quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Lição 2 - O Padrão da Lei Moral, 2 parte

Lição 2 - O Padrão da Lei Moral, 2 parte

II – OS DEZ MANDAMENTOS
1. ORIGEM DO TERMO.
O termo é usado em Êxodo 34.28; Deuteronômio 4.13; 10.4, e os mandamentos estão registrados em Êxodo 20.1 -17; Deuteronômio 5.6-21. O título alternativo “decálogo” angliciza o termo da LXX, que é uma tradução literal do hebraico.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 2. pag. 142.
 
Palavras Envolvidas e Designações
A importância da lei, dentro do judaísmo, pode ser demonstrada pelo fato de que há cerca de novecentas referências aos mandamentos, no Antigo Testamento, mediante o uso de uma dezena de palavras diferentes.
O Decálogo. O termo decálogo, que significa dez palavras, foi usada pelos pais gregos da Igreja para se referirem aos dez mandamentos do Antigo Testamento. No hebraico, esses mandamentos são chamados haddebarim asereth, «dez palavras». Ver Êxo. 34:28; Deu. 4:13 e 10:4. Outras expressões também usadas para indicar a lei são: «as duas tábuas do testemunho» (Êxo. 34:29); a «sua aliança» (Deu. 4:13), «as tábuas da aliança» (Deu. 9:9). No Novo Testamento, encontramos, principalmente, o termo grego entola~i, «mandamentos» (Mat. 19:17 ss, Rom. 13:9; I Tim. 1:9, para exemplificar).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4139-4140.
 
2. CLASSIFICAÇÃO.
Quanto à lei, algo precisa ser dito sobre a alegada divisão em lei moral, lei cerimonial e lei civil. Desde muito tempo qualifica-se o Decálogo como lei moral, enquanto a parte da legislação mosaica que trata das cerimônias de sacrifícios e festas religiosas, entre outras, é chamada de lei cerimonial, e os preceitos de caráter jurídico são considerados lei civil. A visão tripartite da lei em preceitos morais, cerimoniais e civis não vem das Escrituras. "Embora essa distinção tripartite seja antiga, seu uso como fundamento para explicar a relação entre os testamentos não é demonstravelmente derivada do Novo Testamento e provavelmente não é anterior a Tomás de Aquino" (CARSON, 2011, p. 179).
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 25.
 
A PRIMEIRA TABUA
“Não terás outros deuses" (20.3), Absoluta prioridade deve ser dada a DEUS. Este mandamento é a chave para todos os outros. A menos que nos comprometamos com o Senhor, e somente com Ele, nossos corações serão dissuadidos da justiça do decreto dos Dez Mandamentos. Para o antigo Israel, “outros deuses” eram freqüentemente ídolos pagãos. Para nós, "outros deuses” podem ser a procura do bem-estar ou do prazer. Se nosso compromisso com o Senhor for completo, a observância do restante dos mandamentos seguirá naturalmente, “Não farás imagem” (20,4)" DEUS é espírito. Assim, esculpir qualquer imagem para uso em nosso culto corromperá nosso entendimento da natureza de Deus como Yahweh. O zelo do Senhor (v, 5) reflete uma preocupação apaixonada nossa para conhecer e cultuar a DEUS como Ele verdadeiramente é. A menção de “visito a maldade dos pais nos filhos” lembra-nos que as conseqüências de um conhecimento imperfeito de DEUS persiste por gerações, Se conhecemos e adoramos ao Senhor em sua natureza espiritual, protegemos nossos descendentes dos pecados e consequentes juízos sobre os mesmos.
A SEGUNDA TÁBUA
"Honra teu pai e tua mãe" (20*12). Uma forma intensiva da palavra “honra” é usada aqui, e o mandamento pode bem ser traduzido como “demonstrar respeito. Pais são instrumentos de DEUS na vida dos filhos, para ir ao encontro das necessidades físicas deles e introduzir a criança nos caminhos de DEUS. A prioridade espiritual dos pais é observada no fato de que muitas das cerimônias, tal como a ceia da Páscoa, eram conduzidas no seio da família. Em Deuteronômio 6 e 11, é destacada a responsabilidade pela educação no lar, E significativo que no mundo predominantemente masculino* seja dado à “mãe' uma posição igual, sendo apresentada primeiramente no texto em hebraico de Levítico 19.3.
"Não matarás” (20* 13). “Assassinar” é mais preciso aqui do que “matar”. A palavra hebraica rasah ê a única sem paralelo em outras sociedades do segundo milênio a. C, Ela identifica "morte de pessoas” e inclui assassinatos premeditados executados com hostil intenção e mortes acidentais ou homicídio culposo. Dentro da comunidade da aliança, precisava-se tomar um grande cuidado para que ninguém perdesse a vida, mesmo por acidente. O termo rasah não é aplicado em mortes na guerra ou em execuções judiciais, >>pp. I 14, 128.
Não adulterarás” (20.14). A integridade do relacionamento o crucial na comunidade da aliança, A fidelidade de um homem e uma mulher um ao outro reflete a fidelidade de DEUS ao seu povo. Em frequentes castigos que crescem onde quer que os homens falhem em conhecer e amar ao Criador.
"Não tomarás o nome do Senhor, teu DEUS em vão” (20*7). O '"nome” do Senhor, Yahweh, ocorre 6.828 vezes no AT. Este é o nome pessoal do DEUS de Israel, Nunca é usado para uma divindade pagã.
Assim o ‘nome” de DEUS transmite sua singularidade, a verdadeira essência do que Ele é. A palavra hebraica transliterada como “abuso” na NVI, e “em vão em outras versões, significa “nada” ou '‘uma coisa não substancial”, Nunca devemos falar do Senhor ou usar seu nome como se Ele fosse irreal ou insignificante. Devemos falar dEle com respeito, como o único que tem absoluta prioridade em nossas vidas.
“Lembra-te do dia do sábado, para o santificar” (20*8-11). Este é o único mandamento do Decálogo não repetido no NT, que estabelece o domingo como o dia de adoração dos cristãos. O padrão de seis dias de trabalho e um de descanso foi estabelecido pelo próprio DEUS na Criação e o povo do AT devia honrá-lo não trabalhando no sétimo dia.
"Não Adulterarás". Nas antigas sociedades no Oriente Próximo o adultério era considerado um "grande pecado” contra o cônjuge, A Escritura o vê como um pecado contra DEUS, uma rejeição da estrutura da aliança que liga um povo ao Senhor. Não é de admirar que a idolatria é freqüentemente retratada como adultério espiritual, um pecado contra o vínculo de intimidade que existe entre o Senhor e Israel.
“Não furtarás” (20.15) O mandamento proíbe roubo de qualquer espécie, O conceito aqui não é tanto pelos direitos de propriedade individual como o que diz respeito ao impacto destruidor do roubo nos relacionamentos dentro da comunidade da aliança.
Assim a punição por furto no AT não é prisão, mas restituição, devolvendo pelo menos o dobro do que foi roubado (cf. 22*9). O pagamento feito à vítima não é punitivo. Veja, na verdade, restaurar a harmonia e a estabilidade.
“Não dirás falso testemunho contra o teu próximo" (20,16). O mandamento inclui testemunho dado em tribunal, mas vai além disso. Falso testemunho é qualquer declaração maliciosa intencionada a degradar ou ferir outra pessoa, A reputação dos outros, assim como suas propriedades, devem ser resguardadas por todos.
Não cobiçarás” (20.17)* Desejar qualquer coisa a qual DEUS escolheu dar a outro revela uma omissão em dar a DEUS prioridade em nossas vidas.
RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Editora CPAD. pag. 64.
 
3. FORMA.
20.3-17 Os Dez Mandamentos, também conhecidos como o Decálogo, que se seguem após o prólogo histórico introdutório {v. 2), são formados corno um preceito ou mandamento diretamente dado na segunda pessoa. Essa forma era algo bastante incomum na época. Códigos legais antigos do Oriente Próximo eram, na maior parte, casuísticos ou formados pela jurisprudência quanto à forma, ou seja, uma construção "se... então” escrita na terceira pessoa, na qual uma suposta ofensa era seguida por uma afirmação de uma ação a ser tomada ou uma penalidade a ser aplicada. Os Dez Mandamentos também podem ser agrupados em duas categorias gerais: a vertical, ou seja, o relacionamento do ser humano com DEUS (vs. 2-11), e a horizontal, ou seja, o relacionamento do ser humano com a comunidade (vs. 12-17). Proibições concisamente listadas caracterizam a segunda categoria, com uma exceção — um imperativo mais a explicação do mesmo (v. 12). A explanação ou o motivo anexo a uma proibição caracteriza a primeira categoria. Por esses Dez Mandamentos, a verdadeira teologia e o verdadeiro culto, o nome de DEUS e o sábado, a honra familiar, a vida, o casamento, a propriedade, a verdade e a virtude estão bem protegidos.
MAC ARTHUR. Bíblia de Estudo. Sociedade Bíblica do Brasil. pag. 118.
 
