Escrita Lição 4, CPAD, O Chamado à Obediência, 4Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV
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ESBOÇO
DA LIÇÃO
LIÇÃO
4, CPAD, O CHAMADO À OBEDIÊNCIA
I - O CONCERTO
REITERADO EM HOREBE
1. O chamado para
ouvir e obedecer
2. A pessoalidade da
Aliança
3. Uma revelação
direta de DEUS
II - A EXPRESSÃO DA
VONTADE DE DEUS NOS MANDAMENTOS
1. Os quatro primeiros
mandamentos: amor a DEUS
2. Os seis
mandamentos: amor ao próximo
3. Qual a utilidade da
Lei para os cristãos hoje?
III - OBEDECENDO À VOZ
DE DEUS
1. A Palavra de DEUS
revelada à congregação
2. Bênção e
preservação aos obedientes
3. Palavras
exortativas de Moisés
TEXTO
ÁUREO
“Andareis
em todo o caminho que vos manda o SENHOR, vosso DEUS, para que vivais, e bem
vos suceda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir.” (Dt 5.33)
VERDADE
PRÁTICA
Ouvir,
aprender e praticar a Palavra revelam um relacionamento verdadeiro com o Senhor
DEUS.
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Dt 5.1; Rm 10.17 Ouvindo
a Palavra de DEUS para viver com fé
Terça - Sl 119.73; Mt 11.29
Aprendendo para transformar o coração e viver a fé
Quarta - Dt 5.6-11; Mt 22.37
Amando a DEUS acima de tudo em plena obediência
Quinta - 1 Jo 3.18; Rm 13.9 Amando
o próximo com verdade, justiça e atitudes
Sexta - Dt 5.22; 1 Tm 2.5 DEUS
revela-se ao seu povo e chama-o à obediência
Sábado - Dt 5.33; Sl 119.105 Obedecer a DEUS é andar
no caminho da vida
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE - Deuteronômio 5.1-10, 16-21, 29
Dt 5.1 - E chamou Moisés a todo o Israel e disse- -lhes: Ouve, ó Israel, os
estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis e
guardá-los-eis, para os cumprir. 2 - O SENHOR, nosso DEUS, fez conosco
concerto, em Horebe. 3 - Não foi com nossos pais que fez o SENHOR este
concerto, senão conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos. 4 - Face a face
o SENHOR falou conosco, no monte, do meio do fogo 5 - (Naquele tempo, eu estava
em pé entre o SENHOR e vós, para vos notificar a palavra do SENHOR, porque
temestes o fogo e não subistes ao monte.), dizendo: 6 - Eu sou o SENHOR, teu DEUS,
que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. 7 - Não terás outros
deuses diante de mim. 8 - Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança
alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da
terra; 9 - não te encurvarás a elas, nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu DEUS,
sou DEUS zeloso, que visito a maldade dos pais sobre os filhos, até à terceira
e quarta geração daqueles que me aborrecem, 10 - e faço misericórdia em
milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos.
Dt 5.16 - Honra a teu pai e a tua mãe, como o SENHOR, teu DEUS, te ordenou,
para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que te dá o
SENHOR, teu DEUS. 17 - Não matarás. 18 - E não adulterarás. 19 - E não
furtarás. 20 - E não dirás falso testemunho contra o teu próximo. 21 - E não
cobiçarás a mulher do teu próximo; e não desejarás a casa do teu próximo, nem o
seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento,
nem coisa alguma do teu próximo.
Dt 5.29 - Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem
e guardasse m todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse
a eles e a seus filhos, para sempre!
5.2 CONCERTO. A salvação de Israel
era uma dádiva de DEUS, concedida consoante o compromisso de DEUS segundo o
concerto feito, de que Ele adotaria Israel como seus filhos e filhas a fim de
cuidar deles e abençoá-los, para que tivessem vida longa na terra que DEUS lhes
dera (4.40). Em grato reconhecimento, Israel devia aceitar DEUS como seu
Senhor, para adorá-lo, amá-lo, honrá-lo e obedecer-lhe com fé viva. Para uma
exposição do concerto de DEUS com Israel, ver Lc 22.20.
5.7-21 OS DEZ MANDAMENTOS. Esta
seção repete os dez mandamentos, como aparecem em Êx 20.
5.29 QUEM DERA QUE ELES TIVESSEM
TAL CORAÇÃO. A história bíblica da salvação consiste precisamente no empenho
incansável de DEUS em livrar os homens e as mulheres dos seus pecados e suas
conseqüências destruidoras, e atraí-los a si mesmo.
Hinos Sugeridos: 103, 210 e 508 da
Harpa Cristã
PALAVRA-CHAVE –
OBEDIÊNCIA
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
SUBSÍDIOS EXTRAS –
BÍBLIAS, LIVROS, REVISTAS, CHATGPT, COPILOT, GEMINI
)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
# O PACTO DE HOREBE E
A ÉTICA DO REINO: UMA ANÁLISE TEOLÓGICO-EXEGÉTICA DE DEUTERONÔMIO 5
## INTRODUÇÃO
REFORMULADA
A releitura teológica do pacto
formulado em Horebe revela a soberana iniciativa da graça de YHWH (*Yahweh*) ao
estabelecer uma aliança alicerçada na redenção histórica e na santidade ética.
Ao redigir e proclamar o segundo discurso no livro de Deuteronômio, Moisés não
apresenta um código estático ou meramente normativo, mas um imperativo
relacional e dinâmico, desenhado para forjar a identidade pactual da comunidade
da aliança no limiar da Terra Prometida. Sob a perspectiva da teologia bíblica
e da hermenêutica paulina, a instrução mosaica (*Torah*) transcende a moldura
tipológica e sobressai como um espelho da justiça divinamente revelada,
encontrando seu cumprimento definitivo na pessoa e na obra de JESUS CRISTO.
Portanto, o imperativo para o povo de DEUS na Nova Aliança não reside no
cumprimento exterior ou meritório da letra legal, mas na vivência
transformadora pelo ESPÍRITO SANTO, que escreve os preceitos divinos nas tábuas
de carne do coração e capacita o remido a andar em novidade de vida.
---
## I - O CONCERTO
REITERADO EM HOREBE
### 1. O CHAMADO PARA
OUVIR E OBEDECER
**Comentário Teológico
Expositivo:**
A pedagogia divina revelada no
exórdio de Deuteronômio estabelece a audição atenta como o fundamento
soteriológico e epistemológico da verdadeira piedade israelita e cristã. A
proclamação do imperativo divino exige do ouvinte uma disposição existencial na
qual a percepção auditiva se traduz imediatamente em submissão voluntária e
ação ética coerente. No vocabulário teológico do Antigo Testamento, a
assimilação da verdade revelada envolve uma transição orgânica do intelecto
para o afeto e do afeto para o volitivo, eliminando a dicotomia entre a
ortodoxia e a ortopraxia. A antítese entre a geração rebelde do deserto e o
remanescente obediente sublinha que o verdadeiro discípulo não é aquele que se
limita a acumular conhecimento formal, mas o que permite que a revelação molde
seu caráter interior. Sob a economia da Nova Aliança, a fé salvífica é gerada
no espírito humano pela pregação da Palavra, demandando uma prática fervorosa e
perseguidora do bem, como reflexo indissociável da união mística com o Senhor JESUS
CRISTO.
**Palavras Gregas Centrais:**
1. **Ἀκούω (*Akouō*)** – Ouvir,
prestar atenção, entender com obediência reflexiva e prontidão para agir.
2. **Μανθάνω (*Manthanō*)** –
Aprender, assimilar por instrução constante, absorver conhecimento pela prática
do discipulado.
3. **Phylassō / Terēo (Tηρέω /
Φυλάσσω)** – Guardar, preservar com vigilância estrita, praticar fielmente os
mandamentos.
**Referências Bíblicas por
Extenso:**
* **Deuteronômio 5:1** – "E
chamou Moisés a todo o Israel e disse-lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e
juízos que hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis e guardareis para os
cumprir."
* **Deuteronômio 6:4** –
"Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso DEUS, é o único Senhor."
* **Salmos 119:73** – "As
tuas mãos me fizeram e me afeiçoaram; dá-me inteligência para que aprenda os
teus mandamentos."
* **Mateus 11:29** – "Tomai
sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e
encontrareis descanso para a vossa alma."
* **Romanos 10:17** – "De
sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de DEUS."
* **2 Timóteo 3:14-15** –
"Tu, porém, permanece nas coisas que aprendeste e de que foste inteirado,
sabendo de quem as tens aprendido. E que, desde a tua infância, sabes as
sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em CRISTO
JESUS."
* **Tiago 1:22-25** – "E sede
cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.
Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao homem
que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e
vai-se, e logo se esquece de que tal era. Aquele, porém, que atenta bem para a
lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas
fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito."
* **Apocalipse 2:7** – "Quem
tem ouvidos ouça o que o ESPÍRITO diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a
comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de DEUS."
#### Resumo Exegetico-Teológico
(I.1)
| Conceito Teológico | Termos
Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências
Bíblicas Chave |
| **Audição Obediente** | *Shama*
(שָׁמַע) / *Akouō* (ἀκούω) | Escutar a voz de DEUS com a firme intenção de
obedecer e submeter a vontade ao Senhor. | Dt 5:1; Rm 10:17 |
| **Internalização do Ensino** |
*Lamad* (לָמַד) / *Manthanō* (μανθάνω) | Assimilação profunda e racional das
Escrituras para transformação contínua do caráter. | Sl 119:73; Mt 11:29 |
| **Prática com Zelo** | *Shamar*
(שָׁמַר) / *Tērēō* (τηρέω) | Guardar, vigiar e executar os preceitos divinos no
cotidiano como verdadeiro discípulo. | Dt 6:4; Tg 1:22-25 |
### 1.2. A
PESSOALIDADE DA ALIANÇA
AS LEIS FORAM DADAS COMO NORMAS DA
ALIANÇA – TODA ALIANÇA TEM BÊNÇÃOS PARA QUEM CUMPRE SUAS EXIGÊNCIAS E MADIÇÃO
PARA QUEM NÃO CUMPRE SUAS EXIGÊNCIAS, OU NORMAS, OU LEIS.
**Comentário Teológico
Expositivo:**
A teologia do concerto divino
rejeita rigorosamente qualquer noção de piedade vicária ou apropriação
hereditária automática das promessas e responsabilidades registradas nas
Escrituras. A geração presente diante de Moisés não podia se respaldar na
aliança firmada formalmente com os patriarcas para justificativa de indolência
espiritual ou presunção religiosa. O pacto requer uma ratificação individual,
existencial e contínua, na qual cada ser humano é confrontado com a exigência
de render sua vida pessoal ao senhorio do Criador. Josué, Calebe e Timóteo
personificam essa apropriação consciente e firme da fé em meio a tempos de
apostasia generalizada e frouxidão moral. No paradigma da Nova Aliança, a
salvação exige a convicção do coração combinada com a confissão pública da
boca, evidenciando que o verdadeiro relacionamento com DEUS demanda uma
renúncia total do ego e a tomada diária da cruz.
**Palavras Gregas Centrais:**
1. **Pistis (Πίστις)** – Fé,
confiança existencial, fidelidade firme, compromisso pessoal e incondicional
com DEUS.
2. **Homologeō (Ὁμολογέω)** –
Confessar, declarar abertamente, concordar plenamente com a verdade revelada.
3. **Aparneomai (Ἀπαρνέομαι)** –
Renunciar a si mesmo, abnegar a soberania do 'eu', sujeitar-se inteiramente a CRISTO.
**Referências Bíblicas por
Extenso:**
* **Deuteronômio 1:36** –
"Salvo Calebe, filho de Jefoné, ele a verá; e a terra que pisou darei a
ele e a seus filhos, porquanto perseverou em seguir ao Senhor."
* **Deuteronômio 5:3** – "Não
com nossos pais fez o Senhor este concerto, mas conosco, todos os que hoje aqui
estamos vivos."
* **Josué 24:15** – "Porém,
se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem
sirvais: se os deuses a quem serviram vossos pais, que estavam da outra banda
do rio, ou os deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha
casa serviremos ao Senhor."
* **Mateus 16:24** – "Então,
disse JESUS aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a
si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me."
* **Romanos 10:9-10** – "A
saber: Se, com a tua boca, confessares ao Senhor JESUS e, em teu coração,
creres que DEUS o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Visto que com o coração
se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação."
* **2 Timóteo 1:5** –
"Trazendo à memória a fé não fingida que há em ti, a qual habitou primeiro
em tua avó Lóide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que habita em ti
também."
#### Resumo Exegetico-Teológico
(I.2)
| Conceito Teológico | Termos
Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências
Bíblicas Chave |
| **Apropriação Pessoal** | *Karat
Berit* (כָּרַת בְּרִית) / *Homologeō* | A aliança exige adesão consciente e
individual, superando tradições familiares passivas. | Dt 5:3; Rm 10:9-10 |
| **Perseverança e Renúncia** |
*Achar Yhwh* / *Aparneomai* (ἀπαρνέομαι) | Escolha de seguir a DEUS de todo o
coração com negação do egocentrismo terreno. | Js 24:15; Mt 16:24 |
| **Fé Intransferível** | *Emunah*
(אֱמוּנָה) / *Pistis* (πίστις) | Resposta pessoal de confiança viva em CRISTO,
preservada e renovada diariamente. | Dt 1:36; 2 Tm 1:5 |
### 1.3. UMA REVELAÇÃO
DIRETA DE DEUS
**Comentário Teológico
Expositivo:**
A teofania (aparição de JESUS
CRISTO) no Sinai/Horebe sublinha a transcendência absoluta de YHWH, expressa no
fogo consumidor, na escuridão e na voz majestosa que proclamou os preceitos da
aliança. Todavia, essa terrível e gloriosa santidade não se contrapõe à
imanência divina, pois o propósito final da autorrevelação é o estabelecimento
de uma comunhão íntima e transformadora com a comunidade eleita. A Lei dada no
monte Sinai não representa um código legal abstrato ou opressor, mas a
manifestação graciosa da vontade do DEUS vivo que redime seu povo da escravidão
para viver em liberdade santa. Essa teofania veterotestamentária aponta
tipologicamente para a perfeita e cabal revelação em CRISTO JESUS, na qual a
distância causada pelo pecado é superada pelo derramamento do seu sangue.
Assim, o crente na Nova Aliança não se aproxima de um monte de terror e
julgamento, mas ingressa no SANTO dos SANTOs com ousadia pelo ESPÍRITO.
A
lei foi acrescentada por causa das transgresões
Essa
é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés!
Em Gálatas 3:19, ele escreve:
"Qual
é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das
transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido
feita..."
O
sentido dessa afirmação no texto bíblico:
1.
Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada
para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e
expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.
2.
Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um
"tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo
até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).
3.
Contraste com a Promessa: A promessa feita a
Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada
para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.
**Palavras Gregas Centrais:**
1. **Prosagōgē (Προσαγωγή)** –
Acesso direto, introdução graciosa, aproximação confiante à presença divina.
2. **Apokalypsis (Ἀποκάλυψις)** –
Revelação, desvelamento da verdade e do caráter divino anteriormente ocultos.
3. **Koinōnia (Κοινωνία)** –
Comunhão, participação íntima e compartilhada na vida de DEUS.
**Referências Bíblicas por
Extenso:**
* **Deuteronômio 5:4** –
"Face a face falou o Senhor conosco, no monte, do meio do fogo."
* **Jeremias 29:23** –
"Porquanto fizeram insensatez em Israel, e cometeram adultério com as
mulheres dos seus vizinhos, e anunciaram falsamente em meu nome palavras que
não lhes ordenei; e eu o sei e sou testemunha disso, diz o Senhor."
* **Efésios 2:18** – "Porque,
por ele, ambos temos acesso ao Pai em um mesmo ESPÍRITO."
* **Hebreus 12:18-24** –
"Porque não chegastes ao monte palpável, aceso em fogo, e à escuridão, e
às trevas, e à tempestade, e ao som da trombeta, e à voz das palavras, a qual
os que a ouviram pediram que se lhes não falasse mais; [...] mas chegastes ao
monte Sião, e à cidade do DEUS vivo, à Jerusalém celestial, e aos milhares de
anjos, à universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos
nos céus, e a DEUS, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados;
e a JESUS, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala
melhor do que o de Abel."
#### Resumo Exegetico-Teológico
(I.3)
| Conceito Teológico | Termos
Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências
Bíblicas Chave |
| **Teofania e Santidade** |
*Panim el-Panim* / *Apokalypsis* | Revelação gloriosa do caráter santo de DEUS
que desperta temor reverente no homem. | Dt 5:4; Jr 29:23 |
| **Pacto Relacional** | *Berit* (בְּרִית)
/ *Koinōnia* (κοινωνία) | A lei como instrumento de comunhão viva com o DEUS
Criador e Redentor. | Ef 2:18; Hb 12:18-24 |
| **Acesso Mediado em CRISTO** |
*Prosagōgē* (προσαγωγή) | Liberdade graciosa para entrar na presença do Pai por
meio da obra efetuada na cruz. | Ef 2:18 |
---
## II - A EXPRESSÃO DA
VONTADE DE DEUS NOS MANDAMENTOS
### 2.1. OS QUATRO
PRIMEIROS MANDAMENTOS: AMOR A DEUS
A
lei foi acrescentada por causa das transgresões
Essa
é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés!
Em Gálatas 3:19, ele escreve:
"Qual
é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das
transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido
feita..."
O
sentido dessa afirmação no texto bíblico:
1.
Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada
para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e
expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.
2.
Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um
"tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo
até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).
3.
Contraste com a Promessa: A promessa feita a
Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada
para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.
4.
Me
livrou da lei do pecado
Essa
declaração resume a mensagem central de libertação em Romanos 8:2:
"Porque
a lei do ESPÍRITO da vida, em CRISTO JESUS, te livrou da lei do pecado e da
morte."
O
Contraste em Romanos 8:2
5.
A "Lei do Pecado e da Morte": Refere-se à força
espiritual e ao princípio moral que escraviza a natureza humana. Ela expõe a
falha do ser humano em cumprir a Lei de Moisés por forças próprias, resultando
na condenação e na morte espiritual.
6.
A "Lei do ESPÍRITO da Vida": É o novo princípio de
vida concedido mediante a união com CRISTO JESUS. O ESPÍRITO SANTO habita no
crente, concedendo capacitação e liberdade que a lei exterior não podia
produzir.
7.
A Libertação Efetuada: O verbo no passado
("livrou" / "libertou") indica que a libertação já foi
consumada por meio da obra de CRISTO na cruz e na ressurreição.
8.
**Comentário Teológico
Expositivo:**
A primeira tábua do Decálogo
estabelece a verticalidade absoluta da fé biblicamente fundamentada,
prescrevendo a devoção exclusiva que o Criador exige da sua criação redimida. O
combate à idolatria não se restringe à destruição de estátuas ou representações
físicas de falsas divindades, mas exige o desarraigamento de qualquer ídolo
sutil instalado no centro do coração humano. O uso respeitoso do nome divino
reflete a reverência interior devida à Majestade celestial, proibindo
terminantemente a manipulação do SAGRADO para fins egoístas, levianos ou
mercantilistas. Amar a DEUS acima de todas as coisas envolve a entrega total
das faculdades intelectuais, volitivas e emocionais à direção soberana de YHWH.
Na teologia do Novo Testamento, esse compromisso incondicional se traduz na
rejeição dos ídolos contemporâneos e na transmissão zelosa de um legado
espiritual genuíno às gerações vindouras.
**Palavras Gregas Centrais:**
1. **Agapē (Ἀγάπη)** – Amor
sacrificial, incondicional, supremo e direcionado pelo compromisso da vontade.
2. **Latreia (Λατρεία)** – Serviço
sagrado, adoração exclusiva rendered unicamente ao Criador.
3. **Eidōlolatria (Εἰδωrolατρία)**
– Idolatria, culto a falsas divindades ou elevação de coisas criadas ao lugar
de DEUS.
**Referências Bíblicas por
Extenso:**
* **Deuteronômio 5:6-11** –
"Eu sou o Senhor, teu DEUS, que te tirei da terra do Egito, da casa da
servidão. Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de
escultura, nem semelhança alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na
terra, nem nas águas debaixo da terra; não te encurvarás a elas, nem as
servirás; porque eu, o Senhor, teu DEUS, sou DEUS zeloso, que meço a iniquidade
dos pais nos filhos, até à terceira e quarta geração daqueles que me odeiam, e
faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos.
Não tomarás o nome do Senhor, teu DEUS, em vão; porque o Senhor não terá por
inocente o que tomar o seu nome em vão."
* **Mateus 22:37** – "E JESUS
disse-lhe: Amarás o Senhor, teu DEUS, de todo o teu coração, e de toda a tua
alma, e de todo o teu entendimento."
* **1 João 5:21** –
"Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!"
#### Resumo Exegetico-Teológico
(II.1)
| Conceito Teológico | Termos
Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências
Bíblicas Chave |
| :--- | :--- | :--- | :--- |
| **Exclusividade Monoteísta** |
*Elohim Acherim* / *Latreia* | Adoração dirigida única e exclusivamente ao
Senhor DEUS, rejeitando ídolos. | Dt 5:6-7; 1 Jo 5:21 |
| **Reverência ao Nome Divino** |
*Shem Yhwh* / *Kuriotes* | Respeito absoluto à santidade e à reputação do nome
de DEUS em palavras e ações. | Dt 5:11 |
| **Amor Integral** | *Ahavah* (אַהֲבָה)
/ *Agapē* (ἀγάπη) | Devoção total que envolve intellecto, emoções e decisões de
submissão diária. | Dt 5:10; Mt 22:37 |
### 2.2. OS SEIS
MANDAMENTOS: AMOR AO PRÓXIMO
A
lei foi acrescentada por causa das transgresões
Essa
é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés!
Em Gálatas 3:19, ele escreve:
"Qual
é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das
transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido
feita..."
O
sentido dessa afirmação no texto bíblico:
1.
Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada
para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e
expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.
2.
Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um
"tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo
até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).
3.
Contraste com a Promessa: A promessa feita a
Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada
para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.
4.
Me
livrou da lei do pecado
Essa
declaração resume a mensagem central de libertação em Romanos 8:2:
"Porque
a lei do ESPÍRITO da vida, em CRISTO JESUS, te livrou da lei do pecado e da
morte."
O
Contraste em Romanos 8:2
·
A "Lei do Pecado e da Morte": Refere-se à força
espiritual e ao princípio moral que escraviza a natureza humana. Ela expõe a
falha do ser humano em cumprir a Lei de Moisés por forças próprias, resultando
na condenação e na morte espiritual.
·
A "Lei do ESPÍRITO da Vida": É o novo princípio de
vida concedido mediante a união com CRISTO JESUS. O ESPÍRITO SANTO habita no
crente, concedendo capacitação e liberdade que a lei exterior não podia
produzir.
·
A Libertação Efetuada: O verbo no passado
("livrou" / "libertou") indica que a libertação já foi
consumada por meio da obra de CRISTO na cruz e na ressurreição.
**Comentário Teológico
Expositivo:**
A segunda tábua do Decálogo
desdobra a ética do Reino de DEUS nas relações interpessoais, demonstrando que
a genuína espiritualidade vertical produz inevitavelmente frutos de justiça
horizontal. Os preceitos morais sobre honrar pai e mãe, preservar a sacralidade
da vida humana, guardar a pureza do matrimônio, respeitar a propriedade e
promover a verdade constituem as colunas da convivência social harmoniosa. O
pecado social não se origina meramente em estruturas externas falhas, mas brota
da depravação do coração dominado pela cobiça e pelo egoísmo desenfreado. O descanso
sabático, sob esta ótica, ressalta o valor da vida em detrimento da exploração
utilitarista do trabalho, prevendo a restauração física e espiritual de toda a
comunidade. O discípulo de CRISTO é exortado a ir além do cumprimento negativo
das proibições, promovendo ativamente o bem, a dignidade, a verdade e a
compaixão em todas as dimensões da sociedade.
**Palavras Gregas Centrais:**
1. **Dikaiosynē (Δικαιοσύνη)** –
Justiça, retidão nas relações humanas, conformidade com o padrão moral divino.
2. **Aletheia (Ἀλήθεια)** –
Verdade, integridade verbal, ausência de falsidade ou engano.
3. **Epithumia (Ἐπιθυμία)** –
Cobiça, desejo desordenado e egoísta pelo que pertence ao próximo.
**Referências Bíblicas por
Extenso:**
* **Deuteronômio 5:16-21** –
"Honra a teu pai e a tua mãe, como o Senhor, teu DEUS, te ordenou, para
que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que te dá o
Senhor, teu DEUS. Não matarás. E não adulterarás. E não furtarás. E não dirás
falso testemunho contra o teu próximo. E não cobiçarás a mulher do teu próximo;
e não desejarás a casa do teu próximo, nem o seu campo, nem o seu servo, nem a
sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu
próximo."
* **1 João 3:18** – "Meus
filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em
verdade."
* **Romanos 13:8-10** – "A
ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros;
porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não
matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há
algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo
como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da
lei é o amor."
#### Resumo Exegetico-Teológico
(II.2)
| Conceito Teológico | Termos
Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências
Bíblicas Chave |
| :--- | :--- | :--- | :--- |
| **Santidade nas Relações** |
*Kabad* (כָּבַד) / *Dikaiosynē* (δικαιοσύνη) | Respeito às autoridades, à vida,
à família e à propriedade do próximo. | Dt 5:16-20; Rm 13:8-10 |
| **Integridade da Palavra** |
*Emet* (אֱמֶת) / *Alētheia* (ἀλήθεια) | Rejeição do falso testemunho,
promovendo a verdade em todas as palavras. | Dt 5:20; 1 Jo 3:18 |
| **Guarda do Coração** | *Chamad*
(חָמַד) / *Epithumia* (ἐπιθυμία) | Mortificação da cobiça interior,
contentamento em DEUS e zelo pelo bem alheio. | Dt 5:21 |
### 2.3. QUAL A
UTILIDADE DA LEI PARA OS CRISTÃOS HOJE?
A
lei foi acrescentada por causa das transgresões
Essa
é uma declaração clássica do apóstolo Paulo sobre o propósito da Lei de Moisés!
Em Gálatas 3:19, ele escreve:
"Qual
é, pois, a razão de ser da lei? Ela foi acrescentada por causa das
transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa tinha sido
feita..."
O
sentido dessa afirmação no texto bíblico:
1.
Revelar e definir o pecado: A Lei não foi dada
para salvar ou justificar as pessoas, mas para evidenciar a santidade de DEUS e
expor explicitamente o pecado e as transgressões humanas.
2.
Função temporária (Pedagogo): A Lei atuava como um
"tutor" ou "guardião" (Gálatas 3:24) para conduzir o povo
até a chegada de CRISTO (o Descendente/Ais prometido).
3.
Contraste com a Promessa: A promessa feita a
Abraão veio antes da Lei e baseava-se na fé. A Lei veio depois, acrescentada
para disciplinar e mostrar a necessidade da graça.
Me
livrou da lei do pecado
Essa
declaração resume a mensagem central de libertação em Romanos 8:2:
"Porque
a lei do ESPÍRITO da vida, em CRISTO JESUS, te livrou da lei do pecado e da
morte."
O
Contraste em Romanos 8:2
·
A "Lei do Pecado e da Morte": Refere-se à força
espiritual e ao princípio moral que escraviza a natureza humana. Ela expõe a
falha do ser humano em cumprir a Lei de Moisés por forças próprias, resultando
na condenação e na morte espiritual.
·
A "Lei do ESPÍRITO da Vida": É o novo princípio de
vida concedido mediante a união com CRISTO JESUS. O ESPÍRITO SANTO habita no
crente, concedendo capacitação e liberdade que a lei exterior não podia
produzir.
·
A Libertação Efetuada: O verbo no passado
("livrou" / "libertou") indica que a libertação já foi
consumada por meio da obra de CRISTO na cruz e na ressurreição.
**Comentário Teológico
Expositivo:**
A teologia cristã compreende a
instrução divina não como um instrumento legalista de autojustificação
meritória, mas como o espelho perfeito que revela a glória inatingível da
santidade de DEUS e a profunda depravação do pecado humano. Ao demonstrar a
incapacidade radical do ser humano caído para cumprir perfeitamente as demandas
do Criador, a Lei atua pedagogicamente, conduzindo o transgressor ao
arrependimento e à graça redentora oferecida no sacrifício vicário de CRISTO.
Sob o império da Nova Aliança, o ESPÍRITO SANTO habita no remido e inscreve os
princípios morais eternos da Palavra na sua mente e no seu coração,
transformando a obediência de um fardo exterior para uma resposta de gratidão e
amor. Portanto, a ordem moral revelada no Decálogo permanece plenamente válida
como regra de vida e conduta para os crentes, norteando o discernimento ético
do remido no processo de santificação progressiva.
**Palavras Gregas Centrais:**
1. **Paidagōgos (Παιδαγωγός)** –
Guia pedagógico, tutor temporário que conduz a CRISTO.
2. **Anomia (Ἀνομία)** –
Ilegalidade, insubordinação à lei divina, estado de licenciosidade moral.
3. **Pneuma (Πνεῦμα)** – ESPÍRITO
SANTO, Agente divino que vivifica, transforma e capacita para a obediência.
