quinta-feira, 31 de julho de 2014

Lição 5 – O Cuidado ao falar e a religião pura 1 parte

Lição 5 – O Cuidado ao falar e a religião pura
LIÇÕES BÍBLICAS - 3º Trimestre de 2014 - CPAD - Para jovens e adultos
Tema: FÉ E OBRAS - Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica
Comentário: Pr. Eliezer de Lira e Silva
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
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TEXTO ÁUREO
"[...] Mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar" (Tg 1.19).
 
 
VERDADE PRÁTICA
As nossas palavras podem, ou não, evidenciar a sabedoria de DEUS.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda – Êx 19.5 Ouçamos a voz do Senhor
Terça – Ec 3.7 Tempo de falar e de calar
Quarta – Ef 4.26,29 A ira é uma porta para o pecado
Quinta – 1 Pe 1.23-25 Gerados em amor pelo poder da Palavra
Sexta – Sl 68.5 DEUS é Pai dos órfãos e juiz das viúvas
Sábado – Ef 1.3-6 Santos e irrepreensíveis em amor
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Tiago 1.19-27
19 Sabeis isto, meus amados irmãos; mas todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.  20
Porque a ira do homem não opera a justiça de DEUS. 21 Pelo que, rejeitando toda imundícia e acúmulo de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma. 22 E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.  23 Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla ao espelho o seu rosto natural;  24 porque se contempla a si mesmo, e foi-se, e logo se esqueceu de como era. 25 Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito. 26 Se alguém entre vós cuida ser religioso e não refreia a sua língua, antes, engana o seu coração, a religião desse é vã.  27 A religião pura e imaculada para com DEUS, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo.
 
