09 janeiro 2026

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Escrita Lição 3, CPAD, O PAI ENVIOU O FILHO, 1Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

Escrita Lição 3, CPAD, O PAI ENVIOU O FILHO, 1Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV
Para nos ajudar PIX 33195781620 (CPF) Luiz Henrique de Almeida Silva

 



ESBOÇO DA LIÇÃO

I – O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI

1. O amor incondicional do PAI

2. A iniciativa soberana de DEUS

3. O envio do FILHO e a Trindade

II – O FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS

1. A preparação histórica e religiosa

2. O FILHO nascido sob a Lei

3. A adoção de filhos

III – A TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO

1. A vontade do PAI realizada pelo FILHO

2. A mediação exclusiva do FILHO

3. A aplicação da salvação pelo ESPÍRITO

 

TEXTO ÁUREO

“Nisto se manifestou o amor de DEUS para conosco: que DEUS enviou seu FILHO unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.” (1 Jo 4.9)

 

VERDADE PRÁTICA

O envio do FILHO revela o amor do PAI e a perfeita unidade da Trindade no plano da salvação, garantindo a redenção e a adoção dos crentes.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Jo 3.16 O amor de DEUS revelado no envio do FILHO

Terça - Jo 6.38 O FILHO veio ao mundo para cumprir a vontade do PAI

Quarta - 1 Jo 4.10 DEUS nos amou primeiro, enviando seu FILHO 

Quinta - Jo 14.6 CRISTO como único caminho ao PAI

Sexta - Ef 1.3-6 O plano eterno de adoção como filhos em CRISTO

Sábado - Jo 16.13,14 O ESPÍRITO glorifica a CRISTO e guia em toda a verdade

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - João 3.16,17; 1 João 4.9,10; Gálatas 4.4-6

João 3. 16 - Porque DEUS amou o mundo de tal maneira que deu o seu FILHO unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

17 - Porque DEUS enviou o seu FILHO ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

1 João 4. 9 - Nisto se manifestou o amor de DEUS para conosco: que DEUS enviou seu FILHO unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. 10 - Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a DEUS, mas em que ele nos amou e enviou seu FILHO para propiciação pelos nossos pecados.

Gálatas 4. 4 - mas, vindo a plenitude dos tempos, DEUS enviou seu FILHO, nascido de mulher, nascido sob a lei, 5 - para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. 6 - E, porque sois filhos, DEUS enviou aos nossos corações o ESPÍRITO de seu FILHO, que clama: Aba, PAI.

 

HINOS SUGERIDOS : 227, 437, 526 da Harpa Cristã

 

PALAVRA-CHAVE - Envio

 

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SUBSÍDIOS EXTRAS PARA A LIÇÃO – LIVROS E REVISTAS ANTIGAS E GOOGLE

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SUBSÍDIO CPAD - por Thiago Santos: evangelista - Lição 3 – O PAI Enviou o FILHO - Nesta oportunidade, estudaremos o envio do FILHO de DEUS a este mundo. Por intermédio de Seu FILHO Unigênito, o PAI revela Seu amor e a perfeita unidade da Trindade na redenção e na adoção dos crentes. Na dinâmica da salvação, cada Pessoa da Trindade exerce papel fundamental. Compreender o papel do PAI é importante para que conheçamos quem Ele é e Seu eterno propósito. Enquanto esteve neste mundo, nosso Senhor cuidou de apresentar aos discípulos o grande amor do PAI. Quando Filipe, um dos discípulos, pediu que o Mestre lhes mostrasse o PAI, a resposta foi bem clara: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o PAI; e como dizes tu: Mostra-nos o PAI?” (Jo 14.9). Observe que a compreensão dos discípulos a respeito da Pessoa do PAI ainda estava limitada. Não obstante, JESUS é a revelação mais nítida do caráter e do amor do PAI. NEle habita corporalmente a plenitude da divindade (Cl 2.9). As três Pessoas da Trindade não operam de forma desigual. A “Declaração de Fé das Assembleias de DEUS”, editada pela CPAD, ressalta o papel das três Pessoas na redenção da humanidade: “Há uma absoluta igualdade dentro da Trindade, e nenhuma das três Pessoas está sujeita, por natureza, à outra, como se houvesse uma hierarquia divina. Existe, sim, uma distinção de serviço. O PAI possui a mesma essência divina das demais pessoas da Trindade. O FILHO é gerado do PAI, e o ESPÍRITO SANTO procede do PAI. A paternidade é o papel da primeira Pessoa da Trindade que opera por meio do FILHO e do ESPÍRITO SANTO. O PAI proclamou as palavras criadoras e planejou a redenção, o FILHO executou-as e o ESPÍRITO SANTO deu o poder para a realização e a revelação disto. O PAI planejou a redenção, e o FILHO, ao ser enviado ao mundo, realizou-a. Quando o FILHO retornou ao céu, o ESPÍRITO SANTO foi enviado pelo PAI e pelo FILHO para ser o Consolador e o Ensinador. A subordinação do FILHO não compromete a sua deidade absoluta e, da mesma forma, a subordinação do ESPÍRITO SANTO ao ministério do FILHO e ao PAI não é sinônimo de inferioridade” (2025, pp. 39, 40). Ao compreender o papel de cada Pessoa da Trindade, fica evidente que conhecer o Senhor JESUS é a forma mais lúcida e direta de experimentar a intimidade e comunhão profunda com DEUS PAI. A fé no FILHO de DEUS Unigênito oportuniza ao crente a experiência espiritual de se tornar FILHO de DEUS por adoção (Rm 8.14-15). Trata-se de uma adoção aplicada pelo ESPÍRITO SANTO e que endossa o propósito do PAI na criação, isto é, que Ele não nos fez para sermos apenas mais uma de suas criaturas, e, sim, para que desfrutássemos do privilégio de habitar em Sua presença e nos tornássemos herdeiros das riquezas de Sua graça (Rm 8.16,17).

 

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No Passado, O Que Éramos:

Antes De Aceitarmos A CRISTO, Como Éramos? Esse É O Nosso Passado. Tanto Para Quem Nasceu Num Lar Evangélico, Como Para Quem Nunca Ouviu Falar Do Evangelho, Não Importa, Todos Pecaram E Destituídos Estávamos Da Glória - Rm 3.23.

     Estávamos Mortos Em Ofensas E Em Pecados (V.1)

Morte=Separação De DEUS

Início Da Morte Na Terra = Adão (Ver Gn 3 = O Pecado E Gn 5 FILHO De Adão = Imagem De Adão.)

Daí Em Diante As Mortes Se Manifestam = Morte Espiritual (ESPÍRITO Separado De DEUS = Morto Para DEUS), Moral (Alma = Só Quer Aprender E Fazer O Que É Contrário A DEUS) E Física (Corpo = Só Quer Fazer O Que Lhe Dá Prazer = Comer, Beber, Dormir E Sexo).

Os Pecados São Frutos Do Pecado Que Herdamos De Adão, São Ofensas A DEUS, São Delitos Que Merecem Castigo, Merecem Punição.

      Andávamos Segundo O Curso Do Mundo (V.2)

É Seguir Conforme O Pensamento Humano, É O Viver Segundo A Moda, Moda Esta Que É Direcionada E Planejada Por Satanás, Através De Seus Súditos, Principalmente Lésbicas E Gays (Costureiros E Marchands).

     Fazíamos A Vontade Da Carne (V.3)

É A Natureza Inclinada Ao Pecado, Que Atende Aos Desejos (Concupicência) Degradantes Do Pecado. É A Vontade Subjugada Ao Pecado. A Carne Cobiça Contra O ESPÍRITO.

     Éramos Filhos Da Ira (V.3)

A Ira De DEUS É Uma Reação Natural E Automática De Sua Santidade Contra O Pecado. É Uma Barreira Espiritual Que Sua Natureza Santa E Eterna Mantém Contra O Pecado. Assim Como DEUS Ama, Ele Castiga E Repreende A Quem Ele Ama E Aborrece Aquele Que O Aborrece E Lhe É Infiel.

 

Propiciação (ou propriciação, embora menos comum) é o ato de aplacar a ira de uma divindade ou de alguém ofendido, através de sacrifícios, ofertas ou atos que geram favor, buscando perdão ou reconciliação; no contexto cristão, refere-se principalmente a JESUS CRISTO como o meio pelo qual DEUS se reconcilia com a humanidade, expiando os pecados. A palavra vem do latim propitiationis, e significa agradar, apaziguar ou tornar favorável. 

Em termos gerais:

·        Ação de propiciar: O ato ou efeito de tornar algo propício (favorável, bom) ou de perdoar uma ofensa.

·        Sacrifício: Em religiões antigas, era uma oferta ou sacrifício para acalmar deuses irados 

No contexto religioso (especialmente Cristão):

·        JESUS CRISTO: É considerado a "propiciação" pelos pecados da humanidade, pois sua morte na cruz satisfez a justiça divina, permitindo o perdão e a reconciliação.

·        Meio de reconciliação: DEUS propôs JESUS como propiciação para demonstrar misericórdia, tornando possível o perdão.

·        Propiciatório: A palavra grega para "propiciação" (em Romanos 3:25) também pode significar "lugar de propiciação", referindo-se à tampa da Arca da Aliança, chamada de propiciatório. 

Em resumo, propiciação é um ato de apaziguamento ou expiação, visando obter o favor de DEUS ou de uma autoridade, com JESUS CRISTO sendo a principal figura da propiciação no Cristianismo. 

 

Pax Romana (latim para "Paz Romana") é um período de aproximadamente 200 anos da história romana que é identificado como um período e uma era de ouro de imperialismo romano crescente e sustentado, ordem, estabilidade próspera, poder hegemônico e expansão, apesar de várias revoltas e guerras, e contínua competição com a Pártia. É tradicionalmente datada a partir da ascensão de César Augusto, fundador do principado romano, em 27 a.C., e concluída em 180 d.C., com a morte de Marco Aurélio, o último dos "Cinco Bons Imperadores" Como foi inaugurada por Augusto com o fim da Guerra Final da República Romana, às vezes é chamado de Pax Augusta. Durante este período de cerca de dois séculos, o Império Romano alcançou sua maior extensão territorial e sua população atingiu um máximo de até 70 milhões de pessoas. De acordo com Dião Cássio, o reinado ditatorial de Cômodo, mais tarde seguido pelo Ano dos Cinco Imperadores e a Crise do Terceiro Século, marcou a descida "de um reino de ouro para um de ferro e ferrugem".

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pax_Romana

 

A DOUTRINA DA REDENÇÃO

Como já vimos, redenção tem a ver com a pessoa do pecador. Ela é realizada por JESUS CRISTO: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1.7). Pois “... por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hb 9.12).

Definição de redenção. Nos dias bíblicos, redenção é a libertação de um escravo, mediante um resgate — gr. lytron (este termo aparece em Mateus 20.28) —, além de retirar esse escravo do mercado de escravos, para não mais ficar exposto à venda. Redenção sempre requer o preço a ser pago para garantir a liberdade do escravo.

Há sete principais palavras originais no Novo Testamento para redenção: Agorazo, “compraste” (Ap 5.9). Comprar na praça. O pecador estava na praça do mercado de escravos, vendido ao pecado e servindo a Satanás: “Assim,

meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de CRISTO, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para DEUS” (Rm 7.4).

Exagorazo, “resgatou” (Gl 3.13). Comprar o escravo na praça e retirá-lo de lá, para que não fosse mais exposto à venda: “Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do FILHO do seu amor” Cl 1.13.

Lytroo, “resgatados” (I Pe 1.18,19). Pagar o preço exigido pelo resgate de um escravo e libertá-lo.

Lytrosis, “redenção” (Hb 9.12). Libertar mediante o pagamento de resgate. È um termo mais vigoroso do que lytroo,

Apolytrosis, “redenção” (Ef 1.7). È empregado em Lucas 21.28 para significar soltura, libertação, livramento, desprendimento do povo de DEUS, ao sair deste mundo opressor e escravizador, para ficar eternamente com o Senhor. Este termo é uma forma mais vigorosa que lytrosis.

Antilyron (I Tm 2.6). A troca de uma pessoa por outra; ou seja, a redenção de vida por vida, no caso de um cativo, escravo ou prisioneiro.

Lytron (Êx 21.30Mt 20.28Mac 10.45). O resgate pago pela redenção de um cativo, escravo ou prisioneiro de guerra.

A redenção do pecador. A nossa redenção espiritual foi planejada e decidida por DEUS antes da fundação do mundo (I Pe 1.18,19Ap 13.8). Essa redenção, em CRISTO, é formosa e claramente ilustrada em Levítico 25 — principalmente nos versículos 25, 48 e 49 — e Rute 2.203.9-134.1-9. Nessas passagens, o termo go’el significa “parente remidor”, o qual tinha de ser consanguíneo do escravo. Vemos claramente no papel desse parente remidor um tipo de nosso Redentor, o Senhor JESUS (Tt 2.14).

O tríplice resultado da redenção. A nossa redenção efetuada por JESUS resulta na conversão da alma, pois esta foi perdida pelo homem, na sua Queda (Gn 2.17Ez 18.20).

Outro resultado da redenção é a nossa ressurreição, isto é, a redenção do corpo. O homem perdeu o seu corpo ao perder o direito a comer da árvore da vida, no Éden, devido à Queda: “Então, disse o Senhor DEUS: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente” (Gn 3.22).

A redenção resulta também em domínio da terra. O ser humano perdeu a terra ao pecar (Gn 1.28). Em João 1.29, vemos que JESUS é o Cordeiro de DEUS que tira o pecado do mundo (cf. Ap 5.1-5,9). Na Segunda Vinda de CRISTO, começará a redenção da terra, que fora amaldiçoada depois da Queda: “maldita é a terra” (Gn 3.17).

A Obra Salvífica de CRISTO - Daniel B.Pecota (TEOLOGIA SISTEMÁTICA STANLEY M. HORTON)

 

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JESUS NO PLANO DE SALVAÇÃO DO HOMEM - QUAL ERA O PLANO DE DEUS?

Por Pr. Henrique (EBD NA TV)

Plano de Salvação ou de Redenção

1- Um homem na Terra que nunca pecou (Hb 4.15; 9.28) – Fora Ele todos pecaram (Rm 3.23).

2- Um homem na Terra que nunca pecou, mas aceitasse levar sobre Ele todos os pecados dos homens que viveram na Terra e ainda viveriam, inclusive levar suas doenças, enfermidades, maldições e o juízo de DEUS sobre Ele. (2Co 5.14; 1Ts 5.10; Is 53.4-5, 8; Rm 5.18, Gl 3.13).

3- Um homem na Terra que nunca pecou, mas aceitasse morrer no lugar de todos os seres humanos na cruz (2Co 5.14; 1Ts 5.10; Is 53.4-5, 8; Rm 5.18, Gl 3.13, 1Jo 2.2).

4- Um homem na Terra que venceria o pecado, a morte e o inferno e ressuscitasse após ser morto e sepultado (1Tm 3.16; Ap 1.18, 3.21).

DEUS ENCONTROU JESUS (o FILHO de DEUS que se fez homem para nos salvar).

JESUS nasceu aqui na Terra como homem, viveu como homem, morreu como homem e ressuscitou como homem.

 

 

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RESUMO RÁPIDO DO Pr. Henrique

 

INTRODUÇÃO

A lição explora profundamente o significado do envio de JESUS CRISTO pelo DEUS PAI, destacando-o como a expressão máxima do amor divino pela humanidade. Aborda como a cruz revela esse amor sacrificial e a comunhão entre DEUS e Seus filhos, enfatizando a iniciativa soberana do PAI em buscar a salvação humana. O texto detalha o papel da Trindade no plano da redenção: o PAI envia, o FILHO executa e o ESPÍRITO SANTO aplica a salvação. Explica a importância histórica e religiosa da vinda de JESUS na “plenitude dos tempos”, momento perfeito determinado por DEUS para a encarnação e resgate da humanidade. Destaca que JESUS nasceu sob a Lei para libertar e adotar os crentes como filhos de DEUS. A adoção espiritual é apresentada como um ato de graça, que transforma pecadores em herdeiros da promessa divina. O documento também discute a vontade do PAI realizada pelo FILHO, a mediação exclusiva de JESUS e a atuação do ESPÍRITO SANTO na aplicação da salvação. Por fim, ressalta que a fé cristã se fundamenta na unidade e no amor da Trindade, sendo a base para a compreensão da salvação e da vida espiritual.

 

I – O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI

O envio de JESUS, o FILHO, por DEUS PAI, é a expressão máxima e definitiva do amor divino pela humanidade, revelando que DEUS é amor e busca a comunhão com Seus filhos através de CRISTO, que uniu o coração do PAI a todos nós, oferecendo salvação e vida eterna por meio de Sua entrega e ressurreição, manifestando o amor sacrificial e a alegria de um PAI que perdoa e acolhe. 

Pontos Chave:

·        Expressão do Amor: A cruz de CRISTO revela o amor do PAI, que entrega Seu FILHO por amor, e o FILHO se entrega por amor, sendo o ESPÍRITO SANTO o vínculo dessa união eterna, mostrando que DEUS não se esconde, mas se revela no Calvário.

·        Comunhão e União: JESUS é o verdadeiro mediador, o ponto de encontro entre DEUS e a humanidade. Nele, todos fomos mergulhados e podemos ouvir a voz do PAI dizendo: "Tu és o meu FILHO amado", nos tornando filhos de DEUS.

Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto João 12:24

Porque há um só DEUS, e um só Mediador entre DEUS e os homens, JESUS CRISTO homem 1 Timóteo 2:5

·        Iniciativa de DEUS: O envio do FILHO é uma iniciativa soberana de DEUS, que amou tanto o mundo que deu Seu FILHO unigênito para que todos que creem n'Ele tenham vida eterna, não perecendo.

Mas DEUS prova o seu amor para conosco, em que CRISTO morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Romanos 5:8

·        Cumprimento da Vontade: JESUS se torna FILHO por excelência ao cumprir a vontade do PAI, unindo todos os outros filhos ao Seu coração e revelando a verdade de que DEUS é amor.

·        Vida Nova: Através da fé na pregação do evangelho que nos revela a obra salvífica realizada por JESUS, somos inseridos na vida espiritual, nova vida, recebemos o ESPÍRITO SANTO e podemos escutar o PAI, sendo chamados à santidade e à comunhão com Ele, refletindo essa relação de amor no mundo. 

Em resumo, o envio do FILHO é o próprio coração de DEUS se abrindo para nós, um ato de amor incondicional que nos convida a viver a alegria de sermos filhos amados, por meio de JESUS CRISTO, o FILHO que é a própria imagem do PAI. 

 

1. O amor incondicional do PAI

O amor incondicional de DEUS PAI é um amor eterno, sacrificial e restaurador, que não depende das nossas falhas ou merecimentos, manifestado no envio de JESUS para redimir os pecadores, mesmo quando éramos infiéis, conforme descrito na Bíblia, especialmente na parábola do FILHO Pródigo e em passagens como Romanos 5:8, oferecendo perdão, graça e a oportunidade de um retorno, conforme ensinam diversas tradições cristãs e escrituras sagradas. 

Características do Amor Incondicional de DEUS PAI:

·        Não se baseia em méritos: Ele nos ama por quem Ele é, não por quem somos ou o que fazemos, como em Romanos 5:8: "Mas DEUS prova o seu amor para conosco, em que CRISTO morreu por nós, sendo nós ainda pecadores".

·        Sacrificial e Redentor: DEUS agiu enviando Seu FILHO (JESUS) para nos resgatar, demonstrando Seu amor supremo e sua graça transformadora, como na história do FILHO Pródigo.

·        Gracioso e Perdoador: Mesmo que nos afastemos, DEUS está sempre pronto para nos receber de volta com um coração arrependido, perdoando e restaurando, como ilustra a parábola.

·        Eterno e Infinito: Seu amor é um dom precioso, um amor ágape (divino e transformador), que não conhece limites ou condições. 

Manifestações na Fé Cristã:

·        A Trindade na Salvação: O PAI envia, o FILHO redime e o ESPÍRITO aplica, mostrando a unidade na obra de amor.

·        Convicção e Esperança: Esse amor oferece conforto e esperança constantes, independentemente das circunstâncias ou erros pessoais. 

Em resumo, o amor de DEUS PAI é uma força ativa, presente e transformadora, que acolhe, perdoa e convida ao arrependimento e à reconciliação, um amor que é a base da fé cristã. 

 

2. A iniciativa soberana de DEUS

A iniciativa soberana de DEUS é o conceito teológico de que DEUS toma o primeiro passo em todas as fases da relação com a humanidade, desde a criação até a salvação. No contexto cristão, isso significa que o ser humano não busca a DEUS por conta própria, mas responde à ação prévia de DEUS. DEUS enviou João Batista antes de JESUS para Lhe preparar o caminho. DRUS envia o pregador ao pecador para que ouça, tenha fé e seja salvo ao crer na pregação.

Os pilares dessa doutrina incluem:

·        A Revelação: DEUS se dá a conhecer por iniciativa própria, seja através da natureza (revelação geral) ou das Escrituras e de JESUS CRISTO (revelação especial).

·        A Salvação como Obra Divina: A regeneração é vista como um ato soberano de DEUS. Em João 15:16, JESUS afirma: "Não fostes vós que me escolhestes a mim, mas eu vos escolhi a vós". 

O CRISTÃO SÓ OUVIU A PREGAÇÃO A RESPEITO DE JESUS E SUA OBRA SLVÍFICA, BEM COMO SUA RESSURREIÇÃO E CREU ESTE EVANGELHO – ASSIM FOI SALVO (Mt 10.32; Rm 10.9; Ef 1.13; 2.8).

 Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;  Efésios 1:12,13

 

3. O envio do FILHO e a Trindade

O envio do FILHO (JESUS CRISTO) pelo PAI é central na doutrina da Trindade, revelando o amor de DEUS e a unidade divina: o PAI envia, o FILHO executa a salvação, e o ESPÍRITO SANTO a aplica, formando um plano de redenção que reflete a comunhão eterna do PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO, sendo o amor entre eles a fonte da própria vida trinitária e da salvação humana. 

1. O Plano de Salvação Trinitário

·        O PAI: Por amor, envia Seu FILHO ao mundo.

·        O FILHO: Vem, assume a natureza humana e, em obediência, cumpre a obra redentora, sendo o mediador da comunhão com DEUS.

·        O ESPÍRITO SANTO: Aplica a salvação aos crentes a partir da conversão, primeiro os convence do pecado, da justiça e do juízo, configurando-os a CRISTO e conduzindo-os ao PAI, tornando-os filhos, os santifica e coloca neles o Fruto do ESPÍRITO. 

2. Revelação da Natureza Trinitária

·        O envio do FILHO manifesta que DEUS se comunica através de Sua Palavra, que é o próprio CRISTO, revelando Seu conhecimento de Si mesmo.

·        A relação PAI-FILHO (geração) e a procissão do ESPÍRITO SANTO (amor) são as dinâmicas eternas da Trindade, que se refletem na economia da salvação. 

3. A Vida Cristã na Trindade

·        O cristão, pela graça do ESPÍRITO, torna-se FILHO no FILHO, participando da vida de JESUS e entrando na relação de amor do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO.

·        A Igreja continua a missão de CRISTO, sendo conduzida pelo ESPÍRITO para anunciar o Evangelho e chamar todos à comunhão com DEUS. 

4. O Mistério da Trindade

·        A Trindade é um mistério de uma só essência divina em três Pessoas distintas (PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO), eternas e iguais, mas com funções distintas na obra de DEUS.

·        O batismo de JESUS (Mt 3:16-17) é um exemplo claro da Trindade: o PAI fala, o FILHO é batizado, e o ESPÍRITO desce como pomba. 

 

II – O FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS

"O FILHO e a Plenitude dos Tempos" refere-se ao momento divinamente determinado, descrito em Gálatas 4:4-7, quando DEUS enviou JESUS CRISTO ao mundo para cumprir seu plano de redenção, marcando o fim do período de tutela da Lei e o início da adoção de filhos em CRISTO, inaugurando a era da salvação e o governo de CRISTO. É o kairós, o tempo perfeito de DEUS, para a encarnação do Verbo e o resgate da humanidade. 

Significado da Expressão "Plenitude dos Tempos":

·        Momento Divino Perfeito: Indica que a vinda de JESUS não foi um acaso, mas um evento planejado e preparado por DEUS, no tempo exato e oportuno (kairós).

·        Fim da Tutela da Lei: Sinaliza o fim do período em que a Lei Mosaica servia como um tutor temporário, preparando o caminho para CRISTO, que traz a salvação definitiva.

·        Comissionamento de CRISTO: O envio de JESUS foi um comissionamento autorizado para trazer a redenção, resgatando os que estavam sob a Lei para que fossem filhos de DEUS.

·        Início da Era do ESPÍRITO: Com a vinda do FILHO, DEUS enviou o ESPÍRITO de Seu FILHO ao coração dos crentes, que clama "Aba, PAI", transformando servos em filhos e herdeiros.

·        Restauração em CRISTO: É a dispensação onde todas as coisas em CRISTO (no céu e na terra) seriam reunidas e restauradas.

·        Em Resumo: A "Plenitude dos Tempos" é o ponto crucial da história onde JESUS CRISTO, o FILHO de DEUS, chega para cumprir as promessas divinas, inaugurando a nova aliança e o governo de DEUS por meio de CRISTO, um mistério revelado pelas Escrituras. 

 

1. A preparação histórica e religiosa

A preparação para a vinda de JESUS CRISTO e Seu sacrifício na cruz ocorreu em múltiplas dimensões, consolidando o que teólogos frequentemente chamam de "a plenitude dos tempos".

Preparação Histórica

O cenário mundial no século I d.C. forneceu as condições ideais para a disseminação da mensagem cristã:

·        Pax Romana: O Império Romano estabeleceu um período de relativa paz e estabilidade política. O sistema de estradas romanas e a segurança nas rotas marítimas facilitaram o deslocamento futuro dos apóstolos.

·        Unificação Linguística: O domínio cultural grego (helenismo) fez do grego a língua franca da época, permitindo que os Evangelhos e epístolas fossem escritos em um idioma compreendido em todo o mundo civilizado.

·        Método de Execução: A adoção romana da crucificação, considerada a forma mais brutal e pública de punição na Antiguidade, foi o método histórico pelo qual JESUS morreu. 

Preparação Religiosa e Profética

No contexto do judaísmo, a vinda do Messias era aguardada através de séculos de tradição e registros sagrados: 

·        Profecias Messiânicas: O Antigo Testamento contém centenas de profecias que detalhavam desde o local de nascimento (Belém) até a natureza de Sua morte. Isaías 9:6 descreveu o nascimento de um "Príncipe da Paz", enquanto outras passagens preveriam Seu sofrimento.

·        Sistema de Sacrifícios: A lei mosaica estabeleceu o sistema de sacrifícios de animais para expiação de pecados, que servia como uma "sombra" ou preparação para o sacrifício definitivo de JESUS, o "Cordeiro de DEUS".

·        Expectativa do Messias: Na época de JESUS, havia uma intensa expectativa religiosa por um libertador que restaurasse o reino de Israel, embora muitos esperassem um líder político em vez de um salvador espiritual. 

Significado Teológico da Preparação

A morte na cruz é interpretada como a satisfação da justiça divina, onde JESUS assumiu voluntariamente a penalidade do pecado da humanidade para oferecer redenção e acesso à vida eterna. 

 

2. O FILHO nascido sob a Lei

"O FILHO de DEUS nascido sob a Lei" refere-se a JESUS CRISTO, conforme descrito em Gálatas 4:4-7, que nasceu de mulher e viveu sob a Lei mosaica para resgatar a humanidade da escravidão do pecado e da Lei, tornando possível a adoção de todos como filhos de DEUS, recebendo o ESPÍRITO que clama "Aba, PAI". 

Contexto Bíblico (Gálatas 4:4-7):

·        "Mas, quando chegou o tempo certo, DEUS enviou seu FILHO, nascido de uma mulher e sob a lei."

·        Propósito: "...para resgatar a nós que estávamos sob a lei, a fim de nos adotar como seus filhos."

·        Resultado: DEUS enviou o ESPÍRITO do Seu FILHO para que pudéssemos clamar: "Aba, PAI", não sendo mais escravos, mas filhos e herdeiros. 

Significado:

·        Nascido de Mulher: JESUS assumiu a condição humana, nascendo como qualquer pessoa.

·        Nascido Sob a Lei: Ele se submeteu à Lei de Moisés, vivendo debaixo dela como servo, cumprindo-a perfeitamente, mesmo sendo santo, para nos libertar do seu domínio e condenação.

·        Redenção e Adoção: Ao viver sob a Lei e cumpri-la, JESUS abriu o caminho para que, pela fé n'Ele, os crentes fossem resgatados e adotados como filhos de DEUS, recebendo o ESPÍRITO SANTO e a intimidade com o PAI. 

Em essência, JESUS, o FILHO de DEUS, se tornou humano e se submeteu à Lei para nos resgatar e nos dar a liberdade e a filiação divina, como ensina o apóstolo Paulo em sua carta aos Gálatas. 

 

3. A adoção de filhos

"Recebemos a adoção de filhos" é uma expressão bíblica central que significa que, através da fé em JESUS CRISTO, os crentes são acolhidos na família de DEUS, recebendo o "ESPÍRITO de adoção" que lhes permite chamar DEUS de "PAI", tornando-se filhos e herdeiros de DEUS, livres da escravidão do pecado, por meio do amor e da graça divina, e não por mérito próprio, um processo que envolve redenção e transformação espiritual. É uma metáfora, assim como o novo nascimento como filhos de DEUS.

O Que Significa na Bíblia:

·        Liberdade do Pecado: Não somos mais escravos do pecado, mas livres para viver como filhos amados de DEUS (Romanos 8:15).

·        Acesso a DEUS como PAI: Recebemos o ESPÍRITO SANTO que nos capacita a clamar "Aba, PAI", indicando uma relação íntima e de confiança com Ele (Romanos 8:15, Gálatas 4:6).

·        Parte da Família de DEUS: Somos legalmente recebidos na família divina, tornando-nos herdeiros de DEUS e coerdeiros com CRISTO (Efésios 1:4-6, Romanos 8:17).

·        Um Ato de Graça: DEUS nos escolheu e nos adotou por Seu grande amor e vontade, não porque éramos dignos, mas para sermos santos e irrepreensíveis (Efésios 1:4-6, 15). 

Como Acontece:

1.    Redenção por JESUS: JESUS veio para nos resgatar da lei e do pecado (Gálatas 4:4-5).

2.    Fé em CRISTO: Ao receber JESUS e crer em Seu nome, ganhamos o direito de nos tornar filhos de DEUS (João 1:12, citado em).

3.    O ESPÍRITO SANTO: O ESPÍRITO de DEUS vem morar em nós, confirmando nossa filiação e nos guiando (Romanos 8:14). 

Em Resumo:
É uma transformação profunda onde DEUS nos tira da condição de órfãos ou escravos e nos acolhe em Sua casa, nos dando identidade, amor, proteção e a promessa de uma herança eterna, tudo por meio de CRISTO. 

 

III – A TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO

A Trindade (PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO) é central no plano de salvação, atuando em conjunto: o PAI planeja e envia (amor), o FILHO (JESUS CRISTO) executa a redenção através de Sua expiação e ressurreição, e o ESPÍRITO SANTO aplica e sela essa salvação na vida dos crentes, sendo a garantia da herança eterna, unindo amor divino, sacrifício redentor e poder santificador na obra completa da redenção. 

Papel de Cada Pessoa na Trindade:

·        DEUS PAI: O Originador e Amante, que amou o mundo e enviou Seu FILHO para salvá-lo, demonstrando Seu amor soberano.

·        DEUS FILHO (JESUS CRISTO): O Salvador, que cumpre o plano, realiza a expiação pelos pecados e, através de Sua ressurreição, vence a morte, sendo a ponte entre DEUS e a humanidade.

·        ESPÍRITO SANTO: O Aplicador da Graça, que convence do pecado, aplica os benefícios da expiação, transforma o crente e é o penhor ou garantia da salvação final e da herança eterna. 

Unidade na Obra:

·        Embora distintas em função, as Pessoas da Trindade são unidas em propósito e essência.

·        O plano de salvação é uma orquestração divina, onde o PAI projeta, o FILHO realiza e o ESPÍRITO SANTO conclui a obra de redenção no indivíduo. 

Importância Teológica:

·        A Trindade não é apenas uma doutrina, mas o próprio fundamento da fé cristã, essencial para compreender a natureza de DEUS e a profundidade do Seu amor redentor.

·        A fé na Trindade sustenta toda a doutrina cristã, sendo a base para a compreensão do amor, sacrifício e poder de DEUS em nossa salvação. 

 

1. A vontade do PAI realizada pelo FILHO

A vontade do PAI realizada pelo FILHO, conforme a Bíblia (especialmente João 6:38-40, Mateus 7:21), é que JESUS cumpra o plano de salvação: que todo aquele que crer Nele tenha vida eterna, sendo Ele o Pão da Vida que veio do céu não para fazer a Sua própria vontade, mas a do PAI, culminando na sua obediência sacrificial e na ressurreição daqueles que o PAI lhe deu. Fazer a vontade do PAI é crer em JESUS e praticar Seus ensinamentos, sendo um seguidor genuíno, não apenas alguém que o chama de "Senhor". 

Principais pontos:

·        Obediência de JESUS: JESUS declarou: "eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou" (João 6:38).

·        O Propósito: A vontade do PAI é que ninguém que lhe foi dado por Ele se perca, mas que tenha vida eterna, e JESUS os ressuscite no último dia (João 6:39-40).

·        A Vontade do PAI para Nós: A vontade do PAI é que creiamos no FILHO (João 6:40) e que façamos a Sua vontade, o que se manifesta em seguir os ensinamentos de JESUS e praticar a Palavra (Mateus 7:21).

·        Exemplo da Parábola: Em Mateus 21, JESUS usa a parábola dos dois filhos para ilustrar que aquele que, mesmo após relutar, se arrepende e age (o segundo FILHO em algumas versões, o primeiro em outras, dependendo da interpretação da ação), é quem faz a vontade do PAI, mostrando a importância da ação e do arrependimento sobre a mera palavra. 

Em essência, a vontade do PAI é a salvação através do FILHO, e seremos parte disso ao crer e obedecer a JESUS, demonstrando fé ativa. 

 

2. A mediação exclusiva do FILHO

A crença na mediação exclusiva de JESUS CRISTO fundamenta-se principalmente nos textos bíblico de 1 Timóteo 2:5: "Porque há um só DEUS e um só Mediador entre DEUS e os homens, JESUS CRISTO, homem" [1]. 

E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos Atos 4:12, Disse-lhe JESUS: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao PAI, senão por mim.

João 14:6 etc...

 

Esta doutrina central do cristianismo estabelece que: 

·        Ponte Única: JESUS é o único capaz de reconciliar a humanidade com DEUS devido à sua dupla natureza: sendo plenamente DEUS e plenamente homem [2].

·        O Sacrifício: Sua mediação é baseada no sacrifício realizado na cruz, que remove a barreira do pecado entre o Criador e a criatura [3].

·        Sacerdócio Eterno: Segundo o livro de Hebreus, JESUS vive perpetuamente para interceder por aqueles que se aproximam de DEUS por meio dele [4]. 

Enquanto algumas tradições cristãs praticam a intercessão de santos ou de Maria, a teologia bíblica estrita diferencia a intercessão (pedir uns pelos outros) da mediação redentora (o ato jurídico e espiritual de salvar a humanidade), que é atribuída exclusivamente ao FILHO [5].

 

3. A aplicação da salvação pelo ESPÍRITO

A aplicação da salvação pelo ESPÍRITO SANTO envolve sua atuação em todas as etapas: Ele convence do pecado, atrai para DEUS, concede o novo nascimento (regeneração) e a nova vida, selando a fé e a adoção como filhos (Aba, PAI), nos capacitando para a santificação (crescimento no caráter de CRISTO), e garantindo a glorificação final, sendo o selo e a garantia de nossa herança eterna, transformando-nos em novas criaturas. 

Etapas da Aplicação da Salvação pelo ESPÍRITO SANTO:

1.    Chamado e Convencimento:

·        O ESPÍRITO SANTO nos convence de nossa necessidade de salvação, mostrando nosso pecado e nossa incapacidade de nos salvarmos sozinhos, somos salvos pela graça (JESUS e sua obra salvífica, mediante a fé que adquirimos ao ouvir o evangelho e crermos.

2.    Regeneração (Novo Nascimento):

·        Ele desperta o coração espiritual, concede nova vida e uma nova natureza, tornando-nos novas criaturas em CRISTO, vem morar em nós e implanta em nós o Fruto do ESPÍRITO.

3.    Fé e Arrependimento:

·        O ESPÍRITO vê nossa fé no evangelho quando cremos em JESUS CRISTO como único Salvador e Senhor e nos conduz ao arrependimento,

4.    Adoção e Identidade:

·        Nos adota na família de DEUS, dando-nos a certeza de sermos Seus filhos e o direito de chamar a DEUS de "Abba, PAI", com uma nova identidade e herança.

5.    Santificação (Crescimento Contínuo):

·        Inicia um processo contínuo de transformação, moldando-nos à imagem de CRISTO, fortalecendo-nos para vencer o pecado e desenvolvendo um caráter santo.

6.    Selamento e Garantia:

·        É o "selo" de DEUS, a garantia de que somos Dele e que nossa salvação está segura até o fim, culminando na glorificação final, onde seremos plenamente livres do pecado e conformados à imagem de CRISTO. 

Em Resumo:
O ESPÍRITO SANTO é o agente que torna a obra redentora de CRISTO uma realidade viva e pessoal na vida do crente, aplicando-a passo a passo, do novo nascimento à glória eterna, garantindo nossa transformação e comunhão com DEUS. 

 

CONCLUSÃO

A lição apresenta o envio de JESUS CRISTO pelo DEUS PAI como a expressão máxima do amor divino, revelando que Deus busca comunhão com a humanidade por meio do sacrifício e ressurreição do Filho. O amor do Pai é incondicional, eterno e restaurador, não baseado em méritos humanos, mas na graça e perdão oferecidos a todos. A iniciativa soberana de Deus mostra que Ele toma o primeiro passo na relação com o ser humano, revelando-se e oferecendo salvação. O plano de redenção é trinitário: o Pai envia, o Filho executa e o Espírito Santo aplica a salvação, evidenciando a unidade e o amor entre as três Pessoas. A vinda de JESUS ocorre na “plenitude dos tempos”, momento perfeito determinado por Deus para inaugurar a era da salvação. JESUS nasce sob a Lei, cumpre-a e, por meio de sua redenção, possibilita a adoção dos crentes como filhos de Deus. A Trindade atua em conjunto no plano da salvação, cada Pessoa com papel distinto, mas unidas em essência e propósito. A vontade do Pai é realizada pelo Filho, que obedece e garante vida eterna aos que creem. JESUS é o único mediador entre Deus e os homens, sendo ponte exclusiva para a reconciliação. Por fim, o Espírito Santo aplica a salvação, convencendo, regenerando, santificando e garantindo a herança eterna dos filhos de Deus.

 

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Plenitude

πληρωμα pleroma
consumação ou plenitude do tempo - plenitude, abundância - cumprimento, realização

Gl 4 V. 4 - Mas, quando chegou a plenitude do tempo. A situação de escravidão em que o mundo mantinha os homens, por meio da lei e de seus seres elementares, chegou ao fim.64 O conceito “plenitude do tempo” refere-se ao tempo determinado pelo PAI.65 DEUS preparou o mundo para a vinda de seu FILHO em uma época determinada na história. O momento como discurso temporal chegou à sua plenitude, ou seja, à sua meta. Significa o encerramento. Pressupõe-se que DEUS tem sob seu domínio o tempo e todos os seus “aions”,66 como tudo no mundo, determina a medida de todas as coisas,67 e que leva esta medida à sua realização,68 para que traga o fim deste “aion” ou o começo do futuro.

DEUS enviou seu FILHO. Segundo Paulo, tal plenitude do tempo trouxe a vinda de JESUS CRISTO. Paulo, em nenhum lugar, deixa claro a condição histórica dessa decisão de DEUS, de modo que não se pode mostrar por que ocorreu, mas que DEUS permitiu que se realizasse.69 O final do tempo se realizou com a aparição do FILHO de DEUS no cosmos.70 Há, pois, que julgar esta aparição como irrupção do “aion” futuro no presente (Hb 9.26), que experimentou assim a privação do poder da sua essência. A aparição de CRISTO se apoia no ato do envio divino. Neste contexto revela a denominação “seu FILHO”, a “pré-existência” do envio divino, ou seja, revela o ser divino que desde sempre lhe é próprio (cf. Rm 1.3,4; 8.3,29,32; 1 Co 8.6; 2 Co 8.9; Fp 2.6,7; Cl 1.13,14). O começo do final do mundo, a conclusão do tempo se revela no envio do FILHO de DEUS, enquanto eterno fundamento divino, meio e meta do ser.

Nascido de mulher, nascido debaixo da lei. O tempo final é o tempo no qual o “princípio” divino de nosso ser, JESUS CRISTO, irrompeu nesta existência. A aparição de JESUS CRISTO neste “aion” se fundamenta no ato do envio e consiste na encarnação. O FILHO de DEUS enviado foi introduzido na natureza do homem determinada pela mulher, como o “nascido de mulher”, que ressalta a verdadeira humanidade do FILHO. A sua humanidade pertence não só à natureza, mas também à história. A historicidade de sua aparição ressalta como sendo “nascido debaixo da lei” (submetido à lei). Para Paulo, submeter-se à lei não significa que ele foi obrigado a tal coisa. Aqui, pensa-se na igualdade da sorte do enviado com aqueles em cujo favor havia acontecido o envio.

V. 5 - A fim de redimir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. Essa total entrega do FILHO no cosmos, tinha por finalidade libertar aqueles que estavam debaixo da lei. Trata-se, sem dúvida de todos os homens, gentios e judeus. A redenção a respeito da lei é, sem dúvida o pressuposto para receber a filiação, e isto para todos, tanto judeu quanto gentio. Estes foram recebidos como filhos por meio da adoção. A palavra traduzida como adoção é um termo técnico jurídico. Receber a filiação é pois como ocupar o posto de um FILHO adotivo. Deveria mencionar como meta do envio do FILHO em realidade o fazer maior de idade. Contudo, a nova posição do homem, a de não ser mais escravo da lei do mundo, acontece a partir do momento em que aceita a CRISTO como FILHO. O homem é livre enquanto está unido juridicamente ao PAI por uma arte de direito. O conceito de filiação ressalta a livre ação de DEUS não apoiada em existência alguma e ao mesmo tempo, a mediatização da nossa categoria de filhos.

A Epístola aos Gálatas - Germano Soares - CPAD

 

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A “Plenitude dos Tempos" em estudos bíblicos refere-se ao momento culminante na história, quando DEUS enviou Seu FILHO, JESUS CRISTO, cumprindo profecias e inaugurando uma nova era de salvação, libertação e restauração, marcando o tempo oportuno (kairós) para a ação divina na encarnação e redenção, conforme descrito em Gálatas 4:4, onde JESUS se torna o ponto central de todas as coisas em céu e terra. 

