01 abril 2026

Escrita Lição 2, Betel, Preparando-se para o agir de DEUS, 2Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

Escrita Lição 2, Betel, Preparando-se para o agir de DEUS, 2Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

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ESBOÇO DA LIÇÃO

1. NEEMIAS NÃO SE PRECIPITOU

1.1. O tempo da resposta.

1.2. O tempo da espera mudou Neemias.

1.3. Neemias estava pronto para responder ao rei.

2. O LUGAR CERTO E A HORA CERTA

2.1. Neemias estava no lugar certo.

2.2. Neemias respondeu na hora certa.

2.3. Confiar em DEUS não dispensa o planejamento.

3. PREPARADOS PARA A MISSÃO 

3.1. O chamado pode surgir de uma necessidade.

3.2. Prontos para agir diante da resposta de DEUS.

3.3. Dependendo de DEUS somente.

 

TEXTO AUREO 

"Então orei ao DEUS dos céus, e disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a edifique" Neemias 2.4,5 

 

VERDADE APLICADA 

Fazer a obra que nos é confiada por DEUS exige preparo espiritual e posicionamento assertivo. 

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA - Neemias 2.1-4

1. Sucedeu, pois, no mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, que estava posto vinho diante dele, e eu tomei o vinho e o dei ao rei; porém nunca, antes, estivera triste diante dele. 2. E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isto senão tristeza de coração. Então temi muito em grande maneira. 

3. E disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo? 4. E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao DEUS dos céus (...). 

 

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SUBSÍDIOS EXTRAS – LIVROS E REVISTAS ANTIGAS E GOOGLE

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Neemias orou e jejuou por aproximadamente quatro meses antes de falar com o rei Artaxerxes, entre o mês de Quisleu (Neemias 1:1) e o mês de Nisã (Neemias 2:1) do vigésimo ano do reinado. Durante esse período, ele lamentou, jejuou e orou continuamente sobre a destruição dos muros de Jerusalém. 

Detalhes do período:

  • Início: Neemias recebeu notícias de Jerusalém no mês de Quisleu.
  • Duração: O tempo de espera, luto e oração durou cerca de quatro meses.
  • Fim: O diálogo com o rei ocorreu no mês de Nisã, quando Neemias apresentou seu pedido. 

Esse longo período de oração e jejum foi o alicerce para a reconstrução dos muros, demonstrando a dependência de Neemias em DEUS antes de tomar uma atitude.

 

Neemias, copeiro de confiança do rei Artaxerxes I da Pérsia, obteve permissão para reconstruir Jerusalém após expressar profunda tristeza pela ruína de sua cidade natal. Em oração e com o apoio do rei, Neemias viajou para Judá para liderar a reconstrução dos muros, superando oposição local com a proteção divina. 

Detalhes do Encontro (Neemias 2):

  • A Posição de Neemias: Como copeiro, Neemias tinha acesso direto e a confiança do rei.
  • O Pedido: Neemias pediu para ir a Judá reconstruir os muros de Jerusalém, onde estavam os túmulos de seus pais.
  • A Reação do Rei: Artaxerxes notou a tristeza de Neemias (algo incomum na presença do rei) e, ao ouvir o motivo, autorizou a viagem e forneceu recursos.
  • O Resultado: Neemias recebeu cartas reais para garantir passagem segura e materiais para a reconstrução. 

O diálogo demonstra a intervenção divina na história, usando a amizade de um monarca pagão para restaurar a cidade de DEUS.

 

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2.4 ENTÃO, OREI. O primeiro impulso de Neemias sempre era orar. Antes de responder à pergunta do rei, sussurrou uma oração a Deus, pedindo ajuda e sabedoria. Isto é apenas uma das muitas ocasiões registradas neste livro, em que Neemias invocou espontaneamente a Deus (cf. 4.4,5,9; 5.19; 6.9,14; 13.14,22,29,31). (1) Neste caso, Neemias estando em pé diante do rei, apenas teve tempo para clamar a Deus, do íntimo do seu coração. Nas emergências, não há tempo para longas orações. A curta oração de Neemias chegou a Deus, porque fora precedida de quatro meses de oração e jejum. "Vale a pena estar com a oração em dia". (2) O hábito de orar freqüentemente durante o dia, abre caminho para um fluxo maior da graça, ajuda e sabedoria de Deus, na vida do crente. O esquecimento da nossa dependência de Deus e da necessidade da sua presença conosco durante o dia todo, limitará a operação do Espírito Santo em nossa vida (ver Ef 6.18; 1 Ts 5.17).

 

 

2.8 A BOA MÃO DE DEUS SOBRE MIM. A mão do Senhor sobre Neemias significava para ele, pelo menos, cinco coisas. (1) Estava compartilhando dos propósitos de Deus (cap. 1). (2) Deus o estava guiando claramente (v. 12). (3) Deus estava lhe concedendo sua graça e auxílio (v. 18; cf. Hb 4.16). (4) Deus estava com ele, fazendo-o prosperar e ser bem-sucedido na obra de Deus (v. 20; ver Lc 24.50). (5) Sentia renovada coragem e fé em Deus (4.14,20).

 

 

2.12 NÃO DECLAREI A NINGUÉM O QUE O MEU DEUS ME PÔS NO CORAÇÃO PARA FAZER. Embora Neemias tivesse chegado como governador, com plena autoridade do Império Persa, não fez nada durante três dias e nem contou a ninguém os planos que Deus lhe confiara. Sem dúvida, ele estava esperando em Deus, ao invés de precipitar-se, confiando na sua própria capacidade (ver Is 40.29-31). Passou, então, a fazer uma inspeção cautelosa e cuidadosa nos danos causados nos muros pelos samaritanos (ver Esdras 4.23,24) e, por certo, calcular as despesas (Lc 14.28-30). É muito importante observar que, em vez de criticar os judeus pelos seus problemas e tristezas, ele queria ver esses problemas como eles os viam. Daí, ele nada falar, enquanto não compreendesse a situação segundo a sua perspectiva, sentindo o que eles sentiam.

 

 

2.19 ZOMBARAM DE NÓS. Os fiéis de Deus constantemente enfrentam o escárnio e a zombaria, pelo fato de, a cada dia, procurarem viver uma vida de retidão entre os que não conhecem a Deus. O mundo continuamente despreza os padrões morais do cristão e zomba da sua dedicação a Cristo. Nossa confiança e nossa resposta devem ser as mesmas de Neemias o Deus dos céus nos ajudará e por fim vindicará os justos (v. 20; ver Ap 2.7; 21.1-7).

 

 

2.20 DEUS... NOS FARÁ PROSPERAR. Em todas as questões relacionadas com o reino de Deus, o sucesso começa com Ele. Neemias começou a reedificar os muros da cidade porque sabia que era essa a vontade de Deus; por isso, estava plenamente confiante que Deus lhe faria vitorioso nessa obra. Em toda a obra de Deus, é da sua vontade que os fiéis sejam cooperadores com Ele (cf. Fp 2.12,13). O cap. 4 revela três fatores de sucesso que implicam esforço da nossa parte: (1) "o coração do povo se inclinava a trabalhar" (4.6); (2) o povo trabalhava em atitude de oração e vigilância (4.9); e (3) o povo demonstrava coragem, determinação e fé ante a oposição do inimigo (4.14). Quando o muro de Jerusalém foi terminado em cinqüenta e dois dias, até mesmo os inimigos dos judeus tiveram de reconhecer que essa obra fora concluída com a ajuda de Deus (6.15,16). Deus sempre cumpre a sua parte quando os fiéis cumprem a sua, com fé perseverante.

 

 

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Lições Bíblicas CPAD - Sumário das Revistas de 2020 — Adultos

3º Trimestre - Título: Os princípios divinos em tempos de crise — A reconstrução de Jerusalém e o avivamento espiritual como exemplos para os nossos dias

Comentarista: Eurico Bergstén

https://www.estudantesdabiblia.com.br/cpad_sumario_2020_3t.htm

Lição 6: Neemias reconstrói os muros de Jerusalém

Lição 7: O povo de Deus deve separar-se do mal

Lição 8: As causas da desunião devem ser eliminadas

Lição 9: Como vencer as oposições à Obra de Deus

Lição 10: Provai se os espíritos são de Deus

Lição 11: Esdras vai a Jerusalém ensinar a Palavra

Lição 12: Esdras e Neemias combatem o casamento misto

Lição 13: A vigilância conserva pura a igreja

 

Lição 6, Neemias Reconstrói os Muros de Jerusalém

Revista Adulto, CPAD, 3° trimestre 2020
Tema: Os Princípios Divinos em Tempo de Crise - A reconstrução de Jerusalém e o avivamento espiritual como exemplos para os nossos dias

Comentarista: Pr. Eurico Bergstén

Complementos, Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva - 99-99152-0454. - henriquelhas@hotmail.com - Jordanésia, Cajamar - SP - Tel Esposa - 19-98448-2187

  

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Neemias 1.1-4; 2.1-9
Neemias 3
1- As palavras de Neemias, filho de Hacalias. E sucedeu no mês de quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susã, a fortaleza, 2 - que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam e que restaram do cativeiro e acerca de Jerusalém. 3 - E disseram-me: Os restantes, que não foram levados para o cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo, e o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo. 4 - E sucedeu que, ouvindo eu essas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o DEUS dos céus.
Neemias 2
1 - Sucedeu, pois, no mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, que estava posto vinho diante dele, e eu tomei o vinho e o dei ao rei; porém nunca, antes, estivera triste diante dele. 2 - E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isso senão tristeza de coração. Então, temi muito em grande maneira 3 - e disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo? 4 - E o rei me disse: Que me pedes agora? Então, orei ao DEUS dos céus 5 - E disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a edifique. 6 - Então, o rei me disse, estando a rainha assentada junto a ele: Quanto durará a tua viagem, e quando voltarás? E aprouve ao rei enviar-me, apontando-lhe eu um certo tempo. 7 - Disse mais ao rei: Se ao rei parece bem, deem-se-me cartas para os governadores dalém do rio, para que me deem passagem até que chegue a Judá; 8 - como também uma carta para Asafe, guarda do jardim do rei, para que me dê madeira para cobrir as portas do paço da casa, e para o muro da cidade, e para a casa em que eu houver de entrar. E o rei mas deu, segundo a boa mão de DEUS sobre mim. DEUS sobre mim. 9 - Então vim aos governadores dalém do rio, e dei-lhes as cartas do rei. E o rei tinha enviado comigo chefes do exército e cavaleiros.

