Escrita Lição 9, Jó e a Inescrutável Sabedoria de DEUS

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Lição 9, Jó e a Inescrutável Sabedoria de DEUS
Revistas Lições Bíblicas Adultos, CPAD, 4° trimestre 2020
Tema: A Fragilidade Humana e a Soberania Divina: Lições do Sofrimento e da Restauração de Jó Comentarista: José Gonçalves.
Comentarista: José Gonçalves.
Complementos, Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva - 99-99152-0454. - henriquelhas@hotmail.com - Americana - SP - Tel Esposa - 19-98448-2187
 
 
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Lição 9, Jó e a Inescrutável Sabedoria de DEUS
 
Escrita - https://ebdnatv.blogspot.com/2020/11/escrita-licao-9-jo-e-inescrutavel.html
Slides - https://ebdnatv.blogspot.com/2020/11/slides-licao-9-jo-e-inescrutavel.html
Vídeo desta Liçlão 9 - https://www.youtube.com/watch?v=TSdZDelGb_M
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Ajudas
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao12-dtp-4tr16-sabedoria-divina-para-a-tomada-de-decisoes.htm  (A sabedoria que Jó busca está acima desta)
http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao6-mp-2tr11-donsmanifestamsabedoriadedeus.htm  (Sabedoria através dos dons)
 
 
TEXTO ÁUREO
“Mas disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência.”  (Jó 28.28)
 

VERDADE PRÁTICA
A verdadeira sabedoria está associada ao temor do Senhor e não ao mero acúmulo de conhecimento.
 
 
LEITURA DIÁRIA
Segunda - Jó 28.11 Trazendo luz ao que estava escondido
Terça - Jó 28.12 Onde estará a sabedoria e o entendimento?
Quarta - Jó 28.13,14 Quem conhece o valor da sabedoria?
Quinta - Jó 28.15,17 O que pode comprar a sabedoria? A prata? O ouro fino?
Sexta - Jó 28.18,19 O preço da sabedoria é maior que o das pérolas
Sábado - Jó 28.28 O temor do Senhor é a verdadeira sabedoria
 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Jó 28.1-28
1 - Na verdade, há veios de onde se extrai a prata, e, para o ouro, lugar em que o derretem. 2 - O ferro tira-se da terra, e da pedra se funde o metal. 3 - O homem pôs fim às trevas e até à extremidade ele esquadrinha, procurando as pedras na escuridão e na sombra da morte. 4 - Trasborda o ribeiro até ao que junto dele habita, de maneira que se não pode passar a pé; então, intervém o homem, e as águas se vão. 5 - A terra, de onde procede o pão, embaixo é revolvida como por fogo. 6 - As suas pedras são o lugar da safira e têm pós de ouro. 7 - Essa vereda, a ignora a ave de rapina, e não a viram os olhos da gralha. 8 - Nunca a pisaram filhos de animais altivos, nem o feroz leão passou por ela. 9 - Ele estende a sua mão contra o rochedo, e revolve os montes desde as suas raízes. 10 - Dos rochedos faz sair rios, e o seu olho descobre todas as coisas preciosas. 11 - Os rios tapa, e nem uma gota sai deles, e tira para a luz o que estava escondido. 12 - Mas onde se achará a sabedoria? E onde está o lugar da inteligência? 13 - O homem não lhe conhece o valor; não se acha na terra dos viventes. 14 - O abismo diz: Não está em mim; e o mar diz: Ela não está comigo. 15 - Não se dará por ela ouro fino, nem se pesará prata em câmbio dela. 16 - Nem se pode comprar por ouro fino de Ofir, nem pelo precioso ônix, nem pela safira. 17 - Com ela se não pode comparar o ouro ou o cristal; nem se trocará por joia de ouro fino. 18 - Ela faz esquecer o coral e as pérolas; porque a aquisição da sabedoria é melhor que a dos rubis. 19 - Não se lhe igualará o topázio da Etiópia, nem se pode comprar por ouro puro. 20 - De onde, pois, vem a sabedoria, e onde está o lugar da inteligência? 21 - Porque está encoberta aos olhos de todo vivente e oculta às aves do céu. 22 - A perdição e a morte dizem: Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama. 23 - DEUS entende o seu caminho, e ele sabe o seu lugar. 24 - Porque ele vê as extremidades da terra; e vê tudo o que há debaixo dos céus. 25 - Quando deu peso ao vento e tomou a medida das águas; 26 - quando prescreveu uma lei para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões, 27 - então, a viu e a manifestou; estabeleceu-a e também a esquadrinhou. 28 - Mas disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência.


OBJETIVO GERAL - Mostrar que a verdadeira sabedoria consiste no temor do Senhor.
 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Expor que todos os esforços humanos são inúteis para a aquisição da sabedoria divina;
Destacar que a sabedoria tem seu preço, e que excede todos os bens materiais existentes;
Revelar que o verdadeiro valor da sabedoria é de natureza espiritual.
 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Quem é o sábio segundo as Escrituras? É o que fala diversos idiomas? O que lê mais de 60 livros por ano? O que conhece muito de filosofia? O que conhece muito de teologia? O que tem profundo conhecimento da literatura mundial e nacional? Quem é o sábio segundo as Escrituras?
Aqui não há nenhuma reprovação às atividades contidas nas indagações acima. Pelo contrário, como seria bom que cada vez mais cristãos tivessem uma compreensão profunda, segundo a cosmovisão cristã, acerca de todos esses temas. Mas o que queremos mostrar é que a verdadeira sabedoria, da qual fala a Palavra de DEUS fala, tem como fundamento o "temor do Senhor".
 

PONTO CENTRAL - O temor do Senhor é o fundamento da verdadeira sabedoria

 
Lição 9, Jó e a Inescrutável Sabedoria de DEUS
I – A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM NATURAL
1. O empenho na busca da sabedoria.
2. Como quem explora o minério, assim o homem faz com a sabedoria.
3. De onde vem a sabedoria?
II – A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM COMERCIAL
1. O preço da sabedoria.
2. O valor da sabedoria.
3. A sabedoria não é um bem comercial.
III – A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM ESPIRITUAL
1. Uma verdade revelada.
2. Uma verdade prática.
 
