Escrita, Lição 3, CPAD, A Graça que alcança todas as Nações, 3Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV
ESBOÇO DA LIÇÃO
I - QUANDO A GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
1. O Concílio de Jerusalém.
2. O relatório de Pedro (vv.7–11).
3. O relatório de Paulo e Barnabé (v.12).
4. O discurso de Tiago (vv.13–21).
II - UM PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS
1. O que é a graça de DEUS?
2. JESUS CRISTO como a manifestação da graça.
3. A graça é para todos os povos — sem exceção.
III - CRESCENDO NA GRAÇA
1. Como nos aproximar do trono da graça (Hb 4.16).
2. Quando devemos nos achegar ao trono da graça?
3. O que recebemos ao nos achegarmos ao trono da graça?
TEXTO ÁUREO
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de
vós; é dom de DEUS.”(Ef 2.8)
VERDADE PRÁTICA
É pela graça que somos alcançados, perdoados e reconciliados com DEUS.
LEITURA DIÁRIA
Segunda - At 15.11 A
salvação é afirmada como obra exclusiva da graça do Senhor JESUS
Terça - At 10.44-48 DEUS
não faz distinção entre pessoas
Quarta - Ef 2.8,9 A
salvação é um dom gratuito de DEUS
Quinta - Tt 2.11,12 A
graça de DEUS se manifestou trazendo salvação a todos
Sexta - Hb 4.16 O
trono da graça está aberto para o crente
Sábado - 2 Pe 3.18 Crescendo
em graça e conhecimento de JESUS CRISTO
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Atos 15.1-5, 28,29, 36-39
1 - Então, alguns que tinham descido da Judeia ensinavam assim os
irmãos: Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis
salvar-vos.
2 - Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda
contra eles, resolveu-se que Paulo, Barnabé e alguns dentre eles subissem a
Jerusalém aos apóstolos e aos anciãos sobre aquela questão.
3 - E eles, sendo acompanhados pela igreja, passaram pela Fenícia e
por Samaria, contando a conversão dos gentios, e davam grande alegria a todos
os irmãos.
4 - Quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e
pelos apóstolos e anciãos e lhes anunciaram quão grandes coisas DEUS tinha
feito com eles.
5 - Alguns, porém, da seita dos fariseus que tinham crido se
levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem
a lei de Moisés.
28 - Na verdade, pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós não vos
impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:
29 - Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do
sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos
guardardes. Bem vos vá.
36 - Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar
nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor,
para ver como estão.
37 - E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado
Marcos.
38 - Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele
que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra.
39 - E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro.
Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre.
HINOS SUGERIDOS : 394,
409, 433 da Harpa Cristã
PALAVRA-CHAVE - GRAÇA
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
SUBSÍDIOS EXTRAS – BÍBLIAS, GOOGLE, LIVROS E REVISTAS ANTIGAS
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Comentários Pr. Henrique
LIÇÃO 3 – A GRAÇA QUE ALCANÇA TODAS AS NAÇÕES
Texto Base: Atos 15.1-35
COMENTÁRIO BÍBLICO E TEOLÓGICO
INTRODUÇÃO
O capítulo quinze de Atos dos Apóstolos constitui um dos
acontecimentos mais relevantes da história da Igreja Primitiva. Até esse
momento, a expansão missionária havia produzido uma extraordinária colheita
espiritual entre os gentios, especialmente por intermédio do ministério
apostólico de Paulo e Barnabé. Entretanto, o extraordinário crescimento da
Igreja trouxe consigo uma questão que ultrapassava os limites culturais e
alcançava o próprio âmago da doutrina da salvação.
A questão era profundamente teológica: a fé em CRISTO seria
suficiente para salvar, ou seria necessário acrescentar a observância da Lei de
Moisés como condição indispensável para a justificação?
Não se tratava apenas de uma divergência litúrgica ou disciplinar.
A controvérsia atingia diretamente a doutrina da Soteriologia (doutrina
da salvação), da Eclesiologia (natureza da Igreja) e da Cristologia
(a suficiência da obra redentora de CRISTO).
Os judaizantes afirmavam que os gentios deveriam tornar-se judeus
antes de serem cristãos. Em outras palavras, defendiam que a Nova Aliança
somente poderia ser recebida mediante a submissão completa à Antiga Aliança.
Esse pensamento anulava a suficiência da cruz.
Paulo compreendeu imediatamente a gravidade da situação. Em sua
Epístola aos Gálatas, escrita provavelmente pouco antes ou pouco depois do
Concílio, ele afirma:
"Não anulo a graça de DEUS; porque, se a justiça provém da
lei, segue-se que CRISTO morreu debalde." (Gl 2.21).
A discussão não era sobre circuncisão apenas.
Era sobre o Evangelho. Era sobre a Graça. Era sobre CRISTO.
O Concílio de Jerusalém tornou-se, assim, o primeiro grande
concílio doutrinário da Igreja Cristã, estabelecendo definitivamente que a
salvação é resultado exclusivo da graça divina recebida mediante a fé, e não
mediante obras meritórias.
Esse acontecimento preservou a unidade da Igreja, confirmou a
missão entre os gentios e abriu definitivamente as portas para a evangelização
universal.
A IMPORTÂNCIA TEOLÓGICA DO CONCÍLIO
|
Aspecto |
Antes do Concílio |
Depois do Concílio |
|
Circuncisão |
Alguns a consideravam obrigatória |
Não é requisito para salvação |
|
Lei de Moisés |
Alguns exigiam sua observância |
Não salva o pecador |
|
Gentios |
Considerados "estrangeiros" |
Recebidos como povo de DEUS |
|
Evangelho |
Corria risco de ser adulterado |
Preservado em sua pureza |
|
Missões |
Poderiam ser interrompidas |
Foram fortalecidas |
PALAVRAS IMPORTANTES NO GREGO
χάρις (Cháris)
Significado:
Favor imerecido.
Mais do que simples bondade, descreve a disposição soberana de DEUS
em conceder aquilo que o homem jamais poderia conquistar.
A palavra aparece aproximadamente 156 vezes no Novo
Testamento.
Em Paulo torna-se praticamente um resumo de todo o Evangelho.
πίστις (Pístis)
Significado:
Fé. Não significa apenas acreditar intelectualmente.
É confiança absoluta. Entrega. Dependência. Fidelidade.
A salvação ocorre:
pela graça (χάρις), mediante a fé (πίστις).
Efésios 2.8 une essas duas palavras de forma inseparável.
δικαιόω (Dikaióō)
Significado: Declarar justo.
Não significa tornar alguém moralmente perfeito. É um termo
jurídico.
No tribunal divino, DEUS declara justo aquele que crê em CRISTO.
νόμος (Nómos)
Lei.
Pode indicar:
·
Lei de Moisés; Pentateuco;
Sistema legal judaico
Paulo demonstra que a Lei possui função pedagógica, mas jamais
salvadora.
περιτομή (Peritomḗ)
Circuncisão.
Era o sinal da Aliança Abraâmica.
Os judaizantes confundiam o sinal da aliança com o meio da
salvação.
TABELA
A LEI E A GRAÇA
|
A Lei |
A Graça |
|
Revela o pecado |
Remove o pecado |
|
Condena |
Justifica |
|
Exige obediência perfeita |
Concede poder para obedecer |
|
Aponta para CRISTO |
Revela CRISTO |
|
Não salva |
Salva completamente |
|
É sombra |
CRISTO é a realidade |
I – QUANDO A GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
A unidade produzida pela verdade
A verdadeira unidade da Igreja jamais pode ser construída sobre
concessões doutrinárias. Ela nasce da fidelidade à revelação divina. O Concílio
de Jerusalém demonstra que a comunhão eclesiástica deve estar fundamentada na
verdade do Evangelho e não em acordos meramente humanos.
A palavra "concílio" deriva do latim concilium, indicando
uma assembleia convocada para deliberar sobre assuntos relevantes. No contexto
de Atos 15, porém, o elemento distintivo não foi simplesmente o debate, mas a
submissão coletiva à direção do ESPÍRITO SANTO, expressa na célebre declaração:
"Pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós" (At 15.28). Essa frase revela
que a autoridade da decisão não repousava apenas no consenso humano, mas na
convicção de que a Igreja discernira a vontade de DEUS.
A crise provocada pelos judaizantes evidencia como erros
aparentemente pequenos podem comprometer toda a estrutura doutrinária do
Evangelho. Acrescentar qualquer requisito humano à obra redentora de CRISTO
equivale a diminuir a suficiência da cruz. Paulo posteriormente expressará essa
preocupação ao afirmar que "um pouco de fermento leveda toda a massa"
(Gl 5.9), mostrando que o legalismo possui efeito corrosivo sobre a fé cristã.
Do ponto de vista eclesiológico, o Concílio preservou a identidade
da Igreja como comunidade formada por judeus e gentios reconciliados em um só
corpo (Ef 2.14-16). A unidade não seria obtida pela uniformização cultural, mas
pela comunhão em CRISTO. Essa compreensão antecipou a universalidade da missão
cristã e estabeleceu o princípio de que o Evangelho transcende barreiras
étnicas, culturais e cerimoniais.
Além disso, o episódio demonstra um importante modelo de resolução
de conflitos. Em vez de permitir que a controvérsia produzisse divisões
irreparáveis, a Igreja reuniu apóstolos, presbíteros e irmãos para ouvir
testemunhos, examinar as Escrituras e buscar o discernimento do ESPÍRITO SANTO.
Esse método revela que questões doutrinárias devem ser tratadas com humildade,
diálogo e submissão à Palavra de DEUS, jamais com autoritarismo ou mera
tradição.
Quadro Teológico – O que estava em jogo no Concílio?
|
Questão |
Resposta Bíblica |
|
A circuncisão salva? |
Não. A salvação é pela graça mediante a fé (Ef 2.8-9). |
|
A Lei foi anulada? |
Não. Ela cumpriu sua função pedagógica e apontou para CRISTO (Gl
3.24). |
|
Os gentios precisam tornar-se judeus? |
Não. Em CRISTO formam um só povo de DEUS (Ef 2.15). |
|
A Igreja pode acrescentar requisitos ao Evangelho? |
Não. O Evangelho é completo em CRISTO (Gl 1.6-9). |
Aplicação Doutrinária: A Igreja
contemporânea também enfrenta o desafio de preservar a pureza do Evangelho
diante de legalismos, tradicionalismos e acréscimos humanos. A graça continua
sendo o fundamento da unidade cristã, pois todos os salvos entram na família de
DEUS pelo mesmo caminho: a fé no Senhor JESUS CRISTO.
I – QUANDO A GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
1. O Concílio de Jerusalém (At 15.1-6)
O Concílio de Jerusalém representa o primeiro grande encontro
doutrinário da Igreja Cristã. Sua importância ultrapassa o aspecto histórico,
pois estabelece princípios permanentes para a interpretação das Escrituras,
para a preservação da unidade da Igreja e para a correta compreensão da
doutrina da salvação.
A controvérsia surgiu quando alguns homens provenientes da Judeia
chegaram a Antioquia ensinando:
"Se não vos circuncidardes conforme o costume de Moisés, não
podeis salvar-vos." (At 15.1)
Observe que eles não estavam negando JESUS. Também não negavam sua
morte.
Nem sua ressurreição. O erro era muito mais sutil.
Eles acrescentavam uma condição humana ao plano divino da salvação.
Esse é o perigo do legalismo.
Sempre acrescenta algo à obra perfeita de CRISTO.
Paulo percebe imediatamente que aquele ensino destruía a essência
do Evangelho.
Por isso Lucas registra:
"Paulo e Barnabé tiveram com eles não pequena discussão."
A expressão grega utilizada por Lucas é extremamente forte.
Palavra Grega
στάσις (stásis)
Significa:
·
Revolta; intenso
debate; conflito; oposição firme
Lucas demonstra que Paulo não tratou aquela falsa doutrina com
tolerância.
O Evangelho não admite negociações.
Por essa razão, posteriormente Paulo escreverá:
"Ainda que um anjo vindo do céu pregue outro evangelho, seja
anátema."
(Gálatas 1.8)
A doutrina da justificação pela fé era inegociável.
O perigo do Legalismo
Legalismo não significa obediência. Significa tentar obter o favor
de DEUS através do cumprimento de regras. A obediência é consequência da
salvação.
O legalismo tenta produzir salvação. Existe enorme diferença entre
ambas.
|
Obediência Cristã |
Legalismo |
|
Nasce da Graça |
Nasce do medo |
|
É fruto do ESPÍRITO |
É esforço humano |
|
Produz liberdade |
Produz escravidão |
|
Exalta CRISTO |
Exalta o homem |
|
Conduz à santidade |
Produz orgulho espiritual |
Paulo resume esse contraste em Gálatas:
"Para a liberdade CRISTO nos libertou."
A composição do Concílio
Lucas informa que participaram:
·
os Apóstolos; os
Presbíteros; a Igreja. (At 15.6,22)
Esse detalhe revela uma importante característica da liderança da
Igreja Primitiva.
Não havia autoritarismo. Havia comunhão.
A liderança exercia autoridade espiritual sem desprezar a
participação da comunidade.
O ESPÍRITO SANTO dirigindo a Igreja
O grande personagem invisível do Concílio é o ESPÍRITO SANTO.
Embora Lucas não descreva manifestações sobrenaturais naquele
momento, toda a narrativa evidencia sua condução.
Isso fica evidente na declaração final:
"Pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós..."
(At 15.28)
Esta talvez seja uma das frases mais belas de todo o livro de Atos.
Ela revela que a Igreja não decidiu apenas segundo critérios
humanos.
Ela discerniu a vontade divina.
Quadro Histórico
Antioquia da Síria
Foi em Antioquia que ocorreu a crise.
Ali havia uma igreja composta de:
·
judeus; gregos;
romanos; sírios; africanos.
Era uma igreja multicultural.
A imposição da circuncisão ameaçava destruir aquela comunhão
construída pelo Evangelho.
Palavra Grega - ἐκκλησία (Ekklesía)
Traduzida por: "Igreja"
Literalmente significa: "Os chamados para fora."
Na cultura grega era utilizada para indicar uma assembleia
convocada.
No Novo Testamento recebe significado muito mais profundo.
A Igreja é a comunidade daqueles que DEUS chamou das trevas para
sua maravilhosa luz. (1Pe 2.9)
Aplicação Teológica
A Igreja contemporânea continua enfrentando problemas semelhantes.
Hoje poucos exigem circuncisão.
Mas muitos acrescentam exigências humanas ao Evangelho.
Alguns afirmam que a salvação depende de:
·
usos e
costumes; posição social; tradição denominacional; mérito espiritual; desempenho
religioso.
Todos esses acréscimos possuem a mesma raiz do judaísmo legalista.
Sempre que alguma obra humana é colocada como condição para a
salvação, a suficiência da cruz é diminuída.
A Graça preserva a unidade
Existe uma importante diferença entre:
Uniformidade e Unidade.
Uniformidade significa que todos são iguais. Unidade significa que
todos pertencem ao mesmo Corpo. A Igreja nunca foi chamada para produzir
uniformidade cultural.
Ela foi chamada para preservar a unidade espiritual.
Paulo escreveria anos depois: "Há um só corpo e um só ESPÍRITO."
(Ef 4.4)
Quadro Comparativo
Judaizantes × Apóstolos
|
Judaizantes |
Apóstolos |
|
Circuncisão salva |
CRISTO salva |
|
Lei como requisito |
Graça suficiente |
|
Obras justificam |
Fé justifica |
|
Antiga Aliança como condição |
Nova Aliança suficiente |
|
Separação entre judeus e gentios |
Um só povo em CRISTO |
|
Ênfase nos ritos |
Ênfase na cruz |
Reflexão Exegética
Observe que Lucas jamais afirma que os judaizantes eram incrédulos.
Provavelmente eram judeus convertidos.
O problema não estava na sinceridade.
Estava na compreensão da doutrina.
Isso ensina um princípio importante:
Boas intenções nunca substituem a verdade bíblica.
A Igreja deve ser acolhedora com pessoas, mas inflexível quanto ao
Evangelho.
Curiosidade Histórica
A circuncisão era realizada no oitavo dia de vida (Gn 17.12).
Para os judeus do primeiro século, deixar de circuncidar um homem
significava romper com a identidade nacional de Israel.
Por isso o debate foi tão intenso.
Não era apenas uma questão religiosa.
Era também cultural.
CRISTO, porém, inaugurava uma nova humanidade (Ef 2.15), na qual a
identidade do povo de DEUS não seria definida por um sinal na carne, mas pela
regeneração operada pelo ESPÍRITO SANTO.
Aplicação Espiritual
A unidade verdadeira não nasce da ausência de diferenças, mas da
centralidade de CRISTO. Quando a Igreja mantém a graça como fundamento de sua
comunhão, evita tanto o exclusivismo religioso quanto o relativismo
doutrinário. A cruz derruba as barreiras entre os homens e estabelece um único
caminho de acesso ao Pai (Ef 2.18). Toda tentativa de acrescentar exigências
humanas ao Evangelho compromete a liberdade cristã e obscurece a glória da
graça divina.
2. O RELATÓRIO DE PEDRO (At 15.7–11)
Após intensa discussão entre os presentes, Pedro toma a palavra e
apresenta um dos discursos mais importantes registrados no livro de Atos. Seu
pronunciamento não é fundamentado em opinião pessoal nem em tradição rabínica,
mas na própria experiência da ação soberana de DEUS entre os gentios. A
narrativa demonstra que o ESPÍRITO SANTO já havia resolvido a questão antes
mesmo de o Concílio deliberar sobre ela.
Pedro recorda o episódio ocorrido na casa de Cornélio (At 10), o
primeiro gentio incircunciso a receber o Evangelho e o batismo no ESPÍRITO SANTO.
Esse acontecimento tornou-se um precedente teológico incontestável: DEUS
concedera aos gentios os mesmos dons espirituais que aos judeus, sem exigir
previamente a observância da Lei mosaica.
Sua argumentação revela um importante princípio hermenêutico: a
experiência cristã somente possui valor doutrinário quando está em perfeita
harmonia com a revelação das Escrituras. Pedro não baseia sua defesa apenas
na experiência; posteriormente Tiago confirma essa mesma verdade mediante a
profecia de Amós. Assim, experiência e Escritura convergem para revelar o
propósito eterno de DEUS.
A Estrutura do Discurso de Pedro
O discurso pode ser dividido em quatro argumentos principais.
|
Argumento |
Texto |
Ênfase |
|
DEUS escolheu Pedro para evangelizar os gentios |
At 15.7 |
A iniciativa pertence a DEUS. |
|
DEUS concedeu o ESPÍRITO SANTO aos gentios |
At 15.8 |
O ESPÍRITO confirma a aceitação divina. |
|
DEUS purificou seus corações pela fé |
At 15.9 |
A fé, e não a Lei, é o meio da purificação. |
|
A salvação é exclusivamente pela graça |
At 15.11 |
Judeus e gentios são salvos da mesma maneira. |
Essa progressão demonstra que toda a argumentação gira em torno da
soberania da graça divina.
A Escolha Divina
Pedro declara: "DEUS me escolheu dentre vós..." (At 15.7)
A palavra "escolheu" traduz o verbo grego:
ἐκλέγομαι (eklégomai)
Significa:
·
escolher; selecionar;
designar para uma missão específica.
Nesse contexto, o verbo não enfatiza uma escolha arbitrária para
salvação individual, mas a eleição ministerial de Pedro para inaugurar
oficialmente a missão aos gentios na casa de Cornélio.
Foi DEUS quem abriu essa porta. A missão não nasceu da iniciativa
apostólica.
Nasceu do propósito eterno do Senhor.
DEUS conhece os corações
Pedro continua:
"E DEUS, que conhece os corações..." At 15.8
A palavra utilizada por Lucas é extraordinária.
καρδιογνώστης (kardiognōstēs)
Significado: Conhecedor dos corações.
É uma palavra composta. καρδία (kardía) = coração.
γινώσκω (ginṓskō) = conhecer profundamente.
Essa expressão aparece apenas duas vezes em todo o Novo Testamento.
(At 1.24 e At 15.8)
Ela descreve um atributo exclusivamente divino.
Somente DEUS conhece perfeitamente:
·
intenções; pensamentos;
motivações; desejos; fé verdadeira.
Enquanto os homens observavam a circuncisão exterior, DEUS
contemplava o coração regenerado.
Essa distinção é fundamental. A religião olha para o exterior. A
graça transforma o interior.
Quadro Comparativo
Exterior × Interior
|
Religião Legalista |
Evangelho |
|
Circuncisão da carne |
Circuncisão do coração |
|
Aparência |
Transformação interior |
|
Mérito humano |
Graça divina |
|
Ritos |
Novo nascimento |
|
Esforço humano |
Ação do ESPÍRITO SANTO |
O ESPÍRITO SANTO como selo da aceitação divina
Pedro afirma:
"Concedeu-lhes o ESPÍRITO SANTO."
Esse argumento encerra praticamente toda a discussão.
Se DEUS já havia derramado o ESPÍRITO SANTO sobre os gentios, quem
poderia exigir condições adicionais?
O ESPÍRITO SANTO tornou-se a maior evidência de que DEUS aceitara
os gentios.
Observe a ordem dos acontecimentos em Atos 10:
1. ouviram a Palavra;
2. creram;
3. receberam o ESPÍRITO SANTO;
4. foram batizados nas águas.
Em nenhum momento aparece a circuncisão.
Palavra Grega
Πνεῦμα Ἅγιον (Pneuma Hagion)
Significa: ESPÍRITO SANTO.
Pneuma significa:
·
vento; sopro; espírito.
O termo descreve Aquele que comunica vida, poder e santificação.
No livro de Atos, o ESPÍRITO SANTO aparece como o grande
protagonista da expansão missionária.
É Ele quem:
·
envia
missionários; dirige viagens; confirma milagres; distribui dons; convence
pecadores; estabelece igrejas.
"Purificando-lhes o coração pela fé"
Pedro continua: "Purificando-lhes o coração pela fé." (At
15.9)
O verbo empregado é:
καθαρίζω (katharízō)
Significado:
·
limpar; purificar;
tornar limpo.
No Antigo Testamento, a purificação ocorria mediante:
·
sacrifícios; lavagens
cerimoniais; rituais levíticos.
Agora, a purificação acontece mediante a fé em CRISTO.
A mudança é radical. O sangue de animais apontava para CRISTO.
O sangue de CRISTO realiza definitivamente aquilo que os
sacrifícios apenas simbolizavam.
Tabela
Purificação no Antigo e no Novo Testamento
|
Antiga Aliança |
Nova Aliança |
|
Água cerimonial |
Sangue de CRISTO |
|
Sacerdote terreno |
CRISTO, Sumo Sacerdote |
|
Sacrifícios repetidos |
Sacrifício único |
|
Purificação externa |
Purificação da consciência |
|
Temporária |
Definitiva |
(Hb 9–10)
"Por que tentais a DEUS?"
Pedro então faz uma pergunta contundente:
"Agora, pois, por que tentais a DEUS?" (At 15.10)
O verbo grego é:
πειράζω (peirázō)
Pode significar:
·
provar; testar;
desafiar; colocar à prova.
Pedro inverte completamente a acusação.
Os judaizantes imaginavam defender DEUS.
Na realidade estavam desafiando Sua própria decisão.
Sempre que o homem acrescenta algo à graça, coloca-se contra aquilo
que DEUS já estabeleceu.
O Jugo da Lei
Pedro afirma: "...pondo sobre o pescoço dos discípulos um
jugo..." A palavra "jugo" é:
ζυγός (zygós)
Era a peça de madeira colocada sobre bois para puxarem cargas.
Na literatura judaica, tornou-se símbolo da submissão à Lei.
Pedro reconhece algo extraordinário.
Nem os próprios judeus conseguiram cumprir perfeitamente toda a
Lei.
Então pergunta:
"Nem nossos pais puderam suportá-lo."
Que argumento poderoso! Se Israel inteiro fracassou em guardar
perfeitamente a Lei, por que exigir isso dos gentios?
Quadro Comparativo
O Jugo da Lei × O Jugo de CRISTO
|
Lei |
CRISTO |
|
Condena |
Liberta |
|
Exige perfeição |
Concede perdão |
|
Produz culpa |
Produz paz |
|
Revela pecado |
Remove pecado |
|
Escraviza o pecador |
Liberta o pecador |
Compare Atos 15 com Mateus 11.28-30.
O Clímax do Discurso
Pedro encerra declarando:
"Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor JESUS CRISTO."
(At 15.11)
Observe um detalhe extraordinário.
Ele não diz: "Eles serão salvos como nós."
Ele afirma: "Nós somos salvos como eles."
A ordem é intencional.
Até mesmo os judeus dependem da mesma graça concedida aos gentios.
Não existem dois caminhos de salvação.
Existe apenas um. CRISTO.
Palavra Grega
σωτηρία (sōtēría)
Significa:
·
salvação; libertação;
redenção; livramento.
No Novo Testamento, a salvação possui três dimensões:
|
Tempo |
Aspecto |
Referência |
|
Passado |
Fomos justificados |
Ef 2.8 |
|
Presente |
Estamos sendo santificados |
Fp 2.12-13 |
|
Futuro |
Seremos glorificados |
Rm 8.30 |
A salvação é um ato consumado em CRISTO, que se desdobra na vida do
crente até sua glorificação final.
