21 janeiro 2026

Escrita Lição 5, CPAD, O DEUS FILHO, 1Tr26, Com. Extras do Pr Henrique, EBD NA TV

Escrita Lição 5, CPAD, O DEUS FILHO, 1Tr26, Com. Extras do Pr Henrique, EBD NA TV
Para os ajudar PIX 33195781620 (CPF) Luiz Henrique de Almeida Silva

 



 
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – A DIVINDADE DO FILHO     
1. A Concepção Virginal de JESUS 
2. A deidade absoluta do FILHO 
3. Os atributos divinos de JESUS 
II – A CENTRALIDADE DO DEUS FILHO
1. A glória sobrenatural de JESUS 
2. O testemunho da Lei e dos Profetas 
3. A aprovação divina do PAI 
III – A MISSÃO REDENTORA DO DEUS FILHO
1. O FILHO como revelação suprema 
2. A exclusividade de CRISTO na redenção 
3. O aprendizado pela experiência 
 
TEXTO ÁUREO
“Este é o meu FILHO amado, em quem me comprazo; escutai-o.” (Mt 17.5b)
 
VERDADE PRÁTICA
JESUS CRISTO, o DEUS FILHO, é a revelação plena do PAI, centro da revelação divina e único mediador entre DEUS e os homens.
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Lc 1.35 A concepção virginal e a ação da Trindade
Terça - Jo 1.1-3 O FILHO é DEUS desde a eternidade
Quarta - Mt 17.2,3 A glória divina de JESUS na Transfiguração
Quinta - Hb 1.1-3 O FILHO como revelação suprema
Sexta - At 4.12 CRISTO é o único caminho de salvação
Sábado - Fp 2.9-11 CRISTO exaltado acima de todo nome
 
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Lucas 1.31,32,34,35; Mateus 17.1-8
Lucas 1.31 - E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de JESUS. 32 - Este será grande e será chamado FILHO do Altíssimo; e o Senhor DEUS lhe dará o trono de Davi, seu pai,
34 - E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão? 35 - E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o ESPÍRITO SANTO, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o SANTO, que de ti há de nascer, será chamado FILHO de DEUS.
Mateus 17.1 - Seis dias depois, tomou JESUS consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, 2 - E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. 3 - E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. 4 - E Pedro, tomando a palavra, disse a JESUS: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés e um para Elias. 5 - E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu FILHO amado, em quem me comprazo; escutai-o. 6 - E os discípulos, ouvindo isso, caíram sobre seu rosto e tiveram grande medo. 7 - E, aproximando-se JESUS, tocou-lhes e disse: Levantai-vos e não tenhais medo. 8 - E, erguendo eles os olhos, ninguém viram, senão a JESUS.
 
http://www.cpad.com.br/harpa-crista-grande-90-anos-luxocor-preta-/p
HINOS SUGERIDOS: 156, 344, 481 da Harpa Cristã
 
PALAVRA-CHAVE – CRISTO
 
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
SUBSÍDIOS EXTRAS PARA A LIÇÃO – LIVROS, REVISTAS ANTIGAS E GOOGLE
)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
 
COMENTÁRIOS BEP – CPAD (com acréscimos do Pr. Henrique)
Mt 9.29 TRANSFIGUROU-SE. Na sua transfiguração, JESUS foi transformado na presença de três discípulos, que viram a sua glória celestial, conforme Ele realmente era: DEUS em corpo humano. A experiência da transfiguração foi:
(1) um alento para JESUS ante a sua iminente morte de cruz (cf. Mt 16.21);
(2) um comunicado aos discípulos de que JESUS teria de sofrer na cruz (v.31); e (3) uma confirmação, por DEUS, dizendo que JESUS era verdadeiramente seu FILHO, todo suficiente para redimir a raça humana (v.35).
(4) Ali representada a Lei por Moisés (JESUS CRISTO cumpriu toda lei).
(5) Ali representados os profetas por Elias (JESUS CRISTO era o profeta que havia de vir, conforme Moisés havia profetizado).
(6) JESUS é o salvador, toda  a Palavra de DEUS se cumpre Nele. JESUS é a graça de DEUS revelada aos homens para sua salvação. JESUS se revela homem e ao mesmo tempo DEUS. A voz do PAI revela a divindade de JESUS e o agrado do PAI pelo sacrifício do FILHO em favor de todos os pecadores.
(7) Moisés representa salvos que já morreram e vão ser transformados na hora do arrebatamento e subirão a se encontrarem com JESUS.
(8) Elias representa os salvos que estarão vivos na hora do arrebatamento, serão transformados e  subirão ao encontro de JESUS sem provarem a morte.
(9) Pedro representa os pregadores do evangelho e a abertura do evangelho  tanto aos judeus quanto aos gentios.
(10) Tiago representa os mártires do cristianismo (ele foi decapitado por Herodes não muito depois desses dias).
(11) João representa o amor de DEUS pelos pecadores e a longevidade de um servo de DEUS. João representa os profetas da Igreja na revelação do futuro glorioso da Igreja.
 
 
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
 
A Transfiguração de CRISTO - Com. Bíblico - Matthew Henry (Exaustivo) AT e NT (com acréscimos do Pr. Henrique)
Mateus 17. 1-13
Aqui temos a história da transfiguração de CRISTO.
Quando CRISTO estava aqui na terra, embora a sua condição, em geral, fosse uma condição de humilhações e sofrimentos, houve alguns lampejos da sua glória entremeados. O seu nascimento, o seu batismo, a sua tentação e a sua morte foram os exemplos mais notáveis da sua humilhação; e cada um deles esteve presente com alguns sinais de glória, e os sorrisos do céu. Mas sendo a sequência do seu ministério público uma humilhação contínua, aqui, justamente no meio dele, surge essa descoberta da sua glória. Assim como agora, que está no céu, Ele tem suas deferências, quando esteve na terra o Senhor também teve os seus triunfos.
A respeito da transfiguração de CRISTO, considere:
I
 As circunstâncias em que ela ocorreu, e que estão registradas aqui (v. 1).
1. A época: “seis dias” depois que Ele havia feito o discurso solene aos seus discípulos (Mt 16.21). Lucas diz: “quase oito dias depois dessas palavras”, seis dias inteiros tinham se passado entre o discurso e esse dia, que era o oitavo dia. Nada está registrado como tendo sido feito ou dito pelo nosso Senhor JESUS durante os seis dias anteriores à sua transfiguração; assim, antes de grandes aparições “fez-se silêncio no céu quase por meia hora” (Ap 8.1). Assim, quando CRISTO parecer não estar fazendo nada pela sua igreja, espere, dentro de pouco tempo, alguma coisa extraordinária.
2. O local: aconteceu no topo de um “alto monte”. CRISTO escolheu um monte:
(1) Por ser um lugar secreto. Ele se afastou; pois embora uma cidade sobre uma colina dificilmente possa ficar escondida, duas ou três pessoas sobre um monte dificilmente poderão ser encontradas. Por isso as suas orações particulares eram, em geral, nas montanhas. CRISTO escolheu um lugar afastado onde se transfiguraria, porque a sua aparição pública na sua glória não seria coerente com a sua condição atual; e dessa maneira Ele mostra a sua humildade e nos ensina que a privacidade é grande amiga da nossa comunhão com DEUS. Aqueles que desejam ter um relacionamento com o Céu devem, frequentemente, se afastar das coisas e dos negócios deste mundo; e jamais se sentirão sozinhos, pois o PAI está com eles.
(2) Porque sendo um lugar sublime, estava bastante elevado, acima das outras coisas. Aqueles que desejam ter um relacionamento transformador com DEUS, não devem apenas afastar-se, mas subir; erguer os seus corações e “buscar as coisas que são de cima”. A ordem é: “Sobe aqui” (Ap 4.1).
3. As testemunhas do acontecimento. JESUS levou consigo Pedro, Tiago, e João.
(1) Ele levou três pessoas, um número adequado para dar testemunho do que vissem; pois “pela boca de duas ou três testemunhas, será confirmada toda palavra”. CRISTO faz aparições suficientemente exatas, mas não comuns; “não a todo o povo, mas às testemunhas” (At 10.41), para que aqueles que não tinham visto, mas que haviam crido, pudessem ser bem-aventurados.
(2) Ele levou esses três homens porque eram os principais discípulos, os três mais dignos de estarem com o FILHO de DEUS. Não eram excelentes em nada, mas eles eram os favoritos de CRISTO, destacados para serem testemunhas das ocasiões em que Ele se afastava para orar e de seus milagres (ressurreição da filha de Jairo, por exemplo - Mc 5.37). Eles deveriam, posteriormente, ser testemunhas da sua agonia, e esse episódio deveria prepará-los para isso. Uma visão da glória de CRISTO, enquanto ainda estamos neste mundo, é um bom preparativo para os nossos sofrimentos com Ele, que são os preparativos para a visão da sua glória no outro mundo. Paulo, que tinha problemas em abundância, tinha, por outro lado, abundantes revelações.
II
 A maneira como aconteceu (v. 2); Ele “transfigurou-se diante deles”. A substância do seu corpo continuou a mesma, mas a sua aparência foi grandemente alterada. Ele não se transformou em um espírito, mas o seu corpo, que tinha aparecido fraco e desonrado, agora aparecia em virtude e glória. Ele “transfigurou-se”, metamorphothe – Ele passou por uma metamorfose. Os poetas profanos divertiam e ofendiam o mundo com histórias extravagantes e ociosas de metamorfoses, especialmente as metamorfoses dos seus deuses, que os menosprezavam e diminuíam, e eram igualmente falsas e ridículas; alguns pensam que Pedro se refere a eles quando, prestes a mencionar essa transfiguração de CRISTO, disse: “Não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor JESUS CRISTO, seguindo fábulas artificialmente compostas” (2 Pe 1.16). CRISTO era, ao mesmo tempo, DEUS e homem; mas, nos dias da sua carne, deixou suas prerrogativas divinas, Ele assumiu a forma de servo – morphen doulou (Fp 2.7). Ele cobriu a glória de sua divindade com um véu; mas agora, na sua transfiguração, Ele afastou aquele véu, apareceu en morphe theou – em forma de DEUS (Fp 2.6) e deu aos seus discípulos um vislumbre da sua glória, que não podia deixar de modificar a sua forma.
A grande verdade que declaramos é que “DEUS é luz” (1 Jo 1.5), “habita na luz” (1 Tm 6.16), e “cobre-se de luz” (Sl 104.2). E, portanto, quando CRISTO apareceu “em forma de DEUS”, Ele apareceu “na luz”, a mais gloriosa de todas as coisas visíveis, a primogênita de toda a criação, e a que mais se assemelha ao PAI eterno. CRISTO é a Luz; enquanto estava no mundo, Ele “resplandeceu nas trevas”, e por isso “o mundo não o conheceu” (Jo 1.5,10); mas naquele momento, na sua transfiguração, aquela Luz brilhou nas trevas.
A sua transfiguração apareceu em dois aspectos:
1. “O seu rosto resplandeceu como o sol”. O rosto é a principal parte do corpo, pela qual somos conhecidos; portanto, todo esse brilho foi colocado no rosto de CRISTO, aquele rosto que, depois disso, Ele não mais escondeu “daqueles que o afrontavam e cuspiam”. Ele “resplandeceu como o sol” quando está na plenitude da sua força, tão claro e tão brilhante; pois Ele é o Sol da justiça, a Luz do mundo. O rosto de Moisés brilhou, mas como a luz, com uma luz refletida e emprestada, mas o de CRISTO brilhou como o sol, com uma luz inerente, que era ainda mais sensivelmente gloriosa, porque subitamente irrompeu.
2. “As suas vestes se tornaram brancas como a luz”. Todo o seu corpo se modificou, assim como o seu rosto; de modo que raios de luz, arremessando-se de todas as partes através das suas vestes, as tornaram brancas e cintilantes. O brilho no rosto de Moisés era tão fraco, que podia facilmente ser oculto por um fino véu; mas tal era a glória no corpo de CRISTO, que as suas vestes se iluminavam por ela.
III
 As pessoas que apareceram por ocasião da transfiguração. “eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele” (v. 3). Considere que:
1. Havia santos glorificados com Ele; se havia três para dar testemunho na terra, Pedro, Tiago e João, também havia alguns para dar testemunho da parte do céu. Assim, havia uma semelhança viva com o Reino de DEUS, que é composto por santos no céu e santos na terra, e ao qual pertencem os “espíritos dos justos aperfeiçoados”. Vemos, aqui, que aqueles que “dormiram em CRISTO” não estão mortos, mas existem em um estado separado, vivos e estarão para sempre com o Senhor.
2. Esses dois eram “Moisés e Elias”, homens muito eminentes na sua época. Os dois tinham jejuado quarenta dias e quarenta noites, como CRISTO, e tinham realizado outros milagres, e ambos foram admiráveis tanto ao deixar este mundo como ao viver nele. Elias foi levado ao céu em um carro de fogo, e não morreu. O corpo de Moisés nunca foi encontrado. Possivelmente estava preservado da degradação, e reservado para essa aparição. Os judeus tinham grande respeito pela memória de Moisés e Elias, e por isso os dois vieram para dar testemunho dele. Na pessoa deles, a lei e os profetas honraram a CRISTO e lhe deram testemunho. Moisés e Elias apareceram aos discípulos, que os viram, e os ouviram falar. Souberam que eram Moisés e Elias. Os santos glorificados se reconhecerão mutuamente no céu. Coisa interessante que os discípulos os reconheceram imediatamente. Eles conversaram com CRISTO. Observe que CRISTO tem comunhão com os bem-aventurados, e não será estranho a nenhum dos membros dessa corporação glorificada. CRISTO agora seria selado no seu trabalho profético. Por isso, esses dois grandes profetas eram os mais adequados para estar presentes com Ele. DEUS “a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo FILHO” (Hb 1.1).
IV
 O grande prazer e a grande satisfação que os discípulos tiveram com a visão da glória de CRISTO. Pedro, como era usual, falou pelos demais: “Senhor, bom é estarmos aqui”. Aqui, Pedro expressa:
1. O prazer que eles tiveram com essa conversa: “Senhor, bom é estarmos aqui”. Embora sobre um alto monte, que podemos supor que fosse áspero e desagradável, frio e exposto, ainda assim Pedro diz: “É bom estarmos aqui”. Ele expressa o sentimento dos seus companheiros discípulos: “É bom, não apenas para mim, mas para nós”. Ele não procurou monopolizar esse prazer, mas alegremente os incluiu. Ele disse isso a CRISTO. Os afetos piedosos e devotos se comprazem em se derramar diante do Senhor JESUS. A alma que ama a CRISTO, e ama estar com Ele, ama ir até Ele e dizer-lhe: “Senhor, bom é estarmos aqui”. Isto dá a entender um reconhecimento agradecido da bondade de JESUS, por fazer com que participassem desse momento tão importante e prazeroso. Observe que a comunhão com CRISTO é a alegria dos cristãos. Todos os discípulos do Senhor JESUS reconhecem que é bom estar com Ele no monte sagrado. É bom estarmos aqui, onde CRISTO está, e para onde Ele nos traz consigo, por seu convite; é bom estarmos aqui, afastados e sozinhos, com CRISTO; estarmos aqui, onde podemos “contemplar a formosura do Senhor” (Sl 27.4). É agradável ouvir CRISTO comparar trechos das Escrituras registradas por Moisés e os profetas, ver como todas as instituições da lei e todas as predições dos profetas apontavam para CRISTO, e se cumpriam nele.
2. O desejo que tinham da continuação daquela situação: “Façamos aqui três tabernáculos”. Nestas palavras, assim como em muitas outras proferidas por Pedro, existe uma mistura de fraqueza e boa vontade, mais entusiasmo do que prudência.
(1) Aqui vemos um entusiasmo por essa conversa com seres celestiais, uma complacência louvável com a visão que eles tinham da glória de CRISTO. Aqueles que, pela fé, contemplam “a formosura do Senhor” na sua casa, não podem evitar desejar habitar ali todos os dias das suas vidas. É bom ter “uma estabilidade no seu santo lugar” (Ed 9.8), uma residência permanente; permanecer nas práticas sagradas como um homem que está em casa, não como um viajante. Pedro pensava que esse monte era um bom lugar onde edificar, e ele desejava construir tabernáculos ali; assim como Moisés, no deserto, construiu um tabernáculo para a Shequiná, ou glória divina.
O fato de Pedro querer fazer ali tabernáculos para CRISTO, e Moisés, e Elias, mas nenhum para si mesmo, evidenciava um grande respeito pelo seu Mestre e os convidados celestiais, com o esquecimento elogiável de si mesmo e dos seus companheiros discípulos. Ele ficaria contente em ficar ao ar livre, no chão frio, em tão boa companhia. Se o seu Mestre não tinha onde reclinar a cabeça, não importava se ele, Pedro, tinha onde ou não.
(2) Mas no seu entusiasmo, ele deixou transparecer uma grande dose de fraqueza e ignorância. Que necessidade tinham Moisés e Elias de tabernáculos? Eles pertenciam àquele mundo abençoado, onde já não mais sentiam fome, nem sede, “nem sol nem calma alguma caia sobre eles”. CRISTO recentemente tinha predito os seus sofrimentos, e ordenado que os seus discípulos esperassem a mesma coisa. Pedro esqueceu disso, ou, para evitar isso, precisaria construir os tabernáculos no monte de glória, afastados dos problemas. Mesmo utilizando outras palavras, Pedro ainda insiste na antiga idéia – “Senhor, tem compaixão de ti” –, embora tivesse sido tão recentemente repreendido por dizer isso. Observe que existe uma tendência nos homens bons em esperar a coroa, sem a cruz. Pedro estava tomando posse desse privilégio como um prêmio, embora ainda não tivesse lutado a sua batalha, nem terminado a sua carreira, assim como os outros discípulos (Mt 20.21). Nós estaremos fora do nosso objetivo se procurarmos um céu aqui na terra. A estranhos e peregrinos (que é o que somos, na melhor das circunstâncias, neste mundo), não cabe falar em construir ou esperar uma “cidade permanente” na terra.
Mas há uma desculpa para a incoerência da proposta de Pedro, não somente porque ele “não sabia o que dizia” (Lc 9.33), mas também porque submeteu a proposta à sabedoria de CRISTO: “Se queres, façamos aqui três tabernáculos”. Observe que quaisquer que sejam os tabernáculos que nos propusermos a construir para nós mesmos, neste mundo, precisamos sempre nos lembrar de pedir a permissão de CRISTO.
Ao que Pedro disse, não houve resposta. O desaparecimento da glória, em breve, seria a resposta. Aqueles que prometem a si mesmos grandes coisas na terra, serão logo iludidos pela sua própria experiência.
V
 O glorioso testemunho que DEUS PAI deu de nosso Senhor JESUS, no qual “ele recebeu de DEUS PAI honra e glória” (2 Pe 1.17), quando veio essa voz da glória suprema. Isso foi como proclamar os títulos de nobreza ou o estilo real de um príncipe que, em sua coroação, se apresenta com os seus trajes cerimoniais. E é bom que se saiba, para o consolo da humanidade, que o estilo real de CRISTO vem da sua mediação. Assim, na visão, Ele apareceu com um arco-íris – o selo da aliança – ao redor do seu trono (Ap 4.3), pois a sua glória é ser o nosso Redentor, era sinal de aliança eterna.
Quanto a esse testemunho que o céu dá a respeito de CRISTO, observe:
1. Como ele veio, e de que maneira foi apresentado.
(1) Havia uma nuvem. Frequentemente lemos no Antigo Testamento que uma nuvem era um sinal visível da presença de DEUS, de sua glória. Ele desceu sobre o monte Sinai em uma nuvem (Êx 19.9,18), e também apareceu assim a Moisés (Êx 34.5; Nm 11.25). Ele tomou posse do tabernáculo em uma nuvem (Levítico 9:24), e, mais tarde, do templo (os sacerdotes não podiam permanecer em pé para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor enchera a casa do Senhor. 1 Reis 8:11, 18.38).
Onde estava CRISTO na sua glória, ali estava o templo, e ali DEUS se mostrou presente. Nós não conhecemos o equilíbrio das nuvens, mas sabemos que grande parte das relações e da comunicação entre o céu e a terra é mantida por elas. Pelas nuvens, os vapores sobem e as chuvas caem; por isso, diz-se que DEUS “faz das nuvens o seu carro”; foi isso que Ele fez aqui, quando desceu sobre esse monte.
(2) Era “uma nuvem luminosa”. Sob a lei, era normalmente com uma nuvem espessa e escura que DEUS mostrava o sinal da sua presença; Ele desceu sobre o monte Sinai em “uma espessa nuvem” (Êx 19.16), e disse “que habitaria nas trevas” (veja 1 Rs 8.12). Mas agora chegamos, não ao monte “aceso em fogo, e à escuridão, e às trevas” (Hb 12.18), mas ao monte que é coroado com “uma nuvem luminosa”. A revelação do Antigo Testamento, e também a do Novo, continham sinais da presença de DEUS, mas aquela era uma revelação com escuridão, e terror, e escravidão; porém essa, com luz, amor e liberdade. Quando a lei foi promulgada morreram cerca de três mil homens, porém, quando a Igreja nasceu, quase três mil vidas nasceram de novo.
(3) A nuvem “os cobriu”. Esta nuvem tinha a finalidade de ofuscar o poder daquela grande luz que, se não fosse por isso, teria dominado os discípulos, e teria sido intolerável; ela agiu como o véu que Moisés colocou sobre o seu rosto, quando este brilhava. DEUS, ao se manifestar ao seu povo, considera a sua estrutura. Essa nuvem era, para os seus olhos, como parábolas para o seu entendimento, para transmitir coisas espirituais por meio de coisas possíveis de se sentir, conforme eles fossem capazes de suportar. A nuvem era de glória e presença de DEUS PAI.
(4) “E da nuvem saiu uma voz”, e era a voz de DEUS PAI, que agora, como antes, falava “na coluna de nuvem” (Sl 99.7). Aqui não houve trovão, nem relâmpago, nem voz de trombeta, como quando a lei foi dada a Moisés, mas somente uma voz, uma voz suave, e não aquela conduzida com um forte e grande vento, ou um terremoto, ou um fogo, como quando DEUS falou com Elias (1 Rs 19.11,12). Moisés e Elias, então, foram testemunhas de que DEUS “falou-nos, nestes últimos dias, pelo FILHO”, de uma maneira diferente daquela como Ele falava com eles antigamente. Essa voz veio da “magnífica glória” (2 Pe 1.17), a glória que se sobressai, em comparação com a qual a anterior não tinha glória; embora a glória magnífica estivesse em uma nuvem, dela veio uma voz, pois “a fé é pelo ouvir”.
2. Observe qual foi o testemunho do céu: “Este é o meu FILHO amado... escutai-o”. Aqui, temos:
(1) O grande mistério do Evangelho revelado: “Este é o meu FILHO amado, em quem me comprazo”. Estas são as mesmas palavras que foram pronunciadas do céu por ocasião do batismo de JESUS (Mt 3.17); e foi a melhor notícia que veio do céu à terra, desde que o homem pecou. Esta verdade tem o mesmo objetivo daquela grande doutrina (2 Co 5.19): “DEUS estava em CRISTO reconciliando consigo o mundo”. Moisés e Elias foram grandes homens, e muito queridos no céu, mas ainda assim não passaram de servos, e servos de quem DEUS nem sempre se agradou; pois Moisés, às vezes, falava de uma forma impensada, e Elias era um homem sujeito a paixões; mas CRISTO é o “FILHO”, e nele DEUS sempre se compraz. Moisés e Elias foram, às vezes, instrumentos de reconciliação entre DEUS e Israel; Moisés era um grande intercessor, e Elias, um grande reformista; mas em CRISTO, DEUS reconcilia o mundo; a sua intercessão é mais importante do que a de Moisés, e a sua reforma, mais efetiva que a de Elias.
Essa repetição da mesma voz que veio do céu no seu batismo não era uma repetição inútil; mas, como a duplicação do sonho de Faraó, tencionava mostrar que aquilo estava estabelecido. O que DEUS disse uma vez – na verdade, duas vezes –, sem dúvida Ele sustentará, e Ele espera que nós observemos aquilo que Ele disse. Isso foi dito no seu batismo, porque, naquela ocasião, se iniciaria a sua tentação, e o seu ministério público; e agora era repetido, porque Ele estava iniciando os seus sofrimentos, que devem ser datados a partir desse momento. Pois agora, e não antes, Ele começa a fazer predições aos discípulos, e imediatamente depois da sua transfiguração é dito (Lc 9.51): “completando-se os dias para a sua assunção”; portanto, isso foi repetido para protegê-lo contra o terror, e aos seus discípulos, contra o escândalo da cruz. Quando as aflições começam a ser abundantes, “também a nossa consolação sobeja” (2 Co 1.5).
(2) O maior dever que o Evangelho exige, e que é a condição para nos beneficiarmos em CRISTO: “Escutai-o”. DEUS, em CRISTO, se compraz somente daqueles que o ouvem. Não é suficiente dar ouvidos a Ele, mas devemos ouvi-lo, e crer nele, como o grande Profeta e Mestre; devemos ouvi-lo, e ser governados por Ele, como o grande Príncipe e Legislador; ouvi-lo, e prestar atenção nele. Quem desejar conhecer a mente de DEUS, deve ouvir a JESUS CRISTO. Pois foi através dele que DEUS PAI, nestes últimos dias, falou conosco. Essa voz vinda do céu tornou tudo o que era dito a respeito de CRISTO tão autêntico como se tivesse sido dito a partir de uma nuvem. É como se DEUS nos entregasse a CRISTO para que dele recebêssemos todas as revelações da sua mente; e isso se refere àquela profecia de que DEUS suscitaria um profeta como Moisés no meio do povo de Israel (Dt 18.18); a Ele, devemos ouvir.
CRISTO aparecia agora em glória; e quanto mais virmos a glória de CRISTO, mas motivos teremos para ouvi-lo; mas os discípulos estavam observando a sua glória, que era o que eles viam. Por isso, eles são convidados não a olhar para Ele, mas a escutá-lo. A visão que eles tinham da sua glória logo foi interceptada pela nuvem, mas o que eles deviam fazer era ouvi-lo. Nós “andamos por fé” – pela fé que vem do ouvir –, e “não por vista” (2 Co 5.7).
Moisés e Elias (a lei e os profetas) agora estavam com Ele; por isso foi dito: “Ouçam-nos” (Lc 16.29). Quando os discípulos pensaram em fazer tabernáculos para Moisés e Elias (e também para JESUS), eles estavam dispostos a igualá-los a CRISTO. Eles (Moisés e Elias) estavam falando com CRISTO, e provavelmente os discípulos estavam muito ansiosos por saber o que estavam dizendo, e para ouvir mais das suas bocas. Não, disse DEUS, escutai-o, e isto será suficiente. Eles deviam ouvir a JESUS, e não a Moisés e a Elias, que estavam presentes e cujo silêncio consentia com essa voz; eles não tinham nada a dizer em contrário; eles estavam desejosos de ver qualquer interesse que gerassem no mundo, como profetas, completamente transferido a CRISTO, “para que em tudo tenha a preeminência”. Não se perturbem com o fato de Moisés e Elias ficarem tão pouco tempo com vocês; ouçam a CRISTO.
VI
 O medo que os discípulos sentiram da voz que saiu da nuvem, e o encorajamento que CRISTO lhes deu.
1. Os discípulos “caíram sobre seu rosto, e tiveram grande medo”. A grandiosidade da luz, e a surpresa, poderia ter uma influência natural sobre eles, para desalentá-los. Mas isso não era tudo, pois desde que o homem pecou, e ouviu a voz de DEUS no jardim, as aparições extraordinárias de DEUS sempre foram terríveis para o homem, que, sabendo que não tinha nenhum motivo para esperar nada de bom, tinha medo de ouvir qualquer coisa diretamente de DEUS. Observe que mesmo quando “o esplendor de ouro” surge de um lugar secreto, “em DEUS há uma tremenda majestade” (Jó 37.22). Veja como é a voz do Senhor (Sl 29.4). É bom que DEUS nos fale por meio de homens como nós, pois não sentiremos medo deles.
2. CRISTO, graciosamente, os levantou, com ternura abundante. As glórias e a grandeza do nosso Senhor JESUS não diminuem, de maneira nenhuma, nem a sua consideração e a sua preocupação pelo seu povo que está cercado de insegurança. É agradável pensar que agora, no seu estado exaltado, o Senhor JESUS sente compaixão e condescendência pelo crente sincero, mesmo que se trate do menor dos salvos. Observe aqui:
(1) O que Ele fez: “aproximando-se JESUS, tocou-lhes”. A sua aproximação dissipou o medo dos discípulos, e quando eles compreenderam que CRISTO os compreendia, não houve mais necessidade de consolá-los. CRISTO colocou a sua mão direita sobre João num caso semelhante, e também sobre Daniel (Ap 1.17; Dn 8.18; 10.18). O toque de CRISTO frequentemente era curativo, e aqui foi fortalecedor e consolador. (2) O que Ele disse: “Levantai-vos e não tenhais medo”. Observe que embora um temor reverente na nossa conversa com o Céu seja agradável a CRISTO, devemos lutar contra o medo de nos maravilharmos. CRISTO disse: “Levantai-vos”. CRISTO, pela sua palavra, e pelo poder da sua graça, que a acompanha, é quem levanta os homens das suas tristezas e silencia os seus medos; e ninguém, exceto CRISTO, pode fazer isso: “Levantai-vos, e não tenhais medo”. Note que os medos infundados logo se dissipam, não quando nos entregamos a eles e nos deixamos sujeitar a eles, mas quando nos levantamos e fazemos o que podemos contra eles. Considerando o que tinham visto e ouvido, eles tinham mais motivos para se alegrar do que temer, e ainda assim, aparentemente, eles precisavam desse aviso. Devido à fraqueza da carne, frequentemente nos amedrontamos com aquilo que deveria nos encorajar. Observe que depois que tiveram uma ordem expressa do céu de que deviam ouvir a CRISTO, as primeiras palavras que ouviram dele foram: “Não tenhais medo”. A missão de CRISTO no mundo era dar consolo às pessoas boas, para que, tendo sido libertadas das mãos dos seus inimigos, pudessem servir a DEUS sem temor (Lc 1.74,75).
VII
 O desaparecimento da visão (v. 8): “Erguendo eles os olhos, ninguém viram, senão a JESUS”. Moisés e Elias tinham ido embora, os raios da glória de CRISTO tinham sido deixados de lado, ou estavam ocultos novamente. Eles esperavam que esse tivesse sido o dia da entrada de CRISTO no seu reino, e a sua aparição pública naquele esplendor externo que eles imaginavam; mas veja como eles ficam desapontados. Não é prudente elevar demasiadamente as nossas expectativas neste mundo, pois as nossas glórias e esperanças mais valiosas aqui se dissipam, e até mesmo aqueles que vivem em íntima comunhão com DEUS sentem que esta vida não é um banquete contínuo, mas um banquete fugaz. Mesmo que, às vezes, sejamos favorecidos por alguma manifestação especial da graça divina, como vislumbres e promessas da glória futura, ainda assim estes são afastados rapidamente; três céus são uma expectativa demasiadamente grande para aqueles que não merecem sequer um céu. Então, “a ninguém viram, senão a JESUS”. Observe que CRISTO fica conosco quando Moisés e Elias se vão. Os profetas não “viverão para sempre” (Zc 1.5), e nós vemos a conclusão do ministério dos nossos pastores; mas “JESUS CRISTO é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13.7,8).
VIII
 As palavras entre CRISTO e os seus discípulos, quando desceram do monte (vv. 9-13).
Observe que:
1. Eles “desceram do monte”. Nós devemos descer dos montes sagrados onde temos comunhão com DEUS, e complacência tanto dessa comunhão, como daquilo que estamos falando. “É bom estarmos aqui”; mas, mesmo aqui, nós não temos uma “cidade permanente”. Bendito seja DEUS, há uma montanha de glória e alegria diante de nós, da qual nunca desceremos. Mas observe que quando os discípulos descem daquela montanha terrena, JESUS desce com eles. Quando voltamos ao mundo, depois de desfrutarmos a comunhão com o Senhor, devemos nos preocupar em levar CRISTO conosco, e então isto será o nosso consolo: o fato de que Ele está conosco.
2. Quando eles desceram, falaram com CRISTO. Observe que quando estamos retornando de alguma tarefa sagrada, é bom que a nossa conversa seja adequada ao trabalho que estivemos realizando. Esta comunicação, que é boa para a edificação, deve ser oportuna e muito especial. Caso contrário, será danosa, e seria melhor que ocorresse em outra ocasião.
Aqui temos: (1) A recomendação que CRISTO deu aos seus discípulos, de manter o assunto da visão muito privativo, naquele momento (v. 9): “A ninguém conteis a visão até que o FILHO do Homem seja ressuscitado”. Se eles tivessem tornado pública a visão, a sua credibilidade teria sido abalada pelos sofrimentos de CRISTO, que agora se aproximavam. Eles deveriam esperar e só divulgar o que tinham visto depois da sua ressurreição; pois, então, aquela glória, e também a sua glória subsequente, seria uma grande confirmação da visão. Note que CRISTO observava um método em suas manifestações. Ele queria que as suas obras fossem consideradas em conjunto, para que explicassem e exemplificassem umas às outras, para que pudessem ser vistas em sua força total e evidências convincentes. Tudo é belo em sua própria ocasião, a seu próprio tempo. A ressurreição de CRISTO seria propriamente o início do estado e do reino do Evangelho (tudo o que veio antes foi apenas preparatório e funcionou como prefácio). Por isso, embora esse fato tivesse ocorrido anteriormente, não deveria ser apresentado como uma evidência (o que parece ter sido muito enfatizado em 2 Pedro 1.16-18) até à ocasião em que a religião que essa manifestação visava confirmar tivesse sido trazida à sua plena consistência e maturidade. A hora escolhida por CRISTO é a melhor e a mais adequada para a sua manifestação, e nós devemos atentar para isso.
 
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
 
Lição 5 – O DEUS FILHO – Subsídio CPAD escrito por Thiago Santos: evangelista  - Nesta lição, veremos que no FILHO habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 2.9). Ele é a revelação plena do PAI que se manifestou em carne sem abandonar a natureza divina. Assim, Ele é o único mediador entre DEUS e os homens (1Tm 2.5,6). Por isso, os estudiosos declaram que JESUS é verdadeiro DEUS e verdadeiro homem. Essa doutrina é conhecida como união hipostática. Para compreendermos melhor esse aspecto importante da Cristologia, precisamos nos ater às características de JESUS, tanto as que evidenciam Sua natureza humana quanto as que ratificam Sua natureza divina em Sua única Pessoa. De acordo com a “Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal”, editada pela CPAD, “O ensino bíblico aceca da humanidade de JESUS revela- -nos que, na encarnação, Ele tornou-se plenamente humano em todas as áreas da vida, menos na prática de um eventual pecado. […] JESUS era capaz de sentir em profundidade as emoções humanas. Conforme vemos nos evangelhos, Ele sentia dor, tristeza, alegria e esperança. Assim acontecia porque Ele compartilhava conosco a realidade da alma humana. […] Os escritores do Novo Testamento atribuem divindade a JESUS em vários textos importantes. Em João 1.1, JESUS, como o Verbo existia como o próprio DEUS. É difícil imaginar uma afirmação mais clara do que esta acerca da divindade de CRISTO. […] As informações do Novo Testamento a respeito desse assunto levam-nos a reconhecer que JESUS não deixou de ser DEUS durante a encarnação. Pelo contrário, abriu mão apenas do exercício independente dos atributos divinos. Ele ainda era plena Deidade no seu próprio ser, mas cumpriu o que parece ter sido imposto pela encarnação: limitações humanas reais, não artificiais” (2021, pp. 325-327). Isto posto, conhecer as especificidades dessa doutrina é imprescindível para que tenhamos a compreensão de que a fé cristã está centralizada no FILHO de DEUS, aquEle que possui em Sua Pessoa os atributos divinos e humanos em plena harmonia. Qualquer ensinamento que nega as naturezas divina e humana na Pessoa de JESUS é falso e, portanto, deve ser rejeitado. CRISTO é e sempre será DEUS. Ele próprio, por meio de Sua morte, nos abriu um novo e vivo caminho que nos leva ao SANTO dos Santos para que possamos desfrutar da comunhão plena com o Criador (Hb 10.19-22). Devemos reconhecer Seu senhorio, pois o PAI exaltou-O como Senhor e lhe concedeu um nome que é sobre todo nome (Fl 2.9-11).
 
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
 
Auxílio de revista antiga
Escrita, Lição 6, CPAD, O FILHO É Igual Com O PAI, 1Tr25, Comentários Extras Pr Henrique, EBD NA TV
 
https://youtu.be/M94tPadu5Vg?si=-Fc6wMWY_HSAvs0O Vídeo
Escrita https://ebdnatv.blogspot.com/2025/01/escrita-licao-6-o-filho-e-igual-com-o.html
Slides https://ebdnatv.blogspot.com/2025/01/slides-licao-6-cpad-o-filho-e-igual-com.html
PowerPoint https://pt.slideshare.net/slideshow/slides-licao-6-cpad-o-filho-e-igual-com-o-pai-1tr25-pptx/275101354  
 
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – A DOUTRINA BÍBLICA DA RELAÇÃO DO FILHO COM O PAI
1. Ideia de filho
2. Significado teológico
3. O FILHO é DEUS
II – A HERESIA DO SUBORDINACIONISMO
1. Orígenes
2. No período pré-niceno
3. Métodos usados pelos subordinacionistas
III – COMO O SUBORDINACIONISMO SE APRESENTA HOJE
1. No contexto islâmico
2. O movimento das Testemunhas de Jeová
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE -  João 10.30-38
30 - Eu e o PAI somos um. 31 - Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem. 32 - Respondeu-lhes JESUS: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu PAI; por qual dessas obras me apedrejais? 33 - Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque, sendo tu homem, te fazes DEUS a ti mesmo. 34 - Respondeu-lhes JESUS: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses? 35 - Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de DEUS foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada), 36 - àquele a quem o PAI santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou FILHO de DEUS? 37 - Se não faço as obras de meu PAI, não me acrediteis. 38 - Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras, para que conheçais e acrediteis que o PAI está em mim, e eu, nele.
 
HINOS SUGERIDOS:  : 154, 277, 400 da Harpa Cristã
 
)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
SUBSÍDIOS EXTRAS PARA A LIÇÃO 6, CPAD, 1TR25
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
 
JESUS igual a DEUS
A afirmação "JESUS é igual a DEUS" é uma crença fundamental no Cristianismo, especialmente dentro das tradições católica, ortodoxa e protestante (ou evangélica). Segundo a doutrina da Trindade, DEUS é uno em essência, mas existe em três pessoas distintas: DEUS PAI, DEUS FILHO (JESUS CRISTO) e DEUS ESPÍRITO SANTO. Esta doutrina afirma que JESUS é completamente divino, compartilha da mesma essência de DEUS PAI e é igualmente eterno e todo-poderoso.
No entanto, outras religiões e denominações podem ter diferentes interpretações sobre a relação entre JESUS e DEUS. O Islã, por exemplo, respeita JESUS como um grande profeta, mas não o iguala a DEUS. Os Testemunhas de Jeová o identificam como um deus.
 
A doutrina bíblica da relação entre JESUS CRISTO, o FILHO, e DEUS, o PAI, é um tema central no Cristianismo. Esta doutrina é frequentemente explorada para entender a natureza de JESUS e sua relação com DEUS PAI.
1. Ideia de FILHO: No pensamento judaico, o conceito de filho implica igualdade com o pai. Na Bíblia, a ideia de "filho" muitas vezes indica "a mesma espécie" ou "a mesma índole". Por exemplo, JESUS referiu-se a si mesmo como FILHO de DEUS, indicando sua divindade e igualdade com DEUS PAI.
2. Significado Teológico: Teologicamente, ser chamado de FILHO de DEUS significa que JESUS compartilha da mesma essência e natureza de DEUS PAI. JESUS afirmou: "Eu saí e vim de DEUS" (Jo 8.42) e "Saí do PAI e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o PAI" (Jo 16.28). Essas declarações sublinham que JESUS é de mesma substância que DEUS PAI.
3. O FILHO é DEUS: A expressão "FILHO de DEUS" revela a divindade de CRISTO. A Bíblia afirma claramente que JESUS é DEUS. Por exemplo, Hebreus 1.8 cita Salmos 45.6-7, onde DEUS é referido como ungindo a si mesmo como DEUS, o que é explicado como uma referência a JESUS. Isso mostra a unidade e a pluralidade de DEUS.
4. A Heresia do Subordinacionismo: O Subordinacionismo é uma doutrina que afirma que o FILHO é subordinado ao PAI, sendo um deus secundário. Essa visão foi defendida por Orígenes e outros, mas é considerada herética porque nega a igualdade absoluta de JESUS com DEUS PAI. A Bíblia, no entanto, revela a igualdade das três pessoas da Trindade (PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO).
5. Unidade na Trindade: A doutrina da Trindade afirma que DEUS é uno em essência, mas existe em três pessoas distintas: DEUS PAI, DEUS FILHO (JESUS CRISTO) e DEUS ESPÍRITO SANTO. Essa doutrina enfatiza a plena harmonia e igualdade de essência e autoridade entre as pessoas da Trindade.
 
O subordinacionismo é uma doutrina teológica herética que sugere que JESUS CRISTO é subordinado a DEUS PAI, ou seja, que Ele não é igual a DEUS PAI em natureza e essência. Hoje, essa heresia ainda é combatida por muitas denominações cristãs, especialmente aquelas que defendem a doutrina da Trindade, que afirma que o PAI, o FILHO e o ESPÍRITO SANTO são três pessoas distintas, mas de mesma essência e substância divina.
O subordinacionismo pode se apresentar de várias formas, como em algumas interpretações de passagens bíblicas ou em certas práticas e crenças dentro de algumas denominações ou movimentos religiosos. É importante que os cristãos estejam cientes dessas interpretações para manter a integridade da doutrina da Trindade.
 
22-30. Comentários Adicionais sobre a Identidade de JESUS.
Provavelmente um intervalo de cerca de dois meses separavam esta ocasião da precedente. A Festa dos Tabernáculos pertencia à estação do Outono, e a Festa da Dedicação vinha no inverno. Esta celebração era em recordação da purificação e rededicação do Templo feita por Judas Macabeus depois do sacrilégio cometido por Antíoco Epifânio. O ano foi de 165 a.C. JESUS foi assediado por alguns judeus quando andava pelo alpendre de Salomão, que ficava na parte oriental do Pátio dos Gentios, o pátio maior na área do Templo, que rodeava os pátios interiores e o templo propriamente dito. Sua pergunta foi muito direta. Até quando nos deixará a mente (alma) em suspenso? Literalmente. Em outras palavras, eles queriam uma resposta direta. Era ou não era o CRISTO?
Nosso Senhor colocou seu dedo na dificuldade. Não era falta de informação, mas falta de vontade de crer. Seu próprio testemunho teria sido suficiente; se não fosse, como no caso deles, então Suas obras testificavam dEle (cons. 14:11). Não havia falta de clareza neste caso; o problema permanecia com eles. Evidentemente não lhe pertenciam, uma vez que não tinham vontade de segui-lo. Eles percebiam que o ensinamento do Seu pastor tinha um novo sentido, e não estavam preparados a deixar o Judaísmo que conheciam e ao qual se apegavam. Mas a nova ordem oferecia bênçãos e segurança que não poderiam chegar a conhecer no seu farisaísmo.
CRISTO oferecia a vida eterna como um presente (10:28; cons. v. 10). Ao dizer que jamais perecerão se pertencessem ao seu rebanho, JESUS usou a mais forte expressão conhecida na língua. Essa certeza era possível porque a vida oferecida fundamentava-se no Seu dom (Rm. 11:29) e não em consecuções humanas. Suas ovelhas também estavam a salvo de influências estranhas – ninguém as arrebatará da minha mão. As ovelhas pertenciam a CRISTO porque eram presentes do PAI para Ele (10:29). Naturalmente o PAI tinha interesse na sua preservação. Considerando que Ele é supremo – maior do que tudo – não se pode imaginar que algum poder seja capaz de arrancá-las de Sua protetora mão (cons. Rm. 8:38, 39). A conclusão do assunto é que nenhuma separação pode ser feita entre o PAI e o FILHO. Eles são mais do que colaboradores; são um na essência (a palavra um não está no masculino – um indivíduo – mas no neutro, um ser).
31-33. Pela segunda vez JESUS foi ameaçado com apedrejamento da parte dos seus oponentes (cons. 8:59).
A provocação aqui foi a sua declaração de ser um com o PAI, uma blasfêmia aos olhos dos judeus, que negavam a origem celeste de JESUS. Para enfrentar sua posição o Senhor não dependia da repetição de Suas declarações ou da ampliação das mesmas, mas voltava-se de Suas palavras para as Suas obras. Eram mais fáceis de serem compreendidas e apreciadas.
Muitas obras boas. A atenção foi focalizada principalmente sobre algumas, mas essas representavam as outras que não foram contadas (20:30). Eram boas obras, as quais eram de se esperar emanarem do PAI. Pensariam os judeus seriamente em apedrejar um homem por causa de boas obras? Em resposta, os judeus puseram de lado toda e qualquer referência às obras; as quais não podiam negar, e retornaram à questão das palavras de JESUS, as quais eles se sentiam obrigados a negar alegando blasfêmia. Para eles JESUS era um homem que se atrevia a passar por DEUS. Com base nisso quiseram matá-lo imediatamente e o procurariam fazer mais tarde (19:7).
34-38. Neste impasse a única esperança de encontrar base para discussão adicional consistia em apelar para a lei (há forte testemunho documentário favorável à omissão da palavra vossa), uma vez que os judeus a aceitavam.
Lei, aqui, foi usada no amplo sentido referindo-se às Escrituras do V.T. As palavras em questão, Sois deuses, ocorre em Salmo 82:6, com referência aos juízes hebreus. A palavra de DEUS concedeu-lhes um certo "status" de divindade na qualidade de seus representantes. Uma vez que a Escritura (com especial referência à passagem em questão) não pode falhar, com o fim de permitir que os homens rejeitassem seus ensinamentos, como se podia levantar objeções contra Ele a quem o PAI especialmente separara e enviara ao mundo? Pois se CRISTO dissesse menos do que afirmar que era o FILHO de DEUS estaria dizendo uma mentira. Afirmar sua filiação não era blasfêmia (Jo. 10:36). Se os judeus não podiam testar suas declarações verbais, pelo menos podiam julgá-lo com base nas obras (vs. 37, 38; cons. vs. 25, 32). Seria possível progredir através das obras até a fé na pessoa. Essa é também a verdade contida em 20:30, 31.
39-42. A repetida afirmativa de unidade com o PAI causou uma ameaça de violência uma vez mais.
Era tempo do Senhor ausentar-se da cidade. Encontrou refúgio em Betânia, além do Jordão, onde João estivera antes batizando (v. 40)22-30.
Comentário Bíblico Moody - Charles F. Pfeiffer | Everett F. Harrison
 
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
 
DIVINDADE DE JESUS: Características:
 
Como Criador (Cl.1:16; Hb.1:3);
Seus desígnios (Rm.11:33-36);
Se fez homem (Lc.1:26-35);
Ressuscitou (Lc.24:36-53;At.1:3; At.2:22-39; At.3:13-26; At.4:10; At.5:30-32; At.10:39-42; At.13:30-32; At.13:37; Rm.1:4; 1Co.6:14; 1Co.15:15; Cl.2:12; Cl.3:1; 1Ts.4:14-16; Hb.13:20; 1Pe.1:2-3; 1Pe.1:21; 1Pe.3:21-23; Ap.5:6-10; Ap.20:6);
Tem todo o poder (Mt.28:18; Fp.2:9-11);
Poder para perdoar pecados (Mt.9:6; Mc.2:1-12; Lc.5:24);
É sobre todos (At.10:36; Rm.9:1-5).
Ele é o resplendor da Glória de DEUS (Hb.1:3);
Imagem de si (Hb.1:3; Cl. 1:15-19).
  
