terça-feira, 2 de setembro de 2014

Lição 10 - O Perigo Da Busca Pela Autorrealização Humana, 1parte, 3Tr14, Ev Henrique, EBD NA TV

Lição 10 - O Perigo Da Busca Pela Autorrealização Humana
LIÇÕES BÍBLICAS - 3º Trimestre de 2014 - CPAD - Para jovens e adultos
Tema: FÉ E OBRAS - Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica
Comentário: Pr. Eliezer de Lira e Silva
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
 
 
TEXTO ÁUREO
"Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará" (Tg 4.10).
 
 
VERDADE PRÁTICA
A realização humana, à parte de DEUS, é impossível de acontecer, pois a criatura não pode viver longe do Criador.
 
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Jó 30.15 A felicidade passageira
Terça - Cl 2.20-23 A frustração advinda dos preceitos humanos
Quarta - 2 Tm 3.1-5 A dissimulação humana
Quinta - Lc 12.13-21 A insensatez do materialista
Sexta - 1 Tm 6.17 A esperança na incerteza das riquezas
Sábado - Ap 3.17 A tragédia da autoconfiança humana
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Tiago 4.1-10
1 Donde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura, não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? 2 Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar; combateis e guerreais e nada tendes, porque não pedis. 3 Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. 4 Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra DEUS? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de DEUS. 5 Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O ESPÍRITO que em nós habita tem ciúmes? 6 Antes, dá maior graça. Portanto, diz: DEUS resiste aos soberbos, dá, porém, graça aos humildes. 7 Sujeitai-vos, pois, a DEUS; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. 8 Chegai-vos a DEUS, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai o coração. 9 Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo, em tristeza. 10 Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará.
 
INTERAÇÃO
Todo ser humano almeja se realizar profissionalmente, no ministério, em família e nas diversas áreas da vida. Esta busca é normal e legítima. Ela faz com que venhamos a trabalhar, estudar, casar, ter filhos, nos leva a correr em busca dos nossos sonhos e projetos. Todavia, a realização pessoal se torna pecado quando ela é colocada acima de DEUS. A Palavra de DEUS é bem clara quanto a isto: "Mas buscai o Reino de DEUS, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas" (Mt 6.33). DEUS deseja que venhamos ter uma vida abundante, de realizações, mas não podemos deixar de levar e apresentar a Ele todos os nossos projetos. Se nossos alvos são alcançados, não é por merecimento próprio, mas porque DEUS assim permitiu pela sua graça e bondade infinitas. Não seja arrogante ou autossuficiente, mas se humilhe perante o Senhor e Ele o exaltará.
 
OBJETIVOS - Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Analisar qual é a origem dos conflitos e discórdias na vida do crente e da igreja.
Mostrar que o crente não pode flertar com o sistema do mundo.
Compreender que a autorrealização não pode vir em primeiro lugar em nossas vidas.
 
ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, para iniciar o primeiro tópico da lição, escreva no quadro a primeira parte do versículo um do capítulo quatro de Tiago: "Donde vêm as guerras e pelejas entre vós?" Peça que os alunos discutam e respondam esta indagação. Em seguida explique que as disputas entre crentes são sempre prejudiciais. Nestas contendas não existem vencedores. Toda a igreja sofre, pois em geral as discussões e disputas são resultado de desejos egoístas e perversos. Explique que a cura para os desejos egoístas e malignos é a humildade. Encerre lendo com os alunos 1 Pedro 5.5,6 (5 Da mesma forma, jovens, sujeitem-se aos mais velhos. Sejam todos humildes uns para com os outros, porque "Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes". 6 Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido).
 
Resumo da Lição 10 - O Perigo Da Busca Pela Autorrealização Humana
I. A ORIGEM DOS CONFLITOS E DAS DISCÓRDIAS (Tg 4.1-3)
1. Que sentimentos são esses?
2. A origem dos males (Tg 4.2).
3. O porquê de não recebermos bênçãos (Tg 1.3).
II. A BUSCA EGOÍSTA (Tg 4.4,5)
1. Adúlteros e amigos do sistema mundano (Tg 4.4).
2. "Inimigos de DEUS"
3. O ESPÍRITO tem "ciúmes" (Tg 4.5).
III. A BUSCA DA AUTORREALIZAÇÃO (Tg 4.6-10)
1. Humilhando-se perante DEUS (Tg 4.6,7).
2. Convertendo a soberba em humildade (Tg 4.8,9).
3. "Humilhai-vos perante o Senhor" (Tg 4.10).
 
SINOPSE DO TÓPICO (1) - As guerras e pelejas entre os crentes são frutos dos desejos egoístas e carnais que carregamos em nosso interior.
SINOPSE DO TÓPICO (2) - Os crentes que estão divididos entre a igreja e o mundo são denominados por Tiago de "adúlteros e adúlteras". O crente jamais deve flertar com o sistema do mundo.
SINOPSE DO TÓPICO (3) - Como criaturas, precisamos nos humilhar diante do nosso Criador, reconhecendo que sem Ele nada somos e nada podemos fazer.
 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1 ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2007.
ARRINGTON, French L; STRONSTD (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Vol. 2. 4. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009.
 
Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 59, p.41.
Por que existem conflitos, discórdias e males entre as pessoas cristãs? Tiago, o meio-irmão do Senhor, retoricamente, pergunta: "Porventura, não vêm disto, a saber, dos vossos deleites que nos vossos membros guerreiam?" (v.1). Esta é a origem dos conflitos e das discórdias que o autor da epístola descreve na seção bíblica 3.1-3. Quão enganoso e destrutivo é o coração humano!
 
No terceiro capítulo, Tiago demonstra que a maioria das nossas desavenças e tramas perversas é fruto da ambição, ignomínia e sede de vermos o nosso desejo realizado. E qual o objetivo desta realização? O deleite! O líder da igreja de Jerusalém expõe a nudez da alma humana. Daí é que surgem muitas frustrações espirituais e da própria alma. O indivíduo tem uma relação com DEUS não segundo a vontade divina, mas a sua própria, pois colocaram em sua cabeça que as bênçãos de DEUS são para os seus deleites e prazeres. Neste ponto, Tiago é taxativo: "Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar; combateis e guerreais e nada tendes, porque não pedis. Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites" (4.2,3).
"Porque não pedis", Tiago destaca esta expressão para compará-la, logo em seguida, com a outra posterior: "Pedis e não recebeis". Porque alguém pede a DEUS e não recebe, já que o nosso Senhor prometeu dar-nos tudo o que pedíssemos em seu nome? Esta é uma pergunta que só pode ser respondida à luz de um autoexame sincero, pois a Palavra responde com clareza: "Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites". Temos de ter o cuidado, para não confundirmos a vontade de DEUS com a nossa própria. Não podemos usar o nome de DEUS para realizar as vontades e os prazeres particulares. DEUS não se usa!
Portanto, desafie a classe para um autoexame honesto, sincero e transparente à luz da Palavra de DEUS. Nada é melhor que o homem desnudar-se na presença do Altíssimo. O nosso Pai sabe o que está em nosso coração e qual a nossa verdadeira motivação de vida diante dEle. Num tempo dominado pelas ambições e prazeres humanos, a palavra ensinada por Tiago chega a uma ótima hora e desafia-nos a olharmos para nós e perguntarmo-nos: o que há em meu coração?
 
