito da responsabilidade que ele havia recebido.
Qual era a incumbência de Tito?Supervisionar e organizar as igrejas na ilha de Creta.
Em que ano a Epístola de Tito foi escrita?Aproximadamente no ano 64 d. C.
Por que para os puros tudo é puro?Pois estes procuram viver segundo a Palavra de DEUS.
Por que nada é puro para os impuros?Porque "confessam que conhecem a DEUS, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda boa obra" (v.16).

CONSULTE - Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 63, p. 41.
 
SUGESTÃO DE LEITURA
Manual Bíblico - Entendendo a Bíblia, Igreja - Identidade e Símbolos e O Plano Divino através dos Séculos
 
Comentários de Vários Autores com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique
Comentários de - William Hendriksen, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 191-6 (Comentário do Novo Testamento) 
Comentário Sobre Tito - ESBOÇO DE TITO
Tema: O Apóstolo Paulo, Escrevendo a Tito, Ministra Diretrizes para a Promoção do ESPÍRITO de Santificação
Capítulo 1: Na Vida Congregacional.
A. Destinação e Saudação.
B. Deve-se designar presbíteros bem qualificados em todas as cidades.
C. Razão: Creta não tem escassez de pessoas de má reputação, as quais necessitam ser repreendidas com toda seriedade.
Capítulo 2: Na Vida Familiar e Individual.
A. Todas as classes de indivíduos que compõem o círculo familiar devem conduzir-se de tal maneira que, por meio de sua vida, possam adornar a doutrina de DEUS, seu Salvador.
B. Razão: A graça de DEUS se manifestou a todos para a santificação e para a jubilosa expectativa do aparecimento em glória de nosso grande DEUS e Salvador, JESUS CRISTO.
Capítulo 3: Na Vida Social (ou seja, Pública).
A. Os crentes devem obedecer às autoridades. Devem ser amáveis para com todos os homens, visto que foi a bondade de DEUS nosso Salvador, não nossas obras, o que nos trouxe a salvação.
B. Em contrapartida, é preciso evitar as questões néscias e os homens facciosos que se negam a prestar atenção às admoestações .
C. Instruções finais com respeito a itinerantes em prol do reino (Artemas ou Tíquico, Tito, Zenas, Apoio) e a crentes cretenses em geral. Saudações.
 
ESBOÇO DO CAPÍTULO 1
Tema: O Apóstolo Paulo, Escrevendo a Tito, Ministra Diretrizes para a Promoção do ESPÍRITO de Santificação Na Vida Congregacional.
1.1-4 Destinação e Saudação.
1.5-9 Deve-se designar presbíteros bem qualificados em cada cidade.
1.10-16 Razão: Creta não tem escassez de pessoas de má reputação, as quais devem ser seriamente repreendidas.
 
Capítulo 1
4. A Tito [meu] genuíno filho no exercício de [a] fé comum; graça e paz de DEUS [o] Pai e CRISTO JESUS nosso Salvador.
As palavras de destinação se assemelham estreitamente àquelas de 2 Timóteo 1.2, e ainda mais estreitamente às de 1 Timóteo 1.2. Note agora aqui também como a autoridade apostólica (Tt 1.1) e o terno amor (“meu genuíno filho”) se harmonizam de forma muito bela.
Tito era filho de Paulo por dever sua vida espiritual ao apóstolo como um instrumento nas mãos de DEUS, embora não nos sejam revelados o tempo, o lugar e as circunstâncias de sua conversão (ver p. 52). A designação filho é muito feliz, porquanto combina duas idéias: “Eu gerei” e “Você me é muitíssimo querido” . Além do mais, Tito era um filho genuíno, natural (não adotado), não um filho bastardo, nem meramente um crente nominal. Paulo se considera pai de Tito, não no sentido físico, mas “no exercício da fé comum”, ou seja, com respeito à fé comum a Paulo e a Tito. A frase “em fé” (“meu genuíno filho em fé”), em 1 Timóteo 1.2, tem virtualmente o mesmo sentido, o verdadeiro conhecimento de DEUS e de suas promessas reveladas no evangelho e uma sincera confiança nele e em seu amor redentor e centrado em CRISTO.
Sobre este filho genuíno, o apóstolo agora pronuncia graça e paz (cf. “graça, misericórdia e paz” em 1 Tm 1.2 e em 2 Tm 1.2). Graça é o favor imerecido de DEUS em operação no coração de seu filho. E seu amor perdoador e fortalecedor centrado em CRISTO. Paz é aquela consciência que o filho tem de haver sido reconciliado com DEUS por meio de CRISTO. Graça é a fonte; e paz é o fluxo que emana dessa fonte (cf. Rm 5.1).
Esta graça e esta paz têm sua origem em DEUS Pai, e foram merecidas para o crente por CRISTO JESUS. As duas são a única fonte da graça e paz (a preposição de não é repetida). Embora em todas as demais saudações de Paulo (Rm 1.7; ICo 1.3; 2Co 1.2, etc., inclusive as Pastorais: (1 Tm 1.2; 2 Tm 1.2) CRISTO seja chamado Senhor, ele aqui é chamado “nosso Salvador” . Para o significado desta palavra salvador, a qual ocorre tão amiúde em Tito como em todas as demais epístolas paulinas postas juntas (seis vezes: Tt 1.3, 4; 2.10, 13; 3.4, 6), e nessa carta é usada tanto em referência a “DEUS” quanto em referência a “CRISTO”, ver sobre 1 Tm 4.10. Aqui em Tito 1.4 o termo é usado em seu significado pleno, redentor. CRISTO JESUS é Aquele que resgata do mal maior e concede ao resgatado o bem maior. Para o significado de salvação, ver sobre 1 Timóteo 1.15.
Ante a estreita similaridade entre Tito 1.4 e 1 Timóteo 1.2, veja o leitor as explicações de 1 Timóteo 1.2 para discussão mais detalhada. Além do mais, ver C.N.T. sobre 1 Tessalonicenses 1.1.
 