JESUS é diferente dos líderes; único que convence que é DEUS a uma parte do mundo- escárnios pagãos testemunham da adoração a CRISTO;
Impecabilidade: nas palavras e obras de JESUS há ausência completa de conhecimento ou confissão de pecado(Jo.8:46;Hb.4:15; Hb.9:28);
Ele se afirmava como DEUS: Igualdade com o PAI:
(Jo.10:30;Jo.8:58) (viola o sábado)(Jô.5:18;   Jô.9:16);enviado
(Jo.20:21);defende sua honra divina (Jo.5:23); Conhecer (Jo.8:19); Crer (Jo.14:1); Ver (Jo.14:9)
Aceita reverência a Ele, como adoração divina:(prostrar-se) Jo.4:20-22; At.8:27; Jo.4:24; Mt. 4:10 e Lc. 4:8; leproso (Mt.8:2); cego (Jo.9:35); discípulos (Mt.14:33; Jo.20:27). Anjos e meros homens não aceitaram essa reverência para si:(At.10:25-26 e Ap.19:10). Referências Bíblicas: (Jo.5:18; Jo.8:42;Jo.8:54;Jo.10:35-36;Jo.13:3;Jo.13:31-32; Jo.16:27; Jo.20:17);
Outras Provas:
Sua igreja o adora por quase 2.000 anos;
mudou a história (AC e DC)
Emanuel(DEUS conosco)-(Mt.1:23);
Quem estava tentado era JESUS-DEUS (Mt.4:7;Lc.4:12;);
JESUS foi adorado e servido como DEUS pelos anjos (Mt.4:10- 11;Lc.4:8;Hb.1:6;);
demônios o reconheceram como divino (Mt.8:29; Mc.1:24; Mc.3:11; Mc.5:7; Lc.4:34; Lc.4:41; Lc.8:28; Tg.2:19);
adorado e reconhecido pelos homens (Mt.14:33; Mt.16:16;Mt.27:54; Mc.15:39; Mc.16:19;Lc.2:26-38; Lc.7:16; Lc.9:20; Jo.9:33; Jo.11:27; Jo.16:30; Jo.20:28; At.7:55-56; Paulo (Fil.2:9;Tito 2:13); João Batista (Lc.3:2);Pedro (Mt.16:15 e At.3:26); Tomé (Jo.20:28);Escritor (Hb.1:8); Estevão (At.7:9); leproso (Mt.8:2); cego (Jo.9:35); discípulos (Mt.14:33;Jo.20:27);
No julgamento: Condenação de JESUS foi por sua confissão induzida, onde “tu o disseste” é uma maneira educada judaica de responder(Mt.26:64; Mc.14:62; Lc.22:70; Lc.23:42);
reconhecido por anjos (Mc.1:35; Lc.2:12; Jo.10:33);
Ensinos absolutos(não retrata, acha ou muda nada), autoridade suprema” Em verdade,...;
Confirmado por explicações teológicas bíblicas gerais que explicam a JESUS como DEUS (inclusive passagens declaratórias de que Ele é DEUS): (Jo.1:1-2; Jo.1:12-13; Jo.1:18; Jo.1:29; Jo.1:34; Jo.1:36; Jo.1:49;
Jo.3:16-21; Jo.3:36; Jo.6:69; Jo. 17:3; Jo.20:31; At.20:28; Rm.5:10;
Rm.6:23;Rm.8:3; Rm.8:34; Rm.9:5; 1Co.1:9; 1 Co.1:24; 1 Co.1:30; 1 Co.6:11; 1 Co.8:6; 2 Co.4:6; 2 Co.15:19; 2 Co.13:13; Ef.1:3; Fp.2:6-11; Cl. 1:13-15; 1 Tm.2:5; 1 Tm.3:6; 2 Tm.4:1; Tt.2:13; Hb.1:1; Hb.1:8-9; Hb.2:9; Hb.2:17; Hb.4:14; Hb.7:3;Hb.9:14; Hb.9:24; Hb.10:12; 1 Pe.3:18; 2 Pe.1:1; 2 Pe.1:17; 1 Jo.4:9; 1 Jo.5:9-13; 1 Jo.5:20; 2 Jo.1:9; Jd.1:4; Ap.14:2; Ap.19:10).
 
10)JESUS COMO VERBO: No Grego logov logos- (preexistente-anterior à Criação do homem, intimamente ligado DEUS no seio do PAI, não que JESUS seja idêntico DEUS-PAI, mas no mesmo caráter, essência, qualidade e ser de DEUS). JESUS é tão perfeitamente o mesmo que DEUS em mente, coração e essência (Jo.1:14;Jo.14:9).
(EU SOU):Antigo testamento hyh hayah hyh hayah (EU SOU O QUE SOU) - (Ex.3:14);
Novo testamento egw ego eimi eimi  (Mt.20:15; Mt.20:22; Lc.22:70; Jo.8:24; Jo.8:28; Jo.8:58;Jo.13:19;At.18:10; Ap.2:23);
 
Outras Referências Bíblicas:
O PÃO(Jo:6:35; Jo.6:41; Jo.6:48; Jo.6:51);
A LUZ (Jo.8:12;Jo.12:46;);
ENVIADO (Jo.8:18);
DO CÉU (Jo.8:26)
A PORTA (Jo.10:7; Jo.10:9);
O BOM PASTOR (Jo.10:11;Jo.10:14);
A RESSURREIÇÃO E A VIDA (Jo.11:25);
O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA (Jo.14:6);
A VIDEIRA VERDADEIRA (Jo.15:1;        Jo.15:5)
REI (Jo.18:37);
SENHOR(At.9:5;At.22:8;At.26:15;);
SANTO (1 Pe.1:16);
ALFA E ÔMEGA (ETERNO) (Ap. 1:8,11,17,18; Ap.21:6; Ap.22:13);
RAIZ E GERAÇÃO DE DAVI E ESTRELA DA MANHÃ (Ap.22:16);
JESUS COMO A PALAVRA DE DEUS (expressando seu poder, inteligência e vontade, imagem revelada de DEUS ) Referências bíblicas: (Lc.4:32; Lc.4:36; Jo.2:22; Jo.5:24; Jo.8:31; Jo.8:51; Jo.12:48; Jo.14:23-24; Jo.15:3; At.10:36; 1 Co.1:18; 2 Co.2:17; 2 Co.5:19; Ef.1:13; Fp.2:16; Cl.3:16; 1 Tm.1:15; 1 Jo.5:7; Hb.1:3; Ap.1:9; Ap.3:8; Ap.3:10; Ap.6:9; Ap.12:11; Ap.19:13; Ap.20:4).
 
JESUS COMO O FILHO DE DEUS:
Expressão “uiov huios yeov theos” significa” nascido de DEUS”. Título proclama deidade., num sentido único que mantém relação divina não participada por nenhuma criatura do universo:
 
CONFIRMANDO A VERDADE:
Consciência de si mesmo - Com 12 anos, JESUS sabia 2 coisas:
1a) uma revelação especial de DEUS a quem chama de seu PAI;
2a) uma missão especial na terra “negócios do PAI”. Ele tinha consciência de sua identidade, adquirida no estudo das Escrituras sobre o Messias e o ESPÍRITO SANTO revelou intimamente que Ele é o Eterno filho de DEUS e não, apenas, de Maria. Ele ouviu a voz do PAI no batismo (Mt.3:17),resistiu à tentação do diabo p/duvidar do fato(Mat.4:3)e falou Abba (paizinho),na cruz.
Mt.27:54;Mc.1:1;Mc.3:11;Mc.15:39;Lc.1:35;Lc.4:41;Lc.22:70;Jo.1:34;Jo.1:49;Jo.3:18;Jo.5:25;Jo.10:36;Jo.11:4;Jo.11:27;Jo.19:7;Jo.20:31;At.8:37;At.9:20;Rm.1:4;2Co.1:19;Gl.2:20;Ef.4:13-14;Hb.6;6;Hb.7:3;Hb.10:29;1Jo.3:8;1Jo.4:15;1Jo.5:5;1Jo.5:10-13;1Jo.5:20;Ap.2:18.
13) SENHOR:     Expressão kuriov kurios (grego-kurios)-
(supremacia)- título de honra, que expressa respeito e reverência e com o qual servos tratavam seus senhores; título dado: a DEUS, ao Messias:(Lc.24:3; Jo.21:7; At.1:21;At.2:36; At.4:33; At.7:59; At.9:17; At.9:29; At.10:36; At.11:7; At.15:11; Rm.10:12; 1Co.12:3; Fp.2:11; 2Jo.1:3; Jd.1:17; Jd.1:21; Ap.22:20-21). Indica:
deidade- transmitia aos judeus e gentios, o pensamento de divindade(equivale a Jeová);
Exaltação - Na terra, JESUS merecidamente é Senhor porque morreu e ressuscitou para salvar os homens;
Soberano - No AT, se revelou como redentor e salvador de Israel e no Sinai, como Rei (Êxodo 20:2)-2 Cr.13:5; Fp.2:9; Fp.3:14).
Profecias do A.T.: Êx.15:2; Dt.26:19; 1Sm.2:1; 1Sm.2:10; 2Sm.22:47; 1Cr.29:11; Sl.7:6; Sl.18:46; Sl.21:13; Sl.46:10; Sl.57:5; Sl.57:11; Sl.66:17; Sl.97:9; Sl.99:5; Sl.99:9; Sl.107:32; Sl.108:5; Sl. 113:4; Sl.118:16; Sl. 118:28; Sl.145:1; Sl.148:13; Is.5:16; Is.26:11; Is.33:3;5;10; Is.52:13;
Cumprimento:     (At.2:33; Fp.2:9); Agora CRISTO nos redime da
destruição do pecado e tem o direito de ser o Senhor de nossas vidas, que nos comprou (1 Co.6:20; 2 Co.5:15).
 
FILHO DO HOMEM: Expressão hebraica “Nb bem Mda ‘adam aw- dawm ou grega uiov huios anyrwpov anthropos (humanidade) - designação enfática p/o homem, em seus atributos característicos de debilidade e impotência.(Nm.23:19;Jó.16:21). No AT, a expressão denota debilidade e mortalidade, incentivo à vocação profética. No NT, denota-o como participante da natureza e qualidades humanas, sujeito às fraquezas humanas; Também, denota sua deidade porque nEle, significa pessoa celestial , identificado como representante e salvador, em 3 fases:
vida terrena (Mt.27:63; Lc.24:5; Mc.2:10; Lc.24:23; Jo.6:57; Jo.6:69; Jo.14:19;At.25:19 ); sofrimentos expiatórios (Hb.2:17; Mc.8:31; 1 Pe.1:11) e exaltação e domínio sobre a humanidade (Mt.25:31;Dn.7:14). CRISTO, homem em sofrimento, debilidade e morte, mas divino em contato com PAI, perdoando pecados acima da religião. O filho de DEUS veio a ser o filho do homem pela encarnação, concebido no ventre de Maria pelo ESPÍRITO SANTO.
Encarnação não significa que DEUS se fez homem, mas permanecendo como DEUS, tomou natureza nova(humana). O filho de DEUS , permanecendo DEUS, se uniu de tal forma a do homem, que constituiu uma pessoa, JESUS; assim, o filho de DEUS , verdadeiro DEUS desde a eternidade, no  curso do tempo se fez verdadeiro homem, em uma pessoa, JESUS CRISTO, constituído de duas naturezas, a humana e a divina.(Lc.24:39; Jo.1:14; Jo.6:51-56; Jo.17:2; At.2:30; At.2:31; Rm.1:3; Rm.8:3; Rm.9:5; 2Co.3:3; 2Co.5:16; Ef.2:15; Cl.1:22; 1 Tm.3:16; Hb.5:7; Hb.10:20; 1Pe.3:18; 1Pe.4:1; 1Jo.4:2-3; 2Jo.1:7).
TEOLOGIA SISTEMÁTICA – Govaski
 
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
 
João 10.30-38
30 - Eu e o PAI somos um.
31 - Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem.
32 - Respondeu-lhes JESUS: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu PAI; por qual dessas obras me apedrejais?
33 - Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque, sendo tu homem, te fazes DEUS a ti mesmo.
34 - Respondeu-lhes JESUS: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?
35 - Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de DEUS foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada),
36 - àquele a quem o PAI santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou FILHO de DEUS?
37 - Se não faço as obras de meu PAI, não me acrediteis.
38 - Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras, para que conheçais e acrediteis que o PAI está em mim, e eu, nele.
 
Propósito do Quarto Evangelho
 
O Evangelho de João é o único entre os evangelhos canônicos que traz claramente sua declaração de propósito:
Na verdade, fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o FILHO de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome – João 20.30-31
Nesse verso podemos encontrar ao menos quatro declarações de propósito do autor: (1) Propósito Evangelístico; (2) Propósito de Incentivar a Perseverança; (3) Propósito Teológico; (4) Propósito Apologético. Abaixo, passamos a observar como cada um desses se relaciona com o Evangelho como um todo.
 
A. Propósito Evangelístico
A relação entre a fé e vida eterna é claramente exposta na teologia Joanina. No terceiro capítulo encontramos: “para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (v.15); “Porque DEUS amou ao mundo de tal maneira que deu o seu FILHO unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (v.16); “Por isso, quem crê no FILHO tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o FILHO não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de DEUS” (v.36; cf. Jo.5.24; 6.35, 40, 47; 11.25). Essa característica é muito encontrada na literatura joanina: “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do FILHO de DEUS” (1Jo.5.13).
É fundamental ressaltar que tal conceito também é testemunhado pelos milagres (sinais; gr. semeion) realizados por CRISTO e registrados por João: “Na verdade, fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o FILHO de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo.20.31).
Sinais, prodígios e maravilhas permeiam todo o evangelho de JESUS CRISTO e início da Igreja.
Testificando também DEUS com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas e dons do ESPÍRITO SANTO, distribuídos por sua vontade? Hebreus 2:4
E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém. Marcos 16:20
As ações milagrosas de CRISTO relatadas no Evangelho têm por motivo apresentar sua Real Pessoa para Seus expectadores; para que compreendam sua Divindade e Messianidade e para que possam depositar sua fé Nele. E isso é visto em vários dos seus milagres: “Com este, deu JESUS princípio a seus sinais em Caná da Galileia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (Jo.2.11); “Estando ele em Jerusalém, durante a Festa da Páscoa, muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome” (Jo.2.23) “Com isto, reconheceu o pai ser aquela precisamente a hora em que JESUS lhe dissera: Teu filho vive; e creu ele e toda a sua casa” (4.53); “Então, afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou” (9.38). “Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo visitar Maria, vendo o que fizera JESUS, creram nele” (11.45)
Entretanto, assim como seus ensinos seus atos milagrosos estavam sujeitos a avaliação e rejeição. Já no início do seu ministério a incredulidade já estava anunciada: “Estando ele em Jerusalém, durante a Festa da Páscoa, muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome, mas o próprio JESUS não se confiava a eles, porque os conhecia a todos” (Jo.2.23-24). Em outras ocasiões, o milagre promoveu completa rejeição. No caso da cura da aleijado do tanque de Betesda, por realizar no sábado o milagre, os fariseus passaram a prossegui-lo (Jo.5.16). Tal rejeição torna-se discussão e JESUS deixa clara a opinião dos fariseus a Seu respeito: “Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito. Se, porém, não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?” (Jo.5.46-47). No caso da cura do cego de nascença a incredulidade é clarividente, pois pesquisam para saber se aquele que se dizia cego o era de fato: “Não acreditaram [criam] os judeus que ele fora cego e que agora via, enquanto não lhe chamaram os pais” (Jo.9.18). Outro exemplo interessante desse fato é visto entre os judeus descrentes: “E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não creram nele” (Jo.12.37). A interpretação que João tem desses fatos é que eles são cumprimento profético: “para se cumprir a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Por isso, não podiam crer, porque Isaías disse ainda: Cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, e se convertam, e sejam por mim curados” (Jo.12.38-40).
Assim, ainda que os milagres tivessem claro papel evangelístico, também funcionaram como problema para a compreensão sobre a verdadeira pessoa de CRISTO. Aliás, esse é um dos muitos motivos pelos quais a pessoa de CRISTO continua sob suspeita.
 
B. Propósito de Incentivar a Perseverança
Como já temos mencionado, existe uma importante variante textual em Jo.20.31 que sugere que o propósito do livro é fortalecer os cristãos na manutenção da sua fé em CRISTO. Observe como poderia ser traduzido o verso: “Na verdade, fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que continuais a crer que JESUS é o CRISTO, o FILHO de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome”
Embora contextualmente deslocada, a sentença pode ser muito bem compreendida como um convite a manutenção da Fé. Já temos dito que essa leitura parece aceitável pelo fato de que todos os livros do NT foram primeiramente escritos para cristãos, o que nos leva a crer que João teria feito o mesmo com seu evangelho.
É importante lembrar o leitor que apenas uma das leituras variantes é a original e, portanto, apenas uma das conclusões sobre o propósito do livro está correta. Entretanto, mantemos aqui essa declaração, pois os mais conceituados textos críticos optaram por manter as duas leituras, por serem consistentes externa e internamente.
Um detalhe que chama a atenção é que a relação de variante entre o aoristo subjuntivo e o presente subjuntivo do verbo crer acontece mais algumas vezes no evangelho. Observe:
ἀπεκρίθη ᾿Ιησοῦς καὶ εἶπεν αὐτοῖς· τοῦτό ἐστι τὸ ἔργον τοῦ Θεοῦ, ἵνα πιστεύσητε εἰς ὃν ἀπέστειλεν ἐκεῖνος – [Segunda pessoa do plural do Aoristo Subjuntivo Ativo] – 6.29
Respondeu-lhes JESUS: A obra de DEUS é esta: que creiais naquele que por ele foi enviado – 6.29
Nesse texto o mesmo fenômeno acontece: A leitura variante atesta o mesmo verbo (πιστεύω) só que no Presente Subjuntivo Ativo, o que faria com que o texto fosse entendido assim:
ἀπεκρίθη ᾿Ιησοῦς καὶ εἶπεν αὐτοῖς· τοῦτό ἐστι τὸ ἔργον τοῦ Θεοῦ, ἵνα πιστεύητε εἰς ὃν ἀπέστειλεν ἐκεῖνος – [Segunda pessoa do plural do Presente Subjuntivo Ativo] – 6.29
Respondeu-lhes JESUS: A obra de DEUS é esta: que continueis a crer naquele que por ele foi enviado – 6.29
Essa leitura nesse discurso parece consistente com o público a quem se dirige o Senhor nessa sentença, e favorece a ideia de que esse evangelho tenha sido escrito com esse propósito. Mas, é importante demonstra que o mesmo fato acontece em quase todas as ocasiões em que se encontra o verbo crer no aoristo subjuntivo ativo (13.19; 19.35; 20.31).
Atos dos Apóstolos foi escrito para mostrar o que JESUS continuou a fazer, seus sinais, prodígios e maravilhas continuaram a acontecer, agora através de apóstolos e discípulos. JESUS continuou sua missão.
É digno de atenção, que uma simples nota de João no relato da crucificação de CRISTO, favorece a ideia de um Evangelho primeiramente escrito para cristãos com o objetivo de fortalecer a fé, observe:
καὶ ὁ ἑωρακὼς μεμαρτύρηκε, καὶ ἀληθινὴ αὐτοῦ ἐστιν ἡ μαρτυρία, κἀκεῖνος οἶδεν ὅτι ἀληθῆ λέγει, ἵνα καὶ ὑμεῖς πιστεύσητε
Aquele que isto viu testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós creiais. 19.35
καὶ ὁ ἑωρακὼς μεμαρτύρηκε, καὶ ἀληθινὴ αὐτοῦ ἐστιν ἡ μαρτυρία, κἀκεῖνος οἶδεν ὅτι ἀληθῆ λέγει, ἵνα καὶ ὑμεῖς πιστεύητε
Aquele que isto viu testificou, sendo verdadeiro o seu testemunho; e ele sabe que diz a verdade, para que também vós continueis a crer. 19.35
Essa declaração do autor para o leitor sugere que ele tem os olhos na manutenção da fé, e não da promoção da mesma. Em todos os casos a disputa textual é acirrada e as preferências voltam-se para muitos lados, entretanto, é fundamental que se diga que são variantes possíveis e em nada desmerecem o Evangelho, muito pelo contrário, demonstram o propósito do evangelho de um modo pertinente ao ambiente em que era primeiramente escrito.
 
C. Propósito Teológico
No que se refere a teologia, João assegura que os milagres registrados atestam que JESUS é o FILHO de DEUS: “Na verdade, fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o FILHO de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo.20.31).
A designação FILHO de DEUS atesta a divindade de CRISTO: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito FILHO de DEUS” (Jo.3.18). O uso da expressão unigênito FILHO de DEUS (gr. tou monogenous uiou tou theou) é uma das formas pelas quais João apresenta CRISTO como divino, e essa definição é uma exigência para salvação. Ou seja, ainda que as opiniões sobre CRISTO fossem divergentes já nessa ocasião, é certo para João que JESUS é DEUS. Aliás, a linguagem de João aqui parece trazer à tona uma referência ao gnosticismo incipiente e sua desconexão da pessoa de CRISTO e DEUS PAI (1Tm.1.4).
A designação de FILHO assumida por CRISTO expressa uma relação familiar com o DEUS PAI. Tal ênfase é explicitamente majoritária em João, pois enquanto os sinóticos atestam esse fato em aproximadamente 24 ocasiões, em João encontramos cento e seis vezes. Esse fato é visto desde o prólogo do evangelho: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do PAI” (Jo.1.14). João Batista também atesta o mesmo fato: “Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o FILHO de DEUS” (Jo.1.34).
Uma situação que pode testificar a Pessoa de CRISTO como FILHO de DEUS é encontrada no encontro de Natanael com CRISTO (Jo.1.44-51). No exercício de sua onisciência, JESUS demonstra que o que Felipe disse a Seu respeito é verdadeiro, e Natanael afirma: “Então, exclamou Natanael: Mestre, tu és o FILHO de DEUS, tu és o Rei de Israel!” (Jo.1.49). Ao ouvir isso, JESUS garante que Natanael veria sinais mais evidentes de que Ele o é (Jo.1.50). A cena que segue a esse diálogo nos conta seu primeiro milagre (sinal; gr. semeion), com o qual Ele manifestou sua Glória (Jo.2.11).
Ao ter conhecimento dos atos de CRISTO, o próprio Nicodemos atesta: “Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de DEUS; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se DEUS não estiver com ele” (Jo.3.2). Esse reconhecimento é fundamental para compreender alguns dos milagres de CRISTO narrados em João, como por exemplo a cura do filho do oficial do Rei (Jo.4.46-54). Nessa ocasião, apenas o declara a cura do filho do oficial à distância foi suficiente para que ele fosse curado. O fato de que o texto narra a expressão de pontualidade da cura (v.53) demonstra que Aquele que realizara o Milagre é FILHO de DEUS. E esse teria sido apenas o seu segundo milagre (sinal; gr. semeion) narrado no evangelho.
 
D. Propósito Apologético
Carlos Osvaldo, sobre o assunto, atesta:
Infelizmente, a maioria dos comentaristas têm enfatizado este propósito evangelístico do evangelho sem atentar para o propósito apologético ou polêmico, em que João enfatiza a glória do Verbo (cf. 1.14; 17.1, 5) e a realidade de sua encarnação.
João também atesta a Messianidade de JESUS quando o chama de CRISTO (ungido, messias): “Na verdade, fez JESUS diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que JESUS é o CRISTO, o FILHO de DEUS, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo.20.31).
Aliás, essa ênfase é muito forte na literatura joanina:
“Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que JESUS é o CRISTO?
Este é o anticristo, o que nega o PAI e o FILHO” (1Jo.2.22).  A preocupação com a apresentação da Messianidade de CRISTO também é vista na reação das pessoas que estavam próximas a Ele. O convite de Felipe a Natanael deixa isso transparecer, quando diz: “Achamos aquele de quem Moisés escreveu na lei, e a quem se referiram os profetas: JESUS, o Nazareno, filho de José” (Jo.1.45). A resposta de Natanael também testifica isso: “Mestre, tu és o FILHO de DEUS, tu és o Rei de Israel!” (v.49).
A frequente negativa de João Batista em relação a sua identidade com o Messias, também sugere que João intencionava levar seus leitores a conhecer o Verdadeiro CRISTO na pessoa de JESUS e rejeitar a suposta autoridade que João pudesse exercer. Note que João deixa isso evidente no evangelho, desde o seu início: “Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu? Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o CRISTO” (1.19-20). Pouco à frente os fariseus o questionam: “E perguntaram-lhe: Então, por que batizas, se não és o CRISTO, nem Elias, nem o profeta?” (1.25). Isso acontece no mesmo capítulo em que o Evangelista testifica a superioridade de CRISTO sobre Moisés (1.17) e que os primeiros discípulos o encontram e o chamam de Messias, que traduzido quer dizer CRISTO (1.41ss). Pouco à frente, João mesmo demonstra sua consciência de que não apenas não é o CRISTO, mas lhe é apenas um precursor: “Vós mesmos sois testemunhas de que vos disse: eu não sou o CRISTO, mas fui enviado como seu precursor” (3.28).
É válido demonstrar que por quase todo o evangelho a pergunta sobre a Messianidade de JESUS aparece na voz de diferentes pessoas. A mulher samaritana tem certa consciência de quem é o Messias esperado e sobre ele atesta: “Eu sei, respondeu a mulher, que há de vir o Messias, chamado CRISTO; quando ele vier, nos anunciará todas as coisas”. Pouco após seu rápido encontro com JESUS vai à cidade e declara: “Vinde comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o CRISTO?!”. Diante de sua própria convicção de quem é o Messias, essa mulher convida outras pessoas a verificarem se isso é de fato verdade.
No capítulo sete uma complicada situação arma-se diante do diálogo de JESUS os fariseus e a reação da multidão, e em grande parte a pergunta que se faz é se esse é o Messias, ou se ele se considera como tal sem o ser (7.26-42). É interessante notar a crescente rejeição da Messianidade de JESUS pelos judeus, observe: “Eis que ele fala abertamente, e nada lhe dizem. Porventura, reconhecem verdadeiramente as autoridades que este é, de fato, o CRISTO? Nós, todavia, sabemos donde este é; quando, porém, vier o CRISTO, ninguém saberá donde ele é” (7.26-27); “outros diziam: Ele é o CRISTO; outros, porém, perguntavam: Porventura, o CRISTO virá da Galileia?” (7.41).
Essa rejeição tornou-se em retaliação àqueles que viessem a confessar que JESUS era o Messias: “Isto disseram seus pais porque estavam com medo dos judeus; pois estes já haviam assentado que, se alguém confessasse ser JESUS o CRISTO, fosse expulso da sinagoga” (9.22). Mas, ainda assim, entre os seguidores de JESUS, não eram poucos os que o confessavam, a despeito do risco de se assumir isso (11.27).
Considerando a hostilidade dos judeus para com a compreensão de JESUS como CRISTO, é justo pensar que João escreve um tratado apologético no sentido de defender a completa e perfeita Messianidade de CRISTO.
 
Há indícios de que João queria esvaziar um gnosticismo incipiente, de tendências docéticas, enfatizando a encarnação e a realidade da natureza humana de JESUS. Ele relata como atividades de JESUS comer, chorar e sentir-se cansado, bem como oferece o testemunho importantíssimo do tórax perfurado, do qual fluíram sangue e água (19.34-35). Outro elemento polêmico no quarto evangelho é sua quase-obsessão com a verdade e a verificação objetiva por meio de testemunho. Isto se vê pelo uso frequente de ἀληθεία  (aletheia) e seus cognatos (55 vezes) e de μαρτυρία (marturia) e seus cognatos (47 vezes). – Carlos Osvaldo Pinto, Teologia Bíblica do Novo Testamento – Material não publicado.
 
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
 
João 10.30-38
30 - Eu e o PAI somos um.
31 - Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem.
32 - Respondeu-lhes JESUS: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu PAI; por qual dessas obras me apedrejais?
33 - Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque, sendo tu homem, te fazes DEUS a ti mesmo.
34 - Respondeu-lhes JESUS: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?
35 - Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de DEUS foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada),
36 - àquele a quem o PAI santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou FILHO de DEUS?
37 - Se não faço as obras de meu PAI, não me acrediteis.
38 - Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras, para que conheçais e acrediteis que o PAI está em mim, e eu, nele.
 
 
CRISTO tinha sentido pessoalmente o poder do seu PAI, sustentando-o e fortalecendo-o, e por isto coloca também todos os seus seguidores na mão do seu PAI. Aquele que assegurou a glória do Redentor irá assegurar a glória dos redimidos. Para garantir ainda mais a segurança, para que as ovelhas de CRISTO possam ter um consolo ainda mais forte, Ele declara sua união com DEUS, o PAI: “‘Eu e o PAI somos um’, e nos encarregamos, juntamente e separadamente, da proteção dos santos e da sua perfeição”. Isto indica que havia mais do que harmonia, consentimento e bom entendimento entre o PAI e o FILHO na obra da redenção do homem. Todo homem bom é tão unido a DEUS, a ponto de estar de acordo com Ele. Portanto, o fato de serem um só em essência, e iguais em poder e glória, deve ser o significado da unicidade da natureza do PAI e do FILHO. Os patriarcas da igreja enfatizaram isto, tanto contra os sabelianos, para provar a distinção e a pluralidade das pessoas, que o PAI e o FILHO são duas pessoas, como contra os arianos, para provar a unidade da natureza, que o PAI e o FILHO são um só. Se nós nos calássemos a respeito do profundo significado destas palavras, até mesmo as pedras que os judeus pegaram para o apedrejar iriam falar abertamente, pois os judeus consideravam que Ele se fazia DEUS (v. 33), e Ele não negou isto. Ele prova que ninguém poderia arrancá-las das suas mãos, porque não poderia arrancá-las da mão do PAI, o que não teria sido um argumento conclusivo, se o FILHO não tivesse o mesmo poder todo-poderoso com o PAI, e, consequentemente, não fosse um só com Ele, em essência e operação.
 
A ira, a fúria, dos judeus contra Ele, devido a estas palavras: “Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem”, v. 31. Estas não são as palavras que foram usadas anteriormente (Jo 8.59), mas ebastasan lithous – eles pegaram pedras, grandes pedras, pedras que eram pesadas, como as que usavam no apedrejamento de malfeitores. Eles as tinham trazido de algum lugar distante, como se estivessem preparando as coisas para a execução de JESUS, sem qualquer processo judicial; como se Ele fosse condenado de blasfêmia com a notória evidência do fato, sem a necessidade de um julgamento.
O absurdo deste insulto que os judeus fizeram a CRISTO ficará evidente, se considerarmos:
1. Que eles, imperiosamente, para não dizer insolentemente, o tinham desafiado para que lhes dissesse claramente se era o CRISTO ou não, e mesmo agora, que Ele não somente dizia que era o CRISTO, mas provava ser, eles o condenavam como a um malfeitor. Se os pregadores da verdade a propõem modestamente, são tachados como covardes; se a propõem ousadamente, como insolentes. Mas “a sabedoria é justificada por seus filhos”.
2. Que, quando eles tinham, anteriormente, feito uma tentativa similar, tinha sido inútil. Ele “ocultou-se… passando pelo meio deles” (Jo 8.59). Mas, ainda assim, eles repetiram sua tentativa frustrada. Os pecadores atrevidos atirarão pedras ao céu, ainda que elas retornem sobre suas próprias cabeças. Estes iníquos procurarão se fortalecer contra o Todo-Poderoso, embora nenhum daqueles que tentaram se fortalecer contra Ele tenha prosperado.
 
A terna censura que CRISTO lhes faz, por ocasião da demonstração desta fúria (v. 32): JESUS respondeu ao que eles fizeram, pois não vemos que eles tivessem dito nada, a menos, talvez, que tivessem incitado a multidão que havia se reunido ao redor dele, para que se unissem a eles, gritando: “Apedreja-o, apedreja-o”, da mesma maneira como fizeram posteriormente: “Crucifica-o, crucifica-o”. Quando Ele poderia ter respondido a eles com o fogo do céu, mansamente replicou: “Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu PAI; por qual dessas obras me apedrejais?” Palavras tão ternas, que se poderia pensar que teriam derretido um coração de pedra. Ao lidar com seus inimigos, Ele ainda argumentava com base nas suas obras (os homens mostram o que são com o que fazem), suas boas obras – kala erga, obras excelentes e eminentes. Opera eximia vel praeclara. A expressão quer dizer grandes obras, como também boas obras.

1. O poder divino das suas obras os condenava da infidelidade mais absoluta. Estas eram obras do seu PAI, tão acima do alcance e do curso da natureza, a ponto de provar que quem as fazia era enviado de DEUS, e que agia comissionado por Ele. Ele lhes mostrou estas obras. Ele fez isto abertamente, diante do povo, e não às escondidas, em um canto. Suas obras suportariam o teste, e se submeteriam ao testemunho dos espectadores mais investigativos e imparciais. Ele não mostrou suas obras à luz de velas, como aqueles que se preocupam somente com as aparências, mas as mostrou à luz do meio-dia, diante do mundo, Jo 18.20. Veja Salmos 111.6. Suas obras demonstravam, de maneira inegável, que eram uma demonstração incontestável da validade da sua comissão.

2. A graça divina das suas obras os condenava da mais vil ingratidão. As obras que Ele realizava entre eles não eram apenas milagres, mas misericórdias. Não somente prodígios, para maravilhá-los, mas obras de amor e gentileza, para fazer o bem a eles, e, desta maneira, torná-los bons, e tornar-se querido por eles. Ele curava os enfermos, purificava os leprosos, expulsava demônios, coisas que eram favores, não somente para as pessoas envolvidas, mas para o público. Estas obras, Ele tinha repetido e multiplicado: “‘Por qual dessas obras me apedrejais?’ Vós não podeis dizer que Eu vos tenha feito nenhum mal, nem vos feito qualquer provocação justa. Se, portanto, iniciais uma discussão comigo, deve ser por causa de alguma boa obra, alguma boa obra feita a vós. Dizei-me qual é”. Observe que:

(1) A horrível ingratidão que existe nos nossos pecados contra DEUS e JESUS CRISTO é um grande agravamento dos nossos próprios pecados, e os exibe terrivelmente pecaminosos. Veja como DEUS argumenta a este respeito, Deuteronômio 32.6; Jeremias 2.5; Miquéias 6.3.

(2) Não devemos julgar estranho se nos encontramos com aqueles que não somente nos odeiam sem causa, mas que são nossos adversários pelo nosso amor, Salmos 35.12; 41.9. Quando Ele pergunta: “Por qual dessas obras me apedrejais?”, assim como evidencia a abundante satisfação que Ele tem na sua própria inocência, que dá coragem a um homem em um dia de sofrimento, também faz com que seus perseguidores considerem qual era a verdadeira razão da sua inimizade, e se perguntem, como deveriam fazer todos aqueles que criam problemas para seus vizinhos: “Por que o perseguimos?” Como Jó aconselha que seus amigos façam, Jó 19.28.

 

 A defesa que tentaram fazer de si mesmos, quando acusaram o Senhor JESUS CRISTO, e a causa sobre a qual fundamentam sua acusação, v. 33. Que pecadores optarão por folhas de figueira para se cobrir, quando até mesmo os sanguinários perseguidores do FILHO de DEUS podiam encontrar algum argumento para se defender?

1. Eles não seriam considerados tão terríveis inimigos da sua nação por perseguirem a JESUS devido a uma boa obra: “Não te apedrejamos por alguma obra boa”. Pois, na verdade, eles dificilmente admitiram que alguma das suas obras fosse boa. A cura do homem paralítico (Jo 5) e do cego (Jo 9) estavam tão longe de serem reconhecidas como bons serviços à cidade, e beneméritos, que se somavam à quantidade dos seus crimes, porque tinham sido realizadas no sábado. Mas, se Ele tinha feito alguma obra boa, eles não reconheceriam que o apedrejavam por causa dela, embora estas fossem realmente as coisas que mais os exasperavam, Jo 11.47. Assim, por mais absurdo que parecesse, eles não podiam ser levados a reconhecer seus próprios absurdos.

2. Eles seriam considerados amigos de DEUS e da sua glória ao acusar JESUS de blasfêmia: “Porque, sendo tu homem, te fazes DEUS a ti mesmo”. Aqui temos:

(1) Um falso zelo pela lei. Eles pareciam extremamente preocupados com a honra da majestade divina, e dominados por um horror religioso com aquilo que eles imaginavam ser uma censura a ela. “Aquele que blasfemar… certamente morrerá”, Levítico 24.16. Esta lei, pensavam eles, não somente justificava, mas santificava o que eles tentavam fazer, como em Atos 26.9. Observe que os costumes mais vis são frequentemente encobertos por pretextos plausíveis. Assim como nada é mais corajoso do que uma consciência bem-informada, também nada é mais ultrajante do que uma equivocada. Veja Isaías 66.5; Jo 16.2.

(2) Uma verdadeira inimizade pelo Evangelho, ao qual eles não podiam fazer afronta maior do que representar a CRISTO como um blasfemo. Não é novidade que as piores características sejam atribuídas aos melhores homens, por aqueles que decidem dar a eles o pior tratamento. [1] O crime do qual Ele é acusado é blasfêmia, ou seja, falar de maneira reprovável e maldosa sobre DEUS. O próprio DEUS está fora do alcance do pecador, e não é suscetível de receber nenhuma ofensa real, e, portanto, a inimizade com DEUS lança seu veneno sobre seu nome, e assim mostra sua má intenção.

A prova do crime: “Sendo tu homem, te fazes DEUS a ti mesmo”. Assim como é glória de DEUS o fato de que Ele é DEUS, e nós a roubamos dele quando o fazemos como um de nós, também é sua glória o fato de que, além dele, não existe outro, e nós a roubamos dele quando nos equiparamos, ou a qualquer criatura, a Ele. Agora, em primeiro lugar, até aqui, eles tinham razão, pois o que CRISTO tinha dito a seu respeito era isto, que Ele era DEUS, pois Ele tinha dito que era um só com o PAI, e que daria a vida eterna. E CRISTO não nega isto, o que poderia ter feito se tivesse havido uma conclusão indevida das suas palavras. Mas, em segundo lugar, eles estavam muito enganados quando o consideravam como um mero homem, e julgavam que a divindade que Ele reivindicava era uma usurpação, e da sua própria invenção. Eles julgavam absurdo e ímpio que alguém como Ele, que surgia com a aparência de um homem pobre, humilde e desprezível, ousasse professar ser o Messias, e afirmasse ter o direito às honras confessadamente devidas ao FILHO de DEUS.

Observe que:

1. Aqueles que dizem que JESUS é um mero homem, e somente um DEUS fabricado, como dizem os socinianos, na verdade o acusam de blasfêmia, mas provam que os blasfemos são eles mesmos.

2. Aquele que, sendo um homem, um homem pecador, se faz um deus, como o Papa, que afirma ter poderes e prerrogativas divinas, é inquestionavelmente um blasfemo e anticristo.

 

A resposta de CRISTO à acusação feita a Ele (pois a defesa dos judeus era uma acusação a CRISTO), e a confirmação daquelas reivindicações que eles diziam que eram blasfemas (v. 34ss.), onde Ele prova não ser blasfemo, com dois argumentos:

1. Com um argumento extraído da Palavra de DEUS. Ele recorre ao que estava escrito na lei dos judeus, isto é, no Antigo Testamento. Quem quer que se oponha a CRISTO, saiba que seguramente Ele terá as Escrituras do seu lado. Está escrito (Sl 82.6): “Eu disse: sois deuses”. É um argumento a minore ad majus – do menor para o maior. “Se eles eram deuses, quanto mais Eu o sou”. Observe:

(1) Como Ele explica o texto (v. 35): Ele “chamou deuses àqueles a quem a palavra de DEUS foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada)”. A palavra da comissão de DEUS tinha vindo sobre eles, indicando-os para serem seus oficiais, como juízes, e, por essa razão, são chamados de deuses, Êxodo 22.28. A alguns, a palavra de DEUS foi dirigida imediatamente, como a Moisés; a outros, sob a forma de uma ordenança instituída. A magistratura é uma instituição divina, e os magistrados são representantes de DEUS, e, portanto, as Escrituras os chamam de deuses, e nós temos certeza de que as Escrituras não podem ser anuladas, nem se pode introduzir nada a elas, nem se pode encontrar falhas nelas. Toda palavra de DEUS está correta. O estilo e a linguagem das Escrituras são irrepreensíveis, e não devem ser corrigidos, Mateus 5.18.

(2) Como Ele o aplica. De modo geral, é fácil concluir que aqueles que condenavam a CRISTO como blasfemo, somente por dizer que era o FILHO de DEUS, eram muito imprudentes e irracionais, quando eles mesmos chamavam assim seus príncipes, e isto as Escrituras lhes permitiam. Mas o argumento vai mais além (v. 36): Se os magistrados eram chamados deuses, porque eram comissionados para administrar justiça à nação, “àquele a quem o PAI santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas”? Aqui temos duas questões a respeito do Senhor JESUS:

[1] A honra que seu PAI lhe concedeu, na qual, com razão, Ele se glorifica: o PAI o santificou e enviou ao mundo. Os magistrados eram chamados de filhos de DEUS, embora a palavra de DEUS fosse apenas dirigida a eles, e o espírito de governo tenha vindo a eles por medida, como sobre Saul. Mas nosso Senhor JESUS era, Ele mesmo, a Palavra, e tinha o ESPÍRITO sem medida. Eles eram constituídos para uma região, cidade ou nação em particular, mas Ele era enviado ao mundo, revestido de uma autoridade universal, como Senhor de tudo. Eles eram mandados, como pessoas distantes. Ele era enviado, como tendo estado com DEUS desde a eternidade. O PAI o santificou, isto é, o designou e consagrou para o ofício de Mediador, e o qualificou e capacitou para este ofício. Santificá-lo significa a mesma coisa que selá-lo, Jo 6.27. Observe que o PAI santifica a quem envia. Aquele que Ele designa para propósitos santos, Ele prepara com santos princípios e disposições. O DEUS santo só irá empregar e recompensar aqueles que Ele julgar santos, ou aqueles que Ele santificar. O ato de o PAI santificar e enviar o Senhor JESUS CRISTO é aqui certificado como a permissão suficiente para que Ele se declarasse FILHO de DEUS, pois, por Ele ser santo, foi chamado de FILHO de DEUS, Lucas 1.35. Veja Romanos 1.4.

[2] A desonra que os judeus lhe fizeram, da qual Ele reclama com razão – que eles tinham dito de maneira ímpia sobre Ele, a quem o PAI tinha dignificado desta forma, que Ele era um blasfemo, porque tinha dito ser FILHO de DEUS: “Vocês dizem isto dele? Vocês ousam dizer isto? Vocês ousam direcionar suas bocas contra os céus? Vocês têm coragem suficiente para dizer ao DEUS da verdade que Ele está mentindo, ou condenar aquele que é justo e poderoso? Olhem-me nos olhos, e digam se podem fazer isto. O que! Vocês dizem, do FILHO de DEUS, que Ele é um blasfemo?” Se os demônios, que Ele veio para condenar, tivessem dito isto a seu respeito, não teria sido tão estranho. Mas o fato de estes homens, aos quais Ele tinha vindo ensinar e salvar, dizerem isto dele, era algo pelo que os céus poderiam pasmar. Veja qual é a linguagem de uma incredulidade obstinada. Na verdade, ela chama o santo JESUS de blasfemo. É difícil dizer com que devemos nos espantar mais, com o fato de que homens que respiram o ar de DEUS ousassem dizer estas coisas, ou com o fato de que homens que dissessem tais coisas ainda tivessem permissão para respirar o ar de DEUS. A maldade do homem e a paciência de DEUS disputam entre si qual será a mais surpreendente.