 

OBJETIVO GERAL - Mostrar que foi DEUS quem despertou em Neemias o desejo de restaurar os muros de Jerusalém.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Mostrar como DEUS respondeu às orações de Neemias;
Saber como foi a ida e a chegada de Neemias a Jerusalém;
Explicar como Neemias iniciou a reconstrução dos muros;
Compreender que o levantamento dos muros provocou grande oposição;
Apontar como foi a inauguração solene dos muros;
Conscientizar a respeito dos ensinos que a construção dos muros traz.

 

 INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado(a) professo(a), nesta lição estudaremos a respeito da reconstrução dos muros de Jerusalém. Veremos que Neemias foi escolhido pelo Senhor como líder para esta grandiosa obra.
Neemias era um homem íntegro que dependia inteiramente de DEUS e da sua Palavra. Além de trabalhar arduamente na construção dos muros e portas, ele teve que enfrentar inimigos externos e internos. Homens que se infiltraram no meio dos trabalhadores, cujo único objetivo era atrapalhar e impedir a reforma da cidade. Porém, Neemias não se deixou intimidar pelos adversários. Aprendemos com o exemplo de vida deste servo de DEUS que todas as vezes que desejamos empreender algo em favor do povo de DEUS, os adversários se levantam, mas quando confiamos no Todo-Poderoso inteiramente, recebemos forças e coragem para lutar. DEUS colocou em suas mãos uma importante obra: ensinar sua Palavra. Então, não desista diante dos desafios, dos inimigos e das dificuldades.

  

Resumo da Lição 6, Neemias Reconstrói os Muros de Jerusalém

I – DEUS RESPONDE ÀS ORAÇÕES DE NEEMIAS
1. DEUS envia emissário a Neemias.

2. Neemias, angustiado, jejua e ora.

3. DEUS responde às orações de Neemias.

4. DEUS despertou o rei a atender o pedido de Neemias.

     

  

Comentários do Pr Henrique

  

INTRODUÇÃO

 Templo 21 anos
Muros feitos em 52 dias Neemias 6.15
Neemias orou e jejuou por 3 meses. Comia só a porção obrigatória da comida do rei.
No mês de Nisã DEUS fala com Neemias. Redenção. Primeiro mês do calendário judaico.
Mês da Páscoa. Libertação do povo do cativeiro do Egito.
Templo, santo dos santos, nosso espírito, local de comunhão íntima com DEUS. Oração.
Cidade, alma, casas, nossos sentimentos, vontade, decisão. Leitura bíblica.
Muros, corpo, desejos da carne ou domínio do espírito, primeiro local do ataque do inimigo, deve estar protegido pelo jejum.

 Inimigo ataca assim.
Concupiscência da carne, concupiscência dos olhos, soberba da vida.
Corpo, alma e espírito.
Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. 1 João 2:16

Inimigos impedidos de participar da obra.

 

Neemias, mordomo do rei Xerxes, soube da triste situação da cidade de Jerusalém e seus compatriotas. Orou e jejuou pedindo a DEUS solução e o favor do rei para ir a Jerusalém ajudar seu povo. DEUS concede sua petição e traça o plano de reconstrução através de Neemias.

o livro de Neemias narra todo o processo de reconstrução dos muros de Jerusalém. A serviço de Artaxerxes, rei da Pérsia, Neemias recebeu um triste diagnóstico social da Cidade Santa e pôs-se a orar pela intervenção de DEUS em favor de Jerusalém. Como resposta de sua prece, o capítulo 2 descreve que, através de Artaxerxes, Neemias foi nomeado governador da cidade e iniciou a restauração moral e política de Jerusalém. 

 

"Nem todo o mundo tem o nome de Neemias em sua lista de personagens bíblicos favoritos. Imagino que isso se deva a, pelo menos, duas razões: Para começar, a maioria dos cristãos conhece bem pouco sobre ele. Suas leituras do Antigo Testamento são incompletas, e o livro de Neemias não é mencionado no Novo Testamento, inferem que não seja importante e não se interessam por ele. Se lhes fosse dito como é forte o caso que o liga a Moisés refundador da nação, para cuja criação DEUS usou Moisés, ficariam surpresos. Além disso, aqueles que conhecem algo a seu respeito formaram uma imagem desagradável dele, que os impede de levá-lo a sério como homem de DEUS. Veem-no como uma pessoa um tanto selvagem, que lançava a própria carga sobre os outros e nunca foi uma companhia agradável, em circunstância alguma. Notam as imprecações em suas orações: 'Caia o seu opróbrio sobre a sua cabeça, e faze com que sejam um despojo, numa terra de cativeiro. E não cubras a sua iniqüidade, e não se risque diante de ti o seu pecado' (Ne 4.4,5; compare com 6.14 e 13.29, onde 'lembrar' significa 'lembrar para julgamento'). Observam que, ao menos em uma ocasião, ele amaldiçoou e espancou seus compatriotas, e arrancou-lhes os cabelos (13.25). E então concluem que, dificilmente, ele era um homem bom; decerto, não um homem de grande estatura espiritual, de quem se pode aprender lições preciosas. Qual é o comentário para tal avaliação? Primeiro, havia algumas arestas realmente ásperas em Neemias; todo líder as possui. Com base nos quatro temperamentos, ele parece ter sido um homem colérico, rijo, indócil e franco, que se sentia extremamente feliz despendendo energia em projetos desafiadores, e que achava mais fácil fazer do que ser. Pessoas desse tipo são sempre consideradas assustadoras, em particular quando, guiadas por seu zelo, falam e agem de modo excessivamente enfático - o que acontece com frequência. Segundo, DEUS prepara Neemias para uma tarefa que um homem menos franco não seria capaz de executar. E, terceiro, a limpeza que JESUS fez no Templo e a acusação que lançou aos fariseus foram mais rudes que qualquer coisa feita por Neemias. Se achamos que a impetuosidade de JESUS era justificada, podemos admitir a possibilidade de que a de Neemias também fosse. [...] Todavia, não defendo que Neemias tenha sido impecável. Eu seria tolo e beiraria à blasfêmia, se o fizesse. JESUS CRISTO é o único homem sem pecado encontrado na Bíblia. [...] Todo servo de DEUS falha, de um modo ou de outro, e Neemias não era a exceção à regra. Contudo, a sua força era maravilhosa. Por isso, espero que ninguém perca o interesse nesse estadista, simplesmente por havermos concordado que ele não era perfeito" (PACKER, J. I. Neemias - Paixão pela fidelidade. 1.ed., RJ: CPAD, 2011, pp.35,36).

  

Livro Décimo Primeiro - Flávio Josefo - História dos Hebreus - 2004 - CPAD

445. 

Neemias 1. Depois da morte de Esdras, um judeu dentre os escravos, de nome Neemias, que era mordomo do rei Xerxes, passeando um dia fora da cidade de Susã, capital da Pérsia, viu uns estrangeiros que vinham de províncias distantes e percebeu que eles falavam a língua hebraica. Aproximou-se deles para perguntar de onde vinham e soube que eram da Judéia. Perguntou-lhes como ia aquele país, particularmente Jerusalém. Responderam-lhe que tudo estava em muito mau estado, que as muralhas da cidade estavam em ruínas e que não havia males que os povos vizinhos não lhes causassem, pois devastavam continuamente os campos, levavam prisioneiros os habitantes da cidade, e frequentemente encontravam-se cadáveres pelas estradas.

Neemias ficou tão desconsolado pela aflição do povo de seu país que não pôde reter as lágrimas. E, elevando os olhos ao céu, disse a DEUS: "Até quando, Senhor, permitireis que a vossa nação seja perseguida e torturada por tantos males? Até quando permitireis que ela seja presa de vossos inimigos?" O sofrimento fez-lhe esquecer até o momento em que se encontrava, pois vieram dizer-lhe que o rei estava prestes a se pôr à mesa, e ele correu para servi-lo.

 

Neemias 2. O príncipe, que estava de bom humor, tendo notado ao sair da mesa que Neemias estava muito triste, perguntou-lhe o motivo. Ele respondeu, depois de rogar a DEUS em seu coração que tornasse as suas palavras bem persuasivas: "Como poderia, majestade, não estar triste pela aflição de saber a que estado se acha reduzida a cidade de Jerusalém, minha querida pátria, onde estão os sepulcros de meus antepassados? Os seus muros estão completamente em ruínas, e as suas portas, reduzidas a cinzas. Fazei-me, Senhor, o favor de permitir que eu vá reerguê-las e de fornecer o que falta para completar a restauração do Templo!"

O soberano recebeu tão bem esse pedido que não somente concedeu o que ele desejava, como também prometeu escrever aos seus governadores para que o tratassem com muita honra e o ajudassem em tudo o que ele desejasse. Acrescentou o príncipe: "Esquecei então a vossa aflição e continuai a servir-me, com alegria". Neemias adorou a DEUS e deu ao rei os seus humildes e sinceros agradecimentos por tão grande favor. O seu rosto tornou-se tão alegre quanto antes estava triste.

