09 julho 2026

Escrita, Lição 3, CPAD, A Graça que alcança todas as Nações, 3Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

Escrita, Lição 3, CPAD, A Graça que alcança todas as Nações, 3Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

 


ESBOÇO DA LIÇÃO

I - QUANDO A GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA

1. O Concílio de Jerusalém.

2. O relatório de Pedro (vv.7–11).

3. O relatório de Paulo e Barnabé (v.12).

4. O discurso de Tiago (vv.13–21).

II - UM PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS

1. O que é a graça de DEUS?

2. JESUS CRISTO como a manifestação da graça.

3. A graça é para todos os povos — sem exceção.

III - CRESCENDO NA GRAÇA

1. Como nos aproximar do trono da graça (Hb 4.16).

2. Quando devemos nos achegar ao trono da graça?

3. O que recebemos ao nos achegarmos ao trono da graça?

 

TEXTO ÁUREO

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS.”(Ef 2.8)

 

VERDADE PRÁTICA

É pela graça que somos alcançados, perdoados e reconciliados com DEUS.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - At 15.11 A salvação é afirmada como obra exclusiva da graça do Senhor JESUS

Terça - At 10.44-48 DEUS não faz distinção entre pessoas

Quarta - Ef 2.8,9 A salvação é um dom gratuito de DEUS

Quinta - Tt 2.11,12 A graça de DEUS se manifestou trazendo salvação a todos

Sexta - Hb 4.16 O trono da graça está aberto para o crente 

Sábado - 2 Pe 3.18 Crescendo em graça e conhecimento de JESUS CRISTO

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Atos 15.1-5, 28,29, 36-39

1 - Então, alguns que tinham descido da Judeia ensinavam assim os irmãos: Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos.

2 - Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo, Barnabé e alguns dentre eles subissem a Jerusalém aos apóstolos e aos anciãos sobre aquela questão.

3 - E eles, sendo acompanhados pela igreja, passaram pela Fenícia e por Samaria, contando a conversão dos gentios, e davam grande alegria a todos os irmãos.

4 - Quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos e lhes anunciaram quão grandes coisas DEUS tinha feito com eles.

5 - Alguns, porém, da seita dos fariseus que tinham crido se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés.

28 - Na verdade, pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:

29 - Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Bem vos vá.

36 - Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão.

37 - E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos.

38 - Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra.

39 - E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre.

 

HINOS SUGERIDOS : 394, 409, 433 da Harpa Cristã

 

PALAVRA-CHAVE - GRAÇA

 

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SUBSÍDIOS EXTRAS – BÍBLIAS, GOOGLE, LIVROS E REVISTAS ANTIGAS

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Comentários Pr. Henrique

 

LIÇÃO 3 – A GRAÇA QUE ALCANÇA TODAS AS NAÇÕES

Texto Base: Atos 15.1-35

COMENTÁRIO BÍBLICO E TEOLÓGICO

 

INTRODUÇÃO

O capítulo quinze de Atos dos Apóstolos constitui um dos acontecimentos mais relevantes da história da Igreja Primitiva. Até esse momento, a expansão missionária havia produzido uma extraordinária colheita espiritual entre os gentios, especialmente por intermédio do ministério apostólico de Paulo e Barnabé. Entretanto, o extraordinário crescimento da Igreja trouxe consigo uma questão que ultrapassava os limites culturais e alcançava o próprio âmago da doutrina da salvação.

A questão era profundamente teológica: a fé em CRISTO seria suficiente para salvar, ou seria necessário acrescentar a observância da Lei de Moisés como condição indispensável para a justificação?

Não se tratava apenas de uma divergência litúrgica ou disciplinar. A controvérsia atingia diretamente a doutrina da Soteriologia (doutrina da salvação), da Eclesiologia (natureza da Igreja) e da Cristologia (a suficiência da obra redentora de CRISTO).

Os judaizantes afirmavam que os gentios deveriam tornar-se judeus antes de serem cristãos. Em outras palavras, defendiam que a Nova Aliança somente poderia ser recebida mediante a submissão completa à Antiga Aliança.

Esse pensamento anulava a suficiência da cruz.

Paulo compreendeu imediatamente a gravidade da situação. Em sua Epístola aos Gálatas, escrita provavelmente pouco antes ou pouco depois do Concílio, ele afirma:

"Não anulo a graça de DEUS; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que CRISTO morreu debalde." (Gl 2.21).

 

A discussão não era sobre circuncisão apenas.

Era sobre o Evangelho. Era sobre a Graça. Era sobre CRISTO.

O Concílio de Jerusalém tornou-se, assim, o primeiro grande concílio doutrinário da Igreja Cristã, estabelecendo definitivamente que a salvação é resultado exclusivo da graça divina recebida mediante a fé, e não mediante obras meritórias.

Esse acontecimento preservou a unidade da Igreja, confirmou a missão entre os gentios e abriu definitivamente as portas para a evangelização universal.

 


 

A IMPORTÂNCIA TEOLÓGICA DO CONCÍLIO

Aspecto

Antes do Concílio

Depois do Concílio

Circuncisão

Alguns a consideravam obrigatória

Não é requisito para salvação

Lei de Moisés

Alguns exigiam sua observância

Não salva o pecador

Gentios

Considerados "estrangeiros"

Recebidos como povo de DEUS

Evangelho

Corria risco de ser adulterado

Preservado em sua pureza

Missões

Poderiam ser interrompidas

Foram fortalecidas

 


 

PALAVRAS IMPORTANTES NO GREGO

χάρις (Cháris)

Significado:

Favor imerecido.

Mais do que simples bondade, descreve a disposição soberana de DEUS em conceder aquilo que o homem jamais poderia conquistar.

A palavra aparece aproximadamente 156 vezes no Novo Testamento.

Em Paulo torna-se praticamente um resumo de todo o Evangelho.

 


πίστις (Pístis)

Significado:

Fé. Não significa apenas acreditar intelectualmente.

É confiança absoluta. Entrega. Dependência. Fidelidade.

A salvação ocorre:

pela graça (χάρις), mediante a fé (πίστις).

Efésios 2.8 une essas duas palavras de forma inseparável.


δικαιόω (Dikaióō)

Significado: Declarar justo.

Não significa tornar alguém moralmente perfeito. É um termo jurídico.

No tribunal divino, DEUS declara justo aquele que crê em CRISTO.


νόμος (Nómos)

Lei.

Pode indicar:

·        Lei de Moisés; Pentateuco; Sistema legal judaico

Paulo demonstra que a Lei possui função pedagógica, mas jamais salvadora.

 


περιτομή (Peritomḗ)

Circuncisão.

Era o sinal da Aliança Abraâmica.

Os judaizantes confundiam o sinal da aliança com o meio da salvação.


 

TABELA

 

A LEI E A GRAÇA

A Lei

A Graça

Revela o pecado

Remove o pecado

Condena

Justifica

Exige obediência perfeita

Concede poder para obedecer

Aponta para CRISTO

Revela CRISTO

Não salva

Salva completamente

É sombra

CRISTO é a realidade


 

I – QUANDO A GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA

A unidade produzida pela verdade

A verdadeira unidade da Igreja jamais pode ser construída sobre concessões doutrinárias. Ela nasce da fidelidade à revelação divina. O Concílio de Jerusalém demonstra que a comunhão eclesiástica deve estar fundamentada na verdade do Evangelho e não em acordos meramente humanos.

A palavra "concílio" deriva do latim concilium, indicando uma assembleia convocada para deliberar sobre assuntos relevantes. No contexto de Atos 15, porém, o elemento distintivo não foi simplesmente o debate, mas a submissão coletiva à direção do ESPÍRITO SANTO, expressa na célebre declaração: "Pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós" (At 15.28). Essa frase revela que a autoridade da decisão não repousava apenas no consenso humano, mas na convicção de que a Igreja discernira a vontade de DEUS.

A crise provocada pelos judaizantes evidencia como erros aparentemente pequenos podem comprometer toda a estrutura doutrinária do Evangelho. Acrescentar qualquer requisito humano à obra redentora de CRISTO equivale a diminuir a suficiência da cruz. Paulo posteriormente expressará essa preocupação ao afirmar que "um pouco de fermento leveda toda a massa" (Gl 5.9), mostrando que o legalismo possui efeito corrosivo sobre a fé cristã.

Do ponto de vista eclesiológico, o Concílio preservou a identidade da Igreja como comunidade formada por judeus e gentios reconciliados em um só corpo (Ef 2.14-16). A unidade não seria obtida pela uniformização cultural, mas pela comunhão em CRISTO. Essa compreensão antecipou a universalidade da missão cristã e estabeleceu o princípio de que o Evangelho transcende barreiras étnicas, culturais e cerimoniais.

Além disso, o episódio demonstra um importante modelo de resolução de conflitos. Em vez de permitir que a controvérsia produzisse divisões irreparáveis, a Igreja reuniu apóstolos, presbíteros e irmãos para ouvir testemunhos, examinar as Escrituras e buscar o discernimento do ESPÍRITO SANTO. Esse método revela que questões doutrinárias devem ser tratadas com humildade, diálogo e submissão à Palavra de DEUS, jamais com autoritarismo ou mera tradição.

 

Quadro Teológico – O que estava em jogo no Concílio?

 

Questão

Resposta Bíblica

A circuncisão salva?

Não. A salvação é pela graça mediante a fé (Ef 2.8-9).

A Lei foi anulada?

Não. Ela cumpriu sua função pedagógica e apontou para CRISTO (Gl 3.24).

Os gentios precisam tornar-se judeus?

Não. Em CRISTO formam um só povo de DEUS (Ef 2.15).

A Igreja pode acrescentar requisitos ao Evangelho?

Não. O Evangelho é completo em CRISTO (Gl 1.6-9).

 

Aplicação Doutrinária: A Igreja contemporânea também enfrenta o desafio de preservar a pureza do Evangelho diante de legalismos, tradicionalismos e acréscimos humanos. A graça continua sendo o fundamento da unidade cristã, pois todos os salvos entram na família de DEUS pelo mesmo caminho: a fé no Senhor JESUS CRISTO.

I – QUANDO A GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA

1. O Concílio de Jerusalém (At 15.1-6)

O Concílio de Jerusalém representa o primeiro grande encontro doutrinário da Igreja Cristã. Sua importância ultrapassa o aspecto histórico, pois estabelece princípios permanentes para a interpretação das Escrituras, para a preservação da unidade da Igreja e para a correta compreensão da doutrina da salvação.

A controvérsia surgiu quando alguns homens provenientes da Judeia chegaram a Antioquia ensinando:

"Se não vos circuncidardes conforme o costume de Moisés, não podeis salvar-vos." (At 15.1)

Observe que eles não estavam negando JESUS. Também não negavam sua morte.

Nem sua ressurreição. O erro era muito mais sutil.

Eles acrescentavam uma condição humana ao plano divino da salvação.

Esse é o perigo do legalismo.

Sempre acrescenta algo à obra perfeita de CRISTO.

Paulo percebe imediatamente que aquele ensino destruía a essência do Evangelho.

Por isso Lucas registra:

"Paulo e Barnabé tiveram com eles não pequena discussão."

A expressão grega utilizada por Lucas é extremamente forte.

Palavra Grega

στάσις (stásis)

Significa:

·        Revolta; intenso debate; conflito; oposição firme

Lucas demonstra que Paulo não tratou aquela falsa doutrina com tolerância.

O Evangelho não admite negociações.

Por essa razão, posteriormente Paulo escreverá:

"Ainda que um anjo vindo do céu pregue outro evangelho, seja anátema."

(Gálatas 1.8)

A doutrina da justificação pela fé era inegociável.


 

O perigo do Legalismo

Legalismo não significa obediência. Significa tentar obter o favor de DEUS através do cumprimento de regras. A obediência é consequência da salvação.

O legalismo tenta produzir salvação. Existe enorme diferença entre ambas.

 

Obediência Cristã

Legalismo

Nasce da Graça

Nasce do medo

É fruto do ESPÍRITO

É esforço humano

Produz liberdade

Produz escravidão

Exalta CRISTO

Exalta o homem

Conduz à santidade

Produz orgulho espiritual

Paulo resume esse contraste em Gálatas:

"Para a liberdade CRISTO nos libertou."


 

A composição do Concílio

Lucas informa que participaram:

·        os Apóstolos; os Presbíteros; a Igreja. (At 15.6,22)

Esse detalhe revela uma importante característica da liderança da Igreja Primitiva.

Não havia autoritarismo. Havia comunhão.

A liderança exercia autoridade espiritual sem desprezar a participação da comunidade.


O ESPÍRITO SANTO dirigindo a Igreja

O grande personagem invisível do Concílio é o ESPÍRITO SANTO.

Embora Lucas não descreva manifestações sobrenaturais naquele momento, toda a narrativa evidencia sua condução.

Isso fica evidente na declaração final:

"Pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós..."

(At 15.28)

Esta talvez seja uma das frases mais belas de todo o livro de Atos.

Ela revela que a Igreja não decidiu apenas segundo critérios humanos.

Ela discerniu a vontade divina.


 

Quadro Histórico

Antioquia da Síria

Foi em Antioquia que ocorreu a crise.

Ali havia uma igreja composta de:

·        judeus; gregos; romanos; sírios; africanos.

Era uma igreja multicultural.

A imposição da circuncisão ameaçava destruir aquela comunhão construída pelo Evangelho.


 

Palavra Grega - ἐκκλησία (Ekklesía)

Traduzida por: "Igreja"

Literalmente significa: "Os chamados para fora."

Na cultura grega era utilizada para indicar uma assembleia convocada.

No Novo Testamento recebe significado muito mais profundo.

A Igreja é a comunidade daqueles que DEUS chamou das trevas para sua maravilhosa luz. (1Pe 2.9)


 

Aplicação Teológica

A Igreja contemporânea continua enfrentando problemas semelhantes.

Hoje poucos exigem circuncisão.

Mas muitos acrescentam exigências humanas ao Evangelho.

Alguns afirmam que a salvação depende de:

·        usos e costumes; posição social; tradição denominacional; mérito espiritual; desempenho religioso.

Todos esses acréscimos possuem a mesma raiz do judaísmo legalista.

Sempre que alguma obra humana é colocada como condição para a salvação, a suficiência da cruz é diminuída.


A Graça preserva a unidade

Existe uma importante diferença entre:

Uniformidade e Unidade.

Uniformidade significa que todos são iguais. Unidade significa que todos pertencem ao mesmo Corpo. A Igreja nunca foi chamada para produzir uniformidade cultural.

Ela foi chamada para preservar a unidade espiritual.

Paulo escreveria anos depois: "Há um só corpo e um só ESPÍRITO." (Ef 4.4)


 

Quadro Comparativo

Judaizantes × Apóstolos

Judaizantes

Apóstolos

Circuncisão salva

CRISTO salva

Lei como requisito

Graça suficiente

Obras justificam

Fé justifica

Antiga Aliança como condição

Nova Aliança suficiente

Separação entre judeus e gentios

Um só povo em CRISTO

Ênfase nos ritos

Ênfase na cruz


 

Reflexão Exegética

Observe que Lucas jamais afirma que os judaizantes eram incrédulos.

Provavelmente eram judeus convertidos.

O problema não estava na sinceridade.

Estava na compreensão da doutrina.

Isso ensina um princípio importante:

Boas intenções nunca substituem a verdade bíblica.

A Igreja deve ser acolhedora com pessoas, mas inflexível quanto ao Evangelho.


 

Curiosidade Histórica

A circuncisão era realizada no oitavo dia de vida (Gn 17.12).

Para os judeus do primeiro século, deixar de circuncidar um homem significava romper com a identidade nacional de Israel.

Por isso o debate foi tão intenso.

Não era apenas uma questão religiosa.

Era também cultural.

CRISTO, porém, inaugurava uma nova humanidade (Ef 2.15), na qual a identidade do povo de DEUS não seria definida por um sinal na carne, mas pela regeneração operada pelo ESPÍRITO SANTO.


 

Aplicação Espiritual

A unidade verdadeira não nasce da ausência de diferenças, mas da centralidade de CRISTO. Quando a Igreja mantém a graça como fundamento de sua comunhão, evita tanto o exclusivismo religioso quanto o relativismo doutrinário. A cruz derruba as barreiras entre os homens e estabelece um único caminho de acesso ao Pai (Ef 2.18). Toda tentativa de acrescentar exigências humanas ao Evangelho compromete a liberdade cristã e obscurece a glória da graça divina.

 

 

2. O RELATÓRIO DE PEDRO (At 15.7–11)

Após intensa discussão entre os presentes, Pedro toma a palavra e apresenta um dos discursos mais importantes registrados no livro de Atos. Seu pronunciamento não é fundamentado em opinião pessoal nem em tradição rabínica, mas na própria experiência da ação soberana de DEUS entre os gentios. A narrativa demonstra que o ESPÍRITO SANTO já havia resolvido a questão antes mesmo de o Concílio deliberar sobre ela.

Pedro recorda o episódio ocorrido na casa de Cornélio (At 10), o primeiro gentio incircunciso a receber o Evangelho e o batismo no ESPÍRITO SANTO. Esse acontecimento tornou-se um precedente teológico incontestável: DEUS concedera aos gentios os mesmos dons espirituais que aos judeus, sem exigir previamente a observância da Lei mosaica.

Sua argumentação revela um importante princípio hermenêutico: a experiência cristã somente possui valor doutrinário quando está em perfeita harmonia com a revelação das Escrituras. Pedro não baseia sua defesa apenas na experiência; posteriormente Tiago confirma essa mesma verdade mediante a profecia de Amós. Assim, experiência e Escritura convergem para revelar o propósito eterno de DEUS.


 

A Estrutura do Discurso de Pedro

O discurso pode ser dividido em quatro argumentos principais.

Argumento

Texto

Ênfase

DEUS escolheu Pedro para evangelizar os gentios

At 15.7

A iniciativa pertence a DEUS.

DEUS concedeu o ESPÍRITO SANTO aos gentios

At 15.8

O ESPÍRITO confirma a aceitação divina.

DEUS purificou seus corações pela fé

At 15.9

A fé, e não a Lei, é o meio da purificação.

A salvação é exclusivamente pela graça

At 15.11

Judeus e gentios são salvos da mesma maneira.

Essa progressão demonstra que toda a argumentação gira em torno da soberania da graça divina.


 

A Escolha Divina

Pedro declara: "DEUS me escolheu dentre vós..." (At 15.7)

A palavra "escolheu" traduz o verbo grego:

ἐκλέγομαι (eklégomai)

Significa:

·        escolher; selecionar; designar para uma missão específica.

Nesse contexto, o verbo não enfatiza uma escolha arbitrária para salvação individual, mas a eleição ministerial de Pedro para inaugurar oficialmente a missão aos gentios na casa de Cornélio.

Foi DEUS quem abriu essa porta. A missão não nasceu da iniciativa apostólica.

Nasceu do propósito eterno do Senhor.


 

DEUS conhece os corações

Pedro continua:

"E DEUS, que conhece os corações..." At 15.8

A palavra utilizada por Lucas é extraordinária.

καρδιογνώστης (kardiognōstēs)

Significado: Conhecedor dos corações.

É uma palavra composta. καρδία (kardía) = coração.

γινώσκω (ginṓskō) = conhecer profundamente.

Essa expressão aparece apenas duas vezes em todo o Novo Testamento.

(At 1.24 e At 15.8)

Ela descreve um atributo exclusivamente divino.

Somente DEUS conhece perfeitamente:

·        intenções; pensamentos; motivações; desejos; fé verdadeira.

Enquanto os homens observavam a circuncisão exterior, DEUS contemplava o coração regenerado.

Essa distinção é fundamental. A religião olha para o exterior. A graça transforma o interior.


 

Quadro Comparativo

Exterior × Interior

Religião Legalista

Evangelho

Circuncisão da carne

Circuncisão do coração

Aparência

Transformação interior

Mérito humano

Graça divina

Ritos

Novo nascimento

Esforço humano

Ação do ESPÍRITO SANTO


O ESPÍRITO SANTO como selo da aceitação divina

Pedro afirma:

"Concedeu-lhes o ESPÍRITO SANTO."

Esse argumento encerra praticamente toda a discussão.

Se DEUS já havia derramado o ESPÍRITO SANTO sobre os gentios, quem poderia exigir condições adicionais?

O ESPÍRITO SANTO tornou-se a maior evidência de que DEUS aceitara os gentios.

Observe a ordem dos acontecimentos em Atos 10:

1.    ouviram a Palavra;

2.    creram;

3.    receberam o ESPÍRITO SANTO;

4.    foram batizados nas águas.

Em nenhum momento aparece a circuncisão.


Palavra Grega

Πνεῦμα Ἅγιον (Pneuma Hagion)

Significa: ESPÍRITO SANTO.

Pneuma significa:

·        vento; sopro; espírito.

O termo descreve Aquele que comunica vida, poder e santificação.

No livro de Atos, o ESPÍRITO SANTO aparece como o grande protagonista da expansão missionária.

É Ele quem:

·        envia missionários; dirige viagens; confirma milagres; distribui dons; convence pecadores; estabelece igrejas.


"Purificando-lhes o coração pela fé"

Pedro continua: "Purificando-lhes o coração pela fé." (At 15.9)

O verbo empregado é:

καθαρίζω (katharízō)

Significado:

·        limpar; purificar; tornar limpo.

No Antigo Testamento, a purificação ocorria mediante:

·        sacrifícios; lavagens cerimoniais; rituais levíticos.

Agora, a purificação acontece mediante a fé em CRISTO.

A mudança é radical. O sangue de animais apontava para CRISTO.

O sangue de CRISTO realiza definitivamente aquilo que os sacrifícios apenas simbolizavam.


Tabela

Purificação no Antigo e no Novo Testamento

Antiga Aliança

Nova Aliança

Água cerimonial

Sangue de CRISTO

Sacerdote terreno

CRISTO, Sumo Sacerdote

Sacrifícios repetidos

Sacrifício único

Purificação externa

Purificação da consciência

Temporária

Definitiva

(Hb 9–10)


"Por que tentais a DEUS?"

Pedro então faz uma pergunta contundente:

"Agora, pois, por que tentais a DEUS?" (At 15.10)

O verbo grego é:

πειράζω (peirázō)

Pode significar:

·        provar; testar; desafiar; colocar à prova.

Pedro inverte completamente a acusação.

Os judaizantes imaginavam defender DEUS.

Na realidade estavam desafiando Sua própria decisão.

Sempre que o homem acrescenta algo à graça, coloca-se contra aquilo que DEUS já estabeleceu.


O Jugo da Lei

Pedro afirma: "...pondo sobre o pescoço dos discípulos um jugo..." A palavra "jugo" é:

ζυγός (zygós)

Era a peça de madeira colocada sobre bois para puxarem cargas.

Na literatura judaica, tornou-se símbolo da submissão à Lei.

Pedro reconhece algo extraordinário.

Nem os próprios judeus conseguiram cumprir perfeitamente toda a Lei.

Então pergunta:

"Nem nossos pais puderam suportá-lo."

Que argumento poderoso! Se Israel inteiro fracassou em guardar perfeitamente a Lei, por que exigir isso dos gentios?


 

Quadro Comparativo

O Jugo da Lei × O Jugo de CRISTO

 

Lei

CRISTO

Condena

Liberta

Exige perfeição

Concede perdão

Produz culpa

Produz paz

Revela pecado

Remove pecado

Escraviza o pecador

Liberta o pecador

 

Compare Atos 15 com Mateus 11.28-30.


O Clímax do Discurso

Pedro encerra declarando:

"Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor JESUS CRISTO." (At 15.11)

Observe um detalhe extraordinário.

Ele não diz: "Eles serão salvos como nós."

Ele afirma: "Nós somos salvos como eles."

A ordem é intencional.

Até mesmo os judeus dependem da mesma graça concedida aos gentios.

Não existem dois caminhos de salvação.

Existe apenas um. CRISTO.


 

Palavra Grega

σωτηρία (sōtēría)

Significa:

·        salvação; libertação; redenção; livramento.

No Novo Testamento, a salvação possui três dimensões:

 

Tempo

Aspecto

Referência

Passado

Fomos justificados

Ef 2.8

Presente

Estamos sendo santificados

Fp 2.12-13

Futuro

Seremos glorificados

Rm 8.30

 

A salvação é um ato consumado em CRISTO, que se desdobra na vida do crente até sua glorificação final.