É habitual na erudição bíblica referir-se aos Dez Mandamentos e ao livro do concerto, que os segue, como lei no sentido de jurisprudência comum. Embora esta não seja uma noção totalmente errônea, o mais recente reconhecimento de que estas seções são nada menos do que as cláusulas de estipulação em um documento de tratado que teve o efeito saudável de localizá-los mais precisamente no ambiente histórico, literário e teológico. Estas estipulações não visavam regular o comportamento humano em geral, embora os princípios que elas incorporam sejam heurísticos e atemporais, mas acham seu lugar em um contrato cujo propósito é fornecer diretrizes legais, morais e religiosas para um povo especial escolhido para uma tarefa especial. E até para este povo os regulamentos não eram um meio pelo qual ele obtinha a salvação — que foi simbolizada pela Páscoa e pelo êxodo, mas um manual de instruções pelo qual o povo do concerto tinha de ordenar a vida nacional na missão como povo sacerdotal e mediador. As estipulações eram a torah no sentido de instruções.
Tendo estabelecido a natureza da lei de Israel como estipulação do concerto, ainda é importante ressaltar que a grande seção de estipulação do tratado está dividida em duas partes, como já mencionamos. A primeira, os Dez Mandamentos, é de forma e função completamente diferente da segunda seção, o livro do concerto. Como mostraram muitos estudiosos, os mandamentos estão expressos na estrutura de lei apodíctica. Isto diz respeito à natureza geral, incondicional e elementar expressa em quase toda ocorrência por um “não farás”.
O livro do concerto, por outro lado, está disposto na forma de lei casuística. Seus regulamentos tratam de casos específicos ou classes de incidentes e normalmente consistem em declarações tipo prótase-apódose, quer dizer: “Se alguém fizer isto ou aquilo, então esta é a penalidade”.
Outra ressalva é que a seção de estipulação mais curta e geral é parecida com uma “constituição”, da qual a seção mais longa de estipulações se relaciona como um corpo de emendas ou, melhor, exemplos de aplicação específica. Assim, cada um dos dez mandamentos tem elaboração no resultante livro do concerto, com a conseqüência de que os princípios estão detalhados com referência precisa à vida prática e cotidiana.
Roy B. Zuck. Teologia do Antigo Testamento. Editora CPAD. pag. 49-50.
 
III – A QUESTÃO DOS PRECEITOS DA LEI.
1. UMA SÓ LEI.
Jo 7.22.
Os fios agora se ligam. Se a lei da circuncisão veio de Moisés ou do tempo dos patriarcas, o resultado era o mesmo: vocês circuncidam no sábado. A lei exigia que a circuncisão acontecesse no oitavo dia. Se uma criança nascesse no sábado, o oitavo dia (em um sistema inclusivo de cálculo) caía no sábado seguinte. A questão, portanto, é qual lei toma precedência: o mandamento de que a criança seja circuncidada no oitavo dia, ou a proibição contra todo trabalho regular no dia de sábado. As palavras de JESUS registram a conclusão: os judeus regularmente circuncidavam seus filhos no sábado, se o sábado fosse o oitavo dia (cf Mishná Shabbath 18.3; 19.2,3; Nedarim 3.11).
Jo 7.23. Assim, aqui estavam os oponentes de JESUS, ‘quebrando’ formalmente o sábado para que a lei de Moisés, com respeito à circuncisão, não fosse quebrada. Eles faziam isso regularmente; JESUS realizou só uma obra, aquele ‘único milagre’ (v. 21), todavia ele gerou profundo ressentimento. Portanto, por que eles estão tão cheios de ira.
Segundo, a questão no texto é que os judeus estabeleceram uma hierarquia de precedência entre as prescrições detalhadas do código mosaico, precisamente para guardar a lei. O mesmo princípio de uma hierarquia de precedência é revelado em Mateus 12.5, em que JESUS indica que os sacerdotes que realizam seus deveres sagrados no sábado não incorrem em culpa como violadores do sábado. A conclusão nessa passagem não é que os judeus por esse princípio de fato violar a lei (embora, formalmente, eles o façam, cf. Carson, Matt, in loc.), mas que aquele milagre único de JESUS implicitamente apela a uma hierarquia semelhante de precedência.
Mas, embora seja semelhante, não é a mesma hierarquia. Os pensadores judeus dessa época afirmavam, na base da precedência da circuncisão do oitavo dia sobre o sábado, que qualquer ato necessário de misericórdia podia ser legitimamente realizado no sábado. A circuncisão era vista como um ritual de aperfeiçoamento: um membro do corpo, por esse rito, era aperfeiçoado e tinha de ser aperfeiçoado no oitavo dia; quanto mais, portanto, deve um ato ser realizado, mesmo no sábado, se ele aperfeiçoa o corpo inteiro, isto é, se ele salva uma vida (c/TTosephta Shabbath 15.16; Mekhilta [um comentário rabínico] sobre Ex 31.13). JESUS estabelece uma hierarquia levemente diferente ao remover o critério de urgência ou de necessidade.
Os judeus podiam bem raciocinar que um homem que foi paralítico por trinta e oito anos pode sem dúvida esperar mais um dia para ser curado. Mas, eliminando a necessidade da consideração, a hierarquia da precedência de JESUS forja o mais forte elo possível entre circuncisão e a cura do homem todo — e isso em um contexto que acaba de nos lembrar que a circuncisão, em todo caso, antedata a lei de Moisés e, portanto, as leis do sábado (v. 22). A cura que JESUS opera do homem todo torna-se, assim, um cumprimento da circuncisão do Antigo Testamento, no mesmo dia que serviu como um sinal dos propósitos de redenção e de descanso de DEUS no Antigo Testamento.
É mais uma evidência de que Moisés escreveu sobre CRISTO (Jo 5.46).
João simplesmente acrescenta que está pelo menos de acordo com alguns argumentos sinóticos (e.g. a asserção de que JESUS está acima do sábado como seu Senhor, Mc 2.28 par.), que é uma antecipação do argumento teológico pressuposto em Hebreus 4.
D. A. CARSON. O Comentário De João. Editora Shedd Publicações. pag. 315-317.
 
Jo 7.22 ―Moisés vos deu a circuncisão – se bem que ela não vem dele, mas dos patriarcas – e também no sábado circuncidais um homem. A circuncisão é mais antiga que Moisés e já foi dada e ordenada a Abraão como sinal da aliança (Gn 17.10-12). Moisés, porém, a acolheu na lei, ordenando que ela deve ser realizada no oitavo dia (Lv 12.3). No entanto, para poder obedecer rigorosamente a determinação, era preciso que meninos também fossem circuncidados no sábado, quando o oitavo dia após o nascimento caísse num sábado. Acontece que essa operação no corpo de uma criança sem sombra de dúvida é uma obra. Apesar disso ela é praticada também no sábado. E agora JESUS faz uma dedução semelhante à maneira como também escribas estruturavam suas conclusões teológicas:
Jo 7.23 ―E, se o homem pode ser circuncidado em dia de sábado, para que a lei de Moisés não seja violada, por que vos indignais contra mim, pelo fato de eu ter curado, num sábado, a um homem todo? Parece que JESUS não está entendendo a circuncisão em toda a sua profundidade como sinal de participação na comunidade salvífica israelita, mas aderindo à interpretação que costumava ser usada no ambiente grego para justificar a circuncisão: ela favorece a saúde. Nesse caso, ela naturalmente é apenas uma ajuda parcial, enquanto JESUS curou uma pessoa inteira. Contudo, o aspecto principal para JESUS é a linha de pensamento fundamental. Uma vez que os escribas e fariseus até reconhecem ―obras lícitas ou mesmo ordenadas no sábado, então eles têm de compreender também que a ajuda pela cura para um infeliz enfermo é uma obra dessas. Por isso JESUS solicita a seus adversários que nessa questão não julguem superficial e mecanicamente, mas enxerguem com maior profundidade.
Werner de Boor. Comentário Esperança Evangelho de João. Editora Evangélica Esperança.
 
Jo 19-24. A circuncisão no sábado era aceitável e na realidade apontava para a obra que JESUS tinha realizado, uma vez que a restauração de um homem física e espiritualmente era até mais significativo do que a administração do sinal da aliança.
Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular. João. pag. 44.
 