No dia seguinte, o rei entregou-lhe as cartas endereçadas a Sadé, governador da Síria, da Fenícia e de Samaria, pelas quais ordenava tudo o que dissemos há pouco. Neemias partiu com essas cartas para a Babilônia, de onde levou várias pessoas de sua nação, e chegou a Jerusalém no vigésimo quinto ano do reinado de Xerxes. Depois de entregar as cartas a Sadé e as que eram endereçadas aos outros, mandou reunir todo o povo e falou: "Não ignorais o cuidado que o DEUS Todo-poderoso teve de Abraão, de Isaque e de Jacó, nossos antepassados, por causa da piedade deles e de seu amor pela justiça. E hoje ainda Ele nos faz ver que não nos abandonou, pois obtive do rei, por auxílio dEle, permissão para reedificar as nossas muralhas e ultimar a construção do Templo. No entanto, como não posso duvidar do ódio que nos têm as nações vizinhas, as quais, quando virem o entusiasmo com que trabalhamos nestas obras, tudo farão para nos atrapalhar, creio que temos duas coisas a fazer. A primeira é pormos toda a nossa confiança no auxílio de DEUS, que pode sem dificuldade confundir os desígnios de nossos inimigos. A segunda é trabalhar dia e noite com ardor infatigável, para terminarmos a nossa empresa sem perda de tempo, pois este nos é favorável e deve ser para nós muito precioso".

Depois dessas palavras, Neemias ordenou aos magistrados que mandassem medir o perímetro das muralhas. Dividiu o trabalho entre o povo, fixou a cada porção um número de aldeias e de vilas, para também trabalharem com eles, e prometeu ajudá-los o quanto possível. Todos animaram-se com essas palavras e puseram mãos à obra. Foi então que se começou a chamar de judeus os que de nossa nação regressaram da Babilônia e da Judéia ao país, porque fora outrora propriedade da tribo de Judá.

 

Neemias 4 e 6. Quando os amonitas, os moabitas, os samaritanos e os habitantes da Baixa Síria souberam que a obra progredia, sentiram grande desgosto, e nada houve que não fizessem para dificultar o empreendimento: faziam emboscadas aos nossos, matavam os que lhes caíam nas mãos e, como Neemias era o principal objeto de seu ódio, deram dinheiro a alguns assassinos, para que o matassem. Procuraram também assustar os judeus com vãos terrores, fazendo correr o boato de que um exército formado por diversas nações avançava para atacá-los. Tantos esforços e artifícios acabaram assustando o povo, e pouco faltou para que abandonassem o empreendimento.

Nada, porém, foi capaz de assustar ou desanimar Neemias. Intrépido em meio a tantas dificuldades, continuou a trabalhar com mais ardor do que nunca e fez-se acompanhar por alguns soldados, para lhe servirem de guardas, não que tivesse medo da morte, mas por saber que os seus concidadãos perderiam a coragem se não o tivessem mais entre eles para animá-los na execução de tão santa empresa. Ordenou aos operários que, no trabalho, mantivessem a espada sempre ao lado e perto de si os seus escudos, para deles se servirem em caso de necessidade. Colocou trombeteiros de quinhentos em quinhentos passos, para dar o alarme e obrigar o povo a tomar logo as armas se aparecessem os inimigos. Ele mesmo fazia, durante toda a noite, a ronda pela cidade. Para fazer o trabalho progredir não bebia, não comia e não dormia, exceto quando obrigado pela necessidade. Isso ele fez não por pouco tempo, mas de forma contínua pelo espaço de vinte e sete meses, que foi o quanto empregaram na restauração das muralhas da cidade. Por fim, a obra foi concluída, no nono mês do vigésimo oitavo ano do reinado de Xerxes.

Então Neemias e todo o povo ofereceram sacrifícios a DEUS e passaram oito dias em festas e banquetes de regozijo, o que causou aos sírios visível desprazer. Neemias, vendo que Jerusalém não estava bastante povoada, induziu os sacerdotes e os levitas que moravam no campo a vir para a cidade morar nas casas que ele mandara construir e obrigou os camponeses a lhes trazer os dízimos (o que eles fizeram com prazer), a fim de que nada os pudesse impedir de se dedicar inteiramente ao serviço de DEUS. Assim, Jerusalém povoou-se, e esse grande homem, após realizar ainda outras coisas dignas de mérito, morreu em idade avançada. Era um homem tão bom, justo e zeloso do bem de sua pátria, a quem ela é devedora de tantos benefícios, que a sua memória jamais há de perecer entre os judeus. Flávio Josefo - História dos Hebreus - 2004 - CPAD (Adquira esse livro da CPAD e leia com atenção para ministrar suas aulas).

 

AUTOR - NEEMIAS DATA - 445-425 a.C.

O HOMEM NEEMIAS - Como copeiro do rei Artaxerxes I, a posição de Neemias era de grande responsabilidade (comprovar que o vinho bebido pelo rei jamais estivesse envenenado) e de muita influência (já que um servo que desfrutava de tanta confiança frequentemente se tomava um conselheiro bem íntimo). Ao ouvir que as muralhas de Jerusalém ainda não haviam sido reconstruídas, e recebendo permissão do rei para ir a Jerusalém e corrigir a situação, demonstrou qualidades ímpares de liderança e organização. Em 52 dias o trabalho de reconstrução foi terminado. Como governador de Judá, Neemias demonstrou humildade, integridade, patriotismo, energia, piedade e altruísmo.

Depois de doze anos no cargo, ele retomou por pouco tempo à corte de Artaxerxes (2: 1; 13:6) e de lá voltou a Judá, onde exortou seu povo ao arrependimento.

Tão vívido e franco é o relato que muito do material contido no livro provém do que deve ter sido o diário pessoal de Neemias.

CONTEXTO HISTÓRICO - Os papiros de Elefantina, descobertos em 1903, confirmam a historicidade do livro de Neemias, mencionando Sambalá (2:19) e Joanã (6:18; 12:23). Estas fontes também nos indicam que Neemias deixou de ser governador de Judá antes de 408 a.C.

CONTEÚDO - O livro completa a história do remanescente que voltara do exílio em Babilônia, restauração esta começada sob a liderança de Esdras. “Marca também o início das «setenta semanas» de Daniel e fornece o contexto histórico para a profecia de Malaquias».

 

I – DEUS RESPONDE ÀS ORAÇÕES DE NEEMIAS

 A angústia de Neemias pela desgraça de Jerusalém – Sua oração

 Neemias era o copeiro do rei da Pérsia. Quando DEUS tem uma obra que realizar, nunca lhe faltarão instrumentos para realizá-la. Neemias vivia comodamente e com honra, porém não esquece que é israelita e que seus irmãos estão angustiados. Estava disposto a utilizar seus bons ofícios para ajudá-los em tudo quanto pudesse; e para saber como fazê-lo melhor, realiza indagações a esse respeito. Nós devemos investigar especialmente o que se refere ao estado da igreja e da religião.

Cada crente terá algum defeito que requererá ajuda dos serviços de seus amigos.

A primeira apelação de Neemias foi a DEUS, para ter a plena confiança em sua petição ao rei. Nossas melhores argumentos em oração são tomadas da promessa de DEUS, a palavra pela qual nos dá esperanças. Devem usar de todos os métodos, mas a oração eficaz do justo pode muito em seus efeitos. A comunhão com DEUS nos preparará para tratar com os homens. Quando temos encomendado nossas preocupações a DEUS, a mente fica livre; sente satisfação e compostura, e se desvanecem as dificuldades. Sabemos que se o assunto for lesivo, Ele poderia impedi-lo facilmente, e se for bom para nós, Ele pode fazê-lo progredir facilmente.

 

Neemias 1:1-4
Neemias Recebe Notícias do Estado Deplorável de Jerusalém; Ele Ora, Chora e Jejua

Não temos relato acerca da tribo de Neemias; mas, caso seja verdade (de acordo com o autor de Macabeus, 2 Macabeus 1.18) que ele ofereceu sacrifício, devemos concluir que foi um sacerdote.

Observe:
A posição de Neemias na corte da Pérsia. Lemos aqui que ele estava em Susã, a fortaleza, ou cidade real, do rei da Pérsia, onde a corte ficava geralmente estabelecida (v. 1), e (v. 11) que ele era o copeiro do rei. Reis e homens notáveis provavelmente achavam pomposo ser assistidos por pessoas de outras nações. Nesse lugar na corte, ele estaria mais bem qualificado para o serviço do seu país no ofício para o qual DEUS o havia designado, da mesma forma que Moisés esteve mais bem preparado para governar pelo fato de ser criado na corte de Faraó, e Davi, na corte de Saul. Ele também teria a oportunidade mais legítima de servir a seu país por causa dos seus benefícios com o rei e os que o cercavam. Observe: Ele não está ansioso em contar-nos o grande cargo honorífico que ocupava na corte; somente no final do capítulo ele nos relata que era o copeiro do rei (um posto de grande confiança, bem como de honra e benefício), quando não poderia mais deixar de falar nisso, por causa da história seguinte; mas no início, ele apenas diz: estando eu na cidadela de Susã. Isso nos ensina a ser humildes e modestos, e cautelosos para falar das nossas promoções. Nas providências de DEUS em relação a ele, podemos observar, para o nosso consolo:

1. Que quando DEUS tem um trabalho a ser feito, nunca lhe faltarão ferramentas para realizá-lo.

2. Que em relação àqueles a quem DEUS escolhe para devotar-se ao seu serviço, Ele encontrará maneiras apropriadas para torná-los aptos e para chamá-los para tal.

3. DEUS tem seu remanescente em todos os lugares; lemos sobre Obadias na casa de Acabe, santos na casa de César, e um devoto Neemias no palácio de Susã. 4. Que às vezes DEUS pode tornar as cortes de príncipes berçários e, às vezes, santuários para os amigos e benfeitores da causa da igreja.

