quarta-feira, 4 de março de 2015

Lição 10 - Não Furtarás 1 parte

Lição 10 - Não Furtarás 1 parte
Lições Bíblicas - 1º Trimestre de 2015 - CPAD - Para adultos
Tema: OS DEZ MANDAMENTOS - Valores Imutáveis Para Uma Sociedade Em Constante Mudança
Comentários: Pr. Esequias Soares
Complementos, ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
 
 
TEXTO ÁUREO"Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade." (Ef 4.28)
 
 
VERDADE PRÁTICAO oitavo mandamento diz respeito à proteção da propriedade e abrange grande número de modalidades de furto sobre os quais o cristão precisa vigiar para não cair nas ciladas do Diabo.
 
 
LEITURA DIÁRIASegunda - Êx 21.16 - O oitavo mandamento diz respeito ao sequestrador
Terça - Lv 19.11-13 - O dever de não atrasar intencionalmente o pagamento
Quarta - Dt 25.13-16 - O dever de não usar de dois pesos e duas medidas
Quinta - Pv 28.24 - Apropriação indébita é roubo, ainda que as coisas pertençam aos pais
Sexta - Mt 19.18 - O Senhor JESUS reconheceu a autoridade do oitavo mandamento
Sábado - 1 Co 6.10 - Os roubadores não herdarão o Reino do DEUS
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Êxodo 20.15; 22.1-9
15 Não furtarás.
1 Se alguém furtar boi ou ovelha e o degolar ou vender, por um boi pagará cinco bois; e pela ovelha, quatro ovelhas. 2 Se o ladrão for achado a minar, e for ferido, e morrer, o que o feriu não será culpado do sangue. 3 Se o sol houver saído sobre ele, será culpado do sangue. O ladrão fará restituição total; e se não tiver com que pagar, será vendido por seu furto. 4 Se o furto for achado vivo na sua mão, seja boi, ou jumento, ou ovelha, pagará o dobro.
5 Se alguém fizer pastar o seu animal num campo ou numa vinha e o largar para comer no campo de outro, o melhor do seu próprio campo e o melhor da sua própria vinha restituirá. 6 Se rebentar um fogo, e pegar aos espinhos, e abrasar a meda de trigo, ou a seara, ou o campo, aquele que acendeu o fogo pagará totalmente o queimado. 7 Se alguém der prata ou objetos ao seu próximo a guardar, e isso for furtado da casa daquele homem, se o ladrão se achar, pagará o dobro. 8 Se o ladrão não se achar, então, o dono da casa será levado diante dos juízes, a ver se não meteu a sua mão na fazenda do seu próximo. 9 Sobre todo negócio de injustiça, sobre boi, sobre jumento, sobre gado miúdo, sobre veste, sobre toda coisa perdida, de que alguém disser que é sua, a causa de ambos virá perante os juízes; aquele a quem condenarem os juízes o pagará em dobro ao seu próximo.
 
OBJETIVO GERALApresentar o oitavo mandamento, ressaltando que o furto ou a aquisição ilegítima de propriedades são abominação ao Senhor e prejudicam o próximo.
 
OBJETIVOS ESPECÍFICOSTratar a abrangência e o objetivo do oitavo mandamento.
Mostrar o que a legislação mosaica diz a respeito do furto.
Relacionar alguns danos que deveriam ser evitados, segundo a lei mosaica.
Apresentar o trabalho como uma bênção de DEUS.
 
Resumo da Lição 10 - Não Furtarás
I. O OITAVO MANDAMENTO
1. Abrangência.
2. Objetivo.
3. Contexto.
II. LEGISLAÇÃO MOSAICA SOBRE O FURTO
1. A pena por furto de bois e ovelhas.
2. Furto à noite com o arrombamento da casa.
3. O ladrão do dia. A lei protege a vida do ladrão.
III. SOBRE OS DANOS MATERIAIS
1. Animal solto.
2. A queimada involuntária.
3. O furto e o ladrão.
IV. O TRABALHO
1. Uma bênção.
2. Os bens.
3. O Novo Testamento.