5 Por essa razão o deixei em Creta, para que você pusesse em ordem as coisas que faltavam fazer, a saber, para que designasse presbíteros em cada cidade, daquela maneira que lhe orientei.
Para que a vida congregacional venha a prosperar nas diversas cidades de Creta, é preciso designar presbíteros bem qualificados: Por essa razão o deixei em Creta, para que você pusesse em ordem as coisas que faltavam fazer, a saber, para que você designasse presbíteros em cada cidade, daquela maneira que lhe orientei.
Evidentemente, numa determinada viagem por mar, Paulo e Tito estiveram juntos em Creta. O evangelho fora proclamado, pequenos grupos de discípulos se juntaram e buscaram lugares de reunião, mas não se efetuara nenhuma organização oficial, ou, se algo nesse sentido havia sido iniciado, estava longe de tomar forma.
Se é correta a conjetura de que a estada temporal em Creta ocorreu imediatamente após a libertação de Paulo da primeira prisão em Roma, nesse tempo surgiram os seguintes problemas:
a. Depois de uma longa ausência de seus amigos, o apóstolo estava ansioso por ver os rostos conhecidos de antes e voltar a visitar as igrejas previamente estabelecidas. Isto é compreensível, porque ele era intensamente humano, uma pessoa de coração ardoroso. Além do mais, amava seu Senhor e aspirava promover a boa causa de todas as formas possíveis. Além disso, ele fizera o que poderia ser considerado promessas de visitas urgentes (Fm 22; Fp 1.25, 26). Consequentemente, uma longa permanência em Creta para Paulo pessoalmente estava fora de qualquer consideração.
b. Não obstante, a organização das igrejas em Creta estava longe de ser um assunto encerrado, e a indevida precipitação em designar homens para algum ofício era contrário aos princípios de Paulo (IT m 3.6; 5.22).
A solução era: Paulo deveria seguir seu caminho e Tito devia fica para trás (cf. 2 Tm 4.13, 20) na ilha com a finalidade de pôr em ordem as coisas que ficaram por fazer, a saber (kixtpc, usada aqui neste sentido), estabelecer presbitérios. O apóstolo, que aprecia enfatizar o fato de que DEUS não deixa sem conclusão sua obra da graça (Fp 1.6; ITs 5.23), é um verdadeiro imitador de DEUS também neste aspecto; porque Paulo também tem aversão às questões não concluídas (ver 1 Tm 1.3 e 1 Ts 3.10 acerca de diferentes aplicações deste mesmo princípio). E com respeito a Tito, quase se podia afirmar que nenhuma tarefa lhe era demasiadamente difícil a ponto de não tentar efetuá-la e nenhum desafio tão formidável para não enfrentá-lo, na dependência da força e sabedoria divinas (ver pp. 51, 54).
O texto denota que o apóstolo dera ordens quanto à forma como (ôç = abreviação de tal maneira que) os presbíteros deviam ser designados. Isto se refere aos requisitos para o ofício que se deve levar em conta quando se nomeia homens para o presbiterato. Posto que os versículos que se seguem se referem tão-somente aos presbíteros, porém é evidente à luz de 1 Timóteo 3 que era a convicção de Paulo que (pelo menos no curso do tempo) uma igreja também carece de diáconos, podemos presumir que o apóstolo quer dizer que quando a obra que se deve executar se revela demasiadamente pesada para os presbíteros, deve-se designar de forma semelhante os diáconos (cf. At 6.1-6).
Por conseguinte, as diretrizes quanto aos requisitos para o ofício de presbítero ou ancião são aqui reafirmadas. Foram dadas oralmente enquanto Paulo e Tito estavam ainda juntos em Creta, e são agora reiteradas na forma escrita: “Por essa razão (antecipativo toútou xãpiv, seguido de Iva, como em E f 3.1, 14-16) o deixei em Creta, para... designasse presbíteros em cada cidade” (“completamente”, de “cidade por cidade”). Para a prática, ver Atos 14.23, e para este uso da preposição, ver Lucas 8.1; Atos 10.23. Razões possíveis para a repetição na forma escrita de uma diretriz dada previamente na forma oral:
(a) Para a conveniência de Tito, a fim de ajudar sua memória;
(b) Para a confirmação de sua autoridade no caso de alguém apresentar objeção;
(c) Para a posteridade.
Embora Paulo dissesse: “para que você designe”, de modo algum exclui a cooperação responsável das congregações individualmente (ver Al 1.15-26; 6.1-6, note o mesmo verbo em At 6.3).
 
