quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Lição 3, O DEUS Que Intervém Na História, 1 parte

Lição 3, O DEUS Que Intervém Na História, 1 parte
Lições Bíblicas - 4º Trimestre de 2014 - CPAD - Para jovens e adultos
Tema: A Integridade Moral e Espiritual - O Legado Do Livro De Daniel Para A Igreja Hoje.
Comentários: Pr. Elienai Cabral
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
 
O livro do profeta Daniel, através do sonho do rei Nabucodonosor, resume os grandes impérios do mundo: Babilônia, Média/Pérsia, Grécia e Roma. O capítulo dois se divide em Introdução, Três episódios e Conclusão.
 
 
TEXTO ÁUREO
"Falou Daniel e disse: Seja bendito o nome de DEUS para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força; ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos inteligentes" (Dn 2.20,21).
 
 
VERDADE PRÁTICA
DEUS intervém na história, pois sua é a terra e os que nela habitam.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Dn 1.8; Gn 39.7-9 A vida de Daniel lembra a de José
Terça  - Jó 4.12-14; Dn 10.7-9 A sabedoria de Daniel lembra a de Jó
Quarta - At 1.7; 1 Ts 5.1 Os tempos e as estações pertencem a DEUS
Quinta - Gl 4.4 A plenitude dos tempos
Sexta - 1 Ts 5.20 Não desprezeis as profecias
Sábado - Nm 12.6 DEUS fala de muitas maneiras
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Daniel 2.12-23
12 Então, o rei muito se irou e enfureceu; e ordenou que matassem a todos os sábios de Babilônia. 13 E saiu o decreto segundo o qual deviam ser mortos os sábios; e buscaram Daniel e os seus companheiros, para que fossem mortos. 14 Então, Daniel falou avisada e prudentemente a Arioque, capitão da guarda do rei, que tinha saído para matar os sábios de Babilônia. 15 Respondeu e disse a Arioque, encarregado do rei: Por que se apressa tanto o mandado da parte do rei? Então, Arioque explicou o caso a Daniel. 16 E Daniel entrou e pediu ao rei que lhe desse tempo, para que pudesse dar a interpretação. 17 Então, Daniel foi para a sua casa e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros, 18 para que pedissem misericórdia ao DEUS dos céus sobre este segredo, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com o resto dos sábios da Babilônia. 19 Então, foi revelado o segredo a Daniel numa visão de noite; e Daniel louvou o DEUS do céu. 20 Falou Daniel e disse: Seja bendito o nome de DEUS para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força; 21 ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos entendidos. 22 Ele revela o profundo e o escondido e conhece o que está em trevas; e com ele mora a luz.  23 Ó DEUS de meus pais, eu te louvo e celebro porque me deste sabedoria e força; e, agora, me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este assunto do rei.
 
INTERAÇÃO
Prezado professor, estudaremos na lição de hoje o segundo capítulo do livro de Daniel. Este capítulo revela o sonho de Nabucodonosor e o seu desafio aos sábios do seu palácio. Tudo indica que o rei já sabia das habilidades dos seus magos, por isso, os desafia a contarem o sonho e sua interpretação. O que o rei desejava era  humanamente impossível. Por isso, Daniel ora e pede a ajuda do Senhor. Temos um DEUS que revela os seus mistérios aos seus profetas. Daniel, com a ajuda do Senhor, revelou ao rei detalhes do sonho que ele vagamente lembrava. A imagem vista por Nabucodonosor representava sucessivos reinos futuros, até que o rei dos Reis venha e estabeleça o seu reino eterno.
 
OBJETIVOS - Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conhecer o sonho perturbador de Nabucodonosor.
Analisar a atitude sábia de Daniel perante o rei.
Compreender a interpretação do sonho de Nabucodonosor.
 
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, reproduza o quadro abaixo. Utilize-o para explicar aos alunos o sonho de Nabucodonosor e a sua interpretação. Explane que a estátua do sonho refere-se a quatro reinos mundiais que viriam: o Império Babilônico, Medo-Persa, Grego e Romano. A "pedra" representava o reino eterno de CRISTO. JESUS é a Rocha Eterna que desfará o império do Anticristo.
 
 
 
Resumo Da Lição 3, O DEUS Que Intervém Na História
I. O SONHO PERTURBADOR DE NABUCODONOSOR (Dn 2.1-15)
1. O tempo do sonho (v.1).
2. A habilidade dos sábios é desafiada no palácio (2.2).
3. O fracasso da sabedoria pagã (2.3-13).
II. A ATITUDE SÁBIA DE DANIEL (2.16-30)
1.  A cautela de Daniel (vv.16-18).
2. DEUS  ainda revela mistérios (vv.19 -27). 
3. O caráter profético do sonho de Nabucodonosor (vv.28,29).
III. DANIEL CONTA O SONHO  E INTERPRETA-O (2.31-45)
1. A correta descrição do sonho (vv. 31-35). 
2. A interpretação dos elementos materiais da grande estátua (2.34-45).
a) "A cabeça de ouro" (vv.32,36-38).
b) "O peito e os braços de prata" (vv.32,39).
c) "Ventre e os quadris" (vv.32,39).
d) "Pernas de ferro" (v.33,40-43).
3. "A pedra cortada, sem ajuda de mãos" (2.45).
 
SINOPSE DO TÓPICO (1) O rei desafiou a habilidade de seus sábios, não revelando o conteúdo do seu sonho. Os sábios tentaram, mas não conseguiram revelar o sonho do monarca e seu significado
SINOPSE DO TÓPICO (2) Daniel foi sábio e humilde ao pedir a ajuda do Todo-Poderoso, pois somente Ele tem poder para revelar o futuro
SINOPSE DO TÓPICO (3) Com a ajuda do Altíssimo, Daniel pôde revelar o sonho ao rei e a sua interpretação.
 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
ZUCK, Roy B (Ed). Teologia do Antigo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.
LAHAYE, Tim. Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 5.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.
 
