Para nos ajudar PIX 33195781620 (CPF) Luiz Henrique de Almeida Silva
Autor: bispo Samuel Ferreira
Vídeo https://youtu.be/oGKOIthSKkI?si=dSz1-grA-IgAMlAU
Escrita https://ebdnatv.blogspot.com/2026/03/escrita-licao-1-betel-o-chamado-que.html
Slides https://ebdnatv.blogspot.com/2026/03/slides-licao-1-betel-o-chamado-que.html
ESBOÇO DA LIÇÃO
1. A SITUAÇÃO
DO POVO E DE JERUSALÉM
1.1. A situação
do povo
1.2. A situação
de Jerusalém
1.3. Momentos
difíceis unem propósitos
2. AS REAÇÕES
DE NEEMIAS
2.1.
Assentei-me e chorei: a reação de quem ama
2.2. Lamentei por alguns dias: a reação de quem não se
conforma
2.3. Estive jejuando e orando perante o DEUS dos Céus: a
reação de quem acredita na promessa
3. DEUS PROMETEU RESTAURAR O SEU POVO
3.1. Batalha espiritual
3.2. As armas espirituais usadas por Neemias
3.3. Confiando em DEUS
TEXTO ÁUREO
"E sucedeu que, ouvindo
eu estas palavras, assentei-me e chorei e lamentei por alguns dias; e
estive jejuando e orando perante o DEUS dos céus", Neemias 1.4
VERDADE
APLICADA
Devemos ter em
mente que dependemos do Senhor e da direção do ESPÍRITO SANTO no enfrentamento
dos diversos desafios que surgem na jornada cristã.
TEXTOS DE
REFERÊNCIA - Neemias 1:1-3
¹ As palavras
de Neemias, filho de Hacalias. E sucedeu no mês de Quisleu, no ano vigésimo,
estando eu em Susã, a fortaleza,
² Que veio
Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei-lhes pelos judeus
que escaparam, e que restaram do cativeiro, e acerca de Jerusalém.
³ E
disseram-me: Os restantes, que ficaram do cativeiro, lá na província estão em
grande miséria e desprezo; e o muro de Jerusalém fendido e as suas portas
queimadas a fogo.
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SUBSÍDIOS
EXTRAS – LIVROS, REVISTAS E GOOGLE
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Veja mais sobre
este assunto em
https://www.estudantesdabiblia.com.br/cpad_sumario_2020_3t.htm
Título: Os princípios divinos em tempos de crise — A reconstrução de
Jerusalém e o avivamento espiritual como exemplos para os nossos dias
Lição 1: Daniel ora por um despertamento
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Jeremias profetizou que os judeus retornariam do cativeiro babilônico após 70 anos (Jr 25:11-12, 29:10), uma promessa de restauração divina após a disciplina. Daniel, baseando-se em Jeremias, orou pelo cumprimento dessa promessa ao final do exílio, recebendo a revelação das "setenta semanas" que detalha a reconstrução do templo e o tempo até o Messias.
Profecias de Jeremias sobre o Retorno (c. 605-586 a.C.)
- Os 70
Anos: Jeremias previu que Judá
serviria à Babilônia por 70 anos, após os quais Deus puniria a nação
babilônica e faria o povo retornar a Jerusalém (Jr 25:11-12).
- Plano de
Paz e Esperança: Em
Jeremias 29:10-14, ele declara que, cumpridos os 70 anos, Deus traria o
povo de volta da dispersão, reafirmando planos de paz e a restauração à
terra de onde foram levados cativos.
- Reunificação: A profecia indica que Deus reuniria
os judeus de todas as nações para onde os espalhou, trazendo-os de volta
ao seu lar (Jr 29:14).
- Entendimento
dos Tempos: Daniel
estudou o livro de Jeremias e entendeu que o período de desolação de 70
anos estava acabando (Dn 9:2).
- As 70
Semanas (Setenta Setes): Em
resposta à oração de Daniel, o anjo Gabriel revelou um período de
"setenta semanas" (490 anos, em semanas de anos) determinado
para o povo judeu, que incluía a reconstrução de Jerusalém (ruas e muros)
em tempos difíceis (Dn 9:24-25).
- A
Cronologia da Restauração: Daniel
dividiu o período em sete semanas (49 anos) para a reconstrução inicial e
62 semanas (434 anos) até a vinda do "Ungido" (Messias),
delineando o retorno e a reorganização da nação (Dn 9:25-26).
- Profecias
do Fim dos Tempos: Além
do retorno do exílio babilônico, Daniel 11 e 12 contêm profecias sobre um
futuro "tempo de angústia" e um retorno final de Israel, focado
nos eventos do fim dos tempos (Dn 12:1).
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Lição
1: Daniel ora por um despertamento - Data: 05 de Julho de 2020
LIÇÕES BÍBLICAS
CPAD - JOVENS E ADULTOS - 3º Trimestre de 2020
Título: Os
princípios divinos em tempos de crise — A reconstrução de Jerusalém e o
avivamento espiritual como exemplos para os nossos dias
Comentarista: Eurico Bergstén
LEITURA BÍBLICA
EM CLASSE - Daniel 9.1-3; 6.10; 2.17-19; Esdras 1.1-5.
Daniel 9
1 — No ano primeiro de Dario, filho de Assuero, da nação dos
medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus,
2 — No ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos
livros que o número de anos, de que falou o Senhor ao profeta Jeremias, em que
haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos.
3 — E eu dirigi o meu rosto ao Senhor DEUS, para o buscar com
oração e rogos, com jejum, e saco e cinza.
Daniel 6
10 — Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada,
entrou em sua casa (ora havia no seu quarto janelas abertas da banda de
Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos e orava, e dava graças,
diante do seu DEUS, como também antes costumava fazer.
Daniel 2
17 — Então Daniel foi para a sua casa, e fez saber o caso a
Ananias, Misael e Azarias, seus companheiros.
18 — Para que pedissem misericórdia ao DEUS do céu, sobre este
segredo, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem, com o resto
dos sábios de Babilônia.
19 — Então foi revelado o segredo a Daniel numa visão de noite.
Então Daniel louvou o DEUS do céu.
Esdras
1 — No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse
a palavra do Senhor, por boca de Jeremias) despertou o Senhor o espírito de
Ciro, rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também
por escrito, dizendo:
2 — Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O Senhor DEUS dos céus me deu
todos os reinos da terra; e ele me encarregou de lhe edificar uma casa em
Jerusalém, que é em Judá.
3 — Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja seu DEUS com ele,
e suba a Jerusalém, que é em Judá, e edifique a casa do Senhor, DEUS de Israel;
ele é o DEUS que habita em Jerusalém.
4 — E todo aquele que ficar em alguns lugares em que andar
peregrinando, os homens do seu lugar o ajudarão com prata, e com ouro, e com
fazenda, e com gados, afora as dádivas voluntárias para a casa do Senhor, que
habita em Jerusalém.
5 — Então se levantaram os chefes dos pais de Judá e Benjamim e
os sacerdotes e os levitas, com todos aqueles cujo espírito DEUS despertou,
para subirem a edificar a casa do Senhor, que está em Jerusalém.
OBJETIVO
GERAL
Conscientizar
os alunos sobre a necessidade de estudar a Palavra e orar em busca de um
despertamento, proveniente de DEUS, nesses dias trabalhosos.
OBJETIVOS
ESPECÍFICOS
Abaixo os
objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada
tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com seus respectivos
subtópicos.
- I.
Apresentar os
motivos que levaram Daniel a ser despertado para a oração;
- II.
Pontuar a resposta divina às
orações de Daniel;
- III.
Destacar o resultado de um
despertamento proveniente de DEUS.
INTERAGINDO COM
O PROFESSOR
Vamos iniciar
mais um trimestre com a graça do nosso Senhor JESUS. Estudaremos “Os
Princípios Divinos em Tempos de Crise: A Reconstrução de Jerusalém e o
Avivamento Espiritual como Exemplos para os nossos Dias”, um assunto que não
pode ser negligenciado e muito menos esquecido pela igreja do Senhor,
principalmente nos dias em que a perseguição sutil vem, de forma crescente,
abatendo sobre nós. Sempre que o povo ele DEUS passava por momentos difíceis, o
despertamento mostrara-se o melhor caminho para a vitória dos servos de DEUS
sobre os seus inimigos. Que o Senhor da Seara desperte sobre nós o avivamento
puro e genuíno, capaz de mudar o cativeiro dos servos fiéis, fortalecendo-os na
Palavra, incentivando-os a uma vida de oração e capacitando-os a levar o
arrependimento a este mundo que caminha em densas trevas.
Ao introduzir a
lição, apresente o comentarista deste trimestre, o saudoso pastor Eurico
Bergstén, que comentou esta lição ainda na década de 90, cujo assunto permanece
tão atual e necessário para os crentes de todas as épocas. Eurico Bergstén
muito contribuiu com a literatura evangélica brasileira, sendo autor da
Teologia Sistemática que leva o seu nome, bem como autor de diversos livros e
comentarista de lições bíblicas. Vale a pena citar que o pastor foi o
comentador que teve mais comentários publicadas pela CPAD, 35 ao todo. São
comentários que, até hoje, continuam abençoando e edificando vidas para a
glória de DEUS! É o que poderemos confirmar neste trimestre.
COMENTÁRIO -
INTRODUÇÃO
Os crentes
fiéis brilham como a luz (Mt 5.15) e resplandecem no meio de uma geração
corrompida e perversa (Fp 2.15). Assim era Daniel. Quando no ano 606 a.C. foi
levado cativo para a Babilônia (Dn 1.1-4,6), era ainda muito jovem, tinha cerca
de 15 anos. Muitos anos depois, Daniel gozava de elevado conceito no reino da
Babilônia.
PONTO CENTRAL
Precisamos
estudar a Palavra e orar por despertamento espiritual.
I. DANIEL FOI
DESPERTADO PARA ORAR
Ao ler o
profeta Jeremias (Jr 29.10), ele observou que os 70 anos de cativeiro na
Babilônia estavam para findar. Todavia, ainda não era possível notar qualquer
sinal de que alguma coisa estivesse acontecendo na direção de uma mudança
radical (Dn 9.2).
Assim, Daniel
começou a orar com jejum, cobrindo-se de saco e cinza, em sinal de profunda
tristeza (Dn 9.1-3) e orou com perseverança.
1. Daniel vivia
uma vida consagrada a DEUS. Isto
dava-lhe condições de orar. A Bíblia diz: “A oração dos retos é o seu
contentamento” (Pv 15.8) e Ele “escutará a oração dos justos” (Pv 15.29).
Daniel não se misturou com o paganismo, e vivia conforme sua consciência, no
temor do Senhor. Daniel é considerado como um exemplo e um modelo para os
crentes de todos os tempos (Dn 1.8).
2. A estatura
espiritual de Daniel capacitava-o para enfrentar verdadeiros combates em
oração. Muitos crentes não conseguem
servir de ajuda decisiva com as suas orações, porque nunca chegaram a
experimentar o que significa combater em oração, o que significa perseverar
firmemente em oração (Rm 12.12; Fp 1.30; Cl 2.1). Somente “visitam”, de vez em
quando, o culto de oração. Daniel, porém, tinha por hábito orar três vezes ao
dia (Dn 6.10). Quando sua própria vida, bem como a de seus amigos e a de todos
os sábios da Babilônia estava em perigo, Daniel alcançou o livramento e a
vitória através da oração (Dn 2.18-20). Daniel era, portanto, experiente na
vida de oração.
3. Coincidindo
com o período de oração de Daniel, profundas mudanças estavam para acontecer na
Babilônia. O reino da Babilônia estava em
guerra com os medos e os persas. O rei da Babilônia era na época Nabonido. Seu
filho Belsazar estava na capital, a cidade de Babilônia, cuidando dos assuntos
administrativos do governo. Belsazar organizou uma festa para seus grandes.
Estando já embriagado, mandou trazer os vasos sagrados que o rei Nabucodonosor
havia trazido do Templo de DEUS em Jerusalém, e havia colocado no templo pagão
da Babilônia. Ele e todos os seus convidados beberam vinho nestes vasos santos
(Dn 5.2-4).
Houve então uma
intervenção divina. O rei viu que dedos de mão de homem escreviam na parede,
defronte do castiçal (Dn 5.5). Acabou-se a alegria da festa. Os joelhos do rei
tremiam. Sábios e astrólogos não puderam interpretar a mensagem escrita na
parede. Finalmente Daniel foi introduzido na festa (Dn 5.13) e interpretou o
texto escrito na parede. Entre outras coisas, estava escrito: “Dividido foi o
teu reino, e deu-se aos medos e aos persas” (Dn 5.28).
“Naquela mesma
noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus” (Dn 5.30).
SUBSÍDIO
BIBLIOLÓGICO
“Daniel foi um
jovem hebreu da classe nobre, levado cativo à Babilônia por Nabucodonosor, rei
do Império. Acerca de sua genealogia não sabemos muita coisa, apenas aquilo que
é depreendido do livro que traz seu nome. Não era sacerdote, como Jeremias e
Ezequiel, mas era, como Isaías, da tribo de Judá e provavelmente da Casa Real
(cf. 1.3-6), isto é, da descendência de Davi.
Daniel foi um
profeta de DEUS cujos temas são de alcance muito vasto. Vaticinou
acontecimentos que ainda vão surgir na história do Planeta, os quais estamos
estudando à luz do contexto do seu próprio livro. Ele, naquela corte, ganhou
muita celebridade. O primeiro acontecimento pelo qual obteve influência na
corte babilônica foi a interpretação que deu ao sonho do rei. Ele foi,
realmente, um homem escolhido por DEUS para tão grande tarefa espiritual”
(SILVA, Severino Pedro. Daniel Versículo por Versículo: As
visões para esses últimos dias. 28ª impressão, RJ: CPAD, 2018, p.12).
II. A RESPOSTA
ÀS ORAÇÕES DE DANIEL
Daniel havia
orado, lembrando-se da promessa de DEUS registrada pelo profeta Jeremias: “Vos
visitarei e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando-vos a trazer a
este lugar” (Jr 29.10).
Com a queda do
reino babilônico, e com o início do governo do rei Ciro, as coisas evoluíram
com muita rapidez, deixando todos surpreendidos e admirados.
1. A Bíblia
relata o que realmente aconteceu. “No
primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia (para que se cumprisse a palavra do SENHOR,
por boca de Jeremias), despertou o SENHOR o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o
qual fez passar pregão por todo o seu reino, como também por escrito, dizendo:
Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, DEUS dos céus, me deu todos os reinos
da terra; e ele me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém, que é em
Judá. Quem há entre vós, de todo o seu povo, seja DEUS com ele, e suba a
Jerusalém, que é em Judá, e edifique a Casa do SENHOR, DEUS de Israel; ele é o DEUS
que habita em Jerusalém” (Ed 1.1-3).
2. Conforme
essa declaração de Ciro, estava cumprida a promessa divina dada através do
profeta Jeremias. Mas tudo foi como diz a
Bíblia: “Tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos”
(Ef 3.20). Vejamos, pois, o que estava para acontecer:
a. Todos
os judeus seriam liberados para voltarem a Judá, caso quisessem (Ed 1.3);
b. Receberam
permissão para reedificar o templo;
c. Todas
as despesas da construção do Templo poderiam ser tiradas dos tributos de além
do rio;
d. Os
vasos sagrados devem ser entregues aos cuidados de Zorobabel, nomeado
governador dos judeus pelo rei Ciro, para serem transportados de volta para
Jerusalém (Ed 1.7).
SUBSÍDIO
BÍBLICO
“Oração
A terminologia
da oração é rica e variada na Bíblia Sagrada. O termo geral hebraico
é tepilla , de uma forma do verbo palal ; o termo grego
é proseuchomai . A ideia básica da palavra hebraica é a intercessão,
e da palavra grega é o voto, mas essa etimologia não é mais determinante de seu
significado. As duas palavras devem ser usadas de forma abrangente para
qualquer tipo de solicitação, intercessão ou ação de graças. A oração é
descrita como o ato de ‘invocar o nome do Senhor’ desde os dias de Sete (Gn 4.26)
até a época em que o ‘Senhor’ se revelou como o Salvador, JESUS CRISTO (cf. Jl
2.32, com Rm 10.9,12,13). Os cristãos identificam-se com aqueles que invocam
seu nome (1Co 1.2). Outras expressões do AT são ‘suplicar’ ou ‘procurar favor’
de Jeová ( pi‘el de hala , literalmente ‘tornar-se
agradável à sua face’), ‘curvar-se em adoração’ ( sasha ),
‘aproximar-se’ ( nagash ), ‘ver’ ou ‘encontrar’ para suplicar
( paga’ ), ‘implorar’ ( za’aq ) para reparar uma falta,
‘pedir’ ( sha’al ), ‘suplicar’ ( ‘athar ) ou ‘comparecer
perante a face do Senhor’. Além de proseuchomoai , os autores do NT
usam os termos ‘implorar’ ( deomai ), ‘solicitar’ ( aiteo )
ou simplesmente ‘pedir’ ( erotao ) quando se referem à oração. Ao
contrário de proseuchomai , essas palavras não são
caracteristicamente ‘religiosas’ e podem denotar pedidos dirigidos tanto aos
homens quanto a DEUS. Entre as palavras mais específicas para oração
estão entygkano (‘interceder’), proskyneo (‘adorar’),
e eucharisteo (‘dar graças’)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. RJ:
CPAD, 2006, pp.1419,1420).
III. O
RESULTADO DE UM DESPERTAMENTO PROVENIENTE DE DEUS
1. O rei Ciro
foi despertado em seu espírito. “Despertou
o Senhor o espírito do rei Ciro” (Ed 1.1). Talvez por meio de seu contato com
Daniel é que Ciro veio a conhecer a DEUS, e talvez até mesmo o adorasse. Ciro
teve uma experiência pessoal com DEUS no seu coração, e passou a compreender as
realidades de DEUS que ele antes ignorava.
a. Ciro passou
a ver a DEUS como o SENHOR DOS CÉUS (Ed 1.2). O grande rei Nabucodonosor
demorou a aprender esta lição (Dn 4.30-37). Cada despertamento verdadeiro faz
com que o homem veja a majestade de DEUS, sentindo a sua própria pequenez, o
seu pecado e a sua baixeza. Saulo assolava, perseguia, fazia e desfazia, mas
quando se encontrou JESUS, no caminho de Damasco, caiu por terra e apenas pôde
perguntar: “Quem és Senhor?” (At 9.5). A Bíblia diz que ninguém pode dizer que JESUS
é o Senhor se não for pelo ESPÍRITO SANTO (1Co 12.3).
b. Ciro teve
uma experiência com DEUS, que é SANTO. Os vasos sagrados haviam sido
roubados do Templo de Jerusalém, por Nabucodonosor, e guardados no templo pagão
da Babilônia (2Cr 36.18). Ciro era, agora, o responsável por eles, e mesmo
sendo esses vasos muito valiosos, ele queria voluntariamente devolvê-los (Ed
1.7-11).
Assim acontece
sempre em cada despertamento verdadeiro. Quando Zaqueu teve um encontro com JESUS,
quis devolver o que havia ganho com usura (Lc 19.8).
2. O rei Ciro
recebeu bênçãos espirituais. O profeta
Isaías, 200 anos antes, profetizou acerca de Ciro, chamando-o de “ungido do
Senhor” (Is 45.1). Isso nos permite entender que o ESPÍRITO SANTO deve ter-lhe
proporcionado alguma bênção espiritual. Cada despertamento traz bênçãos para o
coração do crente.
SUBSÍDIO
HISTÓRICO
“[…] Ciro, um
general de inteligência estratégica admirável, passou parte de sua vida
desferindo ataques-relâmpago contra vários adversários, tanto próximos quanto
distantes. Com a experiência de guerra, Ciro cercou Babilônia, tornando-a
praticamente sem resistência em 539 a.C. O rei Nabonido tinha o hábito de
ausentar-se da capital, e fazia-o até mesmo (ou especialmente) nas comemorações
de Ano Novo, quando como de costume participava dos rituais tradicionais. Suas
ausências eram cada vez mais frequentes e demoradas, de forma que o real
governo da cidade estava na mão de seu filho Belsazar. Foi esse desafortunado
vice-rei que presenciou o colapso da nação com a chegada de Gubaru, o
comandante persa e governador de Gutium. Parece que Belsazar morreu durante ou
pouco depois do conflito, enquanto seu pai Nabonido foi capturado e em seguida
solto condicionalmente. Duas semanas depois, Ciro marchou triunfantemente pela
cidade e celebrou com alegria a derrota de seu rival, tornando-se o senhor
absoluto do oriente.
Ciro pôs em
prática uma política beneficente, permitindo a todos os exilados o retorno para
suas terras. Os judeus, é claro, também estavam incluídos, e viram nesse
decreto a bênção de DEUS, como cumprimento da palavra profética. Para eles,
esta libertação não era menos significativa que aquela do êxodo sob a liderança
de Moisés. Na verdade, a linguagem dos profetas, por exemplo Isaías 40-66, está
repleta de imagens do êxodo. É verdade que a maioria dos judeus da dispersão
preferiu permanecer em suas casas, especialmente os que moravam em Babilônia,
mas aqueles que tinham seus olhos voltados para o propósito eterno de DEUS
viram no cativeiro um instrumento de correção. E o retorno à pátria era o sinal
de que ainda tinham um papel redentor a desempenhar” (MERRIL, Eugene H. História
de Israel no Antigo Testamento: O reino de sacerdotes que DEUS colocou
entre as nações. 6ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.503,504).
PARA REFLETIR
A respeito de
“Daniel ora por um despertamento”, responda:
Com quantos
anos, aproximadamente, foi Daniel levado à Babilônia?
Daniel era
ainda muito jovem, tinha cerca de 15 anos de idade.
Que escritura
profética levou Daniel a orar e jejuar?
A profecia de
Jeremias (Jr 29.10).
O que a
escritura dizia?
A escritura
profética dizia estar chegando ao fim o cativeiro dos judeus.
O que aconteceu
no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia?
O Senhor
despertou o coração deste rei em favor do povo de Judá, favorecendo o retorno
deste à Terra Prometida.
Cite um exemplo
bíblico de um despertamento verdadeiro.
Quando Zaqueu
teve um encontro com JESUS.
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Lição 6,
Neemias Reconstrói os Muros de Jerusalém
Revista Adulto,
CPAD, 3° trimestre 2020
Tema: Os Princípios Divinos em Tempo de Crise - A reconstrução de Jerusalém e o
avivamento espiritual como exemplos para os nossos dias
Comentarista:
Pr. Eurico Bergstén
Complementos,
Ilustrações e Vídeos: Pr. Luiz Henrique de Almeida Silva -
99-99152-0454. - henriquelhas@hotmail.com -
Jordanésia, Cajamar - SP - Tel Esposa - 19-98448-2187
LEITURA DIÁRIA
Segunda - 1 Rs 6.1-38 Salomão, desperto,
constrói o Templo
Terça - Gn 14.18-20 Abraão, desperto, entregou o dízimo
Quarta - Jo 4.1-42 O despertamento dos samaritanos
Quinta - At 16.25,31 Um despertamento à meia-noite
Sexta - At 13.1-14 Um despertamento missionário
Sábado - Mt 25.6 O despertamento final
LEITURA BÍBLICA
EM CLASSE - Neemias 1.1-4; 2.1-9
Neemias 3
1- As palavras de Neemias, filho de Hacalias. E sucedeu no mês de quisleu, no
ano vigésimo, estando eu em Susã, a fortaleza, 2 - que veio Hanani, um de meus
irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam e que
restaram do cativeiro e acerca de Jerusalém. 3 - E disseram-me: Os restantes,
que não foram levados para o cativeiro, lá na província estão em grande miséria
e desprezo, e o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo.
4 - E sucedeu que, ouvindo eu essas palavras, assentei-me, e chorei, e lamentei
por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o DEUS dos céus.
Neemias 2
1 - Sucedeu, pois, no mês de nisã, no ano vigésimo do rei Artaxerxes, que
estava posto vinho diante dele, e eu tomei o vinho e o dei ao rei; porém nunca,
antes, estivera triste diante dele. 2 - E o rei me disse: Por que está triste o
teu rosto, pois não estás doente? Não é isso senão tristeza de coração. Então,
temi muito em grande maneira 3 - e disse ao rei: Viva o rei para sempre! Como
não estaria triste o meu rosto, estando a cidade, o lugar dos sepulcros de meus
pais, assolada, e tendo sido consumidas as suas portas a fogo? 4 - E o rei me
disse: Que me pedes agora? Então, orei ao DEUS dos céus 5 - E disse ao rei: Se
é do agrado do rei, e se o teu servo é aceito em tua presença, peço-te que me
envies a Judá, à cidade dos sepulcros de meus pais, para que eu a edifique. 6 -
Então, o rei me disse, estando a rainha assentada junto a ele: Quanto durará a
tua viagem, e quando voltarás? E aprouve ao rei enviar-me, apontando-lhe eu um
certo tempo. 7 - Disse mais ao rei: Se ao rei parece bem, deem-se-me cartas
para os governadores dalém do rio, para que me deem passagem até que chegue a
Judá; 8 - como também uma carta para Asafe, guarda do jardim do rei, para que
me dê madeira para cobrir as portas do paço da casa, e para o muro da cidade, e
para a casa em que eu houver de entrar. E o rei mas deu, segundo a boa mão de
DEUS sobre mim. DEUS sobre mim. 9 - Então vim aos governadores dalém do rio, e
dei-lhes as cartas do rei. E o rei tinha enviado comigo chefes do exército e
cavaleiros.
OBJETIVO GERAL
- Mostrar que foi DEUS quem despertou em Neemias o desejo de restaurar os muros
de Jerusalém.
OBJETIVOS
ESPECÍFICOS
Mostrar como DEUS respondeu às orações de
Neemias;
Saber como foi a ida e a chegada de Neemias a Jerusalém;
Explicar como Neemias iniciou a reconstrução dos muros;
Compreender que o levantamento dos muros provocou grande oposição;
Apontar como foi a inauguração solene dos muros;
Conscientizar a respeito dos ensinos que a construção dos muros traz.
INTERAGINDO
COM O PROFESSOR
Prezado(a) professo(a), nesta lição estudaremos a respeito da reconstrução
dos muros de Jerusalém. Veremos que Neemias foi escolhido pelo Senhor como
líder para esta grandiosa obra.
Neemias era um homem íntegro que dependia inteiramente de DEUS e da sua
Palavra. Além de trabalhar arduamente na construção dos muros e portas, ele
teve que enfrentar inimigos externos e internos. Homens que se infiltraram no
meio dos trabalhadores, cujo único objetivo era atrapalhar e impedir a reforma
da cidade. Porém, Neemias não se deixou intimidar pelos adversários. Aprendemos
com o exemplo de vida deste servo de DEUS que todas as vezes que desejamos
empreender algo em favor do povo de DEUS, os adversários se levantam, mas
quando confiamos no Todo-Poderoso inteiramente, recebemos forças e coragem para
lutar. DEUS colocou em suas mãos uma importante obra: ensinar sua Palavra.
Então, não desista diante dos desafios, dos inimigos e das dificuldades.
Resumo da Lição
6, Neemias Reconstrói os Muros de Jerusalém
I – DEUS
RESPONDE ÀS ORAÇÕES DE NEEMIAS
1. DEUS envia emissário a Neemias.
2. Neemias,
angustiado, jejua e ora.
3. DEUS
responde às orações de Neemias.
4. DEUS
despertou o rei a atender o pedido de Neemias.
II – NEEMIAS
CHEGA A JERUSALÉM (Ne 2.7-11).
1. Neemias faz levantamento da real situação dos muros.
2. Neemias
declara sua intenção de reedificar os muros.
III – NEEMIAS
INICIA O LEVANTAMENTO DOS MUROS
1. O plano de Neemias. Ver capítulo 3.
2. A tática de
Neemias.
3. A união dos
judeus ficou ameaçada.
IV – O
LEVANTAMENTO DOS MUROS PROVOCOU GRANDE OPOSIÇÃO
1. Iniciada a edificação dos muros, Sambalate e Tobias indignaram-se
grandemente, e usaram várias estratégias para fazerem parar a obra.
2. O muro foi
concluído (Ne 6.15).
V – O MURO FOI
SOLENEMENTE INAUGURADO
1. Para a dedicação dos muros foram convocados todos os levitas, a fim de
dedicarem os muros com alegria, com louvores, com canto, com saltério, com
alaúdes e com harpas (Ne 12.27).
2. O ato de
dedicação incluiu duas procissões ao longo dos muros, as quais pararam diante
da Casa de DEUS, onde houve sacrifícios (Ne 12.30,38,40).
VI – OS MUROS
TRAZEM ENSINO SIMBÓLICO IMPORTANTE
1. A Bíblia
fala da salvação como um muro.
2. O muro da
salvação fala da divina proteção que beneficia aqueles que se abrigam dentro
dele.
3. O muro da
salvação é uma permanente linha divisória entre o reino de DEUS e o reino deste
mundo.
Comentários do
Pr Henrique
INTRODUÇÃO
Templo
21 anos
Muros feitos em 52 dias Neemias 6.15
Neemias orou e jejuou por 3 meses. Comia só a porção obrigatória da comida
do rei.
No mês de Nisã DEUS fala com Neemias. Redenção. Primeiro mês do calendário
judaico.
Mês da Páscoa. Libertação do povo do cativeiro do Egito.
Templo, santo dos santos, nosso espírito, local de comunhão íntima com DEUS.
Oração.
Cidade, alma, casas, nossos sentimentos, vontade, decisão. Leitura bíblica.
Muros, corpo, desejos da carne ou domínio do espírito, primeiro local do ataque
do inimigo, deve estar protegido pelo jejum.
Inimigo
ataca assim.
Concupiscência da carne, concupiscência dos olhos, soberba da vida.
Corpo, alma e espírito.
Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos
olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. 1 João 2:16
Inimigos
impedidos de participar da obra.
Neemias, mordomo
do rei Xerxes, soube da triste situação da cidade de Jerusalém e seus
compatriotas. Orou e jejuou pedindo a DEUS solução e o favor do rei para ir a
Jerusalém ajudar seu povo. DEUS concede sua petição e traça o plano de reconstrução
através de Neemias.
o livro de
Neemias narra todo o processo de reconstrução dos muros de Jerusalém. A serviço
de Artaxerxes, rei da Pérsia, Neemias recebeu um triste diagnóstico social da
Cidade Santa e pôs-se a orar pela intervenção de DEUS em favor de Jerusalém.
Como resposta de sua prece, o capítulo 2 descreve que, através de Artaxerxes,
Neemias foi nomeado governador da cidade e iniciou a restauração moral e
política de Jerusalém.
"Nem todo
o mundo tem o nome de Neemias em sua lista de personagens bíblicos favoritos.