2. Com um argumento que Ele extrai das suas próprias obras, vv. 37,38. Anteriormente, Ele apenas respondeu à acusação de blasfêmia com um argumento ad hominem – voltando o argumento de um homem contra si mesmo. Mas aqui Ele apresenta suas próprias reivindicações, e prova que Ele e o PAI são um só (vv. 37,38): “Se não faço as obras de meu PAI, não me acrediteis”. Embora o Senhor pudesse, com razão, ter abandonado estes blasfemos infelizes, como casos incuráveis, Ele ainda concorda em argumentar com eles. Observe:

(1) A partir de que Ele argumenta – de suas obras, que Ele sempre apresentava como suas credenciais, e provas da sua missão. Assim como Ele provava ser enviado de DEUS pela divindade das suas obras, também nós devemos nos provar aliados de CRISTO pelo cristianismo das nossas. [1] O argumento é muito convincente, pois as obras que Ele realizava eram as obras do seu PAI, que somente o PAI poderia fazer, e que não poderiam ser feitas no curso ordinário da natureza, mas somente pelo poder soberano e predominante do DEUS da natureza. Opera Deo própria – Obras peculiares de DEUS, e Opera Deo Digna – Obras dignas de DEUS, as obras de um poder divino. Aquele que pode prescindir das leis da natureza, repeli-las, alterá-las e anulá-las da maneira como desejar, pelo seu próprio poder, certamente é o príncipe soberano que primeiro instituiu e promulgou tais leis. Os milagres que os apóstolos realizassem em seu nome, pelo seu poder, e para a confirmação da sua doutrina, corroborariam este argumento, e continuariam sendo sua evidência, quando Ele tivesse partido.

[2] Este argumento é proposto de modo tão correto quanto se poderia desejar, e utilizado em prol de um resultado breve. Em primeiro lugar: “Se não faço as obras de meu PAI, não me acrediteis”. Ele não exige uma fé cega e implícita, nem uma concordância com sua missão divina além das provas que Ele oferece. Ele não desejou ganhar o afeto do povo, nem os adulou com insinuações dissimuladas, nem se aproveitou da sua credulidade com afirmações ousadas, mas, com a mais imaginável correção, eliminou todas as exigências da sua fé, além de oferecer justificativas para estas exigências. CRISTO não é um mestre difícil, que espera colher concordâncias onde não plantou argumentos. Ninguém perecerá por não crer naquilo que não lhe foi proposto com motivos suficientes para credibilidade, e a própria Sabedoria Infinita será o juiz. Em segundo lugar: “Mas se faço ‘as obras de meu PAI’, se realizo milagres inegáveis para a confirmação de uma doutrina sagrada, e vocês não crêem em mim, embora sejam tão escrupulosos a ponto de não aceitar minha palavra, creiam nas obras. Creiam nos seus próprios olhos, na sua própria razão. As coisas falam por si mesmas, de maneira suficientemente clara”. Assim como as coisas invisíveis do Criador são claramente vistas pelas suas obras de criação e providência comum (Rm 1.20), também as coisas invisíveis do Redentor eram vistas pelos seus milagres, e por todas as suas obras, tanto de poder quanto de misericórdia, de modo que todos aqueles que não se convenceram por estas obras não tinham justificativa.

(2) Para que Ele argumenta – “que conheçais e acrediteis”, inteligentemente, e com total satisfação, “que o PAI está em mim, e eu, nele”, que é o mesmo que Ele tinha dito (v. 30): “Eu e o PAI somos um”. O PAI estava tanto no FILHO, que nele residia toda a plenitude da Divindade, e era por um poder divino que Ele realizava seus milagres. O FILHO estava tanto no PAI, que estava perfeitamente familiarizado com a plenitude da sua vontade, não por comunicação, mas por consciência, tendo estado no seu seio. Isto nós devemos saber, não saber e explicar (pois não podemos, investigando, descobrir com perfeição), mas conhecer e crer, reconhecer e adorar a profundidade, quando não pudermos encontrar o fundo.

Com. Bíblico - Matthew Henry (Exaustivo) AT e NT

 

)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))

 

Ensinamentos falsos sobre a dupla natureza de CRISTO

O mistério das duas naturezas de CRISTO tornou-se motivo de controvérsia entre certos grupos cristãos a partir do primeiro século. Apareceram no seio do cristianismo certos ensinamentos que foram posteriormente condenados e rejeitados tanto pelos apóstolos como pelos pais da igreja.

 

Gnósticos. E provável que o gnosticismo tenha surgido como um segmento cristão, no Egito, entre o fim do século I e o início do século II. Muitos escritos do gnosticismo do segundo século foram encontrados, incluindo o chamado Evangelho Segundo Tomé.

Os gnósticos formularam três conceitos diferentes:

1)    Negavam a realidade do “corpo humano” de CRISTO. Ensinavam que CRISTO apareceu na pessoa de JESUS, mas que este nunca foi realmente um ser hu­mano. Tal “Cristologia” é conhecida por docetismo (gr. dokeo, “aparecer” ou “parecer”). Para eles, JESUS apenas se parecia com o homem. Toda a sua existência na terra teria sido uma farsa; Ele teria fingido ser carne e sangue, visando ao bem dos discípulos.

2)    Afirmavam que CRISTO tinha um “corpo real”, mas negavam que fosse material.

3)    Ensinavam uma “Cristologia” dualista, pela qual “CRISTO” teria entrado em “JESUS” no batismo e o abandonado pouco antes de sua morte. “CRISTO” teria, por exemplo, usado as cordas vocais de “JESUS” para ensinar os dis­cípulos, porém nunca foi realmente um ser humano. Afirmava, portanto, que “JESUS” e “CRISTO” eram duas pessoas distintas.

Há menções indiretas ao gnosticismo nas epístolas de João: “Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que JESUS CRISTO veio em carne [como homem]. Este tal é o enganador e o anticristo” (2 Jo v.7). Como e por que essa falácia surgiu entre os cristãos são perguntas sem respostas concretas.

Alguns estudiosos acreditam que Pedro também teria feito menção dos gnósticos ao falar dos falsos mestres, que introduziriam, de modo sutil, heresias de perdição no meio do povo de DEUS. Tais enganadores (gnósticos?), naqueles dias, após convence­rem cristãos a seguirem às suas dissoluções, exigiam deles que fizessem uma confissão pública, a fim de negarem “o Senhor que os resgatou” (2 Pe 2.1,2).

Os gnósticos acreditavam na existência de DEUS, mas, ao mesmo tempo, afirmavam não ser possível conhecer a existência e a natureza divinas. Aceitavam a idéia da emanação — ou platomsmo —, doutrina pela qual diziam que tudo quanto existe derivou-se do “Ser Supremo”, representado pelo Sol, cuja emanação mais forte é o FILHO. Um pouco mais distantes estão os seres angelicais; depois, os homens... Enfim, DEUS é mabordável. Por isso, não existia um mediador que pudesse conduzir o homem a Ele.

Eles eram também liberais; não aceitavam a autoridade de CRISTO. Estudavam a Bíblia como um livro qualquer. Até certo ponto aceitavam o sobrenatural, mas de acordo com a sua maneira de pensar. Eram, ainda, triteístas: viam JESUS como “DEUS”, porém, de modo paradoxal, rejeitavam a sua deidade.

As Escrituras mostram que eles estavam enganados (Jo 1.1; Fp 2.6; Ap 1.8; Hb 1.8). E o Credo Atanasiano deixa claro que o PAI é DEUS, o FILHO é DEUS e o ESPÍRITO SANTO é DEUS: “Nesta Trindade nada é antes ou depois, nenhum é maior ou menor: mas as três pessoas são co-eternas, unidas e iguais. As pessoas não são separadas, mas distintas. A Trindade é composta de três Pessoas unidas sem existência separada, tão completamente unidas, que formam um só DEUS”.

Agnósticos. O termo “agnóstico” provém de duas palavras gregas: a, “não”, tgnosís, “conhecimento”. Empregado pela primeira vez porT. H. Huxley (1825-1895), indicava literalmente “não-conhecimento”, numa oposição ao gnosticismo.

Os agnósticos procuravam negar a DEUS e a sua existência, dizendo que não se pode conhecê-lo. Ensinavam que a mente humana não podia conhecer a realidade; negavam, pois, a DEUS e o sacrifício redentor de JESUS CRISTO pela humanidade perdida.

Muitos cristãos dos primeiros séculos deram ouvidos às doutrinas agnós­ticas — e também às gnósticas —, apesar de o ESPÍRITO SANTO tê-los advertido por meio dos escritores do Novo Testamento. Alguns estudiosos sugerem que as religiões da Índia conseguiram iludir alguns cristãos egípcios, ou que estes teriam sido influenciados pelas idéias sincréticas vigentes à época.

Nitidamente, o objetivo do agnosticismo e do gnosticismo era diminuir o FILHO de DEUS, negando, aberta ou encobertamente, a sua deidade. Gnósticos e agnósticos, certamente, faziam parte dos “muitos anticristos” (I Jo 2.18), uma vez que a sua filosofia e os seus ensinamentos continham algo daquilo que os falsos cristos procuravam ensinar.

Ebionitas. Os ebionitas — “pobres” ou “indigentes” — surgiram no começo do século II. Eram judeu-cristãos que não abriram mão das cerimônias mosaicas. Segundo Justino e Orígenes, havia dos tipos de ebionitas, os brandos e rígidos.

Os brandos, chamados de nazarenos, não denunciavam os crentes gentios que rejeitavam a circuncisão e os sábados judaicos. Já os rígidos (sucessores dos judaizantes dos tempos de Paulo) afirmavam que JESUS havia promulgado a Lei de uma forma rígida; ensinavam que, quando ao ser batizado no Jor­dão, Ele foi agraciado com poderes sobrenaturais. Mas todos eles negavam a realidade da natureza divina de CRISTO, considerando-o como mero homem sobrenaturalmente encarnado.

Para os ebionitas, a crença na deidade de CRISTO lhes parecia incompatível com o monoteísmo. Um outro ponto discordante entre eles eram as epístolas de Paulo, porque, nelas, este apóstolo reconhecia os gentios convertidos como cristãos e, portanto, integrantes do corpo de CRISTO.

Maniqueus. De origem persa, foram assim chamados em razão de seu fundador, Mani, morto no ano de 276 por ordem do governo da Pérsia. O ensino deles dava ênfase ao fato de o Universo compor-se dos reinos das trevas e da luz, bem como ambos lutarem pelo domínio da natureza e do próprio homem. Recusavam JESUS; criam num “CRISTO Celestial”.

Severos quanto à obediência e ao ascetismo, renunciavam ao casamento. O apóstolo Paulo profetizou acerca do surgimento dos maniqueus em I Timóteo 4.3: “Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos manjares que DEUS criou para os fiéis...” Eles foram perseguidos tanto por imperadores pagãos, como pelos primitivos cristãos. Agostinho, em princípio, era maniqueu. Entretanto, depois de sua conversão, escreveu contra o maniqueísmo.

Arianos. Ario foi presbítero de Alexandria, nascido por volta de 280, na África do Norte, onde está atualmente a Líbia — não muitos detalhes de sua vida na História. Os seus seguidores diziam que CRISTO é o primeiro dos seres criados, através de quem todas as outras coisas são feitas. Por antecipação, devido à glória que haveria de ter no final, Ele é chamado de Logos, o FILHO, o Unigênito.

Segundo os arianos, JESUS pode ser chamado de DEUS, apesar de não possuir a deidade no sentido pleno. Ele estaria limitado ao tempo da criação, ao contrário do que diz a Palavra de DEUS: “... ele [JESUS] é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17).

As heresias de Ario foram rejeitadas pelos cristãos de seu tempo. E um bispo de Alexandria chamado Alexandre convocou um sínodo, em 321, depondo-o do presbitério e o excluindo da comunhão da igreja. Em 325, no Concilio de Nicéia, o arianismo foi condenado, e o ex-presbítero Ario, juntamente com dois de seus amigos, banidos para a Ilína.

Apolinarianos. Apolinário, bispo de Laodicéia a partir de 361, ensinou que a pessoa única de CRISTO possuía um corpo humano, mas não uma mente ou es­pírito humanos. Além disso, para ele, a mente e o espírito de CRISTO provinham da sua natureza divina.

As idéias de Apolinário foram rejeitadas pelos líderes da igreja. Eles per­ceberam que não somente o corpo humano necessitava de redenção; a mente e o espírito (espírito+alma) humanos também. Nesse caso, CRISTO tinha de ser plena e verdadeiramente homem a fim de nos salvar de modo igualmente pleno (Hb 2.17). Por isso, o apolinarianismo foi rejeitado pelos concílios, desde o de Alexandria, em 362, ao de Constantinopla, em 381.

Nestorianos. Ê a doutrina que ensinava a existência de duas pessoas separadas no mesmo CRISTO, uma humana e uma divina, em vez de duas naturezas em uma só Pessoa. Nestor — ou Nestório, como aparece em outras versões — nasceu em Antioquia. Ali, tornou-se um pregador popular em sua cidade natal. Em 428, tornou-se bispo de Constantinopla.

Embora ele mesmo nunca tenha ensinado essa posição herética que leva o seu nome, em razão de uma combinação de diversos conflitos pessoais e de uma boa dose de política eclesiástica, Nestor foi deposto do seu ofício de bispo, e seus ensinos, condenados.

Não há nas Escrituras a indicação de que a natureza humana de CRISTO seja outra pessoa, capaz de fazer algo contrário à sua natureza divina. Não existe uma indicação sequer de que as naturezas humana e divina conversavam uma com a outra, ou travavam uma luta dentro de CRISTO.

Ao contrário, vemos uma única Pessoa agindo em sua totalidade e unidade, e em harmonia com o PAI (Jo 10.30; 14.23). A Bíblia não diz que Ele “por meio da natureza humana fez isto” ou “por meio de sua natureza divina fez aquilo”, mas sempre fala a respeito do que a Pessoa de CRISTO realizou.

Eutiquistas. A idéia do eutiquismo acerca de CRISTO é chamada de monofisismo — idéia de que CRISTO possuía uma só natureza (gr. monos, “uma”, e physis, “natureza”). O primeiro defensor dessa idéia foi Êutico (378-454), líder de um mosteiro em Constantinopla. Ele opunha-se ao nestorianismo, negando que as naturezas humana e divina em CRISTO tivessem permanecido plenamente humana e plenamente divina.

Êutico asseverava que a natureza humana de CRISTO foi tomada e absorvida pela divina, de modo que ambas foram mudadas em algum grau, resultando em uma “terceira natureza”. Uma analogia ao eutiquismo pode ser vista quando pingamos uma gota de tinta em um copo de água. A mistura resultante não é nem pura tinta nem pura água, mas uma terceira substância.

Para Êutico, JESUS era uma “mistura dos elementos divinos e humanos”, na qual ambas as naturezas teriam sido, em algum sentido, modificadas para formar uma nova natureza. Assim, CRISTO não era nem verdadeiramente DEUS nem verdadeiramente homem; não poderia, pois, representar-nos como Homem nem como DEUS.

O que a Bíblia diz. O ensino bíblico a respeito da plena divindade e plena huma­nidade de CRISTO é claro, mediante as muitas referências bíblicas. O entendimento exato de como a plena divindade e a plena humanidade se combinavam em uma só Pessoa tem sido ensinado desde o início pela igreja, mas só alcançou a forma final na Definição de Calcedônia, em 451.

Antes desse período, diversas posições doutrinárias inadequadas quanto às naturezas de CRISTO foram propostas e rejeitadas. Primeiro, pelos apóstolos. Depois, pelos chamados pais da igreja. No caso do gnosticismo — que surgiu ainda quando o Novo Testamento estava sendo escrito —, alguns livros o refutaram, de alguma forma: João, Efésios, Colossenses, I e 2 Timóteo, Tito, 2 Pedro, I, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse.

Com a finalidade de resolver os problemas levantados pelas tais controvérsias, um grande concilio eclesiástico foi convocado em Calcedônia, em 451, chamado de a Definição de Calcedônia. Ela foi considerada a definição padrão da ortodo­xia sobre a Pessoa de CRISTO pelos grandes ramos do cristianismo: catolicismo, protestantismo e ortodoxia oriental.

Diz a Definição de Calcedônia:

Fiéis aos santos pais, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo FILHO, nosso Senhor JESUS CRISTO, perfeito quanto à divindade e perfeito quanto à humanidade, verdadeiramente DEUS e verdadeiramente homem, constando de alma racional e de corpo; consubstanciai (“homoousios”) ao PAI, segundo a divindade, e consubstanciai a nós, segundo a humanidade; “em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado”, gerado, segundo a divindade, antes dos séculos pelo PAI e, segundo a humanidade; por nós e para nossa salvação, gerado da Virgem Maria, por parte de DEUS (“theotókos).

Um só e mesmo CRISTO, FILHO, Senhor; Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, conseparáveis e indivisíveis. A distinção de naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e substância “hypostasis” não dividido ou separado em duas pessoas, mas um só e mesmo FILHO Unigênito, DEUS Verbo, JESUS CRISTO Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o mesmo JESUS CRISTO nos ensinou e o credo que país da igreja nos transmitiu.2

Alguns estudiosos encontram dificuldades para entenderem a combinação da divindade e da humanidade de JESUS CRISTO. A maturidade cristã, o andar com DEUS e a livre ação do ESPÍRITO SANTO são vitais aqui. Este assunto, evidentemente, é mais ligado ao campo da revelação do que mesmo o da explicação. Contudo, quando bem analisado do ponto de vista investigativo e teológico, existe uma certa facilidade de ser entendido pela mente natural. Examinando o Novo Testa­mento e observando a cada detalhe, veremos como a humanidade e a divindade de CRISTO se harmonizam.

 

O Homem-DEUS e os seus atributos

A questão maior entre os pensadores liga-se aos atributos naturais da divin­dade e as limitações de JESUS:

Onipotência. Nas Escrituras é apresentado o supremo poder pessoal do FILHO de DEUS, evidenciando-se os seus atributos naturais e morais, próprios de DEUS PAI. Em várias passagens, menciona-se a onipotência do Senhor JESUS. Em Isaías são citados cinco nomes de CRISTO em uma mesma passagem; um deles (DEUS forte) refere-se à onipotência de CRISTO: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, DEUS forte, PAI da eternidade, Príncipe da paz” (Is 9.6).

Onipresença. “Como JESUS continuou onipresente se, ainda na Terra, estava limitado pelo tempo e o espaço, ocupando apenas um só lugar ao mesmo tempo?” Como FILHO do homem (sua humanidade), Ele estava limitado às dimensões geográficas: quando estava na Galiléia, não se encontrava, é claro, na Judeia. No entanto, como FILHO de DEUS (sua divindade), sempre esteve presente em todo o lugar (Mt 28.20).

O próprio Senhor JESUS disse aos seus discípulos: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou eu no meio deles” (Mt 18.20).

E ainda: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu PAI o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada” (Jo 14.23). Como FILHO do homem, estava no mundo (Jo 1.10); como FILHO de DEUS, disse: “Eu já não estou no mundo” (Jo 17. II).

Como Homem, o Senhor estava na Terra; como DEUS, podia estar no Céu, ao mesmo tempo: “Ora ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o FILHO do homem, que está no céu” (Jo 3.13). Depois de sua ressur­reição, Ele declarou: “... estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20).

Onisciência. “Se JESUS é onisciente, por que confessou, em certa ocasião, não saber o dia nem a hora de sua Segunda Vinda?” Como coexistiam DEUS e Homem numa mesma Pessoa, sabemos que “toda a plenitude” da divindade se encontrava em JESUS CRISTO. Daí o profeta Isaías ter afirmado profeticamente que Ele seria possuidor da septiforme sabedoria divina: “E repousará sobre ele o espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de inteligência, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Is 11.2).

CRISTO é uma das Pessoas da Santíssima Trindade. Sendo igual a DEUS em seus atributos, pôde administrar sem nenhum empecilho as naturezas divina e humana. As expressões ditas por Ele que mostram certas limitações estão ligadas à sua humanidade. Mas, quando preciso, Ele fez valer os seus atributos divinos.

Quando JESUS disse: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o FILHO, senão o PAI” (Mac 13.32), fê-lo como Homem, não se valendo do seu atributo divino da onisciência. Ao dizer “nem o FILHO”, expressou a sua humilhação e o seu esvaziamento decorrentes de sua encarnação (Fp 2.6-8).

A despeito disso, a Ele foi dado todo o poder no Céu e na Terra; neste “todo” está incluído o atributo da onisciência (Mt 28.18; Jo 16.30; 21.17), que Ele nunca perdeu, em potencial (cf. Jo 6.61), mas dele abriu mão parcialmente e em alguns momentos em que agiu como Homem.

Outros atributos naturais. Além dos atributos acima existem outros em CRISTO: unicidade (Jo 3.16; At 4.12); verdade (Jo 14.6); infinidade (Mq 5.2; Hb 1.12); imensidade (At 10.36); ubiquidade (Mt 18.20; 28.20); eternidade (Is 9.6); inte­ligência (Lc 2.47); sabedoria (Mt 23.34; Lc 11.49; I Co 1.24); amor (Ef 3.19); justiça (Jr 23.6); retidão (2Tm 4.8); presciência (Jo 2.24-25; 6.64); providência (Mc 16.20); vontade (Mt 8.3); misericórdia (Hb 4.15-16).

Atributos morais de CRISTO. Ele era e é: santo (Lc 1.35); justo (Ato 3.14); manso (Mt 11.29); humilde (Mt 11.29); inocente (Hb 7.26); obediente (Fp 2.8); imaculado (Hb 7.26); amoroso (Jo 13.1). Em tudo foi tentado, mas sem pecado (Hb 4.15).

 

A ENCARNAÇÃO DE CRISTO

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós...” (Jo I.14). Devemos observar aqui vários aspectos da vida de CRISTO, envolvendo tanto o contexto divino como o humano:

Sua concepção virginal A concepção de JESUS foi um ato miraculoso de DEUS. A promessa divina de que isso aconteceria foi feita pelo próprio DEUS: “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14b). Paulo disse que a encarnação de CRISTO foi um milagre e a chamou de “mistério da piedade” (I Tm 3.16).

Existem os que sustentam a “virgindade perpétua de Maria”, dizendo que permaneceu ela virgem antes, durante e depois do parto. Mas essa doutrina não tem apoio nas Escrituras nem se coaduna com a história do nascimento de JESUS, que se processou de forma natural. Quanto à sua concepção pelo ESPÍRITO SANTO no ventre da virgem, essa, sim, foi miraculosa e sobrenatural.

A preservação da “virgindade perpétua de Maria” procura isentá-la de ter sido mãe de outros filhos. Essa doutrina forma a base dos argumentos que explicam erroneamente a negação dos “irmãos de JESUS”, que aparecem em vários lugares das Escrituras. Através do tal ensino falso afirma-se que os irmãos de JESUS eram, na verdade, primos.

Parece razoável que uma doutrina dessa natureza, caso tivesse tanta importân­cia como alguns afirmam, pelo menos fosse apoiada por uma pequena afirmação bíblica nesse sentido. Pelo contrário, o Novo Testamento afirma que JESUS tinha uma família do ponto de vista humano, a princípio pequena, formada por José, Maria e JESUS. Depois, mencionam-se os seus irmãos, Tiago, José, Judas e Simão, bem como suas irmãs (Mc 6.3). Há inúmeras referências à família biológica de JESUS nas Escrituras (Sm 69.8; Mt 12.46-50; Mac 3.21,31-35; Lc 8.19-21; Jo 7; Ato 1.13,14; I Co 9.5; Gl 1.19;Tg 1.1; Jd v.1; etc.).

 

JESUS nasceu na plenitude dos tempos

A Era Cristã. E um período que marca sistemas, computa intervalos de tempo determinados, com base em princípios astronômicos. Os calendários são base­ados em unidades de tempo heterogêneas: as resoluções da Lua ou a translação aparente do Sol, conforme são apresentados pela ciência moderna. A escolha das unidades de tempo para periodizar a História é lógica em alguns casos e resultado do hábito em outros. A utilização da Era Cristã (E.C.) é um hábito entre escritores do Ocidente.

Definições de tempos e períodos. A fim de que entendamos o que significa a expressão “plenitude dos tempos”(Gl 4.4), faremos algumas definições.

Na Antiguidade, a datação dos anos partia do início de certos reinados. Os romanos contavam os anos a partir da fundação de Roma. Os gregos usavam como referência os Jogos Olímpicos. A cronologia cristã firmou-se, definitivamente, no fim da Idade Média. Mas não é a única que existe. Os árabes contam os anos a partir da Hégira, fuga de Muhamad (vulgarmente, Maomé) para Medina, em 16 de julho de 622 da E.C.

A aceitação universal da cronologia cristã fez com que os anos anteriores ao nascimento de CRISTO passassem a ser contados de trás para frente (e.g. 10 a.C.).

1)      Geração. Um período de 25 a trinta anos corresponde a uma geração, tempo em que os indivíduos passam a constituir família e gerar filhos. Um século engloba quatro gerações. Entre os teólogos, existem opiniões de que uma geração cobre um período de quarenta anos; para os judeus, a palavra “geração” podia indicar a sucessão do pai por um filho (cf. Mt 1.1-17; Lc 3.23-38).

2)      Idade e época. Idade é um espaço de tempo durante o qual ocorreram fatos notáveis (Idade Média, Idade do Bronze, Idade do Ferro etc.). Época é um período miciado por fato importante (Época do Dilúvio, Época do Renascimento).

3)      Período e etapa. Período é o espaço de tempo entre dois acontecimentos ou duas datas; certo número de anos que mede o tempo de modo diverso para cada nação (o período tinita, o período ático). Etapa é parte de um processo que se realiza de uma só vez.

4)      Fase e tempo. Fase é um estado transitório, menor que a etapa ou o período. Tempo divide-se em três partes: passado, presente e futuro. O tempo sem o movi­mento não seria tempo. Seria eternidade. O tempo é, pois, uma espécie de números. Mas não é um número descontínuo; é um número contínuo e fluente.

5)      Dispensação. É um período de tempo em que o homem é experimentado em relação à sua obediência a alguma revelação especial da vontade divina. A frase vem do latim dispensatio e significa “dispensar”, “distribuir”.

6)      Eternidade. E um atributo que decorre da imutabilidade. O termo deno­ta, com efeito, aquilo que não muda e não pode mudar de maneira alguma. A eternidade é diferente do tempo. O tempo corresponde ao que muda, ao que comporta a sucessão e o vir a ser. A eternidade é uma duração, quer dizer, uma permanência de ser, sem nenhuma sucessão; sem começo nem fim.

JESUS nasceu em Belém. A profecia de Miquéias dizia que o Messias pro­metido aos filhos de Israel, nasceria em Belém, que, mesmo pequena em dimensões, tornou-se notória pelo nascimento e pela infância de Davi, que

nela nasceu e cresceu. Contudo, o que mais imortalizou o seu nome foi sem dúvida o nascimento de CRISTO.

A palavra “Belém” significa “casa de pão” (hb.) e “casa de carne” (ar.). A cidade de Belém está localizada cerca de nove quilômetros ao sul de Jerusalém, sobre uma colina rochosa, com uma população de aproximadamente quarenta mil habitantes. Seu nome primitivo era Efrata (Gn 35.19).

Belém aparece pela primeira vez ligada a morte e sepultamento de Raquel, esposa de Jacó (Gn 35.19). Posteriormente, tornou-se famosa pela história de Rute, bisavó de Davi, nascida ali. Foi essa cidade escolhida por DEUS para que nela Maria desse à luz ao seu primogênito: o Senhor JESUS (Mq 5.2; Mt 2.1-6). Por isso, José, que era da casa e família de Davi, veio a Belém para se alistar com Maria, sua mulher (Lc 2.4-5). Desde esse acontecimento, que marcou a transição entre o Antigo e o Novo Testamentos, essa cidade se fez imortal.

Atualmente, há em Belém duas pequenas entradas que conduzem a uma gruta, a da Natividade, que tem forma retangular e é iluminada por candelabros. Uma estrela de ouro, com a inscrição em latim Hic de Mana Virgine JESUS Chrístus natus este (“Aqui nasceu JESUS da Virgem Maria”), assinala o lugar do nascimento de CRISTO. Uma manjedoura está situada à direita.3

 

)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))

 

REVISTA NA ÍNTEGRA

 

Escrita, Lição 6, O FILHO É Igual Com O PAI, 1º TRIMESTRE DE 2025, Comentários Extras Pr Henrique, EBD NA TV

 

ESBOÇO DA LIÇÃO

I – A DOUTRINA BÍBLICA DA RELAÇÃO DO FILHO COM O PAI

1. Ideia de filho

2. Significado teológico

3. O FILHO é DEUS

II – A HERESIA DO SUBORDINACIONISMO

1. Orígenes

2. No período pré-niceno

3. Métodos usados pelos subordinacionistas

III – COMO O SUBORDINACIONISMO SE APRESENTA HOJE

1. No contexto islâmico

2. O movimento das Testemunhas de Jeová

 

 

TEXTO ÁUREO

“Mas, do FILHO, diz: Ó DEUS, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino.” (Hb 1.8)

 

VERDADE PRÁTICA

O termo teológico “FILHO de DEUS” é título, sendo assim, a existência de JESUS é desde a eternidade junto ao PAI.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Sl 8.4 O termo "filho" na Bíblia indica, muitas vezes, "a mesma espécie"

Terça - Am 7.14 A expressão bíblica "os filhos dos profetas" equivale a expressão "os profetas"

Quarta - Mt 23.30, 31 A palavra "filho" indica também "a mesma índole"

Quinta - Jo 5.18 JESUS falava da sua divindade quando se disse FILHO de DEUS

Sexta - Jo 16.28 JESUS como FILHO refere-se à sua origem divina, à mesma essência e natureza do PAI

Sábado - 1 Jo 4.15 Quem confessa que JESUS é o FILHO de DEUS, DEUS está nele

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE -  João 10.30-38

30 - Eu e o PAI somos um.

31 - Os judeus pegaram, então, outra vez, em pedras para o apedrejarem.

32 - Respondeu-lhes JESUS: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu PAI; por qual dessas obras me apedrejais?

33 - Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia, porque, sendo tu homem, te fazes DEUS a ti mesmo.

34 - Respondeu-lhes JESUS: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: sois deuses?

35 - Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de DEUS foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada),

36 - àquele a quem o PAI santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou FILHO de DEUS?

37 - Se não faço as obras de meu PAI, não me acrediteis.

38 - Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras, para que conheçais e acrediteis que o PAI está em mim, e eu, nele.

 

HINOS SUGERIDOS:  : 154, 277, 400 da Harpa Cristã

 

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

Aproveite a oportunidade desta aula para esclarecer alguns termos teológicos que surgem em face do tema estudado, como por exemplo: Subordinacionismo, Trindade, Consubstancialidade etc. Para isso, recomendamos que você tenha e, se possível, sempre leve para a classe um bom Dicionário Bíblico. Por meio de atividades de pesquisa, seus alunos têm a sede de conhecimento aguçada, além de aprenderem a como utilizar ferramentas de busca confiáveis para melhor estudar e compreender a Palavra de DEUS.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Mostrar a doutrina bíblica da relação entre DEUS PAI e o FILHO Unigênito; II) Refutar biblicamente a heresia do Subordinacionismo; III) Exemplificar como o Subordinacionismo está presente na atualidade.   

B) Motivação: Desde os tempos mais remotos, conhecer o Criador é um anseio do coração humano. Há inúmeros registros históricos, por diversas civilizações, ao longo dos séculos, atestando isso. JESUS disse que aprouve ao PAI ocultar dos sábios e instruídos sua grandeza e revelá-la aos pequeninos. Pois que, "ninguém conhece o FILHO, se não o PAI; e ninguém conhece o PAI, senão o FILHO e aquele a quem o FILHO quiser revelar" (Mt 11.27). Aprofundemo-nos, portanto, nessa infinita graça e riqueza de conhecer o DEUS Todo-Poderoso, por meio do FILHO, nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO.  

C) Sugestão de Método: Previamente, providencie pelo menos três dicionários, de preferência bíblicos, ou mesmo comuns da Língua Portuguesa. Dada a profundidade e complexidade do tema, sugerimos a leitura do significado de alguns termos a fim de clarificar e aprofundar o entendimento; tais como: Autoridade, Essência, FILHO, Subordinacionismo, Trindade, Unigênito etc. Deixe tais palavras destacadas e peça que alguns voluntários as leiam em momentos-chave da lição.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: Em toda a Sagrada Escritura observamos a perfeita unidade na pluralidade de DEUS PAI, DEUS FILHO e DEUS ESPÍRITO SANTO. Essa plena harmonia, igualdade de essência e autoridade entre as pessoas da Trindade, é enfatizada no Novo Testamento, funcionando, inclusive, como modelo de comunhão para a Igreja de CRISTO, na qual cada membro está ligado uns aos outros.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 100, p.39, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "Filiação de CRISTO", logo após o primeiro tópico, dá um panorama das interpretações teológicas acerca da natureza do FILHO de DEUS; 2) O texto "A Palavra na Eternidade", ao final do segundo tópico, aprofunda a natureza eterna de JESUS CRISTO, o FILHO de DEUS.

 

PALAVRA-CHAVE - UNIDADE

 

COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO

Essa porção bíblica do Evangelho de João é uma das mais contundentes em mostrar que o FILHO é igual ao PAI. Afirmar que JESUS é o FILHO de DEUS, mas não o próprio DEUS, é uma contradição em si mesma. O embate de JESUS com os religiosos do templo de Jerusalém revela essa verdade. É isso que a presente lição pretende mostrar e explicar com sólidos fundamentos escriturísticos.

 

 

I – A DOUTRINA BÍBLICA DA RELAÇÃO DO FILHO COM O PAI

1. Ideia de filho

O conceito de filho no pensamento judaico implica a igualdade com o pai (Mt 23.29-31). Uma das ideias de filho na Bíblia é a identidade de natureza, isso pode ser visto no paralelismo poético do salmista: “que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?” (Sl 8.4). Esse paralelismo é sinonímico em que o poeta diz algo e em seguida repete esse pensamento em outras palavras. A ideia de “homem mortal” é repetida em “filho do homem”. Outro exemplo encontramos nas palavras de JESUS: “Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas” (Mt 23.31). Isso porque os escribas e fariseus consideravam os matadores dos profetas como seus pais (Mt 23.29,30).

 

2. Significado teológico

Indica igualdade de natureza, ou seja, mesma substância. É o que acontece com JESUS, Ele é chamado FILHO de DEUS no Novo Testamento porque Ele é DEUS e veio de DEUS. JESUS mesmo disse: “eu saí e vim de DEUS” (Jo 8.42); “Saí do PAI e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o PAI” (Jo 16.28). Quando JESUS declarou: “Meu PAI trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo 5.17), estava declarando que DEUS é seu PAI; no entanto, os seus interlocutores entenderam com clareza meridiana que JESUS estava reafirmando a sua deidade, pois: “dizia que DEUS era seu próprio PAI, fazendo-se igual a DEUS” (Jo 5.18).

 

3. O FILHO é DEUS

 FILHO de DEUS é uma expressão bíblica para referir-se à relação única do FILHO Unigênito com o PAI. A expressão “FILHO de DEUS” revela a divindade de CRISTO. Essa verdade está mais clara na Bíblia que o sol do meio-dia. Por isso, é estranho como pode haver tantos debates sobre o tema. O texto sagrado: “Mas, do FILHO, diz: Ó DEUS, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos, cetro de equidade é o cetro do teu reino” (Hb 1.8) é o mais crucial, pois é uma citação direta de Salmos 45.6,7. É importante prestar melhor atenção naquelas passagens conhecidas dos crentes: “O teu trono, ó DEUS, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de equidade. Tu amas a justiça e aborreces a impiedade; por isso, DEUS, o teu DEUS, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros” (Sl 45.6,7). Que história é essa de o DEUS do versículo 7 estar ungindo o DEUS do versículo 6? Isso tem intrigado alguns rabinos desde a antiguidade. Mas, a Epístola aos Hebreus traz a explicação e revela que DEUS nessa passagem é uma referência a JESUS. A explicação está em Hebreus 1.8, trata-se do relacionamento entre o PAI e o FILHO e que a unidade de DEUS é plural.

 

SINÓPSE I - A doutrina bíblica mostra a relação de unidade entre DEUS PAI e seu FILHO Unigênito.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO - “FILIAÇÃO DE CRISTO

Três principais pontos de vista são apresentados quanto à filiação de CRISTO:

1. Criação em uma época passada

Esse foi o ponto de vista de Ário ao argumentar que JESUS CRISTO foi criado em uma época passada, à semelhança de DEUS PAI, e é homoioitsios com Ele (isto é, de substância similar) [...].

2. Geração eterna

Orígenes e outros que sustentaram essa opinião consideravam a palavra grega monogenes como derivada de gennao, ‘gerar’ (vários tradutores seguiram os seus passos), e traduziram o termo como “Unigénito” (Jo 1.14,18; 3.16,18; Hb 11.17; 1 Jo 4.9). No entanto, trata-se na verdade de um derivado de genos e, portanto, significa ‘único’ ou ‘único do seu género’. Por causa disso, a Bíblia Francesa o traduz como ‘Son Fils Unique’, o que significa ‘o seu único FILHO’ (veja NASB marg. em João 3.16,18). Em Hebreus 11.17, com referência a Isaque, monogenes deve significar “único”, porque Abraão teve outros filhos (Ismael e os filhos de Quetura).

3. O FILHO Único de DEUS

Esta opinião tem o apoio dos argumentos acima. Exemplos de tal uso pode ser encontrados na expressão hebraica do Antigo Testamento: ‘filhos de...’, que significa ‘da ordem de...’ em frases como ‘filhos dos profetas’ (1 Rs 20.35; 2 Rs 2.3,5,7,15; 4.38; 5.22 etc.); ‘filho de um dos boticários’ (Ne 3.8); ‘filhos dos cantores’ (Ne 12.28). A partir daí pode-se compreender como os contemporâneos do Senhor JESUS CRISTO no Novo Testamento entenderam a sua declaração de que Ele era o FILHO de DEUS, significando que Ele afirmava ser igual a DEUS, ou o próprio DEUS. O Evangelho de João mostra que este é o caso” (Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.802).

 

II – A HERESIA DO SUBORDINACIONISMO

1. Orígenes

O Subordinacionismo é toda doutrina que declara ser o FILHO subordinado ao PAI ou um deus secundário ou menos divino que o PAI. Os monarquianistas dinâmicos, ou adocionistas, e os arianistas são os principais representantes dessa heresia. Mas Orígenes (185-254), foi o seu principal mentor. Há, na vastíssima e complexa produção literária de Orígenes, ideias de acordo e contrárias à ortodoxia da igreja, como também ideias neoplatônicas e obscuras de modo que, desde a antiguidade, os estudiosos do assunto estão divididos. Ele exerceu grande influência no Oriente por mais de 100 anos. Nas controvérsias em Niceia, havia os que apoiavam Ário usando Orígenes como base; como também os que apoiavam Alexandre, opositor de Ário, também se baseando no mesmo Orígenes. Segundo seus críticos, parece que a Trindade defendida por ele era subordinacionista: o FILHO subordinado ao PAI e o ESPÍRITO SANTO subordinado ao FILHO. No entanto, a Bíblia revela a igualdade das três pessoas da Trindade (Mt 28.19; 2 Co 13.13).

 

2. No período pré-niceno

O Subordinacionismo foi, nos Séculos II e III, uma tentativa, ainda que equivocada, de preservar o monoteísmo, mas que negou a divindade absoluta de JESUS. Seus expoentes consideravam CRISTO como FILHO de DEUS, inferior ao PAI. Eles afirmavam que o próprio CRISTO declarava a sua inferioridade, e isso eles o faziam com base numa exegese ruim e numa interpretação fora do contexto de algumas passagens dos Evangelhos.

 

3. Métodos usados pelos subordinacionistas

Já estudamos, até agora, o ensino bíblico sobre JESUS como o verdadeiro homem e ao mesmo tempo o verdadeiro DEUS. Somente Ele é assim, e ninguém mais no céu e na terra possui essa característica (Rm 1.1-4; 9.5). No entanto, os subordinacionistas pinçam as Escrituras aqui e ali se utilizando das passagens do Novo Testamento que apresentam o Senhor JESUS como homem e descartam e desconsideram as que afirmam ser JESUS o DEUS igual ao PAI.

 

SINÓPSE II - O Subordinacionismo afirma ser o FILHO subordinado ao PAI,  sendo, portanto, um deus secundário.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO - “A PALAVRA NA ETERNIDADE (1.1-5)

Os versículos 1 a 4 narram o estado preexistente de JESUS e como Ele agia no plano eterno de DEUS. ‘No princípio’ (v.1a) fala da existência eterna da Palavra (o Verbo). As duas frases seguintes expressam a divindade de JESUS e sua relação com DEUS PAI. Esta relação é uma dinâmica na qual constantemente são trocadas comunicação e comunhão dentro da deidade. O versículo 2 resume o versículo 1 e prepara para a atividade divina fora da relação da deidade no versículo 3. No versículo 4 Ele é o Criador mediado. O uso da preposição ‘por’ informa o leitor com precisão que o Criador original era DEUS PAI que criou todas as coisas pela Palavra. Os verbos que João usa nestes versículos fazem distinção entre o Criador não-criado, a Palavra (o Verbo) e a ordem criada. Numa boa tradução, a ARC observa esta distinção: a Palavra (o Verbo) ‘era’ mas ‘todas as coisas foram feitas. O versículo 4 conta várias coisas para o leitor: 1) A Palavra divina, como DEUS PAI, tem vida em si mesma, vida inchada (ou seja, é a fonte da vida eterna). 2) Esta vida revelou a pessoa e natureza de DEUS para todas as pessoas. 3) ‘Luz’ neste ponto pertence à revelação autorizada e autêntica de DEUS […]’” (ARRINGTON, F. L; STRONSTAD, R. (eds.) Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2.ed., RJ: CPAD, 2004, p.496).

 

III – COMO O SUBORDINACIONISMO SE APRESENTA HOJE

1. No contexto islâmico

O Islamismo não considera JESUS como o FILHO de DEUS, mas como messias e profeta, e coloca Maomé acima dele. Nenhum cristão tem dificuldade em detectar o erro de doutrina (Ef 1.21; Fp 2.8-11). O Alcorão afirma que é blasfêmia dizer que JESUS é o FILHO de DEUS, isso com base numa péssima interpretação, pois significaria uma relação íntima conjugal entre DEUS e Maria. O mais grave é que seus líderes afirmam que os cristãos pregam esse absurdo (Jd 10). Lamentamos dizer que até mesmo Satanás e os seus demônios reconhecem que JESUS é o FILHO do DEUS Altíssimo (Mc 5.7). A expressão “FILHO de DEUS” no Novo Testamento significa a sua origem e a sua identidade (Jo 8.42) e não segue o mesmo padrão de reprodução humana. JESUS foi concebido pelo ESPÍRITO SANTO (Mt 1.18, 20; Lc 1.35).

 

2. O movimento das Testemunhas de Jeová

Este confessa publicamente que crê na existência de vários deuses: o DEUS Todo-poderoso, Jeová; depois o deus poderoso, JESUS; e em seguida outros deuses menores, incluindo bons e maus. Mas a fé cristã não admite a existência de outros deuses. É verdade que a Bíblia faz menção de deuses falsos. Se são falsos, não podem ser DEUS (Gl 4.8). Declara o apóstolo Paulo: “todavia, para nós há um só DEUS, o PAI, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, JESUS CRISTO, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele” (1 Co 8.6). Eis uma boa pergunta que incomoda as Testemunhas de Jeová: “JESUS CRISTO é uma divindade falsa ou verdadeira?” Se a resposta for positiva, elas são obrigadas a reconhecer a divindade de JESUS e a Trindade; mas, se a reposta delas for negativa, elas estão admitindo que são seguidoras de um deus falso.

 

SINÓPSE III - O Subordinacionismo se apresenta no contexto islâmico e das Testemunhas de Jeová.

 

CONCLUSÃO

O termo “filho” em relação a JESUS tem sido assunto de debate teológico desde o período dos Pais da Igreja. A interpretação bíblica que se faz é: JESUS é FILHO Unigênito não porque foi gerado, mas sim porque é da mesma substância do PAI.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

1. Por que JESUS é chamado “FILHO de DEUS” no Novo Testamento?

JESUS é chamado FILHO de DEUS no Novo Testamento porque Ele é DEUS e veio de DEUS.

2.  O que revela a expressão “FILHO de DEUS” em relação a JESUS?

A expressão “FILHO de DEUS” revela a divindade de CRISTO.

3. O que é Subordinacionismo?

O Subordinacionismo é toda doutrina que declara ser o FILHO subordinado ao PAI ou um deus secundário ou menos divino que o PAI.

4. Por que o Alcorão afirma que é blasfêmia dizer que JESUS é o FILHO de DEUS?

O Alcorão afirma que é blasfêmia dizer que JESUS é o FILHO de DEUS, isso com base numa péssima interpretação,

pois significaria uma relação íntima conjugal entre DEUS e Maria.

5. Qual a pergunta que incomoda as Testemunhas de Jeová?

Eis uma boa pergunta que incomoda as Testemunhas de Jeová: “JESUS CRISTO é uma divindade falsa ou verdadeira?”

 

))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))

 

Lição 2 - O Nascimento de JESUS

2º trimestre de 2015 - JESUS, o Homem Perfeito: O Evangelho de Lucas, o Médico Amado.

Comentarista da CPAD: Pastor: José Gonçalves

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Lucas 2.1-7

1 E aconteceu, naqueles dias, que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse. 2 (Este primeiro alistamento foi feito sendo Cirênio governador da Síria.) 3 E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. 4 E subiu da Galiléia também José, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), 5 a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida.