 
 
INTRODUÇÃO
Sabedoria. Deus é sábio. (Sal. 104:24; Prov. 3:19; Jer. 10:12; Dan. 2:20,21; Rom. 11:33; 1 Cor. 1:24, 25, 30; 2:6, 7; Efés. 3:10; Col. 2:2, 3.)
A sabedoria de Deus reúne a sua onisciência, sua onipotência e sua onipresença. Ele tem poder para levar a efeito seu conhecimento de tal maneira que se realizem os melhores propósitos possíveis pelos melhores meios possíveis. Deus sempre faz o bem de maneira certa e no tempo certo. "Ele fez tudo bem." Esta ação da parte de Deus, de organizar todas as coisas e executar a sua vontade no curso dos eventos com a finalidade de realizar o seu bom propósito, chama-se Providência. A divina providência geral relaciona-se com o universo como um todo; sua providência particular relaciona-se com os detalhes da vida do homem. DEUS revela partes de sua sabedoria aos homens. São revelações tanto do passado, como do presente, como do futuro. Os dons do ESPÍRITO SANTO, Palavra de Sabedoria (revelação do futuro), Palavra da Ciência ou do conhecimento (Revelação do passado ou do presente) e Discernimento de espíritos (revelação da fonte de manifestações), tudo isso é dado a Igreja, com DEUS agindo através daqueles que vão sendo escolhidos e capacitados pelo ESPÍRITO SANTO.
Jó queria respostas que só DEUS, em sua infinita sabedoria, poderia rersponder. Seus amigos não poderiam responder, pois a sabedoria deles era humana e limitada pela teologia da retribuição. Jó, então, decidiu buscar de DEUS sabedoria para se relacionar com Ele.
 
 A Onisciência de Deus
A onisciência de Deus tem a ver com a capacidade di­vina de tudo saber. De fato, as Escrituras ensinam que Deus detém toda a compreensão e inteligência. Deste mo­do, para o crente há grande conforto na declaração de Je­sus: “... o vosso Pai sabe..."(Mt 6.8).
Em âmbito geral:
a) A onisciência de Deus inclui tudo; Seu conhecimen­to é universal incluindo tudo quanto pode ser conhecido (Jo 3.20).
b) Deus conhece desde a eternidade aquilo que serádurante toda a eternidade (At 15.18).
c) Deus conhece o plano total dos séculos, bem como aparte que cada homem ocupa nele (Ef 1.9-12).
d) Deus sabe de tudo quanto ocorre em todos os luga­res, tanto o bem quanto o mal (Pv 15.3).
e) Deus conhece todos os filhos dos homens, seus caminhos e suas obras (Pv 5.21).
f) Deus conhece tudo na Natureza: cada estrela e cadaave que singra os céus (Sl 147.4; Mt 10.29).
g) Deus conhece tudo no terreno do procedimento hu­mano (Sl 139.1-4; 1 Cr 29.9; Ex 3.7). Não há uma cidade, uma vila, nem mesmo uma casa sobre a qual não estejam os olhos de Deus. Não existe uma só emoção, impulso ou pensamento dos quais Ele não te­nha conhecimento. Ele conhece toda ocorrência ou aventu­ra que envolve alegria e tristeza, dor ou prazer, adversida­de ou prosperidade, sucesso ou fracasso, vitória ou derrota. "Não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas" (Hb 4.13). Numa noite turva, sobre uma mesa de mármore preto, dentro de um quarto escuro, há uma pulga preta. Deus a vê!
 
 
I – A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM NATURAL
Jó 28. 1-13
Aqui, Jó mostra:
1. Os grandes esforços que a inteligência de um homem é capaz de fazer, mergulhando nas profundezas da natureza e apoderando-se das suas riquezas, e a grande quantidade de conhecimento e riqueza de que os homens podem se apoderar, com suas investigações e buscas diligentes e engenhosas. Mas, sendo assim, necessariamente os homens compreenderão, com sua inteligência, as razões por que alguns ímpios prosperam e outros são punidos, porque algumas pessoas boas prosperam e outras são afligidas? Não, de maneira alguma. As cavernas da terra podem ser descobertas, mas não os conselhos dos céus.
2. A grande quantidade de esforço e sofrimento por que passam os homens mundanos para obter riquezas. Ele tinha observado, a respeito do ímpio (Jó 27.16), que ele amontoa prata como pó; aqui, ele mostra de onde vem esta prata que é tão importante para ele, e como ela é obtida, para mostrar a pouca razão que os ímpios e ricos têm para se orgulhar de sua riqueza e pompa.
 

1. O empenho na busca da sabedoria.
O tema desse poema grandioso, uma das grandes obras de arte poéticas do livro, é que a sabedoria é inalcançável pelo homem. Por “sabedoria” não se entende o tipo de sabedoria prática inculcada pelo livro de Provérbios, mas a sabedoria como compreensão total e completa do mundo e de sua ordem. Esse uso do termo “sabedoria” seria muito compreensível ao autor de Eclesiastes, que ressalta que “ele [o homem] não consegue compreender inteiramente o que DEUS fez” (Ec 3.11; cf. 8.17). Esse poema soaria um pouco estranho na boca de Jó, pois somente pela força de demorada argumentação de DEUS (caps. 38—41) é que ele é conduzido a esse reconhecimento (cf. 42.3); mais importante, contudo, do que a pergunta de qual personagem no diálogo vem essa declaração é o destaque dado ao grande abismo entre a sabedoria humana e a divina.
O poeta não está interessado em denegrir a sabedoria humana para engrandecer a sabedoria de DEUS. O seu poema começa como um cântico de elogio da engenhosidade humana (v. 1-11) e só depois prossegue afirmando que mesmo assim a verdadeira sabedoria escapa à sua compreensão e é conhecida somente por DEUS (v. 12-27); ao homem é dado conhecer não a “sabedoria”, mas a lei de DEUS: para o homem, a sabedoria está no temor do Senhor (v. 28).
 