Imagino que isso se deva a, pelo menos, duas razões: Para começar, a maioria
dos cristãos conhece bem pouco sobre ele. Suas leituras do Antigo Testamento
são incompletas, e o livro de Neemias não é mencionado no Novo Testamento,
inferem que não seja importante e não se interessam por ele. Se lhes fosse dito
como é forte o caso que o liga a Moisés refundador da nação, para cuja criação
DEUS usou Moisés, ficariam surpresos. Além disso, aqueles que conhecem algo a
seu respeito formaram uma imagem desagradável dele, que os impede de levá-lo a
sério como homem de DEUS. Veem-no como uma pessoa um tanto selvagem, que
lançava a própria carga sobre os outros e nunca foi uma companhia agradável, em
circunstância alguma. Notam as imprecações em suas orações: 'Caia o seu
opróbrio sobre a sua cabeça, e faze com que sejam um despojo, numa terra de
cativeiro. E não cubras a sua iniqüidade, e não se risque diante de ti o seu
pecado' (Ne 4.4,5; compare com 6.14 e 13.29, onde 'lembrar' significa 'lembrar
para julgamento'). Observam que, ao menos em uma ocasião, ele amaldiçoou e
espancou seus compatriotas, e arrancou-lhes os cabelos (13.25). E então
concluem que, dificilmente, ele era um homem bom; decerto, não um homem de
grande estatura espiritual, de quem se pode aprender lições preciosas. Qual é o
comentário para tal avaliação? Primeiro, havia algumas arestas realmente
ásperas em Neemias; todo líder as possui. Com base nos quatro temperamentos,
ele parece ter sido um homem colérico, rijo, indócil e franco, que se sentia
extremamente feliz despendendo energia em projetos desafiadores, e que achava
mais fácil fazer do que ser. Pessoas desse tipo são sempre consideradas
assustadoras, em particular quando, guiadas por seu zelo, falam e agem de modo
excessivamente enfático - o que acontece com frequência. Segundo, DEUS prepara
Neemias para uma tarefa que um homem menos franco não seria capaz de executar.
E, terceiro, a limpeza que JESUS fez no Templo e a acusação que lançou aos
fariseus foram mais rudes que qualquer coisa feita por Neemias. Se achamos que
a impetuosidade de JESUS era justificada, podemos admitir a possibilidade de
que a de Neemias também fosse. [...] Todavia, não defendo que Neemias tenha
sido impecável. Eu seria tolo e beiraria à blasfêmia, se o fizesse. JESUS
CRISTO é o único homem sem pecado encontrado na Bíblia. [...] Todo servo de
DEUS falha, de um modo ou de outro, e Neemias não era a exceção à regra.
Contudo, a sua força era maravilhosa. Por isso, espero que ninguém perca o
interesse nesse estadista, simplesmente por havermos concordado que ele não era
perfeito" (PACKER, J. I. Neemias - Paixão pela fidelidade. 1.ed., RJ:
CPAD, 2011, pp.35,36).
Livro Décimo
Primeiro - Flávio Josefo - História dos Hebreus - 2004 - CPAD
445. Neemias
1. Depois da morte de Esdras, um judeu dentre os escravos, de nome
Neemias, que era mordomo do rei Xerxes, passeando um dia fora da cidade de
Susã, capital da Pérsia, viu uns estrangeiros que vinham de províncias
distantes e percebeu que eles falavam a língua hebraica. Aproximou-se deles
para perguntar de onde vinham e soube que eram da Judéia. Perguntou-lhes como
ia aquele país, particularmente Jerusalém. Responderam-lhe que tudo estava em
muito mau estado, que as muralhas da cidade estavam em ruínas e que não havia
males que os povos vizinhos não lhes causassem, pois devastavam continuamente
os campos, levavam prisioneiros os habitantes da cidade, e frequentemente
encontravam-se cadáveres pelas estradas.
Neemias ficou
tão desconsolado pela aflição do povo de seu país que não pôde reter as
lágrimas. E, elevando os olhos ao céu, disse a DEUS: "Até quando, Senhor,
permitireis que a vossa nação seja perseguida e torturada por tantos males? Até
quando permitireis que ela seja presa de vossos inimigos?" O sofrimento
fez-lhe esquecer até o momento em que se encontrava, pois vieram dizer-lhe que
o rei estava prestes a se pôr à mesa, e ele correu para servi-lo.
Neemias 2. O príncipe, que estava de bom humor, tendo notado ao sair da
mesa que Neemias estava muito triste, perguntou-lhe o motivo. Ele respondeu,
depois de rogar a DEUS em seu coração que tornasse as suas palavras bem
persuasivas: "Como poderia, majestade, não estar triste pela aflição de
saber a que estado se acha reduzida a cidade de Jerusalém, minha querida
pátria, onde estão os sepulcros de meus antepassados? Os seus muros estão
completamente em ruínas, e as suas portas, reduzidas a cinzas. Fazei-me,
Senhor, o favor de permitir que eu vá reerguê-las e de fornecer o que falta
para completar a restauração do Templo!"
O soberano
recebeu tão bem esse pedido que não somente concedeu o que ele desejava, como
também prometeu escrever aos seus governadores para que o tratassem com muita
honra e o ajudassem em tudo o que ele desejasse. Acrescentou o príncipe:
"Esquecei então a vossa aflição e continuai a servir-me, com
alegria". Neemias adorou a DEUS e deu ao rei os seus humildes e sinceros
agradecimentos por tão grande favor. O seu rosto tornou-se tão alegre quanto
antes estava triste.
No dia
seguinte, o rei entregou-lhe as cartas endereçadas a Sadé, governador da Síria,
da Fenícia e de Samaria, pelas quais ordenava tudo o que dissemos há pouco.
Neemias partiu com essas cartas para a Babilônia, de onde levou várias pessoas
de sua nação, e chegou a Jerusalém no vigésimo quinto ano do reinado de Xerxes.
Depois de entregar as cartas a Sadé e as que eram endereçadas aos outros,
mandou reunir todo o povo e falou: "Não ignorais o cuidado que o DEUS
Todo-poderoso teve de Abraão, de Isaque e de Jacó, nossos antepassados, por
causa da piedade deles e de seu amor pela justiça. E hoje ainda Ele nos faz ver
que não nos abandonou, pois obtive do rei, por auxílio dEle, permissão para
reedificar as nossas muralhas e ultimar a construção do Templo. No entanto,
como não posso duvidar do ódio que nos têm as nações vizinhas, as quais, quando
virem o entusiasmo com que trabalhamos nestas obras, tudo farão para nos
atrapalhar, creio que temos duas coisas a fazer. A primeira é pormos toda a
nossa confiança no auxílio de DEUS, que pode sem dificuldade confundir os
desígnios de nossos inimigos. A segunda é trabalhar dia e noite com ardor
infatigável, para terminarmos a nossa empresa sem perda de tempo, pois este nos
é favorável e deve ser para nós muito precioso".
Depois dessas
palavras, Neemias ordenou aos magistrados que mandassem medir o perímetro das
muralhas. Dividiu o trabalho entre o povo, fixou a cada porção um número de
aldeias e de vilas, para também trabalharem com eles, e prometeu ajudá-los o
quanto possível. Todos animaram-se com essas palavras e puseram mãos à obra.
Foi então que se começou a chamar de judeus os que de nossa nação regressaram
da Babilônia e da Judéia ao país, porque fora outrora propriedade da tribo
de Judá.
Neemias 4 e 6. Quando os amonitas, os moabitas, os samaritanos e os
habitantes da Baixa Síria souberam que a obra progredia, sentiram grande
desgosto, e nada houve que não fizessem para dificultar o empreendimento:
faziam emboscadas aos nossos, matavam os que lhes caíam nas mãos e, como
Neemias era o principal objeto de seu ódio, deram dinheiro a alguns assassinos,
para que o matassem. Procuraram também assustar os judeus com vãos terrores,
fazendo correr o boato de que um exército formado por diversas nações avançava
para atacá-los. Tantos esforços e artifícios acabaram assustando o povo, e
pouco faltou para que abandonassem o empreendimento.
Nada, porém,
foi capaz de assustar ou desanimar Neemias. Intrépido em meio a tantas
dificuldades, continuou a trabalhar com mais ardor do que nunca e fez-se
acompanhar por alguns soldados, para lhe servirem de guardas, não que tivesse
medo da morte, mas por saber que os seus concidadãos perderiam a coragem se não
o tivessem mais entre eles para animá-los na execução de tão santa empresa.
Ordenou aos operários que, no trabalho, mantivessem a espada sempre ao lado e
perto de si os seus escudos, para deles se servirem em caso de necessidade.
Colocou trombeteiros de quinhentos em quinhentos passos, para dar o alarme e
obrigar o povo a tomar logo as armas se aparecessem os inimigos. Ele mesmo
fazia, durante toda a noite, a ronda pela cidade. Para fazer o trabalho
progredir não bebia, não comia e não dormia, exceto quando obrigado pela
necessidade. Isso ele fez não por pouco tempo, mas de forma contínua pelo
espaço de vinte e sete meses, que foi o quanto empregaram na restauração das
muralhas da cidade. Por fim, a obra foi concluída, no nono mês do vigésimo
oitavo ano do reinado de Xerxes.
Então Neemias e
todo o povo ofereceram sacrifícios a DEUS e passaram oito dias em festas e
banquetes de regozijo, o que causou aos sírios visível desprazer. Neemias,
vendo que Jerusalém não estava bastante povoada, induziu os sacerdotes e os
levitas que moravam no campo a vir para a cidade morar nas casas que ele
mandara construir e obrigou os camponeses a lhes trazer os dízimos (o que eles
fizeram com prazer), a fim de que nada os pudesse impedir de se dedicar
inteiramente ao serviço de DEUS. Assim, Jerusalém povoou-se, e esse grande
homem, após realizar ainda outras coisas dignas de mérito, morreu em idade
avançada. Era um homem tão bom, justo e zeloso do bem de sua pátria, a quem ela
é devedora de tantos benefícios, que a sua memória jamais há de perecer entre
os judeus. Flávio Josefo - História dos Hebreus - 2004 - CPAD (Adquira
esse livro da CPAD e leia com atenção para ministrar suas aulas).
AUTOR - NEEMIAS
DATA - 445-425 a.C.
O HOMEM NEEMIAS
- Como copeiro do rei Artaxerxes I, a posição de Neemias era de grande
responsabilidade (comprovar que o vinho bebido pelo rei jamais estivesse
envenenado) e de muita influência (já que um servo que desfrutava de tanta
confiança frequentemente se tomava um conselheiro bem íntimo). Ao ouvir que as
muralhas de Jerusalém ainda não haviam sido reconstruídas, e recebendo
permissão do rei para ir a Jerusalém e corrigir a situação, demonstrou
qualidades ímpares de liderança e organização. Em 52 dias o trabalho de
reconstrução foi terminado. Como governador de Judá, Neemias demonstrou
humildade, integridade, patriotismo, energia, piedade e altruísmo.
Depois de doze
anos no cargo, ele retomou por pouco tempo à corte de Artaxerxes (2: 1; 13:6) e
de lá voltou a Judá, onde exortou seu povo ao arrependimento.
Tão vívido e
franco é o relato que muito do material contido no livro provém do que deve ter
sido o diário pessoal de Neemias.
CONTEXTO
HISTÓRICO - Os papiros de Elefantina, descobertos em 1903, confirmam a
historicidade do livro de Neemias, mencionando Sambalá (2:19) e Joanã (6:18;
12:23). Estas fontes também nos indicam que Neemias deixou de ser governador de
Judá antes de 408 a.C.
CONTEÚDO - O
livro completa a história do remanescente que voltara do exílio em Babilônia,
restauração esta começada sob a liderança de Esdras. “Marca também o início das
«setenta semanas» de Daniel e fornece o contexto histórico para a profecia de
Malaquias».
I –
DEUS RESPONDE ÀS ORAÇÕES DE NEEMIAS
A angústia de
Neemias pela desgraça de Jerusalém – Sua oração
Neemias
era o copeiro do rei da Pérsia. Quando DEUS tem uma obra que realizar, nunca
lhe faltarão instrumentos para realizá-la. Neemias vivia comodamente e com
honra, porém não esquece que é israelita e que seus irmãos estão angustiados.
Estava disposto a utilizar seus bons ofícios para ajudá-los em tudo quanto
pudesse; e para saber como fazê-lo melhor, realiza indagações a esse respeito.
Nós devemos investigar especialmente o que se refere ao estado da igreja e da
religião.
Cada crente
terá algum defeito que requererá ajuda dos serviços de seus amigos.
A primeira
apelação de Neemias foi a DEUS, para ter a plena confiança em sua petição ao
rei. Nossas melhores argumentos em oração são tomadas da promessa de DEUS, a
palavra pela qual nos dá esperanças. Devem usar de todos os métodos, mas a
oração eficaz do justo pode muito em seus efeitos. A comunhão com DEUS nos
preparará para tratar com os homens. Quando temos encomendado nossas
preocupações a DEUS, a mente fica livre; sente satisfação e compostura, e se
desvanecem as dificuldades. Sabemos que se o assunto for lesivo, Ele poderia
impedi-lo facilmente, e se for bom para nós, Ele pode fazê-lo progredir
facilmente.
Neemias 1:1-4
Neemias Recebe Notícias do Estado Deplorável de Jerusalém; Ele Ora, Chora e
Jejua
Não temos relato acerca da tribo de Neemias; mas, caso seja verdade (de acordo
com o autor de Macabeus, 2 Macabeus 1.18) que ele ofereceu sacrifício, devemos
concluir que foi um sacerdote.
Observe:
A posição de Neemias na corte da Pérsia. Lemos aqui que ele estava em Susã, a
fortaleza, ou cidade real, do rei da Pérsia, onde a corte ficava geralmente
estabelecida (v. 1), e (v. 11) que ele era o copeiro do rei. Reis e homens
notáveis provavelmente achavam pomposo ser assistidos por pessoas de outras
nações. Nesse lugar na corte, ele estaria mais bem qualificado para o serviço
do seu país no ofício para o qual DEUS o havia designado, da mesma forma que
Moisés esteve mais bem preparado para governar pelo fato de ser criado na corte
de Faraó, e Davi, na corte de Saul. Ele também teria a oportunidade mais
legítima de servir a seu país por causa dos seus benefícios com o rei e os que
o cercavam. Observe: Ele não está ansioso em contar-nos o grande cargo
honorífico que ocupava na corte; somente no final do capítulo ele nos relata
que era o copeiro do rei (um posto de grande confiança, bem como de honra e
benefício), quando não poderia mais deixar de falar nisso, por causa da
história seguinte; mas no início, ele apenas diz: estando eu na cidadela de
Susã. Isso nos ensina a ser humildes e modestos, e cautelosos para falar das
nossas promoções. Nas providências de DEUS em relação a ele, podemos observar,
para o nosso consolo: 1. Que quando DEUS tem um trabalho a ser feito, nunca lhe
faltarão ferramentas para realizá-lo. 2. Que em relação àqueles a quem DEUS
escolhe para devotar-se ao seu serviço, Ele encontrará maneiras apropriadas
para torná-los aptos e para chamá-los para tal. 3. DEUS tem seu remanescente em
todos os lugares; lemos sobre Obadias na casa de Acabe, santos na casa de
César, e um devoto Neemias no palácio de Susã. 4. Que às vezes DEUS pode tornar
as cortes de príncipes berçários e, às vezes, santuários para os amigos e
benfeitores da causa da igreja.
1. DEUS envia emissário a Neemias.
1.1 NEEMIAS.
Neemias partiu da Pérsia para Jerusalém em 444 a.C., como governador de Judá.
Isto ocorreu treze anos após a chegada de Esdras a Jerusalém. Neemias veio
incumbido pelo rei da Pérsia para reconstruir o muro de Jerusalém e fortificar
a cidade (2.7,8). Apesar de muita oposição, Neemias completou o muro em
cinqüenta e dois dias (6.15). Era um homem capaz, corajoso, perseverante e de
oração (ver 2.4). Ele também cooperou com Esdras, para levar a efeito a
renovação espiritual do povo (cap. 8).
A averiguação afável e compassiva referente ao estado dos judeus na sua própria
terra (v. 2). Aconteceu que um amigo e parente dele veio para a corte, com
alguns de Judá, por meio de quem teve a oportunidade de informar-se mais
plenamente acerca do estado dos filhos do cativeiro e da situação em que
Jerusalém, a cidade amada, se encontrava. Neemias vivia tranquilo, em honra e
em abundância, porém, mesmo assim, não conseguia se esquecer de que era
israelita, nem se livrar dos pensamentos dos seus irmãos em dificuldade, mas em
espírito (como Moisés, Atos 7.23), ele os visitou e atentou nas suas cargas (Êx
2.11). Como a distância do lugar não alienou seus sentimentos por eles (embora
estivessem longe dos seus olhos, no entanto, não estavam longe do seu coração),
assim: 1. A dignidade com a qual foi favorecido também não afastou os seus
sentimentos por eles. Embora fosse um homem influente, e provavelmente em
ascensão, ele não achou humilhante inteirar-se acerca da situação dos seus
irmãos que eram humildes e desprezados, nem se envergonhava de reconhecer seu
relacionamento com eles e sua preocupação por eles. 2. A diversidade dos
sentimentos deles com os seus também não foi empecilho. Embora não tivesse se
estabelecido em Jerusalém (como achamos que deveria ter feito, agora que a
liberdade foi proclamada), mas havia se sujeitado à corte, e permanecido ali,
não julgou nem desprezou aqueles que tinham voltado, nem os censurou como
imprudentes, mas amavelmente se preocupou com eles, estava pronto a
prestar-lhes todo serviço possível e, para que tivesse compreensão da melhor
forma de mostrar-lhes benevolência, perguntou-lhes pelos judeus. Observe: É
legítimo e bom, perguntar: “O que há de novo?”. Deveríamos inquirir
especialmente com referência ao estado da igreja e da religião, e como está
indo o povo de DEUS; e o intento da nossa inquirição não deve ser, como a dos
atenienses, contar e ouvir as últimas novidades, mas saber como dirigir nossas
orações e nossos louvores.
O relato melancólico que é aqui apresentado a ele acerca do estado atual dos
judeus e de Jerusalém (v. 3). Hananias, a pessoa a quem perguntou, era um homem
fiel e temente a DEUS, mais do que muitos, e, portanto, não somente falaria a
verdade, mas, quando falasse das desolações de Jerusalém, falaria com ternura.
É provável que sua missão à corte nessa época fosse para solicitar algum favor,
algum tipo de socorro. Ele apresenta o seguinte relato: 1. Que a santa semente
foi miseravelmente pisoteada e abusada, estava em grande miséria e desprezo,
insultada em cada oportunidade pelos seus vizinhos, e farta da zombaria
daqueles que estão à sua vontade (veja Sl 123.4). 2. Que a cidade santa estava
exposta e em ruínas. O muro de Jerusalém continuava fendido, e as suas portas
estavam como os caldeus as deixaram, em ruínas. Isso tornava a condição dos
seus habitantes muito desprezíveis, debaixo das marcas permanentes de pobreza e
escravidão, e debaixo de grande perigo, porque se tornavam uma presa fácil para
os seus inimigos. O Templo foi construído, o governo, estabelecido, e a obra da
reforma, levada até certo ponto, mas uma boa parte da obra ainda permanecia
inacabada. Cada Jerusalém, desse lado da Jerusalém celestial, terá uma
imperfeição ou outra, e para consertá-la serão necessários a ajuda e o serviço
dos seus amigos.
2.
Neemias, angustiado, jejua e ora.
.4 CHOREI... E
ESTIVE JEJUANDO E ORANDO. Neemias tinha grande solicitude pelo seu povo e pela
obra de DEUS em Judá. Durante quatro meses (cf. v. 1 com 2.1), derramou seu
coração diante de DEUS, em jejum e oração, com muitas lágrimas, por causa do
problema que afligia o povo de DEUS em Jerusalém e em Judá (cf. At 20.31). Sua
oração incluiu a confissão de pecados (vv. 6,7), súplica a DEUS para Ele
cumprir a sua própria palavra (v. 8; cf. Lv 26.40-45; Dt 30.1-6), seu zelo pela
glória e propósitos de DEUS (vv. 5-8) e intercessão incessante pelos filhos de
Israel (v. 6).
A grande
aflição e preocupação que isso causou em Neemias (v. 4). 1. Ele chorou e
lamentou. Isso não aconteceu somente quando ele ouviu as notícias, a ponto de
cair em profundo choro, mas a sua tristeza continuou por alguns dias. Observe:
As desolações e angústias da Igreja deveriam causar em nós tristeza,
independentemente de quão tranquilos estejamos vivendo. 2. Ele jejuou e orou;
não em público (ele não tinha oportunidade para fazê-lo), mas perante o DEUS
dos céus, que vê em secreto, e recompensará abertamente. Pelo seu jejum e
oração: (1) Ele consagrou suas tristezas e dirigiu suas lágrimas da forma
correta, sendo contristado segundo DEUS (veja 2 Co. 7.11), com o olhar voltado
para DEUS, porque seu nome foi vituperado no desprezo lançado sobre o seu povo,
cuja causa, portanto, ele confia a Ele. (2) Ele atenuou sua tristeza, e aliviou
seu espírito, ao derramar sua reclamação diante de DEUS e deixá-la com Ele. (3)
Ele usou o método certo ao buscar o alívio para seu povo e a direção para si
mesmo sobre como servi-los. Aqueles que têm bons intentos para o serviço devem
levar DEUS com eles já na primeira concepção deles, e colocar todos os seus
projetos diante dele. Essa é a forma de prosperar neles.
Neemias 1:5-11
A Oração de Neemias
Temos aqui a oração de Neemias, uma oração que
faz referência a todas as orações que ele já tinha, por algum tempo antes,
colocado diante de DEUS dia e noite, enquanto continuava seu lamento pelas
desolações de Jerusalém, e sobretudo à petição que agora pretendia fazer ao
rei, seu senhor, para que este lhe fosse favorável em relação à Jerusalém.
Podemos observar, nessa oração:
Sua oração humilde e reverente a DEUS, na qual se prostra diante Ele, e
apresenta a Ele a glória devida ao seu nome (v. 5). Sua oração é muito
semelhante à de Daniel (Ne 9.4). Ela nos ensina a nos aproximarmos de DEUS: 1.
Com uma reverência santa pela sua majestade e glória, lembrando-se de que Ele é
o DEUS do céu, infinitamente acima de nós, e soberano Senhor sobre nós, e que é
o DEUS grande e terrível, infinitamente sobrepujando todos os principados e
poderes tanto do mundo superior quanto do mundo inferior, anjos e reis; e Ele é
um DEUS a ser adorado com temor por todo o seu povo, e cuja ira poderosa todos
os seus inimigos deveriam temer. Mesmos os terrores do Senhor são
aperfeiçoáveis para o conforto e encorajamento daqueles que confiam nele. 2.
Com uma confiança santa em sua graça e verdade, porque guarda o concerto e a
benignidade para com aqueles que o amam, não somente a benignidade que é
prometida, mas mais do que Ele prometeu: nada será considerado demais a ser
feito por aqueles que o amam e guardam os seus mandamentos.
Seu pedido geral pela recepção e aceitação de todas as orações e confissões que
agora fez a DEUS (v. 6): “Estejam, pois, atentos os teus ouvidos à oração, que
faço hoje perante ti, e os teus olhos, abertos para o coração de onde vem a
oração, e o caso que é por meio da oração colocado diante de ti”. DEUS formou o
olho e fez o ouvido (veja Sl 94.9); e, portanto, acaso não verá Ele
perfeitamente? Não ouvirá Ele atentamente?
Sua confissão penitente do pecado; não somente Israel pecou (não era muito
humilhante confessar isso), mas eu e a casa de meu pai pecamos (v. 6). Dessa
forma, ele próprio se humilha, e se envergonha, nessa confissão. De todo nos
corrompemos (eu e minha família junto com os outros) contra ti (v. 7). Na
confissão de pecado, precisamos reconhecer a perversidade dessas duas coisas:
que é uma corrupção de nós mesmos e uma afronta a DEUS; é corromper-se contra
DEUS, estabelecendo as corrupções do nosso próprio coração em oposição aos
mandamentos de DEUS.
O apelo por misericórdia para o seu povo Israel.
1. Ele argumenta o que DEUS tinha dito antigamente a eles, a ordem que tinha
estabelecido dos seus procedimentos em relação a eles, que poderia ser a regra
das suas expectativas dele (vv. 8,9). Ele tinha dito de fato que, caso
violassem o concerto, Ele os espalharia entre os povos, e essa ameaça foi
cumprida no cativeiro: nunca um povo foi tão amplamente espalhado como Israel
nessa época, embora fosse, no início, tão intimamente unido; mas Ele tinha
dito, por outro lado, que, caso se convertessem a ele (como agora estavam
começando a fazer, tendo renunciado à idolatria e se guardado para o serviço do
Templo), Ele os ajuntaria novamente. Isto ele cita de Deuteronômio 30.1-5, e
pede permissão para lembrar a DEUS disso (embora a Mente Eterna não necessite
de ser lembrada) como aquilo que guia os seus desejos, e nisso baseava sua fé e
esperança, ao fazer essa oração: Lembra-te, pois, da palavra; porque disseste:
Procura lembrar-me (veja Is 43.26). Neemias reconheceu (v. 7): Não guardamos os
juízos que ordenaste a Moisés, teu servo; no entanto, ele roga (v. 8): Senhor,
lembra-te, pois, da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo; porque se diz
que o concerto com frequência é ordenado. Se DEUS não fosse mais atencioso com
as suas promessas do que nós com os seus preceitos, estaríamos perdidos. Nossas
melhores justificativas, portanto, em oração, são aquelas que são tomadas da
promessa de DEUS, a palavra na qual nos fez esperar (Sl 119.49).
2. Ele apela para o relacionamento antigo que tinham com DEUS: “Estes são teus
servos e o teu povo (v. 10), que separaste para ti, por meio do concerto. Acaso
Tu permitirás que os teus inimigos jurados pisem e oprimam os teus servos
jurados? Se não intervier a favor do teu povo, por quem intervirás?”. Veja
Isaías 63.9. Como evidência de serem servos de DEUS, ele apresenta este sinal
(v. 11): Eles desejam temer o teu nome; eles não somente são chamados pelo teu
nome, mas realmente têm um respeito por esse nome. Eles agora te adoram, e
somente a ti, de acordo com a tua vontade, e têm um profundo respeito por todas
as revelações que te agradas em fazer de ti mesmo”. Isso indica: (1) Sua boa
vontade para com o nome do Senhor. “Seu constante cuidado e esforço em cumprir
o seu dever; esse é o alvo deles, embora em muitas situações não o alcancem”.
(2) Sua complacência nisso. “Eles têm prazer em temer o teu nome (o texto pode
ser lido dessa forma), não somente em cumprir o seu dever, mas em cumpri-lo com
prazer”. Aqueles que realmente desejam temer o seu nome serão graciosamente
aceitos por DEUS; porque esse desejo é obra dele.
3. Ele suplica pelas grandes coisas que DEUS tinha feito anteriormente por eles
(v. 10): “Que resgataste com a tua grande força, nos dias da antiguidade. O teu
poder ainda continua o mesmo. Por que não os redimes e completas tua redenção?
Não permitas que esses que têm um DEUS de infinito poder sejam subjugados pelo
inimigo”.
Por último, ele conclui com um pedido específico, para que DEUS fizesse
prosperá-lo em sua incumbência, e lhe desse graça perante o rei: este homem
(assim Neemias chama o rei), porque os maiores homens são os homens diante de
DEUS. Eles precisam saber que são meros homens (Sl 9.20), e os outros também
devem conhecer esse fato. Quem pois és tu, para que temas o homem? (veja Is
51.12). Graça perante este homem é o que ele pede, querendo dizer não a graça
do rei, mas graça de DEUS quando se apresentar diante do rei. O favor dos
homens será obtido quando pudermos vê-lo brotando da graça de DEUS.
1.11 DÁ-LHE
GRAÇA PERANTE ESTE HOMEM. "Este homem" era Artaxerxes, rei da Pérsia
(2.1). Neemias orou para que DEUS lhe concedesse graça perante o rei, para o
bem dos judeus. Quando precisarmos de alguma coisa doutra pessoa, devemos
primeiramente apresentar diante de DEUS aquilo que estamos precisando. DEUS
pode comover o coração e a mente de líderes influentes, para cumprirem a
vontade divina (ver Et 4.16; Pv 21.1).
3.
DEUS responde às orações de Neemias.
Neemias
2:1-8
Neemias É Bem-Sucedido na sua Petição ao Rei
Quando Neemias tinha orado pelo socorro dos seus compatriotas, e talvez
lembrando as palavras de Davi (Sl 51.18: edifica os muros de Jerusalém), ele
não ficou sentado e disse: “Que DEUS agora faça a sua obra, porque já não tenho
mais nada a fazer”, mas se dispôs a calcular o que poderia fazer com respeito à
sua missão. Nossas orações devem ser apoiadas com nossos esforços sinceros,
caso contrário, zombamos de DEUS. Quase quatro meses se passaram, desde Quisleu
até Nisã (desde novembro até março), antes que Neemias fizesse seu pedido ao
rei por permissão para ir a Jerusalém, ou porque o inverno não era o tempo
apropriado para essa jornada, e ele não faria a solicitação até que tivesse
condições de dar continuidade ao seu plano, ou porque esse foi o tempo de
espera, visto que não se poderia entrar na presença do rei sem ser chamado (Et
4.11). Agora que cuidava da mesa do rei, ele esperava obter a atenção dele. Não
somos limitados dessa forma a certos momentos em nossas orações ao Rei dos
reis, mas temos liberdade de acesso a Ele a qualquer hora; nunca chegamos ao
trono da graça em hora inoportuna. Temos aqui:
4.
DEUS despertou o rei a atender o pedido de Neemias.
Tudo
foi dirigido e providenciado por DEUS. DEUS colocou no coração de Neemias
ajudar e no coração do rei permitir e apoiar.
Como ribeiros
de águas, assim é o coração do rei na mão do Senhor; a tudo quanto quer o
inclina. Provérbios 21:1
A ocasião que
Neemias deu ao rei para indagar a respeito de sua inquietação e aflições ao
aparecer triste na sua presença. Aqueles que falam com homens tão importantes
não devem iniciar abruptamente a sua atividade, mas buscar um momento adequado.