Sabedoria para Usar a Língua (Tiago 3:1-18) - James, por Hendrickson Publishers - Edição Contemporânea, da Editora Vida, Traduzido pelo Rev. Oswaldo Ramos.
A reação de Tiago ao comportamento de grupos na igreja de sua época é convocar a igreja para que controle a língua, expondo as marcas do ESPÍRITO de DEUS, e finalmente denunciando a motivação humana de muitos crentes, na igreja.
3:1 Meus irmãos, indica o início de uma seção. Não sejais muitos de vós mestres: os mestres eram importantes na igreja (Romanos 12:7; 1 Coríntios 12:28; Efésios 4:11-13), mas a igreja também estava sendo prejudicada por falsos mestres (e.g., 1 Timóteo 1:7; Tito 1:11; 2 Pedro 2:1). Era fácil falsificar o dom do ensino, bastando que o falsário fosse bastante eloqüente. Mas era bem certo que, quando uma pessoa se apresentava “voluntariamente” para ensinar, em vez de ser impelida pelo ESPÍRITO, seus motivos mundanos com a toda a certeza se manifestavam em ciúme, contenda ou heresia. Tiago valoriza o ministério, mas percebe que sua atração e poder sociais tornam-no perigoso, e que a pessoa deve ser relutante em investir nele a vida.
O perigo do ministério é, primeiramente, pessoal: receberemos um juízo mais severo. Se cada palavra vã entrará em julgamento, quanto mais as palavras dos que trabalham com palavras? (Mateus 12:36) Se os mestres judaicos deverão ser julgados com severidade, quanto mais os mestres cristãos? (Mateus 23:1-33; Marcos 12:40; Lucas 20:47) Um exame das condenações do falso magistério tanto nos evangelhos como em 1 e 2 Pedro, e em Judas, demonstram que, semelhantemente ao que diz respeito aos presbíteros (1 Timóteo 3; Tito 1), o modo de viver do mestre é mais importante do que suas palavras. Os mestres eram primordialmente modelos e, em segundo plano, instrutores intelectuais. Ao reivindicar a posição de mestres, colocavam sua vida e suas palavras sob a égide de DEUS, que os responsabilizaria pelo desvio do rebanho, quer mediante a palavra, quer mediante o exemplo.
3:2 O perigo aumenta muito pelo fato de que todos tropeçamos em muitas coisas. Tiago menciona um provérbio que significa que os cristãos não apenas pecam com freqüência, mas também pecam de muitas maneiras diferentes. Esta verdade é reconhecida por toda a Escritura: 2 Crônicas 6:36; Jó 4:17-19; Salmos 19:3; Provérbios 20:9; Eclesiastes 7:20; Romanos 8:46; 1 João 1:8.
"Se alguém não tropeça em palavra" Tiago focaliza um pecado especial que o preocupa: a língua solta. A necessidade de controlar a língua era bem conhecida no judaísmo e no cristianismo (Provérbios 10:19; 21:23; Eclesiastes 5:1; Siraque 19:16; 20:1-7). Tiago salienta aqui, como o fez em 1:26, a importância de controlar a língua, pois afirma a respeito de quem for capaz de domá-la: esse homem é perfeito, e capaz de refrear todo o corpo. Isto significa que tal pessoa é madura, tem caráter cristão completo (1:4) e, assim, é  capacitada a enfrentar todas as provações e tentações, e a controlar todos os impulsos maus (1:12-15). É como disse Ben Zoma: “Quem é poderoso? Aquele que subjuga suas paixões”. Ou como perguntou Alexandre da Macedônia aos anciãos do sul: “Quem é o herói? Responderam-lhe: Aquele que controla suas paixões más [yêser hâ-râ]” (m. Aboth 4:1). Tiago caminha um passo à frente dos rabinos. O controle dos maus impulsos é bom (e Paulo concorda com Tiago, 1 Coríntios 9:24-27), mas os impulsos mais difíceis de controlar são os da língua. Mantenha pura a fala, e o resto será fácil; eis a marca do cristão maduro.
3:3-4 Tiago ilustra sua tese, “controle sua língua e você será capaz de controlar todo o seu ser”, mediante uma série de analogias.
Primeiro ele pensa em cavalos, que são maiores e mais velozes do que os seres humanos. No entanto, quando pomos freios na boca dos cavalos nós os controlamos: não só a cabeça, mas o animal inteiro é forçado a ir para onde o cavaleiro desejar.
Uma segunda analogia é tirada dos navios. Os navios constituíam uma das maiores estruturas que os primitivos cristãos conheceram. Se até um barquinho de pesca impressionava, quanto mais um navio mercante em pleno oceano? Mais impressionantes, todavia, eram as forças que o compelem, os ventos capazes de vergar árvores e espalhar as nuvens. Entretanto, a despeito de todo seu tamanho e peso, um leme pequenino, do formato de uma língua (pequenino pelo menos quando comparado ao tamanho do navio, ou ao poder do vento), movimentado pelo piloto, podia mudar a direção do navio. São dois exemplos impressionantes, ou analogias do adágio: “controle a língua e você controlará tudo”.
De certo modo, Tiago mudou um pouco sua argumentação, enquanto elaborava suas ilustrações. Ele havia começado dizendo: “Se você puder controlar a língua, você será um gigante espiritual capaz de controlar o resto do corpo”. As ilustrações de Tiago são agudas: “Se você controlar a língua, você controla o resto do corpo”. Todavia, esta mudança permite a Tiago mover-se no sentido de conscientizar-se de que a língua com freqüência incita a pessoa a agir: primeiramente, você expressa com palavras uma idéia proibida e, a seguir, você lhe dá expressão física; primeiro, você se mete numa conversa lasciva ou numa discussão acalorada e, a seguir, comete adultério ou assassinato. É para esse poder da língua que Tiago se volta agora, mas ambas as idéias, a dificuldade em controlarmos a fala e seu fantástico poder, estão ativas em sua mente.
3:5 Assim também a língua é um pequeno membro, e se gaba de grandes coisas: na verdade a língua é pequenina, mas quanta reivindicação pode ela fazer como responsável por grandes eventos para o mal, ou para o bem! Com muita freqüência os resultados foram malignos, mas a língua gabou-se com o máximo orgulho; o próprio emprego do verbo “gabar-se” leva à memória do leitor as frequentes condenações de Paulo a quaisquer vanglórias, e que só deveríamos gloriar-nos em CRISTO (Romanos 1:30; 3:27; 11:18; 2 Coríntios 10:13-16; Efésios 2:9). A língua é como um pequeno fogo que pode incendiar um grande bosque; pode tratar-se de um bosque palestino ressecado ao sol de uma longa seca, ou de uma encosta montanhosa do sul do nosso país. Alguém acende uma fogueira, sem cuidados, ou atira um fósforo aceso; a ação é irreversível, porque o fogo primeiro estala, depois ruge, e logo estará devorando alqueires e mais alqueires de madeira, rápido como o vento.
3:6 a língua também é fogo: É assim que Tiago começa a traçar quadros quase psicodélicos do mal produzido pela língua. À semelhança do fogo, a língua é destrutiva. Basta que nos lembremos da oratória de um Adolf Hitler para que fique sublinhada esta verdade. A língua não é só destrutiva, ela é um mundo de iniquidade; ou, como afirma uma tradução alternativa, “um mundo de injustiça”.
O mundo de injustiça está ocupando seu lugar entre os nossos membros. Ela contamina todo o corpo. O mundo é algo que o cristão em geral considera “lá fora”. Tiago aponta para sua própria boca e diz: “O mundo está aqui dentro”. A língua descontrolada é a encarnação e a sede dos impulsos maus do corpo. A língua não se limita em seus efeitos à sua própria área, visto que espalha a iniquidade, ou contamina todo o corpo. A pessoa inteira é atingida pelo fragor de sua língua. Entretanto, cada palavra vã será julgada (Mateus 12:36).
Além do mais, a língua inflama o curso da natureza, e é por sua vez inflamada pelo inferno. O problema a respeito das palavras é que as conseqüências não param por aí. Os efeitos são seriíssimos. “Paus e pedras podem quebrar meus ossos, mas as palavras não me machucam” é um conceito sem base bíblica. As chamas da língua incendeiam as paixões aumentam o furor, inflamam a lascívia.
Logo, as palavras, quer sejam um diálogo íntimo, não ouvido aqui fora, pois não houve fala, quer sejam pronunciadas, transformam-se em ação. As emoções, o raciocínio, o corpo todo se envolve incontrolavelmente. E qual foi a origem desse incêndio destruidor? O próprio inferno! É ali que está a prisão de Satanás e seus demônios. Aquela discussão teria sido inspirada pelo ESPÍRITO de DEUS? Não. Foi inspirada pelo diabo. As chamas do fogo, do preconceito, do ciúme, da inveja e da calúnia projetam-se do lago de fogo.
3:7-8 Tendo pronunciado uns conceitos pesados a respeito da língua, Tiago se empenha agora em comprovar sua tese com minúcias. Seu principal quesito é que a língua, isto é, a palavra humana, é desesperadamente perversa. Tiago inicia com uma analogia da natureza: Toda espécie de feras, de aves, de répteis e de animais do mar se doma, e tem sido domada pelo gênero humano. O argumento de Tiago não é científico. Não lhe interessaria saber que ninguém havia ainda conseguido domar o rinoceronte, e que em seus dias ainda não haviam chegado notícias sobre tubarões assassinos; tampouco está Tiago interessado em saber se determinado animal foi totalmente domesticado.
Basta-lhe saber que felinos e grandes macacos ficam sob total controle humano. Isto é verdade, quer se trate do prisioneiro que domestica um camundongo ou um rato, em sua cela, quer se trate do dono de um elefante que transporta um príncipe indiano, ou o encantador de serpentes na praça, ou o passarinheiro cujas aves lhe obedecem o comando. Tudo isto já era conhecido no passado (tem sido domada), mas não pertence a certa idade de ouro, meio esquecida — trata-se de experiência do presente também (se doma). Além de tudo, o conceito aplica-se às quatro principais categorias de vida animal: feras (i.e., mamíferos), aves, de répteis (inclusive anfíbios) e animais do mar.
Entretanto, que contraste quando avaliamos a língua! a língua, nenhum homem a pode domar. O problema de controlar a língua entrava numa espécie de ditado popular das culturas hebraica e grega. Tiago não precisava provar a verdade dessa máxima. Não tinham seus ouvintes dezenas e dezenas de coisas que gostariam de “desdizer” ou muitas palavras que haviam pronunciado erroneamente?
Não haviam aprendido dezenas de provérbios que talvez pudessem ajudá-los? “Há alguns cujas palavras são como pontas de espadas, mas a língua dos sábios é saúde” (Provérbios 12:18). “O que guarda a sua boca preserva a sua alma, mas o que muito abre os seus lábios tem perturbação” (Provérbios 13:3). Certamente as palavras de Tiago não precisam ser comprovadas perante pessoas honestas.
Em vez de deixar-se domesticar, a língua é mal incontido. E como Hermas diria, mais tarde: “A difamação é um mal; é demônio que não sossega, nunca tem paz, mas habita na dissensão” (Mandate 2.3). Em contraste, DEUS é perfeitamente uniforme no pensamento, estável e tem paz, “pois DEUS não é DEUS de confusão, senão de paz” (1 Coríntios 14:33). Entretanto, nossa fala constantemente se caracteriza pela instabilidade; a pessoa crê que controla sua língua, mas num certo momento de descuido, deixa escapar uma palavra ferina ou difamatória.