A riqueza deste mundo está escondida na terra. Dela vêm a prata e o ouro, que posteriormente são refinados (v. 1). Ali eles estão misturados com muita sujeira e impurezas, como algo sem valor, não mais importante do que a terra comum; e a sua abundância será negligenciada, até que a terra e todas as obras que nela há sejam queimadas.
O ferro e o bronze, metais menos caros, porém mais úteis, são tirados da terra (v. 2) e ali são encontrados em grande abundância, o que realmente reduz o seu preço, mas é uma grande generosidade para com o homem, que poderia estar muito melhor sem ouro do que sem ferro. Na verdade, da terra procede o pão, isto é, o trigo, o sustento necessário da vida (v. 5). Da terra é obtido o sustento do homem, para lembrá-lo da sua própria origem; ele vem da terra, e se precipita para ela. Debaixo, há, por assim dizer, fogo, pedras preciosas, que reluzem como o fogo – enxofre, que pode se incendiar – carvão, que é apropriado para alimentar o fogo. Da mesma maneira como obtemos o nosso alimento da terra, também o nosso combustível. Ali estão as safiras e outras pedras preciosas, e de lá é escavado o pó de ouro (v. 6). A sabedoria do Criador colocou estas coisas:
1. Fora do alcance da nossa visão, para nos ensinar a não fixar os nossos olhos nelas (Pv 23.5).
2. Debaixo de nossos pés, para nos ensinar a não colocá-las no nosso seio, nem dedicar nossos corações a elas, mas pisar sobre elas, com santo desprezo.
Veja quão cheia a terra está das riquezas de DEUS (Sl 104.24), e deduza, não somente que DEUS tão grande é aquele a quem pertence a terra e a sua plenitude (Sl 24.1), mas quão cheio o céu necessariamente deve ser das riquezas de DEUS, o céu, que é a cidade do grande Rei, em comparação com a qual esta terra é apenas uma pobre nação.
 

2. Como quem explora o minério, assim o homem faz com a sabedoria.
 A sabedoria do homem (28.1-11). O poeta escolhe somente um exemplo de sabedoria humana: a capacidade do homem de fundir o minério extraído da terra (v. 2). Essa é uma ilustração particularmente adequada da sabedoria humana, pois inclui o tema da busca por aquilo que é precioso. O hebraico do poema é bastante obscuro, em parte porque muito pouco se conhece das tecnologias antigas de mineração. Todas as versões precisam usar um pouco de imaginação para fazer sentido dos detalhes, mas o retrato geral apresentado pelas versões modernas está claro. Em primeiro lugar, são registrados quatro metais que o homem extrai na mineração. No v. 3, parece haver uma referência a lâmpadas usadas debaixo da terra. O v. 4 destaca o perigo e a solidão em que se trabalha nessa indústria e descreve de forma pitoresca o minerador na hora de descer no poço da mina: ele se pendura e balança. Esse negócio da mineração é um processo paradoxal: na superfície, continuam os processos pacíficos da agricultura, enquanto abaixo disso talvez tenha de haver a remoção violenta de obstáculos para se chegar ao metal (v. 5). A engenhosidade humana criou no subsolo da terra um caminho desconhecido para aves e animais da terra (v. 7,8). Ao contrário dos animais, o homem é o dominador da terra (v. 11); ele tem capacidade para atacar as encostas das colinas; ele “desarraiga as montanhas pela raiz” (v. 9, BJ). Os seus olhos são mais penetrantes do que os do falcão (v. 10; cf. v. 7), os seus caminhos, mais secretos e remotos do que os do leão (v. 10; cf. v. 8).
 
A riqueza que está escondida na terra não pode ser obtida, senão com uma grande dose de dificuldade.
1. Ela é difícil de ser encontrada: apenas aqui e ali há um veio de prata (v. 1). As pedras preciosas, ainda que brilhantes, porque estão enterradas na obscuridade e fora do alcance da visão, são procuradas na escuridão e na sombra da morte. O homem pode buscá-las por muito tempo antes de encontrá-las.
2. Quando é encontrada, é difícil de ser extraída. Os homens precisam colocar suas inteligências para trabalhar para criar métodos para colocar este tesouro escondido em suas mãos. Eles precisam, com suas lâmpadas, por fim às trevas; e se um estratagema falhar, um método fracassar, devem tentar outro, até que tenham esquadrinhado toda a perfeição, e revolvido cada pedra, para encontrá-la (v. 3). Devem lutar com águas subterrâneas (vv. 4,10,11) e avançar em meio às rochas, que são, de certa forma, as raízes dos montes (v. 9).
DEUS fez com que a obtenção do ouro, e da prata, e das pedras preciosas, fosse tão difícil:
(1) Para incitar e engajar o empenho e a diligência. Se as coisas valiosas fossem obtidas com facilidade, os homens jamais aprenderiam a se esforçar. Mas a dificuldade de se obter as riquezas desta terra pode nos sugerir a violência que o reino do céu sofre.
(2) Para controlar e restringir a pompa e a luxúria. O que é essencial para o sustento é obtido da superfície da terra com algum esforço; mas o que é para ornamento deve ser escavado com grande esforço das entranhas da terra. Ser alimentado é barato, mas ser elegante é custoso.
 
 
3. De onde vem a sabedoria?
Onde se poderá achar a sabedoria? (28.1-28)
Mas onde se poderá achar a sabedoria? (28.12-28).
Evidentemente a “sabedoria” que não pode ser encontrada pelo exame e pela busca é algo diferente da sabedoria tecnológica do homem. O poeta não nos conta abertamente o que ele quer dizer, mas permite que se forme um clímax que mostra de forma crescente a impossibilidade de se obter essa sabedoria. Não se conhece o seu lugar (v. 12), tampouco o caminho para ela (v. 13); não pode ser avaliada em termos de ouro ou prata (v. 15-19). Nem o mundo sabe onde se pode encontrá-la (v. 14). Até mesmo os poderes sobrenaturais da Destruição (lit. Abadom, i.e., Sheol, o submundo) e da Morte só conhecem um leve rumor dela (v. 22). Mas DEUS sabe tudo a respeito dela (v. 23), pois na verdade foi essa a sua sabedoria que ele usou para estabelecer a criação (v. 24-27). E inacessível ao homem esse conhecimento sobrenatural do Universo e o seu propósito e as leis que o regem; o que foi dado a conhecer ao homem, no entanto, é um outro tipo de sabedoria: uma sabedoria mais manejável e praticável, uma sabedoria que consiste no fazer.
 
No temor do Senhor e em evitar o mal (v. 28) está a sabedoria para o homem.
 