1. DEUS envia emissário a Neemias.

 1.1 NEEMIAS. Neemias partiu da Pérsia para Jerusalém em 444 a.C., como governador de Judá. Isto ocorreu treze anos após a chegada de Esdras a Jerusalém. Neemias veio incumbido pelo rei da Pérsia para reconstruir o muro de Jerusalém e fortificar a cidade (2.7,8). Apesar de muita oposição, Neemias completou o muro em cinqüenta e dois dias (6.15). Era um homem capaz, corajoso, perseverante e de oração (ver 2.4). Ele também cooperou com Esdras, para levar a efeito a renovação espiritual do povo (cap. 8).
A averiguação afável e compassiva referente ao estado dos judeus na sua própria terra (v. 2). Aconteceu que um amigo e parente dele veio para a corte, com alguns de Judá, por meio de quem teve a oportunidade de informar-se mais plenamente acerca do estado dos filhos do cativeiro e da situação em que Jerusalém, a cidade amada, se encontrava. Neemias vivia tranquilo, em honra e em abundância, porém, mesmo assim, não conseguia se esquecer de que era israelita, nem se livrar dos pensamentos dos seus irmãos em dificuldade, mas em espírito (como Moisés, Atos 7.23), ele os visitou e atentou nas suas cargas (Êx 2.11). Como a distância do lugar não alienou seus sentimentos por eles (embora estivessem longe dos seus olhos, no entanto, não estavam longe do seu coração), assim:

 

1. A dignidade com a qual foi favorecido também não afastou os seus sentimentos por eles. Embora fosse um homem influente, e provavelmente em ascensão, ele não achou humilhante inteirar-se acerca da situação dos seus irmãos que eram humildes e desprezados, nem se envergonhava de reconhecer seu relacionamento com eles e sua preocupação por eles.

 

2. A diversidade dos sentimentos deles com os seus também não foi empecilho. Embora não tivesse se estabelecido em Jerusalém (como achamos que deveria ter feito, agora que a liberdade foi proclamada), mas havia se sujeitado à corte, e permanecido ali, não julgou nem desprezou aqueles que tinham voltado, nem os censurou como imprudentes, mas amavelmente se preocupou com eles, estava pronto a prestar-lhes todo serviço possível e, para que tivesse compreensão da melhor forma de mostrar-lhes benevolência, perguntou-lhes pelos judeus. Observe: É legítimo e bom, perguntar: “O que há de novo?”. Deveríamos inquirir especialmente com referência ao estado da igreja e da religião, e como está indo o povo de DEUS; e o intento da nossa inquirição não deve ser, como a dos atenienses, contar e ouvir as últimas novidades, mas saber como dirigir nossas orações e nossos louvores.

O relato melancólico que é aqui apresentado a ele acerca do estado atual dos judeus e de Jerusalém (v. 3). Hananias, a pessoa a quem perguntou, era um homem fiel e temente a DEUS, mais do que muitos, e, portanto, não somente falaria a verdade, mas, quando falasse das desolações de Jerusalém, falaria com ternura. É provável que sua missão à corte nessa época fosse para solicitar algum favor, algum tipo de socorro. Ele apresenta o seguinte relato:

1. Que a santa semente foi miseravelmente pisoteada e abusada, estava em grande miséria e desprezo, insultada em cada oportunidade pelos seus vizinhos, e farta da zombaria daqueles que estão à sua vontade (veja Sl 123.4).

 

2. Que a cidade santa estava exposta e em ruínas. O muro de Jerusalém continuava fendido, e as suas portas estavam como os caldeus as deixaram, em ruínas. Isso tornava a condição dos seus habitantes muito desprezíveis, debaixo das marcas permanentes de pobreza e escravidão, e debaixo de grande perigo, porque se tornavam uma presa fácil para os seus inimigos. O Templo foi construído, o governo, estabelecido, e a obra da reforma, levada até certo ponto, mas uma boa parte da obra ainda permanecia inacabada. Cada Jerusalém, desse lado da Jerusalém celestial, terá uma imperfeição ou outra, e para consertá-la serão necessários a ajuda e o serviço dos seus amigos.
 

2. Neemias, angustiado, jejua e ora.

1 .4 CHOREI... E ESTIVE JEJUANDO E ORANDO. Neemias tinha grande solicitude pelo seu povo e pela obra de DEUS em Judá. Durante quatro meses (cf. v. 1 com 2.1), derramou seu coração diante de DEUS, em jejum e oração, com muitas lágrimas, por causa do problema que afligia o povo de DEUS em Jerusalém e em Judá (cf. At 20.31). Sua oração incluiu a confissão de pecados (vv. 6,7), súplica a DEUS para Ele cumprir a sua própria palavra (v. 8; cf. Lv 26.40-45; Dt 30.1-6), seu zelo pela glória e propósitos de DEUS (vv. 5-8) e intercessão incessante pelos filhos de Israel (v. 6).

A grande aflição e preocupação que isso causou em Neemias (v. 4).

 

1. Ele chorou e lamentou. Isso não aconteceu somente quando ele ouviu as notícias, a ponto de cair em profundo choro, mas a sua tristeza continuou por alguns dias. Observe: As desolações e angústias da Igreja deveriam causar em nós tristeza, independentemente de quão tranquilos estejamos vivendo.

 

2. Ele jejuou e orou; não em público (ele não tinha oportunidade para fazê-lo), mas perante o DEUS dos céus, que vê em secreto, e recompensará abertamente. Pelo seu jejum e oração: (1) Ele consagrou suas tristezas e dirigiu suas lágrimas da forma correta, sendo contristado segundo DEUS (veja 2 Co. 7.11), com o olhar voltado para DEUS, porque seu nome foi vituperado no desprezo lançado sobre o seu povo, cuja causa, portanto, ele confia a Ele. (2) Ele atenuou sua tristeza, e aliviou seu espírito, ao derramar sua reclamação diante de DEUS e deixá-la com Ele. (3) Ele usou o método certo ao buscar o alívio para seu povo e a direção para si mesmo sobre como servi-los. Aqueles que têm bons intentos para o serviço devem levar DEUS com eles já na primeira concepção deles, e colocar todos os seus projetos diante dele. Essa é a forma de prosperar neles.

 

 Neemias 1:5-11
A Oração de Neemias
Temos aqui a oração de Neemias, uma oração que faz referência a todas as orações que ele já tinha, por algum tempo antes, colocado diante de DEUS dia e noite, enquanto continuava seu lamento pelas desolações de Jerusalém, e sobretudo à petição que agora pretendia fazer ao rei, seu senhor, para que este lhe fosse favorável em relação à Jerusalém. Podemos observar, nessa oração:

Sua oração humilde e reverente a DEUS, na qual se prostra diante Ele, e apresenta a Ele a glória devida ao seu nome (v. 5). Sua oração é muito semelhante à de Daniel (Ne 9.4). Ela nos ensina a nos aproximarmos de DEUS: 1. Com uma reverência santa pela sua majestade e glória, lembrando-se de que Ele é o DEUS do céu, infinitamente acima de nós, e soberano Senhor sobre nós, e que é o DEUS grande e terrível, infinitamente sobrepujando todos os principados e poderes tanto do mundo superior quanto do mundo inferior, anjos e reis; e Ele é um DEUS a ser adorado com temor por todo o seu povo, e cuja ira poderosa todos os seus inimigos deveriam temer. Mesmos os terrores do Senhor são aperfeiçoáveis para o conforto e encorajamento daqueles que confiam nele. 2. Com uma confiança santa em sua graça e verdade, porque guarda o concerto e a benignidade para com aqueles que o amam, não somente a benignidade que é prometida, mas mais do que Ele prometeu: nada será considerado demais a ser feito por aqueles que o amam e guardam os seus mandamentos.

Seu pedido geral pela recepção e aceitação de todas as orações e confissões que agora fez a DEUS (v. 6): “Estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração, que faço hoje perante ti, e os teus olhos, abertos para o coração de onde vem a oração, e o caso que é por meio da oração colocado diante de ti”. DEUS formou o olho e fez o ouvido (veja Sl 94.9); e, portanto, acaso não verá Ele perfeitamente? Não ouvirá Ele atentamente?

Sua confissão penitente do pecado; não somente Israel pecou (não era muito humilhante confessar isso), mas eu e a casa de meu pai pecamos (v. 6). Dessa forma, ele próprio se humilha, e se envergonha, nessa confissão. De todo nos corrompemos (eu e minha família junto com os outros) contra ti (v. 7). Na confissão de pecado, precisamos reconhecer a perversidade dessas duas coisas: que é uma corrupção de nós mesmos e uma afronta a DEUS; é corromper-se contra DEUS, estabelecendo as corrupções do nosso próprio coração em oposição aos mandamentos de DEUS.

