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22 setembro 2026
Slides LIÇÃO 1, BETEL, A esperança cristã, o futuro à luz das Escrituras, 4Tr26, com. Extra Pr. Henrique, EBD NA TV
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Vídeo Lição 1, CPAD, Deuteronômio, o Livro da Aliança, 4Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV
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18 setembro 2026
Escrita Lição 1, CPAD, Deuteronômio, o Livro da Aliança, 4Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV
Tema: O Deus da Aliança — Advertências, promessas e bênçãos no livro de Deuteronômio - Comentarista: Pr. Osiel Gomes
Sumário das Lições
O trimestre compreende 13 lições expositivas sobre o livro de Deuteronômio:
Lições 1 a 4: Cobrem a introdução ao livro da Aliança, a recapitulação da jornada no deserto, a fidelidade divina frente à infidelidade de Israel e o chamado à obediência.
Lições 5 a 8: Abordam o grande mandamento, as bênçãos da obediência, o contraste entre maldições e bênçãos, e a decisão crucial entre a vida e a morte.
Lições 9 a 13: Tratam da sucessão e do cântico de Moisés, sua bênção final e morte, além de concluir com o cumprimento de Deuteronômio em Cristo.
Lição 1 — Deuteronômio: o Livro da Aliança
Lição 2 — Recapitulando a Jornada no Deserto
Lição 3 — A Fidelidade de Deus diante da Infidelidade de Israel
Lição 4 — O Chamado à Obediência
Lição 5 — O Grande Mandamento
Lição 6 — A Aliança e as Bênçãos da Obediência
Lição 7 — As Maldições e as Bênçãos da Aliança
Lição 8 — Escolhendo entre a Vida e a Morte
Lição 9 — A Sucessão de Moisés
Lição 10 — O Cântico de Moisés: Advertência e Esperança
Lição 11 — A Bênção Final de Moisés
Lição 12 — A Morte de Moisés e a Continuidade da Promessa
Lição 13 — O Cumprimento de Deuteronômio em Cristo
Escrita Lição 1, CPAD, Deuteronômio, o Livro da Aliança, 4Tr26, Com. Extras Pr.
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LIÇÃO 1 - DEUTERONÔMIO: O LIVRO DA ALIANÇA
I - DEUTERONÔMIO: AUTORIA E PROPÓSITO DO LIVRO
1. Autoria.
2. Definição.
3. Valor e propósito de Deuteronômio.
2- CONTEXTO HISTÓRICO DE DEUTERONÔMIO
1. Panorama espiritual.
2. Um panorama geográfico.
3. O discurso exortativo de Moisés.
3- O LADO DOUTRINÁRIO E PRÁTICO DE DEUTERONÔMIO
1. Relevância doutrinária.
2. Relevância ética e prática.
3. O posicionamento de JESUS e dos apóstolos sobre Deuteronômio.
“Eis aqui esta terra, eu a dei diante de vós; entrai e possuí a terra que o SENHOR jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a daria a eles e à sua semente depois deles.” (Dt 1.8).
A fidelidade a DEUS e à sua Palavra dirige o crente a viver pela fé e alcançar as suas promessas.
Segunda - Js 1.8; 2 Tm 3.16 A obediência à Palavra conduz à vida santa e à direção de DEUS
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Deuteronômio 1.1-8
1 - Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel, dalém do Jordão, no deserto, na planície defronte do mar de Sufe, entre Parã, e Tofel, e Labã, e Hazerote, e Di-Zaabe.
2 - Onze jornadas há desde Horebe, caminho da montanha de Seir, até Cades-Barneia.
3 - E sucedeu que, no ano quadragésimo, no mês undécimo, no primeiro dia do mês, Moisés falou aos filhos de Israel, conforme tudo o que o SENHOR lhe mandara acerca deles,
4 - depois que feriu a Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, e a Ogue, rei de Basã, que habitava em Astarote, em Edrei.
5 - Dalém do Jordão, na terra de Moabe, começou Moisés a declarar esta lei, dizendo:
6 - O SENHOR, nosso DEUS, nos falou em Horebe, dizendo: Tempo bastante haveis estado neste monte.
7 - Voltai-vos e parti; ide à montanha dos amorreus, e a todos os seus vizinhos, e à planície, e à montanha, e ao vale, e ao Sul, e à ribeira do mar, e à terra dos cananeus, e ao Líbano, até ao grande rio, o rio Eufrates.
8 - Eis aqui esta terra, eu a dei diante de vós; entrai e possuí a terra que o SENHOR jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a daria a eles e à sua semente depois deles.
PALAVRA-CHAVE - Aliança
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SUBSÍDIOS EXTRAS – BÍBLIAS, LIVROS, REVISTAS, COPILOT E GEMINI
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ALIANÇA – CONCERTO – PACTO - TESTAMENTO
Nove Tópicos da Aliança
1.1. Troca de Cinto (ou de armadura, ou de armas)
Representa proteção mútua. Quem luta contra mim luta contra
você, e quem luta contra você luta contra mim.
Referências:
·
1 Samuel 18:3-4 (Jônatas entrega a Davi suas
vestes e armas)
·
Efésios 6:10-17 (armadura espiritual)
·
Eclesiastes 4:9-12 (proteção mútua entre
aliados)
1.2. Troca de Túnica (ou Capa)
Representa a união de vidas: a minha vida passa a ser sua, e a
sua vida passa a ser minha.
Referências:
·
1 Samuel 18:3-4 (Jônatas dá sua capa a Davi)
·
Gálatas 3:27 (revestidos de Cristo)
·
Romanos 13:14 (revesti-vos do Senhor Jesus
Cristo)
1.3. Corte com Derramamento de Sangue
O sangue simboliza a vida; por isso, o derramamento de sangue
sela a aliança.
Referências:
·
Gênesis 15:9-10
·
Êxodo 24:6-8
·
Levítico 17:11
·
Hebreus 9:18-22
1.4. Sinal da Aliança (Primeiro Memorial)
Um símbolo visível que serve como lembrança permanente da
aliança estabelecida.
Referências:
·
Gênesis 17:9-11 (circuncisão como sinal da
aliança)
·
Gênesis 9:12-17 (arco-íris como sinal da
aliança)
·
Josué 4:6-7 (pedras memoriais)
1.5. Troca de Nomes
Significa que meu nome passa a ter direito sobre tudo o que
pertence ao seu nome, e seu nome passa a ter direito sobre tudo o que pertence
ao meu nome.
Referências:
·
Gênesis 17:5 (Abrão para Abraão)
·
Gênesis 17:15 (Sarai para Sara)
·
Isaías 62:2
·
Apocalipse 2:17
1.6. Termos da Aliança
Correspondem às leis e condições que regem a aliança, definindo
as consequências de sua manutenção ou quebra.
Referências:
·
Deuteronômio 28:1-68
·
Êxodo 19:5-6
·
Deuteronômio 30:15-20
·
Josué 24:24-25
1.7. Refeição da Aliança
Representa comunhão, unidade e compartilhamento da vida.
Referências:
·
Gênesis 14:18-20 (Melquisedeque e Abraão)
·
Êxodo 24:9-11
·
Mateus 26:26-29
·
1 Coríntios 10:16-17
1.8. Morte de um Animal ou Passagem entre as Metades
Ação simbólica que confirma solenemente os compromissos
assumidos na aliança.
Referências:
·
Gênesis 15:9-18
·
Jeremias 34:18-19
·
Hebreus 6:13-18
1.9. Árvore ou Animal Marcado com Sangue (Segundo Memorial)
Também podia ser plantada uma árvore ou erguido um memorial para
testemunhar a aliança.
Referências:
·
Gênesis 21:33 (Abraão planta uma tamargueira)
·
Gênesis 31:44-52 (montão de pedras como
testemunho da aliança)
·
Josué 24:26-27 (a grande pedra como
testemunha)
·
1 Samuel 7:12 (Ebenezer como memorial)
Observação Teológica
Dentre esses nove tópicos, alguns são claramente descritos nas
Escrituras (como derramamento de sangue, sinais da aliança, termos da aliança e
refeição da aliança). Outros, como a "troca de nomes", a "troca
de túnica" e a "troca de armas", são interpretações simbólicas
extraídas de narrativas bíblicas, especialmente da aliança entre Davi e Jônatas
(1Sm 18:3-4), e não são apresentados na Bíblia como passos formais e universais
de todas as alianças bíblicas. Essa distinção é importante para um estudo
bíblico mais preciso.
Deuteronômio, o Livro da Aliança
Deuteronômio 6.5
Texto Bíblico: Amarás, pois, o Senhor, teu DEUS, de todo o teu
coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder… Deuteronômio 6:5a | ARC
Contexto Histórico:
Esta passagem encontra-se no Shemá Israel, a principal confissão de fé do povo
hebreu, proferida por Moisés antes da entrada em Canaã.
Comentário Exegético:
O amor exigido por DEUS envolve coração, alma e força. A ideia é de entrega
integral da vida ao Senhor.
Aplicação Teológica:
A aliança divina exige uma resposta de amor pactual e exclusiva devoção ao
Senhor.
Aplicação Prática:
O cristão deve demonstrar amor a DEUS por meio da obediência, adoração e
fidelidade diária.
Palavra Hebraica Importante:
אָהַב (Ahav) = Amar, dedicar-se, demonstrar afeição e lealdade.
Tabela Resumo
|
Elemento |
Significado |
|
Amor |
Entrega total |
|
Coração |
Centro da vontade |
|
Alma |
Totalidade da vida |
|
Força |
Recursos e energias |
|
Aplicação |
Fidelidade a DEUS |
O livro de Deuteronômio ocupa uma posição singular na revelação bíblica, pois representa a renovação da aliança entre DEUS e o povo de Israel às vésperas da entrada em Canaã. Mais do que uma simples repetição da Lei, trata-se de uma exposição pastoral, profética e teológica dos mandamentos divinos, adaptada à nova geração que herdaria a promessa.
Ao longo de seus capítulos, observamos Moisés atuando como legislador, profeta, intercessor e pastor. Seu objetivo era fortalecer a identidade espiritual da nação, lembrando-lhe das obras salvadoras do Senhor e conclamando-a à fidelidade. O livro estabelece uma profunda relação entre obediência e bênção, santidade e comunhão, rebelião e juízo.
Além de sua importância para Israel, Deuteronômio possui notável relevância cristológica, pois diversas de suas passagens apontam para CRISTO e são amplamente utilizadas no Novo Testamento. Portanto, seu estudo não apenas amplia nossa compreensão da história da redenção, mas também fortalece nossa vida de fé, nossa ética cristã e nosso compromisso com a Palavra de DEUS.
1. Autoria
A autoria mosaica de Deuteronômio possui grande relevância para a compreensão da autoridade do livro. Moisés não foi apenas um escritor sagrado, mas o mediador da aliança estabelecida entre DEUS e Israel no Sinai. Sua posição singular como profeta, legislador e pastor confere ao texto profundo valor histórico e espiritual.
O livro apresenta características típicas de testemunho pessoal, revelando experiências vividas pelo próprio líder hebreu durante a peregrinação no deserto. Os discursos registrados demonstram o conhecimento direto dos acontecimentos narrados.
Do ponto de vista teológico, a inspiração divina não anulou a participação humana do autor. DEUS utilizou Moisés como instrumento para registrar sua vontade de forma fiel e infalível.
O capítulo final, que descreve sua morte, não compromete a autoria mosaica predominante. A tradição judaica reconhece que essa seção pode ter sido adicionada posteriormente por Josué ou outro escriba inspirado.
O reconhecimento da autoria mosaica também é confirmado por CRISTO e pelos autores do Novo Testamento, que frequentemente atribuem a Lei a Moisés.
Assim, a autoridade de Deuteronômio repousa não apenas sobre evidências históricas, mas principalmente sobre sua inspiração divina.
A mensagem do livro demonstra unidade doutrinária com o restante do Pentateuco, reforçando sua autenticidade e confiabilidade.
|
Palavra |
Significado |
|
γραφή (graphē) |
Escritura |
|
νόμος (nomos) |
Lei |
|
θεόπνευστος (theopneustos) |
Inspirado por DEUS |
|
προφήτης (prophētēs) |
Profeta |
|
Aspecto |
Síntese |
|
Autor principal |
Moisés |
|
Função |
Mediador da aliança |
|
Conteúdo |
Discursos e instruções |
|
Exceção |
Relato de sua morte |
|
Valor teológico |
Inspiração divina |
|
Confirmação |
Reconhecida por CRISTO e pelos apóstolos |
· Deuteronômio 1.1; Deuteronômio 1.3; Deuteronômio 31.9; Deuteronômio 31.24; Josué 1.1-2; Mateus 19.7-8; Marcos 12.26; João 5.46-47
Deuteronômio significa tradicionalmente "segunda Lei" ou "repetição da Lei", mas a expressão não transmite a ideia de uma nova legislação. O propósito é reapresentar os mandamentos divinos à geração que estava prestes a entrar na Terra Prometida.
A Septuaginta utilizou o termo grego "Deuteronomion", destacando esse aspecto recapitulativo. Na tradição hebraica, o livro é chamado "Estas Palavras", enfatizando o caráter discursivo das mensagens de Moisés.
A estrutura do livro apresenta uma combinação entre sermão, tratado de aliança e documento legal.
Moisés interpreta os acontecimentos passados à luz da fidelidade divina. Dessa forma, o povo aprende que a história é uma escola da graça de DEUS.
A exposição da Lei não visa mero conhecimento intelectual, mas transformação espiritual.
O livro apresenta uma teologia da memória, convidando Israel a recordar constantemente as ações salvadoras do Senhor.
Por isso, Deuteronômio tornou-se uma das obras mais citadas tanto pelos profetas quanto por JESUS CRISTO.
|
Palavra |
Significado |
|
δευτερονόμιον (deuteronomion) |
Segunda Lei |
|
λόγος (logos) |
Palavra |
|
διαθήκη (diathēkē) |
Aliança |
|
μνήμη (mnēmē) |
Memória |
|
Aspecto |
Síntese |
|
Nome grego |
Deuteronomion |
|
Nome hebraico |
Haddevarim |
|
Natureza |
Discurso e aliança |
|
Objetivo |
Renovação espiritual |
|
Tema central |
Fidelidade ao Senhor |
· Deuteronômio 17.18; Deuteronômio 5.7-10; Deuteronômio 6.4-9; Josué 1.8; Salmo 119.9-11; 2 Timóteo 3.16-17
Deuteronômio possui profundo valor espiritual porque apresenta os princípios permanentes da aliança divina. Seu conteúdo influenciou reformas religiosas e despertamentos espirituais ao longo da história bíblica.
O livro revela o amor pactual de DEUS por seu povo. O Senhor não age apenas como Legislador, mas como Pai que deseja relacionamento e comunhão.
A obediência é apresentada como resposta ao amor divino e não apenas como obrigação legal.
Outro aspecto importante é a responsabilidade da comunidade em preservar a verdade revelada.
A mensagem do livro une adoração, ética e espiritualidade.
Sua teologia enfatiza a santificação progressiva da nação por meio da submissão à Palavra.
Para os cristãos, o livro aponta para CRISTO, em quem as promessas da aliança encontram seu pleno cumprimento.
|
Palavra |
Significado |
|
ἀγάπη (agapē) |
Amor |
|
χάρις (charis) |
Graça |
|
εὐλογία (eulogia) |
Bênção |
|
πιστότης (pistotēs) |
Fidelidade |
|
Aspecto |
Síntese |
|
Tema central |
Aliança |
|
Ênfase |
Amor e obediência |
|
Resultado da fidelidade |
Bênção |
|
Resultado da rebelião |
Juízo |
|
Aplicação cristã |
Vida em CRISTO |
· Deuteronômio 6.5; Deuteronômio 11.26-28; Deuteronômio 30.15-20; Neemias 8.1-8; Esdras 7.10; 1 Coríntios 15.57
Texto base: Deuteronômio 1.6-8
A passagem de Deuteronômio 1 marca uma transição histórica e espiritual. A geração que saiu do Egito recebeu grandes privilégios, viu milagres extraordinários e ouviu a voz de Deus no Sinai. Contudo, por causa da incredulidade e da rebeldia, não entrou na Terra Prometida (Nm 14.22-23). Agora, quarenta anos depois, uma nova geração está diante de uma decisão: confiar na promessa divina e avançar pela fé.
O discurso de Moisés não é apenas uma revisão histórica, mas um chamado à obediência. O passado serve como advertência, enquanto a promessa aponta para o futuro.
Comentário Teológico
1. Deus chama Seu povo para avançar
"Tendes permanecido bastante tempo neste monte" (Dt 1.6).
O Senhor declara que o tempo de permanecer parado havia terminado. Israel precisava romper com a acomodação e seguir adiante.
A palavra hebraica para "parti" ou "segui" é נָסַע (nāsa‘), que significa "levantar acampamento", "marchar", "prosseguir jornada". A ideia não é apenas movimento físico, mas progresso segundo a direção de Deus.
Muitas vezes o povo de Deus corre o risco de viver das experiências passadas. Entretanto, a fé bíblica é dinâmica e progressiva. Deus nos chama constantemente para novos níveis de obediência e dependência.
Aplicação: Uma geração decisiva não vive apenas das vitórias dos pais; ela assume sua própria caminhada com Deus.
2. A promessa já havia sido dada
"Eis aqui a terra que pus diante de vós" (Dt 1.8).
A expressão "pus diante de vós" mostra que a iniciativa sempre pertence a Deus.
O verbo hebraico נָתַן (nāthan) significa "dar", "conceder", "entregar". Está relacionado à graça divina. A terra era uma dádiva da aliança, não uma conquista produzida apenas por esforço humano.
Há um paradoxo teológico interessante:
· Deus já havia dado a terra.
Essa verdade aparece também no Novo Testamento:
"Porque andamos por fé e não pelo que vemos" (2Co 5.7).
3. O fracasso da antiga geração foi a incredulidade
O problema central da primeira geração não foi militar, político ou econômico. Foi espiritual.
A palavra hebraica para fé deriva da raiz אָמַן ('āman), que significa "firmar", "confiar", "ser fiel". Da mesma raiz surge o termo "Amém".
Israel viu gigantes e cidades fortificadas, mas esqueceu o poder do Deus da aliança. A incredulidade transformou desafios em impossibilidades.
Teologicamente, a incredulidade não é apenas dúvida intelectual; é recusa em confiar no caráter de Deus.
Segundo Hebreus 3.19:
"Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade."
Lição: Cada geração deve decidir se viverá pela visão natural ou pela confiança nas promessas do Senhor.
4. A nova geração precisava tomar posse pela fé
"Entrai e possuí a terra" (Dt 1.8).
O verbo hebraico יָרַשׁ (yārash) significa "herdar", "tomar posse", "receber uma herança".
Israel não estava entrando para conquistar algo que não lhes pertencia; estava recebendo aquilo que Deus prometera a Abraão, Isaque e Jacó.
Essa verdade aponta para uma dimensão espiritual maior. O povo da nova aliança vive orientado para a herança eterna preparada por Deus.
Pedro escreve:
"Uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível" (1Pe 1.4).
Assim como Israel caminhava para Canaã, a Igreja caminha para a cidade celestial.
5. Nossa cidadania está nos céus
O texto relaciona-se perfeitamente com Filipenses 3.20:
"Pois a nossa pátria está nos céus."
A geração de Josué tinha diante de si uma herança terrena. Os cristãos possuem uma esperança ainda maior: o Reino eterno de Deus.
A palavra grega para "cidadania" é πολίτευμα (políteuma), que significa "comunidade política", "cidadania" ou "pertencimento a uma pátria".
Paulo lembra que o crente vive no mundo sem pertencer definitivamente a ele. Nossa jornada é peregrina.
Assim, a nova geração de crentes deve tomar decisões à luz da eternidade e não apenas das circunstâncias temporais.
Princípios para a Nova Geração
1. Não viver apenas das experiências da geração anterior.
Tabela Resumo
|
Tema |
Texto |
Palavra Original |
Significado |
Aplicação |
|
Avançar |
Dt 1.6 |
נָסַע (nāsa‘) |
Partir, marchar, seguir viagem |
Não permanecer na estagnação espiritual |
|
Promessa divina |
Dt 1.8 |
נָתַן (nāthan) |
Dar, conceder |
Deus é o autor da bênção |
|
Fé e fidelidade |
Hb 3.19 |
אָמַן ('āman) |
Confiar, firmar-se |
A incredulidade impede o avanço |
|
Possuir a herança |
Dt 1.8 |
יָרַשׁ (yārash) |
Herdar, tomar posse |
Apropriar-se das promessas pela fé |
|
Cidadania celestial |
Fp 3.20 |
πολίτευμα (políteuma) |
Cidadania, pertencimento |
Viver com perspectiva eterna |
A mensagem de Deuteronômio 1.6-8 desafia cada nova geração a tomar decisões espirituais firmes. A geração anterior de Israel caiu por causa da incredulidade, mas a nova geração recebeu a oportunidade de viver aquilo que Deus havia prometido. O Senhor continua chamando Seu povo a sair da acomodação, confiar em Suas promessas e avançar pela fé. A grande questão não é se Deus cumprirá Sua Palavra, mas se responderemos com obediência e confiança. Como Israel diante de Canaã, somos chamados a olhar para frente, tomar posse das promessas divinas e caminhar rumo à nossa verdadeira pátria, a cidade celestial.
|
Elemento |
Ensino Principal |
|
Autoria |
Moisés como mediador da aliança |
|
Definição |
Reapresentação da Lei |
|
Propósito |
Renovação da fidelidade |
|
Ênfase |
Aliança, santidade e obediência |
|
Aplicação |
Vida comprometida com DEUS |
1. Panorama Espiritual
O cenário espiritual de Deuteronômio é marcado pela preparação de uma nova geração para a posse da promessa divina.
Os sobreviventes do êxodo haviam presenciado a disciplina do Senhor durante quarenta anos de peregrinação.
A expressão hebraica "Elleh Haddevarim" introduz uma mensagem revestida de autoridade divina.
Moisés não fala apenas como líder nacional, mas como porta-voz da revelação.
A renovação da aliança demonstra que a fé deve ser constantemente reafirmada.
A transmissão da verdade bíblica entre gerações é apresentada como uma responsabilidade sagrada.
A continuidade da obra de DEUS depende da preservação fiel de sua Palavra.
|
Aspecto |
Síntese |
|
Público |
Nova geração |
|
Local |
Campinas de Moabe |
|
Objetivo |
Renovação da aliança |
|
Ênfase |
Transmissão da fé |
· Deuteronômio 1.1; Deuteronômio 4.9; Deuteronômio 6.6-9; Salmo 78.4-7; 2 Timóteo 2.2
Os detalhes geográficos de Deuteronômio possuem valor histórico e espiritual.
Cada lugar mencionado relembra experiências de vitória, disciplina ou aprendizado.
O percurso entre Horebe e Cades-Barneia demonstra que a incredulidade prolonga jornadas que poderiam ser breves.
A geografia torna-se uma teologia da caminhada.
O deserto simboliza provas, dependência e aperfeiçoamento espiritual.
A Terra Prometida representa o cumprimento das promessas divinas.
A jornada de Israel aponta tipologicamente para a peregrinação da Igreja rumo à pátria celestial.
|
Palavra |
Significado |
|
πίστις (pistis) |
Fé |
|
ὑπακοή (hypakoē) |
Obediência |
|
ἐλπίς (elpis) |
Esperança |
|
Aspecto |
Síntese |
|
Deserto |
Lugar de prova |
|
Canaã |
Promessa cumprida |
|
Lição |
Fé e obediência |
|
Aplicação |
Perseverança cristã |
· Deuteronômio 1.2; Números 14.22-23; Salmo 95.7-11; Hebreus 3.7-19; Hebreus 4.1-11
O discurso final de Moisés apresenta uma síntese da história redentora de Israel.
Ele recorda os atos poderosos de DEUS para fortalecer a confiança do povo.
Seu método pedagógico fundamenta-se na memória da ação divina.
Teologicamente, trata-se de uma renovação da consciência da aliança.
A liderança espiritual saudável sempre conduz o povo de volta à Palavra.
Moisés prepara uma sucessão responsável mediante a liderança de Josué.
Seu exemplo demonstra que a verdadeira liderança forma continuadores da missão.
|
Aspecto |
Síntese |
|
Líder |
Moisés |
|
Sucessor |
Josué |
|
Método |
Exortação |
|
Base |
Palavra de DEUS |
· Deuteronômio 1.37; Deuteronômio 3.27; Deuteronômio 31.7-8; Josué 1.1-9
|
Aspecto |
Síntese |
|
Fracasso anterior |
Incredulidade |
|
Novo chamado |
Fé e obediência |
|
Promessa |
Posse da terra |
|
Aplicação |
Perseverança cristã |
· Deuteronômio 1.6-8; Números 14.30-35; Filipenses 3.20; Hebreus 12.1-2
4. Desafiando a nova geração a ser decisiva.
Texto base: Deuteronômio 1.6-8
A passagem de Deuteronômio 1 marca uma transição histórica e espiritual. A geração que saiu do Egito recebeu grandes privilégios, viu milagres extraordinários e ouviu a voz de Deus no Sinai. Contudo, por causa da incredulidade e da rebeldia, não entrou na Terra Prometida (Nm 14.22-23). Agora, quarenta anos depois, uma nova geração está diante de uma decisão: confiar na promessa divina e avançar pela fé.
O discurso de Moisés não é apenas uma revisão histórica, mas um chamado à obediência. O passado serve como advertência, enquanto a promessa aponta para o futuro.
Comentário Teológico
a. Deus chama Seu povo para avançar
"Tendes permanecido bastante tempo neste monte" (Dt 1.6).
O Senhor declara que o tempo de permanecer parado havia terminado. Israel precisava romper com a acomodação e seguir adiante.