SÍNTESE DO TÓPICO I - O sétimo mandamento tem como objetivo proteger a família, estabelecendo uma sociedade moral e espiritualmente sadia.
SÍNTESE DO TÓPICO II - A legislação mosaica não somente punia alguém que furtou, mas protegia a vida do ladrão e fazia com que ele restituísse suas vítimas, prezando pela paz.
SÍNTESE DO TÓPICO III - A lei procura reparar os danos materiais, contribuindo para o bem-estar da sociedade.
SÍNTESE DO TÓPICO IV - O trabalho é uma dádiva divina. Ele foi dado ao homem antes da Queda.
 
SUBSÍDIO TEOLÓGICO "Minar era a ação de cavar uma parede de barro em propriedade alheia. (Comentário Bíblico Beacon. Vol 1. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.197).

PONTO CENTRALO furto prejudica o próximo e envergonha o nome do Senhor.
 
PARA REFLETIR
Sobre o oitavo mandamento:
A propriedade é um direito do ser humano?
Sim. DEUS deu lei a Moisés para proteger os bens do seu povo.
Por que a pessoa não deve furtar o que pertence ao outro?
Porque tal ato, além de ser pecado contra DEUS, prejudica o próximo.
Para você, quais outras modalidades podem ser consideradas furtos?
Oriente os alunos quanto à compra de produtos piratas. Tal atitude é ilegal e macula a Igreja de CRISTO.
Se uma pessoa rouba a outra, mas se arrepende, o que ela deve fazer?
Em primeiro lugar, pedir o perdão de DEUS, pedir perdão à vítima e restituí-la.
 
SUGESTÃO DE LEITURA
Comentário Beacon Antigo Testamento
Dicionário Bíblico Wycliffe
Amor e Disciplina para Criar Filhos Felizes
 
Comentários de diversos autores com correções e comentários extras do Ev. Luiz Henrique
 
Furtar é subtrair a coisa alheia. Esta ação se dá em vários níveis humanos. Um é o de caráter individual. Ou seja, a pessoa subtrair o bem alheio. 
Acontece na família, o pai que furta o filho, o filho que furta o pai; o esposo furta a esposa, a esposa furta o esposo; o tio para com o sobrinho; avós e netos. Esse fenômeno pode se dar também na vida profissional,:funcionário furtando funcionário; o chefe furtando o funcionário, o funcionário furtando o chefe. O furto pode se dar, infelizmente, também na esfera religiosa: os irmãos furtando irmãos, o pastor furtando irmãos. Onde há relacionamento cuja moeda é o dinheiro ou outro bem de valor material, então há a possibilidade de furto.
Outro nível onde o furto se dá é o coletivo. O Estado pode furtar o salário do cidadão com os altos encargos tributários, e diminuir o poder do pequeno e médio empreendedor gerar mais empregos. Igualmente, a empresa pode furtar o salário do funcionário quando não paga o que lhe é devido pelo trabalho; e o funcionário furta a empresa quando não cumpre o que foi combinado pelas partes. O mesmo se dá na esfera religiosa, onde a relação financeira entre pastores e membros tem causado escândalos em muitos lugares por não se observar o princípio do oitavo mandamento.
O Novo Testamento, na pessoa de JESUS de Nazaré, retoma o princípio do "Não Furtarás" quando o nosso Senhor alerta para o perigo de se acumular bens materiais: "Acautelai-vos e guardai-vos da avareza [Ganância] porque a vida não consiste na abundância do que possui. [...] Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?" (Lc 12.15,20 cf. w.13-34). JESUS condenou os doutores da lei que discursavam belamente, mas de forma sorrateira e obscura furtavam as viúvas judias (Mc 12.38^40). De forma semelhante condenou os fariseus que exteriormente impunham-se uma postura de piedade e santidade, mas no interior das suas almas eram amigos inseparáveis do dinheiro (Lc 16.14).
Por fim, o nosso Senhor nos diz claramente que não é possível servir a dois senhores, a DEUS e ao Dinheiro (Mc 6.24). Embora a teologia da prosperidade, não confessadamente, mas na prática, reverbere o contrário, não há jeito, temos de optar: ou ficamos com o Evangelho ou assumimos a teologia da prosperidade. JESUS derrubou a mesa dos cambistas do templo e os chamou de ladrões (Lc 19.46). Hoje, há sucessivas tentativas de fazer de alguns púlpitos e de algumas igrejas um lugar de impropérios que fariam o Senhor JESUS novamente afirmar: "vocês fizeram dela um covil de ladrões".
Revista ensinador. Editora CPAD Ano 16 - N° 61. pag. 41.
 
COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO
Não haverá paz numa sociedade se não houver proteção da propriedade. Isso inclui o compromisso de cada um na construção de uma sociedade justa e saudável. DEUS concedeu a todos os seres humanos o direito de adquirir bens materiais, desde que essa aquisição seja de maneira honesta e envolva o trabalho. O oitavo mandamento foi dado a Israel como preceito jurídico e religioso, mas no Novo Testamento o tema é espiritual, pois os ladrões e roubadores não herdarão o Reino de DEUS (1 Co 6.10).
Adquirir legitimamente a propriedade é direito sagrado. Ninguém tem o direito de subtrair o que não lhe pertence. Nem mesmo o Estado pode lançar mão da propriedade alheia. O rei Acabe se apoderou ilegitimamente do campo de Nabote e tal atitude deixou DEUS irado, por isso mandou o profeta Elias ditar o destino desse monarca com sua esposa Jezabel (1 Rs 21.17-19). Essa garantia vem de DEUS.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 111-112.
 
Respeitando a propriedade pessoal (v. 15). DEUS deu a Israel um conjunto complexo de leis para governar seu modo de usar a terra, pois a terra pertencia a ele, e os israelitas eram apenas despenseiros (Lv 25:2, 23, 38). Esse fato é a base para uma ecologia equilibrada. Efésios 4:28 ensina que há apenas três formas de obter riqueza: trabalhando por ela, recebendo de presente ou roubando, sendo que roubar é inadmissível.
WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A. T. Vol. I. Editora Central Gospel. pag. 291.
 
Todos tipos de roubo são proibidos por este preceito, bens materiais e comerciais obtidos por furto, roubos de estrada ou privado, tudo isso é roubar; tirar proveito de uma venda por ignorância do comprador, dar a um valor menor e fazer com que o outro pague mais pelo mesmo produto, é uma violação deste direito sagrado. Reter um produto visando aumentar seu custo, como fazem os produtores rurais também é roubo. Mas a palavra está principalmente indicando aqui roubar clandestinamente, embora possa, sem dúvida, incluir todas as injustiças políticas e injustiças privadas. Consequentemente, todos os sequestros, saidinhas de banco, escravidão ou cobrança exagerada de taxas e tributos são proibidos aqui, se praticados por indivíduos ou pelo Estado. A pena por esses crimes não são diminuídas em seu demérito pelo número ou importância política de quem cometê-los. Um Estado que promulga leis ruins é tão criminoso diante de DEUS como o indivíduo que quebra as boas normas.
ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke.
 
O decálogo (os Dez Mandamentos) era a base do sistema judicial dos hebreus. Mediante aplicação, analogia e multiplicação, acabou surgindo todo um complexo sistema judicial ao qual conhecemos como legislação mosaica.
A seção que ora ventilamos (Êxo. 22.1-15) começa com as leis referentes ao furto. Esse ato pecaminoso é tratado de modo breve (vss. 1-4), sendo especificados somente três variedades: (1) Invasão de domicílio; (2) furto sem conversão em dinheiro; (3) furto com conversão em outros valores. Os princípios de devolução variavam desde o dobro até cinco vezes mais, dependendo do que era furtado e das circunstâncias do ato. Podia-se resistir à força a um invasor de domicílio, ou mesmo morto (à noite), sem que isso importasse em culpa, embora não durante o dia. No caso de resistência à noite havia um caso de homicídio justificável, uma exceção ao sexto mandamento. Um ladrão que fosse pobre demais e não pudesse fazer restituição era simplesmente vendido como escravo.
Essas leis eram rigorosas, e seu intuito era coibir o furto. O código de Hamurabi era mais severo ainda, conforme vemos nos meus comentários mais abaixo. Portanto, a legislação mosaica defendia vigorosamente o direito à propriedade.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 401.
 