Revista Ensinador. Editora CPAD. pag. 37.
Introdução (v.1)
O primeiro versículo introduz o sonho de Nabucodonosor como ocorrência do segundo ano de reinado. Os estudiosos do Antigo Testamento concordam que neste tempo o profeta Daniel era bem jovem e há três anos ele fora deportado para a Babilônia.
Primeiro Episódio (vv.2-13)
O primeiro relato do sonho imperial revela Nabucodonosor chamando os Magos, os Astrólogos, os Encantadores, e os Caldeus, isto é, todos os sábios e os feiticeiros do império para interpretarem o sonho. Os intérpretes pediram ao rei que lhes contasse o sonho para em seguida o decifrarem. Nabucodonosor recusou afirmando: "se me não fizerdes saber o sonho e a sua interpretação, sereis despedaçados, e as vossas casas serão feitas um monturo". O rei não se contentava somente com a interpretação, pois os adivinhadores teriam também de prenunciar o sonho.
Segundo Episódio (vv.14.24)
O capitão da guarda do rei, Arioque, saiu para matar os sábios. Quando Daniel prudentemente o interrogou sobre a ordem imperial. Recebendo a explicação de Arioque o profeta solicitou uma audiência ao rei e pediu um tempo para contar o sonho e dar a interpretação. Daniel procurou os seus amigos para buscarem a DEUS. O Senhor os respondeu!
Terceiro e Ultimo Episódio (vv.25-45)
Levado por Arioque ao rei Nabucodonosor, Daniel lhe contou o sonho e o interpretou. Chocado, o rei da Babilônia prostrou-se aos pés de Daniel e reconheceu a sabedoria que lhe fora dada pelo DEUS de Israel.
Conclusão (vv.46-49)
A conclusão do capítulo dois é surpreendente. Nabucodonosor promoveu Daniel ao mais alto cargo imperial e a pedido do profeta elevou os seus amigos Sadraque, Mesaque e Abede-Nego às altas posições.
O segundo capítulo revela-nos que o Reino de DEUS não se confunde com o reino dos homens. Segundo o conselho da sua soberania, o Eterno intervém na história humana. Ele trabalha a fim de que todos os moradores da Terra reconheçam a sua majestade e, em CRISTO, resistamos as injustiças do governo humano.
Revista Ensinador. Editora CPAD. pag. 37.
 
Observação minha - Ev. Luiz Henrique - O exercício da função de Daniel no reino babilônico foi inaugurado com uma revelação bombástica dada a ele para revelar um sonho de Nabucodonosor a respeito dos futuros reinos da Terra. Daniel acabara de ser apresentado ao rei e já disse a que veio. DEUS colocou Daniel como o maior de todos os servos do rei para cuidar de seu povo.
 
COMENTÁRIOS DE VÁRIOS AUTORES DE LIVROS
INTRODUÇÃO
O capítulo dois do livro de Daniel se constitui da revelação do plano divino para com o povo judeu e os povos gentios, para os quais DEUS revela a sua soberania sobre os governos mundiais e o estabelecimento do reino messiânico. DEUS intervém na história para fazer valer seus desígnios na vida da humanidade. Neste capítulo, a Babilônia aparece como dona do mundo e Nabucodonosor é o grande rei. Aproximadamente em 604 a.C., num período em que a Babilônia atingiu o seu apogeu, quando, de repente, a tranquilidade de Nabucodonosor foi ameaçada por um sonho perturbador que o deixou sem dormir. Por providência divina, o rei esqueceu o sonho para que os desígnios divinos fossem revelados ao profeta visionário Daniel. Na primeira parte do capítulo 2 temos a intervenção divina para salvar Daniel e seus amigos. A ordem do texto ajudará a entender como DEUS trabalha nas circunstâncias adversas.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 37.
 
O livro de Daniel compõe-se essencialmente de seis histórias e quatro visões. As histórias ocupam os capítulos 1-6, e as visões os capítulos 7-12. Agora movemo-nos para a segunda história: O sonho de Nabucodonosor. Este longo capítulo, como é natural, divide-se em duas grandes partes: vss. 1-13, prólogo; e vss. 14-45, Daniel como intérprete de sonhos. Esta história ensina a debilidade da sabedoria humana, em comparação com a sabedoria conferida por DEUS” [Oxford Annotated Bible, na Introdução ao capítulo). A história é um paralelo da experiência de José, em Gên. 41. Os temas principais são: Toda a sabedoria humana é destituída de valor quando confrontada com a sabedoria conferida por DEUS; uma filosofia da história; as eras deste mundo são guiadas pelo decreto divino; DEUS humilha os orgulhosos e eventualmente faz com que eles O reconheçam. Ver como o teísmo domina o relato. O Criador continua presente em toda a Sua criação — intervindo, recompensando e punindo. 
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3376.
 
Esse capítulo é histórico, mas é a história de uma profecia, por meio de um sonho e sua interpretação. O sonho de Faraó e a interpretação de José diziam respeito somente aos anos de fartura e de fome e o interesse do Israel de DEUS neles. Mas o sonho de Nabucodonosor aqui, e a interpretação de Daniel deste sonho, parecem muito mais elevados, para as quatro monarquias, e os interesses de Israel nelas, e o reino do Messias, que deveria ser estabelecido no mundo sobre as suas ruínas. Nesse capítulo temos:
I. A grande perplexidade em que ficou Nabucodonosor por um sonho que havia esquecido, e a sua ordem aos magos para lhe dizer do que se tratava. Algo que eles não podiam fazer (w. 1-11).
II. Ordens dadas para a destruição de todos os sábios da Babilônia, e de Daniel entre os demais, com os seus companheiros (w. 12-15).
III. A revelação do segredo a ele, em resposta à oração, e a ação de graças que ele ofereceu a DEUS por isso (w. 16-23).
IV. A sua aceitação por parte do rei, e a revelação que ele lhe fez tanto do seu sonho como de sua interpretação (w. 24-45).
V. A grande honra que Nabucodonosor pôs sobre Daniel, como recompensa por esse serviço, e a honra dos seus companheiros, com ele (w. 46-49).
Roy E.Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 828.
 