A palavra hebraica para "parti" ou "segui" é נָסַע (nāsa‘), que significa "levantar acampamento", "marchar", "prosseguir jornada". A ideia não é apenas movimento físico, mas progresso segundo a direção de Deus.
Muitas vezes o povo de Deus corre o risco de viver das experiências passadas. Entretanto, a fé bíblica é dinâmica e progressiva. Deus nos chama constantemente para novos níveis de obediência e dependência.
Aplicação: Uma geração decisiva não vive apenas das vitórias dos pais; ela assume sua própria caminhada com Deus.
b. A promessa já havia sido dada
"Eis aqui a terra que pus diante de vós" (Dt 1.8).
A expressão "pus diante de vós" mostra que a iniciativa sempre pertence a Deus.
O verbo hebraico נָתַן (nāthan) significa "dar", "conceder", "entregar". Está relacionado à graça divina. A terra era uma dádiva da aliança, não uma conquista produzida apenas por esforço humano.
Há um paradoxo teológico interessante:
· Deus já havia dado a terra.
Essa verdade aparece também no Novo Testamento:
"Porque andamos por fé e não pelo que vemos" (2Co 5.7).
c. O fracasso da antiga geração foi a incredulidade
O problema central da primeira geração não foi militar, político ou econômico. Foi espiritual.
A palavra hebraica para fé deriva da raiz אָמַן ('āman), que significa "firmar", "confiar", "ser fiel". Da mesma raiz surge o termo "Amém".
Israel viu gigantes e cidades fortificadas, mas esqueceu o poder do Deus da aliança. A incredulidade transformou desafios em impossibilidades.
Teologicamente, a incredulidade não é apenas dúvida intelectual; é recusa em confiar no caráter de Deus.
Segundo Hebreus 3.19:
"Vemos, pois, que não puderam entrar por causa da incredulidade."
Lição: Cada geração deve decidir se viverá pela visão natural ou pela confiança nas promessas do Senhor.
d. A nova geração precisava tomar posse pela fé
"Entrai e possuí a terra" (Dt 1.8).
O verbo hebraico יָרַשׁ (yārash) significa "herdar", "tomar posse", "receber uma herança".
Israel não estava entrando para conquistar algo que não lhes pertencia; estava recebendo aquilo que Deus prometera a Abraão, Isaque e Jacó.
Essa verdade aponta para uma dimensão espiritual maior. O povo da nova aliança vive orientado para a herança eterna preparada por Deus.
Pedro escreve:
"Uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível" (1Pe 1.4).
Assim como Israel caminhava para Canaã, a Igreja caminha para a cidade celestial.
e. Nossa cidadania está nos céus
O texto relaciona-se perfeitamente com Filipenses 3.20:
"Pois a nossa pátria está nos céus."
A geração de Josué tinha diante de si uma herança terrena. Os cristãos possuem uma esperança ainda maior: o Reino eterno de Deus.
A palavra grega para "cidadania" é πολίτευμα (políteuma), que significa "comunidade política", "cidadania" ou "pertencimento a uma pátria".
Paulo lembra que o crente vive no mundo sem pertencer definitivamente a ele. Nossa jornada é peregrina.
Assim, a nova geração de crentes deve tomar decisões à luz da eternidade e não apenas das circunstâncias temporais.
1. Não viver apenas das experiências da geração anterior.
Tabela Resumo
|
Tema |
Texto |
Palavra Original |
Significado |
Aplicação |
|
Avançar |
Dt 1.6 |
נָסַע (nāsa‘) |
Partir, marchar, seguir viagem |
Não permanecer na estagnação espiritual |
|
Promessa divina |
Dt 1.8 |
נָתַן (nāthan) |
Dar, conceder |
Deus é o autor da bênção |
|
Fé e fidelidade |
Hb 3.19 |
אָמַן ('āman) |
Confiar, firmar-se |
A incredulidade impede o avanço |
|
Possuir a herança |
Dt 1.8 |
יָרַשׁ (yārash) |
Herdar, tomar posse |
Apropriar-se das promessas pela fé |
|
Cidadania celestial |
Fp 3.20 |
πολίτευμα (políteuma) |
Cidadania, pertencimento |
Viver com perspectiva eterna |
|
Elemento |
Ensino |
|
Panorama espiritual |
Renovação da aliança |
|
Geografia |
Lições da caminhada |
|
Discurso de Moisés |
Preparação da nova geração |
|
Desafio da fé |
Possuir a promessa |
1. Relevância doutrinária
Deuteronômio apresenta uma das mais completas revelações veterotestamentárias acerca do caráter divino.
DEUS é descrito como santo, justo, misericordioso e soberano.
A doutrina da aliança ocupa posição central na estrutura do livro.
Israel deveria compreender que sua identidade derivava da eleição divina e não de méritos próprios.
O livro também possui forte conteúdo messiânico.
O Profeta prometido em Deuteronômio 18 encontra seu cumprimento perfeito em JESUS CRISTO.
Assim, a doutrina revelada no livro permanece fundamental para a teologia cristã.
|
Palavra |
Significado |
|
ἅγιος (hagios) |
SANTO |
|
δικαιοσύνη (dikaiosynē) |
Justiça |
|
ἐκλογή (eklogē) |
Eleição |
|
Μεσσίας (Messias) |
Ungido |
|
Aspecto |
Síntese |
|
Caráter divino |
SANTO e justo |
|
Aliança |
Relacionamento com DEUS |
|
Profecia |
Aponta para CRISTO |
|
Aplicação |
Vida de reverência |
· Deuteronômio 7.9; Deuteronômio 10.17; Deuteronômio 18.15; Atos 3.22-23; João 5.39
A ética de Deuteronômio nasce da teologia da aliança.
DEUS exige santidade não apenas no culto, mas também nas relações sociais.
Pais recebem a responsabilidade de educar espiritualmente seus filhos.
A justiça deve orientar governantes, juízes e líderes.
A compaixão para com necessitados torna-se evidência da verdadeira espiritualidade.
A fidelidade ao Senhor afeta todas as áreas da vida.
Esses princípios continuam sendo fundamentais para a ética cristã contemporânea.
|
Aspecto |
Síntese |
|
Família |
Ensino espiritual |
|
Sociedade |
Justiça |
|
Adoração |
Fidelidade |
|
Ética |
Responsabilidade cristã |
· Deuteronômio 6.6-7; Deuteronômio 15.7-11; Deuteronômio 16.18-20; Miquéias 6.8; 2 Timóteo 1.5
JESUS utilizou Deuteronômio como autoridade máxima durante sua tentação no deserto.
Em todas as ocasiões, respondeu a Satanás citando as Escrituras.
Isso demonstra a suficiência e autoridade da Palavra de DEUS.
Os apóstolos igualmente recorreram ao livro para explicar a obra de CRISTO.
Pedro identificou JESUS como o Profeta prometido.
Paulo utilizou Deuteronômio para explicar a redenção realizada na cruz.
O Novo Testamento confirma plenamente a inspiração e atualidade desse livro.
|
Palavra |
Significado |
|
λόγος (logos) |
Palavra |
|
σωτηρία (sōtēria) |
Salvação |
|
λύτρωσις (lytrōsis) |
Redenção |
|
χριστός (christos) |
CRISTO |
|
Aspecto |
Síntese |
|
JESUS |
Citou Deuteronômio |
|
Pedro |
Confirmou o Profeta |
|
Paulo |
Explicou a redenção |
|
Resultado |
Autoridade das Escrituras |
· Deuteronômio 6.13; Deuteronômio 8.3; Deuteronômio 18.15; Mateus 4.4,7,10; Atos 3.22-23; Gálatas 3.13; Hebreus 10.30
|
Elemento |
Ensino Principal |
|
Doutrina |
Caráter e aliança de DEUS |
|
Ética |
Santidade e justiça |
|
Cristologia |
CRISTO revelado em Deuteronômio |
|
Novo Testamento |
Confirmação apostólica |
O livro de Deuteronômio permanece como uma das mais importantes exposições da vontade de DEUS para seu povo. Sua mensagem ultrapassa os limites históricos de Israel e continua relevante para a Igreja, pois apresenta princípios eternos de aliança, fidelidade, santidade, adoração e obediência.
Sob uma perspectiva teológica, Deuteronômio revela a soberania divina, a responsabilidade humana, a centralidade da revelação escrita e a necessidade de uma fé perseverante. Além disso, suas profecias e tipologias encontram pleno cumprimento em JESUS CRISTO, o Mediador da Nova Aliança, confirmado pelos apóstolos e proclamado pelo Evangelho.
Portanto, o estudo de Deuteronômio fortalece nossa compreensão da história da redenção e nos desafia a viver uma espiritualidade bíblica autêntica. Assim como Israel foi chamado a escolher entre a vida e a morte, entre a bênção e a maldição, também somos convocados a responder ao Senhor com fé, amor, obediência e dedicação integral à sua Palavra, aguardando o cumprimento definitivo das promessas eternas em CRISTO JESUS.
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
QUESTIONÁRIOS
1-
Questionário com 20 Perguntas e 20 Respostas (PARA PROFESSORES)
2-
Questionário com 20 Perguntas (Sem Respostas - PARA ALUNOS)
3.
Questionário de Múltipla Escolha (Com a Resposta Correta Marcada com
"x" - PARA PROFESSORES)
4.
Questionário de Múltipla Escolha (Sem Marcação das Respostas Correta - PARA
ALUNOS)
1.
Questionário com 20 Perguntas e 20 Respostas
1-Pergunta:
Quem é reconhecido pela tradição judaica, evidência interna e estudiosos
conservadores como o autor de Deuteronômio?
Resposta:
Moisés, que atuou como mediador da aliança entre DEUS e Israel.
2-Pergunta:
Qual parte do livro de Deuteronômio não foi escrita diretamente por Moisés?
Resposta:
Os acontecimentos posteriores à sua morte, descritos no capítulo final, que
podem ter sido registrados por Josué ou por outro escriba sob inspiração
divina.
3-Pergunta:
Qual é a origem e o significado da palavra "Deuteronômio"?
Resposta:
O título deriva do grego deuteronomion, traduzido na Septuaginta como
"repetição da Lei".
4-Pergunta:
Como o livro de Deuteronômio é chamado na tradição judaica e o que essa
expressão significa?
Resposta:
É chamado hadevārîm, que significa "estas palavras", destacando seu
caráter discursivo.
5-Pergunta:
Como o livro de Deuteronômio está estruturado e qual é o seu propósito central?
Resposta:
Está estruturado em três discursos de Moisés; seu propósito é reafirmar a
aliança e preparar o povo para possuir a Terra Prometida.
6-Pergunta:
Qual evento histórico posterior no Antigo Testamento evidencia o valor
permanente de Deuteronômio para a edificação espiritual?
Resposta:
O seu uso durante as reformas espirituais de Esdras e Neemias.
7-Pergunta:
O que significa a expressão hebraica Êlleh hadvarim no início de Deuteronômio?
Resposta:
Significa "Estas são as palavras", indicando que o discurso possui
autoridade e revelação divinas, não humanas.
8-Pergunta:
Onde o povo de Israel estava localizado quando Moisés proferiu esses discursos?
Resposta:
Nas campinas de Moabe.
9-Pergunta:
Por que era necessário instruir a nova geração nas campinas de Moabe antes da
entrada em Canaã?
Resposta:
Porque essa nova geração não havia presenciado os milagres do Êxodo e precisava
renovar a aliança antes de possuir a terra.
10-Pergunta:
Quanto tempo durou a jornada de Horebe a Cades-Barneia e qual foi o motivo da
demora?
Resposta:
Durou 40 anos devido à desobediência, incredulidade e falta de temor da antiga
geração de Israel.
11-Pergunta:
Para quem Moisés preparou a transição de liderança antes de sua morte?
Resposta:
Para Josué.
12-Pergunta:
Quais dois reis amorreus derrotados são recordados por Moisés como prova das
vitórias concedidas por DEUS?
Resposta:
Seom e Ogue.
13-Pergunta:
No contexto de Deuteronômio, a que se refere o termo "Torá"?
Resposta:
Refere-se ao conjunto de ensinos (Lei) que orientavam a vida moral e espiritual
de Israel, formando a base de sua identidade.
14-Pergunta:
O que ensina a passagem central de Deuteronômio 1.8 quanto à posse da terra?
Resposta:
Ensina que DEUS já havia dado a terra ao povo, mas cabia a Israel entrar e
possuí-la pela fé.
15-Pergunta:
Quais atributos do caráter de DEUS são revelados no aspecto doutrinário de
Deuteronômio?
Resposta:
DEUS é revelado como justo, santo, fiel, misericordioso, zeloso e verdadeiro.
16-Pergunta:
Qual profecia messiânica de grande relevância é apresentada em Deuteronômio
18.15?
Resposta:
A promessa da vinda de um Profeta semelhante a Moisés, apontando para JESUS CRISTO.
17-Pergunta:
Qual dever prático dos pais em relação aos filhos é enfatizado em Deuteronômio
6.6,7?
Resposta:
O dever de ensinar continuamente a Palavra de DEUS aos filhos no cotidiano da
família.
18-Pergunta:
Como JESUS demonstrou a autoridade e o valor prático de Deuteronômio em seu
ministério?
Resposta:
JESUS citou passagens de Deuteronômio para combater as tentações do diabo no
deserto (Mt 4.4,7,10).
19-Pergunta:
Quais apóstolos do Novo Testamento recorreram ao livro de Deuteronômio em suas
pregações ou cartas?
Resposta:
Pedro (At 3.23), Paulo (Gl 3.13) e o autor da Carta aos Hebreus (Hb 10.30).
20-Pergunta:
Qual é a consequência da obediência e da desobediência segundo Deuteronômio
11.26-28?
Resposta:
A obediência à Palavra conduz à bênção e à vida; a desobediência leva à
maldição.
2. Questionário com 20 Perguntas (Sem Respostas - PARA ALUNOS)
1.
Quem é reconhecido pela tradição judaica, evidência interna
e estudiosos conservadores como o autor de Deuteronômio?
2.
Qual parte do livro de Deuteronômio não foi escrita
diretamente por Moisés?
3.
Qual é a origem e o significado da palavra
"Deuteronômio"?
4.
Como o livro de Deuteronômio é chamado na tradição judaica
e o que essa expressão significa?
5.
Como o livro de Deuteronômio está estruturado e qual é o
seu propósito central?
6.
Qual evento histórico posterior no Antigo Testamento
evidencia o valor permanente de Deuteronômio para a edificação espiritual?
7.
O que significa a expressão hebraica Êlleh hadvarim no
início de Deuteronômio?
8.
Onde o povo de Israel estava localizado quando Moisés
proferiu esses discursos?
9.
Por que era necessário instruir a nova geração nas campinas
de Moabe antes da entrada em Canaã?
10.
Quanto tempo durou a jornada de Horebe a Cades-Barneia e
qual foi o motivo da demora?
11.
Para quem Moisés preparou a transição de liderança antes de
sua morte?
12.
Quais dois reis amorreus derrotados são recordados por
Moisés como prova das vitórias concedidas por DEUS?
13.
No contexto de Deuteronômio, a que se refere o termo
"Torá"?
14.
O que ensina a passagem central de Deuteronômio 1.8 quanto
à posse da terra?
15.
Quais atributos do caráter de DEUS são revelados no aspecto
doutrinário de Deuteronômio?
16.
Qual profecia messiânica de grande relevância é apresentada
em Deuteronômio 18.15?
17.
Qual dever prático dos pais em relação aos filhos é
enfatizado em Deuteronômio 6.6,7?
18.
Como JESUS demonstrou a autoridade e o valor prático de
Deuteronômio em seu ministério?
19.
Quais apóstolos do Novo Testamento recorreram ao livro de
Deuteronômio em suas pregações ou cartas?
20.
Qual é a consequência da obediência e da desobediência
segundo Deuteronômio 11.26-28?
3. Questionário de Múltipla Escolha (Com a Resposta Correta
Marcada com "x" - PARA PROFESSORES)
1-Quem
é o autor da maior parte do livro de Deuteronômio?
Josué
[x]
b) Moisés
Esdras
Samuel
2-O
relato da morte de Moisés no capítulo final foi provavelmente registrado por:
Arão
[x]
b) Josué ou outro escriba sob inspiração divina
Davi
Eleazar
3-A
palavra "Deuteronômio" vem do grego e significa:
[x]
a) Repetição da Lei
b)
Segunda Criação
c)
Saída do Egito
d)
Livro dos Reis
4-Na
tradição judaica, o livro recebe o nome de hadevārîm, que quer dizer:
"Os
mandamentos sagrados"
"A
lei do deserto"
[x]
c) "Estas palavras"
d)
"Os discursos divinos"
5-Em
quantos discursos principais o livro de Deuteronômio se divide?
Dois
discursos
[x]
b) Três discursos
c)
Quatro discursos
d)
Cinco discursos
6-Em
qual período do pós-exílio o livro de Deuteronômio foi amplamente utilizado
para edificação e reforma espiritual?
[x]
a) Na reforma de Esdras e Neemias
b)
Na construção do Templo de Salomão
c)
Durante o reinado de Josias
d)
Na divisão do reino de Israel
7-A
expressão Êlleh hadvarim enfatiza que o discurso de Moisés possui:
Apenas
valor histórico
Tradições
orais humanas
[x]
c) Autoridade e revelação divinas
d)
Conteúdo estritamente poético
8-Onde
a nova geração de Israel recebeu as instruções de Moisés relatadas no livro?
No
monte Sinai
Em
Cades-Barneia
[x]
c) Nas campinas de Moabe
d)
No monte Horebe
9-Por
que a travessia do deserto levou 40 anos, embora o trajeto pudesse ser feito em
poucos dias?
Por
causa de tempestades de areia constantes
[x]
b) Devido à desobediência e incredulidade do povo
c)
Porque o povo se perdeu no caminho
d)
Devido a guerras contínuas com os egípcios
10-Qual
líder foi preparado para assumir o comando de Israel na entrada da Terra
Prometida?
Calebe
Gideão
[x]
c) Josué
d)
Samuel
11-Quais
reis foram derrotados por DEUS conforme recordado por Moisés?
[x]
a) Seom e Ogue
b)
Faraó e Nabucodonosor
c)
Herodes e Pilatos
d)
Saul e Golias
12-O
termo "Torá", no contexto de Deuteronômio, refere-se a:
Um
livro exclusivo de poesias
[x]
b) O conjunto de ensinos que orientavam a vida moral e espiritual
c)
Apenas aos Dez Mandamentos gravados em pedra
d)
Um código civil de leis pagãs
13-Segundo
Deuteronômio 1.8, qual devia ser a atitude de Israel quanto à Terra Prometida?
Aguardar
passivamente que os inimigos saíssem
[x]
b) Entrar e possuí-la pela fé
c)
Voltar para o Egito
d)
Negociar a compra das terras com os cananeus
14-O
aspecto doutrinário de Deuteronômio destaca a revelação do caráter de DEUS
como:
Indiferente
e distante da humanidade
[x]
b) Justo, santo, fiel, misericordioso, zeloso e verdadeiro
c)
Severo e implacável sem misericórdia
d)
Exclusivamente punitivo e rígido
15-Deuteronômio
18.15 traz uma importante profecia messiânica sobre a vinda de:
Um
grande rei militar
[x]
b) Um Profeta semelhante a Moisés
c)
Um sacerdote da ordem de Arão
d)
Um anjo em forma humana
16-Deuteronômio
6.6,7 estabelece que o ensino da Palavra de DEUS aos filhos deve ocorrer:
[x]
a) No cotidiano da vida familiar e em todas as situações
b)
Apenas nos dias de festa no Tabernáculo
c)
Exclusivamente pelos sacerdotes na tenda
d)
Quando os filhos atingirem a vida adulta
17-Quando
foi tentado no deserto, JESUS combateu o diabo citando textos de qual livro?
Gênesis
Isaías
Salmos
[x]
d) Deuteronômio
18-Quais
apóstolos citam Deuteronômio no Novo Testamento?
[x]
a) Pedro, Paulo e o autor de Hebreus
b)
João, Tiago e Judas
c)
Mateus, Marcos e Lucas
d)
Tomé, Filipe e Bartolomeu
19-A
atitude que JESUS e os apóstolos demonstraram em relação a Deuteronômio
confirma que o livro é:
Uma
compilação de mitos antigos
[x]
b) Escritura inspirada por DEUS e com autoridade permanente
c)
Válido apenas para os judeus do passado
d)
Um texto secundário sem valor doutrinário
20-Conforme
Deuteronômio 11.26-28, o que resulta da obediência aos mandamentos do Senhor?
[x]
a) Bênção e vida santa
b)
Riquezas temporais automáticas sem provações
c)
Isenção de qualquer batalha ou luta
d)
Maldição e castigo imediato
4. Questionário de Múltipla Escolha (Sem Marcação das Respostas
Correta - PARA ALUNOS)
1-Quem
é o autor da maior parte do livro de Deuteronômio?
Josué
Moisés
Esdras
Samuel
2-O
relato da morte de Moisés no capítulo final foi provavelmente registrado por:
Arão
Josué
ou outro escriba sob inspiração divina
Davi
Eleazar
3-A
palavra "Deuteronômio" vem do grego e significa:
Repetição
da Lei
Segunda
Criação
Saída
do Egito
Livro
dos Reis
4-Na
tradição judaica, o livro recebe o nome de hadevārîm, que quer dizer:
"Os
mandamentos sagrados"
"A
lei do deserto"
"Estas
palavras"
"Os
discursos divinos"
5-Em
quantos discursos principais o livro de Deuteronômio se divide?
Dois
discursos
Três
discursos
Quatro
discursos
Cinco
discursos
6-Em
qual período do pós-exílio o livro de Deuteronômio foi amplamente utilizado
para edificação e reforma espiritual?
Na
reforma de Esdras e Neemias
Na
construção do Templo de Salomão
Durante
o reinado de Josias
Na
divisão do reino de Israel
7-A
expressão Êlleh hadvarim enfatiza que o discurso de Moisés possui:
Apenas
valor histórico
Tradições
orais humanas
Autoridade
e revelação divinas
Conteúdo
estritamente poético
8-Onde
a nova geração de Israel recebeu as instruções de Moisés relatadas no livro?
No
monte Sinai
Em
Cades-Barneia
Nas
campinas de Moabe
No
monte Horebe
9-Por
que a travessia do deserto levou 40 anos, embora o trajeto pudesse ser feito em
poucos dias?
Por
causa de tempestades de areia constantes
Devido
à desobediência e incredulidade do povo
Porque
o povo se perdeu no caminho
Devido
a guerras contínuas com os egípcios
10-Qual
líder foi preparado para assumir o comando de Israel na entrada da Terra
Prometida?
Calebe
Gideão
Josué
Samuel
11-Quais
reis foram derrotados por DEUS conforme recordado por Moisés?
Seom
e Ogue
Faraó
e Nabucodonosor
Herodes
e Pilatos
Saul
e Golias
12-O
termo "Torá", no contexto de Deuteronômio, refere-se a:
Um
livro exclusivo de poesias
O
conjunto de ensinos que orientavam a vida moral e espiritual
Apenas
aos Dez Mandamentos gravados em pedra
Um
código civil de leis pagãs
13-Segundo
Deuteronômio 1.8, qual devia ser a atitude de Israel quanto à Terra Prometida?
Aguardar
passivamente que os inimigos saíssem
Entrar
e possuí-la pela fé
Voltar
para o Egito
Negociar
a compra das terras com os cananeus
14-O
aspecto doutrinário de Deuteronômio destaca a revelação do caráter de DEUS
como:
Indiferente
e distante da humanidade
Justo,
santo, fiel, misericordioso, zeloso e verdadeiro
Severo
e implacável sem misericórdia
Exclusivamente
punitivo e rígido
15-Deuteronômio
18.15 traz uma importante profecia messiânica sobre a vinda de:
Um
grande rei militar
Um
Profeta semelhante a Moisés
Um
sacerdote da ordem de Arão
Um
anjo em forma humana
16-Deuteronômio
6.6,7 estabelece que o ensino da Palavra de DEUS aos filhos deve ocorrer:
No
cotidiano da vida familiar e em todas as situações
Apenas
nos dias de festa no Tabernáculo
Exclusivamente
pelos sacerdotes na tenda
Quando
os filhos atingirem a vida adulta
17-Quando
foi tentado no deserto, JESUS combateu o diabo citando textos de qual livro?
Gênesis
Isaías
Salmos
Deuteronômio
18-Quais
apóstolos citam Deuteronômio no Novo Testamento?
Pedro,
Paulo e o autor de Hebreus
João,
Tiago e Judas
Mateus,
Marcos e Lucas
Tomé,
Filipe e Bartolomeu
19-A
atitude que JESUS e os apóstolos demonstraram em relação a Deuteronômio
confirma que o livro é:
Uma
compilação de mitos antigos
Escritura
inspirada por DEUS e com autoridade permanente
Válido
apenas para os judeus do passado
Um
texto secundário sem valor doutrinário
20-Conforme
Deuteronômio 11.26-28, o que resulta da obediência aos mandamentos do Senhor?
Bênção
e vida santa
Riquezas
temporais automáticas sem provações
Isenção
de qualquer batalha ou luta
Maldição
e castigo imediato
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Série de
Notas sobre o Pentateuco - C.H. MACKINTOSH
DEUTERONÔMIO ——CAPÍTULO 1
RETROSPECTIVA DO CAMINHO NO DESERTO
(O primeiro discurso de Moisés — capítulos 1 a 4)
"Estas são as palavras que Moisés falou a todo o
Israel, dalém do Jordão, no deserto, na planície defronte do mar de Sufe, entre
Parã e Tofel, e Labã, Hazerote, e Di-Zaabe. Onze jornadas há desde Horebe,
caminho da montanha de Seir, até Cades-Barnéia" (versículos 1 e 2).