I. O OITAVO MANDAMENTO
1. ABRANGÊNCIA.
O mandamento "Não furtarás" se dirigia originalmente a sequestradores, segundo a maioria dos exegetas do Antigo Testamento, mas o contexto revela sua aplicação contra tudo o que é apropriação indébita, de coisas ou pessoas. A ligação com o tráfico de pessoas é uma conclusão e se baseia na inferência de Êxodo 21.16: "E quem furtar algum homem e o vender; ou for achado na mão, certamente morrerá". Este preceito reaparece mais adiante (Dt 24.7). E o verbo hebraico gãnav, "roubar, furtar", que aparece no oitavo mandamento lo’ tignov, "Não furtarás", é o mesmo usado nesses dois versículos (Êx 21.16; Dt 24.7). Pessoas eram roubadas na antiguidade para serem vendidas como escravas, como aconteceu com José do Egito, que foi vendido pelos próprios irmãos (Gn 37.22-28). Ele mesmo disse: "De fato, fui roubado da terra dos hebreus" (Gn 40.35). Esse tipo de crime era comum também no período do Novo Testamento (1 Tm 1.10). Mas o preceito se refere também a furto de objetos (Gn 44.8). O campo semântico da raiz gnb,us se estende de "remover (secretamente)” a "trapacear" (Gn 31.20, 26, 27).
O furto se distingue do roubo, já que o primeiro é a subtração do objeto sem violência e às esconsas, pois o dono está ausente; o roubo é a subtração da coisa na presença da vítima, também sem violência, como fazem os batedores de carteira nas grandes cidades. O assalto é o ataque súbito a alguém com ameaça e violência para subtrair alguma coisa. O latrocínio é o roubo seguido de morte da vítima. O mandamento "Não furtarás" é um dispositivo contra o roubo: "Não confiem na violência, nem esperem ganhar alguma coisa com o roubo" (Sl 62.10, NTLH) e contra o furto: "Aquele que furtava não furte mais" (Ef 4.28). Mas o oitavo mandamento não se restringe a isso, havendo muitas atividades desonestas condenadas na presente ordem.
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 113-114.
 
No hebraico, ganab, «furtar», vocábulo que ocorre por trinta e nove vezes, conforme se vê, por exemplo, em Gên. 30:33; 31:19,20,26,27,30,32,39; 44:8; Exo. 20:15; Lev. 19:11; Deu. 5:19; 24:7; Jos. 7:11; II Sm. 19:41; II Rs 11:2; II Crô. 22:11; Jó 27:20; Pv. 6:30; 9:17; Jr. 7:9; 23:30; Os. 4:2; Oba. 5; Zc. 5:3. No grego temos a palavra klépto, «furtar», usada por onze vezes: Mt. 6:19,20; 19:18 (citando Ex. 20:13,15); 27:64; 28:13; Mc. 10:19; Lc. 18:20; Jo 10:10; Rm. 2:21; 13:9 (citando Êx. 20:14,15); Ef. 4:28.
Furtar é um dos pecados humanos mais comuns. Algumas vezes os homens furtam por autêntica necessidade; mas, na maioria das vezes, furtam por motivo de sua preguiça, ou porque gostam mesmo de furtar, devido a uma atitude mental distorcida. Há pessoas que furtam quando não têm necessidade disso, porquanto querem enriquecer mais ainda, mesmo que já tenham o bastante. O ladrão apossa-se daquilo que não lhe pertence, que é propriedade de outrem. Esse furto pode ser de bens materiais, de afeições, de tempo, etc., através de meios ilegítimos. Existe o furto espiritual, não meramente de coisas materiais. Assim, pode-se furtar a fé de uma pessoa, como também sua moralidade, sua autoconfiança, seu auto-respeito, seus direitos e não apenas suas possessões.
1. O mandamento que proíbe o furto faz parte da legislação mosaica original. O Antigo Testamento inclui proibições referentes ao furto, ao dano às propriedades e ao mau uso das propriedades ou objetos pertencentes ao próximo (ver Êx. 21:33,34; 22:5,6; 22:4,7,9; 20:15; Gn. 31:31; II Sm. 23:21).
2. O furto é uma abominação (Jr. 7:9,10), sobretudo quando praticado contra os pobres (Pv. 22:22). Nesse aspecto está incluída a fraude (Lv. 19:13).
3. Não pagar salários justos é um furto (Lv. 19:13; Tg. 5:4).
4. O furto é um pecado que contamina os culpados (Mt. 15:20).
5. Os ímpios são inclinados ao furto (Sl. 119:61); a cobiça promove o furto (Am 3:10).
6. Aqueles que consentem com o furto também tornam-se culpados (Jó 24:14; Ob. 5).
7. Geralmente quem furta também mata (Jr. 7:9; Os. 4:2).
8. Paira uma maldição sobre o ladrão (Os. 4:2,3; Ml. 3:5). O furto provoca a ira de DEUS (Ez. 22:29,31).
9. O pecado do roubo é um daqueles vícios que exclui as pessoas do reino celestial (I Co. 6:10).
10. Os tesouros celestes não estão sujeitos ao furto (Mt. 6:20).
11. Aqueles que se convertem à fé cristã não somente não deveriam mais furtar, como também deveriam suprir aos seus semelhantes o necessário, em atos de caridade (Ef. 4:28): «Aquele que furtava, não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado».
CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 836.
 
