22 agosto 2026

Escrita Lição 9, CPAD, Coragem para testemunhar - Paulo diante da multidão, 3Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

Escrita Lição 9, CPAD, Coragem para testemunhar - Paulo diante da multidão, 3Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

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ESBOÇO DA LIÇÃO

I – A PRISÃO DE PAULO EM JERUSALÉM

1. A conspiração dos judeus e a falsa acusação de profanação do templo (Atos 21.27-30)   

2. A divisão do templo em Jerusalém   

3. A intervenção das autoridades romanas (Atos 21.31-36)  

II – A OPORTUNIDADE PARA TESTEMUNHAR

1. Paulo pede licença para falar ao povo (Atos 21.37-40)   

2. O uso da língua hebraica para ganhar atenção (Atos 22.1-2)   

3. Coragem para testemunhar em meio à hostilidade (Atos 22.3-5)   

III – O PODER DO TESTEMUNHO PESSOAL

1. A vida de Paulo antes da conversão (Atos 22.3-5)   

2. O encontro com CRISTO no caminho de Damasco (Atos 22.6-11)  

3. Sua missão como servo e testemunha de CRISTO (Atos 22.12-29)   

 

TEXTO ÁUREO

“Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido.” (Atos 22.15)

 

VERDADE PRÁTICA

Todo aquele que teve um encontro real com CRISTO é chamado a testemunhar dEle com fidelidade, mesmo em meio à oposição e ao sofrimento.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Atos 22.14-15 DEUS chama seus servos para serem testemunhas fiéis

Terça - Atos 26.16-18 O testemunho cristão nasce do encontro pessoal com CRISTO

Quarta - Atos 4.19,20 Não é possível silenciar quem foi alcançado pelo Evangelho

Quinta - Fp 1.12-14 DEUS transforma prisões e adversidades em oportunidades

Sexta - 2 Tm 1.8-12 O testemunho fiel é sustentado pelo poder de DEUS

Sábado - Mt 10.32,33 Confessar CRISTO diante dos homens e a fidelidade cristã

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Atos 21.27,28,30,31,33,39,40; 22.1-7

Atos 21.27 - Quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus da Ásia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele, 28 -clamando: Varões israelitas, acudi! Este é o homem que por todas as partes ensina a todos, contra o povo, e contra a lei, e contra este lugar [...].

30 - E alvoroçou-se toda a cidade, e houve grande concurso de povo; e, pegando de Paulo, o arrastaram para fora do templo, e logo as portas se fecharam. 31 - E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão.

33 - Então, aproximando-se o tribuno, o prendeu, e o mandou atar com duas cadeias, e lhe perguntou quem era e o que tinha feito.

39 - Mas Paulo lhe disse: Na verdade, eu sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo. 40 - E, havendo-lho permitido, Paulo, pondo-se em pé nas escadas, fez sinal com a mão ao povo; e, feito grande silêncio, falou-lhes em língua hebraica, dizendo: 

Atos 22.1 - Varões irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós. 2 - (E, quando ouviram falar-lhes em língua hebraica, maior silêncio guardaram.) E disse: 3 - Quanto a mim, sou varão judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso para com DEUS, como todos vós hoje sois. 4 - Ora, Persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres, 5 - como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos; e, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer manietados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados. 6 - Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu. 7 - E caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

 

Hinos Sugeridos: 126, 193, 459 da Harpa Cristã

 

PALAVRA-CHAVE - CORAGEM

 

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SUBSÍDIOS EXTRAS

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COMENTÁRIOS Pr. Henrique

 

🕊️ INTRODUÇÃO (nova versão)

Ao regressar a Jerusalém após sua terceira viagem missionária, o apóstolo Paulo demonstra não apenas zelo evangelístico, mas também submissão à soberania divina. Sua jornada culmina em um cenário de tensão entre fé e tradição. A cidade santa, símbolo da antiga aliança, torna-se palco do confronto entre o Evangelho da graça e o legalismo religioso. Paulo, consciente de que o discipulado autêntico envolve sofrimento, revela o princípio teológico da kenosis (do grego κένωσις, “esvaziamento”), conforme Filipenses 2.7, ao entregar-se à vontade de DEUS mesmo diante da perseguição. Assim, Jerusalém torna-se o espaço onde o testemunho cristão é refinado pelo fogo da provação.

 

️ I – A PRISÃO DE PAULO EM JERUSALÉM

1. A conspiração dos judeus e a falsa acusação de profanação do templo

Texto base: Atos 21.27–30 A hostilidade contra Paulo revela o conflito entre a Lei mosaica e a nova aliança. Os judeus da Ásia, movidos por zelos (do grego ζῆλος, “ciúme ardente”), distorcem sua mensagem, acusando-o de profanar o templo. A ironia teológica é evidente: o apóstolo estava em rito de purificação, símbolo de santidade. A multidão, dominada por thymos (do grego θυμός, “ira intensa”), ignora a verdade e tenta matá-lo. Essa cena ecoa o sofrimento de CRISTO (João 19.15) e confirma 2 Timóteo 1.12 — “sei em quem tenho crido”.

 

Referências complementares: Atos 21.27–30; Mateus 5.11–12; 1 Pedro 4.14–16; Romanos 8.35–39; 2 Timóteo 1.12.

Atos 21.27–30

27 E, quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus da Ásia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele,

28 clamando: Varões israelitas, acudi; este é o homem que por todas as partes ensina a todos contra o povo, e contra a lei, e contra este lugar; e, demais disso, introduziu também no templo os gregos e profanou este santo lugar.

29 Porque tinham visto com ele na cidade a Trófimo, de Éfeso, o qual pensavam que Paulo introduzira no templo.

30 E alvoroçou-se toda a cidade, e houve ajuntamento do povo; e, agarrando a Paulo, o arrastaram para fora do templo, e logo as portas se fecharam.

Mateus 5.11–12

11 Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem, e perseguirem, e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa.

12 Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.

1 Pedro 4.14–16

14 Se, pelo nome de CRISTO, sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o ESPÍRITO da glória de DEUS.

15 Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se intromete em negócios alheios;

16 mas, se padece como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a DEUS nesta parte.

Romanos 8.35–39

35 Quem nos separará do amor de CRISTO? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?

36 Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte todo o dia: fomos reputados como ovelhas para o matadouro.

37 Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou.

38 Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir,

39 nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de DEUS, que está em CRISTO JESUS, nosso Senhor.

2 Timóteo 1.12

12 Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho, porque eu sei em quem tenho crido e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele Dia.

 

 

Aspecto

Detalhe

Aplicação

Motivo da perseguição

Falsa acusação de profanação

O servo fiel é alvo de calúnia

Reação da multidão

Ódio e violência

O mundo rejeita a verdade divina

Resposta de Paulo

Perseverança e fé

A confiança em CRISTO sustenta o justo

 

2. A divisão do templo em Jerusalém

Texto base: Atos 21.28 O templo simbolizava a separação entre DEUS e o homem. Suas divisões — átrio dos gentios, das mulheres, de Israel e dos sacerdotes — expressavam a exclusividade da antiga aliança. A barreira física ilustrava o conceito de aphorismós (do grego ἀφορισμός, “separação”). Contudo, em CRISTO, essa parede foi derrubada (Efésios 2.14–16). A acusação contra Paulo reflete o medo de perder privilégios religiosos.

 

Referências complementares: Efésios 2.14–16; Mateus 21.12–13; Hebreus 9.1–9; João 4.21–24.

  • Efésios 2.14–16: Explica como CRISTO é a nossa paz, unindo os povos e destruindo as antigas barreiras de inimizade por meio da sua obra na cruz.
  • Mateus 21.12–13: Narra o episódio em que JESUS purifica o templo de Jerusalém, expulsando os cambistas e comerciantes, e resgatando o propósito do local como uma casa de oração.
  • Hebreus 9.1–9: Detalha a estrutura do antigo tabernáculo terrestre, o véu e as ordenanças da primeira aliança, que serviam como uma figura para o tempo presente.
  • João 4.21–24: Traz o diálogo de JESUS com a mulher samaritana, onde Ele ensina que a verdadeira adoração não está presa a um monte ou templo físico, mas deve ser feita genuinamente.

·        Efésios 2.14–16

·        14 Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio,

·        15 na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz,

·        16 e, pela cruz, reconciliar ambos com DEUS em um corpo, matando com ela as inimizades.

·        Mateus 21.12–13

·        12 E entrou JESUS no templo de DEUS, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.

·        13 E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração. Mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.

·        Hebreus 9.1–9

·        1 Ora, também o primeiro tinha ordenanças de culto divino e um santuário terrestre.

·        2 Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o Santuário.

·        3 Mas, depois do segundo véu, estava o tabernáculo que se chama o SANTO dos Santos,

·        4 que tinha o incensário de ouro e a arca do concerto, coberta de ouro toda em redor, em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas do concerto;

·        5 e sobre a arca, os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente.

·        6 Ora, estando estas coisas assim preparadas, a todo o tempo entravam os sacerdotes no primeiro tabernáculo, cumprindo os serviços;

·        7 mas, no segundo, só o sumo sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo;

·        8 dando nisto a entender o ESPÍRITO SANTO que ainda o caminho do Santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo,

·        9 que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço,

·        João 4.21–24

·        21 Disse-lhe JESUS: Mulher, crê-me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.

·        22 Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.

·        23 Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

·        24 DEUS é ESPÍRITO, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.

 

 

Elemento do templo

Significado espiritual

Cumprimento em CRISTO

Átrio dos gentios

Inclusão limitada

Evangelho aberto a todos

Átrio das mulheres

Pureza ritual

Igualdade espiritual

Átrio de Israel

Exclusividade nacional

Igreja universal

Átrio dos sacerdotes

Mediação humana

CRISTO, único mediador

 

3. A intervenção das autoridades romanas

Texto base: Atos 21.31–36 Cláudio Lísias, tribuno romano, representa a providência divina em meio ao caos. A prisão de Paulo cumpre a profecia de Ágabo (Atos 21.11), demonstrando que o sofrimento do justo está sob controle soberano. O termo grego desmos (δεσμός, “cadeia”) adquire valor simbólico: o prisioneiro do Evangelho é livre em CRISTO (Filipenses 1.13).

 

Referências complementares: Lucas 23.18; João 19.15; Romanos 13.1–2; Atos 21.11, 21.31–36, 23.11; Filipenses 1.13.

Lucas 23.18

18 Mas toda a multidão clamou a uma, dizendo: Fora daqui com este e solta-nos Barrabás.

João 19.15

15 Mas eles bradaram: Tira, tira, crucifica-o! Disse-lhes Pilatos: Crucificarei o vosso Rei? Responderam os principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão César.

Romanos 13.1–2

1 Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de DEUS; e as autoridades que há foram ordenadas por DEUS. 2 Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de DEUS; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.

Atos 21.11

11 E, vindo ter conosco, tomou a cinta de Paulo e, ligando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o ESPÍRITO SANTO: Assim ligarão os judeus, em Jerusalém, o varão de quem é esta cinta e o entregarão nas mãos dos gentios.