**Referências Bíblicas por
Extenso:**
* **Romanos 3:20** – "Por
isso, nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque
pela lei vem o conhecimento do pecado."
* **Romanos 7:12** – "E,
assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom."
* **Romanos 8:4** – "Para que
a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas
segundo o ESPÍRITO."
* **Gálatas 3:24** – "De
maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a CRISTO, para que, pela
fé, fôssemos justificados."
* **1 Timóteo 1:8** –
"Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usar legitimamente."
* **Hebreus 10:16** – "Este é
o concerto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as
minhas leis em seu coração e as escreverei em seu entendimento."
#### Resumo Exegetico-Teológico
(II.3)
| Conceito Teológico | Termos
Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências
Bíblicas Chave |
| **Revelação da Culpa** | *Torah*
(תּוֹרָה) / *Paidagōgos* (παιδαγωγός) | A lei expõe o pecado e aponta para a
necessidade premente da salvação em CRISTO. | Rm 3:20; Gl 3:24 |
| **Sombra e Cumprimento** |
*Nomos* (Νόμος) / *Pneuma* (Πνεῦμα) | Cumprimento da justiça da lei pelo ESPÍRITO
habitando no coração do crente. | Rm 8:4; Hb 10:16 |
| **Guia Moral da Graça** |
*Hagios* (Ἅγιος) / *Dikaios* (Δίκαιος) | Padrão justo que direciona o remido em
santidade, sem cair em legalismo meritório. | Rm 7:12; 1 Tm 1:8 |
---
## III - OBEDECENDO À
VOZ DE DEUS
### 3.1. A PALAVRA DE
DEUS REVELADA À CONGREGAÇÃO
**Comentário Teológico
Expositivo:**
A promulgação da Lei ao povo de
Israel manifestou a glória inefável e o caráter terrível da santidade divina,
gerando nos espectadores uma aguda consciência da sua própria fragilidade e
contaminação moral. Diante das labaredas de fogo, das nuvens densas e da voz
trovejante, a congregação reconheceu a impossibilidade de manter um acesso
direto ao DEUS Altíssimo sem a provisão de uma mediação autorizada. O pedido do
povo para que Moisés servisse como intermediário prefigura tipologicamente a
imperiosa necessidade do Sumo Sacerdote perfeito e definitivo, JESUS CRISTO, o
único Mediador entre DEUS e os homens. A verdadeira revelação da palavra de DEUS
não visa produzir desespero estéril, mas sim um temor reverente que conduz ao
abandono da autoconfiança e à busca da graça transformadora do ESPÍRITO SANTO,
que substitui o coração de pedra por um coração flexível e obediente.
**Palavras Gregas Centrais:**
1. **Mesitēs (Μεσίτης)** –
Mediador, intermediário que estabelece paz e reconciliação entre duas partes.
2. **Phobos (Φόβος)** – Temor
reverente, respeito profundo diante da majestade e santidade de DEUS.
3. **Kardia (Καρδία)** – Coração,
o centro integrador da vida espiritual, intelectual e moral do ser humano.
**Referências Bíblicas por
Extenso:**
* **Êxodo 20:18-21** – "E
todo o povo viu os trovões, e as labaredas, e o som da trombeta, e o monte
fumegando; e o povo, vendo isso, retirou-se e pôs-se de longe. E disseram a
Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos; e não fale DEUS conosco, para que não
morramos. E disse Moisés ao povo: Não temais, que DEUS veio para vos provar e
para que o seu temor esteja diante de vós, para que não pequeis. O povo, pois,
estava de longe; mas Moisés se chegou à escuridão, onde DEUS estava."
* **Deuteronômio 5:22,27** –
"Estas palavras falou o Senhor a toda a vossa congregação no monte, do
meio do fogo, da nuvem e da escuridão, com grande voz, e nada acrescentou; e as
escreveu em duas tábuas de pedra e a mim me as deu. [...] Chega-te tu e ouve
tudo o que disser o Senhor, nosso DEUS; e tu nos dirás tudo o que te disser o
Senhor, nosso DEUS, e o ouviremos e o faremos."
* **Ezequiel 36:27** – "E
porei dentro de vós o meu ESPÍRITO e farei que andeis nos meus estatutos, e
guardeis os meus juízos, e os cumprais."
* **1 Timóteo 2:5** – "Porque
há um só DEUS e um só Mediador entre DEUS e os homens, JESUS CRISTO,
homem."
#### Resumo Exegetico-Teológico
(III.1)
| Conceito Teológico | Termos
Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências
Bíblicas Chave |
| :--- | :--- | :--- | :--- |
| **Majestade Revelada** |
*Yir'ah* (יִרְאָה) / *Phobos* (φόβος) | Manifestação da santidade de DEUS que
gera temor profundo e consciência do pecado. | Êx 20:18-21; Dt 5:22 |
| **Mediação Tipológica** |
*Melits* / *Mesitēs* (μεσίτης) | A função de Moisés apontando para o sacerdócio
perfeito de JESUS CRISTO. | Dt 5:27; 1 Tm 2:5 |
| **Regeneração do Coração** |
*Lev Chadash* / *Kardia* (карδία) | Transformação espiritual operada pelo ESPÍRITO
para capacitar à obediência genuína. | Ez 36:27 |
### 3.2. BÊNÇÃO E
PRESERVAÇÃO AOS OBEDIENTES
**Comentário Teológico
Expositivo:**
Na ordem pactual estabelecida no
livro de Deuteronômio, a obediência atenta e amorosa aos preceitos divinos é
apresentada como o meio ordenado por YHWH para a preservação e o desfrute da
vida abundante sob a bênção celestial. A centralidade do coração na teologia
bíblica enfatiza que o Senhor não se agrada de ritos formais ou externalismos
vazios, exigindo que a vontade humana seja inteiramente submetida ao seu
senhorio. A fidelidade do crente gera também um impacto pedagógico e
intergeracional duradouro, estabelecendo uma herança de piedade que fortalece a
família e edifica a comunidade da aliança. No contexto do Novo Testamento, essa
promessa de preservação se realiza na bem-aventurança daqueles que não apenas
escutam a pregação da Palavra, mas a guardam perseverantemente no dia a dia,
experimentando a paz, a alegria e o amparo providencial de DEUS em todas as
circunstâncias da vida.
**Palavras Gregas Centrais:**
1. **Makarios (Μακάριος)** –
Bem-aventurado, plenamente feliz, favorecido com a graça divina.
2. **Eulogia (Εὐλογίa)** – Bênção,
favor imerecido concedido por DEUS ao seu povo.
3. **Diaterēo (Διατηρέω)** –
Guardar cuidadosamente, preservar com firmeza no coração e na vida.
**Referências Bíblicas por
Extenso:**
* **Deuteronômio 5:33** –
"Andareis em todo o caminho que vos ordenou o Senhor, vosso DEUS, para que
vivais, e vos vá bem, e prolongueis os dias na terra que haveis de
possuir."
* **Lucas 11:28** – "Mas ele
disse: Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de DEUS e a guardam."
* **Tiago 1:25** – "Aquele,
porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não
sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no
seu feito."
#### Resumo Exegetico-Teológico
(III.2)
| Conceito Teológico | Termos
Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências
Bíblicas Chave |
| **Caminho da Bênção** | *Barak*
(בָּרַךְ) / *Eulogia* (εὐλογία) | A submissão à vontade de DEUS conduz à plena
preservação e ao favor do Senhor. | Dt 5:33; Lc 11:28 |
| **Devoção Integral** | *Lebab* (לֵבָב)
/ *Kardia* (карδία) | Entrega voluntária e completa dos pensamentos, afetos e
escolhas ao Senhor. | Dt 5:33 |
| **Legado Intergeracional** |
*Dor l'Dor* / *Diaterēo* | Transmissão consistente da fé e da conduta santa às
próximas gerações. | Lc 11:28; Tg 1:25 |
### 3.3. PALAVRAS
EXORTATIVAS DE MOISÉS
**Comentário Teológico
Expositivo:**
O encerramento do solene discurso
mosaico convoca a comunidade da aliança a uma perseverança inabalável no
caminho traçado pela autorrevelação de DEUS, proibindo terminantemente qualquer
desvio para a direita ou para a esquerda. A atitude de Moisés, ao permanecer no
monte diante do Senhor para receber novas instruções enquanto o povo retornava
às tendas, exemplifica a gravidade da responsabilidade ministerial e pastoral
de interceder e ensinar com fidelidade exegética. A nova geração, prestes a
enfrentar as batalhas para a conquista de Canaã, precisava ancorar a sua
coragem e conduta na Palavra escrita e proclamada. Da mesma forma, o crente sob
a Nova Aliança é exortado a andar continuamente na luz da Revelação divina,
sendo guiado pela iluminação do ESPÍRITO SANTO que habita nele e pela
sufficiência absoluta das Santas Escrituras, que lâmpada são para os pés e luz
para o caminho.
**Palavras Gregas Centrais:**
1. **Peripateō (Περιπατέω)** –
Andar, viver, conduzir a existência diária sob determinado padrão moral.
2. **Phōs (Φῶς)** – Luz, verdade
moral e divina que ilumina a mente e dissipa as trevas do pecado.
3. **Hypomonē (Ὑπομονή)** –
Perseverança, firmeza paciente sob provação, constância na fé.
**Referências Bíblicas por
Extenso:**
* **Deuteronômio 5:32-33** –
"Olhai, pois, que façais como vos ordenou o Senhor, vosso DEUS; não vos
desviareis, nem para a direita, nem para a esquerda. Andareis em todo o caminho
que vos ordenou o Senhor, vosso DEUS, para que vivais, e vos vá bem, e
prolongueis os dias na terra que haveis de possuir."
* **Salmos 119:105** –
"Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho."
* **1 João 1:7** – "Mas, se
andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o
sangue de JESUS CRISTO, seu Filho, nos purifica de todo o pecado."
#### Resumo Exegetico-Teológico
(III.3)
| Conceito Teológico | Termos
Originais (Hebraico / Grego) | Significado e Aplicação Prática | Referências
Bíblicas Chave |
| **Caminhada sem Desvios** |
*Derek* (דֶּרֶךְ) / *Peripateō* (περιπατέω) | Constância moral e doutrinária,
sem desviar para o legalismo ou licenciosidade. | Dt 5:32; 1 Jo 1:7 |
| **Responsabilidade Pastoral** |
*Rō'eh* / *Episkopos* | Liderança comprometida em buscar a revelação divina e
instruir o povo com zelo. | Dt 5:31 |
| **Suficiência da Palavra** |
*Or* (אוֹר) / *Phōs* (φῶς) | As Escrituras como guia infalível e suficiente
para a vida e a conduta do remido. | Sl 119:105 |
## CONCLUSÃO
REFORMULADA
A profunda reflexão teológica
sobre o pacto reiterado em Horebe e a proclamação do Decálogo reafirma que a
obediência aos preceitos soberanos de YHWH nunca representou um fim em si mesmo
ou um meio meritório de alcançar a salvação, mas sobressaiu sempre como a
resposta graciosa de um povo resgatado e vocacionado para a santidade. A
transição da antiga dispensação para a Nova Aliança em CRISTO não anula a
relevância moral dos preceitos divinos; ao contrário, intensifica sua aplicação
no íntimo do ser humano por meio da obra regeneradora e santificadora do ESPÍRITO
SANTO. O chamado para ouvir, aprender, guardar e andar na luz da Palavra
permanece como o imperativo supremo para a Igreja contemporânea no seu percurso
glorioso rumo à pátria celestial. Ao submeter voluntariamente os pensamentos,
afetos e conduta ao senhorio de JESUS CRISTO, o crente glorifica o Pai,
experimenta a preservação providencial e vivencia antecipadamente a justiça, a
paz e a alegria que caracterizam o Reino eterno de DEUS.
)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
QUESTIONÁRIOS:
Abaixo
estão os 4 modelos de questionários elaborados estritamente com base no texto.
Com certeza! Aqui estão os quatro modelos de questionários apresentados em
texto contínuo, sem parágrafos ou quebras de linha:
Parte
1: Questionário com 20 Perguntas e Respostas para professores
1.
Qual é o tema principal do segundo discurso de Moisés em Deuteronômio 5? Resposta:
A ênfase na obediência à Lei de DEUS nos Dez Mandamentos, como expressão de
relacionamento com Ele e não como mero rito.
2.
O que significa o verbo "aprender" (lamad) na sequência do caminho
da comunhão com DEUS? Resposta: Significa internalizar o ensino
divino com a mente e o coração.
3.
Segundo o texto, o que significa o verbo "cumprir" (shamar)? Resposta:
Significa guardar e praticar a Palavra de DEUS com zelo.
4.
Qual é o contraste apresentado entre a nova geração e a geração anterior no
deserto? Resposta: A geração anterior não obedeceu e falhou,
enquanto a nova geração é exortada a viver o cumprimento da promessa mediante a
obediência.
5.
Por que se diz que a aliança de DEUS exige uma resposta pessoal? Resposta:
Porque a fé não é uma herança automática, mas sim uma decisão individual de
compromisso com o Senhor.
6.
Quais exemplos do Antigo Testamento são citados para demonstrar perseverança
consciente na aliança? Resposta: Josué e Calebe.
7.
Como DEUS se manifestou no monte Horebe ao revelar a Sua Palavra ao povo?
Resposta: Manifestou-se com poder e santidade em meio ao fogo, mostrando
que Sua Palavra é viva, purificadora e autoritativa.
8.
Qual é o propósito principal dos quatro primeiros mandamentos (Dt 5.6-11)?
Resposta: Enfatizar a relação exclusiva e de amor pleno e reverente do
povo para com DEUS, rejeitando a idolatria e o uso leviano do Seu nome.
9.
Quais são alguns dos "ídolos modernos" citados no texto que podem
dividir o amor a DEUS? Resposta: Poder, riqueza e prazeres.
10.
O que orientam os seis últimos mandamentos dos Dez Mandamentos? Resposta:
Orientam o relacionamento com o próximo, estabelecendo uma ética baseada no
amor verdadeiro e em ações concretas.
11.
De onde nasce o chamado "pecado social", segundo a lição? Resposta:
Nasce do egoísmo e da apropriação indevida do que pertence ao outro.
12.
Qual é a utilidade da Lei para os cristãos hoje, segundo Paulo em Romanos
7.12 e 1 Timóteo 1.8? Resposta: A Lei serve como guia moral para a
vida cristã e expressão do caráter de DEUS, não como meio de salvação.
13.
Onde a Lei é escrita/internalizada na nova aliança em CRISTO (Hb 10.16)?
Resposta: Ela é internalizada no coração do crente.
14.
A obediência cristã é legalista? Justifique com base no texto. Resposta:
Não. A obediência cristã é fruto da ação do ESPÍRITO SANTO, sendo praticada por
amor e não por imposição.
15.
Quais elementos marcaram a revelação de DEUS à congregação no Sinai (Dt
5.22)? Resposta: Fogo, nuvem, escuridão e a voz divina.
16.
Para quem aponta o pedido do povo para que Moisés atuasse como mediador no
Sinai? Resposta: Aponta para CRISTO, o único mediador entre DEUS e
os homens (1 Tm 2.5).
17.
O que representa o "coração" no contexto do estudo da Palavra?
Resposta: É entendido como o centro da vontade, do intelecto e das
emoções do ser humano.
18.
Qual é o impacto da atitude de pais fiéis para o futuro da família? Resposta:
Eles influenciam positivamente as gerações futuras e estabelecem um legado
espiritual duradouro.
19.
O que Moisés fez enquanto o povo retornava às suas tendas após o discurso?
Resposta: Permaneceu diante do Senhor para receber mais instruções,
evidenciando a responsabilidade espiritual da liderança.
20.
Qual é a promessa contida em Lucas 11.28 citada no estudo? Resposta:
Que são bem-aventurados aqueles que ouvem e guardam a Palavra de DEUS.
Parte
2: Questionário com 20 Perguntas (Sem Respostas para alunos)
1.
Qual é o tema principal do segundo discurso de Moisés em Deuteronômio 5?
2.
O que significa o verbo "aprender" (lamad) na sequência do caminho da
comunhão com DEUS?
3.
Segundo o texto, o que significa o verbo "cumprir" (shamar)?
4.
Qual é o contraste apresentado entre a nova geração e a geração anterior no
deserto?
5.
Por que se diz que a aliança de DEUS exige uma resposta pessoal?
6.
Quais exemplos do Antigo Testamento são citados para demonstrar perseverança
consciente na aliança?
7.
Como DEUS se manifestou no monte Horebe ao revelar a Sua Palavra ao povo?
8.
Qual é o propósito principal dos quatro primeiros mandamentos (Dt 5.6-11)?
9.
Quais são alguns dos "ídolos modernos" citados no texto que podem
dividir o amor a DEUS?
10.
O que orientam os seis últimos mandamentos dos Dez Mandamentos?
11.
De onde nasce o chamado "pecado social", segundo a lição?
12.
Qual é a utilidade da Lei para os cristãos hoje, segundo Paulo em Romanos 7.12
e 1 Timóteo 1.8?
13.
Onde a Lei é escrita/internalizada na nova aliança em CRISTO (Hb 10.16)?
14.
A obediência cristã é legalista? Justifique com base no texto.
15.
Quais elementos marcaram a revelação de DEUS à congregação no Sinai (Dt 5.22)?
16.
Para quem aponta o pedido do povo para que Moisés atuasse como mediador no
Sinai?
17.
O que representa o "coração" no contexto do estudo da Palavra?
18.
Qual é o impacto da atitude de pais fiéis para o futuro da família?
19.
O que Moisés fez enquanto o povo retornava às suas tendas após o discurso?
20.
Qual é a promessa contida em Lucas 11.28 citada no estudo?
Parte
3: Questionário de Múltipla Escolha (Com Gabarito Marcado com "x"
para professores)
1.
Qual é a sequência correta do caminho da comunhão apresentada em Deuteronômio
5.1?
a) Cumprir, aprender e ensinar [x] b) Ouvir, aprender e cumprir c) Ensinar,
ouvir e guardar d) Aprender, meditar e pregar
2.
O termo hebraico lamad refere-se a: a) Praticar com zelo e guardar a
palavra [x] b) Internalizar o ensino com mente e coração c) Ouvir com atenção a
voz de DEUS d) Ensinar publicamente às nações
3.
O termo hebraico shamar tem como significado: a) Abrir-se para ouvir a
Palavra b) Refletir sobre as promessas [x] c) Guardar e praticar com zelo d)
Traduzir as escrituras
4.
De acordo com o texto, a aliança com DEUS: [x] a) Exige uma resposta
pessoal e decisão individual b) É transmitida automaticamente como herança de
pais para filhos c) Não exige renúncia ou compromisso d) Depende exclusivamente
dos líderes religiosos
5.
A qual geração o discurso de Moisés em Deuteronômio 5 é dirigido
diretamente? a) À geração de Abraão b) À geração que morreu no Egito [x] c)
À nova geração às vésperas de entrar na Terra Prometida d) Exclusivamente aos
sacerdotes levitas
6.
DEUS revelou Sua vontade no monte Sinai/Horebe por meio de: a) Um sonho
profético a Moisés [x] b) Manifestação com poder e santidade no meio do fogo c)
Uma visão silenciosa a todo o povo d) Cartas enviadas através de anjos
7.
Os quatro primeiros mandamentos tratam prioritariamente sobre: [x] a) O
amor e a relação exclusiva do homem com DEUS b) As regras de convivência
comunitária c) O respeito à propriedade alheia e autoridade dos pais d) O
sistema de sacrifícios no Tabernáculo
8.
Segundo o estudo, o amor a DEUS não pode ser dividido com "ídolos
modernos", tais como: a) Religião, tradição e ritos [x] b) Poder,
riqueza e prazeres c) Trabalho, estudo e família d) Ciência, filosofia e arte
9.
Os seis últimos mandamentos tratam diretamente sobre: a) O culto e as
ofertas no templo b) As leis de purificação alimentar [x] c) O relacionamento e
o amor ao próximo d) As diretrizes de guerra de Israel
10.
O pecado social, conforme exposto na lição, origina-se: a) Da falta de
conhecimento acadêmico [x] b) Do egoísmo e da apropriação indevida do que é do
outro c) Das estruturas políticas imperfeitas d) Da ausência de rituais
religiosos no templo
11.
Para os cristãos atuais, a Lei de DEUS serve como: a) Meio único e
exclusivo de salvação b) Um conjunto de regras ultrapassadas sem utilidade [x]
c) Guia moral e expressão do caráter santíssimo de DEUS d) Um instrumento para
julgar e condenar os não crentes
12.
A obediência cristã aos ensinamentos divinos é caracterizada por: [x] a)
Fruto da ação do ESPÍRITO SANTO que transforma o coração b) Um ato legalista
feito para merecer a salvação c) Imposição externa sem necessidade de amor d)
Mero cumprimento de ritos tradicionais
13.
Em Romanos 8.4, o cristão é chamado a viver: a) Segundo a letra fria da
lei [x] b) Segundo o ESPÍRITO c) Conforme o costume de seus antepassados d) Sob
o jugo de ordenanças humanas
14.
Quais elementos visíveis e audíveis marcaram a teofania no Sinai segundo
Deuteronômio 5.22? a) Terremoto, vento suave e chuva [x] b) Fogo, nuvem,
escuridão e voz divina c) Anjos cantando, trombetas e luz branca d) Coluna de
incenso e águas divididas
15.
A necessidade do povo de ter Moisés como mediador no Sinai aponta para:
a) A fraqueza do ministério sacerdotal [x] b) CRISTO, o único mediador entre
DEUS e os homens c) A supremacia dos profetas do Antigo Testamento d) A
necessidade de vários intermediários espirituais
16.
No estudo bíblico, o "coração" é conceituado como: a) Um órgão
puramente biológico e sem impacto espiritual [x] b) O centro da vontade, do
intelecto e das emoções c) O local onde residem os sentimentos passageiros d) A
capacidade intelectual de memorizar leis
17.
O versículo de Lucas 11.28 afirma que são bem-aventurados aqueles que:
a) Conhecem a lei mas não a praticam [x] b) Ouvem a Palavra de DEUS e a guardam
c) Oferecem os maiores sacrifícios d) Ocupam posições de liderança
18.
O que fez Moisés quando a congregação retornou para as suas tendas (Dt
5.33)? [x] a) Permaneceu diante do Senhor para receber mais instruções b)
Retornou imediatamente para sua família c) Descansou do trabalho do dia d)
Escreveu o livro de Gênesis
19.
Em Tiago 1.22-25, o crente é exortado a ser: a) Somente ouvinte atento
das Escrituras [x] b) Praticante da Palavra e não apenas ouvinte c) Um Mestre
da lei para julgar os outros d) Um guardador estrito de rituais antigos
20.
Em qual passagem bíblica a Lei é descrita como "santa, justa e
boa"? a) Gálatas 3.24 b) Hebreus 10.16 [x] c) Romanos 7.12 d) Tiago
1.22
Parte
4: Questionário de Múltipla Escolha (Sem Marcação de Respostas para alunos)
1.
Qual é a sequência correta do caminho da comunhão apresentada em Deuteronômio
5.1?
a)
Cumprir, aprender e ensinar b) Ouvir, aprender e cumprir c) Ensinar, ouvir e
guardar d) Aprender, meditar e pregar
2.
O termo hebraico lamad refere-se a:
a)
Praticar com zelo e guardar a palavra b) Internalizar o ensino com mente e
coração c) Ouvir com atenção a voz de DEUS d) Ensinar publicamente às nações
3.
O termo hebraico shamar tem como significado:
a)
Abrir-se para ouvir a Palavra b) Refletir sobre as promessas c) Guardar e
praticar com zelo d) Traduzir as escrituras
4.
De acordo com o texto, a aliança com DEUS:
a)
Exige uma resposta pessoal e decisão individual b) É transmitida
automaticamente como herança de pais para filhos c) Não exige renúncia ou
compromisso d) Depende exclusivamente dos líderes religiosos
5.
A qual geração o discurso de Moisés em Deuteronômio 5 é dirigido
diretamente?
a)
À geração de Abraão b) À geração que morreu no Egito c) À nova geração às
vésperas de entrar na Terra Prometida d) Exclusivamente aos sacerdotes levitas
6.
DEUS revelou Sua vontade no monte Sinai/Horebe por meio de:
a)
Um sonho profético a Moisés b) Manifestação com poder e santidade no meio do
fogo c) Uma visão silenciosa a todo o povo d) Cartas enviadas através de anjos
7.
Os quatro primeiros mandamentos tratam prioritariamente sobre:
a)
O amor e a relação exclusiva do homem com DEUS b) As regras de convivência
comunitária c) O respeito à propriedade alheia e autoridade dos pais d) O
sistema de sacrifícios no Tabernáculo
8.
Segundo o estudo, o amor a DEUS não pode ser dividido com "ídolos
modernos", tais como:
a)
Religião, tradição e ritos b) Poder, riqueza e prazeres c) Trabalho, estudo e
família d) Ciência, filosofia e arte
9.
Os seis últimos mandamentos tratam diretamente sobre:
a)
O culto e as ofertas no templo b) As leis de purificação alimentar c) O
relacionamento e o amor ao próximo d) As diretrizes de guerra de Israel
10.
O pecado social, conforme exposto na lição, origina-se:
a)
Da falta de conhecimento acadêmico b) Do egoísmo e da apropriação indevida do
que é do outro c) Das estruturas políticas imperfeitas d) Da ausência de
rituais religiosos no templo
11.
Para os cristãos atuais, a Lei de DEUS serve como:
a)
Meio único e exclusivo de salvação b) Um conjunto de regras ultrapassadas sem
utilidade c) Guia moral e expressão do caráter santíssimo de DEUS d) Um
instrumento para julgar e condenar os não crentes
12.
A obediência cristã aos ensinamentos divinos é caracterizada por:
a)
Fruto da ação do ESPÍRITO SANTO que transforma o coração b) Um ato legalista
feito para merecer a salvação c) Imposição externa sem necessidade de amor d)
Mero cumprimento de ritos tradicionais
13.
Em Romanos 8.4, o cristão é chamado a viver:
a)
Segundo a letra fria da lei b) Segundo o ESPÍRITO c) Conforme o costume de seus
antepassados d) Sob o jugo de ordenanças humanas
14.
Quais elementos visíveis e audíveis marcaram a teofania no Sinai segundo
Deuteronômio 5.22?
a)
Terremoto, vento suave e chuva b) Fogo, nuvem, escuridão e voz divina c) Anjos
cantando, trombetas e luz branca d) Coluna de incenso e águas divididas
15.
A necessidade do povo de ter Moisés como mediador no Sinai aponta para:
a)
A fraqueza do ministério sacerdotal b) CRISTO, o único mediador entre DEUS e os
homens c) A supremacia dos profetas do Antigo Testamento d) A necessidade de
vários intermediários espirituais
16.
No estudo bíblico, o "coração" é conceituado como:
a)
Um órgão puramente biológico e sem impacto espiritual b) O centro da vontade,
do intelecto e das emoções c) O local onde residem os sentimentos passageiros
d) A capacidade intelectual de memorizar leis
17.
O versículo de Lucas 11.28 afirma que são bem-aventurados aqueles que:
a)
Conhecem a lei mas não a praticam b) Ouvem a Palavra de DEUS e a guardam c)
Oferecem os maiores sacrifícios d) Ocupam posições de liderança
18.
O que fez Moisés quando a congregação retornou para as suas tendas (Dt
5.33)? a) Permaneceu diante do Senhor para receber mais instruções b)
Retornou imediatamente para sua família c) Descansou do trabalho do dia d)
Escreveu o livro de Gênesis
19.
Em Tiago 1.22-25, o crente é exortado a ser:
a)
Somente ouvinte atento das Escrituras b) Praticante da Palavra e não apenas
ouvinte c) Um Mestre da lei para julgar os outros d) Um guardador estrito de
rituais antigos
20.
Em qual passagem bíblica a Lei é descrita como "santa, justa e
boa"?
a)
Gálatas 3.24 b) Hebreus 10.16 c) Romanos 7.12 d) Tiago 1.22
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
—
Série Notas Sobre o
Pentateuco - C.H. MACKINTOSH - CAPÍTULO 5
OS DEZ MANDAMENTOS (O
segundo discurso de Moisés — capítulos 5 a 26)
Ouvir e Aprender,
Guardar e Praticar
"E chamou Moisés a todo o
Israel e disse-lhes: Ouve, ó Israel, os estatutos e juízos que hoje vos falo
aos ouvidos; e aprendê-los-eis, e guardá-los-eis, para os cumprir."
Notemos atentamente estas quatro
palavras especialmente características do livro de Deuteronômio, e tão próprias
para o povo do Senhor, em todos os tempos e em todo o lugar —
"Ouvir", "Aprender", "Guardar", "Fazer".
São palavras de inestimável valor para toda a alma verdadeiramente piedosa —
para todo o que honestamente deseja andar por aquele caminho estreito de
justiça prática tão agradável a DEUS e tão seguro e feliz para nós.
A primeira destas palavras coloca
a alma na mais bem-aventurada atitude em que alguém pode encontrar-se, isto é,
na atitude de ouvir. "A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de DEUS"
(Rm 10:17). "Escutarei o que DEUS, o SENHOR, disser" (SI 85:8).