Algumas características dos demônios são a incapacidade de autocontrolar-se, a ausência de descanso, a instabilidade — as mesmas da língua, como Tiago logo demonstrará (3:16).
Além de tudo, a língua está cheia de peçonha mortal. Com isso concorda o salmista: “Aguçam a língua como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios” (Salmos 140:3). Essa comparação com as serpentes era bastante difundida na literatura judaica, talvez porque a língua se parece um pouco com uma serpente, talvez porque as víboras matem com a boca e talvez porque, no Éden, foi a serpente que enganou nossos primeiros pais com palavras melífluas.
Não há evidência de que Tiago esteja na dependência de alguma passagem bíblica particular; ele está apenas afirmando que as palavras jamais são inofensivas; são perigosas e mortíferas como veneno, se não forem controladas. Esta é a resposta de Tiago à tendência moderna de considerar as palavras destituídas de importância e muito baratas.
3:9 / Tendo declarado a perversidade da língua e a dificuldade em controlá-la, Tiago nos dá a seguir alguns exemplos concretos sobre sua natureza incontrolável.
Em primeiro lugar, com ela bendizemos ao Senhor e Pai. Todos os leitores hão de concordar com Tiago. Dar graças a DEUS, agradecer-lhe a bondade, fazia parte do culto litúrgico de todo judeu e cristão: entoavam salmos (a que chamavam salmos de louvor) como Salmos 31:21 ou 103:1, 2; (levantavam orações matutinas e vespertinas em que davam graças a DEUS pela proteção durante a noite e pelas bênçãos do dia (as orações de Atos 2:42); e havia os devocionais antes de cada refeição: “Bendito sejas tu, ó Senhor DEUS de nossos pais, que nos dás do fruto da terra...”.
Infelizmente, a língua também é usada para amaldiçoar: com ela amaldiçoamos os homens. Há abundantes passagens bíblicas com maldições, embora a Bíblia imponha limites à maldição e não nos deixe tranquilos no que lhe diz respeito: Gênesis 9:25; 49:7; Juízes 9:20; Provérbios 11:26. As maldições eram comuns porque, à semelhança das bênçãos, não só davam vazão às emoções como também influíam de verdade sobre as pessoas e as coisas a que se destinavam. Embora Paulo proíba a maldição feita a esmo (Romanos 12:14), na prática o apóstolo pronunciava palavras duras, à guisa de maldições (1 Coríntios 5:1; 16:22; Gálatas 1:8). A cana de Judas é, praticamente, uma longa maldição contra os hereges. Entretanto, estas maldições de caráter mais formal sobre pessoas que praticam certos tipos de mal dificilmente seriam maldições oriundas do ódio, do ciúme, da rivalidade, jamais são usadas como arma a fim de separar ou rejeitar grupos, dentro da igreja, quando há lutas partidárias, e menos ainda constituem maldições irrefletidas de alguém que se viu prejudicado pessoalmente.
Tiago aponta a incoerência da maldição a esmo, ao acrescentar feitos à semelhança de DEUS. Embora um pronunciamento de JESUS que proíbe que se amaldiçoe pudesse ter sido a base emocional mais profunda (e.g., Lucas 6:28), Tiago prefere utilizar este argumento teológico a fim de salientar a incoerência da maldição.
O Antigo Testamento refere-se às pessoas humanas como feitas à semelhança de DEUS (Gênesis 1:26), e utiliza esse fato para comprovar a seriedade do ato de destruir essa semelhança (Gênesis 9:6). Até mesmo o mais depravado ser humano retém a semelhança de DEUS, a qual se entendia, segundo o pensamento bíblico, representava a pessoa toda. Bendizer a DEUS, ou a ele agradecer e, a seguir, voltar-lhe as costas e maldizer sua imagem e semelhança é o mesmo que engrandecer um rei, em sua presença, e a seguir esmagar a cabeça de sua estátua, à saída do palácio real. Na melhor das hipóteses, é uma incoerência de comportamento; na raiz desse mal está o ódio veemente, incontrolável, sem nenhum vestígio de arrependimento, dentro dessa pessoa, que não se atreve a atirá-lo contra DEUS, mas desabafa-o sobre as pessoas. Entretanto, Tiago reconhece, cheio de simpatia, a natureza instável das pessoas e identifica-se com elas, ao usar o verbo na primeira pessoa do plural (nós), não porque ele aceite essa realidade como apropriada, mas porque procura conduzir as pessoas ao arrependimento e mostrar-lhe um caminho melhor (3:13-18).
3:10 O problema óbvio aqui é a inconstância da palavra falada: Da mesma boca procedem bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto seja assim. O problema não é tanto o de bênção, ou de maldição em si — a pessoa poderia, por exemplo, amaldiçoar o pecado muito adequadamente: “Que todos os pensamentos odiosos que querem invadir minha mente sejam enterrados nas profundezas do inferno!”. O problema é que tanto a maldição quanto a bênção dirigem-se ao mesmo objeto: DEUS, e a pessoa feita à imagem de DEUS.
Isso demonstra duplicidade de pensamento e, portanto, pecado. É especificamente essa duplicidade de linguagem (a pessoa “fala com língua bifurcada”, segundo o velho ditado), que a tradição bíblica rejeita (e.g., Salmos 62:4). Esta rejeição foi efetuada mais tarde, no judaísmo, (o livro apócrifo de Siraque 5:19 fala do “pecador de língua dobre”) e no cristianismo (e.g., Didaquê 2:4, “Não tenhas mente dobre nem tenhas duplicidade de língua, visto que a língua dúplice é armadilha mortífera”). Portanto, Tiago dá prosseguimento ao mesmo tema que mencionara em 1:8 e 4:8 — duplicidade, inconstância e instabilidade são sinais do impulso mau, e não devem ser tolerados. O cristão é chamado para desarraigar todas essas tendências e chegar à singeleza e à sinceridade de coração.
3:11-12 Tiago conclui sua argumentação com mais algumas analogias da natureza: Pode uma fonte de água salgada dar água doce? Aqui está uma verdade infelizmente comum por todo o Mediterrâneo, quer no vale do Lico (Apocalipse 3:15-16 refere-se ao suprimento de água da região), quer em Mara, no Sinai (Êxodo 15:23-25), quer no vale do Jordão, onde a água cai em cascatas do alto das rochas, dando uma aparência de boas-vindas ao viajante, até que este descubra tratar-se de águas amargas. Por que os seres humanos tentam fazer o que a natureza não faz? A analogia entre o produto de uma fonte aquática e o da boca humana é bem apropriada.
Em segundo lugar, meus irmãos, acaso pode uma figueira produzir azeitonas, ou uma videira figos? Mais uma vez a analogia é bem apropriada. Nenhuma árvore produz duas espécies de fruto. Cada árvore produz segundo sua natureza. É contrário à natureza o ser humano tentar fazer o que a natureza não faz. Entretanto, pode ser que Tiago esteja querendo dizer algo mais, visto que JESUS utilizou ilustração semelhante (Mateus 7:16-20; Lucas 6:43-45; Mateus 12:33-35), mas esta analogia relaciona-se a frutos bons e frutos maus, e ao julgamento de uma planta segundo o fruto que produz. Estaria Tiago sugerindo que o fruto mau (a maldição) revela a natureza da pessoa?
A terceira analogia confirma essa suspeita: Tampouco pode uma fonte de água salgada dar água doce. Tiago mudou sua analogia. Agora, a fonte é decididamente má, de água salgada, mas tenta produzir água doce. Isso é impossível.
O mal dentro da pessoa produz uma “inspiração” freqüentemente bem escondida, mas as “maldições” (crítica maldosa, calúnia, comentários negativos), misturadas com palavras piedosas, demonstram a verdadeira fonte de inspiração. O mestre ou os cristãos vindicam o ESPÍRITO de DEUS, ou a sabedoria de DEUS; mas há verdade nisso? Não há verdade quando a linguagem da pessoa revela que esta é uma fonte de água salgada que finge ser doce.
Havendo sustentado o perigo inerente à língua e a necessidade de pureza no falar, Tiago move-se agora para a retaguarda das palavras, e vai tratar das motivações por trás dessas palavras. Esta seção procura olhar para dois lados. Em certo sentido, olha para trás, para os mestres de 3:1 e para os problemas reais que sublinham a palavra impura, de modo geral. Noutro sentido, trata-se de ponte entre a discussão teórica de 3:1-13 e a denúncia dos problemas da comunidade, de 4:1-12. Assim como houve dois nascimentos, e duas inspirações em 1:12-18, há duas “sabedorias” e dois Espíritos, aqui.
3:13 Tiago já fez a apologia da fala singela, sincera; agora, faz um apelo. Quem entre vós é sábio e entendido? Em certo nível, esta é uma pergunta que simplesmente quer saber se alguém se enquadra na descrição, mas num nível mais profundo lembramo-nos de que 1 Coríntios 1-3 descreve uma igreja em que um ensino rival vindicava possuir sabedoria superior, e é possível que isso também estivesse acontecendo na comunidade de Tiago. Pelo menos Tiago sabia que os mestres de 3:1 afirmavam ser compreensivos, pois de que outra maneira poderiam ensinar? É a tais pessoas, e também às que aspiram compreensão, que Tiago se dirige.
De que maneira podem tais pessoas “mostrar” sua sabedoria? Mostre... Seria mediante a inteligente refutação daquele que discorda de sua posição? De modo algum; em vez disso, que mostre pelo seu bom procedimento... JESUS havia dito que distinguiríamos os verdadeiros mestres dos falsos pelo seu modo de viver (Mateus 7:15-23). Tiago está aplicando o ensino de seu Mestre. O procedimento era absolutamente crucial para a igreja primitiva. Os presbíteros eram acima de tudo exemplos (1 Pedro 5:3; 1 Timóteo 4:12; 2 Timóteo 3:10-11), e, num segundo plano, mestres. Suas qualificações enfatizam suas vidas exemplares, e, se há menção da habilidade para ensinar, esta é apenas uma dentre outras muitas (1 Timóteo 3; Tito 1). O modo de viver constituía também um testemunho importante (1 Pedro 2:12; 3:2, 16) visto que, se não houvesse sucesso na evangelização de um incrédulo, pelo menos eliminava as desculpas das bocas dos incrédulos no dia do julgamento final. Tiago declara que não é a ortodoxia da pessoa (pregação correta), mas sua ortopraxia (vida correta) que representa a marca da verdadeira sabedoria. O crente deve recusar o mestre que não vive à semelhança de JESUS; você deve descartar a profissão de fé que não conduz à santidade.
Tiago enfatiza duas marcas deste modo de viver. A primeira chama-se boas obras. As obras — nosso procedimento — falam mais alto do que nossas palavras (Mateus 5:16). As obras que determinada pessoa realiza demonstram onde tal pessoa investiu verdadeiramente seu coração (e.g., Mateus 6:19-21, 24). Tiago elogia práticas tais como a caridade, o cuidado às viúvas, como marcas de sabedoria.
A segunda marca relaciona-se ao desempenho dessas obras em mansidão de sabedoria. De modo diferente dos hipócritas de Mateus 6:1-5, os verdadeiramente sábios sabem como agir com mansidão (humildade): não estão edificando suas próprias reputações. À semelhança de Moisés (Números 12:3) e de JESUS (Mateus 11:29; 21:5; 2 Coríntios 10:1), não estão interessados em defender-se. Evitam conflitos, e de modo especial evitam fazer propaganda de si mesmos. A humildade (ou mansidão) é a marca do verdadeiro sábio.