I – O SONHO PERTURBADOR DE NABUCODONOSOR (Dn 2.1-15)
1. Tempo do sonho(v.1).
“E no segundo ano do reinado de Nabucodonosor” (2.1). Daniel volta aos primeiros anos de sua vida no Palácio da Babilônia entre os anos 603 e 602 a.C., e relata a experiência que teve com Nabucodonosor quando o mesmo teve um sonho. O texto apresenta um aparente conflito de datas quando fala do “segundo ano do reinado de Nabucodonosor”, porque no primeiro capítulo nos deparamos com os três anos de treinamento de Daniel e seus companheiros. Segundo os historiadores, tanto os judeus quanto os babilônios contavam as frações de um ano como um ano inteiro, por isso, a vigência do terceiro ano, obedecia a cronologia do calendário da Babilônia. Os estudiosos procuram aclarar essa cronologia em que explicam o seguinte: No ano 605 a 604 a.C., Nabucodonosor torna-se rei. Era seu primeiro ano de reinado, quando Daniel e seus companheiros tiveram o seu primeiro treinamento palaciano. Em 604-603 a.C., no segundo ano de Nabucodonosor, foi quando o mesmo teve o sonho e ficou perturbado pela lembrança e os detalhes do mesmo. Já era o terceiro ano de treinamento de Daniel e seus companheiros, quando deveriam se apresentar diante do rei.
“Nabucodonosor teve sonhos” (2.1). Entre os muitos modos de DEUS falar e revelar a sua vontade aos homens estão os sonhos. É uma via especial pela qual DEUS revela sua vontade. Segundo o Dicionário Aurélio, “sonho pode ser “sequência de fenômenos psíquicos com imagens, atos, figuras e ideias que, involuntariamente ocorrem durante sono de uma pessoa”. Pode ser a sequência de pensamentos, de ideias vagas, mais ou menos agradáveis, mais ou menos incoerentes, às quais o espírito se entrega em estado de vigília. Naturalmente, temos que entender que nem todo sonho é alguma revelação. Sabe-se, também, que os sonhos podem advir de imagens que o subconsciente absorve durante o dia e que se manifestam durante o sono. As vezes, incompreensíveis e fantasiosos e, outras vezes, com sequência de imagens que se formam na mente e expressam a preocupação que está na mente da pessoa. No campo espiritual, DEUS se utiliza desses recursos da natureza humana para falar aos seus servos. Não existe uma regra que favoreça a ideia de que DEUS tenha que falar por meios de sonhos e visões. E apenas um modo pelo qual DEUS se revela, tanto a crentes como a não crentes. Nabucodonosor era um rei pagão que servia a outros deuses, mas o DEUS de Daniel usou uma via indireta de revelar a esse rei o seu próprio futuro e o das nações do mundo.
“e o seu espírito se perturbou, e passou-lhe o sono” (2.1). Não foi a primeira vez que DEUS falou a pessoas que não lhe serviam nem o reconheciam como DEUS. Nos tempos de Faraó do Egito, quando a família de Israel ainda se formava, para ser o grande povo, posteriormente, Jeová deu sonhos a Faraó. José, como escravo no Egito, é vendido por seus irmãos, foi o homem que DEUS escolheu para aparecer diante de Faraó e revelar-lhe os detalhes do seu sonho (Gn 41). O sonho de Faraó tinha a ver com o seu próprio reino no Egito. Porém, a Nabucodonosor, rei da Babilônia, DEUS revelou em sonho a política mundial a partir do seu próprio império. Naturalmente, o seu sonho era fruto de sua preocupação com o futuro do seu império. Ele se perturbou em espírito porque precisava entender do que se tratava aquele sonho. DEUS intervém de modo espetacular para honrar os seus servos que viviam naquele palácio e Daniel foi lembrado como alguém que sabia interpretar sonhos.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 37-39.
 
A perplexidade em que se encontrava Nabucodonosor por motivo de um sonho que havia tido, mas que havia esquecido (v. 1): Ele teve uns sonhos, isto é, um sonho que consistia de diversas partes distintas, ou que encheu o seu pensamento como se tivessem sido muitos sonhos. Salomão fala de uma multidão de sonhos, estranhamente incoerentes, nos quais há diversas vaidades (Ec 5.7). Esse sonho de Nabucodonosor não tinha nada de mais em si além do que poderia ser comparado com muitos sonhos comuns, nos quais são freqüentemente representadas aos homens coisas tão estanhas quanto as que são mencionadas aqui. Mas houve algo na impressão que causou nele, que trouxe consigo uma incontestável evidência da sua origem divina e do seu significado profético. Observe que os maiores homens não estão isentos, mas estão ainda mais expostos aos cuidados e aflições da mente que perturbam o seu descanso à noite, enquanto o sono do homem trabalhador é doce e profundo, e o sono do homem sóbrio e moderado é livre dos sonhos confusos. A abundância dos ricos não deixará que eles durmam por causa da preocupação, e os excessos dos glutões e bêbados não deixarão que eles durmam tranquilos por causa dos sonhos. Mas o que foi registrado aqui não foi fruto de causas naturais. Nabucodonosor era um perturbador do Israel de DEUS. Mas DEUS aqui o perturbou, sim, porque aquele que criou a alma pode fazer a sua espada se aproximar dela. Ele tinha os seus guardas ao seu redor, mas eles não podiam impedir a perturbação do seu espírito. Não conhecemos a inquietude de muitos que vivem em grande pompa e prazeres deste mundo. Olhamos para dentro das suas casas, e somos tentados a invejá-los. Mas, se pudéssemos olhar para dentro dos seus corações, sentiríamos pena deles. Todos os tesouros e todos os prazeres dos filhos dos homens que estavam sob o domínio desse poderoso monarca, não podiam lhe conseguir um pequeno repouso quando o seu sono fugia devido às perturbações da sua mente. Mas DEUS dá aos seus amados o sono, sim, àqueles que consideram o Senhor como o seu descanso.
Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 828.
 