Perspectiva Pentecostal

A experiência de Cornélio possui grande relevância para a teologia pentecostal. O mesmo ESPÍRITO SANTO derramado sobre os judeus no Dia de Pentecostes foi concedido aos gentios, demonstrando que DEUS não faz acepção de pessoas (At 10.34). O batismo no ESPÍRITO SANTO torna-se, assim, um testemunho da universalidade da promessa divina, destinada a todos os que creem em CRISTO.

Contudo, é importante distinguir teologicamente a regeneração, que ocorre no momento da conversão, do batismo no ESPÍRITO SANTO como revestimento de poder para o serviço (At 1.8). O episódio de Cornélio mostra que a graça de DEUS precede qualquer mérito humano e que o ESPÍRITO SANTO é concedido soberanamente àqueles que recebem o Evangelho com fé.


Aplicação Doutrinária

O discurso de Pedro permanece atual. Em todas as épocas surgem tentativas de substituir a simplicidade do Evangelho por sistemas de méritos, tradições ou exigências humanas. A resposta apostólica continua a mesma: a salvação é exclusivamente pela graça do Senhor JESUS CRISTO, recebida mediante a fé. Essa verdade preserva a liberdade cristã, exalta a suficiência da cruz e mantém a Igreja unida em torno do único Salvador.

 

3. O RELATÓRIO DE PAULO E BARNABÉ (At 15.12)

Depois da vigorosa exposição de Pedro, Lucas registra uma cena de profundo significado:

"Então toda a multidão se calou..." (At 15.12)

O silêncio da assembleia não representa apenas respeito pelos apóstolos, mas demonstra que os argumentos apresentados eram irrefutáveis. A experiência de Pedro havia demonstrado que DEUS aceitara os gentios pela fé; agora, Paulo e Barnabé apresentam as evidências objetivas da confirmação divina através dos milagres realizados durante a Primeira Viagem Missionária (At 13–14).

A narrativa evidencia que DEUS não apenas chamou os gentios para fazerem parte da Igreja, mas também autenticou essa missão mediante sinais extraordinários. Dessa forma, a obra missionária não estava fundamentada em projetos humanos, mas na ação soberana do ESPÍRITO SANTO.


A importância do silêncio da assembleia

Lucas escreve:

"Toda a multidão se calou."

O verbo empregado é:

σιγάω (sigáō)

Significa: guardar silêncio; permanecer em reverente atenção; cessar toda discussão.

Esse silêncio possui enorme significado teológico.

Enquanto anteriormente havia intenso debate (στάσις), agora existe disposição para ouvir aquilo que DEUS realizou.

A verdadeira Igreja sempre coloca a revelação divina acima das opiniões humanas.


Paulo e Barnabé não falam de si mesmos

Observe cuidadosamente o texto.

Lucas afirma: "...ouvindo contar quantos sinais e prodígios DEUS fizera por meio deles entre os gentios."

O destaque não está nos missionários. O destaque está em DEUS.

A expressão: "DEUS fizera..."

mostra que Paulo jamais atribuiu os milagres ao seu próprio poder.

Todo milagre pertence exclusivamente ao Senhor.

Este princípio aparece diversas vezes em Atos.

Pedro declarou: "Por que olhais para nós como se por nossa própria virtude tivéssemos feito andar este homem?" (At 3.12)

A verdadeira espiritualidade sempre glorifica DEUS. Nunca o instrumento.


Palavra Grega

σημεῖον (Sēmeion)

Significa: Sinal.

No Evangelho de João e em Atos, um sinal é muito mais do que um milagre.

É um acontecimento sobrenatural que aponta para uma realidade espiritual maior.

O milagre nunca é o fim. É uma seta indicando CRISTO.


Palavra Grega

τέρας (Téras)

Significa: Prodígio.

Descreve acontecimentos extraordinários que despertam admiração.

Enquanto σημεῖον destaca o significado espiritual,

τέρας destaca o impacto causado nas pessoas.

No Novo Testamento essas duas palavras frequentemente aparecem juntas.


 

Diferença entre "Sinal" e "Prodígio"

 

Palavra

Significado

Ênfase

σημεῖον (Sēmeion)

Sinal

Revela uma verdade espiritual

τέρας (Téras)

Prodígio

Produz admiração diante do sobrenatural

 

Os milagres apostólicos possuíam ambas as características.

Eram extraordinários.

Mas principalmente apontavam para CRISTO.


Os milagres da Primeira Viagem Missionária

Paulo e Barnabé provavelmente relataram diversos acontecimentos registrados anteriormente por Lucas.

Entre eles destacam-se:

1. A conversão do procônsul Sérgio Paulo

(Atos 13)

Em Chipre, Paulo confronta o mágico Elimas.

Quando o falso profeta é atingido por cegueira temporária, o governador romano crê no Evangelho.

O interessante é que Lucas afirma:

"Maravilhou-se da doutrina do Senhor."

Observe.

Ele não ficou impressionado apenas pelo milagre.

O milagre confirmou a doutrina.

Jamais substituiu a doutrina.


2. A cura do paralítico em Listra

(Atos 14)

Um homem paralítico desde o nascimento é completamente curado.

A população pensa que Paulo e Barnabé são deuses gregos.

Paulo imediatamente rejeita toda veneração.

Mais uma vez vemos um princípio importante.

Milagres verdadeiros conduzem as pessoas para CRISTO.

Nunca para os homens.


3. O apedrejamento de Paulo

Em Listra, Paulo quase morre. É arrastado para fora da cidade. Os discípulos cercam seu corpo.

Lucas simplesmente afirma:

"Levantou-se." Muitos estudiosos entendem que ocorreu um milagre.

Outros acreditam numa recuperação extraordinária.

Independentemente da interpretação, o texto demonstra que DEUS preservava Seu servo para continuar anunciando o Evangelho.


 

Tabela

Os Milagres e Seus Objetivos

Milagre

Objetivo

Cura

Manifestar a compaixão de DEUS

Libertação

Demonstrar o Reino de DEUS

Ressurreição

Revelar o poder sobre a morte

Julgamento (Elimas)

Confirmar a autoridade apostólica

Dons espirituais

Edificar a Igreja


 

Os milagres não produzem salvação (são atração para a pregação e salvação)

Esse princípio merece destaque.

Os milagres impressionam. O Evangelho transforma.

JESUS realizou centenas de milagres. Mesmo assim muitos permaneceram incrédulos.

O milagre prepara o terreno. Quem salva é CRISTO.

Paulo escreve: "O Evangelho é o poder de DEUS para salvação." (Romanos 1.16)

Nunca diz que os milagres são o poder para salvar. O poder salvador está na mensagem da cruz.


 

A Teologia dos Milagres

Os milagres ocupam lugar importante na teologia pentecostal.

Todavia, eles jamais devem ser compreendidos como espetáculo religioso.

Os milagres possuem pelo menos cinco funções bíblicas.

 

Função

Referência

Confirmar a Palavra

Mc 16.20

Glorificar DEUS

Mt 15.31

Demonstrar misericórdia

Mt 14.14

Edificar a Igreja

1Co 12

Confirmar a missão

At 14.3

 

Observe que nenhuma dessas funções visa promover um pregador.

Todo verdadeiro milagre aponta para CRISTO.


Palavra Grega

δύναμις (Dýnamis)

Significa: Poder. Daí deriva nossa palavra "dinamite".

No Novo Testamento, descreve o poder sobrenatural de DEUS atuando no mundo.

JESUS prometeu:

"Recebereis poder..." Atos 1.8

Esse poder não é para exaltação pessoal. É para testemunho.


O Papel Missionário dos Milagres

Os milagres sempre acompanharam os avanços missionários.

Observe a sequência no livro de Atos.

Jerusalém...Samaria...Cesareia...Antioquia...Chipre...Listra...Derbe...

Sempre que o Evangelho alcança novos povos, DEUS autentica Sua mensagem mediante sinais.

Isso demonstra que o Reino de DEUS invade territórios antes dominados pela incredulidade.


Quadro Comparativo

Milagres Verdadeiros × Sensacionalismo Religioso

 

Milagres Bíblicos

Sensacionalismo

Exaltam CRISTO

Exaltam o homem

Confirmam a Palavra

Substituem a Palavra

Produzem arrependimento

Produzem curiosidade

Levam à fé

Levam ao emocionalismo

Promovem santidade

Promovem celebridades


Perspectiva Pentecostal

A tradição pentecostal compreende corretamente que os dons espirituais permanecem atuais e operantes na Igreja. O livro de Atos não apresenta os milagres como fenômenos isolados do período apostólico, mas como manifestações do Reino de DEUS na expansão missionária.

Entretanto, a própria narrativa de Atos ensina que os sinais nunca ocupam o centro da mensagem. O centro é sempre CRISTO crucificado e ressurreto. O poder do ESPÍRITO SANTO não substitui a pregação; ele a confirma. Como afirmou o comentarista pentecostal Stanley M. Horton, "os milagres são servos do Evangelho, nunca seus senhores". A Igreja deve buscar os dons espirituais (1Co 12–14), mas sempre subordinados ao amor, à edificação do Corpo e à fidelidade às Escrituras.


Aplicação Doutrinária

Paulo e Barnabé demonstram que uma obra verdadeiramente missionária é acompanhada por três elementos inseparáveis:

1.    Pregação fiel da Palavra – a mensagem de CRISTO permanece o fundamento da missão.

2.    Operação do ESPÍRITO SANTO – DEUS confirma Sua Palavra conforme Sua soberana vontade.

3.    Frutos permanentes – vidas transformadas e igrejas estabelecidas entre os povos.

O relatório dos missionários reforça que a expansão da Igreja não depende de estratégias meramente humanas, mas da ação conjunta da Palavra e do ESPÍRITO. Quando esses dois elementos caminham unidos, a graça de DEUS alcança povos, culturas e nações, cumprindo o propósito redentor anunciado desde o Antigo Testamento.

 

4. O DISCURSO DE TIAGO (At 15.13–21)

Depois dos testemunhos de Pedro, Paulo e Barnabé, Tiago levanta-se para pronunciar a palavra final do Concílio. Seu discurso possui enorme importância exegética e eclesiológica, pois une a experiência da Igreja com a autoridade das Escrituras. Se Pedro demonstrou o que DEUS fizera, e Paulo e Barnabé relataram como DEUS confirmara Sua obra entre os gentios, Tiago demonstra que tudo isso já estava previsto na revelação profética.

Esse procedimento estabelece um princípio hermenêutico fundamental: a experiência cristã deve ser interpretada à luz da Palavra de DEUS, e não a Palavra subordinada às experiências humanas.


Quem era Tiago?

O Tiago mencionado em Atos 15 não é Tiago, filho de Zebedeu, pois este já havia sido morto por Herodes Agripa I (At 12.2). Trata-se de Tiago, irmão do Senhor JESUS (Gl 1.19), reconhecido como uma das principais colunas da Igreja em Jerusalém (Gl 2.9).

Antes da ressurreição, Tiago não cria plenamente no ministério de JESUS (Jo 7.5). Entretanto, após a ressurreição, CRISTO lhe apareceu particularmente (1Co 15.7), transformando-o em um dos mais respeitados líderes da Igreja Primitiva. Sua vida de piedade lhe rendeu o título de "Tiago, o Justo", segundo a tradição cristã antiga.

Sua autoridade não derivava apenas de sua relação familiar com JESUS, mas de seu caráter, sabedoria e fidelidade às Escrituras.


Palavra Grega

ἀποκρίνομαι (apokrínomai)

Lucas escreve:

"Respondeu Tiago..."

O verbo grego significa: responder; pronunciar uma decisão; oferecer uma conclusão.

No contexto jurídico do Concílio, o verbo indica que Tiago apresenta uma conclusão baseada nas evidências anteriormente expostas.


 

O Método Teológico de Tiago

O discurso de Tiago segue uma estrutura admirável:

Etapa

Conteúdo

1

Recorda o testemunho de Pedro

2

Confirma com as Escrituras

3

Apresenta uma decisão prática

4

Preserva a unidade da Igreja

Esse método continua sendo modelo para a Igreja de todas as épocas.

Primeiro observa-se a ação de DEUS.

Depois examinam-se as Escrituras.

Por fim, toma-se uma decisão.

Nunca o contrário.


"Simão relatou..."

Tiago inicia dizendo:

"Simão relatou..." É interessante que ele utiliza o nome hebraico Simão, e não Pedro.

Isso demonstra o ambiente judaico da assembleia.

Ao mencionar Pedro dessa maneira, Tiago aproxima sua argumentação da tradição judaica presente entre os irmãos de Jerusalém.


DEUS visitou os gentios

Tiago afirma:

"...DEUS visitou os gentios para tomar dentre eles um povo para o seu nome."

(At 15.14)

O verbo "visitar" traduz uma palavra muito rica.

Palavra Grega - ἐπισκέπτομαι (episképtomai)

Significa:

·        visitar cuidadosamente; intervir; cuidar; manifestar misericórdia.

No Antigo Testamento, DEUS visita Seu povo tanto para juízo quanto para salvação.

Aqui, a visitação possui caráter redentor. DEUS visita os gentios para incorporá-los ao Seu povo.


Um povo para o Seu Nome

A expressão possui enorme significado na teologia bíblica.

No Antigo Testamento, Israel era chamado:

"Povo do Senhor."

Agora Tiago declara que DEUS está formando um povo dentre todas as nações.

Observe.

Ele não diz que DEUS abandonou Israel. Nem afirma que os gentios substituíram Israel. Ele ensina que DEUS amplia Seu povo mediante CRISTO.

Essa verdade harmoniza-se perfeitamente com Efésios 2.11-22.

Em CRISTO há: um só Corpo; um só rebanho; um só Pastor.


A Autoridade das Escrituras

Depois do testemunho apostólico, Tiago afirma:

"Com isto concordam as palavras dos profetas."

(At 15.15)

Esta pequena frase possui enorme importância.

Ela estabelece um dos maiores princípios da interpretação bíblica.

Princípio Hermenêutico

A experiência nunca cria doutrina.

A experiência confirma aquilo que a Escritura já revelou.

Essa verdade protege a Igreja contra o subjetivismo religioso.


A Profecia de Amós

Tiago cita Amós 9.11-12.

"Levantarei o tabernáculo caído de Davi..."

Essa profecia foi escrita aproximadamente oitocentos anos antes de CRISTO.

À primeira vista parece tratar apenas da restauração nacional de Israel.

Entretanto, sob inspiração do ESPÍRITO SANTO, Tiago revela sua dimensão messiânica.


O Tabernáculo de Davi

O que significa essa expressão?

Existem diversas interpretações.

A mais aceita entre os estudiosos pentecostais é que o "Tabernáculo de Davi" representa:

A restauração da dinastia davídica através do Messias.

CRISTO é o verdadeiro Filho de Davi.

Em CRISTO, DEUS restaura o Reino prometido.


 

Tabela

O Tabernáculo de Davi

Interpretação

Significado

Política

Restauração do reino de Israel

Messiânica

O Reino inaugurado por CRISTO

Escatológica

Consumação futura do Reino

 

As três perspectivas não são excludentes.

CRISTO inaugura hoje aquilo que será plenamente consumado em Sua Segunda Vinda.


Palavra Grega

σκηνή (Skēnē)

Significa:

Tenda. Habitação. Tabernáculo.

A palavra lembra imediatamente a presença de DEUS entre Seu povo.

João utiliza a mesma raiz quando afirma:

"O Verbo se fez carne e habitou entre nós." (João 1.14)

Literalmente: "Tabernaculou entre nós." CRISTO é o verdadeiro Tabernáculo.


O Remanescente

Tiago continua: "...para que o restante dos homens busque o Senhor."

A palavra "remanescente" possui enorme importância na teologia do Antigo Testamento.

Palavra Grega

κατάλειμμα (katáleimma)

Significa:

O que permanece. Os sobreviventes. Os preservados por DEUS.

Desde Isaías, DEUS promete preservar um remanescente fiel.

Agora esse remanescente é ampliado. Inclui judeus e gentios unidos em CRISTO.


 

A Universalidade da Graça

Observe a progressão do plano divino.

 

Antigo Testamento

Novo Testamento

Israel como instrumento

Igreja como instrumento

Promessa

Cumprimento

Sombras

Realidade

Expectativa

Realização

 

A graça rompe as barreiras nacionais.

Ela alcança:

·        judeus; gregos; romanos; bárbaros; homens; mulheres; escravos; livres.

Como afirma Paulo: "Todos vós sois um em CRISTO." (Gálatas 3.28)


A Decisão de Tiago

Depois da exposição bíblica, Tiago apresenta sua conclusão.

"Pelo que julgo..." Essa expressão não significa opinião pessoal.

O verbo indica uma decisão cuidadosamente fundamentada.

A proposta foi: Não impor a Lei de Moisés aos gentios.

Entretanto, recomenda quatro abstenções.


 

As Quatro Recomendações Apostólicas

 

Recomendação

Motivo

Idolatria

Preservar a pureza do culto cristão

Imoralidade sexual

Manter a santidade moral

Carne sufocada

Favorecer a comunhão entre judeus e gentios

Sangue

Respeitar a sensibilidade judaica e o princípio da vida

 

Essas recomendações não constituíam um novo sistema de salvação.

Também não eram requisitos para justificação.

Tratavam-se de orientações pastorais destinadas a preservar a comunhão entre cristãos de diferentes contextos culturais.

A idolatria e a imoralidade sexual eram incompatíveis com o Evangelho em qualquer tempo. Já as orientações sobre carne sufocada e sangue tinham um caráter eminentemente prático, evitando escândalo aos cristãos judeus e favorecendo a convivência nas igrejas mistas.


 

Quadro Comparativo

O Que o Concílio Não Decidiu

 

Falsa ideia

Ensino do Concílio

A Lei salva

Não

Circuncisão salva

Não

Os gentios precisam tornar-se judeus

Não

A graça elimina a santidade

Não

A liberdade cristã permite qualquer comportamento

Não

 

 

O Concílio preservou simultaneamente a pureza doutrinária e a responsabilidade moral da vida cristã.


"Pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós"

Mais adiante, na carta enviada às igrejas (At 15.28), encontramos uma das declarações mais notáveis da história da Igreja:

"Pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós..."

Essa frase revela a perfeita cooperação entre a ação divina e a responsabilidade humana. Os apóstolos não reivindicam infalibilidade pessoal; reconhecem que discerniram a vontade de DEUS sob a direção do ESPÍRITO SANTO.

Esse princípio continua válido para a Igreja contemporânea. Decisões eclesiásticas verdadeiramente bíblicas devem nascer da submissão à Palavra, da oração, do discernimento espiritual e da comunhão entre os irmãos.


Perspectiva Pentecostal

Sob a ótica pentecostal, Atos 15 demonstra que o ESPÍRITO SANTO não apenas concede dons e poder para testemunhar, mas também conduz a Igreja em questões doutrinárias e administrativas. O mesmo ESPÍRITO que foi derramado no Pentecostes é quem orienta a liderança na preservação da verdade e da unidade. Assim, a espiritualidade autêntica nunca está dissociada da fidelidade às Escrituras.


Aplicação Doutrinária

O discurso de Tiago ensina que a Igreja deve enfrentar novos desafios sem abandonar os fundamentos da fé. A verdadeira unidade não exige uniformidade cultural, mas fidelidade ao Evangelho. A graça acolhe pessoas de todas as nações, porém também transforma seu modo de viver. O Evangelho não impõe os ritos da Antiga Aliança, mas exige uma vida santa, separada da idolatria, da imoralidade e de tudo aquilo que compromete o testemunho cristão.


Síntese do Primeiro Grande Bloco da Lição

O Concílio de Jerusalém tornou-se um marco definitivo na história da redenção. Pedro demonstrou que DEUS concedeu o ESPÍRITO SANTO aos gentios pela fé; Paulo e Barnabé apresentaram os sinais que confirmavam essa obra; Tiago mostrou que tudo estava de acordo com as Escrituras. Dessa maneira, a Igreja reconheceu oficialmente que a salvação é exclusivamente pela graça de DEUS, mediante a fé em JESUS CRISTO, preservando a pureza do Evangelho e abrindo definitivamente as portas da missão para todas as nações.

 

 

II – UM PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS

A decisão do Concílio de Jerusalém conduziu naturalmente a Igreja à compreensão de uma das mais sublimes verdades das Escrituras: a salvação é um dom da graça de DEUS oferecido indistintamente a toda a humanidade. O Evangelho rompe definitivamente com qualquer sistema religioso baseado em méritos humanos, obras legais ou privilégios étnicos. Em CRISTO, DEUS oferece gratuitamente aquilo que nenhum homem poderia conquistar por seus próprios esforços.

A doutrina da graça constitui o eixo central da teologia paulina. Sem ela, não existe justificação, regeneração, adoção, santificação nem glorificação. Toda a economia da salvação está fundamentada na iniciativa soberana de DEUS, que, movido por Seu infinito amor, decidiu reconciliar consigo o mundo por meio da obra redentora de JESUS CRISTO (2Co 5.18-19).

O Novo Testamento apresenta a graça não apenas como um atributo divino, mas como o ambiente espiritual no qual vive o cristão. O crente é salvo pela graça, permanece na graça, cresce na graça e será finalmente glorificado pela graça.


 

A DOUTRINA DA GRAÇA NA HISTÓRIA DA REDENÇÃO

Período Bíblico

Manifestação da Graça

Éden

DEUS promete o Redentor (Gn 3.15)

Noé

Graça preserva a humanidade (Gn 6.8)

Abraão

Graça estabelece a aliança (Gn 12.1-3)

Moisés

Graça acompanha a Lei (Êx 33.19)

Profetas

Graça anuncia o Messias

CRISTO

Graça torna-se plenamente manifesta

Igreja

Graça é proclamada às nações

Eternidade

Graça culmina na glorificação

 

A Bíblia inteira pode ser compreendida como a história da graça divina buscando reconciliar pecadores consigo mesma.


A GRAÇA NO ANTIGO TESTAMENTO

Embora o termo "graça" seja amplamente desenvolvido no Novo Testamento, sua realidade já está presente desde Gênesis.

No Antigo Testamento encontramos principalmente duas palavras hebraicas.

חֵן (ḥēn)

Significa:

·        favor; benevolência; aceitação imerecida.

É utilizada quando alguém encontra favor diante de DEUS ou de outra pessoa.

Exemplo:

"Noé, porém, achou graça diante do Senhor." (Gênesis 6.8)

Noé não era perfeito. Foi salvo porque DEUS lhe concedeu favor.


חֶסֶד (ḥésed)

Uma das palavras mais profundas do Antigo Testamento.

Traduz-se por:

·        misericórdia; bondade; amor leal; fidelidade da aliança.

Refere-se ao amor constante de DEUS por Seu povo.

Enquanto ḥēn enfatiza o favor, ḥésed enfatiza a fidelidade de DEUS ao pacto.


Tabela

Graça no Antigo e no Novo Testamento

Antigo Testamento

Novo Testamento

Prometida

Manifestada

Simbolizada

Consumada

Esperada

Revelada

Vista parcialmente

Revelada plenamente em CRISTO


1. O QUE É A GRAÇA DE DEUS?

A palavra utilizada por Paulo em Efésios 2.8 é:

χάρις (Cháris)

É uma das palavras mais belas do Novo Testamento.

Sua riqueza ultrapassa qualquer tradução simples.

Ela envolve:

·        favor imerecido; benevolência; generosidade; dom gratuito; bondade divina.

Todavia, na teologia paulina, χάρις possui um significado ainda mais profundo.

É a iniciativa soberana de DEUS em salvar pecadores completamente incapazes de salvar-se.


Definição Teológica

A graça pode ser definida como:

"O favor soberano, livre e imerecido mediante o qual DEUS concede ao pecador culpado tudo aquilo que CRISTO conquistou na cruz."

Essa definição envolve quatro elementos.

A graça é soberana

Nasce em DEUS. Não no homem.

A graça é livre - Não pode ser comprada.

A graça é imerecida - Nenhum pecador possui méritos.

A graça é eficaz - Produz transformação verdadeira.


Palavra Grega

δωρεά (Dōreá)

Significa: Dom gratuito. Presente. Dádiva.

É utilizada por Paulo para enfatizar que a salvação jamais pode ser conquistada.

Romanos 5.15.


O Homem e sua incapacidade espiritual

A necessidade da graça somente pode ser compreendida quando entendemos a condição espiritual do homem.

Paulo descreve essa condição.

"Todos pecaram." (Romanos 3.23)

O verbo utilizado é:

ἁμαρτάνω (Hamartanō)

Literalmente:

Errar o alvo. Era utilizado por arqueiros. Quando a flecha não atingia o centro do alvo dizia-se: "Hamartia."