3:14 Por outro lado, se o coração do crente é marcado, não pelo comportamento santo, pela mansidão humilde e pelas boas obras, mas revela amarga inveja e sentimento faccioso, o quadro é outro, bem diferente. Todas estas palavras descrevem as condições de vosso coração e refletem o ponto de vista de DEUS. A pessoa não deve permitir que essas características lhes penetrem na consciência
de forma disfarçada. A inveja mencionada por Tiago é “um zelo severíssimo”, ou “rivalidade”; o mesmo termo pode ter um significado positivo, o “zelo que transparece noutras passagens escriturísticas (e.g., 1 Reis 19:10), e é certo que a pessoa com essa característica persuadiu-se de que esse é seu caso. Na verdade, trata-se de rigidez resultante de orgulho pessoal. Amarga inveja é diferente do amor e do zelo firme de alguém que tem plenitude de DEUS; “amargo” é um adjetivo que descreve bem a vítima da inveja: seria um “zelo” tingido pela amargura. Não importa os motivos esplendorosos que podem ser proclamados: a dureza áspera no tom do cinismo demonstrado contra os adversários revela a horrorosa inveja.
Com tais vícios combina-se bem o espírito faccioso, que em NIV é “ambição egoísta” (Gálatas 5:20; 2 Coríntios 12:20). No calor da rivalidade, o líder acha que deve retirar-se, de algum modo, a fim de “testemunhar a verdade” que o principal grupo de cristãos rejeitou. Esta é uma questão extremamente sensível, visto que a história da igreja conhece grupos que foram expulsos ou tiveram de retirar-se
cheios de dor e tristeza, por serem testemunhas da verdade; houve épocas em que isto foi necessário. Todavia, com muita freqüência o que começa como um testemunho fica sutilmente maculado pela rivalidade, que induz à separação. Se estes vícios caracterizam seu coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. “Não mintais contra a verdade” é tradução literal do grego, que NIV traduziu: “não negueis a verdade”. Algumas pessoas poderiam estar reivindicando, em total oposição às evidências levantadas por Tiago, estarem cheias do ESPÍRITO de DEUS. Tiago lhes roga que não agravem seu problema ao continuar asseverando que é DEUS quem lhes motiva tão grande rivalidade. Ao jactar-se de seu zelo, ou quando discutem sem parar a justiça de sua causa, atiram a causa do reino de DEUS ao escândalo e acabam cegos espiritualmente.
3:15 A pessoa invejosa não é inspirada por DEUS: Essa não é a sabedoria que vem do alto. Tiago cria que a sabedoria vem de DEUS (1:5). Poderíamos parafrasear Tiago dizendo: “este comportamento não é inspirado pelo ESPÍRITO de DEUS”. É terrena. A inspiração dessas pessoas na melhor das hipóteses provém delas mesmas, de seu ego natural. Em segundo lugar, é animal, i.e., não-espiritual, carnal. Não faz parte de sua natureza redimida, mas caracteriza a pessoa para quem o verdadeiro caminho do ESPÍRITO é estranho. Os caminhos do mundo — o poder, o comando (cf. Marcos 10:45), a estratégia, as prerrogativas — são os que tais pessoas entendem, não a mansidão humilde, o amor, a auto-entrega. Em terceiro lugar, é diabólica. “É inspirado, é mesmo”, redargui Tiago, “é inspirado pelo próprio diabo!”. Neste ponto, Tiago atingiu o xis da questão.
3:16 Como que para arrematar sua argumentação. Tiago prossegue: Pois onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda obra má. A autoafirmação e a independência próprias da inveja do “zelo” doentio, destroem a capacidade de a comunidade disciplinar-se de acordo com a tradição apostólica (Mateus 18:15-20; Gálatas 5:25; 6:5). Destruídos os “freios” da reprovação mútua, e havendo necessidade de “aceitar as coisas” por medo do criticismo que levaria outrem a formar seu próprio partido (“panelinha”), fica fácil ver como toda obra má vai infiltrando-se. Para Tiago, a solidariedade comunitária é importantíssima como era para Paulo (2 Coríntios 12:20; Filipenses 2:4), visto que, sem ela, ocorre a desintegração moral e comunitária.
3:17 Contrastando de modo completo com a “sabedoria” demoníaca, temos a sabedoria que vem do alto. Para salientá-la, Tiago relaciona um catálogo de virtudes que podem ser comparadas, tanto em forma quanto em conteúdo, com o catálogo de Paulo quanto ao amor e ao ESPÍRITO (1 Coríntios 13; Gálatas 5:22ss).
Pura, moderada (Filipenses 4:5; 1 Timóteo 3:3; Tito 3:2), é tratável, é prática, porque se apresenta cheia de misericórdia (expressão grega da qual se derivou a palavra esmola) e de bons frutos, que são os atos de caridade que Tiago já discutiu (1:26-27; 2:18-26). É sem parcialidade, e sem hipocrisia, i.e., imparcial e sincera, livre de preconceitos.
3:18 Tiago resume sua explanação com um provérbio: o fruto da justiça semeia-se em paz para os que promovem a paz. A colheita da bondade ou da justiça é bem conhecida na literatura bíblica (e.g., Isaías 32:16-18; Amós 6:12).
“Bem-aventurados os pacificadores” (Mateus 5:9). Conflitos e desavenças não produzem justiça; o caminho
para a justiça chama-se paz. Na verdade, a verdadeira paz na comunidade é resultado da prática da justiça a todas as pessoas.
Notas Adicionais #3
3:2 Tiago emprega uma palavra incomum para tropeça, que se encontra apenas 4 vezes no Novo Testamento; veja também Tiago 2:10; Romanos 11:11; 2 Pedro 1:10. A palavra grega significa literalmente “tropeçar” ou “errar”, mas, quando empregada em sentido figurado, em questões morais, como aqui, significa “desviar-se” ou “pecar” e até mesmo “arruinar-se” ou “perder-se”. A passagem toda está ligada por palavras destinadas a chamar a atenção. Tropeça faz ligação do provérbio ao resto do versículo. Refrear literalmente é “pôr freios em”, ligando-se com “freios” do v. 3; em português, como no grego, são palavras de mesma raiz. Todo o corpo: o corpo era visto como a sede de todas as paixões, de todos os maus impulsos.
3:3-4 É bem provável que Tiago esteja citando uns provérbios populares, porque com toda a certeza havia abundância de ditados sobre cavalos e navios em sua época. Pode ser que a mente de Tiago apenas se projetou mais à frente, empregando essas ilustrações como uma ponte de ligação com novos pensamentos que logo despontarão. O fato é que as ilustrações sobre cavalos e navios eram comuníssimas entre o povo.
3:5 a língua, isto é, o mal que ela pode conter.
3:6 Assemelhar a língua ao fogo tem precedente no Antigo Testamento: Salmos 10:7; 39:1-3; 83:14; 120:2-4; Provérbios 16:27; 26:21; Isaías 30:27. Siraque, comentando uma longa passagem a respeito da calúnia, diz o seguinte: “[A língua] não governará os piedosos, e estes não serão queimados em suas chamas” (28:22; cf. Salmos de Salomão 12:2-3).
O mundo ocupa seu lugar entre os nossos membros pode ser uma referência aos impulsos maléficos (Hebraico, yêser hâ-râ), primeiramente citados em Tiago 1:13, que os judeus diziam viver nos membros do ser humano. JESUS afirmou que a corrupção não está do lado de fora, mas dentro da pessoa, pois o mal provém do coração (Marcos 7:14-23). É dos fuxicos comunitários, do preconceito e da rejeição do apelo a dar-se que Tiago está tratando. Ele retrata esses males como se estivessem residindo na língua, mas, à semelhança de JESUS, a corrupção interna destrói não apenas a língua, mas todo o corpo. Encontramos em Judas 23 um quadro semelhante (cf. Sabedoria 15:4).
É interessante a referência ao inferno. O inferno ou “Geena”, aparentemente estava na mente de Tiago e de outros como um lugar em que os demônios e Satanás já estavam aprisionados (em oposição ao aprisionamento futuro, mencionado em Apocalipse 19-20). Este é, claramente, o sentido dessas palavras na obra judaica “Apocalipse de Abraão” 14:31. Entretanto, a imagem que lemos nesta passagem não é apenas a de seres aprisionados, mas de seres capazes de inspirar acontecimentos agora mesmo, como os de Apocalipse 9:1-11; 20:7-8. Parece que a prisão seria utilizada como imagem forte para determinar os seres que ali vivem, ou viverão, de modo especial tendo em vista da imagem de fogo que lhe está associada. Veja ainda J. Jeremias. “Geenna”, TDNT, vol. 1, p. 657-58.
3:7 O outro lugar (e único) em que aparece a palavra doma, no Novo Testamento, é em Marcos 5:4, em que os demônios deixam o ser humano indomável.
As quatro categorias de animais são as quatro divisões comuns do mundo animal, na literatura bíblica, classificação feita segundo a observação dos grupos, e não de acordo com a taxonomia atual. Veja Gênesis 1:26; 9:2; Deuteronômio 4:17-18; Atos 10:12; 11:6.
3:8 As Escrituras contêm grande abundância de ensino a respeito da língua (e.g., Provérbios 10:20; 15:2, 4; 21:3; 31:26), havendo também muita literatura intertestamentária sobre o mesmo tópico (e.g., Siraque 14:1; 19:6; 25:8).
O termo incontido é o mesmo que aparece em 1:8 (“vacilante”), sendo frequente no Novo Testamento na forma de substantivo, com o sentido de “intranquilidade”, “instabilidade”, “tumulto”.
Quanto à figura de linguagem da peçonha, na literatura judaica, veja Jó 5:15; Salmos 58:4, 5; Siraque 28:17-23. Hermas (Similitude 9.26.7) diz o seguinte: “Assim como as bestas feras destroem e matam o homem com sua peçonha, assim as palavras de tais homens destroem e matam o ser humano”. Veja ainda O. Michel, “los”, TDNT, vol. 3, p. 334-35.
Em 28:13 a pessoa de língua dobre (“o enganador”, RSV) é amaldiçoado sem rodeios. O Testamento de Benjamin 6:5 diz o seguinte: “A mente boa não possui duas línguas, a da bênção e a da maldição... mas tem uma disposição, incorrupta e pura, com respeito a todos os seres humanos”. Em essência, quer a pessoa examine as obras judaicas, quer examine as cristãs, do período primitivo, o mero aparecimento de uma atitude de duplicidade (que não é de modo algum apenas a honesta confissão de que a pessoa “ainda não tomou uma decisão”) é indício de disposição pecaminosa.
3:11-12 Qualquer área geologicamente ativa possui fontes de água doce e fontes de água amarga. No vale do Lico, Hierápolis tinha fontes termais de água mineral: Colossos tinha águas doces; Laodicéia tinha de adaptar-se à água morna encanada de longa distância. No vale do Jordão o viajante precisava distinguir de longe quais das várias Fontes eram doces, e depois caminhava muitos quilômetros na direção delas. Veja ainda E.F.F. Bishop, Apostles of Palestine (Apóstolos da Palestina), p. 187; ou D. Y. Hadidian, “Palestine Pictures in the Epistle of James” (Quadros da Palestina na Epístola de Tiago), p. 228.
A versão do rei Tiago (KJV) diz: “De modo que nenhuma fonte pode produzir água salgada e água doce”.
 