Atos 21.31–36

31 E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão; 32 o qual, tomando logo consigo soldados e centuriões, correu para eles. E eles, vendo o tribuno e os soldados, cessaram de ferir a Paulo. 33 Então, chegando-se o tribuno, o prendeu e o mandou atar com duas cadeias, e lhe perguntou quem era e o que tinha feito. 34 E na multidão uns clamavam de uma maneira, outros, de outra; mas, como nada podia saber ao certo, por causa do alvoroço, mandou que o levassem para a fortaleza. 35 E sucedeu que, chegando às escadas, foi levado pelos soldados, por causa da violência da multidão. 36 Porque a multidão do povo o seguia, clamando: Mata-o!

Atos 23.11

11 E, na noite seguinte, apresentando-se-lhe o Senhor, disse: Paulo, tem ânimo! Porque, como de mim testificaste em Jerusalém, assim importa que testifiques também em Roma.

Filipenses 1.13

13 de maneira que as minhas prisões em CRISTO foram manifestas por toda a guarda pretoriana e por todos os demais lugares;

 

Personagem

Ação

Significado teológico

Cláudio Lísias

Intervém e prende Paulo

Autoridade civil usada por DEUS

Multidão

Clama pela morte

Repetição do ódio contra CRISTO

Paulo

Mantém serenidade

Fé que transcende circunstâncias

 

Síntese I: O servo de DEUS pode ser injustamente acusado, mas o Senhor conduz cada evento para cumprir Seu propósito eterno.

 

🔥 II – A OPORTUNIDADE PARA TESTEMUNHAR

1. Paulo pede licença para falar ao povo

Texto base: Atos 21.37–40 Mesmo acorrentado, Paulo age com sophrosyne (σωφροσύνη, “equilíbrio espiritual”). Ao falar em grego, demonstra cultura e sabedoria, desarmando preconceitos. Sua atitude reflete Colossenses 4.6 — “a vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal”.

 

Referências complementares: Atos 21.37–40, 26.1–2; Filipenses 1.12–14; 2 Coríntios 12.10.

Atos 21.37–40

37 E, quando iam introduzir Paulo na fortaleza, disse Paulo ao tribuno: É-me permitido dizer-te alguma coisa? E ele disse: Sabes o grego? 38 Não és tu, porventura, aquele egípcio que antes destes dias fez uma sedição e levou ao deserto quatro mil salteadores? 39 Mas Paulo lhe disse: Eu sou judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo. 40 E, havendo-lho permitido, Paulo, pondo-se em pé nas escadas, fez sinal com a mão ao povo; e, feito grande silêncio, falou-lhes em língua hebraica, dizendo:

Atos 26.1–2

1 Depois, Agripa disse a Paulo: Permite-se-te que te defendas. Então, Paulo, estendendo a mão em sua defesa, respondeu: 2 Tenho-me por venturoso, ó rei Agripa, de que perante ti me haja, hoje, de defender de todas as coisas de que sou acusado pelos judeus,

Filipenses 1.12–14

12 E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho. 13 De maneira que as minhas prisões em CRISTO foram manifestas por toda a guarda pretoriana e por todos os demais lugares; 14 e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor.

2 Coríntios 12.10

10 Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de CRISTO. Porque, quando estou fraco, então, sou forte.

 

 

Situação

Reação de Paulo

Lição espiritual

Prisão injusta

Pede licença para falar

O ESPÍRITO SANTO transforma crises em oportunidades

Comunicação em grego

Surpreende o tribuno

A sabedoria abre portas para o Evangelho

Testemunho público

Fala com autoridade

A fé autêntica não se intimida

 

2. O uso da língua hebraica para ganhar atenção

Texto base: Atos 22.1–2 Ao falar em hebraico (aramaico), Paulo estabelece conexão cultural. O termo ethnos (ἔθνος, “povo”) ganha sentido inclusivo: o Evangelho é para todos, mas deve ser comunicado com sensibilidade. Essa estratégia missionária reflete 1 Coríntios 9.20–22 — “fiz-me tudo para todos”.

 

Referências complementares: Atos 7.2, 22.1–2; João 10.16; Romanos 1.16; 1 Coríntios 9.20–22.

Essas passagens bíblicas tratam da comunicação do evangelho, da defesa da fé e da universalidade da mensagem de DEUS:

  • Atos 7.2 e 22.1–2: Mostram momentos em que Estêvão e Paulo, respectivamente, pedem a atenção de seus ouvintes judeus (dirigindo-se a eles na língua hebraica) para apresentar suas defesas e falar sobre a história do povo e o chamado de DEUS.
  • João 10.16: JESUS fala sobre a expansão da sua mensagem, explicando que possui ovelhas de fora daquele grupo específico e que todas formarão um único rebanho sob a liderança de um só Pastor.
  • Romanos 1.16: Traz a forte declaração de Paulo de que não se envergonha do evangelho, pois ele é o poder de DEUS para salvar todas as pessoas, sem distinção.
  • 1 Coríntios 9.20–22: Paulo explica sua estratégia missionária e empatia, mostrando como se adaptava culturalmente a judeus, gentios e aos mais fracos na fé, com o propósito de alcançar e salvar o maior número possível de pessoas.

"Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor." (João 10:16, autoria atribuída ao apóstolo João)

"E ele disse: Varões irmãos e pais, ouvi. O DEUS da glória apareceu a nosso pai Abraão, estando na Mesopotâmia, antes de habitar em Harã," (Atos 7:2).

"Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns." (1 Coríntios 9:22).

 

 

Estratégia

Resultado

Aplicação

Uso do idioma local

Silêncio e atenção

A comunicação contextual facilita o testemunho

Respeito cultural

Identificação com o público

O evangelista deve compreender seu contexto

Linguagem espiritual

Clareza da mensagem

O ESPÍRITO guia a expressão da verdade

 

3. Coragem para testemunhar em meio à hostilidade

Texto base: Atos 22.3–5 Paulo demonstra parrhesia (παρρησία, “ousadia santa”). Ele narra seu passado sem omitir falhas, mostrando que a graça transforma o perseguidor em pregador. Sua defesa revela o poder do ESPÍRITO em meio à adversidade (Atos 4.31).

 

Referências complementares: Atos 22.3–5; 2 Coríntios 11.23–28; Filipenses 1.20; 2 Timóteo 4.7–8.

Atos 22.3–5

3 Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zelador de DEUS, como todos vós hoje sois. 4 E persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres, 5 como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos; e, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer maniatados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados.

2 Coríntios 11.23–28

23 São ministros de CRISTO? (falo como fora de mim) eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; em açoites, mais do que eles; em prisões, muito mais; em perigo de morte, muitas vezes. 24 Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites menos um. 25 Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo; 26 em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; 27 em trabalhos e fadiga, em vigílias, muitas vezes, em fome e sede, em jejum, muitas vezes, em frio e nudez. 28 Além das coisas exteriores, me oprime cada dia o cuidado de todas as igrejas.

Filipenses 1.20

20 segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, CRISTO será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.

2 Timóteo 4.7–8

7 Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. 8 Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.

 

 

Aspecto

Descrição

Aplicação

Contexto hostil

Multidão enfurecida

O testemunho exige coragem

Recurso legal

Cidadania romana

DEUS usa meios humanos para proteger Seus servos

Resultado espiritual

Evangelho proclamado

A fé transforma sofrimento em vitória

 

Síntese II: O testemunho fiel transcende circunstâncias e converte prisões em púlpitos.

 

🌟 III – O PODER DO TESTEMUNHO PESSOAL

1. A vida de Paulo antes da conversão

Texto base: Atos 22.3–5 O apóstolo descreve sua formação rabínica e zelo religioso. O termo nomos (νόμος, “lei”) domina sua antiga vida, mas sem a revelação da graça. A religiosidade sem CRISTO gera cegueira espiritual (Romanos 10.2).

 

Referências complementares: Filipenses 3.4–6; Atos 9.2; 22.3–5; Romanos 10.2; Gálatas 1.13–14.

Filipenses 3.4–6

4 Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: 5 circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; 6 segundo o zelo, perseguidor da igreja; segundo a justiça que há na lei, irrepreensível.

Atos 9.2

2 e pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém.

Atos 22.3–5

3 Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zelador de DEUS, como todos vós hoje sois. 4 E persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres, 5 como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos; e, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer maniatados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados.

Romanos 10.2

2 Porque lhes dou testemunho de que têm zelo de DEUS, mas não com entendimento.

Gálatas 1.13–14

13 Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conversão no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de DEUS e a assolava. 14 E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.

 

Fase

Característica

Lição

Antes da conversão

Zelo sem entendimento

A religião sem graça oprime

Formação judaica

Aos pés de Gamaliel

DEUS usa o conhecimento para Seu propósito

Perseguição à Igreja

Ódio e cegueira

O encontro com CRISTO transforma o coração

 

 

2. O encontro com CRISTO no caminho de Damasco

Texto base: Atos 22.6–11 A experiência de Paulo é marcada pela luz celestial (phōs, φῶς, “luz”), símbolo da revelação divina. Essa luz não apenas o cega fisicamente, mas expõe sua cegueira espiritual. O encontro com JESUS ressurreto redefine sua identidade e missão. O termo grego kyrios (κύριος, “Senhor”) usado por Paulo ao perguntar “Quem és, Senhor?” (Atos 22.8) revela submissão imediata à autoridade divina. Sua queda ao chão simboliza a humilhação necessária para que o orgulho religioso seja quebrado.

 

Referências complementares: Atos 9.3–6, 22.6–11, 26.13–15; João 8.12; 2 Coríntios 4.6.

Aqui estão os versículos solicitados, por extenso, na versão Almeida Revista e Corrigida (ARC):

Atos 9.3–6

3 E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu. 4 E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 5 E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou JESUS, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões. 6 E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.

Atos 22.6–11

6 Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu. 7 E caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? 8 E eu respondi: Quem és, Senhor? E disse-me: Eu sou JESUS, o Nazareno, a quem tu persegues. 9 E os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito; mas não ouviram a voz daquele que falava comigo. 10 Então, disse eu: Senhor, que farei? E o Senhor disse-me: Levanta-te e vai a Damasco, e ali te serão ditas todas as coisas que te estão ordenadas para fazer. 11 E, como eu não via, por causa do esplendor daquela luz, fui levado pela mão dos que estavam comigo e cheguei a Damasco.

Atos 26.13–15

13 ao meio-dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, que excedia o esplendor do sol, cuja claridade me envolveu a mim e aos que iam comigo. 14 E, caindo nós todos por terra, ouvi uma voz que me falava e, em língua hebraica, dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Dura coisa te é recalcitrar contra os aguilhões. 15 E disse eu: Quem és, Senhor? E ele respondeu: Eu sou JESUS, a quem tu persegues.