COMENTÁRIOS DE VÁRIOS ESCRITORES - INTRODUÇÃO
Ao falar, no final do capítulo 3, sobre a sabedoria que vem do Alto, o apóstolo contrasta-a com a falsa sabedoria, a sabedoria terrena, que se baseia na “amarga inveja” e no “sentimento faccioso” (Tg 3.14,16). Prosseguindo, então, nesse raciocínio, Tiago começa o capítulo 4 falando sobre a origem das disputas e dos conflitos entre as pessoas, e dos males do orgulho humano. E o apóstolo já vai direto ao assunto no primeiro verso do capítulo, ao encetá-lo com a pergunta: “Donde vêm as guerras e pelejas entre vós?” (v.la).
Ora, não poucas vezes, somos tentados a culpar as pessoas ou a situação à nossa volta pelos conflitos, mas Tiago é claro quanto à real origem das disputas e conflitos: ele afirma que tudo começa dentro de nós (v.lb). Sendo assim, urge atentarmos para a repreensão do apóstolo, até porque ela nos apresenta alguns passos que devemos tomar para evitar que nos tornemos fontes de conflitos, como veremos a seguir.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 115.
 
O capítulo 4 começa com um desafio para que eles mudem o seu comportamento habitual. As perguntas de Tiago impõem a firmeza e o comprometimento de uma pessoa que compreende que o mal inalterado não irá desaparecer. Tiago deseja que os seus irmãos e irmãs resistam não somente às práticas da sabedoria maligna, mas também à fonte desta sabedoria. O seu plano exige uma declaração de fidelidade a DEUS e uma rebelião declarada contra o exército do diabo.
Precisamos sentir o impacto destas mesmas verdades, à medida que Tiago descreve as situações que são terrivelmente verdadeiras nas igrejas da atualidade. As disputas e brigas que Tiago observava ainda caracterizam a vida do corpo de CRISTO e prejudicam gravemente a transmissão eficiente do Evangelho. Os de fora, que consideram a igreja como um lugar de consolação e salvação, frequentemente a encontram repleta de discórdias. Precisamos desesperadamente da sabedoria de DEUS em nossas igrejas.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 681.
 
A sabedoria falsa é força poderosa em favor do mal, conforme fica demonstrado na secção anterior. Porém, mais prejudicial ainda para a inquirição espiritual é o desejo maligno e descontrolado; e esse é o tema que o autor sagrado agora passa a abordar e a repreender. Esta secção não demonstra qualquer unidade especial, pois o autor sagrado mistura muitas ideias, embora, de alguma maneira, alguma forma de desejo distorcido apareça por detrás de cada versículo.
Os versículos l-2b Os homens que têm desejos conflitantes, nenhum deles santificados pela influência do ESPÍRITO de DEUS, criam confusão em suas próprias vidas, bem como na vida da congregação local a que pertencem. Desejos conflitantes provocam guerras, entre nações ou indivíduos, ou mesmo entre facções de uma igreja local. Aqueles que se envolvem em tais dissensões, esquecem-se da grande chave mestra da conduta cristã: «Buscai primeiramente o Reino de DEUS...» Mas buscam zelosamente as coisas de mero valor temporal, que são coisas inteiramente prejudiciais para a alma,, quando substituem os valores espirituais. É um dos elementos do paradoxo que é a natureza humana, que aquele que se esquece de seu bem-estar espiritual, termina por anelar por coisas que são prejudiciais para sua alma. Contenta-se em seguir algo que lhe dá prazer imediato, e age como se os valores eternos não existissem, ou como se fossem secundários, sem importância. Sempre temos sido ensinados, e professados a crer que a vida digna de ser vivida é aquela que traz o bem para outros, que é expressão de amor e altruísmo. Porém, frequentemente, vivemos exclusivamente para nós mesmos, e mesmo quando fazemos algo em favor de outrem, é porque temos algum motivo egoísta ulterior. Dessa maneira, não vivemos segundo a lei do amor, que exige que tomemos sempre em consideração a dimensão eterna.
Ê o desejo mau e egoísta que nos leva a olvidar e a ignorar os verdadeiros motivos da vida. O primeiro mandamento consiste em amar a DEUS; o segundo mandamento nos ordena amar ao próximo e o trecho de Mat. 25:35 e ss. mostra-nos que amamos a DEUS quando amamos ao próximo, o que é realizado por feitos de generosidade em favor de nossos semelhantes. Porém, quando buscamos os próprios interesses e agimos somente em proveito próprio, dificilmente podemos viver segundo essa regra. Por conseguinte, os maus desejos egoístas que tanto frustram a lei do amor têm como resultado natural disso o espírito contencioso.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 62.
 
I - A ORIGEM DOS CONFLITOS E DAS DISCÓRDIAS (Tg 4.1-3)
1. Que sentimentos são esses?
Tg 4.1 “Guerras exteriores vêm de guerras interiores”. Aqui está a verdade que Tiago procura deixar claro para os seus leitores. Ele estava tratando de um problema que ocorria no círculo de crentes. Ele continua se dirigindo aos “meus irmãos” (1.2; 2.1; 3.1,10; 4.11). Esses eram cristãos professos, mas eles não estavam dando um bom exemplo como seguidores de CRISTO. Na sua comunhão, havia inveja e sentimento faccioso (3.14). Em um apelo à consciência, Tiago pergunta: Donde vêm as guerras e pelejas entre vós? (v. 1). Não são elas guerras travadas em seu próprio espírito?
1. Desejos Errados e Desastre Espiritual (4.1,2b)
Tiago dá uma resposta afirmativa à sua própria pergunta, mas ele sabe que é a mesma resposta que seus leitores ouvirão de uma consciência acusadora. Vocês colocaram seu coração naquilo que o mundo pode lhes dar e, como resultado, vocês estão em dificuldade. Desejos mundanos conflitam uns com os outros. Esses deleites (“prazeres”, ARA), que nos vossos membros guerreiam (v. 1), perturbam vossa própria paz de espírito, por isso vocês brigam e matam e espalham o conflito aos outros. O principal problema é que vocês permitem que desejos profanos possuam seu espírito. Esses desejos, se impuros e incontrolados, levam ao desastre espiritual.
Se analisarmos esse texto de acordo com 3.14, ele é melhor interpretado por: sois invejosos (“matam”, cf. KJV e NVI e ARA), combateis e guerreais de maneira figurativa. Não é provável que essas coisas tenham, na verdade, ocorrido na comunidade cristã. Tanto Tiago quanto seus leitores cristãos estariam familiarizados com a interpretação de JESUS de que abrigar o desejo perverso consistia, na ótica de DEUS, na violação dos mandamentos (cf. Mt 5.21-22). A maioria dos tradutores modernos entende que o versículo
2 apresenta duas sentenças equilibradas, ou seja: “Vocês desejam, mas não possuem; por isso cometem assassinato. E vocês são invejosos e não conseguem obter; por isso, lutam e brigam” (NASB).
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 181-182.
 