2. A LEI DO SENHOR E A LEI DE MOISÉS.
Ne 8.1-5 O livro da Lei de Moisés era o Pentateuco, os primeiros cinco livros da Bíblia. O povo ouviu atentamente a Esdras enquanto lia a Palavra de DEUS, e suas vidas foram mudadas.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 675.
 
Como Iegislador e Mediador da Aliança. A lei mosaica foi uma legislação da aliança. E Moisés foi o instrumento humano para tanto. O capitulo vinte do livro de Êxodo fornece-nos a porção cêntrlca dessa legislação, mas quase todo o livro de Êxodo está envolvido em seu delineamento; e o livro de Deuteronômio repete a questão, com algumas adições, ao passo que o livro de Levítico fornece-nos as intrincadas leis acerca do sacerdócio e do culto religioso. A lei mosaica não era apenas um documento religioso de proibições. Paralelamente a isso, era um complexo conjunto de leis civis, muitas delas com preceitos paralelos em outras legislações semíticas. O código de Hamurabi foi escrito cinco séculos antes de Moisés; e os pontos de semelhança mostram que uma das fontes da legislação mosaica foi o fundo de leis desenvolvidas pelas culturas semíticas durante um longo período de tempo.
Esse pacto mosaico é contrastado com o Novo Testamento, trazido por CRISTO. Caracterizava-se por uma lei, e, presumivelmente, era capaz de transmitir vida (ver Lev. 18:5). Entretanto, os eruditos hebreus têm demonstrado que, nos escritos de Moisés, essa vida era apenas terrena, e não pós-morte. Um contraste com a lei mosaica, a graça, a verdade e a vida eterna vieram por meio de CRISTO (João 1:17). O evangelho anuncia ao mundo a graça divina (ver Rom. 3 e 4). O pacto mosaico estava contido em três divisões:
a. os mandamentos (Êxo, 20);
b. os juizos (Êxo, 21:1-24:11), que regulamentavam a vida social de Israel; e
c. as ordenanças (Êxo. 24:13-31:18) que governavam a vida religiosa da nação.
Esses três aspectos constituíam a lei. O trecho de 2 Cor. 3:7-9 caracteriza essa legislação como «ministério da morte» e «ministério da condenação», porquanto não é através da lei que a vida espiritual é conferida ao homem. O crente do Novo Testamento não está debaixo da lei mosaica, e, sim, sob o incondicional Pacto Novo da graça divina (ver Rom. 3:21-27; 6:14,15; OU 2:16; 3:10-14; 4:21-31; Heb. 10:11-1).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag. 340.
 
3. A LEI DE DEUS.
Israel Renova a Aliança (Js 24.16-28)
No momento em que Josué chamou o povo a fazer uma escolha, os sentimentos das pessoas pareciam ter sido chocados por até mesmo uma alusão à apostasia. Nunca nos aconteça que deixemos o Senhor para servirmos a outros deuses (16).
Josué solenemente advertiu aquelas pessoas que sois testemunhas contra vós mesmos de que vós escolhestes o Senhor, para o servir (22). Eles fizeram a escolha de servir ao Senhor incondicionalmente. Peloubet faz a seguinte observação: “Nossas profissões religiosas são testemunhas permanentes contra nós no caso de nos esquecermos de DEUS”.  Josué pediu que Israel evidenciasse sua sinceridade, ao colocar fora os deuses estranhos que há no meio de vós (23). Não se tem conhecimento do quão presentes esses deuses estavam entre o povo. O fato de Josué pedir que o povo se livrasse dos deuses é uma confirmação de que ele estava consciente da existência deles (cf. Jz 17.5).
Pela terceira vez naquela reunião o povo declarou: Serviremos ao Senhor, nosso DEUS (24; cf. 18, 21). Antes de poderem realmente servir, precisavam fazer uma rendição incondicional ao programa completo que DEUS tinha para suas vidas.
Depois dessa declaração de proposta de lealdade, fez Josué concerto, naquele dia, com o povo (25). Isto envolvia a oferta de sacrifício, com a solene declaração de que a idolatria não seria tolerada em Israel.
Josué fez dessa reunião pública uma ocasião solene. Ele pôs por estatuto e direito... escreveu estas palavras no livro da Lei de DEUS; e tomou uma grande pedra e a erigiu ali (25,26). Josué utilizou-se de todo o expediente disponível para garantir a lembrança de DEUS nas mentes das pessoas. Esta pedra nos será por testemunho (27). Ela marcava o local onde o concerto fora estabelecido entre DEUS e o povo.
Chester O. Mulder. Comentário Bíblico Beacon. Josué. Editora CPAD. pag. 78-79.
 
Js 24.22-27 - Josué e o povo selaram a aliança de servir a DEUS quando escreveram as palavras no livro da Lei de DEUS e no momento em que erigiram uma grande pedra debaixo do carvalho, a mesma árvore que Jacó encontrou quando veio a Siquém. Esta árvore ficava perto do santuário do Senhor, o qual, provavelmente, não era uma construção regular ou um templo, mas um lugar sagrado criado em Siquém ao levar o tabernáculo para lá.
A referência às pessoas apresentando-se diante de DEUS (v. 1) pode indicar que o tabernáculo estava lá. A pedra debaixo do carvalho funcionava como um lembrete legal ou testemunho de que a aliança fora assumida pelas pessoas. Agora, a pedra e o povo eram ambos as testemunhas. Isso reflete a função do altar construído pelas tribos que estavam assentadas a leste do Jordão, que também era um testemunho (Js 22.34). Uma grande pedra erguida, que data da época final da idade do Bronze (isto é, mais ou menos a época em que se passa essa história), foi encontrada em Siquém, e pode ser a pedra aqui mencionada.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 399-400.
 
Ne 8.8 Ele e outros leram do livro da lei, desde a alva até ao meio-dia (v. 3), e eles leram declarando (“claramente”, v.8 [versão RA]). A leitura das Escrituras em reuniões cristãs é uma ordenança de DEUS, em que Ele é honrado, e sua Igreja, edificada. E, em ocasiões especiais, devemos estar abertos a participar por muitas horas juntos na leitura e exposição da palavra de DEUS: os que são mencionados aqui se reuniram por seis horas. Que aqueles que leem e pregam a palavra aprendam também a apresentar-se de maneira distinta, como aqueles que entendem o que dizem e são tocados por ela, e que desejam que esses a quem falam tenham condições de entendê-la, retê-la e ser tocados por ela. O que eles leram, isso expuseram, e disso mostraram a intenção e o significado, e a aplicação prática das palavras da lei; eles explicaram o sentido em outras palavras, faziam que, lendo, se entendesse (w. 7,8). O povo comportou-se de maneira muito apropriada quando a palavra foi lida e aberta a eles. [1] Com grande reverência. [2] Com grande firmeza e compostura. [3] Com grande atenção e disposição: os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei (v. 3). Seus ouvidos estavam como acorrentados a ele; eles ouviam prontamente, e prestavam atenção em cada palavra. A palavra de DEUS requer atenção e a merece.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag. 825.
 
A Leitura e a Exposição da Lei de Moisés (Ne 8.1-12)
Esdras entra agora em cena e, no início do sétimo mês, recebe dos líderes judeus a solicitação de ler o livro da Lei. Enquanto isso, uma grande plateia havia se reunido - formada por homens e mulheres - em uma área importante de Jerusalém para ouvir suas palavras. Foi erguida uma plataforma elevada para essa finalidade diante da Porta das Águas (3), cerca de quinhentas jardas ao sul da área do Templo. Com a ajuda de inúmeros levitas, que se postaram do seu lado direito e esquerdo, e depois das devidas cerimônias, ele se colocou perante o público e leu a lei desde a alva até ao meio-dia. Quando Esdras abriu o livro (5) ele, evidentemente, desenrolava um pergaminho e, com esse sinal, todas as pessoas se levantaram.
A maneira pela qual os levitas ajudaram Esdras não está muito clara. No versículo 8 ficamos cientes de que eles leram o livro, na Lei de DEUS, e declarando e explicando o sentido, faziam com que, lendo, se entendesse. Parece que a leitura e a interpretação foram feitas por muitos levitas; talvez, Esdras tenha lido em hebraico e os levitas sido incumbidos de traduzir ou parafrasear em caldeu ou aramaico, língua que havia se tornado popular durante o exílio. Com algumas modificações, essa língua continuou a ser falada até os dias de JESUS. Em todo caso, era necessário fazer com que o significado fosse claro, e isso foi conseguido, pois o texto informa que todas as pessoas entenderam.
C. E. Demaray. Comentário Bíblico Beacon. Neemias. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 529-530.
 