Perspectiva Pentecostal
A experiência de Cornélio possui grande relevância para a teologia
pentecostal. O mesmo ESPÍRITO SANTO derramado sobre os judeus no Dia de
Pentecostes foi concedido aos gentios, demonstrando que DEUS não faz acepção de
pessoas (At 10.34). O batismo no ESPÍRITO SANTO torna-se, assim, um testemunho
da universalidade da promessa divina, destinada a todos os que creem em CRISTO.
Contudo, é importante distinguir teologicamente a regeneração, que
ocorre no momento da conversão, do batismo no ESPÍRITO SANTO como revestimento
de poder para o serviço (At 1.8). O episódio de Cornélio mostra que a graça de DEUS
precede qualquer mérito humano e que o ESPÍRITO SANTO é concedido soberanamente
àqueles que recebem o Evangelho com fé.
Aplicação Doutrinária
O discurso de Pedro permanece atual. Em todas as épocas surgem
tentativas de substituir a simplicidade do Evangelho por sistemas de méritos,
tradições ou exigências humanas. A resposta apostólica continua a mesma: a
salvação é exclusivamente pela graça do Senhor JESUS CRISTO, recebida mediante
a fé. Essa verdade preserva a liberdade cristã, exalta a suficiência da cruz e
mantém a Igreja unida em torno do único Salvador.
3. O RELATÓRIO DE PAULO E BARNABÉ (At 15.12)
Depois da vigorosa exposição de Pedro, Lucas registra uma cena de
profundo significado:
"Então toda a multidão se calou..." (At
15.12)
O silêncio da assembleia não representa apenas respeito pelos
apóstolos, mas demonstra que os argumentos apresentados eram irrefutáveis. A
experiência de Pedro havia demonstrado que DEUS aceitara os gentios pela fé;
agora, Paulo e Barnabé apresentam as evidências objetivas da confirmação divina
através dos milagres realizados durante a Primeira Viagem Missionária (At
13–14).
A narrativa evidencia que DEUS não apenas chamou os gentios para
fazerem parte da Igreja, mas também autenticou essa missão mediante sinais
extraordinários. Dessa forma, a obra missionária não estava fundamentada em
projetos humanos, mas na ação soberana do ESPÍRITO SANTO.
A importância do silêncio da assembleia
Lucas escreve:
"Toda a multidão se calou."
O verbo empregado é:
σιγάω (sigáō)
Significa: guardar silêncio; permanecer em reverente atenção; cessar
toda discussão.
Esse silêncio possui enorme significado teológico.
Enquanto anteriormente havia intenso debate (στάσις), agora existe
disposição para ouvir aquilo que DEUS realizou.
A verdadeira Igreja sempre coloca a revelação divina acima das
opiniões humanas.
Paulo e Barnabé não falam de si mesmos
Observe cuidadosamente o texto.
Lucas afirma: "...ouvindo contar quantos sinais e prodígios
DEUS fizera por meio deles entre os gentios."
O destaque não está nos missionários. O destaque está em DEUS.
A expressão: "DEUS fizera..."
mostra que Paulo jamais atribuiu os milagres ao seu próprio poder.
Todo milagre pertence exclusivamente ao Senhor.
Este princípio aparece diversas vezes em Atos.
Pedro declarou: "Por que olhais para nós como se por nossa
própria virtude tivéssemos feito andar este homem?" (At 3.12)
A verdadeira espiritualidade sempre glorifica DEUS. Nunca o
instrumento.
Palavra Grega
σημεῖον (Sēmeion)
Significa: Sinal.
No Evangelho de João e em Atos, um sinal é muito mais do que um
milagre.
É um acontecimento sobrenatural que aponta para uma realidade
espiritual maior.
O milagre nunca é o fim. É uma seta indicando CRISTO.
Palavra Grega
τέρας (Téras)
Significa: Prodígio.
Descreve acontecimentos extraordinários que despertam admiração.
Enquanto σημεῖον destaca o significado espiritual,
τέρας destaca o impacto causado nas pessoas.
No Novo Testamento essas duas palavras frequentemente aparecem
juntas.
Diferença entre "Sinal" e "Prodígio"
|
Palavra |
Significado |
Ênfase |
|
σημεῖον (Sēmeion) |
Sinal |
Revela uma verdade espiritual |
|
τέρας (Téras) |
Prodígio |
Produz admiração diante do sobrenatural |
Os milagres apostólicos possuíam ambas as características.
Eram extraordinários.
Mas principalmente apontavam para CRISTO.
Os milagres da Primeira Viagem Missionária
Paulo e Barnabé provavelmente relataram diversos acontecimentos
registrados anteriormente por Lucas.
Entre eles destacam-se:
1. A conversão do procônsul Sérgio Paulo
(Atos 13)
Em Chipre, Paulo confronta o mágico Elimas.
Quando o falso profeta é atingido por cegueira temporária, o
governador romano crê no Evangelho.
O interessante é que Lucas afirma:
"Maravilhou-se da doutrina do Senhor."
Observe.
Ele não ficou impressionado apenas pelo milagre.
O milagre confirmou a doutrina.
Jamais substituiu a doutrina.
2. A cura do paralítico em Listra
(Atos 14)
Um homem paralítico desde o nascimento é completamente curado.
A população pensa que Paulo e Barnabé são deuses gregos.
Paulo imediatamente rejeita toda veneração.
Mais uma vez vemos um princípio importante.
Milagres verdadeiros conduzem as pessoas para CRISTO.
Nunca para os homens.
3. O apedrejamento de Paulo
Em Listra, Paulo quase morre. É arrastado para fora da cidade. Os
discípulos cercam seu corpo.
Lucas simplesmente afirma:
"Levantou-se." Muitos estudiosos entendem que ocorreu um
milagre.
Outros acreditam numa recuperação extraordinária.
Independentemente da interpretação, o texto demonstra que DEUS
preservava Seu servo para continuar anunciando o Evangelho.
Tabela
Os Milagres e Seus Objetivos
|
Milagre |
Objetivo |
|
Cura |
Manifestar a compaixão de DEUS |
|
Libertação |
Demonstrar o Reino de DEUS |
|
Ressurreição |
Revelar o poder sobre a morte |
|
Julgamento (Elimas) |
Confirmar a autoridade apostólica |
|
Dons espirituais |
Edificar a Igreja |
Os milagres não produzem salvação (são atração para a pregação e
salvação)
Esse princípio merece destaque.
Os milagres impressionam. O Evangelho transforma.
JESUS realizou centenas de milagres. Mesmo assim muitos
permaneceram incrédulos.
O milagre prepara o terreno. Quem salva é CRISTO.
Paulo escreve: "O Evangelho é o poder de DEUS para
salvação." (Romanos 1.16)
Nunca diz que os milagres são o poder para salvar. O poder salvador
está na mensagem da cruz.
A Teologia dos Milagres
Os milagres ocupam lugar importante na teologia pentecostal.
Todavia, eles jamais devem ser compreendidos como espetáculo
religioso.
Os milagres possuem pelo menos cinco funções bíblicas.
|
Função |
Referência |
|
Confirmar a Palavra |
Mc 16.20 |
|
Glorificar DEUS |
Mt 15.31 |
|
Demonstrar misericórdia |
Mt 14.14 |
|
Edificar a Igreja |
1Co 12 |
|
Confirmar a missão |
At 14.3 |
Observe que nenhuma dessas funções visa promover um pregador.
Todo verdadeiro milagre aponta para CRISTO.
Palavra Grega
δύναμις (Dýnamis)
Significa: Poder. Daí deriva nossa palavra "dinamite".
No Novo Testamento, descreve o poder sobrenatural de DEUS atuando
no mundo.
JESUS prometeu:
"Recebereis poder..." Atos 1.8
Esse poder não é para exaltação pessoal. É para testemunho.
O Papel Missionário dos Milagres
Os milagres sempre acompanharam os avanços missionários.
Observe a sequência no livro de Atos.
Jerusalém...Samaria...Cesareia...Antioquia...Chipre...Listra...Derbe...
Sempre que o Evangelho alcança novos povos, DEUS autentica Sua
mensagem mediante sinais.
Isso demonstra que o Reino de DEUS invade territórios antes
dominados pela incredulidade.
Quadro Comparativo
Milagres Verdadeiros × Sensacionalismo Religioso
|
Milagres Bíblicos |
Sensacionalismo |
|
Exaltam CRISTO |
Exaltam o homem |
|
Confirmam a Palavra |
Substituem a Palavra |
|
Produzem arrependimento |
Produzem curiosidade |
|
Levam à fé |
Levam ao emocionalismo |
|
Promovem santidade |
Promovem celebridades |
Perspectiva Pentecostal
A tradição pentecostal compreende corretamente que os dons
espirituais permanecem atuais e operantes na Igreja. O livro de Atos não
apresenta os milagres como fenômenos isolados do período apostólico, mas como
manifestações do Reino de DEUS na expansão missionária.
Entretanto, a própria narrativa de Atos ensina que os sinais nunca
ocupam o centro da mensagem. O centro é sempre CRISTO crucificado e ressurreto.
O poder do ESPÍRITO SANTO não substitui a pregação; ele a confirma. Como
afirmou o comentarista pentecostal Stanley M. Horton, "os milagres são
servos do Evangelho, nunca seus senhores". A Igreja deve buscar os dons
espirituais (1Co 12–14), mas sempre subordinados ao amor, à edificação do Corpo
e à fidelidade às Escrituras.
Aplicação Doutrinária
Paulo e Barnabé demonstram que uma obra verdadeiramente missionária
é acompanhada por três elementos inseparáveis:
1. Pregação fiel da Palavra – a mensagem
de CRISTO permanece o fundamento da missão.
2. Operação do ESPÍRITO SANTO – DEUS
confirma Sua Palavra conforme Sua soberana vontade.
3. Frutos permanentes – vidas transformadas e igrejas
estabelecidas entre os povos.
O relatório dos missionários reforça que a expansão da Igreja não
depende de estratégias meramente humanas, mas da ação conjunta da Palavra e do ESPÍRITO.
Quando esses dois elementos caminham unidos, a graça de DEUS alcança povos,
culturas e nações, cumprindo o propósito redentor anunciado desde o Antigo
Testamento.
4. O DISCURSO DE TIAGO (At 15.13–21)
Depois dos testemunhos de Pedro, Paulo e Barnabé, Tiago levanta-se
para pronunciar a palavra final do Concílio. Seu discurso possui enorme
importância exegética e eclesiológica, pois une a experiência da Igreja com a
autoridade das Escrituras. Se Pedro demonstrou o que DEUS fizera, e Paulo e
Barnabé relataram como DEUS confirmara Sua obra entre os gentios, Tiago
demonstra que tudo isso já estava previsto na revelação profética.
Esse procedimento estabelece um princípio hermenêutico fundamental:
a experiência cristã deve ser interpretada à luz da Palavra de DEUS, e não a
Palavra subordinada às experiências humanas.
Quem era Tiago?
O Tiago mencionado em Atos 15 não é Tiago, filho de Zebedeu, pois
este já havia sido morto por Herodes Agripa I (At 12.2). Trata-se de Tiago,
irmão do Senhor JESUS (Gl 1.19), reconhecido como uma das principais
colunas da Igreja em Jerusalém (Gl 2.9).
Antes da ressurreição, Tiago não cria plenamente no ministério de JESUS
(Jo 7.5). Entretanto, após a ressurreição, CRISTO lhe apareceu particularmente
(1Co 15.7), transformando-o em um dos mais respeitados líderes da Igreja
Primitiva. Sua vida de piedade lhe rendeu o título de "Tiago, o
Justo", segundo a tradição cristã antiga.
Sua autoridade não derivava apenas de sua relação familiar com JESUS,
mas de seu caráter, sabedoria e fidelidade às Escrituras.
Palavra Grega
ἀποκρίνομαι (apokrínomai)
Lucas escreve:
"Respondeu Tiago..."
O verbo grego significa: responder; pronunciar uma decisão; oferecer
uma conclusão.
No contexto jurídico do Concílio, o verbo indica que Tiago
apresenta uma conclusão baseada nas evidências anteriormente expostas.
O Método Teológico de Tiago
O discurso de Tiago segue uma estrutura admirável:
|
Etapa |
Conteúdo |
|
1 |
Recorda o testemunho de Pedro |
|
2 |
Confirma com as Escrituras |
|
3 |
Apresenta uma decisão prática |
|
4 |
Preserva a unidade da Igreja |
Esse método continua sendo modelo para a Igreja de todas as épocas.
Primeiro observa-se a ação de DEUS.
Depois examinam-se as Escrituras.
Por fim, toma-se uma decisão.
Nunca o contrário.
"Simão relatou..."
Tiago inicia dizendo:
"Simão relatou..." É interessante que ele utiliza o nome
hebraico Simão, e não Pedro.
Isso demonstra o ambiente judaico da assembleia.
Ao mencionar Pedro dessa maneira, Tiago aproxima sua argumentação
da tradição judaica presente entre os irmãos de Jerusalém.
DEUS visitou os gentios
Tiago afirma:
"...DEUS visitou os gentios para tomar dentre eles um povo
para o seu nome."
(At 15.14)
O verbo "visitar" traduz uma palavra muito rica.
Palavra Grega - ἐπισκέπτομαι (episképtomai)
Significa:
·
visitar
cuidadosamente; intervir; cuidar; manifestar misericórdia.
No Antigo Testamento, DEUS visita Seu povo tanto para juízo quanto
para salvação.
Aqui, a visitação possui caráter redentor. DEUS visita os gentios
para incorporá-los ao Seu povo.
Um povo para o Seu Nome
A expressão possui enorme significado na teologia bíblica.
No Antigo Testamento, Israel era chamado:
"Povo do Senhor."
Agora Tiago declara que DEUS está formando um povo dentre todas as
nações.
Observe.
Ele não diz que DEUS abandonou Israel. Nem afirma que os gentios
substituíram Israel. Ele ensina que DEUS amplia Seu povo mediante CRISTO.
Essa verdade harmoniza-se perfeitamente com Efésios 2.11-22.
Em CRISTO há: um só Corpo; um só rebanho; um só Pastor.
A Autoridade das Escrituras
Depois do testemunho apostólico, Tiago afirma:
"Com isto concordam as palavras dos profetas."
(At 15.15)
Esta pequena frase possui enorme importância.
Ela estabelece um dos maiores princípios da interpretação bíblica.
Princípio Hermenêutico
A experiência nunca cria doutrina.
A experiência confirma aquilo que a Escritura já revelou.
Essa verdade protege a Igreja contra o subjetivismo religioso.
A Profecia de Amós
Tiago cita Amós 9.11-12.
"Levantarei o tabernáculo caído de Davi..."
Essa profecia foi escrita aproximadamente oitocentos anos antes de CRISTO.
À primeira vista parece tratar apenas da restauração nacional de
Israel.
Entretanto, sob inspiração do ESPÍRITO SANTO, Tiago revela sua
dimensão messiânica.
O Tabernáculo de Davi
O que significa essa expressão?
Existem diversas interpretações.
A mais aceita entre os estudiosos pentecostais é que o
"Tabernáculo de Davi" representa:
A restauração da dinastia davídica através do Messias.
CRISTO é o verdadeiro Filho de Davi.
Em CRISTO, DEUS restaura o Reino prometido.
Tabela
O Tabernáculo de Davi
|
Interpretação |
Significado |
|
Política |
Restauração do reino de Israel |
|
Messiânica |
O Reino inaugurado por CRISTO |
|
Escatológica |
Consumação futura do Reino |
As três perspectivas não são excludentes.
CRISTO inaugura hoje aquilo que será plenamente consumado em Sua
Segunda Vinda.
Palavra Grega
σκηνή (Skēnē)
Significa:
Tenda. Habitação. Tabernáculo.
A palavra lembra imediatamente a presença de DEUS entre Seu povo.
João utiliza a mesma raiz quando afirma:
"O Verbo se fez carne e habitou entre nós." (João 1.14)
Literalmente: "Tabernaculou entre nós." CRISTO é o
verdadeiro Tabernáculo.
O Remanescente
Tiago continua: "...para que o restante dos homens busque o
Senhor."
A palavra "remanescente" possui enorme importância na
teologia do Antigo Testamento.
Palavra Grega
κατάλειμμα (katáleimma)
Significa:
O que permanece. Os sobreviventes. Os preservados por DEUS.
Desde Isaías, DEUS promete preservar um remanescente fiel.
Agora esse remanescente é ampliado. Inclui judeus e gentios unidos
em CRISTO.
A Universalidade da Graça
Observe a progressão do plano divino.
|
Antigo Testamento |
Novo Testamento |
|
Israel como instrumento |
Igreja como instrumento |
|
Promessa |
Cumprimento |
|
Sombras |
Realidade |
|
Expectativa |
Realização |
A graça rompe as barreiras nacionais.
Ela alcança:
·
judeus; gregos;
romanos; bárbaros; homens; mulheres; escravos; livres.
Como afirma Paulo: "Todos vós sois um em CRISTO." (Gálatas
3.28)
A Decisão de Tiago
Depois da exposição bíblica, Tiago apresenta sua conclusão.
"Pelo que julgo..." Essa expressão não significa opinião
pessoal.
O verbo indica uma decisão cuidadosamente fundamentada.
A proposta foi: Não impor a Lei de Moisés aos gentios.
Entretanto, recomenda quatro abstenções.
As Quatro Recomendações Apostólicas
|
Recomendação |
Motivo |
|
Idolatria |
Preservar a pureza do culto cristão |
|
Imoralidade sexual |
Manter a santidade moral |
|
Carne sufocada |
Favorecer a comunhão entre judeus e gentios |
|
Sangue |
Respeitar a sensibilidade judaica e o princípio da vida |
Essas recomendações não constituíam um novo sistema de salvação.
Também não eram requisitos para justificação.
Tratavam-se de orientações pastorais destinadas a preservar a
comunhão entre cristãos de diferentes contextos culturais.
A idolatria e a imoralidade sexual eram incompatíveis com o
Evangelho em qualquer tempo. Já as orientações sobre carne sufocada e sangue
tinham um caráter eminentemente prático, evitando escândalo aos cristãos judeus
e favorecendo a convivência nas igrejas mistas.
Quadro Comparativo
O Que o Concílio Não Decidiu
|
Falsa ideia |
Ensino do Concílio |
|
A Lei salva |
Não |
|
Circuncisão salva |
Não |
|
Os gentios precisam tornar-se judeus |
Não |
|
A graça elimina a santidade |
Não |
|
A liberdade cristã permite qualquer comportamento |
Não |
O Concílio preservou simultaneamente a pureza doutrinária e
a responsabilidade moral da vida cristã.
"Pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós"
Mais adiante, na carta enviada às igrejas (At 15.28), encontramos
uma das declarações mais notáveis da história da Igreja:
"Pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós..."
Essa frase revela a perfeita cooperação entre a ação divina e a
responsabilidade humana. Os apóstolos não reivindicam infalibilidade pessoal;
reconhecem que discerniram a vontade de DEUS sob a direção do ESPÍRITO SANTO.
Esse princípio continua válido para a Igreja contemporânea.
Decisões eclesiásticas verdadeiramente bíblicas devem nascer da submissão à
Palavra, da oração, do discernimento espiritual e da comunhão entre os irmãos.
Perspectiva Pentecostal
Sob a ótica pentecostal, Atos 15 demonstra que o ESPÍRITO SANTO não
apenas concede dons e poder para testemunhar, mas também conduz a Igreja em
questões doutrinárias e administrativas. O mesmo ESPÍRITO que foi derramado no
Pentecostes é quem orienta a liderança na preservação da verdade e da unidade.
Assim, a espiritualidade autêntica nunca está dissociada da fidelidade às
Escrituras.
Aplicação Doutrinária
O discurso de Tiago ensina que a Igreja deve enfrentar novos
desafios sem abandonar os fundamentos da fé. A verdadeira unidade não exige
uniformidade cultural, mas fidelidade ao Evangelho. A graça acolhe pessoas de
todas as nações, porém também transforma seu modo de viver. O Evangelho não
impõe os ritos da Antiga Aliança, mas exige uma vida santa, separada da
idolatria, da imoralidade e de tudo aquilo que compromete o testemunho cristão.
Síntese do Primeiro Grande Bloco da Lição
O Concílio de Jerusalém tornou-se um marco definitivo na história
da redenção. Pedro demonstrou que DEUS concedeu o ESPÍRITO SANTO aos gentios
pela fé; Paulo e Barnabé apresentaram os sinais que confirmavam essa obra;
Tiago mostrou que tudo estava de acordo com as Escrituras. Dessa maneira, a
Igreja reconheceu oficialmente que a salvação é exclusivamente pela graça de
DEUS, mediante a fé em JESUS CRISTO, preservando a pureza do Evangelho e
abrindo definitivamente as portas da missão para todas as nações.
II – UM PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS
A decisão do Concílio de Jerusalém conduziu naturalmente a Igreja à
compreensão de uma das mais sublimes verdades das Escrituras: a salvação é
um dom da graça de DEUS oferecido indistintamente a toda a humanidade. O
Evangelho rompe definitivamente com qualquer sistema religioso baseado em
méritos humanos, obras legais ou privilégios étnicos. Em CRISTO, DEUS oferece
gratuitamente aquilo que nenhum homem poderia conquistar por seus próprios
esforços.
A doutrina da graça constitui o eixo central da teologia paulina.
Sem ela, não existe justificação, regeneração, adoção, santificação nem
glorificação. Toda a economia da salvação está fundamentada na iniciativa
soberana de DEUS, que, movido por Seu infinito amor, decidiu reconciliar
consigo o mundo por meio da obra redentora de JESUS CRISTO (2Co 5.18-19).
O Novo Testamento apresenta a graça não apenas como um atributo
divino, mas como o ambiente espiritual no qual vive o cristão. O crente é salvo
pela graça, permanece na graça, cresce na graça e será finalmente glorificado
pela graça.
A DOUTRINA DA GRAÇA NA HISTÓRIA DA REDENÇÃO
|
Período Bíblico |
Manifestação da Graça |
|
Éden |
DEUS promete o Redentor (Gn 3.15) |
|
Noé |
Graça preserva a humanidade (Gn 6.8) |
|
Abraão |
Graça estabelece a aliança (Gn 12.1-3) |
|
Moisés |
Graça acompanha a Lei (Êx 33.19) |
|
Profetas |
Graça anuncia o Messias |
|
CRISTO |
Graça torna-se plenamente manifesta |
|
Igreja |
Graça é proclamada às nações |
|
Eternidade |
Graça culmina na glorificação |
A Bíblia inteira pode ser compreendida como a história da graça
divina buscando reconciliar pecadores consigo mesma.
A GRAÇA NO ANTIGO TESTAMENTO
Embora o termo "graça" seja amplamente desenvolvido no
Novo Testamento, sua realidade já está presente desde Gênesis.
No Antigo Testamento encontramos principalmente duas palavras
hebraicas.
חֵן (ḥēn)
Significa:
·
favor; benevolência;
aceitação imerecida.
É utilizada quando alguém encontra favor diante de DEUS ou de outra
pessoa.
Exemplo:
"Noé, porém, achou graça diante do Senhor." (Gênesis 6.8)
Noé não era perfeito. Foi salvo porque DEUS lhe concedeu favor.
חֶסֶד (ḥésed)
Uma das palavras mais profundas do Antigo Testamento.
Traduz-se por:
·
misericórdia; bondade;
amor leal; fidelidade da aliança.
Refere-se ao amor constante de DEUS por Seu povo.
Enquanto ḥēn enfatiza o favor, ḥésed enfatiza a
fidelidade de DEUS ao pacto.
Tabela
Graça no Antigo e no Novo Testamento
|
Antigo Testamento |
Novo Testamento |
|
Prometida |
Manifestada |
|
Simbolizada |
Consumada |
|
Esperada |
Revelada |
|
Vista parcialmente |
Revelada plenamente em CRISTO |
1. O QUE É A GRAÇA DE DEUS?
A palavra utilizada por Paulo em Efésios 2.8 é:
χάρις (Cháris)
É uma das palavras mais belas do Novo Testamento.
Sua riqueza ultrapassa qualquer tradução simples.
Ela envolve:
·
favor
imerecido; benevolência; generosidade; dom gratuito; bondade divina.
Todavia, na teologia paulina, χάρις possui um significado
ainda mais profundo.
É a iniciativa soberana de DEUS em salvar pecadores completamente
incapazes de salvar-se.
Definição Teológica
A graça pode ser definida como:
"O favor soberano, livre e imerecido mediante o qual DEUS
concede ao pecador culpado tudo aquilo que CRISTO conquistou na cruz."
Essa definição envolve quatro elementos.
A graça é soberana
Nasce em DEUS. Não no homem.
A graça é livre - Não pode ser comprada.
A graça é imerecida - Nenhum pecador
possui méritos.
A graça é eficaz - Produz transformação verdadeira.
Palavra Grega
δωρεά (Dōreá)
Significa: Dom gratuito. Presente. Dádiva.
É utilizada por Paulo para enfatizar que a salvação jamais pode ser
conquistada.
Romanos 5.15.
O Homem e sua incapacidade espiritual
A necessidade da graça somente pode ser compreendida quando
entendemos a condição espiritual do homem.
Paulo descreve essa condição.
"Todos pecaram." (Romanos 3.23)
O verbo utilizado é:
ἁμαρτάνω (Hamartanō)
Literalmente:
Errar o alvo. Era utilizado por arqueiros. Quando a flecha não
atingia o centro do alvo dizia-se: "Hamartia."
Pecar é não alcançar o padrão perfeito da santidade divina.
Palavra Grega
ἁμαρτία (Hamartía)
Significa: Pecado.
Não é apenas um ato. É uma condição espiritual.