O escritor inspirado é cuidadoso em nos dar, da
maneira mais precisa, todos os pormenores do lugar em que as palavras deste
livro foram proferidas aos ouvidos do povo. Israel não havia ainda atravessado
o Jordão. Estavam junto dele; e em frente do Mar Vermelho, onde o grande poder
de DEUS havia sido tão gloriosamente manifestado quase quarenta anos antes. A
situação é descrita com tal minúcia que mostra como DEUS Se ocupava de tudo que
dizia respeito ao Seu povo. Estava interessado em todos os movimentos que
faziam e em todos os seus caminhos. Guardava em registro exato de todos os seus
acampamentos. Não havia uma só particularidade, por mais insignificante, que
escapasse à Sua atenção. Atendia a tudo. O Seu olhar estava posto continuamente
sobre o conjunto dessa assembleia e sobre cada membro em especial. Dia e noite
velava por eles. Cada etapa da sua viagem estava debaixo da Sua imediata e
bondosa superintendência. Nada havia, por pequeno que fosse, que escapasse à
Sua atenção; nem nada, por grande que fosse, que não alcançasse o Seu poder.
Assim acontecia com o antigo Israel, no deserto; e
assim sucede hoje com a Igreja
- a igreja no seu conjunto e cada membro em
particular. Os olhos do Pai estão continuamente fixados em nós, os Seus braços
eternos ao redor e por baixo de nós, dia e noite. "Não apartará os seus
olhos do justo." Conta os cabelos da nossa cabeça e entra, com infinita
bondade, em tudo quanto nos diz respeito. Tem tomado a Seu cuidado todas as
necessidades e todos os nossos cuidados. Quer que lancemos sobre Ele toda a
nossa solicitude, na doce certeza de que Ele tem cuidado de nós.
Convida-nos graciosamente a deitarmos sobre Ele as
nossas cargas, sejam pesadas ou leves.
Tudo isto é verdadeiramente maravilhoso. E cheio da
mais profunda consolação. Está eminentemente calculado para tranquilizar o
coração, venha o que vier. A questão é, cremos isso? Os nossos corações são
governados por essa fé? Cremos realmente que o Criador Todo-Poderoso e
Mantenedor de todas as coisas, que sustém os pilares do universo, tem
graciosamente tomado sobre Si a tarefa de estar por nós durante toda a viagem?
Cremos verdadeiramente que "o Possuidor dos céus e da terra" é nosso
Pai e que tem tomado a Seu cargo o suprimento das nossas necessidades, desde a
primeira à última? O nosso ser moral está inteiramente sob o poder dominante
dessas palavras do apóstolo inspirado: "Aquele que nem mesmo a seu Filho
poupou, como nos não dará com ele todas as coisas?" Ah, é para recear que
conhecemos muito pouco do poder destas magníficas ainda que simples verdades!
Falamos delas; discutimo-las; professamo-las; damos-lhes um assentimento
nominal; mas, com tudo isso, demonstramos na nossa vida diária, nos pormenores
da nossa conduta pessoal, quão pouco as compreendemos. Se cremos
verdadeiramente que o nosso DEUS tem tomado à Sua conta todas as nossas
necessidades — se encontrássemos todos os nossos recursos n'Ele — se Ele fosse
uma perfeita defesa para os nossos olhos e lugar de descanso para os nossos
corações, seria possível dependermos dos pobres recursos de criatura, que tão
rapidamente se esgotam e desanimam os nossos corações? Não o cremos, não
podemos crê-lo. Uma coisa é manter a teoria da vida da fé e outra coisa
absolutamente diferente viver essa vida. Enganamo-nos constantemente a nós
próprios com a ideia de que estamos vivendo pela fé, quando na realidade
dependemos de qualquer apoio humano que, mais tarde ou mais cedo, é certo
ceder.
Não é assim, prezado leitor? Não estamos nós
constantemente prontos a deixar a fonte das águas vivas e a cavar cisternas
rotas, que não podem reter água? E, todavia, falamos de viver pela fé!
Professamos depender somente do DEUS vivo para o suprimento das nossas
necessidades, quaisquer que sejam essas necessidades, quando, de fato, nos
assentamos junto aos mananciais humanos, e buscamos deles alguma coisa. E para
admirar se ficamos desapontados? Como poderia ser de outro modo? O nosso DEUS
não quer que dependamos de alguma coisa ou de alguém senão d'Ele mesmo. Em
múltiplas passagens da Sua Palavra tem-nos dado a conhecer Seu pensamento
quanto ao verdadeiro caráter e resultados certos de confiar na criatura.
Veja-se a seguinte passagem solene do profeta Jeremias: "Maldito o homem
que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do
SENHOR! Porque será como a tamargueira no deserto e não sentirá quando vem o
bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e
inabitável."
E então note-se o contraste: "Bendito o varão
que confia no SENHOR, e cuja esperança é o SENHOR. Porque ele será como a
árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não
receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão,
não se afadiga, nem deixa de dar fruto" (Jr 17:5 a 8).
Aqui temos perante nós em linguagem divinamente
enérgica, clara e formosa, os dois lados desta importantíssima questão. A
confiança na criatura traz uma certa maldição, só pode resultar em esterilidade
e desolação. DEUS, em Sua fidelidade, fará secar toda a corrente humana e
afastar todo o apoio humano a fim de podermos conhecer inteiramente a loucura
de nos afastarmos d'Ele. Que figura poderia ser mais impressionante ou notável
que as empregadas na passagem precedente? 'Tamargueira no deserto" —
"Lugares secos no deserto" — “Terra salgada e inabitável". Tais
são as figuras empregadas pelo espírito SANTO para ilustrar toda a mera
dependência humana, toda a confiança no homem.
Mas, em contrapartida, que pode haver de mais belo ou
mais animador do que as figuras empregadas para mostrar a profunda
bem-aventurança de simples confiança no Senhor? "Arvore plantada junto às
águas" — "Que estende as suas raízes para o ribeiro" — "as
suas folhas estarão sempre verdes; o fruto nunca acabará. Quão formoso! Assim é
com o homem que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. E alimentado por
aquelas eternas fontes que emanam do coração de DEUS. Bebe livremente da fonte
vivificadora. Encontra todos os seus recursos no DEUS vivo. Pode haver
"calor", mas ele não o sente. Poderá sobrevir "o ano da
seca", mas não lhe dará cuidado algum. Dez mil correntes da criatura podem
secar, mas ele não se aperceberá disso, porque não depende delas. Mantém-se
tenazmente junto à fonte de eterno caudal. Nada lhe faltará. Vive pela fé.
O Justo Viverá por Sua Fé
E agora, enquanto falamos da vida da fé — essa vida
bendita, entendamos bem o que ela é e façamos cuidadosamente por vivê-la.
Ouvimos às vezes falar desta vida em termos que não são de modo nenhum
inteligentes. E frequentemente aplicada ao simples fato de se confiar em DEUS
quanto ao alimento e vestuário. Certas pessoas que aparentemente não têm
recursos naturais, um rendimento certo, nem propriedades de qualquer espécie,
são apontadas e contadas como "vivendo pela fé", como se essa
maravilhosa e gloriosa vida não tivesse uma esfera mais elevada ou maior curso
que as coisas temporárias, o simples suprimento das nossas necessidades.
Ora, nós não podemos deixar de protestar
energicamente contra este ponto de vista altamente indigno da vida da fé.
Limita a sua esfera e rebaixa o seu curso de uma forma absolutamente
intolerável para todo o que compreende alguma coisa dos seus santos e preciosos
mistérios. Podemos nós admitir, ainda que por um momento, que um cristão que
tenha um rendimento certo de qualquer espécie tem de ser privado do privilégio
de viver pela fé? Ou, além disso, podemos admitir que essa vida seja limitada e
rebaixada à simples condição de confiar em DEUS para suprimento das nossas
necessidades corpóreas? Não nos parece mais elevada que o alimento e o
vestuário? Não nos dá uma ideia mais elevada de DEUS do que aquela que nos diz
que Ele não nos deixará morrer de fome ou nus?
Longe, longe para sempre de nós tão vil ideia! A vida
da fé não deve ser assim tratada. Não podemos permitir que se lhe impute tão
grosseira desonra ou faça tão deplorável injúria aos que são chamados a
vivê-la. Qual, perguntamos, é o significado das breves embora importantes
palavras, "O justo viverá da fé"l? Encontramo-las primeiramente em
Habacuque 2. São reproduzidas pelo apóstolo em Romanos 1, onde ele lança, com
mão de mestre, o sólido fundamento do cristianismo. Cita-as outra vez em Gálatas
3, onde, com a mais viva ansiedade, chama de novo essas seduzidas assembleias
aos sólidos fundamentos que, em sua loucura, estavam abandonando. Finalmente,
cita-as de novo em capítulo 10 da sua epístola aos Hebreus, onde adverte seus
irmãos do perigo de abandonarem a sua confiança e renunciarem a sua carreira.
De tudo isto podemos seguramente deduzir a imensa
importância e valor prático da breve mas transcendente frase: "O justo
viverá da fé." Mas a quem é dirigida? Só a alguns dos servos do Senhor,
que, por aqui e por ali, não têm rendimentos certos? Repudiamos inteiramente
essa ideia. E dirigida a cada um dos do povo do Senhor. E elevado e ditoso
privilégio de todos os que estão compreendidos sob o título — bendito, de certo
— "o justo Cremos que é um grave erro limitá-la de qualquer modo. O efeito
moral de tal limitação é grandemente prejudicial. Dá importância indevida a uma
parte da vida da fé que — se for permitida qualquer distinção — devemos
considerar como a mais baixa. Mas, na realidade, não podemos fazer distinções.
A vida da fé é o grande princípio da vida divina desde o princípio ao fim. Por
fé somos justificados, e pela fé vivemos; pela fé estamos de pé e pela fé
andamos. Desde o ponto de partida até ao fim da carreira cristã, é tudo pela
fé.
Por isso, é um grave erro designar certas pessoas que
confiam no Senhor para o suprimento das suas necessidades temporais e falar de
elas viverem pela fé, como se só elas o fizessem. E não só isto, tais pessoas
são apresentadas à igreja de DEUS como alguma coisa maravilhosa; e a grande
massa dos cristãos é induzida a pensar que o privilégio de viver pela fé está
inteiramente fora do seu alcance. Em suma, são induzidos em erro quanto ao
verdadeiro caráter e esfera da vida da fé, e desta forma sofrem materialmente
na vida interior.
Que o leitor cristão compreenda portanto que é seu
privilégio, quem quer que ele seja, ou qualquer que seja a sua posição, viver
uma vida de fé em toda a intensidade e plenitude dessa palavra. Pode, segundo a
sua própria medida de capacidade, apropriar-se da linguagem do bem-aventurado
apóstolo e dizer: "A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho
de DEUS, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim" (Gl 2:20). Que
nada lhe roube esse elevado e santo privilégio que pertence a cada membro da
família da fé. Mas, ah, nós falhamos! A nossa fé é fraca, quanto deveria ser
forte, intrépida e vigorosa. O nosso DEUS deleita-Se numa fé intrépida. Se
estudarmos os evangelhos veremos que nada refrescava e deleitava tanto o
coração de CRISTO como uma fé audaz — uma fé que O compreendia e se apegava
completamente a Ele. Veja-se, por exemplo, a mulher siro-fenícia, em Marcos 7,
e o caso do centurião, em Lucas 7.
Verdade é que Ele pode ir ao encontro de uma fé fraca
— a mais débil. Pode ir ao encontro de "se quiseres" com um gracioso
"quero"; de um "se tu podes" com um "Se tu podes crer,
tudo é possível ao que crê". O mais fraco olhar, o mais ligeiro contato
obtinham uma segura e favorável reposta; mas o coração do Salvador ficava
satisfeito e o Seu espírito sentia-se animado quando Ele podia dizer: "Q
mulher! grande é a tua fé. Seja isso feito para contigo, como tu desejas";
e noutra ocasião: "Nem mesmo em Israel encontrei tanta fé."
Tenhamos isto presente: podemos estar certos de que
sucede exatamente o mesmo hoje como quando o nosso bendito Senhor estava aqui
entre os homens. Gosta que confiem n'Ele, que recorram a Si, que contem
Consigo. Nunca nos poderemos exceder em contar com o amor do Seu coração ou a
força da Sua mão. Nada há pequeno demais para Ele, nada grande demais. Ele tem
todo o poder no céu e na terra. E sobre todas as coisas como Cabeça da Igreja.
Sustém em conjunto o universo. Sustém todas as coisas pela palavra do Seu poder.
Os filósofos falam das forças e leis da natureza. O cristão pensa com deleite
de CRISTO, da Sua mão, da Sua palavra, do Seu imenso poder. Por Ele foram
criadas todas as coisas e por Ele todas as coisas subsistem.
E depois o Seu amor! Que descanso, que consolação,
que alegria sabermos e recordarmos que o Criador, o Todo-poderoso, e
Sustentador do universo eternamente ama as nossas almas; que Ele nos ama
perfeitamente; que os Seus olhos estão sempre postos em nós; que o Seu coração
está sempre inclinado para nós; que tomou a responsabilidade de todas as nossas
necessidades, quaisquer que estas possam ser, quer físicas, quer mentais ou
espirituais. Não existe uma única coisa compreendida em toda a variedade das
nossas necessidades que não esteja guardada para nós em CRISTO. Ele é o tesouro
do céu, a provisão de DEUS; e tudo isto para nós.
Porque havemos então de recorrer a outrem? Porque
havemos de, direta ou indiretamente, tomar conhecidas as nossas necessidades de
algum pobre mortal como nós?- Por que não havemos de ir logo a JESUS<?
Necessitamos de compaixão?- Quem pode compadecer-se de nós como o nosso
misericordioso Sumo Sacerdote que Se comove com o sentimento das nossas
fraquezas«? Necessitamos de auxílio de qualquer espécie?- Quem pode
auxiliar-nos como o nosso todo-poderoso Amigo, o Possuidor de riquezas
inescrutáveis? Necessitamos de conselho ou de orientação? Quem pode dá-la como
o bendito Senhor que é a própria sabedoria de DEUS, e que por DEUS é feito
sabedoria para nós?- Oh, não contristemos o Seu amantíssimo coração, nem
desonremos o Seu nome glorioso retirando-nos d'Ele! Vigiemos ciosamente contra
a tendência tão natural em nós de alimentar esperanças humanas, e depositar
confiança na criatura e ter expectativas terrenas. Conservemo-nos junto à fonte
e não teremos jamais de nos queixar das correntes. Em suma, procuremos viver
pela fé, e assim glorificar DEUS nos nossos dias e na nossa geração.
"Onze jornadas há desde Horebe até
Cades-Barnéia"
Vamos prosseguir agora com o nosso capítulo; e,
fazendo-o, queremos chamar a atenção do leitor para o versículo 2. E com
certeza um notável parêntesis. "Onze jornadas há desde Horebe, caminho da
montanha de Seir, até Cades-Barnéia." Onze dias! E, todavia, levaram
quarenta anos a fazer essas jornadas! Como foi isto! Ah, não é necessário ir
muito longe para dar com a resposta! A nós sucede-nos o mesmo. Quão vagarosos
andamos pelo caminho! Que voltas e reviravoltas damos! Quantas vezes temos que voltar
atrás e percorrer o mesmo caminho repetidas vezes! Somos viajantes lentos,
porque somos tardos em aprender. Podemos estar talvez dispostos a estranhar que
Israel pudesse levar quarenta anos para fazer uma jornada que levaria apenas
onze dias; mas podemos, com muito mais razão, admirarmo-nos de nós mesmos. Nós,
assim como eles, somos retardados pela nossa incredulidade e indolência de
coração; mas temos muito menos desculpa do que eles, visto que os nossos
privilégios são muitíssimo mais elevados.
Muitos de nós temos razão de sombra para nos
envergonharmos do tempo que gastamos com as nossas lições. As palavras do
bendito apóstolo podem ser-nos propriamente aplicadas: "Porque, devendo já
ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos tome a ensinar quais
sejam os primeiros rudimentos das palavras de DEUS, e vos haveis feito tais que
necessitais de leite e não de sólido mantimento." O nosso DEUS é um Mestre
tão sábio como fiel e tão benévolo como paciente. Não quer que passemos
precipitadamente as nossas lições. Algumas das vezes pensamos que temos
dominado uma lição e procuramos passar para outra; mas o nosso sábio Mestre
sabe melhor e vê a necessidade de mais profunda disciplina. Não permitirá que
sejamos meramente teóricos ou superficiais em conhecimento. Se for necessário,
ter-nos- á, ano após ano, fazendo escala até aprendermos a cantar.
Mas se é muito humilhante para nós sermos tão
vagarosos em aprender, é uma graça especial Ele ter tanta paciência para nos
assegurar o ensino. Devemos bendizê-Lo pela Sua maneira de ensinar, bem como
por tudo mais; pela admirável paciência com que Se assenta conosco para nos
ensinar a mesma lição, repetidas vezes, a fim de que a aprendamos completamente
(1).
(1) A jornada de Israel desde Horebe a Cades-Barnéia
ilustra forçosamente a história de muitas almas na questão de encontrarem paz.
Muitos do povo do Senhor continuam no temor e na dúvida durante anos sem nunca
conhecerem a bem-aventurança da liberdade com que CRISTO torna livre o Seu
povo. E muito triste para todo aquele que realmente se preocupa com as almas
ver a triste condição em que alguns são mantidos todos os dias da sua vida pelo
legalismo, mau ensino, falsa devoção, e coisas semelhantes. E uma coisa rara nestes
dias encontrar na cristandade uma alma plenamente estabelecida na paz do
evangelho. Considera-se uma boa coisa, um sinal de humildade, estar sempre em
dúvida. A confiança é encarada como presunção. Em suma, as coisas são
completamente postas às avessas. O evangelho não é conhecido; as almas estão
debaixo da lei, em vez de estarem debaixo da graça; são mantidas à distância,
em vez de serem ensinadas a aproximarem-se. Muito da religião em voga é uma
deplorável mistura de CRISTO e o ego, lei e graça, fé e obras. As almas são
mantidas em perfeita confusão, toda a sua vida.
Estas coisas requerem certamente a grave atenção de
todos os que ocupam o lugar responsável de ensinadores e pregadores na Igreja
professante. Aproxima-se o dia solene em que todos os tais serão convidados a
prestar contas do seu ministério.
Demoramos para Apreender
"E sucedeu que, no ano quadragésimo, no mês
undécimo, no primeiro dia do mês, Moisés falou aos filhos de Israel, conforme a
tudo o que o SENHOR lhe mandara acerca deles" (versículo 3). Estas breves
palavras contêm sólidas instruções para todos os servos de DEUS, todos os que
são chamados ao ministério da Palavra e doutrina. Moisés deu ao povo
precisamente o que ele próprio havia recebido de DEUS, nada mais, nada menos.
Pô-los em contato direto com a palavra viva de Javé (ou: do SENHOR). Este é o
grande princípio do ministério em todos os tempos. Nada fora disto tem
verdadeiro valor. A Palavra de DEUS é a única coisa que permanecerá. Nela há
poder divino e autoridade. Todo o ensino meramente humano, por muito
interessante, por muito atraente que seja, passará e deixará a alma sem
qualquer fundamento em que possa descansar.
Por isso deveria ser cuidado sincero e zeloso de
todos os que exercem o ministério na assembleia de DEUS pregar a Palavra em
toda a sua pureza com toda a simplicidade; transmitindo-a aos ouvintes como a
receberam de DEUS; pô-los face a face com a verdadeira linguagem da Escritura
Sagrada. Desta maneira o seu ministério chegará com poder vivo aos corações e
consciências dos seus ouvintes.
Unirá a alma com DEUS mesmo por meio da Palavra, e
transmitirá uma profundidade e solidez que nenhum ensino humano poderá jamais
produzir. Vejamos o bem-aventurado apóstolo Paulo. Ouçamo-lo exprimir-se sobre
este importante assunto. "E eu, irmãos, quando fui ter convosco,
anunciando-vos o testemunho de DEUS, não fui com sublimidade de palavras ou de
sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós senão a JESUS CRISTO e este
crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor.
A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de
sabedoria humana, mas em demonstração do ESPÍRITO e de poder." Qual era o
objetivo de todo este temor e tremor«?- "Para que a vossa fé não se
apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de DEUS" (I Co 2:1-5).
Este verdadeiro e fiel servo de CRISTO buscava
somente levar as almas dos seus ouvintes a um contato direto e pessoal com DEUS
mesmo. Não buscava relacioná-las com Paulo. "Pois quem é Paulo e quem é
Apoio, senão ministros pelos quais crestes? Todo o falso ministério tem por
objetivo atrair as almas para si. Assim o ministro é exaltado; DEUS é excluído
e a alma é deixada num estado em que não encontra fundamento divino para
descansar. O verdadeiro ministério, pelo contrário, segundo o vemos em Paulo e
Moisés, tem por objeto bendito unir as almas a DEUS. Desta forma o ministro
ocupa o seu verdadeiro lugar — simplesmente como um instrumento; DEUS é
exaltado e a alma estabelecida sobre um sólido fundamento que jamais será
abalado.
Mas ouçamos alguma coisa mais do que diz o nosso
apóstolo sobre este importante assunto: "Também vos notifico, irmãos, o
evangelho que já vos tenho anunciado, o qual também recebestes e no qual também
permaneceis.; pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo
tenho anunciado, se não é que crestes em vão. Porque primeiramente vos
entreguei o que também recebi"; — nada mais, nada menos nem nada diferente
— "que CRISTO morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; e que foi
sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (I Co
15:14).
Isto é extraordinariamente belo! Exige a maior
atenção de todos os que querem ser verdadeiros e eficientes servos de CRISTO. O
apóstolo foi cuidadoso em deixar que a corrente pura fluísse desde a fonte viva
do coração de DEUS para as almas dos Coríntios. Compreendia que nada mais podia
ter algum valor. Se tivesse procurado uni-los a si próprio, teria desonrado
tristemente o seu Mestre, feito um grave dano e ele mesmo sofreria certamente
dano no dia de CRISTO. Mas não; Paulo sabia o que fazia. Por nada do mundo
induziria alguém a basear-se sobre si. Ouvi o que ele diz aos muito amados
Tessalonicenses: "Pelo que também damos, sem cessar, graças a DEUS, pois,
havendo recebido de nós a palavra da pregação de DEUS, a recebestes, não como
palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como palavra de DEUS, a qual
também opera em vós, os que crestes" (1 Ts 2:13).
Sentimos solenemente a responsabilidade de recomendar
este grave e importante assunto à mais atenta consideração da Igreja de DEUS.
Se todos os que professam ser ministros de CRISTO seguissem o exemplo de Moisés
e Paulo, quanto a ponto de que tratamos, veríamos um estado de coisas muito
diferente na igreja professante. Porém, o fato claro e triste é que a Igreja de
DEUS, como o antigo Israel, se apartou inteiramente da autoridade da Sua
Palavra. Ide onde quiserdes, e vereis que são feitas e ensinadas coisas que não
têm nenhum fundamento na Escritura. Coisas que não somente são toleradas mas
sancionadas e rigorosamente defendidas, que estão em direta oposição à mente de
CRISTO. Se perguntardes qual a autoridade divina para a instituição desta, essa
ou aquela outra prática, dir-vos-ão que CRISTO não nos deu instruções quanto ao
assunto do governo da igreja; que em todas as questões de política
eclesiástica, ordens clericais e serviços litúrgicos, Ele nos deixou livres
para atuarmos de acordo com as nossas consciências, critério ou sentimentos religiosos;
que é simplesmente um absurdo exigir "assim diz o SENHOR" para todos
os pormenores das nossas instituições religiosas; que há uma ampla margem
concedida para ser completada de acordo com os nossos costumes nacionais e os
nossos particulares hábitos de pensar. E geralmente reconhecido que os cristãos
professos gozam de perfeita liberdade para se constituírem a si próprios nas
chamadas igrejas, elegerem a sua própria forma de governo, estabelecerem as
suas próprias regras e nomearem os seus próprios ministrantes.
Porém, a questão que o leitor tem de resolver é esta:
Estas coisas são realmente assim? E possível que o nosso Senhor JESUS CRISTO
haja deixado a Sua igreja sem orientação em matéria de tanto interesse e
importância ? Será possível que a Igreja de DEUS esteja em piores condições,
sobre o assunto de instrução e autoridade, que Israel? Em nossos estudos sobre
os livros de Êxodo, Levítico e Números, temos visto — pois quem poderia deixar
de ver«? os esforços maravilhosos que
o
Senhor fez para instruir o Seu povo com respeito aos
mais minuciosos pormenores ligados com o seu culto público e vida privada.
Quanto ao tabernáculo, o templo, o sacerdócio, o ritual, as diversas festas e
sacrifícios, as solenidades periódicas, os meses, os dias, as próprias horas,
tudo está ordenado e disposto com divina precisão. Nada foi deixado para a mera
disposição humana. A sabedoria do homem, o seu critério, o seu entendimento, a
sua consciência, nada tiveram que ver com o assunto. Tivesse isso sido deixado
ao critério do homem, como seria possível que tivéssemos tido esse sistema
admirável, profundo e transcendente em símbolo que a pena inspirada de Moisés
pôs diante de nós? Se a Israel tivesse sido permitido fazer o que — como muitos
de boa vontade procuram persuadir-nos — é consentido à igreja, que confusão,
que contendas, que divisões, que interminável número de seitas e partidos não
teria havido como resultado inevitável!