O apelo por misericórdia para o seu povo Israel.
1. Ele argumenta o que DEUS tinha dito antigamente a eles, a ordem que tinha estabelecido dos seus procedimentos em relação a eles, que poderia ser a regra das suas expectativas dele (vv. 8,9). Ele tinha dito de fato que, caso violassem o concerto, Ele os espalharia entre os povos, e essa ameaça foi cumprida no cativeiro: nunca um povo foi tão amplamente espalhado como Israel nessa época, embora fosse, no início, tão intimamente unido; mas Ele tinha dito, por outro lado, que, caso se convertessem a ele (como agora estavam começando a fazer, tendo renunciado à idolatria e se guardado para o serviço do Templo), Ele os ajuntaria novamente. Isto ele cita de Deuteronômio 30.1-5, e pede permissão para lembrar a DEUS disso (embora a Mente Eterna não necessite de ser lembrada) como aquilo que guia os seus desejos, e nisso baseava sua fé e esperança, ao fazer essa oração: Lembra-te, pois, da palavra; porque disseste: Procura lembrar-me (veja Is 43.26). Neemias reconheceu (v. 7): Não guardamos os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo; no entanto, ele roga (v. 8): Senhor, lembra-te, pois, da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo; porque se diz que o concerto com frequência é ordenado. Se DEUS não fosse mais atencioso com as suas promessas do que nós com os seus preceitos, estaríamos perdidos. Nossas melhores justificativas, portanto, em oração, são aquelas que são tomadas da promessa de DEUS, a palavra na qual nos fez esperar (Sl 119.49).
2. Ele apela para o relacionamento antigo que tinham com DEUS: “Estes são teus servos e o teu povo (v. 10), que separaste para ti, por meio do concerto. Acaso Tu permitirás que os teus inimigos jurados pisem e oprimam os teus servos jurados? Se não intervier a favor do teu povo, por quem intervirás?”. Veja Isaías 63.9. Como evidência de serem servos de DEUS, ele apresenta este sinal (v. 11): Eles desejam temer o teu nome; eles não somente são chamados pelo teu nome, mas realmente têm um respeito por esse nome. Eles agora te adoram, e somente a ti, de acordo com a tua vontade, e têm um profundo respeito por todas as revelações que te agradas em fazer de ti mesmo”. Isso indica: (1) Sua boa vontade para com o nome do Senhor. “Seu constante cuidado e esforço em cumprir o seu dever; esse é o alvo deles, embora em muitas situações não o alcancem”. (2) Sua complacência nisso. “Eles têm prazer em temer o teu nome (o texto pode ser lido dessa forma), não somente em cumprir o seu dever, mas em cumpri-lo com prazer”. Aqueles que realmente desejam temer o seu nome serão graciosamente aceitos por DEUS; porque esse desejo é obra dele.
3. Ele suplica pelas grandes coisas que DEUS tinha feito anteriormente por eles (v. 10): “Que resgataste com a tua grande força, nos dias da antiguidade. O teu poder ainda continua o mesmo. Por que não os redimes e completas tua redenção? Não permitas que esses que têm um DEUS de infinito poder sejam subjugados pelo inimigo”.
Por último, ele conclui com um pedido específico, para que DEUS fizesse prosperá-lo em sua incumbência, e lhe desse graça perante o rei: este homem (assim Neemias chama o rei), porque os maiores homens são os homens diante de DEUS. Eles precisam saber que são meros homens (Sl 9.20), e os outros também devem conhecer esse fato. Quem pois és tu, para que temas o homem? (veja Is 51.12). Graça perante este homem é o que ele pede, querendo dizer não a graça do rei, mas graça de DEUS quando se apresentar diante do rei. O favor dos homens será obtido quando pudermos vê-lo brotando da graça de DEUS.

1.11 DÁ-ME GRAÇA PERANTE ESTE HOMEM. "Este homem" era Artaxerxes, rei da Pérsia (2.1). Neemias orou para que DEUS lhe concedesse graça perante o rei, para o bem dos judeus. Quando precisarmos de alguma coisa doutra pessoa, devemos primeiramente apresentar diante de DEUS aquilo que estamos precisando. DEUS pode comover o coração e a mente de líderes influentes, para cumprirem a vontade divina (ver Et 4.16; Pv 21.1).

  

3. DEUS responde às orações de Neemias.

  Neemias 2:1-8
Neemias É Bem-Sucedido na sua Petição ao Rei

Quando Neemias tinha orado pelo socorro dos seus compatriotas, e talvez lembrando as palavras de Davi (Sl 51.18: edifica os muros de Jerusalém), ele não ficou sentado e disse: “Que DEUS agora faça a sua obra, porque já não tenho mais nada a fazer”, mas se dispôs a calcular o que poderia fazer com respeito à sua missão. Nossas orações devem ser apoiadas com nossos esforços sinceros, caso contrário, zombamos de DEUS. Quase quatro meses se passaram, desde Quisleu até Nisã (desde novembro até março), antes que Neemias fizesse seu pedido ao rei por permissão para ir a Jerusalém, ou porque o inverno não era o tempo apropriado para essa jornada, e ele não faria a solicitação até que tivesse condições de dar continuidade ao seu plano, ou porque esse foi o tempo de espera, visto que não se poderia entrar na presença do rei sem ser chamado (Et 4.11). Agora que cuidava da mesa do rei, ele esperava obter a atenção dele. Não somos limitados dessa forma a certos momentos em nossas orações ao Rei dos reis, mas temos liberdade de acesso a Ele a qualquer hora; nunca chegamos ao trono da graça em hora inoportuna. Temos aqui:
  

4. DEUS despertou o rei a atender o pedido de Neemias.

 Tudo foi dirigido e providenciado por DEUS. DEUS colocou no coração de Neemias ajudar e no coração do rei permitir e apoiar.

Como ribeiros de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; a tudo quanto quer o inclina. Provérbios 21:1

 

A ocasião que Neemias deu ao rei para indagar a respeito de sua inquietação e aflições ao aparecer triste na sua presença. Aqueles que falam com homens tão importantes não devem iniciar abruptamente a sua atividade, mas buscar um momento adequado. Neemias queria descobrir se o rei estava de bom humor ou não, antes de aventurar-se a contar-lhe a respeito de sua missão e esse método que usou para prová-lo. Ele tomou o vinho e o deu ao rei quando foi chamado para fazê-lo, esperando que então o rei observasse o seu rosto. Ele não costumava ficar triste na presença do rei, mas agia de acordo com as regras da corte (como cabe aos cortesãos), que não admitiam tristezas (Et 4.2). 2. Embora fosse estrangeiro, cativo, era tranquilo e amável. Homens justos e bons devem fazer o possível, por sua alegria, para convencer o mundo das vantagens do cristianismo e para afastar o opróbrio que foi lançado sobre eles como melancolia; mas há tempo para todas as coisas (Ec 3.4). Neemias agora via motivos para estar triste e aparecer dessa forma. As misérias de Jerusalém lhe davam motivos para estar triste, e sua aparência pesarosa faria com que o rei perguntasse o motivo para tal. Ele não dissimulava tristeza, porque realmente estava profundamente triste por causa das aflições de José, e não era como os hipócritas, que desfiguram o rosto; no entanto, ele poderia ter ocultado a sua tristeza, caso fosse necessário (o coração conhece sua própria amargura, e no meio do sorriso com frequência há tristeza), mas agora serviria ao seu propósito descobrir a sua tristeza. Embora tivesse vinho diante dele, e, provavelmente, de acordo com o ofício de copeiro, bebesse ele próprio antes de entregá-lo ao rei, não alegraria o seu coração enquanto o Israel de DEUS estivesse em angústia.

A observação bondosa que o rei fez de sua tristeza e a indagação acerca da causa dessa tristeza (v. 2): Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Observe: 1. Devemos preocupar-nos, a partir de um princípio de compaixão cristã, com os sofrimentos e tristezas dos outros, mesmo dos nossos inferiores, e não dizer: O que tenho eu com isso? O grande DEUS não está satisfeito com o abatimento e desconfortos do seu povo, mas deseja que o sirvam com alegria e comam com alegria o seu pão (veja Sl 100.2; Ec 9.7).

 

2. Não é estranho se os doentes têm um semblante triste, por causa do que é sentido e o que é temido; a doença poderá obscurecer aqueles que estavam mais animados e alegres: no entanto, uma pessoa justa, mesmo na doença, poderá estar animada, se está segura de que seus pecados estão perdoados.

 

3. Estar livre de doença é uma benignidade tão grande, que não deveríamos estar imoderadamente desanimados diante de uma aparente carga; no entanto, a tristeza pelos nossos próprios pecados e as adversidades da Igreja de DEUS certamente entristecerão nossa aparência, mesmo sem estarmos doentes.

O relato que Neemias deu ao rei do motivo de sua tristeza, com humildade e temor. 1. Com temor. Ele reconheceu (embora pareça, pela história seguinte, que era um homem de coragem) que temia muito em grande maneira, talvez por causa da ira do rei (porque esses monarcas orientais assumiam um poder absoluto sobre a vida e a morte, Dn 2.12,13; 5.19), ou pelo risco de empregar mal uma palavra, ou perder a oportunidade de fazer o seu pedido por administrar mal esse momento. Uma boa segurança é, de fato, ótima façanha, no entanto, a modéstia humilde não é nenhuma reprovação. 2. Com humildade. Sem crítica a homem algum, e com muito respeito, consideração e boa vontade imagináveis para com o rei, seu senhor, ele diz: “Viva o rei para sempre. Ele é sábio e bom, e a pessoa mais apropriada do mundo para governar”. Ele modestamente pergunta: “Como não estaria triste o meu rosto (embora eu esteja em paz), estando a cidade (o rei sabia acerca de qual cidade ele se referia), o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada?”. Muitos são melancólicos e tristes, mas não sabem o motivo para tal; não sabem dizer por que e para quê. Estes deveriam reprovar-se pelas suas angústias e medos infundados. Mas Neemias tinha um bom motivo para estar triste a ponto de suplicar ao próprio rei acerca da sua tristeza. Observe: (1) Ele chama Jerusalém de o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, o lugar onde seus ancestrais foram sepultados. É bom que pensemos com frequência acerca dos sepulcros dos nossos pais; estamos inclinados a lembrar das suas honras e posições, suas casas e posses, mas deveríamos também lembrar dos seus sepulcros e considerar que esses que saíram antes de nós do mundo, e seus monumentos, são lembranças para nós. Também existe um grande respeito para com a memória dos nossos pais, que não deveríamos estar dispostos a ver prejudicada. Todas as nações, mesmo essas que não têm nenhuma expectativa em relação à ressurreição dos mortos, têm olhado com respeito para os sepulcros dos seus ancestrais como, de certa forma, sagrados e que não devem ser violados. (2) Ele se justifica em sua tristeza: “Tenho motivos para estar triste. Por que não deveria estar?”. Há momentos em que mesmo homens piedosos e prósperos têm motivos para estar tristes e mostrar sua aflição. Os melhores homens não devem pensar em antever o céu ao banir todos os pensamentos pesarosos; passamos por um vale de lágrimas, e devemos submeter-nos à condição do clima. (3) Ele aponta as ruínas de Jerusalém como a verdadeira causa de sua tristeza. Observe: Todas as injustiças da Igreja, mas especialmente suas desolações, são, e deveriam ser, motivo de pesar e tristeza para todas as pessoas justas, para todos que têm uma preocupação com a honra de DEUS e que são membros vivos do corpo místico de CRISTO, e que têm um espírito público; eles se compadecem até mesmo do pó de Sião (Sl 102.14).