João 8.12

12 Falou-lhes, pois, JESUS outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

2 Coríntios 4.6

6 Porque DEUS, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de DEUS, na face de JESUS CRISTO.

 

 

Elemento

Significado

Aplicação

Luz celestial

Revelação da glória de CRISTO

CRISTO ilumina a cegueira espiritual

Queda ao chão

Humilhação diante da presença divina

O orgulho humano é quebrado

Voz de JESUS

Autoridade soberana

O chamado é pessoal e irresistível

 

3. Sua missão como servo e testemunha de CRISTO

Texto base: Atos 22.12–29 Por meio de Ananias, Paulo recebe confirmação de sua missão. O termo grego martys (μάρτυς, “testemunha”) indica não apenas alguém que fala, mas alguém disposto a sofrer por aquilo que proclama. Sua vocação é ser apóstolo dos gentios (Atos 9.15), mostrando que a graça transcende barreiras étnicas e culturais. A reação violenta dos judeus ao ouvir sobre os gentios (Atos 22.21–22) confirma que o Evangelho confronta exclusivismos.

 

Referências complementares: Atos 9.15, 22.12–29; Gálatas 1.15–16; Romanos 1.5; 2 Timóteo 4.17; Mateus 28.19–20.

Atos 9.15

DEUS fala com o discípulo Ananias sobre Paulo (então Saulo), revelando que ele é um "vaso escolhido" (ou instrumento) para levar o nome de CRISTO aos gentios, aos reis e aos filhos de Israel, marcando o início da missão do apóstolo.

Atos 22.12–29

Nesta longa narrativa, Paulo se defende diante da multidão em Jerusalém. Ele conta como Ananias curou sua cegueira em Damasco e confirmou seu chamado para ser testemunha de tudo o que viu. Paulo também relata uma visão que teve no templo, onde DEUS o enviava para pregar aos gentios. Ao ouvirem a palavra "gentios", os judeus se revoltam. O tribuno romano ordena que Paulo seja açoitado, mas recua e se enche de temor assim que o apóstolo revela ser cidadão romano de nascimento, o que lhe garantia proteção contra punições sem julgamento prévio.

Gálatas 1.15–16

Paulo explica a origem divina do seu ministério. Ele afirma que DEUS o separou desde o ventre materno e o chamou por Sua graça, com o propósito de revelar JESUS a ele para que pudesse pregar o evangelho entre os gentios. Ele ressalta que assumiu essa missão imediatamente, sem consultar nenhum outro ser humano.

Romanos 1.5

O apóstolo declara que foi por meio de JESUS CRISTO que ele recebeu a graça e o chamado para o apostolado. O grande objetivo desse chamado era levar pessoas de todas as nações (os gentios) à obediência que vem pela fé, para a glória do nome do Senhor.

2 Timóteo 4.17

Em um tom muito pessoal, Paulo testemunha sobre a fidelidade de DEUS. Ele relata que, mesmo quando todos o abandonaram em sua defesa, o Senhor permaneceu ao seu lado e lhe deu forças. Isso aconteceu para que a pregação fosse plenamente anunciada e todos os gentios a ouvissem, afirmando ainda ter sido liberto da "boca do leão".

Mateus 28.19–20

Este trecho é conhecido como a Grande Comissão. Nele, JESUS dá suas instruções finais aos discípulos, ordenando que vão por todo o mundo e façam discípulos de todas as nações. Ele orienta que as pessoas sejam batizadas em nome do Pai, do Filho e do ESPÍRITO SANTO, e que aprendam a guardar todos os Seus mandamentos. A passagem termina com a poderosa promessa de JESUS: Ele estará com seus seguidores todos os dias, até a consumação dos séculos.

 

 

Aspecto

Descrição

Aplicação

Chamado por Ananias

Confirmação divina

DEUS usa servos fiéis para confirmar vocações

Missão entre gentios

Inclusão universal

O Evangelho rompe barreiras culturais

Testemunho pessoal

Disposição ao sofrimento

O verdadeiro discípulo não silencia

 

Síntese III: O testemunho pessoal é uma das ferramentas mais poderosas do Evangelho, pois revela a graça transformadora e confirma a missão divina.

 

🕊️ NOVA CONCLUSÃO

A trajetória de Paulo em Jerusalém ensina que o discipulado autêntico envolve sofrimento, mas também revela oportunidades únicas de proclamar CRISTO. A prisão não foi derrota, mas plataforma missionária. O apóstolo demonstra que o testemunho cristão é sustentado pela parrhesia (παρρησία, “ousadia santa”) e pela confiança na soberania divina. Assim como Paulo, a Igreja contemporânea é chamada a transformar adversidades em púlpitos, proclamando que “a palavra de DEUS não está algemada” (2 Timóteo 2.9).

2 Timóteo 2.9 pelo qual sofro trabalhos e prisões como um malfeitor; mas a palavra de DEUS não está presa.

 

 

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Paulo É Apanhado no Templo. O Tumulto em Jerusalém

Atos 21:27-40 

Temos aqui Paulo iniciando um encarceramento do qual nós não veremos o fim; pois após isso ele é ou arrastado de um tribunal a outro, ou negligenciado, primeiro em uma prisão e depois em outra, e não pode ser nem afiançado nem julgado. Quando nós vemos o início de uma tribulação, nós não sabemos quanto tempo ela vai durar ou como ela vai acabar. 

I

 Nós temos aqui: Paulo capturado e posto sob custódia.

1. Ele foi capturado no templo, quando estava ali observando os dias de sua purificação, e os serviços solenes daqueles dias (v. 27). Anteriormente, ele era bem conhecido no templo, mas agora (Obs. Pr. Henrique: provavelmente careca e com pernas tortas, meio cego de um olho, e careca devido a um voto) ele havia passado tanto tempo em suas viagens no exterior que tinha se tornado estranho ao local; de maneira que não foi senão até que os sete dias estavam quase a terminar que ele foi notado por aqueles que tinham uma má intenção para com ele. No templo, onde ele deveria ter sido protegido, como em um santuário, ele foi mais violentamente atacado por aqueles que fariam o que pudessem para ter seu sangue misturado com o dos sacrifícios – no templo, onde ele deveria ter sido bem recebido como um dos maiores ornamentos que o lugar jamais teve desde que o Senhor do templo o havia deixado. O templo, pelo qual eles mesmos fingiam um zelo tão intenso, foi, no entanto, profanado por eles mesmos com essa atitude. Desse modo, a igreja é contaminada por ninguém menos do que os perseguidores papistas, sob a insígnia do nome e interesse da igreja.

2. Os seus delatores eram os judeus da Ásia, não os de Jerusalém – os judeus da dispersão, que o conheciam melhor, e estavam mais exasperados com ele. Aqueles que raramente vinham adorar no templo em Jerusalém, mas contentemente viviam longe dele, em busca de suas vantagens particulares, mas que pareciam mais zelosos pelo templo, como se dessa forma eles pudessem expiar sua habitual negligência em relação ao templo.

3. O método que eles utilizaram foi o de incitar a multidão, e enfurecê-la contra ele. Eles não foram até o sumo sacerdote, ou aos magistrados da cidade, com sua queixa (provavelmente porque não esperavam receber aprovação deles), mas eles alvoroçaram todo o povo, que nessa ocasião estava mais disposto do que nunca a qualquer coisa que fosse turbulenta e sediciosa, ruidosa e ultrajante. Os mais aptos a serem empregados contra CRISTO e o cristianismo são aqueles governados menos pela razão e mais pela paixão; por isso, Paulo atribuiu aos perseguidores judeus não serem apenas maus, mas homens absurdamente irracionais.

4. Os argumentos por meio dos quais eles incitaram o povo contra ele eram populares, mas bastante falsos e injustos. Eles gritavam: “Varões israelitas, acudi! Se vós sois verdadeiramente homens de Israel, verdadeiros judeus, que têm interesse por sua assembleia e por seu país, agora é o momento de mostrá-lo, ajudando a agarrar um inimigo de ambos.” Desse modo, eles clamavam contra ele como contra um ladrão (Jó 30.5), ou contra um cachorro louco. Note: Os inimigos do cristianismo, visto que eles jamais poderiam provar que fosse uma coisa má, sempre foram muito zelosos, com ou sem razão, em atribuir a ele uma má fama, e assim persegui-lo com ultraje e gritos. Os homens de Israel deviam ajudar Paulo, que pregava aquele que era simplesmente a glória de seu povo Israel; contudo, aqui a fúria popular não os permitirá serem homens de Israel, antes, eles ficarão contra ele. Isso soava como: Pare ladrão, ou o clamor de Atalia: Traição, traição; o que carece de direito se procura fazer no grito.

5. Eles o acusaram tanto de má doutrina como de prática ilícita, e ambas contra o ritual mosaico.

(1) Eles o acusaram de má doutrina; não somente que ele tinha opiniões erradas, mas que as propagava e publicava, embora não aqui em Jerusalém, mas em outros lugares, ou melhor, em todos os lugares, ele ensina a todos os homens, em toda parte; o crime é tão ardilosamente agravado como se, porque ele era um itinerante, ele fosse onipresente: “Ele dissemina ao máximo de sua força certas idéias prejudiciais e heréticas”:

[1] Contra o povo judeu. Ele havia ensinado que judeus e gentios estão no mesmo nível diante de DEUS, e que a circuncisão é nada, e a incircuncisão nada é; e ainda mais, ele havia ensinado contra os judeus descrentes que eles foram rejeitados (e portanto tinha se separado deles e de suas sinagogas), e isso foi interpretado como sendo dito contra toda a nação, como se apenas eles fossem o povo e com eles devesse morrer a sabedoria (Jó 12.2), ao passo que DEUS, embora os tivesse expulsado, ainda não tinha rejeitado o seu povo (Rm 11.1). Eles eram Lo-ami, não meu povo (Os 1.9), e ainda pretendiam ser o único povo. Em geral, parecem mais zelosos do nome da igreja aqueles que pertencem a ela apenas de nome.

[2] Contra a lei. O fato de ele ensinar os homens a crer no evangelho como o fim da lei, e a perfeição daquele, foi interpretado como pregação contra a lei; apesar de sua pregação estar tão longe de tornar vazia a lei que ela a estabelecia (Rm 3.31).

[3] Contra esse lugar, o templo. Porque ele ensinava os homens a orar em toda parte, ele foi censurado como um inimigo do templo, e talvez porque ele às vezes mencionava a destruição de Jerusalém e do templo, e da nação judaica, a qual seu Mestre havia predito. O próprio Paulo havia sido ativo perseguidor de Estêvão, e o levou à morte por palavras proferidas contra esse lugar santo, e agora é acusado da mesma coisa. Aquele que fez uso desse instrumento é agora atacado como objeto da fúria e malícia judaicas.

(2) Eles o acusaram de práticas ilícitas. Para confirmar sua acusação contra ele, de ter ensinando o povo contra esse lugar santo, eles o acusaram de ter contaminado o templo, e de ter demonstrado abertamente seu desprezo por ele, e a intenção de torná-lo comum. Ele trouxe gentios para o templo, para o interior do pátio do templo, onde ninguém que fosse incircuncidado tinha permissão, sob qualquer pretexto, de entrar; havia um aviso escrito no muro que encerrava esse pátio interno, em grego e em latim: É crime capital a entrada de estrangeiros. Josefo, Antiq., liv. 15, Atos 14. Paulo era judeu, e tinha o direito de entrar no pátio dos judeus. E eles, vendo alguém com ele ali que se uniu a ele em suas devoções, concluíram que Trófimo, um efésio, que era gentio, era um deles. Por quê? Eles o viram ali? Na verdade, não; mas eles o tinham visto com Paulo nas ruas da cidade, o que absolutamente não era crime, e, portanto, eles afirmam que ele estava com Paulo no interior do pátio do templo, o que era um crime terrível. Eles o tinham visto com ele na cidade, e, portanto, supuseram que Paulo o havia levado consigo ao templo, o que era completamente falso. Veja aqui:

[1] A inocência não é uma cerca contra a calúnia e a falsa acusação. Não é novidade para aqueles que pretendem ser honestos e agem de maneira regular serem acusados de coisas que eles não só desconhecem, mas jamais pensaram nelas.