INTERAÇÃO
Ouvir não é uma atitude fácil. Demanda tempo, paciência, perseverança e concentração. O ato de ouvir é uma obra doadora. Quem ouve uma pessoa, doa o seu tempo e a sua atenção. A princípio, quem ouve pode aparentar uma atitude passiva, mas na verdade esta pessoa realiza uma intensa atividade de pensar e de raciocinar. E tratando-se da Palavra de DEUS, a atividade intensa de alimentar a própria alma. Então, quando o crente abrir a sua boca para falar, falará de maneira sábia e poderosa. Portanto, as Escrituras nos aconselham a ouvir mais e a falar menos; para quando articularmos as palavras, o fazermos com autoridade e coerência.
 
OBJETIVOS
Após a aula, o aluno deverá estar apto a:
Aprender sobre estar "pronto para ouvir" e "tardio para falar".
Compreender a importância de ser praticante, e não só ouvinte.
Saber qual é a religião pura e verdadeira.
 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
STRONSTAD, Roger; ARRINGTON, French L. (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
 
SAIBA MAIS pela Revista Ensinador Cristão CPAD  nº 59, p.38.
 
Resumo da Lição 5 – O Cuidado ao falar e a religião pura
I. PRONTO PARA OUVIR E TARDIO PARA FALAR (Tg 1.19,20)
1. Pronto para ouvir.
2. Tardio para falar.
3. Controle a sua ira.  
II. PRATICANTE E NÃO APENAS OUVINTE DA PALAVRA (Tg 1.21-25)
1. Enxertai-vos da Palavra (21).
2. Praticai a Palavra (22-24).
3. Persevere ouvindo e agindo (v.25).
III. A RELIGIÃO PURA E VERDADEIRA (Tg 1.26,27)
1. A falsa religiosidade.
2. A verdadeira religião (v.27).
3. Guardando-se da corrupção (v.27).
 
SINOPSE DO TÓPICO (1) À luz da Palavra de DEUS aprendemos que o crente deve ser tardio para falar e pronto para ouvir. Por isso, a ira é um sentimento que deve ser controlado pelo crente.
SINOPSE DO TÓPICO (2) O crente deve encher-se da Palavra, praticar a Palavra e perseverar na Palavra.
SINOPSE DO TÓPICO (3) A verdadeira religião está em olharmos para o necessitado, irmos até ele e acolhê-lo.
 
Revista Ensinador Cristão CPAD, n° 59, p.38.
Há na atualidade pouca disposição em se ouvir, estudar, entender, compreender para expor um assunto. Não! Muitos querem falar sobre tudo. Ainda não se tem a maturidade intelectual e querem sair por aí questionando e opinando sobre todos os temas.
 