Tudo que as pessoas possuem é emprestado por DEUS para elas, e elas são responsáveis por administrar o que possuem em nome dele. Os servos não têm o direito de roubar uns dos outros na casa do Mestre, pois, nesse caso, eles estão realmente roubando do Mestre mesmo e, ao fazer isso, transmitem sua insatisfação com o que ele já confiou a eles.
Esse tipo de espírito é diametralmente oposto ao plano da criação designado para a jurisdição da humanidade sobre tudo que DEUS fez. Nas estruturas do governo e da sociedade, alguns exercem um tipo de autoridade, e outros, outro tipo. Alguns parecem ser mais privilegiados que outros e desfrutar de maiores domínios de administração que outros. Mas o Soberano, onisciente, dispensa suas dádivas e favores conforme acha adequado; e, nessa estrutura de organização do Reino, cada elemento deve funcionar de acordo com o que ele determina que é o melhor. O ladrão, quer roube coisas materiais, quer aspire a uma posição não designada para ele, prova ser um servo inútil, indigno de desempenhar qualquer administração que lhe tenha sido confiada.
Eugene H. Merrill. Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 336-337.
 
Lv 19.13 A ordem para não furtar é contra qualquer forma de opressão ou desonestidade quanto a questões monetárias. Ver Lc. 3.14 quanto a uma aplicação do que aqui é dito, no Novo Testamento. Um modo de furtar e oprimir é tratar desonestamente com os empregados. O texto proíbe estritamente adiar o pagamento do salário de um empregado. Precisamos lembrar que a maioria dos trabalhadores consistia em diaristas, que eram pagos no fim de cada dia de trabalho. Um empregador, pois, não podia reter consigo esse dinheiro, nem mesmo até o dia seguinte, quanto mais por algum prazo ainda mais dilatado. Cf. Dt. 14.14,15; Jr. 32.13; Ml. 3.5 e Tg. 5.4. Nos dias do segundo templo, a regra era a seguinte: “Aquele que trata com dureza a um contratado peca tão gravemente como se tivesse tirado uma vida e transgredido a cinco preceitos”. Esses preceitos mosaicos fazem oposição tanto ao capitalismo selvagem quanto ao comunismo empobrecedor.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 551.
 
Lv 19.11-12. As regras para os bons relacionamentos sociais são declaradas especificamente aqui. O furto, os tratos desonestos, e a mentira deliberada (11) são proibidos porque são estranhos à ética da aliança. Criam a suspeita, a desconfiança e o ódio, e pela sua própria natureza enfraquecem seriamente a estrutura da sociedade. Os filhos da nova aliança são conclamados a evitar tais males também (cf. Ef 4:28; Cl 3:9, etc.).
Lv 19.13-14. Ninguém deve explorar seu próximo israelita de qualquer modo, porque são irmãos e irmãs. O próximo (13) fica sendo o jornaleiro em Dt 24:14, mas o princípio é o mesmo. Sua paga deve lhe ser dada á taxa certa, sem qualquer parte ser retida (“nem o roubarás”).
Quando os trabalhadores são contratados por dia, precisam ter seu pagamento antes do anoitecer (cf. Mt 20:8), visto que os pobres teriam necessidade do salário do dia. No Novo Testamento os senhores são exortados a tratarem com justiça seus servos (Ef 6:9; Cl 4:1). Ao passo que pessoas com desvantagens no Oriente Próximo antigo tenderiam a ser exploradas e abusadas, entre os israelitas deviam ser tratadas com consideração, visto que levavam em si a imagem do DEUS a quem Israel era ordenado a reverenciar. Amaldiçoar ao surdo era realmente tirar vantagem injusta de pessoas que não poderiam defender-se. Visto que tanto Levítico (19:14) quanto Deuteronômio (27:18) proibiam os israelitas de colocarem obstáculos de vários tipos diante dos cegos, ou de guiá-los em direções em que não queriam seguir, pareceria que este tipo de atividade não era desconhecido noutras nações. O fato de que havia legislação para os surdos e os cegos como sendo classes da sociedade indica que estas doenças estavam em evidência na era mosaica. A restauração da vista e da audição fazia parte das maravilhosas atestações do ministério sobrenatural de CRISTO (cf. Lc 4:18).
R. K. Harrison. Leviticos. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 182-183.
 