[2] Homens maus desenterram malícia, e vão longe procurar provas de suas falsas acusações, como eles fizeram aqui, eles que, porque viram um gentio com Paulo na cidade, daí inferiram que ele estava com ele no templo. Na verdade, isso foi uma insinuação forçada, pois através dessas insinuações injustas e sem fundamento homens maus pensaram justificar-se a si mesmos dos mais bárbaros ultrajes cometidos contra os melhores da terra.

[3] É comum para pessoas maliciosas se aproveitarem daqueles que são sábios e bons quando estes pensavam ter agradado àqueles e procurado sua amizade. Paulo pensava recomendar-se à boa opinião deles ao entrar no templo, e eles aproveitaram a ocasião para o caluniar. Se ele tivesse se mantido mais longe deles não teria sido tão maltratado. Esse é o gênio da má natureza; em paga do meu amor, são meus adversários (Sl 109.4; 69.10). 

II

 Agora Paulo corre perigo de ser despedaçado pela multidão. Eles não vão se dar ao trabalho de levá-lo diante do sumo sacerdote, ou do sinédrio; seria muito complicado. A execução será semelhante à acusação, totalmente injusta e irregular. Eles não podem provar que ele cometeu um crime, por isso não ousam dar-lhe um julgamento justo; mais ainda, eles têm uma sede tão voraz de seu sangue que não têm paciência de proceder contra ele pelo trâmite devido da lei, ainda que sempre estivessem certos de alcançar seu objetivo; e portanto, como aqueles que não temem a DEUS nem respeitam o homem, eles resolveram pará-lo imediatamente.

1. Toda a cidade estava em alvoroço (v. 30). O povo, que embora tivesse pouca santidade em si mesmo, contudo, tinha uma grande veneração pelo lugar santo, quando eles ouviram um clamor público vindo do templo, imediatamente estavam prontos para a briga, resolvidos a resistir com suas vidas e bens. E alvoroçou-se toda a cidade, quando eles foram convocados do templo: Varões israelitas, acudi, com tamanha violência como se a antiga queixa fosse revivida (Sl 79.1): Ó DEUS, as nações entraram na tua herança; contaminaram o teu santo templo. Os judeus mostram aqui tal zelo pelo templo de DEUS como os efésios mostraram pelo templo de Diana, quando Paulo foi acusado de ser um inimigo daquele lugar (Atos 19.29): E encheu-se de confusão toda a cidade. Mas DEUS não se considera de modo algum honrado por aqueles cujo zelo por Ele os leva a tais irregularidades, e que, ao pretenderem agir por Ele, agem de uma maneira bárbara e animalesca.

2. Eles tiraram Paulo do templo e fecharam as portas entre os pátios externo e interno do templo, ou talvez as portas do pátio externo. Ao arrastá-lo furiosamente para fora do templo:

(1) Eles demonstraram uma repulsa real a ele como se não pudesse ser tolerado no templo, nem adorar ali, nem ser visto como um membro da nação judaica; como se seu sacrifício fosse uma abominação.

(2) Eles fingiam uma veneração pelo templo; como aquela do bom Joiada, que não queria que Atalia fosse assassinada na casa do Senhor (2 Rs 11.15). Veja quão absurdos eram esses homens ímpios; eles condenaram Paulo por tirar o povo do templo, e agora, quando ele mesmo estava com toda a devoção adorando no templo, eles o tiraram de lá. Os oficiais do templo fecharam as portas, ou:

[1] Para que Paulo não encontrasse meios de voltar e pôr as mãos nos chifres do altar, e assim proteger-se de sua fúria por aquele santuário. Ou antes:

[2] Para que a multidão não os empurrasse de volta ao templo, e algum ultraje fosse cometido profanando-se aquele lugar santo. Aqueles que não tinham consciência de fazer um mal tão grande, como o assassinato de um homem bom, como se fizessem algo bom, teriam no entanto escrúpulos de fazê-lo em um lugar santo, ou em uma ocasião santa: Não no templo, assim como: Não em dia de festa.

3. Eles tentavam matá-lo (v. 31), pois batiam nele (v. 32), resolvidos a bater nele até a morte com inúmeros socos, um castigo que os doutores judaicos permitiam em alguns casos (de forma alguma para crédito de sua nação), e chamavam a surra dos rebeldes. Agora era Paulo, como um cordeiro, lançado na cova dos leões, o qual se tornou uma presa fácil para eles, e, sem dúvida, ele tinha a mesma idéia de quando disse: Eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém, morrer tão grande morte. 

III

 Temos aqui Paulo resgatado das mãos dos seus inimigos judeus por um inimigo romano.

1. Chegaram notícias do tumulto, de que a populaça estava exaltada, até o tribuno, o governador do castelo, ou, quem quer que fosse, o agora comandante-em chefe das forças romanas que estavam acampadas em Jerusalém. Alguém que estava interessado não em Paulo, mas na paz e segurança públicas, que passou essa informação ao coronel, que sempre tinha um olhar zeloso e vigilante sobre esses judeus tumultuadores, e ele é o homem que deve ser o instrumento para salvar a vida de Paulo, quando nenhum amigo teria a capacidade de prestar alguma ajuda.

2. O tribuno, ou capitão, reuniu suas tropas com toda a rapidez possível e foi reprimir a multidão: Ele tomou soldados e centuriões, e correu para eles. Agora na festa, como em outras ocasiões solenes semelhantes, os guardas estavam em pé, e a milícia, mais perto do que em outras ocasiões, e assim ele os tinha à mão, e correu para a multidão; porque nessas ocasiões a demora é perigosa. A sedição deve ser esmagada imediatamente, para que não cresça a obstinação. (Obs. Pr. Henrique/; Fortaleza Antônia anexa ao templo).

3. A simples visão do Tribuno (general) romano os fez parar de bater em Paulo por medo; porque eles sabiam que estavam fazendo o que não podiam justificar, e corriam o risco de ser responsabilizados pelo tumulto desse dia, como o escrivão da cidade disse aos Efésios. Eles foram detidos no que faziam pelo poder dos romanos, quando deviam ter sido coibidos pela justiça de DEUS e pelo receio de sua ira. Note: DEUS muitas vezes faz a terra ajudar a mulher (Ap 12.16), e faz com que aqueles que não têm afeto nenhum por Ele sejam uma proteção para o seu povo; eles têm apenas uma compaixão pelo sofredores, e são zelosos pela paz pública. O pastor utiliza até mesmo seus cães para defender suas ovelhas. Essa é uma comparação de Streso. Veja aqui como essas pessoas ímpias ficaram com medo pela simples visão do tribuno; porque assentando-se o rei no trono do juízo, com os seus olhos dissipa todo mal.

4. O governador leva-o sob custódia. Ele o resgatou, não por se preocupar com ele, porque achasse que ele era inocente, mas por um interesse pela justiça, pois ele não deveria ser entregue à morte sem julgamento; e porque ele não sabia que consequência perigosa poderia haver para o governo romano se tais procedimentos tumultuosos não fossem suprimidos a tempo, nem o que um povo ultrajante poderia fazer uma vez que eles conhecessem sua própria força: ele, portanto, leva Paulo das mãos da multidão para as mãos da lei (v. 33): Ele o prendeu, e mandou atar com duas cadeias, para que o povo ficasse convencido de que ele não procurava libertá-lo, mas interrogá-lo, porque ele perguntou àqueles que estavam tão furiosos contra ele quem ele era, e o que ele havia feito. Esse ato violento de tomá-lo das mãos da multidão, ainda que houvesse toda a razão do mundo para tal, eles usaram como acusação contra o tribuno como seu crime (Atos 24.7): Sobrevindo o tribuno Lísias, no-lo tirou dentre as mãos, com grande violência, que se refere a esse resgate como parece pela comparação com o capítulo 23.27,28, em que o tribuno apresenta um relato do caso a Félix. 

IV

 A provisão que o tribuno fez, com muita dificuldade, de trazer Paulo para falar por si mesmo. Lutar contra semelhante multidão quando esta estava reunida era como se alguém lutasse contra ventos e ondas; contudo, Paulo usou de um expediente para ter a liberdade de falar entre eles.

1. Não havia como saber o sentimento do povo; porque quando o tribuno inquiriu a respeito de Paulo, talvez sem jamais ter ouvido seu nome anteriormente (esses estrangeiros iam dos grandes aos excelentes da terra, e gostavam de ser assim), alguns gritavam uma coisa, e outros uma outra, entre a multidão; de maneira que era impossível para o tribuno saber sua intenção, quando na verdade eles não sabiam um a intenção do outro ou as suas próprias, embora cada um pretendesse dar o sentimento do grupo como um todo. Aqueles que dão ouvidos aos clamores da multidão não saberão nada com certeza, não mais do que os construtores de Babel, quando suas línguas foram confundidas.

2. Não havia nenhum modo de suprimir a raiva e a fúria do povo; pois quando o capitão mandou que Paulo fosse levado para a fortaleza, a torre de Antônia, onde os soldados romanos tinham uma guarnição, próximo ao templo, os próprios soldados tiveram muita dificuldade para tirá-lo com segurança para fora do barulho, de tão violento que o povo estava (v. 35): chegando às escadas, que conduziam à fortaleza, os soldados foram forçados a levá-lo em seus braços, e carregá-lo (o que eles poderiam fazer facilmente, porque ele era um homem pequeno, e de frágil aspecto corporal), para mantê-lo afastado do povo, que teria arrancado dele membro por membro se pudesse. Quando não mais puderam alcançá-lo com suas mãos cruéis, eles o seguiram com suas setas afiadas até mesmo com palavras amargas: Eles seguiam, clamando: Mata-o (v. 36). Veja como as pessoas e coisas mais excelentes são frequentemente rebaixadas por um clamor popular. Com o próprio CRISTO foi assim: Crucifica-o, crucifica-o, ainda que eles não pudessem dizer que mal Ele tinha feito. Tira-o da terra dos vivos (assim os antigos o explicam), afugenta-o do mundo.

3. Paulo por fim pediu licença ao tribuno para falar com ele (v. 37): Quando iam introduzir Paulo na fortaleza, com extrema calma e compostura, e com muita mansidão e deferência para com os que estavam perto, disse ao tribuno: “É-me permitido dizer-te alguma coisa? Haverá algum crime, ou tentativa de violação da lei, se eu te der algum relato sobre mim, visto que meus perseguidores não o podem fazer?” Que pergunta modesta e humilde era essa! Paulo sabia falar com os homens mais importantes, e falava muitas vezes com seus superiores, contudo, ele humildemente pede licença para falar com esse comandante, e não falará até que ele tenha obtido licença: É me permitido dizer-te alguma coisa?

