LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS - 4º Trimestre de 2026
Tema: O Deus da Aliança — Advertências, promessas e bênçãos no livro
de Deuteronômio - Comentarista: Pr. Osiel Gomes
Sumário das Lições
O trimestre compreende 13
lições expositivas sobre o livro de Deuteronômio:
Lições 1 a 4:
Cobrem a introdução ao livro da Aliança, a recapitulação da jornada no deserto,
a fidelidade divina frente à infidelidade de Israel e o chamado à obediência.
Lições 5 a 8:
Abordam o grande mandamento, as bênçãos da obediência, o contraste entre
maldições e bênçãos, e a decisão crucial entre a vida e a morte.
Lições 9 a 13:
Tratam da sucessão e do cântico de Moisés, sua bênção final e morte, além de
concluir com o cumprimento de Deuteronômio em Cristo.
Lição 1 —
Deuteronômio: o Livro da Aliança
Lição 2 —
Recapitulando a Jornada no Deserto
Lição 3 — A
Fidelidade de Deus diante da Infidelidade de Israel
Lição 4 — O
Chamado à Obediência
Lição 5 — O
Grande Mandamento
Lição 6 — A
Aliança e as Bênçãos da Obediência
Lição 7 — As
Maldições e as Bênçãos da Aliança
Lição 8 —
Escolhendo entre a Vida e a Morte
Lição 9 — A
Sucessão de Moisés
Lição 10 — O
Cântico de Moisés: Advertência e Esperança
Lição 11 — A
Bênção Final de Moisés
Lição 12 — A
Morte de Moisés e a Continuidade da Promessa
Lição 13 — O
Cumprimento de Deuteronômio em Cristo
Escrita Lição 1, CPAD, Deuteronômio, o Livro da Aliança, 4Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV
Para nos ajudar PIX 33195781620 (CPF) Luiz Henrique de Almeida Silva
Para receber Material escrito extra e slides WhatsApp 99 99152-0454 - diga seu nome, cidade e revista CPAD
ESBOÇO DA LIÇÃO
I - DEUTERONÔMIO: AUTORIA E PROPÓSITO DO LIVRO
1. Autoria.
2. Definição
3. Valor e propósito de Deuteronômio.
2- CONTEXTO HISTÓRICO DE DEUTERONÔMIO
1. Panorama espiritual.
2. Um panorama geográfico
3. O discurso exortativo de Moisés.
3- O LADO DOUTRINÁRIO E PRÁTICO DE DEUTERONÔMIO
1. Relevância doutrinária
2. Relevância ética e prática.
3. O posicionamento de JESUS e dos apóstolos sobre Deuteronômio
TEXTO ÁUREO
“Eis aqui esta terra, eu a dei diante de vós; entrai e possuí a terra que o SENHOR jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a daria a eles e à sua semente depois deles.” (Dt 1.8).
VERDADE PRÁTICA
A fidelidade a DEUS e à sua Palavra dirige o crente a viver pela fé e alcançar as suas promessas.
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Js 1.8; 2 Tm 3.16 A obediência à Palavra conduz à vida santa e à direção de DEUS
Terça - Dt 11.26-28 A desobediência à Palavra conduz à perda espiritual
Quarta - 2 Tm 2.2 A responsabilidade de transmitir fielmente a Palavra à próxima geração
Quinta - Dt 1.6-8; Fp 3.20 Como povo de DEUS, somos chamados a avançar pela fé rumo à promessa
Sexta - Dt 6.5; 12.1 Um relacionamento com DEUS marcado por amor e obediência
Sábado - Mt 4.4,7,10 JESUS confirma a autoridade e a inspiração de Deuteronômio
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Deuteronômio 1.1-8
1 - Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel, dalém do Jordão, no deserto, na planície defronte do mar de Sufe, entre Parã, e Tofel, e Labã, e Hazerote, e Di-Zaabe.
2 - Onze jornadas há desde Horebe, caminho da montanha de Seir, até Cades-Barneia.
3 - E sucedeu que, no ano quadragésimo, no mês undécimo, no primeiro dia do mês, Moisés falou aos filhos de Israel, conforme tudo o que o SENHOR lhe mandara acerca deles,
4 - depois que feriu a Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, e a Ogue, rei de Basã, que habitava em Astarote, em Edrei.
5 - Dalém do Jordão, na terra de Moabe, começou Moisés a declarar esta lei, dizendo:
6 - O SENHOR, nosso DEUS, nos falou em Horebe, dizendo: Tempo bastante haveis estado neste monte.
7 - Voltai-vos e parti; ide à montanha dos amorreus, e a todos os seus vizinhos, e à planície, e à montanha, e ao vale, e ao Sul, e à ribeira do mar, e à terra dos cananeus, e ao Líbano, até ao grande rio, o rio Eufrates.
8 - Eis aqui esta terra, eu a dei diante de vós; entrai e possuí a terra que o SENHOR jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a daria a eles e à sua semente depois deles.
HINOS SUGERIDOS: 107, 259 e 276 da Harpa Cristã
PALAVRA-CHAVE - Aliança
)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
SUBSÍDIOS EXTRAS – BÍBLIAS, LIVROS, REVISTAS, COPILOT E GEMINI
)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Deuteronômio, o Livro da Aliança
Deuteronômio 6.5
Texto Bíblico: Amarás, pois, o Senhor, teu DEUS, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder… Deuteronômio 6:5a | ARC
Contexto Histórico:
Esta passagem encontra-se no Shemá Israel, a principal confissão de fé do povo hebreu, proferida por Moisés antes da entrada em Canaã.
Comentário Exegético:
O amor exigido por DEUS envolve coração, alma e força. A ideia é de entrega integral da vida ao Senhor.
Aplicação Teológica:
A aliança divina exige uma resposta de amor pactual e exclusiva devoção ao Senhor.
Aplicação Prática:
O cristão deve demonstrar amor a DEUS por meio da obediência, adoração e fidelidade diária.
Palavra Hebraica Importante:
אָהַב (Ahav) = Amar, dedicar-se, demonstrar afeição e lealdade.
Tabela Resumo
Elemento Significado
Amor Entrega total
Coração Centro da vontade
Alma Totalidade da vida
Força Recursos e energias
Aplicação Fidelidade a DEUS
Nova Introdução
O livro de Deuteronômio ocupa uma posição singular na revelação bíblica, pois representa a renovação da aliança entre DEUS e o povo de Israel às vésperas da entrada em Canaã. Mais do que uma simples repetição da Lei, trata-se de uma exposição pastoral, profética e teológica dos mandamentos divinos, adaptada à nova geração que herdaria a promessa.
Ao longo de seus capítulos, observamos Moisés atuando como legislador, profeta, intercessor e pastor. Seu objetivo era fortalecer a identidade espiritual da nação, lembrando-lhe das obras salvadoras do Senhor e conclamando-a à fidelidade. O livro estabelece uma profunda relação entre obediência e bênção, santidade e comunhão, rebelião e juízo.
Além de sua importância para Israel, Deuteronômio possui notável relevância cristológica, pois diversas de suas passagens apontam para CRISTO e são amplamente utilizadas no Novo Testamento. Portanto, seu estudo não apenas amplia nossa compreensão da história da redenção, mas também fortalece nossa vida de fé, nossa ética cristã e nosso compromisso com a Palavra de DEUS.
________________________________________
I – DEUTERONÔMIO: AUTORIA E PROPÓSITO DO LIVRO
1. Autoria
A autoria mosaica de Deuteronômio possui grande relevância para a compreensão da autoridade do livro. Moisés não foi apenas um escritor sagrado, mas o mediador da aliança estabelecida entre DEUS e Israel no Sinai. Sua posição singular como profeta, legislador e pastor confere ao texto profundo valor histórico e espiritual.
O livro apresenta características típicas de testemunho pessoal, revelando experiências vividas pelo próprio líder hebreu durante a peregrinação no deserto. Os discursos registrados demonstram o conhecimento direto dos acontecimentos narrados.
Do ponto de vista teológico, a inspiração divina não anulou a participação humana do autor. DEUS utilizou Moisés como instrumento para registrar sua vontade de forma fiel e infalível.
O capítulo final, que descreve sua morte, não compromete a autoria mosaica predominante. A tradição judaica reconhece que essa seção pode ter sido adicionada posteriormente por Josué ou outro escriba inspirado.
O reconhecimento da autoria mosaica também é confirmado por CRISTO e pelos autores do Novo Testamento, que frequentemente atribuem a Lei a Moisés.
Assim, a autoridade de Deuteronômio repousa não apenas sobre evidências históricas, mas principalmente sobre sua inspiração divina.
A mensagem do livro demonstra unidade doutrinária com o restante do Pentateuco, reforçando sua autenticidade e confiabilidade.
Palavras Gregas Importantes
Palavra Significado
γραφή (graphē) Escritura
νόμος (nomos) Lei
θεόπνευστος (theopneustos) Inspirado por DEUS
προφήτης (prophētēs) Profeta
Resumo do Subtópico
Aspecto Síntese
Autor principal Moisés
Função Mediador da aliança
Conteúdo Discursos e instruções
Exceção Relato de sua morte
Valor teológico Inspiração divina
Confirmação Reconhecida por CRISTO e pelos apóstolos
Referências Bíblicas
• Deuteronômio 1.1; Deuteronômio 1.3; Deuteronômio 31.9; Deuteronômio 31.24; Josué 1.1-2; Mateus 19.7-8; Marcos 12.26; João 5.46-47
________________________________________
2. Definição
Deuteronômio significa tradicionalmente "segunda Lei" ou "repetição da Lei", mas a expressão não transmite a ideia de uma nova legislação. O propósito é reapresentar os mandamentos divinos à geração que estava prestes a entrar na Terra Prometida.
A Septuaginta utilizou o termo grego "Deuteronomion", destacando esse aspecto recapitulativo. Na tradição hebraica, o livro é chamado "Estas Palavras", enfatizando o caráter discursivo das mensagens de Moisés.
A estrutura do livro apresenta uma combinação entre sermão, tratado de aliança e documento legal.
Moisés interpreta os acontecimentos passados à luz da fidelidade divina. Dessa forma, o povo aprende que a história é uma escola da graça de DEUS.
A exposição da Lei não visa mero conhecimento intelectual, mas transformação espiritual.
O livro apresenta uma teologia da memória, convidando Israel a recordar constantemente as ações salvadoras do Senhor.
Por isso, Deuteronômio tornou-se uma das obras mais citadas tanto pelos profetas quanto por JESUS CRISTO.
Palavras Gregas Importantes
Palavra Significado
δευτερονόμιον (deuteronomion) Segunda Lei
λόγος (logos) Palavra
διαθήκη (diathēkē) Aliança
μνήμη (mnēmē) Memória
Resumo do Subtópico
Aspecto Síntese
Nome grego Deuteronomion
Nome hebraico Haddevarim
Natureza Discurso e aliança
Objetivo Renovação espiritual
Tema central Fidelidade ao Senhor
Referências Bíblicas
• Deuteronômio 17.18; Deuteronômio 5.7-10; Deuteronômio 6.4-9; Josué 1.8; Salmo 119.9-11; 2 Timóteo 3.16-17
________________________________________
3. Valor e propósito de Deuteronômio
Deuteronômio possui profundo valor espiritual porque apresenta os princípios permanentes da aliança divina. Seu conteúdo influenciou reformas religiosas e despertamentos espirituais ao longo da história bíblica.
O livro revela o amor pactual de DEUS por seu povo. O Senhor não age apenas como Legislador, mas como Pai que deseja relacionamento e comunhão.
A obediência é apresentada como resposta ao amor divino e não apenas como obrigação legal.
Outro aspecto importante é a responsabilidade da comunidade em preservar a verdade revelada.
A mensagem do livro une adoração, ética e espiritualidade.
Sua teologia enfatiza a santificação progressiva da nação por meio da submissão à Palavra.
Para os cristãos, o livro aponta para CRISTO, em quem as promessas da aliança encontram seu pleno cumprimento.
Palavras Gregas Importantes
Palavra Significado
ἀγάπη (agapē) Amor
χάρις (charis) Graça
εὐλογία (eulogia) Bênção
πιστότης (pistotēs) Fidelidade
Resumo do Subtópico
Aspecto Síntese
Tema central Aliança
Ênfase Amor e obediência
Resultado da fidelidade Bênção
Resultado da rebelião Juízo
Aplicação cristã Vida em CRISTO
Referências Bíblicas
• Deuteronômio 6.5; Deuteronômio 11.26-28; Deuteronômio 30.15-20; Neemias 8.1-8; Esdras 7.10; 1 Coríntios 15.57
________________________________________
Tabela Resumo do Tópico I
Elemento Ensino Principal
Autoria Moisés como mediador da aliança
Definição Reapresentação da Lei
Propósito Renovação da fidelidade
Ênfase Aliança, santidade e obediência
Aplicação Vida comprometida com DEUS
________________________________________
II – CONTEXTO HISTÓRICO DE DEUTERONÔMIO
1. Panorama Espiritual
O cenário espiritual de Deuteronômio é marcado pela preparação de uma nova geração para a posse da promessa divina.
Os sobreviventes do êxodo haviam presenciado a disciplina do Senhor durante quarenta anos de peregrinação.
A expressão hebraica "Elleh Haddevarim" introduz uma mensagem revestida de autoridade divina.
Moisés não fala apenas como líder nacional, mas como porta-voz da revelação.
A renovação da aliança demonstra que a fé deve ser constantemente reafirmada.
A transmissão da verdade bíblica entre gerações é apresentada como uma responsabilidade sagrada.
A continuidade da obra de DEUS depende da preservação fiel de sua Palavra.
Resumo do Subtópico
Aspecto Síntese
Público Nova geração
Local Campinas de Moabe
Objetivo Renovação da aliança
Ênfase Transmissão da fé
Referências
• Deuteronômio 1.1; Deuteronômio 4.9; Deuteronômio 6.6-9; Salmo 78.4-7; 2 Timóteo 2.2
________________________________________
2. Panorama Geográfico
Os detalhes geográficos de Deuteronômio possuem valor histórico e espiritual.
Cada lugar mencionado relembra experiências de vitória, disciplina ou aprendizado.
O percurso entre Horebe e Cades-Barneia demonstra que a incredulidade prolonga jornadas que poderiam ser breves.
A geografia torna-se uma teologia da caminhada.
O deserto simboliza provas, dependência e aperfeiçoamento espiritual.
A Terra Prometida representa o cumprimento das promessas divinas.
A jornada de Israel aponta tipologicamente para a peregrinação da Igreja rumo à pátria celestial.
Palavras Gregas
Palavra Significado
πίστις (pistis) Fé
ὑπακοή (hypakoē) Obediência
ἐλπίς (elpis) Esperança
Resumo do Subtópico
Aspecto Síntese
Deserto Lugar de prova
Canaã Promessa cumprida
Lição Fé e obediência
Aplicação Perseverança cristã
Referências
• Deuteronômio 1.2; Números 14.22-23; Salmo 95.7-11; Hebreus 3.7-19; Hebreus 4.1-11
________________________________________
3. O discurso exortativo de Moisés
O discurso final de Moisés apresenta uma síntese da história redentora de Israel.
Ele recorda os atos poderosos de DEUS para fortalecer a confiança do povo.
Seu método pedagógico fundamenta-se na memória da ação divina.
Teologicamente, trata-se de uma renovação da consciência da aliança.
A liderança espiritual saudável sempre conduz o povo de volta à Palavra.
Moisés prepara uma sucessão responsável mediante a liderança de Josué.
Seu exemplo demonstra que a verdadeira liderança forma continuadores da missão.
Resumo do Subtópico
Aspecto Síntese
Líder Moisés
Sucessor Josué
Método Exortação
Base Palavra de DEUS
Referências
• Deuteronômio 1.37; Deuteronômio 3.27; Deuteronômio 31.7-8; Josué 1.1-9
• João 14–16
________________________________________
4. Desafiando a nova geração a ser decisiva
A nova geração recebeu uma oportunidade que seus pais haviam perdido pela incredulidade.
DEUS permaneceu fiel à sua promessa apesar da infidelidade humana.
A posse da terra exigia confiança ativa na Palavra divina.
O chamado bíblico não é apenas para conhecer promessas, mas apropriar-se delas pela fé.
A geração anterior tornou-se exemplo negativo para advertência futura.
A nova geração deveria cultivar uma espiritualidade baseada na obediência.
Da mesma forma, a Igreja é chamada a perseverar até alcançar a herança eterna em CRISTO.
Resumo do Subtópico
Aspecto Síntese
Fracasso anterior Incredulidade
Novo chamado Fé e obediência
Promessa Posse da terra
Aplicação Perseverança cristã
Referências
• Deuteronômio 1.6-8; Números 14.30-35; Filipenses 3.20; Hebreus 12.1-2
________________________________________
Tabela Resumo do Tópico II
Elemento Ensino
Panorama espiritual Renovação da aliança
Geografia Lições da caminhada
Discurso de Moisés Preparação da nova geração
Desafio da fé Possuir a promessa
________________________________________
III – O LADO DOUTRINÁRIO E PRÁTICO DE DEUTERONÔMIO
1. Relevância doutrinária
Deuteronômio apresenta uma das mais completas revelações veterotestamentárias acerca do caráter divino.
DEUS é descrito como santo, justo, misericordioso e soberano.
A doutrina da aliança ocupa posição central na estrutura do livro.
Israel deveria compreender que sua identidade derivava da eleição divina e não de méritos próprios.
O livro também possui forte conteúdo messiânico.
O Profeta prometido em Deuteronômio 18 encontra seu cumprimento perfeito em JESUS CRISTO.
Assim, a doutrina revelada no livro permanece fundamental para a teologia cristã.
Palavras Gregas
Palavra Significado
ἅγιος (hagios) SANTO
δικαιοσύνη (dikaiosynē) Justiça
ἐκλογή (eklogē) Eleição
Μεσσίας (Messias) Ungido
Resumo do Subtópico
Aspecto Síntese
Caráter divino SANTO e justo
Aliança Relacionamento com DEUS
Profecia Aponta para CRISTO
Aplicação Vida de reverência
Referências
• Deuteronômio 7.9; Deuteronômio 10.17; Deuteronômio 18.15; Atos 3.22-23; João 5.39
________________________________________
2. Relevância ética e prática
A ética de Deuteronômio nasce da teologia da aliança.
DEUS exige santidade não apenas no culto, mas também nas relações sociais.
Pais recebem a responsabilidade de educar espiritualmente seus filhos.
A justiça deve orientar governantes, juízes e líderes.
A compaixão para com necessitados torna-se evidência da verdadeira espiritualidade.
A fidelidade ao Senhor afeta todas as áreas da vida.
Esses princípios continuam sendo fundamentais para a ética cristã contemporânea.
Resumo do Subtópico
Aspecto Síntese
Família Ensino espiritual
Sociedade Justiça
Adoração Fidelidade
Ética Responsabilidade cristã
Referências
• Deuteronômio 6.6-7; Deuteronômio 15.7-11; Deuteronômio 16.18-20; Miquéias 6.8; 2 Timóteo 1.5
________________________________________
3. O posicionamento de JESUS e dos apóstolos sobre Deuteronômio
JESUS utilizou Deuteronômio como autoridade máxima durante sua tentação no deserto.
Em todas as ocasiões, respondeu a Satanás citando as Escrituras.
Isso demonstra a suficiência e autoridade da Palavra de DEUS.
Os apóstolos igualmente recorreram ao livro para explicar a obra de CRISTO.
Pedro identificou JESUS como o Profeta prometido.
Paulo utilizou Deuteronômio para explicar a redenção realizada na cruz.
O Novo Testamento confirma plenamente a inspiração e atualidade desse livro.
Palavras Gregas
Palavra Significado
λόγος (logos) Palavra
σωτηρία (sōtēria) Salvação
λύτρωσις (lytrōsis) Redenção
χριστός (christos) CRISTO
Resumo do Subtópico
Aspecto Síntese
JESUS Citou Deuteronômio
Pedro Confirmou o Profeta
Paulo Explicou a redenção
Resultado Autoridade das Escrituras
Referências
• Deuteronômio 6.13; Deuteronômio 8.3; Deuteronômio 18.15; Mateus 4.4,7,10; Atos 3.22-23; Gálatas 3.13; Hebreus 10.30
________________________________________
Tabela Resumo do Tópico III
Elemento Ensino Principal
Doutrina Caráter e aliança de DEUS
Ética Santidade e justiça
Cristologia CRISTO revelado em Deuteronômio
Novo Testamento Confirmação apostólica
Nova Conclusão
O livro de Deuteronômio permanece como uma das mais importantes exposições da vontade de DEUS para seu povo. Sua mensagem ultrapassa os limites históricos de Israel e continua relevante para a Igreja, pois apresenta princípios eternos de aliança, fidelidade, santidade e obediência.
Sob uma perspectiva teológica, Deuteronômio revela a soberania divina, a responsabilidade humana, a centralidade da revelação escrita e a necessidade de uma fé perseverante. Além disso, suas profecias e tipologias encontram pleno cumprimento em JESUS CRISTO, o Mediador da Nova Aliança, confirmado pelos apóstolos e proclamado pelo Evangelho.
Portanto, o estudo de Deuteronômio fortalece nossa compreensão da história da redenção e nos desafia a viver uma espiritualidade bíblica autêntica. Assim como Israel foi chamado a escolher entre a vida e a morte, entre a bênção e a maldição, também somos convocados a responder ao Senhor com fé, amor, obediência e dedicação integral à sua Palavra, aguardando o cumprimento definitivo das promessas eternas em CRISTO JESUS.
Referências gerais complementares: Deuteronômio 4.1-8; Deuteronômio 6.4-9; Deuteronômio 10.12-13; Deuteronômio 18.15-19; Deuteronômio 28.1-14; Deuteronômio 30.11-20; Josué 1.7-9; Salmo 1.1-3; Mateus 22.37-40; Lucas 24.27; João 5.39; Romanos 15.4; Gálatas 3.24; Hebreus 3.12-19; Hebreus 12.22-24; Apocalipse 21.1-7.
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
QUESTIONÁRIOS
1- Questionário com 20 Perguntas e 20 Respostas (PARA PROFESSORES)
2- Questionário com 20 Perguntas (Sem Respostas - PARA ALUNOS)
3. Questionário de Múltipla Escolha (Com a Resposta Correta Marcada com "x" - PARA PROFESSORES)
4. Questionário de Múltipla Escolha (Sem Marcação das Respostas Correta - PARA ALUNOS)
1. Questionário com 20 Perguntas e 20 Respostas
1-Pergunta: Quem é reconhecido pela tradição judaica, evidência interna e estudiosos conservadores como o autor de Deuteronômio?
Resposta: Moisés, que atuou como mediador da aliança entre DEUS e Israel.
2-Pergunta: Qual parte do livro de Deuteronômio não foi escrita diretamente por Moisés?
Resposta: Os acontecimentos posteriores à sua morte, descritos no capítulo final, que podem ter sido registrados por Josué ou por outro escriba sob inspiração divina.
3-Pergunta: Qual é a origem e o significado da palavra "Deuteronômio"?
Resposta: O título deriva do grego deuteronomion, traduzido na Septuaginta como "repetição da Lei".
4-Pergunta: Como o livro de Deuteronômio é chamado na tradição judaica e o que essa expressão significa?
Resposta: É chamado hadevārîm, que significa "estas palavras", destacando seu caráter discursivo.
5-Pergunta: Como o livro de Deuteronômio está estruturado e qual é o seu propósito central?
Resposta: Está estruturado em três discursos de Moisés; seu propósito é reafirmar a aliança e preparar o povo para possuir a Terra Prometida.
6-Pergunta: Qual evento histórico posterior no Antigo Testamento evidencia o valor permanente de Deuteronômio para a edificação espiritual?
Resposta: O seu uso durante as reformas espirituais de Esdras e Neemias.
7-Pergunta: O que significa a expressão hebraica Êlleh hadvarim no início de Deuteronômio?
Resposta: Significa "Estas são as palavras", indicando que o discurso possui autoridade e revelação divinas, não humanas.
8-Pergunta: Onde o povo de Israel estava localizado quando Moisés proferiu esses discursos?
Resposta: Nas campinas de Moabe.
9-Pergunta: Por que era necessário instruir a nova geração nas campinas de Moabe antes da entrada em Canaã?