"Ouvi, e a vossa alma viverá" (Is 55:3). O ouvido atento está no
próprio princípio de toda a verdadeira e prática vida cristã. Coloca a alma na
única atitude verdadeira e própria da criatura. E o verdadeiro segredo de toda
a paz e bem-aventurança.
Desnecessário é lembrar ao leitor
que, quando falamos da alma na atitude de ouvir, se trata simplesmente de ouvir
a Palavra de DEUS. Israel tinha de ouvir "os estatutos e juízos" do
Senhor, e nada mais. Não eram os mandamentos, tradições e doutrinas de homens
que deviam atender; mas às próprias palavras do DEUS vivo que os havia remido e
libertado da terra do Egito, o lugar de escravidão, trevas e morte.
E conveniente lembrarmo-nos disto.
Pois isto guardará a alma de muitas ciladas, muitas dificuldades. Ouvimos falar
muito, em certos meios, de obediência; e da conveniência moral de renunciarmos
à nossa própria vontade, e nos submetermos à autoridade. Tudo isto soa muito
bem; e tem grande peso com um grande número de pessoas muito religiosas e
moralmente excelentes. Mas quando os homens nos falam de obediência, devemos
fazer a pergunta: "Obediência a quê?" Quando nos falam de ceder à
nossa própria vontade, devemos perguntar-lhes: "A quem devemos
rendê-la?-" Quando nos falam de nos submetermos à autoridade devemos
insistir em que nos digam qual a origem ou fundamento da autoridade.
Isto é da maior importância para
todos os membros da família da fé. Há muitas pessoas verdadeiramente sinceras e
muito honestas que acham bastante cómodo não ter de pensar por si mesmas e
terem a sua esfera de ação e linha de serviço confiadas a mentes mais
competentes do que as suas próprias. Parece uma coisa muito desafogada e
agradável ter a obra de cada dia designada por alguma mão hábil. Alivia o
coração de um grande peso de responsabilidade, e tem certo aspecto de humildade
e falta de confiança em nós próprios submetermo-nos voluntariamente à
autoridade de outrem.
Mas estamos obrigados perante DEUS
a ver bem qual o fundamento de autoridade a que nos submetemos, de contrário
podemo-nos encontrar numa posição completamente falsa. Tome-se por exemplo um
monge, ou uma freira ou um membro de uma irmandade. O monge obedece ao seu
abade; uma freira à sua madre-abadessa; uma "irmã" obedece à sua
"madre superiora". Mas a posição e o parentesco de cada um são
absolutamente falsos. Não há no Novo Testamento nem sombra de autoridade a
favor de mosteiros, conventos ou irmandades! Pelo contrário, o ensino da Sagrada
Escritura, bem como a voz da natureza, são absolutamente contrários a todos
eles, visto que tiram homens e mulheres do lugar e das relações em que DEUS os
tem colocado, e nos quais eles estão destinados a mover-se, e os constituem em
sociedades que são completamente destruidoras dos afetos naturais e subversivas
de toda a verdadeira obediência cristã.
Julgamos conveniente chamar a
atenção do leitor crente para este assunto de atualidade, visto que o inimigo
está fazendo um esforço vigoroso para reviver o sistema monástico, entre nós,
sob várias formas. Com efeito, alguns têm tido a temeridade de nos dizer que a
vida monástica é a única forma verdadeira de cristianismo. Certamente, quando
se fazem tão monstruosas afirmações e estas são escutadas, compete-nos estudar
este assunto à luz da Escritura e convidar os defensores e adeptos do
monasticismo para nos mostrarem os fundamentos do sistema na Palavra de DEUS.
Onde se encontra, nas páginas do Novo Testamento, alguma coisa que se pareça,
ainda que de longe, com um mosteiro, um convento ou uma irmandade?- Onde
podemos encontrar uma autoridade para qualquer coisa parecida com os cargos de
abade, ou abadessa, ou madre superiora?- Não se encontra absolutamente nada de
tais coisas, nem sombra delas; e por isso, não hesitamos em declarar todo o
sistema, desde os seus fundamentos à pedra cimeira, uma estrutura de
superstição, igualmente contrária à voz da natureza e à voz de DEUS; nem
podemos compreender como alguém, em suas faculdades sensatas, nos possa dizer
que um monge ou uma freira é a única verdadeira expressão de vida cristã.
Todavia, há os que assim falam, e há os que os escutam, e isso nestes dias em
que a plena e clara luz do nosso glorioso cristianismo brilha sobre nós desde
as páginas do Novo Testamento (1).
(1) Devemos compreender claramente
a diferença que existe entre "natureza" e "a carne". A
natureza é reconhecida na Escritura: a came é condenada e posta de lado.
"Ou não vos ensina a mesma natureza?", diz o apóstolo. "JESUS
olhando para o mancebo rico o amou", embora nele nada houvesse senão a
natureza. Não ter afeto natural é um dos sinais da apostasia. A Escritura
ensina-nos que estamos mortos para o pecado; não para a natureza, de outro modo
que seria das nossas relações naturais?
Obediência e Serviço
Mas, bendito seja DEUS, nós somos
chamados à obediência. Somos chamados para "ouvir" — chamados a
inclinarmo-nos, em santa e reverente submissão à autoridade. E aqui concordamos
com a infidelidade e suas altas pretensões. A senda do cristão piedoso e
humilde está igualmente separada da superstição, por um lado e da infidelidade
por outro lado. A nobre resposta de Pedro ante o Concílio, em Atos 5, inclui,
no seu limitado resumo, uma completa resposta a ambas. "Mais importa
obedecer a DEUS do que aos homens." Fazemos face à infidelidade, em todos
os seus aspectos, em todas as suas fases, e em suas mais profundas raízes, com
esta única e grave expressão: "Importa obedecer." E fazemos face à
superstição, seja qual for o traje com que se revista, com a importantíssima
frase: "Importa obedecer a DEUS."
Aqui temos exposto, da forma mais
simples, o dever de todo o verdadeiro crente. Deve obedecer a DEUS. O incrédulo
pode rir desdenhosamente de um monge ou de uma freira, e admirar-se de que um
ser racional possa render completamente a sua razão e o seu entendimento à
autoridade de um mortal como ele, ou submeter-se a regras e práticas tão
absurdas, tão degradantes e tão contrárias à natureza. Mas ele, incrédulo,
gloria-se na sua suposta liberdade intelectual, e imagina que a sua própria
razão é uma guia suficiente para si. Não vê que está mais longe de DEUS do que
o pobre monge ou freira que tanto despreza. Não sabe que, enquanto ele se
vangloria na sua vontade própria, está realmente sendo levado como cativo por
Satanás, o príncipe deste mundo e
deus deste século. O homem foi criado para obedecer — criado para olhar para
alguém superior a si. O crente é santificado para a obediência de JESUS CRISTO
— isto é, para o mesmo caráter de obediência que foi manifestada por nosso
adorável Senhor e Salvador.
Isto é de grande importância para
todo aquele que deseja saber o que é a verdadeira obediência cristã. Entender
isto é o verdadeiro segredo de libertação da obstinação do incrédulo e da falsa
obediência da superstição. Jamais poderá ser reto fazer a nossa própria
vontade. Pode ser inteiramente erróneo fazer a vontade do nosso semelhante. Tem
de ser sempre reto fazer a vontade de DEUS. Foi isto que JESUS veio fazer; e o
que sempre fez. "Eis aqui venho para fazer, ó DEUS, a tua vontade"
(Hb 10:9). "Deleito-me em fazer a tua vontade, ó DEUS meu; sim, a tua lei
está dentro do meu coração" (SI 40:8).
Ora nós somos chamados para
mostrar este bendito caráter de obediência assim como somos ensinados pelo
apóstolo inspirado — Pedro —, no começo da sua epístola, em que ele fala dos
crentes como "eleitos segundo a presciência de DEUS o Pai, em santificação
do ESPÍRITO, para obediência e aspersão de sangue de JESUS CRISTO."
Isto é um grande privilégio e, ao
mesmo tempo, uma solene e santa responsabilidade. Não devemos esquecer nunca,
nem por um momento, que DEUS nos elegeu, e que o ESPÍRITO SANTO nos separou,
não só para a aspersão do sangue de JESUS CRISTO, mas também para a Sua
obediência. Tal é o significado claro e a força moral das palavras que acabamos
de citar — palavras de inefável preciosidade para todo aquele que ama a
santidade —, palavras que eficientemente nos libertam da vontade própria, do legalismo
e da superstição. Bendita libertação!
Mas pode ser que o leitor esteja
disposto a chamar a nossa atenção para a exortação em Hebreus 13:
"Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa
alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e
não gemendo, porque isso não vos seria útil."
Palavras duplamente importantes,
certamente, com as quais devemos também ligar a passagem de 1 Tessalonicenses
5:12-13: "E rogamo-vos, irmãos, que reconheçais os que trabalham entre
vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam; e que os tenhais em
grande estima e amor, por causa da sua obra." Bem como 1 Coríntios
16:15-16: "Agora vos rogo, irmãos (sabeis que a família de Estéfanas é as
primícias da Acaia, e que se tem dedicado ao ministério [ou serviço] dos
santos), que também vos sujeitei aos tais e a todo aquele que auxilia na obra e
trabalha."
A tudo isto devemos acrescentar
outra formosa passagem da 1 Epístola de Pedro: "Aos presbíteros que estão
entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das
aflições de CRISTO, e participante da glória que se há de revelar; Apascentai o
rebanho de DEUS que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas
voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo
domínio sobre a herança de DEUS, mas servindo de exemplo ao rebanho. E quando
aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa de glória"
(capítulo 5:1 a 4).
Pode perguntar-se: "As
passagens citadas não estabelecem o princípio de obediência a certos homens? E,
se é assim, por que fazer objeções à autoridade humana? A resposta é simples.
Onde quer que CRISTO conceda um dom espiritual, quer seja o dom de ensinar, o
dom de governar, ou o dom de pastorear, é o dever e privilégio dos crentes
reconhecer e apreciar tais dons. Não o fazer, seria renunciar às nossas
próprias mercês. Mas devemos ter em vista o fato que, em todos esses casos, o
dom deve ser uma realidade — uma coisa evidente, palpável bona fide,
divinamente dada. Não é um homem assumir determinado cargo ou posição, ou ser
nomeado pelo seu semelhante para qualquer ministério assim chamado. Tudo isto é
perfeitamente inútil e pior do que inútil; é uma atrevida intromissão de um
sagrado domínio que há de, mais cedo ou mais tarde, atrair o juízo de DEUS.
Todo o verdadeiro ministério é de DEUS,
e é baseado na possessão de um dom positivo procedente do Cabeça da Igreja; de
modo que podemos verdadeiramente dizer: se não houver dom, não haverá
ministério. Em todas as passagens acima citadas vemos que é possuído um dom e
em verdade uma obra feita. Além disso, vemos um verdadeiro coração para os
cordeiros e ovelhas do rebanho de CRISTO; vemos graça e poder divinos. A
expressão em Hebreus 13 é: "Obedecei aos que vos guiam." Ora, é
essencial que um verdadeiro guia siga adiante de nós. Seria o cúmulo da loucura
que alguém tomasse o título de guia se desconhecesse o caminho, e não tivesse
nem a competência nem a vontade de seguir nele.
Quem pensaria em obedecer a uma
tal pessoal
Assim também quando o apóstolo
exorta os Tessalonicenses a "reconhecer" e "estimar" certas
pessoas, em que baseia a sua exortação?- E sobre a mera pretensão de um título,
um cargo ou uma posição«? Nada disso. Ele baseia a sua petição sobre a fato bem
conhecido de que estas pessoas "presidiam sobre eles no Senhor", e
que os admoestavam. E por que os deviam eles ter "em grande estima e
amor"?- Era devido ao seu cargo ou título? Não; mas "por causa da sua
obra". E por que foram os Coríntios exortados a que se sujeitassem à
família de Estéfanas? Foi por causa de um título vazio ou pretensão de um
cargo? De modo nenhum; mas porque se "tinham dedicado ao ministério dos
santos". Estavam de fato ocupados na obra. Tinham recebido um dom e graça
de CRISTO, e amavam o Seu povo. Não se vangloriavam do cargo nem se agarravam
ao seu título, mas entregavam-se a si mesmos piedosamente ao serviço de CRISTO,
nas pessoas do Seu amado povo.
Ora este é precisamente o
verdadeiro princípio de ministério. Não é, de modo algum, autoridade humana,
mas dom divino e poder espiritual comunicados por
CRISTO aos Seus servos exercidos
por eles em responsabilidade para com Ele; e fielmente reconhecidos pelos Seus
santos. Um homem pode intitular-se ensinador ou pastor, ou pode ser nomeado
pelos seus companheiros para o cargo ou título de pastor; porém, a menos que
possua um dom positivo do Cabeça da Igreja, é tudo uma mera impostura, uma
falsa pretensão, um vazio conceito; e a sua voz será a voz de um estranho que
as verdadeiras ovelhas de CRISTO não reconhecem e não devem reconhecer (1).
(1) O leitor fará bem em ponderar
o fato de que não existe tal coisa no Novo Testamento como a nomeação para
pregar o evangelho, ensinar na assembleia de DEUS, ou alimentar o rebanho de CRISTO.
Os anciãos e os diáconos eram ordenados pelos apóstolos, ou pelos seus
delegados, Timóteo e Tito; mas os evangelistas, os pastores e doutores nunca
eram ordenados. Devemos compreender a distinção entre o dom e cargo local. Os
anciãos e os diáconos podiam ou não possuir um dom especial; mas isso nada
tinha que ver com o seu cargo local. Se o leitor quer compreender o assunto do
ministério, deve estudar 1 Coríntios 12 a 14 e Efésios 4:8 a 13. Naqueles
capítulos temos a base de todo o verdadeiro ministério na igreja de DEUS, isto
é, nomeação divina: "DEUS colocou os membros", etc., segundo, o
motivo predominante, "amor"; terceiro, o objetivo, "para
edificação da igreja". Em Efésios 4 temos a origem de todo o ministério, o
Senhor ressuscitado e elevado ao céu. O fim, "para o aperfeiçoamento dos
santos, para a obra do ministério". A sua duração: "Até que todos
cheguemos a varão perfeito, à medida da estatura completa de CRISTO."
Em suma, o ministério, em todos os
seus cargos, é inteiramente uma instituição divina. Não é do homem ou pelo
homem, mas de DEUS. O Mestre deve, em todos os casos, preparar, habilitar e
nomear o vaso. Não existe autoridade na Escritura para a ideia de que todo o
homem tem o direito de ministrar na igreja de DEUS. A liberdade para os homens
agirem é radicalismo e não segundo a Escritura. Liberdade para o ESPÍRITO
ministrar por quem quiser é o que nos é ensinado no Novo Testamento. Possamos
nós aprender a lição!
Mas em contrapartida, onde se
encontra o ensinador divinamente dotado, o verdadeiro, amorável, prudente,
fiel, laborioso pastor, que vela pelas almas, chora por elas, como uma dócil,
terna ama, capaz de lhes dizer: "Porque, agora, vivemos, se estais firmes
no Senhor!" (1 Ts 3:8). Onde quer que estas coisas são encontradas, aí não
haverá grande dificuldade de as reconhecer e apreciar. Como sabemos se um
dentista é bom? E por vermos o seu nome numa placai Não; mas pelo seu trabalho.
Um homem pode intitular-se a si próprio dentista à boca cheia, mas se for
apenas um operador inábil quem pensará em recorrer aos seus serviços?
Assim é um todos os assuntos
humanos, e assim é no assunto do ministério. Se um homem tem um dom, é um
ministro; se não o tem, toda nomeação, autoridade e ordenação no mundo não
podem fazer dele um ministro de CRISTO. Podem fazer dele um ministro da
religião; mas um ministro da religião e um ministro de CRISTO
um ministro na
Cristandade e um ministro na igreja de DEUS — são duas coisas totalmente
diferentes. Todo o verdadeiro ministério tem a sua origem em DEUS; descansa
sobre autoridade divina, e o seu objetivo é levar a alma à Sua presença e
uni-la com Ele. O falso ministério, pelo contrário, tem a sua origem no homem;
descansa na autoridade humana, e o seu objetivo é ligar a alma consigo mesmo.
Isto marca a imensa diferença entre os dois. O primeiro conduz a DEUS; o último
afasta d'Ele; aquele alimenta, nutre e fortalece a nova vida; este impede o seu
progresso, em todos os sentidos, e submerge-a em dúvida e trevas. Em suma,
podemos dizer, o verdadeiro ministério é de DEUS, por Ele e para Ele. O falso
ministério é do homem, por ele e para ele. O primeiro apreciamo-lo mais do que
podemos dizer; o último rejeitamo-lo com toda a energia do nosso ser mortal.
Julgamos ter dito o suficiente para satisfazer o leitor com respeito ao tema de
obediência àqueles que o Senhor possa ter considerado aptos para serem chamados
para a obra do ministério. Somo obrigados, em todos os casos, a julgar pela
Palavra de DEUS, e de que é uma realidade divina e não uma impostura humana —
um dom positivo do Cabeça da Igreja, e não um título vazio conferido pelo
homem. Em todos os casos em que há realmente um dom e graça, é um doce
privilégio obedecer e submetermo-nos, porquanto discernimos CRISTO na pessoa e
ministério dos Seus amados servos.
O
Discernimento de Crente
Não existe dificuldade para a
mente espiritual em reconhecer verdadeira graça e poder. Podemos facilmente
discernir se um homem procura, em verdadeiro amor, alimentar as nossas almas
com o pão da vida, e guiar-nos nos caminhos de DEUS, ou se ele busca exaltar-se
a si mesmo e favorecer os seus próprios interesses. Aqueles que vivem perto do
Senhor podem prontamente discernir entre o verdadeiro poder e a falsa
pretensão. Além disso, nunca encontramos os verdadeiros ministros de CRISTO
fazendo ostentação da sua autoridade ou vangloriando-se do seu cargo; fazem a
obra e deixam que ela fale por si mesma. No caso do bendito apóstolo Paulo,
vemo-lo, repetidas vezes, recorrer às provas evidentes do seu ministério — à
incontestável evidência produzida na conversão e bênção de almas. Podia dizer
aos coríntios, quando, mal guiados pela influência de algum pretendente à
auto-exaltação, punham em dúvida o seu apostolado: "Visto que buscais uma
prova de CRISTO que fala em mim [...] examinai-vos a vós mesmos" (2 Co
13:3-5).
Isto era decisivo, terminava a
questão. Eles próprios eram as provas vivas do seu ministério. Se o seu
ministério não era de DEUS, o que eram eles e onde estavam?-
Mas era de DEUS e isto era o seu
gozo, seu conforto e sua força. Ele era "apóstolo (não da parte dos
homens, nem por homem algum, mas por JESUS CRISTO, e por DEUS Pai, que o
ressuscitou dos mortos)" (Gl 1:1). Gloriava-se na origem do seu
ministério; e, quanto ao seu caráter, tinha apenas que apelar para um corpo de
evidência suficiente para levar convicção a toda a mente sã. No seu caso, podia
verdadeiramente dizer-se que não era o discurso, mas o poder (1 Co 4:19).
Assim deve ser, em proporção, em
todos os casos. Devemos procurar o poder. Devemos ter a realidade. Os simples
títulos nada são. Os homens podem dedicar-se a outorgar títulos e nomear
cargos; mas não têm mais autoridade para assim fazer do que têm para nomear
almirantes para a marinha ou generais para o exército. Se víssemos um homem
tomar o estilo e título de almirante ou general sem a devida nomeação havíamos
de considerá-lo idiota ou demente. Isto é apenas uma fraca ilustração para
mostrar a loucura de certos homens que se arrogam o título de ministros de CRISTO
sem um átomo de dom espiritual ou autoridade divina. Dir-nos-ão que não devemos
julgará Somos obrigados a julgar: "Acautelai-vos, porém, dos falsos
profetas" (Mt 7:15). Como nos poderemos acautelar se não podermos julgará
Mas como havemos de julgará "Por seus frutos os conhecereis." Não
pode o povo do Senhor discernir a diferença entre um homem que vem para eles,
no poder do ESPÍRITO, dotado pelo Cabeça da Igreja, cheio de amor pelas suas
almas, que deseja ardentemente a sua verdadeira bênção, buscando não o que é
seu mas deles, um servo de CRISTO, santo, humilde e cheio de graça, que não tem
pretensões a honras pessoais; e outro homem que vem com um título por ele
próprio tomado ou humanamente conferido, sem um simples vestígio de coisa
alguma divina ou celestial no seu ministério ou na sua vida<? Claro que
pode; ninguém em seu perfeito juízo pensará pôr em dúvida um fato tão claro.
Mas, além disso, podemos
perguntar, o que significam essas palavras do venerando apóstolo João?
"Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de DEUS,
porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo" (1 Jo 4:1).
Como vamos provar os espíritos ou como vamos discernir entre os verdadeiros e
os falsos se não devemos julgará O mesmo apóstolo escrevendo "à senhora
eleita" faz-lhe esta solene advertência: "Se alguém vem ter convosco
e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis.
Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras." Não era ela responsável
por atuar segundo esta admoestação?- Certamente que assim. Mas como podia
fazê-lo, se nós, não devemos julgará E o que devia ela julgará Era se os que
vinham a sua casa eram ordenados, autorizados, ou diplomados por qualquer homem
ou corporação humana? Nada disso. A grande e importante questão para ela era
quanto à doutrina. Se traziam a verdadeira, a doutrina divina de CRISTO — a
doutrina de que JESUS CRISTO veio em came, ela devia recebê-los em sua casa; se
não, devia fechar-lhes a porta com mão firme, não importava quem fossem ou de
onde viessem. Ainda que tivessem todas as credenciais que o homem pode
outorgar, se não traziam a verdade, ela devia recusar recebê-los em sua casa
com firme decisão. Isto poderia parecer muito severo, muito tacanho, muito
fanático, mas com isto ela nada tinha que ver. Tinha de ser tão tolerante e tão
escrupulosa como a verdade. A sua porta e o seu coração deviam ser bastante amplos
para admitir todos os que traziam CRISTO, mas não mais. Havia de dar
cumprimentos em prejuízo do seu Senhor? Devia procurar fama de grandeza de
coração ou tolerância de espírito recebendo em sua casa e admitindo à sua mesa
os ensinadores de um falso CRISTO?
0
simples pensamento é
horrível.
Mas, por fim, no segundo capítulo
de Apocalipse, vemos que ele recomenda a igreja de Efeso por haver posto à
prova os que diziam ser apóstolos e o não eram. Como poder ser isto se não
devemos julgar? Não é evidente para o leitor que se tem tomado em um sentido
absolutamente falso as palavras do Senhor em Mateus 7:1: "Não julgueis,
para que não sejais julgados"«? E também as palavras do apóstolo em
1
Coríntios 4:5:
"Portanto nada julgueis antes de templo?-" E impossível a Escritura
contra- dizer-se; e, por isso, qualquer que seja o verdadeiro significado das
palavras do Senhor: "Não julgueis", ou da expressão do apóstolo:
"Nada julgueis", é perfeitamente certo que não interferem, de modo
algum, com a solene responsabilidade de todos os crentes julgarem o dom, a
doutrina e a vida de todos os que tomam o lugar de pregadores, ensinadores e
pastores na Igreja de DEUS.
E, por outro lado, se nos
perguntarem qual o significado das palavras "não julgueis" e
"nada julgueis", cremos que essas palavras nos proíbem simplesmente
julgar os motivos ou origens ocultas de ação. Com estes nada temos absolutamente
que ver. Não podemos penetrar abaixo da superfície; e, graças a DEUS, não somos
chamados tampouco a fazê-lo; sim, somos positivamente proibidos disso. Não
podemos ler os desígnios do coração; é cargo e prerrogativa somente de DEUS
fazer isto. Mas dizer que não devemos julgar a doutrina, o dom ou modo de vida
daqueles que tomam o lugar de pregadores e pastores na igreja de DEUS é
simplesmente opor-se à Sagrada Escritura e desconhecer os próprios instintos da
natureza divina implantados em nós pelo ESPÍRITO SANTO.
Por isso, podemos voltar com maior
clareza e decisão à nossa tese de obediência cristã. Parece perfeitamente claro
que o mais completo reconhecimento de todo o verdadeiro ministério na Igreja, e
a completa submissão de nós próprios a todos os que CRISTO possa julgar aptos
para levantar como pastores, ensinadores e guias, entre nós, não podem nunca,
de modo nenhum, interferir com o princípio fundamental estabelecido na
magnificente resposta ao concílio: "Mais importa obedecer a DEUS do que
aos homens."
O fim e o objetivo de todo o
verdadeiro ministro de CRISTO será sempre guiar aqueles a quem ministram na
verdadeira senda de obediência à Palavra de DEUS. O capítulo que temos aberto
perante nós, como, de fato, todo o livro de
Deuteronômio, mostra-nos
claramente como Moisés, esse eminente servo de DEUS, procurava sempre e
trabalhava diligentemente para incutir na congregação de Israel a urgente
necessidade da mais implícita obediência a todos os estatutos e juízos de DEUS.
Não buscava nenhum lugar de autoridade para si mesmo. Nunca exerceu senhorio
sobre a herança de DEUS. O seu grande tema, desde o princípio ao fim, era a
obediência — o ponto principal de todos os seus discursos — obediência não a
si, mas ao Senhor deles e seu. Julgava acertadamente que isto era o verdadeiro
segredo da sua felicidade, da sua segurança moral, da sua dignidade e força.
Sabia que um povo obediente deve também ser, necessariamente, um povo
invencível e invulnerável. Nenhuma arma usada contra eles podia ser eficaz,
desde que fossem governados pela Palavra de DEUS. Numa palavra, sabia e cria
que o dever de Israel era obedecer ao Senhor; assim como pertencia ao Senhor
abençoar Israel. A sua única ocupação consistia em "ouvir",
"aprender", "guardar" e "fazer" a vontade revelada
de DEUS; e, fazendo-o, podiam contar com Ele, na mais completa confiança de que
seria seu escudo, sua força, sua salvaguarda, seu refúgio, seu recurso, seu
tudo em tudo. O único verdadeiro e próprio caminho para o Israel de DEUS é o
caminho estreito da obediência sobre o qual a luz do semblante de DEUS brilha
sempre em sinal de aprovação; e todos os que, pela graça, trilham esse caminho
encontrarão n'Ele "um guia, glória, uma defesa para os salvar de todo o
temor."
Isto é, certamente, suficiente.
Nada temos a ver com as consequências. Podemos deixá-las, em simples confiança,
com Aquele de quem somos e a quem temos a responsabilidade de servir.
"Torre forte é o nome do SENHOR; para ela correrá o justo, e estará em
alto retiro" (Pv 18:10). Se estivermos fazendo a Sua vontade, acharemos
sempre no Seu nome uma torre forte. Mas, em contrapartida, se não andarmos no
caminho da justiça prática, se estivermos fazendo a nossa própria vontade, se
vivermos no descuido habitual da clara Palavra de DEUS, então será
absolutamente inútil pensarmos que o nome do Senhor seja uma forte torre para
nós; antes, pelo contrário, o Seu nome será uma repreensão para nós, e
levar-nos-á a julgarmo-nos a nós próprios e a regressarmos ao caminho da
justiça do qual nos havemos afastado.
Bendito seja o Seu nome, a Sua
graça nunca nos faltará, em toda a sua preciosidade, plenitude e liberalidade,
no lugar de auto-juízo e confissão, por muito que tenhamos falhado ou nos
tenhamos desviado. Mas isto é uma coisa muito diferente. Podemos ter de dizer
como o salmista: "Das profundezas a ti clamo, ó SENHOR! Senhor, escuta a
minha voz! Sejam os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas. Se tu,
SENHOR, observares as iniquidades, Senhor, quem subsistirás Mas contigo está o
perdão, para que sejas temido" (SI 130:1 a 4). Mas, uma alma clamando a DEUS
desde as profundezas e obtendo perdão é uma coisa; e uma alma que olha para Ele
na senda da justiça prática é outra. Devemos distinguir atentamente entre ambas
as coisas. Confessar os nossos pecados e obter o perdão não deve confundir-se
nunca com o andar com DEUS. Ambos os casos são, felizmente, verdadeiros; mas
não são a mesma coisa.
Dois Pactos
Prosseguiremos agora com o nosso
capítulo. Em versículo 2, Moisés lembra ao povo a relação que têm com Javé por
um pacto. Diz-lhes: "O SENHOR, nosso DEUS, fez conosco concerto, em
Horebe. Não com nossos pais que fez o SENHOR este concerto, senão conosco,
todos os que hoje aqui estamos vivos. Face a face o SENHOR falou conosco, no
monte, no meio do fogo (naquele tempo, eu estava em pé entre o SENHOR e vós,
para vos notificar a palavra do SENHOR: porque temestes o fogo e não subistes
ao monte), dizendo", etc.
O leitor deve distinguir e
compreender perfeitamente a diferença entre o concerto feito em Horebe e o
concerto feito com Abraão, Isaque e Jacó. São dois concertos essencialmente
diferentes. O primeiro era um concerto de obras, pelo qual o povo se comprometia
a fazer tudo quanto o Senhor havia dito. O último era um concerto puramente de
graça, pelo qual DEUS garantia com juramento fazer tudo quanto havia prometido.