Nabucodonozor teve um sonho que lhe tirou o sono. Seu sonho perturbou seu espírito (v.l). A palavra “perturbou” significa golpear. O rei foi golpeado e encheu-se de ansiedade, insegurança e medo.
Seu sonho revelou a fragilidade dos poderosos. Aparentemente nada nem ninguém podia ameaçar a fortaleza do reino de Nabucodonosor. Ele tinha poder, riqueza e fama. Sua palavra era lei. Suas ordens não podiam ser questionadas. Mas, agora o rei foi abalado. Sentiu que alguém maior que ele o ameaçava. A segurança de seu império estava ameaçada por algo fora de seu controle, algo invisível e além deste mundo. Ficou inseguro, inquieto e perturbado.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 41-42.
 
2. A habilidade dos sábios é desafiada no palácio (2.2).
“o rei mandou chamar” (2.2). O rei desafiou a habilidade desse grupo de sábios, magos, adivinhos e encantadores dentro do palácio para que revelassem o seu sonho e dessem a interpretação. Nabucodonosor ficou agitado pelo sonho, mas o esqueceu. Entretanto, o rei sabia que o sonho era importante e que trazia uma simbologia relacionada com o seu reino e o seu futuro. Naqueles tempos os reis tinham a pretensão de serem privilegiados com sonhos divinamente inspirados (1 Rs 3.5-14; Gn 20.3). Porém, quando não podiam interpretá-los, convocava os sacerdotes caldeus que serviam na corte para que adivinhassem e interpretassem os sonhos (1.4).
"magos, os astrólogos, os encantadores e os caldeus” (2.2). O Império Babilônico tinha uma mescla de culturas e religiões. Essa casta de “magos, astrólogos, encantadores e caldeus (sábios)” serviam no palácio para prescreverem, adivinharem, promoverem encantamentos e os caldeus eram próprios da Babilônia. Os magos possuíam conhecimentos nas ciências ocultas; os astrólogos procuravam ler os corpos celestes para predizerem eventos futuros; os encantadores realizavam exorcismos e invocavam os espíritos malignos e dos mortos; os caldeus pertenciam a uma casta de sacerdotes dentro do Palácio que lidavam com mistérios e códigos próprios para adivinharem e interpretarem sonhos. Neste contexto, Daniel e seus companheiros ainda não faziam parte oficialmente dos que se apresentavam diante do Rei, porque estavam no período do treinamento imposto pelo Rei. Porém, a ira de Nabucodonosor se acendeu de tal modo que não escaparia ninguém que estivesse dentro do palácio sem sofrer a pena do rei.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 39-40.
 
Dn 2.2. Os magos, os encantadores, os feiticeiros e os caldeus.
Feiticeiros. No hebraico, mekashshepîm. Possivelmente de uma raiz semita significando "cortar"; daí, picar os elementos para poções mágicas e fórmulas. Consequentemente o grego pharmakoi, isto é, farmacêutico. Mestres modernos preferem uma ideia complementar de "recitadores de ditos mágicos, feiticeiros". A mesma raiz aparece no acadiano em relação a feiticeiros e feiticeiras. A prática da feitiçaria é proibida pelo VT (Êx. 22:18, na Bíblia Hebraica, v. 17, feitiçaria, no feminino; Dt. 18:10; Is. 47:9).
Caldeus. Não usado no amplo sentido etnológico de 1:4, mas no estreito sentido profissional, indicando a classe sacerdotal da religião babilônica. Embora seja usado neste sentido apenas em Daniel, dentro dos livros bíblicos, era comumente usado assim pelos escritores clássicos, dos quais o mais antigo é Heródoto (Histories 1, 181, c. 440 A.C.; veja Driver, op. cit., págs. 12-16 e Young, op. cit., págs. 271-273). A maioria das autoridades concorda que os quatro termos não foram usados indicativamente mas antes distributivamente para incluir todas as categorias de conselheiros reais.
Roy E.Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 506.
 