Toda humanidade encontra-se debaixo dessa realidade.
A Universalidade do Pecado
|
Judeus |
Gentios |
|
Pecadores |
Pecadores |
|
Precisam da Graça |
Precisam da Graça |
|
Não podem salvar-se |
Não podem salvar-se |
Paulo destrói qualquer privilégio humano.
Todos necessitam do mesmo Salvador.
A Lei não salva
Aqui encontramos um dos maiores contrastes das Escrituras.
A Lei possui diversas funções. Mas nunca foi dada para salvar.
As funções da Lei
|
Função |
Referência |
|
Revelar o pecado |
Rm 3.20 |
|
Conduzir a CRISTO |
Gl 3.24 |
|
Mostrar a santidade divina |
Rm 7.12 |
|
Condenar o pecado |
Rm 7.13 |
A Lei é perfeita. O problema nunca foi a Lei. O problema sempre foi
o homem pecador.
Ilustração Teológica
Um espelho mostra que o rosto está sujo. Mas o espelho não consegue
limpá-lo.
Assim é a Lei.
Ela revela o pecado. Mas não possui poder para removê-lo.
Somente CRISTO pode fazê-lo.
A Graça supera o pecado
Paulo escreve: "Onde abundou o pecado, superabundou a
graça." (Romanos 5.20)
Aqui encontramos uma palavra extraordinária.
Palavra Grega
ὑπερπερισσεύω (Hyperperisseúō)
Significa: Superabundar. Transbordar. Ultrapassar infinitamente.
Paulo cria uma palavra composta para mostrar que a graça não apenas
vence o pecado. Ela o supera infinitamente.
Comparação
|
Pecado |
Graça |
|
Condena |
Justifica |
|
Mata |
Vivifica |
|
Escraviza |
Liberta |
|
Afasta de DEUS |
Aproxima de DEUS |
|
Produz morte |
Produz vida eterna |
O Alcance da Graça
A graça alcança pessoas de todas as condições.
Ela alcançou:
·
Abraão,
idólatra em Ur. Raabe, prostituta em Jericó. Davi, após seu pecado. Manassés,
rei perverso. Zaqueu, publicano. Maria Madalena. O ladrão na cruz.
·
Saulo de Tarso.
·
Todos foram
transformados. Não por méritos. Mas pela graça.
A Graça não incentiva o pecado
Um dos maiores equívocos da história da Igreja é imaginar que a
graça produz libertinagem.
Paulo responde. "Permaneceremos no pecado para que a graça
aumente?" (Romanos 6.1)
Resposta: "De modo nenhum."
Palavra Grega
μὴ γένοιτο (Mē Génoito)
Uma das expressões mais fortes de Paulo.
Pode ser traduzida: "Jamais!" "De forma
alguma!" "Isso é impensável!"
A graça nunca incentiva o pecado. Ela destrói seu domínio.
Graça Barata × Graça Transformadora
O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer distinguiu entre a "graça
barata", que oferece perdão sem transformação, e a "graça
preciosa", que conduz à obediência. Em termos bíblicos, a graça salvadora
jamais é uma licença para viver em pecado; ela é o poder de DEUS que muda o
coração e capacita o crente a viver para Sua glória.
|
Graça Barata |
Graça Bíblica |
|
Perdão sem arrependimento |
Perdão com novo nascimento |
|
Fé sem transformação |
Fé que produz santidade |
|
Cristianismo nominal |
Discipulado verdadeiro |
|
Vida sem compromisso |
Vida dedicada a CRISTO |
Perspectiva Pentecostal
A teologia pentecostal sempre enfatizou que a graça salvadora é
inseparável da obra regeneradora do ESPÍRITO SANTO. O ESPÍRITO convence do
pecado (Jo 16.8), opera o novo nascimento (Jo 3.5-8), testemunha com o nosso
espírito que somos filhos de DEUS (Rm 8.16) e inicia o processo contínuo de
santificação. Assim, a graça não é apenas um decreto jurídico de absolvição,
mas uma realidade dinâmica que transforma a vida do crente e o conduz ao
crescimento espiritual.
Aplicação Espiritual
Compreender a graça elimina tanto o orgulho quanto o desespero. O
orgulho desaparece porque ninguém pode gloriar-se diante de DEUS (Ef 2.9). O
desespero também cede lugar à esperança, pois nenhum pecado é grande demais
para impedir a ação da graça de CRISTO quando há arrependimento genuíno. O
cristão vive diariamente consciente de que tudo o que possui espiritualmente —
perdão, paz, adoção, comunhão com DEUS e esperança da glória — é resultado
exclusivo da infinita graça do Senhor.
2. JESUS CRISTO COMO A MANIFESTAÇÃO PLENA DA GRAÇA
O Concílio de Jerusalém proclamou que a salvação é oferecida
gratuitamente a judeus e gentios. Entretanto, essa graça não é um conceito
abstrato nem um simples atributo divino. Ela possui um rosto, um nome e uma
obra histórica. A graça manifesta-se plenamente na pessoa de JESUS CRISTO.
João declara:
"Porque a Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram
por JESUS CRISTO." (Jo 1.17)
Essa afirmação não estabelece oposição entre Moisés e CRISTO, como
se a Lei fosse má e a graça boa. Antes, ensina que a Lei possuía caráter
preparatório, enquanto CRISTO representa a plenitude da revelação divina. A Lei
apontava para a necessidade da redenção; CRISTO realizou definitivamente essa
redenção.
A graça, portanto, não é apenas aquilo que DEUS concede; é
aquilo que DEUS revelou em Seu Filho.
A GRAÇA É UMA PESSOA
No Novo Testamento, a graça deixa de ser apenas um favor concedido
por DEUS para tornar-se plenamente revelada na encarnação do Verbo.
João escreve: "O Verbo se fez carne e habitou entre
nós..." (João 1.14)
CRISTO é a expressão visível da graça invisível. Tudo aquilo que DEUS
desejava revelar ao homem acerca do Seu amor manifesta-se na pessoa de JESUS.
Palavra Grega
λόγος (Lógos)
Significa:
·
Palavra; Verbo;
Expressão perfeita; Revelação
João utiliza esse termo para ensinar que CRISTO é a perfeita
revelação do Pai.
Hebreus complementa:
"Havendo DEUS antigamente falado muitas vezes..." (Hb
1.1-3)
Agora DEUS falou definitivamente em Seu Filho.
Graça e Verdade
João afirma: "...cheio de graça e de verdade." (Jo 1.14)
Observe que João nunca separa essas duas virtudes.
A verdadeira graça nunca abandona a verdade.
A verdadeira verdade sempre é acompanhada da graça.
Tabela - Graça e Verdade
|
Graça sem Verdade |
Verdade sem Graça |
Graça com Verdade |
|
Tolerância ao pecado |
Legalismo |
Santidade com misericórdia |
|
Emocionalismo |
Rigidez religiosa |
Equilíbrio bíblico |
|
Permissividade |
Condenação |
Transformação |
CRISTO reuniu perfeitamente ambas.
A ENCARNAÇÃO COMO EXPRESSÃO DA GRAÇA
O maior ato da graça foi a encarnação.
O DEUS eterno assumiu natureza humana.
Paulo descreve esse acontecimento em Filipenses.
Palavra Grega
κένωσις (Kénōsis)
Derivada do verbo κενόω (kenóō)
Significa: Esvaziar.
Filipenses 2.7 afirma que CRISTO: "Esvaziou-se a si
mesmo."
Esse esvaziamento não significa que CRISTO deixou de ser DEUS.
Seria impossível.
Significa que Ele abriu mão voluntariamente dos privilégios da
glória celestial para assumir plenamente a condição humana.
O Movimento Descendente da Graça
|
Etapa |
Referência |
|
Glória eterna |
Jo 17.5 |
|
Encarnação |
Jo 1.14 |
|
Humilhação |
Fp 2.8 |
|
Cruz |
Mt 27 |
|
Ressurreição |
Mt 28 |
|
Exaltação |
Fp 2.9-11 |
Toda essa trajetória revela a profundidade da graça divina.
CRISTO tornou-se pobre
Paulo escreve: "Sendo rico, por amor de vós se fez
pobre..." (2Co 8.9)
Não se trata apenas de pobreza material.
CRISTO assumiu:
·
limitações
humanas; sofrimento; rejeição; dor; morte.
Tudo isso para enriquecer espiritualmente os pecadores.
A Graça na Cruz
A cruz representa o ponto máximo da manifestação da graça.
Ali encontram-se perfeitamente:
A justiça de DEUS. O amor de DEUS. A santidade de DEUS. A
misericórdia de DEUS.
Na cruz, DEUS não ignorou o pecado. Ele o julgou em Seu próprio
Filho.
Palavra Grega
σταυρός (Staurós)
Significa: Cruz. Instrumento romano de execução.
No Novo Testamento tornou-se símbolo da reconciliação entre DEUS e
o homem.
A Doutrina da Expiação
Expiação significa: A remoção da culpa mediante um sacrifício
substitutivo.
CRISTO morreu: Não apenas por nós. Mas em nosso lugar. Essa é a
essência da substituição penal.
Isaías profetizou: "O castigo que nos traz a paz estava sobre
Ele." (Is 53.5)
Palavra Grega
ἀντί (Antí)
Significa: Em lugar de. Substituição.
JESUS afirmou: "...dar a sua vida em resgate por muitos."
(Mc 10.45)
A preposição utilizada reforça o caráter substitutivo da obra de CRISTO.
A PROPICIAÇÃO
Uma das palavras mais profundas do Novo Testamento.
Palavra Grega
ἱλαστήριον (Hilastērion)
Romanos 3.25
Significa: Propiciação. Lugar onde a ira é satisfeita.
No Antigo Testamento era utilizada para o propiciatório da Arca da
Aliança.
Agora CRISTO torna-se o verdadeiro propiciatório. Nele a justiça
divina é plenamente satisfeita.
Tabela
O Propiciatório
|
Antigo Testamento |
Novo Testamento |
|
Sangue de animais |
Sangue de CRISTO |
|
Sacerdote humano |
CRISTO |
|
Repetido anualmente |
Sacrifício único |
|
Cobria pecados |
Remove pecados |
JUSTIFICAÇÃO
A graça não apenas perdoa.
Ela justifica.
Palavra Grega
δικαίωσις (Dikaíōsis)
Significa: Justificação. Declaração jurídica.
É o ato pelo qual DEUS declara justo o pecador que crê.
Não porque ele seja perfeito.
Mas porque CRISTO satisfez plenamente a justiça divina.
Diferença
Perdão - Remove a culpa.
Justificação - Declara o pecador justo diante de DEUS.
Tabela
Regeneração × Justificação
|
Justificação |
Regeneração |
|
Ato jurídico |
Transformação espiritual |
|
Muda posição |
Muda natureza |
|
Instantânea |
Inicia um processo de crescimento |
|
Obra do Juiz |
Obra do ESPÍRITO |
Ambas acontecem na conversão. Jamais devem ser separadas.
A RECONCILIAÇÃO
Outra palavra importante.
καταλλαγή (Katallagē)
Significa:
Reconciliação. Restabelecimento da amizade.
Antes da cruz havia separação. Agora existe paz.
Paulo escreve: "Reconciliai-vos com DEUS." (2Co 5.20)
A REDENÇÃO
Palavra Grega
ἀπολύτρωσις (Apolýtrōsis)
Significa: Libertação mediante pagamento.
Era utilizada para escravos comprados para serem libertos.
CRISTO pagou o preço. Não com ouro. Nem prata. Mas com Seu precioso
sangue.
(1Pe 1.18-19)
As Bênçãos da Graça em CRISTO
|
Bênção |
Referência |
|
Perdão |
Ef 1.7 |
|
Justificação |
Rm 5.1 |
|
Reconciliação |
2Co 5.18 |
|
Redenção |
Ef 1.7 |
|
Adoção |
Rm 8.15 |
|
Regeneração |
Tt 3.5 |
|
Santificação |
1Co 6.11 |
|
Glorificação |
Rm 8.30 |
Todas são fruto da graça. Nenhuma delas pode ser comprada.
A GRAÇA E A VERDADE NA VIDA DE JESUS
Observe os encontros de JESUS.
|
Pessoa |
Graça |
Verdade |
|
Mulher Samaritana |
Recebida |
Confrontada com seu pecado |
|
Zaqueu |
Aceito |
Chamado ao arrependimento |
|
Mulher Adúltera |
Perdoada |
"Vai e não peques mais." |
|
Pedro |
Restaurado |
Exortado a apascentar o rebanho |
CRISTO nunca relativizou o pecado. Mas também nunca negou graça ao
arrependido.
Perspectiva Pentecostal
Na teologia pentecostal, JESUS CRISTO permanece o centro absoluto
da experiência cristã. A graça não é um poder impessoal, mas flui da comunhão
viva com CRISTO ressuscitado. O ESPÍRITO SANTO glorifica continuamente o Filho
(Jo 16.14), aplicando aos crentes os benefícios da obra redentora. Assim, toda
manifestação espiritual autêntica deve conduzir à exaltação de CRISTO, jamais
substituí-Lo ou ofuscar Sua suficiência.
Reflexão Cristológica
A graça não custou pouco. Custou tudo.
Custou:
·
a humilhação do
Filho; Sua obediência perfeita; Seu sofrimento; Seu sangue; Sua morte; Sua
separação judicial na cruz; Seu sepultamento.
A salvação é gratuita para nós.
Mas infinitamente preciosa para DEUS.
Por isso Paulo afirma: "Fostes comprados por bom preço." (1Co
6.20)
A graça é gratuita para o pecador, porém jamais foi barata para o
Salvador.
Aplicação Espiritual
Conhecer a CRISTO é conhecer a graça em sua expressão mais elevada.
O cristão não deve reduzir a graça a uma simples doutrina, mas contemplá-la
diariamente na pessoa do Senhor JESUS. Cada aspecto da vida de CRISTO — Sua
encarnação, Seu ministério, Sua morte substitutiva, Sua ressurreição e Sua
intercessão à direita do Pai — proclama que DEUS continua oferecendo salvação
plena a todos os que creem. A resposta adequada a tão grande graça é uma vida
de adoração, santidade, serviço e gratidão.
3. A GRAÇA É PARA TODOS OS POVOS — SEM EXCEÇÃO
O Concílio de Jerusalém representou muito mais que a solução de uma
controvérsia doutrinária; ele confirmou publicamente aquilo que DEUS já havia
revelado desde o princípio das Escrituras: o plano da redenção sempre foi
universal. Desde a promessa feita a Abraão — "em ti serão benditas
todas as famílias da terra" (Gn 12.3) — até a visão da grande multidão
diante do trono (Ap 7.9), a Bíblia apresenta um DEUS missionário que deseja
alcançar todas as nações com Seu amor redentor.
A inclusão dos gentios, portanto, não foi um plano alternativo
diante da rejeição de Israel. Ela fazia parte do decreto eterno de DEUS (Ef
1.4-10). A missão da Igreja consiste em anunciar essa graça universal,
convidando todos os homens ao arrependimento e à fé em JESUS CRISTO.
A UNIVERSALIDADE DO EVANGELHO
A universalidade da graça não significa universalismo.
Há uma diferença fundamental entre esses dois conceitos.
Universalidade
CRISTO morreu por todos. A salvação é oferecida a todos.
Universalismo
Todos serão salvos, independentemente da fé. A Bíblia jamais ensina
essa segunda ideia. A graça é universal em sua oferta.
Mas sua eficácia é aplicada àqueles que respondem pela fé ao
Evangelho.
Palavra Grega
πᾶς (Pás)
Significa: todo; qualquer; todos; cada um.
Romanos 10.13 afirma: "Todo aquele que invocar o nome do
Senhor será salvo."
A palavra πᾶς elimina qualquer distinção:
·
racial; cultural;
econômica; nacional; social.
A porta da salvação está aberta para todos.
Tabela
A Graça alcança...
|
Categoria |
Referência |
|
Judeus |
At 2 |
|
Samaritanos |
At 8 |
|
Gentios |
At 10 |
|
Gregos |
At 11 |
|
Romanos |
At 16 |
|
Bárbaros |
At 28 |
Lucas organiza o livro de Atos mostrando a expansão progressiva do
Evangelho.
Jerusalém...
Judéia... Samaria... Até aos confins da terra. (At 1.8)
Palavra Grega
ἔθνη (Éthnē)
Significa: Nações. Gentios. Povos.
É dessa palavra que deriva "etnia".
JESUS ordenou:
"Ide e fazei discípulos de todas as nações." (Mt 28.19)
O Evangelho não pertence a uma cultura. Nem a uma nacionalidade. Pertence
ao Reino de DEUS.
A PROMESSA FEITA A ABRAÃO
Muito antes da Lei de Moisés, DEUS declarou a Abraão:
"Em ti serão benditas todas as famílias da terra."
(Gn 12.3)
Paulo interpreta essa promessa em Gálatas 3.8, afirmando que DEUS
anunciou previamente o Evangelho a Abraão.
Isso demonstra que a missão aos gentios não surgiu em Atos.
Ela foi planejada na eternidade e anunciada desde o início da
história da redenção.
Tabela
A Promessa Abraâmica
|
Promessa |
Cumprimento |
|
Grande nação |
Israel |
|
Grande nome |
Abraão torna-se pai da fé |
|
Terra |
Canaã |
|
Todas as famílias benditas |
CRISTO e o Evangelho |
NÃO HÁ ACEPÇÃO DE PESSOAS
Pedro afirmou na casa de Cornélio:
"Reconheço que DEUS não faz acepção de pessoas." (At
10.34)
Palavra Grega
προσωπολημψία (Prosōpolēmpsía)
Significa: Favoritismo. Parcialidade. Julgar pela aparência.
No contexto bíblico, DEUS não favorece uma pessoa por causa de:
·
nacionalidade; riqueza;
posição social; raça; influência.
Todos comparecem diante dEle nas mesmas condições.
Todos são pecadores. Todos necessitam da mesma graça.
JUDEUS E GENTIOS FORMAM UM SÓ POVO
Paulo desenvolve essa verdade em Efésios 2.
CRISTO derrubou: "A parede de separação."
Palavra Grega
μεσότοιχον (Mesótoichon)
Significa: Parede divisória.
Provavelmente faz referência ao muro existente no Templo que
impedia os gentios de avançarem para o interior dos átrios sob pena de morte.
CRISTO destruiu essa barreira. Agora existe livre acesso ao Pai.
Quadro Comparativo
Antes de CRISTO
|
Judeus |
Gentios |
|
Circuncidados |
Incircuncisos |
|
Alianças |
Sem alianças |
|
Promessas |
Estranhos às promessas |
|
Próximos |
Distantes |
Depois de CRISTO
|
Todos os Crentes |
|
Um só Corpo |
|
Uma só Fé |
|
Um só ESPÍRITO |
|
Um só Senhor |
|
Um só Batismo |
|
Um só DEUS e Pai |
(Efésios 4)
A GRAÇA E A ELEIÇÃO
A eleição divina deve ser compreendida à luz da missão universal do
Evangelho. DEUS, em Sua soberania, tomou a iniciativa da salvação e escolheu,
em CRISTO, um povo para o Seu nome (Ef 1.4-5). Contudo, essa eleição não
elimina a responsabilidade humana de responder ao chamado do Evangelho.
As Escrituras mantêm em equilíbrio duas verdades:
·
DEUS chama
soberanamente.
·
O homem é
convocado a arrepender-se e crer.
JESUS declarou: "Quem vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei
fora." (Jo 6.37)
Ao mesmo tempo afirmou:
"Arrependei-vos e crede no Evangelho." (Mc 1.15)
A graça é preveniente, isto é, antecede a resposta humana,
despertando o pecador para DEUS. Contudo, ela não violenta a vontade; convida,
convence e capacita, aguardando uma resposta de fé.
A RESPONSABILIDADE HUMANA
Embora a salvação seja inteiramente fruto da graça, DEUS trata o
homem como um ser moralmente responsável.
A Bíblia apresenta diversos convites universais:
"Vinde a mim..." (Mt 11.28)
"Quem quiser, tome de graça da água da vida." (Ap 22.17)
"Todo aquele que invocar..." (Rm 10.13)
Esses textos demonstram que o chamado do Evangelho é genuíno e
dirigido a todos.
Palavra Grega
καλέω (Kaléō)
Significa: Chamar. Convidar. Convocar.
É DEUS quem chama. Mas o homem deve responder.
A MISSÃO DA IGREJA
A universalidade da graça fundamenta a obra missionária.
Se CRISTO morreu por todos, a Igreja deve anunciar a todos.
Missões não são um departamento da Igreja. São a própria razão de
sua existência.
Tabela
A Missão da Igreja
|
A Igreja deve... |
Referência |
|
Evangelizar |
Mc 16.15 |
|
Fazer discípulos |
Mt 28.19 |
|
Ensinar |
Mt 28.20 |
|
Batizar |
Mt 28.19 |
|
Testemunhar |
At 1.8 |
A GRANDE MULTIDÃO DO APOCALIPSE
João contempla a consumação da graça.
"Depois destas coisas olhei, e eis grande multidão... de todas
as nações, tribos, povos e línguas..."(Ap 7.9)
A missão iniciada em Jerusalém termina diante do trono. A Igreja
Militante torna-se Igreja Triunfante. O Evangelho alcança seu objetivo final.
Quadro Teológico
O Alcance da Graça
|
Verdade |
Ensino Bíblico |
|
CRISTO morreu por todos |
1Tm 2.4-6; 1Jo 2.2 |
|
O Evangelho deve ser pregado a todos |
Mc 16.15 |
|
Nem todos aceitarão |
Mt 7.13-14 |
|
Todo aquele que crer será salvo |
Jo 3.16 |
|
Quem rejeitar permanecerá condenado |
Jo 3.18 |
Perspectiva Pentecostal
A tradição pentecostal sempre compreendeu que a universalidade da
graça está intimamente ligada ao derramamento do ESPÍRITO SANTO. O Pentecostes
(At 2) já antecipava esse propósito, pois judeus provenientes de diversas
nações ouviram o Evangelho em suas próprias línguas. O dom de línguas tornou-se
um sinal profético de que DEUS estava rompendo as barreiras linguísticas e
culturais para anunciar CRISTO ao mundo inteiro. Assim, a Igreja é chamada a
permanecer cheia do ESPÍRITO para cumprir sua vocação missionária "até aos
confins da terra" (At 1.8).
Aplicação Espiritual
A universalidade da graça desafia a Igreja a abandonar todo tipo de
exclusivismo, preconceito ou barreira cultural que impeça a proclamação do
Evangelho. Não existe povo inalcançável, cultura irredimível ou pecador
irrecuperável para a graça de DEUS. O mesmo CRISTO que salvou o centurião
Cornélio, o perseguidor Saulo, o carcereiro de Filipos e milhares de gentios
continua chamando homens e mulheres de todas as nações para fazerem parte do
Seu povo.
SÍNTESE DO CAPÍTULO II
O segundo grande bloco desta lição revela que a graça é o
fundamento de toda a obra da salvação. Ela nasce no coração do Pai,
manifesta-se plenamente em JESUS CRISTO e é aplicada pelo ESPÍRITO SANTO à vida
daqueles que creem. Essa graça é gratuita, suficiente, transformadora e
universal em sua oferta. Em CRISTO, DEUS removeu as barreiras que separavam
judeus e gentios, formando um único povo para a glória do Seu nome. Por isso, a
Igreja deve proclamar esse Evangelho a todas as pessoas, confiando que
"todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Rm 10.13).
III – CRESCENDO NA GRAÇA
A vida cristã não termina na conversão. Na realidade, a conversão
representa apenas o início de uma jornada contínua de transformação, na qual o ESPÍRITO
SANTO conduz o crente ao amadurecimento espiritual. A mesma graça que justifica
é a graça que santifica; a mesma mão que nos tira das trevas nos conduz
diariamente à estatura da plenitude de CRISTO (Ef 4.13).
Pedro encerra sua segunda epístola com uma exortação que resume
toda a caminhada cristã:
"Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e
Salvador JESUS CRISTO." (2 Pe 3.18)
O verbo "crescer" indica um desenvolvimento progressivo.
Assim como uma criança necessita de alimento para atingir a maturidade, o
cristão necessita permanecer continuamente debaixo da influência da graça de DEUS.
O crescimento espiritual não ocorre automaticamente. Ele exige
comunhão com CRISTO, submissão ao ESPÍRITO SANTO e perseverança nos meios da
graça instituídos pelo próprio DEUS.
A SANTIFICAÇÃO COMO PROCESSO
É importante distinguir três momentos da obra salvadora de DEUS:
|
Etapa |
O que DEUS faz |
Resultado |
|
Justificação |
Declara o pecador justo |
Nova posição diante de DEUS |
|
Santificação |
Transforma o caráter |
Nova maneira de viver |
|
Glorificação |
Aperfeiçoa definitivamente o salvo |
Sem pecado para sempre |
A justificação acontece instantaneamente.
A santificação acontece continuamente.
A glorificação acontecerá na volta de CRISTO.
Palavra Grega
ἁγιασμός (Hagiasmós)
Significa:
·
santificação; separação;
consagração.
Não significa isolamento do mundo. Significa pertencer
completamente a DEUS.
A GRAÇA NÃO É ESTÁTICA
Existe um erro comum em muitos ambientes cristãos.
Pensar que a graça serve apenas para salvar.
A Bíblia ensina exatamente o contrário.
A graça:
·
salva; fortalece;
consola; disciplina; amadurece; capacita; preserva.
Toda a vida cristã acontece dentro da esfera da graça.