 
II – A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM COMERCIAL
 
Embora a riqueza subterrânea seja difícil de obter, ainda assim os homens a terão. Aquele que ama a prata não se satisfaz com prata, e não se satisfaz sem ela; mas os que têm muito precisam ter mais.
Veja aqui:
1. O que os homens inventam para obter a sua riqueza. Eles esquadrinham a perfeição: “Até à extremidade ele esquadrinha” (v. 3). Eles têm mecanismos para secar as águas, e as removem, quando elas irrompem sobre eles em suas minas e ameaçam inundar a obra (v. 4). Eles têm bombas, e canos, e canais, para limpar o seu caminho, e, removidos os obstáculos, pisam a vereda que as aves ignoram (vv. 7,8), a vereda que não viram os olhos da gralha, que são penetrantes, e que nunca pisaram os filhos do leão, que passam por todos os caminhos do deserto.
2. Os esforços que fazem os homens, e os grandes custos que têm para obter esta riqueza. Eles progridem através das rochas e minam os montes (v. 10).
3. Os riscos que eles correm. Os que escavam nas minas têm suas vidas em suas mãos; pois são obrigados a impedir as inundações (v. 11), e estão continuamente em perigo de serem sufocados por gases, ou esmagados ou sepultados vivos pela queda da terra sobre eles. Veja como o homem tolo contribui para o seu próprio fardo. Ele está sentenciado a comer pão no suor do seu rosto, mas, como se isto não fosse suficiente, ele buscará obter ouro e prata com risco de vida, ainda que, quanto mais obtenha, menos valioso seja.
 
 Sabedoria - (Strong Português) - σοφια sophia
1) sabedoria, inteligência ampla e completa; usado do conhecimento sobre diversos assuntos
1a) a sabedoria que pertence aos homens
1a1) espec. conhecimento variado de coisas humanas e divinas, adquirido pela sutileza e experiência, e sumarizado em máximas e provérbios
1a2) a ciência e o conhecimento
1a3) o ato de interpretar sonhos e de sempre dar os conselhos mais sábios
1a4) inteligência evidenciada em descobrir o sentido de algun número misterioso ou visão
1a5) habilidade na administração dos negócios
1a6) seriedade e prudência adequada na relação com pessoas que não são discípulos de CRISTO, habilidade e discrição em transmitir a verdade cristã
1a7) conhecimento e prática dos requisitos para vida devota e justa
1b) inteligência suprema, assim como a que pertence a DEUS
1b1) a CRISTO
1b2) sabedoria de DEUS que se evidencia no planejamento e execução dos seus planos na formação e governo do mundo e nas escrituras
 
 
 Mestre - (Strong Português) - διδασκαλος didaskalos
1) professor
2) no NT, alguém que ensina a respeito das coisas de DEUS, e dos deveres do homem
1a) alguém que é qualificado para ensinar
1b) os mestres da religião judaica
1c) daqueles que pelo seu imenso poder como mestres atraem multidões, i.e., João Batista, JESUS
1d) pela sua autoridade, usado por JESUS para referir-se a si mesmo como aquele que mostrou aos homens o caminho da salvação
1e) dos apóstolos e de Paulo
1f) daqueles que, nas assembléias religiosas dos cristãos, encarregavam-se de ensinar, assistidos pelo SANTO ESPÍRITO
 
Observe o que é que faz com que os homens passem por todo este esforço e perigo: “O seu olho descobre todas as coisas preciosas” (v. 10). A prata e o ouro são coisas preciosas para eles, e eles as têm diante de seus olhos, em todas as suas buscas. Eles imaginam vê-las brilhando diante de seus rostos, e, com a perspectiva de tê-las, não dão importância a todas estas dificuldades; pois algo, por fim, resultará do seu esforço: Ele “tira para a luz o que estava escondido” (v. 11). O que estava escondido debaixo da terra é guardado no banco; o metal que estava oculto no minério é refinado de suas impurezas, e sai puro da fornalha; e então ele pensa que seus esforços foram bem direcionados. Vai ter com os mineiros, então, tu, que és preguiçoso na religião; considera os seus caminhos, e sê sábio. Que a sua coragem, diligência e constância na busca da riqueza que perece nos envergonhe pela preguiça e pelo desânimo em nos esforçar pelas verdadeiras riquezas. Como é melhor obter sabedoria do que ouro! Como é mais fácil, e mais seguro! No entanto, o ouro é buscado, mas a graça negligenciada. As esperanças das coisas preciosas da terra (assim eles as chamam, ainda que, na realidade, sejam insignificantes e perecíveis) serão tal estímulo para o empenho e a diligência, e a perspectiva segura das coisas verdadeiramente preciosas no céu não o serão?
 
Tendo falado sobre a riqueza do mundo, que os homens valorizam tanto, e que se esforçam tanto por obter, Jó aqui fala de outra jóia mais valiosa, que é a sabedoria e o entendimento, conhecer e ter prazer, em DEUS e em nós mesmos. Os que descobriam todos os caminhos e meios para enriquecer se julgam muito sábios; mas Jó não considera que tenham sabedoria. Ele supõe que eles conseguiram o seu objetivo, e trouxeram à luz aquilo que buscavam (v. 11), mas pergunta: “Mas onde se achará a sabedoria?” pois ela não está aqui. Este seu caminho é a sua loucura. Devemos, portanto, buscá-la em outro lugar, e ela não será encontrada em outra parte, senão nos princípios e nas práticas da religião. Há mais conhecimento verdadeiro, satisfação e felicidade na divindade genuína, que nos mostra o caminho para as alegrias do céu, do que na filosofia natural ou na matemática, e que podem nos ajudar a encontrar o caminho para as entranhas da terra.
 

1. O preço da sabedoria.

O seu preço, pois é inestimável; o seu valor é infinitamente superior ao de todas as riquezas deste mundo: “O homem não lhe conhece o valor” (v. 13), isto é:
1. Poucos lhe dão o devido valor. Os homens não conhecem o seu valor, a sua excelência inata, a necessidade que têm dela, e o benefício indescritível que ela terá para eles; e, portanto, “de que serviria o preço na mão do tolo para comprar a sabedoria, visto que não tem entendimento?” (Pv 17.16). O galo da fábula não conhecia o valor da pedra preciosa que encontrou no lixo, e por isto preferiria ter pousado sobre trigo. Os homens não conhecem o valor da graça, e por isto não se esforçam para obtê-la. 2. Ninguém pode fazer uma consideração valiosa sobre ela, nem com toda a riqueza que este mundo pode dar. Isto Jó detalha (v. 15, etc.), onde faz uma lista da bona notabilia – os tesouros mais valiosos deste mundo. O ouro é mencionado cinco vezes; a prata também está nesta lista; e várias pedras preciosas, ônix e safira, pérolas e rubis, e o topázio da Etiópia. Estas são as coisas que são mais valorizadas nos mercados do mundo; mas ainda que um homem desse não somente estas coisas, montes delas, mas toda a substância da sua casa, tudo o que ele tem de valor neste mundo, em troca de sabedoria, isto seria completamente desprezado. Estas coisas podem representar alguma vantagem para o homem, na busca da sabedoria, como no caso de Salomão, mas não se pode comprar a sabedoria com elas.
 