6 E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. 7 E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.

 

  

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Na lição de hoje estudaremos a respeito do nascimento do FILHO de DEUS.

É importante lembrar que quando JESUS veio ao mundo, a Palestina estava debaixo do jugo do Império Romano. César Augusto era o imperador. Os imperadores romanos eram vistos por todos como um deus. Porém, o Rei dos reis em breve nasceria. JESUS nasceu em um lugar simples, em um estábulo. Seu berço não foi de ouro, foi uma simples manjedoura. Ele abriu mão de toda a sua glória para vir ao mundo salvar todos os perdidos. JESUS veio revelar-se aos piedosos e às minorias.

O decreto de César Augusto de que todos teriam que se alistar a princípio parece algo ruim para José e Maria, mas na verdade é uma prova de que DEUS controla a história. Tudo contribuiu para que as profecias se cumprissem e o FILHO de DEUS nascesse em Belém (Mq 5.2).

 

 

COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO 

Lucas narra o nascimento de JESUS, situando-o no contexto das profecias bíblicas e do judaísmo dos seus dias. O "silêncio profético", que já durava quatrocentos anos, foi rompido pelas manifestações divinas na Judeia. A plenitude dos tempos havia chegado e o Messias agora seria revelado!

O nascimento de JESUS significava boas novas de alegria para todo o povo.  Os pobres e os piedosos seriam os primeiros a receberem a notícia. Dessa forma, DEUS mostrava que a salvação, por Ele provida, alcançaria a todos os homens.

  

I - O NASCIMENTO DE JESUS NO CONTEXTO PROFÉTICO

1. Poesia e profecia.

2. A restauração do ESPÍRITO profético.

II - O ANÚNCIO DO NASCIMENTO DE JESUS 

1. Zacarias e Izabel.

2. José e Maria.

III – O NASCIMENTO DE JESUS E OS CAMPONESES

1. A nobreza dos pobres. 

2. A realeza do Messias. 

IV - O NASCIMENTO DE JESUS E O JUDAÍSMO

1. Judeus piedosos.

2. Rituais sagrados

 

SÍNTESE DO TÓPICO I - O nascimento de JESUS se deu na plenitude dos tempos, cumprindo todas as profecias bíblicas.

SÍNTESE DO TÓPICO II - O anjo Gabriel anunciou a Maria o nascimento do FILHO de DEUS.

SÍNTESE DO TÓPICO III - Os pastores que estavam no campo foram os primeiros a saber que o FILHO de DEUS havia nascido.

SÍNTESE DO TÓPICO IV - José e Maria, como pais piedosos, seguiram todos os rituais do judaísmo no nascimento de JESUS.

 

CONHEÇA MAIS

*O  local de nascimento do Salvador

"JESUS nasceu em Belém, ao sul de Jerusalém, mas passou a infância e juventude em Nazaré, cidade próxima ao mar da Galileia, no norte. Belém, o lugar onde JESUS nasceu, é hoje uma região em conflito." Para conhecer mais leia Guia Cristão de Leitura da Bíblia, CPAD, p. 21.

 

PONTO CENTRAL

JESUS veio ao mundo como um de nós para salvar os perdidos.

 

Na plenitude dos tempos, JESUS veio ao mundo. Ele é o Messias

No anúncio do nascimento de JESUS, um anjo do Senhor é enviado especialmente aos camponeses pobres que pastoreavam os seus rebanhos no campo.

Lucas lembra o fato de que CRISTO nasceu em Belém, cidade de Davi, cumprindo dessa forma a profecia bíblica.

 

SUBSÍDIO HISTÓRICO 

"O censo consistia no alistamento obrigatório dos cidadãos no recenseamento, o que servia de base de cálculo para os impostos. Quirino era governador do Império legado pela Síria, em d.C., mas este pode ter sido seu segundo mandato. Além disso, Lucas fala do censo que trouxe José e Maria a Belém como um prote (que provavelmente signifique, aqui, 'o anterior' e não o 'primeiro'). Assim, o ano de nascimento de CRISTO continua a ser objeto de debate" (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 653).

SUBSÍDIO DIDÁTICO I

Professor, converse com os alunos explicando que jamais devemos adorar a Maria, todavia, não podemos deixar de reconhecer seu valor. Afinal, ela foi escolhida para ser mãe do FILHO de DEUS. Esta escolha está certamente baseada num caráter de especial dignidade. Sua pureza, humildade e ternura são um exemplo para todos os crentes que desejam agradar a DEUS (Adaptado de: PEARLMAN, Myer. Lucas: O Evangelho do Homem Perfeito. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p. 27).

SUBSÍDIO DIDÁTICO II

Professor, antes de iniciar a explicação do tópico, faça a seguinte indagação: “Por que os pastores foram os primeiros a saber do nascimento do Messias?” “Por que os sacerdotes e escribas não foram os primeiros a  saber?” Ouça os alunos e incentive a participação de todos. Explique que os pastores faziam parte de uma classe social bem simples. Eles eram pobres. As Boas-Novas de salvação não foram anunciadas primeiro aos poderosos e nobres, mas aos humildes, pobres, a pessoas comuns do povo, mostrando que CRISTO veio ao mundo para todos.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"A legislação sobre o parto" (2.21-24). O texto em Levítico 12.1-5 registra o compromisso materno de oferecer um sacrifício para o ritual de purificação após o nascimento da criança. Foi para dar cumprimento a esse dispositivo legal do Antigo Testamento que a família se dirigiu ao Templo (veja também Lv 12.6-8)" (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 653).

"Lucas descreveu como o FILHO de DEUS entrou na História. JESUS viveu de forma exemplar, foi o Homem Perfeito. Depois de um ministério perfeito, Ele se entregou como sacrifício perfeito pelos nossos pecados, para que pudéssemos ser salvos.

JESUS é o nosso Líder e Salvador perfeito. Ele oferece perdão a todos aqueles que o aceitam como Senhor de suas vidas e creem que aquilo que Ele diz é a verdade" (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p. 1337).

 

PARA REFLETIR 

Sobre os ensinos do Evangelho de Lucas, responda:

 

De que forma devem ser entendidos os cânticos de Zacarias e Maria?

Eles devem ser entendidos como sendo de natureza profética. Esses cânticos contextualizam o nascimento de CRISTO dentro das promessas de DEUS ao seu povo.

Como era o relacionamento de José e Maria antes da anunciação angélica?

Eles eram noivos.

De que forma a lição conceitua os pobres?

Os pobres são os carentes tanto de bens materiais como espirituais.

De acordo com a lição, qual o propósito de Lucas mostrar JESUS cumprindo rituais judaicos?

Lucas deseja mostrar que JESUS, como Homem Perfeito, se submeteu e cumpriu os rituais judaicos, tendo, com isso, cumprido a Lei.

Dentro de que contexto Lucas procura situar o nascimento de JESUS?

Lucas procura situar o nascimento de JESUS dentro do contexto histórico.

 

CONSULTE

Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 62, p. 38.

Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição.

 

SUGESTÃO DE LEITURA

Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento - CPAD

Um Mestre Fora da Lei - CPAD

Pequena Enciclopédia Bíblica - CPAD

 

Comentários de vários livros com algumas modificações do Pr. Luiz Henrique

Quando Nasceu JESUS? A melhor estimativa é 29 de setembro de 5 a.C.

Como? Não é a 25 de dezembro do ano zero?

Veja abaixo  por que não. Otto Amaral (*) 

Recomendamos que você leia, depois deste, o artigo NATAL A 25 de DEZEMBRO: DE ONDE VEIO ESSA DATA? Ele oferece evidências sobre a forma através da qual essa mudança ocorreu e as suas razões.  

Estudiosos da Bíblia prontamente nos respondem à pergunta acima dizendo que, muito provavelmente NÃO foi 25 de dezembro do ano zero. Por quê? Vejamos.

Quando os pastores estão nos campos?

Meteorologistas israelenses pesquisaram, por muitos anos, os padrões do tempo em dezembro e concluíram que o clima em Israel foi constante nos últimos 2.000 anos. O livro The Interpreter’s Dictionay of the Bible (Dicionário de Interpretação Bíblica) declara que “de um modo geral, os fenômenos climáticos, assim como as condições atmosféricas como mostrados na Bíblia correspondem à realidade observada hoje”(RBY Scott, vol. 3, Abingdon Press, Nashville, 1962, pág. 625).

A temperatura média na área de Belém em dezembro é de 7 graus Centígrados, mas pode cair até abaixo do ponto de congelamento da água, especialmente à noite. Descrevendo a temperatura ali, Sara Ruhin, chefe do Serviço Meteorológico de Israel, declarou, em um a notícia veiculada em 1990 pela imprensa, que aquela área apresentara três meses de geadas: dezembro (com 1,6 C negativo), janeiro (1,1 C negativo) e fevereiro (0 C).

Neve é comum por dois ou três dias em Jerusalém e nas proximidades de Belém em dezembro e janeiro. Esses eram os meses de inverno, de elevados índices de precipitação (muitas chuvas) quando as estradas, nos tempos bíblicos, ficavam praticamente inutilizáveis e as pessoas permaneciam dentro de casa, sempre que possível.

Essa constatação é uma evidência importante a reprovar dezembro como o mês de nascimento de JESUS CRISTO. Perceba que, na época do nascimento de JESUS, os pastores mantinham seus rebanhos nos campos à noite. “Havia, naquela mesma região, pastores que viviam nos campos e guardavam o seu rebanho durante as vigílias da noite” (Lucas 2:8). Era prática comum entre os pastores deixar os rebanhos nos pastos de abril até outubro, mas nos meses frios e chuvosos, os rebanhos eram trazidos de volta para os estábulos e ali abrigados.

Um comentário admite que, “como os pastores não haviam ainda levados seus rebanhos para os estábulos, é de se presumir que outubro ainda não havia começado e que, consequentemente, nosso Senhor não nasceu em 25 de dezembro, quando já não existem rebanhos nos campos! Não pode ele haver nascido depois de setembro, quando os rebanhos já não se encontravam mais nos campos à noite.  Efetivamente, a hipótese do nascimento de JESUS em dezembro precisa considerar esses fatos. A alimentação dos rebanhos à noite nos campos é um fato cronológico, que projeta considerável luz sobre esse ponto controverso” (Commentary, de Adam Clark, Abingdon Press, Nashville, nota sobre Lucas 2:8).

http://www.restaurarnt.org/quandojesusnasceu.html

 

O evangelista, doutor Lucas, o médico amado, escreveu a história do nascimento de JESUS CRISTO, paralelamente, a de João Batista. Podemos chamar de histórias dos nascimentos dos dois meninos, pois, em primeiro lugar, Lucas apresenta os anúncios do nascimento de João Batista e de JESUS CRISTO (Lc 1.5-25, cf. w.26-38); depois, a visita de Maria a Isabel (Lc 1.39-45); o cântico de Maria e a informação de que ela passará três meses na casa de sua prima Isabel (Lc 1.46-56); em seguida, a narrativa do nascimento de João Batista (Lc 1.57-66); o cântico de Zacarias, seu pai (Lc 1.67-80); depois, a narrativa do nascimento de JESUS CRISTO (Lc 2.1-7); logo mais, a chegada dos pastores de Belém (Lc 2.8-20); em seguida, a circuncisão e a apresentação de JESUS no Templo (Lc 2.21-24); a alegria de Simeão e da profetisa Ana com o nascimento do Salvador (Lc 2.25-38); e o encontro de JESUS com os doutores da Lei, no Templo, aos doze anos de idade (Lc 2.39-52).

Nas seções narrativas dos anúncios natalícios sobre JESUS CRISTO e João Batista, e de seus respectivos nascimentos, os grandes hinos presentes na narrativa lucana tomou um vulto grandioso na História da Igreja: o Magnificat, cântico de Maria exaltando a DEUS pelas suas obras (1.46-55); o Benedictus, o cântico de Zacarias quando bendiz o DEUS de Israel e profetiza sobre o ministério de João Batista (1.68-79).

As narrativas dos nascimentos de JESUS e de João têm o objetivo de deixar claro, desde o início da obra evangélica, a importância suprema da pessoa JESUS CRISTO. Enquanto João tinha pai e mãe, e fora fruto do relacionamento entre Zacarias e Isabel, a narrativa igualmente deixa claro que a mãe de JESUS, Maria, não conheceu homem algum. E que o FILHO de DEUS fora concebido no ventre de Maria pela obra do ESPÍRITO SANTO.

No Benedictus, o cântico de Zacarias, João Batista foi profetizado como o precursor do Messias, JESUS, o Salvador do Mundo. O grande profeta foi reconhecido pelo povo e por Herodes. João Batista descortinou o caminho do FILHO de DEUS para o arrependimento do povo, após apresentá-lo a fim de que esse povo reconhecesse o FILHO de DEUS, o desejado entre as nações.

É importante que o estudante da Bíblia compreenda a forma como as narrativas do Evangelho de Lucas estão estruturadas, pois ela apresenta uma estrutura que faz sentido na forma como JESUS CRISTO é apresentado a partir do capítulo 3 do Evangelho.

Revista Ensinador Cristão - CPAD, n° 62, p. 38.

 

COMENTÁRIO/INTRODUÇÃO

Após uma rápida introdução (1.1-4), Lucas relata o anúncio dos anjos com respeito aos nascimentos vindouros de João Batista (w 5-25) e de JESUS (w. 26-38), narra a alegria das duas parentas, Isabel e Maria (vv. 39-45) e inclui uma cópia do magnífico cântico de louvor, em forma de poema, “o cântico de Maria”, comumente conhecido como “o Magnificat” (w. 46-56). Lucas descreve as circunstâncias extraordinárias do nascimento de João e o sentimento pela expectativa criada na região (vv. 57-66). Finalmente, Lucas inclui uma declaração profética de Zacarias, o pai de João, ao identificar a missão de seu filho como o precursor do Messias {w. 67-80). Ao juntar todo esse material, muitos dos quais exclusivos de seu Evangelho, Lucas chama a atenção para o clima de expectativa que DEUS começava a criar entre seu povo como preparativo para o aparecimento do Salvador. Todavia, o autor também chama nossa atenção para as magníficas características de Maria e Isabel, mulheres de fé e compromisso.

RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Editora CPAD. pag. 652.

 

Neste capítulo, temos um relato do nascimento e da infância do nosso Senhor JESUS, pois a sua concepção, e o nascimento e a infância do seu precursor já tinham sido assunto do capítulo anterior. Aqui, o Primogênito vem ao mundo; vamos encontrá-lo com nossas hosanas, Bendito o que vem. Aqui temos:

I. O lugar do seu nascimento, e outras circunstâncias, que provavam que Ele era o verdadeiro Messias, e alguém como nós necessitávamos, mas não alguém como os judeus esperavam, vv. 1-7.

II. O aviso do seu nascimento aos pastores daquela região, levado por um anjo; o cântico de louvor que os anjos entoaram naquela ocasião, e a propagação da notícia do seu nascimento pelos pastores, w. 8-20.

III. A circuncisão de CRISTO, e o nome que lhe foi dado, v. 21.

IV. A apresentação do menino JESUS no templo, vv.22-24.

V. Os testemunhos de Simeão, e Ana, a profetisa, a respeito dele, w . 25-39.

VI. O crescimento e a capacitação de CRISTO, w. 40-52.

VII. Seu comparecimento à Páscoa, aos doze anos de idade, e a sua conversa com os doutores no templo, vv. 41-51.

É isto, juntamente com o que já encontramos (capítulos 1 e 2 do Evangelho de Mateus), é tudo o que sabemos a respeito do nosso Senhor JESUS, até que Ele iniciou a sua obra pública, aos trinta anos de idade.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 526.

 

 

 

1 - O NASCIMENTO DE JESUS NO CONTEXTO PROFÉTICO

1. POESIA E PROFECIA.

O Magnificat (1.46-56). Alguns questionam se uma jovem e inculta criatura poderia compor esse magnífico poema profético. Não obstante, Maria estava bem familiarizada com as passagens do Antigo Testamento, pois as ouvia nos momentos de louvor na sinagoga e em sua casa. Maria, sem dúvida alguma, sabia tudo sobre a visita do anjo e pode ter escrito seu salmo durante semanas, orientada pelo ESPÍRITO que falava através dela. Seu poema em formato de louvor é dividido em quatro partes distintas. 1) louvor e agradecimento pessoal (w. 46-48); 2) celebração aos atributos de DEUS (w. 49,50); 3) proclamação da correção da injustiça (w. 51-53); e 4) louvor pela misericórdia demonstrada a Israel (vv. 54,56).

O Benedictus (1.67-80). O poema profético de louvor de Zacarias a DEUS, pelo Messias (vv. 68-75) e o papel de seu filho, João (w. 76-79).

RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. Editora CPAD. pag. 652.

 

O Cântico de Maria: Magnificat, 1:46-55.

Foi dado o nome do Magnificat , termo latino equivalente à primeira palavra do texto grego, megalúno 3170 (amplia ou "maravilhoso").

Magnificat 1:46-55

Magnificat é o nome que tem sido chamado o cântico de Maria. O termo Magnificat é latim e significa "amplia" ou "magnífico", que é a primeira palavra que Maria usou neste cântico de louvor a DEUS.

O Magnificat é um cântico de louvor à grandeza de DEUS. Exaltar acima de todas as manifestações de Seu amor e poder em favor dos pobres e desprezados. Minimiza o poder do "potente". Seu vocabulário é radical e claro. Contém um fundo baseado no AT (como as canções de Zacarias e Simeão), constituindo um mosaico de textos do AT (Salmos dos pobres de Javé, Sofonias, entre outros), que se destaca como ponto de partida para a música de Ana (1 Sam. 2: 1-10).

A vida poderosa e arrogante em suas próprias forças de segurança e os bens serão destronados (vv. 51, 52a). Mas o humilde, acostumado a se curvar diante do rico, e cujos direitos são espezinhados e permanentemente manchados, será exaltado (v. 52b). Os famintos e necessitados recebem a abundância, enquanto os ricos serão despojados de sua riqueza (v. 53).

Os chamados orgulhosos, poderosos e ricos são a classe alta da nação judaica, representada pelos fariseus, saduceus, dos principais sacerdotes e os ricos da oligarquia sacerdotal. Os humildes e famintos são pessoas como Zacarias, Simeão, Ana, Lázaro e suas irmãs, e todos os que em Lucas são os verdadeiros protagonistas da história: os marginalizados. Tudo só aconteceu após o anúncio de João e JESUS.

O Magnificat é intervalo entre o tempo de espera (AT) e tempo de realização (NT). Testemunhar a alegria e a gratidão dos pobres, que esperam e confiam na ação de DEUS.  É evidente o sinal constante por trás do julgamento e redenção. Nesta canção, Maria louva a DEUS por sua graça para com ela, os pobres (ênfase principalmente de Lucas) e ao seu povo Israel. Esta é a estrutura da Magnificat.

a. Atividade divina em favor de Maria, 1: 46-50. Contém uma série de elementos que proporcionam uma unidade inegável. Primeiro de tudo, é a única parte do hino que se conecta à situação concreta de Maria (Anunciação e visitação), e manifesta a sua dimensão pessoal, por exemplo: a minha alma (v 46), meu espírito e meu Salvador (v 47), seu servo, referindo-se a Maria, e de hoje em diante todas as nações me chamarão bem-aventurada (v 48): o Todo-Poderoso fez grandes coisas por mim (v 49). Nesta parte da música são acumulados  explicitamente vários títulos divinos, como Senhor (v 46), Salvador (v 47); Poderoso ys anto (v 49). Há um alto senso de propriedade e pertencimento interpessoal. Finalmente certos atributos de DEUS são destacados: (Vv 47, 48) graça, bondade e fidelidade; santidade e onipotência (v49); misericórdia (v 50).

Maria reconheceu a sua necessidade de um Salvador; ela louvou a DEUS por seus maravilhosos prodígios; e reconheceu a perfeita fidelidade de DEUS às suas promessas. Neste contexto de louvor, Maria revela suas convicções espirituais mais íntimos. 

b. Atividade Divina em favor dos pobres, 1: 51-53 . Esta parte é aparentemente menos conceitual do que a anterior, com um forte sentido sociológico. O assunto dos seis verbos é DEUS (se espalhou, fora, para cima, satisfez, demitido). O beneficiário em todos os casos, o homem é carente e marginalizado (Apoc. 13:18). Para a construção gramatical de verbos (aoristo sentencioso, indicando um procedimento usual), eles têm de traduzir o presente. Ou seja, aqui indicam uma constante na atividade divina através da história da salvação. Em uma palavra, DEUS exalta os pobres e abate os poderosos. O v. 51, contém o juízo divino histórico em seu aspecto negativo, DEUS com seu poder frustra os planos do arrogante. Esta constante na história da salvação é especificada como autêntico julgamento divino em duas categorias antitéticas: os ricos e poderosos, de um lado, e os humildes e com fome do outro.

c. Atividade de DEUS em favor de Israel, 1:54, 55 . Maria Aqui, novamente mudou a perspectiva. Centra agora a atividade salvadora de DEUS em Israel, com um claro senso de história, passando, assim, a salvação para coletiva. A razão para esse favor divino por seu servo (Pais 3816) Israel é a misericórdia (eleos 1656). DEUS (v 54b), e a fidelidade de suas promessas (v. 55).

O tema dos três verbos (ajudo, lembre-se, ele falou), mais uma vez é DEUS. E o personagem de salvação gratuita é suficientemente especificado tanto em misericórdia como pela fidelidade de DEUS às suas promessas.

Nessa aliança (cf. Gn 12, 1-3, 15, 17, 22:18; 26: 4; 28:14), DEUS havia prometido a Abraão uma bênção pessoal ("eu te abençoarei e farei o seu nome grande, e tú serás uma bênção"),  ("Farei de ti uma grande nação") é universal ("E em você todas as famílias da terra"). Isso significa que Maria estava ciente de que o nascimento de JESUS foi o cumprimento das promessas feitas a Abraão e ao seu povo, e através deles, a toda a humanidade (cf. Gal 3:16; Atos 3:25, 26).

No Magnificat - Maria não diz absolutamente nada para si mesma. Limitou-se a glorificar e exaltar o seu Senhor, Salvador e DEUS: "Fazei o que Ele vos disser" (Jo 2, 5). Este é o único registro bíblico onde Maria dá um comando (nas bodas de Caná), e isso é pedir à humanidade para obedecer a JESUS porque Ele é o Senhor.

O Cântico de Zacarias: Benedictus, 1:67-79. Ele é conhecido sob o nome de Bento, a primeira palavra na versão latina (o mesmo que o Magnificai). É uma canção cheia de citações e alusões ao AT. Na teologia de Lucas, o enchimento do ESPÍRITO SANTO está associado com a habilidade sobrenatural para proclamar a palavra de DEUS com poder (1:67). O ESPÍRITO de DEUS estava associado à profecia do Antigo Testamento, e essa perspectiva permaneceu em vigor até a vinda de JESUS. O tema central da canção é a salvação de DEUS. E o tom é solene, condizente com um estilo sacerdotal e profético.

Benedictus 1: 67-79

Essa música expressa por Zacarias veio a ser conhecido como o Benedictus , porque da primeira expressão em latim, no versículo 68 traduzida como "bendito seja." Acredita-se ter sido usado pela primeira vez este nome no ano de 253 d. C., por um monge chamado San Benito.

(A) Louve a DEUS pela salvação profetizou, 1: 67-72. Zacarias começa com a frase habitual da bênção judaica: Bendito seja o Senhor, DEUS de Israel (v 68). Zacarias associou profeticamente a "visitação" de DEUS com a "redenção" e consumação da salvação. É uma clara alusão ao envio do Messias, o FILHO de Davi. A razão para a alegria de Zacarias é que agora é chegada a salvação do Senhor, conforme anunciado e aguardado por séculos. Literalmente, "Chifre" ou "uma salvação" (v. 69) é, sem dúvida, uma referência direta ao Messias, que em poucos meses haveria de nascer. Chifre é um conceito bíblico profético e apocalíptico significa "poder" ou "força" como o chifre de um animal poderia dar a vitória na batalha. Ele tem um significado paralelo ao de "força" Salmo 18: 2. E é uma linguagem belicosa para indicar a vitória do Salvador (Sal 132 .: 17). O v. 70 reflete o plano soberano de DEUS cuidadosamente projetado e socializado através dos profetas do Antigo Testamento; fato de que Zacarias era conhecedor por ser um sacerdote. Nos versos. 71, 72 Zacarias está descrevendo boa notícia da visitação para o povo de Israel, o libertador.  É um ato de libertação dos inimigos diretos de Israel, e os que os desprezam. É um ato de misericórdia da parte de DEUS às promessas feitas a Abraão e Davi, e para honrar sua santa aliança . Assim, DEUS está cumprindo a sua aliança.

(B) O louvor a DEUS pela salvação prometida, 1: 73-75 . Zacharias recorda e reenfatiza o coração da aliança abraâmica (v. 73). Transcende dois fatos de sua perspectiva: Qual é a razão do pacto ou aliança? e, qual é o propósito da aliança?, ou o do pacto? A razão do pacto se encontra nas palavras: (V 74a) redenção, salvação ou libertação. E o propósito é servir ao Senhor, no contexto das três virtudes: sem medo (afóbos 870); em santidade (osiótes 3742) e justiça (dikaiosune 1343).

Além disso, Zacarias explica que o serviço está sendo feito, todos os dias (1: 74b, 75). Aparentemente relembra seus muitos anos à espera de "a" oportunidade de uma vida toda para servir no templo. Agora, ele pode perceber que todos podem servir a DEUS de forma permanente (não ocasional). A promessa da aliança com Abraão tinha a intenção de criar uma nova identidade e propósito no povo de Israel que foi redimido pelo poder de DEUS, para servir ao Senhor.

(C) Louve a DEUS pela salvação oferecida, 1: 76-79. Nesta parte da música, Zacarias centra-se no presente e aponta para a missão tanto de João como JESUS. O v. 76 e 77 definem a identidade e do ministério do precursor. Ele será o profeta do Altíssimo (1:76), que vai se destacar no palco da história, com dois objetivos específicos:

1) Para preparar os seus caminhos (1: 76b). Para gerar um novo êxodo para o povo de Israel (cf. Is 40, 3; Luc 3: 4 ss). João aparece, nesse sentido, como uma espécie de novo Moisés. A este respeito, deve-se notar que todas as festas judaicas apontam para o Messias. Prevendo que o refrigério chegara.

2) Para instruir as pessoas que a salvação consiste no perdão dos seus pecados (1:77) e, portanto, requer arrependimento pessoal e não se gabar ou confiar a sua identidade nacional e religiosa (comp. 3 : 8, 05:32, 13: 3, com Marcos 1: 4, 14, 15, Atos 2:38, 03:19, 26, 05:31).

Tesouro Bíblico

Bendito seja o Senhor, DEUS de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo (1:68). O vv. 78, 79, se referem a JESUS, o Messias. A causa ou razão essencial, ele deixa para o final de sua canção. A salvação é o resultado da misericórdia do nosso DEUS (v. 78). E será concretizado na história (porque a salvação é intrahistorical), por meio da luz da aurora ; outras maneiras de dizer o que pode ser "a aurora do alto"; "Rising Sun" ou "Sol da justiça" (cf. Ml. 4 :. 2, Sl 84:11.). É uma forma poética e profética para descrever JESUS, o Messias, o FILHO de DEUS, que "nasceu" " visitados", um aoristo para fazer este paralelo, mais. tarde, com v. 68). Parece ser um jogo muito inteligente de palavras em grego que procura descrever o Messias como "reparação" ou "estrela" do Antigo Testamento (cf. Is 4: 2; 53: 2; Jeremias 23: 5; 33:15, Zacarias.3: 8; 6:12). O Senhor JESUS foi glorificado e fechou o cânon bíblico, assumiu o cumprimento dessa profecia em si mesmo: "Eu sou a raiz e a geração de Davi, a estrela brilhante da manhã" (Ap 22:16b). Zacarias tem dois bebês em sua mente, um já nascido, João, e o outro JESUS que vai nascer. Finalmente (v. 79), Zacarias requer dois aspectos da missão do Messias. O contexto dessa passagem é completamente messiânico (cf. Is 9: 1, 2, 6, 7, Luc. 4: 14-21.). Assim: (1) esclarecer os que jazem nas trevas e na sombra da morte (cf. Is 9, 2; Salmo 23: .. 4 em João 10: 7-18, 1: 7-9, 8:12; 1 Jo 1. 5-7). Pecado distorce a vida humana e social, e cria injustiça e conseqüente morte. CRISTO vai iluminar a situação em que as pessoas vivem; condições de pobreza, marginalização e alienação. (2) dirigir os nossos pés no caminho da paz (Eirene 1515). Paz na Bíblia significa reconciliação, harmonia, integridade e vida plena em todos os sentidos possíveis. Esta parte está prevista por Isaías 9: 6, o Messias será chamado de Príncipe da Paz.

Daniel Carro; José Tomás Poe; Ruben O. Zorzoli. Comentário bíblico mundo hispano. Editora Mundo Hispânico. Casa Batista de Pulblicaiones.

 

 

 

2. A RESTAURAÇÃO DO ESPÍRITO PROFÉTICO.

O contexto profético

Já foi dito neste livro que Lucas demonstra um interesse ímpar na pessoa do ESPÍRITO SANTO e como Ele se relaciona com o ministério de JESUS. Lucas faz um desenho detalhado do contexto profético a fim de mostrar que o ESPÍRITO profético havia sido revivificado.

Os expositores bíblicos David W. Pao e Echard J. Schnabel denominam esse aspecto da teologia carismática de Lucas de “o alvorecer da era escatológica”, e escrevem:

“O surgimento de João Batista significa o retorno da profecia e dos atos salvíficos de DEUS na história, essa sessão destaca o despertar da era escatológica. A intensidade da presença do ESPÍRITO SANTO enfatiza essa afirmação: Isabel “ficou cheia do ESPÍRITO SANTO” (1.41), e assim também Zacarias (1.67). O ministério de João Batista é caracterizado como um ministério do ESPÍRITO (1.15). Simeão, que aguarda com expectativa a consolação de Israel (cf. Is 40.1), recebe o ESPÍRITO (2.25) e a revelação do ESPÍRITO SANTO de que “ele não morreria antes de ver o CRISTO da parte do Senhor” (2.26). Embora a presença do ESPÍRITO possa ser encontrada nos relatos de personagens do AT (e.g., Josué [Nm 27.18], Sansão [Jz 13.25], Davi (1 Sm 16.13], essa intensidade só encontra correspondência no acontecimento do Pentecostes, relatado no segundo volume de Lucas (At 2), no qual as promessas proferidas por João (Lc 3.16) e por JESUS (Lc 11.13; 12.12; At 1.8) são cumpridas. Esses acontecimentos apontam para o cumprimento de antigas promessas que falam do papel do ESPÍRITO no tempo do fim (v. esp. Is 32.14-17 [cf. Lc 24.49; At 1.8]; J1 2.28-32 [cf. At 2.17-21]), quando DEUS restaurará seu povo para sua glória (At 3.19-20)”.

A teologia de Lucas, portanto, tanto no terceiro evangelho como nos Atos dos Apóstolos é uma teologia da Salvação de DEUS. Durante seu ministério terreno, capacitado pelo ESPÍRITO SANTO, conforme o testemunho do terceiro evangelho, JESUS a proclamou (Lc 4.18; At 10.38). Glorificado à direita do PAI nos céus, e através do mesmo ESPÍRITO que outorgou aos que lhe obedecem, conforme o testemunho de Atos dos Apóstolos (At 2.33; 5.32), o Senhor está dando-lhes continuidade.

O ESPÍRITO SANTO sempre esteve presente na história do povo de DEUS. Ele esteve presente na história do antigo Israel, esteve presente no ministério de JESUS e dos apóstolos e agora está presente na igreja hodierna!

José Gonçalves. Lucas, O Evangelho de JESUS, o Homem Perfeito. Editora CPAD. pag. 32-33.
 
O Caráter de Simeão (Lc 2.25-27)
1. Justo. “Homem justo e piedoso”. Simeão era “justo” com respeito aos mandamentos de DEUS - vivia corretamente - e “piedoso” em seu relacionamento com seus semelhantes - amava ao Senhor e era espiritual. Chamariam-no os vizinhos “homem bom”, “generoso”, “misericordioso” e “benevolente”.
2. Esperançoso. “Esperava a consolação de Israel”, ou seja, a vinda do Messias. Havia entre os judeus piedosos da época a convicção de que a vinda do Messias não seria adiada por muito tempo (cf. Mc 15.43). Era comum a oração: “DEUS conceda que eu possa ver a consolação de Israel!”
3. Ungido pelo ESPÍRITO. “E o ESPÍRITO SANTO estava sobre ele”. Havia muito tempo, o ESPÍRITO SANTO deixara os líderes de Israel, e eles jaziam em meio à palha seca da formalidade. DEUS estava procurando almas humildes e consagradas, sedentas de retidão. Por vezes a morte de igrejas estabelecidas leva-o a despertar novos movimentos espirituais entre as pessoas humildes e simples. O reavivamento wesleyano é um exemplo.
4. Ensinado pelo ESPÍRITO. “Revelara-lhe o ESPÍRITO SANTO que não passaria pela morte antes de ver o CRISTO do Senhor”. Pessoas virtuosas e sinceras têm confundido o intenso anseio pela volta do Senhor como sinal de que o verão acontecer. No caso de Simeão, porém, houve genuína revelação de que o desejo do seu coração seria satisfeito.
5. Orientado pelo ESPÍRITO. “Movido pelo ESPÍRITO foi ao templo”. Um impulso secreto o fez dirigir-se ao santuário. Era um momento crítico, quando tudo dependia da sua obediência à voz de DEUS.
Myer Pearlman. Lucas, ó Evangelho do Homem Perfeito. Editora CPAD. pag. 51-52.
 
O testemunho que Simeão lhe dá é muito honorável, e este testemunho foi tanto uma reputação para o menino quanto um incentivo para os seus pais, e poderia ter sido uma feliz iniciação dos sacerdotes para uma intimidade com o Salvador, se estes sentinelas não estivessem cegos para as coisas de DEUS. Observe aqui:
1. A informação que nos é fornecida a respeito deste Simeão: Ele vivia em Jerusalém, e era conhecido por ser “justo e temente a DEUS” . Alguns homens instruídos, que têm profundo conhecimento dos autores judeus, dizem que houve, nesta época, um Simeão, um homem muito conhecido em Jerusalém, o filho de Hillel, e o primeiro a quem foi dado o título de Rabban, o maior título que era dado aos seus doutores, e que foi dado somente a sete deles. Ele sucedeu ao seu pai Hillel, como presidente do conselho que o seu pai tinha fundado, e do grande Sinédrio. Os judeus dizem que ele era dotado de um espírito profético, e que tinha sido expulso do Sinédrio por ter testemunhado contra a opinião corrente dos judeus a respeito de reino temporal do Messias; e, da mesma maneira, observam que não há menção dele na sua Mishna, ou livro de tradições, o que dá a entender que ele não foi adepto daquelas tolices. Uma objeção contrária a esta conjetura é o fato de que, nesta época, o seu pai, Hilel, ainda estava vivo, e ele mesmo viveu por muitos anos depois disto, como fica evidente pelas histórias dos judeus; mas, quanto a isto, aqui não está dito que ele fosse velho; e as suas palavras: “Agora, Senhor, podes despedir em paz o teu servo”, indicam que ele estava preparado para morrer agora, mas não se pode concluir que, por isto, ele realmente morreu dentro de pouco tempo. O apóstolo Paulo viveu muitos anos depois de ter dito que a sua morte estava próxima, Atos 20.25. Outra objeção se refere ao fato de que o filho de Simeão era Gamaliel, um fariseu e inimigo do cristianismo; mas, quanto a isto, não é novidade que um amigo fiel de CRISTO tivesse como filho um fariseu fanático.
As informações que temos aqui sobre Simeão dizem que:
1) Ele era justo e devoto, “justo” com relação aos homens, e “temente a DEUS” ; estas duas qualidades sempre devem andar juntas, e cada uma delas deve auxiliar a outra, mas nenhuma poderá compensar a deficiência da outra.
2) Ele esperava “a consolação de Israel”, isto é, a vinda do Messias, pois somente nele a nação de Israel, que agora estava miseravelmente subjugada e oprimida, encontraria consolação. CRISTO não somente é o autor do consolo do seu povo, mas também a essência e a base dele, o consolo de Israel. Ele era esperado há muito tempo, e aqueles que acreditavam que Ele viria, continuavam aguardando-o, desejando a sua vinda, e esperando com paciência; e eu quase disse, com algum grau de impaciência, que estavam esperando que Ele viesse logo. Simeão sabia, pelos livros, como Daniel, que era chegado o tempo, e, portanto, agora havia uma expectativa maior do que nunca. Os judeus incrédulos, que ainda estão esperando aquele que já veio, usam como um juramento, ou uma declaração solene, as palavras: Isto e aquilo acontecerão, assim como eu espero ver a consolação de Israel. Observe que “a consolação de Israel” deve ser esperada, e vale a pena esperar por ela, e será muito bem-vinda àqueles que esperaram por ela, e continuam esperando.
3) “O ESPÍRITO SANTO estava sobre ele”, não somente como um ESPÍRITO de santidade, mas como um ESPÍRITO de profecia; ele estava cheio do ESPÍRITO SANTO, e por isto tinha a capacidade de falar das coisas que estavam acima de si mesmo.
4) Uma graciosa promessa tinha sido feita a ele, de que “não morreria antes de ter visto o CRISTO do Senhor”, o Messias, v. 26. Ele se perguntava a que tipo de tempo o ESPÍRITO de CRISTO, os profetas do Antigo Testamento se referiam, e se ele seria chegado agora; e ele recebeu este oráculo (pois é isto o que a palavra quer dizer) que “não morreria antes de ter visto” o Messias, “o Ungido do Senhor”. Observe que aqueles que tiveram, por fé, uma visão de CRISTO, e somente aqueles, podem encarar a morte com coragem, e olhá-la nos olhos, sem terror.
2. A oportuna vinda de Simeão ao templo, na ocasião em que CRISTO foi apresentado ali, v. 27. Justamente nesta ocasião, quando José e Maria trouxeram a criança, para registrá-la, como se fosse, no livro da igreja, entre os recém-nascidos, Simeão entrou no templo, por orientação do ESPÍRITO. O mesmo ESPÍRITO que tinha lhe possibilitado esta esperança, agora possibilitava o êxtase desta alegria. Ele ouviu um sussurro junto ao seu ouvido “Vá agora ao templo, e verá o que tanto deseja ver” . Observe que aqueles que desejam ver a CRISTO devem ir ao seu templo; pois “de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais”, Ele virá nos encontrar, e ali devemos estar preparados para encontrá-lo.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 532.
 
Simeão é descrito como justo. Também o era José, o esposo de Maria (Mt 1.29); e o era a própria Maria, bem como Zacarias e Isabel (Lc 1.6). E não nos esqueçamos de José de Arimatéia (23.50).
Simeão “era justo e devoto”. Veja outros exemplos de pessoas devotas em Atos 2.5; 8.2; 22.12. Com a máxima prudência, essas pessoas se encarregaram dos deveres que DEUS lhes designara. São conscientes em seus planos, tendo sempre como objetivo melhorar o bem-estar delas mesmas e de seu próximo, para a glória de DEUS. A combinação “justo e devoto” bem que poderia indicar que Simeão se conduzia de tal modo que sua conduta com respeito aos homens (era justo) e para com DEUS (era piedoso) era alvo da aprovação divina.
Este homem “estava esperando a consolação de Israel”. Realmente, as condições em Israel eram bem precárias, precaríssimas no tempo em que JESUS nasceu em Belém. Pense na perda da independência política, no cruel rei Herodes, na degeneração da religião que passara a ser algo completamente externo, no legalismo de escribas e fariseus e de seus muitos seguidores, no mundanismo dos saduceus, no silêncio da voz profética etc. Mas em meio a toda essa obscuridade, degradação e desespero havia homens que olhavam com esperança, com sinceridade, “para a consolação de Israel”. Havia homens ... e também mulheres! Já foram mencionadas Maria e Isabel. Um pouco mais adiante Lucas porá Ana na lista. A frase “todos os que estavam esperando a redenção de Jerusalém” (2.38) indica que esse grupo de homens e mulheres piedosos era considerável.
Que esses homens e mulheres eram deveras justificados nessa esperança é evidente à luz da profecia. Por exemplo, estude as muitas profecias de Isaías nas quais se prometem bênçãos tais como consolo, paz e alegria, associando-as com a era messiânica (Is 7.14; 9.1-7; 11.1- 10; 40.1-11; 49.8-13; 51.1-6, 12-16; 52.13-55.13; 60.1-3; cap. 61; 66.13).
Simeão fora dotado com uma bênção muito rara e especial. De alguma forma, mesmo antes do Pentecostes, o ESPÍRITO SANTO já estava habitando nele. Ele estava constantemente sob a influência do ESPÍRITO.
Esse mesmo Consolador lhe revelara que não morreria sem antes ver o CRISTO de DEUS. Para ter mais luz sobre a expressão, o CRISTO de DEUS, ou do Senhor, veja Salmo 2.2; 45.7; 110.1; Isaías 61.1; Lucas 4.18.
HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Lucas I. Editora Cultura Cristã. pag. 230-231.
 
 
 
II - O ANÚNCIO DO NASCIMENTO DE JESUS
1. ZACARIAS E IZABEL.
Exercendo ele o sacerdócio diante de DEUS (8) indica que se tratava de um sacerdote - em uma época em que o sacerdócio era frequentemente corrupto e secularizado - que percebia o caráter sagrado do seu trabalho e o relacionamento, tanto do seu trabalho quanto da sua pessoa, com DEUS. DEUS não somente escolhe grandes homens para executarem grandes tarefas, mas Ele também destina grandes pais para esses homens - grandes, de acordo com o padrão de DEUS.
Na ordem da sua turma significa a ordem de Abias. Na Páscoa, no Pentecostes, e na Festa dos Tabernáculos todos os sacerdotes serviam simultaneamente, mas durante o resto do ano cada uma das 24 ordens servia durante uma semana a cada seis meses. Zacarias estava servindo durante uma dessas semanas no Templo. Depois de terminar o seu período de serviço, ele retornaria à sua casa.
Os deveres do sacerdote eram atribuídos por meio da sorte sagrada (9). Era uma das maiores honras que um sacerdote poderia ter era a de oferecer incenso, e um sacerdote não poderia tirar outra sorte melhor durante aquela semana de serviço. O incenso era oferecido antes do sacrifício matinal, e depois do sacrifício vespertino, no altar do incenso. Este altar se localizava no Templo, imediatamente antes do véu que separava o Lugar SANTO do Lugar Santíssimo.
Toda a multidão... estava fora, orando, à hora do incenso (10). Esta era uma ocasião altamente sagrada. O incenso oferecido simbolizava as orações do povo, que eram ofertadas ao mesmo tempo, pelas mulheres no pátio das mulheres, pelos homens no pátio dos homens e pelos demais sacerdotes no pátio dos sacerdotes.
Então, um anjo do Senhor lhe apareceu [a Zacarias] (11). A voz divina da revelação não havia se pronunciado durante quatro séculos. Então, de repente, apareceu o anjo do Senhor. Observamos que o anjo não “se aproximou”, ele apareceu - de repente, sem aviso. O fato de ele ter aparecido a um sacerdote no Templo ressalta as características de Antigo Testamento desse início da revelação do Novo Testamento. João seria um precursor do CRISTO que viria e do seu Reino. Ele também seria um elo com a revelação do Antigo Testamento, que agora estava chegando ao seu final. A direita do altar do incenso é o lado norte, entre o altar do incenso e a mesa dos pães da proposição. Observamos como Lucas é específico com os mínimos detalhes. Esta é uma característica que podemos observar em todo o seu Evangelho, e é mais uma prova da sua autenticidade.
Zacarias... turbou-se... e caiu temor sobre ele (12). Esta era uma reação natural sob estas circunstâncias incomuns.
O anjo lhe disse... não temas (13). Embora o medo fosse a reação humana natural, a missão do anjo proporcionava motivo para alegria. A sua presença não era uma indicação do desagrado de DEUS, mas da Sua aprovação, e da adequação de Zacarias para uma tarefa divina muito significativa.
... a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho. A oração à qual o anjo se refere deve ter sido feita em um período anterior da vida de Zacarias; a sua dificuldade em acreditar na promessa do anjo evidencia que há muito tempo ele já tinha deixado de orar por um filho, ou até mesmo de esperar por ele. Mas DEUS não se esquece das orações passadas. O que parece ser uma demora ou uma recusa da parte de DEUS, é somente a Sua perfeita sabedoria e o Seu perfeito planejamento. Sem dúvida, Zacarias orava frequentemente pedindo também pela vinda do Messias, mas a oração mencionada era aquela em que ele pedia um filho.
E lhe porás o nome de João. DEUS não apenas convocava e enviava os seus profetas, mas também frequentemente lhes dava o nome. “João” significa “Jeová mostra graça” ou “a misericórdia” ou “a graça de Jeová”.2 Este era um nome apropriado para alguém cujo ministério demonstra tão claramente a lembrança e a misericórdia de DEUS para com o seu povo.
Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 358-359.
 