Resposta: Porque essa nova geração não havia presenciado os milagres do Êxodo e precisava renovar a aliança antes de possuir a terra.
10-Pergunta: Quanto tempo durou a jornada de Horebe a Cades-Barneia e qual foi o motivo da demora?
Resposta: Durou 40 anos devido à desobediência, incredulidade e falta de temor da antiga geração de Israel.
11-Pergunta: Para quem Moisés preparou a transição de liderança antes de sua morte?
Resposta: Para Josué.
12-Pergunta: Quais dois reis amorreus derrotados são recordados por Moisés como prova das vitórias concedidas por DEUS?
Resposta: Seom e Ogue.
13-Pergunta: No contexto de Deuteronômio, a que se refere o termo "Torá"?
Resposta: Refere-se ao conjunto de ensinos (Lei) que orientavam a vida moral e espiritual de Israel, formando a base de sua identidade.
14-Pergunta: O que ensina a passagem central de Deuteronômio 1.8 quanto à posse da terra?
Resposta: Ensina que DEUS já havia dado a terra ao povo, mas cabia a Israel entrar e possuí-la pela fé.
15-Pergunta: Quais atributos do caráter de DEUS são revelados no aspecto doutrinário de Deuteronômio?
Resposta: DEUS é revelado como justo, santo, fiel, misericordioso, zeloso e verdadeiro.
16-Pergunta: Qual profecia messiânica de grande relevância é apresentada em Deuteronômio 18.15?
Resposta: A promessa da vinda de um Profeta semelhante a Moisés, apontando para JESUS CRISTO.
17-Pergunta: Qual dever prático dos pais em relação aos filhos é enfatizado em Deuteronômio 6.6,7?
Resposta: O dever de ensinar continuamente a Palavra de DEUS aos filhos no cotidiano da família.
18-Pergunta: Como JESUS demonstrou a autoridade e o valor prático de Deuteronômio em seu ministério?
Resposta: JESUS citou passagens de Deuteronômio para combater as tentações do diabo no deserto (Mt 4.4,7,10).
19-Pergunta: Quais apóstolos do Novo Testamento recorreram ao livro de Deuteronômio em suas pregações ou cartas?
Resposta: Pedro (At 3.23), Paulo (Gl 3.13) e o autor da Carta aos Hebreus (Hb 10.30).
20-Pergunta: Qual é a consequência da obediência e da desobediência segundo Deuteronômio 11.26-28?
Resposta: A obediência à Palavra conduz à bênção e à vida; a desobediência leva à maldição.
2. Questionário com 20 Perguntas (Sem Respostas - PARA ALUNOS)
1. Quem é reconhecido pela tradição judaica, evidência interna e estudiosos conservadores como o autor de Deuteronômio?
2. Qual parte do livro de Deuteronômio não foi escrita diretamente por Moisés?
3. Qual é a origem e o significado da palavra "Deuteronômio"?
4. Como o livro de Deuteronômio é chamado na tradição judaica e o que essa expressão significa?
5. Como o livro de Deuteronômio está estruturado e qual é o seu propósito central?
6. Qual evento histórico posterior no Antigo Testamento evidencia o valor permanente de Deuteronômio para a edificação espiritual?
7. O que significa a expressão hebraica Êlleh hadvarim no início de Deuteronômio?
8. Onde o povo de Israel estava localizado quando Moisés proferiu esses discursos?
9. Por que era necessário instruir a nova geração nas campinas de Moabe antes da entrada em Canaã?
10. Quanto tempo durou a jornada de Horebe a Cades-Barneia e qual foi o motivo da demora?
11. Para quem Moisés preparou a transição de liderança antes de sua morte?
12. Quais dois reis amorreus derrotados são recordados por Moisés como prova das vitórias concedidas por DEUS?
13. No contexto de Deuteronômio, a que se refere o termo "Torá"?
14. O que ensina a passagem central de Deuteronômio 1.8 quanto à posse da terra?
15. Quais atributos do caráter de DEUS são revelados no aspecto doutrinário de Deuteronômio?
16. Qual profecia messiânica de grande relevância é apresentada em Deuteronômio 18.15?
17. Qual dever prático dos pais em relação aos filhos é enfatizado em Deuteronômio 6.6,7?
18. Como JESUS demonstrou a autoridade e o valor prático de Deuteronômio em seu ministério?
19. Quais apóstolos do Novo Testamento recorreram ao livro de Deuteronômio em suas pregações ou cartas?
20. Qual é a consequência da obediência e da desobediência segundo Deuteronômio 11.26-28?
3. Questionário de Múltipla Escolha (Com a Resposta Correta Marcada com "x" - PARA PROFESSORES)
1-Quem é o autor da maior parte do livro de Deuteronômio?
Josué
[x] b) Moisés
Esdras
Samuel
2-O relato da morte de Moisés no capítulo final foi provavelmente registrado por:
Arão
[x] b) Josué ou outro escriba sob inspiração divina
Davi
Eleazar
3-A palavra "Deuteronômio" vem do grego e significa:
[x] a) Repetição da Lei
b) Segunda Criação
c) Saída do Egito
d) Livro dos Reis
4-Na tradição judaica, o livro recebe o nome de hadevārîm, que quer dizer:
"Os mandamentos sagrados"
"A lei do deserto"
[x] c) "Estas palavras"
d) "Os discursos divinos"
5-Em quantos discursos principais o livro de Deuteronômio se divide?
Dois discursos
[x] b) Três discursos
c) Quatro discursos
d) Cinco discursos
6-Em qual período do pós-exílio o livro de Deuteronômio foi amplamente utilizado para edificação e reforma espiritual?
[x] a) Na reforma de Esdras e Neemias
b) Na construção do Templo de Salomão
c) Durante o reinado de Josias
d) Na divisão do reino de Israel
7-A expressão Êlleh hadvarim enfatiza que o discurso de Moisés possui:
Apenas valor histórico
Tradições orais humanas
[x] c) Autoridade e revelação divinas
d) Conteúdo estritamente poético
8-Onde a nova geração de Israel recebeu as instruções de Moisés relatadas no livro?
No monte Sinai
Em Cades-Barneia
[x] c) Nas campinas de Moabe
d) No monte Horebe
9-Por que a travessia do deserto levou 40 anos, embora o trajeto pudesse ser feito em poucos dias?
Por causa de tempestades de areia constantes
[x] b) Devido à desobediência e incredulidade do povo
c) Porque o povo se perdeu no caminho
d) Devido a guerras contínuas com os egípcios
10-Qual líder foi preparado para assumir o comando de Israel na entrada da Terra Prometida?
Calebe
Gideão
[x] c) Josué
d) Samuel
11-Quais reis foram derrotados por DEUS conforme recordado por Moisés?
[x] a) Seom e Ogue
b) Faraó e Nabucodonosor
c) Herodes e Pilatos
d) Saul e Golias
12-O termo "Torá", no contexto de Deuteronômio, refere-se a:
Um livro exclusivo de poesias
[x] b) O conjunto de ensinos que orientavam a vida moral e espiritual
c) Apenas aos Dez Mandamentos gravados em pedra
d) Um código civil de leis pagãs
13-Segundo Deuteronômio 1.8, qual devia ser a atitude de Israel quanto à Terra Prometida?
Aguardar passivamente que os inimigos saíssem
[x] b) Entrar e possuí-la pela fé
c) Voltar para o Egito
d) Negociar a compra das terras com os cananeus
14-O aspecto doutrinário de Deuteronômio destaca a revelação do caráter de DEUS como:
Indiferente e distante da humanidade
[x] b) Justo, santo, fiel, misericordioso, zeloso e verdadeiro
c) Severo e implacável sem misericórdia
d) Exclusivamente punitivo e rígido
15-Deuteronômio 18.15 traz uma importante profecia messiânica sobre a vinda de:
Um grande rei militar
[x] b) Um Profeta semelhante a Moisés
c) Um sacerdote da ordem de Arão
d) Um anjo em forma humana
16-Deuteronômio 6.6,7 estabelece que o ensino da Palavra de DEUS aos filhos deve ocorrer:
[x] a) No cotidiano da vida familiar e em todas as situações
b) Apenas nos dias de festa no Tabernáculo
c) Exclusivamente pelos sacerdotes na tenda
d) Quando os filhos atingirem a vida adulta
17-Quando foi tentado no deserto, JESUS combateu o diabo citando textos de qual livro?
Gênesis
Isaías
Salmos
[x] d) Deuteronômio
18-Quais apóstolos citam Deuteronômio no Novo Testamento?
[x] a) Pedro, Paulo e o autor de Hebreus
b) João, Tiago e Judas
c) Mateus, Marcos e Lucas
d) Tomé, Filipe e Bartolomeu
19-A atitude que JESUS e os apóstolos demonstraram em relação a Deuteronômio confirma que o livro é:
Uma compilação de mitos antigos
[x] b) Escritura inspirada por DEUS e com autoridade permanente
c) Válido apenas para os judeus do passado
d) Um texto secundário sem valor doutrinário
20-Conforme Deuteronômio 11.26-28, o que resulta da obediência aos mandamentos do Senhor?
[x] a) Bênção e vida santa
b) Riquezas temporais automáticas sem provações
c) Isenção de qualquer batalha ou luta
d) Maldição e castigo imediato
4. Questionário de Múltipla Escolha (Sem Marcação das Respostas Correta - PARA ALUNOS)
1-Quem é o autor da maior parte do livro de Deuteronômio?
Josué
Moisés
Esdras
Samuel
2-O relato da morte de Moisés no capítulo final foi provavelmente registrado por:
Arão
Josué ou outro escriba sob inspiração divina
Davi
Eleazar
3-A palavra "Deuteronômio" vem do grego e significa:
Repetição da Lei
Segunda Criação
Saída do Egito
Livro dos Reis
4-Na tradição judaica, o livro recebe o nome de hadevārîm, que quer dizer:
"Os mandamentos sagrados"
"A lei do deserto"
"Estas palavras"
"Os discursos divinos"
5-Em quantos discursos principais o livro de Deuteronômio se divide?
Dois discursos
Três discursos
Quatro discursos
Cinco discursos
6-Em qual período do pós-exílio o livro de Deuteronômio foi amplamente utilizado para edificação e reforma espiritual?
Na reforma de Esdras e Neemias
Na construção do Templo de Salomão
Durante o reinado de Josias
Na divisão do reino de Israel
7-A expressão Êlleh hadvarim enfatiza que o discurso de Moisés possui:
Apenas valor histórico
Tradições orais humanas
Autoridade e revelação divinas
Conteúdo estritamente poético
8-Onde a nova geração de Israel recebeu as instruções de Moisés relatadas no livro?
No monte Sinai
Em Cades-Barneia
Nas campinas de Moabe
No monte Horebe
9-Por que a travessia do deserto levou 40 anos, embora o trajeto pudesse ser feito em poucos dias?
Por causa de tempestades de areia constantes
Devido à desobediência e incredulidade do povo
Porque o povo se perdeu no caminho
Devido a guerras contínuas com os egípcios
10-Qual líder foi preparado para assumir o comando de Israel na entrada da Terra Prometida?
Calebe
Gideão
Josué
Samuel
11-Quais reis foram derrotados por DEUS conforme recordado por Moisés?
Seom e Ogue
Faraó e Nabucodonosor
Herodes e Pilatos
Saul e Golias
12-O termo "Torá", no contexto de Deuteronômio, refere-se a:
Um livro exclusivo de poesias
O conjunto de ensinos que orientavam a vida moral e espiritual
Apenas aos Dez Mandamentos gravados em pedra
Um código civil de leis pagãs
13-Segundo Deuteronômio 1.8, qual devia ser a atitude de Israel quanto à Terra Prometida?
Aguardar passivamente que os inimigos saíssem
Entrar e possuí-la pela fé
Voltar para o Egito
Negociar a compra das terras com os cananeus
14-O aspecto doutrinário de Deuteronômio destaca a revelação do caráter de DEUS como:
Indiferente e distante da humanidade
Justo, santo, fiel, misericordioso, zeloso e verdadeiro
Severo e implacável sem misericórdia
Exclusivamente punitivo e rígido
15-Deuteronômio 18.15 traz uma importante profecia messiânica sobre a vinda de:
Um grande rei militar
Um Profeta semelhante a Moisés
Um sacerdote da ordem de Arão
Um anjo em forma humana
16-Deuteronômio 6.6,7 estabelece que o ensino da Palavra de DEUS aos filhos deve ocorrer:
No cotidiano da vida familiar e em todas as situações
Apenas nos dias de festa no Tabernáculo
Exclusivamente pelos sacerdotes na tenda
Quando os filhos atingirem a vida adulta
17-Quando foi tentado no deserto, JESUS combateu o diabo citando textos de qual livro?
Gênesis
Isaías
Salmos
Deuteronômio
18-Quais apóstolos citam Deuteronômio no Novo Testamento?
Pedro, Paulo e o autor de Hebreus
João, Tiago e Judas
Mateus, Marcos e Lucas
Tomé, Filipe e Bartolomeu
19-A atitude que JESUS e os apóstolos demonstraram em relação a Deuteronômio confirma que o livro é:
Uma compilação de mitos antigos
Escritura inspirada por DEUS e com autoridade permanente
Válido apenas para os judeus do passado
Um texto secundário sem valor doutrinário
20-Conforme Deuteronômio 11.26-28, o que resulta da obediência aos mandamentos do Senhor?
Bênção e vida santa
Riquezas temporais automáticas sem provações
Isenção de qualquer batalha ou luta
Maldição e castigo imediato
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Série de Notas sobre o Pentateuco - C.H. MACKINTOSH
DEUTERONÔMIO ——CAPÍTULO 1
RETROSPECTIVA DO CAMINHO NO DESERTO
(O primeiro discurso de Moisés — capítulos 1 a 4)
"Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel, dalém do Jordão, no deserto, na planície defronte do mar de Sufe, entre Parã e Tofel, e Labã, Hazerote, e Di-Zaabe. Onze jornadas há desde Horebe, caminho da montanha de Seir, até Cades-Barnéia" (versículos 1 e 2).
O escritor inspirado é cuidadoso em nos dar, da maneira mais precisa, todos os pormenores do lugar em que as palavras deste livro foram proferidas aos ouvidos do povo. Israel não havia ainda atravessado o Jordão. Estavam junto dele; e em frente do Mar Vermelho, onde o grande poder de DEUS havia sido tão gloriosamente manifestado quase quarenta anos antes. A situação é descrita com tal minúcia que mostra como DEUS Se ocupava de tudo que dizia respeito ao Seu povo. Estava interessado em todos os movimentos que faziam e em todos os seus caminhos. Guardava em registro exato de todos os seus acampamentos. Não havia uma só particularidade, por mais insignificante, que escapasse à Sua atenção. Atendia a tudo. O Seu olhar estava posto continuamente sobre o conjunto dessa assembleia e sobre cada membro em especial. Dia e noite velava por eles. Cada etapa da sua viagem estava debaixo da Sua imediata e bondosa superintendência. Nada havia, por pequeno que fosse, que escapasse à Sua atenção; nem nada, por grande que fosse, que não alcançasse o Seu poder.
Assim acontecia com o antigo Israel, no deserto; e assim sucede hoje com a Igreja
- a igreja no seu conjunto e cada membro em particular. Os olhos do Pai estão continuamente fixados em nós, os Seus braços eternos ao redor e por baixo de nós, dia e noite. "Não apartará os seus olhos do justo." Conta os cabelos da nossa cabeça e entra, com infinita bondade, em tudo quanto nos diz respeito. Tem tomado a Seu cuidado todas as necessidades e todos os nossos cuidados. Quer que lancemos sobre Ele toda a nossa solicitude, na doce certeza de que Ele tem cuidado de nós.
Convida-nos graciosamente a deitarmos sobre Ele as nossas cargas, sejam pesadas ou leves.
Tudo isto é verdadeiramente maravilhoso. E cheio da mais profunda consolação. Está eminentemente calculado para tranquilizar o coração, venha o que vier. A questão é, cremos isso? Os nossos corações são governados por essa fé? Cremos realmente que o Criador Todo-Poderoso e Mantenedor de todas as coisas, que sustém os pilares do universo, tem graciosamente tomado sobre Si a tarefa de estar por nós durante toda a viagem? Cremos verdadeiramente que "o Possuidor dos céus e da terra" é nosso Pai e que tem tomado a Seu cargo o suprimento das nossas necessidades, desde a primeira à última? O nosso ser moral está inteiramente sob o poder dominante dessas palavras do apóstolo inspirado: "Aquele que nem mesmo a seu Filho poupou, como nos não dará com ele todas as coisas?" Ah, é para recear que conhecemos muito pouco do poder destas magníficas ainda que simples verdades! Falamos delas; discutimo-las; professamo-las; damos-lhes um assentimento nominal; mas, com tudo isso, demonstramos na nossa vida diária, nos pormenores da nossa conduta pessoal, quão pouco as compreendemos. Se cremos verdadeiramente que o nosso DEUS tem tomado à Sua conta todas as nossas necessidades — se encontrássemos todos os nossos recursos n'Ele — se Ele fosse uma perfeita defesa para os nossos olhos e lugar de descanso para os nossos corações, seria possível dependermos dos pobres recursos de criatura, que tão rapidamente se esgotam e desanimam os nossos corações? Não o cremos, não podemos crê-lo. Uma coisa é manter a teoria da vida da fé e outra coisa absolutamente diferente viver essa vida. Enganamo-nos constantemente a nós próprios com a ideia de que estamos vivendo pela fé, quando na realidade dependemos de qualquer apoio humano que, mais tarde ou mais cedo, é certo ceder.
Não é assim, prezado leitor? Não estamos nós constantemente prontos a deixar a fonte das águas vivas e a cavar cisternas rotas, que não podem reter água? E, todavia, falamos de viver pela fé! Professamos depender somente do DEUS vivo para o suprimento das nossas necessidades, quaisquer que sejam essas necessidades, quando, de fato, nos assentamos junto aos mananciais humanos, e buscamos deles alguma coisa. E para admirar se ficamos desapontados? Como poderia ser de outro modo? O nosso DEUS não quer que dependamos de alguma coisa ou de alguém senão d'Ele mesmo. Em múltiplas passagens da Sua Palavra tem-nos dado a conhecer Seu pensamento quanto ao verdadeiro caráter e resultados certos de confiar na criatura. Veja-se a seguinte passagem solene do profeta Jeremias: "Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como a tamargueira no deserto e não sentirá quando vem o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável."
E então note-se o contraste: "Bendito o varão que confia no SENHOR, e cuja esperança é o SENHOR. Porque ele será como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se afadiga, nem deixa de dar fruto" (Jr 17:5 a 8).
Aqui temos perante nós em linguagem divinamente enérgica, clara e formosa, os dois lados desta importantíssima questão. A confiança na criatura traz uma certa maldição, só pode resultar em esterilidade e desolação. DEUS, em Sua fidelidade, fará secar toda a corrente humana e afastar todo o apoio humano a fim de podermos conhecer inteiramente a loucura de nos afastarmos d'Ele. Que figura poderia ser mais impressionante ou notável que as empregadas na passagem precedente? 'Tamargueira no deserto" — "Lugares secos no deserto" — “Terra salgada e inabitável". Tais são as figuras empregadas pelo espírito SANTO para ilustrar toda a mera dependência humana, toda a confiança no homem.
Mas, em contrapartida, que pode haver de mais belo ou mais animador do que as figuras empregadas para mostrar a profunda bem-aventurança de simples confiança no Senhor? "Arvore plantada junto às águas" — "Que estende as suas raízes para o ribeiro" — "as suas folhas estarão sempre verdes; o fruto nunca acabará. Quão formoso! Assim é com o homem que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. E alimentado por aquelas eternas fontes que emanam do coração de DEUS. Bebe livremente da fonte vivificadora. Encontra todos os seus recursos no DEUS vivo. Pode haver "calor", mas ele não o sente. Poderá sobrevir "o ano da seca", mas não lhe dará cuidado algum. Dez mil correntes da criatura podem secar, mas ele não se aperceberá disso, porque não depende delas. Mantém-se tenazmente junto à fonte de eterno caudal. Nada lhe faltará. Vive pela fé.
O Justo Viverá por Sua Fé
E agora, enquanto falamos da vida da fé — essa vida bendita, entendamos bem o que ela é e façamos cuidadosamente por vivê-la. Ouvimos às vezes falar desta vida em termos que não são de modo nenhum inteligentes. E frequentemente aplicada ao simples fato de se confiar em DEUS quanto ao alimento e vestuário. Certas pessoas que aparentemente não têm recursos naturais, um rendimento certo, nem propriedades de qualquer espécie, são apontadas e contadas como "vivendo pela fé", como se essa maravilhosa e gloriosa vida não tivesse uma esfera mais elevada ou maior curso que as coisas temporárias, o simples suprimento das nossas necessidades.
Ora, nós não podemos deixar de protestar energicamente contra este ponto de vista altamente indigno da vida da fé. Limita a sua esfera e rebaixa o seu curso de uma forma absolutamente intolerável para todo o que compreende alguma coisa dos seus santos e preciosos mistérios. Podemos nós admitir, ainda que por um momento, que um cristão que tenha um rendimento certo de qualquer espécie tem de ser privado do privilégio de viver pela fé? Ou, além disso, podemos admitir que essa vida seja limitada e rebaixada à simples condição de confiar em DEUS para suprimento das nossas necessidades corpóreas? Não nos parece mais elevada que o alimento e o vestuário? Não nos dá uma ideia mais elevada de DEUS do que aquela que nos diz que Ele não nos deixará morrer de fome ou nus?
Longe, longe para sempre de nós tão vil ideia! A vida da fé não deve ser assim tratada. Não podemos permitir que se lhe impute tão grosseira desonra ou faça tão deplorável injúria aos que são chamados a vivê-la. Qual, perguntamos, é o significado das breves embora importantes palavras, "O justo viverá da fé"l? Encontramo-las primeiramente em Habacuque 2. São reproduzidas pelo apóstolo em Romanos 1, onde ele lança, com mão de mestre, o sólido fundamento do cristianismo. Cita-as outra vez em Gálatas 3, onde, com a mais viva ansiedade, chama de novo essas seduzidas assembleias aos sólidos fundamentos que, em sua loucura, estavam abandonando. Finalmente, cita-as de novo em capítulo 10 da sua epístola aos Hebreus, onde adverte seus irmãos do perigo de abandonarem a sua confiança e renunciarem a sua carreira.
De tudo isto podemos seguramente deduzir a imensa importância e valor prático da breve mas transcendente frase: "O justo viverá da fé." Mas a quem é dirigida? Só a alguns dos servos do Senhor, que, por aqui e por ali, não têm rendimentos certos? Repudiamos inteiramente essa ideia. E dirigida a cada um dos do povo do Senhor. E elevado e ditoso privilégio de todos os que estão compreendidos sob o título — bendito, de certo — "o justo Cremos que é um grave erro limitá-la de qualquer modo. O efeito moral de tal limitação é grandemente prejudicial. Dá importância indevida a uma parte da vida da fé que — se for permitida qualquer distinção — devemos considerar como a mais baixa. Mas, na realidade, não podemos fazer distinções. A vida da fé é o grande princípio da vida divina desde o princípio ao fim. Por fé somos justificados, e pela fé vivemos; pela fé estamos de pé e pela fé andamos. Desde o ponto de partida até ao fim da carreira cristã, é tudo pela fé.
Por isso, é um grave erro designar certas pessoas que confiam no Senhor para o suprimento das suas necessidades temporais e falar de elas viverem pela fé, como se só elas o fizessem. E não só isto, tais pessoas são apresentadas à igreja de DEUS como alguma coisa maravilhosa; e a grande massa dos cristãos é induzida a pensar que o privilégio de viver pela fé está inteiramente fora do seu alcance. Em suma, são induzidos em erro quanto ao verdadeiro caráter e esfera da vida da fé, e desta forma sofrem materialmente na vida interior.
Que o leitor cristão compreenda portanto que é seu privilégio, quem quer que ele seja, ou qualquer que seja a sua posição, viver uma vida de fé em toda a intensidade e plenitude dessa palavra. Pode, segundo a sua própria medida de capacidade, apropriar-se da linguagem do bem-aventurado apóstolo e dizer: "A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de DEUS, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2:20). Que nada lhe roube esse elevado e santo privilégio que pertence a cada membro da família da fé. Mas, ah, nós falhamos! A nossa fé é fraca, quanto deveria ser forte, intrépida e vigorosa. O nosso DEUS deleita-Se numa fé intrépida. Se estudarmos os evangelhos veremos que nada refrescava e deleitava tanto o coração de CRISTO como uma fé audaz — uma fé que O compreendia e se apegava completamente a Ele. Veja-se, por exemplo, a mulher siro-fenícia, em Marcos 7, e o caso do centurião, em Lucas 7.
Verdade é que Ele pode ir ao encontro de uma fé fraca — a mais débil. Pode ir ao encontro de "se quiseres" com um gracioso "quero"; de um "se tu podes" com um "Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê". O mais fraco olhar, o mais ligeiro contato obtinham uma segura e favorável reposta; mas o coração do Salvador ficava satisfeito e o Seu espírito sentia-se animado quando Ele podia dizer: "Q mulher! grande é a tua fé. Seja isso feito para contigo, como tu desejas"; e noutra ocasião: "Nem mesmo em Israel encontrei tanta fé."
Tenhamos isto presente: podemos estar certos de que sucede exatamente o mesmo hoje como quando o nosso bendito Senhor estava aqui entre os homens. Gosta que confiem n'Ele, que recorram a Si, que contem Consigo. Nunca nos poderemos exceder em contar com o amor do Seu coração ou a força da Sua mão. Nada há pequeno demais para Ele, nada grande demais. Ele tem todo o poder no céu e na terra. E sobre todas as coisas como Cabeça da Igreja. Sustém em conjunto o universo. Sustém todas as coisas pela palavra do Seu poder. Os filósofos falam das forças e leis da natureza. O cristão pensa com deleite de CRISTO, da Sua mão, da Sua palavra, do Seu imenso poder. Por Ele foram criadas todas as coisas e por Ele todas as coisas subsistem.
E depois o Seu amor! Que descanso, que consolação, que alegria sabermos e recordarmos que o Criador, o Todo-poderoso, e Sustentador do universo eternamente ama as nossas almas; que Ele nos ama perfeitamente; que os Seus olhos estão sempre postos em nós; que o Seu coração está sempre inclinado para nós; que tomou a responsabilidade de todas as nossas necessidades, quaisquer que estas possam ser, quer físicas, quer mentais ou espirituais. Não existe uma única coisa compreendida em toda a variedade das nossas necessidades que não esteja guardada para nós em CRISTO. Ele é o tesouro do céu, a provisão de DEUS; e tudo isto para nós.
Porque havemos então de recorrer a outrem? Porque havemos de, direta ou indiretamente, tomar conhecidas as nossas necessidades de algum pobre mortal como nós?- Por que não havemos de ir logo a JESUS<? Necessitamos de compaixão?- Quem pode compadecer-se de nós como o nosso misericordioso Sumo Sacerdote que Se comove com o sentimento das nossas fraquezas«? Necessitamos de auxílio de qualquer espécie?- Quem pode auxiliar-nos como o nosso todo-poderoso Amigo, o Possuidor de riquezas inescrutáveis? Necessitamos de conselho ou de orientação? Quem pode dá-la como o bendito Senhor que é a própria sabedoria de DEUS, e que por DEUS é feito sabedoria para nós?- Oh, não contristemos o Seu amantíssimo coração, nem desonremos o Seu nome glorioso retirando-nos d'Ele! Vigiemos ciosamente contra a tendência tão natural em nós de alimentar esperanças humanas, e depositar confiança na criatura e ter expectativas terrenas. Conservemo-nos junto à fonte e não teremos jamais de nos queixar das correntes. Em suma, procuremos viver pela fé, e assim glorificar DEUS nos nossos dias e na nossa geração.
"Onze jornadas há desde Horebe até Cades-Barnéia"
Vamos prosseguir agora com o nosso capítulo; e, fazendo-o, queremos chamar a atenção do leitor para o versículo 2. E com certeza um notável parêntesis. "Onze jornadas há desde Horebe, caminho da montanha de Seir, até Cades-Barnéia." Onze dias! E, todavia, levaram quarenta anos a fazer essas jornadas! Como foi isto! Ah, não é necessário ir muito longe para dar com a resposta! A nós sucede-nos o mesmo. Quão vagarosos andamos pelo caminho! Que voltas e reviravoltas damos! Quantas vezes temos que voltar atrás e percorrer o mesmo caminho repetidas vezes! Somos viajantes lentos, porque somos tardos em aprender. Podemos estar talvez dispostos a estranhar que Israel pudesse levar quarenta anos para fazer uma jornada que levaria apenas onze dias; mas podemos, com muito mais razão, admirarmo-nos de nós mesmos. Nós, assim como eles, somos retardados pela nossa incredulidade e indolência de coração; mas temos muito menos desculpa do que eles, visto que os nossos privilégios são muitíssimo mais elevados.
Muitos de nós temos razão de sombra para nos envergonharmos do tempo que gastamos com as nossas lições. As palavras do bendito apóstolo podem ser-nos propriamente aplicadas: "Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos tome a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de DEUS, e vos haveis feito tais que necessitais de leite e não de sólido mantimento." O nosso DEUS é um Mestre tão sábio como fiel e tão benévolo como paciente. Não quer que passemos precipitadamente as nossas lições. Algumas das vezes pensamos que temos dominado uma lição e procuramos passar para outra; mas o nosso sábio Mestre sabe melhor e vê a necessidade de mais profunda disciplina. Não permitirá que sejamos meramente teóricos ou superficiais em conhecimento. Se for necessário, ter-nos- á, ano após ano, fazendo escala até aprendermos a cantar.
Mas se é muito humilhante para nós sermos tão vagarosos em aprender, é uma graça especial Ele ter tanta paciência para nos assegurar o ensino. Devemos bendizê-Lo pela Sua maneira de ensinar, bem como por tudo mais; pela admirável paciência com que Se assenta conosco para nos ensinar a mesma lição, repetidas vezes, a fim de que a aprendamos completamente (1).
(1) A jornada de Israel desde Horebe a Cades-Barnéia ilustra forçosamente a história de muitas almas na questão de encontrarem paz. Muitos do povo do Senhor continuam no temor e na dúvida durante anos sem nunca conhecerem a bem-aventurança da liberdade com que CRISTO torna livre o Seu povo. E muito triste para todo aquele que realmente se preocupa com as almas ver a triste condição em que alguns são mantidos todos os dias da sua vida pelo legalismo, mau ensino, falsa devoção, e coisas semelhantes. E uma coisa rara nestes dias encontrar na cristandade uma alma plenamente estabelecida na paz do evangelho. Considera-se uma boa coisa, um sinal de humildade, estar sempre em dúvida. A confiança é encarada como presunção. Em suma, as coisas são completamente postas às avessas. O evangelho não é conhecido; as almas estão debaixo da lei, em vez de estarem debaixo da graça; são mantidas à distância, em vez de serem ensinadas a aproximarem-se. Muito da religião em voga é uma deplorável mistura de CRISTO e o ego, lei e graça, fé e obras. As almas são mantidas em perfeita confusão, toda a sua vida.
Estas coisas requerem certamente a grave atenção de todos os que ocupam o lugar responsável de ensinadores e pregadores na Igreja professante. Aproxima-se o dia solene em que todos os tais serão convidados a prestar contas do seu ministério.
Demoramos para Apreender
"E sucedeu que, no ano quadragésimo, no mês undécimo, no primeiro dia do mês, Moisés falou aos filhos de Israel, conforme a tudo o que o SENHOR lhe mandara acerca deles" (versículo 3). Estas breves palavras contêm sólidas instruções para todos os servos de DEUS, todos os que são chamados ao ministério da Palavra e doutrina. Moisés deu ao povo precisamente o que ele próprio havia recebido de DEUS, nada mais, nada menos. Pô-los em contato direto com a palavra viva de Javé (ou: do SENHOR). Este é o grande princípio do ministério em todos os tempos. Nada fora disto tem verdadeiro valor. A Palavra de DEUS é a única coisa que permanecerá. Nela há poder divino e autoridade. Todo o ensino meramente humano, por muito interessante, por muito atraente que seja, passará e deixará a alma sem qualquer fundamento em que possa descansar.
Por isso deveria ser cuidado sincero e zeloso de todos os que exercem o ministério na assembleia de DEUS pregar a Palavra em toda a sua pureza com toda a simplicidade; transmitindo-a aos ouvintes como a receberam de DEUS; pô-los face a face com a verdadeira linguagem da Escritura Sagrada. Desta maneira o seu ministério chegará com poder vivo aos corações e consciências dos seus ouvintes.
Unirá a alma com DEUS mesmo por meio da Palavra, e transmitirá uma profundidade e solidez que nenhum ensino humano poderá jamais produzir. Vejamos o bem-aventurado apóstolo Paulo. Ouçamo-lo exprimir-se sobre este importante assunto. "E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de DEUS, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós senão a JESUS CRISTO e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do ESPÍRITO e de poder." Qual era o objetivo de todo este temor e tremor«?- "Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de DEUS" (I Co 2:1-5).
Este verdadeiro e fiel servo de CRISTO buscava somente levar as almas dos seus ouvintes a um contato direto e pessoal com DEUS mesmo. Não buscava relacioná-las com Paulo. "Pois quem é Paulo e quem é Apoio, senão ministros pelos quais crestes? Todo o falso ministério tem por objetivo atrair as almas para si. Assim o ministro é exaltado; DEUS é excluído e a alma é deixada num estado em que não encontra fundamento divino para descansar. O verdadeiro ministério, pelo contrário, segundo o vemos em Paulo e Moisés, tem por objeto bendito unir as almas a DEUS. Desta forma o ministro ocupa o seu verdadeiro lugar — simplesmente como um instrumento; DEUS é exaltado e a alma estabelecida sobre um sólido fundamento que jamais será abalado.
Mas ouçamos alguma coisa mais do que diz o nosso apóstolo sobre este importante assunto: "Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também permaneceis.; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado, se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi"; — nada mais, nada menos nem nada diferente — "que CRISTO morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (I Co 15:14).
Isto é extraordinariamente belo! Exige a maior atenção de todos os que querem ser verdadeiros e eficientes servos de CRISTO. O apóstolo foi cuidadoso em deixar que a corrente pura fluísse desde a fonte viva do coração de DEUS para as almas dos Coríntios. Compreendia que nada mais podia ter algum valor. Se tivesse procurado uni-los a si próprio, teria desonrado tristemente o seu Mestre, feito um grave dano e ele mesmo sofreria certamente dano no dia de CRISTO. Mas não; Paulo sabia o que fazia. Por nada do mundo induziria alguém a basear-se sobre si. Ouvi o que ele diz aos muito amados Tessalonicenses: "Pelo que também damos, sem cessar, graças a DEUS, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de DEUS, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como palavra de DEUS, a qual também opera em vós, os que crestes" (1 Ts 2:13).
Sentimos solenemente a responsabilidade de recomendar este grave e importante assunto à mais atenta consideração da Igreja de DEUS. Se todos os que professam ser ministros de CRISTO seguissem o exemplo de Moisés e Paulo, quanto a ponto de que tratamos, veríamos um estado de coisas muito diferente na igreja professante. Porém, o fato claro e triste é que a Igreja de DEUS, como o antigo Israel, se apartou inteiramente da autoridade da Sua Palavra. Ide onde quiserdes, e vereis que são feitas e ensinadas coisas que não têm nenhum fundamento na Escritura. Coisas que não somente são toleradas mas sancionadas e rigorosamente defendidas, que estão em direta oposição à mente de CRISTO. Se perguntardes qual a autoridade divina para a instituição desta, essa ou aquela outra prática, dir-vos-ão que CRISTO não nos deu instruções quanto ao assunto do governo da igreja; que em todas as questões de política eclesiástica, ordens clericais e serviços litúrgicos, Ele nos deixou livres para atuarmos de acordo com as nossas consciências, critério ou sentimentos religiosos; que é simplesmente um absurdo exigir "assim diz o SENHOR" para todos os pormenores das nossas instituições religiosas; que há uma ampla margem concedida para ser completada de acordo com os nossos costumes nacionais e os nossos particulares hábitos de pensar. E geralmente reconhecido que os cristãos professos gozam de perfeita liberdade para se constituírem a si próprios nas chamadas igrejas, elegerem a sua própria forma de governo, estabelecerem as suas próprias regras e nomearem os seus próprios ministrantes.
Porém, a questão que o leitor tem de resolver é esta: Estas coisas são realmente assim? E possível que o nosso Senhor JESUS CRISTO haja deixado a Sua igreja sem orientação em matéria de tanto interesse e importância ? Será possível que a Igreja de DEUS esteja em piores condições, sobre o assunto de instrução e autoridade, que Israel? Em nossos estudos sobre os livros de Êxodo, Levítico e Números, temos visto — pois quem poderia deixar de ver«? os esforços maravilhosos que o
Senhor fez para instruir o Seu povo com respeito aos mais minuciosos pormenores ligados com o seu culto público e vida privada. Quanto ao tabernáculo, o templo, o sacerdócio, o ritual, as diversas festas e sacrifícios, as solenidades periódicas, os meses, os dias, as próprias horas, tudo está ordenado e disposto com divina precisão. Nada foi deixado para a mera disposição humana. A sabedoria do homem, o seu critério, o seu entendimento, a sua consciência, nada tiveram que ver com o assunto. Tivesse isso sido deixado ao critério do homem, como seria possível que tivéssemos tido esse sistema admirável, profundo e transcendente em símbolo que a pena inspirada de Moisés pôs diante de nós? Se a Israel tivesse sido permitido fazer o que — como muitos de boa vontade procuram persuadir-nos — é consentido à igreja, que confusão, que contendas, que divisões, que interminável número de seitas e partidos não teria havido como resultado inevitável!
Não Obstante, a Escritura é Clara
Mas não era assim. A Palavra de DEUS estabelecia tudo. "Conforme a tudo o que o SENHOR lhe mandara acerca deles." Esta magna e influente expressão estava ligada a tudo que Israel tinha que fazer e também a tudo quanto não devia fazer. As suas instituições nacionais e os seus costumes domésticos, a sua vida pública e privada — tudo estava sob a autoridade imperativa da expressão "assim diz o SENHOR". Não havia lugar para que qualquer membro da congregação pudesse dizer: "Não me parece, ou não posso estar de acordo com isto ou com aquilo." Tal linguagem só podia ser considerada como fruto da vontade própria. De igual modo podia dizer: "Não posso concordar com o Senhor." E por quê? Simplesmente porque a Palavra do Senhor havia falado sobre tudo, e isto também com tal clareza e simplicidade que não deixava lugar para discussões humanas. Por todo o conjunto da economia mosaica não havia tanto como a espessura de um cabelo de margem livre para introduzir a opinião ou o parecer do homem. Não competia ao homem acrescentar o peso de uma pena a esse vasto sistema de figuras e sombras que haviam sido planejadas pela mente divina, e expostas em linguagem tão clara e concisa, que tudo quanto Israel tinha a fazer era obedecer— não tinha que arguir, raciocinar nem discutir, mas obedecer!
Mas, ah, eles caíram, como sabemos! Fizeram a sua própria vontade; seguiram o seu próprio caminho, "cada qual fazia o que parecia reto aos seus olhos". Desviaram-se da Palavra de DEUS e seguiram as imaginações e projetos dos seus corações pecaminosos, e atraíram sobre si mesmos a ira e indignação da Deidade ofendida, sob a qual sofrem até este dia, e sofrerão ainda tribulação sem exemplo. Porém, tudo isto deixa intato o ponto sobre o qual estamos falando. Israel tinha os oráculos de DEUS; e estes oráculos eram divinamente suficientes para sua orientação em tudo. Não restava lugar para os mandamentos e doutrinas dos homens. A Palavra dos Senhor provia a todas as exigências possíveis, e essa Palavra era suficientemente clara para tomar desnecessário todo o comentário humano. Está a Igreja de DEUS em piores condições a respeito de orientações e autoridade que o antigo Israel? Os cristãos têm de pensar e de se orientarem por si mesmos no culto e serviço de DEUS? Há algumas questões em aberto para discussão humana? A Palavra de DEUS é suficiente ou não? Deixou de prover alguma coisa? Atendamos diligentemente ao seguinte poderoso testemunho: "Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de DEUS seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra" (2 Tm 3:16-17).
Isto é concludente. A Sagrada Escritura contém tudo que o homem de DEUS pode necessitar para o fazer perfeito, para o habilitar inteiramente para tudo que pode ser chamado "uma boa obra". E se isto é verdadeiro quanto ao homem de DEUS individualmente, é igualmente verdadeiro quanto à Igreja de DEUS coletivamente. A Escritura é suficiente para cada um: para todos. Graças a DEUS que é assim! Que notável mercê ter um livro divino por guia! Se não fosse assim, que faríamos? Para onde nos voltaríamos? Que seria de nós? Se fôssemos deixados às tradições humanas e aos preparativos humanos nas coisas de DEUS, que confusão desesperada! Que opiniões discordantes! E tudo isto necessariamente porquanto um homem teria tanto direito como outro a dar a sua opinião e propor o seu plano. Dir-nos-ão talvez que, apesar de estarmos de posse da Escritura Sagrada, temos, contudo, seitas, partidos, credos, e escolas de pensamento quase inumeráveis. Mas por que é isto assim? Simplesmente porque recusamos submeter todo o nosso ser moral à autoridade da Sagrada Escritura. Este é o verdadeiro segredo do assunto — a verdadeira origem dessas seitas e partidos que são a vergonha e tristeza da Igreja de DEUS.
E inútil que os homens nos digam que estas coisas são boas em si mesmas; são o legítimo fruto do livre exercício de pensamento e juízo privado que formam a própria jactância e glória da cristandade protestante. Nós não cremos e não podemos crer, nem por um momento, que um tal argumento seja admitido ante o tribunal de CRISTO. Pelo contrário, cremos que esta tão alardeada liberdade de pensamento e independência de critério estão em direta oposição com aquele espírito de profunda e reverente obediência que é devido ao nosso adorável Senhor e Mestre. Que direito tem um servo de exercer o seu juízo particular ante a vontade terminantemente expressa do seu Senhor«? Absolutamente nenhum. O dever de um servo é simplesmente obedecer, não raciocinar ou discutir; mas fazer o que se lhe manda. Cai em falta como servo precisamente na medida em que exerce o seu próprio juízo particular. A característica mais agradável do caráter de um servo é a obediência implícita e indiscutível. O grande dever de um servo é fazer a vontade do seu senhor.
Tudo isto se admite inteiramente nos negócios humanos; mas, nas coisas de DEUS, os homens julgam-se autorizados a exercer o seu juízo particular. E um erro fatal. DEUS deu-nos a Sua Palavra; e essa Palavra é tão clara que os homens que passam, embora loucos, não necessitam de errar nela. Por isso, se todos fôssemos guiados por essa Palavra, se todos nos inclinássemos com espírito de absoluta obediência à sua autoridade divina, não poderia haver opiniões contraditórias e seitas opostas. E inteiramente impossível que a voz da Sagrada Escritura possa ensinar doutrinas opostas. Ela não pode, de modo algum, ensinar a um homem a doutrina episcopal, a outro a presbiteriana, e a independente. Não pode, de modo nenhum, proporcionar uma base para escolas opostas de pensamento. Seria um insulto positivo contra o volume divino pretender atribuir-lhe toda a triste confusão da igreja professante. Toda a mente piedosa retrocederá com justificado horror ante um tão ímpio pensamento. A Escritura não pode contradizer-se a si mesma, e portanto se dois homens ou dez mil são exclusivamente ensinados pela Escritura pensarão da mesma maneira.
Ouçamos o que o bendito apóstolo diz à igreja de Corinto — o que nos diz a nós: "Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor JESUS CRISTO — note-se a poderosa força moral deste apelo — que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer" (I Co 1:10).
Ora, a questão é: como deveria ser alcançado este bendito resultado? Era acaso exercendo cada um o direito de juízo privado? Ah, foi precisamente isto que deu origem a todas as divisões e contendas na assembleia de Corinto e motivou a forte reprimenda do ESPÍRITO SANTO! Aqueles infelizes Coríntios pensavam que tinham o direito de pensar e julgar e escolher por si mesmos, e qual foi o resultado? "Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloe que há contendas entre vós. Quero dizer, com isso, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu, de Apoio, e eu, de Cefas, e eu, de CRISTO. Está CRISTO dividido?-"
Aqui temos o juízo privado e o seu triste fruto — o seu fruto inevitável. Um homem tem tanto direito a pensar por si mesmo como outro; e nenhum homem tem direito algum de impor a sua opinião a outro. Onde está pois o remédio? Em arrojar ao vento o nosso juízo privado e nos submetermos reverentemente à autoridade suprema e absoluta da Sagrada Escritura. Se assim não fosse, como podia o apóstolo rogar aos Coríntios "que digais todos uma mesma coisa ... antes, sejais unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer" Quem devia prescrever "a mesma coisa" que todos deviam dizer? Em cujo "parecer" ou "sentido" deviam estar "unidos"? Tinha algum membro da assembleia, por mais dotado ou inteligente, a mais pequena sombra de direito para apresentar o que os irmãos deviam falar, pensar ou julgar? Certamente que não. Havia uma autoridade absoluta, porque era divina, a que todos tinham de submeter-se, ou antes, à qual todos tinham o privilégio de se submeterem. As opiniões humanas, o próprio critério do homem, a sua consciência a sua razão, todas estas coisas devem apreciar-se pelo que valem; e, com toda a certeza, são perfeitamente inúteis como autoridade. A Palavra de DEUS é a única autoridade, e se todos formos governados por ela diremos todos a mesma coisa e não haverá entre nós divisões; mas "seremos unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer."
Formosa situação! Mas não é, infelizmente, a situação atual da Igreja de DEUS; e portanto é perfeitamente claro que não estamos todos governados pela única suprema, absoluta e toda suficiente autoridade — a voz da Sagrada Escritura — essa bendita voz que não pode nunca proferir uma nota discordante —, uma voz sempre divinamente harmoniosa para todo o ouvido circuncidado.
Nisto está a raiz de toda a questão. A igreja tem-se separado da autoridade de CRISTO, como está exposta na Sua Palavra. Até que isto seja visto, é apenas perder tempo discutir as pretensões dos sistemas eclesiásticos ou teológicos em conflito. Se um homem não compreende que é seu dever sagrado comprovar pela Palavra de
DEUS todo o sistema eclesiástico, todo o serviço litúrgico e todo o credo teológico, a discussão é inteiramente inútil. Se é permitido resolver as coisas segundo a conveniência, segundo o parecer do homem, a sua consciência ou a sua razão, então podemos realmente abandonar o caso como irremediável. Se não é estabelecida uma autoridade divina, uma norma perfeita, um guia infalível, não podemos ver como seja possível alguém ter a certeza de que segue o verdadeiro caminho. Se na realidade e verdade que podemos escolher por nós próprios, entre as quase inumeráveis sendas que estão diante de nós, então podemos dizer adeus a toda a certeza; dizer adeus à paz de espírito e repouso do coração; adeus a toda a santa estabilidade de proposto e firmeza de alvo. Se não podemos dizer do terreno que ocupamos, da senda que seguimos, e da obra em que estamos ocupados isto é o que o Senhor ordenou, podemos estar certos de que estamos numa situação errada e, quanto mais depressa a abandonarmos, tanto melhor.
A Voz de CRISTO
Graças a DEUS, não há nenhuma necessidade para os Seus filhos nem para os Seus servos de continuarem, nem mais uma hora, em ligação com o que é mau. "Qualquer que profere o nome de CRISTO aparte-se da iniquidade." Mas como havemos de saber o que é iniquidade? Pela Palavra de DEUS. Qualquer coisa que for contrária à Escritura, em moral ou em doutrina, é iniquidade, e eu devo separar-me dela, custe o que custar. E um assunto individual. "Todo aquele que". "Quem tem ouvidos". "Ao que vencer". "Se alguém ouvir a minha voz".
Eis o ponto. Notemo-lo bem. E a voz de CRISTO. Não é a voz deste ou daquele bom homem; não é a voz da igreja, a voz dos pais, a voz dos concílios gerais, mas a voz de nosso amado Senhor e Mestre. E a consciência individual em contato direto com a voz de CRISTO, a Palavra de DEUS viva e eterna — as Sagradas Escrituras. Se fosse meramente uma questão de consciência humana, ou de critério ou de autoridade, seríamos imediatamente submergidos em desesperada incerteza, visto que um homem poderia considerar ser iniquidade, outro poderia considerá-lo perfeitamente reto. Deve haver um padrão fixo para se seguir, uma autoridade suprema da qual não pode haver apelo; e, bendito seja DEUS, este padrão existe. DEUS tem falado; tem-nos dado a Sua Palavra; e é ao mesmo tempo o nosso dever, o nosso elevado privilégio, nossa segurança moral e nosso verdadeiro gozo obedecer a essa Palavra.
Não quero dizer à interpretação humana da Palavra, mas à própria Palavra. Isto é muito importante. Não devemos ter absolutamente nada entre a consciência humana e a revelação divina. Os homens falam-nos sobre a autoridade da igreja. Onde devemos encontrá-la? Suponhamos uma alma realmente ansiosa, honesta, sincera, que deseja conhecer o verdadeiro caminho. E-lhe dito para escutar a voz da igreja. Ele pergunta, que igreja? E a grega, a latina, a anglicana ou a igreja escocesa?- Não consegue duas respostas concordes. Ainda mais; há partidos em conflito, seitas em contenda, escolas de pensamento oposto em uma e mesma denominação. Os concílios têm diferido uns dos outros; os pais não têm sido de acordo; os papas têm-se excomungado uns aos outros. No sistema anglicano temos a igreja alta, a igreja humilde e a igreja liberal, cada uma fazendo diferença das outras. Na igreja escocesa ou presbiteriana, temos a igreja escocesa, a presbiteriana unida e a igreja livre. E em seguida se o investigador ansioso deixa esses grandes corpos denominacionais em desesperada perplexidade a fim de orientação nas fileiras dos protestantes dissidentes, encontra porventura alguma coisa melhor? Ah, prezado leitor, é completamente inútil! A igreja professante no seu conjunto tem-se insurgido contra a autoridade de CRISTO, e não pode de modo algum ser guia ou autoridade para ninguém. No segundo e terceiro capítulos do livro de Apocalipse, a igreja é encarada sob o juízo, e o apelo, repetido sete vezes, é: "Quem tem ouvidos, ouça" — o quê?- A voz da igreja?- Impossível! O Senhor nunca nos mandará ouvir a voz do que está sob o juízo. Então, ouvir o quê>? "Ouça o que o ESPÍRITO diz às igrejas."
E onde pode ser ouvida esta voz"? Unicamente nas Sagradas Escrituras, dadas por DEUS, em Sua infinita bondade, para guiar as nossas almas no caminho da paz e verdade, não obstante a ruína desesperada da igreja, e as trevas espessas e turbulenta confusão da cristandade professante. Não cabe nos limites da linguagem humana mostrar o valor e a importância de contar com um guia divino e portanto infalível e suficiente para a nossa carreira individual.
Mas note-se que nós estamos solenemente obrigados a nos inclinarmos a essa autoridade e a seguir esse guia. E inteiramente inútil e na verdade moralmente perigoso professar que temos um guia e uma autoridade divinos e não lhes estarmos inteiramente sujeitos. Era isto que caracterizava os judeus nos dias de nosso Senhor. Tinham as Escrituras, mas não as obedeciam. E um dos característicos mais tristes na atual situação da cristandade e vangloriar-se da possessão da Bíblia, enquanto que a autoridade dessa Bíblia é descaradamente posta de lado.
Sentimos profundamente a gravidade deste fato e desejamos sinceramente gravá-lo na consciência do leitor cristão. A Palavra de DEUS é virtualmente ignorada entre nós. São praticadas e sancionadas coisas por toda a parte, que não somente não têm fundamento algum na Escritura, mas estão diametralmente opostas a ela. Não somos exclusivamente ensinados nem absolutamente governados pela Escritura.
Tudo isto é muito grave e exige a atenção de todo o povo do Senhor, em toda a parte. Sentimo-nos compelidos a formular uma advertência aos ouvidos de todos os cristãos, a respeito desta grave questão. De fato, é o sentido da sua gravidade e a sua vasta importância moral que nos levou a empreender a obra de escrever "Estudos sobre o Livro de Deuteronômio". A nossa fervorosa oração é que o ESPÍRITO SANTO possa usar estas páginas para trazer de novo os corações do amado povo do Senhor ao seu verdadeiro e próprio lugar, ou seja o lugar de reverente fidelidade à Sua bendita Palavra. Estamos persuadidos de que o que caracterizará todos os que quiserem andar piamente, nas horas finais da história terrestre da Igreja, será uma piedosa reverência à Palavra de DEUS e uma verdadeira adesão à Pessoa de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO. As duas coisas estão inseparavelmente unidas por um elo sagrado e imperecível.
"Voltai-vos e parti"
"O SENHOR, nosso DEUS, nos falou em Horebe, dizendo: Tempo bastante haveis estado neste monte. Voltai-vos e parti; ide à montanha dos amorreus, e a todos os seus vizinhos e à planície, e à montanha, e ao vale, e ao Sul, e à ribeira do mar; à terra dos cananeus, e ao Líbano, até ao grande rio, o rio Eufrates" (versículos 6 e 7). Através de todo o livro de Deuteronômio poderemos ver que o Senhor trata muito mais direta e simplesmente com o povo do que em qualquer dos três livros precedentes; tão longe está de ser verdade que o Deuteronômio é uma mera repetição do que temos tido diante de nós nos quatro volumes precedentes. Por exemplo, na passagem que acabamos de citar não é mencionado o movimento da nuvem; não se refere o sonido da trombeta. "O SENHOR, nosso DEUS, nos falou." Sabemos, pelo livro de Números que os movimentos do acampamento estavam condicionados pelos movimentos da nuvem, comunicados pelo sonido da trombeta. Mas neste livro não se faz alusão nem à nuvem nem à trombeta. E muito mais simples e familiar. "O SENHOR, nosso DEUS, nos falou em Horebe, dizendo: Tempo bastante haveis estado neste monte."
Como tudo isto é formoso! Nos recorda um pouco da amável simplicidade dos tempos patriarcais, quando o Senhor falava aos pais como um homem fala ao seu amigo. Não era pelo sonido de uma trombeta ou pelo movimento de uma nuvem que o Senhor comunicava os Seus pensamentos a Abraão, Isaque e Jacó. Estava tão perto deles que não havia necessidade nem lugar para a intervenção de agentes caracterizados por cerimónia e a distância. Visitava-os, sentava-Se com eles, participava da sua hospitalidade em toda a intimidade da amizade pessoal.
Tal é a encantadora simplicidade da ordem de coisas nos tempos patriarcais; e é isto que confere um encanto especial às narrativas do livro de Génesis.
Mas em Êxodo, Levítico e Números temos uma coisa muito diferente. Neles expõe-se perante nós um vasto sistema de símbolos e sombras, ritos, ordenações e cerimónias impostas ao povo naquele tempo, cujo significado nos é apresentado na epístola aos Hebreus. "Dando nisto a entender o ESPÍRITO SANTO que ainda o caminho do Santuário não estava descoberto, enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo, que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço, consistindo somente em manjares, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção" (Hb 9:8 a 10). Debaixo deste sistema, o povo estava a uma certa distância d DEUS. Não acontecia com eles o mesmo que havia sido com seus pais, no livro de Génesis. DEUS estava recolhido para eles; e eles permaneciam fora. As principais características do cerimonial levítico, no que dizia respeito ao povo, eram servidão, trevas e afastamento. Mas, por outro lado, os seus tipos e sombras indicavam aquele grande sacrifício que é o fundamento de todos os maravilhosos desígnios e propósitos de DEUS, e mediante o qual pode, com perfeita justiça, e de acordo com o amor do Seu coração, ter um povo perto de Si, para louvor da glória da Sua graça, por todos os séculos áureos da eternidade.
Já fizemos notar que encontramos comparativamente muito pouco acerca de ritos e cerimónias no livro de Deuteronômio. O Senhor é visto mais em direta comunicação com o povo; e até mesmo os sacerdotes, no seu cargo oficial, raras vezes aparecem perante nós; e se são mencionados é mais propriamente de um modo moral e não cerimonial. Teremos amplas provas disto no decorrer dos nossos comentários: é uma característica notável deste formoso livro.
"O SENHOR, nosso DEUS, nos falou em Horebe, dizendo: Tempo bastante haveis estado neste monte. Voltai-vos e parti e ide à montanha os amorreus." Que raro privilégio para qualquer povo, ter o Senhor tão perto de si e tão interessado em todos os seus movimentos e em tudo quanto lhes interessa, seja pequeno ou grande! O Senhor sabia quanto tempo eles deveriam permanecer em um lugar determinado e para onde deveriam em seguida dirigir os seus passos. Não tinham necessidade de se preocupar com as suas jornadas, ou de qualquer coisa mais. Estavam sob o olhar e nas mãos dAquele cuja sabedoria era infalível, cujo poder era onipotente, cujos recursos eram inesgotáveis, cujo amor era infinito, que havia tomado a Seu cargo cuidar deles, que conhecia todas as suas necessidades e estava pronto a satisfazê-las, segundo todo o amor do Seu coração e a força do Seu santo braço.
O que restava, portanto, podemos perguntar, para eles fazerem? Qual era o seu dever simples e claro?- Apenas obedecer. Era seu elevado e santo privilégio descansar no amor e obedecer aos mandamentos do Senhor, seu DEUS do concerto. Nisto estava o segredo bendito da sua paz, a sua felicidade e a sua segurança moral. Não tinham nenhuma necessidade para se preocuparem com os seus movimentos nem de fazerem projetos ou arranjos. As suas jornadas eram todas ordenadas por Um que conhecia cada passo do caminho desde Horebe a Cades-Barnéia; e eles tinham apenas de viver dia a dia em feliz dependência d'Ele.
Ditosa posição! Senda privilegiada! Sorte feliz! Mas isto exigia uma vontade quebrantada — um espírito obediente — um coração submisso. Se, quando o Senhor havia dito: "Tempo bastante haveis estado neste monte", eles, pelo contrário, tivessem formado o propósito de o percorrer algum tempo mais, teriam de o percorrer sem Ele. Só podiam contar com a Sua companhia, o Seu conselho e o Seu auxílio no caminho da obediência.
Assim acontecia com Israel nas suas peregrinações pelo deserto, e assim acontece conosco. E nosso precioso privilégio deixar todos os nossos assuntos não meramente nas mãos do DEUS do concerto, mas nas mãos de um Pai amantíssimo. Ele arranja os nossos movimentos; determina os limites da nossa habitação; diz-nos quanto tempo devemos permanecer num lugar e aonde devemos ir em seguida. Tem tomado à Sua conta tudo quanto nos diz respeito, todos os nossos movimentos e todas as nossas necessidades. A Sua graciosa Palavra diz-nos: "Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de DEUS, pela oração e súplicas, com ações de graças." E depois«?- "E a paz de DEUS, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em CRISTO JESUS" (Fp 4:6-7).
De que Maneira DEUS Hoje Guia o Seu Povo?
Mas talvez o leitor se sinta disposto a perguntar: De que maneira guia DEUS agora o Seu povo? Não podemos esperar ouvir a voz dizendo-nos quando nos devemos movimentar ou aonde devemos ir. A isto respondemos prontamente dizendo que não pode ser que os membros da Igreja de DEUS, o corpo de CRISTO, estejam em piores condições, quanto ao assunto de direção divina, do que Israel no deserto. Não pode DEUS guiar os Seus filhos—não pode CRISTO guiar os Seus servos em todos os seus movimentos e em todo o seu serviço?- Quem poderá, ainda que por um só momento, pôr em dúvida uma verdade tão clara e preciosa? Decerto, não esperamos ouvir uma voz ou ver o movimento de uma nuvem; mas temos o que é muito melhor, muito mais elevado, muito mais íntimo. Podemos estar certos de que o nosso DEUS tem feito ampla provisão a este respeito para nós, como em tudo o mais, segundo o grande amor de Seu coração.
Pois bem, há três maneiras de sermos guiados: somos guiados pela Palavra de DEUS; somos guiados pelo ESPÍRITO SANTO; e somos guiados pelos instintos da natureza divina. E devemos recordar que os instintos da natureza divina, a direção do ESPÍRITO SANTO e o ensino da Sagrada Escritura estão sempre em harmonia. E da maior importância termos isto sempre diante de nós. Uma pessoa podia imaginar que era guiada pelos instintos da natureza divina ou pelo ESPÍRITO SANTO ao prosseguir certa linha de ação que envolve consequências em contradição com a Palavra de DEUS. Desta forma o seu equívoco toma-se aparente. E uma cosia muito grave para qualquer pessoa atuar por simples impulso ou impressão. Atuando assim, expõe-se a cair numa cilada do diabo e a causar sério prejuízo à causa de CRISTO. Devemos pesar com toda a calma as nossas impressões nas balanças do santuário, e pô-las fielmente à prova pelo padrão da Palavra divina. Desta forma seremos guardados do erro e do engano. E muito perigoso confiar nas impressões ou agir por impulso. Havemos visto as mais desastrosas consequências produzidas por assim se atuar. Os fatos podem ser dignos de confiança. A autoridade divina é absolutamente infalível. As nossas impressões podem ser tão enganosas como um fogo- fátuo ou a miragem do deserto. Os sentimentos humanos não são dignos de confiança. Devemos submetê-los sempre ao mais rigoroso exame, a fim de que não nos induzam a uma falsa linha de ação que nos seria fatal. Podemos confiar na Escritura sem uma sombra de dúvida; e descobriremos que, sem exceção, o homem que é guiado pelo ESPÍRITO SANTO, ou guiado pelos instintos da natureza divina, nunca atua em oposição à Palavra de DEUS. Isto é o que podemos chamar um axioma na vida divina uma regra estabelecida no cristianismo prático. Ah, se se houvesse dado mais atenção a isto em todas as épocas da história da igreja! Oxalá seja mais ponderado nos nossos dias!
Mas há outro ponto, nesta questão de direção divina, que reclama a mais séria atenção. Ouvimos frequentemente pessoas que falam do "dedo da divina providência" como de alguma coisa digna de confiança para serem guiadas. Isto pode ser apenas outro modo de expressar a ideia de serem guiadas pelas circunstâncias, que, não hesitamos em dizer, está muito longe, com efeito, de ser a própria espécie de direção para um cristão.
Sem dúvida, nosso Senhor pode, e em certos casos o faz, dar- nos a entender o Seu pensamento e indicar-nos a nossa senda em Sua providência; mas temos de estar suficientemente perto d'Ele para podermos interpretar acertadamente essa providência, de contrário, pode dar-se o caso de o que se chama "uma oportunidade da providência" se converter em realidade numa abertura por onde escapamos do caminho da obediência. Tanto as circunstâncias que nos rodeiam como as nossas impressões íntimas devem ser ponderadas na presença de DEUS e avaliadas à luz da Sua Palavra, de contrário podem levar-nos a cometer os mais graves erros. Jonas podia ter imaginado que era notável circunstancia da providência encontrar um barco que ia para Társis, mas se tivesse estado em comunhão com DEUS, nunca teria necessidade de um barco. Em suma, a Palavra de DEUS é a grande regra e a perfeita pedra de toque para tudo — para as circunstâncias externas e impressões íntimas — para os sentimentos, as imaginações e tendências — tudo deve ser posto sob a luz esquadrinhadora da Sagrada Escritura a ali julgado calma e seriamente. Esta é a verdadeira senda de segurança, paz e bem- aventurança para todo o filho de DEUS.
Pode, contudo, dizer-se, em resposta a tudo isto, que nós não podemos esperar encontrar um texto da Escritura para nos guiar no assunto das nossas ações ou nos mil pormenores da vida diária. Talvez não; mas há certos princípios importantes expostos na Escritura que, se forem devidamente aplicados, nos proporcionarão direção divina, até mesmo quando não podermos encontrar um texto aplicável a cada caso particular. E não apenas isto, mas temos a mais completa certeza de que o nosso DEUS pode guiar e guia os Seus filhos em todas as coisas. "Os passos de um homem bom são confirmados pelo SENHOR." Guiará os mansos retamente; e aos mansos ensinará o seu caminho." "Guiar-te-ei com os meus olhos". Ele pode dar-nos a conhecer os Seus pensamentos sobre este ou aquele ato particular ou sobre a nossa conduta. Se não é assim, onde estamos? Como podemos continuará Como vamos regular os nossos movimentos"? Vamos ser levados de cá para lá pela onda das circunstâncias? Ficamos à mercê da cega casualidade ou ao simples impulso da nossa própria vontade?
Graças a DEUS, não é assim. Ele pode, em Sua perfeita maneira, dar-nos a certeza do Seu pensamento sobre todo o caso que se apresenta; e sem certeza não devemos dar um passo. Nosso Senhor JESUS CRISTO — honra seja ao Seu nome incomparável para todo o sempre! — pode indicar o Seu pensamento a um servo Seu para que vá aonde Ele quer e faça o que Ele quer que ele faça; e nenhum verdadeiro servo pensará jamais em agir ou atuar sem essa indicação. Se não estamos certos dessa indicação, esperemos antes de agir. Acontece muitas vezes que nos cansamos e impacientamos com tarefas que DEUS de nenhum modo nos tem confiado. Alguém disse certa ocasião a um amigo: "Estou completamente desorientado sobre o caminho que devo tomar." "Então não tomes nenhum", foi a reposta sensata daquele amigo.
Andemos na Direção Indicada
Porém, aqui apresenta-se um ponto moral de absoluta importância, isto é, o estado da nossa alma. Isto, podemos ficar certos, tem muito que ver com a questão de direção. E aos mansos que
Ele guiará retamente e ensinará o seu caminho. Não devemos nunca esquecer isto. Se formos fiéis e não confiarmos em nós mesmos; se esperarmos em DEUS, em simplicidade de coração, retidão de pensamento e propósitos honestos, Ele nos guiará, sem dúvida alguma. Mas de nada servirá pedir o conselho de DEUS sobre um assunto em que já estamos decididos ou a nossa vontade está em ação.
Isto é uma fatal ilusão. Vejamos o caso de Josafá em 1 Reis 22. "Porém, no terceiro ano, sucedeu que Josafá, rei de Judá, desceu para o rei de Israel" — um triste erro, para começar — "e o rei de Israel disse aos seus servos: Não sabeis vós que Ramote-Gileade é nossa, e nós estamos quietos, sem a tomar da mão do rei da Síria? Então disse a Josafá: Irás tu comigo à peleja a Ramote-Gileade? E disse Josafá ao rei de Israel: Serei como tu és, e o meu povo, como o teu povo, e os meus cavalos, como os teus cavalos" e, como vemos em 2 Crónicas 18:3, "seremos contigo nesta guerra."
Aqui vemos que Josafá tinha já decidido o seu propósito antes de ter pensado pedir o conselho de DEUS sobre o assunto. Estava numa falsa posição e numa atmosfera absolutamente má. Tinha caído nas ciladas do inimigo por falta de sinceridade, e por isso não estava num estado próprio para receber ou aproveitar da direção divina. Estava inclinado à sua própria vontade e o Senhor deixou que ele recolhesse o fruto dela; e não fora a infinita e soberana misericórdia de DEUS, e ele teria caído à espada dos sírios e sido levado cadáver do campo de batalha.
E verdade que ele disse ao rei de Israel: "Consulta, porém, hoje a palavra do SENHOR." Mas de que serviria isto, quando ele já se havia comprometido a atuar de um modo determinado? Que loucura revela todo aquele que forma um propósito definido e então vai pedir o conselho do Senhor! Tivesse Josafá estado reto e alma, e nunca teria procurado conselho num tal caso. Mas o estado da sua alma era mau, a sua posição falsa e o seu propósito estava em direta oposição com o pensamento e a vontade de DEUS. Por isso, embora ouvisse dos lábios do mensageiro do Senhor o Seu solene juízo contra aquela expedição, seguiu o seu próprio caminho e como consequência por pouco ia perdendo a vida.
Vemos a mesma coisa no capítulo 42 de Jeremias. O povo dirigiu-se ao profeta pedindo conselho quanto à sua intenção de descerem ao Egito. Mas já haviam resolvido o assunto. Estavam decididos a fazer a sua própria vontade. Miserável estado! Tivessem eles sido mansos e humildes e não teriam necessidade de pedir conselho sobre o assunto. Mas eles disseram ao profeta Jeremias: "Caia agora a nossa súplica diante de ti, e roga por nós ao SENHOR, teu DEUS" — porque não
dizer, o Senhor nosso DEUS? "por todo este resto; porque de muitos restamos
uns poucos, como veem os teus olhos; para que o SENHOR, teu DEUS, nos ensine o caminho por onde havemos de andar e aquilo que havemos de fazer. E disse-lhes Jeremias, o profeta: Eu vos ouvi; eis que orarei ao SENHOR, VOSSO DEUS, conforme as vossas palavras; e seja o que for que o SENHOR VOS responder, eu vo-lo declararei; não vos ocultarei nada. Então, eles disseram a Jeremias: Seja o SENHOR entre nós testemunha da verdade e fidelidade, se não fizermos conforme toda a palavra com que te enviar a nós o SENHOR, teu DEUS. Seja ela boa, ou seja má" — como poderia a vontade de DEUS ser alguma coisa que não fosse boa? — "à voz do SENHOR nosso DEUS, a quem te enviamos, obedeceremos, para que nos suceda bem, obedecendo à voz do SENHOR, nosso DEUS."
Ora tudo isto parecia muito piedoso e prometedor. Mas note- se a sequência. Quando descobriram que o juízo e conselho de DEUS não estavam de acordo com a sua própria vontade, "Então, falou Azarias... e todos os homens soberbos, dizendo a Jeremias: Tu dizes mentiras; o SENHOR, nosso DEUS, não te enviou a dizer: Não entreis no Egito, para lá peregrinardes."
Aqui o estado verdadeiro do caso vem claramente à luz. O orgulho e a obstinação estavam em atividades. Os seus votos e promessas eram falsos. "...Enganastes a vossa alma", diz Jeremias, "pois me enviastes ao SENHOR, VOSSO DEUS, dizendo: Ora por nós ao SENHOR, nosso DEUS; e, conforme a tudo que disser o SENHOR, DEUS nosso, declara-no-lo assim, e o faremos." Tudo teria sido muito bem, se a resposta divina tivesse correspondido à sua vontade sobre o assunto; mas, visto que ia contra ela, rejeitaram- na por completo.
Quantas vezes é este o caso! A Palavra de DEUS não agrada aos pensamentos do homem; julga-os; está em oposição direta à sua vontade; choca-se com os seus planos e por isso ele rejeita-a. A vontade humana e a razão humana estão sempre em direto antagonismo com a Palavra de DEUS; e o cristão deve rejeitar tanto uma como a outra, se deseja realmente ser divinamente guiado.
Uma vontade insubmissa e uma razão cega, se lhes prestamos atenção, só nos podem conduzir às travas, miséria e desolação. Jonas queria ir para Társis, quando deveria ter ido para Nínive; e a consequência foi que se encontrou "no ventre do inferno", e "as algas se enrolaram na sua cabeça". Josafá quis ir a Ramote-Gileade quando deveria ter estado em Jerusalém; e o resultado foi encontrar-se rodeado pelas espadas dos sírios. O remanescente, nos dias de Jeremias, queria ir para o Egito, quando deveria ter permanecido em Jerusalém, e o resultado foi eles morrerem à espada, pela fome e pela peste na terra do Egito, onde desejavam "entrar para lá peregrinar".
Assim terá de ser sempre. A vereda da obstinação há de ser forçosamente uma senda de trevas e miséria. Não pode ser de outra maneira. Pelo contrário, a vereda de obediência é uma senda de paz, de luz e de bênção, um caminho em que os raios do favor divino são sempre projetados em vivo resplendor. Pode parecer à vista humana estreito, áspero e solitário; mas a alma obediente acha que é o caminho da vida, paz e segurança moral.
A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." Bendita vereda! Que o autor e o leitor destas páginas sejam sempre achados trilhando-a, com pé firme e propósito sincero!
Antes de deixar este grande tema prático de direção divina e obediência humana, devemos rogar ao leitor para referir, por uns momentos, uma belíssima passagem do capítulo 11 de Lucas.
"A candeia do corpo é o olho, sendo pois, o teu olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o teu corpo será tenebroso. Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas. Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo será luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplandor" (versículos 34 a 36).
Nada pode exceder a força moral e a beleza desta passagem. Antes de tudo, temos o "olho simples". Isto é essencial para gozar a direção divina. Indica uma vontade quebrantada — um coração honestamente decidido a fazer a vontade de DEUS. Não interesses ocultos, motivos diversos, nem afins pessoais em vista. Existe o único e simples desejo e sincero propósito de fazer a vontade e DEUS, seja qual for essa vontade.
Quando a alma está nesta atitude, a luz divina desce em caudal e enche completamente o corpo. Por isso segue-se que se o corpo não está cheio da luz, o olho não é simples; existem vários motivos; a obstinação ou o interesse próprio está agindo; não somos retos perante DEUS. Neste caso, qualquer luz que professamos é trevas; e não há trevas mais densas ou terríveis como as trevas judiciais que se apoderam do coração que é governado pela obstinação enquanto professa ter luz de DEUS. Isto será visto em breve na cristandade, quando "Então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E, por isso, DEUS lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira, para que sejam julgados todos os que não creram a verdade; antes, tiveram prazer na iniquidade" (2 Ts 2:8-12).
Como isto é terrível! Quão solenemente fala a toda a igreja professante! E quão solenemente se dirige à consciência tanto do autor como do leitor destas linhas! A luz que não produz efeito converte-se em trevas. "Se a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!" Mas por outro lado uma pequena luz seguida honestamente é certo crescer; "porque ao que tem ser-lhe-á dado"; e "...a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito."
Este progresso moral é descrito com toda a sua beleza e força em Lucas 11:36: "Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma" — nenhum aposento fechado aos raios celestiais, nenhuma reserva desonrosa, todo o ser moral amplamente aberto, em verdadeira simplicidade à ação da luz divina, então, "todo será luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplandor." Em suma, a alma obediente não somente tem luz para a sua própria vereda, mas a luz resplandece, de forma que os outros a veem, como o esplendor de uma candeia. "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus."
Temos um vivo contraste com tudo isto em capítulo 13 de Jeremias. "Dai glória ao SENHOR, VOSSO DEUS, antes que venha a escuridão e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; antes que, esperando vós luz, ele a mude em sombra de morte e a reduza à escuridão." A maneira de dar glória ao Senhor, nosso DEUS, é obedecer à Sua Palavra. A vereda do dever é uma vereda brilhante e bendita; e aquele que, pela graça, trilha essa vereda não tropeçará nunca nas escuras montanhas. Aquele que é verdadeiramente humilde, submisso e que não confia em si próprio, manter-se-á a distância dessas montanhas de obscuridade e andará nessa bendita vereda que está sempre iluminada pelos resplandecentes e alegres raios do semblante de DEUS, em sinal de aprovação.
Esta é a vereda do justo, a vereda da sabedoria celestial, a vereda de paz perfeita. Possamos nós, prezado leitor, trilhar sempre esta vereda; e não esqueçamos nunca, nem por um momento, que é o nosso elevado privilégio ser divinamente guiados nos mais minuciosos pormenores da vida diária. Ai daquele que não é assim guiado! Era muitos tropeços, muitas quedas, muitas tristes experiências. Se não somos guiados pela vista do nosso Pai, seremos como o cavalo ou a mula que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio — como o cavalo que se arroja impetuosamente onde não deveria ou a mula que recusa obstinadamente ir aonde deve ir. Como é triste que um cristão seja como eles! Quão bem- aventurada coisa é andar, dia a dia, na vereda marcada para nós pelo olhar de nosso Pai, uma vereda que os olhos do abutre não têm visto nem o leão tem trilhado, a vereda de santa obediência, na qual os mansos e humildes se encontrarão sempre para seu profundo gozo e louvor e glória dAquele que a abriu para eles e lhes dá graça para a trilharem.
A Nomeação dos Chefes ou Juízes (Ex 18; Nm 11)
No que resta do nosso capítulo, Moisés repete aos ouvidos do povo, em linguagem de comovedora simplicidade, os fatos relacionados com a nomeação dos juízes e a missão dos espias. A nomeação dos juízes, Moisés atribui-a aqui à sua própria iniciativa. A missão dos espias foi dada por sugestão do povo. Esse querido e muito honrado servo de DEUS achava pesado demais o cargo da congregação; e certamente era um cargo muito pesado; ainda que sabemos bem que a graça de DEUS era demais suficiente para as exigências; e, além disso, que essa graça podia agir tão bem por intermédio de um homem como por setenta.
Contudo, podemos compreender muito bem a dificuldade que sentiu "o homem mais manso do que todos os homens que havia sobre a terra" quanto à responsabilidade de um cargo tão sério e importante; e, decerto, a linguagem em que ele concretiza a sua dificuldade é comovedora em alto grau. Achamos que é nosso dever reproduzi-la para benefício do leitor:
"E, no mesmo tempo, eu vos falei, dizendo: Eu sozinho não poderei levar-vos"—decerto que não podia; qual o simples mortal que podia fazê-lo?- Mas DEUS estava ali e podia contar-se com Ele para as exigências de todo o momento — "O SENHOR vosso DEUS já vos tem multiplicado; e eis que já hoje em multidão sois como as estrelas dos céus. O SENHOR, DEUS de vossos pais, vos aumente, como sois, ainda mil vezes mais: e vos abençoe, como vos tem falado"! Formoso parêntese! Excelente inspiração de um coração grande e humilde! — "Como suportaria eu sozinho as vossas moléstias, e as vossas cargas, e as vossas diferenças Ah, aqui está o segredo de grande parte do "embaraço" e da "carga"! Não podiam estar de acordo entre si; havia controvérsias, contendas e questões; e quem era suficiente para todas estas coisas? Que ombro humano podia suster um tal fardo? Quão diferente podia ter sido tudo com eles! Andassem eles amorosamente juntos, e não teria havido casos para decidir, e portanto nenhuma necessidade de juízos para os julgar. Se cada membro da congregação houvesse buscado a prosperidade, o interesse e a felicidade dos seus irmãos, não teria havido "contendas", "moléstias" nem "cargas". Se cada um tivesse feito tudo que estava em si para promover o bem geral, quão formoso teria sido o resultado!
Mas infelizmente não sucedeu assim com Israel no deserto; e, o que é ainda mais humilhante, não sucede assim na Igreja de DEUS, apesar de os nossos privilégios serem muito mais elevados. Apenas tinha sido formada a assembleia pela presença do ESPÍRITO SANTO, e já se faziam ouvir os acentos de murmuração e descontentamento. E sobre o quê? Sobre "o menosprezo", suposto ou verdadeiro. O que quer que foi, o ego está em ação. Se o menosprezo era puramente imaginário, os gregos eram dignos de censura; e se era verdadeiro, a censura devia cair sobre os hebreus. Sucede geralmente, em tais casos, que há culpas de ambos os lados; mas o verdadeiro meio é evitar toda a disputa, contenda e murmuração; e colocar o ego no pó e procurar sinceramente o bem dos outros. Tivesse este excelente meio sido compreendido e adotado, desde o princípio, quão diferente tarefa teriam os historiadores eclesiásticos que executar! Mas, ah, não foi adotado, e por isso a história da igreja professante, desde o princípio, tem sido um deplorável e humilhante registro de controvérsias, divisões e utas! Na própria presença do Senhor, cuja vida foi toda de própria negação, os apóstolos disputavam acerca de qual deles seria o maior. Uma tal disputa não poderia ter sido suscitada, se cada um tivesse conhecido o excelente segredo de pôr o ego no pó, e buscar os outros. Ninguém que conhece alguma coisa da verdadeira elevação moral da renúncia própria pode de modo algum procurar um lugar bom ou elevado par si mesmo. A intimidade com CRISTO satisfaz de tal modo o coração humilde que as honras, as distinções e as recompensas são tidas em pouca conta. Mas se o ego está em ação, haverá inveja e ciúme, disputas e contendas, confusão e toda a obra má.
Veja-se a cena entre os dois filhos de Zebedeu e os seus dez irmãos, no capítulo 10 de Marcos. Qual era o seu fundamento? O ego. Os dois pensavam num bom lugar para si próprios no reino; e os dez estavam irritados contra os dois por pensarem em tal coisa. Se cada um houvesse posto de lado o ego e procurado o bem dos outros, uma tal cena nunca teria sido representada. Os dois nunca teriam pensado em si mesmos, e por isso nunca teria havido motivo para a "indignação" dos dez.
Mas é desnecessário multiplicar os exemplos. Cada século de história da igreja ilustra e prova a verdade da nossa afirmação de que o ego e os seus atos odiosos são sempre a causa de lutas, contendas e divisões. Para onde quer que nos voltarmos, desde os dias dos apóstolos até aos nossos dias, veremos que o ego não mortificado é a origem frutífera de contendas e cismas. E, por outro lado, veremos que a submissão do ego e dos seus interesses é o verdadeiro segredo de paz, harmonia e amor fraternal. Se tão- -somente soubermos pôr o ego de lado e buscar sinceramente a glória de CRISTO e a prosperidade do Seu amado povo, não teremos muitos casos para "resolver".
Devemos prosseguir agora com o nosso capítulo.
"Como [suportaria eu sozinho as vossas moléstias, e as vossas cargas, e as vossas diferenças?- Tomai-vos homens sábios, inteligentes e experimentados, entre as vossas tribos, para que os ponha por vossas cabaças. Então, vós me respondestes e dissestes: Bom é de fazer a palavra que tens falado. Tomei, pois, os cabeças de vossas tribos, homens sábios e experimentados" — homens preparados por DEUS e possuindo, porque tinham direito a isso, a confiança da congregação — "e os tenho posto por cabeças sobre vós, por capitães de milhares, e por capitães de cem, e por capitães de cinquenta, e por capitães de dez, e por governadores das vossas tribos." Que admirável ordem! Se realmente tinha de ser estabelecida, nada podia ser tão bem adaptado à manutenção da ordem como a escala graduada de autoridade, variando desde o capitão de dez ao capitão de mil; com o próprio legislador à frente de todos, e em imediata comunicação com o Senhor, DEUS de Israel. Não se faz alusão aqui ao fato registrado em Êxodo 18, a saber: que a nomeação destes juízes foi feita por sugestão de Jetro, sogro de Moisés. Nem tampouco se faz qualquer referência à cena em Números 11. Chamamos para isto a atenção do leitor como uma das muitas provas que se acham através das páginas do Deuteronômio, o qual está muito longe na verdade de ser uma mera repetição dos volumes precedentes do Pentateuco. Em suma, este precioso livro tem um caráter propriamente seu, e o modo como os fatos são apresentados está em perfeita harmonia com esse caráter. É muito claro que o objetivo do venerável legislador, ou antes do ESPÍRITO SANTO, por intermédio dele, era gravar todas as coisas, de um modo moral, nos corações do povo, a fim de produzir o grande resultado que é o objetivo especial deste livro, desde o princípio ao fim, isto é, uma amorável obediência a todos os estatutos e juízos do Senhor, seu DEUS.
Devemos ter isto em vista, se quisermos estudar corretamente o livro que temos diante de nós. Os infiéis, os cépticos e racionalistas podem impiamente sugerir-nos a ideia de discrepâncias nos diversos relatos feitos nos vários livros; mas o leitor piedoso rejeitará, com santa indignação, tais sugestões, sabendo que procedem diretamente do pai da mentira, o decidido e persistente inimigo da preciosa revelação de DEUS. Esta é, estamos disso convencidos, a verdadeira maneira de tratar todos os ataques íeis contra a Bíblia. Os argumentos são inúteis, visto que os íeis não estão em situação de compreender ou apreciar o seu valor. São profundamente ignorantes da matéria; e não é somente uma questão de profunda ignorância, mas de decidida hostilidade, de forma que, em todos os casos, o juízo de todos os autores infiéis sobre o assunto da inspiração divina é inteiramente destituído de mérito e perfeitamente desprezível. Devemos lamentar esses homens e orar por eles, ao mesmo tempo que desprezamos inteiramente e rejeitamos com indignação as suas opiniões. A Palavra de DEUS está inteiramente acima delas e fora do seu alcance. E tão perfeita como o seu Autor e imperecível como o Seu trono; mas as suas glórias morais, as suas profundidades viventes, e as suas infinitas perfeições são somente patenteadas à fé. "Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultasse estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos."
Se nos contentarmos em ser tão simples como uma criancinha, gozaremos a preciosa revelação do amor do Pai, dada pelo Seu ESPÍRITO, nas Sagradas Escrituras. Mas, por outro lado, aqueles que se julgam sábios e prudentes, que edificam sobre os seus conhecimentos, a sua filosofia e a sua razão, que se julgam competentes para se constituírem juízes da Palavra de DEUS, e portanto do próprio DEUS, são entregues às trevas judiciais, cegueira e dureza de coração. Assim acontece que a mais insigne loucura e a mais baixa ignorância, que o homem pode manifestar, são encontradas nas páginas desses autores cultos que têm tido a ousadia de escrever contra a Bíblia. "Onde está o sábio«? Onde está o escriba«? Onde está o inquiridor deste século«?- Porventura, não tomou DEUS louca a sabedoria deste mundo? Visto como, na sabedoria de DEUS, o mundo não conheceu a DEUS pela sua sabedoria, aprouve a DEUS salvar os crentes pela loucura da pregação" (I Co 1:20,21).
"Se alguém... se tem por sábio,... faça-se louco" (I Co 3:18). Eis aqui o grande segredo moral do assunto. O homem tem de chegar ao fim da sua própria sabedoria, bem como da sua própria justiça. Tem de ser levado a declarar-se a si mesmo louco, antes de poder provar a doçura da sabedoria divina. Não está ao alcance do mais gigantesco ser humano, auxiliado por todas as aplicações da sabedoria humana e da filosofia, entender os mais simples elementos de revelação divina. E, portanto, quando homens inconvertidos, qualquer que possa ser a força do seu gênio ou a extensão do seu saber, se arriscam a tratar de assuntos espirituais, e especialmente do tema da inspiração divina das Sagradas Escrituras, é certo mostrarem a sua profunda ignorância e completa incompetência para tratar do assunto que está ante eles. Na verdade, sempre que examinamos um livro infiel, somos surpreendidos com a fraqueza dos seus mais poderosos argumentos; e não apenas isto, mas, em todos os casos em que procuram descobrir uma discrepância na Bíblia, nós vemos apenas sabedoria divina, beleza e perfeição.
Fomos levados a entrar na precedente linha de pensamento em relação com a questão da nomeação dos anciãos a qual nos é dada em cada livro, segundo a sabedoria do ESPÍRITO SANTO e em perfeita concordância com o tema e assunto do livro.
Vamos prosseguir agora com a nossa citação.
"E, no mesmo tempo, mandei a vossos juízes, dizendo: Ouvi a causa entre vossos irmãos e julgai justamente entre o homem e seu irmão e entre o estrangeiro que está com ele. Não atentareis para pessoa alguma em juízo, ouvireis assim o pequeno como o grande; não temereis a face de ninguém, porque o juízo é de DEUS; porém a causa que vos for difícil fareis vir a mim, e eu a ouvirei."
Que celestial sabedoria se descobre aqui! Que equilibrada justiça! Que santa imparcialidade! Em todos os casos de desavença, todos os fatos, de ambas as partes, deviam ser completamente ouvidos e pacientemente considerados. A mente não devia torcer-se por predileção ou sentimentos pessoais de qualquer espécie. O juízo devia ser feito, não por impressões, mas por fatos — fatos claramente comprovados, incontestáveis. A influência pessoal não deveria ter-se em apreço algum. A posição e as circunstâncias de qualquer das partes em questão não deviam ser tidas em consideração. A causa devia ser decidida inteiramente sobre os seus próprios méritos. "Ouvireis assim o pequeno como o grande." Ao pobre devia ser dispensada a mesma imparcial justiça como ao rico; ao estrangeiro como ao nascido no país. Não era admitida diferença alguma.
Quão importante é tudo isto! Quão digno da nossa mais atenta consideração! Quão cheia de profunda e valiosa instrução para todos nós! Decerto, não somos todos chamados para ser juízes ou anciãos ou chefes; mas os grandes princípios morais estabelecidos na citação precedente são do mais alto valor para cada um de nós, visto que ocorrem continuamente casos que requerem a sua direta aplicação. Onde quer que tenha caído a nossa sorte, qualquer que seja a linha de vida ou esfera de ação, estamos sujeitos infelizmente a enfrentar casos de dificuldade e desinteligência entre os nossos irmãos; casos de agravo quer verdadeiros ou imaginários; e, por isso, é muito necessário estarmos divinamente instruídos sobre a maneira como nos devemos conduzir a respeito de tais casos.
Ora, em tais casos, jamais seremos exagerados em basear o nosso juízo em fatos — todos, os fatos, de ambas as partes. Não devemos consentir em sermos guiados pelas nossas próprias impressões, pois sabemos todos que as simples impressões não são dignas de crédito. Podem ser corretas; e podem ser inteiramente falsas. Nada é mais facilmente recebido e transmitido do que uma falsa impressão, e portanto qualquer juízo baseado meramente em impressões é desprezível. Devemos possuir fatos sólidos e claramente estabelecidos — fatos provados por duas ou três testemunhas, como a Escritura tão claramente determina (Dt 17:6; Mt 18:16; 2 Co 13:1; 1 Tm 5:19).
Mas, além disso, nunca devemos ser guiados em juízo por o que expõe uma das partes. Todos estamos sujeitos a dar um certo colorido à exposição do nosso caso, até com a melhor das intenções. Não é que se queira intencionalmente fazer uma declaração falsa, ou mentir deliberadamente; mas, por engano ou uma causa ou outra, pode apresentar-se o caso como realmente não é. Pode omitir-se qualquer fato; e esse fato pode afetar tanto os outros fatos que altere completamente a sua significação. "Audi alteram fartem" (ouça-se a parte contrária), é um lema muito salutar. E não só ouvir a parte contrária, mas ouvir todos os fatos de ambas as partes, e assim sermos capazes de formular um são e reto juízo. Podemos estabelecer como regra de qualquer juízo formado sem conhecimento preciso de todos os fatos e inteiramente inútil. "Ouvi a causa entre vossos irmãos e julgai justamente entre o homem e seu irmão e entre o estrangeiro que está com ele." Oportunas e necessárias palavras, certamente, em todos os tempos, em todos os lugares e em quaisquer circunstâncias. Possamos nós aplicá-las aos nossos corações!
E quão importante é a admoestação do versículo 17! "Não atentareis para pessoa alguma em juízo, ouvireis assim o pequeno como o grande; não temereis a face de ninguém." Como estas palavras descobrem o pobre coração humano! Quão dados somos a ter deferência pelas pessoas; a sermos dominados por influência pessoal; a ligar importância à posição e riqueza; a ter receio ante a face do homem!
Qual é o divino antídoto contra todos estes males? Precisamente este: o temor de DEUS. Se pomos o Senhor perante nós, em todas as ocasiões, isso nos livrará eficazmente da perniciosa influência de parcialidade, preconceitos e temor do homem. Isso nos induzirá a esperar humilde e pacientemente que o Senhor nos guie e aconselhe em tudo quanto possa apresentar-se à nossa consideração; e assim seremos guardados de formular juízos precipitados e parciais sobre os homens e os fatos — origem fecunda de agravos entre o povo do Senhor, em todos os tempos. Consideremos agora por uns momentos a maneira verdadeiramente comovedora em que Moisés apresenta ante a congregação todas as circunstâncias relacionadas com a missão dos espias, que, à semelhança da nomeação dos juízes, está em perfeita harmonia com o tema e objetivo do livro. Não podíamos esperar outra coisa. Não há, não pode haver uma simples frase desnecessariamente repetida no volume divino. Menos ainda Pode haver uma só discordância ou narração contraditória. A palavra de DEUS é absolutamente perfeita no seu conjunto, perfeita em todas as suas partes componentes. Devemos manter isto com firmeza e confessá-lo com toda a fidelidade perante este século de infidelidade.
Não falamos das traduções humanas da Palavra de DEUS, nas quais deve haver mais ou menos imperfeições; ainda que não temos senão motivo para estar "cheios de admiração, amor e louvor", quando notamos a maneira como o nosso DEUS presidiu tão claramente à nossa excelente tradução inglesa, de forma que o mais pobre serrano pode estar certo de possuir a revelação de DEUS à sua alma na corrente Bíblia inglesa. E, decerto, nós podemos dizer afoitamente que isto é o que podíamos esperar das mãos do nosso DEUS. E razoável esperar que aquele que inspirou os homens santos que escrevera a Bíblia, tem também velado sobre a tradução; visto que Ele a deu originariamente, em Sua graça, àqueles que podiam ler hebreu e grego, não a daria, em graça, do mesmo modo, em todas as línguas abaixo do céu? Bendito seja para sempre o Seu santo Nome, é Seu gracioso desejo falar a todos os homens na própria língua em que foram nascidos; contar-nos a doce história da Sua graça, as boas novas da salvação, no próprio tom em que nossas mães murmuravam aos nossos ouvidos de infância essas palavras de amor que penetravam fundo em nossos corações (veja At 2:5 a 8).
Oh! Se os homens fossem mais impressionados e afetados com a verdade e poder de tudo isto; então não seríamos incomodados com tantas questões loucas e ignorantes acerca da Bíblia.
Ouçamos agora a narração feita por Moisés da missão dos espias — a sua origem e os seus resultados. Veremos como é cheia de instrução, contanto que os ouvidos estejam abertos para ouvir e o coração devidamente preparado para ponderar.
Os Espias (Nm 13)
"Assim, naquele tempo, vos ordenei todas as coisas que havíeis de fazer." A senda de simples obediência foi claramente exposta perante eles. Não tinham mais que segui-la com coração obediente e passo firme. Não tinham que arguir quanto às consequências ou pesar os resultados. Deviam deixar tudo isto precisamente nas mãos de DEUS, e prosseguir, com resoluto propósito, na bendita senda de obediência.
"Então, partimos de Horebe, e caminhamos por todo aquele grande e tremendo deserto que vistes, pelo caminho das montanhas dos amorreus, como o SENHOR, nosso DEUS nos ordenara; e chegamos a Cades-Barnéia. Então, eu vos disse: Chegados sois às montanhas dos amorreus, que o SENHOR, nosso DEUS, nos dará. Eis que o SENHOR, teu DEUS, te deu esta terra diante de ti, sobe, possui-a, como te falou o SENHOR, DEUS de teus pais; não temas, e não te assustes."
Aqui estava a sua garantia para entrarem imediatamente na posse da terra. O Senhor, seu DEUS, havia-lhes dado a terra, e havia-a posto diante deles. Era sua por Sua livre dádiva — o dom da Sua soberana graça, de acordo com o concerto feito com seus pais. Era Seu propósito eterno possuir a terra de Canaã por meio dos descendentes de Abraão, Seu amigo. Isto deveria ter sido bastante para tranquilizar completamente os seus corações, não só quanto às condições da terra, mas também quanto à entrada nela. Não havia necessidade de espias. A fé nunca necessita de espiar o que DEUS tem dado. Sabe que o que Ele tem dado deve valer a pena possuí-lo; e que Ele pode pôr-nos em plena possessão de tudo que a Sua graça nos tem outorgado. Israel podia ter concluído que a mesma mão que os havia conduzido através daquele "grande e tremendo deserto" podia também fazê-los entrar e estabelecê-los na herança que lhes havia destinado.
Assim teria raciocinado a fé; porque ela sempre raciocina desde DEUS às circunstâncias; e nunca das circunstâncias para DEUS. "Se DEUS é por nós, quem será contra nós? Este é o argumento da fé, grande na sua simplicidade, e simples em sua grandeza moral. Quando DEUS enche completamente a visão da alma, as dificuldades são de pouca importância. Ou não são vistas, ou, se vistas, são consideradas como ocasiões para a manifestação do poder divino. A fé exulta em ver DEUS triunfando sobre as dificuldades.
Mas, infelizmente, o povo não era regido por fé naquela ocasião; e, portanto, tiveram de recorrer aos espias. Moisés relembra-lhes isto, e isto também em linguagem ao mesmo tempo terna e fiel. "Então, todos vós vos chegastes a mim e dissestes: Mandemos homens adiante de nós, para que nos espiem a terra e nos deem resposta, por que caminho devemos subir a ela e a que cidades devemos ir." Certamente, bem podiam ter confiado em DEUS quanto a tudo isto. Aquele que os havia tirado do Egito, que fizera um caminho para eles através do mar, os guiara através do deserto sem trilho, era perfeitamente capaz de os introduzir na terra. Mas não; eles quiseram enviar espias simplesmente porque os seus corações não tinham fé simples no DEUS vivo, verdadeiro e Todo-poderoso.
Nisto está a origem moral da questão; e é bom que o leitor compreenda claramente este ponto. Verdade é que, na história dada em Números, o Senhor disse a Moisés que mandasse os espias. Mas por quê? Por causa da condição moral do povo. E aqui vemos a diferença característica e ao mesmo tempo a encantadora harmonia dos dois livros. Números dá-nos a história pública, Deuteronômio a origem secreta da missão dos espias; e assim como está em perfeita concordância com Números dar-nos a primeira, assim também o está com o caráter de Deuteronômio dar-nos a segunda. Uma é o complemento da outra. Não poderíamos compreender plenamente o assunto, se não tivéssemos a história relatada em Números. E o comentário tocante, feito em Deuteronômio, que completa o quadro. Quão perfeita é a Escritura! Tudo quanto precisamos é dos olhos ungidos para ver e do coração preparado para apreciar as suas glórias morais.
Pode ser que o leitor talvez encontre dificuldades enquanto à questão dos espias. Pode sentir-se disposto a perguntar, como podia ser mau enviá-los, visto que o Senhor lhes dissera para assim fazerem? A resposta é que o mal não estava de modo algum no ato de os enviar quando lhes foi dito, mas no desejo de os enviarem a todo o custo. O desejo era o fruto da incredulidade; e a ordem para os mandar foi motivada pela incredulidade.
Podemos ver alguma coisa do mesmo caráter na questão do divórcio, em Mateus 19. "Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o e dizendo-lhe: E lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? Ele, porém, respondendo, disse- lhes: Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unira à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois mas uma só carne. Portanto, o que DEUS ajuntou, não separe o homem. Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la? Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza do vosso coração, vos permitiu repudiar vossa mulher; mas, ao princípio, não foi assim."
Não era segundo a instituição original de DEUS, ou segundo a Sua vontade, que o homem repudiasse sua mulher; mas por causa da dureza do coração humano, o divórcio foi permitido pelo legislador. Existe alguma dificuldade em compreender isto? Decerto que não, a menos que o coração esteja disposto a levantar alguma. Nem tampouco existe qualquer dificuldade na questão dos espias. Israel não deveria ter necessidade deles. A fé simples nunca teria pensado neles. Mas o Senhor viu o verdadeiro estado de coisas, e deu um mandamento em conformidade com ele; assim como, séculos mais tarde, viu o coração do povo inclinado a ter um rei, e ordenou a Samuel que lhes desse um. "E disse o SENHOR a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te disser, pois não te tem rejeitado a ti; antes, a mim me tem rejeitado, para eu não reinar sobre ele. Conforme todas as obras que fez, desde o dia em que os tirei do Egito até ao dia de hoje, pois a mim me deixou, e outros deuses serviu, assim também te fez a ti. Agora, pois, ouve a sua voz, porém protesta-lhe solenemente, e declara-lhes qual será o costume do rei que houver de reinar sobre ele" (I Sm 8:7-9).
Vemos assim que a simples concessão de um desejo não prova de modo algum que tal desejo esteja de acordo com o pensamento de DEUS. Israel não deveria ter pedido um rei. Não era o Senhor suficiente? Não era Ele o seu Rei?- Não podia Ele, como sempre havia feito, guiá-los à batalha e pelejar por eles? Porque buscar um braço de carne? Porque deixar o DEUS verdadeiro, vivo, o Todo-poderoso, para confiar num pobre verme? Que poder poderia haver num rei senão aquele que DEUS podia ter achado próprio conferir-lhe? Absolutamente nenhum. Todo ° poder, toda a sabedoria, todo o verdadeiro bem estavam no Senhor, seu DEUS; e estavam ali em todo o tempo para suprir todas as suas necessidades. Eles só tinham que apoiar-se em Seus braços onipotentes, saciarem-se nos Seus inesgotáveis recursos e encontrar os seus mananciais n'Ele.
Logo que receberam um rei, segundo o desejo de seus corações, que fez ele por eles? "Todo o povo veio atrás dele, tremendo." Quando mais atentamente estudamos a história melancólica do reinado de Saul, tanto mais vemos que ele foi, quase desde o começo, um estorvo em vez de um auxílio. Não temos mais que ler a sua história, desde o princípio ao fim, para vermos a verdade disto. O seu reinado foi um completo fracasso, exposto de uma maneira tão exata quanto enérgica em duas brilhantes expressões do profeta Oséias: "Dei-te um rei na minha ira e to tirei no meu furor." Em suma, ele foi a resposta à incredulidade e voluntariedade do povo, e portanto todas as brilhantes esperanças e expectativas que despertara, foi o lamentável desapontamento. Fracassou em corresponder ao pensamento de DEUS; e, como consequência inevitável, fracassou em suprir as necessidades do povo. Mostrou que era completamente indigno da coroa e do cetro; e a queda ignominiosa no monte Gilboa estava em triste concordância com toda a sua carreira.
Ora, se considerarmos a missão dos espias, vemos também que, à semelhança da nomeação de um rei, acabou em completo fracasso e desapontamento. Não podia ser de outra maneira, visto que era o fruto da incredulidade. Decerto, DEUS deu-lhes os espias; e Moisés, com enternecedora graça, diz: "Pareceu-me, pois, bem esse negócio; de sorte que de vós tomei doze homens, de cada tribo um homem." Isto era graça descendo sobre o estado do povo, e consentindo num plano que era adequado a esse estado. Mas isto não prova, de modo algum, que quer o plano quer o estado do povo fosse segundo o pensamento de DEUS. Bendito seja o Seu nome, Ele pode valer-nos na nossa incredulidade, embora seja entristecido e desonrado por ela. DEUS compraz-Se numa fé ousada e simples. E a única coisa, neste mundo, que Lhe dá o Seu próprio lugar. Por isso, quando Moisés disse ao povo: "Eis que o SENHOR, teu DEUS, te deu esta terra diante de ti; sobe, possui-a, como te falou o SENHOR, DEUS de teus pais; não temas, e não te assustes", qual deveria ser a sua própria resposta? "Eis-nos aqui; guia-nos, SENHOR, Todo-poderoso; guia-nos à vitória. Tu és suficiente para nós. Contigo como guia, iremos para diante com alegre confiança. As dificuldades não existem para Ti, e portanto nada significam para nós. A Tua Palavra e a Tua presença são tudo quanto necessitamos. Nelas encontramos ao mesmo tempo a nossa autoridade e o nosso poder. Não importa absolutamente quem ou o que possa estar diante de nós: gigantes poderosos, altas muralhas, ameaçadores baluartes; que representam todos eles diante do SENHOR, DEUS de Israel, senão folhas secas levadas pelo vento«?- Guia-nos, ó SENHOR."
Esta teria sido a linguagem da fé; mas, infelizmente, não foi a linguagem de Israel nesta ocasião. DEUS não lhes bastava. Não estavam preparados para subir, apoiando-se somente no Seu braço. Não estavam satisfeitos com a descrição que Ele havia feito da terra. Quiseram mandar espias. Qualquer coisa servia para o pobre coração humano menos a simples dependência do DEUS vivo e verdadeiro. O homem natural não pode confiar em DEUS, simplesmente porque não O conhece. "E em ti confiarão os que conhecem o teu nome."
DEUS tem de ser conhecido, para poder confiar-se n'Ele; e quanto mais se confia n'Ele, tanto melhor Se torna conhecido. Nada existe em todo este mundo tão verdadeiramente abençoado como uma vida de simples fé. Mas isto tem de ser uma realidade e não uma simples profissão. E inteiramente inútil falar de fé viva, enquanto o coração depende secretamente de qualquer amparo humano. O verdadeiro crente tem de tratar exclusivamente com DEUS. Encontra n'Ele todos os seus recursos. Não é que ele menospreze os instrumentos ou os canais que DEUS Se compraz em usar; pelo contrário, aprecia-os muitíssimo; e não pode deixar de os estimar como os meios que DEUS usa para seu auxílio e benção. Mas não permite que eles suplantem DEUS. A linguagem do coração é: "A minha alma espera somente em DEUS; dele vem a minha salvação. Só ele é a minha rocha" (SI 62:1-2). Existe força peculiar na palavra "só". Sonda completamente coração. Contar com a criatura, direta ou indiretamente, para suprimento de qualquer necessidade, é em princípio abandonar a vida de fé. E, oh, é uma obra miserável, esta confiança, de qualquer modo, nos recursos da criatura! E tão degradante moralmente quanto elevada é moralmente a vida de fé. E não só é degradante, mas motivo de desapontamento. O apoio da criatura cede, e os mananciais da criatura secam; mas os que confiam no Senhor nunca serão confundidos, e nunca lhes faltará bem algum. Tivesse Israel confiado no Senhor em vez de mandar os espias, ele teria uma história muito diferente para contar. Mas quiseram mandar os espias, e todo aquele negócio resultou no mais humilhante fracasso.
"E foram-se, e subiram à montanha, e vieram até ao vale de Escol, e o espiaram. E tomaram do fruto da terra nas suas mãos, e no-lo trouxeram, e nos tornaram a dar resposta: Boa é a terra que nos dá o SENHOR, O nosso DEUS." Como poderia ser de outro modo, visto que era DEUS quem lhes a dava? Necessitavam de espias para lhes dizer que a dádiva de DEUS era boa? Certamente não deveriam ter essa necessidade. Uma fé simples teria assim argumentado: "Seja o que for que DEUS nos dá, deve ser digno de Si mesmo; não precisamos de espias para nos assegurarem isto." Mas infelizmente esta fé simples é uma joia extraordinariamente rara neste mundo; e até mesmo aqueles que a possuem conhecem pouco do seu valor ou como usá-la. Uma coisa é falar da vida de fé, e outra completamente diferente vivê-la. A teoria é uma coisa; a realidade viva outra muito diferente. Mas não esqueçamos nunca que é privilégio de todos os filhos de DEUS viver pela fé; e, além disso, que a vida de fé inclui todas as coisas que possam, de qualquer modo, necessitar, desde o ponto de partida até ao alvo da sua carreira terrestre. Já abordamos este importante ponto; jamais insistiremos nele com demasiado ardor ou constância.
Com respeito à missão dos espias, o leitor notará com interesse o modo como Moisés se refere a ele. Limita-se àquela parte do testemunho deles que está de acordo com a verdade. Nada diz acerca dos dez espias infiéis. Isto está de perfeita harmonia com o tema e objetivo do livro. Tudo está exposto para atuar por via moral sobre a consciência da congregação. Recorda- lhes que foram eles próprios quem propôs enviar os espias; e demais, que apesar de os espias terem posto diante deles o fruto da terra, e dado testemunho da sua excelência, eles não quiseram subir. "Porém vós não quisestes subir, mas fostes rebeldes ao mandado do SENHOR, vosso DEUS." Não havia qualquer desculpa. E evidente que os seus corações estavam num estado de positiva incredulidade e de rebelião, e a missão dos espias, desde o começo ao fim, apenas revelou isto plenamente.
A Incredulidade (Nm 14)
"E murmurastes nas vossas tendas e dissestes: Porquanto o SENHOR nos aborrece"
- uma terrível mentira, em si mesmo! — "e nos tirou da terra do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus, para destruir-nos." Que estranha prova de aborrecimento! Quão absurdos são os argumentos da incredulidade! Seguramente, se os tivesse aborrecido, nada mais fácil do que deixá-los morrer entre os fornos de tijolo do Egito, debaixo do cruel azorrague dos exatores de Faraó. Por que tomar tanto trabalho com eles? Qual o motivo das dez pragas sobre a terra dos seus opressores?- Se os detestava, porque não permitiu que as águas do Mar Vermelho se precipitassem como se precipitaram sobre os seus inimigos? Por que motivo os livrou da espada de Amaleque?- Em suma, qual a razão de todos estes maravilhosos triunfos da graça em seu favor, se o Senhor os detestava? Ah! Se eles não tivessem sido possuídos por um espírito de negra e insensata incredulidade, uma tal ordem brilhante de evidência os levaria a uma conclusão oposta àquela que pronunciaram! nada existe abaixo da abóbada celeste tão estupidamente irracional como a incredulidade. E, por outro lado, não há nada tão perfeito, claro e lógico como o argumento de uma fé simples. Que o leitor possa sempre experimentar a verdade disto!
E murmurastes nas vossas tendas." A incredulidade não é somente um cego e insensato raciocinador, mas um negro e tétrico murmurador. Nunca toma as coisas pelo lado reto nem pelo lado claro. Está sempre no escuro, sempre em erro, simplesmente porque exclui DEUS, e só olha para as circunstâncias. Eles disseram: "Para onde subiremos? Nossos irmãos fizeram com que se derretesse o nosso coração, dizendo: Maior e mais alto é este povo do que nós." Mas não era maior do que o Senhor. "As cidades são grandes e fortificadas até aos céus" — crasso exagero de incredulidade! — "e também vimos ali filhos dos gigantes."
Ora a fé diria: "Bem, embora as cidades sejam fortificadas até aos céus, o nosso DEUS está acima delas, porque Ele está no céu. O que são grandes cidades ou altas muralhas para Aquele que formou o universo e o sustém pela palavra do Seu poderá Que são os gigantes, filhos de Anaque, na presença do DEUS Todo- poderoso? Se a terra estivesse coberta de cidades fortificadas desde Dã até Berseba, e se os gigantes fossem tão numerosos como as folhas da floresta, seriam como a pragana da eira ante Aquele que havia prometido dar a terra de Canaã aos descendentes de Abraão, Seu amigo, por perpétua herança."
Mas Israel não tinha fé, como o apóstolo inspirado nos diz no terceiro capítulo de Hebreus. "Não puderam entrar por causa da sua incredulidade." Aqui estava a grande dificuldade. As cidades fortificadas e os terríveis Anaquins cedo teriam sido afastados se Israel tivesse confiado em DEUS. Depressa teria acabado com eles. Mas, ah, essa deplorável incredulidade interpõe-se sempre no caminho da nossa bênção! Impede o resplendor da glória de DEUS; projeta uma sombra negra sobre as nossas almas e rouba-nos o privilégio de apreciar a suficiência do nosso DEUS para satisfazer todas as nossas necessidades e remover todas as nossas dificuldades. Bendito seja o Seu nome, Ele nunca falta a um coração que em Si confia. E seu deleite honrar os maiores saques que a fé apresenta na Sua inesgotável tesouraria. A palavra animadora que nos dirige é: "Não temas, crê somente." E, também: "Seja isso feito segundo a tua fé." Palavras preciosas, que fazem vibrar a nossa alma! Possamos nós todos compreender plenamente a sua doçura e vivo poder! Podemos ficar certos de que nunca podemos ser exagerados em contar com DEUS; seria uma simples impossibilidade. O nosso grande erro é que não nos aproveitamos mais abundantemente dos Seus infinitos recursos. "Não te hei dito que, se creres, verás a glória de DEUS?
Podemos compreender assim por que foi que Israel fracassou em ver a glória de DEUS naquela ocasião. Não criam. A missão dos espias foi um completo fracasso. Assim como começou assim terminou, na mais deplorável incredulidade. DEUS fora excluído. As dificuldades enchiam por completo a visão dos israelitas.
"Não puderam entrar". Não puderam ver a glória de DEUS. Escutai as palavras profundamente tocantes de Moisés. Faz bem ao coração lê-las. Tocam o mais íntimo do nosso ser renovado. "Então, eu vos disse: Não vos espanteis, nem os temais. O SENHOR, vosso DEUS, que vai adiante de vós, por vós pelejará" — pensai em DEUS pelejando pelo povo! Pensai em Javé como Varão de guerra! "Ele por vós pelejará, conforme a tudo o que fez convosco, diante de vossos olhos, no Egito; como também no deserto, onde viste que o SENHOR, teu DEUS, nele te levou, como um homem leva seu filho, por todo o caminho que andastes, até chegardes a este lugar. Mas nem por isso crestes no SENHOR, vosso DEUS, que foi adiante de vós por todo o caminho, para vos achar o lugar onde vos deveríeis acampar; de noite no fogo, para vos mostrar o caminho por onde havíeis de andar, e de dia na nuvem."
Que força moral, que encantadora doçura se encontram neste apelo! Quão claramente vemos aqui, como, na verdade, em todas as páginas do livro, que o Deuteronômio não é uma repetição estéril de fatos, mas sim um comentário poderosíssimo sobre esses fatos! E conveniente que o leitor se dê conta disto. Se o legislador inspirado narra nos livros de Êxodo e de Números os atos passados na vida de Israel no deserto, no livro de Deuteronômio comenta esses fatos com uma comoção que comove o coração. E é aqui que o estilo delicado dos atos de Javé assinalado e ponderado com incomparável perícia e ternura. Quem pode deixar passar por alto a encantadora figura revelada nas palavras: “como um homem leva o seu filho"? Aqui temos o estilo da ação. Poderíamos entendê-lo sem isto? Certamente que não. E o estilo de uma ação que toca o coração, porque é o estilo que de um modo tão especial, expressa o sentimento do coração. Se o poder da mão ou a sabedoria da mente é vista na substância de uma ação, o amor do coração mostra-se no estilo. Até um menino pode compreender isto, embora não possa explicá-lo.
Calebe: A Fé
Mas, infelizmente, Israel não pôde confiar em DEUS para os introduzir na terra! Apesar da maravilhosa manifestação do Seu poder, Sua fidelidade, bondade e ternura, desde os fornos de tijolo do Egito às fronteiras da terra de Canaã, eles não creram. Com uma exposição de evidência que deveria satisfazer qualquer coração, eles ainda duvidaram. "Ouvindo, pois, o SENHOR a voz das vossas palavras, indignou-se e jurou, dizendo: Nenhum dos homens desta maligna geração verá esta boa terra que jurei dar a vossos pais, salvo Calebe, filho de Jefoné; ele a verá, e a terra que pisou darei a ele e a seus filhos; porquanto perseverou em seguir ao SENHOR."
"Não te hei dito que se creres verás a glória de DEUS?" Tal é a ordem divina. Os homens nos dirão que ver é crer; mas, no reino de DEUS, crer é ver. Por que foi que a nenhum dos homens daquela má geração foi consentido ver a boa terral Simplesmente por que não creram no Senhor seu DEUS. Em contrapartida, porque foi Calebe autorizado a vê-la e a tomar posse dela? Simplesmente porque creu. A incredulidade é sempre o grande impedimento no caminho da nossa visão da glória de DEUS. "E não fez ali muitas maravilhas, por causa da incredulidade deles." Se Israel tivesse apenas crido, apenas confiado no seu DEUS, apenas confiado no amor de Seu coração e no poder do Seu braço, Ele os teria introduzido e estabelecido no monte da Sua herança.
E é precisamente assim hoje com o povo do Senhor. Não ha limite para as bênçãos que podemos gozar, se confiarmos mais plenamente em DEUS. "Tudo é possível ao que crê." O nosso DEUS nunca dirá: "Haveis obtido já abundantemente; quereis receber demasiado." Impossível. E gozo de Seu temo coração responder às maiores esperanças da fé.
Procuremos obter abundantemente. "Abre bem a tua boca e ta encherei" (SI 81:10). A inesgotável tesouraria do céu está aberta de par em par para a fé. "E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis." "E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a DEUS que a todos dá liberalmente e o não lança em rosto; e ser-lhe- á dada. Peça-a, porém, com fé, não duvidando." A fé é o segredo divino de toda a questão, a fonte principal da vida cristã, desde o princípio ao fim. A fé não vacila e não oscila. A incredulidade está sempre a vacilar e a oscilar, e por isso nunca vê a glória de DEUS nem o Seu poder. E surda à Sua voz e cega aos Seus atos; deprime o coração e enfraquece as mãos; escurece o caminho e estorva todo o progresso. Foi a incredulidade que manteve Israel fora da terra de Canaã durante quarenta anos; e nós não podemos fazer ideia das inúmeras bênçãos, privilégios, poder e vantagens que perdemos constantemente por causa da sua terrível influência. Se os nossos corações estivessem verdadeiramente exercitados na fé, quão diferente seria o estado de coisas no nosso meio! Qual é o segredo do deplorável entorpecimento e esterilidade no vasto campo da profissão cristã?- A que devemos atribuir o nosso estado de ruína, a nossa falta de ânimo, o nosso raquítico crescimento? Como é que vemos resultados tão fracos em todas as atividades da obra cristã?- Por que motivo há tão poucas conversões verdadeiras? Porque estão os nossos evangelistas tão frequentemente abatidos por causa da escassez da sua ceifai como havemos de responder a todas estas interrogações? Qual é a causa?- Quererá alguém dizer que não é a nossa incredulidade?
Sem dúvida, as nossas divisões têm muito que ver com ela; o nosso apego às coisas mundanas, a nossa sensualidade, a nossa indulgência, a nossa ociosidade. Mas qual é o remédio para todos estes males?- Como vão ser os nossos corações movidos por verdadeiro amor para com todos os nossos irmãos?- Pela fé — esse princípio precioso "que opera por caridade." Assim o bendigo apostolo diz aos queridos recém-convertidos em Tessalônica: “A vossa fé cresce muitíssimo” depois?- "E a caridade de cada um de vós abunda nuns para com os outros." Assim será sempre. A fé põe-nos em contato direto com a fonte eterna de amor em DEUS mesmo; e a consequência forçosa é que os nossos corações são impulsionados em amor por todos os que Lhe pertencem — todos em quem podemos, por mais débil que seja, descobrir a Sua imagem bendita. Não podemos, de modo algum, estar perto do Senhor e não amarmos todos os que, em todo o lugar, invocam o Seu nome com um coração puro. Quanto mais perto estamos de CRISTO, tanto mais intensamente devemos estar unidos, em verdadeiro amor fraternal, com todos os membros do Seu corpo.
E quanto ao mundanismo, em todas as suas diversas formas, como deve ser vencido?- Escutemos a resposta de outro apóstolo inspirado. "Porque todo o que é nascido de DEUS vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que JESUS é o Filho de DEUS?-" O homem novo, andando no poder da fé, vive acima do mundo, acima dos seus motivos, acima dos seus objetivos, dos seus princípios, seus costumes, seus modelos. Nada tem em comum com ele. Movimenta-se precisamente contra a sua corrente. Obtém todos os seus recursos do céu. A sua vida, a sua esperança, tudo está ali; e anela ardentemente estar ali quando a sua obra na terra estiver terminada.
Vemos assim que princípio poderoso é a fé. A fé purifica o coração, opera por amor, e vence o mudo. Em suma, liga o coração, em poder vivo, com DEUS Mesmo; e este é o segredo da verdadeira elevação, santa benevolência e pureza divina. Não é de estranhar, portanto, que Pedro fale dela como da "preciosa fé", porque é verdadeiramente preciosa além de todo o pensamento humano.
Veja-se como este poderoso princípio atuou em Calebe, e o resultado bendito que produziu. Foi-lhe permitido constatar a verdade dessas palavras proferidas séculos mais tarde: "Seja-vos feito segundo a vossa fé." Creu que DEUS tinha poder para os fazer entrar na terra, e que todas as dificuldades e obstáculos eram simplesmente substância para a fé. E DEUS, como sucede sempre; respondeu à sua fé. "Então os filhos de Judá chegaram a Josué em Gilgal; e Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, lhe disse: Tu sabes a palavra que o SENHOR falou a Moisés, homem de DEUS, em Cades-Barnéia, por causa de mim e de ti. Da idade de quarenta anos era eu quando Moisés, servo do SENHOR, me enviou de Cades-Barnéia a espiar a terra; e eu lhe trouxe resposta, como sentia no meu coração" - testemunho simples de uma brilhante e encantadora fé! - “mas meus irmãos, que subiram comigo, fizeram derreter o coração do povo: eu, porém, perseverei em seguir ao SENHOR, meu DEUS. Então, Moisés, naquele dia, jurou, dizendo: Certamente a terra que pisou o teu pé será tua e de teus filhos, em herança perpetuamente; pois perseveraste em seguir o SENHOR, meu DEUS. E, agora, eis que o SENHOR me conservou em vida, como disse; quarenta e cinco anos há agora, desde que o SENHOR falou esta palavra a Moisés, andando ainda Israel no deserto; e, agora, eis que já hoje sou da idade de oitenta e cinco anos. E, ainda hoje, estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual a minha força então era, tal é agora a minha força, para a guerra, e para sair, e para entrar. Agora, pois, dá-me este monte de que o SENHOR falou naquele dia; pois naquele dia, tu ouviste que os anaquins estão ali, grandes e fortes cidades há ali; porventura, o SENHOR será comigo para os expelir, como o Senhor disse" (Js 14:6-12).
Quão refrescantes são as expressões de uma fé simples! Quão edificantes! Quão verdadeiramente alentadoras! Que contraste com as expressões lúgubres, desanimadoras, insolentes e desonrosas para DEUS, da incredulidade! "E Josué o abençoou, e deu a Calebe, filho de Jefoné, Hebrom em herança. Portanto, Hebrom foi de Calebe, filho de Jefoné o quenezeu, em herança, até ao dia de hoje, porquanto perseverara em seguir o SENHOR, DEUS de Israel" (Js 14:13-15). Calebe, como seu pai Abraão, foi firme na fé, dando glória a DEUS; e nós podemos dizer, com a maior segurança, que, visto que a fé sempre honra a DEUS, Ele Se compraz sempre em honrar a fé; e estamos convencidos que se 0 povo do Senhor pudesse apenas confiar mais n'Ele, se eles se aproveitassem mais abundantemente dos Seus infinitos recursos, seriamos testemunhas de um estado de coisas totalmente diferente do que vemos à nossa volta. "Não te hei dito que se creres verás a glória de DEUS? Oh, se tivéssemos uma fé mais viva em DEUS — uma apropriação mais ousada da Sua fidelidade da Sua bondade e poder! Então poderíamos esperar resultados mais gloriosos no campo do evangelho; mais zelo, mais energia, mais intensa devoção na Igreja de DEUS; e mais dos frutos fragrantes da justiça na vida dos crentes individualmente.
Moisés não Entraria no País
Vamos agora por um momento deitar um vista de olhos aos versículos finais do nosso capítulo, nos quais encontraremos sólida instrução. E, antes do mais, vemos os atos do governo divino manifestados da maneira mais solene e impressionante. Moisés refere-se da maneira mais tocante ao fato da sua exclusão da terra prometida. "Também o SENHOR se indignou contra mim por causa de vós, dizendo: Também tu lá não entrarás."
Notemos as palavras "por causa de vós". Era muito necessário recordar à congregação que era por sua causa que Moisés, esse amado e honrado servo do Senhor, era impedido de atravessar o Jordão e pôr o seu pé na terra de Canaã. E certo que "falou imprudentemente com seus lábios"; mas eles "irritaram o seu espírito" para isso. Isto deveria tê-los comovido ao mais íntimo da alma. Não só falharam, devido à incredulidade, em entrar na terra, mas foram a causa da sua exclusão, embora ele muito desejasse ver "esta boa montanha e o Líbano!" (veja SI 106:32-33).
Mas o governo de DEUS é uma magna e terrível realidade. Não esqueçamos isto nunca, nem por um só momento. A razão humana pode estranhar que algumas palavras inconsideradas, algumas precipitadas expressões fossem a causa de não conceder a um tal servo de DEUS amado e honrado o que ele tão ardentemente desejava. Mas o nosso lugar é curvar a cabeça em humilde adoração e santa reverência, e não discutir ou julgar. "Não faria justiça o Juiz de toda a terral" Certamente, Ele não pode cometer erros. "O Senhor, DEUS Todo-poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos"(Ap 16:7). "DEUS deve ser em extremo tremendo na assembleia dos santos e grandemente reverenciado por todos os que o cercam" (SI 89:7). "O nosso DEUS é um fogo consumidor" (Hb 12 -29)' e "Horrenda coisa é cair nas mãos do DEUS vivo" (Hb 10:31).
Acaso interfere com a ação e autoridade do governo divino o fato que nós, como cristãos, estamos debaixo do reino da graça?- De modo nenhum. E tão certo hoje como sempre foi que "o que o homem semear, isso também ceifará". Portanto, seria um grave erro alegar a liberdade que há na graça divina para ter em pouca conta os decretos do governo divino. As duas coisas são perfeitamente distintas e nunca deverão ser confundidas. A graça pode perdoar — livre, plena e eternamente — mas as rodas do carro do governo do Senhor rodam com poder esmagador e aterradora solenidade. A graça perdoou o pecado de Adão; mas o governo de DEUS expulsou-o do Éden para ganhar a vida com o suor do seu rosto entre os espinhos e cardos de uma terra amaldiçoada. A graça perdoou o pecado de Davi; mas a espada do governo permaneceu sobre a sua casa até ao fim. Bate-Seba foi a mãe de Salomão; mas Absalão levantou-se em rebelião.
E assim sucedeu com Moisés, a graça levou-o ao cume do Pisga e mostrou-lhe a terra; mas o governo proibiu-o austera e absolutamente de entrar ali. Nem tampouco afeta no mínimo este princípio capital a consideração de que Moisés, em seu cargo oficial, como representante do sistema legalista, não podia introduzir o povo na terra. Isto é verdade; mas deixa absolutamente intacta a solene verdade que estamos considerando. Nem no capítulo 12 de Números, nem no primeiro capítulo de Deuteronômio se diz qualquer coisa sobre Moisés, quanto ao seu cargo oficial. É ele pessoalmente que temos perante nós, e é a ele que se proíbe entrar na terra por ter falado inconsideradamente com os seus lábios.
Será conveniente para todos nós considerarmos, atentamente, na presença de DEUS, esta grande verdade prática. Podemos ficar certos de que quanto mais profundamente entrarmos no conhecimento da graça, tanto mais sentiremos a solenidade do governo de DEUS, e acharemos inteiramente justificados os seus decretos. Disto estamos perfeitamente convencidos. Mas existe Perigo iminente de admitir, de uma forma ligeira e descuidada, as doutrinas da graça, enquanto que o coração e a vida não se têm submetido à influência santificadora dessas doutrinas. Temos de vigiar com santo zelo contra este perigo. Nada há em todo este mundo mais terrível do que a simples familiaridade camal com a teoria da salvação pela graça. Abre a porta a toda a forma de abusos. É por isso que sentimos a necessidade de gravar na consciência do leitor a verdade prática do governo de DEUS. Isto é muito necessário em todos os tempos, mas especialmente nos nossos dias, em que existe uma tendência terrível para converter a graça do nosso DEUS em luxúria. Descobriremos invariavelmente que aqueles que melhor sabem apreciar a bem-aventurança de se estar debaixo do reino da graça também justificam completamente as leis do governo de DEUS.
Mas nós vemos, nas linhas finais do nosso capítulo, que o povo não estava de modo algum preparado para se submeter à direção do governo de DEUS. De fato, não queriam a graça nem o governo. Quando convidados a subir imediatamente e tomar posse da terra com a completa certeza de que a presença e o poder divino os acompanhariam, hesitaram e recusaram ir. Entregaram-se completamente a um espírito de negra incredulidade. Em vão Josué e Calebe fizeram chegar aos seus ouvidos as mais animadoras palavras; em vão puseram diante dos seus olhos o rico fruto da boa terra; em vão Moisés intentou demovê-los com palavras enternecedoras; não quiseram subir, quando se lhes disse para subirem. E qual foi o resultado? A sua decisão foi aceite. Segundo a sua incredulidade, assim lhes foi feito. "E vossos meninos, de que dissestes: Por presa serão; e vossos filhos, que hoje nem bem nem mal sabem, eles ali entrarão, e a eles a darei, e eles a possuirão. Porém vós virai-vos e parti para o deserto pelo caminho do mar Vermelho."
Uma Confissão Superficial e Circunstancial
Como é triste! E, todavia, como podia ser de outra maneirai Se eles não queriam, em simples fé, entrar na terra, nada mais restava para eles senão voltarem para o deserto. Mas a isto eles não iam submeter-se. Não queriam aproveitar-se das provisões T graça nem curvar-se à sentença do juízo. "Então, respondestes e me dissestes: Pecamos contra o SENHOR; nós subiremos e pelejaremos conforme tudo o que nos ordenou o SENHOR, nosso DEUS, e armastes-vos, pois, vós, cada um dos seus instrumentos de guerra, e estivestes prestes para subir à montanha."
Isto pareceria ser contrição e arrependimento; mas era oco e falso. E muito fácil dizer "Pecamos". Saul disse o mesmo no seu tempo; disse isso sem sentido, sem o verdadeiro sentimento do que estava dizendo. Podemos facilmente fazer um juízo sobre o valor e força das palavras "pequei" pelo fato de que elas foram imediatamente seguidas por estas outras: "Honra-me porém agora diante dos anciãos do meu povo." Que estranha contradição! "Pequei; honra-me porém". Se ele tivesse realmente sentido o seu pecado, quão diferente teria sido a sua linguagem! Mas era tudo uma solene zombaria. Imagine-se um homem cheio de si mesmo fazendo uso da forma de palavras sem a mínima partícula de sentimento do coração; e então, a fim de conseguir honra para si mesmo, cumprindo a vazia formalidade de adorar a DEUS. Que quadro! Pode haver alguma coisa mais triste?- Que terrível ultraje para Aquele que deseja a verdade no íntimo e que busca adoradores que O adorem em espírito e verdade! Os mais fracos suspiros de um coração quebrantado e contrito são preciosos para DEUS; oh, quão insultuosas são para ele as falsas formalidades da mera religiosidade, cujo objetivo é exaltar o homem a seus próprios olhos e aos olhos dos demais! Quão inútil é a mera profissão dos lábios quando o coração a não sente! Como um escritor muito bem observou recentemente: "E uma coisa fácil dizer, temos pecado; mas quantas vezes descobrimos que não é a confissão apressada do pecado que proporciona a evidência de que o pecado e sentido! Pelo contrário, é uma prova de dureza do coração. A consciência sente que é necessário um certo ato de confissão do pecado, mas talvez não haja nada que mais endureça o coração que hábito de confessar o pecado sem o sentir. Eu creio que uma das maiores ciladas na cristandade desde a antiguidade até hoje consiste no conhecimento impresso do pecado, o mero hábito de cumprir precipitadamente uma fórmula de confissão a DEUS Atrevo-me a dizer que quase todos nós temos feito isso, sem aludir a qualquer forma especial; porque infelizmente existe bastante formalidade; e, sem ter escritas disposições, o coração pode conceber as suas próprias práticas religiosas, como podemos ter observado, se é que não conhecemos por experiência própria, sem necessidade de achar faltas nas outras pessoas."
Assim aconteceu com Israel em Cades. A sua confissão de pecado era inteiramente sem valor. Não havia verdade nela. Tivessem eles sentido o que diziam e ter-se-iam submetido ao juízo de DEUS e aceitado humildemente as consequências do seu pecado. Não existe prova mais clara de verdadeira contrição que humilde submissão aos desígnios do governo de DEUS. Veja-se o caso de Moisés. Note-se como ele baixou a sua cabeça à disciplina divina. "Também o SENHOR", diz Moisés, "se indignou contra mim por causa de vós, dizendo: Também tu lá não entrarás. Josué, filho de Num, que está em pé diante de ti, ele ali entrará; esforça-o, porque ele a fará herdar a Israel."
Aqui Moisés mostra-lhes que eles eram a causa da sua exclusão da terra, e contudo não pronuncia uma palavra sequer de queixume, antes se submete humildemente ao juízo divino, não apenas contente por ser substituído por outro, mas em estar pronto a apoiar e animar o seu sucessor. Não há indício de ciúme ou inveja nas suas palavras. Era bastante para esse amado e honrado servo de DEUS que DEUS fosse glorificado e a necessidade da congregação satisfeita. Não estava ocupado consigo mesmo ou com os seus próprios interesses mas com a glória de DEUS e a bênção do Seu povo.
Porém, o povo manifestou um espírito muito diferente. "Nós subiremos e pelejaremos." Que petulância! Que loucura! Quando mandados por DEUS e encorajados pelos Seus fiéis servos a subir e possuir a terra, responderam: "Para onde subiremos?" E quando lhes é ordenado voltarem para o deserto respondem: "Nós subiremos e pelejaremos."
Um Solene Ensino
"E disse-me o SENHOR; Dize-lhes: Não subais, nem pelejeis, pois não estou no meio de vós, para que não sejais feridos diante de vossos inimigos. Porém, falando-vos eu, não ouvistes; antes, fostes rebeldes ao mandado do SENHOR, e vos ensoberbecestes, e subistes à montanha. E os amorreus, que habitavam naquela montanha, vos saíram ao encontro; e perseguiram-vos, como fazem as abelhas, e vos derrotaram desde Seir até Horma."
O Senhor não podia acompanhá-los no caminho da vontade própria e rebelião; e, certamente, Israel, sem a presença divina, não podia medir-se com os amorreus. Se DEUS for por nós e conosco tudo deve ser vitória. Mas nós não podemos contar com DEUS se não andamos no caminho da obediência. E simplesmente o cúmulo da loucura supor que podemos ter DEUS conosco se os nossos caminhos não são retos. "Torre forte é o nome do SENHOR; para ele correrá o justo e estará em alto retiro." Mas se não andamos em justiça prática, é perversa vaidade falar de ter o Senhor por nossa forte torre.
Bendito seja o Seu Nome, Ele pode valer-nos nas maiores profundidades da nossa fraqueza e fracasso, contanto que haja verdadeira e sincera confissão do nosso verdadeiro estado. Mas pretender que temos o Senhor conosco, enquanto estamos fazendo a nossa própria vontade, e andando em evidente injustiça, não é outra coisa senão maldade e dureza de coração. "Confia no SENHOR e faze o bem." Esta é a ordem divina; mas falar de confiar no Senhor, enquanto se faz o mal, é converter a graça de DEUS em luxúria e pormo-nos completamente nas mãos do diabo, que só busca a nossa ruma moral. "Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é Perfeito para com ele" (2 Cr 16:9). Quando temos uma boa consciência podemos levantar a cabeça e avançar através de toda a sorte de dificuldades; porém intentar andar na vereda da fé com uma má consciência é a coisa mais perigosa deste mundo. Só podemos manter ao alto o escudo da fé quando os nossos lombos estão com a E da máxima importância que os cristãos procurem manter a justiça prática em todos os seus aspectos. Há um imenso valor e peso moral nestas palavras do apóstolo Paulo: "E por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com DEUS como para com os homens." Procurava sempre usar a couraça da justiça e estar vestido de linho branco, que é a justiça dos santos. E assim devemos nós fazer. E nosso santo privilégio andar, dia a dia, com passo firme, na vereda do dever, a senda de obediência, senda na qual resplandece sempre a luz do semblante de DEUS em aprovação. Então, seguramente, podemos contar com DEUS, apoiarmo-nos n'Ele, receber d'Ele, achar n'Ele todos os nossos recursos, envolvermo-nos a nós próprios na Sua fidelidade, e assim avançar, em pacífica comunhão e santa adoração para com o nosso lar celestial.
Não se trata, repetimos, de não podermos olhar para DEUS na nossa fraqueza, no nosso fracasso e até mesmo quando temos errado e pecado. Bendito seja o Seu nome, podemos fazê-lo e os Seus ouvidos estão sempre atentos ao nosso clamor. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo 1:9). "Das profundezas a ti clamo, ó SENHOR! Senhor, escuta a minha voz! Sejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas. Se tu, SENHOR, observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá? Mas contigo está o perdão, para que sejas temido" (SI 130:1-4). Não há limite para a extensão da expiação, não ha limite para a virtude e eficácia do sangue de JESUS CRISTO, o Filho de DEUS, que purifica de todo o pecado; não há limite para a eficácia da intercessão do nosso adorável Advogado, nosso Sumo Sacerdote, que pode salvar até ao fim os que chegam a DEUS por Ele.
Tudo isto é uma verdade bendita; verdade amplamente ensinada e ilustrada de várias maneiras através do volume inspirado. Mas a confissão do pecado, e o perdão do pecado não devem ser confundidos com a justiça prática. Existem duas condições distintas em que podemos invocar a DEUS: podemos invocá-Lo em profunda contrição, e sermos ouvidos, ou podemos invocá-Lo com uma boa consciência e um coração sincero, sermos ouvidos. Mas os dois casos são muito distintos; e não só são distintos em si mesmos, como estão em acentuado contraste com aquela indiferença e dureza de coração que presume contar com DEUS apesar de positiva desobediência e injustiça prática. E isto que é tão terrível aos olhos de DEUS e que deve motivar o Seu severo castigo. Ele reconhece e aprova a justiça prática; pode perdoar livre e amplamente o pecado confessado; mas imaginar que podemos pôr a nossa confiança em DEUS, enquanto os nossos pés andarem pelo caminho da iniquidade não é nada menos que a mais horrível impiedade. "Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este. Mas, se deveras melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras, se deveras fizerdes juízo entre um homem e entre o seu companheiro, se não oprimirdes o estrangeiro e o órfão e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso próprio mal, eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, de século em século. Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada são proveitosas. Furtareis vós, e matareis, e cometereis adultério, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes, e então vireis, e vos poreis diante de mim nesta cada, que se chama pelo meu nome, e direis: Somos livres, podemos fazer todas estas abominações? (Jr 7:4-10).
DEUS trata em realidades morais; deseja a verdade no íntimo; e se os homens ousam manter a verdade em injustiça, devem esperar o Seu justo castigo. E o pensamento de tudo isto que nos az sentir o terrível estado da igreja professante. A passagem solene que acabamos de citar do profeta Jeremias apesar de se referir, primeiramente, aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém, tem uma aplicação acentuada à cristandade. Vemos no terceiro capítulo da 2 epístola a Timóteo que todas as abominações do paganismo, relatadas no final do primeiro de Romanos, são reproduzidas nos últimas dias sob a verdade e vestida a couraça da justiça.
E da máxima importância que os cristãos procurem manter a justiça prática em todos os seus aspectos. Há um imenso valor e peso moral nestas palavras do apóstolo Paulo: "E por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com DEUS como para com os homens." Procurava sempre usar a couraça da justiça e estar vestido de linho branco, que é a justiça dos santos. E assim devemos nós fazer. E nosso santo privilégio andar, dia a dia, com passo firme, na vereda do dever, a senda de obediência, senda na qual resplandece sempre a luz do semblante de DEUS em aprovação. Então, seguramente, podemos contar com DEUS, apoiarmo-nos n'Ele, receber d'Ele, achar n'Ele todos os nossos recursos, envolvermo-nos a nós próprios na Sua fidelidade, e assim avançar, em pacífica comunhão e santa adoração para com o nosso lar celestial.
Não se trata, repetimos, de não podermos olhar para DEUS na nossa fraqueza, no nosso fracasso e até mesmo quando temos errado e pecado. Bendito seja o Seu nome, podemos fazê-lo e os Seus ouvidos estão sempre atentos ao nosso clamor. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo 1:9). "Das profundezas a ti clamo, ó SENHOR! Senhor, escuta a minha voz! Sejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas. Se tu, SENHOR, observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirá? Mas contigo está o perdão, para que sejas temido" (SI 130:1-4). Não há limite para a extensão da expiação, não ha limite para a virtude e eficácia do sangue de JESUS CRISTO, o Filho de DEUS, que purifica de todo o pecado; não há limite para a eficácia da intercessão do nosso adorável Advogado, nosso Sumo Sacerdote, que pode salvar até ao fim os que chegam a DEUS por Ele.
Tudo isto é uma verdade bendita; verdade amplamente ensinada e ilustrada de várias maneiras através do volume inspirado. Mas a confissão do pecado, e o perdão do pecado não devem ser confundidos com a justiça prática. Existem duas condições distintas em que podemos invocar a DEUS: podemos invocá-Lo em profunda contrição, e sermos ouvidos, ou pode- mos invocá-Lo com uma boa consciência e um coração sincero, sermos ouvidos. Mas os dois casos são muito distintos; e não só são distintos em si mesmos, como estão em acentuado contraste com aquela indiferença e dureza de coração que presume contar com DEUS apesar de positiva desobediência e injustiça prática. E isto que é tão terrível aos olhos de DEUS e que deve motivar o Seu severo castigo. Ele reconhece e aprova a justiça prática; pode perdoar livre e amplamente o pecado confessado; mas imaginar que podemos pôr a nossa confiança em DEUS, enquanto os nossos pés andarem pelo caminho da iniquidade não é nada menos que a mais horrível impiedade. "Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este. Mas, se deveras melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras, se deveras fizerdes juízo entre um homem e entre o seu companheiro, se não oprimirdes o estrangeiro e o órfão e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após outros deuses para vosso próprio mal, eu vos farei habitar neste lugar, na terra que dei a vossos pais, de século em século. Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada são proveitosas. Furtareis vós, e matareis, e cometereis adultério, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis após outros deuses que não conhecestes, e então vireis, e vos poreis diante de mim nesta cada, que se chama pelo meu nome, e direis: Somos livres, podemos fazer todas estas abominações?" (Jr 7:4-10).
DEUS trata em realidades morais; deseja a verdade no íntimo; e se os homens ousam manter a verdade em injustiça, devem esperar o Seu justo castigo. E o pensamento de tudo isto que nos faz sentir o terrível estado da igreja professante. A passagem solene que acabamos de citar do profeta Jeremias apesar de se referir, primeiramente, aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém, tem uma aplicação acentuada à cristandade. Vemos no terceiro capítulo da 2 epístola a Timóteo que todas as abominações do paganismo, relatadas no final do primeiro capítulo de Romanos, são reproduzidas nos últimas dias sob a capa da profissão cristã e em relação imediata com "a forma de piedade". Qual há de ser o fim de um tal estado de coisas? Implacável ira. Os mais duros juízos de DEUS estão reservados para a grande massa de professos batizados que chamamos cristandade. O momento aproxima-se rapidamente em que todo o amado povo de DEUS adquirido com Seu sangue será arrebatado deste mundo sombrio e pecaminoso ainda que chamado "mundo cristão" para estar sempre com o Senhor, naquele doce lar de amor preparado na casa do Pai. Então "a operação do erro" será enviada sobre a cristandade — sobre as próprias nações onde a luz de um cristianismo para todo o globo tem resplandecido; onde se tem pregado livre e plenamente o evangelho; onde milhões de exemplares da Bíblia têm sido postos em circulação, e onde todos, de um modo ou de outro, professam o nome de CRISTO e se chamam a si próprios cristãos.
E depois?- Que vai seguir-se a esta "operação do erro"? Algum novo testemunho? Mais algumas oportunidades de misericórdia? Mais algum esforço da graça longânima? Não para a cristandade! Não para os que rejeitam o evangelho de DEUS. Não para os professos de formas vazias e sem valor de cristianismo sem DEUS e sem CRISTO! Os pagãos ouvirão "o evangelho eterno", "o evangelho do reino"; mas quanto a essa coisa terrível, essa pavorosa anomalia chamada cristandade, "a vide da terra", nada resta senão o lagar da ira do DEUS Todo-poderoso, a escuridão das trevas para sempre, o lago que arde com fogo e enxofre.
Leitor, estas são as verdadeiras palavras de DEUS. Nada seria mais fácil que colocar ante os teus olhos uma série incontestável de provas das Escrituras, mas isto seria alheio ao nosso presente propósito. O Novo Testamento, do princípio ao fim, revela a verdade solene acima exposta; e todo o sistema de teologia abaixo do sol que ensina alguma coisa diferente mostrar-se-á, pelo menos sobre este ponto, completamente falso.
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Deuteronômio (COMENTÁRIOS BEP – CPAD)
Autor: Moisés
Tema: Renovação do Concerto
Data: Cerca de 1405 a.C.
Considerações Preliminares
O título “Deuteronômio” vem da Septuaginta e significa “Segunda Lei”. O livro consiste nas mensagens de despedida de Moisés, nas quais ele sumariou e renovou o concerto entre DEUS e Israel, para o bem da nova geração de israelitas. Tinham chegado ao fim da peregrinação no deserto e agora estavam prontos para entrarem na terra de Canaã. A nova geração, na sua maior parte, não tinha lembrança pessoal da primeira Páscoa, da travessia do mar Vermelho, nem da outorga da lei no monte Sinai. Careciam de uma narração inspirada do concerto de DEUS, da sua lei e da sua fidelidade, bem como uma renovada declaração das bênçãos resultantes da obediência e das maldições da desobediência. Enquanto o livro de Números registra as peregrinações no deserto, da rebelde primeira geração de israelitas, abrangendo um período de trinta e nove anos, Deuteronômio abrange um período de talvez um só mês, numa só localidade, nas planícies de Moabe, diretamente a leste de Jericó e do rio Jordão.