 
2. O valor da sabedoria.
 
A sabedoria é um dom do ESPÍRITO SANTO, que não se alcança com dinheiro (At 8.20). Da mesma maneira como não corre no sangue, e assim não nos é transmitido na descendência, também não pode ser obtido com dinheiro, nem nos é dado comprá-la. Os dons espirituais são concedidos sem dinheiro e sem preço, porque nenhum dinheiro pode ser um preço para elas. A sabedoria é, de igual maneira, um dom mais valioso para aquele que a tem, tornando-o mais rico e feliz, do que o ouro e as pedras preciosas. É melhor adquirir a sabedoria do que o ouro. O ouro é de outra pessoa, a sabedoria é nossa; o ouro é para o corpo e o tempo, a sabedoria é para a alma e a eternidade. Que aquilo que é mais precioso, aos olhos de DEUS, também o seja aos nossos. Veja Provérbios 3.14, e versículos seguintes.
DEUS revela partes de sua sabedoria aos homens. São revelações tanto do passado, como do presente, como do futuro. Os dons do ESPÍRITO SANTO, Palavra de Sabedoria (revelação do futuro), Palavra da Ciência ou do conhecimento (Revelação do passado ou do presente) e Discernimento de espíritos (revelação da fonte de manifestações), tudo isso é dado a Igreja, com DEUS agindo através daqueles que vão sendo escolhidos e capacitados pelo ESPÍRITO SANTO.
 

3. A sabedoria não é um bem comercial.
 
O lugar dela, pois é impossível de descobrir. “Onde se achará a sabedoria?” (v. 12).
Jó pergunta isto:
1. Como alguém que realmente deseja encontrá-la. Esta é uma pergunta que todos nós devemos fazer. Quando muitos homens perguntam “Onde se achará o dinheiro?”, nós devemos perguntar, “Onde se achará a sabedoria?” para que possamos buscá-la e encontrá-la, não a vã filosofia, nem a política carnal, mas a verdadeira religião; pois esta é a única sabedoria verdadeira, que é o que melhor aprimora as nossas faculdades e melhor assegura o nosso bem-estar espiritual e eterno. Ela é aquilo pelo que devemos clamar e buscar (Pv 2.3,4).
2. Como alguém que já perdeu a esperança de encontrá-la em qualquer lugar, senão em DEUS, e de qualquer maneira, senão pela revelação divina: Ela “não se acha na terra dos viventes” (v. 13). Não conseguimos obter um entendimento apropriado sobre DEUS e a sua vontade, sobre nós mesmos e o nosso dever e interesse, lendo quaisquer livros ou homens, mas lendo o livro de DEUS e os homens de DEUS. Tal é a degeneração da natureza humana que não se encontra verdadeira sabedoria em ninguém, senão nos que nasceram de novo, e que, pela graça, participam da natureza divina. Quanto aos outros, até mesmo os mais diligentes e empenhados, não podem nos dar notícias desta sabedoria perdida.
(1) Pergunte aos mineiros, e junto a eles, o abismo dirá: “Não está em mim” (v. 14). Os que escavam nas entranhas da terra, para extrair os tesouros dali, não podem encontrar nos seus escuros recessos esta jóia rara, nem com toda a sua astúcia se tornar senhores dela.
(2) Pergunte aos marinheiros, e junto a eles, o mar dirá: “Ela não está comigo”. Ela não poderá ser obtida negociando nas águas, nem mergulhando nelas, não poderá ser sugada da abundância dos mares ou dos tesouros escondidos na areia. Onde houver um veio para a prata não haverá veio para a sabedoria, e nem para a graça. Os homens podem superar as dificuldades que encontram ao obter a riqueza terrena mais facilmente do que as que encontram na busca da sabedoria celestial, e podem se esforçam mais para aprender como viver neste mundo do que para aprender a viver para sempre em um mundo melhor. Tão cego e tolo se tornou o homem, que é inútil perguntar-lhe: “Onde está o lugar da inteligência?” e qual é o caminho que conduz até ela?

 
III – A SABEDORIA VISTA COMO UM BEM ESPIRITUAL
A pergunta que Jó tinha feito (v. 12), ele faz novamente aqui; pois é preciosa demais, importante demais, para que a percamos, até que tenhamos sucesso na busca. A respeito disto, devemos buscá-la até que a encontremos, até que tenhamos uma explicação satisfatória dela. Com a realização diligente desta investigação ele nos diz, por fim, que existe uma sabedoria dupla, uma escondida em DEUS, que é secreta e não pertence a nós, e outra dada a conhecer por Ele, e revelada ao homem, que pertence a nós e a nossos filhos.
 