A FELICIDADE DE UM LAR PIEDOSO: “Ambos eram justos...” 1) Este casal judaico reconhecia a mão de DEUS em todos os acontecimentos da vida, v.8. 2) Naturalmente isto foi porque oravam por tudo, v. 13. 3) Era um lar livre da miséria produzida por bebida forte e que assola tantos lares atualmente, v. 15. 4) Suas vidas eram irrepreensíveis. Eram alçados a observar os preceitos das Escrituras, v.6. Deve distinguir-se entre ser irrepreensível e ser perfeito. O aluno que se aplica sinceramente para recitar corretamente as lições, não é repreendido pelo professor, apesar das imperfeições. 5) Como suportavam com paciência em oração o desapontamento, assim transbordavam com hinos de louvor, quando DEUS por fim deu o filho. O louvor de Zacarias mostra que a mente do velho era embebida da palavra de DEUS. 6) A influência do lar piedoso. Quantas pessoas foram grandemente abençoadas pelo contato com o lar de Zacarias e Isabel? 7) DEUS tem planejado a vida inteira de todas as pessoas, v. 17. Todos temos carreira marcada, At 20.24. 8) O filhinho neste lar era cheio do ESPÍRITO SANTO, desde o começo, v.15.
E aconteceu que, exercendo ele o sacerdócio... (v.8): Podem-se receber visões, quando se trabalha fielmente, apesar de o serviço ser humilde: Moisés apascentava o rebanho de Jetro, quando recebeu a chamada de DEUS na sarça ardente, Ex 3.1. Gideão malhava trigo, quando o anjo lhe apareceu e o enviou a libertar Israel, Jz 6.11. Eliseu arava com doze juntas de bois, quando a capa profética caiu sobre ele, 1 Rs 19.19. Davi estava no aprisco cuidando das ovelhas, SI 78.70.
Coube-lhe em sorte... oferecer o incenso (v.9): Duas vezes por ano Zacarias subia a Jerusalém para executar o seu termo de funções sacerdotais. (Compare 2 Cr 8.14).
Nesta ocasião, tinha chegado para ele o privilégio de que o sacerdote podia gozar só uma vez na vida: “Coube-lhe em sorte” entrar no SANTO lugar, no Templo, na hora de oração e oferecer incenso sobre o altar de ouro perante o véu. Foi um grande dia da vida do sacerdote, e especialmente para Zacarias porque recebeu a bênção desejada, ardentemente, por tantos anos, um filho para profetizar e apresentar o libertador do povo de DEUS.
Orando... à hora do incenso (v.10): O incenso que Zacarias queimava no altar de ouro, era símbolo de oração, louvor e adoração dos crentes, SI 141.2; Ap 5.8. Quando o sacerdote o oferecia, tocava-se uma campainha, como sinal para o povo no átrio, fora, e todos permaneciam orando. O incenso subindo do altar servia como símbolo das orações subindo do coração para o trono de DEUS. Ao mesmo tempo indicava que era necessário algo além das orações, que eram em si mesmas, incompletas. Nossas orações, muitas vezes, têm tanto da natureza humana, que é necessário algo para aperfeiçoá-las.
E um anjo do Senhor lhe apareceu (v. 11): Zacarias, o profeta, era o último citado no Velho Testamento a quem apareceram anjos; Zacarias, o sacerdote, é o primeiro mencionado no Novo Testamento que tinha experiência com um anjo. Os olhos de Zacarias foram abertos para perceber o anjo, “posto em pé, à direita do altar.” A presença de anjos é coisa extraordinária e o que é mais fora do comum é ter os olhos abertos para ver os anjos sempre presentes. (Compare 2 Rs 6.17). E Zacarias, vendo-o, turbou-se (v. 12): As Escrituras mostram que os homens sempre temem quando têm comunicações com o mundo invisível. (Vede Jz 13.20-22; Dn 10.7-9; Ez 1.28; M c 16.8; Ap 1.17.) Quando esse é o efeito nos homens irrepreensíveis, que se dará com os descrentes, quando DEUS mandar Seus anjos ajuntá-los para o juízo?
Zacarias... a tua oração foi ouvida (v. 13): Entre os judeus o ritualismo e o formalismo tomaram o lugar da verdadeira comunhão com o Criador. A glória de DEUS tinha-se afastado do Templo e os sacerdotes cumpriam maquinalmente seus exercícios diante de DEUS. Os cultos nas sinagogas eram secos e monótonos. Mas, como nos dias de Elias, apesar da grande apostasia, havia sete mil homens que não dobraram joelhos diante de Baal (Rm 11.4), assim havia no tempo do nascimento de João Batista, os fiéis que conheciam intimamente a DEUS. Zacarias acompanhava seu ato de oferecer o incenso no Templo, com intercessão tão fervorosa que lhe foi enviado o anjo Gabriel para assegurar-lhe que sua oração por um filho, foi ouvida e esse filho seria profeta de DEUS. Quando os céus nos parecem fechado, é quando devemos clamar com fé mais viva. Ele é galardoador dos que O buscam, Hb 11.6.
E lhe porás o nome de João (v. 13): O nome ‘João” é o mesmo de ‘Joanã” que se encontra frequentemente no Velho Testamento e quer dizer, “a graça, a dádiva, ou a misericórdia de Jeová.” O próprio nome da criança foi escolhido entre os mais significativos do povo de DEUS.
Quais eram os filhos de promessa? Isaque, Sansão, Samuel, o filho da Sunamita, João e JESUS.
Orlando S. Boyer. Espada Cortante 2. Editora CPAD. pag. 23-24.
 
A aparição de um anjo ao seu pai,
1. Zacarias trabalhava a serviço de DEUS (v. 8). Ele “exercia o sacerdócio, diante de DEUS. Embora a sua família não estivesse formada, nem crescendo, ainda assim ele tinha a consciência de realizar o trabalho no seu próprio lugar e dia. Os trabalhos eram distribuídos por sorte, para que alguns não pudessem recusá-los e outros absorvê-los, e para que, tendo vindo do Senhor a distribuição, eles pudessem ter a satisfação de um chamado divino ao trabalho. Os judeus dizem que o mesmo sacerdote não queimava o incenso duas vezes todos os dias que lhe cabiam (havia muitos deles), pelo menos, nunca dentro da mesma semana. E muito provável que este fosse um sábado, porque havia uma “multidão” presente (v. 10), o que normalmente não acontecia em um dia de semana, e assim DEUS honra o seu próprio dia. Enquanto Zacarias estava oferecendo incenso dentro do templo, “toda a multidão do povo estava fora, orando”, v. 10.  Os levitas que serviam sob a coordenação dos sacerdotes, e os homens do posto, como eram chamados pelos rabinos, que eram os representantes do povo,  impunham as suas mãos sobre os sacrifícios, e muitos, além disto, movidos pela devoção, deixavam os seus trabalhos seculares, naquela ocasião, para estar presentes ao serviço a DEUS. Todos eles formavam uma grande multidão, especialmente aos sábados e nos dias festivos. Todos eles oravam pelos seus sacrifícios (uma oração mental, pois a sua voz não era ouvida), quando, pelo soar de um sino, eles tomavam conhecimento de que o sacerdote tinha entrado para oferecer incenso. Todas as orações que oferecemos a DEUS, na sua casa, são aceitáveis e bem-sucedidas, somente em virtude do incenso da intercessão de CRISTO no templo de DEUS, no alto.
2. Quando estava trabalhando, Zacarias foi honrado com a presença de um mensageiro, um mensageiro especial, enviado a ele, vindo do céu (v. 11): “Um anjo do Senhor lhe apareceu”. Alguns observam que nós nunca lemos sobre um anjo aparecendo no templo, com uma mensagem de DEUS, exceto este único, para Zacarias, porque DEUS tinha outras maneiras de dar a conhecer a sua vontade, como Urim e Tumim, e por uma voz suave que saía entre os querubins; mas a arca e o oráculo não estavam no segundo templo, e, por isto, quando uma mensagem precisou ser enviada a um sacerdote do Templo, um anjo foi empregado para fazê-lo, e deste modo o Evangelho devia ser apresentado, pois ele, como a lei, foi entregue, a princípio, pelo ministério dos anjos, sobre cuja aparição nós lemos nos Evangelhos e no Livro de Atos. Mas o desígnio, tanto da lei quanto do Evangelho, trazido à perfeição, era estabelecer outro meio de correspondência, mais espiritual, entre DEUS e o homem. Este anjo ficou “em pé, à direita do altar do incenso”, no seu lado norte. Alguns pensam que este anjo apareceu, vindo do lugar santíssimo, o que o levou a estar em pé à direita do altar.
3. A impressão que a visita do anjo causou em Zacarias (v. 12): Quando Zacarias o viu, ficou muito surpreso, até chegou a sentir terror, pois “turbou-se, e caiu temor sobre ele”, v. 12. Embora ele fosse “justo perante DEUS”, e irrepreensível na sua conduta, ainda assim ele não pôde deixar de sentir apreensão ao ver alguém cuja aparência e brilho adjacente evidenciava ser mais do que humano. Desde que o homem pecou, a sua mente é incapaz de suportar a glória de tais revelações e a sua consciência tem medo das más notícias que tais revelações lhe trazem; nem mesmo o próprio Daniel pôde suportá-la, Daniel 10.8.
A mensagem que o anjo tinha para lhe transmitir, v. 13. Ele começou a sua mensagem, de uma maneira como os anjos normalmente o faziam, utilizando a expressão “Não temas”. Talvez Zacarias nunca tivesse tirado a sorte de queimar incenso antes; e, sendo um homem muito sério e consciencioso, podemos imaginá-lo cheio de atenção para fazê-lo bem, e talvez, quando viu o anjo, ele tivesse sentido medo de que o anjo tivesse vindo para censurá-lo por algum engano ou falha; “Não”, diz o anjo, “não tenha medo, eu não lhe trago más notícias do céu”. Não tenha medo, mas acalme-se, mantenha um espírito equilibrado e sereno para receber a mensagem que eu tenho para lhe transmitir. Vejamos de que se trata.
1. As orações que ele sempre fazia, agora receberiam uma resposta de paz: “Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida”. O anjo se refere particularmente à oração por um filho, para formar a sua família, devem ser as orações que Zacarias tinha feito anteriormente, pedindo esta bênção, na época em que ainda podia ter filhos. As orações feitas quando somos jovens e recém-chegados ao mundo podem ser atendidas quando estivermos velhos, e prestes a deixar o mundo.
Atos 10.30,31); “e este é o sinal de que você é aceito por DEUS, Isabel dará à luz um filho”. Observe que é um grande consolo, para as pessoas que oram, saber que as suas orações são ouvidas; e são duplamente doces as bênçãos que são dadas em resposta a uma oração.
2. Ele terá um filho, na sua adiantada idade. Ele o terá com Isabel, sua esposa, que tinha sido estéril durante tanto tempo, para que por este nascimento que estava próximo de ser milagroso, as pessoas pudessem ser preparadas para receber e crer no nascimento de um bebê de uma virgem, que era algo completamente milagroso.
Ele recebe as instruções quanto ao nome que deve dar ao seu filho: “E lhe porás o nome de João”; em hebraico, Johanan, um nome que encontramos frequentemente no Antigo Testamento: que quer dizer gracioso. Os sacerdotes devem suplicar ‘‘o favor de DEUS” (Ml 1.9), e abençoar o povo, Números 6.25. Zacarias estava agora orando assim, e o anjo lhe diz que a sua oração foi ouvida, e ele terá um filho, que, como símbolo de que a sua oração foi ouvida, ele deverá chamar Gracioso, ou, o Senhor será gracioso, Isaías 30.18,19.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 510-512.
 
 
2. JOSÉ E MARIA.
A Mensagem do Anjo (1:26-33)
No sexto mês depois da concepção de Isabel, foi o anjo Gabriel enviado... a Nazaré (26). É óbvio que Lucas está escrevendo para gentios, pois nenhum judeu precisa ser lembrado de que Nazaré era uma cidade da Galiléia. Embora, como descendentes de Davi, tanto José quanto Maria chamassem Belém de terra de seus antepassados, eles estavam naquela época vivendo em Nazaré, que se situava a cerca de 130 quilômetros a nordeste de Jerusalém, em um planalto no lado norte do Vale de Esdrelom.
A uma virgem desposada com... José (27). Maria ainda era uma virgem, e estava noiva de José. Os noivados ou contratos de casamento entre os israelitas nos tempos bíblicos eram mais significativos e representavam um laço mais forte do que na atualidade. A lei mosaica considerava a infidelidade sexual por parte de uma jovem que fosse noiva como adultério, e ela era punida por esta transgressão (Dt 22.23-24). Frequentemente existia um intervalo de meses entre o noivado e o casamento, mas ainda assim o noivado já representava um compromisso que só poderia ser rompido através do divórcio. Este último fato é exemplificado pela decisão de José de divorciar-se de Maria, antes de saber da natureza da sua concepção (Mt 1.19), embora ele e Maria ainda não estivessem casados.
Neste ponto, é bom lembrar que a narrativa de Lucas da anunciação e do nascimento de JESUS são feitos a partir do ponto de vista de Maria. Neste aspecto, a história difere do relato de Mateus, que é feito a partir do ponto de vista de José. É provável que Lucas tenha obtido esta informação direta ou indiretamente de Maria, quando ele passou dois anos na Palestina. Lucas também estava mais interessado em mostrar o relacionamento de JESUS com a humanidade através da Sua mãe, do que a Sua relação legal com o trono de Davi através de José, o seu pai oficial, embora não fosse o seu pai biológico.
Da casa de Davi se refere a José e não a Maria. A gramática do texto grego original e também a da versão em nosso idioma, exige esta interpretação. Mas isto não quer dizer que Maria não fosse descendente de Davi, pois os versículos 32 e 69 deste mesmo capítulo dão a entender fortemente que ela era da linhagem de Davi.
Entrando o anjo onde ela estava (28). Isto não foi um sonho nem uma visão, mas uma autêntica visita de um anjo.
Salve. Esta é uma saudação com alegria. A palavra no original é o imperativo de um verbo que significa “alegrar-se” ou “ficar feliz”. A forma usada aqui é uma saudação normal. Seria o equivalente a: “Que a alegria esteja com você”.
Agraciada (literalmente, “com a graça”); bendita és tu entre as mulheres. O anjo a honrou pelo que ela iria se tornar, antes mesmo que ela soubesse o assunto das boas-novas. É certo que Maria deveria receber honra, e o anjo nos deu o exemplo. Mas a adoração a Maria é completamente injustificada.
Ela turbou-se muito com aquelas palavras (29) significa, literalmente, “ela ficou grandemente agitada”. A saudação e a presença do anjo a perturbaram (acréscimo de Ev. Luiz Henrique). O que ele lhe disse era mais difícil de entender do que a sua aparição e, aparentemente, mais inesperado.
Ela considerava: significa, literalmente, “ela estava pensando”. Isto representa uma prova de sua presença de espírito neste momento crítico da sua vida.
Em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho... JESUS (31). Aqui temos o anúncio da Encarnação. O FILHO de DEUS realmente se tornaria carne, seria concebido e nasceria de uma virgem. Neste FILHO a divindade e a humanidade estariam unidas de maneira inseparável. O seu nome, JESUS, significa “Salvador” ou, mais literalmente, “DEUS salva”. É o equivalente grego do hebraico “Josué”. Lucas não joga com as palavras na etimologia do nome “JESUS”, como faz Mateus. Os seus leitores, sendo gentios, não teriam entendido o objetivo das palavras “porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” de Mateus 1.21, por não conhecerem a relação etimológica entre as palavras “JESUS” e “salvar”.
Este será grande (32), no seu sentido mais elevado e verdadeiro. DEUS é grande, e toda a grandeza verdadeira vem dele e é reconhecida por Ele. (Isaías 9.6).
Será chamado FILHO do Altíssimo não quer dizer que Ele simplesmente “seria chamado” de FILHO de DEUS, mas é equivalente a “Ele não apenas será o filho de DEUS, como também será reconhecido como tal”. Ele terá as marcas da divindade. Esta palavra hebraica era de uso comum, e literalmente equivalente a “Ele será o FILHO do Altíssimo”.
O trono de Davi, seu pai. Evidentemente, isto deixa claro que Maria era descendente de Davi. Como muitos poderão argumentar, é verdade que o direito de JESUS ao trono viria através de José, apesar de não ser o seu verdadeiro pai. Mas aqui se menciona a filiação, e não se menciona José. Além disso, deve-se observar que Lucas está escrevendo a partir do ponto de vista de Maria; e também que o seu interesse pelas relações humanas de JESUS está ligado à relação verdadeira, e não àquela que era considerada legal entre os judeus.
Reinará eternamente na casa de Jacó (33). Isto é praticamente equivalente ao que está escrito na frase seguinte: O seu Reino não terá fim, exceto que a primeira enfatiza o aspecto judaico do reino. Lucas enfatiza muito claramente, em seu Evangelho, a universalidade do reino de CRISTO; mas Paulo, que foi professor de Lucas, enfatizava a continuidade do reino de Israel - e da semente de Abraão - no reino de CRISTO. A última é a flor e o fruto; a primeira é a videira.
A Pergunta de Maria (1.34)
Como se fará isso? (34) Não se trata de uma pergunta como produto da dúvida, mas da perplexidade e da inocência. Ela não está dizendo “Não pode ser”, mas pedindo uma explicação sobre como isso pode ser, e como será feito. Uma comparação superficial da pergunta de Maria com a expressão de dúvida de Zacarias (1.18) faria com que ambas parecessem muito similares. Um olhar mais detalhado sobre as duas perguntas irá provar conclusivamente que elas não se assemelham nem em significado, nem em espírito.
Zacarias perguntou: “Como saberei isso?”, querendo dizer, “Que sinal você vai me dar como prova de que isto irá acontecer?” Mas Maria perguntou “Como se fará isso?”, ou seja, que meios farão isso acontecer?
Existe ainda outra diferença que deve ser observada. O milagre que foi prometido a Zacarias era um caso normal de cura divina, aliado a uma capacitação divina de uma mulher para dar à luz em idade avançada. Isto realmente era um milagre. Mas a maravilha que foi prometida a Maria continua confundindo a imaginação dos maiores pensadores da igreja e do mundo em todas as gerações. E nada menos do que o mistério da Encarnação divina - DEUS se tornou carne.
3. A Resposta do Anjo (1.35-38)
Descerá sobre ti o ESPÍRITO SANTO (35). O anjo respondeu amavelmente à pergunta que tinha sido feita de forma tão inocente. A resposta não esclarece o mistério: somente indica o agente. O ESPÍRITO SANTO, como agente de DEUS PAI, toma o lugar de um marido de alguma maneira não explicada - e talvez inexplicável. Aqui, na resposta do anjo, podemos ver o poder procriativo da mulher na sua mais completa pureza, unido à onipotência de um DEUS amoroso e santo. Vemos delicadeza, significado e mistério unidos nas palavras a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Esta “cobertura com a sombra do Altíssimo” possivelmente inclui tanto o milagre da concepção quanto a supervisão, o cuidado e a proteção contínuos de Maria pelo ESPÍRITO SANTO. Será chamado FILHO de DEUS não se refere à eterna filiação do CRISTO pré-encarnado, mas sim ao milagre da Encarnação. Como DEUS tomou o lugar de um pai terreno, JESUS pode ser chamado FILHO de DEUS da mesma forma que um menino é chamado de filho de seu pai.
Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 362-364.
 
Observação de Pr. Henrique- A palavra de DEUS é a semente de DEUS, quando o anjo Gabriel comunica a Maria que ela vai conceber, isso é a Palavra de DEUS entrando no útero virgem de Maria, e assim ela concebe a vida de JESUS em seu ventre.
O pastor das ovelhas, aquele que dá a vida pelas suas ovelhas, entrou na terra (curral ou aprisco das ovelhas) pela porta como todos nós - a porta do nascimento físico através de uma mulher.  Aquele que entra por outra porta (não nasceu de uma mulher) é ladrão e salteador - Satanás. (Jo 10).
 
Maria ficara perplexa ante o fato de que ela haveria de ser a progenitora do Messias davídico, e também porque isso era um anúncio virtual de que teria um filho antes da consumação de seu matrimônio, como ocorrência inteiramente desvinculada desse casamento.
Maria, mostrando-se digna representante das mulheres da mais profunda confiança no Senhor,—não requereu um sinal—ou qualquer espécie de confirmação, mas aceitou a declaração por um notável ato de fé. O vs. 45 afirma a sua crença: «Bem-aventurada a que creu, porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor».
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 16.
 
A informação adicional que o anjo transmite a Maria, respondendo à sua pergunta a respeito do nascimento deste príncipe.
1. A pergunta que ela faz é apropriada: “Como se fará isto?”, v. 34. Como eu posso conceber um filho na atualidade (pois foi isto o que o anjo quis dizer), se eu “não conheço varão”? Deverá ser de outra maneira, e não pelo modo normal de concepção? Se for assim, diga-me “como se fará isto?” Ela sabia que o Messias devia nascer de uma virgem; e, se ela devia ser a sua mãe, ela queria saber como isto aconteceria. Estas não eram palavras resultantes da sua falta de confiança, ou de qualquer dúvida sobre o que o anjo lhe havia dito, mas de um desejo de receber mais orientação.
2. A resposta que ela recebe é satisfatória, v. 35. (1) Ela irá conceber pelo poder do “ESPÍRITO SANTO”, cuja obra é santificar, e portanto, santificar a virgem, para este propósito. O ESPÍRITO SANTO é chamado de “virtude do Altíssimo”. Ela pergunta “como se fará isto? Isto é suficiente para ajudá-la a superar as dificuldades que parecem existir. Um poder divino o realizará, não o poder de um anjo empregado para isto, como em outros milagres. Mas, o poder do próprio “ESPÍRITO SANTO”. (2) Ela não deve fazer perguntas a respeito da maneira como isto se realizará, pois o ESPÍRITO SANTO, sendo “a virtude do Altíssimo”, irá cobri-la “com a sua sombra”, como a nuvem cobriu o tabernáculo quando a glória de DEUS tomou posse dele, para escondê-lo daqueles que poderiam - com excessiva curiosidade - observar o que acontecia, “bisbilhotando” os seus mistérios. A formação de cada bebê no útero, e a entrada do espírito da vida nele, são mistérios da natureza; ninguém conhece “o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida”, Eclesiastes 11.5. Nós fomos formados no oculto, Salmos 139.15,16. A formação do menino JESUS é um mistério ainda maior, sem controvérsia, “grande é o mistério da piedade”, DEUS manifestado em carne, 1 Timóteo 3.16. E uma coisa nova criada na terra (Jr 31.22), a cujo respeito nós não devemos cobiçar conhecer além do que está escrito.
(3) A criança que ela irá conceber é santa, e portanto não deve ser concebida da maneira normal, porque ela não deverá compartilhar da corrupção e da contaminação comuns à natureza humana. O bebê é mencionado enfaticamente como “o SANTO”, como nunca houve; e Ele será chamado de “FILHO de DEUS”, como o FILHO de DEUS por geração eterna, o que indica como Ele será formado pelo ESPÍRITO SANTO, nesta concepção. A sua natureza humana deveria ser produzida desta maneira, como era adequado que fosse, pois se uniria à natureza divina.
HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 517.
  
III - O NASCIMENTO DE JESUS E OS CAMPONESES
1. A NOBREZA DOS POBRES.
No Novo Testamento encontramos uma espécie de modificação nas atitudes diante das questões econômicas em geral e da pobreza em particular. Ali o estado abençoado por DEUS parece envolver a adversidade, e não a abundância material, porquanto os primeiros discípulos de JESUS foram homens perseguidos, e, naturalmente, empobrecidos.
a. «Bem-aventurados vós os pobres...» é a declaração simples de Luc. 6:20. O evangelho é anunciado aos pobres (Luc. 4:18).
b. JESUS reconheceu o caráter permanente da pobreza entre os povos do mundo (ver Mat. 26:11; Mar. 14:7; comparar com Deut. 15:11), embora isso não signifique que ele fosse indiferente para com os sofrimentos causados pela pobreza material.
c. A vida espiritual é viável mesmo em meio à pobreza (Mar. 12:42 ss; Tia. 2:2-5); mas Paulo interessava-se em que os crentes trabalhassem e tivessem o suficiente, de modo a não encontrarem obstáculos em sua atuação cristã, o que ele exemplificou com os seus esforços pessoais (ver II Cor. 9:8). O próprio apóstolo dos gentios sabia o que era desfrutar de abundância e o que era sofrer privações, e continuava atuando no evangelho sob ambas essas condições (ver Fil. 4:12).
d. Os cristãos primitivos foram ensinados a não se sentirem imunes à pobreza (Rom. 15:26; Gál. 2:10).
e. Os crentes deveriam ajudar aos pobres (Mat. 19:21; II Cor. 8:2 ss; I João 3:17 ss).
f. Aqueles que ajudam meramente de palavra, mas não em ação, são hipócritas (Tia. 2:15 ss). Viver segundo a lei do amor é a grande prova da espiritualidade, e um aspecto disso é a ajuda prestada aos pobres. Ver I João 4:7,8; II Cor. 8:2 ss .
g. O favoritismo no seio da Igreja, com base na prosperidade econômica, é proibido aos crentes (Tia. 2:5-9).
h. O ofício eclesiástico dos diáconos veio à existência devido à pobreza entre a classe das viúvas de origem grega (Atos 6:1-7).
i. A Igreja primitiva, em Jerusalém, experimentou a partilha dos bens materiais em comum, embora sobre bases voluntárias. Aqueles que quisessem participar da experiência podiam fazê-lo, e aqueles que preferiam manter suas propriedades privadas, e não quisessem participar, não eram forçados a fazê-lo. Essa experiência foi ocasionada por uma extrema pobreza causada pela perseguição, que envolvia somente os crentes e não era nenhuma decisão nacional de estabelecer uma forma diferente de governo (Atos 4:34 ss). Essa experiência foi eficaz dentro das circunstâncias particulares do momento mas não se tornou um padrão a ser seguido pela Igreja em geral, como também a história deixa claro.
j. A abundância material pode ser prejudicial à fé religiosa e destrutiva da piedade, conforme afirmaram tanto JESUS (ver Mat. 19:24) como Tiago (Tia. 5:1 ss). O texto da epístola de Tiago deixa claro que os ricos, que assim sendo, têm poder, tornam-se abusivos, injustos, arrogantes, negligentes espiritualmente, participando de prazeres pecaminosos destrutivos.
1. A raiz de todas as formas de mal é o amor ao dinheiro (I Tim. 6:10).
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 307.
 
Evangelizar os pobres (18), ou “pregar o evangelho aos pobres”. O termo evangelho significa “boas-novas” ou “boas notícias”. Os pobres pareciam mais dispostos a ouvir JESUS. As suas necessidades faziam com que eles se voltassem para o Salvador. Ninguém, rico ou pobre, consegue encontrar JESUS até que perceba sua destituição espiritual, busque a CRISTO, e confesse a Ele as suas necessidades.
Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 387.
 
Por isso, a segunda coisa que JESUS diz para caracterizar a proclamação que lhe fora confiada é que ela precisa ser levada aos pobres, aos pedintes e mendicantes, i.é, aos que se encontram fracos e com o coração deprimido, prostrando-se por isso em súplica perante DEUS, uma boa mensagem que alegra justamente a estes. – Por isso, lemos no v. 18:
Ele me enviou para evangelizar aos indigentes.
Aqueles que têm consciência dessa sua miséria (cf. a primeira bem-aventurança do Sermão da Montanha) são receptivos para a boa nova da graça. “JESUS não se considera enviado aos que acreditam que não precisam de ajuda nem de quem os auxilie, mas àqueles que sofrem com a própria situação e com a situação do mundo, esperando por socorro. É para estes que a mensagem de JESUS é notícia alegre”, diz um comentarista. O fato de que as ilustrações são retiradas da esfera social, anunciando primeiro aos indigentes e desprezados na vida a salvação e alegria, não constitui apenas uma predileção de Lucas, mas está profundamente embasado em toda a revelação de DEUS com tal, porque representava a vinda de DEUS aos humanos. Não obstante Lucas não perde nenhuma oportunidade para dar destaque especial a esse aspecto. Afinal, não há melhor forma de retratar a graça do que pela condescendência com o que não é nada.
Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Lucas. Editora Evangélica Esperança.
 
2. A REALEZA DO MESSIAS.
O nascimento do CRISTO dos pastores, mas não o CRISTO dos mercenários “Ora, havia, naquela mesma comarca, pastores que estavam no campo e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho. E eis que um anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo, pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é CRISTO, o Senhor. E isto vos será por sinal: achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a DEUS e dizendo: Glória a DEUS nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens! E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém e vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura” (Lc 2.8-16).
Esse texto mostra a celebração que esses pastores fizeram por ocasião do nascimento de JESUS. Houve muita alegria entre aqueles camponeses. DEUS em sua grandeza contemplou os pequenos!
O nascimento do CRISTO dos magos, mas não o CRISTO da magia. A estrela de CRISTO brilhou no coração desses magos.
Infelizmente o CRISTO que está sendo festejado hoje não é mais o CRISTO dos magos, mas o CRISTO da magia. A magia não está mais restrita às seitas esotéricas, mas pode também ser encontrada em muitos cultos evangélicos!
José Gonçalves. Lucas, O Evangelho de JESUS, o Homem Perfeito. Editora CPAD. pag. 28-29.
 
Observação do Pr. Henrique - Os magos ou astrólogos visitaram JESUS já com quase dois anos de idade e em uma casa, não mais em uma manjedoura.
Mt 2.11 E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe...
Mt 2.16 Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos.
 
«...nasceu na cidade de Davi...». Aqui encontramos o paradoxo da encarnação. Quão estranhamente se combinam as palavras destes versículos: «...o Salvador...CRISTO, o Senhor...uma criança envolta em faixas e deitada em manjedoura... Essas frases têm sido ouvidas e lidas tão frequentemente que a primeira impressão deixada por elas já se embotou para muitos. Não obstante, por si mesmas devem ter parecido a princípio impossíveis e inacreditáveis. Seria uma manjedoura lugar próprio para aquele que foi enviado pelo DEUS altíssimo? Um estábulo seria o lugar onde se esperaria encontrar o Salvador recém-nascido? No entanto, o mistério e a maravilha da encarnação se fazem presentes precisamente no fato que essas coisas assim aconteceram. Pois por ocasião do nascimento de JESUS, em Belém, e em tudo que a vida de JESUS haveria de revelar posteriormente, encontramos a mensagem de que não somente existe DEUS, mas também que DEUS se aproxima extraordinariamente de nós. Crer que DEUS está acima de nós é uma coisa. Crer que DEUS é uma força suficiente para nós é uma confiança inteiramente diferente, inspiradora. E crer que DEUS é não somente todo-poderoso, mas também se mostra todo-suficiente, e é DEUS conosco, DEUS próximo de nós, é algo que nem podemos começar a compreender, e é a melhor de todas as coisas» (Walter Russel Bowie, in loc.).
Naturalmente que devemos observar, em companhia de quase todos os comentaristas das Escrituras, que a humildade do nascimento de JESUS concorda com a posição por ele ocupada na vida, e com as suas maneiras. E também se coaduna com aqueles para quem veio ministrar. Ele tratava com as pessoas em suas ocupações ordinárias, trabalhou como carpinteiro, falava sobre mulheres que teciam e amassavam a massa, sobre o semeador em seu trabalho de semeadura, e sobre os pastores que vigiavam os seus rebanhos. JESUS cresceu como todo homem deve crescer, e desenvolveu-se como todo homem deveria fazê-lo. Aprendeu a andar com DEUS, e, na qualidade de homem, desenvolveu grandes poderes espirituais. JESUS foi, ao mesmo tempo, o caminho e o indicador do caminho. E do modo como ele andou também nos compete andar; e assim como ele compartilhou plenamente de nossa natureza, assim também haveremos de compartilhar plenamente da dele.(Ver Fil. 2:7; Rom. 8:29 e Efé. 1:23).
«Existem alguns trechos, nas Escrituras, onde as palavras CRISTO e Senhor aparecem juntas. No cap. 23:2 temos CRISTO, o Rei, e em Atos 2:36 encontramos CRISTO e Senhor. E não vejo outra maneira de compreender a palavra ‘Senhor’ senão como um paralelo do termo hebraico DEUS» (Alford, in loc., apoiado por outros comentaristas e intérpretes, como Wordsworth). A conexão entre CRISTO e Senhor também ocorre em Col. 3:24. O povo, ao tempo do império romano, acostumara-se a intitular o imperador de «Salvador»; mas os cristãos aplicam esse título a JESUS CRISTO. Muitas dificuldades e perseguições houve contra os cristãos, por causa dessa doutrina.
CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Candeias. Vol. 2. pag. 29.

 

Qual era a mensagem que o anjo deveria transmitir aos pastores, w. 10-12.1. Ele ordena que os seus temores sejam suspensos: “Não temais”, pois eu não tenho nada a dizer que vocês precisem temer.

Ele lhes traz uma notícia que lhes causará muita alegria: “Eis aqui vos trago novas de grande alegria”.

Eu declaro isto solenemente, e vocês têm razão para receber bem esta notícia, pois ela trará alegria a todo o povo, e não somente ao povo dos judeus. “Na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é CRISTO, o Senhor” (v. 11); o Salvador que há tanto tempo é esperado. JESUS é o CRISTO, o Messias, o Ungido; Ele é o Senhor, o Senhor de tudo; Ele é um príncipe soberano; ou melhor, Ele é DEUS, pois o Senhor, no Antigo Testamento, significa Jeová. Ele é o Salvador, e será o Salvador somente para aqueles que o aceitarem como seu Senhor. Nasceu o Salvador, nasceu hoje; e, como isto é motivo de grande alegria para todo o povo, não deve ser mantido em segredo, vocês podem proclamá-lo, podem contar a quem quiserem. Ele nasceu no lugar onde estava predito que Ele nasceria, “na cidade de Davi” ; e Ele nasceu para vocês; a vocês, judeus - Ele é enviado, em primeiro lugar, para abençoar vocês; a vocês, pastores, ainda que sejam pobres e humildes no mundo. Isto se refere a Isaías 9.6, “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu” . A vocês, homens, não a nós, anjos; Ele não assumiu a natureza dos anjos. E é motivo de alegria, realmente, a todo o povo, uma grande alegria. Aquele que foi esperado por tanto tempo veio afinal. Que o céu e a terra se alegrem diante do Senhor, pois Ele veio.

Ele lhes dá um sinal para a confirmação da sua fé nesta notícia. “Como vocês irão encontrar esta criança em Belém, que agora está cheia de descendentes de Davi? Vocês o encontrarão com este sinal: “achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”, onde certamente nenhum recém-nascido jamais esteve”. Eles esperavam ouvir “Vocês o encontrarão (embora seja bebê, envolto em mantos, e deitado na melhor casa da cidade), deitado com pompa, com uma grande quantidade de criados vestidos com ricos uniformes”. E não, “achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura”. Quando CRISTO estava aqui, na terra, Ele se distinguia e se notabilizava tanto pelo seu poder, como pelos exemplos da sua humilhação.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 529.

 

Vos nasceu hoje... o Salvador (11). Esta é a palavra favorita de Lucas e também do seu companheiro Paulo. Os termos “Salvador” e “salvação” aparecem mais de quarenta vezes nos seus escritos, ao passo que aparecem raramente nos outros livros do Novo Testamento. Não é apenas o fato da chegada do Salvador que constitui as boas-novas da mensagem do anjo, mas a natureza da Sua salvação. Embora os pastores pudessem provavelmente ter interpretado aquela salvação como sendo material e política, todo o Novo Testamento é inequívoco na sua interpretação como sendo moral e espiritual. O bebê anunciado pelos anjos seria o Salvador que os libertaria do pecado.

Fica claro que os anjos desejavam que os pastores fossem e vissem o Salvador, pelo fato de que lhes indicaram o lugar - a cidade de Davi, a própria cidade deles. Além disto, o anjo lhes deu um sinal para que pudessem identificar o Salvador.

Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 372.

  

IV - O NASCIMENTO DE JESUS E O JUDAÍSMO

1. JUDEUS PIEDOSOS.

Simeão: o cântico de Simeão.

Simeão era nome bem comum, e com esse nome figuram diversos personagens bíblicos bem conhecidos. Alguns têm pensado que esse Simeão tivesse sido filho do famoso rabino Hilel e pai de Gamaliel, mencionado em Atos 5:34, e que foi o mestre de Saulo de Tarso. Acerca disso não possuímos qualquer informação segura. Mas os pormenores com que contamos são suficientes em si mesmos. Simeão era homem justo, piedoso, devoto (palavra empregada somente por Lucas, neste ponto, e em parte alguma do N. T. encontrada além desta passagem; significa temente a DEUS, e os seus cognatos podem ser encontrados em Heb. 4:5-7 e 12:28. Quando aplicada a questões religiosas enfatiza o elemento da circunspecção, da cautela, da observância cuidadosa dos preceitos divinos, e por isso mesmo expressa muito bem a ideia da piedade, segundo é retratada no V. T., com suas muitas leis e ordenanças. Ver também Atos 2:5). Esse homem, pois, esperava a consolação de Israel, o que é uma referência direta à promessa e às profecias messiânicas. Pelo texto também ficamos sabendo que ele recebeu uma revelação especial para entender aquele acontecimento, e que o mesmo deveria estar bem próximo. (Ver os vss. 35 e 30).

 

Que personagem maravilhoso, esse Simeão! Quem era ele? O texto diz: “Ele era um homem”. A julgar pela narrativa, era um ancião, talvez desconhecido entre as pessoas, porém bem conhecido de DEUS.

Simeão é um representante para muitas almas tementes a DEUS. Sua justiça consistia na fiel observância da lei, e seu temor a DEUS em um reverente respeito à sublimidade e santidade de DEUS. Por reconhecer que era impossível cumprir por si próprio a lei de DEUS, tinha anseio por consolo e paz. Era algo que somente o Messias prometido poderia propiciar-lhe. Por essa razão, seu temor a DEUS transformava-se cada vez mais em espera pelo consolo de Israel.

“Prosdéchomai” não significa esperar, mas aguardar. Aguardar diz respeito a uma espera bem específica, i.é, a pessoa que espera dirige o olhar e toda a atenção àquilo que vem, que há de suceder. Prosdechomai ocorre para Simeão, no v. 25, e para Ana e os “humildes na cidade de Jerusalém”, no v. 38.

De onde vem a expressão “consolação de Israel”? Talvez essa expressão evoque Is 40.1ss.

Assim como a igreja do Novo Testamento exclamará, com vistas à vinda plena de CRISTO, de forma cada vez mais alta e insistente: “Amém! Vem, Senhor JESUS!” (Ap 22.20), assim também a prece pela vinda do CRISTO se torna cada vez mais insistente.

Em Zacarias, Isabel e Maria já ressurgira o despertar do ESPÍRITO profético. Simeão e Ana parecem ter sido impelidos por mais tempo pelo ESPÍRITO profético. O ESPÍRITO SANTO é também um ESPÍRITO de oração. Simeão era um orador tenaz e devotado.

Ele havia obtido a bendita certeza interior de que não morreria sem ter visto o CRISTO do Senhor. Como essa resposta deve ter dado asas a seu anseio! Como seu olhar deve ter buscado o CRISTO do Senhor, a consolação de Israel, desde então!

Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Lucas. Editora Evangélica Esperança.

 

E, sobrevindo na mesma hora, ela dava graças a DEUS (38). Simeão ainda estava segurando o Bebê quando Ana entrou. Ela deu graças imediatamente, confirmando a sua visão profética. Falava dele a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém. Não temos o teor da sua mensagem, mas fica implícito que ela falava do Seu ministério messiânico. Como no caso de Simeão, a redenção - a salvação - era a sua principal ênfase.

Por intermédio de Zacarias, Isabel, os pastores, Simeão, Ana e outros, as boas-novas sobre o Salvador estavam se espalhando. É significativo que DEUS só tenha revelado essas boas-novas àqueles que tinham a qualificação espiritual adequada para uma revelação tão sublime.

Barclay encontra nesta passagem uma história comovente de “Uma das pessoas quietas na terra”. Aqui está uma mulher a quem DEUS se revelou. Que tipo de pessoa era ela? 1) Embora tivesse conhecido a tristeza, ela não era amargurada; 2) Embora tivesse idade, não tinha perdido a esperança; 3) Nunca deixou de adorar na casa de DEUS; 4) Nunca deixou de orar.

Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 376.

 

Ana... da tribo de Aser (v.36): A dedicação de Ana toma-se ainda mais destacada ao lembrarmo-nos de que a tribo de Aser era uma das dez que DEUS, em razão da sua apostasia, tirara de diante da Sua presença, 2 Rs 17.18-23. Muitas pessoas das dez tribos não foram levadas ao cativeiro, e diversas se uniram a Judá depois do cativeiro em Babilônia. Ana servia como outra testemunha do fato que se aproximava o tempo de DEUS derramar Seu ESPÍRITO sobre toda a carne.

Era já avançada em idade (v.36): Tinha vivido com seu marido sete anos, e tinha passado oitenta e quatro anos na sua viuvez. Portanto, se casara muito nova, com a idade de doze anos, tinha, neste tempo, 103 anos de idade. Servindo a DEUS em jejuns e orações de noite e de dia (v.38): Vê-se no fato de DEUS dar lugar para esta história nas Escrituras, a importância da obra que a idosa Ana realizava. Não há, entre o povo de DEUS, um de Seus filhos que Ele considere inutilizado e aposentado, Lv 19.32; Pv 16.31. Como o orador experiente e eloquente finda seu discurso com o ponto mais comovente, assim o crente experimentado e ardente finda sua longa vida na terra transmitindo ao próximo as verdades mais vivas, as quais vai em breve presenciar.

Orlando S. Boyer. Espada Cortante 2. Editora CPAD. pag. 46-47.

  

2. RITUAIS SAGRADOS.

O nascimento de JESUS no contexto judaico

Por ocasião da redação do terceiro Evangelho, a igreja já tinha dado os seus primeiros passos. Uma das primeiras polêmicas no seio da igreja surgiu por conta da disputa entre judeus e gentios. Isso motivou a instauração do primeiro concilio da igreja que ocorreu em 49 d. C. Esse concilio, liderado pelos apóstolos, ocorreu em Jerusalém e tinha como objetivo se opor aos esforços dos judaizantes, conforme registrado no livro de Atos cap. 15. Não há dúvida de que um dos propósitos de Lucas, como já foi assinalado, era mostrar que o cristianismo não era uma seita judaica sem nenhum nexo com a cultura judaica. Suas raízes eram de origem judaica. Ele era a continuação e plenitude da revelação de DEUS conforme se encontrava registrada nas Escrituras hebraicas. Lucas, portanto, estava “interessado em delinear a relação entre o cristianismo e o judaísmo. A maneira pela qual ele tratou desse assunto é determinada pela brecha enorme que já separava essas duas religiões em épocas em que escreveu. Isso levou-o a (1) estabelecer a continuidade entre o cristianismo e a história redentora judaica, e (2) mostrar como a alienação entre os dois movimentos ocorreu”. Os relatos históricos da infância de JESUS têm como objetivo estabelecer esse vínculo entre a fé judaica e a fé cristã. Os relatos da circuncisão de JESUS (Lc 2.21), a sua apresentação no Templo (Lc 2.22-24) atendem ao mesmo fim. Da mesma forma os relatos de Simeão e Ana como judeus piedosos e a presença de JESUS no Templo com 12 anos de idade, sem dúvida servem para mostrar que o cristianismo não surgiu à parte do judaísmo, mas que suas raízes se originaram deste.

José Gonçalves. Lucas, O Evangelho de JESUS, o Homem Perfeito. Editora CPAD. pag. 33-34.

 

 

JESUS viveu e morreu debaixo da Lei de Moisés, a velha aliança (G14.4; 5.3), que só findou quando foi cravada na cruz, Cl 2.14.

A lei exigia um cordeiro e um pombinho, Lv 12.6-8. Os pobres, porém, podiam oferecer duas rolas ou dois pombinhos em vez do cordeiro. Neste versículo, portanto, é claro que José e Maria eram pobres. CRISTO foi criado por mulher pobre. Passou trinta anos da Sua vida na casa de um homem pobre. Sem dúvida comia pão dos pobres, vestia-se de roupa dos pobres, exercia um ofício de pobres, e compartilhava dos problemas e sofrimentos dos pobres.

Orlando S. Boyer. Espada Cortante 2. Editora CPAD. pag. 43-44.

 

I. Ele foi circuncidado no dia exato indicado pela lei (v. 21): “Quando os oito dias foram cumpridos”, sete noites depois do dia do seu nascimento, eles o circuncidaram. 1. Embora esta fosse uma operação dolorosa (“certamente me és um esposo sanguinário”, disse Zípora a Moisés, “por causa da circuncisão”, Êxodo 4.25,26), ainda assim CRISTO se submeteu a ela, por nós; na verdade, Ele se submeteu a ela, para dar-nos um exemplo da sua obediência, desde o início, da sua obediência até o sangue. Assim Ele derramou algumas gotas do seu sangue, que, mais tarde, Ele derramou em correntezas púrpura.