Neemias queria descobrir se o rei estava de bom humor ou não, antes de
aventurar-se a contar-lhe a respeito de sua missão e esse método que usou para
prová-lo. Ele tomou o vinho e o deu ao rei quando foi chamado para fazê-lo,
esperando que então o rei observasse o seu rosto. Ele não costumava ficar
triste na presença do rei, mas agia de acordo com as regras da corte (como cabe
aos cortesãos), que não admitiam tristezas (Et 4.2). 2. Embora fosse
estrangeiro, cativo, era tranquilo e amável. Homens justos e bons devem fazer o
possível, por sua alegria, para convencer o mundo das vantagens do cristianismo
e para afastar o opróbrio que foi lançado sobre eles como melancolia; mas há
tempo para todas as coisas (Ec 3.4). Neemias agora via motivos para estar
triste e aparecer dessa forma. As misérias de Jerusalém lhe davam motivos para
estar triste, e sua aparência pesarosa faria com que o rei perguntasse o motivo
para tal. Ele não dissimulava tristeza, porque realmente estava profundamente
triste por causa das aflições de José, e não era como os hipócritas, que
desfiguram o rosto; no entanto, ele poderia ter ocultado a sua tristeza, caso
fosse necessário (o coração conhece sua própria amargura, e no meio do sorriso
com frequência há tristeza), mas agora serviria ao seu propósito descobrir a
sua tristeza. Embora tivesse vinho diante dele, e, provavelmente, de acordo com
o ofício de copeiro, bebesse ele próprio antes de entregá-lo ao rei, não
alegraria o seu coração enquanto o Israel de DEUS estivesse em angústia.
A observação bondosa que o rei fez de sua tristeza e a indagação acerca da
causa dessa tristeza (v. 2): Por que está triste o teu rosto, pois não estás
doente? Observe: 1. Devemos preocupar-nos, a partir de um princípio de
compaixão cristã, com os sofrimentos e tristezas dos outros, mesmo dos nossos
inferiores, e não dizer: O que tenho eu com isso? O grande DEUS não está
satisfeito com o abatimento e desconfortos do seu povo, mas deseja que o sirvam
com alegria e comam com alegria o seu pão (veja Sl 100.2; Ec 9.7). 2. Não é
estranho se os doentes têm um semblante triste, por causa do que é sentido e o
que é temido; a doença poderá obscurecer aqueles que estavam mais animados e
alegres: no entanto, uma pessoa justa, mesmo na doença, poderá estar animada,
se está segura de que seus pecados estão perdoados. 3. Estar livre de doença é
uma benignidade tão grande, que não deveríamos estar imoderadamente desanimados
diante de uma aparente carga; no entanto, a tristeza pelos nossos próprios
pecados e as adversidades da Igreja de DEUS certamente entristecerão nossa
aparência, mesmo sem estarmos doentes.
O relato que Neemias deu ao rei do motivo de sua tristeza, com humildade e
temor. 1. Com temor. Ele reconheceu (embora pareça, pela história seguinte, que
era um homem de coragem) que temia muito em grande maneira, talvez por causa da
ira do rei (porque esses monarcas orientais assumiam um poder absoluto sobre a
vida e a morte, Dn 2.12,13; 5.19), ou pelo risco de empregar mal uma palavra,
ou perder a oportunidade de fazer o seu pedido por administrar mal esse
momento. Uma boa segurança é, de fato, ótima façanha, no entanto, a modéstia
humilde não é nenhuma reprovação. 2. Com humildade. Sem crítica a homem algum,
e com muito respeito, consideração e boa vontade imagináveis para com o rei,
seu senhor, ele diz: “Viva o rei para sempre. Ele é sábio e bom, e a pessoa
mais apropriada do mundo para governar”. Ele modestamente pergunta: “Como não
estaria triste o meu rosto (embora eu esteja em paz), estando a cidade (o rei
sabia acerca de qual cidade ele se referia), o lugar dos sepulcros de meus
pais, assolada?”. Muitos são melancólicos e tristes, mas não sabem o motivo
para tal; não sabem dizer por que e para quê. Estes deveriam reprovar-se pelas
suas angústias e medos infundados. Mas Neemias tinha um bom motivo para estar
triste a ponto de suplicar ao próprio rei acerca da sua tristeza. Observe: (1)
Ele chama Jerusalém de o lugar dos sepulcros de meus pais, assolada, o lugar
onde seus ancestrais foram sepultados. É bom que pensemos com frequência acerca
dos sepulcros dos nossos pais; estamos inclinados a lembrar das suas honras e
posições, suas casas e posses, mas deveríamos também lembrar dos seus sepulcros
e considerar que esses que saíram antes de nós do mundo, e seus monumentos, são
lembranças para nós. Também existe um grande respeito para com a memória dos
nossos pais, que não deveríamos estar dispostos a ver prejudicada. Todas as
nações, mesmo essas que não têm nenhuma expectativa em relação à ressurreição
dos mortos, têm olhado com respeito para os sepulcros dos seus ancestrais como,
de certa forma, sagrados e que não devem ser violados. (2) Ele se justifica em
sua tristeza: “Tenho motivos para estar triste. Por que não deveria estar?”. Há
momentos em que mesmo homens piedosos e prósperos têm motivos para estar
tristes e mostrar sua aflição. Os melhores homens não devem pensar em antever o
céu ao banir todos os pensamentos pesarosos; passamos por um vale de lágrimas,
e devemos submeter-nos à condição do clima. (3) Ele aponta as ruínas de
Jerusalém como a verdadeira causa de sua tristeza. Observe: Todas as injustiças
da Igreja, mas especialmente suas desolações, são, e deveriam ser, motivo de
pesar e tristeza para todas as pessoas justas, para todos que têm uma
preocupação com a honra de DEUS e que são membros vivos do corpo místico de
CRISTO, e que têm um espírito público; eles se compadecem até mesmo do pó de
Sião (Sl 102.14).
O encorajamento que o rei deu a ele para falar o que estava em seu coração, e a
oração que fez em seu coração a DEUS (v. 4). O rei tinha uma simpatia por ele,
e não estava satisfeito em vê-lo em melancolia. Também é provável que tivesse
uma simpatia pela religião judaica; ele a havia descoberto anteriormente na
comissão que deu a Esdras, que era um clérigo, e agora novamente no poder que
deu a Neemias, que era um estadista. Querendo saber como poderia ser útil a
Jerusalém, ele pergunta isso a esse amigo ansioso: “Que me pedes agora? Existe
algo que gostarias de ter. O que é?”. Ele tinha medo de falar (v. 2), mas essas
palavras do rei lhe deram ousadia; muito mais devem o convite que CRISTO nos
fez para orar e a promessa de que devemos nos apressar capacitar-nos a chegar
com confiança ao trono da graça. Neemias imediatamente orou ao DEUS dos céus
para que lhe desse sabedoria no sentido de pedir de maneira apropriada e
inclinar o coração do rei para conceder-lhe o seu pedido. Aqueles que encontram
favor com os reis devem assegurar o favor do Rei dos reis. Ele orou ao DEUS dos
céus reconhecendo que Ele estava infinitamente acima até desse monarca. Não foi
uma oração solene (ele não tinha oportunidade para tal), mas uma exclamação
secreta e repentina; ele elevou o seu coração a esse DEUS que entende a
linguagem do seu coração: Senhor, dá-me boca e sabedoria; Senhor, dá-me graça
perante este homem (veja Lc 21.15). Observe: Devemos estar preparados para
fazer exclamações piedosas, especialmente em ocasiões especiais. Onde quer que
estejamos, temos um caminho aberto para os céus. Isso não impedirá nenhum tipo
de atividade, mas irá, sim, favorecê-la. Portanto, não vamos permitir que
qualquer atividade impeça esse tipo de oração, mas, sim, promovê-la. Neemias
tinha orado de forma muito solene com relação a isso em muitas ocasiões (Ne
1.11), no entanto, quando está em apuros, ora novamente. Orações no ESPÍRITO e
orações solenes não devem se chocar, mas cada uma tem o seu lugar.
Sua petição humilde ao rei. Quando recebeu esse encorajamento, apresentou sua
petição muito modestamente e com submissão à sabedoria do rei (v. 5), mas de
forma muito clara. Ele pediu uma comissão para ir como governador a Judá, para
construir os muros de Jerusalém, e para permanecer lá por um período, alguns
meses, podemos supor; e então, ou ele teve sua comissão renovada ou voltou para
a Pérsia e foi enviado novamente, assim que esteve à frente do trabalho ali por
pelo menos 12 anos (5.14). Ele também pediu uma escolta (v. 7), e uma ordem
para os governadores, para lhe permitirem a passagem pelas suas respectivas
províncias, e outra ordem para o guarda da floresta do Líbano, para supri-lo
com a madeira que seria necessária para a obra de reconstrução.
O grande favor do rei a ele em perguntar quando voltaria (v. 6). Ele deixa
claro que não gostaria de perdê-lo, ou de ficar sem ele por muito tempo, no
entanto, para que pudesse cumprir sua missão de fazer bem ao seu povo, ele o
dispensaria por um tempo, e permite que as cláusulas que Neemias pediu fossem
inseridas em sua comissão (v. 8). Temos aqui uma resposta imediata de oração;
porque a semente de Jacó nunca buscou o DEUS de Jacó em vão. No relato que dá
do sucesso da sua petição, ele ressalta: 1. A presença da rainha. Ela estava
sentada junto a ele (v. 6), o que (dizem) não era comum na corte persa (Et
1.11). Não sabemos se a rainha era adversária dele – o que poderia obstruir o
seu intento, e ele menciona esse fato para o louvor da providência poderosa de
DEUS, que, embora ela estivesse ao seu lado, ele foi bem-sucedido –, ou se ela
era sua verdadeira amiga, e ele menciona esse fato para o louvor da providência
bondosa de DEUS, pelo fato de ela estar presente para ajudar a favorecer o seu
pedido. 2. O poder e a graça de DEUS. Ele obteve o que desejava, não de acordo
com o seu mérito, sua influência sobre o rei, ou sua conduta sábia diante do
rei, mas segundo a boa mão de DEUS sobre mim. Almas graciosas observam a mão de
DEUS, sua boa mão, em todos os acontecimentos que lhes são favoráveis. Esse é o
agir de DEUS.
II –
NEEMIAS CHEGA A JERUSALÉM (Ne 2.7-11).
1. Neemias faz levantamento da real situação dos muros.
NÃO DECLAREI A NINGUÉM O QUE O MEU DEUS ME PÔS
NO CORAÇÃO PARA FAZER.
Embora Neemias tivesse chegado como governador, com plena
autoridade do Império Persa, não fez nada durante três dias e nem contou a
ninguém os planos que DEUS lhe confiara. Sem dúvida, ele estava esperando em
DEUS, ao invés de precipitar-se, confiando na sua própria capacidade (ver Is
40.29-31). Passou, então, a fazer uma inspeção cautelosa e cuidadosa nos danos
causados nos muros pelos Babilônios (ver Esdras 4.23,24) e, por certo, calcular
as despesas (Lc 14.28-30). É muito importante observar que, em vez de criticar
os judeus pelos seus problemas e tristezas, ele queria ver esses problemas como
eles os viam. Daí, ele nada falar, enquanto não compreendesse a situação
segundo a sua perspectiva, sentindo o que eles sentiam.
Agora Neemias
foi despedido pela corte de onde foi enviado. O rei nomeou chefes do exército e
cavaleiros (v. 9), tanto para sua guarda como para mostrar que ele era um homem
de cuja honra o rei se agrada (veja Et 6.6), para que todos os servos do rei
pudessem respeitá-lo devidamente. Aqueles a quem o Rei dos reis envia, Ele
também os protege e os dignifica com uma hoste de anjos para assisti-los.
Como ele foi recebido pelo país para o qual foi enviado.
1. Pelos judeus e seus amigos em Jerusalém. É-nos dito:
(1) Que, enquanto ocultava sua missão, não lhe deram muita atenção. Ele esteve
em Jerusalém três dias (v. 11), e não parece que qualquer um dos homens
importantes da cidade esperasse por ele para dar-lhe as boas-vindas na sua
chegada, mas ele permaneceu desconhecido. O rei enviou cavaleiros para
auxiliá-lo, mas os judeus não enviaram ninguém para recepcioná-lo; ele não
tinha animal, a não ser sobre o qual montava (v. 12). Homens sábios, e aqueles
que são dignos de honra dobrada, não anelam por ser vistos, por fazer um show,
ou por fazer barulho, não, não quando vêm com as maiores bênçãos. Esses que em
breve terão domínio na manhã (veja Sl 49.14), o mundo agora não os conhece,
porque estão escondidos (1 Jo 3.1).
(2) Que, embora não o notassem, ele prestou muita atenção neles e no seu
estado. Neemias levantou-se de noite e observou as ruínas dos muros,
provavelmente com o luar (v. 13), para que pudesse ver o que precisava ser
feito e o método a ser usado. Ele precisava se certificar se o antigo
fundamento serviria, e se algum material dos escombros poderia ser usado.
Observe: [1] Uma boa obra será bem-feita se forem tomadas as devidas
providências. [2] É sábio da parte daqueles que estão engajados em atividades
públicas, tanto quanto for possível, ver com os próprios olhos, e não agir, de
modo geral, de acordo com os relatórios e exposição dos fatos de outros, e
mesmo assim fazê-lo sem barulho e, se possível, despercebidos. [3] Aqueles que
edificam as paredes da Igreja devem, antes de tudo, observar as ruínas dessas
paredes. Esses que sabem como reformar devem investigar o que está defeituoso,
o que precisa de reforma, e o que serve do jeito que está.
2.
Neemias declara sua intenção de reedificar os muros.
Neemias 2:9-20
Neemias É Bem-Sucedido
Aqui nos é dito:
Que, quando ele revelou seu plano para os magistrados e o povo, eles
concordaram alegremente com ele acerca do plano. Ele não lhes contou primeiro
qual era o seu objetivo (v. 16), porque não queria parecer que o estivesse
elaborando por ostentação, e porque, caso entendesse que fosse impraticável,
poderia retirar-se de forma mais honrável. Homens humildes e justos não soarão
a trombeta antes de dar esmolas ou fazer uma boa ação. Mas após ter visto e considerado
a coisa, e provavelmente ter sentido o pulso dos magistrados e do povo, ele
lhes contou o que DEUS pôs no seu coração (v. 12), ou seja, reedificar o muro
de Jerusalém (v. 17). Observe:
[1] Quão
convenientemente ele propôs o empreendimento a eles: “Bem vedes vós a miséria
em que estamos, como estamos expostos aos inimigos que estão ao nosso redor,
quão legitimamente nos censuram como tolos e desprezíveis, quão facilmente nos
tornam suas presas sempre que desejam; vinde, pois, e reedifiquemos o muro”.
Ele não se encarregou de fazer a obra sem eles (não podia ser a obra de um só
homem), embora tivesse a delegação do rei; mas, de uma maneira amistosa e
fraternal, ele os estimulou e animou a que se unissem a ele nessa obra. Para
encorajá-los a isso, ele fala do seu plano: em primeiro lugar, que esse plano
se originou na graça especial de DEUS. Ele não recebe o louvor disso para si
próprio, como uma ótima idéia dele próprio, mas reconhece que DEUS o pôs no seu
coração e, portanto, todos devem apoiá-lo (tudo que vem de DEUS deve ser
fomentado), e devem ter a confiança de prosperar nele, porque quando DEUS manda
fazer algo, Ele se compromete em estar com eles. Em segundo lugar, que o
progresso desse plano dependia da providência especial de DEUS. Ele apresentou
a delegação do rei, contou-lhes quão prontamente ela foi concedida e quão
solícito o rei estava em favorecer seu intento, em que via a mão do seu DEUS
favorável. Tanto ele quanto o povo se sentiriam encorajados para participar de
uma obra que recebia o favor tão marcante de DEUS.
[2] Eles
chegaram a uma resolução, todos eles, de cooperar com ele: Levantemo-nos e
edifiquemos. Eles estão envergonhados pelo fato de terem permanecido sentados
por tanto tempo, sem empenhar-se nessa obra tão indispensável, e agora decidem
levantar-se da sua indolência, para colocar-se em movimento, e encorajar-se
mutuamente. “Levantemo-nos”, isto é, “vamos fazê-lo com vigor, diligência e
firmeza, como aqueles que estão determinados a ir até o fim com esse projeto”.
Assim, esforçaram as suas mãos, suas próprias e reciprocamente, para o bem.
Observe: Em primeiro lugar, muita obra boa encontraria mãos suficientes para
engajar-se, desde que houvesse uma boa cabeça para liderá-las. Todos viram as
desolações de Jerusalém, no entanto, nenhum deles propôs a restauração delas;
mas, quando Neemias a propôs, todos concordaram em participar dela. É uma pena
que uma boa proposta se perdesse pura e exclusivamente pela falta de alguém
para tomá-la nas mãos e quebrar o gelo dela. Em segundo lugar, quando nos
encorajamos a nós mesmos e uns aos outros para o que é bom, fortalecemos a nós
mesmos e uns aos outros nessa boa obra. O grande motivo de nos encontrarmos
fracos em nosso dever é porque somos frios, indiferentes e indecisos. Vamos ver
agora como Neemias foi recebido:
Por
aqueles que desejavam mal aos judeus. Aqueles a quem DEUS e seu Israel
abençoavam, eles amaldiçoavam. (1) Quando ele apenas mostrou o seu rosto, eles
ficaram contrariados (v. 10). Sambalate e Tobias, dois dos samaritanos, mas o
primeiro moabita, e o último amonita, de nascimento, quando viram alguém vindo
armado com uma delegação do rei para servir a Israel, isso lhes causou um
grande desagrado, pois que todos os seus pequenos e desprezíveis artifícios
para enfraquecer Israel estavam sendo frustrados por meio de um projeto justo,
nobre e generoso para fortalecê-los. Nada é mais aborrecedor para os inimigos
de pessoas justas, que as apresentaram aos príncipes como turbulentas,
facciosas e indignas de viver, do que vê-las legitimadas pelos seus magistrados,
sua inocência, esclarecida, e seu opróbrio, afastado, e que não eram dignas
somente de viver, mas dignas de receber confiança. Quando observaram um homem
vindo com essa conduta, que procurava o bem dos filhos de Israel, isso os
aborreceu profundamente. O ímpio verá isto e se enraivecerá (veja Sl 112.10).
(2) Quando ele começou a agir, eles se uniram para impedi-lo, mas em vão (vv.
19,20). [1] Veja aqui que mesmo sem motivo algum eles procuraram
desencorajá-lo. Eles descreveram o empreendimento como uma coisa tola: zombaram
de nós, e desprezaram-nos como construtores tolos, que não teriam condições de
terminar o que começaram. Eles descreveram o empreendimento também como uma
coisa perversa, como uma traição: Quereis rebelar-vos contra o rei? Porque essa
era a velha condenação invejosa, embora agora eles tivessem uma delegação do
rei e estivessem debaixo de sua proteção, mesmo assim são chamados de rebeldes.
[2] Veja também os motivos que fizeram os judeus desprezar essas ações de
desalento. Eles se animaram mutuamente com a certeza de que eram servos do DEUS
do céu, o único e verdadeiro DEUS, que estavam agindo em favor dele, e que,
portanto, os defenderia e os faria prosperar, apesar da amotinação das nações
(Sl 2.1). Eles também consideraram que a razão de os seus inimigos agirem tão
perversamente era que não tinham direito sobre Jerusalém, mas invejavam o
direito deles. Da mesma forma, as ameaças impotentes dos inimigos da Igreja
podem ser facilmente desprezadas pelos amigos da igreja.
III
– NEEMIAS INICIA O LEVANTAMENTO DOS MUROS
1. O
plano de Neemias. Ver capítulo 3.
Neemias 3:1-32
A Reconstrução do Muro
A melhor maneira de dividir este capítulo é observar de que maneira a obra foi
dividida entre os empreiteiros, para que cada um soubesse o que deveria fazer,
e se dedicasse de acordo com uma imitação santa, e um desejo de distinguir-se,
no entanto, sem qualquer contenda, animosidade ou interesses independentes. Não
encontramos brigas entre eles, mas cada um buscava fazer o máximo para o bem
público. Várias coisas são observadas no relato apresentado aqui da construção dos
muros ao redor de Jerusalém:
I
Que Eliasibe, o sumo sacerdote, com seus irmãos sacerdotes, lideraram a
vanguarda dessa tropa de construtores (v. 1). Os ministros devem estar à frente
de qualquer boa obra; porque o seu ofício os obriga a ensinar e a estimular
pelo exemplo, bem como pela doutrina. Se existe a necessidade de trabalhar,
quem está mais apto para trabalhar do que eles? Se há perigo, quem está mais
apto para aventurar-se do que eles? A dignidade do sumo sacerdote era muito
grande e o obrigou a distinguir-se nesse serviço. Os sacerdotes repararam a
Porta do Gado, chamada assim porque por meio dela eram trazidas as ovelhas que
deveriam ser sacrificadas no Templo; e, portanto, os sacerdotes incumbiram-se
de repará-la, porque a sua herança eram as ofertas queimadas ao SENHOR. Acerca
dessa porta, lemos que eles a consagraram com a palavra e oração, e talvez com
sacrifícios, possivelmente: 1. Porque ela levava ao Templo. Ou: 2. Porque com
isso a edificação do muro começou, e é provável (embora estivessem trabalhando
em todas as partes do muro ao mesmo tempo) que essa parte tenha sido terminada
primeiro, e, por essa razão, nessa porta eles solenemente consagraram sua
cidade e os muros dela à proteção divina. Ou: 3. Porque os sacerdotes eram os
edificadores dela; e convêm aos ministros, acima dos outros, que estejam eles
próprios, de uma maneira particular, consagrados a DEUS, para consagrar a Ele
todas as suas realizações, e para realizar suas atividades comuns segundo DEUS.
II
Que os empreiteiros eram muitos, e cada um se responsabilizava por uma parte,
alguns mais, outros menos, nessa obra, de acordo com a sua habilidade. Observe:
Aquilo que deve ser feito para o bem público deve contar com a colaboração de
todos, de acordo com as suas possibilidades. A força unida conquistará aquilo a
que nenhum indivíduo ousaria aventurar-se. Muitas mãos tornarão o trabalho
leve.
III
Que muitos que não eram habitantes de Jerusalém colaboraram nessa obra, e,
portanto, consideravam puramente o bem-estar público e não tinham interesse
particular algum ou vantagem própria. Lemos acerca dos homens de Jericó (v. 2),
dos homens de Gibeão e Mispa (v. 7), e de Zanoa (v. 13). Cada israelita deveria
oferecer uma mão na edificação de Jerusalém.
IV
Que muitos magistrados ou maiorais, tanto de Jerusalém como de outras cidades,
estavam ativos nessa obra, sentindo-se honrados em participar dessa obra. Eles
estavam dispostos a fazer o máximo conforme a sua riqueza e poder os
capacitavam a fazer. Mas é digno de nota que eles são chamados de maiorais de
uma parte, ou da metade, das suas respectivas cidades. Um era maioral da meia
parte de Jerusalém (v. 12), outro do distrito (parte) de Bete-Haquerém (v. 14),
outro do distrito (parte) de Mispa (v. 15), outro da metade de Bete-Zur (v.
16); um era maioral da metade de Queila, e outro da outra meia parte de Queila
(vv. 17,18). Talvez o governo persa não confiasse uma cidade forte a uma única
pessoa, mas nomeasse duas, para uma cuidar da outra. Roma tinha dois cônsules.
V
Aqui está uma justa repreensão dirigida aos nobres de Tecoa, que não meteram o
seu pescoço ao serviço de seu senhor (v. 5), isto é, eles não se colocaram
debaixo do jugo de uma obrigação com esse serviço; como se a dignidade e
liberdade da sua nobreza fossem a sua isenção de servir a DEUS e fazer o bem,
que são, na verdade, a maior honra e a maior liberdade. Os nobres não devem
achar que um serviço pode ser considerado inferior quando isso auxilia no
interesse do seu país; porque, para que mais a nobreza deles pode ser útil, senão
para colocá-los em uma esfera mais elevada e ampla de utilidade do que aquela
em que pessoas inferiores se movimentam?
VI
Duas pessoas uniram-se para reparar a Porta Velha (v. 6); dessa forma, foram cofundadoras,
e repartiram a honra entre elas. A boa obra que não conseguimos realizar
sozinhos, devemos ser gratos em poder reparti-la com os nossos parceiros.
Alguns acham que essa é chamada de Porta Velha porque pertencia à antiga Salém,
que dizem ter sido construída primeiro por Melquisedeque.
VII
Diversos negociantes honestos, bem como sacerdotes e magistrados, estavam
ativos nessa obra – ourives, perfumistas, mercadores (vv. 8,32). Eles não
achavam que as suas profissões os desculpavam, nem alegavam que não podiam
deixar seus trabalhos para cuidar dos negócios públicos, sabendo que o que
perdiam certamente seria recompensado pela bênção de DEUS sobre suas
profissões.
VIII
Algumas mulheres também ajudaram nessa obra – Salum e suas filhas (v. 12), que,
embora não fossem capazes de realizar o serviço braçal, tendo suas heranças em
suas próprias mãos, ou sendo viúvas ricas, contribuíram com dinheiro para
comprar materiais e pagar os operários. O apóstolo fala de algumas mulheres
bondosas que trabalharam com ele no evangelho (Fp 4.3).
IX
Alguns repararam defronte de suas casas (vv. 10,23,28,29), e alguém (que, é
provável, era apenas um inquilino) reparou defronte de sua câmara (v. 30).
Quando uma boa obra geral precisa ser feita, cada um deve aplicar seus esforços
na parte que está próximo dele e ao seu alcance. Se cada um varrer diante de
sua casa, a rua ficará limpa; se cada um corrigir alguém, todos serão
corrigidos. Se aquele que tem apenas uma câmara reparar o muro que está diante
dela, terá feito a sua parte.
X
Um deles reparou com grande ardor a parte que lhe cabia (v. 20) – ele o fez com
um zelo inflamado; não que os outros fossem frios ou indiferentes, mas ele era
o mais vigoroso em relação a todos os outros e, consequentemente, se tornou
notável. É bom ser zeloso [...] do bem (veja Gl 4.18); e é provável que o zelo
desse bom homem tenha provocado muitos a esforçar-se mais e apressar-se ainda
mais.
XI
Um desses edificadores era o sexto filho do seu pai (v. 30). Seus cinco irmãos
mais velhos, pelo que parece, não se envolveram nesse trabalho, mas ele o fez.
Ao fazermos o que é bom, não precisamos ficar para ver nossos irmãos mais
velhos irem adiante de nós; caso eles rejeitem o trabalho, não quer dizer que
devamos fazer o mesmo. Assim, o irmão mais novo, caso seja o homem preferível,
e realize um serviço melhor para DEUS e para sua geração, é o cavalheiro
melhor. Os mais úteis são os mais honráveis.
XII
Alguns daqueles que terminaram primeiro ajudaram seus companheiros, e
incumbiram-se de mais uma porção onde a necessidade era maior. O que Meremote
reparou é citado (v. 4), e novamente (v. 21). E os tecoítas, além da porção que
repararam (v. 5), incumbiram-se de mais uma porção (v. 27); isso é mais notável
porque seus nobres deram um mau exemplo ao se retirarem do serviço, o que, em
vez de lhes servir como desculpa para permanecerem sentados, talvez os tenha
tornado mais dispostos para fazer um trabalho dobrado, de modo que pelo seu
zelo pudessem envergonhar ou reparar a avareza e a negligência dos seus nobres.
Por último, aqui não há nenhuma menção de que Neemias tivesse se incumbido de
uma parte específica nessa obra. Um homônimo dele é mencionado (v. 16). Mas,
será que ele não se envolveu na obra? É claro que sim, embora não se incumbisse
de uma parte específica do muro, ele fez mais do que qualquer um deles, porque
tinha a superintendência de todos eles; a metade dos seus servos trabalhava
onde havia maior necessidade, e a outra metade permanecia como sentinela, como
lemos mais tarde (4.16), enquanto ele próprio fazia as rondas, dirigia e
encorajava os construtores, aplicava suas mãos onde havia necessidade, e
mantinha um olho vigilante nos movimentos do inimigo, como veremos no próximo
capítulo. O timoneiro não precisa puxar a corda: basta que ele dirija.
2. A
tática de Neemias.
Neemias 4:16-23
A Obra Teve Prosseguimento com toda a Precaução Necessária contra qualquer
Surpresa
Quando os edificadores tinham motivos para
pensar que o desígnio dos inimigos tinha sido desbaratado, a ponto de voltarem
à sua obra, eles não estavam tão seguros, a ponto de largar as armas, sabendo
quão desassossegados e incansáveis eram nas suas tentativas, e que, caso um
intento falhasse, estariam planejando outro. Assim, sempre devemos estar
alertas contra os nossos inimigos, e não esperar que nosso bem-estar esteja
concluído antes que nossa obra esteja. Veja o plano que Neemias adotou, para
que o povo permanecesse de prontidão, caso houvesse um ataque. 1. Enquanto a
metade estava trabalhando, a outra metade estava com suas armas, segurando
lanças, escudos, arcos e couraças, não somente por eles mesmos, mas também
pelos colegas que trabalhavam na reconstrução dos muros, que imediatamente
abandonariam seu trabalho e tomariam suas armas, diante do primeiro alarme (v.
16). É provável que eles trocassem de serviço em horários definidos, o que
aliviaria a fadiga de ambos, e especialmente seria um alívio para os
acarretadores, cuja força já desfalecera (v. 10); enquanto seguravam as armas,
eram aliviados e, mesmo assim, não indolentes. Assim, dividindo seu tempo entre
a colher de pedreiro e a lança, lemos que cada um com uma mão fazia a obra e na
outra tinha as armas (v. 17), o que não pode ser entendido literalmente, porque
a construção requeria o uso de ambas as mãos; mas isso sugere que eles estavam
igualmente engajados nas duas coisas. Assim, devemos desenvolver a nossa
salvação com as armas da nossa batalha espiritual em nossa mão; porque em cada
obrigação devemos esperar enfrentar a oposição dos nossos inimigos espirituais,
contra quem devemos continuar militando a boa milícia da fé. 2. Cada construtor
tinha uma espada ao seu lado (v. 18), que podia levar sem que obstruísse o seu
trabalho. A palavra de DEUS é a espada do ESPÍRITO, que devemos ter sempre à
mão e nunca em algum lugar distante, tanto em nossas obras como em nossos
conflitos como cristãos. 3. Cuidado era tomado tanto para receber quanto para
dar notícias tão logo o inimigo buscasse uma aproximação, caso tentasse
surpreendê-los. Neemias mantinha um trombeteiro sempre perto dele, para soar um
alarme diante da primeira sugestão de perigo. A obra era grande, e os
construtores, dispersos, visto que trabalhavam ao mesmo tempo em todas as
partes do muro. Neemias continuamente caminhava pelo muro para supervisionar a
obra e encorajar os operários, e assim seria imediatamente informado caso o
inimigo fizesse um ataque. Assim, pelo som da trombeta, logo informaria a
todos, e estes imediatamente deveriam se reunir com a plena certeza de que o
seu DEUS pelejaria por eles (vv. 18-20). Quando agiam como operários, era
requisito que estivessem dispersos onde havia trabalho a fazer; mas, caso
necessário, como soldados, deveriam agrupar-se em um só corpo. Da mesma forma,
os trabalhadores na edificação de CRISTO devem estar prontos para unir-se
contra um inimigo comum. 4. Os habitantes das aldeias eram ordenados a
alojar-se em Jerusalém, com seus servos, não somente para que estivessem mais
próximos do seu trabalho pela manhã, mas para que estivessem preparados para
ajudar em caso de um ataque à noite (v. 22). A força de uma cidade reside mais
nas suas mãos do que nos seus muros; assegure-as, e as bênçãos de DEUS sobre
elas, e você estará seguro. 5. Neemias e todos os seus homens permaneciam
próximos em seu negócio. As lanças estavam sempre com eles, de modo que a visão
delas aterrorizasse o inimigo, não somente de sol a sol, mas do crepúsculo ao
alvorecer, todos os dias (v. 21). Assim, também devemos estar sempre de guarda
contra nossos inimigos espirituais, não somente (como aqui) enquanto é dia, mas
quando é noite, porque eles são os príncipes das trevas deste século (veja Ef
6.12). Neemias estava tão atento em relação ao seu trabalho, e mantinha os seus
servos tão firmes nele, que, enquanto o ardor do negócio durava, nem ele nem
seus serventes iam para a cama, mas cada noite se deitavam e dormiam com as
roupas do corpo (v. 23), exceto quando as trocavam, ou para serem lavadas ou em
caso de impureza cerimonial. Esse era um sinal de que o coração deles estava
voltado para o trabalho, visto que não encontravam tempo para trocar de roupa,
mas decidiram que estariam preparados em todo tempo para o serviço. A boa obra
é bem-sucedida quando aqueles que labutam nela a tornam seu interesse pessoal.