Pecar é não alcançar o padrão perfeito da santidade divina.


Palavra Grega

ἁμαρτία (Hamartía)

Significa: Pecado.

Não é apenas um ato. É uma condição espiritual.

Toda humanidade encontra-se debaixo dessa realidade.


 

A Universalidade do Pecado

 

Judeus

Gentios

Pecadores

Pecadores

Precisam da Graça

Precisam da Graça

Não podem salvar-se

Não podem salvar-se

 

Paulo destrói qualquer privilégio humano.

Todos necessitam do mesmo Salvador.


A Lei não salva

Aqui encontramos um dos maiores contrastes das Escrituras.

A Lei possui diversas funções. Mas nunca foi dada para salvar.


 

As funções da Lei

 

Função

Referência

Revelar o pecado

Rm 3.20

Conduzir a CRISTO

Gl 3.24

Mostrar a santidade divina

Rm 7.12

Condenar o pecado

Rm 7.13

 

A Lei é perfeita. O problema nunca foi a Lei. O problema sempre foi o homem pecador.


Ilustração Teológica

Um espelho mostra que o rosto está sujo. Mas o espelho não consegue limpá-lo.

Assim é a Lei.

Ela revela o pecado. Mas não possui poder para removê-lo.

Somente CRISTO pode fazê-lo.


A Graça supera o pecado

Paulo escreve: "Onde abundou o pecado, superabundou a graça." (Romanos 5.20)

Aqui encontramos uma palavra extraordinária.

Palavra Grega

ὑπερπερισσεύω (Hyperperisseúō)

Significa: Superabundar. Transbordar. Ultrapassar infinitamente.

Paulo cria uma palavra composta para mostrar que a graça não apenas vence o pecado. Ela o supera infinitamente.


Comparação

Pecado

Graça

Condena

Justifica

Mata

Vivifica

Escraviza

Liberta

Afasta de DEUS

Aproxima de DEUS

Produz morte

Produz vida eterna


O Alcance da Graça

A graça alcança pessoas de todas as condições.

Ela alcançou:

·        Abraão, idólatra em Ur. Raabe, prostituta em Jericó. Davi, após seu pecado. Manassés, rei perverso. Zaqueu, publicano. Maria Madalena. O ladrão na cruz.

·        Saulo de Tarso.

·        Todos foram transformados. Não por méritos. Mas pela graça.


A Graça não incentiva o pecado

Um dos maiores equívocos da história da Igreja é imaginar que a graça produz libertinagem.

Paulo responde. "Permaneceremos no pecado para que a graça aumente?" (Romanos 6.1)

Resposta: "De modo nenhum."


Palavra Grega

μὴ γένοιτο (Mē Génoito)

Uma das expressões mais fortes de Paulo.

Pode ser traduzida: "Jamais!" "De forma alguma!" "Isso é impensável!"

A graça nunca incentiva o pecado. Ela destrói seu domínio.


Graça Barata × Graça Transformadora

O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer distinguiu entre a "graça barata", que oferece perdão sem transformação, e a "graça preciosa", que conduz à obediência. Em termos bíblicos, a graça salvadora jamais é uma licença para viver em pecado; ela é o poder de DEUS que muda o coração e capacita o crente a viver para Sua glória.

 

Graça Barata

Graça Bíblica

Perdão sem arrependimento

Perdão com novo nascimento

Fé sem transformação

Fé que produz santidade

Cristianismo nominal

Discipulado verdadeiro

Vida sem compromisso

Vida dedicada a CRISTO


Perspectiva Pentecostal

A teologia pentecostal sempre enfatizou que a graça salvadora é inseparável da obra regeneradora do ESPÍRITO SANTO. O ESPÍRITO convence do pecado (Jo 16.8), opera o novo nascimento (Jo 3.5-8), testemunha com o nosso espírito que somos filhos de DEUS (Rm 8.16) e inicia o processo contínuo de santificação. Assim, a graça não é apenas um decreto jurídico de absolvição, mas uma realidade dinâmica que transforma a vida do crente e o conduz ao crescimento espiritual.


Aplicação Espiritual

Compreender a graça elimina tanto o orgulho quanto o desespero. O orgulho desaparece porque ninguém pode gloriar-se diante de DEUS (Ef 2.9). O desespero também cede lugar à esperança, pois nenhum pecado é grande demais para impedir a ação da graça de CRISTO quando há arrependimento genuíno. O cristão vive diariamente consciente de que tudo o que possui espiritualmente — perdão, paz, adoção, comunhão com DEUS e esperança da glória — é resultado exclusivo da infinita graça do Senhor.

 

 

2. JESUS CRISTO COMO A MANIFESTAÇÃO PLENA DA GRAÇA

O Concílio de Jerusalém proclamou que a salvação é oferecida gratuitamente a judeus e gentios. Entretanto, essa graça não é um conceito abstrato nem um simples atributo divino. Ela possui um rosto, um nome e uma obra histórica. A graça manifesta-se plenamente na pessoa de JESUS CRISTO.

João declara:

"Porque a Lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por JESUS CRISTO." (Jo 1.17)

Essa afirmação não estabelece oposição entre Moisés e CRISTO, como se a Lei fosse má e a graça boa. Antes, ensina que a Lei possuía caráter preparatório, enquanto CRISTO representa a plenitude da revelação divina. A Lei apontava para a necessidade da redenção; CRISTO realizou definitivamente essa redenção.

A graça, portanto, não é apenas aquilo que DEUS concede; é aquilo que DEUS revelou em Seu Filho.


A GRAÇA É UMA PESSOA

No Novo Testamento, a graça deixa de ser apenas um favor concedido por DEUS para tornar-se plenamente revelada na encarnação do Verbo.

João escreve: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós..." (João 1.14)

CRISTO é a expressão visível da graça invisível. Tudo aquilo que DEUS desejava revelar ao homem acerca do Seu amor manifesta-se na pessoa de JESUS.


Palavra Grega

λόγος (Lógos)

Significa:

·        Palavra; Verbo; Expressão perfeita; Revelação

João utiliza esse termo para ensinar que CRISTO é a perfeita revelação do Pai.

Hebreus complementa:

"Havendo DEUS antigamente falado muitas vezes..." (Hb 1.1-3)

Agora DEUS falou definitivamente em Seu Filho.


Graça e Verdade

João afirma: "...cheio de graça e de verdade." (Jo 1.14)

Observe que João nunca separa essas duas virtudes.

A verdadeira graça nunca abandona a verdade.

A verdadeira verdade sempre é acompanhada da graça.


 

Tabela - Graça e Verdade

 

Graça sem Verdade

Verdade sem Graça

Graça com Verdade

Tolerância ao pecado

Legalismo

Santidade com misericórdia

Emocionalismo

Rigidez religiosa

Equilíbrio bíblico

Permissividade

Condenação

Transformação

 

CRISTO reuniu perfeitamente ambas.


A ENCARNAÇÃO COMO EXPRESSÃO DA GRAÇA

O maior ato da graça foi a encarnação.

O DEUS eterno assumiu natureza humana.

Paulo descreve esse acontecimento em Filipenses.


Palavra Grega

κένωσις (Kénōsis)

Derivada do verbo κενόω (kenóō)

Significa: Esvaziar.

Filipenses 2.7 afirma que CRISTO: "Esvaziou-se a si mesmo."

Esse esvaziamento não significa que CRISTO deixou de ser DEUS.

Seria impossível.

Significa que Ele abriu mão voluntariamente dos privilégios da glória celestial para assumir plenamente a condição humana.


 

O Movimento Descendente da Graça

 

Etapa

Referência

Glória eterna

Jo 17.5

Encarnação

Jo 1.14

Humilhação

Fp 2.8

Cruz

Mt 27

Ressurreição

Mt 28

Exaltação

Fp 2.9-11

 

Toda essa trajetória revela a profundidade da graça divina.


CRISTO tornou-se pobre

Paulo escreve: "Sendo rico, por amor de vós se fez pobre..." (2Co 8.9)

Não se trata apenas de pobreza material.

CRISTO assumiu:

·        limitações humanas; sofrimento; rejeição; dor; morte.

Tudo isso para enriquecer espiritualmente os pecadores.


A Graça na Cruz

A cruz representa o ponto máximo da manifestação da graça.

Ali encontram-se perfeitamente:

A justiça de DEUS. O amor de DEUS. A santidade de DEUS. A misericórdia de DEUS.

Na cruz, DEUS não ignorou o pecado. Ele o julgou em Seu próprio Filho.


Palavra Grega

σταυρός (Staurós)

Significa: Cruz. Instrumento romano de execução.

No Novo Testamento tornou-se símbolo da reconciliação entre DEUS e o homem.


A Doutrina da Expiação

Expiação significa: A remoção da culpa mediante um sacrifício substitutivo.

CRISTO morreu: Não apenas por nós. Mas em nosso lugar. Essa é a essência da substituição penal.

Isaías profetizou: "O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele." (Is 53.5)


Palavra Grega

ἀντί (Antí)

Significa: Em lugar de. Substituição.

JESUS afirmou: "...dar a sua vida em resgate por muitos." (Mc 10.45)

A preposição utilizada reforça o caráter substitutivo da obra de CRISTO.


A PROPICIAÇÃO

Uma das palavras mais profundas do Novo Testamento.

Palavra Grega

ἱλαστήριον (Hilastērion)

Romanos 3.25

Significa: Propiciação. Lugar onde a ira é satisfeita.

No Antigo Testamento era utilizada para o propiciatório da Arca da Aliança.

Agora CRISTO torna-se o verdadeiro propiciatório. Nele a justiça divina é plenamente satisfeita.


Tabela

O Propiciatório

Antigo Testamento

Novo Testamento

Sangue de animais

Sangue de CRISTO

Sacerdote humano

CRISTO

Repetido anualmente

Sacrifício único

Cobria pecados

Remove pecados


JUSTIFICAÇÃO

A graça não apenas perdoa.

Ela justifica.


Palavra Grega

δικαίωσις (Dikaíōsis)

Significa: Justificação. Declaração jurídica.

É o ato pelo qual DEUS declara justo o pecador que crê.

Não porque ele seja perfeito.

Mas porque CRISTO satisfez plenamente a justiça divina.


Diferença

Perdão - Remove a culpa.

Justificação - Declara o pecador justo diante de DEUS.


Tabela

Regeneração × Justificação

Justificação

Regeneração

Ato jurídico

Transformação espiritual

Muda posição

Muda natureza

Instantânea

Inicia um processo de crescimento

Obra do Juiz

Obra do ESPÍRITO

 

Ambas acontecem na conversão. Jamais devem ser separadas.


A RECONCILIAÇÃO

Outra palavra importante.

καταλλαγή (Katallagē)

Significa:

Reconciliação. Restabelecimento da amizade.

Antes da cruz havia separação. Agora existe paz.

Paulo escreve: "Reconciliai-vos com DEUS." (2Co 5.20)


A REDENÇÃO

Palavra Grega

ἀπολύτρωσις (Apolýtrōsis)

Significa: Libertação mediante pagamento.

Era utilizada para escravos comprados para serem libertos.

CRISTO pagou o preço. Não com ouro. Nem prata. Mas com Seu precioso sangue.

(1Pe 1.18-19)


 

As Bênçãos da Graça em CRISTO

 

Bênção

Referência

Perdão

Ef 1.7

Justificação

Rm 5.1

Reconciliação

2Co 5.18

Redenção

Ef 1.7

Adoção

Rm 8.15

Regeneração

Tt 3.5

Santificação

1Co 6.11

Glorificação

Rm 8.30

 

Todas são fruto da graça. Nenhuma delas pode ser comprada.


 

A GRAÇA E A VERDADE NA VIDA DE JESUS

Observe os encontros de JESUS.

Pessoa

Graça

Verdade

Mulher Samaritana

Recebida

Confrontada com seu pecado

Zaqueu

Aceito

Chamado ao arrependimento

Mulher Adúltera

Perdoada

"Vai e não peques mais."

Pedro

Restaurado

Exortado a apascentar o rebanho

 

CRISTO nunca relativizou o pecado. Mas também nunca negou graça ao arrependido.


Perspectiva Pentecostal

Na teologia pentecostal, JESUS CRISTO permanece o centro absoluto da experiência cristã. A graça não é um poder impessoal, mas flui da comunhão viva com CRISTO ressuscitado. O ESPÍRITO SANTO glorifica continuamente o Filho (Jo 16.14), aplicando aos crentes os benefícios da obra redentora. Assim, toda manifestação espiritual autêntica deve conduzir à exaltação de CRISTO, jamais substituí-Lo ou ofuscar Sua suficiência.


Reflexão Cristológica

A graça não custou pouco. Custou tudo.

Custou:

·        a humilhação do Filho; Sua obediência perfeita; Seu sofrimento; Seu sangue; Sua morte; Sua separação judicial na cruz; Seu sepultamento.

A salvação é gratuita para nós.

Mas infinitamente preciosa para DEUS.

Por isso Paulo afirma: "Fostes comprados por bom preço." (1Co 6.20)

A graça é gratuita para o pecador, porém jamais foi barata para o Salvador.


Aplicação Espiritual

Conhecer a CRISTO é conhecer a graça em sua expressão mais elevada. O cristão não deve reduzir a graça a uma simples doutrina, mas contemplá-la diariamente na pessoa do Senhor JESUS. Cada aspecto da vida de CRISTO — Sua encarnação, Seu ministério, Sua morte substitutiva, Sua ressurreição e Sua intercessão à direita do Pai — proclama que DEUS continua oferecendo salvação plena a todos os que creem. A resposta adequada a tão grande graça é uma vida de adoração, santidade, serviço e gratidão.

 

 

3. A GRAÇA É PARA TODOS OS POVOS — SEM EXCEÇÃO

O Concílio de Jerusalém representou muito mais que a solução de uma controvérsia doutrinária; ele confirmou publicamente aquilo que DEUS já havia revelado desde o princípio das Escrituras: o plano da redenção sempre foi universal. Desde a promessa feita a Abraão — "em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12.3) — até a visão da grande multidão diante do trono (Ap 7.9), a Bíblia apresenta um DEUS missionário que deseja alcançar todas as nações com Seu amor redentor.

A inclusão dos gentios, portanto, não foi um plano alternativo diante da rejeição de Israel. Ela fazia parte do decreto eterno de DEUS (Ef 1.4-10). A missão da Igreja consiste em anunciar essa graça universal, convidando todos os homens ao arrependimento e à fé em JESUS CRISTO.


A UNIVERSALIDADE DO EVANGELHO

A universalidade da graça não significa universalismo.

Há uma diferença fundamental entre esses dois conceitos.

Universalidade

CRISTO morreu por todos. A salvação é oferecida a todos.

Universalismo

Todos serão salvos, independentemente da fé. A Bíblia jamais ensina essa segunda ideia. A graça é universal em sua oferta.

Mas sua eficácia é aplicada àqueles que respondem pela fé ao Evangelho.


Palavra Grega

πᾶς (Pás)

Significa: todo; qualquer; todos; cada um.

Romanos 10.13 afirma: "Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo."

A palavra πᾶς elimina qualquer distinção:

·        racial; cultural; econômica; nacional; social.

A porta da salvação está aberta para todos.


Tabela

A Graça alcança...

 

Categoria

Referência

Judeus

At 2

Samaritanos

At 8

Gentios

At 10

Gregos

At 11

Romanos

At 16

Bárbaros

At 28

 

Lucas organiza o livro de Atos mostrando a expansão progressiva do Evangelho.

Jerusalém...

Judéia... Samaria... Até aos confins da terra. (At 1.8)


Palavra Grega

ἔθνη (Éthnē)

Significa: Nações. Gentios. Povos.

É dessa palavra que deriva "etnia".

JESUS ordenou:

"Ide e fazei discípulos de todas as nações." (Mt 28.19)

O Evangelho não pertence a uma cultura. Nem a uma nacionalidade. Pertence ao Reino de DEUS.


A PROMESSA FEITA A ABRAÃO

Muito antes da Lei de Moisés, DEUS declarou a Abraão:

"Em ti serão benditas todas as famílias da terra."

(Gn 12.3)

Paulo interpreta essa promessa em Gálatas 3.8, afirmando que DEUS anunciou previamente o Evangelho a Abraão.

Isso demonstra que a missão aos gentios não surgiu em Atos.

Ela foi planejada na eternidade e anunciada desde o início da história da redenção.


Tabela

A Promessa Abraâmica

Promessa

Cumprimento

Grande nação

Israel

Grande nome

Abraão torna-se pai da fé

Terra

Canaã

Todas as famílias benditas

CRISTO e o Evangelho


NÃO HÁ ACEPÇÃO DE PESSOAS

Pedro afirmou na casa de Cornélio:

"Reconheço que DEUS não faz acepção de pessoas." (At 10.34)


Palavra Grega

προσωπολημψία (Prosōpolēmpsía)

Significa: Favoritismo. Parcialidade. Julgar pela aparência.

No contexto bíblico, DEUS não favorece uma pessoa por causa de:

·        nacionalidade; riqueza; posição social; raça; influência.

Todos comparecem diante dEle nas mesmas condições.

Todos são pecadores. Todos necessitam da mesma graça.


JUDEUS E GENTIOS FORMAM UM SÓ POVO

Paulo desenvolve essa verdade em Efésios 2.

CRISTO derrubou: "A parede de separação."


Palavra Grega

μεσότοιχον (Mesótoichon)

Significa: Parede divisória.

Provavelmente faz referência ao muro existente no Templo que impedia os gentios de avançarem para o interior dos átrios sob pena de morte.

CRISTO destruiu essa barreira. Agora existe livre acesso ao Pai.


Quadro Comparativo

Antes de CRISTO

Judeus

Gentios

Circuncidados

Incircuncisos

Alianças

Sem alianças

Promessas

Estranhos às promessas

Próximos

Distantes


Depois de CRISTO

Todos os Crentes

Um só Corpo

Uma só Fé

Um só ESPÍRITO

Um só Senhor

Um só Batismo

Um só DEUS e Pai

(Efésios 4)


A GRAÇA E A ELEIÇÃO

A eleição divina deve ser compreendida à luz da missão universal do Evangelho. DEUS, em Sua soberania, tomou a iniciativa da salvação e escolheu, em CRISTO, um povo para o Seu nome (Ef 1.4-5). Contudo, essa eleição não elimina a responsabilidade humana de responder ao chamado do Evangelho.

As Escrituras mantêm em equilíbrio duas verdades:

·        DEUS chama soberanamente.

·        O homem é convocado a arrepender-se e crer.

JESUS declarou: "Quem vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora." (Jo 6.37)

Ao mesmo tempo afirmou:

"Arrependei-vos e crede no Evangelho." (Mc 1.15)

A graça é preveniente, isto é, antecede a resposta humana, despertando o pecador para DEUS. Contudo, ela não violenta a vontade; convida, convence e capacita, aguardando uma resposta de fé.


A RESPONSABILIDADE HUMANA

Embora a salvação seja inteiramente fruto da graça, DEUS trata o homem como um ser moralmente responsável.

A Bíblia apresenta diversos convites universais:

"Vinde a mim..." (Mt 11.28)

"Quem quiser, tome de graça da água da vida." (Ap 22.17)

"Todo aquele que invocar..." (Rm 10.13)

Esses textos demonstram que o chamado do Evangelho é genuíno e dirigido a todos.


Palavra Grega

καλέω (Kaléō)

Significa: Chamar. Convidar. Convocar.

É DEUS quem chama. Mas o homem deve responder.


A MISSÃO DA IGREJA

A universalidade da graça fundamenta a obra missionária.

Se CRISTO morreu por todos, a Igreja deve anunciar a todos.

Missões não são um departamento da Igreja. São a própria razão de sua existência.


Tabela

A Missão da Igreja

A Igreja deve...

Referência

Evangelizar

Mc 16.15

Fazer discípulos

Mt 28.19

Ensinar

Mt 28.20

Batizar

Mt 28.19

Testemunhar

At 1.8


A GRANDE MULTIDÃO DO APOCALIPSE

João contempla a consumação da graça.

"Depois destas coisas olhei, e eis grande multidão... de todas as nações, tribos, povos e línguas..."(Ap 7.9)

A missão iniciada em Jerusalém termina diante do trono. A Igreja Militante torna-se Igreja Triunfante. O Evangelho alcança seu objetivo final.


Quadro Teológico

O Alcance da Graça

Verdade

Ensino Bíblico

CRISTO morreu por todos

1Tm 2.4-6; 1Jo 2.2

O Evangelho deve ser pregado a todos

Mc 16.15

Nem todos aceitarão

Mt 7.13-14

Todo aquele que crer será salvo

Jo 3.16

Quem rejeitar permanecerá condenado

Jo 3.18


Perspectiva Pentecostal

A tradição pentecostal sempre compreendeu que a universalidade da graça está intimamente ligada ao derramamento do ESPÍRITO SANTO. O Pentecostes (At 2) já antecipava esse propósito, pois judeus provenientes de diversas nações ouviram o Evangelho em suas próprias línguas. O dom de línguas tornou-se um sinal profético de que DEUS estava rompendo as barreiras linguísticas e culturais para anunciar CRISTO ao mundo inteiro. Assim, a Igreja é chamada a permanecer cheia do ESPÍRITO para cumprir sua vocação missionária "até aos confins da terra" (At 1.8).


Aplicação Espiritual

A universalidade da graça desafia a Igreja a abandonar todo tipo de exclusivismo, preconceito ou barreira cultural que impeça a proclamação do Evangelho. Não existe povo inalcançável, cultura irredimível ou pecador irrecuperável para a graça de DEUS. O mesmo CRISTO que salvou o centurião Cornélio, o perseguidor Saulo, o carcereiro de Filipos e milhares de gentios continua chamando homens e mulheres de todas as nações para fazerem parte do Seu povo.


SÍNTESE DO CAPÍTULO II

O segundo grande bloco desta lição revela que a graça é o fundamento de toda a obra da salvação. Ela nasce no coração do Pai, manifesta-se plenamente em JESUS CRISTO e é aplicada pelo ESPÍRITO SANTO à vida daqueles que creem. Essa graça é gratuita, suficiente, transformadora e universal em sua oferta. Em CRISTO, DEUS removeu as barreiras que separavam judeus e gentios, formando um único povo para a glória do Seu nome. Por isso, a Igreja deve proclamar esse Evangelho a todas as pessoas, confiando que "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Rm 10.13).

 

 

III – CRESCENDO NA GRAÇA

A vida cristã não termina na conversão. Na realidade, a conversão representa apenas o início de uma jornada contínua de transformação, na qual o ESPÍRITO SANTO conduz o crente ao amadurecimento espiritual. A mesma graça que justifica é a graça que santifica; a mesma mão que nos tira das trevas nos conduz diariamente à estatura da plenitude de CRISTO (Ef 4.13).

Pedro encerra sua segunda epístola com uma exortação que resume toda a caminhada cristã:

"Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO." (2 Pe 3.18)

O verbo "crescer" indica um desenvolvimento progressivo. Assim como uma criança necessita de alimento para atingir a maturidade, o cristão necessita permanecer continuamente debaixo da influência da graça de DEUS.

O crescimento espiritual não ocorre automaticamente. Ele exige comunhão com CRISTO, submissão ao ESPÍRITO SANTO e perseverança nos meios da graça instituídos pelo próprio DEUS.


A SANTIFICAÇÃO COMO PROCESSO

É importante distinguir três momentos da obra salvadora de DEUS:

Etapa

O que DEUS faz

Resultado

Justificação

Declara o pecador justo

Nova posição diante de DEUS

Santificação

Transforma o caráter

Nova maneira de viver

Glorificação

Aperfeiçoa definitivamente o salvo

Sem pecado para sempre

 

A justificação acontece instantaneamente.

A santificação acontece continuamente.

A glorificação acontecerá na volta de CRISTO.


Palavra Grega

ἁγιασμός (Hagiasmós)

Significa:

·        santificação; separação; consagração.

Não significa isolamento do mundo. Significa pertencer completamente a DEUS.


A GRAÇA NÃO É ESTÁTICA

Existe um erro comum em muitos ambientes cristãos.

Pensar que a graça serve apenas para salvar.

A Bíblia ensina exatamente o contrário.

A graça:

·        salva; fortalece; consola; disciplina; amadurece; capacita; preserva.

Toda a vida cristã acontece dentro da esfera da graça.