3. O fracasso da sabedoria pagã (2.3-13).
“E os caldeus disseram ao rei em aramaico” (2.4). É interessante destacar que o aramaico era a língua dos caldeus que se originou na Mesopotâmia e se estendeu até o Ocidente. Como o aramaico era a língua oficial do império, Daniel, conhecedor da língua, não só falava o aramaico, mas a partir de Daniel 2.4 até ao final do capítulo 7 do seu livro, Daniel escreveu somente em aramaico, que era a língua popular imposta pela Babilônia. Posteriormente, o povo judeu adotou o aramaico como língua do dia a dia judaico até a chegada do domínio grego. A língua grega foi adotada pelo povo judeu, mesmo que não tivessem abandonado o hebraico tradicional do povo judeu.
A dificuldade dos caldeus e seus magos para trazerem à tona o sonho do rei (2.4).
Nabucodonosor suspeita que os seus magos e encantadores se aproveitavam da situação para quererem usar de engano com vãs palavras e os ameaça com pena de morte (2.13). Essa casta de sábios, magos e encantadores era mantida pelo palácio para prestarem serviços especiais ao Rei. Porém, diante do desafio, eles foram incapazes e inoperantes para revelarem o sonho do rei. Por isso, o rei deu o decreto segundo o qual deviam ser mortos todos os sábios do palácio, uma vez que não podiam resolver o problema do rei.
O conflitivo diálogo do Rei com os sábios e magos do palácio (2.5-9).
Nenhum homem das castas sacerdotais e dos sábios conseguiu descobrir o sonho do rei. A tensão palaciana provocou a ira do rei que esperava daqueles homens respostas que eles não podiam dar. Nenhum deles pode trazer à lembrança o sonho do rei. O rei ameaçou com a pena de morte para aqueles sábios e magos que viviam à custa do palácio e não podiam resolver o problema do rei. Estava entre os sábios do palácio, Daniel e seus companheiros que acabaram por correr o risco de morte com os outros sábios do palácio.
O desespero dos caldeus e sábios do palácio (2.10,11). Os caldeus e todos os sábios do palácio, desesperados ante a ameaça de Nabucodonosor, apenas disseram ao rei: “Não há ninguém sobre a terra que possa declarar a palavra ao rei” (2.10). No versículo 11 está escrito assim: “Porque o assunto que o rei requer é difícil; e ninguém há que o possa declarar diante do rei”. Ora, esses sábios e magos do palácio não só confessavam sua incapacidade de revelar o sonho, mas admitiam que, apesar de suas pretensões de comunicação com os espíritos, reconheciam que havia algo mais poderoso que eles. Referiam-se a “deuses cuja morada não é com a carne” (v. 11). Todos os demais sábios do palácio eram politeístas. Somente Daniel e seus amigos eram monoteístas. Quando Daniel teve a oportunidade de se apresentar diante do Rei, disse-lhe: “Há um DEUS no céu, o qual revela os mistérios” (2.28).
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 40-41.
 
Dn 2.6 Mas se me declarardes o sonho e a sua interpretação...
Qualquer indivíduo, dentre os magos, ou a coletividade deles, se fosse capaz de dizer qual fora o sonho esquecido do rei, e então o interpretasse corretamente, obteria riquezas e honras e seria elevado a um alto ofício no reino. E o rei disse: “Portanto, agora façam isso!”. Talvez o rei tenha raciocinado que, se um vidente não pudesse lembrar o passado, então também não poderia predizer o futuro.
Dn 2.7,8 Responderam segunda vez, e disseram. Os magos insistiram em ouvir primeiramente o sonho, mas este desaparecera da memória do rei. Para preservar os sonhos, uma pessoa geralmente tem de anotá-los por escrito imediatamente. Se não fizer isso, na maior parte dos casos, os sonhos são esquecidos. Eles se encontram nos arquivos do cérebro, mas não podem ser lembrados conscientemente. O rei acusou os “magos” de tentarem “ganhar tempo”, pois falavam e não agiam (vs. 8). O rei mencionou novamente despedaçá-los e destruir suas casas (vs. 5), caso eles não conseguissem fazer o que era requisitado. E por causa dessa tremenda ameaça eles tentavam ganhar tempo, esperando que algo acontecesse, sem que tivessem de revelar sua total ignorância. Se eles continuassem tentando ganhar tempo, o rei poderia esquecer a questão ou então relembrar o sonho.
Dn 2.9 Isto é: Se não me fazeis saber o sonho... Aqueles psíquicos profissionais ocupavam sua posição de confiança com o conselheiros do rei, por serem capazes de realizar o seu serviço. Se os magos não dessem resposta ao rei, não passariam de mentirosos comuns. Eles tinham acordado em enganar ao monarca. Continuavam a contar mentiras, esperando alguma mudança da parte do rei, conforme é sugerido no vs. 8.
Dn 2.10,11 Não há mortal sobre a terra que possa revelar o que o rei exige. Os psíquicos profissionais da Babilônia apelaram então para a história. Não havia nenhum caso registrado de homem, rei ou não, que tivesse feito tal exigência a um psíquico, para receber com sucesso a resposta que buscava. Nabucodonosor exigia o tipo de coisa que somente um deus seria capaz de realizar (vs. 11). Aqueles homens confessaram as limitações de sua profissão, limitações que desaparecem quando o ESPÍRITO de DEUS está envolvido.
Daniel mostrou estar à altura da tarefa. A sabedoria humana, pois, aparece nesse caso com o débil, e esse é um dos grandes temas do capítulo. “Os deuses não vivem no meio do povo" (afirmaram eles), pelo que não podiam ser invocados para ajudar, Mas Yahweh, o DEUS de Daniel, estava sempre presente, e daria poder a Seu servo para fazer o que somente o poder divino era capaz de realizar. O judaísmo é glorificado às expensas do paganismo, e esse é, igualmente, um tem a do livro de Daniel. Aqueles magos tinham deuses deístas, os quais nunca intervém na histeria humana, mas estão em algum outro lugar, ocupados em seus próprios negócios.
Dn 2.12,13 Então o rei muito se irou e enfureceu. Nabucodonosor perdeu a paciência e ordenou um decreto terrível: toda a classe dos psíquicos profissionais (magos de vários tipos) seria executada. Entre eles estavam Daniel e seus amigos. Torna-se óbvio, através do vs. 13, que Daniel, em sua educação geral, fora treinado para ser um dos sábios (o grupo combinado dos mágicos, astrólogos e feiticeiros, vs. 2). Os judeus naturalmente estabeleciam uma distinção: Daniel era inspirado por Yahweh, e os demais eram dotados apenas de sabedoria humana, inspirados quem sabe por qual tipo de poderes estranhos.
“ ... a coletividade inteira de sábios, que, de acordo com Dan. 1.20, incluía Daniel e seus amigos. A expressão “sábios” ocorre onze vezes no livro como nome geral para os sábios da corte, e duas vezes (2.27 e 5.15) com o nome para uma classe como: astrólogos, mágicos, encantadores. No Oriente Próximo, esses adivinhos, feiticeiros sacerdotais etc. formavam uma espécie de classe. O rei estava decidido a livrar-se daquele corpo inteiro de sábios. Decreto: A mesma palavra era usada para indicar uma sentença judicial (vs. 9)”.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3378-3379.
 