Conceitos Chave:

·        Tempo Oportuno (Kairós): É o "tempo certo" de DEUS para agir, quando as dispensações e preparações anteriores se completam para a vinda do Messias.

·        Cumprimento das Profecias: JESUS CRISTO é a concretização de todas as promessas e tipos do Antigo Testamento (como o Cordeiro Pascal, o Profeta, o Rei e o sacerdote).

·        Restauração: Na plenitude dos tempos, todas as coisas em CRISTO são reunidas e restauradas, um processo iniciado com Ele.

·        Nova Aliança: Com JESUS, vem a adoção de filhos e o envio do ESPÍRITO SANTO, que clama "Aba, PAI", como em Gálatas 4:6. 

Contexto Teológico:

·        Visão Cristã: A vinda de JESUS em Gálatas 4:4-7 é o ápice, quando DEUS enviou Seu FILHO para nos resgatar da lei e nos tornar Seus filhos.

·        Perspectiva: O mundo judaico com a Lei e o mundo greco-romano prepararam o cenário para o Novo Testamento, mostrando a influência religiosa, cultural e a preparação para a vinda do Evangelho. 

Em resumo, "A Plenitude dos Tempos" é a era messiânica, o momento exato de DEUS para a vinda de JESUS, que centraliza e completa todo o plano divino de salvação e restauração da humanidade. 

 

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Plenitude

O termo gr. pleroma, “plenitude”, com o sentido de algo que foi cumprido.

1.       Tempo. Quando o tempo havia se cumprido e os eventos tinham chegado no plano de DEUS; “Mas, vindo a plenitude dos tempos, DEUS enviou seu FILHO, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4).

2.       História dos gentios. A “plenitude dos gentios”, isto é, a chegada do tempo de DEUS conceder o evangelho especialmente aos gentios na Era da Igreja (Rm 11.25; cf. Lc 21.24).

Bibliografia. Gerhard Delling, “Píeres etc”., TDNT, VI, 283-311. R. A. K. e J. R.

Dicionário Bíblico Wycliffe – CPAD

 

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Período do Novo Testamento

Nascimento de JESUS: Ano 5 antes do início da atual Era Cristã.

Tibério associado com Augusto no governo do Império Romano: 11-14 d.C.

Tibério, imperador: 14 d.C.

Ministério de João Batista: 26 ou 27 d.C. Evidências disso:

a) Em Lucas 3.1,o 15º ano de Tibério é contado a partir de seu governo associado com Augusto em 11 d.C. Logo 11 + 15 = 26 d.C.

b)  Em João 2.20, se diz que o templo fora construído em 46 anos. De acordo com a História, a construção teve início em 19 a.C.

Logo: 19 a.C + 27 d.C. = 46 anos.

Batismo de JESUS: 26 ou 27 d.C. (Corrigindo-se o calen­dário: 30-31 d.C.)

Ministério de JESUS: 26-29 d.C. Sua idade 29 d.C + 4 (devido ao erro do calendário) = 33 anos e meses.

Bíblia Através dos Séculos - Silva, Antônio Gilberto da - CPAD

 

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O CONTEXTO HUMANO DA ÉPOCA DE JESUS

O povo da Aliança — Nomen numen — Uma nação ou uma religião? — A posição curiosa dos Samaritanos — As cidades gregas — Tão grande e tão pequeno — A grande dispersão dos judeus

 

O POVO DA ALIANÇA

O esquema divino ... Mais surpreendente do que todas as demais provas magníficas era a existência, neste país como em nenhum outro, de um povo que se julgava diferente de todos. Os homens que habitavam a Palestina há dois mil anos atrás, os que compunham se não toda a população, pelo menos a maior parte dela, estavam convencidos e, o que é ainda melhor, certos, de que não se achavam ali por acaso: tinham certeza de que a sua presença nesse país possuía um significado sob a Providência e que o próprio DEUS os estabelecera nessa terra.

Este é um fato básico, a noção essencial, sem o que a história, a vida espiritual e até mesmo a existência diária de Israel se torna incompreensível. Um orgulho nacional, comparado ao qual nosso chauvinismo mais desvairado é praticamente inexistente, enchia o coração do judeu mais humilde quando se lembrava que pertencia à raça escolhida, ao povo da aliança. Que lhe importava se sua vida pessoal fosse medíocre, que a sorte o tratasse com indiferença ou que os invasores romanos pisassem o solo sagrado? Ele podia ser desprezado, mas sabia muito bem que em comum com a nação inteira possuía um privilégio que nenhum poder da terra poderia tirar-lhe, o "sacerdócio imutável” de que fala a Epístola aos Hebreus.1

Esta noção com certeza surgiu de uma revelação que já era bastante antiga, não tendo menos de vinte séculos, mas que se mantinha sempre presente nos corações piedosos de Israel. Um homem chamado Abrão, que vivia em Ur, capital da região na parte inferior do Eufrates, recebera uma visitação de DEUS e ouvira sua ordem: "Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu PAI, e vai para a terra que te mostrarei: de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome".2 Abrão obedeceu. Ele seguiu pelas trilhas do deserto, levando' ém sua companhia seu PAI idoso, Terá, seus sobrinhos, seu gado e toda a sua casa, disposto a correr os riscos de uma longa peregrinação a mandado do Senhor. Esta obediência foi recompensada. Ao chegar ao local que lhe fora indicado, Abrão por várias vezes teve comunicações místicas com DEUS, recebendo dEle advertências e promessas. A terra que então palmilhava seria sua por herança e seus descendentes a possuiriam. Como penhor dos acontecimentos futuros seu nome foi mudado de Abrão para Abraão, "PAI de uma multidão", e de forma milagrosa sua velha esposa lhe deu um FILHO.

Esse foi o início daquela aliança que sempre existira desde tempos remotos entre o Todo-poderoso e os que se diziam seus servos, Um sinal físico dessa aliança tinha sido estabelecido, um sinal na própria carne do homem: a circuncisão.3

Mas, por que DEUS falou a Abrão? Por que escolheu o clã pequeno e nômade dos teraítas para serví-10? A resposta a essas perguntas está no Livro apócrifo de Judite, "Este povo é da raça dos caldeus; habitou primeiramente na Mesopotâmia, porque recusavam seguir os deuses de seus pais que estavam na Caldéia. Abandonaram os ritos de seus ancestrais que honravam múltiplas divindades, e passaram a adorar o DEUS único do céu, o qual lhes ordenou que saíssem daquele país e fossem estabelecer-se na terra de Canaã”.4 Haviam então os nômades teraítas escapado do politeísmo astral e totemista dos mesopotâmios estabelecidos, cerca de dois mil anos antes de CRISTO e em condições que continuam sendo historicamente muito obscuras? E haviam eles chegado por si mesmos ao conceito de um DEUS único, invisível, onipotente? "Do passado distante,” diz Renan, "o pastor semita leva o selo de DEUS absoluto sobre a fronte”.6