3. A
união dos judeus ficou ameaçada.
Neemias
5:1-5
A Queixa dos Pobres por Serem Oprimidos pelos Ricos
Temos aqui as lágrimas dos oprimidos, às quais Salomão se referiu (Ec 4.1).
Que as consideremos como são derramadas aqui diante de Neemias, cujo ofício,
como governador, era livrar o pobre e o necessitado e tirá-los das mãos dos
ímpios (Sl 82.4). Tempos difíceis e corações duros tornaram os pobres
miseráveis.
I
Os tempos em que eles viviam eram difíceis. Havia escassez de trigo (v. 3),
provavelmente por falta de chuva, com a qual DEUS havia castigado por
negligenciarem a sua casa (Ag 1.9-11) e a falta de cumprir com suas obrigações
financeiras para com a igreja (Ml 3.9,10). Desse modo, homens tolos e
pecaminosos trazem os juízos de DEUS sobre si mesmos, e então se queixam deles.
Quando as provisões estão escassas e dispendiosas, o pobre logo sente, e é
atormentado por essa escassez. Bendito seja DEUS pela misericórdia, e que Ele
nos livre do pecado, da fartura de pão (Ez 16.49). A escassez aqui era mais
grave porque havia muitos filhos e filhas (v. 2). As famílias que mais careciam
eram as mais numerosas; aqui havia bocas, mas onde estava o alimento? Alguns
possuem propriedades, mas não têm filhos para herdá-las; outros têm filhos e
não têm herança para deixar para eles. Os que têm os dois, têm motivos para ser
gratos. Os que não têm nenhum deles podem mais facilmente estar contentes. Os
que têm grandes famílias e poucos recursos devem aprender a viver pela fé na
providência e promessas de DEUS; e aqueles que têm pequenas famílias e muitos recursos
devem da sua abundância suprir a falta dos outros (veja 2 Co 8.14). Mas isso
não era tudo: uma vez que o trigo era escasso, o tributo era elevado; o tributo
do rei devia ser pago (v. 4). Essa marca do seu cativeiro ainda permanecia
sobre eles. Talvez fosse um imposto per capita, e, visto que os filhos e filhas
eram muitos, o imposto era elevado. Quanto mais precisavam para sustentar-se
(um caso difícil!), tanto mais precisavam pagar. Agora, pelo que parece, eles
não tinham meios próprios para comprar trigo e pagar os tributos, e precisavam
tomar dinheiro emprestado. Suas famílias voltaram pobres da Babilônia; com
muito custo tinham conseguido construir suas casas, e ainda não tinham
recuperado suas forças quando essas novas cargas se acumularam sobre suas
costas. Empregados pobres que buscam um sustento honesto e, às vezes, não têm o
suficiente para si e sua família, são dignos da consideração compassiva
daqueles que, com sua riqueza ou com seu poder, estão em condições de
ajudá-los.
II
As pessoas com quem eles negociavam eram duras. O dinheiro era necessário, mas
precisava ser tomado emprestado; e aqueles que lhes emprestavam dinheiro
tiravam vantagem de suas necessidades. Eles eram muito duros e os tornavam suas
presas. 1. Os ricos extorquiam juros deles a doze por cento, o centésimo do
dinheiro por mês (v. 11). Se os homens emprestam grandes montantes para fazer
negócios, para aumentar seu gado, ou para comprar novas terras, não há motivos
para o concessor do empréstimo não participar do lucro daquele que toma
emprestado; ou se é para gastar em suas concupiscências, ou reparar o que
gastou, por que não deveria pagar pelas suas extravagâncias? Mas se o pobre
toma emprestado para manter sua família, e nós temos condições de ajudá-lo,
deveríamos emprestar sem juros o necessário para sustentá-lo, ou (caso não ele
tenha condições de devolver o empréstimo) dar livremente certo valor a ele. 2.
Eles os forçavam a hipotecar suas terras e casas para a garantia do seu
dinheiro (v. 3), e não somente isso, mas tomavam lucros para benefício próprio
(v. 5, compare com o v. 11), para que gradualmente se tornassem senhores de
tudo que tinham. Contudo, isso não era o pior. 3. Eles tomavam seus filhos como
servos, para serem escravizados ou vendidos (v. 5). Essa queixa os tocava em
uma parte delicada, e foi agravada com o seguinte: “Nossos filhos são como seus
filhos, tão preciosos para nós como os seus filhos são para eles; eles não são
somente da mesma natureza humana, e designados para as honras e liberdades
disso (Ml 2.10; Jó 31.15), mas da mesma nação santa, israelitas nascidos de
ventre livre e dignificados com os mesmos privilégios. Nossa carne carrega o
selo sagrado do concerto da circuncisão, bem como a carne de nossos irmãos; no
entanto, nossos herdeiros devem ser seus escravos, e já não estão no poder de
nossas mãos”. Essas pessoas fizeram uma exposição breve dessas coisas a
Neemias, não somente porque viam que ele era um homem justo que poderia
livrá-las, mas porque ele era um homem justo que, de fato, o faria. Para onde o
pobre ferido deveria fugir por socorro, senão para os escudos da terra? (veja
Sl 47.9). Para onde, senão para a corte de justiça, para as instituições de
caridade, no colo do rei, e para aqueles que foram incumbidos por isso para
consolo contra a summum jus – a extremidade da lei?
Finalmente, deixaremos Neemias ouvindo as queixas, e investigando acerca da
verdade das alegações dos queixosos (porque os clamores do pobre nem sempre são
justos), enquanto sentamos e olhamos: (1) Com uma compaixão graciosa para os
oprimidos, e lamentamos as aflições que muitos no mundo estão passando,
colocando nossa alma no lugar da alma deles, e lembrando-nos em nossas orações
e socorro desses que são oprimidos, como se estivéssemos oprimidos com eles.
(2) Com uma indignação graciosa para os opressores, e repugnância por causa do
seu orgulho e crueldade, a ponto de beber as lágrimas, o sangue, daqueles que
estão sob os seus pés. Mas precisamos nos lembrar de que aqueles que não
mostrarem misericórdia deverão esperar juízo sem misericórdia (veja Tg 2.13).
Era uma agravação do pecado desses judeus opressores que eles mesmos tenham
sido libertados tão tardiamente da casa da servidão, que os obrigava em
gratidão a desfazer as ataduras do jugo (Is 58.6).
IV –
O LEVANTAMENTO DOS MUROS PROVOCOU GRANDE OPOSIÇÃO
1.
Iniciada a edificação dos muros, Sambalate e Tobias indignaram-se grandemente,
e usaram várias estratégias para fazerem parar a obra.
Neemias 6:1-9
Duas Conspirações dos Inimigos para Prejudicar Neemias São Frustradas
Temos aqui um relato de duas conspirações
contra Neemias, de quão astutamente elas foram colocadas pelos seus inimigos, e
de quão auspiciosamente foram frustradas pela boa providência de DEUS e pela
prudência de Neemias.
I
Uma conspiração para atraí-lo para uma cilada. Os inimigos tinham um relato do
progresso em que a obra se encontrava, de que todas as brechas do muro tinham
sido fechadas, a ponto de considerarem a obra terminada, embora, naquela época,
as portas nos portais ainda estivessem fora dos gonzos (v. 1); eles devem,
portanto, agora ou nunca, por meio de um ataque ousado, tirar Neemias. Eles
ouviram quão bem guardado ele estava, de modo que não tinham como atacá-lo lá
na sua posição. Por isso, tentarão, por meio de todos os artifícios possíveis,
atraí-lo até o meio deles. Observe: 1. Com que sutileza infernal o cortejaram
para que se encontrasse com eles, não em qualquer cidade, para que não
levantasse alguma suspeita de que planejavam segurá-lo, mas em um vilarejo nas
terra de Benjamim: “Vem, e congreguemo-nos juntamente para consultar acerca dos
interesses comuns das nossas províncias”. Eles queriam que Neemias pensasse que
desejavam a sua amizade, e que estariam felizes em conhecê-lo melhor, para que
pudesse haver uma melhor cooperação entre eles e o estabelecimento de um bom
acordo. Porém intentavam fazer-me mal. É provável que ele tivesse recebido
alguma informação secreta de que planejavam prendê-lo ou matá-lo; ou ele os
conhecia tão bem, que, sem sombra de dúvida, concluiu que visavam sua vida e,
portanto, quando diziam coisas boas, não se fiou neles (veja Jr 12.6). 2. Veja
com que sabedoria divina ele rejeitou a proposta. Seu DEUS o instrui (veja Is
28.26) a dar a eles essa resposta prudente pelos seus próprios mensageiros:
“Estou fazendo uma grande obra, estou muito ocupado, e estou relutante em
deixar a obra parada para descer” (v. 3). Seu cuidado era para que a obra não
parasse; ele sabia que isso poderia acontecer, caso a deixasse; e por que
cessaria esta obra e iria ter convosco? Ele não menciona sua desconfiança, nem
os repreende pelos seus planos traiçoeiros, mas apresenta-lhes uma boa razão e
uma das verdadeiras razões por que não estava disposto a ir. O elogio sempre
deve dar lugar ao trabalho. Aqueles que são tentados a perder tempo com
reuniões frívolas organizadas pelos seus companheiros infrutíferos devem
responder à tentação desta maneira: “Temos trabalho a realizar, e não devemos
negligenciá-lo”. Eles o atacaram quatro vezes com a mesma solicitação, e
Neemias sempre lhes retornou a mesma resposta, o que, podemos supor, era muito
vexatório para eles; pois eles realmente almejavam a descontinuidade da obra, e
ver que o seu empreendedor estava tão aplicado nela os faria desanimar. Da
mesma maneira enviaram a mim quatro vezes; e da mesma maneira lhes respondi (v.
4). Observe: Nunca devemos permitir que sejamos vencidos pelas maiores
importunações para fazer qualquer coisa pecaminosa ou imprudente; mas, quando
somos atacados com a mesma tentação, devemos resistir-lhe com a mesma razão e
determinação.
II
Uma conspiração para amedrontá-lo de sua obra. Caso conseguissem afastá-lo da
obra, certamente ela pararia. As tentativas de Sambalate são em vão. 1. Ele
esforça-se em atacar Neemias com um temor de que seu empreendimento para
edificar os muros de Jerusalém era visto de forma geral como faccioso e
sedicioso, e que seria ressentido pela corte (vv. 5-7). Os melhores homens,
mesmo nas suas realizações mais inocentes e primorosas, têm sido submetidos a
essa imputação. Isso é escrito a ele em uma carta aberta, como algo conhecido e
falado, entre as nações, e Gesém confirma essa verdade, de que Neemias estava
visando tornar-se rei e livrar-se do jugo persa. Observe: É comum que pessoas
com intenções maldosas retratem algo falsamente e digam que essa é a concepção
de muitos. Agora Sambalate finge informar Neemias disso como amigo, para que se
apresse a ir à corte para justificar-se, ou suspenda seus procedimentos, com
medo de que sejam mal interpretados; pelo menos, diante dessa conjectura, ele
busca induzi-lo a participar da reunião: “Consultemos juntamente como abafar
esse rumor”, esperando dessa forma afastá-lo, ou pelo menos afastá-lo da sua
obra. Assim, suas palavras eram mais brandas do que o azeite e, no entanto, no
seu coração havia guerra (veja Sl 55.21), e ele esperava, semelhantemente a
Judas, beijar e matar. Mas certamente em vão é a rede estendida à vista de
qualquer ave. Neemias logo ficou sabendo qual era o objetivo deles, ou seja,
que suas mãos largassem a obra (v. 9), e, portanto, não somente desmentiu que
essas coisas eram verdade, mas que chegaram a ser noticiadas; ele era conhecido
demais para ser refém dessa suspeita. 2. Dessa forma, ele escapou da armadilha
e permaneceu no seu lugar; ele não se deixaria amedrontar e deixaria de semear
e colher por causa dos ventos e nuvens. Mesmo que tenha sido noticiado dessa
forma, nunca devemos omitir o dever conhecido meramente por medo de que possa
ser mal interpretado; mas, enquanto mantemos uma boa consciência, vamos confiar
em DEUS com o nosso bom nome. Na verdade, a notícia era falsa. O povo de DEUS,
embora suficientemente sobrecarregado com opróbrio, não tem uma reputação tão
baixa como alguns gostariam que pensasse.
No meio da sua queixa por causa da maldade deles, buscando amedrontá-lo e fazer
com que largasse a obra, Neemias eleva o coração aos céus com essa oração
breve: Agora, pois, ó DEUS, esforça as minhas mãos. Serve de grande conforto e
alívio para pessoas justas saber que, diante dos maiores apuros e dificuldades,
elas têm um DEUS justo a quem se dirigir, de quem, pela fé e oração, conseguem
extrair graça para silenciar seus medos e esforçar as suas mãos quando seus
inimigos se empenham em inflá-los com medos para não continuarem o trabalho.
Quando, em nossa obra e batalha cristã, nos defrontamos com quaisquer serviços
ou conflitos específicos, esta é uma boa oração a ser feita: “Tenho esse dever
a cumprir e essa tentação a enfrentar; agora, pois, ó DEUS, esforça as minhas
mãos”. Alguns entendem que aqui não se trata de uma oração, mas de uma santa
resolução (porque as palavras ó DEUS são supridas em nossa tradução): agora,
pois, esforço as minhas mãos. Observe: A coragem cristã será afiada pela oposição.
Cada tentação para nos afastar do dever deveria estimular-nos tanto mais a
cumprir esse dever.
Todo verdadeiro
homem de DEUS enfrentará oposição em seu ministério, tanto dos de fora como dos
de dentro da Igreja.
Sambalate,
Tobia e Gesem são tipos de inimigos que surgem em oposição ä obra de DEUS,
enviados e inspirados por Satanás.
Nosso Senhor e
mestre teve inimigos sagazes e intrépidos, mas sempre os venceu a todos pela
Palavra de DEUS e na unção e poder do ESPÍRITO SANTO.
Neemias, apesar
de político de grande importância, não se corrompeu nem pelo poder financeiro e
nem pelo poder da autoridade a ele conferida por Artaxerxes.
Neemias 6:10-14
Falsos Profetas Aconselham Neemias a Ir ao Templo, mas ele não Sai do seu Posto
Os inimigos dos judeus procuraram de todas as formas afastar Neemias de dar
continuidade na construção do muro ao redor de Jerusalém. Para alcançar o seu
objetivo, procuraram atraí-lo até eles, mas em vão; agora, procuram levá-lo ao
interior do Templo para sua própria segurança. Que ele esteja em qualquer
lugar, exceto no seu trabalho. Percebendo que Neemias é um homem cauteloso,
eles buscarão obter êxito em torná-lo covarde. Observe:
I
A forma aviltante com que os inimigos apresentaram sua tentação.
1. O intento deles era levar Neemias a fazer uma coisa tola, para que pudessem
rir dele, e insultá-lo por essa ação, e assim diminuir sua influência e
importância (v. 13): para me atemorizar, e para que, dessa forma, pudessem ter
alguma causa a fim de me infamarem e assim me vituperarem. Eles, na verdade,
estavam fazendo a obra do diabo, que é o tentador dos homens para que se torne
o seu acusador. Ele atrai os homens para o pecado para que se glorie na
vergonha deles. A maior injúria que nossos inimigos podem fazer-nos é levar-nos
a fazer aquilo que é pecaminoso.
2. Os instrumentos que usaram foram um profeta e uma profetisa falsos, a quem
contrataram para persuadir Neemias a parar a obra e afastar-se para sua própria
segurança. O falso profeta era Semaías, de quem lemos que estava encerrado em
sua própria casa, ou sob pretexto de isolamento para meditação e para consultar
a vontade de DEUS, ou para dar a Neemias um sinal para que se encerrasse da
mesma maneira. Pelo que parece, Neemias tinha respeito por ele, porque foi para
sua casa para consultá-lo (v. 10). Havia outros profetas ali, e uma profetisa,
Noadias (v. 14), que estavam a serviço dos inimigos dos judeus, seus
pensionistas e traidores do seu país. Se eles tinham a intenção de simular que
eram inspirados, não está claro. Eles não disseram: Assim diz o Senhor, como os
antigos falsos profetas diziam; mesmo não agindo dessa forma, muitos
acreditavam que se distinguiam no conhecimento divino e na prudência humana, e
que tinham capacidades incomuns de discernimento e previsão; eles eram,
portanto, consultados em casos difíceis, que era o papel de um profeta. Os
inimigos convenceram esses falsos profetas a aconselhá-lo em nome deles. Por
essa razão, precisamos lamentar: (1) A maldade desses perversos profetas, que
eram tão desleais a ponto de trair a causa de DEUS e seus compatriotas, mesmo
sob o pretexto de ter comunhão com DEUS e preocupação com o seu país. (2) A desventura
de homens justos como Neemias, que estão em perigo de serem afrontados com esse
tipo de embuste, e a quem nenhuma tentação vem com mais força do que aquela que
vem disfarçada pela religião, pela revelação e pela devoção, e que é trazida
pelas mãos de profetas.
3. O pretexto era plausível. Esses profetas sugeriram a Neemias que os inimigos
viriam para matá-lo, de noite, o que ele tinha motivos suficientes para
acreditar ser verdade. Eles o fariam, se pudessem e ousassem. Eles fingiam
estar muito preocupados com a sua segurança. O povo estaria perdido se qualquer
mal ocorresse com ele; e, por essa razão, de forma muito séria, eles o
aconselharam a esconder-se no Templo até que o perigo tivesse passado. O Templo
era um lugar sólido e sagrado, onde ele estaria debaixo da proteção especial do
Céu (Sl 27.5). Caso Neemias tivesse dado ouvidos e feito o que lhe
aconselharam, o povo imediatamente teria abandonado o seu trabalho e se
desfeito das armas, e cada um teria buscado a sua própria segurança; e, então,
os inimigos poderiam facilmente, e sem oposição, ter demolido a obra, derrubado
o muro novamente, e assim ter alcançado o seu objetivo. Embora a
autopreservação seja um princípio fundamental da lei da natureza, ela nem
sempre é o melhor e mais sábio conselho.
II
Veja a forma corajosa com que Neemias subjugou essa tentação, e saiu vitorioso.
1. Ele imediatamente resolveu não dar ouvidos a ela (v. 11). Veja aqui: (1)
Qual foi o seu raciocínio: “Um homem, como eu, fugiria? Deveria eu abandonar a
obra de DEUS, ou desanimar meus próprios operários a quem empreguei e
encorajei? Deveria eu ser crédulo demais quanto à notícia ou apreensivo demais
em relação à minha vida? Eu, que sou o governador, para quem se voltam tantos
olhos, quer de amigos quer de inimigos? Outro pode fugir, mas eu não. E quem
há, como eu, que em meu posto de honra, e poder, e confiança, entraria no
Templo, e aguardaria ali, quando há trabalho a ser feito, sim, mesmo que fosse
para salvar a minha vida?”. Observe: Quando somos tentados a pecar, deveríamos
nos lembrar de quem e do que somos, para que não façamos nada impróprio em
relação a nós e à nossa profissão. Não é próprio dos reis, ó Lemuel (Pv 31.4).
(2) Qual foi o resultado do seu raciocínio. Ele decide: “Não entrarei. Prefiro
morrer em meu trabalho a viver isolado de forma inglória”. Observe: Coragem
santa e magnanimidade nos encorajarão, independentemente do custo, a nunca
recusarmos uma boa obra, nem fazermos uma obra má.
2. Ele ficou imediatamente ciente de qual era a fonte dessa tentação (v. 12):
“E conheci que eis que não era DEUS quem o enviara. Esse conselho não tinha
direção divina, nem ordinária nem extraordinária, mas visava me prejudicar”. A
maldade desses mercenários miseráveis mais cedo ou mais tarde virá à luz.
Neemias diz que temia duas coisas naquilo que foi aconselhado: (1) Ofender a
DEUS: para me atemorizar, e para que eu assim fizesse e pecasse. Observe: O
pecado é aquilo que deveríamos temer acima de qualquer coisa. É um bom
resguardo contra o pecado quando tememos nada além do pecado. (2)
Envergonhar-se: para que tivessem alguma causa a fim de me infamarem e assim me
vituperarem. Observe: A coisa que deveríamos temer além da pecaminosidade do
pecado é a infâmia dele.
3. Ele humildemente pede a DEUS que acerte as contas com eles por causa dos
seus maus desígnios contra ele (v. 14): Lembra-te, meu DEUS, de Tobias e do
restante deles, conforme estas suas obras. Como, no caso em que mencionou seus
próprios bons serviços, ele não determinou de forma avarenta e ambiciosa a DEUS
qual recompensa ele deveria receber dele, mas modestamente orou: Lembra-te de
mim, meu DEUS (Ne 5.19), assim aqui ele não impreca de forma vingativa qualquer
juízo específico sobre seus inimigos, mas encaminha o assunto a DEUS. “Tu
conheces os seus corações, e és o vingador da falsidade e injustiça; julga
entre mim e eles, e usa o meio que achares melhor para chamá-los para prestar
contas”. Observe: Independentemente das injúrias que são cometidas contra nós,
não devemos nos vingar, mas entregar nossa causa àquele que julga de forma
justa.
2. O
muro foi concluído (Ne 6.15).
Neemias 6:15-19
Apesar de toda a Oposição, a Obra Foi Concluída em um Período bem Breve
Neemias está aqui terminando o muro de Jerusalém, e mesmo assim seus inimigos
continuam criando problemas para ele.
I
Tobias e os outros adversários dos judeus estavam atormentados e humilhados em
ver o muro construído, apesar de todas as suas tentativas para obstruir essa
obra. O muro foi iniciado e terminado em cinqüenta e dois dias, e mesmo assim
temos motivos para acreditar que eles descansaram aos sábados (v. 15). Muitos
foram empregados, e havia lugar para todos eles. Aquilo que fizeram, fizeram
com alegria, dedicando-se à construção, porque amavam o que faziam. As ameaças
dos inimigos, que provavelmente tinham a intenção de enfraquecê-los, os
estimularam a dar continuidade ao seu trabalho de forma mais vigorosa, para que
pudessem terminá-lo antes da chegada do inimigo. Assim, do comedor saiu comida
(veja Jz 14.14). Veja quão grande trabalho pode ser feito em um tempo tão
diminuto quando nos empenhamos de forma fervorosa. Quando os inimigos ouviram
que o muro tinha sido acabado, achando que malmente havia começado e quando
achavam que tinham como embargar a obra, abateram-se muito em seus próprios
olhos (v. 16). 1. Eles estavam envergonhados da sua própria segurança, porque
achavam que poderiam cessar a obra; estavam abatidos com o mau sucesso. 2. Eles
invejaram a prosperidade e sucesso dos judeus, angustiaram-se em ver os muros
de Jerusalém reedificados, enquanto, é possível, os reis da Pérsia não lhes
haviam permitido fortificar as cidades da Samaria. Quando Caim invejou seu
irmão, descaiu-lhe o seu semblante (Gn 4.5). 3. Eles desesperaram-se por
cometerem essa injúria contra eles, pelo fato de humilhá-los e torná-los sua
presa. E tinham motivos para tal, porque perceberam, pelo sucesso maravilhoso,
que o nosso DEUS fizera esta obra. Mesmo esses pagãos tinham tanto juízo, a
ponto de: [1] Perceberem uma providência especial de DEUS relacionada aos
negócios da Igreja, quando prosperaram de maneira marcante. Dizia-se entre as
nações: Grandes coisas fez o SENHOR a estes (Sl 126.2). DEUS lutava por Israel
e trabalhava com eles. [2] Crerem que a obra de DEUS seria consumada. Quando
perceberam que a obra era de DEUS, não tinham outra expectativa senão a de que
ela continuaria e prosperaria. [3] Concluírem que, caso fosse de DEUS, não
faria sentido opor-se a ela; ela certamente prevaleceria e seria vitoriosa.
II
Neemias tinha o desgosto, apesar disso, de ver alguns do seu próprio povo se
correspondendo traiçoeiramente com Tobias e servindo aos seus interesses. Isso,
sem dúvida, lhe causou grande aflição e desânimo. 1. Mesmo entre os nobres de
Judá havia alguns que tinham tão pouca percepção de honra para com seu país,
que chegaram a se comunicar com Tobias por carta (v. 17). Eles escreveram com
toda liberdade e intimidade a ele, e receberam as cartas dele com agrado. É
possível que os nobres de Judá sejam capazes de fazer uma coisa tão desprezível
e perversa? Parece que homens notáveis nem sempre são sábios, nem honestos. 2. Muitos
em Judá estavam ligados, de maneira estrita mas secreta, a Tobias para promover
os interesses do seu país, embora isso, certamente, resultasse na ruína do seu
próprio povo. Eles estavam ajuramentados com ele, não como príncipe deles, mas
como amigo e aliado, porque tanto ele quanto seu filho tinham se casado com
filhas de Israel (v. 18). Veja a injúria de casar-se com estrangeiros; porque
quando um pagão se convertia dessa forma, dez judeus eram corrompidos. Uma vez
que eles tinham laços de parentesco com Tobias, logo ficaram ajuramentados com
ele. Um amor pecaminoso leva a alianças pecaminosas. 3. Eles tiveram a
impudência de tentar estabelecer uma amizade entre Neemias e ele: “Também as
suas bondades contavam perante mim, retratavam-no como um homem gentil e
inteligente, alguém em quem se podia confiar”. Somos, na verdade, ordenados a
não difamar ninguém (veja Tt 3.2), mas também a nunca falar bem de homens
perversos. Os que deixam a lei louvam o ímpio (Pv 28.4). 4. Eles eram tão
falsos a ponto de revelar os conselhos de Neemias a ele, pervertendo-os, sem
dúvida, e colocando interpretações falsas, o que supria Tobias com assunto para
suas cartas, para impregnar medo nele e assim afastá-lo da sua obra e buscar
desanimá-lo. Assim, todos os seus pensamentos contra ele eram para mal, mas
DEUS se lembrava dele para bem.
V –
O MURO FOI SOLENEMENTE INAUGURADO
1.
Para a dedicação dos muros foram convocados todos os levitas, a fim de
dedicarem os muros com alegria, com louvores, com canto, com saltério, com
alaúdes e com harpas (Ne 12.27).
Neemias
12:27-43
As Solenidades da Dedicação dos Muros de Jerusalém
Lemos acerca da edificação dos muros de Jerusalém com grande temor e tremor.
Temos aqui um relato da dedicação dos muros com grande alegria e triunfo. Os
que semeiam em lágrimas segarão com alegria (veja Sl 126.5).
I
Devemos perguntar-nos qual era o significado dessa dedicação dos muros.
Presumiremos que incluía a dedicação da cidade também (continens pro contento –
a coisa que contém para a coisa contida), e, portanto, ela não ocorreu até que
a cidade estivesse repovoada (Ne 11). 1. Era uma gratidão solene a DEUS pela
sua grande misericórdia para com a conclusão dessa tarefa, pela qual eram tanto
mais sensíveis por causa da dificuldade e oposição que encontraram. 2. Eles,
por meio disso, devotaram a cidade de uma maneira peculiar a DEUS e à sua
honra, e tomaram posse dela para Ele e em seu nome. Todas as nossas cidades,
todas as nossas casas, devem ter “santidade ao Senhor” escrito nelas; mas essa
cidade era (como nenhuma outra) uma santa cidade, a cidade do grande Rei (Sl
48.2; Mt 5.35); foi assim desde que DEUS a escolheu para colocar o seu nome
ali, e como tal, sendo agora reparada, ela foi novamente dedicada a DEUS pelos
edificadores e habitantes, como sinal do seu reconhecimento de que eles eram
seus inquilinos, e de seu desejo de que ela continuasse sendo dele e que o
domínio dela nunca fosse modificado. Independentemente do que fosse feito para
a segurança, tranquilidade e conforto deles, isso deve ser para a honra e
glória de DEUS. 3. Eles, com isso, colocaram a cidade e seus muros debaixo da
proteção divina, reconhecendo que, se o SENHOR não guardar a cidade, os muros
foram edificados em vão (veja Sl 127.1). Quando essa cidade estava de posse dos
jebuseus, eles entregaram a guarda dela aos seus deuses, embora fossem cegos e
coxos (2 Sm 5.6). Com muita razão, o povo de DEUS confiou-a aos cuidados
daquele que é onisciente e todo-poderoso. Os fundadores supersticiosos da
cidade estavam de olho na posição auspiciosa dos céus (veja as obras do Sr.
Gregory, p. 29ss.); mas esses fundadores piedosos tinham seu olhar voltado
unicamente para DEUS, para sua providência, e não para a riqueza.
II
Devemos observar a solenidade da dedicação, debaixo da direção de Neemias. 1.