Tabela

A Graça Atua em Toda a Vida Cristã

Antes da Conversão

Depois da Conversão

Convence do pecado

Santifica

Atrai para CRISTO

Consola

Produz arrependimento

Fortalece

Concede fé

Capacita para servir

Justifica

Preserva até a glorificação


1. COMO NOS APROXIMAR DO TRONO DA GRAÇA? (Hb 4.16)

O autor de Hebreus escreve:

"Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça..."

Essa talvez seja uma das expressões mais extraordinárias de toda a Epístola aos Hebreus.

Ela reúne três grandes doutrinas:

·        a mediação de CRISTO;

·        o sacerdócio celestial;

·        o livre acesso do crente à presença de DEUS.

No Antigo Testamento, apenas o sumo sacerdote entrava no SANTO dos Santos, e somente uma vez por ano, levando sangue de animais (Lv 16). Agora, porém, todos os que estão em CRISTO possuem livre acesso ao Pai por meio do sangue do Cordeiro.


Palavra Grega

θρόνος τῆς χάριτος (Thrónos tēs Cháritos)

Significa literalmente:

"O Trono da Graça."

É uma expressão exclusiva de Hebreus.


O que representa esse Trono?

No Antigo Testamento, o trono era símbolo de:

·        autoridade; governo; julgamento.

Em Hebreus, surpreendentemente,

o trono torna-se:

o lugar da graça.

O DEUS que reina é o mesmo DEUS que acolhe.

O Juiz é também o Salvador.


Tabela

Dois Tronos na Bíblia

Trono do Juízo

Trono da Graça

Ap 20

Hb 4

Condenação do ímpio

Misericórdia ao crente

Após a rejeição de CRISTO

Durante o tempo da graça

Justiça retributiva

Misericórdia restauradora


"Cheguemo-nos"

A palavra utilizada é:

προσερχώμεθα (Proserchṓmetha)

Significa: aproximar-se; entrar na presença; aproximar-se continuamente.

O verbo encontra-se no presente contínuo.

Isso indica ação constante. Não é um acesso ocasional. É um privilégio permanente.


COM CONFIANÇA

Outra palavra importante.

παρρησία (Parrēsía)

Significa: liberdade; ousadia; plena confiança.

Não significa irreverência.

Também não significa intimidade superficial.

É a segurança de quem sabe que foi aceito em CRISTO.


A BASE DESSA CONFIANÇA

Nossa confiança não está:

·        em nossa santidade; em nossa fidelidade; em nossas obras; em nossos méritos.

Nossa confiança repousa exclusivamente: na obra perfeita de CRISTO.


O SUMO SACERDOTE PERFEITO

Todo o contexto de Hebreus 4 aponta para JESUS.

Ele é:

·        nosso Mediador; nosso Advogado; nosso Intercessor; nosso Sumo Sacerdote.


Palavra Grega

ἀρχιερεύς (Archiereús)

Significa: Sumo Sacerdote.

No Antigo Testamento havia muitos. No Novo existe apenas Um. JESUS.


Comparação

Sacerdócio Levítico × Sacerdócio de CRISTO

Levítico

CRISTO

Muitos sacerdotes

Um único Sumo Sacerdote

Pecadores

SANTO

Sacrifícios repetidos

Sacrifício único

Temporário

Eterno

Entrava uma vez por ano

Intercede continuamente


CRISTO COMPREENDE NOSSAS FRAQUEZAS

Hebreus afirma: "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se..." (Hb 4.15)


Palavra Grega

συμπαθέω (Sympathéō)

Origem da palavra: Simpatia.

Significa:

Sofrer juntamente. Compreender profundamente. CRISTO conhece:

·        nossas tentações; nossas dores; nossas limitações; nossas lágrimas.

Mas permaneceu sem pecado.


Tabela

As Tentações de CRISTO

Área

Referência

Necessidades físicas

Mt 4

Poder

Mt 4

Glória

Mt 4

Sofrimento

Getsêmani

Rejeição

Cruz

CRISTO venceu todas.

Por isso pode fortalecer os Seus.


O QUE ENCONTRAMOS NO TRONO?

Hebreus responde.

Recebemos:

·        misericórdia; graça; socorro oportuno.


Palavra Grega

ἔλεος (Éleos)

Significa: Misericórdia. É DEUS não nos dando aquilo que merecemos.


χάρις (Cháris)

Graça. É DEUS nos dando aquilo que jamais mereceríamos.


Quadro Comparativo

Misericórdia

Graça

Não receber o castigo

Receber o favor

Remove a culpa

Concede bênçãos

Trata o passado

Constrói o futuro


SOCORRO EM OCASIÃO OPORTUNA

A expressão grega é belíssima.

εὔκαιρος βοήθεια (Eúkairos Boḗtheia)

Significa:

Ajuda no momento exato. Auxílio perfeitamente oportuno. DEUS nunca chega atrasado. Ele sempre chega na hora certa.


Aplicação Pastoral

O cristão não deve fugir da presença de DEUS quando peca. Deve correr para ela. Adão escondeu-se. Davi arrependeu-se. Pedro chorou. O filho pródigo voltou.

Todos encontraram graça.

A pior atitude do crente é imaginar que precisa primeiro tornar-se digno para depois aproximar-se de DEUS.

É justamente porque somos indignos que necessitamos do Trono da Graça.


Reflexão Teológica

O acesso ao trono da graça constitui um dos maiores privilégios da Nova Aliança. Na Antiga Aliança, o véu separava o pecador da presença divina. Com a morte de CRISTO, o véu do templo foi rasgado de alto a baixo (Mt 27.51), simbolizando que o caminho para DEUS foi definitivamente aberto. O crente não depende mais de um sacerdócio humano para aproximar-se do Pai; sua entrada é garantida pelo sangue de JESUS e pela Sua intercessão contínua.

Como afirma Hebreus 10.19-22, temos "ousadia para entrar no SANTO dos Santos". Essa ousadia não nasce da autoconfiança, mas da confiança no Salvador que vive para interceder por nós (Hb 7.25). Assim, o trono da graça permanece aberto diariamente, oferecendo perdão ao arrependido, força ao cansado, sabedoria ao confuso e esperança ao aflito.

 

 

III.3 – O QUE RECEBEMOS AO NOS ACHEGARMOS AO TRONO DA GRAÇA?

O escritor da Epístola aos Hebreus conclui sua exortação afirmando que aqueles que se aproximam do trono da graça recebem misericórdia, graça e socorro em ocasião oportuna (Hb 4.16). Essas três bênçãos resumem toda a provisão espiritual que DEUS oferece aos Seus filhos durante a peregrinação cristã.

É importante observar que o texto não diz que DEUS apenas concede dons materiais ou remove imediatamente todas as dificuldades. O maior presente do trono da graça é o próprio DEUS, que comunica Sua presença, Seu favor e Seu poder ao crente.

A vida cristã não é sustentada pelo esforço humano, mas pela graça continuamente derramada sobre aqueles que permanecem em CRISTO.


O PRIMEIRO PRESENTE: MISERICÓRDIA

O texto afirma: "...para que alcancemos misericórdia..." (Hb 4.16)

A palavra utilizada é:

Palavra Grega - ἔλεος (Éleos)

Significa: misericórdia; compaixão; piedade para com o necessitado.

No Antigo Testamento, a misericórdia aparece associada à fidelidade da aliança (חֶסֶד – ḥésed). No Novo Testamento, ela manifesta o coração compassivo de DEUS diante da miséria humana.

A misericórdia consiste em DEUS não aplicar ao pecador arrependido a condenação que justamente merecia.

Como afirmou Jeremias: "As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos." (Lm 3.22)


Misericórdia e Justiça

Há quem imagine que a misericórdia anula a justiça divina.

As Escrituras ensinam exatamente o contrário.

Na cruz, a justiça foi satisfeita para que a misericórdia pudesse ser oferecida.

A misericórdia nunca ignora o pecado.

Ela triunfa porque CRISTO suportou a penalidade do pecado.


Tabela

Justiça, Misericórdia e Graça

Atributo

O que significa

Justiça

DEUS dá aquilo que merecemos

Misericórdia

DEUS não nos dá o castigo merecido

Graça

DEUS nos concede aquilo que jamais poderíamos merecer


O SEGUNDO PRESENTE: GRAÇA CONTÍNUA

O autor continua: "...e achemos graça..."

Observe que o texto dirige-se a pessoas já convertidas.

Isso demonstra que a graça não atua apenas na conversão.

Ela acompanha toda a caminhada cristã.

Infelizmente muitos pensam:

"Fui salvo pela graça." Mas agora preciso viver pelas minhas forças.

A Bíblia ensina exatamente o oposto.

Paulo escreve: "Assim como recebestes CRISTO JESUS, o Senhor, assim também andai nele." (Cl 2.6)

Da mesma maneira que fomos salvos pela graça, continuamos vivendo pela graça.


Palavra Grega

εὑρίσκω (Heurískō)

Traduzida por:

"Achar." Significa: encontrar; descobrir; experimentar.

O crente descobre diariamente novas manifestações da graça de DEUS.


As Diversas Manifestações da Graça

A Escritura apresenta a graça sob diversos aspectos.

Graça Salvadora

Efésios 2.8 - Salva o pecador.


Graça Santificadora

Tito 2.11-12 - Ensina a viver piedosamente.


Graça Sustentadora

2 Coríntios 12.9 - Fortalece nas fraquezas.


Graça Capacitadora

Romanos 12.6 - Concede dons para servir.


Graça Glorificadora

1 Pedro 5.10 - Conduzirá o crente à perfeição eterna.


Tabela

A Graça ao Longo da Vida Cristã

Momento

Ação da Graça

Conversão

Justifica

Vida diária

Santifica

Ministério

Capacita

Sofrimento

Consola

Tentação

Fortalece

Morte

Sustenta

Eternidade

Glorifica


O TERCEIRO PRESENTE: SOCORRO DIVINO

Hebreus conclui:

"...para sermos ajudados em ocasião oportuna."


Palavra Grega

βοήθεια (Boḗtheia)

Significa: Auxílio.

Socorro. Ajuda eficaz.

É interessante observar sua origem.

Vem do verbo:

βοηθέω (boēthéō)

Literalmente: "Correr ao grito de alguém."

Que figura maravilhosa! Quando o filho de DEUS clama, o Pai responde.


DEUS conhece nossas necessidades

JESUS declarou: "Vosso Pai sabe o de que tendes necessidade." (Mt 6.8)

Ele conhece:

·        nossas lágrimas; nossas enfermidades; nossas crises; nossas dúvidas; nossas tentações. Nada escapa ao Seu olhar.


O SOCORRO DIVINO NÃO É APENAS LIVRAMENTO

Muitas vezes imaginamos que DEUS nos ajuda retirando imediatamente a dificuldade.

Nem sempre. Às vezes, Ele remove o problema. Outras vezes, Ele fortalece o crente para atravessar o problema. Foi exatamente isso que ocorreu com Paulo.


O ESPINHO NA CARNE

Paulo orou três vezes. A resposta foi: "A minha graça te basta."

Observe. DEUS não removeu imediatamente a dificuldade. Mas concedeu graça suficiente.


Palavra Grega

δύναμις (Dýnamis) Poder.

A continuação do texto afirma: "Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza."

A graça comunica poder espiritual.


A GRAÇA PRODUZ MATURIDADE

Existe uma diferença entre: receber graça e crescer na graça.

Pedro afirma: "Crescei na graça..." (2Pe 3.18)


Palavra Grega

αὐξάνω (Auxánō)

Significa: crescer; desenvolver-se; amadurecer.

O crescimento espiritual é contínuo. Nenhum cristão amadurece instantaneamente.


Características do Crente Maduro

 

Crente Imaturo

Crente Maduro

Instável

Perseverante

Facilmente ofendido

Misericordioso

Busca apenas bênçãos

Busca conhecer a DEUS

Oscila facilmente

Permanece firme

Vive pelas emoções

Vive pela Palavra


A GRAÇA E OS MEIOS DE SANTIFICAÇÃO

Embora a santificação seja obra do ESPÍRITO SANTO, DEUS estabeleceu instrumentos pelos quais fortalece Seu povo. Esses meios não produzem mérito. São canais pelos quais DEUS comunica Sua graça.


A Palavra

A Palavra ilumina. "Santifica-os na verdade." (Jo 17.17)


A Oração

A oração fortalece. "Perseverai em oração." (Cl 4.2)


A Comunhão

A comunhão protege. "Consideremo-nos uns aos outros." (Hb 10.24-25)


A Ceia do Senhor

A Ceia alimenta nossa esperança. Ela aponta:

para trás, lembrando a cruz.

Para o presente, fortalecendo a comunhão.

Para o futuro, anunciando a volta de CRISTO.


A Plenitude do ESPÍRITO SANTO

O ESPÍRITO SANTO continua produzindo:

·        santidade; poder; consolo; direção; discernimento.

Sem Sua atuação, o crescimento espiritual torna-se impossível.


Quadro Comparativo

Os Meios da Graça

Meio

Resultado Espiritual

Palavra

Sabedoria

Oração

Comunhão

Jejum

Dependência

Adoração

Alegria espiritual

Comunhão

Encorajamento

Ceia

Memória da redenção

ESPÍRITO SANTO

Capacitação


Reflexão Teológica

A tradição reformada costuma chamar esses instrumentos de "meios da graça", expressão também útil na teologia pentecostal, desde que corretamente compreendida. Não são meios automáticos de transmissão de bênçãos, nem possuem eficácia por si mesmos. Sua eficácia depende da ação do ESPÍRITO SANTO e da resposta de fé do crente.

Assim, a leitura da Palavra sem fé torna-se mero exercício intelectual; a oração sem sinceridade converte-se em formalismo; a Ceia sem discernimento perde seu propósito espiritual (1Co 11.27-29). A graça de DEUS opera nesses meios quando o coração se aproxima dEle com humildade e confiança.


A GRAÇA CONDUZ À GLORIFICAÇÃO

O crescimento espiritual não termina nesta vida.

Paulo afirma:

"Aos que justificou, a esses também glorificou."

(Rm 8.30)

A glorificação representa a consumação da graça.

Nesse dia:

·        não haverá pecado; não haverá morte;  não haverá lágrimas; não haverá tentações.

A graça alcançará sua expressão perfeita na presença eterna de CRISTO.

Como escreveu João: "Seremos semelhantes a Ele, porque o veremos como Ele é." (1Jo 3.2)


APLICAÇÃO ESPIRITUAL

O cristão não deve medir sua vida espiritual apenas pelas circunstâncias favoráveis. Crescer na graça significa aprender a depender de DEUS tanto nos dias de abundância quanto nos dias de provação. O trono da graça permanece aberto em todas as estações da vida. Nele encontramos perdão quando falhamos, força quando enfraquecemos, direção quando estamos confusos e esperança quando tudo parece perdido.

A maturidade cristã não consiste em precisar menos da graça, mas em reconhecer cada vez mais nossa total dependência dela. Quanto mais conhecemos a DEUS, mais compreendemos que "dele, por ele e para ele são todas as coisas" (Rm 11.36).


SÍNTESE DO CAPÍTULO III

O terceiro capítulo desta lição ensina que a graça de DEUS não apenas inicia a vida cristã, mas a sustenta até sua consumação. O acesso ao Trono da Graça, garantido pela mediação perfeita de CRISTO, oferece ao crente misericórdia, favor contínuo e auxílio oportuno. Alimentado pelos meios da graça — Palavra, oração, comunhão, Ceia e plenitude do ESPÍRITO SANTO — o cristão cresce em santidade e perseverança, aguardando o dia em que a graça será plenamente revelada na glorificação.

 

 

CONCLUSÃO GERAL

O Concílio de Jerusalém (Atos 15) representa um dos acontecimentos mais relevantes da história da Igreja Primitiva. Mais do que solucionar uma controvérsia doutrinária, ele preservou a pureza do Evangelho e definiu, de maneira inequívoca, que a salvação é concedida exclusivamente pela graça de DEUS, mediante a fé em JESUS CRISTO, e não pela observância da Lei mosaica ou por méritos humanos. A decisão conciliar não criou uma nova doutrina; apenas reconheceu oficialmente aquilo que DEUS já havia demonstrado por meio da conversão de Cornélio, da obra missionária de Paulo e Barnabé e do testemunho das Escrituras.

A graça divina, portanto, é o fundamento da salvação, da vida cristã e da missão da Igreja. Ela precede a resposta humana, desperta o pecador para DEUS, justifica o crente, promove sua regeneração, conduz sua santificação e culminará na glorificação eterna. Toda a economia da redenção está alicerçada na iniciativa soberana de DEUS, que, em CRISTO, reconciliou consigo o mundo.

Ao mesmo tempo, esta lição demonstra que a graça jamais deve ser confundida com permissividade moral. A mesma graça que perdoa é a graça que transforma; a mesma graça que justifica é a graça que santifica. O Evangelho não apenas livra da condenação do pecado, mas também concede poder para vencer o domínio do pecado. A verdadeira experiência da graça produz obediência, humildade, amor e perseverança.

Finalmente, o acesso ao Trono da Graça permanece aberto a todos aqueles que foram reconciliados com DEUS por meio de JESUS CRISTO. Nele encontramos misericórdia para o passado, graça para o presente e esperança para o futuro. Enquanto aguardamos a gloriosa manifestação de nosso Senhor, somos chamados a crescer continuamente na graça e no conhecimento de CRISTO, vivendo para Sua glória e anunciando este Evangelho a todas as nações.

Como sintetiza o apóstolo Pedro:

"Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO. A Ele seja dada a glória, assim agora como no dia da eternidade. Amém." (2Pe 3.18)


 

QUADRO TEOLÓGICO 1

A Ordem da Salvação (Ordo Salutis)

Etapa

Obra de DEUS

Referência

Chamado

DEUS chama o pecador

Rm 8.30

Arrependimento

Resposta à graça

At 3.19

Confiança em CRISTO

Ef 2.8

Justificação

Declaração de justiça

Rm 5.1

Regeneração

Novo nascimento

Jo 3.3

Adoção

Filiação divina

Rm 8.15

Santificação

Crescimento espiritual

1Ts 4.3

Perseverança

Preservação divina

Fp 1.6

Glorificação

Consumação da salvação

Rm 8.30


QUADRO TEOLÓGICO 2

A Graça em Toda a Bíblia

Livro

Manifestação da Graça

Gênesis

Promessa do Redentor

Êxodo

Libertação do Egito

Levítico

Sacrifícios expiatórios

Salmos

Misericórdia permanente

Isaías

Servo Sofredor

Evangelhos

CRISTO encarnado

Atos

Evangelho às nações

Epístolas

Doutrina da graça

Apocalipse

Glorificação eterna


QUADRO TEOLÓGICO 3

Lei e Graça

Lei

Graça

Revela o pecado

Remove o pecado

Condena

Justifica

Exige perfeição

Concede perdão

Mostra o caminho

Conduz ao Salvador

Não salva

Salva plenamente


QUADRO TEOLÓGICO 4

A Obra de CRISTO

Aspecto

Resultado

Encarnação

DEUS conosco

Vida perfeita

Obediência completa

Cruz

Expiação

Ressurreição

Vitória sobre a morte

Ascensão

Exaltação

Intercessão

Sustento da Igreja

Segunda Vinda

Consumação do Reino


QUADRO TEOLÓGICO 5

O Que a Graça Produz

Antes

Depois

Culpa

Perdão

Condenação

Justificação

Escravidão

Liberdade

Morte

Vida

Separação

Reconciliação

Medo

Paz

Desespero

Esperança


QUADRO TEOLÓGICO 6

Os Benefícios da Salvação

Benefício

Referência

Perdão

Ef 1.7

Paz com DEUS

Rm 5.1

Vida Eterna

Jo 3.16

Adoção

Gl 4.5

ESPÍRITO SANTO

Ef 1.13

Herança Celestial

1Pe 1.4


QUADRO TEOLÓGICO 7

Os Meios da Graça

Meio

Finalidade

Palavra

Alimentar a fé

Oração

Comunhão

Jejum

Dependência

Adoração

Exaltação

Comunhão

Edificação

Ceia

Memória da cruz

ESPÍRITO SANTO

Capacitação


QUADRO TEOLÓGICO 8

O Crescimento Cristão

Início

Processo

Consumação

Conversão

Santificação

Glorificação


QUADRO TEOLÓGICO 9

O Trono da Graça

Recebemos

Resultado

Misericórdia

Perdão

Graça

Fortalecimento

Socorro

Perseverança


QUADRO TEOLÓGICO 10

As Cinco Grandes Verdades da Lição

1.    A salvação é exclusivamente pela graça.

2.    CRISTO é a perfeita manifestação da graça.

3.    A graça é oferecida a todos os povos.

4.    O cristão deve crescer continuamente na graça.

5.    A Igreja deve proclamar esse Evangelho ao mundo inteiro.


RESUMO EXECUTIVO DA LIÇÃO

Tema

Síntese

Concílio de Jerusalém

Preservou a doutrina da salvação pela graça

Pedro

DEUS purifica pela fé

Paulo e Barnabé

DEUS confirma a missão gentílica

Tiago

As Escrituras confirmam a inclusão dos gentios

Graça

Favor imerecido de DEUS

CRISTO

Manifestação perfeita da graça

Igreja

Vive e anuncia essa graça

Crente

Cresce continuamente na graça


FRASES TEOLÓGICAS PARA DESTACAR NA AULA

·        A Lei revela o pecado; a graça remove o pecado.

·        A graça não recompensa méritos; cria uma nova vida.

·        A cruz é o encontro perfeito entre a justiça e a misericórdia de DEUS.

·        A Igreja cresce quando permanece fiel ao Evangelho da graça.

·        A verdadeira graça nunca conduz ao pecado, mas à santidade.

·        O Trono da Graça permanece aberto porque CRISTO permanece intercedendo.

·        O cristão nunca deixa de depender da graça; quanto mais amadurece, mais reconhece essa dependência.

·        A missão da Igreja existe porque a graça de DEUS alcança todas as nações.

·        A graça salva gratuitamente, mas custou infinitamente caro ao Salvador.

·        Onde a religião exige méritos, o Evangelho oferece CRISTO.

 

 

QUESTIONÁRIO – 20 PERGUNTAS E RESPOSTAS COMENTADAS

Lição: A Graça de DEUS – Um Presente de Salvação para Todos

Texto Base: Atos 15


1. Qual foi a principal controvérsia que levou à realização do Concílio de Jerusalém?

Resposta:

A controvérsia consistia na afirmação dos judaizantes de que os gentios convertidos deveriam ser circuncidados e guardar a Lei de Moisés para serem salvos (At 15.1,5).

Comentário

Essa discussão não era apenas sobre a circuncisão, mas sobre o próprio fundamento da salvação. Caso a posição dos judaizantes prevalecesse, a cruz de CRISTO seria insuficiente, pois a salvação dependeria da obra de CRISTO acrescida das obras da Lei. O Concílio preservou a essência do Evangelho ao afirmar que a justificação ocorre exclusivamente pela graça mediante a fé.


2. Quem eram os judaizantes?

Resposta:

Eram cristãos provenientes do judaísmo, especialmente do partido dos fariseus, que defendiam a obrigatoriedade da circuncisão e da observância da Lei mosaica para os gentios convertidos.

Comentário

Eles aceitavam JESUS como Messias, porém acreditavam que a Nova Aliança deveria permanecer subordinada às exigências cerimoniais da Antiga Aliança.


3. Qual foi o principal argumento apresentado por Pedro?

Resposta:

Pedro lembrou a conversão de Cornélio e afirmou que DEUS concedeu o ESPÍRITO SANTO aos gentios sem exigir circuncisão, purificando seus corações pela fé (At 15.7-11).

Comentário

Pedro demonstrou que DEUS já havia decidido a questão antes mesmo do Concílio.

A experiência de Atos 10 tornou-se uma poderosa evidência da aceitação divina dos gentios.


4. Qual foi a contribuição de Paulo e Barnabé para o Concílio?

Resposta:

Relataram os sinais, milagres e conversões ocorridos entre os gentios durante a primeira viagem missionária (At 15.12).

Comentário

Os milagres confirmavam que DEUS aprovava a evangelização dos gentios sem submetê-los à Lei mosaica.


5. Qual profeta foi citado por Tiago?

Resposta:

Amós.

(Amós 9.11-12)

Comentário

Tiago mostrou que a inclusão dos gentios não era novidade.

Ela já havia sido anunciada pelos profetas.

Assim, experiência e Escritura caminhavam juntas.


6. O que significa a palavra grega "χάρις" (cháris)?

Resposta:

Favor imerecido.

Bondade gratuita.

Dom concedido por DEUS.

Comentário

A graça não recompensa méritos.