A linguagem humana é insuficiente
para mostrarmos a imensa diferença, a todos os respeitos, entre estes dois
concertos. Em seus fundamentos, em seu caráter, em seus acessórios, e em seu
resultado prático, são tão diferentes quanto o podem ser duas coisas. O
concerto de Horebe dependia da competência humana para o cumprimento dos seus
termos; e este fato só por si é mais que suficiente para explicar o fracasso
total de todo o pacto. O concerto com Abraão baseava-se na competência divina
para o cumprimento dos seus termos, e daí a absoluta impossibilidade de sua
quebra em um simples jota ou til.
A Lei
Havendo tratado em nossos
"Estudos sobre o Livro de Êxodo" pormenorizadamente do assunto da
lei, e procurado mostrar o objetivo divino na promulgação da mesma, e, além
disso, feito constar a absoluta impossibilidade de alguém alcançar vida ou justificação
guardando-a, devemos recomendar ao leitor o que ali temos escrito sobre este
assunto profundamente interessante.
Parece estranho para quem é
instruído exclusivamente pela Escritura que exista tanta confusão de pensamento
entre os cristãos professos sobre uma questão tão clara e definitivamente
estabelecida pelo ESPÍRITO SANTO. Fosse apenas uma questão de autoridade divina
de Êxodo 20 ou Deuteronômio 5 como porções inspiradas da Bíblia, e nós não
teríamos uma palavra a dizer. Cremos plenamente que estes capítulos são tão
inspirados como o décimo sétimo de João ou o oitavo de Romanos.
Mas o ponto não é este. Todo o
verdadeiro cristão aceita, com fervorosa gratidão, o precioso relato que toda a
Escritura é dada por inspiração de DEUS. E, demais, regozija-se com a certeza
de que "... tudo que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito,
para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança"
(Rm 15:4). E, finalmente, crê que a moralidade da lei é de permanente e
universal aplicação. O assassínio, o adultério, roubo, falso testemunho,
avareza, são ofensa — sempre ofensa — em toda a parte. Honrar os nossos pais é
bom — sempre bom em toda a parte. Lemos no capítulo 4 de Efésios: "Aquele
que furtava não furte mais." E também no capítulo 6, lemos: "Honra a
teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá
bem, e vivas muito tempo sobre a terra."
Tudo isto é divinamente tão claro
e fixo que não há lugar para discussão. Mas quando pensamos na lei como base de
relação com DEUS, entramos numa região de pensamento inteiramente diferente. A
Escritura, em múltiplas passagens, ensina-nos, da maneira mais clara, que, como
cristãos, como filhos de DEUS, não estamos sobre esse terreno. Os judeus
estavam sobre esse terreno, mas não podiam estar ali com DEUS. Era morte e
condenação. "Porque não podiam suportar o que se lhes mandava: Se até um
animal tocar o monte, será apedrejado. E tão terrível era a visão que Moisés
disse: "Estou todo assombrado e tremendo" (Hb 12:20-21). O Judeu
descobriu que a lei era uma cama tão curta que não podia estender-se nela, e um
cobertor tão estreito que não se podia cobrir com ele.
Quanto aos gentios, nunca foram,
por qualquer ramo da economia divina, postos debaixo da lei. A sua condição
está expressamente declarada no princípio da epístola aos Romanos, como sendo
"sem lei" — "porque, quando os gentios, que não têm lei",
etc. E, "Porque todos os que sem lei pecaram também sem lei perecerão; e
todos os que sob a lei pecaram pela lei serão julgados" (Rm 2:14 e 12).
Aqui as duas classes são postas em agudo e vivo contraste, quanto à questão da
sua posição dispensacional. O judeu, sob a lei; o gentio, sem a lei. Nada pode
ser mais claro. O gentio fora colocado sob o governo, na pessoa de Noé; mas
nunca debaixo da lei. Se alguém está disposto a duvidar disto, que produza uma
simples linha da Escritura para provar que DEUS alguma vez colocou os gentios
debaixo da lei. Examine e veja. De nada vale argumentar, raciocinar e objetar.
E absolutamente inútil dizer "nós pensamos" isto ou aquilo. A questão
é; "O que diz a Escriturai" Se ela diz que os gentios foram postos
debaixo da lei, cite-se a passagem. Nós declaramos solenemente que ela não diz
nada disso, mas precisamente o contrário. Descreve a condição e o estado dos
gentios como "sem lei" — "não tendo a lei".
Em Atos 10 vemos DEUS abrir o
reino dos céus aos gentios. Em Atos 14:27 vêmo-Lo abrir "a porta da
fé" aos gentios. Em Atos 28:28 vêmo-Lo enviar a Sua salvação aos gentios.
Mas buscamos em vão, em todas as páginas do bendito Livro, uma passagem em que
conste ter colocado os gentios debaixo da lei.
Rogamos sinceramente ao leitor
crente que preste toda a sua atenção a esta interessante e importante questão.
Procure pôr de lado os seus pensamentos preconcebidos e examine o assunto
simplesmente à luz da Sagrada Escritura. Sabemos bem que as nossas afirmações
sobre este assunto serão consideradas por muitíssimos como uma novela, senão
como heresia formal; mas isto não nos incomoda de forma alguma. E nosso desejo
sermos ensinados absoluta e exclusivamente pela Escritura. As opiniões,
mandamentos e doutrinas dos homens não pesam absolutamente nada em nosso ânimo.
Os dogmas das diversas escolas de teologia devem estimar-se pelo que valem.
Exigimos a Escritura. Uma simples linha de inspiração é amplamente bastante
para resolver esta questão, e terminar com a discussão para sempre. Mostrem-
nos pela Palavra de DEUS que os gentios foram alguma vez postos debaixo da lei
e nós nos curvaremos imediatamente; mas, visto que não podemos encontrar isso
nela mencionado, rejeitamos inteiramente a ideia, e esperamos que o leitor faça
a mesma coisa. A linguagem invariável da Escritura, descrevendo a posição do
judeu, é "debaixo da lei" -, e, descrevendo a posição do gentio, é
"sem lei". E claro que não podemos compreender como é que qualquer
leitor possa deixar de ver isto (1).
(1) O leitor pode talvez sentir-se
disposto a perguntar sobre que princípio será um gentio julgado, se não está
debaixo da lei. Romanos 1:20 ensina-nos claramente que o testemunho da criação
o deixa sem desculpa. Depois, em capítulo 2:15 é posto sobre o fundamento da
consciência. "Porque quando os gentios, que não têm lei, fazem
naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são
lei, os quais mostram a obra da lei escrita no seu corações". Finalmente,
quanto a essas nações que se tomaram por profissão cristãs, serão julgadas
sobre o fundamento da sua profissão.
Se o leitor voltar a sua atenção,
por um momento, para o capítulo 15 de Atos dos Apóstolos, verá como a primeira
tentativa para pôr os gentios convertidos debaixo da lei foi tratada pelos
apóstolos e toda a igreja em Jerusalém. A questão foi levantada em Antioquia; e
DEUS, em Sua infinita bondade e sabedoria, ordenou as coisas de modo a que ela
não fosse ali resolvida, mas que Paulo e Bamabé fossem a Jerusalém e
discutissem plena e livremente o assunto de modo a que ele fosse definitiva e
unanimemente arrumado pela voz dos doze apóstolos e toda a igreja. Como devemos
bendizer a DEUS por isto! Podemos, imediatamente, ver como a decisão de uma
assembleia local como a de Antioquia, até mesmo embora aprovada por Paulo e
Barnabé, não comportaria o mesmo peso como os doze apóstolo reunidos em
concílio em Jerusalém. Mas o Senhor, bendito seja o Seu nome, tomou cuidado a
fim de que o inimigo fosse completamente confundido; e que os mestres da lei
desses dias, e de todos os tempos sucessivos, fossem de um modo claro e
autorizado informados que não era segundo a Sua vontade que os cristãos fossem
postos debaixo da lei, sob pretexto algum.
O assunto é tão importante que nós
não podemos deixar de citar algumas passagens para o leitor. Cremos que
animarão tanto o leitor como o autor destas linhas e que eles se sentirão
grandemente encorajados com o tocante discurso feito no concílio mais notável e
interessante que jamais esteve reunido.
"Então, alguns que tinham
descido da Judéia ensinavam assim os irmãos: Se vos não circuncidardes,
conforme o uso de Moisés, não podeis salvar-vos." Como isto era terrível!
Era de causar arrepios! Que fúnebre sonido para ecoar aos ouvidos dos que
haviam sido convertidos pelo esplêndido discurso de Paulo na sinagoga de
Antioquia! "Seja-vos, pois, notório, varões irmãos, que por este" —
sem a circuncisão ou as obras da lei de qualquer espécie — "se vos anuncia
a remissão dos pecados. E de tudo o que, pela lei de Moisés, não pudestes ser
justificados, por ele é justificado todo aquele que crê" "...e,
saídos os judeus da sinagoga, os gentios rogaram que no sábado seguinte lhes
fossem ditas as mesmas coisas" (At 13:38 a 42).
Tal foi a gloriosa mensagem
enviada aos gentios pelos lábios do apóstolo Paulo — uma mensagem de livre,
plena, imediata e perfeita salvação — completa remissão dos pecados e perfeita
justificação pela fé em nosso Senhor JESUS CRISTO. Mas, segundo o ensino de
"alguns que tinham descido da Judéia", tudo era insuficiente. CRISTO
não era suficiente sem a circuncisão e a lei de Moisés. Os pobres gentios, que
nunca haviam ouvido falar da circuncisão ou da lei de Moisés, tinham de
acrescentar a CRISTO e à Sua gloriosa salvação o guardar toda a lei!
Como o coração de Paulo deve ter
ardido ao ver os amados gentios convertidos postos debaixo de tão monstruoso
ensino! Não viu nisso nada menos do que a completa derrota do Cristianismo. Se
a circuncisão tinha de ser acrescentada à Cruz de CRISTO — se a lei Moisés
devia ser o complemento da graça de DEUS, então tudo ficava desfeito.
Mas, bendito seja o DEUS de toda a
graça, Ele permitiu que fosse levantada uma nobre oposição a esse mortal
ensino. Quando o inimigo se apresentou como um aluvião, o ESPÍRITO SANTO
levantou um padrão contra ele. "Tendo tido Paulo e Barnabé não pequena
discussão e contenda contra eles, resolveu- se que Paulo, Barnabé, e alguns
dentre eles subissem a Jerusalém aos apóstolos e aos anciãos sobre aquela
questão. E eles, sendo acompanhados pela igreja, passaram pela Fenícia e por
Samaria, contando" — não a circuncisão mas — "a conversão dos
gentios, e davam grande alegria a todos os irmãos."
Os irmãos estavam na corrente do
pensamento de CRISTO e na doce comunhão com o coração de DEUS; e por isso
alegravam-se por ouvir da conversão e salvação dos gentios. Podemos ficar
certos de que não lhes teria dado gozo algum ouvir que se havia posto ao
pescoço daqueles amados discípulos, que haviam sido trazidos para a gloriosa
liberdade do evangelho, o pesado jugo de circuncisão e a lei de Moisés. Mas
ouvir da Sua conversão a DEUS, da sua salvação em CRISTO, de haverem sido
selados com o ESPÍRITO SANTO, enchia os seus corações de um gozo que estava em
encantadora harmonia com a mente do céu.
"Quando chegaram a Jerusalém,
foram recebidos pela igreja e pelos apóstolos e anciãos e lhes anunciaram quão
grandes coisas DEUS tinha feito por eles. Alguns, porém, da seita dos fariseus
que tinham crido se levantaram, dizendo que era mister circuncidá-los e
mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés."
Quem havia dito que era
"mister" i Não era DEUS certamente, porquanto, em Sua infinita graça,
lhes havia aberto a porta da fé, sem a circuncisão nem mandamento algum de
Moisés. Não; eram "alguns" que presumiam falar de tais cosias como
necessárias — homens que têm perturbado a Igreja de DEUS desde esses tempos até
aos nossos dias —, homens que queriam ser "doutores da lei; e não
entendendo nem o que dizem nem o que afirmam" (1 Tm 1:7). Os doutores da
lei nunca sabem o que está envolvido no seu escuro e triste ensino. Não têm a
mínima ideia de quão detestável é o seu ensino para o DEUS de toda a graça, o
Pai das misericórdias.
A Lei: um Jugo
Impossível de Levar
Mas graças a DEUS, o capítulo que
estamos citando proporciona-nos a mais clara e poderosa evidência que podia ser
dada quanto à mente divina sobre o assunto. Prova, sem sombra de dúvidas, que
não era intenção de DEUS por os crentes Gentios debaixo da lei.
"Congregaram-se, pois, os
apóstolos e os anciãos para considerar este assunto. E, havendo grande
contenda"—ah, quão cedo ela começou! — "levantou-se Pedro e
disse-lhes: Varões irmãos, bem sabeis que já há muito tempo DEUS me elegeu
dentre vós para que os gentios ouvissem da minha boca" — não a lei de
Moisés ou a circuncisão, mas — "a palavra do evangelho e cressem. E DEUS,
que conhece os corações, lhes deu testemunho, dando-lhes o ESPÍRITO SANTO,
assim como também a nós; e não fez diferença alguma entre eles e nós,
purificando o seu coração pela fé. Agora, pois, por que tentais a DEUS, pondo
sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos
suportará"
Nota bem isto, prezado leitor. A
lei havia concedido um jugo insuportável para aqueles que estavam debaixo dela,
isto é, os judeus; e, além disso, pôr um jugo sobre a cerviz dos crentes
gentios era nada menos que tentar a DEUS. Oxalá que todos os ensinadores da lei
em todos os âmbitos da cristandade abrissem os seus olhos a este grande fato! E
não apenas isto, mas que a todo o amado povo do Senhor em toda a parte fosse
dado ver que é uma positiva oposição à vontade de DEUS querer pô-los debaixo da
lei, seja por que razão for. "Mas", acrescenta o bem-aventurado
apóstolo da circuncisão, "cremos que seremos salvos"— não pela lei em
qualquer forma — "pela graça do Senhor JESUS CRISTO, como eles
também." Isto é invulgarmente belo, vindo dos lábios do apóstolo da
circuncisão. Ele não diz: "Eles serão salvos, como nós somos"; mas
"Seremos salvos, como eles também". O judeu contenta-se em descer da
sua elevada posição dispensacional e ser salvo da mesma maneira que o pobre
incircunciso gentio.
Sem dúvida, essas nobres
expressões devem ter caído com força aturdidora nos ouvidos dos partidários da
lei. Não lhes deixou nem um apoio para se susterem. "Então, toda a
multidão se calou e escutava a Barnabé e a Paulo, que contavam quão grandes coisas
e prodígios DEUS havia feito por meio deles entre os gentios." O ESPÍRITO
inspirador achou conveniente não nos dizer o que Paulo e Barnabé disseram nesta
memorável ocasião; e nós podemos ver a Sua sabedoria sobre este assunto. E
evidentemente Seu objetivo dar a proeminência a Pedro e Tiago como homens cujas
palavras haviam necessariamente de pesar mais no ânimo dos ensinadores da lei
do que as que pronunciavam o apóstolo dos gentios e o seu companheiro.
"E, havendo-se eles calado,
tomou Tiago a palavra, dizendo: Varões irmãos, ouvi-me. Simão relatou como,
primeiramente, DEUS visitou os gentios" — não para os converter a todos,
mas — "para tomar deles um povo para o seu nome. E com isto concordam as
palavras dos profetas"— aqui ele apresenta uma esmagadora prova de
evidência do Velho Testamento para esmagar os judaizantes —, "como está
escrito: Depois disto, voltarei e reedificarei o tabernáculo de Davi, que está
caído; levantá-lo-ei das suas ruínas e tomarei a edificá-lo. Para que o resto
dos homens busque ao Senhor, e também todos os gentios" — sem a mais
ínfima referência à lei de Moisés, mas — "sobre os quais o meu nome é
invocado, diz o Senhor, que faz todas estas cosias que são conhecidas desde
toda a eternidade. Pelo que julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os
gentios, que se convertem a DEUS."
Aqui, pois, temos esta grande
questão definitivamente resolvida pelo ESPÍRITO SANTO, os doze apóstolos e toda
a Igreja; e nós não podemos deixar de ficar surpreendidos com o fato de que
neste importante concílio, ninguém falou mais energicamente e de uma maneira
mais clara e decidida que Pedro e Tiago — o primeiro, o apóstolo da circuncisão,
e o último, o que falou especialmente às doze tribos e cuja posição e
ministério estavam calculados para dar mais peso às suas palavras, no parecer
de todos os que estavam, mais ou menos, sobre o terreno judaico ou legal. Mas
estes eminentes apóstolos expressaram clara e decididamente o seu critério de
que os gentios convertidos não deviam ser "perturbados" ou
incomodados com a lei. Demonstraram, nos seus poderosos discursos, que era
diretamente contrário à Palavra, à vontade e aos caminhos de DEUS, colocar os
crentes gentios debaixo da lei.
Quem pode deixar de ver a
sabedoria de DEUS nisto? As palavras de Paulo e Barnabé não são relatadas.
Diz-se apenas que eles relataram as coisas que DEUS havia feito entre os
gentios. Que se mostrariam inteiramente opostos a que se colocassem os gentios
debaixo da lei, era de esperar. Mas ver Pedro e Tiago tão decididos, devia
produzir grande efeito em todos.
Mas se o leitor quer uma visão
mais clara dos pensamentos de Paulo sobre a questão da lei, deve estudar a
epístola aos Gálatas. Nela, este bem-aventurado apóstolo, sob a direta
inspiração do ESPÍRITO SANTO, abre o seu coração aos gentios convertidos em
palavras de ardente sinceridade e dominante energia. E verdadeiramente
espantoso que alguém possa ler esta maravilhosa epístola e ainda manter que os
crentes estejam debaixo da lei, de qualquer modo ou com qualquer fim
determinado. Mal o apóstolo acaba a breve introdução da sua epístola, quando
entra com a sua característica energia no assunto de que o seu amoroso coração,
embora dolorido e contristado, trasborda. "Maravilho-me" diz ele — e
bem maravilhado podia estar— "de que tão depressa passásseis daquele que
vos chamou" — a quê?- A lei de Moisés«? Não, mas —"à graça de CRISTO
para outro evangelho, o qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e
querem transtornar o evangelho de CRISTO. Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo
do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja
anátema. Assim como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo: se
alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja
anátema."
Que os ensinadores da lei meditem
estas severas palavras. Parecem fortes e severas? Lembremos que são as próprias
palavras de DEUS e do ESPÍRITO SANTO. Sim, leitor, DEUS, o ESPÍRITO SANTO,
lança o Seu terrível anátema a todo aquele que intenta juntar a lei de Moisés
ao evangelho de CRISTO—a todo aquele que tenta colocar os crentes debaixo da
lei. Como é que os homens não temem, em vista de tais palavras, contender pela
lei? Não têm receio de ficar debaixo da solene maldição de DEUS, o ESPÍRITO
SANTO?
Alguns, porém, tratam de resolver
a questão dizendo que não aceitam a lei como meio de justificação, mas como uma
regra de vida. Mas isto não é nem razoável nem inteligente, visto que nos
podemos justamente interrogar quem nos deu autoridade para decidir quanto ao
uso que devemos fazer da lei? Ou estamos debaixo da lei ou não. Se estamos
debaixo dela, não é uma questão de saber como a tomamos, mas de como ela nos
toma.
Isto estabelece toda a diferença.
A lei não conhece essas distinções pelas quais contendem alguns teólogos. Se
estamos debaixo dela, seja por que motivo for, estamos sob a maldição, porque
está escrito: "Maldito seja todo aquele que não permanecer em todas as
coisas que estão escritas no livro da lei para as fazer." Dizer que sou
nascido de novo, que sou cristão, não resolve de modo nenhum a questão; pois o
que tem que ver a lei com a questão do novo nascimento, ou do cristianismo?- A
lei é endereçada ao homem na sua condição de ser responsável. Exige perfeita
obediência, e pronuncia a sua maldição sobre todo o que deixa de lhe obedecer.
Além disso de nada serve dizer
que, por muito que tenhamos falhado em guardar a lei, CRISTO a guardou em nosso
lugar e a nosso favor. A lei nada conhece de obediência por procuração. A sua
linguagem é: "O homem que fizer estas coisas viverá por elas."
E não é apenas sobre o homem que
falha em guardar a lei que a maldição é pronunciada; mas, como se fosse para
pôr o princípio da maneira mais clara diante de nós, lemos: "Todos
aqueles, pois, que são das obras da lei, estão debaixo da maldição" (Gl
3:10). Isto é, todos quantos tomam a sua posição sobre um terreno legal — todos
quantos estão sobre esse princípio — numa palavra, todos quantos têm alguma
coisa que ver com as obras da lei, estão, necessariamente, sob a maldição. Por
isso, podemos ver, imediatamente, a terrível contradição em que incorre um
crente que mantém a ideia de estar debaixo da lei como uma regra de vida, e,
contudo, não estar debaixo da maldição. E simplesmente opor-se às mais simples
afirmações da Sagrada Escritura. Bendito seja o DEUS de toda a graça, o cristão
não está debaixo da maldição. Mas por quê?- E porque a lei perdeu o seu poder,
a sua majestade, a sua dignidade, o seu santo rigor?- De modo nenhum. Dizer tal
coisa seria blasfemar da lei. Dizer que qualquer "homem" — chamem-
lhe o que quiserem, cristão, judeu ou gentio — pode estar debaixo da lei, que
pode encontrar-se nesse terreno, e todavia não estar sob a maldição, é dizer
que cumpre perfeitamente a lei ou que a lei está abolida: é tomá-la nula e sem
efeito. Quem ousará dizer isto«?- Ai de quem assim fizer!
Mas que sucedeu para que o cristão
não esteja debaixo da maldição?- Porque não está debaixo da lei. E como saiu de
debaixo da lei<? Foi porque outrem a cumpriu em seu lugar? Não; repetimos,
não se encontra tal ideia em toda a economia legal, como obediência por
procuração. Então<? Aqui está como foi, em toda a sua força moral, plenitude
e beleza: "Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para DEUS"
(Gl 2:19) (1).
(1) A omissão do artigo no
original aumenta imensamente a força e clareza da passagem. Oxalá isto fosse
melhor compreendido! Destrói uma grande parte da teologia humana. Deixa a lei
na sua própria esfera; mas liberta o crente completamente do seu poder e do
alcance pela morte. "Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a
lei pelo corpo de CRISTO, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou de
entre os mortos, a fim de que demos fruto para DEUS"—o qual nunca
poderíamos dar se estivéssemos debaixo da lei—"Porque, quando estávamos na
came", — um termo correlativo com o estado sob a lei — "as paixões
dos pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para
a morte". Note-se esta triste combinação! "Debaixo da lei",
"Na carne", 'As paixões dos pecados", "Fruto para
morte"! Pode haver alguma coisa mais clara? Mas existe o outro lado,
graças a DEUS, desta questão; o lado brilhante e bendito de DEUS. Ei-lo.
"Mas agora estamos livres da lei" Como? E porque outrem a cumpriu por
nós? Não; mas, "pois morremos para aquilo em que estávamos retidos; para
que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra". Quão
perfeita e formosa é a harmonia de Romanos 7 com Gálatas 2! "Porque eu
pela lei estou morto para a lei, para viver para DEUS".
Ora, se é verdade, e o apóstolo
diz que sim, que nós estamos mortos para a lei, que possibilidade tem a lei de
ser uma regra de vida para nós?- Demonstrou que era unicamente uma regra de
morte, maldição e condenação para aqueles que estavam debaixo dela — aqueles
que a tinham recebido por disposição dos anjos. Pode demonstrar-nos ser alguma
coisa mais para nós? Produziu a lei alguma vez frutos vivos ou de justiça na
história da algum filho ou filha de Adão"? Escutemos a resposta do
apóstolo: "Porque, quando estávamos na came" — isto é, quando éramos
vistos como homens na nossa natureza pecaminosa —, "as paixões dos
pecados, que são pela lei, operavam em nossos membros para darem fruto para a
morte" (Rm 7:5).
"E vivo, não mais
eu, mas CRISTO vive em mim"
E muito importante para o leitor
compreender a força real da expressão "na carne". Não significa,
nesta passagem, "no corpo". Mostra simplesmente o estado do homem ou
da mulher inconvertido obrigados a cumprir a lei. Pois bem, nesse estado, tudo
que era ou jamais pôde ser produzido era "fruto para morte" -
"paixões dos pecados". Não era vida, santidade, justiça, nada para DEUS,
nada absolutamente justo (1).
(1)E conveniente lembrar que
embora os gentios nunca fossem nos atos de DEUS postos debaixo da lei, é um
fato que todos os que são batizados tomam essa posição. Por isso existe uma
grande diferença entre a cristandade e o paganismo a respeito da questão da
lei. Milhares de inconvertidos pedem, todas as semanas, a DEUS para inclinar os
seus corações para guardarem a lei. Seguramente, tais pessoas encontram-se num
terreno muito diferente daquele que os pagãos ocupam, os quais nunca ouviram a
lei e nunca tiveram conhecimento da Bíblia.
Porém, em que situação estamos
agora, como cristãos? Escutemos a resposta. "Porque eu, pela lei, estou
morto para a lei, para viver para DEUS. Já estou crucificado com CRISTO; e vivo
não mais eu, mas CRISTO vive em mim; e a vida que agora vivo na came — aqui
quer dizer no corpo —, "vivo-a" — como? Pela lei, como regra de vida?
Não há nem uma alusão a tal coisa, mas
"na fé do Filho
de DEUS, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por
mim."
Isto, e nada mais, é Cristianismo.
Compreendemo-lo? Compenetramo-nos disso? Estamos de posse do seu poder? Existem
dois males dos quais somos libertados completamente pela preciosa morte de CRISTO,
a saber: legalidade, por um lado, e, por outro lado, devassidão. Em vez desses
terríveis males, ela introduz-nos na santa liberdade da graça — liberdade para
servir a DEUS, liberdade para "mortificar os nossos membros que estão
sobre a terra", liberdade para renunciar à "impiedade e às
concupiscências mundanas", liberdade para "viver sóbria, e justa, e
piamente" (Tito 2:12), liberdade para subjugar o corpo e o reduzir à
servidão (I Cor. 9:27). Sim, prezado leitor crente, lembremos isto.
Consideremos profundamente as palavras. "Já estou crucificado com CRISTO;
e vivo, não mais eu, mas CRISTO vive em mim." O velho "eu" está
morto, crucificado, sepultado. O novo "eu" está vivo em CRISTO. Não
confundamos isto. Não conhecemos nada mais terrível, nada mais perigoso do que
o velho "eu" pretender ocupar o novo terreno; ou, por outras
palavras, as gloriosas doutrinas do cristianismo serem adotadas na came por
pessoas inconvertidas que falam de ser libertados da lei e convertem em
dissolução a graça de DEUS. Confessamos que preferiríamos milhentas vezes mais
a legalidade do que a dissolução. E contra esta que nós temos de estar em
guarda com toda a sinceridade possível. Está aumentando em redor de nós com
aterradora rapidez e calcetando o caminho para a onda tenebrosa e desoladora da
infidelidade que, em breve, se estenderá sobre toda a extensão de cristandade.
Falar de se estar libertado da lei
de qualquer outro modo que não seja por se estar morto para ela e vivo para DEUS,
não é cristianismo, mas dissolução, da qual a alma piedosa deve afastar-se com
santo horror. Se estamos mortos para a lei, estamos também mortos para o
pecado; e por isso não devemos fazer a nossa vontade, que não é mais que outro
nome para designar o pecado, mas a vontade de DEUS, que é verdadeira santidade
prática.
Demais, recordemos que se estamos
mortos para a lei, estamos mortos também para este presente século mau, e
relacionados com um CRISTO ressuscitado, que subiu ao céu e foi glorificado.
Por isso, não somos do mundo, assim como CRISTO não é do mundo. Procurar uma
posição no mundo é negar que estamos mortos para a lei; porque não podemos
estar vivos para um e mortos para outra. A morte de CRISTO libertou-nos da lei,
do poder do pecado, deste presente século mau, e do temor da morte. Mas todas
estas coisas estão juntas, e nós não podemos ser libertados de uma sem sermos
libertados de todas. Afirmar a nossa libertação da lei, e seguir uma vida carnal,
de condescendência com o mundo e de mundanismo, e um dos mais sombrios e
mortais males dos últimos dias.
O cristão é chamado para
demonstrar e provar na sua vida diária que a graça pode produzir resultados que
a lei nunca poderia alcançar. E uma das glórias morais do cristianismo
habilitar um homem a abandonar o ego e a viver para os outros. A lei nunca poderia
fazer isto. Ocupava o homem consigo mesmo. Se procurava amar o próximo, era
apenas para operar justiça para si. Sob a graça tudo está invertido de um modo
bendito e glorioso. O ego é posto de lado como crucificado, morto e sepultado.