Os levitas de todas as partes do país foram convocados para participar. A
cidade deve ser dedicada a DEUS, e, portanto, seus ministros devem ser
empregados na dedicação dela, e a renúncia deve passar pelas suas mãos. Quando
essas festas solenes terminaram (caps. 8 e 9), eles foram para casa, para os
seus respectivos postos, para cuidar do aspecto espiritual do país; mas agora
sua presença e auxílio eram novamente requeridos. 2. Seguindo o chamado, houve
uma reunião geral de todos os levitas (vv. 28,29). Observe como eles procederam:
(1) Eles purificaram-se (v. 30). Devemos limpar as mãos e purificar o coração
(veja Tg 4.8), quando qualquer obra de DEUS deve passar por elas. Eles
purificaram a si mesmos e então purificaram o povo. Aqueles que são úteis para
santificar outros devem santificar-se a si mesmos, e separar-se para DEUS, com
pureza de mente e sinceridade de coração. Então, eles purificaram as portas e o
muro. Podemos esperar consolo quando estamos preparados para recebê-lo. Todas
as coisas são puras para os puros (Tt 1.15); e, para aqueles que são
santificados, suas casas e mesas, e todos seus confortos e prazeres, são
santificados (1 Tm 4.4,5). Essa purificação provavelmente foi realizada pela
aspersão da água da expiação (ou da separação, como é chamada, Números 19.9) sobre
si mesmos e sobre o povo, sobre o muro e as portas – um tipo do sangue de
CRISTO, com o qual as nossas consciências são purificadas das obras mortas
(veja Hb 9.14), e nos tornamos aptos para servir ao DEUS vivo (Hb 9.14) e para
estar debaixo do seu cuidado. (2) Os príncipes, sacerdotes e levitas caminhavam
sobre o muro em duas companhias, com instrumentos musicais, para representar a
dedicação de tudo a DEUS, em todo o seu circuito (v. 36); é possível que eles
cantassem salmos enquanto andavam pelo muro, para louvar e glorificar a DEUS.
Essa procissão é aqui amplamente descrita. Eles tinham um lugar de encontro em
um local específico, onde se dividiram em duas companhias. Metade dos
príncipes, com diversos sacerdotes e levitas, foi para a direita, sob o comando
de Esdras (v. 36). A outra metade dos príncipes e sacerdotes, que também deram
graças, foi para a esquerda, sob o comando de Neemias (v. 38). Finalmente, as
duas companhias se encontraram no Templo, onde uniram suas ações de graça (v.
40). É provável que a multidão andasse pelo solo, alguns do lado de dentro do
muro e outros do lado de fora. Um dos objetivos dessa cerimônia era que eles
fossem tocados pela benevolência pela qual estavam agradecendo, e para
perpetuar a lembrança disso no meio deles. Procissões, para tais propósitos,
têm sua utilidade. (3) O povo se alegrava com grande alegria (v. 43). Enquanto
os príncipes, sacerdotes e levitas testificavam de sua alegria e gratidão, por
meio de grandes sacrifícios, som de trombeta, instrumentos musicais e cânticos
de louvores, o povo testificava sua alegria em alta voz, que se ouvia até de
longe, mais distante do que os sons mais harmoniosos dos seus cânticos e
músicas. Esses gritos vinham de uma alegria sincera e vigorosa; porque DEUS não
deixa de observar, mas generosamente aceita, os serviços honestos e zelosos de
pessoas simples, embora haja nelas pouca beleza ou ciência. Ressalte-se que
tanto as mulheres como os meninos se alegraram, e os seus gritos de hosana não
foram desprezados, mas registrados para o seu louvor. Todos que participam de
misericórdias públicas devem participar de ações de graças públicas. O motivo é
que DEUS os alegrara com grande alegria. Ele tinha lhes dado motivo de alegria
e corações para regozijar-se; sua providência os tinha deixado seguros e tranquilos,
e então sua graça os tornou alegres e agradecidos. A oposição aturdida dos seus
inimigos, sem dúvida, acrescentou alegria e triunfo. Grandes misericórdias
exigem as retribuições mais solenes de louvor, nos átrios da Casa do SENHOR, no
meio de ti, ó Jerusalém! (veja Sl 116.19).
Na dedicação
dos muros de Jerusalém, buscaram aos levitas de toda a terra, para que viesse
auxiliar com alegria, louvores, canto, címbalos, alaúdes e harpas. – Neemias
12:27
Em Neemias 12, são apresentadas as relações dos sacerdotes e dos levitas e
os responsáveis pelos cânticos, que regressaram com Zorobabel e com Jesua, o
sumo sacerdotes (v.1-21).
Nesse tempo eram mantidos os registros dos chefes das famílias dos levitas e
dos sacerdotes (v.22-26).
No serviço de louvor, na apresentação dos coros; “coro contra coro”,
possivelmente os grupos se postavam um em frente ao outro e cantavam de modo
responsivo, sendo Matanias e Baquebuquias os líderes dos dois coros (11:17).
Esses eventos devem ter ocorrido logo depois do término do muro. Esta é a
primeira descrição bíblica da dedicação do muro de uma cidade. Não consta que
tenha ocorrido outra cerimônia como esta em Israel.
Quando os sacerdotes terminaram de edificar sua parte do muro, eles
imediatamente “consagraram-na” (3:1), possivelmente com uma cerimônia. Isso
pode ter inspirado Neemias a planejar uma cerimônia apropriada de consagração
quando os muros estivessem concluídos, reconhecendo que os muros seriam inúteis
a menos que o próprio DEUS defendesse a cidade.
2. O
ato de dedicação incluiu duas procissões ao longo dos muros, as quais pararam
diante da Casa de DEUS, onde houve sacrifícios (Ne 12.30,38,40).
Os
sacerdotes e os levitas se purificaram primeiro, depois purificaram o povo, as
portas e o muro da cidade (v.27-30).
Neemias ordenou que todos os líderes da nação subissem no muro, então os
dividiu em dois coros, cada um composto por clérigos e leigos. Esdras comandava
um grupo e Neemias o outro grupo. Os coros saíram em direções opostas e se
encontraram em frente ao templo, sempre cantando e tocando seus instrumentos
musicais. Ofereceram muitos sacrifícios e se alegraram; pois DEUS tinha dado ao
povo motivos para se alegrar, de modo que o júbilo de Jerusalém se ouviu de
longe (v.31-43).
Ele também organizou as câmaras dos tesouros, para ajuntarem nelas, as porções
designadas pela Lei para os sacerdotes e levitas; pois Judá estava alegre e os
sacerdotes e levitas ministravam ali (v.44-47).
Neemias se preocupou até com os detalhes do louvor, das festas, e da manutenção
dos sacerdotes e levitas, porteiros, cantores, instrumentistas, para que sempre
houvesse grandes reuniões para adorarem ao SENHOR.
VI –
OS MUROS TRAZEM ENSINO SIMBÓLICO IMPORTANTE
A Restauração
Dos Muros
Após essa obra
de regeneração em nosso espírito, estamos prontos para o próximo passo: a
restauração dos muros, para que o santuário seja protegido. Em outras palavras,
a restauração da nossa
personalidade,
para que o inimigo não encontre brechas para nos atacar. É disso que
trataremos, pedindo a DEUS que nos guie e nos revele o Seu caminho no
tratamento de nossas almas, a fim de que as virtudes do caráter de CRISTO se
manifestem em nossa própria personalidade. Fazemos do velho corinho, nossa
oração:
Toda a Sua
admirável pureza e amor.
Ó Tu, Chama
Divina, todo o meu ser refina, Até que a beleza de CRISTO se veja em mim.
Se você já
nasceu de novo, está consciente e convicto de que JESUS é o seu único Senhor e
Salvador. Agora, como filhos de DEUS, vamos enveredar pelo caminho da
restauração dos muros, portas e torres da nossa alma, para que o santuário seja
protegido e defendido, e os intrusos, enviados pelo inimigo, não venham assolar
o nosso templo.
Se você ainda
não teve essa experiência de novo nascimento, não prossiga. Pare agora diante
dAquele que o criou. Ele tem um plano maravilhoso para a sua vida e quer
transformá-Ia por completo, dando-lhe uma razão de viver. Por você, CRISTO deu
Sua vida na cruz do Calvário e pagou o preço da completa libertação e redenção
de todo aquele que crê. Tudo quanto era necessário para que você seja livre das
garras do pecado e de Satanás, já foi feito, como expressão da graça e do amor
de DEUS por você. O que você tem que fazer agora é só renunciar seus pecados e
seu passado, entregando-se inteiramente a JESUS. O resto, Ele fará.
Considere que o
ESPÍRITO de DEUS está agora junto a você, para levá-lo a JESUS e torná-lo real
ao seu coração. Ele o transformará num santuário, onde a glória de DEUS assiste
e Sua doce voz se fará ouvir. Você não está lendo este livro por acaso. Através
dele, DEUS marcou um encontro com você e saiba que, abrindo-se neste momento à
Sua graça e amor indizível, abraçando a JESUS CRISTO, você nunca mais será o
mesmo, «Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo» (Rom
10.13). Se isso de fato expressa o desejo do seu coração, abra-se à presença de
DEUS e diga em voz alta:
Senhor JESUS,
reconheço que nasci e tenho vivido em pecado, mas Tu tomaste o meu lugar na
cruz do Calvário e pagaste o preço da minha redenção. Renuncio o pecado, a
Satanás, o mundo, a carne e a mim mesmo, e me entrego a Ti. Sê o Senhor da
minha vida. Confesso com a minha boca que Tu és o Filho de DEUS, que morreste
em meu lugar, ressuscitaste e hás de voltar. Confesso que Tu és o meu Senhor.
Recebo-Te em minha vida e seguir-Te-ei para sempre. Agradeço-Te porque, de
acordo com a Tua Palavra, eu estou nascendo como filho de DEUS e os meus
pecados estão sendo perdoados. Sei que me recebes agora como filho. Faz de mim
a pessoa que Tu queres que eu seja. Amém.
Agradeça a DEUS
porque Ele escuta a sua oração. A Bíblia diz:
«Porque se com
tua boca confessares a JESUS como Senhor, e em teu coração creres que DEUS o
ressuscitou dentre os mortos, serás salvo; visto que com o coração se crê para
a justiça e com a boca se confessa para a salvação. Porque a Escritura diz:
Ninguém que N’Ele crê será confundido. Porquanto não há distinção entre judeu e
grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que O
invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo» (Rm.
10:9-13).
A Necessidade
Da Restauração Dos Muros - o livro de Neemias nos dá uma ilustração clara
da obra a ser realizada na restauração da nossa personalidade. Ele está cheio
de ensinamentos na área de liderança, de batalha espiritual, de restauração e
de vários outros aspectos da vida cristã. Aqui lançaremos mão dos ensinos que
se aplicam à restauração, libertação ou cura da nossa alma. Antes, porém, de
nos enveredarmos pelos seus relatos, daremos uma rápida visão do seu conteúdo,
usando as notas introdutórias ao livro da BÍBLIA ANOTADA (The Ryrie Study
Bíble), editada pela EDITORA MUNDO CRISTÃO.
DEUS levanta um
exército de filhos Seus, com o propósito de ser canal da Sua Palavra, amor e
graça. Esse exército tem a missão de saquear o inferno e povoar o Céu, sendo
responsável pela grande colheita do tempo do fim. É imperioso, porém, que os
filhos se tornem um testemunho vivo do poder de DEUS para transformar a
natureza humana. Essa transformação deve, necessariamente, atingir o homem
integral: espírito, alma e corpo. Em outras palavras, um espírito redimido, uma
alma restaurada e um corpo sadio, trazendo a carne sob sujeição.
Uma das áreas
mais negligenciadas, no entanto mais exposta e com a maior manifestação de
problema, é a alma, ou personalidade. Muitas vezes alguém até possui uma unção
especial em sua vida. mas devido a uma personalidade sem controle,
desestruturada, seu ministério é afetado. Parece existir um conflito constante
entre o que a pessoa sabe ser o padrão Divino para a vida cristã e o modo como
ele age e reage. Esse conflito, vezes sem conta, pode levá-la a buscar ajuda em
um psicólogo ou mesmo psiquiatra. DEUS, contudo, tem um plano para que cada um
de Seus filhos receba, dos recursos de Sua graça, uma completa restauração em
sua personalidade, de modo que possa refletir a beleza do caráter do Senhor
JESUS, que vive no crente, na pessoa do ESPÍRITO SANTO.
Nossa
personalidade é o reflexo de heranças dos nossos pais, cultura, ambiente,
experiências vividas e tudo quanto entrou para nossa formação, antes mesmo do
nosso nascimento. O próprio pecado, no qual fomos concebidos, deixou suas
tristes marcas, umas mais berrantes, outras menos visíveis. Todos, porém, sem
exceção, trazemos o sinal de uma herança pecaminosa. Quando CRISTO entra em
nossa vida, muda o sentido e a razão do viver, mas cedo descobrimos que o mundo
da alma é complexo e carece de uma obra profunda, gradativa, que nos troque as
marcas de uma personalidade doentia pelas virtudes encarnadas em nosso Senhor
JESUS CRISTO.
Haverá
possibilidades de mudanças permanentes, de cura interior, de restauração da
nossa personalidade? Claro que sim. Há recursos em DEUS para trazer ao nosso
ser inteiro a harmonia por Ele projetada. Iremos, pois, no presente estudo,
buscar na Palavra de DEUS, nossa bússola e fonte de toda instrução, os
princípios que nos ajudarão a encontrar a vitória de uma alma sã.
Os problemas de
personalidade têm constantemente causado sérias dificuldades na vida e no
relacionamento das pessoas. Como somos seres sociais e não poderemos viver
isolados uns dos outros, só há um caminho para uma convivência sadia, dentro do
plano de comunhão e unidade que DEUS quer para Seu povo: ser liberto das
cadeias que prendem a alma e ajustá-Ia à Palavra de DEUS. Salomão declara que: «Melhor
é o Longânimo do que o valente,' e o que domina o seu espírito do que o que
toma uma cidade». (Pv 16.32) «Como a cidade derribada que não tem muros, assim
é o homem que não pode conter o seu espírito» (Pv 25.28).
A figura da
cidade sem muros bem retrata aquele que não tem controle ou domínio sobre sua
própria personalidade. O que representa uma cidade sem muros? No contexto
bíblico, falando dos tempos antigos, significa uma cidade sem proteção, exposta
a todo tipo de ataque adversário, vulnerável, portanto, destinada à infestação
de toda sorte de inimigo e, finalmente, à destruição. Uma pessoa que não contém
o seu espírito tem os muros de sua personalidade caídos ou cheios de brecha, o
que permite a invasão de forças inimigas.
Sobre os muros
da cidade estavam as torres de vigia, lugar de onde os ataques iminentes eram
detectados e deles se dava aviso. Dali, também, partiam ataques de defesa (2 Sm
11.19 a 24). A segurança e proteção da cidade, dos que nela habitavam e de suas
riquezas, dependiam da estrutura dos seus muros (2 Cr. 14:7-8).
Os muros da
cidade são tão importantes que Apocalipse se refere aos muros da Nova
Jerusalém, de seus fundamentos, medidas e material com que são construídos.
Fala de suas portas e ressalta a importância e beleza das mesmas. Tomaremos,
pois, esta figura para mostrar a importância de termos os muros de nossa alma
de pé, sem brechas, com suas portas no lugar e as torres de vigia em pleno
funcionamento. Só assim nos será possível, neste tempo de tremendos conflitos
contra as forças das trevas, manter toda sorte de intruso longe da nossa alma
e, ao mesmo tempo, ser canais para a libertação daqueles que foram vencidos.
A Bíblia é rica
em figuras, que nos ilustram as realidades do mundo do espírito. Lançaremos
mão, ao longo deste estudo, de duas figuras principais, extraídas da história
Jo povo de Israel, buscando, do ESPÍRITO SANTO, a luz, com o propósito de
receber as lições e aplicações para nossa alma, com vistas à sua restauração,
libertação e cura interior.
O estudo está
dividido em partes: na primeira, a palavra-chave é: Restauração. O livro de
Neemias será a base do mesmo. Na segunda, a Conquista é o imperativo. Para
tanto, usaremos a conquista da Terra de Canaã, como a figura de base. Dentro
dessa idéia de apoderar-se, apropriar-se, conquistar, abordamos as áreas que
formam a personalidade: Conquista da Mente, da Vontade e das Emoções.
Vivemos em dias
quando o ESPÍRITO de DEUS se move na Igreja com o propósito de restaurá-Ia,
sará-Ia e embelezá-Ia, a tem de poder entregar ao Senhor JESUS a Noiva
gloriosa, como Ele mesmo deseja recebê-la. Foi para isto que Ele veio e esta é
a obra do ESPÍRITO SANTO: operar em pecadores de tal sorte que estes sejam
transformados em filhos de DEUS, preparados para desposar o Cordeiro e reinar
com Ele em glória.
«CRISTO amou a
Igreja e a Si mesmo Se entregou por ela, afim de a santificar, tendo-a
purificado com a lavagem da água, pela Palavra, a fim de apresentá-Ia a Si
mesmo Igreja gloriosa, sem mácula, Item ruga, nem qualquer coisa semelhante,
mas santa
e irrepreensível, (Ef. 5:25b27).
A RESTAURAÇÃO
DA PERSONALIDADE
A primeira figura
que usaremos é a dos muros da cidade. Iremos aos livros de Esdras e Neemias e
ali descobriremos grandes princípios para a restauração da nossa personalidade.
Abra-se ao mover do ESPÍRITO de DEUS e deixe que Ele mesmo estabeleça os
paralelos entre os ensinos da Palavra e suas experiências, consumando em sua
alma a obra de restauração, libertação e cura que Ele deseja e pode realizar.
Falaremos do templo, como símbolo do nosso espírito, dos muros, representando
nossa alma, e das portas, como o lugar de decisão em nossa vida.
O incidente na
história de Israel que primeiro tomaremos, fala da restauração do templo em
Jerusalém e dos seus muros. Nabucodonosor, rei da Babilônia, havia invadido e
destruído o templo e a cidade em 587 A. C. Jeremias profetizara que a duração
do cativeiro seria de setenta anos (Jr. 25: 11). Em 538 A.C., Ciro, rei da
Pérsia, conforme profetizado por Isaías, permitiu ao povo regressar e
reconstruir o templo (Conf. Is. 44:28; 45: 1-13; Ed. I: 1-3).
Os livros de
Esdras e Neemias relatam o que ocorreu em consequência do decreto de Ciro.
Nesses dois livros há duas fases distintas: a restauração do templo, sob
o comando de Zorobabel e a restauração dos muros, sob Neemias. Palavras como
edifício, reedificar e restaurar, aparecem cinqüenta e cinco vezes em seus relatos.
Tomá-las-emos, portanto, como base de ensino figurado para um sério trabalho em
nossa personalidade, com vistas à maturidade cristã, «até que todos cheguemos à
unidade da .fé e do pleno conhecimento do Filho de DEUS, ao estado de homem
feito, à medida da estatura da plenitude de CRISTO» (El 4: 13).
A RESTAURAÇÃO
DOS MUROS
A Casa do
Senhor era o coração do decreto de Ciro. Em Esdras 1:15, há quatro referências
à edificação da Casa que fora destruída por Nabucodonosor:
«O Senhor DEUS
do Céu me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de Lhe edificar uma
Casa em Jerusalém, que é Judá.
Quem há entre
vós de todo o seu povo (Seja seu DEUS com ele) suba para Jerusalém, que é em
Judá, e edifique a Casa do Senhor, DEUS de Israel; Ele é o DEUS que habita em
Jerusalém.
E todo
remanescente, seja qual for o lugar em que é peregrino, seja ajudado pelos
homens desse lugar com prata, com ouro, com bens e com animais afora. a oferta
voluntária para a Casa de DEUS, que está em Jerusalém.
Então se
levantaram os chefes das casas paternas de Judá e Benjamim, e os sacerdotes, e
os levitas, todos aqueles cujo espírito DEUS despertara, para subirem a
edificar a Casa de DEUS, que está em Jerusalém».
Primeiro, a
Restauração do Templo
Estamos diante
de prioridades corretas. Antes de se pensar em qualquer outra coisa, o lugar de
culto deveria ser restaurado. Tão logo a primeira leva de cativos judeus
retomou a Jerusalém, o altar foi edificado; o canal de adoração e comunicação
com DEUS foi estabelecido. O Templo era o lugar escolhido por DEUS, para nele
fazer habitar o Seu Nome (Ne. 1 :9). Lá se davam os sacrifícios religiosos e
era o coração da vida espiritual de Israel. Lá estavam as Tábuas da Aliança, a
glória de DEUS, Sua presença e Santidade.
Sem o Templo,
Jerusalém perdia seu valor. Portanto, sua restauração era obra prioritária. É
disso que o livro de Esdras trata.
Aplicando as
lições à nossa experiência, DEUS nos escolheu para fazer habitar em nós o Seu
nome. Somos Seus servos, a quem Ele resgatou com o Seu grande poder e mão forte
(Ne. I: 10). Ele quis nos transformar em santuários Seus e comungar conosco,
fazendo de nós transportes de Sua presença na Terra.
Antes de
trabalharmos na alma, ou na carne, precisamos lidar com o nosso espírito. O
coração de Israel era Jerusalém; o coração de Jerusalém era o templo; o coração
do templo era o SANTO dos Santos. Nele estava a Arca, coberta pelo
propiciatório, contendo as Tábuas da Aliança, «escritas pelo dedo de DEUS». A
partir dali, DEUS falava. Logo, o templo, habitação de DEUS, era o centro e a
razão de tudo. A primeira preocupação, portanto, era com esse lugar.
A experiência
mais marcante em nossa vida é o novo nascimento, pelo qual o nosso espírito é
recriado e se transforma no santuário de DEUS na Terra, onde Seu ESPÍRITO
habita e onde se estabelece uma comunhão e comunicação com DEUS (2 Co. 5:17; 2
Co. 6:16; 3:16). É por essa experiência que nos tornamos filhos de DEUS (10. 1:
12), herdeiros seus e co-herdeiros com CRISTO (Rm. 8: 16, 17), participantes da
sua natureza (2 Pe. 1 :4), porque somos gerados de novo da semente Divina (I
Pe. 1:23), que permanece em nós (I Jo. 3:9). Por essa razão, tornamo-nos
habitação de DEUS, santuários vivos, transportando a Palavra Viva, na pessoa do
ESPÍRITO SANTO.
Segundo, A
Restauração Dos Muros
Após essa obra
de regeneração em nosso espírito, estamos prontos para o próximo passo: a
restauração dos muros, para que o santuário seja protegido. Em outras palavras,
a restauração da nossa
personalidade,
para que o inimigo não encontre brechas para nos atacar. É disso que
trataremos, pedindo a DEUS que nos guie e nos revele o Seu caminho no
tratamento de nossas almas, a fim de que as virtudes do caráter de CRISTO se
manifestem em nossa própria personalidade. Fazemos do velho corinho, nossa
oração:
Toda a Sua
admirável pureza e amor.
Ó Tu, Chama
Divina, todo o meu ser refina, Até que a beleza de CRISTO se veja em mim.
Se você já
nasceu de novo, está consciente e convicto de que JESUS é o seu único Senhor e
Salvador. Agora, como filhos de DEUS, vamos enveredar pelo caminho da
restauração dos muros, portas e torres da nossa alma, para que o santuário seja
protegido e defendido, e os intrusos, enviados pelo inimigo, não venham assolar
o nosso templo.
Se você ainda
não teve essa experiência de novo nascimento, não prossiga. Pare agora diante
dAquele que o criou. Ele tem um plano maravilhoso para a sua vida e quer
transformá-Ia por completo, dando-lhe uma razão de viver. Por você, CRISTO deu
Sua vida na cruz do Calvário e pagou o preço da completa libertação e redenção
de todo aquele que crê. Tudo quanto era necessário para que você seja livre das
garras do pecado e de Satanás, já foi feito, como expressão da graça e do amor
de DEUS por você. O que você tem que fazer agora é só renunciar seus pecados e
seu passado, entregando-se inteiramente a JESUS. O resto, Ele fará.
Considere que o
ESPÍRITO de DEUS está agora junto a você, para levá-lo a JESUS e torná-LO real
ao seu coração. Ele o transformará num santuário, onde a glória de DEUS assiste
e Sua doce voz se fará ouvir. Você não está lendo este livro por acaso. Através
dele, DEUS marcou um encontro com você e saiba que, abrindo-se neste momento à
Sua graça e amor indizível, abraçando a JESUS CRISTO, você nunca mais será o
mesmo, «Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo» (Rom
10.13). Se isso de fato expressa o desejo do seu coração, abra-se à presença de
DEUS e diga em voz alta:
Senhor JESUS,
reconheço que nasci e tenho vivido em pecado, mas Tu tomaste o meu lugar na
cruz do Calvário e pagaste o preço da minha redenção. Renuncio o pecado, a
Satanás, o mundo, a carne e a mim mesmo, e me entrego a Ti. Sê o Senhor da
minha vida. Confesso com a minha boca que Tu és o Filho de DEUS, que morreste
em meu lugar, ressuscitaste e hás de voltar. Confesso que Tu és o meu Senhor.
Recebo-Te em minha vida e seguir-Te-ei para sempre. Agradeço-Te porque, de
acordo com a Tua Palavra, eu estou nascendo como filho de DEUS e os meus
pecados estão sendo perdoados. Sei que me recebes agora como filho. Faz de mim
a pessoa que Tu queres que eu seja. Amém.
Agradeça a DEUS
porque Ele escuta a sua oração. A Bíblia diz:
«Porque se com
tua boca confessares a JESUS como Senhor, e em teu coração creres que DEUS o
ressuscitou dentre os mortos, serás salvo; visto que com o coração se crê para
a justiça e com a boca se confessa para a salvação. Porque a Escritura diz:
Ninguém que N’Ele crê será confundido. Porquanto não há distinção entre judeu e
grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que O
invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo» (Rm.
10:9-13).
A Necessidade
Da Restauração Dos Muros - o livro de Neemias nos dá uma ilustração clara
da obra a ser realizada na restauração da nossa personalidade. Ele está cheio
de ensinamentos na área de liderança, de batalha espiritual, de restauração e
de vários outros aspectos da vida cristã. Aqui lançaremos mão dos ensinos que
se aplicam à restauração, libertação ou cura da nossa alma. Antes, porém, de
nos enveredarmos pelos seus relatos, daremos uma rápida visão do seu conteúdo,
usando as notas introdutórias ao livro da BÍBLIA ANOTADA (The Ryrie Study
Bíble), editada pela EDITORA MUNDO CRISTÃO.
AUTOR - NEEMIAS
DATA - 445-425 a.C.
O HOMEM NEEMIAS
- Como copeiro do rei Artaxerxes I, a posição de Neemias era de grande
responsabilidade (comprovar que o vinho bebido pelo rei jamais estivesse
envenenado) e de muita influência (já que um servo que desfrutava de tanta
confiança frequentemente se tomava um conselheiro bem íntimo). Ao ouvir que as
muralhas de Jerusalém ainda não haviam sido reconstruídas, e recebendo
permissão do rei para ir a Jerusalém e corrigir a situação, demonstrou
qualidades ímpares de liderança e organização. Em 52 dias o trabalho de
reconstrução foi terminado. Como governador de Judá, Neemias demonstrou
humildade, integridade, patriotismo, energia, piedade e altruísmo.
Depois de doze
anos no cargo, ele retomou por pouco tempo à corte de Artaxerxes (2: 1; 13:6) e
de lá voltou a Judá, onde exortou seu povo ao arrependimento.
Tão vívido e
franco é o relato que muito do material contido no livro provém do que deve ter
sido o diário pessoal de Neemias.
CONTEXTO
HISTÓRICO - Os papiros de Elefantina, descobertos em 1903, confirmam a
historicidade do livro de Neemias, mencionando Sambalá (2:19) e Joanã (6:18;
12:23). Estas fontes também nos indicam que Neemias deixou de ser governador de
Judá antes de 408 a.C.
CONTEÚDO - O
livro completa a história do remanescente que voltara do exílio em Babilônia,
restauração esta começada sob a liderança de Esdras. “Marca também o início das
«setenta semanas» de Daniel e fornece o contexto histórico para a profecia de
Malaquias».
ESBOÇO DE
NEEMIAS
I. A
Reconstrução dos Muros (sob a Liderança de Neemias), 1:1-7:73
A. O Retorno a
Jerusalém, 1-2:20
1.A condição de
Jerusalém, 1:1-7
2. A petição de
Neemias, 1:8-11
3. A comissão
de Artaxerxes, 2: 1-10
4. A inspeção
dos muros, 2: 11-20
B - A
Reconstrução dos Muros. 3: 1-7:4
I. O trabalho
designado, 3: 1-32
2. O trabalho
atacado, 4: 1-6: 14
a. Pela
zombaria, 4: 1-6
b. Por
conspiração, 4:7-21
c. Por
extorsão, 5:1-19
d. Pela
transigência, 6: 1-4
e. Pela
calúnia, 6:5-9
3. O trabalho
realizado, 6: 15"7:4
C. O Registro
do Povo, 7:5-73
II- A Renovação
da Aliança (Sob a Liderança de Esdras), 8:1-10:39 A.A Leitura da Lei, 8:1-8
B. A Reação do
Povo, 8:9-18
C.O
Arrependimento do Povo,9: 1-38
D. A
Ratificação da Aliança, 10: 1-27
E. As
Responsabilidades da Aliança, 10:28-39
III. A Reforma
da Nação, 11:1-13:31
A. O
Repovoamento das Cidades, 11: 1-12:26
1. Jerusalém,
11:1-1:24
2. Outras
cidades, 11:25-36
3. Sacerdotes e
levitas, 12: 1-26
B. A
Rededicação dos Muros, 12:27-47
C. O
Reavivamento do Povo, 13: 1-31
1. Reformas em
relação aos não-judeus, 13:1-3 2. Reformas em relação ao sacerdócio. 13:4-5 3.
Reformas em relação ao sábado, 13: 15-22 4.Reformas em relação ao casamento.
13:23-31.
Não iremos
fazer um estudo do livro, mas aí está um esboço que poderá ajudá-lo em um
estudo pessoal. Vamos extrair o que diz respeito ao assunto de tratamento com a
nossa alma, fazendo as devidas aplicações, orando para que a luz do ESPÍRITO
nos dirija.
esboço
Significado do
Nome
Neemias
significa «Consolação de Já» (um dos nomes de DEUS), ou «Aquele a quem Jeová
conforta>'. Tomá-lo-emos, portanto, como um tipo do ESPÍRITO SANTO, o
Consolador ou Confortador, que se identifica com as nossas necessidades, e se
dispõe a dirigir-nos na obra de restauração dos muros da nossa personalidade.
Estado de
Jerusalém
Neemias recebe
um relatório, por parte de um irmão seu, do estado em que se encontra
Jerusalém:
«Os restantes
que .ficaram do cativeiro, lá na provinda estão em grande aflição e opróbrio;
também está derrubado o muro de Jerusalém, e as suas portas queimadas afogo»
(Ne. J :3).
Suas entranhas
se movem de compaixão e ele intercede pelo povo, com jejum, por alguns dias,
invocando o DEUS ~a Aliança. Em sua oração. ele declara que os judeus são
«servos» do Altíssimo. Confessa seus pecados e reconhece a misericórdia e
justiça de DEUS, mas firma-se na promessa de perdão para interceder a favor de
uma intervenção miraculosa, que resulte na restauração da cidade e remoção da
vergonha e aflição que pesa sobre todo o povo (Ne.1 :5-9). Ele, pois, se coloca
entre
«Eles são os
Teus servos e o Teu povo, que resgataste com o Teu grande poder e com a Tua mão
poderosa» (Ne. 1:10).