Ouvir é uma arte. Quando se ouve alguém, quer através da comunicação verbal, escrita ou oral, quer através da comunicação não verbal, admiti-se a possibilidade de aprender para conhecer. Como ensinar se não aprendemos? Espera-se de quem fala sobre um assunto o mínimo do conhecimento necessário a respeito do tema proposto.
Professor, você deve ter lido livros sobre como melhorar uma Escola Dominical. As dicas são muitas: Marketing, café da manhã entre professores, café da manhã trimestral; passeio no parque etc. Mas uma questão fundamental quase nunca focada é o bom planejamento da aula do professor. Ou seja, se o professor não tiver conteúdo de nada adiantarão fazer cafés, passeios e marketing para desenvolver a ED. Mas para se ter conteúdo é preciso estar disposto a ouvir. Este é o ensino central desta seção bíblica de Tiago.
Nas seções anteriores (1.2-18) o assunto central era a necessidade de pedirmos a sabedoria do alto. Na seção atual o escritor disseca mais sobre como devemos usar esta sabedoria na comunidade cristã ou fora dela. Os crentes deveriam se apresentar coerentes com o Evangelho. Na concepção do meio-irmão do senhor é impossível que o discípulo de CRISTO tenha um comportamento dobre. De que adianta falar "DEUS Pai Todo-Poderoso" e não viver segundo a vontade de DEUS Pai? Não é o discurso que determina quem somos, mas a nossa ação.
Vivemos uma geração do discurso vazio: "Tudo posso!", "Sou mais que vencedor", "É só vitória!" Mas estas palavras não passam de discursos pobres, desprovidos de uma consciência oriunda do Evangelho. As pessoas não saberão o tipo de fé ou sabedoria que tem pelo seu discurso, mas pelas suas ações. Se elas falam na hora certa; do modo certo; se em tudo o que fazem aparece o respeito, a ternura, o amor. Virtudes estas intensamente comunicadas ao homem pelo Evangelho. Primeiro ouçamos com atenção! Depois falemos!
 
COMENTÁRIOS - INTRODUÇÃO - VÁRIOS LIVROS:
É no aspecto dessa última relação com a fala que a língua é citada nas Escrituras como uma força poderosa. Afirma-se que a morte e a vida estão no seu poder (Pv 18.21). Tiago elabora isso quando se refere à língua como indomável e um mal incontido, cheio de veneno mortal (Tg 3.8) e como fogo, um mundo de iniquidade (3.6). Paulo, por sua vez, refere-se à língua como um instrumento de engano (Rm 3.13), caracterizando o homem não regenerado.
MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 3. pag. 933.
 
Uso apropriado da Língua.
JESUS ensinou que os homens terão de prestar contas, finalmente, de sua vida na terra, incluindo «toda palavra frívola que proferirem». Esse é um pensamento seriíssimo. Ver Mat. 12:36. Se o juízo divino descer a pontos delicados e minuciosos como esse, então o exame que teremos de enfrentar será, realmente, completo! O terceiro capítulo de I Coríntios alude, figuradamente ao juízo a que os crentes serão submetidos. Então as obras inúteis dos homens serão queimadas como palha, feno ou madeira em contraste com aquelas coisas permanentes como o ouro, a prata e as pedras preciosas (capazes de resistir ao teste do fogo de DEUS). Um colega de seminário disse de certa feita: «Haverá tanta fumaça em meu julgamento, que ninguém poderá ver os outros sendo julgados» Tudo isso ilustra o quanto precisamos da graça de DEUS. O uso da linguagem é uma questão importante. Esta enciclopédia contém um artigo intitulado Linguagem.
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 830.
 
I - PRONTO PARA OUVIR E TARDIO PARA FALAR (Tg 1.19,20)
1. Pronto para ouvir.
Certa vez, Zenon, um pensador clássico, disse que temos dois ouvidos e uma boca por um simples motivo: para que possamos ouvir mais e falar menos. Por mais que essa ideia, para algumas pessoas seja engraçada, traz uma realidade importante para a nossa vida: Precisamos aprender a controlar melhor o nosso tempo gasto com essas duas atitudes inerentes da nossa natureza: ouvir a falar.
O Ato de Ouvir
Por meio da audição, podemos captar informações que influenciarão nossas vidas. Um toque de corneta pode conduzir uma tropa inteira. Um comício inflamado pode trazer uma revolução.
Uma pregação direcionada pelo ESPÍRITO SANTO pode trazer salvação a uma pessoa. Portanto, o ato de ouvir pode definitivamente mudar nossa vida.
O ato de ouvir implica a posterior tomada de decisão. Adão e Eva ouviram o conselho de DEUS no tocante ao fruto da ciência do bem e do mal, e obedeceram até que ouviram uma opinião contrária, a da serpente, e resolveram acolher os conselhos que os levariam à morte. Ouvir as palavras certas das pessoas certas faz muita diferença.
A fé vem pelo ouvir da Palavra de DEUS. Ouvir o que DEUS diz é o primeiro passo para que possamos obedecê-lo. Além de ser um exercício que nos impulsiona à humildade, o ato de ouvir o que DEUS nos diz nos dá a certeza de que estamos no caminho que Ele realmente preparou para que seguíssemos.
Ouvir as pessoas também é recomendado por Tiago. Provérbios diz: “Porque com conselhos prudentes tu farás a guerra; e há vitória na multidão dos conselheiros” (Pv 24.6). Ao tratar do repasse dos seus ensinos a outros, o apóstolo Paulo recomenda a Timóteo: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Tm 2.2). O que Timóteo ouvira de Paulo deveria ser repassado a outros homens que tivessem idoneidade e fidelidade para que não alterassem a mensagem apostólica. Portanto, ouvir a DEUS é um dever, e ouvir para aprender com os outros é igualmente importante.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 59-60.
 
Tg 1.19 A expressão “seja pronto para ouvir” é uma bela maneira de traduzir a ideia de uma audição ativa. Não devemos simplesmente deixar de falar; devemos estar prontos e dispostos para ouvir. Este ouvir com “prontidão” obviamente é feito com discernimento. Devemos examinar o que ouvimos com a Palavra de DEUS. Se não ouvirmos, tanto atentamente quanto prontamente, podemos ser levados a todos os tipos de falsos ensinos e enganos.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 667.
 
-...prontos para ouvir...· Em outras palavras, ao invés de exibirem um mau temperamento, forçando sua vontade sobre os outros, os crentes deveriam estar prontos a ouvir e ver os pontos de vista dos outros. (Ver esse conceito, em termos gerais, cm Rom. 12:16). Deve haver uma atitude de mútua condescendência, o que é apenas outra maneira de se falar sobre o amor mútuo cm operação. O amor cristão consiste em cuidarmos dos outros conforme cuidamos de nós mesmos. Aquele que segue essa regra não explode em ira nem anseia por impor sua vontade aos outros.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 6. pag. 28.
 