2. OBJETIVO.
O sistema mosaico aplica a pena capital a quem violar o oitavo mandamento no crime de tráfego de seres humanos (Êx 21.16; Dt 24.7). A sanção contra os demais tipos de pecados e crimes previstos no presente mandamento é a restituição da coisa roubada ao dono. O receptador de bens roubados ou furtados é igualmente culpado com o autor do crime (Sl 50.18; Pv 29.24). O sistema mosaico condena também as transações fraudulentas (Lv 19.35, 36; Dt 25.13-16). Essa proibição reaparece mais adiante na história de Israel (Pv 11.1). É o que DEUS espera de cada um de nós: "Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas" (1 Ts 4.6). Isso envolve a opressão, a extorsão, o suborno e a usura (Lv 25.17,36; Dt 19.16; 23.29). Quem toma emprestado deve pagar (Sl 37.21). Os moradores de Judá estavam envolvidos nestes pecados nos dias da apostasia que precederam a queda de Jerusalém (Ez 22.12). É também violação do preceito em foco a remoção de marcos para aumentar a extensão da área de uma propriedade (Dt 19.14; 27.17; Pv 22.28).
Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. Editora CPAD. pag. 114.
 
Respeito pela propriedade alheia. O ser humano tem direito de possuir coisas. E uma vez que as possua, não pode ser privado delas por parte de quem quer que seja. Fica entendido, contudo, que tal ser humano entrou na possessão de suas coisas de maneira honesta, pois, em caso contrário, ele já roubou tais coisas de alguém, quebrando assim o oitavo mandamento. O comunismo oficializou o furto de propriedade privada, por parte do estado, mediante o decreto de alguns poucos mandamentos. O ladrão às vezes apenas furta sub-repticiamente, mas muitas vezes também rouba mediante a violência, incluindo à mão amada. Neste último caso há violência física, mas todo furto ou roubo é um ato egoísta.
Por muitas vezes, as coisas que as pessoas possuem foram adquiridas em troca de trabalho árduo e longo. É contra a natureza privar um homem daquilo que ele chegou a possuir mediante trabalho e sacrifício pessoal. Os impostos, embora decretados oficialmente, também podem ser exorbitantes e pecaminosos, como modos ilegítimos de que os governantes se valem para lesar os governados. Logo, taxas excessivas devem ser classificadas como quebras do oitavo mandamento. E também há uma maneira passiva de fazer a mesma coisa. Devemos mostrar-nos generosos, compartilhando com outros de nossos valores monetários. Se assim não fizermos, então estaremos furtando o que deveria ser dado a pessoas menos afortunadas do que nós.
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 393.
 
“Não furtarás”, v. 15. Embora DEUS tivesse recentemente permitido e recomendado que eles saqueassem os egípcios, em uma forma de justa represália, Ele não pretendia que isto se transformasse em precedente e que isto nos permitisse saquear uns aos outros. Este mandamento nos proíbe de roubar a nós mesmos o que temos, com gastos pecaminosos. Ou roubar a nós mesmos o uso e o consolo do que temos, economizando de maneira pecaminosa, e de roubar a outros removendo os pontos de referência antigos. Invadindo os direitos dos nossos vizinhos. Tomando deles os seus bens, ou a sua casa, ou o seu campo, pela força ou de modo clandestino. Extrapolando nos acordos. Deixando de devolver o que é emprestado ou encontrado. Retendo dívidas justas, aluguéis ou salários, e (o que é pior de tudo) roubando a receita pública, ou aquilo que é dedicado ao serviço da religião.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 296.
 