1. Uma verdade revelada.
 
O conhecimento da vontade revelada de DEUS, da vontade do seu preceito. E isto está ao nosso alcance; está de acordo com a nossa capacidade, e nos fará bem (v. 28): “Mas disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria”. Não devemos dizer que quando DEUS ocultou os seus conselhos do homem, e lhe proibiu a participação nos frutos da árvore da ciência, tenha sido porque Ele lhe tenha recusado qualquer coisa que pudesse contribuir com a sua real bem-aventurança e satisfação; não, Ele deixou que o homem soubesse aquilo que lhe interessava saber, para o seu dever e felicidade; a ele será confiada a sua mente soberana, até o ponto que seja necessário e adequado para um súdito, mas ele não deve se julgar capacitado para ser um conselheiro. DEUS disse a Adão (segundo alguns), ao primeiro homem, no dia em que o criou; Ele lhe disse claramente que ele não devia se divertir com investigações curiosas sobre o mistério da criação, nem pretender solucionar todos os fenômenos da natureza, ele descobriria que não era possível nem lucrativo fazê-lo. Diz o arcebispo Tillotson: Uma sabedoria em nada menor do que aquela que criou o mundo pode compreender plenamente a sua filosofia. Mas que o homem considere isto como sua sabedoria: temer o Senhor e afastar-se do mal; que ele aprenda isto, e terá aprendido o suficiente; que este conhecimento lhe seja útil. Quando DEUS proibiu ao homem a árvore da ciência, Ele lhe permitiu a árvore da vida, e esta é a árvore de Provérbios 3.18. Não podemos alcançar a verdadeira sabedoria, senão pela revelação divina. “O Senhor dá a sabedoria” (Pv 2.6). Entretanto, ela não é encontrada nos segredos da natureza ou da providência, mas nas regras para o nosso próprio proceder. Ao homem, Ele não disse, “Suba ao céu, para encontrar ali a felicidade”, nem “Desça às profundezas, para encontrá-la ali”. Não, a “palavra está mui perto de ti” (Dt 30.14). Ele te mostrou, ó homem, não o que é grande, mas o que é bom; não o que o Senhor teu DEUS deseja fazer contigo, mas o que Ele pede de ti (Mq 6.8). “A vós, ó homens, clamo” (Pv 8.4). Senhor, o que é o homem, para que seja assim visitado! Veja, perceba isto, aquele que tem ouvidos, que ouça o que o DEUS do céu diz aos filhos dos homens: O temor do Senhor, isto é a sabedoria. Aqui temos: 1. A descrição da verdadeira religião, a religião pura e imaculada; é temer o Senhor e afastar-se do mal, o que está de acordo com a descrição que DEUS faz de Jó (Jó 1.1). O temor do Senhor é a fonte e o resumo de toda a religião. Existe um temor servil do Senhor, que se origina de maus pensamentos sobre Ele, e que é contrário à religião (Mt 25.24). Existe um temor egoísta de DEUS, que se origina de pensamentos terríveis sobre Ele, e que pode ser um bom passo em direção à religião (At 9.5). Mas existe um temor filial de DEUS, que se origina de pensamentos grandiosos e elevados sobre Ele, e que é a vida e a alma de toda a religião. E, onde quer que este temor reine no coração, ficará evidente por uma preocupação constante em se afastar da iniqüidade (Pv 16.6). Isto é essencial para a religião. Nós devemos, em primeiro lugar, deixar de fazer o mal, ou jamais aprenderemos a fazer o bem. Virtus est vitium fugere – Mesmo na nossa fuga da iniqüidade há alguma virtude. 2. O louvor da religião: é sabedoria e entendimento. Ser verdadeiramente religioso é ser verdadeiramente sábio. Da mesma maneira como a sabedoria de DEUS aparece na instituição da religião, também a sabedoria do homem aparece na sua prática e observância. É entendimento, pois é o melhor conhecimento da verdade; é sabedoria, pois é a melhor administração dos nossos assuntos. Nada guia o nosso caminho e alcança o nosso objetivo com mais segurança e certeza do que o fato de sermos religiosos, sim, homens e mulheres tementes e obedientes ao precioso e bendito Senhor.
O conhecimento da vontade secreta de DEUS, a vontade da sua providência, está fora do nosso alcance, e é o que DEUS reservou para Si mesmo. Ele pertence ao Senhor, nosso DEUS. O conhecimento dos detalhes do que DEUS fará no futuro, e as razões do que Ele faz agora, é o conhecimento de que Jó fala, em primeiro lugar.
Este conhecimento está escondido de nós.
Ele está elevado, não conseguimos alcançá-lo (vv. 21,22): esta sabedoria “está encoberta aos olhos de todo vivente”, até mesmo dos filósofos, dos políticos e dos santos; e oculta às aves do céu, ainda que voem alto e no firmamento do céu, ainda que pareçam de alguma maneira mais próximas daquele mundo superior onde se encontra a origem desta sabedoria, ainda que seus olhos avistem desde longe (Jó 39.29), ainda assim não conseguem penetrar nos conselhos de DEUS. O homem é mais sábio do que as aves do céu, e ainda assim não alcança esta sabedoria. Mesmo aqueles que, em suas especulações, voam mais alto e se julgam, como as aves do céu, acima das cabeças de outras pessoas, não podem ter pretensões a este conhecimento. Jó e os seus amigos tinham estado discutindo sobre os métodos e as razões das dispensações da Providência no governo do mundo. “Como somos tolos”, diz Jó, “em combater desta maneira as trevas, em discutir sobre aquilo que não entendemos!” A linha e o prumo da razão humana jamais podem compreender o abismo dos conselhos divinos. Quem pode se atrever a apresentar o fundamento da Providência, ou explicar as máximas, as medidas e os métodos do governo de DEUS, aqueles arcana imperii – conselhos de gabinete da sabedoria divina? Devemos, então, nos contentar por não conhecer os eventos futuros da Providência, até que o tempo os revele (At 1.7), e não conhecer as razões secretas da Providência até que a eternidade os revele. DEUS é, agora, um DEUS que se oculta (Is 45.15), nuvens e trevas estão à sua volta. Embora esta sabedoria esteja oculta de todos os viventes, ainda assim a perdição e a morte dizem: “Ouvimos com os nossos ouvidos a sua fama”. Embora eles não possam dar uma explicação sobre si mesmos (pois não há sabedoria nem conhecimento na sepultura, e muito menos nisto), há um mundo do outro lado da morte e da sepultura, em que estão os limites destas regiões escuras, e ao qual devemos passar, através da sepultura, e então veremos claramente aquilo sobre o que agora estamos no escuro. “Tenha um pouco de paciência”, diz a morte à alma inquisitiva: “Em breve eu te levarei a um lugar onde até mesmo esta sabedoria será encontrada”. Quando o mistério de DEUS for concluído, ele será revelado, e conheceremos como somos conhecidos; quando o nosso véu da carne estiver rasgado, e as nuvens que se interpõem estiverem dispersas, saberemos o que DEUS faz, embora não o saibamos agora (Jó 13.7).
 