Tg 1.19a – “Toda pessoa seja rápida para ouvir”: um dom inconcebivelmente grande, ter a capacidade de ouvir! Sem esse dom seríamos solitários e somente teríamos uma comunhão precária com nosso semelhante. Como realmente sofrem os deficientes auditivos, e que pesado fardo carregam pessoas que nasceram surdas ou então perderam a audição mais tarde! Contudo toda dádiva traz consigo a tarefa de usá-la corretamente. Já no contexto humano geral é importante aprender a ouvir corretamente. Pessoas em posições de liderança têm necessidade disso para que avaliem bem os que cooperam com eles, situando-os no lugar apropriado. É necessário para aqueles que são apenas uma “engrenagenzinha” em um grande empreendimento (e quem não é isso hoje?): se quiserem captar com clareza sua incumbência e preencher adequadamente seu espaço, precisam ter aprendido a ouvir. E se alguém quiser ser uma verdadeira ajuda para outras pessoas na aflição, precisa saber ouvir, atentar para o que é dito ou não. Importante é ser “rápido” no ouvir, ser “todo ouvidos”, sintonizar-se com o outro rápida e integralmente mediante postergação de outras coisas que monopolizam a atenção. No entanto, muitas vezes vale para nós humanos: “Cada um de nós seguia o seu caminho” (Is 53.6). De forma análoga: cada um estava ocupado integralmente consigo mesmo e nem sequer prestava atenção quando outro perguntava, pedia e se lamentava. JESUS, porém, vivenciou a essência e o modo de ser de DEUS: “Antes que clamem, eu responderei; estando eles ainda falando, eu os ouvirei” (Is 65.24; cf. Jo 5.6; Lc 19.5).
Se já entre humanos é importante ouvir corretamente, é duplamente necessário ser “rápido no ouvir” onde e quando acontece a palavra de DEUS, “a palavra da verdade” (v. 18). Ao ouvirmos sua palavra, DEUS semeia a nova vida em nós. É assim que ele a nutre, cria espaço para ela e afasta o “inço” que tenta impedir e sufocar essa “plantação” de DEUS em nós (Lc 8.11; Mt 13.7,22; 1Co 3.9). Desse modo ele fomenta a nova vida em nós e faz com que amadureça. Cumpre aqui ser sobretudo “rápido para ouvir” (com que nos ocupamos primeiro pela manhã, a Bíblia ou o jornal?) Para filhos de DEUS a palavra dele constitui o elemento vital (Lc 2.49).
Contudo, “rápido para ouvir” significa para cristãos também que dêem ouvidos a seres humanos: independentemente de se tratar do serviço de amar ou de testemunhar. Temos de saber o que falta ao outro e quais são suas indagações, pelo que devemos ouvi-lo atentamente. Pedro afirma: “Estai sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1Pe 3.15). E Paulo escreve: “Sabei como deveis responder a cada um” (Cl 4.6). Ou seja, pergunta-se e são dadas respostas. Não um “disco” que simplesmente é posto para tocar. Cada cristão vivo é convocado a ser conselheiro espiritual em seu entorno. A premissa básica de todo serviço de aconselhamento é primeiro prestar atenção ao outro.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
 
I Sm 3.10 Chamou como das outras vezes: Samuel, Samuel. Este foi o quarto e último chamado. As primeiras palavras deste versículo mostram-nos que o Senhor não somente chamou Samuel mediante aquela voz misteriosa, mas também fez sentir a Sua presença. Todavia, tem-se a impressão de que o mesmo havia acontecido nas três vezes anteriores, embora somente aqui isso nos seja dito. Nas ocasiões anteriores, Samuel ouviu mas não interpretou corretamente a voz. E também não tomou consciência da presença divina. Sua experiência, pois, estava crescendo em poder, conforme avançava.
O Quarto Chamado. A voz chamara Samuel pelo nome. Nessa quarta vez, porém, Samuel foi capaz de receber a comunicação tencionada, visto que tinha obedecido às instruções dadas por Eli. Responder diretamente à “voz” permitiu- lhe receber a mensagem diretamente. O texto não indica que a glória shekinah de DEUS se tenha manifestado, mas talvez devamos entender que assim sucedeu. A glória de DEUS moveu-se do interior do SANTO dos Santos e pôs-se ao lado do leito de Samuel. Foi assim que o DEUS infinito condescendeu diante do homem finito. E essa é a própria natureza do drama divino-humano em que o ser humano está envolvido. A maior e mais eficaz de todas as condescendências divinas ocorreu quando o Logos se encarnou e se tornou um homem entre os homens (ver João 1.14).
“Vede o quanto DEUS ama s. santidade nos jovens. O menino Samuel foi preferido por Ele, em lugar de Eli, o idoso sumo sacerdote e juiz" (Teodoreto).
“... quando finalmente Samuel respondeu à voz, esta se tornou uma visão" (George B. Caird, in loc.).
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1137.
 
Finalmente, Samuel foi preparado para receber a mensagem de DEUS, não para permanecer com ela, mas para se tornar um profeta íntegro. Para isso, ele teria de anunciá-la e torná-la pública.
1. Eli, percebendo que Samuel tinha ouvido a voz de DEUS, deu instruções em como proceder em relação a essa voz (v. 9). A instrução que Eli deu a Samuel foi que, quando DEUS o chamasse novamente, dissesse: Fala, SENHOR, porque o teu servo ouve. Ele deve autodenominar-se de servo de DEUS e desejar conhecer as intenções de DEUS. “Fala, Senhor, fala comigo, fala agora”. E Samuel deve estar preparado para ouvir e obedecer: o teu servo ouve. Observe: Podemos esperar que DEUS fale conosco quando nos dispomos a ouvir o que Ele tem a dizer (SI 85.8; Hc 2.1). Quando nos dispomos a ler a Palavra de DEUS e a prestar atenção à sua pregação, devemos estar prontos a nos submeter à sua imponente luz e poder: Fala, SENHOR, porque o teu servo ouve.
2. Parece que DEUS falou pela quarta vez de uma maneira um pouco diferente. Embora o chamado fosse, como das outras vezes, pelo seu nome, dessa vez Ele veio e ali esteve, que infere que agora havia alguma manifestação visível da glória divina a Samuel, uma visão que estava diante dele, como ocorreu com Elifaz, embora não conhecesse a sua feição (Jó 4.16). Agradou a Samuel saber que não era Eli que o chamava; porque agora ouviu a voz de quem falava com ele e viu sua glória (Ap 1.12). Dessa vez, ele também ouviu o seu nome duas vezes: Samuel Samuel, como se DEUS se deleitasse em mencionar o seu nome, ou de sugerir que agora deveria perceber quem estava falando com ele. Uma coisa disse DEUS, duas vezes a ouvi (SI 62.11). Era uma honra para Samuel saber que DEUS o conhecia pelo seu nome (Êx 33.12); assim, o seu chamado foi poderoso e eficaz quando o chamou pelo nome, tornando o assunto particular, como ocorreu com Saulo a caminho de Damasco. Da mesma forma, DEUS chamou a Abraão pelo nome (Gn 12.1). Samuel respondeu, como havia sido instruído: Fala, porque o teu servo ouve. Samuel não se levantou e saiu correndo como da outra vez, quando achava que Eli o chamava, mas ficou deitado em silêncio. Quanto mais calmos e tranquilos nossos espíritos estiverem, tanto mais bem preparados estaremos para as descobertas divinas. Permita que todos os pensamentos e paixões tumultuosos sejam refreados e tudo esteja quieto e sereno na alma; então estaremos prontos para ouvir a voz de DEUS. Tudo deve estar quieto quando Ele fala.
Fala, porque o teu servo ouve. Foi aberto o caminho para a mensagem que ele deveria receber. Assim, Samuel conheceu as palavras de DEUS e as visões do Todo-poderoso, e isso ocorreu antes que a lâmpada de DEUS se apagasse no templo do SENHOR (v. 3). Alguns dos escritores judeus colocam um sentido místico nessas palavras. Antes da queda de Eli, e o desaparecimento do Urim e Tumim, por algum tempo, DEUS chamou Samuel e transmitiu um oráculo a ele. Por isso, entre os doutores, eles utilizam uma observação: nasce o sol, e põe-se o sol (Ec 1.5), isto é, eles dizem, antes que DEUS faça o sol se pôr sobre um justo, ele faz o sol de outro justo nascer. Smith ex Rimchi.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag. 229-230.
 