As Exigências Impossíveis do Déspota (Dn 2.4-13)
Os representantes sacerdotais, os caldeus (4), tornaram-se os porta-vozes para o restante do grupo e pediram uma descrição mais exata do problema. Eles pediram detalhes específicos do sonho antes de aventurar uma interpretação. Esse pedido irritou o rei. Ele os acusou de falar até que se mude o tempo (9), i.e., simplesmente protelando para conseguir mais tempo. Se a habilidade sobrenatural deles era genuína, eles deveriam garantir sua interpretação ao contar-lhe o sonho. Isso, obviamente, tirou a máscara da sua hipocrisia, porque não tinham meios de contar-lhe o sonho.
Visto que o rei tinha tornado isso uma questão de vida ou morte para todos os sábios, eles começaram desesperadamente a procurar uma forma de sobrevivência. Quando descobriram que nem mesmo o rei poderia ajudá-los porque havia esquecido seu sonho, eles perceberam como a sua situação era desesperadora. Postos contra a parede, eles foram impelidos à verdade. Porquanto a coisa que o rei requer é difícil, e ninguém há que a possa declarar diante do rei, senão os deuses, cuja morada não é com a carne (11).
Keil1 insiste em que o rei, na verdade, não tinha esquecido o sonho, mas estava determinado a testar a veracidade das habilidades desses denominados sábios. Se eles pudessem relatar os detalhes do seu sonho, ele estaria certo de que a interpretação deles teria validade. Mas se eles não tinham a habilidade nem mesmo de descrever o sonho, a professa habilidade sobrenatural deles era uma farsa e o castigo horrendo com que o rei os havia ameaçado seria o seu justo destino. Quer o sonho tenha sido esquecido, quer não, a situação dos sábios havia se tornado desesperadora.
O castigo decretado por Nabucodonosor era bastante comum entre os babilônios (veja 3.29). O despedaçamento de cativos de guerra havia sido praticado até pelos hebreus (1 Sm 15.33) como uma manifestação de julgamento extremo. Nabucodonosor acrescentou a esse horror o confisco de propriedade e a profanação das casas das vítimas, tornando-as um monturo (5), i.e., depósitos de lixo públicos.
Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 506.
 
A impotência dos sábios (v.10,11)
A teologia dos sábios deste mundo é deficiente (v. 11).
Eles reconhecem que há uma divindade acima e além, mas não têm uma visão do DEUS pessoal, presente entre Seu povo (Is 57.15).
A prepotência dos poderosos (v.5,8,12,13)
Nabucodonosor revela sua prepotência até mesmo na hora da perturbação de espírito. Ele demonstrou isso de três maneiras. Primeiro, exigindo dos homens o que eles não poderiam oferecer (v. 5,10,11). Há coisas que são impossíveis aos homens. Exigir deles isso é um ato de prepotência. Os magos da Babilônia tinham limitações.
Segundo, oferecendo vantagens financeiras e promoções (v. 6). O rei tem poder e riqueza nas mãos. Com essas duas armas deseja o mundo aos seus pés. Terceiro, determinando o extermínio dos sábios para satisfazer um capricho pessoal (v. 5,8,9,12,13). O rei não respeitou a limitação dos sábios. Acusou-os de esperteza (v. 8), conspiração (v. 9) e determinou o extermínio sumário deles (v. 12). Reinhold Niebuhr diz que esse sentimento de insegurança, bem como esse complexo de ansiedade, é a causa da tirania política moderna. Quanto mais alto um homem sobe, mais medo ele tem de perder o poder, mais inseguro se torna. Isso prova que o poder, a riqueza e a fama não dão segurança ao homem nem satisfazem sua alma.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 42-43.
 
II – ATITUDE SÁBIA DE DANIEL
1. A cautela de Daniel (vv. 16-18).
A atitude de Daniel que adiou a sentença de morte dos sábios da Babilônia Daniel “falou avisada e prudentemente com Arioque, o capitão da guarda do rei” (2.14). Quando o chefe da Guarda do rei recebeu ordens para matar a todos os sábios da Babilônia, inclusive a Daniel e seus companheiros, Deu entrou em ação interferindo naquele episódio. Ele deu inteligência a Daniel para falar com Arioque e pedir-lhe tempo para a execução ordenada pelo rei. Arioque deu a entender que não poderia adiar o mandado do rei (2.15). Daniel pediu que Arioque pedisse ao rei para ser ouvido e foi-lhe concedida a audiência com o Rei. Daniel achou graça diante de Arioque porque DEUS amenizou seu coração para que a soberana vontade de DEUS prevalecesse naquele situação. Foi-lhe concedida a oportunidade de se apresentar diante do Rei e ele, com respeito ao Rei e com palavras prudentes se identificou e pediu tempo ao rei para trazer, posteriormente, a revelação do sonho.
Daniel pede tempo ao Rei para trazer a revelação (2.16). Daniel foi ousado com a iniciativa de entrar na presença do rei e pedir-lhe tempo a fim de poder trazer-lhe a revelação do sonho. Sua ousadia não era essencialmente dele, porque Daniel tinha algo muito mais forte que era a sua fé no seu DEUS, o DEUS de Israel. Daniel conhecia o seu DEUS e havia entendido que nada há que não possa ser revelado por Ele. Daniel convidou seus amigos para orarem ao Senhor com eficiência, até porque suas vidas estavam sob a mesma pena emitida pelo rei contra todos os sábios do palácio. Ele não agiu isoladamente, mas procurou seus amigos Ananias, Misael e Azarias para orarem a DEUS e obterem a resposta divina. Ele sabia que o mistério do sonho do rei só poderia ser revelado através da oração. Ele sabia que a oração é o canal mais eficaz de obter respostas de DEUS às nossas necessidades (2.17,18). Os sonhos são um dos modos de DEUS falar com o homem e revelar sua vontade.
A revelação dos mistérios de DEUS pela oração (2.18,19)
“Então foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite” (2.19). No versículo 18 está escrito que “Daniel foi para a sua casa” que era o lugar da sua intimidade com DEUS, onde ninguém mais o perturbaria. Foi na sua casa que ele pediu ao Pai que revelasse aquele mistério a fim de salvar a sua própria vida e a dos seus amigos hebreus, bem como dos demais sábios do palácio. Sua intimidade com DEUS lhe propiciou a graça divina para receber a revelação do sonho do rei em visão de noite. Uma prova indiscutível de que DEUS se utiliza desses meios para revelar a sua glória aos seus servos.
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 41-43.
 