2. Uma verdade prática.

Este conhecimento está oculto em DEUS, como diz o apóstolo (Ef 3.19). Conhecidas de DEUS são todas as suas obras, embora não sejam conhecidas por nós (At 15.18). Há boas razões para o que Ele faz, embora não possamos compreendê-las (v. 23): “DEUS entende o seu caminho”. Os homens, às vezes, fazem o que não sabem, mas DEUS nunca. Os homens fazem o que não tencionavam fazer; novas ocorrências os colocam sob novos conselhos, e os forçam a adotar novas medidas. Mas DEUS faz tudo de acordo com o que se propôs, e o que Ele nunca altera. Às vezes, os homens fazem aquilo para o que não podem fornecer uma boa razão, mas em cada vontade de DEUS há um conselho: Ele sabe tanto o que faz e por que o faz, toda a série de eventos e a ordem e o lugar de cada ocorrência. Este conhecimento Ele possui, em perfeição, mas o guarda para Si. Duas razões são fornecidas aqui pelas quais DEUS, e somente DEUS, é capaz de entender o seu próprio caminho:
(1) Porque todos os eventos são agora ordenados por uma Providência que vê tudo e que é poderosa (vv. 24,25). Aquele que governa o mundo é, [1] Onisciente; pois Ele vê as extremidades da terra, em lugar e em tempo; épocas distantes, regiões distantes, tudo está sob os seus olhos. Nós não entendemos o nosso próprio caminho, e muito menos podemos entender o caminho de DEUS, porque somos míopes. Quão pouco sabemos do que acontece no mundo, e muito menos do que acontecerá! Mas os olhos do Senhor estão em todos os lugares; na verdade, eles percorrem a terra, de um lado a outro. Nada é oculto dele, nem pode ser; e, portanto, as razões por que algumas pessoas ímpias prosperam notavelmente e outras são admiravelmente punidas neste mundo, que são secretas para nós, são conhecidas por Ele. Os eventos de um dia, e os assuntos de um homem têm tal referência e dependência entre si que somente aquele a quem todos os eventos e todos os assuntos são abertos e declarados, e que vê o conjunto em uma visão única e certa, é um Juiz competente de cada lado. [2] Ele é onipotente. Ele pode fazer tudo, e é muito exato em tudo o que faz. Como prova disto, Jó menciona os ventos e as águas (v. 25). O que é mais leve do que o vento? E ainda assim DEUS tem como equilibrá-lo. Ele sabe como dar peso ao vento, que Ele o tira de seus tesouros (Sl 135.7), mantendo um registro muito particular do que tira, como fazem os homens do que pagam de seus tesouros, não aleatoriamente, como os homens tiram seu lixo. Nada que nos é perceptível é mais inexplicável para nós do que o vento. Nós ouvimos o seu som, mas não sabemos de onde vem, nem para onde vai; mas DEUS o dá por peso, ordenando sabiamente que sopre daquele ponto, e com que força. As águas do mar, e as águas da chuva, Ele pesa e mede, designando a proporção de cada maré e de cada chuva. Existe uma grande e constante comunicação entre as nuvens e os mares, as águas acima do firmamento e as que estão abaixo dele. Os vapores sobem, as chuvas descem, o ar é condensado em água, a água se rarefaz em ar; mas o grande DEUS mantém um registro exato de todo aquele estoque com que esta negociação é feita, para o benefício público, e cuida para que nada seja perdido. Se, nestas coisas, a Providência é tão exata, muito mais será na dispensação de repreensões e benefícios, recompensas e punições, aos filhos dos homens, de acordo com as regras da eqüidade.
 
 
O TEMOR DO SENHOR É A SABEDORIA (BEP - CPAD).
O temor de DEUS e a reverência por Ele são fundamentais no relacionamento do crente com DEUS (Sl 61.5; Pv 1.7). (1) O temor do Senhor nos torna cuidadosos e alertas para não ofendermos nosso DEUS santo. Sem esse fundamento, não existe sabedoria genuína, e nenhuma experiência salvífica resistirá às provas do tempo e da tentação. (2) O real temor de DEUS e a real sabedoria bíblica fazem o crente abster-se do mal, e produzem "consolação do ESPÍRITO SANTO" (ver At 9.31 nota). (3) Temer a DEUS e continuar em pecado é uma impossibilidade moral. A pessoa que apregoa a majestade de DEUS e a sua oposição ao mal será notada por seu esforço sincero, decisivo e total de separar-se do pecado (Sl 4.4; Pv 3.7; 8.13; 16.6; Is 1.16) e de obedecer a Palavra de DEUS (Sl 112.1; 119.63; Pv 14.2,16; 2 Co 7.1; Ef 5.21; 1 Pe 1.17
 
 
SABEDORIA: JÓ RECONHECE A SUA FONTE DE SABEDORIA E A BUSCA (Jó 28.23-28) - BILBIA DA LIDERANÇA CRSTÃ -  John C. Maxwell
Apesar da confusão e dor, Jó deixa claro que ele espera sabedoria somente de DEUS. Compreende que não pode liderar a si próprio, muito menos a sua família, sem que DEUS seja a sua fonte inesgotável de percepção e entendimento. Jó tinha ouvido os seus amigos e sabe que as teorias deles soam vazias. O melhor que eles podem manejar é a sabedoria de seres humanos; Jó não se contentará até que tenha a sabedoria de DEUS. O terceiro capítulo de Tiago distingue entre essas duas fontes de sabedoria radicalmente diferentes
 
 
Ora, nós pomos freio nas bocas dos cavalos, para que nos obedeçam; e conseguimos dirigir todo o seu corpo.
Vede também as naus que, sendo tão grandes e levadas de impetuosos ventos, se viram com um bem pequeno leme para onde quer a vontade daquele que as governa. Assim também a língua é um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia. A língua também é um fogo; como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno. Porque toda a natureza, tanto de bestas-feras como de aves, tanto de répteis como de animais do mar, se amansa e foi domada pela natureza humana; mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal. Com ela bendizemos a DEUS e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de DEUS: de uma mesma boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não convém que isto se faça assim. Porventura, deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Assim, tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce. Quem dentre vós é sábio e inteligente? Mostre, pelo seu bom trato, as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica.
Porque, onde há inveja e espírito faccioso, aí há perturbação e toda obra perversa. Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois, pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz. Tiago 3:3-18
 
 
AUTODISCIPLINA: SE VOCÊ CONSEGUIR DOMINAR SUA LÍNGUA, VOCÊ PODERÁ DOMINAR QUALQUER COISA
(Tg 3.1-18)

Qual é o poder de nossas palavras? Tiago destaca o pequeno músculo que está dentro de nossa boca, chamado língua, uma pequena coisa que pode tanto levar à bênção como à maldição. Os líderes devem prestar muita atenção pela, pois eles estão, constantemente, em comunicação e têm muita influência quando falam. Tiago faz uma lista de quatro funções da língua:
1. A primeira função: servir de termômetro (vs. 1-2).
A língua é um metro espiritual. Se nós a conseguirmos dominar, dominaremos qualquer parte de nosso corpo. Ela se torna a medida da nossa maturidade. Nossa fé nunca registrará algo superior às nossas palavras.
2. A segunda função: servir de guia (vs. 3-5).
A língua é igual ao freio de um cavalo, ao leme de um barco ou palito de fósforo. Ele põe as coisas em movimento. Se nós a conseguimos controlar, seremos capazes de guiar nossa vida, tal qual um bridão guia um cavalo ou como um leme guia um navio.
3. A terceira função: cercar (vs. 6-8).
A língua é poderosa. Como um fogo abrasador, ela pode pôr em ruína toda uma vida. Esse poder foi dado com a intenção de nos elevar para o nível superior correto e não o de nos destruir.
4. A quarta função: guardar (vs. 9-18).
A língua é capaz de revelar que tipo de sabedoria nós estamos abrigando dentro de nós. Uma boa língua protegerá nossa integridade. Tiago pergunta: Sua língua é um bom guarda ou não? Ela está promovendo a paz ou a hipocrisia?
 