6-9.
6 Uma pessoa [pode ser designada] se for irrepreensível, marido de uma só esposa, que tenha filhos crentes [que sejam] não acusados de comportamento dissoluto nem de insubordinação. 7 Porque o bispo, como despenseiro de DEUS, deve ser irrepreensível, não orgulhoso, não colérico, não alguém que se demora ao lado de [seu] vinho, não agressivo, não cobiçoso de lucro indigno, 8 porém hospitaleiro, amante do bem, sóbrio [ou sensato], justo, piedoso, dono si, 9 que se apega à palavra fiel, que está de acordo com a doutrina, a fim de que ele seja apto tanto para encorajar [outros], por meio de seu sólido ensino quanto para refutar os que [o] contradizem.
A lista de requisitos para os anciãos ou presbíteros é introduzida pelas palavras: “Se alguém for...” Temos aqui outro exemplo de discurso abreviado (ver C.N.T. sobre João 5.31, vol. I). Aqui, como em 1 Timóteo 5.10, não é difícil completar as palavras que estão implícitas. O significado, como requerido pelo contexto precedente, é: “Se alguém for irrepreensível, etc. ..., o mesmo pode ser designado”; ou, segundo minha tradução: Uma pessoa [pode ser designada] se for, etc.
Os requisitos alistados ocorrem em três grupos:
(1) A pessoa que se destina a ocupar um posto tão importante deve ter uma reputação merecidamente elevada; e, se for casada (o que será geralmente o caso), deve ser um bom chefe de família (v. 6).
(2) Não deve ser o tipo de pessoa que, para agradar-se, tenha perdido o interesse pelas demais pessoas (salvo para perturbá-las!) e que, se vê envolvido em um a disputa, se dispõe a sempre apelar para a violência. Apresenta-se uma lista de características negativas: qualidades que o bispo não deve ter (v. 7).
(3) Todas suas ações devem dar evidência do fato de que em obra e em doutrina ele deseja ser um a bênção para os demais. Apresenta-se uma lista de características positivas: qualidades que o bispo deve ter (vv. 8, 9).
Os três grupos de requisitos correspondem a pessoas que por sua idade e dignidade são anciãos, e por sua tarefa são bispos. Ainda que seja verdade que o texto diz “o bispo”, no singular, o faz em sentido genérico, representando com um membro toda a classe considerada pelo prisma de um a característica definida (ver C.N.T. sobre 1 e 2Ts 1.9, nota 41). Poder-se-ia parafrasear o sentido da seguinte maneira: “Porque qualquer bispo, em razão do próprio fato de que deve viver à altura de seu ofício de bispo e no que respeito à administração da casa de DEUS (sendo mordomo de DEUS; ver comentário sobre 1 Tm 1.4; cf. ICo 4.1; I Pe 4.10), deve ser irrepreensível” , etc. Que para o autor das Pastorais as palavras ancião e bispo indicam a mesma pessoa, também se deduz do fato de que essencialmente os mesmos requisitos dados para um ancião aqui em Tito 1.5, 6 - que seja irrepreensível, marido de uma só mulher, filhos de bom testemunho - aparecem na lista com referência ao bispo em 1 Timóteo 3.2, 4.
Para evitar uma duplicação desnecessária e ao mesmo tempo mostrar a relação entre as duas listas bastante semelhantes de requisitos (Tt 1 e 1 Tm 3), dou a explicação dos versículos 6-9 na forma de uma tabela. Quando o requisito estipulado já estiver tratado em outro lugar (particularmente em 1 Tm 3). o leitor deve buscar a explicação mais completa que encontrará ali.
A coluna 1 contém a lista de requisitos dos anciãos ou bispos como se encontram em Tito 1. A coluna 2 dá o significado em termos breves de cada um desses requisitos. A coluna 3 dá uma lista dos requisitos da lista de Tito 1 que tem paralelo (em forma exata ou por meio de um sinônimo) na lista de requisitos do bispo de 1 Timóteo 3. A coluna 4, semelhantemente, mostra os paralelos na lista de requisitos para diáconos em 1 Timóteo 3. E a coluna 5 dá uma lista dos antônimos de quatro requisitos para bispos que não encontra paralelo em 1 Timóteo 3. Esses antônimos aparecem na lista de 2 Timóteo 3 sobre os traços do caráter das pessoas que vivem nos “últimos dias” (ver explicação de 2 Tm 3.1-5).
 