Tg 4.1 A palavra “pelejas” refere-se a lutas sem armas, como em conflitos pessoais. Estes conflitos não têm nada a ver com as disputas no mundo pagão; são disputas dentro da igreja, entre os crentes. Tiago está descrevendo uma situação em que um grupo chega a um estado de guerra, com escaramuças declaradas surgindo em meio às pessoas. Os lados foram escolhidos, as trincheiras foram cavadas. Em casos como este, os crentes deixaram de ser pacificadores (3.18) e vivem em um antagonismo aberto uns contra os outros. A palavra “guerras” refere-se a batalhas com armas, um conflito armado. Esta palavra é usada de maneira figurada para indicar a luta entre poderes, tanto terrenos quanto espirituais.
Obviamente, haverá desacordos em qualquer igreja. Mas, quando isto acontecer, será que seremos suficientemente sábios para entender a razão? Identificaremos a sua origem? Quando tratados de maneira correta, com sabedoria devota, estes problemas podem levar ao crescimento.
Infelizmente, entretanto, algumas igrejas tornam-se campos de batalha permanentes. Os novos crentes encontram-se em meio a um fogo cruzado de discussões, ressentimentos e lutas pelo poder que aparentam ser uma verdade espiritual, mas que frequentemente são simplesmente conflitos pessoais. Neste processo, os observadores inocentes são, a umas vezes, profundamente feridos. Muitos de nós conhecem pessoas que se afastaram da igreja por causa de um conflito que nada tinha a ver com o Evangelho.
Guerras e pelejas têm sido causadas não por alguma força externa, mas pelos maus desejos (versão NTLH) das pessoas. Quando cada pessoa procura o seu próprio prazer, o resultado só pode ser conflito, ódio, e divisão. A expressão “lutando dentro de vocês” (versão NTLH) sugere uma batalha furiosa entre o desejo de fazer o bem e o desejo de fazer o mal.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 682.
 
1 – A realidade da falta de paz (v. 1).
Tg 4.1 “Guerra”, em grego pólemos: trata-se do combate a um adversário com todos os meios disponíveis, inclusive as armas, com a finalidade de aniquilá-lo. Quantas guerras também o nosso século presenciou em todos os quadrantes do mundo! Quantas repetidas vezes as guerras nos ameaçam! E como já nos acostumamos com os conflitos! O mundo está cheio de “guerras e clamores de guerras” (Mt 24.6).
“Lutas”: essa é a expressão mais abrangente. Refere-se também aos atritos menores. Eles ocorrem em toda parte: no dia-a-dia político, entre parceiros sociais, na vida econômica e profissional, entre vizinhos e moradores da casa, entre as gerações e entre cônjuges.
“Entre vós”: significa no âmbito da igreja de JESUS. Isso é consternador. Será que, ao falarmos da discórdia, pensamos apenas nos outros ou primeiramente em nós? Está em negociação a “nossa causa”. Repetidamente ocorrem rivalidades, ciumeiras, suscetibilidades, necessidade de afirmação, tensões, irreconciliabilidade, dissensões entre cristãos, em igrejas, congregações e grupos cristãos. Também quando está em jogo a necessária luta pela verdade, muitas coisas humanas estão envolvidas. Com frequência a luta está infectada por um espírito falso. A palavra representa um chamado ao arrependimento que nosso Senhor dirige a todos nós. – “Entre vós” significa literalmente: “em vós”. A expressão refere-se à nossa comunhão, ou seja, à realidade das interações humanas. Mas igualmente pode ser relacionado com cada um de nós: em nós mesmos trava-se a luta. Pelo fato de frequentemente existir em nós mesmos tanta desordem, falta de paz, dilaceramento, temos não raro reações tão negativas. A falta de paz entre as pessoas nas coisas pequenas e grandes, em discórdias e guerras, não é mais do que a multiplicação daquilo que existe em cada indivíduo.
2 – A causa da discórdia – de onde ela vem (v. 1).
“De onde vêm as guerras e de onde as contendas entre vós? De onde, senão dos desejos que militam em vossos membros?”
Esses “desejos” e cobiças se dirigem ao que o próprio ser humano precisa para viver, ao que a geração posterior necessita, ao que traz alegria e gera felicidade ou facilidade para nós, ao que promete sublimar nossa vida, ao que promete nos preservar de sermos esquecidos no mundo vindouro, ao que deve assegurar a nós e nossos filhos o futuro, ao que vemos em outros… Muitas dessas expectativas têm razão de ser. Contudo, em nós elas surgem permeadas, atacadas, embebidas pelo espírito de baixo, ao qual muitas vezes abrimos as portas. Estão contaminadas e deterioradas desde que o pecado está no mundo. Vivemos no reino do pecado, no mundo, e, por natureza, o mundo está em nós. Essa condição do ser humano é chamada de “carne” pela Bíblia. Todas as esferas da vida estão marcadas por ela: a luta por bens, por ascensão social, por poder, por realização na vida, por felicidade. Também nossa sexualidade é abarcada por ela.
“Em vossos membros”: todos os órgãos humanos, dons, possibilidades, esferas de vida são igualmente atacados por esse espírito. Essa condição está sediada em nosso “sangue”. Em vão procuramos no ser humano o muito citado “cerne bom”. Pelo contrário, de acordo com a sentença da Bíblia ele possui um cerne mau, duríssimo. Ela fala de “corações de pedra” (Ez 36.26s). Unicamente o próprio DEUS é capaz de realizar o “transplante cardíaco” que salva. O “em vossos membros” diz ainda mais: esses órgãos, dons e âmbitos da vida se tornam praticamente instrumentos, “armas” (cf. Rm 6.13) nessa ferrenha luta por autoafirmação, reconhecimento e auto-realização do ser humano: forças intelectuais, capacidade de contatos, olhos, ouvidos, capacidade de falar, mãos, pés, órgãos sexuais, em suma: corpo, alma e espírito.
“Os desejos militam em vossos membros”: Assim o ser humano é atormentado e agitado. Preocupação e medo como consequência desses desejos (do próprio desejo e do desejo dos outros) tornam-se “contingência básica de sua existência”, como dizem os filósofos. Ele é como um animal que precisa sempre “garantir-se”, estar alerta e buscar um ponto fraco no outro para se defender. Algo análogo ocorre predominantemente na vida profissional, comercial, política, social, e até mesmo na vida familiar. Quando desaparece a confiança em DEUS, desaparece também a confiança nas pessoas. Essa é a condição do ser humano que não conta com DEUS e não espera nada dele, com o ser humano que tenta ser grande por conta própria (Gn 3.5) e que pensa ter de ajudar-se a si mesmo. É o ser humano que acredita estar sozinho, motivo pelo qual também tem de suportar sozinho o gigantesco fardo da preocupação pelo futuro. Por isso resiste tão ferrenhamente, por isso a bestial seriedade e as hostilidades. No entanto – o que é alarmante – isso também ocorre na igreja cristã.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
 
As GUERRAS são uma realidade da vida, a despeito dos acordos de paz. Não há apenas guerras entre as nações, mas também entre as denominações, dentro nas famílias e dentro do nosso próprio coração. Tiago diz que o nosso verdadeiro problema não está fora de nós, mas dentro de nós (4.1; Mt 15.19,20).
A guerra do Peloponeso, que durou 27 anos, destruiu a Grécia no ápice da grande civilização que ela havia criado como resultado da Idade de Ouro de Atenas. Roma fez da guerra uma maneira de viver, mas, apesar disso, foi vencida e destruída pelos bárbaros. Na Idade Média, a guerra varreu a Europa, culminando com os horrores da Guerra dos Trinta Anos, terminada em 1648.
Essa guerra é considerada o episódio militar mais horrível na história ocidental antes do século 20. Cerca de 7 milhões de pessoas ou seja, 1/3 dos povos de língua alemã morreram naquela guerra. James Boyce disse que a guerra é o nosso principal legado.
Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) aproximadamente 30 milhões de pessoas pereceram. Todos ficaram horrorizados. Mas dentro de 20 anos outra guerra foi travada no mesmo anfiteatro, pelos mesmos participantes, por muitas das mesmas razões. A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) resultou na perda de 60 milhões de vidas, enquanto os custos quadruplicaram da estimativa de 340 bilhões para 1 trilhão de dólares. Assistimos a guerra fria entre o comunismo e o capitalismo. Assistimos o maior massacre da história contra os cristãos pelas mãos do comunismo entre os anos de 1917 a 1985. Assistimos sangrentas guerras tribais na África, batalhas fratricidas na Irlanda, massacres no Oriente Médio.
Hoje vemos o domínio bélico dos Estados Unidos sobre seus rivais. Essas guerras são uma projeção da guerra instalada em nosso próprio peito. Carregamos uma guerra dentro de nós. Desejamos o nosso próprio prazer à custa dos outros (4.2). Em vez de lutar, Tiago diz que devemos orar (4.2,3).
LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag.
 