IV – A LEI E A GRAÇA
1. A TRANSITORIEDADE DA LEI.
A GLÓRIA DO NOVO CONCERTO 3.7-18
Paulo lembrou as tábuas de pedra nas quais DEUS tinha escrito o antigo concerto. Ele identificava a lei, embora mortal, como sendo, apesar disto, gloriosa, porque ela é a provisão de DEUS e a prova da sua intervenção na vida do seu povo. Mas aquilo que está resumido em pedra nem de longe pode vir a ser tão glorioso como o que ainda está por vir. O ESPÍRITO cria uma nova vida em nós. Ele é o ESPÍRITO SANTO que estava presente na criação do mundo como um dos agentes da origem da própria vida (Gn 1.2). Ele é o poder que está operando no novo nascimento de cada cristão e aquele que nos ajuda a viver uma vida cristã autêntica.
II Cor 3.7,8 Paulo usou a história da ocasião em que DEUS deu os Dez Mandamentos para ilustrar a diferença entre o seu ministério e o de Moisés. A história pode ser encontrada em Êxodo 34.29-35. Depois de receber os Dez Mandamentos escritos pelo próprio DEUS, Moisés desceu do monte Sinai com as tábuas. Embora Moisés não soubesse, a pele do seu rosto resplandecia com a glória de DEUS. Quando Moisés voltou ao campo israelita, o povo viu o seu rosto radiante e teve medo de se aproximar dele. Moisés reuniu o povo ao seu redor para que pudesse lhes dizer tudo o que DEUS tinha ordenado que eles fizessem, e para isto colocou um véu sobre o seu rosto.
 
Observação do Ev. Luiz Henrique
Quando Moisés entrava no Lugar Santíssimo do Tabernáculo para estar na presença do Senhor, ele removia o véu do seu rosto para falar com DEUS. Depois, ele aparecia novamente diante das pessoas com o rosto coberto e lhes dizia o que DEUS tinha ordenado. Com o passar do tempo a glória ia se desvanecendo e Moisés já não precisava usar o véu. Assim a glória de DEUS se manifestava quando Moisés estava com DEUS, isso representa a glória da nova Aliança que está em nós definitivamente através do ESPÍRITO SANTO. Mora em nós, dentro de nós.
 
Paulo usou o hábito de Moisés de colocar um véu sobre o seu rosto e depois removê-lo como um símbolo da diferença entre o antigo e o novo concerto. O antigo sistema da lei gravada em tábuas de pedra trazia condenação porque ele mostrava o pecado e a sua trágica conseqüência: a morte. Em contraste, o novo concerto traz a vida, por intermédio do ESPÍRITO SANTO. Isto era mais glorioso - literalmente, refletia mais a glória de DEUS - do que a lei. Para reforçar ainda mais este ponto, Paulo descreveu a glória do rosto de Moisés como uma glória transitória.
Paulo via este brilho transitório como outro sinal da natureza temporária do antigo concerto.
II Cor 3.9-11 O antigo concerto só trazia a condenação, mas o novo pode trazer às pessoas a justiça diante de DEUS. A carta de Paulo aos Romanos explica com detalhes como o antigo concerto traz condenação, A lei traz um veredicto de culpa, porque ela aponta o pecado na vida das pessoas (Rm 3.19,20; 5.12,13).
Ninguém é justo diante de DEUS (Rm 3.10).
Mas DEUS, com a sua misericórdia, concede a sua própria justiça àqueles que crêem no seu Filho (Rm 5.17). Desta forma, todos aqueles que crêem em JESUS são declarados justos diante de DEUS (Rm 3.20-22). Esta sentença, portanto, resume a diferença entre o antigo e o novo concerto que Paulo tinha pregado aos coríntios: o antigo, por apontar o pecado, traz o julgamento de DEUS; mas o novo, por meio da vida inocente e da morte de JESUS, traz a justiça de DEUS ao crente.
O antigo concerto era glorioso. Não apenas o rosto de Moisés brilhava, mas trovões, relâmpagos, uma espessa nuvem, um sonido de buzina mui forte e fogo acompanharam a sua inauguração, no Monte Sinai (Êx 19.16-20). Mas o novo concerto muito mais o excederá em glória. O novo ministério, o ministério do ESPÍRITO, é ainda mais glorioso. As vidas e os corações transformados dos crentes são uma obra de DEUS ainda mais miraculosa do que os relâmpagos, os trovões, e os terremotos. Na verdade, esta glória maior estava eclipsando a glória do antigo concerto. Da mesma forma como a luz brilhante do sol faz com que uma lanterna pareça inútil, também a glória inigualável do novo concerto torna inútil qualquer brilho menor. O antigo concerto era transitório, tinha sido deixado de lado, e estava sendo substituído pelo novo concerto, que permanece.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 204-205.
 
II Cor 3.7
«...gravado com letras em pedras...» Esse foi também outro meio que Paulo usou para mostrar como o antigo pacto era «inferior» ao novo, meio que ele já havia utilizado no terceiro versículo deste capítulo. A nova aliança grava a mensagem de CRISTO em tábuas de carne, isto é, no homem essencial, espiritual; e isso é que toma essa mensagem eficaz em suas vidas. A antiga mensagem, por sua vez, não era gravada no coração, mas foi gravada meramente em tábuas de pedra.
 A glória de Moisés se desvaneceu, mas a glória do homem JESUS jamais poderá diminuir.
Mediante tais idéias, Paulo ilustrou a glória maior e a permanência do novo pacto.
Ilustrações sobre a inferioridade da lei mosaica em relação ao sistema da graça divina. Há quatro maneiras de mostrar essa inferioridade, a saber:
1. A lei era a ministração da morte; mas a graça conduz à vida eterna.
2. A lei era a ministração da condenação; a graça nos confere a justificação.
3. A lei era temporária; mas o novo pacto é permanente.
4. A lei refletia a glória de DEUS, no rosto de Moisés; mas o novo pacto em muito ultrapassa a essa glória, tal como CRISTO é maior do que Moisés.
A Glória Da Lei :
1. A lei era gloriosa por ser uma manifestação da vontade divina, acompanhada pela presença de DEUS ou de algum elevado poder espiritual, em sua outorga e administração.
2. A lei prefigurava CRISTO nos seus sacrifícios e cerimônias, pelo que, por si mesma, era gloriosa.
3. Continha muitas lições espirituais de grande valor, embora não fosse, ela mesma, o caminho da salvação.
4. Demonstrava a necessidade que temos do Salvador, além de predizer a sua vinda. Foi um mestre-escola que conduziu homens a CRISTO.
5. Todavia, a glória da lei era secundária, fadada como estava a ser ultrapassada, uma vez que fosse outorgado aos homens aquilo que a lei simbolizava e predizia.
6. A glória da lei era transitória, e desapareceu diante da vinda de CRISTO.
7. Seu valor era significativo, pelo que também a sua glória foi grande; mas a glória de CRISTO é a que pode transfigurar a ti e a mim.
Os discípulos de CRISTO não refletem a glória transitória de Moisés em seus rostos. Antes, possuem a glória eterna do ESPÍRITO de DEUS, em suas almas.
De quatro maneiras, pois, o apóstolo dos gentios demonstrava a superioridade da nova aliança, em comparação com o antigo pacto. Essas quatro maneiras são:
1. A lei mosaica era a ministração da morte; a nova aliança é a ministração da vida.
2. A lei era a ministração da condenação; a nova aliança é a ministração da justificação.
3. A lei tinha certa glória; mas o novo pacto ultrapassa em muitíssimo essa glória.
4. A permanência da graça, em relação ao sistema mosaico, que era transitório.
Em tudo isso se percebe que o apóstolo Paulo rompera definida e permanentemente com o antigo judaísmo. Para ele, o cristianismo não era meramente um nível mais elevado do judaísmo, alguma nova expressão do judaísmo. Pelo contrário, era uma revelação muito mais elevada, uma nova ordem, revestida de uma nova e permanente glória. A glória do judaísmo—segundo nos informava Paulo—era infinitesimal, quando posta em confronto com a glória que nos é oferecida em CRISTO.
«A glória do novo pacto nos resguarda da morte, nos resguarda da condenação, e é permanente. Nesse argumento, pois, o apóstolo tinha em vista, sobretudo, os judaizantes, os quais pensavam que a lei era indispensável e superior ao evangelho». (Beet, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 5. pag.
 