 
 
10. A razão por que é especialmente indispensável que haja homens tão altamente qualificados para o ofício espiritual em Creta é agora exposta:
Porque há muitos insubordinados, faladores fúteis e enganadores, especialmente os do partido da circuncisão.
Esse grupo (vv. 10-14a) é o mesmo de que se faz menção em 1 Timóteo 1.3-11; note as semelhanças:
 
Tito
Timóteo
Tito 1 insubordinados (v. 10) faladores fúteis (v. 10)
1 Timóteo 1 - insubordinados (v. 9) certos indivíduos... se desviado para a conversão fútil (v. 6)
ensinando o que não é próprio (v.11)
a fim de que você ordene a certos indivíduos a não ensinarem de forma diferente (v. 3); cf. 6.3
sempre mentirosos (v. 12)
mentirosos (v. 10)
a fim de que sejam sadios na fé (v. 13)
Contrário à sã doutrina (v. 10); cf. 6.3
devotando-se aos mitos judaicos (v. 14)
a não devotar-se a mitos e genealogias intermináveis (v. 4) cf. 4.7a.
 
Esses homens estão presentes aqui em Creta em número alarmante "muitos insubordinados” ; contraste com “certos indivíduos” em 1 Tm 1.3. Isso poderia dever-se ao fato de que seus erros peculiares estivessem em linha com o caráter nacional cretense e que estivessem sob a forte influência de rabinos judaicos (intrusos, vv. I4b-16). São insubordinados, ou seja, desobedientes à Palavra de DEUS. Além disso, são loquazes fúteis, não atingindo nenhum propósito proveitoso com seus contos fictícios acerca de Adão, Moisés, Elias e outros e com seu legalismo minudente (cf. 1 Tm 1.6); todavia enganam a mente (ver M.M., |). 675) dos fracos. Especialmente “os do partido da circuncisão”, ou seja, judeus membros da igreja (cf. At 10.45; Gl 2.12), pertencentes à classe dos faladores fúteis e enganadores. Provavelmente considerassem sua circuncisão e descendência de Abraão como marcas de excelência suprema, o que lhes daria o direito de ser ouvidos e estimados por outros.

11. Paulo, porém, discordando agudamente da opinião que nutriam sobre si mesmos, diz com respeito a eles e igualmente com respeito ao restante dos faladores fúteis e enganadores; cuja boca precisa ser fechada, visto que, ao ensinarem, [estão] pervertendo famílias inteiras, por amor ao lucro vergonhoso, o que não é próprio.
Ao dizer a Tito o que deveria ser feito com tais pessoas, Paulo usa um verbo raro (ver M.M., p. 246), o qual tem como seu significado primário, “interromper a boca pelo uso de um freio, uma focinheira ou mordaça”. Os enganadores, pois, não devem ser tolerados, mas devem ser silenciados; e isso deveria ser feito por Tito e pelos presbíteros, como o contexto parece indicar (vv. 5-9).
Nesta passagem não se diz como deverão ser silenciados. Não obstante, ver comentário sobre 1 Timóteo 1.3, 4; 1.20; 4.7; 2 Timóteo 2.16, 21, 23; 4.2; Tito 1.13b; 3.10. De início, os errados deveriam ser cordialmente admoestados com o intuito de ganhá-los para a verdade. Se recusassem, deveriam ser repreendidos severamente e ordenados a desistir. A pessoa que persistisse em seus caminhos maus tinha de ser coibida pela igreja e disciplinada. A medida suprema, a excomunhão, poderia ser empregada com o fim de salvaguardar a igreja e para que o pecador fosse conduzido ao arrependimento. Na igreja de DEUS não há aquilo que se chama “liberdade de falar de maneira desorientadora”. Razão; seria perigoso demais. Os mestres de falsa doutrina “pervertem (cf. Jo 1.15) famílias inteiras”, levando-as a se desviarem da verdade (ver sobre 2 Tm 3.6). Fazem isto ao ensinar “o que não é próprio”, ou seja, “mitos judaicos e mandamentos de homens” (ver sobre v. 14). E seu propósito é obter proveito vergonhoso, proveito esse vergonhoso porque os homens que vão após ele são ávidos por enriquecer-se mesmo que seja a expensas da ruína de outros. São totalmente egoístas, nada mais almejando senão dinheiro e prestígio. (Cf. 1 Tm 3.3, 8; 6.5; Tt 1.7; e sobre todo o tema da remuneração para a obra espiritual, ver C.N.T. sobre ITs 2.9.)