2. A origem dos males (Tg 4.2).
Tg 4.2 Os desejos aqui descritos tornam-se tão fortes, que as pessoas estão prontas até para matar (versão NTLH), com a finalidade de conseguir aquilo que querem. A palavra “matar” pode ser interpretada como uma hipérbole para o ódio e a amargura. Em lugar de reavaliarem os seus desejos, as pessoas descritas por Tiago recorrem à inveja, a lutas, a disputas, e a coisas piores do que estas. Mas, apesar de todo o seu egoísmo e antagonismo para conseguirem o que desejam, elas ainda não podem alcançar estas coisas.
Por que? Nós aprendemos (desde quando tivemos o nosso primeiro triciclo até quando dirigimos o nosso primeiro automóvel) que os desejos satisfeitos não trazem tanta satisfação quanto prometem.
Algumas vezes, conseguimos realmente aquilo que queríamos, e então descobrimos que ainda não temos aquilo de que realmente necessitávamos - a profunda satisfação que somente nos vem quando somos justificados para com DEUS. Se confiarmos somente nos nossos desejos, eles apenas nos levarão às coisas desta terra, e não às coisas de DEUS. Em resumo, a mensagem de Tiago é: Nada tendes, porque não pedis a DEUS. Em outras palavras: “Vocês não têm o que querem porque não querem a DEUS”.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 682.
 
Este versículo dá prosseguimento à citação «secular» que encabeça a presente secção. Não podemos imaginar que houvesse mortes reais no seio da igreja.
O segundo versículo deste capítulo explica detalhadamente a conexão entre a busca pelos prazeres e as lutas subsequentes, no primeiro versículo.
«...cobiçais...» No grego é nepithumeo», «desejar», «anelar por», em bom ou em mau sentido. E óbvio que aqui isso deve ser entendido de maneira prejudicial. Tal palavra era com frequência usada para indicar as paixões sexuais descontroladas; mas o presente contexto não limita seu sentido a isso.
«.. .e nada tendes...» Obter para si mesmo não é satisfatório; a alma, que reconhece intuitivamente a natureza da verdadeira inquirição na vida, não aceita a satisfação falsa derivada do egoísmo. Portanto, o resultado líquido do egoísmo é a insatisfação.
«...matais...» No contexto original, devia ser entendido literalmente; no contexto cristão, conforme o uso do autor sagrado, está em foco a destruição do bem-estar espiritual, da reputação alheia, da vida espiritual de crentes individuais e de igrejas locais inteiras.
«...invejais, e nada podeis obter...» A emulação também não é satisfatória; até mesmo quando se obtém aquilo que se deseja, a porção nobre do homem rejeita isso como digno. O estoicismo diz isso claramente.
O desejo cumprido conduz meramente a uma maior multiplicidade de desejos; e a grande multiplicidade dos desejos conduz à frustração; e a frustração leva à futilidade. A única emoção legitimamente orientadora é a simpatia; e isso é apenas uma outra maneira de dizer «Amar o próximo». O amor é o oposto da emulação. O amor constrói; a inveja e a emulação destroem.
«Finalmente, ele proíbe o desejo, sabendo que o desejo produz a revolução e se inclina para a intriga. Pois todas as paixões da alma são más, agitando-a e excitando-a de maneira desnatural, destruindo sua saúde e, pior que tudo, seu desejo. E esses males têm por causa o amor ao dinheiro, o amor às mulheres, o amor à glória ou o amor a qualquer daquelas coisas que produzem prazer—são elas coisas pequenas e ordinárias? Não é por causa dessa paixão que relações são quebradas, e assim a boa vontade natural é transformada em uma desesperadora inimizade? que grandes e populosos países são desolados domésticos? e que terras e mares são tomados por tremendos desastres, devido a batalhas navais e campanhas terrestres? Pois as guerras, famosas em sua tragédia, que os gregos e os bárbaros têm feito uns contra os outros, originaram-se todas de uma só fonte: o desejo pelo dinheiro, pela glória ou pelo prazer. Por causa dessas coisas a raça humana tem enlouquecido». (Filo, de decai., 28. M, par. 204 e s.).
«...viveis a lutar e fazer guerras...» conforme essa citação foi utilizada pelo autor sagrado, estão em foco lutas íntimas e comunais, que são prejudiciais tanto para o crente individual como para as igrejas locais. Essas atividades nada conseguem realizar. Essa é a tese que o autor reitera por muitas vezes.
Em contraste violento com tudo isso, posta-se DEUS. Filo comenta acerca desse princípio em Leg. all. ii.23. M., par. 83. Comenta ele que é impossível dominar a busca pela satisfação dada pelo prazer, exceto mediante a submissão a DEUS. Somente na comunhão mística com DEUS, através do ESPÍRITO SANTO, que forma a imagem de CRISTO no íntimo, podemos esperar receber as forças necessárias para vencermos as nossas paixões, os nossos desejos egoístas. A maioria dos homens se deixa governar por esses elementos, conforme a observação mais casual o demonstra. O homem de DEUS, entretanto, deve viver acima desse tipo de vida.
«Existe uma espécie de reação em cadeia na alma do homem, tal como aquela que Tiago aqui descreve: a concupiscência, incapaz de sentir-se satisfeita, leva o indivíduo a impulsos sádicos, os quais, despertados por uma visão de prazeres fora do alcance do indivíduo, se transformam em violência, em crueldade e em homicídio». (Easton, in loc.).
«...Nada tendes, porque não pedis...» O autor sagrado descontinua abruptamente sua citação, e agora se volta para o tema da oração. O fato de ter ele dito que toda a concupiscência e contendas de seus leitores «nada consegue», fá-lo lembrar-se que aquilo que é digno de ser recebido nos é dado em resposta às nossas orações. Por conseguinte, ele se volta imediatamente para esse assunto. A abrupta mudança de tema tem deixado perplexos aos intérpretes, que não percebem que o autor sagrado estava somente se utilizando de uma citação, que aqui descontinua, e que isso sugeriu uma nova corrente de pensamento, a qual se segue imediatamente.
A Natureza Da Oração
1. A oração é um ato criativo que pode fazer qualquer coisa, até mesmo os labores mais fantásticos e prodigiosos.
2. Porém, precisa mover-se acompanhando a corrente da vontade divina; em caso contrário, pode-se pedir o que bem se entender, que nada sucederá.
3. Se pudéssemos ver nossas vidas conforme DEUS as vê, assim observando seu curso inteiro, do princípio ao fim, perceberíamos aqueles acontecimentos que terão de ocorrer, a bem de nosso desenvolvimento espiritual. Então perceberíamos quão errada e prejudicial é qualquer oração que nos leva a evitar tais ocorrências. E também veríamos como, antes de qualquer acontecimento valioso, nossas almas são inspiradas a orar com intensidade. E assim oramos; e depois dizemos: «A oração fez isso». Talvez fosse mais correto dizermos : «DEUS fez isso. Isso fazia parte de seu plano para mim, e minha oração foi um exercício espiritual que me preparou para buscar e aceitar o que DEUS tencionava para mim».
4. Seja como for, a oração é um importante exercício espiritual, e não consiste meramente de «pedir e receber». A oração nos serve de treinamento espiritual. Portanto, é um de nossos meios de desenvolvimento espiritual.
5. Efé. 6:18 e Mat. 7:7 e ss. Busquemos a dimensão eterna, e todas as coisas nos serão acrescentadas (ver Mat. 6:31-33).
«DEUS promete àqueles que oram, e não aos que lutam. Se orássemos, não haveria nem ‘guerras’ e nem ‘lutas’». (Faucett, in loc.).
«Os bens mundanos são os vossos deuses; não deixais pedra sobre pedra, a fim de obtê-los; e visto que nada pedis de DEUS, senão para o consumirdes em vossos maus desejos e propensões, vossas orações não são ouvidas». (Adam Clarke, in loc.).
«Eles não tentam suprir suas necessidades de um modo que cause perda a alguma outra pessoa, a saber, orando a DEUS; preferem empregar a violência e a astúcia contra os outros. Ou então, se oram, pedindo o suprimento de suas necessidades terrenas, nada obtêm, porquanto oram com mau intuito. Orar sem o espírito da oração é namorar com o fracasso». (Plummer, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 63.
 