Somos servos de
DEUS e Ele nos resgatou com o precioso sangue de JESUS. A despeito disto,
muitas vezes temos sido assolados por muitas pressões, aflições e terríveis
inimigos. Apesar do nosso coração ter se transformado no santuário de DEUS,
olhamos para a nossa alma e deparamo-nos com verdadeiros intrusos de medo,
insegurança, frustração, autocompaixão, mágoa, crítica, falta de perdão e até
mesmo opressão. Mas o ESPÍRITO de DEUS, que em nós habita, «intercede por nós
com gemidos inexprimíveis» (Rm. 8:26). Há Alguém, o doce Consolador, que se
identifica com a nossa causa, dispõe dos recursos Divinos e uma comissão real
para remover o nosso opróbrio. Portanto, coragem! Há libertação e restauração
para os resgatados do Senhor, e voc8 é um deles. Jamais compreenderemos a
extensão e profundidade desse amor de DEUS, porém saiba que o ESPÍRITO
Consolador, Sarador, Santificador, Regenerador e Restaurador não se darão por
satisfeito, até que nos veja no pleno gozo da vida abundante, que CRISTO JESUS
nos garantiu pelo preço pago por nossa plena redenção.
Falando sobre a
cidade de Jerusalém, Neemias lembra as palavras do próprio DEUS: «o lugar que
tenho escolhido para ali fazer habitar o meu Nome» (Ne. 1:9b). Aí está a razão
da importância da Cidade: foi escolhida por DEUS. Voc8 também é muito
importante para o ESPÍRITO SANTO, nosso «Neemias». Foi através de Sua operação
que você conheceu a CRISTO e se tornou um filho de DEUS. Mas a obra ainda não
está completa. Ela só se completará com a sua glorificação.
Voc8 transporta
a vida de DEUS dentro de si mesmo, na pessoa do Seu ESPÍRITO, que habita no
coração do nascido de novo. O nome de DEUS habita em seu espírito. Isso
equivale dizer que a presença de DEUS está em voc8. Torna-se, pois, necessário
que todas as áreas de sua vida reflitam a realidade da presença de DEUS dentro
de voc8. Ter um santuário numa cidade cheia de entulhos, com os muros no chão,
as portas destruídas pelo fogo, e sem qualquer proteção, é uma verdadeira
vergonha, um opróbrio. O ESPÍRITO SANTO se move, em nossos dias, numa obra de
restauração, libertação e cura, para que toda a cidade, que simboliza nosso ser
inteiro, viva na beleza e harmonia projetadas por DEUS, para você e para mim,
pois o Seu Nome habita em nós.
Uma Cidade Sem
Muros Está Sujeita à Invasão Inimiga
Satanás não tem
acesso ao nosso espírito recriado, mas ele tem-no ao nosso corpo e à nossa
alma, caso alguma brecha lhe seja dada. Quando nascemos de novo o nosso
espírito é recriado, no entanto a alma traz muitas marcas das quais precisa se
libertar. São traumas, complexos, feridas, hábitos, filosofias, uma série de
coisas que nada têm a ver com os padrões de DEUS para a vida dos Seus filhos. E
é aqui que uma pergunta se levanta: "O que é a alma?" É o mundo dos
nossos pensamentos, sentimentos e vontade. É nossa personalidade.
O homem é
tridimensional: ele é um espírito, possui uma alma e habita em um corpo. O
espírito tem consciência de DEUS; a alma tem consciência de si mesma; o corpo
tem consciência da matéria. Com nosso espírito tocamos o reino espiritual; com
nossa alma, o reino intelectual, emocional e volitivo; com o corpo, o reino
físico, material. A obra da salvação visa atingir essas três áreas. Em um outro
estudo, intitulado ..Vitória Total", abordamos a obra a ser realizada em
cada uma delas. Sintetizando, diríamos:
1. O ESPÍRITO
SANTO recria nosso espírito, tornando-nos filhos de DEUS e participantes de Sua
natureza, santuários habitados pelo próprio ESPÍRITO (Jo. I: 12; 2 Pe. 1 :4; I
Co. 3: 16; 6: 19; 110.3: 1 ,9).
2. A Palavra de
DEUS restaura a nossa alma, pela renovação da nossa mente, o que nos torna cada
vez mais semelhantes a JESUS em nossa personalidade (Tg. 1 :21; Rm. 12:2; 2 Co.
3: 18; Rm. 8:29).
3. Nós
disciplinamos nossa carne, sujeitando-a ao nosso espírito, levando nossos
membros a serem instrumentos da justiça e não mais do pecado (I Co. 9:27; Rm.
8: 13; GI. 5:24; CI. 3:5; Rm. 6: 13).
Neste estudo,
estaremos tratando apenas da alma. Conscientize-se, desde já, que apesar do
novo nascimento ocorrer como um milagre instantâneo, não existe uma fórmula
para uma restauração da alma em um momento. Exige trabalho, tempo, cooperação
entre nós e o ESPÍRITO SANTO. A própria palavra «restauração» ou «edificação»,
implica em esforço, trabalho. É um processo. No entanto, não há razão para
desanimar. O Consolador nos revelará as áreas danificadas e dirigir-nos-á em
toda a obra de restauração. Não estamos sozinhos, nem sem recursos.
«Maior é Aquele
que está em nós, do que aquele que está no mundo» (I Jo. 4:4) e «em todas estas
coisas somos mais que vencedores, por Aquele que nos amou» (Rm. 8:37).
Mãos à obra,
pois, com a certeza de que, com o auxílio do ESPÍRITO, nossos muros estarão de
pé, sem brechas e com suas portas no devido lugar, para que a vida de DEUS em
nosso espírito tenha livre expressão através da nossa alma restaurada.
Neemias faz um
pedido ousado ao rei da Pérsia e é atendido, no seu dizer, «graças à boa mão do
meu DEUS sobre mim» (Ne. 2:8). Em chegando a Jerusalém, ele fez um levantamento
da situação e constata o estado de calamidade da cidade. «Contemplei os muros de
Jerusalém, que estavam demolidos, e as suas portas, que tinham sido consumidas
pelo fogo» (Ne. 2:13). O próximo passo é lembrar ao povo a realidade dos danos
e convocá-lo a empreender a obra da restauração, declarando:
«Bem vedes o
triste estado em que estamos, como Jerusalém está assolada, e as suas portas
queimadas afogo,' vinde, pois, e edifiquemos o muro de Jerusalém, para que não
estejamos mais em opróbrio» (Ne. 2:17).
Note que
Neemias não realiza a obra sozinho. Ele convoca: «Edifiquemos. Do mesmo modo, o
ESPÍRITO de DEUS, que conhece todas as coisas a nosso respeito, bem como a
vontade do Pai, fala-nos da situação de nossa alma e nos convida à ação.
Teremos que participar ativamente, seguindo Suas instruções e estratégias. Sem
Ele, não chegaremos a lado nenhum, e se não dermos ouvidos à Sua voz,
obedecendo as Suas diretrizes, também permaneceremos com nossa alma
desestruturada e aberta à invasão e opressão do inimigo, tornando-nos motivo de
vergonha para todos.
Um dos erros
graves, é julgar-se que o ESPÍRITO tudo fará por nós, enquanto esperamos de
braços cruzados. Outro engano, é correr-se atrás de um e de outro, pedindo
oração por um problema sem nada fazer a respeito, julgando que sua solução
depende, exclusivamente, da oração daquela pessoa. A realidade dos princípios
bíblicos, porém, é que DEUS faz a Sua parte, o irmão faz a sua por nós,
ministrando-nos a palavra ou intercedendo a nosso favor e nós temos que fazer a
nossa, para que a obra seja estabelecida. Hoje o ESPÍRITO está nos falando:
«Vinde, e edifiquemos o muro». Ele vai conosco e isso faz a diferença.
Prepare-se, pois, para a ação e tenha firme em sua mente que, se você não se
dispuser a trabalhar na restauração, nada irá acontecer. A obra é realizada
pelo ESPÍRITO SANTO e nós. Ele dá a estratégia, a direção, o conselho, e você
obedecem prontamente. Assim fazendo, sob Sua direção infalível, os conflitos de
sua alma cessarão.
Um outro
aspecto importante nessa reconstrução, é que o material existente não é
desprezado. Neemias usa tanto o elemento humano, quanto as pedras amontoadas
que haviam caído ou estavam cobertas de lixo. Há um aproveitamento do que
poderia parecer apenas lixo, mas que trabalhado teria de volta a beleza e
função originais. Neemias aproveitou as pedras quebradas. Ele nada desperdiçou.
Os muros haviam sido derrubados, mas as pedras permaneceram lá. Assim também, o
ESPÍRITO SANTO não nos despersonalizará. Ele lançará mão de tudo que temos,
proveniente das mãos de DEUS, e removerá o lixo acrescentado. Cada um de nós
tem características distintas, que serão preservadas. Ele pegará as pedras
caídas e quebradas, e emendá-las-á e as colocará em seu devido lugar.
Restauração é isso: tomar alguma coisa boa, que sofreu danos e estragos, e
repará-Ia até que se torne como era originalmente.
DEUS é um DEUS
econômico e não de desperdiça material. Todo o que é aproveitável, será
aproveitado. Suas capacidades, seus talentos, aquilo que você tem, DEUS vai
usá-los e colocá-los no lugar certo. Ele lança mão das experiências do passado,
até dos fracassos, para trabalhar a sua restauração. O ESPÍRITO de DEUS é
especialista em pegar as coisas quebradas e restaurá-Ias, de modo a não ficar
nem mesmo vestígio de todo o dano. Sua alma pode estar em frangalhos, marcada
pelos mais profundos traumas e complexos, por toda sorte de rejeição ou
feridas, por toda opressão satânica ou depressão, todo pesar ou desespero, mas
Ele ajudará a remover o lixo acumulado, pondo cada coisa no seu devido lugar, e
a paz de DEUS inundará seu ser inteiro.
Há várias
figuras no livro de Neemias que nos trazem preciosas lições. Mencionamos
algumas:
1. Jerusalém é
importante porque o nome de DEUS nela habita e foi escolhida por Ele. Vale a pena investir nela. Nós somos importantes para DEUS
pela mesma razão: DEUS nos escolheu, em CRISTO, e fez habitar Seu nome em nós,
pelo que somos chamados filhos de DEUS. Através do ESPÍRITO SANTO, Ele
investirá em nós até que Seus maravilhosos propósitos de Pai para conosco sejam
plenamente concretizados. E quão eternos são tais propósitos!
2. Na cidade
foi construído o Templo, lugar de adoração que, dada a sua importância, devia
ser protegido. Nosso espírito é transformado
no templo de DEUS, quando passamos pela experiência de novo nascimento, e nele
acontece a adoração a DEUS, movida pelo Seu ESPÍRITO que em nós habita. Dentro
de nós, portanto, está um templo que deve, igualmente, ser protegido. Há um
santuário em nós e todo o ambiente em volta deve ser condizente com essa
realidade: lugar santo, de adoração.
3. Os Muros em
volta da cidade, Falam do que é visível, da
parte exterior, com a qual os que nos cercam têm o primeiro contado. Eles
representam a nossa personalidade, nossa alma, aquilo que manifestamos em
nossos relacionamentos. Esses muros podem estar nos mais diversos estados de
conservação e beleza. Muros com brechas, caídos, além de feios, são vulneráveis
à penetração de inimigos. Muros bem alicerçados e conservados, representam
proteção a tudo quanto está dentro da cidade - o nosso espírito, recriado pelo
ESPÍRITO de DEUS.
4. As Portas
falam do lugar de decisão em nossa alma, nossa vontade, nossas escolhas. Elas são uma parte da alma. É
na porta que decidimos quem por ela entra ou sai a quem deve ser fechada ou
aberta. Haverá momentos em que ela deve estar aberta e outros em que deverá
estar fechada, dependendo de quem ou do que deseja passar por ela. Portas
caídas, t~l1am de vontade inconstante, enfraquecida. Portas no devido lugar,
falam de decisões acertadas.
5. As Torres no
muro falam do lugar de vigilância. É
delas que se detecta a aproximação inimiga ou dos mensageiros de boas novas.
Nossa alma precisa dessas torres, isto é, uma atitude de vigilância e alerta,
para que não sejamos apanhados em ataques-surpresa, o que nos levaria a
derrotas.
6. As Fontes
falam do material usado para apagar as flechas incendiárias lançadas pelo
inimigo. Flechas com material
inflamável na ponta eram as armas mais poderosas da antiguidade, pois com elas
incendiavam-se as portas e abriam-se as brechas necessárias à invasão. Uma
fonte de água, junto a uma porta, equivalia a um míssil antiaéreo ou aos
modernos «patriots», que neutralizam os «scuds». Precisamos de fontes junto às
nossas portas, o que equivale dizer, da água da Palavra de DEUS. Com ela
apagaremos os «dardos inflamados do maligno», neutralizaremos as investidas
inimigas, e seremos vitoriosos. Neemias pensou em cada detalhe, pois disso tudo
dependia a segurança, proteção e o desempenho da missão em Jerusalém.
Você é uma
Jerusalém espiritual, e tem uma missão de DEUS na Terra. Para que ela seja
cabalmente executada, o ESPÍRITO SANTO está interessado em ver os seus muros
sem brechas, suas portas fechadas ao inimigo e abertas para DEUS, suas torres
de vigilância em franco funcionamento e a água da Palavra sempre disponível
para apagar as setas incendiárias do maligno, pois ele não desistirá em seus
ataques. Enquanto estivermos no mundo, estaremos engajados em um combate de
vida ou morte. Não há como fugir dele. A solução é encontrarmos, em DEUS, uma
posição de força e sermos solidamente edificados em cada uma das 1íreas do
nosso ser: espírito, mente, emoções. vontade e corpo.
A RESTAURAÇÃO
DAS PORTAS
É interessante
verificar a prioridade na restauração dos muros: as portas. Se os muros falam
da nossa personalidade como um todo, há vários elementos nela contidos, dentre
os quais a vontade, que é o fator determinante para o progresso de qualquer
obra de restauração, libertação ou cura. Iremos, portanto, abordar este
aspecto, discorrendo um pouco sobre as doze portas em volta dos muros. Seriam
doze áreas em nossa personalidade que precisam de tratamento. No capítulo sobre
a conquista da vontade, falaremos mais sobre este poder de decisão, no entanto
queremos lançar mão das figuras no livro de Neemias para que se torne mais
claro o que DEUS quer nos ensinar.
As portas são o
lugar onde exercemos nossa autoridade, manifestamos nossa vontade, fazemos
nossas escolhas e tomamos nossas decisões. Elas precisam ser restauradas. O
Diabo não consegue nos obrigar a fazer nada, quando lhe dizemos não. O homem
tem uma vontade livre, e quando, ele resolve dizer não ao inimigo, é não mesmo,
e quando decide dizer sim a DEUS, é sim mesmo. Daí a importância da restauração
da vontade, pois se ela estiver livre, a carne pode apelar, o mundo pode
exercer seu fascínio, o Diabo pode tentar, mas nada conseguirá dobrá-Ia diante
da carne, nem do mundo, nem o Diabo. E diante de uma livre decisão da vontade
ninguém terá poder de demovê-la.
Uma vontade
inconstante é vulnerável aos mais diversos ataques, porém a vontade restaurada
encontra harmonia com os propósitos do seu Criador e resiste toda investida.
Há muitos
filhos de DEUS com a vontade enfraquecida. Não se firmam em nenhuma decisão
tomada. São inconstantes em seus caminhos, inseguros, indecisos. Suas portas
estão queimadas. Não sabem o que querem, são vacilantes, têm uma vontade fraca,
doente, prisioneira. Mas, alto lá, o ESPÍRITO está em nós, para nos ajudar a
restaurar as portas da nossa alma. Chega de aflição e vergonha! Chega de
cadeias na alma! Levantemo-nos agora, pois podemos dizer não ao Diabo, ao
pecado, à carne, ao mundo, à depressão, à angústia, ao medo, a todo intruso
inimigo, porque o Todo-Poderoso ESPÍRITO SANTO está conosco e nos conduzirá à
vitória. Ele nos ajudará a restaurar essa área da nossa alma: a vontade.
Convém deixar
bem claro que essa obra será um processo. Ela não acontecerá da noite para o
dia. Há inimigos que se habituaram a conviver conosco, em nossa alma, por
muitos anos, e sua expulsão e limpeza da sujeira que deixaram atrás, levará
tempo. Por exemplo, se o medo o acompanhou por quarenta anos e, de repente você
diz: «medo. não te darei mais lugar em minha vida. “Retira-te de mim». A
princípio ele vai tentar resistir, como que dizendo: «O que é isso? Vivo
contigo há quarenta anos. e não é agora que vais me mandar embora. Certamente
estás brincando!» É ar que você terá que aprender a exercer firme autoridade
contra ele e demonstrar que você está querendo dizer mesmo o que você disse.
Seus pensamentos serão reestruturados, passando do medo para a segurança em
DEUS. Isso pode levar algum tempo, até que você renove a mente e exerça firme
autoridade sobre o medo e não mais lhe dê guarida.
Outra coisa a
lembrar, é que o ESPÍRITO SANTO virá nos ajudar, mas Ele não fará a obra
sozinho. Neemias foi a Jerusalém ajudar, contudo cada um teve que colocar a mão
na massa. Cada um se pôs na frente da sua casa, diante do muro, onde estava a
brecha, para começar a repará-Ia. A cada um Neemias deu a diretriz,
supervisionou, orientou, mas não fez o trabalho que Ihes competia. O mesmo
ocorrerá conosco; teremos que por mãos à obra. A promessa da aliança diz que
tudo em que pusermos as mãos, prosperará. Porém se não colocarmos as mãos sobre
a obra, não haverá o que prosperar.
As Doze Portas
Neemias começa
sua obra de restauração, pelas portas. Como já vimos, elas falam da vontade, da
decisão. Está, pois, explicada a prioridade. Toda a reconstrução vai exigir uma
tomada de posição e uma determinação, pois haverá obstáculos. São doze as portas.
Olhemos para
cada uma delas, aplicando-as à nossa situação. Enquanto fazemos isso, deixemos
que o próprio ESPÍRITO de DEUS devasse nossa alma e indique tudo quanto precisa
de reparo.
1. Porta das
Ovelhas (Ne. 3:1) Encontro Com o Cordeiro de DEUS
Essa era a
porta por onde passavam as ovelhas destinadas ao sacrifício da Páscoa. Ela nos
lembra «O Cordeiro de DEUS, que tira o pecado do mundo» (Jo. 1:29). Aponta para
Aquele que está à direita do Pai e é o único digno de abrir o livro de nossa
plena redenção e quebrar os seus selos, forçando, assim, Satanás a recuar e
respeitar nossos direitos de redenção, porque foi morto e com o Seu sangue nos
comprou para DEUS e para Ele nos constituiu Reino e sacerdotes, destinados a
reinar para sempre (Ap. 5:9,10). A primeira porta a ser restaurada é a das
ovelhas. Por ela recebemos o Senhor JESUS, o Cordeiro de DEUS que tomou nosso
lugar na cruz do Calvário, como nosso Senhor, Salvador e Rei. Essa porta em
nossa vida deve estar escancarada para JESUS. É uma decisão da vontade,
permitir que Ele entre em nossa vida e efetue dentro de nós Sua obra salvadora
e libertadora, pelo poder do Seu precioso sangue remidor derramado em nosso
lugar. A Porta das Ovelhas, portanto, é o lugar da rendição a CRISTO e da
experiência de conversão, quando somos lavados pelo Seu sangue e regenerados em
nosso espírito.
O Cordeiro de
DEUS já passou por essa porta da sua alma? Isso envolve mais do que receber a
JESUS como seu Salvador, tendo-O residindo em seu coração, na pessoa do
ESPÍRITO SANTO. Falar de JESUS em sua alma, inclui um relacionamento que afeta,
não só seu espírito, mas toda a sua personalidade. Implica em que Ele encherá
seus pensamentos, dominará seus sentimentos e motivará suas decisões. Você verá
seu próprio corpo como o transporte da vida de DEUS aqui na Terra, o que será
um apelo a viver em santidade e dignidade. É uma identificação constante com
Ele, «fitando os olhos em JESUS, autor e consumador da nossa fé» (Hb 12-2b).
Quando
convivemos muito com uma pessoa, devotando-lhe nosso afeto terminou nos
assemelhando a ela. Se devotarmos tempo estudando sobre JESUS, pensando nEle,
conversando com Ele, amando-O, ouvindo-O, aprendendo Seus ensinos e
obedecendo-os, iremos nos tornando cada vez mais parecidos com Ele. E não é
este, porventura, o propósito do Pai? A operação do ESPÍRITO SANTO em nós não
visa isso mesmo?
«Pois aqueles a
quem dantes conheceu - de quem está consciente e de antemão amou - também
destinou desde o princípio (predestinou-os) para serem moldados na imagem do
Seu Filho [(compartilhar interiormente da Sua semelhança), para que Ele seja o
primogênito entre muitos irmãos» (Rm. 8:29 - Amp.).
E todos nós,
com rosto descoberto, [(porque nós) continuamos a contemplar [na Palavra de
Deu.\} como em um espelho a glória do Senhor, estamos constantemente sendo
transfigurado em Sua própria e verdadeira imagem, num sempre crescente
esplendor e de um degrau de glória a outro; [por isso vem) do Senhor {Que é) o
ESPÍRITO» (2 Co 3.18 - Amp.).
2. A Porta dos
Peixes (Ne. 3:3) Lugar de Crescimento e Reprodução
Na raiz lia
palavra <<peixe», na língua hebraica, encontramos o sentido de
«crescimento», <<reprodução», «mover-se rapidamente». Isso nos lembra o
chamado ao crescimento numérico, à reprodução de nossas vidas em novos filhos,
novos peixes, novas ovelhas, em novos crentes. A porta dos. peixes é aquela por
onde deixaremos entrar os novos filhos de DEUS. Exige uma decisão de não
vivermos só para nós, mas irmos à busca dos que também precisam encontrar
JESUS. Estamos interessados na reprodução e no crescimento, pelo que nos
disporemos a receber em nossa alma aqueles que vão chegando a JESUS, pois
precisam de cuidado, de nutrição e assistência. Quando nos abrimos para receber
cada nova pessoa, do jeito que ela vem, com muitos problemas na alma, tantas
carecendo de libertação, pois trazem marcas profundas do mundo de onde acabaram
de sair, nossa alma será abastecida e enriquecida. O amor de CRISTO vai nos
iluminar e seremos capazes de assistir a um número cada vez maior. A compaixão
de JESUS se manifestará através do nosso próprio coração e o contacto com essas
tenras ovelhinhas do Senhor será usado na nossa própria edificação. A
semelhança do Mestre em nosso caráter conhecerá um crescimento constante, pois
seremos transformados em canais do Seu amor e graça.
Lembre-se de
que DEUS usa as pessoas como canais de bênção e edificação em nossa vida. Até
aquelas que parecem menos amáveis e ranzinzas, aqueles temperamentos difíceis,
DEUS usará para forjar em nós as virtudes do caráter de JESUS. É assim que o
fruto do ESPÍRITO tem uma chance de amadurecer em nossa vida. O amor, a
tolerância, a paciência, o perdão, a misericórdia, tudo isso e muito mais se
desenvolve no trato com as pessoas, especialmente os novos crentes, tão
necessitados de assistência para poderem firmar seus passos na fé. E que
oportunidade maravilhosa de crescermos quando a Porta dos Peixes está aberta em
nossa alma! Cada novo crente que entrar por ela, será abençoado, mas também
deixará conosco uma bênção.
Soa aos nossos
ouvidos a Palavra do Senhor: «Vinde após mim, e Eu farei que vos torneis
pescadores de homens» (Me. 1:17). E será pela Porta dos Peixes que eles serão
por nós alcançados.
3. A Porta
Velha (Ne.3:6) - Libertação do Passado
Essa porta fala
das coisas velhas existentes em nossa alma, e que devem ser removidas. Ilustra
um passado que deixa marcas no caráter; memórias feri nas que teimam em
permanecer machucando; padrões de pensamento e hábitos alheios aos princípios
do Reino de DEUS, enfim, tudo quanto é herança contrária à nova vida em CRISTO.
Paulo declara
taxativamente: «Se alguém está em CRISTO, nova criatura é,' as coisas velhas já
passaram; eis que tudo se fez novo» (2Co. 5:17). Em outras palavras, é uma nova
criação e o passado não tem mais autoridade legal sobre ele. Essa é uma
realidade da nossa posição em CRISTO. Acontece que em nossa alma permanecem
velhos pensamentos, velhos padrões, velhas maneiras de viver, de encarar as
coisas, hábitos, muito do que faz parte da velha natureza adâmica. Tudo isso
deve ser removido pela porta velha, pois nossa vida em CRISTO é uma completa
novidade de vida.
Paulo fala
disso quando diz que fomos instruídos em CRISTO a nos despojar do velho homem,
«quanto ao procedimento anterior, que se corrompe pelas concupiscências do
engano; a vos renovar no espírito da vossa mente; e a vos revestir do novo
homem, que segundo DEUS foi criado em verdadeira justiça e santidade» (Ef
4.21-24). Nos versículos a seguir, ele fala sobre o modo de agir do velho
homem: a mentira, a ira, o furto, as palavras impensadas, a amargura, cólera,
ira, gritaria, blasfêmia, malícia, dizendo que tudo isso e coisas semelhantes
não devem ter mais lugar em nossa vida. Ele declara, que assim procedendo
estaríamos dando lugar ao Diabo e entristecendo o ESPÍRITO SANTO, no qual fomos
selados para o dia da redenção (Ef 4.30).
Convém aqui
salientar que a libertação dessas velharias mencionadas, depende de uma firme
determinação da vontade de as rejeitar. Paulo apela-nos a uma tomada de
posição. Por que viver no passado, se temos uma nova vida? Por que ter os pés
embaraçados por velhas ataduras, quando somos chamados a gozar a liberdade da
nova criação em CRISTO? O desafio hoje é escancarar a Porta Velha, deixando por
ela sair o passado, e depois fechá-Ia para os hábitos e prisões antigas que
tentem voltar à alma. Em CRISTO, não temos passado. Essa é uma verdade legal.
Agora vamos trazê-la à nossa experiência, e viver em completa novidade de vida.
4. A Porta Do
Vale (Ne. 3:13) - O Milagre Da Salvação
Havia nos
arredores de Jerusalém um vale que um dia fora do, o Vale de Hinon, mas como
ali os filhos de Israel passaram a sacrificar ao deus Moloque, foi amaldiçoado
e Jeremias profetizou que ele seria chamado "Vale da Matança" (Jr.
32:35; 7:30; 8:3). Isaías o apresenta como um lugar escatológico de punição,
onde «o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará» (Is 66.22-24). Ele
passou a ser chamado Geena, identificado com O fogo, morte e tormento. JESUS
faz referência a ele, como uma figura do inferno, «onde o seu verme não morre,
e o fogo não se apaga» (Me. 9:43-48).
No vale era
colocado todo o lixo da cidade, que seria queimado. Havia sempre os vermes dos
cadáveres e o fogo ardia constantemente. A Porta do Vale, pois, representa para
nós a porta da libertação do inferno, o lugar do maior de todos os milagres: a
nossa salvação. a grande milagre pelo qual DEUS nos tirou do inferno e das
chamas eternas e sua destruição. Essa é a porta em nossa vida que se abre para
os livramentos e milagres de DEUS.
a fogo do vale
pode também advertir-nos contra todo fogo estranho. A porta deve estar fechada
para o diabo, que tentará introduzir na cidade, isto é, na alma, a destruição
do vale. a fogo de DEUS é algo extraordinário: queima, mas não destrói, como
aconteceu na sarça, no Sinai. Mas o fogo de Satanás traz dor, sofrimento e
desolação. Não deve haver lugar para fogo estranho dentro da nossa alma. a
único fogo que deve arder em nós, é o do ESPÍRITO SANTO.
Depois do
milagre da nossa libertação do inferno, fomos colocados em uma posição de
canais de DEUS para arrancar outros que lá permanecem. Lembre-se de que estamos
falando do lugar de decisão, as portas. Em cada uma delas, a decisão de quando
abrir e quando fechar cada porta, a quem abrir e a quem fechar, é sua. Na porta
do vale, DEUS nos encontrou e nos libertou, pois a abrimos para Ele entrar.
Agora ela permanecerá fechada a todo fogo inimigo. Por ela, no entanto,
passaremos para encontrar aqueles que estão dominados pelo inferno. O gozo
presente dos milagres de DEUS em nós, não deve insensibilizar o nosso coração
aos sofrimentos dos que perecem. Jamais nós devemos esquecer de que os horrores
do inferno são reais e que o destino das vidas que para lá caminham depende de
nós, pois transportamos a vida de DEUS e é a partir do nosso coração, usando
nossos lábios, pés e mãos, que DEUS alcançará outros com Seu milagre
libertador.
5. A Porta Do
Monturo (Ne. 3:14) Remoção Do Lixo
Essa é a porta
pela qual o lixo da alma deve ser removido. Ela deve estar aberta ao ESPÍRITO
SANTO para que todo o lixo acumulado seja jogado fora, e nenhum outro volte a
entrar. Será que um crente em CRISTO pode ser lixo? Todos nós chegamos a JESUS
cheios Dele. Nosso espírito foi unido pelo ESPÍRITO de DEUS, mas nossa alma
está em processo de restauração. Isso quer dizer que ainda estamos diante do
desafio da decisão de coisas que se acostumaram a conviver conosco e que nada
têm a ver com a vida de DEUS. Tudo quanto não se enquadra dentro do fruto do
ESPÍRITO, é lixo e deverá ser rejeitado. Todas as obras da carne são imundas e
devem ser erradicadas da própria personalidade, dando lugar ao fruto do
ESPÍRITO.
Quando viemos a
CRISTO, fizemos-Io com uma alma cheia de defeitos. Nossa conversão não repara
automaticamente as brechas da nossa personalidade. Quando olhamos uns para os
outros logo descobrimos que há muito a ser tratado. Um é explosivo, outro é
fechado; um se fere com muita facilidade, outro é tendente à depressão; um
manifesta egoísmo e um outro é orgulhoso. Tudo isso é lixo, resquícios dos
padrões e valores do mundo. Muitas vezes só o ESPÍRITO SANTO pode penetrar os
porões da nossa alma e descobrir as sujeiras escondidas, tão incorporadas a
certas áreas, que até parecem naturais.
No meio de um
mundo corrompido, como aquele em que vivemos, facilmente, a poeira e o lixo que
nos cercam vão sorrateiramente penetrando em nossa alma. Como isso acontece?