2. A GRAÇA.
Lv 18.5 Cumprindo os quais, o homem viverá por eles. Vivia-se, vivendo corretamente. A vida consistia na guarda da lei. Este versículo é muito empregado para mostrar que os hebreus esperavam obter a vida eterna mediante a guarda da lei. Posteriormente, os judeus interpretavam-no nesse sentido. Mas foi essa a questão central que o apóstolo Paulo combateu e repudiou, em Gál. 3.21,22. Disse ele: .. se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade seria procedente de lei. Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que mediante a fé em JESUS CRISTO fosse a promessa concedida aos que crêem”.
Mas em Lev. 18.5, “vida" não é a vida eterna. Em parte alguma do Pentateuco temos a promessa de vida além-túmulo para os que vivessem retamente, nem temos ameaças de juízo, além-túmulo, para os que não vivessem retamente. O assunto da bem-aventurança ou da punição eternas, além-túmulo, ainda precisou de muito mais tempo para ser consolidado dentro da teologia dos hebreus. Simplesmente temos de admitir que a teologia judaica, nesse particular, era deficiente, sendo esse um dos pontos que a revelação cristã veio aprimorar.
Não há que duvidar, sem embargo, de que, posteriormente, quando os judeus vieram a crer firmemente na existência da alma imortal e imaterial, o trecho de Lev.18.5 passou a ser empregado para mostrar que a vida etema viria através da guarda da lei. E isso armou o palco para o repúdio a tal ensino, por parte de Paulo.
A vida referida em Lev. 18.5 é uma vida física abundante, abençoada por Yahweh. Uma vida boa, mediante a observância dos mandamentos, mas que termina na morte espiritual. É melhor alguém viver bem do que ao contrário, e a guarda da lei fazia parte integral de uma vida boa e longa sobre a terra, sob a bênção de Yahweh.
“As autoridades religiosas dos dias do segundo templo interpretavam essa cláusula no sentido de que quem obedecesse a essas leis teria a vida eterna. Por isso mesmo, as antigas versões caldaicas traduziam-na como “terá a vida eterna”. Essa passagem foi citada tanto pelos profetas (Eze. 20.11; Nee. 9.29) quanto pelo apóstolo Paulo (Rom. 10.5 e Gál. 3.12), o qual contrastou essa promessa, baseada nas obras, com a promessa do evangelho, baseada na fé” (Ellicott, in toe.). O argumento paulino, naturalmente, era que viver a lei, obedecer aos seus conceitos, é algo realmente acima da capacidade humana. Por isso mesmo, o homem precisa de um sistema diferente do da lei, o sistema da graça-fé.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 545.
 
Gl 3.11 Tentar ser justificado diante de DEUS observando a lei não dá certo. A lei não pode salvar, mas a fé pode. Paulo referiu-se à declaração de Habacuque, em Habacuque 2.4: “O justo viverá da fé”. Uma pessoa justificada não é aquela que observa a lei, mas aquela que tem um relacionamento correto com DEUS. Esta expressão significa que os cristãos viverão por causa da fidelidade de DEUS e por causa da sua atitude de fé em DEUS; como resultado, eles terão a vida eterna e sentirão a plenitude da vida.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 227.
 
O método da lei não só encontra sua conseqüência lógica na maldição, mas as Escrituras claramente consideram fé, e não lei, a base de justificação. E é evidente que, pela lei, ninguém será justificado diante de DEUS, porque o justo viverá da fé.
“Justificar” e “fazer justo” são traduções possíveis do mesmo verbo grego. Este termo — “justiça” (dikaiosyne) — é um dos conceitos mais importantes no pensamento paulino. Mas as interpretações são numerosas e extensamente divergentes. O “homem de fé” não é apenas absolvido, mas o poder do pecado é interrompido em sua vida. Pelo visto, o significado ético de justiça está implícito em Romanos 6.13,16,18-20; 8.10, Efésios 6.14 e Filipenses 1.11.
O apóstolo cita Habacuque 2.4 como apoio bíblico para o seu argumento de que os homens são justificados pela fé e não pela lei. A expressão viverá é acrescentada ao conceito básico de o homem ser justo pela fé. Talvez isso signifique que a justificação em si é a nova vida, desta forma comparando-a com a regeneração; ou, como conseqüência da regeneração, refira-se à obtenção da vida eterna no céu como conseqüência da fé.
R. E. Howard. Comentário Bíblico Beacon. Gálatas Editora CPAD. Vol. 9. pag. 47.
 
Elementos Constituintes Da Justificação
1. A justificação nos confere a retidão divina, em nós implantada e cultivada pelo ESPÍRITO, primeiramente na forma de uma declaração forense, mas, em seguida, realizada como um fato vivo. Somos moralmente transformados (ver Rom. 3:21).
2. Ela se baseia sobre a missão de CRISTO, incluindo o seu ato expiatório (ver Rom. 3:24).
3. Ela se verifica totalmente à revelia dos méritos humanos, como aqueles adquiridos pela obediência à lei mosaica (ver Rom. 3:28).
4. Não se trata de mera declaração forense. Antes, é o começo da santificação, e a semente da glorificação. Desse modo, a própria forma de vida divina é proporcionada aos homens (ver João 5:25,26).
5. A justificação, portanto, não é apenas um princípio. É uma força viva, através do ESPÍRITO, e seu propósito é conferir-nos a imagem de CRISTO, com sua natureza e espiritualidade (ver II Cor. 3:18).
Ninguém é justificado perante DEUS por intermédio da lei.
O significado da justificação tem sido obscurecido por aqueles que enxergam nessa doutrina apenas uma declaração «forense». Mas a justificação não pode resumir-se nisso, porquanto ela é a «justificação para a vida», ou seja, tem a ver com a própria participação na vida divina, em que o indivíduo entra na posse da eterna vida de DEUS )João 5:25,26 e 6:57).
A justificação, como doutrina paulina, inclui igualmente a atribuição e a realização da própria santidade e da vida de CRISTO no crente; e é paralela, senão mesma idêntica ao intuito, à santificação e à glorificação.
«...o justo viverá pela fé...» A fé ascende a DEUS, confiadamente; e Habacuque pode perceber que, a despeito da situação ser extremamente desagradável, e que a provação que se seguiria era terrível, ainda assim ele podia continuar confiando no Senhor DEUS. O homem bom sobreviveria, seria preservado e continuaria a viver, para a glória de DEUS, mediante a sua confiança fiel; e devido a essa sua fidelidade, seria honrado por DEUS. Essa era a fé do profeta Habacuque. Com Paulo a declaração é infinitamente elevada em seu sentido, Paulo, tal como o profeta antigo, tem em mente mais do que a mera crença; ele combina as idéias de «fazer o que é reto» com «ser reto aos olhos de DEUS», em sua noção da fé. Assim sendo, um crente é aquele que tem a fé correta no tocante a CRISTO, mas também é aquele que possui o princípio vivo da fé, que vai alimentando a santidade de CRISTO que se forma em sua alma. Portanto, esse «viver» que o crente tem é presente, e não apenas futuro. Esse «viver» é a participação, agora mesmo, na vida de DEUS; e isso produz a verdadeira vida de santidade, a qual é aceitável aos olhos de DEUS. Além disso, esse «viver» também tem um aspecto escatológico, ou seja, relaciona-se à existência futura, nos lugares celestiais, na vida eterna.
Essa é uma nota excelente, digna de ser estudada, e que combate corretamente certas formas legalistas de justificação, correntes na interpretação da igreja evangélica moderna. Na realidade não há meio de separar a fé e a santidade, nos escritos e na teologia de Paulo, porquanto uma coisa é a fonte originária da outra.
A expressão: «O justo viverá pela fé» é citada por três vezes nos escritos de Paulo. Além desta passagem, ela também figura em Rom. 1:17 e Heb. 10:38 (se é que que, escreveu foi Paulo).
« ...diante de DEUS...» A justificação e a vida eterna não podem resultar de qualquer padrão e trabalho humanos, como a lei, à vista da lei, ou conforme os homens consideram as coisas. DEUS é o «expectador», que deve aprovar e motivar, e até mesmo gerar o que é realizado dentro da justificação.
«...pela fé...» Essa vida se origina do princípio ativo da fé, sem importar se falamos de seu aspecto presente ou futuro. A fé é a fonte, e não a lei, e não exigências legalistas, cerimoniais ou sacramentais.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 4. pag. 469-470.
 