Tg 4.2
a) O v. 2 demonstra o comportamento humano por meio de três palavras que expressam um crescendo. “Desejais” trata de uma avidez insaciável e egoísta: “Quanto mais tem, tanto mais deseja possuir”. – “Assassinais e vos fanatizais”: seríamos capazes de “servir veneno” ao outro. “Lutais e fazeis guerras”: agora, de maneira grosseira e refinada, tudo também se torna explícito.
b) No resultado final tudo isso não leva a nada. Três vezes é dito: “Não tendes nada – não alcançais nada – não recebeis nada.” “Retornam onerados de pecados e insatisfeitos.” Apesar de todas as asseverações em contrário, as guerras não produzem nada de bom. Quantas coisas foram devoradas pelas últimas grandes guerras mundiais, vidas humanas, casamentos, famílias, lares, felicidade, bens, moralidade! E qual é o saldo de uma luta exacerbada entre parceiros de sociedade? Aperta-se mais um pouquinho o parafuso dos salários e preços, bem como a sorrateira desvalorização da moeda. Isso acontece ainda mais em lares, famílias e matrimônios. As pessoas gemem: “… como poderia ser bela nossa vida!” – “Não recebeis nada”: em sua bondade DEUS estaria disposto a presentear. Mas quando concedemos espaço a esse espírito e a essa distorção, DEUS se fecha.
c) “Porque não pedis”: tentam conquistar pessoalmente o que somente pode ser obtido junto ao grande Doador. Acreditam ser obrigados a cuidar de si mesmos completamente sozinhos e não fazem uso da grande possibilidade da oração. Não optam pela extraordinária saída de toda a aflição: não batem na porta que sempre está aberta para nós (Mt 7.7; 1Pe 5.7; Fp 4.6; Sl 37.5).
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
 
I Sam 16.7 Não atentes para a sua aparência. Saul era homem de elevada estatura, algo muito apreciado pelos antigos. Ver os comentários sobre I Sam. 9.2 e 10.23. Samuel estava caindo no erro de julgar um homem por sua aparência física. Samuel não estava olhando para o interior, mas Yahweh era observador dos corações.
Há a aparência e há a realidade. O homem vê a aparência de uma pessoa ou coisa, e assim faz julgamentos precipitados. Mas DEUS vê a realidade do homem ou coisa, e faz um juízo verdadeiro. Samuel tinha de ajustar-se à maneira divina de avaliar pessoas e coisas. É frequentemente verdadeiro que as aparências enganam. Os homens são facilmente enganados e atos tolos ocorrem por causa de decepções. A questão da escolha do segundo rei de Israel era muito importante para ser feita de acordo com sua aparência física. Por isso mesmo, Yahweh teve de intervir desde o começo, certificando-se de que Davi fosse ungido. O coração de Eliabe não era tão bom quanto a sua aparência física. Ele não era um candidato apropriado.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1180.
 
I Sam 16.7 Os profetas, quando falavam debaixo da direção divina, eram tão sujeitos a erros como qualquer outro; como Natã (2 Sm 7.3). Mas DEUS corrigiu o engano do profeta por meio de um sussurrar secreto em sua mente: Não atentes para a sua aparência (v. 7). Era estranho que Samuel, que tinha sido tristemente desapontado em relação a Saul, cuja aparência e estatura o recomendavam mais do que qualquer outro, deveria estar tão ansioso em julgar um homem por essa regra. Quando DEUS desejava satisfazer o povo com um rei, escolheu um homem decoroso; mas, quando desejava ter alguém conforme o seu coração, esse não deveria ser escolhido pela sua aparência exterior. Os homens julgam segundo a vista dos seus olhos, mas DEUS não (Is 11.3). O SENHOR olha para o coração, isto é: (1) Ele conhece o coração. Nós podemos afirmar como as pessoas se parecem, mas Ele pode afirmar quem elas são. As pessoas olham para os olhos (de acordo com o original), e se satisfazem com a vivacidade e disposição de alguém, mas DEUS olha para o coração, e vê os pensamentos e intenções dele. (2) Ele julga as pessoas pelo coração. A boa disposição do coração, a santidade ou bondade dele, nos recomendam a DEUS. O coração é precioso diante dele (1 Pe 3.4), não a majestade da aparência, ou a força e estatura do corpo. Vamos reconhecer a verdadeira beleza que está no interior, e julgar as pessoas, tanto quanto for possível, pelo seu coração, e não pela sua aparência.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag. 285.
 
I Sam 16.6,7 — Eliabe significa meu DEUS é pai. E disse. Samuel estava provavelmente dizendo para si mesmo. A aparência e a estatura do filho mais velho de Jessé, Eliabe, recomendava-o para a liderança.
Mas as mesmas características foram exatamente aquelas que recomendaram Saul (1 Sm 9.2). Em vez de olhar para a aparência, DEUS olhou para o coração. Portanto, DEUS deu a Samuel uma nova perspectiva. O estado do coração de um homem era muito mais significativo do que a sua habilidade natural e a sua aparência física.
EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 480.
 