Através dos nossos sentidos, especialmente a visão e a audição. Os meios de
comunicação têm sido um dos tremendos canais do Diabo para invadir nossa alma
com seu lixo imundo, através da enxurrada de imagens e palavras sensuais,
obscenas, violentas e carregadas de veneno mortífero. Essas coisas terminam se
manifestando em atitudes, reações, palavras, pensamentos, trajes e padrões de
vida, de modo muito sutil. As bancas de jornal, com suas revistas pornográficas
expostas, as cenas em praça pública de todo tipo de imoralidade, também, fazem
parte do lixo que nos cerca e, muitas vezes, são como poeira que se apega aos
nossos pés.
O contacto com
um mundo sujo, cheio de tanta impureza, numa época em que os poderes do inferno
estão soltos e têm suas garras violentas sobre tantos, tenta também nos
manchar. Requer uma decisão da vontade, rejeitar toda essa contaminação que vem
do lado de fora, e que ainda está presente, impedindo a entrada de novo lixo.
Apesar de
vivermos num mundo com tanto apelo à carne, aos sentidos e ao pecado, é
possível manter a imundície do lado de fora, conservando a Porta do Lixo
fechada. Como? Expondo-nos ao ESPÍRITO SANTO e à Palavra de DEUS. Ele nos dará
uma crescente sensibilidade, e saberemos discernir entre o santo e o profano, o
limpo e o imundo, submetendo-nos à purificação que Ele quer efetuar em nós, e
vivendo à altura dos padrões requeridos ao filho de DEUS.
6. A Porta da
Fonte (Ne. 3:15) - O ESPÍRITO SANTO
Fonte fala de
águas que correm. Um dos símbolos do ESPÍRITO SANTO na Bíblia, é a água. Esta é
a porta do ESPÍRITO SANTO. Toda nossa vida cristã depende dEle. É Ele quem nos
gera em CRISTO, efetuando a obra de regeneração. Ele nos foi dado como o «outro
Ajudador» ou «Consolado r». JESUS declara: «E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará
outro Confortador (Conselheiro, Ajudado r, Intercessor, Advogado, Fortalecedor,
Auxiliador) para que fique convosco para sempre» (Jo. /4:16 - V. Amp.). Mas
para que Ele opere em nós tudo quanto Lhe compete, precisa do nosso
consentimento, mediante uma decisão de entrega e submissão. Se Lhe abrirmos a
Porta da Fonte, então poderemos gozar de toda a Sua plenitude.
Outra tremenda
experiência da qual a Porta da Fonte nos fala, é o batismo no ESPÍRITO SANTO,
descrito em João 7, como os «rios de água viva», fluindo do interior. Ele nos
permite ter uma nova liberdade espiritual e compreensão da Palavra. Através
dele, entramos em uma nova dimensão de poder, que nos equipa na luta contra o
inimigo. O batismo no ESPÍRITO leva-nos a experimentar uma nova ousadia no
testemunho, na oração e nas diversas áreas da vida cristã. E como isso traz
fogo, entusiasmo, vigor espiritual, dinamismo, poder e vibração para a nossa
alma! Há muitos cuja porta está trancada para Ele. Mas os que a abrem, provarão
a ousadia e poder para enfrentar e expulsar o inimigo e suas obras do seu
território.
O ESPÍRITO
SANTO é uma Pessoa. Se a Porta das Ovelhas deve estar sempre aberta para JESUS,
a fim de crescermos no conhecimento do Filho de
DEUS e em Sua comunhão, a Porta da Fonte é um desafio constante para um
crescimento na comunhão do ESPÍRITO SANTO. Nunca temos tudo dl' uma pessoa, mas
podemos ter muitas experiências com ela. Assim acontecerá em nosso
relacionamento com o doce Consolador.
Na Porta da
Fonte, o ESPÍRITO SANTO nos gerou em CRISTO, batizando-os em Seu corpo,
tornando-nos filhos de DEUS. Ali JESUS nos batizou no mesmo ESPÍRITO,
equipando-nos para servi-Lo, como implantadores do Seu Reino aqui na Terra. Mas
ali, também, poderemos ter uma experiência diária com Ele, recebendo da Sua
plenitude, direção para cada novo empreendimento, poder para cada tarefa e
assistência em toda a vida Cristã.
Uma das
tremendas assistências é na vida de oração. Paulo declara a respeito: «Do mesmo
modo também o ESPÍRITO nos ajuda na fraqueza; porque não sabemos o que havemos
de pedir como convém, mas o ESPÍRITO mesmo intercede por nós com gemidos
inexprimíveis. “E Aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do
ESPÍRITO: que Ele, segundo a vontade de DEUS, intercede pelos santos» (Rm
8:26,27). A figura aqui é de alguém que segura a ponta do outro lado, enquanto
nós mesmos estamos na outra extremidade. Por exemplo: eu não sei o que está no
coração de DEUS, mas começo a orar; o ESPÍRITO que tudo sabe, vem em meu
socorro e segura a oração do outro lado. Saio para testemunhar de CRISTO. Tenho
uma voz, mas o poder é do ESPÍRITO. Eu abro a boca com a Palavra e Ele me
assiste com o poder. Assim ocorrerá em tudo. DEUS colocou em nossa alma uma
porta que dá acesso ao ESPÍRITO SANTO, através de Quem todos os recursos da Sua
graça estão à nossa disposição. Eis, portanto, o desafio: escancarar a porta a
esse maravilhoso Guia, Conselheiro, Mestre, Advogado e Protetor!
7. A porta do
Cárcere (Ne 3:25) Livres de Prisões (ou pátio do cárcere)
Aqui se fala dó
átrio, ou pátio do cárcere ou prisão. Este é o lugar onde as nossas prisões
devem ser quebradas. Há muitas prisões em nossa vida que devem ser relaxadas.
Prisão de medo, depressão, falta de perdão, amargura e tantas outras. Para
muitos a comida, um pedaço de bolo, uma Coca-Cola, uma xícara de café, o sexo,
a posição e coisas semelhantes, são uma prisão. Tudo quanto tem poder de
fascínio ou domínio sobre nós é uma prisão. A tudo que dizemos «não consigo»
deixar isso, ou não fazer isso, ou viver sem isso, servimos como escravos.
Nosso Ajudador quer quebrar o jugo dessas prisões. Para tanto precisamos
dar-Lhe acesso ao pátio do cárcere e rejeitar todas as cadeias.
Toda e qualquer
forma de prisão enfraquece a alma, a personalidade. Nossa personalidade deve
ser tão equilibrada que nada, nem ninguém consigam pôr sobre nós seu jugo. Já
possuímos o jugo de JESUS, que é suave e leve. Paulo exorta: «Para a liberdade
CRISTO nos libertou, permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um
jugo de escravidão» (GI. 5: J).
As prisões da
alma se manifestam na incapacidade de dominar os apetites da carne, nas
carências afetivas, insegurança, acomodação, pensamentos descontrolados,
dificuldade em tomar decisões, letargia etc. Há mil e uma formas de prisões,
mas todas têm uma só origem: Satanás. Para todas elas há um só remédio: JESUS,
cujo poder libertador é ministrado pelo ESPÍRITO SANTO. E que glória ter as
prisões despedaçadas! Quaisquer que sejam as cadeias que têm assolado sua alma,
clame como Davi: «Tira a minha alma da prisão e louvarei o Teu Nome)) (SI. 142:
7).
A única prisão
a ser admitida em nossa alma é a de JESUS. Presos a JESUS, para sempre. Paulo
diz que o Seu amor nos constrange, isto é, nos atrai, prende e nos seduz. Essa
prisão, sim, é gozo, vida, liberdade e paz. Presos a JESUS, por causa do Seu
amor e graça, encontraremos a plenitude da vida e o poder de rejeitar toda e
qualquer amarra dos homens e de coisas.
8. A Porta Das
Águas (Ne. 3:26) A Palavra de DEUS
Essa é a porta
da Palavra. Paulo, falando sobre JESUS e a Igreja, diz: «tendo-a purificado
(com a lavagem da água, pela Palavra” (Ef. 5:26). A água da Palavra de DEUS nos
lava, mas a água da palavra estranha joga lama sobre nós. A Porta das Águas,
pois, deve estar aberta para a Palavra de DEUS, revelada na Bíblia, e
totalmente cerrada às doutrinas estranhas que hoje invadem a Terra, visando
poluir as nossas almas, com seu engano diabólico. A única palavra viva, é a
Palavra de DEUS, expressa na Bíblia. Toda palavra que não suporta o teste do
que está escrito na Bíblia, mio passa pela sua peneira, é água suja, lama pura,
e não deve ser abraçada.
Hoje há muitas
doutrinas de homens e de demônios, que trazem verdadeiras prisões. Certos
líderes, em nome da autoridade, manifestam um espírito controlador, que não
procede de DEUS, e tornam seus liderados verdadeiros prisioneiros de sistemas e
de homens, esquecidos do conselho de Pedro: «Apascenta i o rebanho de DEUS, que
está entre vós, não por força... “Nem como dominadores sobre os que vos foram
confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho» (I Pe 5:2,3).
Precisamos nos
abrir, como nunca, à água da Palavra viva. No contacto constante com o mundo,
muitas vezes nossos pés são empoeirados e carecemos cada dia, de nos submeter a
essa água purificadora, aplicada através da leitura, estudo, meditação e
obediência à Palavra escrita. Uma exposição constante da alma a um bom programa
de estudo da Bíblia ajudará a manter-nos limpos.
Já vimos que
havia uma fonte de água junto a cada porta, com o objetivo de apagar as setas
incendiárias lançadas contra as portas e muros, pelos inimigos, visando a
destruição da cidade. A água era usada para apagar essas setas. Paulo aplica
essa figura à batalha espiritual, quando declara: «tomando sobretudo o escudo
da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno» (Ef
6:16). Glória a DEUS que há água junto a cada porta! Em outras palavras, a
Palavra de DEUS nos está disponível em cada área da nossa vida, de modo que
quando cada seta incendiária for lançada contra nossa alma, poderemos apagá-la,
não sendo destruídos, mas permanecendo de pé, vitoriosos. Pela aplicação da
água da Palavra, o inimigo será mantido fora do nosso arraial. Diante de cada
investida levantamos o escudo da fé, mediante a aplicação da Palavra
específica, para o tipo de ataque específico.
A Palavra de
DEUS está para nossa alma o que a comida está para o corpo. É nossa fonte de
alimento, sustento e vida. Por meio dela conhecemos a DEUS; ela é canal de
comunhão com Seu Autor, DEUS mesmo; é fonte de oração, confissão e vitória; é
instrumento de combate espiritual, sendo arma contra as investidas satânicas;
por meio dela. temos luz e direção para todas as áreas da vida; ela expressa os
princípios pelos quais viveremos e reinaremos; são de fato «espírito e vida»,
conforme JESUS declarou (Jo. 6:63).
A Porta da
Fonte em nossa alma, deve estar continuamente aberta para a Palavra de DEUS,
através de um programa sério de estudo, meditação e a devida obediência. Por
outro lado, deve estar cerrada para todo tipo de ensino contrário às verdades
imutáveis e eternas nela expressas.
9. A Porta dos
Cavalos (Ne. 3:28) Livres de Cargas
.os cavalos
eram um meio de transporte. Levavam cargas, pesos. Em nossa vida essa porta
fala do lugar por onde passam os fardos. Ela deve estar aberta para JESUS.
Todos os fardos devem ser lançados sobre Ele. Paulo diz que «devemos levar as
cargas uns dos outros» (Gl. 6:2). Isso, porém, não significa que essas cargas
devem repousar sobre nossos ombros. Todas elas precisam ter um único destino: deixá-las-emos
nas mãos do Senhor. Não podemos ser sufocados pelos pesos que nos vêm, nem
pelos que vêm sobre nossos irmãos. Ajudá-los-emos, levando-os a JESUS. .os
irmãos virão a nós, o mundo virá a nós com os seus fardos, e nós os levaremos
Àquele que os pode carregar. «Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque
Ele tem cuidado de vós» (I Pe. 5-7). Há um corinho muito conhecido que diz:
«Não tenhas
sobre ti, nenhum cuidado, qualquer que seja, Pois um, somente um, seria muito
para ti. “É meu, somente meu, todo o trabalho, o teu trabalho é descansar em
mim”.
Não é
maravilhoso saber que há alguém que o ama tanto, que se dispõe a levar seus
fardos e introduzí-Io no descanso da fé? E que seu papel consiste,
simplesmente, em soltar seus fardos para que Ele os possa carregar? Ó amor
indizível, graça sem medida, quem poderá te compreender? Mesmo não abarcando a
dimensão exata desse amor sem igual, você pode se entregar a Ele e gozar de
seus benefícios eternos. Portanto, diante de cada fardo, diga: «Pai,
transfiro-o para Ti». Relaxe na Sua presença e veja os fardos se levantarem. E
à medida que você experimenta tudo isso, sua alma será restaurada. Portas
levantadas, brechas fechadas!
Muitos são os
cuidados que tentam nos sufocar. A vida moderna tem muitas pressões e
exigências e, muitas vezes, os fardos parecem insuportáveis. .o resultado de
tudo isso é um forte estresse e abatimento. São fardos no trabalho, com um
salário corroído pela inflação e a ameaça de desemprego que, para muitos, já
bateu à porta; preocupações com os filhos e pressões na família, para além de
toda sorte de inquietação numa sociedade violenta e insegura. Tantos são os
males, que se alguém tentar enfrentá-los sozinho, logo sucumbirá. Mas há uma
boa notícia: o Senhor, que é Pai e cuida dos Seus filhos, colocou nos muros de
nossa alma a Porta dos Cavalos. Por ela podemos deixar sair todos os fardos que
nos assolam. Ele é grande, e tem recursos infinitos para levar nossas cargas.
Podemos entrar no descanso da fé, enquanto Ele toma conta de nós, com tudo que
nos diz respeito.
Os pesos e
cuidados são uma estratégia de Satanás para nos esmagar. Mas se a Porta dos
Cavalos estiver aberta para JESUS, à medida que eles vierem, serão transferidos
para nosso bendito Senhor, e estaremos vivendo no descanso da fé. «Tu
conservarás em perfeita paz aquele cuja mente está firme em Ti; porque confia
em Ti» (/s. 26:3).
10. A Porta
Oriental (Ne.3:29) O Regresso de JESUS
Acredita-se que
esta é a porta pela qual JESUS entrou, e que hoje se encontra fechada.
Espera-se que o Messias entre por ela, em Sua segunda vinda. Para nós, ela fala
do regresso de JESUS. Paulo diz que devemos nos consolar, uns aos outros, com a
esperança da bendita vinda do Senhor. A expectativa desse evento deve estar
sempre diante de nós. Temos um futuro glorioso, temos um destino eterno. Hoje
travamos batalhas tremendas, mas há fim para o mal, há justiça a ser executada,
há uma redenção a ser consumada, e tudo isso acontecerá na segunda vinda de
JESUS CRISTO. Paulo ainda declara que, «Se é só para esta vida que esperamos em
CRISTO, somos de todos os homens os mais dignos de lástima» (1 Co. 15:19).
A Porta
Oriental em nossa vida deve estar aberta para a grande doutrina de que JESUS
voltará, estabelecerá Seu Reino milenar na Terra, e a Igreja reinará com Ele,
em glória. Os eventos no mundo inteiro apontam para a proximidade desse dia. De
fato ele está mais perto do que muitos imaginam. Vivemos na geração que
testemunha os mais tremendos acontecimentos proféticos, aguardados por milhares
de anos. Estamos chegando ao clímax de todas as épocas, quando a trombeta de
DEUS soará, os mortos ressuscitarão e os santos serão arrebatados para o
encontro com o Senhor nos ares. Cada dia que passa vamos ficando mais próximos
daquele dia glorioso. Isso deve nos motivar a viver de modo a glorificar a DEUS
em tudo, aguardando, vigilantes o Dia da Sua vinda.
Não sabemos o
dia, a hora ou o ano em que Ele voltará, mas está claro que saberemos a
estação. Paulo declara em I Tessalonicenses 5:4: «Mas vós, irmãos, não estais
em trevas, para que aquele dia, como ladrão, vos apanhe de surpresa». Para o
mundo Ele virá «como ladrão de noite», isto é, de surpresa. Para os filhos de
DEUS isso seria uma tragédia. Contudo, se a Porta Oriental estiver aberta a
JESUS em nossa alma, a expectativa do Seu regresso não se apartará de nós, e
isso se constituirá uma motivação de vida e serviço a Ele.
Ainda que JESUS
não volte em nossa geração, pelo arrebatamento, o certo é que passaremos com a
presente geração, seja através da morte ou da Segunda Vinda do Senhor. Nossos
dias são limitados, e vamos vivê-los de modo a ser motivo de glória para DEUS e
bênção para o mundo. Veremos o Seu rosto em Sua formosura a qualquer momento.
Essa certeza nos inspira a viver como quem sabe quem é e para onde vai. Nosso
destino é a glória, é o Trono, é JESUS mesmo. Depois de toda a luta contra o
pecado, a carne, o mundo e o Diabo, vitoriosos, pelo Seu sangue e Sua Palavra,
encontrar-nos-emos com Ele em nossa geração, seja pelo arrebatamento, seja pela
morte. Vivamos, então, cada dia, como se fosse o último, na esperança da Sua
vinda.
JESUS nos
advertiu que deveríamos vigiar e estar alertas, sempre de prontidão, para
recebê-Lo a qualquer hora. Apesar de muitos, em várias ocasiões, terem
marcado data para Seu regresso, o certo é que Ele não prometeu fazê-lo, e
conservar-nos-á na expectativa até o momento certo. Portanto, que «o
próprio DEUS de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e
corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de NOSSO
SSENHOR JESUS CRISTO» (1 Ts. 5:2.1).
11. A Porta da
Atribuição (Ne. 3:31) A Comissão Divina
A versão da
Sociedade Bíblica, assim como da Imprensa Bíblica Brasileira, traduzem
"miphkad" por <<porta da guarda». Ficaremos com «miphkad», a
palavra hebraica, que é definida por H. W. F. Genesius, em seu «Hebrew-Chaldee
Lexicon to the Old Testament», como «atribuição, mandato, ordem, um lugar
apontado». A Porta da Atribuição, pois, falamos do lugar onde DEUS nos delega
uma missão, atribui-nos uma responsabilidade. A palavra traz o sentido de uma
tropa que é convocada para receber suas diversas atribuições. Deve ser por isso
que Ferreira de Almeida traduz a palavra por «guarda».
Essa é a porta
pela qual o Senhor nos delega responsabilidades. Se ela estiver aberta para
Ele, não nos recusaremos a aceitar e cumprir os deveres que nos serão
atribuídos, pois, juntamente com a tarefa, Ele sempre nos dará a devida
capacitação. Muitas vezes, o medo e o sentimento de inadequação tomam conta de
nós, e deixamos a porta fechada para DEUS. Se, contudo, conhecemos ao Senhor,
sabemos que Ele é fiel e justo e jamais nos dará uma tarefa, sem que esteja
disposto a dar-nos, juntamente com ela, o que é necessário ao seu cabal
cumprimento. Lembramos ainda que, cada vez que uma dessas portas é fechada ou
aberta à pessoa errada, corremos sério perigo, pois isso se constituirá em uma
brecha para o inimigo nos assolar.
DEUS tem planos
perfeitos para cada um de nós. Devemos abrir a porta da atribuição e receber
cada um deles, sabendo que Ele tem o melhor para a nossa vida. De fato, a
bênção cem por cento só nos virá quando estivermos dentro do plano cem por
cento que Ele tem para nós. Não há o que temer. Para o desempenho de cada
tarefa, «A nossa capacidade vem de DEUS» (2 Co. 3:5). Ele é um Pai de amor e
sabedoria. Saiba que o DEUS que chama e delega tarefas, é o mesmo que capacita,
abre as portas, vai à frente, assiste-nos através do ESPÍRITO SANTO e
comissiona Seus anjos a nosso favor.
A esta altura,
convém advertir sobre a necessidade de distinguir entre um chamado do homem e
um chamado de DEUS. Satanás pode nos enviar tarefas e pessoas, com o propósito
de desgastar-nos, para que não tenhamos tempo e energia para executar o
verdadeiro plano de DEUS para nós. Ele pode dar uma tarefa paralela, enviar
pessoas que nos consomem o tempo e, se não estivermos firmes no discernimento
da voz de DEUS, ele pode nos iludir. Lembre-se de que o plano de DEUS é um só e
não há plano paralelo. Seguir o caminho paralelo é estar fora do verdadeiro
plano. Há um propósito específico para cada filho. O modo de descobri-lo, é
ouvir Sua voz, através das impressões do ESPÍRITO SANTO no homem interior. Um
engano comum é tentarmos atender o chamado do homem, muitas vezes provocado por
uma necessidade. Acontece que uma necessidade não se constitui um chamado
Divino. Necessidades existem em todos os lugares, e só remiremos o tempo,
atendendo a convocação do Senhor.
12. A Porta de
Efraim. (Ne. 8:16) A Porção Dobrada
Esta é a última
porta a ser mencionada. Efraim era o segundo filho de José, mas recebeu a
bênção de Jacó, como se fora o primogênito. Seu nome significa: «fruto dobrado.
porção dobrada da herança, frutífero».
Para nós, ela é
a Porta da Porção Dobrada. Esta era dada por direito de primogenitura. JESUS é
o primogênito, mas Hebreus 12:23 se refere a todos os filhos de DEUS como «a
Igreja dos primogênitos inscritos nos Céus». Como pode acontecer que todos os
crentes sejamos primogênitos, com direito à porção dobrada? Ora, JESUS é o
primogênito e nós somos o Seu corpo, um com Ele, e o que é Seu, é nosso. DEUS
tem um filho, que se chama JESUS. A esse Filho, deu uma companheira, que é a
Igreja. Essa Igreja é parte dEle, Seu complemento, e participa do que Lhe
pertence. É por isso que DEUS quer que o nosso caráter, personalidade, o ser
inteiro, reflitam a presença de JESUS, e Sua glória em nós se manifeste.
DEUS não
desiste de nós. Em Oséias 11.8 lemos: «Como te deixaria. ó Efraim ?» Essas
palavras repassadas de amor, são dirigidas em tempos de apostasia de Efraim.
Ainda assim, as ternuras do coração do Pai para com ele o buscavam atrair. Na
porta de Efraim, receberemos a abundância do que Ele tem para nós e
tornar-nos-emos frutíferos em tudo, pois Ele colocou à nossa disposição todos
os recursos inesgotáveis de Sua graça.
Não há limites
em DEUS. Somos nós que limitamos o que recebemos dEle. Seus tesouros, em
CRISTO, estão escancarados para nós. Mas precisamos abrir a Porta de Efraim, da
Porção Dobrada, e receber as bênçãos do primogênito, ou seja, o que pertence a
JESUS. Tudo é nosso, nEle.
Qual é o estado
da sua alma? Alguém se importa com ela e veio para dirigir sua limpeza e
restauração (JESUS). O segundo passo depende de você unir-se ao precioso
ESPÍRITO de DEUS, começando pelas portas, o lugar de decisão. Aí você determina
o rumo que sua vida vai tomar. Lembre-se que sua vida no agora, é o resultado
das escolhas de ontem. Para mudar o seu curso no amanhã, algo deverá ser feito
hoje. DEUS lhe dá todos os recursos e assistência na pessoa do ESPÍRITO SANTO,
para que você possa fazê-lo. Se você se expõe a Ele e está determinado a seguir
Sua direção, então nada impedirá sua completa vitória.
As citações
bíblicas são extraídas da Tradução de Almeida, Revisada de Acordo com os
Melhores Textos em Hebraico e Grego, da Imprensa Bíblica Brasileira, exceto
Quando for indicada outra fonte.
Citações com a
indicação Amp., são traduzidas pela autora de The Amplified Bible. Copyright @
by Zodervan Bible Publishers. (Bíblia Amplificada).
Citações SBB,
são extraídas da Tradução de Almeida, Edição Revista e Atualizada, da Sociedade
Bíblica do Brasil.
Coelho, Valnice
Milhomens. Personalidades restauradas, São Paulo: Edição do autor, 1992.
244p.1. Palavra da Fé Produções Caixa Postal 60061 - CEP 05096-970 Av. Pompéia,
2110 - São Paulo - S. P. - Tel. :(011) 873-3117, FAX 62.4015
1. A Bíblia fala da salvação como um muro.
Nunca mais se
ouvirá de violência na tua terra, desolação nem destruição nos teus termos; mas
aos teus muros chamarás Salvação, e às tuas portas Louvor.
Isaías 60:18
Numa visão sobre a Nova Jerusalém - Os muros da Cidade Santa, Jerusalém, serão
chamados simbolicamente de Salvação, significando que nela habitarão os salvos
de CRISTO, a Igreja, e suas portas chamar-se-ão Louvor, pelo fato de que
todos ao adentrarem nela estarão louvando
e glorificando ao Senhor JESUS.
Nesta Maravilhosa Cidade não haverá guerras , fomes, tristezas nem dor.
Os povos virão a ela para celebrar a bondade divina. Todas as nações virão. A
terra dos judeus será o centro mundial da adoração ao DEUS Vivo.
Isso não é sonho nem uma utopia, isso é promessa de DEUS para Israel e para a
Igreja.
2. O
muro da salvação fala da divina proteção que beneficia aqueles que se abrigam
dentro dele.
Na Nova
Jerusalém, JESUS mesmo governará, portanto lá não haverá mais problemas de
segurança, de doença, de sofrimento ou de dor.
Os muros das
cidades (heb. homa; gr. teichos) eram utilizados desde muito cedo na
Antiguidade (aprox. 7000 a.C. em Jericó) para complementar a fortificação de um
local habitado, inicialmente selecionado por suas fortificações ou defesas
naturais. Muitos muros de cidades antigas parecem ter sido construídos com
tijolos de barro sobre um alicerce feito de pedras inteiras. Os muros de pedra
mais antigos eram geralmente acabados dos dois lados, com enormes blocos
preenchidos com terra comprimida e pedras. No início da Idade do Bronze
(3100-2100 a.C.) a Palestina exibia mais frequentemente uma única construção
vertical sem qualquer revestimento para proteção exterior. O muro ao sul de Ai
foi ampliado diversas vezes até que, ao menos em uma determinada seção, sua
largura ultrapassou 20 metros. Durante este período, Megido e Tell el-Far‘ah
(Tirza, q.v.) também tiveram enormes muros com aproximadamente 8 a 10 metros de
espessura.
O período final da Idade Média do Bronze (1900-1550 a.C.) testemunhou a
introdução dos muros em taludes (inclinados). Exemplos clássicos podem ser
vistos em Siquém (Tell Balatah) e Jericó. A alvenaria ciclópica era um tipo de
muro característico que consistia em grandes rochas juntas que formavam uma
estrutura principal, enquanto pedras menores preenchiam as fendas. Os hicsos
também construíam enormes defesas inclinadas como em Hazor e Asquelom. Durante
o final da Idade do Bronze (1550-1200) o muro duplo de tijolos sobre um
alicerce de pedras com espaços entre as paredes, que tinha uma largura suficiente
para suportar casas (cf. Js 2.15) estava em destaque.
O palácio de Saul em Gibeá é um exemplo da inovação da Idade do Ferro (talvez
originalmente uma invenção hitita) de construção de muros de casas, que
consistia em dois muros paralelos e estreitos unidos por divisórias
transversais. O muro Salomônico da cidade de Megido (cf. 1 Rs 9.15) foi
construído com pedras sortidas, umas um pouco mais à frente ou atrás daquelas
que estavam a seu lado, de forma uniforme, apresentando uma construção forte,
formando também uma série de pequenas saliências ou baluartes (heb. pinnot; cf.
2 Cr 26.15) visando uma defesa mais efetiva. O muro de Roboão em Laquis foi
construído (em aprox. 920 a.C.) com tijolos de barro secos ao sol (cf. 2 Cr
11.5-11). Aos poucos, após a época de Salomão e como resultado da influência
fenícia, as pedras cuidadosamente talhadas se tomaram mais comumente utilizadas
nas construções de muros (cf. o muro de Samaria do século IX). Esta construção
em pedras é uma obra de arte tão suprema, que até os nossos dias ainda não foi
encontrado na Palestina algo que a supere.
O Muro das Lamentações em Jerusalém foi construído durante o período do NT por
Herodes o Grande, enquanto Herodes Agripa I foi provavelmente responsável pelo
chamado Terceiro Muro (cf. Josefo, Wars 4.1-2, para uma descrição contemporânea
dos muros de Jerusalém).
No início, os muros das casas (heb. qir) eram construídos com tijolos de barro,
geralmente sobre alicerces de pedras inteiras. Mais tarde, os muros ou as
paredes passaram a ser feitos de pedras que, nas casas dos ricos, tendiam a ser
talhadas e revestidas (cf. 1 Rs 5.17; 7.9). A argamassa empregada era de argila
ou betume. Os muros de madeira sobre os alicerces de pedras talhadas não eram
desconhecidos (cf. 7.12). Os muros eram geralmente pintados, cobertos com
gesso, ou recebiam painéis (cf. Ag 1.4), ou ainda, em casos extremos,
enfeitados com marfim (cf. 1 Rs 22.39; Am 3.15).
O termo heb. homa é usado de forma figurativa em passagens impressionantes como
Êxodo 14.22,29; Isaías 26.1; 60.18; Jeremias 1.18; 15.20; Zacarias 2.5. O termo
gr. toichos, “parede” é utilizado como um termo injurioso em Atos 23.3. R.
Y.
3. O
muro da salvação é uma permanente linha divisória entre o reino de DEUS e o
reino deste mundo.
A Nova
Jerusalém será nossa morada eterna, livre de qualquer influência terrena.
Milênio - Isaías 26.1 OUÇAM O POVO cantando! Naquele dia toda a terra de Judá
vai cantar este cântico: "Nossa cidade é forte e bem protegida! Estamos
cercados pelos muros da salvação de DEUS!
Milênio - Isaías 61.18 Nunca mais se ouvirá falar em violência e em destruição
na terra de Israel. Seus muros serão a "Salvação do Senhor" e as
portas da cidade serão o "Louvor a DEUS".
Enquanto os
judeus sabem da glória da Jerusalém do Milênio, nós os salvos sabemos da glória
eterna da Nova Jerusalém.
Aqui foi
prevista uma situação feliz e gloriosa para a igreja e se refere, principal e
definitivamente, à igreja cristã e à sua paz espiritual, porém, sob o modelo
daquele pequeno vislumbre de paz exterior que os judeus às vezes gozaram depois
do seu retorno do cativeiro.
Um
complemento ao que virá a ser. Parece que ao término desse capítulo somos
levados a olhar ainda mais além, para a glória e o gozo do céu, de acordo com o
modelo e a figura do florescente estado da igreja na terra, que nunca chegou a
se aproximar daquilo que aqui foi previsto. Encontramos várias das imagens e
expressões aqui utilizadas na descrição da nova Jerusalém (Ap 21.23; 22.5).