Dn 2.16 Foi Daniel ter com o rei e lhe pediu designasse o tempo. Daniel aproximou-se ousadamente do rei, sem dúvida com a mediação de Arioque (ver o vs. 24), solicitando uma entrevista pessoal. Dessa forma, Daniel deixaria a questão descansar, satisfazendo a demanda do rei por informações. Daniel dependia do auxílio da fonte divina, Yahweh. Ele não tinha tal confiança em si mesmo. “A providência sem dúvida influenciou sua mente. A Daniel seria concedido algum favor especial” (Fausset, in loc.). A hora era de ousadia, e não de humildade, pelo que o profeta agiu com grande decisão. A humildade seria apropriada para uma ocasião menos dramática.
Dn 2.17 Então Daniel foi para casa. O Apoio da Oração. Tanto a experiência quanto a experimentação (incluindo a de variedade científica) mostram que a oração é m ais poderosa quando feita em grupo. Energias espirituais geradas por pessoas unidas em um propósito não podem ser geradas por indivíduos comuns. Dessa forma, Daniel buscou apoio na oração. Ele apelou para seus três amigos. Quatro amigos tinham uma só mente, e esperavam grandes coisas da parte de Yahweh.
Dn 2.18 Para que pedissem misericórdia ao DEUS do céu. ‘Naquele tempo de testes, Daniel manteve a calma. Ele voltou para casa, procurou seus três amigos, e, juntos, eles oraram pedindo misericórdia da parte do DEUS do céu.
No contexto do livro de Daniel, aponta para Yahweh com o o DEUS Altíssimo, em contraste com os deuses babilônicos ausentes (ver o vs. 11). Os babilônios tinham uma espécie de deísmo idólatra, pois a força criativa era vista com o inativa entre os homens, porquanto abandonara sua criação às leis naturais. Em contraste com isso, a fé dos hebreus era teísta. O teísmo ensina que o poder criativo continua no universo, intervindo, recompensando e punindo, de acordo com as demandas da lei moral. “O DEUS do céu é o equivalente judaico do nome cananeu Ba’al samem.
Esse era o título que os persas usavam para referir-se ao DEUS dos judeus. Parece que caiu de uso em tempos posteriores, por assemelhar-se muito ao termo  grego Zeus Ouranioá' (Arthur Jeffery, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3379.
 
DEUS Concede a Daniel a Interpretação (2.14-23)
Embora Daniel e seus companheiros tivessem escapado da convocação do rei, não escaparam da inclusão no decreto de matar os sábios (14). Eles também estavam entre aqueles que seriam executados. Quando Daniel ficou sabendo da natureza do decreto e do motivo da sua severidade, imediatamente se dirigiu ao rei. O fato de ter esse tipo de acesso testemunha a alta posição que havia herdado nos exames ocorridos tão recentemente (1.19-20). Na presença de Nabucodonosor, Daniel corajosamente prometeu que daria a interpretação (16), se lhe desse tempo. O rei, antes tão furioso com as manipulações desesperadas dos sábios, estava evidentemente impressionado com a sinceridade, firmeza e confiança de Daniel.
A própria ação de Daniel foi coerente com o homem de DEUS que era. Ele chamou seus três companheiros para juntos com ele passar um tempo em oração intercessora fervorosa. A resposta a essa oração não demorou a chegar. Quando Daniel recebeu o sonho em uma visão noturna, ele irrompeu em um hino de louvor exultante a DEUS.
Roy E.Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 507.
 
A intervenção de Daniel (v. 14-18)
Daniel toma três atitudes importantes na solução daquele intrincado problema. Em primeiro lugar, ele vai ao rei e pede tempo (v.16). Daniel tem iniciativa e ousadia. Ele não foge, não se esconde, nem tenta enrolar o rei. Ele reconhece sua limitação, mas demonstra confiança na intervenção divina.
Em segundo lugar, Daniel vai aos amigos e pede oração (v. 17). Quando, para o mundo, só resta o desespero, para os filhos de DEUS ainda há o recurso da oração. Os magos suplicaram ao rei da Babilônia que lhes contasse o sonho, mas Daniel fez o mesmo pedido ao Rei dos reis, o Senhor DEUS Todo-Poderoso. Daniel compreendeu a importância de termos um grupo de oração. Ele sabia que quando os crentes se unem em oração, isto agrada a DEUS, e a vitória é certa. Precisamos buscar ajuda nas pessoas certas na hora da crise.
Em terceiro lugar, Daniel vai a DEUS e pede misericórdia (v. 18). Ele ora ao DEUS do céu. O nosso DEUS está acima do céu, isto é, acima do sol, da lua e das estrelas que os babilônios adoravam. Enquanto os caldeus adoravam os astros, Daniel adorava o DEUS criador dos astros. Ele revela sua fé no DEUS vivo. Daniel chega a DEUS pedindo misericórdia. A oração é um ato de humildade, não de arrogância.
LOPES. Hernandes Dias. DANIEL Um homem amado no céu. Editora Hagnos. pag. 43-44.
 