Isto era algo extraordinário original, algo que fez dos descendentes de Abraão uma nação verdadeiramente única no mundo, os recipientes de uma revelação incomparável e portanto o Povo Escolhido, o Povo da Aliança. 0 orgulho do judeu mais humilde não tinha outra origem além dessa: ele sabia ser um aliado de DEUS.
Caso duvidasse disso, a história de sua raça, registrada no Livro SANTO, seria uma prova para ele. Tudo nesse estranho e perturbado destino conservava a marca visível da vontade divina. É surpreendente observar que os primeiros cristãos que afirmaram ser judeus fiéis, insistiam (para mostrar aos seus conterrâneos que a revelação de JESUS aperfeiçoava a da tradição antiga) sobre o fato de que a nova berith era apenas o cumprimento da velha. Foi isso que Estêvão, o protomártir fez no discurso dirigido aos que estavam prestes a apedrejá-lo, sendo esta também a convicção de Pedro6 e Paulo.7
Se porém a aliança tinha sido estabelecida de uma vez por todas, as condições de sua aplicação haviam mudado no curso dos séculos: as obrigações tinham ficado mais pesadas e se aprofundado mais. 0 espetáculo do Povo da Aliança subindo, passo a passo, as gradações da escala da experiência espiritual para finalizar definindo as características da mais pura e mais nobre religião de toda antiguidade, não é a menor razão que temos para admirá-lo.
No início, na era dos patriarcas, as condições eram extremamente simples. Para manter a fé bastava crer no DEUS único, naquele referido como El, ou melhor ainda Elohim, esse estranho plural empregado como singular. Este DEUS único quase não exigia adoração, sacerdócio, nem templo e pouco mais do que alguns sacrifícios de tempos a tempos. Ele não impunha uma ética a seus servos, e as doutrinas instituídas por esta religião eram rudimentares.
Um segundo estágio foi ultrapassado 500 a 600 anos depois de Abraão, quando o Povo Escolhido interpretou corretamente o Êxodo, esse acontecimento espantoso, como uma das provas mais surpreendentes possíveis da aliança. Um homem de posição foi escolhido por DEUS para livrar o seu povo da escravidão no Egito e levá-lo de volta à Terra Prometida. Sob a liderança de Moisés os israelitas fugitivos cruzaram o Mar Vermelho e foram então protegidos da morte pela inanição no deserto: essas foram duas provas do cuidado divino. Nessa ocasião a aliança não só foi renovada, mas também expressa com maior exatidão: DEUS deu a seu povo uma nova garantia, revelando-lhes seu nome inefável, Javé, a marca de sua onipotência — Javé, "Aquele que é". Em troca, numa espécie de contrato recíproco, Ele lhes impôs mandamentos, as famosas leis, o Decálogo; e baseado nelas, Moisés pôde mais tarde dedicar-se inteiramente ao desenvolvimento de um código moral e religioso, um código de uma organização política e social.    ,
Assim confirmada e explicada, a aliança permitiu que as tribos tomassem a terra de Canaã, nos dias de Josué e dos juízes. Foi novamente a aliança que estabeleceu o rei Davi e sua dinastia na glória; tendo a mesma sido solenemente renovada a seu favor.9 A despeito, porém.
de todas essas provas da infinita bondade de DEUS que lhes foram dadas, o Povo Escolhido muitas vezes desrespeitara a aliança, cedendo às tentações da idolatria e incorrido em práticas pagãs. Assim, em nome de Javé as vozes veementes dos grandes profetas — Amós, Oséias e tantos outros — os censuraram por isso.10 Um terrível castigo abateu-se sobre a nação infiel: foram levados para a Babilônia. Era o Exílio. Mas a misericórdia de DEUS continuava sendo maior do que a sua justiça: Javé permitiu que este castigo tivesse um fim, e que o rebanho exilado voltasse para esta terra mais abençoada que todas as outras.
A provação foi proveitosa. Graças ao Exílio o Povo Escolhido passou pelo terceiro estágio em seu desenvolvimento espiritual. À luz do sofrimento, homens como Isaías, Ezequiel ou Jeremias, tinham mostrado a seus irmãos que tudo que vem de DEUS deve ser adorado e que tudo colabora para o aperfeiçoamento do homem. Amós já dissera num passado distante que DEUS não ama os sacrifícios mas o comportamento reto, o amor fraternal, a justiça e o valor moral. A aliança tomou um significado ainda mais profundo: ela se tornou a base de uma religião mais interior, mais espiritual. A missão que o Povo Escolhido sabia ser sua responsabilidade não era mais então simplesmente confirmar a existência de um único DEUS e proclamar os seus mandamentos, mas sim ensinar a humanidade a buscar o que é divino, pelo esforço pessoal, a purificação moral e o empenho da alma. A circuncisão, "o sinal da aliança na carne", era ainda obrigatório, mas todos sabiam que, como Paulo diria mais tarde, a verdadeira circuncisão era interior, algo ocorrido dentro do coração humano.11
Tudo estava então relacionado com a certeza do Povo Escolhido de que era único, diferente de todos os demais e superior a eles. Tudo, a sua fé monoteísta, amor pelo país, submissão às leis morais, desejo de ordenar sua vida social e política segundo princípios estabelecidos, e seu desejo de alcançar uma experiência mística da espécie mais sublime. Foi portanto a teologia em lugar da etnologia que determinou suas características raciais. Quem quiser formar uma idéia do mundo em que JESUS viveu não deve esquecer-se deste conceito particular do destino do indivíduo e da nação.
NOMEN NUMEN
Estamos, portanto, continuamente encontrando o forte elo que existia entre a teoria histórica e espiritual e a realidade; nós achamos em todos os aspectos característicos do Povo Escolhido. Isto tem início com os próprios nomes que usavam. Os três mais comuns aludiam com grande precisão a certos acontecimentos importantes em sua história sagrada: eles eram hebreus, israelitas e judeus. Se já houve caso em que se pudesse aplicar o rótulo latino nomen numen foi com certeza este, pois cada um desses nomes tem aplicação direta num dado aspecto do destino deles.
Deve ser porém observado que uma expressão que agora usamos, com sentido restritivo (e algumas vezes com certo tom de desprezo) para a nação de Abraão, de Moisés e dos profetas, quando falamos, por exemplo, de antissemitismo, não tinha então a menor aceitação. Os contemporâneos de JESUS sabiam evidentemente que eram semitas, desde que descendiam de Sem, o FILHO mais velho de Noé. Eles não haviam esquecido o décimo capítulo de Gênesis e sua lista das gerações depois que a família de Noé saiu da arca. Menos ainda se esqueceram do nono que contava como Sem, juntamente com seus descendentes, ocupou a posição mais elevada devido ao seu comportamento reto para com o PAI, quando Noé estava bêbado. Mas a palavra "semita" era desconhecida, ela não se encontra na Bíblia. Foi um termo inventado em linguística por Schõzer em 1781. Um palestino de há dois mil anos atrás tinha conhecimento de que os beduínos do deserto eram seus primos, pois descendiam de Abraão e sua concubina Hagar; mas teriam ficado muito surpresos ao ver-se classificados na "raça semítica" juntamente com os caldeus e assírios.
Os termos mais comuns, no uso erudito ou literário, eram hebreu e israelita. Haja vista a famosa passagem na segunda Epistola aos Coríntios onde Paulo, para defender-se das acusações dos inimigos, clama: "São hebreus? também eu. São israelitas? também eu. São da descendência de Abraão? também eu."12 Um FILHO de Abraão, um membro verdadeiro, legítimo, do Povo da Aliança, declarou-se assim tanto hebreu como israelita. As duas expressões não eram sinônimas, correspondendo a detalhes históricos e espirituais diferentes.
A palavra "hebreu" na Bíblia estava ligada a um homem de nome Eber tataraneto de Sem.13 Ela deriva de abar, cruzar, um radical encontrado novamente na Mesopotâmia como habiru e no Egito como Apiru, um termo para os saqueadores que vinham das estepes. 0 hebreu, então, é "aquele que cruza", o homem de grandes peregrinações. 0 termo faz lembrar as jornadas prodigiosas de Ur para Canaã nos dias de Abraão e do país do Nilo ao do Jordão na época de Moisés, quando o Povo Escolhido veio a ter conhecimento de si mesmo e do seu destino. Os verdadeiros fiéis tinham retido um sentimento particular por aquele período: o deserto era ainda o lugar em que "como peregrino sobre a terra", como JESUS viria a dizer, o homem podia aproximar-se mais de DEUS. Para os crentes, a tenda do nômade permaneceu um símbolo tão belo da vida espiritual que ela era de novo erguida na Festa dos Tabernáculos.14 E tudo isto se achava implícito quando um indivíduo da época de Paulo afirmava ser hebreu.
Quando se dizia israelita talvez implicasse ainda mais coisas. Sabemos que Jacó recebeu o nome de Israel dado pelo anjo do Senhor — que sem dúvida significa o poder divino — no fina) da noite extraordinária em que lutou o mais estranho dos combates junto ao vau do Jabo-que.1B Abalado e com a articulação da coxa fora do lugar, mas orgulhoso de ter lutado sem desistir até o romper do dia, o patriarca recebera esse nome como uma recompensa e penhor. A luta espiritual, "tão furiosa como uma batalha entre homens", nas palavras do poeta,18 o combate corpo a corpo com o poder do destino que todo homem deve travar, em sua carne e sua alma, tinha sido disputado por Israel, tanto por si mesmo como por seus descendentes. Ser israelita era ser parte de uma nação que ficava face a face com DEUS.
O termo "judeu", que é encontrado apenas no Novo Testamento e nos dois livros dos Macabeus,17 foi adotado pela administração romana, tendo se tornado comum. É aquele mais corrente hoje, com o inadequado e desagradável sentido sugerido que os escritos antissemíticos lhe deram. Este nome também possuía um significado histórico e espiritual admirável. Ele data da época da volta do exílio. A tribo principal cujos membros tinham sido deportados por Nabucodonosor para a Babilônia (juntamente com a de Benjamim) era Judá. Foram os filhos de Judá, portanto, que preservaram intactos o tesouro da fé e as tradições ancestrais, enquanto na Palestina os remanescentes das outras dez tribos tinha cedido em parte ás tentações do paganismo. Ao voltar, eles se estabeleceram na Judéia, que recebera o seu nome, próximo à cidade santa de Jerusalém. Ali restabeleceram a religião sobre fundamentos mais seguros. Jacó, agonizando na terra do Egito, tinha predito que o cetro não seria tomado de Judá; e uma bênção particular fora dada a essa tribo, século após século.18 A derivação era em si mesma um símbolo: os homens de Judá, da Judéia, os judeus, eram os homens de fé perseverante.
UMA NAÇÃO OU UMA RELIGIÃO?
Um outro nome é mencionado na Bíblia e estabelecido em relação direta com as origens do Povo da Aliança — os sírios. A lei de Moisés exigia que todo crente que fosse fazer uma oferta no altar de Javé dissesse: "Um sírio peregrino foi meu PAI .. ."19* Quem foram então esses sírios ou arameus? Um povo semita sem dúvida, dado ávida nômade, que no início do segundo milênio mudou-se para a parte superior da Mesopotâmia, no sopé das montanhas Anti-Taurus, com seus rebanhos. Esta região que forma a extremidade norte do "crescente fértil" é chamada Padã-Harã na Bíblia, a terra dos pais. Sua cidade principal era Harã, um centro importante para as caravanas, sobre o Balikh, um tributário do Eufrates. Abraão fez ali uma pausa em sua viagem divinamente inspirada. 0 irmão dele Naor se estabeleceu nela e Jacó foi até lá a fim de procurar esposa. O adivinho Balaão saiu também de Harã para transmitir suas perturbadoras mensagens.20 Ao fazer com que seu povo descendesse de um homem chamado Arã o FILHO mais moço de Sem,21 o editor do Livro SANTO tornou conhecido um fato indubitável.
Do ponto de vista etnológico, portanto, o povo que viveu na Palestina era originário de um grupo de tribos aramaicas que, cerca de vinte séculos antes de nossa era, se desligara pelo menos parcialmente do corpo principal. Eles se aliaram aos 'ibri ou habiru (isto é, como vimos, hebreu), elementos que vagavam desde o Eufrates até o Nilo através de Canaã, cuidando do gado ou roubando durante a caminhada. Ao que parece, os ancestrais de Israel tinha imposto sua autoridade sobre os bandos de habiru, dando-lhes os primeiros rudimentos de organização e acabando por amalgamar-se com eles. Mas por muito tempo tiveram de lutar contra os avanços de outras tribos aramaicas em direção de suas pastagens. Muito mais tarde, nos séculos nove e oito antes de CRISTO, quando Israel se transformara hum povo sedentário, estabelecido na Terra Santa, eles tiveram de lutar novamente contra seus antigos irmãos. Nessa ocasião os sírios, sob o impulso de um extraordinário ressurgimento de vitalidade, tinham feito de Damasco sua capital; eles estavam fundando principados até em pontos distantes como o Golfo Pérsico e em várias ocasiões tinham invadido a Palestina.22 Uma importante mudança linguística teve origem nesse período: o aramaico falado pelos sírios passou a predominar através de quase todo o Oriente Próximo, e particularmente na terra de Canaã, onde penetrou mais facilmente porque logo depois os israelitas foram deportados de seu país por Nabucodonosor. Quando voltaram da Babilónica os exilados encontraram arameus vivendo na Palestina e a língua aramaica em uso corrente: eles adotaram-na — uma volta curiosa às suas origens.23
Os judeus do tempo de JESUS eram então simplesmente arameus e nada mais? Não. A Bíblia mostra que certas tribos pequenas tinham parentesco próximo com os arameus do clã de Abraão, embora não fossem boas as relações entre eles. Já vimos ser este o caso dos descendentes de Ismael; mas havia também o povo de Moabe e da terra de Amom, que descendiam de Ló, isto é, fruto de seu incesto com suas duas filhas.24 As Escrituras também falam de sete nações que os ancestrais distantes de Israel tinham destruído e absorvido em parte.26 Entre os elementos assim introduzidos, dois podem ser particularmente destacados. Em primeiro lugar os cananeus, a quem já nos referimos, aqueles que os homens de Josué encontraram em Canaã ao entrar naquela terra, povos do Cáucaso e Mediterrâneo com uma forte mistura semita, originários daquele grupo étnico que vivia nas costas da Síria e conhecido pelo nome de fenícios. Segundo, aqueles que a Bíblia chama de povo de Hete, ou os heteus. Tratava-se de um povo pré-ariano, não-semita, que por longo tempo só foi conhecido através da Bíblia. A sua ressurreição, feita por Hrozny há cerca de cinqüenta anos atrás, depois da descoberta de Winkler das extraordinárias placas em Boghaz-Keui na Turquia, foi uma das grandes aventuras da arqueologia. Durante um milênio os heteus governaram a Anatólia e invadiram todos os países circunjacentes, inclusive Canaã. Todos os esforços do maior de todos os faraós egípcios, Ramsés II, para expulsá-los, falharam na batalha travada em Cades no ano 1290 A.C.; e quando o seu império veio a sucumbir aos ataques da grande invasão ariana,26 um número considerável de seus descendentes permaneceu na Palestina. Além dos cananeus e heteus havia outros ingredientes na mistura étnica que compunha o povo da Palestina — tantas foram as nações que se tinham movimentado através desse corredor. Por exemplo, havia ainda alguns Hurrim, os hurrianos de quem temos algum conhecimento pelos documentos de Ras-Shamra,27 e alguns daqueles amorreus a quem a Bíblia dá o nome de amalequitas, fereseus, gibeonitas e vários outros, povos aparentados de perto com os hicsos que ocupavam o Egito, que ali se achavam na época do nascimento de Moisés.26
Um grande evento histórico acrescentou muito à mistura de raças na terra de Israel ou, na verdade, dois eventos — as duas incursões em busca de escravos, conduzidas primeiro pelos assírios sob Sargão II na Galiléia e Samaria (722 A.C.) e depois pelos caldeus sob Nabucodonosor na Judéia (586 A.C.). Toda sorte de povos repovoaram esses países devastados — arameus, cananeus, fenícios, anatólios e até mesopotâmios; e os remanescentes das tribos fragmentadas de Israel se mesclaram com eles. Quando os exilados voltaram da Babilônia em 538 foram obrigados, quer gostassem ou não, a viver ao lado dos recém-chegados. Muito mais tarde, entre 165 e 104 A.C., os grandes conquistadores macabeus usaram a força para converter o país inteiro ao judaísmo e tiveram pleno êxito. Sucederam até mesmo em converter os beduínos do sul, os idumeus, inimigos tradicionais dos descendentes de Jacó desde o prato de lentilhas. É certo que no ano 40 A.C., um pouco antes do nascimento de CRISTO, os idumeus tiveram seu momento de vingança, pois Herodes, que era um deles, obteve do senado romano o título de Rei da Judéia e isso sem renunciar à religião de Javé.
Esta conversão de toda a Palestina ao judaísmo não superou, porém, a diversidade das origens: ela continuava evidente nos dias de JESUS, e havia diferenças marcantes entre o povo das várias províncias. No país rude do sul, o núcleo firme dos exilados que voltaram — isto é, principalmente as tribos de Judá e Benjamim — estava agrupado em volta de Jerusalém, e ali a raça podia ser considerada pura. Por outro lado, nas partes ricas do norte, antes ocupadas pelas tribos de Aser, Naftali, Issacar e Zebulom, o estabelecimento de estrangeiros fora tão intenso que poucos israelitas tinham voltado. Uma família de linhagem antiga, como a de JESUS, descendente do rei Davi, deve ter sido bastante rara naquelas regiões. 0 fato era tão divulgado que o país tinha sido apelidado de Galil ha-Goyim, "o anel (ou círculo) dos incrédulos: desde a época da judaização dos macabeus ele foi chamado de Galil e nada mais — portanto, Galiléia. Mas o povo da Judéia desprezava os galileus como provincianos atrasados que falavam com um tal sotaque,29 que não havia diferença entre sua pronúncia das palavras immar (cordeiro), hammar (vinho) e hamor (asno). Havia também suspeitas de que não eram rígidos na observância da Lei.
Torna-se portanto impossível falar de uma raça judia.*0 Haveria um tipo racial ou étnico estabelecido? Algo, por exemplo, como o que agora é tido como sendo o mais comum: nariz grande e curvado, lábios carnudos, muito vermelhos, cabelo bem crespo, olhos azul-cinzentos ou castanhos? Nada sabemos a respeito. 0 Novo Testamento e os tratados do Talmude não contêm coisa alguma sobre isso. Temos a inclinação natural de supor que os judeus da época de JESUS eram baixos, mas não se pode saber com segurança. É verdade que o Velho Testamento nos mostra o israelita Davi em nítido contraste com o imenso ariano Golias? mas espécie alguma de conclusão geral pode ser extraída do fato de que nos evangelhos o publicano Zaqueu era tão baixinho que não podia ver nada por causa da multidão,31 nem que Paulo fala de si mesmo como "o menor dos apóstolos".32
0 próprio conceito de raça era estranho aos contemporâneos de JESUS, os homens da Bíblia. Ainda mais estranho, naturalmente, era aquela perversão de intelecto e inteligência chamada racismo. Mesmo que os israelitas tivessem, como povo, um enorme orgulho comunitário, eles não eram exclusivistas por causa disso. A religião constituía para eles um alvo mais importante do que a raça. Eles não pertenciam à raça escolhida, por descenderem de um determinado homem santo — afinal de contas não havia tantos outros descendentes de Abraão? — mas por serem fiéis à aliança estabelecida entre DEUS e seus ancestrais.
0 Livro Sagrado não contava (e até com certa dose de humor) como Jonas, por ter-se recusado a converter os ninivitas, foi obrigado a passar três dias e três noites no ventre de uma baleia? Onde quer que os judeus vivessem fora da Palestina eles faziam convertidos, como teremos ocasião de ver.33 Os adoradores fiéis de Javé desprezavam e odiavam os pagãos, não por pertencerem a uma raça estranha mas por praticarem uma religião abominável. Se o pagão afirmasse sua crença no DEUS único, adotasse a lei mosaica e aceitasse todos os costumes, especialmente a circuncisão, a marca da aliança em sua carne, ele então se tornava um irmão.34 Por outro lado, um irmão de raça, um habitante da Terra Santa, que se recusasse a obedecer às exigências da religião era expulso da aliança e não pertencia â nação de Israel.
A POSIÇÃO CURIOSA DOS SAMARITANOS
Foi exatamente este o caso dos samaritanos. No centro da Palestina se encontrava este grupo étnico considerado pelos judeus como piores que os estrangeiros. Os samaritanos adoravam o mesmo DEUS que os judeus, reverenciavam as mesmas Escrituras (ou pelo menos parte delas) e julgavam Moisés o legislador supremo: mas, ainda assim, não faziam parte do povo de DEUS.
De fato, a inimizade entre os homens de Judá e os de Samaria datava de muito antes do império do grande rei Salomão ter sido dividido em duas partes, Samaria e Judá. Desde essa época Siquém e Jerusalém discordaram sempre. 0 impuro contra o puro. Foi assim que os altares de Jeroboão foram profanados pelos bezerros de ouro colocados junto às colinas de Sião; e foi contra Jezabel, aquela velha rainha idólatra do norte, que o profeta Elias veio do sul. Samaria, a capital dessa província, foi construída, e muito bem, pelo rei Omri cerca do ano 880. Ela foi sempre considerada como uma rival da cidade santa.    -
Jerusalém derramou poucas lágrimas quando os assírios a destruíram. Depois do exílio esta inveja se transformou em ódio ardente. A mistura heterogênea de povo que se estabelecera nessas partes, todos de origem pagã, havia aceito em parte as crenças dos israelitas remanescentes. Mas acabaram por simplificá-las, especialmente no sentido de admitir apenas o Pentateuco como Escritura Sagrada. Como não pudessem ir a Jerusalém para orar, tinha adotado o hábito de celebrar seus ritos nos pontos altos de seu país. Quando os judeus exilados voltaram, os samaritanos recusaram-se a reconhecer a supremacia religiosa do povo de Judá, e até mesmo declinaram seu pedido de ajuda na reconstrução do Templo.35 0 povo de Jerusalém começou a dizer que os samaritanos estavam fora da comunidade (excomungados) e o Talmude incorporou esta tradição.36 As relações entre os dois grupos ficaram cada vez mais estremecidas, e acabaram por romper-se definitivamente.
Durante o reinado de Alexandre o Grande, sem dúvida no ano 333, Manassés, irmão do sumo sacerdote e genro do governador de Samaria, obteve do senhor do mundo permissão para construir um templo no monte Gerizim que rivalizasse com o de Jerusalém. Ele sagrou-se a si próprio sacerdote do mesmo, induziu um encarregado dos sacrifícios e alguns levitas a se juntarem a ele, permitindo que se casassem com mulheres pagãs. O historiador judeu, Flávio Josefo, ainda tremia de horror ao recapitular esses fatos.37
Essa foi então a origem da excomunhão cruel infligida pelos judeus aos samaritanos. A capital, reconstruída em menor escala depois do desastre de 722, foi completamente devastada por João Hircano em 128; e uma das principais queixas dos fiéis contra Herodes, o seu "rei", foi a de ter reconstruído a impiedosa cidade de maneira esplêndida cerca do ano 30 A.C., chamando-a Sebaste em honra de seu protetor, sendo este o termo grego para Augusta.38
A divisão entre Samaria e Jerusalém continuou: os samaritanos voltaram a construir um santuário sobre o monte Gerizim e ali mantiveram um clero dissidente, fizeram seus sacrifícios e oraram a Javé, chegando mesmo a afirmar que a sua era a verdadeira religião de Israel. A mulher samaritana disse isso a JESUS. "Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar."39 A religião deles era mais interessante, mais atraente do que a dos judeus, como foi dito algumas vezes?40 Uma religião "não exposta à tirania teocrática"? A história antiga da Igreja prontamente indica os primeiros hereges como sendo samaritanos — Simão o Mago, Dositheus e Menander — o que não significa necessariamente, porém, que esta teologia cismática fosse muito original.41
O que é certo é que nos dias de CRISTO existia um ódio extremamente violento entre os dois grupos, chegando às raias da ação. Algumas delas eram até cômicas, tal como a que talvez teve lugar no mesmo ano do nascimento do Senhor, quando os samaritanos atiraram ossos humanos no santuário do Templo, pouco antes da Páscoa, profanando o santo lugar e impedindo seu uso. Outras trágicas, como a ocorrida em 52 A.D., vinte anos depois da morte de JESUS, quando os samaritanos caíram em cima dos peregrinos judeus que contra-atacaram tão furiosamente que o legado da Síria foi obrigado a interferir. Ele em seguida crucificou um grande número de judeus. As coisas nem sempre iam tão longe assim, porém. O povo geralmente se limitava a trocar ironias e insultos. Os samaritanos eram chamados de indesejáveis, e não se admitia que tivessem o direito de considerar-se uma nação.42 O nome Siquém foi mudado para Sicar, que significa bebedeira. Um provérbio corrente, registrado no Talmude, dizia que "um pedaço de pão dado por um samaritano era mais impuro do que carne de porco".43 Não era possível ser mais claro. Quando JESUS quis fazer coroar os judeus por sua dureza de coração e ingratidão, ele usou um samaritano como exemplo. Os samaritanos, de todo modo, ajudaram o homem ferido que encontraram ao lado da estrada; e eles, quando curados, pelo menos sabiam expressar gratidão. Quem poderia supor, quando o "bom samaritano" é mencionado, que esse homem caridoso fosse aos olhos-dos ouvintes de CRISTO um herege, um cismático, um excomungado, o pária da nação de Israel?
AS CIDADES GREGAS
No corpo político de Israel havia ainda outro elemento estranho, as cidades gregas. Um certo número de cidades, algumas delas grandes, eram helenistas e não judias. Parte dessas cidades tinham sido fundadas quando os descendentes dos generais de Alexandre, os Ptolomeus do Egito e os selêucidas da Síria tinham dominado a Palestina. Depois que os municípios gregos foram estabelecidos, levas de colonizadores gregos começaram a chegar. Esses lugares formavam a Decápolis, a liga das dez cidades. Havia uma ao lado oeste do Jordão, a antiga Bete-Sem, rebatizada Citópolis, a cidade dos citas, em memória da guarnição mantida ali por esses terríveis nômades durante a sua grande incursão no século sete. As outras ficavam na Transjordânia, sendo as principais Hippos, Gerasa, Pela, Gadara e Filadélfia. Embora ficasse bem mais ao norte. Damasco também fazia parte da confederação. Pompeu reconhecera a autonomia municipal de todas elas e se encontravam então sob a administração direta de Roma. As atividades judaizantes dos macabeus haviam estancado a influência helenista, mas nem mesmo o próprio Alexandre Janeu pôde subjugar os gregos da Decápolis. A cidade de Pela tinha preferido a destruição do que aceitar o judaísmo. Herodes mantinha boas relações com as cidades helenistas e na época de CRISTO elas estavam desempenhando um papel político importante, orientadas pelo rei da Judéia mas não subordinadas a ele.
Outras cidades gregas, ou cidades com forte influência grega, haviam surgido ao longo da costa, desde Ptolemaida, a antiga Akka (Acre), até Gaza. Em Cesaréia, que Herodes o Grande transformara no principal porto da Palestina, um terço da população era grego. Siquém, reconstruída por ele sob o nome de Sebaste, era também composta em grande parte de gregos. E quando Tiberíades surgiu junto ao lago, foi povoada em sua maior parte pelos gregos, tanto mais que Herodes cometeu o erro de incluir nela um antigo cemitério, o que constituía uma impureza muito grave para os judeus. Da mesma forma, Seforis, a capital da Galiléia, era em grande parte uma cidade grega. Em todas essas cidades, embora fundadas no solo palestino, o judeu quase não era tolerado. Em Gerasa, por exemplo, foi fundada uma única sinagoga, e muito pequena. A discórdia entre os gregos e judeus explodia à menor provocação, brigas 6 até motins, que no geral terminavam em violência. Cesaréia foi cena de muitos desses conflitos, especialmente porque os romanos, ao sucederem Herodes o Grande no controle da cidade, astuciosamente colocaram ali as tropas recrutadas em Samaria.
TÃO PEQUENA E TÃO GRANDE
Se somarmos todos esses elementos, qual seria a população da Palestina nos dias de CRISTO? Esta é uma questão excessiva mente difícil, como reconhecem os melhores historiadores de Israel.44 As fontes sobre as quais basear um cálculo estão dispersas, não são inteiramente confiáveis, e frequentemente contradizem umas às outras. Os rabinos do Talmude, aumentaram as cifras por razões ligadas â apologética. Existe uma perspectiva literária enganosa que faz com que um povo pareça numericamente impressivo por ter desempenhado um papel histórico de importância e produzido grande número de homens célebres. A população de Israel na verdade jamais foi particularmente numerosa.
Quantas pessoas haveria em Israel por ocasião de sua máxima importância política ao tempo de Salomão? Com certeza nem um milhão, e talvez consideravelmente menos. Depois dessa época, o reino de Judá que foi o único a preservar a fé com todo rigor, não chegava a trezentas mil almas. E os exilados que voltaram com Zorobabel não excediam provavelmente 25.000. Essas são cifras surpreendentemente modestas, sendo todavia justamente isto que faz a pessoa entrar imediatamente em contato com o mistério de Israel e de sua sobrevivência através de todas as suas provações, até nossos dias.
Mil anos depois de Salomão, quando nasceu JESUS, seu descendente remoto, a expansão dos judeus em direção às estepes ao leste e ao sul e o crescimento demográfico causado pela paz romana, tinha provocado um nítido aumento. Mas, mesmo assim, se calcularmos um total de dois milhões estaremos sendo generosos; e meio milhão de samaritanos, idumeus, moabitas, gregos da Decápolis e o povo de sangue misto dos portos teriam de ser ainda computados nesse total. Na mesma área, em 1922, o censo calculou apenas 761.796 habitantes.
Que importam, porém, os números? É preciso reiterar que a glória de Israel, a importância reivindicada por eles, não podia ser medida em milhares de habitantes nem em milhares de kms. quadrados. A certeza do judeu mais humilde de pertencer a um grande povo, ou seja, ao maior de todos os povos, era baseada sobre considerações puramente espirituais. Um povo que dava testemunho, que desde o princípio DEUS chamara "pelo seu nome”, como dissera Isaías,46 um povo que sabia ser, conforme Paulo diria posteriormente, "guia de cegos, luz dos que se encontram em trevas, instrutor de ignorantes, mestre de crianças",4® como poderia deixar de sentir sua grandiosidade, embora fisicamente diminuto em comparação com os grandes impérios do mundo? Aqui, de novo, o conceito religioso teve precedência sobre todos os outros.
A GRANDE DISPERSÃO DOS JUDEUS
Houve, porém, um fato que ajudou a dar a Israel a certeza de sua importância; milhares de judeus, irmãos daqueles na Palestina, viviam fora da Terra Santa. Cada um dos contemporâneos de CRISTO sabia disto, pois não viam parentes distantes voltando para as grandes festividades, para orar em Jerusalém - homens como Simão, nascido em Cirene no norte da África, que ajudaria JESUS a carregar a sua cruz? Todos sabiam que nas escolas da cidade santa eram muitos os estudantes procedentes de todas essas comunidades dispersas — alunos como Saulo, FILHO de um fabricante de tendas de Tarso, na Cilicia, que fora assistir às palestras do rabino Gamaliel e que eventualmente se tornaria o apóstolo Paulo. Uma emigração judia teve então lugar nessa época, semelhante àquelas que conhecemos hoje. Em grego o termo era Diáspora, a dispersão.47
Suas origens eram variadas e remontavam ao passado. Sem ser necessário voltar aos dias de José e Moisés, quando é possível imaginar alguns judeus permanecendo no Egito, podemos citar os perpétuos levantes que afligiram o Povo Escolhido desde a morte de Salomão até o início da era cristã como uma causa poderosa da emigração. As deportações feitas pelos assírios e babilônios levaram muitos judeus para a Mesopotâmia, e quando Ciro permitiu que voltassem à Terra Santa, alguns preferiram ficar nos lugares a que já estavam acostumados. Houve também causas incidentais. No sexto século, por exemplo, um grupo de judeus empregou-se ao serviço de Faraó, por alguma razão agora desconhecida, e com suas mulheres e filhos formaram uma guarnição de colonos militares na ilha de Elefantina perto de Aswan. Três séculos mais tarde outros se juntaram ao exército de Alexandre, e ele deu-lhes terras na Mesopotâmia e até mesmo em Báctria. Por vezes foi também a derrota que causou a expatriação, como no caso dos mercenários judeus de Antioco o Grande, que foram levados pelos romanos e estabelecidos por eles na Itália. Revoluções e golpes de estado tiveram o mesmo efeito. Por exemplo, no terceiro século, quando seu PAI, o sumo sacerdote, foi assassinado, Onias IV partiu com muitos seguidores e estabeleceu-se em Leontópolis no Baixo Egito, onde chegou até a construir um templo. E, finalmente, à medida que a ordem grega e principalmente a romana tornavam mais fáceis e mais seguras as comunicações, um número cada vez maior de judeus deixava o país por simples razqes comerciais. Muitos deles se estabeleceram como comerciantes nos grandes centros, e é a partir dessa época que pela primeira vez encontramos o judeu como um homem de negócios capaz, enquanto antes, nos dias dos pastores e camponeses de Israel, o tipo era desconhecido.
Em que partes habitavam esses membros dispersos do Povo Escolhido? Cerca do ano 140 A.C. a sibila dirigiu estas palavras elogiosas ao povo judeu: 'Toda a terra está repleta de ti, e todo o oceano".48 Isto era claramente um exagero, mas Estrabo da Capadócia, o geógrafo grego (um contemporâneo de CRISTO), afirmou que "a nação judia estava espalhada por todas as cidades e que não era fácil encontrar um único lugar sobre a face habitada da terra que não abrigasse esta raça",49 — cuja declaração Flávio Josefo, o historiador judeu, cita com complacência. Outro contemporâneo de CRISTO, aquele famoso filósofo judeu. Filo de Alexandria, é mais exato, e cita entre os lugares para os quais os judeus emigraram o Egito, Fenícia, Síria, Ásia Menor (particularmente a Cilicia e Panfília, mas também a Bitínia e o Ponto), e na Europa, Tessália, Macedônia, Aetólia, Ática, Argos e Corinto, e o Peloponeso, sem esquecer-se das ilhas. "E não menciono os países além do Eufrates," acrescenta ele, "nem a Babilônia, onde todas as satrapias, com poucas exceções, possuem colônias judias."80 Ele poderia ter também acrescentado a Itália a esta lista, com particular menção a Roma.
De fato, os dois centros principais da Diáspora eram Roma e Alexandria. Os judeus se haviam estabelecido na grande metrópole egípcia desde há muito, permanentemente, pois Alexandre os atraíra para a cidade quando de sua fundação, dando-lhes nela os mesmos direitos que os gregos; e eles vicejaram nessa cidade até formarem pelo menos um quinto da população ou, como disseram alguns, dois quintos. Chegaram mais tarde â Roma, mas estabeleceram-se rapidamente e uma parte considerável do comércio importador estava em suas mãos. Cícero tinha louvado sua solidariedade, seu sentimento comunitário e seu espírito empreendedor; César os tratou com particular bondade e lamentos deles por sua morte foram notados por todos. Os judeus possuíam seus cemitérios subterrâneos, os precursores das catacumbas cristãs, em cujas paredes é possível ver ainda os seus símbolos religiosos, o candelabro de sete braços e a arca para a Torá. Alexandria e Roma foram sem dúvida as maiores cidades judias do mundo.
Quantos eram os judeus dispersos? É também difícil fazer um cálculo neste caso. Filo fala de um milhão só no Egito. Em Josefo encontramos uma delegação de oito mil na Itália para acolher outros delegados da Palestina,81 e ele calcula o número de famílias judias deportadas por Tibério para a Sardenha como quatro mil, o que é confirmado por Tácito e Suetônio,82 mas Dio Cassius assevera que Trajano enviou 220.000 para Cirenaica e 240.000 para Chipre.83 Reunindo esses dados modestos chegamos à conclusão84 que cerca de sete a oito milhões de judeus viviam no império, sem contar o milhão fora dele. Um romano em cada dez era então judeu; isto já é uma proporção elevada, mas desde que os judeus da Diáspora se achavam particularmente concentrados no Oriente Próximo e na Grécia, pode-se supor que ao leste da Itália a proporção chegava a cerca de vinte judeus para cada cem habitantes. Podemos apreciar a importância disto ao lembrar que em 1939 os judeus não atingiam mais do que seis por cento da população mesmo na Europa Central, Áustria, Polônia e Ucrânia, onde se achavam estabelecidos em maior número.
Onde quer que se encontrassem, essas colônias judias mostravam as mesmas características. Como observado por Cicero, tratava-se de comunidades que se mantinham unidas de maneira notável. Eles geralmente viviam perto uns dos outros, embora nem as autoridades gregas nem as romanas jamais exigissem que morassem em guetos. Em Roma viviam em vários distritos diferentes.66 Todas essas comunidades possuíam organizações especiais, independentes da administração pagã; sua natureza era democrática e na mesma, naturalmente, os assuntos materiais e espirituais mesclavam-se inextricavelmente. Uma reunião do povo servia tanto como assembleia de oração como política. O nome do local em que era eleito o conselho de anciãos e o chefe que deveria defender os interesses do grupo, o etnarca ou exarca, era o mesmo que o do local em que o povo cantava os salmos. Uma reunião ou assembleia é kinneseth em hebraico, e em grego sunagoge, do qual vem a nossa sinagoga.
Á posição oficial dessas comunidades judaicas era perfeitamente clara: eram reconhecidas e aprovadas pelas autoridades romanas. Tinham até mesmo obtido a concessão de um imenso privilégio, o de não tomar parte na adoração estadual e municipal, orando em lugar disso ao seu DEUS pelas autoridades pagãs. Mediante favor ou compra, alguns israelitas haviam adquirido o título de cidadão romano, entre eles o PAI de Saulo de Tarso. Na época de JESUS não havia aparentemente qualquer oficial judeu no exército imperial; mas, particularmente no Egito, certos judeus ocupavam posições semioficiais em cargos ligados a atividades bancárias, impostos rurais, colheita e embarque do milho. Mesmo sem considerar a família de Herodes, por se tratar de uma exceção, fica evidente que vários judeus tinham ligações importantes, chegando mesmo aos círculos diretamente associados com o imperador e sua família.
Esses judeus da Diáspora, vivendo numa sociedade pagã, não se deixaram, porém, ser absorvidos por ela. Os ricos viviam, sem dúvida, de maneira quase idêntica â dos gregos e romanos, e não pode ser afirmado com certeza que todos eles respeitassem escrupulosamente as exigências do Torá. Mas as apostasias declaradas eram raras, e quando um dos sobrinhos de Filo de Alexandria abandonou a crença de seus pais a fim de tornar-se um oficial romano houve um grande escândalo. O contato com o mundo pagão influenciou porém de certa forma o caráter dos judeus da Diáspora, diferenciando-os de seus irmãos que permaneceram na Palestina. Surgiu um novo tipo de israelita, mais aberto ao sopro do mundo. Seu conhecimento mundano era bastante distinto das noções dos fiéis da comunidade teocrática da Judéia: esses homens estavam destinados a desempenhar um papel da maior importância na história do pensamento religioso. Podemos citar dois exemplos excepcionalmente brilhantes, duas mentes intensamente fiéis às tradições de sua raça mas ao mesmo tempo imbuídas de outras influências — Paulo, o pequeno judeu de Tarso, o pupilo dos rabinos de Jerusalém, que não obstante deveria aproveitar-se de sua experiência juvenil para formar um conceito da grandeza do mundo romano e da parte que a nova fé podia desempenhar nele. Cujo conceito iria permitir-lhe aplicar melhor que todos os demais os ensinamentos universais de CRISTO. E, em segundo lugar, Filo, o mais ilustre filósofo judeu de sua época, um doutor da Lei e um zeloso seguidor das doutrinas de Platão. Um indivíduo que, com habilidade que chegava às raias do gênio, combinava as principais correntes de pensamento grego com as da tradição de Israel, e conseguia demonstrar no logos platônico o pensamento de DEUS, o elemento de ligação inerente do mundo, o arquétipo da Criação — em suma, o precursor imediato do Verbo que se fez carne67 de João.
Mas se os judeus não permitiam serem absorvidos pelos pagãos, eles porém, por sua vez, não tinham qualquer objeção em absorver a estes na medidas do possível. As colônias da Diáspora eram centros muito ativos de propaganda religiosa. Tobias já dissera na antiguidade: "porque se ele vos dispersou entre as nações que não o conhecem, foi para que publiqueis suas maravilhas, e lhes façais saber que não há outro DEUS onipotente fora dele."** Eles não hesitavam portanto em partilhar o tesouro espiritual que DEUS lhes confiara com outros homens de boa vontade, embora fossem pagãos. Foi com esta intenção que, segundo uma tradição que os historiadores não aceitam literalmente, setenta e dois rabinos de Alexandria traduziram a Bíblia para o grego no século três antes de CRISTO, produzindo assim a famosa Septuaginta em setenta e dois dias.*9 Parece ter havido muitas conversões e ainda maior número de meias conversões, em que o prosélito concordava com alguns dos princípios espirituais e morais de Israel e até mesmo com algumas das observâncias, mas não com todos. Essas pessoas chamadas de "os que temiam a DEUS" são encontradas com frequência no Novo Testamento — o centurião de Cafarnaum, o centurião Cornélio em Atos, o ministro da rainha da Etiópia, e Sérgio Paulo o alto oficial romano cujo nome foi tomado pelo apóstolo Saulo, todos parecem ter pertencido a esta classe. "Não há uma única cidade grega," diz Josefo, "nem uma única nação bárbara, em que nosso hábito de um descanso semanal, nossos jejuns e nosso costume de acender lâmpadas, assim como muitas de nossas regras sobre alimentos não se tenham difundido."*0 Encontravam-se muitas mulheres entre esses convertidos ou simpatizantes. Pompéia, a mulher muito amada de Nero (a quem ele matou a pontapés) tinha seguramente uma ligação com o judaísmo. Josefo fornece um detalhe surpreendente: quando estava sendo preparado em Damasco um "pogrom" que deveria livrar a cidade de uma grande parte dos judeus nela existentes, os conspiradores concordaram em nada dizer a respeito para as esposas, "pois com poucas exceções todas elas tinham sido conquistadas pelas crenças judias."*1
A vida das comunidades da Diáspora apresentava suas dificuldades. Havia realmente massacres de judeus. Através de todo império romano existia um sentimento antissemita positivo e isto pode ser provado mediante diversos textos. Havia até mesmo especialistas em literatura antissemita, como Apion, o Drumont de sua época, apelidado de "címbalo do mundo", e a quem Josefo fez oposição. Entretanto, até mesmo certos escritores moderados eram antagônicos ao Povo Escolhido: o reservado Sêneca, da escola Estoica, fala com desprezo dos "costumes dessa raça perversa,"*2 e Cícero criticava suas "bárbaras superstições, incompatíveis com a glória de Roma, a dignidade do nome romano e as tradições de seus ancestrais".*3 Qual a razão apresentada por eles para culparem os judeus? Ao que parece, era principalmente seu monoteísmo estrito e seu desprezo franco pelos ídolos — a mesma razão que fez com que os cristãos fossem odiados mais tarde. Um DEUS único, sem uma imagem? Que tolice, clamava a multidão. Eles com certeza adoravam em segredo um deus com cabeça de asno ou focinho de porco, o que era confirmado pela sua recusa em comer carne de porco. O relativo mistério das reuniões judias se prestava â propagação dessas fábulas. As mesmas calúnias que seriam levantadas contra a Igreja primitiva já corriam a respeito das sinagogas — reuniões que incluíam sacrifícios humanos. E pode-se facilmente imaginar as zombarias âs custas dos "sem pele" provocadas pela prática da circuncisão. Razões financeiras também serviam para fazer surgir esta inimizade: alguns judeus prosperavam muito em seus negócios. Assim sendo, um dos epigramas de Martial afirma que "desde o dia de seu nascimento os filhos de Israel são ensinados a roubar".84
Em vista disso a violência irrompia de tempos a tempos e as comunidades da Diáspora eram perseguidas: entre 40 A.C. e 70 A.D. temos conhecimento de pelo menos vinte desse "pogroms", sendo os de Alexandria os mais terríveis. A guerra judia deu início à mais chocante onda de antissemitismo através de todo o império. Com frequência, entre esses lances, quando os inimigos dos judeus conseguiam se fazer ouvir pelas autoridades, havia deportações, tais como aquelas ordenadas por Trajano — algumas vezes mais intensas, outras menos.
Apesar desses choques, o judaísmo em todo o mundo foi um poder que fortaleceu imensamente a autoridade da pequena nação nos insignificantes 16.000 quilômetros quadrados da Palestina. Tudo tende a mostrar que o governo imperial nâo tratava seus súditos judeus como se fossem qualquer outra nação sob a autoridade romana: os judeus possuíam vários advogados bem colocados na própria Roma. Todavia, os sete a oito milhões de israelitas espalhados por todo o império jamais conseguiram construir uma organização que, com todos os seus elementos agindo em concerto, teria exercido uma forte influência sobre os seus governantes. As comunicações entre os diferentes grupos eram freqüentes e regulares e as cartas que circulavam entre eles deram origem às famosas epistolas dos primeiros cristãos. Mas não existia uma representação estabelecida de todas as comunidades dispersas a fim de formar uma espécie de governo central. Foi isto que limitou o poder da Diáspora. Se uma decisão era tomada na Palestina, a qual provocasse uma situação negativa, os judeus no exterior pagavam por isso, mas não tomavam parte nas decisões.86
0 verdadeiro elemento de ligação no mundo judeu era o da religião. Mesmo que tivesse feito fortuna num país pagão, o judeu que se achava distante da Terra Santa sentia-se banido. A Diáspora continuava sendo o Gafut, o Exflio, a maldição de DEUS sobre o seu povo devido ao pecado deles. Os judeus no exterior jamais deixavam de pensar na terra de seus pais com afeição. "Ajuntarei Raabe e Babilônia aos que me honram; Eis a Filisteia e Tiro com a Etiópia, lá todos nasceram. Dir-se-á de Sião: 'Um por um todos nela nasceram,' " canta o Salmo 87. E para mostrar que estavam voltando à Palestina eles diziam Aliyah, a subida; pois falavam de um lugar elevadíssimo. De pontos distantes os homens se voltavam na direção da cidade santa para orar. Todo judeu, a partir dos vinte anos de idade, pagava um imposto para o Templo, e uma missão especial, protegida pela lei romana, levava o dinheiro sagrado. Jerusalém, portanto, sem ser a capital política dos judeus através do mundo, era a sua metrópole espiritual, o lugar onde pulsava o coração do judaísmo.
Esse era o outro Israel, o Israel da dispersão. Sua existência levava o conceito da nação judia quanto ao seu próprio tamanho aos limites do império romano e até mesmo além dele. A estrutura humana em que seu destino estava sendo realizado não ficava confinada à sua pequenina pátria. Esta é uma consideração da máxima importância, sendo impossível formar uma idéia verdadeira da vida na Palestina sem mantê-la sempre em mente.
A Vida Diária Nos Tempos De JESUS Livro, de Henri Daniel. Editora Vida Nova em português, 2017
 