Não Obstante, a Escritura é Clara
Mas não era assim. A Palavra de DEUS estabelecia
tudo. "Conforme a tudo o que o SENHOR lhe mandara acerca deles." Esta
magna e influente expressão estava ligada a tudo que Israel tinha que fazer e
também a tudo quanto não devia fazer. As suas instituições nacionais e os seus
costumes domésticos, a sua vida pública e privada — tudo estava sob a
autoridade imperativa da expressão "assim diz o SENHOR". Não havia
lugar para que qualquer membro da congregação pudesse dizer: "Não me
parece, ou não posso estar de acordo com isto ou com aquilo." Tal linguagem
só podia ser considerada como fruto da vontade própria. De igual modo podia
dizer: "Não posso concordar com o Senhor." E por quê? Simplesmente
porque a Palavra do Senhor havia falado sobre tudo, e isto também com tal
clareza e simplicidade que não deixava lugar para discussões humanas. Por todo
o conjunto da economia mosaica não havia tanto como a espessura de um cabelo de
margem livre para introduzir a opinião ou o parecer do homem. Não competia ao
homem acrescentar o peso de uma pena a esse vasto sistema de figuras e sombras
que haviam sido planejadas pela mente divina, e expostas em linguagem tão clara
e concisa, que tudo quanto Israel tinha a fazer era obedecer— não tinha que
arguir, raciocinar nem discutir, mas obedecer!
Mas, ah, eles caíram, como sabemos! Fizeram a sua
própria vontade; seguiram o seu próprio caminho, "cada qual fazia o que
parecia reto aos seus olhos". Desviaram-se da Palavra de DEUS e seguiram
as imaginações e projetos dos seus corações pecaminosos, e atraíram sobre si
mesmos a ira e indignação da Deidade ofendida, sob a qual sofrem até este dia,
e sofrerão ainda tribulação sem exemplo. Porém, tudo isto deixa intato o ponto
sobre o qual estamos falando. Israel tinha os oráculos de DEUS; e estes
oráculos eram divinamente suficientes para sua orientação em tudo. Não restava
lugar para os mandamentos e doutrinas dos homens. A Palavra dos Senhor provia a
todas as exigências possíveis, e essa Palavra era suficientemente clara para
tomar desnecessário todo o comentário humano. Está a Igreja de DEUS em piores
condições a respeito de orientações e autoridade que o antigo Israel? Os
cristãos têm de pensar e de se orientarem por si mesmos no culto e serviço de DEUS?
Há algumas questões em aberto para discussão humana? A Palavra de DEUS é
suficiente ou não? Deixou de prover alguma coisa? Atendamos diligentemente ao
seguinte poderoso testemunho: "Toda Escritura divinamente inspirada é
proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em
justiça, para que o homem de DEUS seja perfeito e perfeitamente instruído para
toda boa obra" (2 Tm 3:16-17).
Isto é concludente. A Sagrada Escritura contém tudo
que o homem de DEUS pode necessitar para o fazer perfeito, para o habilitar
inteiramente para tudo que pode ser chamado "uma boa obra". E se isto
é verdadeiro quanto ao homem de DEUS individualmente, é igualmente verdadeiro
quanto à Igreja de DEUS coletivamente. A Escritura é suficiente para cada um:
para todos. Graças a DEUS que é assim! Que notável mercê ter um livro divino
por guia! Se não fosse assim, que faríamos? Para onde nos voltaríamos? Que
seria de nós? Se fôssemos deixados às tradições humanas e aos preparativos
humanos nas coisas de DEUS, que confusão desesperada! Que opiniões
discordantes! E tudo isto necessariamente porquanto um homem teria tanto
direito como outro a dar a sua opinião e propor o seu plano. Dir-nos-ão talvez
que, apesar de estarmos de posse da Escritura Sagrada, temos, contudo, seitas,
partidos, credos, e escolas de pensamento quase inumeráveis. Mas por que é isto
assim? Simplesmente porque recusamos submeter todo o nosso ser moral à
autoridade da Sagrada Escritura. Este é o verdadeiro segredo do assunto — a
verdadeira origem dessas seitas e partidos que são a vergonha e tristeza da
Igreja de DEUS.
E inútil que os homens nos digam que estas coisas são
boas em si mesmas; são o legítimo fruto do livre exercício de pensamento e
juízo privado que formam a própria jactância e glória da cristandade
protestante. Nós não cremos e não podemos crer, nem por um momento, que um tal
argumento seja admitido ante o tribunal de CRISTO. Pelo contrário, cremos que
esta tão alardeada liberdade de pensamento e independência de critério estão em
direta oposição com aquele espírito de profunda e reverente obediência que é
devido ao nosso adorável Senhor e Mestre. Que direito tem um servo de exercer o
seu juízo particular ante a vontade terminantemente expressa do seu Senhor«?
Absolutamente nenhum. O dever de um servo é simplesmente obedecer, não
raciocinar ou discutir; mas fazer o que se lhe manda. Cai em falta como servo
precisamente na medida em que exerce o seu próprio juízo particular. A
característica mais agradável do caráter de um servo é a obediência implícita e
indiscutível. O grande dever de um servo é fazer a vontade do seu senhor.
Tudo isto se admite inteiramente nos negócios
humanos; mas, nas coisas de DEUS, os homens julgam-se autorizados a exercer o
seu juízo particular. E um erro fatal. DEUS deu-nos a Sua Palavra; e essa
Palavra é tão clara que os homens que passam, embora loucos, não necessitam de
errar nela. Por isso, se todos fôssemos guiados por essa Palavra, se todos nos
inclinássemos com espírito de absoluta obediência à sua autoridade divina, não
poderia haver opiniões contraditórias e seitas opostas. E inteiramente
impossível que a voz da Sagrada Escritura possa ensinar doutrinas opostas. Ela
não pode, de modo algum, ensinar a um homem a doutrina episcopal, a outro a
presbiteriana, e a independente. Não pode, de modo nenhum, proporcionar uma
base para escolas opostas de pensamento. Seria um insulto positivo contra o
volume divino pretender atribuir-lhe toda a triste confusão da igreja
professante. Toda a mente piedosa retrocederá com justificado horror ante um
tão ímpio pensamento. A Escritura não pode contradizer-se a si mesma, e
portanto se dois homens ou dez mil são exclusivamente ensinados pela Escritura
pensarão da mesma maneira.
Ouçamos o que o bendito apóstolo diz à igreja de
Corinto — o que nos diz a nós: "Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de
nosso Senhor JESUS CRISTO — note-se a poderosa força moral deste apelo — que
digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais
unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer" (I Co 1:10).
Ora, a questão é: como deveria ser alcançado este
bendito resultado? Era acaso exercendo cada um o direito de juízo privado? Ah,
foi precisamente isto que deu origem a todas as divisões e contendas na
assembleia de Corinto e motivou a forte reprimenda do ESPÍRITO SANTO! Aqueles
infelizes Coríntios pensavam que tinham o direito de pensar e julgar e escolher
por si mesmos, e qual foi o resultado? "Porque a respeito de vós, irmãos
meus, me foi comunicado pelos da família de Cloe que há contendas entre vós.
Quero dizer, com isso, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu, de Apoio,
e eu, de Cefas, e eu, de CRISTO. Está CRISTO dividido?-"
Aqui temos o juízo privado e o seu triste fruto — o
seu fruto inevitável. Um homem tem tanto direito a pensar por si mesmo como
outro; e nenhum homem tem direito algum de impor a sua opinião a outro. Onde
está pois o remédio? Em arrojar ao vento o nosso juízo privado e nos
submetermos reverentemente à autoridade suprema e absoluta da Sagrada
Escritura. Se assim não fosse, como podia o apóstolo rogar aos Coríntios
"que digais todos uma mesma coisa ... antes, sejais unidos em um mesmo
sentido e em um mesmo parecer" Quem devia prescrever "a mesma
coisa" que todos deviam dizer? Em cujo "parecer" ou
"sentido" deviam estar "unidos"? Tinha algum membro da
assembleia, por mais dotado ou inteligente, a mais pequena sombra de direito
para apresentar o que os irmãos deviam falar, pensar ou julgar? Certamente que
não. Havia uma autoridade absoluta, porque era divina, a que todos tinham de
submeter-se, ou antes, à qual todos tinham o privilégio de se submeterem. As
opiniões humanas, o próprio critério do homem, a sua consciência a sua razão,
todas estas coisas devem apreciar-se pelo que valem; e, com toda a certeza, são
perfeitamente inúteis como autoridade. A Palavra de DEUS é a única autoridade,
e se todos formos governados por ela diremos todos a mesma coisa e não haverá
entre nós divisões; mas "seremos unidos em um mesmo sentido e em um mesmo
parecer."
Formosa situação! Mas não é, infelizmente, a situação
atual da Igreja de DEUS; e portanto é perfeitamente claro que não estamos todos
governados pela única suprema, absoluta e toda suficiente autoridade — a voz da
Sagrada Escritura — essa bendita voz que não pode nunca proferir uma nota
discordante —, uma voz sempre divinamente harmoniosa para todo o ouvido
circuncidado.
Nisto está a raiz de toda a questão. A igreja tem-se
separado da autoridade de CRISTO, como está exposta na Sua Palavra. Até que
isto seja visto, é apenas perder tempo discutir as pretensões dos sistemas
eclesiásticos ou teológicos em conflito. Se um homem não compreende que é seu
dever sagrado comprovar pela Palavra de
DEUS todo o sistema eclesiástico, todo o serviço
litúrgico e todo o credo teológico, a discussão é inteiramente inútil. Se é
permitido resolver as coisas segundo a conveniência, segundo o parecer do
homem, a sua consciência ou a sua razão, então podemos realmente abandonar o
caso como irremediável. Se não é estabelecida uma autoridade divina, uma norma
perfeita, um guia infalível, não podemos ver como seja possível alguém ter a
certeza de que segue o verdadeiro caminho. Se na realidade e verdade que
podemos escolher por nós próprios, entre as quase inumeráveis sendas que estão
diante de nós, então podemos dizer adeus a toda a certeza; dizer adeus à paz de
espírito e repouso do coração; adeus a toda a santa estabilidade de proposto e
firmeza de alvo. Se não podemos dizer do terreno que ocupamos, da senda que
seguimos, e da obra em que estamos ocupados isto é o que o Senhor ordenou,
podemos estar certos de que estamos numa situação errada e, quanto mais
depressa a abandonarmos, tanto melhor.
A Voz de CRISTO
Graças a DEUS, não há nenhuma necessidade para os
Seus filhos nem para os Seus servos de continuarem, nem mais uma hora, em
ligação com o que é mau. "Qualquer que profere o nome de CRISTO aparte-se
da iniquidade." Mas como havemos de saber o que é iniquidade? Pela Palavra
de DEUS. Qualquer coisa que for contrária à Escritura, em moral ou em doutrina,
é iniquidade, e eu devo separar-me dela, custe o que custar. E um assunto
individual. "Todo aquele que". "Quem tem ouvidos". "Ao
que vencer". "Se alguém ouvir a minha voz".
Eis o ponto. Notemo-lo bem. E a voz de CRISTO. Não é
a voz deste ou daquele bom homem; não é a voz da igreja, a voz dos pais, a voz
dos concílios gerais, mas a voz de nosso amado Senhor e Mestre. E a consciência
individual em contato direto com a voz de CRISTO, a Palavra de DEUS viva e eterna
— as Sagradas Escrituras. Se fosse meramente uma questão de consciência humana,
ou de critério ou de autoridade, seríamos imediatamente submergidos em
desesperada incerteza, visto que um homem poderia considerar ser iniquidade,
outro poderia considerá-lo perfeitamente reto. Deve haver um padrão fixo para
se seguir, uma autoridade suprema da qual não pode haver apelo; e, bendito seja
DEUS, este padrão existe. DEUS tem falado; tem-nos dado a Sua Palavra; e é ao
mesmo tempo o nosso dever, o nosso elevado privilégio, nossa segurança moral e
nosso verdadeiro gozo obedecer a essa Palavra.
Não quero dizer à interpretação humana da Palavra,
mas à própria Palavra. Isto é muito importante. Não devemos ter absolutamente
nada entre a consciência humana e a revelação divina. Os homens falam-nos sobre
a autoridade da igreja. Onde devemos encontrá-la? Suponhamos uma alma realmente
ansiosa, honesta, sincera, que deseja conhecer o verdadeiro caminho. E-lhe dito
para escutar a voz da igreja. Ele pergunta, que igreja? E a grega, a latina, a
anglicana ou a igreja escocesa?- Não consegue duas respostas concordes. Ainda
mais; há partidos em conflito, seitas em contenda, escolas de pensamento oposto
em uma e mesma denominação. Os concílios têm diferido uns dos outros; os pais
não têm sido de acordo; os papas têm-se excomungado uns aos outros. No sistema
anglicano temos a igreja alta, a igreja humilde e a igreja liberal, cada uma
fazendo diferença das outras. Na igreja escocesa ou presbiteriana, temos a
igreja escocesa, a presbiteriana unida e a igreja livre. E em seguida se o
investigador ansioso deixa esses grandes corpos denominacionais em desesperada
perplexidade a fim de orientação nas fileiras dos protestantes dissidentes,
encontra porventura alguma coisa melhor? Ah, prezado leitor, é completamente
inútil! A igreja professante no seu conjunto tem-se insurgido contra a
autoridade de CRISTO, e não pode de modo algum ser guia ou autoridade para
ninguém. No segundo e terceiro capítulos do livro de Apocalipse, a igreja é
encarada sob o juízo, e o apelo, repetido sete vezes, é: "Quem tem
ouvidos, ouça" — o quê?- A voz da igreja?- Impossível! O Senhor nunca nos
mandará ouvir a voz do que está sob o juízo. Então, ouvir o quê>? "Ouça
o que o ESPÍRITO diz às igrejas."
E onde pode ser ouvida esta voz"? Unicamente nas
Sagradas Escrituras, dadas por DEUS, em Sua infinita bondade, para guiar as
nossas almas no caminho da paz e verdade, não obstante a ruína desesperada da
igreja, e as trevas espessas e turbulenta confusão da cristandade professante.
Não cabe nos limites da linguagem humana mostrar o valor e a importância de
contar com um guia divino e portanto infalível e suficiente para a nossa
carreira individual.
Mas note-se que nós estamos solenemente obrigados a
nos inclinarmos a essa autoridade e a seguir esse guia. E inteiramente inútil e
na verdade moralmente perigoso professar que temos um guia e uma autoridade
divinos e não lhes estarmos inteiramente sujeitos. Era isto que caracterizava
os judeus nos dias de nosso Senhor. Tinham as Escrituras, mas não as obedeciam.
E um dos característicos mais tristes na atual situação da cristandade e
vangloriar-se da possessão da Bíblia, enquanto que a autoridade dessa Bíblia é
descaradamente posta de lado.
Sentimos profundamente a gravidade deste fato e
desejamos sinceramente gravá-lo na consciência do leitor cristão. A Palavra de DEUS
é virtualmente ignorada entre nós. São praticadas e sancionadas coisas por toda
a parte, que não somente não têm fundamento algum na Escritura, mas estão
diametralmente opostas a ela. Não somos exclusivamente ensinados nem
absolutamente governados pela Escritura.
Tudo isto é muito grave e exige a atenção de todo o
povo do Senhor, em toda a parte. Sentimo-nos compelidos a formular uma
advertência aos ouvidos de todos os cristãos, a respeito desta grave questão.
De fato, é o sentido da sua gravidade e a sua vasta importância moral que nos
levou a empreender a obra de escrever "Estudos sobre o Livro de
Deuteronômio". A nossa fervorosa oração é que o ESPÍRITO SANTO possa usar
estas páginas para trazer de novo os corações do amado povo do Senhor ao seu
verdadeiro e próprio lugar, ou seja o lugar de reverente fidelidade à Sua
bendita Palavra. Estamos persuadidos de que o que caracterizará todos os que
quiserem andar piamente, nas horas finais da história terrestre da Igreja, será
uma piedosa reverência à Palavra de DEUS e uma verdadeira adesão à Pessoa de
nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO. As duas coisas estão inseparavelmente
unidas por um elo sagrado e imperecível.
"Voltai-vos e parti"
"O SENHOR, nosso DEUS, nos falou em Horebe,
dizendo: Tempo bastante haveis estado neste monte. Voltai-vos e parti; ide à
montanha dos amorreus, e a todos os seus vizinhos e à planície, e à montanha, e
ao vale, e ao Sul, e à ribeira do mar; à terra dos cananeus, e ao Líbano, até
ao grande rio, o rio Eufrates" (versículos 6 e 7). Através de todo o livro
de Deuteronômio poderemos ver que o Senhor trata muito mais direta e
simplesmente com o povo do que em qualquer dos três livros precedentes; tão
longe está de ser verdade que o Deuteronômio é uma mera repetição do que temos
tido diante de nós nos quatro volumes precedentes. Por exemplo, na passagem que
acabamos de citar não é mencionado o movimento da nuvem; não se refere o sonido
da trombeta. "O SENHOR, nosso DEUS, nos falou." Sabemos, pelo livro
de Números que os movimentos do acampamento estavam condicionados pelos
movimentos da nuvem, comunicados pelo sonido da trombeta. Mas neste livro não
se faz alusão nem à nuvem nem à trombeta. E muito mais simples e familiar.
"O SENHOR, nosso DEUS, nos falou em Horebe, dizendo: Tempo bastante haveis
estado neste monte."
Como tudo isto é formoso! Nos recorda um pouco da
amável simplicidade dos tempos patriarcais, quando o Senhor falava aos pais
como um homem fala ao seu amigo. Não era pelo sonido de uma trombeta ou pelo
movimento de uma nuvem que o Senhor comunicava os Seus pensamentos a Abraão,
Isaque e Jacó. Estava tão perto deles que não havia necessidade nem lugar para
a intervenção de agentes caracterizados por cerimónia e a distância.
Visitava-os, sentava-Se com eles, participava da sua hospitalidade em toda a
intimidade da amizade pessoal.
Tal é a encantadora simplicidade da ordem de coisas
nos tempos patriarcais; e é isto que confere um encanto especial às narrativas
do livro de Génesis.
Mas em Êxodo, Levítico e Números temos uma coisa
muito diferente. Neles expõe-se perante nós um vasto sistema de símbolos e
sombras, ritos, ordenações e cerimónias impostas ao povo naquele tempo, cujo
significado nos é apresentado na epístola aos Hebreus. "Dando nisto a entender
o ESPÍRITO SANTO que ainda o caminho do Santuário não estava descoberto, enquanto
se conservava em pé o primeiro tabernáculo, que é uma alegoria para o tempo
presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não
podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço, consistindo somente em manjares, e
bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da
correção" (Hb 9:8 a 10). Debaixo deste sistema, o povo estava a uma certa
distância d DEUS. Não acontecia com eles o mesmo que havia sido com seus pais,
no livro de Génesis. DEUS estava recolhido para eles; e eles permaneciam fora.
As principais características do cerimonial levítico, no que dizia respeito ao
povo, eram servidão, trevas e afastamento. Mas, por outro lado, os seus tipos e
sombras indicavam aquele grande sacrifício que é o fundamento de todos os
maravilhosos desígnios e propósitos de DEUS, e mediante o qual pode, com
perfeita justiça, e de acordo com o amor do Seu coração, ter um povo perto de
Si, para louvor da glória da Sua graça, por todos os séculos áureos da
eternidade.
Já fizemos notar que encontramos comparativamente
muito pouco acerca de ritos e cerimónias no livro de Deuteronômio. O Senhor é
visto mais em direta comunicação com o povo; e até mesmo os sacerdotes, no seu
cargo oficial, raras vezes aparecem perante nós; e se são mencionados é mais
propriamente de um modo moral e não cerimonial. Teremos amplas provas disto no
decorrer dos nossos comentários: é uma característica notável deste formoso
livro.
"O SENHOR, nosso DEUS, nos falou em Horebe,
dizendo: Tempo bastante haveis estado neste monte. Voltai-vos e parti e ide à
montanha os amorreus." Que raro privilégio para qualquer povo, ter o
Senhor tão perto de si e tão interessado em todos os seus movimentos e em tudo quanto
lhes interessa, seja pequeno ou grande! O Senhor sabia quanto tempo eles
deveriam permanecer em um lugar determinado e para onde deveriam em seguida
dirigir os seus passos. Não tinham necessidade de se preocupar com as suas
jornadas, ou de qualquer coisa mais. Estavam sob o olhar e nas mãos dAquele
cuja sabedoria era infalível, cujo poder era onipotente, cujos recursos eram
inesgotáveis, cujo amor era infinito, que havia tomado a Seu cargo cuidar
deles, que conhecia todas as suas necessidades e estava pronto a satisfazê-las,
segundo todo o amor do Seu coração e a força do Seu santo braço.
O que restava, portanto, podemos perguntar, para eles
fazerem? Qual era o seu dever simples e claro?- Apenas obedecer. Era seu
elevado e santo privilégio descansar no amor e obedecer aos mandamentos do
Senhor, seu DEUS do concerto. Nisto estava o segredo bendito da sua paz, a sua
felicidade e a sua segurança moral. Não tinham nenhuma necessidade para se
preocuparem com os seus movimentos nem de fazerem projetos ou arranjos. As suas
jornadas eram todas ordenadas por Um que conhecia cada passo do caminho desde
Horebe a Cades-Barnéia; e eles tinham apenas de viver dia a dia em feliz
dependência d'Ele.
Ditosa posição! Senda privilegiada! Sorte feliz! Mas
isto exigia uma vontade quebrantada — um espírito obediente — um coração
submisso. Se, quando o Senhor havia dito: "Tempo bastante haveis estado
neste monte", eles, pelo contrário, tivessem formado o propósito de o
percorrer algum tempo mais, teriam de o percorrer sem Ele. Só podiam contar com
a Sua companhia, o Seu conselho e o Seu auxílio no caminho da obediência.
Assim acontecia com Israel nas suas peregrinações
pelo deserto, e assim acontece conosco. E nosso precioso privilégio deixar
todos os nossos assuntos não meramente nas mãos do DEUS do concerto, mas nas
mãos de um Pai amantíssimo. Ele arranja os nossos movimentos; determina os
limites da nossa habitação; diz-nos quanto tempo devemos permanecer num lugar e
aonde devemos ir em seguida. Tem tomado à Sua conta tudo quanto nos diz respeito,
todos os nossos movimentos e todas as nossas necessidades. A Sua graciosa
Palavra diz-nos: "Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as
vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de DEUS, pela oração e
súplicas, com ações de graças." E depois«?- "E a paz de DEUS, que
excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos
em CRISTO JESUS" (Fp 4:6-7).
De que Maneira DEUS Hoje Guia o Seu Povo?
Mas talvez o leitor se sinta disposto a perguntar: De
que maneira guia DEUS agora o Seu povo? Não podemos esperar ouvir a voz
dizendo-nos quando nos devemos movimentar ou aonde devemos ir. A isto
respondemos prontamente dizendo que não pode ser que os membros da Igreja de DEUS,
o corpo de CRISTO, estejam em piores condições, quanto ao assunto de direção
divina, do que Israel no deserto. Não pode DEUS guiar os Seus filhos—não pode CRISTO
guiar os Seus servos em todos os seus movimentos e em todo o seu serviço?- Quem
poderá, ainda que por um só momento, pôr em dúvida uma verdade tão clara e
preciosa? Decerto, não esperamos ouvir uma voz ou ver o movimento de uma nuvem;
mas temos o que é muito melhor, muito mais elevado, muito mais íntimo. Podemos
estar certos de que o nosso DEUS tem feito ampla provisão a este respeito para
nós, como em tudo o mais, segundo o grande amor de Seu coração.
Pois bem, há três maneiras de sermos guiados: somos
guiados pela Palavra de DEUS; somos guiados pelo ESPÍRITO SANTO; e somos
guiados pelos instintos da natureza divina. E devemos recordar que os instintos
da natureza divina, a direção do ESPÍRITO SANTO e o ensino da Sagrada Escritura
estão sempre em harmonia. E da maior importância termos isto sempre diante de
nós. Uma pessoa podia imaginar que era guiada pelos instintos da natureza
divina ou pelo ESPÍRITO SANTO ao prosseguir certa linha de ação que envolve
consequências em contradição com a Palavra de DEUS. Desta forma o seu equívoco
toma-se aparente. E uma cosia muito grave para qualquer pessoa atuar por
simples impulso ou impressão. Atuando assim, expõe-se a cair numa cilada do
diabo e a causar sério prejuízo à causa de CRISTO. Devemos pesar com toda a
calma as nossas impressões nas balanças do santuário, e pô-las fielmente à
prova pelo padrão da Palavra divina. Desta forma seremos guardados do erro e do
engano. E muito perigoso confiar nas impressões ou agir por impulso. Havemos
visto as mais desastrosas consequências produzidas por assim se atuar. Os fatos
podem ser dignos de confiança. A autoridade divina é absolutamente infalível.
As nossas impressões podem ser tão enganosas como um fogo- fátuo ou a miragem
do deserto. Os sentimentos humanos não são dignos de confiança. Devemos
submetê-los sempre ao mais rigoroso exame, a fim de que não nos induzam a uma
falsa linha de ação que nos seria fatal. Podemos confiar na Escritura sem uma
sombra de dúvida; e descobriremos que, sem exceção, o homem que é guiado pelo ESPÍRITO
SANTO, ou guiado pelos instintos da natureza divina, nunca atua em oposição à
Palavra de DEUS. Isto é o que podemos chamar um axioma na vida divina uma regra
estabelecida no cristianismo prático. Ah, se se houvesse dado mais atenção a
isto em todas as épocas da história da igreja! Oxalá seja mais ponderado nos
nossos dias!
Mas há outro ponto, nesta questão de direção divina,
que reclama a mais séria atenção. Ouvimos frequentemente pessoas que falam do
"dedo da divina providência" como de alguma coisa digna de confiança
para serem guiadas. Isto pode ser apenas outro modo de expressar a ideia de
serem guiadas pelas circunstâncias, que, não hesitamos em dizer, está muito
longe, com efeito, de ser a própria espécie de direção para um cristão.