O encorajamento que o rei deu a ele para falar o que estava em seu coração, e a oração que fez em seu coração a DEUS (v. 4). O rei tinha uma simpatia por ele, e não estava satisfeito em vê-lo em melancolia. Também é provável que tivesse uma simpatia pela religião judaica; ele a havia descoberto anteriormente na comissão que deu a Esdras, que era um clérigo, e agora novamente no poder que deu a Neemias, que era um estadista. Querendo saber como poderia ser útil a Jerusalém, ele pergunta isso a esse amigo ansioso: “Que me pedes agora? Existe algo que gostarias de ter. O que é?”. Ele tinha medo de falar (v. 2), mas essas palavras do rei lhe deram ousadia; muito mais devem o convite que CRISTO nos fez para orar e a promessa de que devemos nos apressar capacitar-nos a chegar com confiança ao trono da graça. Neemias imediatamente orou ao DEUS dos céus para que lhe desse sabedoria no sentido de pedir de maneira apropriada e inclinar o coração do rei para conceder-lhe o seu pedido. Aqueles que encontram favor com os reis devem assegurar o favor do Rei dos reis. Ele orou ao DEUS dos céus reconhecendo que Ele estava infinitamente acima até desse monarca. Não foi uma oração solene (ele não tinha oportunidade para tal), mas uma exclamação secreta e repentina; ele elevou o seu coração a esse DEUS que entende a linguagem do seu coração: Senhor, dá-me boca e sabedoria; Senhor, dá-me graça perante este homem (veja Lc 21.15). Observe: Devemos estar preparados para fazer exclamações piedosas, especialmente em ocasiões especiais. Onde quer que estejamos, temos um caminho aberto para os céus. Isso não impedirá nenhum tipo de atividade, mas irá, sim, favorecê-la. Portanto, não vamos permitir que qualquer atividade impeça esse tipo de oração, mas, sim, promovê-la. Neemias tinha orado de forma muito solene com relação a isso em muitas ocasiões (Ne 1.11), no entanto, quando está em apuros, ora novamente. Orações no ESPÍRITO e orações solenes não devem se chocar, mas cada uma tem o seu lugar.

Sua petição humilde ao rei. Quando recebeu esse encorajamento, apresentou sua petição muito modestamente e com submissão à sabedoria do rei (v. 5), mas de forma muito clara. Ele pediu uma comissão para ir como governador a Judá, para construir os muros de Jerusalém, e para permanecer lá por um período, alguns meses, podemos supor; e então, ou ele teve sua comissão renovada ou voltou para a Pérsia e foi enviado novamente, assim que esteve à frente do trabalho ali por pelo menos 12 anos (5.14). Ele também pediu uma escolta (v. 7), e uma ordem para os governadores, para lhe permitirem a passagem pelas suas respectivas províncias, e outra ordem para o guarda da floresta do Líbano, para supri-lo com a madeira que seria necessária para a obra de reconstrução.

O grande favor do rei a ele em perguntar quando voltaria (v. 6). Ele deixa claro que não gostaria de perdê-lo, ou de ficar sem ele por muito tempo, no entanto, para que pudesse cumprir sua missão de fazer bem ao seu povo, ele o dispensaria por um tempo, e permite que as cláusulas que Neemias pediu fossem inseridas em sua comissão (v. 8). Temos aqui uma resposta imediata de oração; porque a semente de Jacó nunca buscou o DEUS de Jacó em vão. No relato que dá do sucesso da sua petição, ele ressalta:

1. A presença da rainha. Ela estava sentada junto a ele (v. 6), o que (dizem) não era comum na corte persa (Et 1.11). Não sabemos se a rainha era adversária dele – o que poderia obstruir o seu intento, e ele menciona esse fato para o louvor da providência poderosa de DEUS, que, embora ela estivesse ao seu lado, ele foi bem-sucedido –, ou se ela era sua verdadeira amiga, e ele menciona esse fato para o louvor da providência bondosa de DEUS, pelo fato de ela estar presente para ajudar a favorecer o seu pedido.

2. O poder e a graça de DEUS. Ele obteve o que desejava, não de acordo com o seu mérito, sua influência sobre o rei, ou sua conduta sábia diante do rei, mas segundo a boa mão de DEUS sobre mim. Almas graciosas observam a mão de DEUS, sua boa mão, em todos os acontecimentos que lhes são favoráveis. Esse é o agir de DEUS.

   

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Comentário - NVI (F.F.Bruce)

A VIAGEM DE NEEMIAS PARA JERUSALÉM COM A AUTORIZAÇÃO DO REI (2.1-20)

1) O pedido de Neemias e a comissão do rei (2.1-8)

Quatro meses se passaram até que Neemias tivesse a em oportunidade de fazer o seu pedido ao rei Artaxerxes, sendo esse o intervalo entre o “mês de quisleu” (1.1) e o mês de nisã (2.1). Neemias estava ocupado com a sua tarefa normal de servir vinho ao rei. Normalmente, quando fazia isso o seu semblante e comportamento eram alegres; mas nessa ocasião, em virtude da situação em Jerusalém, ele estava triste. E o rei notou isso e inquiriu-o acerca da razão da sua tristeza (v. 2). Neemias explicou que era porque Jerusalém, a cidade em que os seus ancestrais haviam vivido e morrido, tinha sido devastada. Quando Artaxerxes perguntou se havia algo que Neemias queria que fosse feito acerca dessa situação, este lhe expressou o desejo de ir a Jerusalém para reparar os danos. Gomo resposta à oração de Neemias, Deus predispôs favoravelmente o coração do rei, não somente para concordar com o pedido de Neemias, mas também para lhe dar todo tipo de ajuda possível nessa empreitada. Para que Neemias não fosse perturbado na viagem (v. 7), o rei enviou uma escolta de oficiais do exército e de cavaleiros (v. 9) para acompanhá-lo, uma provisão que Esdras, em circunstâncias um pouco diferentes, preferiu dispensar (Ed 8.22). O rei também concordou com o pedido de Neemias de que Asafe, guarda da floresta do rei (v. 8) — provavelmente o chamado “jardim de Salomão”, a cerca de 10 quilômetros ao sul de Jerusalém — lhe fornecesse a madeira de que precisaria. Somos informados (não aqui, mas em 5.15) de que Artaxerxes, a essa altura, até mesmo nomeou Neemias governador de Jerusalém e estipulou o período em que deveria agir nessa função antes de apresentar-se novamente ao rei. A duração desse período não é estabelecida; e parece que Neemias de fato não voltou a Artaxerxes durante 12 anos (13.6). Provavelmente foi estabelecido um período mais breve que isso, mas foi ampliado progressivamente.

2) A viagem de Neemias (2.9,10)

Neemias iniciou, então, a longa viagem de Susã a Jerusalém. Quando chegou à região ao norte da Judéia que desde o final do século VIII a.C. era chamada de Samaria (v. 9), encontrou Sambalate, o horonita, e Tobias, o oficial amonita (v. 10). Os papiros de Elefantina, que consistem em cartas dos e para os colonizadores judeus na ilha de Elefantina no Nilo no alto Egito, escritas em grande parte durante o século V a.C., mostram que em 408 a.C. Sambalate era governador de Samaria, e ele provavelmente exercia essa mesma autoridade ali nessa época anterior. (Aliás, em 408 a.C. parece que ele já era bem idoso e tinha delegado a sua autoridade a dois dos seus filhos.) O termo horonita talvez indique que ele vinha de Bete-Horom, no distrito de Samaria. Tobias parece ter sido seu subordinado, e a descrição que se faz dele é que originariamente era um escravo amonita. Talvez nessa época estivesse governando em Amom, a leste da Judéia. Sambalate e Tobias ficaram muito irritados pelo fato de que Neemias havia sido escolhido e autorizado a restaurar Jerusalém de sua degradação, pois sentiam que, se Judá fosse fortalecida, Samaria seria enfraquecida.

3)    Neemias faz uma inspeção dos muros (2.11-16)

Três dias depois de Neemias chegar a Jerusalém, decidiu fazer uma inspeção dos muros derrubados, escolhendo fazer isso de noite (v. 12) para evitar chamar atenção desnecessária. Montado num jumento ou numa mula, começou a sua inspeção na porta do Vale (v. 13), próximo do canto sudoeste da cidade, chamada assim em virtude do vale do Tiropeão, e continuou para o leste por mais 450 metros (3.13), examinando os muros pelo lado de fora, até chegar à porta do Esterco, pela qual o lixo da cidade era levado para o vale de Hinom. Seguiu então o muro oriental da cidade até o tanque do Rei, que provavelmente era o tanque de Siloé; mas o muro aqui estava tão arruinado que ele teve de desmontar do animal (v. 14), e, assim, prosseguiu ao lado do muro oriental devastado, com vista para o vale de Cedrom (v. 15), a pé. Depois de ter seguido, provavelmente, para o canto nordeste da cidade, Neemias voltou (v. 15), o que provavelmente significa que voltou pelo mesmo caminho, retornando à porta do Vale, não inspecionando, nessa ocasião, os muros do norte e do oeste, que ele talvez já inspecionara de dia.