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Lição 1, O Mundo do Apóstolo Paulo
Lições Bíblicas - 4º Trimestre de 2021 - CPAD - Para adultos
Tema: O Apóstolo Paulo - Lições da vida e ministério do apóstolo dos gentios para a igreja de CRISTO  - Comentário: Pr. Elienai Cabral
 
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A Vida e a Época do Apóstolo Paulo - 220.92 - Biografia - Ball. Charles Ferguson - A Vida e a Época do Apóstolo Paulo.../ Bali, Charles Ferguson - 1° ed. - Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembleias de DEUS, 1998. ISBN 85-263-0186-1 - Biografia. 2. História Bíblica.
Grande parte da vida e da época de Paulo nos tem sido preservada no Novo Testamento, principalmente nos escritos pessoais do apóstolo. Numa narrativa envolvente, Charles Ferguson Ball apresenta, pormenorizadamente, a vida do grande apóstolo dos gentios. Onde a história se cala, o autor busca prováveis detalhes em suas pesquisas, mantendo sempre a conformidade com o registro bíblico.
 
 
Os Jogos
Os gregos e romanos gostavam de competições atléticas. Apreciavam tanto o jovem que se destacava nas corridas quanto o homem que vencia uma batalha. De seus heróis e campeões, erguiam estátuas e monumentos. A pista de corrida era um lugar enorme, aberto, como um teatro. De um lado, enfileiravam-se as arquibancadas, construídas em forma de estádio para as multidões que iam assistir aos jogos e corridas. Milhares de jovens treinavam para os jogos, e sua maior ambição era a conquista dos prêmios.
A leste da cidade, na encosta de um monte, um grande prédio erguia-se em toda a sua magnificência. Era o ginásio - lugar onde os meninos aprendiam a ser ágeis e fortes. Dos 16 aos 18 anos, os rapazes nada aprendiam além de atletismo. Outras áreas da sua educação seriam cuidadas mais tarde. Afinal, o que mais importava para os gregos e romanos era o condicionamento físico. Os meninos aprendiam a correr, saltar, lutar e nadar. Havia ali banhos quentes e frios. Depois dos jogos, eles banhavam-se e esfregavam o corpo com óleo de oliva.
O ginásio era um lugar animado; ressoava com os gritos e risos de centenas de rapazinhos. O edifício era majestoso, com enormes pilares e estátuas esculpidas em mármore, representando grandes mestres, filósofos e homens vigorosos. Os meninos ficavam então cercados de exemplos de homens cultos e fortes - os líderes da sua época.
 
O Mundo de Paulo
Naqueles dias, toda a vida do mundo concentrava-se no Mediterrâneo. Todas as grandes civilizações desenvolveram-se junto ao mar cujo nome aludia ao centro da terra. A palavra Mediterrâneo é formada por dois vocábulos que, juntos, significam "o meio da terra". Todos os interesses da vida humana achavam-se concentrados numa estreita faixa que se estendia pela costa sul da Europa, pela costa norte da África e pelas costas ocidentais da Síria e Palestina. Além dessa fronteira, havia regiões inexploradas, onde viviam povos bárbaros, que só entrariam na corrente da civilização anos mais tarde.
Três nações da época foram suficientemente grandes e fortes para deixar sua marca sobre as demais: Roma, Grécia e Israel.
 
ROMA
Os romanos governavam o mundo. Conquistaram esse direito pela força dos seus exércitos. Eles possuíam o dom da colonização e do governo (sua pequena espada, gladium, fez sucesso e era eficiente), as estratégias de guerra era infalível para as conquistas de seus exércitos.
Devido ao poder de suas legiões estacionadas em todas as colônias, eram os donos do mundo. Embora poderosos, não se aproveitavam dos povos conquistados; pelo contrário, procuravam integrá-los ao seu império, dando-lhes um lugar de honra.
Roma enviou grandes construtores e arquitetos, que edificaram magníficas estradas e levantaram prédios e templos por toda parte. As leis e instituições políticas romanas eram famosas por sua justiça, garantindo o direito de todos os cidadãos. Paulo apelou a esta lei, quando se tomou evidente o preconceito dos tribunais da Judéia contra si.
O cenário, porém, não era inteiramente luminoso. Com o aumento do poder e da riqueza, Roma tornou-se corrupta e frívola, presa à sensualidade, ao pecado e ao luxo. Em consequência, o povo fez-se dolente e fraco. O império de que tanto se orgulhavam desmoronou-se diante dos bárbaros vindos do Norte, que o invadiram e saquearam. Mesmo nos dias de seu maior poderio, não tinham força espiritual; deleitavam-se em prazeres vulgares e brutais, como as lutas de gladiadores. Durante os feriados, os lutadores combatiam até a morte nas arenas. No reinado de Trajano, dez mil gladiadores lutaram num período de apenas seis meses. Lutavam entre si como tigres e leões, e milhares de espectadores aplaudiam-nos enquanto mutuamente se matavam. Multidões acorriam ao Coliseu de Roma para assistir à morte de cristãos devorados pelas feras.
Tanto por sua grandiosidade quanto por sua fraqueza, os romanos deixaram na história a sua marca indelével. A seu favor deve ser dito que construíram o maior império que o mundo já viu.
 
Grécia
Se os romanos foram os líderes mundiais no tocante à lei e ao governo, os gregos lideraram na cultura e no conhecimento. A arte, a ciência e a literatura desenvolveram-se mais na Grécia que em qualquer outra parte. Embora o império fosse romano, a língua grega foi reconhecida como o idioma empregado pelas pessoas cultas. Os eruditos de todas as nações orientais falavam e escreviam o grego. Essa é a razão de o Antigo Testamento ter sido traduzido para o grego muito antes do nascimento de CRISTO, e das cópias mais antigas do Novo Testamento estarem em grego.
Os gregos eram um povo genial. Guiados por Alexandre, o Grande, conquistaram o mundo e procuraram helenizá-lo. Desempenharam tão bem sua tarefa que, mesmo após a morte de Alexandre e a divisão de seu império, uma porção da arte e da literatura gregas permaneceu em cada nação. Os professores e filósofos gregos eram os intelectuais reconhecidos da época. Eles divulgaram, em todas as nações, a literatura, arquitetura e pensamento científico de seu país.
Muitos judeus, nos dias de Paulo, liam as Sagradas Escrituras na tradução grega - a Septuaginta (Até mesmo JESUS usou suas citações) - pois o hebraico estava se tornando rapidamente uma língua morta.
Quando o Cristianismo surgiu, toda praça de mercado tinha seu grupo de eruditos gregos que se deleitavam em discutir palavras e frases, e cujo talento degenerava em confusão. A balbúrdia era às vezes tão grande que milhares de pessoas, tanto conquistadores como conquistados, abandonavam a crença em seus deuses e sistemas filosóficos. As religiões pagãs achavam-se à beira de um completo colapso, decadência e corrupção. Essa era a situação cultural do mundo, quando JESUS e Paulo nasceram.
 
ISRAEL
A nação, porém, que mais marcou a civilização mundial foi Israel. Sua marca jamais se apagará. Embora os judeus não tivessem poderio militar, destacaram-se por sua religião. Dispersos por todas as terras, construíam sinagogas para adorar a DEUS. Estrabão, um dos grandes historiadores da época de CRISTO, escreveu: "E difícil encontrar um único lugar na terra que não haja admitido essa tribo de homens e sido por ela influenciado".
Isso se dera devido ao fato de a Assíria, Babilônia e Roma terem invadido a Palestina, e levado daqui milhares de judeus para o cativeiro. Onde quer que fosse, o povo escolhido levava consigo as Sagradas Escrituras e as profecias de um Messias vindouro.
Eram homens orgulhosos e exclusivistas, envolvendo-se em seus mantos de justiça enquanto voltavam as costas ao grande propósito para o qual haviam sido chamados: representar a DEUS entre os demais povos. Escrevendo aos Romanos, Paulo resume o lugar de Israel no mundo, e aponta suas falhas em palavras contundentes:
Eis que tu que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em DEUS; e sabes a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei; e confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, instruidor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei; tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?... Porque, como está escrito, o nome de DEUS é blasfemado entre os gentios por causa de vós (Rm 2.17-21,24).
Embora seja penosamente óbvio o fracasso dos judeus em executar os planos divinos, eles estabeleceram sinagogas desde a longínqua Babilônia até a cidade de Roma. Na história do Pentecostes, os judeus que voltaram a Jerusalém, abrangiam conterrâneos de todas as províncias do império romano:
Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, e Judéia, e Capadócia, Ponto e Ásia. E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes (At 2.9-11).
Lucas faz um resumo, dizendo que os judeus eram de "todas as nações que estão debaixo do céu" (At 2.5).
Onde quer que os judeus construíssem suas sinagogas e cumprissem seus rituais, estabeleciam um centro para a adoração do DEUS Único e Verdadeiro.
Sua presença no Império Romano foi de grande ajuda, servindo de porta para o programa futuro da Igreja. Quando Paulo viajava para um novo local, sempre procurava a sinagoga para pregar, e isso geralmente dava início a uma nova igreja.
 
O Plano de DEUS
Eis aí um vislumbre do mundo em que Paulo nasceu. O cenário era de confusão, conflito, insatisfação e necessidade - necessidade que não podia ser satisfeita pela lei romana, erudição grega ou religião judaica.
Entretanto, DEUS decidiu enviar a este mundo um homem que, pelos seus dons naturais, pôde cativar toda classe de pessoas. Com seus antecedentes e preparo, estava apto a falar com autoridade aos romanos, gregos e hebreus. DEUS separou esse homem, mudou todo o curso de sua vida e usou-o para fortalecer a Igreja de maneira milagrosa. Saulo de Tarso, o escolhido de DEUS, tornou-se um dos maiores pensadores e, certamente, o maior líder e teólogo da Igreja.
 