Deuteronômio foi escrito por Moisés (31.9,24-26; cf. 4.44-46; 29.1) e entregue a Israel como um documento do concerto, para ser lido por extenso diante de todo o povo, a cada sete anos (31.10-13). É provável que Moisés tenha completado o livro pouco antes da sua morte, cerca de 1405 a.C. A autoria mosaica de Deuteronômio é atestada: (1) pelo Pentateuco judaico e samaritano; (2) pelos escritores do AT (e.g., Js 1.7; 1 Rs 2.3; 2 Rs 14.6; Ed 3.2; Ne 1.8,9; Dn 9.11); (3) por JESUS (Mt 19.7-9; Jo 5.45-47), bem como escritores do NT (e.g., At 3.22,23; Rm 10.19); (4) por eruditos cristãos antigos; (5) por eruditos conservadores contemporâneos; e (6) pelas evidências internas do livro (e.g., semelhança, na estrutura literária, com textos de pactos seculares de vassalagem do século XV a.C.). O relato da morte de Moisés (cap. 34) evidentemente foi acrescentado logo após sua ocorrência (mais provavelmente por Josué) como um tributo merecido a Moisés, servo do Senhor.
Propósito
O propósito original de Moisés ao proferir seus discursos diante da nova geração de Israel, antes de entregar as rédeas do governo a Josué para efetuar a conquista de Canaã, foi exortar e instruir os israelitas a respeito: (1) dos atos poderosos de DEUS e as suas promessas; (2) seus deveres segundo o concerto: a fé e a obediência; e (3) a necessidade de dedicarem-se ao Senhor, para andarem nos seus caminhos, amá-lo e honrá-lo de todo coração, alma e forças. (4) Guardar fielmente sua Aliança.
Visão Panorâmica
Com toda sua devoção, Moisés recapitulou e renovou o concerto (aliança) de DEUS com Israel, mormente através de seus três discursos inspirados. (1) O primeiro discurso de Moisés recontou a história e o fracasso de Israel desde o monte Sinai e conclamou a nova geração a temer a DEUS e a obedecer-lhe (1.6—4.43). (2) O segundo discurso de Moisés recapitulou e focalizou muitas leis do concerto, que tratavam de assuntos como a observância do sábado, o culto, os pobres, as festas sagradas anuais, a herança e os direitos de propriedade, a imoralidade sexual, senhores e servos, e a administração da justiça (4.44—26.19). (3) No seu terceiro discurso, Moisés profetizou bênçãos e maldições que teriam os israelitas, conforme sua obediência ou desobediência ao Senhor, segundo o concerto, ou aliança (27.1—30.20). Os caps. finais incluem a designação de Josué por Moisés como seu sucessor e um testemunho sobre a morte de Moisés (31.1—34.12).
Características Especiais
Quatro fatos principais caracterizam Deuteronômio. (1) Ele proveu à nova geração de israelitas prestes a entrar em Canaã, o alicerce e motivação necessários para herdarem a terra prometida, ao realçar a natureza de DEUS e seu concerto com Israel. (2) É “O Livro de Repetição da Lei”, no qual, Moisés, o dirigente de Israel, já com 120 anos de idade, reafirmou e resumiu (em forma de sermão) a palavra do Senhor contida nos quatro livros anteriores, do Pentateuco. (3) É “O Livro das Memórias”. Uma admoestação típica de Deuteronômio é: “Lembra-te, e não te esqueças”. Em vez de apresentar novas verdades, Deuteronômio exorta Israel a conservar e obedecer à verdade de DEUS já revelada, e entregue como sua Palavra absoluta e imutável. (4) Um ponto predominante no livro é a fórmula “fé-mais-obediência”. Israel foi conclamado a confiar em DEUS de modo irrestrito e a obedecer aos seus mandamentos sem vacilação. A fé-mais-obediência capacitaria os israelitas a herdar as promessas na plenitude da bênção de DEUS. A falta de fé e de obediência, por outro lado, traria o ciclo do fracasso e do julgamento. 279980
O Livro de Deuteronômio e Seu Cumprimento no NT
Quando JESUS foi tentado pelo diabo, Ele respondeu, citando trechos de Deuteronômio (Mt 4.4,7,10, cf. Dt 8.3; 6.13,16). Quando perguntaram a JESUS qual era o maior mandamento da lei, sua resposta veio de Deuteronômio (Mt 22.37; cf. Dt 6.5). Quase cem vezes, os livros do NT citam Deuteronômio, ou a ele aludem. Uma nítida profecia messiânica deste livro (18.15-19) é citado duas vezes em Atos (3.22,23; 7.37). O cunho espiritual de Deuteronômio é fundamental à revelação do NT.
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
NA ÍNTEGRA COMO NA REVISTA
ESCRITA LIÇÃO 1, CPAD, DEUTERONÔMIO, O LIVRO DA ALIANÇA, 4TR26, COM. EXTRAS PR. HENRIQUE, EBD NA TV
ESBOÇO DA LIÇÃO
LIÇÃO 1 - DEUTERONÔMIO: O LIVRO DA ALIANÇA
I - DEUTERONÔMIO: AUTORIA E PROPÓSITO DO LIVRO
1. Autoria.
2. Definição
3. Valor e propósito de Deuteronômio.
2- CONTEXTO HISTÓRICO DE DEUTERONÔMIO
1. Panorama espiritual.
2. Um panorama geográfico
3. O discurso exortativo de Moisés.
3- O LADO DOUTRINÁRIO E PRÁTICO DE DEUTERONÔMIO
1. Relevância doutrinária
2. Relevância ética e prática.
3. O posicionamento de JESUS e dos apóstolos sobre Deuteronômio
TEXTO ÁUREO
“Eis aqui esta terra, eu a dei diante de vós; entrai e possuí a terra que o SENHOR jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a daria a eles e à sua semente depois deles.” (Dt 1.8).
VERDADE PRÁTICA
A fidelidade a DEUS e à sua Palavra dirige o crente a viver pela fé e alcançar as suas promessas.
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Js 1.8; 2 Tm 3.16 A obediência à Palavra conduz à vida santa e à direção de DEUS
Terça - Dt 11.26-28 A desobediência à Palavra conduz à perda espiritual
Quarta - 2 Tm 2.2 A responsabilidade de transmitir fielmente a Palavra à próxima geração
Quinta - Dt 1.6-8; Fp 3.20 Como povo de DEUS, somos chamados a avançar pela fé rumo à promessa
Sexta - Dt 6.5; 12.1 Um relacionamento com DEUS marcado por amor e obediência
Sábado - Mt 4.4,7,10 JESUS confirma a autoridade e a inspiração de Deuteronômio
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Deuteronômio 1.1-8
1 - Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel, dalém do Jordão, no deserto, na planície defronte do mar de Sufe, entre Parã, e Tofel, e Labã, e Hazerote, e Di-Zaabe. 2 - Onze jornadas há desde Horebe, caminho da montanha de Seir, até Cades-Barneia. 3 - E sucedeu que, no ano quadragésimo, no mês undécimo, no primeiro dia do mês, Moisés falou aos filhos de Israel, conforme tudo o que o SENHOR lhe mandara acerca deles, 4 - depois que feriu a Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, e a Ogue, rei de Basã, que habitava em Astarote, em Edrei.5 - Dalém do Jordão, na terra de Moabe, começou Moisés a declarar esta lei, dizendo: 6 - O SENHOR, nosso DEUS, nos falou em Horebe, dizendo: Tempo bastante haveis estado neste monte. 7 - Voltai-vos e parti; ide à montanha dos amorreus, e a todos os seus vizinhos, e à planície, e à montanha, e ao vale, e ao Sul, e à ribeira do mar, e à terra dos cananeus, e ao Líbano, até ao grande rio, o rio Eufrates. 8 - Eis aqui esta terra, eu a dei diante de vós; entrai e possuí a terra que o SENHOR jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a daria a eles e à sua semente depois deles.
HINOS SUGERIDOS: 107, 259 e 276 da Harpa Cristã
PALAVRA-CHAVE - Aliança
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
Neste trimestre, estudaremos o livro de Deuteronômio. Esse livro reafirma a aliança de DEUS com Israel e destaca a importância da fidelidade à sua Palavra. Na primeira lição, veremos “Deuteronômio: O Livro da Aliança”, compreendendo o seu propósito, contexto histórico e relevância doutrinária para a vida cristã. O comentarista deste trimestre é o Pr. Osiel Gomes, líder da AD em Tirirical (MA), mestre em teologia, conferencista e autor de várias obras, cuja abordagem une profundidade teológica, aplicação prática e fidelidade às Escrituras.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Explicar a autoria, o propósito e o valor de Deuteronômio; II) Apresentar o contexto histórico e espiritual de Deuteronômio; III) Mostrar os ensinos doutrinários e práticos de Deuteronômio.
B) Motivação: O livro de Deuteronômio é um chamado à fidelidade e à renovação espiritual. As suas páginas revelam princípios eternos para uma vida de fé, obediência e compromisso com DEUS. Por isso, esta lição é um desafi o a ouvirmos, guardarmos e vivermos a Palavra do Senhor diariamente.
C) Sugestão de Método: Para o desenvolvimento do segundo tópico, utilize um método expositivo-visual, reproduzindo no quadro ou em slide a divisão natural de Deuteronômio conforme a Bíblia de Estudo Pentecostal Edição Global. Apresente o livro em três grandes discursos de Moisés: retrospectiva histórica (caps. 1–4.43), renovação da Lei (caps. 4.44–26.19) e bênçãos, advertências e despedida final (caps. 27–30), além dos atos finais de Moisés e a sua morte (31–34). Em seguida, destaque no mapa bíblico a trajetória de Israel até as campinas de Moabe e relacione geografia e espiritualidade. Esse recurso ajudará a classe a compreender o contexto histórico, o avanço da narrativa e o propósito exortativo de Moisés à nova geração.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
Aplicação: Deuteronômio ensina-nos que a fidelidade à Palavra de DEUS é indispensável para uma vida espiritual consistente. Assim como Israel precisou confiar, obedecer e avançar rumo à promessa, também somos chamados a viver pela fé, rejeitar a desobediência e permanecer firmes na verdade bíblica.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos, Na edição 107, p.36, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao fim dos tópicos, você encontrará auxílios que darão suporte à preparação de sua aula: 1) O texto “Visão Panorâmica”, localizado após o segundo tópico, contribui para a compreensão do contexto imediato do livro de Deuteronômio e da sua estrutura temática; 2) o texto “O Propósito do Livro”, localizado ao fim do terceiro tópico, aprofunda a compreensão do propósito central do livro de Deuteronômio.
COMENTÁRIO – INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o livro de Deuteronômio, integrante do Pentateuco, e destacaremos os princípios da aliança que DEUS estabeleceu com Israel. Nele, Moisés apresenta o seu discurso final, prepara o povo para a entrada na Terra Prometida e reafirma a centralidade da Lei e a necessidade de fidelidade a DEUS (Dt 28.1,2). O livro também nos conduz à compreensão de três discursos do Legislador de Israel (1-4; 5-27; 28-34), dos seus atos finais e da sua conexão com o Novo Testamento, além de revelar fundamentos permanentes para a vida cristã.
I - DEUTERONÔMIO: AUTORIA E PROPÓSITO DO LIVRO
1. Autoria
A tradição judaica, a evidência interna e os estudiosos conservadores reconhecem Moisés como autor de Deuteronômio, pois foi o mediador da alia entre DEUS e Israel (Dt 1.1; 31.9,24). O livro registra os discursos, instruções e exortações dirigidos ao povo nas campinas de Moabe. Apenas os acontecimentos posteriores à sua morte, descritos no capítulo final, podem ter sido registrados por Josué ou por outro escriba sob inspiração divina. Em Deuteronômio 1.3, observa-se que o conteúdo antecede a sua morte e a conquista da Terra Prometida.
2. Definição
O título deriva da expressão grega deuteronomion, traduzida na Septuaginta como “repetição da Lei” (Dt 17.18). O livro reflete a releitura de Moisés sobre a Lei às vésperas da entrada em Canaã. Na tradição judaica, é chamado hadevārîm (“estas palavras”), destacando-se o seu caráter discursivo. Com linguagem acessível, Moisés exorta Israel à fidelidade exclusiva ao Senhor (Dt 5.7-10) e adverte o povo contra a idolatria e a corrupção moral. Estruturado em três discursos, Deuteronômio reafirma que a obediência à Palavra conduz à bênção e à vida santa (Js 1.8; cf. 2 Tm 3.16).
3. Valor e propósito de Deuteronômio
O valor de Deuteronômio é permanente para a edificação espiritual do povo de DEUS, evidenciado no seu uso na reforma de Esdras e Neemias. O livro destaca o amor de DEUS e a devoção que Ele requer (Dt 6.5) e instrui o povo a viver com justiça, equidade e integridade, pois a obediência conduz à vida e à bênção, enquanto a desobediência leva à maldição (Dt 11.26-28). O seu propósito é reafirmar a aliança e preparar o povo para a promessa. Hoje, somos chamados a renovar nosso compromisso com DEUS, a viver em fidelidade e a experimentar a vitória em CRISTO (1 Co 15.57).
SINÓPSE I - Deuteronômio reafirma a Lei e a aliança de DEUS com Israel.
AMPLIANDO O CONHECIMENTO
Podemos compreender o livro de Deuteronômio a partir de três verbos centrais que estabelecem os três grandes discursos do livro recordar (caps. 1–4.43), obedecer (caps. –26.19) e vigiar (caps. 27–30). Recordar, porque o livro preserva a memória da Lei. Obedecer, porque exorta o povo a viver segundo os mandamentos ao entrar na Terra Prometida. Vigiar, porque apresenta bençãos para a obediência e maldições para a desobediência. Esse livro nos chama a viver uma vida consciente do Evangelho como testemunho vivo na sociedade (Para ampliar mais o seu conhecimento, consulte a Bíblia de Estudo Pentecostal: Edição Global, editada pela CPAD, pp.219-302).
II - CONTEXTO HISTÓRICO DE DEUTERONÔMIO
1. Panorama espiritual
O capítulo 1 de Deuteronômio começa com um cenário espiritual. A expressão “Estas são as palavras que Moisés falou” (v.1), do hebraico Êlleh hadvarim, introduz um discurso com autoridade divina. Não são palavras humanas, mas revelação de DEUS, que exige obediência. Dirigidas à nova geração, nas campinas de Moabe, visavam renovar a aliança. Como não presenciou o Êxodo, o povo precisava ser instruído antes de entrar na Terra Prometida. Isso evidencia a importância de transmitir a Palavra entre gerações (2 Tm 2.2).
2. Um panorama geográfico
Após apresentar o discurso de Moisés, Deuteronômio descreve regiões percorridas por Israel: o deserto (terra desabitada), a planície de Arabá e locais como Parã, Labã, Hazerote e Di-Zaabe, indicando a rota até Canaã. Em Deuteronômio 1.2, destaca-se que o trajeto de Horebe a Cades-Barneia poderia ser feito em poucos dias, mas levou quarenta anos devido à desobediência do povo. A antiga geração sofreu as consequências da sua incredulidade e falta de temor; logo, aprendemos que a jornada rumo à Canaã Celestial exige santidade, fé e obediência para que alcancemos as promessas de DEUS (Hb 4.1-11).
3. O discurso exortativo de Moisés
Consciente de que não entraria na Terra Prometida (Dt 1.37; 3.27), Moisés profere o seu discurso final e prepara o povo para a transição de liderança a Josué. Esse momento de despedida e instrução é recorrente entre líderes bíblicos, como, por exemplo, Jacó, Josué, Samuel e Davi, e também é observado em JESUS (Jo 14–16). Moisés fala em tom de vitória e recorda feitos do Senhor, como a derrota de Seom e Ogue. As palavras dele não eram meramente humanas, mas revelação divina. A “Lei” refere-se à Torá, conjunto de ensinos que orientavam a vida moral e espiritual de Israel, base da sua identidade como povo de DEUS. 4. Desafiando a nova geração a ser decisiva. A antiga geração de Israel falhou no seu compromisso com o Senhor DEUS e não entrou na Terra Prometida. O primeiro discurso de Moisés revisa esse passado e orienta a nova geração à fidelidade. Após quarenta anos, surge um povo chamado a obedecer (Dt 1.6-8). O centro está em Deuteronômio 1.8: DEUS já deu a terra; cabia a Israel possuí-la pela fé. É assim também hoje, pois somos chamados a viver pela fé, rumo à cidade celestial (Fp 3.20).
SINOPSE II - Moisés relembra a jornada de Israel e exorta à obediência.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“VISÃO PANORÂMICA.
Moisés rememorou intensamente o concerto de DEUS com Israel em três sermões ou discursos inspirados: (1) O primeiro discurso de Moisés recordou a história de Israel — enfatizando a dúvida persistente do povo e a sua rebelião desde que eles deixaram o monte Sinai — e convocou a nova geração para que evitasse os erros do passado e reverentemente temesse e obedecesse a DEUS (1.1–4.43). (2) O segundo discurso de Moisés relembrou e aplicou muitas leis do concerto referentes a questões como a adoração, o sábado, os pobres, as festas anuais, os direitos de herança e propriedade, a imoralidade sexual e a preservação da justiça (4.44–26.19). (3) O terceiro discurso de Moisés foi uma profecia a respeito das bênçãos e maldições que o povo receberia como resultado de sua obediência ou desobediência (27.1–30.20). Os capítulos restantes incluem o ato de Moisés de comissionar Josué como seu sucessor e um testemunho sobre a morte de Moisés (31.1–34.12)” (Bíblia de Estudo Pentecostal Edição Global. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.300).
III - O LADO DOUTRINÁRIO E PRÁTICO DE DEUTERONÔMIO
1. Relevância doutrinária
A relevância doutrinária de Deuteronômio fundamenta-se na revelação do caráter de DEUS: justo, santo, fiel, misericordioso, zeloso e verdadeiro (Dt 7.9; 10.17). O livro apresenta o relacionamento entre o Senhor e Israel — que deve ser marcado por temor, obediência e reverência — e exige submissão contínua à vontade e à Lei de DEUS (Dt 6.5; 12.1). Destaca-se também o seu aspecto messiânico, ao apontar para JESUS como o Profeta semelhante a Moisés (Dt 18.15; cf. At 3.23); logo, o povo era chamado a viver segundo a Lei para cumprir a sua missão e, assim, experimentar o favor divino.
2. Relevância ética e prática
Em Deuteronômio, Moisés destaca temas essenciais à vida do povo, especialmente a educação espiritual dos filhos (Dt 6.6,7). No cotidiano, os pais deveriam ensinar a Palavra e, assim, formar gerações firmes na fé, como ocorreu com Timóteo (2 Tm 1.5). O livro também enfatiza o amor e a fidelidade a DEUS, expressos na obediência aos seus mandamentos (Dt 6.5). Além disso, orienta sobre liderança justa e submissão à Lei, visando o bem comum. O seu tom exortativo chama o povo a rejeitar a idolatria e viver segundo a vontade divina. Assim, o livro evidencia princípios de justiça, compaixão e responsabilidade que servem de referência para a ética cristã.
3. O posicionamento de JESUS e dos apóstolos sobre Deuteronômio
Ao citar Deuteronômio (Mt 4.4,7,10), JESUS não apenas confirma a sua inspiração, autoridade e valor prático, como também evidencia a sua relevância permanente. Deuteronômio revela princípios que orientam uma vida conforme o padrão de DEUS. De igual modo, apóstolos como Pedro (At 3.23), Paulo (Gl 3.13) e o autor de Hebreus (Hb 10.30) recorreram a ele e, inclusive, reafirmaram a certeza do juízo divino. Essas referências demonstram que tanto CRISTO quanto os seus apóstolos reconheciam Deuteronômio como Escritura inspirada, em que se encontram fundamentos que apontam para o cumprimento das promessas messiânicas em JESUS CRISTO, o Senhor.
SINOPSE III - Deuteronômio une doutrina, ética e fidelidade à Palavra.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
O PROPÓSITO DO LIVRO.
“O propósito original de Moisés ao se dirigir à nova geração de Israel antes de passar a liderança a Josué foi desafiar, encorajar e instruir as pessoas sobre: (1) os atos poderosos e as promessas de DEUS, (2) as suas próprias obrigações de fé e obediência previstas no concerto, e (3) a sua necessidade de reverenciar a DEUS e viver para realizar os seus propósitos. Moisés queria relembrar o povo da séria responsabilidade e do privilégio de amar e honrar a DEUS de todo o coração, de toda a alma e força (6.4)” (Bíblia de Estudo Pentecostal Edição Global. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.300).
CONCLUSÃO
A leitura do livro de Deuteronômio possui grande valor para nós, os salvos em CRISTO JESUS, pois nos conduz à compreensão da aliança que DEUS firmou com Israel. Ao mesmo tempo, ressalta a importância de obedecer aos preceitos divinos e de renovar continuamente nosso compromisso de fé. Somos, portanto, chamados a viver uma vida cristã autêntica, que é marcada pela fé e responsabilidade, e a responder ao Senhor com amor, obediência e disposição constante para ouvir a sua Palavra.
REVISANDO O CONTEÚD
1. O que reúne o livro de Deuteronômio?
O livro de Deuteronômio reúne discursos e registros históricos de Moisés.
2. Qual é o valor de Deuteronômio para o povo de DEUS?
O valor de Deuteronômio é permanente para a edificação espiritual do povo de DEUS, evidenciado no seu uso na reforma de Esdras e Neemias.
3. Qual é a mensagem central de Deuteronômio 1.8?
O centro está em Deuteronômio 1.8: DEUS já deu a terra; cabia a Israel possuí-la pela fé.
4. A relevância doutrinária de Deuteronômio fundamenta-se em quê?
A relevância doutrinária de Deuteronômio fundamenta-se na revelação do caráter de DEUS: justo, santo, fiel, misericordioso, zeloso e verdadeiro (Dt 7.9; 10.17).
5. O que demonstram as referências de CRISTO e dos apóstolos sobre o livro de Deuteronômio?
Essas referências demonstram que tanto CRISTO quanto os seus apóstolos reconheciam Deuteronômio como Escritura inspirada, na qual se encontram fundamentos que apontam para o cumprimento das promessas messiânicas em JESUS CRISTO.
)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Curiosidade – A
verdadeira rota do êxodo pode não ser a que vemos em 90% dos mapas.
Olhando
o mapa - considero legítimo levantar como questão
geográfica:
- Midiã
realmente ficava na região noroeste da Arábia.
- Moisés
realmente passou anos em Midiã.
- Gálatas
4:25 associa o Sinai à Arábia.
- A
rota costeira dos filisteus era o caminho mais direto para Canaã.
- Uma
rota pelo Golfo de Ácaba e por Midiã é geograficamente possível.
Por
isso, mesmo sem afirmar que a teoria está correta, entendo por que muitas
pessoas acham a hipótese de Jabal al-Lawz plausível.
O
que eu diria é que o debate hoje não é tanto sobre a forma geral da geografia
que aparece no mapa, porque ela está
bastante próxima da geografia real da região. A grande controvérsia é se os
locais identificados como Pi-Hairote, Mara, Elim, Refidim
e Horebe correspondem de fato aos pontos marcados por essa reconstrução.
O
mapa é uma boa representação de como a teoria de Ron Wyatt enxerga a jornada do
Êxodo, mas ainda não há evidência arqueológica suficiente para que ela seja
considerada comprovada. Isso não significa que esteja errada; significa apenas
que continua sendo uma hipótese debatida.
O
caminho natural Egito → Gaza → Canaã era muito mais direto do que a rota do
deserto descrita em Êxodo 13:17.
O
que eu considero mais forte na discussão são os argumentos geográficos e
textuais:
- Moisés
viveu em Midiã.
- O
encontro com Deus na sarça ardente, no Monte Horebe, ocorreu quando Moisés
estava associado a Midiã.
- Paulo
escreveu que o Sinai está na Arábia.
- A
rota costeira dos filisteus existia e era o caminho mais curto.
- O
mapa mostra uma geografia que muitos consideram coerente com esses textos.
Êxodo 13:17: "Deus não os levou pelo
caminho da terra dos filisteus, embora fosse mais perto."