3. O porquê de não recebermos bênçãos (Tg 1.3).
A primeira reflexão para a qual a repreensão de Tiago nos leva diz respeito à necessidade de analisarmos as nossas reais motivações. O versículo 3 é enfático quanto a esse ponto. Ali, Tiago afirma que, em vez de forçarmos para conseguir as coisas que desejamos, devemos pedi-las confiantemente a DEUS (v.2b); só que, em seguida, ele acrescenta que nem adianta pedirmos a DEUS o que desejamos quando o que pedimos a Ele é com base em péssimas motivações: “Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (v.3). Ou na versão da Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH): “E, quando pedem, não recebem porque os seus motivos são maus. Vocês pedem coisas a fim de usá-las para os seus Próprios prazeres” (Tg 4.2,3 — grifos meus).
Ou seja, o que o apóstolo Tiago está afirmando aqui é que o verdadeiro cristão não é fonte de conflitos porque ele harmoniza os seus desejos com a santidade de DEUS; ele harmoniza as suas motivações com o que é santo. Em outras palavras, não basta que nossos alvos sejam bons; nossas motivações também têm que ser boas. Elas devem refletir a nossa comunhão com DEUS, que é santo.
O apóstolo Paulo, escrevendo em sua Primeira Epístola aos Coríntios sobre o uso correto dos dons espirituais, trata do tema do amor e, quando o faz, apresenta o amor como aquilo que caracteriza uma motivação santa. Isto é, nenhuma motivação é correta se não se baseia no amor cristão (1 Co 13.1-7).
Outro parâmetro para avaliação das nossas motivações, além do amor e da santidade, é a busca da glória de DEUS. A Bíblia diz que, em tudo o que fazemos, devemos buscar a glória de DEUS acima de tudo (1 Co 10.31).
Em segundo lugar, a repreensão de Tiago nos aponta para a necessidade de não apenas refletirmos sobre nossas motivações, mas também sobre os meios que utilizamos para chegar aos fins que almejamos. Ou seja, não basta também que os alvos que desejamos alcançar sejam corretos, e nem que as motivações que nos levam a buscá-los também sejam corretas; é preciso ainda atentar para que os meios usados para atingir esses alvos sejam igualmente corretos.
Não há problema em desejarmos realizar coisas ou mesmo buscarmos uma realização pessoal, contanto que o tipo de realização que procuramos não seja pecaminosa em si mesma e que também as nossas motivações e os meios pelos quais objetivamos alcançar essas realizações também não sejam pecaminosos, mas completamente sadios.
Um fato impactante sobre esse ponto na Epístola de Tiago é que a repreensão do apóstolo chama a atenção para métodos extremamente terríveis que estavam sendo usados em sua época. Essa constatação fica bem clara quando acompanhamos o raciocínio que ele desenvolve no versículo 2 como aparece em algumas outras versões em português, que procuram ser ainda mais precisas na tradução do texto original grego. Vejamos, por exemplo, o versículo 2 na NTLH: “Vocês querem muitas coisas; mas, como não podem tê-las, estão prontos até para matar a fim de consegui-las. Vocês as desejam ardentemente; mas, como não conseguem possuí-las, brigam e lutam” (Tg 4.2 — grifos meus). O Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento traz ainda a seguinte tradução especial para a referida passagem: “Você deseja, mas não tem; então você mata. Você tem inveja, mas é incapaz de conseguir, então você guerreia e peleja”.
Como vemos, o texto bíblico no original dá a ideia de pessoas que estão tão cegas pelos seus desejos que já se encontram totalmente fora de controle, ao ponto de haver entre elas gente que estava disposta até a matar para conseguir o que desejava! Essa é uma interpretação mais correta, que mostra de forma chocante até que ponto pode chegar uma pessoa possuída e dominada por um desejo.
Há, porém, uma outra interpretação dada a essa passagem, como lembra o Comentário Bíblico Pentecostal: “Existe entre os comentaristas uma acentuada tendência para interpretar a exortação de Tiago ‘combateis e guerreais’ (Tg 4.2) como uma simples figura de retórica e não uma verdadeira acusação de assassinato. De acordo com esses estudiosos, Tiago está acompanhando a precedência de JESUS quando se referiu ao ódio como assassinato (Mt 5.21,22)”. Entretanto, como sublinha a referida obra, parece muito mais provável que Tiago está aqui aludindo à “omissão de cuidar ‘dos órfãos e das viúvas’ (Tg 1.27), assim como de outros membros indigentes da comunidade (Tg 2.15,16)”, como a causa “de mortes desnecessárias”. Logo, “o desejo pecaminoso de ‘gastar em vossos deleites’ (Tg 4.3)” é também “uma espécie de assassinato”.
Ademais, devemos nos perguntar se nossa interpretação pró-retórica e pró-espiritualização dessa ideia de morte nesta passagem bíblica, não se dá porque nos choca imaginar que alguns ditos cristãos dos dias de Tiago estavam levando irmãos em CRISTO mais necessitados — e pobres de forma geral — à morte devido a seus interesses egoístas, que lhes fazia omitirem-se de ajudar essas pessoas. Ao lutarem apenas pelos seus próprios deleites, estavam, na prática, mesmo que indiretamente, combatendo e guerreando contra seus irmãos necessitados, levando-os, dessa forma, à morte.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 1.16-119
 
Tg 4.3 Quase tão ruim quanto não pedir é pedir de maneira errada. Se não entendermos bem o uso correto da oração, poderemos deixar de orar, ou tentar manipular a DEUS. Mais adiante, Tiago deixa claro que, quando oramos, precisamos nos humilhar diante de DEUS (4.7). Se não for assim, poderemos não ser atendidos. As pessoas não deveriam ficar surpresas quando as suas orações não fossem atendidas, porque os seus motivos são frequentemente maus (versão NTLH). Elas iriam gastar o que recebessem nos seus deleites (a mesma palavra utilizada em 4.1). Os desejos das pessoas eram tão fortes, que elas estavam brigando, disputando, e usando a oração para conseguir o que queriam. O seu motivo não era ajudar os outros, mas satisfazer a si mesmas.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 682.
 
Tg 4.3 Para eles, orar era apenas um meio de fomentar a ganância. Se conseguissem qualquer coisa com esse propósito dúbio, teriam a certeza que não fora DEUS quem lhe dera. Tinham perdido completamente o conceito do uso apropriado da oração. Tinham-na transformado em um instrumento da carnalidade. Em que eles se importavam acerca da oração como um avanço na santidade e no bem-estar espiritual? Agiam como se houvesse apenas a dimensão terrena na existência, sem céu e sem DEUS. Eram teístas professos, mas eram ateus na prática, porquanto, na realidade, imaginavam que DEUS não desempenhava qualquer papel vital em suas vidas. Do «eu» e seus prazeres tinham feito os seus deuses. Eram idólatras da pior espécie. Nada há de errado nas orações que pedem a prosperidade e o bem-estar físico; conforme se depreende de III João 2. E bom alguém gozar de boa saúde e estar financeiramente próspero. Mas é mau fazer dessas coisas a finalidade central de nossas vidas. Outrossim, os leitores originais da epístola tinham como alvos verdadeiros de suas vidas a busca pelos prazeres, pelo conforto e pelo poder; e assim não se preocupavam apenas com uma abastança mais razoável. Tinham substituído a dimensão eterna pela dimensão temporal; tinham feito da autoindulgência algo mais importante do que cumprir a vontade de DEUS, sendo transformados segundo a imagem de CRISTO, o que é e deverá ser sempre o alvo de toda a existência. (Ver Efé. 1:10).
«...buscai pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas cousas vos serão acrescentadas» (Mat. 6:33).
«Uma vida consagrada ao serviço de DEUS é a melhor oração que pede bênçãos temporais. A oração feita com espírito ganancioso é como a de um bandido, que pede sucesso para os seus assaltos.» (Plummer, in loc.).
«...mal...», isto é, erradamente. (Comparar com Sabedoria 14:29,30 e IV Macabeus 6:17). Aquela gente pedia com «propósitos egoístas», para obter os frutos ilegítimos dos prazeres. Essas orações não são ouvidas por DEUS. (Quanto ao fato que DEUS ouve as orações dos justos e penitentes, ver Sal. 34:15-17; 145:18; Pro. 10:24; Salmos de Salomão 6:6; Luc. 18:9 e ss.; Tg. 1:6 e ss.-, I João 5:14).
«...esbanjares em vossos prazeres...» A ideia central é que eles desejam a abastança financeira, a fim de se ocuparem mais diligentemente na busca pelos prazeres; e existem ainda outros meios pelos quais os prazeres podem ser obtidos, e as petições de tais pessoas incluem qualquer coisa mediante o que o «eu» pode ser satisfeito.
«Até mesmo as orações dos crentes com frequência são melhor respondidas quando os seus desejos são menos atendidos». (Faucett, in loc.).
«Queriam fazer de DEUS o ministro de suas próprias concupiscências». (Calvino, in loc.).
«O sentido geral é: se realmente orásseis corretamente, esse senso de contínua sede por coisas mundanas em maior quantidade não existiria: todas as vossas necessidades apropriadas seriam supridas; e aqueles desejos impróprios, que geram guerras e contendas entre vós desapareceriam. Pediríeis, e pediríeis bem, e, consequentemente, obteríeis». (Alford, in loc.).
«É grande a misericórdia de DEUS quando ele não ouve aos homens que fazem orações injustas. (Ver Sal. 66:18)» (Quesnel, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 63.
 
