Lição 5 - 2 parte
Uma variação
non-sense do nome Yahweh. Outra
variação é Javé. Ver o artigo geral
sobre DEUS, Nomes Bíblicos de, onde
estão incluídas muitas informações
sobre esse nome particular.
Yahweh era o nome
pessoal do DEUS de Israel. Que a
forma Yahweh é a forma correta,
pode-se provar mediante transcrições
para o grego. Quando, pela primeira
vez, foram inseridos sinais
representando fonemas vogais, na
Bíblia hebraica, já no século VII
d.C., as letras vogais da palavra
hebraica ADONAY, «Senhor», foram
escritas intercaladas com as
consoantes YHWH, produzindo assim o
nome artificial Jeová. Esse não era,
realmente, um nome divino; mas
muitos, temendo pronunciar Yahweh,
como apelativo por demais sagrado,
passaram a usar Jeová como um
substituto aceitável. Portanto,
Jeová é um híbrido sem base bíblica
nenhuma, que começou a ser usado de
modo geral, como um dos nomes de
DEUS, no século XIV d.C. Isso
ocorreu porque os eruditos cristãos
da época não reconheceram a natureza
híbrida da forma Jeová.
Esse nome hebraico de
DEUS também aparece com as formas
abreviadas de Yah (Êxo. 15:2, etc;
em português, «Já») e Yahu ou Yeho.
Estas duas últimas formas aparecem
em inscrições hebraicas e assírias,
e também nos papiros escritos em
aramaico. Mas o nome abreviado
original parece ter sido Yaw, que
tem sido identificado com um dos
nomes divinos pagãos encontrados nos
documentos de Eras Shamra (vide),
provenientes do norte da Fenícia, do
século XV a.C. Alguns especialistas
supõem que o nome Yahweh não foi
cunhado por Moisés, e nem por
qualquer dos demais autores
bíblicos; antes, seria um nome
pré-mosaico, como um antigo nome de
DEUS que Moisés usou, tal como a
moderna palavra portuguesa «DEUS» é
apenas o aportuguesamento do termo
latino DEUS, que como é óbvio,
antecede ao uso português por muitos
e muitos séculos. Os trechos de Êxo.
3:13-15 e 6:4 parecem indicar que
esse nome começou a ser usado no
Antigo Testamento como se tivesse
havido uma revelação especial do
nome. Gên. 4:26, por sua vez, parece
dar a entender uma origem não
hebreia, ou seja, quando esse nome
começou a ser usado pelos hebreus,
teria sido tomado por empréstimo de
alguma fonte extrabíblica. Seja como
for, a raiz do nome, sem dúvida, é
antiquíssima, sendo provável que
aparecesse entre os nomes de
divindades mesopotâmicas. Alguns
supõem que Moisés chegou a adorar
Yahweh, mediante seu casamento com a
filha de um queneu, em Midiã (Êxo.
3:1 ss; 18:12-24). A isso se chama
de teoria quenita, o que, como é
óbvio, é uma teoria rejeitada por
muitos intérpretes conservadores,
pois não querem aceitar a idéia de
que os nomes de DEUS, na Bíblia,
possam ter tido origem pagã. Seja
como for, a forma mais longa, YHWH,
é confirmada desde o século IX a.C.,
como na pedra Moabita. De
acordo com uma etimologia popular,
essa palavra estaria ligada ao verbo
hebraico ser (ver Êxo. 3:14), pelo
que se referiria ao ser eterno de
DEUS, que é a fonte originária de
todos os seres, não dependendo de
qualquer outro ser para a sua vida e
continuação em existência. Em termos
teológicos isso aponta para a vida
independente e necessária. DEUS não
deriva de outrem a sua forma de
vida, e a sua forma de vida não pode
deixar de existir. Todas as demais
formas de vida dependem de sua vida,
e todas as outras formas de vida, se
excluirmos o fator da graça divina,
são vidas não-necessárias. Em outras
palavras, as demais vidas podem
deixar de existir. A verdadeira
imortalidade, para a alma humana,
ocorre mediante a transformação
segundo a imagem do Filho, que
compartilha da forma de vida do Pai,
que é independente e necessária,
conforme já dissemos. Um grande
mistério! Ver Rom. 8:29; Col. 2:10;
II Cor. 3:18 e o
artigo intitulado Transformação
Segundo a Imagem de CRISTO.
O General Abraham
Ramiro Bentes, historiador
brasileiro, de origem judaica, de
cultura judaica bem reconhecida,
autor de vários livros, diz o
seguinte acerca do nome Yahweh:
«...tendo o tempo inacabado, no
semítico, o valor do futuro e do
presente, assim traduzimos (o
mesmo): «Eu Serei Sempre Quem Era».
Os velhos comentários tinham uma
compreensão neste sentido». (Das
Ruínas de Jerusalém à Verdejante
Amazônia, Edições Bloch, pág. 3). De
conformidade com esse abalizado
parecer, o nome Yahweh, pois,
apontaria para a eternidade e a
imutabilidade da pessoa de DEUS.
Objeções dos Eruditos
Conservadores. Alguns eruditos,
relutando em admitir qualquer origem
pagã para os nomes divinos na
Bíblia, supõem que o trecho de Êxo.
6:3, que diz: «...mas pelo meu nome,
O Senhor (no hebraico, Yahweh), não
lhes fui conhecido», não subentende
que os hebreus não conhecessem e nem
usassem esse nome, até que foi
adotado para ser usado, nos dias de
Moisés e, sim, que os judeus, então,
começaram a ter um conhecimento
experimental desse nome , em suas
vidas espirituais. Esse conhecimento
experimental lhes foi dado mediante
o livramento da servidão ao Egito.
Antes disso, como pastores na
Palestina, Abraão, Isaque e Jacó
conheciam DEUS com o nome de El
Shaddai, «o Todo Poderoso».
Naturalmente, sabemos que El (com
várias combinações) era um antigo
nome mesopotâmico para DEUS, que
certamente já era usado antes do
tempo de Abraão. Assim, no caso
desse nome, também temos um uso
pré-hebreu. Seja como for, o
argumento, na realidade, não faz
sentido. O que importa é a nossa
experiência com o Ser Divino, e não
as palavras e suas origens, que
usamos como nomes de DEUS.
CHAMPLIN, Russell Norman,
Antigo Testamento Interpretado
versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 4521.
Uma nova ênfase e
significado foram dados através de
Moisés (Êx 3.15,16; 6.3,6; cp. Gn
12.8) além do que foi compreendido
por Abraão quando ele construiu seu
altar entre Betel e Ai (Gn 12.8).
Yahweh foi revelado como um nome
intensamente pessoal. Foi indicado,
ortograficamente, pelo tetragrama
YHWH e as transliterações correntes
fornecem vogais variadas.
Se for corretamente
compreendido que o nome era
conhecido antes do nascimento de
Enos (Gn 4.26) e que Abraão tinha
conhecimento disto, segue-se então
que a revelação a Moisés, em Êxodo,
representava um uso mais profundo e
personalizado do nome. É possível
que revelações mais antigas do nome
tenham sido em grande parte
obscurecidas ou até mesmo perdidas.
O uso mosaico do
termo (incluindo o novo significado
adicionado a ele) estabeleceu o
modelo para o pensamento hebraico
subsequente. Com Moisés, o nome
parece ter ganho uma circulação
geral e uma aceitação específica;
mas mais importante ainda é que ele
tomou-se intimamente associado à
vida de Israel como um povo. Isto é,
ele tomou-se o símbolo de uma
auto-revelação especial e crucial de
DEUS a um povo especial — uma
revelação que uniu os atos poderosos
envolvidos no Êxodo com a
consciência de Israel de si mesmo
como uma nação. Por sua vez, esses
atos prepararam o caminho para o
envolvimento íntimo de Israel com
Yahweh no Sinai.
Assim, o nome Yahweh
estava inseparavelmente ligado à
consciência de Israel e estava
inevitavelmente envolvido no
relacionamento único da aliança de
Israel com a Deidade. Vital para
isso foi o fato de que Yahweh havia
tomado a iniciativa, e havia entrado
visível e inconfundivelmente nos
afazeres da nação de Israel.
É significativo que o
uso deste nome para DEUS era único
com os israelitas. Os outros povos semitas parecem
não tê-lo conhecido ou ao menos não
o usavam em referência à Deidade,
exceto quando o contato com o povo
hebreu que o trazia à sua atenção.
Era a propriedade especial do povo
da aliança.
Também é importante
observar que o nome veio a ter tanta
importância que os escribas evitavam
pronunciá-lo. O uso escriba envolvia
circunlóquios e também o uso de
nomes alternativos. Isto testemunha
não apenas da importância do nome
como base para o sentimento de
nacionalidade, mas também do
respeito que as pessoas sentiam pela
fonte sobrenatural de sua história.
Esta é uma outra
maneira de dizer que o nome Yahweh
era, na consciência israelita,
colocado sobre tudo que era
meramente naturalista. Isto não
implica necessariamente que os
hebreus viram um significado
metafísico (como, por exemplo, a
fórmula de Aristóteles de “essência
igual a existência”) no nome “EU SOU
O QUE SOU” de Êxodo 3.13, mas antes,
que eles entenderam Yahweh como
sendo existente e ativo aqui e
agora. Em relação a isto, Eichrodt
sugere que o nome Yahweh vai muito
além dos nomes divinos atualmente
usados em sua ênfase sobre a
proximidade concreta e realidade
irruptiva de DEUS, e contrasta
vivamente, por esta razão, com as
afirmações generalizadas (nomes
antigos) sobre o governo e
orientação, no engrandecimento e na
eternidade do divino. (Op. Cit.,p.
191)
Parece claro que a
revelação e a compreensão do nome
Yahweh pelo povo israelita
estabeleceu um marco na consciência
espiritual e na experiência
religiosa nacional. Com o Êxodo, a
Deidade assumiu, na mentalidade de
Israel, um papel específico de
redenção. Seus “atos poderosos” eram
atos especificamente salvadores, e
entendidos assim. Na libertação no
Mar Vermelho, Yahweh dirigiu as
forças naturais para servirem aos
objetivos da graça, e fez seu poder
manifestar-se sobre a nação em
tempos de emergência e crise
histórica.
É compreensível, à
luz disso, que os acontecimentos do
Êxodo formaram a essência do kerigma
hebraico: “Eu sou o Senhor teu DEUS
que te tirou da terra do Egito da
casa da servidão” (Êx 20.2). Aqui
está enfatizada a qualidade
especializada da auto-revelação de
DEUS ao povo hebreu. Sem contar que
objeções têm sido levantadas à
especificidade que é sugerida aqui.
Pensadores como Douglas Clyde
Macintosh sustentam que para DEUS
ter se revelado a si mesmo especial
e exclusivamente ao povo hebreu
teria sido um pensamento indigno
dele, e extremamente imoral. É neste
ponto que uma nítida antítese entre
o ato meramente humano e o
discernimento bíblico aparecem.
O discernimento do AT
é que DEUS tomou a iniciativa de
restaurar o vínculo do conhecimento
que existia entre DEUS e o homem
caído, um vínculo que foi quebrado
na queda. E foi através da sua
revelação a Israel sob o nome de
Yahweh ou Jeová que a história da
salvação se desdobrou e tomou-se
visível. O desvendamento da natureza
de DEUS pela entrega deste nome a
Israel foi de um significado supremo
para todo o sistema bíblico.
MERRILL C. TENNEY.
Enciclopédia da Bíblia. Editora
Cultura Cristã. Vol. 2. pag. 124-125.
3. O SIGNIFICADO.
EU SOU. O nome que
DEUS deu a si mesmo
quando
encarregou Moisés de libertar os
israelitas do Egito (Êx 3.14). DEUS
é o único Ser independente,
inteiramente auto-subsistente no
Universo. Tudo o que existe depende
dele (Gn 1.1; cf. Cl 1.17; Hb
1.3,10). Ele não precisa de ninguém
ou de nada, visto que Ele possui em
si mesmo todos os relacionamentos
possíveis - o Eu-ele ou o
sujeito-objeto, o Eu-vocês ou o
encontro pessoal, e o nós-você ou o
relacionamento social. Tudo o que
existe foi criado por Ele para sua
própria glória. CRISTO declarou ser
Ele mesmo o grande "EU SOU". Em João
8 Ele afirma que diz a verdade, e
apoia isto declarando que está
dizendo o que ouviu (v. 26), viu (v.
38), e foi ensinado pelo Pai (v.
28), e pode corroborar com Ele em
qualquer momento (v. 29). Ele
conclui seu argumento usando a
expressão "Eu Sou" (v. 58). Quando
Ele disse: "Antes que Abraão
existisse, Eu Sou", os judeus
perceberam que isto era uma
reivindicação de divindade,
particularmente porque Ele estava
retornando ao "Eu Sou" do v. 24. "Se
não crerdes que eu sou [a palavra
'Ele' não consta no texto grego],
morrereis nos vossos pecados". Foi
por isso que eles pegaram em pedras
para o matar. Eles perceberam que
Ele estava identificando-se com o
"EU SOU O QUE SOU" de Êxodo 3.14.
Theodor Zahn encontrou expressões
similares de "Eu Sou" em João 4.26;
9.9; 18.5; Mateus 14.27; Marcos
13.6; 14.62; Lucas 22.70; 24.39.
Greijdanus objetou que nestas outras
passagens um atributo é dado ou
sugerido. No entanto, ao menos em
Mateus 14.27, quando CRISTO veio até
os discípulos andando sobre as águas
agitadas pela tempestade, Ele se
anunciou dizendo: "Sou eu" (Gr. ego
eimi). E novamente em Marcos 13.6
Ele usa o termo sem qualquer
atributo, dizendo, "Muitos virão em
meu nome, dizendo. Eu sou o CRISTO
[o texto gr. omite a palavra
CRISTO]; e enganarão a muitos". Por
outro lado, Lucas 22.70 tem um
atributo sugerido e, embora em Lucas
24.39, CRISTO diga novamente "Sou
Eu", Ele deixa claro que está
simplesmente se identificando aos
discípulos ao acrescentar a palavra
autos, que significa "o mesmo", "Eu
mesmo".
PFEIFFER .Charles F.
Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora
CPAD. pag. 708-709.
Êxo 3.14 Eu sou o que
sou. O Targum de Jonathan interpreta
aqui: “Eu sou Aquele que é e que
será”. O que é indiscutível é que
esse nome está alicerçado sobre o
verbo ser (no hebraico, hayah). Mas
o texto hebraico comporta mais de
uma interpretação. Alguns dizem: “Eu
sou porque sou”, dando a entender a
vida independente ou necessária de
DEUS, em contraste com a vida de
todos os seres criados, que é
derivada e dependente. Ou então DEUS
é exatamente o que Ele é, o Poder
Supremo, Imutável. Naturalmente, o
tetragrama dos hebreus, YHWH
(Yahweh), vem da mesma raiz. Assim,
o nome deste versículo seria uma
espécie de manipulação dessa raiz.
Esse nome indicaria o Ser eterno e
pessoal de DEUS, além de Sua atuação
e presença no mundo. Talvez a
manipulação daquela raiz tivesse
tido o propósito de ficar ambígua,
visto que o nome Yahweh, por si
mesmo, inspira admiração e espanto.
Cf. Apo. 1.4,8; 4.8; 11.17.
Atributos ou
condições de DEUS, implícitos nesse
nome: auto-existência; eternidade;
imutabilidade; constância;
fidelidade. No templo de Apoio, em
Delfos, foi encontrada uma inscrição
que dizia: eimi (no grego, “eu
sou”). O trecho de João 8.58 alude
ao presente texto, e isso refere-se
à eternidade do Logo e à Sua união
com DEUS Pai. “Eu sou... e além de
mim não há DEUS” (Isa. 44.6). Temos
aí uma declaração contrária ao
politeísmo, o que provavelmente
também está entendido no Eu Sou do
presente texto. Seja como for, o
Novo Nome de DEUS indicava uma nova
revelação. O projeto de DEUS estava
por trás dessa nova revelação.
CHAMPLIN, Russell Norman,
Antigo Testamento Interpretado
versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 315.
DEUS prontamente lhe
dá instruções completas a esse
respeito. DEUS agora seria conhecido
por dois nomes:
Um nome que denota o
que Ele é em si mesmo (v. 14): Eu
sou o que sou. Isto explica o seu
nome Jeová, e significa:
(1) Que
DEUS é autoexistente; Ele tem a sua
existência em si mesmo, e não
depende de ninguém. O maior e melhor
homem do mundo deve dizer: “Pela
graça de DEUS, sou o que sou”. Mas
DEUS diz de uma forma absoluta -
pois Ele é mais do que qualquer
criatura, homem ou anjo, e só Ele
pode dizer - “Eu sou o que sou”.
Sendo autoexistente, só Ele pode
ser autossuficiente, e, portanto,
todo-suficiente, a fonte inesgotável
de vida e alegria.
(2) Que DEUS é
eterno e imutável, e sempre o mesmo,
ontem, hoje, e eternamente; Ele pode
ser aquilo que quiser ser. Ele é,
Ele era, e Ele há de vir. Veja
Apocalipse 1.8.
(3) Que não podemos,
investigando, descobri-lo. Este é um
nome que censura todas as indagações
ousadas e curiosas a respeito de
DEUS, e na verdade diz: Não pergunte
o meu nome, visto que é segredo,
Juízes 13.18; Provérbios 30.4.
Perguntamos o que DEUS é? E
suficiente para nós sabermos que Ele
é o que é, o que Ele sempre foi, e
sempre será. Quão pouco é o que
temos ouvido dele! Jó 26.14.
(4) Que
Ele é fiel e verdadeiro em todas as
suas promessas, imutável em sua
palavra assim como em sua natureza,
e não um homem que mente. Que Israel
saiba disso: EU SOU me enviou a vós.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo
Testamento Gênesis a Deuteronômio.
Editora CPAD. pag. 235.
III. TOMAR O NOME DE
DEUS EM VÃO
1. O TERCEIRO
MANDAMENTO.
Abusos contra o nome
de DEUS. Vários desses abusos eram e
continuam sendo possíveis:
1. O trivial. Até
mesmo crentes exclamam,
descuidadamente: “Ó meu DEUS!” E até
mesmo crentes piedosos falam de modo
frívolo acerca do Senhor, como se
Ele fosse apenas um bichinho de
estimação. Combato essa forma
ridícula de teísmo de acordo com a
qual qualquer pensamento ou ato
trivial é lançado na conta do
Senhor. Trata-se de uma forma de
auto-exaltação. Pois se o grande
DEUS está conosco em questões tão
pequenas, então quão importantes nós
somos. Em contraste com isso, os
israelitas piedosos nem ao menos
pronunciavam o nome divino Yahweh,
mas corrompiam-no de alguma forma,
para não se tornarem culpados de
estarem tomando o nome de DEUS em
vão.
2. Nas artes mágicas
e nos juramentos. Como nas
conjurações e nos ritos pagãos. Ver
Gên. 32.27,29. O nome de Yahweh não
podia ser usado em tais atividades.
3. O nome de Yahweh
não podia ser misturado com os nomes
de divindades pagãs, como se fizesse
parte de algum panteão gentílico.
4. A proibição do uso
do nome divino incluía a idéia de
empregar o nome de DEUS para invocar
os mortos. O nome de Yahweh não
podia ser misturado à bruxaria.
5. O nome de Yahweh
não podia ser usado nos juramentos
falsos, como se a veracidade de uma
pessoa pudesse ser apoiada pelo
grande DEUS (Lev. 19.12).
6. Embora o texto
sagrado não o diga especificamente,
temos aqui um mandamento contra
toda espécie de profanação por meio
de palavras, incluindo ou não os
nomes divinos. O texto por certo
subentende o uso devido da língua,
em questões tanto sagradas quanto
seculares.
“Maldições e
juramentos devem-se ao desejo de
impressionar os outros. A maneira
mais fácil de chocar outra pessoa e
chamar sua atenção é o uso de alguma
coisa sagrada ou nome santo. Mas o
efeito desgasta-se quase
imediatamente, e a blasfêmia passa a
ser apenas um hábito inconveniente,
expressando impotência e fraqueza de
caráter” (J. Coert Rylaarsdam, in
loc.).
Ameaças. Nenhuma
punição é imposta aqui aos faltosos,
mas fica entendido que o homem que
usasse indevidamente o nome de
Yahweh não escaparia do devido
castigo.
CHAMPLIN, Russell Norman,
Antigo Testamento Interpretado
versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 391.
O terceiro mandamento
(Êx 20.7), embora não transgrida o
segundo em seu conceito e intento,
revela a importante idéia ideológica
do Antigo Testamento de que DEUS
pode se manifestar e se manifesta ou
apresenta-se por meios que preservam
sua temível e altiva transcendência
ao mesmo tempo em que possibilita
que a humanidade o encontre de
formas relevantes. Nesse caso, o
nome do Senhor quase
se torna o alter ego dele, outra
forma de falar dele e de sua
proximidade.
O texto literal do
mandamento é: “Não tomarás em vão o
nome do Senhor”. Ou seja, o nome do
Senhor, bem como ele mesmo, não pode
ser usado para garantir ganho
pessoal nem vantagem para si mesmo.
Isso degrada o nome do Senhor a
ponto de se tornar um xibolete ou
um: “Abre-te Sésamo”, que transforma
quem o pronuncia em mestre sobre a
coisa, subvertendo, assim, o papel
de soberano e de servo que suporta o
relacionamento da aliança.
Já observamos que, no
Oriente Próximo da Antiguidade e no
Antigo Testamento, os nomes
indicavam as circunstâncias de
nascimento do indivíduo, algum traço
de caráter que se manifestara depois
ou alguma mudança radical na
circunstância de vida que
justificava a mudança de nome. Por
isso, o nome do indivíduo era
precioso e cheio de sentido, e não
devia ser revogado nem alterado sem
reflexão. O que era verdade no plano
humano era infinitamente mais na
esfera divina. Os vários nomes e
epítetos de DEUS revelavam sua
natureza e indicavam o que ele
fizera ou faria no futuro. Eles eram
poderosos, e seus nomes, quando
invocados com temor e reverência por
quem o conhecia, podiam fornecer
conforto, alegria, libertação,
redenção e qualquer outra coisa que
fosse necessária para satisfazer a
necessidade do homem. Contudo,
entender o nome de DEUS como um mero
mecanismo, um meio ex opere operato
(por força do ato) e o usar
estupidamente para promover um
programa pessoal representava violar
a aliança e revelar culpa diante do
Senhor.
O texto, por sua vez,
tem o cuidado de não dizer que o
nome do Senhor nunca poderia ser
usado de forma alguma por qualquer
razão. Já em Gênesis 4, “começou-se
a invocar o nome do Senhor” (v. 26).
No sentido real, já havia a
consciência de que o nome era um
substituto para a pessoa mesma do
Senhor. Mais tarde, Abraão chamou-o
pelo nome (Gn 12.8; 13.4; 21.33),
como também o fizeram Isaque (26.25)
e Jacó (31.53). Em um interessante
encontro noturno entre Jacó e um
estranho anônimo, o último pediu a
Jacó que revelasse seu nome, e
quando este o fez, o estranho
nomeou-o de Israel porque, conforme
disse, “você lutou com DEUS e com
homens e venceu” (Gn 32.28). A
seguir, Jacó perguntou o nome do
estranho, mas este se recusou a
revelá-lo e, em
vez de fazer isso,
pronunciou uma bênção sobre Jacó.
Mas Jacó entendeu, por meio do poder
do estranho e sua autoridade para
abençoar, que ele não era outro se
não uma manifestação de DEUS (cf. Os
12.3,4). Por isso, Jacó chamou o
lugar de Peniel (“face de DEUS”),
dizendo: “Vi a DEUS face a face e,
todavia, minha vida foi poupada” (Gn
32.30). Na verdade, é claro que ele
não viu a DEUS, mas chegou a
reconhecer seu antagonista como uma
manifestação de DEUS, apesar da
relutância deste em revelar seu
nome.
Antes de anunciar o
terceiro mandamento, examinemos o
envolvimento de Moisés com o Senhor
na sarça ardente e, depois, no
Egito, pois esse fato fornece o dado
mais útil para a reflexão teológica
sobre os nomes de DEUS. Vendo a
sarça arder, mas não ser consumida
pelo fogo e, depois, ouvindo a ordem
de que devia guiar seu povo para
fora do Egito, Moisés sentiu um
impulso esmagador de saber o nome
daquele que podia executar tal
fenômeno e despertar tal autoridade.
O povo quereria conhecer esse nome,
disse Moisés, e o que diria a eles?
O epíteto DEUS não era suficiente,
pois era muito carregado do ponto de
vista ontológico e, ao mesmo tempo,
muito genérico para transmitir o que
ele estava para fazer. Apenas um
nome com conteúdo teológico preciso
forneceria discernimento e segurança
para o povo em seu momento e
circunstância específicos. Esse nome
era Iavé (Senhor), o mesmo nome do
Criador da humanidade (Gn 2) e o
mesmo nome pelo qual clamavam os
patriarcas. Eles o conheciam, em
especial, pelo nome de El-Shaddai (Ex
6.3), mas Iavé, de acordo com o
testemunho bíblico, também era
familiar a eles (cf. Gn 9.26; 14.22;
15.2,8; 16.2; 21.33; 22.14; 24.12;
etc.).22 Contudo, eles nunca
precisaram dele para o que ele
estava para fazer por Israel, a
saber, para a redenção e a
libertação. Assim, era importante
que Moisés soubesse e usasse o nome
apropriado para a situação
histórica.
Eugene H. Merrill.
Teologia do Antigo Testamento.
Editora Shedd Publicações. pag. 330-331.
Tomar o nome do
SENHOR, teu DEUS, em vão é “recorrer
ao irrealismo, ou seja servir-se do
nome de DEUS para apelar ao que não
é expressão do caráter divino”. Tal
uso profano do nome de DEUS ocorre
no perjúrio, na prática da magia e
na invocação dos mortos. A proibição
é contra o falso juramento e também
inclui juramentos levianos e a
blasfêmia tão comum em nossos dias.
“Este mandamento não obsta o uso do
nome de DEUS em juramentos
verdadeiros e solenes.”
DEUS odeia a
desonestidade, e é pecado sério
alguém usar o nome divino para
encobrir um coração mau, ou para se
fazer melhor do que se é. A pessoa
que procura disfarçar uma vida
pecaminosa, ao mesmo tempo em que
professa o nome de CRISTO, quebra
este terceiro mandamento. Tais
indivíduos são culpados diante de
DEUS (7) e só recebem misericórdia
depois de se arrependerem. Os justos
veneram o nome de DEUS por ser santo
e sagrado.
Leo G. Cox. Comentário
Bíblico Beacon. Êxodo. Editora CPAD.
pag. 190.
2. JURAMENTO E
PERJÚRIO.
I. Definição e
Sentidos
Um juramento é uma
solene confirmação em apoio a alguma
declaração, ou então, uma promessa,
reforçada por um apelo a DEUS, a
alguma coisa sagrada, a alguma
elevada autoridade, a alguma
testemunha, que garanta a
sinceridade e a intenção de quem
jurou que cumprirá a sua declaração.
Nos tribunais, tal confirmação da
veracidade de uma declaração torna a
pessoa passível de punição por
perjúrio, se ficar provado que uma
declaração importante sua é falsa.
Um juramento também
pode ser uma imprecação que,
presumivelmente, tenha o poder de
prejudicar àquele contra quem a
imprecação é proferida. Utiliza-se
um juramento para afirmar a
veracidade de uma declaração
qualquer, quando não há evidências
presentes com esse propósito. A
credibilidade de uma assertiva é
fomentada por um juramento (ver Êxo.
22:10,11, Núm. 5:16 ssj). Um juramento submete aquele que jura
ao escrutínio de DEUS. Presume-se
que ninguém juraria e mentiria, ao
mesmo tempo. A Bíblia ensina-nos que
DEUS sempre tem consciência de
nossos atos e de nossas palavras, e
um juramento torna-nos responsáveis
diante de DEUS, ainda com mais
força.
Não jurarás falso
(Lev. 19:12 e Êxo. 20:7) «...não
tardarás em cumpri-lo...» (Deu.
23:22; ver Núm. 30:1-16). O costume
de jurar era mais antigo que a lei.
Foi adotado pela lei civil como algo
necessário (Êxo. 22:11). O que JESUS
condena não é a simples idéia da
lei, e, sim, como nos casos do sexto
e do sétimo mandamentos, os abusos
ao princípio. Os judeus
classificavam os juramentos, e
alguns eram reputados mais
importantes, de acordo com o objeto
sobre o qual o juramento era feito.
Juravam pelo céu, pela terra, por
cidades como Jerusalém, por partes
do corpo humano, como a cabeça, pela
sinagoga, pelo templo, e muitas
vezes pelo nome de DEUS (ou por
respeito ao nome de DEUS),
modificando o som, às vezes fazendo
o nome de DEUS significar outra
coisa, pelo modo de sua pronúncia.
As vezes usavam os nomes dos deuses
dos gentios em seus juramentos. Até
hoje, em questão de profanação e
juramentos, não há povo como os
orientais. As formas de juramento e
profanação são infinitas. Os judeus
consideravam que só o juramento
feito em nome de DEUS era importante
e exigia cumprimento. Maimônides
disse: «Se quis jurat per coelum,
per terra, per solem, non est
juramentum». (Se alguém jura pelo
céu, pela terra, pelo sol, não é
juramento). Filo também mostra a
atitude dos judeus quando afirma que
os juramentos pela terra, pelo céu,
e outros tantos juramentos, não eram
obrigatórios. O desenvolvimento do
costume de juramentos debilitou a
moral da honestidade e da
sinceridade entre o povo. A
multiplicação de juramentos criou um
espírito superficial, inclinado à
mentira. Foi principalmente isso que
JESUS censurou.
CHAMPLIN, Russell Norman,
Antigo Testamento Interpretado
versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 4598-4599.
A manter uma
consideração muito reverente ao
santo nome de DEUS (v. 12), e não
conclamá-lo como testemunha, seja:
1. De uma mentira: “[Não] jurareis
falso pelo meu nome”. Já é ruim
dizer uma mentira, porém jurar é
muito pior. Ou: 2. De uma
brincadeira, e impertinências: “Pois
profanaríeis o nome do vosso DEUS” -
usando-o com qualquer outro
propósito diferente daquele para o
qual deve ser religiosamente usado.
HENRY. Matthew.
Comentário Matthew Henry Antigo
Testamento Gênesis a Deuteronômio.
Editora CPAD. pag. 410.
Na verdade, jurar
pelo Seu nome (e não pelo de
qualquer outro deus) era um sinal de
que tal pessoa era um adorador de
YHWH (Jr 4:2), e por isso era algo
digno de louvor.
Uma razão mais
profunda para tal proibição pode ser
vista no fato de que DEUS era a
única realidade viva para a
mentalidade israelita. É por isso
que Seu nome era sempre envolvido
nos votos e juramentos, normalmente
na fórmula “ tão certo como vive o
Senhor” (2 Sm 2:27).
Usar tal frase e
depois deixar de cumprir o voto era
questionar a realidade da própria
existência de DEUS.
R. Alan Cole, Ph. D.
ÊXODO Introdução e Comentário.
Editora Vida Nova. pag. 151.
3. MODALIDADES DE
JURAMENTOS.
«De modo algum
jureis». Provavelmente Tia. 5:12 foi
diretamente copiado desse texto.
Quatro são as interpretações dessa
expressão. 1. Não jurar, se o
juramento não estiver de acordo com
a reverência devida a DEUS. 2. Não
jurar de maneira superficial, como
os judeus. 3. Não jurar de maneira
superficial, como os judeus, ficando
excluídos, entretanto, os juramentos
civis, neste ensino. 4. Trata-se de
uma proibição absoluta para qualquer
tipo de juramento, sob qualquer
circunstância.
COMO IDEAL mais
elevado, provavelmente Seria melhor
não jurar, especialmente na
comunidade cristã. O homem honesto,
aprovado por DEUS e que vive no
espírito da lei, jamais teria
necessidade de jurar, bastando o
simples sim ou não. JESUS interpreta
o espírito da lei, o ideal da
humanidade. Lembrando-nos disso,
pode-se afirmar que a simples
interpretação das palavras de JESUS,
seria exatamente esta: «De modo
algum jureis, nem pelo céu...» etc.
Contudo, infelizmente a sociedade
não-regenerada não pode atingir tal
ideal perfeito, porque há grande
número de indivíduos indignos de
confiança, e não seriam suficientes
as simples palavras «sim» ou «não»
para inspirar ,e garantir confiança
nos tribunais de justiça. Assim,
posto que a sociedade humana é
imperfeita, tornam-se necessários
os juramentos. JESUS não insistiria,
por exemplo, para que o indivíduo
que se irasse contra outrem fosse
morto (vs. 22) e nem que o homem que
cobiçasse outra mulher que não a sua
arrancasse (literamente)
o seu olho direito.
Assim sendo, JESUS também não
proibiria juramentos exigidos pela
lei, que fazem parte do costume
legal em muitos lugares. CRISTO
proíbe o espírito imprudente e
orgulhoso com que faziam grandiosas
mas falsas declarações em nome de
DEUS, em nome do lugar onde DEUS
habita (os céus), ou em nome de
algum lugar associado ao seu nome,
como o templo de Jerusalém. DEUS não
é obrigado a apoiar esses juramentos
imprudentes, e o homem santo não
pode esperar que DEUS o faça. O
emprego do nome de DEUS, nessas
condições, não passa de uma forma de
profanação. Como ideal perfeito, a
proibição absoluta contra qualquer
forma de juramento deve ser a
interpretação correta; mas esse
ideal não impediria o fato de ser
esse o costume dos tribunais, que
trata com homens malfeitos e
desonestos. Provavelmente CRISTO
expunha o ideal para o indivíduo,
não incluindo os costumes próprios
dos tribunais, isto é, não estava
legislando.
Alguns comentaristas
mostram que o próprio JESUS
respondeu sob juramento (ver Mat.
26:63,64). E os apóstolos usaram
juramentos nas Escrituras (Gál.
1:20; II Cor. 1:23; Rom. 1:9; FU.
1:8; I Cor. 15:31). O Anjo do Senhor
também jurou (Apo. 10:6). Essas
referências mostram que a lei dos
juramentos não é norma absoluta para
todas as circunstâncias.
«Nem pelo céu». Não
podemos jurar pelo céu, porque está
associado ao nome e à pessoa de
DEUS. O juramento pelo céu;
portanto, é uma maneira de jurar
pelo nome de DEUS. Tal juramento foi
e ainda pode ser uma forma de
profanação. DEUS não está obrigado a
cumprir os desejos só porque usam o
seu nome, especialmente quando
profanam o seu nome.
«Nem pela terra».
Porque a terra também está
diretamente ligada a DEUS, por ser o
«estrado de seus pés». (Ver Is.
66:1).
>>Pela cidade de
Jerusalém>>
Jerusalém é a
cidade do grande Rei, isto é, DEUS.
(Ver Sal. 48:2). Jurar por
Jerusalém, pois, é uma maneira
indireta de jurar pelo nome de DEUS.
JESUS diria que o
cumprimento de todos
esses juramentos seriam obrigatórios
porque estão vinculados ao nome de
DEUS; mas também diria que,
especificamente, o homem não tem o
direito de usar o nome de DEUS para
garantir a validade de qualquer
juramento. Outrossim, o homem
honesto não tem necessidade de
confirmar o juramento com qualquer
outro nome além do seu.
•Nem jures pela tua
cabeça». Esse juramento
provavelmente não era reputado como
vinculado a DEUS; por isso era usado
como meio de jurar sem cometer
profanação. Mas mesmo assim alguns
opinam que tal juramento inclui
profanação do nome de DEUS, por ser
o homem uma criatura feita por DEUS
à sua própria imagem. Essa é uma
verdade, mas o restante do versículo
mostra que não foi por essa razão
que JESUS destacou esse juramento
como exemplo. CRISTO ilustra que o
juramento feito pela própria cabeça
constitui uma forma de profanação,
apesar de não usar o nome de DEUS,
pois em realidade ninguém exerce
controle sobre a própria vida e não
pode mudar, pela sua vontade, nem
mesmo a cor de seus cabelos. Se o
homem não pode nem ao menos mudar a
cor de seus cabelos, como seria
possível a ele confirmar ou garantir
qualquer juramento feito por sua
cabeça? Portanto, isso é uma tolice.
Não podemos tratar de coisas sérias,
como os juramentos, de maneira
superficial (e a despeito do fato
que alguém pode pensar não tratar-se
de questão séria). Além disso, a
simples palavra do homem honesto
deve ser suficiente. A cor de seus
cabelos está fora do controle do
homem, e por isso não pode servir de
base para juramento algum.
CHAMPLIN, Russell Norman,
O Novo Testamento Interpretado
versículo por versículo. Editora
Candeias. Vol. 1. pag. 314.
Juramentos (5.33-37).
A lei mosaica dizia: Não perjurarás
(33; Lv 19.12; Nm 30.2; Dt 23.21),
isto é, “jurar falsamente” - no Novo
Testamento, este verbo só é
encontrado aqui. Mas JESUS disse: De
maneira nenhuma jureis (34). Ele
proibiu especificamente jurar pelo
céu, pela terra, por Jerusalém, ou
pela nossa própria cabeça (34- 36).
Os judeus defendiam que jurar pelo
nome de DEUS vinculava aquele que
fazia o juramento, mas jurar pelo
céu não trazia nenhum vínculo.
Assim, os itens acima eram
substituídos como uma forma de
subterfúgio, para não se dizer a
verdade. Bengel cita o ditado
rabínico: “Como o céu e a terra
passarão, assim também o juramento
passará,
pois os conclamou como
testemunhas”. JESUS defendeu
que DEUS está sempre presente quando
os homens falam; por esta razão,
todos devem falar honestamente.
O mandamento de
CRISTO foi: Seja, porém, o vosso
falar: Sim, sim; não, não (37)
- ou, como Beck
apresenta: “Simplesmente diga: ‘Sim,
sim; não, não’ ’’.Apropria prática
de jurar é um triste reflexo do
caráter humano. JESUS exige
honestidade o tempo todo, esteja um
homem sob juramento ou não. Não há
um padrão duplo para o cristão.
Ralph Earle.
Comentário Bíblico Beacon. Mateus.
Editora CPAD. Vol. 6. pag. 60-61.
Mt 23.16-19 JESUS
destacou a hipocrisia dos líderes
com relação ao poder e à
obrigatoriedade gerada pelos
juramentos feitos a DEUS, tanto para
a consagração ao serviço, como para
as contribuições ligadas às posses.
Os líderes deveriam ter sido guias
para os cegos, mas em lugar disto
eles mesmos eram cegos. São dados
dois exemplos dos limites ridículos
até onde o sistema excessivamente
legalista tinha ido: jurar pelo
Templo ou pelo ouro, e jurar pelo
altar ou pela oferta. Em um caso o
juramento não poderia ser quebrado,
no outro sim.
JESUS exemplificou as
minuciosas (e ridículas) diferenças.
Mt 23.20-22 JESUS
tinha explicado que os seus
seguidores não precisavam fazer
nenhum juramento, pois fazer isto
implicaria que não se poderia
confiar na sua palavra (5.33-37). Os
líderes, tentando criar diferenças
nos juramentos, tinham perdido de
vista o fato de que todos os
juramentos são feitos diante de DEUS
e deveriam ser igualmente
obrigatórios. Em outras palavras,
nenhum juramento deveria ser feito
com uma brecha.
Comentário do Novo
Testamento Aplicação Pessoal.
Editora CPAD. Vol. 1. pag. 137.
IV. O SENHOR JESUS
PROIBIU O JURAMENTO?
1. OBJETIVO DO
TERCEIRO MANDAMENTO.
O Ideal. Como ideal
mais elevado, provavelmente seria
melhor não jurar, especialmente na
comunidade cristã. O homem honesto,
aprovado por DEUS e que vive no
espírito da lei, jamais teria
necessidade de jurar, bastando o
simples sim ou não. JESUS interpreta
o espírito da lei, o ideal da
humanidade. Lembrando-nos disso,
podemos afirmar que a simples
interpretação das palavras de JESUS
seria exatamente esta: «De modo
algum jureis, nem pelo céu...» etc.
Contudo, infelizmente a sociedade
não-regenerada não pode atingir tal
ideal perfeito,
porque há grande
número de indivíduos indignos de
confiança, e não seriam suficientes
as simples palavras «sim» ou «não»
para inspirar e garantir confiança
nos tribunais de justiça. Assim,
posto que a sociedade humana é
imperfeita, tornam-se necessários os
juramentos. JESUS não insistiria,
por exemplo, para que o indivíduo
que se irasse contra outrem fosse
morto (vs. 22) e nem que o homem que
cobiçasse outra mulher que não a sua
arrancasse (literalmente) o seu olho
direito. Assim sendo, JESUS também
não proibiria juramentos exigidos
pela lei, que fazem parte do costume
legal em muitos lugares. CRISTO
proíbe o espírito imprudente e
orgulhoso com que faziam grandiosas
mas falsas declarações em nome de
DEUS, em nome do lugar onde DEUS
habita (os céus), ou em nome de
algum lugar associado ao seu nome,
como o templo de Jerusalém. DEUS não
é obrigado a apoiar esses juramentos
imprudentes, e o homem santo não
pode esperar que DEUS o faça. O
emprego do nome de DEUS, nessas
condições, não passa de uma forma de
profanação. Como ideal perfeito, a
proibição absoluta contra qualquer
forma de juramento deve ser a
interpretação correta; mas esse
ideal não impediria o fato de ser
esse o costume dos tribunais, que
trata com homens imperfeitos e
desonestos. Provavelmente CRISTO
expunha o ideal para o indivíduo,
não incluindo os costumes próprios
dos tribunais, isto é, não estava
legislando.
CHAMPLIN, Russell Norman,
Antigo Testamento Interpretado
versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 4599-4600.
Sim, sim... não,
não». A repetição da palavra é a
confirmação ou não da verdade. A
garantia da honestidade do indivíduo
deve ser a confiança na sua simples
palavra. Provavelmente JESUS
insistiria que tal honestidade deve
ser inspirada pela consciência da
presença de DEUS e a relação do
homem para com o Senhor. O homem
cônscio da presença de DEUS e que
sente responsabilidade para com
DEUS, não mente. Tal honestidade não
requer a confirmação de qualquer
juramento. É o juramento feito—pelo
homem desonesto—que não tem valor. A
desonestidade de nossa natureza se
expressa não apenas na tendência em
nos desviarmos da verdade pura, mas
também na esperança de que nossos
semelhantes façam a mesma coisa. A
prática dos juramentos apenas agrava
essa situação, porque o próprio
juramento é usado para enganar,
confirmando de
maneira séria uma desonestidade.
«Vem do maligno:».
Alguns interpretam *do diabo», que é
o ser maligno (Eut., Zig., Cris.,
Teof., Beza, Zwinglio, Fritzche,
Meyer e outros). Ninguém negaria
que, segundo as idéias básicas do
N.T., todo mal tem origem na pessoa
do diabo, direta ou indiretamente;
mas a referência aqui é à
perversidade dos homens que empregam
o juramento com o fito de enganar e
cumprir propósitos desonestos,
profanando o nome de DEUS nesse
processo. Dificilmente tais homens
usam de juramentos sem algum tipo de
maldade. O próprio juramento tende a
provocar a maldade. Não jures.
Aquele que jura, mente. Aquele que
mente, rouba. Que mais não faria o
homem?
CHAMPLIN, Russell Norman,
O Novo Testamento Interpretado
versículo por versículo. Editora
Candeias. Vol. 1. pag. 316.
De acordo com JESUS,
na vida diária não há necessidade
nenhuma de juramento para asseverar
e confirmar a verdade. Somente a
sinceridade total, sem um juramento
de garantia, assegura a verdadeira
fraternidade. É que os escribas
também recorriam, a toda hora, aos
juramentos, inclusive para assuntos
da vida cotidiana (p. ex., juro que
almocei).
JESUS afirma: Vocês
sequer devem jurar, i. é, vocês não
devem fazer uso de todos esses
juramentos de corroboração e
juramentos compromissivos e não
compromissivos. Vocês se enganam se
pensam que, com essas artimanhas,
podem escapar da maldição divina.
Fritz Rienecker.
Comentário Esperança Evangelho de
Mateus. Editora Evangélica
Esperança.
2. A PROIBIÇÃO
ABSOLUTA.
Esta passagem conclui
com o mandamento de que quando
alguém deve dizer sim, tem que dizer
sim, e nada mais; e quando deve
dizer não, tem que dizer não, e
somente não.
O ideal é que ninguém
precise de juramentos para garantir
a verdade ou dar prova de sua
vontade de cumprir uma promessa. O
caráter da pessoa deveria fazer com
que os juramentos fossem totalmente
desnecessários. Sua garantia e suas
testemunhas deveriam ser sua própria
integridade. Sócrates, o grande
orador e mestre grego, disse:
"Deveríamos viver de tal maneira que
nossas ações inspirassem mais
confiança em nós que qualquer
juramento." Clemente de Alexandria
sustentava que os cristãos deveriam
viver de tal modo e ser de tal
caráter que ninguém jamais sonhasse
sequer em pedir-lhes um juramento. A
sociedade ideal seria aquela em que
a palavra de qualquer indivíduo não
necessitasse de juramento algum
para garantir sua verdade, e as
promessas não precisassem de
juramentos para garantir seu
cumprimento.
Proíbem estas
palavras de JESUS que os cristãos
jurem em situações tais como quando
vai dar testemunho em um processo
legal, ou no juramento à bandeira?
Tem havido dois grupos que se
negaram categoricamente a toda forma
de juramento. Os primeiros foram os
essênios, uma antiga seita judia.
Josefo escreve a respeito deles: "São
eminentes por sua fidelidade e são
ministros de paz. Algo que digam é
tão firme como um juramento. Evitam
todo juramento, e o têm em mais
baixa estima ainda que o perjúrio.
Porque afirmam que quem não pode ser
de confiança se não jurarem, já
estão condenados."
E também estão, ainda
em nossos dias, os quackers. Os
quackers se negam rotundamente,
qualquer que seja a situação em que
se encontrem, a pronunciar
juramentos. George Fox, um dos
fundadores desta seita, o máximo que
chegava era aceitar o uso da palavra
"verdadeiramente". Escreveu: "Nunca
enganei a ninguém durante toda
aquela época (a que passou ocupado
em negócios). Em todas as minhas
transações importantes usava a
palavra ‘verdadeiramente’." E muitos
diziam: "Quando George Fox diz
‘verdadeiramente’ não há maneira de
que mude." Na antiguidade os
essênios não tinham pronunciado
nenhum juramento, e até nossos dias,
os tais estão na mesma postura.
Têm estes razão ao
assumir esta atitude? Houve ocasiões
nas quais o apóstolo Paulo jurou,
como quando afirma: "Eu, porém, por
minha vida, tomo a DEUS por
testemunha de que, para vos poupar,
não tornei ainda a Corinto" (2 Cor.
1:23). "Ora, acerca do que vos
escrevo", diz na epístola aos
Gálatas, "eis que diante de
DEUS
testifico que não minto" (Gál.
1:20). Nestes casos Paulo se está
colocando sob juramento. O próprio
JESUS não protestou quando o sumo
sacerdote o pôs sob juramento:
"Conjuro-te pelo DEUS vivo" –
ponho-te sob juramento em nome de
DEUS – "que nos digas se és o
CRISTO, o Filho de DEUS" (Mateus
26:63).
Qual é então a
situação?
Voltemos para a
última parte do versículo 37. As
versões correntes dizem: "O que
disto passar vem do maligno." O que
significam estas palavras? Somente
podem significar duas coisas.
(a) Se for necessário
pedir a alguém que jure, a
necessidade surge do mal que se
aninha no coração do homem. Se não
houvesse mal no homem os juramentos
seriam desnecessários. Em outras
palavras, o fato de que seja
necessário às vezes tomar juramento
é uma demonstração da persistência
do mal na natureza humana.
(b) O fato de que às
vezes seja necessário pôr as pessoas
sob juramento obedece a que o mundo
em que vivemos é mau. Em um mundo
perfeito, no Reino de DEUS, jamais
seria necessário prestar juramento
de nenhuma espécie. Faz-se
necessário somente a causa do mal
que há no mundo.
O que JESUS afirma é:
o homem verdadeiramente bom não
precisará jurar para que outros
confiem nele; a veracidade de suas
palavras e a firmeza de suas
intenções não necessitam de tal
garantia. Mas o fato de que ainda
seja necessário às vezes tomar
juramento das pessoas se deve ao
fato de que os homens não são bons e
este mundo tampouco o é.
Interpretado deste
modo, a afirmação de JESUS nos
obriga de duas maneiras. Obriga-nos
a viver de tal maneira que, vendo
nossa transparente bondade, ninguém
creia necessário exigir que juremos
para poder confiar em nossa palavra;
e nos põe na obrigação de fazer tudo
o que esteja ao nosso alcance para
que o mundo seja um lugar tal que
não haja capacidade nele para a
falsidade e a infidelidade, ao ponto
de que possa abolir-se toda forma de
juramento.
BARCLAY. William.
Comentário Bíblico. FILIPENSES. pag.
173-175.
Mt 5.33-37. Quarta
ilustração: juramentos. O alicerce
do V.T, é Lv. 19:12 e Dt. 23:21
(confira com Êx. 20:7). Jurarás
falso. Jurar em falso. O abuso que
os judeus faziam dos juramentos,
levou JESUS a dizer, de modo nenhum
jureis. É difícil achar uma brecha
nesta diretiva (veja também Tiago
5:12). Assim, o crente não deveria
jurar para autenticar suas
declarações. Até mesmo o Estado
deveria geralmente permitir uma
afirmação em lugar do juramento
exigido. Pelo céu. Os judeus usavam
a sua engenhosidade para classificar
os diversos juramentos, e geralmente
perdoavam aqueles que não
mencionassem DEUS especificamente.
JESUS mostrou que tal raciocínio
enganosamente sutil era falso, pois
DEUS continua implicado quando os
homens invocam os céus, a terra, ou
Jerusalém; e até quando se jura pela
própria cabeça está implicado Aquele
que tem poder sobre a mesma. Seja,
porém, o vosso falar: Sim, sim. Uma
solene afirmação ou negação é o
suficiente para o crente. O que
passa disto. Acrescentando
juramentos às nossas declarações, ou
admitimos que não se pode confiar em
nossas palavras costumeiras, ou nos
rebaixamos ao nível de um mundo
mentiroso, que vem do maligno.
Confira com Jo. 8:44.
Charles F. Pfeiffer.
Comentário Bíblico Moody.
Editora Batista Regular.
Mateus. pag. 25-26.
De maneira nenhuma
jureis (34). É a proibição contra
qualquer juramento. A lei mosaica
introduziu o juramento, sob
condições bem definidas, como
proteção contra a desonestidade do
coração humano. Mas o Senhor veio
transformar o coração do homem, de
sorte que o juramento não é mais
necessário. Ele pode restaurar o
quinhão primitivo e, assim, proíbe
por completo o juramento e cumpre
plenamente o propósito da lei.
DAVIDSON. F. Novo
Comentário da Bíblia. Mateus.
pag. 25.
3. A PROIBIÇÃO
RELATIVA.
Mt 5.34. De maneira
nenhuma, jureis é a tradução correta
(ordem indireta e infinitivo
aoristo). Claro que JESUS não proíbe
juramentos em tribunais, porque ele
mesmo respondeu a Caifás sob
juramento (Mt 26.63,64). Paulo fez
apelos solenes a DEUS (1 Co 15.31; 1
Ts 5.27). JESUS proíbe todas as
formas de profanação. Os judeus eram
mestres na arte de perder-se em
minúcias sobre juramentos
permissíveis ou formas de
profanação, exatamente como fazem os
cristãos de hoje sob o pretexto de
uma grande variedade de “palavras de
baixo calão”.
A. T. ROBERTSON.
Comentário Mateus &
Marcos.
À Luz do Novo Testamento
Grego.
Editora CPAD. pag. 74.
A determinação de
CRISTO sobre este assunto é:
1. Que não devemos
jurar, de.maneira nenhuma, exceto
quando estivermos devidamente
obrigados a isto, e quando a justiça
ou a caridade para com o nosso
irmão, ou o respeito pela comunidade
tornarem necessário o juramento para
o fim da contenda (Hb 6.16). O
magistrado civil deve ser,
normalmente, o juiz desta
necessidade.
Nós podemos ser
jurados, mas não devemos jurar;
podemos ser intimados, e desta
maneira estar obrigados ao
juramento, mas não devemos nos
atirar a ele em busca de alguma
vantagem terrena.
2. Que não devemos
jurar superficial e
irreverentemente, nas conversas
comuns. E um pecado muito grande
fazer um apelo absurdo à gloriosa
Majestade do céu, que, sendo
sagrada, sempre deve ser muito
séria. E uma grande profanação do
santo nome de DEUS, e uma das coisas
sagradas que os filhos de Israel
santificam ao Senhor. Este é um
pecado que não tem disfarce; não há
desculpa para ele, e, portanto, é um
sinal de um coração desprovido da
graça do Senhor, onde reina a
inimizade contra DEUS: “Os teus
inimigos tomam o teu nome. em vão”
.
3. Que devemos, de
uma maneira especial, evitar
juramentos ao fazer alguma promessa,
dos quais CRISTO particularmente
fala aqui, pois estes juramentos
devem ser cumpridos. A influência de
um juramento afirmativo cessa
imediatamente quando descobrimos
fielmente a verdade e toda a
verdade; mas um juramento de
promessa compromete por tanto tempo,
e pode ser rompido de tantas
maneiras, pela surpresa e pela força
de uma tentação, que não deve ser
usado, exceto em algum caso de
grande necessidade. O uso frequente
de juramentos se reflete sobre os
cristãos, que deveriam ter uma
fidelidade reconhecida a ponto das
suas palavras sóbrias serem tão
sagradas quanto os seus juramentos
solenes.
4. Que não devemos
jurar por nenhuma outra criatura.
Parece que havia
alguns que, como cortesia (pensavam
eles) ao nome de DEUS, não fariam
uso dele nos juramentos, mas juravam
pelo céu, ou pela terra etc. Isto
CRISTO proíbe aqui (v. 34), e mostra
que não há nada por que possamos
jurar, mas que isto está de uma
maneira ou de outra relacionada com
DEUS, que é a origem de todos os
seres, e, portanto, é igualmente
perigoso jurar por eles, quanto
jurar pelo próprio DEUS. E a
veracidade da criatura que é posta
em jogo: isto não pode ser um
instrumento de testemunho, mas tem
relação com DEUS que é a Verdade
principal.
HENRY. Matthew.
Comentário Matthew Henry Novo Testamento
MATEUS A JOÃO Edição completa.
Editora CPAD. pag. 56-57.
De maneira nenhuma
jureis (v. 34). A
própria existência de
um voto introduz um padrão de
duplicidade. Fica implícito que a
palavra da pessoa poderia nada
valer, a menos que se fizesse
acompanhar de algum tipo de garantia
verbal.
Segundo a tradição
judaica, os juramentos sob o nome de
DEUS eram válidos, tinham força, mas
os que excluíssem o nome de DEUS
nada valiam.
JESUS agora nos
ensina que os dois preceitos são
enganosos, visto que necessariamente
DEUS se envolve em cada transação —
o céu é o seu trono, a terra é o
estrado de seus pés, a cidade de
Jerusalém é a cidade do grande Rei,
e nós não conseguimos controlar nem
mesmo a cor de nossos cabelos. (Barclay,
vol. 1, pp. 159-60). Os que os
seguidores de JESUS devem fazer é
simplesmente dizer sim ou não, e
honrar a palavra empenhada.
Schweizer escreve: “Quando a palavra
humana se deteriora de tal modo que
sob certas circunstâncias sim pode
significar não, e não sim, a
comunidade está destruída” (p. 128).
Estar sob o governo de DEUS (isto é,
em seu reino) é ser digno de
confiança absoluta e honesto de modo
transparente. Afastar-se desse
princípio é cair sob a influência do
maligno.
Por toda a história
da igreja tem havido crentes que
acham que é errado fazer juramentos,
sejam eles de que natureza forem.
Entretanto, JESUS permitiu ao
sumo-sacerdote que o colocasse sob
juramento (Mateus 26:62-64), e Paulo
invocou a DEUS, para que lhe servisse
de testemunha (2 Coríntios 1:23; cp.
Gaiatas 1:20). O assunto sob
consideração em Mateus não é tanto a
questão de se fazer um juramento,
mas a necessidade de se falar a
verdade em todas as ocasiões. E
inevitável que JESUS penetre a fundo
na legislação, para chegar aos
princípios essenciais que ela
pretende ensinar. Codificar o ensino
de CRISTO é o mesmo que destruí-lo.
As “regras” do Senhor vão muito mais
longe do que toda nossa habilidade
para regulamentar o exterior de modo
satisfatório. Os princípios de JESUS
nada exigem senão a entrega
interior, total, aos propósitos e à
natureza de DEUS.
Peter H. Davids. Comentário Bíblico Contemporâneo.
Mateus. Editora Vida. pag.
58-59.
ELABORADO: Pb Alessandro Silva (http://estudaalicaoebd.blogspot.com.br/)
com algumas modificações do Ev. Luiz Henrique.
Veja
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm
Questionário
da
Lição 5 -
Não Tomarás o Nome Do Senhor Em Vão
Lições Bíblicas - 1º Trimestre de 2015 -
CPAD - Para adultos
Tema: OS DEZ MANDAMENTOS - Valores Imutáveis Para Uma
Sociedade Em Constante Mudança
Comentários: Pr. Esequias Soares
Complete os espaços
vazios e marque com "V" as respostas Verdadeiras e com "F" as Falsas
TEXTO ÁUREO
1- Complete:
"Nem jurareis
_________________________ pelo
meu nome, pois _________________________ o nome do vosso
_________________________. Eu sou o SENHOR."
(Lv 19.12).
VERDADE PRÁTICA
2- Complete:
O terceiro mandamento proíbe
o _________________________ indiscriminado e leviano, pois o
_________________________ é um tipo de compromisso que deve ser reservado
para uma solenidade _________________________ e
incomum.
I. O NOME DIVINO
3- Nos tempos do Antigo Testamento, qual o
significado do nome?
( ) O nome era empregado
também para
mostrar a condição financeira de uma pessoa..
( ) O nome era empregado
não simplesmente para distinguir uma pessoa das outras, mas também para
mostrar o caráter e a índole do indivíduo.
( ) Houve caso de mudança
de nomes em consequência de uma experiência com DEUS como Abraão,
Sara e Jacó.
( ) O nome de DEUS
representa o próprio DEUS, é inerente à sua natureza e revela suas obras e
atributos.
( ) Não é um apelativo,
nem simplesmente uma identificação pessoal ou uma distinção dos deuses das
nações pagãs.
4- A Bíblia revela vários
nomes divinos que podemos classificar em dois grupos: genéricos e
específicos. Complete segundo os nomes Genéricos:
São três os nomes genéricos
que o Antigo Testamento aplica além do "DEUS de _________________________".
Na sua tradução do hebraico para a nossa língua só aparecem dois nomes,
"__________________________ " e
"Altíssimo". O nome "DEUS" em nossas bíblias é tradução do hebraico El (Nm
23.8) ou Eloah (Dt 32.15), ou seu plural, Elohim (Gn 1.1). O outro nome
genérico é Elyon, "___________________________" (Dt 32.8), às vezes acompanhado de "El",
como em El-Elyon, "DEUS _________________________" (Gn 14.19,20).
5- Quais são os nomes divinos específicos de DEUS
que a Bíblia revela? Complete:
São três os nomes
específicos que o Antigo Testamento aplica somente para o DEUS verdadeiro:
Shadday, Adonay e YHWH. El-Shadday, "DEUS _________________________", é o nome que
DEUS usou ao revelar-se a Abraão (Gn 17.1; Êx 6.3). Adonay,
"_________________________", é um nome próprio e não um pronome de
tratamento (Is 6.1). O outro nome é o tetragrama (as quatro consoantes do
nome divino, YHWH, Yahweh, Javé ou Jeová). A versão Almeida Corrigida, nas
edições de 1995 e 2009, emprega "__________________________",
com todas as letras maiúsculas, onde consta o tetragrama no Antigo
Testamento hebraico para distinguir de Adonay (Jz 6.22).
II. O NOME QUE SE TORNOU
INEFÁVEL
6- Qual a pronúncia do nome divino?
( ) O tetragrama é
inefável no judaísmo desde o período interbíblico e permanece impronunciável
pelos judeus ainda hoje. Isso para evitar a vulgarização do nome e assim não
violar o terceiro mandamento.
( ) A escrita hebraica é
consonantal; as vogais são sinais diacríticos que os judeus criaram somente
a partir do ano 500 d. C.
( ) A escrita hebraica é
consonantal; as vogais são sinais diacríticos que os judeus criaram somente
a partir do ano 1000 d. C.
( ) Assim, a pronúncia
exata das consoantes YHWH se perdeu no tempo.
( ) Os judeus religiosos
pronunciam por reverência Adonay cada vez que encontram o tetragrama no
texto sagrado na leitura da sinagoga.
7- Qual a correta pronúncia do nome divino,
Jeová ou Javé?
( ) O
correto é Jeová.
( ) Na Idade Média,
especificamente no século XIV, foram inseridas no tetragrama as vogais de
Adonay (o "y" é semiconsoante no alfabeto hebraico).
( ) O resultado é a
pronúncia "YeHoWaH". Isso para lembrar, na leitura, que esse nome é inefável
e, dessa forma, pronunciar "Adonai".
( ) Esse enxerto no
tetragrama resultou na forma "Jeová", que não aparece no Antigo Testamento
hebraico.
( ) Estudos acadêmicos
confirmam o que a maioria dos expositores do Antigo Testamento vinham
ensinando, que a pronúncia antiga do nome é Yahweh, e na forma aportuguesada
é Iavé ou Javé.
8- Qual o significado do nome hebraico hayah?
( ) "Dono,
poderoso".
( ) "ser, estar".
( ) O significado desse
verbo em Êxodo 3.14, "EU SOU O QUE SOU", indica que DEUS é imutável e existe
por si mesmo; é autoexistente, autossuficiente e que causa todas as coisas.
( ) DEUS se revela pelo
seu nome.
( ) O terceiro mandamento
é um resumo e ao mesmo tempo uma recapitulação daquilo que DEUS havia dito
antes a Moisés.
III. TOMAR O NOME DE DEUS
EM VÃO
9- Qual o significado do terceiro mandamento (Êx 20.7; Dt 5.11)?
( ) O termo hebraico
tsarich, "em vão, inutilmente, à toa", indica algo sem valor, irreal no
aspecto material e moral.
( ) O termo hebraico
lashaw, "em vão, inutilmente, à toa", indica algo sem valor, irreal no
aspecto material e moral.
( ) A Septuaginta emprega
a expressão grega epimataio, "impensadamente".
( ) O substantivo shaw
(pronuncia-se "chav") significa "vaidade, vacuidade".
( ) Corresponde a usar o
nome de DEUS de forma superficial, em conversas triviais, e faltar com a
verdade em seu nome, como ao pronunciar um juramento falso ou
fazer um voto e não o cumprir.
10- O que é Juramento e perjúrio?
( ) As palavras seguintes, "Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao
Senhor", só aparecem no Antigo Testamento.
( ) O juramento é o ato
de fazer uma afirmação ou promessa solene tomando por testemunha algum
objeto tido por sagrado; o perjúrio é o falso juramento.
( ) As palavras do Senhor
JESUS, "ouvistes que foi dito aos antigos", não se referem ao
Antigo Testamento, mas aos antigos ensinos dos rabinos, às suas
interpretações peculiares das passagens da lei que falam sobre o tema.
( ) Isso fica claro, pois
as palavras seguintes, "Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao
Senhor", não aparecem em nenhum lugar no Antigo Testamento.
11- Quais eram as modalidades de juramentos na
época de JESUS?
( ) O
principal e mais realizado era o juramento sincero em nome de DEUS.
( ) As autoridades
israelitas escalonavam o juramento em diversas modalidades: pelo céu, pela
terra, por Jerusalém, pelo Templo e pelo ouro do Templo; pelo
altar e pela oferta que está sobre o altar e assim por diante.
( ) Segundo essa linha de
pensamento, os juramentos se classificavam em obrigatórios e não
obrigatórios.
( ) Jurar pelo Templo não
seria válido; mas, se alguém jurasse pelo ouro do Templo, estava obrigado a
cumpri-lo.
( ) Tais crenças e
práticas eram condenadas nas Escrituras Sagradas. Tudo isso era uma forma de
ocultar o pecado.
IV. O SENHOR JESUS
PROIBIU O JURAMENTO?
12- Qual o objetivo do terceiro mandamento?
( ) O
Senhor JESUS condenou e proibiu todo e qualquer juramento.
( ) A finalidade é pôr um
freio na mentira, restringir os juramentos e assim evitar a profanação do
nome divino.
( ) O Senhor JESUS nos
ensinou na oração do Pai Nosso a santificar o nome divino.
( ) Ninguém deve usar o
nome de DEUS nas conversas triviais do dia a dia, pois isso é misturar o
sagrado com o comum.
( ) O Senhor JESUS
condenou duramente essas perversões farisaicas, práticas que precisavam ser
corrigidas ou mesmo substituídas.
( ) Este mandamento foi
restaurado sob a graça e adaptado a ela na nova dispensação, manifesto na
linguagem do cristão: "sim, sim; não, não".
13- Por que alguns acreditam na proibição absoluta
e quem são eles?
( ) Há os que entendem
que a expressão "de maneira nenhuma" é uma proibição de toda e
qualquer forma de juramento.
( ) Entre os que defendem
essa interpretação estão os batistas do sul e os quakers, que nos Estados Unidos se
recusam a jurar nos tribunais de justiça.
( ) Entre os que defendem
essa interpretação estão os amish e os quakers, que nos Estados Unidos se
recusam a jurar nos tribunais de justiça.
( ) Eles acreditam que o
Senhor JESUS não fez declaração sob juramento diante do Sinédrio.
( ) De igual modo, o
apóstolo Paulo evitava fazer juramentos em afirmações solenes.
14- O que significa a proibição relativa?
( ) Consideram
o juramento de JESUS, de João, de Pedro e de Paulo.
( ) Outros afirmam que a
proibição de JESUS se restringe aos juramentos triviais, e por essa razão o
Senhor JESUS foi específico: "de maneira nenhuma, jureis nem pelo céu, [...]
nem pela terra, [...] nem por Jerusalém, [...] nem jurarás pela tua cabeça.
( ) Outro argumento é que
homens de DEUS no Antigo Testamento faziam juramentos em situação solene e o
próprio DEUS jurou por si mesmo.
( ) Consideram, ainda,
como juramento a resposta de JESUS e as declarações solenes de Paulo.
( ) Essas últimas
passagens bíblicas não parecem conclusivas em si mesmas; entretanto, a
proibição relativa nos parece mais coerente.
( ) Mesmo assim, devemos
evitar o juramento e substituir o termo por voto solene em cerimônias de
casamento.
CONCLUSÃO
15- Complete:
A linguagem do
_________________________ deve ser sim, sim ou não, não. Não há necessidade
de _________________________, pois o testemunho, como crente em JESUS, fala
por si mesmo. Se alguém precisa _________________________ para que se
acredite em suas palavras, tal pessoa precisa fazer uma revisão de sua vida
__________________________. Por essa razão, devemos _____________________ o
que pregamos e pregar o que _________________________.
RESPOSTAS DO QUESTIONÁRIO EM http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
Referências Bibliográficas (outras estão acima)
Bíblia de estudo - Aplicação Pessoal.
Bíblia de Estudo Almeida. Revista e
Atualizada. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2006.
Bíblia de Estudo Palavras-Chave Hebraico e
Grego. Texto bíblico Almeida Revista e Corrigida.
Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em
português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas
variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida- EUA: CPAD,
1999.
BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI
EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.
CPAD - http://www.cpad.com.br/ -
Bíblias, CD'S, DVD'S, Livros e Revistas. BEP - Bíblia de Estudos
Pentecostal.
VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE - http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
www.ebdweb.com.br
www.escoladominical.net
www.gospelbook.net
www.portalebd.org.br/
http://estudaalicaoebd.blogspot.com.br/
-
Pb Alessandro Silva
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm
Lição 4 - Não Farás Imagens de Esculturas - 1 Parte
Lições Bíblicas - 1º Trimestre de 2015 -
CPAD - Para adultos
Tema: OS DEZ MANDAMENTOS - Valores Imutáveis Para Uma
Sociedade Em Constante Mudança
Comentários: Pr. Esequias Soares
Complementos,
ilustrações, questionários e vídeos: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
Questionário
NÃO DEIXE DE ASSISTIR AOS VÍDEOS DA LIÇÃO ONDE TEMOS
MAPAS, FIGURAS, IMAGENS E EXPLICAÇÕES DETALHADAS DA LIÇÃO
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/videosebdnatv.htm
NÃO DEIXE DE LER O ESTUDO SOBRE ALIANÇA -
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/alianca.htm
TEXTO ÁUREO
"Portanto, meus amados, fugi da
idolatria." (1 Co 10.14)
VERDADE PRÁTICA
O segundo mandamento proíbe a
idolatria, adoração de ídolo, imagem de um deus ou de qualquer objeto de
culto
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Lv 19.4 DEUS proíbe a
fabricação de ídolos e deuses de fundição
Terça - Dt 4.12 A adoração a DEUS
deve ser sem imagens e sem figuras
Quarta - Mt 4.10 Somente DEUS deve
ser adorado e a Ele devemos servir
Quinta - Jo 4.24 DEUS é ESPÍRITO e
deve ser adorado em espírito e em verdade
Sexta - At 17.24,25 DEUS não habita
em templo feito por mãos humanas
Sábado - 1 Jo 5.21 O combate à
idolatria é mantido pelo apóstolo João
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Êxodo
20.4-6; Deuteronômio 4.15-19
Êxodo 20.4-6
4 Não farás para ti imagem de
escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo
na terra, nem nas águas debaixo da terra. 5 Não te encurvarás a elas nem as
servirás; porque eu, o SENHOR, teu DEUS, sou DEUS zeloso, que visito a
maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me
aborrecem 6 e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os
meus mandamentos.
Deuteronômio 4.15-19
15 Guardai, pois, com diligência a
vossa alma, pois semelhança nenhuma vistes no dia em que o SENHOR, vosso
DEUS, em Horebe, falou convosco, do meio do fogo; 16 para que não vos
corrompais e vos façais alguma escultura, semelhança de imagem, figura de
macho ou de fêmea; 17 figura de algum animal que haja na terra, figura de
alguma ave alígera que voa pelos céus; 18 figura de algum animal que anda de
rastos sobre a terra, figura de algum peixe que esteja nas águas debaixo da
terra; 19 e não levantes os teus olhos aos céus e vejas o sol, e a lua, e as
estrelas, todo o exército dos céus, e sejas impelido a que te inclines
perante eles, e sirvas àqueles que o SENHOR, teu DEUS, repartiu a todos os
povos debaixo de todos os céus.
OBJETIVO GERAL
Mostrar que DEUS se revela ao homem
sem a necessidade de meras reproduções (figuras, estátuas, imagens,
esculturas, desenhos).
OBJETIVOS ESPECÍFICOS -
Os objetivos específicos referem-se
aos que o professor deve atingir em cada tópico.
Explicar a proibição bíblica quanto à
idolatria - (Tudo o que é artificial não penetra no reino espiritual - Tudo
o que se coloca como objeto de adoração, sendo material, é idolatria).
Apresentar a característica zelosa de
DEUS (Juízo sobre o pecado e bênção sobre a obediência).
Conscientizar sobre o verdadeiro
culto a DEUS (em ESPÍRITO e em Verdade - Em comunhão com o ESPÍRITO SANTO e
dentro do que ensina a Palavra).
Esclarecer quanto à idolatria da
teologia romana (A adoração a uma mulher no céu sempre atraiu as pessoas - é
pecado terrível quando se coloca alguém no mesmo nível ou superior a JESUS
no plano de salvação).
Resumo da
Lição 4 -
Não Farás Imagens de Esculturas
I. PROIBIÇÃO À IDOLATRIA
1. Ídolo e imagem.
2. Idolatria.
3. Semelhança ou figura.
II. AMEAÇAS E PROMESSAS
1. O DEUS zeloso.
2. As ameaças.
3. As promessas.
III. O CULTO VERDADEIRO
1. Adoração.
2. DEUS é espírito.
3. DEUS é imanente e transcendente.
IV. AS IMAGENS E O CATOLICISMO
ROMANO
1. O que dizem os teólogos católicos
romanos?
2. Uma interpretação forçada.
3. O uso de figuras como símbolo de
adoração.
4. Mariolatria.
SUBSÍDIO DIDÁTICO
Professor, a devoção às imagens e
esculturas, no Brasil, é um fenômeno religioso. Milhares de
pessoas, ano a ano, pagam as suas promessas, subindo às mais altas
escadarias das catedrais para cultuar a imagens. Mas é importante que
expliquemos aos alunos que, por trás da idolatria, há interesses econômicos
poderosos. O teólogo Lawrence Richards, comentando o capítulo 19 do livro de
Atos, explica com clareza a razão econômica da idolatria praticada em Éfeso:
"[...] Em Éfeso, Paulo arruína o negócio daqueles que fabricam e vendem
imagens da deusa Ártemis. Demétrio, presidente de um dos sindicatos locais,
inicia uma revolta entre os negociantes preocupados. 'Precisamos parar este
movimento', clama Demétrio, 'ou todos ficaremos sem emprego'.
A preocupação expressa pelas vítimas
desse missionário cristão [ ou seja, Paulo] é verdadeira. Diariamente, os
cidadãos americanos gastam mais de 80 milhões de dólares com o ocultismo.
Eles visitam cartomantes, com encantos e amuletos, contratam mágicos para
curar doenças ou amaldiçoar inimigos. Ora, toda indústria turística
americana está baseada nas pessoas visitando cidades como Éfeso, onde há
famosos templos e santuários.
Simplesmente falando, o império não
pode dar-se ao luxo de tolerar pessoas como Paulo, que pregam contra a
feitiçaria e a idolatria. Toda a nossa economia desmoronará se estes
fanáticos forem tolerados.
Alguns podem argumentar que a
mensagem de Paulo é verdadeira, e que o poder de seu 'ESPÍRITO SANTO' e de
'JESUS' é maior do que o poder dos espíritos dos quais eles dependem. Isso
pode ser verdade. Mas, definitivamente, não ousamos nos converter,
tornando-nos cristãos. Há muita gente que ganha a vida com o ocultismo. É
uma indústria que o império simplesmente precisa apoiar" (RICHARD. Lawrence.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD,
p.275).
PARA REFLETIR
A respeito da Idolatria:
É correto afirmar que a idolatria
se caracteriza apenas por imagens de esculturas?
Não. A idolatria se caracteriza por
tudo aquilo que toma o lugar de DEUS no coração da pessoa.
Com a máxima semítica "terceira e
quarta geração", o autor bíblico quer se referir ao número exato de vezes
que DEUS castigará a geração?
Não. O objetivo é contrastar o
castigo para "terceira e quarta geração" com o propósito de DEUS de abençoar
a milhares de gerações.
Por que não podemos ter uma
atitude de adoração ou devoção a Maria?
Em primeiro lugar, Maria, apesar de
ser a mãe de JESUS, era uma mulher igual às outras, mas achada graciosa pelo
Senhor. E ela jamais aceitaria ser cultuada, pois a glória deve ser dada
somente a DEUS.
Ter objetos decorativos em casa é
idolatria?
Não. Não há nada na Bíblia que
condene ter objetos decorativos em casa.
A Bíblia proíbe as artes?
Não. Temos de ter discernimento para
não proibirmos o que a Bíblia não proíbe. Temos de distinguir os ídolos dos
objetos meramente decorativos e das artes e esculturas artísticas. DEUS
mesmo inspirou artistas entre os israelitas no deserto (Êx 35.30-35).
VOCABULÁRIO
Imagética:
Que revela imaginação. Ocultismo: Crença na ação ou influência dos poderes
sobrenaturais.
SUGESTÃO DE LEITURA
Manual do Pentateuco
Neste livro, o autor faz um exame
preciso e aprofundado dos cinco primeiros livros da Palavra de DEUS,
relacionando suas informações com o contexto sociocultural da época.
Excelente para pesquisas, cada capítulo possui bibliografia para enriquecer
ainda mais seus estudos.
CRISTO entre outros Deuses
Todas as religiões são iguais? DEUS é
o mesmo em todos os cultos? Como JESUS é visto em outras religiões? Todos os
caminhos levam a DEUS? Essas e outras questões são abordadas neste livro.
Com argumentos irrefutáveis, o autor leva-nos a refletir acerca dos
principais temas religiosos.
Comentários de vários autores com
algumas modificações do Ev. Luiz Henrique
INTRODUÇÃO
No preâmbulo do primeiro
mandamento DEUS se identifica. O segundo mandamento é muito próximo do
primeiro, ambos são de ordem espiritual e afirmam a existência de um DEUS
vivo, o único que deve ser adorado. Aqui Javé proíbe a adoração aos ídolos e
o culto a qualquer imagem de escultura ou de pintura como objeto de
adoração. É nesta forma de idolatria que o presente capítulo pretende focar.
Os patriarcas do Gênesis
e os israelitas do deserto sabiam muito pouco sobre os atributos de DEUS. A
revelação divina aconteceu de forma gradual ao longo dos séculos, até a
manifestação do Filho de DEUS (Hb 1.1). Os dois primeiros mandamentos do
Decálogo são os que maior impacto causaram em Israel. DEUS é espírito e
invisível (Jo 4.24; Cl 1.15; 1 Tm 1.17) e hoje qualquer cristão sabe disso.
Essa verdade é declarada na Confissão de Westminster. No entanto, foi o
próprio DEUS que se revelou a si mesmo sobre o seu ser e a sua natureza e
nesses mandamentos temos o esboço dessa doutrina.
No primeiro mandamento,
Javé se identifica ao seu povo como o DEUS soberano que remiu a Israel da
escravidão do Egito. Aqui e no segundo mandamento, DEUS revela a sua
espiritualidade e ordena que somente ele deve ser adorado. Javé proíbe o uso
de imagem e de qualquer representação, semelhança ou figura do próprio DEUS
na adoração. Essa proibição se estende também a toda e qualquer divindade
falsa dos pagãos.
Esequias Soares. Os Dez
Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança.
Editora CPAD. pag. 39-40.
O segundo mandamento diz
respeito às ordenanças da adoração, ou à maneira segundo a qual DEUS deverá
ser adorado, o que é adequado que Ele mesmo indique. Aqui temos:
A proibição. Aqui somos
proibidos de adorar até mesmo o DEUS verdadeiro, em imagens, w. 4,5. [1] Os
judeus (pelo menos, depois do cativeiro) se julgaram proibidos, por este
mandamento, de fazer qualquer imagem ou pintura. Consequentemente as imagens
que os exércitos romanos tinham em suas insígnias são chamadas de
abominações para eles (Mt 24.15), especialmente quando são colocadas no
lugar santo.
HENRY. Matthew.
Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora
CPAD. pag. 292.
É lógico que o segundo
mandamento (Êx 20.4-6) segue o primeiro, desde que era difícil, se não
impossível, para a mente pagã apreender a noção de invisibilidade dos deuses
que impossibilitava a representação deles em algum material ou forma física.
Contudo, é provável que seja um erro supor que os adoradores desses deuses —
ou, pelo menos, que os pensadores mais densos entre eles — não vissem, de
fato, diferença entre as deidades per se e as formas plásticas que assumiam
com o auxílio dos adoradores. Em outras palavras, os ídolos e as imagens,
com certeza, eram apenas representações de seres invisíveis, cuja realidade
só seria plenamente avaliada por meio de seu ser visível. Ao mesmo tempo,
para muitos dos devotos comuns desses deuses, talvez para a maioria deles,
não havia distinção prática entre o visível e o invisível a ponto de
considerarem que os objetos de madeira, pedra ou metal possuíam o nome
divino e eram adorados como tal.
Mesmo que essa seja uma
interpretação acurada da concepção de imagens por Israel, permanece o
fato
de que essas representações visíveis de poderes invisíveis percebidos
eram
estritamente proibidas. E se esse era o caso com os falsos deuses, quão
mais
odioso seria tentar captar o DEUS eterno do céu e da terra em algum
objeto
feito por mãos humanas! Primeiro, fazer isso era adorar um produto de
criação humana ou, pelo menos, um objeto adequado para captar a
essência do
ser representado. Quão pequeno deve ser um deus para poder ser
retratado em
alguma forma concebida pela mente humana. Além disso, a tentativa de
iconizar o DEUS invisível sugere que ele pode ser localizado, reduzido
ao
escopo de algo que pode ser manipulado. Na verdade, DEUS torna-se
prisioneiro da habilidade do artista, da substância e qualidades da
matéria-prima que ele usa e da incapacidade do adorador de imaginá-lo
além do que
pode ver com os próprios olhos e tocar com as próprias mãos.
Eugene H. Merrill.
Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 326-327.
I. PROIBIÇÃO À IDOLATRIA
1. ÍDOLO E IMAGEM.
O grande desafio de
Israel era vencer a idolatria e manter a fidelidade a Javé, cumprindo o
concerto do Sinai. O povo estava saindo de um contexto sociocultural
completamente politeísta. Seus ancestrais lhes haviam falado sobre o DEUS de
Abraão, de Isaque e de Jacó, mas agora eles mesmos precisavam saber o que
significava o compromisso de servir e adorar exclusivamente o DEUS que os
libertara da escravidão do Egito. A adoração a Javé devia ser algo
completamente diferente dos rituais idólatras. O segundo mandamento declara: Não farás para ti imagem
de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo
na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as
servirás; porque eu, o SENHOR, teu DEUS, sou DEUS zeloso, que visito a
maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me
aborrecem e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus
mandamentos (Êx 20.4-6; Dt 5.8-10).
Os dois termos hebraicos
pessel e temunãh dizem respeito à falsa adoração. Da palavra pessel,
"imagem", deriva o verbo pãssal, "esculpir, entalhar, lavrar" pedra ou
madeira para construir (1 Rs 5.18 [32]), escrever (Êx 34.1, 4; Dt 10.1, 3) e
esculpir imagem de divindades (Hc 2.18).
A Septuaginta traduziu o
termo por eidõlon, "ídolo". O termo temunãh, "forma, aparência, figura,
representação, semelhança", só aparece dez vezes no Antigo Testamento
(Êx20.4; Dt4.12,15,16,23,25; 5.8; Nm 12.8; Jó 4.16; Sl 17.15). Cinco vezes
aparece em conexão ou paralelamente a pessel e diz respeito à proibição do
uso de imagens (Êx 20.4; Dt 4.16, 23, 25; 5.8). Duas vezes é usada para
esclarecer que os israelitas ouviram a voz de Javé que falava do meio do
fogo no monte Sinai, mas eles só ouviram as palavras por ocasião da
revelação do Sinai (Dt 4.12, 15). Três vezes é empregada de maneira
independente: Moisés era o único que via a temunat YHWH, a "semelhança de
Javé" (Nm 12.8). DEUS falava com ele como alguém fala a um amigo, face a
face (Êx 33.11); Elifaz usa o termo para descrever uma revelação noturna (Jó
4.16) e, num paralelismo poético, a palavra é empregada de forma metafórica
numa visão de Davi (Sl 17.15).
O segundo mandamento
diz que
não se deve fazer imagem ou figura de tudo o "que há em cima nos céus,
nem
em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra” (Êx 20.4; Dt 5.8).
Isso
envolve todas as espécies de animais, aves, répteis, peixes, aves,
corpos
celestes, e inclui a imagem do próprio DEUS (Dt 4.12-19). A menção das
estátuas de macho e fêmea, "alguma escultura, semelhança de imagem,
figura
de macho ou de fêmea" (Dt 4.16), diz respeito às divindades masculinas e
femininas. (Jr 2.27). A madeira era o símbolo da fertilidade feminina; a
deusa Aserá era a mãe dos deuses; e a pedra simbolizava a fertilidade
masculina na
religião dos cananeus (Dt 4.28; Jr 3.9).
As espécies de animais
mencionadas aqui (Dt 4.17-19) representavam os deuses na antiguidade (Ez
8.10). Dagom era o deus dos filisteus (Jz 16.23; 1 Sm 5.7), e sua imagem
consistia em metade forma de homem e metade forma de peixe. Rá era o
deus-sol, dos egípcios, e Sin, o deus-sol dos babilônios. O touro, por
exemplo, era um símbolo do Egito: "Por que o deus Ápis fugiu? O seu touro
não resistiu" (Jr 46.13, NVI); "Por que foi derribado o teu Touro?" (ARA).
Ápis era o boi sagrado do Egito, representação de Ptah, deus da fertilidade
de Mênfis. O culto do bezerro no deserto mostra que essa forma de adoração
dos egípcios ainda estava no coração do povo (Êx 32.4-6; Sl 106.19, 20). As
estátuas de Baal eram colocadas sobre touros. Esse animal era ideal para
esses deuses, pois simbolizava força e fertilidade. O touro representava
também outros deuses, como Baal. E, durante muito tempo, o povo judeu também
se deixou influenciar pelo culto do bezerro (1 Rs 12.28-30; Os 8.5). Esses
são alguns dos exemplos de divinização pagã de animais e corpos celestes.
O segundo mandamento
divide opiniões ainda hoje, e as interpretações são diversificadas. Os
templos católicos romanos estão cheios de imagens de escultura, com fins
cúlticos; por outro lado, a comunidade Amish não permite o uso de fotografia
nem se deixa fotografar, pois seus membros a interpretam como produção de
imagem, o que violaria o segundo mandamento. Contudo, o mandamento aqui não
se refere à arte como tal. Essa proibição é específica; refere-se imagem de
madeira, pedra ou metal ou forma de algum deus ou deuses das nações com fins
de adoração: "Não te
encurvarás a elas nem as servirás" (Êx 20.5; Dt 5.9).
Essa maneira de entender
o segundo mandamento é confirmada ao longo do Antigo Testamento (2 Rs 21.7;
Is 40.19, 20; Jr 10.14). Aqui, é uma referência à adoração (Êx 34.13, 17; Dt
27.15). O primeiro verbo tem o sentido de adorar tishthaheweh, ou
tishthahãweh, "prostrar-se, encurvar, adorar". A Septuaginta traduz por
proskyneo "adorar”, e o termo aparece 60 vezes no Novo Testamento. O segundo
verbo é ‘ãvad, "trabalhar, servir". A Septuaginta traduziu por latreuõ,
"prestar serviço sagrado, servir, adorar", e é o termo que aparece em Mateus
4.10.
O contexto é religioso e
remete à proibição de fazer imagens de escultura ou quaisquer figuras e se
prostrar diante delas para as adorar. Este mandamento causou profundo
impacto em Israel, de modo que a escultura é uma arte que não se desenvolveu
entre os israelitas, mesmo para fins meramente culturais. Os grandes museus,
como Louvre em Paris, o museu Britânico em Londres, o Neues em Berlim o
Metropolitan em Nova Iorque; o museu do Cairo, entre outros, estão repletos
de artes de escultura artística e religiosa, bustos de artistas, pensadores
e estadistas do Egito, Mesopotâmia, Pérsia, Grécia, Fenícia e Roma, além de
estátuas e estatuetas de deuses. No entanto, não existe praticamente nada
nos acervos judaicos dessa natureza nesses museus.
As galerias de arte
estão completamente fora deste contexto. Trata-se de coleções de
manifestações artísticas, e não é a respeito disso que fala o segundo
mandamento. Os expositores da Bíblia são praticamente unânimes quanto a esta
questão. Há no Antigo Testamento diversos indícios que confirmam esta
interpretação. DEUS mesmo inspirou artistas entre os israelitas no deserto
(Êx 35.30-35) e mandou Moisés levantar uma serpente de metal no deserto (Nm
21.8). O rei Salomão não encontrava artistas em Israel para a decoração do
templo e do seu palácio, de modo que contratou escultores e pintores dentre
os fenícios (2 Cr 2.13, 14). Ele mandou esculpir querubins na parede e
touros e leões para decorar o templo (1 Rs 6.29; 7.29) e o palácio real (1
Rs 10.19, 20). E, quando a serpente de metal que Moisés levantou no deserto
veio a ser objeto de culto com o passar do tempo, o rei Ezequias mandou
destruí-la (2 Rs 18.4).
Esequias Soares. Os Dez
Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança.
Editora CPAD. pag. 42-46.
Não farás para ti imagem. O primeiro mandamento proíbe o politeísmo, e a
idolatria e o uso de imagens promoviam cultos politeístas. Portanto, o
primeiro mandamento também combate o uso de ídolos. Por motivos assim é que
muitos intérpretes pensam que os vss. 4-6 deste capítulo fazem parte do
primeiro mandamento.
Os vss. 4-6, para a
maioria dos grupos protestantes (com a exceção dos luteranos),
constituem o
segundo mandamento. É proibido o fabrico de qualquer imagem de
escultura
para fins de adoração. As
imagens tendem ou mesmo promovem formas várias de politeísmo, e isso
fora
estritamente proibido no primeiro mandamento. Além disso, as imagens de
escultura, tal como o próprio politeísmo, destroem a natureza ímpar de
Yahweh, além de injetarem elementos estranhos no pensamento e na
adoração
religiosos. Grandes segmentos da cristandade têm uma espécie de
subpolíteísmo no uso de imagens e na veneração dos “santos”. Digo aqui
“sub-politeísmo” porque, acima do mesmo, reservam uma adoração especial
a
DEUS. O que temos, nesses casos, é uma forma de sincretismo onde o
antigo
politeísmo alia-se ao monoteismo, A cristandade, ao entrar em contacto
com
culturas pagãs, inventou várias formas de sincretismo, pelo que
desobedecem
de forma crassa o primeiro e o segundo mandamentos.
O
primeiro e o segundo mandamentos proibiam qualquer forma de representação
idólatra, e a adoração a essas formas.
CHAMPLIN, Russell
Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 388.
“Como o primeiro mandamento
afirma a unidade de DEUS e é um protesto contra o politeísmo, assim o
segundo afirma sua espiritualidade e é um protesto contra a idolatria e o
materialismo.” Embora certas formas de idolatria não sejam
materiais — por exemplo, a avareza (Cl 3.5) ou a sensualidade (Fp 3.19) —, o
segundo mandamento condena primariamente a fabricação de imagens (4) na
função de objetos de adoração. Este tipo de idolatria sempre existiu entre
os povos pagãos mais simplórios do mundo. A história de Israel comprova que
esta tentação é traiçoeira.
Leo G. Cox. Comentário
Bíblico Beacon. Êxodo. Editora CPAD. pag. 189.
Os profetas posteriores
expõem o mal e a insensatez de adorar a ídolos de formas muitíssimo
sarcásticas e até mesmo jocosas. Isaías perguntou: “Com quem vocês
compararão DEUS? Como poderão representá-lo?” (Is 40.18). A seguir, esse
profeta menciona que as imagens são feitas pelo homem. Elas são feitas em
moldes e vestidas com ornamentos de ouro e prata. Se a pessoa fosse muito
pobre para fazer um ídolo tão elaborado, ela fazia um de madeira, usando um
carpinteiro que modelaria o ídolo de forma a não cair (w. 19,20)! Isso traz
à memória a imagem de Dagom, o deus dos filisteus, que caiu do pedestal na
presença da arca da aliança e perdeu a cabeça e as mãos (ISm 5.1-5). Dessa
forma, ele provou não ter conhecimento nem poder. Isaías, prosseguindo com a
idéia da impotência dos ídolos, diz a respeito do artesão que estava
temeroso por causa da humilhação do deus que fizera: “[Ele] fixa o ídolo com
prego para que não tombe” (Is 41.7). A insensatez da idolatria reflete a
insensatez dos que a praticam. Isaías comentou a respeito destes que “todos
os que fazem imagens nada são, e as coisas que estimam são sem valor. As
suas testemunhas nada vêem e nada sabem, para que sejam envergonhados. Quem
é que modela um deus e funde uma imagem, que de nada lhe serve? Todos os
seus companheiros serão envergonhados; pois os artesãos não passam de
homens” (Is 44.9-11). A seguir, o profeta, com indisfarçável zombaria,
refere-se ao processo de confecção do ídolo. Os vários artesãos
habilidosos exauriam-se em seu trabalho para produzir um deus diante do qual
eles pudessem se prostrar. Eles, ao longo do processo, tinham de preparar
suas refeições sobre o fogo alimentado pela mesma madeira com a qual
esculpiam as imagens, sem entender que o bloco diante do qual se curvavam
era tão frágil e tão passível de ser queimado quanto os pedaços desse bloco
de madeira usados como combustível para o fogo. O profeta resume o ridículo
em uma nota mordaz: “Ele [o idólatra] se alimenta de cinzas, um coração
iludido o desvia; ele é incapaz de salvar a si mesmo ou de dizer: ‘Esta
coisa na minha mão direita não é uma mentira?’” (Is 44.20).
Jeremias acrescenta à
descrição de Isaías da idolatria e, se nada mais, em termos ainda mais
cáusticos. Ele, como Isaías, descreve o fútil processo de manufatura de
ídolo (Jr 10.3-9), mas, depois, apresenta a importante conclusão do ponto de
vista teológico de que esses “deuses, que não fizeram nem os céus nem a
terra, desaparecerão da terra e de debaixo dos céus” (Jr 10.11). Os
produtores deles, continua ele, são “estúpidos e ignorantes; cada ourives é
envergonhado pela imagem que esculpiu” (v. 14a). Quanto aos ídolos, eles
“são uma fraude, el[es] não têm fôlego de vida. São inúteis, são objetos de
zombaria.Quando vier o julgamento delas, perecerão” (w. 14b, 15). Em
contrapartida, Jeremias declara: “Aquele que é a porção de Jacó nem se
compara a essas imagens, pois ele é quem forma todas as coisas, e Israel é a
tribo de sua propriedade” (v. 16). Esse é exatamente o ponto dos dois
primeiros mandamentos. Não havia nenhum DEUS além do Senhor de Israel, e os
ídolos e as imagens que representavam outras deidades eram criações do homem
e, portanto, não representavam nada. Para Israel, adorá-las representava
cometer um sacrilégio abominável.
Eugene H. Merrill.
Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 327-328.
2. IDOLATRIA.
A revelação do Sinai
aconteceu três meses após a saída dos israelitas do Egito. Aquela geração
havia nascido e vivido na terra do Nilo até aquele momento. O Egito era um
dos maiores centros de idolatria do mundo. Suas imagens de escultura e seus
obeliscos impressionam o espírito humano até hoje. Esse país foi o berço da
civilização de Israel, e os hebreus conviveram com a cultura dos egípcios
durante muito tempo, razão pela qual deviam estar bem familiarizados com
suas práticas religiosas.
O profeta Jeremias
menciona os obeliscos e as casas dos deuses do Egito em Heliópolis muitos
séculos após a promulgação da lei: "E quebrará as estátuas de Bete-Semes,
que está na terra do Egito; e as casas dos deuses do Egito queimará" (Jr
43.13). O principal templo de Heliópolis era o de Rá, deus representado por
um homem com cabeça de falcão, cuja supremacia no Egito durou mais de mil
anos. Segundo os egípcios, Rá era o pai de uma família de nove deuses.
Implícita estava a zoolatria - adoração aos animais pois os egípcios viam
neles mais que símbolos ou emblemas; eles os consideravam receptáculos das
formas do poder divino.
Bete-Semes aqui é
Heliópolis, uma antiga cidade egípcia de Om, seu nome hebraico, e
Heliópolis, seu nome grego (Gn 41.45, 50, LXX). Situa-se atualmente 16 km a
noroeste do Cairo, onde se localiza o aeroporto internacional. O nome
hebraico bêth shemesh significa "casa do sol", e a Septuaginta emprega
hêliou póleõs, "cidade do sol" [50.13]. A Nova Tradução na Linguagem de Hoje
traduz como "Heliópolis". Jeremias emprega o termo hebraico matstsêbãh para
designar "estátua", que significa "alguma coisa colocada verticalmente,
coluna, pilar, estátua". O profeta se refere aos obeliscos, que são próprios
do Egito (KOEHLER & BAUMGAR- TNER, vol. 1,2001, p. 621). Trata-se de um
bloco de pedra postado para fins memoriais (2 Sm 18.18) ou religiosos (2 Rs
3.2; 10.26; 18.4; 23.14; Os 10.1; Mq 5.13 [12]). Os obeliscos egípcios eram
ídolos e também memoriais. Essa prática era proibida em Israel (Dt 16.22).
Hoje, apenas oito
desses
obeliscos continuam de pé no Egito: três no templo de Carnaque
(originalmente, eram dez); um no templo de Luxor (mas havia dois, o
outro
está na praça da Concórdia); um no Aeroporto Internacional do Cairo,
trazido
de Ramessés, sua localidade original; um posto em um jardim ao lado da
Torre
do Cairo, trazido também de Ramessés; um na praça Matariya, no centro
do
Cairo, trazido das ruínas do templo do sol de Heliópolis; e o último,
da 12ª dinastia, está em Fayum, local em que, segundo se diz, Jacó viveu
com toda
a família, durante a administração de José do Egito. Existem ainda mais
de
dez obeliscos egípcios espalhados por locais variados na Europa,
Vaticano,
Istambul, Londres, Paris e em Nova Iorque, nos Estados Unidos,
resgatados
desde os romanos a partir do ano 31 a.C.
Esequias Soares. Os Dez
Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança.
Editora CPAD. pag. 40-42.
I. Definição e
Característica Geral
1. Essa palavra vem do
grego, eldolon. «idolo», e latreaeln, «adorar». Esse termo refere-se à
adoração ou veneração a ídolos ou imagens, quando usado em seu sentido
primário. Porém, em um sentido mais lato, pode indicar a veneração ou
adoração a qualquer objeto, pessoa, instituição, ambição, etc., que tome o
lugar de DEUS, ou que lhe diminua a honra que lhe devemos. Nesse sentido
mais amplo, todos os homens, com bastante freqüência, se não mesmo
continuamente, são idólatras. Naturalmente, essa condição surge em muitos
graus; e um dos principais propósitos da fé religiosa e do desenvolvimento
espiritual é livrar-nos totalmente de todas as formas de idolatria.
Paulo, em Colossenses
3:5, ensina-nos que a cobiça é uma forma de idolatria. Isso posto, qualquer
desejo ardente, que faça sombra ao amor a DEUS, envolve alguma idolatria.
2. A idolatria consiste
na adoração a algum falso deus, ou a prestação de honras divinas ao mesmo.
Esse deus falso pode ser representado por algum objeto ou imagem. Esse termo
usualmente inclui a idéia da dendrolatria, da litolatria, da necrolatria, da
pirolatria e da zoolatria... O estado mental dos idólatras é radicalmente
incompatível com a fé monoteísta. A idolatria é má porque seus devotos, em
vez de depositarem sua confiança em DEUS, depositam-na em algum objeto, de
onde não pode provir o bem desejado; e, em vez de se submeterem a DEUS, em
algum sentido submetem-se às perversões de valor representadas por aquela
imagem».
3. Na idolatria há
certos elementos da criação que usurpam a posição que cabe somente a DEUS.
Podemos fazer da autoglorificação um ídolo, como também das honrarias, do
dinheiro, das altas posições sociais. Praticamente, tudo quanto se torne
excessivamente importante em nossa vida pode tornar-se um ídolo para nós. A
idolatria não requer a existência de qualquer objeto físico. Se alguém adora
a um deus falso, sem transformar em deus a alguma imagem, ainda assim é
culpado de idolatria, porquanto fez de um conceito uma falsa divindade.
4. Uma Rua de Mão Dupla
de Trânsito. A antropologia tem mostrado amplamente que as religiões dos
povos geralmente começam na idolatria, e então progridem para uma forma de
fé mais pura, que finalmente, rejeita os tipos primitivos de conceitos que
requeiram a presença de algum ídolo. Quando a fé de um povo vai-se tornando
mais intelectual e espiritual, menor se vai tornando a necessidade de
crassas representações materiais. Por outro lado, algumas vezes a idolatria
resulta da degeneração de uma fé anteriormente superior. Vemos isso no Novo
Testamento, em vários lugares, no tocante a Israel, a certas alturas de sua
história. É admirável como a crueza domina essa questão. Em muitos lugares
do mundo, da Índia à Sibéria, da Melanésia às Américas, simples toras de
madeira têm sido erigidas em memória de pessoas amadas ou de heróis já
falecidos; e, então, essa tora de madeira ou pedra torna-se um objeto de
adoração, porquanto muitos supõem que o espírito da pessoa retoma para
residir ali. Um culto religioso então desenvolve-se, quando tal imagem é
alvo de preces e oferendas, a fim de aplacar aquele suposto espírito. Na
Escandinávia e nos países germânicos, os arqueólogos têm encontrado pedras e
toras de madeira escavadas, com propósitos religiosos.
A tendência de atribuir
uma residência material a alguma divindade, ou, geralmente, de prestar culto
ao espírito, em termos tangíveis é algo tão comum que quase se torna um
sinal universal da cultura humana. A idolatria está presente na grande
maioria das religiões do mundo, incluindo o hinduísmo e o budismo.
Aparentemente, não é proibida pelo zoroastrismo. Mas é proibida pelo
islamismo. O relato bíblico do povo de Israel, que adorou o bezerro de ouro,
ao pé do monte Sinai, é uma prova de idolatria no judaísmo primitivo. Os
mandamentos contra a adoração a outros deuses e contra o fabrico de imagens
são injunções especificas contra a idolatria» (AM). Esse autor, que acabamos
de citar, deveria ter incluído o fato de que o cristianismo é uma das
grandes religiões que, em alguns de seus segmentos, pratica a idolatria. Por
que motivo urna imagem de uso cristão seria prova menor de idolatria do que
uma imagem venerada no hinduísmo ou no budismo?
5. A Vasta Extensão da
Idolatria. O panteão mesopotâmico compunha-se de mais de mil e quinhentos
deuses. Os mais conhecidos dentre eles eram Samás, Marduque, Sin e Istar, a
qual era a deusa do amor carnal. Nabu era o patrono da ciência e da
erudição. Nergal era o deus da guerra e da caça. Quase todas as atividades e
aspirações dos homens têm sido representadas por alguma prática idólatra.
6. Natureza Corrompida
da Idolatria. Toda idolatria é corrupta. Paulo supunha que os ídolos
representam forças demoníacas. Ver I Cor. 10:20. A religião dos cananeus era
repleta de corrupções morais, que ameaçavam continuamente a Israel. Havia
todos os tipos de abusos sexuais, corno a prostituição sagrada, associados
aos cultos de fertilidade, nos quais Baal e Astarte eram adorados, sem
falarmos em cultos onde havia orgias de bebidas alcoólicas. Também havia o
sacrifício de infantes na fogueira. A radicalidade dessa forma de idolatria
foi a razão por detrás do mandamento da eliminação de toda forma de
idolatria, com a destruição das imagens, colunas e estátuas, e com a
destruição dos lugares altos, onde esses ritos eram efetuados. (Ver Deu.
7:1-5; 12:2,3).
CHAMPLIN, Russell
Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos.
pag. 206-207
Definição
Esta é uma
transliteração da palavra gr. eidololatria, cujo significado entendemos ser
"a adoração a ídolos; a adoração a imagens como divinas e sagradas". Esse vocábulo gr. é uma composição de dois termos: O
primeiro é eido (cf. o latim video), significando "ver" e "saber"; assim ele
traz em si o conceito básico de "saber por ver". Com base nesse termo foi
formada a palavra eidolon, "imagem", que veio a significar especificamente
uma imagem de um deus como um objeto de adoração, ou um símbolo material do
sobrenatural como tal objeto. O segundo termo é latreia, significando
"culto" ou, mais especificamente, "culto ou adoração aos deuses". Idolatria,
então, é prestar honras divinas a qualquer produto de fabricação humana, ou
atribuir poderes divinos a operações puramente naturais.
PFEIFFER .Charles F.
Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 944.
3. SEMELHANÇA OU FIGURA.
Os egípcios adoravam
toda espécie de objetos, como aves, répteis e figuras celestes imaginárias.
E não hesitavam em representar tais supostas divindades por meio de imagens.
Esse tipo de atividade foi proibida aos filhos de Israel. A tripla
designação, “em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo
da terra”, para os antigos, apontavam para a criação inteira.
A Idolatria de Todos
Nós. Para todos nós há certas coisas às quais damos grande atenção, ao ponto
de transformá-las em ídolos. Existem ídolos da mente, e não apenas de
madeira, de pedra ou de metal. ídolos comuns incluem possessões, dinheiro,
sexo, fama, posição social e poder.
CHAMPLIN, Russell
Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 391.
Esta condenação de
imagens claramente inclui imagens do DEUS verdadeiro, pois é bem certo que
algum tipo de imagem estivera em uso entre os ancestrais de Israel (até
mesmo a tradição judaica ortodoxa admite que Tera, pai de Abraão, era um
fabricante de imagens, sem prova bíblica, porém). Os ídolos domésticos (terafim) de Labão poderiam, é
verdade, ter mais valor legal do que significado religioso, mas os que Jacó
escondeu debaixo do carvalho no “ santuário” em Siquém eram com toda certeza
objetos religiosos (Gn 35:2-4). Isto aconteceu antes da doação da lei: mesmo
depois disso, imagens não eram algo estranho em Israel (ver Jz 8:27, Gideão;
Jz 17:4, Mica; 1 Sm 19:13, Davi). Todavia, a existência de imagens mais
tarde em Israel não prova a inexistência de leis contra seu uso.
A arqueologia mostra
claramente que a horda que destruiu a maior parte da cultura cananita no
século treze A.C. era basicamente “ anicônica” , isto é, não usava imagens
em seu culto. Se a fabricação dos querubins (mesmo que o povo não tivesse
acesso a eles) fora
permitida, então a proibição de imagens se refere apenas à fabricação direta
de objetos de culto, não à representação de um objeto ou ser vivo qualquer,
conforme se entendeu mais tarde. O judaísmo mais estrito e o islamismo se
limitaram exclusivamente a desenhos e padrões abstratos em todas as formas
de arte. Além disso, pelo uso de parataxe (a colocação de duas idéias lado a
lado, ao invés do uso de uma ligação lógica entre as duas, como em sintaxe)
em hebraico, este mandamento deve ser intimamente relacionado ao que o
precede imediatamente, de modo que a tradução do sentido da passagem seria “
Não terás outros deuses na minha presença; jamais farás tais imagens” (isto
é, de tais deuses). Além dos querubins, a lei ordena o bordado de lírios,
romãs e outros objetos naturais nas cortinas do tabernáculo, de modo que não
pode ter havido uma proibição completa da representação de objetos naturais
em dias primitivos.
Este fato levanta a
questão de por que tais imagens-representações do DEUS verdadeiro (mesmo em
forma humana) eram proibidas. A provável razão talvez seja o fato de que
nenhuma semelhança seria adequada, e que cada tipo de imagem provocaria um
novo tipo de falsa compreensão de DEUS. Por exemplo, touro era um símbolo de
força, mas também de virilidade e poder sexual: tal associação seria
blasfema para o israelita. As nações que retratavam seus deuses em forma
humana atribuíam com excessiva rapidez suas próprias fraquezas humanas aos
protótipos divinos. Para o israelita, o homem fora criado à imagem de DEUS,
à Sua semelhança (Gn 1:26), mas isso não significava enfaticamente que DEUS
fosse igual ao homem (Is 55:9). A localização e materialização de DEUS
também era outro perigo inerente à idolatria. Mesmo Israel, em dias futuros,
viria a crer que a presença de DEUS estava localizada e contida na arca ou
no templo; quanto mais o teriam feito se tivesse existido uma imagem?
Finalmente, teria havido o perigo das tentativas semi-mágicas de aplacar ou
controlar DEUS através da posse de uma certa localização de Sua presença,
como podemos ver em relação à arca em 1 Samuel 4:3.
R. Alan Cole, Ph. D.
ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 149-150.
II. AMEAÇAS E PROMESSAS
1. O DEUS ZELOSO.
"Porque eu, o SENHOR,
teu DEUS, sou DEUS zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à
terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia em
milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos" (Êx 20.5b-6; Dt
5.9b-10). O adjetivo hebraico qannã’, "zeloso", aparece apenas cinco vezes
no Antigo Testamento (Êx 20.5; 34.14; Dt 4.24; 5.9; 6.15), associado ao nome
divino e/, "DEUS". As formulações nas cinco passagens diferem em detalhes.
Nos dois textos do Decálogo e em Êxodo 34.14, as palavras ’êl qannã ’ são
atributos de Javé. A menção dos deuses não acontece em Deuteronômio 4.24;
6.15.
O zelo de Javé consiste
no fato de ser ele o único para Israel e não compartilhar o amor e a
adoração com nenhuma divindade das nações. Esse direito de exclusividade era
algo inusitado na época e único na história das religiões, pois os cultos
pagãos antigos eram tolerantes em relação a outros deuses. O termo "zeloso"
contém noções de paixão e intolerância; exprime a disposição de Javé
abençoar Israel e fazê-lo prosperar, não aceitando um coração dividido. Essa
linguagem é representada no relacionamento entre marido e esposa no
casamento, na fidelidade (Ct 8.6) e na infidelidade (Os 1.2).
Esequias Soares. Os Dez
Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança.
Editora CPAD. pag. 46.
A adoração às imagens de
escultura é proibida no segundo mandamento. Adoração somente ao zeloso
Yahweh (Êxo. 34.14; Deu. 5.9; 6.15; 32.16,21; Jos. 24.19). O povo de DEUS
pertence exclusivamente a Ele, e só deviam prestar-Lhe lealdade, não
imitando os povos circunvizinhos, que contavam com extensos panteões. A
idolatria e o uso de imagens eram considerados uma tão grave iniquidade que
foram ameaçados poderosos juízos de DEUS contra os idólatras, envolvendo até
a quarta geração dos mesmos. Os descendentes dos idólatras não podiam
escapar ao desprazer de Yahweh, para quem mil anos é como se fosse um dia
(II Ped. 3.8; Sal. 90.4). Podemos ter certeza de que os juízos de DEUS são
justos, e envolvem os filhos dos idólatras porque geralmente participam dos
pecados de seus pais. Mas em casos de inocência, esses juízos eram
suspensos. Todavia, persistiam circunstâncias adversas, criadas
anteriormente. Ademais, existe aquela genética espiritual que transmite
atitudes e costumes de pais para filhos, etc., provocando assim a ira
divina.
CHAMPLIN, Russell Norman,
Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag.
391.
As razões para impor
esta proibição (w. 5,6), são:
O zelo de DEUS, no que
diz respeito à sua adoração: “Eu, o Senhor, teu DEUS, sou DEUS zeloso” -
especialmente em questões desta natureza. Isto indica o cuidado que DEUS tem
com as suas próprias instituições, o seu ódio à idolatria e a toda falsa
adoração, o seu desprazer com os idólatras e o fato de que Ele se ressente
com tudo, na sua adoração, que se pareça com idolatria, ou que conduza a
ela, O zelo é perspicaz. Sendo a idolatria um adultério espiritual, como é
freqüentemente retratada nas Escrituras, o desprazer de DEUS com ela é,
adequadamente, chamado de zelo. Se DEUS é zeloso, nós também devemos ser,
temerosos de oferecer qualquer adoração a DEUS de maneira diferente daquela
que Ele indicou na sua Palavra.
HENRY. Matthew.
Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora
CPAD. pag. 293.
O decálogo afirma em
termos claros por que Israel deve rejeitar a idolatria. O Senhor é um “DEUS
zeloso” (Êx 20.5). Claro que isso não tem nada que ver com a inveja trivial
que os seres humanos vivenciam em relação a outros homens que os excedem de
uma maneira ou outra. Antes, o termo hebraico (qannã ') transmite a idéia,
quando descreve os “sentimentos” ou “emoção” do Senhor, de que ele insiste
em estabelecer e em manter sua singularidade em face de todas as outras
declarações conflitantes. Para o Senhor, ser zeloso no sentido estrito do
termo seria uma tácita admissão de que existiam outros deuses, algo,
conforme observamos, já totalmente refutado. Mas se existissem outros
deuses, mesmo que na percepção dos que os adoravam, uma falsa suposição
dessas, por si mesma, seria um desafio à soberania e à existência exclusiva
do Senhor. Por essa razão, não deviam ser feitas imagens, pois elas
simbolizavam uma declaração conflitante com a revelação do Senhor para seu
povo Israel de que ele, e só ele, era o DEUS deles.
Eugene H. Merrill.
Teologia do Antigo Testamento. Editora Shedd Publicações. pag. 328.
2. AS AMEAÇAS.
As ameaças sobre as
gerações daqueles que aborrecem Javé são para os descendentes que continuam
envolvidos no pecado dos pais, as sucessivas gerações que aprenderam os
pecados dos seus ancestrais e vivem ainda neles. Este princípio aparece
outras vezes no Antigo Testamento além das duas passagens do Decálogo
(ÊX34.7; Nm 14.18; Jr 32.18). DEUS não permite que filhos inocentes sejam
responsabilizados pela maldade dos pais (Dt 24.16; 2 Rs 14.6; Ez 18.2, 3,
20). O verbo "visitar",pãqad,4i em hebraico, indica uma visita, no sentido
de cuidar e também de castigar. O profeta Jeremias emprega esse verbo em
ambos os sentidos (Jr 23.2).
A expressão "terceira e
quarta geração" indica qualquer número ou plenitude e não se refere
necessariamente à numeração matemática, pois se trata de máxima comum na
literatura semítica (Am 1.3, 6, 11, 13; 2.1, 4, 6; Pv 30.15., 18, 21, 29). O
objetivo aqui é contrastar o castigo para a "terceira e quarta geração" com
o propósito de DEUS de abençoar a milhares de gerações. Outras máximas
aparecem no Antigo Testamento com números diferentes: "dois e três” (Jó
33.29); "seis e sete" (Jó 5.19; Pv 6.16); "sete e oito" (Ec 11.2; Mq 6.5),
para expressar que a medida da iniquidade está cheia e não há como suspender
a ira divina ou a plenitude de algo positivo.
Os expositores da
doutrina conhecida como maldição hereditária costumam usar de maneira
isolada uma parte deste mandamento, "visito a maldade dos pais nos filhos
até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem", para fundamentar
a sua teoria. Afirmam que, se alguém tem problemas com adultério,
pornografia, divórcio, alcoolismo ou tendências suicidas é porque alguém de
sua família, no passado, não importa se avós, bisavós ou tataravós, teve
esse problema. Nesse caso, a pessoa afetada pela maldição hereditária deve,
em primeiro lugar, descobrir em que geração seus ancestrais deram lugar ao
diabo. Uma vez descoberta tal geração, pede-se perdão por ela, e, dessa
forma, a maldição de família é desfeita. Uma espécie de perdão por
procuração, muito parecido com o batismo pelos mortos, praticado pelos
mórmons.
Tal pensamento não se
sustenta biblicamente; é um erro crasso. A maldição está sobre quem
continuar no pecado dos pais, sobre "aqueles que me aborrecem", pontua com
clareza o mandamento. Não é o que acontece com o cristão que ama a DEUS. Se
fomos alvejados pela graça de DEUS ainda no tempo da nossa ignorância,
quanto mais agora que somos reconciliados com ele? (Rm 5.8-10). Quando
alguém se converte a CRISTO, torna-se nova criatura: "as coisas velhas já
passaram; eis que tudo se fez novo" (2 Co 5.17).
Para finalizar, convém
ressaltar que, no discurso de Moisés em Deuteronômio, na revelação do Sinai
nenhuma imagem, figura, forma ou representação foi vista pelos israelitas;
eles ouviram a voz da Javé vindo do meio do fogo, mas nenhuma representação
de figura foi manifestada, unicamente a Palavra (Dt 4.16,23,25). Os ídolos
de madeira e de pedra dos cananeus são divindades falsas cuja adoração é
terminantemente proibida (Êx 34.13; Dt 12.3; 16.21-22); Javé, entretanto, é
real, mesmo que invisível (Cl 1.15; 1 Tm 1.17). "DEUS é espírito" (Jo 4.24).
Cultuá-lo com a mediação de imagens é colocá-lo no mesmo nível das falsas
divindades, uma afronta ao verdadeiro DEUS.
Esequias Soares. Os Dez
Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança.
Editora CPAD. pag. 46-48.
3. AS PROMESSAS.
Êxo 20.6 Faço
misericórdia. Misericórdia para com os obedientes. Ezequiel 18.20 mostra o
princípio da justiça. Os justos recebem misericórdia e bênção da parte de
DEUS. Mas a misericórdia estende-se a mil gerações, o que mostra que a
misericórdia é um princípio muito mais poderoso do que o da aplicação da
justiça. Seja como for, não há qualquer contradição, visto que a ira de DEUS
é uma medida de disciplina que promove a causa do amor.
Julgamento Temporal.
No Pentateuco não há qualquer ensino sobre um juízo divino pós-túmulo, um
inferno para os ímpios e um céu para os piedosos. A noção da existência da
alma não entrou claramente no pensamento dos hebreus senão já nos Salmos e
nos Profetas. Assim sendo, a lei de Moisés nunca ameaça os homens com o
julgamento da alma, e nem jamais promete a bem-aventurança celestial para os
obedientes. A teologia dos hebreus mostrava-se deficiente quanto a esse
particular, deficiência essa que foi corrigida pela doutrina cristã.
Para os antigos hebreus,
observar os mandamentos era uma medida doadora de vida. Ver Deu. 5.33. Mas
não é prometida qualquer vida além-túmulo. Contudo, mais tarde, o judaísmo
acrescentou essa idéia. O cristianismo mostrou a falência total da lei como
medida salvatícia. Ver Gál. 3.21. É precisamente aí que temos a grande e
fundamental diferença entre o judaísmo e o cristianismo. Qual era o intuito
da lei, afinal?
CHAMPLIN, Russell
Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora
Hagnos. pag. 391.
Êxo 20.6 — A
misericórdia do Senhor (hb. hesed, amor leal) se estenderia a um número
muito maior de gerações das pessoas íntegras. O contraste dos termos
terceira e quarta (v. 5) com milhares demonstra que a misericórdia de DEUS é
maior do que Sua ira. Os efeitos da idoneidade se prolongariam mais do que
as consequências da perversidade. O par de palavras amam e obedecem é também
encontrado nos ensinamentos de JESUS (Jo 14.15).
EarI D.
Radmacher: Ronald B. Allen: H. Wayne House.
O Novo Comentário
Bíblico Antigo Testamento com recursos adicionais. Editora Central Gospel.
pag. 165.
Êxo 20.6. E faço
misericórdia. No hebraico, fyesed, uma palavra característica da aliança
(cuja tradução mais exata seria, “amor leal” ). Pelos padrões semitas de
linguagem, a ênfase da frase está na segunda parte. É verdade que DEUS
punirá os que não se conformam à Sua vontade, mas o aspecto negativo é
apenas a moldura para o aspecto positivo. Mais uma vez, o teste do amor é “
guardar os meus mandamentos” , demonstrando ainda mais claramente a Israel
que amor/ódio é mais atitude e atividade do que simples emoção. A palavra
milhares é usada vagamente, como “miríades” em português, para indicar a
extensão ilimitada da misericórdia demonstrada por DEUS.
R. Alan Cole, Ph. D.
ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 150-151.
https://ebdnatv.blogspot.com/2022/01/estudo-alianca-de-sangue-pr-henrique.html