Como às vezes os profetas passam insensivelmente das bênçãos da igreja judaica
para as bênçãos espirituais da igreja cristã, que são eternas, às vezes também
passam da igreja militante para a igreja triunfante, o único lugar em que toda
paz, alegria e honra prometidas chegarão a um estado de perfeição. 1. DEUS
estará plenamente presente em toda a felicidade aqui prometida, pois Ele é
sempre fiel aos verdadeiros crentes (v. 19): O sol e a lua não serão mais a tua
luz. O povo de DEUS, quando gozou o seu favor e caminhou sob a luz do seu
semblante, fez pouco do sol e da lua e das outras luzes desse mundo; mas embora
pudesse caminhar confortavelmente sob a luz do Senhor, o povo se afastou desta
bênção. No céu não haverá oportunidade para o sol e a lua, pois a luz é a
herança dos santos, e tal luz engolirá a luz do sol tão facilmente quanto o sol
engole a luz de uma vela. “Os idólatras adoravam o sol e a lua (que alguns
pensavam ser a forma mais antiga e plausível da idolatria), mas eles não serão
mais a tua luz porque não serão mais idolatrados, pois “... o SENHOR será a tua
luz perpétua”, dia e noite, na noite da adversidade, assim como no dia da
prosperidade. Aqueles que fazem do Senhor a sua única luz encontrarão nele toda
a luz que precisarem e também o seu escudo. E “... o teu DEUS [será], a tua
glória”. Observe que DEUS é a glória daqueles para quem Ele é DEUS, e assim
será por toda a eternidade. A glória deles é tê-lo como o seu DEUS, e eles se
gloriam nisso. Eles preferem esta glória ao invés da beleza deste mundo, que é
passageira. O povo de DEUS é, por esta razão, um povo digno e honorável. Este
povo está em uma aliança com DEUS, contra o pecado. 2. A felicidade aqui
prometida não encontrará nenhuma mudança, período ou diminuição (v. 20): “Nunca
mais se porá o teu sol”, e o teu dia será eterno, cheio de raios de sol. Esse
não é o sol que às vezes sofre o eclipse, ou fica coberto pelas nuvens e,
embora seu brilho seja radiante, e sempre quente, irá certamente se pôr para,
em poucas horas, deixando-o na escuridão e no frio. Aquele que é o Pai de todas
as luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação (Tg 1.17) será um sol,
uma fonte de luz para ti. Sabemos que, certa vez, o sol parou, sem pressa para
se pôr durante o espaço de um dia, e esse dia foi glorioso, e nunca foi
igualado. Mas como será esse dia que nunca terá noite? Ou, se tivesse, seria
uma noite de luz, pois nem a tua lua irá se ausentar ou minguar, ela nunca irá
mudar, mas será sempre lua cheia. Assim como o sol, os confortos e as alegrias
que são as glórias que existem no céu fornecem luz à alma, também aqueles que
foram preparados para ser glorificados nunca conhecerão a menor ausência ou
interrupção dessas bênçãos. Pois como isso poderia acontecer quando o próprio
“Senhor será a tua luz perpétua”, uma luz que nunca será enfraquecida ou
extinta? E os dias do teu luto findarão e nunca mais voltarão, pois todas as
lágrimas serão enxutas e as suas fontes, o pecado e a aflição, irão secar a fim
de que a tristeza e as aflições desapareçam para sempre. 3. Aqueles a quem foi
concedido o direito à essa felicidade, estando devidamente preparados e
qualificados para ela, nunca a perderão (v. 21): “E todos os do teu povo”,
aqueles que irão habitar Jerusalém, “serão justos”, todos serão justificados
pela justiça do Messias, e todos serão santificados pelo seu ESPÍRITO. Todo
esse povo, e aquela Jerusalém, deverá ser justo, deverá ter aquela santidade
sem a qual nenhum homem verá o Senhor. Todos eles serão justos, pois sabemos
que os pecadores não herdarão o Reino de DEUS. Em minha opinião, não existe um
povo na terra que seja totalmente justo; neste lado do céu, sempre existe uma
mistura com os maus nas melhores sociedades. Mas aqui não haverá nenhuma
mistura. Todos eles serão justos, serão inteiramente justos, para que entre
eles não exista nenhum homem corrupto. Dessa forma, neles não haverá corrupção,
o espírito dos homens justos se tornará perfeito. E todos eles serão justos em
conjunto e irão repovoar Jerusalém. Ela será chamada de “congregação dos
justos” (Sl 1.5). E como todos serão justos, eles irão, portanto, herdar a
terra para sempre, pois nada, a não ser o pecado, poderá expulsá-los de lá. A
perfeição da santidade dos santos irá assegurar a perpetuidade da sua
felicidade. 4. A glória da igreja irá resultar na honra da igreja de DEUS: Eles
“serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, e por serem assim Eu os
possuirei”. Foi pela graça de DEUS que eles foram designados para essa
felicidade. Eles são o renovo da sua plantação, ou das suas plantações. Ele os
cortou como se corta um ramo do zambujeiro, e os enxertou na boa oliveira,
transplantou-os do campo quando ainda eram ramos tenros e levou-os para o seu
berçário, e agora eles foram plantados no seu jardim na terra, para, em breve,
poderem ser removidos para o seu paraíso no céu. Também foi pela sua graça que
eles foram preparados para essa felicidade. Eles são feitura das suas mãos (Ef
2.10), e foram preparados para isto (2 Co 5.5). Esta obra requer tempo e,
quando estiver terminada, ficará patente a todos que é uma obra maravilhosa. E
DEUS, que a começou e aperfeiçoou, será glorificado. Pois o Senhor JESUS receberá,
então, a admiração de todos os que crêem. DEUS será glorificado através da
glorificação dos seus escolhidos. 5. Eles serão mais gloriosos, e DEUS será
ainda mais glorificado através deles, se compararmos o que eram antes com a
felicidade que eles, sendo um povo mínimo, conquistaram (v. 20): “O menor virá
a ser mil, e o mínimo, um povo grandíssimo”. Os cativos que haviam retornado da
Babilônia se multiplicaram notavelmente e formaram uma grandiosa nação. A
igreja cristã era pequena, muito pequena, no início – o número dos seus membros
era apenas 120; no entanto, eles se tornaram milhares de cristãos. A pedra
cortada do monte se expandiu tanto que encheu a terra. A igreja triunfante e os
santos sempre glorificados serão milhares de pequenos, e formarão uma grandiosa
nação a partir do menor deles. A graça e a paz dos santos eram, a princípio,
como uma semente de mostarda; mas elas cresceram e se multiplicaram, e fizeram
com que o menor viesse a ser mil, e o fraco se tornasse como Davi. Quando
chegarem ao céu, olharem para trás e observarem a pequenez do seu começo, eles
irão se admirar de terem chegado até lá. E tão maravilhosa é essa promessa que
precisava da ratificação com a qual ela termina: “Eu, o SENHOR, a seu tempo
farei isso prontamente” – farei tudo que aqui foi dito em relação aos judeus e
à igreja cristã, à igreja militante e triunfante, e a cada crente em
particular: (1) Pode parecer demasiadamente difícil fazer com que isso aconteça
e pode ser extremamente duvidoso, mas DEUS, que tem o soberano poder,
encarregou-se disso: “Eu, o SENHOR... farei isso, porque posso fazê-lo, e estou
determinado a isso”. Tudo será feito por Ele, cujo poder é irresistível e Seus
propósitos são inalteráveis. (2) Pode parecer que vai demorar e que parece ter
sido adiado por tanto tempo que perdemos as esperanças, mas o Senhor irá
fazê-lo e apressá-lo, com toda a presteza conveniente, embora muito tempo possa
passar antes que isso seja feito. Mas, nenhum tempo será perdido. Ele irá
apressar tudo a seu tempo, no tempo adequado, na época em que tudo será
maravilhoso. Ele o fará no momento indicado pela sua sabedoria, embora este não
seja o tempo prescrito pela nossa insensatez. E tudo está realmente se
apressando; pois embora pareça que o desfecho final esteja demorando, nada
poderá ser considerado tardio, pois tudo estará de acordo com o tempo
determinado por DEUS. Estamos certos de que o melhor momento será aquele que
está sendo aguardado, pacientemente, por aqueles que crêem.
SUBSÍDIOS
DA TEVISTA DA CPAD - 3º TRIMESTRE DE 2020
SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO TOP1
“DEUS trabalha por intermédio de seu povo para realizar até mesmo tarefas
consideradas humanamente impossíveis. Ele costuma moldar as pessoas com
características de personalidade, experiências e treinamento de modo a
prepará-las para o seu ministério, e essas pessoas não costumam sequer ter
ideia do que DEUS tem reservado para elas. DEUS preparou e posicionou Neemias
para realizar uma dessas tarefas ‘impossíveis’ da Bíblia. Neemias era um homem
comum em uma posição especial. Ele estava seguro na condição de bem-sucedido
copeiro do rei Artaxerxes, da Pérsia. Neemias possuía pouco poder, mas grande
influência.
Setenta anos antes, Zorobabel havia planejado a reconstrução do Templo de DEUS.
Treze anos haviam se passado desde o retorno de Esdras a Jerusalém, que havia
ajudado o povo em suas necessidades espirituais. Agora Neemias era necessário.
Do início ao fim Neemias orou pedindo a ajuda de DEUS. Ele nunca hesitou em
pedir que DEUS se lembrasse dele, encerrando sua autobiografia com as seguintes
palavras: ‘Lembra-te de mim, DEUS meu, para o bem’. Durante a ‘impossível’
tarefa, Neemias demonstrou uma capacidade de liderança incomum. Os muros ao
redor de Jerusalém foram reconstruídos em tempo recorde, a despeito da
resistência e da oposição dos inimigos. Até mesmo os inimigos de Israel
admitiram, de má vontade e com temor, que DEUS estava com esses construtores.
Não apenas isto, mas DEUS trabalhou através de Neemias para realizar um
despertamento espiritual entre o povo judeu.
Talvez você não tenha as habilidades específicas de Neemias ou até mesmo pense
que está em uma posição onde nada pode fazer para DEUS; mas existem duas formas
através das quais você pode ser útil ao Senhor. Primeiro, seja uma pessoa que
fala com DEUS. Permita que Ele entre em sua vida e compartilhe-a com Ele — suas
preocupações, seus sentimentos e seus sonhos. Segundo, seja uma pessoa que anda
com DEUS. Coloque em prática aquilo que você aprende nas Escrituras Sagradas.
DEUS pode ter uma missão ‘impossível’ para realizar através de sua vida”
(Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.670).
SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO TOP2
“Embora Neemias tivesse chegado como governador, com plena autoridade do
Império Persa, não fez nada durante três dias e nem contou a ninguém os planos
que DEUS lhe confiara. Sem dúvida, ele estava esperando em DEUS, ao invés de
precipitar-se, confiando na sua própria capacidade. Passou, então a fazer uma
inspeção cautelosa e cuidadosa nos danos causados nos muros pelos samaritanos
e, por certo, calcular as despesas. É muito importante observar que, em vez de
criticar os judeus pelos seus problemas e tristezas, ele queria ver esses
problemas como eles viam. Daí, ele nada fala, enquanto não compreendesse a
situação segundo a sua perspectiva, sentindo o que eles sentiam” (Bíblia de
Estudo Pentecostal. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.731).
SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO TOP3
“Neemias convocou uma assembleia com os líderes judeus. Ele lhes contou como
DEUS o tinha convocado para realizar essa missão, e como o Senhor tinha agido
sobre o rei para que o ajudasse, não apenas ao dar-lhes a autoridade como
governador, mas também ao tornar disponíveis a ele os materiais necessários
para realizar o trabalho. Este fervoroso apelo recebeu uma resposta rápida.
Impressionados com o zelo de Neemias, os líderes judeus responderam
imediatamente. Levantemo-nos e edifiquemos. Assim, foi preparado o cenário para
um notável feito a ser realizado” (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2. Rio de
Janeiro: CPAD, 2014, pp.514-15).
SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO TOP4
“Os inimigos do pequeno remanescente dos judeus opunham-se à reconstrução dos
muros de Jerusalém. Neemias e o povo foram alvos de zombaria, de ameaça de uso
da força, de desânimo de medo. O capítulo três do livro de Neemias revela como
se pode vencer a oposição à obra de DEUS. (1) A zombaria foi vencida pela
oração e determinação. (2) A ameaça da força foi vencida pela oração e
apropriadas medidas de segurança. (3) O desânimo e o medo foram vencidos pela
fé dos dirigentes piedosos, pelo seu incentivo” (Bíblia de Estudo Pentecostal.
1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.733).
SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO TOP5
“Os inimigos do pequeno remanescente dos judeus opunham-se à reconstrução dos
muros de Jerusalém. Neemias e o povo foram alvos de zombaria, de ameaça de uso
da força, de desânimo de medo. O capítulo três do livro de Neemias revela como
se pode vencer a oposição à obra de DEUS. (1) A zombaria foi vencida pela
oração e determinação. (2) A ameaça da força foi vencida pela oração e
apropriadas medidas de segurança. (3) O desânimo e o medo foram vencidos pela
fé dos dirigentes piedosos, pelo seu incentivo” (Bíblia de Estudo Pentecostal.
1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.733).
PARA REFLETIR - A respeito de “Neemias Reconstrói os Muros de Jerusalém”,
responda:
Como se chamava o emissário enviado a Neemias? Hanani.
Como viviam os judeus que haviam voltado de Babilônia? Viviam em grande
miséria.
Antes de iniciar a reconstrução dos muros, que fez Neemias? Faz um levantamento
minucioso e real da situação.
Que profissão exercia Neemias na corte persa? Profissão de copeiro.
O que nos lembra o muro da salvação? A proteção de que desfrutam todos aqueles
que se refugiam em CRISTO JESUS.
SUGESTÃO DE LEITURA
Neemias - Paixão pela Fidelidade; Neemias - Integridade e Coragem em Tempos de
Crise; Uma Jornada de Fé.
SALVAÇÃO
- y ̂eshuw Ìah
1) salvação, libertação
1a) bem-estar, prosperidade
1b) libertação
1c) salvação (por DEUS)
1d) vitória
)))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
NA ÍNTEGRA COMO NA REVISTA
Lição 1, Betel, O chamado que transforma a dor em propósito, 2Tr26
Escrita Lição 1, Betel, O chamado que transforma a dor em propósito, 2Tr26, Com. Extras Pr. Henrique, EBD NA TV
Para nos ajudar PIX 33195781620 (CPF) Luiz Henrique de Almeida Silva
Autor: bispo Samuel Ferreira
ESBOÇO DA LIÇÃO
1. A SITUAÇÃO DO POVO E DE JERUSALÉM
1.1. A situação do povo
1.2. A situação de Jerusalém
1.3. Momentos difíceis unem propósitos
2. AS REAÇÕES DE NEEMIAS
2.1. Assentei-me e chorei: a reação de quem ama
2.2. Lamentei por alguns dias: a reação de quem não se conforma
2.3. Estive jejuando e orando perante o DEUS dos Céus: a reação de quem acredita na promessa
3. DEUS PROMETEU RESTAURAR O SEU POVO
3.1. Batalha espiritual
3.2. As armas espirituais usadas por Neemias
3.3. Confiando em DEUS
TEXTO ÁUREO
"E sucedeu que, ouvindo eu estas palavras, assentei-me e chorei e lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o DEUS dos céus", Neemias 1.4
VERDADE APLICADA
Devemos ter em mente que dependemos do Senhor e da direção do ESPÍRITO SANTO no enfrentamento dos diversos desafios que surgem na jornada cristã.
TEXTOS DE REFERÊNCIA - Neemias 1:1-3
¹ As palavras de Neemias, filho de Hacalias. E sucedeu no mês de Quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susã, a fortaleza,
² Que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam, e que restaram do cativeiro, e acerca de Jerusalém.
³ E disseram-me: Os restantes, que ficaram do cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo; e o muro de Jerusalém fendido e as suas portas queimadas a fogo.
INTRODUÇÃO
Neemias tinha uma posição confortável e respeitada como copeiro do rei e poderia ter permanecido assim, sem grandes preocupações. Porém, a notícia do estado lastimável em que se encontravam Jerusalém e os judeus que viviam lá mudou sua vida. Nesta lição, com a história de Neemias, veremos que o chamado de DEUS pode surgir em meio a momentos bastante difíceis.
1. A SITUAÇÃO DO POVO E DE JERUSALÉM
Neemias ficou perplexo e abatido ao ouvir o relato de Hanani sobre a situação de miséria em que seu povo e Jerusalém se encontravam. Então, ele buscou o Único capaz de lhe dar direção diante daquela triste realidade: o DEUS dos Céus (Ne 1.4).
1.1. A situação do povo
O relato bíblico não deixa dúvidas sobre a situação dramática dos judeus remanescentes que estavam em Jerusalém, vivendo "em grande miséria e desprezo” (v.3). Aqueles judeus haviam ouvido histórias de um tempo em que Israel venceu seus inimigos, tinha fartura e possuía riquezas; e Jerusalém, sua amada cidade, era o símbolo da bênção divina para os judeus que subiam para lá por ocasião das festas judaicas. Mas a época áurea de Israel contrastava com a dura realidade em que estavam. Os povos à sua volta os desprezavam, não os ajudaram nem queriam sua restauração. O Salmo 126.5, entretanto, mostra que a vitória em DEUS é certa, contanto que Seu povo confie nEle e obedeça à Sua Palavra, trabalhando unidos: "Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria". De certo, momentos difíceis surgem de maneira inesperada; contudo, os verdadeiros servos do DEUS Vivo não se deixam paralisar por más notícias. Se DEUS prometeu, tenha certeza de que Ele ajudará você a vencer.
Depois da destruição de Jerusalém por Nabucodonosor, cerca de 586 a.C., a maioria dos sobreviventes foi levada para a Babilônia, exceto alguns mais pobres, que foram deixados em Judá (2Rs 25.12). Porém, em determinado momento, aproximadamente cinquenta mil judeus voltaram para Jerusalém (Ed 1-2) e, mais tarde, ocorreu o retorno de um segundo grupo (Ed 8). Esse era o povo que estava em Jerusalém quando Hanani falou com Neemias.
1.2. A situação de Jerusalém
Hanani revelou a Neemias a triste condição da cidade: "o muro de Jerusalém, fendido, e as suas portas, queimadas a fogo", Ne 1.3b. Jerusalém não era apenas a capital de Israel, mas o centro político e religioso onde os judeus, inclusive os de regiões distantes, se reuniam por ocasião das festas judaicas. Isso dava ao povo de DEUS unidade e identidade. No Livro de Salmos, temos os cânticos dos degraus (Salmos 120-134), que, possivelmente, eram cânticos entoados pelos judeus que vinham de longe, subindo para Jerusalém para participar das festas anuais, como a Páscoa e a Festa dos Tabernáculos. Até estrangeiros e gentios seguiam para Jerusalém para buscar a DEUS (1Rs 8.41). A restauração de Jerusalém era também a restauração do povo de DEUS e o cumprimento de promessas futuras, visto que JESUS morreu e ressuscitou em Jerusalém (Mt 27 e 28), de onde, em Sua Segunda Vinda, segunda fase, governará o mundo (Is 24.23; Jr 33.9 Zc 14.4-21).
Comentário Histórico-Cultural da Bíblia - Antigo Testamento (2018, p. 613): "Jerusalém permanecia em ruínas desde sua destruição por Nabucodonosor II, 140 anos antes. Uma cidade cujos muros e portas haviam sido derrubados ficava completamente vulnerável à invasão e agressão externa. O livro de Esdras descreve uma tentativa anterior de restaurar os muros, durante o reinado de Artaxerxes I (c. 458 a.C.), que acabou fracassando".
1.3. Momentos difíceis unem propósitos
Hanani buscou apoio em Neemias para lidar com aquele momento de tamanha adversidade. Neemias o identifica como "um de seus irmãos" (Ne 1.2) e como "meu irmão" (Ne 7.2). É bem possível que fossem realmente irmãos. Porém, embora não fique claro se eles eram irmãos de sangue ou apenas pertencentes ao mesmo povo, Hanani e Neemias eram próximos, tanto que trabalharam juntos na reconstrução de Jerusalém (Ne 7.2). Esse fato nos mostra que os bons relacionamentos e a união de propósitos são fatores importantes para vencermos os desafios da vida. Em Provérbios 18.1, está escrito: "Busca seu próprio desejo aquele que se separa; ele insurge-se contra a verdadeira sabedoria". Mesmo Moisés sendo um grande profeta e homem de estreito relacionamento com DEUS, ele teria sucumbido e destruído seu povo caso não tivesse sido ajudado pelo seu sogro, Jetro (Ex 18). Em outro momento, precisou que Arão e Ur segurassem suas mãos até que Israel vencesse os amalequitas (Ex 17.12). Em momentos difíceis, estejamos atentos às pessoas que DEUS coloca em nosso caminho para nos ajudar.
"Hanani" significa "DEUS é gracioso". Não é possível afirmar, com certeza absoluta, se Hanani era irmão, parente ou amigo próximo de Neemias, porque "irmão" era o termo utilizado tanto para relacionamentos de amizade (Pv 17.17) quanto para designar pessoas do mesmo povo (Dt 22.1-4). Porém, é inegável que, naquele momento crítico para o povo de DEUS, Hanani encontrou apoio em Neemias e vice-versa.
EU ENSINEI QUE: Os servos do DEUS Vivo não se deixam paralisar por más notícias.
2. AS REAÇÕES DE NEEMIAS
O relato de Hanani impactou Neemias de tal maneira que o rumo da vida do copeiro do rei mudou radicalmente. A dura realidade em que estavam seu povo e a cidade de seus pais, Jerusalém, formam o contexto em que o chamado de Neemias nasceu.
2.1. Assentei-me e chorei: a reação de quem ama
Neemias nasceu na terra do cativeiro de seu povo, onde servia ao rei como copeiro, uma posição de extrema confiança. Diante disso, ele poderia simplesmente ignorar os fatos trazidos por Hanani e seguir a vida estável que levava. Entretanto, o amor gerado em seu coração não permitiu que ele se omitisse nem que ficasse em sua zona de conforto. Neemias amava a DEUS e Seu povo, e isso o levou a um choro contrito e verdadeiro por aquela situação de calamidade. Foi o amor que levou DEUS a enviar Seu Filho, JESUS CRISTO, ao mundo. Por amor, JESUS se fez homem e morreu em nosso lugar na cruz do Calvário (Jo 3.16). Igualmente, devemos mostrar empatia pelo sentimento das pessoas à nossa volta. O Evangelho de CRISTO exige um amor que não seja apenas teórico, mas que se mostra nas ações: "Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte", 1 Jo 3.14.
Diante de notícias duras ou ofensas, o cristão é chamado a não reagir no impulso, mas a cultivar equilíbrio e domínio próprio. Neemias, mesmo servindo como copeiro do rei, ilustra essa postura: antes de agir, buscou a DEUS e aguardou o momento certo (Ne 1.4; 2.4). A sabedoria bíblica aponta nessa direção: paciência que persuade (Pv 25.15), fruto do ESPÍRITO que modela o caráter (GI 5.22), a bondade divina que conduz ao arrependimento (Rm 2.4) e a fortaleza que capacita a perseverar (CI 1.11). Em termos práticos, é melhor aquietar o coração, orar e discernir, do que devolver no calor da hora.
2.2. Lamentei por alguns dias: a reação de quem não se conforma
Depois de chorar, Neemias se recusou a aceitar como definitivo aquele quadro terrível que chegou ao seu conhecimento. Embora não tivesse recursos financeiros nem influência política para fazer alguma coisa pelo seu povo, Neemias não ficou indiferente. O conformismo é um veneno que mata sonhos e promessas. Israel ficou quarenta dias no Vale de Elá sem ter quem enfrentasse Golias; todos estavam conformados com a aparente impossibilidade de vencer o inimigo (1Sm 17.1-16). Então, inconformado com a situação, o jovem Davi se apresenta e vence o gigante Golias. Onde o conformismo se estabelece e domina, não há espaço para mudanças. O inconformismo de Neemias se expressou em oração, sendo fundamentado também na Palavra de DEUS sobre a possibilidade de restauração do Seu povo (Ne 1.5-11).
No caminho da fé, a tristeza não é interditada; ela visita, ensina e passa. O que não pode é tornar-se moradia. Neemias indica um rumo: sentir, orar e avançar. A sabedoria bíblica lembra que há "tempo para todo propósito" (Ec 3.1-8) e adverte a não prolongar estados que envenenam o coração, assim como a ira não deve atravessar a noite (Ef 4.26), a dor não deve ser cultivada indefinidamente. Consolamos quem chora (Rm 12.15), mas caminhamos certos de que o pranto tem limite e a alegria amanhece (SI 30.5).
2.3. Estive jejuando e orando perante o DEUS dos Céus: a reação de quem acredita na promessa
Segundo Bispo Abner Ferreira (2022), “a vida cristã floresce quando a oração se torna um hábito perseverante: oramos com constância porque DEUS é Pai, e o coração do Pai se inclina para os pedidos de seus filhos. Por isso, insistimos em oração não para convencer a DEUS, mas para alinhar nosso querer ao dEle - confiando que seu favor nos cerca como um escudo (1Ts 5.17; SI 5.12). Orar sem cessar é viver em comunhão, apresentando necessidades, ações de graças e intercessões, certos de que o Pai nos ouve e responde no tempo e do modo que melhor revelam sua bondade."
EU ENSINEI QUE - Depois de chorar, Neemias se recusou a aceitar como definitivo aquele quadro terrível que chegou ao seu conhecimento.
3. DEUS PROMETEU RESTAURAR O SEU POVO
DEUS havia revelado ao Profeta Jeremias a queda de Jerusalém e o cativeiro de Israel na Babilônia, por causa da insistência do povo em viver na prática do pecado (Jr 25.1- 10). Ele também revelou ao Profeta que o cativeiro duraria setenta anos (Jr 25.11-12; Dn 9.2); depois disso, traria Seu povo de volta à sua terra.
3.1. Batalha espiritual
O retorno de Israel à sua terra foi conteúdo das profecias de Jeremias e Daniel. O Profeta Daniel, tendo como certo o cumprimento das profecias, ora a DEUS, jejua e se humilha, procurando compreender (Dn 10.12). A seguir, foi-lhe revelado que algumas realidades do mundo espiritual se refletem na terra (Dn 10.13); contudo, os planos de DEUS prevalecem porque Ele peleja pelo Seu povo (Dt 3.22; Sl 46.11). Devemos evitar os extremos com relação a isso. Não podemos espiritualizar tudo, como se cada fato ruim que acontece à nossa volta tivesse como causa a ação de Satanás. Mas, por outro lado, não podemos simplesmente dizer que nada é espiritual. Em Efésios 6.12, está escrito: "Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais".
Bispo Abner Ferreira (2021, pp. 109 e 110) comenta sobre Efésios 6.18: "Nesta parte, Paulo enfaticamente nos exorta a orar o tempo todo, com "todo o tipo" de oração e súplica no ESPÍRITO. Paulo provavelmente não inclui a oração como uma das peças da armadura, porque a oração do crente é muito abrangente, deve permear toda a luta, independentemente do tipo de luta, das circunstâncias ou do tempo".
3.2. As armas espirituais usadas por Neemias
A palavra de DEUS nos ensina como enfrentar a oposição de Satanás: "Revesti-vos de toda a armadura de DEUS, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo", Ef 6.11. Assim como Daniel, Neemias orou e jejuou em busca da direção de DEUS para solucionar o problema do seu povo. Antes de ser tentado pelo diabo, JESUS jejuou por quarenta dias (Mt 4.2). Assim, aprendemos que, ainda hoje, precisamos cultivar disciplinas e prática espirituais como a oração e o jejum principalmente nos enfrentamentos de desafios e batalhas que surgem ao longo da caminhada cristã. O inimigo faz de tudo para que estejamos ocupados demais para buscar a DEUS.
Bispo Primaz Dr. Manoel Ferreira (2001, L.1): "Neemias também conhecia o poder da oração: ...e estive...orando perante o DEUS dos céus' (Ne 1.4c). Através da oração, podemos conversar com DEUS acerca de nossas necessidades (Fp 4.6), e isso fez Neemias diante do Senhor. Diante das grandes necessidades, JESUS orou (Jo 11.41,42), a Igreja Primitiva orou (At 4.24,31), e nós também devemos orar (1Ts 5.17)"
3.3. Confiando em DEUS
A maior parte do primeiro capítulo do Livro de Neemias mostra seu clamor a DEUS pelo seu povo de Israel e sua restauração. Neemias estava triste, sofrendo, mas ele não se desesperou nem se deixou ser dominado pela dor. Muitas orações, ao longo da História, foram feitas no silêncio e no secreto. Não sabemos o que JESUS orou ao Pai enquanto Seus discípulos lutavam no mar da Galileia para não morrerem na tempestade (Mt 14.23-32) nem o que Daniel falou com DEUS enquanto os leões o cercavam na cova onde passou a noite (Dn 6).
DEUS, porém, decidiu que a oração de Neemias pela restauração do Seu povo fosse registrada. A lição para nós é de elevada importância. Assim como Neemias, não podemos esmorecer; antes, devemos buscar a DEUS e confiar que, para Ele, não há difícil nem impossível. Como nos ensina a Bíblia: "Se te mostrares frouxo no dia da angústia, a tua força será pequena”, Pv 24.10. Não perca a esperança, confie e creia que a última palavra vem de DEUS.
Lamentar é bíblico e humano (Ec 3.4; Sl 6.6); até os gemidos inarticulados são acolhidos por DEUS (Rm 8.26). Neemias mostra esse caminho: sentir a dor e levá-la primeiro à oração (Ne 1.4). O risco está na fronteira em que o lamento, legítimo, descamba para murmuração - atitude que corrói a fé e paralisa a obediência (Ex 16.7-12; 1Co 10.10; Fp 2.14). A maturidade espiritual consiste em lançar a ansiedade sobre o Senhor (1Pe 5.7), converter a queixa em súplica com gratidão (Fp 4.6-7; Sl 142.1-2) e, então, discernir passos práticos na direção da esperança (Lm 3.21-24; Sl 34.17), como fez Neemias ao agir no tempo certo (Ne 2).
EU ENSINEI QUE: Assim como Daniel, Neemias orou e jejuou em busca da direção de DEUS para solucionar o problema do seu povo.
CONCLUSÃO
Diante dos desafios da vida, devemos confiar em DEUS, nos revestir das armas espirituais, perseverar em oração e lançar sobre Ele todas as nossas preocupações. Agir assim nos ajuda a perseverar em tempos de tribulações, mantendo nossa esperança e fé em CRISTO JESUS inabaláveis.