Como A Graça Opera, A Fim De Dar-Nos Vitória Sobre O Pecado
1. A palavra «graça», neste caso, refere-se ao sistema espiritual da graça, em contraste com o sistema da lei. Sob Moisés, os homens receberam um conhecimento para eles elevado demais. Ficaram sabendo o que havia de errado, mas foram deixados sem poder para resistir ao pecado. De fato, a lei revigorou o pecado. Sob a graça, pelo contrário, o ministério do ESPÍRITO nos é conferido, pois ele é o alter ego de CRISTO, o qual faz de nós o seu templo (ver Efé. 2:20), e, dessa forma, nos transforma.
2. O método mosaico era «legalista», isto é, consistia de uma lei que exigia coisas dos homens, encorajando o orgulho humano. Abria caminho para os méritos humanos como maneira de considerar-se a obtenção da salvação. Portanto, não podia prover aos homens o dom divino, a saber, a salvação da alma.
3. O caminho do ESPÍRITO é místico. Esse vocábulo, consoante à sua definição mais básica, significa que entramos em «contato» com algum poder superior, especificamente, DEUS, o ESPÍRITO SANTO, CRISTO. Esse contato capacita-nos a cumprir os requisitos da retidão, não com perfeição impecável, mas com vitórias sobre o vício e o pecado.
4. No trecho de Rom. 6:12, perceberemos que tais meios, todos eles em seu conjunto, foram providos pelo poder do ESPÍRITO, o qual é o agente do «método da graça» da salvação.
5. O trecho de Rom. 8:2 fala sobre a «lei do ESPÍRITO», a qual opera em nós; e é através desse novo princípio que obtemos a vitória. Essa nova lei foi escrita em nossos corações, pelo que se torna em uma característica da alma, e não mero conhecimento mental.
6. O ESPÍRITO SANTO tem o poder por detrás dos meios de desenvolvimento espiritual. O método da graça opera através de tais meios.
7. Obviamente, o método da graça abre a provisão necessária para a santificação, uma importantíssima realidade e doutrina cristã, o que é entendido em I Tes. 4:3.
8. O alvo maior das operações do ESPÍRITO, o que, paralelamente, é o aspecto mais elevado da salvação, é a transformação do indivíduo segundo a própria imagem de CRISTO, de tal modo que o crente vai passando de um estágio de glória para outro, em contínua ascensão. (II Cor. 3:18). Ê óbvio que a pessoa assim beneficiada, dificilmente se vê sujeita ao reino do pecado.
 
«Muitas almas honestas existem que não podem crer que a obediência a DEUS possa ser garantida a não ser através da lei.
Dizem essas pessoas: «Dê inteira liberdade a um homem, e já não se poderá mais controlá-lo». Consideremos, entretanto, os pontos seguintes:
1. Nenhum ser humano, na realidade, foi jamais controlado inteiramente pelo princípio da lei. A nação de Israel, que DEUS sujeitou sob a lei, e isso mediante «maravilhosas e gloriosas manifestações de sua própria presença e autoridade», imediatamente renunciou à obediência que haviam prometido prestar-lhe.
2. Consideremos a relação existente entre a noiva e o seu noivo. Essa relação é um laço de amor, em que todos se deleitam por buscar o bem-estar do outro. Não se trata de uma relação imposta por qualquer lei. O marido não sai andando pela casa baixando regras para a esposa observá-las, como se a continuação dessa relação matrimonial dependesse dessa observância! Tais regras são baixadas para os servos! Não obstante, descobrimos que a esposa pergunta ansiosamente a seu esposo o que ele quer para o almoço, e como, em qualquer outro sentido, ela possa agradá-lo e ser-lhe útil. Ora, tudo isso se deriva do princípio do amor, e não da lei!
3. Ora, DEUS declara, e isso repetidamente, que fomos tirados de debaixo do princípio da lei por causa da morte de CRISTO. Agora, estamos debaixo dá graça, e assim, produzimos fruto para DEUS. Servimos em «novidade de espírito», o que só pode significar (a exemplo da esposa, que se deleita ante a possibilidade de agradar ao seu esposo) aquele espírito de serviço voluntário, ditado pela devoção pessoal, que anima todo o verdadeiro crente.
4. Não há a menor esperança, entretanto, de que qualquer pessoa venha a exibir a disposição e a capacidade de perceber o poder desse plano divino da ‘novidade de espírito', enquanto tal pessoa não tiver percebido e crido que realmente ela morreu com CRISTO —que ela mesma era tão má que todo o seu «velho homem» foi crucificado juntamente com CRISTO; a fim de que agora, estando em relação matrimonial com um outro, isto é, com aquele que ressuscitou dentre os mortos, possa ela produzir fruto digno para DEUS.
Que DEUS pode ser DEUS-Salvador, e não somente Legislador, é algo que a mente humana isolada não pode conceber, porquanto isso só pode ser recebido pela fé. Que naqueles que não estão debaixo da lei se cumpre tudo, e mais ainda! Quanto a lei requer, parece uma insensatez para todos quantos não têm fé, a fé bíblica e neotestamentária na graça de DEUS, em CRISTO JESUS.
 
Sete realidades são experimentadas pelos crentes, desde que passam pela crucificação e pela vinda do ESPÍRITO SANTO, e que não eram experimentadas antes, pelos próprios crentes, a saber:
1. O pecado foi eliminado na cruz. Antes, ano após ano, o pecado só vinha sendo «encoberto».
2. Nosso velho homem foi crucificado juntamente com CRISTO abrindo assim o caminho para o completo livramento do poder do pecado, através da presença habitadora do ESPÍRITO SANTO.
3. CRISTO é glorificado em nós. (Ver Atos 1:3 e João 7:39).
4. O ESPÍRITO SANTO foi dado dispensacionalmente no dia de Pentecoste; e então, tendo ouvido e crido no evangelho, os crentes individuais são por sua vez selados pelo «ESPÍRITO SANTO da promessa» (ver Efé. 1:13), 0 qual também testifica, no coração dos crentes, na qualidade de «ESPÍRITO do Filho de DEUS», de que agora eles são filhos adultos de DEUS.
5. No dia de Pentecoste, DEUS começou a criar «novas criaturas em CRISTO JESUS» (ver II Cor. 5:17), ou, conforme diz Tia. 1:18: «...para que fôssemos como que primícias das suas criaturas». CRISTO, o primogênito dentre os mortos, é o Cabeça de sua nova criação.
6. Os crentes, desde o dia de Pentecoste em diante, foram batizados em um corpo, o Corpo de CRISTO, tendo-se tornado membros de CRISTO e membros uns dos outros, algo novo e maravilhoso!
7. Após o dia de Pentecoste a «casa de DEUS» não era mais a cidade de Jerusalém, e, sim, passou a ser «entre os crentes», em qualquer lugar onde se encontrem eles, mesmo que apenas dois ou três estejam reunidos em nome de CRISTO, porquanto ali estará também Ele (ver Mat. 18:19,20), e ali estará igualmente o ESPÍRITO SANTO (ver I Cor. 3:16 e Efé. 2:21,22)».
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 3. pag. 674-675.
 
Rm 6.14 O pecado não pode, e nunca mais poderá, ter domínio sobre nós porque não estamos mais debaixo da lei. O que significa não estarmos mais debaixo da lei?
• Não estamos mais sob as exigências da lei, como estavam as pessoas do Antigo Testamento.
• Não estamos sob a maldição decorrente do inatingível padrão da lei (G1 3.10-14).
• Não estamos sob o seu sistema de exigências: as leis que tinham que ser meticulosamente guardadas.
• Não estamos mais sob o medo de ser reprovados pelo justo padrão da lei.
Se os crentes ainda estivessem debaixo da lei, então o pecado seria o seu senhor, e os dominaria. Por si mesma, a lei produz tanto a prova como a forte consciência do pecado, mas não pode direcionar ou motivar uma pessoa a fazer o que é certo. Portanto, os crentes são libertados pela graça de DEUS, porque somente a graça pode sobrepujar o pecado. Somente vivendo nessa graça é que nós podemos derrotar o poder do pecado em nossa vida. Quando a nossa vida está apenas sob a lei, o pecado é o nosso senhor; ele nos domina. Mas quando vivemos sob a graça, o nosso Senhor é DEUS, e é Ele quem nos domina.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 46.
 
3. OS MANDAMENTOS DE CRISTO.
Jo 14.15 «...se me amais, guardareis os meus mandamentos...» Este versículo vincula os nossos pensamentos aos conceitos emitidos nos versículos anteriores, sobre a feitura de obras que os crentes realizassem em nome de JESUS. Aqueles que haveriam de realizar essas obras, e essas formas de obras seriam maiores do que aquelas que o próprio Senhor JESUS fez neste mundo, jamais seriam realidades não fora a presença do amor que é aqui mencionado e nem fora a força proporcionada pelo ESPÍRITO SANTO, que aparece nos dois versículos seguintes. A atuação do *Logos* encarnado foi motivado pelo amor. tal como a ação de DEUS Pai, ao enviar CRISTO ao mundo. (Ver João 3:16). Aqueles que estão unidos dentro da família de DEUS devem participar de um amor mútuo, amor esse que forçosamente inspira ações características da natureza de CRISTO. Tholuck (in loc.) tem uma excelente observação sobre a natureza desse amor: ·Para João o amor não consiste meramente em felicidade de sentimentos; mas é unidade de vontade com o amado (ver João 14:21; IS: 14 c I João 3:18). É o amor que torna os homens susceptíveis a comunhão com o Consolador: O mundo não pode recebê-lo». Entretanto, também expressa a verdade aquilo que Lange registrou (in loc.). ao dizer: *A amorosa contemplação da personalidade dc CRISTO é o vinculo dc comunhão dos discípulos, aquilo que faz deles uma personalidade coletiva, e nessa comunhão podem tornar-se o órgão da manifestação pessoal do ESPÍRITO SANTO*.
 