4)    “Venham, vamos reconstruir” (2.17-20)

No dia seguinte, Neemias reuniu os líderes judeus e lhes contou das suas intenções e da ajuda de Deus até aquele ponto, e eles concordaram em começar a reconstruir os muros sem demora (v. 18). Mas os inimigos Sambalate, Tobias e Gesém, o árabe, que talvez estivesse governando em Edom ao sul, começaram a espalhar boatos de que os judeus estavam planejando uma rebelião contra o rei Artaxerxes (v. 19) e podem bem ter lembrado os judeus do que aconteceu quando haviam tentado reconstruir os muros da vez anterior (Ed 4.12ss). A isso, Neemias respondeu: O Deus dos céus fará que sejamos bem-sucedidos (v. 20).

 

 

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NA ÍNTEGRA - LIÇÃO 2, BETEL, PREPARANDO-SE PARA O AGIR DE DEUS, 2º TRIMESTRE DE 2026

 

Escrita Lição 2, Betel, Preparando-se para o agir de DEUS, 2Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV

Para nos ajudar PIX 33195781620 (CPF) Luiz Henrique de Almeida Silva

 

ESBOÇO DA LIÇÃO

1. NEEMIAS NÃO SE PRECIPITOU

1.1. O tempo da resposta.

1.2. O tempo da espera mudou Neemias.

1.3. Neemias estava pronto para responder ao rei.

2. O LUGAR CERTO E A HORA CERTA

2.1. Neemias estava no lugar certo.

2.2. Neemias respondeu na hora certa.

2.3. Confiar em DEUS não dispensa o planejamento.

3. PREPARADOS PARA A MISSÃO 

3.1. O chamado pode surgir de uma necessidade.

3.2. Prontos para agir diante da resposta de DEUS.

3.3. Dependendo de DEUS somente.

 

TEXTO AUREO 

"Então orei ao DEUS dos céus, e disse ao rei: Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a edifique" Neemias 2.4,5 

 

VERDADE APLICADA 

Fazer a obra que nos é confiada por DEUS exige preparo espiritual e posicionamento assertivo. 

 

TEXTOS DE REFERÊNCIA - Neemias 2.1-4

1. Sucedeu, pois, no mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, que estava posto vinho diante dele, e eu tomei o vinho e o dei ao rei; porém nunca, antes, estivera triste diante dele. 2. E o rei me disse: Por que está triste o teu rosto, pois não estás doente? Não é isto senão tristeza de coração. Então temi muito em grande maneira. 

3. E disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo? 4. E o rei me disse: Que me pedes agora? Então orei ao DEUS dos céus (...). 

 

INTRODUÇÃO 

DEUS preparou Neemias para a missão de restaurar a cidade de Jerusalém. Tendo se disponibilizado para aquela obra, ele passou de copeiro do rei a um importante líder e administrador. Porém, foi necessário tempo para que Neemias estivesse pronto para tão árdua e nobre tarefa. Da mesma maneira, precisamos nos manter sempre prontos para servir a DEUS conforme a Sua vontade. 

 

1. NEEMIAS NÃO SE PRECIPITOU

Desde que recebeu a notícia sobre Jerusalém, Neemias se dedicou à oração 

e ao jejum. Finalmente, passados quatro meses, chegou o momento sobre o qual ele esteve orando (Ne 1.11). Que lição preciosa: antes de agir, apresentarmos a DEUS em oração a situação e o que planejamos fazer a respeito. 

 

1.1. O tempo da resposta.

Neemias e Hanani se encontraram no mês de QUISLEU (Ne 1.1), que corresponde ao início do mês de dezembro em nosso calendário. Porém, a resposta às suas orações chegou cerca de quatro meses depois, no mês de NISSÃ, que no nosso calendário corresponde entre o final do mês de março e início de abril (Ne 2.1). 

Pode parecer pouco tempo, mas para alguém que está em oração e jejum, sentindo-se angustiado e vendo seu povo há tanto tempo esperando por um milagre, é tempo demais. Neemias clamava a DEUS pelo seu povo, mas a resposta não veio logo. Aqui, a lição é simples, porém profunda: Neemias não desistiu, não esmoreceu, não se precipitou; ele ficou firme até que a direção de DEUS chegasse. O Salmo 40.1 diz: "Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor". O fato de algumas respostas divinas demorarem aos nossos olhos não significa que tudo está perdido. DEUS nunca perde o controle de nada e, no tempo certo, trará a resposta. 

 

Bispo Abner Ferreira (2020): "É preciso permanecer no esconderijo do Altíssimo (Sl 91.1) na certeza de que Ele cuida de nós, ainda que atravessando um vale de sombra e morte (Sl 23.4)". Nesse lugar, a mente é guardada em paz (Is 26.3; Fp 4.6-7), os fardos são lançados sobre DEUS (1Pe 5.7) e a fé se firma em CRISTO, nosso Bom Pastor, que nos toma nas mãos e ninguém arrebata (Jo 10.28-29). Assim, atravessamos noites escuras com a certeza de que nada nos separará do seu amor (Rm 8.38-39). 

 

1.2. O tempo da espera mudou Neemias.

Neemias servia ao rei Artaxerxes no palácio quando recebeu a notícia que o deixou devastado: Jerusalém e seu povo estavam em grande miséria. Ele, então, passou a orar e jejuar para que DEUS restaurasse o Seu povo e a santa cidade (Ne 1.5-11). Foram necessários quatro meses para que Neemias estivesse seguro do que fazer e pronto para assumir um papel de liderança para mudar aquela situação (Ne 2.5-10). Assim, primeiro ele desejou fazer (Ne 1); depois, planejou o que faria (Ne 2). Em vez de questionar, ele continuou orando e jejuando, em total dependência de DEUS. Aqueles quatro meses foram fundamentais para mostrar para Neemias que DEUS não apenas mudaria o triste quadro do seu povo, mas faria dele a resposta às suas próprias orações. Se a resposta divina ainda não chegou, provavelmente DEUS está trabalhando em sua vida, preparando você para viver o seu milagre. 

 

Neemias conhecia o drama de Jerusalém e teve de escolher: agir ou omitir-se. Mas antes de qualquer passo, colocou-se em oração, jejum, confissão e súplica, buscando a direção do DEUS da aliança (Ne 1.4-11). Ele entendeu que decidir sem orar é presunção; orar antes de decidir é obediência. A oração é, de fato, uma audiência com o Senhor dos Exércitos: entramos com confiança, recebemos graça e saímos com propósito (Hb 4.16; Fp 4.6-7). Foi assim que Neemias levantou-se do secreto com coragem pública para reconstruir o que estava em ruínas. 

 

1.3. Neemias estava pronto para responder ao rei.

Diante de uma situação tão complexa, os quatro meses que se passaram até que Neemias tivesse a oportunidade de falar com o rei foi um período propício para ele pensar, orar e se preparar. Se a conversa com Artaxerxes tivesse acontecido assim que Neemias soube do estado em que se encontrava Jerusalém, possivelmente não teria dado uma resposta tão adequada. Imagine o rei perguntando: "Que me pedes agora?"; e Neemias respondendo: "No momento, não tenho nada pronto, mas em algumas semanas trago um projeto para o senhor!" Porém, por estar preparado para aquele momento, ele orou ao DEUS dos céus e respondeu: “Se é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a edifique”, Ne 2.4,5. Até mesmo quando o rei lhe perguntou sobre a duração da viagem a Jerusalém, Neemias já tinha um prazo estipulado (Ne 2.6). 

 

Pr. Marcos Sant'Anna (2018): "Como estamos usando o nosso tempo? Como discípulos de JESUS CRISTO, precisamos lembrar que DEUS é o Senhor do tempo (Sl 31.15; At 17.26)". Usar bem o tempo é mordomia espiritual: andar com sabedoria, "remindo o tempo" (Ef 5.15-16), e pedir a DEUS coração sábio para contar os dias (SI 90.12). Na prática, isso significa alinhar agenda com o Reino (Mt 6.33), priorizar Palavra e oração, servir com nossos dons (1 Pe 4.10) e deixar margem para descanso e família (Mc 6.31). DEUS é Senhor do tempo; nós somos servos que o administram para a Sua glória (Cl 3.17; 4.5). 

 

EU ENSINEI QUE: Foram necessários quatro meses para que Neemias estivesse seguro do que fazer. 

 

2. O LUGAR CERTO E A HORA CERTA

A situação do povo judeu deixou Neemias visivelmente abalado, esperando um milagre de DEUS. Contudo, quem poderia imaginar que justamente a dor abriria a porta da sua missão? Enquanto ele servia o vinho, o rei Artaxerxes lhe perguntou o motivo de seu semblante triste, e aquele foi o momento da resposta divina. 

 

2.1. Neemias estava no lugar certo.

Enquanto estava sendo servido, Artaxerxes percebeu o semblante triste de Neemias, possivelmente por algum descontentamento. Fazia parte do protocolo que o servos do rei estivessem diante dele sempre dispostos, o que explica a reação de Neemias: "então temi sobremaneira" (Ne 2.2). Ele sabia que, caso o monarca desconfiasse de sua lealdade, poderia mandar torturá-lo e até matá-lo, considerando que falaria sobre o estado de uma cidade que deixou de ser edificada por decisão oficial (Ed 4.17-23). Entretanto, depois de quatro meses orando e jejuando, certamente Neemias não morreria assim, e aquela situação acabou permitindo o agir de DEUS em favor do Seu povo. Ainda hoje, DEUS tem o poder de criar circunstâncias para nos fazer chegar onde Ele prometeu, que nos levaria. 

 

Bispo Abner Ferreira (2020): "A história bíblica nos mostra que, mesmo quando a realidade e as perspectivas humanas não apontam uma saída para as adversidades, o Senhor DEUS é poderoso para fazer além do que pedimos ou pensamos". Quando os recursos humanos se esgotam, Ele abre caminho no mar (Ex 14), traz vida ao que estava morto (Rm 4.18-21; Jo 11), faz nascer rio no deserto (Is 43.19). Por isso, nas crises não confiamos em nossas forças, mas no DEUS que ressuscita os mortos (2Co 1.9). 