Ela concede gratuitamente aquilo que CRISTO conquistou na cruz.


7. Qual é a diferença entre Lei e Graça?

Lei

Graça

Revela o pecado

Remove o pecado

Condena

Justifica

Exige obediência perfeita

Oferece perdão em CRISTO

Comentário

A Lei jamais foi instrumento de salvação.

Sua função era conduzir o pecador até CRISTO (Gl 3.24).


8. O que significa "justificação"?

Resposta

É o ato jurídico pelo qual DEUS declara justo o pecador que crê em CRISTO.

Palavra Grega

δικαίωσις
(Dikaíōsis)


9. A graça incentiva o pecado?

Resposta

Não.

Pelo contrário.

Ela produz santificação.

Comentário

Paulo responde claramente:

"Permaneceremos no pecado para que a graça aumente?"

Resposta:

"De modo nenhum."

(Romanos 6.1-2)


10. O que significa crescer na graça?

Resposta

É amadurecer espiritualmente, tornando-se cada vez mais semelhante a CRISTO.

Comentário

O crescimento envolve:

·        conhecimento bíblico; comunhão; santificação; obediência; perseverança.


11. O que representa o Trono da Graça?

Resposta

Representa o livre acesso do crente à presença de DEUS por meio da mediação de CRISTO.

(Hb 4.16)

Comentário

O antigo SANTO dos Santos era inacessível.

Agora, por causa da cruz,

todo salvo pode aproximar-se confiadamente do Pai.


12. O que recebemos ao nos aproximarmos do Trono da Graça?

Resposta

·        misericórdia;

·        graça;

·        socorro oportuno.

(Hb 4.16)


13. Quais são os principais meios da graça?

Resposta

·        Palavra de DEUS;

·        oração;

·        jejum;

·        adoração;

·        comunhão;

·        Ceia do Senhor;

·        plenitude do ESPÍRITO SANTO.

Comentário

Esses meios não salvam.

São instrumentos utilizados por DEUS para fortalecer a vida espiritual do crente.


14. O que significa "socorro em ocasião oportuna"?

Palavra Grega

εὔκαιρος βοήθεια
(eúkairos boḗtheia)

Resposta

É a ajuda de DEUS no momento exato da necessidade.

Comentário

DEUS nunca chega atrasado.

Sua providência é perfeita.


15. Por que CRISTO é chamado de Sumo Sacerdote?

Resposta

Porque Ele representa eternamente Seu povo diante do Pai e intercede continuamente pelos salvos.

(Hb 7.25)


16. A quem a graça é oferecida?

Resposta

A todos.

Judeus.

Gentios.

Homens.

Mulheres.

Todas as nações.

Comentário

A oferta da salvação é universal.

Sua aplicação é recebida mediante arrependimento e fé em JESUS CRISTO.


17. Qual foi a importância histórica do Concílio de Jerusalém?

Resposta

Preservou a pureza do Evangelho e garantiu a expansão missionária da Igreja entre os gentios.

Comentário

Sem essa decisão,

o Cristianismo poderia ter permanecido como uma seita judaica.


18. Qual a relação entre graça e santificação?

Resposta

A mesma graça que salva é a graça que santifica.

Comentário

Tito 2.11-12 ensina que a graça nos educa a renunciar à impiedade e a viver de maneira justa, piedosa e sóbria.


19. Qual a missão da Igreja diante dessa doutrina?

Resposta

Anunciar o Evangelho da graça a todas as nações.

Comentário

A Igreja existe para glorificar a DEUS proclamando CRISTO ao mundo inteiro.


20. Qual é a principal lição de Atos 15 para a Igreja atual?

Resposta

A Igreja deve preservar a pureza doutrinária, resolver suas controvérsias à luz das Escrituras, depender da direção do ESPÍRITO SANTO e proclamar que a salvação é exclusivamente pela graça mediante a fé em JESUS CRISTO.

Comentário

O Concílio de Jerusalém continua sendo um modelo para a Igreja contemporânea. Ele demonstra que questões doutrinárias não podem ser resolvidas apenas por tradição, experiência ou opinião humana. A decisão deve sempre harmonizar a ação do ESPÍRITO SANTO com o testemunho das Escrituras, preservando a centralidade de CRISTO e a suficiência de Sua obra redentora.


CONSIDERAÇÕES FINAIS PARA O PROFESSOR DA EBD

Objetivos da Aula

Ao concluir esta lição, o professor deve levar os alunos a compreender que:

·        A salvação é um dom gratuito da graça de DEUS, recebido exclusivamente mediante a fé em JESUS CRISTO.

·        O Concílio de Jerusalém preservou a pureza do Evangelho ao rejeitar qualquer forma de salvação baseada em obras da Lei.

·        A graça não apenas justifica, mas também santifica e fortalece o crente ao longo de toda a vida cristã.

·        CRISTO é a manifestação perfeita da graça divina e o único Mediador entre DEUS e os homens.

·        A Igreja possui a responsabilidade permanente de anunciar esse Evangelho a todas as pessoas, sem distinção de etnia, cultura ou condição social.

Aplicações Práticas

1.    Valorize a suficiência da obra de CRISTO, evitando qualquer confiança em méritos pessoais ou práticas religiosas como meio de salvação.

2.    Cultive uma vida de dependência da graça, aproximando-se diariamente do Trono da Graça por meio da oração e da Palavra.

3.    Cresça espiritualmente, utilizando os meios da graça que DEUS concedeu à Igreja.

4.    Defenda a sã doutrina com humildade, amor e fidelidade às Escrituras.

5.    Comprometa-se com a missão, proclamando que "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Rm 10.13).


Citação Teológica

Como sintetizou de maneira memorável John Stott:

"O cristianismo é, acima de tudo, uma religião da graça. Não somos salvos porque merecemos, mas porque DEUS, em CRISTO, fez por nós aquilo que jamais poderíamos fazer por nós mesmos."

Essa afirmação resume o ensino de Atos 15: a Igreja permanece unida quando mantém CRISTO e Sua graça no centro da fé, da comunhão e da missão.

 

 

 

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LIÇÃO ANTIGA SOBRE O MESMO ASSUNTO

Lição 2, CPAD, A Sutileza Da Banalização Da Graça

PIX - 33195781620 meu CPF - Luiz Henrique de Almeida Silva

 

TEXTO ÁUREO
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS.” (Ef 2.8)

 


VERDADE PRÁTICA
A graça de DEUS não é barata. Ela requer arrependimento, novo comportamento, ou seja, nova vida em CRISTO.

 

 

Ajuda

Video - https://youtu.be/qJS_Po1lTA4

Escrita

https://ebdnatv.blogspot.com/2022/07/escrita-licao-2-sutileza-da-banalizacao.html

Slides

https://ebdnatv.blogspot.com/2022/07/slides-licao-2-sutileza-da-banalizacao.html

Lição 5, A Maravilhosa Graça, Completo 75 min, 2º Trimestre de 2016 -  https://youtu.be/WZtrCrI2JS4

 

LEITURA DIÁRIA
Segunda - 1 Co 1.21 DEUS achou por bem salvar
Terça - Rm 3.10 Não há um só justo diante de DEUS
Quarta - Gn 3.17 A responsabilidade humana
Quinta - Rm 5.12b; Gn 3.23 A nefasta consequência do pecado
Sexta - 1 Tm 2.5; Jo 3.16 A graça de DEUS é oferecida a todos
Sábado - Mc 16.16; Jo 6.47 A graça de DEUS é eficaz para quem crer

 


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Efésios 2.4-10
4 - Mas DEUS, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, 5 - estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com CRISTO (pela graça sois salvos), 6 e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em CRISTO JESUS; 7 - para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em CRISTO JESUS. 8 - Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS. 9 - Não vem das obras, para que ninguém se glorie. 10 - Porque somos feitura sua, criados em CRISTO JESUS para as boas obras, as quais DEUS preparou para que andássemos nelas.

 

BEP, CPAD (com algumas modificações do Pr. Henrique)

2.8 PELA GRAÇA... POR MEIO DA FÉ.

FÉ E GRAÇA - Graça é JESUS e sua obra salvífica, fazendo parte disso também a ressurreição.
Rm 5.21 “Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por JESUS CRISTO, nosso Senhor.”

Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se, com a tua boca, confessares ao Senhor JESUS e, em teu coração, creres que DEUS o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Romanos 10:8-10

Visto como, na sabedoria de DEUS, o mundo não conheceu a DEUS pela sua sabedoria, aprouve a DEUS salvar os crentes pela loucura da pregação. 1 Coríntios 1:21

De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de DEUS. Romanos 10:17

em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios 1:13
A salvação é um dom da graça de DEUS, mas somente podemos recebê-la em resposta à fé, do lado humano. Para entender corretamente o processo da salvação, precisamos entender essas duas palavras: Fé e Graça
FÉ SALVÍFICA. A fé em JESUS CRISTO e sua obra redentora é a única condição prévia que DEUS requer do homem para a salvação (Ef 1.13). A fé não é somente uma confissão a respeito de CRISTO, mas também uma ação dinâmica, que brota do coração do crente que quer seguir a CRISTO como Senhor e Salvador (cf. Mt 4.19; 16.24; Lc 9.23-25; Jo 10.4, 27; 12.26; Ap 14.4).
O conceito de fé no NT abrange quatro elementos principais: (a) Fé significa crer e confiar firmemente no CRISTO crucificado e ressurreto como nosso Senhor e Salvador pessoal (ver Rm 1.17; 10.9,10). Importa em crer de todo coração (At 8.37; Rm 6.17; Ef 6.6; Hb 10.22), ou seja: entregar a nossa vontade e a totalidade do nosso ser a JESUS CRISTO tal como Ele é revelado no NT.
Fé inclui arrependimento, i.e., desviar-se do pecado com verdadeira tristeza (At 17.30; 2Co 7.10) e voltar-se para DEUS através de CRISTO. Fé salvífica é sempre fé mais arrependimento (At 2.37,38; ver Mt 3.2).
A fé inclui obediência a JESUS CRISTO e à sua Palavra, como maneira de viver inspirada por nossa fé, por nossa gratidão a DEUS e pela obra regeneradora do ESPÍRITO SANTO em nós (Jo 3.3-6; 14.15, 21-24; Hb 5.8,9). É a “obediência que provém da fé” (Rm 1.5). Logo, fé e obediência são inseparáveis (cf. Rm 16.26). A fé salvífica sem uma busca dedicada da santificação é ilegítima e impossível.
A fé inclui sincera dedicação pessoal e fidelidade a JESUS CRISTO, que se expressam na confiança, amor, gratidão e lealdade para com Ele. A fé, no seu sentido mais elevado, não se diferencia muito do amor. É uma atividade pessoal de sacrifício e de abnegação para com CRISTO (cf. Mt 22.37; Jo 21.15-17; At 8.37; Rm 6.17; Gl 2.20; Ef 6.6; 1Pe 1.8).
A fé em JESUS como nosso Senhor e Salvador é tanto um ato de um único momento, como uma atitude contínua para a vida inteira, que precisa crescer e se fortalecer (ver Jo 1.12). Porque temos fé numa Pessoa real e única que morreu por nós (Rm 4.25; 8.32; 1Ts 5.9,10), nossa fé deve crescer (Rm 4.20; 2Ts 1.3; 1Pe 1.3-9). A confiança e a obediência transformam-se em fidelidade e devoção (Rm 14.8; 2Co 5.15); nossa fidelidade e devoção transformam-se numa intensa dedicação pessoal e amorosa ao Senhor JESUS CRISTO (Fp 1.21; 3.8-10; ver Jo 15.4; Gl 2.20).

GRAÇA. No AT DEUS revelou-se como o DEUS da graça e misericórdia, demonstrando amor para com o seu povo, não porque este merecesse, mas por causa da fidelidade de DEUS à sua promessa feita a Abraão, Isaque e Jacó (ver Êx 6.9). Os escritores bíblicos dão prosseguimento ao tema da graça como sendo a presença e o amor de DEUS em CRISTO JESUS, transmitidos aos crentes pelo ESPÍRITO SANTO, e que lhes outorga misericórdia, perdão, querer e poder para fazer a vontade de DEUS (Jo 3.16; 1Co 15.10; Fp 2.13; 1Tm 1.15,16). Toda atividade da vida cristã, desde o seu início até o fim, depende desta graça divina.


2.9 NÃO VEM DE OBRAS. Ninguém poderá ser salvo pelas obras e boas ações, ou por tentar guardar os mandamentos de DEUS. Seguem-se as razões:

(1) Todos os não alvos estão espiritualmente mortos (v. 1), sob o domínio de Satanás (v. 2), escravizados pelo pecado (v. 3) e sujeitos à condenação divina (v. 3).

(2) Para sermos salvos precisamos receber a provisão divina da salvação (vv. 4,5), ser perdoados do pecado (Rm 4.7,8), ser espiritualmente vivificados (Cl 1.13), ser feitos novas criaturas (v. 10; 2 Co 5.17) e receber o ESPÍRITO SANTO (Jo 7.37-39; 20.22). Nenhum esforço da nossa parte poderá realizar essas coisas.

(3) O que opera a salvação é a graça de DEUS mediante a fé (vv. 5,8). O dom salvífico de DEUS inclui os seguintes passos: "em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa"; Efésios 1:13.

1- Ouvir a Pregação do evangelho (em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios 1:13).

2- Arrependimento de pecados (e dizendo: O tempo está cumprido, e o Reino de DEUS está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho. Marcos 1:15)

3- Crer na Pregação (Fé - em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios 1:13)

4- Confessar a JESUS como único salvador e Senhor (Rm 10.9,10).

5- Receber o ESPÍRITO SANTO (em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios 1:13)  


HINOS SUGERIDOS: 37, 79, 205 da Harpa Cristã

 


PALAVRA-CHAVE - Banalização

 

 

Resumo da Lição 2, A Sutileza Da Banalização Da Graça

I – COMPREENDENDO A GRAÇA
1. A graça é divina.

2. A graça é imerecida.

II - A GRAÇA NO CONTEXTO BÍBLICO
1. A necessidade da graça.

2. A extensão da graça.

III – A GRAÇA NO CONTEXTO DA REFORMA
1. A corrupção da doutrina da graça.

2. A restauração da doutrina graça.

IV – A GRAÇA NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO

1. A graça barateada.

2. O valor da graça.

 

 

 Resumo super-rápido

I – COMPREENDENDO A GRAÇA
1. A graça é divina. DEUS arquitetou o plano de salvação. ELE vem a nós.

2. A graça é imerecida. Não é por obras, não é por merecimento, é por amor de DEUS.

II - A GRAÇA NO CONTEXTO BÍBLICO
1. A necessidade da graça. JESUS morreu em nosso lugar na cruz, A justiça foi feita.

2. A extensão da graça. Para todos, mas só entra quem tiver fé na obra de JESUS.

III – A GRAÇA NO CONTEXTO DA REFORMA
1. A corrupção da doutrina da graça. Católicos romanos vendiam indulgências e a salvação era ensinada como merecimento.

2. A restauração da doutrina graça. A reforma trouxe o estudo maior. Salvação pela graça mediante a fé.

IV – A GRAÇA NO CONTEXTO CONTEMPORÂNEO

1. A graça barateada. Alguns naõ valorizam o alto valor, o sangue e sacrifício de JESUS.

2. O valor da graça. Alguns pensam que podem dizer e fazer de tudo e mesmo assim serem salvos.

 

Graça é JESUS e sua obra salvífica, fazendo parte disso também a ressurreição.

Porque a graça de DEUS se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, Tito 2:11

Sempre dou graças ao meu DEUS por vós pela graça de DEUS que vos foi dada em JESUS CRISTO. 1 Coríntios 1:4

Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por JESUS CRISTO. João 1:17

Se, com a tua boca, confessares ao Senhor JESUS e, em teu coração, creres que DEUS o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Romanos 10:9

 

 

Não há nada que possamos fazer para sermos salvos

Mas, se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Romanos 11:6

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Efésios 2:8,9 (Dom de DEUS é a graça, o meio da salvação - a fé é nossa, é o instrumento).

 

 

Entramos para a graça por meio da fé ao ouvirmos o evangelho.

em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o ESPÍRITO SANTO da promessa; Efésios 1:13

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS. Efésios 2:8 (Dom de DEUS é a graça, o meio da salvação - a fé é nossa, é o instrumento).

 

 

Evangelho da Graça exige renúncia

Então, disse JESUS aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; Mateus 16:24

ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente, Tito 2:12

 

 

A Misericórdia de DEUS não nos dá o que merecemos (merecemos a morte porque pecamos, mas DEUS satisfaz sua justiça em CRISTO - Rm 3.23; 5.12; Is 53.4-12).

A Graça de DEUS nos dá o que não merecemos (não merecemos sermos salvos, ma DEUS nos dá a salvação se crermos na obra que JESUS fez por nós - Ef 1.13; 2.8)

Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de DEUS é a vida eterna, por CRISTO JESUS, nosso Senhor. Romanos 6:23

 

 

Nossa Lição fala da existência do livre-arbítrio e do sacrifício de JESUS por todos os homens (Doutrinas básicas de nossa fé cristã pentecostal). O calvinismo prega exatamente contra estas duas doutrinas - Para eles o homem nao tem capacidade de escolha, DEUS já escolheu quem vai para o céu e quem vai para o inferno. Para eles JESUS só morreu por algumas pessoas, as que escolheu para serem salvas.

 

 

 

Objeções ao Calvinismo e ao salvo para sempre dos batistas tradicionais

 

Calvinistas ensinam que o crente nunca perde a salvação, pois foi escolhido por DEUS (doutrina da perseverança).

1. Primeira objeção
A doutrina da perseverança invalida as advertências sobre a necessidade que os crentes tem de se esforçarem para permanecerem na fé (Mt 10:22; Lc 13:24; Jo 8:31; Jo 15:5; 1 Co 16:13; Cl 1:29; Hb 3:14; Tg 2:5; Ap 2:10; Ap 3:11).

2. Segunda objeção
“os casos de apostasia” que se encontram registrados na Bíblia. Por exemplo Judas Iscariotes (Mc 3:14,19; Jo 18:2), Simão o mago (At 8:9-24) e Demas (2 Tm 4:10).

3. Terceira objeção
Qualquer verdadeiro crente pode perder a sua salvação. 
a) Aqueles que uma vez foram iluminados. 
b) Tornaram-se participantes do ESPÍRITO SANTO. 
c) Provaram da boa Palavra de DEUS. 
d) Provaram dos poderes do mundo vindouro. 
e) É impossível renová-los para arrependimento.

4. Quarta objeção
A doutrina da perseverança dos santos torna fútil toda exortação e mandamento bíblico.

5. Quinta objeção
A doutrina da perseverança dos santos pode nutrir um sentimento de segurança carnal numa pessoa não convertida.

6. Sexta objeção
A doutrina da perseverança dos santos conduz à uma vida indolente e imoral. (Rm 6:14; Ef 1:4)

7. Sétima objeção
A doutrina da perseverança dos santos não se harmoniza com a liberdade humana.

8. Oitava objeção
A doutrina da Perseverança dos Verdadeiros Crentes anula a responsabilidade humana.

Doutrina Dos batistas diz: "uma vez salvos, salvos para sempre"
* Dos calvinistas diz: DEUS vai te guardar do pecado e você Alcançará a salvação pois DEUS te escolheu antes da fundação do mundo para ser salvo e como Ele é soberano não permitirá que você morra apóstata mesmo que tenha vivido a vida toda de crente na apostasia.

A Bíblia ensina que o crente pode perseverar na sua fé, mas também pode deixar de perseverar e cair em apostasia e perder sua salvação.
Paulo diz que não atingiu a perfeição - isso nos mostra que a doutrina calvinista da perfeição do crente aqui na Terra é falsa e incoerente com a Bíblia.
Não que já a tenha alcançado, ou que seja perfeito; mas prossigo para alcançar aquilo para o que fui também preso por CRISTO JESUS. Filipenses 3:12

Ananias e Safira perderam a salvação - Então Pedro lhe disse: Por que é que entre vós vos concertastes para tentar o ESPÍRITO do Senhor? Eis aí à porta os pés dos que sepultaram o teu marido, e também te levarão a ti. E logo caiu aos seus pés, e expirou. E, entrando os moços, acharam-na morta, e a sepultaram junto de seu marido. E houve um grande temor em toda a igreja, e em todos os que ouviram estas coisas. E muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E estavam todos unanimemente no alpendre de Salomão. Atos 5:9-12

É POSSÍVEL UM CRENTE TER SEU NOME RISCADO DO LIVRO DA VIDA??? Evidente que sim.
Êx 32.32 Agora, pois, perdoa o seu pecado; se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens escrito. CLARO QUE É PÓSSÍVEL PERDER A SALVAÇÃO.

Tem gente que não sabe nada sobre presciência de DEUS - Presciência significa saber antes e não interferir antes.
Na Bíblia vemos vários crentes salvos que depois apostataram da fé e foram excluídos da salvação. - Por exemplo Judas Iscariotes (Mc 3:14,19; Jo 18:2), Simão o mago (At 8:9-24) e Demas (2 Tm 4:10).

Dia destes um pastor famoso se matou - Assassinou a si mesmo. Perdeu a salvação.
O calvinismo ensina que não se perde a salvação porque DEUS não deixa os escolhidos se perderem. Lorota. Não vigia não para ver...

Efésios 2: 8. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de DEUS; 9. não vem das obras, para que ninguém se glorie.
Graça é JESUS morrendo por nós na cruz e ressuscitando. Isso é que é dom de DEUS (deu de presente, sem merecimento nosso). A fé é nossa e é individual. VEJA JESUS FALANDO QUE A FÉ É DO HOMEM - E logo JESUS, estendendo a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste? Mateus 14:31 
E JESUS lhes disse: Por causa de vossa incredulidade; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível. Mateus 17:20
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de DEUS é a vida eterna, por CRISTO JESUS nosso Senhor. Romanos 6:23

Calvinista diz que Apocalipse não pertence a bíblia - Chegam a dizer que história e é mentira o que está ali registrado.
E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, DEUS tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro. Apocalipse 22:19
A doutrina calvinista quer tirar da igreja as manifestações do ESPÍRITO SANTO, pois o diabo sabe que isso é que atrai pessoas para o evangelho e comprova o verdadeiro evangelho.
Calvinismo é seita herética - CUIDADO com os falsos "irmãos".
E Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor. Lucas 6:16
Em viagens muitas vezes, em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; 2 Coríntios 11:26
E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em CRISTO JESUS, para nos porem em servidão; Gálatas 2:4

 

 

Calvinistas dizem que a graça é irrestível.

A graça de DEUS pode ser resistida (Hb 12.15), recebida em vão (2Co 6.1), apagada (1Ts 5.19), anulada (Gl 2.21) e abandonada pelo crente (Gl 5.4).

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não quiseste? Lucas 13:34

a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. João 3:19.