Até mesmo a oração é deturpada (v. 3).
Tg 4.3 O mau espírito do egoísmo, o espírito de baixo, deturpa até mesmo a oração (quando ainda existe), de modo que ela pode tornar-se vã: “Pedis e não recebeis, porque pedis com má intenção, para (o) consumirdes em vossos prazeres”. O ser humano, também aquele que é aparentemente cristão, encontra-se em uma posição de “ouriço”, de “defesa para todos os lados”. No fundo não se interessa pessoalmente por DEUS e pelo que agrada a ele. Quando ora a DEUS, espera que ele seja mero fornecedor dos meios com que possa se afirmar e reforçar sua posição. DEUS somente deve prover os auxílios para a felicidade, o conforto, o prazer e a edificação do pedestal da auto-exaltação dessa pessoa. Alguém pode até mesmo pedir pelos dons do ESPÍRITO, em grego charismata – pelos mais notáveis – com a intenção de se sobressair com eles, de exibi-los como distintivo de sua devoção singular. Também a intenção de celebrar vitórias nesse campo significaria “consumir em seus prazeres” o que foi pedido. – Contudo, DEUS não aceita esse papel de fornecedor. Em vão se aguarda o atendimento de tais pedidos. Por esse motivo uma oração altamente efusiva não obtém resposta.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
 
Observação minha - Ev. Luiz Henrique - O melhor método de oração é a oração em línguas, ou seja, no ESPÍRITO, ou, no ESPÍRITO SANTO.
Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo,

Judas 1:20
Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo, (Judas 1:20)
O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo (1 Coríntios 14:4)
Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem (1 Coríntios 14:14)
Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos, (Efésios 6:18)
E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos. (Romanos 8:26-27)
 
II - A BUSCA EGOÍSTA (Tg 4.4,5)
1. Adúlteros e amigos do sistema mundano (Tg 4.4).
A partir do versículo 4, Tiago entrelaça a busca pecaminosa com o sistema que domina a maior parte da humanidade, e que é chamado na Bíblia de “mundo”. O apóstolo chama de “adúlteros e adúlteras” todos os crentes que, em vez de se afastarem da cultura humana pecaminosa, em vez de se distanciarem do sistema pecaminoso fomentado pelo Diabo, se unem a ele. Ou seja, o relacionamento do cristão com esse sistema é traição a DEUS, é traição ao nosso relacionamento e compromisso com Ele, é adultério espiritual.
O meio-irmão de JESUS é enfático: “A amizade do mundo é inimizade contra DEUS” e “Qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de DEUS” (Tg 4.4). Esse ensino é frisado também pelos apóstolos Paulo e João em 2 Coríntios 6.14-18 e 1 João 2.15-17.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 119.
 
Tg 4.4 A chocante palavra “adúlteros” descreve claramente a infidelidade espiritual das pessoas e tenciona despertá-las para que encarem a sua verdadeira condição espiritual. Estes crentes estavam tentando amar a DEUS e ter um romance com o mundo. O fato de DEUS expressar, nos termos mais fortes possíveis, a importância da fidelidade deve nos inquietar. Os padrões bíblicos de comportamento pessoal, conjugal e espiritual estão sob constante ataque de erosão.
Nós somos constantemente bombardeados pela mensagem da transigência. Do ponto de vista do mundo, nós devemos ser flexíveis, tolerantes ao pecado, e complacentes. Mas isto não funciona, porque a amizade do mundo é inimizade contra DEUS. Para os crentes, o mundo e DEUS são dois objetos distintos de afeto, mas são completamente opostos. O mundo é o sistema do maligno, que está sob o controle de Satanás; ele representa tudo o que é contrário a DEUS. Ter amizade com o mundo, portanto, é adotar os seus valores e desejos (veja também Rm 8.7,8; 2 Tm 4.10; I Jo 2.15-17). Estes crentes podem amar verdadeiramente a DEUS, mas também são atraídos pelos benefícios do sistema deste mundo. Eles adoram a DEUS, mas podem desejar a influência, os padrões de vida, a segurança financeira, e talvez um pouco da liberdade que o mundo oferece. A busca destas coisas só irá minar a generosidade, os cuidados, e a divisão de recursos que deveriam caracterizar os cristãos.
Qual é, então, o relacionamento adequado de um crente com o mundo? Alguns usaram declarações bíblicas como esta de Tiago como a base para uma retirada radical do “mundo”. Mas a retirada não é a solução. Embora seja verdade que nós somos chamados para estar no mundo mas não pertencer a este mundo (Tg 17.14), deveríamos amar as pessoas deste mundo o suficiente para lhes transmitirmos o Evangelho. Para fazermos isto, precisamos nos relacionar com elas sem nos relacionar com as coisas deste mundo que são contrárias a DEUS (veja 1 Jo 3.15-17).
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 682-683.
 
Ruptura com o Mundo (4.4)
As palavras Adúlteros e adúlteras não se encontram nos textos gregos mais antigos. Deveríamos interpretar adúlteras figuradamente, como JESUS usou esse termo quando chamou as pessoas falsas e infiéis dos seus dias de “geração [...] adúltera” (Mt 12.39). A expressão não sabeis vós supõe que os leitores estavam familiarizados com essa verdade mas a estavam ignorando. O mundo aqui, como em outras partes do Novo Testamento, significa tudo que as pessoas pensam e fazem que desconsidera DEUS e é contrário à sua vontade. Por meio de palavras retumbantes, Tiago declara que o povo de DEUS deve tomar uma decisão clara entre DEUS e todas as atitudes não-cristãs. Se pertencemos a DEUS, a amizade do mundo precisa nos deixar. Se nos agarramos a qualquer caminho errado, nutrindo-o como um amigo, nos tornamos inimigos de DEUS e não temos mais uma base bíblica para crer que estamos em um relacionamento de salvação com Ele.
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 182.
 