Tabela
A Graça Atua em Toda a Vida Cristã
|
Antes da Conversão |
Depois da Conversão |
|
Convence do pecado |
Santifica |
|
Atrai para CRISTO |
Consola |
|
Produz arrependimento |
Fortalece |
|
Concede fé |
Capacita para servir |
|
Justifica |
Preserva até a glorificação |
1. COMO NOS APROXIMAR DO TRONO DA GRAÇA? (Hb 4.16)
O autor de Hebreus escreve:
"Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça..."
Essa talvez seja uma das expressões mais extraordinárias de toda a
Epístola aos Hebreus.
Ela reúne três grandes doutrinas:
·
a mediação de CRISTO;
·
o sacerdócio
celestial;
·
o livre acesso
do crente à presença de DEUS.
No Antigo Testamento, apenas o sumo sacerdote entrava no SANTO dos
Santos, e somente uma vez por ano, levando sangue de animais (Lv 16). Agora,
porém, todos os que estão em CRISTO possuem livre acesso ao Pai por meio do
sangue do Cordeiro.
Palavra Grega
θρόνος τῆς χάριτος (Thrónos tēs Cháritos)
Significa literalmente:
"O Trono da Graça."
É uma expressão exclusiva de Hebreus.
O que representa esse Trono?
No Antigo Testamento, o trono era símbolo de:
·
autoridade; governo;
julgamento.
Em Hebreus, surpreendentemente,
o trono torna-se:
o lugar da graça.
O DEUS que reina é o mesmo DEUS que acolhe.
O Juiz é também o Salvador.
Tabela
Dois Tronos na Bíblia
|
Trono do Juízo |
Trono da Graça |
|
Ap 20 |
Hb 4 |
|
Condenação do ímpio |
Misericórdia ao crente |
|
Após a rejeição de CRISTO |
Durante o tempo da graça |
|
Justiça retributiva |
Misericórdia restauradora |
"Cheguemo-nos"
A palavra utilizada é:
προσερχώμεθα (Proserchṓmetha)
Significa: aproximar-se; entrar na presença; aproximar-se
continuamente.
O verbo encontra-se no presente contínuo.
Isso indica ação constante. Não é um acesso ocasional. É um
privilégio permanente.
COM CONFIANÇA
Outra palavra importante.
παρρησία (Parrēsía)
Significa: liberdade; ousadia; plena confiança.
Não significa irreverência.
Também não significa intimidade superficial.
É a segurança de quem sabe que foi aceito em CRISTO.
A BASE DESSA CONFIANÇA
Nossa confiança não está:
·
em nossa
santidade; em nossa fidelidade; em nossas obras; em nossos méritos.
Nossa confiança repousa exclusivamente: na obra perfeita de CRISTO.
O SUMO SACERDOTE PERFEITO
Todo o contexto de Hebreus 4 aponta para JESUS.
Ele é:
·
nosso Mediador;
nosso Advogado; nosso Intercessor; nosso Sumo Sacerdote.
Palavra Grega
ἀρχιερεύς (Archiereús)
Significa: Sumo Sacerdote.
No Antigo Testamento havia muitos. No Novo existe apenas Um. JESUS.
Comparação
Sacerdócio Levítico × Sacerdócio de CRISTO
|
Levítico |
CRISTO |
|
Muitos sacerdotes |
Um único Sumo Sacerdote |
|
Pecadores |
SANTO |
|
Sacrifícios repetidos |
Sacrifício único |
|
Temporário |
Eterno |
|
Entrava uma vez por ano |
Intercede continuamente |
CRISTO COMPREENDE NOSSAS FRAQUEZAS
Hebreus afirma: "Porque não temos um sumo sacerdote que não
possa compadecer-se..." (Hb 4.15)
Palavra Grega
συμπαθέω (Sympathéō)
Origem da palavra: Simpatia.
Significa:
Sofrer juntamente. Compreender profundamente. CRISTO conhece:
·
nossas
tentações; nossas dores; nossas limitações; nossas lágrimas.
Mas permaneceu sem pecado.
Tabela
As Tentações de CRISTO
|
Área |
Referência |
|
Necessidades físicas |
Mt 4 |
|
Poder |
Mt 4 |
|
Glória |
Mt 4 |
|
Sofrimento |
Getsêmani |
|
Rejeição |
Cruz |
CRISTO venceu todas.
Por isso pode fortalecer os Seus.
O QUE ENCONTRAMOS NO TRONO?
Hebreus responde.
Recebemos:
·
misericórdia; graça;
socorro oportuno.
Palavra Grega
ἔλεος (Éleos)
Significa: Misericórdia. É DEUS não nos dando aquilo que merecemos.
χάρις (Cháris)
Graça. É DEUS nos dando aquilo que jamais mereceríamos.
Quadro Comparativo
|
Misericórdia |
Graça |
|
Não receber o castigo |
Receber o favor |
|
Remove a culpa |
Concede bênçãos |
|
Trata o passado |
Constrói o futuro |
SOCORRO EM OCASIÃO OPORTUNA
A expressão grega é belíssima.
εὔκαιρος βοήθεια (Eúkairos Boḗtheia)
Significa:
Ajuda no momento exato. Auxílio perfeitamente oportuno. DEUS nunca
chega atrasado. Ele sempre chega na hora certa.
Aplicação Pastoral
O cristão não deve fugir da presença de DEUS quando peca. Deve
correr para ela. Adão escondeu-se. Davi arrependeu-se. Pedro chorou. O filho
pródigo voltou.
Todos encontraram graça.
A pior atitude do crente é imaginar que precisa primeiro tornar-se
digno para depois aproximar-se de DEUS.
É justamente porque somos indignos que necessitamos do Trono da
Graça.
Reflexão Teológica
O acesso ao trono da graça constitui um dos maiores privilégios da
Nova Aliança. Na Antiga Aliança, o véu separava o pecador da presença divina.
Com a morte de CRISTO, o véu do templo foi rasgado de alto a baixo (Mt 27.51),
simbolizando que o caminho para DEUS foi definitivamente aberto. O crente não
depende mais de um sacerdócio humano para aproximar-se do Pai; sua entrada é
garantida pelo sangue de JESUS e pela Sua intercessão contínua.
Como afirma Hebreus 10.19-22, temos "ousadia para entrar no SANTO
dos Santos". Essa ousadia não nasce da autoconfiança, mas da confiança no
Salvador que vive para interceder por nós (Hb 7.25). Assim, o trono da graça
permanece aberto diariamente, oferecendo perdão ao arrependido, força ao
cansado, sabedoria ao confuso e esperança ao aflito.
III.3 – O QUE RECEBEMOS AO NOS ACHEGARMOS AO TRONO DA GRAÇA?
O escritor da Epístola aos Hebreus conclui sua exortação afirmando
que aqueles que se aproximam do trono da graça recebem misericórdia, graça
e socorro em ocasião oportuna (Hb 4.16). Essas três bênçãos resumem toda
a provisão espiritual que DEUS oferece aos Seus filhos durante a peregrinação
cristã.
É importante observar que o texto não diz que DEUS apenas concede
dons materiais ou remove imediatamente todas as dificuldades. O maior presente
do trono da graça é o próprio DEUS, que comunica Sua presença, Seu favor e Seu
poder ao crente.
A vida cristã não é sustentada pelo esforço humano, mas pela graça
continuamente derramada sobre aqueles que permanecem em CRISTO.
O PRIMEIRO PRESENTE: MISERICÓRDIA
O texto afirma: "...para que alcancemos
misericórdia..." (Hb 4.16)
A palavra utilizada é:
Palavra Grega - ἔλεος (Éleos)
Significa: misericórdia; compaixão; piedade para com o necessitado.
No Antigo Testamento, a misericórdia aparece associada à fidelidade
da aliança (חֶסֶד – ḥésed). No Novo
Testamento, ela manifesta o coração compassivo de DEUS diante da miséria
humana.
A misericórdia consiste em DEUS não aplicar ao pecador arrependido
a condenação que justamente merecia.
Como afirmou Jeremias: "As misericórdias do Senhor são a
causa de não sermos consumidos." (Lm 3.22)
Misericórdia e Justiça
Há quem imagine que a misericórdia anula a justiça divina.
As Escrituras ensinam exatamente o contrário.
Na cruz, a justiça foi satisfeita para que a misericórdia pudesse
ser oferecida.
A misericórdia nunca ignora o pecado.
Ela triunfa porque CRISTO suportou a penalidade do pecado.
Tabela
Justiça, Misericórdia e Graça
|
Atributo |
O que significa |
|
Justiça |
DEUS dá aquilo que merecemos |
|
Misericórdia |
DEUS não nos dá o castigo merecido |
|
Graça |
DEUS nos concede aquilo que jamais poderíamos merecer |
O SEGUNDO PRESENTE: GRAÇA CONTÍNUA
O autor continua: "...e achemos graça..."
Observe que o texto dirige-se a pessoas já convertidas.
Isso demonstra que a graça não atua apenas na conversão.
Ela acompanha toda a caminhada cristã.
Infelizmente muitos pensam:
"Fui salvo pela graça." Mas agora preciso viver pelas
minhas forças.
A Bíblia ensina exatamente o oposto.
Paulo escreve: "Assim como recebestes CRISTO JESUS, o Senhor,
assim também andai nele." (Cl 2.6)
Da mesma maneira que fomos salvos pela graça, continuamos vivendo
pela graça.
Palavra Grega
εὑρίσκω (Heurískō)
Traduzida por:
"Achar." Significa: encontrar; descobrir; experimentar.
O crente descobre diariamente novas manifestações da graça de DEUS.
As Diversas Manifestações da Graça
A Escritura apresenta a graça sob diversos aspectos.
Graça Salvadora
Efésios 2.8 - Salva o pecador.
Graça Santificadora
Tito 2.11-12 - Ensina a viver piedosamente.
Graça Sustentadora
2 Coríntios 12.9 - Fortalece nas fraquezas.
Graça Capacitadora
Romanos 12.6 - Concede dons para servir.
Graça Glorificadora
1 Pedro 5.10 - Conduzirá o crente à perfeição eterna.
Tabela
A Graça ao Longo da Vida Cristã
|
Momento |
Ação da Graça |
|
Conversão |
Justifica |
|
Vida diária |
Santifica |
|
Ministério |
Capacita |
|
Sofrimento |
Consola |
|
Tentação |
Fortalece |
|
Morte |
Sustenta |
|
Eternidade |
Glorifica |
O TERCEIRO PRESENTE: SOCORRO DIVINO
Hebreus conclui:
"...para sermos ajudados em ocasião oportuna."
Palavra Grega
βοήθεια (Boḗtheia)
Significa: Auxílio.
Socorro. Ajuda eficaz.
É interessante observar sua origem.
Vem do verbo:
βοηθέω (boēthéō)
Literalmente: "Correr ao grito de alguém."
Que figura maravilhosa! Quando o filho de DEUS clama, o Pai
responde.
DEUS conhece nossas necessidades
JESUS declarou: "Vosso Pai sabe o de que tendes
necessidade." (Mt 6.8)
Ele conhece:
·
nossas
lágrimas; nossas enfermidades; nossas crises; nossas dúvidas; nossas tentações.
Nada escapa ao Seu olhar.
O SOCORRO DIVINO NÃO É APENAS LIVRAMENTO
Muitas vezes imaginamos que DEUS nos ajuda retirando imediatamente
a dificuldade.
Nem sempre. Às vezes, Ele remove o problema. Outras vezes, Ele
fortalece o crente para atravessar o problema. Foi exatamente isso que ocorreu
com Paulo.
O ESPINHO NA CARNE
Paulo orou três vezes. A resposta foi: "A minha graça te
basta."
Observe. DEUS não removeu imediatamente a dificuldade. Mas concedeu
graça suficiente.
Palavra Grega
δύναμις (Dýnamis) Poder.
A continuação do texto afirma: "Meu poder se aperfeiçoa na
fraqueza."
A graça comunica poder espiritual.
A GRAÇA PRODUZ MATURIDADE
Existe uma diferença entre: receber graça e crescer na graça.
Pedro afirma: "Crescei na graça..." (2Pe 3.18)
Palavra Grega
αὐξάνω (Auxánō)
Significa: crescer; desenvolver-se; amadurecer.
O crescimento espiritual é contínuo. Nenhum cristão amadurece
instantaneamente.
Características do Crente Maduro
|
Crente Imaturo |
Crente Maduro |
|
Instável |
Perseverante |
|
Facilmente ofendido |
Misericordioso |
|
Busca apenas bênçãos |
Busca conhecer a DEUS |
|
Oscila facilmente |
Permanece firme |
|
Vive pelas emoções |
Vive pela Palavra |
A GRAÇA E OS MEIOS DE SANTIFICAÇÃO
Embora a santificação seja obra do ESPÍRITO SANTO, DEUS estabeleceu
instrumentos pelos quais fortalece Seu povo. Esses meios não produzem mérito. São
canais pelos quais DEUS comunica Sua graça.
A Palavra
A Palavra ilumina. "Santifica-os na verdade." (Jo 17.17)
A Oração
A oração fortalece. "Perseverai em oração." (Cl 4.2)
A Comunhão
A comunhão protege. "Consideremo-nos uns aos outros." (Hb
10.24-25)
A Ceia do Senhor
A Ceia alimenta nossa esperança. Ela aponta:
para trás, lembrando a cruz.
Para o presente, fortalecendo a comunhão.
Para o futuro, anunciando a volta de CRISTO.
A Plenitude do ESPÍRITO SANTO
O ESPÍRITO SANTO continua produzindo:
·
santidade; poder;
consolo; direção; discernimento.
Sem Sua atuação, o crescimento espiritual torna-se impossível.
Quadro Comparativo
Os Meios da Graça
|
Meio |
Resultado Espiritual |
|
Palavra |
Sabedoria |
|
Oração |
Comunhão |
|
Jejum |
Dependência |
|
Adoração |
Alegria espiritual |
|
Comunhão |
Encorajamento |
|
Ceia |
Memória da redenção |
|
ESPÍRITO SANTO |
Capacitação |
Reflexão Teológica
A tradição reformada costuma chamar esses instrumentos de "meios
da graça", expressão também útil na teologia pentecostal, desde que
corretamente compreendida. Não são meios automáticos de transmissão de bênçãos,
nem possuem eficácia por si mesmos. Sua eficácia depende da ação do ESPÍRITO SANTO
e da resposta de fé do crente.
Assim, a leitura da Palavra sem fé torna-se mero exercício
intelectual; a oração sem sinceridade converte-se em formalismo; a Ceia sem
discernimento perde seu propósito espiritual (1Co 11.27-29). A graça de DEUS
opera nesses meios quando o coração se aproxima dEle com humildade e confiança.
A GRAÇA CONDUZ À GLORIFICAÇÃO
O crescimento espiritual não termina nesta vida.
Paulo afirma:
"Aos que justificou, a esses também glorificou."
(Rm 8.30)
A glorificação representa a consumação da graça.
Nesse dia:
·
não haverá
pecado; não haverá morte; não haverá
lágrimas; não haverá tentações.
A graça alcançará sua expressão perfeita na presença eterna de CRISTO.
Como escreveu João: "Seremos semelhantes a Ele, porque o
veremos como Ele é." (1Jo 3.2)
APLICAÇÃO ESPIRITUAL
O cristão não deve medir sua vida espiritual apenas pelas
circunstâncias favoráveis. Crescer na graça significa aprender a depender de DEUS
tanto nos dias de abundância quanto nos dias de provação. O trono da graça
permanece aberto em todas as estações da vida. Nele encontramos perdão quando
falhamos, força quando enfraquecemos, direção quando estamos confusos e
esperança quando tudo parece perdido.
A maturidade cristã não consiste em precisar menos da graça, mas em
reconhecer cada vez mais nossa total dependência dela. Quanto mais conhecemos a
DEUS, mais compreendemos que "dele, por ele e para ele são todas as
coisas" (Rm 11.36).
SÍNTESE DO CAPÍTULO III
O terceiro capítulo desta lição ensina que a graça de DEUS não
apenas inicia a vida cristã, mas a sustenta até sua consumação. O acesso ao
Trono da Graça, garantido pela mediação perfeita de CRISTO, oferece ao crente
misericórdia, favor contínuo e auxílio oportuno. Alimentado pelos meios da
graça — Palavra, oração, comunhão, Ceia e plenitude do ESPÍRITO SANTO — o
cristão cresce em santidade e perseverança, aguardando o dia em que a graça
será plenamente revelada na glorificação.
CONCLUSÃO GERAL
O Concílio de Jerusalém (Atos 15) representa um dos acontecimentos
mais relevantes da história da Igreja Primitiva. Mais do que solucionar uma
controvérsia doutrinária, ele preservou a pureza do Evangelho e definiu, de
maneira inequívoca, que a salvação é concedida exclusivamente pela graça de DEUS,
mediante a fé em JESUS CRISTO, e não pela observância da Lei mosaica ou por
méritos humanos. A decisão conciliar não criou uma nova doutrina; apenas
reconheceu oficialmente aquilo que DEUS já havia demonstrado por meio da
conversão de Cornélio, da obra missionária de Paulo e Barnabé e do testemunho
das Escrituras.
A graça divina, portanto, é o fundamento da salvação, da vida
cristã e da missão da Igreja. Ela precede a resposta humana, desperta o pecador
para DEUS, justifica o crente, promove sua regeneração, conduz sua santificação
e culminará na glorificação eterna. Toda a economia da redenção está alicerçada
na iniciativa soberana de DEUS, que, em CRISTO, reconciliou consigo o mundo.
Ao mesmo tempo, esta lição demonstra que a graça jamais deve ser
confundida com permissividade moral. A mesma graça que perdoa é a graça que
transforma; a mesma graça que justifica é a graça que santifica. O Evangelho
não apenas livra da condenação do pecado, mas também concede poder para vencer
o domínio do pecado. A verdadeira experiência da graça produz obediência,
humildade, amor e perseverança.
Finalmente, o acesso ao Trono da Graça permanece aberto a todos
aqueles que foram reconciliados com DEUS por meio de JESUS CRISTO. Nele
encontramos misericórdia para o passado, graça para o presente e esperança para
o futuro. Enquanto aguardamos a gloriosa manifestação de nosso Senhor, somos
chamados a crescer continuamente na graça e no conhecimento de CRISTO, vivendo
para Sua glória e anunciando este Evangelho a todas as nações.
Como sintetiza o apóstolo Pedro:
"Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e
Salvador JESUS CRISTO. A Ele seja dada a glória, assim agora como no dia da
eternidade. Amém." (2Pe 3.18)
QUADRO TEOLÓGICO 1
A Ordem da Salvação (Ordo Salutis)
|
Etapa |
Obra de DEUS |
Referência |
|
Chamado |
DEUS chama o pecador |
Rm 8.30 |
|
Arrependimento |
Resposta à graça |
At 3.19 |
|
Fé |
Confiança em CRISTO |
Ef 2.8 |
|
Justificação |
Declaração de justiça |
Rm 5.1 |
|
Regeneração |
Novo nascimento |
Jo 3.3 |
|
Adoção |
Filiação divina |
Rm 8.15 |
|
Santificação |
Crescimento espiritual |
1Ts 4.3 |
|
Perseverança |
Preservação divina |
Fp 1.6 |
|
Glorificação |
Consumação da salvação |
Rm 8.30 |
QUADRO TEOLÓGICO 2
A Graça em Toda a Bíblia
|
Livro |
Manifestação da Graça |
|
Gênesis |
Promessa do Redentor |
|
Êxodo |
Libertação do Egito |
|
Levítico |
Sacrifícios expiatórios |
|
Salmos |
Misericórdia permanente |
|
Isaías |
Servo Sofredor |
|
Evangelhos |
CRISTO encarnado |
|
Atos |
Evangelho às nações |
|
Epístolas |
Doutrina da graça |
|
Apocalipse |
Glorificação eterna |
QUADRO TEOLÓGICO 3
Lei e Graça
|
Lei |
Graça |
|
Revela o pecado |
Remove o pecado |
|
Condena |
Justifica |
|
Exige perfeição |
Concede perdão |
|
Mostra o caminho |
Conduz ao Salvador |
|
Não salva |
Salva plenamente |
QUADRO TEOLÓGICO 4
A Obra de CRISTO
|
Aspecto |
Resultado |
|
Encarnação |
DEUS conosco |
|
Vida perfeita |
Obediência completa |
|
Cruz |
Expiação |
|
Ressurreição |
Vitória sobre a morte |
|
Ascensão |
Exaltação |
|
Intercessão |
Sustento da Igreja |
|
Segunda Vinda |
Consumação do Reino |
QUADRO TEOLÓGICO 5
O Que a Graça Produz
|
Antes |
Depois |
|
Culpa |
Perdão |
|
Condenação |
Justificação |
|
Escravidão |
Liberdade |
|
Morte |
Vida |
|
Separação |
Reconciliação |
|
Medo |
Paz |
|
Desespero |
Esperança |
QUADRO TEOLÓGICO 6
Os Benefícios da Salvação
|
Benefício |
Referência |
|
Perdão |
Ef 1.7 |
|
Paz com DEUS |
Rm 5.1 |
|
Vida Eterna |
Jo 3.16 |
|
Adoção |
Gl 4.5 |
|
ESPÍRITO SANTO |
Ef 1.13 |
|
Herança Celestial |
1Pe 1.4 |
QUADRO TEOLÓGICO 7
Os Meios da Graça
|
Meio |
Finalidade |
|
Palavra |
Alimentar a fé |
|
Oração |
Comunhão |
|
Jejum |
Dependência |
|
Adoração |
Exaltação |
|
Comunhão |
Edificação |
|
Ceia |
Memória da cruz |
|
ESPÍRITO SANTO |
Capacitação |
QUADRO TEOLÓGICO 8
O Crescimento Cristão
|
Início |
Processo |
Consumação |
|
Conversão |
Santificação |
Glorificação |
QUADRO TEOLÓGICO 9
O Trono da Graça
|
Recebemos |
Resultado |
|
Misericórdia |
Perdão |
|
Graça |
Fortalecimento |
|
Socorro |
Perseverança |
QUADRO TEOLÓGICO 10
As Cinco Grandes Verdades da Lição
1. A salvação é exclusivamente pela graça.
2. CRISTO é a perfeita manifestação da graça.
3. A graça é oferecida a todos os povos.
4. O cristão deve crescer continuamente na graça.
5. A Igreja deve proclamar esse Evangelho ao mundo inteiro.
RESUMO EXECUTIVO DA LIÇÃO
|
Tema |
Síntese |
|
Concílio de Jerusalém |
Preservou a doutrina da salvação pela graça |
|
Pedro |
DEUS purifica pela fé |
|
Paulo e Barnabé |
DEUS confirma a missão gentílica |
|
Tiago |
As Escrituras confirmam a inclusão dos gentios |
|
Graça |
Favor imerecido de DEUS |
|
CRISTO |
Manifestação perfeita da graça |
|
Igreja |
Vive e anuncia essa graça |
|
Crente |
Cresce continuamente na graça |
FRASES TEOLÓGICAS PARA DESTACAR NA AULA
·
A
Lei revela o pecado; a graça remove o pecado.
·
A
graça não recompensa méritos; cria uma nova vida.
·
A
cruz é o encontro perfeito entre a justiça e a misericórdia de DEUS.
·
A
Igreja cresce quando permanece fiel ao Evangelho da graça.
·
A
verdadeira graça nunca conduz ao pecado, mas à santidade.
·
O
Trono da Graça permanece aberto porque CRISTO permanece intercedendo.
·
O
cristão nunca deixa de depender da graça; quanto mais amadurece, mais reconhece
essa dependência.
·
A
missão da Igreja existe porque a graça de DEUS alcança todas as nações.
·
A
graça salva gratuitamente, mas custou infinitamente caro ao Salvador.
·
Onde
a religião exige méritos, o Evangelho oferece CRISTO.
QUESTIONÁRIO – 20 PERGUNTAS E RESPOSTAS COMENTADAS
Lição: A Graça de DEUS – Um Presente de Salvação para Todos
Texto Base: Atos 15
1. Qual foi a principal controvérsia que levou à realização do
Concílio de Jerusalém?
Resposta:
A controvérsia consistia na afirmação dos judaizantes de que os
gentios convertidos deveriam ser circuncidados e guardar a Lei de Moisés para
serem salvos (At 15.1,5).
Comentário
Essa discussão não era apenas sobre a circuncisão, mas sobre o
próprio fundamento da salvação. Caso a posição dos judaizantes prevalecesse, a
cruz de CRISTO seria insuficiente, pois a salvação dependeria da obra de CRISTO
acrescida das obras da Lei. O Concílio preservou a essência do Evangelho ao
afirmar que a justificação ocorre exclusivamente pela graça mediante a fé.
2. Quem eram os judaizantes?
Resposta:
Eram cristãos provenientes do judaísmo, especialmente do partido
dos fariseus, que defendiam a obrigatoriedade da circuncisão e da observância
da Lei mosaica para os gentios convertidos.
Comentário
Eles aceitavam JESUS como Messias, porém acreditavam que a Nova
Aliança deveria permanecer subordinada às exigências cerimoniais da Antiga
Aliança.
3. Qual foi o principal argumento apresentado por Pedro?
Resposta:
Pedro lembrou a conversão de Cornélio e afirmou que DEUS concedeu o
ESPÍRITO SANTO aos gentios sem exigir circuncisão, purificando seus corações
pela fé (At 15.7-11).
Comentário
Pedro demonstrou que DEUS já havia decidido a questão antes mesmo
do Concílio.