2. DEUS ainda revela mistérios (vv. 19-27).
Daniel oferece a DEUS sua ação de Graças pela revelação (2.20-23)
Daniel exalta a DEUS reconhecendo que Ele tem todo o poder e sabedoria acima do poder de Nabucodonosor e de todos os sábios e poderosos do mundo. Só Ele poderia revelar, por sua onisciência, as coisas obscuras ao homem comum. A resposta veio a Daniel em sonho pelo qual ele bendisse ao Senhor (w. 19,20). Como Criador do universo, a terra estava sob o seu controle e providência, porque só Ele tem o poder de mudar o tempo e as estações do ano (v. 21;At 1.7).
Daniel teve a revelação e imediatamente foi procurar o homem responsável por cumprir a ordem do rei. Contou-lhe o que DEUS lhe revelara e pediu que o mais depressa possível o introduzisse à presença do rei para contar-lhe a revelação do sonho real. A semelhança do que DEUS revelou a José no Egito (Gn 41), Daniel foi agraciado por DEUS pela revelação .
Elienai Cabral. Integridade Moral e Espiritual. O Legado do Livro de Daniel para a Igreja Hoje. Editora CPAD. pag. 43.
 
Dn 2.19 Então foi revelado o mistério a Daniel. O mistério do sonho do rei foi resolvido por meio de um a visão noturna. Talvez esse termo fosse distinguido dos sonhos com o algo superior, conforme se vê em Joel 2.28. Mas parece que no livro de Daniel o sonho espiritual é considerado de mesmo nível que as visões. É verdade que na experiência humana algum as vezes precisam os de uma orientação especial que vem por meio da inspiração mística. A Daniel foi conferida essa bênção, em sua hora de necessidade. Oh, Senhor, concedemos tal graça! O próprio Daniel algum as vezes mostrou-se incapaz de obter orientação por sua sabedoria, a qual era muito superior à nossa. Assim sendo, é óbvio que, algumas vezes, precisam os de orientação especial por meio de eventos extraordinários. Cf. este versículo com Gên. 46.2 e Jó 33.14,15. Daniel e seus amigos oraram durante a noite, e eis que no meio da noite a resposta chegou. Algumas vezes precisamos de respostas rápidas!
Daniel estava abordando um mistério, mas, através da oração, até mistérios podem ser revelados pela sabedoria de DEUS (vs. 30)”.
Dn 2.20 Disse Daniel: Seja bendito o nome de DEUS. A grande vitória alcançada foi a inspiração para o significativo hino de agradecimento e louvor ao Poder que prestara grande favor aos jovens judeus. Os que conhecem a literatura poética, conforme ela existia na antiga nação de Israel, dizem-nos que o poema a seguir consiste em quatro estrofes de três e quatro linhas, sendo corretamente classificado como um hino. Trata-se de um tem a que louvava a sabedoria e o poder de DEUS. Cf. I Cor. 1.24. DEUS intervém na história humana, e nós agradecemos e O louvamos por isso. Encontramos sentimentos similares em Sal. 41.13; Jó 12.12,12; Nee. 9.5 e Est. 1.13.
O segredo foi revelado facilmente, pois DEUS sabe de tudo. A visão noturna deu a Daniel toda a informação de que ele precisava, e eram informações salvadoras. A fonte dessas informações foi o DEUS do céu. Ver as notas expositivas sobre o vs. 18 quanto a esse título. A oração dos quatro amigos mostrou ser realmente poderosa.
Dn 2.27 Respondeu Daniel na presença do rei, e disse. Daniel não piscou quando seu olhar encontrou o olhar do rei. Ele sabia que tinha consigo a resposta divina. Ele concordou com os psíquicos profissionais: somente um deus poderia resolver aquele caso (vs. 11). Mas como Daniel tinha consigo o seu DEUS, tudo estava bem. A casta inteira dos magos foi mencionada por suas partes constitutivas: sábios, encantadores, magos, astrólogos, adivinhos, tal como se vê no vs. 2. Eles estavam certos quanto a um detalhe. Eles não podiam, nem individual nem coletivamente, solucionar o problema do rei. Porém, um único indivíduo, com a ajuda divina, poderia resolver o problema do rei. E Daniel era esse homem. O profeta, pois, estava mostrando a debilidade da sabedoria divina, que não é inspirada pela Fonte divina de toda a sabedoria; e é possível ser essa a mensagem principal que a história tenciona ensinar. Pode ficar subentendido que os sábios da Babilônia não conseguiriam solucionar o problema, mesmo que se consorciassem com os deuses (falsas divindades). Há coisas que só podem ser resolvidas pelo DEUS do céu (vs. 28). Poderes preditivos são atribuídos somente a DEUS. Cf. Gên. 20.3; 41.16,25,28; Núm. 22.35. Estudos demonstram que o poder de prever o futuro é uma habilidade natural da psique humana, e certamente existem profetas não bíblicos na antiguidade e na modernidade, Mas isso era ignorado pelos hebreus. Esse fato, porém, não enfraquece o argumento de Daniel (vs. 28).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3379-3380.

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