Do que desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas, 1 Timóteo 1:6

Porque já algumas se desviaram, indo após Satanás. 1 Timóteo 5:15

a qual professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja contigo. Amém! 1 Timóteo 6:21

para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar. Atos 1:25

Do que desviando-se alguns, se entregaram a vãs contendas, 1 Timóteo 1:6

a qual professando-a alguns, se desviaram da fé. A graça seja contigo. Amém! 1 Timóteo 6:21

os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns. 2 Timóteo 2:18

para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar. Atos 1:25

Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador JESUS CRISTO, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça do que, conhecendo- o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado. 2 Pedro 2:20, 21

E nós, cooperando também com ele, vos exortamos a que não recebais a graça de DEUS em vão 2 Coríntios 6:1

Não extingais o ESPÍRITO. 1 Tessalonicenses 5:19

Não aniquilo a graça de DEUS; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que CRISTO morreu debalde. Gálatas 2:21

Separados estais de CRISTO, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído. Gálatas 5:4

 

 

ENSINOS PERIGOSOS DE CALVINO

 A quarta e última Instituta de João Calvino vai abordar vários assuntos cristãos, dentre eles, a ceia do senhor, ataque aos sacramentos católicos, vida e práticas cristãs, eclesiologia e governo civil. Após ler, identifiquei vários pontos interessantes e com base bíblica, mas infelizmente achei alguns trechos que confrontam tanto os volumes anteriores, quanto o calvinismo atual no Brasil. Antes, a título de curiosidade, Calvino tem uma ideia peculiar acerca da ceia do Senhor. Ele defendia a prática semanal: “Pois bem, é necessário proceder doutra forma. Ao menos uma vez por semana se deve oferecer à congregação dos cristãos a Ceia do Senhor; e devem ser proclamadas as promessas que, presentes nela, nos renovam e nos nutrem espiritualmente. Certamente ninguém deve ser constrangido a participar, mas todos devem ser exortados e, quem se mostrar negligente, deve ser repreendido e corrigido. Então, que todos, como que famintos espiritualmente, se reúnam para tão feliz refeição.” (Institutas, vol. 4, art. 35, pg. 32) Um pouco a frente já percebemos uma contradição. Calvino afirma que o diabo que cega as pessoas, porém no volume 1, Calvino ensina que é DEUS quem cega: “Foi feito isso quando Satanás cegou quase todo o mundo para o pestilento erro de crer que a missa é sacrifício e oblação para impetrar a remissão dos pecados. Bem sei quanto essa praga se arraigou, oculta sob grande aparência de virtude, acobertando-se sob o nome de JESUS CRISTO, ao ponto de muitos pensarem que a palavra missa inclui plenamente a súmula da fé. (Institutas, vol. 4, art. 35, pg. 32) “DEUS cega, endurece e impulsiona os maus, dos quais Ele tira a capacidade de ver, de obedecer e de fazer o bem.” (Institutas, vol. 1, art. 68, pg. 139) “Quanto a isso, qualquer pessoa que não esteja completamente cega vê aí a ousadia de Satanás em sua resistência à verdade de DEUS e em seu combate contra ela, sendo que a verdade de DEUS é tão aberta e manifesta! Não me é oculto com quantas e quais ilusões o pai da mentira tem o costume de acobertar esta sua astúcia, querendo persuadir-nos de que não se trata de muitos nem diferentes sacrifícios, mas de um só e o mesmo sacrifício repetido muitas vezes.” (Institutas, vol. 4, art. 38, pg. 37) Nos volumes anteriores, Calvino afirma que uma obra do diabo pode ser chamada obra de DEUS (Institutas, vol. 1, art. 68, pg. 138) mas aqui diz que satanás resiste às verdades de DEUS. Se Calvino estivesse certo, DEUS ordenou o diabo resistir contra Ele mesmo. Inclusive, toda obra demoníaca na terra, seria ordem de DEUS, que ordenou na eternidade o inferno atacá-lo. Eu sentiria vergonha de crer em tamanha blasfêmia. Chega ser cômico. Seja anátema tais heresias. Não podemos aceitar essas afirmações. Na Página 40 temos mais contradição: “Antes de terminar, interrogo os nossos doutores de missas nestes termos: Visto que eles sabem que “o obedecer é melhor do que o sacrificar” e que DEUS exige obediência à Sua voz, sendo que Ele não ordena que Lhe sejam feitos sacrifícios, como pensam que esse tipo de sacrifício pode ser agradável a DEUS, uma vez que não há nenhum mandamento que o exija e que eles veem que não há nenhuma sílaba da Escritura que o aprove?” (Institutas, vol. 4, art. 40, pg. 40). Como DEUS vai exigir algo que só será feito se Ele ordenar? Como DEUS exortará seu povo a obedecer, se é Ele que ordena todos os fatos, inclusive os sentimentos? Completamente sem lógica tal doutrina. Se DEUS ordenou absolutamente todos os fatos, como DEUS vai cobrar de nós algo que somente Ele teve o poder de tornar certo? Calvino em certa parte de sua teologia defendia o batismo por aspersão (jogar um pouco de água na cabeça) mas na passagem a seguir o reformador cita a questão da forma batismal como irrelevante: “De resto, não importará nem um pouco se no Batismo se mergulhar totalmente o batizando na água, ou se simplesmente se derramar água sobre ele. Mas, conforme a diversidade das regiões, isso deve ser deixado à livre decisão das igrejas. Porque em ambos os casos o sinal está representado. Isso tudo levando-se em conta que a palavra batizar significa imergir completamente e que é certo que antigamente se praticava a imersão completa na igreja.” (Institutas, vol. 4, art. 48, pg. 48) Em outros volumes, vimos João Calvino afirmando a continuidade dos dons do ESPÍRITO, porém na passagem a seguir, novamente ele nega: “Mas esse poder ou virtude maravilhosa e as operações manifestas distribuídas mediante a imposição das mãos, cessaram, e só foram concedidas durante algum temo. Porque era necessário que a nova pregação do Evangelho e o novo reino de CRISTO fossem exaltados e engrandecidos por milagres jamais vistos nem experimentados. Quando o Senhor os fez cessar, não significa que por isso abandonou a Sua igreja, mas, com isso deixou claro que a magnificência do Seu reino e a dignidade da Sua Palavra são manifestas de maneira suficientemente grandiosa.” (Institutas, vol. 4, art. 5, pg. 53) Na página 64 Calvino nega o dom de curar: “Ora, é comum e habitual que na Escritura o ESPÍRITO SANTO e Seus dons sejam simbolizados pelo óleo. De resto, essa graça ou esse dom de curar doenças não tem mais lugar, como também os demais milagres, os quais o Senhor quis que fossem realizados por um tempo para tornar a novel pregação do Evangelho eternamente admirável.” (Institutas, vol. 4, art. 5, pg. 53) Tal afirmação não tem base nas escrituras. DEUS e seu ESPÍRITO continuam os mesmos. Contradição absurda, pois em escritos anteriores Calvino defende claramente os dons espirituais. Calvino era a favor do consumo de vinho e música secular “Nenhum lugar se proíbe ao homem rir ou fartar-se ou adquirir novas propriedades ou deleitar-se com instrumentos musicais e beber vinho.” (Institutas, vol. 4, art. 14, pg. 96) Olhe o absurdo. Calvino muda de ideia e volta defender os dons espirituais: “Igualmente não nego que os dons de DEUS, diversos como são, são distribuídos diversamente,” (Institutas, vol. 4, art. 22, pg. 120) Os quatros volumes têm essa característica: por um momento João Calvino afirma algo ou uma crença, capítulos a frente ele nega ou refuta a própria explicação. No artigo 12 da página 154, Calvino alega ser legitimo a pena de morte. Caso o leitor não conheça esse lado sombrio de Calvino, sugiro uma rápida pesquisa na internet sobre o médico herege Miguel Servet (1511-1553), morte em fogueira por crime de blasfêmia e heresia. Calvino teve envolvimento polêmico nessa execução. Veja o que o reformador diz sobre vingar: “Certo é que não cabe aos crentes fazer mal nem causar dano. Mas também, vingar, pelo mandado de DEUS, as aflições dos dons não é fazer mal sem causar dano.” (Institutas, vol. 4, art. 12, pg. 154) Existem muitos relatos históricos que prisões, torturas e execuções em Genebra enquanto Calvino era pastor e conselheiro político. Quem gostaria de fontes de mais informações, sugiro o excelente livro “O lado negro do Calvinismo” de George Bryson. Calvino também defendia guerra: “Considerando, pois, que às vezes é necessário que os reis e seus povos empreendam a guerra para impor justa vingança, podemos por isso considerar igualmente legítimas as guerras que visem a este fim.” (Institutas, vol. 4, art. 13, pg. 156) “E se com justiça punem os salteadores, que causam danos a poucas pessoas, deverão deixar que uma região inteira seja humilhada e saqueada sem lhes fazer a devida oposição? Porque pouco importa quem invada sem justa causa terras alheias para pilhagens e assassinatos – pouco importa se o invasor é rei ou plebeu, todos quantos agem dessa forma devem ser considerados bandidos, e devem ser punidos como bandidos.” (Institutas, vol. 4, art. 13, pg. 156) - 162 - “Pois é preciso que façamos tudo muito melhor do que nos é ensinado pelos pagãos, um dos quais disse que “a guerra não deve ter outra finalidade senão a de buscar a paz”; certamente é preciso tentar todos os meios possíveis, antes de apelar para as armas.” (Institutas, vol. 4, art. 14, pg. 157) Calvino acaba de defender o uso da guerra armada e se vingar dos ímpios, porém logo adiante ele diz: “Também não somos contrários às palavras de CRISTO por meio das quais Ele nos proíbe resistir ao mal e nos manda voltar a face esquerda a quem nos ferir a direita, e dar também a capa a quem demandar tirar-nos a túnica. O Senhor diz isso porque certamente exige que o coração dos Seus servos se desfaça por completo do desejo de vingança, preferindo sofrer injúria em dobro a pensar num modo de devolvê-la à altura; paciência que também reconhecemos que não devemos eliminar do coração. Porque é geralmente necessário que os cristãos sejam como um povo nascido e formado para sofrer injúrias e afrontas, e para estar sujeito à maldade, às trapaças e à zombaria dos maus elementos (Institutas, vol. 4, art. 24, pg. 164) Na Página 195, Calvino afirma que devemos aceitar sermos governados por DEUS. Afirmação bem arminiano. (Institutas, vol. 4, art. 19, pg. 195) - Nas outras institutas, Calvino deixa claro que tudo foi decretado por DEUS, até quem será salvo ou não. Isso inclui a perseverança, que segundo o reformador, só persevera quem DEUS quer e quem Ele delegou o dom para isso. Porém na passagem abaixo, Calvino exorta que devemos querer ser discípulos e alerta sobre a perseverança, algo totalmente contraditório em relação aos seus escritos anteriores: “Portanto, se queremos ser discípulos de CRISTO, devemos empenhar-nos no sentido de que o nosso coração se encha de tal reverência e obediência a DEUS que nos habilite a dominar e subjugar todos os sentimentos contrários ao Seu beneplácito. Decorre disso que, em qualquer tribulação que estejamos, mesmo na maior aflição de alma que seja possível alguém sofrer, não deixaremos de perseverar em nossa paciência.” (Institutas, vol. 4, art. 31, pg. 208)

 

Algumas afirmações de João Calvino têm sim, um grau elevadíssimo de falácia e pensamento não bíblico. Você meu irmão pentecostal, que serve a CRISTO no seu costume e doutrina, muito cuidado com esses ensinos. Recebo muitas mensagens de líderes com suas igrejas “rachadas” e divididas devido guerra de crenças. Sempre tem um calvinista no meio. Se eles ficassem em suas igrejas reformadas, não aconteceriam tais confusões, porém eles são orientados a permanecer nas diversas igrejas e grupos de internet e espalhar as doutrinas calvinistas. Isso é falta de respeito com centenas de anos de teologia da igreja. Devemos respeitar e estar submissos aos ensinos bíblicos de cada igreja, e não querer mudá-las.

Para concluir, quero deixar aqui registrado algumas frases de alguns teólogos bem conhecidos no meio calvinista. Algumas delas são de arrepiar.

“DEUS move as línguas dos homens para blasfemar.” [Franciscus Gomarus, citado em A. H. Newman, A Manual of Church History (Valley Forge: Judson Press, 1933), vol. 2, p. 339.]

“DEUS claramente pré-ordena o mal.” [Peter Y. de Jong, Crisis in the Reformed Churches (Reformed Fellowship, Inc.), p. 148.]

“A Bíblia é clara: DEUS ordena o pecado.” [PALMER, Edwin H. The Five Points of Calvinism. Grand Rapids: Backer, 1872. p. 85.]

“Não apenas Seu olho onisciente viu Adão comendo do fruto proibido, mas Ele decretou antecipadamente que ele devia comer” [Arthur W. Pink, Soberania, p. 249.]

“A pobreza também é decretada. O que quer que seja que causa essa pobreza também foi decretado como meios conducentes a essa pobreza” [FEINBERG, John Samuel. Predestinação e Livre-Arbítrio: Quatro perspectivas sobre a soberania de DEUS e a liberdade humana. Editora Mundo Cristão: 1989, p. 58.]

“DEUS decreta todas as coisas, inclusive os meios e os fins” [FEINBERG, John Samuel. Predestinação e Livre-Arbítrio: Quatro perspectivas sobre a soberania de DEUS e a liberdade humana. Editora Mundo Cristão: 1989, p. 57.]

“A obra do pecado não parte de qualquer outra pessoa a não ser DEUS” [Ulrich Zwínglio, “On the Providence of God – Sobre a Providência de DEUS”, The Latin Works of Huldreich Zwingli (Philadelphia: Heidelberg Press, 1922), II:203-204.]

“Todas as coisas, incluindo o pecado, são causadas por DEUS.” [PALMER, Edwin H. The Five Points of Calvinism. Grand Rapids: Backer, 1872. p. 101]

No Calvinismo a única conclusão final que chegamos é que satanás é um mero marionete e o único pecador é DEUS. Caso fosse verdade que todos os atos da humanidade foram ordenados por DEUS, eu queria distância desse ser. Ou as igrejas pentecostais reprovam tais ensinos e preparam o rebanho com intenso ensino bíblico, ou em breve negaremos os dons, pregaremos DEUS com intenção direta do mal e negaremos as ações satânicas não ordenadas pelo Criador. Minha oração é que esse tipo de ensino não se espalhe nas igrejas do Brasil. DEUS TENHA MISERICORDIA DOS QUE TEIMAM EM APOIAR O CALVINISMO.

Diego Rodrigo Aquino - OS ENSINOS PERIGOSOS DE CALVINO

Uma análise introdutória nas Institutas de João Calvino

 

 

A DOUTRINA DA GRAÇA DE DEUS - Teologia Sistemática Pentecostal - Pastores Antonio Gilberto, Claudionor de Andrade, Elienai Cabral e Elinaldo Renovato de Lima - CPAD - (com algumas modificações do Pr. Henrique)
Na matéria Soteriologia, a ênfase recai sobre a graça de DEUS para salvar o pecador. E, por essa razão, não discorrermos sobre a grafa comum, extensiva a todos os homens: “Abres a mão e satisfazes os desejos de todos os viventes”. Aqui não se trata de graça salvadora; diz respeito ao favor de DEUS dispensado bondosamente aos seres humanos, no sentido de prover os meios de subsistência a todos, sem distinção (Sl 104.10-30).
Graça relacionada com a salvação. E a atitude (ou provisão) graciosa do Senhor para com o indigno transgressor da sua lei (cf. Rm 3.9-26). Ela resulta da parte de DEUS para com o pecador em: misericórdia (I Tm 1.2; 2Tm 1.2; Tt 1.4; 2 Jo3; Jd v.2I); benevolência (Lc 2.14b); paz (resultado da misericórdia de DEUS no coração do homem); gozo (que é mais interior), bem como alegria, beleza e adorno espirituais — que são mais externos (cf. Rm 12.6).
No original, graça é charis, donde vêm “charme”, “carismático” (no sentido exato), “caridade”, “agradável”, “atraente”, “agradecer”, “gratidão”.
A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um (Cl 4.6).
... segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado (Ef 1.5,6).
O nosso assunto diz respeito à graça de DEUS para salvar. A provisão divina para com o indigno transgressor da lei existia desde o Antigo Testamento (Ex 33.13; Jr 3.12; 31.2). A passagem de Atos 15.10,11 não deixa dúvidas quanto a isso:
Agora, pois, por que tentais a DEUS, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós podemos suportar? Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor JESUS CRISTO, como eles também.
No Novo Testamento, a graça de DEUS  (JESUS e seu sacrifício por nós) para salvar o pecador é mencionada de maneira mais direta (Ef 2.7,8; I Tm 1.13,16; Rm 5.20; Jo 1.16,17).
Porque a graça de DEUS se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens (Tt 2.11).  (JESUS se manifestou e realizou o sacrifício por nós, a justiça de DEUS sobre o pecado veio sobre Ele que estava nos substituindo)
Mas, quando apareceu a benignidade e caridade de DEUS, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do ESPÍRITO SANTO (Tt 3.4,5).
De acordo com Efésios 2.5,6, o pecador está morto, e nessa condição não pode ajudar em nada. Como efetuaria ele a sua própria ressurreição? Assim como não pudemos ajudar em nada quando do nosso primeiro nascimento, muito menos em nosso segundo (novo) nascimento. Tudo é pela graça, para que o homem não tenha de que se gloriar. (JESUS realizou tudo o que era necessário, nós só entramos com a fé nisto, Ef 1.13; 2.8).
Tudo é pela graça de DEUS (JESUS e seu sacrifício por nós). Na vida do crente, ela gera crescimento na fé (2 Pe 3.18). E por meio dela que triunfamos contra o mal (Rm 6.14; Hb 13.9; Ato 4.33; 2 Co 12.9
e trabalhamos para o Senhor (Hb 12.28; I Co 3.10; 15.10; 2 Co 6.1). Por ela, falamos (Sm 45.2; Cl 4.6); cantamos (Cl 3.16); e tratamos (Rt 2.10).
È pela graça também que somos capacitados a dar a DEUS e ao próximo (2 Co 8.1,6,7). Essa liberalidade pela graça, para dar a DEUS, leva-nos a fazer isso em quatro sentidos:
Dar-nos a nós mesmos inteiramente ao Senhor.
Dar-lhe o nosso tempo; a nossa vida.
Dar-lhe os nossos talentos.
Dar-lhe o nosso dinheiro.
A Palavra de DEUS menciona, no Antigo Testamento, a liberalidade do crente para com o Senhor: “E ali trareis os vossos holocaustos, e vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta alçada da vossa mão, e os vossos votos, e as vossas ofertas voluntárias, e os primogênitos das vossas vacas e das vossas ovelhas” (Dt 12.6).
. Vemos aqui sete tipos de ofertas, todas implicando finanças.
Nós devemos tanto a DEUS, que, no viver para com Ele, e no trabalho dEle, mesmo fazendo o nosso melhor e o máximo que pudermos, não vamos além do dever (Lc 17.1). Ou seja, nunca ingressaremos no mérito! Nesse caso, a graça de DEUS é mais abundante na vida daqueles que são humildes (Tg 4.6). A humildade é, pois, o fio condutor da graça (I Pe 5.5).
A graça de DEUS em resumo. Diante do exposto, a graça de DEUS é o dom da salvação em CRISTO, como dádiva de DEUS ao pecador, indigno e merecedor do justo juízo de DEUS (Tt 2.11).
Ela é o poder sustentador de DEUS, que nos mantém firmes e perseverantes na fé, depois de salvos (2 Co 12.9), como lemos em 2 Timóteo 2.1: “Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em CRISTO JESUS”.
A graça do Senhor é a dádiva das bênçãos diárias que recebemos dEle, sem merecê-las (Jo 1. 16). E, ainda, a dádiva da capacitação divina no crente, para este realizar a obra de DEUS (I Co 15.10; Hb 12.28). Atentemos, pois, para a recomendação da Palavra de DEUS, em I Coríntios 3.10: “Segundo a graça de DEUS que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre ele”.

 

 

A Graça de DEUS - As Grandes Doutrinas da Bíblia - Pr. Raimundo de Oliveira - CPAD - (com algumas modificações do Pr. Henrique)
No contexto da doutrina da salvação, graça divina deve ser abordada sob duplo aspecto: Como favor imerecido da parte de DEUS para com todos os pecadores, indistintamente; Como poder restringidor do pecado, operante na reconciliação do homem com DEUS, e na santificação do crente. Não se deve confundir a graça de DEUS como “obrigação moral” divina a constrangê-lo a fazer alguma coisa contrária à sua natureza santa. Nada, poderá ser estabelecido e aceito como lei, constrangendo-o a soerguer o pecador do estado no qual se encontra. “e todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça” (Jo 1.16). Enquanto o homem continuar a responder afirmativamente à graça de DEUS (JESUS e seu sacrifício por nós), esta será o grande agente pelo qual ele receberá a justificação, a regeneração, a santificação e a segurança em DEUS (Tt 3.7; Jo 3.3; Act 26.18; 1 Pd 1.5). A proporção da graça (JESUS e seu sacrifício por nós) que o homem recebe depende exclusivamente da sua decisão, independentemente da vontade, já manifesta. Por esta razão, nos adverte o apóstolo Pedro: “antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO” (2 Pd 3.18).
3. A Provisão de CRISTO
Apesar de estar empenhado na nossa salvação e segurança, não é querer de DEUS declarar-nos inocentes simplesmente. Devemos ter em mente o fato de que DEUS é um DEUS não só de amor, é um DEUS também de justiça. Portanto, para DEUS declarar-nos inocentes independentemente da nossa conversão, seria uma ofensa à sua justiça. Seria um procedimento que entraria em choque com a sua santidade que declara que “a alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4). Então, como poderia DEUS manter a perfeição da sua justiça e ainda assim salvar pecadores? A resposta está no fato de que DEUS não desculpa o nosso pecado, pelo contrário, Ele o remove completamente. Para nos ajudar a compreender isto, DEUS nos dá o exemplo de um cordeiro substituto e expiador (JESUS). Esse cordeiro típico do Antigo Testamento apontava para JESUS, “o Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Assim como o cordeiro para o uso nos sacrifícios da antiga aliança devia ser um animal sem nenhum defeito ou mancha, de igual modo DEUS requeria um Cordeiro substituto perfeito, capaz de oferecer um único sacrifício, suficiente para salvar a tantos quantos aceitassem o seu sacrifício. De acordo com a Epístola aos Hebreus, JESUS CRISTO satisfez plenamente essa exigência de DEUS “quanto mais o sangue de CRISTO, que, pelo ESPÍRITO eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a DEUS, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao DEUS vivo?” (Hb 9.14). Na morte de CRISTO a justiça de DEUS a nosso respeito foi plenamente satisfeita.
4. O Alcance da Salvação
Com muita frequência se ouve a pergunta: “Por quem CRISTO morreu?” se alguém responde: - “Pelo mundo inteiro”, alguma outra pessoa poderá objetar: - “Então porque nem todas as pessoas são salvas?” agora, se alguém afirmar que CRISTO morreu apenas pelos “eleitos”, facilmente outra pessoa considerará injusta a ação de DEUS, visto que somente uns poucos “escolhidos” serão salvos. A Bíblia responde a esta questão, dizendo que:
a) A Salvação é Para o Mundo Inteiro
Através do sacrifício perfeito de CRISTO, todos os habitantes da terra foram representados, e os seus pecados foram potencialmente perdoados. CRISTO “é a propiciação pelos os nossos pecados, e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro” (1 Jo 2.2; 2 Co 5.14; Hb 2.9).
b) A Salvação é Para os que Crêem
Apesar de CRISTO haver morrido pelos pecados do mundo inteiro, há um sentido em que a expiação é uma provisão divina feita especialmente por aqueles que crêem. Paulo apresenta JESUS CRISTO como o “Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis” (1 Tm 4.10). Deste modo, apesar de a salvação estar à disposição de toda a humanidade, de forma experimental ela se aplica exclusivamente àqueles que crêem. A salvação foi preparada para todas as pessoas, o problema é que nem todas as pessoas estão preparadas para a salvação.
c) Alguns Abandonarão a Salvação
A Bíblia dá a entender que muitos daqueles pelos quais CRISTO morreu, aceitarão a sua provisão salvadora, mas depois a abandonarão, perdendo com isto o direito à vida eterna. Sobre esses, escreverão Paulo e Pedro: “Perece o irmão fraco, pelo qual CRISTO morreu” (1 Co 8.14). “Negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição” (2 Pd 2.1).

 

 

 

Graça não significa que DEUS é de coração tão magnânimo que abranda a penalidade ou desiste dum justo juízo.
Sendo DEUS o Soberano perfeito do universo, ele não pode tratar indulgentemente o assunto do pecado pois isso depreciaria sua perfeita santidade e justiça. A graça de DEUS aos pecadores revela-se no fato de que ele mesmo pela expiação de CRISTO, pagou toda a pena do pecado. JESUS nos substituiu na cruz, levando sobre Ele nossos pecados, doenças, enfermidades e maldições. Por conseguinte, ele pode justamente perdoar o pecado sem levar em cont

A fonte da justificação: a graça - Conhecendo as Doutrinas da Bíblia - Teologia Sistemática - Myer Pearman - CPAD; 1ª edição (15 dezembro 2020) - (com algumas modificações do Pr. Henrique)
Graça significa, primeiramente, favor, ou a disposição bondosa da parte de DEUS. Alguém a definiu como a "bondade genuína e favor não recompensados", ou "favor não merecido". Dessa forma a graça nunca incorre em dívida. O que DEUS concede, concede-o como favor; nunca podemos recompensá-lo ou pagar-lhe. A salvação é sempre apresentada como dom, um favor não merecido, impossível de ser recompensado; é um benefício legítimo de DEUS. (Rom. 6:23) O serviço cristão portanto, não é pagamento pela graça de DEUS; serviço cristão é um meio que o crente aproveita para expressar sua devoção e amor a DEUS. "Nós o amamos porque ele primeiramente nos amou."
A graça é transação de DEUS com o homem, absolutamente independente da questão de merecer ou não merecer. "Graça não é tratar a pessoa como merece, nem tratá-la melhor do que merece", escreveu L. S. Chafer. "E tratá-la graciosamente sem a mínima referência aos seus méritos. Graça é amor infinito expressando-se em bondade infinita." GRAÇA É JESUS E SUA OBRA SALVÍFICA.
Devemos evitar certo mal-entendido sobre os merecimentos ou não merecimentos.