A experiência de Atos 10 tornou-se uma poderosa evidência da
aceitação divina dos gentios.
4. Qual foi a contribuição de Paulo e Barnabé para o Concílio?
Resposta:
Relataram os sinais, milagres e conversões ocorridos entre os
gentios durante a primeira viagem missionária (At 15.12).
Comentário
Os milagres confirmavam que DEUS aprovava a evangelização dos
gentios sem submetê-los à Lei mosaica.
5. Qual profeta foi citado por Tiago?
Resposta:
Amós.
(Amós 9.11-12)
Comentário
Tiago mostrou que a inclusão dos gentios não era novidade.
Ela já havia sido anunciada pelos profetas.
Assim, experiência e Escritura caminhavam juntas.
6. O que significa a palavra grega "χάρις" (cháris)?
Resposta:
Favor imerecido.
Bondade gratuita.
Dom concedido por DEUS.
Comentário
A graça não recompensa méritos.
Ela concede gratuitamente aquilo que CRISTO conquistou na cruz.
7. Qual é a diferença entre Lei e Graça?
|
Lei |
Graça |
|
Revela o pecado |
Remove o pecado |
|
Condena |
Justifica |
|
Exige obediência perfeita |
Oferece perdão em CRISTO |
Comentário
A Lei jamais foi instrumento de salvação.
Sua função era conduzir o pecador até CRISTO (Gl 3.24).
8. O que significa "justificação"?
Resposta
É o ato jurídico pelo qual DEUS declara justo o pecador que crê em CRISTO.
Palavra Grega
δικαίωσις
(Dikaíōsis)
9. A graça incentiva o pecado?
Resposta
Não.
Pelo contrário.
Ela produz santificação.
Comentário
Paulo responde claramente:
"Permaneceremos no pecado para que a graça aumente?"
Resposta:
"De modo nenhum."
(Romanos 6.1-2)
10. O que significa crescer na graça?
Resposta
É amadurecer espiritualmente, tornando-se cada vez mais semelhante
a CRISTO.
Comentário
O crescimento envolve:
· conhecimento bíblico; comunhão; santificação; obediência; perseverança.
11. O que representa o Trono da Graça?
Resposta
Representa o livre acesso do crente à presença de DEUS por meio da
mediação de CRISTO.
(Hb 4.16)
Comentário
O antigo SANTO dos Santos era inacessível.
Agora, por causa da cruz,
todo salvo pode aproximar-se confiadamente do Pai.
12. O que recebemos ao nos aproximarmos do Trono da Graça?
Resposta
·
misericórdia;
·
graça;
·
socorro
oportuno.
(Hb 4.16)
13. Quais são os principais meios da graça?
Resposta
·
Palavra de DEUS;
·
oração;
·
jejum;
·
adoração;
·
comunhão;
·
Ceia do Senhor;
·
plenitude do ESPÍRITO
SANTO.
Comentário
Esses meios não salvam.
São instrumentos utilizados por DEUS para fortalecer a vida
espiritual do crente.
14. O que significa "socorro em ocasião oportuna"?
Palavra Grega
εὔκαιρος βοήθεια
(eúkairos boḗtheia)
Resposta
É a ajuda de DEUS no momento exato da necessidade.
Comentário
DEUS nunca chega atrasado.
Sua providência é perfeita.
15. Por que CRISTO é chamado de Sumo Sacerdote?
Resposta
Porque Ele representa eternamente Seu povo diante do Pai e
intercede continuamente pelos salvos.
(Hb 7.25)
16. A quem a graça é oferecida?
Resposta
A todos.
Judeus.
Gentios.
Homens.
Mulheres.
Todas as nações.
Comentário
A oferta da salvação é universal.
Sua aplicação é recebida mediante arrependimento e fé em JESUS CRISTO.
17. Qual foi a importância histórica do Concílio de Jerusalém?
Resposta
Preservou a pureza do Evangelho e garantiu a expansão missionária
da Igreja entre os gentios.
Comentário
Sem essa decisão,
o Cristianismo poderia ter permanecido como uma seita judaica.
18. Qual a relação entre graça e santificação?
Resposta
A mesma graça que salva é a graça que santifica.
Comentário
Tito 2.11-12 ensina que a graça nos educa a renunciar à impiedade e
a viver de maneira justa, piedosa e sóbria.
19. Qual a missão da Igreja diante dessa doutrina?
Resposta
Anunciar o Evangelho da graça a todas as nações.
Comentário
A Igreja existe para glorificar a DEUS proclamando CRISTO ao mundo
inteiro.
20. Qual é a principal lição de Atos 15 para a Igreja atual?
Resposta
A Igreja deve preservar a pureza doutrinária, resolver suas
controvérsias à luz das Escrituras, depender da direção do ESPÍRITO SANTO e
proclamar que a salvação é exclusivamente pela graça mediante a fé em JESUS CRISTO.
Comentário
O Concílio de Jerusalém continua sendo um modelo para a Igreja
contemporânea. Ele demonstra que questões doutrinárias não podem ser resolvidas
apenas por tradição, experiência ou opinião humana. A decisão deve sempre
harmonizar a ação do ESPÍRITO SANTO com o testemunho das Escrituras,
preservando a centralidade de CRISTO e a suficiência de Sua obra redentora.
CONSIDERAÇÕES FINAIS PARA O PROFESSOR DA EBD
Objetivos da Aula
Ao concluir esta lição, o professor deve levar os alunos a
compreender que:
·
A salvação é um
dom gratuito da graça de DEUS, recebido exclusivamente mediante a fé em JESUS CRISTO.
·
O Concílio de
Jerusalém preservou a pureza do Evangelho ao rejeitar qualquer forma de
salvação baseada em obras da Lei.
·
A graça não
apenas justifica, mas também santifica e fortalece o crente ao longo de toda a
vida cristã.
·
CRISTO é a
manifestação perfeita da graça divina e o único Mediador entre DEUS e os
homens.
·
A Igreja possui
a responsabilidade permanente de anunciar esse Evangelho a todas as pessoas,
sem distinção de etnia, cultura ou condição social.
Aplicações Práticas
1. Valorize a suficiência da obra de CRISTO,
evitando qualquer confiança em méritos pessoais ou práticas religiosas como
meio de salvação.
2. Cultive uma vida de dependência da graça,
aproximando-se diariamente do Trono da Graça por meio da oração e da Palavra.
3. Cresça espiritualmente, utilizando os
meios da graça que DEUS concedeu à Igreja.
4. Defenda a sã doutrina com humildade, amor e fidelidade às
Escrituras.
5. Comprometa-se com a missão, proclamando
que "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Rm 10.13).
Citação Teológica
Como sintetizou de maneira memorável John Stott:
"O cristianismo é, acima de tudo, uma religião da graça. Não
somos salvos porque merecemos, mas porque DEUS, em CRISTO, fez por nós aquilo
que jamais poderíamos fazer por nós mesmos."
Essa afirmação resume o ensino de Atos 15: a Igreja permanece
unida quando mantém CRISTO e Sua graça no centro da fé, da comunhão e da missão.
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
LIÇÃO ANTIGA SOBRE O MESMO ASSUNTO
Lição 2, CPAD, A Sutileza Da Banalização Da Graça
PIX - 33195781620 meu CPF - Luiz Henrique de Almeida Silva
TEXTO ÁUREO
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de
DEUS.” (Ef 2.8)
VERDADE PRÁTICA
A graça de DEUS não é barata. Ela requer arrependimento, novo comportamento, ou
seja, nova vida em CRISTO.
Ajuda
Video - https://youtu.be/qJS_Po1lTA4
Escrita
https://ebdnatv.blogspot.com/2022/07/escrita-licao-2-sutileza-da-banalizacao.html
Slides
https://ebdnatv.blogspot.com/2022/07/slides-licao-2-sutileza-da-banalizacao.html
Lição 5, A Maravilhosa Graça, Completo 75 min, 2º Trimestre de
2016 - https://youtu.be/WZtrCrI2JS4
LEITURA DIÁRIA
Segunda - 1 Co 1.21 DEUS achou por bem salvar
Terça - Rm 3.10 Não há um só justo diante de DEUS
Quarta - Gn 3.17 A responsabilidade humana
Quinta - Rm 5.12b; Gn 3.23 A nefasta consequência do pecado
Sexta - 1 Tm 2.5; Jo 3.16 A graça de DEUS é oferecida a todos
Sábado - Mc 16.16; Jo 6.47 A graça de DEUS é eficaz para quem crer
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Efésios 2.4-10
4 - Mas DEUS, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos
amou, 5 - estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente
com CRISTO (pela graça sois salvos), 6 e nos ressuscitou juntamente com ele, e
nos fez assentar nos lugares celestiais, em CRISTO JESUS; 7 - para mostrar nos
séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade
para conosco em CRISTO JESUS. 8 - Porque pela graça sois salvos, por meio da
fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS. 9 - Não vem das obras, para que
ninguém se glorie. 10 - Porque somos feitura sua, criados em CRISTO JESUS para
as boas obras, as quais DEUS preparou para que andássemos nelas.
BEP, CPAD (com algumas modificações do Pr. Henrique)
2.8 PELA GRAÇA... POR MEIO DA FÉ.
FÉ E GRAÇA - Graça é JESUS e sua obra salvífica, fazendo parte
disso também a ressurreição.
Rm 5.21 “Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse
pela justiça para a vida eterna, por JESUS CRISTO, nosso Senhor.”
Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu
coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se, com a tua boca,
confessares ao Senhor JESUS e, em teu coração, creres que DEUS o ressuscitou
dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a
boca se faz confissão para a salvação. Romanos 10:8-10
Visto como, na sabedoria de DEUS, o mundo não conheceu a DEUS pela
sua sabedoria, aprouve a DEUS salvar os crentes pela loucura da pregação. 1
Coríntios 1:21
De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de DEUS.
Romanos 10:17
em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da
verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes
selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios 1:13
A salvação é um dom da graça de DEUS, mas somente podemos recebê-la em resposta
à fé, do lado humano. Para entender corretamente o processo da salvação,
precisamos entender essas duas palavras: Fé e Graça
FÉ SALVÍFICA. A fé em JESUS CRISTO e sua obra redentora é a única
condição prévia que DEUS requer do homem para a salvação (Ef 1.13). A fé não é
somente uma confissão a respeito de CRISTO, mas também uma ação dinâmica, que
brota do coração do crente que quer seguir a CRISTO como Senhor e Salvador (cf.
Mt 4.19; 16.24; Lc 9.23-25; Jo 10.4, 27; 12.26; Ap 14.4).
O conceito de fé no NT abrange quatro elementos principais: (a) Fé significa
crer e confiar firmemente no CRISTO crucificado e ressurreto como nosso Senhor
e Salvador pessoal (ver Rm 1.17; 10.9,10). Importa em crer de todo coração (At
8.37; Rm 6.17; Ef 6.6; Hb 10.22), ou seja: entregar a nossa vontade e a
totalidade do nosso ser a JESUS CRISTO tal como Ele é revelado no NT.
Fé inclui arrependimento, i.e., desviar-se do pecado com verdadeira tristeza
(At 17.30; 2Co 7.10) e voltar-se para DEUS através de CRISTO. Fé salvífica é
sempre fé mais arrependimento (At 2.37,38; ver Mt 3.2).
A fé inclui obediência a JESUS CRISTO e à sua Palavra, como maneira de viver
inspirada por nossa fé, por nossa gratidão a DEUS e pela obra regeneradora do
ESPÍRITO SANTO em nós (Jo 3.3-6; 14.15, 21-24; Hb 5.8,9). É a “obediência que
provém da fé” (Rm 1.5). Logo, fé e obediência são inseparáveis (cf. Rm 16.26).
A fé salvífica sem uma busca dedicada da santificação é ilegítima e impossível.
A fé inclui sincera dedicação pessoal e fidelidade a JESUS CRISTO, que se
expressam na confiança, amor, gratidão e lealdade para com Ele. A fé, no seu
sentido mais elevado, não se diferencia muito do amor. É uma atividade pessoal
de sacrifício e de abnegação para com CRISTO (cf. Mt 22.37; Jo 21.15-17; At
8.37; Rm 6.17; Gl 2.20; Ef 6.6; 1Pe 1.8).
A fé em JESUS como nosso Senhor e Salvador é tanto um ato de um único momento,
como uma atitude contínua para a vida inteira, que precisa crescer e se
fortalecer (ver Jo 1.12). Porque temos fé numa Pessoa real e única que morreu
por nós (Rm 4.25; 8.32; 1Ts 5.9,10), nossa fé deve crescer (Rm 4.20; 2Ts 1.3;
1Pe 1.3-9). A confiança e a obediência transformam-se em fidelidade e devoção
(Rm 14.8; 2Co 5.15); nossa fidelidade e devoção transformam-se numa intensa
dedicação pessoal e amorosa ao Senhor JESUS CRISTO (Fp 1.21; 3.8-10; ver Jo
15.4; Gl 2.20).
GRAÇA. No AT DEUS revelou-se como o DEUS da graça e
misericórdia, demonstrando amor para com o seu povo, não porque este merecesse,
mas por causa da fidelidade de DEUS à sua promessa feita a Abraão, Isaque e
Jacó (ver Êx 6.9). Os escritores bíblicos dão prosseguimento ao tema da graça
como sendo a presença e o amor de DEUS em CRISTO JESUS, transmitidos aos
crentes pelo ESPÍRITO SANTO, e que lhes outorga misericórdia, perdão, querer e
poder para fazer a vontade de DEUS (Jo 3.16; 1Co 15.10; Fp 2.13; 1Tm 1.15,16).
Toda atividade da vida cristã, desde o seu início até o fim, depende desta
graça divina.
2.9 NÃO VEM DE OBRAS. Ninguém poderá ser salvo pelas obras e boas ações, ou por
tentar guardar os mandamentos de DEUS. Seguem-se as razões:
(1) Todos os não alvos estão espiritualmente mortos (v. 1),
sob o domínio de Satanás (v. 2), escravizados pelo pecado (v. 3) e sujeitos à
condenação divina (v. 3).
(2) Para sermos salvos precisamos receber a provisão divina da
salvação (vv. 4,5), ser perdoados do pecado (Rm 4.7,8), ser espiritualmente
vivificados (Cl 1.13), ser feitos novas criaturas (v. 10; 2 Co 5.17) e receber
o ESPÍRITO SANTO (Jo 7.37-39; 20.22). Nenhum esforço da nossa parte poderá
realizar essas coisas.
(3) O que opera a salvação é a graça de DEUS mediante a fé (vv.
5,8). O dom salvífico de DEUS inclui os seguintes passos: "em quem também
vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa
salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da
promessa"; Efésios 1:13.
1- Ouvir a Pregação do evangelho (em quem também vós estais, depois
que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele
também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios 1:13).
2- Arrependimento de pecados (e dizendo: O tempo está cumprido, e o
Reino de DEUS está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho. Marcos 1:15)
3- Crer na Pregação (Fé - em quem também vós estais, depois
que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele
também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios 1:13)
4- Confessar a JESUS como único salvador e Senhor (Rm 10.9,10).
5- Receber o ESPÍRITO SANTO (em quem também vós estais, depois que
ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele
também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios
1:13)
HINOS SUGERIDOS: 37, 79, 205 da Harpa Cristã
PALAVRA-CHAVE - Banalização
Resumo da Lição 2, A Sutileza Da Banalização Da Graça
I – COMPREENDENDO A GRAÇA
1. A graça é divina.
2. A graça é imerecida.
II - A GRAÇA NO CONTEXTO BÍBLICO
1. A necessidade da graça.
2. A extensão da graça.
III – A GRAÇA NO CONTEXTO DA REFORMA
1. A corrupção da doutrina da graça.
2. A restauração da doutrina graça.
IV – A GRAÇA NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO
1. A graça barateada.
2. O valor da graça.
Resumo super-rápido
I – COMPREENDENDO A GRAÇA
1. A graça é divina. DEUS arquitetou o plano de salvação. ELE vem a nós.
2. A graça é imerecida. Não é por obras, não é por merecimento, é
por amor de DEUS.
II - A GRAÇA NO CONTEXTO BÍBLICO
1. A necessidade da graça. JESUS morreu em nosso lugar na cruz, A justiça
foi feita.
2. A extensão da graça. Para todos, mas só entra quem tiver fé na
obra de JESUS.
III – A GRAÇA NO CONTEXTO DA REFORMA
1. A corrupção da doutrina da graça. Católicos romanos
vendiam indulgências e a salvação era ensinada como merecimento.
2. A restauração da doutrina graça. A reforma trouxe o estudo
maior. Salvação pela graça mediante a fé.
IV – A GRAÇA NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO
1. A graça barateada. Alguns naõ valorizam o alto valor, o sangue e
sacrifício de JESUS.
2. O valor da graça. Alguns pensam que podem dizer e fazer de tudo
e mesmo assim serem salvos.
Graça é JESUS e sua obra salvífica, fazendo parte disso também a
ressurreição.
Porque a graça de DEUS se há manifestado, trazendo salvação a todos
os homens, Tito 2:11
Sempre dou graças ao meu DEUS por vós pela graça de DEUS que vos
foi dada em JESUS CRISTO. 1 Coríntios 1:4
Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por
JESUS CRISTO. João 1:17
Se, com a tua boca, confessares ao Senhor JESUS e, em teu coração,
creres que DEUS o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Romanos 10:9
Não há nada que possamos fazer para sermos salvos
Mas, se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a
graça já não é graça. Romanos 11:6
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de
vós; é dom de DEUS. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Efésios
2:8,9 (Dom de DEUS é a graça, o meio da salvação - a fé é nossa, é o
instrumento).
Entramos para a graça por meio da fé ao ouvirmos o evangelho.
em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da
verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes
selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios 1:13
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de
vós; é dom de DEUS. Efésios 2:8 (Dom de DEUS é a graça, o meio da salvação - a
fé é nossa, é o instrumento).
Evangelho da Graça exige renúncia
Então, disse JESUS aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após
mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; Mateus 16:24
ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências
mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente, Tito 2:12
A Misericórdia de DEUS não nos dá o que merecemos (merecemos a
morte porque pecamos, mas DEUS satisfaz sua justiça em CRISTO - Rm 3.23; 5.12;
Is 53.4-12).
A Graça de DEUS nos dá o que não merecemos (não merecemos sermos
salvos, ma DEUS nos dá a salvação se crermos na obra que JESUS fez por nós - Ef
1.13; 2.8)
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de DEUS é
a vida eterna, por CRISTO JESUS, nosso Senhor. Romanos 6:23
Nossa Lição fala da existência do livre-arbítrio e do sacrifício de
JESUS por todos os homens (Doutrinas básicas de nossa fé cristã pentecostal). O
calvinismo prega exatamente contra estas duas doutrinas - Para eles o homem nao
tem capacidade de escolha, DEUS já escolheu quem vai para o céu e quem vai para
o inferno. Para eles JESUS só morreu por algumas pessoas, as que escolheu para
serem salvas.
Objeções ao Calvinismo e ao salvo para sempre dos batistas
tradicionais
Calvinistas ensinam que o crente nunca perde a salvação, pois foi
escolhido por DEUS (doutrina da perseverança).
1. Primeira objeção
A doutrina da perseverança invalida as advertências sobre a necessidade que os
crentes tem de se esforçarem para permanecerem na fé (Mt 10:22; Lc 13:24; Jo
8:31; Jo 15:5; 1 Co 16:13; Cl 1:29; Hb 3:14; Tg 2:5; Ap 2:10; Ap 3:11).
2. Segunda objeção
“os casos de apostasia” que se encontram registrados na Bíblia. Por exemplo
Judas Iscariotes (Mc 3:14,19; Jo 18:2), Simão o mago (At 8:9-24) e Demas (2 Tm
4:10).
3. Terceira objeção
Qualquer verdadeiro crente pode perder a sua salvação.
a) Aqueles que uma vez foram iluminados.
b) Tornaram-se participantes do ESPÍRITO SANTO.
c) Provaram da boa Palavra de DEUS.
d) Provaram dos poderes do mundo vindouro.
e) É impossível renová-los para arrependimento.
4. Quarta objeção
A doutrina da perseverança dos santos torna fútil toda exortação e mandamento
bíblico.
5. Quinta objeção
A doutrina da perseverança dos santos pode nutrir um sentimento de segurança
carnal numa pessoa não convertida.
6. Sexta objeção
A doutrina da perseverança dos santos conduz à uma vida indolente e imoral. (Rm
6:14; Ef 1:4)
7. Sétima objeção
A doutrina da perseverança dos santos não se harmoniza com a liberdade humana.
8. Oitava objeção
A doutrina da Perseverança dos Verdadeiros Crentes anula a responsabilidade
humana.
Doutrina Dos batistas diz: "uma vez salvos, salvos para
sempre"
* Dos calvinistas diz: DEUS vai te guardar do pecado e você Alcançará a
salvação pois DEUS te escolheu antes da fundação do mundo para ser salvo e como
Ele é soberano não permitirá que você morra apóstata mesmo que tenha vivido a
vida toda de crente na apostasia.
A Bíblia ensina que o crente pode perseverar na sua fé, mas também
pode deixar de perseverar e cair em apostasia e perder sua salvação.
Paulo diz que não atingiu a perfeição - isso nos mostra que a doutrina
calvinista da perfeição do crente aqui na Terra é falsa e incoerente com a
Bíblia.
Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar
aquilo para o que fui também preso por CRISTO JESUS. Filipenses 3:12
Ananias e Safira perderam a salvação - Então Pedro lhe disse: Por
que é que entre vós vos concertastes para tentar o ESPÍRITO do Senhor? Eis aí à
porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti. E logo
caiu aos seus pés, e expirou. E, entrando os moços, acharam-na morta, e a
sepultaram junto de seu marido. E houve um grande temor em toda a igreja, e em
todos os que ouviram estas coisas. E muitos sinais e prodígios eram feitos
entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E estavam todos unanimemente no alpendre
de Salomão. Atos 5:9-12
É POSSÍVEL UM CRENTE TER SEU NOME RISCADO DO LIVRO DA VIDA???
Evidente que sim.
Êx 32.32 Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu
livro, que tens escrito. CLARO QUE É PÓSSÍVEL PERDER A SALVAÇÃO.
Tem gente que não sabe nada sobre presciência de DEUS - Presciência
significa saber antes e não interferir antes.
Na Bíblia vemos vários crentes salvos que depois apostataram da fé e foram
excluídos da salvação. - Por exemplo Judas Iscariotes (Mc 3:14,19; Jo 18:2),
Simão o mago (At 8:9-24) e Demas (2 Tm 4:10).
Dia destes um pastor famoso se matou - Assassinou a si mesmo.
Perdeu a salvação.
O calvinismo ensina que não se perde a salvação porque DEUS não deixa os
escolhidos se perderem. Lorota. Não vigia não para ver...
Efésios 2: 8. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto
não vem de vós, é dom de DEUS; 9. não vem das obras, para que ninguém se
glorie.
Graça é JESUS morrendo por nós na cruz e ressuscitando. Isso é que é dom de
DEUS (deu de presente, sem merecimento nosso). A fé é nossa e é individual.
VEJA JESUS FALANDO QUE A FÉ É DO HOMEM - E logo JESUS, estendendo a mão,
segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste? Mateus
14:31
E JESUS lhes disse: Por causa de vossa incredulidade; porque em verdade vos
digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa
daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível. Mateus 17:20
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de DEUS é a vida
eterna, por CRISTO JESUS nosso Senhor. Romanos 6:23
Calvinista diz que Apocalipse não pertence a bíblia - Chegam a
dizer que história e é mentira o que está ali registrado.
E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, DEUS tirará a
sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas
neste livro. Apocalipse 22:19
A doutrina calvinista quer tirar da igreja as manifestações do ESPÍRITO SANTO,
pois o diabo sabe que isso é que atrai pessoas para o evangelho e comprova o
verdadeiro evangelho.
Calvinismo é seita herética - CUIDADO com os falsos "irmãos".
E Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor. Lucas 6:16
Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos
dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no
deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; 2 Coríntios
11:26
E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram
a espiar a nossa liberdade, que temos em CRISTO JESUS, para nos porem em
servidão; Gálatas 2:4
Calvinistas dizem que a graça é irrestível.
A graça de DEUS pode ser resistida (Hb
12.15), recebida em vão (2Co 6.1), apagada (1Ts 5.19), anulada (Gl 2.21) e
abandonada pelo crente (Gl 5.4).
Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te
são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha
ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? Lucas 13:34
a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram
mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. João 3:19.
Do que desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas, 1
Timóteo 1:6
Porque já algumas se desviaram, indo após Satanás. 1 Timóteo 5:15
a qual professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja
contigo. Amém! 1 Timóteo 6:21
para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se
desviou, para ir para o seu próprio lugar. Atos 1:25
Do que desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas, 1
Timóteo 1:6
a qual professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja
contigo. Amém! 1 Timóteo 6:21
os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já
feita, e perverteram a fé de alguns. 2 Timóteo 2:18
para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se
desviou, para ir para o seu próprio lugar. Atos 1:25
Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo,
pelo conhecimento do Senhor e Salvador JESUS CRISTO, forem outra vez envolvidos
nelas e vencidos, tornou-se lhes o último estado pior do que o primeiro.
Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo-
o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. 2 Pedro 2:20, 21
E nós, cooperando também com ele, vos exortamos a que não recebais
a graça de DEUS em vão 2 Coríntios 6:1
Não extingais o ESPÍRITO. 1 Tessalonicenses 5:19
Não aniquilo a graça de DEUS; porque, se a justiça provém da lei,
segue-se que CRISTO morreu debalde. Gálatas 2:21
Separados estais de CRISTO, vós os que vos justificais pela lei; da
graça tendes caído. Gálatas 5:4
ENSINOS PERIGOSOS DE CALVINO
A quarta e última Instituta de João Calvino vai abordar
vários assuntos cristãos, dentre eles, a ceia do senhor, ataque aos sacramentos
católicos, vida e práticas cristãs, eclesiologia e governo civil. Após ler,
identifiquei vários pontos interessantes e com base bíblica, mas infelizmente
achei alguns trechos que confrontam tanto os volumes anteriores, quanto o
calvinismo atual no Brasil. Antes, a título de curiosidade, Calvino tem uma
ideia peculiar acerca da ceia do Senhor. Ele defendia a prática semanal: “Pois
bem, é necessário proceder doutra forma. Ao menos uma vez por semana se deve
oferecer à congregação dos cristãos a Ceia do Senhor; e devem ser proclamadas
as promessas que, presentes nela, nos renovam e nos nutrem espiritualmente.
Certamente ninguém deve ser constrangido a participar, mas todos devem ser
exortados e, quem se mostrar negligente, deve ser repreendido e corrigido.
Então, que todos, como que famintos espiritualmente, se reúnam para tão feliz
refeição.” (Institutas, vol. 4, art. 35, pg. 32) Um pouco a frente já
percebemos uma contradição. Calvino afirma que o diabo que cega as pessoas,
porém no volume 1, Calvino ensina que é DEUS quem cega: “Foi feito isso quando
Satanás cegou quase todo o mundo para o pestilento erro de crer que a missa é
sacrifício e oblação para impetrar a remissão dos pecados. Bem sei quanto essa
praga se arraigou, oculta sob grande aparência de virtude, acobertando-se sob o
nome de JESUS CRISTO, ao ponto de muitos pensarem que a palavra missa inclui
plenamente a súmula da fé. (Institutas, vol. 4, art. 35, pg. 32) “DEUS cega,
endurece e impulsiona os maus, dos quais Ele tira a capacidade de ver, de
obedecer e de fazer o bem.” (Institutas, vol. 1, art. 68, pg. 139) “Quanto a
isso, qualquer pessoa que não esteja completamente cega vê aí a ousadia de
Satanás em sua resistência à verdade de DEUS e em seu combate contra ela, sendo
que a verdade de DEUS é tão aberta e manifesta! Não me é oculto com quantas e
quais ilusões o pai da mentira tem o costume de acobertar esta sua astúcia,
querendo persuadir-nos de que não se trata de muitos nem diferentes
sacrifícios, mas de um só e o mesmo sacrifício repetido muitas vezes.”
(Institutas, vol. 4, art. 38, pg. 37) Nos volumes anteriores, Calvino afirma
que uma obra do diabo pode ser chamada obra de DEUS (Institutas, vol. 1, art.
68, pg. 138) mas aqui diz que satanás resiste às verdades de DEUS. Se Calvino
estivesse certo, DEUS ordenou o diabo resistir contra Ele mesmo. Inclusive,
toda obra demoníaca na terra, seria ordem de DEUS, que ordenou na eternidade o
inferno atacá-lo. Eu sentiria vergonha de crer em tamanha blasfêmia. Chega ser
cômico. Seja anátema tais heresias. Não podemos aceitar essas afirmações. Na
Página 40 temos mais contradição: “Antes de terminar, interrogo os nossos
doutores de missas nestes termos: Visto que eles sabem que “o obedecer é melhor
do que o sacrificar” e que DEUS exige obediência à Sua voz, sendo que Ele não
ordena que Lhe sejam feitos sacrifícios, como pensam que esse tipo de
sacrifício pode ser agradável a DEUS, uma vez que não há nenhum mandamento que
o exija e que eles veem que não há nenhuma sílaba da Escritura que o aprove?”
(Institutas, vol. 4, art. 40, pg. 40). Como DEUS vai exigir algo que só será
feito se Ele ordenar? Como DEUS exortará seu povo a obedecer, se é Ele que
ordena todos os fatos, inclusive os sentimentos? Completamente sem lógica tal
doutrina. Se DEUS ordenou absolutamente todos os fatos, como DEUS vai cobrar de
nós algo que somente Ele teve o poder de tornar certo? Calvino em certa parte
de sua teologia defendia o batismo por aspersão (jogar um pouco de água na
cabeça) mas na passagem a seguir o reformador cita a questão da forma batismal
como irrelevante: “De resto, não importará nem um pouco se no Batismo se
mergulhar totalmente o batizando na água, ou se simplesmente se derramar água
sobre ele. Mas, conforme a diversidade das regiões, isso deve ser deixado à
livre decisão das igrejas. Porque em ambos os casos o sinal está representado.
Isso tudo levando-se em conta que a palavra batizar significa imergir
completamente e que é certo que antigamente se praticava a imersão completa na
igreja.” (Institutas, vol. 4, art. 48, pg. 48) Em outros volumes, vimos João
Calvino afirmando a continuidade dos dons do ESPÍRITO, porém na passagem a
seguir, novamente ele nega: “Mas esse poder ou virtude maravilhosa e as
operações manifestas distribuídas mediante a imposição das mãos, cessaram, e só
foram concedidas durante algum temo. Porque era necessário que a nova pregação
do Evangelho e o novo reino de CRISTO fossem exaltados e engrandecidos por
milagres jamais vistos nem experimentados. Quando o Senhor os fez cessar, não
significa que por isso abandonou a Sua igreja, mas, com isso deixou claro que a
magnificência do Seu reino e a dignidade da Sua Palavra são manifestas de
maneira suficientemente grandiosa.” (Institutas, vol. 4, art. 5, pg. 53) Na
página 64 Calvino nega o dom de curar: “Ora, é comum e habitual que na
Escritura o ESPÍRITO SANTO e Seus dons sejam simbolizados pelo óleo. De resto,
essa graça ou esse dom de curar doenças não tem mais lugar, como também os
demais milagres, os quais o Senhor quis que fossem realizados por um tempo para
tornar a novel pregação do Evangelho eternamente admirável.” (Institutas, vol.
4, art. 5, pg. 53) Tal afirmação não tem base nas escrituras. DEUS e seu ESPÍRITO
continuam os mesmos. Contradição absurda, pois em escritos anteriores Calvino
defende claramente os dons espirituais. Calvino era a favor do consumo de vinho
e música secular “Nenhum lugar se proíbe ao homem rir ou fartar-se ou adquirir
novas propriedades ou deleitar-se com instrumentos musicais e beber vinho.”
(Institutas, vol. 4, art. 14, pg. 96) Olhe o absurdo. Calvino muda de ideia e
volta defender os dons espirituais: “Igualmente não nego que os dons de DEUS,
diversos como são, são distribuídos diversamente,” (Institutas, vol. 4, art.
22, pg. 120) Os quatros volumes têm essa característica: por um momento João
Calvino afirma algo ou uma crença, capítulos a frente ele nega ou refuta a
própria explicação. No artigo 12 da página 154, Calvino alega ser legitimo a
pena de morte. Caso o leitor não conheça esse lado sombrio de Calvino, sugiro
uma rápida pesquisa na internet sobre o médico herege Miguel Servet
(1511-1553), morte em fogueira por crime de blasfêmia e heresia. Calvino teve
envolvimento polêmico nessa execução. Veja o que o reformador diz sobre vingar:
“Certo é que não cabe aos crentes fazer mal nem causar dano. Mas também,
vingar, pelo mandado de DEUS, as aflições dos dons não é fazer mal sem causar
dano.” (Institutas, vol. 4, art. 12, pg. 154) Existem muitos relatos históricos
que prisões, torturas e execuções em Genebra enquanto Calvino era pastor e
conselheiro político. Quem gostaria de fontes de mais informações, sugiro o
excelente livro “O lado negro do Calvinismo” de George Bryson. Calvino também
defendia guerra: “Considerando, pois, que às vezes é necessário que os reis e
seus povos empreendam a guerra para impor justa vingança, podemos por isso considerar
igualmente legítimas as guerras que visem a este fim.” (Institutas, vol. 4,
art. 13, pg. 156) “E se com justiça punem os salteadores, que causam danos a
poucas pessoas, deverão deixar que uma região inteira seja humilhada e saqueada
sem lhes fazer a devida oposição? Porque pouco importa quem invada sem justa
causa terras alheias para pilhagens e assassinatos – pouco importa se o invasor
é rei ou plebeu, todos quantos agem dessa forma devem ser considerados
bandidos, e devem ser punidos como bandidos.” (Institutas, vol. 4, art. 13, pg.
156) - 162 - “Pois é preciso que façamos tudo muito melhor do que nos é
ensinado pelos pagãos, um dos quais disse que “a guerra não deve ter outra
finalidade senão a de buscar a paz”; certamente é preciso tentar todos os meios
possíveis, antes de apelar para as armas.” (Institutas, vol. 4, art. 14, pg.
157) Calvino acaba de defender o uso da guerra armada e se vingar dos ímpios,
porém logo adiante ele diz: “Também não somos contrários às palavras de CRISTO
por meio das quais Ele nos proíbe resistir ao mal e nos manda voltar a face
esquerda a quem nos ferir a direita, e dar também a capa a quem demandar
tirar-nos a túnica. O Senhor diz isso porque certamente exige que o coração dos
Seus servos se desfaça por completo do desejo de vingança, preferindo sofrer
injúria em dobro a pensar num modo de devolvê-la à altura; paciência que também
reconhecemos que não devemos eliminar do coração. Porque é geralmente
necessário que os cristãos sejam como um povo nascido e formado para sofrer
injúrias e afrontas, e para estar sujeito à maldade, às trapaças e à zombaria
dos maus elementos (Institutas, vol. 4, art. 24, pg. 164) Na Página 195,
Calvino afirma que devemos aceitar sermos governados por DEUS. Afirmação bem
arminiano. (Institutas, vol. 4, art. 19, pg. 195) - Nas outras institutas,
Calvino deixa claro que tudo foi decretado por DEUS, até quem será salvo ou
não. Isso inclui a perseverança, que segundo o reformador, só persevera quem DEUS
quer e quem Ele delegou o dom para isso. Porém na passagem abaixo, Calvino
exorta que devemos querer ser discípulos e alerta sobre a perseverança, algo
totalmente contraditório em relação aos seus escritos anteriores: “Portanto, se
queremos ser discípulos de CRISTO, devemos empenhar-nos no sentido de que o
nosso coração se encha de tal reverência e obediência a DEUS que nos habilite a
dominar e subjugar todos os sentimentos contrários ao Seu beneplácito. Decorre
disso que, em qualquer tribulação que estejamos, mesmo na maior aflição de alma
que seja possível alguém sofrer, não deixaremos de perseverar em nossa paciência.”
(Institutas, vol. 4, art. 31, pg. 208)
Algumas afirmações de João Calvino têm sim, um grau elevadíssimo de
falácia e pensamento não bíblico. Você meu irmão pentecostal, que serve a CRISTO
no seu costume e doutrina, muito cuidado com esses ensinos. Recebo muitas
mensagens de líderes com suas igrejas “rachadas” e divididas devido guerra de
crenças. Sempre tem um calvinista no meio. Se eles ficassem em suas igrejas
reformadas, não aconteceriam tais confusões, porém eles são orientados a
permanecer nas diversas igrejas e grupos de internet e espalhar as doutrinas
calvinistas. Isso é falta de respeito com centenas de anos de teologia da
igreja. Devemos respeitar e estar submissos aos ensinos bíblicos de cada
igreja, e não querer mudá-las.
Para concluir, quero deixar aqui registrado algumas frases de
alguns teólogos bem conhecidos no meio calvinista. Algumas delas são de
arrepiar.
“DEUS move as línguas dos homens para blasfemar.” [Franciscus Gomarus, citado em A. H. Newman, A Manual
of Church History (Valley Forge: Judson Press, 1933), vol. 2, p. 339.]
“DEUS claramente pré-ordena o mal.” [Peter Y. de Jong, Crisis in the Reformed Churches
(Reformed Fellowship, Inc.), p. 148.]
“A Bíblia é clara: DEUS ordena o pecado.” [PALMER, Edwin H. The Five Points of Calvinism. Grand
Rapids: Backer, 1872. p. 85.]
“Não apenas Seu olho onisciente viu Adão comendo do fruto proibido,
mas Ele decretou antecipadamente que ele devia comer” [Arthur W. Pink,
Soberania, p. 249.]
“A pobreza também é decretada. O que quer que seja que causa essa
pobreza também foi decretado como meios conducentes a essa pobreza” [FEINBERG,
John Samuel. Predestinação e Livre-Arbítrio: Quatro perspectivas sobre a
soberania de DEUS e a liberdade humana. Editora Mundo Cristão: 1989, p. 58.]
“DEUS decreta todas as coisas, inclusive os meios e os fins”
[FEINBERG, John Samuel. Predestinação e Livre-Arbítrio: Quatro perspectivas
sobre a soberania de DEUS e a liberdade humana. Editora Mundo Cristão: 1989, p.
57.]
“A obra do pecado não parte de qualquer outra pessoa a não ser DEUS”
[Ulrich Zwínglio, “On the Providence of God – Sobre a Providência de DEUS”, The
Latin Works of Huldreich Zwingli (Philadelphia: Heidelberg Press, 1922),
II:203-204.]
“Todas as coisas, incluindo o pecado, são causadas por DEUS.” [PALMER, Edwin H. The Five Points of Calvinism. Grand
Rapids: Backer, 1872. p. 101]
No Calvinismo a única conclusão final que chegamos é que satanás é
um mero marionete e o único pecador é DEUS. Caso fosse verdade que todos os
atos da humanidade foram ordenados por DEUS, eu queria distância desse ser. Ou
as igrejas pentecostais reprovam tais ensinos e preparam o rebanho com intenso
ensino bíblico, ou em breve negaremos os dons, pregaremos DEUS com intenção
direta do mal e negaremos as ações satânicas não ordenadas pelo Criador. Minha
oração é que esse tipo de ensino não se espalhe nas igrejas do Brasil. DEUS
TENHA MISERICORDIA DOS QUE TEIMAM EM APOIAR O CALVINISMO.
Diego Rodrigo Aquino - OS ENSINOS PERIGOSOS DE CALVINO
Uma análise introdutória nas Institutas de João Calvino
A DOUTRINA DA GRAÇA DE DEUS - Teologia Sistemática Pentecostal -
Pastores Antonio Gilberto, Claudionor de Andrade, Elienai Cabral e Elinaldo
Renovato de Lima - CPAD - (com algumas modificações do Pr. Henrique)
Na matéria Soteriologia, a ênfase recai sobre a graça de DEUS para
salvar o pecador. E, por essa razão, não discorrermos sobre a grafa comum,
extensiva a todos os homens: “Abres a mão e satisfazes os desejos de todos os
viventes”. Aqui não se trata de graça salvadora; diz respeito ao favor de DEUS
dispensado bondosamente aos seres humanos, no sentido de prover os meios de
subsistência a todos, sem distinção (Sl 104.10-30).
Graça relacionada com a salvação. E a atitude (ou provisão) graciosa do
Senhor para com o indigno transgressor da sua lei (cf. Rm 3.9-26). Ela resulta
da parte de DEUS para com o pecador em: misericórdia (I Tm 1.2; 2Tm 1.2; Tt
1.4; 2 Jo3; Jd v.2I); benevolência (Lc 2.14b); paz (resultado da misericórdia
de DEUS no coração do homem); gozo (que é mais interior), bem como alegria,
beleza e adorno espirituais — que são mais externos (cf. Rm 12.6).
No original, graça é charis, donde vêm “charme”, “carismático” (no sentido
exato), “caridade”, “agradável”, “atraente”, “agradecer”, “gratidão”.
A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como
vos convém responder a cada um (Cl 4.6).
... segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça,
pela qual nos fez agradáveis a si no Amado (Ef 1.5,6).
O nosso assunto diz respeito à graça de DEUS para salvar. A provisão divina
para com o indigno transgressor da lei existia desde o Antigo Testamento (Ex
33.13; Jr 3.12; 31.2). A passagem de Atos 15.10,11 não deixa dúvidas quanto a
isso:
Agora, pois, por que tentais a DEUS, pondo sobre a cerviz dos discípulos um
jugo que nem nossos pais nem nós podemos suportar? Mas cremos que seremos
salvos pela graça do Senhor JESUS CRISTO, como eles também.
No Novo Testamento, a graça de DEUS (JESUS e seu sacrifício por
nós) para salvar o pecador é mencionada de maneira mais direta (Ef 2.7,8;
I Tm 1.13,16; Rm 5.20; Jo 1.16,17).
Porque a graça de DEUS se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens
(Tt 2.11). (JESUS se manifestou e realizou o sacrifício por nós, a
justiça de DEUS sobre o pecado veio sobre Ele que estava nos substituindo)
Mas, quando apareceu a benignidade e caridade de DEUS, nosso Salvador, para com
os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua
misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do ESPÍRITO
SANTO (Tt 3.4,5).
De acordo com Efésios 2.5,6, o pecador está morto, e nessa condição não pode
ajudar em nada. Como efetuaria ele a sua própria ressurreição? Assim como não
pudemos ajudar em nada quando do nosso primeiro nascimento, muito menos em
nosso segundo (novo) nascimento. Tudo é pela graça, para que o homem não tenha
de que se gloriar. (JESUS realizou tudo o que era necessário, nós só entramos
com a fé nisto, Ef 1.13; 2.8).
Tudo é pela graça de DEUS (JESUS e seu sacrifício por nós). Na vida do crente,
ela gera crescimento na fé (2 Pe 3.18). E por meio dela que triunfamos contra o
mal (Rm 6.14; Hb 13.9; Ato 4.33; 2 Co 12.9
e trabalhamos para o Senhor (Hb 12.28; I Co 3.10; 15.10; 2 Co 6.1). Por ela,
falamos (Sm 45.2; Cl 4.6); cantamos (Cl 3.16); e tratamos (Rt 2.10).
È pela graça também que somos capacitados a dar a DEUS e ao próximo (2 Co
8.1,6,7). Essa liberalidade pela graça, para dar a DEUS, leva-nos a fazer isso
em quatro sentidos:
Dar-nos a nós mesmos inteiramente ao Senhor.
Dar-lhe o nosso tempo; a nossa vida.
Dar-lhe os nossos talentos.
Dar-lhe o nosso dinheiro.
A Palavra de DEUS menciona, no Antigo Testamento, a liberalidade do crente para
com o Senhor: “E ali trareis os vossos holocaustos, e vossos sacrifícios, e os
vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e os vossos votos, e as vossas
ofertas voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas”
(Dt 12.6).
. Vemos aqui sete tipos de ofertas, todas implicando finanças.
Nós devemos tanto a DEUS, que, no viver para com Ele, e no trabalho dEle, mesmo
fazendo o nosso melhor e o máximo que pudermos, não vamos além do dever (Lc
17.1). Ou seja, nunca ingressaremos no mérito! Nesse caso, a graça de DEUS é
mais abundante na vida daqueles que são humildes (Tg 4.6). A humildade é, pois,
o fio condutor da graça (I Pe 5.5).
A graça de DEUS em resumo. Diante do exposto, a graça de DEUS é o dom da
salvação em CRISTO, como dádiva de DEUS ao pecador, indigno e merecedor do
justo juízo de DEUS (Tt 2.11).
Ela é o poder sustentador de DEUS, que nos mantém firmes e perseverantes na fé,
depois de salvos (2 Co 12.9), como lemos em 2 Timóteo 2.1: “Tu, pois, meu
filho, fortifica-te na graça que há em CRISTO JESUS”.
A graça do Senhor é a dádiva das bênçãos diárias que recebemos dEle, sem
merecê-las (Jo 1. 16). E, ainda, a dádiva da capacitação divina no crente, para
este realizar a obra de DEUS (I Co 15.10; Hb 12.28). Atentemos, pois, para a
recomendação da Palavra de DEUS, em I Coríntios 3.10: “Segundo a graça de DEUS
que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica
sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele”.
A Graça de DEUS - As Grandes Doutrinas da Bíblia - Pr. Raimundo de
Oliveira - CPAD - (com algumas modificações do Pr. Henrique)
No contexto da doutrina da salvação, graça divina deve ser abordada
sob duplo aspecto: Como favor imerecido da parte de DEUS para com todos os
pecadores, indistintamente; Como poder restringidor do pecado, operante na
reconciliação do homem com DEUS, e na santificação do crente. Não se deve
confundir a graça de DEUS como “obrigação moral” divina a constrangê-lo a fazer
alguma coisa contrária à sua natureza santa. Nada, poderá ser estabelecido e
aceito como lei, constrangendo-o a soerguer o pecador do estado no qual se
encontra. “e todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre
graça” (Jo 1.16). Enquanto o homem continuar a responder afirmativamente à
graça de DEUS (JESUS e seu sacrifício por nós), esta será o grande agente pelo
qual ele receberá a justificação, a regeneração, a santificação e a segurança
em DEUS (Tt 3.7; Jo 3.3; Act 26.18; 1 Pd 1.5). A proporção da graça (JESUS e
seu sacrifício por nós) que o homem recebe depende exclusivamente da sua
decisão, independentemente da vontade, já manifesta. Por esta razão, nos
adverte o apóstolo Pedro: “antes, crescei na graça e conhecimento de nosso
Senhor e Salvador JESUS CRISTO” (2 Pd 3.18).
3. A Provisão de CRISTO
Apesar de estar empenhado na nossa salvação e segurança, não é querer de DEUS
declarar-nos inocentes simplesmente. Devemos ter em mente o fato de que DEUS é
um DEUS não só de amor, é um DEUS também de justiça. Portanto, para DEUS
declarar-nos inocentes independentemente da nossa conversão, seria uma ofensa à
sua justiça. Seria um procedimento que entraria em choque com a sua santidade
que declara que “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4). Então, como poderia
DEUS manter a perfeição da sua justiça e ainda assim salvar pecadores? A
resposta está no fato de que DEUS não desculpa o nosso pecado, pelo contrário,
Ele o remove completamente. Para nos ajudar a compreender isto, DEUS nos dá o
exemplo de um cordeiro substituto e expiador (JESUS). Esse cordeiro típico do
Antigo Testamento apontava para JESUS, “o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado
do mundo” (Jo 1.29). Assim como o cordeiro para o uso nos sacrifícios da antiga
aliança devia ser um animal sem nenhum defeito ou mancha, de igual modo DEUS
requeria um Cordeiro substituto perfeito, capaz de oferecer um único
sacrifício, suficiente para salvar a tantos quantos aceitassem o seu
sacrifício. De acordo com a Epístola aos Hebreus, JESUS CRISTO satisfez
plenamente essa exigência de DEUS “quanto mais o sangue de CRISTO, que, pelo
ESPÍRITO eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a DEUS, purificará a vossa
consciência das obras mortas, para servirdes ao DEUS vivo?” (Hb 9.14). Na morte
de CRISTO a justiça de DEUS a nosso respeito foi plenamente satisfeita.
4. O Alcance da Salvação
Com muita frequência se ouve a pergunta: “Por quem CRISTO morreu?” se
alguém responde: - “Pelo mundo inteiro”, alguma outra pessoa poderá objetar: -
“Então porque nem todas as pessoas são salvas?” agora, se alguém afirmar que
CRISTO morreu apenas pelos “eleitos”, facilmente outra pessoa considerará
injusta a ação de DEUS, visto que somente uns poucos “escolhidos” serão salvos.
A Bíblia responde a esta questão, dizendo que:
a) A Salvação é Para o Mundo Inteiro
Através do sacrifício perfeito de CRISTO, todos os habitantes da terra foram
representados, e os seus pecados foram potencialmente perdoados. CRISTO “é a
propiciação pelos os nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas
ainda pelos do mundo inteiro” (1 Jo 2.2; 2 Co 5.14; Hb 2.9).
b) A Salvação é Para os que Crêem
Apesar de CRISTO haver morrido pelos pecados do mundo inteiro, há um sentido em
que a expiação é uma provisão divina feita especialmente por aqueles que crêem.
Paulo apresenta JESUS CRISTO como o “Salvador de todos os homens, especialmente
dos fiéis” (1 Tm 4.10). Deste modo, apesar de a salvação estar à disposição de
toda a humanidade, de forma experimental ela se aplica exclusivamente àqueles
que crêem. A salvação foi preparada para todas as pessoas, o problema é que nem
todas as pessoas estão preparadas para a salvação.
c) Alguns Abandonarão a Salvação
A Bíblia dá a entender que muitos daqueles pelos quais CRISTO morreu, aceitarão
a sua provisão salvadora, mas depois a abandonarão, perdendo com isto o direito
à vida eterna. Sobre esses, escreverão Paulo e Pedro: “Perece o irmão fraco,
pelo qual CRISTO morreu” (1 Co 8.14). “Negarão o Senhor que os resgatou,
trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (2 Pd 2.1).
Graça não significa que DEUS é de coração tão magnânimo que abranda
a penalidade ou desiste dum justo juízo.