2. Embora, supostamente, Ele fosse um estranho, por meio desta cerimônia Ele era admitido ao concerto com DEUS, não obstante Ele sempre tivesse sido o seu FILHO amado. Na verdade, embora supostamente, Ele fosse um pecador, que precisava ter a sua impureza removida, embora Ele não tivesse nenhuma impureza ou nenhum acúmulo de maldade a ser removido, ainda assim Ele se submeteu a este rito; Ele se submeteu a isto, porque queria ser feito à semelhança, não somente da carne, mas da carne do pecado, Romanos 8.3.3. Embora com a circuncisão Ele se transformasse em um homem “obrigado a guardar toda a lei” (G1 5.3), ainda assim Ele se submeteu a ela; Ele se submeteu a isto, porque queria assumir a forma de servo, ainda que fosse nascido livre. CRISTO foi circuncidado: (1) Para que pudesse ser considerado da descendência de Abraão, e daquela nação de quem, no que diz respeito à carne, CRISTO se originou, e para que tomasse a descendência de Abraão, Hebreus 2.16; 9.5. (2) Para que pudesse ser considerado o remidor de nossos pecados, e o responsável pela nossa segurança. A circuncisão (diz o Dr. Goodwin) era o certificado, segundo o qual nós nos reconhecíamos como devedores da lei; e CRISTO, ao ser circuncidado, foi como se tivesse iniciado o seu empreendimento de tornar-se pecado por nós. A lei cerimonial consistia, em grande parte, de sacrifícios; CRISTO, desta maneira, se obrigou a oferecer, não o sangue de touros ou bodes, mas o seu próprio sangue, algo que ninguém que tinha sido circuncidado antes dele foi forçado a fazer. (3) Para que pudesse justificar e honrar a dedicação da semente recém-nascida da igreja a DEUS, através daquela cerimônia que é o selo do concerto, e da justiça, que é pela fé, como era a circuncisão (Rm 4.11), e como é o batismo. E, certamente, sua circuncisão aos oito dias de nascido, faz muito pela dedicação da semente dos crentes pelo batismo, na sua juventude, assim como o seu batismo aos trinta anos de idade o faz por aqueles que se batizam em uma idade adulta. A mudança da cerimônia não altera a sua essência. Na ocasião da sua circuncisão, de acordo com o costume, Ele recebeu o seu nome: “Foi-lhe dado o nome de JESUS”, ou Josué, pois o seu nome foi dado, “pelo anjo”, à sua mãe Maria antes que Ele fosse concebido no útero (cap. 1.31), e ao seu suposto pai, José, posteriormente, Mateus 1.21. [1] Era um nome comum entre os judeus, assim como era o nome de João (Cl 4.11), e com isto Ele se fazia “semelhante aos [seus] irmãos”. [2] Era o nome de dois homens eminentes semelhantes a Ele, no Antigo Testamento, Josué, o sucessor de Moisés, que foi comandante de Israel, e conquistador de Canaã; e Josué, o sumo sacerdote, que foi coroado propositadamente, para que pudesse representar a CRISTO como um sacerdote no seu trono, Zacarias 6.11,13. [3] Isto era muito significativo em sua missão. JESUS significa Salvador. Ele seria denominado, não pelas glórias da sua natureza divina, mas pelos seus desígnios graciosos, como Mediador; Ele traz a salvação.

Ele foi apresentado no templo. Isto foi feito para cumprir a lei, e na ocasião indicada pela lei, quando Ele tinha quarenta dias de idade, quando se cumpriram os dias da purificação de Maria, v. 22. Muitas versões, inclusive autênticas, substituem auton por autes, ou seja, “os dias da purificação deles” (como a Versão RA), da purificação tanto da mãe quanto da criança, pois assim devia ser, de acordo com a lei; e o nosso Senhor JESUS, embora não possuísse impureza da qual purificar-se, ainda assim submeteu-se a isto, como já tinha feito com a circuncisão, porque Ele se fez pecado por nós; e para que, assim como pela circuncisão de CRISTO nós possamos ser circuncidados, em virtude da nossa união e comunhão com Ele, com uma circuncisão espiritual, não feita por mão (Cl 2.11), também na purificação de CRISTO nós pudéssemos ser espiritualmente purificados da imundície e corrupção que trouxemos ao mundo conosco. Segundo a lei:

1. O menino JESUS, sendo um primogênito do sexo masculino, foi apresentado ao Senhor, em um dos pátios do templo. A lei está aqui reproduzida (v. 23): “Todo macho primogênito será consagrado ao Senhor”, porque, por um decreto especial de proteção para os israelitas, os primogênitos dos egípcios foram assassinados pelo anjo destruidor; para que CRISTO, como primogênito, fosse um sacerdote, por um direito mais garantido do que aquele da casa de Arão. CRISTO foi “o primogênito entre muitos irmãos”, e foi “consagrado ao Senhor”, como nenhum outro tinha sido; mas, ainda assim, Ele foi apresentado ao Senhor como qualquer outro primogênito, e não de qualquer outra maneira. Embora Ele tivesse recentemente saído do seio do PAI, ainda assim Ele foi apresentado a Ele pelas mãos de um sacerdote, como se Ele fosse um estranho, que precisasse de alguém que o apresentasse. O fato de que Ele foi apresentado ao Senhor agora significou que Ele se apresentou ao Senhor como Mediador, quando estava destinado a aproximar-se dele, Jeremias 30.21. Mas, de acordo com a lei, Ele foi resgatado, Números 18.15. “Os primogênitos dos homens resgatarás”, e “a tua avaliação dum varão será de cinco siclos de prata”, Levítico 27.6; Números 18.16. Mas, provavelmente em caso de pobreza, o sacerdote tinha permissão de receber menos, ou talvez nada; pois nenhuma menção a isto é feita aqui. CRISTO foi apresentado ao Senhor, não para ser levado de volta, pois Ele foi levado à porta de DEUS, para servi-lo para sempre (Êx 21.6); e embora Ele não seja deixado no templo, como Samuel, para ministrar ali, ainda assim, como Samuel, Ele é consagrado ao Senhor por toda a sua vida, e para servi-lo no verdadeiro templo “não feito por mãos de homens”, Marcos 14.58. 2. A mãe trouxe a sua oferta, v. 24. Quando ela apresentasse o seu filho ao Senhor, esse filho que seria o supremo sacrifício, ela poderia ter sido dispensada de fazer qualquer outra oferta. Mas, assim está disposto na lei do Senhor, a lei que ainda estava em vigor. E, portanto, isto deve ser feito, ela deve oferecer “um par de rolas ou dois pombinhos”. Se tivesse recursos, ela deveria ter trazido um “um cordeiro por holocausto”, e “um pombinho para expiação do pecado” ; mas, sendo pobre, e não podendo pagar o preço de um cordeiro, ela traz duas rolas, uma para o holocausto, e a outra para a expiação dos pecados (veja Lv 12.6,8), para nos ensinar, sempre que nos dirigirmos a DEUS, e particularmente nestas ocasiões especiais, a dar graças a DEUS pelas suas bênçãos a nós, e também a reconhecer, com tristeza e vergonha, os nossos pecados contra Ele; com as duas atitudes, nós devemos dar glória a Ele, e nunca nos faltarão motivos para elas. CRISTO não foi concebido e nascido no pecado, como as outras pessoas, e não havia, no seu caso, a mesma oportunidade que havia nos outros casos; mas, por ter nascido sob a lei, Ele se sujeitou a Ela. Assim, lhe foi conveniente “cumprir toda a justiça”. Muito mais conveniente é, ao melhor dos homens, participar da confissão do pecado; pois “Quem poderá dizer: Purifiquei o meu coração?”

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 530-531.

  

COMENTÁRIO RÁPIDO DO Pr. Henrique - Lição 11, Maria, Mãe de JESUS - uma Serva Humilde

INTRODUÇÃO

HUMILDADE DE MARIA

Maria era uma pessoa tão humilde. Sua exclamação, "Ele tem tido em conta para o estado humilde de Seu servo," expressou sua admiração e espanto que DEUS iria escolher para abençoá-la. Ela sabia que era uma pecadora, necessitado da misericórdia e da graça de DEUS. Longe de ver a si mesma como a exaltada rainha, quase divinizada no céu, pelo catolicismo romano que imagina que ela seja, Maria viu-se como um humilde serva (cf. v. 38). A palavra grega é doule , a forma feminina da palavra que significa que ela é pela primeira vez no Novo Testamento identificada por ela mesma como escrava, designação do Senhor, que se torna a norma para os santos (cf. 02:29 "escravo."; 1 Cor 7:22; Ef. 6:. 6; Apocalipse 1:1)

 

I - MARIA, A MÃE DE JESUS

Não mãe de DEUS - Mãe de JESUS, homem.

1. Quem era Maria.

O nome de Maria, muito provavelmente foi-lhe dado em homenagem à sua ancestral Miriã, irmã de Arão e Moisés, já que Maria era descendente de Arão. Seu nome está em grego, Maria, mas em Hebraico é Miriã. Vem de Mariam.

Não existe genealogia de Maria na Bíblia.

Maria era prima de Isabel, esposa de Zacarias, sacerdote, portanto Maria era descendente de Arão, da tribo de Levi.

Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Isabel. Lucas 1.5. (Isabel era Prima de Maria)

E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril; 37Porque para DEUS nada é impossível. Lucas 1.36,37. 

JESUS é filho adotivo de José, o que o torna descendente legal de Davi, portanto poderá ser rei no milênio. 

Para ser sacerdote tem que pertencer à tribo de Levi e para ser sumo sacerdote tem que ser descendente de Arão. JESUS é descendente natural por parte de mãe de Arão. No milênio então será Sumo sacerdote e ao mesmo tempo rei.

Genealogia na bíblia, no Novo Testamento é de JESUS passando por José. Qual José? O marido de Maria.

MARIA - MIRIÂ (DICIONÁRIO DE NOMES)

Grego: Maria - Hebraico: rebelião

MARIA - (Dicionário dos léxicos originais - Strong em português) - Μαρια - Maria ou Μαριαμ - Mariam - de origem hebraica  מרים - Maria = “sua rebelião”

Maria, mãe de JESUS.

  

2. Suas qualidades e seu caráter.

Maria foi escolhida soberanamente por DEUS por ter as características necessárias para se cumprir as profecias registradas na Palavra de DEUS a respeito do nascimento do Messias que havia de nascer para salvar os homens de seus pecados. Cremos que estas características dependeram tanto do plano executado por DEUS na vida de Maria como que de Maria ser obediente a DEUS e ser uma jovem de oração e estudo da Palavra de DEUS, tendo uma vida consagrada a DEUS.

Características de Maria

a) Ela era virgem.

DEUS enviou seu mensageiro especial - o anjo Gabriel - para uma missão especial e de suma importância - A cidade era Nazaré, insignificante perante os judeus - A mensagem era para uma virgem, cujo nome era "Maria" (Lc 1.26,27). Havia uma profecia a ser cumprida, na hora certa, no dia certo, na plenitude dos tempos.

Isaías 7.14 Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.

A virgindade física da escolhida era imprescindível. Maria estava comprometida em casamento com José. Estava esperando o dia da confirmação final com a cerimônia de casamento propriamente dito. Assim permanecia virgem e José só teria relações sexuais com ela após JESUS nascer, consumando assim a parte natural instituída por DEUS.

JESUS foi concebido por obra e graça do ESPÍRITO SANTO. Não teve nenhum contato físico de Maria com algum, homem ou intervenção humana para que JESUS nascesse. Sara e Isabel, prima de Maria eram estéreis e também idosas; Rebeca, Raquel e Ana eram estéreis, todas receberam o milagre de DEUS e tiveram seus filhos, mas Maria era Virgem, o milagre dos milagres aconteceu. Maria concebeu e deu a luz JESUS, o filho de DEUS. JESUS não nasceu com a semente do pecado herdada de Adão como todos nascemos no mundo.

E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o ESPÍRITO SANTO, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o SANTO, que de ti há de nascer, será chamado FILHO de DEUS. Lucas 1:35

A virgindade de uma moça cristã é apreciada por DEUS e um rapaz que assim também procede será reconhecido por DEUS como prudente e santo.

 

Mas o que a Bíblia diz sobre o sexo:

1. DEUS é a favor do sexo. Ele o criou puro, limpo, bonito e deseja que suas criaturas o desfrutem plenamente no casamento.

2. O propósito do sexo é:

A. Procriação - a extensão do amor dos pais na concepção dos filhos.

B. Comunicação - unidade conjugal.

C. Recreação - o prazer conjugal.

3. DEUS planejou o sexo para o casamento. Confira em Gn 1:28 Hb 13.4 ; 1 Ts 4. 3-8 ; 1 Co 6. 12-20.

"Então DEUS os abençoou e lhes disse: Sede fecundos e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra."( Gn 1:28)

"Honrado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; pois aos devassos e adúlteros, DEUS os julgará." (Hb 13:4)

"Porque esta é a vontade de DEUS, a saber, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu próprio corpo em santidade e honra, não com desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a DEUS; e que, nesta matéria, ninguém iluda ou defraude nisso o seu irmão, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos.

Porque DEUS não nos chamou para a impureza, mas para a santificação. Portanto, quem rejeita isso não rejeita ao homem, mas sim a DEUS, que vos dá o seu ESPÍRITO SANTO. "( I Ts 4. 3- 8).

 

b) Ela era agraciada.

"E, entrando o anjo onde ela estava, disse: Salve, agraciada [...]" (Lc 1.28a).

A graça estaria no ventre de Maria e não em si mesma. O que tem a graça em si mesmo estaria em seu interior e ela deveria recebê-lo e pedir para que ELE a abençoasse. Maria estava sendo honrada por DEUS, ou "muito favorecida". Dentre uma multidão de mulheres israelitas, Maria estava sendo escolhida para ser a mãe de seu próprio salvador e Senhor.

Assim, nós também transportamos a graça de DEUS que mora em nós, somos o templo de DEUS na Terra, morada de DEUS, Transportamos o ESPÍRITO SANTO em nós. Que graça!

Se alguém destruir o templo de DEUS, DEUS o destruirá; porque o templo de DEUS, que sois vós, é santo. 1 Coríntios 3:17E que consenso tem o templo de DEUS com os ídolos? Porque vós sois o templo do DEUS vivente, como DEUS disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu DEUS e eles serão o meu povo. 2 Coríntios 6:16

Não sabeis vós que sois o templo de DEUS e que o ESPÍRITO de DEUS habita em vós? 1 Coríntios 3:16

 

1.28 AGRACIADA. Maria foi agraciada mais do que todas as outras mulheres, porque lhe foi concedido ser a mãe de JESUS. Mas as Escrituras não ensinam em lugar algum que devemos dirigir-lhe orações, nem a adorar, nem lhe atribuir títulos especiais. Maria é digna do nosso respeito, mas somente o FILHO é digno da nossa adoração. (1) Maria foi escolhida por DEUS porque ela achou graça diante dEle (cf. Gn 6.8). Sua vida santa e humilde agradou tanto a DEUS, que Ele a escolheu para tão sublime missão (2 Tm 2.21). (2) A bênção de Maria, por ter sido escolhida, trouxe-lhe grande alegria, mas também muita dor e sofrimento (ver 2.35), uma vez que seu FILHO seria rejeitado e crucificado. Nesta vida, a chamada de DEUS sempre envolve bênção e sofrimento, alegria e tristeza, sucesso e desilusão.

 

c) Tinha a presença do Senhor.

"o Senhor é contigo" (Lc 1.28). DEUS estava com ela e agora estaria nela também. Que maravilha ser unido assim a DEUS. Sua presença a acompanharia pelo resto de sua vida, embora isto lhe traria dissabores e sofrimento, valeria a pena por ser um dia moradora das mansões celestiais com seu filho amado.

O mesmo acontece conosco - O ESPÍRITO SANTO está ao mesmo tempo conosco e ao mesmo tempo dentro de nós. Somos um mesmo espírito com ELE.

O ESPÍRITO de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós. João 14:17 (destaque nosso)

Mas o que se ajunta com o Senhor é um mesmo espírito com ele. 1 Coríntios 6:17

 

d) Ela era bendita entre as mulheres.

"[...] bendita és tu entre as mulheres" (Lc 1.28). Bendita quer dizer bem falada, bem quista, bem-amada, bem  abençoada, bem feliz. Maria seria reconhecida por todos como a mulher mais abençoada do mundo, amais privilegiada do mundo.

É assim que a vemos? Pois é assim que DEUS a viu.

 

PARA SER ESCOLHIDA MARIA precisava preencher certos requisitos também. Não era apenas ser escolhida. Precisava ser virgem. Precisava ser desposada com um Judeu da família de Davi. Precisava ser temente a DEUS - Precisava se colocar à disposição de DEUS - Precisava ser pessoa de oração para reconhecer um anjo - Precisava ser jovem que estudava a Bíblia de então para compreender sua função. E precisava ser de da Galileia, pois a profecia dizia que seria chamado Nazareno. O texto de Mateus diz: “E chegou, e habitou numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno.” Não sabemos a qual oráculo profético Mateus se refere. Alguns pensam em Isaías 11:1 onde o profeta usa “neçer” (rebento), ou em Isaías 42:6 e 49:8, onde é utilizado o vocábulo “naçar” (guardar), do qual deriva “naçur” (o resto).

A doutrina da virgindade e concepção de Maria por um milagre de DEUS não pode ser questionada. Sara, Raquel, Rebeca, Ana, Isabel, Maria conceberam devido a um milagre de DEUS. Elas eram estéreis e duas eram muito idosas para terem filhos - não podiam ter filhos, mas Maria, nem relação sexual teve e nem qualquer intervenção humana aconteceu. JESUS tinha que nascer sem a semente maligna de Adão.

 

II - A ELEVADA MISSÃO DE MARIA

Uma difícil missão de mãe e acima de tudo, mãe do salvador JESUS CRISTO.

 

1. DEUS a escolheu para ser a mãe do Salvador.

"Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de DEUS, e eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de JESUS [...] (Lc 1.30,31).

Maria temeu por sua vida, afinal estava diante de uma aparição majestosa de um anjo de DEUS. Quando temos um encontro com DEUS ou um de seus mensageiros a primeira coisa que fazemos é uma introspecção - reflexão que a pessoa faz sobre o que ocorre no seu íntimo, sobre suas experiências, pecados, atitudes, pensamentos, sentimentos. Aí se descobre que se está em falta e que pode morrer e ser condenado.

Por isso o anjo disse - Não temas. Maria assim se sentiu mais tranquila e pode continuar ouvindo o anjo.

Você já teve um encontro assim? Sabia que é possível tê-lo? Ore sempre, jejue, medite na Palavra de DEUS. Deseje ouvir DEUS lhe falar pessoalmente. Um dia poderá ter um encontro real com DEUS antes mesmo do arrebatamento. Paulo assim o buscou e assim o obteve. Tiago diz que Elias era homem sujeito às mesma paixões que nós e mandou a chuva parar e ela parou.

Porque esta mesma noite o anjo de DEUS, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo, Atos 27:23

E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo. 1 Coríntios 15:8

E disse o Senhor em visão a Paulo: Não temas, mas fala, e não te cales; Atos 18.9

 

2. O anúncio de que seria a mãe do Salvador.

Maria se preocupou com a maneira como ficaria grávida. Pode ter pensado se teria que ter sexo com aquele anjo, ou se deveria ter relação sexual com José imediatamente. Pode ter tudo isso passado por sua mente em instante. Deveria quebrar seu voto de castidade? DEUS exigiria dela algo contrário à sua Palavra? Não. O anjo esclareceu que a virtude do  ESPÍRITO SANTO a cobriria e não haveria nenhum contato físico, mas espiritual. Glória a DEUS!

Restava então a Maria conceder ou não a DEUS sua oferta de amor e graça. Maria decidiu se submeter à vontade de DEUS.

E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o ESPÍRITO SANTO, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o SANTO, que de ti há de nascer, será chamado FILHO de DEUS. Lucas 1:35

"Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela" (Lc 1.38).

Está você também disposto a se entregar totalmente a DEUS? Para ser usado em sua obra como ELE deseja? Seja voluntário, esteja no lugar certo, na hora certa e DEUS vai usá-lo também.

Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Isaías 6:8

 

COMO VAI FICAR GRÁVIDA? FILHO DE QUEM? SEMENTE DE DEUS

E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o ESPÍRITO SANTO, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o SANTO, que de ti há de nascer, será chamado FILHO de DEUS. Lucas 1:35 - (Como em Gênesis 1: 2 - "e o ESPÍRITO de DEUS pairava sobre a face das águas").

Quando o anjo fala, a palavra é semente (como na parábola do semeador), A Palavra que o anjo diz é a semente que gera no ventre de Maria um filho, pelo poder do ESPÍRITO SANTO que gera ali uma vida. Maria ó precisava consentir e isso foi o que ela fez. DEUS não a obrigaria a aceitar ser mãe do salvador. Por isso o anjo é enviado para ter o consentimento de Maria.

“Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14).

JESUS NÃO NASCE COM A SEMENTE DE ADÂO - NÃO TEM A PARTICIPAÇÂO DE HOMEM E SUA SEMENTE PECADORA HERDADA DE ADÃO.

 

3. Maria, mulher e mãe.

Maria não foi apenas uma mulher em meio a uma sociedade machista e com valores distorcidos, mas uma mãe exemplar que cuidou e educou seu filho dentro da mais distinta educação religiosa que poderia dispensar a seu filho naqueles dias. Sendo de descendência levítica, família sacerdotal, com certeza conhecia muito bem as escrituras, pois seus ancestrais foram designados como instrutores do povo concernente ao ensino da lei de DEUS. Maria demonstrou saber muito bem as escrituras quando louvou a DEUS na casa de sua prima Isabel, também descendente de Arão.

Maria passou por muitos desafios para cumprir sua missão de mãe de JESUS. Com nove meses de gravidez teve que se deslocar de Nazaré a Belém, viagem de cerca de 145 Km, para alistar-se com o esposo num alistamento decretado por César Augusto, imperador de Roma (Lc 2.1-5).

E subiu também José da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), A fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. Lucas 2:1-6

Viu seu filho nascendo em uma manjedoura porque não havia lugar para eles na estalagem (imagine ver DEUS nascendo numa manjedoura - é uma confusão para qualquer cabeça).

Maria educou JESUS em seus primeiros passos como homem, na Terra. levou-o para ser circuncidado (Lc 2.21); depois, levou-o para ser apresentado no Templo (Lc 2.22,23; Lv 12.4). Periodicamente o levavam para a festa da Páscoa (Lc 2.40,41). Quando JESUS tinha doze anos sentiu falta de seu filho em uma viagem a Jerusalém e passou três dias o procurando por toda parte, tendo o encontrado no templo, na casa de DEUS onde deveria ter procurado primeiro. Durante o ministério de JESUS apenas esteve presente em Caná da Galiléia onde JESUS iniciou seus sinais e maravilhas. Depois vemos que o procura assustada com as notícias que lhe chegavam.

Marcos 3:20-34 Depois entrou numa casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal modo que nem podiam comer. Quando os seus ouviram isso, saíram para o prender; porque diziam: Ele está fora de si. ...Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo. E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram. Respondeu-lhes JESUS, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos!? E olhando em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos!

Maria viu seu filho a caminho do calvário, Maria viu seu filho morrer na cruz, Maria segurou seu filho morto em seus braços. "Maria soube comportar-se como verdadeira mãe".

Você tem se preocupado com o ESPÍRITO SANTO em seu interior? O que ELE ouve, o que ELE vê, o que ELE sente? O que ELE lhe fala? Uma pessoa mora dentro de você - fale com ELE.

 

III - O SEU PAPEL NO PLANO DA SALVAÇÃO

 

MUITOS DOGMAS DO CATOLICISMO por serem antibíblicos levaram séculos para serem "assimilados" – Veja como são introduzidos gradativamente:

 

 Dogmas

(ou Decisões sem apelos de leigos).

 Observações sobre suas decisões.

No Concílio de Éfeso, ano 431

Declararam Maria como Mãe de DEUS.

 No Concílio de Latrão, ano 469.

Determinaram que Maria não teve outros filhos.

No Concílio de Nicéa, ano 787, instituíram o Culto à Maria (hiperdulia)

  

 

1. Maria deu à luz "a semente da mulher."

Diante da condenação humana devido ao pecado de Adão DEUS declara seu plano redentivo para a humanidade e isso se realiza agora com DEUS usando Maria sendo a mãe da semente de DEUS que tiraria o pecado do mundo.  "E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar" (Gn 3.15).

 

Essa declaração divina é considerada o "protoevangelho" de DEUS. Diz Paulo: "mas, vindo a plenitude dos tempos, DEUS enviou seu FILHO, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos" (Gl 4.4,5).

 

2. Maria não é redentora.

Nos ensinos do Novo Testamento não existe nenhuma base para considerar Maria como redentora, ou mediadora entre JESUS e os homens. Este posicionamento é perigoso, pois a Bíblia diz que não devemos ir além do que está escrito (1 Co 4.6). O ensino de que Maria é redentora e mediadora provém do dogma, estabelecido no Concílio de Éfeso, realizado em 431 d.C. Naquele Concílio, chegaram à conclusão de que Maria era Mãe de DEUS, pois JESUS era DEUS. Tal conclusão fere a revelação bíblica por várias razões. DEUS é eterno, o Criador. Uma criatura não pode ser sua mãe. Isso é pecado da mariolatria, o que não condiz com o caráter humilde, submisso e santo da mãe de JESUS (Lc 1.38). Na verdade, Maria era mãe do FILHO de DEUS encarnado, Verdadeiro DEUS e Verdadeiro Homem.

 

MÃE DE DEUS (Dicionário Teológico)

- Título que Maria, mãe de JESUS, recebeu no Concílio de Éfeso, em 431. Contra a iniciativa, levantou-se Nestório, patriarca de Constantinopla. Jamais a Bíblia referiu-se a Maria como mãe de DEUS; ela é mostrada sempre como mãe de JESUS (Jo 2.1; Ats 1.14).

A Igreja Romana atribui-lhe ainda este outro epíteto: Mater Creatoris, Mãe do Criador.

MARIOLATRIA (Dicionário Teológico)

- Literalmente, culto á Maria mãe de JESUS.

MAGNIFICAT (Dicionário Teológico)

- Palavra latina que identifica o cântico com o qual Maria louva a DEUS por tê-la escolhida como mãe do Messias (Lc 1.46-55). Eis a frase toda: Magnificai anima mea Dominum.

MARIOLOGIA (Dicionário Teológico)

- Conjunto de crenças, dogmas e tradições a respeito de Maria. A mariologia pode ser definida também como o estudo sistemático sobre a mãe de JESUS, em torno da qual há toda uma teologia desenvolvida pela Igreja Católica.

 

3. Maria não é mediadora.

Na Bíblia só há respaldo para um mediador entre DEUS e os homens.

JESUS disse: "Ao Senhor, teu DEUS, adorarás e só a ele servirás" (Mt 4.10).

1Timóteo 2.5 Porque há um só DEUS, e um só Mediador entre DEUS e os homens, JESUS CRISTO homem.

E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos. Atos 4:12

Disse-lhe JESUS: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao PAI, senão por mim. João 14:6

 

Abaixo algumas heresias a respeito do culto a Maria.

a) Assunção de Maria.

O Papa Pio XII, em sua bula Munificentíssimo DEUS (de 1º de novembro de 1950) diz que Maria "... foi levada de corpo e alma para a glória do céu". Na verdade, Maria foi sepultada e, agora, aguarda a ressurreição, no arrebatamento da igreja.

b) Intercessão de Maria.

O Papa Pio XII, em sua bula Munificentíssimo DEUS (de 1º de novembro de 1950) diz que Maria "... foi levada de corpo e alma para a glória do céu". Na verdade, Maria foi sepultada e, agora, aguarda a ressurreição, no arrebatamento da igreja.

c) Suprema autoridade de Maria!

Que absurdo! A Bíblia diz claramente: "Porque há um só DEUS e um só mediador entre DEUS e os homens, JESUS CRISTO, homem" (1 Tm 2.5). "... o qual está à direita de DEUS, e também intercede por nós" (Rm 8.34). Só JESUS pode interceder por nós diante de DEUS, porquanto por nós Ele morreu na cruz.

c) Suprema autoridade de Maria!

Um ensino como esse jamais honra Maria, a Mãe de JESUS como Homem. Só pode ser de origem maligna para confundir as mentes incautas, levando-as à mariolatria. JESUS disse que todo o poder lhe foi dado no céu e na terra (Mt 28.18).

 

 

JESUS disse que todo o poder lhe foi dado no céu e na terra (Mt 28.18).

"Porque há um só DEUS e um só mediador entre DEUS e os homens, JESUS CRISTO, homem" (1 Tm 2.5). "...

 

 

Lição 12, José, O PAI Terreno de JESUS - Um Homem de Caráter  (MUITO IMPORTANTE - ESTUDE ESTA LIÇÃO)

2º Trimestre de 2017 - Título: o Caráter do Cristão - Moldado Pela Palavra de DEUS e Provado Como Ouro

Comentarista: Pr. Elinaldo Renovato de Lima (Pr. Pres. ADPAR - Assembleia de DEUS em Parnamirim/RN)

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Mateus 1.18-25

18 - Ora, o nascimento de JESUS CRISTO foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do ESPÍRITO SANTO. 19 - Então, José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. 20 - E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do ESPÍRITO SANTO.  21 - E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. 22 - Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz:  23 - Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de EMANUEL. (EMANUEL traduzido é: DEUS conosco). 24 - E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher, 25 - e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de JESUS.

  

COMENTÁRIO RÁPIDO DO Pr. HENRIQUE - EBD NA TV

Lição 12, José, O PAI Terreno de JESUS - Um Homem de Caráter

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Mateus 1.18-25

 

18 - Ora, o nascimento de JESUS CRISTO foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do ESPÍRITO SANTO. 19 - Então, José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. 20 - E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do ESPÍRITO SANTO.  21 - E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. 22 - Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz:  23 - Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de EMANUEL. (EMANUEL traduzido é: DEUS conosco). 24 - E José, despertando do sonho, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher, 25 - e não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de JESUS.

 

INTRODUÇÃO

Estudaremos nesta Lição sobre José, marido de Maria, da casa de Davi, pai adotivo de JESUS e seu caráter digno de ser imitado, principalmente quanto ao seu amor, à sua justiça, obediência, temperança e submissão a DEUS.

 

I - JOSÉ, O PAI DE JESUS

1. Quem era José?

JOSÉ - (Strong português)

José - Ιωσηφ Ioseph - de origem hebraica יוסף;  - José = “deixe-o acrescentar”

O marido de Maria, a mãe de JESUS.

 

José - PAI adotivo de JESUS - Adotivo para nós que sabemos que foi concebido pelo ESPÍRITO SANTO, mas ninguém saiu contando por toda parte isso. Portanto JESUS, quando nasceu, foi aceito por todos como filho legítimo de José e de Maria (os dois consentiram em ter este filho por obra e graça de DEUS - Maria ouviu o anjo e disse - "Faça-se em mim segundo a Palavra de DEUS - José disse ).

Temos pouca informação sobre José, marido de Maria, na Bíblia. Basicamente sabemos que era carpinteiro e que morava em Nazaré, na Galileia, também estava desposado com Maria, como seu noivo, também quase não sabemos nada sobre ela. José, apesar disso, é de suma importância para a genealogia de JESUS, como descendente da casa real, ou seja, descendente do rei Davi. Da tribo de Judá. Assim as profecias a respeito de JESU se cumpriram. (2 Sm 7.12, 16). Para todos era o pai legitimo de JESUS. Eles não saíram espalhando que Maria havia concebido do ESPÍRITO SANTO. JESUS nasceu e para todos era filho legítimo de José e de Maria.

 

JESUS é filho adotivo de josé, mas para os judeus é filho legítimo.

Se eu adotar um filho americano ele passa a ter os mesmos direitos que qualquer brasileiro tem. Por isso mesmo muitos brasileiros forjam casamento nos EUA. JESUS herdou a linhagem de Davi por parte de José ao José aceitar ser pai de JESUS. JESUS não tinha sangue de José. JESUS foi adotado por José. Embora ninguém tenha ficado sabendo disso. Quando JESUS nasceu todos o receberam como filho legitimo de José. Só Maria, Isabel (talvez seu esposo Zacarias também) e José sabiam que JESUS foi concebido pelo ESPÍRITO SANTO. Não precisava registrar num cartório a adoção. Não era público o milagre. Foi autenticado por DEUS quando José aceita ser pai de JESUS.

E ele lhes disse: Como dizem que o CRISTO é filho de Davi? Visto como o mesmo Davi diz no livro dos Salmos: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Se Davi lhe chama Senhor, como é ele seu filho? Lucas 20:41-44

 

JOSÉ - Dicionário Wycliffe

O marido de Maria, mãe de JESUS. Sua genealogia é apresentada em Mateus 1 (cf. Lc 3.23-38). Ele era um carpinteiro (Mt 13.55; Mc 6.3) que vivia em Nazaré (Lc 2.4). Mas, como descendente de Davi, sua casa ancestral estava em Belém. Estava noivo de Maria na época em que JESUS foi concebido pelo ESPÍRITO SANTO (Mt 1.18; Lc 1.27; 2.5). Ao saber que Maria estava grávida, quis evitar que ela fosse exposta à vergonha pública, embora cogitasse divorciar-se e despedi-la secretamente. Mas em um sonho foi informado por DEUS que a concepção de Maria era divina e foi encorajado a se casar com ela (Mt 1.20-25). Para se registrarem no alistamento de Cesar Augusto, ele e Maria foram a Belém, onde JESUS nasceu. José é mencionado juntamente com Maria e JESUS na visita dos pastores (Lc 2.16) e na apresentação de JESUS no Templo (Lc 2.27,33). Em um sonho, DEUS instruiu José a fugir da ira de Herodes, ir para o Egito, e lá permanecer durante algum tempo (Mt 2.13-15). A última participação de José é mencionada no evento dos Evangelhos relacionado com a visita feita à festa anual em Jerusalém, quando JESUS tinha 12 anos de idade (Lc 2.41- 52). Ele não foi incluído com Maria e seus filhos em Mateus 12.46-50; Marcos 3.31-35 e Lucas 8.19-21 (cf. Mc 6.3), embora João 6.42 possa indicar que José ainda estivesse vivo durante parte do ministério de JESUS. Os judeus da época de JESUS consideravam que Ele era filho de José (veja Lc 3.23; 4.22; Jo 1. 45; 6.42).

 

JOSÉ MORREU ANTES DE JESUS?

Não creio que José morreu antes de JESUS

Isso é crendice de católicos que inventaram um José velhinho e sem condições de ser pai depois que JESUS nasceu - Em João 6.42 José é mencionado. Em Mateus 13.55 José é mencionado como pai de JESUS e carpinteiro e pai de filhos e filhas. Não consta na Bíblia que José faleceu em algum momento do ministério de JESUS. Se tivesse morrido JESUS o ressuscitaria ou pelo menos a bíblia teria mencionado a visita de JESUS a seu sepultamento. Se tivesse morrido quando JESUS ainda era criança a bíblia mencionaria este importante fato. Maria estava morando em Jerusalém no tempo da crucificação de JESUS, longe de Nazaré. JESUS indicou João para cuidar dela, isso não prova que José estivesse morto, poderia ter ficado em Nazaré trabalhando. Quem sabe já não suportava a caminhada até Jerusalém de 145 Km (3 a 4 dias de viagem a pé)?

Mateus 13:55,56 Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto?

João 6. 42 E diziam: Não é este JESUS, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu? 

Conhecemos - Não diz conhecíamos ou filho do José, já morto. Diz conhecemos, indicando presente e indicando que se está falando de alguém vivo.

Assim como supõem por tradições e livros teológicos que José morreu antes de JESUS, sem provas bíblicas. Estou dando versículos bíblicos como mostra que podem estar errados quando dizem que José havia morrido antes de JESUS.

Cada um pode interpretar como quer, eu prefiro acreditar que não morreu antes de JESUS por causa dos versículos que me convencem disso. 

Tradição católica ou evangélica não é superior à Bíblia. Quem prefere acreditar na tradição tudo bem, mas não podem querer obrigar quem não quer ter que acreditar se seu jeito.

Os versículos da bíblia me convencem mais para acredite que José estava vivo. Agora saber porque não foi a Jerusalém ou porque não tem registro aí não temos na Bíblia. 

DEUS não se preocupou em e detalhes sobre isto. Já tem idolatria demais, para que ter mais detalhes da vida de José e de Maria?

 

Quanto a José não estar na crucificação de JESUS

Era mais fácil para João estar perto da cruz, era conhecido do sumo sacerdote, até teve facilidade para entrar no julgamento de JESUS por isso (E Simão Pedro e outro discípulo seguiam a JESUS. E este discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e entrou com JESUS na sala do sumo sacerdote. João 18:15). João foi ó único discípulo que foi testemunha ocular do julgamento de JESUS e de sua crucificação. Onde estavam José de Arimateia e Nicodemos na hora da crucificação? onde estava Lázaro, amigo íntimo de JESUS? Nenhum outro discípulo chegou perto com medo de morrer. Os irmãos de JESUS também não. 

Por que? Porque homem que chegasse perto poderia ser preso também? Poderia ser acusado de pertencer ao grupo de JESUS? Poderia ser crucificado também? Bom estudarmos bem. José pode não ter comparecido para não morrer também.

 

POR QUE JOSÉ MORAVA NA GALILEIA E NÃO EM SEU TERRITÓRIO, A JUDEIA, EM JUDÁ?

Se José era da tribo de Judá, porque emigrou da Judeia, terra dos seus antepassados, onde poderia ter terrenos, para a Galileia, território de outra tribo, onde ele não poderia possuir propriedades?

Motivo um 

A resposta está pode estar na sua profissão. Um carpinteiro necessita de madeira para trabalhar. Nos nossos dias, basta ir a algum fornecedor de material e comprar a madeira ou telefonar a uma serração que umas horas depois está na sua oficina um caminhão com o carregamento da madeira indicada, já serrada em tábuas, seca na estufa e pronta a ser trabalhada. Mas José viveu numa época bem diferente. Ele tinha de montar a sua oficina não muito longe duma floresta onde houvesse árvores que pudessem fornecer boa madeira.

Características geológicas e climatéricas dos nossos dias, serão quase as mesmas da época de José, bem como a vegetação de crescimento espontâneo.

Na Judeia, terra dos seus antepassados, a precipitação média anual não vai além dos 100 milímetros por ano, enquanto na Galileia, esse valor é de 700 a 1000 milímetros por ano. Nazaré fica na baixa Galileia, região predominantemente agrícola, enquanto as árvores que poderiam fornecer matéria-prima para a pequena indústria de José, cresciam na alta Galileia e deve ter sido bem árduo o trabalho de levar os troncos para a sua oficina.

Motivo dois

Cumprimentos das profecias que diziam que JESUS seria chamado Nazareno ou Galileu. Portanto era necessário que tanto Maria como José morassem ali. É uma providência divina, um encaixar no plano divino no coração de seus servos obedientes e disponibilizados para fazerem sua obra.

3- Motivo três

Maria depois passou a ser seu principal motivo.

 

Para Maria morar ali em Nazaré também tinha o Motivo da profecia a ser cumprida e ainda tinha o motivo chamado José. Um homem de Judá, carpinteiro, homem temente a DEUS e seu amor, esperado como esposo, que morava ali em Nazaré.

 

2. PAI adotivo de JESUS.

POR QUE DIFERENTES GENEALOGIAS ENTRE MATEUS E LUCAS?

Porque Lucas mostra a humanidade de JESUS e Mateus sua Realeza (na de Mateus é demonstrada a descendência de JESUS do rei Davi por causa de José que era da casa real)

 

Lucas coloca mais nomes de descendentes humildes e às vezes sem expressividade em sua genealogia para mostrar a humildade e humanidade de JESUS. 

A intenção de Lucas é mostrar JESUS se fazendo homem para salvar a todos os descendentes de Adão. Por isso a genealogia de Lucas vai até Adão. 

Já Mateus está interessado em provar que JESUS é rei e mostra JESUS descendente dos reis até Davi porque é filho de José, da casa de Davi. Entre tantos outros descendentes de Davi, José é mais um que poderia se candidatar ao trono. Assim JESUS nasce em Belém, tribo de Judá. Também é filho legalmente de José da casa de Davi. 

 

Cuidado com fábulas artificialmente compostas (2 Pedro 1:16) de que na genealogia de Lucas está registrada a genealogia de Maria e que Eli é pai de Maria.

Não existe nenhuma comprovação bíblica disso. A genealogia é de JESUS e as mulheres não influenciavam as genealogias. Apenas são citadas como esposas de alguém que faz parte da genealogia de JESUS.

A única família de Maria encontrada na Bíblia é a de Isabel, sua prima, descendente de Arão, da tribo de Levi.

Lucas 1:5 Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Isabel.

Lucas 1:36 E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril;

 

SE MULHER INFLUENCIASSE GENEALOGIA DAVI SERIA APENAS UM ZERO A ESQUERDA.

Davi é descendente de Raabe, a prostituta e de Rute, a Moabita (descendente de um incesto das filhas de Ló com ele)

E Salmom gerou, de Raabe, a Boaz; e Boaz gerou de Rute a Obede; e Obede gerou a Jessé; Mateus 1:5. ISSO NOS MOSTRA CLARAMENTE QUE MULHER NÃO INFLUENCIA NA GENEALOGIA. JESUS SÓ É RECONHECIDO COMO DA CASA DE DAVI POR CAUSA DE JOSÉ, QUE É DA CASA DE DAVI. E subiu também José da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), Lucas 2:4

 

José tinha uma profissão que o mantinha dentro da classe média e não da pobre. Quando se ocupou com a ida a Belém, nascimento de JESUS, ida a Jerusalém para apresentação do menino JESUS e depois fuga para o Egito, aí sim, sem trabalhar, teve dificuldades financeiras, embora no Egito tivesse produtos ganhados no nascimento de JESUS com os quais podia sustentar sua família.

 

3. José, um sonhador obediente.

QUAL ERA O CANAL DE COMUNICAÇÃO ENTRE DEUS E JOSÉ?

"E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor". Mateus 1:19-25 - Primeiro sonho.

“E, tendo eles se retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José num sonho". Mateus 2:13,14 - Segundo sonho.

"Morto, porém, Herodes, eis que o anjo do Senhor apareceu num sonho a José no Egito" Mateus 2:19 - Terceiro sonho.

Este era o canal de comunicação entre DEUS e José. Um sonho em que um anjo aparecia e lhe comunicava o que DEUS queria que fizesse. José acordava e obedecia. José tinha um caráter obediente a DEUS e submisso.

Atualmente, DEUS fala em sonhos com seus servos? Como distinguir se o que sonhei é a voz de DEUS?

DEUS ainda fala do mesmo jeito que sempre falou. 

Fala pela Palavra escrita, Fala pela Palavra pregada ou ensinada.

Fala por sonhos como tem feito muito nos últimos dias em Meca, na Arábia Saudita.

Fala em nossos pensamentos.

Fala com voz audível.

Fala através de seus profetas.

Fala através de profecias.

DEUS continua sendo DEUS e falando conosco e se não tiver ninguém para ele usar vai usar uma jumenta como a de Balaão.

Para distinguir somente por uma revelação do ESPÍRITO SANTO que mora em nós e para sabermos no geral se é DEUS temos os métodos mostrados na Bíblia.
Se acontecer o que for falado.
Se o que for falado não nos afastar de DEUS.
Se o que for falado não for contra a Bíblia.
Etc...
Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele. Deuteronômio 18:22
À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles. Isaías 8:20
  
II - O CARÁTER EXEMPLAR DE JOSÉ
1. Um homem obediente.
JOSÉ DEMONSTROU OBEDIÊNCIA CASANDO-SE COM MARIA
QUANDO JOSÉ SE CASOU COM MARIA? COM QUANTOS MESES DE GRÁVIDA?
José obedeceu ao Anjo (DEUS lhe mostrou a profecia que dizia que a virgem conceberia). José fez como o anjo lhe ordenara e se casou imediatamente com Maria, pois já estava com três meses de gravidez e logo, logo, a barriguinha se revelaria. era preciso urgência. Por que três meses? Porque Maria passou quase três meses em casa de sua prima Isabel em outra cidade após receber JESUS em seu ventre pela ação sobrenatural do ESPÍRITO SANTO. - E Maria ficou com ela quase três meses, e depois voltou para sua casa. Lucas 1:56 - (mais a viagem de ida e volta à cidade onde morava sua prima Isabel).
Então José, seu marido, como era justo, e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. E, projetando ele isto, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do ESPÍRITO SANTO; E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor, pelo profeta, que diz; Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, Que traduzido é: DEUS conosco. E José, despertando do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu a sua mulher; E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome JESUS. Mateus 1:19-25
JOSÉ DEMONSTROU OBEDIÊNCIA TAMBÉM DESCENDO AO EGITO
A FUGA DE JOSÉ, MARIA E JESUS PARA O EGITO
“E, tendo eles se retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José num sonho, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito.” (Mateus 2:13,14). Assim como no tempo de Moisés, o diabo intentou destruir o profeta enviado por DEUS para libertar seu povo da escravidão, no tempo de JESUS o diabo levantou Herodes para matar as crianças de Israel para não permitir nascer o libertador do pecado e da morte, JESUS. Herodes manda matar os meninos de dois anos para baixo, pois havia perguntado aos homens que vieram do Oriente pela provável idade do menino que eles diziam ser rei. este menino poderia ser uma ameaça ao seu reinado. Poderia ser seu substituto. Poderia causar problemas sérios para seu reinado. Poderia causar uma rebelião durante seu reinado e lhe tirar o trono. Que barbaridade, que maldade - O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. João 10:10 Em Ramá se ouviu uma voz, Lamentação, choro e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, E não quer ser consolada, porque já não existem. Mateus 2:18 Assim diz o Senhor: Uma voz se ouviu em Ramá, lamentação, choro amargo; Raquel chora seus filhos; não quer ser consolada quanto a seus filhos, porque já não existem. Jeremias 31:15 Depois do primeiro Sonho dado a José sobre a virgindade e concepção milagrosa no ventre de Maria, agora, novamente José recebe um sonho revelador. Quando DEUS descobre em nós um canal eficiente de comunicação sempre nos vem através dele. Para José os sonhos eram este canal de comunicação eficiente. Avisado José do perigo que corria o menino, conduziu imediatamente sua família para o Egito, e lá permaneceu até a morte de Herodes, que foi substituído por seu filho.
JOSÉ DEMONSTROU OBEDIÊNCIA TAMBÉM SAINDO DO EGITO E VOLTANDO PARA A GALILEIA
Agora num terceiro sonho José recebe a revelação de DEUS de que era hora de voltar, pois Herodes estava morto.
Mateus 2.15 E esteve lá, até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu FILHO. Morto, porém, Herodes, eis que o anjo do Senhor apareceu num sonho a José no Egito, Dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vai para a terra de Israel; porque já estão mortos os que procuravam a morte do menino. Então ele se levantou, e tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel. E, ouvindo que Arquelau reinava na Judéia em lugar de Herodes, seu pai, receou ir para lá; mas avisado num sonho, por divina revelação, foi para as partes da Galiléia. E chegou, e habitou numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno. Mateus 2:19-23 Agora José volta para Nazaré donde tinha saído antes de Maria conceber JESUS, antes de Ir a Belém, antes de fugir para o Egito.
O justo José. José era tão pai quanto qualquer pai biológico, era o pai legal, era o pai que cuidava, protegia, responsável pela segurança e bem-estar de sua família. José tinha coração receptivo a DEUS. O Egito abrigou o povo de DEUS por várias vezes, pois DEUS os abençoou com fartura de alimentos, principalmente a região do Delta do Rio Nilo. Havia fartura de pão no Egito e de produção agrícola em geral. Era o celeiro daquela região toda da Ásia e África. DEUS protegeu JESUS com a cooperação de José e de Maria (cf. Mt 3.13,19,20,22). Obediência - fugir do país (Mt 2.14). JESUS era refugiado e estrangeiro noutro país (Mt 2.14,15).
 