. Os pecadores são perdoados, não porque DEUS seja benigno para desculpar os pecados deles, mas porque existe redenção mediante o sangue de CRISTO. (Rom. 3:24; Efés. 1:6.) Os pregadores modernistas erram nesse ponto; pensam que DEUS por sua benignidade perdoa os pecados; entretanto, seu perdão baseia-se na mais rigorosa justiça. Ao perdoar o pecado, "Ele é fiel e justo" (1 João 1:9). A graça de DEUS revela-se no fato de haver ele provido uma expiação pela qual pode ser justo e justificador e, ao mesmo tempo, manter sua santa e imutável lei. A graça manifesta-se independente das obras ou atividades dos homens. Quando a pessoa está sob a lei, não pode estar sob a graça; e quando está sob a graça, não pode estar sob a lei. Está "sob a lei" quando tenta assegurar a sua salvação ou santificação como recompensa, por fazer boas obras ou observar certas cerimônias. Essa pessoa está "sob a graça" quando assegura para si a salvação por confiar na obra que JESUS fez por ela, e não na obra que ela faz para DEUS. As duas esferas são mutuamente exclusivas. (Gál. 5:4.) A lei diz: "paga tudo"; mas a graça diz: "Tudo está pago." A lei representa uma obra a fazer; a graça é uma obra consumada. A lei restringe as ações; a graça transforma a natureza. A lei condena; a graça justifica. Sob a lei a pessoa é servo assalariado; sob a graça é filho em gozo de herança ilimitada.
Enraizada no coração humano está a ideia de que o homem deve algo para tornar-se merecedor da salvação. Na igreja primitiva certos instrutores judaico-cristãos insistiam em que os convertidos fossem salvos pela fé e a observância da Lei de Moisés. Entre os pagãos, e em alguns setores da igreja cristã, esse erro tem tomado a forma de auto castigo, observância de ritos, peregrinações, e esmolas. A ideia substancial de todos esses esforços é a seguinte: DEUS não é bondoso; o homem não é justo; por conseguinte, o homem precisa fazer-se justo a fim de tornar DEUS benigno. Esse foi o erro de Lutero, quando, mediante auto mortificações, envidava esforços para efetuar a sua própria salvação. "Oh quando será que você se tornará piedoso a ponto de ter um DEUS benigno?" exclamou certa vez, referindo-se a si próprio. Finalmente Lutero descobriu a grande verdade básica do evangelho: DEUS é bondoso; portanto deseja fazer justo o homem. A graça do amoroso Pai, revelada na morte expiatória de CRISTO é um dos elementos que distinguem o Cristianismo das demais religiões.
Salvação é a justiça de DEUS imputada ao pecador; não é a justiça imperfeita do homem. Salvação é divina reconciliação; não é regulamento humano. Salvação é o cancelamento de todos os pecados; não é eliminar alguns pecados. Salvação é ser libertado da lei e estar morto para a lei; não é ter prazer na lei ou obedecer á lei. Salvação é regeneração divina; não é reforma humana. Salvação é ser aceitável a DEUS; não é tornar-se excepcionalmente bom. Salvação é perfeição em CRISTO; não é competência de caráter. A salvação, sempre e somente, procede de DEUS; nunca procede do homem. — Lewis Sperry Chofer. Usa-se, às vezes, a palavra "graça", no sentido íntimo, para indicar a operação da influência divina (Efés. 4:7) e seus efeitos (Atos 4:33; 11:23; Tia. 4:6; 2 Cor. 12:9).

 

 

GRAÇA - Dicionário Bíblico Wycliffe - CPAD 

O conceito de graça é multiforme e sujeito a desdobramentos nas Escrituras,

No AT, hen, “favor”, é o favor imerecido de um superior a um subalterno. No caso de DEUS e do homem, hen é demonstrado por meio de bênçãos temporais, embora também o seja por meio de bênçãos espirituais e livramentos, tanto no sentido físico quanto no espiritual (Jr 31.2; Êx 33.19). Hesed, “benevolência ou graça”, é a firme benevolência expressada entre as pessoas que estão relacionadas, e particularmente em alianças nas quais DEUS entrou com seu povo e nas quais sua hesed (graça) foi firmemente garantida (2 Sm 7.15; Êx 20.6).
No NT, na literatura grega a palavra charis tinha os seguintes significados:

(1) Era usada para aquilo que causava atração, tal como a graça na aparência ou na fala.

(2) Era usada quanto à consideração favorável sentida em relação a uma pessoa.

(3) Era usada quanto a um favor.

(4) Era usada para significar gratidão.

(5) Era usada adverbialmente em frases como: “Por amor a alguma coisa”, charin tinos.
Mas foi somente com a vinda de CRISTO que a graça assumiu seu significado pleno. O seu auto-sacrifício é a graça propriamente dita (2 Co 8.9). Esta graça é absolutamente gratuita (Rm 6.14; 5.15-18; Ef 1.7; 2.8,9). Quando recebida pelo crente, ela governa sua vida espiritual compondo favor sobre favor. Ela capacita, fortalece e controla todas as fases da vida (2 Co 8.6,7; Cl 4.6; 2 Ts 2.16; 2 Tm 2.1). Consequentemente, o cristão dá graças (charis) a DEUS pelas riquezas da graça em seu dom inefável (2 Co 9.15).
O apóstolo Paulo foi o principal instrumento humano para transmitir o pleno significado da graça em CRISTO. O NT oferece a graça a todos, ao contrário do AT, que geralmente restringia a oferta da graça ao povo eleito de DEUS, Israel. A graça em sua mais completa definição é o favor imerecido de DEUS ao nos dar seu Filho, que oferece a salvação a todos, e dá àqueles que o recebem como Salvador pessoal uma graça acrescentada para esta vida e uma esperança para o futuro.
A graça soberana não é uma exibição arbitrária da graça de DEUS. A fim de recebê-la, o homem deve crer. A fim de desfrutá-la, o crente deve ser obediente. A graça provê a justificação (Rm 3.24), a capacitação (Cl 1.29), uma nova posição (1 Pe 2.5,9), e uma herança (Ef 1.3,14). Pelo menos três motivos são indicados no NT quanto à razão pela qual DEUS age com graça, especialmente na salvação. Ele o faz para expressar seu amor (Ef 2.4; Jo 3.16), para ser capaz de mostrar sua graça nos séculos vindouros (Ef 2.7), e para que o homem redimido produza bons frutos (Ef 2.10). A graça soberana é sempre intencional, pois a vida sob a graça é uma vida de boas obras.
Bibliografia. Leo G. Cox, “Prevenient Grace - a Wesleyan View”, JETS, XII (1969), 143150־. Charles C. Ryrie, The Grace of God, Chicago: Moody Press, 1970.
C. C. R.

 

 

 

SUBSÍDIOS Lição 2, A Sutileza Da Banalização Da Graça, 3Tr22, CPAD

SINÓPSE I - DEUS quis agir com graça para com todos os homens sem que eles merecessem e, por isso, essa graça é um favor imerecido.
SINÓPSE II - No contexto bíblico, a graça é uma necessidade de todos os homens. Por isso, ela é estendida a toda a humanidade.
SINÓPSE III - A graça no contexto da Reforma revela duas realidades: a corrupção da doutrina da graça; e a restauração da doutrina da graça.
SINOPSE IV - No contexto contemporâneo é preciso tomar cuidado com o barateamento da graça, e priorizarmos o valor de tão grande doutrina cristã.

 

 

AUXÍLIO VIDA CRISTÃ TOP2
“DEUS TEM TODO DIREITO DE ESTAR IRADO
Muitos não entendem, porque confundem ira divina com raiva humana. Ambas têm pouca coisa em comum. A ira dos homens é tipicamente auto acionada, e inclinada a explosões de tempestades e atos violentos. Ficamos irados por havermos sido passados para trás, negligenciados, ou enganados. Esta é a ira dos homens, não de DEUS. DEUS [...] se ira porque a desobediência sempre resulta em autodestruição. Que tipo de pai se sentaria e assistiria seu filho ferindo-se a si próprio. Que espécie de DEUS faria o mesmo? Você acha que Ele dá risadinhas quando vê um adultério, ou ri em silêncio de um assassinato? Pensa que Ele olha para o outro lado, quando produzimos programas de entrevistas baseados em prazeres perversos? Imagina que Ele balança a cabeça e diz ‘Humanos são humanos’? Eu não acho. Anote e sublinhe em vermelho: DEUS está legitimamente irado. DEUS é santo. Nossos pecados são uma afronta à sua santidade” (LUCADO, Max. Nas Garras da Graça: Você não pode escapar do seu amor. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, pp.30-32).

 


AUXÍLIO TEOLÓGICO TOP4
SOBRE A CULPA
“Algum tempo atrás, li a história de um menino que estava atirando pedras com um estilingue. Ele nunca conseguia acertar o alvo. Quando retornou ao quintal da vovó, avistou o pato de estimação da velha senhora. Num impulso, fez pontaria e mandou ver. A pedra atingiu o pato, e este morreu. Apavorado, o menino escondeu a ave na pilha de lenha, apenas para levantar os olhos e descobrir que sua irmã estava observando. [...] A cada momento de sua vida, seu acusador está arquivando acusações contra você. Ele tem anotado cada erro, e marcado cada escorregão. Negligencie suas prioridades, e ele [o acusador] tomará nota disso. Abandone suas promessas, e ele registrará tudo. Tente esquecer seu passado; ele o lembrará. Tente desfazer seus erros; ele o frustrará” (LUCADO, Max. Nas Garras da Graça: Você não pode escapar do seu amor. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, p.170).

 

 

PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
É preciso compreender de maneira bíblica o conceito da graça de DEUS. Dessa compreensão os crentes dependem para não banalizar um bem tão precioso. Nesta lição, temos o propósito de analisar a graça de DEUS no seu sentido bíblico, histórico e contemporâneo. Que seus alunos se conscientizem de que a graça é um bem precioso de DEUS para a nossa vida e, por isso, não pode ser banalizada.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Explicar a natureza da graça; II) Apresentar a graça no contexto bíblico; III) Classificá-la no contexto histórico da Reforma Protestante; IV) Pontuá-la no contexto contemporâneo.
B) Motivação: Não há salvação sem a graça de DEUS. Esse favor imerecido prova que o ser humano não tem capacidade em si mesmo para salvar-se. Entretanto, a graça também não é uma licença para pecar, como, infelizmente, muitos fazem pensar. Atentemos para o ensino da Bíblia a respeito de tão importante assunto.
C) Sugestão de Método: Na lição, há uma indicação de que a expressão "'graça barata' foi introduzida na literatura para expressar a vida cristã nominal ou mundanizada". A partir desse conceito, ao introduzir o último tópico da lição, solicite aos alunos que citem exemplos em que a graça tenha sido banalizada. Em seguida, mostre que a graça de DEUS compreende arrependimento, novo comportamento e nova vida em CRISTO como bem expressa a verdade prática de nossa lição.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: O advento da graça é a maior prova do amor de DEUS pela humanidade. Ela é preciosa porque é uma iniciativa de DEUS para salvar o homem pecador. Por isso, não podemos banalizá-la. Ela revela um alto preço que foi pago pelo nosso Senhor e Salvador, JESUS CRISTO.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 91, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "DEUS Tem Todo Direito de Estar Irado" é uma reflexão a respeito da necessidade da graça agir no mundo; 2) O texto "Sobre a Culpa" traz uma reflexão a respeito da culpa dentro do contexto contemporâneo da graça.



VOCABULÁRIO
Lombo: Cada uma das regiões simétricas situadas de um lado e do outro da coluna vertebral, abaixo ou após as costelas.


REVISANDO O CONTEÚDO
1. O que se quer dizer com a expressão “a graça é divina”? Ao se afirmar que a graça é divina, se quer dizer com isso que a sua origem está inteiramente em DEUS.
2. Qual é a diferença entre a graça universal e a “graça universalista”? A graça é extensiva a todos os homens. Ela é universal. Contudo, por ser universal, não significa dizer que ela é universalista, que quer dizer que todos independente de credo, religião ou arrependimento, serão salvos.
3. Segundo a lição, como surge a Reforma Protestante? A Reforma Protestante surge como uma reação à corrupção da doutrina da graça.
4. O que quer dizer a expressão “graça barata”? A expressão “graça barata” diz respeito à vida cristã nominal ou mundanizada.
5. O que o apóstolo Paulo afirmou ao escrever aos coríntios? Escrevendo aos coríntios, o apóstolo da graça afirmou: “Vocês foram comprados por preço” (1 Co 7.23 – NAA).


LEITURAS PARA APROFUNDAR
Graça Para o Momento – Vol. I; Maravilhosa Graça

 

 

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LIÇÃO ANTIGA SOBRE O MESMO ASSUNTO

 

Lição 02, Central Gospel, ano 3-nº9, Walter Brunelli, A Graça Salvadora e seus Efeitos

 

 

TABELA EXPOSITIVA

Texto

Expressão-chave

Palavra/ideia grega

Sentido bíblico

Ensino teológico

Aplicação prática

Ef 2.1

“mortos em ofensas e pecados”

nekrous

morte espiritual real

o homem não salva a si mesmo

reconheça sua total dependência de DEUS

Ef 2.4

“riquíssimo em misericórdia”

misericórdia abundante

DEUS age por compaixão

a salvação nasce no coração de DEUS

adore a DEUS por sua misericórdia

Ef 2.5

“nos vivificou juntamente com CRISTO”

co-vivificação

nova vida em união com CRISTO

regeneração é obra divina

viva como nova criatura

Ef 2.8

“pela graça sois salvos”

chariti

favor imerecido

salvação é dom, não mérito

abandone toda autoglória

Ef 2.8

“por meio da fé”

fé como meio

recebe-se, não conquista-se

fé não substitui a graça, serve à graça

confie inteiramente em CRISTO

Ef 2.13

“pelo sangue de CRISTO chegastes perto”

aproximação sacrificial

o sangue remove a distância

a reconciliação vem pela cruz

aproxime-se de DEUS com confiança

Ef 2.15

“um novo homem”

nova humanidade

CRISTO cria um novo povo

a Igreja é nova criação comunitária

busque unidade em CRISTO

Ef 2.16

“reconciliar ambos com DEUS”

reconciliação plena

paz vertical e horizontal

a cruz mata a inimizade

rejeite divisões carnais

Ef 3.1

“prisioneiro de CRISTO”

sofrimento sob providência

Paulo interpreta sua prisão cristologicamente

DEUS governa até o sofrimento

sirva a CRISTO mesmo em aflição

Ef 3.8

“riquezas incompreensíveis de CRISTO”

insondáveis riquezas

CRISTO é inesgotável

o evangelho é tesouro infinito

alimente-se continuamente de CRISTO

Ef 3.10

“multiforme sabedoria de DEUS”

sabedoria multifacetada

DEUS se revela pela Igreja

a Igreja tem papel cósmico no plano de DEUS

valorize a vida da igreja

Ef 3.20–21

“muito mais abundantemente”

superabundância

DEUS excede nossas medidas

o poder divino opera no seu povo

ore com fé e termine adorando

 

ESCOLA DOMINICAL CENTRAL GOSPEL / JOVENS E ADULTOS - Lição 2 / ANO 3 - N° 9

 

A Graça Salvadora e seus Efeitos — Efésios 2-3 

TEXTO BÍBLICO BÁSICO 

Efésios 2Z.l, 4-5, 13, 15-16 

1- E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados. 

4- Mas DEUS, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, 

5- estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com CRISTO (pela graça sois salvos). 

13- Mas, agora, em CRISTO JESUS, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de CRISTO chegastes perto. 

15- Na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, 

16- e, pela cruz, reconciliar ambos com DEUS em um corpo, matando com ela as inimizades. 

 

Efésios 3.1, 8-10, 20-21 

1- Por esta causa, eu, Paulo, sou o prisioneiro de JESUS CRISTO por vós, os gentios. 

8- A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de CRISTO 

9- e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que, desde os séculos, esteve oculto em DEUS, que tudo criou; 

10- para que, agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de DEUS seja conhecida dos principados e potestades nos céus. 

20- Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que Pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, 

21- a esse glória na igreja, por JESUS CRISTO [...] para todo o sempre. Amém!

 

TEXTO ÁUREO 

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS.  Efésios 2.8

 

SUBSÍDIOS PARA O ESTUDO DIÁRIO

2ª feira - Efésios 2.1-3 Quem éramos sem CRISTO
3ª feira -  Efésios 2.5 Vivificados pela Graça
4ª feira -  Efésios 2.6 Assentados com CRISTO nos Céus
5ª feira - Efésios 2.20 CRISTO, a Pedra Angular
6ª feira - Efésios 3.10 Igreja: reveladora da sabedoria divina
Sábado - Efésios 3.19 Plenitude de DEUS em nós

 

OBJETIVOS

Ao término do estudo bíblico, o aluno deverá ser capaz de: 

·        reconhecer que, antes da Graça, vivíamos submersos no curso deste tempo, mas fomos restaurados e vivificados pelo Senhor; 

·        compreender que, pelo dom imerecido de DEUS, fomos levados para perto d'Ele e reunidos em um só povo;

·        revelar, como Igreja, a multiforme sabedoria de DEUS ao mundo. 

·         

ORIENTAÇÕES PEDAGÓGICAS 
    Caro professor, esta lição conduzirá a turma à compreensão de que o Senhor não apenas perdoa, mas transforma e reúne em Seu Filho, todos os que estavam distantes d'Ele. Incentive a classe a reconhecer a profundidade dessa mudança — de mortos em ofensas a vivificados em CRISTO — e a refletir sobre o que significa viver como nova Criação. 
    Ao explorar o segundo e o terceiro capítulos de Efésios, destaque o movimento da Graça: ela restaura o indivíduo, reconcilia povos e revela o mistério divino por meio da Igreja. Estimule os alunos a perceberem que somos chamados a expressar, em nossas relações e atitudes, a multiforme sabedoria de DEUS. 
    Excelente aula!

 

COMENTÁRIO - Palavra introdutória 

  O segundo e o terceiro capítulos de Efésios estabelecem um contraste marcante entre o passado e o presente dos cristãos. Antes, mortos em ofensas; agora, vivificados pela Graça. Antes, distantes; agora, próximos. Antes, sem dire. ção; agora, instruídos e cuidados por um apóstolo. Antes, sem intercessor; agora, cobertos pela oração de alguém. 

    Essa mudança é fruto da misericórdia remidora (cf. Lm 3.22): em JESUS, o que estava morto reviveu, o que estava dividido foi reconciliado, e o que era estranho se tornou familiar. Como salvos, somos chamados a produzir boas obras, segundo o padrão divino, não como mérito, mas como expressão da nova vida. O mesmo favor que nos alcançou também uniu judeus e gentios, formando um só corpo: a Igreja.

 

 1.  A VIDA NA GRAÇA TRANSFORMADORA 

    Paulo inicia o segundo capítulo de Efésios lembrando aos crentes quem eles eram antes de conhecer o Filho de DEUS: estavam mortos em ofensas e pecados, submersos no curso deste mundo e dominados por forças espirituais adversas ao propósito divino (Ef 2.1-3). Era uma existência conduzida pelos desejos da carne e pela desobediência — uma morte em movimento. 

    Mas a Graça irrompe nesse cenário. O Altíssimo, em Seu amor, não apenas perdoou, também vivificou. Em poucas linhas, o apóstolo traça um paralelo entre o que éramos e o que nos tornamos pela ação divina — um retrato da renovação interior que define o evangelho (Ef 2.4-10). 

 

1.1. À condição humana antes de CRISTO 

    No velho “mundo” (gr. aion = “tempo”, “século”, ou “sistema que molda as eras”; cf. Ef 2.2 - ARA), antes da Graça, todos eram guiados pelos desejos da carne e por forças contrárias ao Criador. Viviam estes na afluência da vida — mortos em ofensas e pecados — até que a intervenção divina os alcançou (Ef 2.1). A humanidade via-se arrastada pela correnteza da História, seguindo o seu curso — O espírito de uma mentalidade apartada de DEUS. 

    Antes da salvação, todos carregavam em si três marcas desse afastamento: 

·        eram guiados pelo “príncipe das potestades do ar” (cf. Ef 2.2);

·        viviam como “filhos da desobediência” (gr. apeithéia; cf. Ff 2.2; 5.6); 

·        viviam como “filhos da ira” (gr. orgé; cf. Ef 2.3). 

__________________________________

    Paulo descreve, com fina ironia, a velha condição humana: filhos de uma mãe chamada desobediência e de um pai chamado ira (orgé, palavra masculina no grego) — herdeiros do velho aion, afastados de DEUS.

__________________________________

 

1.2. A intervenção da Graça 

Paulo parece buscar palavras para expressar o inefável: “Mas DEUS, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com CRISTO" (Ef 2.4-5).

    O apostolo exalta a grandeza da afeição divina e se mostra extasiado diante de Sua insondável sabedoria (cf. Rm 11.33). Este favor imerecido não é apenas rico — é “riquíssimo” — e transforma completamente a existência decaída, conduzindo o salvo a uma nova realidade espiritual: 

·        vida em JESUS — estamos unidos a Ele e participamos da vitória sobre a morte (Ef 2.5-6a);

·        ressurreição — fomos erguidos com Ele para andar em novidade de vida (Ef 2.6b; cf. Rm 6.4);

·        exaltação — fomos feitos para assentar-nos com Ele nas regiões celestiais (Ef 2.6);

·        revelação — em cada geração, DEUS manifesta as insondáveis riquezas de Sua Graça (Ef 2.7), cujos desdobramentos são eternos e sempre novos.

 

1.3. As boas obras como fruto da nova vida 

    A salvação é “dom de DEUS” — nenhum feito humano pode conquistá-la. Pela fé, e não por obras, somos alcançados e transformados. Tanto o mais justo quanto o mais perverso carecem igualmente da misericórdia divina (Ef 2.8). Contudo, a Graça que restaura também nos convoca a viver de modo digno do evangelho. As boas obras não são causa da reconciliação com o Divino, mas seu fruto natural — expressão da nova vida recebida em CRISTO. Dessa verdade decorrem dois princípios essenciais: 

·        As boas obras não salvam — nenhum esforço terreno pode redimir o pecador; se assim fosse, a glória pertenceria ao Homem e não ao Criador (Ef 2.9).

·        As boas obras são um estilo de vida — quem foi alcançado pelo amor eterno manifesta essa transformação em gestos concretos de fé e serviço (Ef 2.10). 

 

2.  A UNIDADE DO POVO DE DEUS 

   Nesta seção, Paulo volta-se à Igreja em sua dimensão universal. Ao longo da carta, ele recorda o passado e o presente dos crentes para destacar a obra reconciliadora do Filho de DEUS. 

    Em Efésios 2.11-22, o apóstolo relembra judeus e gentios do que eram antes — separados, distantes do Senhor — e os convida a contemplar o agora: um só corpo, unido pela Graça, edificado sobre o mesmo fundamento — JESUS (Ef 2.20). 

 

2.1. À reconciliação entre judeus e gentios 

    Paulo relembra aos gentios seu passado de alienação espiritual. Provenientes do paganismo, estavam afastados das promessas e da comunidade de Israel — o povo da aliança, que, por intermédio dos patriarcas, sacerdotes e profetas, se relacionava com Jeová. Fora do Pacto, seguiam sem “esperança e sem DEUS no mundo” (Ef 2.12). 

    Os primeiros convertidos, vindos do judaísmo, embora possuíssem conhecimento das Escrituras e das promessas messiânicas (cf. Jo 5.39), também precisavam compreender que a Graça não se restringia aos israelitas. Muitos ainda mantinham uma postura exclusivista e desprezavam as demais nações. 

    Em JESUS, os povos foram aproximados e feitos um só. Ele, que é a nossa paz (cf Is 9.6), derrubou o muro de separação e reconciliou a ambos com o Pai, em um mesmo ESPÍRITO, formando um único corpo (Ef 2.14-19). Assim, a família de DEUS nasce dessa restauração e é composta por pessoas de todas as origens.