 
CONCLUSÃO
O Homem se empenha na busca da sabedoria. Age como quem explora o minério, assim o homem faz com a sabedoria. Mas a curiosidade pergunta: De onde vem a sabedoria?
A sabedoria não tem preço, mas é recebida pela graça. A sabedoria não tem valor, mas vale mais que qualquer coisa. A sabedoria não é um bem comercial, mas por ela se alcansa grandes conquistas.
A Sabedoria é uma verdade oculta que é revelada por DEUS. A Sabedoria é uma verdade prática.



SUBSÍDIOS DA Lição 9, Jó e a Inescrutável Sabedoria de DEUS - REVISTA CPAD - 4º TRIMESTRE DE 2020
 
SÍNTESE DO TÓPICO I - Jó descreve o contraste entre a busca do homem por minérios naturais e a sabedoria.
SÍNTESE DO TÓPICO II - A sabedoria não tem preço, mas tem um valor que remonta ao temor do Senhor.
SÍNTESE DO TÓPICO III - A sabedoria é uma verdade revelada e tem implicações práticas.
 

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO TOP1
Comece a aula de hoje indagando aos alunos sobre o conceito de sabedoria. Ao mesmo tempo que você ouve as respostas, perceba como é comum muitos confundirem sabedoria com capacidade intelectual. Após ouvi-los, explique que, embora uma pessoa sábia possa apresentar uma grande capacidade intelectual, a sabedoria não está associada diretamente a tal capacidade. Procure deixar isso bem claro para os alunos. E, como veremos nesta lição, afirme que a sabedoria divina está intimamente ligada ao “temor do Senhor” na vida do crente.
 

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO TOP2
“A Excelência da Sabedoria – vv.14-19. Tendo falado sobre a riqueza do mundo, que os homens valorizam tanto, e que se esforçam tanto por obter, Jó aqui fala de outra joia mais valiosa, que é a sabedoria e o entendimento, conhecer e ter prazer, em DEUS e em nós mesmos. Os que descobriam todos os caminhos e meios para enriquecer se julgam muito sábios; mas Jó não considera que tenham sabedoria. Ele supõe que eles conseguiram o seu objetivo, e trouxeram à luz aquilo que buscavam (v.11), mas pergunta: ‘Mas onde se achará a sabedoria?’ pois ela não está aqui. Este seu caminho é a sua loucura. Devemos, portanto, buscá-la em outro lugar; e ela não será encontrada em outra parte, senão nos princípios e nas práticas da religião. Há mais conhecimento verdadeiro, satisfação e felicidade na divindade genuína, que nos mostra o caminho para as alegrias do céu, do que na filosofia natural ou na matemática, e que podem nos ajudar a encontrar o caminho para as entranhas da terra” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.136).
 

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO TOP3
“Não podemos alcançar a verdadeira sabedoria, senão pela revelação divina. ‘O Senhor dá a sabedoria’ (Pv 2.6). Entretanto, ela não é encontrada nos segredos da natureza ou da providência, mas nas regras para o nosso próprio proceder. Ao homem, Ele não disse, ‘Suba ao céu, para encontrar ali a felicidade’, nem ‘Desça às profundezas, para encontrá-la ali’. Não, a ‘palavra está mui perto de ti’ (Dt 30.14). Ele te mostrou, ó homem, não o que é grande, mas o que é bom; não o que o Senhor teu DEUS deseja fazer contigo, mas o que Ele pede de ti (Mq 6.8). ‘A vós, ó homens, clamo’ (Pv 8.4). Senhor, o que é o homem, para que seja assim visitado! Veja, perceba isto, aquele que tem ouvidos, que ouça o que o DEUS do céu diz aos filhos dos homens: O temor do Senhor, isto é a sabedoria. Aqui temos: 1. A descrição da verdadeira religião, a religião pura e imaculada; é temer o Senhor e afastar-se do mal, o que está de acordo com a descrição que DEUS faz de Jó (1.1). O temor do Senhor é a fonte e o resumo de toda a religião” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.138).
 

PARA REFLETIR
Que contraste Jó faz no capítulo 28?
Neste capítulo (28) Jó faz um contraste entre a busca do homem por minérios naturais e a sabedoria.
O que o homem descrito por Jó é capaz e não é capaz de fazer?
O homem descrito por Jó é capaz de desviar o curso das águas, a fim de evitar a inundação das minas (v.12), mas não é capaz encontrar a sabedoria.
Que paralelo é possível ver no capítulo 28 de Jó?
Podemos ver um paralelo entre a sabedoria exposta por Jó neste capítulo (vv.12-19) com a descrita no livro de Provérbios.
O patriarca Jó nega a existência da sabedoria?
O patriarca não nega que a sabedoria exista ou que ela pode ser encontrada, mas o que ele diz é que a sabedoria não é um bem comercial.
O que aproxima o homem de DEUS e o afasta do mal?
O temor do Senhor aproxima o homem de DEUS e o afasta do mal.


SUGESTÃO DE LEITURA
A Sabedoria de DEUS na Vida da Mulher; Como ter o Coração de Maria no Mundo de Marta,; Tendo um ESPÍRITO Como o de Maria.
 

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 83, p. 40. Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.
 
 
Bibliografia
Comentário - NVI (F.F.Bruce) - Vida Nova
BILBIA DA LIDERANÇA CRSTÃ -  John C. Maxwell- CPAD
Com. Bíblico - Matthew Henry (Exaustivo) AT e NT- CPAD
BEP - CPAD.
As Grandes Doutrinas da Bíblia - CPAD