4. O tribuno lhe fala que idéia fazia dele: Sabes o grego? Eu estou surpreso de ouvir-te falar um idioma culto; não és tu, porventura, aquele egípcio que antes desses dias fez uma sedição? Os judeus fizeram um alvoroço, e então ele pensou que Paulo tinha lhes dado ocasião para isso, ao dar início a ele; porque provavelmente alguém sussurrou isso no ouvido do tribuno. Veja em que noções falsas e equivocadas sobre boas pessoas e bons ministros muitos incorrem, e não se esforçam para retificar o equívoco. Parece que tinha havido recentemente em algum lugar uma insurreição naquela região, encabeçada por um egípcio que assumiu ser um profeta. A história que Josefo menciona é que “um egípcio levantou um partido sedicioso, prometeu lhes mostrar a queda dos muros de Jerusalém desde o monte das Oliveiras, e que eles deveriam entrar na cidade em ruínas.” O tribuno diz aqui que ele levou para o deserto quatro mil salteadores – criminosos, bandidos, malfeitores e degoladores. Que degeneração havia na nação judaica, quando eram achados ali tantos que tinham tal caráter, e podiam ser levados a atacar a paz pública! Mas Josefo diz que “Félix, o governador romano, saiu contra eles, matou quatrocentos, e fez duzentos prisioneiros, e o resto foi dispersado”. Antiq., liv. 20, cap 6; De Bello Jud., liv. 2, Atos 12. E Eusébio fala disso, Hist., liv. 2, Atos 20. Aconteceu pelo décimo terceiro ano de Cláudio, um pouco antes daqueles dias, aproximadamente três anos antes. O líder desta rebelião, parece, tinha escapado, e o tribuno concluiu que alguém que era alvo de tão grande ódio como Paulo parecia ser, e contra quem havia tão grande clamor, não poderia ser um criminoso de menos calibre que esse egípcio. Veja como os bons homens são expostos ao rancor por engano.

5. Paulo retifica o engano do tribuno relativo a si mesmo, informando-o especialmente de quem ele era; não um vagabundo, um salafrário, um ladrão, como aquele egípcio que não poderia falar bem de si mesmo. Não: eu sou um homem judeu de origem, e não egípcio – um judeu tanto de nação quanto de religião; eu sou de Tarso, uma cidade na Cilícia, de pais honestos e uma educação liberal (Tarso era uma cidade universitária), e, além disso, um cidadão de uma cidade não pouco célebre. Ele quer dizer Tarso de fato, uma cidade importante, e ele era homem livre desta. Embora o tribuno o tivesse posto sob essa suspeita odiosa, a de que ele era aquele egípcio, ele manteve a calma, e não irrompeu em exclamações apaixonadas contra os tempos em que ele vivia ou contra os homens com os quais se relacionava, ele não pagou injúria com injúria, mas brandamente negou a acusação, e assumiu o que ele era.

6. Ele humildemente quis uma permissão do tribuno, de quem agora era prisioneiro, para falar ao povo. Ele não exigiu isso como uma dívida, embora pudesse ter feito assim, mas solicitou como um favor, pelo qual ele será grato: rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo. O tribuno livrou-o sem nenhuma outra intenção que lhe dar um interrogatório justo. Sendo assim, para mostrar que sua causa não precisa de nenhuma arte para dar-lhe um tom plausível, ele deseja que possa ter licença imediatamente para se defender; porque não precisava de nada mais que ser colocado sob uma luz verdadeira; nem dependia ele apenas da bondade de sua causa, mas da bondade e fidelidade de seu benfeitor, e daquela promessa dele a todos os seus defensores, de que lhes seria ministrado naquela mesma hora o que eles haveriam de dizer.

7. Ele obteve licença para defender sua própria causa, porque ele não precisava que lhe designassem um advogado, quando o ESPÍRITO do Pai estava pronto para lhe ditar o que dizer (Mt 10.20). O tribuno lhe deu permissão (v. 40), de forma que agora ele poderia falar de bom grado e com tanto mais coragem; ele teve, eu não direi esse favor, mas aquela justiça, feita a ele pelo tribuno, que ele não poderia obter dos seus compatriotas judeus; porque eles não queriam ouvi-lo, mas o tribuno queria, ainda que fosse apenas para satisfazer a sua curiosidade. Ao ser obtida essa licença: (1) O povo ouviu com atenção: Paulo pondo-se em pé nas escadas, o que dava a um homem pequeno como Zaqueu alguma vantagem e por conseguinte um pouco de coragem, para se pronunciar. Esse era um púlpito triste, mas, mesmo assim, melhor que nenhum; serviu ao propósito, embora não fosse, como o púlpito de madeira de Esdras, feito para a ocasião. Ali ele fez sinal com a mão ao povo, fez sinais para fazerem silêncio e para terem um pouco de paciência, porque ele tinha algo a lhes dizer; e tanto ele alcançou seu objetivo que cada um silenciou a quem se encontrava a seu lado, e houve um profundo silêncio. Provavelmente o tribuno também deu ordem de maneira a que todos fizessem silêncio; se o povo não fosse obrigado a dar ouvidos, não haveria propósito nenhum em conceder permissão a Paulo de falar. Quando a causa de CRISTO e o seu evangelho devem ser defendidos, é preciso haver um grande silêncio, para que nós possamos atentar com mais diligência.

(2) Paulo pôs-se a falar, bem seguro de que estava servindo ao interesse do reino de CRISTO tão verdadeira e eficazmente como se estivesse pregando numa sinagoga: ele falou-lhes em língua hebraica, quer dizer, no próprio vernáculo deles, que era o idioma do seu país, com o qual ele tinha assim não só uma relação permanente, mas um respeito permanente.

 

A Primeira Defesa de Paulo

Atos 22:1-2 

No último versículo do capítulo precedente, Paulo alcançou um grande objetivo, ao ordenar tão profundo silêncio depois de tão alto clamor. Agora observe aqui: 

I

 Com que admirável compostura e presença de espírito ele começa a falar. Jamais um pobre homem foi incitado de uma maneira mais tumultuosa, nem com mais raiva e fúria; e, no entanto, no que ele disse:

1. Não parece haver nenhum temor, ao contrário, sua mente está calma e composta. Desse modo, ele confirma suas próprias palavras: em nada tenho a minha vida por preciosa; e de Davi (Sl 3.6): Eu não terei medo de dez milhares de pessoas que se puseram contra mim ao meu redor.

2. Não aparece nenhuma paixão. Embora as insinuações contra ele fossem todas frívolas e injustas, embora fosse uma vergonha para qualquer homem vivo ser acusado de profanar o templo logo quando ele estava planejando e procurando mostrar o seu respeito para com o lugar, contudo ele não irrompe em nenhuma expressão irada, mas como um cordeiro, foi levado ao matadouro.

II

 Que títulos respeitosos ele concede até mesmo àqueles que tanto abusaram dele, e quão humildemente ele solicita a atenção deles: “Varões irmãos e pais (v. 1). A vocês, homens, eu clamo; homens, que devem ouvir a razão, e ser regidos por ela; homens, de quem se pode esperar humanidade. Vocês, irmãos das pessoas comuns; vocês, pais dos sacerdotes.” Assim ele os faz saber que ele era um deles, e não tinha renunciado a sua relação com a nação judaica, mas ainda tinha atenção e interesse para com ela. Note: Embora nós não devamos dar títulos lisonjeiros a ninguém, contudo, deveríamos dar os títulos de respeito devido a todos; e não devemos tentar provocar aqueles a quem devemos fazer o bem. Embora ele fosse resgatado das mãos deles, e fosse levado sob a proteção do tribuno, ainda assim, ele não os irritou, por exemplo, com: “Ouçam agora, vocês rebeldes”; mas cumprimenta-os com: Varões irmãos e pais. E observe que ele não apresenta nenhuma acusação contra eles, não os recrimina com: “Ouçam agora o que eu tenho a dizer contra vocês”, mas: “Ouçam agora o que eu tenho a dizer em meu favor”: Ouvi agora a minha defesa; um pedido justo e razoável, pois todo homem que é acusado tem o direito de responder por si mesmo, e não se faz justiça a ele se sua resposta não foi paciente e imparcialmente ouvida. 

III

 O idioma no qual ele falou, que valorizava o que ele disse ao auditório: Ele falou em língua hebraica, quer dizer, o idioma comum dos judeus, que, nesse tempo, não era o puro hebraico do Antigo Testamento, mas o siríaco, um dialeto do hebraico, ou antes uma derivação desse, como o italiano é do latim. Seja como for:

1. Isso mostrava seu contínuo respeito por seus compatriotas, os judeus. Embora ele tivesse conversado muito com os gentios, ele ainda reteve o idioma dos judeus, e podia falá-lo com facilidade; nisso parece que ele é um judeu, pois sua fala o denuncia.

2. O que ele disse foi, no geral, compreendido, pois esse era o idioma que todos falavam; e, portanto, falar naquele idioma era na verdade apelar ao povo, com o que ele podia ter algo para apelar aos sentimentos deles; e assim, quando ouviram falar-lhes em língua hebraica, maior silêncio guardaram. Como é possível se pensar que o povo deveria prestar alguma atenção ao que lhes é dito em uma língua que eles não entendem? O tribuno ficou surpreso de ouvi-lo falar grego (Atos 21.37), os judeus ficaram surpresos de ouvi-lo falar hebraico, e por isso ambos passaram a pensar o melhor dele. Mas como eles ficariam surpresos se eles tivessem investigado, como deveriam ter feito, e descobrissem em que variedade de línguas o ESPÍRITO lhe deu a falar! (1 Co 14.18, línguas sobrenaturais): Eu falo mais línguas do que vós todos. Mas a verdade é que muitos homens sábios e bons são desprezados apenas porque não são famosos.

 

A Primeira Defesa de Paulo

Atos 22:3-7 

Paulo aqui faz um discurso tão bom que não só poderia servir para convencer o tribuno de que ele não era aquele egípcio que o tribuno pensou que ele fosse, mas também os judeus de que ele não era aquele inimigo de sua religião e nação, de sua lei e templo, que eles pensavam que ele fosse, e que o que ele fez ao pregar CRISTO, e particularmente ao pregar aos gentios, ele o fez por uma comissão divina. Ele aqui os faz entender:

I

 Quais eram sua ascendência e formação.

1. Ele era da própria nação deles, da linhagem de Israel, da semente de Abraão, um hebreu de hebreus, não de alguma família obscura, ou um renegado de alguma outra nação: “Não, quanto a mim, sou varão judeu, aner Ioudaios – um homem judeu; eu sou um homem, e, portanto, não devo ser tratado como um animal; um homem que é judeu, não um bárbaro; eu sou um amigo sincero de vossa nação, porque eu pertenço a ela, e macularia meu próprio ninho se eu o defraudasse, se eu depreciasse injustamente a honra de vossa lei e de vosso templo.”