 

2.2. A Igreja, edifício espiritual 

    A Igreja não é um projeto humano, mas uma obra erguida por CRISTO (cf. Mt 16.18). Paulo a compara a um santuário espiritual, cujo alicerce é o próprio Redentor: “Ninguém pode pôr outro fundamento, além do que já está posto, o qual é JESUS CRISTO” (cf. 1 Co 3.11). Sobre esse fundamento repousam as doutrinas dos apóstolos e dos profetas — colunas que sustentam a fé da comunidade dos salvos (Ef 2.20). 

    JESUS é também a pedra angular (gr. akrogoôniaion; cf. 1 Pe 2.6 - ARA), a que une e dá firmeza a toda a construção. A imagem remete à arquitetura antiga, em que a pedra de esquina (hb. pin-nah; cf. Sl 118.22; Is 28.16) ligava as paredes e garantia estabilidade à estrutura. Assim, o edifício sagrado cresce “bem ajustado”, tornando-se “templo santo no Senhor” (Ef 2.21) — expressão da unidade e da convergência de propósitos entre os crentes. Tanto como assembleia dos redimidos quanto como indivíduos, somos morada do Altíssimo na Terra: “Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do ESPÍRITO SANTO, que habita em vós, proveniente de DEUS, e que não sois de vós mesmos?” (1 Co 6.19).

  

 3.  O MISTÉRIO REVELADO EM CRISTO 

    Ao iniciar O terceiro capítulo da Carta aos Efésios, Paulo destaca sua condição de “prisioneiro” em defesa do evangelho (Ef 3.1). Nesta seção, o apóstolo aprofunda o tema central da epístola: o “mistério” de CRISTO, isto é, o propósito de DEUS em unir judeus e gentios em uma só família espiritual, a Igreja, e fazer dela o canal da Sua sabedoria no mundo. 

 

3.1. A revelação recebida 

    Paulo se apresenta como “prisioneiro” de CRISTO, não pelo fato de ter cometido algum crime, mas por ter anunciado o evangelho (Ef 3.1). Seu ministério tem um propósito claro: levar as boas novas aos gentios e tornar conhecido o plano eterno de unir todos os povos em uma só comunhão, a Igreja. 

    O apóstolo reconhece que recebeu esse enigma amoroso, compreendendo que a misericórdia divina não se restringe a Israel, mas se estende a toda a humanidade (Ef 3.3-6). Essa mensagem, porém, escandalizava muitos judeus, pois desafiava o exclusivismo religioso da Antiga Aliança. Ainda assim, Paulo não se exalta; antes, chama a si mesmo de “o menor de todos os santos” e atribui ao favor imerecido de DEUS toda a glória pela sua vocação (Ef 3.8 - ARA). 

    Ele descreve sua missão como uma “dispensação” (gr. oikonomia; cf. Ef 3.2), termo que não indica um tempo específico, mas uma administração — o encargo de tornar conhecida “as riquezas incompreensíveis de CRISTO” (Ef 3.8). O mistério “que, desde os séculos, esteve oculto” (Ef 3.9) agora se revela plenamente: “Os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e coparticipantes da promessa [...]” (Ef 3.6 - ARA). 

 

3.2. À revelação proclamada 

    O mistério antes oculto em DEUS agora se manifesta plenamente na Igreja. Ela é o instrumento por meio do qual o Criador torna conhecida, a todo o Universo, a Sua multiforme sabedoria (Ef 3.10). A anunciação não se limita à Terra — alcança também os “principados” (gr. archês) e “potestades” (gr. exousias) celestiais (cf Ef.1.21), seres espirituais que contemplam, com admiração, O plano divino de redenção (1 Pe 1.12). 

    Em Ffésios, Paulo eleva a comunidade dos redimidos ao seu papel mais sublime: ser o reflexo da Graça no mundo e no cosmos. Por meio dela, o amor e a sabedoria do Senhor se tornam visíveis em todas as dimensões da existência — um testemunho vivo da reconciliação operada em CRISTO.

 

3.3. A revelação celebrada 

    Entre os escritos paulinos, é comum encontrar orações intercaladas à doutrina — e esta, em Efésios 3.14-21, é a segunda da carta. O apóstolo se ajoelha diante do “Pai de nosso Senhor JESUS CRISTO”, reconhecendo a centralidade da Trindade: o Pai, origem e sustento de todas as famílias (v. 15); o Filho, mediador da salvação; e o ESPÍRITO, poder que habita nos crentes. 

    Paulo ora para que os fiéis sejam fortalecidos com poder “no homem interior” (Ff 3.16). O verbo usado (gr. krataióo) significa “tornar firme”, “confirmar”, “revigorar”. Essa força não é física, mas espiritual — trata-se de um vigor que nasce da presença de CRISTO no coração e molda tanto o indivíduo quanto a coletividade. 

    No climax da oração, ele suplica para que os crentes compreendam as dimensões do amor de nosso Senhor — sua largura, comprimento, altura e profundidade — e sejam cheios de toda a plenitude divina (Ef 3.18-19). É um convite à experiência total da misericórdia que ultrapassa o entendimento humano. 

    Ele encerra exaltando o DEUS “poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera” (Ef 3.20) — uma confissão de fé que transforma o cárcere em altar.

 

CONCLUSÃO 

    Nesta lição, contemplamos a Graça em sua ação plena: ela transforma o ser humano, reconcilia os que estavam separados e revela, por meio do Corpo de CRISTO, o mistério eterno “que, durante tempos passados, esteve oculto” (Ef 3.9 - NAA). Paulo encerra esse ensinamento com uma oração que conduz a comunidade ao seu verdadeiro centro: DEUS, fonte de toda vida e propósito. 

    O povo da Nova Aliança, edificado sobre a Pedra Angular e habitado pelo ESPÍRITO SANTO, é chamado a refletir Sua glória em cada geração, ecoando o cântico apostólico: “A esse glória na igreja, por JESUS CRISTO, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef 3.21). 

 

ATIVIDADE PARA FIXAÇÃO 

1. Quais eram as três características da humanidade antes da ação regeneradora da Graça (Ef 2.1-3)? 

R.: Eram guiados pelo “príncipe das potestades do ar” (v. 2); viviam como “filhos da desobediência” (v. 2) e, como “filhos da ira” (v. 3).

 

Fonte: Revista Central Gospel

 

 

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NA ÍNTEGRA COMO NA REVISTA

 

Escrita, Lição 3, CPAD, A Graça que alcança todas as Nações, 3Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

 

ESBOÇO DA LIÇÃO

I - QUANDO A GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA

1. O Concílio de Jerusalém.

2. O relatório de Pedro (vv.7–11).

3. O relatório de Paulo e Barnabé (v.12).

4. O discurso de Tiago (vv.13–21).

II - UM PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS

1. O que é a graça de DEUS?

2. JESUS CRISTO como a manifestação da graça.

3. A graça é para todos os povos — sem exceção.

III - CRESCENDO NA GRAÇA

1. Como nos aproximar do trono da graça (Hb 4.16).

2. Quando devemos nos achegar ao trono da graça?

3. O que recebemos ao nos achegarmos ao trono da graça?

 

TEXTO ÁUREO

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de DEUS.”(Ef 2.8)

 

VERDADE PRÁTICA

É pela graça que somos alcançados, perdoados e reconciliados com DEUS.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - At 15.11 A salvação é afirmada como obra exclusiva da graça do Senhor JESUS

Terça - At 10.44-48 DEUS não faz distinção entre pessoas

Quarta - Ef 2.8,9 A salvação é um dom gratuito de DEUS

Quinta - Tt 2.11,12 A graça de DEUS se manifestou trazendo salvação a todos

Sexta - Hb 4.16 O trono da graça está aberto para o crente 

Sábado - 2 Pe 3.18 Crescendo em graça e conhecimento de JESUS CRISTO

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Atos 15.1-5, 28,29, 36-39

1 - Então, alguns que tinham descido da Judeia ensinavam assim os irmãos: Se vos não circuncidardes, conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos.

2 - Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena discussão e contenda contra eles, resolveu-se que Paulo, Barnabé e alguns dentre eles subissem a Jerusalém aos apóstolos e aos anciãos sobre aquela questão.

3 - E eles, sendo acompanhados pela igreja, passaram pela Fenícia e por Samaria, contando a conversão dos gentios, e davam grande alegria a todos os irmãos.

4 - Quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos e lhes anunciaram quão grandes coisas DEUS tinha feito com eles.

5 - Alguns, porém, da seita dos fariseus que tinham crido se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés.

28 - Na verdade, pareceu bem ao ESPÍRITO SANTO e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias:

29 - Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Bem vos vá.

36 - Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Tornemos a visitar nossos irmãos por todas as cidades em que já anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão.

37 - E Barnabé aconselhava que tomassem consigo a João, chamado Marcos.

38 - Mas a Paulo parecia razoável que não tomassem consigo aquele que desde a Panfília se tinha apartado deles e não os acompanhou naquela obra.

39 - E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre.

 

HINOS SUGERIDOS : 394, 409, 433 da Harpa Cristã

 

PALAVRA-CHAVE - GRAÇA

 

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

Esta lição nos convida a uma reflexão madura e bíblica sobre a graça de DEUS como fundamento da salvação e da unidade da Igreja. A partir do Concílio de Jerusalém, o estudo evidencia que a fé cristã não se apoia em méritos humanos, mas na ação soberana de DEUS em CRISTO. Ao ensinar, valorize o diálogo, a experiência de vida dos alunos e a aplicação prática, ajudando-os a compreender, viver e crescer na graça que alcança todas as nações.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Analisar com a classe como a graça sustenta a unidade da Igreja em Atos 15; II) Examinar biblicamente a salvação pela graça como oferta universal em CRISTO; III) Incentivar a busca

constante do trono da graça.

B) Motivação: A graça que alcança todas as nações é essencial porque revela o coração do Evangelho e preserva a fé de legalismos e distorções liberais. Ao compreender a salvação como dom divino, o aluno fortalece sua convicção bíblica, cresce em unidade cristã e aprende a viver a fé com humildade, gratidão e compromisso diário com DEUS.

C) Sugestão de Método: Para reforçar a perspectiva bíblica do oferecimento universal da salvação, no segundo tópico, sugerimos que adote o método do contraste doutrinário guiado pelas Escrituras. Inicie apresentando textos centrais que afirmam a universalidade da graça (Rm 10.13; Tt 2.11; 1 Tm 2.3-6) e, em seguida, proponha a comparação respeitosa com correntes que restringem a salvação a um grupo previamente determinado. Estimule a classe a examinar o contexto bíblico, a coerência do caráter amoroso de DEUS e a responsabilidade humana na resposta da fé. O objetivo é capacitar o aluno a defender, com mansidão e clareza, que a graça é suficiente e oferecida a todos.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO 

A) Aplicação: À luz do ensino bíblico, o cristão é chamado a viver sob o governo da graça, rejeitando todo legalismo e toda indiferença espiritual. Quem foi alcançado pela graça de DEUS responde com fé obediente, compromisso com a santidade e disposição para anunciar que a salvação em CRISTO está disponível a todos.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 106, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "A Importância da Circuncisão", localizado depois do primeiro tópico, traz o contexto cultural da discussão de Atos 15; 2) O texto "A Graça que Respeita", localizado ao final do segundo tópico, aprofunda a reflexão da operação da Graça de DEUS diante da cultura alheia.

 

COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO

A expansão do Evangelho entre os gentios trouxe grande alegria à Igreja, mas também revelou um dos primeiros desafios doutrinários do Cristianismo. Com o retorno de Paulo e Barnabé a Antioquia da Síria, após a evangelização da Ásia Menor, surgiu uma controvérsia que ameaçava a unidade da fé: a salvação estaria condicionada à observância da Lei de Moisés? Cristãos oriundos do farisaísmo passaram a exigir a circuncisão dos gentios convertidos, provocando um debate decisivo sobre a natureza da graça. Diante dessa crise, a Igreja buscou discernimento espiritual e fidelidade às Escrituras, culminando numa decisão importante, no Concílio de Jerusalém, que mostrou que a Graça de DEUS alcança todas as nações.

 

I - QUANDO A GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA

1. O Concílio de Jerusalém.

Realizado entre 48 e 50 d.C., o Concílio reuniu apóstolos, presbíteros e a igreja para tratar da controvérsia levantada pelos judaizantes, que defendiam a circuncisão como requisito para a salvação (At 15.1,5). Contudo, tal exigência contrariava o ensino bíblico, pois a circuncisão nunca foi meio de justificação (Rm 2.25–29). Sob a liderança de Tiago e a direção do ESPÍRITO SANTO, a Igreja reconheceu que a salvação alcança todas as nações pela graça.

 

2. O relatório de Pedro (vv.7–11).

Pedro relembra de sua experiência na casa de Cornélio, mostrando que DEUS concedeu o ESPÍRITO SANTO aos gentios mediante a fé, e não por obras da Lei (At 10.44–46; Gl 3.2). Sem fazer distinção entre judeus e gentios, DEUS purificou seus corações pela fé (At 10.34–48). Assim, Pedro questiona a imposição do jugo da Lei e afirma que todos são salvos pela graça do Senhor JESUS CRISTO (At 15.11).

 

3. O relatório de Paulo e Barnabé (v.12).

 

Em seguida, Paulo e Barnabé relatam como DEUS confirmou a missão gentílica por meio de sinais e prodígios (At 4.30). Milagres como a cegueira do mágico cipriota, a cura em Listra e o livramento de Paulo testemunham a aprovação divina (At 13.8–11; 14.8–10; 14.19,20). Além disso, destacam que os gentios foram salvos pela graça, sem a exigência da Lei (At 13.12,44,48).

 

4. O discurso de Tiago (vv.13–21).

Tiago, o Justo, irmão do Senhor e líder respeitado da igreja, preside o Concílio com discernimento espiritual (Gl 2.9). Após ouvir os testemunhos, reconhece que DEUS visitou os gentios para formar dentre eles um povo para o seu nome. Fundamenta sua proposta nas Escrituras, citando Amós (Am 9.11,12), mostrando que a inclusão dos gentios já fazia parte do plano redentor. Assim, afirma que a missão gentílica não contradiz a revelação, mas a cumpre. O Concílio decide não impor a Lei mosaica aos gentios, recomendando apenas a abstinência de práticas que comprometeriam a comunhão: idolatria, imoralidade sexual, carne sufocada e sangue. A decisão é comunicada por carta às igrejas gentílicas, enviada com Paulo, Barnabé, Judas e Silas, reafirmando a direção do ESPÍRITO SANTO (At 15.28) e trazendo consolo e unidade. Após isso, surge a divergência entre Paulo e Barnabé quanto a João Marcos, resultando na separação dos dois líderes. Ainda assim, a obra missionária prossegue, e Marcos é posteriormente restaurado (Cl 4.10; 2 Tm 4.11).

A decisão do Concílio revelou que a graça que preserva a unidade da Igreja é a mesma que DEUS oferece como dom de salvação a todos, sem distinção.

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO - A GRAÇA DO SENHOR JESUS

“A questão crucial no concílio de Jerusalém era se a circuncisão (isto é, a remoção do prepúcio como um sinal do Antigo Testamento da aceitação do concerto de DEUS) e a obediência à lei que DEUS deu através de Moisés eram necessárias para a salvação. Aqueles que receberam esta delegação concluíram que os gentios (isto é, aqueles que não eram judeus) estariam sendo espiritualmente salvos pela graça do Senhor JESUS.” Amplie mais o seu conhecimento lendo a Bíblia de Estudo Pentecostal: Edição Global, editada pela CPAD, p.1972.

 

SINÓPSE I - O Concílio de Jerusalém confirma a graça como base da unidade cristã.

 

AUXÍLIO BÍBLICO-EXEGÉTICO - “A IMPORTÂNCIA DA CIRCUNCISÃO

A circuncisão era uma das práticas mais importantes do judaísmo, era central para a identidade judaica.¹²⁷ Outras alianças tinham sinais diferentes (por exemplo, o arco no céu, Gn 9.1213,17), mas a circuncisão colocava a marca da aliança na própria carne da pessoa (17.11,13).¹²⁸ A centralidade da circuncisão na vida judaica regular antes de Adriano pode ser exemplificada na reunião de convidados nas noites entre o nascimento de um menino e sua circuncisão no oitavo dia de vida.¹²⁹ Uma obra pré-cristã opinava que a falha de alguns judeus — ‘filhos de Belial’ — em circuncidar seus filhos traria a ira sobre toda Israel por apostasia (Jub. 15.33–34). [...] O preço pago por Israel para manter a circuncisão poderia tornar o povo judeu muito mais leal a ela. Israel enfrentou o ridículo por causa dessa marca,¹³⁴ razão pela qual alguns judeus tentavam apagá-la.¹³⁵ Algumas mulheres tiveram de enfrentar a morte para circuncidar seus filhos; um opressor atirou-as do muro da cidade.¹³⁶ Como a circuncisão era o sinal da aliança de Abraão, podia, pela justaposição com Êx 4.22,23 e com 4.24–26, ser relacionada com a redenção. Por isso, mais tarde, os rabinos falavam do mérito envolvido na circuncisão.¹³⁷” (KEENER, Craig S. Comentário Exegético Atos: Capítulos 15.1 a 23.35. Rio de Janeiro: CPAD, 2024, p.2623).

 

[...] Pedro questiona a imposição do jugo da Lei e afirma que todos são salvos pela graça do Senhor JESUS CRISTO .”

 

II - UM PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS

1. O que é a graça de DEUS?

A palavra grega cháris significa favor, bondade e dom imerecido. No Novo Testamento, a graça descreve a iniciativa soberana de DEUS em salvar o ser humano, não por obras ou méritos, mas por amor e misericórdia (Ef 2.8,9). Diante do drama universal do pecado, que separou toda a humanidade de DEUS (Rm 3.23), a graça se apresenta como o único meio de reconciliação. A Lei revela o pecado, mas não salva; somente a graça concede vida, pois onde abundou o pecado, superabundou a graça (Rm 5.20).

 

2. JESUS CRISTO como a manifestação da graça.

A graça alcança sua plena expressão na pessoa e na obra de JESUS CRISTO. Por amor, Ele se fez pobre para nos enriquecer espiritualmente (2 Co 8.9). Em CRISTO, a graça não apenas perdoa, mas justifica e transforma, conduzindo o crente a uma vida santa e piedosa (Rm 3.24; Tt 2.11–12). Sua morte substitutiva e ressurreição garantem redenção, perdão e nova vida àqueles que creem (Jo 1.17).

 

3. A graça é para todos os povos — sem exceção.

O Concílio de Jerusalém confirmou que a salvação não exige a observância da Lei mosaica, sendo oferecida igualmente a judeus e gentios pela graça, mediante a fé (At 15.11). Em CRISTO, não há barreiras étnicas, culturais ou religiosas. Todo aquele que invoca o nome do Senhor será salvo (Rm 10.13). Essa graça universal deve ser recebida pela fé em JESUS CRISTO, o único Salvador (Ef 2.8; Tt 3.4–7).

Diante dessa graça tão ampla e suficiente, somos chamados não apenas a recebê-la, mas a viver sob o seu governo. A graça que salva também ensina, corrige e fortalece. Quem foi alcançado por ela responde com gratidão, fé perseverante e uma vida que glorifica a DEUS em obediência e amor.

 

SINÓPSE II - A graça de DEUS oferece a salvação a todos por meio de JESUS CRISTO.

 

AUXÍLIO BÍBLICO-TEOLÓGICO - A GRAÇA QUE RESPEITA

“Em seguida, vem o âmago da mensagem. Pareceu bem — edoxe, cf. 22, 25 — ao ESPÍRITO SANTO e a nós (28). Dessa forma, os apóstolos e os anciãos estavam expressando sua convicção da presença da divina autoridade na decisão que haviam tomado. Pedro e João lembraram a promessa de JESUS aos discípulos: “Mas, quando vier aquele ESPÍRITO da verdade, ele vos guiará em toda a verdade” (Jo 16.13). Eles haviam recebido o ESPÍRITO SANTO no Pentecostes e agora podiam afirmar ter recebido a orientação divina. A decisão era não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias — as coisas necessárias para evitar ofender seus irmãos judeus em CRISTO. Lumby entende dessa maneira: “Enquanto eles (em Jerusalém), seguindo a sugestão do ESPÍRITO, estavam deixando de lado seus arraigados preconceitos contra qualquer relação com os gentios, afirmavam que os gentios, por sua vez, deveriam considerar carinhosamente os escrúpulos dos judeus”. (Comentário Bíblico Beacon: João a Atos. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, pp.324-25).

 

III - CRESCENDO NA GRAÇA

1. Como nos aproximar do trono da graça (Hb 4.16).

Crescer na graça e no conhecimento de CRISTO pressupõe amadurecimento espiritual contínuo (2 Pe 3.18). Assim, o acesso ao trono da graça ocorre com confiança, não fundamentada em méritos humanos, mas na obra redentora de CRISTO, que removeu a barreira do pecado (Hb 10.19–22; Ef 3.12). Além disso, aproximamo-nos com fé viva e reverência, pois sem fé é impossível agradar a DEUS (Hb 11.6). Do mesmo modo, essa aproximação exige humildade e coração quebrantado, que o Senhor jamais despreza (Sl 51.17). Por isso, o trono é chamado de Trono da graça: dele procedem misericórdia, perdão, socorro e poder espiritual.

A Lei revela o pecado, mas não salva; somente a graça concede vida, pois onde abundou o pecado, superabundou a graça.”

 

2. Quando devemos nos achegar ao trono da graça?

As Escrituras orientam que busquemos a graça “em tempo oportuno” (Hb 4.16). Isso significa que o auxílio divino está sempre disponível no momento exato da necessidade. Com efeito, DEUS é socorro bem presente na angústia (Sl 46.1) e jamais se atrasa. Portanto, o trono da graça não é inacessível nem reservado a poucos, mas permanece aberto a todos os crentes, que podem se achegar com confiança, hoje e sempre, pela fé em JESUS CRISTO.

 

3. O que recebemos ao nos achegarmos ao trono da graça?

 

Ao nos aproximarmos de DEUS, recebemos misericórdia, perdão, fortalecimento espiritual e capacitação para viver segundo a sua vontade (Rm 3.24; Fp 2.13). Assim, toda a vida cristã depende dessa graça, desde a salvação até o crescimento contínuo em CRISTO (Tt 2.11,12; 2 Pe 3.18). Além disso, DEUS comunica sua graça por meios espirituais ordenados: a Palavra (2 Tm 3.15), a pregação do Evangelho (Rm 1.16), a oração (Hb 4.16), o jejum (Mt 6.16–18), a adoração (Cl 3.16), a plenitude do ESPÍRITO SANTO (Ef 5.18) e a comunhão à mesa do Senhor (At 2.42).

 

SINÓPSE III - Crescer na graça é viver dependente de DEUS por fé e comunhão.

 

CONCLUSÃO

Resumindo, o Concílio de Jerusalém reafirmou que a salvação é exclusivamente pela graça, abrindo caminho para a expansão universal do Evangelho (Ef 2.8,9). Desse modo, esse marco histórico ensina que a Igreja deve enfrentar desafios doutrinários com fidelidade bíblica, humildade pastoral e plena dependência do ESPÍRITO SANTO, cumprindo sua missão entre todas as nações (Mt 28.19,20).

 

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Qual foi a principal controvérsia doutrinária tratada no Concílio de Jerusalém?

A defesa da circuncisão como requisito para a salvação (At 15.1,5). Mas sob a liderança de Tiago e a direção do ESPÍRITO SANTO, a Igreja reconheceu que a salvação alcança todas as nações pela graça.

2. No subtópico sobre o “discurso de Tiago”, qual é a decisão do Concílio e o que ele recomenda?

O Concílio decide não impor a Lei mosaica aos gentios, recomendando apenas a abstinência de práticas que comprometeriam a comunhão: idolatria, imoralidade sexual, carne sufocada e sangue.

3. Por que a graça de DEUS é o único meio de salvação para todos os povos e como ela se apresenta?

Diante do drama universal do pecado, que separou toda a humanidade de DEUS (Rm 3.23), a graça se apresenta como o único meio de reconciliação.

4. De acordo com Hebreus 4.16, com quais atitudes espirituais o crente deve se aproximar do trono da graça?

Com fé viva, reverência, humildade e coração quebrantando.

5. Segundo a lição, quais bênçãos o crente recebe ao se achegar ao trono da graça de DEUS?

Ao nos aproximarmos de DEUS, recebemos misericórdia, perdão, fortalecimento espiritual e capacitação para viver segundo a sua vontade (Rm 3.24; Fp 2.13).

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