Tg 4.4 “Adúlteros (literalmente: adúlteras), não sabeis que a amizade com o mundo é inimizade contra DEUS? Quem, portanto, pretende ser um amigo do mundo revela-se inimigo de DEUS.”
a) “Mundo”: o que a Bíblia visa dizer com isso?
a.1) A palavra grega kósmos significa “enfeite” (o termo “cosmético” origina-se dela). Segundo a opinião dos gregos, portanto, o mundo é uma “coisa linda”, uma “bela ordem”. Uma série de autores entende por “mundo” a bela e maravilhosa criação de DEUS. “DEUS fez o mundo e tudo o que ele contém” (At 17.24; cf. Hb 11.3; Sl 50.1; 90.2; Pv 30.4).
a.2) Um grande número de referências bíblicas, particularmente no NT, emprega “mundo” no sentido de “humanidade”, “mundo das pessoas”, com determinada natureza e intenção homogêneas: o ser humano, ao qual DEUS confiou a terra (Gn 1.28), abriu as portas para o inimigo, deu-lhe atenção. Agora este o domina. Toda a humanidade é território ocupado pelo inimigo. JESUS fala do diabo como “príncipe deste mundo” (Jo 12.31; 14.30; 16.11). Paulo chega a designar o inimigo como “deus deste mundo” (2Co 4.4). E João diz que o mundo “jaz no maligno” (1Jo 5.19; Tg 1.27). DEUS “amou o mundo” (Jo 3.16), porém não para confirmar sua natureza, mas para, por meio de seu Filho, salvar o que é possível salvar. Como cristãos prestamos serviço ao mundo em consonância com o amor e a vontade salvadora de nosso DEUS, devendo por isso “tomar o rumo”, entrar no mundo (Mt 28.19). JESUS fala aos seus: “Assim como meu Pai me enviou, assim envio vocês” (Jo 20.21). Porém não devemos nos perder no mundo, nem diluir-nos nele, do contrário não poderemos mais ser para as pessoas o que devemos ser. Nesse sentido (negativo) a Escritura fala com muita frequência do “mundo”. João exorta: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele” (1Jo 2.15ss). Paulo escreve: “Não vos conformeis com este mundo” (Rm 12.2). Lamenta que Demas “passou a amar este mundo” (2Tm 4.10). E as testemunhas do NT constatam que o mundo com sua natureza e seu prazer desaparecerá e será condenado (1Co 7.31; 1Jo 2.17; 1Co 11.32). É nesse sentido negativo e de advertência que também Tiago fala aqui do mundo.
b) “A amizade com o mundo”: colocando em último plano ou até mesmo negando o que DEUS é, concede e deseja, o ser humano busca concordância com aquilo que prevalece nos seres humanos e obtém reconhecimento, aprovação e aplausos deles. Adapta-se ao entorno, para não prejudicar sua aceitação. Isso também acontece porque seu desfavor e sua inimizade acarretam desvantagens ou até mesmo poderiam tornar-se perigosos.
c) O efeito nefasto da amizade com o mundo: “inimizade contra DEUS”. DEUS deseja se reconciliar com o pecador. Mas ele é inconciliável em vista do pecado, do inimigo e de sua natureza. Uma linha de confrontação perpassa o mundo, fazendo divisão entre DEUS e Satanás. Quem se volta para esse último e para pessoas determinadas por sua natureza obrigatoriamente se distancia de DEUS e se volta contra ele. Não é possível ser simultaneamente um bom amigo de DEUS e do mundo controlado pelo inimigo (cf. Mt 6.24; 12.30). É preferível perder o mundo todo que perder a DEUS! Quando o ser humano diz “não” a DEUS, DEUS por fim dirá “não” a ele e sua vida. “Horrível coisa é cair nas mãos do DEUS vivo” (Hb 10.31). Fazer a mesma troca que Judas, largando JESUS, e com isto também DEUS, para obter a amizade (e os bens) do mundo tem consequências quase inimagináveis para nós.
d) Tiago elucida por que a aliança com o mundo tem efeitos tão nefastos, recorrendo a uma estranha constatação: “Adúlteras” sois vós! De acordo com o v. 5, a acusação não é de transgressão do Sexto Mandamento (“Não cometerás adultério”), mas do Primeiro Mandamento: “Eu sou o Senhor, teu DEUS, não terás outros deuses além de mim.”
d.1) A comunhão que o grande e santo DEUS concede a seu povo, ao pequeno ser humano pecador, é repetidamente comparada na Escritura aos dois relacionamentos humanos mais estreitos que existem: o relacionamento entre pai e filho e entre marido e mulher, ou noivo e noiva. Sim, o verdadeiro relacionamento entre pai e filho, o verdadeiro matrimônio, é a comunhão que DEUS concede. Constitui o protótipo da comunhão humana. O melhor que os humanos conseguem realizar é sempre uma mera réplica, mais ou menos fiel. As palavras que a Escritura usa para descrever a comunhão entre DEUS e sua igreja do AT e NT como matrimônio ou noivado, passam como um fio vermelho por toda a Bíblia. A aliança do Sinai (Êx 19.1-9) foi como uma celebração matrimonial. Mais tarde isso passou a ser expressamente formulado (Os 2.19s; Ez 16; 23; Is 61.10; 62.5; Ef 5.25; Ap 19.7; 21.2; 22.17). Hoje o mundo manifesta incompreensão diante da mensagem da comunhão que DEUS concede aos humanos. Declara: “Temos agora uma ideia da magnitude do cosmos. É inconcebível que – se existir um DEUS – ele se importe tanto com cada pequenino ser humano.” No entanto, para quem crê, para quem compreendeu algo do amor de DEUS, esse amor se transforma em milagre ainda maior. No Sl 8 nos deparamos pela primeira vez com a admiração que toma conta do ser humano quando por um lado se apercebe do poder de DEUS, o Criador, e por outro, do amor de DEUS, o Pai, para com seus filhos: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste: que é o homem, que dele te lembres, e o filho do homem, que o visites? Fizeste-o, no entanto, por um pouco, menor do que DEUS” (Sl 8.3-5). João expressa essa surpresa e admiração com as palavras: “Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de DEUS!” (1Jo 3.1). Foi necessário falar disso aqui com tanto detalhamento porque somente sob esse ângulo é possível compreender a presente passagem da Escritura, a gravidade do afastamento de DEUS: somente quem conhece o dia sente integralmente a profundidade das trevas. Somente quando conhecemos o amor de DEUS e o experimentamos podemos aquilatar o que significa jogar fora esse amor como algo sem valor e trocá-lo por uma coisa qualquer. Precisamente isso é chamado aqui de “adultério”. A grave palavra não se dirige a descrentes, que não conhecem o amor de DEUS, mas àqueles que ouviram o “pedido de casamento” na palavra proclamada, que responderam sim a DEUS, experimentaram seu amor e viveram em sua comunhão, mas depois lhe deram as costas (cf. Hb 6.4-6).
d.2) Paralela à linha lúcida da “noiva” a Bíblia também é perpassada pela linha obscura do povo de DEUS que se tornou infiel, que desprezou o milagre de seu amor (Os 1ss; Is 1.21; Ez 16; 23; também cabe citar aqui Ap 17).
“Adúlteras” é o nome dado por Tiago aos cristãos que flertam com o mundo, desertam para o lado dele e se associam a ele. A forma feminina deve estar relacionada com a circunstância de que, na “aliança matrimonial” entre DEUS e seu povo, tanto sua igreja quanto o cristão individual ocupam o lugar da “esposa”.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.

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