2. Ele nasceu em um lugar respeitável, em Tarso, da Cilícia, e era por seu nascimento um homem livre daquela cidade. Ele não nasceu em servidão, como alguns dos judeus da dispersão provavelmente tinham nascido; mas ele tinha nascido como um cavalheiro, e talvez pudesse mostrar o certificado de sua liberdade naquela antiga e honrosa cidade. Isso, na verdade, era apenas uma questão pequena para fazer alarde, e, no entanto, foi necessário que se mencionasse nessa ocasião para aqueles que o trataram com insolência, como se ele devesse ser classificado com os filhos de loucos, sim, com os filhos de gente sem nome (Jó 30.8).

3. Ele teve uma educação culta e liberal. Ele não era somente um judeu, e um cavalheiro, mas um erudito. Ele foi criado em Jerusalém, a sede principal da instrução judaica, e aos pés de Gamaliel, que todos sabiam ser um eminente doutor da lei judaica, da qual o próprio Paulo era destinado a ser um mestre; e, portanto, ele não poderia ser ignorante da lei, nem se poderia imaginar que a depreciasse por não a conhecer. Seus pais haviam-no levado muito jovem para essa cidade, querendo que ele se tornasse fariseu; e alguns pensam que o fato de ter sido criado aos pés de Gamaliel mostra não somente que ele era um de seus discípulos, mas que ele era, mais que qualquer outro, diligente e frequentador de suas palestras, observador e obsequioso para com ele, em tudo que ele dizia, como Maria, a qual, assentando-se também aos pés de JESUS, ouvia a sua palavra.

4. Ele foi no início de sua carreira um zeloso e eminente professor da religião dos judeus; seus estudos e ensino eram todos direcionados nesse sentido. Ele estava tão longe de ser iniciado em sua juventude em qualquer desafeto com relação aos costumes religiosos dos judeus que não havia nenhum jovem entre eles que tivesse uma veneração maior e mais completa por esses costumes do que ele, que fosse mais rigoroso em observá-los por si mesmo, ou mais impetuoso em forçá-los aos outros.

(1) Ele era um professor inteligente de sua religião, e possuía uma mente esclarecida. Ele estava atento às suas ocupações aos pés de Gamaliel e era ali instruído conforme a verdade da lei de nossos pais. Os desvios que ele teve de fazer da lei não foram devidos a quaisquer noções confusas ou equivocadas dela, pois ele a entendia a fundo, kata akribeian – de acordo com o método mais preciso e exato. Ele não foi treinado nos princípios dos latitudinários, não tinha nada de saduceu, mas era daquela seita que era mais aplicada à lei, mantinha-se mais perto dela, e, para torná-la mais estrita do que era, acrescentava-lhe as tradições dos anciãos, a lei dos pais, a lei que lhes foi dada, e que eles deram a seus filhos, e assim foi passada a nós. Paulo tinha tanta consideração pela Antiguidade, a tradição e a autoridade da religião judaica quanto qualquer um deles; e jamais houve um judeu dentre eles que entendesse sua religião melhor do que Paulo, ou que pudesse melhor explicá-la ou fundamentá-la.

(2) Ele era um professor ativo de sua religião, e tinha um coração fervoroso: Eu fui zeloso para com DEUS, como todos vós hoje sois. Muitos que são bastante informados na teoria da religião preferem deixar a sua prática para outros, mas Paulo era tanto um entusiasta quanto um rabi. Ele era zeloso contra tudo que a lei proibia, e a favor de tudo que a lei ordenava; e isso era zelo para com DEUS, porque ele pensava que era para a honra de DEUS e a serviço de seus interesses; e aqui ele elogia seus ouvintes com uma opinião franca e caridosa sobre eles, de que todos eles foram nesse dia zelosos para com DEUS; ele dá testemunho deles (Rm 10.2) de que eles têm zelo por DEUS, mas não com entendimento. Ao odiá-lo e expulsá-lo, eles disseram: Que o Senhor seja glorificado (Is 66.5), e, embora isso não justifique de modo algum a fúria deles, ainda assim, capacitou aqueles que oraram: Pai perdoa-lhes, a alegar, como fez CRISTO: Porque eles não sabem o que fazem. E quando Paulo confessa que tinha sido zeloso por DEUS na lei de Moisés, como vós hoje sois, ele declara sua esperança de que eles possam ser zelosos por DEUS, em CRISTO, como ele era agora. 

II

 Que perseguidor impetuoso e furioso ele tinha sido da religião cristã no início de sua carreira (vv. 4,5). Ele menciona isso para fazer com que pareça tanto mais claro e evidente que a mudança operada nele, quando ele foi convertido à fé cristã, era puramente o efeito do poder divino, em encontro com JESUS; pois ele estava tão longe de ter quaisquer inclinações prévias a ela, ou opiniões favoráveis a ela, que imediatamente antes que essa mudança repentina ocorresse, ele tinha a mais extrema antipatia imaginável ao cristianismo, e estava cheio de raiva contra ele ao último grau. E talvez ele mencione isso para justificar DEUS em sua presente dificuldade; por mais injustos que fossem aqueles que o perseguiam, DEUS era justo, que os permitia fazer isso, pois houve um tempo em que ele tinha sido um perseguidor; e ele pode ter uma visão mais profunda disso para convidar e encorajar aquelas pessoas a se arrependerem, porque ele mesmo tinha sido um blasfemador e um perseguidor, e ainda assim obteve misericórdia. Vejamos o quadro que Paulo pinta de si mesmo quando ele era um perseguidor.

1. Ele odiava o cristianismo com inimizade mortal: eu persegui esse Caminho até a morte, isto é: “Eu tinha por objetivo, se possível, levar à morte aqueles que andavam nesse caminho.” Ele respirava ameaças contra eles (Atos 9.1). Quando eles eram entregues à morte, ele dava seu voto contra eles (Atos 26.10). Mais ainda, ele perseguia não somente aqueles que andavam nesse caminho, mas o próprio caminho, o cristianismo, que era estigmatizado como um desvio, uma seita; ele queria persegui-lo até à morte, ser a ruína dessa religião. Ele o perseguiu até à morte, isto é, ele poderia entregar-se a si mesmo para morrer em sua oposição ao cristianismo, como alguns o entendem. Ele teria perdido sua vida com prazer, e ainda teria pensado estar fazendo a coisa certa, em defesa das leis e tradições dos pais.

2. Ele fez tudo que podia para espantar o povo desse movimento, e para fora dele, prendendo e metendo em prisão tanto homens como mulheres; ele encheu as cadeias de cristãos. Agora que ele mesmo se encontrava preso, ele salienta de maneira particular essa parte de sua acusação contra si, de que ele tinha atado os cristãos e os levado à prisão; ele igualmente reflete sobre isso com tristeza especial por ter aprisionado não somente os homens mas as mulheres, o sexo mais frágil, que deveriam ser tratadas com especial ternura e compaixão.

3. Ele foi empregado pelo grande sinédrio, o sumo sacerdote, e todo o conselho dos anciãos, como um agente para suprimir essa nova seita; tudo isso ele já tinha registrado como sinal de seu zelo contra a seita (v. 5). O sumo sacerdote pode testemunhar que ele estava pronto para ser empregado em qualquer serviço contra os cristãos. Quando eles ouviram que muitos dos judeus em Damasco tinham abraçado a fé cristã, para impedir outros de fazer o mesmo eles resolveram proceder contra eles com a mais extrema severidade, e não podiam pensar em uma pessoa mais adequada para ser empregada nessa tarefa, nem alguém com mais probabilidade de executá-la do que Paulo. Por isso, eles o enviaram, e as cartas levadas por ele, aos judeus em Damasco, aqui chamados os irmãos, porque todos eles descendiam de um mesmo tronco comum, e eram de uma família também na religião, ordenando a eles que auxiliassem a Paulo na captura dos que entre eles tinham se tornado cristãos e em levá-los como prisioneiros a Jerusalém, para serem punidos como desertores da fé e do culto do DEUS de Israel; e dessa maneira pudessem ser compelidos a se retratar, ou ser entregues à morte para terror dos demais. Desse modo, Saulo assolava a igreja, e, se ele tivesse continuado mais um pouco, estava na direção de arruiná-la e extirpá-la. “É assim”, diz Paulo, “que eu fui no início, exatamente como vocês são agora, eu conheço o coração de um perseguidor, e por isso tenho pena de vocês, e oro para que vocês possam conhecer o coração de um convertido, como DEUS logo me fez conhecer. E quem era, então, eu para que pudesse resistir a DEUS?” 

III

 De que maneira ele foi convertido, e se tornou o que ele era agora. Não foi por quaisquer causas naturais ou externas; ele não mudou sua religião por gostar de novidade, pois ele era então tão bem afeito à Antiguidade como sempre tinha sido; nem foi isso resultado de descontentamento porque estava desapontado com seu cargo, pois ele estava na ocasião, mais do que nunca, no caminho da promoção na religião judaica; muito menos poderia ser resultado da cobiça ou ambição, ou qualquer esperança de melhorar de vida no mundo ao tornar-se cristão, pois ia se expor a todo tipo de desgraça e dificuldade; nem teve ele qualquer conversa com os apóstolos ou quaisquer outros cristãos, por cuja sutileza ou sofisma ele pudesse ter sido convencido para essa mudança. Não, isso foi obra do Senhor, e as circunstâncias de sua obra foram suficientes para justificá-lo na mudança, a todos aqueles que crêem que há um poder sobrenatural; e ninguém pode condená-lo por isso, sem refletir sobre aquela força divina pela qual ele foi dominado nisso. E ele relata aqui a história de sua conversão em detalhes, como nós já lemos (Atos 9), tentando mostrar que ela foi puramente uma obra de DEUS.

(Obs. Pr. Henrique – Na minha opnião o testemunho de Estêvão foi a chave que abriu o coração de Paulo – ele passou a desejar conhecer aquele JESUS que Estêvão viu)

1. Ele estava tão completamente inclinado a perseguir os cristãos, pouco antes de CRISTO o conquistar, como sempre. Ele estava indo já de caminho e chegando perto de Damasco (v. 6), e não tinha nenhum outro pensamento que executar o plano cruel para o qual havia sido enviado; ele não tinha o menor sentimento de compaixão para com os pobres cristãos, e ainda considerava que eram hereges, cismáticos e inimigos perigosos tanto da sua religião, como do estado.

2. Foi uma luz do céu que primeiro o assustou, de repente, o rodeou uma grande luz do céu, e os judeus sabiam que DEUS é luz, e seus anjos são anjos de luz, e que semelhante luz como essa brilhando ao meio-dia e, portanto, excedendo a do sol, deve ser de DEUS. Tivesse ela brilhado sobre ele em um quarto particular, poderia haver engano, mas ela brilhou sobre ele em espaço aberto, em pleno meio-dia e de maneira tão intensa que ele caiu por terra (v. 7), e todos que estavam com ele (Atos 26.14). Eles não podiam negar que certamente o Senhor estava nessa luz.

3. Foi uma voz do céu que primeiro gerou nele pensamentos solenes sobre JESUS CRISTO, a respeito de quem antes ele tinha tido somente pensamentos rancorosos e odiosos. A voz o chamou pelo nome, para distingui-lo daqueles que viajavam com ele: Saulo, Saulo, porque me persegues? E quando ele perguntou: Quem és, Senhor?, ela respondeu: Eu sou JESUS o Nazareno, a quem tu persegues (v. 8). Pelo que pareceu que esse JESUS de Nazaré, a quem eles também estavam agora perseguindo, era alguém que falava do céu e eles sabiam que era perigoso resistir a alguém que fazia isso (Hb 12.25).

4. Para que não fosse objetado: “Por que essa luz e voz operaram tal mudança sobre ele mas não sobre aqueles que viajavam com ele?” (embora seja muito provável que tenha tido um forte efeito sobre eles, e que eles dali em diante tenham se tornado cristãos), ele observa que os que estavam comigo viram, em verdade, a luz, e se atemorizaram muito de que fossem consumidos com fogo do céu, a própria consciência deles, talvez, agora lhes dizendo que o caminho que trilhavam não era bom, mas era como o caminho de Balaão quando este estava indo amaldiçoar Israel, e portanto eles poderiam esperar encontrar um anjo com uma espada flamejante; mas embora a luz lhes causasse medo, eles não ouviram a voz daquele que falava com Paulo, isto é, eles não ouviram as palavras de maneira nítida. Ora, a fé vem pelo ouvir, e por isso essa mudança foi logo operada sobre aquele que ouviu as palavras, e as ouviu dirigidas a si, o que não aconteceu com aqueles que apenas viram a luz; e, todavia, pode ter sido operada sobre eles também.

5. Ele os assegura que quando ele foi surpreendido desse modo, ele se submeteu inteiramente a uma orientação divina; ele não começou logo a clamar: “Bem, eu serei cristão”, mas: “Senhor, que farei? Que a mesma voz do céu que me deteve no caminho errado me guie no caminho certo (v. 10). Senhor, diga-me o que eu devo fazer e eu o farei.” E imediatamente ele foi orientado a ir para Damasco, ali ele deveria ouvir mais daquele que agora lhe falava: “Não há mais necessidade de ser dito algo do céu. Ali se te dirá, por um homem como tu, no nome daquele que agora te fala, tudo o que te é ordenado fazer.” Os modos extraordinários da revelação divina, pelas visões, vozes e a aparição de anjos, foram designados, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo. O anjo não pregou a Cornélio, mas ordenou que ele mandasse buscar a Pedro; assim a voz aqui não diz a Paulo o que ele deve fazer, mas ordena-lhe que vá a Damasco, e lá lhe será dito.

6. Como demonstração da grandeza daquela luz que caiu sobre ele, ele lhes conta do efeito imediato que ela teve sobre sua visão (v. 11): Eu não podia ver pela glória daquela luz. Ela me deixou momentaneamente cego. Nimium sensibile laedit sensum – Seu brilho o estonteou. Pecadores condenados ficam cegos, como os sodomitas e os egípcios ficaram, pelo poder da escuridão, e é uma cegueira duradoura, como aquela dos judeus descrentes; contudo, pecadores persuadidos ficam cegos, como Paulo estava aqui, não pela escuridão, mas pela luz: eles são por um momento levados a se perderem dentro de si mesmos, mas isso é para que sejam iluminados, como o ato de colocar barro sobre os olhos do homem cego foi o método usado para sua cura. Aqueles que estavam com Paulo não tiveram a luz tão diretamente lançada em sua face como Paulo teve na sua, e por isso eles não ficaram cegos, como ele ficou; no entanto, considerando o acontecimento, quem não preferiria escolher sua sorte à deles? Eles, tendo sua visão, levaram Paulo pelas mãos até a cidade. Paulo, sendo fariseu, era orgulhoso de sua visão espiritual. Os fariseus disseram: Também nós somos cegos? (Jo 9.40). Mais ainda, eles estavam confiantes de que eles mesmos eram guias para os cegos e luz dos que estão nas trevas (Rm 2.19). Ora, Paulo foi assim atacado por cegueira física para que ficasse sensível à sua cegueira espiritual, e seu engano sobre si mesmo, quando ele vivia sem a lei (Rm 7.9). 

 

Com. Bíblico - Matthew Henry (Exaustivo) AT e NT

 

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NA ÍNTEGRA COMO NA REVISTA

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ESCRITA LIÇÃO 9, CPAD, CORAGEM PARA TESTEMUNHAR - PAULO DIANTE DA MULTIDÃO, 3TR26, COM. EXTRAS PR. HENRIQUE, EBD NA TV

 

ESBOÇO DA LIÇÃO

I – A PRISÃO DE PAULO EM JERUSALÉM

1. A conspiração dos judeus e a falsa acusação de profanação do templo (Atos 21.27-30)   

2. A divisão do templo em Jerusalém   

3. A intervenção das autoridades romanas (Atos 21.31-36)  

II – A OPORTUNIDADE PARA TESTEMUNHAR

1. Paulo pede licença para falar ao povo (Atos 21.37-40)   

2. O uso da língua hebraica para ganhar atenção (Atos 22.1-2)   

3. Coragem para testemunhar em meio à hostilidade (Atos 22.3-5)   

III – O PODER DO TESTEMUNHO PESSOAL

1. A vida de Paulo antes da conversão (Atos 22.3-5)   

2. O encontro com CRISTO no caminho de Damasco (Atos 22.6-11)  

3. Sua missão como servo e testemunha de CRISTO (Atos 22.12-29)

 

TEXTO ÁUREO

“Porque hás de ser sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido.” (Atos 22.15)

 

VERDADE PRÁTICA

Todo aquele que teve um encontro real com CRISTO é chamado a testemunhar dEle com fidelidade, mesmo em meio à oposição e ao sofrimento.

 

LEITURA DIÁRIA

Segunda - Atos 22.14-15 DEUS chama seus servos para serem testemunhas fiéis

Terça - Atos 26.16-18 O testemunho cristão nasce do encontro pessoal com CRISTO

Quarta - Atos 4.19,20 Não é possível silenciar quem foi alcançado pelo Evangelho

Quinta - Fp 1.12-14 DEUS transforma prisões e adversidades em oportunidades

Sexta - 2 Tm 1.8-12 O testemunho fiel é sustentado pelo poder de DEUS

Sábado - Mt 10.32,33 Confessar CRISTO diante dos homens e a fidelidade cristã

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Atos 21.27,28,30,31,33,39,40; 22.1-7

Atos 21.27 - Quando os sete dias estavam quase a terminar, os judeus da Ásia, vendo-o no templo, alvoroçaram todo o povo e lançaram mão dele, 28 -clamando: Varões israelitas, acudi! Este é o homem que por todas as partes ensina a todos, contra o povo, e contra a lei, e contra este lugar [...].

30 - E alvoroçou-se toda a cidade, e houve grande concurso de povo; e, pegando de Paulo, o arrastaram para fora do templo, e logo as portas se fecharam. 31 - E, procurando eles matá-lo, chegou ao tribuno da coorte o aviso de que Jerusalém estava toda em confusão.

33 - Então, aproximando-se o tribuno, o prendeu, e o mandou atar com duas cadeias, e lhe perguntou quem era e o que tinha feito.

39 - Mas Paulo lhe disse: Na verdade, eu sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo. 40 - E, havendo-lho permitido, Paulo, pondo-se em pé nas escadas, fez sinal com a mão ao povo; e, feito grande silêncio, falou-lhes em língua hebraica, dizendo: 

Atos 22.1 - Varões irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós. 2 - (E, quando ouviram falar-lhes em língua hebraica, maior silêncio guardaram.) E disse: 3 - Quanto a mim, sou varão judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso para com DEUS, como todos vós hoje sois. 4 - Ora, Persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres, 5 - como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos; e, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer manietados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados. 6 - Ora, aconteceu que, indo eu já de caminho e chegando perto de Damasco, quase ao meio-dia, de repente me rodeou uma grande luz do céu. 7 - E caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?

 

Hinos Sugeridos: 126, 193, 459 da Harpa Cristã

 

PALAVRA-CHAVE - CORAGEM

 

PLANO DE AULA

1. INTRODUÇÃO

Esta lição convida-nos a contemplar o testemunho cristão não apenas como prática eclesial, mas como expressão da experiência com CRISTO. A narrativa do evangelista Lucas revela que a fidelidade ao Evangelho se manifesta na tensão entre chamado e oposição. Paulo diante da multidão ilustra que o sofrimento não invalida a missão; antes, integra a pedagogia divina que forma servos corajosos e conscientes de sua vocação.

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Analisar a prisão de Paulo e compreender a fidelidade em meio à oposição; II) Interpretar a defesa do apóstolo e reconhecer a sabedoria no testemunho público; III) Aplicar o poder do testemunho pessoal à vivência cristã cotidiana.

B) Motivação: Estudar o poder do testemunho pessoal é redescobrir que DEUS transforma histórias marcadas por falhas em instrumentos de graça. Ao compreender a conversão e a missão de Paulo, perceberemos que a experiência com CRISTO possui valor formativo e evangelístico. Isso fortalece nossa identidade e propósito cristão.

C) Sugestão de Método: Inicie a aula situando historicamente o contexto de Atos 21, destacando Jerusalém como centro religioso e foco de tensões. Apresente, de forma expositiva e dialogada, a acusação contra Paulo e a estrutura do templo, evidenciando como fatores culturais e religiosos potencializaram o conflito. Conduza a classe a perceber que a prisão do apóstolo não foi mero acaso, mas parte do avanço do Evangelho. Assim, o tema da lição emerge como reflexão sobre fidelidade em contextos adversos.

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO  

A) Aplicação: Assim como Paulo, o cristão é chamado a permanecer fiel mesmo quando mal compreendido ou injustiçado. A vida cristã não se mede pela ausência de conflitos, mas pela constância no testemunho. Em contextos adversos, DEUS continua soberano e transforma crises em ocasião de proclamar CRISTO.

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 106, p.40, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto "Paulo desobedeceu ao ESPÍRITO SANTO indo a Jerusalém?", localizado depois do primeiro tópico, amplia a reflexão a respeito da prisão de Paulo em Jerusalém; 2) O texto "O Testemunho de Paulo", localizado ao final do segundo tópico, aprofunda o papel do testemunho do apóstolo Paulo diante da multidão.

 

COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO

Ao retornar a Jerusalém após a terceira viagem missionária, Paulo presta relatório aos líderes da igreja e glorifica a DEUS pelo avanço do Evangelho entre judeus e gentios (Atos 21.19,20). Contudo, rumores maliciosos levantam suspeitas contra seu ministério, levando-o a agir com prudência e sensibilidade pastoral. Em Jerusalém, o apóstolo enfrenta agressões, prisão e falsas acusações, mas transforma a adversidade em oportunidade de testemunho, revelando que a fidelidade a CRISTO pode conduzir ao sofrimento, sem jamais silenciar a verdade do Evangelho.