 
Os Feriados Judeus
A semana mais importante do ano era a da Páscoa. Era uma grande data nacional; tinha um profundo significado religioso. A Páscoa celebrava a libertação dos israelitas do cativeiro no Egito. É claro que havia outros feriados, tal como o da Festa dos Tabernáculos, quando as crianças iam ao campo com os pais, e cortavam ramos para construir uma cabana em cima da casa, na parte plana do teto. Isso era feito para que se lembrassem da época distante, quando os judeus, ao deixarem o Egito, passaram a morar em tendas. Sem uma habitação permanente, vaguearam entre as rochas do deserto.
Havia também a Festa da Colheita, o Purim e o Dia da Expiação. Para cada grande dia, vários peregrinos piedosos deixavam Tarso e voltavam a Jerusalém. Saulo era ainda muito jovem para ir; mas, desde que Tarso ficava junto à estrada principal, ele se acostumara a ver centenas de judeus descansando ali, à noite, na longa viagem para o Sul. Por várias vezes, tios, primos e outros parentes haviam pernoitado em sua casa. Saulo lembrava-se de como, pelo menos uma vez ao ano, seu PAI juntava-se a esses grupos de viajantes. Ele embrulhava suas melhores roupas a fim de vesti-las quando chegasse a Jerusalém, e depois arreava um jumento e partia alegre pela estrada que o levaria através das montanhas até o SANTO Templo.
Após meses de ausência, o PAI voltava admirado, cheio de histórias de grandes aventuras, que entreteriam a família durante semanas. O menino, que nunca estivera em Jerusalém, ouvia extasiado as descrições entusiasmadas do PAI e pensava que a grande cidade deveria estar logo abaixo do céu em glória e grandeza. O PAI falava do toque das trombetas dos sacerdotes, ao iniciar-se o dia de adoração no Templo, e dos coros dos levitas, vestidos de branco, cantando os grandes salmos nos degraus de mármore.
As ruas ficavam cheias de multidões alegres; turistas de todas as partes do mundo. Costumes interessantes podiam ser vistos em toda parte, e línguas estrangeiras eram ouvidas quando os grupos se juntavam nos pontos de reunião. O jovem Saulo ouvia essas histórias até sua mente ficar repleta de sonhos e visões. Quando ele também poderia ir a Jerusalém?
- Seja paciente, meu FILHO, não falta muito para você poder ir com seu PAI - dizia-lhe a
mãe.
De fato, na última viagem, o PAI fizera alguns planos. Ele sempre esperara e ambicionara tirar o FILHO da cidade gentia de Tarso, dando-lhe a vantagem de uma escola em Jerusalém. Todo bom rabino fora treinado ali. Para ser bom professor era necessário ter contato com os grandes rabinos do templo.
Desde que a mãe concordara com o plano, não havia mais dúvidas. Os negócios na fábrica de tendas tinham sido bons e, para o FILHO, não queria nada menos que o melhor. Enquanto estivera em Jerusalém, só se falava do grande Gamaliel. Muitos o procuraram durante os feriados para ouvir-lhe a sabedoria. Não se tratava de um simples boato. Seus discursos eram poderosos, pois ele falava com autoridade. Ficou então decidido que Saulo iria para a Cidade Santa, e talvez retornasse mais tarde como um dos grandes rabinos de Israel.
 
Atravessando Terras Históricas
Viajaram dia após dia, armando as tendas e levantando acampamento. As pedras que pavimentavam a estrada eram lisas e gastas, pois os exércitos de várias nações haviam marchado sobre elas. Mercadores com seus camelos caminhavam por essa estrada. Levas de escravos cansados, presos uns aos outros com correntes, tinham sido impelidos como gado ao longo desse mesmo caminho, até que seus pés sangrassem feridos. No quarto dia, os viajantes aproximar-se-iam do litoral, pois a estrada passava por uma larga baía de águas azuis, na extremidade oriental do Mediterrâneo. Em breve, voltar-se-iam para o sul, nas fronteiras da Cilícia.
A sua frente, levantavam-se as serranias da Síria. A estrada serpenteava pelos morros, subindo de saliência em saliência, até chegar a uma passagem estreita e difícil, que marcava a fronteira entre a sua província e a Síria. Era o Grande Portão da Síria. Depois de atravessar essa passagem, Saulo estaria do outro lado das montanhas que haviam sido a fronteira do seu mundo.
A velha cidade de Antioquia ficava logo adiante, estranha e diferente com seus muros maciços, parecendo uma fortaleza no alto de um morro. Antioquia era a capital da Síria. Seus teatros e templos eram mais esplêndidos que os de Tarso. Herodes, o Grande, de Jerusalém, pavimentara a rua principal e a enfeitara com pilares de mármore. A cidade era belíssima, e ainda mais rica que Tarso.
De Antioquia, eles seguiram para a estrada elevada de Damasco e depois pelas montanhas, até aproximarem-se da Terra Prometida. As neves do Monte Hermom brilhavam à distância, muito claras ao sol; e as florestas do Líbano, com suas lindas árvores de cedro, fizeram-no lembrar dos salmos que conhecia e tanto amava.
Chegaram a Nazaré, uma cidade de hospedadas, onde as caravanas sempre pernoitavam. Mas não passava de uma cidadezinha e não tinha boa reputação. Os viajantes apressaram-se por chegar ao rio Jordão. Aí, finalmente, Saulo estava chegando às terras que a história dos judeus tornara famosas. Ele pensou em Josué que, muitos anos antes, guiara os israelitas para uma terra que manava leite e mel. O monte Tabor, com suas densas florestas, fora onde Débora e Baraque reuniram dez mil homens e derrotaram Sísera com seus carros de ferro.
Ao sul do Tabor ficava o vale de Jezreel, salpicado de vilarejos e campos verdejantes. Grandes batalhas travaram-se ali. À distância adivinhava-se o monte Gilboa, onde o rei Saul jogara-se contra a própria espada, depois de perder uma difícil batalha.
O povo de Samaria era hostil aos judeus. Por isso, evitando atravessar a região, os viajantes que iam para a Cidade Santa passavam para a margem leste do rio Jordão, entrando em Decápolis e Peréia. Deixando rapidamente Samaria, Saulo e seus companheiros chegaram ao lugar onde, mil anos antes, os israelitas haviam cruzado o Jordão. O grupo entrou alegremente nas águas frias, como fazem os viajantes judeus até hoje. Atravessaram para o outro lado, e Saulo pôde, enfim, pisar pela primeira vez a terra tão amada pelos benjamitas. Aqui ficava a cidade que fora inexpugnável -Jerico - mas cujos muros caíram ao som das trombetas de Josué. Aqui também localizava-se Gilgal, onde o povo reunira-se para coroar Davi. Cada pedra, ribeiro, vale e colina tinha alguma história preciosa ao coração do judeu. E Saulo viu, pela primeira vez, a terra onde seu povo tornara-se grande e mui poderoso.Para além de Jerico, a terra tomava-se mais inóspita e a planície estreitava-se num vale cercado por montes íngremes e próximos. A estrada mostrava-se sinuosa como uma serpente, e eles corriam o risco de se depararem com bandos de salteadores. A subida era íngreme e os viajantes estavam cansados, mas alegravam-se com a perspectiva de poderem ver, dentro em breve, o monte das Oliveiras e a cidade mais bela da terra.
 
A Cidade de DEUS
Finalmente, do alto da estrada, avistaram a Cidade de DEUS, construída sobre um monte mais baixo que o das Oliveiras. Do outro lado do vale profundo, seus muros, torres e prédios abobadados apresentaram-se magníficos à luz dourada do sol poente. Entusiasmados, os peregrinos entreolharam-se com olhos úmidos. Experimentaram o mesmo ímpeto de alegria e orgulho pela grandeza da sua terra nativa. Algumas das cúpulas e torres eram revestidas de puro ouro. Do alto da montanha, Saulo contemplou o outro lado do vale do Cidrom e viu o pátio do templo; do ponto mais elevado, avistou também o prédio onde, sob as asas estendidas dos querubins de ouro, habitara Jeová.
Enquanto apreciava com interesse e reverência o cenário, o grupo de peregrinos começou a cantar um dos salmos que, através dos séculos, os viajantes entoavam ao aproximar- se dos muros de Jerusalém:
De bela e alta situação, alegria de toda terra é o monte Sião aos lados do norte, a cidade do grande Rei. Dai voltas a Sião, ide ao redor dela; contai as suas torres. Notai bem os seus antemuros, percorrei os seus palácios, para que tudo narreis à geração seguinte. Porque este DEUS é o nosso DEUS para todo o sempre; ele será nosso guia até a morte (SI 48.2,12-14).

 OS INÍCIOS DA IGREJA

Saulo deixou Jerusalém e voltou a Tarso provavelmente em 26 A.D. Não era ainda um rabino, pois não tinha idade suficiente para ocupar tal posição. Mas tomou lugar junto aos homens da sinagoga, sentando-se nas principais cadeiras. Foi reconhecido por todos como um culto e jovem judeu, pois retornava da fonte do conhecimento. À medida que crescesse em idade e experiência, poderia ser aceito como rabino; mas até lá, dedicar-se-ia ao comércio de tecelão, costurando tendas e vendendo-as no mercado.

Saulo morou em Tarso durante nove ou dez anos, aumentando o seu zelo por Israel e ganhando o respeito dos amigos. Todos estavam certos de que ele viria a ser o seu líder um dia. Na sinagoga, seus argumentos já eram ouvidos com maior interesse que os do rabino. Era uma voz nova Que surgia, e seu contato com o grande Gamaliel dera-lhe uma fama que poucos poderiam alcançar. Tudo que precisava agora era da autoridade conferida pela vida adulta; dentro de poucos anos, seria um líder destacado em Tarso.

 

Alvorada da Era Cristã

Enquanto Saulo aguardava pacientemente em Tarso, um evento da maior importância teve lugar na Palestina. JESUS, da pequena cidade de Nazaré, reunira ao redor de si um grupo de amigos; a maioria, seguidores de João Batista. Este de tal maneira havia pregado que milhares de pessoas o aceitaram como profeta de DEUS, talvez comparável a Isaías ou a Jeremias. Ele tinha muitos discípulos e o seu ministério era conhecido em toda a zona rural. Quando porém apareceu JESUS, João saiu de cena, apontando o Nazareno como o Messias há muito esperado. Durante algum tempo, houve grande entusiasmo, e alguns se perguntavam se JESUS os guiaria na revolta contra Roma. Mas em vez disso, Ele reuniu alguns discípulos e retirou-se para o campo a fim de ensiná-los sobre o reino dos céus.

Três meses mais tarde, JESUS foi ao Templo de Jerusalém e, contemplando-o em toda a sua beleza, ousou contradizer grande parte dos ensinamentos dos rabinos. Falara com tanta segurança que ofendeu os sacerdotes. De fato, deixara-os tão zangados que todas as sinagogas foram instruídas para que não o recebessem em suas reuniões. Os sacerdotes e rabinos tentaram desesperadamente apanhá-lo em alguma contradição com respeito ao sábado a fim de condená-lo à morte.

Ao conhecer os rabinos do SANTO Templo, Saulo passou a nutrir por eles o maior respeito. A interpretação que faziam das Escrituras era para ele algo inquestionável, divino. Isso não aconteceu com JESUS. A cada passo, Ele entrava em conflito com as tradições dos homens e, quando falava, era com a autoridade de DEUS. Os líderes religiosos estavam irados porque JESUS afirmava ser DEUS, e confirmava tal alegação com prodígios, sinais e maravilhas. Alguns diziam que o Nazareno merecia a morte pois, corajosamente, os havia desafiado a destruir o Templo que levara 49 anos para ser construído. Ouviram-no dizer claramente que o reconstruiria em três dias.

Era fácil para alguns ignorá-lo, acreditando-o louco. Mas a questão era que muitos dentre o povo ouviram-no pregar, e agora testemunhavam que Ele alimentara mais de cinco mil pessoas com apenas cinco pães e dois peixinhos. Milhares criam que Ele era o Messias prometido, e dispunham-se a lutar contra Roma, sob a sua liderança. Alguns diziam que JESUS só conseguia atrair a escória - publicanos, pecadores e indivíduos de reputação duvidosa. Mas era sabido que diversas autoridades e rabinos também o haviam procurado em segredo; muitos destes foram transformados e saíram a pregar que JESUS era, de fato, o Messias de Israel.

 

Os Ensinamentos de JESUS

Chegou então a hora! JESUS fez um grande discurso, proclamando os princípios do seu reino. O sermão era revolucionário; colocava a palavra de JESUS acima da de Moisés. Para o judeu isso era inconcebível e tão pecaminoso quanto uma blasfêmia. Não havia dúvidas: Ele merecia morrer! Infringira o sábado, afirmara perdoar pecados e, diante dos fariseus, admitira ser o Messias, o FILHO de DEUS!

JESUS repreendeu repetidamente os fariseus e saduceus, usando uma linguagem contundente e enérgica. Em certa ocasião, chamou-os de "sepulcros caiados" e "raça de víboras" (Mt 23.27,33). Disse-lhes que não eram filhos de DEUS, mas do diabo (Jo 8.44). Não é de surpreender que os rabinos o odiassem tanto; não podiam se sentir confortáveis em sua presença. Quando o viam, desmanchavam-se em ódio por não suportarem a luz de sua sabedoria. Em seus conselhos, eles já o haviam condenado à morte.

Os rabinos diziam que homem algum podia ensinar antes de haver passado muitos anos na escola de Jerusalém. Saulo fora educado desse modo. Mas ali estava o Homem da Galiléia. Ele falava com mais autoridade que todos os rabinos, e era capaz de curar todo tipo de enfermidade. Alguns tinham visto Lázaro depois de ressurreto, e não podiam negar um fato por demais notório e evidente. Mas como JESUS jamais frequentara tal escola, acusaram-no de estar ensinando sem autorização. Os sacerdotes ordenaram ao povo que não mais desse ouvido aos seus ensinamentos.

Quando, porém, os coxos passavam a andar, e os cegos a enxergar, regra alguma, mesmo as estabelecidas pelo sumo sacerdote, era capaz de manter os necessitados longe de JESUS. Estes chegavam aos milhares, e retornavam para suas casas curados de todas as suas enfermidades, proclamando a todos que haviam encontrado o Messias. E Ele os curara!

Durante três maravilhosos anos, JESUS andou pelos campos, pregando na Judéia, Samaria, Decápolis, Galiléia e Peréia. Sua fama espalhara-se por toda a terra, e os líderes de Israel já não sabiam o que fazer. Chegou então o dia quando Ele entrou em Jerusalém sob a aclamação do povo. Gritavam para quem quisesse ouvir que o seu rei chegara. Essa seria talvez a centelha que levaria o povo a revoltar-se contra Roma.

JESUS, entretanto, foi direto ao Templo, e escandalizou deliberadamente °s sacerdotes. Fazendo um chicote de cordas trançadas, passou a açoitar os vendedores de pombas e ovelhas que se achavam nos pátios do santuário. Com um grito de indignação, derrubou as mesas dos cambistas, fazendo as moedas rolarem pelo pavimento multicolorido. O povo ficou ali parado, com medo, pois ninguém jamais ousara perturbar o SANTO Templo daquela maneira. Os sacerdotes e rabinos encheram-se de horror e indignação. Os adoradores haviam assistido a uma demonstração de autoridade que jamais esqueceriam. Muitos dos israelitas sentiam-se incomodados com os redis de ovelhas e gaiolas de pombas que profanavam a Casa de DEUS. Há muito que os sacerdotes já deveriam ter endireitado as coisas. Mas ninguém tivera coragem.

A raiva dos sacerdotes transbordou. Quiseram pegá-lo, mas temiam a multidão, pois a maioria considerava-o profeta. Em toda a história dos judeus, ninguém jamais pronunciara palavras tão cortantes. JESUS acusou os líderes de colocarem pesados fardos sobre o povo; fardos estes que eles nem ao menos se dignavam a mover com o dedo mínimo. Faziam obras para serem vistos pelos homens; desejavam sempre os primeiros lugares na sinagoga, e gostavam de ser chamados de rabinos.

Com o fogo do céu rebrilhando nos olhos, JESUS pronunciou infortúnios sobre os escribas e fariseus, chamando-os de hipócritas. Eles fechavam o reino dos céus aos homens; não entravam e ainda serviam de obstáculo aos que o desejavam. Chamou-os ainda de guias cegos, pois limpavam o lado de fora do copo enquanto o seu interior continuava sujo; eram tão estreitos de visão, que coavam o mosquito, mas engoliam o camelo.

 

A Crucificação

Não é de admirar que os sacerdotes e rabinos hajam se reunido no palácio de Caifás, para planejar furtivamente a prisão e morte de JESUS, antes que o povo se amotinasse. Foi nessa ocasião que Judas fez um trato com eles para entregar-lhes o Senhor por trinta moedas de prata.

No Getsêmani, o Messias orava ajoelhado, enquanto os discípulos dormiam. Os inimigos chegaram em meio à oração. Guiados por Judas, entraram no horto com espadas e porretes. O traidor sabia que JESUS ia sempre orar no Getsêmani. A multidão estava decidida a levá-lo à força ao sumo sacerdote.

O Sinédrio foi convocado no palácio do sumo sacerdote. Não queriam deixar a reunião para o dia seguinte, temendo que o povo viesse a sabê-lo e exigisse a soltura de JESUS. Agora que as autoridades tinham-no em seu poder, cuidariam para que nada os detivesse. O tribunal reuniu-se então à noite, e a sentença foi lida: "Morte ao Nazareno!"

Porém, segundo a lei romana, nenhum tribunal judaico tinha competência jurídica para aplicar a pena morte. Por conseguinte, era necessário levar JESUS a Pilatos. No entanto, ao saber que JESUS era galileu, o governador romano, para livrar-se daquela responsabilidade, enviou-o a Herodes, representante de César em toda a Galiléia. O rei Herodes, porém, mandou-o de volta a Pilatos que, procurando agradar os judeus, entregou-lhes o Senhor para que fosse crucificado. A execução se deu num monte chamado Calvário (ou Caveira), não muito longe dos muros da cidade.

Com a morte de JESUS, os sacerdotes e rabinos suspiraram aliviados. O problema estava finalmente resolvido. O povo não mais seria perturbado pelo falso CRISTO. Isso seria o fim do pequeno grupo que o seguia. Por sentirem-se desanimados e derrotados, seus discípulos retornaram à vida antiga mais mistificados que nunca; o coração pesava-lhes de tristeza pela forma como tudo terminara.

 

A RESSURREIÇÃO E A ASCENSÃO

No primeiro dia da semana, findo o sábado, o pequeno e abatido grupo ganhou vida com o maior milagre já ocorrido: JESUS saíra da sepultura e aparecera aos discípulos! Eles experimentaram então o sabor da vitória. Esta certeza jamais os abandonaria; levaria-os a preferir a morte a negar o que tinham visto com os próprios olhos.

Durante quarenta dias, o Salvador encontrou-se com os discípulos, provando-lhes a realidade de sua ressurreição, e fortalecendo-lhes a fé. Mas veio o dia em que Ele os deixou, pois tinha de retomar o seu lugar na glória do PAI. Diante deles, JESUS subiu aos céus até ser ocultado por uma nuvem.

Antes de deixá-los, porém, prometera-lhes que, em breve, receberiam o dom do ESPÍRITO SANTO que os habilitaria a pregar o Evangelho a partir de Jerusalém até alcançar os confins da terra.

 

O Pentecostes

O pequeno grupo de crentes reuniu-se em Jerusalém para orar e esperar o dom prometido. Certa manhã, chegada a festa de Pentecostes, reuniram-se eles novamente para orar. De súbito, o poder de DEUS sacudiu o lugar, e o ESPÍRITO SANTO desceu sobre eles. A experiência foi tão tremenda Que os discípulos gritaram de alegria. E era tão forte o poder de DEUS, que eles o louvam em línguas estranhas. Esse milagre era outra evidência de que o Senhor continuava no meio deles, cumprindo sua promessa.

Diante do milagre, uma multidão reuniu-se à volta dos discípulos. Alguns diziam que estes pareciam tão felizes que deviam estar embriagados. A fim de justificar o estranho evento, Pedro pôs-se de pé e começou a pregar para aquela enorme audiência.

Ele explicou-lhes que a vinda do ESPÍRITO SANTO era um cumprimento da profecia. Em seguida, acusou-os de haverem matado o Messias. Contou-lhes também como DEUS ressuscitara a JESUS em cumprimento às palavras de Davi. Pedro terminou o sermão, dizendo que todos os seguidores de JESUS eram testemunhas de sua ressurreição. E, agora, anunciavam o Evangelho com a total aprovação do céu.

Quando Pedro terminou o sermão, muitos dos presentes, profundamente comovidos, perguntaram-lhe o que deveriam fazer.

"Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de JESUS CRISTO" foi a resposta (At 2.38). Eles arrependeram-se, deixando-se convencer pelo ESPÍRITO de DEUS quanto à veracidade das palavras do apóstolo. Aquele foi um grande dia para os seguidores de JESUS. Era o início da Igreja. Em poucas frases, Lucas faz uma bela descrição da alegria e júbilo que tomaram conta dos primeiros cristãos.

Esse não foi o único milagre a fortalecer a fé dos primeiros cristãos. Pedro e os demais discípulos saíram a pregar, e muitos prodígios e sinais eram feitos por seu intermédio em nome de JESUS. Os inimigos empenharam-se ao máximo para anular o testemunho da Igreja. Os sacerdotes e rabinos opunham-se-lhes violentamente. Mas em vão. Pois os adeptos da "nova seita", como eram chamados, inclusive já se reuniam no primeiro dia da semana, e não aos sábados, pois fora num domingo que o Senhor ressuscitara dentre os mortos.

 

A Vida dos Primeiros Cristãos

A vida dos primeiros cristãos era marcada pela simplicidade e amor. Eles procuravam viver como JESUS vivera. Havia entre si um laço tão forte, unindo-os fraternalmente, que o seu coração transbordava de alegria. Sua vida era uma oração contínua, levando-os testemunhar zelosamente de CRISTO onde quer que fossem.

A Igreja crescia diariamente à medida que o povo ouvia o Evangelho. Os discípulos falavam de CRISTO no Templo e nas casas. No trabalho, continuavam a dar testemunho da graça salvadora. O poder de DEUS acompanhava suas palavras de modo que, em toda parte, homens e mulheres eram atraídos a CRISTO mediante o contato com estes homens simples, mas convictos.

Os discípulos tinham agora uma mensagem para pregar. Mensagem esta que lhes transformara as vidas e dera-lhes não só esperança para esta vida como também a promessa de ressurreição depois da morte.