 

2.2. Neemias respondeu na hora certa.

Neemias estava temeroso, pois sabia que, se não fosse convincente em sua resposta, poderia sofrer as consequências; então orou, e DEUS o ajudou. Em meio a muitas possibilidades, ele deu ao rei a única resposta que o livrou de morrer e, ao mesmo tempo, abriu a porta para a restauração de seu povo: "Viva o rei para sempre! Como não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo?" (Ne 2.3). Algo nessa resposta tirou a questão do campo político e a colocou num ponto de grande importância para alguém do Oriente Médio: "o lugar dos sepulcros de meus pais". Depois disso, o rei perguntou a Neemias: "Que me pedes agora?" (v.4). Naquele momento, a porta se abriu. Aleluia! 

 

Revista Betel Dominical (4º tri, 2018): "Neemias sabia que se explorasse o costume do respeito aos antepassados teria uma chance de o rei acenar com uma resposta positiva. Sabiamente, Neemias resguarda o nome da cidade, mencionando apenas que se tratava do "lugar dos sepulcros de meus pais" (Ne 2.3). Neemias fala a verdade e, ao mesmo tempo, evita gatilhos políticos ligados a "Jerusalém" e "muros". É prudência retórica: conecta-se ao afeto do rei, enquadra a causa como honra familiar e respeito à história de seus antepassados, e só depois apresenta o pedido concreto". 

 

2.3. Confiar em DEUS não dispensa o planejamento.

Neemias estava preparado para aquele momento. Ele soube responder ao rei até mesmo sobre o prazo para executar a tarefa e retornar ao palácio (Ne 2.6). Sendo assim, Artaxerxes concedeu ao seu copeiro tudo que ele precisava: cartas para que os governadores dalém do Eufrates lhe permitissem livre acesso até Judá (v.7); cartas para Asafe, guarda das matas do rei, para que tivesse madeira para construção (v.8); foi-lhe concedida proteção militar até seu destino (v.9). Diante de tantos benefícios, Neemias declarou o motivo de estar naquela posição favorável: "porque a boa mão do meu DEUS era comigo" (v.8). O mesmo aconteceu com o Profeta Elias: depois de presenciar DEUS mandando fogo do céu, ele correu, de maneira sobrenatural, à frente do carro do rei Acabe até a entrada da cidade de Jezreel. Isso só foi possível porque a "mão de DEUS estava sobre Elias" (1Rs 18.46). Neemias nos ensina a importância de buscar a DEUS e confiar nEle, mesmo estando diante de uma situação que parece difícil ou mesmo impossível. 

 

De modo providencial, DEUS alinhou as circunstâncias e o tempo: moveu o coração do rei, abriu a porta, e forneceu a Neemias a permissão e os recursos necessários (Ne 2.1-8; Pv 21.1). O que vemos não é acaso, é favor sobre fidelidade: oração, jejum e perseverança encontrando a Mão que abre portas que ninguém fecha (Ap 3.7). Assim também é conosco: confiança obediente e constância (Sl 37.5; Hb 10.36) nos colocam num caminho onde DEUS supre, guia e confirma; e, a seu tempo, colhemos, se não desfalecermos (Gl 6.9). 

 

EU ENSINEI QUE: Neemias estava preparado para aquele momento. Ele soube responder ao rei até mesmo sobre o prazo para executar a tarefa e retornar ao palácio. 

 

3. PREPARADOS PARA A MISSÃO 

A história de Neemias é rica em verdades importantes para o nosso tempo, entre elas a necessidade de estarmos preparados para o chamado de DEUS e a importância de agir com sabedoria e firmeza diante dos desafios da vida. 

 

3.1. O chamado pode surgir de uma necessidade.

O relato bíblico não nos mostra DEUS falando com Neemias em sonho, profecia ou visão (Ne 1.4-11; 2.4-8,12; 5.19; 6.9). O seu chamado nasceu da necessidade de restaurar Jerusalém e socorrer o povo judeu do estado miserável em que se encontrava (Ne 1.3; 2.17–18). Com isso, aprendemos que onde a maioria das pessoas vê uma impossibilidade, os chamados por DEUS enxergam uma oportunidade (Gn 50.20; Rm 8.28; Ef 5.16). Onde a maioria das pessoas enxergam crises, os chamados por DEUS veem uma chance de fazer a diferença (Et 4.14; Rm 12.21). Um banco vazio na Igreja pode representar apenas alguém ausente; porém, para um evangelista, é um chamado para ganhar almas para JESUS (Lc 14.23; Jo 4.35; Mt 28.19-20). Quando determinada situação nos aperta o peito, é possível que seja DEUS nos chamando para aquela Obra (Ne 1.4; Is 6.8). 

 

Pr. Valdir Alves (2022): "Bem-aventurados aqueles que estão atentos à Palavra de DEUS e a recebem, pois ela faz a diferença ao vivenciarmos diferentes momentos na vida e nos mais diversos ambientes". Quem constrói a vida sobre a Palavra permanece firme nas tempestades (Mt 7.24-25). Por isso, deixemos a Palavra habitar ricamente em nós, moldando decisões e atitudes em qualquer ambiente (Cl 3.16).

 

3.2. Prontos para agir diante da resposta de DEUS.

O povo judeu passou cerca de setenta longos anos no cativeiro, sob os governos babilónico e medo-persa (Jr 25.11-12; 2Cr 36.20-23). Neemias esperou cerca de quatro meses pela resposta de DEUS e agiu rapidamente quando ela chegou (Ne 1.1; 2.1). A conversa com Artaxerxes foi objetiva e rápida: o rei fez quatro perguntas a Neemias e, diante de suas respostas assertivas, o liberou para conduzir a restauração de Jerusalém (Ne 2.1-9). Cada oportunidade tem seu ritmo próprio, seu tempo para acontecer; porém, uma vez perdida, pode não surgir de novo. Neemias fez a parte dele: orou, jejuou e aproveitou a oportunidade que recebeu do Senhor para restaurar a cidade de Jerusalém. Muitas pessoas passam a vida lamentando oportunidades perdidas, que poderiam ter mudado suas histórias. Precisamos estar atentos, em oração e vigilância, preparados para a resposta de DEUS às nossas petições (Cl 4.2; 1Jo 5.14-15).

 

A trajetória do Apóstolo Paulo, antes de ser levado por Barnabé para Antioquia (At 11.25), é um exemplo de preparação durante a espera. Lembremos que, no caminho de Damasco, Paulo ouviu de JESUS que ele era "vaso escolhido" para anunciar o Evangelho diante "dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel" (At 9.15). Contudo, isso não aconteceu de imediato. FF. Bruce (2019, p. 234) registra que, depois da visita feita a Jerusalém, logo após sua conversão, retornou a Tarso, sua cidade natal. "Durante um período - oito ou dez anos - Paulo sai completamente de cena. Não foram anos de inatividade, e isso fica claro por causa de sua declaração de que continuavam a chegar às igrejas da Judeia notícias de que o antigo perseguidor agora prega a fé que antes tentava destruir' (Gl 1.22- 24)". Como Neemias, Paulo também esperou, mas não estava inativo. Esse tempo de trabalho no evangelho sem ir a Jerusalém foi de 14 anos (Gl 2.1).

 

3.3. Dependendo de DEUS somente.

Quando questionado pelo rei sobre o motivo de sua tristeza, Neemias teve medo (Ne 2.2). Mesmo assim, em vez de se deixar dominar por seus sentimentos, ele orou a DEUS (Ne 2.4), demonstrando sua total dependência. Neemias estava certo de que dEle viria a direção para solucionar o problema do povo judeu. Como disse Charles Spurgeon, o príncipe dos pregadores: "Quando não pudermos ver a Sua face, podemos descansar à sombra de Suas asas". O caminho para uma vida abençoada está em confiar e depender de DEUS (Sl 20.7). A autossuficiência revela um coração orgulhoso e soberbo. Todos nós precisamos entender uma verdade absoluta: Sem DEUS não somos nada. JESUS ensinou isso, ao afirmar: "Eu sou a videira; vós, as varas. Quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer, Jo 15.5. 

 

Pr. Marcos Sant'Anna (2018): "Lembremo-nos de que DEUS sustenta os que O amam até mesmo quando estão repousando (Sl 127). É preciso estarmos atentos para não sermos dominados pela obstinação em detrimento da confiança e da dependência de DEUS". A paz guarda o coração (Is 26.3; Fp 4.6- 7), a ansiedade cede lugar à confiança (1Pe 5.6-7) e a obstinação dá espaço à obediência humilde (Tg 4.13-16). Em termos práticos: ore antes, durante e depois; submeta seus planos à Palavra; aceite correções; descanse nos limites que DEUS estabeleceu (SI 127). A vida abençoada não é fruto de controle absoluto, mas de confiança obediente permanecer em CRISTO, a Videira, para frutificar no tempo certo (Jo 15.5). 

 

EU ENSINEI QUE: Cada oportunidade tem seu ritmo próprio, seu tempo para acontecer, porém, uma vez perdida, pode não surgir de novo. 

 

CONCLUSÃO 

Preparar-se para o tempo do agir de DEUS envolve oração, jejum, planejamento cuidadoso e coragem para depender apenas da resposta dele. Neemias orou, jejuou, planejou e esperou até que viesse do Alto a resposta à sua petição, ou seja, ele apresentou seu pedido com sabedoria e confiou que a providência divina lhe abriria a porta certa. Sua atitude nos ensina a ter uma fé ativa, alinhada ao propósito de DEUS, que nos capacita para atender ao Seu chamado.

 

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