Quanto ao sentido da palavra "mandamentos", poderíamos destacar as seguintes observações:
1. Não se trata de alguma referência direta aos dez mandamentos, quer segundo aparecem os mesmos nas páginas do A. T., quer segundo aparecem incorporados no N. T.
2. Não se trata de uma referência às diversas instruções que JESUS deu a seus discípulos.
3. Mas trata-se de uma alusão ao corpo e espírito inteiro daquilo que os homens aprendem mediante a sua associação com JESUS e, mais particularmente, por pertencerem à família celestial da qual ele é o irmão mais velho e na qual há o Pai celeste. Os seus mandamentos são as normas que orientam essa família. os princípios éticos da família celeste, o que não se limita aos dez mandamentos, mas nem por isso é contrário aos mesmos.
4. Na referência em foco: neste ponto, há uma alusão especial ao novo mandamento, que é a lei do amor, que se mostra saliente entre todos os mandamentos, sumariando a eles todos dentro de poucas palavras e que haveria de ser uma característica toda especial de cada membro dessa família, bem como da família como uma comunidade local, na forma de igreja. O espírito de todas essas verdades pode ser encontrado na declaração apostólica de Paulo: «...logo. já não sou eu quem vive, mas CRISTO vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de DEUS. que me amou e a si mesmo se entregou por mim» (Gál. 2:20).
Estamos fazendo progresso, em nossa obediência e aplicação da lei do amor, quando começamos a ter cuidado pelos outros segundo cuidamos de nós mesmos; quando nos parece tão importante o que acontece aos outros, como o que acontece conosco; e, acima de tudo, quando em tudo desejamos para os outros não menos do que para nós mesmos. O amor é uma profunda motivação que provoca a partilha e o mais autêntico altruísmo, e isso é abundantemente ilustrado na vida de CRISTO, que viveu para os outros e morreu pelos outros. O amor é um produto da influência do ESPÍRITO no coração do crente (um dos aspectos do fruto do ESPÍRITO - ver Gál. 5:22), e faz parte da transformação ética que o ESPÍRITO SANTO opera nos remidos, servindo também de evidência do desenvolvimento espiritual dos mesmos.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 529.
 
Jo 14.15. Dois elos ligam este versículo ao que o precede.
(1) A perspectiva de fazer “coisas maiores” antecipa a necessidade de uma capacitação com poder, a manifestação do próprio DEUS por meio de seu ESPÍRITO.
(2) O tema da obediência está de acordo com o ato de pedir coisas em nome de JESUS (w. 13-14). Nada da prometida frutificação virá para aqueles que pensam que podem manipular o CRISTO exaltado, ou usá-lo para seus próprios fins.
Barrett (p. 461) observa corretamente que a prótase, "se vocês me amam" "controla a gramática dos próximos dois versículos (15-17a) e o pensamento dos próximos seis (15-21)”. JESUS demonstrou o amor que tem pelos seus (13.Is.), declarou seu amor por eles e ordenou que amem uns aos outros (13.34,35); nesse momento, pela primeira vez no quarto evangelho, ele fala do amor deles por ele. O condicional é de terceira classe: JESUS nem assume que seus seguidores o amam, nem que não o amam, nem mesmo como suposição, mas projeta uma condição e estipula sua conseqüência: eles obedecerão (o futuro, não o imperativo, é a leitura correta: cf. Metzger, p. 245) o que ele ordena.
A relação indissociável entre o amor por CRISTO e a obediência a CRISTO aparece repetidamente nos escritos de João {cf. w. 21,23; 15.14). A ligação aproxima-se da esfera de definição: “Porque nisto consiste o amor a DEUS: em obedecer aos seus mandamentos” (1 Jo 5.3). Mas quais são os ‘mandamentos’ dele? Os paralelos que ligam “meus mandamentos” (v. 15), “mandamentos” (v. 21), e ‘meus ensinamentos’ (lit.“minha palavra” no v. 23, e “minhas palavras” no v. 24) sugerem, para alguns, que há mais coisas em jogo que os mandamentos éticos de JESUS. O que a pessoa que ama JESUS observará não é simplesmente um conjunto de injunções éticas discretas, mas toda a revelação do Pai, revelação essa concebida holisticamente (cf. 3.31,32; 12.47-49; 17.6). Não obstante, as formas plurais (‘mandamentos’, entolat) provavelmente enfocam os componentes individuais das exigências de JESUS, enquanto que o singular ‘palavra’ {logos; cf. 14.23; 17.6) enfoca o CRISTO, revelação como um todo abrangente. Obviamente, um dos principais ingredientes desta revelação é a obrigação que os seguidores de JESUS têm, na nova aliança, de amar um ao outro (13.34,35). João entende isto tão integralmente relacionado à devoção a DEUS que ele pode, em outra passagem, afirmar: “Assim sabemos que amamos os filhos de DEUS: amando a DEUS e obedecendo aos seus mandamentos” (l Jo 5.2).
D. A. CARSON. O Comentário De João. Editora Shedd Publicações. pag. 498-499.
 
ELABORADO: Pb Alessandro Silva (http://estudaalicaoebd.blogspot.com.br/) com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique.
 
Veja http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm
 
Questionário da Lição 2 - O Padrão da Lei Moral
Lições Bíblicas - 1º Trimestre de 2015 - CPAD - Para adultos
Tema: OS DEZ MANDAMENTOS - Valores Imutáveis Para Uma Sociedade Em Constante Mudança
Comentários: Pr. Esequias Soares
Complete os espaços vazios e marque com "V" as respostas Verdadeiras e com "F" as Falsas
TEXTO ÁUREO
1- Complete:
"Então, vos anunciou ele o seu __________________________, que vos prescreveu, os _________________________ mandamentos, e os escreveu em duas __________________________ de pedra." (Dt 4.13)
 
VERDADE PRÁTICA
2- Complete:
As chamadas "lei _________________________", "lei _________________________" e "lei _________________________" são, na verdade, três partes de uma mesma lei que o Senhor JESUS já cumpriu na sua totalidade.
 
COMENTÁRIO INTRODUÇÃO
3- As dez proposições foram colocadas em forma de lei, como código, e entregues a Israel por intermédio de Moisés. Existiam essas mesmas proposições antes? Como atuavam?
(    ) Desde a chamada de Abraão todos ficaram sabendo que é imoral matar, adulterar, furtar, dizer falso testemunho, desonrar pai e mãe.
(    ) Desde o princípio do mundo todos sabem que é imoral matar, adulterar, furtar, dizer falso testemunho, desonrar pai e mãe.
(    ) DEUS colocou a sua lei no coração e na mente de todos os seres humanos desde o início.
(    ) Eram princípios éticos, e não um código de lei.

 I. AS TÁBUAS DA LEI

4- Qual era o provável formato das tábuas da lei?
(    ) Suas medidas eram um metro e dez centímetros de comprimento por 66 cm de largura e 66 cm de altura.
(    ) Não é possível saber qual era seu tamanho.
(    ) A arca do concerto media um metro e dez centímetros de comprimento por 66 cm de largura e 66 cm de altura.
(    ) Cada uma dessas tábuas não devia passar de 75 cm x 55 cm x 55 cm, considerando que elas foram colocadas na arca juntamente com a vara de Arão, que floresceu, e um vaso com o maná.
(    ) Contém 172 palavras. Um homem podia transportá-las tranquilamente.

5- Qual era a mais provável divisão das tábuas?
(    ) Uma tábua só com dois lados escritos os mandamentos em cada uma das faces.
(    ) Em nenhum lugar a Bíblia diz quantos e quais eram os mandamentos em cada uma dessas tábuas.
(    ) Escritores antigos, Judeus e cristãos, como o pensador judeu Fílon de Alexandria, o historiador judeu Flávio Josefo e um dos pais da igreja, Irineu de Lião, dentre outros, diziam haver cinco mandamentos em cada tábua.
(    ) Segundo Calvino, eram quatro e seis, e não cinco e cinco. Esta nova interpretação tem encontrado eco nos tempos modernos.

6- Como foi a rebelião de Israel, ocasionando a quebra das primeiras tábuas da Lei?
(    ) Ao fim de trinta dias, Moisés desce do monte com as tábuas da lei.
(    ) Ao fim de quarenta dias, Moisés desce do monte com as tábuas da lei.
(    ) Nessa ocasião Israel havia se corrompido com o bezerro de ouro.
(    ) Ainda muito cedo na história, vemos como a natureza humana é inclinada ao pecado.