Onde quer que fossem, saudavam-se com a palavra maranatha: "O Senhor Vem". A vinda do Senhor era a sua única esperança, pois JESUS prometera voltar. E enquanto o observavam subir ao céu, foram consolados pelos entes angelicais com estas palavras: "Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse JESUS que dentre vós foi assunto ao céu, assim virá do modo como o vistes subir" (At 1.11).

A Igreja vivia cada dia como se o Salvador fosse voltar a qualquer hora, pois a promessa de sua volta causara-lhes profunda impressão, purificando-os e afastando-os deste mundo. A promessa encheu o horizonte de suas vidas, levando-os a se dedicarem a CRISTO.

Mas nem tudo andava bem com os membros da Igreja Primitiva. Eram olhados com desconfiança e ódio pelos fariseus e saduceus e por todos os líderes de Israel. Os inimigos de JESUS continuavam a ser inimigos de sua Igreja, e empenhavam-se em esmagar os que eram do "Caminho".

 

 

Entendendo o Dom da Justiça de DEUS

A história do homem sempre foi o relato do desvio da justiça divina e do deliberado afastamento de DEUS. Muitos são os que, embora se julguem justos e condenem os outros, jamais sentiram comunhão com DEUS. Outros, como os judeus, dependem de sua obediência à Lei para obter o favor divino. Saulo viveu desse modo até encontrar a JESUS. Mas agora, podia ver quão vazia era a vida dos judeus: por não haverem recebido a JESUS, achavam-se na mesma condição dos gentios.

Os gentios falharam em sua busca pela justiça. Não porque DEUS haja se ocultado deles, pois Ele lhes dera suficiente conhecimento para que viessem a ser conduzidos pela justiça. Eles porém não quiseram seguir a luz; tentaram extingui-la. E já que não alcançaram o favor de DEUS, fizeram-se filhos da ira. Quanto aos judeus, gabavam-se de suas muitas vantagens sobre o resto do mundo. Embora possuíssem a Lei e os Profetas, não tiraram proveito deles.

O que importa diante de DEUS não é saber o que é certo, mas praticar o que é justo. Antes, Saulo acreditava que guardar a Lei era a única maneira de se agradar a DEUS. Isso, porém, jamais lhe havia proporcionado satisfação espiritual. Por outro lado, estava ciente de que, como depositário da Lei de DEUS, tinha mais responsabilidades espirituais do que os gentios. Agora, contudo, já não podia ignorar: tanto os judeus como os gentios, haviam falhado na busca da justiça divina; encontravam-se ambos expostos à ira de DEUS.

Nem os judeus nem os gentios eram bons, por haverem ambos herdado a natureza pecaminosa de Adão. Tal natureza torna a pessoa fraca demais para ser justa. A Lei, por descrever claramente o pecado, teria sido um precioso guia para conduzir-nos à vida santa. Mas como curar uma natureza tão enferma? Aquilo que queremos fazer, não o fazemos; e aquilo que não queremos, isso o fazemos. DEUS outorgou a Lei com o propósito de mostrar-nos qual o padrão de sua justiça.

Todos esses pensamentos formavam-se na mente de Saulo à medida que o Senhor lhe transmitia gradualmente a mensagem que deveria ensinar em todas as igrejas. Seu dia mais ditoso foi aquele em que DEUS ofereceu-lhe um plano de salvação que não dependia de se guardar a Lei. Foi aí que compreendeu que jamais alcançaria a justiça divina por seu próprio esforço.

Com o passar dos dias, Saulo começou a entender mais claramente todo o quadro da salvação oferecida por DEUS. E essa revelação, obtida na Arábia, foi mencionada repetidamente por ele como "o meu evangelho". Saulo não a obteve mediante estudo ou leitura, nem a recebera de homem algum. Foi diretamente e pessoalmente por intermédio de JESUS que chegou ao conhecimento de tais fatos.

 

O Verdadeiro Significado da igreja

O retrato completo da Igreja apareceu mais vividamente a Saulo, durante sua estada no deserto. Ele foi o primeiro apóstolo a compreender que a Igreja não era uma seita judaica, mas uma irmandade universal que se estendia a todas as raças e nações. Tempos depois, travaria muitas batalhas com os que não estavam dispostos a admitir os gentios na Igreja.

Saulo considerava a Igreja um edifício, cujas pedras todas achavam-se bem ajustadas, tendo a CRISTO como a pedra angular. A seguir, viu-a como um corpo bem coordenado. E os membros todos desse corpo - braços, pernas, pés, dedos, olhos e ouvidos - eram os cristãos em particular que, ligados uns aos outros, constituíam-se num só organismo, tendo a CRISTO por cabeça. A figura ajudou-o a compreender a unidade da Igreja e a sua dependência em relação ao Senhor JESUS. Saulo passou a compreender que cada um de nós somos templo do ESPÍRITO SANTO, morada de DEUS na Terra. Passou a conhecer a pessoa do ESPÍRITO SANTO, fato vedado ao judeu tradicional sem CRISTO.

Saulo fora chamado por CRISTO para deixar de lado as regras, tradições e todo o passado do qual tanto se gloriara. Outros já o haviam feito e tiveram de enfrentar oposição. O futuro não lhe seria fácil. Ele pensa em Estêvão e como fora este poderoso no Evangelho. Se Saulo tivesse aberto os olhos antes, quantas centenas de crentes não teriam sido poupadas! Mas ele tomaria o lugar de Estêvão, e quem sabe, faria para CRISTO uma obra ainda maior. Uma vez mais Saulo delibera ser fiel à visão celestial, e passar o resto de sua vida pregando o Evangelho aos judeus e gentios.

 

 

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O que DEUS fez: ele nos resgatou (vv. 4, 5). A expressão "plenitude do tempo" (Gl 4:4) refere-se ao tempo em que o mundo se encontrava providencialmente preparado para o nascimento do Salvador. De acordo com os historiadores, na época em que JESUS nasceu, o mundo romano estava em uma situação de grande expectativa, aguardando um Libertador. As religiões antigas morriam; as filosofias antigas mostravam-se vazias e incapazes de mudar a vida das pessoas. O império era invadido por novas e estranhas religiões de mistérios. A falência religiosa e a carência espiritual podiam ser vistas por toda parte. DEUS estava preparando o mundo para a chegada de seu FILHO.

Do ponto de vista histórico, o próprio império romano ajudou a preparar o mundo para o nascimento do Salvador. Havia inúmeras estradas que ligavam as cidades entre si e, direta ou indiretamente, a Roma. As leis romanas protegiam os direitos dos cidadãos, e os soldados romanos guardavam a paz. Graças às conquistas tanto da Grécia quanto de Roma, o grego e o latim se tornaram línguas conhecidas por todo o império. O nascimento de CRISTO em Belém não foi um acidente; foi um compromisso marcado por DEUS: JESUS veio na "plenitude do tempo" (e convém observar que ele também voltará no tempo certo).

Paulo faz questão de ressaltar a natureza dupla de JESUS CRISTO (Gl 4:4), mostrando que ele é tanto DEUS quanto homem. Como DEUS, JESUS "entrou no mundo" (Jo 16:28); mas, como homem, foi "nascido de mulher". A promessa antiga dizia que o Redentor nasceria da "descendência" da mulher (Gn 3:15); JESUS cumpriu essa promessa (Is 7:14; Mt 1:18-25).

Paulo disse quem veio - o FILHO de DEUS; disse quando ele veio e como ele veio. Agora, explica por que veio: "para resgatar os que estavam sob a lei" (Gl 4:5). Resgatar é o mesmo termo usado por Paulo anteriormente (Gl 3:13); significa "libertar mediante o pagamento de um preço". Um homem poderia comprar um escravo em qualquer cidade romana (havia cerca de sessenta milhões de escravos no império romano) para mantê-lo como escravo ou para libertá-lo. JESUS veio para nos libertar. Assim, uma volta à Lei era o mesmo que desfazer a obra de CRISTO na cruz. Ele não nos comprou para nos manter escravos, mas para nos tornar filhos! Sob a Lei, os judeus não passavam de "filhos pequenos", mas sob a graça, o cristão é um FILHO adulto de DEUS.

W. W. Wiersbe Expositivo - Editora Geográfica

 

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A Redenção por CRISTO

Gálatas 4:4-7

 Paulo descreve a condição cristã muito mais feliz debaixo da dispensação do evangelho (vv. 4-7). “...vindo a plenitude dos tempos”, o tempo designado pelo PAI, Ele colocou um fim na dispensação da lei, e estabeleceu uma dispensação melhor no seu lugar: “DEUS enviou seu FILHO”. A pessoa responsável por introduzir essa nova dispensação não era outro senão o próprio FILHO de DEUS, o Unigênito do PAI. Como tinha sido profetizado e prometido desde a fundação do mundo, no devido tempo, Ele foi manifestado para esse propósito. Para cumprir o grande plano a que tinha se proposto, Ele sujeitou-se a nascer “...de mulher” (a sua encarnação) e nascer “...sob a lei” (a sua submissão). Aquele que era verdadeiramente DEUS, tornou-se homem por amor a nós. E aquele que era Senhor de tudo consentiu em sujeitar-se e tomar a forma de servo. Um dos motivos da sua vinda era para “...remir os que estavam debaixo da lei” – para nos salvar desse jugo intolerável e desenvolver ordenanças do evangelho mais racionais e fáceis. Ele tinha, na verdade, algo maior em vista ao vir ao mundo do que meramente libertar-nos da servidão da lei cerimonial. Ele veio em nossa natureza, e consentiu sofrer e morrer por nós, para que dessa forma pudesse remir-nos da ira de DEUS e da maldição da lei moral, sob a qual todos os pecadores se encontram. Essa era uma das finalidades da sua vinda, e uma misericórdia guardada a ser conferida no tempo da sua manifestação. Então o estado mais servil da igreja chegaria ao fim, e um estado melhor sucederia esse período. Ele também foi enviado para nos redimir, “...a fim de recebermos a adoção de filhos” – para que não fôssemos mais considerados e tratados como servos, mas como filhos maduros, que receberam privilégios maiores, do que quando estavam debaixo de tutores e curadores. O argumento do apóstolo nos leva a essa conclusão, embora, sem dúvida, também possa ser entendido como que significando essa adoção graciosa à qual o evangelho tantas vezes se refere como o privilégio daqueles que crêem em CRISTO. Israel era o FILHO de DEUS, seu FILHO primogênito (veja Rm 9.4). Mas agora, sob o evangelho, crentes específicos recebem a adoção. E, como evidência disso, eles recebem simultaneamente o ESPÍRITO de adoção, imputando-lhes o dever de orar, e capacitando-os em oração a ver DEUS como PAI (v. 6): “...porque sois filhos, DEUS enviou aos nossos corações o ESPÍRITO de seu FILHO, que clama: Aba, PAI”. Assim, o apóstolo conclui esse argumento ao acrescentar (v. 7): “Assim que já não és mais servo, mas FILHO; e, se és FILHO, és também herdeiro de DEUS por CRISTO”. Agora, de acordo com o evangelho, não estamos mais debaixo da servidão da lei, mas, ao crermos em CRISTO, nos tornamos filhos de DEUS. Somos aceitos por Ele, e adotados por Ele; e, sendo filhos, somos também herdeiros de DEUS, e destinados à herança celestial (como o apóstolo também argumenta em Romanos 8.17). Portanto, voltar à lei e buscar a justificação pelas obras dela parece uma insensatez muito grande. Com base no que o apóstolo diz, podemos observar o seguinte acerca desses versículos:

1. As maravilhas do amor e da misericórdia divinos em relação a nós: de DEUS, o PAI, ao enviar seu FILHO ao mundo para nos redimir e salvar; do FILHO de DEUS, ao submeter-se de forma tão humilde e sofrer tanto por nós, para cumprir o plano divino; e do ESPÍRITO SANTO, em dignar-se a morar no coração dos crentes.

2. As grandes e inestimáveis vantagens que os cristãos desfrutam sob o evangelho, porque: (1) Recebemos a adoção de filhos. É um grande privilégio que os crentes têm de, por meio de CRISTO, serem filhos adotivos do DEUS dos céus. Nós, que por natureza somos filhos da ira e da desobediência, nos tornamos, pela graça, filhos do amor. (2) Recebemos o ESPÍRITO de adoção. Observe: [1] Todos os que têm o privilégio da adoção têm o ESPÍRITO da adoção – todos os que o recebem, são participantes da natureza dos filhos de DEUS; porque todos os seus filhos se assemelharão a Ele. [2] O ESPÍRITO de adoção sempre é o ESPÍRITO de oração, e é nosso dever em oração ver DEUS como PAI. CRISTO nos ensinou em oração a ver DEUS como nosso PAI do céu. [3] Se somos seus filhos, somos seus herdeiros. Isso não ocorre entre os homens, em que o FILHO mais velho é o herdeiro; no entanto, todos os filhos de DEUS são herdeiros. Aqueles que têm a natureza de filhos terão a herança de filhos.

Comentário Bíblico Exaustivo - Antigo Testamento e Novo Testamento - Matthew Henry - CPAD

 

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Lição 1 - O Mundo do Apóstolo Paulo

Resumo da lição

A respeito do império romano, estudaremos seu desdobramento político e geográfico. Esse desdobramento impactou o ministério do apóstolo. Por meio da “pax romana”, um ambiente de relativa paz no império, de suas malhas viárias e seus meios de transportes, o apóstolo teve uma boa oportunidade para realizar suas diversas viagens missionárias.

A respeito da cultura grega, o grego koinê mostrou-se relevante na difusão dos escritos apostólicos, além de a filosofia grega abrir oportunidades para novos pensamentos e ideias. Esse fenômeno linguístico e cultural trouxe grandes oportunidades para o ministério do apóstolo no mundo gentílico.

A respeito da religião judaica, o apóstolo era perito em seus ensinamentos. A religião judaica também influenciava determinadas áreas do império por meio das sinagogas. A moral judaica como fruto da Lei de Moisés trouxe grande contribuição ao ministério do apóstolo. Esse contexto ajudou na comunicação do Evangelho pelo ministério do apóstolo.

Aplicação

É muito importante que façamos o seguinte exercício reflexivo: a exemplo do apóstolo Paulo, devemos conscientizar-nos do que há no mundo hoje que seja possível ser útil para a propagação do Evangelho. Às vezes a nossa profissão pode abrir a porta do Evangelho. Uma viagem pode abrir a porta do Evangelho. O uso de uma tecnologia ou de uma arte pode abrir a porta do Evangelho.

 

 

SÍNTESE DO TÓPICO I - A “pax romana”, a geografia e os meios de transporte urbanos e do campo do império romano contribuíram para a propagação do Evangelho.

SÍNTESE DO TÓPICO II - O grego koinê era a principal língua do tempo do apóstolo e, como mola propulsora da cultura grega, ela contribuiu para a propagação da mensagem escrita do Evangelho.

SÍNTESE DO TÓPICO III - O apóstolo Paulo se identifica como judeu, pois ele foi criado dentro da fé judaica.

 

 

SUBSÍDIO PEDAGÓGICO TOP1

Esta lição nos mostra os três “mundos” do apóstolo Paulo: o romano, o grego e o judeu. O apóstolo teve certa liberdade para peregrinar dentro do império. Ele também se comunicou na língua predominante da época, o grego koiné, bem como fez uso da vasta literatura de seu tempo. Paulo também era judeu. A moral judaica estava presente em algumas partes do império por meio das sinagogas. A soma de tudo isso serviu ao ESPÍRITO SANTO para que a vida do apóstolo fosse usada integralmente para a causa do Evangelho no mundo gentílico.

Por isso, sugerimos que você introduza o assunto desta lição perguntando aos alunos acerca da contribuição cultural, política e religiosa que o mundo atual nos dá para pregar o Evangelho. Quais as necessidades que o mundo de hoje apresenta? Como o Evangelho pode preenchê-las?

 

SUBSÍDIO PENSAMENTO CRISTÃO TOP2

“À medida que o cristianismo se expandia no mundo romano, a Igreja Primitiva enfrentava muitas questões e desafios novos. Os pais escreveram e ensinaram, individualmente e em reuniões de concílios, no esforço de responder a essas questões. Muitas de suas soluções ainda formam um fundamento essencial para a reflexão teológica, a organização da igreja e a vida cristã.

Entre as contribuições da Igreja Primitiva para a formação de uma cosmovisão cristã, quatro áreas foram particularmente importantes: 1) autodefinição, quer dizer, a compreensão do que significa ser cristão em referência ao judaísmo, 2) a relação do cristianismo com a cultura não-cristã [grega], segundo reflexões feitas pelos apologistas ou defensores da fé, 3) a visão cristã de DEUS e de JESUS CRISTO nos primeiros concílios ecumênicos, e 4) a relação do cristianismo com o governo”(PALMER, Michael D. (Ed). Panorama do Pensamento Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p.113).

 

 

CONHEÇA MAIS TOP2

*O Evangelho no mundo gentílico

“O Evangelho já havia sido pregado em Jerusalém, Judeia e Samaria. Desarraigado pela mão feroz de Saulo, o perseguidor, estabeleceu-se na grande cidade de Antioquia. O propósito do Evangelho era ser transplantado. Antioquia, que veio a ser um centro missionário, foi o ponto de partida para Paulo.” Para ler mais, consulte a obra “Atos: E a Igreja se Fez Missões”, editada pela CPAD, p.145.

 

 

SUBSÍDIO PENSAMENTO CRISTÃO TOP3

“Desde o princípio, a Igreja recém-nascida achou-se num mundo multicultural. Seu contexto imediato e seus primeiros membros eram quase exclusivamente judeus. Uma preocupação inicial que a comunidade de crentes enfrentou dizia respeito à sua relação com o judaísmo do século I. O indivíduo tinha de se tornar judeu para ser verdadeiro seguidor de JESUS? A identificação com a comunidade de crentes livrava a pessoa de todas as expectativas tradicionais dos judeus? E as Escrituras dos judeus? Elas foram substituídas em todo ou em parte por JESUS CRISTO?

Estas preocupações estavam em primeiro lugar na mente dos autores neotestamentários, especialmente de Paulo. Como ‘apóstolo aos gentios’, Paulo estava particularmente preocupado que fossem permitidos tanto aos gregos, aos bárbaros (os não-gregos), aos judeus e aos gentios, terem uma posição igual na comunidade de fé (Gálatas 3.28; Colossenses 3.11).” (PALMER, Michael D. (Ed). Panorama do Pensamento Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p.113).

 

PARA REFLETIR - A respeito de “O Mundo do Apóstolo Paulo”, responda:

Qual era a língua mundial nos dias de Paulo? O grego koiné.

A quem se restringia o mundo missionário dos primeiros apóstolos? O mundo missionário dos apóstolos de JESUS restringia-se, numa visão inicialmente limitada, apenas ao povo judeu (At 11.19).

 

 

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O que significa o fato de os cristãos serem adotados por DEUS?

 

Adotar alguém é tornar essa pessoa um FILHO ou filha legal. A adoção é uma das metáforas usadas na Bíblia para explicar como os cristãos são introduzidos na família de DEUS. JESUS veio "a fim de que recebêssemos a adoção de filhos" (Gálatas 4:5), e Ele foi bem-sucedido: "Porque não recebestes um espírito de escravidão para vos reconduzir ao temor, mas o ESPÍRITO de adoção, pelo qual clamamos: Aba, PAI!" (Romanos 8:15).

A Bíblia também usa a metáfora de "nascer de novo" na família de DEUS (João 3:3), o que parece estar em desacordo com o conceito de adoção porque, normalmente, ou uma pessoa nasce em uma família ou é adotada, não ambos. No entanto, não devemos dar muita importância a essa diferença, pois ambos os conceitos são metáforas e não devem ser usados um contra o outro.

A adoção não era comum no mundo judaico. A posição de uma pessoa era baseada em seu nascimento. Essa é a razão pela qual, se um homem morresse, seu irmão deveria se casar com a viúva. O primeiro FILHO que nascesse do novo casamento seria legalmente considerado FILHO do irmão morto, para que a linhagem familiar continuasse. Nunca se pensou na possibilidade de a viúva adotar um FILHO para dar continuidade ao nome da família. Em João 3, JESUS está falando com Nicodemos, um líder judeu, e usa o conceito judaico de nascer de novo (ou nascer do alto) para explicar como alguém é introduzido na família de DEUS.

No mundo romano, a adoção era uma prática significativa e comum. Hoje, podemos escrever um testamento e deixar nossa riqueza e propriedade para quem quisermos, homem ou mulher. No mundo romano, com poucas exceções, um homem tinha de passar sua riqueza para seu(s) FILHO(s). Se um homem não tivesse filhos ou se achasse que seus filhos eram incapazes de administrar sua riqueza ou não eram dignos dela, ele teria de adotar alguém que seria um FILHO digno. Essas adoções não eram infantis, como é comum hoje em dia. Normalmente, eram adotados meninos mais velhos e homens adultos. Em alguns casos, o adotado podia até ser mais velho do que o homem que o estava adotando. Quando a adoção era aprovada legalmente, o adotado tinha todas as suas dívidas canceladas e recebia um novo nome. Ele seria o FILHO legal de seu PAI adotivo e teria direito a todos os direitos e benefícios de um FILHO. Um PAI poderia renegar seu FILHO natural, mas a adoção era irreversível.

No livro Ben-Hur: A Tale of the Christ (Ben-Hur: Um Conto de CRISTO) e no filme estrelado por Charleton Heston, vemos um retrato vívido da adoção romana. No filme, Judá Ben-Hur (um judeu) foi aprisionado em um navio romano como remador. Quando o navio afunda em uma batalha, Judá escapa e salva a vida de um comandante romano, Arrius. O único FILHO de Arrius foi morto, e ele acaba adotando Judá, que é perdoado por seus supostos crimes. Ele também recebe um novo nome, "jovem Arrius", e tem todos os direitos de herança. Na cena em que a adoção é anunciada, Arrius tira seu anel de sinete ancestral e o dá ao jovem Arrius. O jovem Arrius diz que recebeu "uma nova vida, um novo lar, um novo PAI".