Sem dúvida, nosso Senhor pode, e em certos casos o
faz, dar- nos a entender o Seu pensamento e indicar-nos a nossa senda em Sua
providência; mas temos de estar suficientemente perto d'Ele para podermos
interpretar acertadamente essa providência, de contrário, pode dar-se o caso de
o que se chama "uma oportunidade da providência" se converter em
realidade numa abertura por onde escapamos do caminho da obediência. Tanto as
circunstâncias que nos rodeiam como as nossas impressões íntimas devem ser
ponderadas na presença de DEUS e avaliadas à luz da Sua Palavra, de contrário
podem levar-nos a cometer os mais graves erros. Jonas podia ter imaginado que
era notável circunstancia da providência encontrar um barco que ia para Társis,
mas se tivesse estado em comunhão com DEUS, nunca teria necessidade de um
barco. Em suma, a Palavra de DEUS é a grande regra e a perfeita pedra de toque
para tudo — para as circunstâncias externas e impressões íntimas — para os
sentimentos, as imaginações e tendências — tudo deve ser posto sob a luz
esquadrinhadora da Sagrada Escritura a ali julgado calma e seriamente. Esta é a
verdadeira senda de segurança, paz e bem- aventurança para todo o filho de DEUS.
Pode, contudo, dizer-se, em resposta a tudo isto, que
nós não podemos esperar encontrar um texto da Escritura para nos guiar no
assunto das nossas ações ou nos mil pormenores da vida diária. Talvez não; mas
há certos princípios importantes expostos na Escritura que, se forem
devidamente aplicados, nos proporcionarão direção divina, até mesmo quando não
podermos encontrar um texto aplicável a cada caso particular. E não apenas
isto, mas temos a mais completa certeza de que o nosso DEUS pode guiar e guia
os Seus filhos em todas as coisas. "Os passos de um homem bom são
confirmados pelo SENHOR." Guiará os mansos retamente; e aos mansos
ensinará o seu caminho." "Guiar-te-ei com os meus olhos". Ele
pode dar-nos a conhecer os Seus pensamentos sobre este ou aquele ato particular
ou sobre a nossa conduta. Se não é assim, onde estamos? Como podemos continuará
Como vamos regular os nossos movimentos"? Vamos ser levados de cá para lá
pela onda das circunstâncias? Ficamos à mercê da cega casualidade ou ao simples
impulso da nossa própria vontade?
Graças a DEUS, não é assim. Ele pode, em Sua perfeita
maneira, dar-nos a certeza do Seu pensamento sobre todo o caso que se
apresenta; e sem certeza não devemos dar um passo. Nosso Senhor JESUS CRISTO —
honra seja ao Seu nome incomparável para todo o sempre! — pode indicar o Seu
pensamento a um servo Seu para que vá aonde Ele quer e faça o que Ele quer que
ele faça; e nenhum verdadeiro servo pensará jamais em agir ou atuar sem essa
indicação. Se não estamos certos dessa indicação, esperemos antes de agir.
Acontece muitas vezes que nos cansamos e impacientamos com tarefas que DEUS de
nenhum modo nos tem confiado. Alguém disse certa ocasião a um amigo:
"Estou completamente desorientado sobre o caminho que devo tomar."
"Então não tomes nenhum", foi a reposta sensata daquele amigo.
Andemos na Direção Indicada
Porém, aqui apresenta-se um ponto moral de absoluta
importância, isto é, o estado da nossa alma. Isto, podemos ficar certos, tem
muito que ver com a questão de direção. E aos mansos que
Ele guiará retamente e ensinará o seu caminho. Não
devemos nunca esquecer isto. Se formos fiéis e não confiarmos em nós mesmos; se
esperarmos em DEUS, em simplicidade de coração, retidão de pensamento e
propósitos honestos, Ele nos guiará, sem dúvida alguma. Mas de nada servirá
pedir o conselho de DEUS sobre um assunto em que já estamos decididos ou a
nossa vontade está em ação.
Isto é uma fatal ilusão. Vejamos o caso de Josafá em
1 Reis 22. "Porém, no terceiro ano, sucedeu que Josafá, rei de Judá,
desceu para o rei de Israel" — um triste erro, para começar — "e o
rei de Israel disse aos seus servos: Não sabeis vós que Ramote-Gileade é nossa,
e nós estamos quietos, sem a tomar da mão do rei da Síria? Então disse a
Josafá: Irás tu comigo à peleja a Ramote-Gileade? E disse Josafá ao rei de
Israel: Serei como tu és, e o meu povo, como o teu povo, e os meus cavalos, como
os teus cavalos" e, como vemos em 2 Crónicas 18:3, "seremos contigo
nesta guerra."
Aqui vemos que Josafá tinha já decidido o seu
propósito antes de ter pensado pedir o conselho de DEUS sobre o assunto. Estava
numa falsa posição e numa atmosfera absolutamente má. Tinha caído nas ciladas
do inimigo por falta de sinceridade, e por isso não estava num estado próprio
para receber ou aproveitar da direção divina. Estava inclinado à sua própria
vontade e o Senhor deixou que ele recolhesse o fruto dela; e não fora a
infinita e soberana misericórdia de DEUS, e ele teria caído à espada dos sírios
e sido levado cadáver do campo de batalha.
E verdade que ele disse ao rei de Israel:
"Consulta, porém, hoje a palavra do SENHOR." Mas de que serviria
isto, quando ele já se havia comprometido a atuar de um modo determinado? Que
loucura revela todo aquele que forma um propósito definido e então vai pedir o
conselho do Senhor! Tivesse Josafá estado reto e alma, e nunca teria procurado
conselho num tal caso. Mas o estado da sua alma era mau, a sua posição falsa e
o seu propósito estava em direta oposição com o pensamento e a vontade de DEUS.
Por isso, embora ouvisse dos lábios do mensageiro do Senhor o Seu solene juízo
contra aquela expedição, seguiu o seu próprio caminho e como consequência por
pouco ia perdendo a vida.
Vemos a mesma coisa no capítulo 42 de Jeremias. O
povo dirigiu-se ao profeta pedindo conselho quanto à sua intenção de descerem
ao Egito. Mas já haviam resolvido o assunto. Estavam decididos a fazer a sua
própria vontade. Miserável estado! Tivessem eles sido mansos e humildes e não
teriam necessidade de pedir conselho sobre o assunto. Mas eles disseram ao
profeta Jeremias: "Caia agora a nossa súplica diante de ti, e roga por nós
ao SENHOR, teu DEUS" — porque não
dizer, o Senhor nosso DEUS? "por todo este resto; porque de muitos restamos
uns poucos, como veem os teus olhos; para que o
SENHOR, teu DEUS, nos ensine o caminho por onde havemos de andar e aquilo que
havemos de fazer. E disse-lhes Jeremias, o profeta: Eu vos ouvi; eis que orarei
ao SENHOR, VOSSO DEUS, conforme as vossas palavras; e seja o que for que o
SENHOR VOS responder, eu vo-lo declararei; não vos ocultarei nada. Então, eles
disseram a Jeremias: Seja o SENHOR entre nós testemunha da verdade e
fidelidade, se não fizermos conforme toda a palavra com que te enviar a nós o
SENHOR, teu DEUS. Seja ela boa, ou seja má" — como poderia a vontade de DEUS
ser alguma coisa que não fosse boa? — "à voz do SENHOR nosso DEUS, a quem
te enviamos, obedeceremos, para que nos suceda bem, obedecendo à voz do SENHOR,
nosso DEUS."
Ora tudo isto parecia muito piedoso e prometedor. Mas
note- se a sequência. Quando descobriram que o juízo e conselho de DEUS não
estavam de acordo com a sua própria vontade, "Então, falou Azarias... e
todos os homens soberbos, dizendo a Jeremias: Tu dizes mentiras; o SENHOR,
nosso DEUS, não te enviou a dizer: Não entreis no Egito, para lá
peregrinardes."
Aqui o estado verdadeiro do caso vem claramente à
luz. O orgulho e a obstinação estavam em atividades. Os seus votos e promessas
eram falsos. "...Enganastes a vossa alma", diz Jeremias, "pois
me enviastes ao SENHOR, VOSSO DEUS, dizendo: Ora por nós ao SENHOR, nosso DEUS;
e, conforme a tudo que disser o SENHOR, DEUS nosso, declara-no-lo assim, e o
faremos." Tudo teria sido muito bem, se a resposta divina tivesse
correspondido à sua vontade sobre o assunto; mas, visto que ia contra ela,
rejeitaram- na por completo.
Quantas vezes é este o caso! A Palavra de DEUS não
agrada aos pensamentos do homem; julga-os; está em oposição direta à sua
vontade; choca-se com os seus planos e por isso ele rejeita-a. A vontade humana
e a razão humana estão sempre em direto antagonismo com a Palavra de DEUS; e o
cristão deve rejeitar tanto uma como a outra, se deseja realmente ser
divinamente guiado.
Uma vontade insubmissa e uma razão cega, se lhes
prestamos atenção, só nos podem conduzir às travas, miséria e desolação. Jonas
queria ir para Társis, quando deveria ter ido para Nínive; e a consequência foi
que se encontrou "no ventre do inferno", e "as algas se
enrolaram na sua cabeça". Josafá quis ir a Ramote-Gileade quando deveria
ter estado em Jerusalém; e o resultado foi encontrar-se rodeado pelas espadas
dos sírios. O remanescente, nos dias de Jeremias, queria ir para o Egito,
quando deveria ter permanecido em Jerusalém, e o resultado foi eles morrerem à
espada, pela fome e pela peste na terra do Egito, onde desejavam "entrar
para lá peregrinar".
Assim terá de ser sempre. A vereda da obstinação há
de ser forçosamente uma senda de trevas e miséria. Não pode ser de outra
maneira. Pelo contrário, a vereda de obediência é uma senda de paz, de luz e de
bênção, um caminho em que os raios do favor divino são sempre projetados em
vivo resplendor. Pode parecer à vista humana estreito, áspero e solitário; mas
a alma obediente acha que é o caminho da vida, paz e segurança moral.
A vereda dos justos é como a luz da aurora que vai
brilhando mais e mais até ser dia perfeito." Bendita vereda! Que o autor e
o leitor destas páginas sejam sempre achados trilhando-a, com pé firme e
propósito sincero!
Antes de deixar este grande tema prático de direção
divina e obediência humana, devemos rogar ao leitor para referir, por uns
momentos, uma belíssima passagem do capítulo 11 de Lucas.
"A candeia do corpo é o olho, sendo pois, o teu
olho simples, também todo o teu corpo será luminoso; mas, se for mau, também o
teu corpo será tenebroso. Vê, pois, que a luz que em ti há não sejam trevas.
Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo em trevas parte alguma, todo
será luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplandor"
(versículos 34 a 36).
Nada pode exceder a força moral e a beleza desta
passagem. Antes de tudo, temos o "olho simples". Isto é essencial
para gozar a direção divina. Indica uma vontade quebrantada — um coração
honestamente decidido a fazer a vontade de DEUS. Não interesses ocultos,
motivos diversos, nem afins pessoais em vista. Existe o único e simples desejo
e sincero propósito de fazer a vontade e DEUS, seja qual for essa vontade.
Quando a alma está nesta atitude, a luz divina desce
em caudal e enche completamente o corpo. Por isso segue-se que se o corpo não
está cheio da luz, o olho não é simples; existem vários motivos; a obstinação
ou o interesse próprio está agindo; não somos retos perante DEUS. Neste caso,
qualquer luz que professamos é trevas; e não há trevas mais densas ou terríveis
como as trevas judiciais que se apoderam do coração que é governado pela
obstinação enquanto professa ter luz de DEUS. Isto será visto em breve na
cristandade, quando "Então, será revelado o iníquo, a quem o Senhor
desfará pelo assopro da sua boca e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a
esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais, e
prodígios de mentira, e com todo engano da injustiça para os que perecem,
porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E, por isso, DEUS lhes
enviará a operação do erro, para que creiam a mentira, para que sejam julgados
todos os que não creram a verdade; antes, tiveram prazer na iniquidade" (2
Ts 2:8-12).
Como isto é terrível! Quão solenemente fala a toda a
igreja professante! E quão solenemente se dirige à consciência tanto do autor
como do leitor destas linhas! A luz que não produz efeito converte-se em
trevas. "Se a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais
trevas!" Mas por outro lado uma pequena luz seguida honestamente é certo
crescer; "porque ao que tem ser-lhe-á dado"; e "...a vereda dos
justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito."
Este progresso moral é descrito com toda a sua beleza
e força em Lucas 11:36: "Se, pois, todo o teu corpo é luminoso, não tendo
em trevas parte alguma" — nenhum aposento fechado aos raios celestiais,
nenhuma reserva desonrosa, todo o ser moral amplamente aberto, em verdadeira
simplicidade à ação da luz divina, então, "todo será luminoso, como quando
a candeia te alumia com o seu resplandor." Em suma, a alma obediente não
somente tem luz para a sua própria vereda, mas a luz resplandece, de forma que
os outros a veem, como o esplendor de uma candeia. "Assim resplandeça a
vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem
a vosso Pai, que está nos céus."
Temos um vivo contraste com tudo isto em capítulo 13
de Jeremias. "Dai glória ao SENHOR, VOSSO DEUS, antes que venha a
escuridão e antes que tropecem vossos pés nos montes tenebrosos; antes que,
esperando vós luz, ele a mude em sombra de morte e a reduza à escuridão."
A maneira de dar glória ao Senhor, nosso DEUS, é obedecer à Sua Palavra. A
vereda do dever é uma vereda brilhante e bendita; e aquele que, pela graça,
trilha essa vereda não tropeçará nunca nas escuras montanhas. Aquele que é
verdadeiramente humilde, submisso e que não confia em si próprio, manter-se-á a
distância dessas montanhas de obscuridade e andará nessa bendita vereda que
está sempre iluminada pelos resplandecentes e alegres raios do semblante de DEUS,
em sinal de aprovação.
Esta é a vereda do justo, a vereda da sabedoria
celestial, a vereda de paz perfeita. Possamos nós, prezado leitor, trilhar
sempre esta vereda; e não esqueçamos nunca, nem por um momento, que é o nosso
elevado privilégio ser divinamente guiados nos mais minuciosos pormenores da
vida diária. Ai daquele que não é assim guiado! Era muitos tropeços, muitas
quedas, muitas tristes experiências. Se não somos guiados pela vista do nosso
Pai, seremos como o cavalo ou a mula que não têm entendimento, cuja boca precisa
de cabresto e freio — como o cavalo que se arroja impetuosamente onde não
deveria ou a mula que recusa obstinadamente ir aonde deve ir. Como é triste que
um cristão seja como eles! Quão bem- aventurada coisa é andar, dia a dia, na
vereda marcada para nós pelo olhar de nosso Pai, uma vereda que os olhos do
abutre não têm visto nem o leão tem trilhado, a vereda de santa obediência, na
qual os mansos e humildes se encontrarão sempre para seu profundo gozo e louvor
e glória dAquele que a abriu para eles e lhes dá graça para a trilharem.
A Nomeação dos Chefes ou Juízes (Ex 18; Nm 11)
No que resta do nosso capítulo, Moisés repete aos
ouvidos do povo, em linguagem de comovedora simplicidade, os fatos relacionados
com a nomeação dos juízes e a missão dos espias. A nomeação dos juízes, Moisés
atribui-a aqui à sua própria iniciativa. A missão dos espias foi dada por
sugestão do povo. Esse querido e muito honrado servo de DEUS achava pesado
demais o cargo da congregação; e certamente era um cargo muito pesado; ainda
que sabemos bem que a graça de DEUS era demais suficiente para as exigências;
e, além disso, que essa graça podia agir tão bem por intermédio de um homem
como por setenta.
Contudo, podemos compreender muito bem a dificuldade
que sentiu "o homem mais manso do que todos os homens que havia sobre a
terra" quanto à responsabilidade de um cargo tão sério e importante; e,
decerto, a linguagem em que ele concretiza a sua dificuldade é comovedora em
alto grau. Achamos que é nosso dever reproduzi-la para benefício do leitor:
"E, no mesmo tempo, eu vos falei, dizendo: Eu
sozinho não poderei levar-vos"—decerto que não podia; qual o simples
mortal que podia fazê-lo?- Mas DEUS estava ali e podia contar-se com Ele para
as exigências de todo o momento — "O SENHOR vosso DEUS já vos tem
multiplicado; e eis que já hoje em multidão sois como as estrelas dos céus. O
SENHOR, DEUS de vossos pais, vos aumente, como sois, ainda mil vezes mais: e
vos abençoe, como vos tem falado"! Formoso parêntese! Excelente inspiração
de um coração grande e humilde! — "Como suportaria eu sozinho as vossas
moléstias, e as vossas cargas, e as vossas diferenças Ah, aqui está o segredo
de grande parte do "embaraço" e da "carga"! Não podiam
estar de acordo entre si; havia controvérsias, contendas e questões; e quem era
suficiente para todas estas coisas? Que ombro humano podia suster um tal fardo?
Quão diferente podia ter sido tudo com eles! Andassem eles amorosamente juntos,
e não teria havido casos para decidir, e portanto nenhuma necessidade de juízos
para os julgar. Se cada membro da congregação houvesse buscado a prosperidade,
o interesse e a felicidade dos seus irmãos, não teria havido
"contendas", "moléstias" nem "cargas". Se cada um
tivesse feito tudo que estava em si para promover o bem geral, quão formoso
teria sido o resultado!
Mas infelizmente não sucedeu assim com Israel no
deserto; e, o que é ainda mais humilhante, não sucede assim na Igreja de DEUS,
apesar de os nossos privilégios serem muito mais elevados. Apenas tinha sido
formada a assembleia pela presença do ESPÍRITO SANTO, e já se faziam ouvir os
acentos de murmuração e descontentamento. E sobre o quê? Sobre "o
menosprezo", suposto ou verdadeiro. O que quer que foi, o ego está em
ação. Se o menosprezo era puramente imaginário, os gregos eram dignos de
censura; e se era verdadeiro, a censura devia cair sobre os hebreus. Sucede
geralmente, em tais casos, que há culpas de ambos os lados; mas o verdadeiro
meio é evitar toda a disputa, contenda e murmuração; e colocar o ego no pó e
procurar sinceramente o bem dos outros. Tivesse este excelente meio sido
compreendido e adotado, desde o princípio, quão diferente tarefa teriam os
historiadores eclesiásticos que executar! Mas, ah, não foi adotado, e por isso
a história da igreja professante, desde o princípio, tem sido um deplorável e
humilhante registro de controvérsias, divisões e utas! Na própria presença do
Senhor, cuja vida foi toda de própria negação, os apóstolos disputavam acerca
de qual deles seria o maior. Uma tal disputa não poderia ter sido suscitada, se
cada um tivesse conhecido o excelente segredo de pôr o ego no pó, e buscar os
outros. Ninguém que conhece alguma coisa da verdadeira elevação moral da
renúncia própria pode de modo algum procurar um lugar bom ou elevado par si
mesmo. A intimidade com CRISTO satisfaz de tal modo o coração humilde que as
honras, as distinções e as recompensas são tidas em pouca conta. Mas se o ego
está em ação, haverá inveja e ciúme, disputas e contendas, confusão e toda a
obra má.
Veja-se a cena entre os dois filhos de Zebedeu e os
seus dez irmãos, no capítulo 10 de Marcos. Qual era o seu fundamento? O ego. Os
dois pensavam num bom lugar para si próprios no reino; e os dez estavam
irritados contra os dois por pensarem em tal coisa. Se cada um houvesse posto
de lado o ego e procurado o bem dos outros, uma tal cena nunca teria sido
representada. Os dois nunca teriam pensado em si mesmos, e por isso nunca teria
havido motivo para a "indignação" dos dez.
Mas é desnecessário multiplicar os exemplos. Cada
século de história da igreja ilustra e prova a verdade da nossa afirmação de
que o ego e os seus atos odiosos são sempre a causa de lutas, contendas e
divisões. Para onde quer que nos voltarmos, desde os dias dos apóstolos até aos
nossos dias, veremos que o ego não mortificado é a origem frutífera de
contendas e cismas. E, por outro lado, veremos que a submissão do ego e dos
seus interesses é o verdadeiro segredo de paz, harmonia e amor fraternal. Se
tão- -somente soubermos pôr o ego de lado e buscar sinceramente a glória de CRISTO
e a prosperidade do Seu amado povo, não teremos muitos casos para
"resolver".
Devemos prosseguir agora com o nosso capítulo.
"Como [suportaria eu sozinho as vossas
moléstias, e as vossas cargas, e as vossas diferenças?- Tomai-vos homens
sábios, inteligentes e experimentados, entre as vossas tribos, para que os
ponha por vossas cabaças. Então, vós me respondestes e dissestes: Bom é de
fazer a palavra que tens falado. Tomei, pois, os cabeças de vossas tribos,
homens sábios e experimentados" — homens preparados por DEUS e possuindo,
porque tinham direito a isso, a confiança da congregação — "e os tenho
posto por cabeças sobre vós, por capitães de milhares, e por capitães de cem, e
por capitães de cinquenta, e por capitães de dez, e por governadores das vossas
tribos." Que admirável ordem! Se realmente tinha de ser estabelecida, nada
podia ser tão bem adaptado à manutenção da ordem como a escala graduada de
autoridade, variando desde o capitão de dez ao capitão de mil; com o próprio
legislador à frente de todos, e em imediata comunicação com o Senhor, DEUS de
Israel. Não se faz alusão aqui ao fato registrado em Êxodo 18, a saber: que a
nomeação destes juízes foi feita por sugestão de Jetro, sogro de Moisés. Nem tampouco
se faz qualquer referência à cena em Números 11. Chamamos para isto a atenção
do leitor como uma das muitas provas que se acham através das páginas do
Deuteronômio, o qual está muito longe na verdade de ser uma mera repetição dos
volumes precedentes do Pentateuco. Em suma, este precioso livro tem um caráter
propriamente seu, e o modo como os fatos são apresentados está em perfeita
harmonia com esse caráter. É muito claro que o objetivo do venerável
legislador, ou antes do ESPÍRITO SANTO, por intermédio dele, era gravar todas
as coisas, de um modo moral, nos corações do povo, a fim de produzir o grande
resultado que é o objetivo especial deste livro, desde o princípio ao fim, isto
é, uma amorável obediência a todos os estatutos e juízos do Senhor, seu DEUS.
Devemos ter isto em vista, se quisermos estudar
corretamente o livro que temos diante de nós. Os infiéis, os cépticos e
racionalistas podem impiamente sugerir-nos a ideia de discrepâncias nos
diversos relatos feitos nos vários livros; mas o leitor piedoso rejeitará, com
santa indignação, tais sugestões, sabendo que procedem diretamente do pai da
mentira, o decidido e persistente inimigo da preciosa revelação de DEUS. Esta
é, estamos disso convencidos, a verdadeira maneira de tratar todos os ataques
íeis contra a Bíblia. Os argumentos são inúteis, visto que os íeis não estão em
situação de compreender ou apreciar o seu valor. São profundamente ignorantes
da matéria; e não é somente uma questão de profunda ignorância, mas de decidida
hostilidade, de forma que, em todos os casos, o juízo de todos os autores
infiéis sobre o assunto da inspiração divina é inteiramente destituído de
mérito e perfeitamente desprezível. Devemos lamentar esses homens e orar por
eles, ao mesmo tempo que desprezamos inteiramente e rejeitamos com indignação
as suas opiniões. A Palavra de DEUS está inteiramente acima delas e fora do seu
alcance. E tão perfeita como o seu Autor e imperecível como o Seu trono; mas as
suas glórias morais, as suas profundidades viventes, e as suas infinitas
perfeições são somente patenteadas à fé. "Graças te dou, ó Pai, Senhor do
céu e da terra, que ocultasse estas coisas aos sábios e instruídos e as
revelaste aos pequeninos."
Se nos contentarmos em ser tão simples como uma
criancinha, gozaremos a preciosa revelação do amor do Pai, dada pelo Seu ESPÍRITO,
nas Sagradas Escrituras. Mas, por outro lado, aqueles que se julgam sábios e
prudentes, que edificam sobre os seus conhecimentos, a sua filosofia e a sua
razão, que se julgam competentes para se constituírem juízes da Palavra de DEUS,
e portanto do próprio DEUS, são entregues às trevas judiciais, cegueira e
dureza de coração. Assim acontece que a mais insigne loucura e a mais baixa
ignorância, que o homem pode manifestar, são encontradas nas páginas desses
autores cultos que têm tido a ousadia de escrever contra a Bíblia. "Onde
está o sábio«? Onde está o escriba«? Onde está o inquiridor deste século«?-
Porventura, não tomou DEUS louca a sabedoria deste mundo? Visto como, na
sabedoria de DEUS, o mundo não conheceu a DEUS pela sua sabedoria, aprouve a DEUS
salvar os crentes pela loucura da pregação" (I Co 1:20,21).
"Se alguém... se tem por sábio,... faça-se
louco" (I Co 3:18). Eis aqui o grande segredo moral do assunto. O homem
tem de chegar ao fim da sua própria sabedoria, bem como da sua própria justiça.
Tem de ser levado a declarar-se a si mesmo louco, antes de poder provar a
doçura da sabedoria divina. Não está ao alcance do mais gigantesco ser humano,
auxiliado por todas as aplicações da sabedoria humana e da filosofia, entender
os mais simples elementos de revelação divina. E, portanto, quando homens
inconvertidos, qualquer que possa ser a força do seu gênio ou a extensão do seu
saber, se arriscam a tratar de assuntos espirituais, e especialmente do tema da
inspiração divina das Sagradas Escrituras, é certo mostrarem a sua profunda
ignorância e completa incompetência para tratar do assunto que está ante eles.