2. Tardio para falar.
Falar é um presente de DEUS. Poder exprimir nossas opiniões, desejos e anseios não apenas é uma dádiva divina, mas também exige uma grande responsabilidade, pois nossas palavras podem tanto edificar vidas quanto podem também destruí-las. Por isso, é necessário ter responsabilidade com aquilo que falamos.
Nossas palavras devem acompanhar nossas atitudes. Como servos de DEUS, somos chamados a usar nossas palavras de forma sábia e edificante. “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que o ouvem” (Ef 4.29). Mas também somos chamados a ter um profundo compromisso entre o que falamos e o que vivemos. De nada adianta ter um discurso ortodoxo se nossa prática de vida não corresponde às palavras que falamos. Se levarmos a sério isso, concluiremos que é melhor ficar calados até que nossas atitudes sejam coerentes com nossas palavras.
DEUS não nos impede de falar, mas pede que o façamos de forma coerente e com sabedoria. Lembremo-nos do conselho de Provérbios 13.3: “o que guarda sua boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios tem perturbação”.
Alexandre Coelho e Silas Daniel. Fé e Obras, Ensinos de Tiago para uma Vida Cristã Autêntica. Editora CPAD. pag. 61.
 
Tg 1.19 Ser pronto para ouvir e tardio para falar podem ser interpretados em conjunto, como dois lados da mesma moeda. A lentidão em falar significa falar com humildade e paciência, não com palavras ásperas nem tagarelando sem parar. O falar constante impede que a pessoa seja capaz de ouvir. A sabedoria nem sempre é ter algo a dizer; ela envolve o ouvir cuidadosamente, o refletir piedosamente, e o falar mansamente. Quando falamos demais e ouvimos pouco, mostramos aos outros que pensamos que as nossas ideias são muito mais importantes do que as deles. Tiago nos adverte sabiamente para revertermos este processo. Precisamos colocar um cronômetro mental nas nossas conversas e observar o quanto falamos e o quanto ouvimos. Quando as pessoas falam conosco, elas sentem que os seus pontos de vista e as suas ideias têm valor?
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol 2. pag. 667-668.
 
Abandone a Pressa no Falar (1.19abc)
Hayes nos lembra que Tiago não tem muito a dizer a respeito de pecados da carne, tão característicos dos gentios do primeiro século. Em vez disso ele nos adverte em relação aos pecados que os judeus estavam mais inclinados a praticar — orgulho, impaciência e outros pecados do temperamento e da língua. Dessa forma, o apóstolo cita três preceitos que provavelmente eram conhecidos aos seus leitores: Todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar (v. 19). Visto que ele está prestes a apresentar uma advertência severa, Tiago inicia suas palavras com uma expressão de profunda afeição e nela identifica-se com os seus ouvintes — meus amados irmãos. Parece mais certo considerar o ouvir e o falar em um sentido geral, em vez de restringir o significado (como alguns fazem) ao ouvir e falar a mensagem do evangelho. Tiago mais tarde (w. 21-25) trata especificamente do relacionamento do homem com a “palavra” salvadora.
Zeno ressalta que um homem tem dois ouvidos mas somente uma boca; ele, portanto, deveria ouvir duas vezes mais do que falar. Há uma conexão íntima entre o ouvir e o falar; também entre o falar e a ira. Aquele que ouve mais atentamente entende melhor o seu próximo; entender leva a um falar ponderado e a uma resposta branda que “desvia o furor”. O falar impensado, por outro lado, com frequência produz a palavra pesada que “suscita a ira” (Pv 15.1).
A. F. Harper. Comentário Bíblico Beacon. Tiago. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 161.
 
Tg 1.19b Ao “rápido para ouvir” Tiago contrapõe: cada um seja “vagaroso para falar”. Afinal, também é necessário que, enquanto prestamos atenção no outro, já reflitamos sobre uma resposta que o ajude e o leve adiante. Mas seria errado tentar dar o recado ao outro precipitadamente e às pressas. O outro não se sentiria levado a sério: “Ora, ele nem sequer se envolve com minha causa.” Um cristão torna-se mais “vagaroso para falar” pelo fato de ao mesmo tempo conversar simultaneamente com seu Senhor: “Ó Senhor, o que devo dizer agora? Será correto o que penso? Por favor, concede-me agora a palavra certa. Autoriza-me. Usa a minha palavra, e até mesmo fala pessoalmente com essa pessoa.” Em JESUS presenciamos como, durante o diálogo com seus semelhantes, ele estava ao mesmo tempo conversando com seu Pai, atento para a vontade e o direcionamento dele (Jo 2.4; 11.6,41s). Ser “vagaroso para falar” importa principalmente também quando estamos “sob a palavra”. Sem dúvida existe igualmente o diálogo em torno da palavra: “Antes, direis, cada um ao seu companheiro e cada um ao seu irmão: Que respondeu o Senhor? Que falou o Senhor?” (Jr 23.35). Não obstante, as muitas discussões constituem hoje um perigo. Com frequência não conseguimos ouvir ao mesmo tempo em que somos capazes de olhar por acima e para além do mensageiro, perguntando-nos: “Senhor, que pretendes me dizer agora?” – Importa “falar vagarosamente”, sob certas circunstâncias e em determinado sentido, até mesmo perante DEUS. Também para orar precisamos de silêncio se quisermos rogar no sentido da vontade e dos alvos de DEUS e, consequentemente, sob a promessa plena (1Jo 5.14).
Porém, ser “vagaroso para falar” de forma alguma significa que não devamos nunca falar, principalmente quando se trata de testemunhar em favor de nosso Senhor. Na Bíblia não consta o ditado “Falar é prata, e silenciar é ouro”.
Fritz Grunzweig. Comentário Esperança Carta De Tiago. Editora Evangélica Esperança.
 
Sl 141.3 Põe guarda, Senhor, à minha boca. Os pecados da língua certamente são teimosos e universais em sua prática. Os salmos dizem muito sobre o uso apropriado da linguagem. É possível que, primariamente, este pedido se refira a declarações desleais acerca de DEUS e de Seus caminhos, com a aprovação (verbal) do que os pecadores diziam e faziam. Existem pecados de blasfêmia, mentira, perjúrio, maldição, calúnia e muitos outros, que são perpetuados pelos homens que falam demais e não resguardam a língua. Quanto ao uso da fala e o uso apropriado da linguagem, ver Sal. 5.9; 12.2; 15.3; 17.3; 34.12; 35.28; 36.3; 39.9; 55.21; 64.4; 66.17; 73.9; 94.1; 101.5; 109.2; 119.172; 120.3,4; 139.4 e 141.3.
Guarda. A alusão, neste caso, é à guarda policial postada nos portões das cidades e nas muralhas, para manter fora da cidade tudo o que era daninho.
A porta dos meus lábios. Cf. Miq. 7.5. Xenócrates dizia: “Tenho-me arrependido muitas vezes por ter falado, mas nunca por ter guardado silêncio”. Ver Sal. 39.1,9.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2501.
 
Sl 141.3 Davi temia o pecado e implora a DEUS para ser guardado de pecar, sabendo que sua oração só seria aceita se tivesse o cuidado de vigiar contra o pecado. Devemos ser zelosos com a graça de DEUS em nós tanto quanto com seu favor conosco.
Ele ora para não ser surpreendido em nenhuma palavra pecaminosa: “Põe, Senhor, uma guarda à minha boca (v. 3), já que a natureza fez de meus lábios a porta para minhas palavras, que a graça guarde essa porta, que não seja permitido que nenhuma palavra que, de alguma maneira, possa tender a desonrar a DEUS ou a ferir os outros saia por ela”. Os homens bons conhecem o mal da língua pecaminosa e, como são propensos a ela (quando os inimigos nos provocam, corremos o risco de deixar nosso ressentimento ir longe demais e de falar irrefletidamente, como fez Moisés, apesar de ser o mais manso dos homens), por isso eles são determinados com DEUS para que os impeça de falar algo impróprio, sabendo que, sem a graça especial de DEUS, a vigilância e a determinação deles mesmos não são suficientes para governar sua língua, muito menos seu coração. Temos de frear [...] a [nossa] boca; mas isso só não adiantará: temos de orar a DEUS para que a guarde. Neemias orou ao Senhor quando pôs guarda contra seus inimigos, devemos fazer o mesmo, pois sem Ele o guarda andaria em vão.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 692.

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