12. Esses membros da igreja, judeus do tipo farisaico e matizados com gnosticismo incipiente, o qual às vezes conduzia à licenciosidade e às vezes ao ascetismo (ver sobre 1 Tm 4.3, 4), eram cretenses - havia muitos judeus em Creta (cf. At 2.11) - , e, além de serem influenciados por judeus incrédulos (ver sobre 14 b -16), haviam absorvido as piores características de seus compatrícios não judeus. Isto não tinha sido algo difícil, porque o judeu e o cretense tinham algo em comum: ambos se caracterizavam pelo emprego de artimanhas ou enganos para uma vantagem egoísta (cf. Jo 1.47 com Tt 1.12). Um judeu honesto ou um cretense honesto, ao que tudo indica, era então uma exceção. E certamente a combinação judeu-cretense não era muito feliz.
Quanto aos cretenses, eles se condenavam “por sua própria boca” . Diz Paulo: Um deles, um seu profeta, fez a afirmação: Os cretenses ' [são] sempre enganadores, brutos maus, ventres inativos.
Um profeta dentre eles estaria mais disposto a fanfarronar-se de seus compatriotas diante de outros do que a condená-los. Não obstante, condená-los é precisamente o que um profeta seu havia feito. Clemente de Alexandria (Stromata I. xiv. 59) e Jerônimo atribuem a devastadora caracterização a um poeta e reformador cuja data fornecida varia entre 630 e 500 a. C. Seu nome era Epimênedes, natural de Cnossos, nas proximidades de Iráklion (Candia) na costa norte de Creta, onde ainda hoje se pode visitar o museu que contém os tesouros extraordinários da era minoica. Em um hino “A Zeus”, Calimaco (cerca de 300-240 a.C.) havia citado as primeiras palavras: “Os cretenses [são] sempre enganadores.” Quanto à pergunta se Paulo havia ou não lido realmente Epimênedes, nem todos dão a mesma resposta. Alguns sustentam que, já que a citação é realmente um provérbio, poderia ter sido extraída por Paulo de uma tradição oral extensamente difundida. Outros crêem que não é necessário confinar o conhecimento obtido por meio de leitura, por parte de Paulo, a limites tão estreitos".
Ora, os antigos consideravam Epimênedes um profeta, “um homem divinamente inspirado” (segundo Platão), “um homem querido dos deuses” (segundo Plutarco). Paulo não tenciona dizer que o reformador cretense é realmente um profeta no sentido bíblico. Quer dizer “um homem que, por eles e outros, era considerado profeta, um porta-voz dos deuses” . Com referência à atividade supostamente profética de Hpimênedes, Platão (Laws I. 642 D e E) escreveu o seguinte:
“Esse homem divinamente inspirado, Epimênedes... nasceu em Creta, e dez anos antes da guerra persa, de acordo com o oráculo de deus, foi a Atenas...; e quando os atenienses se viram tomados de temor em razão das forças expedicionárias dos persas, fez esta profecia: A eles não virão por dez anos, e quando vierem, voltarão outra vez, não havendo realizado nada do que esperavam (realizar), e havendo sofrido mais dores do que terão infligido.”
Muitos consideravam Epimênedes como um dos “sete sábios” do mundo antigo. Estes sete eram: Bias de Priene, Cleóbulo de Lindo, Pitaco de Mitilene, Jilon de Esparta, Solon de Atenas, Tales de Mileto e Hpimênedes de Creta, ou Piandro de Corinto, ou Anajarsis o cita (ver Plutarco, Lives, Solon XII. 4-6; cf. Clemente de Alexandria, Stromata I. xiv).
Foi esse Epimênedes que, segundo Diógenes Laércio, aconselhou aos atenienses que fizessem sacrifícios “ao deus mais conveniente”, conselho que pode ter levado à edificação do famoso altar “ao deus desconhecido”, que proporcionou a Paulo o ponto de partida para a proclamação do DEUS vivo (At 17.23).
A citação de Epimênedes, aqui em Tito 1.12, é um poema que consiste em seis pés métricos (verso hexâmetro), algo como a Evangeline de Longfellow.
“Esta é a floresta primaveril. Os pinheiros murmurantes e acicuta...”
Tentei preservar o ritmo, e portanto traduzi o verso assim: “Os cretenses são sempre enganadores, brutos maus, ventres inativos.”
A representação dos cretenses como enganadores ou mentirosos pode ter surgido da pretensão deles de terem em sua ilha o túmulo de Zeus. Mas a reputação dos cretenses de serem mentirosos a fim de lograr fins egoístas (note o contexto, v. 11) era tão amplamente difundida que deu origem ao substantivo “cretismo”, que quer dizer “conduta cretense”, ou seja, “mentir” (Plutarco, Aemilius 26); e ao verbo “cretensiar” ou “falar como cretense”, que significa “dizer mentira”, “enganar” (exemplo, Políbio VIII. 19). Cf. “corintianizar”, que significa “viver de forma devassa como um coríntio” .
A expressão “brutos maus” demonstra o caráter selvagem e cruel dos cretenses dos dias de Epimênedes e dos dias de Paulo e Tito. Costumavam arredar todos de seu caminho para obterem vantagem pessoal. Alguns vêem nesse epíteto conhecido uma alusão ao mitológico Minotauro cretense, metade touro e metade homem, a quem Minos escondeu no labirinto de Creta, onde até ser morto por Teseu, devorava jovens e donzelas atenienses que lhe eram levados como tributo a cada nove anos.
“Ventres inativos” estigmatiza os cretenses como glutões, indolentes e ávidos por sexo. Os cretenses, pois, são falsos, egoístas e amantes dos prazeres. Ora, alguns escritores consideram que a ação de Paulo ao citar esse veredicto devastador com respeito ao caráter dos cretenses mostra uma singular falta de tato, uma “nódoa” no bom nome de toda uma população. Entretanto, o caráter dos cretenses se exibe tão claramente, que a confirmação do severo juízo vem de todas as direções e não se limita a um só século. O leitor pode ver isso por si mesmo. Além do substantivo “cretismo” = mentira, e do verbo “cretensear” = enganar, dizer mentiras, temos os seguintes (as datas são aproximadas):
Políbio, historiador grego (203-120 a. C.): “Com efeito, o amor ao lucro desonesto e à cobiça predomina a tal ponto, que de todos os homens, os cretenses são os únicos em cuja estima não haver lucro é sempre um a desgraça” (The Histories VI. 46).
Cícero, orador romano, estadista e filósofo (106-43 a.C.): “De fato, os princípios morais [dos homens] são tão divergentes, que os cretenses... consideram os assaltos em estradas (ou “banditismo”) como algo honrado” (República III. ix. 15).
Lívio, historiador romano (59 a.C. - 17 d.C.): “Os cretenses seguiram [a Perseu] na esperança de receber dinheiro” (XLIV.xlvi).
Plutarco, ensaísta e biógrafo grego (46-120 d.C.): “De seus soldados, [somente] os cretenses o seguiram, não por serem favoravelmente dispostos [para com] ele, mas porque eram tão devotados às suas riquezas como são as abelhas às suas colmeias. Porque ele levava abundantes tesouros, e entregara para que se distribuíssem entre os cretenses taças e vasilhas e outros utensílios de ouro e prata, avaliados em cinquenta talentos” (Aemilius Paulus XXIII. 4). Werner Keller, The Bible as History, Nova York, 1956, pp. 172, 173, afirma que os antigos cretenses eram “bebedores poderosos” e apresenta uma interessante evidência arqueológica, o fato de que foram encontradas grandes quantidades de taças para vinho e cerveja, estas providas de filtros, nas colônias filistéias que, segundo as Escrituras (Am 9.7), vieram de Caftor, ou seja, Creta.