7- Como DEUS renova o concerto com Israel?
(    ) A revelação do Sinai prosseguiu após ser interrompida por causa da rebelião do bezerro de ouro.
(    ) Nessa ocasião, as tábuas do concerto foram quebradas.
(    ) DEUS não perdoou o povo, mas, o concerto foi renovado.
(    ) DEUS perdoou o povo, e o concerto foi renovado.
(    ) DEUS mandou Moisés lavrar novas tábuas, nas quais escreveu novamente as mesmas palavras.
(    ) Parece que isso foi resultado da intercessão de Moisés pelo povo.
 
 II. OS DEZ MANDAMENTOS
8- Qual a origem do termo “Dez Mandamentos”?
(    ) A expressão "dez mandamentos", em hebraico asseret hadevarim, significa literalmente "as dez leis" e só aparece três vezes na Bíblia.
(    ) A expressão "dez mandamentos", em hebraico asseret hadevarim, significa literalmente "as dez palavras" e só aparece três vezes na Bíblia.
(    ) A Septuaginta traduziu por dekalogos, "decálogo", a partir de dois termos gregos: deka, "dez", e logos, "palavra".
(    ) (    ) O sentido de "palavra" nesses idiomas é amplo e indica "discurso, pronunciamento, proposição".
(    ) O termo hebraico específico para "mandamento" é mitsvah, usado também em referência aos Dez Mandamentos.
(    ) A Septuaginta utiliza o termo entolé, a mesma palavra usada no Novo Testamento.

9- Qual a classificação dos Dez Mandamentos?
(    ) As autoridades religiosas de Israel sempre classificaram os Dez Mandamentos em dois grupos: teológico e ético; vertical e horizontal; relação do ser humano com DEUS e com o próximo.
(    ) As autoridades religiosas de Israel sempre classificaram os Dez Mandamentos em três grupos: Moral, Cerimonial e Civil; vertical e horizontal; relação do ser humano com DEUS e com o próximo.
(    ) Os primeiros mandamentos são teológicos e se resumem no primeiro e grande mandamento.
(    ) Os da segunda tábua são éticos, e consistem em amar o próximo como a si mesmo.

10- Qual a forma dos Dez Mandamentos?
(    ) A forma dos Dez Mandamentos é geralmente chamada de categórica ou absoluta.
(    ) A forma dos Dez Mandamentos é geralmente chamada de Lei ou Ordenança.
(    ) É uma das formas de lei que apresenta um estilo sóbrio e de estrutura rítmica, assonante, paralela e poética.
(    ) Isso facilita a memorização e é apropriado para a leitura litúrgica e em grandes eventos religiosos.
(    ) As proibições são sem concessão; não admitem exceção.
(    )  Aqui temos oito proibições absolutas com a negação hebraica, lo, "não", forma incondicional, em tempo verbal que nas línguas ocidentais é chamado de "futuro".
(    ) Os outros dois mandamentos dados a Israel são positivos: guardar o sábado e honrar pai e mãe.

 III. A QUESTÃO DOS PRECEITOS DA LEI
12- Quantas leis foram dadas por DEUS a Moises segundo uma corrente de interpretação ensinada por uma “igreja”? Por que esse pensamento é inconsistente?
(    ) Há uma corrente de interpretação que ensina ser o Decálogo a lei moral, enquanto a parte da legislação mosaica que trata das cerimônias de sacrifícios e festas religiosas, entre outras, é chamada de lei cerimonial.
(    ) Esse pensamento nos parece inconsistente,apesar dos Judeus sempre dividirem sua lei em moral e cerimonial.
(    ) Esse pensamento nos parece inconsistente, pois não é ensino bíblico nem os Judeus jamais dividiram sua lei em moral e cerimonial.
(    ) Ao longo da história, eles observaram o sábado e a circuncisão com o mesmo cuidado. JESUS disse que a circuncisão está acima do sábado.

13- Qual a diferença entre lei do Senhor e a lei de Moisés?
(    ) O que de fato existem são preceitos morais, cerimoniais e civis, mas a lei é uma só.
(    ) Existem realmente preceitos morais, cerimoniais e civis, que dividem a lei em três partes distintas, não em duas.
(    ) É chamada de lei do Senhor porque veio de DEUS, e de lei de Moisés porque foi ele o mediador entre DEUS e Israel.
(    ) Ambos os termos aparecem alternadamente na Bíblia.
(    ) A cerimônia dos holocaustos, a circuncisão e o preceito sobre o cuidado dos bois são igualmente reconhecidos como lei de Moisés.

14- O que é lei de DEUS?
(    ) A lei de DEUS é todo o livro de deuteronômio; trata-se de um livro, e não meramente das palavras escritas em tábuas de pedra.
(    ) A lei de DEUS é todo o Pentateuco; trata-se de um livro, e não meramente das palavras escritas em tábuas de pedra.
(    ) Isso precisa ficar muito claro porque certos grupos sectários argumentam: "Você guarda a lei de DEUS?".
(    ) Isso por causa do sábado, e transmite a falsa ideia de que a lei de DEUS se restringe aos Dez Mandamentos.
(    ) Se eles guardam a lei de DEUS, precisam observar os seus 613 preceitos; do contrário, estão sob a maldição.

 IV. A LEI A GRAÇA
15- Qual a transitoriedade da lei?
(    ) O Senhor JESUS cumpriu toda a lei, os preceitos morais, cerimoniais e civis.
(    ) O apóstolo Paulo é muito claro quando fala que “o ministério da morte, gravado com letras em pedras [...] era eterno”.
(    ) O apóstolo Paulo é muito claro quando fala que “o ministério da morte, gravado com letras em pedras [...] era transitório”.
(    ) No entanto, a verdade moral contida no sistema mosaico, como disse o teólogo Chafer, “foi restaurada sob a graça, mas adaptada à graça, e não à lei”.
(    ) Isso diz respeito a sua função e não compromete a sua autoridade como revelação de DEUS e parte das Escrituras divinamente inspiradas.

16- O que é a graça?
(    ) O Senhor JESUS e o apóstolo Paulo citaram Levítico 18.5 como meio hipotético de salvação pela observância da lei.
(    ) Mas ninguém jamais conseguiu cumprir toda a lei, exceto JESUS.
(    ) O mais excelente dos rabis de Israel só conseguiu cumprir 130 pontos dos 613 preceitos da lei.
(    ) O mais excelente dos rabis de Israel só conseguiu cumprir 230 pontos dos 613 preceitos da lei.
(    ) A lei diz “faça e viva”, no entanto, a graça diz “viva e faça”.
(    ) Por esta razão os cristãos estão debaixo da graça, e não da lei.
(    ) A lei não tem domínio sobre nós.

17- Quais os mandamentos de CRISTO? Complete:
Perguntaram a JESUS o que se deve fazer para executar as __________________________ de DEUS. A resposta não foi guardar o sábado, nem a lei e nem os Dez Mandamentos, mas exercer __________________________em JESUS (Jo 6.28,29). Essa doutrina é ratificada mais adiante (1 Jo 3.23,24). JESUS falou diversas vezes sobre o novo mandamento, a __________________________ de CRISTO, o _________________________ operado pelo ESPÍRITO SANTO na vida cristã (Jo 13.34; 14.15, 21; 15.10). O Senhor JESUS não incluiu o sistema __________________________ na Grande Comissão. Ele disse para “guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.20). O mandamento de CRISTO é a __________________________ nEle, é a lei do___________________________ (Rm 13.10; Gl 5.14) e não a letra da lei. Quem ama a CRISTO tem a_________________________ do ESPÍRITO em seu coração.

CONCLUSÃO
18- Complete:
 A tendência humana é se esforçar para ___________________________ a salvação, por isso ainda há aqueles que se ofendem com a mensagem de que a salvação é pela ___________________________ em JESUS, sem as __________________________ da lei (Gl 2.16). O que tais pessoas querem é fazer do cristianismo um ___________________________ de pano novo em veste velha (Mt 9.16; Mc 2.21).
 
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Referências Bibliográficas (outras estão acima)
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo Almeida. Revista e Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.
Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA: CPAD, 1999.
BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.
CPAD - http://www.cpad.com.br/ - Bíblias, CD'S, DVD'S, Livros e Revistas. BEP - Bíblia de Estudos Pentecostal.
VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
www.ebdweb.com.br
www.escoladominical.net
www.gospelbook.net
www.portalebd.org.br/
http://estudaalicaoebd.blogspot.com.br/ Pb Alessandro Silva
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm
 

 

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