Na verdade, sempre que examinamos um livro infiel, somos surpreendidos com a
fraqueza dos seus mais poderosos argumentos; e não apenas isto, mas, em todos
os casos em que procuram descobrir uma discrepância na Bíblia, nós vemos apenas
sabedoria divina, beleza e perfeição.
Fomos levados a entrar na precedente linha de
pensamento em relação com a questão da nomeação dos anciãos a qual nos é dada
em cada livro, segundo a sabedoria do ESPÍRITO SANTO e em perfeita concordância
com o tema e assunto do livro.
Vamos prosseguir agora com a nossa citação.
"E, no mesmo tempo, mandei a vossos juízes,
dizendo: Ouvi a causa entre vossos irmãos e julgai justamente entre o homem e
seu irmão e entre o estrangeiro que está com ele. Não atentareis para pessoa
alguma em juízo, ouvireis assim o pequeno como o grande; não temereis a face de
ninguém, porque o juízo é de DEUS; porém a causa que vos for difícil fareis vir
a mim, e eu a ouvirei."
Que celestial sabedoria se descobre aqui! Que
equilibrada justiça! Que santa imparcialidade! Em todos os casos de desavença,
todos os fatos, de ambas as partes, deviam ser completamente ouvidos e
pacientemente considerados. A mente não devia torcer-se por predileção ou
sentimentos pessoais de qualquer espécie. O juízo devia ser feito, não por
impressões, mas por fatos — fatos claramente comprovados, incontestáveis. A influência
pessoal não deveria ter-se em apreço algum. A posição e as circunstâncias de
qualquer das partes em questão não deviam ser tidas em consideração. A causa
devia ser decidida inteiramente sobre os seus próprios méritos. "Ouvireis
assim o pequeno como o grande." Ao pobre devia ser dispensada a mesma
imparcial justiça como ao rico; ao estrangeiro como ao nascido no país. Não era
admitida diferença alguma.
Quão importante é tudo isto! Quão digno da nossa mais
atenta consideração! Quão cheia de profunda e valiosa instrução para todos nós!
Decerto, não somos todos chamados para ser juízes ou anciãos ou chefes; mas os
grandes princípios morais estabelecidos na citação precedente são do mais alto
valor para cada um de nós, visto que ocorrem continuamente casos que requerem a
sua direta aplicação. Onde quer que tenha caído a nossa sorte, qualquer que
seja a linha de vida ou esfera de ação, estamos sujeitos infelizmente a
enfrentar casos de dificuldade e desinteligência entre os nossos irmãos; casos
de agravo quer verdadeiros ou imaginários; e, por isso, é muito necessário
estarmos divinamente instruídos sobre a maneira como nos devemos conduzir a
respeito de tais casos.
Ora, em tais casos, jamais seremos exagerados em
basear o nosso juízo em fatos — todos, os fatos, de ambas as partes. Não
devemos consentir em sermos guiados pelas nossas próprias impressões, pois
sabemos todos que as simples impressões não são dignas de crédito. Podem ser
corretas; e podem ser inteiramente falsas. Nada é mais facilmente recebido e
transmitido do que uma falsa impressão, e portanto qualquer juízo baseado
meramente em impressões é desprezível. Devemos possuir fatos sólidos e
claramente estabelecidos — fatos provados por duas ou três testemunhas, como a
Escritura tão claramente determina (Dt 17:6; Mt 18:16; 2 Co 13:1; 1 Tm 5:19).
Mas, além disso, nunca devemos ser guiados em juízo
por o que expõe uma das partes. Todos estamos sujeitos a dar um certo colorido
à exposição do nosso caso, até com a melhor das intenções. Não é que se queira
intencionalmente fazer uma declaração falsa, ou mentir deliberadamente; mas,
por engano ou uma causa ou outra, pode apresentar-se o caso como realmente não
é. Pode omitir-se qualquer fato; e esse fato pode afetar tanto os outros fatos
que altere completamente a sua significação. "Audi alteram fartem" (ouça-se
a parte contrária), é um lema muito salutar. E não só ouvir a parte contrária,
mas ouvir todos os fatos de ambas as partes, e assim sermos capazes de formular
um são e reto juízo. Podemos estabelecer como regra de qualquer juízo formado
sem conhecimento preciso de todos os fatos e inteiramente inútil. "Ouvi a
causa entre vossos irmãos e julgai justamente entre o homem e seu irmão e entre
o estrangeiro que está com ele." Oportunas e necessárias palavras,
certamente, em todos os tempos, em todos os lugares e em quaisquer
circunstâncias. Possamos nós aplicá-las aos nossos corações!
E quão importante é a admoestação do versículo 17!
"Não atentareis para pessoa alguma em juízo, ouvireis assim o pequeno como
o grande; não temereis a face de ninguém." Como estas palavras descobrem o
pobre coração humano! Quão dados somos a ter deferência pelas pessoas; a sermos
dominados por influência pessoal; a ligar importância à posição e riqueza; a
ter receio ante a face do homem!
Qual é o divino antídoto contra todos estes males?
Precisamente este: o temor de DEUS. Se pomos o Senhor perante nós, em todas as
ocasiões, isso nos livrará eficazmente da perniciosa influência de
parcialidade, preconceitos e temor do homem. Isso nos induzirá a esperar
humilde e pacientemente que o Senhor nos guie e aconselhe em tudo quanto possa
apresentar-se à nossa consideração; e assim seremos guardados de formular
juízos precipitados e parciais sobre os homens e os fatos — origem fecunda de
agravos entre o povo do Senhor, em todos os tempos. Consideremos agora por uns
momentos a maneira verdadeiramente comovedora em que Moisés apresenta ante a
congregação todas as circunstâncias relacionadas com a missão dos espias, que,
à semelhança da nomeação dos juízes, está em perfeita harmonia com o tema e
objetivo do livro. Não podíamos esperar outra coisa. Não há, não pode haver uma
simples frase desnecessariamente repetida no volume divino. Menos ainda Pode
haver uma só discordância ou narração contraditória. A palavra de DEUS é
absolutamente perfeita no seu conjunto, perfeita em todas as suas partes
componentes. Devemos manter isto com firmeza e confessá-lo com toda a
fidelidade perante este século de infidelidade.
Não falamos das traduções humanas da Palavra de DEUS,
nas quais deve haver mais ou menos imperfeições; ainda que não temos senão
motivo para estar "cheios de admiração, amor e louvor", quando
notamos a maneira como o nosso DEUS presidiu tão claramente à nossa excelente
tradução inglesa, de forma que o mais pobre serrano pode estar certo de possuir
a revelação de DEUS à sua alma na corrente Bíblia inglesa. E, decerto, nós
podemos dizer afoitamente que isto é o que podíamos esperar das mãos do nosso DEUS.
E razoável esperar que aquele que inspirou os homens santos que escrevera a
Bíblia, tem também velado sobre a tradução; visto que Ele a deu
originariamente, em Sua graça, àqueles que podiam ler hebreu e grego, não a
daria, em graça, do mesmo modo, em todas as línguas abaixo do céu? Bendito seja
para sempre o Seu santo Nome, é Seu gracioso desejo falar a todos os homens na
própria língua em que foram nascidos; contar-nos a doce história da Sua graça,
as boas novas da salvação, no próprio tom em que nossas mães murmuravam aos
nossos ouvidos de infância essas palavras de amor que penetravam fundo em
nossos corações (veja At 2:5 a 8).
Oh! Se os homens fossem mais impressionados e
afetados com a verdade e poder de tudo isto; então não seríamos incomodados com
tantas questões loucas e ignorantes acerca da Bíblia.
Ouçamos agora a narração feita por Moisés da missão
dos espias — a sua origem e os seus resultados. Veremos como é cheia de
instrução, contanto que os ouvidos estejam abertos para ouvir e o coração
devidamente preparado para ponderar.
Os Espias (Nm 13)
"Assim, naquele tempo, vos ordenei todas as
coisas que havíeis de fazer." A senda de simples obediência foi claramente
exposta perante eles. Não tinham mais que segui-la com coração obediente e
passo firme. Não tinham que arguir quanto às consequências ou pesar os
resultados. Deviam deixar tudo isto precisamente nas mãos de DEUS, e
prosseguir, com resoluto propósito, na bendita senda de obediência.
"Então, partimos de Horebe, e caminhamos por
todo aquele grande e tremendo deserto que vistes, pelo caminho das montanhas
dos amorreus, como o SENHOR, nosso DEUS nos ordenara; e chegamos a Cades-Barnéia.
Então, eu vos disse: Chegados sois às montanhas dos amorreus, que o SENHOR,
nosso DEUS, nos dará. Eis que o SENHOR, teu DEUS, te deu esta terra diante de
ti, sobe, possui-a, como te falou o SENHOR, DEUS de teus pais; não temas, e não
te assustes."
Aqui estava a sua garantia para entrarem
imediatamente na posse da terra. O Senhor, seu DEUS, havia-lhes dado a terra, e
havia-a posto diante deles. Era sua por Sua livre dádiva — o dom da Sua
soberana graça, de acordo com o concerto feito com seus pais. Era Seu propósito
eterno possuir a terra de Canaã por meio dos descendentes de Abraão, Seu amigo.
Isto deveria ter sido bastante para tranquilizar completamente os seus
corações, não só quanto às condições da terra, mas também quanto à entrada
nela. Não havia necessidade de espias. A fé nunca necessita de espiar o que DEUS
tem dado. Sabe que o que Ele tem dado deve valer a pena possuí-lo; e que Ele
pode pôr-nos em plena possessão de tudo que a Sua graça nos tem outorgado.
Israel podia ter concluído que a mesma mão que os havia conduzido através
daquele "grande e tremendo deserto" podia também fazê-los entrar e
estabelecê-los na herança que lhes havia destinado.
Assim teria raciocinado a fé; porque ela sempre
raciocina desde DEUS às circunstâncias; e nunca das circunstâncias para DEUS.
"Se DEUS é por nós, quem será contra nós? Este é o argumento da fé, grande
na sua simplicidade, e simples em sua grandeza moral. Quando DEUS enche
completamente a visão da alma, as dificuldades são de pouca importância. Ou não
são vistas, ou, se vistas, são consideradas como ocasiões para a manifestação
do poder divino. A fé exulta em ver DEUS triunfando sobre as dificuldades.
Mas, infelizmente, o povo não era regido por fé
naquela ocasião; e, portanto, tiveram de recorrer aos espias. Moisés
relembra-lhes isto, e isto também em linguagem ao mesmo tempo terna e fiel.
"Então, todos vós vos chegastes a mim e dissestes: Mandemos homens adiante
de nós, para que nos espiem a terra e nos deem resposta, por que caminho
devemos subir a ela e a que cidades devemos ir." Certamente, bem podiam
ter confiado em DEUS quanto a tudo isto. Aquele que os havia tirado do Egito,
que fizera um caminho para eles através do mar, os guiara através do deserto
sem trilho, era perfeitamente capaz de os introduzir na terra. Mas não; eles
quiseram enviar espias simplesmente porque os seus corações não tinham fé
simples no DEUS vivo, verdadeiro e Todo-poderoso.
Nisto está a origem moral da questão; e é bom que o
leitor compreenda claramente este ponto. Verdade é que, na história dada em
Números, o Senhor disse a Moisés que mandasse os espias. Mas por quê? Por causa
da condição moral do povo. E aqui vemos a diferença característica e ao mesmo
tempo a encantadora harmonia dos dois livros. Números dá-nos a história
pública, Deuteronômio a origem secreta da missão dos espias; e assim como está
em perfeita concordância com Números dar-nos a primeira, assim também o está
com o caráter de Deuteronômio dar-nos a segunda. Uma é o complemento da outra.
Não poderíamos compreender plenamente o assunto, se não tivéssemos a história
relatada em Números. E o comentário tocante, feito em Deuteronômio, que
completa o quadro. Quão perfeita é a Escritura! Tudo quanto precisamos é dos
olhos ungidos para ver e do coração preparado para apreciar as suas glórias
morais.
Pode ser que o leitor talvez encontre dificuldades
enquanto à questão dos espias. Pode sentir-se disposto a perguntar, como podia
ser mau enviá-los, visto que o Senhor lhes dissera para assim fazerem? A
resposta é que o mal não estava de modo algum no ato de os enviar quando lhes
foi dito, mas no desejo de os enviarem a todo o custo. O desejo era o fruto da
incredulidade; e a ordem para os mandar foi motivada pela incredulidade.
Podemos ver alguma coisa do mesmo caráter na questão
do divórcio, em Mateus 19. "Então chegaram ao pé dele os fariseus,
tentando-o e dizendo-lhe: E lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer
motivo? Ele, porém, respondendo, disse- lhes: Não tendes lido que, no
princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem
pai e mãe e se unira à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são
mais dois mas uma só carne. Portanto, o que DEUS ajuntou, não separe o homem.
Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e
repudiá-la? Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza do vosso coração, vos
permitiu repudiar vossa mulher; mas, ao princípio, não foi assim."
Não era segundo a instituição original de DEUS, ou
segundo a Sua vontade, que o homem repudiasse sua mulher; mas por causa da
dureza do coração humano, o divórcio foi permitido pelo legislador. Existe
alguma dificuldade em compreender isto? Decerto que não, a menos que o coração
esteja disposto a levantar alguma. Nem tampouco existe qualquer dificuldade na
questão dos espias. Israel não deveria ter necessidade deles. A fé simples
nunca teria pensado neles. Mas o Senhor viu o verdadeiro estado de coisas, e
deu um mandamento em conformidade com ele; assim como, séculos mais tarde, viu
o coração do povo inclinado a ter um rei, e ordenou a Samuel que lhes desse um.
"E disse o SENHOR a Samuel: Ouve a voz do povo em tudo quanto te disser,
pois não te tem rejeitado a ti; antes, a mim me tem rejeitado, para eu não
reinar sobre ele. Conforme todas as obras que fez, desde o dia em que os tirei
do Egito até ao dia de hoje, pois a mim me deixou, e outros deuses serviu,
assim também te fez a ti. Agora, pois, ouve a sua voz, porém protesta-lhe
solenemente, e declara-lhes qual será o costume do rei que houver de reinar
sobre ele" (I Sm 8:7-9).
Vemos assim que a simples concessão de um desejo não
prova de modo algum que tal desejo esteja de acordo com o pensamento de DEUS.
Israel não deveria ter pedido um rei. Não era o Senhor suficiente? Não era Ele
o seu Rei?- Não podia Ele, como sempre havia feito, guiá-los à batalha e
pelejar por eles? Porque buscar um braço de carne? Porque deixar o DEUS
verdadeiro, vivo, o Todo-poderoso, para confiar num pobre verme? Que poder
poderia haver num rei senão aquele que DEUS podia ter achado próprio
conferir-lhe? Absolutamente nenhum. Todo ° poder, toda a sabedoria, todo o
verdadeiro bem estavam no Senhor, seu DEUS; e estavam ali em todo o tempo para
suprir todas as suas necessidades. Eles só tinham que apoiar-se em Seus braços
onipotentes, saciarem-se nos Seus inesgotáveis recursos e encontrar os seus
mananciais n'Ele.
Logo que receberam um rei, segundo o desejo de seus
corações, que fez ele por eles? "Todo o povo veio atrás dele,
tremendo." Quando mais atentamente estudamos a história melancólica do
reinado de Saul, tanto mais vemos que ele foi, quase desde o começo, um estorvo
em vez de um auxílio. Não temos mais que ler a sua história, desde o princípio
ao fim, para vermos a verdade disto. O seu reinado foi um completo fracasso,
exposto de uma maneira tão exata quanto enérgica em duas brilhantes expressões
do profeta Oséias: "Dei-te um rei na minha ira e to tirei no meu
furor." Em suma, ele foi a resposta à incredulidade e voluntariedade do
povo, e portanto todas as brilhantes esperanças e expectativas que despertara,
foi o lamentável desapontamento. Fracassou em corresponder ao pensamento de DEUS;
e, como consequência inevitável, fracassou em suprir as necessidades do povo.
Mostrou que era completamente indigno da coroa e do cetro; e a queda
ignominiosa no monte Gilboa estava em triste concordância com toda a sua
carreira.
Ora, se considerarmos a missão dos espias, vemos
também que, à semelhança da nomeação de um rei, acabou em completo fracasso e
desapontamento. Não podia ser de outra maneira, visto que era o fruto da
incredulidade. Decerto, DEUS deu-lhes os espias; e Moisés, com enternecedora
graça, diz: "Pareceu-me, pois, bem esse negócio; de sorte que de vós tomei
doze homens, de cada tribo um homem." Isto era graça descendo sobre o
estado do povo, e consentindo num plano que era adequado a esse estado. Mas
isto não prova, de modo algum, que quer o plano quer o estado do povo fosse
segundo o pensamento de DEUS. Bendito seja o Seu nome, Ele pode valer-nos na
nossa incredulidade, embora seja entristecido e desonrado por ela. DEUS
compraz-Se numa fé ousada e simples. E a única coisa, neste mundo, que Lhe dá o
Seu próprio lugar. Por isso, quando Moisés disse ao povo: "Eis que o
SENHOR, teu DEUS, te deu esta terra diante de ti; sobe, possui-a, como te falou
o SENHOR, DEUS de teus pais; não temas, e não te assustes", qual deveria
ser a sua própria resposta? "Eis-nos aqui; guia-nos, SENHOR,
Todo-poderoso; guia-nos à vitória. Tu és suficiente para nós. Contigo como
guia, iremos para diante com alegre confiança. As dificuldades não existem para
Ti, e portanto nada significam para nós. A Tua Palavra e a Tua presença são
tudo quanto necessitamos. Nelas encontramos ao mesmo tempo a nossa autoridade e
o nosso poder. Não importa absolutamente quem ou o que possa estar diante de
nós: gigantes poderosos, altas muralhas, ameaçadores baluartes; que representam
todos eles diante do SENHOR, DEUS de Israel, senão folhas secas levadas pelo
vento«?- Guia-nos, ó SENHOR."
Esta teria sido a linguagem da fé; mas, infelizmente,
não foi a linguagem de Israel nesta ocasião. DEUS não lhes bastava. Não estavam
preparados para subir, apoiando-se somente no Seu braço. Não estavam
satisfeitos com a descrição que Ele havia feito da terra. Quiseram mandar
espias. Qualquer coisa servia para o pobre coração humano menos a simples
dependência do DEUS vivo e verdadeiro. O homem natural não pode confiar em DEUS,
simplesmente porque não O conhece. "E em ti confiarão os que conhecem o
teu nome."
DEUS tem de ser conhecido, para poder confiar-se
n'Ele; e quanto mais se confia n'Ele, tanto melhor Se torna conhecido. Nada
existe em todo este mundo tão verdadeiramente abençoado como uma vida de
simples fé. Mas isto tem de ser uma realidade e não uma simples profissão. E
inteiramente inútil falar de fé viva, enquanto o coração depende secretamente
de qualquer amparo humano. O verdadeiro crente tem de tratar exclusivamente com
DEUS. Encontra n'Ele todos os seus recursos. Não é que ele menospreze os
instrumentos ou os canais que DEUS Se compraz em usar; pelo contrário,
aprecia-os muitíssimo; e não pode deixar de os estimar como os meios que DEUS
usa para seu auxílio e benção. Mas não permite que eles suplantem DEUS. A
linguagem do coração é: "A minha alma espera somente em DEUS; dele vem a
minha salvação. Só ele é a minha rocha" (SI 62:1-2). Existe força peculiar
na palavra "só". Sonda completamente coração. Contar com a criatura,
direta ou indiretamente, para suprimento de qualquer necessidade, é em
princípio abandonar a vida de fé. E, oh, é uma obra miserável, esta confiança,
de qualquer modo, nos recursos da criatura! E tão degradante moralmente quanto
elevada é moralmente a vida de fé. E não só é degradante, mas motivo de
desapontamento. O apoio da criatura cede, e os mananciais da criatura secam;
mas os que confiam no Senhor nunca serão confundidos, e nunca lhes faltará bem
algum. Tivesse Israel confiado no Senhor em vez de mandar os espias, ele teria
uma história muito diferente para contar. Mas quiseram mandar os espias, e todo
aquele negócio resultou no mais humilhante fracasso.
"E foram-se, e subiram à montanha, e vieram até
ao vale de Escol, e o espiaram. E tomaram do fruto da terra nas suas mãos, e
no-lo trouxeram, e nos tornaram a dar resposta: Boa é a terra que nos dá o
SENHOR, O nosso DEUS." Como poderia ser de outro modo, visto que era DEUS
quem lhes a dava? Necessitavam de espias para lhes dizer que a dádiva de DEUS
era boa? Certamente não deveriam ter essa necessidade. Uma fé simples teria
assim argumentado: "Seja o que for que DEUS nos dá, deve ser digno de Si
mesmo; não precisamos de espias para nos assegurarem isto." Mas
infelizmente esta fé simples é uma joia extraordinariamente rara neste mundo; e
até mesmo aqueles que a possuem conhecem pouco do seu valor ou como usá-la. Uma
coisa é falar da vida de fé, e outra completamente diferente vivê-la. A teoria
é uma coisa; a realidade viva outra muito diferente. Mas não esqueçamos nunca
que é privilégio de todos os filhos de DEUS viver pela fé; e, além disso, que a
vida de fé inclui todas as coisas que possam, de qualquer modo, necessitar,
desde o ponto de partida até ao alvo da sua carreira terrestre. Já abordamos
este importante ponto; jamais insistiremos nele com demasiado ardor ou
constância.
Com respeito à missão dos espias, o leitor notará com
interesse o modo como Moisés se refere a ele. Limita-se àquela parte do
testemunho deles que está de acordo com a verdade. Nada diz acerca dos dez
espias infiéis. Isto está de perfeita harmonia com o tema e objetivo do livro.
Tudo está exposto para atuar por via moral sobre a consciência da congregação.
Recorda- lhes que foram eles próprios quem propôs enviar os espias; e demais,
que apesar de os espias terem posto diante deles o fruto da terra, e dado testemunho
da sua excelência, eles não quiseram subir. "Porém vós não quisestes
subir, mas fostes rebeldes ao mandado do SENHOR, vosso DEUS." Não havia
qualquer desculpa. E evidente que os seus corações estavam num estado de
positiva incredulidade e de rebelião, e a missão dos espias, desde o começo ao
fim, apenas revelou isto plenamente.
A Incredulidade (Nm 14)
"E murmurastes nas vossas tendas e dissestes:
Porquanto o SENHOR nos aborrece"
- uma terrível mentira, em si mesmo! — "e nos
tirou da terra do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus, para
destruir-nos." Que estranha prova de aborrecimento! Quão absurdos são os
argumentos da incredulidade! Seguramente, se os tivesse aborrecido, nada mais
fácil do que deixá-los morrer entre os fornos de tijolo do Egito, debaixo do
cruel azorrague dos exatores de Faraó. Por que tomar tanto trabalho com eles?
Qual o motivo das dez pragas sobre a terra dos seus opressores?- Se os detestava,
porque não permitiu que as águas do Mar Vermelho se precipitassem como se
precipitaram sobre os seus inimigos? Por que motivo os livrou da espada de
Amaleque?- Em suma, qual a razão de todos estes maravilhosos triunfos da graça
em seu favor, se o Senhor os detestava? Ah! Se eles não tivessem sido possuídos
por um espírito de negra e insensata incredulidade, uma tal ordem brilhante de
evidência os levaria a uma conclusão oposta àquela que pronunciaram! nada
existe abaixo da abóbada celeste tão estupidamente irracional como a
incredulidade. E, por outro lado, não há nada tão perfeito, claro e lógico como
o argumento de uma fé simples. Que o leitor possa sempre experimentar a verdade
disto!
E murmurastes nas vossas tendas." A
incredulidade não é somente um cego e insensato raciocinador, mas um negro e
tétrico murmurador. Nunca toma as coisas pelo lado reto nem pelo lado claro.
Está sempre no escuro, sempre em erro, simplesmente porque exclui DEUS, e só
olha para as circunstâncias. Eles disseram: "Para onde subiremos? Nossos
irmãos fizeram com que se derretesse o nosso coração, dizendo: Maior e mais
alto é este povo do que nós." Mas não era maior do que o Senhor. "As
cidades são grandes e fortificadas até aos céus" — crasso exagero de
incredulidade! — "e também vimos ali filhos dos gigantes."
Ora a fé diria: "Bem, embora as cidades sejam
fortificadas até aos céus, o nosso DEUS está acima delas, porque Ele está no
céu. O que são grandes cidades ou altas muralhas para Aquele que formou o
universo e o sustém pela palavra do Seu poderá Que são os gigantes, filhos de
Anaque, na presença do DEUS Todo- poderoso? Se a terra estivesse coberta de
cidades fortificadas desde Dã até Berseba, e se os gigantes fossem tão
numerosos como as folhas da floresta, seriam como a pragana da eira ante Aquele
que havia prometido dar a terra de Canaã aos descendentes de Abraão, Seu amigo,
por perpétua herança."
Mas Israel não tinha fé, como o apóstolo inspirado
nos diz no terceiro capítulo de Hebreus. "Não puderam entrar por causa da
sua incredulidade." Aqui estava a grande dificuldade. As cidades
fortificadas e os terríveis Anaquins cedo teriam sido afastados se Israel
tivesse confiado em DEUS. Depressa teria acabado com eles. Mas, ah, essa
deplorável incredulidade interpõe-se sempre no caminho da nossa bênção! Impede
o resplendor da glória de DEUS; projeta uma sombra negra sobre as nossas almas
e rouba-nos o privilégio de apreciar a suficiência do nosso DEUS para
satisfazer todas as nossas necessidades e remover todas as nossas dificuldades.
Bendito seja o Seu nome, Ele nunca falta a um coração que em Si confia. E seu
deleite honrar os maiores saques que a fé apresenta na Sua inesgotável
tesouraria. A palavra animadora que nos dirige é: "Não temas, crê
somente." E, também: "Seja isso feito segundo a tua fé."