O velho "eu" desaparece, e o novo "eu" está perante DEUS em
toda a aceitação e valor de CRISTO. Ele é a nossa vida, a nossa justiça, a
nossa santidade, o nosso objetivo, nosso modelo, tudo. Está em nós e nós
estamos n'Ele; e a nossa vida diária, prática, tem de ser simplesmente CRISTO
reproduzido em nós, pelo poder do ESPÍRITO SANTO. Por isso, nós somos chamados
não apenas para amar o nosso semelhante, mas o nosso inimigo; e isto, não para
operar a justiça porque temos sido feitos justiça de DEUS em CRISTO; é
simplesmente o fluxo da vida que possuímos, que está em nós; e esta vida é CRISTO.
O viver do cristão deve ser CRISTO. Não é nem judeu, "debaixo da
lei", nem "gentio sem lei"; mas "um homem em CRISTO",
permanecendo na graça, chamado ao mesmo caráter de obediência que foi
manifestado pelo Senhor JESUS mesmo.
Não vamos prosseguir este assunto,
mas rogamos sinceramente ao leitor crente que estude atentamente o capítulo 15
de Atos e a epístola aos Gálatas. Deixe-se absorver pelo bendito ensino destas
Escrituras; e chegará certamente a uma compreensão clara da grande questão da
lei. Verá que o cristão não está de modo algum debaixo da lei; que a sua vida,
a sua justiça, a sua santidade, estão sobre uma base ou princípio inteiramente
distinto; que colocar o cristão sob a lei, de qualquer modo que seja, é negar os
próprios fundamentos do cristianismo, e contradizer as mais claras expressões
da Palavra de DEUS. Aprenderá, no capítulo 3 de Gálatas, que colocarmo-nos
debaixo da lei é renunciar a CRISTO; renunciar ao ESPÍRITO SANTO; deixar a fé;
negar as promessas.
Que tremendas consequências! Mas
ali estão claramente expostas ante os nossos olhos; e certamente quando
contemplamos o estado da igreja professante, não podemos senão ver quão
terrivelmente se estão realizando essas consequências. Que DEUS o ESPÍRITO
SANTO abra os olhos de todos os cristãos para a verdade destas coisas! Que Ele
os leve a estudarem as Escrituras e a submeterem-se à sua santa autoridade, em
todas as coisas. Esta é a necessidade particular dos nossos dias. Não estudamos
suficientemente a Escritura. Não somos governados por ela. Não compreendemos a
absoluta necessidade de comprovar todas as coisas à luz da Escritura e de
rejeitarmos tudo que não resista a essa prova. Concordamos com muitas coisas
que não têm base alguma na Palavra de DEUS; sim, que se opõem completamente a
ela.
Qual será o fim de tudo isto?-
Trememos ao pensar nisso. Sabemos, bendito seja DEUS, que nosso Senhor JESUS CRISTO
em breve virá e levará o Seu povo amado, comprado com Seu precioso sangue, à
casa do Pai, ao lugar que lhes foi preparar, para estarem com Ele, na inefável
bem-aventurança dessa gloriosa morada. Mas que será dos que forem deixados?-
Que será dessa imensa massa de professos mundanos batizados? São graves
interrogações, que devem ser ponderadas na própria presença de DEUS, a fim de
se ter a verdadeira, divina resposta. Que o leitor as considere ali, com toda a
ternura de coração e com espírito disposto a aprender, e o ESPÍRITO o guiará na
verdadeira resposta.
Os Dez Mandamentos
Havendo procurado mostrar, por
meio de várias porções da Sagrada Escritura, a gloriosa verdade de que os
crentes não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça, podemos agora
prosseguir o nosso estudo deste capítulo 5 de Deuteronômio. Nele temos os dez mandamentos;
mas não exatamente como temos no capítulo 20 de Êxodo. Existem alguns pequenos
retoques característicos que exigem a atenção do leitor.
Em Êxodo 20 temos história; em
Deuteronômio 5 temos não só história mas comentário. Neste último, o legislador
apresenta motivos morais e faz apelos que estariam inteiramente fora de lugar
no primeiro. Num temos simplesmente fatos; no outro, fatos e comentários — os
fatos e a sua aplicação prática. Numa palavra, não há o menor fundamento para
imaginar que Deuteronômio 5 esteja destinado a ser uma repetição literal de
Êxodo 20; e é por isso que os miseráveis argumentos em que os infiéis se
baseiam sobre essa aparente diferença se reduzem a pó debaixo dos nossos pés.
São simplesmente infundados e inteiramente desprezíveis. Comparemos, por
exemplo, as duas Escrituras a respeito do assunto do sábado. Em Êxodo 20,
lemos: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias
trabalharás e farás toda a tua obra, mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR, teu
DEUS; não farás nenhuma obra, nem tu, nem o teu filho, nem atua filha, nem o
teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro que está
dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR OS céus e a terra, o
mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto, abençoou o SENHOR
O dia de sábado e o santificou."
Em Deuteronômio 5, lemos:
"Guarda o dia de sábado, para o santificar, como te ordenou o SENHOR, teu DEUS.
Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do
SENHOR, teu DEUS; não farás nenhuma obra nele, nem tu, nem teu filho, nem tua
filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem
animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o
teu servo e a tua serva descansem como tu; porque te lembrarás que foste servo
na terra do Egito e que o SENHOR, teu DEUS, te tirou dali com mão forte e braço
estendido; pelo que o SENHOR, teu DEUS, te ordenou que guardasses o dia de
sábado" (versículos 12 a 15).
Ora, o leitor poderá ver
imediatamente a diferença entre as duas passagens. Em Êxodo 20 o mandamento
para guardar o sábado é baseado na criação. Em Deuteronômio 5 é baseado na
redenção, sem nenhuma alusão à criação. Em suma, os pontos de diferença surgem
do caráter distinto de cada livro, e são perfeitamente claros para toda a mente
espiritual.
Com respeito à instituição do
sábado devemos recordar que se baseia inteiramente sobre a autoridade direta da
Palavra de DEUS. Outros mandamentos mostram claramente deveres morais. Toda a
gente sabe que é moralmente mau matar ou roubar; mas, quanto à observância do
sábado ninguém podia possivelmente reconhecê-la como um dever se não tivesse
sido claramente indicada por autoridade divina. Daí a sua imensa importância e
interesse. Tanto no nosso capítulo como em Êxodo 20 está lado a lado com todos
esses grandes deveres morais que são universalmente reconhecidos pela
consciência humana.
E não somente isto; mas vemos em
outras diversas passagens das Escrituras que o sábado é designado e
apresentado, com especial proeminência, como um precioso vínculo entre Javé e
Israel; um selo do Seu pacto com eles; e um poderoso elemento de prova do seu
afeto por Ele. Toda a gente podia reconhecer o mal moral do roubo e do
assassinato; só aqueles que amavam a Javé e a Sua Palavra podiam amar e honrar
o Seu sábado.
O Dia de Repouso (o
Sábado)
Assim, em capítulo 16 de Êxodo, em
ligação com a dádiva do maná, lemos: "E aconteceu que, ao sexto dia,
colheram pão em dobro, dois gômeres para cada um; e todos os príncipes da
congregação vieram e contaram-no a Moisés. E ele disse-lhes: Isto é o que o
SENHOR tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR; O que quiserdes
cozer no forno, cozei-o; e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e
tudo o que sobejar ponde em guarda para vós até amanhã... então disse Moisés:
Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do SENHOR; hoje não o achareis no
campo. Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá. E
aconteceu, ao sétimo dia" — tampouco podiam apreciar o alto e santo
privilégio de guardar o sábado do Senhor — "que alguns do povo saíram para
colher, mas não o acharam. Então, disse o SENHOR a Moisés: Até quando
recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis?" (versículos 22 a
28). A sua negligência do sábado mostrava que a sua condição moral era completamente
má — mostrava que andavam desviados de todos os mandamentos e leis de DEUS. O
sábado era a grande pedra de toque, a medida e sonda do verdadeiro estado de
seus corações para com o Senhor. "Vede, visto que o SENHOR vos deu o
sábado, por isso ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique no
seu lugar, que ninguém saia do seu lugar no sétimo dia. Assim, repousou o povo
no sétimo dia." Encontraram descanso e alimento no santo sábado.
E no final do capítulo 31 temos
uma passagem notável em prova da importância e interesse ligados com o sábado
na mente do Senhor. Uma completa descrição do tabernáculo e seus pertences
havia sido dada a Moisés, e ele estava prestes a receber as duas tábuas do
testemunho das mãos do Senhor; mas, como se quisesse dar a entender o lugar
proeminente que o sábado ocupava na mente divina, lemos: "Falou mais o
SENHOR a Moisés, dizendo: Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo:
Certamente guardareis meus sábados, porquanto isso é um sinal entre mim e vós
nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica.
Portanto, guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar
certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma
será extirpada do meio do seu povo. Seis dias se fará obra, porém, o sétimo dia
é o sábado do descanso, santo ao SENHOR; qualquer que no dia de sábado fizer
obra, certamente morrerá. Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando
o sábado nas suas gerações por concerto perpétuo. Entre mim e os filhos de
Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o SENHOR OS céus e a
terra, e, ao sétimo dia, descansou e restaurou-se" (Ex 31:12 a 17).
Ora, esta passagem é muito
importante. Mostra claramente o caráter permanente do sábado. Os termos em que
se fala dele são suficientes para mostrar que não era meramente uma instituição
temporária. "Um sinal entre mim e vós, nas vossas gerações" —
"um concerto perpétuo" — "um sinal para sempre".
Que o leitor note bem estas
palavras. Elas provam, sem sombra de dúvida, primeiro, que o sábado era para
Israel;
segundo, que o sábado é, na mente
de DEUS, uma instituição permanente. E necessário ter estas coisas em vista, a
fim de evitar toda a incerteza de pensamentos e liberdade de expressão sobre
este interessante assunto.
O sábado era clara e
exclusivamente para a nação judaica. Fala-se dele enfaticamente como um sinal
entre o Senhor e o Seu povo Israel. Não existe a mais remota sugestão de que
fosse designado para os gentios. Veremos mais adiante que é um formoso tipo dos
tempos da restauração de todas as coisas de que DEUS falou pela boca de todos
os santos profetas desde a fundação do mundo; mas isto não afeta, de modo
nenhum, o fato de ser exclusivamente uma instituição judaica. Não existe tanto
como UMA simples expressão nas Escrituras para mostrar que o sábado tinha qualquer
referência aos gentios.
Alguns dizem-nos que visto se
falar do sábado no segundo capítulo de Génesis deve ter forçosamente um alcance
mais amplo do que a nação judaica. Mas vejamos o que diz a passagem. "E,
havendo DEUS acabado no dia sétimo a sua obra, que tinha feito, descansou no
sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou DEUS o dia sétimo e
o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra, que DEUS criara e
fizera."
Isto é muito simples. Não se faz
aqui nenhuma alusão ao homem. Não é dito que o homem descansou no sétimo dia.
Os homens podem inferir, concluir ou imaginar que foi assim; mas o segundo
capítulo de Génesis nada diz a respeito disso. E não somente isto, senão que é
inútil procurar qualquer alusão ao sábado em todo o livro do Génesis.
A primeira comunicação que temos
sobre o sábado em relação com o homem encontra-se no capítulo 16 do Êxodo, uma
passagem que já foi citada; e ali vemos claramente que o sábado foi dado a
Israel, como povo em relação com o pacto com o Senhor. Que eles não o
compreenderam nem apreciaram é perfeitamente claro; que nunca penetraram nele,
é igualmente claro, segundo o Salmo 95. Mas por agora falamos do que era o
sábado segundo a mente de DEUS; e DEUS diz-nos que era um sinal entre Ele e o
Seu povo Israel; e uma poderosa prova do seu estado moral e do estado de seus
corações a respeito d'Ele. Não era apenas uma parte integral da lei dada por
Moisés à congregação de Israel, mas é especialmente mencionado e assinalado,
repetidas vezes, como uma instituição que ocupa um lugar especial na mente de DEUS.
Assim no livro do profeta Isaías,
lemos: "Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que
lançar mão disso, que se guarda de profanar o sábado, e guarda a sua mão de
perpetrar algum mal. E não fale o filho do estrangeiro que se houver chegado ao
SENHOR, dizendo: De todo me apartará o SENHOR do seu povo; nem tampouco diga o
eunuco: Eis que sou uma árvore seca. Porque assim diz o SENHOR a respeito dos
eunucos que guardam os meus sábados, e escolhem aquilo que me agrada, e abraçam
o meu concerto: Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um
lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome etemo darei a cada
um deles que nunca se apagará. E aos filhos dos estrangeiros" — aqui,
evidentemente, vistos em relação com Israel, assim como em Números 15 e outras
passagens das Escrituras — "que se chegarem ao SENHOR, para o servirem, e
para amarem o nome do SENHOR, sendo deste modo servos seus, todos os que
guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem o meu concerto, também
os levarei ao meu santo monte e os festejarei na minha Casa de Oração; os seus
holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar, porque a minha
Casa será chamada casa de Oração para todos os povos" (Is 56:2 a 7).
"Se desviares o teu pé do
sábado, de fazer a tua vontade no meu santo dia, e se chamares ao sábado
deleitoso e santo dia do SENHOR digno de honra, e se o honrares, não seguindo
os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falar as
tuas próprias palavras, então te deleitarás no SENHOR, e te farei cavalgar
sobre as alturas da terra e te sustentarei com a herança de Jacó, teu pai;
porque a boca do SENHOR o disse" (Is 58:13-14).
As passagens precedentes são
amplamente suficientes para mostrar o lugar que o sábado ocupa na mente de DEUS.
E desnecessário multiplicar passagens; mas há apenas mais uma que queremos
referir para o leitor, em relação com o nosso assunto, isto é, Levitico 23.
"Depois, falou o SENHOR a
Moisés, dizendo: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: As solenidades do
SENHOR, que convocareis, serão santas convocações; estas são as minhas
solenidades. Seis dias obra se fará, mas o sétimo dia será o sábado do descanso,
santa convocação; nenhuma obra fareis; sábado do SENHOR é em todas as vossas
habitações" (versículos 1 a 3).
Aqui aparece à cabeça de todas as
festas dadas neste maravilhoso capítulo em que temos simbolizada toda a
história dos atos de DEUS com o Seu povo Israel. O sábado é a expressão do
descanso eterno de DEUS no qual é ainda Seu propósito introduzir o Seu povo,
quando todos os seus trabalhos e dores, experiências e tribulações tiverem
passado — esse bendito sábado ou o "repouso que resta para o povo de DEUS".
De diversas maneiras Ele procurou manter este glorioso repouso perante os
corações do Seu povo; o sétimo dia, o sétimo ano, o ano do jubileu — todas
estas encantadoras estações estavam destinadas a revelar esse bendito tempo em
que Israel será restaurado à sua amada terra, quando o sábado será guardado em
toda a sua profunda, divina bem-aventurança, como nunca ainda o foi.
E isto leva-nos naturalmente ao
segundo ponto em relação com o sábado, a saber, a sua permanência. Isto é
claramente comprovado por expressões como "perpétuo", "um sinal
para sempre" "em todas as vossas gerações". Tais palavras jamais
poderiam ser aplicadas meramente a qualquer instituição temporária. E verdade
que Israel nunca, infelizmente, guardou o sábado segundo o pensamento de DEUS;
nunca entendeu o seu significado, nunca penetrou na sua bem-aventurança, nunca
penetrou no seu espírito. Fez dele uma divisa da sua própria justiça;
vangloriava-se dele como instituição nacional, e empregavam-no para sua própria
exaltação; mas nunca o celebraram em comunhão com DEUS.
Falamos da nação como um todo. Não
duvidamos que havia almas preciosas que, em segredo, gozavam o sábado, e
penetravam nos pensamentos de DEUS a respeito dele. Mas, como nação, Israel
nunca guardou o sábado segundo os propósitos de DEUS. Ouçamos o que Isaías diz:
"Não tragais mais ofertas debalde; o incenso é para mim abominação, e as
luas novas, e os sábados, e a convocação das congregações; não posso suportar
iniquidade nem mesmo o ajuntamento solene" (capítulo 1:13). Aqui vemos que
a preciosa e encantadora instituição do sábado que DEUS havia dado como um
sinal do Seu concerto com o Seu povo, tinha-se tomado, nas mãos deles, uma
verdadeira abominação, inteiramente intolerável para Ele. E quando abrimos as
páginas do Novo Testamento vemos os líderes e chefes do povo judaico
continuamente em oposição com o Senhor JESUS CRISTO a respeito do sábado.
Veja-se por exemplo os primeiros versículos de Lucas 6. "E aconteceu que,
num sábado passou pelas searas, e os seus discípulos iam arrancando espigas, e,
esfregando-as com as mãos, as comiam. E alguns dos fariseus lhes disseram: Por
que fazeis o que não é lícito fazer nos sábados? E JESUS, respondendo-lhes,
disse: Nunca lestes o que fez Davi quando teve fome, ele e os que com ele
estavam? - Como entrou na Casa de DEUS, e tomou os pães da proposição, e os
comeu, e deu também aos que estavam com ele, os quais não é lícito comer, lhes
senão aos sacerdotes? E dizia-lhes: O Filho do Homem é senhor até do
sábado."
De novo lemos: "E aconteceu
também, em outro sábado, que entrou na sinagoga e estava ensinando; e havia ali
um homem que tinha a mão direita mirrada. E os escribas e fariseus atentavam
nele, se o curaria no sábado, para acharem de que o acusar"
imagine-se uma
acusação por curar um pobre, aflito mortal!
"Mas ele,
conhecendo bem os seus pensamentos, disse ao homem que tinha a mão mirrada:
Levanta-te e fica em pé no meio. E, levantando-se ele, ficou em pé. Então, JESUS
lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: E lícito nos sábados fazer bem ou
fazer mal? Salvar a vida ou matará E, olhando para todos ao redor, disse ao
homem: Estende a tua mão. E ele assim o fez, e a mão lhe foi restituída sã como
a outra. E ficaram cheios de furor, e uns com os outros conferenciavam sobre o
que fariam a JESUS."
Que conhecimento profundo temos
aqui da falsidade e inutilidade da guarda do sábado do homem! Esses guias
religiosos preferiam deixar perecer de fome os discípulos a que fosse profanado
o seu sábado. Preferiam que o homem levasse a sua mão mirrada para a sepultura
a vê-lo curado no seu sábado! Ah, era na verdade o seu sábado, e não o de DEUS!
DEUS não podia descansar em presença de famintos e enfermos. Eles nunca haviam
lido corretamente a descrição do ato de Davi, em comer o pão da proposição. Não
compreendiam que as instituições legais têm que ceder em presença da graça
divina satisfazendo a necessidade humana. A graça eleva-se, em sua
magnificência, acima das barreiras legais, e a fé regozija-se no seu esplendor;
mas a mera religiosidade se ofende ante as atividades de graça e ousadia de fé.
Os fariseus não viam que esse homem com uma mão mirrada era um notável
comentário do estado moral da nação, uma prova viva do fato de que eles estavam
longe de DEUS. Se fossem como deviam ser, não teria havido mãos mirradas para
curar; mas não eram; e por isso o seu sábado era uma vazia formalidade, uma
condenação ineficaz e desprezível, uma horrenda anormalidade, detestável para DEUS
e de todo inconsistente com o estado do homem.
Tomemos outro exemplo em Lucas
13:10-13. "E ensinava no sábado, numa das sinagogas"—certamente, o
sábado não era dia de repouso para Ele. — "E eis que estava ali uma mulher
que tinha um espírito de enfermidade havia já dezoito anos; e andava curvada e
não podia de modo algum endireitar-se. E, vendo-a JESUS, chamou-a a si, e
disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade. E impôs as mãos sobre ela, e
logo se endireitou, e glorificava a DEUS." Encantadora ilustração da obra
da graça na alma, e do resultado prático, em todos os casos. Todos aqueles a
quem CRISTO impõe as Suas benditas mãos logo se endireitam e ficam aptos a
glorificar a DEUS.
Mas o sábado do homem foi afetado.
"E, tomando a palavra o príncipe da sinagoga, indignado porque JESUS
curava no sábado" — ficou indignado por causa da obra misericordiosa de
cura, embora fosse indiferente quanto ao caso humilhante de enfermidade —
"disse à multidão: Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois,
vinde para serdes curados e não no dia de sábado." — Quão pouco conhecia
esse pobre religioso que estava na própria presença do Senhor do verdadeiro
sábado! Quão insensível ele era à moral inconsistente de tentar guardar o
sábado enquanto o estado do homem clamava bem alto pela obra divina! —
"Respondeu-lhe, porém, o Senhor e disse: Hipócrita, no sábado não
desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi ou jumento e não o leva a
beber água? E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de
Abraão, a qual há dezoito anos Satanás mantinha presa?
Que fulminante repreensão! Que
modo de descobrir a falsidade e completa vileza de todo o sistema do judaísmo!
Pense-se na incoerência ofuscante de um sábado e uma filha de Abraão presa de
Satanás durante dezoito anos! Nada há em todo o mundo que tanto cegue o
entendimento, que endureça tanto o coração, que tanto obscureça a consciência e
desmoralize todo o ser, como uma religião sem CRISTO. O seu enganoso e
degradante poder só pode ser inteiramente julgado à luz da presença divina. A
atender o cuidado do príncipe da sinagoga, essa pobre mulher podia continuar
até aos seus últimos dias curvada e incapaz de se endireitar. Esse homem teria
ficado muito contente de a deixar continuar como um triste testemunho do poder
de Satanás, desde que ele pudesse guardar o sábado. A sua indignação religiosa
foi excitada não pelo poder de Satanás manifestado na condição da mulher, mas
pelo poder de CRISTO visto na sua completa libertação. Mas o Senhor deu-lhe
aquela resposta. "E, dizendo ele isso, todos os seus adversários ficaram
envergonhados" — e com razão — "e todo o povo se alegrava por todas
as coisas gloriosas que eram feitas por ele." Que notável contraste! Por
um lado, os defensores de uma religião desprezível, ineficaz, desapiedada,
desmascarada e coberta de vergonha e confusão, e, por outro lado, todo o povo
regozijando-se com os gloriosos atos do Filho de DEUS que havia vindo ao seu
meio para os libertar do poder esmagador de Satanás, e encher os seus corações
com o gozo da salvação de DEUS e as suas bocas dos Seus louvores!
Devemos chamar a atenção do leitor
para o evangelho de João onde encontrará mais ilustrações do nosso assunto.
Desejamos sinceramente que esta perturbadora questão do sábado seja
completamente examinada à luz da Escritura. Estamos convencidos de que existe
muito mais envolvido nela do que muitos crentes professos julgam.
No princípio de João 5 somos
introduzidos numa cena notavelmente indicativa do estado de Israel. Não é nosso
intento entrar a fundo nesta passagem; referimo-nos a ela apenas em relação com
o nosso assunto.
O tanque de Betesda ou "casa
de misericórdia" — ao passo que era sem dúvida a expressão da misericórdia
de DEUS para com o Seu povo — proporcionava abundante evidência do estado
miserável do homem, em geral, e de Israel, em particular. Nos seus cinco
alpendres estava aglomerada "uma grande multidão de enfermos: cegos,
coxos, e paralíticos, esperando o movimento das águas." Que quadro de toda
a família humana, e da nação de Israel! Que ilustração do seu estado moral e
espiritual, do ponto de vista divino! "Cegos, coxos, paralíticos";
tal é o verdadeiro estado do homem. Se ao menos ele o soubesse!
Mas estava ali um homem, no meio
desta impotente multidão, cuja enfermidade estava tão adiantada, tão fraco e
desamparado que o tanque de Betesda não podia servir para o Seu caso.
"Estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo. E JESUS,
vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo,
disse-lhe: Queres ficar são? — Que graça e poder vemos nesta pergunta! Ia muito
mais além do que os seus pensamentos lhe consentiam. Só pensava na ajuda humana
ou na sua própria habilidade para entrar no tanque. Não sabia que Aquele que
falava consigo estava acima e além do tanque com o seu ocasional movimento das
águas; além de ministério angélico, além de todo o auxílio ou esforço humano, o
Possuidor de todo o poder no céu e na terra. "O enfermo respondeu-lhe:
Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me coloque no
tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim." Que quadro
verdadeiro de todos os que buscam a salvação por meio de ordenanças! Cada qual
fazendo por si o melhor que pode; sem ter cuidado dos outros; sem pensar
ajudá-los. "JESUS disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda. Logo,
aquele homem ficou são, e tomou a sua cama e partiu. E aquele dia era
sábado."
Aqui temos outra vez o sábado do
homem. Não certamente o sábado de DEUS. A infeliz multidão reunida ao redor do
tanque demonstrava que o pleno repouso de DEUS não havia ainda chegado — que o
seu glorioso antítipo do sábado ainda não havia começado a ser compreendido
neste mundo ferido de pecado. Quando esse dia refulgente chegar não haverá
cegos, mancos e ressicados em redor dos alpendres de Betesda. O sábado de DEUS
e a miséria humana são inteiramente incompatíveis.
Mas era o sábado do homem. Já não
era o selo do concerto do Senhor com a semente de Abraão — como o fora uma vez
e o será outra vez—, mas a divisa da justiça do homem. "Então, os judeus
disseram àquele que tinha sido curado: E sábado, não te é lícito levar a
cama." Não era, sem dúvida, lícito para ele jazer naquela cama, semana
após semana, mês após mês, ano após ano, enquanto que eles seguiam o seu
intento vago, inútil de guardar o sábado. Se tivessem tido um só raio de luz
espiritual, teriam visto a flagrante inconsistência de tentarem manter as suas
ideias tradicionais a respeito do sábado na presença da miséria humana,
enfermidade e degradação. Mas eles estavam completamente cegos; e, por isso,
enquanto os gloriosos frutos do ministério de CRISTO eram expostos, eles tinham
a temeridade de os pronunciar ilícitos.
Mas há mais que isto: "E, por
essa causa, os judeus perseguiram JESUS e procuravam matá-lo, porque fazia
estas coisas no sábado." Que espetáculo! Os religiosos, sim, os chefes e
mestres da religião — os guias do povo professo de DEUS, procuravam matar o
Senhor do sábado porque Ele tinha tomado um homem completamente são no dia de
sábado!
Mas note-se a resposta do Senhor:
"Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também." Esta breve mas
compreensiva declaração leva-nos ao fundo do assunto. Mostra-nos a verdadeira
condição da humanidade em geral e de Israel em particular; e, da maneira mais
tocante, apresenta-nos o grande segredo da vida e do ministério de nosso
Senhor. Bendito seja o Seu nome, Ele não havia vindo ao mundo para repousar.
Como podia Ele repousar — como poderia guardar o sábado no meio da miséria e
necessidade humanas? A multidão de cegos, mancos e ressicados que se aglomerava
nos alpendres do tanque de Betesda não devia ter ensinado nada "aos
judeus" da loucura das suas ideias sobre o sábado? Pois o que era aquela
multidão senão um exemplo do estado da nação de Israel e de toda a família
humana? E como podia o amor divino repousar no meio de um tal estado de coisas?
Era de todo impossível. O amor só pode operar numa cena de pecado e dor. Desde
o momento da queda do homem, o Pai havia estado trabalhando. Então apareceu o
Filho para continuar a obra. E, agora, o ESPÍRITO SANTO está trabalhando.
Trabalho, não descanso, é a ordem divina, num mundo como este. "Resta
ainda um repouso para o povo de DEUS."
O bendito Senhor JESUS andou
fazendo bem, no sábado assim como em qualquer outro dia; e, finalmente, havendo
cumprido a gloriosa obra da redenção, passou o sábado no sepulcro, e
ressuscitou no primeiro dia da semana, como o Primogénito de entre os mortos, e
Cabeça da nova criação, na qual todas as coisas são de DEUS, e para as quais,
podemos certamente acrescentar, a questão de "dias e meses, tempos e
anos" não tem, de modo nenhum, aplicação. Ninguém que compreenda
perfeitamente o significado da ressurreição pode aprovar, nem por um momento, a
guarda de dias. A morte de CRISTO pôs um fim a toda a ordem de coisas; e a Sua
ressurreição introduz-nos numa outra esfera completamente distinta em que é
nosso elevado privilégio andar na luz e poder dessas eternas realidades que são
nossas em CRISTO, e que estão em vivo contraste com a superstição de
observâncias de uma camal e mundana religiosidade.
O Primeiro Dia da
Semana
Porém, aqui aproximamo-nos de um
ponto muito interessante do nosso assunto, a saber, a diferença entre o sábado
e o dia do Senhor, ou o primeiro dia da semana. Estes dois dias são muitas
vezes confundidos. Ouvimos frequentemente, de pessoas verdadeiramente piedosas
a expressão de "sábado cristão", uma expressão que não se encontra em
parte alguma do Novo Testamento. Pode ser que alguns dos que a empregam tenham
uma ideia correta; mas nós não devemos apenas ter a noção exata, mas procurar
também expressar-nos, segundo o ensino da Sagrada Escritura. Estamos
persuadidos de que o inimigo de DEUS e de CRISTO tem muito mais que ver com o
convencionalismo da cristandade do que muitos de nós pensamos; e é isto que
toma o assunto tão grave. O leitor pode talvez sentir-se disposto a considerar
como uma perda de tempo procurar encontrar qualquer falta no termo "sábado
cristão". Mas pode estar certo de que não se trata de nada disso; pelo
contrário, se examinar com toda a atenção o assunto à luz do Novo Testamento
descobrirá que ele envolve pormenores não apenas interessantes mas também muito
importantes. E uma locução vulgar, que "nada há no nome"; mas, no
caso que temos perante nós, o nome quer dizer muito.