Na criação de JESUS quanto à sua humanidade, José e Maria tiveram participação importante no desenvolvimento de seu caráter. JESUS se entregou totalmente a DEUS e foi totalmente submisso a DEUS.
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Filipenses 2:8
 
2. Um homem temperante.
JOSÉ DEMONSTROU SER TEMPERANTE NOS DIAS DE SEU NOIVADO COM MARIA
José sabia da lei que dizia ser pecado tal ato (Dt 22.23,24). José era homem "justo" (Mt 1.19). "não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe o nome de JESUS" (Mt 1.25).
JOSÉ DEMONSTROU SER TEMPERANTE NOS DIAS DE PURIFICAÇÃO DE MARIA
Dias de purificação ou resguardo da mulher
Homem 40 - Mulher 80 - Fala aos filhos de Israel, dizendo: Se uma mulher conceber e der à luz um menino, será imunda sete dias, assim como nos dias da separação da sua enfermidade, será imunda. E no dia oitavo se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio. Depois ficará ela trinta e três dias no sangue da sua purificação; nenhuma coisa santa tocará e não entrará no santuário até que se cumpram os dias da sua purificação. Mas, se der à luz uma menina será imunda duas semanas, como na sua separação; depois ficará sessenta e seis dias no sangue da sua purificação. Levítico 12:2-5.
JOSÉ DEMONSTROU SER TEMPERANTE NA ESPERA ATÉ VOLTAREM A NAZARÉ DEPOIS DE PELO MENOS 3 ANOS DEPOIS DO NASCIMENTO DE JESUS, PARA SÓ AI TER SEUS FILHOS COM MARIA
Quando os irmãos de JESUS começaram a nascer?
Quanto tempo José e Maria moraram em Belém depois do nascimento de JESUS?
Pelo menos dois anos. Mateus 2.16 Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos.
José se controlou sexualmente para não ter relações sexuais com Maria até que JESUS nascesse. Creio que só tiveram relações sexuais após voltarem do Egito, depois de fugirem para lá orientados por DEUS e de lá voltarem para Nazaré, novamente orientados por DEUS. Ai sim, tiveram seus outros filhos - Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? De onde lhe veio, pois, tudo isto? Mateus 13:55,56
E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito; e pôs-lhe por nome JESUS. Mateus 1:25
Os irmãos de JESUS só começaram a nascer depois que José voltou do Egito com Maria, muito provavelmente após três anos ou quatro anos depois que JESUS houvera nascido (Herodes havia mandado matar as crianças de dois anos para baixo, aí acrescenta-se o tempo que moraram no Egito que pode ter sido por volta de um ano ou dois e a volta para Nazaré).
E esteve lá, até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu FILHO. Mateus 2:15
Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei a meu filho. Oséias 11:1
 E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. Gálatas 1:19
Judas, servo de JESUS CRISTO, e irmão de Tiago, aos chamados, santificados em DEUS PAI, e conservados por JESUS CRISTO: Judas 1.1 (irmão de JESUS)
Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas? 1 Coríntios 9:5
  
III - A NOBRE MISSÃO DE JOSÉ
1. Assegurar a ascendência real de JESUS.
João 7.42 Não diz a Escritura que o CRISTO vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi?
Para ser da tribo de Judá JESUS teve que nascer em Belém - "E Davi era filho de um homem, efrateu, de Belém de Judá, cujo nome era Jessé [...] " (1 Sm 17.12).
Para ser descendente do rei Davi precisava ser da casa real de Davi - E subiu também José da Galiléia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), Lucas 2:4
Para cumprir as profecias tinha que ser descendente da casa real de Davi - E nos levantou uma salvação poderosa Na casa de Davi seu servo. Como falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio do mundo; Lucas 1:67-70.
Para ser rei no milênio JESUS precisava ser descendente do rei Davi - (Na verdade, se os judeus o tivessem recebido como o Messias não precisaria esperar pelo milênio, ele reinaria sobre eles naquela época mesmo, mas eles não o receberam (João 1.11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.- então só o remanescente é que terá seu reino terrestre como prometido a Davi) -
Porque assim diz o Senhor: Nunca faltará a Davi homem que se assente sobre o trono da casa de Israel; Jeremias 33:17
... e viveram, e reinaram com CRISTO durante mil anos. Apocalipse 20:4b.
 
Só de ter nascido em Belém JESUS já era da tribo de Judá e Judeu.
Para ser da casa de Davi teve que pegar a genealogia de José que era da casa de Davi - José é reconhecido como pai legitimo de JESUS pela cultura judaica, oficialmente e legalmente é pai de JESUS.
 
JESUS foi reconhecido filho de Davi pelo povo judeu e por seus discípulos.
Mt 12.23 E toda a multidão se admirava e dizia: Não é este o FILHO de Davi?
Dizendo: Que pensais vós do CRISTO? De quem é filho? Eles disseram-lhe: De Davi. Mateus 22:42
E a multidão os repreendia, para que se calassem; eles, porém, cada vez clamavam mais, dizendo: Senhor, FILHO de Davi, tem misericórdia de nós! Mateus 20:31
Em Apocalipse JESUS é o "o Leão da tribo de Judá" (Ap 5.5).
Mateus registra a genealogia de JESUS, a partir da descendência de Davi. JESUS foi adotado legalmente por José, que era da tribo de Judá.
 
JESUS é filho adotivo de josé, mas para os judeus é filho legítimo.
Se eu adotar um filho americano ele passa a ter os mesmos direitos que qualquer brasileiro tem. Por isso mesmo muitos brasileiros forjam casamento nos EUA. JESUS herdou a linhagem de Davi por parte de José ao José aceitar ser pai de JESUS. JESUS não tinha sangue de José. JESUS foi adotado por José. Embora ninguém tenha ficado sabendo disso. Quando JESUS nasceu todos o receberam como filho legitimo de José. Só Maria, Isabel (talvez seu esposo Zacarias também) e José sabiam que JESUS foi concebido pelo ESPÍRITO SANTO. Não precisava registrar num cartório a adoção. Não era público o milagre. Foi autenticado por DEUS quando José aceita ser pai de JESUS.E ele lhes disse: Como dizem que o CRISTO é filho de Davi? Visto como o mesmo Davi diz no livro dos Salmos: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Se Davi lhe chama Senhor, como é ele seu filho? Lucas 20:41-44
 
2. Proteger JESUS em seus primeiros anos.
A chamada de José era importante pois além de cumprir a profecia de JESUS como descendente do rei Davi, da casa de Davi, dava a JESUS um pai cheio de amor e cuidados. JESUS em seus primeiros dias necessitaria de um pai que lhe guardasse e protegesse de todos os perigos, tanto de animais ferozes, quanto de assaltantes que havia pelos caminhos, como cuidado na educação e aprendizado nos trabalhos na carpintaria.
 
a) No nascimento de JESUS.
"E subiu da Galileia também José, da cidade de Nazaré, à Judeia, à cidade de Davi chamada Belém (porque era da casa e família de Davi), a fim de alistar-se com Maria, sua mulher, que estava grávida. E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem" (Lc 2.4-7). A bíblia não nos revela os detalhes do parto de Maria, mas cremos que José estava o tempo todo presente ali perto auxiliando no que era necessário. Cremos que alguma mulher estava ali fazendo o parto. Mesmo porque um homem não podia ver as partes íntimas de uma mulher como no caso de José que não assumiu sua posição de marido até depois que JESUS nascera. É bem possível que José tenha ajudado com a água quente e o sal para esfregar a criança depois de nascida. com certeza este pai não era diferente dos demais. Preocupava-se e queria fazer todo o possível para ajudar Maria e seu filho que sabia ele ser o filho de DEUS, o Messias prometido.
 
b) Nas cerimônias exigidas pela Lei.
Na circuncisão de JESUS, ao oitavo dia de nascido, na apresentação no Templo e na festa da Páscoa que era obrigatória a todos os judeus, José também estava lá levando JESUS.
"E, quando os oito dias foram cumpridos para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de JESUS, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. E, cumprindo-se os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor" (Lc 2.21,22).
Só homens se alistavam. José não ia abandonar Maria em Nazaré nem que caísse um raio em sua cabeça. Era o filho de DEUS naquela barriga e sua paixão que ia dar à luz. Também Nazaré era longe e para ele ir e se alistar e voltar para Nazaré demoraria pelo menos uma semana. Também depois que o menino nascesse teria que ir a Jerusalém para circuncisão de JESUS, aí seria outra viagem longa de ida e volta e para apresentação de Maria aos 40 dias, para purificação depois de JESUS nascer, outra viagem de ida e volta - Por isso passou quase dois anos em Belém.
Os "magos" visitaram JESUS já com quase dois anos de nascido. Foi o tempo que deram para Herodes. E foi numa casa e não em Manjedoura - o presépio é a maior mentira dos católicos romanos.
 
Os pais devem saber que estudo da Bíblia na Escola Bíblica Dominical e em casa é essencial ao caráter de seus filhos.
Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; 2 Timóteo 3:16
E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Deuteronômio 6:7
Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. Provérbios 22:6
 
PRESÉPIO COM MAGOS É  A MAIOR MENTIRA E ANTIBIBLICO.
PRIMEIRA VISITA FOI DOS PASTORES DO CAMPO (aqui tinha manjedoura, mas não "magos"). Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor.
SEGUNDA VISITA - AGORA DOS MAGOS QUASE DOIS ANOS DEPOIS (aqui não tinha manjedoura e foi numa casa)-  E, vendo eles a estrela, regozijaram-se muito com grande alegria. E, entrando na casa, acharam o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra. Mateus 2:10,11 ENTRANDO NA CASA - NÃO EM ESTREBARIA.
Por que sabemos que foram quase dois anos depois? Porque Herodes perguntou aos "magos" pela data de nascimento da criança e eles disseram que tinha já quase dois anos. Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos. Mateus 2:16
Observação - Magos aí não são de mágica, mas astrólogos.
 
JESUS nasceu em Belém a cuja cidade os recém-casados foram convocados por ordem do imperador César Augusto (Lucas 2:1). Assim se cumpriu a profecia de Miquéias 5:2. De todas as partes do império os judeus deviam voltar às cidades de seus antepassados a fim de registrar-se, de sorte que pudessem ser tributados. Esse censo foi levantado ao tempo em que Quirino era governador da Síria, e se fazia pela primeira vez. Chegados a Belém, Maria e José não conseguiram alojamento em parte alguma, exceto num estábulo (talvez uma caverna usada para abrigar o gado). Aí nasceu o eterno FILHO de DEUS. Foi envolto em fraldas e deitado numa manjedoura. Logo após o seu nascimento, chegaram pastores para ver a criança; os anjos lhes haviam anunciado o nascimento enquanto apascentavam seus rebanhos. A não ser por eles, a raça humana não tinha percebido esse acontecimento.
De acordo com a Lei judaica, JESUS foi circuncidado ao oitavo dia e recebeu o nome de JESUS (Lucas 2:21). É significativo que o imaculado filho de DEUS passasse por esse rito que o sujeitava à obediência sob o pacto divino e o identificava com Israel, o povo de DEUS.
JESUS foi apresentado no templo para selar a circuncisão. Ele também foi "redimido" pelo pagamento dos cinco sidos. Para efeito de sua purificação, Maria fez a oferta dos pobres (cf. Levítico , 12:8; Lucas 2:24). A missão de JESUS foi atestada nesta ocasião por duas pessoas piedosas — Simeão e Ana (Lucas 2:25-38). T
Algum tempo depois, um grupo de ''sábios", (talvez sacerdotes ou astrólogos babilônios) apareceram em Jerusalém, inquirindo acerca do nascimento de um "rei dos judeus". Haviam visto sua* estrela no céu (Mateus 2:2). O cruel Herodes imediatamente ficou alarmado. Informado pelos escribas acerca do local onde devia nascer o Messias, segundo a profecia de Miquéias, ele enviou os magos a Belém, pedindo-lhes que voltassem se porventura encontrassem ali o Messias. Herodes disse que ele, também, desejava adorá-lo. Na realidade, ele desejava localizar o menino CRISTO, para que assim pudesse afastar mais outro rival. Contudo, um anjo avisou aos magos que não voltassem à presença de Herodes. Antes de chegarem a Belém, a estrela reapareceu e pairou sobre o lugar onde agora moravam JESUS e seus pais, numa casa  (Mateus 2:9).
Após a partida dos magos, DEUS disse a José que fugisse para o Egito com a família. Herodes havia ordenado a execução de todos os meninos de dois anos para baixo, de Belém e das vizinhanças. Em breve Herodes morreu e DEUS instruiu a José que voltasse, passando a residir em Nazaré.
 
Bar mitzvah? NÃO TEM NA BÍBLIA
bar mits'va - na religião judaica, o menino que, no seu 13º aniversário, atinge a maioridade religiosa, passando a ter a obrigação de cumprir os preceitos religiosos.
MAIORIDADE (Bar Mitzvah???)  - Lembrando que na Bíblia não existe tal ensinamento - Bar Mitzvah é do Talmude judaico e não tem na Bíblia sobre isto (é tradição judaica - do Talmude judaico - religião sem salvação - nem acreditam que JESUS já veio - não são salvos) e além do mais não existe nada dizendo que JESUS foi a Jerusalém para ser apresentado, mas a uma festa. Também no Bar Mitzvah o jovem masculino é apresentado aos 13 anos e não aos 12. Também não há base bíblia tirada daí para batizar jovens só depois dos 12 anos (se fosse por idade teríamos que nos batizar aos 30 anos - idade em que JESUS se batizou - Na Bíblia as pessoas eram batizadas na hora que aceitavam o evangelho e a condição era a que Filipe deu ao Eunuco - E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que JESUS CRISTO é o FILHO de DEUS. Atos 8:37 - JESUS FOI À FESTA EM JERUSALÉM COM 12 ANOS E NÃO TEVE APRESENTAÇÃO NENHUMA - DEPOIS QUE A FESTA ACABOU É QUE JESUS FOI DISCUTIR COM OS SACERDOTES NO TEMPLO E NÃO SE APRESENTAR - A FESTA ESTAVA TERMINADA.
Lucas 2:41-43 41 Ora, todos os anos iam seus pais a Jerusalém à festa da Páscoa; 42 E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa. E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino JESUS em Jerusalém, e não o soube José, nem sua mãe. Lucas 2:43
E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os. Lucas 2:46
 
c) Na fuga para o Egito.
DEUS inspirou José a fazer tudo para evitar qualquer problema com JESUS e seu futuro salvador.
A FUGA DE JOSÉ, MARIA E JESUS PARA O EGITO
“E, tendo eles se retirado, eis que o anjo do Senhor apareceu a José num sonho, dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito, e demora-te lá até que eu te diga; porque Herodes há de procurar o menino para o matar. E, levantando-se ele, tomou o menino e sua mãe, de noite, e foi para o Egito.” (Mateus 2:13,14). Assim como no tempo de Moisés, o diabo intentou destruir o profeta enviado por DEUS para libertar seu povo da escravidão, no tempo de JESUS o diabo levantou Herodes para matar as crianças de Israel para não permitir nascer o libertador do pecado e da morte, JESUS.
Herodes manda matar os meninos de dois anos para baixo, pois havia perguntado aos homens que vieram do Oriente pela provável idade do menino que eles diziam ser rei. este menino poderia ser uma ameaça ao seu reinado. Poderia ser seu substituto. Poderia causar problemas sérios para seu reinado. Poderia causar uma rebelião durante seu reinado e lhe tirar o trono. Que barbaridade, que maldade - O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. João 10:10 Em Ramá se ouviu uma voz, Lamentação, choro e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, E não quer ser consolada, porque já não existem. Mateus 2:18 Assim diz o Senhor: Uma voz se ouviu em Ramá, lamentação, choro amargo; Raquel chora seus filhos; não quer ser consolada quanto a seus filhos, porque já não existem. Jeremias 31:15
Depois do primeiro Sonho dado a José sobre a virgindade e concepção milagrosa no ventre de Maria, agora, novamente José recebe um sonho revelador. Quando DEUS descobre em nós um canal eficiente de comunicação sempre nos vem através dele. Para José os sonhos eram este canal de comunicação eficiente. Avisado José do perigo que corria o menino, conduziu imediatamente sua família para o Egito, e lá permaneceu até a morte de Herodes, que foi substituído por seu filho, no trono.
SAINDO DO EGITO E VOLTANDO PARA A GALILEIA
Agora num terceiro sonho José recebe a revelação de DEUS de que era hora de voltar, pois Herodes estava morto.
Mateus 2.15 E esteve lá, até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu FILHO. Morto, porém, Herodes, eis que o anjo do Senhor apareceu num sonho a José no Egito, Dizendo: Levanta-te, e toma o menino e sua mãe, e vai para a terra de Israel; porque já estão mortos os que procuravam a morte do menino. Então ele se levantou, e tomou o menino e sua mãe, e foi para a terra de Israel. E, ouvindo que Arquelau reinava na Judéia em lugar de Herodes, seu pai, receou ir para lá; mas avisado num sonho, por divina revelação, foi para as partes da Galiléia. E chegou, e habitou numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado Nazareno. Mateus 2:19-23 Agora José volta para Nazaré donde tinha saído antes de Maria conceber JESUS, antes de Ir a Belém, antes de fugir para o Egito.
O justo José. José era tão pai quanto qualquer pai biológico, era o pai legal, era o pai que cuidava, protegia, responsável pela segurança e bem-estar de sua família. José tinha coração receptivo a DEUS. O Egito abrigou o povo de DEUS por várias vezes, pois DEUS os abençoou com fartura de alimentos, principalmente a região do Delta do Rio Nilo. Havia fartura de pão no Egito e de produção agrícola em geral. Era o celeiro daquela região toda da Ásia e África. DEUS protegeu JESUS com a cooperação de José e de Maria (cf. Mt 3.13,19,20,22). Obediência - fugir do país (Mt 2.14). JESUS era refugiado e estrangeiro noutro país (Mt 2.14,15).
DEUS usa até mesmo os ímpios para nos abençoar. O homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador é depositada para o justo. Provérbios 13:22
 
3. O zelo pela formação espiritual de JESUS.
Na criação de JESUS quanto à sua humanidade, José e Maria tiveram participação importante no desenvolvimento de seu caráter. JESUS se entregou totalmente a DEUS e foi totalmente submisso a DEUS.
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Filipenses 2:8
JESUS, com certeza teve um ótimo ensino e aprendizado quando criança, pois aos doze anos já discutia no templo com os doutores da lei.
Devemos também primar pela educação de nossos filhos, mas, lembrando que a mais necessária e importante é a educação Bíblica, depois a secular. Devemos criar nossos filhos para servirem a DEUS. Se vão trabalhar em alguma profissão secular para serem instrumentos de DEUS lá, com certeza DEUS os guiará a este fim.
 
CONCLUSÃO
José o pai de JESUS, era, por assim dizer, o pai adotivo de JESUS, José recebia revelações de DEUS por meio de sonhos e era obediente às ordens que DEUS lhe enviava. José tinha caráter exemplar, era um homem obediente, um homem temperante. José tinha uma nobre missão: assegurar a ascendência real de JESUS, proteger JESUS em seus primeiros anos, tanto no nascimento de JESUS, como conduzi-lo para as cerimônias exigidas pela lei,  e levá-lo com segurança na fuga para o Egito. José também teve zelo pela formação espiritual de JESUS.
Pode ninguém ter recebido JESUS como rei, mas os magos ou astrólogos estavam procurando por aquele que nasceu rei.
 
Aprendamos com José a sermos amorosos, obedientes a DEUS, justos, submissos a seus planos. DEUS tem o melhor para nós. José foi um exemplo de pai, um exemplo de marido, um exemplo de servo.
 
 
COMENTÁRIOS DE DIVERSOS LIVROS E AUTORES
 
 
UM FILHO DE ISRAEL - A Vida Diária Nos Tempos de JESUS
"Um filho se nos deu" — Marcado com o selo de DEUS — O nome — A educação do jovem — Maioridade "
UM FILHO SE NOS DEU
O nascimento de um filho na família judia era o mais feliz de todos os acontecimentos, dando aos pais a maior alegria. A notícia se espalhava pela vila ou quarteirão e os vizinhos eram avisados de que, segundo o costume antigo, haveria uma festa para a qual seriam convidados todos os parentes, amigos e pessoas que vivessem nas proximidades a fim de se rejubilarem juntos. O mais humilde dos casais se apropriava da grandiosa declaração de Isaías, repleta de implicações messiânicas: "Porque, um menino nos nasceu, um filho se nos deu”.
1 Os judeus sempre consideraram os filhos como uma bênção, como a maior forma de riqueza. Nas palavras do salmista: "Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre seu galardão". Outro salmo comparava o pai de uma família numerosa ao homem cuja mesa está cercada de oliveiras novas.
2 Um trocadilho popular transformou a palavra banim, filhos, em bonim, construtores. A esterilidade era então vergonhosa, segundo declarou Isabel, a mãe de João Batista;
3 e os rabinos avançaram ainda mais, dizendo que "o homem sem filhos devia ser considerado como morto".
4 Quanto à esterilidade voluntária, era tida como um pecado tão grave que o profeta Isaías foi pedir contas ao rei Ezequias por causa disso, dizendo-lhe que a morte era o justo castigo de tal crime. O desejo de ter filhos era tão grande nos primeiros tempos que a mulher legítima concordava em que o marido os tivesse com uma de suas criadas, como fez Abraão, e Jacó depois dele. Não se sabe, entretanto, se esta prática da poligamia vigorava ainda nos dias de CRISTO.7
A criança nascia então assim e geralmente sem grande dificuldade. As mulheres de Israel se orgulhavam de dar â luz rápida e facilmente — não como as egípcias, segundo diziam elas. Isso não evitava que sofressem, como ocorria, de acordo com o pronunciamento de DEUS. Elas eram ajudadas por parteiras, de quem se faz menção desde a época dos patriarcas, e que usavam assentos especiais para o parto. Mas as mulheres judias podiam ajeitar-se perfeitamente sem as parteiras. Maria fez isso no estábulo de Belém. O desejo de assistir ao nascimento de crianças era tão grande que os rabinos abriam uma exceção na lei sagrada do descanso sabático: era lícito ajudar a mulher em trabalho de parto, levar uma parteira até ela, amarrar o cordão umbilical e até, como afirma o tratado Shabbath, cortar o mesmo." Se houvesse perigo
para a mãe, os métodos anticoncepcionais não só eram permitidos como recomendados. O pai não podia participar do nascimento de maneira alguma; mas aguardar até que alguém fosse dar-lhe a notícia. Esta é pelo menos a conclusão tirada de um versículo do livro de Jeremias.
No momento em que era avisado, o pai entrava e colocava a criança sobre os joelhos: este era o reconhecimento oficial da sua legitimidade. Se um dos ancestrais da criança estivesse presente, ele recebia às vezes este privilégio, como vemos no caso do patriarca José, cujos bisnetos “tomou sobre seus joelhos" A criança era lavada, esfregada com sal para endurecer a pele e enrolada; depois disso podia ser mostrada aos outros. Os cumprimentos eram especialmente calorosos no caso de um filho do sexo masculino; se fosse menina o entusiasmo arrefecia, chegando ao ponto de parecerem simples expressões de simpatia. As filhas não aumentavam a fortuna da família, desde que ao se casarem passavam a pertencer a outras famílias. "As filhas não passam de um tesouro ilusório," observa o Talmude; e depois acrescenta, "além disso, precisam ser continuamente vigiadas".
Mas, — e isto deve ser enfatizado, pois favorece em muito Israel — o medonho costume pagão de abandonar bebês, comum no Egito, na Grécia e em Roma, se não era desconhecido aos judeus17 era pelo menos absolutamente proibido. O pai egípcio podia escrever à esposa prestes a ter um filho: "Se for menino, pode criá-lo; se for menina, mate-a". Nessa mesma época, porém. Filo estava escrevendo contra esta prática abominável numa passagem especialmente admirável. É possível que em Israel não houvesse grande alegria ao nascer uma menina, mas ela era mantida pelos pais em qualquer circunstância.
Quando o primogênito de uma família era homem, a alegria chegava ao auge. O hebreu tinha uma palavra especial, bekor, para o primogênito, e foi este termo que Lucas traduziu e aplicou ao filho de Maria. Ele não quis dizer necessariamente que esse "primogênito" seria seguido de outros, como Lucian e outros lembraram mas apenas que como "a força e as primícias do pai",22 ele seria o futuro cabeça de sua família, com todos os deveres implícitos e privilégios concedidos a essa posição; 'sendo também seu o direito de primogenitura, isto é, pelo menos uma parte em dobro da herança.24 Ao nascerem gêmeos, tomava-se a precaução de registrar qual deles vinha em primeiro lugar, talvez amarrando um fio vermelho na mão da criança, como no caso dos filhos de Tamar e Judá. Isto é entretanto um erro, pois a obstetrícia moderna provou que o mais velho, o primeiro a ser concebido, é o segundo a emergir.
FILHO ou filha, mais velho ou não, o bebê era sempre amamentado pela mãe: este era um dever, e os rabinos não deixavam que as mulheres de Israel se esquecessem dele Apenas raramente as mulheres dos ricos davam-se ao luxo de contratarem amas. A criança mamava longo tempo, durante dois ou até mesmo três anos se possível, a fim de poupar-lhe as doenças do clima, sendo a disenteria a principal dentre elas. Quando a criança era finalmente desmamada havia uma celebração e um sacrifício, em memória daqueles realizados por Abraão quando Sara desmamou Isaque. A essa altura, porém, a criança já se tornara há muito um membro da comunidade religiosa, solenemente marcada com o selo de DEUS.
MARCADO COM O SELO DE DEUS
A Lei declarava com absoluta determinação que todo membro do sexo masculino devia ser circuncidado. Nos dias de CRISTO isso tinha de ser feito oito dias após o nascimento. A obrigação era de tal forma absoluta que a circuncisão (corte do prepúcio) devia ser realizada mesmo que o dia caísse num sábado. Os rabinos estabeleceram cuidadosamente o que podia ser feito, transgredindo os mandamentos da Lei — "0 corte, a extração da pele, o curativo da ferida, e a colocação sobre ela de uma pasta de óleo, vinho e cominho". Judeu algum podia portanto fugir da obrigação. O Livro dos Jubileus, uma obra apócrifa do segundo século A.C., chega ao ponto de declarar solenemente que os próprios anjos foram circuncidados.
Como surgiu este dever? Os judeus não hesitavam em replicar que tivera origem em DEUS, quando ordenou a Abraão que fizesse isso, tanto ele como seus descendentes. "Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência: todo macho entre vós será circuncidado. Circuncidareis a carne do vosso prepúcio; será isso por sinal de aliança entre mim e vós" Não tem grande importância que a análise de textos possa ter suscitado a questão de o rito ter ou não sido adotado por Moisés a exemplo dos midianitas ou talvez por Josué na Colina dos Prepúcios quando entrou com seu povo na Terra Prometida.34 O que é certo é que este costume era antiquíssimo, como provado pelo fato de serem sempre usadas facas de pedras para a operação. Na época de CRISTO a circuncisão era tida tanto como uma marca da aliança como um ato de purificação ritual. Homens como Herodes poderiam afirmar tratar-se simplesmente de um ato de limpeza; mas eles eram heréticos. É possível que em certa época fosse um rito a que os adolescentes se submetiam na puberdade, semelhante ao que existe hoje entre certos povos africanos; mas desde que aplicado ao recém-nascido, simbolizava sua admissão na tribo e sua filiação à comunidade dos fiéis. Uma cerimônia puramente religiosa foi também estabelecida para as meninas, a fim de marcar sua entrada no povo de DEUS.
A operação era tida como insignificante; todavia, o tratado Shabbath observa que pode ser penosa, particularmente no terceiro dia. No princípio era o pai de família que a realizava, como o próprio Abraão fizera;38 a mãe não praticava esse ato a não ser nos casos muito graves, como por exemplo nos dias extremamente perigosos em que viveu a mãe dos macabeus. No tempo de CRISTO cada cidade tinha o seu mohel, um especialista nessa operação delicada. Precisava ser muito bem-feita, pois se o prepúcio não fosse removido adequadamente, o homem não seria admitido para "comer o Teruma", isto é, as primícias oferecidas pelos fiéis aos sacerdotes.38
Os judeus se apegavam a este rito mais do que a tudo no mundo, mais ainda do que às suas vidas, como foi visto no tempo dos macabeus, quando as mães judias preferiram morrer do que deixar de circuncidar os filhos,39 pois viam na circuncisão o sinal de que pertenciam verdadeiramente ao povo de DEUS. Não ser circuncidado, dizia o Livro dos Jubileus, era "não pertencer aos filhos da aliança, mas aos filhos da destruição". Chamar um homem de incircunciso era o mais doloroso dos insultos. Não sabiam os judeus que outras nações haviam praticado o mesmo rito, os egípcios, por exemplo, e até mesmo seus vizinhos e inimigos os midianitas, edomitas, cananeus e fenícios? (Entre os fenícios, porém, ele tendia à extinção.) É certo que sabiam: mas fora a sua circuncisão que os diferenciara dos gregos e que continuava ainda a diferenciá-los dos romanos. Nos dias dos reis ímpios, foram poucos os que "dissimularam os sinais da circuncisão, a fim de frequentarem os ginásios pagãos sem sentir vergonha".40 Foi por esta razão que os verdadeiros fiéis se apegaram tanto ao rito — a que JESUS teve Certamente de submeter-se. Todavia, a Lei e os Profetas declararam que o simples fato nada representava a não ser que fosse seguido de uma intenção espiritual, e que a verdadeira circuncisão era a do coração: esta foi uma grande lição que nosso Senhor iria repetir muitas vezes, e de várias formas.
A circuncisão não era a única cerimônia religiosa que acompanhava um nascimento em Israel. Havia outra ligada à mulher que dava à luz o filho. Toda mulher era impura perante a Lei depois do parto, à semelhança do homem que tocava um corpo morto. Tratava-se claramente da permanência de um tabu muito anterior a Moisés, mas a lei deste o confirmou. O período de impureza dobrava no nascimento da menina em relação ao do menino: oitenta e não quarenta dias. Durante esse período "nenhuma coisa santa tocará, nem entrará no santuário ... E, cumpridos os dias da sua purificação, por filho ou filha, trará ao sacerdote um cordeiro de um ano por holocausto, e um pombinho ou uma rola por oferta pelo pecado â porta da tenda da congregação ... Mas, se as suas posses não lhe permitirem trazer um cordeiro, tomará então duas rolas, ou dois pombinhos, um para o holocausto e o outro para a oferta pelo pecado: assim o sacerdote fará expiação pela mulher, e será limpa".*2 A tradição cristã manteve a memória deste rito na cerimônia de ação de graças após o parto.
Quando a criança era o primogênito, os pais precisavam cumprir um dever especial. Isto fazia parte da lei geral, pois em Israel todos os primogênitos de todos os seres vivos, assim como os primeiros frutos, pertenciam a Javé. 0 Todo-poderoso, ao falara Moisés, lhe ordenara que todos os primogênitos, seja de homens ou animais, fossem dedicados a Ele. Em seu evangelho, Lucas usa mesmo o termo grego hagion que significa santo; tornando-se a criança uma coisa santa, oferecida a DEUS e separada do mundo comum, terreno. De onde veio esse costume? Ao ler os mandamentos em Deuteronômio tem-se a impressão de que ele surgiu de uma reação contra as "abominações" dos povos vizinhos que queimavam seus filhos em honra aos (dolos. O próprio Javé sustara a mão de Abraão quando ele estava prestes a sacrificar seu filho Isaque em sua honra. Em lugar de sacrificar o recém-nascido, eles então o dedicavam de modo inteiramente espiritual e depois o resgatavam. Isto é, davam um animal para ser sacrificado em substituição, ou uma soma em dinheiro: foi isto que Javé exigiu deles, em memória da misericórdia que mostrara a seu povo naquela noite em que o seu anjo destruíra todos os primogênitos do Egito mas poupara os de Israel, satisfazendo-se com um cordeiro em seu lugar. Nos dias de CRISTO este dever tinha de ser cumprido dentro de um mês: uma oferta queimada de dois pombinhos ou duas rolas, o que era bem pouco; mas os pais ofertavam também cinco ciclos de prata, uma soma bastante alta para os mais pobres. Nenhuma família judia ousava porém fugir a este encargo piedoso, e Lucas nos mostra o mais dedicado, o mais santo de todos os filhos "resgatado” por seus pais na cena comovente da apresentação do Templo, onde as vozes inspiradas do idoso Simeão e da profetiza Ana deram a José e Maria uma idéia dos mistérios de glória e sofrimento a ele reservados.46
0 NOME
Era também durante as primeiras semanas e provavelmente no dia de sua circuncisão que a criança recebia um nome. A escolha do mesmo tinha a máxima importância, pois os judeus, como todos os habitantes do mundo antigo, atribuíam uma influência numinosa aos nomes. Na lenda egípcia de Isis, vemos a deusa milagrosa recusando-se a curar Ra da mordida de uma serpente até que ele lhe dissesse o seu nome, no qual reside o segredo do seu poder. Da mesma forma, na história de Moisés, DEUS lhe confere o maior símbolo da sua confiança revelando-lhe o seu nome inefável.49 Acreditava-se que o nome fazia parte integral do indivíduo, que tinha influência sobre o seu caráter e até sobre o seu destino. Se apegavam de tal forma a isto que um rabino chegou a dizer: "A condenação do céu pode ser modificada por uma mudança de nome". Reminiscências dessas crenças certamente chegaram até nós: existem muitas pessoas hoje convencidas de que um nome cristão possui influência; e houve novelistas como Balzac que escolheram o nome de seus personagens de acordo com a natureza de cada um.
O direito de escolher o nome do filho pertencia portanto ao pai, o chefe da família, há muitos casos de pais dando nome aos filhos nas Sagradas Escrituras: no relato do nascimento milagroso de João Batista no evangelho vemos Zacarias insistindo neste direito, embora estivesse mudo. Entretanto, existem também muitos casos de mães dando nome aos filhos na Bíblia; e a primeira foi Eva, a mãe da humanidade. Pode ser então praticamente concluído que a escolha era no geral feita mediante acordo entre os pais.
O nome escolhido correspondia ao nosso primeiro nome: os judeus não tinham sobrenome — este não existia, embora tal coisa não signifique que o sentimento familiar não era altamente desenvolvido entre eles, pois era. O filho recebia necessariamente o nome do pai, como acontece entre os árabes hoje. O menino era chamado "filho de fulano", ben em hebraico e bar em aramaico: por exemplo, João ben Zacarias, Jônatas ben Hanan, ou Yeshua ben José. O filho mais velho recebia com frequência o nome do avô a fim de continuar a tradição onomástica da família e também para distingui-lo do pai.
Alguns desses nomes, ou antes prenomes, eram apelidos, lembrando as circunstâncias em que a criança nascera ou fora gerada. Certos deles eram sem dúvida piedosos: o Batista, por exemplo, foi chamado Yochanan (João) por ter sido "desejado por DEUS". Havia também outros nomes menos agradáveis deste tipo. Conta-se o caso de uma mãe que, irritada por não dar à luz senão filhas, chamou a quarta de Zaoulé e a oitava de Tamam, que podem ser traduzidos como "aborrecimento” e "basta". Outros nomes eram escolhidos para dar boa sorte à criança, e alguns rabinos recomendavam até que fossem consultadas as estrelas, cuja prática era rejeitada por outros. Os nomes de animais eram bastante comuns: Raquel, ovelha; Débora, abelha; Yona, pomba; e Akbor, camundongo. Também havia árvores: Tamar, palmeira; Elon, carvalho; Zeitan, oliveira. Um grande número de nomes eram tirados da Bíblia: patriarcas, profetas, santos e heróis. Encontravam-se portanto muitos Jacós e Josés, Elias e Daniéis, Sauls e Davis, sendo inúmeros meninos chamados de Simão e Judas, os gloriosos macabeus. Outros ainda eram teóforos, isto é, evocavam o nome de DEUS, ou antes, um de seus nomes. Assim sendo, JESUS, Yeshua, significava "Yah (i.e., Javé) é salvação". Os nomes terminados em el lembrava o nome bíblico antiquíssimo para o DEUS Único, El, Elohim. Mas com frequência tais nomes tinham perdido seu significado histórico ou sagrado com o uso, e não se pensava mais no sentido deles. Alguns tinham sido até deturpados, como o de Miriam, muito comum, o qual dificilmente fazia lembrar da irmã de Moisés, e cujo significado original "amada de Javé" fora esquecido. Sob a influência do termo aramaico mary ele era sem dúvida pronunciado Mariam, cuja forma grega e latina era Maria, significando "a senhora". É curioso notar que no italiano este nome se transforma em Madona, no francês em Notre Dame e no português Nossa Senhora.
Todos esses nomes judeus possuíam competidores estrangeiros, em quantidades cada vez maiores. Talvez fossem aramaicos, como Marta, Tabita ou Bar-Tolomai (Bartolomeu); ou talvez gregos ou latinos. Entre estes dois, o grego era o mais provável, desde que o koiné, a linguagem popular, era a língua universal do império. A partir da época em que os selêucidas governaram o país, sempre havia judeus dispostos a helenizar seus nomes, como aquele JESUS, irmão do sumo sacerdote Onias III, por exemplo, a quem o semilouco Antíoco IV colocou no lugar do irmão, e que se fez chamar de Jason Antiochener. Nos dias de CRISTO o hábito se arraigara tanto que metade dos personagens do Novo Testamento tem nome grego. Entre os apóstolos por exemplo, Filipe e André são nomes helénicos puros; Tadeu e Mateus são deturpações gregas de nomes hebraicos (Matthayah, o dom de Javé, tornou-se Matthaios, assim como Yeshua tornou-se JESUS e Miriam Maria); Tiago, João e até Simão parecem ser formas helenizadas de antigos nomes bíblicos; só Judas é inteiramente judeu. A adoção de nomes gregos era muito comum entre as pessoas da classe alta, e isso acabava por extinguir completamente o nome original. No caso da dinastia herodiana, por exemplo, a família beduína de onde surgiram ficou inteiramente perdida para a história, mascarada pelo nome grego que significa filhos de heróis. 0 antigo cemitério judeu de Bete-Searim recém-descoberto contém 175 inscrições gregas em comparação com apenas 32 hebraicas ou aramaicas, o que mostra a extensão da helenização.
Este hábito foi naturalmente ainda mais adotado nas comunidades judias da Diáspora, onde todos os nomes em Yah ou El se tornaram Teodoro, Teófilo, Dositeus ou Doroti. Uma família no Egito, cujos arquivos foram encontrados em Edfou, era composta de um pai chamado Antonio Rufo e cinco filhos, Nicon, Teodotos Niger, Teodoros Niger, Diofanes e Ptulis. É portanto possível que esses nomes pagãos fossem usados para o trato com o mundo exterior, e que entre si os judeus continuassem a empregar seus velhos nomes religiosos: o título real de Herodes Agripa I era meio grego e meio romano, mas como sumo sacerdote ele se chamava Matatias, em memória do herói que dera os primeiros golpes na guerra de libertação, matando um oficial grego e um judeu apóstata.
A EDUCAÇÃO DOS JOVENS
A criança, circuncidada, tendo recebido um nome e marcada com o selo de DEUS, permanecia nos primeiros anos completamente sob os cuidados da mãe. Os pais judeus não pareciam absolutamente inclinados a fazer o papel de ama. Além do mais, as judias eram excelentes mães, conscienciosas e devotas, a Bíblia está cheia de exemplos nesse sentido. As filhas ficavam com as mães até o dia do casamento. Elas ajudavam nos cuidados da casa, carregavam água, teciam e, na zona rural, participavam do trabalho externo — respigavam após os ceifeiros ou cuidavam das ovelhas durante o dia. O pai se encarregava dos filhos e os iniciava na sua profissão o mais cedo possível, para que logo pudessem trabalhar com ele, primeiro na função de aprendizes e a seguir como oficiais. Vemos assim na parábola dos dois filhos contada no evangelho, o proprietário de uma vinha mandando seus filhos trabalhar nela, e na do pródigo, um dos filhos do homem abastado a serviço dele. JESUS teria certamente aprendido o ofício de carpinteiro com José.
A educação ficava também a cargo do pai e ao que se pode depreender das tradições rabínicas, os métodos de ensino judeu eram excelentes. Os desagradáveis resultados da preferência do patriarca Jacó por José, deram lugar ao conselho prudente: "0 homem jamais deve fazer diferença entre seus filhos". "Ninguém deve ameaçar uma criança" afirmou outro sábio, "mas castigá-la ou silenciar". E outro ainda: "Jamais diga a uma criança que vai dar-lhe algo e faltar â promessa, isso seria ensiná-la a mentir." Deve ser porém admitido que os métodos deles não eram excessivamente brandos. "O que retém a vara aborrece a seu filho," dizem os Provérbios, apoiando nossa frase popular: "Guarde a vara e estrague a criança". Outro versículo diz: "Não retires da criança a disciplina, pois se a fustigares com a vara, não morrerá. Tu a fustigarás com a vara e livrará a sua alma do inferno." Também, "A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela". E, como podemos ver, Eclesiastes aprova esses princípios sadios.
Os verdadeiros israelitas davam maior importância â educação moral do que a tudo mais. Existe um provérbio nas Sagradas Escrituras que diz, "Ensina a criança no caminho que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele". Na medida em que a lei moral se fundiu na religiosa, o primeiro dever do pai era ensinar os mandamentos a seus filhos. Foi esta em todo caso a ordem direta dada por Javé, através de Moisés, a todos os homens de Israel, ordem essa repetida de manhã e à noite na oração: "Ensinarás a teus filhos os meus mandamentos". Os pais também contavam aos filhos as maravilhas realizadas por Javé a favor de seu povo, pois a prática da religião e a história da raça eram ambas parte da Lei. Eles explicavam o significado das grandes festas e lhes mostravam como cada um dos costumes observados possuía um sentido santo. Isto era também exigido deles pela Lei. Quando instituiu a Festa dos Pães Asmos, Javé disse: "Naquele mesmo dia contarás a teu filho, dizendo: É isto pelo que o Senhor me fez, quando saí do Egito. E será como sinal na tua mão, e por memorial entre teus olhos."
Isto significa que o ensino na escola era desprezado? Longe disso. Os rabinos afirmavam repetidamente que ele era a base de tudo e absolutamente indispensável. "Se você tiver conhecimento," dizia conhecido provérbio, "você tem tudo. Mas se lhe faltar conhecimento, nada tem". Certos doutores da Lei afirmavam: "É melhor que um santuário seja destruído do que uma escola". E um deles, provavelmente um professor, chegou a ponto de explicar o mandamento divino: "Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas"99 como uma referência aos alunos e seus professores.
Havia, pois, escolas na Palestina nos dias de JESUS, embora fossem uma invenção comparativamente recente, datando de apenas cerca de 100 anos antes dessa época. 0 rabino Simon ben Shetach, irmão da rainha Salomé Alexandra e presidente do Sinédrio , abriu a primeira beth hasefer, casa do livro, 99 em Jerusalém. Seu exemplo foi seguido por outros e, pouco a pouco, todo um sistema de instrução pública veio a existir. Cerca de trinta anos depois da morte de CRISTO, no ano mais ou menos, o sumo sacerdote Joshua ben Gamala promulgou o que pode ser considerado como a primeira legislação educacional: nada faltava nela — os pais eram obrigados a enviar seus filhos, havia castigos para os preguiçosos e os que faltavam muito, e uma espécie de curso secundário para os alunos mais inteligentes. JESUS não teve o benefício de tal sistema em sua infância; mas é provável que o rabino Gamala estivesse dando apenas os toques finais em algo que já existia bem antes dele.
A escola primária ficava ligada à sinagoga, como acontecia no oeste medieval, com a igreja paroquial. As crianças, tanto ricas como pobres, começavam a frequentá-la na idade de cinco anos. O mestre não era outro senão o hazzan, o guardião dos livros sagrados e o ministro da sinagoga. Mais tarde, ficou estabelecido que no caso de o número de alunos ultrapassar vinte e cinco, um professor especial seria nomeado. Os professores eram muito considerados; de fato, a voz corrente dizia que um mestre-escola era "o mensageiro do Todo-poderoso". Ao que parece, havia até mesmo inspetores encarregados de supervisionar a educação.
A tarefa principal dos alunos, enquanto ficavam sentados no chão à volta do mestre, era repetir de memória, e todos juntos, as sentenças ditas por ele em voz alta. A mnemónica, parte necessária da expressão e transmissão do pensamento, como veremos, era frequentemente usada no ensino — paralelismo, repetição, aliteração — e as crianças a empregavam mesmo em suas brincadeiras, como podemos ver naqueles meninos em Lucas que "gritam uns para os outros: Nós vos tocamos flauta, e não dançastes: entoamos lamentações e não chorastes", que são obviamente versos mnemónicos.
O que elas aprendiam na escola? Em primeiro lugar a Torá; ou, para ser mais exato, praticamente nada além da Torá, a Lei sagrada de DEUS. Dizia-se que "a criança deve ser engordada com a Torá como um boi é cevado no estábulo". As máximas da Lei, aprendidas na infância "entram através do sangue e saem pelos lábios". Ela era ensinada para tudo, até para aprender o alfabeto: para tornar o aprendizado mais agradável, palavras eram formadas com cada letra por sua vez, como no nosso ABC, e arranjadas de modo que a criança podia transformá-las numa pequena lenda. Linguagem, gramática, história e geografia, ou pelo menos os rudimentos dessas matérias, eram todas estudadas na Bíblia. "É na Bíblia," diz Josefo, "que se encontra o mais elevado conhecimento, e a fonte da felicidade". Ele próprio se gaba de tê-la conhecido inteiramente aos quatorze anos; e o apóstolo Paulo lembra seu discípulo Timóteo que aprendeu as sagradas letras desde a infância.
Este uso exclusivo das Escrituras no ensino foi aparentemente a causa que levou muitos rabinos a negarem às meninas o direito de aprender. As mulheres não tinham posição oficial na religião, por que então ensinar-lhes a Lei? "Seria melhor ver a Torá queimada," afirmou um doutor algo exaltado, "do que ouvir suas palavras dos lábios das mulheres." O mesmo doutor, que era sem dúvida um misógino, declarou que "ensinar uma menina seria o mesmo que colocá-la no caminho da devassidão moral". Talvez possa ser vista aqui uma referência às maneiras do mundo pagão, em que a educação das mulheres fazia com que entrassem em contato com os homens, em grande detrimento da boa ordem. Todavia, nem todos os rabinos defendiam esta opinião, e o mesmo tratado do Talmude que impede a entrada de meninas na escola, contém esta máxima sábia: 'Todo homem deve ensinar a Torá à sua filha". Se pudermos julgar pelo exemplo da pequena Maria, mãe de JESUS, é lícito supor que muitas meninazinhas judias conheciam tão bem as Sagradas Escrituras quanto seus irmãos; pois quando ela declamou espontaneamente as linhas esplêndidas que conhecemos como o "Magnificat" tantos ecos bíblicos lhe ocorreram que é possível distinguir mais de trinta deles.
Os estudos solenes não impediam porém que as crianças de Israel brincassem. Zacarias nos mostra as ruas de Jerusalém cheias de crianças brincando, aquelas eternas brincadeiras das crianças ao ar livre. O evangelho refere-se a crianças copiando os adultos e brincando nas festas e enterros. Vemos também que nos dias de Jó as meninas brincavam com animaizinhos, até mesmo com "leviatãs", isto é, pequenos crocodilos. Elas também brincavam com bonecas. As escavações trouxeram à luz pequenas criaturas de barro, particularmente pássaros como aqueles que, segundo o Evangelho da Infância apócrifo, o menino JESUS dotou de percepção; chocalhos, bolas e dados decorados: sem dúvida neste caso a Lei e sua proibição de fazer imagens de qualquer coisa viva podia ser desconsiderada. Em vários locais, especialmente em Megido, linhas riscadas na pavimentação trazem à mente o jogo de amarelinha.
O que pode ser chamado de educação primária tinha um prolongamento para aqueles que desejassem especializar-se nos estudos religiosos, um nível bastante superior. A fim de beneficiar-se deles era preciso ir a Jerusalém e entrar numa das beth hamidrash, uma daquelas escolas onde ensinavam os mais famosos doutores da Lei. Foi assim que o jovem Saulo de Tarso veio a sentar-se aos pés de Gamaliel. Não havia porém qualquer idéia de adquirir conhecimentos que não fossem religiosos nessas instituições, até mesmo o conceito de uma cultura profana era impossível em Israel. Esses grupos, em que a casuística era a disciplina principal, existiam com a finalidade de produzir futuros doutores da Lei. Á grande massa das crianças judias não chegava até esse ponto.
MAIORIDADE - Observação do Pr. Henrique - Lembrando que na Bíblia não existe tal ensinamento - Bar Mitzvah é do século XX e não tem na Bíblia sobre isto (é tradição judaica - do Talmude judaico - religião sem salvação - nem acreditam que JESUS já veio - não são salvos) e além do mais não existe nada dizendo que JESUS foi a Jerusalém para ser apresentado, mas a uma festa. Também no Bar Mitzvah o jovem masculino é apresentado aos 13 anos e não aos 12. Também não há base bíblia tirada daí para batizar jovens só depois dos 12 anos (se fosse por idade teríamos que nos batiazar aos 30 anos - idade em que JESUS se batizou - Na Bíblia as pessoas eram batizadas na hora que aceitavam o evangelho e a condição era a que Filipe deu ao Eunuco - E disse Filipe: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que JESUS CRISTO é o FILHO de DEUS. Atos 8:37
O tratado talmúdico Pirke Aboth, "ditados dos pais”, cujas partes essenciais são com certeza anteriores à era cristã, estabelecia os seguintes estágios de desenvolvimento da criança: "Aos cinco anos deve começar os estudos sagrados; aos dez deve dedicar-se ao aprendizado da tradição; aos treze deve conhecer toda a Lei de Javé e praticar suas exigências; e aos quinze anos tem início o aperfeiçoamento de seus conhecimentos" Assim sendo, sem contar aqueles que desejavam aperfeiçoar seu conhecimento religioso, os meninos judeus deixavam a escola aos treze anos, alcançando também a maioridade. O fato disso acontecer tão cedo pode ser explicado pela incontestável precocidade de sua raça. Aos treze anos o jovem israelita tinha certamente abandonado a infância, mesmo que não fosse capaz de discutir, como o menino JESUS, com os doutores da Lei reunidos nos átrios do Templo. A partir dessa época exigia-se dele, como dos adultos, que recitasse três vezes por dia a famosa oração Shema Israel, em que todo crente deve proclamar sua fé no DEUS Único. Ele passaria a jejuar regularmente, nos dias estabelecidos, especialmente na grande cerimônia do Dia da Expiação. Realizaria as peregrinações tradicionais, e sempre que fosse ao Templo ser-lhe-ia permitido entrar no "pátio dos homens", passando assim a fazer parte integrante da nação de Israel.
Por esta razão o Bar Mitzvah, em que o menino ao entrar na maioridade era declarado "filho da Lei", se realizava mediante uma cerimônia religiosa durante a qual ele devia ler uma passagem da Lei em público e com grande alegria. Tratava-se de uma data muito importante na vida do judeu. Mesmo hoje em Israel, entre as famílias menos religiosas, ele continua a reter um caráter semirreligioso. O menino é levado do kibbutz para um ponto da fronteira onde substitui um dos guardas da Terra Santa, ou doa sangue para ser usado em transfusões. Da forma em que era celebrado há dois mil anos atrás, o israelita, ao entrar na maioridade, deveria compreender que pertencia a uma comunidade.
Ele também tinha um dever, o qual era exigido dele pela comunidade: mas, não seria realmente mais que um dever? "O jovem é como o potro que rincha,” diz novamente o Talmude, "anda de Iá para cá, arruma-se com cuidado, tudo porque está procurando esposa”. O rabino realista que fez esta afirmação, acrescenta: "Mas, uma vez casado, se assemelha a um jumento, carregado de fardos”.
 