Palavras preciosas, que fazem vibrar a nossa alma! Possamos nós todos
compreender plenamente a sua doçura e vivo poder! Podemos ficar certos de que
nunca podemos ser exagerados em contar com DEUS; seria uma simples
impossibilidade. O nosso grande erro é que não nos aproveitamos mais
abundantemente dos Seus infinitos recursos. "Não te hei dito que, se
creres, verás a glória de DEUS?
Podemos compreender assim por que foi que Israel
fracassou em ver a glória de DEUS naquela ocasião. Não criam. A missão dos
espias foi um completo fracasso. Assim como começou assim terminou, na mais
deplorável incredulidade. DEUS fora excluído. As dificuldades enchiam por
completo a visão dos israelitas.
"Não puderam entrar". Não puderam ver a
glória de DEUS. Escutai as palavras profundamente tocantes de Moisés. Faz bem
ao coração lê-las. Tocam o mais íntimo do nosso ser renovado. "Então, eu
vos disse: Não vos espanteis, nem os temais. O SENHOR, vosso DEUS, que vai
adiante de vós, por vós pelejará" — pensai em DEUS pelejando pelo povo!
Pensai em Javé como Varão de guerra! "Ele por vós pelejará, conforme a
tudo o que fez convosco, diante de vossos olhos, no Egito; como também no
deserto, onde viste que o SENHOR, teu DEUS, nele te levou, como um homem leva
seu filho, por todo o caminho que andastes, até chegardes a este lugar. Mas nem
por isso crestes no SENHOR, vosso DEUS, que foi adiante de vós por todo o
caminho, para vos achar o lugar onde vos deveríeis acampar; de noite no fogo,
para vos mostrar o caminho por onde havíeis de andar, e de dia na nuvem."
Que força moral, que encantadora doçura se encontram
neste apelo! Quão claramente vemos aqui, como, na verdade, em todas as páginas
do livro, que o Deuteronômio não é uma repetição estéril de fatos, mas sim um
comentário poderosíssimo sobre esses fatos! E conveniente que o leitor se dê
conta disto. Se o legislador inspirado narra nos livros de Êxodo e de Números
os atos passados na vida de Israel no deserto, no livro de Deuteronômio comenta
esses fatos com uma comoção que comove o coração. E é aqui que o estilo
delicado dos atos de Javé assinalado e ponderado com incomparável perícia e
ternura. Quem pode deixar passar por alto a encantadora figura revelada nas
palavras: “como um homem leva o seu filho"? Aqui temos o estilo da ação.
Poderíamos entendê-lo sem isto? Certamente que não. E o estilo de uma ação que
toca o coração, porque é o estilo que de um modo tão especial, expressa o
sentimento do coração. Se o poder da mão ou a sabedoria da mente é vista na
substância de uma ação, o amor do coração mostra-se no estilo. Até um menino
pode compreender isto, embora não possa explicá-lo.
Calebe: A Fé
Mas, infelizmente, Israel não pôde confiar em DEUS
para os introduzir na terra! Apesar da maravilhosa manifestação do Seu
poder, Sua fidelidade, bondade e ternura, desde os fornos de tijolo do Egito às
fronteiras da terra de Canaã, eles não creram. Com uma exposição de evidência
que deveria satisfazer qualquer coração, eles ainda duvidaram. "Ouvindo,
pois, o SENHOR a voz das vossas palavras, indignou-se e jurou, dizendo: Nenhum
dos homens desta maligna geração verá esta boa terra que jurei dar a vossos
pais, salvo Calebe, filho de Jefoné; ele a verá, e a terra que pisou darei a
ele e a seus filhos; porquanto perseverou em seguir ao SENHOR."
"Não te hei dito que se creres verás a glória de
DEUS?" Tal é a ordem divina. Os homens nos dirão que ver é crer; mas, no
reino de DEUS, crer é ver. Por que foi que a nenhum dos homens daquela má
geração foi consentido ver a boa terral Simplesmente por que não creram no
Senhor seu DEUS. Em contrapartida, porque foi Calebe autorizado a vê-la e a
tomar posse dela? Simplesmente porque creu. A incredulidade é sempre o grande
impedimento no caminho da nossa visão da glória de DEUS. "E não fez ali
muitas maravilhas, por causa da incredulidade deles." Se Israel tivesse
apenas crido, apenas confiado no seu DEUS, apenas confiado no amor de Seu
coração e no poder do Seu braço, Ele os teria introduzido e estabelecido no
monte da Sua herança.
E é precisamente assim hoje com o povo do Senhor. Não
ha limite para as bênçãos que podemos gozar, se confiarmos mais plenamente em DEUS.
"Tudo é possível ao que crê." O nosso DEUS nunca dirá: "Haveis
obtido já abundantemente; quereis receber demasiado." Impossível. E gozo
de Seu temo coração responder às maiores esperanças da fé.
Procuremos obter abundantemente. "Abre bem a tua
boca e ta encherei" (SI 81:10). A inesgotável tesouraria do céu está
aberta de par em par para a fé. "E tudo o que pedirdes na oração, crendo,
o recebereis." "E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a DEUS
que a todos dá liberalmente e o não lança em rosto; e ser-lhe- á dada. Peça-a,
porém, com fé, não duvidando." A fé é o segredo divino de toda a questão,
a fonte principal da vida cristã, desde o princípio ao fim. A fé não vacila e
não oscila. A incredulidade está sempre a vacilar e a oscilar, e por isso nunca
vê a glória de DEUS nem o Seu poder. E surda à Sua voz e cega aos Seus atos;
deprime o coração e enfraquece as mãos; escurece o caminho e estorva todo o
progresso. Foi a incredulidade que manteve Israel fora da terra de Canaã
durante quarenta anos; e nós não podemos fazer ideia das inúmeras bênçãos,
privilégios, poder e vantagens que perdemos constantemente por causa da sua
terrível influência. Se os nossos corações estivessem verdadeiramente
exercitados na fé, quão diferente seria o estado de coisas no nosso meio! Qual
é o segredo do deplorável entorpecimento e esterilidade no vasto campo da
profissão cristã?- A que devemos atribuir o nosso estado de ruína, a nossa
falta de ânimo, o nosso raquítico crescimento? Como é que vemos resultados tão
fracos em todas as atividades da obra cristã?- Por que motivo há tão poucas
conversões verdadeiras? Porque estão os nossos evangelistas tão frequentemente
abatidos por causa da escassez da sua ceifai como havemos de responder a todas
estas interrogações? Qual é a causa?- Quererá alguém dizer que não é a nossa
incredulidade?
Sem dúvida, as nossas divisões têm muito que ver com
ela; o nosso apego às coisas mundanas, a nossa sensualidade, a nossa
indulgência, a nossa ociosidade. Mas qual é o remédio para todos estes males?-
Como vão ser os nossos corações movidos por verdadeiro amor para com todos os
nossos irmãos?- Pela fé — esse princípio precioso "que opera por
caridade." Assim o bendigo apostolo diz aos queridos recém-convertidos em
Tessalônica: “A vossa fé cresce muitíssimo” depois?- "E a caridade de cada
um de vós abunda nuns para com os outros." Assim será sempre. A fé põe-nos
em contato direto com a fonte eterna de amor em DEUS mesmo; e a consequência
forçosa é que os nossos corações são impulsionados em amor por todos os que Lhe
pertencem — todos em quem podemos, por mais débil que seja, descobrir a Sua
imagem bendita. Não podemos, de modo algum, estar perto do Senhor e não amarmos
todos os que, em todo o lugar, invocam o Seu nome com um coração puro. Quanto
mais perto estamos de CRISTO, tanto mais intensamente devemos estar unidos, em
verdadeiro amor fraternal, com todos os membros do Seu corpo.
E quanto ao mundanismo, em todas as suas diversas
formas, como deve ser vencido?- Escutemos a resposta de outro apóstolo
inspirado. "Porque todo o que é nascido de DEUS vence o mundo; e esta é a
vitória que vence o mundo: a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele
que crê que JESUS é o Filho de DEUS?-" O homem novo, andando no poder da
fé, vive acima do mundo, acima dos seus motivos, acima dos seus objetivos, dos
seus princípios, seus costumes, seus modelos. Nada tem em comum com ele.
Movimenta-se precisamente contra a sua corrente. Obtém todos os seus recursos
do céu. A sua vida, a sua esperança, tudo está ali; e anela ardentemente estar
ali quando a sua obra na terra estiver terminada.
Vemos assim que princípio poderoso é a fé. A fé
purifica o coração, opera por amor, e vence o mudo. Em suma, liga o coração, em
poder vivo, com DEUS Mesmo; e este é o segredo da verdadeira elevação, santa
benevolência e pureza divina. Não é de estranhar, portanto, que Pedro fale dela
como da "preciosa fé", porque é verdadeiramente preciosa além de todo
o pensamento humano.
Veja-se como este poderoso princípio atuou em Calebe,
e o resultado bendito que produziu. Foi-lhe permitido constatar a verdade
dessas palavras proferidas séculos mais tarde: "Seja-vos feito segundo a
vossa fé." Creu que DEUS tinha poder para os fazer entrar na terra, e que
todas as dificuldades e obstáculos eram simplesmente substância para a fé. E DEUS,
como sucede sempre; respondeu à sua fé. "Então os filhos de Judá chegaram
a Josué em Gilgal; e Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, lhe disse: Tu sabes a
palavra que o SENHOR falou a Moisés, homem de DEUS, em Cades-Barnéia, por causa
de mim e de ti. Da idade de quarenta anos era eu quando Moisés, servo do
SENHOR, me enviou de Cades-Barnéia a espiar a terra; e eu lhe trouxe resposta,
como sentia no meu coração" - testemunho simples de uma brilhante e
encantadora fé! - “mas meus irmãos, que subiram comigo, fizeram derreter o
coração do povo: eu, porém, perseverei em seguir ao SENHOR, meu DEUS. Então,
Moisés, naquele dia, jurou, dizendo: Certamente a terra que pisou o teu pé será
tua e de teus filhos, em herança perpetuamente; pois perseveraste em seguir o
SENHOR, meu DEUS. E, agora, eis que o SENHOR me conservou em vida, como disse;
quarenta e cinco anos há agora, desde que o SENHOR falou esta palavra a Moisés,
andando ainda Israel no deserto; e, agora, eis que já hoje sou da idade de
oitenta e cinco anos. E, ainda hoje, estou tão forte como no dia em que Moisés
me enviou; qual a minha força então era, tal é agora a minha força, para a
guerra, e para sair, e para entrar. Agora, pois, dá-me este monte de que o
SENHOR falou naquele dia; pois naquele dia, tu ouviste que os anaquins estão
ali, grandes e fortes cidades há ali; porventura, o SENHOR será comigo para os
expelir, como o Senhor disse" (Js 14:6-12).
Quão refrescantes são as expressões de uma fé
simples! Quão edificantes! Quão verdadeiramente alentadoras! Que contraste com
as expressões lúgubres, desanimadoras, insolentes e desonrosas para DEUS, da
incredulidade! "E Josué o abençoou, e deu a Calebe, filho de Jefoné,
Hebrom em herança. Portanto, Hebrom foi de Calebe, filho de Jefoné o quenezeu,
em herança, até ao dia de hoje, porquanto perseverara em seguir o SENHOR, DEUS
de Israel" (Js 14:13-15). Calebe, como seu pai Abraão, foi firme na fé,
dando glória a DEUS; e nós podemos dizer, com a maior segurança, que, visto que
a fé sempre honra a DEUS, Ele Se compraz sempre em honrar a fé; e estamos
convencidos que se 0 povo do Senhor pudesse apenas confiar mais n'Ele, se eles
se aproveitassem mais abundantemente dos Seus infinitos recursos, seriamos
testemunhas de um estado de coisas totalmente diferente do que vemos à nossa
volta. "Não te hei dito que se creres verás a glória de DEUS? Oh, se
tivéssemos uma fé mais viva em DEUS — uma apropriação mais ousada da Sua
fidelidade da Sua bondade e poder! Então poderíamos esperar resultados mais
gloriosos no campo do evangelho; mais zelo, mais energia, mais intensa devoção
na Igreja de DEUS; e mais dos frutos fragrantes da justiça na vida dos crentes
individualmente.
Moisés não Entraria no País
Vamos agora por um momento deitar um vista de olhos
aos versículos finais do nosso capítulo, nos quais encontraremos sólida
instrução. E, antes do mais, vemos os atos do governo divino manifestados da
maneira mais solene e impressionante. Moisés refere-se da maneira mais tocante
ao fato da sua exclusão da terra prometida. "Também o SENHOR se indignou
contra mim por causa de vós, dizendo: Também tu lá não entrarás."
Notemos as palavras "por causa de vós". Era
muito necessário recordar à congregação que era por sua causa que Moisés, esse
amado e honrado servo do Senhor, era impedido de atravessar o Jordão e pôr o
seu pé na terra de Canaã. E certo que "falou imprudentemente com seus
lábios"; mas eles "irritaram o seu espírito" para isso. Isto
deveria tê-los comovido ao mais íntimo da alma. Não só falharam, devido à
incredulidade, em entrar na terra, mas foram a causa da sua exclusão, embora
ele muito desejasse ver "esta boa montanha e o Líbano!" (veja SI
106:32-33).
Mas o governo de DEUS é uma magna e terrível
realidade. Não esqueçamos isto nunca, nem por um só momento. A razão humana
pode estranhar que algumas palavras inconsideradas, algumas precipitadas
expressões fossem a causa de não conceder a um tal servo de DEUS amado e
honrado o que ele tão ardentemente desejava. Mas o nosso lugar é curvar a
cabeça em humilde adoração e santa reverência, e não discutir ou julgar.
"Não faria justiça o Juiz de toda a terral" Certamente, Ele não pode
cometer erros. "O Senhor, DEUS Todo-poderoso, verdadeiros e justos são os
teus juízos"(Ap 16:7). "DEUS deve ser em extremo tremendo na
assembleia dos santos e grandemente reverenciado por todos os que o
cercam" (SI 89:7). "O nosso DEUS é um fogo consumidor" (Hb 12
-29)' e "Horrenda coisa é cair nas mãos do DEUS vivo" (Hb 10:31).
Acaso interfere com a ação e autoridade do governo
divino o fato que nós, como cristãos, estamos debaixo do reino da graça?- De
modo nenhum. E tão certo hoje como sempre foi que "o que o homem semear,
isso também ceifará". Portanto, seria um grave erro alegar a liberdade que
há na graça divina para ter em pouca conta os decretos do governo divino. As
duas coisas são perfeitamente distintas e nunca deverão ser confundidas. A
graça pode perdoar — livre, plena e eternamente — mas as rodas do carro do
governo do Senhor rodam com poder esmagador e aterradora solenidade. A graça
perdoou o pecado de Adão; mas o governo de DEUS expulsou-o do Éden para ganhar
a vida com o suor do seu rosto entre os espinhos e cardos de uma terra
amaldiçoada. A graça perdoou o pecado de Davi; mas a espada do governo
permaneceu sobre a sua casa até ao fim. Bate-Seba foi a mãe de Salomão; mas
Absalão levantou-se em rebelião.
E assim sucedeu com Moisés, a graça levou-o ao cume
do Pisga e mostrou-lhe a terra; mas o governo proibiu-o austera e absolutamente
de entrar ali. Nem tampouco afeta no mínimo este princípio capital a
consideração de que Moisés, em seu cargo oficial, como representante do sistema
legalista, não podia introduzir o povo na terra. Isto é verdade; mas deixa
absolutamente intacta a solene verdade que estamos considerando. Nem no
capítulo 12 de Números, nem no primeiro capítulo de Deuteronômio se diz
qualquer coisa sobre Moisés, quanto ao seu cargo oficial. É ele pessoalmente
que temos perante nós, e é a ele que se proíbe entrar na terra por ter falado
inconsideradamente com os seus lábios.
Será conveniente para todos nós considerarmos,
atentamente, na presença de DEUS, esta grande verdade prática. Podemos ficar
certos de que quanto mais profundamente entrarmos no conhecimento da graça,
tanto mais sentiremos a solenidade do governo de DEUS, e acharemos inteiramente
justificados os seus decretos. Disto estamos perfeitamente convencidos. Mas
existe Perigo iminente de admitir, de uma forma ligeira e descuidada, as
doutrinas da graça, enquanto que o coração e a vida não se têm submetido à influência
santificadora dessas doutrinas. Temos de vigiar com santo zelo contra este
perigo. Nada há em todo este mundo mais terrível do que a simples familiaridade
camal com a teoria da salvação pela graça. Abre a porta a toda a forma de
abusos. É por isso que sentimos a necessidade de gravar na consciência do
leitor a verdade prática do governo de DEUS. Isto é muito necessário em todos
os tempos, mas especialmente nos nossos dias, em que existe uma tendência
terrível para converter a graça do nosso DEUS em luxúria. Descobriremos
invariavelmente que aqueles que melhor sabem apreciar a bem-aventurança de se
estar debaixo do reino da graça também justificam completamente as leis do
governo de DEUS.
Mas nós vemos, nas linhas finais do nosso capítulo,
que o povo não estava de modo algum preparado para se submeter à direção do
governo de DEUS. De fato, não queriam a graça nem o governo. Quando convidados
a subir imediatamente e tomar posse da terra com a completa certeza de que a
presença e o poder divino os acompanhariam, hesitaram e recusaram ir.
Entregaram-se completamente a um espírito de negra incredulidade. Em vão Josué
e Calebe fizeram chegar aos seus ouvidos as mais animadoras palavras; em vão
puseram diante dos seus olhos o rico fruto da boa terra; em vão Moisés intentou
demovê-los com palavras enternecedoras; não quiseram subir, quando se lhes
disse para subirem. E qual foi o resultado? A sua decisão foi aceite. Segundo a
sua incredulidade, assim lhes foi feito. "E vossos meninos, de que
dissestes: Por presa serão; e vossos filhos, que hoje nem bem nem mal sabem,
eles ali entrarão, e a eles a darei, e eles a possuirão. Porém vós virai-vos e
parti para o deserto pelo caminho do mar Vermelho."
Uma Confissão Superficial e Circunstancial
Como é triste! E, todavia, como podia ser de outra
maneirai Se eles não queriam, em simples fé, entrar na terra, nada mais restava
para eles senão voltarem para o deserto. Mas a isto eles não iam submeter-se.
Não queriam aproveitar-se das provisões T graça nem curvar-se à sentença do
juízo. "Então, respondestes e me dissestes: Pecamos contra o SENHOR; nós
subiremos e pelejaremos conforme tudo o que nos ordenou o SENHOR, nosso DEUS, e
armastes-vos, pois, vós, cada um dos seus instrumentos de guerra, e estivestes
prestes para subir à montanha."
Isto pareceria ser contrição e arrependimento; mas
era oco e falso. E muito fácil dizer "Pecamos". Saul disse o mesmo no
seu tempo; disse isso sem sentido, sem o verdadeiro sentimento do que estava
dizendo. Podemos facilmente fazer um juízo sobre o valor e força das palavras
"pequei" pelo fato de que elas foram imediatamente seguidas por estas
outras: "Honra-me porém agora diante dos anciãos do meu povo." Que
estranha contradição! "Pequei; honra-me porém". Se ele tivesse
realmente sentido o seu pecado, quão diferente teria sido a sua linguagem! Mas
era tudo uma solene zombaria. Imagine-se um homem cheio de si mesmo fazendo uso
da forma de palavras sem a mínima partícula de sentimento do coração; e então,
a fim de conseguir honra para si mesmo, cumprindo a vazia formalidade de adorar
a DEUS. Que quadro! Pode haver alguma coisa mais triste?- Que terrível ultraje
para Aquele que deseja a verdade no íntimo e que busca adoradores que O adorem
em espírito e verdade! Os mais fracos suspiros de um coração quebrantado e
contrito são preciosos para DEUS; oh, quão insultuosas são para ele as falsas
formalidades da mera religiosidade, cujo objetivo é exaltar o homem a seus
próprios olhos e aos olhos dos demais! Quão inútil é a mera profissão dos
lábios quando o coração a não sente! Como um escritor muito bem observou
recentemente: "E uma coisa fácil dizer, temos pecado; mas quantas vezes
descobrimos que não é a confissão apressada do pecado que proporciona a
evidência de que o pecado e sentido! Pelo contrário, é uma prova de dureza do
coração. A consciência sente que é necessário um certo ato de confissão do
pecado, mas talvez não haja nada que mais endureça o coração que hábito de
confessar o pecado sem o sentir. Eu creio que uma das maiores ciladas na
cristandade desde a antiguidade até hoje consiste no conhecimento impresso do
pecado, o mero hábito de cumprir precipitadamente uma fórmula de confissão a DEUS
Atrevo-me a dizer que quase todos nós temos feito isso, sem aludir a qualquer
forma especial; porque infelizmente existe bastante formalidade; e, sem ter
escritas disposições, o coração pode conceber as suas próprias práticas
religiosas, como podemos ter observado, se é que não conhecemos por experiência
própria, sem necessidade de achar faltas nas outras pessoas."
Assim aconteceu com Israel em Cades. A sua confissão
de pecado era inteiramente sem valor. Não havia verdade nela. Tivessem eles
sentido o que diziam e ter-se-iam submetido ao juízo de DEUS e aceitado
humildemente as consequências do seu pecado. Não existe prova mais clara de
verdadeira contrição que humilde submissão aos desígnios do governo de DEUS.
Veja-se o caso de Moisés. Note-se como ele baixou a sua cabeça à disciplina
divina. "Também o SENHOR", diz Moisés, "se indignou contra mim
por causa de vós, dizendo: Também tu lá não entrarás. Josué, filho de Num, que
está em pé diante de ti, ele ali entrará; esforça-o, porque ele a fará herdar a
Israel."
Aqui Moisés mostra-lhes que eles eram a causa da sua
exclusão da terra, e contudo não pronuncia uma palavra sequer de queixume,
antes se submete humildemente ao juízo divino, não apenas contente por ser
substituído por outro, mas em estar pronto a apoiar e animar o seu sucessor.
Não há indício de ciúme ou inveja nas suas palavras. Era bastante para esse
amado e honrado servo de DEUS que DEUS fosse glorificado e a necessidade da
congregação satisfeita. Não estava ocupado consigo mesmo ou com os seus
próprios interesses mas com a glória de DEUS e a bênção do Seu povo.
Porém, o povo manifestou um espírito muito diferente.
"Nós subiremos e pelejaremos." Que petulância! Que loucura! Quando
mandados por DEUS e encorajados pelos Seus fiéis servos a subir e possuir a
terra, responderam: "Para onde subiremos?" E quando lhes é ordenado
voltarem para o deserto respondem: "Nós subiremos e pelejaremos."
Um Solene Ensino
"E disse-me o SENHOR; Dize-lhes: Não subais, nem
pelejeis, pois não estou no meio de vós, para que não sejais feridos diante de
vossos inimigos. Porém, falando-vos eu, não ouvistes; antes, fostes rebeldes ao
mandado do SENHOR, e vos ensoberbecestes, e subistes à montanha. E os amorreus,
que habitavam naquela montanha, vos saíram ao encontro; e perseguiram-vos, como
fazem as abelhas, e vos derrotaram desde Seir até Horma."
O Senhor não podia acompanhá-los no caminho da
vontade própria e rebelião; e, certamente, Israel, sem a presença divina, não
podia medir-se com os amorreus. Se DEUS for por nós e conosco tudo deve ser
vitória. Mas nós não podemos contar com DEUS se não andamos no caminho da
obediência. E simplesmente o cúmulo da loucura supor que podemos ter DEUS
conosco se os nossos caminhos não são retos. "Torre forte é o nome do
SENHOR; para ele correrá o justo e estará em alto retiro." Mas se não
andamos em justiça prática, é perversa vaidade falar de ter o Senhor por nossa
forte torre.
Bendito seja o Seu Nome, Ele pode valer-nos nas
maiores profundidades da nossa fraqueza e fracasso, contanto que haja
verdadeira e sincera confissão do nosso verdadeiro estado. Mas pretender que
temos o Senhor conosco, enquanto estamos fazendo a nossa própria vontade, e
andando em evidente injustiça, não é outra coisa senão maldade e dureza de
coração. "Confia no SENHOR e faze o bem." Esta é a ordem divina; mas
falar de confiar no Senhor, enquanto se faz o mal, é converter a graça de DEUS
em luxúria e pormo-nos completamente nas mãos do diabo, que só busca a nossa
ruma moral. "Porque, quanto ao SENHOR, seus olhos passam por toda a terra
para mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é Perfeito para com
ele" (2 Cr 16:9). Quando temos uma boa consciência podemos levantar a
cabeça e avançar através de toda a sorte de dificuldades; porém intentar andar
na vereda da fé com uma má consciência é a coisa mais perigosa deste mundo. Só
podemos manter ao alto o escudo da fé quando os nossos lombos estão com a E da
máxima importância que os cristãos procurem manter a justiça prática em todos
os seus aspectos. Há um imenso valor e peso moral nestas palavras do apóstolo
Paulo: "E por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto
para com DEUS como para com os homens." Procurava sempre usar a couraça da
justiça e estar vestido de linho branco, que é a justiça dos santos. E assim
devemos nós fazer. E nosso santo privilégio andar, dia a dia, com passo firme,
na vereda do dever, a senda de obediência, senda na qual resplandece sempre a
luz do semblante de DEUS em aprovação. Então, seguramente, podemos contar com DEUS,
apoiarmo-nos n'Ele, receber d'Ele, achar n'Ele todos os nossos recursos,
envolvermo-nos a nós próprios na Sua fidelidade, e assim avançar, em pacífica
comunhão e santa adoração para com o nosso lar celestial.
Não se trata, repetimos, de não podermos olhar para DEUS
na nossa fraqueza, no nosso fracasso e até mesmo quando temos errado e pecado.