Paulo, escrevendo para o público romano, usa a metáfora da adoção, que um público romano teria entendido. Gálatas 4:3-7 diz: "Assim também nós, quando éramos menores, estávamos debaixo da escravidão aos princípios elementares do mundo. Vindo, porém, a plenitude dos tempos, DEUS enviou seu FILHO, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, para resgatar os que estavam debaixo da lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, DEUS enviou ao nosso coração o ESPÍRITO de seu FILHO, que clama: Aba, PAI. Portanto, tu não és mais escravo, mas FILHO; e, se és FILHO, és também herdeiro por obra de DEUS." Nessa passagem, os cristãos nascem escravizados, mas JESUS os tira da escravidão e eles são adotados pelo PAI e recebem o ESPÍRITO, portanto, agora são herdeiros.

Quando chegamos à fé em CRISTO, nossas dívidas são canceladas, recebemos um novo nome e todos os direitos que os herdeiros de DEUS possuem. Uma diferença em relação à adoção romana é que os cristãos não são adotados porque DEUS acha que eles serão herdeiros dignos. DEUS adota pessoas que são completamente indignas, porque Ele adota com base em Sua graça.

Portanto, os cristãos nasceram na família de DEUS (usando uma metáfora judaica) e foram adotados na família de DEUS (usando uma metáfora romana). O resultado final é o mesmo: os cristãos são eternamente parte da família de DEUS.

 

JESUS FOI ADOTADO POR JOSÉ COMO FILHO.

José atuou como PAI adotivo de JESUS, sendo o PAI legal e terreno, o que é fundamental para a linhagem davídica do Messias, mesmo que JESUS tenha nascido do ESPÍRITO SANTO, não de José biologicamente; José aceitou esse papel de PAI terreno, assumindo a responsabilidade e a paternidade legal por adoção, conforme as leis judaicas da época. 

Contexto da Adoção:

·        Linhagem Messias: A adoção por José conferiu a JESUS a linhagem legal do Rei Davi, cumprindo as profecias messiânicas, pois ele era de sua descendência pela lei, como um FILHO adotivo.

·        Aceitação Divina: O anjo instruiu José em sonho a não temer receber Maria, explicando que o FILHO gerado nela era do ESPÍRITO SANTO, e José obedeceu, assumindo o papel de PAI.

·        Lei Judaica: Na cultura judaica, um FILHO adotivo tinha todos os direitos legais de um FILHO biológico, tornando JESUS, legalmente, FILHO de Davi (MESMO PORQUE NINGUÉM FICOU SABENDO QUE O FILHO NÃO ERA DE JOSÉ, EXCETO ISABEL, PRIMA DE MARIA).

·        Paternidade Terrena: Embora não fosse PAI biológico, José foi o PAI terreno de JESUS, com autoridade e responsabilidade sobre a sua Família e JESUS. 

Base Bíblica (Implícita):

·        Os Evangelhos de Mateus e Lucas apresentam genealogias que passam por José, traçando JESUS à linhagem de Davi, o que se justifica por essa paternidade legal/adotiva.

·        Lucas 3:23 menciona JESUS como sendo "como se cuidava" FILHO de José, indicando a compreensão comum, mas ressaltando a natureza especial de sua concepção. 

Portanto, a paternidade de José sobre JESUS é um ponto central na teologia cristã, representando o amor e a aceitação de DEUS, e o reconhecimento de JESUS como o Messias da linhagem de Davi. 

 

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"Abba PAI" é uma expressão bíblica do aramaico/hebraico que significa "Papai", "PAI Querido" ou "Paizinho", transmitindo uma relação de grande intimidade, confiança e carinho com DEUS, não apenas uma figura paterna formal, mas um PAI amoroso e próximo, como JESUS e os apóstolos e Paulo usaram para se referir a DEUS. 

Origem e Uso:

·        Arameu/Hebraico: "Abba" (אבא) é uma palavra comum em línguas semíticas para "PAI", usada de forma afetuosa por crianças.

·        JESUS e o Novo Testamento: JESUS usou "Abba" para DEUS em momentos de profunda intimidade, como em Marcos 14:36, e Paulo também usa a expressão em Romanos 8:15 e Gálatas 4:6, junto com a tradução grega "PAI", para mostrar a adoção cristã. 

Significado Espiritual:

·        Intimidade e Confiança: Expressa a liberdade e confiança de um FILHO para se aproximar de DEUS, não como servo, mas como um FILHO amado, buscando Seu cuidado e amor.

·        Adoção: Permite que os crentes, através do ESPÍRITO SANTO, clamem "Abba, PAI", sentindo-se filhos adotados por DEUS. 

Em resumo, "Abba, PAI" é um convite à relação mais profunda e afetuosa com DEUS, chamando-O com o carinho e a segurança de um "paizinho". 

 

 

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REVISTA NA ÍNTEGRA - LIÇÃO 3, CPAD, O PAI ENVIOU O FILHO, 1TRIMESTRE DE 2026

 

 

Escrita Lição 3, CPAD, O PAI ENVIOU O FILHO, 1Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

Para nos ajudar PIX 33195781620 (CPF) Luiz Henrique de Almeida Silva

 

ESBOÇO DA LIÇÃO

I – O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI

1. O amor incondicional do PAI

2. A iniciativa soberana de DEUS

3. O envio do FILHO e a Trindade

II – O FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS

1. A preparação histórica e religiosa

2. O FILHO nascido sob a Lei

3. A adoção de filhos

III – A TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO

1. A vontade do PAI realizada pelo FILHO

2. A mediação exclusiva do FILHO

3. A aplicação da salvação pelo ESPÍRITO

 

 

TEXTO ÁUREO

“Nisto se manifestou o amor de DEUS para conosco: que DEUS enviou seu FILHO unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.” (1 Jo 4.9)

 

VERDADE PRÁTICA

O envio do FILHO revela o amor do PAI e a perfeita unidade da Trindade no plano da salvação, garantindo a redenção e a adoção dos crentes.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Jo 3.16 O amor de DEUS revelado no envio do FILHO

Terça - Jo 6.38 O FILHO veio ao mundo para cumprir a vontade do PAI

Quarta - 1 Jo 4.10 DEUS nos amou primeiro, enviando seu FILHO 

Quinta - Jo 14.6 CRISTO como único caminho ao PAI

Sexta - Ef 1.3-6 O plano eterno de adoção como filhos em CRISTO

Sábado - Jo 16.13,14 O ESPÍRITO glorifica a CRISTO e guia em toda a verdade

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - João 3.16,17; 1 João 4.9,10; Gálatas 4.4-6

João 3. 16 - Porque DEUS amou o mundo de tal maneira que deu o seu FILHO unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

17 - Porque DEUS enviou o seu FILHO ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

1 João 4. 9 - Nisto se manifestou o amor de DEUS para conosco: que DEUS enviou seu FILHO unigênito ao mundo, para que por ele vivamos. 10 - Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a DEUS, mas em que ele nos amou e enviou seu FILHO para propiciação pelos nossos pecados.

Gálatas 4. 4 - mas, vindo a plenitude dos tempos, DEUS enviou seu FILHO, nascido de mulher, nascido sob a lei, 5 - para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. 6 - E, porque sois filhos, DEUS enviou aos nossos corações o ESPÍRITO de seu FILHO, que clama: Aba, PAI.

 

HINOS SUGERIDOS : 227, 437, 526 da Harpa Cristã

 

PALAVRA-CHAVE - Envio

 

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

No plano eterno da Redenção, o PAI é quem envia o FILHO para salvar o mundo. Esta verdade manifesta o amor divino e reafirma a perfeita unidade da Santíssima Trindade na missão da salvação. Ao longo desta lição, vamos estudar como o envio do FILHO Unigênito revela: a suprema expressão do amor de DEUS, o cumprimento da plenitude dos tempos e a atuação harmoniosa do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO no plano redentor.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Compreender que o envio do FILHO é a maior prova do amor de DEUS PAI; II) Reconhecer que a vinda de CRISTO ocorreu na plenitude dos tempos, segundo o plano eterno de DEUS; III) Identificar a atuação da Trindade na execução e aplicação da salvação.

B) Motivação: O envio do FILHO não foi um ato isolado, mas parte de um plano eterno que une o PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO. Ao entender essa verdade, o crente é levado a confiar no amor soberano de DEUS e a valorizar a graça recebida em CRISTO.

C) Sugestão de Método: Inicie a aula perguntando aos alunos: "Qual foi o maior presente que você já recebeu?" Após ouvir algumas respostas, leia João 3.16,17 e 1 João 4.9,10, destacando que o maior presente dado à humanidade foi o envio do FILHO de DEUS para nossa salvação. Reserve os últimos 10 minutos da aula para desenvolver a seguinte atividade: divida a classe em três grupos, dando a cada grupo um dos tópicos da lição para leitura e resumo. Depois, cada grupo apresenta seu resumo à classe, destacando a participação do PAI, do FILHO e do ESPÍRITO SANTO no Plano da Salvação. Se desejar, pode fazer essa atividade no início da aula.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: O envio do FILHO pelo PAI revela o amor eterno e soberano de DEUS e nos convida a viver em gratidão e obediência. Ao compreender que a salvação foi planejada, executada e aplicada pelo DEUS Triúno, somos chamados a adorá-lo e a anunciar essa mensagem ao mundo.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "O Amor Salvífico do PAI", localizado depois do primeiro tópico, aponta para a interpretação bíblica a respeito do amor incondicional do PAI; 2) O texto "A Plenitude dos Tempos", ao final do segundo tópico, aprofunda a respeito o envio do FILHO no contexto pleno dos tempos.

 

COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO

No plano eterno da redenção, o PAI é quem envia o FILHO para salvar o mundo. Esta verdade, revelada nas Escrituras, manifesta o amor do PAI e reafirma a unidade e a missão da Santíssima Trindade. Nesta lição, veremos como o envio do FILHO Unigênito de DEUS — a Segunda Pessoa da Trindade, revela em profundidade: a suprema expressão do amor de DEUS, a plenitude do tempo para a redenção e a obra perfeita da Trindade na salvação.

 

I – O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI

1. O amor incondicional do PAI

O envio de JESUS CRISTO — o FILHO Unigênito do PAI, é a maior demonstração do amor de DEUS ao mundo (Jo 3.16). O verbo grego para este amor é “agapáō” e o substantivo é “agápē”. Expressam a natureza essencial de DEUS (1 Jo 4.8) e a busca pelo bem-estar de todos (Rm 15.2). Conforme usado, acerca de DEUS, manifesta interesse profundo e constante de um Ser perfeito para seres completamente indignos (Vine, 2002, p. 395). Ensina que o amor de DEUS não foi motivado por mérito humano. Ele amou “o mundo” rebelde e perdido — e enviou seu FILHO “não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17). Este amor alcança toda a humanidade, é incondicional, plenamente gracioso, sacrificial e absoluto! (Ef 2.4,5).

 

2. A iniciativa soberana de DEUS

Desde a eternidade, antes da Queda no Éden, DEUS traçou um plano de redenção em CRISTO (Ef 1.4,5). Até mesmo anterior a fundação do mundo, o FILHO já estava destinado para nossa salvação (1 Pe 1.18-20). DEUS, em sua soberania e seu imensurável amor, tomou a iniciativa de enviar o Salvador, cumprindo seu eterno propósito de redenção (Ef 1.9). A Escritura ratifica que o amor divino antecede qualquer atitude humana: “não em que nós tenhamos amado a DEUS, mas em que ele nos amou e enviou seu FILHO para propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4.10). Portanto, a iniciativa da salvação não parte do ser humano, mas de DEUS. Em sua soberania, misericórdia e compaixão, DEUS decidiu agir em favor da humanidade caída (Rm 3.24-26; 5.8).

 

3. O envio do FILHO e a Trindade

Embora a missão do FILHO seja descrita por meio do verbo “enviar” (Jo 3.17,18,34), a ideia aqui é de um presente gracioso de DEUS (1 Jo 4.10). Em seu amor soberano, o PAI ofereceu sua dádiva mais preciosa — o seu FILHO Unigênito: “para que por Ele vivamos” (1 Jo 4.9). Essa doação, não implica hierarquia na Trindade. O PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO possuem a mesma natureza divina (Jo 1.1; 10.30; 14.26). A distinção observada é funcional, relacionada ao plano da salvação: o FILHO é enviado para realizar a redenção (Jo 6.38-40). Essa dinâmica revela harmonia e unidade da Trindade: uma única vontade e um único propósito. O envio do FILHO é, portanto, uma expressão do amor do DEUS Triúno, que resplandece em toda a história da salvação (Ef 1.3-14).

 

SINÓPSE I - O envio do FILHO é a expressão suprema do amor do PAI, fruto de sua iniciativa soberana e graciosa.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO - O AMOR SALVÍFICO DO PAI

“A ação redentora cheia de amor de DEUS é apresentada nesta seção em forte contraste em relação ao destino desesperado da humanidade pecadora sob a ira do mesmo DEUS em 2.1-3. Em termos empolgantes e impetuosos, Paulo faz o contraste da situação em que os leitores estavam “antes” (2.3), sem CRISTO; aquilo em que estão agora, em CRISTO; aquele que ‘todos nós’ (2.3a) somos por natureza (2.3d) e aquilo que somos ‘pela graça’ (2.5,8); a razão da ira de DEUS (2.3) e a iniciativa do amor de DEUS (2.4); a realidade espiritual de que ‘estávamos mortos’ (2.1), mas que DEUS ‘nos vivificou juntamente com CRISTO’ (2.5)” (ARRINGTON, Franch L.; STRONSTAD,  Roger. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento: Romanos — Apocalipse. Vol. 2. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2017, p.410).

 

II – O FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS

1. A preparação histórica e religiosa

O envio de CRISTO não foi um plano improvisado, mas um desígnio eterno, cumprido “na plenitude dos tempos” (Gl 4.4). Indica que a vinda do Messias se deu no tempo determinado pelo DEUS PAI (Rm 5.6). A Trindade, em perfeita sabedoria e unidade, determinou o momento exato para a execução do plano redentor (Ef 1.10,11). Historicamente, o domínio romano construiu estradas e rotas comerciais que contribuíram para a disseminação do Evangelho. A cultura grega unificou o mundo por meio do grego koiné, tornando possível a escrita do Novo Testamento em uma língua conhecida e popular. No judaísmo, apesar da rejeição dos líderes entre o povo, a expectativa messiânica estava elevada (Lc 2.25-38). Isso sinaliza que DEUS preparou o cenário para a chegada do Salvador (At 17.26).

 

2. O FILHO nascido sob a Lei

A Escritura afirma que o FILHO veio “nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4b). A expressão “nascido de mulher”, reafirma que CRISTO assumiu nossa natureza humana (Hb 2.14; Fp 2.7,8). Ele encarnou e experimentou as fraquezas humanas, exceto o pecado (Hb 4.15). Cumpriu-se assim a profecia: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um FILHO” (Is 7.14; Mt 1.23), mostrando que sua vinda foi obra soberana de DEUS. A declaração “nascido sob a lei” significa que JESUS cumpriu todas as exigências da lei mosaica (Mt 5.17). Ele foi o único homem a cumprir plenamente a lei de DEUS, sem a transgredir em momento algum (1 Pe 2.22). Sua vida de obediência foi necessária para que pudesse oferecer um sacrifício perfeito em favor dos pecadores (Hb 7.26,27).

 

3. A adoção de filhos

A obra do FILHO não apenas trouxe perdão, mas também nos concedeu a posição de filhos adotivos (Gl 4.5). CRISTO é o único FILHO de DEUS por natureza (Jo 1.18); e os crentes tornam-se filhos por adoção (Jo 1.12,13). A prática da adoção não fazia parte do sistema legal judaico, mas era comum e bem conhecida entre os gentios. Paulo enfatiza que foi do agrado de DEUS inserir no plano da salvação, que os salvos fossem adotados como filhos (Ef 1.5). O “espírito de adoção” habilita os salvos a clamarem “Aba, PAI” (Gl 4.6). Esse termo aramaico (“Aba”, “papai”) empregado na interação entre o FILHO e o PAI, indica respeito e confiança (Mc 14.36). Essa adoção e intimidade é aplicada pelo ESPÍRITO SANTO (Rm 8.15,16), demonstrando novamente a atuação inseparável da Trindade na salvação.

 

SINÓPSE II - Na plenitude dos tempos, CRISTO veio ao mundo, cumprindo as profecias e proporcionando redenção e adoção como filhos de DEUS.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO - A PLENITUDE DOS TEMPOS

“O período de utilidade limitada da lei é relatado em 4.4. A frase ‘quando veio a plenitude dos tempos’ marca o fim do período de tutela como relatado em 3.24,25; 4.1, 2. O plano pré-ordenado de DEUS era que a lei ditasse o fundamento da moralidade até a vinda de CRISTO. JESUS é o ponto focal da história mundial; Ele é o sustentáculo do qual depende a virada dos tempos. [...] Semelhantemente ‘enviou’ não comunica principalmente distância ou espaço; antes, fala de comissionar um enviado autorizado. Portanto, quando a fase mundial estava exatamente correta, o PAI comissionou seu FILHO para trazer a salvação” (ARRINGTON, Franch L.; STRONSTAD,  Roger. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento: Romanos — Apocalipse. Vol. 2. Rio de Janeiro: Editora CPAD, 2017, p.361).

 

III – A TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO

1. A vontade do PAI realizada pelo FILHO

O FILHO veio ao mundo para cumprir a vontade do PAI: “eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38). Essa vontade, segundo CRISTO, é que nenhum daqueles que o PAI lhe deu se perca, mas tenham a vida eterna (Jo 6.39,40). A obediência de JESUS é perfeita, revelando plena submissão ao PAI. Ele mesmo testifica: “porque eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo 8.29). Essa obediência alcançou o clímax na entrega voluntária de sua vida por amor: “sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.8). Por meio de sua vida sem pecado e morte sacrificial, a justiça de DEUS foi plenamente satisfeita (Rm 3.24-26). Em CRISTO, vemos a expressão sublime da obediência, do amor e da unidade perfeita na Trindade.

 

2. A mediação exclusiva do FILHO

O FILHO é o único caminho de acesso ao PAI: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao PAI senão por mim” (Jo 14.6). Esse acesso é exclusivo porque Ele é a revelação plena do PAI (Jo 1.18), e o único que pode satisfazer a justiça divina mediante o seu sacrifício no Calvário (Hb 9.15). A exclusividade da mediação de CRISTO está enraizada na estrutura trinitária. O PAI enviou o FILHO (Jo 3.16), e o ESPÍRITO SANTO testifica do FILHO (Jo 15.26). Assim, o caminho para o PAI passa necessariamente pela aceitação do FILHO, conforme ensina as Escrituras: “Porque há um só DEUS e um só mediador entre DEUS e os homens, JESUS CRISTO, homem” (1 Tm 2.5). Desse modo, a salvação ocorre unicamente por meio da fé em CRISTO (At 4.12).

 

3. A aplicação da salvação pelo ESPÍRITO

O ESPÍRITO SANTO, chamado de Consolador e ESPÍRITO da verdade, foi enviado pelo PAI e pelo FILHO. JESUS disse que o ESPÍRITO viria para convencer o mundo “do pecado, e da justiça, e do juízo” (Jo 16.8-11). É o ESPÍRITO que ilumina a mente para o conhecimento de DEUS (2 Co 4.6), ensina a verdade (Jo 14.26), regenera os pecadores (Tt 3.5), sela os que creem (Ef 1.13), opera a santificação progressiva (2 Ts 2.13), e assegura a perseverança dos crentes (Fp 1.6). Além disso, o ESPÍRITO glorifica o FILHO, pois foi enviado para testificar de CRISTO (Jo 15.26), revelando sua pessoa e obra ao coração humano. O ESPÍRITO nunca age independentemente do FILHO ou do PAI. Sua missão é, intrinsecamente, a de exaltar a glória do DEUS Triúno (Jo 16.13,14).

 

SINÓPSE III - O plano de salvação é obra da Trindade: o PAI envia, o FILHO executa e o ESPÍRITO aplica.

 

CONCLUSÃO

O envio do FILHO pelo PAI revela o amor eterno e soberano de DEUS e destaca a perfeita unidade da Trindade na obra da salvação. DEUS não apenas amou o mundo, mas agiu em favor dele, enviando seu FILHO no tempo certo, para redimir os pecadores. O FILHO, em obediência plena, realizou a redenção; e o ESPÍRITO SANTO, em sua atuação eficaz, aplica a salvação ao coração dos crentes. Conhecer essa verdade fortalece nossa fé e nos convida a adorar com gratidão o DEUS Triúno que nos salvou.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

1. O QUE SIGNIFICA AFIRMAR QUE A INICIATIVA DA SALVAção é um ato da soberania de DEUS?

Significa que a salvação começa com a iniciativa amorosa e soberana de DEUS, e não do ser humano.

2. Do ponto de vista histórico, que fatos corroboram que era chegado o momento exato para a execução do plano redentor de DEUS para a humanidade?

A dominação romana, a língua grega comum e a expectativa messiânica entre os judeus criaram o cenário ideal para a vinda de CRISTO.

3. O que significa a declaração “nascido sob a lei”?

Que JESUS veio como homem, cumprindo plenamente a lei de DEUS, sem transgredi-la.

4. Qual vontade do PAI é realizada pelo FILHO?

Que todos aqueles que o PAI deu ao FILHO recebam a vida eterna e não se percam.

5. Por que a mediação entre o ser humano e DEUS é um ato de exclusividade do FILHO?

Porque somente CRISTO revela plenamente o PAI e oferece o sacrifício perfeito que satisfaz a justiça divina.