13 e 14. Não surpreende, pois, que Paulo tenha dito: Este testemunho é verdadeiro. As ações dos cretenses demonstravam tão claramente o caráter de falsidade e cobiça, que Paulo não pôde fazer outra coisa senão confirmar o juízo expresso no hexâmetro de Epimênedes.
Portanto, reprove-os severamente para que sejam sadios na fé. Os errados e os que lhes derem ouvidos devem ser reprovados (cf. 2 Tm 4.2) severamente (cf. 2Co 13.10), decisivamente, e isto não só pelos presbíteros (ver sobre v. 9 acima), mas também por Tito pessoalmente, a fim de que sejam (isto é, venham a ser) o que presentemente não são, isto é, íntegros (cf. 1 Tm 1.10) em sua posição com respeito à verdade como revelada em CRISTO.
Paulo prossegue: em vez de devotar-se aos mitos judaicos e a mandamentos de homens que voltaram as costas para a verdade. Para escapar do impacto da lei de DEUS, os amantes do erro se devotavam (ver sobre 1 Tm 1.4) aos “mitos judaicos”, isto é, a histórias fantasiosas sobre seus ancestrais; e a “mandamentos de homens”, isto é, a mandamentos formulados pelo homem. Estes, provavelmente, eram em grande parte também de caráter judaico. Na medida que podiam, diziam que tinham por base a lei de DEUS. Não obstante, na verdade obscureciam a real intenção e significado da lei. Cf. Mateus 5.43; 15.3, 6, 9; Marcos 7.1-23; Lucas 6.1 -11; e ver C.N.T. sobre João 5.1-18.
Por conseguinte, os enganadores cretenses se entretinham com anedotas talmúdicas e decisões meticulosas de caráter legal para as quais se mantinha a pretensão de tê-las extraído da lei. Os mandamentos que eles elogiavam e tentavam pôr em vigor sobre os demais, na verdade eram mandamentos de “homens que voltaram suas costas para a verdade”. Por tais homens estão implícitos os judeus, particularmente os rabinos e escribas judaicos. A situação, pois, era a seguinte:
Os crentes firmes da ilha de Creta se relacionavam diretamente com membros da igreja que não eram tão firmes, porém estavam dispostos a dar ouvido a enganadores judaizantes de retórica altissonante, matizada com gnosticismo. Esses falsos mestres, por sua vez, estavam sob a influência de homens que estavam completamente fora da igreja, por exemplo, os judeus que faziam propaganda farisaica e que rejeitavam simplesmente a CRISTO, dando as costas para a verdade redentora de DEUS revelada em seu Filho.
William Hendriksen, 1 Timóteo, 2 Timóteo e Tito, São Paulo: Cultura Cristã, 2001, p. 191-6 (Comentário do Novo Testamento).
 
 
 
A EPÍSTOLA A TITO - O testamento de Paulo à igreja - Hernandes Dias Lopes - Comentários Expositivos Hagnos
A supremacia da Palavra no ministério apostól1 Co (Tt 1.1-4)
A saudação apostólica (1.4)
Depois de se apresentar e mostrar suas credenciais, bem como o propósito de seu apostolado, Paulo menciona o destinatário de sua carta.
Em primeiro lugar, a identificação do destinatário (1.4). Dois fatos são dignos de nota acerca de Tito.
Ele era filho espiritual de Paulo (1.4). Paulo está se dirigindo a um filho espiritual. Trata-se de alguém que veio a CRISTO por intermédio do ministério de Paulo. William Hendriksen diz que a palavra “filho” é muito feliz porque combina duas idéias: “eu te gerei” e “tu és mui amado para mim”. Matthew Henry diz que Tito era filho de Paulo não por geração natural, mas por regeneração sobrenatural.
Tito era comprometido com o mesmo evangelho que Paulo pregava (1.4). Paulo era um judeu, e Tito, um gentio. Os dois, porém, abraçaram a mesma fé. A fé comum é a fé que está em todo cristão. A fé aqui é objetiva e não subjetiva. É o próprio conteúdo do Evangelho.
Warren Wiersbe está correto ao esclarecer que cristãos de diferentes denominações podem ter características distintas, mas todos os que possuem a mesma fé salvadora compartilham “[•••] da nossa comum salvação” (Jd 3). Há um corpo definido de verdades confiado à Igreja, a “[...] fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 3). Qualquer ensinamento, portanto, que se desvie da “fé comum” é falso e não deve ser tolerado na congregação.
Em segundo lugar, as bênçãos rogadas ao destinatário (1.4). Paulo roga a DEUS a bênção da graça e da paz para Tito. A graça é a fonte e a paz é fluxo que corre dessa fonte. A graça é a raiz e a paz é o fruto. William Hendriksen diz que a graça é o favor operado por DEUS no coração de seu filho sem que ele tenha mérito algum. E seu cristocêntr1 Co amor perdoador e fortalecedor. A paz é a consciência do filho de haver sido reconciliado com DEUS por meio de CRISTO. Graça é a fonte, e paz é a corrente que flui dessa fonte (Rm 5.1). Em terceiro lugar, a fonte das bênçãos rogadas (1.4). Tanto a graça quanto a paz provêm de DEUS Pai e de CRISTO JESUS, nosso Salvador. Tanto o Pai quanto o Filho são a origem e a fonte dessas bênçãos. A graça e a paz têm sua origem em DEUS, o Pai, e são obtidas para o crente pelos méritos de CRISTO JESUS. Eles dois, o Pai e o Filho, são a fonte única da graça e da paz.
Como distinguir os pastores dos lobos (Tt 1.5-16)
A carta de Paulo a Tito expõe de maneira eloquente o binômio: ortodoxia e piedade; teologia e ética; doutrina e dever.
No capítulo, 1 Paulo aborda esse binômio em relação à igreja; no capítulo 2, em relação à família; e, no capítulo 3, em relação ao mundo.
Paulo deixou Tito em Creta para colocar em ordem as coisas restantes nas igrejas e constituir nessas igrejas presbíteros (1.5). A palavra grega epidiorthose significa colocar em linha reta, colocar em ordem, endireitar. Warren Wiersbe escreve que esse é um termo méd1 Co e se refere a endireitar um membro torto.
A palavra para “restantes” significa o que está faltando. O texto da carta indica que havia graves faltas na vida individual e conjunta das igrejas de Creta, como:
1) falta de liderança espiritual (1.5); 2) falsos mestres (1.10,11); 3) conduta imoral entre os membros da família de DEUS, tanto jovens quanto velhos (Tt 2.1-10).
A ilha de Creta era uma região altamente marcada pela devassidão moral e pela disseminação de muitas heresias. As igrejas, ainda incipientes, corriam sérios riscos de ser atacadas por esses dois perigos mortais. Somente sob uma liderança bíblica e moralmente sadia a igreja poderia resistir a esse cerco ameaçador. A maneira mais adequada de combater o erro é espalhar a verdade. Você apaga o fogo falso com o fogo verdadeiro. A forma mais eficaz de combater os falsos mestres é multiplicar os verdadeiros mestres.
John Stott lembra que os versículos 6 a 16 apresentam um forte contraste entre os verdadeiros presbíteros que Tito designaria (1.6-9) e os falsos mestres que os presbíteros teriam de silenciar (1.10-16).
É importante ressaltar aqui quatro verdades, à guisa de introdução.
Em primeiro lugar, a liderança da igreja deve ser composta de um colegiado. Paulo determina a Tito que constitua presbíteros em cada igreja. A liderança da igreja local deve ser composta por uma equipe e um colegiado de presbíteros, e não por um líder autocrát1 Co. Assim como a igreja de Jerusalém tinha uma pluralidade de presbíteros (At 11.30); Paulo também constituiu presbíteros nas igrejas (At 14.23). Essa mesma prática deveria ser repetida em todas as igrejas da ilha de Creta (1.5).
Em segundo lugar, a liderança da igreja não é hierárquica. Paulo usa os termos presbítero (1.5) e bispo (1.7) para se referir à mesma pessoa. O bispo não é um ofício superior ao presbítero. Os dois termos, presbítero e bispo, são usados para descrever o mesmo líder (At 20.17,28). Assim, o presbítero e o bispo são termos correlatos e devem destacar características distintas do mesmo líder. O termo presbítero refere-se à maturidade e experiência do líder, enquanto o termo bispo diz respeito à sua responsabilidade e função de supervisão pastoral.
O modelo bíbl1 Co é de vários bispos em uma igreja, em vez de um bispo supervisionando várias igrejas.
Em terceiro lugar, a liderança da igreja deve ser constituída conforme prescrição bíblica. Paulo dá orientações claras e absolutamente precisas acerca dos atributos que um presbítero deve ter (1.6-9). As características do presbítero mencionadas pelo apóstolo têm mais a ver com sua vida do que com o seu desempenho. A vida do líder é a vida da sua liderança. A vida precede o ministério e é sua base.
Warren Wiersbe adverte que o fato de esses critérios se aplicarem aos cristãos da ilha de Creta, bem como àqueles da cidade de Éfeso (1 Tm 3.1-7), comprova que o padrão de DEUS para os líderes não varia. Tanto as igrejas das cidades grandes quanto aquelas das cidades pequenas precisam de pessoas piedosas nos cargos de liderança. Outra coisa importante é que o presbiterato pode ser legitimamente desejado (1 Tm 3.1), mas só o ESPÍRITO pode constituir alguém como bispo sobre a igreja (At 20.28).
Em quarto lugar, a principal função da liderança da igreja é alimentar o rebanho com a Palavra. Paulo diz que o bispo é um despenseiro de DEUS (1.7), ou seja, o que fornece o alimento na casa (1 Co 4.1,2). Sua função precípua não é cuidar da administração das mesas, mas cuidar da administração da Palavra.
Há duas diaconias fundamentais na igreja: a diaconia das mesas e a diaconia da Palavra. Cabe ao presbítero dedicar-se à diaconia da Palavra. Isso porque o presbítero é também pastor do rebanho (At 20.28), aquele que cuida das ovelhas e as conduz aos pastos verdejantes. John Stott diz que essas são metáforas que bem caracterizam o ministério da Palavra de DEUS, que abrange tanto o ensino da verdade quanto a ação de refutar o erro (1.9).

Os atributos dos presbíteros, os pastores que apascentam o rebanho (Tt 1.6-9)
O Novo Testamento detalha com grande precisão as funções do presbítero:
1) o presbítero deve pastorear a igreja do Senhor (Atos 20.28; 1 Tm 3.5; 1 Pe 5.2);
2) o presbítero deve proteger a igreja tanto dos ataques externos quanto dos internos (Atos 20.29-31);
3) o presbítero deve dirigir e governar a igreja, servindo-lhe de exemplo (1 Ts 5.12; 1 Tm 5.17; Hb 13.7,17; l Pe 5.3);
4) o presbítero deve pregar a Palavra, ensinar a sã doutrina e refutar aqueles que a contradizem (l Tm 5.17; Tt 1.9-11);
5) o presbítero deve orientar a igreja nas questões doutrinárias e éticas (Atos 15.5,6; 16.4);
6) o presbítero deve viver de tal forma que sua vida seja um exemplo para todo o rebanho (Hb 13.7; 1 Pe 5.3);
7) o presbítero deve corrigir com espírito de brandura aqueles que são surpreendidos em alguma falta (G1 6.1);
8) o presbítero deve velar pela alma daqueles que lhes são confiados, sabendo que prestará contas desse pastoreio ao Supremo Pastor (Hb 13.17);
9) o presbítero deve exercer o ministério da oração, especialmente em relação aos crentes enfermos (Tg 5.14,15);
10) o presbítero deve estar engajado no cuidado dos crentes pobres (At 11.30).
O retrato que Paulo traça do presbítero é emoldurado pela irrepreensibilidade. O presbítero (1.6) ou bispo (1.7) deve ser irrepreensível. John Stott corretamente diz que isso não quer dizer que os candidatos teriam de ser totalmente isentos de falhas e defeitos, pois nesse caso todos seriam desqualificados.

A palavra empregada é anenkletos, “sem culpa, não passível de acusação” e não anômos, que significa “sem mácula”. O presbítero não pode deixar flancos abertos na sua vida nem ter brechas no seu escudo moral. Seu ofício é públ1 Co e sua reputação pública precisa ser inquestionável. O presbítero deve ser um homem de reputação ilibada, sem mancha. O presbítero precisa ter doutrina pura e vida pura.

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