Sendo DEUS o Soberano perfeito do universo, ele não pode tratar indulgentemente
o assunto do pecado pois isso depreciaria sua perfeita santidade e justiça. A
graça de DEUS aos pecadores revela-se no fato de que ele mesmo pela expiação de
CRISTO, pagou toda a pena do pecado. JESUS nos substituiu na cruz, levando
sobre Ele nossos pecados, doenças, enfermidades e maldições. Por conseguinte,
ele pode justamente perdoar o pecado sem levar em cont
A fonte da justificação: a graça - Conhecendo as Doutrinas da
Bíblia - Teologia Sistemática - Myer Pearman - CPAD; 1ª edição (15
dezembro 2020) - (com algumas modificações do Pr. Henrique)
Graça significa, primeiramente, favor, ou a disposição bondosa da
parte de DEUS. Alguém a definiu como a "bondade genuína e favor não
recompensados", ou "favor não merecido". Dessa forma a graça
nunca incorre em dívida. O que DEUS concede, concede-o como favor; nunca
podemos recompensá-lo ou pagar-lhe. A salvação é sempre apresentada como dom,
um favor não merecido, impossível de ser recompensado; é um benefício legítimo
de DEUS. (Rom. 6:23) O serviço cristão portanto, não é pagamento pela graça de
DEUS; serviço cristão é um meio que o crente aproveita para expressar sua
devoção e amor a DEUS. "Nós o amamos porque ele primeiramente nos
amou."
A graça é transação de DEUS com o homem, absolutamente independente da questão
de merecer ou não merecer. "Graça não é tratar a pessoa como merece, nem
tratá-la melhor do que merece", escreveu L. S. Chafer. "E tratá-la
graciosamente sem a mínima referência aos seus méritos. Graça é amor infinito
expressando-se em bondade infinita." GRAÇA É JESUS E SUA OBRA SALVÍFICA.
Devemos evitar certo mal-entendido sobre os merecimentos ou não
merecimentos.
. Os pecadores são perdoados, não porque DEUS seja benigno para
desculpar os pecados deles, mas porque existe redenção mediante o sangue de
CRISTO. (Rom. 3:24; Efés. 1:6.) Os pregadores modernistas erram nesse ponto;
pensam que DEUS por sua benignidade perdoa os pecados; entretanto, seu perdão
baseia-se na mais rigorosa justiça. Ao perdoar o pecado, "Ele é fiel e
justo" (1 João 1:9). A graça de DEUS revela-se no fato de haver ele
provido uma expiação pela qual pode ser justo e justificador e, ao mesmo tempo,
manter sua santa e imutável lei. A graça manifesta-se independente das obras ou
atividades dos homens. Quando a pessoa está sob a lei, não pode estar sob a
graça; e quando está sob a graça, não pode estar sob a lei. Está "sob a
lei" quando tenta assegurar a sua salvação ou santificação como
recompensa, por fazer boas obras ou observar certas cerimônias. Essa pessoa
está "sob a graça" quando assegura para si a salvação por confiar na
obra que JESUS fez por ela, e não na obra que ela faz para DEUS. As duas
esferas são mutuamente exclusivas. (Gál. 5:4.) A lei diz: "paga
tudo"; mas a graça diz: "Tudo está pago." A lei representa uma
obra a fazer; a graça é uma obra consumada. A lei restringe as ações; a graça
transforma a natureza. A lei condena; a graça justifica. Sob a lei a pessoa é
servo assalariado; sob a graça é filho em gozo de herança ilimitada.
Enraizada no coração humano está a ideia de que o homem deve algo para
tornar-se merecedor da salvação. Na igreja primitiva certos instrutores
judaico-cristãos insistiam em que os convertidos fossem salvos pela fé e a
observância da Lei de Moisés. Entre os pagãos, e em alguns setores da igreja
cristã, esse erro tem tomado a forma de auto castigo, observância de ritos,
peregrinações, e esmolas. A ideia substancial de todos esses esforços é a
seguinte: DEUS não é bondoso; o homem não é justo; por conseguinte, o homem
precisa fazer-se justo a fim de tornar DEUS benigno. Esse foi o erro de Lutero,
quando, mediante auto mortificações, envidava esforços para efetuar a sua
própria salvação. "Oh quando será que você se tornará piedoso a ponto de
ter um DEUS benigno?" exclamou certa vez, referindo-se a si próprio.
Finalmente Lutero descobriu a grande verdade básica do evangelho: DEUS é
bondoso; portanto deseja fazer justo o homem. A graça do amoroso Pai, revelada
na morte expiatória de CRISTO é um dos elementos que distinguem o Cristianismo
das demais religiões.
Salvação é a justiça de DEUS imputada ao pecador; não é a justiça imperfeita do
homem. Salvação é divina reconciliação; não é regulamento humano. Salvação é o
cancelamento de todos os pecados; não é eliminar alguns pecados. Salvação é ser
libertado da lei e estar morto para a lei; não é ter prazer na lei ou obedecer
á lei. Salvação é regeneração divina; não é reforma humana. Salvação é ser
aceitável a DEUS; não é tornar-se excepcionalmente bom. Salvação é perfeição em
CRISTO; não é competência de caráter. A salvação, sempre e somente, procede de
DEUS; nunca procede do homem. — Lewis Sperry Chofer. Usa-se, às vezes, a
palavra "graça", no sentido íntimo, para indicar a operação da
influência divina (Efés. 4:7) e seus efeitos (Atos 4:33; 11:23; Tia. 4:6; 2
Cor. 12:9).
GRAÇA - Dicionário Bíblico Wycliffe - CPAD
O conceito de graça é multiforme e sujeito a desdobramentos nas
Escrituras,
No AT, hen, “favor”, é o favor imerecido de um
superior a um subalterno. No caso de DEUS e do homem, hen é demonstrado por
meio de bênçãos temporais, embora também o seja por meio de bênçãos espirituais
e livramentos, tanto no sentido físico quanto no espiritual (Jr 31.2; Êx
33.19). Hesed, “benevolência ou graça”, é a firme benevolência expressada entre
as pessoas que estão relacionadas, e particularmente em alianças nas quais DEUS
entrou com seu povo e nas quais sua hesed (graça) foi firmemente garantida (2
Sm 7.15; Êx 20.6).
No NT, na literatura grega a palavra charis tinha os seguintes
significados:
(1) Era usada para aquilo que causava atração, tal como a graça na
aparência ou na fala.
(2) Era usada quanto à consideração favorável sentida em relação a
uma pessoa.
(3) Era usada quanto a um favor.
(4) Era usada para significar gratidão.
(5) Era usada adverbialmente em frases como: “Por amor a alguma
coisa”, charin tinos.
Mas foi somente com a vinda de CRISTO que a graça assumiu seu significado
pleno. O seu auto-sacrifício é a graça propriamente dita (2 Co 8.9). Esta
graça é absolutamente gratuita (Rm 6.14; 5.15-18; Ef 1.7; 2.8,9). Quando
recebida pelo crente, ela governa sua vida espiritual compondo favor sobre
favor. Ela capacita, fortalece e controla todas as fases da vida (2 Co 8.6,7;
Cl 4.6; 2 Ts 2.16; 2 Tm 2.1). Consequentemente, o cristão dá graças (charis) a
DEUS pelas riquezas da graça em seu dom inefável (2 Co 9.15).
O apóstolo Paulo foi o principal instrumento humano para transmitir o pleno
significado da graça em CRISTO. O NT oferece a graça a todos, ao contrário do
AT, que geralmente restringia a oferta da graça ao povo eleito de DEUS, Israel.
A graça em sua mais completa definição é o favor imerecido de DEUS ao nos dar
seu Filho, que oferece a salvação a todos, e dá àqueles que o recebem como
Salvador pessoal uma graça acrescentada para esta vida e uma esperança para o
futuro.
A graça soberana não é uma exibição arbitrária da graça de DEUS. A fim de
recebê-la, o homem deve crer. A fim de desfrutá-la, o crente deve ser
obediente. A graça provê a justificação (Rm 3.24), a capacitação (Cl 1.29), uma
nova posição (1 Pe 2.5,9), e uma herança (Ef 1.3,14). Pelo menos três motivos
são indicados no NT quanto à razão pela qual DEUS age com graça, especialmente
na salvação. Ele o faz para expressar seu amor (Ef 2.4; Jo 3.16), para ser
capaz de mostrar sua graça nos séculos vindouros (Ef 2.7), e para que o homem
redimido produza bons frutos (Ef 2.10). A graça soberana é sempre intencional,
pois a vida sob a graça é uma vida de boas obras.
Bibliografia. Leo G. Cox, “Prevenient Grace - a Wesleyan View”, JETS, XII
(1969), 143150־. Charles C. Ryrie, The Grace of God,
Chicago: Moody Press, 1970.
C. C. R.
SUBSÍDIOS Lição 2, A Sutileza Da Banalização Da Graça, 3Tr22, CPAD
SINÓPSE I - DEUS quis agir com graça para com todos os homens sem
que eles merecessem e, por isso, essa graça é um favor imerecido.
SINÓPSE II - No contexto bíblico, a graça é uma necessidade de todos os homens.
Por isso, ela é estendida a toda a humanidade.
SINÓPSE III - A graça no contexto da Reforma revela duas realidades: a
corrupção da doutrina da graça; e a restauração da doutrina da graça.
SINOPSE IV - No contexto contemporâneo é preciso tomar cuidado com o
barateamento da graça, e priorizarmos o valor de tão grande doutrina cristã.
AUXÍLIO VIDA CRISTÃ TOP2
“DEUS TEM TODO DIREITO DE ESTAR IRADO
Muitos não entendem, porque confundem ira divina com raiva humana. Ambas têm
pouca coisa em comum. A ira dos homens é tipicamente auto acionada, e inclinada
a explosões de tempestades e atos violentos. Ficamos irados por havermos sido
passados para trás, negligenciados, ou enganados. Esta é a ira dos homens, não
de DEUS. DEUS [...] se ira porque a desobediência sempre resulta em
autodestruição. Que tipo de pai se sentaria e assistiria seu filho ferindo-se a
si próprio. Que espécie de DEUS faria o mesmo? Você acha que Ele dá risadinhas
quando vê um adultério, ou ri em silêncio de um assassinato? Pensa que Ele olha
para o outro lado, quando produzimos programas de entrevistas baseados em
prazeres perversos? Imagina que Ele balança a cabeça e diz ‘Humanos são
humanos’? Eu não acho. Anote e sublinhe em vermelho: DEUS está legitimamente
irado. DEUS é santo. Nossos pecados são uma afronta à sua santidade” (LUCADO,
Max. Nas Garras da Graça: Você não pode escapar do seu amor. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 1999, pp.30-32).
AUXÍLIO TEOLÓGICO TOP4
SOBRE A CULPA
“Algum tempo atrás, li a história de um menino que estava atirando pedras com
um estilingue. Ele nunca conseguia acertar o alvo. Quando retornou ao quintal
da vovó, avistou o pato de estimação da velha senhora. Num impulso, fez
pontaria e mandou ver. A pedra atingiu o pato, e este morreu. Apavorado, o
menino escondeu a ave na pilha de lenha, apenas para levantar os olhos e
descobrir que sua irmã estava observando. [...] A cada momento de sua vida, seu
acusador está arquivando acusações contra você. Ele tem anotado cada erro, e
marcado cada escorregão. Negligencie suas prioridades, e ele [o acusador]
tomará nota disso. Abandone suas promessas, e ele registrará tudo. Tente
esquecer seu passado; ele o lembrará. Tente desfazer seus erros; ele o
frustrará” (LUCADO, Max. Nas Garras da Graça: Você não pode escapar do seu
amor. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p.170).
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
É preciso compreender de maneira bíblica o conceito da graça de DEUS. Dessa
compreensão os crentes dependem para não banalizar um bem tão precioso. Nesta
lição, temos o propósito de analisar a graça de DEUS no seu sentido bíblico,
histórico e contemporâneo. Que seus alunos se conscientizem de que a graça é um
bem precioso de DEUS para a nossa vida e, por isso, não pode ser banalizada.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Explicar a natureza da graça; II) Apresentar a graça
no contexto bíblico; III) Classificá-la no contexto histórico da Reforma
Protestante; IV) Pontuá-la no contexto contemporâneo.
B) Motivação: Não há salvação sem a graça de DEUS. Esse favor imerecido prova
que o ser humano não tem capacidade em si mesmo para salvar-se. Entretanto, a
graça também não é uma licença para pecar, como, infelizmente, muitos fazem
pensar. Atentemos para o ensino da Bíblia a respeito de tão importante assunto.
C) Sugestão de Método: Na lição, há uma indicação de que a expressão
"'graça barata' foi introduzida na literatura para expressar a vida cristã
nominal ou mundanizada". A partir desse conceito, ao introduzir o último
tópico da lição, solicite aos alunos que citem exemplos em que a graça tenha
sido banalizada. Em seguida, mostre que a graça de DEUS compreende
arrependimento, novo comportamento e nova vida em CRISTO como bem expressa a
verdade prática de nossa lição.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: O advento da graça é a maior prova do amor de DEUS pela
humanidade. Ela é preciosa porque é uma iniciativa de DEUS para salvar o homem
pecador. Por isso, não podemos banalizá-la. Ela revela um alto preço que foi
pago pelo nosso Senhor e Salvador, JESUS CRISTO.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz
reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas
Adultos. Na edição 91, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta
lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão
suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "DEUS Tem Todo Direito de
Estar Irado" é uma reflexão a respeito da necessidade da graça agir no
mundo; 2) O texto "Sobre a Culpa" traz uma reflexão a respeito da
culpa dentro do contexto contemporâneo da graça.
VOCABULÁRIO
Lombo: Cada uma das regiões simétricas situadas de um lado e do outro da coluna
vertebral, abaixo ou após as costelas.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. O que se quer dizer com a expressão “a graça é divina”? Ao se afirmar que a
graça é divina, se quer dizer com isso que a sua origem está inteiramente em
DEUS.
2. Qual é a diferença entre a graça universal e a “graça universalista”? A
graça é extensiva a todos os homens. Ela é universal. Contudo, por ser
universal, não significa dizer que ela é universalista, que quer dizer que
todos independente de credo, religião ou arrependimento, serão salvos.
3. Segundo a lição, como surge a Reforma Protestante? A Reforma Protestante
surge como uma reação à corrupção da doutrina da graça.
4. O que quer dizer a expressão “graça barata”? A expressão “graça barata” diz
respeito à vida cristã nominal ou mundanizada.
5. O que o apóstolo Paulo afirmou ao escrever aos coríntios? Escrevendo aos
coríntios, o apóstolo da graça afirmou: “Vocês foram comprados por preço” (1 Co
7.23 – NAA).
LEITURAS PARA APROFUNDAR
Graça Para o Momento – Vol. I; Maravilhosa Graça
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
LIÇÃO ANTIGA SOBRE O MESMO ASSUNTO
Lição 02, Central Gospel, ano 3-nº9, Walter Brunelli, A Graça
Salvadora e seus Efeitos
TABELA EXPOSITIVA
|
Texto |
Expressão-chave |
Palavra/ideia grega |
Sentido bíblico |
Ensino teológico |
Aplicação prática |
|
Ef 2.1 |
“mortos em ofensas e pecados” |
nekrous |
morte espiritual real |
o homem não salva a si mesmo |
reconheça sua total dependência de DEUS |
|
Ef 2.4 |
“riquíssimo em misericórdia” |
misericórdia abundante |
DEUS age por compaixão |
a salvação nasce no coração de DEUS |
adore a DEUS por sua misericórdia |
|
Ef 2.5 |
“nos vivificou juntamente com CRISTO” |
co-vivificação |
nova vida em união com CRISTO |
regeneração é obra divina |
viva como nova criatura |
|
Ef 2.8 |
“pela graça sois salvos” |
chariti |
favor imerecido |
salvação é dom, não mérito |
abandone toda autoglória |
|
Ef 2.8 |
“por meio da fé” |
fé como meio |
recebe-se, não conquista-se |
fé não substitui a graça, serve à graça |
confie inteiramente em CRISTO |
|
Ef 2.13 |
“pelo sangue de CRISTO chegastes perto” |
aproximação sacrificial |
o sangue remove a distância |
a reconciliação vem pela cruz |
aproxime-se de DEUS com confiança |
|
Ef 2.15 |
“um novo homem” |
nova humanidade |
CRISTO cria um novo povo |
a Igreja é nova criação comunitária |
busque unidade em CRISTO |
|
Ef 2.16 |
“reconciliar ambos com DEUS” |
reconciliação plena |
paz vertical e horizontal |
a cruz mata a inimizade |
rejeite divisões carnais |
|
Ef 3.1 |
“prisioneiro de CRISTO” |
sofrimento sob providência |
Paulo interpreta sua prisão cristologicamente |
DEUS governa até o sofrimento |
sirva a CRISTO mesmo em aflição |
|
Ef 3.8 |
“riquezas incompreensíveis de CRISTO” |
insondáveis riquezas |
CRISTO é inesgotável |
o evangelho é tesouro infinito |
alimente-se continuamente de CRISTO |
|
Ef 3.10 |
“multiforme sabedoria de DEUS” |
sabedoria multifacetada |
DEUS se revela pela Igreja |
a Igreja tem papel cósmico no plano de DEUS |
valorize a vida da igreja |
|
Ef 3.20–21 |
“muito mais abundantemente” |
superabundância |
DEUS excede nossas medidas |
o poder divino opera no seu povo |
ore com fé e termine adorando |
ESCOLA DOMINICAL CENTRAL GOSPEL / JOVENS E ADULTOS - Lição 2 / ANO
3 - N° 9
A Graça Salvadora e seus Efeitos — Efésios 2-3
TEXTO BÍBLICO BÁSICO
Efésios 2Z.l, 4-5, 13, 15-16
1- E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e
pecados.
4- Mas DEUS, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor
com que nos amou,
5- estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou
juntamente com CRISTO (pela graça sois salvos).
13- Mas, agora, em CRISTO JESUS, vós, que antes estáveis
longe, já pelo sangue de CRISTO chegastes perto.
15- Na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos
mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um
novo homem, fazendo a paz,
16- e, pela cruz, reconciliar ambos com DEUS em um corpo,
matando com ela as inimizades.
Efésios 3.1, 8-10, 20-21
1- Por esta causa, eu, Paulo, sou o prisioneiro de JESUS CRISTO
por vós, os gentios.
8- A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de
anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis
de CRISTO
9- e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério,
que, desde os séculos, esteve oculto em DEUS, que tudo criou;
10- para que, agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de DEUS
seja conhecida dos principados e potestades nos céus.
20- Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais
abundantemente além daquilo que Pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós
opera,
21- a esse glória na igreja, por JESUS CRISTO [...] para todo o
sempre. Amém!
TEXTO ÁUREO
Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de
vós; é dom de DEUS. Efésios 2.8
SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO
2ª feira - Efésios 2.1-3 Quem
éramos sem CRISTO
3ª feira - Efésios 2.5 Vivificados pela Graça
4ª feira - Efésios 2.6 Assentados com CRISTO nos Céus
5ª feira - Efésios 2.20 CRISTO, a Pedra Angular
6ª feira - Efésios 3.10 Igreja: reveladora da sabedoria divina
Sábado - Efésios 3.19 Plenitude de DEUS em nós
OBJETIVOS
Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de:
·
reconhecer que,
antes da Graça, vivíamos submersos no curso deste tempo, mas fomos restaurados
e vivificados pelo Senhor;
·
compreender que,
pelo dom imerecido de DEUS, fomos levados para perto d'Ele e reunidos em um só
povo;
·
revelar,
como Igreja, a multiforme sabedoria de DEUS ao mundo.
·
ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS
Caro professor, esta lição conduzirá a turma à compreensão
de que o Senhor não apenas perdoa, mas transforma e reúne em Seu Filho, todos
os que estavam distantes d'Ele. Incentive a classe a reconhecer a profundidade
dessa mudança — de mortos em ofensas a vivificados em CRISTO — e a refletir
sobre o que significa viver como nova Criação.
Ao explorar o segundo e o terceiro capítulos de Efésios,
destaque o movimento da Graça: ela restaura o indivíduo, reconcilia povos e
revela o mistério divino por meio da Igreja. Estimule os alunos a perceberem
que somos chamados a expressar, em nossas relações e atitudes, a multiforme
sabedoria de DEUS.
Excelente aula!
COMENTÁRIO - Palavra introdutória
O segundo e o terceiro capítulos de Efésios estabelecem um
contraste marcante entre o passado e o presente dos cristãos. Antes, mortos em
ofensas; agora, vivificados pela Graça. Antes, distantes; agora, próximos.
Antes, sem dire. ção; agora, instruídos e cuidados por um apóstolo. Antes, sem
intercessor; agora, cobertos pela oração de alguém.
Essa mudança é fruto da misericórdia remidora
(cf. Lm 3.22): em JESUS, o que estava morto reviveu, o que estava dividido
foi reconciliado, e o que era estranho se tornou familiar. Como salvos, somos
chamados a produzir boas obras, segundo o padrão divino, não como mérito, mas
como expressão da nova vida. O mesmo favor que nos alcançou também uniu judeus
e gentios, formando um só corpo: a Igreja.
1. A VIDA NA GRAÇA
TRANSFORMADORA
Paulo inicia o segundo capítulo de Efésios
lembrando aos crentes quem eles eram antes de conhecer o Filho de DEUS: estavam
mortos em ofensas e pecados, submersos no curso deste mundo e dominados por
forças espirituais adversas ao propósito divino (Ef 2.1-3). Era uma existência
conduzida pelos desejos da carne e pela desobediência — uma morte em
movimento.
Mas a Graça irrompe nesse cenário. O Altíssimo,
em Seu amor, não apenas perdoou, também vivificou. Em poucas linhas, o apóstolo
traça um paralelo entre o que éramos e o que nos tornamos pela ação divina — um
retrato da renovação interior que define o evangelho (Ef 2.4-10).
1.1. À condição humana antes de CRISTO
No velho “mundo” (gr. aion = “tempo”, “século”,
ou “sistema que molda as eras”; cf. Ef 2.2 - ARA), antes da Graça, todos
eram guiados pelos desejos da carne e por forças contrárias ao Criador. Viviam
estes na afluência da vida — mortos em ofensas e pecados — até que a
intervenção divina os alcançou (Ef 2.1). A humanidade via-se arrastada pela
correnteza da História, seguindo o seu curso — O espírito de uma
mentalidade apartada de DEUS.
Antes da salvação, todos carregavam em si três
marcas desse afastamento:
·
eram guiados
pelo “príncipe das potestades do ar” (cf. Ef 2.2);
·
viviam como
“filhos da desobediência” (gr. apeithéia; cf. Ff 2.2; 5.6);
·
viviam como
“filhos da ira” (gr. orgé; cf. Ef 2.3).
__________________________________
Paulo descreve, com fina ironia, a velha
condição humana: filhos de uma mãe chamada desobediência e de um pai
chamado ira (orgé, palavra masculina no grego) — herdeiros do velho aion,
afastados de DEUS.
__________________________________
1.2. A intervenção da Graça
Paulo parece buscar palavras para expressar o inefável: “Mas DEUS,
que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,
estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com CRISTO"
(Ef 2.4-5).
O apostolo exalta a grandeza da afeição divina e
se mostra extasiado diante de Sua insondável sabedoria (cf. Rm
11.33). Este favor imerecido não é apenas rico — é “riquíssimo” — e
transforma completamente a existência decaída, conduzindo o salvo a uma nova
realidade espiritual:
·
vida em JESUS —
estamos unidos a Ele e participamos da vitória sobre a morte (Ef 2.5-6a);
·
ressurreição —
fomos erguidos com Ele para andar em novidade de vida (Ef 2.6b; cf. Rm
6.4);
·
exaltação —
fomos feitos para assentar-nos com Ele nas regiões celestiais (Ef 2.6);
·
revelação — em
cada geração, DEUS manifesta as insondáveis riquezas de Sua Graça (Ef 2.7),
cujos desdobramentos são eternos e sempre novos.
1.3. As boas obras como fruto da nova vida
A salvação é “dom de DEUS” — nenhum feito humano
pode conquistá-la. Pela fé, e não por obras, somos alcançados e transformados.
Tanto o mais justo quanto o mais perverso carecem igualmente da misericórdia
divina (Ef 2.8). Contudo, a Graça que restaura também nos convoca a viver de modo
digno do evangelho. As boas obras não são causa da reconciliação com o Divino,
mas seu fruto natural — expressão da nova vida recebida em CRISTO. Dessa
verdade decorrem dois princípios essenciais:
·
As boas obras
não salvam — nenhum esforço terreno pode redimir o pecador; se assim
fosse, a glória pertenceria ao Homem e não ao Criador (Ef 2.9).
·
As boas obras
são um estilo de vida — quem foi alcançado pelo amor eterno manifesta essa
transformação em gestos concretos de fé e serviço (Ef 2.10).
2. A UNIDADE DO POVO DE DEUS
Nesta seção, Paulo volta-se à Igreja em sua
dimensão universal. Ao longo da carta, ele recorda o passado e o presente dos
crentes para destacar a obra reconciliadora do Filho de DEUS.
Em Efésios 2.11-22, o apóstolo relembra judeus e
gentios do que eram antes — separados, distantes do Senhor — e os convida a
contemplar o agora: um só corpo, unido pela Graça, edificado sobre o mesmo
fundamento — JESUS (Ef 2.20).
2.1. À reconciliação entre judeus e gentios
Paulo relembra aos gentios seu passado de
alienação espiritual. Provenientes do paganismo, estavam afastados das
promessas e da comunidade de Israel — o povo da aliança, que, por
intermédio dos patriarcas, sacerdotes e profetas, se relacionava com
Jeová. Fora do Pacto, seguiam sem “esperança e sem DEUS no mundo” (Ef
2.12).
Os primeiros convertidos, vindos do judaísmo,
embora possuíssem conhecimento das Escrituras e das promessas messiânicas (cf.