 

I – A PRISÃO DE PAULO EM JERUSALÉM

1. A conspiração dos judeus e a falsa acusação de profanação do templo (Atos 21.27-30)   

Ao ser visto no templo, Paulo foi violentamente atacado por judeus da Ásia, movidos por ciúme e ódio (v.27). Eles levantaram acusações falsas, afirmando que o apóstolo ensinava contra o povo, a Lei e o templo, chegando a acusá-lo de ter introduzido Trófimo, um gentio, em área sagrada — algo que nunca ocorreu (vv.28,29). A acusação era irônica, pois Paulo estava justamente em rito de purificação. A verdade pouco importava à multidão inflamada, que o arrastou para fora do templo e tentou matá-lo (v.30). A fidelidade de Paulo mostra que o servo de DEUS pode ser caluniado, mas permanece firme por confiar naquele em quem crê (2 Tm 1.12).

 

2. A divisão do templo em Jerusalém   

O segundo templo possuía átrios bem definidos: o átrio dos gentios, aberto a todos (Mt 21.12,13); o átrio das mulheres (Lc 21.1-4); o átrio de Israel, exclusivo aos homens judeus; e o átrio dos sacerdotes. Uma barreira separava os gentios das áreas internas, com avisos severos de morte aos que a transgredissem. Essa estrutura explica a gravidade da acusação contra Paulo (Atos 21.28) e revela o quanto a pureza do templo despertava emoções intensas entre os judeus.

 

3. A intervenção das autoridades romanas (Atos 21.31-36)   

Diante do tumulto, o tribuno romano Cláudio Lísias mobilizou soldados da fortaleza Antônia e interveio prontamente. Paulo foi preso e acorrentado a dois soldados, cumprindo a profecia de Ágabo (Atos 21.11). A multidão clamava por sua morte, repetindo o mesmo ódio dirigido a JESUS (Lc 23.18; Jo 19.15). Contudo, DEUS preservou a vida do apóstolo por meio da autoridade civil, mostrando que a soberania divina atua mesmo em contextos hostis. A fidelidade a CRISTO não isenta do sofrimento, mas assegura que DEUS continua no governo. Preso, Paulo agora terá novas oportunidades de testemunhar, abrindo caminho para sua defesa pública diante do povo.

 

SINÓPSE I - O apóstolo Paulo é preso injustamente por causa de uma conspiração, mas DEUS conduz a situação.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“PAULO DESOBEDECEU AO ESPÍRITO SANTO INDO A JERUSALÉM?

 Não. Provavelmente, o ESPÍRITO revelou aos cristãos o sofrimento que ele enfrentaria ali. Diante disso, concluíram que Paulo não deveria ir por causa do perigo. Essa interpretação é reforçada em Atos 21.10-12, quando, após ouvirem do profeta Ágabo que ele seria entregue aos romanos, os cristãos de Cesareia também lhe imploraram que não fosse a Jerusalém. [...] Paulo sabia que seria preso em Jerusalém. Embora seus amigos lhe pedissem que não partisse de Cesareia, o apóstolo compreendia que deveria seguir viagem, pois essa era a vontade de DEUS. Ninguém aprecia a dor, mas o discípulo fiel deseja, acima de tudo, agradar ao Senhor. A vontade de agradá-lo deve superar o desejo de evitar sofrimento. Quando realmente buscamos cumprir a vontade divina, precisamos aceitar tudo o que a acompanha, inclusive a dor. Então poderemos dizer: ‘Faça-se a vontade do Senhor!’” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp.1533,34).

 

II – A OPORTUNIDADE PARA TESTEMUNHAR

1. Paulo pede licença para falar ao povo (Atos 21.37-40)   

Mesmo algemado e cercado por hostilidade, Paulo demonstra equilíbrio espiritual e lucidez missionária. Em vez de se entregar ao desespero, pede licença ao tribuno para falar ao povo, transformando a prisão em oportunidade de testemunho. Ao dirigir-se ao comandante em grego — língua franca do mundo antigo — surpreende-o, desfazendo a falsa imagem de um agitador ignorante (Atos 21.37). Sua postura revela que um servo cheio do ESPÍRITO não perde a compostura diante da injustiça, mas discerne o tempo de DEUS. A serenidade de Paulo abre espaço para a proclamação do Evangelho, ensinando que até situações adversas podem ser usadas por DEUS para sua glória.

 

2. O uso da língua hebraica para ganhar atenção (Atos 22.1-2)   

Ao iniciar sua defesa, Paulo fala em hebraico — mais especificamente o aramaico, língua profundamente valorizada pelos judeus da Palestina. Esse gesto estabelece imediata conexão cultural e identidade com os ouvintes, levando a multidão a guardar maior silêncio (Atos 22.2). Assim como Estêvão (Atos 7.2), Paulo se dirige a eles como “irmãos e pais”, demonstrando respeito e pertencimento. A escolha do idioma não é casual, mas estratégica: revela sensibilidade cultural e sabedoria missionária. O cristão aprende que a verdade do Evangelho deve ser comunicada com clareza e discernimento, respeitando o contexto e a linguagem do público (1 Co 9.20-22).

 

3. Coragem para testemunhar em meio à hostilidade (Atos 22.3-5)   

Diante da multidão enfurecida, Paulo narra com coragem sua história: formação judaica, zelo religioso e perseguição à Igreja. Ele não suaviza o passado nem esconde o chamado recebido, mesmo sabendo que mencionar sua missão entre os gentios provocaria nova reação violenta (Atos 22.21-22). Sua fidelidade ao testemunho o leva a enfrentar risco pessoal, mas também a recorrer legitimamente à sua cidadania romana, evitando açoites injustos (Atos 22.25-29). Paulo ensina que cada crise pode se tornar ocasião para glorificar a CRISTO. O ESPÍRITO SANTO concede ousadia para testemunhar, mesmo em ambientes hostis, preparando o caminho para novas oportunidades de defesa do Evangelho diante das autoridades.

 

SINÓPSE II - Preso, Paulo transforma defesa em oportunidade de testemunho.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

O TESTEMUNHO DE PAULO.

“Paulo provavelmente falava aramaico, o idioma comum aos judeus palestinos. Ele utilizava essa língua não apenas para se comunicar com seus ouvintes, mas também para demonstrar que era um judeu devoto, respeitador das leis e dos costumes judaicos. Com os oficiais romanos, falava em grego; com os judeus, em aramaico. Para ministrar de maneira mais eficaz, é fundamental comunicar-se na linguagem do público. [...] Depois de ganhar a atenção e estabelecer um ponto em comum com seu público, Paulo apresentou seu testemunho, relatando como passou a crer em CRISTO. Ser ponderado é importante, mas também é essencial compartilhar o que CRISTO realizou em nossa vida. Contudo, mesmo quando a mensagem é bem exposta, nem todos a aceitarão — e Paulo sabia disso. Cabe-nos anunciar fiel e responsavelmente as Boas-Novas, confiando os resultados a DEUS” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp.1535).

 

III – O PODER DO TESTEMUNHO PESSOAL

1. A vida de Paulo antes da conversão (Atos 22.3-5)

Paulo inicia seu testemunho lembrando quem era antes de encontrar CRISTO. Judeu zeloso, formado em Jerusalém aos pés de Gamaliel, um dos mestres mais respeitados do judaísmo (Atos 5.34), ele fora instruído rigorosamente na Lei de seus pais. Diante dos judeus, apresenta-se como alguém irrepreensível quanto ao zelo religioso (Fp 3.4-6), embora esse zelo estivesse equivocado por carecer de verdadeiro conhecimento espiritual (Rm 10.2). Seu passado inclui a perseguição violenta à Igreja, a quem combatia “até à morte” (At 9.2). Ao recordar essa fase, Paulo demonstra que a religiosidade sem CRISTO pode produzir dureza, perseguição e cegueira espiritual.

 

2. O encontro com CRISTO no caminho de Damasco (Atos 22.6-11)   

A narrativa avança para o ponto decisivo de sua vida: o encontro pessoal com o CRISTO ressurreto. Ao meio-dia, uma luz vinda do céu o envolve, lança-o por terra e revela JESUS como o Senhor (Atos 9.3-6; 26.13-15). A experiência transforma radicalmente sua trajetória. Paulo deixa claro que sua conversão não foi fruto de persuasão humana, mas da intervenção soberana de DEUS. O testemunho confirma que a verdadeira força da Igreja nasce do encontro real com CRISTO, que ilumina, confronta e redireciona vidas.

 

3. Sua missão como servo e testemunha de CRISTO (Atos 22.12-29)   

A conversão de Paulo veio acompanhada de chamado e missão. Por meio de Ananias — homem piedoso e respeitado entre os judeus (Atos 9.10-17) — Paulo recebe confirmação divina para ser testemunha de CRISTO, especialmente entre os gentios (Atos 9.15). Ao mencionar sua missão, a oposição se intensifica, mas o apóstolo não recua. Seu testemunho mostra que quem foi alcançado pela graça não pode silenciar. Assim, aprendemos que DEUS transforma o passado em instrumento de testemunho e usa vidas rendidas para anunciar sua salvação, mesmo diante da rejeição. O testemunho pessoal continua sendo uma das mais poderosas ferramentas do Evangelho para glorificar a CRISTO e alcançar corações.

 

SINÓPSE III - O testemunho pessoal revela a graça e confirma a missão.

 

CONCLUSÃO

A prisão não silenciou Paulo; tornou-se um púlpito providencial. Em meio à injustiça e à oposição, DEUS transformou a perseguição em oportunidade para o testemunho do Evangelho. A fidelidade do apóstolo revela que nenhuma circunstância escapa ao governo divino. Assim, aprendemos que provações podem se tornar instrumentos da graça, quando escolhemos permanecer firmes e testemunhar de CRISTO, mesmo em cenários adversos.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

1. De que maneira Paulo foi violentamente atacado por judeus da Ásia movidos por ciúme e ódio?

Eles levantaram acusações falsas, afirmando que o apóstolo ensinava contra o povo, a Lei e o templo, chegando a acusá-lo de ter introduzido Trófimo, um gentio, em área sagrada — algo que nunca ocorreu (vv.28,29).

2. Como Paulo demonstrou equilíbrio e sabedoria ao pedir licença para falar ao povo mesmo estando preso pelas autoridades romanas?

Em vez de se entregar ao desespero, pede licença ao tribuno para falar ao povo, transformando a prisão em oportunidade de testemunho.

3️. Por que o uso da língua hebraica (aramaico) foi decisivo para que Paulo conseguisse a atenção e o silêncio da multidão?

Esse gesto estabelece imediata conexão cultural e identidade com os ouvintes, levando a multidão a guardar maior silêncio (Atos 22.2).

4️. De que maneira Paulo descreve sua vida antes da conversão para estabelecer credibilidade diante dos judeus?

Diante da multidão enfurecida, Paulo narra com coragem sua história: formação judaica, zelo religioso e perseguição à Igreja.

5️. O que nos mostra o testemunho do apóstolo, ao mencionar sua missão e não recuar, mesmo quando a oposição se intensifica?

Seu testemunho mostra que quem foi alcançado pela graça não pode silenciar. Assim, aprendemos que DEUS transforma o passado em instrumento de testemunho e usa vidas rendidas para anunciar sua salvação.

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