NAZARÉ
Situada em um grande monte, a 400 metros acima do nível do mar, Nazaré encontra-se a 170 quilômetros de Jerusalém. No tempo das chuvas, as encostas da cidade ficam recobertas por lindas flores. O nome dessa importante localidade significa florescer. JESUS CRISTO foi criado nessa cidade. Por isso mesmo, Ele é chamado de Nazareno. Até 1948, Nazaré era controlada por muçulmanos. Mas, em 16 de julho de 1948, pas­sou ao domínio dos israelenses. Andrade, Claudionor Corrêa de, 1955 - Alg  - Geografia Bíblica. Rio de Janeiro . CPAD, 1987.
 
----------------------------------------------------------------------------------------------
DIVERSOS ESTUDOS SOBRE O TEMA EM VÁRIOS LIVROS
 
IRMÃOS DE JESUS (Dicionário Almeida)
Os irmãos de JESUS por parte de mãe, filhos de José e Maria (Mt 13.55-56). Eles passaram a crer em JESUS depois de sua ascensão (Jo 7.1-5; At 1.14).
Mateus 13.55 Não é este o filho do carpinteiro? Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? 56 E suas irmãs, não vivem todas entre nós? Donde lhe vem, pois, tudo isso?
João 7.3 Seus irmãos disseram-lhe: Parte daqui e vai para a Judéia, a fim de que também os teus discípulos vejam as obras que fazes.
Atos 1.14 Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de JESUS, e os irmãos dele.
João 2.12 “Depois disso, desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos e seus discípulos, e ali ficaram apenas alguns dias”.
1 Coríntios 9.5 “Não temos o direito de levar conosco, nas viagens, uma mulher cristã, como os outros apóstolos e os irmãos do Senhor e Cefas?”
“Em seguida, após três anos, subi a Jerusalém para avistar-me com Cefas e fiquei com ele quinze dias. Não vi nenhum apóstolo, mas somente Tiago, o irmão do Senhor. Isto vos escrevo e vos asseguro diante de DEUS que não minto” (Gálatas 1.18-20).
Adelphos – Usada 343 vezes para designar pessoas que têm em comum pai e mãe, ou apenas pai ou mãe; indicar duas pessoas que têm um ancestral comum ou que faz parte do mesmo povo, ou membros da mesma religião. Com essa palavra são nomeados os irmãos de JESUS (Mt 12.46-4813.55; Mc 6.3; Jo 2.12; 7.3,5,10; At 1.14; 1 Co 9.5; Gl 1.19; Jd 1).
 
 
Comentário Bíblico - Matthew Henry (Exaustivo) AT e NT)
O Nascimento de CRISTO É Predito
Lucas 1. 26-38
Aqui nós somos informados de tudo o que era adequado que soubéssemos, a respeito da encarnação e da concepção do nosso bendito Salvador, seis meses depois da concepção de João. O mesmo anjo, Gabriel, que tinha sido enviado para dar a conhecer a Zacarias o propósito de DEUS, a respeito do seu filho, também é enviado aqui; pois nisto, a mesma obra gloriosa de redenção, que tinha tido início naquela ocasião, tem continuidade. Assim como os anjos maus não são os redimidos, também os anjos bons não são os redentores, mas eles são empregados pelo Redentor como seus mensageiros, e seguem alegremente nas suas missões, porque eles são os servos humildes do seu PAI, e amigos sinceros e bem-intencionados dos seus filhos.
I
Aqui temos informações sobre a mãe do nosso Senhor, de quem Ele nasceria, e, embora não devamos orar a ela, ainda assim, devemos louvar a DEUS por ela.
1. O seu nome era “Maria”, o mesmo nome de “Miriã”, a irmã de Moisés e Arão. O nome quer dizer exaltada(?), e ela realmente devia ser muito exaltada, favorecida assim, acima de todas as filhas de Israel.
Observação do Pr Henrique - O nome de Maria, muito provavelmente foi-lhe dado em homenagem à sua ancestral Miriã, irmã e Arão e Moisés, já que Maria era descendente de Arão.
Não existe genealogia de Maria na Bíblia.
Maria era prima de Isabel, esposa de Zacarias, sacerdote, portanto Maria era descendente de Arão.
Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Isabel. Lucas 1.5.
E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril;37Porque para DEUS nada é impossível. Lucas 1.36,37. 
JESUS é filho adotivo de José, o que o torna descendente legal de Davi, portanto poderá ser rei no milênio. 
Para ser sacerdote tem que pertencer à tribo de Levi e para ser sumo sacerdote tem que ser descendente de Arão. JESUS é descendente natural por parte de mãe de Arão. No milênio então será Sumo sacerdote e ao mesmo tempo rei.
Maria não era descendente de Eli e nem foi da tribo de Davi. era da tribo de Levi e descendente do sumo sacerdote Arão, irmão de Miriã e de Moisés.
JESUS é filho adotivo de José, o que o torna descendente legal de Davi, portanto poderá ser rei no milênio. 
Para ser sacerdote tem que pertencer à tribo de Levi e para ser sumo sacerdote tem que ser descendente de Arão. JESUS é descendente natural por parte de mãe de Arão. No milênio então será Sumo sacerdote e ao mesmo tempo rei.
2. Ela foi capacitada, pela providência de DEUS, e pela preocupação com os judeus, a trazer à luz a promessa do Messias que estava por se cumprir, isto merecia ser observado. Mas agora já não é necessário mencionar os humildes que descendem de pessoas honradas.
3. Ela era uma “virgem”, pura e imaculada, e estava noiva de um homem de condição humilde; de modo que havia (como era adequado que houvesse) uma igualdade entre eles; o nome dele era “José”; ele também pertencia à linhagem de Davi, Mateus 1.20. A mãe de CRISTO era uma virgem, porque Ele não deveria nascer pela concepção comum, mas por uma concepção milagrosa; era necessário que fosse assim, para que, embora Ele compartilhasse a natureza do homem, não compartilhasse a corrupção de tal natureza. Mas Ele nasceu de uma virgem noiva, preparada para o casamento, e que já tinha estabelecido um contrato, para dar honra à situação conjugal, para que ela não pudesse ser motivo de desprezo (o que era uma ordenança referente à inocência) diante do requisito do Redentor ser nascido de uma virgem.
4. Ela vivia em “uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré”, uma região remota da nação, desprovida de uma reputação de religiosidade ou cultura, mas que era vizinha dos pagãos, e portanto era chamada de Galiléia dos gentios. O fato de que CRISTO tivesse seus familiares residindo ali dá a entender uma graça reservada para o mundo gentílico. E o Dr. Lightfood observa que Jonas era galileu, de nascimento, e Elias e Eliseu muito conhecedores da Galiléia, tendo sido famosos profetas dos gentios. O anjo foi enviado a ela, a Nazaré. Observe que nenhuma distância ou inconveniência de lugar será prejudicial àqueles a quem DEUS tem graças e bênçãos reservadas. O anjo Gabriel leva a sua mensagem a Maria em Nazaré, na Galiléia, tão alegremente quanto levou a Zacarias, no templo em Jerusalém.
II
As palavras que o anjo disse a ela, v. 28. Nós não sabemos o que Maria estava fazendo, de que se ocupava, quando o anjo lhe apareceu, mas ele a surpreendeu com esta saudação, “Salve, agraciada”. Isto pretendia suscitar nela: 1. A valorização de si mesma. Embora seja muito raro que qualquer pessoa precise receber fagulhas no seu seio com tais desígnios, ainda assim, para aqueles que, como Maria, se preocupam somente com a sua humilde situação, há ocasião para isto. 2. Uma expectativa de boas notícias, não do estrangeiro, mas do alto: Desígnios do céu, sem dúvida, bênçãos incomuns para alguém a quem um anjo cumprimenta com tanto respeito, “Salve, agraciada”, chaire – alegre-se; esta era a forma usual de saudação, que expressa uma consideração por ela, como também uma boa vontade para com ela, e também um desejo de bem-estar e prosperidade.
(1) Ela é dignificada: Salve “agraciada”. DEUS, ao lhe escolher para ser a mãe do Messias, colocou sobre você uma honra peculiar, acima da de Eva, que foi “a mãe de todos os viventes”. A Vulgata Latina traduz assim gratia plena – cheia de graça, e daí se entende que ela possuía mais das graças inerentes ao ESPÍRITO do que qualquer outra mulher pudesse ter. Embora não se saiba com certeza se isto significa que ninguém tinha o favor singular feito a ela, ao ser preferida para conceber e gerar o nosso bendito Senhor – uma honra que, uma vez que Ele deveria ser a descendência da mulher, alguma mulher deveria possuir, não por mérito pessoal, mas simplesmente por pura graça – ela é escolhida. “Assim é, ó PAI, porque assim te aprouve”.
(2) Ela tem em si a presença de DEUS: “O Senhor é contigo”; embora você seja pobre e humilde, e talvez agora esteja imaginando como irá ganhar a vida e sustentar uma família, estando casada. Com estas palavras o anjo despertou a fé de Gideão (Jz 6.12): “O Senhor é contigo”. Não se deve perder a esperança por nada, nem da realização de algum serviço, nem da obtenção de nenhuma bênção, ainda que seja muito grande, se tivermos a DEUS conosco. Estas palavras devem tê-la recordado da profecia de Isaías: “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14), mas por que ela?
(3) Ela tem a bênção de DEUS sobre si: “Bendita és tu entre as mulheres”. Você não será assim considerada somente entre os homens, mas realmente o será. Você, que é tão favorecida neste instante, pode esperar ser abençoada em outros aspectos. Ela mesma explica isto (v. 48), “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada”. Compare isto com o que Débora disse sobre Jael, outra mulher que teve a glória de DEUS em sua vida (Jz 5.24), “Bendita seja sobre as mulheres nas tendas.”
III
A consternação em que ela ficou, com esta saudação (v. 29). Quando viu o anjo, e toda a glória que o rodeava, ela “turbou-se” com a visão, e ainda mais com as suas palavras. Se ela fosse uma jovem orgulhosa e ambiciosa, que tivesse grandes ambições e ficasse lisonjeada com a expectativa de grandes coisas no mundo, ela teria ficado satisfeita com as palavras do anjo, teria se inchado de orgulho e (como podemos pensar que ela era uma jovem de muito bom senso), teria tido uma resposta pronta, cheia de significado. Mas, em vez disto, ela se perturbou, por não encontrar em si mesma nada que merecesse ou prometesse tais grandes coisas; e ela se perguntou “que saudação seria esta”. Seria do céu ou dos homens? Seria para diverti-la? Seria uma armadilha para ela? Seria uma brincadeira com ela? Ou haveria alguma coisa substancial e de valor nela? Mas, entre todos os pensamentos que Maria teve, quanto a que tipo de saudação seria esta, eu penso que ela não teve a mais vaga idéia de que ela seria usada como oração, como tem acontecido por tantos séculos, pelas gerações corruptas, degeneradas e anticristãs da igreja, e que seria repetida talvez dez vezes mais do que a oração do Senhor; é assim, na igreja de Roma. Mas as suas considerações nesta ocasião dão uma idéia muito útil às jovens, quando saudadas, para que considerem e examinem nas suas mentes que tipo de saudação estão recebendo, de onde ela vem, e qual é o seu propósito, para que possam recebê-la de maneira adequada, estando sempre prevenidas.
IV
A própria mensagem que o anjo tinha para transmitir a ela. O anjo lhe dá algum tempo para pensar; mas, observando que isto apenas aumentava a sua perplexidade, ele prossegue com a sua missão, v. 30. Ela não respondeu ao que ele disse, e portanto ele confirma: “Maria, não temas”. Eu não tenho outro objetivo, exceto lhe assegurar que “achaste graça diante de DEUS”, mais do que você imagina, assim como existem muitos que pensam que acharam a graça de DEUS, e têm uma idéia que ultrapassa aquilo que realmente ocorreu. Observe que aqueles que acham graça diante de DEUS não devem permitir que se infiltrem temores inquietantes de desconfiança. Você tem a graça de DEUS? Não tema, ainda que o mundo não lhe veja com bons olhos. DEUS está a seu favor? Não importa quem esteja contra você.
1. Embora seja virgem, ela terá a honra de ser mãe. “Eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de JESUS”, v. 31. A Eva foi dito que, embora ela tivesse a honra de ser “a mãe de todos os viventes”, ainda assim havia uma mortificação que iria suavizar aquela honra: O fato de que o seu desejo seria para o seu marido, e ele a dominaria, Gênesis 3.16. Mas Maria tem uma honra que não é suavizada.
2. Embora viva na pobreza e na obscuridade, ainda assim ela terá a honra de ser a mãe do Messias; o seu filho se chamará JESUS – o Salvador, exatamente alguém de quem o mundo precisa, e não alguém como os judeus esperam.
(1) Ele será um aliado muito próximo do mundo superior. Ele “será grande”, verdadeiramente grande, incontestavelmente grande, e “será chamado FILHO do Altíssimo”, o FILHO de DEUS, que é o Altíssimo, da mesma natureza. Assim como o filho tem a mesma natureza que o pai, cada filho é querido para o seu pai; o FILHO de DEUS também é muito querido para o seu PAI. Ele será chamado, corretamente, de “FILHO do Altíssimo”, pois Ele mesmo é DEUS “sobre todos, DEUS bendito eternamente”, Romanos 9.5. Observe que aqueles que são filhos de DEUS, mesmo que somente por adoção e regeneração, são verdadeiramente grandes, e por isto se preocupam em ser verdadeiramente bons, 1 João 3.1; 2.1,2.
(2) Ele será o preferido, a maior dignidade do mundo inferior, do mundo em que vivemos, pois, embora nascido sob as circunstâncias mais desfavoráveis possíveis, e aparecendo sob a “forma de servo”, ainda assim “o Senhor DEUS lhe dará o trono de Davi, seu pai”, v. 32. Era ainda mais fácil crer nisto quando um anjo do céu lhe dizia que ela o faria, para que o cetro que estava afastado há tanto tempo daquela família antiga e honorável, agora retornasse a ela, para permanecer nela, não pela sucessão, mas pela mesma mão, até a eternidade. O seu povo não lhe dará o trono, não reconhecerá o seu direito de governar sobre eles; mas o Senhor DEUS lhe dará o direito de governar sobre eles, e o colocará como o seu Rei sobre o “santo monte Sião”. O anjo assegura a Maria: [1] Que o seu reino será espiritual: Ele “reinará eternamente na casa de Jacó”, não “a Israel segundo a carne”, pois eles não se envolveram nos seus interesses, nem continuaram, por muito tempo, sendo um povo – portanto, seria um reino espiritual, a casa de Israel “segundo a promessa”, sobre a qual Ele deveria governar. [2] Que o seu reino será eterno: Ele reinará eternamente, e “o seu Reino não terá fim”. Já tinha se passado muito tempo desde o reinado temporal da casa de Davi, e em breve a nação de Israel chegaria ao fim. Outras coroas não duram de geração em geração, mas a de CRISTO, sim, Provérbios 27.24. O Evangelho é a última dispensação; não devemos procurar nenhuma outra.
V
A informação adicional que o anjo transmite a Maria, respondendo à sua pergunta a respeito do nascimento deste príncipe.
1. A pergunta que ela faz é apropriada: “Como se fará isto?”, v. 34. Como eu posso conceber um filho na atualidade (pois foi isto o que o anjo quis dizer), se eu “não conheço varão”? Deverá ser de outra maneira, e não pelo modo normal de concepção? Se for assim, diga-me “como se fará isto?” Ela sabia que o Messias devia nascer de uma virgem; e, se ela devia ser a sua mãe, ela queria saber como isto aconteceria. Estas não eram palavras resultantes da sua falta de confiança, ou de qualquer dúvida sobre o que o anjo lhe havia dito, mas de um desejo de receber mais orientação.
2. A resposta que ela recebe é satisfatória, v. 35. (1) Ela irá conceber pelo poder do “ESPÍRITO SANTO”, cuja obra é santificar, e portanto, santificar a virgem, para este propósito. O ESPÍRITO SANTO é chamado de “virtude do Altíssimo”. Ela pergunta “como se fará isto? Isto é suficiente para ajudá-la a superar as dificuldades que parecem existir. Um poder divino o realizará. Mas, o poder do próprio “ESPÍRITO SANTO”.
(2) Ela não deve fazer perguntas a respeito da maneira como isto se realizará, pois o ESPÍRITO SANTO, sendo “a virtude do Altíssimo”, irá cobri-la “com a sua sombra”, como a nuvem cobriu o tabernáculo quando a glória de DEUS tomou posse dele, para escondê-lo daqueles que poderiam – com excessiva curiosidade – observar o que acontecia, “bisbilhotando” os seus mistérios. A formação de cada bebê no útero, e a entrada do espírito da vida nele, são mistérios da natureza; ninguém conhece “o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida”, Eclesiastes 11.5. Nós fomos formados no oculto, Salmos 139.15,16. A formação do menino JESUS é um mistério ainda maior, sem controvérsia, “grande é o mistério da piedade”, DEUS manifestado em carne, 1 Timóteo 3.16. É uma coisa nova criada na terra (Jr 31.22), a cujo respeito nós não devemos cobiçar conhecer além do que está escrito.
(3) A criança que ela irá conceber é santa, e portanto não deve ser concebida da maneira normal, porque ela não deverá compartilhar da corrupção e da contaminação comuns à natureza humana. O bebê é mencionado enfaticamente como “o SANTO”, como nunca houve; e Ele será chamado de “FILHO de DEUS”, como o FILHO de DEUS por geração eterna, o que indica como Ele será formado pelo ESPÍRITO SANTO, nesta concepção. A sua natureza humana deveria ser produzida desta maneira, como era adequado que fosse, pois se uniria à natureza divina.
OBS. Pr Henrique - JESUS NÃO NASCE COM A SEMENTE DE ADÂO - NÃO TEM A PARTICIPAÇÂO DE HOMEM E SUA SEMENTE PECADORA HERDADA DE ADÃO.
3. É um incentivo a mais para a fé de Maria a notícia de que a sua prima Isabel, embora avançada em idade, está grávida, v. 36. Aqui se inicia uma época de milagres, e, portanto, não fique surpresa: aqui está um deles, entre os seus parentes; ele é verdadeiramente grande, embora não tão grande como aquele que você, Maria, está desfrutando. É normal que DEUS prossiga realizando milagres. Vocês realizarão milagres maiores do que estes. Isabel era “das filhas de Arão” (v. 5). “É este o sexto mês para aquela que era chamada estéril”. Isto sugere, como crê o Dr. Lightfoot, que todos os exemplos no Antigo Testamento, de mulheres que tiveram filhos depois de serem estéreis por muito tempo (algo que estava acima da natureza), tiveram a finalidade de preparar o mundo para crer no milagre de uma virgem esperando um filho (o que era contra a natureza). Portanto, mesmo no nascimento de Isaque, Abraão viu o dia de CRISTO, e previu um milagre como este, o nascimento de CRISTO. O anjo assegura isto a Maria (que Isabel sua prima está grávida), para incentivar a sua fé, e conclui com aquela grande verdade, de certeza indubitável, e uso universal, “Porque para DEUS nada é impossível” (v. 37), e, se nada é impossível, então isto não é. Abraão, portanto, “não duvidou da promessa de DEUS por incredulidade, mas foi fortificado na fé”, no poder divino, Romanos 4.20,21. Nenhuma palavra de DEUS deve ser inacreditável para nós, enquanto nenhuma obra é impossível para Ele.
VI
A concordância de Maria com a vontade de DEUS, a seu respeito, v. 38. Ela se considera: 1. Uma crente sujeita à autoridade divina: “Eis aqui a serva do Senhor”. Senhor, eu estou ao Teu serviço, à Tua disposição, para fazer o que me ordenares. Ela não objeta quanto ao perigo de colocar o seu casamento a perder, e manchar a sua reputação, mas deixa o assunto nas mãos de DEUS, e se submete completamente à sua vontade. 2. Uma crente na expectativa da graça divina. Ela não está somente satisfeita de que isto aconteça, mas humildemente deseja que aconteça: “Cumpra-se em mim segundo a tua palavra”. Ela não podia desprezar, ou ser indiferente, a uma bênção como esta; e nós devemos buscar aquilo que DEUS prometeu; pela oração, nós devemos dar o nosso Amém, ou “que assim seja”, à promessa. “Lembra-te [e cumpra] da palavra dada ao teu servo, na qual me fizeste esperar”. Nós devemos, assim como Maria fez aqui, orientar os nossos desejos de acordo com a Palavra de DEUS, e nela basear as nossas esperanças. “Cumpra-se em mim segundo a tua palavra”; exatamente assim, e não de outra maneira.
Em seguida, “o anjo ausentou-se dela”. A relação com os anjos sempre era transitória, e terminava logo; porém, no mundo porvir, será constante e permanente. Geralmente, se supõe que foi neste exato instante que a virgem concebeu, pela virtude do ESPÍRITO SANTO sobre ela.
 
 
)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
 
REVISTA NA ÍNTEGRA - LIÇÃO 5, CPAD, O DEUS FILHO, 1º TRIMESTRE DE 2026
 
Lição 5, CPAD, O DEUS FILHO, 1Tr26, Com. Extras do Pr Henrique, EBD NA TV
 
ESBOÇO DA LIÇÃO
I – A DIVINDADE DO FILHO     
1. A Concepção Virginal de JESUS 
2. A deidade absoluta do FILHO 
3. Os atributos divinos de JESUS 
II – A CENTRALIDADE DO DEUS FILHO
1. A glória sobrenatural de JESUS 
2. O testemunho da Lei e dos Profetas 
3. A aprovação divina do PAI 
III – A MISSÃO REDENTORA DO DEUS FILHO
1. O FILHO como revelação suprema 
2. A exclusividade de CRISTO na redenção 
3. O aprendizado pela experiência 
 
TEXTO ÁUREO
“Este é o meu FILHO amado, em quem me comprazo; escutai-o.”  (Mt 17.5b)
 
VERDADE PRÁTICA
JESUS CRISTO, o DEUS FILHO, é a revelação plena do PAI, centro da revelação divina e único mediador entre DEUS e os homens.
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Lc 1.35 A concepção virginal e a ação da Trindade
Terça - Jo 1.1-3 O FILHO é DEUS desde a eternidade
Quarta - Mt 17.2,3 A glória divina de JESUS na Transfiguração
Quinta - Hb 1.1-3 O FILHO como revelação suprema
Sexta - At 4.12 CRISTO é o único caminho de salvação
Sábado - Fp 2.9-11 CRISTO exaltado acima de todo nome
 
 
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Lucas 1.31,32,34,35; Mateus 17.1-8
Lucas 1.31 - E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de JESUS. 32 - Este será grande e será chamado FILHO do Altíssimo; e o Senhor DEUS lhe dará o trono de Davi, seu pai,
34 - E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão? 35 - E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o ESPÍRITO SANTO, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o SANTO, que de ti há de nascer, será chamado FILHO de DEUS.
Mateus 17.1 - Seis dias depois, tomou JESUS consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, 2 - E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz. 3 - E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. 4 - E Pedro, tomando a palavra, disse a JESUS: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés e um para Elias. 5 - E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu FILHO amado, em quem me comprazo; escutai-o. 6 - E os discípulos, ouvindo isso, caíram sobre seu rosto e tiveram grande medo. 7 - E, aproximando-se JESUS, tocou-lhes e disse: Levantai-vos e não tenhais medo. 8 - E, erguendo eles os olhos, ninguém viram, senão a JESUS.
 
http://www.cpad.com.br/harpa-crista-grande-90-anos-luxocor-preta-/p
HINOS SUGERIDOS: 156, 344, 481 da Harpa Cristã
 
PALAVRA-CHAVE – CRISTO
 
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos a doutrina bíblica sobre o DEUS FILHO, revelada de modo marcante no episódio da transfiguração. Com base nos relatos de Lucas 1.31-35 e Mateus 17.1-8, veremos como JESUS, a segunda Pessoa da Trindade, é plenamente DEUS, centro da revelação divina e único mediador entre DEUS e os homens. Destacaremos sua divindade, sua centralidade e sua missão redentora, compreendendo o impacto dessa verdade para a fé e a vida cristã.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Explicar a concepção virginal e a deidade absoluta de JESUS; II) Mostrar a centralidade de CRISTO como cumprimento da Lei e dos Profetas; III) Enfatizar a exclusividade de CRISTO como único mediador e salvador.
B) Motivação: Já esteve diante de algo tão grandioso que mudou a forma como você enxerga tudo? A transfiguração foi essa experiência para Pedro, Tiago e João. Ao verem a glória de CRISTO, compreenderam que Ele não é apenas mais um enviado de DEUS, mas o próprio DEUS FILHO encarnado. Essa revelação nos chama a viver com os olhos fixos nEle e a ouvi-Lo acima de todas as outras vozes.
C) Sugestão de Método: Para introduzir a aula, sugerimos que leve para a sala três cartões grandes com as palavras Lei, Profetas e CRISTO escritas. Peça a três voluntários que segurem cada cartão e fiquem em pontos diferentes da sala. Explique brevemente o que cada um representa: Moisés (Lei), Elias (Profetas) e JESUS (CRISTO).
Depois, conduza um diálogo: pergunte aos alunos como a Lei e os Profetas apontavam para o Messias e, em seguida, peça que todos caminhem em direção ao aluno com o cartão "CRISTO", mostrando simbolicamente que tudo converge para Ele. Finalize lendo Mateus 17.8 ("ninguém viram, senão a JESUS") e destacando que nossa fé deve ter essa mesma centralidade.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
A) Aplicação: Reconhecer JESUS como DEUS FILHO é central para a fé cristã. Ele é o Verbo eterno feito carne, a revelação suprema do PAI e o único que pode reconciliar o homem com DEUS. Por isso, devemos adorá-Lo, obedecê-Lo e anunciá-Lo como o único caminho de salvação. Negar sua divindade ou relativizar sua voz é distorcer o Evangelho e perder a essência da vida cristã.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 104, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "A Divindade de JESUS", localizado depois do primeiro tópico, aponta para a reflexão a respeito da natureza de divina do Senhor JESUS; 2) O texto "A Transfiguração", ao final do segundo tópico, aprofunda o episódio da Transfiguração e o Senhor JESUS como centro da Revelação das Escrituras.
 
COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO
Ratificamos que a Trindade nos revela um só DEUS em três pessoas: PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO. O episódio da transfiguração (Mt 17.1-8) é um dos momentos marcantes da revelação da glória do DEUS FILHO. Nele, JESUS — a Segunda Pessoa da Trindade — é exaltado diante de testemunhas oculares, com a aprovação explícita do PAI. Ele não é um personagem entre outros, mas o DEUS encarnado. Esta lição nos conduz a contemplar a divindade, a centralidade e a missão redentora do DEUS FILHO.
 
I – A DIVINDADE DO FILHO     
1. A Concepção Virginal de JESUS 
A concepção do Senhor JESUS foi um ato miraculoso. Sobre isso, o anjo Gabriel explicou à virgem: “Descerá sobre ti o ESPÍRITO SANTO, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” (Lc 1.35a). O texto afirma que JESUS seria concebido pela ação do ESPÍRITO SANTO e pela sombra do poder de DEUS. A expressão “sombra” (gr. episkiázō) refere-se à presença divina (Êx 40.35). Assim, o ESPÍRITO SANTO está vinculado à sombra da “virtude” (gr. dýnamis), ou seja, ao poder de DEUS. Isso indica que a presença poderosa de DEUS repousou sobre Maria, de modo que o menino concebido pelo ESPÍRITO SANTO seria chamado de FILHO de DEUS (Lc 1.35b). Dessa maneira, observa-se, nesse evento, a manifestação da Trindade: o PAI, o FILHO de DEUS e o ESPÍRITO SANTO.
 
2. A deidade absoluta do FILHO 
O Senhor JESUS CRISTO é, desde a eternidade, o único FILHO de DEUS e possui a mesma essência e substância (gr. homooúsios) do PAI (Jo 10.30; 14.9). Antes de nascer em Belém, o FILHO já existia eternamente com o PAI: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com DEUS, e o Verbo era DEUS” (Jo 1.1). Ele é a Segunda Pessoa da Trindade e foi enviado pelo PAI ao mundo (1 Jo 4.9). Ele se fez carne, sem deixar de ser DEUS, possuindo duas naturezas, a divina e a humana, unidas numa única pessoa (Jo 1.14; Fp 2.6-11). Essa união das duas naturezas é sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação (Concílio de Calcedônia, 451 d.C.). Ele é verdadeiro DEUS e verdadeiro homem (Rm 1.3,4; 9.5). Sendo DEUS e homem, JESUS é o único mediador entre DEUS e a humanidade (1 Tm 2.5).
 
3. Os atributos divinos de JESUS 
Como Segunda Pessoa da Trindade, JESUS possui todos os atributos essenciais da divindade. Entre eles, citamos: Eternidade – JESUS não teve começo, pois é eterno como o PAI (Is 9.6); Imutabilidade – CRISTO, sendo DEUS, não muda em seu ser ou caráter (Hb 1.12); Onipresença – JESUS declarou sua presença universal (Mt 18.20); Onisciência – JESUS conhece todas as coisas, inclusive nossos pensamentos (Jo 21.17); Onipotência – nada é impossível para Ele (Ap 1.8). Em suma, JESUS CRISTO manifesta em si mesmo todos os atributos que pertencem exclusivamente a DEUS. Isso demonstra de forma incontestável sua plena divindade. Crer em JESUS como DEUS é vital para a fé cristã. Negar qualquer um desses atributos é negar a essência do Evangelho (Jo 20.31).
 
SINÓPSE I - A concepção virginal e os atributos divinos de JESUS revelam que Ele é DEUS desde a eternidade e possui a mesma essência do PAI.
 
AUXÍLIO TEOLÓGICO - A DIVINDADE DE JESUS
“Os escritores do Novo Testamento atribuem divindade a JESUS em vários textos importantes. Em João 1.1, JESUS, como o Verbo, existia como o próprio DEUS. É difícil imaginar uma afirmação mais clara do que esta acerca da divindade de CRISTO. Baseada na linguagem de Gênesis 1.1, eleva JESUS à ordem eterna de existência com o PAI.
Em João 8.58, temos outro testemunho poderoso da divindade de CRISTO. JESUS assevera, a respeito de si mesmo, sua existência contínua com o do PAI. ‘EU SOU’ é a bem conhecida revelação que DEUS fez de si mesmo a Moisés na sarça ardente (Êx 3.14). Ao dizer: ‘Eu sou’, JESUS estava colocando à disposição o conhecimento da sua divindade, para quem quisesse crer. [...] Paulo nos informa aqui a existência de JESUS em um estado de igualdade com DEUS. Mesmo assim, Ele não ficou agarrado a esse estado, mas abriu mão dele, tornando-se um servo e morrendo na cruz por nós. As informações do Novo Testamento a respeito desse assunto levam-nos a reconhecer que JESUS não deixou de ser DEUS durante a encarnação” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, p.326).
 
II – A CENTRALIDADE DO DEUS FILHO
1. A glória sobrenatural de JESUS 
Pedro, Tiago e João acompanharam JESUS até um alto monte (Mt 17.1). Neste local, JESUS “transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz” (Mt 17.2). O verbo “transfigurar” é tradução do grego metamorphóō do qual se originou o vocábulo “metamorfose” (transformação, mudança). Na ocasião, JESUS revelou temporariamente a glória da sua natureza divina, com aparência resplandecente. Um prólogo escatológico, um vislumbre do CRISTO pós-ressurreto e glorificado (Ap 1.6). Uma confirmação da união das duas naturezas de CRISTO: humana e divina, duas naturezas em uma só pessoa (Jo 1.14). Aqui, a divindade de JESUS foi revelada. Uma manifestação visível da glória de DEUS no FILHO encarnado (Fp 2.6-9).
 
2. O testemunho da Lei e dos Profetas 
Estando no monte “eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele” (Mt 17.3). A aparição de Moisés e Elias não foi um contato com os mortos (Mc 12.27; Lc 16.26), mas um ato divino carregado de significado escatológico. Moisés representa a Lei. Ele é o mediador da Antiga Aliança, o legislador do povo hebreu (Êx 24.7,8). Sua presença indica que toda a Lei aponta para CRISTO (Mt 5.17). Elias representa os Profetas, considerado o símbolo da proclamação profética. Sua aparição mostra que os profetas anunciavam a vinda do Messias (Is 9.6; Ml 4.5,6). Esses dois personagens testemunham que JESUS é o tema central e o cumprimento definitivo das Escrituras (Lc 24.27). A presença deles é uma prova visível da superioridade de JESUS (Hb 1.1,2).
 
3. A aprovação divina do PAI 
A transfiguração atinge seu clímax com a voz audível do próprio PAI: “eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz” (Mt 17.5a). A voz vinda da nuvem — símbolo da presença de DEUS (Êx 13.21) — ecoa as palavras já proferidas no batismo de JESUS: “Este é o meu FILHO amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17; 17.5b). Essa repetição é significativa: o PAI confirma que JESUS é o seu FILHO eterno, não apenas em missão redentora, mas em natureza divina. A expressão “em quem me comprazo” (gr. eudokēsa) revela que o FILHO é aquEle em quem o PAI se deleita (Is 42.1). A voz do PAI é uma afirmação da centralidade de CRISTO (Jo 14.6) e sustenta a doutrina da Trindade, em que o FILHO é DEUS, gerado pelo PAI e consubstancial com Ele (Jo 14.9,10).
 
SINÓPSE II - Na transfiguração, CRISTO é confirmado pelo PAI como centro da revelação e cumprimento da Lei e dos Profetas.
 
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO - A TRANSFIGURAÇÃO
“A transfiguração foi uma visão, um breve lampejo da verdadeira glória do Rei (16.27,28). Foi uma revelação especial da divindade de JESUS a três de seus discípulos e a confirmação por parte de DEUS PAI de tudo aquilo que JESUS havia feito e estava por fazer. Moisés e Elias foram os dois maiores profetas do AT. Moisés representa a lei, a antiga aliança. Ele escreveu o Pentateuco e predisse a vinda de um grande profeta (Dt 18.15-19). Elias representa os profetas que vaticinaram a vinda do Messias (Ml 4.5,6). A presença de Moisés e Elias junto a JESUS confirmam a missão messiânica de JESUS, que consistiu em cumprir a lei de DEUS e as palavras dos profetas.
Assim como a voz de DEUS, ecoando da nuvem sobre o monte Sinai, conferiu autoridade à sua lei (Êx 19.9), na transfiguração, validou a autoridade das palavras de JESUS. Pedro queria fazer uma tenda para cada um desses três grandes homens, para mostrar como a Festa dos Tabernáculos se cumpriria na vinda do Reino de DEUS. Pedro tinha uma concepção correta a respeito de CRISTO, mas desejava agir no momento errado” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1253).
 
III – A MISSÃO REDENTORA DO DEUS FILHO
1. O FILHO como revelação suprema 
A transfiguração é marcada, também, por uma ordem direta do PAI acerca do FILHO: “escutai-o” (Mt 17.5c). A declaração reflete a profecia de Moisés: “O Senhor, teu DEUS, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Dt 18.15). A Escritura deixa claro que esse Profeta prometido é o próprio CRISTO (Jo 6.14; At 3.20-23). A instrução — “escutai-o” — coloca o FILHO em posição de supremacia sobre as revelações anteriores (Lc 16.16; Jo 1.17,18). Não é Moisés (a Lei) e nem Elias (os Profetas) que devem ser ouvidos, mas o CRISTO (Hb 1.1,2). Esse evento sinaliza a transição entre a Antiga e a Nova Aliança, centrada na pessoa do FILHO (Cl 2.17; Hb 10.1). Logo, negar a CRISTO, ignorá-lo ou relativizar sua voz é rejeitar a autoridade de DEUS (1 Jo 5.12).
 
2. A exclusividade de CRISTO na redenção 
Após a visão do CRISTO transfigurado, a Bíblia declara: “erguendo eles os olhos, ninguém viram, senão a JESUS” (Mt 17.8). Essa afirmação encerra uma verdade fundamental: CRISTO é absolutamente único e exclusivo na obra da redenção. A presença de Moisés e Elias cessou; restou apenas CRISTO. Ele é o cumprimento da Lei e dos Profetas (Mt 5.17). Toda a Escritura aponta para Ele (Lc 24.27). CRISTO não é meramente um Profeta; Ele é o DEUS revelado (Jo 14.9), o resplendor da glória divina (Hb 1.3). Ele é o único mediador entre DEUS e os homens (At 4.12; 1 Tm 2.5). Seu sacrifício é plenamente suficiente para reconciliar o pecador com DEUS (Cl 1.20-22). Diante de sua majestade, toda figura da Antiga Aliança se desfaz — somente JESUS permanece.
 
3. O aprendizado pela experiência 
A revelação da glória do CRISTO ressurreto, foi também um evento pedagógico para os discípulos. A experiência os fortaleceu para o futuro sofrimento de JESUS. Mais tarde, Pedro reconheceu o episódio como evidência incontestável da majestade de JESUS: “mas nós mesmos vimos a sua majestade [...] quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu FILHO amado, em quem me tenho comprazido” (2 Pe 1.16,17). A transfiguração, portanto, é o vislumbre do Reino, prenúncio da ressurreição, antecipação da vitória final de CRISTO, e o anúncio de seu triunfo escatológico sobre a morte e todo domínio (Hb 1.8-12; Fp 2.9-11). Diante dessa glória, somos chamados a contemplar e adorar a CRISTO com fé e esperança (Hb 12.2).
 
SINÓPSE III - CRISTO é o único mediador e salvador; sua missão redentora é exclusiva e plenamente suficiente.
 
CONCLUSÃO
A doutrina do DEUS FILHO nos conduz à centralidade de CRISTO na fé cristã. Sua divindade, glória e missão redentora revelam o coração do PAI e o agir do ESPÍRITO. Ele é o Verbo eterno feito carne, o único que pode reconciliar o homem com DEUS. Por isso, devemos reconhecê-lo como Senhor absoluto, prostrar-nos em adoração, ouvi-Lo e segui-Lo em obediência, reverência e gratidão.
 
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Cite ao menos três atributos divinos de JESUS apresentados na lição.
Eternidade, imutabilidade e onisciência (entre outros).
2. A aparição de Moisés no momento da transfiguração de JESUS foi um ato divino carregado de significado escatológico. O que a sua presença indica?
Que toda a Lei aponta para CRISTO como seu cumprimento.
3. Quem é o cumprimento da Lei e dos Profetas?
JESUS CRISTO.
4. O sacrifício de CRISTO é plenamente suficiente para quê?
Reconciliar o pecador com DEUS.
5. A transfiguração é o anúncio do triunfo escatológico de CRISTO sobre o quê?
Sobre o pecado, a morte e todo domínio do mal.