Já fizemos notar o fato de que
nosso Senhor passou o sábado no sepulcro. Não é um fato eloquente e
profundamente significativo? Não podemos duvidar disso. Vemos nele, pelo menos,
a maneira como o antigo estado de coisas foi posto de lado, e a absoluta impossibilidade
de guardar o sábado em um mundo de pecado. O amor não podia repousar num mundo
como este; apenas podia laborar e morrer. Esta é a inscrição que lemos no
túmulo onde o Senhor do sábado foi sepultado.
Mas o que é o primeiro
dia da semanal Não é o sábado sobre um novo fundamento
o sábado cristão?
Nunca é assim chamado no Novo Testamento. Não existe a mais leve alusão dessa
espécie. Se examinarmos os Atos dos Apóstolos, veremos que se fala dos dois
dias de um modo distinto. No sábado encontramos os judeus reunidos na sua
sinagoga para leitura da lei e dos profetas. No primeiro dia da semana
encontramos os cristãos reunidos para o partir do pão. Os dois dias eram tão
distintos quanto o judaísmo e a cristandade; nem tampouco existe tanto como uma
sombra de base na Sagrada Escritura para a ideia de que o sábado foi absorvido
pelo primeiro dia da semana. Onde se encontra a mais simples prova da Escritura
para a afirmação de que o sábado foi mudado do sétimo dia para o oitavo, ou o
primeiro dia da semana? Claro, se existe alguma, nada mais simples do que
apresentá-la. Mas não existe absolutamente nenhuma.
E recorde-se que o sábado não é
meramente um sétimo dia, mas o sétimo dia. E bom notar-se isto, visto que
alguns acalentam a ideia de que, contanto que seja dedicada a sétima parte do
tempo ao repouso e às ordenanças públicas de religião, é suficiente, não
importa o nome que se lhe dê; e é desta forma que diferentes nações e
diferentes sistemas religiosos têm o seu dia de descanso que se chama sábado.
Mas nunca poderá satisfazer os que desejam ser ensinados exclusivamente pela
Escritura. O sábado do Éden era o sétimo dia. O sábado de Israel era o sétimo
dia. Mas o oitavo dia dirige os nossos pensamentos para a eternidade: e no Novo
Testamento é chamado "o primeiro dia da semana", indicando o
princípio de uma nova ordem de coisas da qual a cruz é o imperecível fundamento
e CRISTO ressuscitado o glorioso Cabeça e Centro. Chamar a esse dia "o
sábado cristão" é simplesmente confundir as coisas terrestres com as
celestiais. E baixar o cristão da sua elevada posição como associado com o
Cabeça ressuscitado e glorificado no céu, e ocupá-lo com a supersticiosa
observância de dias — a própria coisa que havia deixado o bendito apóstolo em
dúvida a respeito das assembleias da Galácia. Em suma, quanto mais
profundamente ponderamos a expressão "o sábado cristão", mais convencidos
estamos de que a sua tendência é, como muitas outras fórmulas da cristandade,
defraudar o cristão de todas essas grandes verdades distintas do Novo
Testamento que distinguem a Igreja de DEUS de tudo quanto foi antes dela e tudo
que deve seguir depois. A igreja, embora na terra, não é deste mundo, assim
como CRISTO não é deste mundo. É celestial na sua origem, celestial no seu
caráter, celestial em seus princípios, conduta e esperança. Encontra-se entre a
cruz e a glória. Os limites da sua existência na terra são o dia de
Pentecostes, quando o ESPÍRITO SANTO desceu para a formar, e a vinda de CRISTO
para a levar para Si Mesmo. Nada pode ser mais claro do que isto; e, por isso,
tentar impor à Igreja de DEUS a observância legal ou supersticiosa de
"dias e meses, e tempos e anos", é falsificar toda a posição cristã,
manchar a integridade da divina revelação e roubar ao crente o lugar e a porção
que lhe pertencem, pela infinita graça de DEUS e o sacrifício expiatório
consumado por CRISTO.
Julga o leitor esta declaração
demasiado severa? Se assim é, pondere a seguinte passagem esplêndida da
epístola de Paulo aos Colossenses — uma passagem que deveria ser escrita em
letras de ouro.
"Como, pois, recebestes o
Senhor JESUS CRISTO, assim também andai nele, arraigados e edificados nele e
confirmados na fé, assim como fostes ensinados, crescendo em ações de graças.
Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs
subtilezas" — note-se a combinação, não muito elogiosa para a filosofia! —
"segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não
segundo CRISTO; porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade.
E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade";
— Que podemos nós desejará — "no qual também estais circuncidados com a
circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne: a circuncisão de CRISTO.
Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de DEUS,
que o ressuscitou dos mortos. E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na
circuncisão da vossa came, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos
todas as ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós, nas suas
ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de
nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs
publicamente e deles triunfou em si mesmo" (Cl 2:6 a 15).
Magnífica vitória! Uma vitória
ganha sem ajuda de ninguém — ganha para nós! Etema e universal homenagem seja
dada ao Seu nome incomparável! Que restai "Portanto, ninguém vos julgue
pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou
dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de CRISTO."
Que tem que ver aquele que está
perfeito e aceito em um CRISTO ressuscitado e glorificado com o comer, beber e
dias santos? Que podem fazer para ele a filosofia, a tradição ou a
religiosidade humana? O que podem acrescentar as sombras que passam a quem tem
alcançado pela fé a eterna subsistência? Nada, certamente; e por isso o
bem-aventurado apóstolo prossegue: "Ninguém vos domine a seu bel-prazer
com pretexto de humildade e culto dos anjos, metendo-se em coisas que não viu;
estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da
qual todo o corpo; provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo
em aumento de DEUS. Se, pois, estais mortos com CRISTO quanto aos rudimentos do
mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo,
tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem
pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na
verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em
disciplina do corpo, mas não são de valor algum, senão para satisfação da
came" (Cl 2:6 a 23). Quer dizer, não dão aquela medida de honra ao corpo
que lhe é devida como vaso de DEUS, mas incham a came com orgulho religioso,
alimentando-a com uma oca e inútil aparência de santimônia.
CRISTO — o Fim das
Ordenanças da Lei.
Não nos atrevemos a fazer uma
apologia por esta longa citação. Uma apologia por citar a Escritura! Longe de
nós tal pensamento! Não é possível que alguém compreenda esta maravilhosa
passagem e não esteja completamente esclarecido não apenas quanto à questão do
sábado, mas também de todo o sistema de coisas com que esta questão está
relacionada. O cristão que compreende a sua posição acaba para sempre com todas
as questões sobre comidas e bebidas, dias e meses e tempos e anos. Nada sabe de
tempos santos nem de lugares santos. Está morto com CRISTO para os rudimentos
do mundo, e, como tal, está livre de todas as ordenanças de uma religião
tradicional. Pertence ao céu, onde não têm lugar as luas novas, dias santos e
sábados. Está na nova criação, onde todas as coisas são de DEUS; e por isso não
pode haver força moral em palavras tais como: "não toques", não
proves", "não manuseies". Não lhe podem ser, de modo algum,
aplicadas. Vive numa região onde as nuvens, os vapores e neblinas do
monasticismo e asceticismo nunca são vistos. Desprezou todas as folhas inúteis
de mera devoção carnal e tomou, em troca, as sólidas realidades da vida cristã.
Os seus ouvidos foram abertos para ouvir e o seu coração para compreender a
poderosa exortação do apóstolo inspirado: "Portanto, se já ressuscitastes
com CRISTO, buscai as coisas que são de cima, onde CRISTO está assentado à
destra de DEUS. Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra;
porque já estais mortos, e a vossa vida está escondida com CRISTO em DEUS.
Quando CRISTO, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos
manifestareis com ele em glória. Mortificai, pois, os vossos membros que estão
sobre a terra."
Aqui são desenroladas perante os
nossos olhos algumas das glórias do verdadeiro, prático cristianismo vital, em
contraste notável com todas as formas estéreis e secas de carnal e mundana
religiosidade. A vida cristã não consiste em observância de certas regras,
mandamentos ou tradições dos homens. E uma divina realidade. E CRISTO no
coração, e CRISTO reproduzido na vida diária pelo poder do ESPÍRITO SANTO. E o
novo homem, formado sobre o modelo de CRISTO mesmo, e manifestando-se em todos
os mais minuciosos pormenores da nossa vida diária, na família, nos negócios,
em todas as nossas relações com os nossos semelhantes; no nosso temperamento,
espírito, estilo, comportamento, em tudo. Não é um assunto de mera profissão ou
de dogma, ou de opinião de sentimentos; é uma realidade viva e inconfundível. E
o reino de DEUS estabelecido no coração, exercendo o seu bendito domínio sobre
todo o ser moral, e derramando a sua genial influência, sobre toda a esfera em
que somos chamados a nos movermos dia a dia. E a trajetória cristã nos benditos
passos d'Aquele que andou fazendo bem; fazendo todo o possível por satisfazer
todas as formas de necessidade humana; vivendo não para si mesmo mas para os
outros; achando gozo em servir e dar; pronto a contentar e simpatizar com
qualquer espírito deprimido ou triste e desolado coração.
Isto é cristianismo. E, quão
diferente isto é de todas as formas com que se reveste o legalismo e a
superstição! Quão diferente da observância rotineira e sem significado de dias,
meses, e tempos e anos, a abstenção de carnes, proibição de casamento, e coisas
que tais! Quão diferente das fanfarronadas do místico, da melancolia do
ascético e da austeridade do monge! Quão totalmente distinto de tudo isto! Sim,
prezado leitor; e nós podemos acrescentar, quão diferente da união disforme da
elevada profissão e da baixa prática; entre as verdades elevadas retidas no
intelecto, professadas, ensinadas e discutidas, o mundanismo e a própria
indulgência e um espírito indomável! O cristianismo do Novo Testamento difere
igualmente de todas estas coisas. E a manifestação divina, celestial e
espiritual no meio do humano, terrestre e natural. Oxalá seja o santo propósito
do autor e do leitor destas páginas não se darem por satisfeitos com nada menos
do que o cristianismo moralmente glorioso revelado nas páginas do Novo Testamento!
Cremos que é desnecessário
acrescentar alguma coisa mais à questão do sábado. Se o leitor tiver, de algum
modo, compreendido a importância das Escrituras que têm passado ante os nossos
olhos terá pouca dificuldade em ver o lugar que o sábado ocupa nos caminhos
dispensacionais de DEUS. Verá que se refere diretamente a Israel na terra, que
é um sinal do concerto entre o Senhor e o Seu povo terrestre e uma poderosa
prova do seu estado moral.
Além disso, verá que Israel nunca
guardou realmente o sábado, que nunca compreendeu a sua importância, nem nunca
apreciou o seu valor. Isto foi manifestado na vida, ministério e morte de nosso
Senhor JESUS CRISTO, que realizou muitas das Suas obras miraculosas no sábado,
e, por fim, passou o sábado no sepulcro.
Finalmente, compreenderá
claramente a diferença entre o sábado judaico e o primeiro dia da semana, ou o
dia do Senhor; que este nunca é chamado o sábado no Novo Testamento; mas, pelo
contrário, que é constantemente apresentado na sua própria distinção; não é o
sábado mudado ou transferido, mas um dia inteiramente novo, que tem a sua
própria base especial e o seu próprio curso de pensamento deixando o sábado
inteiramente intacto como instituição suspensa, para ser retomada, mais tarde,
quando a semente de Abraão for restaurada à sua própria terra (veja-se Ezequiel
46:1, 12).
O Primeiro Dia da Semana (Domingo)
— o Dia do Senhor.
Mas não podemos, felizmente,
deixar este interessante assunto sem dizer algumas palavras sobre o lugar
assinalado no Novo Testamento ao dia do Senhor, ou o primeiro dia da semana.
Embora não seja o sábado, e apesar de não ter nada a ver com dias santos ou
luas novas, ou "dias e meses, e tempos e anos", tem o seu próprio e
único lugar no cristianismo, como é evidente pelas múltiplas passagens nas
Escrituras do Novo Testamento.
Nosso Senhor ressuscitou dos
mortos nesse dia. Apareceu aos Seus discípulos, repetidas vezes, nesse dia. O
apóstolo e os irmãos em Trôade reuniram-se para partir o pão nesse dia (At
20:7). O apóstolo dá instruções aos coríntios e todos os que em todo o lugar
invocam o nome do Senhor JESUS CRISTO, a porem de parte as suas ofertas nesse
dia; ensinando-nos assim claramente que o primeiro dia da semana era o dia
especial para o povo do Senhor se reunir para a Ceia do Senhor, e para o culto,
comunhão e ministério relacionado com essa preciosíssima instituição. O
bem-aventurado apóstolo João diz-nos expressamente que estava em ESPÍRITO,
nesse dia, e recebeu essa maravilhosa revelação que encerra o Volume divino
(1).
(1) Alguns são de opinião que a
expressão, "no dia do Senhor" deveria ser vertida em "do dia do
Senhor", como querendo dizer que o apóstolo estava no espírito do dia em
que o Senhor JESUS CRISTO há de tomar o Seu grande poder para reinar. Porém, há
duas objeções a esta opinião. Em primeiro lugar, as palavras em Apocalipse 1:10
"O dia do Senhor", são completamente distintas das palavras em 1
Tessalonicenses 5:2; 2 Tessalonicenses 2:2; e 2 Pedro 3:10, propriamente
traduzidas "O dia do Senhor".
Consideramos isto como uma objeção
poderosa, suficiente para arrumar o assunto. Mas podemos acrescentar a isto
também o argumento baseado no fato que a maior parte do livro de Apocalipse
está ocupada não com "o dia do Senhor", mas com acontecimentos que o
antecedem.
Por isso estamos persuadidos que
"o dia do Senhor" e "o primeiro dia da semana" são
idênticos; e considerarmos isto um fato muito importante provando que esse dia
tem um lugar muito especial na Palavra de DEUS — um lugar que todo o cristão
inteligente reconhecerá com gratidão.
Desta forma temos perante nós um
conjunto de evidências amplamente suficiente para demonstrar a todo o espírito
piedoso que o dia do Senhor não deve ser reduzido ao nível dos dias ordinários.
Para o verdadeiro cristão não é nem o sábado judaico nem o domingo gentílico,
mas o dia do Senhor, em que o Seu povo com alegria e agradecimento se reúne em
redor da Sua Mesa para celebrar essa preciosa festa mediante a qual anuncia a
Sua morte até que venha.
Mas é desnecessário dizer que não
há uma simples sombra de escravidão legal ou de superstição em relação com o
primeiro dia da semana. Dizer ou pensar isso é negar toda a série de verdades
com a qual esse dia está relacionado. Não temos nenhum mandamento direto a
respeito da observância do dia; mas as passagens já referidas são amplamente
suficientes, amplamente bastantes para toda a mente espiritual; e, além disso,
podemos dizer que os instintos da natureza divina guiam o verdadeiro crente a
honrar e amar o dia do Senhor, e a pô-lo de parte, do modo mais reverente, para
o culto e serviço de DEUS. A própria ideia de alguém que professa amar a CRISTO
se ocupar de negócios ou de trabalho desnecessário no dia do Senhor é, no nosso
parecer, revoltante para todo o sentimento piedoso. Cremos ser um sagrado
privilégio retirarmo-nos, o mais possível, de todas as distrações das coisas
naturais e consagrarmos as horas do dia do Senhor a Ele mesmo e ao Seu serviço.
Dir-se-á talvez que o crente
deveria dedicar todos os dias ao Senhor. Certamente; nós somos de Senhor, no
sentido mais completo e elevado. Tudo quanto temos e tudo quanto somos Lhe
pertence. Reconhecemos isto plena e alegremente. Somos chamados para fazer tudo
em Seu Nome e para Sua glória. E nosso elevado privilégio comprar e vender,
comer e beber, sim, fazer tudo sob o Seu olhar e no temor e amor do Seu santo
nome. Não devemos pôr a nossa mão em coisa alguma, em qualquer dia da semana,
em que não poderíamos, com plena confiança, pedir a bênção do Senhor.
Tudo isto é claramente admitido.
Todo o verdadeiro crente o reconhece alegremente. Mas, ao mesmo tempo,
parece-nos impossível ler o Novo Testamento e não ver que o dia do Senhor ocupa
um lugar único, que é assinalado para nós do modo mais claro, que tem um
significado e uma importância que não podem, com justiça, ser requeridos para
qualquer outro dia da semana. Na realidade, tão convencidos estamos da verdade
de tudo isto, que, ainda mesmo que não fosse lei em Inglaterra guardar o dia do
Senhor, nós acharíamos que era nosso sagrado dever e santo privilégio
abstermo-nos de qualquer trabalho que não fosse absolutamente indispensável.
Graças a DEUS, é lei da Inglaterra
que o dia do Senhor seja observado. Isto é um sinal de misericórdia para todos
os que amam esse dia por amor do Senhor. Não podemos deixar de reconhecer a Sua
imensa bondade de haver arrebatado este dia da garra do mundo para o outorgar
ao Seu povo e aos Seus servos a fim de ser dedicado ao Seu culto e à Sua obra.
Que mercê é o dia do Senhor com o
seu profundo retiro das coisas mundanas! Que faríamos nós sem ele? Que bendita
suspensão dos afazeres semanais! Quão precioso para a assembleia reunida em
redor da Mesa do Senhor se lembrar d'Ele e anunciar a Sua morte e celebrar os
Seus louvores! Quão deliciosos são os diversos serviços do dia do Senhor, quer
sejam os de evangelista, de pastor, ensinador, obreiro da escola dominical ou
distribuidor de tratados! Que linguagem humana poderá descrever adequadamente o
valor e interesse de todas estas coisas? E verdade que o dia do Senhor é tudo
menos um dia de descanso corpóreo para os Seus servos; com efeito sentem-se
muitas vezes mais fatigados nesse dia do que em qualquer outro dia da semana.
Mas, oh, é um cansaço bendito; uma fadiga que encontrará o seu brilhante
galardão no repouso que resta ainda para o povo de DEUS!
Uma vez mais, prezado leitor
crente, levantemos os nossos corações num cântico de louvor ao nosso DEUS por
essa mercê bendita do dia do Senhor. Que Ele a mantenha para a Sua Igreja até
que venha! Que Ele desfaça, pelo Seu poder onipotente, todos os esforços dos
infiéis e ateus para removerem as barreiras que a lei inglesa erigiu em volta
do dia do Senhor! Será verdadeiramente um dia triste quando essas barreiras
forem destruídas.
Alguns poderão dizer talvez que o
sábado judaico desapareceu e que não é portanto obrigatório. Um grande número
de cristãos professos tem tomado esta atitude e advogado a abertura de parques
e lugares de recreio público ao domingo. Ah, compreende-se facilmente o que
tais pessoas pretendem e o que procuram! Querem pôr de lado a lei a fim de
obterem um privilégio para a indulgência carnal. Não compreendem que o único
meio de alguém se libertar da lei consiste em estar morto para ela; e se
estamos mortos para a lei, estamos também necessariamente mortos para o pecado,
e mortos para o mundo.
Isto toma o assunto de todo
diferente. O cristão está, graças a DEUS, livre da lei; mas, se o está, não é
para que se possa divertir no dia do Senhor, ou qualquer outro dia, mas para
que possa viver para DEUS. "Porque eu, pela lei, estou morto para a lei,
para viver para DEUS." Isto é terreno cristão; e só pode ser ocupado por
aqueles que são verdadeiramente nascidos de DEUS. O mundo não pode compreender
isso; nem tampouco pode compreender os sagrados privilégios e exercícios
espirituais do dia do Senhor.
Tudo isto é verdadeiro; ao mesmo
tempo, estamos absolutamente convencidos que se a Inglaterra tirasse as
barreiras que rodeiam o dia do Senhor, daria uma prova muito triste do seu
abandono da profissão religiosa que a tem, por tanto tempo, caracterizado, como
nação, e de se haver precipitado na direção da infidelidade e do ateísmo. Não
devemos perder de vista o fato importante de que a Inglaterra tomou o partido
de ser uma nação cristã — uma nação que professa ser governada pela Palavra de DEUS.
E portanto mais responsável do que aquelas nações que estão envoltas nas densas
trevas do paganismo. Nós cremos que as nações, assim como os indivíduos, serão
responsáveis pela profissão que fazem; e, por isso, aquelas nações que
professam ser cristãs e a si mesmas assim se chamam, serão julgadas, não apenas
pela luz da criação, nem pela lei de Moisés, mas pela plena luz do orbe do
cristianismo que professam — por toda a verdade encerrada nas capas desse
bendito livro que possuem, e do qual se vangloriam. Os pagãos serão julgados
com fundamento na criação; os judeus, com base na lei; o cristão nominal, com
base na verdade do cristianismo.
Ora este fato importante agrava
seriamente a posição da Inglaterra e de todas as outras nações que professam
ser cristãs. DEUS tratará com elas certamente com base na sua profissão. De
nada serve dizer que não entendem o que professam; pois por que professar o que
não entendem e creem? O fato é que professam compreender e crer; e por este
fato serão julgadas. Vangloriam-se da expressão popular de que "a Bíblia e
só a Bíblia é a religião dos protestantes".
Se é assim, quão solene é o
pensamento da Inglaterra julgado pelo padrão de uma Bíblia aberta! Qual será o
seu juízo? Qual o seu fim? Deixamos a aterradora resposta à consideração de
todos a quem compete dá-la.
Que Lugar Ocupa a
Escritura em Nossos Corações?
Devemos agora deixar o tema
profundamente interessante do sábado e do dia do Senhor e dar por terminada
esta parte com a citação para o leitor do notável parágrafo com que termina o
nosso capítulo. Não exige um extenso comentário, mas parece- nos proveitoso
nestes "Estudos sobre o Deuteronômio", proporcionar ao leitor
passagens completas do próprio livro, a fim de que ele possa ter diante de si
as próprias palavras do ESPÍRITO SANTO, sem mesmo ter de dar-se ao incómodo de
pôr de parte o volume que tem em suas mãos.
Havendo exposto ao povo os dez
mandamentos, o legislador prossegue recordando-lhes as solenes circunstâncias
que acompanharam a entrega da lei, juntamente com os seus próprios sentimentos
e expressões naquela ocasião.
"Estas palavras falou o
SENHOR a toda a vossa congregação no monte, do meio do fogo, da nuvem e da
escuridade, com grande voz, e nada acrescentou; e as escreveu em duas tábuas de
pedra, e a mim mas deu. E sucedeu que, ouvindo a voz do meio das trevas e vendo
o monte ardente em fogo, vos achegastes a mim, todos os cabeças das vossas
tribos e vossos anciãos, e dissestes: Eis aqui o SENHOR, nosso DEUS, nos fez
ver a sua glória e a sua grandeza, e ouvimos a sua voz do meio do fogo; hoje,
vimos que DEUS fala com o homem e que o homem fica vivo. Agora, pois, por que
morreríamos?- Pois este grande fogo nos consumiria: se ainda mais ouvíssemos a
voz do SENHOR, nosso DEUS, morreríamos. Porque, quem há, de toda a came, que
ouviu a voz do DEUS vivente falando do meio do fogo, como nós, e ficou vivo?
Chega-te tu e ouve tudo o que disser o SENHOR, nosso DEUS; e tu nos dirás tudo
o que te disser o SENHOR, nosso DEUS, e o ouviremos e o faremos. Ouvindo, pois,
o SENHOR a voz das vossas palavras, quando me faláveis a mim, o SENHOR me
disse: Eu ouvi a voz das palavras deste povo, que te disseram; em tudo falaram
eles bem. Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem e guardassem
todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse a eles e a
seus filhos, para sempre! Vai, dize-lhes: Tomai-vos às vossas tendas. Porém tu
estás aqui comigo, para que eu a ti te diga todos os mandamentos, e estatutos,
e juízos que tu lhes hás de ensinar que cumpram na terra que eu lhes darei para
possuí-la. Olhai, pois, que façais como vos mandou o SENHOR, VOSSO DEUS; não
declinareis nem para a direita, nem para a esquerda. Andareis em todo o caminho
que vos manda o SENHOR, VOSSO DEUS, para que vivais, e bem vos suceda, e
prolongueis os dias na terra que haveis de possuir" (versículos 22 a 33).
Aqui o grande princípio do livro
de Deuteronômio brilha com fulgor pouco comum. Está incorporado nessas
comovedoras e poderosas palavras que formam o verdadeiro núcleo da esplêndida
passagem que acabamos de citar. "Quem dera que eles tivessem tal coração
que me temessem e guardassem todos os meus mandamentos todos os dias, para que
bem lhes fosse a eles e a seus filhos, para sempre!"
Preciosas palavras! Põem diante de
nós, do modo mais feliz, a origem secreta daquela vida que nós, como cristãos,
somos chamados para viver, dia a dia — a vida de simples, implícita e completa
obediência, isto é, um coração que teme o Senhor—que O teme não com espírito
servil, mas com aquele amor profundo, verdadeiro, adorável, que o ESPÍRITO
SANTO derrama em nossos corações. E isto que compraz o coração de nosso
amantíssimo Pai celestial. A Sua Palavra diz-nos: "Dá-me, filho meu, o teu
coração." Quando o coração é dado, tudo se segue em encantadora ordem
moral. Um coração amorável encontra o seu mais profundo gozo em obedecer a
todos os mandamentos de DEUS; e nada é de valor algum para DEUS senão o que
emana de um coração amoroso. O coração é a origem de todas as saídas da vida;
e, por isso, quando é governado pelo amor de DEUS há uma resposta amorosa a
todos os Seus mandamentos. Nós amamos os Seus mandamentos, porque o amamos a
Ele. Cada palavra Sua é preciosa para o coração que O ama. Cada preceito, cada
estatuto, cada juízo, numa palavra, toda a Sua lei é amada, reverenciada e
obedecida porque o Seu nome e a Sua autoridade estão com ela ligados.
O leitor encontrará no Salmo 119
uma ilustração rara e bela do ponto especial que temos perante nós — um exemplo
notável de alguém que responde admiravelmente às palavras acima citadas —
"Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem e guardassem
todos os meus mandamentos... para sempre"! E o formoso alento de uma alma
que encontrou o seu profundo e constante deleite na lei de DEUS. Existem nada
menos de cento e setenta e seis alusões a essa preciosa lei, sob um título ou
outro. Vemos espalhadas por todo este maravilhoso salmo, em rica profusão,
joias tais como as seguintes:
"Escondi a tua palavra no meu
coração, para eu não pecar contra ti. Folgo mais com o caminho dos teus
testemunhos do que com todas as riquezas. Em teus preceitos meditarei, e
olharei para os teus caminhos. Alegrar-me-ei nos teus estatutos: não me esquecerei
da tua palavra." "A minha alma está quebrantada de desejar os teus
juízos, em todo o tempo." "Também os teus testemunhos são o meu
prazer e os meus conselheiros." "Apego-me aos teus testemunhos."
"Eis que tenho desejado os teus preceitos." "Confio na tua
palavra... pois me atenho aos teus juízos." "E alegrar-me-ei em teus
mandamentos, que eu amo." "Lembrei-me dos teus juízos." "Os
teus estatutos têm sido os meus cânticos no lugar das minhas
peregrinações." "Voltei os meus pés para os teus testemunhos."
"Cri nos teus mandamentos." "Melhor é para mim a lei da tua boca
do que inúmeras riquezas em ouro ou prata." "Tenho esperado na tua
palavra." "A tua lei é a minha delícia." "Os meus olhos
desfaleceram, esperando por sua promessa." "Todos os teus mandamentos
são verdade." "Para sempre, ó SENHOR, a tua palavra permanece no
céu." "Nunca me esquecerei dos teus preceitos." "Pois tenho
buscado os teus preceitos." "Mas eu atentarei para os teus
testemunhos." "O teu mandamento é amplíssimo." "Oh, quanto
amo atua lei! E a minha meditação em todo o dia." "Oh, quão doces são
as tuas palavras ao meu paladar! Mais doces do que o mel à minha boca."
"Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança para sempre, pois são o
gozo do meu coração." "De contínuo me recrearei nos teus
estatutos." "Pelo que amo os teus mandamentos mais do que o
ouro." "Tenho em tudo como retos todos os teus preceitos."
"Maravilhosos são os teus testemunhos." "Abri a minha boca e
respirei, pois que desejei os teus mandamentos." "... retos são os
teus juízos". "Os teus testemunhos... são retos e muito fiéis."
"A tua palavra é muito pura." "A tua lei é a verdade."
"A justiça dos teus testemunhos é etema." "Todos os teus
mandamentos são a verdade." "A tua palavra é a verdade desde o
princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre." "O meu
coração temeu a tua palavra." "Folgo com a tua palavra, como aquele
que acha um grande despojo." "Muita paz têm os que amam a tua
lei." "Aminha alma tem observado os teus testemunhos; amo-os
extremamente." "Tenho observado os teus preceitos." "A tua
lei é todo o meu prazer."
Certamente fortalece o coração e
anima o espírito transcrever frases tais como as precedentes, muitas das quais
podem ser usadas para descrever a vida de nosso Senhor nos dias da Sua carne.
Viveu sempre da Palavra. Era o alimento da Sua alma; a autoridade do Seu
caminho, o material do Seu ministério. Por ela venceu Satanás; por ela tapou a
boca aos saduceus, fariseus e herodianos. Por ela ensinou os Seus discípulos. A
ela encomendou os Seus discípulos, quando estava prestes a subir aos céus.
Quão importante é tudo isto para
nós! Quão interessante! Quão profundamente prático! Que lugar tão elevado dá à
Sagrada Escritura! Porque lembremos que é, na verdade, o bendito Volume de
inspiração que é posto diante de nós em todas essas áureas passagens citadas do
Salmo 119. Quanto nos anima, fortalece e encoraja observar a maneira como nosso
Senhor empregou as Sagradas Escrituras em todas as ocasiões, o lugar que lhes
dá e a dignidade que lhes confere! Recorre a elas em todas as ocasiões como
autoridade divina contra a qual não pode haver apelo. Embora DEUS sobre todas
as coisas, o Autor do Sagrado Volume, tendo tomado o Seu lugar na terra como
Homem, mostra, com a possível clareza, o que é o dever obrigatório e elevado
privilégio do homem, a saber, viver da Palavra de DEUS — inclinar-se em
reverente sujeição à sua autoridade divina.
E não temos nós aqui uma
satisfatória resposta para a pergunta tantas vezes repetida da infidelidade:
"Como sabemos que a Bíblia é a Palavra de DEUS?" Se na verdade cremos
em CRISTO; se reconhecemos que Ele é o Filho de DEUS, DEUS manifestado em came,
verdadeiro DEUS e verdadeiro homem, não podemos deixar de ver a força moral do
fato que esta Pessoa divina apelou constantemente para as Escrituras — para
Moisés, para os Profetas e os Salmos, como padrão divino. Não sabia que eram a
Palavra de DEUS? Indubitavelmente. Como DEUS, Ele as havia dado; como Homem
recebeu-as, aceitou-as, viveu de acordo com elas, e reconheceu a sua suprema
autoridade em todas as coisas.
Que fato de peso há aqui para a
igreja professante! Que áspera repreensão para todos os chamados doutores e
escritores cristãos que têm ousado intrometer-se com a grande verdade
fundamental de inspiração plenária das Sagradas Escrituras em geral, e dos cinco
livros de Moisés em particular! Quão terrível é pensar que muitos que professam
ser mestres da igreja de DEUS se atrevem a apontar como apócrifos escritos que
nosso Senhor e Mestre aceitou e reconheceu como divinos! E, contudo, diz-se e
espera-se que creiamos que as coisas vão melhorar! Ah, é uma miserável ilusão!
Os absurdos degradantes do ritualismo, e os argumentos blasfemos da
infidelidade estão aumentando rapidamente em redor de nós; e onde essas
influências não estão presentemente dominando observa-se, na maioria dos casos,
uma fria indiferença, comodidade carnal, complacência, e apego ás coisas
mundanas — tudo e qualquer coisa, enfim, menos a evidência de melhoria. Se as
pessoas não são arrastadas pela infidelidade, por um lado, ou pelo ritualismo,
por outro lado, é, principalmente, devido ao fato de que estão muito ocupadas
com os prazeres e os negócios para pensarem em qualquer outra coisa. E quanto à
religião dos nossos dias, se se lhes tirar o dinheiro e a música, ter-se-á um
saldo lamentavelmente insignificante.
Por isso, é impossível
desembaraçarmo-nos da convicção que o testemunho combinado da observação e da
experiência está diretamente oposto à ideia de que as coisas estão melhorando.
Com efeito, todo aquele que, em face de uma tal linha de evidência em contrário,
persiste em inclinar-se para uma tal teoria só pode ser considerado como fruto
da mais inconcebível credulidade.
Mas talvez alguém se sinta
disposto a dizer que não devemos julgar segundo o que vemos; que devemos ter
esperança. Certamente, contanto que tenhamos uma garantia divina para a nossa
esperança. Se é possível apresentar uma simples linha da Escritura para provar
que o atual estado de coisas vai ser caracterizado por progresso gradual,
religioso, político, moral ou social, então, sem dúvida, sejamos esperançosos.
Sim; esperança contra a esperança. Uma simples cláusula de inspiração é
suficiente para formar a base de uma esperança que elevará o coração acima das
mais negras e deprimentes circunstâncias que nos cercam.
Mas onde se há de encontrar essa
cláusula? Em parte nenhuma. O testemunho da Bíblia, desde o princípio ao fim; o
ensino claro da Escritura, desde uma à outra extremidade; as vozes dos profetas
e apóstolos, em ininterrupta harmonia, sem uma única nota divergente, provam
com uma força e clareza perfeitamente incontestáveis que o estado presente de
coisas, longe de melhorar gradualmente, piorará rapidamente; que, antes que os
brilhantes raios da glória do milénio possam alegrar este mundo dolorido, a
espada do juízo tem de fazer a sua obra aterradora. Citar as passagens em prova
da nossa afirmação encheria literalmente um volume; seria transcrever
simplesmente uma grande parte das Escrituras proféticas do Velho Testamento e
do Novo.
Não vamos, evidentemente, tentar
fazer isto. Não há necessidade. O leitor tem a sua Bíblia. Examine-a
diligentemente. Ponha de parte as suas ideias preconcebidas, todo o
convencionalismo da cristandade, toda a fraseologia vulgar do mundo religioso,
todos os dogmas das escolas de divindade, e venha, com a simplicidade de uma
criancinha, à pura fonte da Sagrada Escritura, e beba da sua celestial
doutrina. Se fizer isto, levantar-se-á do estudo com a clara e firme convicção
de que o mundo não será, com toda a certeza, convertido pelos meios atualmente
postos em prática — que não é o evangelho da paz mas o espanador da destruição
que preparará a terra para a glória.
Quer então dizer que negamos o bem
que está sendo feito?- Somos insensíveis a seu respeito«? Longe de nós tal
pensamento! Bendizemos a DEUS de todo o coração por todo bem. Regozijamo-nos em
todos os esforços que se fazem para espalhar o precioso evangelho da graça de DEUS;
rendemos graças a DEUS por cada alma que ingressa no bendito círculo da
salvação de DEUS. Deleitamo-nos em pensar dos oitenta e cinco milhões de
Bíblias espalhadas sobre toda a terra. Que mente humana poderá calcular os
resultados de todos estes exemplares, sim, os resultados até mesmo de um só
exemplará Desejamos sinceramente que DEUS ajude a todo o missionário de coração
fiel que leva as boas novas de salvação quer seja às travessas e pátios de
Londres ou às mais distantes partes da terra.
O Evangelho não é
Anunciado para a Conversão do Mundo, mas para tomar dele um Povo para o Seu
Nome
Mas, admitindo tudo isto, como
sinceramente admitimos, nós, todavia, não acreditamos na conversão do mundo
pelos meios postos em prática. A Escritura diz-nos que é quando os juízos
divinos vierem sobre a terra que os habitantes do mundo aprenderão a justiça.
Esta simples cláusula da inspiração deveria ser suficiente para provar que não
é por meio do evangelho que o mundo será convertido, e há centenas de cláusulas
que empregam a mesma linguagem e ensinam a mesma verdade. Não é pela graça, mas
pelo juízo que os habitantes de todo o mundo aprenderão a justiça.
Qual é pois o objetivo do
evangelho"? Se não é para converter o mundo, com que propósito é pregado?
O apóstolo Tiago, no seu discurso no memorável concílio de Jerusalém, dá a
resposta direta e conclusiva a esta pergunta. Diz ele: "Simão relatou
como, primeiramente, DEUS visitou os gentios." Para quê? Para os converter
todos? Antes pelo contrário: "Para tomar deles um povo para o seu
nome." Nada pode ser mais claro do que isto. Põe diante de nós o que
deveria ser o grande objetivo de todo o esforço missionário—aquilo que todo o
missionário divinamente enviado e divinamente ensinado terá presente em todos
os seus benditos trabalhos. E para tomar um povo para o Seu nome.
Quão importante é recordar isto!
Quão necessário nos é ter diante de nós um verdadeiro objetivo em todo o nosso
trabalho! De que serve trabalhar com um falso objetivo? Não é muito melhor
trabalhar com o fim imediato do que DEUS está fazendo? Enfraquecerá as energias
do missionário ou impedirá os seus movimentos ter sempre presente o propósito
divino do seu trabalho? Claro que não. Vejamos o caso de dois missionários
partindo para um campo missionário longínquo; um tem por seu objetivo a
conversão do mundo; o outro, tomar dele um povo. O último, por razão do seu
propósito, será menos enérgico, menos ativo, menos entusiasta do que o
primeiro? Não podemos crer; pelo contrário, o próprio fato de estar dentro da
corrente dos propósitos divinos comunicará à sua obra estabilidade e
consistência ao seu trabalho; e, ao mesmo tempo, encorajará o seu coração em
face das dificuldades e impedimentos que o rodeiam.
Porém, é perfeitamente claro que
os apóstolos de nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO não tinham tal objetivo,
ao sair para o seu trabalho, como a conversão do mundo. "Ide por todo o
mundo, pregai o evangelho a toda a criatura. Quem crer e for batizado será
salvo; mas quem não crer será condenado."
Isto foi dito aos doze. O mundo
devia ser a sua esfera de trabalho. A sua mensagem era para toda a criatura; a
aplicação, àquele que crer. Era por excelência uma coisa individual. A
conversão de todo o mundo não devia ser o seu objetivo; isso será efetuado por
uma operação totalmente distinta, quando a presente ação de DEUS por meio do
evangelho tiver produzido a separação de um povo para os céus (1). O ESPÍRITO
SANTO desceu no dia de Pentecostes não para converter o mundo, mas para o
"convencer" do pecado ou demonstrar a sua culpa em rejeitar o Filho
de DEUS (2). O efeito da Sua presença devia ser provar o mundo culpado; e
quanto ao grande objetivo da Sua missão, era o de formar um corpo composto de
crentes tanto de judeus como de gentios. Com isto Ele tem estado ocupado
durante os últimos mil e oitocentos anos. Este é "o mistério" de que
o apóstolo Paulo foi feito ministro, e o qual ele desenrola tão completa e de
modo tão bendito na sua epístola aos Efésios. E impossível alguém compreender a
verdade neste maravilhoso documento e não ver que a conversão do mundo e a
formação do corpo de CRISTO são coisas tão diferentes que não podem de modo
algum andar juntas.
(1)
Queremos chamar a
atenção do leitor para o Salmo 67. E uma das muitas passagens que provam que a
bênção das nações se segue à restauração de Israel. "DEUS tenha
misericórdia de nós" [Israel] "e nos abençoe, e faça resplandecer o
seu rosto sobre nós. Para que se conheça na terra o teu caminho e em todas as
nações [...] DEUS nos abençoará, e todas as extremidades da terra o
temerão." Não poderia haver uma prova mais bela ou poderosa do fato que é
Israel, e não a igreja, que será usada para bênção das nações.
(2)
A aplicação de João
16:8 a 11 à obra do ESPÍRITO no indivíduo é, no nosso parecer, um grave erro.
Essa passagem refere-se ao efeito da Sua presença na terra e a respeito do
mundo no seu conjunto.
A sua obra na alma é uma obra
preciosa, escusado será dizê-lo; mas não é a verdade ensinada nesta passagem.
Considere o leitor a seguinte
passagem: "Por esta causa, eu, Paulo, sou o prisioneiro de JESUS CRISTO
por vós, os gentios, se é que tendes ouvido a dispensação da graça de DEUS, que
para convosco me foi dada; como me foi este mistério manifestado pela revelação
como acima, em pouco, vos escrevi, pelo que, quando ledes, podeis perceber a
minha compreensão do mistério de CRISTO, o qual, noutros séculos, não foi
manifestado aos filhos dos homens" — não foi manifestado nas Escrituras do
Velho Testamento; nem revelado aos santos ou profetas do Velho Testamento —
"como, agora, tem sido revelado pelo ESPÍRITO aos seus santos apóstolos e
profetas"
quer dizer, aos
profetas do Novo Testamento — "a saber, que os gentios são co-herdeiros, e
de um mesmo corpo, e participantes da promessa em CRISTO pelo evangelho; do
qual fui feito ministro, pelo dom da graça de DEUS, que me foi dado, segundo a
operação do seu poder. A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta
graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas
incompreensíveis de CRISTO e demonstrar a todos qual seja a dispensação do
mistério, que, desde os séculos esteve oculto em DEUS, que tudo criou; para que
agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de DEUS seja conhecida dos
principados e potestades nos céus" (Ef 3:1 a 10).
Vejamos outra passagem da epístola
aos Colossenses: "Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé e
não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi
pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito
ministro. Regozijo-me, agora, no que padeço por vós e na minha carne cumpro o
resto das aflições de CRISTO, pelo seu corpo, que é a igreja; da qual eu estou
feito ministro, segundo a dispensação de DEUS, que me foi concedida para
convosco, para cumprir a palavra de DEUS: o mistério que esteve oculto desde
todos os séculos e em todas as gerações e que, agora, foi manifesto aos seus
santos; aos quais DEUS quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória
deste mistério entre os gentios, que é CRISTO em vós, esperança da glória; a
quem anunciamos, admoestando a todo homem e ensinando a todo homem; em toda a
sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em JESUS CRISTO; e para
isto também trabalho, combatendo segundo a eficácia, que opera em mim
poderosamente" (Cl 1:23 a 29).
De estas e outras numerosas
passagens o leitor poderá ver o objetivo especial do ministério de Paulo.
Certamente a ideia da conversão do mundo não entrava na sua mente. Decerto,
pregava o evangelho, em toda a sua profundidade, plenitude e poder — pregava-o
"desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico" — "anunciava entre
os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de CRISTO";
mas não com a ideia de converter o mundo. Estava mais bem informado. Sabia e
ensinava que o mundo se estava preparando para o juízo; sim, amadurecendo
rapidamente; que "os homens maus e enganadores irão de mal para
pior"; que "nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando
ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demónios, pela hipocrisia de
homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência,
proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que DEUS criou
para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações
de graças" (1 Tm 4:1 a 4).
E, mais ainda, esta testemunha
fiel e divinamente inspirada ensinou que "nos últimos dias" — muito
antes dos "últimos tempos" — "sobrevirão tempos
trabalhosos" [ou difíceis]; "porque haverá homens amantes de si
mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e
mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores,
incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados,
orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de DEUS, tendo aparência de
piedade, mas negando a eficácia dela" (2 Tm 3:1 a 5).
O Que Diz a Escritura
Que quadro! Faz-nos retroceder ao
final do capítulo 1 de Romanos, onde a mesma pena inspirada nos descreve as
sinistras formas de paganismo; mas com esta diferença terrível que em 2 Timóteo
não se trata de paganismo mas de cristianismo nominal — "uma forma de
piedade".
E há de ser este o fim do atual
estado de coisas? E este o mundo convertido do qual tanto ouvimos falará Ah, os
falsos profetas abundam por toda a parte! Há muitos que clamam, paz, paz, não
havendo paz. Há os que pretendem rebocar a parece esburacada da cristandade com
cal não adubada (Ez 13:10).
Mas isto não prosperará. O juízo
está perto. A igreja professante tem fracassado completa e vergonhosamente;
tem- se apartado lamentavelmente da Palavra de DEUS, e revoltado contra a
autoridade do seu Senhor. Não há um só raio de esperança para a cristandade. E
a mancha moral mais negra em todo o vasto universo de DEUS, ou na página da
história. O mesmo bendito apóstolo de cujos escritos temos feito uma extensa
citação diz-nos que "já o mistério da injustiça opera"; de onde se
segue que tem estado a operar através de dezoito séculos. "Somente há um
que, agora, resiste até que do meio seja tirado; e, então, será revelado o
iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo
esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com
todo o poder, e sinais, e prodígios de mentira, e com todo o engano da
injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se
salvarem. E, por isso, DEUS lhes enviará a operação do erro, para que creiam a
mentira, para que sejam julgados todos os que não creram a verdade; antes,
tiveram prazer na iniquidade" (2 Ts 2:7 a 12).
Quão terrível é a sentença da
cristandade! Operação do erro! Negra condenação! E tudo isto na cara desses
falsos profetas que falam do "lado brilhante das coisas".
Graças a DEUS, existe um lado
brilhante para todos os que pertencem a CRISTO. A esses o apóstolo pode falar
com esplendorosos e alegres acentos. "Mas devemos sempre dar graças a DEUS,
por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter DEUS elegido desde o princípio
para a salvação em santificação do ESPÍRITO e fé da verdade, para o que, pelo
nosso evangelho, vos chamou para alcançardes a glória de nosso Senhor JESUS CRISTO"
(2 Ts 2:13-14).
Aqui temos, indubitavelmente, o
lado glorioso das coisas — a gloriosa e bendita esperança da Igreja de DEUS — a
esperança de ver "a resplandecente estrela da manhã". Todos os
crentes corretamente instruídos estão à espera, não de um mundo melhorado ou
convertido, mas da vinda do seu Senhor e Salvador que foi preparar-lhes um
lugar na casa do Pai e virá outra vez para os levar para Si mesmo, para que
onde Ele estiver, eles estejam também. Esta é a Sua doce promessa, a qual pode
realizar-se de um momento para o outro. O Senhor espera apenas, como Pedro nos
diz, em longanimidade, não querendo que ninguém se perca, senão que todos
venham a arrepender-se. Mas quando o último membro for incorporado pelo ESPÍRITO
SANTO no bendito corpo de CRISTO, então a voz do arcanjo e a trombeta de DEUS
convocarão todos os remidos, desde o princípio, para irem ao encontro do seu
Senhor nos ares, para estarem sempre com Ele.
Esta é a verdadeira e própria
esperança da Igreja de DEUS — uma esperança que Ele quer que resplandeça sempre
nos corações de todo o Seu amado povo, em todo o seu poder purificador e de
exaltação. Desta bendita esperança o inimigo tem conseguido roubar um grande
número do povo do Senhor. Com efeito durante séculos foi quase apagada do
horizonte da Igreja; e foi apenas parcialmente recuperada durante os últimos
cinquenta anos. E, oh, quão parcialmente! Onde ouvimos nós falar dela em todos
os âmbitos da Igreja professante? Ecoa nos púlpitos da cristandade o grito alegre:
"Aí vem o esposo?" Longe disso. Até mesmo os poucos servos amados de CRISTO
que esperam a Sua vinda dificilmente se atrevem a pregá-la porque receiam que
seria completamente rejeitada. Como certamente seria. Estamos perfeitamente
convencidos de que, na maioria dos casos, os que se aventurassem a pregar a
gloriosa verdade da vinda do Senhor para a Sua Igreja, teriam rapidamente que
abandonar os púlpitos.
Que solene e notável prova do
poder enganador de Satanás! Defraudou a Igreja da esperança que divinamente lhe
foi dada; e, em vez dela, deu-lhe uma ilusão — a mentira. Em vez de esperar
pela "resplandecente Estrela da manhã", pô-la à espera da conversão
do mundo — de um milénio sem CRISTO. Tem conseguido lançar sobre o futuro uma
tal ofuscação mental que a Igreja perdeu completamente a sua orientação. Não
sabe onde está. E como um barco sacudido pelo mar tormentoso sem ter leme nem
bússola, sem ver sol nem estrelas. Tudo são trevas e confusão.
E por que é isto assim?-
Simplesmente porque a Igreja tem perdido de vista a pura e preciosa Palavra do
seu Senhor; e aceitado, em lugar dela, esses credos e confissões confusos dos
homens, que mancham e mutilam de tal maneira a verdade de DEUS que os cristãos
parecem estar completamente desorientados quanto à sua própria posição e
esperança.
E, todavia, têm a Bíblia em suas
mãos. Decerto, mas também os judeus a tinham, e, todavia, rejeitaram Aquele
bendito Senhor que é o grande tema da Bíblia, desde o princípio ao fim. Esta
era a inconsistência moral que nosso Senhor lhes lançou em cara, em João 5.
"Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e
são elas que de mim testificam. E não quereis vir a mim para terdes vida"
(1).
(1) Tinham as Escrituras, liam-na
nas sinagogas todos os sábados; professavam crer que tinham nelas a vida
eterna; elas testificavam d'EIe; e todavia, não queriam vir a Si. Daí a
flagrante inconsistência. Se for tomada como uma ordem, toda a força da passagem
é perdida.
Será preciso recordar ao leitor
que há inúmeros argumentos e conclusões que nos levam a examinar as Escrituras
sem apelar para o que cremos ser uma incorreta interpretação de João 5:39?
E por que era isto? Simplesmente
porque as suas mentes estavam cegas por preconceitos religiosos. Estavam sob a
influência de doutrinas e mandamentos dos homens. Por isso, embora tivessem as
Escrituras, e se vangloriassem de as possuir, eram tão ignorantes acerca delas
e governavam-se tampouco por elas como os pobres pagãos ignorantes que os
rodeavam. Uma coisa é termos a Bíblia em nossas mãos, em nossas casas, nas
nossas igrejas, e outra muito diferente ter as verdades da Bíblia atuando em
nossos corações e consciências e brilhando nas nossas vidas. Tome-se por
exemplo o magno assunto de que estamos tratando e que nos tem conduzido a esta
larga digressão. Pode alguma coisa ser mais claramente ensinada no Novo
Testamento do que isto, ou seja, que o fim do presente estado de coisas será
uma terrível apostaria da verdade, e rebelião declarada contra DEUS e o
Cordeiro?- Os Evangelhos, as Epístolas e o Apocalipse todos concordam em expor
esta verdade solene com tal clareza e simplicidade que até um menino em CRISTO
pode vê-la.
E, contudo, quão poucos,
comparativamente, creem isto! A grande maioria crê precisamente o contrário.
Creem que por meio das diversas atividades atualmente em operação todas as
nações serão convertidas. Em vão chamados a atenção para as parábolas do Senhor
em Mateus 13: o joio, o fermento e a semente de mostarda. Como concordam elas
com a ideia da conversão do mundo? Se o mundo inteiro vai ser convertido pela
pregação do evangelho, como é então que se encontra joio no campo no fim do
mundo? Como é que há tantas virgens loucas como sábias quando o Esposo vem? Se
todo o mundo há de ser convertido pelo evangelho, então para quem é que "o
dia do Senhor virá como ladrão de noite?" Ou o que significam estas
palavras terríveis: "Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então,
lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está
grávida; e de modo nenhum escaparão" (1 Ts 5:3). A vista de um mundo
convertido, qual seria a justa aplicação, a força moral dessas solenes palavras
em capítulo primeiro de Apocalipse: "Eis que vem com as nuvens, e todo o
olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se
lamentarão sobre ele?" Onde se encontrarão essas tribos em pranto se todo
o mundo há de ser convertido?
Leitor, não é claro como a luz do
sol que as duas coisas não podem, nem por um momento, subsistir juntas? Não é
perfeitamente claro que a teoria da conversão do mundo por meio do evangelho
está diametralmente oposta ao ensino de todo o Novo Testamento? Como é então
que a grande maioria dos crentes professos persiste em a afirmará Só pode haver
uma resposta e esta é que não se submetem à autoridade da Escritura. E muito
doloroso e solene ter de o dizer; mas é infelizmente verdade! A Bíblia é lida
na cristandade; mas as verdades da Bíblia não são acreditadas — antes pelo
contrário, são persistentemente rejeitadas. E tudo isto ante a expressão de
alarde tantas vezes repetida: A Bíblia, e somente a Bíblia é a religião dos
protestantes."
Mas não prosseguiremos este
assunto, apesar de sentirmos o seu valor e importância. Confiamos em que o
leitor seja levado pelo ESPÍRITO SANTO a sentir a sua profunda solenidade.
Cremos que o povo de DEUS em toda a parte necessita de ser despertado para
conhecer como a igreja professante se apartou completamente da autoridade da
Escritura. Podemos estar certos de que está aqui a verdadeira causa de toda a
confusão, de todo o erro, de todo o mal entre nós. Temos nos afastado da
Palavra do Senhor, e d'Ele mesmo. Enquanto isto não for compreendido, sentido e
admitido, as coisas não podem mudar. O Senhor busca verdadeiro arrependimento,
um espírito realmente quebrantado, na Sua presença: "... eis para quem
olharei: para o pobre e abatido de espírito, e que treme da minha palavra"
(Is 66:2).
Isto é sempre verdadeiro. Não há
limite para a bênção, quando a alma se encontra nesta bendita atitude. Mas tem
de ser uma realidade. De nada servirá falar de se estar "pobre e
abatido"; devemos estar realmente nesse estado. E um assunto individual —
"para quem olharei".
Oh, que o Senhor, em Sua infinita
misericórdia, nos guie, a cada um de nós, a um verdadeiro auto-juízo sob a ação
da Sua Palavra! Que os nossos ouvidos sejam abertos para ouvir a Sua voz! Que
os nossos corações sejam realmente volvidos para Ele e a Sua Palavra! Voltemos
as costas, com santa decisão, de uma vez para sempre, a tudo que não estiver de
acordo com a Sagrada Escritura! Isto, estamos convencidos, é o que o Senhor JESUS
CRISTO espera de todos os que Lhe pertencem, entre os terríveis e irremediáveis
escombros da cristandade.
RESUMO DESTE TEXTO:
1.
O segundo discurso de Moisés em Deuteronômio enfatiza a
obediência prática do povo de Deus à Sua lei.
2.
Quatro verbos fundamentam essa caminhada espiritual: ouvir,
aprender, guardar e praticar a Palavra divina.
3.
Ouvir coloca o crente na atitude correta diante do Criador,
abrindo caminho para a fé e o discernimento espiritual.
4.
A obediência cristã deve se submeter estritamente à
autoridade de Deus, e não às tradições ou imposições humanas.
5.
O texto alerta contra a falsa obediência do monasticismo e
a obstinada autossuficiência do pensamento racionalista.
6.
A submissão aos líderes e mestres deve basear-se no dom
divino e no fruto do trabalho, não em meros cargos.
7.
O verdadeiro ministério espiritual provém de Deus, busca
glorificá-Lo e edifica o corpo mediante a verdade bíblica.
8.
Os crentes têm o dever e a responsabilidade de julgar
doutrinas, frutos e ministérios pela Palavra de Deus.
9.
Moisés não buscava domínio pessoal, mas conduzia a
congregação a um relacionamento vivo de temor e fidelidade.
10.
O pacto de Horebe (uma aliança de obras) contrasta com o
concerto abraâmico, fundamentado na graça incondicional.
11.
A lei expõe a incapacidade humana de alcançar a justiça por
seus próprios esforços e revela a santidade de Deus.
12.
Embora a moralidade da lei seja permanente, os crentes
foram libertados de sua maldição e de sua condenação.
13.
Os gentios nunca foram postos debaixo da economia legal
dada exclusivamente a Israel no monte Sinai/Horebe.
14.
O Concílio de Jerusalém (Atos 15) confirmou que os crentes
gentios não devem ser submetidos ao jugo da lei.
15.
Tentar impor a lei como meio de justificação ou perfeição
equivale a anular a suficiência da cruz de Cristo.
16.
A liberdade cristã não significa licenciosidade, mas a
capacidade dada pelo Espírito para viver em santidade.
17.
Estando crucificado com Cristo, o crente é morto para a
lei, para o pecado e para o sistema moral do mundo.
18.
Em Deuteronômio 5, a repetição dos Dez Mandamentos traz
aplicações práticas e motivações fundamentadas na redenção.
19.
O sábado foi instituído diretamente por Deus como sinal
perpétuo do concerto exclusivo com a nação de Israel.
20.
A guarda do sábado fundamentava-se na criação (Êxodo 20) e
na libertação da escravidão egípcia (Deuteronômio 5).
21.
Para Israel, o sábado servia como um teste moral relevante
e uma sombra do descanso futuro prometido por Deus.
22.
Ao transformar o sábado em um rito formal sem amor, Israel
perverteu a instituição, tornando-a abominável a Deus.
23.
Nos Evangelhos, Jesus confrontou o legalismo dos fariseus
ao realizar milagres e obras de misericórdia no sábado.
24.
Cristo demonstrou que as necessidades humanas e a ação da
graça divina sobressaiam-se às regras do rigorismo farisaico.
25.
Com Sua morte e sepultamento no sábado, Cristo encerrou a
antiga ordem de coisas e completou a obra de redenção.
26.
O primeiro dia da semana, o Dia do Senhor, celebra a
ressurreição de Cristo e o início da nova criação espiritual.
27.
A expressão "sábado cristão" não tem respaldo nas
Escrituras do Novo Testamento e confunde a lei com a graça.
28.
No primeiro dia da semana, a Igreja primitiva se reunia com
alegria para partir o pão, adorar e ofertar.
29.
O crente celestial deve viver acima da observância rígida
de dias, festas, luas novas ou regras ascéticas humanas.
30.
A verdadeira vida cristã consiste em ter Cristo formado no
coração e manifestado no relacionamento diário com o próximo.
31.
Enquanto nação, a observância do Dia do Senhor traz
benefícios morais e espirituais, afastando males e abusos do mundo.
32.
O desejo expresso de Deus em Deuteronômio é ter um povo
cujo coração O tema e guarde os Seus mandamentos por amor.
33.
O Salmo 119 ilustra a atitude da alma regenerada, que
encontra o seu mais profundo deleite na Palavra de Deus.
34.
Jesus utilizou constantemente as Escrituras como a
autoridade máxima e inquestionável contra as tentações e erros.
35.
O testemunho das Escrituras revela que o estado atual do
mundo caminhará para a apostasia e o juízo divino.
36.
O propósito do evangelho nesta era não é a conversão total
do mundo, mas a chamada de um povo para o nome de Deus.
37.
A bênção plena e a conversão de todas as nações ocorrerão
quando Israel for restaurado e os juízos se cumprirem.
38.
A verdadeira esperança da Igreja é o regresso iminente de
Cristo para arrebatar os Seus e levá-los à casa do Pai.
39.
O crente é chamado a permanecer firme na Palavra,
rejeitando dogmas humanos, o ritualismo e o mundanismo generalizado.
40.
Diante do quadro de ruína na cristandade nominal, a única
atitude aceitável a Deus é o contrito tremor perante a Sua Palavra.
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Os DEZ MANDAMENTOS,
5.1-11.32 1. Cenário, Conteúdo e Comunicação (5.1-33) - Comentário Biblico Beacon Antigo e Novo Testamentos.
a) Cenário (5.1-5). Este capítulo
começa com uma exposição dos Dez Mandamentos. São tratados como a base do concerto
(2) entre Deus e Israel. O concerto é feito não só com as pessoas da
geração passada, que infelizmente não cumpriram seus deveres, mas também com
as pessoas a quem Moises discursa. Muitas destas, como as crianças e os
adolescentes, estavam presentes em Horebe (2,3).
O padrão literário do Decálogo tem
afinidade com o padrão em que se faziam os tratados internacionais daqueles
dias, sobretudo os tratados entre um poder superior e estados vassalos.'
b) Conteúdo (5.6-21). Devemos
comparar esta exposição dos Dez Mandamentos com a que aparece em Êxodo
20.1-17. Há poucas diferenças, mas as
duas narrativas são substancialmente as mesmas. Há quem pense que as palavras
originais escritas nas tábuas de pedra continham apenas os mandamentos em sua
forma concisa e que Moisés, mais tarde, acrescentou interpretações inspiradas.'
As interpretações em Deuteronômio são particularmente adequadas para a vida em
Canaã.
O primeiro mandamento começa com a
menção do nome divino (6; cf. Êx
3.13,14). Nenhum outro deus deve se intrometer entre o Senhor e o seu povo
redimido.
O segundo mandamento proíbe a
idolatria (8,9), sendo seqüência natural do primeiro. Esta proibição inclui a
fabricação de imagens de outros deuses e a representação do Senhor na forma de
criaturas celestiais, terrenas ou marinhas, como provavelmente foi o motivo de
o povo ter feito o bezerro de ouro. Os versículos 8 e 9 devem ser considerados
juntos. Não se trata de proibição de esculpir estátuas ou pintar telas, mas de
fazê-las com o objetivo de adoração.
É um fato da vida os filhos sofrerem
pelos pecados dos pais. Por outro lado, também se beneficiam da fidelidade dos
pais. Esta é a vida como Deus a fez, parte do seu vínculo social. Como é séria
a responsabilidade dos pais em deixar um bom legado aos filhos a quem amam!
Ezequiel deixa claro que Deus prontamente recebe os filhos arrependidos de pais
maus (Ez 18.14-17). E considerando que
a maldade dos pais é visitada na terceira e quarta geração (9), a
misericórdia ("amor firme", RSV) do Senhor se estende a milhares
de gerações de quem o ama e guarda seus mandamentos (10).
O terceiro mandamento (11) está
especificamente relacionado a juramentos: tomar o nome do SENHOR, teu Deus,
levianamente nos lábios ou em falsidade. Uma das marcas de fidelidade a uma
deidade era usar seu nome em juramentos (cf. 6.13). Usar o nome sagrado para
apoiar uma falsa declaração é o máximo da incredulidade cínica. O SENHOR não
terá por inocente o indivíduo que assim proceder. O terceiro mandamento
tem o desígnio de apregoar reverência e verdade.
O quarto mandamento (12-15) se
relaciona a guardar (Êx 20.8,
"lembra-te") o dia de sábado. As duas idéias principais são
descanso (shabbath, "sentar-se, cessar") e santidade (12). A
ordenação de Deus é o trabalho de seis dias e o descanso de um dia. Haveria
menor necessidade de tranqüilizantes e menos colapsos nervosos se observássemos
esta lei de higiene espiritual e física. Êxodo
20.11 cita o exemplo do Senhor e
relaciona o mandamento ao seu trabalho criativo. Aqui a ênfase é dada no
descanso para toda a casa (14). O mandamento é imposto pela lembrança da
servidão severa na terra do Egito (15) e pela libertação graciosa dada
pelo Senhor. Quase que ouvimos Jesus dizer: "De graça recebestes, de graça
dai" (Mt 10.8).
Paulo cita o quinto mandamento
(16) dizendo que é "o primeiro mandamento com promessa". Ele aplica a
promessa de vida longa e bem-estar aos cristãos que o observarem (Ef
6.2,3). Este mandamento acha-se na fundação da verdadeira religião e
bem-estar nacional. Está associado aos primeiros quatro mandamentos que tratam
da devoção a Deus, porque, no que diz respeito aos filhos, os pais ficam no
lugar de Deus.
Os outros cinco mandamentos têm a
ver com a justiça social; estão unidos pela conjunção hebraica traduzida por
"e". O Senhor é um Deus justo e exige procedimentos justos nas
relações humanas. Os primeiros cinco mandamentos contêm cláusulas explicativas,
advertências ou promessas. Os últimos cinco são curtos e auto-explicativos. A
consciência e nossa experiência suprem a análise racional.
Não matarás (17) é mais bem traduzido por: "Não cometerás assassinato". O
termo hebraico ratsach sempre é usado com este sentido no Antigo Testamento.
Não adulterarás (18). Este é o pecado contra o cônjuge no casamento, e se há filhos,
contra eles também. É desumano e cruel.
Não furtarás (19). Estes três últimos mandamentos têm relação entre si. Assassinar
é,tomar a vida de um homem; adulterar é tomar a esposa de um homem (ou o marido
de uma mulher) e roubar é tomar a propriedade de um homem. Em cada caso, o
transgressor exalta desejos e exigências próprias acima dos direitos dos
outros, julgando-se de mais valor que o irmão. Agir assim é pecar contra Deus.
O nono mandamento trata do pecado
dos lábios: O falso testemunho contra o teu próximo (20). Abrange não só
o perjúrio, mas toda a mentira prejudicial a nosso semelhante. O ideal de Deus
é uma sociedade na qual todo homem fale a verdade com o próximo (Ef
4.25).
O décimo mandamento lida com o
pecado do coração (21). Foi este mandamento que fez Paulo ver sua necessidade
de uma salvação que lhe mudasse o coração (Rm
7.7). Em Êxodo
20.17, a casa é mencionada antes
da mulher, ao passo que aqui a ordem está invertida. Talvez, no primeiro
texto, a palavra "casa" seja usada no sentido de "os indivíduos
pertencentes a casa ou família", ao passo que no texto deuteronômico
esteja em mente a residência ou o bem imóvel. Por isso, a esposa é mencionada
em primeiro lugar em ordem de importância.
Os Dez Mandamentos detêm uma
categoria própria: E nada acrescentou (22). São fundamentais para a vida
correta e o pensamento correto. A nação que almeja ser grande não os ignora. O
cristão não quer quebrá-los. Não obstante, todos transgredimos em motivo e
espírito. Precisamos de um Salvador que nos resgate da maldição da lei e nos dê
a promessa do Espírito pela fé (Gl
3.13,14). Assim, teremos a lei escrita em nosso coração (Hb
10.16) e nos alegraremos no fato de que
o amor é o cumprimento da lei (Rm
13.9,10).
c) Comunicação (5.22-33). Esta
passagem ressalta a ocasião histórica em que Israel recebeu a lei com todos os
acompanhamentos impressivos de sua comunicação. Acentua o monte, o fogo,
a nuvem, a escuridade, a grande voz e as duas
tábuas de pedra escritas pela mão divina (22).
A majestade imponente de toda essa
cena era esmagadora. Os líderes de Israel, inteiramente convencidos da
autenticidade da revelação, pediram que Moisés agisse como intermediário entre
eles e Deus, para que não morressem (23-27). Neste aspecto, Moisés é tipo do
único "mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo" (1
Tm 2.5). Há inumeráveis referências
bíblicas ao efeito dominante do sobrenatural sobre o natural (e.g., Dn
10.5-19; Mt
28.2-4; At 9.3-9; Ap
1.17). Esta é uma das razões por que
Deus se comunica com o espírito do homem e não pelos cinco sentidos. No caso de
Moisés, havia tamanha relação espiritual profunda entre ele e Deus, que ele
pôde se aproximar da glória de Deus de certo modo impossível para os outros.
Mesmo assim, houve limites a esta aproximação (cf. Êx
33.20).
O Senhor atendeu ao pedido dos
líderes, sobretudo tendo em vista a promessa que fizeram de ouvir e fazer tudo
o que o SENHOR (27) dissesse a Moisés. A exclamação divina (29) é
característica do teor do livro: reverência de coração, que é conseqüência de
guardar todos os mandamentos para sempre, resultando no
bem-estar deles e de seus filhos.
As pessoas tiveram permissão de
voltar às suas tendas (30), mas o homem de Deus não foi dispensado; teve
de esperar em Deus para receber a revelação completa (31). Todo cristão nesta
dispensação tem acesso direto a Deus. Mas, na prática, quem é ordenado ao
ministério tem a obrigação especial de esperar em Deus para receber a palavra
para o rebanho. Não há quantidade de atividade que substitua esse dever.
No encerramento do parágrafo,
Moisés faz um lembrete (32,33) sobre a obrigação das pessoas manterem a
promessa feita pela nação na ocasião da comunicação histórica da lei divina.
Nesta "segunda vez em que a
lei é dada" não houve nenhum dos fenômenos sobrenaturais anteriores. A
essência desta ocasião era a comunicação da vontade de Deus aos israelitas. A
verdade divina perdurou e foi apresentada a eles por Moisés. Não havia
necessidade de mais outra autenticação. Exigia apenas obediência, e a bênção de
Deus automaticamente se seguiria. Semelhantemente, erramos se necessitamos de
fenômenos externos. O dom interior do Espírito está acessível a todos que
pedem, crêem e obedecem (Lc
11.13; Atos
5.32; 15.8,9). Sua plenitude
habitadora é a essência do cristianismo do Novo Testamento.
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Escrita
Lição 4, CPAD, O Chamado à Obediência, 4Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA
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ESBOÇO
DA LIÇÃO
I - O CONCERTO
REITERADO EM HOREBE
1. O chamado para
ouvir e obedecer
2. A pessoalidade da
Aliança
3. Uma revelação
direta de DEUS
II - A EXPRESSÃO DA
VONTADE DE DEUS NOS MANDAMENTOS
1. Os quatro primeiros
mandamentos: amor a DEUS
2. Os seis
mandamentos: amor ao próximo
3. Qual a utilidade da
Lei para os cristãos hoje?
III - OBEDECENDO À VOZ
DE DEUS
1. A Palavra de DEUS
revelada à congregação
2. Bênção e
preservação aos obedientes
3. Palavras
exortativas de Moisés
TEXTO
ÁUREO
“Andareis
em todo o caminho que vos manda o SENHOR, vosso DEUS, para que vivais, e bem
vos suceda, e prolongueis os dias na terra que haveis de possuir.” (Dt 5.33)
VERDADE
PRÁTICA
Ouvir,
aprender e praticar a Palavra revelam um relacionamento verdadeiro com o Senhor
DEUS.
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Dt 5.1; Rm 10.17 Ouvindo
a Palavra de DEUS para viver com fé
Terça - Sl 119.73; Mt 11.29
Aprendendo para transformar o coração e viver a fé
Quarta - Dt 5.6-11; Mt 22.37
Amando a DEUS acima de tudo em plena obediência
Quinta - 1 Jo 3.18; Rm 13.9 Amando
o próximo com verdade, justiça e atitudes
Sexta - Dt 5.22; 1 Tm 2.5 DEUS
revela-se ao seu povo e chama-o à obediência
Sábado - Dt 5.33; Sl 119.105 Obedecer a DEUS é andar
no caminho da vida
LEITURA BÍBLICA EM
CLASSE - Deuteronômio 5.1-10, 16-21, 29
Dt 5.1 - E chamou Moisés a todo o Israel e disse- -lhes: Ouve, ó Israel, os
estatutos e juízos que hoje vos falo aos ouvidos; e aprendê-los-eis e
guardá-los-eis, para os cumprir. 2 - O SENHOR, nosso DEUS, fez conosco
concerto, em Horebe. 3 - Não foi com nossos pais que fez o SENHOR este
concerto, senão conosco, todos os que hoje aqui estamos vivos. 4 - Face a face
o SENHOR falou conosco, no monte, do meio do fogo 5 - (Naquele tempo, eu estava
em pé entre o SENHOR e vós, para vos notificar a palavra do SENHOR, porque
temestes o fogo e não subistes ao monte.), dizendo: 6 - Eu sou o SENHOR, teu DEUS,
que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. 7 - Não terás outros
deuses diante de mim. 8 - Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança
alguma do que há em cima no céu, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da
terra; 9 - não te encurvarás a elas, nem as servirás; porque eu, o SENHOR, teu DEUS,
sou DEUS zeloso, que visito a maldade dos pais sobre os filhos, até à terceira
e quarta geração daqueles que me aborrecem, 10 - e faço misericórdia em
milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos.
Dt 5.16 - Honra a teu pai e a tua mãe, como o SENHOR, teu DEUS, te ordenou,
para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que te dá o
SENHOR, teu DEUS. 17 - Não matarás. 18 - E não adulterarás. 19 - E não
furtarás. 20 - E não dirás falso testemunho contra o teu próximo. 21 - E não
cobiçarás a mulher do teu próximo; e não desejarás a casa do teu próximo, nem o
seu campo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento,
nem coisa alguma do teu próximo.
Dt 5.29 - Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem
e guardasse m todos os meus mandamentos todos os dias, para que bem lhes fosse
a eles e a seus filhos, para sempre!
Hinos Sugeridos: 103, 210 e 508 da
Harpa Cristã
PALAVRA-CHAVE –
OBEDIÊNCIA
PLANO DE AULA
1. INTRODUÇÃO
Ao iniciar o segundo discurso de
Moisés, registrado em Deuteronômio 5, somos conduzidos ao coração da Aliança
estabelecida entre DEUS e Israel. Às vésperas da entrada na Terra Prometida,
Moisés relembra os Dez Mandamentos não como um simples código de normas, mas
como a expressão da vontade divina para um povo chamado a viver em comunhão com
o Senhor. Nesta lição, veremos que o chamado para ouvir, aprender e obedecer à
Palavra revela que a verdadeira fé manifesta-se em uma vida de amor a DEUS e ao
próximo marcada pela fidelidade, reverência e compromisso com a vontade do
Senhor.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição:
I) Apresentar o concerto em Horebe
e o chamado à obediência; II) Justificar os mandamentos como expressão da
vontade divina; III) Conscientizar sobre as bênçãos de ouvir e obedecer à voz
de DEUS.
B) Motivação:
A obediência a DEUS vai além de
regras: ela expressa amor, fé e compromisso com o Senhor. Desse modo, incentive
os alunos a perceberem que ouvir, aprender e praticar a Palavra continua sendo
o caminho seguro para uma vida abençoada e cheia da presença de DEUS.
C) Sugestão de Método:
Inicie a aula desenhando na lousa
dois caminhos. Em um deles escreva: “Ouvir, Aprender e Obedecer”; no outro:
“Ignorar, Esquecer e Desobedecer”. Em seguida, apresente situações práticas do
cotidiano (família, trabalho, igreja, vida espiritual) e peça que os alunos
indiquem qual caminho produz melhores resultados. Após as respostas, leia
Deuteronômio 5.33 e destaque que Moisés apresentou ao povo uma decisão
semelhante: seguir os caminhos do Senhor ou se afastar deles. Explique que os
Dez Mandamentos não foram dados apenas como regras, mas como orientações para
uma vida de comunhão, proteção e bênção.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
Aplicação:
A obediência ensinada em
Deuteronômio 5 começa ao ouvir a Palavra. Em seguida, cresce no aprendizado e
manifesta-se na prática diária. Desafie os alunos a escolherem, nesta semana,
uma orientação bíblica para colocar em prática e demonstrar que amar a DEUS é
viver segundo a sua vontade.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão:
Vale a pena conhecer essa revista
que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio às Lições
Bíblicas Adultos. Na edição 107, p.38, você encontrará um subsídio especial
para esta lição.
B) Auxílios Especiais:
Ao fim do tópico, você encontrará
auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Relembrando a
Aliança”, localizado após o primeiro tópico, aprofunda o tema da recordação da
Aliança e sua importância para a fidelidade ao Senhor; 2) O texto “O que os
Mandamentos Revelam”, localizado ao fim do segundo tópico, auxilia na
compreensão do significado dos mandamentos divinos e da sua aplicação prática à
vida do crente.
COMENTÁRIO - INTRODUÇÃO
Destacamos nesta lição o segundo
discurso principal de Moisés, que enfatiza a obediência à Lei de DEUS nos Dez
Mandamentos. Às vésperas da entrada na Terra Prometida, ele relembra a Lei não
como rito, e sim como expressão do relacionamento com DEUS. O seu propósito é
conduzir o povo à fidelidade e à reverência ao concerto do Sinai. Para os
salvos em CRISTO, a lição é preciosa, pois nos chama a viver em obediência não
à letra, “mas segundo o ESPÍRITO” (Rm 8.4).
I
- O CONCERTO REITERADO EM HOREBE
1.
O chamado para ouvir e obedecer
Moisés
inicia o capítulo convocando o povo a ouvir, aprender e cumprir a Lei: “Ouve, ó
Israel [...]” (Dt 5.1). Essa sequência revela o caminho da comunhão com DEUS.
Ouvir é abrir-se à Palavra; aprender, lamad, é internalizar o ensino com mente
e coração; cumprir, shamar, é guardar e praticar com zelo. Assim, a fé torna-se
viva e operante (Dt 6.4; Rm 10.17; Ap 2.7). A Palavra molda pensamentos e
atitudes e forma verdadeiros discípulos (Sl 119.73; Mt 11.29; 2 Tm 3.14,15). O
contraste com a geração anterior, que não obedeceu, reforça o chamado atual.
Somos exortados em CRISTO a viver, conforme ensina Tiago 1.22-25, como
praticantes da Palavra, e não somente ouvintes.
2.
A pessoalidade da Aliança
Moisés
ensina que a aliança com DEUS exige resposta pessoal (Dt 5.3). A fé não é
herança automática, mas decisão individual de compromisso com o Senhor.
Exemplos como Josué e Calebe demonstram perseverança consciente (Js 24.15; Dt
1.36). Da mesma forma, JESUS afirma que o ato de segui-lo requer renúncia
pessoal (Mt 16.24), e Paulo reconhece em Timóteo uma fé assumida por ele mesmo
(2 Tm 1.5). Nesse sentido, cada crente é chamado a crer com o coração e
confessar com a boca (Rm 10.9,10). Por isso, a exortação de Moisés aponta para
a responsabilidade de cada israelita em aprender e cumprir os mandamentos, bem
como em renovar a aliança com a nova geração. Diferentemente da anterior, que
falhou, esta é chamada a viver o cumprimento da promessa. A fidelidade dos patriarcas
contrasta com a infidelidade passada e reforça o chamado presente à obediência.
3.
Uma revelação direta de DEUS
DEUS
revelou ao seu povo o seu desejo de relacionar-se com ele (Dt 5.4). No monte,
em meio ao fogo, Ele manifestou-se com poder e santidade e mostrou que a sua
Palavra é viva, purificadora e autoritativa (Jr 29.23). A Lei, portanto, não é
só uma simples regra, e sim uma expressão de um pacto relacional com YHWH.
Embora temível, a sua presença visa guiar e habitar com o povo. Temos acesso
direto ao Pai por meio de CRISTO (Ef 2.18). Assim como Israel foi chamado à
fidelidade, o cristão também deve viver em obediência à nova aliança firmada no
sangue de JESUS como resposta consciente ao relacionamento com o Pai.
SINOPSE
I - Moisés relembra a Aliança e chama o povo a ouvir e a obedecer.
AUXÍLIO
BIBLIOLÓGICO - RELEMBRANDO A ALIANÇA
“Moisés relembrou os poderosos atos pelos
quais DEUS libertou Israel da escravidão no Egito, destacando tanto o auxílio
divino concedido à nação quanto os episódios de desobediência do povo ao
Senhor. [...] Ao recordar as promessas de DEUS e seus grandes feitos na
história, aprendemos mais sobre o seu caráter e desenvolvemos uma compreensão
mais profunda de quem Ele é. Conhecemos o Senhor de maneira mais íntima quando
observamos como Ele agiu no passado em favor do seu povo. Além disso, a
história de Israel serve como importante advertência, ajudando-nos a evitar
erros e enganos, enquanto fortalece nossa confiança na fidelidade e no cuidado
de DEUS” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2017,
p.237).
II
- A EXPRESSÃO DA VONTADE DE DEUS NOS MANDAMENTOS
1.
Os quatro primeiros mandamentos: amor a DEUS
Em
Deuteronômio 5.6-11, Moisés reafirma os quatro primeiros mandamentos e enfatiza
a relação exclusiva do povo com DEUS. Não se trata apenas de proibições, mas
também de um chamado ao amor pleno e reverente ao Senhor. Israel deveria
rejeitar toda forma de idolatria, evitar o uso leviano do nome divino e
reconhecer que pertence a um DEUS que o redimiu. Amar a DEUS de todo o coração
implica submeter a vontade, as decisões e os afetos à sua Palavra (Mt 22.37).
Esse amor não pode ser dividido com ídolos modernos, como poder, riqueza ou
prazeres. Ademais, a fidelidade a DEUS deve alcançar as gerações por meio de um
legado espiritual consciente. O amor ao Senhor, portanto, não é só sentimento,
mas também um compromisso contínuo que transforma a vida e reflete a presença
de CRISTO.
2.
Os seis mandamentos: amor ao próximo
Nos
versículos 16-21, encontramos a segunda parte da Lei, agora voltada para o
relacionamento com o próximo. Esses mandamentos estabelecem uma ética baseada
no amor verdadeiro, que se expressa em ações concretas (1 Jo 3.18). Honrar os
pais, preservar a vida, manter a fidelidade conjugal, respeitar os bens
alheios, falar a verdade e guardar o coração contra a cobiça são princípios que
sustentam uma convivência justa. O sábado, ainda que mencionado anteriormente,
reforça o cuidado com a vida integral e inclui descanso e santificação. Esses
mandamentos revelam que o pecado social nasce do egoísmo e da apropriação
indevida do que pertence ao outro. DEUS, em contraste, chama o seu povo a viver
com justiça, verdade e integridade - inclusive no uso das palavras -, a evitar
falsos testemunhos e a preservar a dignidade do próximo.
3.
Qual a utilidade da Lei para os cristãos hoje?
A
Lei continua sendo relevante para o cristão, mas não como meio de salvação, e
sim como expressão do caráter de DEUS. O apóstolo Paulo afirma que ela é santa,
justa e boa (Rm 7.12) e serve como guia moral para a vida cristã (1 Tm 1.8). Em
CRISTO, a Lei é internalizada no coração (Hb 10.16) e orienta pensamentos e
atitudes. Ela revela o pecado, conduz à graça e aponta para uma vida de
santidade (Rm 3.20; Gl 3.24; Rm 8.4). Além disso, ela evidencia as
consequências do pecado e inspira temor e amor a DEUS. A obediência cristã,
portanto, não é legalista, mas fruto da ação do ESPÍRITO SANTO, que transforma
a natureza humana. O crente obedece não por imposição, mas por amor, e reflete
na sua vida a justiça e a graça que recebeu em CRISTO.
SINOPSE
II - Os mandamentos revelam a vontade de DEUS para amar e servir.
AUXÍLIO
BIBLIOLÓGICO - O QUE OS MANDAMENTOS REVELAM
“Os
israelitas haviam feito uma aliança com DEUS, por isso Moisés mandou que eles
ouvissem, aprendessem e cumprissem os mandamentos divinos. Os cristãos também
fizeram uma aliança com o Eterno por intermédio de JESUS CRISTO e devem agir da
forma esperada. A tríplice recomendação de Moisés aos israelitas é um excelente
conselho para todos os cristãos. Ouvir é absorver e aceitar a informação sobre DEUS.
Aprender é compreender o significado e as implicações de ser aliançado com Ele.
Obedecer é colocar em ação tudo o que sabemos. As três ações são essenciais
para um crescente relacionamento com DEUS. [...] Os Dez Mandamentos representam
os padrões de DEUS para uma vida correta. Obedecê-los é obedecer a DEUS. Ainda
assim, em todos os livros do Antigo Testamento, podemos constatar que cada
mandamento foi infringido. Ao ler as histórias, note as trágicas consequências
resultantes
da
violação da Lei de DEUS” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro:
CPAD, 2017, p.239,41).
III
- OBEDECENDO À VOZ DE DEUS
1.
A Palavra de DEUS revelada à congregação
A
partir de Deuteronômio 5.22, Moisés destaca o privilégio singular de Israel:
receber a revelação direta de DEUS, registrada por Ele mesmo. O povo
testemunhou uma manifestação poderosa no Sinai fogo, nuvem, escuridão e voz
divina que evidenciou a santidade do Senhor e despertou temor reverente (Êx
20.18-21). Diante disso, pediram que Moisés atuasse como mediador (Dt 5.27).
Isso aponta para CRISTO, o único mediador entre DEUS e os homens (1 Tm 2.5).
Essa revelação produziu consciência do pecado e compromisso com a obediência,
além de mostrar que DEUS deseja relacionamento sincero; não mera formalidade
religiosa, mas, sim, vida transformada pelo ESPÍRITO (Ez 36.27).
2.
Bênção e preservação aos obedientes
DEUS
promete bênçãos aos que o obedecem e evidencia o seu desejo de um
relacionamento profundo com o seu povo (Dt 5.33). O coração, entendido como
centro da vontade, do intelecto e das emoções, deve estar plenamente voltado ao
Senhor. Assim, a obediência não é externa, mas integral, e reflete um
compromisso verdadeiro com DEUS. Pais fiéis influenciam positivamente as
gerações futuras e estabelecem um legado espiritual duradouro. Essa verdade
permanece no Novo Testamento: são bem-aventurados os que ouvem e guardam a
Palavra (Lc 11.28). A obediência, portanto, continua sendo o caminho seguro
para uma vida abençoada e preservada.
3.
Palavras exortativas de Moisés
Moisés
encerra o discurso reforçando a necessidade de perseverar na obediência:
“Andareis em todo o caminho [...]” (Dt 5.33). Enquanto o povo retorna às suas
tendas, Moisés permanece diante do Senhor para receber mais instruções e,
assim, evidencia a responsabilidade espiritual da liderança. A nova geração é
exortada a cumprir o compromisso assumido e a viver segundo a vontade divina.
Diferentemente do primeiro momento no Sinai, a ênfase está na Palavra já
revelada. O crente hoje, portanto, também deve viver guiado pela Escritura,
mediante a ação e suficiência do ESPÍRITO SANTO, e confiar e andar
continuamente na luz do Senhor (Sl 119.105).
SINOPSE
III - Ouvir e obedecer a DEUS conduz à bênção e à preservação.
CONCLUSÃO
Viver
em obediência a DEUS não foi um chamado restrito ao passado, mas permanece
plenamente atual. No Antigo Testamento, especialmente nos Dez Mandamentos, a
vontade divina foi claramente revelada ao seu povo. A sua prática, por meio da
obediência, conduzia à vida e à proteção. DEUS ainda continua chamando cada
cristão a submeter-se à sua Palavra e a viver de modo digno do Evangelho a fim
de que o cristão experimente, desde já, a realidade da vida eterna.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Como Moisés inicia o capítulo
5?
Moisés inicia o capítulo
convocando o povo a ouvir, aprender e cumprir a Lei: “Ouve, ó Israel [...]” (Dt
5.1).
2. De acordo com a lição, para que
aponta a exortação de Moisés?
A exortação de Moisés aponta para
a responsabilidade de cada israelita em aprender e cumprir os mandamentos,
renovando a aliança com a nova geração.
3. Do que tratam os quatro
primeiros mandamentos?
Em Deuteronômio 5.6-11, Moisés
reafirma os quatro primeiros mandamentos e enfatiza a relação exclusiva do povo
com DEUS, isto é, do amor a DEUS.
4. Do que tratam os seis últimos
mandamentos?
Nos versículos 16-21, encontramos
a segunda parte da Lei, voltada para o relacionamento com o próximo, isto é, a
ética relacional, do amor ao próximo.
5. Como Moisés encerra o seu
discurso no capítulo 5?
Moisés encerra o discurso
reforçando a necessidade de perseverar na obediência: “Andareis em todo o
caminho [...]” (Dt 5.33).