Jo 5.39), também precisavam compreender que a Graça não se restringia aos
israelitas. Muitos ainda mantinham uma postura exclusivista e desprezavam
as demais nações.
Em JESUS, os povos foram aproximados e feitos um
só. Ele, que é a nossa paz (cf Is 9.6), derrubou o muro de separação
e reconciliou a ambos com o Pai, em um mesmo ESPÍRITO, formando um único corpo
(Ef 2.14-19). Assim, a família de DEUS nasce dessa restauração e é
composta por pessoas de todas as origens.
2.2. A Igreja, edifício espiritual
A Igreja não é um projeto humano, mas uma obra
erguida por CRISTO (cf. Mt 16.18). Paulo a compara a um santuário
espiritual, cujo alicerce é o próprio Redentor: “Ninguém pode pôr outro
fundamento, além do que já está posto, o qual é JESUS CRISTO” (cf. 1 Co
3.11). Sobre esse fundamento repousam as doutrinas dos apóstolos e dos
profetas — colunas que sustentam a fé da comunidade dos salvos (Ef 2.20).
JESUS é também a pedra angular (gr.
akrogoôniaion; cf. 1 Pe 2.6 - ARA), a que une e dá firmeza a toda a
construção. A imagem remete à arquitetura antiga, em que a pedra
de esquina (hb. pin-nah; cf. Sl 118.22; Is 28.16) ligava as paredes e
garantia estabilidade à estrutura. Assim, o edifício sagrado cresce “bem
ajustado”, tornando-se “templo santo no Senhor” (Ef 2.21) — expressão da
unidade e da convergência de propósitos entre os crentes. Tanto como
assembleia dos redimidos quanto como indivíduos, somos morada do Altíssimo na
Terra: “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do ESPÍRITO SANTO, que
habita em vós, proveniente de DEUS, e que não sois de vós mesmos?” (1 Co 6.19).
3. O MISTÉRIO REVELADO EM
CRISTO
Ao iniciar O terceiro capítulo da Carta aos
Efésios, Paulo destaca sua condição de “prisioneiro” em defesa do evangelho (Ef
3.1). Nesta seção, o apóstolo aprofunda o tema central da epístola: o
“mistério” de CRISTO, isto é, o propósito de DEUS em unir judeus e gentios em
uma só família espiritual, a Igreja, e fazer dela o canal da Sua sabedoria no
mundo.
3.1. A revelação recebida
Paulo se apresenta como “prisioneiro” de CRISTO,
não pelo fato de ter cometido algum crime, mas por ter anunciado o evangelho
(Ef 3.1). Seu ministério tem um propósito claro: levar as boas novas aos
gentios e tornar conhecido o plano eterno de unir todos os povos em uma só
comunhão, a Igreja.
O apóstolo reconhece que recebeu esse enigma
amoroso, compreendendo que a misericórdia divina não se restringe a Israel, mas
se estende a toda a humanidade (Ef 3.3-6). Essa mensagem, porém,
escandalizava muitos judeus, pois desafiava o exclusivismo religioso da Antiga
Aliança. Ainda assim, Paulo não se exalta; antes, chama a si mesmo de “o menor
de todos os santos” e atribui ao favor imerecido de DEUS toda a glória pela sua
vocação (Ef 3.8 - ARA).
Ele descreve sua missão como uma “dispensação”
(gr. oikonomia; cf. Ef 3.2), termo que não indica um tempo específico, mas uma
administração — o encargo de tornar conhecida “as riquezas incompreensíveis de CRISTO”
(Ef 3.8). O mistério “que, desde os séculos, esteve oculto” (Ef 3.9) agora se
revela plenamente: “Os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e
coparticipantes da promessa [...]” (Ef 3.6 - ARA).
3.2. À revelação proclamada
O mistério antes oculto em DEUS agora se
manifesta plenamente na Igreja. Ela é o instrumento por meio do qual o Criador
torna conhecida, a todo o Universo, a Sua multiforme sabedoria (Ef 3.10). A
anunciação não se limita à Terra — alcança também os “principados” (gr.
archês) e “potestades” (gr. exousias) celestiais (cf Ef.1.21), seres
espirituais que contemplam, com admiração, O plano divino de redenção (1 Pe
1.12).
Em Ffésios, Paulo eleva a comunidade dos
redimidos ao seu papel mais sublime: ser o reflexo da Graça no mundo e no
cosmos. Por meio dela, o amor e a sabedoria do Senhor se tornam visíveis em
todas as dimensões da existência — um testemunho vivo da reconciliação operada
em CRISTO.
3.3. A revelação celebrada
Entre os escritos paulinos, é comum encontrar
orações intercaladas à doutrina — e esta, em Efésios 3.14-21, é a segunda
da carta. O apóstolo se ajoelha diante do “Pai de nosso Senhor JESUS CRISTO”,
reconhecendo a centralidade da Trindade: o Pai, origem e sustento de todas as
famílias (v. 15); o Filho, mediador da salvação; e o ESPÍRITO, poder que habita
nos crentes.
Paulo ora para que os fiéis sejam fortalecidos
com poder “no homem interior” (Ff 3.16). O verbo usado (gr. krataióo)
significa “tornar firme”, “confirmar”, “revigorar”. Essa força não é
física, mas espiritual — trata-se de um vigor que nasce da presença de CRISTO
no coração e molda tanto o indivíduo quanto a coletividade.
No climax da oração, ele suplica para que os
crentes compreendam as dimensões do amor de nosso Senhor — sua largura,
comprimento, altura e profundidade — e sejam cheios de toda a plenitude divina
(Ef 3.18-19). É um convite à experiência total da misericórdia que ultrapassa o
entendimento humano.
Ele encerra exaltando o DEUS “poderoso para
fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos,
segundo o poder que em nós opera” (Ef 3.20) — uma confissão de fé que
transforma o cárcere em altar.
CONCLUSÃO
Nesta lição, contemplamos a Graça em sua ação
plena: ela transforma o ser humano, reconcilia os que estavam separados e
revela, por meio do Corpo de CRISTO, o mistério eterno “que, durante tempos
passados, esteve oculto” (Ef 3.9 - NAA). Paulo encerra esse ensinamento com uma
oração que conduz a comunidade ao seu verdadeiro centro: DEUS, fonte de toda
vida e propósito.
O povo da Nova Aliança, edificado sobre a Pedra
Angular e habitado pelo ESPÍRITO SANTO, é chamado a refletir Sua glória em cada
geração, ecoando o cântico apostólico: “A esse glória na igreja, por JESUS CRISTO,
em todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef 3.21).
ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO
1. Quais eram as três características da humanidade antes da ação
regeneradora da Graça (Ef 2.1-3)?
R.: Eram guiados pelo “príncipe das potestades do ar” (v. 2);
viviam como “filhos da desobediência” (v. 2) e, como “filhos da ira” (v. 3).
Fonte: Revista Central Gospel
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
NA ÍNTEGRA COMO NA REVISTA
Escrita, Lição 3, CPAD, A Graça que alcança todas as Nações,
3Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV
ESBOÇO DA LIÇÃO
I - QUANDO A GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
1. O Concílio de Jerusalém.
2. O relatório de Pedro (vv.7–11).
3. O relatório de Paulo e Barnabé (v.12).
4. O discurso de Tiago (vv.13–21).
II - UM PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS
1. O que é a graça de DEUS?
2. JESUS CRISTO como a manifestação da graça.
3. A graça é para todos os povos — sem exceção.
III - CRESCENDO NA GRAÇA
1. Como nos aproximar do trono da graça (Hb 4.16).
2. Quando devemos nos achegar ao trono da graça?
3. O que recebemos ao nos achegarmos ao trono da graça?
TEXTO ÁUREO
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de
vós; é dom de DEUS.”(Ef 2.8)
VERDADE PRÁTICA
É pela graça que somos alcançados, perdoados e reconciliados com DEUS.
LEITURA DIÁRIA
Segunda - At 15.11 A
salvação é afirmada como obra exclusiva da graça do Senhor JESUS
Terça - At 10.44-48 DEUS
não faz distinção entre pessoas
Quarta - Ef 2.8,9 A
salvação é um dom gratuito de DEUS
Quinta - Tt 2.11,12 A
graça de DEUS se manifestou trazendo salvação a todos
Sexta - Hb 4.16 O
trono da graça está aberto para o crente
Sábado - 2 Pe 3.18 Crescendo
em graça e conhecimento de JESUS CRISTO
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Atos 15.1-5, 28,29, 36-39
1 - Então, alguns que tinham descido da Judeia ensinavam assim os
irmãos: Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis
salvar-vos.
2 - Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda
contra eles, resolveu-se que Paulo, Barnabé e alguns dentre eles subissem a
Jerusalém aos apóstolos e aos anciãos sobre aquela questão.
3 - E eles, sendo acompanhados pela igreja, passaram pela Fenícia e
por Samaria, contando a conversão dos gentios, e davam grande alegria a todos
os irmãos.
4 - Quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e
pelos apóstolos e anciãos e lhes anunciaram quão grandes coisas DEUS tinha
feito com eles.
5 - Alguns, porém, da seita dos fariseus que tinham crido se
levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem
a lei de Moisés.
28 - Na verdade, pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós não vos
impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:
29 - Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do
sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos
guardardes. Bem vos vá.
36 - Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar
nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor,
para ver como estão.
37 - E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado
Marcos.
38 - Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele
que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra.
39 - E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro.
Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre.
HINOS SUGERIDOS : 394,
409, 433 da Harpa Cristã
PALAVRA-CHAVE - GRAÇA
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
Esta lição nos convida a uma reflexão madura e bíblica sobre a graça
de DEUS como fundamento da salvação e da unidade da Igreja. A partir do
Concílio de Jerusalém, o estudo evidencia que a fé cristã não se apoia em
méritos humanos, mas na ação soberana de DEUS em CRISTO. Ao ensinar, valorize o
diálogo, a experiência de vida dos alunos e a aplicação prática, ajudando-os a
compreender, viver e crescer na graça que alcança todas as nações.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Analisar com a classe como a graça
sustenta a unidade da Igreja em Atos 15; II) Examinar biblicamente a salvação
pela graça como oferta universal em CRISTO; III) Incentivar a busca
constante do trono da graça.
B) Motivação: A graça que alcança todas as nações é essencial
porque revela o coração do Evangelho e preserva a fé de legalismos e distorções
liberais. Ao compreender a salvação como dom divino, o aluno fortalece sua
convicção bíblica, cresce em unidade cristã e aprende a viver a fé com
humildade, gratidão e compromisso diário com DEUS.
C) Sugestão de Método: Para reforçar a perspectiva bíblica do
oferecimento universal da salvação, no segundo tópico, sugerimos que adote o
método do contraste doutrinário guiado pelas Escrituras. Inicie apresentando
textos centrais que afirmam a universalidade da graça (Rm 10.13; Tt 2.11; 1 Tm 2.3-6) e, em seguida, proponha a
comparação respeitosa com correntes que restringem a salvação a um grupo
previamente determinado. Estimule a classe a examinar o contexto bíblico, a
coerência do caráter amoroso de DEUS e a responsabilidade humana na resposta da
fé. O objetivo é capacitar o aluno a defender, com mansidão e clareza, que a
graça é suficiente e oferecida a todos.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: À luz do ensino bíblico, o cristão é chamado a viver
sob o governo da graça, rejeitando todo legalismo e toda indiferença
espiritual. Quem foi alcançado pela graça de DEUS responde com fé obediente,
compromisso com a santidade e disposição para anunciar que a salvação em CRISTO
está disponível a todos.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que
traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas
Adultos. Na edição 106, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta
lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios
que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "A Importância da
Circuncisão", localizado depois do primeiro tópico, traz o contexto
cultural da discussão de Atos 15; 2)
O texto "A Graça que Respeita", localizado ao final do segundo
tópico, aprofunda a reflexão da operação da Graça de DEUS diante da cultura
alheia.
COMENTÁRIO -
INTRODUÇÃO
A expansão do
Evangelho entre os gentios trouxe grande alegria à Igreja, mas também revelou
um dos primeiros desafios doutrinários do Cristianismo. Com o retorno de Paulo
e Barnabé a Antioquia da Síria, após a evangelização da Ásia Menor, surgiu uma
controvérsia que ameaçava a unidade da fé: a salvação estaria condicionada à
observância da Lei de Moisés? Cristãos oriundos do farisaísmo passaram a exigir
a circuncisão dos gentios convertidos, provocando um debate decisivo sobre a
natureza da graça. Diante dessa crise, a Igreja buscou discernimento espiritual
e fidelidade às Escrituras, culminando numa decisão importante, no Concílio de
Jerusalém, que mostrou que a Graça de DEUS alcança todas as nações.
I - QUANDO A
GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
1. O Concílio
de Jerusalém.
Realizado entre
48 e 50 d.C., o Concílio reuniu apóstolos, presbíteros e a igreja para tratar
da controvérsia levantada pelos judaizantes, que defendiam a circuncisão como
requisito para a salvação (At 15.1,5). Contudo, tal exigência contrariava o ensino bíblico, pois a
circuncisão nunca foi meio de justificação (Rm 2.25–29). Sob a liderança de Tiago e a
direção do ESPÍRITO SANTO, a Igreja reconheceu que a salvação alcança todas as
nações pela graça.
2. O relatório
de Pedro (vv.7–11).
Pedro relembra
de sua experiência na casa de Cornélio, mostrando que DEUS concedeu o ESPÍRITO SANTO
aos gentios mediante a fé, e não por obras da Lei (At 10.44–46; Gl 3.2). Sem fazer distinção entre judeus
e gentios, DEUS purificou seus corações pela fé (At 10.34–48). Assim, Pedro questiona a
imposição do jugo da Lei e afirma que todos são salvos pela graça do Senhor JESUS
CRISTO (At 15.11).
3. O relatório
de Paulo e Barnabé (v.12).
Em seguida,
Paulo e Barnabé relatam como DEUS confirmou a missão gentílica por meio de
sinais e prodígios (At 4.30).
Milagres como a cegueira do mágico cipriota, a cura em Listra e o livramento de
Paulo testemunham a aprovação divina (At 13.8–11; 14.8–10; 14.19,20). Além disso, destacam que os
gentios foram salvos pela graça, sem a exigência da Lei (At 13.12,44,48).
4. O discurso
de Tiago (vv.13–21).
Tiago, o Justo,
irmão do Senhor e líder respeitado da igreja, preside o Concílio com
discernimento espiritual (Gl 2.9). Após ouvir os testemunhos, reconhece que DEUS visitou os gentios
para formar dentre eles um povo para o seu nome. Fundamenta sua proposta nas
Escrituras, citando Amós (Am 9.11,12), mostrando que a inclusão dos gentios já fazia parte do plano
redentor. Assim, afirma que a missão gentílica não contradiz a revelação, mas a
cumpre. O Concílio decide não impor a Lei mosaica aos gentios, recomendando
apenas a abstinência de práticas que comprometeriam a comunhão: idolatria,
imoralidade sexual, carne sufocada e sangue. A decisão é comunicada por carta
às igrejas gentílicas, enviada com Paulo, Barnabé, Judas e Silas, reafirmando a
direção do ESPÍRITO SANTO (At 15.28) e trazendo consolo e unidade. Após isso, surge a divergência
entre Paulo e Barnabé quanto a João Marcos, resultando na separação dos dois
líderes. Ainda assim, a obra missionária prossegue, e Marcos é posteriormente
restaurado (Cl 4.10; 2 Tm 4.11).
A decisão do
Concílio revelou que a graça que preserva a unidade da Igreja é a mesma que DEUS
oferece como dom de salvação a todos, sem distinção.
AMPLIANDO O
CONHECIMENTO - A GRAÇA DO SENHOR JESUS
“A questão
crucial no concílio de Jerusalém era se a circuncisão (isto é, a remoção do
prepúcio como um sinal do Antigo Testamento da aceitação do concerto de DEUS) e
a obediência à lei que DEUS deu através de Moisés eram necessárias para a
salvação. Aqueles que receberam esta delegação concluíram que os gentios (isto
é, aqueles que não eram judeus) estariam sendo espiritualmente salvos pela
graça do Senhor JESUS.” Amplie mais o seu conhecimento lendo a Bíblia de Estudo Pentecostal: Edição Global,
editada pela CPAD, p.1972.
SINÓPSE I - O
Concílio de Jerusalém confirma a graça como base da unidade cristã.
AUXÍLIO
BÍBLICO-EXEGÉTICO - “A IMPORTÂNCIA DA CIRCUNCISÃO
A circuncisão
era uma das práticas mais importantes do judaísmo, era central para a
identidade judaica.¹²⁷ Outras alianças tinham sinais diferentes (por exemplo, o
arco no céu, Gn 9.12–13,17), mas a circuncisão colocava a
marca da aliança na própria carne da pessoa (17.11,13).¹²⁸ A centralidade da circuncisão
na vida judaica regular antes de Adriano pode ser exemplificada na reunião de
convidados nas noites entre o nascimento de um menino e sua circuncisão no
oitavo dia de vida.¹²⁹ Uma obra pré-cristã opinava que a falha de alguns judeus
— ‘filhos de Belial’ — em circuncidar seus filhos traria a ira sobre toda
Israel por apostasia (Jub. 15.33–34). [...] O preço pago por Israel para manter
a circuncisão poderia tornar o povo judeu muito mais leal a ela. Israel
enfrentou o ridículo por causa dessa marca,¹³⁴ razão pela qual alguns judeus
tentavam apagá-la.¹³⁵ Algumas mulheres tiveram de enfrentar a morte para
circuncidar seus filhos; um opressor atirou-as do muro da cidade.¹³⁶ Como a
circuncisão era o sinal da aliança de Abraão, podia, pela justaposição com Êx 4.22,23 e com 4.24–26, ser relacionada com a redenção.
Por isso, mais tarde, os rabinos falavam do mérito envolvido na
circuncisão.¹³⁷” (KEENER, Craig S. Comentário Exegético Atos: Capítulos 15.1 a
23.35. Rio de Janeiro: CPAD, 2024, p.2623).
[...] Pedro
questiona a imposição do jugo da Lei e afirma que todos são salvos pela graça
do Senhor JESUS CRISTO .”
II - UM
PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS
1. O que é a
graça de DEUS?
A palavra grega
cháris significa favor, bondade e dom imerecido. No Novo Testamento, a graça
descreve a iniciativa soberana de DEUS em salvar o ser humano, não por obras ou
méritos, mas por amor e misericórdia (Ef 2.8,9). Diante do drama universal do
pecado, que separou toda a humanidade de DEUS (Rm 3.23), a graça se apresenta como o único
meio de reconciliação. A Lei revela o pecado, mas não salva; somente a graça
concede vida, pois onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rm 5.20).
2. JESUS CRISTO
como a manifestação da graça.
A graça alcança
sua plena expressão na pessoa e na obra de JESUS CRISTO. Por amor, Ele se fez
pobre para nos enriquecer espiritualmente (2 Co 8.9). Em CRISTO, a graça não apenas
perdoa, mas justifica e transforma, conduzindo o crente a uma vida santa e
piedosa (Rm 3.24; Tt 2.11–12). Sua morte substitutiva e
ressurreição garantem redenção, perdão e nova vida àqueles que creem (Jo 1.17).
3. A graça é
para todos os povos — sem exceção.
O Concílio de
Jerusalém confirmou que a salvação não exige a observância da Lei mosaica,
sendo oferecida igualmente a judeus e gentios pela graça, mediante a fé (At 15.11). Em CRISTO, não há barreiras
étnicas, culturais ou religiosas. Todo aquele que invoca o nome do Senhor será
salvo (Rm 10.13).
Essa graça universal deve ser recebida pela fé em JESUS CRISTO, o único
Salvador (Ef 2.8; Tt 3.4–7).
Diante dessa
graça tão ampla e suficiente, somos chamados não apenas a recebê-la, mas a
viver sob o seu governo. A graça que salva também ensina, corrige e fortalece.
Quem foi alcançado por ela responde com gratidão, fé perseverante e uma vida
que glorifica a DEUS em obediência e amor.
SINÓPSE II - A
graça de DEUS oferece a salvação a todos por meio de JESUS CRISTO.
AUXÍLIO
BÍBLICO-TEOLÓGICO - A GRAÇA QUE RESPEITA
“Em seguida,
vem o âmago da mensagem. Pareceu bem — edoxe, cf. 22, 25 — ao ESPÍRITO SANTO e
a nós (28). Dessa forma, os apóstolos e os anciãos estavam expressando sua
convicção da presença da divina autoridade na decisão que haviam tomado. Pedro
e João lembraram a promessa de JESUS aos discípulos: “Mas, quando vier aquele ESPÍRITO
da verdade, ele vos guiará em toda a verdade” (Jo 16.13). Eles haviam recebido o ESPÍRITO SANTO
no Pentecostes e agora podiam afirmar ter recebido a orientação divina. A
decisão era não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias —
as coisas necessárias para evitar ofender seus irmãos judeus em CRISTO. Lumby
entende dessa maneira: “Enquanto eles (em Jerusalém), seguindo a sugestão do ESPÍRITO,
estavam deixando de lado seus arraigados preconceitos contra qualquer relação
com os gentios, afirmavam que os gentios, por sua vez, deveriam considerar
carinhosamente os escrúpulos dos judeus”. (Comentário Bíblico Beacon: João a Atos.
Rio de Janeiro: CPAD, 2014, pp.324-25).
III - CRESCENDO
NA GRAÇA
1. Como nos
aproximar do trono da graça (Hb 4.16).
Crescer na
graça e no conhecimento de CRISTO pressupõe amadurecimento espiritual contínuo
(2 Pe 3.18).
Assim, o acesso ao trono da graça ocorre com confiança, não fundamentada em
méritos humanos, mas na obra redentora de CRISTO, que removeu a barreira do
pecado (Hb 10.19–22; Ef 3.12). Além disso, aproximamo-nos com fé
viva e reverência, pois sem fé é impossível agradar a DEUS (Hb 11.6). Do mesmo modo, essa aproximação
exige humildade e coração quebrantado, que o Senhor jamais despreza (Sl 51.17). Por isso, o trono é chamado de
Trono da graça: dele procedem misericórdia, perdão, socorro e poder espiritual.
A Lei revela o
pecado, mas não salva; somente a graça concede vida, pois onde abundou o
pecado, superabundou a graça.”
2. Quando
devemos nos achegar ao trono da graça?
As Escrituras
orientam que busquemos a graça “em tempo oportuno” (Hb 4.16). Isso significa que o auxílio
divino está sempre disponível no momento exato da necessidade. Com efeito, DEUS
é socorro bem presente na angústia (Sl 46.1) e jamais se atrasa. Portanto, o
trono da graça não é inacessível nem reservado a poucos, mas permanece aberto a
todos os crentes, que podem se achegar com confiança, hoje e sempre, pela fé em
JESUS CRISTO.
3. O que recebemos ao nos achegarmos ao trono da graça?
Ao nos
aproximarmos de DEUS, recebemos misericórdia, perdão, fortalecimento espiritual
e capacitação para viver segundo a sua vontade (Rm 3.24; Fp 2.13). Assim, toda a vida cristã depende
dessa graça, desde a salvação até o crescimento contínuo em CRISTO (Tt 2.11,12; 2 Pe 3.18). Além disso, DEUS comunica sua
graça por meios espirituais ordenados: a Palavra (2 Tm 3.15), a pregação do Evangelho (Rm 1.16), a oração (Hb 4.16), o jejum (Mt 6.16–18), a adoração (Cl 3.16), a plenitude do ESPÍRITO SANTO (Ef 5.18) e a comunhão à mesa do Senhor (At 2.42).
SINÓPSE III - Crescer
na graça é viver dependente de DEUS por fé e comunhão.
CONCLUSÃO
Resumindo, o
Concílio de Jerusalém reafirmou que a salvação é exclusivamente pela graça,
abrindo caminho para a expansão universal do Evangelho (Ef 2.8,9). Desse modo, esse marco histórico
ensina que a Igreja deve enfrentar desafios doutrinários com fidelidade
bíblica, humildade pastoral e plena dependência do ESPÍRITO SANTO, cumprindo
sua missão entre todas as nações (Mt 28.19,20).
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Qual foi a principal controvérsia doutrinária tratada no
Concílio de Jerusalém?
A defesa da circuncisão como requisito para a salvação (At 15.1,5). Mas sob a liderança de Tiago e a
direção do ESPÍRITO SANTO, a Igreja reconheceu que a salvação alcança todas as
nações pela graça.
2. No subtópico sobre o “discurso de Tiago”, qual é a decisão do
Concílio e o que ele recomenda?
O Concílio decide não impor a Lei mosaica aos gentios, recomendando
apenas a abstinência de práticas que comprometeriam a comunhão: idolatria,
imoralidade sexual, carne sufocada e sangue.
3. Por que a graça de DEUS é o único meio de salvação para todos os
povos e como ela se apresenta?
Diante do drama universal do pecado, que separou toda a humanidade
de DEUS (Rm 3.23), a
graça se apresenta como o único meio de reconciliação.
4. De acordo com Hebreus 4.16, com quais atitudes espirituais o crente deve
se aproximar do trono da graça?
Com fé viva, reverência, humildade e coração quebrantando.
5. Segundo a lição, quais bênçãos o crente recebe ao se achegar ao
trono da graça de DEUS?
Ao nos aproximarmos de DEUS, recebemos misericórdia, perdão,
fortalecimento espiritual e capacitação para viver segundo a sua vontade (Rm 3.24; Fp 2.13).
.