Bendito seja o Seu nome, podemos fazê-lo e os Seus ouvidos estão sempre atentos
ao nosso clamor. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo
para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo 1:9).
"Das profundezas a ti clamo, ó SENHOR! Senhor, escuta a minha voz! Sejam
os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas. Se tu, SENHOR, observares as
iniquidades, Senhor, quem subsistirá? Mas contigo está o perdão, para que sejas
temido" (SI 130:1-4). Não há limite para a extensão da expiação, não ha
limite para a virtude e eficácia do sangue de JESUS CRISTO, o Filho de DEUS,
que purifica de todo o pecado; não há limite para a eficácia da intercessão do
nosso adorável Advogado, nosso Sumo Sacerdote, que pode salvar até ao fim os
que chegam a DEUS por Ele.
Tudo isto é uma verdade bendita; verdade amplamente
ensinada e ilustrada de várias maneiras através do volume inspirado. Mas a
confissão do pecado, e o perdão do pecado não devem ser confundidos com a
justiça prática. Existem duas condições distintas em que podemos invocar a DEUS:
podemos invocá-Lo em profunda contrição, e sermos ouvidos, ou podemos invocá-Lo
com uma boa consciência e um coração sincero, sermos ouvidos. Mas os dois casos
são muito distintos; e não só são distintos em si mesmos, como estão em
acentuado contraste com aquela indiferença e dureza de coração que presume
contar com DEUS apesar de positiva desobediência e injustiça prática. E isto
que é tão terrível aos olhos de DEUS e que deve motivar o Seu severo castigo.
Ele reconhece e aprova a justiça prática; pode perdoar livre e amplamente o
pecado confessado; mas imaginar que podemos pôr a nossa confiança em DEUS,
enquanto os nossos pés andarem pelo caminho da iniquidade não é nada menos que
a mais horrível impiedade. "Não vos fieis em palavras falsas, dizendo:
Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este. Mas, se deveras
melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras, se deveras fizerdes juízo
entre um homem e entre o seu companheiro, se não oprimirdes o estrangeiro e o
órfão e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após
outros deuses para vosso próprio mal, eu vos farei habitar neste lugar, na
terra que dei a vossos pais, de século em século. Eis que vós confiais em
palavras falsas, que para nada são proveitosas. Furtareis vós, e matareis, e
cometereis adultério, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis
após outros deuses que não conhecestes, e então vireis, e vos poreis diante de
mim nesta cada, que se chama pelo meu nome, e direis: Somos livres, podemos
fazer todas estas abominações? (Jr 7:4-10).
DEUS trata em realidades morais; deseja a verdade no
íntimo; e se os homens ousam manter a verdade em injustiça, devem esperar o Seu
justo castigo. E o pensamento de tudo isto que nos az sentir o terrível estado
da igreja professante. A passagem solene que acabamos de citar do profeta
Jeremias apesar de se referir, primeiramente, aos homens de Judá e aos
habitantes de Jerusalém, tem uma aplicação acentuada à cristandade. Vemos no
terceiro capítulo da 2 epístola a Timóteo que todas as abominações do paganismo,
relatadas no final do primeiro de Romanos, são reproduzidas nos últimas dias
sob a verdade e vestida a couraça da justiça.
E da máxima importância que os cristãos procurem
manter a justiça prática em todos os seus aspectos. Há um imenso valor e peso
moral nestas palavras do apóstolo Paulo: "E por isso procuro sempre ter
uma consciência sem ofensa, tanto para com DEUS como para com os homens."
Procurava sempre usar a couraça da justiça e estar vestido de linho branco, que
é a justiça dos santos. E assim devemos nós fazer. E nosso santo privilégio
andar, dia a dia, com passo firme, na vereda do dever, a senda de obediência,
senda na qual resplandece sempre a luz do semblante de DEUS em aprovação.
Então, seguramente, podemos contar com DEUS, apoiarmo-nos n'Ele, receber d'Ele,
achar n'Ele todos os nossos recursos, envolvermo-nos a nós próprios na Sua
fidelidade, e assim avançar, em pacífica comunhão e santa adoração para com o
nosso lar celestial.
Não se trata, repetimos, de não podermos olhar para DEUS
na nossa fraqueza, no nosso fracasso e até mesmo quando temos errado e pecado.
Bendito seja o Seu nome, podemos fazê-lo e os Seus ouvidos estão sempre atentos
ao nosso clamor. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo
para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo 1:9).
"Das profundezas a ti clamo, ó SENHOR! Senhor, escuta a minha voz! Sejam
os teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas. Se tu, SENHOR, observares as
iniquidades, Senhor, quem subsistirá? Mas contigo está o perdão, para que sejas
temido" (SI 130:1-4). Não há limite para a extensão da expiação, não ha
limite para a virtude e eficácia do sangue de JESUS CRISTO, o Filho de DEUS,
que purifica de todo o pecado; não há limite para a eficácia da intercessão do
nosso adorável Advogado, nosso Sumo Sacerdote, que pode salvar até ao fim os
que chegam a DEUS por Ele.
Tudo isto é uma verdade bendita; verdade amplamente
ensinada e ilustrada de várias maneiras através do volume inspirado. Mas a
confissão do pecado, e o perdão do pecado não devem ser confundidos com a
justiça prática. Existem duas condições distintas em que podemos invocar a DEUS:
podemos invocá-Lo em profunda contrição, e sermos ouvidos, ou pode- mos
invocá-Lo com uma boa consciência e um coração sincero, sermos ouvidos. Mas os
dois casos são muito distintos; e não só são distintos em si mesmos, como estão
em acentuado contraste com aquela indiferença e dureza de coração que presume
contar com DEUS apesar de positiva desobediência e injustiça prática. E isto
que é tão terrível aos olhos de DEUS e que deve motivar o Seu severo castigo.
Ele reconhece e aprova a justiça prática; pode perdoar livre e amplamente o
pecado confessado; mas imaginar que podemos pôr a nossa confiança em DEUS,
enquanto os nossos pés andarem pelo caminho da iniquidade não é nada menos que
a mais horrível impiedade. "Não vos fieis em palavras falsas, dizendo:
Templo do SENHOR, templo do SENHOR, templo do SENHOR é este. Mas, se deveras
melhorardes os vossos caminhos e as vossas obras, se deveras fizerdes juízo
entre um homem e entre o seu companheiro, se não oprimirdes o estrangeiro e o
órfão e a viúva, nem derramardes sangue inocente neste lugar, nem andardes após
outros deuses para vosso próprio mal, eu vos farei habitar neste lugar, na
terra que dei a vossos pais, de século em século. Eis que vós confiais em
palavras falsas, que para nada são proveitosas. Furtareis vós, e matareis, e
cometereis adultério, e jurareis falsamente, e queimareis incenso a Baal, e andareis
após outros deuses que não conhecestes, e então vireis, e vos poreis diante de
mim nesta cada, que se chama pelo meu nome, e direis: Somos livres, podemos
fazer todas estas abominações?" (Jr 7:4-10).
DEUS trata em realidades morais; deseja a verdade no
íntimo; e se os homens ousam manter a verdade em injustiça, devem esperar o Seu
justo castigo. E o pensamento de tudo isto que nos faz sentir o terrível estado
da igreja professante. A passagem solene que acabamos de citar do profeta
Jeremias apesar de se referir, primeiramente, aos homens de Judá e aos
habitantes de Jerusalém, tem uma aplicação acentuada à cristandade. Vemos no
terceiro capítulo da 2 epístola a Timóteo que todas as abominações do paganismo,
relatadas no final do primeiro capítulo de Romanos, são reproduzidas nos
últimas dias sob a capa da profissão cristã e em relação imediata com "a
forma de piedade". Qual há de ser o fim de um tal estado de coisas?
Implacável ira. Os mais duros juízos de DEUS estão reservados para a grande
massa de professos batizados que chamamos cristandade. O momento aproxima-se
rapidamente em que todo o amado povo de DEUS adquirido com Seu sangue será
arrebatado deste mundo sombrio e pecaminoso ainda que chamado "mundo
cristão" para estar sempre com o Senhor, naquele doce lar de amor
preparado na casa do Pai. Então "a operação do erro" será enviada sobre
a cristandade — sobre as próprias nações onde a luz de um cristianismo para
todo o globo tem resplandecido; onde se tem pregado livre e plenamente o
evangelho; onde milhões de exemplares da Bíblia têm sido postos em circulação,
e onde todos, de um modo ou de outro, professam o nome de CRISTO e se chamam a
si próprios cristãos.
E depois?- Que vai seguir-se a esta "operação do
erro"? Algum novo testemunho? Mais algumas oportunidades de misericórdia?
Mais algum esforço da graça longânima? Não para a cristandade! Não para os que
rejeitam o evangelho de DEUS. Não para os professos de formas vazias e sem
valor de cristianismo sem DEUS e sem CRISTO! Os pagãos ouvirão "o
evangelho eterno", "o evangelho do reino"; mas quanto a essa
coisa terrível, essa pavorosa anomalia chamada cristandade, "a vide da
terra", nada resta senão o lagar da ira do DEUS Todo-poderoso, a escuridão
das trevas para sempre, o lago que arde com fogo e enxofre.
Leitor, estas são as verdadeiras palavras de DEUS.
Nada seria mais fácil que colocar ante os teus olhos uma série incontestável de
provas das Escrituras, mas isto seria alheio ao nosso presente propósito. O
Novo Testamento, do princípio ao fim, revela a verdade solene acima exposta; e
todo o sistema de teologia abaixo do sol que ensina alguma coisa diferente
mostrar-se-á, pelo menos sobre este ponto, completamente falso.
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
Deuteronômio (COMENTÁRIOS BEP – CPAD)
Autor: Moisés
Tema: Renovação do Concerto
Data: Cerca de 1405 a.C.
Considerações Preliminares
O título “Deuteronômio” vem da Septuaginta e
significa “Segunda Lei”. O livro consiste nas mensagens de despedida de Moisés,
nas quais ele sumariou e renovou o concerto entre DEUS e Israel, para o bem da
nova geração de israelitas. Tinham chegado ao fim da peregrinação no deserto e
agora estavam prontos para entrarem na terra de Canaã. A nova geração, na sua
maior parte, não tinha lembrança pessoal da primeira Páscoa, da travessia do
mar Vermelho, nem da outorga da lei no monte Sinai. Careciam de uma narração
inspirada do concerto de DEUS, da sua lei e da sua fidelidade, bem como uma
renovada declaração das bênçãos resultantes da obediência e das maldições da
desobediência. Enquanto o livro de Números registra as peregrinações no
deserto, da rebelde primeira geração de israelitas, abrangendo um período de
trinta e nove anos, Deuteronômio abrange um período de talvez um só mês, numa
só localidade, nas planícies de Moabe, diretamente a leste de Jericó e do rio
Jordão.
Deuteronômio foi escrito por Moisés (31.9,24-26; cf.
4.44-46; 29.1) e entregue a Israel como um documento do concerto, para ser lido
por extenso diante de todo o povo, a cada sete anos (31.10-13). É provável que
Moisés tenha completado o livro pouco antes da sua morte, cerca de 1405 a.C. A
autoria mosaica de Deuteronômio é atestada: (1) pelo Pentateuco judaico e
samaritano; (2) pelos escritores do AT (e.g., Js 1.7; 1 Rs 2.3; 2 Rs 14.6; Ed
3.2; Ne 1.8,9; Dn 9.11); (3) por JESUS (Mt 19.7-9; Jo 5.45-47), bem como
escritores do NT (e.g., At 3.22,23; Rm 10.19); (4) por eruditos cristãos
antigos; (5) por eruditos conservadores contemporâneos; e (6) pelas evidências
internas do livro (e.g., semelhança, na estrutura literária, com textos de
pactos seculares de vassalagem do século XV a.C.). O relato da morte de Moisés
(cap. 34) evidentemente foi acrescentado logo após sua ocorrência (mais
provavelmente por Josué) como um tributo merecido a Moisés, servo do Senhor.
Propósito
O propósito original de Moisés ao proferir seus
discursos diante da nova geração de Israel, antes de entregar as rédeas do
governo a Josué para efetuar a conquista de Canaã, foi exortar e instruir os
israelitas a respeito: (1) dos atos poderosos de DEUS e as suas promessas; (2)
seus deveres segundo o concerto: a fé e a obediência; e (3) a necessidade de
dedicarem-se ao Senhor, para andarem nos seus caminhos, amá-lo e honrá-lo de
todo coração, alma e forças. (4) Guardar fielmente sua Aliança.
Visão Panorâmica
Com toda sua devoção, Moisés recapitulou e renovou o
concerto (aliança) de DEUS com Israel, mormente através de seus três discursos
inspirados. (1) O primeiro discurso de Moisés recontou a história e o fracasso
de Israel desde o monte Sinai e conclamou a nova geração a temer a DEUS e a
obedecer-lhe (1.6—4.43). (2) O segundo discurso de Moisés recapitulou e
focalizou muitas leis do concerto, que tratavam de assuntos como a observância
do sábado, o culto, os pobres, as festas sagradas anuais, a herança e os
direitos de propriedade, a imoralidade sexual, senhores e servos, e a
administração da justiça (4.44—26.19). (3) No seu terceiro discurso, Moisés
profetizou bênçãos e maldições que teriam os israelitas, conforme sua
obediência ou desobediência ao Senhor, segundo o concerto, ou aliança (27.1—30.20).
Os caps. finais incluem a designação de Josué por Moisés como seu sucessor e um
testemunho sobre a morte de Moisés (31.1—34.12).
Características Especiais
Quatro fatos principais caracterizam Deuteronômio.
(1) Ele proveu à nova geração de israelitas prestes a entrar em Canaã, o
alicerce e motivação necessários para herdarem a terra prometida, ao realçar a
natureza de DEUS e seu concerto com Israel. (2) É “O Livro de Repetição da
Lei”, no qual, Moisés, o dirigente de Israel, já com 120 anos de idade,
reafirmou e resumiu (em forma de sermão) a palavra do Senhor contida nos quatro
livros anteriores, do Pentateuco. (3) É “O Livro das Memórias”. Uma admoestação
típica de Deuteronômio é: “Lembra-te, e não te esqueças”. Em vez de apresentar
novas verdades, Deuteronômio exorta Israel a conservar e obedecer à verdade de DEUS
já revelada, e entregue como sua Palavra absoluta e imutável. (4) Um ponto
predominante no livro é a fórmula “fé-mais-obediência”. Israel foi conclamado a
confiar em DEUS de modo irrestrito e a obedecer aos seus mandamentos sem
vacilação. A fé-mais-obediência capacitaria os israelitas a herdar as promessas
na plenitude da bênção de DEUS. A falta de fé e de obediência, por outro lado,
traria o ciclo do fracasso e do julgamento. 279980
O Livro de Deuteronômio e Seu Cumprimento no NT
Quando JESUS foi tentado pelo diabo, Ele respondeu,
citando trechos de Deuteronômio (Mt 4.4,7,10, cf. Dt 8.3; 6.13,16). Quando
perguntaram a JESUS qual era o maior mandamento da lei, sua resposta veio de
Deuteronômio (Mt 22.37; cf. Dt 6.5). Quase cem vezes, os livros do NT citam
Deuteronômio, ou a ele aludem. Uma nítida profecia messiânica deste livro
(18.15-19) é citado duas vezes em Atos (3.22,23; 7.37). O cunho espiritual de
Deuteronômio é fundamental à revelação do NT.
))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
LIÇÃO 1 - DEUTERONÔMIO: O LIVRO DA ALIANÇA
I - DEUTERONÔMIO: AUTORIA E PROPÓSITO DO LIVRO
1. Autoria.
2. Definição
3. Valor e propósito de Deuteronômio.
2- CONTEXTO HISTÓRICO DE DEUTERONÔMIO
1. Panorama espiritual.
2. Um panorama geográfico
3. O discurso exortativo de Moisés.
3- O LADO DOUTRINÁRIO E PRÁTICO DE DEUTERONÔMIO
1. Relevância doutrinária
2. Relevância ética e prática.
3. O posicionamento de JESUS e dos apóstolos sobre Deuteronômio
“Eis aqui esta terra, eu a dei diante de vós; entrai e possuí a terra que o SENHOR jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a daria a eles e à sua semente depois deles.” (Dt 1.8).
A fidelidade a DEUS e à sua Palavra dirige o crente a viver pela fé e alcançar as suas promessas.
Segunda - Js 1.8; 2 Tm 3.16 A obediência à Palavra conduz à vida santa e à direção de DEUS
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Deuteronômio 1.1-8
1 - Estas são as palavras que Moisés falou a todo o Israel, dalém do Jordão, no deserto, na planície defronte do mar de Sufe, entre Parã, e Tofel, e Labã, e Hazerote, e Di-Zaabe. 2 - Onze jornadas há desde Horebe, caminho da montanha de Seir, até Cades-Barneia. 3 - E sucedeu que, no ano quadragésimo, no mês undécimo, no primeiro dia do mês, Moisés falou aos filhos de Israel, conforme tudo o que o SENHOR lhe mandara acerca deles, 4 - depois que feriu a Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, e a Ogue, rei de Basã, que habitava em Astarote, em Edrei.5 - Dalém do Jordão, na terra de Moabe, começou Moisés a declarar esta lei, dizendo: 6 - O SENHOR, nosso DEUS, nos falou em Horebe, dizendo: Tempo bastante haveis estado neste monte. 7 - Voltai-vos e parti; ide à montanha dos amorreus, e a todos os seus vizinhos, e à planície, e à montanha, e ao vale, e ao Sul, e à ribeira do mar, e à terra dos cananeus, e ao Líbano, até ao grande rio, o rio Eufrates. 8 - Eis aqui esta terra, eu a dei diante de vós; entrai e possuí a terra que o SENHOR jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a daria a eles e à sua semente depois deles.
PALAVRA-CHAVE - Aliança
1. INTRODUÇÃO
Neste trimestre, estudaremos o livro de Deuteronômio. Esse livro reafirma a aliança de DEUS com Israel e destaca a importância da fidelidade à sua Palavra. Na primeira lição, veremos “Deuteronômio: O Livro da Aliança”, compreendendo o seu propósito, contexto histórico e relevância doutrinária para a vida cristã. O comentarista deste trimestre é o Pr. Osiel Gomes, líder da AD em Tirirical (MA), mestre em teologia, conferencista e autor de várias obras, cuja abordagem une profundidade teológica, aplicação prática e fidelidade às Escrituras.
2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
A) Objetivos da Lição: I) Explicar a autoria, o propósito e o valor de Deuteronômio; II) Apresentar o contexto histórico e espiritual de Deuteronômio; III) Mostrar os ensinos doutrinários e práticos de Deuteronômio.
B) Motivação: O livro de Deuteronômio é um chamado à fidelidade e à renovação espiritual. As suas páginas revelam princípios eternos para uma vida de fé, obediência e compromisso com DEUS. Por isso, esta lição é um desafi o a ouvirmos, guardarmos e vivermos a Palavra do Senhor diariamente.
C) Sugestão de Método: Para o desenvolvimento do segundo tópico, utilize um método expositivo-visual, reproduzindo no quadro ou em slide a divisão natural de Deuteronômio conforme a Bíblia de Estudo Pentecostal Edição Global. Apresente o livro em três grandes discursos de Moisés: retrospectiva histórica (caps. 1–4.43), renovação da Lei (caps. 4.44–26.19) e bênçãos, advertências e despedida final (caps. 27–30), além dos atos finais de Moisés e a sua morte (31–34). Em seguida, destaque no mapa bíblico a trajetória de Israel até as campinas de Moabe e relacione geografia e espiritualidade. Esse recurso ajudará a classe a compreender o contexto histórico, o avanço da narrativa e o propósito exortativo de Moisés à nova geração.
3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO
Aplicação: Deuteronômio ensina-nos que a fidelidade à Palavra de DEUS é indispensável para uma vida espiritual consistente. Assim como Israel precisou confiar, obedecer e avançar rumo à promessa, também somos chamados a viver pela fé, rejeitar a desobediência e permanecer firmes na verdade bíblica.
4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR
A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos, Na edição 107, p.36, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
B) Auxílios Especiais: Ao fim dos tópicos, você encontrará auxílios que darão suporte à preparação de sua aula: 1) O texto “Visão Panorâmica”, localizado após o segundo tópico, contribui para a compreensão do contexto imediato do livro de Deuteronômio e da sua estrutura temática; 2) o texto “O Propósito do Livro”, localizado ao fim do terceiro tópico, aprofunda a compreensão do propósito central do livro de Deuteronômio.
COMENTÁRIO – INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o livro de Deuteronômio, integrante do Pentateuco, e destacaremos os princípios da aliança que DEUS estabeleceu com Israel. Nele, Moisés apresenta o seu discurso final, prepara o povo para a entrada na Terra Prometida e reafirma a centralidade da Lei e a necessidade de fidelidade a DEUS (Dt 28.1,2). O livro também nos conduz à compreensão de três discursos do Legislador de Israel (1-4; 5-27; 28-34), dos seus atos finais e da sua conexão com o Novo Testamento, além de revelar fundamentos permanentes para a vida cristã.
1. Autoria
Podemos compreender o livro de Deuteronômio a partir de três verbos centrais que estabelecem os três grandes discursos do livro recordar (caps. 1–4.43), obedecer (caps. –26.19) e vigiar (caps. 27–30). Recordar, porque o livro preserva a memória da Lei. Obedecer, porque exorta o povo a viver segundo os mandamentos ao entrar na Terra Prometida. Vigiar, porque apresenta bençãos para a obediência e maldições para a desobediência. Esse livro nos chama a viver uma vida consciente do Evangelho como testemunho vivo na sociedade (Para ampliar mais o seu conhecimento, consulte a Bíblia de Estudo Pentecostal: Edição Global, editada pela CPAD, pp.219-302).
II - CONTEXTO HISTÓRICO DE DEUTERONÔMIO
1. Panorama espiritual
A antiga geração de Israel falhou no seu compromisso com o Senhor DEUS e não entrou na Terra Prometida. O primeiro discurso de Moisés revisa esse passado e orienta a nova geração à fidelidade. Após quarenta anos, surge um povo chamado a obedecer (Dt 1.6-8). O centro está em Deuteronômio 1.8: DEUS já deu a terra; cabia a Israel possuí-la pela fé. É assim também hoje, pois somos chamados a viver pela fé, rumo à cidade celestial (Fp 3.20).
“VISÃO PANORÂMICA.
III - O LADO DOUTRINÁRIO E PRÁTICO DE DEUTERONÔMIO
1. Relevância doutrinária
O PROPÓSITO DO LIVRO.
A leitura do livro de Deuteronômio possui grande valor para nós, os salvos em CRISTO JESUS, pois nos conduz à compreensão da aliança que DEUS firmou com Israel. Ao mesmo tempo, ressalta a importância de obedecer aos preceitos divinos e de renovar continuamente nosso compromisso de fé. Somos, portanto, chamados a viver uma vida cristã autêntica, que é marcada pela fé e responsabilidade, e a responder ao Senhor com amor, obediência e disposição constante para ouvir a sua Palavra.
1. O que reúne o livro de Deuteronômio?
O livro de Deuteronômio reúne discursos e registros históricos de Moisés.
2. Qual é o valor de Deuteronômio para o povo de DEUS?
O valor de Deuteronômio é permanente para a edificação espiritual do povo de DEUS, evidenciado no seu uso na reforma de Esdras e Neemias.
3. Qual é a mensagem central de Deuteronômio 1.8?
O centro está em Deuteronômio 1.8: DEUS já deu a terra; cabia a Israel possuí-la pela fé.
4. A relevância doutrinária de Deuteronômio fundamenta-se em quê?
A relevância doutrinária de Deuteronômio fundamenta-se na revelação do caráter de DEUS: justo, santo, fiel, misericordioso, zeloso e verdadeiro (Dt 7.9; 10.17).
5. O que demonstram as referências de CRISTO e dos apóstolos sobre o livro de Deuteronômio?
Essas referências demonstram que tanto CRISTO quanto os seus apóstolos reconheciam Deuteronômio como Escritura inspirada, na qual se encontram fundamentos que apontam para o cumprimento das promessas messiânicas em JESUS CRISTO.
· Midiã realmente ficava na região noroeste da Arábia.
O que eu diria é que o debate hoje não é tanto sobre a forma geral da geografia que aparece no mapa, porque ela está bastante próxima da geografia real da região. A grande controvérsia é se os locais identificados como Pi-Hairote, Mara, Elim, Refidim e Horebe correspondem de fato aos pontos marcados por essa reconstrução.
O mapa é uma boa representação de como a teoria de Ron Wyatt enxerga a jornada do Êxodo, mas ainda não há evidência arqueológica suficiente para que ela seja considerada comprovada. Isso não significa que esteja errada; significa apenas que continua sendo uma hipótese debatida.
O caminho natural Egito → Gaza → Canaã era muito mais direto do que a rota do deserto descrita em Êxodo 13:17.
O que eu considero mais forte na discussão são os argumentos geográficos e textuais:
· Moisés viveu em Midiã.
Pr Henrique, EBD NA TV, Cajamar, SP, Revista Lições Bíblicas, CPAD, Assembleia de Deus Belém, Missões, Central Gospel, ADVEC, BETEL, Madureira, adultos, estudantes, professores, Imperatriz, MA, Ervália, MG, estudos bíblicos, gospel, DEUS, ESPÍRITO SANTO, JESUS, Slides, Trimestres, Tema diversos, meu telefone, 99-99152-0454, Luiz Henrique de Almeida Silva, Canal YouTube, Henriquelhas, Rodovia Edgar Máximo Zambotto, 354, Residencial Vista Bella, Torre A, Apto 95, Jordanésia, Cajamar, SP. CEP: 07786-015










