Este mandamento regula o direito da propriedade particular. E errado tomar de outro o que é legalmente dele. Constitui roubo quando a pessoa se apossa do que legalmente pertence a uma empresa ou instituição. Não há justificativa para a “apropriação” mesmo quando a pessoa sente que o produto lhe é devido. Este mandamento é quebrado quando a pessoa intencionalmente preenche a declaração do Imposto de Renda com informações falsas, desta forma retendo tributos devidos ao governo. Esta prática é imprópria mesmo que o cidadão desaprove o governo.
Também passa a ser roubo o ato de tirar vantagens de outrem na venda de propriedades ou produtos, ou na administração de transações comerciais. E impróprio pagar salários mais baixos do que devem receber por direito. O amor do dinheiro é o pecado básico condenado por este mandamento. A obediência é perfeita somente com um coração puro.
Leo G. Cox. Comentário Bíblico Beacon. Êxodo. Editora CPAD. pag. 191.
 
 
3. CONTEXTO.
Êxo 21.16 Quem raptar a alguém. Na antiguidade, o crime aqui destacado era aquele atualmente conhecido como sequestro. Mas naquele tempo fazia-se isso, no mais das vezes, não para cobrar uma importância dos parentes da vítima, em troca de sua libertação, e, sim, a fim de vendê-la como escrava. Contudo, também sequestrava-se com vistas ao recebimento de um resgate. O código de Hamurabi (14), também reputava o rapto ou sequestro como um crime capital, em que o culpado pagava com a perda da própria vida. O trecho de Dt 24.7 diz especificamente que o rapto de um hebreu geralmente se dava com a finalidade de vendê-lo como escravo.
Até onde ia a lei, esse tipo de escravidão não era permitido. O trecho de Êx 21.2-11 regulamenta a escravidão entre os hebreus, quando um hebreu se tomava escravo de outro hebreu. Mas quando alguém tomava-se um negociante de escravos, se fosse apanhado, era executado. O texto sagrado não diz especificamente tal coisa, mas quase sempre essa atividade envolvia venda de hebreus como escravos a estrangeiros, ou em mercados estrangeiros. Assim ocorria porque um hebreu denunciaria a seu explorador, se permanecesse em território de Israel.
O sequestro é um crime contra a pessoa, e, quanto à sua gravidade, anda bem perto do crime de homicídio, por privar a vítima de seu bem mais precioso na vida, a liberdade. Além disso, causa angústia entre os parentes da vítima. Trata-se de um dos mais esmagadores dos infortúnios, causando muitos males psicológicos à vítima e a toda a sua família. Josefo narrou quão fácil era um homem livre ser sequestrado e vendido como escravo. Guerras sangrentas também eram efetuadas para efeito de sequestrar pessoas para serem vendidas como escravas. Uma alta porcentagem de escravos era obtida por ocasião de guerras ou ataques súbitos, efetuados especificamente com esse propósito. Quão atrozes são os crimes dos homens contra os seus semelhantes!
CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 399.
 
 
O Código de Hamurábi
O rei babilônico Hamurábi (1792-1750 a. C.) é muito conhecido por seu código de leis, o Código de Hamurábi, que contêm 282 normas e muitos paralelos com as Escrituras. Algumas das leis, entretanto, sequer foram citadas nos casos da corte babilônica, e o Código ignora muitos temas. Hamurábi não criou estas leis. Ao que tudo indica, elas são uma reunião de tradições diversas.
O formato do Código mostra algumas similaridades com as leis de Êx, Lv e Dt. Por exemplo, ambos os Códigos, de Hamurábi e da Aliança, este último encontrado em Êx 20.22— 23.33, carregam uma série de preceitos estabelecidos com o formato “se... então". Esta estrutura, ou estilo, é frequentemente chamada de lei casuística, visto que descreve casos ou situações específicas.
As semelhanças entre os dois códigos são mais uma evidência de que houve uma grande disseminação das tradições legais no segundo milênio a. C.

EarI D. Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House. O Novo Comentário Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel. pag. 170.

Nenhum comentário: