segunda-feira, 9 de março de 2015

Lição 11 - Não Darás Falso Testemunho 1 parte

Lição 11 - Não Darás Falso Testemunho 1 parte Lições Bíblicas - 1º Trimestre de 2015 - CPAD - Para adultos Tema: OS DEZ MANDAMENTOS - Valores Imutáveis Para Uma Sociedade Em Constante Mudança Comentários: Pr. Esequias Soares Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva Questionário NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm TEXTO ÁUREO "Não admitirás falso rumor e não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa." (Êx 23.1) VERDADE PRÁTICA O nono mandamento proíbe a mentira, o mexerico e o testemunho falso contra o próximo tanto no dia a dia como nos tribunais. LEITURA DIÁRIA Segunda – Lv 19.11,16 - O mexerico está incluído no nono mandamento Terça – Sl 109.2 - O falso testemunho e a mentira são estilo de vida do ímpio Quarta – Pv 6.16-19 - A falsa testemunha está entre as sete coisas que DEUS aborrece e abomina Quinta – Mt 19.18 - O Senhor JESUS ratificou o nono mandamento Sexta – Rm 13.9 - O apóstolo Paulo reafirma: pecado é dizer falso testemunho Sábado – 2 Co 12.20 - É dever do cristão permanecer longe de mexericos LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Êxodo 20.16; Deuteronômio 19.15-20 Êxodo 20.16 Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Deuteronômio 19. 15 Uma só testemunha contra ninguém se levantará por qualquer iniquidade ou por qualquer pecado, seja qual for o pecado que pecasse; pela boca de duas ou três testemunhas, se estabelecerá o negócio. 16 Quando se levantar testemunha falsa contra alguém, para testificar contra ele acerca de transgressão, 17 então, aqueles dois homens, que tiverem a demanda, se apresentarão perante o SENHOR, diante dos sacerdotes e dos juízes que houver naqueles dias. 18 E os juízes bem inquirirão; e eis que, sendo a testemunha falsa testemunha, que testificou falsidade contra seu irmão, 19 far-lhe-eis como cuidou fazer a seu irmão; e, assim, tirarás o mal do meio de ti, 20 para que os que ficarem o ouçam, e temam, e nunca mais tornem a fazer tal mal no meio de ti. 21 O teu olho não poupará: vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé. OBJETIVO GERAL Apresentar o nono mandamento, ressaltando que DEUS proíbe a mentira, o mexerico e o testemunho falso contra o próximo, tanto no dia a dia como nos tribunais. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Tratar a abrangência e o objetivo do nono mandamento. Mostrar o que a legislação mosaica diz a respeito do falso testemunho. Ressaltar que o DEUS verdadeiro deseja tão somente a verdade. Enfatizar o cuidado que devemos ter com relação à mentira PONTO CENTRAL - A mentira e a falsidade aborrecem a DEUS e prejudicam o próximo. Resumo da Lição 11 - Não Darás Falso Testemunho I. O NONO MANDAMENTO 1- Abrangência 2- Objetivo 3- Contexto II. O PROCESSO 1. Responder em juízo. 2. Falso testemunho. 3. O próximo. III. A VERDADE 1- Antigo Testamento 2- Novo Testamento 3- O que é a verdade IV. O CUIDADO COM A MENTIRA 1. As testemunhas. 2. Os danos. 3. O pecado da mentira. PARA REFLETIR Sobre o nono mandamento: Contra quem eu não devo mentir? Não devemos mentir contra ninguém. A Bíblia declara que a mentira é pecado e que o Diabo é o pai da mentira. Quais prejuízos um falso testemunho acarretará contra uma pessoa? Os prejuízos são incontáveis. A reputação de uma pessoa pode ser destruída, lares desfeitos, carreira profissional arruinada, devido a um falso testemunho. O que é a verdade para você? Resposta livre. O professor poderá esclarecer ao aluno que a verdade corresponde aos fatos e permanece em oposição à falsidade. É o conhecimento da realidade que o ser humano constata. O desrespeito contra o próximo pode afrontar a DEUS? Sim. DEUS deseja que venhamos amar e respeitar o nosso próximo. SUGESTÃO DE LEITURA Educação Cristã: Reflexões e Práticas Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal A Mensagem do Antigo Testamento NÃO DARÁS FALSO TESTEMUNHO O método é simples: levantar o dolo contra a pessoa, e que esta se vire para dar maiores explicações. Nada mais desumano quanto usarmos subterfúgios contra o nosso próximo! Na obra "Manual do Pentateuco", de Victor P. Hamilton, sobre a aplicação do nono mandamento, deparamo-nos com o seguinte comentário "A aplicação original desse mandamento dizia respeito a testemunhos falsos em juízo ou em transações oficiais e negócios em geral" (p.224). Levantar acusações contra pessoas sem ter provas legítimas contra elas seria um ato pecaminoso e monstruoso. Não por acaso Tiago afirma que a língua é um membro capaz de incendiar uma floresta (Tg 3.7). Com a má língua pode-se destruir reputações que levaram anos para serem construídas. "Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz" (Jo 18.37). JESUS de Nazaré tinha o compromisso com a verdade. Os fariseus e os doutores da lei não amavam a verdade e, por isso, não podiam aceitar o ensinamento de JESUS, embora reconhecessem a honestidade do nazareno (Mt 22.16). Já imaginou? Saber que alguém é da verdade e não assumir tal verdade porque o sistema religioso de outrora não o permitia? Ora, quem era do Templo na época de JESUS tinha uma alta reputação social. Passar para o lado de JESUS significava se colocar contra o Sumo-Sacerdote e perder automaticamente os privilégios da religião oficial. Não podemos perder a nossa condição de sujeito em JESUS por causa do poder temporal. O crente deve sempre escolher andar pela e na verdade em quaisquer lugares. Na família, na escola, no trabalho, nas amizades ou em todo ambiente onde os seres humanos se relacionam entre iguais. "E conhecereis a verdade, e a verdade te libertará" (Jo 8.32). A verdade de JESUS não nos deixa aprisionados, mas livres para sempre! Portanto, quem é de JESUS não tem outro compromisso que não seja a verdade. A verdade de quem é, do que fala e faz. Não empreste a sua língua para levantar falso testemunho contra alguém. O nosso Senhor foi condenado pelos homens através do falso testemunho de outrem. A vida de JESUS nos ensina o lado que devemos escolher: o melhor é sempre o da verdade. Revista ensinador. Editora CPAD Ano 16 - N° 61. pag. 41. COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO O nono mandamento tem conexão com o terceiro, visto que ambos enfocam o falar a verdade. A proibição primária aqui diz respeito a uma declaração falsa num processo legal. Isso pode ser visto tanto na linguagem e de maneira mais enfática em alguns dispositivos legais do sistema mosaico, como veremos no presente estudo. A construção "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" é exatamente a mesma nos textos de Êxodo e Deuteronômio (Êx 20.16; Dt 5.20); no entanto, essas palavras no texto hebraico apresentam diferença, mas nada que mude o sentido da mensagem que o mandamento transmite. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 121. “Não dirás falso testemunho contra o teu próximo (20,16). O mandamento inclui testemunho dado em tribunal, mas vai além disso. Falso testemunho é qualquer declaração maliciosa intencionada a degradar ou ferir outra pessoa, A reputação dos outros, assim como suas propriedades, devem ser resguardadas por todos. RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo.Editora CPAD. pag. 64. Parecido com o abuso de um irmão por meio do roubo é desonrá-lo dando falso testemunho contra ele (Êx 20.16). Embora a proibição possa ser legitimamente aplicada à mentira em geral, a linguagem técnica (“falso testemunho”; hebraico, 'edsãqer) sugere um cenário legal ou de corte no qual um caso concernente a um crime ou contravenção está sendo julgado. As testemunhas eram (e são) essenciais na determinação da culpa ou da inocência (cf. Dt 17.6,7; 19.15), mas pessoas chamadas para testemunhar devem dizer a verdade sobre o que viram ou ouviram. Fazer menos que isso e, assim, incriminar uma parte inocente e sujeitá-la ao malogro da justiça infringiria gravemente a liberdade, as posses e possivelmente até mesmo a vida dela. Mais uma vez, a repercussão na estrutura bem ordenada de administração do Reino é óbvia e prejudicial. Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 337. I. O NONO MANDAMENTO 1. ABRANGÊNCIA. O mandamento não se restringe apenas aos tribunais. O contexto mostra que ele se refere também às palavras que usamos. Trata-se da responsabilidade pessoal de cada um falar a verdade. Disse John Stott: Este mandamento não é somente válido nas cortes de justiça. Se bem que inclui o perjúrio, também estão implícitas todas as formas de escândalo e maledicência, toda a conversação ociosa e charlatanice, todas as mentiras e os exageros deliberados e as meias verdades que distorcem a verdade. Estamos proferindo falso testemunho quando aceitamos certos rumores maliciosos e logo os transmitimos, ou quando os usamos para outra pessoa para a prejudicar criando impressões falsas, ou quando não corrigimos afirmações falsas, tanto por nosso silêncio como por nosso discurso (Basic Christianity, p. 69; apud NYENHUIS, Gerald & ECKMAN, James P., 2002, p. 448). O mandamento condena pelo menos quatro aspectos na vida humana: o falso testemunho no tribunal, a calúnia pessoal, o falar da vida alheia e a bajulação. Israel era um estado teocrático e, por não haver separação entre estado e religião, a ordem "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" envolvia todo o aspecto da vida do israelita. Trata-se da necessidade de cada um falar a verdade (Lv 19.11), pois o Senhor JESUS disse que o diabo é o pai da mentira (Jo 8.44). Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 122-123. Lev 19.16 Este versículo apresenta ramificações do nono mandamento, que exige veracidade. O próximo, contra quem não devemos iniciar nenhuma campanha de mexericos, é aqui um compatriota hebreu. JESUS, entretanto, ampliou a aplicação disso a todos os nossos semelhantes (ver Luc. 10.29 ss.). Cf. Êxo. 23.4,5. Nos vss. 33 e 34 deste capítulo, o conceito de “próximo” inclui os forasteiros. “Não deve haver campanhas de maledicência (vss. 16-18). Não devemos tentar fazer o próximo cair em dificuldades. Devemos tratar com ele face a face, em espírito de boa-vontade. Nunca deveríamos dizer: ‘Sou o guardador de meu irmão?' conforme fez Caim. Deveríamos estar genuinamente interessados pelo bem-estar temporal e espiritual de outras pessoas, como se fosse nosso mesmo. Por quê? Eu sou o Senhor. Essa é, de fato, a ordem sagrada, física e moral, que deve haver neste mundo” (Nathaniel Micklem, in loc.). A maledicência geralmente termina em calúnia. Isso torna-se um hábito extremamente perigoso no caso de certas pessoas, e as mulheres, especialmente, deleitam-se nesse vício. E assim, vidas inocentes são destruídas. Ver I Sam. 22.9,18; Eze. 22.9. A versão caldaica, de acordo com o Targum de Jonathan, diz aqui: “Não seguirás a língua três vezes amaldiçoada, pois ela é mais fatal do que a espada devoradora de dois fios”. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 552. Lv 19.16 Nós somos proibidos de fazer qualquer coisa ofensiva ao bom nome do nosso próximo (v. 16), seja: 1. Nas conversas comuns: “Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo”. É uma má posição aquela em que o homem se coloca ao divulgar os erros de seus semelhantes, dando a conhecer aquilo que era segredo, agravando crimes e usando da pior maneira aquilo que estava errado, com o desejo de destruir a reputação dos homens e semear a discórdia entre vizinhos. A palavra usada para “mexeriqueiro” significa vendedor ambulante, ou pequeno vendedor. Os mexeriqueiros são aqueles que se intrometem nos negócios. Pois eles apanham histórias perversas em uma casa e as divulgam em outra, e normalmente trocam calúnias. Veja este pecado condenado, Provérbios 11.13; 20.19; Jeremias 9.4,5; Ezequiel 22.9. 2. Ao dar testemunho: “Não te porás contra o sangue do teu próximo”, se o seu sangue for inocente, nem te aliarás com homens sanguinários como os descritos em Provérbios 1.11,12. Os doutores judeus dão este sentido adicional: Não deverás ficar assistindo o teu irmão em perigo, mas deverás vir em seu socorro, embora isto possa representar perigo à sua própria vida, ou a algum membro do seu corpo. E acrescentam: Aquele que pode, com o seu testemunho, inocentar alguém que é acusado injustamente, é obrigado, por esta lei, a fazê-lo. Veja Provérbios 24.11,12. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 411. Lv 19.16 — O mexeriqueiro não era apenas um fofoqueiro, mas um caluniador, aquele que almejava destruir a reputação de outrem. Em relação ao mandamento não te porás contra o sangue do teu próximo, muitos casos podem ser incluídos aqui. No contexto do julgamento, citado nesta seção, possivelmente estava em maior evidência o falso juramento, que ocasionaria a morte do acusado, ou o testemunho que exoneraria o réu. EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 241. 2. OBJETIVO. Em linhas gerais, temos aqui a defesa da honra. Falar a verdade é para todos os povos e em todas as épocas. Mas, no sistema mosaico, o mandamento se distingue por ser revelação e por isso mesmo se reveste de autoridade divina. O mandamento é citado no Novo Testamento e foi resgatado pela graça e adaptado à graça. A fé cristã leva o tema para além dos tribunais, pois pertence à esfera espiritual, envolvendo a salvação, ao passo que na lei o seu aspecto é mais jurídico visando manter o equilíbrio na sociedade. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 122. Dt 19.20 ... O ouçam e temam. Aqueles que sobrevivessem ao incidente (como a família do homem que tinha cometido perjúrio), bem como a população em geral, que ouvisse falar sobre o caso, temeriam, desencorajando o crime de perjúrio. E embora isso não eliminasse o mal das testemunhas falsas, essa prática odiosa ficaria grandemente reduzida. Dt 17.13 Neste versículo vemos a severidade da lei. Não se hesitava em executar até mesmo um juiz local, que não cumprisse o que se tinha considerado reto. Essa execução agiria como uma medida preventiva, capaz de fazer todo o povo de Israel temer. Em Israel, a justiça era imediata e terrível. Isso pode ser contrastado com nossos sistemas modernos, que podem envolver anos para que um simples caso de homicídio seja julgado. “Isso fazia o império da justiça tornar-se dotado de máxima importância na Terra Prometida, ajudando a impedir a anarquia” (Jack S. Deere, in Ioc.). E jamais se ensoberbeça. No hebraico, essa palavra é zadown, que significa “de maneira arrogante”, “de maneira orgulhosa”. A medida disciplinar humilharia os homens e fá-los-ia temer. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 830; 822. Deveria haver grande cuidado no julgamento, v. 18. Deveria ser feita uma investigação diligente quanto ao caráter das pessoas, e todas as circunstâncias do caso. Tudo isto devia sei' comparado, para que a verdade pudesse ser descoberta. Quando a investigação fosse realizada de um modo fiel e imparcial, eles poderiam esperar que a Providência os auxiliasse. (5) Se ficasse evidente que um homem tinha, conscientemente e perversamente, dado falso testemunho contra seu próximo, embora o mal que lhe desejava não tivesse sido realizado, este deveria sofrer a mesma penalidade à qual seu próximo estaria sujeito, devido à sua evidência, v. 19. Nec lex estjustior idla - Nenhuma lei poderia ser mais justa. Se o crime do qual ele acusasse seu próximo devesse ser punido com a morte, também o homem que deu falso testemunho deveria ser condenado à morte. Se a punição fosse açoitamento, ele deveria ser açoitado. Se fosse uma multa financeira, ele deveria ser multado também. E, como para aqueles que não levassem em consideração a atrocidade do crime e a necessidade de impedi-lo, pareceria ser uma punição muito dura, por ter dito algumas palavras, especialmente quando nenhum mal tinha, realmente, sido feito, aqui está acrescentado: “O teu olho não poupará”, v. 21. Nenhum homem precisa ser mais misericordioso do que DEUS. O benefício que resultará, para o público, desta severidade, a recompensará com abundância: “Para que os que ficarem o ouçam, e temam”, v. 20. Tais punições exemplares seriam advertências a outros, para que não empreendessem nenhuma maldade deste tipo, quando vissem como aquele que fez a cova e a escavou havia caído nela. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 619. Dt 19.16-20. O caso da testemunha maliciosa (lit. “testemunha de violência”, i.e. seu testemunho levaria a um ato de violência) é agora discutido. Quando tal testemunha declarava que o acusado era culpado de um ato errado (lit. “desvio”, i.e. deserção, apostasia ou má conduta moral ou religiosa), as duas partes em litígio tinham que comparecer perante Javé para responder aos sacerdotes e juízes que estivessem oficiando na ocasião. o tribunal localizado no santuário central parece ser o que se tem em vista nesta passagem (cf. 17: 8-13). Depois de cuidadoso exame os juízes (provavelmente todo o grupo de sacerdotes e juízes) dariam o veredito. Se a testemunha fosse falsa receberia o castigo que se tencionava dar ao acusado. Desta maneira o mal seria “queimado” (exterminado) de Israel e o perjúrio desestimulado. I. A. Thompson. Deuteronômio Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag.208-209. 3. CONTEXTO. JUIZ, O Um juiz ou magistrado civil é mencionado pela primeira vez em Israel sob a liderança de Moisés, quando Jetro sugeriu que juízes fossem designados para aliviar Moisés em suas responsabilidades administrativas (Êx 18.13-26). Mais tarde, Israel se organizou em unidades dentro de cada tribo com um homem qualificado como juiz. Estes homens deveriam julgar corretamente, destemidamente e imparcialmente (Dt 1.16ss.). Somente os casos mais importantes eram trazidos diante de Moisés (Dt 1.12-18; 21.2). Observe também a organização de Israel em Números 1-10. Sob a liderança de Josué um plano similar foi seguido (Dt 16.18-20; 17.2-13; 19.15-20; Js 8.33; 23.2; 24.1; 1 Sm 8.1). A era que se seguiu à morte de Josué retrata uma situação modificada como é descrito no livro de Juízes. Aqui os líderes principais, ou juízes do povo, eram aqueles que tinham primeiramente a missão de livrar os israelitas das nações opressoras (Jz 2.16). Carismaticamente dotados pelo ESPÍRITO de DEUS, eles eram "libertadores" (Jz 3.9), capacitados a livrar e preservar Israel (Jz 6.34-36). O termo heb. corretamente inclui o conceito de líder bem como o de árbitro. Durante a era entre a conquista e a monarquia em Israel, os invasores opressores foram sucessivamente mesopotâmios, moabitas, cananeus, midianitas, amonitas e filisteus. Os notáveis juízes que foram usados para agir contra estes foram Otniel, Eúde, Débora e Baraque, Gideão e Sansão, conforme narrado no livro de Juízes. Outros juízes a respeito dos quais pouca informação está disponível foram Sangar, Abimeleque, Tola, Jair, Ibsã, Elom e Abdom. Alguns dos juízes desta era são mencionados no livro de Hebreus (cap. 11) como heróis da fé. Os capítulos iniciais de 1 Samuel (cf. 4.18) indicam que Eli serviu como juiz de Israel por 40 anos. Samuel não só guiou os israelitas em uma resistência bem sucedida à opressão dos filisteus, mas também estabeleceu um organizado tribunal itinerante. Embora ele tenha designado seus filhos como juízes, as condições em mudança marcaram uma transição para um reino organizado que trazia a necessidade da unção de um rei (1 Sm 7.15-8.5). Durante a monarquia, o rei se tornou o supremo juiz em assuntos civis (2 Sm 15.2; 1 Rs 3.9,28). Os casos eram julgados pelo rei no portão do palácio (1 Rs 7.7), mas os tribunais locais estavam da mesma forma em funcionamento. Davi atribuiu aos levitas o ofício judicial e designou 6.000 homens como oficiais e juízes (1 Cr 23.4; 26.29). Josafá ampliou o sistema judicial em Judá, designando sacerdotes e juízes em cidades fortificadas com uma suprema corte em Jerusalém, onde as questões religiosas estavam sujeitas aos sacerdotes e as questões civis sujeitas ao príncipe de Judá (2 Cr 19.5-8). Os profetas frequentemente afirmavam que a justiça estava corrompida pelo suborno e pelos falsos testemunhos (Is 1.23; 5.23; 10.1; Am 5.12; 6.12; Mq 3.11; 7.3). Os reis eram frequentemente injustos em seu modo de tratar os profetas que falavam da parte de DEUS (1 Rs 22.26,27; 2 Rs 21.16; Jr 36.26). Veja também 1 Reis 21.1-13, onde a lei era desconsiderada por Acabe e Jezabel e falsas testemunhas eram usadas para trazer vantagens ao rei. PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1112-1113, JUIZ 1. A palavra hebraica para «juiz» é shaphat. Ocorre por cento e dezoito vezes no Antigo Testamento, desde Gên. 16 até Miq. 4:3. O termo grego é kritês. Esse substantivo ocorre por dezoito vezes no Novo Testamento: Mat. 5:25; 12:27; Luc. 11:19; 12:14,58; 18:2,6; Atos 10:42; 13:20; 18:15; 24:10; II Tim. 4:8; Heb. 12:23; Tia. 2:4; 4:11,12 e 5:9. Além de designar os indivíduos que tomam decisões sobre questões civis e religiosas, as palavras envolvidas falam sobre a tentativa de determinar causas (ver Êxo. 18:13). Entre os povos, as decisões judaicas são anunciadas de várias maneiras. Os juízes de Israel faziam-no verbalmente: «Tu és culpado!» ou «Tu és inocente!» Entre os romanos, marcava-se alguma espécie de material, como um tablete de argila ou um pedaço de papel, com um A (absolvido) ou com um C (condenado). Entre os gregos havia o costume de apresentar uma pedra branca ao acusado, para indicar sua inocência, ou uma pedra negra, para indicar sua culpa. Outros Significados. Considerar (Atos 16:15); governar (Sal. 58:11); punir, em conseqüência de julgamento condenatório (Heb. 13:4; Eze. 7:3-8; 22:2); censurar acerbamente (Mat. 7:1). 2. No Antigo Testamento. a. Yahweh é chamado, antes de todos, de Juiz dos homens. «Não Fará justiça o Juiz de toda a terra?» (Gên. 18:25). DEUS julga os indivíduos e as nações com base em sua justiça absoluta (Gên. 3:14 ss; 6:3 ss; 11:5 ss; 15:14; 16:5; 20:3; 31:53). b. O chefe patriarcal de uma casa, na antiguidade, era o juiz de seus familiares e de seu clã (Gên. 21, 22 e 27). c. Moisés era o único juiz da nação de Israel, depois que esta saiu da servidão, no Egito; mas Jetro, seu sogro, encorajou-o a distribuir tal responsabilidade escolhendo juízes secundários. Disso resultou a primeira instituição dos juízes. Ver Êxo. 18:13-17; Deu. 1:9-18. d. Na codificação que se seguiu, conforme se vê no livro de Deuteronômio, houve a nomeação de juízes e oficiais, de tal modo que cada cidade contasse com o seu próprio juiz (Deu. 16:18 ss). Se o caso assim o exigisse, os sacerdotes podiam ser convocados para atuar como juízes (Deu. 17:8-13). CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 636. Êxo 22.8 Levado perante DEUS. Tal como antes o sentido da frase deve ser "levado ao santuário”. O homem deve jurar solenemente em nome de DEUS (ver v.11), declarando sua inocência. Esta espécie de decisão judicial precisava ser aprovada pelo queixoso (como num julgamento em que o réu tem de passar por uma prova quase impossível). Se o réu tiver jurado falsamente, a maldição que ele invocou cairá sobre ele mesmo e assim será suficientemente punido. Talvez nisso esteja a explicação da frase “ a quem DEUS condena” (v.9). O homem que sofre os efeitos da maldição fica exposto como culpado pelo próprio DEUS, e deve pagar em dobro ao queixoso. R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 166. II. O PROCESSO 1. RESPONDER EM JUÍZO. O verbo "dizer" em "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (Êx 20.16; Dt 5.20) no Antigo Testamento hebraico é ‘ãnãh, "responder, testemunhar, falar", usado também em um processo jurídico, tanto nos tribunais humanos (Dt 19.16) como no tribunal divino (Is 3.9; 59.12; Jr 14.7). O termo hebraico ‘êd shãqer, "falso testemunho, falsa acusação", reaparece na literatura sapiencial (S127.12; Pv 6.19; 14.5; 19.5,9; 25.18). A palavra ‘êd, "declaração, testemunho", indica "alguém com conhecimento de primeira mão acerca de um acontecimento ou que pode testemunhar com base num relato que ouviu" (HARRIS; ARCHER, JR.; WALTKE, 1998, p. 1083). Tal pessoa está obrigada a testemunhar (Lv 5.1). E sheqer, "mentira, falsidade, engano", diz respeito a qualquer atividade falsa, tudo aquilo que não se baseia em fatos ou realidades. Aqui é a testemunha na qual não se pode confiar. Entretanto, no texto paralelo em Deuteronômio, sheqer é substituído pelo substantivo hebraico shãw‘, que significa "fraude, engano, inutilidade, inútil, imprestável, falsidade, desonestidade, futilidade, vacuidade" (Dt 5.20). É o mesmo termo empregado no terceiro mandamento para "vão" em "Não tomarás o nome do SENHOR, teu DEUS, em vão, porque o SENHOR não terá por inocente ao que tomar o seu nome em vão" (Êx 20.7; Dt 5.11). Muitos expositores do Antigo Testamento não consideram isso uma diferença, mas uma forma de ampliar o sentido do mandamento, podendo aplicar-se tanto no campo jurídico como nos vários aspectos da vida diária. Sheqer é um termo específico, e shãw ‘ é genérico. As versões antigas não apresentam também essa diferença. A LXX emprega pseudoma seitareis, "falso testemunho", nas duas versões do Decálogo. Isso acontece ainda em outras versões antigas como a Vulgata Latina, que traduz essas palavras por falsum testimonium, além do Pentateuco Samaritano e o Targum de Ônquelos. É no nono mandamento em que o termo "próximo" aparece pela primeira vez no texto hebraico do Decálogo como berèã ‘chã, "contra teu próximo". A palavra rêa‘, "amigo, companheiro, outra pessoa", é usada para designar "vizinho, parceiro". O amigo pode ser íntimo ou ocasional. O termo ocorre mais três vezes no décimo mandamento: "... a casa do teu próximo; ... a mulher do teu próximo,... nem coisa alguma do teu próximo" (Êx 20.17; Dt 5.21) e faz parte do vocabulário jurídico (Êx 21.14, 35; 22.7- 10; Dt 15.2; 19.4, 5). É a mesma palavra de "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Lv 19.18) citada pelo Senhor JESUS (Mt 19.19). A LXX traduz pela palavra grega plêsíon, "perto, próximo" ou "perto de, próximo de", que no Novo Testamento grego aparece como preposição na passagem da mulher samaritana, quando o texto diz que Sicar era perto da herdade que Jacó tinha dado a José (Jo 4.5). Como advérbio substantivado, ocorre 12 vezes em relação aos mandamentos do Decálogo (Mt 5.43; 19.19; 22.39; Mc 12.31, 33; Lc 10.27,29,36; Rm 13.9, 10; G1 5.14; Tg 2.8). A expressão "teu próximo" era conhecida por qualquer judeu familiarizado com as Escrituras no período do ministério terreno do Senhor JESUS, mas parece que havia incerteza quanto a seu exato significado: "E quem é o meu próximo?"(Lc 10.29), perguntou um doutor da lei a JESUS. O contexto dos evangelhos deixa claro que os judeus daquela época consideravam como seus "próximos" apenas os amigos da mesma etnia, tribo e classe com quem matinha uma relação mútua de afinidade e intimidade. Mas não é esse o pensamento do Antigo Testamento, que inclui também os estrangeiros além dos israelitas (Êx 3.22; Lv 19.34). O segundo e grande mandamento, "Amarás o teu próximo como a ti mesmo", é a palavra final sobre o assunto. O próximo é qualquer pessoa, independentemente de sua etnia, status, confissão religiosa ou convicção política e filosófica. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 123-125. Parece que o objetivo central deste mandamento é a proteção ao sistema judicial. Os tribunais seriam inúteis se os homens chegassem ali para mentir. Se tiver de ser feita uma acusação contra outra pessoa, e se o acusado tiver de defender-se, a verdade terá de ser dita por ambas as partes, sob pena da justiça naufragar. Mas esse mandamento também se aplica a questões individuais. A sociedade em geral perturba-se quando as pessoas saem a espalhar mentiras e calúnias sobre seus semelhantes. O trecho de Êxo. 23.1 condena o falso testemunho em nível pessoal. Ver Deu. 19.16-20 que requeria juízo apropriado contra falsas testemunhas que perturbavam o sistema judicial. A linguagem e os fatos devem concordar entre si. Ver Deu. 13.14; 17.4; 22.20; Jer. 9,5; Sal. 9.5; 15.2; Pro. 12.19; 14.25; 22.21. A verdade precisa ser dita como tempero do amor (Efé. 4.15). Algumas vezes, as meias verdades prejudicam mais do que as mentiras francas. O amor, porém, guarda-nos tanto da mentira aberta quanto das meias verdades. A mentira artística vem sendo aprovada desde os tempos mais antigos, conforme muitos eruditos supõem. Ver o caso de Labão (Gên. 29.21-27), e o caso um tanto anterior de Jacó (Gên. 27.6-36). Por outro lado, a luz que brilhou por meio de Moisés por certo condenava qualquer tipo de mentira ou abuso de linguagem. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 393. Êxo 20.16. Não dirás falso testemunho. Já que numa sociedade simples, vivendo no deserto, quase todos os crimes envolviam penas capitais, “falso testemunho” bem sucedido seria equivalente a assassinato. Para evitar tal problema, a testemunha deveria ser também o executor (Dt 17:7), de modo a incorrer na culpa do sangue se estivesse mentindo. O falso testemunho assume grandes proporções no Velho Testamento (1 Rs 21:10, por exemplo), como em qualquer sociedade em que a extrema pobreza exponha o homem à tentação do suborno. Não há dúvida de que o mandamento poderia ser generalizado para incluir a proibição de intrigas e mexericos (Lv 19:16), especialmente de mexerico falso e maldoso que prejudicasse o próximo. R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 154-155. O nono mandamento diz respeito ao nosso próprio bom nome, e ao do nosso próximo: “Não dirás falso testemunho”, v. 16. Isto proíbe: 1. Falar falsamente sobre qualquer assunto, com mentiras, com equívocos intencionais, e de qualquer maneira planejada para enganar o nosso próximo. 2. Falar injustamente contra o nosso próximo, para o prejuízo da sua reputação. E (o que envolve a culpa de ambos): 3. Dar falsos testemunhos contra ele, acusando-o de coisas de que ele não tem conhecimento, seja judicialmente, sob juramento (com o que são infringidos o terceiro e o sexto mandamento, além deste). Ou extrajudicialmente, em conversação comum, caluniando, difamando, inventando estórias, piorando o que é feito erroneamente e tornando-o pior do que já é, e de alguma maneira empenhando-se em aumentar a sua própria reputação sobre a ruína da do seu próximo. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 296. 2. FALSO TESTEMUNHO. O nono mandamento não se restringe apenas ao aspecto jurídico, ao perjúrio num tribunal civil ou criminal, mas se aplica também à vida diária, como o boato e o mexerico (Êx 23.1; Lv 19.16). Estes envolvem a mentira e trazem implicações profundas na vida humana. DEUS condena tais práticas, e o ensino bíblico sobre o assunto começa em Moisés e se estende até o Novo Testamento. "Não admitirás falso rumor e não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa" (Êx 23.1). A TB traz "Não levantarás um boato falso"; a ARA e NTLH empregam "notícias falsas". A expressão hebraica para "falso rumor" aqui é shêma ’ shãw ‘. O termo shêma ’, "informação, notícia, fama, boato", é um substantivo derivado do verbo Vtpüi (shãma ‘), "ouvir, escutar, prestar atenção, obedecer". Essa informação, notícia ou fama pode ser boa ou ruim e diz respeito ao que se ouve dizer (1 Rs 10.1), diferentemente de um conhecimento pessoal, de uma experiência direta: "Antes eu te conhecia só por ouvir falar, mas agora eu te vejo com os meus próprios olhos" (Jó 42.5). E o termo shãwque significa "fraude, engano, inutilidade, inútil, imprestável, falsidade, desonestidade, futilidade, vacuidade", aparece no terceiro mandamento (Êx 20.7; Dt 5.11) e no nono mandamento na versão de Deuteronômio (Dt 5.20). O falso boato é a propagação de uma notícia infundada, não oficial e de fonte desconhecida. O contexto mostra que divulgar informação enganosa é associação com o ímpio para se tornar falsa testemunha: "E não porás a tua mão com o ímpio, para seres testemunha falsa" (Êx 23.1b). Mesmo as coisas triviais do dia a dia podem terminar na justiça, pois elas destroem a reputação de qualquer pessoa. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 128-129. Como o mandamento anterior, este ressalta que as relações humanas devem ser baseadas na honestidade e verdade. Aqui, DEUS pede honestidade com respeito à reputação de nosso próximo. o falso testemunho (20:16) não se restringe ao contexto de um tribunal, mas ocorre sempre que difamamos ou mentimos sobre alguém. Esse tipo de discurso é moralmente errado, pois abala a integridade do mentiroso e a reputação do indivíduo que é alvo da mentira. As palavras mentirosas têm conseqüências sérias; além de destruir relacionamentos e perspectivas de carreira, podem até resultar em prisão e suicídio. Mais adiante, DEUS expande esse mandamento: “Não espalharás notícias falsas, nem darás mão ao ímpio [...] nem deporás, numa demanda, inclinando-te para a maioria, para torcer o direito” (23:1-2). Devemos nos lembrar de que testemunhas falsas foram usadas até no julgamento injusto de nosso Senhor (Mt 26:59-62; Jo 19:12). Tokunboh Adeyemo. COMENTÁRIO BÍBLICO AFRICANO. Editora Mundo Cristão. pag. 114. Embora negativo na forma, pode o nono mandamento apresentar um conteúdo positivo, levando-nos a não falsear a verdade em todas as afirmações (13.14; 17.4-6) e a sermos justos nos nossos juízos (17.8-13; 19.15-21). Cf. Mt 18.16. Na esteira do Mestre, deve todo o Cristão dar testemunho da verdade (Jo 18.37). E como será isto possível, senão dando testemunho daquele que é a própria Verdade? DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Deuteronômio. pag. 31. 3. O PRÓXIMO. "Não andarás como mexeriqueiro entre o teu povo; não te porás contra o sangue do teu próximo. Eu sou o SENHOR" (Lv 19.16). A proibição consiste em dois preceitos paralelos que expressam a mesma ideia. O termo hebraico usado aqui como "mexeriqueiro" é rãkTl, "caluniador, difamador", e aparece apenas seis vezes no Antigo Testamento, indicando alguém que calunia e revela segredos (Pv 11.13; 20.19; Jr 6.28; 9.4 [3]; Ez 22.9). Com exceção de Ezequiel, em todas elas o substantivo vem acompanhado do verbo hãlach, "andar, caminhar"; isso indica tratar-se de uma expressão idiomática para o ato de caluniar. Os léxicos geralmente informam que rãkil é um termo obscuro. A Septuaginta revela nele nuances que indicam desonestidade, decepção, duplicidade e falsidade. Assim, o mexeriqueiro aqui é muito mais que a simples fofoca ou fuxico. Isso se confirma na segunda cláusula: "Não te porás contra o sangue do teu próximo. O "sangue" diz respeito à vida: "Não atentarás contra a vida do teu próximo" (ARA). A proibição nessa segunda parte significa a responsabilidade pessoal de não colocar em perigo a vida do próximo com o falso testemunho a fim de declarar o inocente como culpado. O mexerico corriqueiro é também condenado pela Palavra de DEUS (2 Co 12.20). O cristão nunca deve falar mal de um irmão na igreja (Tg 4.11). O nono mandamento proíbe toda forma de mentira, tanto aquela que se diz deliberadamente na vida diária como também sob juramento num tribunal. Tudo aquilo que se fala com o propósito de prejudicar o bom nome de alguém é pecado e violação desse mandamento. O Senhor JESUS CRISTO citou este mandamento para o moço rico, juntamente com outros do Decálogo (Mt 19.18; Mc 10.19; Lc 18.20). Da mesma maneira, fez o apóstolo Paulo (Rm 13.9). Mas na graça este mandamento aparece na esfera espiritual e não jurídica (Ef 4.25; Cl 3.9). Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 129-130. PRÓXIMO 1. Palavras Envolvidas Precisamos considerar quatro palavras hebraicas e uma grega: a. Rea, «associado», «companheiro». Pode estar em foco um amigo íntimo (Pro. 26:10), ou um amante (Can. 5:16), ou o marido de uma mulher (Jer. 3:20). Essa palavra hebraica, pois, destaca como próximo uma pessoa que é íntima de quem fala, em um relacionamento onde imperam laços de amizade (ver £Êx. 20:16, 17; Deu. 5:20). Essa palavra hebraica ocorre por cento e oitenta e nove vezes. b. Shaken, «concidadão», «vizinho». Está em foco alguém que mora próximo, e de quem se pode pedir algo emprestado (ver Êxo. 3:22; 12:4; Pro. 27:10). c. Qarob, «próximo», referindo-se a alguém ou a algum lugar; no caso de pessoas, significava «parente». Ocorre por setenta e cinco vezes nas páginas do Antigo Testamento. Alguns exemplos: Exo. 32:27; Jos. 9:16; Sal. 15:3; Eze. 23:5,12; Gên. 19:20; Isa. 13:13; Joel 3:14; Sof. 1:14. d. Amith, «colega», «igual», «próximo». Essa palavra hebraica aparece por doze vezes no Antigo Testamento: Zac. 13:7; Lev. 6:2; 18:20; 19:11,15, 17; 25:14,15,17. Essas duas últimas referências mostram que ela pode ser traduzida em português como «outro», embora dando a entender outro ser humano, o próximo. e. Plesíon, «próximo», «vizinho», «concidadão». Essa palavra grega aparece por dezessete vezes no Novo Testamento: Mat. 5:43 (citando Lev. 19:18); 19:19; 22:39; Mar. 12:31,33; Luc. 10:27,29,36; João 4:5; Atos 7:26; Rom. 13:9,10; 15:2; Gál. 5:14; Efé. 4:25; Tia. 2:8 e 4:12. 2. Ensinamentos Bíblicos Acerca do Próximo Para um israelita, um outro israelita era o próximo, porquanto era um irmão, participante, com ele, do mesmo pacto com Abraão (ver Gen. 12:1-3). Dentro desse contexto foi dado o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo (ver Lev. 19:18). Esse mandamento foi universalizado no Novo Testamento; ao passo que no Antigo Testamento era restringido aos participantes do pacto abraâmico. Assim, a interpretação rabínica dizia que aos israelitas foi ordenado que amassem ao próximo, e que isso subentendia que eles deveriam odiar ao não-próximo, ou ao estrangeiro, ou ao inimigo. JESUS referiu-se a essa interpretação equivocada em Mat. 5:43 ss. E o Senhor reverteu essa ideia rabínica tão radicalmente que chegou a ordenar que amássemos aos nossos próprios inimigos, determinando que orássemos em favor daqueles que nos perseguem (ver Mat. 5:44). É desse modo que um crente chega a tornar-se um «perfeito» filho do Pai celeste (vss. 45,46] dotado de uma elevada natureza moral e espiritual. Diz Mat. 5:48: «Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste». Naturalmente, essa atitude para com o próximo faz parte da manifestação geral da lei do amor. A prática da lei do amor é prova da regeneração e da espiritualidade do indivíduo, segundo aprendemos em I João 4:7 ss. O Antigo Testamento, de fato, emprega em sentido mais amplo o termo «próximo», conforme se vê em Êxo. 3:22; 11:2 e Eze. 16:26. Também poderíamos pensar no livro do profeta Jonas, que é o «João 3:16» do Antigo Testamento. Entretanto, essa visão mais espiritual não conseguiu capturar a imaginação da corrente principal do judaísmo, que cada vez mais foi-se tornando uma fé exclusivista. A mais significativa passagem neotestamentária sobre a definição de quem é o nosso «próximo», e o que isso deveria significar para nós, acha-se na parábola do Bom Samaritano, em Luc. 10:29-37. O próximo é sempre alguma pessoa em necessidade, ao qual devemos socorrer, sem importar se essa pessoa vive perto ou longe de nós, sem importar sua raça ou religião. Do ponto de vista da criação (posto que não do ponto de vista da regeneração), todos os homens são filhos do mesmo DEUS, e todos eles são irmãos. Assim, um próximo, nesse amplo sentido, tem direito ao nosso amor. Ora, esse ensino era totalmente estranho ao judaísmo exclusivista dos dias de JESUS; mas, embora concorde com a nossa teologia cristã, raramente é observado na nossa prática. A real lei de DEUS consiste em amarmos ao próximo como a nós mesmos (ver Tia. 2:8); mas quanto a isso temos pouca experiência, exceto como uma proposição teológica. Paulo também mencionou essa lei, no contexto da natureza do amor cristão (ver Rom. 13:9,10). O amor ao próximo não o prejudica. Antes, cumpre todos os requisitos da lei, que encoraja o bem e proíbe que se faça mal ao próximo (ver Gál. 5:14, que reitera esse mandamento). Um amplo ensino espiritual haverá de ser, finalmente, anunciado entre todos os homens (ver Heb. 8:11), quando então a espiritualidade do ser humano será elevada ao ponto dele deixar de ser um guerreiro tribal, conforme hoje se vê. Ver o artigo geral sobre o Amor, e também aquele sobre o Fruto do ESPÍRITO.CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 489. Lv 19. 18. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Essa é a Regra Áurea. Cada um deve amar o próximo como a si mesmo. Esse é o segundo grande mandamento, de acordo com a avaliação do Novo Testamento, que só perde em importância para o amor a DEUS. JESUS citou este versículo e exaltou os princípios em que ele está alicerçado. Ver Mar. 12.31. A lei mosaica inteira repousa sobre esses dois princípios. A lei do amor é a primeira lei da espiritualidade, e, de fato, a essência da espiritualidade (I Cor. 13). É fruto da regeneração (I João 4.7). Teu próximo. De acordo com a definição rabínica, um compatriota hebreu. Mas notemos que até este capítulo inclui o estrangeiro (vss. 33 e 34). JESUS falou de modo que entendêssemos que próximo é qualquer outro ser humano (Luc.10.29 ss.). Quando de Hillel foi solicitado, por um discípulo em potencial, que dissesse a essência da lei, estando de pé sobre somente um dos pés (em tempo breve, portanto), ele apresentou, sob forma negativa, o conceito à nossa frente: Ό que não quiseres que outros te façam, não faças a outros”. Mas JESUS apresentou uma versão positiva desse mesmo princípio, em Mat. 7.12: Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles”. Cf. Rom. 13.8-10. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 552. Lv 19.17-18. A responsabilidade para com o próximo envolve uma atitude positiva de coração e mente. O ódio é uma resposta emotiva que somente deve ser empregada contra o mal (Am 5:15), e nunca contra alguém que também é um membro (“irmão") da comunidade da aliança. Quando se considera necessária a repreensão, a questão deve ser discutida abertamente com o transgressor, e não por detrás das suas costas, a fim de que a ira não levasse ao ressentimento e ao ódio, resultando, assim, no pecado. Paulo encorajou Timóteo a repreender os membros da igreja que estavam em erro, com amor e paciência (1 Tm 4:12). Tomar vingança da maneira de uma inimizade tradicional de sangue meramente perpetua uma injustiça, e às vezes a aumenta além de todas as proporções. A vingança como tal pertence somente a DEUS (Dt 32:35; Rm 12:19; Hb 10:30), que pagará no tempo certo. O curso para o cristão seguir em tais casos foi exemplificado por JESUS CRISTO (1 Pe 2:23). A lei do amor para como o próximo é enunciada somente aqui e no v. 34, e, segundo parece, abrange membros da comunidade da aliança (“os filhos do teu povo”) juntamente com os forasteiros e estrangeiros que viviam entre eles. Na realidade, os termos “amar” e “próximo” parecem ter sido tão compreensivos no seu escopo naquele tempo quanto o são agora. Esta, assim chamada, “regra de ouro” foi citada por CRISTO (Mt 19:19; 22:39; Mc 12:31; Lc 10:27, etc.) como ideal de comportamento altruístico na sociedade. O sentimento que subjaz este aforismo era sem igual no mundo antigo, e representa um dos preceitos morais mais destacados do Antigo Testamento. R. K. Harrison. Leviticos. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 183-184. III. A VERDADE 1. ANTIGO TESTAMENTO. I. Terminologia Bíblica No hebraico devemos considerar uma palavra e no grego, também uma, a saber: 1. Emeth, “verdade”, “constância”. Esse vocábulo hebraico ocorre por 92 vezes no Antigo Testamento. Há outras formas dessa palavra e outros vocábulos que ocorrem por algumas poucas vezes, e que também podem ser traduzidos como “verdade”. 2. Alétheia, “verdade”. Palavra grega que é usada por 110 vezes. No Antigo Testamento, a palavra emeth e seus cognatos indicam as idéias de firmeza, estabilidade, fidelidade, alguma base fidedigna de apoio. É uma qualidade atribuída tanto a DEUS quanto às criaturas. Também é atribuída não somente às mais diversas afirmações (por exemplo, Rute 3:12), mas também à conduta (ver Gên. 24:49) e às promessas (II Sam. 7:28). A verdade é associada na Bíblia à gentileza (Gên. 47:29), à justiça (Nee. 9:13 e Isa. 59:14) e à sinceridade (Jos. 24:14). Por essas razões, a Septuaginta, com freqüência, a traduz pelo termo grego pistis, “fé”, “fidelidade”, “convicção”, a fim de expressar o aspecto moral, em vez de empregar alétheia, “verdade”. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 593. Dt 32 .4 — Diferente da ineficácia dos deuses pagãos (v. 37), DEUS dá a vida, a estabilidade e a felicidade ao povo (v. 15,18,30,31). A vida abundante que Ele concede é baseada em Sua obra perfeita. Como uma Rocha firme que permanece inabalável diante das águas furiosas de um mar revolto, o Senhor e Sua obra continuam sólidos perante o caos produzido pelas vidas em pecado. O Todo-poderoso é a fundação segura de toda verdade num mundo decadente. Além disso, Ele nunca deixará as mentiras corromperem a justiça (Sf 3.5). Ao contrário, como um juiz justo e reto, protegerá os oprimidos. EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 335. Dt 32 (4) Ele é um DEUS de verdade, cuja palavra podemos aceitar, e nela podemos confiar, pois não pode mentir aquele que é fiel a todas as suas promessas, nem suas ameaças cairão por terra. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 662. Dt 32.1-4. Acerca do testemunho de céus e terra, cf. Is 1.2; M q 6.1,2. As palavras do cântico lembram a chuva e o orvalho porque refrescam e renovam os ouvintes, já que aludem ao caráter de Javé. Ele é tão sólido e confiável como uma rocha. Bruce; F. F. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento. Editora Vida. pag. 386. 2. NOVO TESTAMENTO. Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros" (Ef 4.25). O apóstolo Paulo mostra que engendrar pensamento falso, falar mentira, propalar falsos rumores faz parte do estilo de vida do mundo pagão. Os gentios convertidos à fé cristã tinham pela frente o desafio de mudar o seu padrão de vida; precisavam agora viver como discípulos de CRISTO. Verdade é aquilo que corresponde aos fatos, em contraste com qualquer coisa enganosa, a mentira (Dt 13.14; 17.4; is 43.9). A mentira é o oposto à verdade; trata-se da prática do engano, da falsidade e da traição. No contexto bíblico, a mentira vai além da prática intelectual da desonestidade; é uma distorção do verdadeiro eu e da nossa relação com DEUS e com o próximo (1 Jo 2.4; 4.20). A proibição aqui é a divulgação não oficial e de fonte desconhecida de informação ou notícia no meio do povo de DEUS. A lei que manda amar o próximo proíbe o discurso nocivo, ainda mais quando o objetivo é destruir a vida ou a reputação do outro. A pessoa confiável e de bem guarda segredo e não divulga o que ouve para não prejudicar o próximo. Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 130.

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